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Apartheid

O Apartheid (em africâner significa "separação")


foi um regime de segregação racial que ocorreu
na África do Sul a partir de 1948, o qual
privilegiava a elite branca do país, que perdurou
até as eleições presidenciais de 1994, ano em que
ascendeu ao poder Nelson Mandela, o maior
ícone de liderança da África Negra, que pôs fim
ao regime segregacionista, lutando pela igualdade
racial na África do Sul.

História do Apartheid: Resumo

\Os primeiros europeus a constituírem colônias no sul do


continente africano foram os holandeses, os quais empregavam
em suas plantations no litoral o trabalho escravo dos autóctones.
Por conseguinte, a colônia do Cabo foi tomada pelo Reino Unido
em 1800 e, já em 1892, foi limitado o sufrágio dos negros com
base no nível de instrução e nos recursos financeiros que
possuíam. No ano de 1894, os indianos foram privados de seu
direito de voto e, em 1905, foi a vez dos negros serem espoliados
do direito de voto e terem sua circulação restringida a
determinadas áreas.
Com a guerra entre ingleses e bôeres, tivemos a capitulação entre
as duas repúblicas e, no ano de 1910, uma Constituição negociada
entre bôeres e ingleses criou a "União Sul-Africana", abrindo
espaço para o regime do Apartheid, apesar da fundação do
Congresso Nacional Africano, partido político criado em 1912
para defender os direitos dos negros.
O regime do apartheid iniciou-se no período colonial, contudo, é
tratado oficialmente a partir das eleições gerais de 1948, quando a nova legislação passou a segregar
os habitantes em grupos raciais ("negros", "brancos", "de cor" e "indianos").
Posteriormente, num processo iniciado em 1990 pelo presidente Frederik Willem de Klerk, por
meio de negociações para acabar com o regime racista, teremos eleições democráticas em 1994, que
foram vencidas pelo Congresso Nacional Africano, sob o comando de Nelson Mandela.
Do ponto de vista ideológico, vale dizer que o Apartheid nasceu a partir do conceito romântico de
"nação", o mesmo utilizado pelo pensamento fascista, estabelecendo uma hierarquia racial e um
labirinto legal de discriminação racial na África do Sul.

O Apartheid e as Nações do Mundo

Toda esta prática racista e excludente acarretou em violência e um expressivo movimento de


resistência interna, bem como um duradouro embargo comercial contra a África do Sul. Como
efeito colateral mais marcante, podemos citar o protesto contra as Leis do Livre Trânsito, em 21 de
março de 1960, o qual acabou em tragédia, matando 69 manifestantes e ferindo 180.
Como consequência, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em 6 de novembro de 1962, a
Resolução 1761, reprovando as práticas racistas do regime sul-africano e demandando que os países
signatários da ONU cortassem as relações militares e econômicas com a África do Sul.

Assim, internacionalmente, a África do Sul ficou isolada, quando, em 1978 e 1983, inicia-se um
forte bloqueio à África do Sul, o qual pressionava empresários e empreendedores a rejeitarem
qualquer investimento naquele país, bem como proibiu os times esportivos da África do Sul de
participarem em eventos internacionais.
Em consequência, no ano de 1984, algumas reformas foram introduzidas, mas, na realidade, entre
1985 e 1988, eventos de extrema violência contra os povos oprimidos tornam-se corriqueiros, mas
leis de censura impedem a mídia de divulgá-los.

Nelson Mandela contra o Apartheid

O personagem mais icônico desse regime fora Nelson Mandela (1918-2013), o qual foi considerado
culpado de traição em 1963, sendo condenado a pena de prisão perpétua na Ilha Robben, onde
cumpriu 27 anos de cárcere. Com a abertura política e anistia, foi eleito presidente e conduziu o
processo de redemocratização da África do Sul.

As Leis do Apartheid

Lei de Terras Nativas de 1913, que divide a posse da


terra na África do Sul por grupos raciais;
Lei sobre Nativos em Áreas Urbanas de 1918, a qual
passa a obrigar os negros a viverem em locais
específicos;
Lei de Proibição dos Casamentos Mistos de 1949,
que torna ilegal o casamento entre pessoas de raças
diferentes;
Lei de Registro Populacional, de 1950, que
formalizou a divisão racial através da introdução de
um cartão de identidade diferenciado por raças;
Lei de Áreas de Agrupamento, de 1950,
determinando onde cada um viveria de acordo com
sua raça;
Lei de Auto-Determinação dos Bantu, de 1951, a qual
cria arcabouços governamentais distintos para
cidadãos negros;
Lei de Reserva dos Benefícios Sociais, de Em 1953,
que determina quais locais públicos poderiam ser
reservados para determinadas raças.

O Apartheid na Prática

Não-brancos eram recusados a se candidatarem e não podiam votar;


Os negros eram proibidos de ingressar em diversos empregos e também não podiam empregar
trabalhadores brancos;
A terra atribuída aos negros era, via de regra, muito improdutiva e não permitia a subsistência
digna;
educação provida aos negros era de péssima qualidade e voltada ao mercado de trabalho braçal;
Trens e ônibus eram segregados, bem como as praias, piscinas públicas e bibliotecas e cinemas;
Sexo inter-racial era proibido.

Fim do Apartheid

A despeito do movimento do Apartheid ter acabado em 1994, quando Nelson Mandela ascendeu ao
cargo de Presidente da África do Sul, problemas como a miséria, a injustiça e a desigualdade ainda
são comuns no país. Após as eleições de Mandela, a população branca, se viu destituída de poderes,
os quais durante quatro décadas esteve concentrado nas mãos da elite branca do país.
Assim, o regime segregacionista do apartheid privilegiou os interesses da minoria branca,
primeiramente dos descendentes de europeus que ocupavam o país; em 2014, completa 20 anos
desde a entrada de Mandela no poder (1994) e o fim do regime do apartheid.
Entretanto, apesar de muitas questões terem sido resolvidas, desde a inclusão dos negros na política,
economia, aumento de programas sociais, diminuição da miséria, a insatisfação da população ainda
persiste diante do contexto atual: péssimas condições de vida, aumento da desigualdade econômica,
social, cultural, e ainda, o desemprego que cresce a cada ano.
Mandela deixou bem claro que a intenção dele, durante toda sua vida, não era de criar um outro
regime segregacionista, separando a minoria branca da maioria negra; a ideia central do líder era
proporcionar uma sociedade igualitária para todas as pessoas, independente do credo, religião, cor,
etc.
Para tanto, estudos apontam que o problema da segregação racial ainda persiste na África do Sul,
onde muitos brancos, com receio de ataques, já resolveram deixar o país, consequência essa gerada
pelo aumento da violência inter-racial; embora a minoria branca ainda domine grande parte da cena
política e econômica do país. É salutar ressaltar que os imigrantes, sobretudo chineses e indianos,
sofreram também com o regime do apartheid, e ainda hoje, lidam com a xenofobia no país.
Guardada as devidas proporções, podemos comparar a herança do Apartheid, que ainda persiste em
diversos locais da África do Sul, tal qual o racismo no Brasil, herdado da época colonial, mediante
um sistema escravista que imperou no país por mais de 300 anos (1530 - 1888) e que continua, até
os dias de hoje, como um reflexo histórico da discriminação racial.