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Acidente de aviação em Loriga

"Este avião é igual àquele que em 22 de Fevereiro de 1944 se despenhou na ""Penha do Gato"",
próximo da vila de Loriga."

O avião Hudson EW 906 da Royal Air Force (RAF) tinha descolado da ilha de Gibraltar e seguia
em direcção a Inglaterra com seis tripulantes que iriam passar o Carnaval na terra natal. Pouco
depois da meia-noite do dia 22 de Fevereiro de 1944, no auge da II Guerra Mundial e com muito
nevoeiro a encobrir a serra, o avião embate violentamente nas rochas graníticas e desfaz-se em
mil pedaços. Os dois tripulantes ingleses e quatro sul-africanos, que seguiam a bordo, morrem
instantaneamente.
"Todos os seis aviadores foram sepultados no cemitério de Loriga e aí repousam até hoje. O
governo inglês todos os anos envia para a Junta de Freguesia local uma verba para que a
""Campa dos Ingleses"", como é conhecida popularmente, seja condignamente tratada."
"A presença das simples seis pedras tumulares dos aviadores contrasta com os actuais túmulos
portugueses, com mais ostentação. ""Mesmo que a embaixada inglesa não pagasse a verba,os
loricenses iríam sempre manter as campas""."
Augusto Pinto, 88 anos, tem bem viva na memória a recordação da queda do avião nos penedos da
serra.
"""Os corpos dos aviadores vieram logo para baixo e ficaram na Capela de Santo António
durante uma noite e ao outro dia foi o funeral"", recorda, lembrando que ""veio cá um padre da
religião deles e a banda também foi. Deram dois contos de reis para a banda lá ir e eu nessa altura
tocava lá e também fui""."
"O cortejo fúnebre dos aviadores ""nem foi pelas ruas habituais, porque o padre nessa altura quis
dar uma pujança ao funeral e foi feita um distância enorme para ir até ao cemitério. Foi para
mostrar que apesar de não sermos da mesma religião também tínhamos sentimentos por eles""."
"O octogenário relembra ainda que o ""padre deles lá os enterrou, esteve a responsá-los, mas a
gente não entendia nada e apesar da situação ainda nos rimos um bocado""."
"Já José Pina Gonçalves, 71 anos, tem uma visão mais limitada dos acontecimentos.""Tinha oito
anos e quando vim de manhã para a escola ouvi dizer que tinha caído um avião na serra, mas como
era muito novo não me deixaram ir vê-lo""."
"Os corpos foram transportados em cobertores para a capela e ""eu e os meus colegas fomos lá
vê-los"". Apesar de na altura ainda não ter muita noção dos acontecimentos, mais tarde foi
recolhendo elementos sobre o maior acidente ocorrido na freguesia no século passado. Descobriu
que na altura a Câmara Municipal de Seia ""não queria que o funeral deles fosse em Loriga, mas
a população,o padre e o presidente da junta da época impuseram-se e disse que Loriga tinha
condições para fazer um funeral condigno "". Assim foi, e os seis aviadores repousam num
cemitério com vistas deslumbrantes sobre os vales serranos, como aqueles que terão sobrevoado
muitas vezes a bordo das ""águias"" de ferro da RAF."
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Seis vidas destruídas na flor da idade

Campas dos seis militares no cemitério da vila de Loriga

"A bordo do Hudson EW 906 da RAF que se despenhou junto da vila de Loriga seguiam seis
tripulantes. O Capitão Roberto Tavener Hildick, o Tenente John Barbour; o Tenente Daniel De
Waal Walters; o Tenente John Patie Thom; o 1º Cabo Jack Learoyd Walker e o 1º Cabo Henry
Ernest Hedges. Os quatro oficiais eram da Africa do Sul e os cabos de Inglaterra."
Conforme consta das certidões de óbito passadas pelo Registo Civil de Seia, as mortes ficaram
registadas como tendo acontecido à 01H50 do dia 22 de Fevereiro de 1944. Segundo dados
biográficos revelados o capitão Hildick nasceu em Pretória em 4 de Novembro de 1922, tendo sido
educado na Escola de Eduardo VII. Alistou-se na Força Aérea Sul-africana em 21 de Janeiro de
1941, recebendo instrução na 75ª Esquadrilha Aérea de Pretória. Tornou-se piloto aviador em
Fevereiro de 1942, quando foi promovido a 2º Tenente Piloto. Em Outubro de 1943 deixou a África
do Sul e integrou a Royal Air Force, onde servia na 48ª Esquadrilha, sendo aqui promovido a
capitão. O tenente Barbour nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 9 de Julho de 1914, tendo
estudado na Escola de Stockbridge e depois na Escola Comercial de Stevensons. Em Julho de
1940 alistou-se na Força Aérea da África do Sul e quando já era 2º Tenente com a especialidade
de metralhadoras aéreas alistou-se na Força Aérea Britânica, tendo também sido incorporado na
48ª Esquadrilha. Já o tenente Thom nasceu em Umbigintwni, na África do Sul. Alistou-se na Força
Aérea sul-africana em Junho de 1940, tendo também tirado a especialidade de metralhadoras
aéreas. Entrou para a RAF em Outubro de 1943.
"No caso do tenente Walters nasceu a 9 de Junho de 1915 em Clan William, também na África do
Sul. Entrou na Força Aérea Sul-africana em 1942, tendo-se especializado como observador de voo.
Aderiu também à RAF em 1943. As informações sobre os dois cabos ingleses são mais escassas.
Os dados conhecidos apontam que o 1º cabo Walker tinha 26 anos, era natural de Leicester e
entrou na RAF em 1939. Quanto ao 1º cabo Hedges, tinha 30 anos, nasceu em Westminster ?
Londres e alistou-se na RAF em 1940. A queda do avião levou mesmo a poetisa popular
loriguense, Filomena Brito, a escrever no ano do acidente, várias quadras alusivas ao
acontecimento. ""Homens fortes e valentes / Da RAF eles eram soldados / Quatro tinham o cargo
de tenentes / E dois também já eram cabos"", é uma das 12 que escreveu em homenagem aos
aviadores que perderam a vida na mais alta montanha de Portugal continental."

TRAGÉDIA - Acidente em plena II Guerra Mundial

Memórias frescas

"A primeira coisa que vi foi o radiotelegrafista com o fardamento intacto que tinha os miolos de
fora"
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No dia 21 de Fevereiro de 1944 seis elementos da Royal Air Force subiram a bordo de um Hudson
EW 906, na pista do rochedo de Gibraltar e levantaram voo rumo a Londres.
Em plena II Guerra Mundial os quatro sul-africanos e dois ingleses tinham assistido durante o
mês de Janeiro desse ano a uma inversão no curso da guerra. Em 16 de Janeiro o general
norte-americano Eisenhower tinha sido nomeado como Comandante Supremo das forças aliadas
na Europa. Nesse mesmo mês termina o cerco a Leningrado e os americanos invadem as ilhas
Marshall.
"No início de Janeiro, dia 4, começa em Itália a célebre batalha de Monte Cassino. Quatro dias
depois os planos da invasão da Europa, com o nome de código ""Overlord"" (mais conhecido
como dia D), são confirmados. Entre os dias 20 e 26 desenrola-se a ""Big Week"" (grande
semana), no decurso do qual as forças aéreas britânica e americana realizam ataques
coordenados, tanto de dia como de noite, à indústria aeronáutica alemã. No dia 22 ocorrerá a
tomada de Krivoi-Rog (Rússia). Nesse mesmo dia os seis aviadores depois da meia-noite entram
no nevoeiro da Serra da Estrela e já de lá não saem para poder assistir, ou quem sabe participar a
6 de Junho de 1944 na invasão da Normandia que acabaria por ser o princípio do fim do III
Reich."
Augusto Pinto trabalhava em 1944 numa fábrica de lanifícios, em Loriga. Estava no turno da noite
quando chegou alguém a dizer que tinha caído um avião na serra.
"""Mesmo sem ordens do meu patrão decidi ir ver, houve vários colegas meus que também
'fugiram' para ir ver, devia ter pedido autorização mas naquela ânsia raspei-me pela serra acima e
depois o patrão quando vim queria-me castigar, mas depois também queria saber coisas e já não
me castigou (risos)"", recorda."
"Subir até aos 1500 metros de altitude, na chamada ""Penha do Gato"", ""era uma distância
grande"", mas a curiosidade ""acabou por ser maior""."
A queda do avião já quase se tornou uma lenda em Loriga. Os rumores tornaram-se certezas,
mesmo que as certezas não tenham confirmação.
"""Houve um homem que contou que viu o avião já a arder antes de embater na serra"", diz
António Pinto."
"Quando chegou ao alto da serra ""a primeira coisa que vi foi o radiotelegrafista ? diziam que era
ele ? com o fardamento intacto e tinha era os miolos de fora. Foi 'cuspido' do avião a uma distância
de uns 150 metros, bateu numa pedra e ficou com os miolos de fora e tinha o relógio no pulso ainda
a trabalhar""."
"Mais adiante ""estavam lá mais cinco carbonizados numa barroca grande, mas só os vi ao longe,
porque tínhamos medo que estivesse lá alguma bomba nos destroços do avião""."
"O ""filme"" na memória do homem de 88 anos vai sendo projectado nos seus olhos cada vez
mais vivos. ""Foi uma romaria de gente a ir lá ver, depois as autoridades tomaram conta do caso
e já nem me lembro quanto tempo é que demorou a trazer os destroços do avião cá para baixo,
foram uma data de homens e mulheres a trazer. As mulheres traziam as peças mais pequenas e os
homens as maiores""."
"A Junta de Freguesia de Loriga ""vendeu depois aquilo a um sucateiro"". José Gonçalves
interrompe para afirmar que o dinheiro dos destroços do avião ""reverteu a favor do
calcetamento da rua desde o Santo Cristo até à Estação dos Correios""."

A.C.® 22/02/2008
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Algumas associações e instituições


Loricenses

Centro do Apostolado da Oração em Loriga


6270 - Loriga
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O Apostolado da Oração em Loriga, teve a sua fundação em 15 de Agosto de 1885, era


pároco na altura, o Reverendo Manuel Matias dos Santos Figueiredo.
As invasões Francesas pela europa, era um expoente máximo das ideias liberais
surgidas em consequência da Revolução Francesa, por isso, eram politicamente tempos
muito complicados e difíceis não só na França, como também em Portugal.
Numa manifestação de Nosso Senhor à Santa Margarida Maria, ocorrido no Convento da
Vizitação em Paray le Moniale - França, levou à inspiração uma ideia de fé. Assim uma
onda de verdadeiro sentido de devoção fez-se sentir um pouco por todo lado, tornando
cada vêz mais forma e vontade de iniciativa para a fundação do Apostolado da Oração,
que rapidamente se estendeu por toda a europa, chegando mesmo também a Portugal .
Após a missão apostólica do Padre Tomaz Vitalle S.J. de nacionalidade italiana por
Loriga, teve início o Apostolado da Oração, passando a mesma a ser uma Associação,
cujo Diploma de Agregação tinha que estar sempre colocado ao lado do Altar próprio
como passaram a determinar os Estatutos.
Foi com verdadeiro entusiasmo, que surgiu a ideia da fundação do Apostolado da Oração
em Loriga, que teve na verdade determinante impulso, na vida religiosa desta Vila, bem
como, no anexo Fontão, inscrevendo-se logo no seu início, 139 associados e 376
associadas.
A oração era predominante no pedido a Nosso Senhor, a favor do próximo, dos mais
desfavorecidos e acima de tudo o pedido da cura e purificação para tantas feridas morais
que os homens faziam no constante dos seus crimes.
De principio e por motivo de falta de meios, o Centro, como se veio depois a chamar,
limitou-se a adquirir duas litografias devidamente molduradas de 0,50 de altura, uma do
Sagrado Coração de Jesus e outra do Sagrado Coração de Maria, que ficaram à
veneração dos associados e demais fieis, no local da igreja onde hoje está o altar do
Imaculado Coração de Maria e que na festa eram conduzidas em andor.
Cinco anos depois da fundação foi adquirido o Sagrado Coração de Jesus, que pouco
tempo depois foi mandado fazer um altar próprio .
O Apostolado da Oração passou também a ser a única fonte de receita com que o
pároco podia contar para obras, remodelações, concertos e melhoramentos que se foram
fazendo, quer na igreja quer nas capelas da Vila.
Existiram épocas em que praticamente todas as pessoas que residiam em Loriga,
faziam parte do Apostolado da Oração, sendo considerados associados, que pagavam
uma pequena quantia anual para ajuda das despesas com a festa do Sagrado Coração
de Jesus, que é feita anualmente, quando da Profissão de Fé.
São as Zeladoras que têm ao seu cuidado o Altar Mor e o altar do Sagrado Coração de
Jesus, que se esmeram para que estejam sempre bonitos. As Zeladoras de cada uma
das zonas da Vila, encarregam-se de efectuar as cobranças das quotas, assim como,
são elas encarregadas de distribuir gratuitamente pelos associados os Bilhetes Mensais.
Adaptado aos meios de hoje, a existência do Apostolado da Oração de Loriga, continua
a ser uma realidade, podendo-se até dizer, que é um dos organismos mais antigo
fundado nesta Vila. A orgânica social deste Centro é composta por Direcção:-
Presidente, Secretária, Tesoureira e ainda as Zeladoras, que por norma têm uma reunião
mensal.
Por sistema é celebrada uma Missa na primeira Sexta-Feira de cada mês. No final do
ano, o saldo existente é entregue à Comissão da Fábrica da Igreja.
Para a história da fundação do Apostolado da Oração em Loriga, aqui se registam os
nomes dos primeiros 7 Zeladores e das primeiras 13 Zeladoras, no ano de 1885:
-Zeladores:-"José Mendonça Gouveia Cabral zelador-secretário; José Pinto Duarte
Lourenço; António Mendes de Brito Lourenço; João Alves Luiz; Joaquim das Neves
Carneiro; José Gonçalves da Cruz Júnior e José Marques Reida".
-Zeladoras:- "Maria do Carmo Mendes Gouveia; Maria do Carmo Nunes; Maria Emília de
Brito; Maria Lopes de Brito; Maria Mendes Luiz; Teresa de Jesus Luiz; Maria Teresa
Mendes Lages; D.Ana Candida Monteiro de Pina; D.Maria da Anunciação Fonseca;
Carolina do Rosário de Moura; D.Maria do Carmo Cândida de Pina; D.Maria Antónia de
Brito Guimarães e Francisca de Brito".
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Fundação Cardoso de Moura


Rua Coronel do Reis
6270-090 Loriga

No Diário da República - III Série - Nr. 125, de


30 de Maio de 1994, foi publicado uma
Declaração em que se dá notícia de que se
procedeu ao registo definitivo do acto de
constituição e estatutos da Instituição
Particular de Solidariedade Social,
reconhecida como pessoa colectiva de
utilidade pública.
É destinada a contribuir para a promoção da
população de Loriga, através do propósito de
dar expressão organizada ao dever moral de
solidariedade e de justiça social entre
indivíduos, com a finalidade de facultar
serviços ou prestações de segurança social.

Fazem parte desta Fundação os imóveis a seguir mencionados:

Em Lisboa: - 6 imóveis urbanos


(actualmente estes imóveis encontram-se muito degradados, são neles que têm sido
aplicados os respectivos rendimentos, em diversas obras de recuperação)
Em Loriga;- Diversos imóveis
-Um prédio situada na Rua Coronel Reis; com quintal anexo.
-Os terrenos situados que ficam desde a "Carreira" até à Rua D. Afonso Henriques, onde
está incluída uma casa "palheira".
(Foram nestes terrenos instalados um Parque Infantil e o "Ringue" desportivo )
-Terrenos de Pinhal no lugar da Tapada do Ameal ou Seixinho.
-Terrenos de Pinhal na zona do Surgaçal.
-Terrenos no Penedo de Alvoco.
-Terrenos de Pinhal na zona da N.S.da Guia, perto do Pero Negro
-Terrenos de cultivo no Cabeço.

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Testamento de Sr. António Cardoso de Moura


Última Vontade
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"Eu abaixo assinado ANTÓNIO CARDOSO DE MOURA, casado, proprietário, com


setenta e cinco anos de idade, vou escrever este meu testamento para que sejam
cumpridas as disposições da minha última vontade, e sem prejuízo dos direitos do uso
fruto que pertencem a minha esposa Eduarda Mendes Cabral e Moura, se esta me
sobreviver, e ainda para se efectivar somente depois da morte da mesma minha esposa,
instituo com os bens abaixo designados da minha meação, como instituição de
beneficência, em Loriga, terra da minha naturalidade, um hospital ou asilo, ou qualquer
outra instituição que à data da minha morte ou posteriormente, a Comissão, que adiante
vou nomear, entender ser mais útil ou benéfica ao povo da minha freguesia. Para
esclarecer melhor o meu pensamento, declaro que é minha vontade, que mesmo fundada
qualquer daquelas instituições, se mais tarde se verificar que outra é mais útil ou
benéfica, se faça a respectiva transformação, sem perda de tempo e sempre com o
objectivo de tirarem em benefício do povo de Loriga, todo o proveito possível de que neste
testamento instituo. Para a instalação de qualquer dos estabelecimentos que em cima
instituo, estabelecimento esse, seja qual for a sua natureza, se destina a beneficiar os
habitantes da freguesia de Loriga, deixo a minha casa de habitação e quintal anexo sita
à rua da Amoreira na povoação de Loriga, com tudo quanto estiver dentro, com excepção
de ouro, pratas, jóias e máquina de costura, porém como entendo que para o fim a que
destino o recheio da referida casa, não é necessário o mobiliário do meu quarto de dormir
e mobiliário que guarnece a casa de jantar, deve a Comissão a que adiante me refiro,
vender se assim o entender, bem como outros objectos que não sejam precisos,
revertendo o seu produto em benefício da instituição que desejo ser fundada. Se em
qualquer tempo a Comissão adiante nomeada, entender instalar em qualquer outro
edifício, construído ou a construir a instituição que desejo ser criada, é bem que o faça e
destino a minha casa referida a obter rendimento para auxilio da manutenção da mesma
instituição. Deixo à mesma instituição de beneficência já referida, as propriedades
rústicas com as casas para palheiro que tenho na freguesia de Loriga, sitas ao Pero
Negro, Carreira, Penedo de Alvoco, Tapada do Ameal, Montesinhas e Cabeço, bem
como todos os prédios urbanos ou rústicos que à data da minha morte possuir na cidade
de Lisboa, para com os respectivos rendimentos assegurarem tanto quanto possível a
manutenção da instituição que fundo por esta minha última vontade.
Para dar cumprimento a esta disposição da minha última vontade, fundando a instituição,
administrando os bens que lhe ficam adestristos, superintendendo em todos os actos
administrativos, e ainda para escrupulosamente defenderem o pensamento com que dito
este meu testamento, constituo uma Comissão permanente composta sempre dos
indivíduos que desempenham as seguintes funções na freguesia de Loriga: Médico
Municipal, Pároco da Igreja Matriz, Professor ou Professora primária mais antiga nas
escolas da freguesia, Presidente da Junta de Freguesia e Regedor ou qualquer outra
autoridade administrativa que venha a substituí-lo. Os membros desta Comissão
escolherão um nome a dar à instituição que fundo e o seu objectivo, bem como
escolherão entre si o Presidente e distribuirão os cargos necessários.
Quando algum dos indivíduos que desempenham as funções que lhe dão qualidade para
fazer parte da Comissão, falecer, será na mesma Comissão substituído por quem vier a
ocupar o seu lugar, mas a sua posição dentro da Comissão, será determinada por
deliberação e escolha dos outros membro........................
Desejo ser enterrado no cemitério de Loriga e na sepultura qua lá possuo para mim e
minha esposa"
Ass) António Cardoso de Moura

Elenco Directivo da Fundação Cardoso de Moura (2002/2005)

Direcção
Presidente:- Carlos Lopes Ortigueira
1º. Vogal: - Carlos Jorge M. Cardoso
2º. Vogal:- Carlos Pina Melo
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Associação
Loricense
de Apoio à
Terceira
Idade
Fundada em
12 de Julho
de 1990
Nr.Cont.
502429356
Rua do
Terreiro do
Fundo
6270-103
Loriga - Telef.
238/954418

Esta Associação foi constituída por vontade de 25 Loricenses de todas as condições


sociais, que outorgaram a respectiva escritura pública em 12.07.90, tendo os respectivos
estatutos sido publicados no Diário da República, Nr.195, III Série de 24.08.90, e sendo a
Comissão instaladora constituida pelos cinco primeiros outorgantes:
-Carlos Nunes Cabral Júnior; António José Aparício Conde; Fernando Ambrósio Pereira;
Padre Francisco Borges Ascensão e António Pinto Ascensão.
No dia 5 de Dezembro de 1990, foi solicitado o respectivo registo, através de
requerimento à Segurança Social da Guarda.
A fundação desta Associação teve por objectivo, dar apoio aos idosos e promover o
voluntariado humanitário em Loriga e, o seu âmbito de acção, abrange esta mesma
freguesia.
Como primeiro passo, foi adquirida a casa que se encontrava em ruínas, pertencente aos
herdeiros de Maria do Carmo Mendes, tendo então sido construído um prédio com
magnificas e modernas instalações e, ainda, as respectivas infra-estruturas necessárias
numa obra de que todos os Loriguenses se orgulham.
Numa actividade de apoio aos idosos, quer aos que ali se deslocam diariamente, quer o
apoio domiciliário, é de facto gratificante a existência desta instituição na localidade de
Loriga, onde as pessoas hoje em dia parecem sentir que não estão completamente
abandonadas.
Situada num local privilegiado desta Vila de Loriga, tem sido uma luta permanente e
constante da Direcção desta Associação, a tentativa de concretização dos sonhos,
projectos e objectivos que se propuseram alcançar em prol dos idosos e dos seus
conterrâneos.
Já com um número significativo de Associados, os seus dirigentes têm apelado no
sentido de serem muitos mais pois, para o sucesso destas obras é necessária a
congregação de forças e vontades de todos, para levar por diante tão importante
agremiação.
Recentemente foi adquirida uma Carrinha, que veio dar um grande apoio aos seus
Associados.
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Elenco Directivo para o Triénio 2005/2006 da Associação Loriguense de Apoio à


Terceira Idade

Assembleia Geral
Presidente - Horácio Costa Pinto Ortigueira
1º. Secretário - Maria de Lurdes Mendes Claro
2º. Secretário José Florêncio Alves

Direcção Suplentes
Presidente - Jorge Manuel Costa Pinto Presidente - António Pinto Ascensão
Vice-Presidente - Álvaro Silva Pinto Vice-Presidente - Alfredo Pereira dos Santos
Secretário - Joaquim Santos Baptista (a) Secretário - Maria Amélia Brito Aparício
Tesoureiro - Fernanda Pires Amaral Tesoureiro - José Brito Ribeiro
Vogal - Carlos Moura Romano Vogal - José do Nascimento Claro

Conselho Fiscal Suplentes


Presidente - José Pina Gonçalves Presidente - José Manuel Marques Garcia
Vogal - António Fonseca Moura Vogal António Ferreira Penas
Vogal António Luis Amaro Vogal Maria Isabel Brito Aparício

Centro de Assistência Paroquial de Loriga


Largo do Adro 16
6270-074 Loriga
Telef. 238/953191

Foi fundado em 1952 pelo Sr.Padre António Roque Abrantes Prata, que foi pároco em
Loriga durante 22 anos. Os respectivos Estatutos foram, em principio, aprovados por
Dom Domingos da Silva Gonçalves, Bispo da Guarda, em 25.7.1952, sendo oficializada
essa aprovação em 07.de Maio de 1953 e publicado no Diário da República Nr.116, 3a.
Série de 16.5.1953.
Teve o seu registo definitivo na Direcção Geral de Acção Social, em 18 de Março de
1983, no Livro das Fundações de Solidariedade Social a Fls. 161 verso e 162 sob o
número 24/83.
Tinha como finalidade e objectivo, prestar auxilio social e moral aos jovens e crianças,
bem como apoio à população activa através de promoção de desenvolvimento cultural e
ainda assistência às pessoas idosas e necessitadas da freguesia.
Tem sido um longo percurso de amor ao próximo, tendo o seu inicio ainda na década de
1950, com a chamada "sopa dos pobres", continuando a sua actividade orientada e
materializada nos valores e principios defendidos pela Doutrina Social da Igreja,
Em 2 de Julho de 1962, as Irmãs da Congregação de S.João Baptista, em Gouveia,
ocuparam-se de todos os serviços do Centro, instalando-se na casa do Padre António
Mendes Lages que, em vida, doou todos os seus bens para o Centro Paroquial.
As actividades deste Centro tem sempre funcionado num sistema bem alargado, de
acordo com os critérios estatuários para os fins que foi fundado. A Creche; Jardim de
Infância; apoio aos jovens e orientação nas actividades dos tempos livres; Cantina e
assistência domiciliária aos pobres e doentes, têm sido estas as actividades
desenvolvidas em prol da população, e que vão de encontro aos ideais do seu fundador.
Nos anos mais recentes, a preocupação deste Centro tem sido concentrada numa
conjunção de esforços para com as pessoas chamadas de terceira idade, projectando e
levando a efeito a construção da Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia, que será
de importância vital para a população, e que, por certo, irá contribuir para um melhor bem
estar das pessoas idosas.
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Grupo
Desportiv
o
Loricense
Fundado em
8 de Abril de
1934
Rua Viriato
6270-104
Loriga
Telef.
238/953173
E.mail:
gdl@loriga.org

O Grupo Desportivo Loricense foi fundado em 8 de Abril de 1934, pelos Srs. Manuel
Gomes Leitão; Carlos Nunes Pina; António Nunes Ribeiro e Joaquim Gonçalves Brito,
quando, na década de 1930, muita juventude despontava já para a prática do desporto,
sendo o desporto e a cultura os principais objectivos dessa fundação.
O primeiro equipamento do Grupo Desportivo, em segunda mão, foi oferecido por Manuel
Gomes Leitão, um dos fundadores. A primeira Sede foi no Terreiro da Lição para então,
em 1938, ser mudada para a Rua Viriato onde se tem mantido até agora.
O Campo de Jogos pertence ao Grupo Desportivo, que o adquiriu em 1961 por
14.000$00, importância em parte oferecida por um Loricense residente no Congo,
António Lemos Leitão, que contribuiu com a quantia de 6.000$00.
As actividades desportivas desenvolvidas pelo Grupo têm sido o futebol de onze e de
salão, o atletismo, xadrez, damas, ténis de mesa, bilhar e cicloturismo.
Ao longo destes anos de existência, são dignos de realce alguns bons executantes que
serviram o Grupo na modalidade de futebol e que se poderiam ter distinguido no país. No
entanto o que parece ter ficado como um símbolo foi, sem dúvida, o Armando
"Folhadosa", que viria a morrer ainda jovem por doença que na altura vitimava muita gente
e que, segundo dizem os antigos, era um jogador longilíneo, polivalente e aguerrido.
O patamar mais elevado, ao nível da modalidade de futebol, foi quando se chegou a
disputar o Campeonato Distrital da Guarda da 2a. Divisão. Nestes últimos anos, as
modalidades praticadas e que mais se têm notabilizado, são o Xadrez; o Cicloturismo e
o Atletismo, estando mesmo federado na Associação de Atletismo da Guarda.
Anualmente, vem o Grupo Desportivo Loricense organizando a São Silvestre de Loriga
que traz a Loriga muitos atletas da região e mesmo de outros pontos do país.
Nos tempos actuais, um dos objectivos prioritários é a aquisição de Sede própria, tendo
os seus dirigentes dado já passos importantes nesse sent ido.

Elenco Directivo do Grupo Desportivo Loricense (Biénio 2004/2005)


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Direcção
Presidente - Fernando Jorge M.
Pereira
Vice-Presidente - Vitor Manuel B.
Assembleia Geral Moura
Conselho Fiscal
Presidente - José Francisco L. 1º. Secretário - Flávio André P.
Presidente - José Manuel Almeida
Romano Pereira
Pinto
Secretário - Jorge Santos 2º. Secretário - Carlos Manuel B.
Secretário - Emídio Cristóvão S.
Marques Lucas
Pereira
2º. Secretário - José Aparício Tesoureiro - Rui Miguel G. Gomes
Relator - Daniel Brito Lucas
Fernandes Vogais - José Pereira Ano Bom;
José M.
Conde; António Manuel M.
Marques
e Bruno Miguel P. Santos

Casa do Povo de Loriga


Rua Viriato
6270-103 Loriga

Tutelada pelo Governo remonta à década de 1960 a criação desta Associação em Loriga,
tal como vinha acontecendo um pouco por todo lado, aquando da extensão do Sistema
da Segurança Social aos rurais em Portugal.
Durante anos foi, de facto, uma verdadeira "caixa" dos rurais, mas não só, pois passou a
abranger muitos dos idosos, principalmente os das classes menos favorecidas desta
localidade, que passaram a ter direito a uma pensão de sobrevivência e a assistência
médica. Esta medida veio proporcionar aos idosos, mesmos aos não contribuitivos, um
melhor poder económico e uma velhice mais tranquila.
Ao longo da sua existência, e numa permanente actividade pela causa dos mais
necessitados, esta Associação teve também um papel fulcral no empenho que
demonstrou junto da população, ao nível cultural, apoiando mesmo o grupo "Novo
Horizonte", que propagou Loriga através da divulgação da música de raiz popular,
fazendo renascer as "cantigas" que o Povo, em tempos passados, cantou.
Com a extinção da Junta Central das Casas do Povo, em 1 de Agosto de 1990, as
Casas do Povo deixaram de estar sob a tutela do Governo, e a Casa do Povo de Loriga
não fugiu à regra, pois passou a viver pelos seus próprios meios, ficando o seu âmbito de
acção bastante diminuído.
Existindo a sede própria, e mantendo os seus órgãos sociais, urge dinamizar os
projectos e objectivos culturais que os mesmos têm em mente, para o bem de Loriga.
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Socorro
Paroquial
Loricense
Fundado em 20
de Março de
1955
Rua Viriato
6270-103 Loriga

Esta Associação foi fundada, em 1955, pelo Sr.Padre António Roque Abrantes Prata,
inspirado na solidariedade humana e caridade cristã.
Foi, durante anos da sua existência, um verdadeiro reforço, na ajuda à doença dos
operários das fábricas mais necessitados, bem como um local de convívio, amizade e,
ainda de algumas actividades recreativas dos associados e suas famílias.
Esta Associação era, também, um local onde muitos Loricenses passavam muitas das
horas a ver a televisão, numa época em que, a grande maioria da população, não era
ainda possuidora dessa "caixinha" que viria então a modificar o mundo. Em 1960, cinco
anos depois da sua fundação foi adquirida a Bandeira da Associação.
Às quatro horas na madrugada de 26 de Dezembro de 1962, um violento incêndio
destruiu completamente a sede do Socorro Paroquial Loricense, bem como todo o seu
recheio, com as consequências que daí se possam adivinhar e que resultou em prejuízos
na ordem de mais de uma centena de contos.
Apesar disso, o desânimo que no momento tomou conta da população, não foi suficiente
para fazer desistir os seus dirigentes e sócios. Reuniram-se esforços no sentido de
reedificar esta Associação, sendo necessário procurar outra habitação, onde ainda hoje
se encontra.
Com o decorrer do tempo, e porque outros mecanismos de segurança e solidariedade
social foram surgindo, o objectivo primeiro do Socorro Paroquial Loricense, idealizado
pelo seu fundador, foi-se diluindo. Actualmente, esta Associação é um local de convívio e
passatempo dos seus associados, frequentado por muitos Loricenses, continuando a
fazer parte da vida social e cultura desta Vila de Loriga.

**

Nota:- Em Assembleia Geral realizada no dia 20 de Março de 2005, foi deliberado o encerramento da porta
desta Associação, por motivo de falta de elementos para integrar os seus corpos sociais. Encerra-se
assim um circulo de 50 anos em prol da comunidade.
- 10 -

Cooperativ
a Popular
de Loriga
Fundada em
13 de
Fevereiro de
1954
Rua D.Afonso
Henriques
6270-104
Loriga
Telef.
238/953220

A fundação deste organismo em Loriga teve, como objectivo prioritário, pela prática de
preços mais baixos, tornar mais acessível aos trabalhadores, principalmente aos
operários, os bens de consumo essenciais, tendo na pessoa do Sr.Padre António Roque
Barreiros Prata, um dos seus impulsionadores.
Por vezes os tempos são difíceis, tornando os bens essenciais e de sobrevivência em
valores altos e alcançando preços proibitivos. Por isso, o surgimento das cooperativas
que tinham por finalidade libertar os seus associados dos encargos respeitantes aos
lucros dos intermediários, nomeadamente em populações em que o nível de vida é baixo.
Isso mesmo aconteceu nesta vila na década de 1950, em que as famílias eram
numerosas e grande parte das pessoas trabalhavam nas muitas fábricas locais.
Tratando-se de uma vila industrial, os bens essenciais atingiam preços elevados, pelo
que surgiu a ideia de fundar a Cooperativa Popular de Loriga, numa união de forças da
população a que se juntou a quotização dos associados.
Com o decorrer dos tempos, foi construída uma sede própria, sendo o primeiro
organismo associativo de Loriga a conseguir tal feito. Apesar de ter sido muitas das
vezes ameaçada de encerramento durante a sua existência, conseguiu, no entanto,
sempre sobreviver.
A Bandeira desta Cooperativa foi idealizada como se de uma Associação se tratasse,
tendo sido adquirida alguns anos mais tarde e benzida na igreja paroquial, durante a
missa, no dia 1 de Janeiro de 1962.

Elenco Directivo da Cooperativa Popular de Loriga (Biénio 2004/2005)

Direcção
Presidente - Joaquim Mendes
Assembleia Geral
Costa Conselho Fiscal
Presidente - Carlos Alves Moura
Vice-Presidente - António Brito Presidente - Carlos José Brito
1º. Secretário - José Florêncio
Aparício Marques
Alves
Secretário - António Brito Lages Secretário - Jorge Alves Pina
2º. Secretário - Carlos José Pina
2º. Secretário - José Brito Madeira Relator - António Marques Garcia
Alves
Tesoureiro - António Santos
Marques
- 11 -

Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia


Estrada Nacional Nr.231
6270-808 Loriga
Telef. 238/951852 - 238/951859

A Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia, foi criada com base nos princípios e nos
critérios do Centro de Assistência Paroquial de Loriga tendo, no Padre Francisco Borges
de Assunção, o grande impulsionador para esta obra.
Construída na Estrada Nacional que passa em Loriga, num local onde se pode vislumbrar
uma paisagem impressionante sobre a Vila, é uma obra de vulto de que os loricenses se
orgulham.
O dia 18 de Dezembro de 1998, foi uma das datas histórica, ao ser concedida a
adjudicação das obras, sendo assinado o contracto da Empreitada dez dias depois
(28.12.98).Dois dias depois, em 30.12.1998, deu-se início à terraplanagem e preparação
do terreno para a construção que, começando em bom ritmo, foi conhecendo alguns
contra-tempos por motivos da orografia do terreno, que foram sendo ultrapassados.
- 12 -

No dia 3 de
Setembro de
2000, já com
as obras em
andamento, foi
realizada
simbolicament
e, a benção e
lançamento da
primeira pedra
da Capelinha
do Lar, numa
cerimónia
solene, a que
se associaram
numerosos
loricenses,
autoridade
civis e
religiosas .
Hoje, a
existência de
obras sociais
como esta, faz
parte das
transformaçõe
s que se vêm
operando na
sociedade
actual, onde é
necessário e
justo
defender-se os
valores
fundamentais
do humanismo
em prol dos
idosos, numa
sociedade em
que a solidão
está cada vez
mais presente
nesta camada
da população,
a maior parte
das vezes
incapazes de
fazer qualquer
coisa por si
próprios.
- 13 -

Em respeito à sensibilidade, ao carinho e à admiração pelas pessoas mais idosas, no


sentido de minorar o seu sofrimento e proporcionar uma melhor qualidade de vida nos
restantes anos que lhes estão reservados neste mundo, a Casa de Repouso da Nossa
Senhora da Guia, será um espaço de importância vital para a localidade de Loriga.
Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia começou a funcionar no dia 13 de
Setembro de 2004, em principio com apenas quatro idosos internados, mas logo depois
muitos mais se seguiram, passando assim a estar em pleno funcionamento.
A inauguração oficial realizou-se no dia 30 de Janeiro de 2005, pelo Senhor Ministro da
Segurança Social, da Família e da Criança, Dr. Fernando Negrão e a benção das
instalações com a celebração solene presidida pelo Senhor Bispo Coadjutor da Diocese
da Guarda, D. Manuel Felício.
Estiveram presentes também o Senhor Governador Civil da Guarda, o Presidente da
Câmara, o Senhor Director do Centro Distrital de Segurança Social da Guarda, e ainda
os dirigentes dos organismos administrativos e associativos de Loriga, bem como, muito
povo.
A Casa de Repouso de Nossa Senhora da Guia, é uma instituição particular de
solidariedade social, sem fins lucrativos, com sede em Loriga, cuja sede de freguesia
tem por nome Loriga,distrito da Guarda.
Tem estatutos e está registada na Direcção Geral de Segurança Social, pela inscrição
Nr. 24/83, a fls. 161 verso e 162, em conformidade com o disposto no Nr.1 do artigo 34º.
do Estatuto das Instituições Privadas de Solidariedade Social, e considera-se efectuado
em 18 de Março de 1983.
A Direcção Técnica compete a um técnico, nos termos do disposto na Norma XI, do
Despacho Normativo Nr. 12/98, publicado no Diário da República I Série - B, Nr.47 de
25/02/98, cujo nome, formação e conteúdo funcional se encontra afixado em lugar visível.
A lotação do Lar é de 50 utentes. Está preferencialmente, vocacionado, para o
acolhimento com carácter permanente ou temporário de pessoas idosas de ambos os
sexos, desintegradas do meio social e familiar, não autónomas na satisfação das suas
necessidades básicas e que expressem livremente a sua vontade em serem admitidas,
favorecendo as relações interpessoais entre os idosos e destes com outros grupos
etários, a fim de evitar isolamento.
O serviço prestado pelo Lar, baseado em - a)Alojamento; b)refeições;
c)Convívio/ocupação; d)Cuidados de higiene e conforto; e)Tratamentos de roupas; f)Férias
organizadas; g)Apoio médico e enfermeiro.

Alguns apontamentos regulamentares:

O Lar funciona sete dias por semana, durante 24 horas, em sistema de turnos. O
atendimento ao público pela técnica Superior de Serviço Social é efectuada às terças,
quartas e quintas-feiras, das 11,00 às 13,00 horas e das 14,00 às 16 horas.
São facultativas visitas periódicas aos utentes pelos familiares e amigos, com horário
diário das 15,00 às 16,30 horas e das 17,30 às 18,30 horas.
O funcionamento orgânico do Centro de Assistência Paroquial de Loriga "Casa de
Repouso Nossa Senhora da Guia", é definido por um regulamento interno aprovado em
27 de Agosto de 2004, em reunião de Direcção, assinado pelo Padre João António
Gonçalves Barroso, Carlos José Brito Moura, Manuel Mendes Henrique Lemos e Joaquim
Brito Santos.

Directora:- Dra. Ana Margarida (Assistente Social)


- 14 -

Irmandade do
Santíssimo
Sacramento e
das Almas de
Loriga
Largo do Adro
6270-074 Loriga
- 15 -

A Irmandade do S.Sacramento e das Almas de Loriga, é a mais antiga de todas as


associações de Loriga, sabendo-se que a sua fundação remonta ao século XIV e que
noutros tempos funcionou como se fosse Santa Casa da Misericórdia de Loriga,embora
nunca tivesse esse nome. Um dos documentos antigos mais interessantes encontrados,
sobre a Irmandade das Almas em Loriga, data de 10 de Setembro de 1837 e é assinado
pelo Sr. Manuel Pinto Galvão, ao tempo Regedor da Freguesia.
Esta associação foi registada no Registo Civil da Guarda em 27 de Fevereiro de 1883,
data da aprovação dos primeiros estatutos conhecidos, substituindo as directrizes com
as quais até ali se regulamentavam, desde os tempos da sua fundação e de acordo com
os termos em vigor e legais dos "Breves Pontifícios".
Por ter desabado a Igreja Matriz, em consequência do um terramoto ocorrido meses
atrás, foi na Capela do Santo António, que no dia 8 de Dezembro de 1882, se reuniram
José Mendonça Gouveia Cabral e ainda mais onze irmãos da Irmandade, para na
presença do Reverendo Pároco da Freguesia, Manuel Mathias dos Santos e Figueiredo,
elaborarem os Estatutos segundo as leis vigentes e nos termos do disposto na portaria
de 6 de Dezembro de 1872.
Depois de discutidos e dado o parecer favorável, por todos os irmãos presentes, foram
aprovados, sendo assinado a acta da sessão, onde alguns deles assinaram com uma
cruz por não saberem ler e escrever.
Constava nos seus primeiros estatutos, ser uma instituição religiosa estabelecida em
Loriga e, tinha por finalidade, prestar culto e veneração a Deus para alcançar a Bem
Aventurança, rogando pelos pecadores e ainda sufragar as almas dos Irmãos falecidos,
praticar todos os actos de beneficência que estivessem ao seu alcance e subsidiando o
ensino primário da Freguesia, nos termos da lei.
Constava ainda desses estatutos, ter um altar privativo na Igreja Matriz, com a devoção
ao Senhor das Almas mas, após a revisão dos mesmos em 1954, deixou de ser feita
alusão ao altar, bem como deixou de constar a parte referente a subsidiar o ensino
primário da Freguesia.
É nas instalações desta associação, que está sediada a casa mortuária de Loriga,
assim como um museu que guarda grande parte do espólio da Igreja Paroquial.
A Direcção desta associação é composta pela mesa que funciona com os seguintes
elementos: Juiz, Secretário, Tesoureiro e Vogais. Os seus associados pagam uma
quotização e são referenciados por:- Irmãos no activo, inactivos, ausentes, casadas,
solteiras ou viúvas e mulheres de Irmãos.
Cada Irmão, por morte, tem serviço religioso gratuito, com missa de corpo presente,
mais serviço do funeral e ainda 20 missas.

Elenco Directivo da Irmandade do Santíssimo Sacramento e das Almas de


Loriga (2004-2005)
Juiz - Joaquim Adelino Marques
Secretário - Jorge Alves Pina
Tesoureiro - Jorge Arménio Pina Figueiredo
Vogais - António Manuel Moura Conde; Jorge Moura Mendes; Carlos Luís Moura Pina; Fernando Alves
Pereira.

"ANALOR" Associação dos Naturais e Amigos de Loriga


Rua Sport Sacavanense Lote 30 - Loja A
Quinta do Património
2685 - 010 Sacavém
Telef. 21/9417640 - Fax. 21/9400515

e.mail: analor@netcabo.pt
- 16 -

http://analor.no.sapo.pt

Criar um espaço onde pudessem viver a sua terra, confraternizar e contribuir para a sua
divulgação e desenvolvimento cultural, foi desde sempre um sonho dos Loricenses
residentes na Grande Lisboa.
Em 1987, num espirito de verdadeiro bairrismo, alguns Loricenses abraçaram a ideia de
levar em frente a criação desta Associação, sendo registada em Cartório Notarial, em 5
de Março desse mesmo ano e publicado posteriormente no Diário da República ficando,
assim, concretizado esse sonho de que os naturais de Loriga muito se orgulham.
De acordo com o que consta nos estatutos, a morada da sua primeira sede era na Rua
dos Combatentes da Grande Guerra, nr.34 em Sacavém, casa de um dos fundadores.
A sede oficial, passou depois a ser na Rua José Augusto Braancamp, nr. 27 em
Sacavém, casa pertencente a um Loricense, que a disponibilizou para esse efeito. Mais
tarde, e após um grande esforço de muitos dos associados e amigos de Loriga, em
trabalhos de obras de recuperação e restauro de uma habitação em estado de
degradação, pertencente à autarquia local, foi então transferida a sede da Associação
para o Largo 5 de Outubro, nr.16 também nesta mesma cidade.
- 17 -

Entretant
o, com o
rigor do
inverno,
as
estrutura
s desta
mesma
casa
começar
am
também
a
degradar-
se
constitui
ndo até
um
perigo a
permanê
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mesmas.
Houve,
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es,
sendo a
sede
mudada
para
onde
hoje se
encontra,
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muito,
para este
facto, o
bom
relaciona
mento
existente
entre os
Loricens
es e a
autarquia
local,
cujo
apoio foi
de
grande
importân
cia para
a Sede da ANALOR em Sacavém
resoluçã
o deste
- 18 -

parecendo até uma segunda Loriga. Por isso, também a justa e feliz ideia da geminação
destas duas localidades em 1 de Junho de 1998.
Das muitas actividades que a Associação dos Naturais e Amigos de Loriga leva a efeito,
sobressai a organização, anual, da Semana Serrana, que normalmente é realizada em
Junho, um evento de verdadeira dimensão, unindo os Loricenses com outras
comunidades numa festa e num trabalho de aposta e divulgação dos valores e raízes
culturais de Loriga e da região serrana.
A ANALOR está inscrita no INATEL e na Federação das Colectividades de Cultura e
Recreio. É uma Associação de interesse público e de carácter regional, que se esforça
por promover o desenvolvimento de Loriga e da região da Serra da Estrela. Tem sido uma
das organizações que mais tem contribuído, na Área Metropolitana de Lisboa, para a
divulgação da região serrana, nomeadamente no que respeita às especificidades
sócio-culturais e potencialidades de desenvolvimento.
É da propriedade desta Associação o Jornal "Garganta de Loriga", com uma tiragem de
2.500 exemplares, que chega a todos os pontos do mundo onde existem Loricenses.Foi
este jornal que alertou os Loricenses para a história plurimilenar da sua
terra-natal,através principalmente dos artigos de António Conde,um grande historiador de
Loriga.
Existe, também, nesta cidade de Sacavém, uma rua com o nome de Loriga, uma
homenagem que a autarquia local quis prestar à ANALOR e também a todos os
Loricenses.

Condecoração Municipal
Em 2005 a ANALOR - Associação dos Naturais e Amigos de Loriga, foi condecorada
com a Medalha Municipal de Mérito Cultural pela Câmara Municipal de Louros.

Elenco Directivo da ANALOR (Biénio 2005/2006)

Direcção
Presidente - Carlos Melo
Vice-Presidente - António Santos Conselho Fiscal
Assembleia Geral
Tesoureiro - José Gouveia Presidente - José Ferreira
Presidente - Rui Ortigueira
Secretário - Sónia Galvão Vice-Presidente - Fernando Moura
Vice-Presidente - Mário Pina
Vogais - António Pina; José Palas; Secretário - José Carlos Moura
Secretário - José Mendes
Fernando Cruz; Fernando Tiopisto Mendes
Aurélio Pina; Casimira Mendes e
Joaquim Silva.

Centro Loricense de Belém-Pará


Av. Osvaldo Cruz
(Associação Vasco da Gama)
Belém - Brasil
Fundado em 4 de Julho de 1937
- 19 -

Foi a primeira Associação Loricense a ser fundada fora de Loriga e, particularmente, a


única até agora a ser criada no estrangeiro.
A reunião realizada nessa data já distante de 4.7.1937 e efectuada na sede da "União
Comercial do Pará" - Rua Senador Manuel Barata, ficou para sempre memorável, quando
113 filhos de Loriga ali acorreram para partilhar da ideia de alguns jovens verdadeiramente
bairrista. Esses jovens eram liderados por Joaquim Mendes Simão, e tinham, como
sonho, a criação de um núcleo associativo próprio da sua querida terra, que ficava
situada lá muito distante.
A primeira Direcção foi nomeada e ficou assim constituída:

Presidente-Joaquim Mendes Simão


1.Secretário- Herculano de Brito Leitão
2.-Secretário - José Lucas Filho
Tesoureiro - Mário Fernandes Carreira
Directores:- António da Costa Lemos; Carlos Antunes Martins e Mário Aparício Martins.

Num ideal de amor, força, e numa razão de engrandecimento da sua terra, nasceu o
Centro Loricense em Belém do Pará.,A primeira sede social foi instalada na Trav.Frei Gil
da Vila Nova; mais tarde mudou-se para uma casa mais espaçosa na mesma via para,
muito mais tarde, passar a funcionar na Associação Vasco da Gama. E assim, os
naturais da Vila de Loriga se uniam na recordação, com mais intensidade, à terra que os
viu nascer, à casinha pequenina que tinha sido seu berço, invocarem os áureos tempos
de suas infâncias, glorificando os familiares que deixaram, lembrando a igreja, o adro, a
torre com os sinos, as ruas acanhadas, a escola onde soletraram o A,B,C., o som
produzido pelas águas das suas ribeiras, o ruído característico e confuso das fábricas
em plena actividade, as hortas, os milharais, os pinheiros, os castanheiros, as amoras
silvestres nos muros e valados, as giestas e as plantas florindo no campo, as encostas
suaves e agrestes, as andorinhas, os pardais, os folares da Páscoa as fogueiras de
S.João, a romaria da N.S.da Guia, o Natal festivo, as noites quentes ao luar, os dias
tempestuosos do inverno e ainda redendo culto à memória dos que na sua terra morriam.
O Centro Loricense de Belém, apesar de distante, tem sido através dos anos, um
exemplo máximo num desempenho bairrista e de engrandecimento da Vila de Loriga e
continua a ser uma referência de identidade onde todos ainda podem gozar
espiritualmente a ventura dos tempos que já lá vão, o presente e a sempre esperança do
futuro.

O Centro Loricense de Belém - Pará foi condecorado pelo governo português em 1959,
com o Grau de Comendador da Ordem de Benemerência de Portugal, assinado pelo
Presidente da República General Craveiro Lopes.
Também foi agraciado pelo Conselho Estadual de Cultura do Pará, com a medalha e
diploma "D.Pedro I" comemorativos dos 150 anos da Independência do Brasil.
Possui a Medalha dos 40 anos da Revolução Nacional.
O Estandarte do Centro Loricense recebeu a Medalha Comemorativa do desfile em
Lisboa das Associações Portuguesas espalhadas pelo Mundo.
Medalhas dos primeiros centenários do Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro
e do Grémio Literário e Recreativo Português de Belém-Pará .
- 20 -

Bandeira do Centro Loricense de Belém-Pará Brasil

Escola C+S Dr. Reis Leitão


Loriga
Telef. 238/954308 - 238/954361
Fax 238/954024
e.mail:- info@eb23-dr-reis-leitao.rcts.pt
www.escola-dr-reis.leitao.rcts.pt
- 21 -

Pode considerar-se a obra de maior vulto, construída em Loriga, nestes últimos anos.
Foi, assim, concretizado um sonho que se tornou numa "vitória da presistência e da
convicção", e de grande importância para esta vila e aldeias vizinhas da Região de
Loriga.
As origens da Escola C+S de Loriga remontam a 1968 com a criação da então chamada
Escola Preparatória.Desde o início a funcionar em instalações exíguas e alugadas pelo
Estado,que se resumiam ao Solar da Redondinha,do século XVII,e à antiga escola
primária,o desejo de instalações próprias e dignas foi imediato.Entretanto a escola foi
requalificada,o número de alunos aumentou,foram construídos pavilhões
pré-fabricados,mas as instalações continuavam insuficientes e cada vêz mais
degradadas,até que finalmente,em 1995,foi iniciada a construção do edifício da Escola
C+S.

Calendário do Processo da C+S Dr. Reis Leitão

1989 - Requalificação da Escola


14.09.1993 - Abertura do primeiro concurso de adjudicação da obra (D.R. Nr.216)
18.10.1993 - Abertura das propostas
14.04.1994 - Pagamento da maioria dos terrenos pela Câmara Municipal
07.06.1994 - Publicação do Protocolo entre a DREC e Câmara Municipal (D.R. Nr.131)
07.07.1994 - Por despacho, anulação do concurso, pelo Sr. Secretário de Estado
Dr.Bracinha Vieira
16.11.1994 - Audiência da Junta de Freguesia com o novo Secretário de Estado, Dr.
Castro Almeida na Escola C+S de Paranhos da Beira
30.12.1994 - Comunicação do Sr. Secretário de Estado à Junta de Freguesia e Câmara
Municipal da intenção de lançamento da obra
23.06.1995 - Ministra da Educação, Manuel Ferreira Leite, anuncia na Câmara Municipal
a
concretização da obra, estando previsto o seu início para Outubro
25.07.1995 - Abertura de novo concurso de adjudicação da obra (D.R. Nr.170)
11.09.1995 - Abertura das propostas concorrentes na Direcção Regional em Coimbra
28.09.1995 - Assinatura de novo Protocolo entre a DREC e a CMS na Escola C+S de
Loriga
02.10.1995 - O Grande Dia - Início da obra pela empresa vencedora do concurso - Manuel
Rodrigues Gouveia, Lda. Com sede em Seia
30.09.1996 - Abertura do Ano Lectivo
Novembro 1996 - Inauguração Oficial da Escola

***

A Escola tem uma capacidade para 12 Turmas, custou cerca de 450 mil contos, tendo o
projecto sido co-financiado pela União Europeia através do programa FEDER e também
pela Câmara Municipal.
No dia 5 de Setembro de 1997,a Escola C+S Dr. Reis Leitão de Loriga, recebeu a visita
do Sr.Primeiro-Ministro, Eng. António Guterres, do Ministro da Educação, Dr. Marçal
Grilo, da Secretária de Estado da Educação e Inovação, Dra. Ana Benavente e, ainda, do
Secretário do Estado da Administração Educativa, Dr. Guilherme d´Oliveira Martins.

Clube dos Metalúrgicos de Loriga


Fundado em 16.11.1971
Rua da Sociedade Recreativa Musical Loricense
6270-110 Loriga
- 22 -

Clube fundado pelos trabalhadores da Metalúrgica Vaz Leal, idealizado como meio
cultural e recreativo e ainda de encontro e passatempo desses trabalhadores.
Abre todos os dias, sendo frequentado, sobretudo, pelos seus Associados.

Outras Associações de Loriga, que se foram extinguindo através dos tempo,


restando hoje apenas recordações, que ficaram para sempre na memória dos
loriguenses.

***

Associação Católica de Operários e Artistas


Fundação 1 de Janeiro de 1923

Associação Operária da Industria Têxtil

Sociedade de Defesa e Propaganda de Loriga *

Sociedade Loricense de Recreio e Turismo *

Sindicato Nacional dos Operários da Industria de Lanifícios (Secção)

* Estas destinadas apenas para a alegada classe superior


-1-

A Indústria de Loriga

Loriga, Vila Industrial

A Vila de Loriga, foi sempre através dos tempos, caracterizada como Vila Industrial, onde as fábricas de
Lanifícios, as fábricas de Malhas e ainda uma Firma Metalúrgica, foram desde sempre de grande valor
económico e social para esta localidade.

A Industria de Lanifícios em Loriga

As primeiras referências sobre os Lanifícios em Portugal, datam do século XVII, mais precisamente ao ano
1675.
Em alguns registos de Loriga do século XVIII, vamos encontrar dados concretos da existência já nessa altura
de um próspero negócio de lã, a matéria prima para a Industria de Lanifícios.
Nessa época a lã era manufacturada sem nenhum auxilio mecânico e, por isso mesmo, durante muitos
anos, foi usada a fabricação doméstica, com teares manuais a trabalhar em diversas casas, ou com as
escarameadeiras (mulheres que farripavam a lã depois de lavada tirando os ciscos e outras aderências) nas
casas dos próprios fabricantes.Na vila de Loriga isso já acontecia no século XVI,e sabe-se que as origens
são mais remotas.
A partir do início do século XIX, começam então a construir-se as primeiras Fábricas que, durante mais de
um século, foram de grande laboração e de enorme movimentação industrial.
Apesar das deficientes vias de comunicação que obrigava o transporte das matérias-primas no dorso dos
animais de carga, existindo apenas a velhinha estrada romana de Lorica,construída no século I antes de
Cristo,Loriga, era em 1881, a localidade mais industrializada na aba ocidental da Serra da Estrela, com
várias unidades de produção têxtil, empregando mais de 300 operários.
As primeiras Fábricas a serem construídas em Loriga, foram por iniciativa de Manuel Mendes Freire e José
Marques Guimarães, que na altura, eram já uns conceituados negociantes em Lã.
Em 1872 o Jornal "O Conimbricense" publicado em Coimbra, escreveu sobre as Fábricas de Lanifícios em
Loriga, onde publicava que havia nesta Vila quatro fábricas, três a funcionar e outra começada, que se
deviam unicamente aos esforços particulares.
À medida que iam procedendo na mecanização das Fábricas em Loriga, os industriais Loricenses, recorriam
ao mercado da Covilhã, no sentido de contratarem especializados.
Na última década do século XIX, chegou a Loriga um belga de nome Pierre, por onde se manteve até 1898;
Joaquim F. Nogueira, que em Loriga constituiu família e veio a ser o pai do Cónego Manuel Fernandes
Nogueira; um senhor de nome Teles, que viria a falecer já muito velhinho; Adriano de Sousa Torrão; António
Ramos e muitos outros, que não sendo de Loriga, ficaram para sempre ligados à Industria de Lanifícios desta
vila.
A partir de 1930, e após a construção da estrada que passou a ligar São Romão a Loriga, a Industria de
Lanifícios em Loriga, foi-se modernizando, de maneira a poder competir com a sua congénere do país.
Desde meados do século XIX e até meados do século XX,Loriga era considerada a Vila mais industrializada
do Concelho de Seia e também do Distrito da Guarda.

As Fábricas de Lanifícios no Passado

Aqui se faz a descrição de alguns dos registos mais relevantes das Fábricas de Lanifícios de Loriga, quando no
surgimento no início do século XIX,e da modernização, ocorrida a partir da terceira década do Século XX.

***
-2-

Fábrica da Fonte dos Amores

Fundada em 1856 por Manuel Mendes Freire, Manuel Moura Luís e Abílio Luís Brito Freire, cardava e fiava lã
para frises, saragoças e palmilhas.
Possuía uma roda hidráulica de madeira com força de 16 cavalos. Em 1899 passou para a firma Leitão &
Irmãos e Companhia.
Tinha Secção de Cardação; Secção de Tinturaria e Secção de Ultimação. Em 1939, foi construída a parte nova,
reconstruído o prédio que tinha ardido, e também reconstruído a secção de tinturaria em 1954.
Consumia mensalmente em energia motriz e iluminação 11.477 KVH, equivalente a 6.923$00, ocupando uma
área de 2.810 m2.
As máquinas que trabalhavam a vapor eram alimentadas por uma caldeira horizontal de vapor, que consumia
1.000 quilogramas de lenha por dia de oito horas
Trabalhando normalmente gastava por ano cerca de 70.000 de matérias primas. Fabricava todo o género de
artigos cardados, tanto para homens como para senhoras, passando mais tarde a dedicar-se a artigos leves
para senhoras, como crepes, popelinas etc., e também a fazenda de agasalho para inverno.

Fábrica da Fândega

Fundada em 1862 por José Marques Guimarães, Na década de 1920, esta Fábrica passou a pertencer à
Sociedade Carlos Nunes Cabral & Comp., e mais tarde passando a ser propriedade da firma Moura Cabral &
Companhia.
Tinha duas rodas hidráulicas ambas no mesmo edifício junto à ribeira, uma roda de madeira com força de 30
cavalos, colocada no topo do edifício virado para o caminho, ou seja para o sul, e outra situada a nascente do
edifício.
Produzia frises, saragoças e palmilhas. Encerrou definitivamente em 1949. Sendo a primeira das fábricas, a
paralisar, devido à impossibilidade de boas vias de acesso.

Fábrica do Regato
-3-

Foi organizada em 1869


pela firma Plácido Luís de
Brito & Companhia. O
seu nome deve-se ao
facto de ter sido
construída na propriedade
do mesmo nome. Tinha
uma roda hidráulica com
força de 15 cavalos. Esta
roda foi dali retirada
pouco depois do 25 de
Abril de 1974, tendo sido
a última das rodas a
desaparecer, da
chamada industria de
lanifícios de Loriga.
Foi também construída a
chamada "Fábrica de
Cima" tendo sida
edificada nesta um anexo
em 1937. Substituiu a
tecelagem manual pela
mecânica em 1934 e em
1938 passou a ser a
firma:-Pina Nunes &
Companhia, sociedade
que viria a terminar em
1950. Este edifício tinha
também uma roda
hidráulica, que tendo
depois sido retirada foi
substituída por um motor
a gasóleo. Em 1962
encerrou definitivamente,
como Fábrica de
Lanifícios. Ocupava uma Foto da Fábrica do Regato (Fábrica mais antiga)
área total de 1.180 m2, - Ano 1948 -
sem contar com o anexo
chamado Escaldadore.
Tinha Secção de
cardação e Secção de
Ultimação.
Produzia por mês (em
horário de 8 oitos diárias)
5.000 quilogramas de fio
Nr.50, consumindo por
ano cerca de 50.000
quilogramas de matérias
primas (lã e outras
fibras). Fabricava todos
os artigos para homem e
senhora, especialmente
artigos cardados.
Mais tarde e até aos
nossos dias, estas
dependências passaram
a laborar na actividade de
malhas.
-4-

Fábrica da Redondinha

Entrou em laboração já depois de 1878, e durante muitos anos pertenceu ao industrial Augusto Luís Mendes,
que a geriu sob a firma Augusto Luís Mendes & Comp. Limitada.
Consumia mensalmente de energia eléctrica motriz e de iluminação 68.631 KWH, equivalente a 5.117$00
escudos. Ocupando uma área de 2.000 m2.
Tinha duas rodas hidráulicas, uma no edifício (onde até à pouco anos esteve instalada a firma Jomabril) e outra
na casa de baixo onde até à poucos anos esteve instalada a firma de Manuel Carvalho.
O prédio de baixo, era o único quando iniciou a laboração. Em 1939, foram construídas novas instalações,
tendo sido uma parte delas, devorada por um incêndio na década de 1950. Essas instalações, foram de
imediato reconstruídas entrando novamente em laboração em 1954.
Tinha Secção de Cardação, Tecelagem, Tinturaria e Ultimação.
Encerrou em definitivo as suas portas, em princípios da década de 1970.

Foto interior da Fábrica da Redondinha - Ano 1919

Fábrica Nova

Iniciou a sua actividade laboral em 1905 sendo fundada pelos sócios Augusto César Mendes Lages & José
Gouveia Júnior, que mandaram construir um prédio de laboração e um outro separado do primeiro, por roda
hidráulica. No ano 1920 passou para a firma -Moura Cabral & Companhia, tendo, em 1939, mandado construir
outro prédio muito mais amplo, sobranceiro aos prédios iniciais. Mais tarde, em 1956, procederam a nova
ampliação das instalações, fazendo novo prédio ainda de maiores dimensões.
Consumia mensalmente em energia motriz e iluminação 17.784 KVH, equivalente a 8.811$00 escudos,
ocupando uma área total de 2.750 m2.
Tinha Secção de Cardação, Fiação, Tecelagem, Lavagem, Tinturaria e Ultimação.

Fábrica das Lamas


-5-

Foi criada em 1932, por José Lages e, após o falecimento da sua esposa, passou a girar sob a firma:- Lages,
Santos & Comp., pertencendo depois à firma Lages Santos & Sucessores, Lda.
Era alimentada por uma turbina hidráulica de 36 HP e um motor a gasóleo de 22 cavalos, que trabalhava na falta
de água. Ocupava uma área de 1.140 m2.
Tinha Secção de Cardação, Fiação e Ultimação.
Produzia por mês (em horário de 8 horas) 2.000 quilogramas de fio Nr.50, que trabalhando normalmente
consumia por ano, 38.000 quilos de lã e outras fibras.
Fabricava fazendas para moscous de sobretudos para homem e senhora. Encerrou definitivamente em 1972 .
Mais tarde passou a pertencer à firma Pedro Vaz Leal e Comp., onde passou a desenvolver a actividade
siderúrgica.

Fábrica das Tapadas

Foi das primeiras fábricas a ser construída em Loriga, sendo atribuída a sua fundação a diversas pessoas. Em
registos escritos em 1872, dão conta nesse ano da construção de uma casa bastante espaçosa e pertencente
a diversos indivíduos, no sentido de sediarem alí, uma fábrica. Este local hoje chamado "Tapadas" na altura da
construção desse prédio era mais conhecido por "Águas Limpas".
Esta Fábrica durante a sua existência pertenceu a várias pessoas ou firmas e teve maior laboração a partir de
1918.
Possuía uma roda de madeira, que durante grande tempo permitiu a sua actividade.

Foto da Fábrica das Tapadas - Ano 1939

Fábrica dos Leitões

Foi criada em 1899 pela firma Leitão & Irmãos e Companhia. Em 1948 passou a ser gerida sob firma Leitão &
Irmãos. Foi ampliada no ano de 1939, parte das instalações foi devastada por um incêndio, tendo depois, em
1954 sido restaurada. Encerrou em 1967 e, tempos depois e até hoje, várias firmas de malhas por ali já
passaram, mantendo assim em laboração todas as dependências desta antiga fábrica.
A fábrica Leitão & Irmãos, tinha duas rodas hidráulicas, uma no prédio de cima, outra no edifício de baixo. A
roda de cima, foi retirada e no mesmo lugar foi construído um tanque hoje ainda existente. A prédio dos "bicos"
assim chamado, nunca teve qualquer roda
-6-

Foto da Fábrica Leitão & Irmãos (Ano 1949)

Fábrica do Pomar

Fábrica fundada em 1929, após constituição de uma sociedade registada como Nunes & Brito, firma esta que
laborou até 1948.
Consumia mensalmente de energia eléctrica em força motriz e iluminação, 6.015 KWH, equivalente a 3.700$00
escudos. Ocupando uma área de 1.938 m2. Tinha Secção de Cardação, Tecelagem, Tinturaria e Ultimação.
Em 17 de Fevereiro de 1948, e após escritura pública, a Fábrica do Pomar, passou a ser gerida pela firma:-
Nunes, Brito & Companhia, Limitada, criada por:- António Nunes Luíz; Alfredo Nunes Luíz; António João de
Brito Amaro; António Nunes de Brito; António Nunes Ribeiro; José Nunes de Moura; Carlos Nunes Cabral; José
da Silva Bravo e Maria dos Anjos Antunes de Moura.
Constava dos seus Estatutos, como sendo uma firma constituída com um capital social de 252.000$00, em que
tinha a sua sede em Loriga, na Fábrica do Pomar, e tinha como objectivo a exploração da industria e comércio
de lanifícios.
No ano de 1972, a Fábrica do Pomar passou a pertencer à firma:-Moura Cabral & Companhia.

Foto do interior da Fábrica (Ano 1939)

Amostras de Fazendas

Alguns recortes de Fazenda, eram pregadas em folhas normais de cadernos, para servirem de amostras de vendas.
Esta Folha de um caderno com amostras, tal qual aqui representada, foi encontrada ainda não há muitos anos, nas ruinas de uma das
Fábricas, entretanto há muito encerrada.
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Foto - Amostras de Fazenda (1959)

A Industria Metalúrgica em Loriga

Os primeiros apontamentos sobre esta industria, remota à década de 1930, e está praticamente relacionada,
com a criação da Firma Metalúrgica Pedro Vaz Leal, que chegou a ser uma das maiores Firmas desta Vila e
uma das principais do distrito da Guarda e do Concelho de Seia.
No entanto, foram sempre existindo em Loriga, oficinas de serralharia, que de entre outras se destaca pelo
seu maior envolvimento as Oficinas de Serralharia de José Soares de Casegas, já não existente, e a de José
Fernandes Moura (Família), ainda hoje em actividade.

A Oficina Metalúrgica no Passado

Aqui se dá conta de alguns registos mais relevantes da Oficina Metalúrgica de Loriga, fundada como firma
familiar, vindo mais tarde a tornar-se numa Sociedade.

***

Oficina Metalúrgica Pedro Vaz Leal

A Metalúrgica Vaz Leal, foi fundada por Pedro Vaz Leal em 1931. Foi no local conhecido por Cabeço, onde
iniciou a sua laboração, cujo crescimento rápido foi bem visível, para a partir de então não mais parar.
Tempos depois e com o aumento dos quadros de pessoal, é transferida para o Terreiro da Lição, onde surge
uma Oficina mais moderna, junto com a habitação onde passou a viver esse industrial e proprietário.
A expansão desta firma continuou a registar grandes progressos, por isso a necessidade de instalações mais
amplas. Tendo sido contruído novas instalações na Vista Alegre, onde foi instalada a fundição, serviço
automóvel e ainda venda de combustível.
Para ali viriam também a passar todos os serviços, deixando de ter actividade a oficina do Terreiro da Lição.
Anos mais tarde, e já depois da morte de Pedro Vaz Leal, a empresa veio a adquirir a antiga Fábrica das
Lamas, junto à Ponte do "Zé Lages" ficando assim muito mais alargadas as suas instalações em Loriga.
Em 1994 deixou de pertencer maioritariamente aos herdeiros do seu fundador.
-8-

Interior da Oficina (Ano 1945)

Oficina no Terreiro da Lição (Ano 1945)

A Indústria de Malhas em Loriga

A partir da metade do século XX, a Vila Loriga conheceu uma nova fase na sua história, com o surgimento da
Industria de Malhas, que veio a projectar esta localidade num novo desenvolvimento industrial, que continua
hoje em dia a ser predominante.

As Fábricas de Malhas no Passado

Alguns apontamentos mais relevantes das Fábricas de Malhas em Loriga, que com a criação da primeira
Fábrica em 1946, a partir de então e sistematicamente, foram abrindo muitas outras mais.

***

Fábrica da Sociedade de Malhas de Loriga, Lda.

Foi esta a primeira Fábrica de Malhas criada em Loriga. Fundada em 1946, sob a gerência de Manuel Gomes
Leitão Junior. Foi instalada no andar térreo da casa alugada. Consumia mensalmente de energia eléctrica cerca
de 200$00.
Tinha ao seu serviço 9 operários e operárias e as seguintes máquinas, 4 Teares manuais; 1 meadeira, 1
bobinador e 8 máquinas de costura
Terminou a laboração em 1955, por desentendimento dos sócios.

Fábrica de Malhas "RAMOP"


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Fundada em 1952, por António Nunes Luíz; Joaquim Gonçalves de Brito e José Nunes Abreu, tendo a sua sede
no lugar do Escaldadore (Escaldadeiro, como popularmente se chamava).
Consumia de energia eléctrica mensalmente cerca de 350$00 e tinha as seguintes máquinas:
Secção de Tecelagem:- 1 máquina de cardar, 1 meadeira, 1 bobinador e parafinador de 20 fusos e 5 teares.
Secção de Confecção e Acabamento:- 2 máquinas de coser e cortar, 1 máquina de casear e pregar botões, 2
máquinas de costura, 1 máquina de pregar botões.
Produzia por ano para cima de 8.000 peças de malhas para homens, senhoras e crianças, que eram
consumidas nos mercados da Metrópole e Províncias Ultramarinas.
Empregava 4 operários, 20 operárias e 2 sócios administradores.

Fábrica de Malhas Lorilan-Nunes & Compª.

Foi fundada em 1969, por Joaquim Fernandes Ferreira Simões, João Pereira da Costa e José Nunes Abreu este
natural de Loriga.
Dedicava-se ao fabrico de malhas, que enviava para todo o país e também para o estrangeiro, onde o
desenvolvimento e a qualidade produtiva, acompanhavam a expansão desta industria que chegou a atingir
períodos áureos.
Em 1971 incorporou-se numa outra firma "Lorimalhas" entretanto criada nas antigas instalações da fábrica dos
Leitões.
Sediada no Regato, ao longo da sua existência conheceu muitas gerências e várias modificações.

Fábrica de Malhas " Lorimalhas"

Foi fundada em 1971, mas só ficou juridicamente criada em Maio de 1973, após incorporação das Malhas
Abreu "Lorilan-Nunes & Compª. Ld.ª., que laborava desde 1969, na antiga fábrica do Regato.
A "Lorimalhas" que passou a ser a Empresa de Malhas Reunidas de Loriga, Lda., estava sediada na antiga
fábrica dos Leitões, adquiridas em tribunal, ocupando uma área de 2.150 m2, tendo com esta incorporação a ter
um total de 251 trabalhadores.
Dedicava-se ao fabrico de malhas exteriores, compondo-se de diversas secções: cardação, fiação, tricolagem,
confecção, serviço de aprovisionamento, armazém de materiais primas, fios de produtos acabados e,
naturalmente, a secção de planeamento, serviços administrativos e serviços comerciais.
Ao longo da sua existência, foram muitas a alterações na Administração desta empresa fabril
que teve períodos áureos em que a sua produção tinha conceitos e estilos de qualidade, reconhecidamente
muito procurados e enviados para todo o país e para o estrangeiro, nomeadamente Europa e EUA,
conquistando o título de imagem de marca das malhas de Loriga.
Em 1992, seria infelizmente adquirida por outros empresários, passando a ser Empresa de Malhas Têxtil
Loriseia, Lda.

A Indústria de Loriga, no Presente

***
- 10 -

Sociedade Têxtil Moura Cabral. S.A.


Lanifícios
Rua da Fândega
Apartado 1 * 6270 - 073 Loriga
Telef. 238/954008 PPC - Fax. 238/954035

Sediada no fim da Rua da Fândega, esta empresa faz parte da tradição fabril que remonta a meadas do Século
XIX e então denominada Fândega. A Têxtil Moura Cabral conquistou o título de imagem de marca dos lanifícios
de Loriga.
Durante três décadas, liderada por Carlos Moura Cabral Junior, tornou-se numa firma de sucesso no
desenvolvimento e progresso, merecidíssima reconhecida no concelho e no país.
No últimos anos da década de 1990, foi adquirida por uma sociedade liderada por Valdemar Reis, ex emigrante
no Luxemburgo, dinâmico empresário da região, que apoiando-se nos suportes financeiros da FRMERMI,
SGPS, lançaram-se numa moderna gestão empresarial, num objectivo ambicioso e qualificado que lhes
permite-se continuar a ser uma das mais importantes fábricas da Vila de Loriga e ainda a única sobrevivente de
um período industrial áureo,
A capacidade produtiva instalada; a criação de uma ETAR própria que garantisse o respeito pelo ambiente,
equipamento industrial novo (teares), outros objectivos com implicações no modelo de produção em que a lã
dominará o produto final e ainda a modernização de estruturas internas, foi o horizonte dos novos responsáveis
desta empresa.
A gestão do património veio então a conhecer diferentes conceitos e estilos, em que assentava as melhores
expectativas de sucesso, no entanto hoje encontra-se ameaçada pelos dramáticas e vertiginosas mudanças
que a globalização consigo arrasta, nomeadamente nesta indústria de lanifícios.

Nota:- Esta firma encontra-se actualmente encerrada, encerramento ocorrido em Setembro de 2004, levando para o desemprego
muitas famílias.

O Fim de uma era

Com o encerramento da última empresa Têxtil em Loriga no ano de 2004, os "Continos" passaram a fazer parte
do Álbum de Recordações
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M.P.L. Empresa de Malhas Pinto Lucas, Lda.


Rua do Regato
6270 - 099 Loriga

Foi constituída em 21 de Outubro de 1987, por José Pinto Lucas, Mário Pinto Lucas e Emílio Lucas Pinto,
tendo dado inicio à actividade em 1 de Janeiro de 1988, sendo sediada no Regato nas instalações das antigas
fábricas que ali chegaram a existir.
Em Janeiro de 1994, a empresa é vendida a Valdemar Brito Reis e à firma Habinadeiros Lda., de Alvoco da
Serra, propriedade de José Mendes Pinto (Cabalhanas).
Em Fevereiro de 1996, a empresa foi adquirida pela Firma Habinadeiros Lda., e José Mendes Pinto, tendo como
gerentes Jorge Rebelo Mendes e António José Rebelo Mendes.
Na grande aposta de progresso e expansão, apoiando-se nos programas oficiais de incentivos, PEPID, S.I.P.I.E
e I.A.P.M.E.I e dotados de uma visão estratégica, os administradores com esforço e determinação lançaram-se
num projecto de grande envergadura e, num caminho do futuro que a tornaram numa firma moderna importante
para o desenvolvimento industrial de Loriga.
A M.P.L. é uma empresa do sector têxtil e do vestuário que se dedica à fabricação dos artigos em malha de
gama média e média alta, que se destinam preferencialmente ao vestuário exterior de homem, senhora e
criança, para as Estações de Primavera/Verão e Outono/Inverno.
Seguramente o maior empreendimento industrial das últimas décadas em Loriga, o que é bem visível a imagem
do dinamismo e coragem dos actuais proprietários. Onde a prioridade actual é sem dúvida a melhoria da
qualidade, aos mais diferentes níveis e a produção de vestuário de maior valor, acrescentado como design
inovador e de acordo com as tendências da moda, procurando progressivamente impor a sua marca nos
mercados.
Com duplicação da área e novas instalações, modernização do parque industrial e novas tecnologias, avançam
com um projecto global que lhes permite, com serenidade consolidar a empresa como uma das de maior futuro
na região.
Em consonância com a actividade desenvolvida a MPL, empresa de malhas Pinto Lucas, Lda., tem por missão
principal a satisfação dos seus clientes, através da produção de vestuário de malhas, garantindo uma boa
relação qualidade/preço e cumprimento dos prazos estabelecidos, protegendo o meio ambiente.

Empresa de Malhas "Jomabril"


Redondinha
6270 - 080 Loriga
Telefone 238/954081

Empresa de malhas fundada em 1993, por José Manuel Almeida Pinto e Joaquim Brito Lages, estando sediada
na Redondinha, em antigas instalações de fábrica de têxtil ali existentes em tempos passados.
Dedicando-se à fabricação dos artigos em malha, conta com cerca de 20 empregados, sendo determinante o
esforço dos seus responsáveis num maior desenvolvimento para projectos futuros.

Nota:- Esta firma encerrou no principio do ano 2005, levando para o desemprego 16 pessoas.

Empresa de Malhas Têxtil "Loriseia, Lda."


Estrada Nacional Nr. 231 (Leitões)
Apartado 4 * 6270 - Loriga
Telef. 238/954083-954046 * Fax.238/954072
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Sediada na antiga Fábrica dos Leitões, esta empresa, substituiu a extinta "Lorimalhas" num negócio que terá
rondado os 200.000 contos. Iniciou a sua laboração em 23 de Março de 1992, admitindo mais de 80% dos
trabalhadores da ex-Lorimalhas, prevendo depois criar mais postos de trabalho.
Foi criada por sociedade com um capital social de 20.000 contos pertencentes, em parte iguais a um grupo de
quatro pessoas, Valdemar dos Santos Reis; José A. Ribeiro de Matos; Abel Abrantes Nogueira e José Maria
Pereira, que tinham em comum duas características importantes: dinamismo e espírito empreendedor.
Chegou a ter cerca de 100 empregados e durante os primeiros anos teve uma regular facturação que rondava a
mais de 100 mil peças anuais.
Entretanto anos mais tarde esta sociedade foi desfeita, ficando à frente da mesma apenas um sócio, mas
continuava a laborar em bom ritmo de laboração
A partir de 2001, entrou em crise,devido a gerência deficiente. Decretou falência em 2003, após crise que se via
acentuando e que se adivinhava a todo o momento no seu encerramento.

Nota:- Esta firma encontra-se actualmente encerrada, tendo com o seu encerramento levado para o desemprego cerca de 80
pessoas.

Metalúrgica Vaz Leal, S.A


Estrada Nacional (Vista Alegre)
6270 - 080 Loriga
Telef. 238/954014-954802 - Fax. 238/954073

Sediada na Vista Alegre, esta empresa faz parte da tradição metalúrgica em Loriga, criada por Pedro Vaz Leal
em 1931.
A capacidade produtiva com que sempre laborou, a inteligência empresarial de Pedro Vaz Leal e depois dos
seus familiares, tornaram a Metalúrgica Vaz Leal numa empresa de sucesso em Loriga, que chegou a ser uma
das mais importantes do distrito da Guarda.
Reconhecidamente como uma empresa industrial das mais importantes desta Vila, a sua laboração tem-se
mantido em pleno funcionamento, apesar de, ter também conhecido ao longo dos anos acentuadas crises, que
fez com que fosse deixando de ser empresa familiar, para se ir tornando numa sociedade e por isso várias
alterações administrativas foram-se registando através dos tempos. Em 1994 deixou mesmo de pertencer
maioritariamente aos herdeiros do seu fundador.
Sendo as Minas da Panasqueira desde sempre, o destino da maioria da sua produção, não será por acaso que,
hoje em dia, é propriedade de empresários daquela região.

"Loripão"
Indústria e Comercialização de Pão, Lda.
Rua do Teixeiro
6270 - 101 Loriga
Telef. 238/953323
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Gerida pela mão de Fernando Brito e António Prates, a Loripão em Loriga, é uma promissora empresa no ramo
da panificação, onde uma gestão sábia dos seus responsáveis, lhe confere o título de marca de Loriga e da
região serrana.
Acompanhando o progresso e o desenvolvimento que este ramo exige, é uma preocupação dos seus
proprietários, torná-la numa empresa diferente, moderna e funcional, procurando ter os equipamentos das mais
recentes tecnologia usados na produção e também embalagem, hoje muito importante e elementar nas regras
que são exigidas na indústria alimentar, neste caso de panificação.
Mesmo no acompanhamento deste todo modernismo, está sempre presente no espírito dos seus responsáveis
o fiel respeito a processos de fabrico tradicional, onde ao lado de equipamentos mais modernos, lá está o
imponente forno de lenha e ainda uma simples e magnífica peneira accionada mecanicamente.
A sua produção diária, vai muito para além dos limites da região, estando no horizonte um crescimento de
expansão ainda mais abrangente.
A aquisição de um amplo edifício de uma antiga fábrica de lanifícios, toda ela construída em granito, foi uma
ideia genial e ao mesmo tempo de audácia, levando em frente um investimento avultado que deu à Loripão, uma
outra funcionalidade de expansão, um verdadeiro exemplo dos seus responsáveis, os quais, não querem de
forma alguma fecharem-se ao mundo da panificação de que fazem parte.
As instalações principais da Loripão, estão hoje sediadas na Rua do Teixeiro, estendendo-se pelo Vinhô
(fabricação e depósito de venda) e Av. Augusto Luis Mendes (depósito de venda).
-1-

Figuras na História de Loriga

Theotónio Luiz da Costa

Em 1813 foi colocado em Loriga como pároco-colado, como se dizia na altura


e lhe esteve atribuída durante muitos anos, apesar de temporariamente
deixar esta localidade por motivo se ter alistado na milícia então
organizada na época, para expulsar do solo da Pátria os franceses.
Novo e cheio de vida, tinha a particularidade e tudo leva a crer que sim,
de ser um homem combativo e enérgico, capaz de dar a vida pela causa que
defendesse. Depois de ter contribuído para a expulsão dos franceses, viria
novamente a participar nas "lutas" liberais, só depois regressando a
Loriga em 1852, já cansado mas ainda com forças para paroquiar nesta "sua"
paróquia até aos fins de Novembro de 1855.
Apesar de cansado e velho mas estando por dentro das "lutas" liberais,
quando regressou a Loriga, teve que enfrentar uma população
verdadeiramente inclinada para a causa "Miguelista" tendo por isso muitos
problemas, nomeadamente quando no altar e nas suas pregações expressava as
suas ideias politicas e, por conseguinte feria aqueles com ideias
contrárias. Por esse motivo, chegou ao ponto, de pegar numa cadeira e
correr com todos eles até ao adro, quando lhe vinham, no final das mesmas,
pedir explicações.
Era de comprovado zelo paroquial e apesar da avançada idade permaneceu
pároco-colado de Loriga até à sua morte.

Sebastião Mendes de Brito

Pertencendo a família abastada era natural de Loriga, foi na sua terra


pároco-encomendado, como se dizia na altura, logo após o pároco-colado
Theohtónio Luiz da Costa se ter alistado nas milícias.
Padre rígido, disciplinado e bastante zeloso, ao ponto de pensar todos
terem por obrigação o cumprimento da religião católica. Muitas vezes, e já
paramentado, saía da igreja e obrigava a entrar nela, para assistir à
missa, todos aqueles que se encontravam no adro ou que na altura por ali
passavam.
Viria a falecer no dia 24 de Dezembro de 1851 e segundo os escritos desse
tempo foi sepultado ao fundo dos degraus do altar-mor, no lugar onde o
celebrante principiava as missas.

Manuel Matias dos Santos e Figueiredo

Nasceu na Vide, e depois de ter sido Pároco de Piodam, foi colocado em


Loriga como Pároco-colado, onde esteve, desde Janeiro de 1860 até 1893.
Os 33 anos como Pároco na freguesia de Loriga, foram ferteis em
acontecimentos. Homem de uma personalidade bem vincada, onde acima de tudo
era reconhecido por ser paciente, teve sempre contra si duas das famílias
mais poderosas da terra, as famílias Marques e Britos.
Em Novembro de 1882, desabou a igreja matriz, em consequência de um tremor
de terra que se tinha sentido em Loriga, no mês de Setembro desse mesmo
ano, o Padre Manuel Matias dos Santos Figueiredo, teve arte em conseguir
unir todos os loriguenses, juntando a isso todas as forças possíveis, para
concretizar a reconstrução, que se viria a verificar. Tendo sido
restituída ao culto em fins de Setembro de 1884, para satisfação de todos
e do próprio Pároco, que quando ao ver a igreja por terra, pensou que já
não seria na sua vida que voltaria a ver a igreja edificada.
-2-
Foi no seu tempo, quando Pároco de Loriga, que foi construída a Capela de
Nossa Senhora da Guia, que na altura se tornou num problema conflituoso,
por motivo do local escolhido pelos loriguenses, serem de família abastada
na localidade e não aceitava de maneira nenhuma a ocupação abusiva daquele
local. Em todo esse processo mais uma vez o Padre Matias, deu mostra da
sua total paciência, que tanto o caracterizava.
O Padre Matias, ficou na história da igreja de Loriga, que não sendo
natural desta localidade, mais anos esteve efectivo como Pároco da
Freguesia.

António Mendes Lages


1838 - 1916

Nasceu em Loriga no dia 2 de Janeiro de 1838, era filho de António Mendes


Lages e de Maria do Rosário de Moura. Com a idade de 21 anos entrou para a
Universidade de Coimbra matriculando-se, ao mesmo tempo, em matemática e
teologia. Em 1862 matriculou-se em medicina e arrastado pelas doutrinas
desvairadas do tempo acamaradou com sociedades suspeitas, perdeu a fé
abandonando mesmo as práticas religiosas que frequentara desde criança,
chegando até a inscrever-se na Maçonaria.
Terminada a formatura em 1867 sempre com excelentes classificações foi
exercer clinica no Sabugal onde obteve o partido médico. Em 1870 deixou
essa vila e foi para o Porto onde exerceu clínica no Hospital de St.
António, esteve também na Golegã e, mais tarde, vai para Lisboa, onde se
fixou, chegando a ser chefe de serviço no Hospital de S.José.
Casou com Dona Adelaide Soriano em 1874, e foi pai de dois filhos. Com a
morte da esposa em 1908, começou a sentir continuados rebates de
consciência que o convidavam a servir a igreja e a emendar a vida
desleixada, ingressou na Companhia de Jesus como noviço. Pensou ir a Roma
expor ao Santo Padre a sua vida, mas antes foi confessar-se em Coimbra
onde fez, durante oito dias, os exercícios de Santo Inácio, no final dos
quais se sentiu de consciência tranquila e de bem com Deus.
Colocando de parte a ideia de ir a Roma dedicou-se à defesa dos operários
vindo a fundar a Associação "A Cruz do Operário e Artistas" promovendo
conferências sociais que despertaram muito interesse em numerosas
localidades e arrastaram muitos à conversão. Pediu admissão como noviço da
Companhia de Jesus com 70 anos de idade, pedindo para entrar na Ordem de
Jesuítas de Campolide em 1908, seguindo depois para Torres Vedras onde
inicia o noviciado durante três anos.
Em 1908 começou então a preparar-se para o Sacerdócio, ordenando-se em 8
-3-
de Maio de 1911, dia da festa do Patrocínio de S.José em Exaten na
Holanda, com 73 anos de idade.
Há no entanto, outros relatos que nos dão conta ter concluído o noviciado
e obtida a licença necessária para a ordenação em 11 de Fevereiro de 1911,
" atendendo às circunstâncias absolutamente extraordinárias do caso" ,
tendo de facto celebrado a sua primeira missa em Maio desse ano.
Com a implantação da República teve muitos problemas e sofreu
perseguições, tendo mesmo sido preso em 1910 e colocado na prisão de
Caxias com outros jesuítas. Quando foi posto em liberdade, exilou-se na
Holanda, chegando mesmo a ser-lhe suspensa a carta médica.
Os últimos anos da sua vida foram passados na oração e no sacrifício,
edificando os religiosos da Companhia pelas suas altas virtudes. Faleceu
em Múrcia - Espanha, no dia 11 de Janeiro de 1916. A Companhia de Jesus em
Portugal considerou-o como uma das suas glórias e Loriga pode orgulhar-se
de ter sido o berço de tal filho.

Augusto Luis Mendes


1851 - 1925

Nasceu em Loriga no dia 23 de Janeiro de 1851, filho de Manuel Mendes


Aparício Freire e de Maria Teresa Luis Brito, foi um dos maiores
industriais desta localidade. Na sua infância frequentou um colégio em
Valezim, que nessa época ali existia.
Homem culto, dinâmico e acima de tudo muito católico, de muito novo
começou a ser atraído para os meios empresariais, passando a ter um
conhecimento grande na industria de Lanifícios que o levaria a ser um
industrial de sucesso. Era na sua fábrica da Redondinha que teciam os
melhores panos e onde os melhores operários de Loriga tinham grande
orgulho em ali trabalhar.
Casou com D.Eduarda Guimarães, de quem veio a ter cinco filhos, e que
viria a falecer quando ainda seus filhos eram novos. Tempos depois
voltaria a casar pela segunda vez, com D. Maria do Carmo Monteiro, senhora
abastada cuja riqueza junta à do marido, formaram uma das famílias mais
ricas existentes nessa época em Loriga.
O seu solar era um esmero naquele tempo, tendo ali recebido grandes
personagens sociais, políticas e religiosas, mandando mesmo construir uma
capela dedicada a Nossa Senhora Auxiliadora onde, aos Domingos, fazia
questão de ali assistir à missa rodeado da sua família e convidados. Nela
foram também realizados os casamentos de seus filhos, o baptismo dos seus
netos, e velado o corpo da sua primeira esposa, da sua filha Ermelinda,
dos seus netos e também o seu próprio corpo, quando do seu falecimento em
1925.
Foi sócio da empresa Hidroeléctrica e o grande impulsionador para trazer a
electricidade para as industrias de Loriga, que fez também estender pelas
ruas da povoação. Foi um dos maiores lutadores para conseguir a ligação da
construção da estrada de São Romão a Loriga, assim como teve um papel
-4-
importante para a criação do Posto Telegráfico e Correios nesta
localidade, mandando também construir os poços na serra para que no Verão
não falta-se a água para a rega.
Reconhecido pelas suas virtudes humanas, era grande amigo dos pobres a
quem distribuía esmolas semanalmente. Sendo possuidor de imensas terras de
cultivo, viria a ser um grande benemérito para a sua terra que tanto
adorava, oferecendo mesmo os terrenos que eram seus para neles ser
construído o acesso principal à povoação por estrada. Esta doação foi de
grande importância para a sua terra, bem reconhecida pelos seus
conterrâneos loriguenses que, como prova de gratidão, e desde logo
perpetuaram o seu nome naquele local, passando aquela via a chamar-se Av.
Augusto Luis Mendes.
Envelhecido, foi ficando quase cego, adoece e é levado para Coimbra, vindo
a falecer no dia 26 de Novembro de 1925. O funeral é realizado numa
manifestação de dor, onde toda a população chora o homem que muitos
consideravam como pai dos pobres, ficando esta localidade mais pobre ao
ver partir para sempre um dos seus maiores beneméritos.

Cónego Manuel F. Nogueira


1861 - 1944

Nasceu em Loriga no dia 7 de Abril de 1816, era filho de Joaquim Fernandes


Nogueira e de Custódia Mendes Jorge e foi baptizado a 18 do mesmo mês.
Cursou no Seminário de Coimbra e foi ordenado sacerdote em 10 de Outubro
de 1884. No ano seguinte, foi nomeado pároco do Píodam concelho de
Arganil, onde transformou aquela freguesia de tíbia em fervorosa,
iniciando e radicando nela práticas de piedade e devoções que não eram
comuns naquela época, o que demonstra a sua intensa vida interior de
fervoroso apostolado.
Em 1886 levou para junto de si alguns rapazes para o ensino do curso
preparatório dos seminários e do liceu, tendo formado no Píodam uma
espécie de colégio por onde passaram filhos de famílias de todas as
categorias sociais da região que durou até 1906.
Durante esses 22 anos que esteve à frente daquela paróquia, para a
população local o Sr.Cónego Nogueira foi como que um anjo enviado por
Deus, onde a sua piedade era um dos aspectos mais característicos da
bondade e zelo cristão. A sua pregação estendia-se também às freguesias
vizinhas onde, percorrendo rudes caminhos pelas serras, levava a doutrina
de Cristo e exercendo a sua verdadeira caridade, e distribuindo pelos
pobres aquilo que lhe sobrava.
Em 1907 foi colocado como director espiritual no Seminário de Coimbra e,
em 1914, foi nomeado arcipreste do distrito eclesiástico de Coimbra. Em 5
de Janeiro de 1922, foi nomeado cónego da Sé, pelo Bispo D. Manuel Luiz
Coelho da Silva. Mesmo assim e, dentro da feição espiritual que lhe era
comum, ficou ainda pároco de Moinhos (Miranda do Corvo) conquistando ali
também muita simpatia e admiração.
-5-
A última vez que voltou à sua terra foi em 19 de Setembro de 1941, com 81
anos, já muito débil. Sentado no altar-mor a população de Loriga desfilou
perante ele, ajoelhando-se e beijando-lhe as mãos, numa singela homenagem,
para depois se dirigirem para junto do Largo Dr.Amorim, onde seria
descerrada uma lápida colocada na casa onde oitenta e um anos antes ali
tinha nascido tão ilustre Loriguense.
Faleceu em 28 de Fevereiro de 1944 no Seminário de Coimbra e foi sepultado
no cemitério do Pio, num dia em que choveu torrencialmente o dia inteiro,
mesmo assim, não deixaram de ser centenas, as pessoas que o acompanharam à
sua última morada, onde se podiam ver todas a classes sociais, assim como,
mais de 50 sacerdotes que vieram de longe, representações de muitas
comunidades religiosas, representações de muitas paróquias e organismos e
até de Piodam, foram pessoas a pé até Coimbra para assistirem ao funeral.
Em 1972, no Piodam, foi realizada uma homenagem dos 111 aniversário do seu
nascimento, com a presença de muitas centenas de pessoas, onde foi
inaugurado um monumento erguido ao Santo Cónego Nogueira, tendo sido dado
o seu nome ao Largo da Igreja. Uma homenagem merecida a essa figura que
ficou para sempre no coração do povo dessa localidade.

Joaquim Augusto Amorim da Fonseca


1862 - 1927

Natural de Varziela concelho de Felgueiras (Minho) onde nasceu no ano


1862, era filho de Francisco da Fonseca e de D. Emília da Fonseca. Foi
médico municipal em Loriga mais de 30 anos (1893 a 1927) onde viria a
falecer com 65 anos, vítima do dever profissional quando nesta localidade
se lutava contra a grave epidemia do "Tifo Exantematico"
Homem de profundos sentimentos religiosos, era sempre com um sorriso nos
lábios que falava aos pobres, ricos e até às criancinhas. Era
verdadeiramente dedicado aos seus doentes, ao ponto de, muitas vezes, o
verem chorar quando se via impotente para debelar a doença ou minorar o
sofrimento dos seus pacientes.
Quando concluiu a formatura médica, casou com D.Urbana Madeira natural da
freguesia de Poiares concelho de Arganil, onde fixou residência até à sua
colocação como médico municipal na freguesia de Loriga, e onde viria a
construir a sua casa de habitação em terreno cedido gratuitamente pelo
industrial Abilio L.Brito Freire.
Além de Loriga prestava assistência médica às localidades vizinhas, onde
se deslocava a pé ou de "mula" quer chovesse ou desse Sol, nevasse ou
estivesse vento, nada cobrando a quem quer que fosse. Vivia feliz e alegre
e nada lhe faltava, porque lhe ofereciam muitas recompensas materiais,
pois era acima de tudo muito adorado pelo povo.
Quando faleceu, em 21 de Maio de 1927, depois das respectivas exéquias, o
seu corpo ficou depositado no jazigo do Sr.Augusto Luis Mendes. Mais
tarde, em 19 de Setembro desse mesmo ano, foi transladado para a sua terra
natal e sepultado no cemitério de Pedreira-Felgueiras, por decisão da
família, num dia que ficou assinalado com a despedida emocionante do povo
de Loriga, todo a chorar e dando adeus a tão grande e bom benemérito desta
Vila.
Anos mais tarde como prova de gratidão, a Junta de Freguesia mandou erguer
uma estátua num dos largos da povoação, que passou também a chamar-se de
seu nome. Em 1977 e quando da passagem do Cinquentenário da sua morte, ali
-6-
lhe foi prestada uma homenagem alusiva a essa data, assim como, a todas as
vítimas dessa epidemia de 1927.

Pedro de Almeida
1873 - 1959

Nasceu em Santiago de Cassurrães - Mangualde, em 2 de Dezembro de 1873.


Colocado em Loriga como professor primário, exerceu proficientemente o
magistério, durante longos anos, nesta localidade, onde se veio a radicar.
Professor culto, competente, profundamente dedicado aos seus alunos, tinha
uma característica própria de ser também muito exigente nos seus
ensinamentos, atraiu à sua escola estudantes de freguesias distantes,
confiados pelos pais ao saber e cuidados do ilustre professor.
Reconhecido por um republicano verdadeiramente fervoroso, era também
rigoroso nas suas ideias e naquilo que acreditava, era um orador fluente,
por isso também muito respeitado e admirado.
Casado com D. Adelaide de Almeida, constituiu toda uma família virada para
o ensino. Todos os seus filhos foram professores do ensino primário, que
se distinguiram, por onde quer que passaram, e aos quais também doou a
tradição republicana. Deixou ainda na hora da sua morte numerosa
descendência entre a quais netos e bisnetos, que no ensino primário e
secundário e em outras actividades ocupavam relevantes posições sociais.
Muito católico, não faltava à missa dominical ou mesmo nas devoções das
tardes celebradas na igreja, privando ainda da sua estima com todos,
deixando muitas saudades.
Contribuiu sempre, quando solicitado, para várias organizações
loriguenses, tendo chegado a desempenhar diversos cargos, entre os quais
de Julgado da Paz e Registo Civil.
Faleceu em Loriga no dia 4 de Dezembro de 1959, com 87 anos, ao funeral
incorporaram-se centenas de pessoas, muitas delas vindas de vários pontes
distantes do país. Na igreja foram cantados Ofícios Solenes, o funeral
realizou-se depois para o cemitério local, onde ficou sepultado.

José Mendes dos Reis


1873 - 1971

Oficial Superior da Armada de Infantaria (Coronel) nasceu em 1 de Abril de


1873 em Macapá-Pará - Brasil, era filho de José dos Reis e de Maria Águeda
Mendes Lemos naturais da Vila de Loriga.
Alistou-se com voluntário em Infantaria 5, a 19.11.1889, sendo promovido a
Alferes em 30.11.1895, tendo alcançando o seu posto de Coronel em
11.3.1922.
Foi professor de esgrima na Escola Prática de Cavalaria e altamente
premiadoem diversos concursos dessa disciplina. Em 1911-12 por ocasião das
incursões e movimentos monárquicos do Norte comandou um grupo de
metralhadoras em operações efectuadas em Braga, Arco de Valdevez, Chaves e
-7-
Montalegre e foi comandante do destacamento que sufocou a rebelião de
Celorico de Bastos em 1912.
Comandou a força de Infantaria e Metralhadoras que forçou o Batalhão de
Infantaria 21 mobilizado, a depor, a sua atitude de recusa para C.E.P. em
França e comandou também uma força que prendeu os oficiais de Infantaria
34 que se recusavam, também a embarcar para a França em 1917. No ano
seguinte foi ele mesmo também incorporado no C.E.P em França e em
Inglaterra como chefe de uma missão militar.
De 1919 a 1926 foi Senador da República em quatro legislaturas
consecutivas e ainda 2. e 1. Secretário dessa Assembleia e representou-a
como vogal no Concelho Colonial. Por ter chefiado a revolução de 7.1.1927
contra o governo saído do movimento de 28 de Maio, foi separado do serviço
de 15.11.1927 a 11.7.1930, tendo sido preso e deportado para Angola e
reformado a 12.7.1930.
Passando pela ilha da Madeira por motivos de saúde, ali secundou o general
Sousa Dias no movimento revolucionário eclodido no Funchal, sendo
novamente preso e demitido do Exército em Abril de 1931, mas em 1937 foi
reintegrado em situação de reforma.
A folha de serviços como militar regista dezenas de altos louvores e
condecorações que depois da sua morte e, a após a revolução dos cravos
(Abril 1974) passaram a poderem ser visionadas e que fazem parte de um
espólio que pertence e está à guarda da Junta de Freguesia de Loriga.
São realmente muitas as condecorações e louvores que recebeu, no entanto
são apenas algumas as que aqui se registam: -Medalha de Ouro comemorativa
das Campanhas do Exército Português com a legenda "Sul de Angola
1914-1915"; Medalha Comemorativa do C.E.P. com a legenda "França
1917-1918"; Medalha da Vitória com estrela; Cruz de Guerra 1.Classe; Grau
de Oficial da Ordem de Torre e Espada com palma dourada; os Graus de
Comendador das Ordens de Cristo e de Sant´lago de Espada e a Ordem de
Mérito Militar de Espanha com distintivo branco.
Segundo relatos antigos, quando na passagem e, com alguma influência,
pelos meios governamentais da época, o Sr. Coronel Mendes Reis conseguiu
fixar em Loriga os Correios Centrais que eram já de grande necessidade,
falta que se fazia sentir pois, nesses tempos, era já uma realidade o
desenvolvimento das fábricas de Lanifícios nesta localidade.
Por motivo de todos os contornos e audácia ao longo da sua vida militar,
passou a sentir-se vigiado pelo poder governamental, refugiando-se em
Lisboa na sua casa e junto à família, onde velho e cansado viria a falecer
com 98 anos de idade, no dia 19 de Novembro de 1971.

Emilia Mendes Brito


1874 - 1946

Nasceu em Loriga a 6 de Dezembro de 1874, mas desde muito nova era visível
a sua piedade, talvez fruto do ambiente piedoso em que vivia, dedicando à
-8-
igreja da sua terra a sua total fidelidade, onde tratava da limpeza, no
ornamento dos altares e dando catequese aos mais novos.
Vida de amor!.. Como ela passava horas sem fim diante do Sacrário!.. Como
ela compreendia a virtude da humildade, junto do tabernáculo dum Deus
infinitamente humilde!.. Como o publicano do Evangelho, jamais alguém a
viu, que não fosse no lugar mais solitário do templo, entregue à oração
mais concentrada.
Vivendo unicamente para o Senhor passava todo o tempo na igreja onde era
sempre uma presença em continuada oração que o povo chamava Santa. Era tão
grande a sensibilidade desta mulher na sua bondade, que chegava a deixar
de comer o pão para com ele alimentar os animais ou os passarinhos que não
saiam da sua porta
Mas não era simplesmente a oração que lhe absorvia todo o seu dia. Ela era
igualmente a grande mulher de acção. Cobrava as quotas da sua queridíssima
Propagação da Fé, inscrevendo novos associados, visitando os pobres
protegidos pela Conferência de S. Vicente de Paulo e muitas das vezes se
encontrava à cabeceira dos moribundos recitando-lhes o ofício da agonia,
apontando-lhes o Céu como termo dos sofrimentos humanos.
Durante toda a sua vida assistiu às missas e recebeu a comunhão
diariamente. As pessoas estavam já habituadas a ver aquela figura com as
suas vestes a varrer o chão, passando pelas ruas sempre de olhos baixos
como que desejando que ninguém a visse e, quando falava, a sua voz suave
prendia todos aqueles que a escutavam, mas ela própria se arrepiava ao
ouvir de alguém uma palavra maldosa por mais insignificante que fosse.
Com 72 anos de idade adoece e pouco tempo depois, em 28 de Janeiro de 1946
ocorre o seu falecimento. Segundo relatos da época, parecia até haver um
sorriso na sua boca, como que feliz, por partir para junto do Senhor a
quem dedicou toda a sua vida.
O seu funeral foi um dia de muita tristeza para a população de Loriga, ao
verem partir para sempre a sua Santa. A Junta de Freguesia cedeu a
sepultura onde descansa eternamente, e o povo da sua terra, como prova de
gratidão, mandou colocar a mármore.
Durante anos, e ainda hoje, se comenta a possibilidade do seu corpo se
encontrar intacto na sua sepultura, pois segundo o povo "O corpo das
Santas mantém-se tal como foi durante a sua passagem pela vida".

Maria Ermelinda Mendes Guimarães e Cunha


1881 - 1926

Nasceu em Loriga, era filha de Augusto Luís Mendes e de Eduarda Guimarães.


Notabilizou-se como uma senhora de grande sensibilidade e de uma enorme
ternura e amor pelos outros, principalmente para com os pobres da sua
terra.
Desde muito nova se evidenciaram as suas qualidades de bondade e de amor
pelo próximo, bem demonstradas na sua atitude para com os mais
necessitados. Numa época em que em Loriga, a pobreza extrema era bem
-9-
visível, frequentemente, saía do seu Solar da Redondinha, a fim de visitar
as casas dos mais carenciados, onde para além de esmola, levava carinho.
A virtude de querer fazer o bem, aliada a outras qualidades, fizeram com
que fosse adorada pelos pobres de Loriga. Para além das cestas com comida
que mandava entregar em casa dos pobres, pelas suas criadas, intercedeu
junto de seu pai para que fosse distribuída semanalmente uma esmola pelos
mais carenciados, um gesto que se manteve durante muito tempo.
Era uma excelente pianista, dando uma certa alegria àquele solar, quando o
som das teclas do seu piano se faziam ouvir. Casou com o Sr. Fernandes da
Cunha, vindo a ser mãe de quatro filhos.
Faleceu no ano seguinte à morte de seu pai, com apenas 45 anos, deixando
os filhos ainda muito novos. A sua morte causou grande consternação, e o
povo chorou a sua perda. As cerimónias fúnebres foram realizadas na capela
da Nossa Senhora Auxiliadora, na Redondinha, propriedade da sua família,
sendo o seu corpo depositado no jazigo da família no cemitério local.

José Gomes Luís Lages


1881 - 1950

Nasceu em Loriga no lugar do Cabrum em 1 de Outubro de 1881, filho de José


Gomes Luís Lages e de Ana Jorge.
Era o mais velho de três irmãos, que com o falecimento precoce do seu pai
(com 24 anos) com apenas 8 anos e, após a abolição da escravatura no
Brasil, viaja com o padrasto e o irmão António para este país, mais
precisamente para o Rio de Janeiro.
Residiu no vale do Rio Paraíba e depois foi viver para Belém do Pará e
também para Manaus, onde já existia uma vasta comunidade loriguense, que
trabalhava no Café, na cana-de-açúcar e na borracha e onde consegue
sobreviver à febre amarela, na altura muito comum naquela região. Teve a
sorte de regressar a Portugal em 1900, enquanto o irmão partiria para
Argentina que à semelhança de tanta gente de Loriga, nunca mais voltou à
sua terra.
Em Portugal, começa por viver em Loriga com a irmã Teresa e com a avó
paterna Emma. Depois trabalha com um primo em Mangualde até regressar a
Loriga em 1902, para o casamento da irmã com José Gomes Luiz de Pina.
Nesse mesmo dia, começa um namoro com a irmã do cunhado, com quem acaba
por casar passado meio ano.
Por via da mulher, Maria Emília de Luís Duarte Pina entra na Fábrica do
Regato de onde sai após a morte do cunhado José, por tifo, e em
divergência com a sogra e os restantes cunhados.
Em 1929, trabalhou para Carlos Nunes Cabral e travou conhecimento e
amizade com o Conde da Covilhã. Em 1930, após hipoteca das terras que
herdou da avó no lugar do Cabrum, no "Portugal" e no Teixeiro, perante o
Conde da Covilhã contrai um empréstimo de 500 contos que serviria para
construir a Fábrica das Lamas, aproveitando a levada de água que
alimentava também a Fábrica da Redondinha.
Funda a Fábrica das Lamas e inicia a sociedade de lanifícios Lages que
posteriormente adopta as designações de Lages, Santos & Companhia, Lda e
- 10 -
mais tarde Lages Santos & Sucessores, Lda., não tendo já pertencido a esta
sociedade que cessaria laboração em 1973 e que foi vendida por 500 contos
em 1980 à firma Pedro Vaz Leal e Companhia.
Da memória dos netos, na sua maioria afilhados, fica a ideia de um homem
que se gabava de travar amizade e histórias com salteadores e nobres e de
ser de estatura notoriamente mais baixa que a esposa.
Católico e monárquico com um bigode com pontas encaracoladas e cicatrizes
profundas nas mãos que passava muitas tardes a jogar às cartas com amigos
de Loriga, como Joaquim Leitão, José Carreira e Pedro de Almeida, entre
outros, no "Clube", que ficava na sua casa.
Durante a vida, dos 14 filhos que teve, perdeu dois rapazes (António e
Augusto), finalistas da Faculdade de Coimbra com tuberculose e um filho
(Isaac Luís) de sete anos, afogado no poço que posteriormente teve o nome
pelo qual era vulgarmente conhecido, na Ribeira de Loriga.
No final da vida, fez as pazes com a família da esposa e viaja
constantemente para Belas, onde visita a irmã, internada por demência após
ter contraído meningite, em 1930.
Veio a morrer em Coimbra, em 11 de Dezembro de 1950, aos 69 anos, após
internamento por acidente cardíaco. A sua casa no "Pátio" , no local
conhecido pela "Praça" em Loriga, continua a ser parte indivisível de
todos os seus herdeiros.
Loriga viu partir mais um dos seus filhos, fundador de uma das suas
Fábricas de Lanifícios, que o tornou num dos muitos industriais que
contribuíram em muito para o engrandecimento da sua terra.

António Mendes Cabral Lages


1884 - 1969

Nasceu em Loriga em 23 de Agosto de 1884, filho de Augusto César Mendes


Lages e de Rosalina Mendes Gouveia. Foi ordenado sacerdote em 18 de Julho
de 1909, pelo Prelado D.Manuel Vieira de Matos na Guarda, tendo celebrado
a sua primeira missa em 25 do mesmo mês em Loriga.
Pouco tempo depois foi colocado como pároco encomendado como se dizia na
altura, na freguesia de Santa Maria de Manteigas e no ano seguinte foi
nomeado pároco da freguesia de Aldeia da Ponte onde permaneceu até fins de
Junho. Entretanto, como o seu tio e padrinho Monsenhor António Mendes
Gouveia Cabral por motivos de saúde e impossibilitado de estar à frente da
paróquia de Loriga, fez um pedido ao Prelado para a vinda para a sua
terra, que viria a acontecer em Julho desse mesmo ano e na sua terra
permaneceu como pároco cerca de 34 anos. Paroquiou também em Valezim,
Alvôco da Serra e foi o maior impulsionador para a construção das capelas
da Teixeira de Baixo, Frádigas e Fontão.
Formado em Teololgia no Seminário da Guarda além de sacerdote sentia-se
politico, sendo caracterizado pela sua frontalidade e determinação,
defensor dos mais desfavorecidos e dos pobres. Conhecia bem as diferencias
sociais existentes na sua terra, por vezes dizia não serem justas e que
apesar de não concordar com elas, estranhamente era com elas mesmo que
tinha um mais estreito relacionamento.
- 11 -
Muito devoto do Sagrado Coração de Jesus primava por ser um verdadeiro
cristão. No entanto era, acima de tudo um disciplinador e exigente no
ensinamento da catequese, tendo fundado em Loriga alguns organismos da
Acção Católica que, mais tarde, o seu sucessor reorganizou.
Foi presidente da Junta de Freguesia de Loriga em 1944, nos anos da II
Guerra Mundial, onde a lei e justiça eram superados pelos interesses dos
mais poderosos e teve grandes problemas com os seus paroquianos. Talvez
fosse essa uma das causas mais marcantes para que o Bispo lhe retirasse a
paróquia de Loriga, tendo-lhe até sido retirado o direito de celebrar
missa no altar-mor da igreja, vindo a ser substituído pelo Sr.Padre Prata
natural de Manteigas.
Chegou mais tarde a ser pároco da localidade da Cabeça onde durante anos
realizou ali obras de grande vulto e de valor, sendo o grande obreiro na
edificação da igreja local de bela arquitectura.
Já velho e cansado com frequência se podia ver passar umas horas no café
do "Zé Maria" ou no "Clube", mas muitas mais horas passava refugiado na
sua casa a bater nas "teclas" da sua velha máquina, escrevendo as suas
memórias que intitulava de "Para Constar" que infelizmente muitas delas se
viriam a perder.
Possuidor de muitos bens, ainda em vida resolveu doar tudo à igreja
paroquial, doação que foi importante para a Acção Social e Religiosa em
Loriga, sendo instalada nesta vila uma Ordem de Irmãzinhas, onde passaria
a viver mais acompanhado e acarinhado o resto dos seus anos de vida e onde
viria a falecer após doença em 19 de Fevereiro de 1969, com a idade de 84
anos.

António João de Brito Amaro


1890 - 1961

Natural de Loriga onde nasceu em 4 de Janeiro de 1890, foi um industrial e


comerciante de sucesso, que muito contribuiu no desenvolvimento industrial
da sua terra, e que se destaca, entre outros, na verdadeira expansão dos
tecidos fabricados em Loriga para outros localidades nomeadamente ao
mercado da Beira Baixa.
Na sua infância fez parte da Banda Musical de Loriga onde tocava cornetim
Era um cristão convicto e um verdadeiro católico praticante, possuidor de
um coração bondoso tendo, ao longo da sua vida angariado a estima e
amizade dos seus conterrâneos que, mesmo depois da sua morte o recordavam
com saudade.
Após o seu casamento com Maria José Nunes Brito, também natural de Loriga,
o casal rumou para o Brasil - Estado de Manaus. Ali adquiriu uma mercearia
que tinha em anexo uma olaria iniciando, assim, a sua actividade comercial
que o levaria a manter-se por lá durante alguns anos.
Regressou à sua terra em 1923, com alguns dos seus filhos ainda muito
pequeninos, e que entretanto por lá tinham nascido e, mais tarde, o casal
voltaria a ter mais filhos, mas desta feita nascidos em Loriga.
No ano seguinte (1924) fundou em Loriga uma sociedade do ramo de
lanifícios com os cunhados António e Alfredo Nunes Luis. Um ano mais tarde
- 12 -
(1925) e na ideia de expandir as vendas dos tecidos que nesta localidade
se fabricavam e ainda para estarem mais perto dos clientes na Beira Baixa,
para onde se destinava a grande parte dos mesmos, compraram uma loja de
mercearia na Covilhã, centro industrial por excelência, alterando a
gerência da dita casa comercial com o sócio António Nunes Luis, um mês na
Covilhã e outro em Loriga.
Esta casa comercial na Covilhã viria a encerrar em 1935, passando a
Sociedade a ter os seus negócios sediados apenas em Loriga. Entretanto
esta sociedade é extensiva a mais familiares, com a finalidade de se
expandirem um pouco mais na industria de lanifícios, tendo nesse mesmo ano
arrendado a Fábrica da Redondinha (Augusto Luis Mendes & Comp.). Os sócios
nomearam-no como gerente da dita fábrica, funções que viria a desempenhar
até 1953.
Foi também um dos sócios fundadores da fábrica Nunes Brito & Comp., criada
em Loriga no mês de Fevereiro de 1948, que nessa época passou a ser uma
das mais modernas.
No ano de 1939 acontece o falecimento de sua esposa, Maria José Nunes
Brito (28.10.1887 - 15.6.1939) com a idade de 51 anos, uma mulher muito
sensível no seu trato e dotada de uma inteligência pouco vulgar para a
época onde, o seu grande sentido de administração, contribuiu parte muitos
dos êxitos nos negócios do marido. A morte de sua esposa foi um duro golpe
que abalou profundamente o Sr. António João.
Esta figura de Loriga viria a falecer em 5 de Fevereiro de 1961, ficando
esta Vila mais pobre ao ver desaparecer mais um dos seus maiores
industriais que em muito contribuiu na divulgação e expansão da industria
de lanifícios da sua terra.

Carlos Simões Pereira


1890 - 1977

Nasceu em Loriga em 9 de Agosto de 1890. Segundo se sabe, parece ter


nascido para a música e, quando surge a ideia da fundação da Banda nesta
vila, passou logo a fazer parte dela, aprendendo música com o mestre
espanhol que viria a ser o primeiro regente.
Eram tão grandes as suas qualidades para a música, que depressa aprendeu o
suficiente e, em 1911, com apenas 21 anos, passou a ser o regente da Banda
de Loriga funções que viria a desempenhar até 1914.
Emigrou um dia tendo como destino o Brasil, onde esteve sempre em contacto
com a música, fazendo mesmo parte e sendo até regente de diversas tunas.
Regressou a pedido da família mas, mais tarde, partiu novamente, desta
feita até ao Congo (África), mas só, que por lá, não esteve tão perto da
música como desejaria.
Regressou a Portugal e a Loriga por altura de 1937, e é ainda com mais
intensidade que se dedica à música, e entra novamente como músico na Banda
da sua terra ocupando-se, também, a ensaiar o Grupo Coral da Igreja
Matriz.
Era homem de verdadeiro sentido de interpretação musical, exigente,
disciplinado e educador, ficando para sempre ligado como uma legenda pelas
gerações de músicos que com ele muito aprenderam e, que a instituição
musical desta localidade muito lhe ficou a dever. Pensou e reuniu uma
- 13 -
série de músicas brasileiras que depois transcreveu para a banda executar
com o título de Rapsódia Brasileira, assim como, copiou e aperfeiçoou
muitas peças musicais, algumas das quais foram tocadas pela Banda de
Loriga.
Foi regente da Banda Musical de Loriga, de 1911-14; de 1922-24; de 1951-61
e de 1966-68, era também, acima de tudo, um cristão convicto que muito fez
pela igreja da sua terra, tendo ainda, e durante muitos anos, desempenhado
as funções de Regedor da Freguesia.
Nos anos da década de 1950 e principio de 1960, consegue elevar a Banda
Musical de Loriga a altos níveis e que ficaram famosos na história desta
instituição. Entre outros feitos, recorda-se quando, entre muitas outras
Bandas, foi a Banda Musical de Loriga honrada a tocar o Hino Nacional ao
Cardeal António Cerejeira nas Festas da Rainha Santa realizadas em Coimbra
no ano de 1956.
O "Mestre Carlos" como popularmente assim era chamado, deixa de colaborar
na Banda já velhinho, afastando-se completamente aos oitenta anos, vindo a
falecer em Loriga no dia 13 de Agosto de 1977 com 87 anos.

António Cardoso de Moura


1892 - 1967

Nasceu em Loriga, em 20 de Janeiro de 1892, filho de Emídio Cardoso de


Moura e de Benedita Luiz Moura.
Uma vida recheada de múltiplos aspectos, teve na sua inteligência a
virtude de angariar considerável fortuna, que foram frutos para que ao
doá-los à sua querida terra, se tornaria no maior benemérito da Vila de
Loriga.
Nascido de uma família humilde, passou os primeiros anos entre a educação
de seus pais e a frequência escolar, tendo obtido o diploma da 4ª. classe
na Guarda.
Tinha apenas 11 anos quando foi para o Brasil, com a sua família,
trabalhou em diversos estabelecimentos comerciais, mas cedo começou a
alimentar a ideia de se emancipar profissionalmente, assim aos 17 anos
iniciou o trabalho por conta própria, e foi tão evidente a sua qualidade
de trabalho, que se veio a impor-se como verdadeiro comerciante.
Posteriormente viria a construir a primeira sociedade com o conterrâneo
José Fernandes Gomes, surgindo assim a "União" para impor no conceito
geral como casa de sólida constituição e renome no meio comercial.
Todavia, seria na sua terra que não esquecia, que viria a começar novo
ciclo, ao associar-se com alguns cunhados na constituição da firma
industrial Moura Cabral & Comp.
Homem de brio e de excepcionais qualidades de trabalho, que vindo de um
meio comercial diferente para uma actividade industrial completamente
desconhecida, veio a firmar-se como um orientador perspicaz, aliando ao
exemplo de homem activo e de nobreza de trato, que fazia de cada
fornecedor ou cliente um amigo.
Desempenhou funções públicas tanto na Junta de Freguesia da sua terra,
como também na Câmara Municipal de Seia, onde foi vereador durante muitos
anos. Tinha o lema de acarinhar todas as obras ou iniciativas que tinham
- 14 -
por fim desenvolver ou valorizar a sua terra, tendo mesmo pelos seus
conterrâneos um certo carinho, que tentava por certos meios proteger, com
todos colaborava e a todos subsidiava.
Os desprotegidos da sorte ou instituições loriguenses, muito dele
receberam, não só no incentivo moral, bem como material, como nunca
ninguém o tinha feito.
Era casado com D. Eduarda Mendes Cabral e Moura (11.11.1894 - 3.3.1971),
onde a formação moral e cristã de ambos, se manifestou ao longo de 55 anos
do casamento.
Se a sua vida não bastasse para constituir um hino de exaltação ao
trabalho generoso e honrado, à riqueza de carácter e à generosidade
esclarecida, quis ainda prolongar para além da morte esse mesmo lema,
deixando a maioria dos recursos tão laboriosamente adquiridos à sua terra
Natal.
Depois da sua morte e perante a doação feita a Loriga, foi constituída a
Fundação Cardoso de Moura, sendo o prédio em que viveu este ilustre
loriguense, situado na Rua Coronel Reis (antiga Amoreira), aquele que mais
tem sido utilizado em prol da comunidade desta localidade. Já ali esteve
sediado, a Junta de Freguesia; a Banda de Loriga; os Bombeiros quando a
sua fundação; a Biblioteca; os CTT , enquanto se procediam a obras no
edifício dos correios, assim como, foi utilizado com as máquinas da
Associação da 3ª.Idade, enquanto não tinham sede, também funcionou ali o
Curso dos Tapetes de Arraiolos e os Cortes e actualmente funciona ali o
Posto de Informação Turística.
Faleceu em 31 de Outubro de 1967, em Lisboa, com a idade de 75 anos, sendo
o seu funeral realizado para Loriga, para ser sepultado no cemitério
local, conforme sua vontade.
Os seus conterrâneos quiseram estar presentes, tomando em massa, parte
activa nos ofícios fúnebres e missa, numa expressão sentida de estima e
admiração. Esta presença espontânea de toda a freguesia, foi sinal de
gratidão que tinham na alma, pois nesta altura ainda ninguém sabia das
suas últimas vontades.

António de Brito Pereira


1895 - 1987

Nasceu em Loriga, em 17 de Maio de 1895, filho de António Pereira e de


Emília Lopes de Brito.
Desde muito novo começou a ter um gosto especial pela Banda, onde
ingressou, vindo a notabilizar-se ao tocar diversos instrumentos, mas
seria o Bombardino, a consagrá-lo, dizem até, que era um verdadeiro
artista a tocar esse instrumento.
Homem humilde, de poucas falas, sofreu na carne a sua condição social.
Alfaiate de profissão, ou por necessidade, era no entanto, a música que
mais lhe estava no coração.
Era do pão que lhe faltava em casa, cujo filhos bem sentiram. Só que em
vez de cortar mais pano, copiava papéis de música horas e horas sem conto.
Só que em vez de alinhavar mais, perdia-se no sonho belo da cultura
musical da sua terra.
Foi regente da Banda de Loriga, quando era ainda relativamente muito novo,
funções que viria a desempenhar muitas mais vezes. No total deve ter
estado na regência da Banda de Loriga cerca de 30 anos.
Trabalhou sempre incansavelmente para não deixar acabar a Banda da sua
terra, porque em determinada altura parecia agonizar, devido a uma boa
parte de loriguenses partirem para outras paragens, nomeadamente Sacavém e
Brasil.
Esteve arredado da Banda Musical durante 30 anos, sofrendo interiormente
- 15 -
quase um degredo. E era fácil vê-lo escutando a sua Banda, procurando ser
discreto, mas a paixão não o deixava ocultar. Voltaria novamente à
regência da Banda Filarmónica da sua terra, depois de todos esses anos, já
velhinho, uma vez mais para a salvar.
Popularmente mais conhecido por "Mestre Barriosa", foi a muitos que
ensinou música, passando-lhe pelas mãos quase todos os executantes da
Banda de Loriga no seu tempo, até se dizia que era "ele a fazer a Banda, e
depois eram outros a possuí-la".
Sendo pessoa de bem tinha na sua modéstia, uma virtude, que ao longo dos
tempos lhe fez angariar a estima, a amizade e o respeito dos seus
conterrâneos.
Chegou a ser regente de outras Bandas, a de Silvares e depois a de
Candosa, mas nelas não "murou" muito tempo, pois a Banda de Loriga e a sua
terra, para ele eram tudo.
Era casado com Maria dos Anjos Alves Dinis, e pai do Albano, Manuel, João,
António e Idalina, que tal como o pai muito viriam a fazer pela comunidade
loriguense.
Faleceu velhinho e cansado em Loriga, no dia 24 de Junho de 1987, o
funeral foi realizado para o cemitério local onde ficou sepultado.
Perdendo Loriga um dos seus filhos queridos, que adorando a sua terra,
acima de tudo amava a sua Banda, que por ela, grande parte da sua vida
lutou, para que continua-se a manter-se bem viva e bem activa.

José Lopes de Macedo


1897 - 1974

Nasceu em Loriga em 13 de Dezembro de 1897. Deixando a sua terra com


destino a Belém-Pará Brasil ainda muito jovem. Estudou na Phenix Caixeral
Paraense, onde concluiu o curso de Contador, vindo a ser um dos mais
competentes profissionais numa época em que o ensino contábil no Pará
ainda não era ministrado a nível superior.
Patriota sincero, trabalhou na administração de todas as associações
portuguesas luso-brasileiras, existentes no seu tempo e, presidiu por
alguns anos no Centro Loriguense de Belém, do qual foi um dos seus
fundadores, assim como foi membro de destaque da União Comercial do
Prará-Brasil.
Notabilizou-se nos desportos náuticos, onde alcançou vitórias para a TUNA,
Luso-Brasileira, quando participou de guarnições de remo, que alcançaram o
primeiro lugar nas regatas, conquistando troféus para a Entidade que
representavam e medalhas de ouro individuais.
Grande entusiasta da Obra da Associação do Pão de Santo António, de amparo
às pessoas da terceira idade, juntamente com a sua esposa D.Josefina,
prestaram aquele organismo, relevantes serviços onde durante muitos anos
colaboraram em todas as promoções para angariar fundos para a manutenção
dessa notável entidade filantrópica.
Homem notável e de boas maneiras, apesar de tudo não esquecia a sua terra,
sempre pronto a contribuir quando havia iniciativas a favor dela.
Faleceu no Hospital da Beneficiente Portuguesa em Belém - Brasil, em 23 de
Março de 1974, vendo Loriga desaparecer mais um dos seus filhos que longe
se notabilizou.

Emídio Gomes Figueiredo


1897 - 1969

Nasceu em Loriga, e era filho de Manuel Gomes Figueiredo e de Maria Gomes


Lages. O "Ti Emídio Correia" como popularmente era mais conhecido, foi um
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dos maiores pastores da Serra da Estrela, senão mesmo o maior e foi, na
realidade, uma referência tradicional dos tempos passados dum pastor
loriguense verdadeiramente serrano.
Pai de oito filhos, era um homem bom, honrado e simples, era conhecido por
todos e com todos ele gostava de falar. A dedicação aos seus rebanhos era
algo de impressionante, procurando para eles os melhores pastos que
pudessem existir por toda a serra.
A serra era o seu mundo, onde passou toda a sua vida como pastor, sendo
considerado por muitos, o último guerreiro lusitano dos Montes Hermínios.
Ao longo da sua vida teve sempre muitas histórias para contar da serra e
dos seus cães, autenticas aventuras, que os mais novos as ouvindo as
tornaram lendárias.
Praticamente desde criança trabalhou no campo, vivendo da agricultura, mas
foi à pastorícia que ele dedicou toda a sua vida, passando metade do ano
na serra sem vir à povoação, onde guardava a maioria dos rebanhos da
região, chegando mesmo a ser o pastor com o maior rebanho na Serra da
Estrela. Há relatos até que dão conta de ter à sua guarda cerca de 10.000
cabeças de gado.
Para os seus conterrâneos, o "Ti Emídio Correia", era um símbolo, e tinham
por ele enorme admiração e respeito. A sua fama de grande pastor era bem
conhecida por todos, tendo um dia sido fotografado, assim como, seu irmão
Manuel, também ele um grande pastor, passando a partir de então a
figurarem em postais ilustrados como pastores modelos da serra, postais
esses que passaram a fazer parte das séries da Serra da Estrela.
Conhecia a serra palmo a palmo, percorria caminhos que só ele conhecia,
bem como conhecia todos os segredos e mistérios desse mundo serrano que,
apesar de ser rude ele o adorava e considerava seu, mesmo, quando uma ou
outra vez se sentia frustrado ao sentir-se impotente para lutar com a
serra, quando esta era rigorosa e descarregava a sua ira por todo o lado e
o impediam de conseguir para os seus rebanhos os melhores pastos.
Com a pele enegrecida pelo sol, e pelas aragens frias e rígidas da serra,
ainda hoje muitos dele se recordam, quando, ao escurecer, o viam chegar à
povoação ou, mesmo estando em suas casas ouviam os seus passos lentos e
pesados, arrastando as suas botas cardadas por brochas, ansioso por chegar
a casa, e desfrutar um pouco do calor do seu lar e do amor da sua família.
Pela manhã, e bem cedo ainda, lá partia novamente, voltando para o seu
mundo, onde só ali se parecia sentir bem.
Num começo de dia, que parecia igual a muitos outros, o velho pastor
prepara-se para mais uma saída com o seu rebanho, coloca ao ombro a velha
sacola com a "bucha", pega no seu inseparável cajado, prepara-se para se
pôr a caminho.
Começa a sentir-se mal, senta-se nos degraus da palheira da Tapada do
Amial e, possivelmente deitando um último olhar em seu redor,
tranquilamente adormece no sono eterno, quem sabe feliz por deixar esta
vida dos vivos, longe da povoação e num mundo que foi todo a sua vida - a
serra.
Algum tempo mais tarde é encontrado por sua mulher naquele local, onde
parecia existir uma verdadeira paz eterna. Junto dele, o seu cão e fiel
amigo, fixava o seu olhar no velho pastor, e chorava parecendo um humano,
cenário que não mais foi esquecido por aqueles que ali acorreram. Esse
mesmo, cão com tal desgosto, deixou de comer e pouco tempo depois morreu
também.
Faleceu com 72 anos de idade, e o seu funeral realizou-se com verdadeiro
pesar pelos muitos dos loriguenses que o acompanharam ao cemitério local,
onde ficou sepultado.
A serra pareceu também ficar triste, não vendo mais chegar até ela, um dos
seus últimos guerreiros lusitanos, o velho pastor de Loriga.
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Pedro Vaz Leal


1900 - 1964

Natural da Póvoa da Atalaia (Beira Baixa), onde ocorreu o seu nascimento


em 8 de Março de 1900.
Completou a instrução primária na sua terra natal, que deixou ainda novo,
seguindo com destino a Loriga para se empregar na oficina do Sr. António
Ferreira situada no Cabeço. Anos mais tarde casou com D. Alzira Machado
natural desta localidade.
Jovem inteligente e com vocação para aprender, depressa adquiriu uns
certos conhecimentos da arte de ferreiro, que levaria a tornar-se em pouco
tempo num brilhante profissional. Desde logo, e como também era dotado de
uma certa ambição, e pretendia alargar os seus horizontes, pensou não ser,
a oficina onde trabalhava, um lugar de futuro. Não foi, por isso, de
estranhar a sua mudança para outro lugar, partindo para perto de Lisboa,
onde se empregou desempenhando a profissão de ferreiro, dando ainda
assistência às máquinas agrícolas nas quintas dessa região.
Em 1931 regressa a Loriga para trabalhar por conta própria e, com alguma
ajuda, alugou a velha forja do Cabeço, iniciando assim um trabalho cujo
crescimento era bem visível e, a partir daí não mais parou. Não se
contentando só em trabalhar para Loriga, depressa alargou o seu trabalho
para o exterior, não tardando mesmo a ser um dos fornecedores mais
creditados das Minas da Panasqueira, sendo ainda no Cabeço, o construtor
das primeiras vagonetas para transporte do minério.
Aumenta os quadros do pessoal, abre uma nova oficina já mais moderna no
Terreiro da Lição, junto com a sua habitação onde sempre viveu. A expansão
da sua firma continua a registar grandes progressos, por isso resolve
fazer uma fundição na Vista Alegre com serviço automóvel e venda de
combustível, acabando mais tarde por fazer novas instalações para onde
passaria todos os serviços. Anos mais tarde, e já depois da sua morte, a
sua empresa viria adquirir a antiga Fábrica das Lamas podendo, assim,
alargar-se ainda mais em Loriga.
Sempre caracterizado por trabalhador patrão, teve sempre presente a
preocupação de que os seus empregados adquirissem cada vez mais
conhecimentos e melhor valorização profissional. Por isso mesmo, a sua
Oficina passou a ser uma Escola Técnica que proporcionou, a muitos jovens
que por lá passaram, a profissionalização naquela área.
A Metalúrgica Vaz Leal, foi uma das maiores Firmas de Loriga, e chegou a
ser uma das principais do distrito da Guarda e uma das melhores do
Concelho de Seia.
Era casado com Alzira Gomes de Pina Leal (28.8.1906 - 7.9.1961) virtuosa
senhora de bondade para com os pobres. Aos 64 anos, e após doença
prolongada, em 14 de Junho de 1964 morre o Sr. Pedro Vaz Leal. Ficou
sepultado em Loriga, à qual ficou para sempre ligado e que, apesar de não
ser natural desta localidade ele dizia ser também sua. Na realidade, assim
pareceu ser, tendo sido considerado um dos maiores obreiros no
desenvolvimento da Vila de Loriga, pelo contributo dado ao longo da sua
vida.
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Francisco Mendes Campos


1901 - 1957

Nasceu em Loriga em 18 de Fevereiro de 1901, ficando orfãm de pai e mãe,


ainda com tenra idade. Foi uma personalidade de destaque na Colónia
Loriguense de Belém, nas décadas de 1920/50, distinguindo-se como homem de
letras, contribuindo também em muitas iniciativas em prol da sua terra.
Após a morte dos seus pais, passou a ser criado aos cuidados da avó
paterna Emília, que lhe dispensou especial carinho pelo que lhe ficou
muito grato, manifestando publicamente, isso mesmo, num sentimental artigo
publicado no "Jornal Lusitano" editado em Belém e no qual foi secretário.
Foi para Belém do Pará, antes de 1920, onde possuía um tio paterno e
outros familiares, formou-se na Escola Prática de Comércio, mantida pela
Associação Comercial do Pará, e na qual foi um dos mais brilhantes alunos.
Ainda muito cedo manifestou a sua inclinação para o ensino, sendo um
excelente mestre de português e de contabilidade, exercendo o magistério
na Escola Prática, Phenix Caixeiral Paraense, Grémio Literário Português e
Curso Ciências e Letras. No Grémio foi vice-presidente e director de
curso.
Foi sócio e pertenceu aos corpos administrativos da Beneficente
Portuguesa, Associação "Vasco da Gama", Tuna Luso Comercial, Liga
Portuguesa de Repatriação, Phenix Caixeiral e Grémio Lusitano.
Foi durante muito tempo um assíduo colaborador dos jornais "Lusitano" e "A
Colónia" com artigos patrióticos e em defesa de portugueses que eram
vítimas de ataques e perseguição de uma minoria dotada de xenofobia.
Embora muito novo os seus artigos demonstravam fina sensibilidade. Assim
os artigos "À minha Mãe além-túmulo"; "À minha Avó"; "À minha afilhada
Vitória" outro sobre o escritor Gomes Leal e ainda uma réplica ao Padre
Dubois por causa do poeta Guerra Junqueiro e, também pelo que escreveu
contra o Marquês de Pombal, essas réplicas demonstraram grandes
conhecimentos e uma maneira própria de o descrever.
Em 1923 transferiu-se para Recife, onde se manteve pouco tempo,
regressando novamente a Belém. Exerceu o cargo provisório de arquivista no
Consulado de Portugal onde a sua inteligência e zelo nas funções ali
desempenhadas, eram bem reconhecidas por todos.
Viria a falecer ainda novo em 3 de Dezembro de 1957, no Hospital de D.Luiz
I em Belém - Brasil, tendo sido sepultado no cemitério de Belém. Loriga
foi o seu berço, mas foi em terras distantes que viveu e se notabilizou, e
onde ficou também eternamente.

José Fernandes Conde


1901 - 1972

Nasceu em Loriga em 16 de Maio de 1901, filho de António Fernandes Conde e


de Ana Mendes de Moura.
Foi durante muitos anos o varredor das ruas de Loriga e também coveiro com
a nobre missão na "Obra de Misericórdia" de enterrar os mortos. Além disso
tinha como muitos dos seus familiares a natural habilidade de trabalhar as pedras.
Homem robusto, de caris temperamental, no interior era um coração de
bondade. Cumpridor como poucos, era vê-lo logo pela manhãzinha orientando
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as águas nos regos, cujos canos ficavam entupir com lixos domésticos, que
as mulheres ainda lusco-fusco deitavam nas águas correntes. As carências
económicas e outras originavam que as pessoas fossem menos limpas. Era
assim no tempo em Loriga com cerca de 4000 almas, tiremos daí as
conclusões sobre a lida deste homem.
Brioso, varria as rua como ninguém. Era vê-lo constantemente a fazer as
suas próprias vassouras, com ramos de azinho e quando encontrava os miúdos
nos regos a fazer traquinices, desviando-lhe as águas, corria-os com estas
palavras "ide embora senão levais com o vassouram".
Como coveiro tratou do cemitério de Loriga como poucos o fizeram. As
campas na altura eram na maioria térreas, e o "Ti Zé Conde" a todos
tratava com o mesmo carinho. Sabia quem tinha sido sepultado em cada
côvado e por ordem de datas, tinha na sua cabeça aquilo que a Junta de
Freguesia devia ter no papel, e não tinha.
Quantas vezes este homem se levantou no meio da noite para abrir covas
sozinho, debaixo de chuva e vento, para os funerais a realizar logo de
manhã cedo.
Mal pago pela Junta de Freguesia ignorado ao dever que tinham para com
ele, sujeitava-se a receber alguma coisita que no dia dos finados lhe
depositavam no bolso. Quem não se lembra de o ver à porta do cemitério,
recebendo os seus mortos, com o chapéu na mão em sinal de grande
veneração. Foram muitos anos e, muitas as centenas de Loriguenses que este
homem desceu à terra.
Era casado com Maria dos Anjos Brito Conde, tiveram quatro filhos, José,
António, Adélia os três já falecidos e Maria do Carmo ainda viva.
Deixou o reino dos vivos em 20 de Janeiro de 1972, sendo sepultado no seu
cemitério que tantos anos da sua vida ali passou. Os Loriguenses viram
assim partir um dos seus conterrâneos que se a sepultura aos mortos é sem
dúvida uma obra de misericórdia, este homem pelas que praticou na sua
terra, está de certeza junto do Misericordioso Deus, gozando a eterna Paz.

Adelino Pereira das Neves


1901 - 1979

Natural de Santa Ovaia, onde nasceu em 15 de Julho de 1901, filho de


António Francisco e de Maria dos Prazeres Pereira.
Fixou-se em Loriga em 1925, logo após a construção da estrada que passou a
ligar São Romão à Vila de Loriga.
Criou uma carreira de transporte de passageiros, com um pequeno autocarro,
de que era proprietário.
Em 1931 fundou uma empresa de transportes públicos, "Auto Viação Serra da
Estrela" já então com outras camionetas de passageiros, que ia de Loriga à
estação ferroviária de Nelas.
Em 1948, esta empresa foi vendida à Companhia de Transportes Hermínios,
que passou a operar na região de Seia.
Já na condição de aposentado, teve um carro de praça de que era
proprietário e, durante algum tempo, exerceu essa actividade.
Faleceu em 7 de Janeiro de 1979 em Coimbra, sendo sepultado no cemitério
de Loriga.
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Constança de Brito Pina


1901 - 1981

Grande parte da sua vida dedicou


A quem vem ao mundo é para viver
De mãos suaves e até milagrosas
Muitos Loriguenses ajudou a nascer

Nasceu em Loriga no dia 9 de Junho de 1901, filha de Plácido de Moura Pina


e de Maria Tereza Luis de Brito. Foi durante mais de 40 anos a "parteira"
da sua terra natal.
Eram épocas há muito passadas, quando os nascimentos das crianças tirando
uma ou outra excepção ocorriam nos domicílios. Por isso, de maneira alguma
se poderá ignorar uma pessoa notável que através dos anos, décadas e
gerações, prestou assistência a esses muitos nascimentos e que ficou para
sempre registada como uma referência e uma legenda de Loriga.
Com dignidade e amor à sua terra e aos seus conterrâneos, assistiu e
ajudou a nascer gerações de loriguenses, ocorrendo ao chamamento a
qualquer hora do dia ou noite, nunca se preocupando se a assistência que
ia prestar era para rico ou pobre, nunca exigindo qualquer renumeração e,
alguma gratificação que lhe ofereciam, era consoante as posses de cada um.
Por tradição era a Sra. Constança que no dia do baptizado, levava ao colo
os bebés que tinha ajudado a nascer. Por isso, perdeu o conto de quantos
levou à igreja Matriz para receberem o baptismo, dado que foram décadas de
anos em que a população se habituou a vê-la com os seus cabelos da cor da
neve, a caminho da casa de Deus, sendo até uma das pessoas mais conhecidas
de Loriga.
Entretanto os tempos mudaram, e os nascimentos deixaram de ser nas
próprias casas e aos poucos foi deixando de ser solicitada. Decorria então
o ano de 1975 quando, definitivamente, deixou de prestar assistência de
"parteira". Era casada com José Pinto Romano.
Faleceu em 22 de Abril de 1981, ficando Loriga mais pobre ao ver partir,
de certeza para o Céu, a mulher que durante uma vida inteira, foi a
primeira a ver um Loriguense a nascer.
Nota:- No dia 15 de Agosto de 2002, numa homenagem singela, esta figura
passou a fazer parte na Toponímia de Loriga, ao ser atribuído o seu nome a
uma das ruas desta localidade.

José Mendes Garcia


1901 - 1985
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Nasceu em Loriga, no ano de 1901, filho de José Mendes Garcia e Maria


Teresa Garcia.
Homem simples, dotado de um coração generoso e uma alma grande.
Trabalhador da industria de lanifícios no sector da ultimação, quedou de
velho quando as portas do seu "Regato" não mais se abriram para voltar a
sentir o martelar dos seus pisões.
Ao falar-se no "Ti Garcia" como popularmente assim era chamado, com
naturalidade é recordado ligado à "Amenta das Almas". A ele se ficou a
dever, pelo seu desempenho, preservação e continuação desta mais antiga
tradição que Loriga se orgulha de ter.
De uma voz grave, taciturna, monocórdica, cantou vezes sem conto, pedindo
orações pelos mortos, durante cerca de 60 anos, em todas as semanas
quaresmais de cada ano.
Com ele cantaram várias gerações que seria difícil aqui descrever. Nunca
faltava, até porque o ajuntamento se fazia na sua modesta casa, onde nunca
faltava os figuitos e a aguardente que carinhosamente a esposa, Tia
Cândida, deixava já em cima da mesa toalha de branco.
Para o "Ti Garcia" cantar a "Amenta da Almas" era como que sagrado. Essas
noites da quaresma, para ele, era de grande respeito, exigindo mesmo a
todos que o acompanhavam, um silencio sepulcral, dizia ele, que só assim
os corações podiam ouvir e rezar. Distribuía os pontos, para cantar,
sempre com a aprovação de todos, porque ninguém teria a coragem de
contrariar o homem cujo exemplo era o próprio a dar.
Muito crente e devoto, era homem de bem. Se a Fé a todos acompanha, não
deverá haver dúvidas, que este homem não pode estar noutro lugar senão
junto a Deus.
Após a passagem do centenário do seu nascimento, foi finalmente prestada
uma justíssima e singela homenagem, pena foi, ter pecado por tardia. Em 8
de Março de 2003, a Junta de Freguesia de Loriga, mandou colocar uma placa
evocativa, na casa onde viveu durante grande parte da sua vida,
perpetuando assim para as gerações vindoiras o nome desta figura
loriguense.
Foi casado com Maria Cândida Martins de Ascenção, e desse casamento
tiveram os filhos:- António, Emidio, Eduardo, Mário, Laurinda e Irene.
Faleceu em 17 de Agosto de 1995 na Guarda, o funeral realizou-se em Loriga
para o cemitério local onde ficou sepultado, sendo muitos os loriguenses
que o acompanharam à sua última morada. Loriga ficou mais pobre ao ver
partir um dos seus filhos, que muito lutou para que a tradição mais antiga
desta localidade não morresse e para que continua-se a manter-se bem viva
de geração em geração.

Irene Almeida Abreu


1904 - 1982

Nasceu em Loriga em 3 de Agosto de 1904, filha de Pedro de Almeida e de


Maria Adelaide Abreu Amaral.
Professora de reconhecido mérito, sempre muito dedicada aos seus alunos,
tendo herdado os atributos de seu pai, Professor Pedro de Almeida, na
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missão de ensinar as primeiras letras às crianças.
Exerceu o magistério em Loriga, durante quarenta e um anos. Ensinou
gerações de alunos, cujos testemunhos evidenciam o rigor, o empenho e o
elevado nível de exigência que colocava nos seus ensinamentos, e que se
traduziam nos bons resultados por eles obtidos.
Casou com Alberto Pires Gomes, também professor primários, que tinha sido
colocado em Loriga, onde se radicou.
No dia 22 de Dezembro de 1974, foi homenageada, bem como, o seu marido
professor Alberto Pires Gomes, numa significativa homenagem que os antigos
alunos de várias idades quiseram prestar, como reconhecimento pelas suas
virtudes de grande educadora e à qual se associaram vários organismos de
Loriga, Junta de Freguesia e Banda da Música, que acompanhou os cânticos
na missa que foi realizada inserida nessa homenagem.
Além de muitas pessoas que associaram à esta homenagem, esteve também
presente muitos familiares desta distinta senhora, entre eles o seu
sobrinho Dr. Almeida Santos na altura ministro da Coordenação do
Território.
A Junta de Freguesia de Loriga, também como prova de gratidão, decidiu com
justiça, que o nome desta ilustre professora passasse a fazer parte da
Toponímia de Loriga, sendo atribuído o seu nome a uma das ruas do Bairro
das Penedas, logo após este ter sido construído.
Faleceu em Loriga, com 78 anos de idade, no 2 de Abril de 1982, perdendo
Loriga uma senhora de grandes virtudes, sendo sepultada no cemitério
local.

António Moura Pina


1907 - 1988

Nasceu em Loriga em 15 de Setembro de 1907. Ainda novo foi aprendiz de


tecelão, mas foi a profissão de sapateiro que ele viria desempenhar
durante toda a sua vida, que o tornou um grande oficial nesta arte e com
certa fama nos arredores.
Homem popular e de boas maneiras, notabilizou-se por uma juventude de
boémio, trovador, comediante, cantando serenatas que deleitavam os ouvidos
das moças dos anos da década 1920 em Loriga. Nos bailes, vestia-se de
mulher, fazendo critica de tudo que lhe parecia errado na sua terra sendo,
por isso intitulado de "desavergonhado".
Sempre de grande dedicação à música, passa pela Banda de Musical, ensina
ainda viola e bandolim a muitos estudantes que se reuniam na sua sapataria
que, mais parecia um local de verdadeiros concertos musicais, sobrando-lhe
ainda tempo para fazer parte do Grupo Coral da igreja matriz, tocando o
órgão.
Verdadeiramente religioso, foi sempre um fiel servidor da igreja, ensaiado
diversos grupos litúrgicos, sendo até um dos fundadores da Liga
Eucarística dos Homens. Durante muitos anos exerceu ainda as funções de
zelador da Irmandade, cargo que desempenhou com muita vocação e muita
eficiência na organização das procissões, na distribuição das velas, na
montagem trabalhosa da Essa ("Ercia" como era assim chamada pelo povo),
para os funerais e o respectivo anúncio, logo pela manhã, dando volta à
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rua com a campainha na mão.
Grande entusiasta pelo teatro amador que se realizava em Loriga, tinha
verdadeira jeito na arte de representar, fazendo rir a plateia.
Simultaneamente ensaiava e tocava ele próprio as músicas tanto à viola
como ao bandolim sem nunca se cansar.
Era Casado com Idalina Mendes Luis (21.4.1911 - 20.8. 1966). O Senhor
António "Calçada" como popularmente assim era chamado, foi pai de 9
filhos, vindo a sofrer imenso com a morte do seu filho António, muito
perto de ser Padre. Loriga já se congratulava com a ordenação de mais um
sacerdote, mas por imposição dos meios eclesiásticos, esta ordenação, não
se veio a concretizar. Tudo isto dois anos antes de ter ocorrido a morte
deste seu filho.
Apesar de a doença o ir vitimando aos poucos, trabalhou até ao fim da sua
vida, com o mesmo entusiasmo de sempre, passa os últimos tempos a caminho
da Senhora da Guia e do cemitério rezando o terço. Veio a falecer no dia
27 de Novembro de 1988 e Loriga viu desaparecer um homem do povo que tocou
música, cantou, representou, fez rir e provavelmente também fez chorar.

Alberto Pires Gomes


1910 - 1979

Nasceu em 28. de Junho de 1910. Colocado em Loriga, como professor


primário, ali se radicou, onde veio a casar com D. Irene Almeida Abreu,
também professora.
Eram sobejamente conhecidas as suas qualidades como pedagogo, não só pelos
seus colegas como também pelos seus alunos.
Leccionando em Loriga durante longos anos, foram bem reconhecidos os
grande benefícios que espalhou por esta localidade, ensinando gerações e
gerações de loriguenses.
No dia 22 de Dezembro de 1974, foi homenageado, bem como a sua digníssima
esposa, professora D. Irene Almeida Abreu, numa significativa homenagem
que os seus antigos alunos de várias idades lhe prestaram, como
reconhecimento pelas suas virtudes de grande educador e à qual se
associaram vários organismos de Loriga, Junta de Freguesia e Banda da
Música, que acompanhou os cânticos na missa que foi realizada inserida
nessa homenagem.
Foram na realidade muitas as pessoas que quiseram estar presente nesse
dia, vindo mesmo de fora antigos alunos, para todos juntos lhe demonstrar
toda admiração, afecto e estima que tinham por tão nobre professor, que
fez de Loriga a sua terra
A Junta de Freguesia de Loriga, também como prova de gratidão, decidiu com
justiça, que o nome deste ilustre professor fizesses parte da Toponímia de
Loriga, sendo atribuído o seu nome a uma das ruas do Bairro das Penedas,
logo após este ter sido construído.
Faleceu em 6 de Outubro de 1979, em Loriga, com a idade de 69 anos,
ficando sepultado no cemitério local, esta terra que ele considerava
também sua.
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José Luis dos Santos


1911 - 1993

Nasceu em Loriga em 5 de Outubro de 1911, filho de José Pinto Luis e de


Maria do Carmo Santos.
Um dos mais conceituados comerciantes de Loriga, reconhecido pelo seu
dinâmico espírito para o meio negocial.
As sequelas físicas, por motivo de um grave acidente originado por uma
bomba de foguete, ocorrido quando era ainda criança, nunca foram
impeditivas para o desempenho de qualquer actividade, nomeadamente, no
ramo comercial.
Sempre disponível para actividades da comunidade, durante muitos anos
desempenhou funções na Irmandade das Almas, tendo sido igualmente
importante, o seu contributo na década de 1940, como Escrivão de Loriga.
Fixou em Loriga um Depósito central de tabaco e, durante décadas,
abasteceu toda a região sendo, por isso, muito conhecido por todo o lado.
Faleceu em Loriga 25 de Outubro de 1993, sendo sepultado no cemitério
local.

Mário Lopes Prata


1910 - 2000

Nasceu em Loriga a 3 de Agosto de 1910, sendo filho de Francisco Fernandes


Prata e de Eduarda Pinto da Neves.
Foi o sacristão da sua terra durante 48 anos, funções que desempenhava com
toda a sua dedicação e onde a sua virtude de homem bom, granjeando ao
longo da sua vida a amizade e a estima dos seus conterrâneos, onde em cada
um tinha um verdadeiro amigo.
Nascido no meio de uma família muito religiosa, foi baptizado dois dias
depois do seu nascimento, ao crescer foi cultivando as qualidades que Deus
lhe deu, tornando-se um homem sério, honrado, humilde e respeitador, por
isso a admiração que toda a gente tinha por ele.
A sua vida foi toda dedicada à agricultura e à igreja, tendo sido por mero
acaso que começou a desempenhar as funções de sacristão. Na década de
1940, o pároco de então, Sr. Padre Prata, pediu-lhe para desempenhar essas
funções enquanto o sacristão em actividade se encontrava doente. Assim com
a promessa de apenas uns dias, passou a meses, e consequentemente passar
depois as desempenhar as funções definitivamente.
Uma maneira serena de estar na vida, a sua calma, a sua postura e o
respeito quando estava na igreja, chegava a ser mesmo impressionante, um
exemplo a seguir por toda a gente e principalmente por uma juventude que
tinha por ele uma certa admiração e respeito.
Foi o Sacristão numa Loriga de outras eras, onde os tempos eram difíceis e
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em que a população era muito mais, por conseguinte, eram também muitos
mais os praticantes. Durante muitos desses anos, foram muitos os padres
que ele conheceu, nomeadamente coadjutores que passaram por Loriga, para
muitos deles o Sr.Mário Prata, foi mais que um sacristão, era acima de
tudo um amigo um conselheiro, que na hora da despedida, não queriam partir
sem lhe dar aquele abraço como prova de gratidão
Era casado com a Sra. Maria dos Anjos, tiveram nove filhos, aos quais
procurou incutir as mesmas virtudes por ele vividas.
Na companhia de sua esposa e após deixar a sua actividade de sacristão,
fixou-se em Coimbra, junto à família e ali viveu durante alguns anos.
Viria a falecer no dia 8 de Dezembro de 2000, após doença. O seu funeral
realizou-se para a sua terra que ele tanto amava, onde ficou sepultado no
cemitério local.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre uma das suas figuras, o
sacristão de muitos anos, ou melhor o Homem, que não queria dar nas
vistas, mas as suas qualidade e as suas virtudes ficaram para sempre
marcadas numa certa geração de loriguenses.

Maria dos Anjos Pinto Neves


1912 - 2002

Nasceu em Loriga, em 6 de Março de 1912, filha de Beatriz Pinto Neves,


sendo, por isso, mais conhecida por "Dos Anjos da Beatriz".
Foi cozinheira de casamentos, baptizados, aniversários, festas religiosas
e outros eventos, sendo vastos os seus conhecimentos na arte da culinária
e, por isso mesmo, a magnifica comida que confeccionava era apreciada por
todos.
Durante dezenas de anos cozinhou para as mais variadas festas, tendo sido
mesmo, a cozinheira que mais tempo esteve em actividade ao serviço da
comunidade loriguense.
Sempre muito solicitada, não só em Loriga, como também para outras terras
vizinhas, nunca dizia que não quando à porta lhe batiam a pedir-lhe para
ser a cozinheira de qualquer boda que fosse, nunca fazendo preço ao seu
trabalho, apenas aceitando o que lhe queriam dar.
Nesses tempos, as pessoas pagavam normalmente com alguns artigos de
mercearia e algum dinheiro, no entanto, quando via que as pessoas eram
pobres, apenas aceitava a mercearia, recusando-se a receber o dinheiro.
Esposa dedicada e mãe extremosa de nove filhos, que criou e educou com o
maior desvelo e carinho, era também uma pessoa muito activa e despachada,
parecendo ter sempre qualquer coisa para fazer.
Religiosa convicta, era reconhecida pelas suas qualidades humanas, sendo a
sua bondade e a sua sensibilidade para com os mais desfavorecidos, por
demais evidente e, por todas essas razões, era muito respeitada pelos seus
conterrâneos, que por ela tinham grande admiração.
Faleceu em Loriga no dia 27 de Setembro, com a idade de 90 anos e o seu
funeral realizou-se para o cemitério local, onde ficou sepultada. Foram
muitos os loriguenses que a acompanharam à sua última morada, ficando
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Loriga, mais pobre ao ver partir com saudade uma mulher que tão soube
exercitar a sua arte de cozinheira do povo.

António Antunes Abranches


1913 - 2003

Nasceu em Loriga, em 9 de Dezembro de 1913, filho de José Antunes do Carmo


e de D. Leonor Dias de Figueiredo.
Depois de frequentar a escola primária na sua terra, foi para Lisboa com a
idade de 12 anos. Dois anos depois ingressou no Seminário de Santarém,
para mais tarde frequentar os Seminários pertencentes ao Patriarcado em
Lisboa.
Foi ordenado sacerdote no Seminário dos Olivais em 29 de Junho de 1938,
seguindo-se tempos de muito trabalho, nomeadamente em outras paróquias,
ajudando outros colegas. Poucos meses depois, teve a oportunidade de
deslocar-se a Loriga, para finalmente celebrar a primeira missa na terra
que o viu nascer.
Estava há ainda à poucos dias na sua terra, quando foi chamado ao Cardeal
Cerejeira, sendo então nomeado para ficar ao serviço do Patriarcado de
Lisboa, trabalhando em diversas tarefas, nomeadamente na Acção Católica.
Seria colocado na Paróquia de Vila Franca de Xira e Castanheira do
Ribatejo, por motivo de o Pároco local se encontrar doente, onde se
manteve durante cerca de 22 meses, executando ali um trabalho de grande
valor.
Foi professor na Escola Central de Graduados da Mocidade Portuguesa e
depois na Casa Pia de Lisboa, onde chegou a ser o Capelão-Chefe cargo que
desempenhou durante 4 anos.
A partir de Outubro de 1945, foi colocado como Pároco na recém-criada
Paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa, uma das novas paróquias das
chamadas "avenidas novas" e onde se manteve até 1995, chegando, também, a
acumular a paróquia de S.João de Deus.
Foi de relevo todo o seu trabalho em prol da igreja, ao longo da sua vida
sacerdotal. Sempre de espirito aberto e atento à evolução dos tempos,
entregou-se totalmente a promover actividades que pudessem contribuir para
uma presença da Igreja no mundo actual, nomeadamente nos meios de
comunicação social, como o cinema e a televisão.
Com um acentuado sentido de organização, por onde ia passando, deixava a
sua marca em estruturas sólidas que permitiam às pessoas saberem onde
situar-se e como tirar o melhor partido para as suas vidas e actividades.
Amava a sua terra e a ela se referia com muito carinho e estima e, sempre
que podia, aproveitava para ali passar uns dias de merecidas férias. Tinha
imenso gosto em apresentar Loriga aos outros, por isso com regularidade a
visitava com pessoas amigas e das suas relações. Em 1988, chegou mesmo a
levar a Loriga, em visita particular, o Sr. Cardeal D. António Ribeiro.
Gostava de ir a Loriga para assistir à Festa da Nossa Senhora da Guia,
onde muitas das vezes foi o pregador. A sua voz forte e dinâmica, prendia
todos aqueles que o escutavam, e que parecia chegar para além do recinto e
da catraia.
Durante 50 anos como Pároco da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima em
Lisboa, uma grave doença impossibilitou-o, nos últimos anos da sua vida,
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de poder continuar a desempenhar essas funções paroquias, bem como, de
visitar a sua terra como tanto gostava. No entanto permaneceu com o título
de Pároco Emérito desta Paróquia, até ao fim da sua vida.
Faleceu em Lisboa no dia 21 de Abril de 2003, tendo sido realizada na
igreja de Nossa Senhora de Fátima, a missa do seu falecimento, que foi
presidida pelo Cardeal de Lisboa D. José Policarpo. No dia seguinte o seu
corpo seguiu para Loriga onde foi realizado o funeral, sendo sepultado no
cemitério local na campa da Mãe, como era seu desejo. Ficando esta
localidade mais pobre ao ver partir um dos seus filhos que,
notabilizando-se longe dela, nunca a esqueceu.

Manuel Gomes Leitão Júnior


1914 - 1990

Natural de Loriga, onde nasceu em 30 de Maio de 1914, era filho de Manuel


Gomes Leitão e de Maria do Carmo Nunes Cabral, também naturais de Loriga.
Verdadeiro bairrista e grande amigo da sua terra, a par da sua actividade
como industrial de renome, na área dos lanifícios, desenvolveu outras
actividades para as quais estava naturalmente vocacionado, e que estavam
relacionadas com a sua paixão pelas letras.
Assim, foi correspondente do Diário de Coimbra, onde escreveu algumas
rubricas, bem como em outros jornais prontificando-se, sempre que se
justificasse, a escrever sobre a sua terra.
Estudou na Covilhã, onde concluiu o curso de Debuxo na Escola Campos de
Melo. No entanto o âmbito da sua actividade profissional como industrial
de lanifícios era mais alto, alargando-se a outras áreas. A ele se ficou a
dever a organização da primeira fábrica de malhas em Loriga, que viria a
ser de grande importância num novo desenvolvimento industrial desta
localidade.
Muito dinâmico desejando o melhor para a sua terra, estava sempre pronto a
contribuir em tudo o que estivesse ao seu alcance. Foi director da Banda
Musical, foi Juiz da Irmandade das Almas, sendo ainda um dos grandes
impulsionadores na construção do bairro social Eng. Saraiva e Sousa, hoje
Vista Alegre, assim como teve grande influência na instalação de um Posto
da GNR em Loriga.
Fundador do Grupo Desportivo Loriguense onde, por diversas vezes, fez
parte dos corpos sociais, era um grande apaixonado pelo futebol, tendo
mesmo criado, nesta colectividade, as melhores equipas de sempre. Para
além disso, sonhava também com a existência de uma juventude culturalmente
desenvolvida na sua adorada terra.
Com 35 anos de idade foi Presidente da Junta de Freguesia de Loriga, onde
executou um trabalho brilhante apesar das dificuldades da época,
nomeadamente no que diz respeito a algum saneamento básico da povoação.
Foi também o grande obreiro do "deita abaixo" dos balcões (incluindo o
seu), que existiam um pouco por toda a Vila e que, em grande parte,
dificultavam o acesso a muitas das ruas e becos. Tinha ainda como um dos
seus maiores anseios conseguir dar à Vila de Loriga, o asseio, a beleza e
a cultura da sua gente.
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O Sr. "Manuelzinho" como assim era chamado pelo povo, passou os últimos
anos da sua vida em Lisboa. No entanto, nunca esqueceu a sua terra, onde
quis descansar para sempre, junto dos seus pais, vendo Loriga partir em
27.03.1989, um dos seus filhos que muito fez para o seu desenvolvimento e
progresso.

Herculano Brito Leitão


1914 - 1997

Nasceu em Loriga; em 12 de Agosto de 1914, e era filho de José de Brito


Crisóstomo e de Maria do Anjos Leitão Brito.
Um verdadeiro bairrista que, apesar de estar afastado da sua terra,
tinha-a junto ao coração e queria para ela o que de melhor pudesse haver.
Sempre que tinha conhecimento das várias carências existentes em Loriga,
tudo fazia para conseguir que essa carência fosse ultrapassada estivesse
onde estivesse.
Notabilizou-se por ser o grande impulsionador e fundador dos Bombeiros
Voluntários de Loriga, uma das carência existentes na sua terra,
concretizando, assim, não só o seu sonho, como todos os loriguenses.
Homem amigo do seu amigo, era de ideias firmes e claras, colocando nos
seus objectivos as ideias em que acreditava. Os Bombeiros para Loriga eram
uma prioridade mas, para a pôr em prática, teve que percorrer um longo
caminho, dirigindo-se aos organismos competentes, vencer a burocracia,
socorrer-se de gente influente, e debater-se também com algumas
frustações. Contudo, no final, viu o seu trabalho recompensado com a
fundação da Associação do Bombeiros Voluntários de Loriga, em 16 de Abril
de 1982, o maior organismo criado em Loriga nas últimas décadas.
Tinha apenas 12 anos quando foi para o Brasil, na companhia da sua
família, passando a viver na cidade de Belém-Pará. Por lá se manteve
durante 25 anos, não esquecendo nunca a sua terra, notabilizando-se também
em iniciativas em prol de Loriga.
Regressou a Loriga na década de 1940, tendo fundado na sua terra a
Sociedade Industrial de Malhas e a Sociedade Comercial Irmãos Leitão Lda.
Mais tarde partiu para Lisboa onde se fixou, para tempos depois se radicar
em Santarém onde permaneceu largos anos.
Do casamento com D.Inadina Ferreira Leitão, tiveram dois filhos António
José Ferreira Leitão e Maria de Fátima Ferreira Leitão. Viria a ter um
segundo casamento com Maria Eugénia Madeira Pereira Leitão.
Depois de ter concretizado o sonho dos Bombeiros de Loriga, num novo
desafio se envolveu. Desta vez, era no projecto de um Jornal para Loriga,
uma ideia pela qual também muito viria a lutar, sem no entanto poder ver a
sua concretização.
Apesar de ter a convicção de que o projecto do Jornal não seria fácil, não
era, no entanto pessoa de desistir logo que surgissem os primeiros
obstáculos. Mas também foi certo, que estaria longe de imaginar as
complicadas barreiras que lhe apareceram pelos caminho e que foram
difíceis de ultrapassar, e que contribuíram para atrasar todo esse
processo, nunca chegando a concluir o sonho então idealizado que era o
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projectado Jornal "Noticias de Loriga".
Faleceu no dia 13 de Abril de 1997, em Santarém, onde foi sepultado no
cemitério local. Aí se deslocou uma delegação dos Bombeiros Voluntários de
Loriga, para o acompanhar à sua última morada, homenageando, assim, com um
sentimento de gratidão, esta figura loriguense a quem os Bombeiros e
Loriga muito ficaram a dever e que não poderá ser esquecido.
Herculano de Brito Leitão foi, pois, uma Figura que ficou ligada aos
Bombeiros de Loriga, que passou a ser uma referência desta instituição
como fundador Nr.1. Por isso é bem ilustrativo e de justiça a sua
fotografia figurar nas paredes da sede desta corporação.

Joaquim Gonçalves de Brito


1915 - 2001

Nasceu em Loriga, em 15.08.1915, filho de António Brito Pinheiro e de


Maria dos Anjos Gonçalves de Brito.
Bairrista convicto, que tanto amava a sua terra e, que por ela sempre
lutou e fez tudo o que estava ao seu alcance para o seu desenvolvimento.
Ainda muito novo, começou a trabalhar como empregado de escritório, em
Loriga, e depois em Coimbra, no armazém de Lanifícios do industrial Sr.
Carlos Cabral Leitão.
Ainda rapazinho, foi contínuo na Sociedade de Defesa e Propaganda de
Loriga, uma Associação destinada apenas à classe alta desta Vila, tais
como, médicos, industriais, professores, padres etc. Esta sociedade seria
mais tarde extinta dando lugar à Sociedade Loriguense de Recreio e
Turismo, onde o Sr.Joaquim "Alho", como popularmente era conhecido, viria
a fazer parte das diversas direcções.
Fez parte de quase todas as direcções dos organismos de Loriga, sendo
mesmo um dos fundadores do Grupo Desportivo Loriguense, pertencendo aos
diversos Corpos Gerentes que por lá passaram. Na época, a fundação deste
Clube, foi de grande importância para esta localidade a qual teve, como
finalidade, atrair para o desporto, a grande massa de jovens existente
nesta Vila preenchendo, assim, de forma saudável, os tempos de ócio.
Pertenceu à direcção da Banda de Loriga, quando em 1956, esta associação
atingiu um dos pontos mais altos da sua história, ao abrilhantar as Festas
da Rainha Santa em Coimbra.
De 1972 a 1976, pertenceu à direcção da Junta de Freguesia de Loriga,
constituída por:-António Pinto Ascensão-Presidente, José de Pina
Gonçalves-Secretário, e por ele próprio como Tesoureiro. Embora sendo uma
época problemática, em que os meios financeiros eram escassos, funcionando
sem subsídios, conseguiram levar a efeito obras de grande vulto,
projectando Loriga como uma Vila mais moderna. Foi também Vereador da
Câmara Municipal de Seia, durante quatro anos, sendo responsável pelo
pelouro das obras.
Dedicou-se à indústria, pertencendo à Sociedade Industrial de Malhas de
Loriga tendo, mais tarde, constituído a firma Gonçalves & Nunes, Lda., uma
fábrica de confecção de malhas. Posteriormente, fundou a firma de
construção civil, "Joaquim Gonçalves Moura" que teve, no seu irmão José
Gonçalves Brito, o seu braço direito e seu sócio. Com a colaboração dos
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seus sobrinhos, alargou o âmbito de actividade da empresa para outros
ramos da construção civil, passando a ser muito reconhecida na região.
Homem de uma calma impressionante, tinha uma maneira própria de estar na
vida. Nunca casando, dedicou a sua vida e os seus afectos à família mais
próxima, designadamente os sobrinhos. A morte de seu irmão José, após
doença prolongada, foi um rude golpe para ele. No entanto, resignado,
continuou a orientar e a colaborar com os seus sobrinhos na empresa que se
orgulhava de ter fundado.
Sendo uma pessoa muito considerada na Vila e na região, era sempre
atencioso com quem se lhe dirigia solicitando ajuda ou orientação para a
resolução de qualquer problema.
Faleceu em 31 de Julho de 2001, no Hospital de Viseu, aos 85 anos, e foi
sepultado no cemitério de Loriga, sendo recordado pelos Loriguenses, como
um bairrista que tanto amou a sua terra.

António Fernandes Gomes


1915 - 2004

Nasceu em Loriga, em 20 de Janeiro de 1915, Filho de José Fernandes Gomes


e de Aurora Mendes Dias Santos.
Conhecido por "Repórter Max", escreveu muito sobre a sua terra e a região
serrana onde, nos seus artigos, exprimia a sua grande preocupação pela
dignificação de Loriga e da região da sua Serra da Estrela, como também
pela promoção das actividades tradicionais, e pela preservação das
características paisagísticas e arquitectónicas desta região serrana.
Fez parte dos quadros da Armada Portuguesa, tendo percorrido os quatro
cantos do mundo, chegando a exercer o cargo de delegado marítimo em
Benguela (Angola).
Foi um dos mais activos defensores da imprensa regional, em cujos
congressos nacionais se destacava sempre.
Adorava a sua terra e foi, seguramente, quem mais escreveu sobre ela, quer
em jornais nacionais, como o "Século" e o "Diário de Noticias", quer em
jornais regionais, como a "Voz da Serra", "Porta da Estrela" e "A Neve".
Escreveu, também, em muitos outros jornais do antigo ultramar português,
nomeadamente, a "Voz de Macau" e o "Jornal de Benguela".
A sua obra conhecida está reunida em três volumes que intitulou "Crónicas
do Repórter Max", com edição do autor, onde estão compilados textos
abarcando várias temáticas que escreveu em vários jornais.
Faleceu no dia 3 de Julho de 2004 em Lisboa, onde foi sepultado.
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António Nunes Ribeiro


1916 - 2005

Nasceu em Loriga no dia 3 de Julho de 1916, filho de José Nunes Luiz e de


Palmira Brito Moura.
Depois de concluir a escola primária rumou para a Covilhã, onde estudou e
tirou o curso de Debuxo Têxtil na conceituada Escola Industrial Campos
Melo. Findo o curso voltou para a sua terra ingressando a trabalhar na
Firma Pina, Nunes e Comp. no lugar do Regato.
Mais tarde juntou-se aos tios António e Alfredo, na firma Nunes, Brito &
Comp., Lda, onde entretanto, já possuía uma quota de herança do pai.
Oriundo de família de industriais de lanifícios, veio a notabilizar-se
pela sua dinâmica e ideias no melhor que sabia, para que o seu trabalho
nas firmas fosse o melhor para todos. No campo social, António Ribeiro,
cumpriu o seu papel como homem interessado pela sua terra.
De muito novo, foi um dos fundadores e dirigente do Grupo Desportivo
Loriguense, em 1934, onde imprimiu um rigoroso aprumo para a cultura da
juventude da sua terra, principalmente a operária.
Foi também director da Banda de Música de Loriga, nas décadas de 1940, 50
e 60, onde deixou a sua marca, nos fardamentos, no aprumo, no brio, na
disciplina, elevando assim a Banda Filarmónica a um patamar invejável.
Fez parte como vereador na Câmara Municipal de Seia, nos vários mandatos
do Comendador Joaquim Fernandes Ferreira Simões, de quem era muito amigo.
Passou também pela Junta de Freguesia de Loriga como presidente, tendo-se
revelado um grande conhecedor dos problemas da sua terra e, interessado em
resolvê-los.
Casado com D. Aurora Brito Pina Ribeiro, era um cristão convicto, ficando
mais apegado às coisas da fé depois do curso de cristandade, que
frequentou no Seminário da Guarda no anos de 1965. Cumpriu diversos
mandatos na Comissão Fabriqueira da Igreja, sempre com muito amor e
carinho, pelas coisas da Igreja, e pelas valências da Acção Social.
Os seus últimos dias de vida passou-os na Casa de Repouso da Nossa Senhora
da Guia, onde faleceu em 18 de Dezembro de 2005, com a idade de 89 anos,
após doença prolongada, vendo Loriga partir mais um dos seus filhos que
muito fez por Loriga e pela comunidade.
O funeral realizou-se em Loriga, onde ficou sepultado no cemitério local.

António Roque Abrantes Prata


1917 - 1993
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Natural de Santa Maria de Manteigas, onde nasceu em 15 de Outubro de 1917,


foi ordenado Presbítero em 8 de Setembro de 1940. Após ter estado algum
tempo em Pero (Viseu) foi colocado como pároco de Loriga em 1944, onde se
manteve durante 22 anos, localidade que viria a deixar em 18 de Dezembro
de 1966 por motivo de ter sido chamado para trabalhar a tempo inteiro nas
actividades pastorais da obra de Santa Zita em Lisboa.
Na sua passagem de mais de duas décadas na Paróquia de Loriga, ficaria
para sempre ligado a uma certa geração que não mais o esqueceu e o
considerou uma das maiores figuras que a história de Loriga jamais
conheceu.
Grande entusiasta da juventude e entrega total à igreja, desenvolveu em
Loriga uma larga e eficiente Açcão Social, nomeadamente na dinamização e
impulso que imprimiu na fundação, orientação, apoio e ainda com grande
contributo no desenvolvimento da freguesia.
De grande zelo e convicções religiosas fez da doutrina aprendida a sua
verdadeira vida durante os 53 anos de sacerdócio, sendo sempre de uma
entrega total ao serviço do Senhor e da sua Igreja, onde a sua
personalidade e respeito são virtudes dignas de registar.
Enérgico nos seus pensamentos e nas suas ideias, para levar até ao fim
tudo em que se envolvia, era um verdadeiro defensor dos mais
desfavorecidos nomeadamente dos operários, ousado, ao dar força para que
fosse devolvida aos trabalhadores a autonomia sindical notabilizando-se
até, por acompanhar um grupo de Jocistas numa entrevista pedida ao então
Primeiro-Ministro Dr. Oliveira Salazar.
Enfrentou também em Loriga uma sociedade poderosa, por isso nem sempre foi
totalmente pacifica a sua passagem por esta vila, tendo até existido um
certo movimento de protestos enviados ao Bispo da Guarda, com ecos
escritos e furiosos os quais o Sr.Padre Prata soube enfrentar como pároco
de todos e de tudo.
Durante a sua permanência em Loriga serão para sempre recordadas as suas
obras que fundou e fez movimentar ou renascer outras já existentes e ainda
na criação de muitas mais acções importantes para a população. Ficam aqui
registadas algumas que ficam para sempre perpetuadas para as gerações
vindoiras, e a frase que na sua simplicidade, costumava dizer "só Deus é
que vê e julga as obras e as intenções"
J.O.C.F.; L.O.C.; L.O.C.F.; Centro da Assistência Paroquial; Casa de Santa
Teresa; Socorro Paroquial Loriguense; Apostolado da Oração; Museu
Paroquial; Biblioteca Paroquial; Património dos Pobres; Agasalho aos
Pobres, o reaparecimento como Boletim Paroquial "A Neve" ; Lâmpadas Vivas,
Curso Unificado da Telescola; Bolsa de Estudos de N.S. da Guia: Sopa;
Cantina; Rosário Perpetuo; Lausperene Semanal; Missões Paroquias;
Retiros-Recolecções; Acção Missionária; Irmandade do Sacramento das Almas;
Cursos de Cristandade; Conferência Vicentina e a construção da Residência
Paroquial e Salão.
A 8 de Dezembro de 1990, foi homenageado em Loriga no dia que fez as Bodas
de Ouro sacerdotais numa verdadeira festa de fraternidade e de amizade do
povo desta localidade, a que se associou também o Sr. Bispo da Guarda.
Grande multidão aguardou na "Carreira" a chegada do Sr. Padre Prata e do
Sr. Bispo que num cortejo informal pelas ruas, acompanhados pela Banda
Musical, seguiu para a igreja onde foi efectuada uma concelebração,
seguindo-se um almoço realizado no Salão Paroquial a que assistiram 230
pessoas.
Faleceu por motivo de doença que o vinha vitimando, na manhã do dia 18 de
Julho de 1993, na Casa se Santa Zita. O funeral realizou-se no dia
seguinte para o cemitério dos Prazeres de Lisboa onde ficou sepultado.
Deixou no seu testamento uma doação a Loriga, pedindo aos seus familiares
para entregarem ao Centro de Assistência Paroquial de Loriga a quantia de
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6.800 contos.
Em Agosto de 2001 e véspera da Festa de Nossa Senhora da Guia, foi
inaugurada uma rua em Loriga à qual foi dado o seu nome, uma homenagem de
gratidão que os Loriguenses lhe deviam.
No dia 15 de Dezembro de 2003, os restos mortais do Senhor Padre Prata,
foram transladados do cemitério de Manteigas para o cemitério de Loriga,
concluindo-se assim, a vontade sempre manifestada em vida de tão
proeminente figura, em repousar eternamente junto dos paroquianos que
tanto amou durante os anos que paroquiou Loriga.

Carlos Fernandes Urtigueira


1917 - 1996

Nasceu em Loriga a 26 de Fevereiro de 1917, filho de Alberto Fernandes


Urtigueira e de Maria Emília Pinto Ascenção,
Alfaiate de profissão, cortava o pano e alinhava os fatos tal como os seus
dedos tocavam as cordas da sua guitarra. Era um grande profissional,
talvez mesmo um dos melhores alfaiates de Loriga. Era na realidade um
verdadeiro artista, tendo sempre a preocupação de actualização e
modernidade.
Começou a trabalhar numa alfaiataria situado no Santo Cristo, mais tarde
mudou-se para o Largo Dr. Amorim da Fonseca, passando ainda pela
"Carreira" para finalmente fixar a sua alfaiataria "Académica" na Rua
principal da Vila, por cima do estabelecimento do Sr. José Luis Santos.
Foi durante a sua vivência em Loriga a alma do Fado de Coimbra cantado na
sua terra. Pela sua alfaiataria "Académica" passaram as diversas gerações
de estudantes, e nela havia sempre uma guitarra e uma viola para
acompanhar os que se dispusessem a entoar a velha canção coimbrã.
Tinha ainda tempo e sempre disposição, para se juntar a outros
loriguenses, que por vezes se reuniam nos balcões das ruas em verdadeiras
serenatas, onde as cordas da sua guitarra faziam espalhar aquela
melancólica música que deleitavam os ouvidos das pessoas que passavam.
O falecimento da sua esposa Ermelinda, em 1959, foi um duro golpe e uma
grande perda para os seus filhos, Fernando, José Alberto, Natércia e Maria
Amélia.
Procurando uma vida melhor, que a sua terra parecia não lhe poder dar,
deixou Loriga na década de 1960, radicando-se na Póvoa de Santa Iria, mais
tarde no Prior Velho e depois em Sacavém, onde instalou a sua alfaiataria.
O fado de Coimbra parecia fazer parte de si, por isso mesmo, tinha sempre
presente a sua velha guitarra, que mesmo longe de Loriga, o faziam
continuar a dar alma ao velho fado dos estudantes que ele tanto amava.
O Carlos "Governo" como popularmente era assim conhecido, deixou raízes
nos seus filhos, Fernando e Zé Alberto, dignos continuadores dessa herança
de tocadores de guitarras e violas, que ainda hoje deliciam todos aqueles
que os escutam.
Faleceu em Sacavém, após doença prolongada em 31 de Dezembro de 1996, e o
funeral realizou-se para o cemitério local onde ficou sepultado.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre um dos seus filhos,
recordando as suas qualidades de bem tocar o fado de Coimbra que ficaram
- 34 -
para sempre marcadas numa certa geração de loriguenses.

Amália Brito Pina


1917 - 2003

Nasceu em Loriga em 1917, filha de António Luis Duarte Pina e de Maria do


Céu Brito Pina.
Foi durante mais de quatro décadas, proprietária e Directora Técnica da
Farmácia de Loriga. Tendo adquirido este estabelecimento à firma Leitão &
Irmãos por compra, que passou a designar-se por Farmácia Popular de
Loriga.
Numa época em que a continuação de uma Farmácia em Loriga parecia estar
complicada, foi determinante o empenho desta distinta senhora para que
Loriga continuasse a ter este estabelecimento, indiscutivelmente muito
importante para esta localidade e terras vizinhas.
Pessoa de trato fácil e de leal colaboração profissional para com toda a
gente, estava sempre disponível para dar a melhor informação medicinal aos
doentes.
Era casada com o professor António Domingos Marques. Foi a primeira
monitora da Telescola, quando começou a funcionar em Outubro de 1966.
Faleceu em 25 de Dezembro de 2003 em Braga, com a idade de 86 anos,
estando sepultada em Loriga.

António Domingos Marques


1917 - 2004

Nasceu no Fontão (Loriga) a 7 de Janeiro de 1917 filho de Maria José


Gertrudes e de Manuel Domingos Marques.
Depois de concluir a escola primária na sua terra, frequentou um colégio
na Figueira da Foz, onde estudou e concluiu o curso de Professor Primário.
Radicou-se em Loriga no desempenho das suas funções de professor. Os seus
antigos alunos lembram com saudade, o homem, o professor, que tiveram
nesta personalidade a base da sua formação para os desafios que o mundo
contemporâneo exige.
O Professor "Fontão" como popularmente era assim também conhecido, foi sem
dúvida uma figura de grande relevo em Loriga, onde leccionou durante
várias décadas, distinguindo-se como um professor brilhante e um homem de
grande humanidade.
Casou em Loriga com D. Amália Brito Pina, proprietária da Farmácia
Popular, de quem veio a ter dois filhos. A sua vida profissional ficou
então marcada por duas vertentes: o exercício de professor primário e a
- 35 -
gestão conjuntamente com a sua esposa da Farmácia.
Dedicou também parte da sua vida à causa pública e à comunidade. Foi
Presidente da extinta Casa do Povo de Loriga e Presidente da Sociedade
Recreativa e Musical Loriguense, onde realizou um trabalho meritório e
notável. Como político liderou listas do P.S.D e uma lista do C.D.S como
independente. Fez parte em vários mandatos, como Deputado da Assembleia de
Freguesia de Loriga.
Bairrista muito empenhado, conselheiro, nunca regateou os seus préstimos,
para o bem comum, sempre disponível para toda e qualquer iniciativa que
visasse o desenvolvimento de Loriga. Como prova de gratidão, as forças
vivas de Loriga, prestaram-lhe uma Grande Homenagem, tendo-se associado um
grande número de Loriguenses.
A emoção vivida por esta personalidade foi tão grande, que o projectou
para a doença que o acompanharia até ao último dos seus dias.
Faleceu a 23 de Julho de 2004 em Loriga, ficando sepultado no cemitério
local, ficando Loriga mais pobre ao ver desaparecer um Loriguense que
deixou marcas indeléveis no exercício do magistério, na vida Associativa e
Cultural.

António Ambrósio de Pina


1918 - 1995

Nascido em Manaus-Brasil, filho de António Ambrósio de Pina e Maria dos


Anjos de Brito Moura, foi apenas com três meses de idade que os pais o
trouxeram para Loriga onde cresceu e fez a escola primária.
Logo após completar a escola em Loriga foi para o Seminário da Costa em
Guimarães, onde fez todos os seus estudos menores. No ano de 1936 entra
para a Companhia de Jesus e, no ano de 1940, concluiu o Curso Superior de
Letras e Humanidades para, de seguida, entrar na Faculdade.de Filosofia de
Braga onde conclui a sua licenciatura em 1944.
Em 1947 transferiu-se para Barcelona-Espanha a fim de frequentar a
Faculdade de Teologia de Sarriá onde é formado em 1950, passando depois
para a Faculdade de Teologia da Universidade Pontifica de Salamanca onde
termina a tese do seu doutoramento.
Durante alguns anos dedica-se ao apostolado nesta cidade espanhola a favor
dos mais carenciados. Regressa a Portugal e organiza as comemorações do
XVI Centenário de Santo Agostinho na cidade de Braga, participando ainda
no I Congresso Nacional de Filosofia, também realizado nesta cidade.
Professor na Faculdade de Filosofia de Braga, veio a notabilizar-se
através dos anos como escritor, historiador, poeta, artista plástico,
pensador, teólogo, sendo ainda um dos maiores colaboradores nos vários
órgãos da imprensa religiosa nacional e espanhola, com numerosos trabalhos
científicos no campo da Filosofia e Teologia, traduzidos em várias
línguas.
Apesar de estar sempre afastado de Loriga, pensava muito na terra que
dizia também ser sua, sendo para ele alegria imensa ao encontrar-se com
seus conterrâneos. Enquanto sua irmã Ruth Ermelinda foi viva, assim como
outros seus familiares próximos, visitava regularmente a sua terra, por
vezes passando até curtas férias. Depois deixou de ir à terra que ele
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tanto adorava, no entanto foi mantendo sempre alguma correspondência com
um seu primo e amigo, ao qual enviou um dia uma declaração escrita, no
sentido de quando ocorresse o seu falecimento, o seu corpo (ou restos
mortais) fossem levados para a sua querida Loriga e que fossem sepultados
no túmulo da mãe.
Talvez por conhecimento tardio em Loriga da noticia da sua morte, o seu
corpo viria a ser sepultado no cemitério do Monte de Arcos em Braga no
talhão dedicado aos Padres Jesuítas, não sendo aceite pela Companhia de
Jesus a declaração apresentada posteriormente, mas ficando em promessa, de
essa declaração ser considerada para anos mais tarde.

Laurinda Gonçalves de Brito


1918 - 1999

Nasceu em Loriga, em 5 de Março de 1918, filha de António Brito Pinheiro e


de Maria dos Anjos Gonçalves de Brito.
Desde muito nova teve sempre uma maneira própria de viver, dedicando parte
da sua vida em prol da comunidade, nomeadamente cozinhando nas bodas ou
outras festas, onde os seus conhecimentos eram de uma tendência nata e
inegável.
Lendo leitura da especialidade, foi aperfeiçoando o seu saber, em dotes de
cozinheira, adoçando muita gente não só com bolos, mas também com
carinhos, assim como, muitos ainda recordam a arte como enfeitava as
travessas para serem servidas.
Muito religiosa, entregou-se de alma e coração a favor das obras da
Paróquia, onde particularmente a sua opinião parecia nunca poder faltar.
Tendo sido importante o seu contributo para a fundação do Centro Paroquial
de Loriga. Auxiliou muito o Senhor Padre Lages, enquanto o Centro não foi
fundado.
Foi catequista, benfeitora e angariadora de fundos para obras religiosas.
Trabalhos que executava com uma enorme força de vontade e dedicação.
Arranjou durante muitos anos o altar das Almas. Foi Vicentina da
Conferência de S.Vicente de Paulo, pedindo para os pobres e durante cerca
de 60 anos foi a distribuidora do jornal "Bem Fazer" e das pagelas do
Rosário.
Foi sempre muito solicitada para madrinha do Crisma. Num determinado ano e
numa dessas cerimónias que decorreu em Loriga, levou até junto do Senhor
Bispo 12 crianças para crismar, este muito admirado chegou a comentar
"esta traz um comboio".
Nunca casando, dedicou toda a sua vida e os seus afectos à família mais
próxima, designadamente aos sobrinhos, em que era uma segunda mãe,
madrinha, enfermeira e amiga, por isso, estes com carinho a chamavam por
Nininha.
Vivendo no Bairro de S.Ginês, junto à Capela de Nossa Senhora do Carmo,
durante alguns anos foi uma das mordomas, realizando um trabalhou
incansável na angariação de fundos para obras de restauração da capela. E
tal como ela dizia "queria que a Nossa Senhora do Carmo tivesse uma Capela
linda".
Faleceu em Loriga, no dia 2 de Maio de 1999, com 81 anos de idade, ficando
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esta localidade mais pobre ao ver partir quem tanto fez pela Acção
Paroquial. O funeral foi realizado para o cemitério local onde ficou
sepultada, sendo muitos os Loriguenses que a acompanharam à sua última
morada.

António Luis Amaro Tuna


1918 - 2003

Nasceu em Loriga, em 23 de Agosto de 1918, filho de José Luis Amaro Tuna e


de Emília de Brito Miguel.
Era ainda muito novo quando ficou órfão de seu pai, conhecido por José
Farias (Barbeiro), que faleceu vitima da epidemia do "Tifo Exantemático"
que ocorreu em Loriga no ano de 1927. Por esse facto, e dada a necessidade
de ter que trabalhar para o sustento da casa, empregou-se numa das
fábricas de lanifícios, onde viria a ser operário têxtil durante anos,
profissão que deixou na altura em que encerrou definitivamente a Fábrica
da "Redondinha".
Nas horas livres, dedicava-se ao corte de cabelos e barba, seguindo os
passos do pai, e depois do encerramento da fábrica onde trabalhava,
dedicou-se de alma e coração à sua Barbearia, na arte que ele tanto
adorava e que era a sua grande paixão.
Nunca voltava para casa enquanto tivesse fregueses para atender, muitas
das vezes só o fazendo a altas horas da noite. Não tinha horas nem para as
refeições, privando, muitas vezes, a família da sua companhia nessas
horas.
Na altura da "Febre do Volfrâmio" deu também uma saltada à serra, à
procura desse valioso minério, tendo sempre histórias curiosas para
contar.
Tinha uma maneira própria de ser, desenvolvendo um bom relacionamento com
todos, fazendo dele um homem de bem, não se lhe conhecendo, por isso,
qualquer inimigo. A sua Barbearia era como que um ponto de cavaqueira onde
os fregueses liam o jornal, conversavam e falavam das novidades da terra,
e onde o "Ti António Farias", mais popularmente assim chamado, tinha
sempre histórias antigas para contar de Loriga, e das suas gentes.
Muito crente em Deus, era raro o dia que não fosse rezar à porta do
cemitério e à Nossa Senhora da Guia, ou mesmo até na Igreja, onde por
vezes se "refugiava" nas suas orações.
Fazia longas as caminhadas pelos vários recantos da serrania, que parecia
conhecer como as suas próprias mãos. Não sabendo ler nem escrever, pediu a
alguém para lhe escrever algumas palavras, tempos depois, numa das fragas
junto à "Fonte dos Carreiros" feitas com ajuda de um pico e um pincel,
onde foram aparecendo, como que misteriosamente, as legendas "Pensai e
Meditai em Deus -Loriga 1990- Nossa Senhora Livrai-nos de todo o mal",
Cantava o Fado de Coimbra, do qual era um grande entusiasta. Ao cantar, a
sua voz emocionada deliciava as gentes de Loriga, e foram muitas as
serenatas que ao longo da sua vida fez, na companhia de outros
loriguenses.
Um dia foi homenageado por um grupo de loriguenses, como prova de gratidão
pela maneira simples e singela como se dedicava a cantar fado de Coimbra,
com os amigos, homenagem que muito o sensibilizou e da qual falava vezes
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sem conto.
Foi submetido a várias cirurgias, mas a sua grande força e fé, tornavam-no
forte para poder suportar tudo com designação. Nos próprios hospitais,
apesar da gravidade da sua enfermidade, era ele que prontamente dava
estimulo aos outros doentes.
Era casado com Maria do Anjos Alves Pereira, também de Loriga e pai de
Maria de Fátima Alves Amaro Gonçalves.
Faleceu em 18 de Fevereiro de 2003, ficando Loriga mais pobre ao ver
partir um dos seus filhos mais queridos. Foram muitos o loriguenses que o
acompanharam à sua última morada, sendo o funeral realizado para o
cemitério local onde ficou sepultado.

António Pinto Ascensão


1920 - 2005

Nasceu em Loriga em 8 Setembro de 1920, filho de Joaquim Pinto Ascensão e


de Amélia de Jesus Florêncio.
"Mestre Ascensão", como muitos assim o chamavam, foi um dos maiores e mais
conceituados maestros de música de Loriga e até mesmo da região.
Muito novo ainda, e depois de concluir o ensino primário, onde foi
"aprovado com distinção", começou a trabalhar numa das fábricas da
indústria de lanifícios local. Mas foi também desde muito novo que nasceu
nele a paixão pela música e, por isso, em 1935 iniciou a aprendizagem de
música na Banda de Loriga onde foi executante de grande valor até 1948,
ano em que assume pela primeira vez a regência da banda.
Casou em 15 de Junho de 1946 com Maria dos Anjos de Brito Saraiva,
casamento que durou 59 anos, só interrompido com a sua morte. Tiveram nove
filhos, oito ainda vivos. Apesar das dificuldades de então proporcionou a
todos uma educação de nível médio ou superior.
Homem de convicção e de ideias firmes, caracterizava-o o seu espírito de
iniciativa e acção, lutando sempre por aquilo em que acreditava,
principalmente, pela sua terra que tanto adorava. Verdadeiro bairrista e
querendo o melhor para a sua terra, nunca deixou de apresentar soluções e
ideias, tanto de viva voz como através da sua pena nos jornais,
nomeadamente, da região sendo, por vezes, mal compreendido.
Nos anos 50, António Pinto Ascensão, foi pioneiro da exibição de filmes em
Loriga o que, de certa forma, contribuiu para dar novos horizontes aos
jovens, numa altura em que a juventude em Loriga atingia números
significativos. Foi de facto, na época, uma lufada de cultura pois a
maioria da população, principalmente os jovens, não sabiam o que era a
7ª.arte.
Na década de 60, fecha a fábrica Leitão & Irmãos , onde trabalhava como
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encarregado de Ultimação. Desempregado e com quase 50 anos de idade, e
todos os filhos a estudar, iniciou uma nova vida, abrindo uma loja em
Loriga, no ramo dos electrodomésticos, situada na "Carreira", tornando-se
um conceituado comerciante muito conhecido na região.
Por várias vezes foi regente da Banda da sua terra (1949/53; 1962/65;
1982/87). Era um inovador por natureza quando assumia a regência de
qualquer Banda, tendo sempre presente a preocupação de arranjar repertório
novo, que tornaria qualquer Banda de música bastante mais rica.
Quando da sua última passagem pela Banda Recreativa Musical de Loriga,
1982/87, foi o grande impulsionador da criação da publicação "A Voz da
Banda" que teve, na altura, uma certa expressão, a qual, depois da sua
saída, deixou de ser publicada.
Ainda nessa altura, e por sua iniciativa, a Banda teve uma Escola de
música, reconhecidamente muito importante, à qual aderiu muita juventude.
Bem como, foi criado em Loriga o grupo "Amanhã", ao qual o mestre Ascensão
deu preciosa ajuda contribuindo no aperfeiçoamento deste grupo de jovens
de cantares tradicionais.
Foi da sua autoria, a introdução do Hino "Ó Padroeira Amorosa" na Festa da
Nossa Senhora da Guia em Loriga, que remonta ao ano de 1950, um arranjo do
original cântico "Ó Padroeira Amorosa" que se cantava e ainda hoje se
canta à Senhora da Nazaré na cidade de Belém-Pará-Brasil.
Sem nunca deixar a sua dedicação à musica foi, durante cerca de 14 anos,
regente da Banda de São Romão, onde desempenhou um trabalho de grande
relevo ainda hoje ali recordado. Regeu também, durante algum tempo, as
Bandas de Torrozelo e Paços da Serra.
Frequentou um curso de Aperfeiçoamento e Didáctica Musical na Fundação
Calouste Gulbenkian onde enriqueceu os seus conhecimentos musicais, que o
habilitaram para dar aulas de Educação musical, primeiro no Externato
Nossa Senhora da Conceição em São Romão e depois na Escola do Ciclo
Preparatório em Loriga.
Foi presidente da Junta de Freguesia de 1972 a 1976, anos problemáticos,
em que os meios financeiros eram escassos, conseguindo levar a efeito
obras de grande vulto, projectando Loriga como Vila mais moderna e, onde a
preocupação ambiental foi sempre presente, tendo nessa altura sido levada
a efeito uma grande campanha de incentivo junto à população, para uma
Loriga mais limpa.
É de registar o facto de que, após a revolução do 25 de Abril de 1974, a
Junta de Freguesia recebeu o voto favorável dos loriguenses numa reunião
realizada no Salão Paroquial, completamente cheio.
Foi o grande impulsionador e um dos fundadores da Associação de Apoio à
Terceira Idade, um carência em Loriga, que apesar de o percurso não ter
sido pacifico, contou sempre com a força e o dinamismo do senhor António
Pinto Ascensão, para prosseguir, e que veio a concretizar-se, com a sua
fundação em 12 de Julho de 1990, sendo uma mais valia para os idosos da
sua terra. Foi o primeiro presidente desta Associação.
O "Mestre Ascensão" era um verdadeiro compositor de peças de cariz
popular, tendo ao longo da sua vida feito recolhas, e passou para o papel
inúmeras cantigas populares que, de outra forma, se teriam perdido.
Em 1988, foi ao maestro António Ascensão que o Etnomusicólogo Michel
Giacometi se dirigiu com o intuito de recolher os cânticos da Ementa das
Almas de Loriga. As gravações foram feitas em 5 de Outubro na Escola
Primária de Loriga.
A sua paixão pela música parecia ocupar todo o seu tempo. Entretanto, e
com mais de setenta anos, "descobriu" o computador para registar dezenas
de obras que graciosamente colocou à disposição das bandas de música da
região, ganhando mesmo vários prémios.
Em 1994, foi autor da letra e da música da marcha de São João,
classificada em primeiro lugar na cidade de Viseu. Em 1997 voltou a
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brilhar nesta cidade ao conquistar novamente o primeiro lugar no concurso
das marchas populares de Santo António. A marcha que apresentou ganhou
ainda os prémios para o melhor arranjo musical e para a melhor letra.
Integrado na Associação Humanitária de Paranhos da Beira, o "Mestre
Ascensão" obteve nos anos 2003 e 2004, o primeiro prémio destinado a temas
de canções e poesia entre idosos, que anualmente se realiza nos Concelho
de Seia e Gouveia
No dia 3 de Julho 2003, a convite do Presidente da Câmara Municipal de
Seia, o maestro Ascensão, dirigiu, em simultâneo, sete bandas do concelho
- Loriga, Seia, São Romão, Torrozelo, Tourais, Carragozela e Santa
Marinha, na interpretação de uma marcha da sua autoria, especialmente
composta para esse dia, com o tema "3 de Julho dia de Festa" , dedicado à
inauguração da remodelação do edifício dos Paços do Concelho, e ao mesmo
tempo assinalando as comemorações do XVIII aniversário da elevação de Seia
a cidade.
Em 2005, apresentou em Loriga uma Marcha para as festas de São João. É
também da sua autoria a marcha do Centenário da Banda de Loriga, a
comemorar em Julho de 2006, que a actual Direcção em boa hora lhe pediu
para compor, o que fez com muito prazer e orgulho e que intitulou
"Cavalgando no Futuro".
A última manifestação pública, aconteceu no dia 11 de Outubro 2005, altura
do seu 85º. Aniversário, quando a Banda Filarmónica de Tourais se
deslocou, propositadamente, a Loriga, para lhe fazer uma singela
homenagem, num reconhecimento público, ao trabalho e dedicação do "Mestre
Ascensão" por aquela Banda.
Poucos dias depois de ter completado 85 anos de idade, faleceu em Viseu no
dia 29 de Outubro de 2005, onde se tinha deslocado para um controle de
saúde. O funeral realizou-se em Loriga no dia seguinte, sendo sepultado no
cemitério local.
Terminou assim, a partitura da sua vida recheada de acordes harmoniosos,
pautada pelo rigor e pela disciplina. Uma vida que começou no tear e
acabou no computador, sempre com a harmonia que a música exige.
Loriga viu também partir um dos seus maiores bairristas, ao qual muito
ficou a dever e quem (qual fado de Loriga) nunca agradeceu.

Carlos Leitão Bastos


1920 - 2006

Nasceu em Loriga no dia 1 de Fevereiro de 1920, filho de Carlos de Jesus


Bastos e de Maria do Patrocínio Reis Leitão.
Ainda muito novo foi para Lisboa, onde começou a estudar, vindo a
formar-se mais tarde em medicina. Iniciou a sua actividade profissional no
Instituto Português de Oncologia como assistente de Anatomia Patológica,
passando ainda pelo Hospital de Santa Maria, onde esteve durante algum
tempo. Habilitado pelo Instituto de Medicina Tropical exerceu, também, por
algum tempo, clínica em Luanda.
Desenvolveu trabalhos de investigação, um dos quais sobre ESFREGAÇOS EM
PARAFINA, em que os resultados foram publicados em separata da revista
- 41 -
Clinica Contemporânea tomo III Nr. 30 - Dezembro de 1949.
Radicado em Campolide (Lisboa) desde 1944, ali veio a instalar o seu
consultório e nele exercer a sua nobre profissão. Médico ilustre de
elevado profissionalismo e competência técnica, ao longo de mais de
cinquenta décadas teve o seu consultório instalado no pitoresco bairro de
Campolide em Lisboa, onde era credor do maior afecto e simpatia por toda a
gente.
Devotou-se à medicina com paixão e total respeito por valor éticos. A sua
solidariedade com os economicamente débeis, granjeou ao longo da sua vida
enorme popularidade, nomeadamente no "seu" bairro de Campolide, cujas
instituições ainda hoje realçam este traço marcante da sua personalidade.
Sempre com o estetoscópio, que colocava aos ombros, assim que chegava ao
seu consultório, caracterizava-o a sua maneira simples, sincera e franca,
ao mesmo tempo de grande humanismo e nobreza de carácter e espírito de
solidariedade.
Era conhecido por "médico do povo" onde, a sua determinação e firmeza,
aliadas a uma certa humanidade, o levou muitas vezes a consultas gratuitas
a domicílios no Casal Ventoso, bairro problemático de Lisboa e bem perto
de Campolide.
Nos tempos negros da ditadura do salazarismo ficou também conhecido como o
"pai dos pobres", devido às suas atitudes solidárias, que segundo a PIDE,
o procuravam associar ao ideário comunista.
Loriga era uma das suas paixões, adorava a sua terra e nutria um
verdadeiro carinho e afecto pela suas gentes. Desde muito novo participou
activamente em iniciativas, que com outros jovens loriguenses, também
estudantes em Lisboa, os levaram à fundação do Centro de Assistência, numa
altura em que a mortalidade infantil atingia a elevada taxa de 47%.
Colaborou numa exposição "Loriga vista pelas crianças", com a realização
de palestras sobre saúde pública, veterinária, cultura geral e agronomia,
que tiveram lugar no Salão da Residência Paroquial e que foi de muita
utilidade na época.
Apoiou com entusiasmo, inúmeras diligências junto das entidades
competentes, para elevar o nível de escolaridade em Loriga e que
culminaria na construção da Escola.
Foi o primeiro Director do Jornal "A Neve", fundado por ele e por um grupo
de amigos e bairristas Loriguenses, no ano de 1949, em Lisboa. Jornal que
teve o seu primeiro número em Março desse ano onde se podia ler no
prefácio da sua primeira página -Por tudo e por todos - A bem de Loriga e
da região.
Como se disse, foi o primeiro e único director do Jornal "A Neve" enquanto
na primeira fase da publicação de 1949 até 1951, ano em que foi
interrompida a sua publicação para, anos mais tarde, voltar a surgir mas,
desta vez, como Boletim Paroquial, que ainda hoje existe.
Verdadeiro bairrista e amigo de Loriga, que apesar de estar fora estava
sempre atento a tudo que se relacionasse à sua terra, nunca deixando,
sempre que se tornasse oportuno, de apresentar as suas ideias ou pontos de
vista. Deu, igualmente, todo o apoio à constituição da ANALOR e, sempre
que podia, colaborava no jornal "Garganta de Loriga".
Foi ao Dr. Bastos, que se ouviu pela primeira vez falar em turismo rural
quando, em determinada época, ele chegou a dizer existir potencial para,
nesta área, poder haver um meio de desenvolvimento para Loriga. Idealizou
projectos de desenvolvimento para um futuro turismo rural na sua terra,
tendo mesmo dado os primeiros passos, não se chegando a concretizar,
infelizmente, por falta de apoios.
Grande entusiasta pelo Campismo e pelo Atletismo, era um fervoroso adepto
e associado do Sport Lisboa e Benfica, tendo sempre o hábito de dizer,
para que todos soubessem, "ser um benfiquista ferrenho". Chegou a ser
galardoado com a "Águia de Ouro" pelo Sport Lisboa e Benfica.
- 42 -
Pessoa de ideias firmes, costumava dizer que nada neste mundo o fazia
abandonar a medicina, porque "parar depois da reforma é morrer" e, por
isso, aos 83 anos ainda exercia a sua nobre profissão, com toda aquela sua
energia com que sempre se conheceu.
Faleceu em Lisboa no dia 12 de Fevereiro de 2006, o funeral realizou-se
para a sua terra natal, onde foi sepultado no cemitério local, como sempre
foi o seu desejo.
Loriga viu partir um grande bairristas e amigo da sua terra, ao qual muito
ficou a dever, vendo-se também partir aquele, que na sua nobre missão,
aliviou muitas vezes o sofrimento de todos aqueles que o procuravam.

Armando Fernandes dos Santos


1921 - 1952

Armando "Folhadosa" assim conhecido, era natural de Loriga onde nasceu no


ano de 1921, ficando órfão ainda muito novo, depois de fazer a quarta
classe foi trabalhar e viver com o padrinho Sr António Folhadosa, um
oficial sapateiro com nome nas redondezas, que tinha uma sapataria junto
ao Poleirinho, por onde também passariam outros que mais tarde se viriam a
tornar grandes sapateiros.
Anos depois da morte do padrinho, o Armando viria a tomar conta da
gerência da sapataria, onde se viria a tornar num sapateiro de sucesso. No
entanto, viria a morrer ainda muito novo, vitima de uma doença existente
nesses tempos, que o minava e para a qual na época ainda não era possível
a cura eficaz.
Foi um grande dinamizador do futebol em Loriga, onde jogava a
guarda-redes, e foi no apogeu da sua mocidade que foi fundado o Grupo
Desportivo Loriguense, tendo os fundadores encontrado no Armando
"Folhadosa" um dos principais apoiantes. Nessa altura não havia campo de
futebol e era no Terreiro da Lição, Fonte do Mouro, Sargaçal e mais tarde
o Campo da Vista Alegre onde era jogado esse desporto, o único em Loriga
na época.
Acérrimo defensor e grande adepto do Sporting que nessa altura dominava
por inteiro o panorama futebolístico nacional, foi ele que lançou a
semente do seu sempre querido clube cujos adeptos estavam em maioria em
Loriga. A sua sapataria era um repositório dos grande ídolos daqueles
tempos, Soeiro; Peyroteo; Pireza; João Cruz; Azevedo; Cardoso; Mourão; os
famosos violinos etc., onde ali podiam ser vistos em todos os tamanhos.
Com naturalidade, a sua sapataria era lugar de tertúlia, onde todos se
informavam e discutiam os assuntos desportivos, principalmente o futebol,
e onde os jornais e revistas da época:- Sports, Stadium e o recém
aparecido "A Bola" faziam parte da mobília.
Faleceu em 10 de Maio de 1952 com apenas 31 anos, sendo sepultado no
cemitério local, vendo Loriga partir um grande desportista que muito tinha
a dar à sua terra, mas que infelizmente, ainda muito novo partiu para
sempre.

Ilídia Nunes Pina Prata


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1921 - 2000

Nasceu em Loriga, a 5 de Fevereiro de 1921, notabilizou-se no ensino que


durante décadas desempenhou com uma grande dedicação e alegria de ensinar.
Frequentou em Loriga o ensino primário. Rumou depois para Viseu, onde
conclui o ensino secundário no grande Colégio Português. Em 1944 ingressou
na Escola do Magistério Primário de Coimbra, tendo concluído o curso em
1946.
Nesse mesmo ano, regressou à sua terra natal para iniciar a sua actividade
como professora do 1.ciclo do ensino básico. Em 1949, obteve a nomeação
como efectiva para a Escola Primária de Vasco Esteves, onde se manteve até
1953, data a partir da qual foi colocada na Escola Primária do Pereiro.
Em 1961, passou a fazer parte do quadro da Escola Nr.1 de Seia, onde
permaneceu durante 30 anos precisamente até 1991.
Aposentou-se com 45 anos de serviço e 70 anos de idade, tendo ao longo de
todos esses anos granjeando a amizade e a estima dos habitantes de Seia e
dos seus conterrâneos.
Foi-lhe atribuída, pela Câmara Municipal de Seia, a Medalha de Mérito da
Cidade. Faleceu em Coimbra no dia 3 de Maio de 2000, vendo os Loriguenses
desaparecer uma sua conterrânea que, notabilizando-se fora de Loriga,
deixou mais enriquecida a história desta localidade.

António Mendes Cabral


1921 - 1976

Nasceu em Loriga em 16 de Fevereiro de 1921, filho de Alfredo de Mendes


Cabral e de Maria Emília Moura Cabral.
Desde muito novo era visivil um certa ideia objectiva, nomeadamente, uma
inclinação num futuro apostolado. Ingressando no seminário logo após
complectar a escola primária na sua terra.
Foi ordenado sacerdote em 26 de Novembro de 1944 na cidade da Guarda,
tendo celebrado a sua primeira missa na semana seguinte (1 de Dezembro) em
Loriga. Foi colocado como coadjutor na Guarda-Gare, sendo assim o começo
da sua vida sacerdotál.
Foi pároco em Girabolhos, Torroselo, Folhadosa e Vila Cova, Fatela e por
fim na Cabeça, em todas as localidades deu um pedaço da sua vida
espalhando a graça de Deus com a verdade do Evangelho e onde efectuou um
trabalho de relevo e por isso ainda hoje é recordado.
O padre Cabral tinha a paixão da história, e por vêzes nas suas homilias dava
por si a dar aulas de história aos seus paroquianos. Foi professor de história
na Escola C+S de Loriga, contagiando os seus alunos com a sua paixão. Ao
ver que um dos seus alunos gostava de história como ele, emprestava-lhe livros
e deixava-o frequentar a biblioteca da casa que possuía junto da Igreja Matriz.
Esse seu antigo aluno ainda hoje se dedica ao estudo da história, e a ele se
deve o conhecimento da história antiga de Loriga e a sua divulgação.
Em 1969 celebrou na Cabeça as Bodas de Prata da Ordenação, no entanto,
Loriga não quiz deixar também de homenagar, este seu filho e amigo neste
seu aniversário festivo, tendo-se realizado no dia 8 de Dezembro em
Loriga, por ser festa da Imaculada Conceição, uma singela homenagem, à
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qual se associou muito povo, recebendo também muitas ofertas em nome da
Comunidade Loriguense.
Faleceu subitamente em Loriga, em Janeiro de 1976 com a idade de 56
anos.As cerimónias fúnebres foram presididas pelo senhor Bispo da Guarda,
D. Policarpo da Costa Vaz, concelebrando com muitos sacerdotes que se
deslocaram a Loriga. O funeral realizou-se para o cemitério local, onde se
incorporaram muitas pessoas que o acompanharam à última morada, onde ficou
sepultado.

Carlos Pinto Ascensão


1922 - 1997

Nasceu em Loriga no dia 25 de Dezembro de 1922, onde também frequentou a


escola primária, filho de Joaquim Pinto Ascensão e de Amélia de Jesus
Florêncio. Com 13 anos de idade seguiu para o Seminário tendo passado por
Santarém, Almada e Olivais. Anos mais tarde abandonou a vida eclesiástica
e, no ano de 1944, ingressou como funcionário na Casa Pia de Lisboa.
Entregando-se ao trabalho de educação dos adolescentes especialmente aos
deficientes visuais e auditivos, foi ocupando nesta instituição sempre
cargos de relevância, onde foi também granjeado a simpatia geral, vindo
mesmo a ocupar funções directivas, nomeadamente no Instituto Jacob
Rodrigues Pereira, tendo sido também Presidente da Associação Portuguesa
de Professores e Técnicos de Reabilitação de Surdos.
Personalidade de reconhecido prestígio no plano internacional, viajou por
todo o mundo em representação da Casa Pia, sempre com grande sentido do
cumprimento do dever. Foi representante de Portugal no BIAP - Bureau
Internacional de Audiophonologie, sendo por sua iniciativa criada uma
Comissão Internacional a que presidiu desde a sua criação.
Ao longo da sua carreira escreveu muito, principalmente dos temas que ele
tão bem conhecia relacionados com o deficiente, colaborando em vários
jornais e revistas destacando-se entre outros:- Diário popular; A Capital;
o Diário de Noticias e a Flama.
Dedicando toda a sua vida àquela Instituição, apesar de aposentado em 1992
a ela continuou ligado como Director da Revista da Casa Pia de Lisboa e
também como Presidente da Associação Portuguesa de Professores e Técnicos
de Reabilitação de Surdos.
Era por vezes acusado de ter esquecido Loriga, ao que ele respondia "Que
se lembrava da sua terra todos os dias, e se há quem pense que ser
bairrista é estar sempre presente em cima da terra, ser bairrista é fazer
pela terra tudo quanto se pode sem se esquecer dela".
Foi um dos fundadores do Jornal "A Neve" em 1949, tendo colaborado com os
seus escritos nos programas das Festas da Vila realizadas na década 50 e
60, escrevendo ainda alguns artigos no Jornal "Garganta de Loriga" nestes
tempos mais recentes.
Em 17 de Março de 1993, no Palácio da Ajuda, o Dr. Carlos Ascensão recebeu
das mãos do então Presidente da República, Dr. Mário Soares, as insígnias
de Comendador da Ordem de Mérito, numa consagração oficial e pública de
uma vida dedicada à solidariedade.
Faleceu no dia 23 de Agosto de 1997, vendo Loriga partir um dos seus
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filhos que se notabilizou fora dela, mas que a deixou mais enriquecida na
sua história.

José Nunes Moura


1923 - 2006

Nasceu em Loriga, no dia 24 de Março de 1923, filho de José Nunes Luiz e


de Palmira Brito Moura.
Depois de concluir a escolaridade obrigatória, prosseguiu outros estudos,
tendo-se especializado em Técnico Debuxador.
Regressou à sua terra e ingressou na Fábrica da Fândega e, mais tarde, na
Sociedade Moura Cabral.
Homem de trato fácil e de uma amabilidade extrema era, acima de tudo, um
homem de corpo inteiro, sempre presente nas iniciativas em prol de Loriga
demonstrando, assim, um louvável bairrismo e um profundo respeito e adesão
aos valores do associativismo.
Fez parte dos órgãos sociais de várias colectividades da sua terra,
nomeadamente, da Banda Filarmónica, do Grupo Desportivo, do Sindicato, bem
como fez parte da autarquia como Secretário da Junta de Freguesia, mandato
dos últimos anos da década de 1950.
Em 1961 constituiu uma sociedade comercial com os senhores Carlos Nunes
Cabral e seu filho Carlos Nunes Cabral Júnior, designada "Carlos Cabral,
Limitada", com sede em Lisboa, na Rua da Prata, nº 199, 1º. Esquerdo, com
vista à comercialização de fazendas e lanifícios.
Radicou-se então em Lisboa, onde passou a desempenhar a sua actividade.
Após a extinção da referida sociedade, passou ele próprio a dedicar-se à
comercialização de fazendas e também de malhas, tendo instalado o seu
escritório na Praça da Figueira, onde esteve sediado durante muitos anos.
Adorava a sua terra, que visitava com regularidade, estando sempre muito
atento a tudo que se relacionava com Loriga sendo, por isso, bem
reconhecido o seu bairrismo e dedicação às causas em prol da sua terra.
Qualquer iniciativa levada a efeito, a presença do senhor José Moura era
uma referência, mostrando sempre disponibilidade para dar o seu apoio. Até
mesmo nos funerais dos seus conterrâneos falecidos em Lisboa, era sempre
uma presença pois, de maneira alguma faltava para os acompanhar à ultima
morada.
Casado com Maria Teresa Nunes Cabral, da qual teve três filhos e, com
netos e bisnetos era-lhe reconhecido a grande dedicação à sua família. Em
14 de Março de 1997, sofre um rude golpe com a falecimento da sua esposa.
Desde então, passou a ver-se o senhor "Zé Moura" como popularmente era
assim chamado, caracterizado com o preto do luto.
Foi um grande apoiante da Associação de Apoio da 3ª. Idade, da qual era
associado e que não esqueceu, tendo deixado em testamento a quantia de
5.000 Euros a esta associação. Entre outras doações não esqueceu também a
Banda, à qual doou um belíssimo e artístico móvel, que veio enriquecer uma
das salas desta instituição musical.
Construir uma casa na sua terra, era uma sonho que sempre alimentou, o
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qual veio a concretizar e onde, com mais regularidade, pode passar um
pouco mais do seu tempo.
Foi convidado de honra nas comemorações do Centenário da Banda realizadas
em Julho de 2006, o último acto público em que esteve presente, antes da
doença que o vitimou.
Faleceu em Lisboa, no dia 3 de Novembro de 2006, com a idade de 83 anos. O
funeral realizou-se em Loriga, onde foi sepultado no cemitério local,
vendo os loriguenses desaparecer um seu conterrâneo, com uma personalidade
bem marcante, caracterizada pela simpatia e simplicidade na sua relação
com os outros, pelo seu sorriso amável, e também pela estima e o respeito
como tratava toda a gente.

Manuel Dinis Pereira


1923 - 1996

Nasceu em Loriga a 1 de Junho de 1923, vindo a notabilizar-se ao longo de


muitos anos pelo seu desempenho profissional no serviço de saúde, não só
na sua terra como ainda nas freguesias periféricas. Era o Enfermeiro, mas
em certas situações pareceu ser o médico.
A sua humildade tornavam-no num homem simples, sendo um grande bairrista
que adorava todas as coisas da sua terra. Além de tudo era um loriguense
convicto e que acreditava na palavra, por isso a popularidade e a amizade
que sempre granjeou dos seus conterrâneos.
Após concluir a escola primária o médico de Loriga Dr. Andrade, chama-o
para o seu consultório, passando a ser o seu "moço de recados" o que
durante anos não parecia passar disso mesmo. No entanto o "Ti Manel
Barriosa" como era assim chamado, foi deitando o olhar por tudo o que o
rodeava.
Tornou-se um ajudante imprescindível do médico, com quem teve sempre um
bom relacionamento, muito embora este só o tenha inscrito na Previdência
Social um pouco tarde, colaborou, após a morte do Dr. Andrade, com o filho
deste, Dr. Jorge Andrade e, mais tarde, durante muitos anos, com o
Dr.Bandeira.
Foi adquirindo experiência, e apesar de não ter curso de enfermagem,
adquire mesmo o estatuto de enfermeiro de Loriga. Deu injecções sem conto
e, neste serviço de enfermagem aventura-se mesmo a fazer muito mais,
chegando ao ponto de tirar dentes e a dar sem querer nada em troca
medicamentos que ele por vezes conseguia de amostras de propaganda médica.
Esta figura de Loriga marcou na sua terra uma época em que nunca poderá
ser esquecido, destacando-se entre outras actividades, o ter sido um
potencial impulsionador do teatro amador nesta localidade. Muitos ainda
recordam quando pela sua mão houve a possibilidade de ser colocada em cena
a "Casa do Pai" talvez um dos maiores êxitos que o teatro amador desta
Vila conheceu. Homem simples e bom, foi sem dúvida muito importante e de
grande utilidade para Loriga, pois estava sempre pronto para ajudar em
tudo que fosse realizações de carácter cultural na sua terra. Havia até
quem o chamasse de "festeiro", atendendo às ideias e iniciativas que pôs
em prática, mesmo sendo ele a pagar do seu próprio bolso, para que tudo
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fosse possível fazer.
Fez parte da Direcção da Banda de Música durante muitos anos, onde ainda
hoje é recordado com saudade e foi, durante sete anos mordomo da Festa da
N.S. da Guia, sendo ele também o promotor, em 1963 das primeiras marchas
populares realizadas em Loriga.
Os tempos mudaram foram surgindo os enfermeiros habilitados, o "Ti Manel
Barriosa" o "Enfermeiro" de Loriga deixou de ser menos solicitado, mas nem
por isso foi esquecido por muitos a quem ele, dedicadíssimo, prestou
preciosa assistência. Faleceu a 21 de Outubro de 1996, vendo a população
partir aquele que, na sua nobre missão, aliviou muitas vezes o sofrimento
de todos aqueles que o procuravam.

Laura Moura Pina


1923 - 2007

Nasceu em Loriga em 19 de Fevereiro de 1923, filha de Plácido Aparício


Pereira e de Maria do Carmo Moura Pina.
De muito nova se apegou às coisas da Igreja na sua terra. Logo na
catequese, entrou para o organismo das filhas de Maria, e da Cruzada, no
tempo do saudoso Padre Lages e não mais se viria a despegar dos diversos
organismos católicos da sua terra.
Catequista zelosa durante largos anos. Zeladora do Apostolado da Oração e
desagravo ao Sagrado Coração de Jesus. Era vê-la em muitas procissões,
levando bem erguido o guião, sem que algum complexo lhe assaltasse a sua
mente. Locista, interveniente nas famílias com problemas sociais e outros.
Cantora de sempre nos grupos corais da Igreja, tinha muito gosto de cantar
era mesma uma apaixonada, cantava como ninguém todo o Te Deum de Perosi
sem falhar nada, tinha um hábito de entoar bem alto a sua voz "que era
para Nosso Senhor a ouvir" como costumava dizer.
Casou com José Duarte Gouveia conhecido por "Zé da Volta" que era para ela
o melhor marido do mundo. Tiveram 10 filhos, mas chegaram a criar 11, ao
ter tomado conta do filho da sua irmã falecida em Coimbra logo após o
parto. Criou o seu sobrinho Joaquim ao mesmo tempo da sua filha Filomena,
costumando dizer "que era uma mama para cada um".
A tia Laura da "Santa Eufêmea" como popularmente era assim conhecida foi
no campo das habilidades, uma pessoa fora de série, nomeadamente nas sua
qualidades inigualável na área de laborar rendas, manejando as agulhas
como ninguém era capaz de o fazer.
Tudo imaginava e tornava mais belo desde lavores simples aos mais
complicados, ao ponto de ornamentar as garrafas, com vestidinhos todos
diferentes, cada qual com o seu chapeuzinho. A sua última paixão e da qual
se orgulhava era fazer terços de renda que oferecia às pessoas com o
propósito que fossem rezados, mesmo já doente no Hospital no Luxemburgo,
chegou a fazê-los para depois os oferecer às enfermeiras. Na realidade os
seus trabalhos mereciam figurar em museu tal é a grande obra de arte que
executou ao longo dos anos.
Quis Deus que a Tia Laura fosse morrer ao Luxemburgo, onde se encontrava
de visita à família, cumprindo assim a mesma sina que seu filho Tó que ali
morreu precisamente no mesmo Hospital. Regressou já sem vida à sua terra
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onde foi sepultada no cemitério local, vendo os loriguenses desaparecer
uma das sua conterrâneas reconhecidamente admirada e estimada por todos.

Joaquim Jorge Reis Leitão


1926 - 1994

Nasceu em Loriga em 5 de Novembro de 1926, filho de Emílio Reis Leitão e


de D. Adélia Jorge Leitão. Fez na sua terra a escola primária, indo de
seguida para o Liceu e depois para o Instituto Superior de Ciências
Económicas e Financeiras.
Estudante brioso e muito cumpridor, salientou-se no meio estudantil em que
esteve envolvido onde acima de tudo eram bem evidentes a suas qualidades
de inteligência e personalidade. Pouco tempo depois da sua licenciatura,
foi Professor provisório da Escola Preparatória Nuno Gonçalves de Lisboa
de 1953 a 1954, e nessa mesma Escola foi, a partir de 1957 a 1959
Professor secretário e de 1959 até 1967 Subdirector.
Colocado no Ministério da Educação fez uma brilhante carreira ao longo de
37 anos, sempre desempenhando elevados cargos, tendo ainda participado em
grupos de trabalhos e outras missões, como por exemplo na Presidência dos
diversos júris de concursos de habilitação para pessoal administrativo,
nomeadamente chefes de secretaria de estabelecimento de ensino.
Teve ainda algumas participações em grupos de trabalho e outras missões,
destacando-se entre outras as de Membro da Comissão Organizadora do
Congresso Nacional do Ensino Técnico realizado em 1968, Revisão das
estruturas administrativas dos estabelecimentos de ensino preparatório e
secundário e frequência de um estágio em Paris para estudo da gestão dos
estabelecimentos do ensino secundário franceses patrocinado pela OCDE.
Grande amigo da sua terra e muito bairrista onde, por norma, se deslocava
semanalmente, foi um grande obreiro para a criação da Escola Secundária
nos finais da década de 1960 e cuja inauguração foi efectuada pelo então
Ministro da Educação Dr. José Hermano Saraiva que foi recebido pela Banda
de Loriga executando o Hino da Maria da Fonte.
Foi um dos fundadores do Jornal "A Neve" em Lisboa no ano de 1949,
publicação que viria a ser interrompida poucos anos depois, passando mais
tarde a ser publicado como Boletim Paroquial.
Veio a ter grande influência na construção da Escola EB em Loriga à qual
desde logo foi posto o seu nome:- Escola EB 2.3 Reis Leitão-Loriga, numa
prova de gratidão da localidade, a tão grande bairrista loriguense.
Faleceu em Lisboa a 29 de Agosto de 1994, sendo sepultado no cemitério de
Benfica, longe da sua terra que tanto adorava, tendo a Vila de Loriga
perdido uma das suas maiores figuras que em muito contribuiu para o
desenvolvimento da sua terra.
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Álvaro dos Santos Aparício


1926 - 2007

Nasceu em Loriga em 22 de Outubro de 1926, filho de Luciano dos Santos


Aparício e de Maria Emília Mendes dos Santos.
Não chegou a conhecer o seu pai, pois quando nasceu já ele tinha embarcado
para o Brasil, destino comum de muitos loriguenses na época. Já crescido,
o pai ainda o tentou levar para junto dele onde já se encontravam a irmã e
irmão, só que a sua mãe não o permitiu.
Grande bairrista, amava a sua terra como ninguém. Foi um cidadão exemplar,
que dignificou a sua vida na comunidade, tornando-se uma das suas
principais referências sociais e morais pela sua integridade e
verticalidade, que eram mais que evidente na sua maneira própria de viver
em bem.
Sempre muito devoto, bem como a sua esposa, estava sempre disponível para
colaborar nas actividades promovidas pela Igreja, em que se destacam os
Cursos de Cristandade e a Liga Eucarística dos Homens. Pertenceu, e é bem
lembrado, o seu envolvimento na JOC (Juventude Operária Católica) e na LOC
(Liga Operária Católica), que tiveram no senhor Álvaro Aparício um dos
seus mais importantes membros.
Foi um dos sócios fundadores da Cooperativa Popular de Loriga e do Socorro
Paroquial Loriguense, fez parte de diversas direcções da Irmandade das
Almas e do Santíssimo Sacramento de Loriga, bem como de vários outros
organismos.
Solidariedade, amor ao próximo, dignidade profissional, desportista e
activista cultural, transmitiu valores que perduram como guia de conduta
social com gestos cativantes de humanidade e valores.
A sua actividade profissional foi quase toda ela dedicada à firma
Metalúrgica Vaz Leal, onde trabalhou cerca de quatro décadas. Logo após
ter terminado a escola primária, começou a trabalhar na oficina Pedro Vaz
Leal, nessa altura ainda na chamada "Forja" situada no Cabeço, que mais
tarde passou para o Terreiro da Lição. Depois de meia dúzia de anos na
oficina do Joaquim Correia (Casegas) voltou novamente para o Pedro Leal
mas, desta feita, para a oficina já situada na Vista Alegre, onde esteve
até se reformar aos 62 anos.
Possuidor de uma energia que venceu desafios, independente dos poderes
estabelecidos, colocou-se sempre ao lado dos mais humildes e pelas mais
nobres causas, estando sempre atento a tudo que se relacionasse com a sua
terra.
Foi presidente da Junta de Freguesia de Loriga num mandato de três anos,
de 1977 a 1979, nas primeiras eleições realizadas democraticamente,
encabeçando a lista do Partido Socialista, da qual também faziam parte a
D. Helena Leitão e o Sr. Horácio Ortigueira.
Foram anos problemáticos à frente da autarquia, numa altura em que corriam
os primeiros anos da democracia e que a situação do país era ainda um
pouco confusa. Por outro lado, a escassez dos meios financeiros tornavam
ainda mais difícil a tarefa de dirigir a Junta de Freguesia tendo, apesar
de tudo, efectuado um trabalho digno de relevo ainda hoje muito recordado.
De vários melhoramentos levados a efeito no seu mandato, destaca-se a
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construção do Ringue de Patinagem, num complicado processo da ocupação dos
terrenos, pertencentes à Fundação Cardoso de Moura. Foram também
concluídas as obras do abastecimento de água e saneamento em toda a vila.
Como também foram efectuadas as obras para o alteamento e reforço de muros
dos Poços de Loriga (Serrano e Covão das Quelhas), que se vieram a tornar
de importância vital para a terra.
Foi determinante, e também de grande realce, o seu envolvimento como
presidente da Junta de Freguesia, na reorganização da Banda de Música de
Loriga em 1978, após mais uma crise, (na altura encontrava-se encerrada),
tendo sido igualmente fundamental o grande apoio e a contribuição dada por
António de Brito Pereira o "Mestre Barriosa" como assim era chamado.
Depois de finalmente organizada, a Banda retomou a sua actividade, o que
aconteceu no dia do Corpo de Deus, estando ainda na lembrança de muitos
loriguenses, quando nesse dia foi recebida na "Praça" com grande ovação.
Foi, também, nessa altura, que a Banda foi inscrita na Federação
Portuguesa das Actividades de Cultura e Recreio.
No ano seguinte, em 24 de Junho de 1979, a Banda realizou uma digressão a
Sacavém para obter apoios da comunidade loriguense. Para esse efeito, foi
organizado um convívio na Quinta do Seminário dos Olivais e também um
concerto na Cooperativa de Sacavém, bem difundido pela imprensa escrita,
onde também esteve presente o senhor Álvaro Aparício na sua qualidade de
presidente da Junta, que deu uma importante entrevista onde realçava as
carências de Loriga.
Casado com a D. Irene Gomes Dinis Prata, eram-lhe reconhecidos os
atributos de dedicação à esposa e filhos. Também a sua humanidade e
amizade para com os outros o fez sempre granjear a estima e admiração dos
seus conterrâneos. Em 12 de Outubro de 1997, sofreu um rude golpe com o
falecimento da sua esposa.
Os últimos anos da sua vida foram vividos na Casa de Repouso da Nossa
Senhora da Guia em Loriga, onde faleceu no dia 24 de Julho de 2007, com 81
anos, tendo sido sepultado no cemitério local, vendo Loriga desaparecer
mais um dos seus filhos a quem tanto ficou a dever, e os Loriguenses viram
partir mais um seu conterrâneo, uma notável figura por quem tiveram sempre
uma grande admiração e estima.

José Moura Mourita


1928 - 1998

Natural de Loriga onde nasceu em 12 de Julho de 1927, filho de Joaquim


Moura Mourita e de Maria do Carmo Lopes Vide, também naturais desta
localidade.
Figura querida de Loriga foi o "último" Carteiro desta Vila, em épocas
quando a nomenclatura das ruas ou mesmo os números das portas das
habitações faziam parte do nosso imaginário, tendo ao longo de muitos anos
desempenhando aquelas funções com muita dignidade.
Foram quilómetros sem conto percorridos ao longo dos anos de serviço na
sua profissão de Carteiro, devendo ser o único loriguense a conseguir
pisar todas as ruas, becos, pátios, quelhas ou mesmo qualquer recanto da
povoação, levando consigo boas e más noticias. Conhecia toda a gente pelos
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seus nomes e apelidos, apesar de serem tempos em que a população atingia
números elevados que nada tem a haver com o movimento populacional de
hoje, que se vem notando cada vez mais reduzido.
Homem de uma calma impressionante e de pontualidade eficaz, ao sol, chuva,
vento, frio ou neve, a partir das 11 horas da manhã era uma presença
obrigatória pelas ruas da Vila, fazendo chegar aos seus destinatários a
tempo e horas a correspondência que consigo levava, mesmo tendo por vezes
o hábito de se entreter em "dois dedos de conversa" com os amigos ou
aproveitando essas paragens por breves momentos para refrescar um pouco a
garganta.
Hoje nada sendo com antes, desempenhar o serviço de carteiro parece
necessário ser bastante letrado e em vez do andar a pé, existem os
transportes para se movimentarem, parecendo nada poder ser feito se não
houver a ajuda da electrónica. No entanto o "Ti Zé Mourita" o carteiro de
Loriga não precisou nada disso, pois registava mentalmente todos os nomes
das pessoas da sua terra. Hoje em dia, se a memória nos falha, podemos
socorrer-nos da nossa "memória electrónica", como é o caso do computador.
Sendo bastante religioso era um cristão convicto e um fervoroso defensor
da igreja, adorando igualmente a sua terra. Era casado com a Sra. Adélia
Alves Jesus.
Um dia, em caminhos que percorreu e tão bem conhecia, aconteceu o que
nunca previa que viesse acontecer. Caiu e feriu um pé e uma a perna e, a
partir daí não mais foi o mesmo, Foi adoecendo e essa mesma doença o viria
a vitimar, falecendo no dia 20 de Abril de 1998. A população de Loriga viu
partir o "último" Carteiro da Vila daquela época em que a correspondência,
para chegar até nós, apenas bastava ter o nome.

Mário Gonçalves da Cruz


1928 - 1999

Natural de Loriga onde nasceu em 16 de Janeiro de 1928, ficou na memória


como um dos maiores bairristas loriguenses, onde o amor a Loriga estava
sempre presente onde quer que fosse e estivesse em tudo o que se
envolvesse relacionado com a sua querida terra.
Esta figura loriguenses viveu quase toda a sua vida em Sacavém. Para
muitos era como que um cônsul de Loriga nesta localidade, a quem muitos
recorriam para saberem novidades e noticias e como não podia deixar de ser
foi também um dos fundadores da ANALOR (Associação dos Naturais e Amigos
de Loriga) à qual dedicou muito do seu tempo.
Um dom poético o caracterizava para projectar a sua adorada terra através
da poesia, escrevendo muitos poemas, quase sempre dedicados a Loriga e às
suas gentes, não esquecendo os Bombeiros e Músicos pelos quais teve sempre
uma grande admiração.
Homem de alma grande, ficou na recordação de muitos quando organizava
excursões a Loriga, nomeadamente no verão e mais precisamente para os
festejos da Festa da N.S. da Guia, estando na lembrança a chegada à
"Carreira" onde era enorme a emoção e quando da partida, a tristeza
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reinante era bem visível nos rostos de todos aqueles ao deixarem mais uma
vez a sua terra.
Pessoa simples e afável tinha uma maneira própria de falar das artes, dos
livros, da poesia, nos acontecimentos diários, tendo também sempre
histórias e peripécias para contar desses passeios excursionistas e ainda
de uma vida que levou dedicada ao melhor que houvesse para Loriga.
Faleceu em 28 de Dezembro de 1999, após doença, sendo sepultado no
cemitério de Sacavém, ficando assim dividido por duas localidades que
foram a sua vida, uma que foi seu berço e a outra em que ficou sepultado,
ficando Loriga mais triste por não mais ver chegar aquele que um dia lhe
cantou:
"Eu canto Loriga canto. A tua Primavera em flor. Como eu te quero tanto.
Minha terra, meu poema, meu amor".

Carlos Nunes Cabral Junior


1928 - 2004

Nasceu em Loriga, em 16 de Maio de 1928, filho de Carlos Nunes Cabral e de


Urbana Nunes Moura.
Depois de frequentar a escola primária na sua terra, foi estudar para
Coimbra, por onde se manteve durante alguns anos.
Desde muito novo se notava a sua qualidade de empresário e cedo começou a
pisar os passos de seu pai, também ele um grande industrial em Loriga.
Homem de grande inteligência e de luta, empresário de enorme qualidade e
sucesso. Após a morte de seu pai, tomou a liderança da Firma Moura Cabral
& Comp., que administrou durante três décadas, chegando mesmo a ser uma
firma de sucesso, em desenvolvimento, progresso e qualidade,
merecidíssimas reconhecida no concelho e não só.
Fez parte dos Corpos Sociais de vários organismos da sua terra natal,
nomeadamente de carácter desportivo, cultural e humanitário, funções que
sempre desempenhou com todo o empenho e dedicação.
Foi presidente da Junta de Freguesia de Loriga de 1990 a 1993, onde se
destaca a obra realizada e de grande valor, no desenvolvimento da sua
terra.
Depois do 25 de Abril de 1974 e até 1976, fez parte da Comissão
Administrativa da Câmara Municipal de Seia
Tanto como dirigente ou empresário, apoiou sempre todas as iniciativas,
que fossem de beneficio para a sua terra.
Em medas da década de 1980, foi determinante o seu contributo ao espírito
impulsionador, em termos de panorama do futebol, elevando o Grupo
Desportivo Loriguense, ao seu mais alto nível desde a sua existência, ao
disputar pela primeira vez o Campeonato Distrital da 2ª. Divisão da
Associação do Futebol da Guarda. Foi também nessa altura, o Presidente
eleito desta popular colectividade loriguense.
Poucos anos antes da sua morte, resolveu afastar-se do meio empresarial,
deixando mesmo a sua empresa. Esta firma continua em laboração, sendo a
única empresa de lanifícios, que actualmente e apesar de tudo, ainda
sobrevive em Loriga.
Faleceu inesperadamente em Coimbra, no dia 4 de Abril de 2004. O funeral
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realizou-se para a sua terra natal, onde ficou sepultado no cemitério
local.
Loriga ficou mais pobre ao ver desaparecer mais um dos seus industriais,
que muito fez pela sua terra e que tanto adorava.

Adélia Alves Martins


1929 - 1974

Nasceu em Loriga, no dia 2 de Maio de 1929, era filha de António Alves


Martins e de Maria Emília Duarte Jorge.
Desde muito nova se começou a destacar como cozinheira, numa maneira
própria de muito bem confeccionar a comida regional.
Os seus dotes culinários eram muitos reconhecidos não só em Loriga, mas
também pelas outras terras da região, para onde era solicitada com
regularidade.
Cozinhava para bodas ou outros eventos, sendo a mais nova das cozinheiras
a trabalhar para a comunidade em Loriga. Tal como era usual nesses tempos,
nunca também fazia preço pelo trabalho que executava, aceitando o que as
pessoas lhe queriam dar, sendo que, muitas vezes, o pagamento consistia
apenas em mercearias.
Muito devota e religiosa, teve sempre presente o cumprimento dos deveres
da Igreja, tendo pertencido à JOCF e à LOCF, logo após a fundação destes
organismos em Loriga, pelo Sr. Padre António Roque Abrantes Prata, Pároco
nesta vila (1944-1966).
Foi a primeira cozinheira do Restaurante Império em Loriga, quando este
foi inaugurado em 1972 onde, durante o tempo que ali trabalhou, a comida
que confeccionava, era bastante apreciada pelas pessoas que vinham de
fora.
Teve sempre a preocupação de transmitir aos outros os seus conhecimentos
de culinária e, por isso mesmo, os seus ensinamentos vieram a tornar-se
muito úteis, para as pessoas que com ela muito aprenderam.
Mãe de doze filhos, muito carinhosa e esposa resignada pelo infortúnio da
doença do marido, viria a morrer relativamente nova, após doença
prolongada, deixando seus filhos ainda muito novos e, quando ainda tinha
muito para dar à família e também à gastronomia loriguense.
Faleceu em 20 de Outubro de 1974, sendo sepultada no cemitério local, onde
muitos loriguenses se deslocaram acompanhando-a até à sua última morada,
num funeral de verdadeiro pesar, vendo Loriga, desaparecer para sempre,
uma das suas cozinheiras, que deixou em todos, recordações e saudades.

Adelino Moura Galvão


1929 - 1990
- 54 -

Nasceu em Loriga em 9 de Outubro de 1929, filho de Mateus de Moura Galvão


e de Maria dos Anjos Pina Galvão.
Professor primário de enormes qualidades, esforçando-se para que os seus
ensinamentos fossem linhas orientadoras que permitissem aos seu alunos
enfrentar sem temor o dia de amanhã.
Era mesmo considerado como um verdadeiro mestre na arte de ensinar, tendo
sempre como preocupação transmitir aos seus alunos todo o seu ensinamento
que o distinguia.
Alguns dos seus antigos alunos distinguiram-se como filhos ilustres desta vila,
e um deles foi responsável pelo conhecimento e divulgação da história antiga
de Loriga.
Muito culto, disciplinado e de muito profissionalismo, deu o melhor que
sabia ao ensino, tinha ainda uma particularidade muito própria, que mesmo
para além do normal horário escolar levar os seus alunos para uma sua casa
situada na "Vista Alegre" para estudarem, um acto que para tirar da rua os
seus alunos para que aprendessem ainda mais, isto antes da entrada em
actividade a nova Escola Primária de Loriga.
Foi presidente da Junta de Freguesia na década de 1960, tendo projectado
muitas ideias, que contribuíram para muito do desenvolvimento que na
década seguinte se veio a concretizar na vila de Loriga.
Era casado com D. Helena Leitão, que com os dois filhos formavam uma
família que ele tanto adorava.
Faleceu em Loriga, no dia 8 de Fevereiro de 1990, sendo sepultado no
cemitério local. Vendo Loriga desaparecer mais um dos seus professores,
deixando uma saudade em todos aqueles que muito o admiravam.

Emílio Leitão Paulo


1932 - 2001

Nasceu em Loriga em 17 de Julho de 1932, foi uma figura de prestigio desta


vila, distinguindo-se como personalidade bem vincada em todos os
cargos que desempenhou.
Fez o ensino primário na sua terra, licenciou depois em Coimbra, tendo
sido diplomado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico de
Lisboa.
Trabalhou na Companhia dos Diamantes de Angola, durante alguns anos,
regressou à Metrópole, tendo ingressado nos Nitratos de Portugal como
Director Técnico. Transitou depois para a Metalúrgica Vaz Leal, em Loriga,
onde foi sócio-gerente durante alguns anos, onde também teve sempre a
preocupação de gerir esta firma industrial da sua terra, com o maior
dinamismo e entusiasmo.
Dedicou parte da sua vida à politica, militante pelo partido do CDS, teve
um papel de relevo na organização deste Partido no distrito da Guarda,
onde chegou a ser o mais votado, chegando mesmo também a ser
Vice-Presidente do Conselho Nacional.
Após o 25 de Abril de 1974, foi Deputado pelo CDS na Assembleia
Constituinte pelo círculo da Guarda. A partir de 1978 foi nomeado para
Governador Civil da Guarda, funções que desempenhou durante algum tempo.
Foi também Vice-Presidente da Câmara de Seia.
Pessoa de fino trato, e de elegante relacionamento, era bem reconhecido
- 55 -
por todos o trabalho desempenhado nas suas funções politicas, onde
procurava acima de tudo ser aberto a todos, sem distinção de ideologias,
tentando servir o melhor possível os interesses do seu Distrito.
Foi um dos sócios fundadores da Editora Porta da Estrela Lda.,
proprietária do Jornal da Porta da Estrela publicado em Seia.
Casado em primeiras núpcias com D. Maria Lela de quem ficou viúvo, tendo
casado em segundas núpcias com D. Maria de Lurdes D.Brito.
Faleceu no Hospital Particular de Lisboa, no dia 12 de Outubro de 2001,
vítima de doença. O seu funeral saiu da Igreja do Campo Grande-Lisboa para
Loriga, onde ficou sepultado no cemitério local.

Joaquim Leitão da Rocha Cabral


1934 - 2003

Nasceu em Loriga, em 25 de Maio de 1934, filho de António da Rocha Cabral


e de Guilhermina Reis Leitão Cabral.
Vivendo praticamente sempre fora da sua terra, notabilizou-se pelo seu
invejável e meritório curriculum, devido aos altos cargos que desempenhou
ao longo da sua vida, e que o tornaram num loriguense de destaque.
Chefiou e administrou muitas instituições públicas, e fez parte também de
diversos governos, vivendo uma vida de actividade, que o impossibilitava
de muitas mais vezes visitar Loriga, como decerto desejaria.
Licenciou-se em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico
em 1951-58 e, posteriormente, viria a formar-se em Genie Atomique INSTN
Saciay 1959; Calder Hall Operatine School 1960 e Auditor do Curso de
Defesa Nacional 1993-94.
De 1959 até 1976, foi Engenheiro da Companhia Portuguesa de Industrias
Nucleares, bem como da Empresa Termo-Eléctrica Portuguesa e da Companhia
Portuguesa de Electricidade. De 1976 até aos últimos tempos da sua vida,
chefiou a Equipa de Projecto da Central Nuclear, passando à reforma em
1999, na função de assessor do Concelho da Gerência.
Em 1977, foi nomeado Administrador da Electricidade de Portugal. De 1971 a
1983, foi representante português na Comissão de Estudos Nucleares da
UNIPEDE, e em 1987 na Comissão Consultiva da EUROTOM. De 1983 a 1984, foi
Vice-presidente da UFIPTE.
Dedicou-se à politica, tendo feito parte do I Governo Constitucional como
Secretário de Estado da Energia e Minas: (28-07-1976 a 07-01-1977) e de
(07-01-1977 a 25-03-1977), do II Governo Constitucional, como Secretário
de Estado da Energia e Indústrias de Base: (06-02-1978 a 28-07-1978),
mantendo-se em gestão até à posse do 3º Governo Constitucional, em
29-08-1978, e do IX Governo Constitucional como Secretário de Estado da
Energia: (18-06-1983 a 12-07-1985), mantendo-se em gestão até à posse do
10º Governo Constitucional, em 06-11-1985.
Foi nomeado Secretário-Adjunto do Governo de Macau, de Julho de 1987 a
Dezembro de 1989. Em 1992, candidatou-se à Junta de Freguesia do Campo
Grande (Lisboa) onde saiu vencedor, tendo-se recandidato e vencido também
em 1996. Pelos serviços prestados ao longo da sua vida, foi reconhecido
pelo seu trabalho, ao ser-lhe atribuída a condecoração do Grão-Cruz da
Ordem de Mérito Civil de Espanha. Foi casado com Maria Isabel Nunes
Cabral, também natural de Loriga e pai de Ana Isabel Cabral Grade. Faleceu
- 56 -
no dia 17 de Janeiro de 2003, e o seu funeral foi realizado para o
cemitério do Alto São João - Lisboa, tendo Loriga ficado mais pobre ao ver
desaparecer um dos seus mais nobre e ilustre filho.

António Abreu de Pina


1937 - 1962

Nasceu em Loriga no dia 7 de Setembro de 1937, filho de António de Moura


Pina e de Idalina Mendes Luis Abreu.
Depois de frequentar a escola primária, ingressou no seminário da Guarda,
que apesar de ser um jovem de uma maneira diferente de viver, era bem
visível todas as condições para trepar facilmente as escadas do altar.
Seminarista, escuteiro, jogador de futebol, tocador de viola, actor de
teatro, era acima de tudo um jovem desinibido. Filho de uma família
extremamente religiosa, possuidor de uma vasta inteligência, uma
capacidade musical como poucos, uma desenvoltura linguística invulgar, que
mais Deus tinha a dar a este futuro seguidor.
Quando vinha à sua terra de férias, além das coisas da igreja estava em
tudo. Fazia teatro, jogava futebol no Grupo Desportivo Loriguense, que
ainda hoje é recordado como um dos melhores futebolistas de Loriga. Estava
nas tertúlias que se sucediam nas sapataria do seu pai, tocava viola e
cantava com os outros.
Organizava acampamentos na serra, com a juventude, passeava nas ruas com
tamanha elegância e à vontade que serviam de escola no seio da timidez que
assolava a juventude de Loriga na época.
O António Calçada, como popularmente era assim chamado, queria ser Padre.
Mas um padre actual, virado para as questões sociais, para os problemas da
juventude de uma era moderna e não um rezador de novenas. Só que na época
os apoios eram parciais nos Seminários e as opiniões divididas. O António
chega às ordens menores mas há hesitações dos superiores, procuram-se
esperas, o bispo recebe dúvidas a arrasta o processo.
Depois de tanta hesitação, o pároco de Loriga terá dado, segundo opinião
de alguns, uma informação negativa e o seminário desaconselha, assim, a
ordenação do futuro Padre Abreu. Caía a noticia em Loriga como uma bomba,
e um trovão sobre a cabeça dos seus pais.
O jovem António Abreu, parte então para Lisboa, empregando-se na
Misericórdia dada a sua capacidade e paixão musical, frequenta o
conservatório da música, e ali conheceu o Professor Santos Pinto, vindo a
tornar-se grandes amigos.
Avizinha-se o serviço militar, António sentia qualquer coisa de anormal no
seu coração. Os médicos aconselham um exame difícil para a época:
cateterismo.
Foi fatal. Faleceu nas mãos dos médicos no dia 16 de Julho de 1962, com a
idade de 24 anos. O Funeral realizou-se para o cemitério dos Olivais em
Lisboa onde ficou sepultado.
Loriga viu assim desaparecer um jovem que tanto queria ser Padre, e muito
poderia fazer por Loriga, mas que as mentalidades conventuais, na época,
não viam com aprovação a libertação deste jovem de outras ideias mais
moderna.
- 57 -

António Gonçalves Ferreira


1944 - 2006

Nasceu em Loriga no dia 29 de Fevereiro de 1944, filho de José Gomes


Ferreira e de Maria do Carmo Gonçalves.
Um dos mais dinâmicos e trabalhador em prol da comunidade nestes últimos
anos da chamada era moderna. Sempre activo, foi sem dúvida uma referência
de bairrismo muito reconhecido pelos seus conterrâneos.
Caracterizava-o a sua personalidade firme de homem forte e dotado de
grande alma, bem patente na dedicação em tudo em que participava, os seus
dotes de cantor e actor, estão ainda bem na memória de todos.
Uma forma humilde e própria de estar na vida, na participação criativa,
voluntária e desinteressada nas colectividades da sua terra e também em
muitas iniciativas de solidariedade em que participava, fizeram-no num dos
melhores filhos de Loriga.
Foi vocalista no grupo musical os "Karts" criado na década de 1960, uma
nova evolução na juventude Loriguense da época e que elevava o nome de
Loriga onde quer que actuava. Participou em vários teatros, nomeadamente,
cantando na sessão musical designada as "Melodias de Sempre"
Trabalhou durante muitos anos na antiga Fábrica de malhas "Loriseira" em
Loriga, foi Vogal suplente na Assembleia de Freguesia, grande entusiasta
do associativismo, nos Bombeiros, Grupo Desportivo e outras
colectividades, era também um colaborador incansável em tudo que fosse de
bom para a sua terra. Estão ainda nas memórias as refeições que ele
próprio confeccionava para todos os que gostavam de conviver e
confraternizar, quer no Grupo Desportivo, Bombeiros ou nas festas anuais
dos Sportinguista que ele tanto gostava.
Casado com Maria Isabel Brito Aparício Ferreira e com dois filhos Pedro e
Rita, o António foi sem dúvida de uma grande dedicação à família e também
aos amigos, em que sua humanidade e amizade fez granjear de todos uma
verdadeira admiração e estima.
Faleceu em Loriga no dia 8 de Outubro de 2006 após doença prolongada, com
a idade de 62 anos, sendo sepultado no cemitério local. Nesse dia chovia
copiosamente, parecendo que o céu também chorava, unindo-se dessa feita
aos seus conterrâneos que o acompanharam à sua última morada.

Carlos Augusto Nunes de Pina


1945 - 2003
- 58 -

Nasceu em Loriga em 1945, filho de Carlos Nunes de Pina e de Maria dos


Anjos Gomes de Pina.
Fez a escola primária em Loriga e desde muito cedo se notava nele uma
certa aptidão para a escrita.
Depois de concluir os seus estudos enveredou pela carreira jornalística,
onde se notabilizou com grande sucesso ao longo de mais de 30 anos,
angariando sempre a estima e a admiração dos seus superiores e colegas.
Iniciou o seu percurso jornalístico no Jornal "Diário de Noticias"
passando pela categoria de revisor gráfico e de redactor. Foi subdirector
e mais tarde director do Jornal "O Dia", foi ainda director da "48 Horas"
e editor da revista "Tempo Livre" da Inatel.
Ocupou no mundo da comunicação social outros cargos importantes que para
além de ter sido co-fundador do "Jornal Novo", destaca-se de ter sido o
jornalista responsável pela introdução da comunicação institucional, tendo
para o efeito, fundado a INFOPLAN e a INFOPLUS.
Nos últimos tempos da sua vida, exercia, as funções de director-adjunto da
Revista "Homem Magazine".
Foi um grande colaborador e bateu-se pelo aperfeiçoamento e melhor
qualidade do Jornal "Garganta de Loriga", a ele se deve a nova linha
gráfica deste jornal loriguense, propriedade da ANALOR.
Adorava a sua terra e dela escrevia por onde quer que passasse, mantinha
sempre bem vivas as recordações dos seus tempos de criança na sua terra
natal, e onde quer que andasse não esquecia Loriga.
Faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no dia 11 de Setembro de
2003, com a idade de 58 anos, e após doença prolongada. O funeral
realizou-se para o Estoril, sua terra de residência. Foram muitos os
amigos e conterrâneos que estiveram presentes para lhe prestar a última
homenagem, e o acompanharem à sua última morada para o cemitério local
onde ficou sepultado.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre mais um seu ilustre
filho, e os seus conterrâneos viram desaparecer alguém, que pelo seu
elevado nível de pessoa de enormes qualidades e capacidades, constituiu
para todos motivo de orgulho.

Fernando Luís Ferreira Ferrão


1958 - 2006

Natural de Loriga onde nasceu em 13 de Setembro de 1958, Filho de


Herculano Luis Ferrão e de Maria Emília Ferreira.
Sempre solidário, muitas vezes divertido e nunca ambicioso, dedicou grande
parte da sua vida às causas sociais, sendo sem margem para dúvidas, um
exemplo a seguir, pois quem o conhecia sempre o encontrava, incansável e
solícito, em actividade nas colectividades e instituições de Loriga.
Pertenceu a vários organismos das sua terra. Foi bombeiro, escuteiro,
marchante, actor, músico, enfim, um sem números de causas em que estava
sempre pronto para colaborar em tudo de bom para a Loriga.
Era um bom bombeiro, sempre a postos para combater os fogos ou a cumprir
outros serviços humanitários. Como escuteiro, estava ele sempre disponível
a organizar caminhadas com os mais novos. Foi marchante e um entusiasta
- 59 -
das Marchas Populares onde deixou a sua marca com garra e alegria.
Foi também actor, longe de querer os holofotes voltados para ele, o
"Ferrãozito", como era tratado, era um bom actor, participando activamente
no grupo cénico do Grupo Desportivo Loriguense.
Como músico começou na Banda de Loriga, animando depois os grupos de
música tradicional, "Amanhã" e "Novo Horizonto" onde tocou viola e
bandolim.
Faleceu inesperadamente na sua casa onde vivia, no dia 6 de Julho de 2006,
com a idade de apenas 47 anos, Loriga vê assim desaparecer um dos sue mais
conceituados filhos, que muito contribuiu em prol da comunidade e do
associativismo e que muito ainda tinha para dar à sua terra.
O seu funeral realizou-se em Loriga, tendo tido Honras de Bombeiro, com o
corpo levada em carro da corporação dos Bombeiros Voluntários de Loriga para
a sua última morada no cemitério local.

***
Loricenses Centenários
Registo de algumas das pessoas nascidas em Loriga que viveram cem anos e mais.

Urbana Pereira
(Loriga *)
1885 - 1987

Albano Fernandes Conde


(Brasil *)
1888 - 1988
- 60 -

Maria dos Anjos Leitão Brito Crisóstomo


(Loriga *)
1894 - 1995

Maria dos Anjos Jorge Moura de Joao Luíz


(Argentina *)
1904 - (**)

António Nunes Moita


(Loriga *)
1898 - 1999

(*) Local onde viveram a maior parte do tempo da sua vida.


(**) Sabe-se ter completado os cem anos em 2004, mas a partir de então não
tenho registo de qualquer outra noticia respeitante a esta centenária
loricense.

© A.C. (Ano 2008)


-1-

Algumas figuras notáveis na História de


Loriga

Padre Theotónio Luiz da Costa *

Em 1813 foi colocado em Loriga como pároco-colado, como se dizia na altura e lhe
esteve atribuída durante muitos anos, apesar de temporariamente deixar esta localidade
por motivo se ter alistado na milícia então organizada na época, para expulsar do solo da
Pátria os franceses.
Novo e cheio de vida, tinha a particularidade e tudo leva a crer que sim, de ser um
homem combativo e enérgico, capaz de dar a vida pela causa que defendesse. Depois de
ter contribuído para a expulsão dos franceses, viria novamente a participar nas "lutas"
liberais, só depois regressando a Loriga em 1852, já cansado mas ainda com forças para
paroquiar nesta "sua" paróquia até aos fins de Novembro de 1855.
Apesar de cansado e velho mas estando por dentro das "lutas" liberais, quando
regressou a Loriga, teve que enfrentar uma população verdadeiramente inclinada para a
causa "Miguelista" tendo por isso muitos problemas, nomeadamente quando no altar e
nas suas pregações expressava as suas ideias politicas e, por conseguinte feria aqueles
com ideias contrárias. Por esse motivo, chegou ao ponto, de pegar numa cadeira e correr
com todos eles até ao adro, quando lhe vinham, no final das mesmas, pedir explicações.
Era de comprovado zelo paroquial e apesar da avançada idade permaneceu
pároco-colado de Loriga até à sua morte.

* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias)

***
Padre Sebastião Mendes de Brito *

Pertencendo a família abastada era natural de Loriga, foi na sua terra


pároco-encomendado, como se dizia na altura, logo após o pároco-colado Theohtónio
Luiz da Costa se ter alistado nas milícias.
Padre rígido, disciplinado e bastante zeloso, ao ponto de pensar todos terem por
obrigação o cumprimento da religião católica. Muitas vezes, e já paramentado, saía da
igreja e obrigava a entrar nela, para assistir à missa, todos aqueles que se encontravam
no adro ou que na altura por ali passavam.
Viria a falecer no dia 24 de Dezembro de 1851 e segundo os escritos desse tempo foi
sepultado ao fundo dos degraus do altar-mor, no lugar onde o celebrante principiava as
missas.

* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias)

***
Manuel Matias dos Santos e Figueiredo *
-2-

Nasceu na Vide, e depois de ter sido Pároco de Piodam, foi colocado em Loriga como
Pároco-colado, onde esteve, desde Janeiro de 1860 até 1893.
Os 33 anos como Pároco na freguesia de Loriga, foram ferteis em acontecimentos.
Homem de uma personalidade bem vincada, onde acima de tudo era reconhecido por ser
paciente, teve sempre contra si duas das famílias mais poderosas da terra, as famílias
Marques e Britos.
Em Novembro de 1982, desabou a igreja matriz, em consequência de um tremor de terra
que se tinha sentido em Loriga, no mês de Setembro desse mesmo ano, o Padre Manuel
Matias dos Santos Figueiredo, teve arte em conseguir unir todos os loriguenses,
juntando a isso todas as forças possíveis, para concretizar a reconstrução, que se viria a
verificar. Tendo sido restituída ao culto em fins de Setembro de 1884, para satisfação de
todos e do próprio Pároco, que quando ao ver a igreja por terra, pensou que já não seria
na sua vida que voltaria a ver a igreja edificada.
Foi no seu tempo, quando Pároco de Loriga, que foi construída a Capela de Nossa
Senhora da Guia, que na altura se tornou num problema conflituoso, por motivo do local
escolhido pelos loriguenses, serem de família abastada na localidade e não aceitava de
maneira nenhuma a ocupação abusiva daquele local. Em todo esse processo mais uma
vez o Padre Matias, deu mostra da sua total paciência, que tanto o caracterizava.
O Padre Matias, ficou na história da igreja de Loriga, que não sendo natural desta
localidade, mais anos esteve efectivo como Pároco da Freguesia.

* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias)

***
Doutor António Mendes Lages *
1838 - 1916
-3-

Nasceu em Loriga no dia 2 de Janeiro de 1838, era filho de António Mendes Lages e de
Maria do Rosário de Moura. Com a idade de 21 anos entrou para a Universidade de
Coimbra matriculando-se, ao mesmo tempo, em matemática e teologia. Em 1862
matriculou-se em medicina e arrastado pelas doutrinas desvairadas do tempo
acamaradou com sociedades suspeitas, perdeu a fé abandonando mesmo as práticas
religiosas que frequentara desde criança, chegando até a inscrever-se na Maçonaria.
Terminada a formatura em 1867 sempre com excelentes classificações foi exercer clinica
no Sabugal onde obteve o partido médico. Em 1870 deixou essa vila e foi para o Porto
onde exerceu clínica no Hospital de St. António e, mais tarde, vai para Lisboa chegando
a ser chefe de serviço no Hospital de S.José.
Casou e foi pai de dois filhos. Com a morte da esposa começou a sentir continuados
rebates de consciência que o convidavam a servir a igreja e a emendar a vida desleixada.
Pensou ir a Roma expor ao Santo Padre a sua vida, mas antes foi confessar-se em
Coimbra onde fez, durante oito dias, os exercícios de Santo Inácio, no final dos quais se
sentiu de consciência tranquila e de bem com Deus.
Colocando de parte a ideia de ir a Roma dedicou-se à defesa dos operários vindo a fundar
a Associação "A Cruz do Operário e Artistas" promovendo conferências sociais que
despertaram muito interesse em numerosas localidades e arrastaram muitos à
conversão.
Pediu admissão como noviço da Companhia de Jesus com 70 anos de idade, pedindo
para entrar na Ordem de Jesuítas de Campolide em 1908, seguindo depois para Torres
Vedras onde inicia o noviciadado durante três anos.
Em 1908 começou a preparar-se para o Sacerdócio, ordenando-se em 7 de Maio de
1910, dia da festa do Patrocínio de S.José em Exaten na Holanda, com 73 anos de
idade.
Com a implantação da República teve muitos problemas e sofreu perseguições, tendo
mesmo sido preso e colocado na prisão de Caxias com outros jesuítas. Quando foi posto
em liberdade, exilou-se na Holanda, chegando mesmo a ser-lhe suspensa a carta
médica.
Os últimos anos da sua vida foram passados na oração e no sacrifício, edificando os
religiosos da Companhia pelas suas altas virtudes. Faleceu em Murcia, Espanha no dia
11 de Janeiro de 1916. A Companhia de Jesus em Portugal considerou-o como uma das
suas glórias e Loriga pode orgulhar-se de ter sido o berço de tal filho.

* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias)

***
Augusto Luis Mendes *
1851 - 1925
-4-

Nasceu em Loriga no dia 23 de Janeiro de 1851, filho de Manuel Mendes Aparício Freire
e de Maria Teresa Luis Brito, foi um dos maiores industriais desta localidade. Na sua
infância frequentou um colégio em Valezim, que nessa época ali existia.
Homem culto, dinâmico e acima de tudo muito católico, de muito novo começou a ser
atraído para os meios empresariais, passando a ter um conhecimento grande na
industria de Lanifícios que o levaria a ser um industrial de sucesso. Era na sua fábrica da
Redondinha que teciam os melhores panos e onde os melhores operários de Loriga
tinham grande orgulho em ali trabalhar.
Casou com D.Eduarda Guimarães, de quem veio a ter cinco filhos, e que viria a falecer
quando ainda seus filhos eram novos. Tempos depois voltaria a casar pela segunda vez,
com D. Maria do Carmo Monteiro, senhora abastada cuja riqueza junta à do marido,
formaram uma das famílias mais ricas existentes nessa época em Loriga.
O seu solar era um esmero naquele tempo, tendo ali recebido grandes personagens
sociais, políticas e religiosas, mandando mesmo construir uma capela dedicada a Nossa
Senhora Auxiliadora onde, aos Domingos, fazia questão de ali assistir à missa rodeado
da sua família e convidados. Nela foram também realizados os casamentos de seus
filhos, o baptismo dos seus netos, e velado o corpo da sua primeira esposa, da sua filha
Ermelinda, dos seus netos e também o seu próprio corpo, quando do seu falecimento em
1925.
Foi sócio da empresa Hidroeléctrica e o grande impulsionador para trazer a electricidade
para as industrias de Loriga, que fez também estender pelas ruas da povoação. Foi um
dos maiores lutadores para conseguir a ligação da construção da estrada de São Romão
a Loriga, assim como teve um papel importante para a criação do Posto Telegráfico e
Correios nesta localidade, mandando também construir os poços na serra para que no
Verão não falta-se a água para a rega.
Reconhecido pelas suas virtudes humanas, era grande amigo dos pobres a quem
distribuía esmolas semanalmente. Sendo possuidor de imensas terras de cultivo, viria a
ser um grande benemérito para a sua terra que tanto adorava, oferecendo mesmo os
terrenos que eram seus para neles ser construído o acesso principal à povoação por
estrada. Esta doação foi de grande importância para a sua terra, bem reconhecida pelos
seus conterrâneos loriguenses que, como prova de gratidão, e desde logo perpetuaram o
seu nome naquele local, passando aquela via a chamar-se Av. Augusto Luis Mendes.
Envelhecido, foi ficando quase cego, adoece e é levado para Coimbra, vindo a falecer no
dia 26 de Novembro de 1925. O funeral é realizado numa manifestação de dor, onde toda
a população chora o homem que muitos consideravam como pai dos pobres, ficando
esta localidade mais pobre ao ver partir para sempre um dos seus maiores beneméritos.

* Albrito

***
Cónego Manuel F. Nogueira *
1861 - 1944
-5-

Nasceu em Loriga no dia 7 de Abril de 1816, era filho de Joaquim Fernandes Nogueira e
de Custódia Mendes Jorge e foi baptizado a 18 do mesmo mês.
Cursou no Seminário de Coimbra e foi ordenado sacerdote em 10 de Outubro de 1884.
No ano seguinte, foi nomeado pároco do Píodam concelho de Arganil, onde transformou
aquela freguesia de tíbia em fervorosa, iniciando e radicando nela práticas de piedade e
devoções que não eram comuns naquela época, o que demonstra a sua intensa vida
interior de fervoroso apostolado.
Em 1886 levou para junto de si alguns rapazes para o ensino do curso preparatório dos
seminários e do liceu, tendo formado no Píodam uma espécie de colégio por onde
passaram filhos de famílias de todas as categorias sociais da região que durou até 1906.
Durante esses 22 anos que esteve à frente daquela paróquia, para a população local o
Sr.Cónego Nogueira foi como que um anjo enviado por Deus, onde a sua piedade era um
dos aspectos mais característicos da bondade e zelo cristão. A sua pregação
estendia-se também às freguesias vizinhas onde, percorrendo rudes caminhos pelas
serras, levava a doutrina de Cristo e exercendo a sua verdadeira caridade, e distribuindo
pelos pobres aquilo que lhe sobrava.
Em 1907 foi colocado como director espiritual no Seminário de Coimbra e, em 1914, foi
nomeado arcipreste do distrito eclesiástico de Coimbra. Em 5 de Janeiro de 1922, foi
nomeado cónego da Sé, pelo Bispo D. Manuel Luiz Coelho da Silva. Mesmo assim e,
dentro da feição espiritual que lhe era comum, ficou ainda pároco de Moinhos (Miranda
do Corvo) conquistando ali também muita simpatia e admiração.
A última vez que voltou à sua terra foi em 19 de Setembro de 1941, com 81 anos, já
muito débil. Sentado no altar-mor a população de Loriga desfilou perante ele,
ajoelhando-se e beijando-lhe as mãos, numa singela homenagem, para depois se
dirigirem para junto do Largo Dr.Amorim, onde seria descerrada uma lápida colocada na
casa onde oitenta e um anos antes ali tinha nascido tão ilustre Loricense.
Faleceu em 28 de Fevereiro de 1944 no Seminário de Coimbra e foi sepultado no
cemitério do Pio, num dia em que choveu torrencialmente o dia inteiro, mesmo assim,
não deixaram de ser centenas, as pessoas que o acompanharam à sua última morada,
onde se podiam ver todas a classes sociais, assim como, mais de 50 sacerdotes que
vieram de longe, representações de muitas comunidades religiosas, representações de
muitas paróquias e organismos e até de Piodam, foram pessoas a pé até Coimbra para
assistirem ao funeral.
Em 1972, no Piodam, foi realizada uma homenagem dos 111 aniversário do seu
nascimento, com a presença de muitas centenas de pessoas, onde foi inaugurado um
monumento erguido ao Santo Cónego Nogueira, tendo sido dado o seu nome ao Largo da
Igreja. Uma homenagem merecida a essa figura que ficou para sempre no coração do
povo dessa localidade.

* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias)

***
Dr.Joaquim Augusto Amorim da Fonseca *
1862 - 1927
-6-

Natural de Varziela concelho de Felgueiras (Minho) onde nasceu no ano 1862, era filho
de Francisco da Fonseca e de D. Emília da Fonseca. Foi médico municipal em Loriga
mais de 30 anos (1893 a 1927) onde viria a falecer com 65 anos, vítima do dever
profissional quando nesta localidade se lutava contra a grave epidemia do "Tifo
Exantematico"
Homem de profundos sentimentos religiosos, era sempre com um sorriso nos lábios que
falava aos pobres, ricos e até às criancinhas. Era verdadeiramente dedicado aos seus
doentes, ao ponto de, muitas vezes, o verem chorar quando se via impotente para
debelar a doença ou minorar o sofrimento dos seus pacientes.
Quando concluiu a formatura médica, casou com D.Urbana Madeira natural da freguesia
de Poiares concelho de Arganil, onde fixou residência até à sua colocação como médico
municipal na freguesia de Loriga, e onde viria a construir a sua casa de habitação em
terreno cedido gratuitamente pelo industrial Abilio L.Brito Freire.
Além de Loriga prestava assistência médica às localidades vizinhas, onde se deslocava
a pé ou de "mula" quer chovesse ou desse Sol, nevasse ou estivesse vento, nada
cobrando a quem quer que fosse. Vivia feliz e alegre e nada lhe faltava, porque lhe
ofereciam muitas recompensas materiais, pois era acima de tudo muito adorado pelo
povo.
Quando faleceu, em 21 de Maio de 1927, depois das respectivas exéquias, o seu corpo
ficou depositado no jazigo do Sr.Augusto Luis Mendes. Mais tarde, em 19 de Setembro
desse mesmo ano, foi transladado para a sua terra natal e sepultado no cemitério de
Pedreira-Felgueiras, por decisão da família, num dia que ficou assinalado com a
despedida emocionante do povo de Loriga, todo a chorar e dando adeus a tão grande e
bom benemérito desta Vila.
Anos mais tarde como prova de gratidão, a Junta de Freguesia mandou erguer uma
estátua num dos largos da povoação, que passou também a chamar-se de seu nome.
Em 1977 e quando da passagem do Cinquentenário da sua morte, ali lhe foi prestada
uma homenagem alusiva a essa data, assim como, a todas as vítimas dessa epidemia
de 1927.

* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias)

***
Pedro de Almeida
1873 - 1959

Nasceu em Santiago de Cassurrães - Mangualde, em 2 de Dezembro de 1873.


Colocado em Loriga como professor primário, exerceu proficientemente o magistério,
durante longos anos, nesta localidade, onde se veio a radicar.
Professor culto, competente, profundamente dedicado aos seus alunos, tinha uma
característica própria de ser também muito exigente nos seus ensinamentos.
Reconhecido por um republicano verdadeiramente fervoroso, era também rigoroso nas
suas ideias e naquilo que acreditava, era um orador fluente, por isso também muito
respeitado e admirado.
Constituiu toda uma família virada para o ensino. Todos os seus filhos foram professores
do ensino primário, que se distinguiram, por onde quer que passaram, e aos quais
também doou a tradição republicana.
Contribuiu sempre, quando solicitado, para várias organizações loricenses, tendo
chegado a desempenhar diversos cargos, entre os quais de Julgado da Paz e Registo
Civil.
Faleceu em Loriga no dia 4 de Dezembro de 1959, com 87 anos, sendo sepultado no
cemitério local.
-7-

***
José Mendes dos Reis
1873 - 1971

Oficial Superior da Armada de Infantaria (Coronel) nasceu em 1 de Abril de 1873 em


Macapá-Pará - Brasil, era filho de José dos Reis e de Maria Águeda Mendes Lemos
naturais da Vila de Loriga.
Alistou-se com voluntário em Infantaria 5, a 19.11.1889, sendo promovido a Alferes em
30.11.1895, tendo alcançando o seu posto de Coronel em 11.3.1922.
Foi professor de esgrima na Escola Prática de Cavalaria e altamente premiadoem
diversos concursos dessa disciplina. Em 1911-12 por ocasião das incursões e
movimentos monárquicos do Norte comandou um grupo de metralhadoras em operações
efectuadas em Braga, Arco de Valdevez, Chaves e Montalegre e foi comandante do
destacamento que sufocou a rebelião de Celorico de Bastos em 1912.
Comandou a força de Infantaria e Metralhadoras que forçou o Batalhão de Infantaria 21
mobilizado, a depor, a sua atitude de recusa para C.E.P. em França e comandou
também uma força que prendeu os oficiais de Infantaria 34 que se recusavam, também a
embarcar para a França em 1917. No ano seguinte foi ele mesmo também incorporado
no C.E.P em França e em Inglaterra como chefe de uma missão militar.
De 1919 a 1926 foi Senador da República em quatro legislaturas consecutivas e ainda 2.
e 1. Secretário dessa Assembleia e representou-a como vogal no Concelho Colonial. Por
ter chefiado a revolução de 7.1.1927 contra o governo saído do movimento de 28 de Maio,
foi separado do serviço de 15.11.1927 a 11.7.1930, tendo sido preso e deportado para
Angola e reformado a 12.7.1930.
Passando pela ilha da Madeira por motivos de saúde, ali secundou o general Sousa Dias
no movimento revolucionário eclodido no Funchal, sendo novamente preso e demitido do
Exército em Abril de 1931, mas em 1937 foi reintegrado em situação de reforma.
A folha de serviços como militar regista dezenas de altos louvores e condecorações que
depois da sua morte e, a após a revolução dos cravos (Abril 1974) passaram a poderem
ser visionadas e que fazem parte de um espólio que pertence e está à guarda da Junta
de Freguesia de Loriga.
São realmente muitas as condecorações e louvores que recebeu, no entanto são apenas
algumas as que aqui se registam: -Medalha de Ouro comemorativa das Campanhas do
Exército Português com a legenda "Sul de Angola 1914-1915"; Medalha Comemorativa
do C.E.P. com a legenda "França 1917-1918"; Medalha da Vitória com estrela; Cruz de
Guerra 1.Classe; Grau de Oficial da Ordem de Torre e Espada com palma dourada; os
Graus de Comendador das Ordens de Cristo e de Sant´lago de Espada e a Ordem de
Mérito Militar de Espanha com distintivo branco.
Segundo relatos antigos, quando na passagem e, com alguma influência, pelos meios
governamentais da época, o Sr. Coronel Mendes Reis conseguiu fixar em Loriga os
Correios Centrais que eram já de grande necessidade, falta que se fazia sentir pois,
nesses tempos, era já uma realidade o desenvolvimento das fábricas de Lanifícios nesta
localidade.
Por motivo de todos os contornos e audácia ao longo da sua vida militar, passou a
sentir-se vigiado pelo poder governamental, refugiando-se em Lisboa na sua casa e junto
à família, onde velho e cansado viria a falecer com 98 anos de idade, no dia 19 de
Novembro de 1971.

***
-8-

Emilia Mendes Brito


1874 - 1946

Nasceu em Loriga a 6 de Dezembro de 1874, mas desde muito nova era visível a sua
piedade, talvez fruto do ambiente piedoso em que vivia, dedicando à igreja da sua terra a
sua total fidelidade, onde tratava da limpeza, no ornamento dos altares e dando
catequese aos mais novos.
Vida de amor!.. Como ela passava horas sem fim diante do Sacrário!.. Como ela
compreendia a virtude da humildade, junto do tabernáculo dum Deus infinitamente
humilde!.. Como o publicano do Evangelho, jamais alguém a viu, que não fosse no lugar
mais solitário do templo, entregue à oração mais concentrada.
Vivendo unicamente para o Senhor passava todo o tempo na igreja onde era sempre uma
presença em continuada oração que o povo chamava Santa. Era tão grande a
sensibilidade desta mulher na sua bondade, que chegava a deixar de comer o pão para
com ele alimentar os animais ou os passarinhos que não saiam da sua porta
Mas não era simplesmente a oração que lhe absorvia todo o seu dia. Ela era igualmente
a grande mulher de acção. Cobrava as quotas da sua queridíssima Propagação da Fé,
inscrevendo novos associados, visitando os pobres protegidos pela Conferência de S.
Vicente de Paulo e muitas das vezes se encontrava à cabeceira dos moribundos
recitando-lhes o ofício da agonia, apontando-lhes o Céu como termo dos sofrimentos
humanos.
Durante toda a sua vida assistiu às missas e recebeu a comunhão diariamente. As
pessoas estavam já habituadas a ver aquela figura com as suas vestes a varrer o chão,
passando pelas ruas sempre de olhos baixos como que desejando que ninguém a visse
e, quando falava, a sua voz suave prendia todos aqueles que a escutavam, mas ela
própria se arrepiava ao ouvir de alguém uma palavra maldosa por mais insignificante que
fosse.
Com 72 anos de idade adoece e pouco tempo depois, em 28 de Fevereiro de 1946 ocorre
o seu falecimento. Segundo relatos da época, parecia até haver um sorriso na sua boca,
como que feliz, por partir para junto do Senhor a quem dedicou toda a sua vida.
O seu funeral foi um dia de muita tristeza para a população de Loriga, ao verem partir
para sempre a sua Santa. A Junta de Freguesia cedeu a sepultura onde descansa
eternamente, e o povo da sua terra, como prova de gratidão, mandou colocar a mármore.
Durante anos, e ainda hoje, se comenta a possibilidade do seu corpo se encontrar
intacto na sua sepultura, pois segundo o povo "O corpo das Santas mantém-se tal como
foi durante a sua passagem pela vida".

***
Maria Ermelinda Mendes Guimarães e Cunha *
1881 - 1926
-9-

Nasceu em Loriga, era filha de Augusto Luís Mendes e de Eduarda Guimarães.


Notabilizou-se como uma senhora de grande sensibilidade e de uma enorme ternura e
amor pelos outros, principalmente para com os pobres da sua terra.
Desde muito nova se evidenciaram as suas qualidades de bondade e de amor pelo
próximo, bem demonstradas na sua atitude para com os mais necessitados. Numa
época em que em Loriga, a pobreza extrema era bem visível, frequentemente, saía do
seu Solar da Redondinha, a fim de visitar as casas dos mais carenciados, onde para
além de esmola, levava carinho.
A virtude de querer fazer o bem, aliada a outras qualidades, fizeram com que fosse
adorada pelos pobres de Loriga. Para além das cestas com comida que mandava
entregar em casa dos pobres, pelas suas criadas, intercedeu junto de seu pai para que
fosse distribuída semanalmente uma esmola pelos mais carenciados, um gesto que se
manteve durante muito tempo.
Era uma excelente pianista, dando uma certa alegria àquele solar, quando o som das
teclas do seu piano se faziam ouvir. Casou com o Sr. Fernandes da Cunha, vindo a ser
mãe de quatro filhos.
Faleceu no ano seguinte à morte de seu pai, com apenas 45 anos, deixando os filhos
ainda muito novos. A sua morte causou grande consternação, e o povo chorou a sua
perda. As cerimónias fúnebres foram realizadas na capela da Nossa Senhora
Auxiliadora, na Redondinha, propriedade da sua família, sendo o seu corpo depositado no
jazigo da família no cemitério local.

* Albrito

***
Padre António Mendes Cabral Lages *
1884 - 1969
- 10 -

Nasceu em Loriga em 23 de Agosto de 1884, filho de Augusto César Mendes Lages e de


Rosalina Mendes Gouveia. Foi ordenado sacerdote em 18 de Julho de 1909, pelo Prelado
D.Manuel Vieira de Matos na Guarda, tendo celebrado a sua primeira missa em 25 do
mesmo mês em Loriga.
Pouco tempo depois foi colocado como pároco encomendado como se dizia na altura, na
freguesia de Santa Maria de Manteigas e no ano seguinte foi nomeado pároco da
freguesia de Aldeia da Ponte onde permaneceu até fins de Junho. Entretanto, como o
seu tio e padrinho Monsenhor António Mendes Gouveia Cabral por motivos de saúde e
impossibilitado de estar à frente da paróquia de Loriga, fez um pedido ao Prelado para a
vinda para a sua terra, que viria a acontecer em Julho desse mesmo ano e na sua terra
permaneceu como pároco cerca de 34 anos. Paroquiou também em Valezim, Alvôco da
Serra e foi o maior impulsionador para a construção das capelas da Teixeira de Baixo,
Frádigas e Fontão.
Formado em Teololgia no Seminário da Guarda além de sacerdote sentia-se politico,
sendo caracterizado pela sua frontalidade e determinação, defensor dos mais
desfavorecidos e dos pobres. Conhecia bem as diferencias sociais existentes na sua
terra, por vezes dizia não serem justas e que apesar de não concordar com elas,
estranhamente era com elas mesmo que tinha um mais estreito relacionamento.
Muito devoto do Sagrado Coração de Jesus primava por ser um verdadeiro cristão. No
entanto era, acima de tudo um disciplinador e exigente no ensinamento da catequese,
tendo fundado em Loriga alguns organismos da Acção Católica que, mais tarde, o seu
sucessor reorganizou.
Foi presidente da Junta de Freguesia de Loriga em 1944, nos anos da II Guerra Mundial,
onde a lei e justiça eram superados pelos interesses dos mais poderosos e teve grandes
problemas com os seus paroquianos. Talvez fosse essa uma das causas mais
marcantes para que o Bispo lhe retirasse a paróquia de Loriga, tendo-lhe até sido retirado
o direito de celebrar missa no altar-mor da igreja, vindo a ser substituído pelo Sr.Padre
Prata natural de Manteigas.
Chegou mais tarde a ser pároco da localidade da Cabeça onde durante anos realizou ali
obras de grande vulto e de valor, sendo o grande obreiro na edificação da igreja local de
bela arquitectura.
Já velho e cansado com frequência se podia ver passar umas horas no café do "Zé
Maria" ou no "Clube", mas muitas mais horas passava refugiado na sua casa a bater nas
"teclas" da sua velha máquina, escrevendo as suas memórias que intitulava de "Para
Constar" que infelizmente muitas delas se viriam a perder.
Possuidor de muitos bens, ainda em vida resolveu doar tudo à igreja paroquial, doação
que foi importante para a Acção Social e Religiosa em Loriga, sendo instalada nesta vila
uma Ordem de Irmãzinhas, onde passaria a viver mais acompanhado e acarinhado o
resto dos seus anos de vida e onde viria a falecer após doença em 19 de Fevereiro de
1968, com a idade de 84 anos.

* Albrito

***
António João de Brito Amaro
1890 - 1961
- 11 -

Natural de Loriga onde nasceu em 4 de Janeiro de 1890, foi um industrial e comerciante


de sucesso, que muito contribuiu no desenvolvimento industrial da sua terra, e que se
destaca, entre outros, na verdadeira expansão dos tecidos fabricados em Loriga para
outros localidades nomeadamente ao mercado da Beira Baixa.
Na sua infância fez parte da Banda Musical de Loriga onde tocava cornetim Era um
cristão convicto e um verdadeiro católico praticante, possuidor de um coração bondoso
tendo, ao longo da sua vida angariado a estima e amizade dos seus conterrâneos que,
mesmo depois da sua morte o recordavam com saudade.
Após o seu casamento com Maria José Nunes Brito, também natural de Loriga, o casal
rumou para o Brasil - Estado de Manaus. Ali adquiriu uma mercearia que tinha em anexo
uma olaria iniciando, assim, a sua actividade comercial que o levaria a manter-se por lá
durante alguns anos.
Regressou à sua terra em 1923, com alguns dos seus filhos ainda muito pequeninos, e
que entretanto por lá tinham nascido e, mais tarde, o casal voltaria a ter mais filhos, mas
desta feita nascidos em Loriga.
No ano seguinte (1924) fundou em Loriga uma sociedade do ramo de lanifícios com os
cunhados António e Alfredo Nunes Luis. Um ano mais tarde (1925) e na ideia de expandir
as vendas dos tecidos que nesta localidade se fabricavam e ainda para estarem mais
perto dos clientes na Beira Baixa, para onde se destinava a grande parte dos mesmos,
compraram uma loja de mercearia na Covilhã, centro industrial por excelência, alterando
a gerência da dita casa comercial com o sócio António Nunes Luis, um mês na Covilhã e
outro em Loriga.
Esta casa comercial na Covilhã viria a encerrar em 1935, passando a Sociedade a ter os
seus negócios sediados apenas em Loriga. Entretanto esta sociedade é extensiva a
mais familiares, com a finalidade de se expandirem um pouco mais na industria de
lanifícios, tendo nesse mesmo ano arrendado a Fábrica da Redondinha (Augusto Luis
Mendes & Comp.). Os sócios nomearam-no como gerente da dita fábrica, funções que
viria a desempenhar até 1953.
Foi também um dos sócios fundadores da fábrica Nunes Brito & Comp., criada em Loriga
no mês de Fevereiro de 1948, que nessa época passou a ser uma das mais modernas.
No ano de 1939 acontece o falecimento de sua esposa, Maria José Nunes Brito
(28.10.1887 - 15.6.1939) com a idade de 51 anos, uma mulher muito sensível no seu
trato e dotada de uma inteligência pouco vulgar para a época onde, o seu grande sentido
de administração, contribuiu parte muitos dos êxitos nos negócios do marido. A morte de
sua esposa foi um duro golpe que abalou profundamente o Sr. António João.
Esta figura de Loriga viria a falecer em 5 de Fevereiro de 1961, ficando esta Vila mais
pobre ao ver desaparecer mais um dos seus maiores industriais que em muito contribuiu
na divulgação e expansão da industria de lanifícios da sua terra.

***
Carlos Simões Pereira *
1890 - 1977
- 12 -

Nasceu em Loriga em 9 de Agosto de 1890. Segundo se sabe, parece ter nascido para a
música e, quando surge a ideia da fundação da Banda nesta vila, passou logo a fazer
parte dela, aprendendo música com o mestre espanhol que viria a ser o primeiro regente.
Eram tão grandes as suas qualidades para a música, que depressa aprendeu o
suficiente e, em 1911, com apenas 21 anos, passou a ser o regente da Banda de Loriga
funções que viria a desempenhar até 1914.
Emigrou um dia tendo como destino o Brasil, onde esteve sempre em contacto com a
música, fazendo mesmo parte e sendo até regente de diversas tunas. Regressou a
pedido da família mas, mais tarde, partiu novamente, desta feita até ao Congo (África),
mas só, que por lá, não esteve tão perto da música como desejaria.
Regressou a Portugal e a Loriga por altura de 1937, e é ainda com mais intensidade que
se dedica à música, e entra novamente como músico na Banda da sua terra
ocupando-se, também, a ensaiar o Grupo Coral da Igreja Matriz.
Era homem de verdadeiro sentido de interpretação musical, exigente, disciplinado e
educador, ficando para sempre ligado como uma legenda pelas gerações de músicos
que com ele muito aprenderam e, que a instituição musical desta localidade muito lhe
ficou a dever. Pensou e reuniu uma série de músicas brasileiras que depois transcreveu
para a banda executar com o título de Rapsódia Brasileira, assim como, copiou e
aperfeiçoou muitas peças musicais, algumas das quais foram tocadas pela Banda de
Loriga.
Foi regente da Banda Musical de Loriga, de 1911-14; de 1922-24; de 1951-61 e de
1966-68, era também, acima de tudo, um cristão convicto que muito fez pela igreja da
sua terra, tendo ainda, e durante muitos anos, desempenhado as funções de Regedor da
Freguesia.
Nos anos da década de 1950 e principio de 1960, consegue elevar a Banda Musical de
Loriga a altos níveis e que ficaram famosos na história desta instituição. Entre outros
feitos, recorda-se quando, entre muitas outras Bandas, foi a Banda Musical de Loriga
honrada a tocar o Hino Nacional ao Cardeal António Cerejeira nas Festas da Rainha
Santa realizadas em Coimbra no ano de 1956.
O "Mestre Carlos" como popularmente assim era chamado, deixa de colaborar na Banda
já velhinho, afastando-se completamente aos oitenta anos, vindo a falecer em Loriga no
dia 13 de Agosto de 1977 com 87 anos.

* Albrito

***
António Cardoso de Moura
1892 - 1967
- 13 -

Nasceu em Loriga, em 20 de Janeiro de 1892, filho de Emídio Cardoso de Moura e de


Benedita Luiz Moura.
Uma vida recheada de múltiplos aspectos, teve na sua inteligência a virtude de angariar
considerável fortuna, que foram frutos para que ao doá-los à sua querida terra, se tornaria
no maior benemérito da Vila de Loriga.
Nascido de uma família humilde, passou os primeiros anos entre a educação de seus
pais e a frequência escolar, tendo obtido o diploma da 4ª. classe na Guarda.
Tinha apenas 11 anos quando foi para o Brasil, com a sua família, trabalhou em diversos
estabelecimentos comerciais, mas cedo começou a alimentar a ideia de se emancipar
profissionalmente, assim aos 17 anos iniciou o trabalho por conta própria, e foi tão
evidente a sua qualidade de trabalho, que se veio a impor-se como verdadeiro
comerciante.
Posteriormente viria a construir a primeira sociedade com o conterrâneo José Fernandes
Gomes, surgindo assim a "União" para impor no conceito geral como casa de sólida
constituição e renome no meio comercial.
Todavia, seria na sua terra que não esquecia, que viria a começar novo ciclo, ao
associar-se com alguns cunhados na constituição da firma industrial Moura Cabral &
Comp.
Homem de brio e de excepcionais qualidades de trabalho, que vindo de um meio
comercial diferente para uma actividade industrial completamente desconhecida, veio a
firmar-se como um orientador perspicaz, aliando ao exemplo de homem activo e de
nobreza de trato, que fazia de cada fornecedor ou cliente um amigo.
Desempenhou funções públicas tanto na Junta de Freguesia da sua terra, como também
na Câmara Municipal de Seia, onde foi vereador durante muitos anos. Tinha o lema de
acarinhar todas as obras ou iniciativas que tinham por fim desenvolver ou valorizar a sua
terra, tendo mesmo pelos seus conterrâneos um certo carinho, que tentava por certos
meios proteger, com todos colaborava e a todos subsidiava.
Os desprotegidos da sorte ou instituições loricenses, muito dele receberam, não só no
incentivo moral, bem como material, como nunca ninguém o tinha feito.
Era casado com D. Eduarda Mendes Cabral e Moura (11.11.1894 - 3.3.1971), onde a
formação moral e cristã de ambos, se manifestou ao longo de 55 anos do casamento.
Se a sua vida não bastasse para constituir um hino de exaltação ao trabalho generoso e
honrado, à riqueza de carácter e à generosidade esclarecida, quis ainda prolongar para
além da morte esse mesmo lema, deixando a maioria dos recursos tão laboriosamente
adquiridos à sua terra Natal.
Depois da sua morte e perante a doação feita a Loriga, foi constituída a Fundação
Cardoso de Moura, sendo o prédio em que viveu este ilustre loriguense, situado na Rua
Coronel Reis (antiga Amoreira), aquele que mais tem sido utilizado em prol da
comunidade desta localidade. Já ali esteve sediado, a Junta de Freguesia; a Banda de
Loriga; os Bombeiros quando a sua fundação; a Biblioteca; os CTT , enquanto se
procediam a obras no edifício dos correios, assim como, foi utilizado com as máquinas
da Associação da 3ª.Idade, enquanto não tinham sede, também funcionou ali o Curso
dos Tapetes de Arraiolos e os Cortes e actualmente funciona ali o Posto de Informação
Turística.
Faleceu em 31 de Outubro de 1967, em Lisboa, com a idade de 75 anos, sendo o seu
funeral realizado para Loriga, para ser sepultado no cemitério local, conforme sua
vontade.
Os seus conterrâneos quiseram estar presentes, tomando em massa, parte activa nos
ofícios fúnebres e missa, numa expressão sentida de estima e admiração. Esta
presença espontânea de toda a freguesia, foi sinal de gratidão que tinham na alma, pois
nesta altura ainda ninguém sabia das suas últimas vontades.

***
- 14 -

António de Brito Pereira


1895 - 1987

Nasceu em Loriga, em 17 de Maio de 1895, filho de António Pereira e de Emília Lopes de


Brito.
Desde muito novo começou a ter um gosto especial pela Banda, onde ingressou, vindo a
notabilizar-se ao tocar diversos instrumentos, mas seria o Bombardino, a consagrá-lo,
dizem até, que era um verdadeiro artista a tocar esse instrumento.
Homem humilde, de poucas falas, sofreu na carne a sua condição social. Alfaiate de
profissão, ou por necessidade, era no entanto, a música que mais lhe estava no coração.
Era do pão que lhe faltava em casa, cujo filhos bem sentiram. Só que em vez de cortar
mais pano, copiava papéis de música horas e horas sem conto. Só que em vez de
alinhavar mais, perdia-se no sonho belo da cultura musical da sua terra.
Foi regente da Banda de Loriga, quando era ainda relativamente muito novo, funções que
viria a desempenhar muitas mais vezes. No total deve ter estado na regência da Banda
de Loriga cerca de 30 anos.
Trabalhou sempre incansavelmente para não deixar acabar a Banda da sua terra, porque
em determinada altura parecia agonizar, devido a uma boa parte de loriguenses partirem
para outras paragens, nomeadamente Sacavém e Brasil.
Esteve arredado da Banda Musical durante 30 anos, sofrendo interiormente quase um
degredo. E era fácil vê-lo escutando a sua Banda, procurando ser discreto, mas a paixão
não o deixava ocultar. Voltaria novamente à regência da Banda Filarmónica da sua terra,
depois de todos esses anos, já velhinho, uma vez mais para a salvar.
Popularmente mais conhecido por "Mestre Barriosa", foi a muitos que ensinou música,
passando-lhe pelas mãos quase todos os executantes da Banda de Loriga no seu
tempo, até se dizia que era "ele a fazer a Banda, e depois eram outros a possuí-la".
Sendo pessoa de bem tinha na sua modéstia, uma virtude, que ao longo dos tempos lhe
fez angariar a estima, a amizade e o respeito dos seus conterrâneos.
Chegou a ser regente de outras Bandas, a de Silvares e depois a de Candosa, mas nelas
não "murou" muito tempo, pois a Banda de Loriga e a sua terra, para ele eram tudo.
Era casado com Maria dos Anjos Alves Dinis, e pai do Albano, Manuel, João, António e
Idalina, que tal como o pai muito viriam a fazer pela comunidade loriguense.
Faleceu velhinho e cansado em Loriga, no dia 24 de Junho de 1987, o funeral foi
realizado para o cemitério local onde ficou sepultado. Perdendo Loriga um dos seus
filhos queridos, que adorando a sua terra, acima de tudo amava a sua Banda, que por
ela, grande parte da sua vida lutou, para que continua-se a manter-se bem viva e bem
activa.

***
José Lopes de Macedo *
1897 - 1974
- 15 -

Nasceu em Loriga em 13 de Dezembro de 1897. Deixando a sua terra com destino a


Belém-Pará Brasil ainda muito jovem. Estudou na Phenix Caixeral Paraense, onde
concluiu o curso de Contador, vindo a ser um dos mais competentes profissionais numa
época em que o ensino contábil no Pará ainda não era ministrado a nível superior.
Patriota sincero, trabalhou na administração de todas as associações portuguesas
luso-brasileiras, existentes no seu tempo e, presidiu por alguns anos no Centro
Loriguense de Belém, do qual foi um dos seus fundadores, assim como foi membro de
destaque da União Comercial do Prará-Brasil.
Notabilizou-se nos desportos náuticos, onde alcançou vitórias para a TUNA,
Luso-Brasileira, quando participou de guarnições de remo, que alcançaram o primeiro
lugar nas regatas, conquistando troféus para a Entidade que representavam e medalhas
de ouro individuais.
Grande entusiasta da Obra da Associação do Pão de Santo António, de amparo às
pessoas da terceira idade, juntamente com a sua esposa D.Josefina, prestaram aquele
organismo, relevantes serviços onde durante muitos anos colaboraram em todas as
promoções para angariar fundos para a manutenção dessa notável entidade filantrópica.
Homem notável e de boas maneiras, apesar de tudo não esquecia a sua terra, sempre
pronto a contribuir quando havia iniciativas a favor dela.
Faleceu no Hospital da Beneficiente Portuguesa, em 23 de Março de 1974, vendo Loriga
desaparecer mais um dos seus filhos que longe se notabilizou.

* Eugênio Leitão de Brito

***
Emídio Gomes Figueiredo
1897 - 1969
- 16 -

Nasceu em Loriga, e era filho de Manuel Gomes Figueiredo e de Maria Gomes Lages. O
"Ti Emídio Correia" como popularmente era mais conhecido, foi um dos maiores pastores
da Serra da Estrela, senão mesmo o maior e foi, na realidade, uma referência tradicional
dos tempos passados dum pastor loriguense verdadeiramente serrano.
Pai de oito filhos, era um homem bom, honrado e simples, era conhecido por todos e
com todos ele gostava de falar. A dedicação aos seus rebanhos era algo de
impressionante, procurando para eles os melhores pastos que pudessem existir por toda
a serra.
A serra era o seu mundo, onde passou toda a sua vida como pastor, sendo considerado
por muitos, o último guerreiro lusitano dos Montes Hermínios. Ao longo da sua vida teve
sempre muitas histórias para contar da serra e dos seus cães, autenticas aventuras, que
os mais novos as ouvindo as tornaram lendárias.
Praticamente desde criança trabalhou no campo, vivendo da agricultura, mas foi à
pastorícia que ele dedicou toda a sua vida, passando metade do ano na serra sem vir à
povoação, onde guardava a maioria dos rebanhos da região, chegando mesmo a ser o
pastor com o maior rebanho na Serra da Estrela. Há relatos até que dão conta de ter à
sua guarda cerca de 10.000 cabeças de gado.
Para os seus conterrâneos, o "Ti Emídio Correia", era um símbolo, e tinham por ele
enorme admiração e respeito. A sua fama de grande pastor era bem conhecida por
todos, tendo um dia sido fotografado, assim como, seu irmão Manuel, também ele um
grande pastor, passando a partir de então a figurarem em postais ilustrados como
pastores modelos da serra, postais esses que passaram a fazer parte das séries da
Serra da Estrela.
Conhecia a serra palmo a palmo, percorria caminhos que só ele conhecia, bem como
conhecia todos os segredos e mistérios desse mundo serrano que, apesar de ser rude
ele o adorava e considerava seu, mesmo, quando uma ou outra vez se sentia frustrado ao
sentir-se impotente para lutar com a serra, quando esta era rigorosa e descarregava a
sua ira por todo o lado e o impediam de conseguir para os seus rebanhos os melhores
pastos.
Com a pele enegrecida pelo sol, e pelas aragens frias e rígidas da serra, ainda hoje
muitos dele se recordam, quando, ao escurecer, o viam chegar à povoação ou, mesmo
estando em suas casas ouviam os seus passos lentos e pesados, arrastando as suas
botas cardadas por brochas, ansioso por chegar a casa, e desfrutar um pouco do calor
do seu lar e do amor da sua família. Pela manhã, e bem cedo ainda, lá partia novamente,
voltando para o seu mundo, onde só ali se parecia sentir bem.
Num começo de dia, que parecia igual a muitos outros, o velho pastor prepara-se para
mais uma saída com o seu rebanho, coloca ao ombro a velha sacola com a "bucha",
pega no seu inseparável cajado, prepara-se para se pôr a caminho.
Começa a sentir-se mal, senta-se nos degraus da palheira da Tapada do Amial e,
possivelmente deitando um último olhar em seu redor, tranquilamente adormece no sono
eterno, quem sabe feliz por deixar esta vida dos vivos, longe da povoação e num mundo
que foi todo a sua vida - a serra.
Algum tempo mais tarde é encontrado por sua mulher naquele local, onde parecia existir
uma verdadeira paz eterna. Junto dele, o seu cão e fiel amigo, fixava o seu olhar no velho
pastor, e chorava parecendo um humano, cenário que não mais foi esquecido por
aqueles que ali acorreram. Esse mesmo, cão com tal desgosto, deixou de comer e
pouco tempo depois morreu também.
Faleceu com 72 anos de idade, e o seu funeral realizou-se com verdadeiro pesar pelos
muitos dos loricenses que o acompanharam ao cemitério local, onde ficou sepultado.
A serra pareceu também ficar triste, não vendo mais chegar até ela, um dos seus últimos
herdeiros lusitanos, o velho pastor de Loriga.

***
- 17 -

Pedro Vaz Leal *


1900 - 1964

Natural da Póvoa da Atalaia (Beira Baixa), onde ocorreu o seu nascimento em 8 de


Março de 1900.
Completou a instrução primária na sua terra natal, que deixou ainda novo, seguindo com
destino a Loriga para se empregar na oficina do Sr. António Ferreira situada no Cabeço
Anos mais tarde casou com D. Alzira Machado natural desta localidade.
Jovem inteligente e com vocação para aprender, depressa adquiriu uns certos
conhecimentos da arte de ferreiro, que levaria a tornar-se em pouco tempo num brilhante
profissional. Desde logo, e como também era dotado de uma certa ambição, e pretendia
alargar os seus horizontes, pensou não ser, a oficina onde trabalhava, um lugar de futuro.
Não foi, por isso, de estranhar a sua mudança para outro lugar, partindo para perto de
Lisboa, onde se empregou desempenhando a profissão de ferreiro, dando ainda
assistência às máquinas agrícolas nas quintas dessa região.
Em 1931 regressa a Loriga para trabalhar por conta própria e, com alguma ajuda, alugou
a velha forja do Cabeço, iniciando assim um trabalho cujo crescimento era bem visível e,
a partir daí não mais parou. Não se contentando só em trabalhar para Loriga, depressa
alargou o seu trabalho para o exterior, não tardando mesmo a ser um dos fornecedores
mais creditados das Minas da Panasqueira, sendo ainda no Cabeço, o construtor das
primeiras vagonetas para transporte do minério.
Aumenta os quadros do pessoal, abre uma nova oficina já mais moderna no Terreiro da
Lição, junto com a sua habitação onde sempre viveu. A expansão da sua firma continua
a registar grandes progressos, por isso resolve fazer uma fundição na Vista Alegre com
serviço automóvel e venda de combustível, acabando mais tarde por fazer novas
instalações para onde passaria todos os serviços. Anos mais tarde, e já depois da sua
morte, a sua empresa viria adquirir a antiga Fábrica das Lamas podendo, assim,
alargar-se ainda mais em Loriga.
Sempre caracterizado por trabalhador patrão, teve sempre presente a preocupação de
que os seus empregados adquirissem cada vez mais conhecimentos e melhor
valorização profissional. Por isso mesmo, a sua Oficina passou a ser uma Escola
Técnica que proporcionou, a muitos jovens que por lá passaram, a profissionalização
naquela área.
A Metalúrgica Vaz Leal, foi uma das maiores Firmas de Loriga, e chegou a ser uma das
principais do distrito da Guarda e uma das melhores do Concelho de Seia.
Era casado com Alzira Gomes de Pina Leal (28.8.1906 - 7.9.1961) virtuosa senhora de
bondade para com os pobres. Aos 64 anos, e após doença prolongada, em 14 de Junho
de 1964 morre o Sr. Pedro Vaz Leal. Ficou sepultado em Loriga, à qual ficou para
sempre ligado e que, apesar de não ser natural desta localidade ele dizia ser também
sua. Na realidade, assim pareceu ser, tendo sido considerado um dos maiores obreiros
no desenvolvimento da Vila de Loriga, pelo contributo dado ao longo da sua vida.

* Albrito

***
Francisco Mendes Campos *
1901 - 1957
- 18 -

Nasceu em Loriga em 18 de Fevereiro de 1901, ficando orfãm de pai e mãe, ainda com
tenra idade. Foi uma personalidade de destaque na Colónia Loricense de Belém, nas
décadas de 1920/50, distinguindo-se como homem de letras, contribuindo também em
muitas iniciativas em prol da sua terra.
Após a morte dos seus pais, passou a ser criado aos cuidados da avó paterna Emília,
que lhe dispensou especial carinho pelo que lhe ficou muito grato, manifestando
publicamente, isso mesmo, num sentimental artigo publicado no "Jornal Lusitano"
editado em Belém e no qual foi secretário.
Foi para Belém do Pará, antes de 1920, onde possuía um tio paterno e outros familiares,
formou-se na Escola Prática de Comércio, mantida pela Associação Comercial do Pará,
e na qual foi um dos mais brilhantes alunos.
Ainda muito cedo manifestou a sua inclinação para o ensino, sendo um excelente mestre
de português e de contabilidade, exercendo o magistério na Escola Prática, Phenix
Caixeiral Paraense, Grémio Literário Português e Curso Ciências e Letras. No Grémio foi
vice-presidente e director de curso.
Foi sócio e pertenceu aos corpos administrativos da Beneficente Portuguesa,
Associação "Vasco da Gama", Tuna Luso Comercial, Liga Portuguesa de Repatriação,
Phenix Caixeiral e Grémio Lusitano.
Foi durante muito tempo um assíduo colaborador dos jornais "Lusitano" e "A Colónia"
com artigos patrióticos e em defesa de portugueses que eram vítimas de ataques e
perseguição de uma minoria dotada de xenofobia.
Embora muito novo os seus artigos demonstravam fina sensibilidade. Assim os artigos
"À minha Mãe além-túmulo"; "À minha Avó"; "À minha afilhada Vitória" outro sobre o
escritor Gomes Leal e ainda uma réplica ao Padre Dubois por causa do poeta Guerra
Junqueiro e, também pelo que escreveu contra o Marquês de Pombal, essas réplicas
demonstraram grandes conhecimentos e uma maneira própria de o descrever.
Em 1923 transferiu-se para Recife, onde se manteve pouco tempo, regressando
novamente a Belém. Exerceu o cargo provisório de arquivista no Consulado de Portugal
onde a sua inteligência e zelo nas funções ali desempenhadas, eram bem reconhecidas
por todos.
Viria a falecer ainda novo em 3 de Dezembro de 1957, no Hospital de D.Luiz I, tendo sido
sepultado no cemitério de Belém. Loriga foi o seu berço, mas foi em terras distantes que
viveu e se notabilizou, e onde ficou também eternamente.

* Eugênio Leitão de Brito

***
Adelino Pereira das Neves
1901 - 1979
- 19 -

Natural de Santa Ovaia, onde nasceu em 15 de Julho de 1901, filho de António Francisco
e de Maria dos Prazeres Pereira.
Fixou-se em Loriga em 1925, logo após a construção da estrada que passou a ligar São
Romão à Vila de Loriga.
Criou uma carreira de transporte de passageiros, com um pequeno autocarro, de que era
proprietário.
Em 1931 fundou uma empresa de transportes públicos, "Auto Viação Serra da Estrela" já
então com outras camionetas de passageiros, que ia de Loriga à estação ferroviária de
Nelas.
Em 1948, esta empresa foi vendida à Companhia de Transportes Hermínios, que passou
a operar na região de Seia.
Já na condição de aposentado, teve um carro de praça de que era proprietário e, durante
algum tempo, exerceu essa actividade.
Faleceu em 7 de Janeiro de 1979 em Coimbra, sendo sepultado no cemitério de Loriga.

***
Constança de Brito Pina
1901 - 1981

Grande parte da sua vida dedicou


A quem vem ao mundo é para viver
De mãos suaves e até milagrosas
Muitos Loriguenses ajudou a nascer

Nasceu em Loriga no dia 9 de Junho de 1901, filha de Plácido de Moura Pina e de Maria
Tereza Luis de Brito. Foi durante mais de 40 anos a "parteira" da sua terra natal.
Eram épocas há muito passadas, quando os nascimentos das crianças tirando uma ou
outra excepção ocorriam nos domicílios. Por isso, de maneira alguma se poderá ignorar
uma pessoa notável que através dos anos, décadas e gerações, prestou assistência a
esses muitos nascimentos e que ficou para sempre registada como uma referência e
uma legenda de Loriga.
Com dignidade e amor à sua terra e aos seus conterrâneos, assistiu e ajudou a nascer
gerações de loriguenses, ocorrendo ao chamamento a qualquer hora do dia ou noite,
nunca se preocupando se a assistência que ia prestar era para rico ou pobre, nunca
exigindo qualquer renumeração e, alguma gratificação que lhe ofereciam, era consoante
as posses de cada um.
Por tradição era a Sra. Constança que no dia do baptizado, levava ao colo os bebés que
tinha ajudado a nascer. Por isso, perdeu o conto de quantos levou à igreja Matriz para
receberem o baptismo, dado que foram décadas de anos em que a população se
habituou a vê-la com os seus cabelos da cor da neve, a caminho da casa de Deus,
sendo até uma das pessoas mais conhecidas de Loriga.
Entretanto os tempos mudaram, e os nascimentos deixaram de ser nas próprias casas e
aos poucos foi deixando de ser solicitada. Decorria então o ano de 1975 quando,
definitivamente, deixou de prestar assistência de "parteira". Era casada com José Pinto
Romano.
Faleceu em 22 de Abril de 1981, ficando Loriga mais pobre ao ver partir, de certeza para
o Céu, a mulher que durante uma vida inteira, foi a primeira a ver um Loriguense a
nascer.
- 20 -

Nota:- No dia 15 de Agosto de 2002, numa homenagem singela, esta figura passou a
fazer parte na Toponímia de Loriga, ao ser atribuído o seu nome a uma das ruas desta
localidade .

***
José Mendes Garcia *
1901 - 1985

Nasceu em Loriga, no ano de 1901, filho de José Mendes Garcia e Maria Teresa Garcia.
Homem simples, dotado de um coração generoso e uma alma grande. Trabalhador da
industria de lanifícios no sector da ultimação, quedou de velho quando as portas do seu
"Regato" não mais se abriram para voltar a sentir o martelar dos seus pisões.
Ao falar-se no "Ti Garcia" como popularmente assim era chamado, com naturalidade é
recordado ligado à "Amenta das Almas". A ele se ficou a dever, pelo seu desempenho,
preservação e continuação desta mais antiga tradição que Loriga se orgulha de ter.
De uma voz grave, taciturna, monocórdica, cantou vezes sem conto, pedindo orações
pelos mortos, durante cerca de 60 anos, em todas as semanas quaresmais de cada ano.
Com ele cantaram várias gerações que seria difícil aqui descrever. Nunca faltava, até
porque o ajuntamento se fazia na sua modesta casa, onde nunca faltava os figuitos e a
aguardente que carinhosamente a esposa, Tia Cândida, deixava já em cima da mesa
toalha de branco.
Para o "Ti Garcia" cantar a "Amenta da Almas" era como que sagrado. Essas noites da
quaresma, para ele, era de grande respeito, exigindo mesmo a todos que o
acompanhavam, um silencio sepulcral, dizia ele, que só assim os corações podiam ouvir
e rezar. Distribuía os pontos, para cantar, sempre com a aprovação de todos, porque
ninguém teria a coragem de contrariar o homem cujo exemplo era o próprio a dar.
Muito crente e devoto, era homem de bem. Se a Fé a todos acompanha, não deverá
haver dúvidas, que este homem não pode estar noutro lugar senão junto a Deus.
Após a passagem do centenário do seu nascimento, foi finalmente prestada uma
justíssima e singela homenagem, pena foi, ter pecado por tardia. Em 8 de Março de
2003, a Junta de Freguesia de Loriga, mandou colocar uma placa evocativa, na casa
onde viveu durante grande parte da sua vida, perpetuando assim para as gerações
vindoiras o nome desta figura loriguense.
Foi casado com Maria Cândida Martins de Ascenção, e desse casamento tiveram os
filhos:- António, Emidio, Eduardo, Mário, Laurinda e Irene.
Faleceu em 17 de Agosto de 1995 na Guarda, o funeral realizou-se em Loriga para o
cemitério local onde ficou sepultado, sendo muitos os loriguenses que o acompanharam
à sua última morada. Loriga ficou mais pobre ao ver partir um dos seus filhos, que muito
lutou para que a tradição mais antiga desta localidade não morresse e para que
continua-se a manter-se bem viva de geração em geração.

* Albrito

***
Irene Almeida Abreu
1904 - 1974
- 21 -

Nasceu em Loriga em 3 de Agosto de 1904, filha de Pedro de Almeida e de Maria


Adelaide Abreu Amaral.
Professora de reconhecido mérito, sempre muito dedicada aos seus alunos, tendo
herdado os atributos de seu pai, Professor Pedro de Almeida, na missão de ensinar as
primeiras letras às crianças.
Exerceu o magistério em Loriga, durante quarenta e um anos. Ensinou gerações de
alunos, cujos testemunhos evidenciam o rigor, o empenho e o elevado nível de exigência
que colocava nos seus ensinamentos, e que se traduziam nos bons resultados por eles
obtidos.
Casou com Alberto Pires Gomes, que tinha sido colocado em Loriga como professor
primário e ali se radicou.
Foi homenageada, tal como seu marido, numa singela homenagem, que os antigos
alunos lhes prestaram, no dia 22 de Dezembro de 1974, como reconhecimento pelas
suas virtudes de grandes educadores.
Como prova de gratidão esta ilustre professora faz parte da Toponímia de Loriga, sendo
atribuído o seu nome, a uma das ruas da Vila situada no Bairro das Penedas.
Faleceu em Loriga no 2 de Abril de 19821, sendo sepultada no cemitério local.

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António Moura Pina *
1907 - 1988
- 22 -

Nasceu em Loriga em 15 de Setembro de 1907. Ainda novo foi aprendiz de tecelão, mas
foi a profissão de sapateiro que ele viria desempenhar durante toda a sua vida, que o
tornou um grande oficial nesta arte e com certa fama nos arredores.
Homem popular e de boas maneiras, notabilizou-se por uma juventude de boémio,
trovador, comediante, cantando serenatas que deleitavam os ouvidos das moças dos
anos da década 1920 em Loriga. Nos bailes, vestia-se de mulher, fazendo critica de tudo
que lhe parecia errado na sua terra sendo, por isso intitulado de "desavergonhado".
Sempre de grande dedicação à música, passa pela Banda de Musical, ensina ainda viola
e bandolim a muitos estudantes que se reuniam na sua sapataria que, mais parecia um
local de verdadeiros concertos musicais, sobrando-lhe ainda tempo para fazer parte do
Grupo Coral da igreja matriz, tocando o órgão.
Verdadeiramente religioso, foi sempre um fiel servidor da igreja, ensaiado diversos grupos
litúrgicos, sendo até um dos fundadores da Liga Eucarística dos Homens. Durante
muitos anos exerceu ainda as funções de zelador da Irmandade, cargo que
desempenhou com muita vocação e muita eficiência na organização das procissões, na
distribuição das velas, na montagem trabalhosa da Essa ("Ercia" como era assim
chamada pelo povo), para os funerais e o respectivo anúncio, logo pela manhã, dando
volta à rua com a campainha na mão.
Grande entusiasta pelo teatro amador que se realizava em Loriga, tinha verdadeira jeito
na arte de representar, fazendo rir a plateia. Simultaneamente ensaiava e tocava ele
próprio as músicas tanto à viola como ao bandolim sem nunca se cansar.
Era Casado com Idalina Mendes Luis (21.4.1911 - 20.8. 1966). O Senhor António
"Calçada" como popularmente assim era chamado, foi pai de 9 filhos, vindo a sofrer
imenso com a morte do seu filho António, muito perto de ser Padre. Loriga já se
congratulava com a ordenação de mais um sacerdote, mas por imposição dos meios
eclesiásticos, esta ordenação, não se veio a concretizar. Tudo isto dois anos antes de
ter ocorrido a morte deste seu filho.
Apesar de a doença o ir vitimando aos poucos, trabalhou até ao fim da sua vida, com o
mesmo entusiasmo de sempre, passa os últimos tempos a caminho da Senhora da Guia
e do cemitério rezando o terço. Veio a falecer no dia 27 de Novembro de 1988 e Loriga
viu desaparecer um homem do povo que tocou música, cantou, representou, fez rir e
provavelmente também fez chorar.

* Albrito

***
Alberto Pires Gomes
1910 - 1979

Nasceu em 28. de Junho de 1910. Colocado em Loriga, como professor primário, ali se
radicou, onde veio a casar com D. Irene Almeida Abreu, também professora.
Eram sobejamente conhecidas as suas qualidades como pedagogo, não só pelos seus
colegas como também pelos seus alunos.
Leccionando em Loriga durante longos anos, foram bem reconhecidos os grande
benefícios que espalhou por esta localidade, ensinando gerações e gerações de
loriguenses.
Foi homenageado, bem como a sua esposa, numa singela homenagem, que os antigos
alunos lhes prestaram, no dia 22 de Dezembro de 1974, como reconhecimento pelas
suas virtudes de grandes educadores.
Como prova de gratidão, este ilustre professor faz parte da Toponímia de Loriga, sendo
atribuído o seu nome a uma das ruas da Vila, situada no Bairro das Penedas.
Faleceu em Loriga, em 6 de Outubro de 1979, ficando sepultado no cemitério local.
- 23 -

***
José Luis dos Santos
1911 - 1993

Nasceu em Loriga em 5 de Outubro de 1911, filho de José Pinto Luis e de Maria do


Carmo Santos.
Um dos mais conceituados comerciantes de Loriga, reconhecido pelo seu dinâmico
espírito para o meio negocial.
As sequelas físicas, por motivo de um grave acidente originado por uma bomba de
foguete, ocorrido quando era ainda criança, nunca foram impeditivas para o desempenho
de qualquer actividade, nomeadamente, no ramo comercial.
Sempre disponível para actividades da comunidade, durante muitos anos desempenhou
funções na Irmandade das Almas, tendo sido igualmente importante, o seu contributo na
década de 1940, como Escrivão de Loriga.
Fixou em Loriga um Depósito central de tabaco e, durante décadas, abasteceu toda a
região sendo, por isso, muito conhecido por todo o lado.
Faleceu em Loriga 25 de Outubro de 1993, sendo sepultado no cemitério local.

***
Mário Fernandes Prata
1910 - 2000
- 24 -

Nasceu em Loriga a 3 de Agosto de 1910, sendo filho de Francisco Fernandes Prata e


de Eduarda Pinto da Neves.
Foi o sacristão da sua terra durante 48 anos, funções que desempenhava com toda a
sua dedicação e onde a sua virtude de homem bom, granjeando ao longo da sua vida a
amizade e a estima dos seus conterrâneos, onde em cada um tinha um verdadeiro
amigo.
Nascido no meio de uma família muito religiosa, foi baptizado dois dias depois do seu
nascimento, ao crescer foi cultivando as qualidades que Deus lhe deu, tornando-se um
homem sério, honrado, humilde e respeitador, por isso a admiração que toda a gente
tinha por ele.
A sua vida foi toda dedicada à agricultura e à igreja, tendo sido por mero acaso que
começou a desempenhar as funções de sacristão. Na década de 1940, o pároco de
então, Sr. Padre Prata, pediu-lhe para desempenhar essas funções enquanto o sacristão
em actividade se encontrava doente. Assim com a promessa de apenas uns dias,
passou a meses, e consequentemente passar depois as desempenhar as funções
definitivamente.
Uma maneira serena de estar na vida, a sua calma, a sua postura e o respeito quando
estava na igreja, chegava a ser mesmo impressionante, um exemplo a seguir por toda a
gente e principalmente por uma juventude que tinha por ele uma certa admiração e
respeito.
Foi o Sacristão numa Loriga de outras eras, onde os tempos eram difíceis e em que a
população era muito mais, por conseguinte, eram também muitos mais os praticantes.
Durante muitos desses anos, foram muitos os padres que ele conheceu, nomeadamente
coadjutores que passaram por Loriga, para muitos deles o Sr.Mário Prata, foi mais que
um sacristão, era acima de tudo um amigo um conselheiro, que na hora da despedida,
não queriam partir sem lhe dar aquele abraço como prova de gratidão
Era casado com a Sra. Maria dos Anjos, tiveram nove filhos, aos quais procurou incutir
as mesmas virtudes por ele vividas.
Na companhia de sua esposa e após deixar a sua actividade de sacristão, fixou-se em
Coimbra, junto à família e ali viveu durante alguns anos. Viria a falecer no dia 8 de
Dezembro de 2000, após doença. O seu funeral realizou-se para a sua terra que ele tanto
amava, onde ficou sepultado no cemitério local.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre uma das suas figuras, o sacristão de
muitos anos, ou melhor o Homem, que não queria dar nas vistas, mas as suas qualidade
e as suas virtudes ficaram para sempre marcadas numa certa geração de loricenses.

***
Maria dos Anjos Pinto Neves
1912 - 2002
- 25 -

Nasceu em Loriga, em 6 de Março de 1912, filha de Beatriz Pinto Neves, sendo, por
isso, mais conhecida por "Dos Anjos da Beatriz".
Foi cozinheira de casamentos, baptizados, aniversários, festas religiosas e outros
eventos, sendo vastos os seus conhecimentos na arte da culinária e, por isso mesmo, a
magnifica comida que confeccionava era apreciada por todos.
Durante dezenas de anos cozinhou para as mais variadas festas, tendo sido mesmo, a
cozinheira que mais tempo esteve em actividade ao serviço da comunidade loriguense.
Sempre muito solicitada, não só em Loriga, como também para outras terras vizinhas,
nunca dizia que não quando à porta lhe batiam a pedir-lhe para ser a cozinheira de
qualquer boda que fosse, nunca fazendo preço ao seu trabalho, apenas aceitando o que
lhe queriam dar.
Nesses tempos, as pessoas pagavam normalmente com alguns artigos de mercearia e
algum dinheiro, no entanto, quando via que as pessoas eram pobres, apenas aceitava a
mercearia, recusando-se a receber o dinheiro.
Esposa dedicada e mãe extremosa de nove filhos, que criou e educou com o maior
desvelo e carinho, era também uma pessoa muito activa e despachada, parecendo ter
sempre qualquer coisa para fazer.
Religiosa convicta, era reconhecida pelas suas qualidades humanas, sendo a sua
bondade e a sua sensibilidade para com os mais desfavorecidos, por demais evidente e,
por todas essas razões, era muito respeitada pelos seus conterrâneos, que por ela
tinham grande admiração.
Faleceu em Loriga no dia 27 de Setembro, com a idade de 90 anos e o seu funeral
realizou-se para o cemitério local, onde ficou sepultada. Foram muitos os loricenses que
a acompanharam à sua última morada, ficando Loriga, mais pobre ao ver partir com
saudade uma mulher que tão soube exercitar a sua arte de cozinheira do povo.

***
Cónego António Antunes Abranches
1913 - 2003
- 26 -

Nasceu em Loriga, em 9 de Dezembro de 1913, filho de José Antunes do Carmo e de D.


Leonor Dias de Figueiredo.
Depois de frequentar a escola primária na sua terra, foi para Lisboa com a idade de 12
anos. Dois anos depois ingressou no Seminário de Santarém, para mais tarde frequentar
os Seminários pertencentes ao Patriarcado em Lisboa.
Foi ordenado sacerdote no Seminário dos Olivais em 29 de Junho de 1938, seguindo-se
tempos de muito trabalho, nomeadamente em outras paróquias, ajudando outros
colegas. Poucos meses depois, teve a oportunidade de deslocar-se a Loriga, para
finalmente celebrar a primeira missa na terra que o viu nascer.
Estava há ainda à poucos dias na sua terra, quando foi chamado ao Cardeal Cerejeira,
sendo então nomeado para ficar ao serviço do Patriarcado de Lisboa, trabalhando em
diversas tarefas, nomeadamente na Acção Católica.
Seria colocado na Paróquia de Vila Franca de Xira e Castanheira do Ribatejo, por motivo
de o Pároco local se encontrar doente, onde se manteve durante cerca de 22 meses,
executando ali um trabalho de grande valor.
Foi professor na Escola Central de Graduados da Mocidade Portuguesa e depois na
Casa Pia de Lisboa, onde chegou a ser o Capelão-Chefe cargo que desempenhou
durante 4 anos.
A partir de Outubro de 1945, foi colocado como Pároco na recém-criada Paróquia de
Nossa Senhora de Fátima em Lisboa, uma das novas paróquias das chamadas
"avenidas novas" e onde se manteve até 1995, chegando, também, a acumular a
paróquia de S.João de Deus.
Foi de relevo todo o seu trabalho em prol da igreja, ao longo da sua vida sacerdotal.
Sempre de espirito aberto e atento à evolução dos tempos, entregou-se totalmente a
promover actividades que pudessem contribuir para uma presença da Igreja no mundo
actual, nomeadamente nos meios de comunicação social, como o cinema e a televisão.
Com um acentuado sentido de organização, por onde ia passando, deixava a sua marca
em estruturas sólidas que permitiam às pessoas saberem onde situar-se e como tirar o
melhor partido para as suas vidas e actividades.
Amava a sua terra e a ela se referia com muito carinho e estima e, sempre que podia,
aproveitava para ali passar uns dias de merecidas férias. Tinha imenso gosto em
apresentar Loriga aos outros, por isso com regularidade a visitava com pessoas amigas e
das suas relações. Em 1988, chegou mesmo a levar a Loriga, em visita particular, o Sr.
Cardeal D. António Ribeiro.
Gostava de ir a Loriga para assistir à Festa da Nossa Senhora da Guia, onde muitas das
vezes foi o pregador. A sua voz forte e dinâmica, prendia todos aqueles que o escutavam,
e que parecia chegar para além do recinto e da catraia.
Durante 50 anos como Pároco da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa,
uma grave doença impossibilitou-o, nos últimos anos da sua vida, de poder continuar a
desempenhar essas funções paroquias, bem como, de visitar a sua terra como tanto
gostava. No entanto permaneceu com o título de Pároco Emérito desta Paróquia, até ao
fim da sua vida.
Faleceu em Lisboa no dia 21 de Abril de 2003, tendo sido realizada na igreja de Nossa
Senhora de Fátima, a missa do seu falecimento, que foi presidida pelo Cardeal de Lisboa
D. José Policarpo. No dia seguinte o seu corpo seguiu para Loriga onde foi realizado o
funeral, sendo sepultado no cemitério local na campa da Mãe, como era seu desejo.
Ficando esta localidade mais pobre ao ver partir um dos seus filhos que, notabilizando-se
longe dela, nunca a esqueceu.

***
Manuel Gomes Leitão Júnior *
1914 - 1990
- 27 -

Natural de Loriga, onde nasceu em 30 de Maio de 1914, era filho de Manuel Gomes
Leitão e de Maria do Carmo Nunes Cabral, também naturais de Loriga.
Verdadeiro bairrista e grande amigo da sua terra, a par da sua actividade como industrial
de renome, na área dos lanifícios, desenvolveu outras actividades para as quais estava
naturalmente vocacionado, e que estavam relacionadas com a sua paixão pelas letras.
Assim, foi correspondente do Diário de Coimbra, onde escreveu algumas rubricas, bem
como em outros jornais prontificando-se, sempre que se justificasse, a escrever sobre a
sua terra.
Estudou na Covilhã, onde concluiu o curso de Debuxo na Escola Campos de Melo. No
entanto o âmbito da sua actividade profissional como industrial de lanifícios era mais alto,
alargando-se a outras áreas. A ele se ficou a dever a organização da primeira fábrica de
malhas em Loriga, que viria a ser de grande importância num novo desenvolvimento
industrial desta localidade.
Muito dinâmico desejando o melhor para a sua terra, estava sempre pronto a contribuir
em tudo o que estivesse ao seu alcance. Foi director da Banda Musical, foi Juiz da
Irmandade das Almas, sendo ainda um dos grandes impulsionadores na construção do
bairro social Eng. Saraiva e Sousa, hoje Vista Alegre, assim como teve grande influência
na instalação de um Posto da GNR em Loriga.
Fundador do Grupo Desportivo Loriguense onde, por diversas vezes, fez parte dos corpos
sociais, era um grande apaixonado pelo futebol, tendo mesmo criado, nesta
colectividade, as melhores equipas de sempre. Para além disso, sonhava também com a
existência de uma juventude culturalmente desenvolvida na sua adorada terra.
Com 35 anos de idade foi Presidente da Junta de Freguesia de Loriga, onde executou um
trabalho brilhante apesar das dificuldades da época, nomeadamente no que diz respeito
a algum saneamento básico da povoação. Foi também o grande obreiro do "deita abaixo"
dos balcões (incluindo o seu), que existiam um pouco por toda a Vila e que, em grande
parte, dificultavam o acesso a muitas das ruas e becos. Tinha ainda como um dos seus
maiores anseios conseguir dar à Vila de Loriga, o asseio, a beleza e a cultura da sua
gente.
O Sr. "Manuelzinho" como assim era chamado pelo povo, passou os últimos anos da
sua vida em Lisboa. No entanto, nunca esqueceu a sua terra, onde quis descansar para
sempre, junto dos seus pais, vendo Loriga partir em 27.03.1989, um dos seus filhos que
muito fez para o seu desenvolvimento e progresso.

* Albrito

***
Herculano Brito Leitão
1914 - 1997
- 28 -

Nasceu em Loriga; em 12 de Agosto de 1914, e era filho de José de Brito Crisóstomo e


de Maria do Anjos Leitão Brito.
Um verdadeiro bairrista que, apesar de estar afastado da sua terra, tinha-a junto ao
coração e queria para ela o que de melhor pudesse haver. Sempre que tinha
conhecimento das várias carências existentes em Loriga, tudo fazia para conseguir que
essa carência fosse ultrapassada estivesse onde estivesse.
Notabilizou-se por ser o grande impulsionador e fundador dos Bombeiros Voluntários de
Loriga, uma das carência existentes na sua terra, concretizando, assim, não só o seu
sonho, como todos os loriguenses.
Homem amigo do seu amigo, era de ideias firmes e claras, colocando nos seus
objectivos as ideias em que acreditava. Os Bombeiros para Loriga eram uma prioridade
mas, para a pôr em prática, teve que percorrer um longo caminho, dirigindo-se aos
organismos competentes, vencer a burocracia, socorrer-se de gente influente, e
debater-se também com algumas frustações. Contudo, no final, viu o seu trabalho
recompensado com a fundação da Associação do Bombeiros Voluntários de Loriga, em
16 de Abril de 1982, o maior organismo criado em Loriga nas últimas décadas.
Tinha apenas 12 anos quando foi para o Brasil, na companhia da sua família, passando a
viver na cidade de Belém-Pará. Por lá se manteve durante 25 anos, não esquecendo
nunca a sua terra, notabilizando-se também em iniciativas em prol de Loriga.
Regressou a Loriga na década de 1940, tendo fundado na sua terra a Sociedade
Industrial de Malhas e a Sociedade Comercial Irmãos Leitão Lda. Mais tarde partiu para
Lisboa onde se fixou, para tempos depois se radicar em Santarém onde permaneceu
largos anos.
Do casamento com D.Inadina Ferreira Leitão, tiveram dois filhos António José Ferreira
Leitão e Maria de Fátima Ferreira Leitão. Viria a ter um segundo casamento com Maria
Eugénia Madeira Pereira Leitão.
Depois de ter concretizado o sonho dos Bombeiros de Loriga, num novo desafio se
envolveu. Desta vez, era no projecto de um Jornal para Loriga, uma ideia pela qual
também muito viria a lutar, sem no entanto poder ver a sua concretização.
Apesar de ter a convicção de que o projecto do Jornal não seria fácil, não era, no entanto
pessoa de desistir logo que surgissem os primeiros obstáculos. Mas também foi certo,
que estaria longe de imaginar as complicadas barreiras que lhe apareceram pelos
caminho e que foram difíceis de ultrapassar, e que contribuíram para atrasar todo esse
processo, nunca chegando a concluir o sonho então idealizado que era o projectado
Jornal "Noticias de Loriga".
Faleceu no dia 13 de Abril de 1997, em Santarém, onde foi sepultado no cemitério local.
Aí se deslocou uma delegação dos Bombeiros Voluntários de Loriga, para o acompanhar
à sua última morada, homenageando, assim, com um sentimento de gratidão, esta figura
loriguense a quem os Bombeiros e Loriga muito ficaram a dever e que não poderá ser
esquecido.
Herculano de Brito Leitão foi, pois, uma Figura que ficou ligada aos Bombeiros de Loriga,
que passou a ser uma referência desta instituição como fundador Nr.1. Por isso é bem
ilustrativo e de justiça a sua fotografia figurar nas paredes da sede desta corporação.

***
Joaquim Gonçalves de Brito
1915 - 2001
- 29 -

Nasceu em Loriga, em 15.08.1915, filho de António Brito Pinheiro e de Maria dos Anjos
Gonçalves de Brito.
Bairrista convicto, que tanto amava a sua terra e, que por ela sempre lutou e fez tudo o
que estava ao seu alcance para o seu desenvolvimento.
Ainda muito novo, começou a trabalhar como empregado de escritório, em Loriga, e
depois em Coimbra, no armazém de Lanifícios do industrial Sr. Carlos Cabral Leitão.
Ainda rapazinho, foi contínuo na Sociedade de Defesa e Propaganda de Loriga, uma
Associação destinada apenas à classe alta desta Vila, tais como, médicos, industriais,
professores, padres etc. Esta sociedade seria mais tarde extinta dando lugar à
Sociedade Loriguense de Recreio e Turismo, onde o Sr.Joaquim "Alho", como
popularmente era conhecido, viria a fazer parte das diversas direcções.
Fez parte de quase todas as direcções dos organismos de Loriga, sendo mesmo um dos
fundadores do Grupo Desportivo Loriguense, pertencendo aos diversos Corpos Gerentes
que por lá passaram. Na época, a fundação deste Clube, foi de grande importância para
esta localidade a qual teve, como finalidade, atrair para o desporto, a grande massa de
jovens existente nesta Vila preenchendo, assim, de forma saudável, os tempos de ócio.
Pertenceu à direcção da Banda de Loriga, quando em 1956, esta associação atingiu um
dos pontos mais altos da sua história, ao abrilhantar as Festas da Rainha Santa em
Coimbra.
De 1972 a 1976, pertenceu à direcção da Junta de Freguesia de Loriga, constituída
por:-António Pinto Ascensão-Presidente, José de Pina Gonçalves-Secretário, e por ele
próprio como Tesoureiro. Embora sendo uma época problemática, em que os meios
financeiros eram escassos, funcionando sem subsídios, conseguiram levar a efeito obras
de grande vulto, projectando Loriga como uma Vila mais moderna. Foi também Vereador
da Câmara Municipal de Seia, durante quatro anos, sendo responsável pelo pelouro das
obras.
Dedicou-se à indústria, pertencendo à Sociedade Industrial de Malhas de Loriga tendo,
mais tarde, constituído a firma Gonçalves & Nunes, Lda., uma fábrica de confecção de
malhas. Posteriormente, fundou a firma de construção civil, "Joaquim Gonçalves Moura"
que teve, no seu irmão José Gonçalves Brito, o seu braço direito e seu sócio. Com a
colaboração dos seus sobrinhos, alargou o âmbito de actividade da empresa para outros
ramos da construção civil, passando a ser muito reconhecida na região.
Homem de uma calma impressionante, tinha uma maneira própria de estar na vida.
Nunca casando, dedicou a sua vida e os seus afectos à família mais próxima,
designadamente os sobrinhos. A morte de seu irmão José, após doença prolongada, foi
um rude golpe para ele. No entanto, resignado, continuou a orientar e a colaborar com os
seus sobrinhos na empresa que se orgulhava de ter fundado.
Sendo uma pessoa muito considerada na Vila e na região, era sempre atencioso com
quem se lhe dirigia solicitando ajuda ou orientação para a resolução de qualquer
problema.
Faleceu em 31 de Julho de 2001, no Hospital de Viseu, aos 85 anos, e foi sepultado no
cemitério de Loriga, sendo recordado pelos Loricenses, como um bairrista que tanto
amou a sua terra.

***
António Fernandes Gomes *
1915 - 2004
- 30 -

Nasceu em Loriga, em 20 de Janeiro de 1915, Filho de José Fernandes Gomes e de


Aurora Mendes Dias Santos.
Conhecido por "Repórter Max", escreveu muito sobre a sua terra e a região serrana onde,
nos seus artigos, exprimia a sua grande preocupação pela dignificação de Loriga e da
região da sua Serra da Estrela, como também pela promoção das actividades
tradicionais, e pela preservação das características paisagísticas e arquitectónicas desta
região serrana.
Fez parte dos quadros da Armada Portuguesa, tendo percorrido os quatro cantos do
mundo, chegando a exercer o cargo de delegado marítimo em Benguela (Angola).
Foi um dos mais activos defensores da imprensa regional, em cujos congressos
nacionais se destacava sempre.
Adorava a sua terra e foi, seguramente, quem mais escreveu sobre ela, quer em jornais
nacionais, como o "Século" e o "Diário de Noticias", quer em jornais regionais, como a
"Voz da Serra", "Porta da Estrela" e "A Neve".
Escreveu, também, em muitos outros jornais do antigo ultramar português,
nomeadamente, a "Voz de Macau" e o "Jornal de Benguela".
A sua obra conhecida está reunida em três volumes que intitulou "Crónicas do Repórter
Max", com edição do autor, onde estão compilados textos abarcando várias temáticas
que escreveu em vários jornais.
Faleceu no dia 3 de Julho de 2004 em Lisboa, onde foi sepultado.

* Jornal "Garganta de Loriga"

***
Padre António Roque Abrantes Prata *
1917 - 1993
- 31 -

Natural de Santa Maria de Manteigas, onde nasceu em 15 de Outubro de 1917, foi


ordenado Presbítero em 8 de Setembro de 1940. Após ter estado algum tempo em Pero
(Viseu) foi colocado como pároco de Loriga em 1944, onde se manteve durante 22 anos,
localidade que viria a deixar em 18 de Dezembro de 1966 por motivo de ter sido chamado
para trabalhar a tempo inteiro nas actividades pastorais da obra de Santa Zita em Lisboa.
Na sua passagem de mais de duas décadas na Paróquia de Loriga, ficaria para sempre
ligado a uma certa geração que não mais o esqueceu e o considerou uma das maiores
figuras que a história de Loriga jamais conheceu.
Grande entusiasta da juventude e entrega total à igreja, desenvolveu em Loriga uma larga
e eficiente Açcão Social, nomeadamente na dinamização e impulso que imprimiu na
fundação, orientação, apoio e ainda com grande contributo no desenvolvimento da
freguesia.
De grande zelo e convicções religiosas fez da doutrina aprendida a sua verdadeira vida
durante os 53 anos de sacerdócio, sendo sempre de uma entrega total ao serviço do
Senhor e da sua Igreja, onde a sua personalidade e respeito são virtudes dignas de
registar.
Enérgico nos seus pensamentos e nas suas ideias, para levar até ao fim tudo em que se
envolvia, era um verdadeiro defensor dos mais desfavorecidos nomeadamente dos
operários, ousado, ao dar força para que fosse devolvida aos trabalhadores a autonomia
sindical notabilizando-se até, por acompanhar um grupo de Jocistas numa entrevista
pedida ao então Primeiro-Ministro Dr. Oliveira Salazar.
Enfrentou também em Loriga uma sociedade poderosa, por isso nem sempre foi
totalmente pacifica a sua passagem por esta vila, tendo até existido um certo movimento
de protestos enviados ao Bispo da Guarda, com ecos escritos e furiosos os quais o
Sr.Padre Prata soube enfrentar como pároco de todos e de tudo.
Durante a sua permanência em Loriga serão para sempre recordadas as suas obras que
fundou e fez movimentar ou renascer outras já existentes e ainda na criação de muitas
mais acções importantes para a população. Ficam aqui registadas algumas que ficam
para sempre perpetuadas para as gerações vindoiras, e a frase que na sua simplicidade,
costumava dizer "só Deus é que vê e julga as obras e as intenções"
J.O.C.F.; L.O.C.; L.O.C.F.; Centro da Assistência Paroquial; Casa de Santa Teresa;
Socorro Paroquial Loricense; Apostolado da Oração; Museu Paroquial; Biblioteca
Paroquial; Património dos Pobres; Agasalho aos Pobres, o reaparecimento como
Boletim Paroquial "A Neve" ; Lâmpadas Vivas, Curso Unificado da Telescola; Bolsa de
Estudos de N.S. da Guia: Sopa; Cantina; Rosário Perpetuo; Lausperene Semanal;
Missões Paroquias; Retiros-Recolecções; Acção Missionária; Irmandade do Sacramento
das Almas; Cursos de Cristandade; Conferência Vicentina e a construção da Residência
Paroquial e Salão.
A 8 de Dezembro de 1990, foi homenageado em Loriga no dia que fez as Bodas de Ouro
sacerdotais numa verdadeira festa de fraternidade e de amizade do povo desta
localidade, a que se associou também o Sr. Bispo da Guarda. Grande multidão aguardou
na "Carreira" a chegada do Sr. Padre Prata e do Sr. Bispo que num cortejo informal pelas
ruas, acompanhados pela Banda Musical, seguiu para a igreja onde foi efectuada uma
concelebração, seguindo-se um almoço realizado no Salão Paroquial a que assistiram
230 pessoas.
Faleceu por motivo de doença que o vinha vitimando, na manhã do dia 18 de Julho de
1993, na Casa se Santa Zita. O funeral realizou-se no dia seguinte para o cemitério dos
Prazeres de Lisboa onde ficou sepultado.
Deixou no seu testamento uma doação a Loriga, pedindo aos seus familiares para
entregarem ao Centro de Assistência Paroquial de Loriga a quantia de 6.800 contos.
Em Agosto de 2001 e véspera da Festa de Nossa Senhora da Guia, foi inaugurada uma
rua em Loriga à qual foi dado o seu nome, uma homenagem de gratidão que os
Loricenses lhe deviam.
- 32 -

No dia 15 de Dezembro de 2003, os restos mortais do Senhor Padre Prata, foram


transladados do cemitério de Manteigas para o cemitério de Loriga, concluindo-se assim,
a vontade sempre manifestada em vida de tão proeminente figura, em repousar
eternamente junto dos paroquianos que tanto amou durante os anos que paroquiou
Loriga.

* Albrito

***
Carlos Fernandes Urtigueira
1917 - 1996

Nasceu em Loriga a 26 de Fevereiro de 1917, filho de Alberto Fernandes Urtigueira e de


Maria Emília Pinto Ascenção,
Alfaiate de profissão, cortava o pano e alinhava os fatos tal como os seus dedos tocavam
as cordas da sua guitarra. Era um grande profissional, talvez mesmo um dos melhores
alfaiates de Loriga. Era na realidade um verdadeiro artista, tendo sempre a preocupação
de actualização e modernidade.
Começou a trabalhar numa alfaiataria situado no Santo Cristo, mais tarde mudou-se para
o Largo Dr. Amorim da Fonseca, passando ainda pela "Carreira" para finalmente fixar a
sua alfaiataria "Académica" na Rua principal da Vila, por cima do estabelecimento do Sr.
José Luis Santos.
Foi durante a sua vivência em Loriga a alma do Fado de Coimbra cantado na sua terra.
Pela sua alfaiataria "Académica" passaram as diversas gerações de estudantes, e nela
havia sempre uma guitarra e uma viola para acompanhar os que se dispusessem a
entoar a velha canção coimbrã.
Tinha ainda tempo e sempre disposição, para se juntar a outros loriguenses, que por
vezes se reuniam nos balcões das ruas em verdadeiras serenatas, onde as cordas da
sua guitarra faziam espalhar aquela melancólica música que deleitavam os ouvidos das
pessoas que passavam.
O falecimento da sua esposa Ermelinda, em 1959, foi um duro golpe e uma grande perda
para os seus filhos, Fernando, José Alberto, Natércia e Maria Amélia.
Procurando uma vida melhor, que a sua terra parecia não lhe poder dar, deixou Loriga na
década de 1960, radicando-se na Póvoa de Santa Iria, mais tarde no Prior Velho e depois
em Sacavém, onde instalou a sua alfaiataria.
O fado de Coimbra parecia fazer parte de si, por isso mesmo, tinha sempre presente a
sua velha guitarra, que mesmo longe de Loriga, o faziam continuar a dar alma ao velho
fado dos estudantes que ele tanto amava.
O Carlos "Governo" como popularmente era assim conhecido, deixou raízes nos seus
filhos, Fernando e Zé Alberto, dignos continuadores dessa herança de tocadores de
guitarras e violas, que ainda hoje deliciam todos aqueles que os escutam.
Faleceu em Sacavém, após doença prolongada em 31 de Dezembro de 1996, e o funeral
realizou-se para o cemitério local onde ficou sepultado.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre um dos seus filhos, recordando as
suas qualidades de bem tocar o fado de Coimbra que ficaram para sempre marcadas
numa certa geração de loricenses.

***
- 33 -

Amália Brito Pina


1917 - 2003

Nasceu em Loriga em 1917, filha de António Luis Duarte Pina e de Maria do Céu Brito
Pina.
Foi durante mais de quatro décadas, proprietária e Directora Técnica da Farmácia de
Loriga. Tendo adquirido este estabelecimento à firma Leitão & Irmãos por compra, que
passou a designar-se por Farmácia Popular de Loriga.
Numa época em que a continuação de uma Farmácia em Loriga parecia estar
complicada, foi determinante o empenho desta distinta senhora para que Loriga
continuasse a ter este estabelecimento, indiscutivelmente muito importante para esta
localidade e terras vizinhas.
Pessoa de trato fácil e de leal colaboração profissional para com toda a gente, estava
sempre disponível para dar a melhor informação medicinal aos doentes.
Era casada com o professor António Domingos Marques. Foi a primeira monitora da
Telescola, quando começou a funcionar em Outubro de 1966.
Faleceu em 25 de Dezembro de 2003 em Braga, com a idade de 86 anos, estando
sepultada em Loriga.

***
Doutor Padre António Ambrósio de Pina *
1918 - 1995
- 34 -

Nascido em Manaus-Brasil, filho de António Ambrósio de Pina e Maria dos Anjos de


Brito Moura, foi apenas com três meses de idade que os pais o trouxeram para Loriga
onde cresceu e fez a escola primária.
Logo após completar a escola em Loriga foi para o Seminário da Costa em Guimarães,
onde fez todos os seus estudos menores. No ano de 1936 entra para a Companhia de
Jesus e, no ano de 1940, concluiu o Curso Superior de Letras e Humanidades para, de
seguida, entrar na Faculdade.de Filosofia de Braga onde conclui a sua licenciatura em
1944.
Em 1947 transferiu-se para Barcelona-Espanha a fim de frequentar a Faculdade de
Teologia de Sarriá onde é formado em 1950, passando depois para a Faculdade de
Teologia da Universidade Pontifica de Salamanca onde termina a tese do seu
doutoramento.
Durante alguns anos dedica-se ao apostolado nesta cidade espanhola a favor dos mais
carenciados. Regressa a Portugal e organiza as comemorações do XVI Centenário de
Santo Agostinho na cidade de Braga, participando ainda no I Congresso Nacional de
Filosofia, também realizado nesta cidade.
Professor na Faculdade de Filosofia de Braga, veio a notabilizar-se através dos anos
como escritor, historiador, poeta, artista plástico, pensador, teólogo, sendo ainda um dos
maiores colaboradores nos vários órgãos da imprensa religiosa nacional e espanhola,
com numerosos trabalhos científicos no campo da Filosofia e Teologia, traduzidos em
várias línguas.
Apesar de estar sempre afastado de Loriga, pensava muito na terra que dizia também ser
sua, sendo para ele alegria imensa ao encontrar-se com seus conterrâneos. Enquanto
sua irmã Ruth Ermelinda foi viva, assim como outros seus familiares próximos, visitava
regularmente a sua terra, por vezes passando até curtas férias. Depois deixou de ir à
terra que ele tanto adorava, no entanto foi mantendo sempre alguma correspondência
com um seu primo e amigo, ao qual enviou um dia uma declaração escrita, no sentido de
quando ocorresse o seu falecimento, o seu corpo (ou restos mortais) fossem levados
para a sua querida Loriga e que fossem sepultados no túmulo da mãe.
Talvez por conhecimento tardio em Loriga da noticia da sua morte, o seu corpo viria a ser
sepultado no cemitério do Monte de Arcos em Braga no talhão dedicado aos Padres
Jesuítas, não sendo aceite pela Companhia de Jesus a declaração apresentada
posteriormente, mas ficando em promessa, de essa declaração ser considerada para
anos mais tarde.

* Albrito

***
Laurinda Gonçalves de Brito *
1918 - 1999
- 35 -

Nasceu em Loriga, em 5 de Março de 1918, filha de António Brito Pinheiro e de Maria


dos Anjos Gonçalves de Brito.
Desde muito nova teve sempre uma maneira própria de viver, dedicando parte da sua vida
em prol da comunidade, nomeadamente cozinhando nas bodas ou outras festas, onde os
seus conhecimentos eram de uma tendência nata e inegável.
Lendo leitura da especialidade, foi aperfeiçoando o seu saber, em dotes de cozinheira,
adoçando muita gente não só com bolos, mas também com carinhos, assim como,
muitos ainda recordam a arte como enfeitava as travessas para serem servidas.
Muito religiosa, entregou-se de alma e coração a favor das obras da Paróquia, onde
particularmente a sua opinião parecia nunca poder faltar. Tendo sido importante o seu
contributo para a fundação do Centro Paroquial de Loriga. Auxiliou muito o Senhor Padre
Lages, enquanto o Centro não foi fundado.
Foi catequista, benfeitora e angariadora de fundos para obras religiosas. Trabalhos que
executava com uma enorme força de vontade e dedicação.
Arranjou durante muitos anos o altar das Almas. Foi Vicentina da Conferência de
S.Vicente de Paulo, pedindo para os pobres e durante cerca de 60 anos foi a
distribuidora do jornal "Bem Fazer" e das pagelas do Rosário.
Foi sempre muito solicitada para madrinha do Crisma. Num determinado ano e numa
dessas cerimónias que decorreu em Loriga, levou até junto do Senhor Bispo 12 crianças
para crismar, este muito admirado chegou a comentar "esta traz um comboio".
Nunca casando, dedicou toda a sua vida e os seus afectos à família mais próxima,
designadamente aos sobrinhos, em que era uma segunda mãe, madrinha, enfermeira e
amiga, por isso, estes com carinho a chamavam por Nininha.
Vivendo no Bairro de S.Ginês, junto à Capela de Nossa Senhora do Carmo, durante
alguns anos foi uma das mordomas, realizando um trabalhou incansável na angariação
de fundos para obras de restauração da capela. E tal como ela dizia "queria que a Nossa
Senhora do Carmo tivesse uma Capela linda".
Faleceu em Loriga, no dia 2 de Maio de 1999, com 81 anos de idade, ficando esta
localidade mais pobre ao ver partir quem tanto fez pela Acção Paroquial. O funeral foi
realizado para o cemitério local onde ficou sepultada, sendo muitos os Loricenses que a
acompanharam à sua última morada.

* Joaquim Gonçalves de Brito

***
António Luis Amaro Tuna
1918 - 2003
- 36 -

Nasceu em Loriga, em 23 de Agosto de 1918, filho de José Luis Amaro Tuna e de Emília
de Brito Miguel.
Era ainda muito novo quando ficou órfão de seu pai, conhecido por José Farias
(Barbeiro), que faleceu vitima da epidemia do "Tifo Exantemático" que ocorreu em Loriga
no ano de 1927. Por esse facto, e dada a necessidade de ter que trabalhar para o
sustento da casa, empregou-se numa das fábricas de lanifícios, onde viria a ser operário
têxtil durante anos, profissão que deixou na altura em que encerrou definitivamente a
Fábrica da "Redondinha".
Nas horas livres, dedicava-se ao corte de cabelos e barba, seguindo os passos do pai, e
depois do encerramento da fábrica onde trabalhava, dedicou-se de alma e coração à sua
Barbearia, na arte que ele tanto adorava e que era a sua grande paixão.
Nunca voltava para casa enquanto tivesse fregueses para atender, muitas das vezes só o
fazendo a altas horas da noite. Não tinha horas nem para as refeições, privando, muitas
vezes, a família da sua companhia nessas horas.
Na altura da "Febre do Volfrâmio" deu também uma saltada à serra, à procura desse
valioso minério, tendo sempre histórias curiosas para contar.
Tinha uma maneira própria de ser, desenvolvendo um bom relacionamento com todos,
fazendo dele um homem de bem, não se lhe conhecendo, por isso, qualquer inimigo. A
sua Barbearia era como que um ponto de cavaqueira onde os fregueses liam o jornal,
conversavam e falavam das novidades da terra, e onde o "Ti António Farias", mais
popularmente assim chamado, tinha sempre histórias antigas para contar de Loriga, e
das suas gentes.
Muito crente em Deus, era raro o dia que não fosse rezar à porta do cemitério e à Nossa
Senhora da Guia, ou mesmo até na Igreja, onde por vezes se "refugiava" nas suas
orações.
Fazia longas as caminhadas pelos vários recantos da serrania, que parecia conhecer
como as suas próprias mãos. Não sabendo ler nem escrever, pediu a alguém para lhe
escrever algumas palavras, tempos depois, numa das fragas junto à "Fonte dos
Carreiros" feitas com ajuda de um pico e um pincel, onde foram aparecendo, como que
misteriosamente, as legendas "Pensai e Meditai em Deus -Loriga 1990- Nossa Senhora
Livrai-nos de todo o mal",
Cantava o Fado de Coimbra, do qual era um grande entusiasta. Ao cantar, a sua voz
emocionada deliciava as gentes de Loriga, e foram muitas as serenatas que ao longo da
sua vida fez, na companhia de outros loriguenses.
Um dia foi homenageado por um grupo de loriguenses, como prova de gratidão pela
maneira simples e singela como se dedicava a cantar fado de Coimbra, com os amigos,
homenagem que muito o sensibilizou e da qual falava vezes sem conto.
Foi submetido a várias cirurgias, mas a sua grande força e fé, tornavam-no forte para
poder suportar tudo com designação. Nos próprios hospitais, apesar da gravidade da sua
enfermidade, era ele que prontamente dava estimulo aos outros doentes.
Era casado com Maria do Anjos Alves Pereira, também de Loriga e pai de Maria de
Fátima Alves Amaro Gonçalves.
Faleceu em 18 de Fevereiro de 2003, ficando Loriga mais pobre ao ver partir um dos seus
filhos mais queridos. Foram muitos o loricenses que o acompanharam à sua última
morada, sendo o funeral realizado para o cemitério local onde ficou sepultado.

***
António Pinto Ascensão
1920 - 2005
- 37 -

Nasceu em Loriga em 8 Setembro de 1920, filho de Joaquim Pinto Ascensão e de


Amélia de Jesus Florêncio.
"Mestre Ascensão", como muitos assim o chamavam, foi um dos maiores e mais
conceituados maestros de música de Loriga e até mesmo da região.
Muito novo ainda, e depois de concluir o ensino primário, onde foi "aprovado com
distinção", começou a trabalhar numa das fábricas da indústria de lanifícios local. Mas foi
também desde muito novo que nasceu nele a paixão pela música e, por isso, em 1935
iniciou a aprendizagem de música na Banda de Loriga onde foi executante de grande
valor até 1948, ano em que assume pela primeira vez a regência da banda.
Casou em 15 de Junho de 1946 com Maria dos Anjos de Brito Saraiva, casamento que
durou 59 anos, só interrompido com a sua morte. Tiveram nove filhos, oito ainda vivos.
Apesar das dificuldades de então proporcionou a todos uma educação de nível médio ou
superior.
Homem de convicção e de ideias firmes, caracterizava-o o seu espírito de iniciativa e
acção, lutando sempre por aquilo em que acreditava, principalmente, pela sua terra que
tanto adorava. Verdadeiro bairrista e querendo o melhor para a sua terra, nunca deixou de
apresentar soluções e ideias, tanto de viva voz como através da sua pena nos jornais,
nomeadamente, da região sendo, por vezes, mal compreendido.
Nos anos 50, António Pinto Ascensão, foi pioneiro da exibição de filmes em Loriga o
que, de certa forma, contribuiu para dar novos horizontes aos jovens, numa altura em que
a juventude em Loriga atingia números significativos. Foi de facto, na época, uma lufada
de cultura pois a maioria da população, principalmente os jovens, não sabiam o que era a
7ª.arte.
Na década de 60, fecha a fábrica Leitão & Irmãos , onde trabalhava como encarregado de
Ultimação. Desempregado e com quase 50 anos de idade, e todos os filhos a estudar,
iniciou uma nova vida, abrindo uma loja em Loriga, no ramo dos electrodomésticos,
situada na "Carreira", tornando-se um conceituado comerciante muito conhecido na
região.
Por várias vezes foi regente da Banda da sua terra (1949/53; 1962/65; 1982/87). Era um
inovador por natureza quando assumia a regência de qualquer Banda, tendo sempre
presente a preocupação de arranjar repertório novo, que tornaria qualquer Banda de
música bastante mais rica.
Quando da sua última passagem pela Banda Recreativa Musical de Loriga, 1982/87, foi o
grande impulsionador da criação da publicação "A Voz da Banda" que teve, na altura,
uma certa expressão, a qual, depois da sua saída, deixou de ser publicada.
Ainda nessa altura, e por sua iniciativa, a Banda teve uma Escola de música,
reconhecidamente muito importante, à qual aderiu muita juventude. Bem como, foi criado
em Loriga o grupo "Amanhã", ao qual o mestre Ascensão deu preciosa ajuda
contribuindo no aperfeiçoamento deste grupo de jovens de cantares tradicionais.
Foi da sua autoria, a introdução do Hino "Ó Padroeira Amorosa" na Festa da Nossa
Senhora da Guia em Loriga, que remonta ao ano de 1950, um arranjo do original cântico
"Ó Padroeira Amorosa" que se cantava e ainda hoje se canta à Senhora da Nazaré na
cidade de Belém-Pará-Brasil.
Sem nunca deixar a sua dedicação à musica foi, durante cerca de 14 anos, regente da
Banda de São Romão, onde desempenhou um trabalho de grande relevo ainda hoje ali
recordado. Regeu também, durante algum tempo, as Bandas de Torrozelo e Paços da
Serra.
Frequentou um curso de Aperfeiçoamento e Didáctica Musical na Fundação Calouste
Gulbenkian onde enriqueceu os seus conhecimentos musicais, que o habilitaram para
dar aulas de Educação musical, primeiro no Externato Nossa Senhora da Conceição em
São Romão e depois na Escola do Ciclo Preparatório em Loriga.
Foi presidente da Junta de Freguesia de 1972 a 1976, anos problemáticos, em que os
meios financeiros eram escassos, conseguindo levar a efeito obras de grande vulto,
projectando Loriga como Vila mais moderna e, onde a preocupação ambiental foi sempre
presente, tendo nessa altura sido levada a efeito uma grande campanha de incentivo
junto à população, para uma Loriga mais limpa.
É de registar o facto de que, após a revolução do 25 de Abril de 1974, a Junta de
Freguesia recebeu o voto favorável dos loriguenses numa reunião realizada no Salão
Paroquial, completamente cheio.
Foi o grande impulsionador e um dos fundadores da Associação de Apoio à Terceira
Idade, um carência em Loriga, que apesar de o percurso não ter sido pacifico, contou
- 38 -

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Armando Fernandes dos Santos *
1921 - 1952

Armando "Folhadosa" assim conhecido, era natural de Loriga onde nasceu no ano de
1921, ficando órfão ainda muito novo, depois de fazer a quarta classe foi trabalhar e viver
com o padrinho Sr António Folhadosa, um oficial sapateiro com nome nas redondezas,
que tinha uma sapataria junto ao Poleirinho, por onde também passariam outros que
mais tarde se viriam a tornar grandes sapateiros.
Anos depois da morte do padrinho, o Armando viria a tomar conta da gerência da
sapataria, onde se viria a tornar num sapateiro de sucesso. No entanto, viria a morrer
ainda muito novo, vitima de uma doença existente nesses tempos, que o minava e para a
qual na época ainda não era possível a cura eficaz.
Foi um grande dinamizador do futebol em Loriga, onde jogava a guarda-redes, e foi no
apogeu da sua mocidade que foi fundado o Grupo Desportivo Loriguense, tendo os
fundadores encontrado no Armando "Folhadosa" um dos principais apoiantes. Nessa
altura não havia campo de futebol e era no Terreiro da Lição, Fonte do Mouro, Sargaçal e
mais tarde o Campo da Vista Alegre onde era jogado esse desporto, o único em Loriga
na época.
Acérrimo defensor e grande adepto do Sporting que nessa altura dominava por inteiro o
panorama futebolístico nacional, foi ele que lançou a semente do seu sempre querido
clube cujos adeptos estavam em maioria em Loriga. A sua sapataria era um repositório
dos grande ídolos daqueles tempos, Soeiro; Peyroteo; Pireza; João Cruz; Azevedo;
Cardoso; Mourão; os famosos violinos etc., onde ali podiam ser vistos em todos os
tamanhos.
Com naturalidade, a sua sapataria era lugar de tertúlia, onde todos se informavam e
discutiam os assuntos desportivos, principalmente o futebol, e onde os jornais e revistas
da época:- Sports, Stadium e o recém aparecido "A Bola" faziam parte da mobília.
Faleceu em 10 de Maio de 1952 com apenas 31 anos, sendo sepultado no cemitério
local, vendo Loriga partir um grande desportista que muito tinha a dar à sua terra, mas
que infelizmente, ainda muito novo partiu para sempre.

* António José Leitão

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Ilídia Nunes Pina Prata
1921 - 2000
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Nasceu em Loriga, a 5 de Fevereiro de 1921, notabilizou-se no ensino que durante


décadas desempenhou com uma grande dedicação e alegria de ensinar.
Frequentou em Loriga o ensino primário. Rumou depois para Viseu, onde conclui o
ensino secundário no grande Colégio Português. Em 1944 ingressou na Escola do
Magistério Primário de Coimbra, tendo concluído o curso em 1946.
Nesse mesmo ano, regressou à sua terra natal para iniciar a sua actividade como
professora do 1.ciclo do ensino básico. Em 1949, obteve a nomeação como efectiva para
a Escola Primária de Vasco Esteves, onde se manteve até 1953, data a partir da qual foi
colocada na Escola Primária do Pereiro.
Em 1961, passou a fazer parte do quadro da Escola Nr.1 de Seia, onde permaneceu
durante 30 anos precisamente até 1991.
Aposentou-se com 45 anos de serviço e 70 anos de idade, tendo ao longo de todos
esses anos granjeando a amizade e a estima dos habitantes de Seia e dos seus
conterrâneos.
Foi-lhe atribuída, pela Câmara Municipal de Seia, a Medalha de Mérito da Cidade.
Faleceu em Coimbra no dia 3 de Maio de 2000, vendo os Loricenses desaparecer uma
sua conterrânea que, notabilizando-se fora de Loriga, deixou mais enriquecida a história
desta localidade.

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Dr. Carlos Pinto Ascensão
1922 - 1997
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Nasceu em Loriga no dia 25 de Dezembro de 1922, onde também frequentou a escola


primária, filho de Joaquim Pinto Ascensão e de Amélia de Jesus Florêncio. Com 13 anos
de idade seguiu para o Seminário tendo passado por Santarém, Almada e Olivais. Anos
mais tarde abandonou a vida eclesiástica e, no ano de 1944, ingressou como funcionário
na Casa Pia de Lisboa.
Entregando-se ao trabalho de educação dos adolescentes especialmente aos deficientes
visuais e auditivos, foi ocupando nesta instituição sempre cargos de relevância, onde foi
também granjeado a simpatia geral, vindo mesmo a ocupar funções directivas,
nomeadamente no Instituto Jacob Rodrigues Pereira, tendo sido também Presidente da
Associação Portuguesa de Professores e Técnicos de Reabilitação de Surdos.
Personalidade de reconhecido prestígio no plano internacional, viajou por todo o mundo
em representação da Casa Pia, sempre com grande sentido do cumprimento do dever.
Foi representante de Portugal no BIAP - Bureau Internacional de Audiophonologie, sendo
por sua iniciativa criada uma Comissão Internacional a que presidiu desde a sua criação.
Ao longo da sua carreira escreveu muito, principalmente dos temas que ele tão bem
conhecia relacionados com o deficiente, colaborando em vários jornais e revistas
destacando-se entre outros:- Diário popular; A Capital; o Diário de Noticias e a Flama.
Dedicando toda a sua vida àquela Instituição, apesar de aposentado em 1992 a ela
continuou ligado como Director da Revista da Casa Pia de Lisboa e também como
Presidente da Associação Portuguesa de Professores e Técnicos de Reabilitação de
Surdos.
Era por vezes acusado de ter esquecido Loriga, ao que ele respondia "Que se lembrava
da sua terra todos os dias, e se há quem pense que ser bairrista é estar sempre
presente em cima da terra, ser bairrista é fazer pela terra tudo quanto se pode sem se
esquecer dela".
Foi um dos fundadores do Jornal "A Neve" em 1949, tendo colaborado com os seus
escritos nos programas das Festas da Vila realizadas na década 50 e 60, escrevendo
ainda alguns artigos no Jornal "Garganta de Loriga" nestes tempos mais recentes.
Em 17 de Março de 1993, no Palácio da Ajuda, o Dr. Carlos Ascensão recebeu das
mãos do então Presidente da República, Dr. Mário Soares, as insígnias de Comendador
da Ordem de Mérito, numa consagração oficial e pública de uma vida dedicada à
solidariedade.
Faleceu no dia 23 de Agosto de 1997, vendo Loriga partir um dos seus filhos que se
notabilizou fora dela, mas que a deixou mais enriquecida na sua história.

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Manuel Dinis Pereira *
1923 - 1996
- 41 -

Nasceu em Loriga a 1 de Junho de 1923, vindo a notabilizar-se ao longo de muitos anos


pelo seu desempenho profissional no serviço de saúde, não só na sua terra como ainda
nas freguesias periféricas. Era o Enfermeiro, mas em certas situações pareceu ser o
médico.
A sua humildade tornavam-no num homem simples, sendo um grande bairrista que
adorava todas as coisas da sua terra. Além de tudo era um loriguense convicto e que
acreditava na palavra, por isso a popularidade e a amizade que sempre granjeou dos
seus conterrâneos.
Após concluir a escola primária o médico de Loriga Dr. Andrade, chama-o para o seu
consultório, passando a ser o seu "moço de recados" o que durante anos não parecia
passar disso mesmo. No entanto o "Ti Manel Barriosa" como era assim chamado, foi
deitando o olhar por tudo o que o rodeava.
Tornou-se um ajudante imprescindível do médico, com quem teve sempre um bom
relacionamento, muito embora este só o tenha inscrito na Previdência Social um pouco
tarde, colaborou, após a morte do Dr. Andrade, com o filho deste, Dr. Jorge Andrade e,
mais tarde, durante muitos anos, com o Dr.Bandeira.
Foi adquirindo experiência, e apesar de não ter curso de enfermagem, adquire mesmo o
estatuto de enfermeiro de Loriga. Deu injecções sem conto e, neste serviço de
enfermagem aventura-se mesmo a fazer muito mais, chegando ao ponto de tirar dentes e
a dar sem querer nada em troca medicamentos que ele por vezes conseguia de
amostras de propaganda médica.
Esta figura de Loriga marcou na sua terra uma época em que nunca poderá ser
esquecido, destacando-se entre outras actividades, o ter sido um potencial impulsionador
do teatro amador nesta localidade. Muitos ainda recordam quando pela sua mão houve a
possibilidade de ser colocada em cena a "Casa do Pai" talvez um dos maiores êxitos
que o teatro amador desta Vila conheceu. Homem simples e bom, foi sem dúvida muito
importante e de grande utilidade para Loriga, pois estava sempre pronto para ajudar em
tudo que fosse realizações de carácter cultural na sua terra. Havia até quem o chamasse
de "festeiro", atendendo às ideias e iniciativas que pôs em prática, mesmo sendo ele a
pagar do seu próprio bolso, para que tudo fosse possível fazer.
Fez parte da Direcção da Banda de Música durante muitos anos, onde ainda hoje é
recordado com saudade e foi, durante sete anos mordomo da Festa da N.S. da Guia,
sendo ele também o promotor, em 1963 das primeiras marchas populares realizadas em
Loriga.
Os tempos mudaram foram surgindo os enfermeiros habilitados, o "Ti Manel Barriosa" o
"Enfermeiro" de Loriga deixou de ser menos solicitado, mas nem por isso foi esquecido
por muitos a quem ele, dedicadíssimo, prestou preciosa assistência. Faleceu a 21 de
Outubro de 1996, vendo a população partir aquele que, na sua nobre missão, aliviou
muitas vezes o sofrimento de todos aqueles que o procuravam.

* Albrito

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Dr. Joaquim Jorge Reis Leitão *
1926 - 1994
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Nasceu em Loriga em 5 de Novembro de 1926, filho de Emílio Reis Leitão e de D. Adélia


Jorge Leitão. Fez na sua terra a escola primária, indo de seguida para o Liceu e depois
para o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.
Estudante brioso e muito cumpridor, salientou-se no meio estudantil em que esteve
envolvido onde acima de tudo eram bem evidentes a suas qualidades de inteligência e
personalidade. Pouco tempo depois da sua licenciatura, foi Professor provisório da
Escola Preparatória Nuno Gonçalves de Lisboa de 1953 a 1954, e nessa mesma Escola
foi, a partir de 1957 a 1959 Professor secretário e de 1959 até 1967 Subdirector.
Colocado no Ministério da Educação fez uma brilhante carreira ao longo de 37 anos,
sempre desempenhando elevados cargos, tendo ainda participado em grupos de
trabalhos e outras missões, como por exemplo na Presidência dos diversos júris de
concursos de habilitação para pessoal administrativo, nomeadamente chefes de
secretaria de estabelecimento de ensino.
Teve ainda algumas participações em grupos de trabalho e outras missões,
destacando-se entre outras as de Membro da Comissão Organizadora do Congresso
Nacional do Ensino Técnico realizado em 1968, Revisão das estruturas administrativas
dos estabelecimentos de ensino preparatório e secundário e frequência de um estágio
em Paris para estudo da gestão dos estabelecimentos do ensino secundário franceses
patrocinado pela OCDE.
Grande amigo da sua terra e muito bairrista onde, por norma, se deslocava
semanalmente, foi um grande obreiro para a criação da Escola Secundária nos finais da
década de 1960 e cuja inauguração foi efectuada pelo então Ministro da Educação Dr.
José Hermano Saraiva que foi recebido pela Banda de Loriga executando o Hino da Maria
da Fonte.
Foi um dos fundadores do Jornal "A Neve" em Lisboa no ano de 1949, publicação que
viria a ser interrompida poucos anos depois, passando mais tarde a ser publicado como
Boletim Paroquial.
Veio a ter grande influência na construção da Escola EB em Loriga à qual desde logo foi
posto o seu nome:- Escola EB 2.3 Reis Leitão-Loriga, numa prova de gratidão da
localidade, a tão grande bairrista loriguense.
Faleceu em Lisboa a 29 de Agosto de 1994, sendo sepultado no cemitério de Benfica,
longe da sua terra que tanto adorava, tendo a Vila de Loriga perdido uma das suas
maiores figuras que em muito contribuiu para o desenvolvimento da sua terra.

* Albrito

***
José Moura Mourita
1928 - 1998
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Natural de Loriga onde nasceu em 12 de Julho de 1927, filho de Joaquim Moura Mourita e
de Maria do Carmo Lopes Vide, também naturais desta localidade.
Figura querida de Loriga foi o "último" Carteiro desta Vila, em épocas quando a
nomenclatura das ruas ou mesmo os números das portas das habitações faziam parte
do nosso imaginário, tendo ao longo de muitos anos desempenhando aquelas funções
com muita dignidade.
Foram quilómetros sem conto percorridos ao longo dos anos de serviço na sua profissão
de Carteiro, devendo ser o único loriguense a conseguir pisar todas as ruas, becos,
pátios, quelhas ou mesmo qualquer recanto da povoação, levando consigo boas e más
noticias. Conhecia toda a gente pelos seus nomes e apelidos, apesar de serem tempos
em que a população atingia números elevados que nada tem a haver com o movimento
populacional de hoje, que se vem notando cada vez mais reduzido.
Homem de uma calma impressionante e de pontualidade eficaz, ao sol, chuva, vento, frio
ou neve, a partir das 11 horas da manhã era uma presença obrigatória pelas ruas da Vila,
fazendo chegar aos seus destinatários a tempo e horas a correspondência que consigo
levava, mesmo tendo por vezes o hábito de se entreter em "dois dedos de conversa" com
os amigos ou aproveitando essas paragens por breves momentos para refrescar um
pouco a garganta.
Hoje nada sendo com antes, desempenhar o serviço de carteiro parece necessário ser
bastante letrado e em vez do andar a pé, existem os transportes para se movimentarem,
parecendo nada poder ser feito se não houver a ajuda da electrónica. No entanto o "Ti Zé
Mourita" o carteiro de Loriga não precisou nada disso, pois registava mentalmente todos
os nomes das pessoas da sua terra. Hoje em dia, se a memória nos falha, podemos
socorrer-nos da nossa "memória electrónica", como é o caso do computador.
Sendo bastante religioso era um cristão convicto e um fervoroso defensor da igreja,
adorando igualmente a sua terra. Era casado com a Sra. Adélia Alves Jesus.
Um dia, em caminhos que percorreu e tão bem conhecia, aconteceu o que nunca previa
que viesse acontecer. Caiu e feriu um pé e uma a perna e, a partir daí não mais foi o
mesmo, Foi adoecendo e essa mesma doença o viria a vitimar, falecendo no dia 20 de
Abril de 1998. A população de Loriga viu partir o "último" Carteiro da Vila daquela época
em que a correspondência, para chegar até nós, apenas bastava ter o nome.

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Mário Gonçalves da Cruz
1928 - 1999
- 44 -

Natural de Loriga onde nasceu em 16 de Janeiro de 1928, ficou na memória como um


dos maiores bairristas loriguenses, onde o amor a Loriga estava sempre presente onde
quer que fosse e estivesse em tudo o que se envolvesse relacionado com a sua querida
terra.
Esta figura loriguenses viveu quase toda a sua vida em Sacavém. Para muitos era como
que um cônsul de Loriga nesta localidade, a quem muitos recorriam para saberem
novidades e noticias e como não podia deixar de ser foi também um dos fundadores da
ANALOR (Associação dos Naturais e Amigos de Loriga) à qual dedicou muito do seu
tempo.
Um dom poético o caracterizava para projectar a sua adorada terra através da poesia,
escrevendo muitos poemas, quase sempre dedicados a Loriga e às suas gentes, não
esquecendo os Bombeiros e Músicos pelos quais teve sempre uma grande admiração.
Homem de alma grande, ficou na recordação de muitos quando organizava excursões a
Loriga, nomeadamente no verão e mais precisamente para os festejos da Festa da N.S.
da Guia, estando na lembrança a chegada à "Carreira" onde era enorme a emoção e
quando da partida, a tristeza reinante era bem visível nos rostos de todos aqueles ao
deixarem mais uma vez a sua terra.
Pessoa simples e afável tinha uma maneira própria de falar das artes, dos livros, da
poesia, nos acontecimentos diários, tendo também sempre histórias e peripécias para
contar desses passeios excursionistas e ainda de uma vida que levou dedicada ao
melhor que houvesse para Loriga.
Faleceu em 28 de Dezembro de 1999, após doença, sendo sepultado no cemitério de
Sacavém, ficando assim dividido por duas localidades que foram a sua vida, uma que foi
seu berço e a outra em que ficou sepultado, ficando Loriga mais triste por não mais ver
chegar aquele que um dia lhe cantou:

"Eu canto Loriga canto. A tua Primavera em flor. Como eu te quero tanto. Minha terra,
meu poema, meu amor".

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Carlos Nunes Cabral Junior
1928 - 2004
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Nasceu em Loriga, em 16 de Maio de 1928, filho de Carlos Nunes Cabral e de Urbana


Nunes Moura.
Depois de frequentar a escola primária na sua terra, foi estudar para Coimbra, por onde
se manteve durante alguns anos.
Desde muito novo se notava a sua qualidade de empresário e cedo começou a pisar os
passos de seu pai, também ele um grande industrial em Loriga.
Homem de grande inteligência e de luta, empresário de enorme qualidade e sucesso.
Após a morte de seu pai, tomou a liderança da Firma Moura Cabral & Comp., que
administrou durante três décadas, chegando mesmo a ser uma firma de sucesso, em
desenvolvimento, progresso e qualidade, merecidíssimas reconhecida no concelho e não
só.
Fez parte dos Corpos Sociais de vários organismos da sua terra natal, nomeadamente
de carácter desportivo, cultural e humanitário, funções que sempre desempenhou com
todo o empenho e dedicação.
Foi presidente da Junta de Freguesia de Loriga de 1990 a 1993, onde se destaca a obra
realizada e de grande valor, no desenvolvimento da sua terra.
Depois do 25 de Abril de 1974 e até 1976, fez parte da Comissão Administrativa da
Câmara Municipal de Seia
Tanto como dirigente ou empresário, apoiou sempre todas as iniciativas, que fossem de
beneficio para a sua terra.
Em medas da década de 1980, foi determinante o seu contributo ao espírito
impulsionador, em termos de panorama do futebol, elevando o Grupo Desportivo
Loriguense, ao seu mais alto nível desde a sua existência, ao disputar pela primeira vez
o Campeonato Distrital da 2ª. Divisão da Associação do Futebol da Guarda. Foi também
nessa altura, o Presidente eleito desta popular colectividade loriguense.
Poucos anos antes da sua morte, resolveu afastar-se do meio empresarial, deixando
mesmo a sua empresa. Esta firma continua em laboração, sendo a única empresa de
lanifícios, que actualmente e apesar de tudo, ainda sobrevive em Loriga.
Faleceu inesperadamente em Coimbra, no dia 4 de Abril de 2004. O funeral realizou-se
para a sua terra natal, onde ficou sepultado no cemitério local.
Loriga ficou mais pobre ao ver desaparecer mais um dos seus industriais, que muito fez
pela sua terra e que tanto adorava.

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Adélia Alves Martins
1929 - 1974
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Nasceu em Loriga, no dia 2 de Maio de 1929, era filha de António Alves Martins e de
Maria Emília Duarte Jorge.
Desde muito nova se começou a destacar como cozinheira, numa maneira própria de
muito bem confeccionar a comida regional.
Os seus dotes culinários eram muitos reconhecidos não só em Loriga, mas também
pelas outras terras da região, para onde era solicitada com regularidade.
Cozinhava para bodas ou outros eventos, sendo a mais nova das cozinheiras a trabalhar
para a comunidade em Loriga. Tal como era usual nesses tempos, nunca também fazia
preço pelo trabalho que executava, aceitando o que as pessoas lhe queriam dar, sendo
que, muitas vezes, o pagamento consistia apenas em mercearias.
Muito devota e religiosa, teve sempre presente o cumprimento dos deveres da Igreja,
tendo pertencido à JOCF e à LOCF, logo após a fundação destes organismos em Loriga,
pelo Sr. Padre António Roque Abrantes Prata, Pároco nesta vila (1944-1966).
Foi a primeira cozinheira do Restaurante Império em Loriga, quando este foi inaugurado
em 1972 onde, durante o tempo que ali trabalhou, a comida que confeccionava, era
bastante apreciada pelas pessoas que vinham de fora.
Teve sempre a preocupação de transmitir aos outros os seus conhecimentos de culinária
e, por isso mesmo, os seus ensinamentos vieram a tornar-se muito úteis, para as
pessoas que com ela muito aprenderam.
Mãe de doze filhos, muito carinhosa e esposa resignada pelo infortúnio da doença do
marido, viria a morrer relativamente nova, após doença prolongada, deixando seus filhos
ainda muito novos e, quando ainda tinha muito para dar à família e também à
gastronomia loriguense.
Faleceu em 20 de Outubro de 1974, sendo sepultada no cemitério local, onde muitos
loriguenses se deslocaram acompanhando-a até à sua última morada, num funeral de
verdadeiro pesar, vendo Loriga, desaparecer para sempre, uma das suas cozinheiras,
que deixou em todos, recordações e saudades.

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Adelino Moura Galvão
1929 - 1990

Nasceu em Loriga em 9 de Outubro de 1929, filho de Mateus de Moura Galvão e de


Maria dos Anjos Pina Galvão.
Professor primário de enormes qualidades, esforçando-se para que os seus
ensinamentos fossem linhas orientadoras que permitissem aos seu alunos enfrentar sem
temor o dia de amanhã.
Muito culto, disciplinado e de muito profissionalismo, deu o melhor que sabia ao ensino e
aos seus alunos
Foi presidente da Junta de Freguesia na década de 1960, tendo projectado muitas ideias,
que contribuíram para muito do desenvolvimento que na década seguinte se veio a
concretizar na vila de Loriga..
Faleceu em Loriga, no dia 8 de Fevereiro de 1990, sendo sepultado no cemitério local.

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Emílio Leitão Paulo
1932 - 2001
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Nasceu em Loriga em 17 de Julho de 1932, foi uma figura de prestigio desta localidade,
distinguindo-se como personalidade bem vincada em todos os cargos que desempenhou.
Fez o ensino primário na sua terra, licenciou depois em Coimbra, tendo sido diplomado
em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa.
Trabalhou na Companhia dos Diamantes de Angola, durante alguns anos, regressou à
Metrópole, tendo ingressado nos Nitratos de Portugal como Director Técnico. Transitou
depois para a Metalúrgica Vaz Leal, em Loriga, onde foi sócio-gerente durante alguns
anos, onde também teve sempre a preocupação de gerir esta firma industrial da sua
terra, com o maior dinamismo e entusiasmo.
Dedicou parte da sua vida à politica, militante pelo partido do CDS, teve um papel de
relevo na organização deste Partido no distrito da Guarda, onde chegou a ser o mais
votado, chegando mesmo também a ser Vice-Presidente do Conselho Nacional.
Após o 25 de Abril de 1974, foi Deputado pelo CDS na Assembleia Constituinte pelo
círculo da Guarda. A partir de 1978 foi nomeado para Governador Civil da Guarda,
funções que desempenhou durante algum tempo. Foi também Vice-Presidente da
Câmara de Seia.
Pessoa de fino trato, e de elegante relacionamento, era bem reconhecido por todos o
trabalho desempenhado nas suas funções politicas, onde procurava acima de tudo ser
aberto a todos, sem distinção de ideologias, tentando servir o melhor possível os
interesses do seu Distrito.
Foi um dos sócios fundadores da Editora Porta da Estrela Lda., proprietária do Jornal da
Porta da Estrela publicado em Seia.
Casado em primeiras núpcias com D. Maria Lela de quem ficou viúvo, tendo casado em
segundas núpcias com D. Maria de Lurdes D.Brito.
Faleceu no Hospital Particular de Lisboa, no dia 12 de Outubro de 2001, vítima de
doença. O seu funeral saiu da Igreja do Campo Grande-Lisboa para Loriga, onde ficou
sepultado no cemitério local.

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Joaquim Leitão da Rocha Cabral
1934 - 2003
- 48 -

Nasceu em Loriga, em 25 de Maio de 1934, filho de António da Rocha Cabral e de


Guilhermina Reis Leitão Cabral.
Vivendo praticamente sempre fora da sua terra, notabilizou-se pelo seu invejável e
meritório curriculum, devido aos altos cargos que desempenhou ao longo da sua vida, e
que o tornaram num loriguense de destaque.
Chefiou e administrou muitas instituições públicas, e fez parte também de diversos
governos, vivendo uma vida de actividade, que o impossibilitava de muitas mais vezes
visitar Loriga, como decerto desejaria.
Licenciou-se em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico em 1951-58 e,
posteriormente, viria a formar-se em Genie Atomique INSTN Saciay 1959; Calder Hall
Operatine School 1960 e Auditor do Curso de Defesa Nacional 1993-94.
De 1959 até 1976, foi Engenheiro da Companhia Portuguesa de Industrias Nucleares,
bem como da Empresa Termo-Eléctrica Portuguesa e da Companhia Portuguesa de
Electricidade. De 1976 até aos últimos tempos da sua vida, chefiou a Equipa de Projecto
da Central Nuclear, passando à reforma em 1999, na função de assessor do Concelho da
Gerência.
Em 1977, foi nomeado Administrador da Electricidade de Portugal. De 1971 a 1983, foi
representante português na Comissão de Estudos Nucleares da UNIPEDE, e em 1987
na Comissão Consultiva da EUROTOM. De 1983 a 1984, foi Vice-presidente da UFIPTE.
Dedicou-se à politica, tendo feito parte do I Governo Constitucional como Secretário de
Estado da Energia e Minas: (28-07-1976 a 07-01-1977) e de (07-01-1977 a 25-03-1977),
do II Governo Constitucional, como Secretário de Estado da Energia e Indústrias de
Base: (06-02-1978 a 28-07-1978), mantendo-se em gestão até à posse do 3º Governo
Constitucional, em 29-08-1978, e do IX Governo Constitucional como Secretário de
Estado da Energia: (18-06-1983 a 12-07-1985), mantendo-se em gestão até à posse do
10º Governo Constitucional, em 06-11-1985.
Foi nomeado Secretário-Adjunto do Governo de Macau, de Julho de 1987 a Dezembro de
1989. Em 1992, candidatou-se à Junta de Freguesia do Campo Grande (Lisboa) onde
saiu vencedor, tendo-se recandidato e vencido também em 1996. Pelos serviços
prestados ao longo da sua vida, foi reconhecido pelo seu trabalho, ao ser-lhe atribuída a
condecoração do Grão-Cruz da Ordem de Mérito Civil de Espanha. Foi casado com
Maria Isabel Nunes Cabral, também natural de Loriga e pai de Ana Isabel Cabral Grade.
Faleceu no dia 17 de Janeiro de 2003, e o seu funeral foi realizado para o cemitério do
Alto São João - Lisboa, tendo Loriga ficado mais pobre ao ver desaparecer um dos seus
mais nobre e ilustre filho.

***
António Abreu de Pina *
1937 - 1962
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Nasceu em Loriga no dia 7 de Setembro de 1937, filho de António de Moura Pina e de


Idalina Mendes Luis Abreu.
Depois de frequentar a escola primária, ingressou no seminário da Guarda, que apesar
de ser um jovem de uma maneira diferente de viver, era bem visível todas as condições
para trepar facilmente as escadas do altar.
Seminarista, escuteiro, jogador de futebol, tocador de viola, actor de teatro, era acima de
tudo um jovem desinibido. Filho de uma família extremamente religiosa, possuidor de
uma vasta inteligência, uma capacidade musical como poucos, uma desenvoltura
linguística invulgar, que mais Deus tinha a dar a este futuro seguidor.
Quando vinha à sua terra de férias, além das coisas da igreja estava em tudo. Fazia
teatro, jogava futebol no Grupo Desportivo Loriguense, que ainda hoje é recordado como
um dos melhores futebolistas de Loriga. Estava nas tertúlias que se sucediam nas
sapataria do seu pai, tocava viola e cantava com os outros.
Organizava acampamentos na serra, com a juventude, passeava nas ruas com tamanha
elegância e à vontade que serviam de escola no seio da timidez que assolava a juventude
de Loriga na época.
O António Calçada, como popularmente era assim chamado, queria ser Padre. Mas um
padre actual, virado para as questões sociais, para os problemas da juventude de uma
era moderna e não um rezador de novenas. Só que na época os apoios eram parciais
nos Seminários e as opiniões divididas. O António chega às ordens menores mas há
hesitações dos superiores, procuram-se esperas, o bispo recebe dúvidas a arrasta o
processo.
Depois de tanta hesitação, o pároco de Loriga terá dado, segundo opinião de alguns,
uma informação negativa e o seminário desaconselha, assim, a ordenação do futuro
Padre Abreu. Caía a noticia em Loriga como uma bomba, e um trovão sobre a cabeça
dos seus pais.
O jovem António Abreu, parte então para Lisboa, empregando-se na Misericórdia dada a
sua capacidade e paixão musical, frequenta o conservatório da música, e ali conheceu o
Professor Santos Pinto, vindo a tornar-se grandes amigos.
Avizinha-se o serviço militar, António sentia qualquer coisa de anormal no seu coração.
Os médicos aconselham um exame difícil para a época: cateterismo.
Foi fatal. Faleceu nas mãos dos médicos no dia 16 de Julho de 1962, com a idade de 24
anos. O Funeral realizou-se para o cemitério dos Olivais em Lisboa onde ficou sepultado.
Loriga viu assim desaparecer um jovem que tanto queria ser Padre, e muito poderia fazer
por Loriga, mas que as mentalidades conventuais, na época, não viam com aprovação a
libertação deste jovem de outras ideias mais moderna.

* Albrito (GL 1998)

***
Carlos Augusto Nunes de Pina
1945 - 2003
- 50 -

Nasceu em Loriga em 1945, filho de Carlos Nunes de Pina e de Maria dos Anjos Gomes
de Pina.
Fez a escola primária em Loriga e desde muito cedo se notava nele uma certa aptidão
para a escrita.
Depois de concluir os seus estudos enveredou pela carreira jornalística, onde se
notabilizou com grande sucesso ao longo de mais de 30 anos, angariando sempre a
estima e a admiração dos seus superiores e colegas.
Iniciou o seu percurso jornalístico no Jornal "Diário de Noticias" passando pela categoria
de revisor gráfico e de redactor. Foi subdirector e mais tarde director do Jornal "O Dia",
foi ainda director da "48 Horas" e editor da revista "Tempo Livre" da Inatel.
Ocupou no mundo da comunicação social outros cargos importantes que para além de
ter sido co-fundador do "Jornal Novo", destaca-se de ter sido o jornalista responsável pela
introdução da comunicação institucional, tendo para o efeito, fundado a INFOPLAN e a
INFOPLUS.
Nos últimos tempos da sua vida, exercia, as funções de director-adjunto da Revista
"Homem Magazine".
Foi um grande colaborador e bateu-se pelo aperfeiçoamento e melhor qualidade do Jornal
"Garganta de Loriga", a ele se deve a nova linha gráfica deste jornal loriguense,
propriedade da ANALOR.
Adorava a sua terra e dela escrevia por onde quer que passasse, mantinha sempre bem
vivas as recordações dos seus tempos de criança na sua terra natal, e onde quer que
andasse não esquecia Loriga.
Faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no dia 11 de Setembro de 2003, com a
idade de 58 anos, e após doença prolongada. O funeral realizou-se para o Estoril, sua
terra de residência. Foram muitos os amigos e conterrâneos que estiveram presentes
para lhe prestar a última homenagem, e o acompanharem à sua última morada para o
cemitério local onde ficou sepultado.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre mais um seu ilustre filho, e os seus
conterrâneos viram desaparecer alguém, que pelo seu elevado nível de pessoa de
enormes qualidades e capacidades, constituiu para todos motivo de orgulho.

***
Loricenses Centenários
Registo de pessoas nascidas em Loriga que viveram 100 anos e mais.
- 51 -

Urbana Pereira AlbanoFernandes Conde Maria dos Anjos Leitão Brito


(Loriga *) (Brasil *) Crisóstomo
1885 - 1987 1888 - 1988 (Loriga *)
1894 - 1995

Maria dos Anjos Jorge Moura de António Nunes Moita


Joao Luíz (Argentina *) (Lorigal *)
1904 - 1898 - 1999

(*) Local onde viveram a maior parte do tempo da sua vida.


-1-

Memórias no Tempo
Alguns acontecimentos,factos e registos em Loriga de outras eras

Registar a História é uma cadeia de solidariedade no tempo e um abraço das gerações que nos faz conviver com os que já viveram.
Alguns registos da Vila de Loriga em tempos há muito passados:

I - Loriga no Ano de 1931 *

Santa Maria Maior (a 42 Km da estação férrea de Nellas e a 22 Km de Ceia, sede de concelho. J.P.. Altitude 741 metros - População: 2.488 habitantes. C.Postal - 3
- T.P a L. A 65 Km de Viseu, 95 Km da Guarda e 120 Km de Coimbra.
É a primeira e a mais importante freguezia do Concelho e uma das principaes do districto da Guarda, pela sua população, commercio, industria e riqueza precuária;
no fabrico de laníficios, empregando diariamente cêrca de mil operários de ambos os sexos. N`esta freguezia se fabrica o conhecido queijo Serrano.
Possue os seguintes templos:- Santa Maria Maior (Matriz); Santo António; Nossa Senhora da Guia; Nossa Senhora do Carmo; São Sebastião e Auxiliadora.
Tem minas de volfrâmio, ferro, estanho, e arsénico, descobertas, mas não exploradas. Por emquanto é o terminus da estrada districtal que há-de ligar Viseu à
Covilhã, estabelecendo communicação, directa entre os dois districtos. Está projectada uma estrada de penetração para a Serra e um funicular electrico, quando
aproveitadas as quedas d´agua de Loriga. Possue seis artisticos chafarizes publicos mandados construir pela colónia loriguense de Manaus (Brasil-Amazonas) e é
iluminada à electricidade.
Carreiras diárias de luxuosas camionetas entre Loriga, Nelas e Viseu.

***
-2-

-Abegoarias (Proprietarios de):-António Duarte Leitão; António Lapeiro.


-Agências Bancárias :-Banco Aliança; Borges & Irmão, José Henriques & Totta, Limitada, José Moura Pina & Filho ; J.M. Fernandes Guimarães & C. Limitada, José Luiz Duarte Pina & Irmãos ;
Banco Nacional Ultramarino, Lisboa & Açores, Espirito Santo, Banco do Minho e Borges & Irmão, António Gomes Leitão & Filho.
-Agências Seguros :-Accidentes de trabalho, Emilio R.Leitão; Mundial; António G. Leitão& Filho; Portugal Previdente e Lisbonense, José Moura Pina & Filho.
-Alambiques :-José Cabral; José Mendonça Gouveia Cabral.
-Almocreves :-Elisa de Jesus; José Alves de Oliveira; Vicente de Jesus.
-Alfaiates :-António de Brito Pereira; Francisco Martins de Clara; José Fernandes Urtigueira; Placido Pinto Luis dos Santos.
-Annuario Commercial de Portugal :- correspondente, Carlos Cabral Leitão.
-Apicultura mobilista :-António Cabral Leitão.
-Armador de Igrejas :-José Fernandes de Brito.
-Artigos Photographicos :-Francisco Manazes.
-Automóveis (Aluguer de):- Garage Commercio e Industria; Garage Estrella Leitão & Irmãos.
-Avicultura :-Carlos Santos; José Bonito & C.; José Lemos de Moura.
-Azeite (Negociantes de):- José Alves de Oliveira; José Lages; Natividade do Fidão; Vicente de Jesus.
-Azeite (Productores de):- António Cabral (Herdeiros de); António Cabral Leitão; António Cardoso de Moura.
-Azenhas :-António Cabral (Viuva de); António Gomes Leitão; António Lopes Canhão; António Cardoso de Moura; Elisa Cecilia; Joaquim Fernandes Gomes, Joaquim Lucas.
-Barbeiros :-Francisco do Senhor; Joaquim Alves Simão Junior; José Farias, Filho.
-Cabedaes :-José Luiz Lages Junior.
-Cabo d`Ordens :-José Amaro de Brito.
-Calçado de ourelo (Fabricante de):-Libania Pereira.
-Carnes frescas (Açougueiros):- Francisco Gomes; José Cardoso de Pina; José da Costa; José Fernandes de Brito.
-Carpinteiros :-Abilio Pires Figueiredo; Francisco Augusto; Manuel António Mendes.
-Cereais e Legumes :-José Diniz; Augusto Pinto das Neves; Francisco Gomes; Joaquim Nunes Luiz Junior; José de Moura Pina & Filho.
-Chá e Café :-José de Moura Pina & Filho.
-Chapeus :-António Gomes Leitão & Filhos; António Luiz Duarte Pina & Irmãos; António Pinto Caçapo; Felismina Simões & Filho; José Lages Junior.
-Cinematographo :-Salão Viriato.
-Conservas :-António Mendes Luiz d`Abreu.
-Correio :-Chefe da estação telegrapho-postal, Lucinda Direito.
-Correio :-Distribuidor, José Fernandes de Brito.
-Drogas e tintas :-João Velloso.
-Escolas Primarias officiaes (Professores):- Alice d`Almeida Abreu; Irene d`Almeida Abreu; Pedro d`Almeida.
-Electricista :-António Pedro.
-Fazendas :-António Gomes Leitão & Filho; António Luis de Brito Inácio & C.;. António Pinto Caçapo; Felismina Simões de Moura; José Diniz; José Mendes Simão; Libania Pereira; Luciano
Simões.
-Ferragens :-António Luis Duarte Pina & Irmãos; Manoel de Jesus Pina.
-Gados (Creação de):-Vacum, lanigero e caprino (Vide proprietários).
-Garage de automoveis de aluguer :-Garage Commercio e Industria;Garage Estrella, Leitão & Irmão; José Bonito & C.
-Gazolina (Deposito de):-Carlos Cabral Leitão; José de Moura Pina & Filho; Leitão e Irmão.
-Guia da Serra :-Emygdio Moço.
-Horticultores (Fornecedores de generos de):- Augusto Luis Mendes & C.
-Hospedarias :-Joaquim Fernandes Gomes; José Fernandes Brito (Pensão)
-Hote l:-José Lemos de Moura
-iIluminação :-Empresa Hidro-Electrica da Serra da Estrela, representante, Antonio Pedro.
-Julgado da Paz , Juiz de paz:-Pedro d`Almeida.
-Escrivão :-Joaquim de Moura Simão Junior.
-Lanificios (Fábricas de):- Antonio Cabral, Sucessores; Augusto Luiz Mendes & C. Limitada; Leitão & Irmãos; Moura Cabral & C.; Manoel Gomes Leitão & Filho; Pina,Nunes & C..
-Lanificios (Fabricantes de):- Alfredo Mendes Cabral; Antonio Luiz Duarte Pina; Antonio Nunes Luiz; Carlos Nunes Cabral; José Lages; Pina & Simão.
-Latoeiros :-João Apparicio de Carvalho; José Fernandes Mendes.
-Louça :-Antonio Luiz de Brito Ignacio & C.; Antonio Luiz Duarte Pina & Irmãos; Antonio Pinto Caçapo: Felismina Simões & Filho; Manoel de Jesus Pina.
-Louça esmaltada :-Antonio Luiz de Brito Ignacio; Manoel de Jesus Pina.
-Machinas de costura (Deposito de):-Antonio Gomes Leitão & Filho.
-Madeiras (Deposito de):-Antonio Mendes Cabral
-Marceneiro :-Antonio Pires Figueiredo
-Médico :-Dr. Antonio Gomes.
-Mercearias :-Alexandre Moura; António G. Leitão, & Filho; António Luis de Brito Inácio, & C.;Antonio Luiz Duarte Pina & Irmãos; António Pinto Caçapo; Arthur Dias; Antonio Pinto Neves;
Felismina Simões & Filho; Francisco Gomes; José de Almeida (Viuva de); José Lages; José Memdes Pina; José Mendes Simão; José Moura Pina & Filho (armazem); Libania Pereira; Luciano
Simões; Manoel Mendes Luiz d`Abreu (Viuva de); Seraphim Lopes Cardoso (Viuva de); Vicente Joaquim.
-Minas de estanho :-Companhia das Minas do Malhão.
-Miudezas :-António Gomes Leitão & Filho; Antonio Luiz Brito Ignacio & C.; Antonio Pinto Caçapo; Felismina Simões & Filho; José Mendes Simão; Libania Pereira.
-Modas e bordados :-Antonio Gomes Leitão & Filho; Antonio Luiz de Brito Ignacio & C.; Felismina Simões & Filho.
-Modistas :-Maria Thereza Antunes de Moura; Emilia do Conde; Maria do Carmo do Gaudencio; Eduarda Ambrosia.
-Moveis :-Antonio Gomes Leitão & Filho; Felismina Simões & Filho; José Lages.
-Padarias :-António da Costa Neves; Francisco Gomes; Gracinda Mendes de Jesus.
-Papel para embrulho (Deposito de):-José de Moura Pina & Filho.
-Papelarias :-Antonio Gomes Leitão & Filho; António Luiz de Brito Ignacio & C.; Antonio Luiz Duarte Pina & Irmãos; Antonio Pinto Caçapo; Felismina Pinto Caçapo; José de Moura Pina & Filho.
-Parocho :-António Mendes Cabral Lages.
-Parteiras :-Anna Cecilia; Maria Thereza Barona.
-Pedreiros (Mestres d`obras):- Arthur de Brito Amaral; José Machado.
-Peixe fresco :-Francisco Gomes; José Bonito.
-Perfumes :-Pharmacia Manazes.
-Petrechos de caça :-Manoel Mendes Luiz d`Abreu.
-Pharmácia-Popula r:-Thomaz Manazes.
-Pintor :-João Velloso.
-Pneus e accessorios :-José de Moura Pina & Filho.
-Postaes illustrados :-Felismina Simões & Filho; José de Moura Pina & Filho; Leitão & Irmãos.
-Proprietários :-António Cabral (Herdeiros de); Antonio Elias; Antonio Fernandes Gomes; Antonio Gomes Leitão; António Gomes Luiz; Antonio Lopes Vide; Antonio Luiz Banco; Antonio Luiz
Brito Ignacio & C.; Antonio Mendes Gouveia Cabral; Antonio Moura Romano; Antonio Pinto Luiz; Augusto Gomes Lages; Augusto Gomes Leitão; Augusto Luis Mendes (Herdeiros de); Augusto
Luis Mendes Junior; Augusto Pereira dos Santos; Emygdio Santos Manuelito; José Luiz Alfaiate; João Mendes Velloso; Joaquim Gomes Pina (Viuva de); Joaquim Lucas; José Gomes; José
Gomes Luiz Lages; José Gomes Luiz Pina; José de Lemos; José Luiz Duarte Pina; José Macedo; José Mendes Abreu (Herdeiros de); José Mendes Cabral; José Monteiro; José de Moura Pina;
José de Moura Galvão; José Nunes Luiz; José de Pina Pires; José dos Santos Furtado; Manoel Dias Aparicio; Manoel Gomes Lages; Manuel Gomes Leitão; Manoel de Jesus Pina; Manoel
Mendes Luiz Abreu; Manoel dos Santos Silva.
-Queijos (Produtores de):- José Alfaiate; José Alfaiate (Filho); Manoel Correio.
-Regedor :-Luciano Mendes Cabral Lages -Substituto:-Alfredo Nunes Luiz.
-Registo Civil (Posto de):-Ajudante, Pedro de Almeida.
-Sociedades de recreio :-Associação Catholica de Operários e Artistas; Sociedade de Defesa e Propaganda de Loriga; Sociedade Philarmonica.
-Relojoaria :-Manuel Alves Galinha.
-Sapatarias :-Antonio de Brito Amaro; Antonio Fernandes Gomes; Antonio Lourenço; Emilio João de Brito; José Cardoso de Pina; José Fernandes de Brito.
-Saúde Pública (Sub-inspector):- Dr. António Gomes.
-Serralharia :-Loricense
-Tabacos :-José Lages; José de Moura Pina.
-Tamancos e Chancas (Depositarios de):-Antonio Gomes Leitão & Filho; António Pinto Caçapo; Felismina Simões & Filhos; José Diniz; José Fernandes Conde; José Moura Pina Fernandes;
Manoel de Jesus Pina.
-Vidraria :-Luiz de Brito Ignacio & C.
-Vinhos (Produtores de):- Amalia Nunes de Pina; Antonio Cabral (Viuva de); Antonio Cabral Leitão; Antonio Cardoso de Moura; Padre Antonio Mendes Lages; Carlos Luiz Mendes; José de
Mendonça Cabral; José Tapora; Manoel Gomes Leitão; Matheus Moura Galvão.
-Vinhos (A retalho):- Alexandre Moura; Arthur Dias; José Diniz; José Mendes de Pina; Manoel Jesus Pina; Manoel Mendes Luiz d`Abreu; Vicente Joaquim.

* (Esta Transcrição foi escrita na integra, tal como se escrevia na época)


-3-

II -Loriga no ano de 1942

Loriga,grande povoação de 3363 habitantes,situada a 741 metros de altitude,aparece assim,onde se quebra o pendor da encosta,num esporão alongado,entre dois
barrancos imensos.
Loriga não é uma verdadeira aldeia serrana,antes uma vilazinha caiada e alegre,com indústria de lanifícios,lacticínios e extracção de minério (volfrâmio e
estanho);P.T.;Iluminação eléctrica,seis bonitos fontanários públicos,casas recreativas diversas,filarmónica,,farmácia,hospedaria Palmira,carreiras de camionetas
para Seia e Nelas.
Densas manchas de pinhal verde escuro vão cada ano subindo mais os contrafortes da serra,até acima dos 1000 metros.São sementeiras recentes,uma riqueza
que se acumula onde há pouco eram fraguedos nus.Mas o mais impressionante vinco da acção do homem está na infinidade de socalcos(«cômbaros») que acima e
abaixo da povoação criam e sustêm a terra de cultura.Por eles descem a as àguas da serra,represadas no alto em lagoazinhas artificiais,repartidas em levadas que
regam milhos e pastagens,e movem rodas de fábricas e pedras de moinhos.
A cavaleiro de Loriga erguem-se dois formidáveis baluartes da serra:A Penha dos Abutres (1819 metros) e a Penha do Gato (1768 metros).Uma excursão a pé se
recomenda:A subida por trilhos pouco cómodos,da Garganta de Loriga ao cimo da serra.Difícil e fatigante,compensa o excursionista pela beleza selvagem dos
fraguedos e pela amplidão do horizonte,sobre os macios contornos das montanhas de xisto que se dominam dos altos pendores da Estrela.Até à Penha dos
Abutres terá que subir-se um desnível de mais de mil metros.Daí à Torre é um passeio breve de duas horas.Mas será sempre conveniente levar guia.
É a primeira e a mais importante freguesia do concelho de Seia e uma das principais do Distrito da Guarda, pela sua população, comércio, indústria e riqueza
pecuária no fabrico de lanifícios, empregando diariamente cerca de mil operários de ambos os sexos. Nesta freguesia se fabrica o conhecido queijo da serra.
Altitude 741 metros. População 3.363 habitantes. Possui os seguintes templos:- Santa Maria Maior (Matriz); Santo António; Nossa Senhora da Guia; Nossa
Senhora do Carmo; São Sebastião e Auxiliadora.
A 42 Km da estação férrea de Nelas, a 22 Km de Seia, sede de concelho, a 65 Km de Viseu, 95 Km da Guarda e 120 Km de Coimbra.
Tem minas de volfrâmio, estanho, ferro e arsénio. Tem artísticos chafarizes públicos mandados construir pela colónia loricense de Manaus (Brasil-Amazonas) e é
iluminada à electricidade - voltagem 220 Kv.
Carreiras diárias de luxuosas camionetas entre Loriga, Nelas e Alvôco da Serra, aos sábados

***

-Agências Bancárias:-Borges & Irmão António Pinto Caçapo; Credit Franco Portugais, Soto-Maior, Lisboa & Açores, Espirito Santo e Comercial de Lisboa; António
Gomes Leitão Sucessor; Banco Nacional Ultramarino, António Cardoso Moura; Banco Aliança e Cupertino de Miranda & C., Carlos Nunes de Pina; J.M. Fernandes
Guimarães & C., António Luis Duarte Pina & Irmãos.
-Alfaiates:-Àlvaro Mendes Simão; António de Brito Pereira; António de Pina Pires; Carlos Fernandes Urtigueira; Plácido Pinto Luis dos Santos; José Fernandes
Urtigueira..
-Apicultores:-António Cabral Leitão; Augusto de Brito Braga.
-Armador de Igrejas:-António de Moura Pina.
-Automóveis (Aluguer de):-Auto-União Serra da Estrela, Limitada; Ernesto Duarte Pina; José Bonito.
-Azeite (Produtores de):-António Cabral (Herdeiros de); António Cabral Leitão; António Cardoso de Moura; Augusto Gomes Leitão; Pedro Vaz Leal; Urbano
Ambrósio de Pina.
-Barbeiros:-Abilio Alves Costa; Francisco Farias.
-Carreiras de Camionetas:-Auto-União Serra da Estrela, Limitada, de Adelino Pereira das Neves.
-Casas de espectáculos e recreio:-Grupo Desportivo Loricense; Sindicato Nacional dos Operários da Industria de Lanifícios (Secção de); Sociedade de Defesa e
Propaganda de Loriga; Sociedade de Protecção à Escola Popular; Sociedade Recreativa Musical Loricense.
-Cereais (Negociantes de):-José Diniz; Manuel de Moura Pina.
-Construção Civil:-António Gomes de Pina Machado; Fonseca & Felix; João Oliveira & Irmãos; Joaquim Félix & Irmão.
-Correio:-Chefe, Lucinda Direito.
-Despacho Central, (combinado com a B.A.) Chefe, Ramiro Henriques Correia.
-Drogarias:-António Gomes Pina Machado; Manuel Moura Pina.
-Escrivão:-José Luis dos Santos.
-Fábricas:-José Lages; Leitão & Irmãos; Augusto Luis Mendes & C. Limitada; Moura Cabral & C.; Nunes Brito & Pina, Irmãos, Limitada; Nunes & Cabral, Sucessor;
Pina,Nunes & C..
-Farmácia-Popular:-Directora Técnica, Amália de Brito Pina.
-Fazendas:-António Gomes Leitão, Sucessor; António Luis de Brito Inácio & C.;. António Pinto Caçapo; Carlos Nunes de Pina; Felismina Simões de Moura; José
Diniz.
-Ferragens:-António Luis B. Inácio, Sucessor; José Diniz; Manuel de Moura Pina; Pedro Vaz Leal.
-Filarmónica:-Regente, António Brito Pereira.
-Funerárias:-António Luis de Brito Inácio, Sucessor; António Pinto Caçapo; António Gomes Leitão, Sucessor.
-Guia da Serra:-Manuel Pires Figueiredo.
-Iluminação (empresa concessionada):-Empresa Hidro-Eléctrica da Serra da Estrela, representante, João Pereira.
-Jornais:-Diário de Noticias-Abílio Alves Costa; Século-Artur Simões de Moura.
-Julgado da Paz:- Juiz, Alberto Pires Gomes.
-Junta de Freguesia:- Presidente, António Mendes Cabral Lages.
-Lacticinios-Queijos (Fabricantes de):-Emídio Correio, José Alfaiate; José Alfaiate (Filho); Manuel Correio.
-Lanifícios (Armazem de):-António Gomes Leitão & C.; Augusto Luis Mendes & C. Limitada; José Lages; Leitão & Irmãos; Manuel Gomes Leitão & Filho; Moura
Cabral & C.; Nunes Brito & Pina, Irmãos, Limitadas.
-Marcenarias:-António Pires Figueiredo; Joaquim de Andrade.
-Médico:-Dr. António Andrade.
-Mercearias:-António G. Leitão, Sucessor; António Luis de Brito Inácio, Sucessor; António Pinto Caçapo; Carlos Nunes de Pina; Felismina S. de Moura; José
Diniz; José Vicente Figueiredo; Laura Mozarga; Manuel M. Pina; Maria dos Anjos Antunes; Maria do Carmo Mendes Melo.
-Minas de Volframio e estanho:-José Lages Júnior; Minas de Loriga, Limitada; Minas do Rombo, Limitada; Sociedade Mineira de Loriga, Limitada.
-Modista:-Alcina de Almeida Abreu; Elvira de Jesus Pina; Maria Teresa Antunes; Maria Tereza Nunes Amaro; Urbana Ambrósio de Pina.
-Padarias:-António Alves Galinha; José Lopes Junior; José Maria Pinto.
-Pároco:-António Mendes Cabral Lages.
-Parteiras:-Constança de Brito Pina; Maria Gomes Torrozelo.
-Pensão:-Palmira de Brito Crisóstomo.
-Polvora (Depósito de):-José Diniz; José Luis dos Santos.
-Professores:-Alberto Pires Gomes; Irene de Almeida; Alice de Almeida Abreu.
-Proprietários:-António Cabral (viúva de); António Cabral Leitão; António Cardoso de Moura; António Luis Duarte Pina; António Mendes Cabral Lages; António
Mendes Gouveia Cabral; António de Moura Cabral; Augusto Gomes Leitão; Augusto Luis Duarte Pina; Augusto Luis Mendes Júnior; Carlos Cabral Leitão; Carlos
Nunes Cabral; Carlos Simões Pereira; Joaquim Gomes Leitão; Joaquim Gomes Pina (viúva de); José Lages; José Luiz Duarte Pina (viúva de); Manuel Gomes
Leitão; Maria Helena Cabral Leitão; Pedro Vaz Leal.
-Regedor:-Carlos Simões Pereira.
-Registo Civil (Posto de):-Ajudante, Alice de Almeida Abreu.
-Sapatos de Ourelo (Fabricantes de):-Amélia Moura Pina; Amélia Pinto Urtigueira; Eduarda Martins Ferrito; Laura de Almeida; Teresa Alves.
-Saúde Pública, Subdelegado:-Dr. António Andrade.
-Seguros:-Manheimer e Sociedade Portuguesa de Seguros-António João de Brito Amaro; Nacional e a Pátria-Carlos Nunes Cabral; Acidentes de Trabalho-Emílio R.
Leitão; Mundial-António Gomes Leitão, Sucessor; Portugal Previdente-António Fernandes Carreira.
-Serralharias Mecanicas:-Pedro Vaz Leal; Joaquim Augusto Correia.
-Tabacos (Depósito de):-José Luiz dos Santos.
-Talhos:-Adriano do Amaral; Alexandre Jorge Moura; José Luiz dos Santos Firminio.
-Turismo:-Sociedade Defesa e Propaganda de Loriga.
-4-

A Estrada de Loriga

No século XIX, Loriga era já uma terra industrial. No entanto, ainda não tinha uma via de estrada para poder, com mais facilidade, fazer o escoamento da produção
fabricada para os mercados do país.
Podemos, por isso, imaginar as dificuldades existentes nesses tempos, pela falta de vias de comunicação, não só para apetrechar as fábricas de maquinarias
necessárias, mas também, como já se disse, poder enviar para outros pontos do país a sua produção e ainda receber matérias primas para a sua laboração.A única
via de comunicação existente era a velhinha estrada romana de Lorica,construída há dois mil anos (século I a.C.).

Antes da construção da actual estrada para Loriga, as mercadorias


eram descarregadas em S. Romão, e dali seguiam até esta Vila, por
caminhos existentes na altura e com o transporte a ser efectuado
por carros de bois. O trajecto mais utilizado era aquele que, saindo
de São Romão, descia para Vila Cova, passando pelo meio dos
pinhais e pela quinta da Conceição, subindo depois para a Portela de
Loriga e em seguida descia pela Calçada Romana que conduzia a
Loriga.
A construção do lanço da estrada de São Romão a Loriga, ocorreu
nos primeiros anos da década de 1920, surgindo uma estrada
serpenteante por audaciosas curvas ao longo da encosta da serra e
onde a engenharia moderna, na altura, colocou todos os seus
recursos,
No final dessa mesma década foi construído o trajecto ainda na zona
de Loriga, entre a Fábrica dos Leitões e "Selada", seguindo-se a
construção desta estrada até Alvoco da Serra e, poucos anos
depois, ficou concluída até às Pedras Lavradas, ligando assim toda
esta zona da serra à Beira Baixa.
Por isso, a construção da Estrada Nacional Nr. 231, como é hoje
chamada, foi considerada uma obra de importância vital para esta
zona situada na encosta sudoeste da Serra da Estrela.
No final da década de 1950, esta estrada nacional, desde São
Romão até às Pedras Lavradas, foi totalmente restaurada, sendo
alcatroada em todo o seu percurso, tendo sido suprimidas algumas
curvas e apetrechada com muitos aquedutos para o escoamento das
águas, tendo sido também devidamente sinalizada, ficando uma
magnifica via de circulação.
Na última década do século passado, esta Estrada Nacional Nr.231,
chegou quase à degradação total para, finalmente, no ano de 1999, Estrada Nacional Nr. 231
receber grandes obras de restauro, sendo colocado novo piso,
melhor sinalização, bem como a colocação ao longo do seu trajecto
de railes metálicos de protecção e segurança, tornando-a numa via
para melhor circulação e muito mais segura.

Curioso é o que vamos encontrar nos relatos da época, que nos dão conta, de que, aquando da construção do lanço da Estrada da Fábrica dos Leitões até à
"Selada", a maioria dos trabalhadores, bem como o encarregado da mesma, o Sr. Morgadinho, serem naturais de Fronteira, localidade alentejana, os quais, durante
algum tempo, viveram com as suas famílias em Loriga, distinguindo-se por serem uma comunidade com usos e costumes muitos diferentes dos loricenses.

Poema - Ruas da minha terra *


-5-

Ruas da minha terra


Como eu me lembro bem
Comecei a percorre-las
Ao colo de minha mãe

Ainda hoje sinto o calor


Que do seu peito imanava
Quando rezando ao Senhor
Na procissão me levava

Ruas da minha terra


Ruas do meu amor
Um pouco mais crescido
Ia ao lado de meu pai

Com uma vela na mão


Seguindo atrás do andor
Cantando ao mesmo Senhor
Na mesma procissão

Ruas da minha terra


Ruas da minha alegria
Quantas saudades sinto
De quando as percorria

Juntamente com os amigos


Com um ramo na mão
Rua de Viriato à noite Cantando a todos os Santos
No Domingo da Paixão

Ruas da minha terra


Como eu me lembro bem
Quem me dera voltar a vê-las
Ao colo de minha mãe

* Fernando Alves Pereira (Requinta)

O Relógio da Torre da Igreja de Loriga


-6-

A colocação de um relógio, na Torre da Igreja de Loriga era


uma ideia que vinha de há anos muitos atrás. No entanto,
só viria a tornar-se realidade em Março/Abril de 1969,
tendo sido necessário efectuar, para o efeito, algumas
obras de adaptação na torre da igreja.
Na altura, era pároco de Loriga o Senhor Padre António
Nascimento Barreiros. Com vista à angariação de fundos
para custear o relógio e a sua colocação, foram tomadas
algumas iniciativas, nomeadamente uma subscrição
pública, bem como outros eventos, entre os quais se
destaca a realização de uma peça de teatro "Casa de
Pais", exibida por três vezes, no Salão Paroquial, cujas
receitas revertiam a favor da colocação do relógio.
À época, fizeram-se ouvir algumas vozes críticas,
designadamente quando ao facto de a torre não ter ficado
um pouco mais elevada, bem como, o facto de terem sido
colocados dois mostradores em vez de quatro permitindo,
que o relógio fosse visível de todos os quadrantes da vila.
Além disso,a solução encontrada para a incorporação dos
relógios na torre,não foi esteticamente e patrimonialmente
a melhor.O "Braga" como popularmente ficou conhecido
na altura, foi negociado e adquirido a uma firma sediada na
cidade de Braga, que para o efeito se deslocaram a Loriga
para a respectiva instalação, por isso o hábito de a
população assim o passar a chamar, quando se referia ao
relógio da torre da igreja. Torre da Igreja - Ano 1969
Nos primeiros tempos, a população estranhou muito, ao
ouvirem o bater das horas e meias horas, principalmente
os habitantes das casas mais próximas. No entanto, com
o decorrer do tempo, já não podiam passar sem ouvir
aquela presença viva, que se passou a ouvir por toda a
Vila.

Salão Paroquial de Loriga

Interior do Salão Paroquial de Loriga

O Salão Paroquial de Loriga, situa-se no Largo do Adro da Igreja, e é parte integrante da "Residência" como popularmente é assim chamado aquele imóvel.
O referido prédio foi construído em 1945, por um custo orçamental de 100.000$00, sendo o pároco em Loriga, o Sr. Padre António Roque Abrantes Prata, natural de
Manteigas, que tinha chegado a esta localidade um ano antes.
Obra paroquial de grande vulto, para a época, com o piso superior destinado para a residência do Pároco local e o espaço inferior idealizado para Salão Paroquial, no
sentido de servir em prol da comunidade em actividades religiosas, culturais e recreativas.
Desde então passou a ser a Sala de espectáculos de Loriga, onde ao longo de todos estes anos da sua existência, ali se tem realizados os mais variados eventos,
onde se destaca, o cinema, o teatro, variedades, concertos, entre outros.
Em certa época, chegou mesmo serem ali realizadas celebrações litúrgicas, nomeadamente missas, em substituição da Igreja Matriz, enquanto nesta se procediam
a grandes obras de restauro.
O velhinho "Salão" é pois uma casa pela qual os loricenses têm um carinho especial e, hoje com dantes continua a ser a sala de espectáculos de Loriga, sempre
aberta para receber ali, todas as actividades para a qual foi idealizada a sua construção.

A Virgem de Fátima em Loriga


-7-

No dia 14 de Maio de 1949, Loriga viveu horas de intensa alegria espiritual, ao ter a honra de receber a Veneranda Imagem da Virgem de Fátima Peregrina.
Já há muito que Loriga se vinha preparando para a recepção. A Vila engalanou-se, as próprias fábricas dias antes dispensaram alguns operários, para que tudo
estivesses lindo e em ordem. Fizeram-se arcos, as fábricas deram enormes tiras de pano branco, onde se pintaram com arte, grandes frases de profundo sentido
cristão, alusivas à vinda da Celeste Rainha.
O Fonte do Mouro foi coberto com pétalas de maia e outras flores. As crianças das escolas, vestiram os seus bibes, que juntamente com os cruzados, fizeram um
cordão central de cimo ao fundo, por onde iria subir o carro com a Virgem Maria.
Eram cerca de 16H30, quando chegou à Portela do Arão, recebida ali pelos Revmos. Bispo da Diocese Dom Domingos, Padre Prata, Presidente da Junta de
Freguesia e muitas mais pessoas. Quando chegou junto à Fábrica Leitão & Irmão, foi um verdadeiro delírio, sobem ao ar foguetes com 21 tiros, fogo repetido com
grandes girândolas de foguetes. Já na "Carreira", a Banda toca o Avé de Fátima, enquanto o povo cantava, chorava e rezava.
Além das autoridades concelhias e muitos sacerdotes, todas as forças vivas da Freguesia estavam presentes com os seus estandartes, bem como, todos os
organismos religiosos com os seus guiões, JOC; JOCF; LOC; LOCF, Irmandade e Apostolado da Oração.
O carro com a Virgem Maria sobe o Fonte do Mouro até à "Cabine" onde foi retirada do carro e exposta à veneração de todos. O Sr. Padre Prata chorou de alegria,
os seus olhos eram como raios luzentes, e dos seus lábios foram pronunciadas palavras de profundo interiorização cristã e humana, como era seu timbre. Afinal ele
tinha empenhado todo o seu prestígio nesse evento.
Seguiu-se a reza de muitas orações, acompanhadas de um coro de 300 raparigas de Loriga, foram lidos diversos telegramas de loricenses ausentes, para depois o
Sr. Bispo fazer a consagração ao Coração de Maria, da Freguesia e os povos ali representados.
O cortejo desceu o Fonte do Mouro acompanhando o carro com a Senhora dos Peregrinos. A comoção chegou ao rubro, junto com o silêncio mórbido de muitos que
nunca julgaram ver tão perto a Senhora da Azinheira. Todos subiram o Outeiro, contagiados no amor total à Virgem de Fátima.
Quando o carro avançou para deixar Loriga, lenços acenaram o adeus. Muitos, voltaram a ver a Imagem diversas vezes em Fátima. Outros, ficaram com a Senhora
retida nos seus olhos lacrimosos. Porque, sem possibilidades económicas, não era possível ir à Cova da Iria. Ficaram na esperança de no céu a encontrar.

Café "Neve"

O café "Neve" propriedade de José Maria Pinto, era um mimo, de design agradável e com um mobiliário mesas e cadeiras, tipo arte nova a atestar o seu gosto
verdadeiramente requintado.
Poderia ser chamado o "Magestic" de Loriga, era um autêntico ex-libris de Loriga, local privilegiado de encontros, tertúlias e de leitura matinal do jornal.
Na década de cinquenta e até meados princípios da década de sessenta, o ambiente do café não ocultava uma marcante divisão de classes. Os frequentadores
assíduos eram selectivos, o que levava o "Ti Zé Maria" a desencorajar a frequência de uma clientela mais popular. Eram outros tempos, em que os mais
endinheirados impunham as sua exigências. Com o rodar dos anos, o café transformou-se, paulatinamente, num espaço privilegiado de encontro de estudantes e
seminaristas da década de sessenta, os quais, apesar da escassez, sempre iam arranjando umas coroas para o bilhar .

Foi o primeiro Café a existir em Loriga, e o primeiro local público a ter Televisão.

***

Interior do Café Neve (Ano 1949)

Nota: - Depois de deixar de ser explorado pelo seu proprietário José Maria Pinto, o Café Neve, foi conhecendo outras gerências, inclusivamente chegou a mudar de nome. Encerrou definitivamente
em princípios de 2004 e actualmente está instalada ali a Farmácia Popular de Loriga.
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Os Picarotos de Gelo

A água desliza por tudo que é lugar em Loriga, quando


as temperaturas chegam a níveis negativos, ficará
deslumbrado ao contemplar cenários, que a natureza se
encarregou de criar dando ainda uma melhor beleza às
paisagens de Loriga.
Nesses dias procure esses encantos, nomeadamente
nos combâros das courelas, onde poderá visionar as
geleiras de cristais formados por água que escorre, que
toma forma de uma exposição de ourives, cujas belezas
artísticas mostra o mais variado sortimento de escultores
e filigranas de gelo.

Picarotos de Gelo

Camão de Neve em Loriga

Numa manhã gelada de um rigoroso inverno, a Natureza com todo o seu esplendor vem brindar Loriga, com um panorama dos mais belos e deslumbrante que se
possa imaginar.
Ainda debaixo de grossos cobertores e mantas de pêlos, através da vidraça das janelas entra a claridade provocada pela brancura do grande e belo lençol de neve,
desde a escarpada "Penha d´Àguia" assim como nos telhados e nas courelas, a findar lá prós lados do "Pisão do Barruel"
Olhamos a beleza dos pinheiros, cerejeiras e castanheiros, despidos de folhas os quais parecem gigantescas árvores de Natal artisticamente prateadas pela neve
acumulada em seus galhos.
Nos quintais, as roseiras e outros arbustos curvam-se com o peso da neve e com alguns pardais empoleirados e famintos à procura de algum lugar não atingido pelo
gelo, a fim de colherem algumas migalhas para seu sustento.
Os passos das pessoas que passam nas ruas, ficam marcados, primeiro bem definidos, depois em sulcos compridos talvez porque os não possam erguer. Nas
fontes a água copiosamente cai, a neve a ela se junta, tornando-a ainda muito mais gelada e mais cristalina.
São estas as imagens, que ficam para sempre gravadas com infinitas saudades em nossos olhos, mostrando a grandeza de Deus na perfeição da Natureza e que
jamais se extinguirá dentro da nossa existência, relembrando sempre um Camão de Neve em Loriga.

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Batem leve levemente É talvez a ventania Quem bate assim levemente


Como quem chama por mim Mas à pouco à poucochinho Com tão estranha leveza
Será chuva, será gente Nem uma agulha bulia Que mal se ouve mal se sente
Gente não é certamente Na quieta melancolia Não é chuva não é gente
E a chuva não bate assim dos pinheiros do caminho Nem é vento com certeza

***

*** ***

Queda de neve sobre o centro histórico de Loriga

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Olho através da vidraça Fico olhando estes sinais É uma infinita tristeza
Está tudo da cor do linho Da pobre gente que passa Uma funda turbação
Passa gente e quando passa E noto por entre os mais Entra em mim e fica presa
Seus passos imprime e traça Uns traços minaturais Cai neve na Natureza
Na brancura do caminho Duns pezinhos de criança E cai no meu coração

As Trovoadas

Pelas características montanhosas de Loriga, a


trovoada, ao fazer-se sentir, chega por vezes a ser
medonha, inspirando muito receio e uma certa
preocupação.
Em tempos, era muito usual em Loriga, guardar um
ramo de oliveira benzido no Domingo de Ramos, no
sentido de ser utilizado quando havia trovoada.
Assim, logo que as trovoadas se faziam ouvir, as
pessoas apressavam-se a queimar o ramo de oliveira
ou, em alguns casos, ramos de louro, ao mesmo tempo
que rezavam e entoavam cânticos a Santa Bárbara,
para que a Trovoada abrandasse ou se afastasse para
Inicio de uma Trovoada
outras paragens.

Prece a Santa Bárbara, a que apazigua os trovões:


Santa Bárbara bendita. Que no Céu está escrita. Com um raminho de água benta. Nos livra desta tormenta...

Cântico
Bendito e louvado seja
O Santíssimo Sacramento
Da eucaristia.
Do fruto do ventre sagrado
Da Virgem puríssima
Santa Maria...

Também muito usual em Loriga este Provérbio dedicado à Santa Barbara:

-Só te lembras de Santa Barbara quando dá trovoada-

Lembrar Loriga!.. Minha Terra

Loriga, lembro-me de ti, das tuas ruas, becos e "quelhas", onde passei os meus tempos de menino sem reparar!

Loriga, lembro-me de ti, das fogueiras de Natal no Adro e na Carreira, com os "tocos" que levavam horas a queimar e à noite as Janeiras às portas se iam cantar!

Loriga, lembro-me de ti, das tuas imponentes "Penhas" bem altas que pensávamos que no céu estavam a tocar.

Loriga, lembro-me de ti, nos dias de inverno junto à lareira, ouvindo aos mais velhos histórias contar!

Loriga, lembro-me de ti, da "Residência" onde havia teatro e cinema e onde se tentava entrar sem bilhete pagar!

Loriga, lembro-me de ti, e dos muitos serões televisivos na "Praça" e ao luar!

Loriga, lembro-me de ti, dos muitos pinhais que havia onde pinhas e carumas se ia apanhar!

Loriga, lembro-me de ti, das muitas árvores de frutos que em alguns lados havia e que à noite essa fruta se ia furtar!

Loriga, lembro-me de ti, do mês de Maria com as meninas a cantar e aos ombros da garotada cantavam os grilos a acompanhar!

Loriga, lembro-me de ti, das Festas da Vila com arcos, luzes e divertimentos de admirar, gente de todo lado vinha e à noite, foguetes de lágrimas iam para o ar!

Loriga, lembro-me de ti, das maceiras com o bom pão cozido que vinha dos fornos e que deixavam ao passar um apetitoso aroma no ar!

Loriga, lembro-me de ti, das Festa de N. S. da Guia onde a sineta não parava de tocar e na Vila as mulheres entoavam seus cânticos, limpando as ruas e casas
pois a festa estava a chegar!

Loriga, lembro-me de ti, das tuas ribeiras de águas cristalinas e onde nos seus "poços" no Verão todos se queriam banhar!

Loriga, lembro-me de ti, dos professores e das escolas improvisadas, onde aprendi a ler e a contar!
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Loriga, lembro-me de ti, das muitas tabernas que havia, e onde principalmente aos Sábados os homens se encontravam para conversar!

Loriga, lembro-me de ti, dos muitos jovens que estavam fora a estudar e vinham a Loriga as "férias grandes" gozar!

Loriga, lembro-me de ti, das raparigas bonitas e de faces coradas que sorriam para namorar!

Loriga, lembro-me de ti, e de uma garotada infernal em S.Genês, Terreiro do Fundo e Carvalha, que em jogos de bola, "pau de bico; eixo; rabisco e mosca" os mais
velhinhos se faziam arreliar.

Loriga, lembro-me de ti, quando muitas fábricas havia e muita gente nelas trabalhavam e bem longe se ouvia suas máquinas em grande laboração.

Loriga, lembro-me de ti, e quando qualquer palmo de terra era cultivado e assim te transformavam em jardim.

Lembro-me de ti, Loriga ............!

Quem me dera voltar a ser menino


Poder brincar apenas por brincar
Sentir-me, como outrora pequenino
Chorando sem saber porque chorar

"1944 - A Queda do Avião"

A guerra assolava ainda por toda a Europa mas, em Loriga, a vida era tranquila e nada fazia prever que algo viesse alterar esse cenário de calmíssima, até que um
certo dia que já vai longe, num Fevereiro perto do fim algo aconteceu.
O dia estava a chegar ao fim, e a "Garganta e as Penhas" de Loriga começaram a ser cobertas por flocos de nevoeiro, parecendo como que algodão, apesar do dia
de Céu azul que tinha estado, parecendo Primavera.
Já a meia-noite tinha ficado para trás, quando se começou a ouvir o trabalhar de um forte motor de avião, parecendo voar mais baixo que as "Penhas", também estas
surpreendidas por alguém se aventurar a sobrevoar os seus domínios. A Penha do Gato abriu seus braços como que para os abraçar e lhes dizer que ali só ela era
soberana.
Dos Loricenses ainda acordados saíram gritos de aflição, pois se o avião estava a voar assim tão baixo, por certo iria bater em alguma "Penha". O barulho do motor
estava cada vez mais próximo e, a seguir um grande estrondo se fez sentir, não havendo dúvidas de que o avião embatera na serra. O povo ficou aterrado e, de
imediato os mais corajosos partiram serra acima com destino ao local .O primeiro a chegar foi um loricense muito popular e brincalhão,conhecido por António
Aleixito,que,espantado e aterrorizado com o que viu,voltou para contar aos outros.Como se tratava de um habitual brincalhão e era época de Carnaval,não
acreditavam no seu relato até chegarem ao local e confirmarem tudo.
Ao chegarem, compreenderam então que o inevitável tinha acontecido. O avião embatera contra as rochas, explodindo, constatando-se, então que se tratava de um
avião militar estrangeiro.
Apesar dos vestígios do incêndio que se gerou depois da explosão, era visível o diverso material de guerra que transportavam. Por sua vez os corpos não tinham sido
totalmente calcinados porque entretanto tinham sido projectados à distância.
Lentamente e piedosamente foram recolhidos os restos mortais daqueles cadáveres e transportados para a vila a fim de ali serem sepultados, o que veio acontecer.
Verificando-se que se tratava de soldados ingleses, pelo facto de serem de religião protestante, não deixaram de ter um funeral digno de respeito pelo povo como
nunca tinha acontecido até então.
Responsáveis da cãmara municipal estiveram em Loriga para levarem os corpos para a sede de concelho,mas os Loricenses disseram que os ingleses morreram em
Loriga,seriam sepultados em Loriga,e nem a presença ameaçadora da GNR os demoveu. Confiados piedosamente às gentes de Loriga, aqueles mártires da
catástrofe vieram acabar os seus dias numa terra verdadeiramente católica, e repousam em paz e para sempre no cemitério local numa campa rasa, cedida
gentilmente pela Junta de Freguesia.
Nunca ficaram totalmente esclarecidas as causas do acidente, no entanto pensa-se ter ficado a dever-se ao nevoeiro. Era um avião inglês "Hudson Aircraft" que
tinha deixado nesse mesmo dia Gibraltar com destino ao Reino Unido, transportando os seguintes ocupantes:
-Capitão-Roberto Tavener HILDICK; Tenente-John BARBOUR; Tenente-Daniel De Waal WALTERS; Tenente-John Patie THOM; 1.Cabo-Jack Learoyd WALKER;
1.Cabo Henry Ernest HEDGES.
Conforme consta das Certidões de Óbitos passadas pelo Registo Civil de Seia, as mortes ficaram registadas como tendo acontecido à uma e cinquenta minutos
desse dia 22 de Fevereiro de 1944.
Desde sempre a "Campa dos Ingleses", como assim ficou a chamar-se, tem sido pelo povo de Loriga um local de respeito, sendo muitas vezes visitada por
familiares e organismos ingleses. Este acontecimento da Queda do Avião já foi, em tempos (1989), tema de reportagem na Televisão (RTP).

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Campa dos Ingleses no Cemitério de Loriga


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Nota:-Segundo os dados da época o local exacto da "Penha do Gato" onde se deu a queda do Avião, foi o local a que o povo chama por "Marte Amieiro", e junto à
fraga do Alcabreiro. Na altura, com versos ou simples quadras, o povo foi registando este dramático acidente, no entanto, ao longo dos anos foram-se
simplesmente esquecendo e hoje são poucos aqueles ainda em lembrança .

No dia 22 de Fevereiro de 1944


Um dia bem assinalado
Na Malhada do Marte Amieiro
Junto à Fraga do Alcabreiro
Um avião despedaçado

"1927 - Um ano Trágico em Loriga"

Dois trágicos acontecimentos, ocorridos simultaneamente em 1927, tornariam este ano o mais dramático na história desta localidade. É desse fatídico ano e desses
acontecimentos que aqui se registam alguns apontamentos:

"Tifo Exantemático/Epidemia em Loriga"

Nos primeiros dias de Janeiro de 1927, começaram a aparecer uns primeiros focos de febre que, ao principio, não se sabia bem do que se tratava. Rapidamente se
foi alastrando, com muita população a ficar doente muitas das pessoas a serem vitimadas mortalmente.
Com o aparecimento de cada vez mais casos, o médico e as autoridades administrativas locais começaram a notar que algo de anormal e grave se estava a passar,
receando mesmo estar-se perante uma epidemia, o que de facto se viria a verificar.
Essas mesmas autoridades expediram vários telegramas para a Direcção Geral de Saúde, dando conta do que se estava a passar e do estado das condições
sanitárias em Loriga, apelando para uma intervenção urgente e rápida.
Entretanto morrem, vítimas desta epidemia, o médico local Sr .Dr. Amorim da Fonseca, o Sub-Delegado de Saúde Dr. Simões Pereira e ainda Francisco Faria
(barbeiro), precisamente as pessoas que lidavam mais de perto com os doentes.
De Lisboa, chegou finalmente a Loriga pessoal especializado, com material de desinfecção e de isolamento, bem como os medicamentos necessários, tendo-se
improvisado um Hospital em casa dos herdeiros de Maria de José Baia no bairro de S.Ginês (nome dado pelos Loricenses a S.Gens) começando, assim, a
combater-se a grave Epidemia, em que os doentes eram atingidos por febres altíssimas.
A febre chegava a ser superior a 40 graus e, quando isso acontecia, os doentes eram introduzidos numa banheira de água fria com criolina e, seguidamente eram
colocados numa cama limpa, ficando muitas das vezes inconscientes.
Houve na realidade muitas vitimas mortais, por isso se ter dito "que Loriga parecia uma verdadeira necrópole". Loriga chegou a estar isolada do resto do país, dado
tratar-se de uma doença altamente contagiosa, tendo como característica ser transmitida através do "piolho", que se proliferava de forma incrível, sendo por essa
razão necessário proceder à depilação completa do doente.
No dia 24 de Julho, (Dia do São João), viria a ser considerado finalmente extinto o "Tifo Exantemático", tendo-se procedido a um jantar de despedida de todos
aqueles que tomaram parte no combate a essa grave Epidemia, com a população local a festejar com bailes e divertimentos em quase todos os Largos da Vila,
dando assim largas à sua alegria depois de muitos meses a viver a dor da perda de muitos entes queridos.

"A Queda do Coro da Igreja"

Estando ainda Loriga a viver as consequências da grave Epidemia, outra tragédia viria acontecer. No dia 24 de Abril, Quarta-feira da Semana Santa, viria a ruir um
anexo que fazia parte do Coro da Igreja, que havia há pouco tempo sido construído, precisamente para as crianças da catequese.
Esse anexo consistia num tipo de "palanque", em frente do actual, e que, nesse dia, quando começou a ficar ocupado, de imediato começou a desabar no meio de
muitos gritos e confusão.
Houve como balanço trágico, a morte de uma criança e de uma mulher que ficou esmagada por uma coluna e, mais tarde, no hospital viria a falecer uma outra.
Houve ainda muitos feridos, principalmente crianças, que foram transportadas de camioneta, para o Hospital de Coimbra, nessa mesma noite.
Viveram-se momentos de grande aflição e ansiedade e, entre choros e gritos, as pessoas procuravam os seus familiares. Enquanto eram socorridos os feridos, havia
sempre alguém que tentava transmitir calma. Mesmo assim, e felizmente, este acidente não tomou maiores proporções porque, na altura, a Igreja não estava ainda
cheia de gente como decerto iria estar um pouco mais tarde.
Ainda na noite do acidente, uniram-se esforços para remover os escombros e, no dia seguinte, Quinta-Feira Santa, as cerimónias puderam continuar com a
respectiva afluência dos fieis. A Igreja foi encerrada logo após a Semana Santa, por motivo da Epidemia que continuava a manter Loriga em alerta, uma vez que a
algomeração das pessoas facilitava o contágio.

Coro da Igreja Paroquial (Actual)

"O Minério em Loriga"


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Sendo parte integrante da Serra da Estrela, a região circundante de Loriga era


prodigiosa em várias qualidades de minério, como parece, segundo alguns,
acontecer ainda hoje em dia. Era, no entanto, o Volfrâmio aquele que foi mais
procurado, dando origem a muitas histórias.
Efectivamente, a exploração do Volfrâmio nesta região de Loriga, quedou-se
apenas numa exploração espontânea e popular, nunca tendo grande dimensão
industrial. Objectivamente foi de facto marcante, nomeadamente em determinada
época, em que houve uma certa euforia de procura, que ficou para sempre na
recordação de muitos dos seus habitantes, dando até origem a um certo
Pequenos Fragametos de Volfrâmio
desenvolvimento económico, que chegou a ser notório nesta localidade.

O Volfrâmio, sendo um elemento químico tipo metálico, muito duro, era muito usado na fabricação de aços especiais, filamentos para lâmpadas e para válvulas de
aparelhos eléctricos, bem como outras aplicações. Nessa época já distante, antes e principalmente durante a 2a. Guerra Mundial, o volfrâmio foi um minério que
contribuiu para o grande desenvolvimento industrial das grandes potências, servindo ainda de componente para material de guerra, pelo que chegou a atingir valores
elevados. Daí a grande exploração por muitas das serras em todo o país, onde parecia existir de facto grande quantidade, não só deste minério como de outros
também.
Foram realmente tempos de euforia, que em Loriga se viveram com o negócio do Volfrâmio. Um grande número de pessoas desta localidade, e também de outras
terras, diariamente subiam a serra na procura desse minério. Nos dias que a sorte sorria, regressavam felizes cantando, vendendo o fruto desse dia de sorte a
pessoas endinheiradas ou volframistas. Chegou a ser relevante a abundância de dinheiro em muitas famílias, não se questionando, ou saber sequer, a que fins se
destinava aquele minério.
Parecia sinfonia, em orquestração, os martelos que diariamente martelavam na serra, manejados por braços e mãos calejadas de duro trabalho, percorrendo
caminhos perigosos debaixo de um calor abrasador no verão, ou suportando baixas temperaturas no rigor do rigor do inverno. A esperança de fazer fortuna e de
ganhar bom dinheiro, estava sempre presente no pensamento de todos. Mas, passada a euforia, surgiram os tempos de frustração, chegando muitos à triste
conclusão de nada lhes ter valido suportar esse subir e descer aqueles serras, que tão bem ficaram a conhecer.
Com os tempos, o alto valor desse minério foi gradualmente diminuindo tendo sido, no entanto, em Loriga, comercializado durante algum tempo mais. Hoje restam
vestígios de histórias passadas e que se transmitem de geração em geração, onde se realça acima de tudo, uma vida ambiciosa, mas dura sobre a "Febre de
Volfrâmio", que nem sempre foi bem sucedida para todos.

Nota:-Na altura, por toda a serra se ouviam cantar versos que o povo ia fazendo relacionado ou Volfrâmio, ma com os anos foram-se simplesmente esquecendo e
hoje são poucos aqueles ainda em lembrança.

Pois agora tudo morre


Porque o Volfrâmio não corre
Devido à Exportação
Pois a toda a gente deu ouro
Dentro da nossa nação

Pastores de Loriga

Desde sempre os pastores fizeram parte da história de Loriga, o mesmo acontecendo hoje em dia, apesar de não terem a dimensão de outrora.
O mais famoso pastor de Loriga foi sem dúvida o grande líder Lusitano Viriato,que,tal como escreveu o maior poeta luso,"era destro na lança mais que no cajado", e
que derrotou muitas vêzes os poderosos invasores romanos.
Nas recordações ainda de muitos nós, estão épocas de grandes rebanhos e de pastores, alguns bem nossos conhecidos, que continuam a ser referência na nossa
história.
Eram homens simples, alguns até analfabetos, mas dotados de inteligência, de coração e de coragem. Eram também, acima de tudo, gente que sabia aconselhar.
Da Primavera ao Outono, dormiam sob as estrelas, num simples abrigo de palha, a poucos metros dos seus rebanhos. Geralmente tinham com companheiro o cão,
seu fiel amigo .

**
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Homenagem aos Antigos Pastores de Loriga

Viriato

"...Este que aqui vês,pastor já foi de gado;


Viriato sabemos que se chama,
Destro na lança,mais que no cajado;
Injuriada tem de Roma a fama,
Vencedor invencíbil,afamado.
Não têm com ele,não,nem ter puderam,
O primor que com Pirro já tiveram..."

Luís de Camões

***

"Se a alma que sente a faz conhece


Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos raça,porque houvesse
Memória em nós do instinto teu.

Nação porque reencarnaste,


Povo porque ressucitou
Ou tu,ou do que eras a haste-
Assim se Portugal formou.

Teu ser é como aquela fria


Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã,confuso nada."

Fernando Pessoa

***

Muito cedo de manhã partiam Subiam bem ao alto à Estrela


Mesmo antes de o dia nascer Pensando que ao céu iam chegar
Ao encontro dos rebanhos iam Muitas vezes lhes parecia ver Jesus
Só voltando depois do escurecer Que no seu reino estava a rezar

Vezes sem conta a serra subiram Caminhos misteriosos e difíceis


Deixando Loriga para trás distante Só mesmo eles pareciam conhecer
Uma longa vida na serra viviam Vezes infinitas por eles passaram
Como que uma vida de emigrante Muitas dessas vezes neles a padecer

Da serra tinham sempre histórias Numa vida dura e de paciente


Para aos mais novos contar A Estrela os acolhia como amantes
Histórias lendárias que ficaram Homens calejados e destemidos
Que ainda hoje são de recordar Eram na serra sentinelas vigilantes

Não eram os ventos velozes Tantas vezes subiram à Estrela


Nem os trovões que temiam Vezes que nem deu para contar
Eram sim os grandes nevões Quantas vezes também a subiram
Que muitas vezes os venciam Por vezes com vontade de chorar

Um dos mais famosos pastores Loricenses,por coincidência tio e


padrinho do maior historiador da vila de Loriga

Como companhia tinham seus cães


Companheiros e seus fieis amigos
O perigo os espreitava por vezes
Sendo os lobos os maiores inimigos

Casa dos Ingleses

Situada na freguesia de Loriga, num local também conhecido por "Penedo de Alvoco", da "Casa dos Ingleses" restam hoje apenas ruínas.
Ficou assim conhecida, não por ter sido construída por ingleses, mas por ter sido utilizada por uma comunidade inglesa que, nas primeiras década do século
passado, se dedicava à exploração do volfrâmio, cobre, estanho e, eventualmente, outros metais, nas minas do Sorgaçal e Cabrum.
Esta casa foi mandada construir numa das última décadas do século XIX, por uma senhora loricense, (Josefa Cândida de Pina nascida em 5.11.1825 e falecida em
5.5.1900) nos terrenos de que era proprietária, com o intuito de naquele lugar, de bons ares e boas águas, minorar a doença pulmonar do marido.
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A casa mandada edificar naquele sítio distante


da vila, construída em granito bem aparelhado e,
também pelos sinais tumulares que não eram
vulgares na época, deduz-se que o casal
dispunha de meios de fortuna.
Mais tarde alugou-a aos ingleses que a usavam
como escritório e até como habitação passando,
assim, a ser conhecida pelo povo como a "Casa
dos Ingleses".
Estes ingleses chegaram a Loriga
acompanhados das famílias e de um intérprete
este, natural da Madeira, que veio a casar com
uma loricense chamada Glória. A vinda destas
pessoas constituiu uma mais valia, muito além
do que se pode imaginar, contribuindo, em
muito, para uma acentuada melhoria da
economia local.
Um destes ingleses, chamado "James", veio a
morrer em Loriga em 9 de Novembro de 1911,
tendo ficado sepultado no cemitério local. Ainda
há poucos anos se podia ver a sua campa com
uma pedra que tapava o túmulo, cercado por
uma grade de ferro e situado no lado esquerdo
do cemitério. Quando ali foram sepultados os
aviadores ingleses vítimas do acidente de
aviação em 1944, já portanto, ali se encontrava
sepultado este cidadão inglês.
Casa dos Ingleses (Ruínas)
Quando, em 1952, o Primeiro Ministro do então
Império Britânico, Anthony Eden, visitou Loriga e
no cemitério local homenageou os seis
malogrados aviadores que, em 1944,
encontraram a morte ao embater o avião que
pilotavam na Penha do Gato, surpreendeu-se ao
ver, no mesmo cemitério, a sepultura de outro
compatriota seu.

Há poucos anos, retiraram a pedra daquela sepultura, para ali enterrarem outra pessoa, sendo a mesma encostada ao muro do cemitério, lado direito, onde ainda se
encontrava em Agosto 2005.
Durante algumas décadas, a "Casa dos Ingleses" podia ser visível de qualquer local de Loriga, o que não acontece hoje em dia, porque dela apenas restam ruínas.
No entanto, aquele local continua ainda ser assim conhecido pela "Casa do Ingleses".
À cerca de vinte anos, as minas existentes naquele lugar do Sorgaçal e Cabrum, foram tema da ideia, a nível particular, com o propósito de renovar a exploração das
minas e assim proporcionar uma mais valia para Loriga. Mediante alguma observação experimental, finalmente, foi sentenciado:- Os metais existiam, mas a sua
potencial exploração não seria rentável.

Poema - Sou de Loriga


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Sou de Loriga sou sim senhor, de lá como as fragas e as ribeiras.


Como as andorinhas, que vão e sempre voltam, nas festas de verão.
Melros que devoram, frutos ainda verdes, da natureza são
desventuras.
Banda a tocar, trinados da requinta, sonata ao luar, tocata ao serão.

Medo que assusta ao chegar, Ponte Jogais no embalo, do Arão é a


Portela.
Tuas estradas e curvas, são colares de fantasia, de cristais a
emoldorar.
Escondida que ficas, pra seres encontrada, brilhante que és ó Estrela.
És admirada, cantada e em prosa idolatrada, tola tua timidez a encenar.

Sou de Loriga sou sim senhor, como as bicas d'água, sempre a correr.
Do Mirante te olho, saúdo, aplaudo e te venero, tua beleza deslumbra.
Ouço o sino da matriz que repete, é hora de voltar, saudades a bater.
Sopa fumegante na tigela, broa de milho, chá de tília bem que cheira!

Levada de paixões, juras de amor sem fim, cânticos em coral na capela.


Na esplanada de tudo se fala, do somenos ao adufo, trelecas e
castanholas.
Fados de Coimbra no adro, saudades em harmonia, gala maior fundo
cala.
Passado bom de lembrar, mas mal já não medra, brisa fria tange-nos ao
relaxas.

Sou de Loriga sou sim senhor, como o zimbro, as mimosas e os


castanheiros.
Como as cerejeiras, Penhas do Gato e dos Abutres, os rosmaninhos e
as giestas.
Águas cristalinas, descem a serra a desfilar, com as pedras da ribeira
Av.Augusto Luis Mendes (Carreira)
aos abraços,
Sem pressa de abalar, invejam as rochas que ficam, em adula eterna
majestosas.

De Celtas,Lusitanos,Suevos,Visigodos e Romanos a descendência, ao


passado o culto
Passeios na estrada à tardinha, gangorras da memória, de emoções faz
baloiço.
Courelas; presépio de sulcos teu povo esculpiu, palheiras e moinhos
fazem vulto.
Garganta de Loriga; arauto de frio manto vestido, prantos de despedida
já oiço.

Autor : Antero Almeida Figueiredo (Brasil)


Agosto/2004

***
Palheira da Tapada do Amial

Foi nesta Palheira que faleceu em 1969,


Emídio Gomes Figueiredo, natural de Loriga,
onde nasceu em 1897. Foi um dos maiores
pastores da Serra da Estrela, para muitos,
foi mesmo um símbolo.

***
- 16 -

O Passado no Presente *
I II III IV
Recordar o passado As montanhas de hoje Acumula-se nelas o mato As mulheres daquela época
É viver o presente. São na verdade iguais Qu´agora não vão cortar. Casavam para procriar.
Sentir como reais Às que nos anos 50 As cordas e os podões Era uma alegria, um presente
As sensações emocionais Rodeavam a nossa terra, Pertencem a gerações Ver ruas cheias de gente,
Que nos fizeram gente. Uma estrela da serra. Qu´envelheceram a trabalhar. Crianças sempre a brincar.

V VI VII VIII
Tanta gente a nascer ! Nos registos de baptismo Uma educação religiosa Tocava o sino de mansinho
Nenhum com hora marcada. Vemos com grande emoção Pelo Padre Prata orientada. Era a hora de parar.
Com grande dedicação Os elevados números A primeira comunhão, As Ave-Marias ao meio-dia
A Constança lá acorria De bebés recém-nascidos As novenas, o mês de Maria À tarde, voltava a tocar
Para cortar o cordão. Que à igreja eram trazidos. Tudo fazíamos com alegria. Unindo todos no mesmo orar.

IX X XI XII
O sino todos chamava Se o sino tocava a rebate A escola estava dividida Toda a criança brincava
Tocava para a doutrina Juntava a população. Um professor para os rapazes. Puxando pela imaginação.
Ninguém se podia esquecer. Todos juntos ajudavam Uma professora para meninas. A camioneta de cordas,
De catecismo na mão Nesta hora de aflição Nada se podia misturar, O Azeite dos cachilros
Todos queriam aprender. Com baldes de mão em mão. Era importante aprender e trabalhar. Rebolos de mão em mão.

XIII XIV XV XVI


Bonecas de trapo e papelão, As piscinas naturais, Carquejas e mais floridas Tocava ao mês de Maria
De casquilho com olhos de mexer. No Zé Lages, na Curilha. Maio estava a anunciar. Ninguém podia faltar
Os saltos ao pula uma Mergulhos fenomenais! As crianças divertiam-se Era uma grande melodia.
Tábua nas carretas a deslizar Toda a criança aprendia A ver os grilos espreitar Com muito fervor cantavam
O rodízio no gancho a rodar. Mesmo fugindo aos pais. P´ra na caixa de fósforos guardar. E os grilos participavam.

XVII XVIII XIX XX


O Grupo, Socorro, Sindicato Nas levadas e ribeiras O giro da água passava A água fonte da vida
Lugares de reunião. Ia correndo o sabão. Rego abaixo a correr. Os campos ia regar.
Muitos iam até lá Nas pedras arredondadas Toda a pequenada vivia Um cheiro nauseabundo
Para ver televisão, As roupas eram coradas A compensada alegria Um eléctrico passava
Um luxo da ocasião. Bem batidas com a mão. Do barco de corcódoa fazer. Sem se fazer anunciar.

XXI XXII XXIII XXIV


Das fontes a água brotava Os campos todos lavrados O milho no caroleiro A tia Adelina moía
Fresca e cristalina. Não tardavam a verdejar. Partido bem partidinho No seu moinho o grão
Para a poder transportar Espigas de milho assadas. Está pronto a escolher, Vamos buscar a taleiga,
O cântaro e a rodilha Outras eram desbulhadas E com leite a fazer Peneirar bem a farinha
Era preciso utilizar. Postas na eira a secar. O famoso carolinho. Para transformar em pão.

XXV XXVI XXVII XXVIII


Batia o padeiro à porta Nos fornos comunitários Belisco e buraco são sinais Vacas leiteiras abundavam
Pão branco e fresquinho A lenha a crepitar. A massa da levedura O leite fresco a chegar.
Por todos era apreciado. Amassa o pão meado, Guardada na tijelinha. Um quartilho, uma canada
Um cruzado por um pão Pão de milho levedado Um bolo com uma folha Medida generalizada
Com pano branco tapado. Vai agora a bailar. Bola de bacalhau, ou sardinha. A nata vai manteiga formar.

XXIX XXX XXXI XXXII


A indústria era forte Peças e peças estendidas No torno s´amola o aço Teciam-se peças de malha
Tanta gente a trabalhar! Grandes meadas na mão. Na forja o ferro aquece. De merino ou angorá.
Quando a buzina tocava As râmolas bem coloridas Torneiros e serralheiros Não era preciso publicidade
O operário regressava Mostravam a toda a gente Na metalúrgica Vaz Leal O nome de Loriga
Era hora de descansar. O trabalho do tecelão. Produziam p´ró mercado nacional. Era sinal de qualidade.

XXXIII XXXIX XXXV XXXVI


Dr. Andrade, Dr Mineiro Os Invernos tão rigorosos Nos pés frios e delicados Vamos à limpeza geral
Médicos permanentes O frio, neve, gelo, pingente. Botas grossas de carneira A Páscoa está a chegar.
Cuidavam bem as maleitas As brasas reacendidas Com sebo d´olanda untadas. Os balcões bem roçados
Bexigas, lombrigas, trasorelho, Pelas braseiras repartidas Os tamancos de madeira Os cantos escarolados
Pneumonias frequentes. Aqueciam toda a gente. Com brochas bem marteladas. Para a visita preparar.

XXXVII XXXVIII XXXIX XL


Nos fornos tudo se agita Tocava o sino com qu´a dizer: Cozinheiras afamadas A fogueira bem acesa
Alguidares, colheres e latas. Andai, andai, andai De paladar apurado A Laurinda, Adélia, dos Anjos
Bate o pão-de-ló, bolo negro Qu´o padre já lá vai. Faziam festas pontuais. Mexiam as caldeiras
As broinhas de cagote Era a hora da cruz beijar Casamentos, baptizados O arroz-doce a fumegar
Anda tudo num virote. Amigos e parentes visitar. Como autênticas profissionais. Para com canela decorar.

XLI XLII XLIII XLIV


Grupo de jovens amadores A escola unificou A banda filarmónica As loas à Sra. da Guia
Preparavam com dedicação E nós pudemos usufruir. Nosso ex-libris cultural Já ecoavam no ar.
Rapsódias, peças de teatro, A escola pela televisão Clarinetes e trombones Cantavam ao desafio
As melodias de sempre Conseguiu levar mais além Continuamos a ouvir Enquanto se ocupavam
Aliciando o povo à distracção. Os da nossa geração. Seus sons repercutir. Das lides a realizar.

XLV XLVI XLVII XLVIII


O dia da festa chegava No largo do Sto. António Ir até ao Portugal Juntavam-se na praça
Grande fé e devoção. O palco estava montado. Cantar serenatas ao luar No Cristóvão ou Zé Maria
Os beijinhos, as medalhas Estalejavam foguetes no ar, Era para todos um prazer. Uns momentos bem passados,
Em açúcar confeccionados As grandes Festas da Vila Entre gargalhadas afinadas Com um joguinho de bilhar
Eram a nossa tentação. Estavam prontas a começar. Misturavam-se gargalhadas. E um pirolito a finalizar.

XLIX L
Se recordar é viver Esta Loriga qu´eu amo
Posso então afirmar. Hoje está adormecida.
No meu tempo de menina Loriguenses, despertai!
Era tudo bem diferente A nossa Terra não cai
Do que é actualmente. Se todos lhe dermos vida
- 17 -

* Eugénia Moura (Maio 2005) - Homenagem aos Nascidos em 1955 -

Algumas efemérides
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Ano 1813: Era o pároco em Loriga o Sacerdote Theotónio Luiz da Costa, que depois deixou
a paróquia para se alistar na milícia.
Ano 1838: A 2 de Janeiro nasceu em Loriga o Sr.Doutor António Mendes Lages.
Ano 1851: No dia 24 de Dezembro morre o pároco Reverendo Sebastião Mendes Brito,
natural de Loriga, ficando sepultado ao fundo dos degraus do altar-mor.
Ano 1852: Era pároco em Loriga o Reverendo José Garcia Abranches, em situação transitória,
natural de Alvoco da Serra.

Ano 1855: A corrupção,o compadrio e a vingança política,levam à extinção do Concelho de Loriga.


Loriga tinha apoiado os chamados absolutistas,e os senenses desejavam mais
território para o seu concelho.
Ano 1873: Nascimento do Sr.Coronel Mendes dos Reis, no dia 11 de Abril, em Pará, Brasil.
Ano 1882: Em Novembro deste ano deu-se o desabamento da Igreja Matriz, após o tremor de
terra ocorrido no mês de Setembro anterior.
Ano 1885: Fundado a 15 de Agosto o Apostolado da Oração em Loriga.
Ano 1893: Iniciou a sua actividade como médico em Loriga, o Sr.Dr.Joaquim Augusto Amorim
da Fonseca, natural de Varziela concelho de Felgueiras (Minho).
Ano 1899: Realizada nos dias 14,15 e 16 de Agosto, a Festa da Nossa Senhora da Boa Morte,
alusiva à Festa da Passagem do Século.
Ano 1905: A Fábrica Nova inicia a sua actividade laboral.
Ano 1905: Foi fundada,no dia 1 de Julho,a Banda Filarmónica de Loriga.
Foi doado a Loriga, pela Colónia de Loricenses do Pará, o Coreto da N.S. da Guia.

Ano 1909: Em 18 de Julho, foi ordenado sacerdote o Sr.Padre António Mendes Cabral Lages.
Ano 1912: Em 15 de Novembro, foi inaugurada a Electricidade em Loriga.
Ano 1918: Nos dias 3 e 4 de Agosto realizou-se a Festa da Nossa Senhora da Guia,e foi concluída
a construção da nova capela.
Ano 1926: Feito o primeiro Postal Ilustrado de Loriga, com vista realizada a partir da N.S.da Guia.
Ano 1927: Aconteceu em 24 de Abril (quarta-feira) a queda do Coro da Igreja Paroquial,
tendo morrido 2 pessoas bem como houve muitas crianças feridas
Ano 1929: Em 15 de Setembro aconteceu em Loriga a "Cheia das Botelhas", assim designada
por as ribeiras terem saído do seu leito galgando as courelas
Ano 1932: Teve início a Carreira de Transportes de José Bonito de Loriga a Viseu e vice-versa.
Ano 1933: Ocorreu o fenómeno "Chuva das Estrelas", contemplado no céu em Loriga com receio
e pânico, tendo muitas pessoas procurado refúgio na igreja, a rezar.
Ano 1937: Fundado em 24 de Julho o Centro Loricense de Belém-Pará.
Ano 1939: Não se realizou a Festa da Nossa Senhora da Guia, por divergências existentes entre
o pároco Sr.Padre Lages e alguns paroquianos.
Ano 1940: Em 8 de Dezembro foi Inaugurado o "Cruzeiro da Carvalha" evocativo do Oitavo Centenário
da Fundação e Terceiro Centenário da Restauração da Pátria.
Ano 1941: Em 19 de Novembro é homenageado em Loriga o Sr. Cónego Manuel Fernandes Nogueira,
tendo sido descerrada uma lápida na casa onde tinha nascido.
Ano 1944: Queda do avião de guerra inglês na Serra (Penha do Gato) na noite do dia 26 de Fevereiro,
tendo morrido os seus ocupantes que foram sepultados em Loriga.
Ano 1949: Foram concluídas as obras de reparação do "Terreiro das Figueiras", que passou a
designar-se por Largo do Dr.Amorim.
Ano 1952: Ocorreu um incêndio na Fábrica da Redondinha.
Ano 1953: Ocorreu um incêndio na Fábrica dos Leitões.
Ano 1958: Aquisição em Loriga do primeiro aparelho de Televisão.
Ano 1959: Em Agosto deste ano foi ordenado Sacerdote, o Sr.Padre Fernando Santos, tendo-se
deslocado a Loriga, para efeitos de ordenação, o Sr.Bispo da Guarda.

Ano 1960: Inaugurado o novo edifício da Escola Primária,moderno e espaçoso.


Ano 1962: Em 1 de Janeiro foi benzida a primeira Bandeira da Cooperativa Popular Loricense.
Ano 1962: Às quatro da madrugada do dia 26 de Dezembro, ocorreu um incêndio no Socorro Paroquial
de Loriga, que ficou totalmente destruído.
Ano 1969: Foi inaugurada oficialmente a Escola Preparatória,actual Escola C+S de Loriga.
Em 19 de Fevereiro, morre o Sr.Padre António Mendes Cabral Lages.
Ano 1969: Colocação do Relógio na torre da Igreja Matriz, encomendado em Braga.
Ano 1971: Em 19 de Novembro, em Lisboa, morre em Lisboa o Sr.Coronel Mendes Reis com 98 anos.
Ano 1972: Em Setembro, foi realizada, em Piodão, uma homenagem pelo 111 aniversário do nascimento
do Sr.Cónego Manuel Fernandes Nogueira, natural de Loriga, que durante muitos anos foi
pároco naquela freguesia.
Ano 1979: Em 25 de Junho, foi realizado um convívio de Loricenses em Lisboa, com a presença da
Banda Musical de Loriga e do Presidente da Junta.
Ano 1979: Em Outubro, deixou Loriga, depois de 13 anos como pároco, o Sr.Padre António do N. Barreiros.
Ano 1981: Pela primeira vez na sua história, Loriga foi visitada oficialmente pelo Presidente da República,
Sr.General Ramalho Eanes.
Ano 1983: Fundado o Boletim "A Voz da Banda" saindo o seu primeiro número em Dezembro deste ano.
Ano 1985: Em 4 de Maio, foi ordenado Sacerdote Missionário o Padre Jorge Amaro, natural de Loriga, tendo
esta ordenação sido realizada em Fátima pelo Bispo da diocese da Guarda, D.António dos Santos.
Ano 1988: O Sr.Cardeal de Lisboa D. António Ribeiro, visitou Loriga em visita particular e a convite do
Sr.Padre Abranches.
Ano 1989: De 19 a 25 de Junho, realizou-se a 1a. Semana Serrana em Sacavém, organizada pela ANALOR.
Ano 1990: No dia 8 de Setembro foi homenageado em Loriga o Sr.Padre Prata, dia em que também fazia as
suas Bodas de Ouro Sacerdotais.
Ano 1993:- Movimento Demográfico de Loriga, durante este ano: - 18 baptizados, 9 casamentos e 35 óbitos.
Ano 1994: Em 24 de Abril, perto de Unhais da Serra, foi assaltado e assassinado o Sr.Professor José
Coutinho Cunha, natural de Gouveia e a residir em Loriga há muitos anos.
Ano 1995: No dia 4 de Janeiro a Banda Musical Loriguense deslocou-se a Lisboa para
actuar no programa "Minas e Armadilhas", gravado pela TV-SIC.
Ano 1995: Publicado no Diário da República, no mês de Julho, o Concurso Público para a construção,
aguardada desde 1968, do edifício da Escola C+S de Loriga.

Ano 1996: Começa a funcionar e é inaugurado o novo edifício da Escola C+S da vila de Loriga.
Ano 1999: Em 08 de Julho, a Banda Musical Loricense desloca-se pela primeira vez para fora de Portugal
Continental, mais precisamente à Ilha de S.Miguel (Açores).
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Memórias de Histórias que o Povo contou

O "Monte de São Bento"


Neste monte, existiu outrora, uma capela onde vivia um ermitão que tinha por orago o respectivo Santo e por isso, aquele local, sempre ficou conhecido por São
Bento.
Esta capela viria a ruir totalmente e os habitantes de Loriga quiseram levar a imagem para a sua igreja. Surgiu, nessa altura, um contencioso entre Valezim e Loriga,
com as populações das duas freguesias a reclamarem para si a dita capela, cada qual dizendo que lhes pertencia, por ficar nas suas águas vertentes.
Um belo dia, o povo de Valezim, querendo fazer valer os seus direitos, deslocou-se à capela arruinada e transportaram a imagem de S.Bento para a igreja local.
Foi então, que se deu um grande milagre! Nessa mesma noite, o Santo fugiu da igreja de Valezim e foi recolher-se na igreja de Loriga, demonstrando a todos, que
aquela capela erguida no monte de São Bento pertencia unicamente à vila de Loriga.

**

A Lenda da "Pedra do Ribeiro das Tapadas"


Ainda a claridade da manhã mal despontava sobre Loriga, e já uma carvoeira desta localidade, de farnel à cabeça, se dirigia para o trabalho na serra.
Ao chegar ao sítio chamado "Tapadas", viu sentada, numa grande pedra, uma linda donzela. Ao aproximar-se, esta pediu-lhe de comer, tendo a carvoeira com ela
repartido o pouco farnel que levava.
A bela jovem, como recompensa, ofereceu-lhe um cesto coberto com um pano alvíssimo recomendando-lhe, que só visse o seu conteúdo quando chegasse a casa.
Continuando o seu caminho, a carvoeira conteve-se durante algum tempo lembrando-se da recomendação mas, ansiosa e curiosa não resistiu mais tempo. Ao
levantar o pano, ficou furiosa ao verificar que afinal era carvão que levava no cesto e, de imediato, deitou tudo fora ainda mal refeita da irritação e desilusão que dela
se apoderou.
Quando regressou a casa no final do dia, voltando a olhar para o cesto, verificou que no fundo do mesmo se encontravam dois bagos que, de imediato, reconheceu
ser ouro. De imediato voltou ao local onde tinha deitado tudo fora, mas nada encontrou.
A "Pedra do Ribeiro das Tapadas", na qual parece estar desenhada uma porta, diz o povo que está encantada e que no seu interior existe muito ouro. Ainda não há
muitos anos, houve alguém que a tentou abrir, utilizando para isso pólvora e dinamite das pedreiras, mas apesar de muito tentar, nada conseguiu.

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A Lenda do "Fragão da Pêssega"


Em eras já distantes, vivia nesta região um abastado proprietário, que tinha uma filha muito formosa e de longos cabelos cor de oiro e de faces coradas e aveludadas
como as de um pêssego.
Esta donzela enamorou-se de um pastor jovem e esbelto, amores que seriam, no entanto, contrariados pelo pai que, depois de tudo fazer para evitar tal namoro,
sem o conseguir, resolveu encantar a filha numa grande fraga que ainda hoje se chama o "Fragão da Pêssega".
A partir de então, o povo começou acreditar que, em determinados dias e noites, a donzela vai tocando os acordes de uma música de melancolia, esperando o seu
desencanto, que só poderá ser feito por um pastor serrano jovem e esbelto.

**

A Lenda da Serra da Estrela *

O rei ouvira falar num célebre pastor que habitava no alto da serra e que possuía uma estrela única no mundo, com quem conversava todas as noites. Sem hesitar,
mandou emissários para que o trouxessem à sua presença.
Quando o velho pastor, um tanto surpreendido, chegou ao palácio do rei este elucidou-o sobre o seu intento. -Ouve, pobre velho!. Dar-te-ei todas as riquezas que
quiseres... Farei de ti um homem poderoso para o resto da vida. Em troca quero apenas que me dês a tua estrela.
O velho pastor olhou o rei com desespero. -Pedis o impossível, senhor! A estrela não é minha, é do céu.
Furioso o rei gritou-lhe: -Que importa?.. Eu sei que ela faz o que tu ordenas... se quiseres... ela será minha.
Com uma dignidade que assombrou o monarca, o velho pastor replicou:
-Senhor!.. Prefiro continuar pobre, desprezado, mas sempre com a minha estrela!...
E no mesmo assomo de energia, o velho pastor voltou as costas ao rei poderoso e abalou, de novo, a caminho da serra.
Quando lá chegou, a noite ia já alta. Ele atirou-se para cima da enxerga e mordiscou uma côdea de pão negro. Então, a tal estranha melodia, já muito sua
conhecida, desceu do alto e veio sussurrar-lhe aos ouvidos:
-Ainda bem que as riquezas não te tentaram... Ficaria tão triste... Deixei-te passar misérias para te expor ainda mais à tentação, mas confesso que receei muito. O
rei ofereceu-te verdadeiros tesouros...
Erguendo-se da enxerga para onde o cansaço do corpo o tinha atirado, o velho respondeu com lágrimas na voz:
-Ouve, minha boa estrela!..Não sei desde quando nos conhece-mos!..Mas quero que fiques sabendo que não poderei viver sem ti, sem a tua presença.
-A estrela explicou-lhe num sussurro, fazendo amainar o vento que corria célere:
-Pois quando morreres, meu bom pastor, podes morrer descansado. Eu aqui te prometo que jamais te abandonarei.
Num êxtase, o pastor encarou a sua estrela. O seu brilho intenso salpicava-lhe os cabelos encanecidos, e o velho, numa voz de profeta, proclamou do alto da
montanha:
-Eu te agradeço o que fizeste por mim!.. De hoje em diante esta serra há-de chamar-se para sempre a Serra da Estrela.
E diz finalmente a lenda, que no alto da serra existe, sempre todas as noites, entre as suas irmãs, uma estrela que brilha ainda hoje, duma maneira estranha e
diferente.
Ela possui um brilho que derrama reflexos, de saudades e amor sobre a campa desconhecida daquele que foi e continuará a ser o seu Pastor.
* Uma narração de Gentil Marques
-1-

Originalidades da Região de Loriga

Gastronomia de Loriga

-Sopa de Feijão e de couves


-Cabrito à Serrana
-Feijão à Loriguense
-Broa de Milho
-Queijo de ovelha e cabra
-Requeijão e Queijo Fresco
-Bolo Negro
-Pão de Ló
-Broinhas
-Leite creme à Loriga
-Arros Doce
-Aguardente de Zimbro
-Vinho do Dão
-2-

***

"Os Enchidos de Loriga"

São verdadeiramente
considerados muito
bons e, por isso, de reconhecida
fama os
enchidos feitos em Loriga,
nomeadamente
Chouriço de Carne, Morcela e
Farinheira.
---
Sendo essencialmente de
fabricação
caseira e para consumo local, não
deixa
de ser realmente curioso o facto
de terem
sempre, existido em Loriga,
pessoas
vocacionadas para dar a estes
enchidos
tradicionais um paladar
inconfundível e único,
e do melhor que se pode
encontrar.

***
-3-

Arroz Doce à moda de


Loriga

É uma das Sobremesas que faz


parte da
Gastronomia de Loriga e de
maneira alguma
poderá faltar nas Festas,
casamentos e
baptizados dos Loricenses.
Receita:
150 gr.de arroz
1 lt. de leite
150 gr. de açúcar
1 casca de laranja seca
e Canela .
Deita-se num tacho a água até
cobrir
o arroz e põe-se ao lume para
abrir.
Deita-se a casca de laranja e
uma pitada
de sal, em seguida vai
deitando-se o leite
aos poucos até cozer o arroz
sempre
mexendo. Depois serve-se em
travessa que
polvilha com canela
ornamentando com
os mais variados desenhos,
principalmente
flores.
Acompanha com leite creme.
-4-

Leite Creme
Torrado à
Loriga

Sobremesa
tradicional que
obrigatoriamente
pertence à
Gastronomia
Loricense e
normalmente
para acompanhar
com o Arroz Doce.
Receita:
0,5 lt de leite
250 gr. de açúcar
2 colheres de chá,
de farinha maizena
1 casca de limão
4 gemas de ovos .
Põe-se o leite ao
lume com raspa de
limão
e antes de ferver
junta-se a farinha
com o
açúcar mexendo
sempre.
Juntam-se as
gemas batidas
fora do lume
para não talharem
e vai novamente
ao lume
até engrossar.
Deita-se numa
travessa e
polvilha-se com
açúcar, depois
com uma pá em
brasa queima-se.
Pode ainda ser
servido junto com
farófias.
-5-

Tapioca

Fécula de
mandioca,
usualmente
preparada em forma
granulada, muito
alimentícia.
Preparação:
Coloca-se a tapioca
em água, de um dia
para o outro,
com um pouco de
sal e raspa de
limão.
Depois retirada
dessa água, leva-se
ao lume brando,
juntando leite e
açúcar a gosto,
mexendo sempre
até notar
estar cozido.
Coloca-se numa
travessa, podendo
polvilhar-se com
canela
-6-

Biscoitos à
Moda de
Loriga

-1000 gr. Farinha


-8 Ovos
-500 gr. de Açúcar
-1 Colher de Pó
Royal
-2 Laranjas
-1 Taça de azeite
-Aguardente

Juntar e bater o
açúcar, os ovos,
raspa ou sumo de
laranja, azeite e
aguardente.
Depois de tudo bem
batido, juntar a
farinha e Pó Royal
e bater até notar a
massa pronta.
Com as mãos
estender e
entrelaçar nos
formatos que mais
entender. Colocar
em tabuleiro
devidamente untado
(antigamente era
usado azeite) hoje
em dia é mais
usual a margarina
ou então ser
polvilhado com
farinha. É
importante o forno
estar bem quente.
-7-

Broinhas à Moda de Loriga

-6 Ovos
-1 colher de Pó Royal
-500 gr, de Açúcar
-1 Colher de sopa de
azeite
-½ Litro de Leite
-Sumo de laranja
-Farinha a olho
-Bicabornato

Juntar todos os
ingredientes, que devem
ser bem batidos,
acrescentando a farinha
necessária até a poder
talhar.
Com a ajuda de uma
colher fazer as broinhas
elevando o
mais possível a massa do
feitio de um monte, por
isso
a particularidade de
popularmente serem
chamadas
Broinhas de "Cagote".
Colocar em tabuleiro
devidamente
untado (antigamente era
usado azeite) hoje em dia
é mais
usual a margarina ou
então ser polvilhado com
farinha.
É importante o forno estar
bem quente.

Requeijão da Serra da Estrela


Caracterizado como queijo de origem serrana o Requeijão da Serra da Estrela é sem dúvida
o mais apreciado. Feito à base de leite exclusivo de ovelhas da região, é elaborado com o
soro que escoa da francela durante a laboração do queijo e que é, de seguida aquecido a
temperaturas próximas da ebulição. Depois de obtida a massa pastosa que constitui o
Requeijão, esta é distribuída por pequenos açafates de verga fina, os quais se podem retirar
logo que a parte líquida denominada sorelho ou rescaldão deixe de correr ao ganhar maior
consistência.
-8-

Apicultura em Loriga

A apicultura é uma actividade


muito antiga, onde em
registos antigos do Egipto,
Mesopotâmia e Grécia, nos
dão conta da criação de
abelhas e a referência ao mel
na Bíblia.
Devido há flora riquíssima da
Serra da Estrela são, em
enorme quantidade, os
enxames de abelhas, que
fazem desta região o seu
meio habitat e que têm, por
isso, uma grande importância
na exploração do mel de
excelente qualidade e de
certa fama pelo país fora.
Na parte sudoeste da serra,
onde Loriga está inserida, a
actividade da Apicultura tem
conhecido, através dos
tempos, um certo
crescimento. A exploração do
mel nesta zona da serra tem,
nos cortiços, o meio
instrumental mais utilizado
que, sendo colocados no
meio do mato, são ocupados
pelos muitos enxames de
abelhas existentes por esta
região.
Em muitos locais é visível ver
muitos desses cortiços,
nomeadamente na encosta da
povoação do Fontão, uma
localidade da freguesia de
Loriga.
Em 28 de Abril de 2000, o mel
da região da Serra da Estrela,
foi galardoado no Concurso
Internacional de Mel e Queijo
de Montanha, realizado em
Grenoble (França), tendo sido
atribuído ao Apicultor Alberto
Freire Marques, de Loriga, a
medalha de Bronze.

Chás tradicionais
-9-

Desde 1500 a.C. que existem os relatos de povos recorrendo às ervas e plantas na obtenção
de benefícios medicinais. Mas sabe-se que a história dos Chás remonta de 2800 anos A.C.,
e está assentada nos costumes da velha China.
Percorrendo a região de Loriga, encontrará nos seus campos, soitos e pinhais, as mais
variadas plantas e ervas, hoje muito utilizadas como chás medicinais, determinantes para
suprimir ou melhorar um vasto leque de problemas de saúde.
Em Loriga, foi sempre usual o consumo de chás, nomeadamente os chamados:- chá preto,
cidreira, laranjeira, tília. Há alguns anos a esta parte que a população de Loriga se vem
dedicando mais aos chás de ervas tradicionais. Por isso, é muito frequente as pessoas
percorrerem os campos na procura dessas ervas, que existem um pouco por todo o lado
como é o caso da Flor da Carqueja, Malvas, Hipericão, Língua de boi e Barba de milho, entre
outros.

Malvas Língua de Boi

** **

Flor da Carqueja Hipericão

** **

Cuidados importantes:

-Considerar que sendo produtos naturais estão mais sugeitos a possíveis alterações
-Secar as plantas ou ervas em locais resguardados do sol de preferência em casa
-Conservar sempre as plantas ou ervas em locais secos, frescos e ao abrigo da luz.
-Ao preparar: Após levantar fervura, deixe em infusão durante cinco minutos
- 10 -

Carolo
Farinha de milho grosseira, que depois de
preparada é bastante alimentícia.
Preparação:
Peneira-se e lava-se essa farinha, em seguida
vai-se colocando água quanto baste, para a
dissolver.
Leva-se ao lume não muito forte, acrescentado
leite
mexendo sempre até ficar espesso.
Ao servir, poderá ser adicionado, açúcar ou
leite, a gosto.

Bolo Negro de Loriga


Bolo tradicional feito em
Loriga
que foi sempre muito
apreciado,
sobretudo quando cozido nos
antigos
fornos públicos de lenha.
Receita:
4 ovos 300 gr. de açúcar 300
gr. de farinha
1 colher de sobremesa de
canela
1 colher de chá de
Bicarbonato de Sódio
1/8 lt. de leite.
Batem-se muito bem os ovos
com o açúcar,
juntam-se a canela o leite e a
farinha
misturada com o bicarbonato.
Leva-se ao forno a cozer em
forma
untada com manteiga e
polvilhada com farinha.

Queijo Fresco
Apenas feito para consumo caseiro, este queijo feito em Loriga é, no entanto, de muito bom
e excelente sabor.
- 11 -

Pão de Ló
Este Bolo tradicional em
Portugal, é feito por todo o
país e, em algumas zonas,
até com certa fama. Quando
feito à moda de Loriga é
popularmente chamado
"Pão Leve" sendo
reconhecidamente muito
apreciado pelo seu sabor
delicioso.

Feijão Guisado à Moda de Loriga


Receita:
-500gr. de Feijão encarnado cozido
-3 Cebolas grandes
-2 dl. Azeite
-4 Dentes de Alho
-Pimenta
-Colorau
-Sal
-Folha de Louro
Descasque as cebolas grandes, corte 2 em rodelas e 1 em meias luas e pique os dentes de
alho. Leve a alourar em duas ou três colheres de sopa de azeite aquecido, juntando uma
folha de louro. Junte depois o feijão encarnado depois de cozido, tempere com sal, um
pouco de pimenta e colorau. Deixe guisar em lume brando durante cerca de 15 - 20 minutos.

Nota:- Normalmente era acompanhado com "Bôla de ovos e Chouriço" ou mesmo


acompanhado com bacalhau assado na brasa, que desfeito em lascas, era colocado por
cima do feijão, na altura de servir.

Abóbora
- 12 -

A Abóbora é um fruto (pepónio) da aboboreira, por vezes muito grande, hoje muito utilizado
na confecção de doces, compotas e pratos de culinária. É um dos legumes com mais
hidratos de carbono complexos, fornecendo betacaroteno, uma substância que se converte
em vitamina A no organismo.
A cabaça; carneira; chila; menina; porqueira; d´água, são as designações vulgares das
espécies ou subespécies muito cultivadas em Portugal.
Antigamente, em Loriga, a maioria das espécies da abóbora era popularmente chamada por
"botelha", apesar de não haver uma grande cultura deste fruto, existia no entanto, um pouco
por todo o lado. Noutros tempos, eram relativamente muito poucas as pessoas a
confeccionar a abóbora na alimentação. Aliás, tempos houve, em que a abóbora era
praticamente utilizada na alimentação dos animais.
Porém, hoje, a realidade é bem diferente. Além de ser muito utilizada na confecção de
doces, é também muito apreciada e utilizada na comida, nomeadamente em sopa, feijoada
e, também, muito inserida em pratos regionais.
A cabaça, chila e menina, eram as espécies de abóbora que mais se cultivavam em Loriga
mas, hoje em dia, também aparecem as outras espécies. Sendo muito procurada chegam a
ser colhidas abóboras de grandes dimensões e com bastantes quilos.
Uma originalidade em Loriga, era a espécie da cabaça em forma de 8, a qual depois de
seca, era-lhe tirado o seu recheio e transformada em vasilha para bebida .

Cabrito Assado à moda de Loriga


Um dos pratos mais tradicionais, e que faz parte da
Gastronomia de Loriga é, sem dúvida, o Cabrito Assado
o qual, por norma, não deverá ter mais do que 3 a 5 Kg.
Ingredientes:
Alho, pimenta branca, sal grosso, louro, cebolas, colorau, salsa
banha, azeite, vinho branco,
Receita:
Limpe e lave bem o cabrito e, algumas horas antes de o assar, esfregue-o muito bem
por dentro e por fora com os ingredientes.
Coloque o cabrito num tabuleiro de preferência grande e de
barro, e com os restos dos ingredientes volte novamente a
esfregá-lo, bem como as batatinhas que devem ser das mais
pequeninas e que as colocará à sua volta.
Leve a assar em forno de lenha ou de padeiro, devendo ficar
bem tostadinho, mas não seco.
- 13 -

Broa de Milho

O Milho é da família das Gramíneas


e, embora a origem da planta seja
ainda hoje um mistério, pode
afirmar-se que era o alimento básico
das culturas americanas, muitos
séculos antes dos europeus
chegaram ao novo mundo. Com o
descobrimento da América foi
introduzido nos países
mediterrâneos donde se difundiu
rapidamente.
Muito cultivado em Loriga, em belos
socalcos, era das principais culturas
nesta localidade.

Broa de Milho de Loriga


A Broa de Milho desta localidade é
muito afamada e muito
apreciada, havendo até quem diga
que esse facto se deve às águas de
grande qualidade existentes nesta
região.
Ingredientes:
Farinha de milho, sal, fermento e
água.
Modo de preparação à antiga:
Ferve-se a água, coloca-se o sal e
deixa-se arrefecer um pouco.
Numa maceira de madeira é
colocada a farinha de milho depois
de peneirada. Amassa-se e junta-se
o fermento. Deixa-se levedar cerca
de duas horas
Aquece-se bem o forno, fazem-se as
broas com ajuda de um utensilio
polvilhado com farinha (pode ser
uma tijela) e põe-se a broa a cozer.

Nota:- A broa cozida nos fornos de lenha (como os que existiam em tempos passados) fica
na realidade diferente, mesmo até com um sabor inconfundível difícil de esquecer.
- 14 -

Uma maceira com a broa

Região da
Serra da
Estrela:

Especialidades

Queijo da Serra Características:


Origem: -amanteigado de
-leite de ovelha cr sabor suave e
u aroma forte
com cardo
"cynara
Cadunculus"

Vinhos de Região:

Região classificada

Indicação de
Denominação de Proveniência
Origem Registada
Controlada: -Castelo Rodrigo;
-Dão Pinhel;
Cova da Beira; Covilhã
- 15 -

"Míscaros"
Cogumelos da família das
Poliporáceas, encontram-se
com frequência
em Portugal, normalmente nos
pinhais, sendo também
cultivados.
Na região circundante de Loriga,
nascem com uma certa
abundância , as espécies de
cogumelos chamados
"Míscaros brancos e amarelos"
e o "Tortulho", que começam
justamente por aparecer quando
das primeiras humidades do
Outono, sendo muito
procurados para consumo
caseiro, porque de facto são
muito apreciados pela
população desta localidade. Por
isso e principalmente nos fins
de semana são muitas as
pessoas que percorrerem as
matas e pinhais de Loriga, na
sua colheita.
E necessário também ter um
certo cuidado ao colher os
"Míscaros" só devendo apanhar
as espécies comestíveis, de
maneira alguma colher espécies
das quais não tenha a certeza
ou mesmo que lhe sejam
desconhecidas.

Resina dos Pinheiros:


É um produto natural, viscoso,
extraído dos pinheiros,
de alto valor e de grande utilização
industrial. É uma exploração muito
comum em regiões de muitos
pinhais, sobretudo no norte do país.
A exploração da resina dos
pinheiros bravos na região de Loriga
vem de longe, tendo até épocas de
muita movimentação
laboral Há alguns anos a esta parte
tem, no entanto, vindo a
decrescer, devido, em parte aos
muitos incêndios que se têm
verificado e que têm devastado as
florestas de norte a sul do país.
- 16 -

"Zimbro"
Arbusto rasteiro e espontâneo
com tronco e casca
rugosa e cinzenta, que pertence
à família das Pinásceas .
Sobrevive e tem como meio
habitat terrenos expostos ao
Sol, nas grandes altitudes,
geralmente até aos 2.500
metros, por isso muito frequente
na Serra da Estrela. Os seus
bagos estimáveis servem para
tratamento e curas medicinais,
sendo também muito utilizado
em aguardente devido ao seu
poder aromático e fertilizador.
- 17 -

Castanheiro
s
Na região de
Loriga existem,
com uma certa
abundância,
estas
espontâneas
árvores,
normalmente de
grande porte
pertencentes à
família das
Castanáceas (ou
Fagáceas) em
que a sua
preciosa madeira
é muito
aproveitada
As Castanhas é
o fruto comestível
destas árvores,
que gera a
criação de
diversos pratos
(sopa, puré,
estufadas,
assadas,
cozidas).
Assadas e
cozidas, são o
meio mais usual,
que quentes e
boas, apetecem
nos dias de frio
da região.
- 18 -

Oliveiras
Árvores de folhas persistentes da
família das Oleáceas muito
cultivada em Portugal, em que os
seus frutos (azeitonas) são
utilizados na alimentação e no
fabrico do azeite.
Na realidade, Loriga, não é uma
região de grande abundância de
árvores de Oliveira, no entanto,
um pouco por todo o lado, e
espontaneamente, podem-se ver
muitas destas árvores.
Em registos antigos, dão-nos
conta de ter existido em Loriga,
um Lagar de azeite,
considerando isso como rara
excepção, a exploração da
azeitona nesta localidade, tem
sido uma prática, que poderá
entender-se, apenas, para o
consumo alimentício e
unicamente caseiro.
- 19 -

O Cão "Serra da
Estrela"

As origens desta raça canina


não estão bem situadas no
tempo, mas pode-se afirmar,
sem úvida, que vêm de épocas
remotas, pois já no tempo de
Viriato, aquando das lutas entre
Lusitanos e Romanos, ele
existia nos Montes Hermínios e
ajudava os seus habitantes nas
artes bélicas.
É um cão considerado de luta e
de guarda, de grande
corpulência e de proporções
harmoniosas e belas, apresenta
uma boa musculação apoiada
num suporte esquelético forte e
bem desenvolvido.
A raça tem duas variedades de
pêlo:- a de pêlo curto e a de
pêlo comprido.
A segunda variedade, a de pêlo
comprido, é considerada, pela
maioria das pessoas, com a
mais bela. Isto fez com que se
deixasse quase de criar a
variedade de pêlo curto.
O cão da serra chega atingir 72
cm de altura e 50 Kg de peso
raça muito sóbria e de grande
resistência à doença, muito
pouco exige aos seus
proprietários, a sua dedicação
aos donos é sobejamente
conhecida, não hesitando em
perder a vida para salvar os
seus donos, tendo para as
crianças uma simpatia
especial.
De "boa boca" come de tudo
adora a liberdade, onde ande
corra e cheire à vontade.

Os "Cães da Serra da Estrela" muito utilizados na guarda dos rebanhos são uns verdadeiros
companheiros dos pastores.
Em épocas passadas, eram importantes na Serra da Estrela, tinham mesmo um papel
fulcral nas defesa dos rebanhos nas lutas contra os lobos. Usavam à volta dos pescoço uma
larga coleira em ferro com compridas pontas para se defenderem desses animais ferozes,
que tinham na Serra da Estrela um dos seus meios habitar.
- 20 -

Os Lobos
- 21 -

Animal carnívoro,
selvagem, da família
dos canídeos, de
pelagem
predominantemente
cinza (alguns são
preto retinto),
misturado com pelos
brancos, negros e
marrons.
O Lobo é um animal
predador, sendo as
ovelhas, os bovinos e
outros animais de
criação as principais
presas para a sua
alimentação.
Já foi muito comum a
existência destes
animais na Serra da
Estrela, no entanto,
hoje a sua extinção
nestas paragens
parece ser cada vez
mais real.
Tempos houve em que
os lobos abundavam
por toda a serra,
sendo conhecido
como um animal
maldito e prejudicial,
onde os relatos nos
davam conta dos seus
defeitos: devorador de
ovelhas, de cabras e
por vezes de gado
com mais envergadura
ou mesmo atacando
homens.
Não se conhecem
relatos em Loriga, de
os Lobos alguma vez
chegarem ao povoado
propriamente dito, mas
o mesmo se não pode
dizer da região
circundante,
nomeadamente nas
quintas próximas,
onde existem registos
de terem aparecido, e
de inclusivamente,
tentarem atacar
pessoas.
- 22 -

Dos Pastores e dos seus cães são muitos os relatos existentes, que nos dão conta das
muitas lutas que chegaram a ter com os lobos na defesa dos seus rebanhos, que se tornava
muito complicado quando os lobos atacavam em matilha. Neste caso os lobos usavam um
método, por vezes com algum sucesso, que consistia em um grupo de lobos fazer-se
perseguir pelo pastor ou pelos cães de guarda, enquanto um segundo grupo atacava o
rebanho.

Objectos característicos de Loriga, no tempo

Bugia (1970)
Carro e Vassoura de varrer ruas
(1980)
***
***

Mó de um Moinho antigo (1965)

Lançadeiras de teares (1961)

Chocalho (1922)
- 23 -

Pulverizador

Travinca (1958) Podões antigos (1960)


- 24 -

Cabaça ainda na Aboboreira Cabaça em vasilha(1970)

Alumínios de cozinha
-1-

Localização, Referências e Informações de Loriga

Localização
Província da Beira Alta
Distrito da Guarda
Região de loriga
Região da Serra da Estrela
Estrada Nacional Nr.231
Estrada Nacional Nr.338
Situada na encosta sudoeste da Serra da
Estrela entre os 770 e os 1200 metros de
altitude

População
Tendo como principal actividade a industria
têxtil, os
habitantes de Loriga, no final do ano 1999 e fim
do
milénio, estavam registados em cerca de 1660
pessoas, população efectiva.
Mas nos anos da década de 1940, a população
chegou atingir números acima de 4.000
pessoas
Os Loricenses ausentes espalham-se pelas
cinco
partes do mundo, sendo os residentes no
norte do Brasil considerados desde sempre a
maior comunidade Loricense a residir no
estrangeiro

Localidade Industrial
Começando por ser uma terra industrial a partir das primeiras décadas de 1800, no ano de 1881, era já a localidade mais industrializada da Serra da Estrela e da
Beira Interior,só suplantada pela Covilhã, com 7 unidades de produção têxtil empregando mais de 300 operários.
Até à primeira metade do século XX, era considerada a localidade industrial mais importante do seu concelho, e do Distrito da Guarda.

Confirmação oficial da categoria de Vila, em 30 de Junho de 1989, na Assembleia da República.

Junta de Freguesia de Loriga

Eleições Autárquicas 2005


Eleitores Inscritos 1255
Votantes 812
Abstenção 35,8%
Votos em Branco 37
Votos Nulos 21

Actual Elenco Administrativo (2005/2009)

PS 454 Votos = 54,3%


Largo do Fonte do Mouro
6270 - 073 Loriga
Presidente em 2006:- António Maurício Moura Mendes
Telef.238/953178 - 954383
Fax.238/953178

Local geográfico no Mapa-Mundo onde está situada Loriga


-2-

Distâncias quilométricas Distância quilométricas entre

entre Loriga e outras cidades de Portugal Loriga e algumas cidades europeias

-Londres ......... 1.940 Km

-Paris ............... 1.510 Km

-Copenhaga .... 2.800 Km


-Lisboa................ 292 Km
-Helsinquia ...... 3.790 Km
-Santarém ......... 256 Km
-Oslo ................. 3.220 Km
-Fátima ............... 204 Km
-Estocolmo ...... 3.390 Km
-Porto ................. 187 Km
-Amestardam.. 2.030 Km
-Leiria ................. 183 Km
-Bruxelas ......... 1.800 Km
-Coimbra............. 122 Km
-Hamburgo ...... 2.540 Km
-Castelo Branco 123 Km
-Berlim ............. 2.650 Km
-Beja ................... 350 Km
-Munique ......... 2.250 Km
-Setúbal ............. 340 Km
-Madrid............. 450 Km
-Faro ................... 543 Km
-Barcelona...... 990 Km
-Évora ................. 296 Km
-Bucareste ..... 3.650 Km
-Guarda .............. 90 Km
-Frankfurt ....... 2.080 Km
-Covilhã .............. 62 Km
-Zurique .......... 1.940 Km
-Aveiro ................ 145 Km
-Milão .............. 2.140 Km
-Bragança ........ 240 Km
-Roma ............. 2.420 Km
-Viseu ................ 65 Km
-Luxemburgo 1.700 Km
-Vila Real .......... 176 Km
-Veneza ......... 2,240 Km
-Braga ............... 242 Km
-Viena ............ 2.710 Km

-Atenas ......... 3.820 Km

-Istambul ...... 4.160 Km

Itinerários mais rápidos dos vários pontos de Portugal


-3-

Via Norte - Bragança/Tras-os-Montes (219


Via Norte - Porto (190 Km):
Km)
Auto-estrada A1 em direcção a Lisboa. Sair em
Tomar a IP4 e sair em Macedo de Cavaleiros
Aveiro (cerca de 53 Km percorridos) seguir A25
(cerca de 40 Km, percorridos) seguir na IP2 (EN
no sentido Viseu-Vilar Formoso. Sair em
102) em direcção a Celorico da Beira. Nesta
Mangualde (cerca de 135 Km percorridos) tomar
cidade (cerca de 172 Km percorridos) tomar a
a EN 234 até Nelas (cerca de 150 Km
Estrada da Beira (EN 17) em direcção a
percorridos) seguir a EN 231 em direcção a
Coimbra. Em Seia (cerca de 197 Km
Seia, seguindo sempre na mesma Estrada
percorridos) seguir para a Estrada Nacional
Nacional Nr. 231 em direcção a Loriga -
Nr.231 em direcção a Loriga (percurso total -
(percurso total - cerca 190 Km).
cerca 219 Km).

Via Sul - Lisboa (292 Km):


Auto-estrada A1 em direcção ao Porto. Depois Via Sul - Lisboa (317 Km): Percurso
de Coimbra (cerca de 193 Km percorridos) alternativo - (novo)
seguir IP3 em direcção a Viseu. Um pouco Auto-estrada A1 em direcção ao Porto. Sair para
depois de Penacova na região de Raiva (cerca A23 no sentido de Torres Novas (cerca de 93
de 218 Km percorridos) seguir a IC7 na direcção Km percorridos). Seguir na A23 em direcção a
Covilhã (cerca de 230 Km percorridos) tomar a Castelo Branco-Guarda. Sair em Tortozendo
Estrada da Beira (EN 17) em direcção (cerca de 271 Km percorridos) e seguir para
Seia/Guarda. Sair desta estrada na Catraia de Estrada Nacional Nr. 230 em direcção a Unhais
São Romão (cerca de 273 Km percorridos) da Serra (cerca de 284 Km percorridos)
seguir até São Romão e tomar a Estrada continuar na mesma estrada nacional até às
Nacional N.231 em direcção a Loriga (percurso Pedras Lavradas onde vira à direita para a
total - cerca 292 Km).Pode também virar para Estrada Nacional Nr. 231 em direcção a Loriga.
Vide, apanhar ali a EN338 até à Portela de (percurso total - cerca 317 Km).
Loriga.

Via Sul - Faro/Algarve (543 Km)


Tomar a Via do Infante seguir em direcção a
Via Internacional - Fronteira/Espanha (131
Albufeira/Lisboa. Em Ferreira (cerca de 24 Km
Km)
percorridos) seguir A2 direcção a Lisboa. Sair
Fronteira-Vilar formoso, seguir na nova
em Ourique (cerca de 106 Km percorridos) e
auto-estrada A25 direcção Guarda/Lisboa. Sair
tomar a IP2 direcção Beja; Évora; Estremoz;
na Guarda (cerca de 42 Km percorridos) tomar a
Portalegre e Nisa.Tomar a A23 direcção Castelo
direcção da A25 em sentido de Viseu/Aveiro.
Branco/Guarda. Sair em Tortozendo (cerca de
Sair em Celorico da Beira (cerca de 65 Km
493 Km percorridos) e seguir para a Estrada
percorridos) e tomar a Estrada da Beira (EN 17)
Nacional Nr.230 Km em direcção a Unhais da
em direcção a Coimbra. Em Seia (cerca de 107
Serra (cerca de 510 Km percorridos) continuar
Km percorridos) seguir para a Estrada Nacional
na mesma estrada nacional até às Pedras
Nr.231 em direcção a Loriga (percurso total -
Lavradas onde vira à direita para a Estrada
cerca 131 Km).
Nacional Nr. 231 em direcção a Loriga.
(percurso total - cerca 543 Km).

Distância quilométrica de Loriga - Fronteira de (Vilar Formoso) - cerca de 131 Km.

***
Distância quilométrica de Loriga - A25 (Mangualde) - cerca de 55 Km.

Distância quilométrica de Loriga - A25 (Celorico da Beira) - cerca de 66 Km.

***
Distância quilométrica de Loriga - Guarda, Capital do Distrito - cerca de 89 Km.

***
Distância quilométrica de Loriga - Sede do Concelho - cerca de 20 Km.

***
Localidades mais próximas:
Cabeça cerca de 7 Km.
Alvoco da Serra cerca de 8 Km.
Valezim cerca de 8 Km.
Sazes da Beira cerca de 8 Km.
-4-

Distância de Loriga aos Aeroportos Internacionais

LISBOA: Aeroporto da 300 Km.


Portela

PORTO: Aeroporto Sá 187 Km.


Carneiro

FARO: Aeroporto de Faro 543 Km.

Números de Telefones úteis

-Junta de Freguesia 953178

-Bombeiros 953255
Voluntários

-Paroco de Loriga 953204

-Posto Médico 953136

-Praça de Taxis 953109

-G.N.R. 953152

-Jornal "A Neve" 953204

Posto de Informação Turistica


-Grupo Desportivo 953173
Rua Coronel Reis, 25
6270 - 090 Loriga
Telef 238/954320
-Farmácia "Popular" 953138

-Escola C+S 953226

-Doutor A.Crespo 953102

-Doutor A.Nolasco 953417

-Escola Primária 953235

-Centro 953191
Ass.Paroquial

-Caixa Crédito 953456


Agricola

A Vila de Loriga é Orago de Santa Maria Maior


Além da Igreja Matriz possui esta vila 4 Capelas:
Nossa Senhora da Guia, São Sebastião, N. S. do Carmo e N. S. Auxiliadora.

Actual Pároco
Padre João António Gonçalves Barroso (desde Outubro/2002)
-5-

Missas Dominicais
Sábado 20,30 horas - Domingo 11,30 horas

Feriado em Loriga:- 03 de Julho (Municipal)

Feiras:- Primeiro Sábado do Mês

Principais Festas (Anual)


Sto.António - 2a. Semana de Junho
São Sebastião - Julho (variável)
N. S. da Guia - Primeiro Domingo de Agosto

Estação de Caminhos de Ferro mais próxima:


Nelas cerca de 40 Km.

Transportes Rodoviários:

Expresso:- Loriga - Lisboa (cerca 300 Km)

Partida:- 07,00 Horas Chegada:- 11,50 Horas Preço:- 13,00 €

-Mudança de Autocarro às 07,30 (São Romão)-

Frequência:- 2as. ou (3as. se 2a. Feriado) Sábados ou (6as. se Feriados)

***

Partida:- 15,00 Horas Chegada:- 19,50 Horas Preço:- 13,00 €

Período de:- 01.JUNHO a 30.SETEMBRO - Excepto Domingos e Feriados

***

Partida:- 17,00 Horas Chegada:- 21,50 Horas Preço:- 13,00 €

Dias:- Domingos e Feriados

***

Expresso:- Lisboa - Loriga (320 Km)

Partida:- 07,00 Horas Chegada:- 11,30 Horas Preço:- 13,00 €

Período de:- 01.JUNHO a 30.SETEMBRO - Diariamente


Período de:- 01.OUTUBRO a 31.MAIO - Aos Domingos e Feriados

***

Partida:- 18,45 Horas Chegada:- 23,30 Horas Preço:- 13,00 €

Frequência:- 6as. ou (5as. se véspera de Feriado) Domingos ou (2as. se Feriado)

Posto de Venda de Bilhetes em Loriga:


Café "Minilor" Av.Augusto Luis Mendes
Telef. 238 953213

Carreiras Regionais com ligação à CP:

Loriga-Seia Loriga-Nelas Loriga-Viseu

Loriga-Coimbra Loriga-Guarda Loriga-Fundão

Transportes efectuados pelas Empresas:- Auto-Transporte do Fundão e Empresa "Marques" Viseu

(solicitar informação horária)

Telefone Público de Loriga: CTT de Loriga:


Telef. 238/953177 - 238/954011 - Fax.238/954085
-6-

***
Indicativos Telefónico

Portugal:- 00351 Loriga:- 238

Código Postal

6270 - (***) - Loriga

(***) Números correspondentes às ruas e hoje obrigatoriamente aplicáveis

Roteiro de Loriga

Vias

Sinais Convencionais
(Av)=Avenida (B)=Beco (C)=Calçada (L)=Largo
(Q)=Quelha (P)=Pátio (R)=Rua (T)=Travessa

****

(A)

-A (R) - Fica no Bairro Engenheiro Saraiva e Sousa -Augusto Luís Mendes (Av) - Começa no final da Av.
(Vista Alegre) do
-Adro da Igreja (L) - Fica no meio da Rua Sacadura Brasil e termina no local conhecido por
Cabral. "Carreira"
-Amoreira (T) - Começa na Rua Coronel Reis e -Avenal (R) - Começa na Rua Fonte do Vale e
acaba no Largo do Reboleiro antiga termina na ETAR
"Quelha do Rato".

(B)

-B (R) - Fica situada no Bairro Engenheiro Saraiva -Bombeiros Voluntários de Loriga (R) - Começa no
e Sousa (Vista Alegre) Largo da Lição e termina no Bairro das Penedas.
-Barroca (T) - Princípia na Rua Sacadura Cabra e -Brasil (Av) - Começa na Estrada Nacional Nr. 231 e
termina na "Quelha da Barroca" propriamente dita. termina no principio da Avenida Augusto Luís Mendes

(C)
-7-

-C. (R) - Fica no Bairro Bairro Engenheiro Saraiva e -Clube (P) - (nome popular) - Fica no local conhecido
Sousa (Vista Alegre) por "Praça".
-Cabeço (R) - Começa na Rua Viriato no local -Comunidades Loricenses (R) - Começa no final da
conhecido pelo "Terreiro do Fundo" e acaba no alto Rua Dom Afonso Henriques, no local conhecido por
do "Cabeço" (sem saída) "Volta" e acaba no inicio da Rua da Fândega.
-Cantigas (P) - (nome popular) - Fica no meio da -Cónego Nogueira (R) - Começa no local conhecido
Rua Vasco da Gama e no final da Rua Santo Cristo. por
-Cecília (Q) - Princípia na Rua Gago Coutinho e finda "Praça" e acaba no Largo do Reboleiro.
na Rua Coronel Reis. -Constânça Brito (R) - Começa na Rua Sacadura
-Chão das Relvas (Av) - Começa no final da Rua Cabral
Padre Lages (Bairro Padre Lages-Escorial) e termina na Rua Viriato.
-Chão do Velho (T) - Princípia na Rua Gago Coutinho -Coronel Reis (R) - Princípia no final da Av. Luis
e termina na Rua José Mendes Veloso. Mendes
no local conhecido por "Carreira" e acaba na Rua
Gago
Coutinho.

(D)
-Doutor Amorim da Fonseca (L) - Fica na Rua Gago
-D (R) - Fica no Bairro Engenheiro Saraiva Coutinho.
e Sousa (Vista Alegre).
-Dom Afonso Henriques (R) - Começa no Largo do
Reboleiro e termina no local conhecido pela "Volta".

(E)

Estrada Nacional Nr. 231 - Trajecto em Loriga


compreendido entre a Portela de Loriga e "Selada".

(F)

-Fândega (R) - Começa no final das Ruas do Vinhô e -Fonte do Mouro (R) - Começa na Av. Augusto Luis
das Comunidades Loricenses. Mendes e acaba na Estrada Nacional Nr.231,
-Figueiredo (T) - Começa na Rua Gago Coutinho e no local conhecido por Vista Alegre.
acaba na "Quelha" com o mesmo nome. -Fonte do Vale (R) - Começa na Rua Viriato e
-Flores (R) - Começa na Rua Cónego Nogueira e termina
acaba no final da Rua Viriato, no local conhecido na Rua da Fândega.
por "Vinhô"

(G)

-Gago Coutinho (R) - Começa no Largo do Santo


António e termina no local conhecido por "Praça".

(J)

-José Mendes Veloso (R) - Começa na Rua


Gago Coutinho e termina na Rua Coronel Reis.

(N)

-Nossa Senhora da Guia (Av) - Começa na


Estrada Nacional Nr.231, e termina no Santuário
de N. S. da Guia.

(O)

-Oliveira (R) - Começa na Rua Viriato


e acaba na "Quelha da Barroca".

(P)
-8-

-Padre António Mendes Lages (R) - Começa na -Pelourinho (T) - Começa no Largo do Pelourinho.
Rua Santo Cristo e termina na Rua Viriato. -Porto (R) - Começa no local conhecido pela Ponte
-Padre António Roque Abrantes Prata (Av) - Prin- do Porto e acaba no principio da Rua de São
cípia no fim da Av. Brasil e termina no local Sebastião.
conhecido por "Volta" -Praça (T) - Começa na Rua Gago Coutinho
-Padre Lages (R) - Começa na Estrada Nacional no local conhecido pela "praça", e termina no
Nr.231 e estende-se por todo o Bairro com o portão do "Casarão antigo Sindicato" (sem saída).
mesmo nome, ou Bairro do Escorial.. -Professor Alberto Pina Gomes-(R) - Fica
-Passos do Senhor (R) - Começa na Rua Coronel no Bairro das Penedas (3ª. Rua).
Reis e acaba no Largo do Reboleiro. -Professor Egas Moniz (R) - Começa
-Pastor da Estrela (R) - Começa na Rua do na Rua Fonte do Mouro e acaba na Escola
Vinhô e acaba na Rua da Fonte do Vale. Primária (sem saída).
-Património dos Pobres (T) - Começa na -Professora Alice Almeida Abreu-(R) - Fica
Rua Cónego Nogueira e finda no Bairro dos Pobres. o Bairro das Penedas (1ª. Rua).
-Pelourinho (L) - Fica na Rua Gago Coutinho. -Professora Irene Almeida Abreu (R) - Fica
no Bairro das Penedas (2ª.Rua).

(Q)

-Quintal (T) - (nome popular) - Começa na Rua


Gago Coutinho, no local conhecido por
"Almas" (sem saída)

(R)
-Reboleiro (L) - Fica no fim da Rua Cónego Nogueira -Redondinha (R) - Começa no final da Avenida
e principio da Rua Dom Afonso Henriques. Brasil e termina na Redondinha propriamente
-Reboleiro (T) - Começa na Rua Coronel Reis e dita (sem saída).
termina na Rua Cónego Nogueira. -Regato (R) - Começa no principio da Rua das
Comunidades Loricenses e final da Rua D. Afonso
Henriques e termina na Firma "Pinto Lucas" (sem
saída).

(S)

-Sacadura Cabral (R) - Começa no Largo do Santo -São Bento (R) - Começa na Rua Santo Cristo
António e termina no Largo do Adro da Igreja. e termina na Rua Viriato.
-Sacadura Cabral (T) - Começa na Rua Sacadura -São Ginês (B) - (nome popular) - Fica no Bairro
Cabral (sem saída) de S.Ginês (sem saída).
-Sacavém (R) - Começa na Rua do Porto e termina -São Ginês (R) - Princípia no Largo do Terreiro da
no termo do local conhecido pelas "Lages" Lição
-Santo António (L) - Fica no fim da Av. Augusto Luis e termina na Rua Gago Coutinho.
Mendes e princípio da Rua Sacadura Cabral -Sociedade Recreatica Musical Loricense (R) - Co-
-Santo António (T) - Começa no Largo do Santo meça na Rua Sacadura Cabral e termina no fim
António e termina na Rua Coronel Reis. da Rua Viriato no local conhecido por "Vinhô".
-Santo Cristo (R) - Começa na Rua Sacadura
Cabral e termina na Rua Padre António Mendes
Lages.

(T)
-Teixeiro (R) - Começa na Av. Augusto Luís
-Tapadas (R) - Começa na Estrada Nacional Mendes e termina no local conhecido por "Moenda"
Nr.231, e termina nas "Tapadas" propriamente dito. -Terreiro da Lição (L) - Fica na Rua Gago Coutinho
-Tapado (R) - Princípia na Rua da Fândega e estende-se até Bairro do S.Ginês.
e termina no "Tapado" propriamente dito.

(T)

-Vasco da Gama (R) - Começa na Rua Sacadura -Vinhô (T) - Começa na Rua do Vinhô e termina
Cabral e termina na Rua Viriato. na Rua da Fândega.
-Vinhô (R) - Começa no fim da Rua Viriato -Viriato (R) - Começa no fim da Rua Sacadura
e termina no princípio da Rua da Fândega. Cabral no lugar conhecido por "Terreiro do " Fundo"
e termina no princípio da Rua do Vinhô.

****

Códigos Postais de Loriga

Avenidas

-Augusto Luís Mendes 6270-075


-Brasil 6270-076
-Chão das Relvas 6270-076
-Padre António R.A.Prata 6270-077

Bairros
-9-

*- Bairro da Vista Alegre 6270-078


-Bairro das Penedas - Ruas 1,2,3,
(Professores) Alberto, D. Irene e D.Alice 6270-124
-Bairro de S.Ginês (Rua + Beco) 6270-079
*- Bairro Eng.Saraiva e Sousa Ruas A+B+C 6270-072
-Bairro Património dos Pobres 6270-084

* É compreendido pelo mesmo Bairro

Estradas

-Estrada Nacional Nr.231 6270-080

Largos

-Adro da Igreja 6270-074


-Doutor Amorim da Fonseca 6270-082
-Reboleiro 6270-081
-Santo António 6270-083
-Terreiro da Lição 6270-111

Ruas

-António Mendes Lages 6270-087 -Porto 6270-098


-Avenal 6270-088 -Redondinha 6270-107
-Bairro Eng.Saraiva e Sousa -Regato 6270-099
(Vista Alegre)Ruas A;B;C;D; 6270-072 -Repoleiro 6270-089
-Cabeço 6270-086 -Sacadura Cabral 6270-108
-Comunidades 6270-093 -Sacavém 6270-073
-Cónego Nogueira 6270-089 -S.Ginês 6270-079
-Constância Brito 6270-123 -Santo Cristo 6270-109
-Coronel Reis 6270-090 -São Bento 6270-095
-D. Afonso Henriques 6270-104 -Sociedade Musical de Loriga 6270-110
-Fandega 6270-073 -Tapadas 6270-094
-Flôres 6270-073 -Tapado 6270-100
-Fonte do Mouro 6270-073 -Teixeiro 6270-101
-Fonte do Vale 6270-073 -Urbanização Bairro Penedas
-José Mendes Veloso 6270-106 (Ruas 1,2,3,(Professores) 6270-124
-Oliveira 6270-091 -Vinhô 6270-102
-Padre Lages 6270-073 -Viriato 6270-103
-Pastor 6270-097 -Volta 6270-092

Travessas

-Amoreira 6270-112 -Reboleiro 6270-117


-Barroca 6270-113 -Sacadura Cabral 6270-121
-Chão do Velho 6270-115 -Santo António 6270-122
-Figueiredo 6270-073 -Terreiro do Fundo 6270-123
-Património dos Pobres 6270-120 -Vinhô 6270-118
-Pelourinho 6270-116 -Viriato 6270-119
-Praça 6270-114

Quelha

-Cecilia 6270-085

-----------------------------------------------------------------

Localidade Anexa

-Fontão 6270-071

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Bairros

-Bairro da Vista Alegre - Fica na Estrada Nacional Nr. 231 no trajecto para Alvoco da Serra.
-Bairro das Penedas - Fica no termo da Rua dos Bombeiros Voluntários de Loriga, local conhecido por Penedas e junto à Ribeira de Loriga.
-Bairro do Padre Lages - Fica na Estrada Nacional Nr.231 no trajecto para Valezim (lugar conhecido por Escorial)
Bairro do Património dos Pobres -Fica no lugar conhecido pelo mesmo nome.

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Capelas
- 10 -

-Nossa Senhora da Auxiliadora - Fica na Rua da Redondinha


-Nossa Senhora da Guia - Fica no Recinto do Santuário da Nossa Senhora da Guia
-Nossa Senhora do Carmo - Fica no Bairrro de S.Ginês
-São Sebastião - Fica no princípio da Rua de São Sebastião

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Fontes

Os Fontaneiros na Vila:

-Adro - Fica no Largos do Adro da Igreja


-Almas - Fica na Rua Sacadura Cabral no local conhecido por "Almas"
-Porto - Fica na Rua do Porto
-Vinhô - Fica no local conhecido por "Vinhô"

Outras Fontes:

-Amores - Fica na Estrada Nacional Nr.231, perto da ponte dos Leitões.


-Azeiteiros - Fica na Estrada Nacional Nr.231, no local conhecido pelo Penedo de Alvoco ou Casa do Guarda (a fonte com a melhor água que existe em Loriga).
-Do Mouro - Fica na Rua Fonte do Mouro e junto à Junta de Freguesia.
-Fogueteiro - Fica no Recinto da N.S. da Guia encostada à casa do Fogueteiro.
-Nossa Senhora da Guia - Fica no Recinto da N.S. da Guia, junto à Capela
-Senhora da Guia Nova - Fica na Estrada Nacional Nr. 231, no lugar conhecido pelo mesmo nome.
-Penedas - Fica na Urbanização do Bairro das Penedas.
-Reboleiro - Fica no Largo do Reboleiro.
-Santo António - Fica no Largo do Santo António.
-Vale - Fica na Rua da Fonte do Vale.

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Pontes

-Cortiçor - Fica na Estrada Nacional Nr.231, no lugar conhecido por "Cortiçor" e passa sobre o Ribeiro do Cortiçor afluente da Ribeira de Loriga (passagem de
trânsito e peões)
-Duas Ribeiras - Ficam no local conhecido por "Pisão do Barruel". São duas pontes, uma sobre a Ribeira da Nave e outra sobre a Ribeira de São Bento
precisamente onde esta ribeira termina. (ambas destinadas a passagem de peões)
-Fabrica Nova - Fica junto à Firma "Moura Cabral" e passa sobre a Ribeira de São Bento (passagem de peões)
-Leitões - Fica na Estrada Nacional Nr. 231, no lugar conhecido pelos "Leitões" e passa sobre a Ribeira de São Bento (Passagem de trânsito e peões)
-Porto - Fica no começo da Rua do Porto e, passa sobre a Ribeira de São Bento (passagem de trânsito e peões)
-Regato - Fica no local conhecido por "Regato", é um pequeno viaduto sobre a Ribeira de São Bento, construído nos tempos recentes, (passagem de peões).
-Ribeiro da Ponte - Fica no caminho da Canada no local conhecido por "Ribeiro da Ponte", passa sobre a Ribeira da Nave (passagem de peões)
-Romana - Fica no local conhecido por "Moenda" e passa sobre a Ribeira de Loriga. Esta ponte é mais antiga de Loriga por isso considerada património loriguense,
(passagem de peões).
Nota:- Para os tempos futuros, existe já o pensamento do arranjo do caminho de acesso, no sentido da sua utilização para passagem de viaturas, no entanto, para
esse efeito, será necessário efectuar um estudo aprofundado das condições deste património de Loriga.
-Tapadas - Fica no local conhecido pelas "Tapadas" e passa sobre o Ribeiro das Tapadas afluente da Ribeira de São Bento (passagem de trânsito * e peões)
-Zé Lages - Fica na Estrada Nacional Nr.231, no local mais conhecido por "Zé Lages" hoje mais conhecido por Praia Fluvial, passando sobre a Ribeira da Nave.
(passagem de trânsito e peões).
* Passagem condicionada

****

Distância apartir do Centro da Vila (Adro) para outros locais de Loriga

-Bairro Padre Lages- 1,1 Km. -Ponte Romana- 1,5 Km


-Caixão da Moura- 3 Km. -Portela do Arão- 4,1 Km.
-Campo de Futebol (estrada)- 2,5 Km. -Posto Médico- 350 met.
-Canada- 900 met. -Praia Fluvial- 1,9 Km.
-Cemitério- 1,1 Km. -Recinto N.S.da Guia- 1,2 Km.
-Cortiçor- 2 Km. -Redondinha- 300 met.
-Fonte dos Azeiteiros- 3,3 Km. -São Sebastião- 800 met.
-Malha Pão- 2,9 Km. -Senhora da Guia Nova- 1,3 Km.
-Mirante- 4 Km.

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Generalidades
- 11 -

-Bombeiros - Fica na Rua do Regato no local conhecido por "Volta"


-Cabines Telefónicas - Ficam no fim da Av. Augusto Luís Mendes "Carreira"
-Caixa Multibanco (Caixa de Crédito Agrícola) - Fica na Av. Augusto Luís Mendes
-Cemitério - Fica na Av. N.S. da Guia e no fim da Rua de São Sebastião
-Coorporativa Popular - Fica na Rua Dom Afonso Henriques
-Correios "Estação" - Fica na Rua Gago Coutinho
-EDP - Fica na Rua Fonte do Mouro
-Escola C+S - Fica na Av. Padre António Roque A. Prata
-Escola Primária - Fica na Rua Professor Egas Moniz
-Farmácia "Popular" - Fica no principio da Rua Santo Cristo
-GNR - Fica no Bairro Engenheiro Saraiva e Sousa (Vista Alegre)
-Grupo Desportivo Loricense - Fica na Rua Viriato
-Igreja Paroquial - Fica no Largo do Adro da Igreja
-Junta de Freguesia - Fica na Rua Fonte do Mouro
-Posto de Abastecimento de Combustível - Fica Na Estrada Nacional Nr.231 (Vista Alegre)
-Posto de Informação Turística - Fica na Rua Coronel Reis
-Posto Médico - Fica na Rua Professor Egas Moniz
-Rodoviária Nacional (Paragem) - Av. Augusto Luís Mendes "Carreira"
-Táxis (Paragem) - Fica na Av. Augusto Luís Mendes "Carreira"

Algumas das atracções que o visitante não pode perder


-Loriga vista dos Mirantes, contemplando paisagens que não mais vai esquecer.
-Descobrir a montanha e percorrer os inúmeros caminhos que lhe proporcionarão a cada momento cenários únicos.
-Tocar ou mesmo mergulhar nas águas frescas e cristalinas da ribeira e que por todo o lado se fazem deslizar.
-Percorrer o caminho Romano, passeio a não perder, ver ainda o Caixão da Moura e também um mundo belo de socalcos construídos para a cultura do milho.
-Visitar Loriga nas Festas e acima de tudo viver as suas tradições.
-Contemplar no inverno esta bela localidade coberta de manto branco, bem como admirar a admirável Cascata das Lamas
-Descobrir a as ruas estreitas da Vila e ainda seus pátios e becos, onde os telhados das casas se parecem tocar.
-Visitas a não perder:-Igreja Matriz, Santuário da Nossa Senhora da Guia e Capelas de S.Sebastião e N.S.do Carmo.
-Viva a vida principalmente no Verão onde a claridade do dia entra pela noite fora.

Informação para o visitante


Algumas das infra-estruturas existentes em Loriga, satisfazem plenamente as exigências do visitante,e eis algumas das
que encontrará:
"Pensão, Restaurantes, Cafés, Supermercados, Talhos, Venda de fruta e legumes, Padarias, Táxis, Autocarros, Farmácia, Caixa Multibanco, Sapatarias,
Cabeleireiras, Pronto a Vestir, Posto de abastecimento de combustível, Cabina de Telefone, Posto Telefónico Público, Venda de revistas e jornais, CTT, Venda de
Artesanato, Oficina de automóveis, Venda de mobílias, Venda de electrodomésticos e Posto de Informação Turística"

Grande parte da área circundante de Loriga está inserida como:


Parque Natural da Serra da Estrela

O meio habitar da Região


Toda esta região de Loriga e arredores é local repleto de espécies vegetal,
animal, onde ainda permanecem vestígios glaciares
A truta, a boga e o escalco, são espécies que se encontram nas ribeiras e rios, estando
a respectiva pesca sujeita a regulamentação anual decretada pelos serviços oficiais.
Estão sujeitas ao regime cinegético corrente, espécies como:
o coelho, a lebre, a perdiz, a codorniz, o pombo e a rola.
A caça ao javali e à raposa está sujeita ao regime cinegético especial.
Nas áreas de maior altitude a caça está interdita.

Sugestões para tempos livres


A região é verdadeiramente propicia para o desporto, tempos livres e de laser.

As barragens no alto da serra apresentam condições para a prática de desporto náuticos, não sendo permitido no entanto, desportos motorizados.
Os inúmeros caminhos florestais são apropriados a passeios e a provas organizadas de veículos todo-terreno que estão sujeitos a autorização prévia do PNSE
(Parque Nacional da Serra da Estrela).
Nas zonas elevadas da montanha as provas são interditas e os passeios apenas são permitidos nas estradas alcatroadas

Existe uma estância de Sky situada nos Covões de Loriga na Torre, entre os 1890 metros e os 1990 metros, com 4 pistas das quais a maior tem 800 metros, num
desnível de 100 metros e a menor, de escola, tem um comprimento de 150 metros num desnível de 200 metros. A capacidade estimada é de 500 utilizadores/hora,
havendo aluguer de material.

1- Do alto da Torre até à Vide, está sinalizado um troço dos percursos pedestres de Grande
Rota Serra da Estrela - T1.
Para os que gostam de vencer as dificuldades, do contacto com o mundo natural, da grandiosidade das paisagens, de solidão e do silêncio da alta montanha, subir
a Garganta de Loriga é um desafio. São 8 horas ida e volta com um desnível de 1223 metros.
2- Percorrer o fundo do vale, junto à ribeira de Loriga até ao Casal do Rei é conhecer de perto todo o engenho desta gente na transformação das encostas. São 6
horas ida e volta. É difícil.
3- Passeio pelo vale da Ribeira de São Bento. Formas tradicionais de vida, visíveis nos caminhos em calçada, na disposição dos terrenos em socalcos, no sistema
de rega, nas culturas, na vegetação e nos velhos edifícios de granito dispersos pelo vale. Um traçado fácil, que percorre o vale e sobe até meia encosta, ao longo
das duas margens da ribeira, Circuito de duas horas.
4- Passeio panorâmico sobre Loriga. O casario, os socalcos, a alta montanha, um cenário sempre imponente que este trilho proporciona ao longo do seu traçado.
Percurso fácil com uma duração de duas horas.
5- Na rota do T2 - Percursos Pedestres de Grande Rota, Serra da Estrela - Sobe até ao alto da Portela do Arão observando as curiosidades duma zona de contacto
entre as rochas de granito e xisto, o que resta duma calçada romana e ainda o aproveitamento agrícola do vale. Percurso fácil com uma duração de duas horas.

Descrição de Itinerários para passeios pedestais que poderá efectuar em Lotiga

Itinerário I - Passeio de Laser e espirito de devoção


Vila - Recinto da Nossa Senhora da Guia.
Percurso por estrada - sem grau de dificuldade
Total do percurso (Inicio e chegada à Vila) - cerca de 4.000 Km.
- 12 -

Seguir na direcção da ponte do Porto, subir depois a rua do pitoresco bairro assim chamado por "Porto.
Depois da subida da rua, pouco depois chega à Capela de São Sebastião, que continuando a estrada e depois de passar a "Casa do velhos" chega ao Cemitério,
que estando aberto poderá visitar os ente queridos e amigos ali sepultados.
Descendo a catraia chega ao Recinto da Nossa Senhora da Guia, onde poderá passar algum tempo de laser e descanso, bem como, uns momentos espirituais e de
devoção à Virgem.
O regresso poderá optar pelo mesmo itinerário, ou então no cemitério seguir para a esquerda pela estrada na direcção da Senhora da Guia Nova, onde tomará a
estrada nacional, na direcção da vila. (Neste caso irá percorrer cerca 4.500 Km.)

Itinerário II - Passeio de Laser


Vila - Mirante ou Emissor TV(Mestre brava)
Percurso pela estrada nacional 317- sem grau de dificuldade
Total do percurso (inicio e chegada à Vila) - cerca de 16,800 Km

Seguir até aos Leitões e depois a estrada nacional em direcção a Alvoco da Serra, passando pela Praia Fluvial, Campo do Futebol, fonte dos "Azeiteiros" junto à
casa do Guarda, onde poderá saborear uma das melhores águas que já mais tenha bebido. Continuando pouco depois está no Mirante, então sim poderá desfrutar
de uma das mais bela paisagens da vila de Loriga.
Poucos metros à frente siga a estrada do Fontão, hoje com novo piso, podendo sempre admirar um panorama que decerto não mais vai esquecer. Esta estrada o
levará até ao local chamado Mestre Brava, onde está instalado o Emissor TV. Aqui poderá contemplar um cenário de verdadeiro encanto, tanto olhando para Loriga
ou então para o panorama que se estende para o lado sul. O itinerário de regresso pode ser o mesmo, ou optando pelo outro lado da montanha (estrada velha do
Fontão) até à estrada nacional. (Neste caso irá percorrer cerca de 17,500 Km.)

Itinerário III - Passeio de Laser


Vila - Portela de Loriga ou até ao "Viveiro"
Percurso pela estrada nacional 317 - sem grau de dificuldade
Total do percurso (inicio e chegada à Vila) - cerca 10.600 Km.

Subir o Outeiro até aos Leitões e depois a estrada nacional em direcção a Valezim, chegando à Senhora da Guia Nova. A partir daqui pode ir admirando a paisagem
encantadora que se estende até à Vide, passa pelo lugar conhecido por Malha Pão e cerca de duas centenas metros mais chega à Portela de Loriga. Uns metros
mais à frente e já depois da "Fronteira" como popularmente as pessoas chamam, pode olhar o deslumbrante vale que se estende para o norte.
Se estiver interessado pode seguir a programada estrada para a Torre, e uma centena de metros vira à esquerda chegando ao "Viveiro" onde aqui também poderá
contemplar o mesmo vale de perder a vista. O itinerário de regresso é o mesmo.

Itinerário IV - Passeio de Historia


Vila - Campa - Calçada Romana - Malha Pão.
Percurso por estrada e trilhos - com algum grau de dificuldade
Total do percurso (inicio e chegada à Vila) - cerca de 11,500 Km.

Inicio com destino à ponte do Porto, subindo a rua deste pitoresco bairro, pouco depois está na Capela de São Sebastião, um pouco mais e após a subida da
estrada chega ao Cemitério.
No caso de estar aberto pode aproveitar a visitar os ente queridos e amigos ali sepultados. Continuando o passeio, sobe a estrada um pouco mais e chega ao local
chamado Chão do Soito.
Aqui toma o trilho da Calçada Romana, seguindo com destino ao local conhecido pela Campa. Desvia-se do caminho e poderá admirar uma Sepultura
antropomórfica, conhecida pelo Caixão da Moura. Voltando ao trilho da Calçada Romana vai sempre subindo até à estrada Nacional chegando ao local mais
conhecido pelo Malha Pão.
Aqui tomará a direcção à vila e pouco depois encontra-se na Senhora da Guia Nova, onde poderá descansar e admirar o imponente vale que se estende até à Vide.
Continuando o seu caminho pela estrada chega aos Leitões e descendo o "Outeiro" chega à "Carreira".

Itinerário V - Passeio de Historia (Ponte e Caminho Romano)


Vila - Ponte Romana - Caminho Romano - Casa do Guarda.
Percurso por caminho e trilho romano - com algum grau de dificuldade
Total do percurso (inicio e chegada à Vila) -cerca 8,400 Km.

Inicio com destino ao Teixeiro, aproveitando para visitar o único Moinho movido a água ainda em laboração. Pouco depois chegará à ponte Romana e sempre no
trilho da Calçada Romana passa pelas Resteves e chegará à Casa do Guarda e de seguida está na Fonte dos Azeiteiros.
Aqui aproveite a saborear a água da Fonte e descansar um pouco, pois a subida até ali foi um pouco puxada. Siga pela estrada na direcção à vila passando pelo
campo de futebol, ponte do Cortiçor e uns metros mais está na Praia Fluvial, onde poderá tomar banho nas águas mais límpidas que já mais tenha conhecido.
Admire ainda a ponte do Zé Lages, uma obra arquitectónica.
Siga sempre pela estrada até aos Leitões e depois a direcção ao Centro da vila, que o levará à "Carreira".

Itinerário VI - Passeio Paisagístico; Aventura; Natureza e História


Vila - Mirante - Casa do Guarda - Calçada Romana
Percurso por trilhos e estrada - com algum grau de dificuldade
Total do percurso (inicio e chegada à Vila) - cerca de 13,400 Km.

Inicia o passeio com destino à Fonte do Vale, seguindo depois o caminho que vai dar até à Etar. Continuando siga a direcção até às Duas Pontes onde se junta as
duas ribeiras.
De seguida toma a trajecto da encosta da Tresposta onde começa a subir a ingreme subida percurso por trilho ou mesmo estrada florestal, na direcção ao sul, que
vai ter à estrada do Fontão e um pouco mais de uma centena de metros está no local chamado Mestre Brava onde se situa o Emissor TV. Aqui pode descansar um
pouco aproveitando para desfrutar de uma das mais belas paisagens que a retina dos seus olhos poderá contemplar.
Tendo como cenário a vila que poderá admirar a cada passo que dá, segue pela estrada do Fontão na direcção do local conhecido por "Selada" onde encontrará a
estrada nacional chegando logo em seguida ao Mirante. Aqui poderá admirar mais uma vez uma das mais linda paisagens que já mais alguma vez viu.
Siga a estrada na direcção da vila, passando pela Fonte dos Azeiteiros, perto da casa do Guarda aproveite a saborear uma das mais puras águas que já mais tenha
ingerido.
Após descansar mais um pouco, desce pelo caminho Romano, passa pelas Resteves e chega até à Ponte Romana sempre seguindo chegará ao Teixeiro e pouco
depois chega à "Carreira".

Itinerário VII - Passeio de Aventura e Natureza


Vila - Serapitel - Campa
Percurso por estradas e trilhos - com algum grau de dificuldade
Total do percurso (inicio e chegada à Vila) - cerca de 12.200 Km.
- 13 -

Seguir até à Fonte do Vale e aqui tomar a direcção da ETAR, depois passando nos Pilhós chega ao local onde se junta as duas ribeiras. Procure os trilhos
existentes na margem esquerda da ribeira que o seu curso leva direcção ao Alva. Nestes trilhos vive com a natureza onde poderá descobrir plantas que desconhecia
que pudessem existir ali.
Sempre na margem esquerda da ribeira poderá contemplar as águas límpidas que seguem no curso da ribeira bordejando a orla do monte que leva a água para os
regadio. Para trás vai ficando o poço "João freire" e depois de passar pelos locais conhecidos por Ribeiro do Rochinol, Alfreixeiro e Outeiro do Mingudiz, passa para
a margem direita e pouco depois está no Serapitel.
Iniciando a íngreme subida Segue pelo Fundo do Torno até às Costeiras que o levará à Campa, onde ali poderá admirar o Caixão da Moura (Sepultura
antropomórfica). Depois de descansar um pouco tome o caminho da Calçada Romana, chegando ao Chão do Soito, tome a estrada que segue na direcção do Bairro
do Porto, passando pelo cemitério, São Sebastião, Rua do Porto e chegada à Vila.

Itinerário VIII - Passeio Paisagístico, Aventura e Natureza


Vila - Canada, Casa do Guarda, Campo, Ponte Romana
Percurso por caminhos, estrada e trilhos - Com algum grau de dificuldade
Total do percurso (inicio e chegada à Vila) - cerca de 9,200 Km.

Descer a "Quelha da Barroca" passando pela Presa e pouco depois está na ponte que passa sobre a ribeira no local conhecido por Ribeiro da Ponte. Aqui seguir o
caminho que o levará ao local chamado "Canada".
Prepare-se para subir o trilho que pode ser a estrada florestal, numa íngreme subida, que o levará à estrada nacional muito perto da Casa do Guarda. Neste trajecto
poderá ao mesmo tempo admirar um cenário verdadeiramente paisagístico e encantador, inspirado em aventura e natureza.
Pare um pouco na fonte e saboreie a sua água, siga depois na direcção da vila pela estrada nacional até ao Campo de futebol. Aqui desça a rampa que o leva ao
campo onde tomará o trilho no pinhal das "Casinhas" até ao Caminho Romano muito perto da Ponte. Aqui seguir pelo Teixeiro com destino à vila, chegando à
"Carreira" .

Parapente desporto de Laser

Pelas características do relevo e do clima, a


região da Serra da Estrela reúne condições para
a prática de desporto radical de montanha em
geral e do Parapente em particular.
O Parapente é um desporto, que se encontra em
verdadeira expansão em Portugal, existindo
vários locais com condições ideais para a
prática e competição desta modalidade.
Segundo alguns entendidos na matéria, no Vale
de Loriga pode também praticar-se o Parapente,
se bem que, as condições são caracterizadas
como especiais em relação às que se verificam
em outros locais, onde este desporto é muito
mais praticado.
Alguns amantes desta modalidade têm
procurado Loriga para voos de Parapente. Por
isso, e principalmente no verão, são frequentes
as vezes que deparamos com as "asas"
multicolores voando sobre todo o Vale de Loriga
ou mesmo sobre a Vila, num espectáculo digno Voo dum praticante do Parapente (Jorge Mourita 2002)
de admirar.
Embora considerado por alguns como um
desporto radical, para outros é, sobretudo, um **
desporto de grande calma e contemplação,
proporcionando horas de descontracção e
permitindo desfrutar de paisagens paradisíacas e
fazendo esquecer todo o stress quotidiano. De
acordo com alguns relatos, todo aquele que
procure o Vale de Loriga para efectuar o seu voo
em parapente, deparará com um panorama
espectacular, conhecerá sensações novas e,
sobretudo, um desafio diferente.

Algumas informações importantes para os


amantes do desporto do Parapente, que
queiram voar no Vale de Loriga:

A pista de lançamento é na Penha do Gato a


pouca distância da Torre (Serra da Estrela).
Altitude é de cerca de 1.800 metros.
O Vale é apertado e no verão é muito térmico.
A direcção do vento é de SW (sudoeste). Àrea mais antiga do centro histórico de Loriga visto do ar
Ideal para voar de manhã antes do meio-dia ou
ao fim da tarde.
A pista de aterragem é no lugar chamado
"Canada", cerca de 1 Km. do centro da Vila.

Visitantes de Inverno na Serra da Estrela

Algumas sugestões e cuidados a ter numa condução melhor para a sua segurança e dos outros, principalmente quando a estradas ficam cobertas de
neve, todos os cuidados são poucos, assim como o estado e equipamento da viatura.
- 14 -

1. - Conduza sempre de velocidade reduzida com o maior cuidado e sem movimentos bruscos, evite travagens violentas e bruscas .
2. - Deitar líquido anti-congelante no radiador e nos outros depósitos de água como o que abastece o limpa-vidros.
3. - Controlar cuidadosamente a pressão dos pneus. Com a neve e gelo a cobrir o piso esses cuidados são importantes.
4. - Se as condições da estrada o justificar (muita neve e muito gelo) aplique correntes nas rodas da viatura .
5. - Com a neve e nevoeiro circule com os médios ligados, em caso de a viatura possuir utilize ainda os faróis de nevoeiro e verifique se todas as luzes do carro
estão em condições de funcionamento.
6.- Utilize os sistemas internos de ventilação e de desembaciamento.
7. - Verifique o estado da bateria, o nível da água destilada, o nível de óleo e o estado da correia da ventoinha.
8. - Não esqueça de levar na bagagem, luvas e botas impermeáveis, que poderão ser importantes no meio da neve o frio.

***
Proibição de Queimadas

Para preservação do Ambiente, para Protecção da Floresta e na Segurança da sua própria Vida, é expressamente proibido efectuar queimadas ou qualquer outro
tipo de fogueiras, sem serem previamente autorizadas e vigiadas pelos Bombeiros Voluntários da região.
-1-

Algumas tradições Populares de Loriga

Quadro de Santa Ana


Relatos antigos, dão-nos conta
de uma tradição curiosa em
Loriga.
Segundo os mesmos, em
tempos de seca, os agricultores
loricenses
pegavam no quadro dedicado a
Santa Ana e passavam-no pelas
águas
das fontes.
No caso de ficar molhado, a
chuva estava para breve, mas no
caso de
ficar enxuto a seca continuava.
Este quadro ainda hoje
existente, faz parte da Arte
Sacra de Loriga.
Todo ele em madeira e onde
ostenta Santa Ana com o
menino ao colo,
são bem visíveis os traços de
degradação em que se encontra
e relacionado
ao motivo de ser passado muitas
vezes pela água.
-2-

A Noite dos "Chocalhos"

A Noite dos Chocalhos, é uma tradição existente em Loriga que ocorre no dia 11 de
Novembro, dia dedicado a São Martinho. Apesar de ainda hoje se festejar, já pouco tem
haver como em tempos passados, que na realidade era festejado com grande
intensidade.
Nessas épocas já distantes, eram muitos os pastores que se juntavam carregados de
chocalhos e campainhas com as respectivas coleiras, que enfiavam nos braços e nas
pernas e, em marcha acelerada, davam voltas às ruas até altas horas da noite
provocando um barulho ensurdecedor que se ouvia por todo o lado e que, segundo
relatos antigos, até se ouvia na Portela do Arão. Por isso mesmo, nessa noite, as
pessoas pouco ou nada dormiam.

Este costume dos pastores que se pensa vir de


tempos remotos, segundo se sabe, destinava-se a
festejar o facto de, junto aos seus rebanhos,
estarem nas montanhas a maior parte do ano,
podendo assim, nessa data, dar largas ao seu
contentamento.
Esta festa principiava já perto do final do dia, com a
chegada dos pastores à "Carreira" onde se reuniam,
todos eles carregados com o maior número possível
de chocalhos e campainhas. Quando todos estavam
presentes, davam inicio à marcha pelas várias ruas
da povoação, que terminava muito perto da manhã,
já muito bem bebidos, pois levavam a noite inteira a
beber uns bons quartilhos de vinho novo.
No ano em que Loriga foi atacada por grave
Chocalhos
epidemia, as autoridades locais tentaram acabar com cerca de 80 anos
com esta tradição antiga, o que provocou
discordância dos organizadores, tendo o assunto de
ser resolvido pela justiça.

O Juiz, muito compreensivo, deu esta sentença que ficou famosa "Cada terra tem seu
uso e cada roca tem seu fuso, por isso temos que respeitar as tradições".
À medida que a actividade pastorícia foi diminuindo, com o desaparecimento dos
rebanhos e consequentemente dos pastores, esta tradição hoje em dia já não é o que
era, no entanto, continua a existir em alguns, a boa vontade, no sentido de conservar
esta tradição.

***

Nota:- A origem do chocalho é desconhecida, admitindo-se que tenha sido trazido pelos
Celtas, e foi usado para conduzir e guardar o gado, utilizando-se peças diferentes
consoante se tratava de vacas ou bois, cabras, ovelhas ou gado muar.
Para fazer um chocalho era preciso trabalhar o metal e depois levá-lo a cozer num forno,
a altíssimas temperaturas. Todo o trabalho de confecção era natural e cada chocalho
demorava horas a fazer. Era preciso talhar a folha de ferro, moldá-la, abrir um buraco
para meter o céu (onde se pendura o badalo), enchê-lo de barro, soldá-lo, levá-lo ao
forno e afiná-lo no final.
Hoje os Chocalhos existentes em Loriga, são praticamente peças de artesanato, que
valem por isso mesmo.
-3-

Jogos Populares e Tradicionais em Loriga

Os jogos tradicionais, fazem parte dos costumes, brincadeiras, passatempos e divertimentos populares, que
além de conterem situações muito diferenciadas, utilizam-se matérias fáceis de encontrar. Por isso mesmo,
são também muitos os utensílios utilizados para a prática desses jogos populares.
Podendo ser praticados por todas as idades, foram no entanto, desde sempre mais praticados na idade de
criança e adolescência e fizeram parte de muitas das gerações já passadas. Por isso também e,
compreensivelmente, o facto de muitos até já terem passado ao esquecimento.
Com o aparecimento da Televisão nos últimos anos da década de 1950 primeiro, e depois com o surgimento e
desenvolvimento de outros passatempos, foi-se perdendo o hábito de praticar muitos desses jogos populares e
tradicionais, os quais foram sendo esquecidos, fazendo hoje parte das recordações de várias gerações.
É certo que ainda hoje e um pouco por todo o lado, se vêm praticar muitos dos jogos tradicionais, só que não
com tanta frequência, como em tempos já passados, que fizeram parte da infância de muitas pessoas que hoje
os recordam com saudade.
Em épocas já distantes, era na realidade digno de registo o movimento demográfico em Loriga, onde
anualmente se registavam largas dezenas de nascimentos de crianças, ultrapassando por vezes a centena.
Por esse facto, era a população jovem que, nas suas brincadeiras e passatempos, praticavam os muitos jogos
populares, alguns do quais eram tradicionalmente muito próprios de Loriga.
Aqui se registam muitos do jogos tradicionais em Loriga de outras eras, uns mais relevantes e muito mais
usuais do que outros:

***

Jogo do Pião

O Jogo do Pião é essencialmente um jogo de crianças, praticado principalmente pelos rapazes.


-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Com uma baraça ou guita, enrolava-se o pião, começando por enrolar-se de cima para baixo, até ao meio. Ficava apenas uma ponta
onde se pegava e se mandava o pião ao chão, de preferência num sítio plano. Ganhava o jogo quem o mantivesse a rodar o máximo
de tempo possível.
Em Loriga, na época, havia verdadeiros artistas a jogar este jogo, os quais, ao longo do tempo, tinham aperfeiçoado a técnica de
rodar o pião. Faziam várias habilidades que consistiam, por exemplo, em apanhar o pião a rodar, mantê-lo na palma da mão e voltar a
pô-lo no chão e, às vezes, colocá-lo na cabeça, sempre a rodar.

***

O Jogo do Feijão

Era um jogo muito praticado em Loriga, exclusivamente pelos garotos, sendo a Primavera a época do ano normalmente mais usual na
realização deste jogo.
Qualquer garoto tinha uma pequena "taleiga" cheia de feijões que variavam de tipo e de valor no respectivo jogo.
Cada jogador estava munido de uma "bonzura" que era um disco de chumbo, ou ainda uma pedra de lasca ou cerâmica, que muito
contribuía para que os bolsos da "jaqueta" e das calças estivessem sempre rotos pelo peso daquele objecto.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
De entre o feijão comum, as "luinhas" que valiam mais, sendo que as "calhorras" eram ainda mais valorizadas. No entanto, era aceite
outro tipo de feijão, como feijões brancos, vermelhos, amarelos, pretos etc. Só ninguém recebia os modestos "Chicharos" porque não
tinham classificação.
O Jogo consistia em cada participante entrar com um determinado número de feijões que eram amontoados em lugar previamente
escolhido, colocando à frente um carro de linhas dos grandes, ou um casulo de milho, que recebia o nome de "Bixo"
Marcada a distância de onde os participantes deviam atirar a "bonzura" era dado o início à disputa, que consistia, cada um por sua
vez, procurar acertar o monte de feijões e afastar o "Bixo", ganhando parcial ou totalmente, conforme a distância a que ficavam os
referidos discos.
Por vezes, havendo dúvida em relação às distâncias, tanto da "bonzuras" como do "Bixo", era necessário fazer a medição com uma
palha.

***
-4-

Jogo do "Pau do Bico"

Jogo exclusivamente praticado pelos rapazes, tinha a particularidade de ser considerado um jogo de "terror" para os vidros das
janelas.
Pensa-se que este Jogo seja um dos mais antigos, e que tenha sido praticado durante dezenas de anos, pela garotada de Loriga. Em
registos escritos da década de 1920, vamos encontrar já algumas referências a este Jogo.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Para jogar este jogo era necessário utilizar, um pau de pequenas dimensões mais ou menos de 20 cm., com as pontas aguçadas, bem
como um outro muito maior, mais ou menos entre 50 a 60 cm..
No chão, era desenhado um pequeno círculo, com cerca de um metro de diâmetro, que funcionava como o local de partida, e onde era
colocado o pau pequeno dos dois bicos.
O jogador com o pau maior, executava um toque numa das extremidades aguçadas, do pau de bicos, fazendo-o elevar-se no ar,
dando-lhe, de imediato, uma tacada de modo a alcançar o local que desejava.
Podia ser jogado por dois ou mais participantes. Os jogadores iam jogando alternadamente, sendo vencedor o que conseguisse
completar o percurso, previamente designado, no menor número de jogadas.
Quando o jogador, não conseguisse acertar no pau dos bicos, após o elevar no ar, caindo por conseguinte no chão sem lhe tocar,
perdia a jogada, dando a vez ao concorrente seguinte.
Era um jogo que poderia não chegar ao fim, de um momento para o outro. No entanto, por vezes, era interrompido bruscamente, com
os praticantes a desaparecerem do local o mais rapidamente possível, quando uma tacada um pouco mais forte, era certeira ais
vidros e, quando assim acontecia, era ver aquele que fugia mais depressa, "porque não tinha sido ninguém".

***

Jogo "Rede Curre"

Jogo também muito praticado em Loriga, exclusivamente pelos rapazes. Sendo uma variante do jogo do "Pau do Bico"
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
O jogadores com o pau maior, executavam um toque numa das extremidades aguçadas, do pau de bicos, colocado dentro do circulo
desenhado no chão (local de partida), fazendo-o elevar-se no ar, dando-lhe, de imediato, uma tacada de modo a lança-lo para um
local mais longe possível.
Era depois medida a distância, entre o local onde tinha caído o pau dos bicos, até ao circulo, utilizando para isso o pau maior.
Ganhava o jogador que contasse mais medições.

***

O Rodízio
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Argolas, aros de ferro ou aros de peneus, eram objectos tradicionais muito usuais um pouco por todo o lado, principalmente utilizados
pelos rapazes nas suas brincadeiras e divertimentos, aos quais chamavam Aros.
Estes Aros estiveram na origem de mais um jogo popular, a que tradicionalmente se dá o nome de Rodízio.
Em Loriga, estes aros eram vulgarmente apelidados pelos rapazes de "Rendizio" e, durante décadas, deliciou muitas gerações de
garotada.
Todos os garotos tinham o seu "Rodízio", que poderia ser de diversos tipos e tamanhos. Os tipos variavam desde uma argola grande,
aro de ferro ou de pneu ou, mesmo, aros das pipas de vinho, que eram empurrados e guiados por uma "Agancha", (guiador) de
arame, bem resistente, onde às vezes eram colocados carros de linhas vazios, a fim de deslizar melhor e evitar que o arame
"emperrasse" nas emendas dos arcos.
O "Rodízio" era como que um automóvel ou uma camioneta, cuja classificação dependia do tamanho que o aro tivesse. Para melhor
imitar um automóvel, à noite, colocava-se uma baraça acesa na "agancha", cujos morrões davam a impressão de dois minúsculos
faróis de advertência aos pedestres que estivessem pela frente.
Entre a rapaziada de Loriga existia, até, um método de aprendizagem para a condução do Rodízio, que os habilitava a conduzir com
uma certa perícia. Esse método, consistia em conduzir o Rodízio em cima do parapeito da levada da "Carreira" ou na borda do muro da
estrada da "Redondinha", considerando-se encartados os que conseguissem superar essa prova.
Estes locais, assim como outros idênticos um pouco por toda a povoação, serviam também para o confronto, na disputa de provas de
perícia ou outras competições.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Durante a prova, o condutor não podia parar no trajecto, nem deixar cair o arco porque, para além de perder o jogo, corria o perigo de
tomar um banho na levada ou cair para uma das courelas, o que não seria um pequeno tombo. Superava a prova aquele que
conseguisse efectuar mais rápido esse percurso, sem cair ou deixar cair o "Rodízio"
Também se fazia um outro tipo de provas que era as "Corridas de Rodízio". O trajecto era designado previamente, e com os
participantes posicionados na linha de partida, era dado o sinal para o início da prova. Vencia o participante que conseguisse transpor
a meta com o Rodízio, no mais curto espaço de tempo.
Era também disputada uma outra competição, que consistia em desenhar no chão um percurso relativamente estreito. Os
concorrentes, com o seu "Rodízio", tinham que percorrê-lo sem parar e sem sair, ou mesmo, sem pisar os limites do percurso
delineado.

***

Jogo dos "Óculos"

Este jogo, quer pelas suas características, quer pelo envolvimento dos objectos utilizados na sua prática, era muito usual em Loriga,
sendo exclusivamente praticado pelos rapazes.
Os "Óculos" era o nome dado a pequenos discos de lata ou alumínio, com um buraco no meio, que eram adquiridos nas fábricas de
lanifícios, sendo provenientes das canelas dos fios necessárias para a laboração dos teares de madeira.
Havia dois tipos de pequenos discos (óculos). Os normais de lata e de valor relativo, normalmente (1 por 1) e os discos de alumínio,
os quais eram chamados de bonzura, com um valor muito mais elevado, chegando a valer quatro ou mais dos discos normais (lata).
A bonzura era o disco com o qual os concorrentes normalmente jogavam, uma vez que, sendo um pouco mais pesado que os de lata,
tinha uma melhor aderência ao jogo.
-Normas e respectivo desenvolvimento:
O objectivo deste jogo era ganhar as peças dos "óculos" aos adversários. O jogador ganhava um "óculo" ao seu adversário quando,
ao jogar o seu, o mesmo ficasse a um palmo ou menos do "óculo" do outro concorrente.
Este jogo poderia ser jogado com, ou sem a utilização de uma parede, e por dois ou mais participantes.
Jogado sem a utilização de uma parede, o primeiro participante a jogar, previamente escolhido, lançava o seu "óculo" para um local da
sua escolha, seguindo-se os outros participantes.
Ganhava aquele que, ao lançar o seu "óculo", ficasse a um palmo, ou menos, do óculo de outro participante. O jogo recomeçava
sempre, com o jogador que ganhasse na jogada anterior a ser o primeiro a jogar.
Jogado com a utilização de uma parede, era também escolhido o primeiro concorrente a jogar. O jogador colocava-se de frente a uma
parede contra a qual atirava o seu "óculo", ganhando o jogador que conseguisse ficar a um palmo ou menos de qualquer óculo dos
outros concorrentes.
Sendo considerado um jogo com um certo grau de dificuldade, o jogo com a utilização da parede tinha, no entanto, uma característica
que era o poder ser jogado recorrendo à ajuda dos pés.
O jogador colocava os seus pés em forma de V junto ao "óculo" do adversário, para melhor acertar. Normalmente esta táctica só era
utilizada quando os "óculos" estavam a uma distância relativamente pequena da parede.
Escusado será dizer quão maltratada ficava a parede, que não fosse de pedra, normalmente granito, com a realização deste jogo
contra a mesma.
Uma outra característica muito comum deste jogo era a garotada acumular os seus "óculos" enfiados numa baraça, aos quais
chamavam "chouriças"

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Jogo do Esconder

Jogo muito usual dos meninos e meninas, é tradicionalmente o jogo mais popular, que faz parte das recordações de infância de quase
todas as pessoas.
Em Loriga era um jogo habitual nas brincadeiras das crianças, sendo mesmo um passatempo como que obrigatório.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Um participante previamente designado, fechava os olhos encostando-se contra uma parede. Um outro escondia um lenço ou outro
qualquer objecto, num local em redor do qual se desenrolava o jogo.
Depois do objecto escondido era autorizado o jogador de olhos fechados a tentar encontrá-lo. Todos os outros iam dando pistas:
- Frio!... Frio!... -quando se afastava do objecto escondido.
- Quente!... Quente! ... -quando se aproximava.
- A Queimar!... A Queimar!... -quando estivesse muito perto, quase a descobri-lo.
O jogador ganhava ao encontrar o objecto escondido. Caso o não encontrasse e se desse por vencido, perdia o jogo. Por isso era
excluído do mesmo.
Ganhava o concorrente que mais vezes encontrasse o objecto escondido.

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Jogo das "Semanas"

Jogo normalmente praticado pelas raparigas, era muito usual em Loriga. Este jogo das "Semanas" era uma variante do tradicional e
popularmente chamado Jogo da Macaca, ainda hoje muito praticado pelas crianças e adolescentes, um pouco por todo o lado.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Num local plano, de terra ou de cimento, eram desenhados sete quadrados, chamados casas, respeitantes aos sete dias da semana,
por isso o nome deste jogo.
Era necessário uma pedra, de preferência rasa, para uma melhor aderência ao solo, (em Loriga era utilizado um pequeno pedaço de
telha).
A jogadora lançava a pedra para dentro do quadrado (casa), começando pelo primeiro. Depois, em pé coxinho, pulava para dentro
desse quadrado (casa) onde se encontrava a pedra e, sempre em pé coxinho, tinha que jogá-la e sair com ela até ao local onde tinha
começado.
Este operação tinha que ser efectuada por todos os sete quadrados (casa) completando assim a prova. Só era permitido jogar a
pedra uma única vez, dentro de cada quadrado (casa).
A jogadora que lançasse a pedra e esta ultrapassasse a casa para a qual era destinada ou, se caísse em cima dos limites dos
quadrados, ou se saísse fora desses limites, perdia a jogada, dando a vez à participante seguinte.
Perdia também, quando a pedra lançada ao pé coxinho ultrapassasse a casa seguinte, ou se a jogadora pisasse algum dos riscos.
Quando essa concorrente voltasse a jogar, recomeçava no local onde tinha perdido.
Quando uma jogadora pisasse o risco havia uma maneira curiosa de dizer, "Queimastes" o risco.
Era vencedora a participante que ganhasse o maior número de jogos.

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Jogo do Eixo
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Jogo tradicional, praticado por todo o lado, normalmente mais usual entre rapazes.
Em Loriga, era dos jogos mais praticados. Em épocas já distantes, bastava reunirem-se alguns rapazes, para logo alguém sugerir
jogar este Jogo, que tinham uma maneira própria de praticá-lo.
O número de jogadores era variável, sendo que, quanto maior fosse o número, mais interessante se tornava o jogo.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Um jogador previamente sorteado, colocava-se curvado (amochado), principiando por amochar-se apoiando os cotovelos nos
joelhos. Com vista a aumentar o grau de dificuldade do jogo, na segunda volta, apoiava as mãos nos joelhos e, com o desenrolar do
jogo, ia ficando menos amochado, chegando mesmo só a ficar com a cabeça ligeiramente curvada.
Os concorrentes tinham que saltar por cima do participante amochado, apoiando as mãos nas costas e as pernas obrigatoriamente
abertas.
Havia uma outra maneira de jogar este jogo, que consistia em os participantes saltarem sem colocarem as mãos nas costas do
jogador amochado só que, neste caso, este mantinha sempre a primeira posição, ou seja, com os cotovelos nos joelhos.
Perdia o jogador que não conseguisse saltar e, como penalização, ia ocupar o lugar do jogador amochado, ficando na posição que
este já tinha.
Era vencedor aquele que saltando mais vezes fosse menos penalizado.
Outra variante do Jogo do Eixo, consistia em saltar sucessivamente sobre todos os participantes, de forma que todos saltassem
amochando-se em seguida. Em Loriga, era curioso ver-se a garotada percorrer as ruas da Vila a praticar este jogo, dai resultando
tamanha algazarra que, por vezes, irritava os mais idosos.

***

Jogo da "Mosca"

Era um jogo muito praticado em Loriga, exclusivamente pelos rapazes que, tanto mais interessante se tornava, quanto maior fosse o
número de participantes. Muito praticado também por todo o lado, quase sempre nos tempos de infância, este jogo varia de nome
conforme a região.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Apesar de também ser praticado individualmente, este jogo tinha por norma ser praticado entre várias equipas, constituídas por igual
número de elementos.
Definida a ordem de participação das equipas e, ainda, a equipa a amochar, esta colocava-se contra uma parede ou muro com os
respectivos elementos colocados uns atrás dos outros.
As outras equipas iam saltando para cima da equipa amochada, um elemento de cada vez, (por vezes era obrigatório fazê-lo rápido)
e, à medida que cada participante se fixava em cima dizia "mosca".
Todos os elementos participantes tinham que conseguir ficar em cima da equipa amochada, de modo a não caírem ou tocar com os
pés no chão.
Desta forma, ia-se constituindo uma espécie de montanha humana, uns sobre os outros, sendo que os jogadores da equipa
amochada teriam que suportar sem ceder ao peso.
Se a equipa amochada não suportasse o peso dos adversários, continuava a ser a equipa a amochar.
No caso da equipa que saltava, se não conseguisse colocar todos os seus elementos em cima, ou se, qualquer elemento já em cima,
escorregasse ou tocasse com um pé que fosse no solo, essa equipa perdia e passava a ser a equipa amochada.
Este jogo era jogado sempre sobre grande algazarra, para irritação da vizinhança que por vezes não suportava tal barulheira.

***

Jogo de Saltar à Corda


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Saltar com uma corda, faz parte de uma disciplina de treino, hoje em dia muito utilizado.
O saltar à corda, é também um meio de diversão, que também faz parte dos jogos tradicionais, praticados um pouco por todo lado. O
jogo Saltar à Corda, foi igualmente muito usual em Loriga, normalmente praticado pelas raparigas nos seus passatempos e
brincadeiras.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
O Jogo de Saltar à Corda, podia ser disputado por várias participantes ao mesmo tempo (corda grande) ou individual (corda pequena).
Numa corda relativamente grande, duas praticipantes pegavam nas extremidades fazendo-a balançar, em movimento circular (dando
à corda).
As participantes, individualmente, entravam na corda e sempre saltando de acordo com o movimento da corda. Tinham que manter-se
dentro durante determinado tempo previamente designado. Pela mesma forma tinham que sair, tudo isto, sem interromper o normal
andamento da corda.
Também era jogado com vários concorrentes ao mesmo tempo, que tinham que entrar e sair, sempre saltando, de acordo com o fosse
determinado e conforme a ordem de participação dos concorrentes.
Perdia a participante que prendesse a corda, deixando por isso de rodar e, quando isso acontecesse, essa concorrente era
penalizada sendo excluída do jogo, podendo ainda ter que tomar o lugar de pegar na corda (dando à corda).
O ritmo do movimento da corda podia variar, dificultando ou facilitando, a tarefa dos saltadores dentro da corda.
Outra variante do jogo de Saltar à Corda, consistia saltar com a corda pequena (normal jogo de saltar à corda) em que as
concorrentes individualmente faziam a prova.
Jogar este jogo, poderia variar consoante o definido: -Saltar com os pés juntos, ou em pé coxinho.
Nestes jogos de Saltar à Corda, ganhava sempre o concorrente que durante as provas tivesse menos faltas.

***

Jogo do Anel

Jogo praticado entre as crianças, é um dos jogos tradicionais ainda muito praticado por todo o lado.
Nas suas brincadeiras, as crianças em Loriga, tinham também muito o hábito de jogar o "Jogo do Anel", na maioria das vezes não
utilizando propriamente um anel, mas sim outro qualquer pequenino objecto.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Os participantes ficavam uns ao lado dos outros, com as palmas das mãos fechadas, como as do portador do Anel.
O portador passava as suas mãos, no meio das mãos de cada um dos jogadores, deixando cair o anel na mão de um deles, sem que
os outros percebessem.
Depois de ter passado por todos os jogadores, o portador perguntava a um de cada vez: -Quem ficou com o Anel?..
Caso o jogador não acertasse pagava a prenda (castigo) que os outros participantes mandassem.
Se o jogador acertasse, passava a ser o novo portador do Anel.

***

Jogo do Rapa

Jogo muito utilizado um pouco por todo o lado, era também considerado um jogo de sorte e azar.
Em Loriga era um jogo também muito usado, principalmente pelos rapazes, no entanto, tinha a particularidade de ser necessário ter
uma Piorra de quatro faces, o que por vezes nem todos os garotos tinham.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
A Piorra tinha em cada uma das faces as letras:- R (Rapa); T (Tira); D (Deixa); e P (Põe). Era jogado a feijões, por vezes a botões, a
rebuçados e também muitas das vezes a "palhaços" (cromos) com a figura dos jogadores de futebol.
Os jogadores em número variável, colocavam-se todos à volta num local plano de preferência liso. Cada participante efectuava a sua
casadela (colocação da respectiva comparticipação) relacionada ao que fossem jogar. Depois de o jogador movimentar rotativamente
através dos dedos indicador e polegar ou médio, o Rapa, este acaba por tombar ficando com uma face virada para cima, indicando
assim a sorte do jogador.
-R - Ganhava tudo o que estava na mesa
-T - Tirava apenas um peça
-D - Deixava um peça
-P - Punha lá outra peça (casava)

***

Jogo do Lenço
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Praticado um pouco por todo o lado, este jogo faz parte dos Jogos tradicionais, muito usual, principalmente em agrupamentos de
crianças. Em Loriga era hábito os professores e catequistas praticarem este jogo, nos recreios, como passatempo e divertimento
respectivamente na escola e na catequese.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Praticado por meninos e meninas, consistia em os participantes se sentarem no chão, colocando-se em roda com as mãos atrás das
costas. O centro da roda era o local de castigo chamado a "choca", ficando ali de cócoras os participantes castigados.
Um participante previamente designado, corria à volta e por fora da roda com um lenço na mão, deixando-o cair atrás de um dos
participantes na roda, continuando sempre a correr.
Quando o participante descobrisse que o lenço estava caído atrás de si, apanhava-o e tentava agarrar o outro, que continuando a
correr, tentava alcançar o lugar que tinha ficado vago na roda.
Se o novo portador do lenço conseguisse apanhar o anterior, antes de ocupar o lugar vago, este era penalizado indo de castigo para
a "choca". No caso que o não conseguir agarrar, continuava o mesmo portador do lenço, a correr atrás da roda deixando o lenço
atrás de outro.
Quando o participante que tinha o lenço atrás das costas, disso não se apercebesse, e se o portador que ali o tinha deixado, após
dar a volta à roda o reaver, o ocupante desse lugar ia para a "choca" como castigo, continuando o portador do lenço a correr à volta
da roda deixando o lenço atrás de outro.
. O jogador que estivesse na "choca", só se livrava dela quando um outro jogador entrasse para lá.
Não era permitido a nenhum dos participantes na roda, avisarem aquele que tinha o lenço atrás das costas e, caso o fizesse era
castigado, indo para a "choca".
Este jogo também poderia ser jogado com os participante em pé, que podiam olhar pelo meio das pernas, se tinham o lenço atrás das
costas, não sendo, no entanto, permitido virar-se para trás.

***

Jogo das Pedrinhas

Jogo muito habitual entre as crianças, normalmente mais praticado pelas raparigas.
Em Loriga era também muito usual a prática deste jogo e, curiosamente, tanto por meninas como por meninos. Para o praticar,
procuravam as soleiras das portas, os degraus dos balcões, ou mesmo outros locais de cimento ou mesmo de terra.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Era necessário arranjar cinco pedrinhas, de preferência arredondadas.
Depois de estabelecida a ordem de saída, o jogador iniciava o jogo lançando as cinco pedrinhas ao chão, de forma a ficarem o mais
juntas possível. O jogador agarrava uma das pedrinhas, lançava-a ao ar e tinha que a apanhar.
Seguidamente o jogador colocava essa pedrinha nas costas da mão depois, com a mesma mão, agarrava outra pedrinha, lançando ao
ar as duas e, com a mesma mão, tinha de as agarrar quando estavam em queda.
Repetia toda esta operação, até conseguir acumular nas costas da mão, com êxito, as cinco pedrinhas.
No caso de falhar, dava a vez ao concorrente seguinte e, quando voltasse a jogar, recomeçava na situação onde tinha falhado.
Depois de ter efectuado e terminado todos os lançamentos com êxito, o jogador teria que pegar as cinco pedrinhas, lançá-las ao ar e
apanhá-las nas costas da mão.
Era vencedor o jogador que conseguisse ficar com o maior número de pedrinhas nas costas da mão.

***

Jogo da Cabra-Cega
- 10 -

Este Jogo faz igualmente parte dos chamados jogos tradicionais, muito usual por todo o lado, principalmente nos agrupamentos de
crianças.
Em Loriga, houve épocas em que era quase obrigatório a inclusão deste jogo nos convívios de crianças e jovens. Estamos a
lembrar-nos, por exemplo, nos recreios da escola e da catequese e também em convívios organizados pela JOC.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Era colocada uma venda nos olhos de um participante, para ser Cabra-Cega e, os outros participantes, colocavam-se de mãos dadas
formando uma roda.
A Cabra-Cega ficava no centro da roda, de cócoras e com os olhos tapados pela venda, seguindo-se o seguinte diálogo:
-Cabra-Cega, donde vens?..
-Venho da serra.
-O que me trazes?..
-Trago Bolinhos de canela.
-Dá-me um!..
-Não dou.
Dizem depois todos em coro:
-Gulosa, gulosa, gulosa.....
A Cabra-Cega levantava-se e tentava apanhar qualquer outro participante, ao mesmo tempo iam andando à sua volta, tocando-lhe e
dizendo: -Cabra-Cega, evitando ser apanhados.
Quando um jogador era apanhado pela Cabra-Cega, esta tinha que o identificar através do tacto. Se o conseguisse identificar
passava esse a ser a Cabra-Cega.
No caso de não conseguir identificar o jogador apanhado, continuava o mesmo a ser a Cabra-Cega.
Os participantes tinham que andar relativamente perto da Cabra-Cega, não sendo permitido portanto, deslocarem-se para muito longe,

***

Jogo dos "Palhaços"

"Palhaços", era o curioso nome que em Loriga se dava aos cromos que, naquela altura, simbolizavam as figuras dos jogadores de
futebol das equipas a disputarem o Campeonato da 1ª. Divisão.
Para quem queria fazer colecção de cromos, havia até cadernetas próprias que, para além de serem raras, nem toda a garotada tinha
posses para adquiri-la.
Estes cromos, (palhaços), vinham enrolados em rebuçados, que eram comprados nas vendas, mercearias ou mesmo em tabernas e,
por um tostão (centavo), podiam ser comprados três desses rebuçados.
Normalmente praticado pelos rapazes, este jogo consistia em ganhar ao adversário os cromos, por vezes em falta na sua colecção.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Podia ser jogado por dois ou mais concorrentes. Cada jogador tinha que (casar), colocar um cromo (palhaço). Os cromos ficavam
sobreposto com a face principal virada para baixo.
Os participantes, com a palma da mão ligeiramente curvada, davam um toque subtil nos cromos (palhaços) acumulados, tentando virar
a face dos mesmos para cima.
Os concorrentes jogavam um de cada vez, alternadamente. Ganhavam o(os) cromo(os) que conseguissem virar.

***

Jogo dos "Aeroplanos"

Este jogo, chamado em Loriga por "Aeroplanos", era mais uma variante do conhecido jogo tradicional da Macaca e do Jogo das
"Semanas", praticado nesta localidade.
Praticado normalmente pelas meninas, não se sabe ao certo a origem do nome.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Num local plano de terra ou cimento, eram desenhados no chão diversos quadrados, que também chamavam de "casas",
Era necessária uma pedra, que a jogadora, de costas para o desenho, tinha que lançar começando pela primeira "casa".
De seguida tinha que saltar esse quadrado onde a pedra se encontrava, pulava por todas as outras (só colocando um pé em cada
quadrado) até à última, iniciando o percurso inverso do mesmo modo. Chegando onde estava a pedra, tinha que apanhá-la, saltar
esse quadrado e pular pelos restantes até sair fora.
A jogadora tinha que efectuar esta operação por todos os quadrados, até completar a totalidade do desenho, que lhe permitia vencer
a prova.
A participante perdia quando, ao lançar a pedra, esta saísse fora, ficasse sobre algum risco ou caísse no quadrado que não
pertencia. Ao voltar a jogar a concorrente começava no local onde tinha perdido.
A casa onde a pedra se encontrava, de maneira alguma poderia ser pisada.
Era vencedora a participante que ganhasse o maior número de partidas .
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***

Jogo Puxar à Corda

Jogo muito usual em agrupamentos de convívios, praticado por pessoas de várias idades e de ambos os sexos.
Trata-se de um jogo verdadeiramente divertido, ainda hoje praticado um pouco por todo o lado.
Em Loriga, tempos houve em que também era habitual a prática deste jogo, nomeadamente, nos anos áureos da JOC, que até tinha
Sede própria e que, na organização de convívios, agrupamentos e passatempos, este jogo constituía um dos divertimentos.
Este jogo, que em Loriga de chamava de "Puxar à Corda", é o mesmo que noutros lugares e, mais tradicionalmente, chamavam de
Tracção à Corda"
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Disputado em sistema de equipas, com igual número de elementos, era necessário ter uma corda relativamente grande.
Num local, com espaço livre de obstáculos, era marcado no chão um risco, entre as duas equipas em disputa.
De cada lado do risco e, pegando na corda, colocavam-se os grupos. Ao sinal de partida, cada equipa puxava a corda para o seu
lado, ganhando aquela que conseguisse arrastar a outra até o primeiro jogador ultrapassar o risco no chão.
Era também atribuída a derrota à equipa cujos jogadores caíssem ou largassem a corda.
A corda era sempre puxada com as mãos, não sendo por isso permitido que os jogadores a enrolassem no corpo.

***

Jogo do "Caracol"

Jogo tradicional, praticado um pouco por todo o lado, tanto por meninas como por meninos, faz parte das brincadeiras e passatempos
das crianças.
Ao contrário de muitos dos outros jogos tradicionais, este jogo era de todos o menos praticado em Loriga, sendo apenas usual a sua
prática nesta localidade, pelas crianças que vinham de fora passar as férias, talvez pelo facto de fazer parte das suas brincadeiras
nos locais onde viviam.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Era desenhado no chão de terra ou cimento, um caracol grande, com apenas um quadrado no principio do mesmo.
O jogador lançava uma pedra, (de preferência uma pedra rasa para uma melhor aderência ao solo), para o quadrado no inicio do
caracol. O participante, em pé coxinho, vai empurrando essa pedra até conseguir alcançar o centro do caracol, sem que esta saísse
do interior do desenho.
Perdia se a pedra saísse do interior do desenho do caracol, dando a vez ao jogador seguinte.
Ganhava o concorrente que conseguisse completar a prova em menos vezes a empurrar a pedra.

***

Corrida dos Sacos

Jogo caracterizado como divertimento, é ainda hoje praticado um pouco por todo o lado, normalmente em festas populares e também
religiosas.
Apesar de em Loriga, nunca ter sido uma constante o hábito desta corrida, no entanto, chegou a fazer parte das Festas da Vila
realizadas na décadas de 1950, sendo na "Carreira" o local onde se efectuava esta corrida.
-NORMAS E RESPECTIVO DESENVOLVIMENTO:
Era marcado um percurso no chão com uma linha de partida e uma de chegada (meta). Os participantes enfiavam um saco de
serapilheira nas pernas até à cintura segurando as abas com as mãos.
Os concorrentes colocavam-se atrás da linha de partida. Após o sinal para a partida, deslocavam-se em direcção da meta, ganhando
aquele que chegasse primeiro.

***
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Matérias mais utilizadas para os Jogos populares


Pedras - Paus - Arames - Trapos - Borrachas - Madeira.

Objectos muitos usuais nos Jogos populares


Bonecas de trapos - Bonecas de madeira - Bolas de trapos - Bolas de meias - Bolas de borracha - Carros de
madeira - Brinquedos de arame - Brinquedos de cordas - Pião - Guitas - Rodas diversas - Baraças.

Amenta das Almas

Na etnografia de Loriga a existência da "Amenta das Almas" é uma tradição muito


antiga, perdendo-se mesmo na noite dos tempos, e que se vem mantendo de geração
em geração.
No período da Quaresma, nas noites de sábado para domingo, depois das 2 horas da
madrugada, alguns homens e jovens reúnem-se no adro. Enquanto alguns se colocam
na torre da igreja, outros espalham-se por outros pontos da povoação. Através das
badaladas no sino da igreja é anunciada a cerimónia, em que se evocam e louvam a
paixão e morte de Jesus para a salvação das almas. No silêncio da noite os cânticos
ecoam pela Vila, acordando os crentes que começam a rezar.

Bendita e louvada seja Acorda, pecador, acorda


A paixão do redentor Do sono que está "dormente"
Para nos livrar das culpas Lembra-te das benditas almas
Morreu a nosso favor Que estão no fogo ardente

Repetidas são as dores Olha cristão que és terra


De contínuo estão gemendo Olha que há-des morrer
Assim estão as almas Há-des dar contas a Deus
No purgatório ardendo Do teu bom e mau viver

Não caias em tentação Uma alma só que tens


Como calma na geada Se a perdes que será?
Que andam a tentar Se cais no mesmo abismo
Os três inimigos da alma Nunca mais a Deus verás

São muitas as pessoas que a Loriga se deslocam, para ouvir a Amenta das Almas,
atraídas pela sua fama. Também a esta Vila se deslocou um dia, Michel Giacometti,
grande pesquisador por todo o país, das tradições, dos cantares, dos usos e costumes,
aos quais dedicou a sua vida em Portugal.
Esta secular tradição em Loriga, da Amenta das Almas, puderam assim, ficarem
registadas na grandiosa obra desse histórico pesquisador de tradições portuguesas.
- 13 -

O Mês das Almas

Apesar de existir um piedoso costume de manter durante o ano, os cemitérios floridos, torna-se ainda mais
carismático durante o mês de Novembro (Mês das Almas).
O mês da Almas, começa praticamente com o culto aos defuntos, um ritual cristã vindo dos tempos mais
remotos, onde será difícil de encontrar um lugarejo onde esta tradição não esteja arreigada até à medula, nos
hábitos das famílias e das paróquias.
Loriga, não foge à regra, um dia antes do primeiro dia do Mês das Almas, as sepulturas no cemitério, são
"melhores arranjadas", com flores, velas, lampiões, lamparinas, num cenário de verdadeira fé e pesar, de
muitas recordações, de muitas tristezas e de muitas saudades.
São muitos os Loriguenses ausentes que se deslocam à sua terra no 1 de Novembro - Dia de todos os
Santos. Neste dia do culto dedicado aos defuntos, por hábito, os familiares e amigos deslocam-se à Igreja
Matriz, juntando-se em Procissão que o Pároco faz muito perto do final do dia em romagem de saudade ao
cemitério local, que se enche de gente, chorando os seus familiares mortos, unindo o passado e futuro num só
presente.
No dia 2 de Novembro, dia dedicado aos fieis Defuntos, é realizada a missa por todas as Almas.
- 14 -

Quadras dedicadas às Almas *

Caiem folhas uma Tudo se cala...


a uma Silêncio..
Os ramos ficam Noite fria... Os
despidos... sinos choram...
Tardes frias de Rezam almas
Novembro neste mundo
Lembram mortos Pelas almas que já
esquecidos. foram...

* *

Como eu sinto as É o mar da nossa


badaladas Vida...
Chorando dentro de Onde acaba?... Lá
mim!... no Céu....
Lá vão elas... Vou Como chora a
com elas badalada
Por um mar que Que o velho sino
não tem fim... trangeu...

* *

Lembro as noites Era com eles, à


de Novembro noite
Do tempo que já lá Que sempre depois
vai... da ceia,
E choro... choro... Rezava pelas
rezando alminhas,
Por minha mãe por À triste Luz da
meu pai. candeia...

* *

Ai como os anos Ò badaladas à


passaram!... noite
Também se foram Ai que longe ides
"Alminhas" Junto à Fonte das Almas,e à antiga estrada romana,hoje uma das meus pais... morrer!...
ruas principais do centro histórico da vila. Ò sino velho da Almas no Céu a
torre, gozar,
Não chores, não Almas na Terra
chores mais.. sofrer.

* *

Ó badaladas da Cala-te, sino, que a


noite Lua
Calai-vos, não Vai caladinha no
choreis tanto, Céu...
Tenho a alma Que linda noite
dolorida, estrelada!...
Nadam meus olhos Feliz de quem já
em pranto. morreu!...
- 15 -

A Sagrada
Família

Vem de longe a
tradição em Loriga,
em que as imagem
de São José, de
Nossa Senhora e do
Menino Jesus,
devidamente
resguardados num
pequeno oratório,
percorre as casas
da Vila numa
verdadeira
manifestação de fé.
São algumas as
Sagradas Famílias
existentes em
Loriga, distribuídas
por diversas zonas
da vila sendo que,
durante a
permanência em
cada casa há
sempre a
preocupação de a
mesma estar
iluminada,
normalmente
utilizando para o
efeito uma
lamparina.
Habitualmente, a
permanência da
Sagrada Família em
cada casa é de 24
horas e, no seu
percurso, as
pessoas vão
colocando esmolas
num pequeno
compartimento.
Após ter circulado
em todas as
habitações, uma
zeladora
encarrega-se de
recolher as ofertas
que, por sua vez, as
entrega à Paróquia
para obras de
caridade.
Com a população a
diminuir, com muitas
casas fechadas por
motivo de ausência
dos seus
proprietários e,
- 16 -
- 17 -

Celebrações Solenes da Quaresma em Loriga

A Quaresma em Loriga, foi sempre um período de verdadeira manifestação religiosa, que


mesmo hoje apesar de os tempos serem outros, continua a verificar-se o mesmo
espirito religioso, que sempre se conheceu.

Quarta-Feira de Cinzas:- Missa das Cinzas

Amenta das Almas

Durante a Quaresma, homens e jovens canta esta tradição secular em Loriga,


lembrando aos crentes e não crentes as almas do purgatório. Nas noites de Sábado
para Domingo, rompem vozes como que vindo do Além que entre muitos canticos este:.

Acorda pecador acorda


no sono que está dormente.
Lembra-te das benditas almas
Que estão no fogo ardente

Domingo de Ramos

Procissão dos Ramos para a Igreja Matriz, onde são benzidos, Missa dos Homens e
Via-sacra dos Homens (à noite) pelas principais ruas da Vila, terminando na Igreja
Paroquial com uma cerimónia do encerramento a ser cantada por todos, com versos
alusivos ao martírio de Jesus, entre muitos este da Mãe Dolorosa.

Mãe de Jesus trespassada


De dores ao pé da cruz
Rogai por nós, rogais por nós - Bis
Rogais por nós a Jesus.

Quinta-Feira Santa

Procissão do Senhor dos Passos pelas ruas da vila, numa grande manifestação de fé e
devoção.

Sexta-Feira Santa

Procissão do "Enterro do Senhor" pelas principais ruas da vila, onde é bem


demonstrativo o silêncio e o sentido respeito nas pessoas que acompanham ou
simplesmente assistem.

*
- 18 -

As Janeiras

Sob uma forma mais ou menos cristianizada, os povos modernos persevaram tradições
cujas origens pagãs atestam a sua antiguidade. É disso exemplo o cantar das Janeiras
que, em Portugal é uma tradição que, segundo alguns, remonta ao século XIV.
Na Vila de Loriga, essa tradição vem-se mantendo através dos tempos, que começa
com aproximação do Natal até aos Reis. No entanto, hoje em dia é uma prática mais
usual entre grupos de jovens e homens, no sentido de conseguirem algum valor
monetário para determinado objectivo em vista.
Está ainda bem viva na lembrança de muitos Loricenses o cantar das Janeiras, de
tempos passados, em que, grupos de crianças, jovens e homens, percorriam as ruas
indo de porta em porta, cantando em louvor do Menino Jesus lindas quadras de
fraternidade e amor que o povo fez, dedicadas a essa quadra natalícia, acompanhadas
pelo simples tanger de ferrinhos, desejando Boas-Festas aos seus moradores.
Nesses tempos, como o dinheiro era pouco, era também muito pouco o valor monetário
que os cantadores de Janeiras recebiam. Normalmente as crianças eram contempladas
com guloseimas, os homens e jovens recebiam em troca a oferta de filhóses, figos,
castanhas secas, chouriço e um copito de aguardente.

O Cantar das Janeiras

Ao chegar às portas cantava-se as quadras de apresentação:

Ainda agora aqui cheguei Aqui vimos, aqui vimos


Já tirei o meu chapéu Aqui vimos bem sabeis
A Senhora desta casa Vimos dar as boas-festas
Vai direitinha para o céu E também cantar os Reis

Ainda agora aqui cheguei


E já pus o pé na escada
Logo o meu coração me disse
Que aqui mora gente honrada

Depois destas quadras era aguardado uns momentos, esperando pela gratificação,
quando tardava, cantava-se a quadra seguinte:

Levante-se lá minha senhora


Do seu banquinho de prata
Venha-nos dar as Janeiras
Que está um frio que mata

Mais uns momentos de espera e quando mesmo assim, nada lhes era dado, cantava-se
assim:

Trelinca o martelo
E torna a trelincar
- 19 -

O "Cambeiro em Loriga"

Há mais que uma forma para definir o "Cambeiro" . Originalmente, o Cambeiro era um
tronco de pinheiro alto e esguio que, em certas noites festivas, se fixava num lugar,
atando-lhe ramos que se incendiavam para iluminar o sítio.

No entanto, em Loriga, trata-se de um


mastro alto em madeira ornamentado com
pendurais em ferro e que faz parte de uma
tradição antiga em honra de São Sebastião.
O "Cambeiro" sai em Janeiro, para as ruas
da vila, sendo transportado em cortejo, e é
anunciado à população através de uma
campainha levada pela pessoa que inicia o
cortejo. Principia no adro vazio e ali regressa
depois de dar a volta às ruas já
completamente recheado dos donativos ali
colocados.
Ao longo do seu percurso as pessoas vão
colocando nos respectivos pendurais do
"Cambeiro" os seus donativos:- Línguas e
rabos de porco, chouriços de carne,
farinheiras, morcelas, bacalhau, presunto,
broa de milho, trigo, assim como, ofertas de
feijão, grão, milho, queijos, garrafas etc., e
mesmo dinheiro que os mordomos vão
transportando à parte.

De regresso ao adro, dá-se início ao leilão de todas essas ofertas, que revertem para o
culto e Festa anual de São Sebastião que actualmente se festeja no mês de Julho.
-1-

Alguns cenários de Loriga

Cascata das Lamas (Ponte Zé Lages)

*** ***
-2-

Os Bicarões
Situado na Penha dos
Abutres, este local assim
chamado, tem haver
pela formação ali de
deslumbrantes quedas de
água, nomeadamente
no inverno, às quais o povo
se habituou a chamar de
"Bicarões".
Local verdadeiramente
paisagístico, bem como,
toda a área
envolvente, ali chegados,
dá-nos a sensação de
voltar-mos para
trás no tempo, de dezenas
ou até centena de anos
No verão todo aquele local
se torna aprazível,
encantador e belo,
mas no inverno torna-se
temeroso e arrepiante.
Hoje de difícil acesso,
tempos houve, de existirem
caminhos acessíveis
que davam a terras de
cultivo que existiam bem
perto dos "Bicarões".
Em tempos já muito
distantes, os "Bicarões" foi
cenário de um trágico
acidente, que a poesia do
povo ainda recorda.
Os Bicarões
*
Lá em cima nos Bicarões
Há lá um poço sem fundo
Caiu p´ra lá a Maria Emília
Que logo foi ter ao outro mundo

*
Ai que saudades
Ai que paixão
Dos tempos que
Já lá vão...
-3-

Casa dos Velhos *


Situada na chamada
Calçada Romana
(Rua de S.Sebastião)
perto
do cemitério,
construída em pedra
e xisto é bem a
originalidade de
uma habitação
serrana.
Perde-se a conta aos
anos desde quando
ali está construída,ali
junto da antiga
estrada romana de
Lorica. Popularmente
chamada "Casa dos
Velhos" este nome
vem já de há muitos
anos.
Consta de relatos
antigos, terem
chegado a Loriga,
dois velhos a pedir
esmola.
Como dormiam nas
ruas, foi-lhes
oferecido esta casa,
Casa dos Velhos
para pernoitarem. Por
ali
ficaram a viver durante
muitos anos, por isso
se passou a chamar
"Casa dos Velhos",
nome que foi
passando de
gerações chegando
aos nossos dias.

* Relato popular

As Ribeiras de Loriga

Os motivos paisagísticos que mais impressionam olhando esta vila, são, sem dúvida, os recortes cravados em
profundos vales onde correm, do nascente para o poente, as ribeiras Nave e São Bento, que ali se fazem
deslizar, velozes e sinuosas as águas cristalinas que se juntam ao fundo da Vila.Ali,a ribeira de Loriga recebe
a ribeira de S.Bento,e depois de darem um abraço de feição a um altar maravilhoso de intermináveis
socalcos,na colina onde se encontra situado o centro histórico de Loriga. Esta ribeira de Loriga recebe as
águas da ribeira de Alvoco e vai-se incorporar no rio Alva junto à povoação da Vide, e as àguas são levadas ao
rio Mondego e este as leva-as ao mar.
-4-

Ribeira de Loriga (cenário no Verão) Ribeira de Loriga (cenário no Inverno)

- A Ribeira de Loriga -

A Ribeira de Loriga é, sem dúvida, a de maior caudal, principiando na "Garganta" junto aos poços de Loriga.
Tem a particularidade de somente uma fábrica de lanifícios ter sido construída junto a ela, ao contrário da
ribeira de São Bento onde, de facto se implantou a maior força industrial desta Vila.
Ao longo do seu percurso as águas da ribeira de Loriga foram, desde sempre, muito utilizadas para regadio,
assim como, também, muito úteis na movimentação dos muitos moinhos de água que um pouco por todo o
seu percurso chegaram a existir. É também por esta ribeira, que os Loricenses têm uma certa atracção pois,
desde sempre, eras nas águas cristalinas dos muitos dos poços nela existentes, que a população mais
acorria para se banhar, o mesmo acontecendo hoje, ao ter sido nela construída a Praia Fluvial de Loriga.
São muitos os poços que se estendem ao longo do leito desta ribeira e que parecem estar ainda na memória
de todos, ficando mesmo para sempre na recordação, porque de todos eles parece haver histórias para
contar.- Açude; Zé Lages; Pinheiro; Caldeirão; Meninas; Moinhos; Da Olinda; Curilha; Courelas; Eras;
Caneladas; Aparício; Forte,que é o mais profundo; etc .
Tem, como afluente, um pequeno ribeiro chamado do "Cortiçor" que se forma junto ao poço do Bicarões e se
vai juntar a esta ribeira junto ao poço do Pinheiro (Moenda). São quatro, as pontes que sobre ela passam:-
Ponte do "Zé Lages" a Ponte Romana, a do Ribeiro da Ponte e ainda uma outra de passagem onde as duas
ribeiras se juntam. Estas últimas três unicamente para passagem de peões .
-5-

Ribeira de São Bento (cenário no Verão) Ribeira de São Bento (cenário no Inverno)

- A Ribeira de São Bento -

Menos vistosa, teve em tempos passados um papel fulcral e importante na vida e progresso desta Vila pois,
foi junto a esta, que foram construídas a maioria das fábricas e, foram essas suas águas que durante muito
tempo fizeram movimentar as mesmas numa grande força de laboração.
Também as águas desta ribeira, eram muito aproveitadas para regadio, assim como ainda hoje isso acontece
e, foram também muito utilizadas para movimentar os muitos moinhos que existiram ao longo do seu curso.
Não sendo muito utilizada pelos banhistas, por causa da poluição provocada pelos detritos da fábricas, tinha
os poços do "Ariel" "Marrecos" e "Piorca" além dos açudes, que serviam mesmo assim para "Chapinhar" .
Tendo como afluente um pequeno ribeiro que a ela se junta nas Tapadas, esta ribeira tem, algumas pontes
que por sobre ela passam e que são:- a Ponte dos Leitões, a Ponte do "Porto", uma pequenina ponte com
poucos anos junto ao Regato, a Ponte do Moura Cabral e, outra ainda, onde as duas ribeiras se juntam, sendo
as três últimas, unicamente para passagem de peões.

***

Nota: -As ribeiras de Loriga são, pois, algo que faz parte do que a Natureza construiu para dar à vila de
Loriga um esplendor de beleza, de riqueza, de vida e sobrevivência das pessoas.

Os Balcões de Loriga

Os balcões de pedra que se vêem um pouco por todas as ruas, largos e becos de Loriga antiga, fazem parte
da arquitectura rural da povoação desde o seu início, e são um contributo para a tornar numa vila bela, típica e
verdadeiramente acolhedora.
Ao percorrer a Vila de Loriga, decerto irá reparar em muitos Balcões de pedra, que dão o acesso a muitas das
habitações, havendo, em tempos, muitos mais.
-6-

Na década de 1950, uma


decisão arrojada levou o
Senhor Presidente da Junta
de Freguesia de então,
Manuel Gomes Leitão Júnior,
a uma politica do "deita
abaixo" de muitos dos
balcões que existiam, os
quais, segundo consta,
dificultavam o acesso a
muitas ruas e becos.
Os Balcões são normalmente
construídos em granito, e
perde-se no tempo as
gerações que por ali
passaram e se sentaram
naquelas pedras gastas e
nuas que, ao mesmo tempo,
são testemunhas ou mesmo
relíquias simbólicas do um
passado e de uma outra
Balcões numa das ruas de Loriga realidade.
Em épocas já distantes, era
típico ver as pessoas
sentadas nos balcões,
tagarelando ou cantando em
paz e harmonia, sendo hoje
lembranças e saudades que
ficaram na recordação de
muitos, mas que aos poucos
se vai vendo desaparecer.

Hoje com a cimentação de muitos dos Balcões de pedra o que, de certa forma, representa um atentado à
arquitectura tradicional e pitoresca da vila, os Balcões de pedra vão perdendo, desse modo, a sua
originalidade secular.
No entanto ainda hoje podemos ver muitos na sua originalidade até alguns ornamentados com vasos de flores,
o que os torna ainda mais pitorescos e bonitos.

Calçada da Estrada Romana de Lorica (sec.I a.C.)


-7-

Depois de vencerem os
Cartagineses, os Romanos
chegaram à Península Ibérica no
século III A.C. e, após muito
tempo de guerras, conseguiram
conquistar todos os territórios à
volta do mar Mediterrâneo,
dominando todos os povos que aí
viviam, e formando um grande
império.
Os povos do centro e norte da
Península Ibérica, como os
Galaicos e os Lusitanos,
resistiram heroicamente à
ocupação romana, durante quase
200 anos, mas acabaram
também por ser vencidos.
Para responder às exigências do
modo de vida, nomeadamente as
deslocações dos exércitos
romanos, as trocas comerciais,
permitindo uma ligação mais
rápida entre as principais cidades
e ainda uma melhor ligação no
envio para Roma das riquezas e
impostos, os Romanos
procederam à construção de uma
rede de estradas e pontes, que Calçada Romana em Loriga
continuam a permanecer até hoje
entre nós.Todas as localidades
importantes ou potenciais,já
existentes ou criadas pelos
Romanos,foram ligadas por
estrada ao restante império.
Uma dessas estradas ligava
Lorica a Egitânia e Conímbriga.
No seu trajecto por esta
localidade, são ainda bem
visíveis, em muitos locais, alguns
troços da Calçada Romana que
passava sobre as duas ribeiras,
tendo os Romanos construído
duas pontes, uma das quais
ainda existente.
-8-

Coreto do Recinto de N.S.da


Guia
Erguido em frente da Capela de
Nossa Senhora da Guia,
é, presentemente, o único Coreto
existente em Loriga.
Foi mandado construir por alguns dos
Loricenses
emigrados no norte do Brasil, que
faziam parte de uma
grande colónia de loricenses, há
muito anos radicada
naquela zona de Brasil, e que foram
grandes beneméritos
da sua adorada terra.
Na placa colocada neste Coreto,
datada de 1905, poderão
ler-se os nomes desses beneméritos
que contribuíram para
a sua construção:
"Joaquim Fernandes Gomes, António
Duarte Pina, Augusto
Coreto na Nossa Senhora da Guia da Costa Madeira, José Lopes de
Brito, João de Brito, José
Alves Nunes Pina, Manuel dos Santos
Silva, José de Moura
Galvão e José dos Santos Portela"
-9-

Ponte Romana de
Lorica
Situada sobre a Ribeira
das Naves e, muito
perto do local
chamado por
"Moenda", é uma ponte
de um só arco, sendo o
século primeiro antes
de Cristo a data da sua
construção.
Faz parte dos muitos
vestígios da presença
romana em
Loriga,nesta zona da
Serra da Estrela.
Em alguns locais desta
vila, ainda hoje se
podem admirar troços
de
calçada
romana,estrada que
ligava Lorica a Egitânia
e Conímbriga. Ponte Romana em Loriga (Século I a.C.)
Sobre a Ribeira de São
Bento, existiu também
uma outra ponte
romana que fazia parte
do mesma estrada, só
que essa não chegou
aos nossos dias.

Ruas históricas e
tradicionais

A Rua Sociedade Recreativa Musical


Loricense, popularmente mais
conhecida por "Rua Escura", a Rua
de São Bento e também um lanço
na Rua Passos do Senhor, que
fazem parte do centro histórico desta
vila, são calcetadas com pedras
originais da região de Loriga, de
diversas qualidades e variados
formatos, por isso serem
consideradas as ruas mais típicas
de Loriga, únicas ainda a manter
esse seu piso primitivo, que as
tornam em ruas tradicionais.
Rua de piso tradicional
- 10 -

Ponte do
Porto

Construída em
1882,um pouco a
montante do local
onde existiu,até ao
século XVI,a antiga
ponte romana,
esta ponte original
de Loriga, é
popularmente
chamada "Ponte
do Arrocho" devido
à sua
configuração. Ponte do Porto
Toda ela
construída de
granito, fica
situada sobre a
Ribeira de São
Bento, ligando a
povoação
propriamente dita
ao pitoresco
"bairro" do
Porto,cujas casas
foram construídas
ao longo da antiga
estrada romana.

Os Fornos públicos de Loriga

Era Loriga de outras eras, em que existiam alguns destes Fornos, onde a população ia cozer a Broa de milho,
ou quando nomeadamente nos festejos para a Páscoa, ali também faziam os tradicionais e saborosos bolos,
mais propriamente os Biscoitos; as Broinhas, o Bolo Negro, o Pão de Ló, entre outros.
Os seus arrendatários iam aos pinhais e aos baldios, buscar a lenha para o pleno funcionamento dos
mesmos. Nesses tempos, estes Fornos eram de importância vital para a população, grande parte das
pessoas cozia ali o pão para consumo doméstico, por isso, era como que uma tradição ver-se diariamente, o
vai e vem das "masseiras" a passar nas ruas
"Ohhhhhh!.... Senhora Mardocarmo!... Uuuu!..Uuuu!..Uuuu!.. Amasse!... Está na hora". Este serviço dos mais
singulares sistemas de comunicação com as freguesas, era assim que os arrendatários dos fornos, gritavam
para outros pontos afastados da Vila, avisando que o Forno já estava a ser aquecido e portanto dentro de um
prazo convencional, deviam trazer a "masseira" para forno.
Hoje os Fornos públicos fazem parte das memórias, mas muitos, ainda hoje se recordam, quando vindo dos
Fornos, as "masseiras" ao passarem, deixavam no ar, o aroma apetitoso da broa já cozida .
- 11 -

*** ***

Forno antigo (1968)

Praia Fluvial de Loriga

Começou a funcionar no Verão de 1998, tendo sido inaugurada oficialmente no dia 27 de Julho de 1999.
O Secretário de Estado do Ambiente José Guerreiro, deslocou-se a Loriga para a inauguração oficial onde foi,
também hasteada a Bandeira Verde com a qual foi premiada, devido à excelente qualidade das suas águas.
Com análises efectuadas pela sub-região de Saúde da Guarda estas águas, de verdadeira pureza e límpidas,
"podem até ser bebidas sem qualquer tratamento" dão ainda maior relevo à atribuição da bandeira verde, pelo
facto de ter sido esta Praia a única no Distrito da Guarda a merecer tão elevada distinção.
Situada numa magnifica paisagem desta localidade e da Serra da Estrela, é na realidade um local atraente e
agradável para tempo de descanso e de laser, não havendo quem, dadas as condições, resista a dar um
mergulho naquelas águas cristalinas.
Obra realizada com custos na ordem dos 20 mil contos, dos quais 75% foram financiados pela Câmara, estão
ainda em curso outros projectos, que incluem a criação de infra-estruturas, que visem tornar ainda mais
apetecível aquele lugar e a Praia fluvial.É um belo local,onde são ainda visíveis o efeitos do glaciar que abriu o
belo Vale de Loriga,como por exemplo a abundância de rochas de grandes dimensões que foram arrastadas
do alto da serra.
O sonho, vindo de longe, de tornar aquele local um espaço de vida em termos de qualidade ambiental foi, pois,
concretizado. Os Loricenses estão orgulhosos e, por certo, sabem que o visitante encontrará neste lugar um
cenário grandioso, atraente e emotivo.
- 12 -

Praia Fluvial de Loriga

Caixão da Moura
- 13 -

Sepultura antropomórfica que se


encontra no lugar que foi desde
sempre conhecido por "Campa" e
que fica a cerca de 2 Km do
centro da Vila.
Este singelo monumento em local
praticamente escondido pela
vegetação,tem há mais de dois
mil e seiscentos anos a sua
origem.
Embora se não possa precisar a
data, é mais do que certo ter sido
deixado ali há mais de 2.600
anos, muito antes da chegada da
civilização romana a esta região.
Através dos tempos, muitas
versões de opinião se tem
conhecido a respeito deste
monumento, mesmo até ao fim a
que se destinava.
Do muito que se tem dito e que,
apesar de tudo,sabe-se que este
monumento teria sido um túmulo
coberto por uma laje que
entretanto desapareceu. Assim
sendo, é pois provável, ter sido
aquele lugar um local de culto, a
avaliar, até, pelo facto de se
encontrar no sopé do monte em
cujo cume existiu um Castro.
Outras teorias,estas sem sentido,
dão conta de que o "Caixão da
Moura",como lhe chamaram, se
trataria de um "lagareta", pequeno
lagar para pisar uvas, teoria que
poderia merecer alguma aceitação
Sepultura antropomórfica (Século VI A.C.) mas em muitos séculos
posteriores à sua origem,e ainda
assim teria cracterísticas
diferentes.
Indiferente a que tudo se possa
dizer ou contar, este monumento
é de valor histórico e, por isso,
deve ser protegido. A sua
verdadeira história ficará, para
sempre, numa mistificação de
ecos mudos e surdos como, de
certo, vem acontecendo através
dos séculos tempestades e
noites.

A "Moura"
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Era verão, noite enluarada Na borda do seu caixão


Raios de luz, estrelas no céu Eu vi a Moura sentada
Trajava verde cor da mata Com seu pente na mão
De cinza-rocha era seu véu. Belos cabelos penteava.

Ao lado de seu ataúde No seu banco de pedras


Eu vi a Moura a sorrir Eu vi a Moura sentada
A alma que anseia vive Punha sandálias de tiras
Som da guitarra a ouvir. Pra passear na calçada.

Vista Alegre na ladeira No pinhal bem ao meio


Eu vi a Moura a descer Eu vi a Moura a esperar
Bilha de barro à cabeça Cavaleiro Mouro já veio
Na sua fonte a encher. Pra Vila Moura a levar.

Se lá passares, olha se a vês !

Autor : Antero Almeida Figueiredo


Agosto/2004- SP, Brasil

"Garganta" de Loriga

"Garganta de Loriga"

***
- 15 -

Quem não conhece a Serra da Estrela, mal pode imaginar o que ela tem de grandioso e impressionante.
Considerada como a mais bela de Portugal, não só pela vastidão do panorama que se pode desfrutar mas,
acima de tudo, pela prodigalidade da natureza ali tão exuberantemente evidenciada tendo, na "Garganta de
Loriga",o melhor da sua imponência e sedução.
De qualquer lado que ela seja vista na sua grandiosidade, é cingida por gigantescas e alcantiladas massas
graníticas dum cinzento-escuro, que lhes dão a forma de desmesurado V, onde deslumbra o granito talhado
pelo Glaciar que há milénios era Rei e Senhor das terras altas, cravando a sua marca numa paisagem de
vislumbrar, que hoje podemos identificar com extrema facilidade, nos granitos polidos, nas moreiras e blocos
erráticos.Ali,o Glaciar teve enormes dificuldades em rasgar o granito duro e compacto,ao contrário do que
aconteceu do lado oposto da serra,no Vale do Zêzere,surgindo os dois espectaculares vales glaciares da
Estrela,com características diferentes.
O espectáculo que a natureza nos oferece da "Garganta de Loriga" é dos mais surpreendentes e, perante o
qual, nos sentimos diminuídos e subjugados, como águia já impossibilitada de dominar o espaço nas alturas.
No inverno em dias tempestuosos, impressiona pelo roncar constante dos vagalhões das suas cascatas, mas,
quando o sol doirado desponta sobre aquelas enormes penhas, os seus sorrisos abertos recebem lá os bons
dias do lindo sol para depois despejar pelos vales e Vila dando, assim, sinal da nova vida que está chegando: -
uma nova Primavera a sorrir num reino de esplendor que é o Vale de Loriga.
- 16 -

Os Moinhos de Loriga

A construção dos moinhos de


água junto às ribeiras ou rios,
era precisamente por ser a
água a força motriz para a sua
laboração. Uma engenharia
vindo dos tempos mais
remotos, consistia no
encaminhamento das águas
por levadas ou calhas, para
movimentar rodas construídas
para o efeito, no sentido de
fazer rodar a mó, e assim ser
efectuada a moagem do milho
e centeio.
É de salientar a importância
que os moinhos tinham na
economia local,
designadamente na moagem
do milho, com cuja farinha se
confeccionava a tradicional e
gostosa broa de milho.
Ao longo das duas ribeiras de
Loriga, foram em grande
número os moinhos
hidráulicos que existiram,
sendo os mais vulgares os de
roda motriz horizontal -
moinhos de rodízio. À
excepção de um ou outro, em
que a sua movimentação se
procedia por uma grande roda
no exterior, em todos os
outros, a água era
encaminhada para a parte
inferior do moinho onde, em
queda rápida, a mesma fazia
rodar uma roda de penas ou
penado e, esta por sua vez,
através de um eixo, lobeto ou
ligação, veio e argolas, fazia
movimentar a mó da moagem
situada na divisão superior.
Reportando à actualidade,
quase todos os moinhos estão
em ruínas ou em adiantado
estado de degradação, à
Interior do Moinho do Teixeiro (2002) -ainda em actividade-
excepção de um,
curiosamente afastado da
ribeira, situado a meio do
caminho que leva até à Ponte
Romana, que tem ainda
alguma actividade. A evolução
das sociedades e o
desenvolvimento tecnológico,
sobretudo o aparecimento das
moagens industriais,
relegaram estes moinhos para
- 17 -

Muitos dos Moinhos de Loriga conheci Os Moinhos de Loriga que existiram


Com as Mós em constantes movimentos São apenas hoje relíquias presentes
Com os tempos foram ficando extintos *** Pedras enegrecidas, gastas e nuas
Tudo por causa dos modernos eventos Que para muitos são monumentos

Os Fontanários na Vila

Percorrendo algumas das artérias principais desta localidade, decerto não deixará de reparar nas fontes onde
a água cristalina cai dia e noite, como uma sinfonia sem fim. Numa placa de mármore nelas fixadas se poderá
ler:- Colónia Loricense de Manaus 1905-1907. O visitante pára, por momentos olha e ao ler tais legendas,
pensará, que apesar de estarem muito longe, os filhos de Loriga não se esqueceram da sua terra.
A Colónia dos Loricenses em Manaus, mesmo longe pela distância, não esquecia também as necessidades
dos seus conterrâneos e, assim pensaram levar a bom termo a iniciativa da construção de Fontanários na sua
terra.
Em 6 de Agosto de 1905 dia da Festa da Nossa Senhora da Guia, alguns Loricenses reuniram-se na casa do
Sr. José da Cruz de Moura Pina, tendo decidido constituir uma comissão com vista à angariação de fundos no
sentido de abastecer a população de Loriga de água verdadeiramente potável e em condições perfeitamente
higiénicas. Essa comissão ficou assim constituída:- José da Cruz de Moura Pina, Presidente;- Manuel de
Jesus de Pina, Tesoureiro;- José Alves Nunes de Pina, Secretário.
As Fontanários de Loriga, são pois obras vivas do passado, doadas por esses Loriguenses que apesar de
estarem longe, amavam a terra que tinha sido seu berço, não esqueciam as carências nela existentes e
também as necessidades das suas famílias.
Aqui se regista a Lista conhecida, de todos aqueles que contribuíram para este grande melhoramento de
Loriga :
"José da Cruz de Moura Pina, Joaquim Gomes de Pina; Joaquim de Pina Pires; Joaquim Ambrósio de Pina;
António Ambrósio de Pina; José Ambrósio de Pina; António de Brito; Manuel de Jesus de Pina; Augusto
Mendes Gouveia; Joaquim Lopes Cecília; José Alves Nunes de Pina; António Alves Nunes de Pina; Emidio
Alves Nunes de Pina; Jeremias Alves Nunes de Pina; Joaquim de Pina Monteiro; António Pina Monteiro; José
Pina Monteiro; António Gomes Leitão; Abílio Santos Ferrito; José Gomes Luiz Lages; António Gomes Luiz
Lages; Afonso Duarte Jorge; Manuel de Moura Pina; João de Moura Pina; António de Moura Pina; Abílio Diogo
de Gouveia Albino Pinto Martins; António da Silva Páes; António Alves da Costa; Abílio Cardoso de Pina;
José Ambrósio de Pina; Abílio Fernandes Nogueira; João Luis de Moura; António Doas dos Santos; António
Luis de Moura Pina; Carlos Augusto da Costa; Olarias-proprietários Francisco Santos e José Duarte Pina;
Henrique de Moura (Joaquim); Olaria-proprietários José G. de Pina e José de Brito Pina; José Nunes Caçapo;
António Gonçalves de Pina; António de Brito Miguel; Manuel de Brito Inácio; José de Pina Pires Júnior;
António de Pina Monteiro; João Gonçalves de Brito (Alvoco); José Diogo Ferreira; António de Brito; António
Gomes Luiz; Joaquim Lopes de Brito; Alfredo da Costa; Abílio Duarte dos Santos; Manuel Pinto Abranches;
Germano Diniz (da Carvalha); Emília Mendes de Pina; João Fernandes de Moura; António Duarte dos Santos;
João Henrique Freire (da Barriosa); Joaquim Gomes de Brito (Alvoco); Henrique Pinheiro; João Luiz dos
Santos; Francisco de Brito Pinheiro; Plácido Nunes Amaro" .

Nota:-Fazem parte desta Lista mais alguns nomes, só que se encontram ilegíveis.

São três os Fontanários edificados na Vila :- Fonte do Adro; Fonte das Almas; Fonte do Porto .

*
- 18 -

Nas ruas de Loriga vejo as


Fontes
Com puras águas sempre a
correr
Foram os brasileiros lá muito
longe
Que um dia as mandaram erguer

Puras são as águas que chegam


Para a garganta ali se refrescar
Águas que a todos mata a sede
E que são para sempre de
recordar

Fontes de águas cristalinas


Caindo, caindo sem parar
A que sobra segue para a ribeira
Que as leva depois para o mar

Boas águas dos montes altos


Na Fonte sempre a correr
Dois tanques ali foram feitos
Para alguma água se não perder
Fonte das Almas
*

Noite e dia a água caindo


Como uma sinfonia sem fim
Muitas vezes ali eu me chegava
Parecendo musica que tocava
para mim

"As Râmbolas"

Nos anos doirados de grande laboração das fábricas de lanifícios em Loriga, tal como em outras localidades
industriais, as râmbolas constituíam um cenário curioso, hoje já muito pouco usual, tendo em conta o
progresso e tecnologia actual.
As Rambias ou, mais correcta e vulgarmente chamadas Râmbolas, eram compridas armações de madeira ou
ferro, munidas de escapulos, eram normalmente construídas nas zonas industriais junto das fábricas, onde se
punham compridas peças de pano a secar, servindo ainda como verdadeiros esticadores.
- 19 -

Nos anos doirados de grande


laboração das fábricas de lanifícios
em Loriga, tal como em outras
localidades industriais, as râmbolas
constituíam um cenário curioso,
hoje já muito pouco usual, tendo
em conta o progresso e tecnologia
actual.
As Rambias ou, mais correcta e
vulgarmente chamadas Râmbolas,
eram compridas armações de
madeira ou ferro, munidas de
escapulos, eram normalmente
construídas nas zonas industriais
junto das fábricas, onde se punham
compridas peças de pano a secar,
servindo ainda como verdadeiros
esticadores.
Durante muito tempo, foi o método
utilizado pelas fábricas de Loriga,
para a secagem das peças de A útima Râmbola
panos, cuja colocação requeria um
certo conhecimento e perícia por
parte dos operários que a
executavam com mestria. E assim
as Râmbolas ficavam vestidas as
quais vistas dos Mirantes de Loriga,
forneciam um cenário bem
elucidativo da grande terra industrial
que Loriga era.

As Râmbolas nesta localidade, deixaram aos poucos com naturalidade de ter a primitiva utilidade e foram
desaparecendo desses mesmos locais onde tinham sido construídas. No entanto, continuam na memória de
muitos que, em crianças, ali saltavam, corriam e balouçavam, nunca pensando que um dia teriam um fim.

As Palheiras de Loriga
- 20 -

Um pouco por todo o


lado da região
circundante de Loriga,
são muitas as
palheiras que se
podem ver e que
fazem parte da
história desta
localidade e das suas
gentes.
Construídas em
granito e xisto, onde
os telhados eram
suportados por traves
de castanho, as
palheiras são parte de
uma paisagem que
rodeia a vila de Loriga,
onde em todas elas
parece haver uma
história para contar.
Edificados para
guardar os animais,
os cereais ou mesmo
frutos, foram também
casas de habitação,
onde nasceram,
viveram e morreram
muitos Loricenses.
Em consequência do
sistemático abandono
das terras de cultivo,
os incêndios e ainda a
falta de obras de
remodelação, as
palheiras foram-se
degradando, hoje
muitas delas, são
apenas ruinas e
paredes, parecendo Conjunto de palheiras (Encosta da Cabeça)
monumentos tristes,
onde existiu um
passado de vida, **
alegria e prosperidade.
Construídas nos mais
remotos lugares, são
centenas as palheiras
existentes, onde os
seus proprietários e
construtores,
empregavam toda uma
engenharia manual na
sua edificação e,
como eram tempos
diferentes, a
construção de muitas
não eram licenciadas,
por isso, hoje em dia,
são muitas as que
não estão
- 21 -

"Alminhas"
Vozes do passado sibilando
vindo em ventos outonais
lembranças que vêm do além
em dissonâncias infernais.
Séculos, tempestades e noites
ecos de saudades profundos
num pensamento térreo
em outras eras, outros mundos.
À beira dos caminhos vêm
sombras que não voltaram
passos trémulos se extinguiram
lá para longe e não regressaram
Em linguagem de granito
eco surdo de mistificação sentida
mão em chamas se eleva
num espirito e ânsia incontida

*
Em frente dumas "Alminhas"
Não há decerto ninguém
Que não recorde saudoso
As Almas que Deus lá tem.
Rua de São Sebastião,antiga estrada romana (Junto ao Cemitério)

"Cruzeiro da Carreira - 1820"


-22-

Cruzeiro!.. Onde no topo se eleva a cruz


granítica como que sentinela de fé com
pedras morenas, nuas, açoitadas pelos
ventos e enegrecidas pelas chuvas e por
sois.
Que divisa o sol logo ao romper da aurora
e o vê desaparecer quando a noite se
aproxima.
Cruzeiro!.. Quantas gerações passaram
e se sentaram já naquele pedestal e que
ao mesmo tempo é testemunho de
tempos que já lá vão, relíquia simbólica e
eloquente de antepassados, aureolado
pelo simbolismo e fantasias lendárias
que representa uma realidade e uma
esperança.
A realidade, porque mostra a fé e o
patriotismo daqueles que neste torrão
hermínio viram a luz do dia e cujos
nomes e anos já esqueceram.
A esperança porque é para os
Loricenses de hoje um estímulo a
lembrar o sagrado dever que tem de
transmitir aos vindoiros a fé que os
antepassados legaram.

Nota:- Este Cruzeiro está edificado num


Av.Augusto Luis Mendes "Carreira"
local de Loriga popularmente chamado
"Carreira", sendo como que um símbolo
desta localidade, numa ideia concebida
pelos antepassados Loricenses, ainda ali
bem viva.

"Cruzeiro da Independência - 1940"


- 23 -

O primitivo Cruzeiro foi edificado em Loriga


no Largo de Sto.António, mais popularmente
chamado Largo da "Carvalha". A sua
inauguração, com a respectiva benção,
ocorreu no dia 8 de Dezembro de 1940, com
grande brilho, quer nas funções litúrgicas,
quer no entusiasmo da freguesia e daqueles
que tinham lutado para a sua construção.
O levantamento do Cruzeiro em Loriga, foi
um dos muitos construídos por todo o país,
como monumento evocativo do "Oitavo
Centenário da Fundação e Terceiro
Centenário da Restauração da Pátria" .
Surgiu de uma ideia do Rev. Padre Moreira
das Neves para perpetuar, para as gerações
vindoiras portuguesas, tão importantes
acontecimentos.
Assim em Loriga foi, desde logo, acarinhada
entusiasticamente essa ideia, não só pela
população, como pelos organismos
competentes locais, tantos religiosos como
sociais, sendo logo constituída uma
comissão para proceder à angariação de
fundos.
Todo ele em mármore e de rara beleza, era
como uma sentinela naquele Largo, onde as
Cruzeiro na Rua Fonte do obras das grandes árvores o resguardavam
Mouro do Sol. Ali se manteve, durante cerca de
pouco mais de três dezenas de anos, sendo
retirado com todo o cuidado daquele local, no
principio da década de 1970 na ideia de,
posteriormente, ser novamente erigido.
No entanto, tal só viria acontecer nos finais
de 1998, ao ser reconstruído, não no primitivo
lugar, mas sim num outro local de Loriga,
desta feita no Largo do Fonte do Mouro.
-Inauguração efectuada a 08.12.98.

A "Carreira"
- 24 -

Este local de Loriga, tradicionalmente assim chamado, faz parte da Avenida Augusto Luís Mendes, hoje em
dia considerado um lugar central, havendo mesmo quem diga, ser a sala de visitas desta Vila.
O nome de "Carreira" como popularmente se conhece, vem já de há muitas dezenas de anos atrás, mais
precisamente, quando começou a haver em Loriga camionetas de transportes públicos, pois era este o local
onde chegavam e donde partiam essas carreiras, tal como acontece nos tempos de hoje.
Este local da Vila de Loriga, que em tempos longínquos começou por ser a entrada para esta povoação,
poderia ser visto de todos os mirantes, dali se avistando, também, paisagens inconfundíveis é, nos tempos
actuais, uma avenida bem central e ainda local de encontro dos que chegam e dos que partem.
Lugar de rara beleza, que uma certa geração loricense ainda recorda, num cenário de muitas árvores com um
certo porte, bem alinhadas de um lado e outro da avenida, que se estendia até ao "cabo da carreira". Nessa
extensão, num dos lados, corria silenciosamente a água de uma levada feita de pedra de granito envelhecidas
pelos tempos, onde muitos se sentavam principalmente no verão à sombra daquelas árvores, dando um
panorama inconfundível que não podia ser esquecido pelo desenhador, pintor ou fotografo de ocasião.
Nos primeiros anos da década de 70, foi este local tema de verdadeira transformação, numa perspectiva de
futuro, com a construção de muitas novas casas e num grande desenvolvimento comercial, daí o dizer-se que
é a avenida central de Loriga.
Este local de Loriga, ficou marcado na memória de uma certa geração de Loricenses, ao qual se habituou a
chamar "Carreira" que, apesar das muitas transformações porque já passou, irá, de certo, marcar as gerações
vindoiras.

"Carreira" 1976 "Carreira" 1996

"O Pelourinho de Loriga"


- 25 -

Os Pelourinhos em Portugal, edificados um


pouco por todo lado, e que ainda hoje
muitos deles primitivos existem, parece
terem ficado marcados na história
portuguesa pela negativa.
O Pelourinho de Loriga,do século XIII até ao
século XIX, encontrava-se erguido no Largo
do Município desta
Vila perdendo-se no tempo o motivo e a
história da sua demolição.
Dele ficaram apenas uns poucos escritos e
relatos verbais, transmitidos através de
gerações em que deram sempre conta da
existência ali desse monumento.
Segundo relatos, em 1881 ainda existia "O
Pelourinho de Loriga, erguia-se em
frente à casa da Câmara e Cadeia, era
constituído por uma argola movediça de
ferro forjado, tendo por base três
degraus e era encimado por pedra
quadrangular o ostentando as armas da
vila."
O primitivo Pelourinho de Loriga, ao ser
destruído, fez desaparecer também com ele
parte da história de Loriga de séculos
passados, tendo-se até perdido uma
concreta definição estética do mesmo. Por
esse motivo, quando surgiu a ideia de
reedificar o Pelourinho, foi necessário fazer
um estudo aprofundado, no sentido de que
a reconstituição fosse o mais fiel ao
original. Esse trabalho pareceu valer a
pena, pois hoje podemos ver, no mesmo
local, um outro Pelourinho construído ali há
poucos anos.
São mesmo poucas, as versões existentes
relacionadas ao Pelourinho de Loriga, mas
a que parece mais credível é a versão do
Capitão Dr. António Dias, na década de
1950, que se baseou nas informações orais
de um velho operário, que se lembrava
muito bem do Pelourinho inclusive viu cair a
picota.
A reconstituição do Pelourinho de Loriga,
foi feita a partir desta versão escrita pelo
Capitão Dr. António Dias e o desenho foi
feito pelo senhor Júlio Vaz Saraiva,
ex-desenhador da antiga empresa Hidro
Eléctrica, verdadeiro expert na área dos
poleirinhos.
Largo do Pelourinho
A reedificação do Pelourinho de Loriga foi
finalmente concretizada, sendo inaugurado
no dia 1 de Agosto de 1998. Apesar de não
ser o primitivo é com satisfação que os
Loricenses vêm ali erguido aquele
monumento histórico que fez parte da
história antiga desta vila e da sua
população.
- 26 -

" Estátua do Dr. Amorim da Fonseca"

Num dos largos da rua principal desta


localidade, pode admirar um
monumento ali erguido, numa
justíssima homenagem de gratidão do
povo de Loriga ao médico Dr. Joaquim
Augusto Amorim da Fonseca que,
apesar de não ser desta terra, durante
mais de três décadas ali desempenhou
as suas funções de médico, e onde
veio a falecer em 13 de Maio de 1927,
vítima do dever profissional quando, em
Loriga, se lutava contra uma grave
epidemia.
Natural de Varziela concelho de
Felgueiras (Minho), foi designado para
médico de Loriga em 1893.
A morte do Dr. Amorim da Fonseca,
"médico do Povo" como era conhecido,
foi para Loriga uma perda irreparável e,
durante anos, a população chorou o
seu desaparecimento. Após a sua
morte, e depois das respectivas
exéquias, o corpo foi trasladado para a
sua terra natal.
Mais tarde, a Junta de Freguesia
mandou erguer o seu busto naquele
largo, ao qual viriam a dar também o
seu nome, perpetuando assim também
a memória das vítimas dessa
Largo do Dr. Amorim da Fonseca epidemia.
Em 1977, naquele Largo do Dr.
Amorim da Fonseca, decorreu uma
homenagem de evocação dos 50 anos
da sua morte e, ainda, da memória de
todas as vítimas dessa epidemia.
- 27 -

As "Cruzes das
Alminhas" nos caminhos
Monumentos simbólicos que
sinalizam um lugar onde tenha
ocorrido morte inesperada e
violenta de alguém. Fazem parte
de um culto popular, que teve um
maior incremento a partir do
século XVII, com particular
incidência mais a norte do rio
Mondego.
Em Loriga, no lugar chamado "As
Calçadas"(calçada romana),
encontra-se um
desses monumentos, testemunho
do assassinato de
de uma mulher, em tempos há
muito distantes, quando por
aquele
local passava o acesso de e para
outras povoações.
Cruz na antiga estrada romana

Cemitério de Loriga

Cemitério de Loriga (2002)


- 28 -

***

Fica situado sensivelmente a cerca de 600 metros do centro da vila e muito perto do recinto de N.S. da Guia.
A construção deste Cemitério, deveu-se na necessidade de proceder à substituição do cemitério então
existente, e que se situava onde é hoje o Largo do Santo António.
Em 1894, foi deliberado pela Câmara Municipal, a construção de um novo cemitério, vindo ao encontro dos
pedidos que há muito vinham sendo feitos, pelas autoridades administrativas de Loriga.
A trasladação dos restos mortais deste largo para o actual cemitério, só ficou concluída mais ou menos no
ano de 1927, havendo até relatos que dão conta de que, quando se iniciou a construção das casas naquele
largo, ali serem encontradas ossadas.
Com a aquisição dos lotes de terra, que a população vai adquirindo para sepultar os seus familiares, o
cemitério actual tem vindo a ficar sem espaços disponíveis. Assim, há alguns anos a esta parte, a autarquia
local desenvolveu esforços no sentido de encontrar uma solução,embora sem ser a melhor, tendo já concluído
num terreno ao lado o respectivo alargamento.

O Mirante de Loriga *

O "Mirante" é uma varanda


Parecendo não haver outro igual
Dali se avista a Vila de Loriga
Das mais lindas de Portugal

Alguém disse um dia


Ao paisagem dali admirar
Parecia sentir-se passarinho
Que bem alto ia a voar

Ali se vai inspirar, o poeta


O fotógrafo e também o escritor
Mas muitos mais ali vão
Ao sentirem-se sonhadores

Ao fundo eu vejo a ribeira


No poço "Forte" está meu olhar
Vezes sem conta ali ia eu
Para nas suas águas me banhar

Ao mirante vou olhar Loriga


Mirante de Loriga,na Estrada Nacional 231 (Penha da Águia)
Para a levar de recordação
Apesar de estar longe dela
A quero ter sempre no coração
- 29 -

Socalcos "Courelas,Levadas e
Regos"
Os socalcos,conhecidos localmente por
courelas,são,juntamente com uma
complexa rede de irrigação,uma obra
gigantesca construída pelos Loricenses
ao longo de muitas centenas de
anos,transformando um vale belo mas
rochoso,num vale fértil.
Os Loricenses modelaram a paisagem
com os socalcos,e hoje eles são um
exlíbris da paisagem de Loriga.
Um pouco por todo o lado, nos
arredores da Vila
de Loriga, damos conta da existência de
Socalcos e de Levadas que
os antepassados um dia construíram
para encaminharem
as águas, necessárias para
movimentação das fábricas,
dos moinhos e, principalmente para as
colheitas.
As Levadas são, pois, estreitos canais
que transportam
a água, em muitos casos transformados
Lavadouro das Penedas
em aquedutos
quando o terreno assim o exige,
irrigando o solo palmo
a palmo e destinadas, como se disse, a
levar a água a todos
os locais onde fosse necessária.
As Levadas de Loriga, todas elas
construídas a partir
das ribeiras chegam, muitas delas, até à
povoação, onde as
suas águas se encaminham para depois
deslizarem nos regos
que ainda hoje podemos ver nas ruas.
Estes regos e levadas demonstram bem
Rego na Rua Coronel Reis
ao visitante,
ser Loriga uma região de muita e
preciosa água.
Uma curiosidade típica de algumas
Levadas de Loriga
era os lugares próprios, que nelas
existiam, que as
mulheres utilizavam para ali lavarem a
roupa.

Ribeira de Loriga
- 30 -

*** ***

Visite Loriga e goste dela como nós


-1-

Alguns dados e notas da história de Loriga


Glaciação da Serra da Estrela e formação geológica do Vale de Loriga

A Serra da Estrela sendo a mais elevada de Portugal Continental com 1991 metros de altitude,
impõe-se por ser erguer bruscamente entre áreas aplanadas e pouco elevadas, a planície da
Beira Baixa a SE,conhecida por Cova da Beira e o planalto da Beira Alta a NW.
Do ponto de vista geológico é um afloramento granítico com cerca de 280 milhões de anos
(Paleozóico) entrecortado aqui e além por filões de quartezíticos, por depósitos glaciários e
fluvioglaciários e interrompido a NE por complexos xistograuvaquicos e anteordovícicos que
também o rodeia a Sul e a SW.
Presume-se datarem de cerca de 65 milhões de anos (Paleozóico) as principais linhas de fractura
que condicionaram grandemente o relevo e a estrutura actual da Serra da Estrela, bem como o
encaixe da rede hidrográfica da região, tendo-se verificado o levantamento tectónico somente no
final do Terciário (finais do Miocénico início do Pliocénico) por efeitos da orogenía Alpina que
submeteu o maciço a movimentos epirogénicos.
No tempo geológico, a Era Quaternária tem particular interesse, porquanto é nesse período que
decorre a evolução rápida do homem, se estabilizam os climas regionais, se define a forma
exterior da crosta terrestre nas zonas com cobertura glaciária.
Durante a última glaciação, uma acentuada baixa de temperatura invade a Europa e à
acumulação de sucessivas camadas de neve e de gelo nas elevações, seguiu-se o desprender e
deslizar vagaroso, para mais baixos níveis das enormes massas de gelo. As línguas de gelo
migrantes, com maior velocidade na parte central e arrastar vagaroso nas margens, fragmentam-
se e desenvolvem poderosas forças que arrancam, estriam, gastam e dão polimento às
superfícies em que deslizam.
Na Serra da Estrela a diversidade de línguas glaciárias existentes deveu-se sobretudo à
topografia pré-glaciárica e às condições climatéricas durante a glaciação. A posição do Sol no
verão relativamente à orientação dos vales bem como os ventos dominantes no inverno teriam
sido dois factores importantes dessa glaciação.
Nesta superfície onde houve gelos móveis, as rochas brilham ao sol devido ao seu polimento
provocado pela abrasão dos materiais por eles transportados. Este trabalho erosivo gerou no
terreno enormes degraus denominados escadarias de gigante, e rochas arredondadas lembrando
o dorso de ovelhas e por isso designadas de aborregadas. Um dos principais factores que
contribuíram para estas formas foi a direcção do movimento do gelo que no primeiro caso seria
perpendicular às fendas do granito e no segundo teria a mesma direcção.
Os glaciares que mais se afastaram atingiram o seu fim, ao encontrar menores declives e
temperaturas que os fundem. Morreram, deixando amontoados de calhaus mal rolados e detritos
que transportaram, que salpicaram a paisagem com o aparecimento de alongados e amontoados
blocos com tamanhos diversos, as moreiras, que constituíram a carga transportada pelos
glaciares, posteriormente depositada por perda de capacidade de transporte, assim como, alguns
blocos de grande dimensão designados por blocos erráticos, que foram deixados em locais
distantes da sua origem.
Como resultado de tais movimentos foi adquirida uma estrutura em degraus orientados,
evidenciando nos patamares os restos da aplanação primitiva, que foi modelada por diferentes
tipos de erosão, destacando-se na designada "Serra do Cântaros" a acção dos glaciares
Wurmianos (cerca de 27 mil anos).

A espectacular Garganta de Loriga,na parte elevada do vale com o mesmo nome,numa àrea
que ofereceu grande resistência à acção erosiva do glaciar.

O planalto do cimo da Estrela teria sido coberto por uma calote de gelo (cerca de 80 metros de
espessura, para alguns investigadores) da qual divergiram os antigos glaciares em número de
sete, muitos dos traços desses antigos glaciares encontram-se por toda a área da Serra e vão
desde circos gigantescos glaciares a vales com perfis em U.Os dois principais glaciares abriram
os mais espectaculares vales desse tipo,e são o Vale do Zêzere,no qual se encontra a vila de
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Manteigas,e o Vale de Loriga,no qual se encontra a vila com o mesmo nome.Embora ambos os
vales tenham tido a mesma origem,do lado de Loriga o granito é mais sólido e compacto,pelo
que a erosão do glaciar foi diferente.Enquanto que do lado de Manteigas,o glaciar abriu um vale
caracterísico em U aberto,do lado de Loriga o vale é mais próximo de um V,com espectaculares
encostas escarpadas,e terminando num amplo vale escavado onde a resistência à erosão era menor
e onde foram depositadas enormes quantidades de rochas e de terra.Esse depósito deu origem à
colina onde surgiu Loriga há mais de dois mil e seiscentos anos,e onde está o centro histórico da vila.
Entre a Garganta de Loriga e o Covão do Meio,onde foi construída a Barragem de Loriga,a visão
deste vale,rasgado a custo no duro e compacto granito pelo glaciar,é impressionante,fazendo lembrar,
embora a uma escala muito menor,o Grande Cannyon nos EUA.Por cima da Barragem de Loriga,
na parte superior do Vale de Loriga,e dentro da àrea da freguesia,está a única estância e pistas de
esqui existentes em Portugal,um dos factos que contribuíram para que Loriga tenha o título de
Capital da Neve.

Estância e Pistas de Esqui de Loriga

O valor paisagístico da Serra da Estrela impõe-se pela variedade do mosaico que a constitui, os
seus vales profundos divergindo dos cimos, dão à paisagem, pelo vigor do encaixe, uma
grandeza de montanha pincelada pela diversidade vegetal, ribeiras, lagoas, e no sopé, as
povoações em xisto ou em granito. Contudo, ganha especial importância numa área restrita, por
nela existir uma morfologia única no nosso país, devido à glaciação, a par de uma vegetação de
zimbro anão e cervum inigualável em qualquer outra paisagem portuguesa. É de salientar ainda a
quantidade de caos de blocos nas zonas periglaciares, comuns a todas as montanhas graníticas,
que contrasta com a sua inexistência nas zonas outrora cobertas de gelo.
Outrora,a Serra da Estrela estava coberta por vegetação luxuriante de uma floresta que se estendia
desde o sopé da serra até ao planalto superior.Porém,vestígios encontrados em alguns locais indicam
que,há poucos milhares de anos,ocorreu um gigantesco incêndio florestal que varreu toda a serra e
destruíu essa vegetação,que entretanto nunca mais recuperou nas àreas de maior altitude,devido
principalmente à consequente erosão rápida do solo.
Como se disse, vários são os vales de perfil transversal em U, modelados pelas massas de gelo
em movimento, cujos perfis longitudinais podem possuir socalcos deprimidos por vezes com
lagos correspondendo a troços de maior resistência à acção abrasiva do glaciar.
Um desses vales imponentes é o de Loriga, que começando na mais elevada altitude da Estrela,a
1991 metros, desce abruptamente até à Vide a 290 metros, acolhendo no seu percurso a vila e as
pequenas povoações como Cabeça, Casal do Rei, Muro.
Tendo como povoação central a Vila de Loriga a 7 Km da origem junto ao planalto da Torre, este
vale está cavado em nítidos e numerosos degraus bem acentuados que constituem planos de
aluvião arrelvados, e representam antigas lagoas assoreadas dispostas em série como pérolas
de colar, e ainda também todo um vale repleto de história, onde é bem visível os vestígios
glaciares, espécies vegetais raras duma floresta que cobria as encostas antes e após a
glaciação,e que,como já foi referido,foi violentamente destruída.
A permanência de muito desses vestígios glaciares, as marcas de pastores transumantes, um
mundo belo de socalcos que,juntamente com a complexa rede de irrigação,é uma obra gigantesca
construída pelos Loricences ao longo de muitas centenas de anos e que transformaram um vale belo
mas rochoso,num vale fértil.
Existe também o passado e o presente da duas vêzes centenária industria têxtil Loricense, sabendo-se
também que a Vila de Loriga é das povoações mais antigas da Serra da Estrela.

Vila de Loriga
Registos antigos da história de Loriga,uma localidade antiquíssima
Os Montes Hermínios, hoje Serra da Estrela, era uma região propícia para os grandes rebanhos
de gado e ao mesmo tempo uma fortaleza e trincheira bem conhecida dos pastores que se
fortaleciam na defesa destes seus territórios nas lutas contra os conquistadores, principalmente
contra o império Romano.Citando o grande poeta luso Camões,referindo-se ao Loricense Viriato,
estes pastores eram "destros mais na lança que no cajado",e a sua vida era dividida entre o
pastoreio do gado,agricultura e caça, e a luta.
Os Hermínius eram o centro da Lusitânia pré romana,a sua maior fortaleza,e onde os Romanos
tiveram mais dificuldades para ultrapassar a resistência lusitana pois ali vivia a tribo mais aguerrida.
Não foi por acaso que as pessoas foram atraídas por esta região, atraídas decerto pela beleza, a muita
quantidade de água existente e a luxuriante vegetação própria para pastorear os gados e para a caça.
Por isso não será difícil de compreender que este vale nesses longínquos tempos, quando a arborização
das encostas sustinham as terras imobilizadas, as águas pluviais não tinham ainda levado para
os campos de Coimbra e dali para o oceano, as milhares toneladas de terras em conjunto com o
calcário que anualmente para ali se deslocavam.Existem provas de que a presença humana no
-3-

Vale de Loriga existe há mais de cinco mil anos.


Não restam dúvidas de que Loriga é de facto uma localidade muito antiga. Sabe-se até,
que,segundo alguns historiadores,diversos antigos documentos,e pela tradição local,ter sido
mesmo o berço de Viriato, um desses pastores que se viria a tornar um herói do povo Lusitano nos
anos de 140 antes de Cristo.
É também, nos relatos dos muitos historiadores de que temos conhecimento, de quanto
custou aos romanos a incorporação desta região lusitana no seu império, sendo visíveis em Loriga vestígios
dessa passagem que para eles era a "Lorica" nome que deram à "Lobriga" dos Celtas e dos Lusitanos.
Lobriga foi então um forte bastião da resistência lusitana,numa serra habitada por uma das tribos
mais aguerridas da Lusitânia.Esses factos,e a posição estratégica da então Lobriga,explicam o facto
de os Romanos lhe terem posto de Lorica,nome de couraça guerreira.Aliás,os soldados e legionários
romanos usavavam diferentes tipos de Lorica.É fácil, pois, de compreender ser esta localidade muito antiga,
existir muito antes da chegada dessa civilização romana à Península Ibérica, e ter sido baptizada com
esse nome.Um nome tão histórico e plurimilenar como a povoação à qual foi dado,e por isso a couraça
guerreira é a peça central e principal do brasão histórico da vila.

Leginários Romanos usando Lorica

As rochas de forma arredondada, que os geólogos designam com o nome técnico de glaciais
e que vemos em tão grande quantidade, nos lugares conhecidos por Bouqueira, S.Bartolomeu e
Fonte Sagrada,Chão da Ribeira, indicam-nos os efeitos da acção erosiva do galciar,quando encontrou
este terreno menos sólido que fica a nascente da freguesia.Essas rochas foram arrancadas à massa
granítica mais sólida,arrastados pelo glaciar,trazidos da parte mais alta do vale,e depositados nas àreas
onde o glaciar encontrou começou a encontrar terreno menos resistente à erosão.
Mas,de tudo o que se vai sabendo da história antiga de Loriga, não restam dúvidas, de que os
primeiros habitantes desta região de Loriga foram pastores e agricultures e que rápidamente cresceram em
comunidade e fundaram a povoação há mais de dois mil e seiscentos anos naquela colina entre ribeiras.
Os próprios rebanhos aumentaram prodigiosamente em pouco tempo, os homens
foram ampliando as suas rudimentares habitações segundo as suas necessidades, os cercados e
cortes para abrigo dos animais foram igualmente surgindo, o gado e o leite constituía o principal
alimento da população e a lã era o elemento indispensável para a indumentária.A primitiva povoação
castreja,estava localizada onde hoje existem a Igreja Matriz e a parte superior da Rua de Viriato,
sendo protegida por muros e paliçada de madeira.Da época pré-romana existe,por exemplo,uma
sepultura antropomórfica com cerca de dois mil e seicentos anos,num local que devido a esse facto é
conhecido por Campa.

Sepultura antropomórfica (séculoVI a.C.)

Loriga, foi também uma importante povoação visigótica. Foram mesmo os Visigodos que
começaram a usar a versão actual de Lorica, nome romano da localidade, ou seja, Loriga,e foram
eles que construíram os primeiros templos cristãos.Um desses templos era uma ermida dedicada
a S.Gens,sendo hoje uma capela com orago de Nossa Senhora do Carmo.Com os séculos,os
Loricenses mudaram o nome de S.Gens para S.Ginês,sendo esse o nome dado ao bairro do
centro histórico da vila,que existe actualmente na àrea.
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Antiga ermida visigótica de S.Gens,actual


capela de Nossa Senhora do Carmo.

Loriga e a sua Origem


Sendo esta localidade muito antiga não foi ainda possível datar com precisão, a origem e o
príncipio desta povoação,sabendo-se apenas que existe há mais de 2600 anos,e que as
primeiras habitações foram construídas na colina onde hoje existe o centro histórico da vila,
na àrea onde hoje existem a Igreja Matriz e parte superior da Rua de Viriato.
Nos anos 753 a.c. - 476 d.c. o Império Romano conquistou e dominou
grande parte do mundo ocidental, desde Roma ao Médio Oriente, Europa, norte de África, parte
de Ásia, e total dominador do litoral do Mar Mediterrâneo. A Península Ibérica foi também uma
das conquistas, sendo dividida em três províncias, a mais ocidental, chamada Lusitânia,
incluía os Montes Hermínius (actual Serra da Estrela) onde Loriga se
encontra situada,a maior parte do actual território português,e ainda uma parte do actual território
espanhol,a sul do Douro,até Toledo,e incluía inicialmente a actual Galiza.
Após a conquista,os romanos apressaram-se,no século primeiro antes de Cristo, a ligar por estrada
esta localidade estratégica de Lorica,situada bem próxima do ponto mais alto dos Hermínius.

Ainda hoje se pode admirar a estrada romana


que ligava Lorica ao restante império.

Quando o império Romano se desmoronou no século V, a Península Ibérica começou a ser


ocupada com povos oriundos dos mais diversos lugares mesmo até de zonas longínquas da
Europa central. A região de Loriga não fugiu à regra, por isso mesmo, existem vestígios e até
lendas dessa passagem, mas aqueles que mais vestígios deixaram foram de facto os Romanos.
Os Celtas,e depois os Lusitanos,eram senhores desta região serrana dos Montes Hermínios desde a
época pré-romana.Os Lusitanos tinham como seu líder o Loricense e grande chefe Viriato, filho de
pastor e grande conhecedor destas terras.
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Mapa onde pode ver-se a claro,a Lusitânia pré-romana.

Alguns registos escritos da história de Loriga


Não parece restar qualquer dúvida, que muitos documentos ou mesmo simplesmente registos,
referentes a Loriga, foram desaparecendo de forma estranha e até suspeita e conveniente.
Esses desaparecimentos foram acontecendo através dos tempos, mas mais acentuados em
meados do século XIX, quando da reforma administrativa então ocorrida.. Alguns até, encontrando-se na
Torre do Tombo, nem por isso escaparam.Os forais mais antigos desapareceram de forma
estranha e conveniente,e até o foral novo de D.Manuel I chegou aos nossos dias amputado de
algumas páginas.É que,durante as reformas administrativas então em curso,Loriga foi vítima de uma cabala
montada pelos chamados Liberais e por influentes senenses,tendo,em consequência disso,sido extinto
o Município Loricense,como vingança pelo apoio dado aos ditos Absolutistas,e o respectivo
território "entregue" ao concelho de Seia.Uma grande injustiça,e um grande erro político e administrativo,
como tem vindo a comprovar-se!Esses documentos eram um dos mais importantes argumentos dos
Loricenses contra a extinção do seu município,e não é por acaso que ainda hoje os senenses
tendem a substimar,a denegrir e a adulterar a história de Loriga,e os mais retrógados ainda
se sentem incomodados com coisas, como por exemplo o facto de Loriga ter a categoria de vila.
Mesmo assim, de uma ou de outra forma, lá se vão encontrando alguns registos, que
são muito pouco para uma localidade antiquíssima, como é Loriga,mas que nos dizem que a
sua história,nomeadamente a municipal,é mais antiga do que a referida por algumas fontes
tendenciosas e pouco rigorosas de alguns pseudohistoriadores,copiadores e afins.
A propósito do Município Loricense,sabe-se por várias referências explícitas ou implícitas
encontradas em diversos antigos documentos,que a história municipal de Loriga remonta ao
século XII,muito antes do que alguns autores tendenciosos e pouco rigorosos quiseram
fazer crer!

Viriato - O grande leader dos Lusitanos *


Todos os grandes historiadores, começando pelos romanos antigos, elogiam as grandes
qualidades de Viriato. Nelas se destacam, a inteligência, o humanismo, a capacidade de
liderança, e a sua grande visão de estratega militar e político.A este grande homem, que
liderou os antepassados dos portugueses, os Lusitanos, os romanos só conseguiram
vencer recorrendo à vergonhosa traição cobarde.Este homem, tal como muitos outros que
ficaram nahistória, tinha origens humildes, provando-se na época, talcomo hoje, que as
capacidades individuais não dependemdo estracto social, nem das habilitações académicas.
Viriato, era apenas um pastor, habituado desde criança a percorrer as altas montanhas dos
Hermínios (actual Serra da Estrela), onde nasceu, e que conhecia como a palma
das suas mãos. Conhecia inclusive as povoações lusitanas da serra, como Lobriga à qual os romanos
puseram o nome de Lorica (nome de antiga couraça guerreira) devido à sua posição estratégica na serra e por
ter sido um forte bastião da resistência lusitana. A povoação surgiu originalmente no mesmo local onde está
o centro histórico da vila, uma colina entre duas ribeiras.
Do latim Lorica, derivou Loriga, com o mesmo significado, sendo um caso raro de uma povoação
que mantém o mesmo nome, praticamente inalterado, há dois mil anos, nome que é altamente
significativo da sua história e da sua antiguidade (por isso a couraça é a peça central e principal
do brasão histórico da vila).

* António Conde (grande Loricense e historiador de Loriga)


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Viriato em Lorica - Pintura a óleo.

Viriato nasceu em Loriga - Mito ou Realidade


Nos registos antigos,nomeadamente dos próprios historiadores romanos, o nome referenciado
era Viriatus, e ficou conhecido na história como uma figura de grande relevo,um heroi histórico para
os Lusitanos,e para os seus descendentes portugueses.
Nos Montes Hermínios (hoje Serra da Estrela) foi pastor, guerreiro, chefe e líder incontestado e
admirado dos Lusitanos.
Foi assassinado pelos seus próprios companheiros, chamados Andas, Pitalco e Minuro, depois
de os Romanos os terem subornado, com promessa de uma recompensa, que nunca chegaram a
receber.Uma saída desonrosa para a superpotência da época,que se autoproclamava arauto da
civilização,e um acontecimento que ainda hoje desprestigia Roma.
Outras localidades da região da Serra da Estrela (antigos Montes Hermínios) reclamam para si
o local do nascimento dessa figura histórica que de facto nasceu nessas montanhas,mas nenhuma
consegue ombrear com Loriga.
A história, vai-nos também dando conta de dados referentes a uma ligação entre Viriato
e "Lobriga", ou "Lorica" pois era assim que os Romanos chamavam à actual Loriga. Por isso,há muitos
séculos que existe nos Loricenses uma forte convicção de que na realidade foi Loriga o berço de Viriato.
Como recorte de história aqui se faz a transcrição de um registo existente no Livro
Manuscrito História da Lusitânia, pelo Bispo Mor do Reino em 1580.
...Sucedeu o Pastor Viriato natural de Lobriga hoje Villa de Loriga no cimo
da Serra da Estrella Bispado de Coimbra; ao qual tendo quarenta annos de idade
acclamarão Rey dos Luzitanos e cazou em Évora com huma nobre Senhora no
anno 147. Prendeo em batalha ao Pretor Romano Caio Vetílio e lhe degolou
4.000 soldados; a Caio Lucitor dahi a huns dias matou 6.000 mil. Ao capitão
Caio Plaucio matou Viriato mais de 4.000 junto a Toledo. Reforçou-se o dito
Capitão e dando batalha junto de Évora prendeo 4.000 soldados.
No anno 146 o Pretor Claudio Unimano lhe deu batalha e de todo foi destruido
por Viriato que repartio os despojos pelos soldados pondo nos montes mais altos
da Lusitania os eztendartes Romanos.

Uma das referências antigas sobre Loriga


Um dos registos antigos da história de Loriga, é aquele que vamos encontrar nas Inquirições de
1258, mandadas fazer pelo Rei D.Afonso III, que tinha como objectivo averiguar judicialmente a
natureza das diversas propriedades e dos direitos senhoriais, a fim de fazer restituir à Coroa Real
os direitos que as classes privilegiadas vinham desde à muito usurpando ilegitimamente.
Os inquiridores na região da Serra da Estrela registaram que as herdades dos fidalgos estavam todas
sujeitas a encargos perante o Rei exceptuando as que haviam pertencido a D.João Viegas, com o
alcunha de "Ranha" e assim mencionado:
("excepto Sandimir et Loriga et aliae que fuerunt de donno Johanne Rania")
Foi o próprio,o rei D.Afonso III,que em 1249 deu o primero foral régio à já então vila de Loriga.
D.Afonso Henriques por carta de 16/5/1131 entregou a posse de muitas terras do actual concelho
de Seia a D.João Viegas "Ranha" por este o ter ajudado a vencer dois fidalgos senenses (Aires
Mendes e Pêro Pais) que se tinham revoltado contra ele.
Foi o próprio D.João Viegas,senhor das Terras de Loriga durante cerca de duas décadas,que em
1136 concedeu o primeiro foral à vila de Loriga.
Sabe-se que,segundo referências encontradas em Inquirições,que Loriga já tinha foral em 1222,
sendo esse primeiro foral um dos documentos mais importantes que desapareceram.
Portanto,Loriga recebeu forais de João Viegas,senhorio das Terras de Loriga durante cerca
de duas décadas,no reinado de D.Afonso Henriques em 1136,de D.Afonso III em 1249,de
D.Afonso V em 1474,e de D.Manuel I em 1514.
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Pelourinho de Loriga(sec.XIII)

Alguns documentos antigos sobre Loriga


Um dos registos mais interessantes, como documento, que até hoje existm sobre Loriga, é o da
confirmação da doação do Foral e da Jurisdição Civil e Criminal de Loriga a Álvaro Machado datado de 22
de Agosto de 1474, que a seguir se transcreve em parte:
"...Dom Manuel por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves daquem e dalém mar em Àfrica,
a quantos esta carta virem fazemos saber que a nós foi apresentada uma carta que tal é:
Dom Afonso.... A quantos esta carta virem fazemos saber que confirmando nós a acareação que
feita temos, em Àlvaro Machado fidalgo da nossa raça e aos serviços que dele e de seu pai
temos recebido e esperamos que ao adiante nos faça, temos por bem dar-lhes que ele tenha o
uso de nós, em toda a sua vida, à jurisdição civil e criminal do lugar de Loriga que ele de nós tem.
Ressalvamos para nós a correcção e alçada.
E porém, mandamos a todos os nossos corregedores, juízes de justiça oficiais e pessoas que isto
ouverem dizer e esta nossa carta for mostrada que lhe deixem usar a dita jurisdição, como dito é,
sem lhe porem sobre isso qualquer embargo porque assim é a nossa mercê, de lhe assim ser
feito sem embargo de qualquer lei de direito canónico e civil, grossas propensões de doutores
que em contrário disso seja...
Dada em Lisboa aos 22 dias de Agosto, Cristóvão de Barros a fez no ano de 1474..."
Esta carta foi confirmada ainda por solicitação de Álvaro Machado nos seguintes termos:
"...Pedindo o dito Álvaro Machado que lhe confirmássemos a dita carta e visto que nós seu
requerimento, querendo-lhe fazer graça e mercê temos por bem lha confirmarmos e a havermos
por confirmada da maneira que dito é: E porém mandamos os nossos editais para a justiça que
assim lhe cumpram e façam muito inteiramente cumprir e guardar...
Dada em Lisboa, aos nove dias de Maio João Pais a fez, no ano de 1497..."
D.Afonso V concedeu foral à vila de Loriga em 1474 e concedeu as Terras de Loriga a Luís Machado,
pai de Àlvaro Machado,que era também senhor de Sandomil e Oliveira do Hospital.D.Manuel I
confirmou tudo isso,mas após o falecimento do referido fidalgo,as Terras de Loriga volaram a ser
pertença da Coroa.
A título de curiosidade,este documento, foi publicado no Jornal "A Neve" em
Março de 1949.

Significado da palavra "Lorica" ou "Loriga":


"Saio de malha usado pelos antigos guerreiros, coberto de lâminas de aço ou escamas
de ferro"
Primitivamente a Lorica era fabricada de loros ou correia de couro crú,passando depois a ser
metálica,e a mais conhecida eram os tipos de Lorica usados pelos legionáros romanos.

Mapa do antigo Município Loricense,Região de Loriga


e actual Associação de Freguesias da Serra da Estrela.

Loriga sede de Concelho


Loriga e área envolvente era couto senhorial no século XII, revertendo então para a coroa,
e em 1249,quando recebeu o primeiro foral régio de D. Afonso III,já era pertença real.
Em 1474, D. Afonso V, concedeu-lhe novo foral e Loriga que pertencia à Coroa foi doada ao
fidalgo Álvaro de Machado, como recompensa pelos serviços prestados ao rei.Àlvaro Machado
era filho e herdeiro de Luís Machado,e era também senhor de Sandomil e Oliveira do Hospital.
No ano de 1514, D. Manuel I deu à vila de Loriga um novo foral, o último e o mais completo dos
Forais Régios, que chegou aos nossos dias,e durante esse reinado Loriga voltou à posse da Coroa.
-8-

****
Loriga, foi Sede de Concelho desde 1136,sendo infelizmente extinto em 28 de Outubro de 1855.
****
A orgânica de Loriga até 1855
Tinha no seu governo civil:- Um Juiz Ordinário, dois Vereadores, um Procurador do Concelho,
Escrivão da Câmara, um Tabelião, um Alcaide, uma Companhia de Ordenanças com Capitão-
Mor e Sargento-Mor.
Possuía Câmara Municipal e Cadeia que, segundo consta, a espessura das suas paredes era de
1,80 metros. Em 1881, os registos dão-nos conta do local exacto onde se encontrava o referido
edifício:
".....na parça d´esta vila, que parte a nascente, poente e norte com via pública e do sul com José
dos Reis de Loriga".
Após a extinção do Concelho de Loriga (1855) o referido edifício serviu de escola primária do
sexo masculino, tendo depois sido comprado, na última década de 1890, pelo industrial
loricense Manuel Leitão, que depois o transformou, nessa altura encontrava-se já em ruínas.
Tinha ainda o Pelourinho,erigido no século XIII após ter recebido Foral do rei D.Afonso III.
Chegaram a fazer parte do Concelho de Loriga as povoações de:- Valezim; Sazes da Beira;
Vide; Alvoco da Serra; Teixeira; Cabeça e ainda pequenos lugares ou casais como eram assim
chamados.
O Concelho de Loriga começava na zona das Pedras Lavradas, até à Portela de Loriga (Arão)
onde fazia fronteira com o couto de S.Romão. De 1836 a 1855 ultrapassava a Portela por ter sido
nessa altura incluído Valezim e Sazes da Beira.
Alvoco da Serra deixou de pertencer ao Concelho de Loriga em 1514, data em que recebeu o
Foral de D.Manuel I, mas voltou a ser incluído novamente no mesmo em 1828.
Vide excluída do concelho de Loriga no século XVII,quando recebeu um foral tardio,mas
viria a ser novamente incluída no Município Loricense em 1834.
A Paróquia de Loriga foi correspondente à àrea do Município Loricense,e mesmo quando
algumas localidades do concelho adquiriram autonomia administrativa (entre os séculos XVI e XIX),
começando por Alvoco e seguindo-se Vide,estas localidades continuaram dependentes de Loriga
na administração eclesiástica.
Loriga pertencia,desde o século XII,à Vigariaria do Padroado Real,e a Igreja Matriz,dedicada a
Santa Maria Maior,foi mandada construír 1233 pelo rei D.Sancho II no lugar de um pequeno
templo visigótico,do qual foi aproveitada uma pedra que foi colocada numa das portas laterais.
A igreja era era um templo de estilo românico,com três naves,e traça exterior lembrando a Sé
Velha de Coimbra,tendo sido destruída pelo terramoto de 1755.Da primitiva igreja restam partes
das paredes laterais.

Pedra com inscrições visigóticas pertencente ao templo que existia


no local da construção da igreja em 1233.

O terramoto de 1755 foi especialmente violento em Loriga,principalmente pelo facto de as ondas


sísmicas se terem deslocado para Nordeste e o massiço granítico da Serra da Estrela ter funcionado
como uma barreira à propagação dessas ondas.Loriga,na parte sudoeste da Serra da Estrela,estava
no limite dessa barreira e por isso sofreu com violência o impacto das ondas sísmicas.O mesmo
problema afectou a Covilhã,e em contrapartida as localidades situadas do lado oposto da serra
foram pouco afectadas.Porém,ao contrário do que aconteceu com a Covilhã,a vila de Loriga
não recebeu qualquer auxílio do governo do Marquês de Pombal.
****
Alguns documentos históricos e Foral novo atribuido a Loriga pelo Rei
D.Manuel em 1514
****
Transcrição de uma parte do Foral dado ao Concelho de Loriga por D.Manuel I:
"Dom Manuel,...
Pagará toda pessoa que laurar com Jugada de bois ou vacas doze al-
queires desta medida corrente todos de centeo et se laurarem com hü boy a
meatade et seo seareiro et cauam que laurar pam, pagara da medida velha
hü alqueire et nam se paga no dito lugar foro outro de nehüa causa que se-
-9-

mea nem colham assy do vinho et linho como de todalhas outras nouidades e
fruitas.
E pagaram mais ao senhorio da dita Terra os foros de denheiro et ga-
linhas que algüas pessoas lhe pagam sem serem a ysso mais obrigados as pes-
soas que os ora nam pagam ficando rresguardado a hüs et aos outros quan
ao mostrarem foral lhe seer per elle guardada sua justiça. Nom ha montado
nesta Terra por quato no veraão amda com ho outro nosso da serra. Et no
Ynuerno nam ha hy nehü pasto. Os manihos sam do concelho com o foro da
Terra. A pensam do tabaliam pagase nesta vila. Da pena darma se leuaram du-
setos Reaes e as armas perdidas s quaaes penas se nom leuarem quando apu-
nnarem espada ou qualquer outra arma sem atirar, nem sem preposito em
Rexa noua tomarem praao ou pedra posto que fezerem mall et posto que de
proposito as tomem senom fazerem mal com ellas nam pagaram. Nem a pa-
gara moço de quinze annos pera baixo nem molher de qualquer idade e fi-
lhos et escravos tirarem sangue. Nem os que sem arma tirarem sangue com
bofetada ou punhada nem quem dfendimento de seu corpo ou por apartar e
estremar outros em arroydo tirarem armas posto que com ellas tirem sangue
hem escravos de qualquer idad que sem ferro tirar sangue. O gado do vento
he de direito Real et arrecadarsea na dita villa per nossa ordenaça com de-
caçam que a pessoa a cuja mão for ter escreuer a dez dias priemeiros seguin-
tes so pena de lhe ser demandado. Portagem no se levará mais no dito lu-
gar por que nam se mo trou titollo nem tall posse para se deve de levar. A
qual quer pessoa que for contra este nosso forall leuando mais dereitos dos
muy nomeados ou leuando destes mayores conthias das aquy decraradas ho
annos por degra dado hu anno ffora da villa et termo et mais pagara da ca-
trinta reaes por hu de todo que assy mais leuar. Et se a nom quizer leuar se
ja a metade pera os cativos et a outra para quem ho acusar. Et damos poder
a quall quer Justiça honde acontecer assy quiser como vintaneiros ou quadri
lheiros que sem mais proceso nemhordem de juizo sumariamente sabida a
verdade comdenem os culpados no dito caso de degredo et assy do denheiro
atee nous mill rreeas sem apelaçam nem agravo et sem disso poder conhecer
almoxarife nem contador nem outro oficial nosso de nossa fazena em caso
que o hy aja & seo senhorio dos ditos dereitos o dito forall quebrantar per si
ou outrem seja logo sospenso delles et da jurdicam do dito lugar se at uer
emquanto nossa merecê for & mais as pessoas que em seu noou por elle o
fazerem encorreram nas ditas peas e almoxarifes se primace e officiaes dos
ditos direitos que o assy nom comprire perderam os ditos officios et nam que-
ram mais os outros. & portantomandamos que todollas cousas contheudas
neste forall que nos poemos por ley se cumpram para sempre do theor do
quall mandamos fazer tres hü delles para a camada villa & outra para o Se-
nhorio dos ditos dereitos. & outra para a nossa torre do tombo pera em todo
tempo se poder tirar quall quer duvida que sobre isso possa sobrevir, dada
hanossa muy nobre et sempre leal cidade de Lisboa aos quinze dias do mes
de Fevereiro era do açimento de nosso Senhor ihü xpõ de myll quynhentos et
quatorze annos. E sobscprito por Fernam de Pina
Em oito folhas."
(Documento histórico de alta transcendência para Loriga, reproduzido na integra, respeitando o português
arcaico)

Uma das páginas do foral novo dado à vila de Loriga por D.Manuel I

Infelizmente,Loriga deixou de ser Sede de Concelho, em 28 de Outubro de 1855, passando a partir


dessa data a fazer parte do actual Concelho.
Acta escrita no "Arquivo Municipal" ...........Extintos Concelhos.....
- 10 -

Extinto Concelho de Loriga-Pasta n.1 -Livro n.2 - Folhas 193 e seguintes: Livro das
Sessões da Câmara de Loriga....
No ano de 1832, existiam nada menos de 796 concelhos no reino de Portugal. Por volta de 1855,
com a alteração orgânica do país, foi pensado acabar com alguns concelhos e até condados. Por
decreto-lei do ministro Passos Manuel, viriam a ser extintos, de uma só vez 455 municípios, onde
foi incluído o de Loriga. O reino, passou então a ter 341 concelhos que foram progressivamente
diminuindo. E, no ano de 1878, o país estava dividido em 17 Distritos e 299 concelhos, no
Continente e ilhas, dos quais 263 eram no Continente.
*
Nota:- Baseados em relatos e registos da época, sabemos que a extinção do concelho de Loriga,
não se deveu só ao facto da alteração orgânica do país.
Loriga que era sede de concelho desde o século XII, pagou caro o apoio dado aos
"absolutistas" contra os "liberais". Numa época em que a consciência democrática era inexistente,
havia retaliações para quem tinha ideias diferentes das de quem detinha o poder.
Por isso, sabe-se que a extinção do Concelho de Loriga, teve a ver com vingança politica
e interesses expansionistas de quem beneficiou com o facto,e não com motivos admistrativos,
por isso tal facto foi uma verdadeira injustiça que os Loricenses nunca esqueceram.

Relatos curiosos - Vila de Loriga - Ano 1758 *


****
Resposta do vigário de Loriga ao interrogatório de 1758
(A.N.T.T.- MEMÒRIAS PAROQUIAIS, Vol.21, m. 124, fl. 1147-1153)
****
Loriga
C.Guarda BC
REV.º SR. DR. PROVISOR
Satisfazendo ao cumprimento desta ordem, pelos interrogatórios expedidos, de tudo o que consta
ser esta freguesia e todo o seu termo, declarando tudo pelo miúdo, na verdade e inteiramente do
que é chamado tema se dizer o seguinte:
1 - Que esta freguesia da Vila de Loriga é de Província da Beira e do Bispado de Coimbra,
comarca da cidade da Guarda, termo desta mesma Vila.
2 - Esta Vila é, e sempre foi de sua Real Magestade.
3 - Consta esta Freguesia ter cento e outenta e quatro vizinhos e número de pessoas seiscentas
e outenta.
4 - Está situada esta Vila em o meio de sete cabeços: três para parte de nascente, chamados um
a perna de um homem pintada ou esculpida em uma fraga do mesmo cabeço; outro chamado a
penha do gato, tem este nome por se achar nele algum dia a figura de um gato esculpida; outro
chamado a fermosa, não consta de onde tomou este nome. Tem dois para a parte do poente, um
chamado a penha de águia e outro o cabeço do castelo, tomou este nome do tempo dos mouros
ainda hoje conserva nele vestígios dos alicerces dos muros; tem outros dois, um para a parte do
norte chamado o cabeço de São Bento por nele se achar uma imagem do glorioso São Bento;
outro da parte sul chamado a pedra incavalada, por ter uma grande pedra atravessada no cimo
do dito cabeço; e desta Vila ao cimo de todos estes cabeços dista meia légua e da vila não se
descobre povoado.
5 - Tem esta Vila termo seu, compreende somente o Casal da Cabeça, consta dezasseis
vizinhos.
6 - A Paróquia está situada no meio da Vila. Tem a freguesia o dito lugar da Cabeça e o Casal do
Fontão, obrigados a esta freguesia; consta este Casal de seis vizinhos e pertence ao termo de
Alvoco da Serra.
7 - O Orago desta freguesia é a Senhora Santa Maria Maior. A Igreja tem cinco altares: um de S.
Bento, outro de Santa Luzia, outro de Nossa Senhora do Rosário e outro das Almas, tem uma só
nave e não tem irmandade alguma.
8 - O Pároco é vigário, é da apresentação de Sua Real Magestade, tem quarente mil reis de
côngrua e meio de vinho para as missas.
9 - Não tem beneficiados, porém apresenta o curato da Vila de Alvoco da Serra, que dista uma
légua desta Matriz.
10 - Não tem conventos.
11 - Não tem hospital.
12 - Não tem misericórdia.
13 - Tem cinco ermidas; duas na Vila, uma de Santo António, ao cimo da Vila, outra de S. Gens a
um lado da Vila, outra de S. Sebastião, duzentos passos distante da Vila no caminho que vai para
a Vila de Valezim, tem outra no Casal da Cabeça com a imagem do Glorioso São Romão e outra
no Casal do Fontão com uma imagem do glorioso Santo António; todas pertencem ao povo.
14 - Não acodem a estas ermidas romeiros em tempo algum do ano.
15 - Os frutos da terra que os moradores recolhem são centeio e castanhas, porém não é
suficiente para se sustentarem os moradores da terra.
16 - Tem esta Vila Juiz Ordinário, vereadores, almotacém e procurador, e oficial escrivão, o qual
se acha pago de escrivão proprietário; estas justiças não sujeitas, digo não estão sujeitas a
outras justiças de outra terra, excepto a Sua Magestade.
17 - Não é couto, nem cabeça de outro concelho, honra ou beetria.
18 - Não consta que desta Vila saíssem homens insignes por virtudes, nem letras; só consta que
o grande Viriato, insigne nas armas, nascera em esta terra, porém não há memória disto mais do
que falar o dando por seguido que ele nascera em estas terras ou serras.
19 - Nesta Vila não há feira alguma.
20 - Também não tem correio.
21 - Dista esta Vila da cidade de Coimbra catorze léguas e da de Lisboa quarenta e quatro.
22 - Não tem esta terra previlégios, antiguidades, nem outras cousas dignas de memória.
- 11 -

23 - Não há nesta freguesia lagoas, sim partem como termo, de que dão conta o prior de S.
Romão e o Vigário de Seia por serem do seu distrito. Há uma fonte chamada dos pérus? de
qualidade tão fria que não pode consentir uma mão dentro dela por espaço de cinco minutos.
24 - Não tem esta freguesia porto do mar.
25 - Não tem muros, nem precisa deles, porque ainda que venha todo o poder das armas do
mundo não derriba os setes cabeços.
26 - Padeceu ruína a Capela Mor desta Igreja em sua abóboda e paredes de tal sorte que não
conserva o Santíssimo Sacramento nem imagens algumas na dita Capela, pelo evidentíssimo
perigo que o restante se está vendo em cair a dita capela de que já dei duas contas à Mesa da
Consciência e tenho certeza de que foram entregues, porém até ao presente se não passou
provisão para se repararem as ditas ruínas, como também o retábulo da dita Capela que se acha
todo desbaratado e a casa da residência toda especada para a parte da rua, que já lhe caiu numa
grande parede por causa das ruínas que causou o grande terramoto do primeiro de Novembro de
mil setecentos e cinquenta e cinco: e mais algumas casas desta freguesia; as ruínas da Igreja e
casas da residência, é obrigado a mandar reparar o Excelentíssimo Senhor Monteiro-Mor deste
Reino, como Comendador que de presente é desta Igreja.
27 - Não há mais de que se faça memória que aqui possa dizer a estes interrogatórios.
Notícia da Serra deste termo e freguesia
1 - Chama-se esta Serra o Malhão da Estrela.
2 - Tem esta serra duas léguas de comprimento e uma de Largura. Principia à fonte dos pérus? e
acaba na Vila da Covilhã.
3 - O principal braço desta Serra um sitio onde estão duas fragas muito eminentes chamados os
Cântaros.
4 - Desta Serra nasce uma Ribeira chamada Ribeira dos Covelos, a qual vem por entre fragas
uma légua, passa junto desta Vila, esta de verão enche à tarde com muito ........................ por
respeito da muita neve que na mesma Serra se derrete, que em sitios se não acaba de derreter
em todo o verão. Corre esta de nascente para poente, mete-se na Ribeira d´Alva na Vila da Vide.
Esta Ribeira não tem navegação.
5 - Esta Serra não tem lugares nem povoações.
6 - Não há mais fontes notáveis neste distrito do que o que acima foi nomeado.
7 - Não consta haver nesta Serra minas de metais e menos canteiros de pedras ou de outros
materiais de estimação.
8 - Esta Serra tem plantas de Zimbro que dá suas bagas estimáveis para flatos e outras curas
medicinais; também nela nasce uma erva chamada argensana muito aprovada para dores
especialmente para mulheres; esta se cria sem cultura alguma, entre fragas muito despinhadas;
tem bastantes pastos para gados porém é infrutífera ainda que se cultive.
9 - Nesta serra não há mosteiros nem Igrejas e menos Imagens milagrosas.
10 - O seu temperamento é muito frio, porque nela se não pode estar quedo por maior calor que
faça. Nem qualidade ..................... alguma e só nela vão pastar gados miúdos de Agosto até
Setembro.
11 - Não há nela criações de gados nem outros animais.
12 - Não tem alagoas neste nosso termo porque elas pertencem a outros termos.
13 - Não sei que estas Serra tenha cousas mais dignas de memória; somente o avistar-se dela as
praias do mar.
Relação dos Ribeiros desta Terra
1 - Tem esta Freguesia duas Ribeiras que passam junto à Vila em distância de trinta passos: uma
delas é a que acima referi chamada dos Covelos nasce no Malhão da estrela e finaliza na Vila da
Vide distancia de três léguas do seu nascimento; a outra chamada Ribeira de S. Bento, principia
no mesmo cabeço de S. Bento, e finaliza ao fundo desta Vila meia légua de distância do seu
nascimento, encorpora-se com a dos Covelos.
2 - Nascem logo com bastantes águas e correm todo o ano.
3 - Não se metem Rios nem Ribeiros em estas duas que tenho dito.
4 - Não admitem navegação alguma.
5 - São estas duas Ribeiras muito arrebatadas em seu curso desde o nascente até ao fim delas.
6 - Correm ambas do nascente para o poente.
7 - A Ribeira dos Covelos cria algumas trutas desde esta Vila até à Vila da Vide; tem uns poços
aonde chamam o Castelejo aonde os pescadores se não animam a fundar? Por serem muito
perigosos pela altura colhenças? que tem e ser a água demasidamente fria e neles se tem
afogado vários pescadores.
8 - Nesta Ribeira não há pescarias nem se podem fazer; somente em o mês de Setembro, indo
cálido se costumam lançar algumas redes.
9 - Estas pescarias destas Ribeiras são livres em toda ela.
10 - Esta Ribeira não tem margens que se possam cultivar, tem algumas árvores de
medronheiros e também alguns castanheiros.
11 - Não tem virtudes as águas desta Ribeira mais do que serem frias demasiadamente.
12 - Estas Ribeiras sempre conservaram os seus nomes e conservam de presente.
13 - Já acima disse que estas Ribeiras se metem na Ribeira d´Alva e esta no Mondego e o
Mondego na Figueira e da Figueira vai para o mar.
14 - Não tem cachoeira, repressa nem açude, somente algumas levadas para moinhos.
15 - Tem a Ribeira do Covelos uma ponte de cantaria e três de pau; uma onde chamam a
canada, outra aonde chamam os pisões velhos e outra ao passar para o Casal da Cabeça e a de
cantaria está no caminho que vai para a Vila de Alvoco da Serra. A Ribeira de S. Bento também
tem três pontes de pau: uma chamada dos pisões novos, outra aonde chamam o porto, no
caminho que vem de Valezim para esta Vila e a outra aonde chamam a ponte do pez.
16 - Esta Terra e Ribeiras tem doze moinhos e três pisões, não há lagares nem noras nem outra
casta de engenhos alguns.
17 - Não consta que em tempo algum se tirasse ouro nem casta alguma de metais em as ditas
- 12 -

Ribeiras.
18 - Esta Vila e os moradores dela usam livremente das águas destes Ribeiros para alguma
hortinha que têm ou algum grão de milho mas é muito pouco porque não têm terra para produzir
por serem fragas.
19 - Já acima disse que estas Ribeiras distam três léguas de onde nascem aonde finalizam;
passam juntas a esta Vila, uma da parte do Norte e outra da parte do Sul em distância de trinta
passos e ambas juntas passam ao pé do Casal da Cabeça e também ao pé da Vila da Vide, onde
se mete na Ribeira d´Alva.
20 - Não sei cousas mais notáveis com que melhor possa descrever a planta desta terra, rios dela
e os cabeços desta
Fico m.tº. pronto para dar a execussão às ordens de Ex.mo e de Sua Real Magestade
Fidelíssima. Loriga 1 de Abril de 1758
Deb.mª.
Sub , gª. M.to Ob.diente
O Vigário João Roiz Ribeiro

*Este apontamento curioso do Vigário Roíz Ribeiro,ao mesmo tempo que aponta alguma realidade,
demonstra também muita ignorância deste sacerdote,em relação à Vila de Loriga e à Serra da Estrela.
A sua descrição de Loriga e da serra,incluíndo características,termos,nomes,situação,etc,deixam
muito a desejar,e tudo isso coroado com aquela afirmação de que da Serra da Estrela se avistam
as praias do mar!

Igreja Matriz de Loriga (sec.XIII,reconstruída)

Loriga,vila industrial
Desde o tempo dos Celtas e dos Lusitanos que os naturais desta localidade milenar se dedicavam,
até pela necessidade óbvia,a confeccionar as roupas a partir da lã que retiravam das suas ovelhas.
Mas no século XVI,essa actividade doméstica e artesanal próprias da época,já não se destinava
exclusivamente para uso próprio,e destinava-se também a abastecer toda a Região de Loriga
e Município Loricense.
Com a chamada revolução industrial,esta actividade artesanal transformu-se,a partir do início do
século XIX,numa indústria florescente.Tempos houve em que na Beira Interior só a Covilhã
ultrapassava Loriga em número de empresas,e a actual sede de concelho só ultrapassou Loriga
já nos anos cinquenta do século XX.
Até a chegada da energia eléctrica a Loriga,facto que ocorreu em 1909,as fábricas eram movidas
através de grandes rodas hidráulicas movimentadas pelas abundantes àguas das ribeiras.O
movimento era transmitido a tambores e correias que por sua vêz faziam movimentar os teares,
bobinadoras,e outras máquinas.

Fábrica do Regato (século XIX),um dos ícones da duas vêzes centenária indústria Loricense.

Nomes dos muitos locais de Loriga


Olhando a região de Loriga e tudo que há em seu redor, é de realçar o facto de não haver um
simples local que não tenha o respectivo nome. Uns oficialmente registados, outros popularmente
assim chamados, não resta a menor dúvida que, muitos desses locais, já eram mencionados nos
primeiros escritos conhecidos sobre esta localidade, pelos nomes como hoje são assim
chamados.
Poderá haver algum lapso de escrita, uma vez que alguns nomes nunca foram registados, mas
sim apenas chamados verbalmente e transmitidos através das gerações.
Assim, aqui se registam os nomes dos muitos locais da região de Loriga. O registo de muitos
- 13 -

destes nomes aqui descritos, devem-se também a transmissão verbal


"Açude; Alcaidas; Alqueves; Avenal; Azeiral; Batista; Bicarões; Baldio das Cascalheira;
Barrancos; Barreiras de Coimbra; Barroca; Barroca do Ferreiro; Barroco; Biqueirões; Bouqueira;
Breijoeiras; Brejos; Buraca do Teixeiro; Cabecinha; Cabecitos; Cabeço; Cabeço do Ratinho;
Cabris; Cagoiças; Calçadas; Calhão; Campa; Canada; Canada do Alqueves; Canada; Carreiro de
Àlvaro; Canada das Montezinhas; Casa dos Ingleses; Casa do Velhos; Cascalheira; Casinhas;
Chão da Ribeira; Chão das Fontes; Chão das Relvas; Chão do Soito; Chão dos Dornes; Cide;
Coiço do Barbas; Coiço do Botelho; Combaro do Meio; Combro do Mouro; Cortiçor; Corrisqueira;
Coroa de Nossa Senhora; Costeiras; Covão da Ladeira; Duas Pontes; Eira do Alavão; Encerta;
Encosta; Enxertada; Estuvaínha; Escorial; Falgareira; Feiteira; Feital do Coelho; Feiteira;
Fontainhas; Fonte dos Amores; Fontes Covilhas; Fonte da Prata; Fonte dos Carreiros; Fonte
Lasquinha; Fonte Longa; Fonte do Sabugeiro; Fonte dos Pais; Fonte do Perús; Fonte do Sapo;
Fonte Sagrada; Fonte do Vale; Forcada; Foro; Fraga dos Almoços; Garganta; Giraldo; Januários;
Ladeira; Lages; Lamas; Lameiro Lameais; Lameiro da Barroca; Lameiro da Redondinha; Lameiro
do Regato; Lapa da Azinheira; Leirão; Lombo Torno; Luzianos; Malhapão; Malhapão da Cabeça;
Malhada Chão do Lombo; Malhada do Fontão; Malhada Cimeira; Malhada da Dona Maria;
Malhada da Carneira; Malhada Cimeira; Malhada do Corujo; Malhada do Boi; Malhada da
Farrancha; Malhada Formosa; Malhada do Poio; Malhada de São Bento; Malhadinha do Grilo;
Mestre Brava; Meia Légua; Mingudis; Moenda; Montesinhas; Mourinhos; Outeiro; Outeiro da
Borralha; Outeiro da Barroca; Pedrouco; Peliteiros; Penedas; Penedo de Alvoco; Penha da Águia;
Penha dos Abutres; Penha do Gato; Pêro Negro; Perovelho; Pisão; Pisão do Barroel; Poio
Mateus; Pomar; Ponte Nova; Portela de São Bento; Portela do Arão; Portinho Cego; Porvelho;
Presa; Pousinhos; Pousinhos da Ladeira; Quinta da Sónia; Quinta da Sónia; Regada; Resteves;
Ribeiro da Cerejeira; Ribeiro da Ponte; Ribeiro do Cabrum; Rodeio Velho; Romeniscais;
Rosmaninheira; Safra dos Reis; Sanjoanas; São Bartolomeu; São Bento; São Sebastião; Seabra;
Seixinho; Senhora da Guia; Senhora da Guia Nova; Serapitel; Servoeira; Somora; Surgaçal;
Taliscas; Tapada do Ameal; Tapada do Fontão; Tapada do Militar; Tapado; Tapada dos Piscos;
Tapada Sanjoanas; Tapadões; Teixeiro; Torno; Tresposta; Uchas; Urgueiral; Valado; Vale
D.Pedro; Vale da Barroca; Vale da Merenda; Vale dos Alhós; Vale da Barroca; Vale das Videiras;
Verdial; Veredas; Vista Alegre".

Poema a Loriga *
"Minha Terra Natal"
No ventre da montanha nasceste,
e te puseram o nome de Lorica.
Dos Celtas e dos Lusitanos foste baluarte.
De Viriato foste berço.
Quantos anos tens?...
Como nasceste?.. Como cresceste?..
A tua idade se perde na noite dos tempos,
e até o teu nome é milenar.
No rasto da tua história de séculos,
deixaste marcas de um honroso passado,
ainda hoje bem visíveis no teu burgo.
E quis a mãe natura emoldurar-te,
num quadro de fascínio e beleza,
tão real, que és uma festa para a vista.
Maravilha do Portugal desconhecido,
ainda hoje esperas que te lancem,
nos caminhos de um promissor futuro.
Vila industrial desde o início do século dezanove,
e os socalcos,falam do génio dos Loricenses.
Tu és montanha, granito, ravina, fraguedo,
cascata, ribeira, socalco, encosta, agreste,
com odor a rosmaninho, urze, giesta, alecrim.
No Verão és terna, fagueira, atraente,
hospitaleira, luz e cor, com cheiro a verde pinho.
E de espectaculares pores do Sol.
Na amenidade do Estio, ouve-se o canto
dos grilos e cigarras e o doce rumor
das tuas águas deslizantes rumo ao mar,
e dos trinados das aves que cantam.
Mas no Inverno, também és, tempestade,
torrente, nuvem, relâmpago, trovão, raio, corisco,
chuva, granizo, neve, gelo e frio intenso.
E continuarás crescendo dentro do espaço,
que a lei natureza te impôs por limite,
cabendo às vindoiras gerações que te esperam,
a preservação da tua imagem física,
continuada através dos tempos sem fim.
* Um Loricense
-1-

Alguns detalhes da história de Loriga

Inventário dos Bens da Igreja de Loriga (1912)

Com a chamada lei da "Separação" decretada pelo Ministro da justiça Dr. Afonso da Costa em 24 de Abril de 1911, do então
Governo Provisório, começava assim um novo capítulo da Igreja Católica em Portugal, lei esta que determinava a separação do
Estado da Igreja.
Esta nova lei veio acentuar ainda mais uma certa desconfiança que se vinha já verificando algum tempo nos meios do clero em
Portugal, por isso um pouco por todas as igrejas portuguesas foram aparecendo algumas ondas de protestos e de oposição.
É evidente que a situação no país nessa altura era muito conturbada, com a queda da monarquia e implantação da República, sob
efeitos do Governo Provisório, fazia pairar uma certa instabilidade a todos os níveis. As sistemáticas transformações que iam
acontecendo, veio a culminar numa certa perseguição à Igreja e aos seus Ministros de Deus, durante alguns anos e que foram de
triste memória para Portugal.
Em 1912 era pároco de Loriga o Sr. Padre Lages, sendo bem conhecida a sua enérgica posição contra o referido decreto, tendo até
elaborado um protesto escrito quando se procedeu em Loriga ao inventário dos bens da paróquia.
Pelo valor que representa vamos recuar a esses tempos, já há muito distantes e transcrever na integra a acta respeitante a esse
acto do Inventário dos bens da Igreja Paroquial de Loriga.

Arrolamento e inventário dos bens que se destinavam ao culto da Religião católica na freguesia de Loriga

"Aos quinze dias do mês de Janeiro de mil novecentes e dose neste logar e freguesia de Loriga, compareceu o Excelentissimo
Bacharel António Borges Pires, Presidente da Camara Municipal, servindo de Administrador deste concelho e Presidente da
comissão Concelhia do Eventário, comigo Amandio Rodrigues Frade, aspirante de Finanças deste concelho, servindo de secretário
da mesma Comissão, legalmente nomeado pelo respectivo secretário de Finanças e o cidadão António Cabral, casado proprietário
na qualidade de vogal da Junta da Paróquia desta freguesia e indicado pela Camara Municipal para fazer parte da referida
Comissão, a fim de se proceder ao arrolamento de todos os bens que teem sido destinados ao culto publico da Religião Católica
desta freguesia nos termos e para o efeito da lei da separação da Igreja do Estado, de vinte de Abril de mil novecentos e onse.
Pelo dito Presidente foi ornado o arrolamento de todos os bens existentes, a principiar pelos da igreja Matriz da freguesia. Nesta
altura pelo pároco encomendado da freguesia o cidadão António Mendes Cabral Lages, que se achava presente foi declarado que
desejava protestar contra o acto que se ia praticar, apresentando o seu protesto por escrito.
Pelo mesmo Presidente foi ordenado que o mesmo protesto fosse junto a este auto para os devidos efeitos, prosseguindo-se ao
arrolamento e verificando-se que os bens constam do seguinte: - Um edificio destinado à Igreja Matriz, da freguesia, com a sua
sacristia terrea, torre com dois sinos desiguais, uma sineta sem badalo, um relógio de pendulo e pesos, tendo também côro e
pulpito pia batismal quatro pias de àgua benta tudo feito de pedra vulgar e dois confessionarios de madeira de castanho. É
composto de cinco altares denominados: Altar-mór com tribuna dois nichos lateraes tendo cada um sua imagem chamadas
S.Domingos e S.Bento, e alem disso um crucifixo com a competente banqueta composta de seis castiçaes de madeira. Neste
altar está situado o Sacrario contendo a "Pixede" ou Vaso Sacramental.- Um altar lateral com as Imagens de Santa Luzia,
S.Nicolau e Santo Estevao, todas de pedra tendo tambem um Crucifixo e quatro castiçaes de madeira.- Outro altar lateral com as
Imagens do Sagrado Coração de Jesus e Menino Jesus, em madeira, tendo um Cruxifixo e quatro catiçaes de madeira.- Outro altar
com a Imagem da Senhora do Calvario e São João, de madeira tendo tambem um Crucifixo e dois castiçaes de madeira.- Outro
altar com a Imagem da Senhora do Rosário, em madeira, com Crucifixo e dois castiçaes de madeira.- Na casa que serve de
Sacristia existe uma comoda com dois gavetões, nos quaes estão os seguintes objectos: dois paramentos brancos de damasco,
dois ditos vermelhos do mesmo tecido; um dito roxo idem; um preto idem; um pontifical roxo idem; uma umbela idem; dois
missaes com suas estantes; um thuribulo de metal branco; dois calices: um de metal amarelo e outro com a base de estanho e a
copa de prata; uma Cruz procissional de estanho; uma caldeirinha de estanho para agua benta; trez campainhas de cobre e duas
lampadas de metal amarelo e um par de galhetas de vidro. Um palio de damasco preto; quatro lanternas de folha de flandes; Na
Sacristia existe mais uma Imagem do Senhor da Almas com a competente cruz de madeira e uma Custodia de metal amarelo.
Trez "Ambulas" de estanho. Todos os altares ja mencionados são construidos de castanho com obras de "talha". Em seguida
passou-se ao arrolamento das duas Capelas edificadas nesta povoação e conhecidas pela denominação de -Capela da Senhora da
Guia, á entrada da povoação na qual se acha levantado um Altar de madeira de pinho com a Imagem da Santa que dá o nome á
Capela, tendo um crucifixo e dois catiçaes de estanho, existindo nela dois paramentos de damasco e uma lampada de metal
amarelo.- Capela de São Sebastião edificada tambem á entrada da povoação, tendo um altar de madeira de castanho, com a
Imagem do Santo que lhe dá o nome, na qual está um Crucifixo com dois castiçaes de metal amarelo. Na povoação, ha mais duas
capelas por concluir sendo uma no sitio de S.Genez composta de paredes com o telhado e outra sita á Carreira, tendo somente as
paredes construidas. Seguidamente procedeu-se ao arrolamento e inventário das Capelas existentes nos logares anexos a esta
freguesia e que apenas é:- Uma erecta na povoação do Fontão sob a invocação de Santo António tendo um altar com a Imagem
do mesmo Santo em madeira um Crucifixo e dois castiçaes de madeira um paramento de damasco branco e um missal. Todos os
bens que em cima ficam descritos foram confiados nos termos do artigo cento e seis da citada lei á guarda e conservação da
Junta de Paroquia desta freguesia. E não havendo mais nada a mencionar se lavrou para os devidos efeitos este auto em
duplicado que vai ser assinado pelo presidente e pelo vogal depois de lido em voz alta por mim secretário que o escrevi. (aa)
António Borges Pires, António Cabral, Amandio Rodrigues Frade. -------------------------------------------------------------

Nota:- Este registo foi transcrito conforme se escrevia na época, por isso, aqui se manteve essa sua originalidade.

A história do cinema em Loriga

Foi António Pinto Ascensão, o pioneiro da exibição de filmes em Loriga o que, de certa forma, contribuiu para dar novos horizontes
aos jovens, numa altura em que a juventude em Loriga atingia números significativos. Foi de facto, na época, uma lufada de cultura
pois a maioria da população, principalmente os jovens, não sabiam o que era a 7ª.arte.
Em 1953, António Pinto Ascensão, então a trabalhar numa das fábricas de lanifícios, teve a ideia de iniciar a exibição de filmes em
Loriga, tendo convidado como sócio Manuel Matias, também este trabalhador fabril.
Assim, adquiriram à Philips uma máquina de projecção (máquina portátil com lâmpada de projecção de mil Volts, colocada em
tripé) e ainda uma instalação de som. António Pinto Ascensão chegou mesmo a efectuar um estágio, para aprender a trabalhar
com aquele equipamento.
Algum tempo depois, Manuel Matias desistiu da sociedade, tendo sido substituído por António Mendes Ascensão, (mais conhecido
por António "Alentejano"), tendo então sido criada a empresa "Cine-Ascensão", que se manteve em actividade até 1963.
-2-

Chegava a haver três sessões por semana,


normalmente à Sexta-Feira e Domingo à
noite e, neste dia, havia ainda matiné. Aos
Sábados as sessões eram realizadas em
algumas localidades da região,
nomeadamente, Santa Comba Dão, Unhais
da Serra, São Romão, Lagares da Beira,
onde tinham casas próprias para
espectadores, por isso contractos de
exibições regulares de filmes. Em Seia a
empresa "Cine-Ascensão tinha uma Sala
alugada, onde regularmente também
exibiam filmes.
Haviam ainda outras localidades onde se
deslocavam várias vezes, nalgumas a
pedido das populações, onde não havendo
casas próprias, a exibição realizava-se ao Assistência numa Sala de cinema
ar livre. Chegaram também a fazer algumas
deslocações pela Beira Baixa e Alentejo.

Ao principio, as deslocações eram feitas em carro alugado ao "Zé Vicente". Mais tarde, em 1955 a empresa "Cine-Ascensão"
comprou uma carrinha Austin A-40, que passou a ser conduzida pelo senhor António Pinto Ascensão, que entretanto, tinha tirado a
carta de condução.
As bobines dos filmes eram alugadas a uma distribuidora, que as fazia chegar a Loriga na camioneta da carreira, juntamente com
os cartazes promocionais dos filmes a exibir, que eram colocados nas janelas do café do "Zé Maria" ou nas montras do café do
"Carlos Pina", situados na "Praça", na altura, o local central de Loriga.
As sessões do cinema em Loriga, decorriam no Salão Paroquial, mais conhecido por (Residência), que a empresa
"Cine-Ascensão" alugava e pelo qual pagava 20% da receita líquida ao senhor Padre Prata. As sessões realizadas em Loriga
tinham uma assistência na ordem de mais de uma centena de pessoas, esgotando, na maioria das vezes, a capacidade do Salão.
Entretanto, a empresa mandou fazer uma bancada de cadeiras articuladas, que depois iam descontando nas percentagens a pagar
ao senhor Padre Prata, ficando assim o Salão Paroquial apetrechado com este mobiliário classificado em duas categorias de
lugares: cadeiras e geral, estas de bancos compridos.
Em 1963 a empresa "Cine-Ascensão" foi extinta, tendo sido vendido todo o material e respectiva exploração a um senhor de Santa
Comba Dão, por 40 contos,
Quando da extinção da empresa, "Cine-Ascensão" passou a ser um senhor de Unhais da Serra, chamado Alfredo, a exibir os
filmes em Loriga, principalmente aos fins de semana, este senhor era já colaborador da empresa quando ali iam realizar as
sessões de cinema.
Mais tarde, passou a ser efectuada por um outro senhor também de Unhais da Serra, que passou a ser mais conhecido por
"Fernando de Unhais". Depois de este deixar de deslocar-se a Loriga, foi extinto por completo as sessões de cinema nesta vila.
Como curiosidade, os ajudantes de ambos estes senhores de Unhais da Serra, passaram a namorar com duas moças de Loriga
com quem vieram a casar.
Com os tempos, o designado cinema ambulante caiu em desuso, não só pelo aparecimento de novas tecnologias, mas também
porque, por causa desses homens que percorriam o país com a sua "lanterna mágica" muitas pessoas entusiasmaram-se e
começaram a criar salas para exibição. Ficam, no entanto, para a história os tempos do cinema em Loriga, guardado para sempre
na memórias de muitos.

Nota complementar

Quando do negócio entre o comprador de Santa Comba Dão e a empresa "Cine-Ascensão" o valor foi fixado, como se disse, em 40
contos. Como na altura o comprador não tinha o dinheiro disponível deu, como penhora, uma propriedade situada em Santa Comba
Dão.
Tempos depois, como o valor contratual não foi pago, a referida propriedade foi em praça. Apesar de haver alguns interessados, as
ofertas não chegavam ao valor dos 40 contos, o que obrigou os sócios da empresa "Cine-Ascensão" a arrematar a dita propriedade
por esse valor.
Entretanto, tendo reparado que na assistência havia alguém que tinha mostrado mais interesse, nomeadamente com mais ofertas,
no final dialogaram com o mesmo, conseguindo desta feita negociar a propriedade pelos valor dos 40 contos salvaguardando, assim
desta maneira, o negócio da empresa "Cine-Ascensão".

A História da Farmácia em Loriga

A actual Farmácia Popular de Loriga, tem sido, há muitas décadas, o único estabelecimento deste género em Loriga, que ficou
registado para história como sendo uma sucessão de outras farmácias em tempos já distantes.
Na última década do século XIX, a Vila de Loriga despertava para um novo desenvolvimento industrial. A evolução populacional era
também um facto, assim como era notório um crescimento comercial. Por isso, é no ano de 1893 que vamos encontrar os
primeiros registos da existência de uma farmácia em Loriga, apesar de muitos a considerarem não oficial.
A primeira farmácia, ou seja o primeiro farmacêutico em Loriga, foi o Senhor Herculano Rodrigues de Gouveia e Silva que esteve em
Loriga desde 1893 até 1919 ou 1920.
A partir de 1925, a farmácia teve um Senhor de apelido Rocha que se manteve nesta localidade até 1930, altura em que casando
com uma senhora do Paul para ali se transferiu bem como a farmácia.
Com a transferência desta farmácia e, como era de grande necessidade tão importante estabelecimento em Loriga, a firma
industrial Leitão & Irmão comprou no Fundão as estantes e medicamentos da farmácia Barata e contratou o farmacêutico Luiz
Magalhães Lemos Mesquita, para estar à frente da mesma.
-3-

Este senhor casado com a actriz


Cremilda d`Oliveira de quem
estava separado, ficou hospedado
na pensão Lemos, sendo pessoa
de uma invulgar honestidade e de
poucas palavras, por pouco tempo
se manteve em Loriga,
supondo-se que a sua partida se
devesse a divergências com o
médico local.
Por volta do ano de 1930, vivia-se
em Loriga um clima de
instabilidade social, que dividiu os
loricenses. O relacionamento
entre um sector da população e o
controverso médico Dr. António
Gomes, em funções facultativas
municipais nesta terra, não era o
melhor, originando mesmo uma
certas guerrilhas, que fez correr
muita tinta nos meios da
comunicação social da região, e
que veio, por esse motivo, afectar
o pleno funcionamento do
comércio farmacêutico.
Por isso o negócio era pouco
rentável, porque entretanto era
Actuais instalações na Rua Sacadura Cabral,onde antes existia o Café Neve
possível adquirir os medicamentos
noutro estabelecimento comercial
sem ser a farmácia. Tendo o
farmacêutico Marrazes contraído
tuberculose, partiu para a sua
terra natal onde veio a morrer.

Sucedeu-lhe outro farmacêutico o Senhor Zagalo Ilharco, que não estando na disposição de se calar ao que se estava a passar,
veio a descobrir a existência de uma sociedade, entre o médico local e o referido estabelecimento comercial, que mandavam vir de
Lisboa todos os medicamentos, que depois o médico passava aos seus doentes evitando assim de serem comprados na farmácia.
A Junta de Freguesia e a Sociedade Propaganda e Defesa de Loriga, reuniram-se para resolver todas as divergências existentes,
sendo nomeado uma comissão composta pelo Presidente da Junta, António Cabral Leitão, Presidente da S.P.D.de Loriga, José de
Brito Crisóstomo e o Presidente da Associação Católica de Operários, Padre António M.Cabral Lages.
Todas as divergências viriam a terminar, porque entretanto o médico em questão deixou a Vila de Loriga.
A Farmácia em Loriga, continuou durante anos a pertencer à firma Leitão & Irmão e, mais tarde, veio a ser adquirida por compra,
pela Dra. Amália Brito Pina, que foi sua proprietária durante mais de cinco décadas, passando a ter o nome de Farmácia Popular
de Loriga.
Em 30 de Junho de 1999, deixou de pertencer à Dra. Amália Brito Pina, sendo cedida e ser gerida em sociedade, passando a ser
Farmácia Popular de Loriga, Lda., com a direcção técnica da Senhora Dra. Paula Alexandra C. Rodrigues.

No ano de 2005, a Farmácia Popular de Loriga deixou de ser na Rua do Santo Cristo, onde durante décadas esteve sediada,
passando para a Rua Sacadura Cabral, antigo Café de muitas recordações para os loricenses.

Casa Fúnebre de Loriga

Tempos houve, mais concretamente na década de 60, em que eram muitas as vozes que se faziam ouvir, no sentido de Loriga
passar a dispor de um espaço público (Casa Fúnebre) a favor da comunidade, onde as pessoas pudessem velar os seus defuntos.

A casa da Irmandade do
Santíssimo Sacramento e das
Almas, situada num local central
de Loriga (Adro da igreja) era
desde logo à partida o espaço
ideal, onde as instalações eram
adequadas para ser instalada a
Casa Fúnebre.
No entanto, eram também muitas
as vozes discordantes,
convencidos de que isso não fazia
sentido. E na época, alterar
comportamentos, hábitos e
preconceitos, tornava-se muito
complicado.
Por isso mesmo, as pessoas de
família não aceitavam de maneira
alguma, velar os seus ente
queridos, noutro local, que não
fosse nas suas próprias casas.
A dada altura, a casa da
Irmandade do Santíssimo
Sacramento e das Almas de
Casa Fúnebre de Loriga
Loriga, chegou mesmo a receber
algumas remodelações, passando
a dispor de um espaço pronto para
essa finalidade, no entanto, tardava
na sua utilização.
-4-

Em meados da década de 70, faleceu em Lisboa, António Lopes Macedo, e o funeral realizou-se para Loriga, sua terra natal. A
família, desde logo, fez questão que o seu corpo fosse colocado naquele remodelado espaço para ser velado, tornando-se assim, o
primeiro defunto a utilizar a Casa Fúnebre de Loriga.
A partir de então a utilização deste espaço começou aos poucos a ser um facto, não tardando pois a começar a existir um
consenso generalizado, de que, uma Casa Fúnebre em Loriga era necessária e de importância vital para o velório dos defuntos.

** **

" O Bairro"

Construído no local conhecido por Vista Alegre, a este bairro foi dado o nome do mentor do projecto, Engenheiro Saraiva e Sousa.
No entanto, ao longos dos anos eram poucos aqueles que o assim chamavam pois, popularmente, era apenas referenciado por
"Bairro".
Após a segunda guerra mundial que tinha assolado a Europa, deu-se o despertar para uma nova vida e um novo progresso, e fez-se
sentir o desenvolvimento e evolução de certas actividades, nomeadamente a actividade industrial, a que Loriga não ficou alheia. Por
este facto, o aglomerado populacional desta localidade que, por volta de 1946, se cifrava já em cerca de 3.000 pessoas, debatia-se,
desde há muito, com grandes problemas de habitação.
Não é exagero dizer-se que muitas das casas existentes em Loriga, eram tristes tugúrios sem ar e luz onde se abrigavam famílias
numerosas onde, por vezes, a par de uma promiscuidade e uma vida moral menos sã, desfalece toda a existência da geração
pagando por vezes pesado tributo a doenças altamente contagiosas.
Foi, pois, com alegria, que por volta de 1946 a população recebeu a boa nova da construção de um bairro económico em Loriga,
cuja construção era comparticipada pelo Estrado, e para o qual foi destinado, desde logo, o local conhecido por Vista Alegre.
De imediato foram efectuados os respectivos projectos, não tardando muito a terem inicio as obras. No entanto, bem cedo se veio a
verificar o não prosseguimento a bom ritmo das mesmas, perante a passividade e a descrença da população, que viam chegar e
partir os operários, pondo em causa a construção do projectado bairro dentro da brevidade de que tanto se falava.

Sendo a construção deste bairro da


responsabilidade da Câmara
Municipal, dois anos mais tarde
apenas estavam construídas duas
casas, mas não totalmente
acabadas, não se encontrando, por
vezes, resposta para este impasse,
mesmo sabendo-se da dotação para
Loriga de centenas de contos
destinados para a construção deste
bairro económico .
Só ao fim de alguns anos, ficaram
completas as obras com a total
construção das casas deste bairro,
que foram então distribuídas aos
moradores, na condição de
manterem sempre a mesma
estética.
Ao ser elaborado o projecto do
"Bairro", desde logo se notou falta
de espírito de equidade e de justiça
para a resolução deste problema
habitacional em Loriga, que não teve
em conta a dimensão da maioria
dos agregados famíliares desta
localidade, uma vez que o projecto
das casas se destinava a um casal
com um filho, quando, de facto, a
maioria dos casais tinham três,
quatro, cinco e mais filhos.
Na altura houve até quem fizesse
esse reparo e até fossem escritas 1953-Acto solene da Inauguração do Bairro
em jornais regionais, crónicas a
esse respeito, que nada adiantou.
Mas, do que realmente parece não
restarem dúvidas, é que esse
projecto merecia melhor estudo, e
não foi preciso muito tempo para se
vir então a constatar, que o mesmo
não satisfazia as necessidades do
problema habitacional de Loriga, o
que continuava a afligir a população.
-5-

Apesar de tudo, a construção do Bairro tornou Loriga maior e mais rica e, o local onde foi construído era, de facto, do ponto de vista
estético, dos locais mais privilegiados e bonitos da vila. Visto de todo o lado, deu também um impulso para o progresso ficando, a
partir daí, a ideia de que o futuro da habitação de Loriga, era sair do algomerado das casas e da povoação propriamente dita.
Foi inaugurado no ano de 1953, com pompa e circunstâncias, estando presentes membros do governo, autoridades administrativas
regionais e locais, para além da população de Loriga, tendo sito atribuído ao Bairro o nome do engenheiro do projecto, que
procedeu ao "corte da fita" no acto solene dessa inauguração.
Décadas mais tarde e, por fim finalizadas as normas existentes e impostas como bairro económico e social, as casas foram sendo
adquiridas pelos seus moradores e também por outros, começando então a notar-se a remodelação das casas e por conseguinte a
alteração estética do Bairro, desaparecendo até a placa que ostentava o nome "Bairro Engº. Saraiva e Sousa" , para mais tarde ser
colocado uma outra com o nome de "Bairro da Vista Alegre", na realidade o primitivo nome daquele local.

** **

1960-Nova Escola Primária em Loriga

A partir da década de 1940, com apreço era notado um grande aumento populacional de Loriga, o seu movimento demográfico
continuava a um ritmo de crescimento cada vez maior, que muito se reflectia quando se começava a sentir as grandes carências
desta vila a todos os níveis, principalmente, social e habitacional.
Uma das carências era também a nível da educação, cada vez com mais crianças na idade escolar primária as salas existentes
eram defacto limitadas, desde sempre as autoridades locais faziam eco dessas necessidades aos organismos competentes.
Os Loricenses procuravam a todos os níveis a resolução deste problema escolar em Loriga, e por mais diligências que fizessem,
parecia ficar tudo esquecido na gaveta, o mesmo não se via noutras terras da região que viam satisfazendo essa necessidade e de
quando em vez se ia ouvindo falar de mais uma escola inaugurada, nomeadamente no concelho e, Loriga ia ficando para trás.
Foi pois com bastante alegria que se viu já na década 50, o início das obras para a construção de um edifício Escolar Primário em
Loriga, projecto com 8 Salas, que vinha satisfazer em muito esta carência e por conseguinte um melhor ensino.
Projecto elaborado pelo Sr. Engº. Saraiva e Sousa, que anos antes tinha sido também ele o autor do projecto da construção do
"Bairro" ao qual foi atribuído o seu nome, mas nestes tempos modernos foi dali retirado a lápida onde ostentava o nome, para ser
colocada naquele local uma outra com os dizeres de "Bairro da Vista Alegre" primitivo nome daquele lugar.
A Vila de Loriga ficou sempre com uma dívida de gratidão para com esta importante personagem, não só por estas obras aqui
focadas, como também ter doado uma verba de 3.800 contos para estrada que serve esta localidade e para a qual estavam
projectados trabalhos de rectificação e pavimentação.
Não obstante o tempo invernoso que se fazia sentir, foi pois com grande entusiasmo e calor patriótico que se realizou a
inauguração da Nova Escola Primária em Loriga, no dia 23 de Outubro de 1960, tendo a sessão solene decorrido no edifício escolar
com a presença dos Senhores:- Subsecretário das Obras Públicas, Governador Civil da Guarda; Presidente da Câmara Municipal
de Seia, Senhor Engº. Chefe dos Edifícios e Monumentos Nacionais da Zona Centro-Coimbra, Adjunto do Director Escolar do
Distrito da Guarda e outras entidades civis e religiosas, tendo todas estas personagens sido entusiasticamente recebidas por toda
a população, bem como pelas autoridades civis e organismos associativos da vila de Loriga.
Usaram da palavra todas estas individualidades, associadas na mesma palavra ao enalteceram a obra que ia ser naquele dia
inaugurada, dando assim um grande impulso ao ensino, merecendo Loriga desde à muito este grande melhoramento.
O Senhor Subsecretário das Obras Públicas, disse ainda estar emocionado pela recepção carinhosa e patriótica que lhe tinha sido
dispensada por todos os Loricenses, que passou a gravar bem no fundo do seu coração. Oraram ainda o Presidente da Junta de
Freguesia de Loriga, António Fernandes Leitão, num discurso longo a todos os títulos notável e oportuno, que encerrou com - Viva
a Pátria; Viva o Estado Novo; Viva a Escola.
Usou ainda da palavra a D. Alice de Almeida Abreu, na condição de ilustre Directora da Escola Feminina, que era dotada de
invulgares predicatos de oradora distinta.
Depois da inauguração desta Nova Escola, foi oferecido aos ilustres visitantes um "copo de água" que teve lugar na Sociedade de
Recreio e Turismo de Loriga, durante o qual usaram ainda da palavra o Revº. Vigário de Loriga, o Dr. Joaquim R. Leitão e outros,
tendo o Secretário da Junta de Freguesia, que mais uma vez a todos saudou, agradecendo a presença de todos na Vila de Loriga,
terminando com vivas entusiásticas a Portugal.
Já vai longe esse dia em que Loriga se vestiu em Festa na inauguração de um melhoramento pelo qual à muito se debatia, a
satisfação era grande entre os Loricenses, passando o ensino a dispor de novas salas com bom ar e luz e melhores comodidades,
sendo assim finalmente conseguido um sonho por muitos sonhado e para num maior enriquecimento de Loriga.

A Telescola em Loriga

O Curso Unificado da Telescola (C.U.T) era um curso do ensino oficial quanto à emissão e do ensino particular quanto à recepção e
exploração. O Funcionamento dos postos de recepção e a frequência dos alunos eram idênticos aos do ensino particular em
estabelecimento, embora sujeitos a regime especial.
O C.U.T destinava-se a alunos que frequentassem postos de recepção especialmente criados para esse efeito. As lições eram
organizadas na Telescola em Vila Nova de Gaia e emitidas do Porto, da Radiotelevisão Portuguesa.
Em 31 de Dezembro de 1964, o Decreto-Lei Nr. 46.135 cria e regulamenta o Instituto de Meios Audio-Visuais de Ensino. A Portaria
Nr. 21.113, de 17 de Fevereiro de 1965, cria o Curso Unificado da Telescola.
Perante tão grandes vantagens que oferecia o C.U.T. foi compreensível na época, o interesse despertado, um pouco por todo o
país. Criaram-se 500 postos de recepção, inscrevendo-se na Telescola milhares de alunos.
Decorria o ano de 1966, em Loriga há muito, que se defendia a legítima aspiração de se fundar um estabelecimento de Ensino
Secundário. A população da freguesia, e, sobretudo, a sua relativa importância industrial, justificava tal anseio.
Tendo a certeza de que se tratava de uma importante oportunidade, para o ensino em Loriga, foram logo dados os passos
necessários para promover esse projecto, nesta localidade.
Em Outubro de 1966, concretizou-se essa realidade, com a atribuição do Alvará à Fábrica da Igreja Paroquial de Loriga, que
promoveu a criação do posto de recepção e, ao qual, foi atribuído o Nr. 234.
Apesar de diversas circunstâncias, muitas famílias compreenderam o vasto alcance da Telescola e, de bom agrado, fizeram o
sacrifício de matricularem os seus filhos, tendo logo no início sido matriculados 21 alunos. Foram nomeados monitores, D. Amália
de Brito Pina e o Professor António Domingos Marques.
O Curso Unificado da Telescola (C.U.T.) era constituído pelas seguintes disciplinas correspondente ao ciclo preparatório do Ensino
Técnico Profissional e ao primeiro ciclo do Ensino Liceal:- Língua Pátria; História Pátria; Ciências Geográfico-Naturais; Matemática;
Desenho; Trabalhos Manuais; Religião e Moral; Canto Coral; Educação Física e Francês.
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A Inauguração da Electricidade em Loriga

Nos anos da primeira década de 1900, foi fundada a Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela, tendo sido inaugurada em 2 de
Janeiro de 1910, a primeira central que foi sediada na Senhora de Desterro.
Com a expansão cada vez maior da industria de lanifícios em Loriga e já com a electricidade não muito longe desta localidade, os
industriais locais começaram a movimentar-se no sentido de o mais rápido possível, trazer para Loriga essa grande fonte de
progresso e desenvolvimento, e de verdadeira necessidade para a população e indústrias.
Em Abril de 1911, precisamente no domingo de ramos, visitou Loriga o Sr.António Marques da Silva da Empresa Hidroeléctrica
para dar início à negociação com os industriais, às normas do contracto, com vista ao fornecimento da energia a esta povoação. As
negociações rapidamente ficaram concluídas, fazendo também parte do acordo, a colocação de 30 candeeiros de iluminação nas
ruas, para o que foi entregue a importância de três contos de reis (3.000$00) para . O estudo do terreno e os locais para a
colocação dos postos que deviam conduzir as linhas da energia desde a ermida da Senhora do Desterro até Loriga, era da autoria
da Empresa.
Foi então efectuada uma subscrição pública pela população local para arranjar a respectiva quantia, que com contributos de 5$00;
10$00; 15$00; 20$00; 30$00; 50$00; 100$00; 300$00 e 510$00, rapidamente foi possível reunir a importância necessária.
Finalmente em 15 de Novembro de 1912, foi inaugurada a electricidade em Loriga, um facto que foi contribuiu para o progresso da
vila e bem estar da população. Essa data ficou registado na história de Loriga, sublinhada pelo facto de ser umas das primeiras
localidades da região apossuir a luz eléctrica.

Aqui se regista a Lista conhecida, de todos aqueles que contribuíram para este grande melhoramento de Loriga:

Ano 1910 - Lista da Subscrição para a instalação da Luz Eléctrica:

"António Luiz Mendes & Filho; António Cabral; José Mendonça Cabral & Irmão; José Pinto das Neves Júnior; Leitão & Irmãos;
Amália Nunes de Pina; Padre António Mendes Lages: António Luiz de Brito Ignacio; José de Moura Pina; José de Pina Pires; José
de Pina Pires Júnior; Guilhermina Reis; José Mendes Luiz d´Abreu; José Luiz Duarte Pina; António Alves Anno Bom; Augusto
César Mendes Lages; José de Gouveia Cabral; Joaquim Nunes Luiz; António de Moura Romano; António João da Costa & Família;
Carlos Sinões Pereira & Família; Manuel Mendes Luiz d´Abreu; José de Brito Guimarães; Dr. Amorim da Fonseca; Professor Pedro
d´Almeida; Maria do Carmo Moura; Mateus de Moura Galvão; João Mendes Veloso; António Aparício Martins; José Fernandes
Carreira; José Gomes Luiz de Pina; Emygdio Manuelito; Manuel dos Santos Silva; Augusto Moura Galvão; José Fernandes Videira;
António Pinto de Moura; Emygdio Cardoso de Moura; Felizmina Simões; José Diogo Ferreira; Joaquim Luiz de Pina; António de
Pina Monteiro; José Dias Aparicio; Manuel de Moura Pina; António Nunes Luiz; Emygdio Antunes de Moura; Manuel de Moura
Barreiros; José Lopes Cardos dos Santos; Joaquim Machado Aparício; Manuel Fernandes Cassamelino; José Gomes Lopes;
Emygdio Fernandes Cazelho; José Luiz de Moura Pina; José dos Santos Moura". Consta ainda desta Lista vários anónimos.

Saneamento dos Esgotos públicos

Pouco depois da II Guerra Mundial, começou a


ser projectado para Loriga, o saneamento de
esgotos públicos, tendo-se iniciado o Plano de
Urbanização, que se arrastaria pelos anos
seguintes.
Entretanto, foi ficando na posse da Junta de
Freguesia, mais de 400 metros de manilhas,
fornecidos pela Câmara Municipal, havendo logo
à partida um esboço delineado para a sua
aplicação num troço da rua principal, porém, por
insuficiência de subsídio, continuaram
empilhadas durante quatro anos, a aguardar a
finalidade para que foram adquiridas.
Em 1950, foi finalmente levado a efeito as obras
do saneamento dos esgotos pelas ruas da Vila,
incluindo ainda outras obras de urbanização,
bem como, o calcetamento de toda a via pública.

Loriga e o Abastecimento de Água

Numa região onde a água existe com grande abundância, em tempos remotos, a carência de fontes de água potável em Loriga era
um facto. Nessa época já longínqua, esta localidade tinha apenas no perimetro do agregado familiar, duas fontes de água potável,
ou seja, águas represadas em que mergulhavam indistintamente cântaros, latões, baldes etc., por vezes sem o mínimo respeito
pelos perantes dos mais rudimentares preceitos higiénicos, sendo uma delas situada na Barroca e outra no lugar ainda hoje
conhecido por Fonte do Vale.
Nos arrabaldes havia outras a que o povo chamava do Regato, do Teixeiro e dos Amores, no entanto, essas eram menos utilizadas
por motivo da distância a que ficavam, sendo também águas que brotavam dos combros ou cômoros de propriedades regadias
filtradas pela terra.
No final do século XIX, o povo passou a aproveitar outros locais onde a água era potável, para assim se abastecer desse precioso
líquido.
Os emigrantes loricenses sediados no norte do Brasil, mais concretamente em Manaus, apesar da distância não esqueciam as
necessidades dos seus conterrâneos e assim pensaram levar a bom termo a iniciativa da construção na sua terra, de Fontanários,
que viriam a ser edificadas nos primeiros anos do século XX: -Um na rua principal no local conhecido pelas "Almas" outro no Adro
da Igreja e um outro na Rua do Porto.
Construídos em locais estratégicos da povoação, a partir de então, e durante dezenas de anos e gerações, se tornou, no meio de
abastecimento de água que população necessitava para seu consumo.
Entretanto, as casas que iam sendo construídas ou mesmo remodeladas, passaram a ter abastecimento próprio, com
aproveitamento da água existente um pouco por todo o lado, por vezes canalizada através de longos percursos.
No princípio da década de 1970, o saneamento básico foi levado a efeito em Loriga, com as ruas e mesmo as paredes das casas a
serem esburacadas, trabalhos que se prolongaram durante alguns anos, onde a evidente impaciência da população, viria a ser
recompensada, com um dos maiores melhoramentos efectuados em Loriga e de uma certa importância vital para todos.
Passando a maioria das habitações a ter água canalizada, as Fontes de Loriga, deixaram de ter a mesma relevância que tinham
tido até então, no entanto, continuam bem vivas e ficarão para sempre gravadas na história desta localidade e da sua gente.

**
-7-

Fontanários na Vila:
-Fonte do Adro; Fonte das Almas; Fonte do Porto-
Várias outras Fontes:
Fonte do Amores; Fonte dos Azeiteiros (Penedo de Alvôco); Fonte da Casa do Fogueteiro (Recinto N.S. da Guia); Fonte do Mouro
(Vila); Fonte das Penedas (Vila); Fonte do Reboleiro (Vila); Fonte do Santo António (Vila); Fonte do Recinto da Senhora da Guia;
Fonte da Senhora da Guia Nova; Fonte do Vale
(Vila); Fonte do Vinhô (Vila).

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Duas das Fontes mais antigas de Loriga

Fonte do Vinhô(século XIII) Fonte do Vale(século I a.C.)

Imprensa de Loriga

A existência de Jornais com voz Loricense é um facto que começou a existir já vai para um século. Na história de Loriga vão, pois,
encontrar-se alguns jornais que se fundaram, uns com mais duração do que outros, mas que deram relevo a esta localidade e à
sua população.
Alguns dos jornais que existiram, ou mesmo os existentes hoje em dia, curiosamente foram fundados fora de Loriga.

Jornais de tempos passados ( já não existentes):

- Jornal "A Estrela D´Alva" primeiro jornal editado (2 de Fevereiro de 1901)

-Jornal "Echos de Loriga" - Publicado em Belém-Pará, fundado em 1906, por Jeremias Pina; José Lopes de Brito; Serafim da Mota,
e outros mais.

-Jornais "Voz de Loriga" e o "Povo de Loriga", foram editados a partir de 1908 no norte do Brasil pela Colónia Loricense alí radicada,
um com maior duração do que outro.

- Jornal "Voz de Loriga" editado em 1924-25 era bimensário e de orientação regionalista.

-Boletim "Loricense" - Publicado a partir de 1977, em Belém-Pará.

-Boletim "A Voz da Banda" -Publicado a partir de 1983, com pouca duração.

-Jornal "Noticias de Loriga" - Título já atribuído a um Jornal muito perto de sua publicação, em 1990, mas que não chegou a ser
publicado.

Jornais dos tempos