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Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição

Mesmo uma máquina sendo montada em cima de uma base rígida projetada para
apresentar níveis adequados de vibrações, a força transmitida da máquina para a base ou
da base para o sistema pode ser elevada e isto pode causar problemas.

Nestes casos é necessário isolar o sistema com isoladores reativos e/ou passivos de
2.6 Vibração livre com amortecimento viscoso
vibrações.

Isolar é interpor entre um sistema (máquina) e sua base elementos com características (k e
c) bem definidas de maneira que as forças transmitidas (do sistema para sua base e vice-
versa) sejam as menores possíveis.

O isolamento pode ocorrer de duas maneiras, primeiro isolar a base (e consequentemente


o meio) das forças de vibração transmitidas pela máquina.

Em segundo, isolar a máquina da vibração proveniente da base.


Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição

Isolamento ativo

O isolamento ativo consiste em isolar a base das vibrações provenientes


da máquina. Para isto é necessário determinar as forças transmitidas pelos
amortecedores e molas (em regime permanente) vistos na fig. abaixo
2.6 Vibração livre com amortecimento viscoso

Exemplo de máquina montada sobre uma base com isoladores


Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição

Isolamento ativo

As amplitudes das forças nas molas e amortecedores em regime permanente


são dadas por
𝑭𝒎𝒐𝒍𝒂 = 𝒌𝒙 = 𝒌 𝑿𝒑 𝒔𝒆𝒏(𝝎𝒕 − 𝝋),
2.6 Vibração livre com amortecimento viscoso
𝑭𝒂𝒎𝒐𝒓𝒕 = 𝒄𝒙 = 𝒄𝝎 𝑿𝒑 𝒄𝒐𝒔(𝝎𝒕 − 𝝋)

É interessante observar que 𝑭𝒎𝒐𝒍𝒂 e 𝑭𝒂𝒎𝒐𝒓𝒕 são ortogonais daí a amplitude


total da força transmitida 𝑭𝒕𝒓 pode ser calculada por
𝒄𝝎 𝟐
𝟐 𝟐 𝟐 𝟐
𝑭𝒕𝒓 = 𝑭𝒎𝒐𝒍𝒂 + 𝑭𝒂𝒎𝒐𝒓𝒕 = 𝒌𝑿𝒑 + 𝒄𝝎 𝑿𝒑 = 𝒌𝑿𝒑 𝟏+
𝒌

𝝎
lembrando que 𝒓 = , 𝒄 = 𝟐𝒎𝝃𝝎𝒏 e 𝒌 = 𝒎(𝝎𝒏 )² tem-se que
𝝎𝒏
𝑭𝒕𝒓 = 𝒌𝑿𝒑 𝟏 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição

Isolamento ativo

A transmissibilidade absoluta TR é portanto definida como sendo a razão


entre as amplitudes das forças transmitidas e de excitação
2.6 Vibração livre com amortecimento
𝑭𝒕𝒓viscoso
𝑻𝑹 =
𝑭𝒆𝒙𝒄

Relembrando que a amplitude da força de excitação pode ser calculada com base na
amplitude de vibração em regime permanente
𝑭 = 𝒌𝑿𝒑 𝟏 − 𝒓² 𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐

Substituindo as Eqs. 𝑭𝒕𝒓 e 𝑭 = 𝑭𝒆𝒙𝒄 obtém-se a transmissibilidade absoluta

𝟏 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
𝑻𝑹 =
𝟏 − 𝒓² 𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição

Isolamento ativo

É importante observar que 𝑭𝒕𝒓 = 𝑻𝑹 𝑭𝒆𝒙𝒄 , ou seja, a força de excitação é transmitida


proporcionalmente a transmissibilidade absoluta 𝑻𝑹 .

Assim,2.6 Vibração
é desejável livre
que com
o valor deamortecimento
𝑻𝑹 seja o mínimoviscoso
possível.

Na prática deve-se definir qual a transmissibilidade 𝑻𝑹 adequada para o sistema e com isto
calcular qual a razão 𝒓 que pode ser utilizada para se ter esta transmissibilidade.

A fig. A seguir mostra o valor de 𝑻𝑹 em função da razão 𝒓.

Onde observa-se que para valores 𝒓 > 𝟐 representam 𝑻𝑹 < 𝟏, o que significa que o que
é transmitido à base é menor que a amplitude gerada.

Esta faixa representa a faixa de isolamento.

Por outro lado, para 𝒓 < 𝟐 representa 𝑻𝑹 > 𝟏, o que representa a faixa de ampliação.
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Isolamento ativo

2.6 Vibração livre com amortecimento viscoso

Transmissibilidade Absoluta do sistema


Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição

Isolamento ativo
Exemplo 1.
Uma máquina rotativa tem massa de 500 kg e um desbalanceamento 𝑚0 𝑒 = 5,8 𝑘𝑔 ∙ 𝑚 .
Quando são usados amortecedores com fator de amortecimento ξ = 0,2 ,especifique as
molas para montagem tal que somente 10% da força de desbalanceamento seja
2.6 Vibração
transmitida ao chão. livre com amortecimento viscoso
Determine também a intensidade da força transmitida.
O ventilador gira a uma velocidade de 1000 rpm.

Solução:
A rotação da máquina em rad/s é dada por
𝟐𝝅
𝝎 = 𝟏𝟎𝟎𝟎 × = 𝟏𝟎𝟒, 𝟕 𝒓𝒂𝒅/𝒔
𝟔𝟎

A transmissibilidade 𝑻𝑹 desejada é de 10% assim a razão 𝒓 necessária é calculada por


𝟏 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
𝑻𝑹 = = 𝟎, 𝟏
𝟐
𝟏 − 𝒓² + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição

Isolamento ativo
Exemplo 1.
Resolvendo a equação acima chegasse a 𝒓 = 𝟒, 𝟕𝟐 > 𝟐 que corresponde a faixa de
isolamento.
Após o 𝒓 calculado obtém-se a frequência natural 𝝎𝒏 necessária
2.6 Vibração livre com amortecimento
𝟏𝟎𝟒, 𝟕 viscoso
𝝎𝒏 = = 𝟐𝟐, 𝟏𝟖 𝒓𝒂𝒅/𝒔
𝟒, 𝟕𝟐

Lembrando que a rigidez é dada por 𝒌 = 𝒎(𝝎𝒏 )² , tem-se que a mola deve ter uma
rigidez
𝒌 = 𝟓𝟎𝟎 × (𝟐𝟐, 𝟏𝟖)² = 𝟐𝟒𝟔. 𝟏𝟗𝟖 𝑵/𝒎

Por fim, a intensidade da força transmitida é


𝑭𝒕𝒓
𝑻𝑹 = 𝟎, 𝟏 = ⟹
𝑭𝒆𝒙𝒄

⟹ 𝑭𝒕𝒓 = 𝟎, 𝟏𝑭𝒆𝒙𝒄 = 𝟎, 𝟏 𝒎𝟎 𝒆𝝎𝟐 = 𝟎, 𝟏 𝟓, 𝟖 × (𝟏𝟎𝟒, 𝟕 2 ) = 𝟔. 𝟑𝟔𝟎, 𝟒𝑵


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Isolamento passivo
O isolamento passivo por sua vez corresponde a isolar a excitação da base para a máquina.

A fig. abaixo mostra um sistema com isolamento passivo.

2.6 Vibração
Neste caso livre acom
𝒙 𝒕 representa amortecimento
vibração da máquina, 𝒚viscoso
𝒕 a vibração da base e 𝒛 𝒕 a vibração
relativa
𝒛 𝒕 =𝒙 𝒕 −𝒚 𝒕

Exemplo de máquina como isolamento passivo.


Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição
Isolamento passivo

As forças nas molas e amortecedores são dada por

𝑭𝒎𝒐𝒍𝒂 = 𝒌𝒛 = 𝒌 𝒙 − 𝒚 = 𝒌𝒙 − 𝒌𝒚,
2.6 Vibração livre com amortecimento viscoso
𝑭𝒂𝒎𝒐𝒓𝒕 = 𝒄𝒛 = 𝒄 𝒙 − 𝒚 = 𝒄𝒙 − 𝒄𝒚

A equação do movimento para o sistema máquina-base é descrita por

𝒎𝒙 + 𝒄𝒙 + 𝒌𝒙 = 𝒄𝒚 + 𝒌𝒚

onde assume-se que a base tem um movimento do tipo harmônico 𝒚 𝒕 = 𝒀𝒔𝒆𝒏(𝝎𝒕)

𝒎𝒙 + 𝒄𝒙 + 𝒌𝒙 = 𝒄𝝎𝒀𝒄𝒐𝒔(𝝎𝒕) + 𝒌𝒀𝒔𝒆𝒏(𝝎𝒕)

A transmissibilidade absoluta 𝑻𝑹 para este caso é dada por

𝟏 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
𝑻𝑹 =
𝟏 − 𝒓² 𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição
Isolamento passivo
Exemplo 2.
Um grupo motor-ventilador é montado sobre duas viga I de aço com E = 210 X 109 N/m², 2
metros de comprimento cada uma com momento de inércia I = 270.000 cm4. O grupo tem
7300 kg de massa e gira 107 a 900 rpm.
(a) Supondo ξ= 0,05 qual
2.6 Vibração livreacom
% da amortecimento
força de excitaçãoviscoso
que é transmitida à estrutura que
suporta as vigas?
(b) Interpondo entre a viga e o grupo em série, isoladores de molas helicoidais de rigidez
total de 4000 kgf/cm qual a redução (%) da amplitude?
Solução:
(a) A rotação em rad/s pode ser calculada por
𝟐𝝅
𝝎 = 𝟗𝟎𝟎 × = 𝟗𝟒, 𝟑 𝒓𝒂𝒅/𝒔
𝟔𝟎
A rigidez total das duas vigas em paralelo é obtida a partir de

𝟑𝑬𝑰 𝟑(210 × 109 × 2,7 × 10−𝟑


𝒌𝒆𝒒 =𝟐× =𝟐× = 𝟒, 𝟑 × 107N/m
𝑳³ 𝟐³
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição
Isolamento passivo
Exemplo 2.
Uma vez a rigidez keq calculada pode-se obter a freqüência natural

𝒌𝒆𝒒 𝟒, 𝟑 × 107N/m
2.6 Vibração 𝝎
livre
𝒏 =
com amortecimento
= viscoso
= 𝟕𝟔, 𝟕 𝒓𝒂𝒅/𝒔
𝒎 𝟕. 𝟑𝟎𝟎𝒌𝒈

Conhecidas as freqüências ,
𝝎 𝟗𝟒,𝟑
𝒓 = 𝝎 = 𝟕𝟔,𝟕 = 𝟏, 𝟐𝟑 < 𝟐 ,
𝒏

que corresponde a uma faixa de ampliação.

Por fim a transmissibilidade absoluta é dada por

𝟏 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐 𝟏 + 𝟐 × 𝟎, 𝟎𝟓 × 𝟏, 𝟐𝟑 𝟐
𝑻𝑹 = = = 𝟏, 𝟓𝟏
𝟏 − 𝒓² 𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐 𝟏 − (𝟏, 𝟐𝟑)² 𝟐 + 𝟐 × 𝟎, 𝟎𝟓 × 𝟏, 𝟐𝟑 𝟐

que corresponde a um valor alto.


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Isolamento passivo
Exemplo 2.
(b) Como a transmissibilidade é muito alta deve-se instalar molas como isoladores para
diminuir 𝑻𝑹 .
O primeiro ponto é calcular a rigidez equivalente entre a rigidez das duas vigas e das molas
dos isoladores que estão
2.6 Vibração emcom
livre sérieamortecimento viscoso
𝟏 𝟏 𝟏
= + ⟹ 𝒌𝒆𝒒 = 𝟑, 𝟕𝟕 × 10𝟔 𝑵/𝒎
𝒌𝒆𝒒 6,8 × 10 7 4 × 10 𝟔

A nova frequência natural do sistema é então calculada por

𝒌𝒆𝒒 𝟑, 𝟕𝟕 × 106N/m
𝝎𝒏 = = = 𝟐𝟐, 𝟕 𝒓𝒂𝒅/𝒔
𝒎 𝟕. 𝟑𝟎𝟎𝒌𝒈

A razão entre as frequências para esta configuração é dada por


𝝎 𝟗𝟒, 𝟑
𝒓= = = 𝟒, 𝟏𝟒 > 𝟐
𝝎𝒏 𝟐𝟐, 𝟕
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição
Isolamento passivo
Exemplo 2.

A nova transmissibilidade é então dada por

2.6 Vibração livre𝟐com amortecimento


𝟏 + 𝟐𝝃𝒓 𝟏 + 𝟐 viscoso
× 𝟎, 𝟎𝟓 × 𝟒, 𝟏𝟒 𝟐
𝑻𝑹 = = = 𝟎, 𝟎𝟕𝟐
𝟐
𝟏 − 𝒓² + 𝟐𝝃𝒓 𝟐 𝟏 − (𝟒, 𝟏𝟒)² 𝟐 + 𝟐 × 𝟎, 𝟎𝟓 × 𝟒, 𝟏𝟒 𝟐

A amplitude de vibração em regime permanente antes de colocar os isoladores


é dada por:
𝒎𝑿𝒑 𝒓² 𝟏, 𝟐𝟑²
= =
𝒎𝟎 𝒆 𝟐
𝟏 − 𝒓² + 𝟐𝝃𝒓 𝟐 𝟏 − 𝟏, 𝟐𝟑² 𝟐 + 𝟐 × 𝟎, 𝟎𝟓 × 𝟏, 𝟐𝟑 𝟐

Depois de colocar as molas dos isoladores a amplitude de vibração em regime


permanente deve ser descrita por

𝒎𝑿𝒑𝟏 𝒓² 𝟒, 𝟏𝟒²
= =
𝒎𝟎 𝒆 𝟏 − 𝒓² 𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐 𝟏 − 𝟒, 𝟏𝟒² 𝟐 + 𝟐 × 𝟎, 𝟎𝟓 × 𝟒, 𝟏𝟒 𝟐
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição

Isolamento passivo
Exemplo 2.
Assim, a razão entre as amplitudes antes e depois de colocar os isoladores é dada por

𝑿
2.6 Vibração livre com𝒑 amortecimento
= 𝟐, 𝟓𝟔 ⟹ 𝑿𝒑𝟏 =viscoso
𝟎, 𝟏𝟐 𝑿𝒑
𝑿𝒑𝟏

Com isto a redução conseguida na amplitude de vibração do sistema quando se aplica os


isoladores é de 88%.
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Técnicas de Medição

A medição de vibrações ocupa um lugar de destaque em diversas áreas e aplicações.

Portanto, o emprego de técnicas adequadas que garantam uma correta análise é de fundamental
importância.
2.6 Vibração livre com amortecimento viscoso
Veremos algumas informações básicas sobre qual o hardware necessário para medição de sinais de
vibração.

Em primeiro lugar devemos dizer que existem duas formas de se medir sinais de vibrações:

• Medidas somente de resposta em máquinas operando em condições de trabalho, onde no geral se


desconhece exatamente quais são os sinais de entrada que excitam o sistema (máquina).

• Medidas realizadas em ambiente de laboratório, onde o sinal de excitação é simulado a partir de um


excitador.

O primeiro tipo de medição é mais usado em aplicações de manutenção preditiva por análise de
vibrações ou ainda em análise modal operacional.

Já o segundo tipo de medição é empregado comumente em análise modal experimental, análise


dinâmica visando modificação estrutural, testes de produtos e protótipos, etc.
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Medição em campo

A medição em campo significa obter as respostas de vibração através de sensores diversos


(sensores de proximidade, acelerômetros, etc.) quando a máquina ou o sistema se encontra
operando em condições reais de trabalho.
2.6 Vibração livre com amortecimento viscoso
Nestas condições, normalmente a força de excitação é desconhecida exatamente.

Neste caso pode-se medir os sinais usando os chamados coletores comerciais de grandes
fabricantes.
Estes coletores são compostos por um sistema de aquisição com conversor A/D, filtro anti-
aliasing analógico, condicionador de sinais e sensor acoplado tudo no mesmo sistema.

Alguns modelos têm inclusive softwares analisadores que necessitam descarregar em algum
computador.

Outro tipo comum de medição pode ser feita agrupando todos os elementos acima em
hardwares separados, por exemplo, ter um sensor, um condicionador, um filtro anti-aliasing
analógico, uma placa A/D, um sistema de aquisição de sinais e um computador para análise
dos dados.
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Medição em campo
O uso de condicionadores de sinais é obrigatório, pois o sinal analógico de vibração é convertido
em grandeza elétrica pelos sensores (transdutores).

No geral, a intensidade deste sinal é muito baixa sendo necessária amplificar e condicionar este
sinal. Este2.6
procedimento é realizado
Vibração livre pelo aparelho condicionador
com amortecimento viscoso de sinais.

O filtro anti-aliasing (suavizador)é necessário para limitar o sinal até uma frequência máxima
para poder amostrá-lo em uma taxa correta e evitar os problemas nocivos de aliasing
(descontinuidade, em forma de escada, de uma curva, fenômeno indesejável no trabalho com
imagens).

A placa de conversão A/D discretiza o sinal tanto em frequência quanto em amplitude (dividindo
pelo número de bits do conversor).

Assim se uma placa de aquisição tem 12 bits, isto significa que em amplitude ocorrerá uma
divisão em 212 níveis de tensão quantizadas (número de quantas).

Após o sinal digitalizado este pode ser analisado em algum software específico em um
computador para se dar algum diagnóstico.
Destaca-se que todo o hardware empregado em medições deve estar previamente calibrado.
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Medição em laboratório

A medição em laboratório se caracteriza por ser realizada em um ambiente controlado.

Além de toda a instrumentação discutida anteriormente ser usada pode-se empregar


também um
2.6 gerador de
Vibração sinais
livre comanalógicos (ou mesmoviscoso
amortecimento digital com um conversor D/A), um
amplificador de potência e um excitador, que pode ser eletrodinâmico (tipo mais comum),
magnético, hidráulico, piezocerâmico (muito usado em controle ativo de vibrações em
estruturas inteligentes), etc.

Acoplado ao excitador é comum se empregar um sensor de força composto por uma célula
de carga.

A saída desta célula de carga pode estar acoplada a um sistema de aquisição de dados.
Neste caso específico o sinal de excitação seria medido.

Portanto, poderíamos estimar FRFS, IRFs de sistemas mecânicos em laboratório e extrair


parâmetros modais.

Os principais fabricantes mundiais de softwares , sensores, placas de aquisição de dados


para vibração, etc. são: BK, LMS, PCB, National Instruments (LabView), dentre outros.
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Transdutores para medição de vibrações

Quando se emprega um transdutor para medir vibrações, o que estamos fazendo é medir o
deslocamento relativo entre duas coordenadas generalizadas.

Considere
2.6 aVibração
medida delivre
movimento relativo z(t) do sistema
com amortecimento viscosoda fig. Abaixo
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Transdutores para medição de vibrações

Sabe-se que 𝒛 = 𝒙 − 𝒚 e:

𝒎𝒙 = 𝑭𝒎𝒐𝒍𝒂 − 𝑭𝒂𝒎𝒐𝒓𝒕

𝒎𝒙 = −𝒌𝒙 − 𝒌𝒚 − 𝒄𝒙 + 𝒄𝒚

𝒎𝒛 + 𝒄𝒛 + 𝒌𝒛 = −𝒎𝒚

Lembrando que os sinais podem ser assumidos do tipo harmônico:

𝒚(𝒕) = 𝒀𝒔𝒆𝒏(𝝎𝒕)

𝒚(𝒕) = 𝒀𝝎𝟐 𝒔𝒆𝒏(𝝎𝒕)

Assim a Eq. 𝒎𝒛 + 𝒄𝒛 + 𝒌𝒛 = −𝒎𝒚 pode ser escrita como:

𝒎𝒛 + 𝒄𝒛 + 𝒌𝒛 = 𝒎𝒀𝝎𝟐 𝒔𝒆𝒏(𝝎𝒕)
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição
Transdutores para medição de vibrações

Então:

𝑭 𝒌 𝒔𝒆𝒏(𝝎𝒕 − 𝝓)
𝒚(𝒕) =
𝟏 − 𝒓𝟐 𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐

𝟐𝝃𝒓
𝒕𝒂𝒏(𝝓) =
𝟏 − 𝒓𝟐

𝒎𝒚𝝎𝟐 𝒔𝒆𝒏(𝝎𝒕 − 𝝓)
𝒛(𝒕) =
𝒌 𝟏 − 𝒓𝟐 𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐

Assim a razão entre as duas amplitudes 𝒛 e 𝒚 é dada por:

𝒛 𝒓𝟐
=
𝒚 𝟏 − 𝒓𝟐 𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
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Transdutores para medição de vibrações
Existem dois tipos de transdutores: instrumentos com baixa frequência natural e alta frequência
natural.
𝝎
Em transdutores com baixa frequência natural têm-se que 𝝎𝒏
≫ 𝟏, ou seja, que a frequência da
máquina ou sistema a ser medida é muito maior do que a freqüência natural do transdutor.
𝒛
Um exemplo de sensor deste tipo são os vibrômetros e sismômetros. Nesta situação a Eq.𝒚 =
𝒓𝟐
fica:
𝟐
𝟏−𝒓𝟐 + 𝟐𝝃𝒓 𝟐
𝒛
≈𝟏 ⟹𝒛≈𝒚
𝒚
sendo 𝒚 a amplitude a ser medida e 𝒛 a amplitude fornecida pelo instrumento de medição.

No outro tipo (com alta frequência natural) o mais comum é o emprego de acelerômetros.
Um acelerômetro basicamente é composto de uma pequena massa sobre uma base com dois
cristais piezelétricos, um acoplado na massa e o segundo acoplado na base.

O movimento relativo entre estes cristais é convertido em tensão elétrica que é enviada a um
condicionador de sinais por cabos e posteriormente para um sistema de aquisição.
Isolamento de Vibrações, Tipos de Amortecimento e Técnicas de Medição
Transdutores para medição de vibrações
Exemplo 1
Um transdutor com 𝝎𝒏 = 𝟏 𝑯𝒛 é usado para medir uma vibração de 𝝎 = 𝟒 𝑯𝒛. A
amplitude indicada pelo transdutor é de 1,3 mm, qual a amplitude correta? (𝝃 = 𝟎)

Solução:
Primeiramente, calculamos a razão entre frequências:

𝝎 𝟒
𝒓= = =𝟒
𝝎𝒏 𝟏

O que significa que o transdutor tem alta frequência natural, assim

𝒛 𝟏, 𝟑 𝒓𝟐
= = ⟹ 𝒚 = 𝟏, 𝟐𝟐 𝒎𝒎
𝒚 𝒚 𝟏 − 𝒓𝟐
.
FACULDADE ESTÁCIO DO RECIFE
CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

PRINCÍPIO FÍSICO DO ENSAIO DE ULTRASSOM

TRABALHO APRESENTADO NO CURSO DE GRADUAÇÃO DA FACULDADE ESTÁCIO DO


RECIFE, PARA AVALIAÇÃO DA DISCIPLINA MECÂNICA VIBRATÓRIA, DO CURSO DE
ENGENHARIA MECÂNICA. ORIENTAÇÃO: PROFESSOR MARCOS SANTOS.

Venerando Lima
Tiago Araújo
Clécio Silva

Recife 2016
INTRODUÇÃO
Introdução
No passado, testes de eixos ferroviários, ou mesmos
sinos, eram executados por testes com martelo, em
que o som produzido pela peça, denunciava a
presença de rachaduras ou trincas grosseiras pelo som
característico.
Assim como uma onda sonora reflete num anteparo
qualquer, a vibração ou onda ultrassônica ao percorrer
um meio elástico refletira da mesma forma ao incidir
numa descontinuidade ou falha interna a este meio
considerado.
Introdução
Fonte: ANDREUCCI, 2008
Finalidade do Ensaio

• O ensaio por ultrassom, caracteriza-se num método


não destrutivo que tem por objetivo a detecção de
defeitos ou descontinuidades internas, presentes nos
mais variados tipos ou forma de materiais ferrosos
ou não ferrosos. Tais defeitos são caracterizados
pelo próprio processo de fabricação da peça ou
componentes a ser examinada como por exemplo:
bolhas de gás em fundidos, dupla laminação em
laminados, microtrincas em forjados, uniões
soldadas e muitos outros.
Aplicação do Ensaio

• Áreas de caldeiraria e estruturas marítimas para a


detecção e avaliação de descontinuidades internas.
• Medição de espessura e avaliação de corrosão.
• Determinação de propriedades físicas:
Estrutura do Grão.
Tamanho do Grão.
Constantes elásticas.
Vantagens
• Alta sensibilidade na detecção de pequenas descontinuidades internas, por
exemplo: Trincas devido a tratamento térmico, fissuras e outros de difícil
detecção por ensaio de radiações penetrantes (radiografia ou gamagrafia).
• Para interpretação das indicações, dispensa processos intermediários,
agilizando a inspeção e não tem risco ao operador.
• Na radiografia ou gamagrafia, existe a necessidade do processo de
revelação do filme, que demanda tempo do informe de resultados.
• Ao contrário de radiações penetrantes, o ensaio de ultrassom não requer
planos especiais de segurança ou quaisquer acessórios para sua aplicação.
• A localização, avaliação do tamanho e interpretação das descontinuidades.
Por exemplo, um defeito mostrado num filme radiográfico define o
tamanho mas não sua profundidade e em muitos casos este é um fator
importante para proceder um reparo em uma peça.
Desvantagens e Limitações
• Requer grande conhecimento teórico e experiência por parte do
inspetor.
• O registro permanente do teste não é facilmente obtido.
• Faixas de espessuras muito finas, constituem uma dificuldade
para aplicação do método.
• Requer o preparo da superfície para sua aplicação. Em alguns
casos de inspeção de solda, existe a necessidade da remoção
total do reforço da solda, que demanda tempo de fábrica
• Uso de Acoplante.
• Blocos Padrões e de Referencias.
VIBRAÇÃO MECÂNICA
Espectro de Frequência Sonora
Fonte: SANTIN, 2003
Vibrações Mecânicas
Propagação das Ondas: As ondas ultrassônicas são
vibrações mecânicas que
propagam-se nos meios
elásticos. Quando partículas
atômicas ou moleculares são
removidas de suas posições de
equilíbrio por qualquer força
externa, tensões internas agem
para recolocadas em suas
posições originais.
Ondas Longitudinais (Compressão)
São ondas cujas partículas oscilam
zona de compressão na direção de propagação da onda,
podendo ser transmitidas a sólidos,
líquidos e gases. No desenho ao lado
nota-se que o primeiro plano de
partículas vibra e transfere sua
energia cinética para os próximos
planos de partículas, e passam a
oscilar. Desta maneira, todo o meio
elástico vibra na mesma direção de
 propagação da onda (longitudinal), e
aparecerá “zonas de compressão” e
“zonas diluídas”. As distâncias entre
duas zonas de compressão
determinam o comprimento de onda.
Ondas Transversais (Cisalhamento)
V


Uma onda transversal é definida, quando as partículas do meio vibram na direção
perpendicular ao de propagação. Neste caso, observamos que os planos de
partículas, mantém-se na mesma distância um do outro, movendo-se apenas
verticalmente. As partículas oscilam na direção transversal a direção de propagação,
podendo ser transmitidas somente a sólidos. As ondas transversais são praticamente
incapazes de se propagarem nos líquidos e gases, pela características das ligações
entre partículas, destes meios.
Ondas Longitudinais e Transversais
Ondas Longitudinais e Transversais
Velocidades das Ondas nos Materiais
Fonte: ANDREUCCI, 2008 Fonte: ANDREUCCI, 2008
Ondas Superficiais (Rayleight)
São assim chamadas, pela características
Fonte: SANTIN, 2003
de se propagar na superfície dos sólidos.
Devido ao complexo movimento
oscilatório das partículas da superfície, a
velocidade de propagação da onda
superficial entre duas fases diferentes é
de aproximadamente 10% inferior que a
de uma onda transversal. Para o tipo de
onda superficial que não possui a
componente normal, portanto se propaga
em movimento paralelo a superfície e
transversal em relação a direção de
propagação recebe a denominação de
ondas de “Love”. Sua aplicação se
restringe ao exame de finas camadas de
material que recobrem outros materiais.
CARACTERÍSTICAS DO
FEIXE ULTRASSÔNICO
Efeito Piezelétrico
carcaça conector
Bloco carcaça
amortecedor

bobina conector
Bloco
amortecedor
Bloco
amortecedor
cristal cristal

face de proteção cunha acrilica


conectores

Bloco amortecedor Bloco amortecedor

cristal cristal

Bloco de retardo Bloco de retardo


Isolante acústico
Atenuação Sônica
Fonte: COPPEN, 2012
Amplitude

Tempo

T
Tipos de Incidência
Incidência Normal Incidência Angular
Fonte: COPPEN, 2012 Fonte: COPPEN, 2012

3
1
2
Equipamentos e Acessórios
Fonte: Autor, Aparelho de Ultrassom Fonte: Autor, Acoplante Fonte: Autor, Transdutores e Cabos

Fonte: Autor, Bloco Curvo de Referência


PRINCIPIOS DA ANÁLISE DE VIBRAÇÕES
MOVIMENTO HARMÔNICO

A forma mais simples de um movimento


periódico é o movimento harmônico simples,
representado pelas funções seno e coseno.
Todo movimento harmônico é periódico, mas
nem todo movimento periódico é harmônico.
MOVIMENTO OSCILATÓRIO

Xo

Fig.. 1
Estudos mais profundos no campo das
variações ondulatórias causadas por
vibrações mostram que qualquer forma de
onda no tempo pode ser decomposta em
uma série de senóides puras.
Os sinais harmônicos representam
perfeitamente a maioria dos sinais de uma
máquina. Assim sendo, uma componente de
vibração é essencialmente um movimento
harmônico, uma senóide como visto a seguir.
SENÓIDE
90 180 270 360

Amplitude

T
Em regime de funcionamento um
equipamento está sujeito a vibrações que
ocorrem ao mesmo tempo mas em diversas
freqüências diferentes. Isto torna difícil uma
avaliação destes eventos no domínio do
tempo, pois os sinais se sobrepõe.
EVENTOS SIMULTÂNEOS

t
Para que possamos avaliar simultaneamente
todos os sinais, é melhor que o façamos no
domínio da freqüência, onde podemos
explicitar cada evento separadamente.
Para exemplificarmos, tomemos três sinais
simultâneos no intervalo de tempo “t”, e que
ocorram em freqüências múltiplas entre si.
Vejamos estes sinais em um sistema de três
dimensões cujos eixos determinem o tempo, a
amplitude e a freqüência de cada sinal.
a

t
a1 1ª harmônica

a2 2ª harm.

a3 3ª harm.

f T = 2T = 3T
No plano ta temos uma visão superposta das três formas
de onda onde distinguimos claramente os três períodos.
Como os sinais são harmônicos entre si, temos:
T3 = 2T2 = 3T3

a
Domínio do tempo

T1
T2
T3
No plano fa, o que temos é uma visão em separado de
cada sinal segundo sua amplitude e freqüência

a
Domínio da freqüência

f1 f2 f3 f
Como estamos considerando sinais harmônicos
as freqüências são múltiplas da primeira, ou
seja:
f2 = 2f1
f3 = 3f1
f4 = 4f1
E assim sucessivamente.
Sinais harmônicos entre si são muito comuns
no campo das vibrações mecânicas, por isso é
de extrema importância que saibamos
identificar os sinais presentes em uma
máquina e estabelecer as relações entre os
mesmos.
Em outras palavras, é necessário saber se um
determinado sinal acontece na freqüência
fundamental de um evento ou se é a
conseqüência harmônica de um outro sinal
qualquer.
A primeira harmônica de um sinal qualquer é
chamada de fundamental. Assim sendo, as
harmônicas de um sinal são conseqüência de
sua fundamental e não existem sem a mesma.
É natural que todo equipamento apresente
vibrações em determinadas freqüências
quando de seu funcionamento. Essas vibrações
são decorrentes da própria rotação do
equipamento e de seus elementos de
máquina.
Essas vibrações são consideradas normais
desde que mantidas dentro de um limite
aceitável de amplitude e sem o aparecimento
de componentes indesejáveis tais como
famílias de harmônicas, bandas laterais, etc...
Dos sinais inerentes ao funcionamento dos
equipamentos podemos destacar como os
mais comuns e que devem ser conhecidos de
antemão pelo analista:
• Freqüência de rotação da máquina.

• Freqüência de passagem de pás quando bombas


ou ventiladores

• Freqüência de engrenamento quando redutores


Estes sinais estão todos relacionados com a
rotação do equipamento e devem ser
conhecidos pelo analista, pois muitas vezes
servem como referência para o ajuste e análise
do espectro de vibração.
FREQÜÊNCIA DE ROTAÇÃO - 1 X RPM

Um sinal de vibração na freqüência de rotação


da máquina é o sinal mais certo de obtermos,
uma vez que o mesmo é causado pelo
movimento de giro do eixo. Sendo assim é
necessário que se conheça sempre a
velocidade de rotação da máquina.
Em se tratando de motores elétricos, a quase
totalidade dos equipamentos têm velocidade
de rotação padrão conforme o fabricante.
Essas rotações dependem do número de pólos
do motor e são relacionadas a seguir.
VELOCIDADES PADRÃO PARA MOTORES
ELÉTRICOS CONFORME Nº. DE PÓLOS

2 PÓLOS = 3.600 RPM

4 PÓLOS = 1.800 RPM

6 PÓLOS = 1.200 RPM

8 PÓLOS = 900 RPM


Como os espectros são analisados no domínio
da freqüência, em ciclos por segundo, é
necessário que façamos a conversão da
rotação de rpm para rps, ou Hertz. Isso se faz
dividindo a rotação em rpm por 60.
VELOCIDADES DE ROTAÇÃO EM HERTZ

3.600 rpm = 60 rps = 60 Hz

1.800 rpm = 30 rps = 30 Hz

1200 rpm = 20 rps = 20 Hz

900 rpm = 15 rps = 15 Hz