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Auditoria Ca r n e iro d e A r a u jo

Autoria: Dirceu

Tema 01
Aspectos Conceituais de Auditoria
Tema 01
Aspectos Conceituais de Auditoria
Autoria: Dirceu Carneiro de Araujo
Como citar esse documento:
ARAUJO, Dirceu Carneiro de. Auditoria: Aspectos Conceituais de Auditoria. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2016.

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portuguesa ou qualquer outro idioma.
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Neste tema você tomará conhecimento dos principais aspectos relacionados as atividades de auditoria, a origem
da auditoria, seu conceito, seu objetivo, os requisitos para ser auditor, órgãos reguladores da profissão de auditoria no
Brasil, tipos de auditoria, obrigatoriedade do uso da auditoria. Uma vez que você tomou conhecimento dos primeiros
aspectos da auditoria, poderemos identificar as empresas que, por força de lei ou por realizarem atividades reguladas
pelo governo ou por alguma agência, estão sujeitas à auditoria independente de suas atividades e das demonstrações
contábeis. Assim, ao final deste tema você será capaz de conceituar auditoria, relacionar os requisitos para ser um au-
ditor independente, elencar quais órgãos regulam a profissão de auditoria e quais empresas são obrigadas a realizar
auditoria externa.

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Aspectos Conceituais de Auditoria

1. Origem e Evolução da Auditoria

Para iniciar este estudo você deve tentar responder uma pergunta que, apesar de simples, pode causar confusão
na grande maioria das pessoas: o que é auditoria? Busque nos seus conhecimentos e faça mentalmente uma descrição
da origem e da evolução histórica dessa atividade.

Você pode associar o surgimento da auditoria com a contabilidade e assim, retornar muito nas brumas do passado. Para
o pesquisador brasileiro Sá (2010, p. 21), se tem notícias de que vestígios de auditoria foram encontrados na antiga
Suméria, por volta do ano de 4.500 antes de cristo (a.C.).

A pratica da auditoria atual, possivelmente, provém do final do século XVIII como ferramenta de controle da forte expansão
econômica advinda da Revolução Industrial, a prática moderna da auditoria aponta que sua evolução se deu para
atender necessidades decorrentes da evolução do sistema industrial e comercial, principalmente na Inglaterra onde este

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fenômeno teve seu ápice. Decorre desse fator uma forte influência da escola britânica na economia e na prática contábil
dos países por ela colonizados, inclusive os Estados Unidos da América (EUA).

Segundo O’Reilly et al. (1990) apud Yoshitake (2009, p. 9), na Grã-Bretanha existiam dois tipos de auditoria: a) auditoria
de cidades; b) auditoria de vilas. Sendo que em ambas auditorias um funcionário do governo local lia publicamente as
contas para o enviado do rei, esses auditores anotavam as contas com frases como: “ouvida pelos auditores abaixo-
assinados”.

De acordo com Lins (2014), a palavra auditoria origina-se do latim audire, que significa ouvir, como podemos perceber
na forma como os britânicos faziam.

Se no início eram os detentores do poder que queriam saber de suas posses, dos reis sumérios, 4.500 a.C., passando
pelos egípcios, 4.000 a.C., pelos chineses, 1.900 a.C., pelos babilônicos, 1.800 a.C., até os romanos, 1.400 d.C. Neste
grande período, aproximadamente de 4.500 a.C. até 1.400 d.C., era um controle somente do crescimento do patrimônio,
hoje temos um controle das contabilidades das empresas na busca de uma segurança maior para os investidores.
Temos nos grandes descobrimentos, como por exemplo as américas, no século XV, em que as viagens que foram
financiadas por reinos, igreja católica e terceiros, tais como pelos reinos de Portugal, Espanha e depois da Grã-Bretanha,
e pela igreja católica e a classe burguesa, temos notícias que 1.602 foi fundada a primeira Sociedade por Ações com
autofinanciamento das arriscadas, que se chamava Companhia Holandesas das Índias Orientais (COSTA, 2013). Na
revolução industrial houve as mesmas necessidades de captar recursos financeiros de terceiros. Em outras palavras, para
grandes investimentos, é necessário dinheiro e, na maioria das vezes, os investidores externos, tais como: agências
financiadoras, bancos, credores, acionistas, etc., precisam aportar este capital.

Pense agora que você ou um investidor estão colocando dinheiro num investimento. Como você ou qualquer investidor,
podem ter certeza que os recursos vão voltar e lógico com os lucros esperados? Podemos afirmar que, com relação a
geração de lucro não se pode ter certeza, somente existe uma expectativa de retorno em qualquer investimento.

No entanto, é necessário um mecanismo como a auditoria, para que as prestações de contas sejam confiáveis e
as informações do negócio sejam julgadas por alguém de fora da empresa, aumentado o grau de confiança dessas
informações.

No começo as empresas publicavam suas informações financeiras com base na contabilidade, mas como saber se as
informações estavam corretas? Os investidores sentiram a necessidade de um controle externo e independente, talvez
nesse momento tenha surgido a auditoria independente.

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Para que você tenha uma ideia a respeito desse contexto podemos citar a grande crise de 1929 nos EUA e a criação da Security
and Exchange Commission (SEC) em 1934 que a profissão de auditor assume importância, já que os EUA assumiram o posto
de maior economia do mundo, uma vez que as empresas que transacionavam ações na Bolsa de Valores precisavam dar
maior credibilidade em suas informações e assegurar a validade de suas demonstrações financeiras por meio da opinião
de auditores.

2. Conceito de Auditoria

Como todo conceito cada autor de auditoria tem o seu, que traz ênfase diferenciada, porém, quase todos mantem
uma similaridade entre eles.

Para nossos estudos iniciais vamos utilizar o conceito trazido pela NBC TA – Estrutura Conceitual:

“Trabalho de asseguração é o trabalho no qual o auditor independente visa obter evidências apropriadas e
suficientes para expressar sua conclusão, de forma a aumentar o grau de confiança dos usuários previstos sobre
o resultado da mensuração ou avaliação do objeto, de acordo com os critérios que sejam aplicáveis.”. (CFC,
2015).

Note que a NBC TA Estrutura Conceitual traz o conceito de trabalho de Asseguração que é o gênero, do qual a auditoria
é uma espécie.

Na lição de Yoshitake(2009) a American Accounting Association (AAA), em 1973, definiu auditoria como:

“Auditoria é um processo sistemático de objetivamente obter e avaliar a evidência considerando as afirmações


a respeito de ações e eventos econômicos para assegurar o grau de correspondência entre aquelas afirmações
e estabelecidos critérios de comunicação de resultados para os usuários interessados.”. (AAA (1973) apud
YOSHITAKE, 2009, p. 12).

A International Federation of Accountants (IFAC) entende que a palavra “auditoria” deve transmitir aos usuários de
demonstrações financeiras uma mensagem de que o auditor “obteve asseguração razoável de que as demonstrações
financeiras como um todo estão livres de erros relevantes, independentemente do porte, complexidade ou tipo da
entidade auditada”. (IFAC, 2012).

Podemos resumir que auditoria é o uso de técnicas apropriadas aplicadas na revisão da contabilidade e das demonstrações
contábeis que visam aumentar o grau de confiabilidade das informações.

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3. Objetivos da Auditoria

O objetivo da auditoria está traçado pela NBC TA 200/09 nos seguintes termos:

“O objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários.
Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis
foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro
aplicável.”. (CFC, 2009, item 3).

Novamente chamamos a atenção do aluno que cada autor pode descrever o objetivo da auditoria de uma forma mais
abrangente ou mais restritiva, por isso optamos pela descrição da NBC TA 200/09, que é fruto de um documento técnico
da convergência com a contabilidade internacional.

4. Requisitos Para Ser Um Auditor Independente

A esta altura você deve estar se perguntando o é um auditor? Como posso ser um auditor? O que se exige para
ser um auditor?

a) Registro no Conselho Regional de Contabilidade (CRC)

A NBC TA 200 utiliza o termo auditor como: “Auditor é usado em referência à pessoa ou pessoas que conduzem a
auditoria, geralmente o sócio do trabalho ou outros integrantes da equipe do trabalho, ou, como aplicável, à firma.”.
(CFC, 2009). Podemos verificar que existe uma preocupação de como termo auditor será usado internamente às
normas.

Para Perez Junior (2012, p. 2) “Auditor é o profissional que, possuindo competência legal como contador e conhecimentos
em áreas correlatas à Contabilidade”, emitirá sua opinião a respeito das demonstrações contábeis.

O aluno pode verificar no conceito que se exige competência legal como contador, ou seja, somente bacharéis em
contabilidade podem se habilitar para ser auditor, conforme inciso I, do artigo 3° da Instrução CVM 308/98: “Art. 3°.
Para fins de registro na categoria de Auditor Independente, pessoa física, deverá o interessado atender às seguintes
condições: I – Estar registrado em CRC, na categoria de contador. ”. (CVM, 1998).

Pode–se ler que não basta saber contabilidade ou auditoria, deve ser bacharel em contabilidade, passar pelo exame de
suficiência e estar inscrito no CRC. Deve ainda comprovar o exercício da pratica de auditoria por cinco anos no mínimo
e comprovar educação continuada.

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b) Registro no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI)

Depois de estar registrado no CRC, o contador deve ser aprovado no Exame de Qualificação Técnica, regulado pela
NBC PA 13(R2), a partir desse momento terá seu registro de forma automática no Cadastro Nacional dos Auditores
Independentes (CNAI) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a partir da data de publicação do resultado no
Diário Oficial da União.

Cumprido estas duas etapas o auditor poderá pleitear seu registro na CVM, Banco Central do Brasil, Conselho Nacional
de Seguros Privados e outros órgãos específicos.

5. Órgãos Reguladores da Profissão de Auditor no Brasil

Você já está percebendo que a profissão de auditor é extremamente regulamentada, bem como o seu exercício,
existe uma norma para quase tudo. Iremos agora elencar de forma rápida quais os principais órgãos que regulamenta
esta profissão.

No Brasil, os principais órgãos emissores de atos que regulamentam a profissão do auditor independente são:

• Conselho Federal de Contabilidade (CFC)

O CFC é o órgão máximo que regula o exercício da profissão do contabilista no Brasil, no caso específico da auditoria.

• Comissão de Pronunciamentos Contábeis (CPC)

O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) foi idealizado a partir da união de esforços e comunhão de objetivos
das seguintes entidades: Associação Brasileira das Companhias Abertas (ABRASCA), Associação dos Analistas e
Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (APIMEC NACIONAL), Bolsa de Mercadoria e Futuros e Bolsa de
Valores de São Paulo (BM&FBOVESPA), Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Fundação Instituto de Pesquisas
Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) e Instituto dos Auditores independentes do Brasil (IBRACON).

Tendo ainda como entidades convidadas: Banco Central do Brasil (BCB), Confederação Nacional da Industria (CNI),
CVM, Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), Receita Federal do Brasil (RFB), Superintendência de Seguros
Privados (SUSEP).

Por meio da Comissão de Pronunciamentos Contábeis – CPC, expede-se Normas Brasileiras de Contabilidade, Técnica
de Auditoria (NBC TA).

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• Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

Conforme estabelece o art. 1° da Instrução CVM n° 308/1999, o auditor independente, para exercer atividade no âmbito
do mercado de valores mobiliários, está sujeito ao registro na CVM.

• Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON)

É o órgão de classe dos auditores, trabalha na defesa dos interesses dos auditores e na manutenção da qualidade da
profissão.

• Banco Central do Brasil (BCB);

Expede normas específicas para auditoria nas instituições financeiras.

• Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) Expede normas específicas para auditoria nas instituições de
seguros.

6. Tipos de Auditoria

Basicamente há dois tipos de auditoria realizadas por auditores: auditoria interna e auditoria externa ou independente.

Poderíamos até falar num terceiro tipo que é a auditoria Fiscal, realizada pelos agentes governamentais, mas esta
atividade está mais no campo fiscalizatório e não no campo administrativo, razão pela qual não a abordaremos.

A principal auditoria é a externa ou independente, que segue os métodos e procedimentos utilizados pela categoria
profissional, totalmente regulamentada por normas emitidas pelos diversos órgãos contábeis e reguladores da profissão,
não se afastando da aplicação da legislação de cada país.

Já a auditoria interna, apesar de seguir os métodos e procedimentos da auditoria externa, tem objetivos distintos, tais
como, revisar integralmente os registros contábeis, revisar os controles internos.

Enquanto a auditoria externa se preocupa em aumentar o grau de confiança informações, a auditoria interna se preocupa
com a eficiência, eficácia e segurança das operações internas da empresa.

A auditoria externa é obrigatória por lei para determinadas empresas e a auditoria interna é facultativa, servindo como
órgão de apoio a gestão, assegurando que os controles internos estão em funcionamento.

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A auditoria externa ou independente é aquela executada por profissionais ou empresas que não possuem vínculo ou
subordinação à empresa auditada, emite uma opinião independente sobre a entidade auditada, já a auditoria interna, por
sua vez, é aquela executada pela própria organização, com empregados próprios ou com terceirizados, podendo até ser
uma empresa, garante o atendimento dos objetivos institucionais.

Enquanto os auditores independentes se dedicam ao exame das demonstrações contábeis, por amostragens e por um curto
período de tempo, os auditores internos realizam um trabalho mais profundo, controlando toda a operação da empresa.

Usaremos uma pequena tabela para resumir essas ideias.


Tabela 1.1: Diferença entre auditoria interna e auditoria externa

AUDITOR INTERNO AUDITOR EXTERNO


Relação do a empresa É empregado da empresa ou terceirizado Não possui vínculo empregatício

Grau de Independência Menor Maior


Finalidade Comunicar os trabalhos realizados, as Emissão de uma opinião sobre a adequação
conclusões e as recomendações a serem das demonstrações contábeis
implementadas

Tipos de auditoria Contábil e operacional Contábil


Público alvo Interno Interno e externo
Duração Continua Pontual
Volume de testes Maior Menor
Quem exerce a atividade Contador registrado no CRC Contador registrado no CRC, CNAI, CVM

Documento que produz Relatório Relatório


Onde é realizada Qualquer empresa Qualquer empresa
Obrigatoriedade Não SIM

Adaptada de: Barreto e Graeff (2014).

Em ambas as auditorias poderíamos dividir por área, seguimento, atividade, tais como: auditoria das demonstrações
contábeis, auditoria de controle interno, auditoria operacional, auditoria de cumprimento da legislação ou compliance,
auditoria de gestão, auditoria de sistema, auditoria tributária e fiscal, auditoria ambiental; ou seja, para qualquer atividade
da empresa poderíamos realizar um procedimento de auditoria específico.

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a) Diferença entre Perícia e Auditoria

Você não pode deixar de lado que existe dois ramos que partem da contabilidade que causam confusão nos estudantes
iniciantes e leigos, que é a perícia e auditoria. De acordo com Hoog (2001) a perícia é a prova elucidativa dos fatos,
abrange a totalidade dos fatos, analisando com um rigor muito grande a respeito do assunto tratado, repudia a amostragem
utilizada pela auditoria.

Já a auditoria é mais uma revisão, verificação, apesar de aumentar a confiabilidade das informações contábeis, tende a
ser constantemente repetida de tempos em tempos, com menos rigores metodológicos pois utiliza-se da amostragem.

Na tabela abaixo apresentaremos algumas comparações a respeito da perícia e da auditoria.


Tabela 1.2 - Quadro Comparativo Entre Auditoria E Perícia Contábil

PERÍCIA AUDITORIA

1- Executada somente por pessoa física. 1- Pode ser executada tanto por pessoa física quanto
por jurídica.

2- A perícia serve a uma época, questionamento ou 2 – Repete-se no tempo.


objeto específico.

3 – A perícia se prende a uma resposta conclusiva 3 – Auditoria se prende à asseguração razoável, sobre
ou não, com o objetivo de esclarecer controvérsias. atos e fatos contábeis.

4 – É restrita aos quesitos e pontos controvertidos, 4 – Pode ser específica ou não.


determinados pelo condutor judicial.

5 – Sua análise é irrestrita e abrangente. 5 – Feita por amostragem.

6 – Usuários do serviço: As partes e principalmente 6 – Usuários do serviço: Sócios, investidores,


a justiça administradores

7 – As normas técnicas são: NBC PP. 7 – As normas técnicas são: NBC TA.

Adaptada de: Hoog (2001).

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7. Obrigatoriedade da Auditoria

A importância da auditoria nos dias atuais fez com que os órgãos de controle e fiscalização das empresas,
principalmente aquelas com ações negociadas nas Bolsas de Valores, tivessem que se submeter a auditoria externa.

No Brasil já com a edição da primeira versão da Lei n° 6.404/76 houve a exigência legal da realização da auditoria,
nos seguintes termos: Artigo 177, § 3° - As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda,
as normas expedidas pela CVM e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela
registrados. (BRASIL, 1976).

Com o processo de convergência da contabilidade a alteração proporcionada pela Lei nº 11.638/07, incluiu artigo 177 o
§ 5° - As normas expedidas pela CVM a que se refere o § 3o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com
os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (BRASIL, 1976).

Você pode perceber que existe a exigência da auditoria, e que seja realizada por auditor independente, registrado na
CVM, e que faça as ligações necessárias para a regulação da auditoria, da profissão e da inscrição. Sem contar que
existe a exigência de que devemos seguir os padrões internacionais de contabilidade, as normas de convergência.

Outro elemento que temos atualmente, se refere a equiparação das empresas de grande porte às sociedades de capital
fechado. Ou, seja, aquelas empresas que tem ativo total ou superior a R$ 240 milhões, ou receita bruta anual superior
a R$ 300 milhões, não importando o tipo de organização societária, se S.A. ou Ltda, estão sujeitas as normas da Lei n°
6.404/76, ou seja, a obrigatoriedade da auditoria externa.

As entidades de fins filantrópicos também são obrigadas a se submeterem a auditoria externa por força do Decreto n°
2.536/98, para fins de concessão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos.

As instituições financeiras de modo geral também são obrigadas a realizar auditoria externa por força da Resolução
n° 2.267/96 do Banco Central do Brasil (BACEN), além dos fundos de investimentos autorizados pelo BACEN e as
administradoras de consórcios.

Existe também a exigência pelo Conselho Nacional de Seguros Privados, que por meio da resolução CNSP n° 118/2004
determina que as sociedades seguradoras, de capitalizações e entidades abertas de previdência complementar tenha
auditoria externa, inclusive um Comitê de Auditoria.

Por último temos as empresas submetidas a outros órgãos, tais como:

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Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)

Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL)

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)

Secretaria de Previdência Complementar (SPC)

Tabela 1.3 – Empresas obrigadas a fazer auditoria externa

Fonte: Elaborada pelo autor.

É possível que outras exigências sejam feitas por instituições financeiras, por acionistas, por determinação estatutária ou
social, ou por qualquer outro contrato particular que a empresa estabeleça, mas nestas hipóteses temos cláusulas particulares.

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Origem, evolução e desenvolvimento da auditoria

• Acesse o artigo de Silvio Aparecido Crepaldi, com o título de Origem, evolução e desenvolvi-
mento da auditoria. Neste artigo o autor faz uma cronologia a respeito da origem e desenvolvimen-
to da auditoria.
Disponível em: <http://www.classecontabil.com.br/artigos/origem-evolucao-e-desenvolvimento-da-auditoria>.
Acesso em: 11/05/2016.

Relevância e Desafios do Perfil do Auditor Externo: um Estudo de Caso

• Acesse o artigo de Edirene Teresinha de Assis, Franciane de Oliveira Alvarenga e Clodoaldo


Fabrício José Lacerda, com o título de Relevância e Desafios do Perfil do Auditor Externo: um
Estudo de Caso. Os autores nos brindam com um estudo bibliográfico a respeito da auditoria
externa traçando uma cronologia com os desafios para se tornar um auditor externo.
Disponível em: <http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos14/702050.pdf>. Acesso em: 11/05/2016.

Regulação da atividade de auditoria independente no Brasil


• Acesse o artigo Regulação da atividade de auditoria independente no Brasil de Juliana Ferreira
Lopes. É um artigo de muita valia para aqueles que querem sabem quais os órgãos que regula
a profissão de auditoria no Brasil.
Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/regulacao-da-atividade-de-auditoria-independente-no-bra-
sil/127455/>. Acesso em: 11/05/2016.

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CRCSP DEBATE MAIO 2015

• Assista o vídeo: CRCSP DEBATE MAIO 2015 – que trata da NBC PA 12 – Educação
continuada profissional. Neste vídeo os autores fazem um debate a respeito da necessidade
da educação continuada profissional para os contadores que exercem o trabalha com da
auditoria.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8GpqQ-o1K2E> Acesso em: 11/05/2016.

Tempo: 24:40

Diálogos: Perícia contábil e o mercado de trabalho

• Assista o vídeo: Diálogos: Perícia contábil e o mercado de trabalho, da UnBTV - maio/2015.


O autor faz um rico esclarecimento a respeito da perícia contábil, mostrando os diversos
campos de atuação do contador.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4KkWvibXEUQ>. Acesso em: 11/05/2016.

Tempo: 22:34

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agoraéasuavez
Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla
escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.
Questão 1

Comente a respeito da importância da revisão dos registros contábeis para assegurar o investimento do capital?

Questão 2

Quais os passos para se obter o registro de auditor independente no Brasil?

Questão 3

É uma característica da auditoria interna:

a) manter independência total da empresa.

b) ser sempre executada por profissional liberal.

c) emitir parecer sobre as demonstrações financeiras.

d) revisar integralmente os registros contábeis.

e) existir em todas empresas de capital aberto.

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Questão 4

O objetivo da auditoria contábil é:

a) a análise do sistema contábil e do sistema de controle interno.

b) a execução do programa de auditoria.

c) emissão de relatório sobre a adequação de parte das demonstrações contábeis.

d) a aplicação das políticas de compliance.

e) é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários.

Questão 5
De acordo com a legislação vigente a auditoria externa é realizada:

a) pelo diretor presidente da empresa auditada.

b) por um (ou mais) funcionários da assessoria da empresa.

c) pelo funcionário responsável pela caixa da empresa.

d) por um (ou mais) diretores executivos da empresa, especialmente designados.

e) por um (ou mais) profissionais independentes, habilitados, especificamente contratados pela empresa para tal.

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finalizando
Neste tema você tomou conhecimento de como a auditoria teve sua origem, os conceitos básicos de auditoria,
seu objetivo, os requisitos para ser um auditor independente, as principais entidades que regula a profissão do auditor
no Brasil, os dois tipos principais de auditoria, a diferença básica entre auditoria e perícia e por fim quais empresas são
obrigadas a se submeter a auditoria externa.

No próximo tema você tomará conhecimento das principais normas que regula o exercício da atividade de auditoria e suas
implicações no dia-a-dia do profissional que faz auditoria independente.

referências
ASSIS, E. T. D.; ALVARENGA, F. D. O.; LACERDA, C. F. J. Relevância e Desafios do Perfil do Auditor Externo: um Estudo
de Caso. XI Simpósio de exelência em gestão e tecnologia, 2014. Disponivel em: <http://www.aedb.br/seget/arquivos/
artigos14/702050.pdf>. Acesso em: 20 maio 2015.
BARRETO, D.; GRAEFF, F. Auditoria: Teoria e exercícios comentados. 3. ed. São Paulo: Método, 2014.
BRASIL. Banco Central do Brasil. RESOLUÇÃO N.º 2.690, 2000. Disponivel em: <http://www.direitobrasil.adv.br/arquivospdf/
legiscomp/rbc/2690. pdf>. Acesso em: 20 maio 2016.
BRASIL. Legislação. Lei n° 6.404/76: Lei das Sociedades por ações, 1976. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/L6404 compilada.htm>. Acesso em: 09 maio 2016.
CFC. NBC TA 200: Objetivos Gerais do Auditor Independente. CFC: Conselho Federal de Contabilidade, 2009. Disponivel em:
<http://www1.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?codigo=2009/001203>. Acesso em: 09 maio 2016.
CFC. NBC TA ESTRUTURA CONCEITUAL. CFC: Conselho Federal de Contabilidade, 2015. Disponivel em: <http://www1.cfc.
org.br/sisweb/sre/ detalhes_sre.aspx?Codigo=2015/NBCTAESTRUTURACONCEITUAL>. Acesso em: 20 maio 2016.

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referências
COSTA, F. N. D. Cidadania e Cultura. Era das grandes navegações: competição, 2013. Disponivel em: <https://
fernandonogueiracosta. wordpress.com/2013/04/01/era-das-grandes-navegacoes-competicao-e-propriedade/>. Acesso em: 30
maio 2015.
CRCSP. TV CRCSP. Youtube, 2015. Disponivel em: <https://www.youtube.com/watch?v=8GpqQ-o1K2E>. Acesso em: 20 maio
2016.
CREPALDI, S. A. Origem, evolução e desenvolvimento da auditoria. Portal Classe Contábil, 2006. Disponivel em: <http://www.
classecontabil. com.br/artigos/origem-evolucao-e-desenvolvimento-da-auditoria>. Acesso em: 11 maio 2016.
CVM. Comissão de Valores Mobiliários. Instrução CVM 308, 1998. Disponivel em: <http://www.cvm.gov.br/legislacao/inst/
inst308.html>. Acesso em: 09 maio 2016.
HOOG, W. A. Z. crcpr.org.br. Diferença entre auditoria e perícia contábil, 2001. Disponivel em: <http://www.crcpr.org.br/new/
content/ publicacao/revista/revista133/diferenca.htm>. Acesso em: 06 maio 2016.
IFAC, I. F. O. A.-. IFAC A UM CONJUNTO ÚNICO DE NORMAS DE AUDITORIA: auditorias de entidades de pequeno e médio
porte. IBRACON, 2012. Disponivel em: <http://www.ibracon.com.br/downloads/pdf/policy PositionPaper_2_Final.pdf>. Acesso
em: 10 maio 2016.
LINS, L. D. S. Auditoria: uma abordagem prática com ênfase na auditoria externa: atualizada e revisada. 3ª. ed. São Paulo:
Atlas, 2014.
PEREZ JUNIOR, J. H. Auditoria de demonstrações contábeis: normas e procedimentos. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
PINHEIRO, J. L. Mercado de Capitais: Fundamentos e técnicas. São Paulo: Atlas, 2001.
SÁ, A. L. D. Curso de Auditoria. 10. ed. São Paulo : Atlas, 2010.
UNBTV. Diálogos: Perícia contábil e o mercado de trabalho. Youtube, 2015. Disponivel em: <https://www.youtube.com/
watch?v=4KkWvibXEUQ>. Acesso em: 20 maio 2016.
YOSHITAKE, M. Auditoria Contábil. Curitiba: IESDE, 2009.

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glossário
Revolução Industrial: foi um conjunto de mudanças que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. A principal
particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas, que
proporcionou um avanço no comércio mundial, principalmente, pela Inglaterra.

Investidores: são as “[...] pessoas físicas ou jurídicas que participam diretamente no mercado, seja comprando ou ven-
dendo ações, por si próprios, assumindo sozinhos o risco” (PINHEIRO, 2001, p.90), ou seja, são pessoas como eu e
você ou ainda empresas ou pessoas jurídicas que investem seu capital em empreendimentos de terceiros.

Bolsa de Valores: As bolsas de valores são sociedades anônimas ou associações civis, com o objetivo de manter local
ou sistema adequado ao encontro de seus membros e à realização entre eles de transações de compra e venda de tí-
tulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado por seus membros e pela
CVM. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa (BRASIL, 2000).

NBC TA: Sigla de Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica de Auditoria, onde estão definidas as regulamentações
da profissão de auditor, fazem parte do processo de convergência da contabilidade.

Compliance: O termo compliance tem origem no verbo em inglês to comply, que significa agir de acordo com uma regra,
uma instrução interna, um comando ou um pedido, ou seja, é estar em conformidade com leis e regulamentos externos
e internos.

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GABARITO
Questão 1:

Resposta: Sendo uma exigência a realização de auditoria para as empresas de capital aberto, as de grande porte,
aquelas que operam no mercado financeiro e outras que por exigências de agências reguladoras ou de contrato entre os
sócios. A auditoria é um importante instrumento de controle e transparência das informações contábeis, principalmente
com a aprovação da lei anticorrupção, onde são penalizados os gestores. Dessa forma assegurar que a gestão da
empresa está seguindo as Normas Brasileiras de Contabilidade e a legislação vigente no país aumenta o grau de
confiabilidade do investidor.

Questão 2:

Resposta: Primeiro ser um bacharel em contabilidade, ser aprovado no Exame de Suficiência, após exercer a atividade
de auditoria por cinco anos no mínimo, ser aprovado no Exame de Qualificação Técnica, do CNAI, por fim obter seu
registro na CVM e outros órgãos de controle.

Questão 3:

Resposta: Alternativa D.

Revisar integralmente os registros contábeis.

Questão 4:

Resposta: Alternativa E.

É aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários.

Questão 5:

Resposta: Alternativa E.

Por um (ou mais) profissionais independentes, habilitados, especificamente contratados pela empresa para tal.

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Auditoria Ca r n e iro d e A r a u jo
Autoria: Dirceu

Tema 02
Normas e Responsabilidade em Auditoria
Tema 02
Normas e Responsabilidade em Auditoria
Autoria: Dirceu Carneiro de Araujo
Como citar esse documento:
ARAUJO, Dirceu Carneiro de. Auditoria: Normas e Responsabilidade em Auditoria. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2016.

Índice

conviteàleitura PORDENTRODOTEMA
Pág. 3 Pág. 3

ACOMPANHENAWEB
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© 2016 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua
portuguesa ou qualquer outro idioma.
conviteàleitura
Neste tema você vai tomar conhecimento sobre as principais normas relacionadas ao trabalho dos auditores in-
dependentes ou internos. Com destaque para o Código de Ética Profissional, as Normas Brasileiras de Contabilidade,
Profissionais de Auditoria e por final as Normas Brasileiras de Contabilidade, Técnicas de Auditoria, devidamente con-
vergentes as normas internacionais. Você ficará por dentro de vários conceitos trazidos pelo processo de convergência
das normas de auditoria. Ao final você poderá identificar a importância do Código de Ética na profissão de auditor, sentir
que as normas profissionais de auditoria trazem bastante exigências para o exercício da profissão, tais como a qualidade
da firma, o exame de qualificação técnica, regras rígidas para que se mantenha a independência do auditor, a exigência
da revisão dos trabalhos das firmas de auditoria, sua capacitação profissional. Após estudarmos as normas técnicas o
aluno vai ser capaz de traçar o roteiro de um trabalho de auditoria. Por fim será capaz de explicar alguns conceitos tra-
zidos pela convergência internacional.

PORDENTRODOTEMA
Normas e responsabilidade em auditoria

A auditoria “contábil” por ser uma técnica praticada no mundo inteiro, é uma especialização contábil, por este fato
torna-se necessário que exista um conjunto de regras básicas padronizadas. As normas de auditoria, tal qual as normas
de contabilidade, foram adaptadas no Brasil, por força dos acordos de convergência internacional dos padrões contábeis.

Decorre disso que a profissão de auditor é totalmente regulamentada por leis e normas. Assim as normas que
estudaremos neste tema serão fundamentais para que o auditor possa exercer sua profissão com segurança, seguindo
um roteiro preestabelecido, que representam um conjunto de técnicas, procedimentos e rotinas necessários para o

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PORDENTRODOTEMA
adequado do exercício profissional de auditor das demonstrações financeiras, também conhecido como auditor externo
ou independente.

Quando pensamos nas Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) temos que partir do Código de Ética Profissional
do Contabilista, das Normas de Contabilidade, das Normas de Auditoria Independente e de Asseguração, Normas de
Auditoria Interna e Normas de Perícia.

Interpretando o artigo 7º da Resolução CFC nº 1.328, de 18 de março de 2011, nós temos a forma de se ler as abreviaturas
das NBC, seguido da abreviatura das normas técnicas, com o seu número. Exemplo: NBC, Técnica Auditoria (NBC TA),
NBC, Profissional de Auditoria (NBC PA), como apresentado na Tabela 2.1.

Assim temos na tabela 2.1, normas técnicas, conforme artigo 4º da Resolução CFC 1.328/11, que levando em consideração
o processo de convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade aos padrões internacionais, utilizando os mesmos
padrões das normas internacionais emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB) e pelo International
Federation of Accountants (IFAC), apresentou as seguintes nomenclaturas:

Nos ensinamentos de Longo (2015, p. 7) podemos resumir as normas profissionais e técnicas da seguinte forma:
Tabela 2.1 Resumo das normas profissionais e técnicas.

Fonte: (LONGO, 2015, p. 7)

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PORDENTRODOTEMA
I - Geral - NBC TG - são as Normas Brasileiras de Contabilidade convergentes com as normas internacionais [...].

II - Do Setor Público - NBC TSP - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público, convergentes
com as Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público, [...].

III - De Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica - NBC TA - são as Normas Brasileiras de Contabilidade
aplicadas à Auditoria [...].

IV - De Revisão de Informação Contábil Histórica - NBC TR - são as Normas Brasileiras de Contabilidade [...].

V - De Asseguração de Informação Não Histórica - NBC TO - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à
Asseguração [...].

VI - De Serviço Correlato - NBC TSC - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas aos Serviços Correlatos [...].

VII - de Auditoria Interna - NBC TI - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Auditoria
Interna.

VIII - de Perícia - NBC TP - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Perícia.

IX - De Auditoria Governamental - NBC TAG - são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Auditoria
Governamental [...].

1. O Código de Ética Profissional

A tabela 1.1 indica que o Código de Ética perpassa por toda a profissão de contabilidade, com o estabelecimento
da contabilidade como uma profissão não poderia deixar de ter o seu código de conduta, por meio da Resolução do
Conselho Federal de Contabilidade No. 803/96, de 10 de outubro de 1996, apresentou o Código de Ética Profissional do
Contabilista (CEPC), que teve sua atualização para ficar em sintonia com as normas internacionais em 2010, por meio
da Resolução CFC nº 1.307/10, de 09/12/2010.

Para a atividade de auditoria o artigo 5° do CEPC traz uma série de regulamentações para o exercício da profissão, tais
como: recusar prestar serviços quando reconheça não ter as qualificações técnicas necessárias. Ex: Ser convidado para
prestar auditoria em uma holding que tenha bancos, e você não ter conhecimentos da contabilidade bancária; Não ser
tendencioso em suas interpretações. Ex: Querer agradar seu contratante e informar mais qualidades do que realmente
existe; mantendo sempre a sua independência na elaboração de relatórios. Ex: Deixar se lavar pelos honorários e ficar

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PORDENTRODOTEMA
dependente do seu contratante para fechar novos contratos; não declarar suas convicções pessoais, mantando fiel
aos quesitos ou aos fatos encontrados, manter sua imparcialidade na emissão de seus relatórios, destacar fatos que
possa comprometer seu trabalho, somente emitir opinião a respeito de fatos se existir documentos que os comprovem,
destacar equívocos ou divergências na aplicação da NBC e dos Princípios de Contabilidade, declarar-se impedido
sempre que houver incompatibilidade com as restrições das NBCs e atender à fiscalização do CRC e CFC, quando
solicitado apresentar os documentos das auditorias realizadas. Ex: Existe uma demanda entre a empresa e acionistas
que alegam que seu relatório influenciou em decisões erradas e existe uma solicitação judicial para apresentação dos
documentos de auditoria.

Estes mesmos conceitos você irá rever quando estudarmos parte das NBC TA e PA, que são reafirmados nas normas
internacionais.

2. As Normas Brasileiras de Contabilidade

Novamente a tabela 1.1 nos auxilia a entender que o auditor deverá conhecer as NBC aplicadas à contabilidade,
ou seja, para ser um auditor o profissional deverá conhecer profundamente os Princípios de Contabilidade, os CPCs,
na atualidade temos 48 CPCs, conforme podemos pesquisar no site do Comitê de Pronunciamento Contábeis (CPC).
(CPC, 2013).

Esses pronunciamentos estarão na atividade do auditor contábil dia-a-dia, durante toda a realização dos trabalhos,
porque o que se busca é aumentar o grau de confiança das Demonstrações Contábeis.

Você pode imaginar que a cada vez que o auditor for aplicar um procedimento de auditoria num item do balanço, por
exemplo estoques, este procedimento deverá ter uma conexão com o CPC correspondente que trata do estoque, que
é o CPC 16, e assim para todos os grupos de contas. O estudo dos CPCs é uma fonte primordial para o exercício da
contabilidade e da auditoria.

3. Normas Brasileiras de Contabilidade de Auditoria

No Brasil após a convergência internacional, temos dois grupos de normas, o primeiro são as NBC PA, como o
aluno deve ter percebido na tabela 1.1, são Normas Brasileiras de Contabilidade, Profissionais de Auditoria e o segundo,
são as NBC TA, Normas Brasileiras de Contabilidade, Técnica de Auditoria.

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PORDENTRODOTEMA
a) Normas Brasileiras de Contabilidade, Profissionais de Auditoria

São as normas que estabelecem regras de exercício profissional do auditor independente ou da firma de auditoria. São
várias NBC PA mas para nossos propósitos trabalharemos somente com cinco normas que são:

I. A NBC PA 01 trata do Controle de Qualidade para Firmas e de Auditores Independentes, você deve notar que
o controle de qualidade se dá em nível de firma ou do profissional liberal. Esta norma tem sua equivalente na NBC
TA 220 que trata da qualidade dos trabalhos de auditoria e dos serviços prestados nas auditorias. Ex: Qualidade na
empresa: a empresa deve ter o mínimo de qualidade nos serviços, tais como: manual de procedimentos, arquivamento
seguindo normas de arquivologia, ter um serviço de atendimento ao cliente, canal de comunicação, treinamentos
de colaboradores e de sócios, etc. Qualidade do serviço: Manter uma lógica, reuniões com pauta e atas precisas,
documentação livres de rasuras, equipe treinada para o serviço, plano de auditoria seguido com rigor, relatórios e
memorandos concisos e pontuais, etc.

II. Para a NBC TA 290 (R1) a Independência dos trabalhos de auditoria e revisão é fundamental para a profissão. Os
auditores independentes devem exercer seu ofício com total independência da empresa auditada, não podendo sofrer
influência na elaboração de suas conclusões. Existe muitos impedimentos que o auditor deve estar atento para não
invalidar seus trabalhos, tais como: ter tido vínculo trabalhista com a empresa auditada, ter parentes na sociedade ou
na administração da empresa, não ter interesse financeiro na empresa, etc. Na NBC PA 200 temos várias orientações
a respeito da independência do auditor. (LINS, 2014). Caso o auditor note que está perdendo a independência deverá
criar mecanismos de proteção para que isto não ocorra; se persistir ou não conseguir minimizar o risco de perda de
independência deverá comunicar a empresa e deve deixar os serviços.

III. Para a NBC TA 11 as empresas de auditoria e os auditores independentes deverão se submeter a cada quatro
anos a uma auditoria externa, para revisar os trabalhos realizados.

IV. A NBC TA 12 prevê que o auditor independente ou qualquer contador que trabalhe em empresas de auditoria deve
comprovar a realização de no mínimo 40 horas de Educação Profissional Continuada. As horas realizadas devem ser
divididas em áreas de conhecimentos específicas, estabelecida na própria norma. (JUNIOR, 2012).

V. A NBC PA 13 trata do Exame de Qualificação de Auditoria para inscrição no Cadastro Nacional de Auditores
Independentes (CNAI), que tem como objetivo medir a qualificação dos candidatos a realização de auditoria.

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PORDENTRODOTEMA
Na tabela abaixo podemos resumir as NBC PAs comentadas de forma resumida.
Tabela 2.2 – Normas Brasileiras de Contabilidade, Profissionais de Auditoria

Nomenclatura Descrição da norma

NBC PA 01 Controle de Qualidade para Firmas (Pessoas Jurídicas e Físicas) de


Auditores Independentes.

NBC PA 290(R1) Independência – trabalhos de auditoria e revisão.


NBC PA 11 Revisão Externa de Qualidade pelos Pares.
NBC PA 12 Educação Profissional Continuada.
NBC PA 13 Exame de qualificação de auditoria.

Elaborado pelo autor.

b) Normas Brasileiras de Contabilidade, Técnica de Auditoria

As NBC TA, são as Técnicas de Auditoria e Asseguração, que são as normas internacionais: International Standards on
Auditing (ISAs), emitidas pela International Auditing and Assurance Standards Bord (IAASB) um órgão ligado ao IFAC,
que sua introdução no Brasil e nos países que aderiram à convergência se deu por meio de tradução literal e inclusive
mantendo os mesmos números das ISAs, para melhor comparação e aplicação.

São normas técnicas que estabelecem conceitos doutrinários, regras e procedimentos aplicados a auditoria, atualmente,
possuem um número de 37 NBC TAs divididas em várias seções, como veremos a seguir.

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PORDENTRODOTEMA
Tabela 2.3 – Resumo das NBC TAs

Seções das NBC TA


01 200 300 402 500 600 700 800
210 315 450 501 610 705 805
220 320 505 620 706 810
230 330 510 710
240 520 720
250 530
260 540
265 550
560
570
580

Elaborado pelo autor.

A primeira seção de norma é a NBC TA 01, composta somente por uma norma, que trata da estrutura conceitual
dos trabalhos de asseguração, detalha de maneira geral a respeito de todo os trabalhos de asseguração. O termo
asseguração é o gênero e diz respeito à segurança que os trabalhos de auditoria, que é uma espécie de asseguração,
devem passar para os relatórios de auditoria.

A segunda seção de NBC TA que inicia como o n° 200 e vai até o n° 265, este conjunto é composto por oito normas, que
trata da base inicial dos trabalhos, que faremos um breve resumo de cada uma:

I. NBC TA 200 que trata dos objetivos gerais do auditor independente e a condução da auditoria em conformidade
com normas de auditoria, também chamada de mãe de todas as normas, porque as demais normas devem ser lidas
tendo como base esta norma.

II. NBC TA 210 que trata da contratação dos serviços de auditoria, firmado por uma carta de contratação ou por outro
meio que se comprove a contratação, é o estabelecimento do “campo de trabalho” que as partes irão observar.

III. NBC TA 220 trata do controle de qualidade dos trabalhos de auditoria, já que a qualidade da empresa ou do auditor
independente é tratada na NBC PA 01.

IV. NBC TA 230 é a norma que trata da documentação da auditoria. São todos os registros de um trabalho de auditoria,
que se inicia na primeira reunião para contratação e passa por cada documento examinado e papéis de trabalho
realizado, pode ser em forma de papel ou em forma digital. Após os trabalhos concluídos e apresentação do relatório

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PORDENTRODOTEMA
o auditor tem 60 dias para finalizar a documentação e tem a responsabilidade de guardar por no mínimo cinco anos.
Somente pode dar conhecimento dos dados ao cliente, se solicitado por juiz, ou em procedimentos do CFC ou CRC
na forma da lei.

V. NBC TA 240 é a responsabilidade do auditor em relação à fraude, no contexto da auditoria de demonstrações


contábeis. Não é prioridade localizar uma fraude, mas pelas novas normas, o auditor sabe que fraudes podem existir e
ele deve seguir esta norma para produzir evidências, relatar sua ocorrência e sugerir mecanismos para sua, possível,
eliminação.

VI. NBC TA 250 são as considerações de leis e regulamentos na auditoria das demonstrações contábeis, é a forma
que o auditor dever verificar se as leis e regulamentos, tanto legal como da empresa, estão sendo cumpridos.

VII. NBC TA 260 trata do canal de comunicação com os responsáveis pela governança, é a forma que o auditor deve
se comunicar com os responsáveis pela empresa, para boa condução dos trabalhos e para dar respostas aos riscos
e distorções encontrada.

VIII. NBC TA 265 trata da comunicação de deficiências do controle interno, significa que durante os trabalhos podem
surgir distorções nos controles internos que comprometem os serviços de auditoria de devem ser reportadas para os
responsáveis pela empresa.

Na terceira seção de normas temos quatro normas, que são:

I. NBC TA 300 que trata do planejamento da auditoria de demonstrações contábeis, é uma norma de suma importância
para a auditoria, pois é neste passo que todo o trabalho de auditoria vai ser desenhado e o auditor vai estabelecer os
planos de auditoria para cada empresa. Dedicaremos uma aula somente para estudar isto.

II. NBC TA 315 é o momento de identificação e avaliação dos riscos de distorção relevante por meio do entendimento
da entidade e de seu ambiente. Juntamente com o planejamento o auditor vai conhecer a empresa e seu ambiente, ou
seja, conhecer o negócio de seu cliente, para tentar delinear os riscos e as distorções relevantes para os procedimentos
de auditoria.

III. NBC TA 320 trata da materialidade no planejamento e na execução da auditoria. É identificar os possíveis números
padrões da empresa, do setor, com as informações do negócio da empresa é possível estabelecer como deveria ser
os parâmetros da empresa auditada, qualquer distorção é motivo para chamar a atenção do auditor.

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PORDENTRODOTEMA
IV. NBC TA 330 é a resposta do auditor aos riscos avaliados. Iniciando no planejamento, conhecendo o negócio
da empresa e definindo a materialidade poderá surgir riscos de distorção relevante é o momento que o auditor vai
estabelecer procedimentos de auditoria em respostas as distorções relevantes ou aos riscos encontrados.

No conjunto da seção quatro temos somente duas normas:

I. NBC TA 402 que trata das considerações de auditoria para entidade que utiliza organização prestadora de serviços.
São os serviços de contabilidade realizados fora da empresa, que se existir, o prestador de serviços também deverá
ser auditado.

II. NBC TA 450 é a avaliação das distorções identificadas durante a auditoria que leva o auditor a medir o grau
de comprometimento de seu relatório, se os dados encontrados podem alterar as informações das demonstrações
contábeis, ou se as distorções não foram corrigidas pela administração. O auditor vai avaliar se isto compromete ou
não seu relatório.

Na seção cinco temos onze normas, que trata do chamado núcleo central da auditoria, são as normas da parte operacional
da realização da coleta de evidências, procedimentos a serem aplicados, amostras, como veremos nas descrições:

I. NBC TA 500 elenca as diversas formas como o auditor evidencia o seu trabalho, utilizando de meios, tais como:
indagação, recálculo, reexecução, observação, aplicação de procedimentos analíticos e confirmações com fontes
externas. As evidências de auditoria deverão ser apropriadas e suficientes.

II. NBC TA 501 nesta norma a evidência de auditoria são das considerações específicas para itens selecionados,
como certos aspectos da conta “Estoque” do ativo (CPC 26), assim como os litígios e reclamações, envolvendo a
entidade, e informações por segmentos (CPC 22) na auditoria das demonstrações contábeis. Neste caso precisa
estar em conformidade com a NBC TA 330, NBC TA 500 e outras normas relevantes.

III. NBC TA 505 são as confirmações externas, realizadas por meio principalmente das inspeções e da circularização.

IV. NBC TA 510 trata dos saldos iniciais, na primeira auditoria, neste caso o auditor tem que emitir sua opinião a
respeito dos saldos existentes no ano anterior, inclusive devendo se manifestar se as auditorias anteriores foram
realizadas em cumprimento as normas de auditoria.

V. NBC TA 520 os procedimentos analíticos, chamado também de procedimentos substantivos, são aplicados
durante todo o processo de auditoria, pode iniciar no planejamento e ir até a formulação da opinião no relatório
final de auditoria.

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PORDENTRODOTEMA
VI. NBC TA 530 esta norma trata da amostragem da auditoria. É ideal que o auditor se utilize de modelos estatísticos
para definir suas amostras, com isso pode se evitar distorções relevantes nos dados.

VII. NBC TA 540 trata da auditoria de estimativas contábeis, inclusive do valor justo, e divulgações relacionadas. Sabe-
se que as estimativas, cálculo do valor justo são julgamentos que os contadores fazem para contabilização de alguns
valores, são muitos CPCs, tais como: CPC 1, 13, 16, 25, 38 e 40. É fundamental que o auditor aplique esta norma em
conjunto com o CPC específico a cada caso.

VIII. NBC TA 550 trata das partes relacionadas, área de bastante risco para a auditoria, pelas próprias características
das relações comerciais entre partes relacionadas conforme o CPC 5. São muitos itens a serem testados pelo auditor
neste caso.

IX. NBC TA 560 os eventos subsequentes, são fatos que o auditor somente vai tomar conhecimento após a entrega
do relatório final de auditoria que vão influenciar as demonstrações contábeis ou a continuidade da empresa auditada,
assim vão impactar as considerações e as responsabilidades do auditor. Aplica as regras dessa norma para fazer
ressalvas ou dar explicações aos usuários das informações das demonstrações contábeis. Deve-se aplicar esta
norma com o complementa do CPC 24.

X. NBC TA 570 trata da continuidade da empresa. A aplicação do pressuposto da continuidade é basilar da contabilidade,
as empresas são constituídas para trabalhar por tempo indeterminado, o item 25, do CPC 26, estabelece normas para
a situação contrária, ou seja, a descontinuidade e encerramento da empresa. Esta norma além da NBC TA 200, item
23, devemos aplicar paralelamente com a NBC TA 315.

XI. NBC TA 580 são as regras das representações formais. É o momento que o auditor busca documentar que as
distorções relevantes são de responsabilidade do administrador da empresa, assim faz com que o administrador
declare estar ciente de que tudo tem que ser informado para auditoria.

Na seção seis temos três normas, que tratam da auditoria de grupos econômicos e usos de trabalhos de terceiros, como
veremos:

I. NBC TA 600 são as considerações especiais a respeito de auditorias de demonstrações contábeis de grupos,
incluindo o trabalho dos auditores dos componentes. Essa norma traz como novidade a responsabilidade do
auditor do grupo por toda auditoria realizada nas empresas conexas (componentes) independente se foi realizado
por ele ou não.

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PORDENTRODOTEMA
II. NBC TA 610 trata da utilização do trabalho da auditoria interna, traz as regras para se usar os trabalhos já realizados
pelo auditor interno, tal qual a responsabilidade da NBC TA 600, o auditor assume a responsabilidade pelas informações
utilizadas.

III. NBC TA 620 trata da utilização do trabalho de especialistas. O auditor não é um sabe tudo e às vezes é
necessário contratar um especialista para realizar alguns procedimentos de auditoria, são as regras e quando se
pode utilizar relatórios de especialistas nos trabalhos, mesmo assim o auditor assume total responsabilidade pelos
julgamentos realizados com base neste trabalho.

Na seção sete temos cinco normas que tratam do relatório final da auditoria, é o momento em que o auditor vai emitir sua
opinião por meio de relatório que pode ser limpo, ou sem ressalvas, com ressalvas, de opinião adversa, de abstenção
de opinião ou de um parágrafo com ênfase, como veremos:

I. NBC TA 700 trata da formação da opinião e emissão do relatório do auditor independente sobre as demonstrações
contábeis, essa norma trata da emissão de um relatório limpo, sem qualquer ressalva. São as regras para o auditor
formar sua opinião a respeito das demonstrações contábeis com base nas evidências obtidas nos procedimentos de
auditoria.

II. NBC TA 705 trata das modificações na opinião do auditor independente, entendendo modificação como a opinião
que não é pela aprovação completa, ou seja, “relatório limpo”. Esta norma trata das ressalvas, das abstenções na
opinião do auditor.

III. NBC TA 706 nesta norma o auditor vai emitir seu relatório com parágrafos de ênfase e parágrafos de outros
assuntos, que tem como objetivo chamar a atenção para algum assunto relevante, são comunicações adicionais que
o auditor considerar necessárias.

IV. NBC TA 710 trata das responsabilidades do auditor independente relacionadas às informações comparativas na
auditoria de demonstrações contábeis, regula a forma de manifestar opinião requerida na NBC TA 510, ou seja, as
auditorias anteriores foram executadas por outro auditor e precisam necessariamente serem auditadas pelo auditor
ou as demonstrações comparativas nunca foram auditadas e também precisam da opinião do auditor.

V. NBC TA 720 trata da responsabilidade do auditor em relação a outras informações incluídas em documentos que
contenham demonstrações contábeis auditadas, esta norma deve ser lida com a NBC TA 200, para assegurar as
informações que o auditor teve conhecimento e que não fazem parte das demonstrações financeiras.

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PORDENTRODOTEMA
Na última seção temos três normas, bem técnicas, a respeito das demonstrações financeiras, que são:

I. NBC TA 800 – Considerações Especiais – Auditorias de Demonstrações Contábeis Elaboradas de Acordo com
Estruturas de Contabilidade para Propósitos Especiais. É uma forma especial de apresentar as demonstrações
financeiras, tais como: um balanço convertido para moeda de um investidor, mudar o critério a base de caixa, pode ser
solicitado um balanço gerencial por força de contrato, um balanço fiscal que acompanha a declaração do imposto de
renda, ou um balanço exigido por uma agência reguladora. As demais normas devem ser adaptadas para esta norma.

II. NBC TA 805 – Considerações Especiais – Auditoria de Quadros Isolados das Demonstrações Contábeis e de
Elementos, Contas ou Itens Específicos das Demonstrações Contábeis. São todos os quadros apresentados no
relatório da administração ou outros anexos presentes nas Demonstrações Financeiras publicadas.

III. NBC TA 810 - Trabalhos para a Emissão de Relatório sobre Demonstrações Contábeis Condensadas.
Entendendo Demonstrações Contábeis Condensadas aquelas derivadas da união de duas ou mais demonstrações
completas, porém com menor detalhamento, devem ser auditadas pelo auditor.

Concluída a apresentação, resumida, das NBC TA você deve ter notado que a máxima é verdadeira: “existe uma norma
para quase tudo em contabilidade ou auditoria”. Por isso recomendo fortemente o estudo das Normas Brasileiras de
Contabilidade, os CPCs para a contabilidade e as NBC TAs para auditoria, que estão disponíveis nos sites, do CPC
(http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos) (CPC, 2013) e NBC TA (http://www1.cfc.org.br/
sisweb/sre/) (CRCRS, 2015), além das normas existe quadros e exemplos, muito prático.

4. Termos Essenciais Para o Trabalho de Auditoria

Com as mudanças introduzidas pela convergência às normas internacionais de auditoria, foram introduzidos, ainda,
termos técnicos que não existiam nas normas anteriores e que o estudante inicial ou o profissional que está retomando
seus estudos precisa conhecer, para melhor entendimento das NBC TA e outras normas convergidas.

a. Asseguração

O termo asseguração, segundo o professor Longo (2015), vem do inglês assurance, que é o mesmo que pledge, que
significa dar garantia, confiança.

Para as ISAs e o CFC asseguração passa a ser a garantia, a confiança de que as demonstrações financeiras seguiram
as normas brasileiras de contabilidade, é o gênero, do qual auditoria é uma espécie. Na NBC TA 01, existe a definição
de duas subespécies de asseguração: a razoável e a limitada.

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PORDENTRODOTEMA
O termo asseguração razoável é utilizado para demonstrar que não é possível uma asseguração absoluta nos trabalhos
do auditor, sempre pode existir algum tipo de distorção.

I. Asseguração Razoável

Para a NBC TA 01 quando estamos falando de um trabalho de asseguração razoável realizado numa série histórica de
informações contábeis, estamos nos referindo ao trabalho de auditoria.

Afirmando, ainda, que o objetivo do trabalho de asseguração razoável, portanto da auditoria, é reduzir o risco do trabalho
de asseguração a um nível aceitavelmente baixo, elevando por consequência a confiança nas demonstrações financeiras
auditadas. Decorre disso que o relatório de auditoria vai expressar uma opinião positiva nas conclusões do auditor.

II. Asseguração Limitada

De forma diferente para a NBC TA 01 quando estamos falando de um trabalho de asseguração limitada realizado numa
série histórica de informações contábeis, estamos nos referindo ao trabalho de revisão, e não de auditoria.

Afirmando, ainda, que o objetivo do trabalho de asseguração limitada, portanto da auditoria, é reduzir o risco do trabalho
de asseguração a um nível aceitável, mas que o risco seja maior que no trabalho de asseguração razoável. Decorre
disso que o relatório de auditoria vai expressar uma opinião de forma negativa nas conclusões do auditor.

b. Estrutura de relatórios financeiros aplicáveis

Este termo indica que as Demonstrações Financeiras forma elaboradas seguindo todas NBCs, com ética, CPCs, seguiu
a legislação própria, o conjunto de relatórios foram apresentados de forma completa e corretos ao auditor.

Você já deve ter conhecimento que no Brasil, a Lei n° 6.404 exige as seguintes demonstrações: Balanço Patrimonial,
Demonstração do Resultado, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa, e ainda, para as companhias
abertas e de grande porte se exige a demonstração de valor adicionado, todas acompanhadas de notas explicativas.

c. Materialidade

O valor da materialidade é estabelecido com base nos valores e índices informados nas demonstrações financeiras, são
parâmetros de dados do passado para que o auditor possa no planejamento da auditoria definir o que se pode esperar
das informações atuais a serem levantadas na auditoria. É, em parte, uma aplicação do desvio padrão dos dados, ou
seja, são limites que o auditor pode aceitar como válidos, e tudo que fugir a esses limites estarão fora e apresentarão as
chamadas distorções relevantes.

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PORDENTRODOTEMA
Exemplo: Vamos imaginar o retorno sobre os ativos totais, que é a divisão do lucro líquido pelo ativo total, a média dos
últimos cinco anos foi de 4%, e o desvio padrão aceitável é 0,5% para cima ou para baixo, ou seja, mínimo de 3,5% ou
máximo de 4,5%. No momento da auditoria é encontrado 1,5%, é exagero, isso causa uma distorção relevante para
investigação do auditor.

A materialidade calculada na fase de planejamento pode sofrer ajustes no decorrer da auditoria, pois o cenário econômico
pode mudar, outros elementos que levaram ao convencimento na época podem ser justificados pela administração,
correções em fatores de riscos, etc.

Tanto os parâmetros e cálculos para a determinação da materialidade devem ser registrados e documentados, fazendo
parte da documentação da auditoria. O mesmo vale para eventuais mudanças na determinação da materialidade no
decorrer da auditoria.

d. Distorções relevantes

As distorções relevantes podem ser decorrentes de erros ou fraudes detectadas nas demonstrações financeiras, que
se fossem conhecidas poderiam levar os usuários das informações financeiras a mudar sua opinião a respeito de suas
posições em relação ao(s) investimento(s) realizado(s) na empresa. (STUART, 2014).

Assim a medida que o auditor vai encontrando as distorções que em sua opinião são relevantes, entendendo este
termo como as variações nos valores, comportamentos destoantes dos esperados, procedimentos equivocados,
descumprimento de legislação, etc., encontrados nas demonstrações financeiras, o auditor vai anotando em um formulário
próprio, que servirá como um check list para efetuar as comunicações para os responsáveis pela empresa, para que
corrija, iniba a ameaça ou diminua o risco.

Na lição do professor Longo (2015) as distorções têm natureza que podem ser classificadas em três tipos:

I. Factuais: que decorrem de erros de cálculo ou imprecisão na coleta ou processamento de informações, uma vez
identificadas podem ser corrigidas facilmente.

II. Decorrentes de julgamento: são as estimativas contábeis incorretas, que surgem ou por interpretação errada dos
fatos, da legislação, ou outra interpretação que leve a um julgamento equivocado. Esse é um tipo de distorção que
pode gerar conflitos entre auditor e administração, pois está no campo da interpretação ou julgamento pessoal.

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PORDENTRODOTEMA
III. Projeção de distorções: é a aplicação do item A-23 da NBC TA 530, que se refere as amostragens em auditoria,
traz orientações claras de como o auditor deve proceder quando as amostras não apresentam bases seguras para
sua conclusão.

e. Erros e Fraudes

Quando estamos diante dos termos erro ou fraude, é necessário nos socorrermos da NBC TA 240, que nos aponta a
características da fraude nos seguintes dizeres: “O fator distintivo entre fraude e erro está no fato de ser intencional ou
não intencional a ação subjacente que resulta em distorção nas demonstrações contábeis.”. (CRCRS, 2015, p. 177).

Para o erro é comum dizermos que houve um fato sem a intenção de prejudicar, no caso da fraude, sendo um conceito
jurídico bem mais abrangente, se diz que é um fato cometido com dolo, ou seja, ação intencional de prejudicar, iludir, ter
vantagem, maquiar.

A literatura especializada em auditoria aponta que existe um tripé que aumenta as chances de ocorrer a fraude ou o erro,
i) pela pressão, ii) pela oportunidade, iii) pela racionalização.

I. Na pressão a administração ou os funcionários podem se sentir pressionados para atingir uma meta, realizar um
trabalho com sobrecarga, apresentar um resultado melhor. Surge então o uso de mecanismo para tentar burlar o
sistema levando a erros ou nos casos mais graves lançam mão do recurso de fraudes.

II. A oportunidade é quando administradores ou colaboradores percebem que os sistemas de controles são falhos
e possibilitam trabalhos imperfeitos ou o cometimento de fraudes, subtrações de valores e coisas, uso de segredos
empresariais, uso indevido de ativos.

III. Para a racionalização os autores se envolvem em atividades que podem levar a fraudes ou ao cometimento de
erros por acreditarem que os fins justificam os meios, ou seja, vale a pena correr o risco. Ainda quando comete os
atos por vingança aos tratamentos recebidos da administração. (STUART, 2014).

Na ocorrência de fraude ou de erros o principal responsável pelo controle é a administração da empresa, que já na carta
de contração de auditoria (NBC TA 210), declara estar ciente que é sua responsabilidade a respeito de erros e fraudes.

No entanto, você já deve ter tomado ciência, de que para a auditoria convergente, o auditor também tem suas
responsabilidades, assim diante da evidência de erros ou de fraudes, deve documentar tudo, comunicar a administração
para que ela faça o seu papel, corrija, proponha as ações necessárias, quer sejam administrativas ou jurídicas. Até

17
PORDENTRODOTEMA
porque erros e fraudes existem e no segundo caso, pode ser muito sofisticado, inclusive com a participação de sócios,
diretores, gerentes.

f. Características pessoais do auditor

Como você já deve ter notado existe os princípios fundamentais de ética profissional relevantes para o auditor quando da
condução de auditoria de demonstrações contábeis e que estão implícitos no Código de Ética Profissional do Contabilista
e na NBC PA 01, quando tratamos do controle de qualidade. Esses marcadores éticos estão em linha com os princípios
do Código de Ética do IFAC, nas normas de convergência, cujo cumprimento é exigido dos auditores.

Nós temos a integridade, que trata da ética, do agir com ética, o auditor no desempenho de suas atividades deve manter
a sua postura profissional e trabalhar com retidão. Com relação a objetividade do auditor é o trabalho coerente, rápido,
até porque os auditores não disporão de tempo para emitir seus relatórios.

Competência e zelo profissional é uma busca interminável, até pela imposição da capacitação continua obrigatória do
auditor, o desenvolvimento da profissão depende da competência, do trabalho correto. É deve profissional do auditor
manter a confidencialidade, o sigilo a respeito das informações obtidas durante os trabalhos de auditoria, somente em
situações especiais o auditor deverá revelar suas informações, conforme prevê o Código de Ética.

O auditor deve ter um comportamento (ou conduta) profissional irrepreensível, mantendo seus relacionamentos no mais
alto nível de profissionalismo, urbanidade. Por fim o auditor deve observar às normas técnicas e profissionais, bem como
todas as legislações inerentes a profissão.

g. Ceticismo

O ceticismo exigido para a profissão de auditoria é necessário para o desempenho de sua profissão. Este ceticismo não
é um descrente qualquer, por tudo, é antes uma atitude que inclui uma mente questionadora, alerta para condições que
podem indicar possíveis distorções em virtude de fraudes ou erros e que consegue avaliar criticamente as evidências da
auditoria. (STUART, 2014).

É um ceticismo cartesiano, duvidar de tudo que pode ser tido como possível de ser alterado, considera-se tudo falso ou
errado, e vai a coleta de evidências de são verdadeiros, ou seja, duvida de tudo e tenta provar que são verdadeiros, se
as evidências apontarem para a verdade, não existe distorção e os fatos, documentos, sistemas podem ser aceitos.

É uma atitude de produção de evidências que levam a confiabilidade das demonstrações financeiras da empresa e não
ao contrário, a tentativa de provar que tudo é falso ou de que todos os empregados são culpados.

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ACOMPANHENAWEB
Fraudes e erros: Como o auditor deve proceder dos auditores

• Acesse o artigo: Fraudes e erros: Como o auditor deve proceder dos auditores: Humberto
Santos e Ricardo Júlio Rodil, IBRACON, publicado em Integração Pública NovoSis. Os autores
resumem de forma didática a NBC TA 240 demonstrando a forma como os auditores devem pro-
ceder diante de fraudes e erros encontrados nas evidências de auditoria.
Disponível em: <http://www.novosis.com.br/novo/noticias/fraudes-e-erros-como-o-auditor-deve-proceder/>.
Acesso em: 18/05/2016.

Ética profissional na auditoria

• Acesse o artigo: Ética profissional na auditoria, dos autores Sergio Itaborahy Vianna, Julio Ce-
sar S. Cardoso. Os autores produzem um artigo de grande abrangência a respeito da aplicação
da ética na auditoria, uma leitura indispensável ao estudante de auditoria e de contabilidade.
Disponível em: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/rcmccuerj/article/view/7295/pdf>. Acesso em:
18/05/2016.

Criticada, Deloitte pede mais ceticismo


• Acesse o artigo: Criticada, Deloitte pede mais ceticismo, de Dena Aubin da Reuters, de Nova
York, publicado no site da FENACON. Neste artigo o autor relata que a empresa de Auditoria
Deloitte foi criticada por ter apresentado relatório de auditoria impreciso e em resposta a empresa
afirma que está treinando seus auditores e funcionários a terem mais ceticismo.
Disponível em: <http://4mail.com.br/Artigo/ViewFenacon/011112000000000>. Acesso em: 19/05/2016.

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ACOMPANHENAWEB
Ceticismo e asseguração razoável em auditoria das demonstrações contábeis

• Acesse o artigo: Ceticismo e asseguração razoável em auditoria das demonstrações contábeis,


de: Moacir Laurenço de Jesus, publicado em: julho 04, 2013, no site da: Confederação Nacional
de Auditoria de Cooperativa. O autor se esforça para trazer o uso do ceticismo nos trabalhos de
auditoria, afirmando que o entendimento de que cada teste realizado pelo auditor, cada inspeção
ou cálculo empreendido pode suscitar a necessidade de novo teste, nova inspeção ou apenas
uma nova dúvida a ser esclarecida, impondo-se como limite o julgamento do auditor e seu ceticis-
mo alinhados com o cumprimento dos objetivos propostos de asseguração razoável.
Disponível em: <http://www.cnac.coop.br/news/informativo/materias/13-07-04/Ceticismo_e_assegu-
ra%C3%A7%C3%A3o_razo%C3%A1vel_em_auditoria_das_demonstra%C3%A7%C3%B5es_con-
t%C3%A1beis.aspx>. Acesso em: 18/05/2016.

Riscos de distorção relevante por meio do entendimento da entidade e do


seu ambiente – Identificação e avaliação

• Acesse o artigo: Riscos de distorção relevante por meio do entendimento da entidade e do


seu ambiente – Identificação e avaliação, de Domingo e Pinho Contadores, publicado em:
30/01/2014. O artigo esclarece a forma que o auditor deve proceder quando ele está diante de
uma distorção relevante nas evidências, ele sinaliza que é pela avaliação do auditor dos riscos
de distorção relevante no nível da afirmação que o auditor pode mudar o curso da auditoria, à
medida que evidências adicionais de auditoria são obtidas.
Disponível em: <http://www.dpc.com.br/pt-br/legislacao/23975>. Acesso em: 17/05/2016.

Independência na Auditoria
• Um artigo denso a respeito da independência de auditoria onde o autor trabalho com vários
conceitos e interpretações da NBC TA 200, mesmo utilizando a norma anterior.
Disponível em: <http://www.portaldeauditoria.com.br/legislacao/normas/independencia.htm>. Acesso em:
18/05/2016.

20
ACOMPANHENAWEB
Ceticismo e Conhecimento

• Assista o vídeo: Ceticismo e Conhecimento. Publicado em 11 de abr. de 2014. O autor trabalha


com o conceito de ceticismo e formação do conhecimento para profissionais de educação, mas
perfeitamente aplicável aos contadores que exercem a profissão de auditoria.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jHm61NKu-0s>. Acesso em: 18/06/2016.

Tempo: 9:00

Sen. Antônio Carlos Jr explica como se davam as fraudes contábeis do Banco


Panamericano

• Assista o vídeo Sen. Antônio Carlos Jr explica como se davam as fraudes contábeis do Banco
Panamericano, (Publicado pela primeira vez na internet em 16/11/2010) publicado em 25 de abr. de
2014. Interessante explanação do Sen. Antônio Carlos Jr explica como se davam as fraudes con-
tábeis do Banco Panamericano apontando formas operacionais do uso da fraude na contabilidade.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Ri7VsyhTXKc>. Acesso em 19/05/2016.

Tempo: 4:04

Auditoria x Fraudes - Opinião Minas


• Assista o vídeo: Auditoria x Fraudes - Opinião Minas, publicado em 2 de dez de 2014. O
Opinião Minas fala de uma das principais vilãs das finanças de uma organização: a fraude. O
auditor Paulo Cézar Santana fala ao programa sobre a importância da auditoria, como identificar
e evitar fraudes.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WJDXKKnysoM>.Acesso em: 19/05/2016.

Tempo: 13:02

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agoraéasuavez
Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla
escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.
Questão 1

Em sua opinião a relação necessidade do serviço por parte do auditor x independência exigida do auditor pode interferir na inde-
pendência requerida para a realização da auditoria?

Questão 2

Sabendo que a qualidade nos trabalhos da auditoria independente é de fundamental importância para a boa condução dos trabalhos
e para emissão do relatório de opinião. Conforme determinação da NBC PA 01, item 6, os auditores independentes devem se sub-
meter à revisão dos controles de qualidade internos da firma ou do auditor independente, por outros auditores independentes com
estrutura compatível. Qual o prazo mínimo de realização dessa auditoria?

a) 5 anos

b) 2 anos

c) 4 anos

d) 3 anos

e) 1 ano

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agoraéasuavez
Questão 3

O auditor externo deve manter sua independência na realização dos trabalhos de auditoria das demonstrações contábeis. Neste
contexto, causa a perda de independência:

a) possuir participação no capital da empresa auditada.

b) for independente em relação à entidade auditada.

c) tiver conhecimento técnico da atividade da entidade auditada.

d) identificar e compreender o ramo de negócios da empresa.

e) estiver capacitado para exercer o trabalho.

Questão 4

Em relação a fraude e erros podemos afirmar com base nas NBC TAs que elas possuem os seguintes conceitos:

a) Fraude é um artifício que pode gerar benefícios para o empregado sem intenção do agente e erro é a ocorrência de uma
interpretação errônea da lei.

b) Fraude é um ato intencional de produzir mais e erro é uma maneira de matar o serviço.

c) Fraude apesar de intencional não causa vantagem a ninguém e erro pode até ser sem intenção e também não traz vantagens.

d) Fraude é não intencional e está somente no âmbito dos registros contábeis e erro é aquele que envolve o desvio de patrimônio.

e) Fraude é um ato intencional de levar benefícios contrários a lei e erro é um ato não intencional que pode causar um registro
contábil indevido.

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agoraéasuavez
Questão 5
O auditor independente deve coservar em boa guarda toda documentação produzida nos procedimentos de auditoria, que vai da
primeira reunião com a empresa até o relatório final, que pode ser em papel ou em mídias, pelo prazo de:

a) 3 anos a partir da data da emissão de seu relatório.

b) 3 anos a partir da publicação de seu relatório.

c) 5 anos a partir da data emissão de seu relatório.

d) 5 anos a partir da data da publicação de seu relatório.

e) 3 anos em relação aos relatórios adversos ou com abstenção de opinião e de 5 anos em relação aos relatórios sem ressalva
ou com ressalva, contados a partir da data da emissão de seu relatório.

finalizando
Neste tema você tomou conhecimento das principais normas que regulam o trabalho do auditor. Inteirou-se do Código
de Ética Profissional de auditoria, estudou a respeito das Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas a auditoria, nas
suas versões profissional e técnica; compreendeu que a profissão de auditoria está totalmente regulamenta, para um
melhor desenvolvimento dos trabalhos e da profissão. O aluno deverá ter percebido que a leitura e estudos das NBC
PA e TA, além dos CPCs e da legislação aplicável ao setor empresarial é de fundamental importância para o exercício
profissional de contabilidade e de auditoria.

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referências
AUBIN, D. Youtube. Criticada, Deloitte pede mais ceticismo, 2008. Disponivel em: <http://4mail.com.br/Artigo/ViewFenacon/
011112000000000>. Acesso em: 19 maio 2016.
CARLOS JUNIOR, A. Youtube. Fraudes contábeis do Banco Panamericano, 2010. Disponivel em: <https://www.youtube.com/
watch?v=Ri7VsyhTXKc>. Acesso em: 20160519.
CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis: CPC. Pronunciamentos, 2013. Disponivel em: <http://www.cpc.org.br/CPC/
Documentos-Emitidos/Pronunciamentos>. Acesso em: 15 maio 2015.
CRCRS. Normas Brasileiras de Contabilidade: Auditoria independente, auditoria interna, perícia contábil. Porto alegre: CRC
RS, 2015.
DOMINGO E PINHO CONTADORES. Youtube. Riscos de distorção relevante por meio do entendimento da entidade e do
seu ambiente: identificação e avaliação, 2014. Disponivel em: <http://www.dpc.com.br/ pt-br/legislacao/23975>. Acesso em: 17
maio 2016.
EAD, B. Youtube. 2014, 2016. Disponivel em: <https://www.youtube.com/ watch?v=jHm61NKu-0s>. Acesso em: 18 05.
JESUS, M. L. D. Youtube. Ceticismo e asseguração razoável em auditoria das demonstrações contábeis, 2013.
Disponivel em: <http://www.cnac.coop.br/news/informativo/materias/13-07-04/Ceticismo_e_assegura%C3%A7%C3%A3o_
razo%C3%A1vel_em_auditoria_das_demonstra%C3%A7%C3%B5es_cont%C3%A1beis.aspx>. Acesso em: 18 maio 2016.
LINS, L. D. S. Auditoria: uma abordagem prática com ênfase na auditoria externa: atualizada e revisada. 3ª. ed. São Paulo:
Atlas, 2014.
LONGO, C. G. Manual de auditoria e revisão de demonstrações financeiras. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
PERES JUNIOR, J. H. Auditoria de demonstrações contábeis: normas e procedimentos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
SANTANA, P. C. Auditoria x Fraudes: opinião Minas. Youtube, 2014. Disponivel em: <https://www.youtube.com/
watch?v=WJDXKKnysoM>. Acesso em: 19 maio 2016.
SANTOS, H.; RODIL, R. J. Youtube. Fraudes e erros: como o auditor deve proceder dos auditores. Disponivel em: <http://www.
novosis.com.br/novo/noticias/fraudes-e-erros-como-o-auditor-deve-proceder/>. Acesso em: 18 maio 2016.
STUART, I. C. Serviços de auditoria e asseguração na prática. Tradução de Christiane de Brito. Porto Alegre: AMGH, 2014.

25
referências
VIANNA, S. I.; CARDOSO, J. C. S. Youtube. Ética profissional na auditoria, 2001. Disponivel em: <http://www.e-publicacoes.
uerj.br/index.php/ rcmccuerj/article/view/7295/pdf>. Acesso em: 18 maio 2015.
YOUTUBE. Independência na Auditoria, 2016. Disponivel em: <http://www.portaldeauditoria.com.br/legislacao/normas/
independencia.htm>. Acesso em: 18 maio 2016.

glossário
Tendencioso: é tudo aquilo que demanda um valor negativo, que se inclina para incompletude de uma informação ou
distorção da informação no sentido de beneficiar, prejudicar algo ou alguém.

Controle de qualidade: é uma medida adotada por entidades de setores e seguimentos diferentes para definir padrões
em procedimentos, políticas e ações, de maneira uniforme. É um sistema que leva em conta o grau de satisfação dos
usuários da informação ou produto, como um todo.

Carta de contratação: para auditoria a carta de contratação deve ser entendida como um acordo de vontades (contrato)
entre quem contrata (empresa) e o contratado (auditor independente ou firma).

Planejamento: pode ser resumido num processo que identifica as metas e os objetivos que se quer alcançar, produzin-
do planos operacionais para a realização do planejado.

Circularização: é o envio de correspondências para pessoas e empresas fora da organização no intuito de se obter
confirmações a respeitos de fatos ou valores registrados na contabilidade.

Componentes: para auditoria componentes são as empresas satélites de um grupo de empresas, que tem entre si re-
lacionamentos relevantes para produzir uma demonstração financeira consolidada.

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GABARITO
Questão 1:

Resposta: Atualmente os auditores independentes estão cientes de sua situação profissional e das exigências das
entidades fiscalizadores e não se deixam levar pela tentação de fazer as vontades das empresas contratantes. Existe
também uma elevação na demanda de serviços profissionais de auditoria na atualidade o que faz com que os profissionais
existentes tenham uma demanda razoável de serviços, assim é possível dispensar aqueles serviços que fique evidente
a perda de independência.

Questão 2:

Resposta: Alternativa C.

A NBC PA 01 exige que a cada ciclo de quatro anos a empresa ou o auditor independente seja submetido a uma auditoria
por outra firma ou auditor independente do mesmo nível técnico, para garantir que os procedimentos aplicáveis foram
ideias e que se pautaram pela qualidade esperada para os trabalhos realizados.

Questão 3:

Resposta: Alternativa A.

A perda de independência é causada pelo rol exemplificativo da NBC PA 290 (R1) e dentre elas “possuir participação no
capital da empresa auditada”” é causa de perda de independência.

Questão 4:

Resposta: Alternativa E.

A NBC TA 240, no seu item 2 e 3, trazem a distinção entre erro e fraude nos seguinte termos: 2. As distorções nas
demonstrações contábeis podem originar-se de fraude ou erro. O fator distintivo entre fraude e erro está no fato de ser
intencional ou não intencional a ação subjacente que resulta em distorção nas demonstrações contábeis.

3. Embora a fraude constitua um conceito jurídico amplo, para efeitos das normas de auditoria, o auditor está preocupado
com a fraude que causa distorção relevante nas demonstrações contábeis.

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Questão 5:

Resposta: Alternativa C.

A NBC PA 01, no seu A61, traz a regra de guarda de documentos: “No caso específico de trabalho de auditoria, o período
de retenção seria normalmente de pelo menos cinco anos, a partir da data do relatório do auditor independente ou, se
superior, da data do relatório do auditor independente do grupo.”

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Auditoria Ca r n e iro d e A r a u jo
Autoria: Dirceu

Tema 03
Planejamento de Auditoria e Seus Riscos
Tema 03
Planejamento de Auditoria e Seus Riscos
Autoria: Dirceu Carneiro Araujo
Como citar esse documento:
ARAUJO, Dirceu Carneiro de. Auditoria: Planejamento de Auditoria e Seus Riscos. Caderno de Atividades. Anhanguera Educacional: Valinhos, 2016.

Índice

CONVITEÀLEITURA PORDENTRODOTEMA
Pág. 3 Pág. 4

ACOMPANHENAWEB
Pág. 16 Pág. 18

Pág. 20 Pág. 21

Pág. 22 Pág. 23

© 2016 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua
portuguesa ou qualquer outro idioma.
CONVITEÀLEITURA
Neste tema você vai tomar conhecimento dos passos que uma empresa de auditoria ou o auditor independente
devem seguir para traçar o plano de auditoria. Sendo o plano de auditoria um dos principais instrumentos que contribuirá
para o sucesso de um trabalho de auditoria, partindo desde a contratação, reuniões com a administração, análise
das precondições de realização da auditoria, que se dividem em fases de conhecimento do negócio, definições da
materialidade, avaliação dos controles internos, definição dos riscos de distorções, respostas aos riscos de distorções e
ao planejamento dos trabalhos de auditoria. Ao final desta aula você terá a noção clara de como se inicia um trabalho
de auditoria, identificará quais NBC TA estão relacionadas às diversas fases iniciais do trabalho de auditoria, saberá
separar as fases para analisar as precondições de auditoria, a importância de conhecer o negócio da empresa auditada,
seus índices de materialidade, seus controles internos, possibilidades de riscos de auditoria e a forma de responder aos
riscos detectados e, por fim, terá uma visão de como se deve traçar um plano de auditoria.

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PORDENTRODOTEMA
Planejamento de Auditoria e Seus Riscos

Nos ensinamentos de Longo (2015) podemos traçar o roteiro para efetuar um trabalho de auditoria da seguinte
forma:
Tabela 3.1 Roteiro para efetuar um trabalho de auditoria

Fonte: Longo, 2015, p. 26.

4
PORDENTRODOTEMA
Como você deve ter percebido é o momento de exteriorizarmos a aplicação de todas as normas estudadas no tema 2.
No item A temos o Código de Ética, NBC TA 01 que regula o controle de qualidade no âmbito da empresa de auditoria
e a NBC Estrutura Conceitual para Trabalhos de Asseguração, e no item F são as NBC TA 200 (objetivos gerais e
normas para conduzir uma auditoria), 220 (versa sobre o controle de qualidade dos trabalhos de auditoria), 230 (aborda
a documentação de auditoria) e na 520 (discute os procedimentos analíticos) que são aplicáveis a todo o processo de
auditoria e também ao profissional de auditoria.

Um trabalho de auditoria é basicamente constituído de três partes: 1) planejamento de auditoria; 2) aplicação de


procedimentos ou testes; 3) as decisões. Neste tema explicaremos a fase de planejamento, que se inicia com: a
contratação da auditoria, o conhecimento do negócio, a materialidade, a avaliação dos controles internos, as definições
dos riscos relevantes e o planejamento da auditoria (LINS, 2014).

1. Contratação da Auditoria

No item B teremos a contratação dos serviços de auditoria, com observância da NBC TA 210, principalmente a carta
de contratação. Este é o primeiro ato da auditoria: o auditor precisa ser contratado pela empresa a ser auditada.

No entanto, o processo de contratação é bem definido pela NBC TA 210 (CRCRS, 2015), que envolve a análise da
existência das precondições de uma auditoria, divididas em:

a. O auditor deve decidir se a estrutura de relatório financeiro que o possível cliente usou para elaborar as demonstrações
financeiras é aceitável.

b. Se a administração da empresa reconhece e compreende sua responsabilidade por preparar as demonstrações


financeiras em conformidade com a estrutura de relatório financeiro.

c. Se a administração compreende sua responsabilidade primária por estabelecer e manter controles internos de
modo que as demonstrações financeiras não apresentem distorções relevantes.

d. Se a administração concorda em fornecer ao auditor todas as informações de que os gerentes estiverem cientes
e que possam ser relevantes para a preparação das demonstrações financeiras, facilitando o acesso a todas as
informações e os lugares da empresa.

Essas precondições são a base da carta de contratação, prevista na NBC TA 210, que é o acordo de vontade, um contrato,
entre firma de auditoria e empresa contratante do serviço, que deve apresentar como requisitos mínimos: objetivo e o

5
PORDENTRODOTEMA
alcance da auditoria das demonstrações contábeis; responsabilidades do auditor; responsabilidades da administração;
identificação da estrutura de relatório financeiro aplicável para a elaboração das demonstrações contábeis; referência
à forma e ao conteúdo esperados de quaisquer relatórios a serem emitidos pelo auditor; declaração de que existem
circunstâncias em que um relatório pode ter forma e conteúdo diferentes do esperado.

Se as precondições não estiverem presentes ou o auditor não se sentir seguro de sua existência, ele não deve aceitar
o trabalho de auditoria, porque as NBC exigem que o auditor obtenha evidências de auditoria suficientes e apropriadas
para reduzir os riscos de auditoria a um nível aceitável e se o auditor considerar que não pode cumprir as normas em
virtude da ausência das precondições que elevam os riscos de auditoria, ele deve recusar o serviço.

2. Conhecimento do Negócio

Superada a fase da contratação, é de fundamental importância que o auditor obtenha o entendimento da entidade
e do ambiente de negócios onde a empresa está inserida. Faz parte desse conhecimento:

a. Entrevistar os proprietários, administradores, gerentes e colaboradores.

b. Buscar informações públicas a respeito da empresa, tais como relatórios financeiros já publicados, documentação
de auditorias anteriores, revistas ou quaisquer informações especializadas do setor.

c. Conhecer o ramo de atividade da entidade, se existir fatores regulatórios relevantes.

d. Conhecer as operações da entidade, sua estrutura patrimonial, de governança, seus investimentos relevantes em
outras sociedades, estruturas de financiamentos, se houver.

e. Conhecer os procedimentos contábeis, inclusive se tiver havido qualquer mudança nos critérios ou nas políticas da
empresa.

f. Buscar entender os objetivos e as estratégias da entidade, saber se existem riscos relevantes de descontinuidade
operacional, riscos de mercado.

g. Finalmente, conhecer os métodos que a empresa utiliza para avaliar o seu desempenho operacional e financeiro.

Você já deve ter percebido que é elementar que o auditor se cerque de informações para reduzir ao mínimo possível os
riscos de auditoria, por isso conhecer o ramo de negócio, a atividade e os canais de comunicação dentro da empresa,
faz parte do planejamento da auditoria.

6
PORDENTRODOTEMA
Existe um aspecto muito importante que faz parte do ambiente do cliente, que são os controles internos da entidade, o
auditor busca conhecê-los por meio de visitas preliminares, procedendo entrevistas junto aos funcionários, estudando os
manuais da empresa e, se existir, a aplicação de procedimentos de auditoria em processos operacionais.

Estes conhecimentos são importantes para que o auditor diminua os riscos de distorções relevantes nas informações
constantes das demonstrações financeiras e na emissão de opinião pelo auditor.

3. Materialidade

O item E da tabela 3.1 trata da materialidade em que se definem os parâmetros para utilização no planejamento o
julgamento do auditor. Isso é fundamental, pois passa pelo uso de técnicas estatísticas, contábeis e pela experiência do
profissional, juntamente com sua equipe de auditoria.

A NBC TA 320 (CRCRS, 2015) em seu texto estabelece padrões sobre os quais o auditor tem de se balizar; isto nos
dá a ideia de que o auditor deve estabelecer um nível máximo e um nível mínimo para os valores encontrados nas
demonstrações financeiras do passado e pelos parâmetros das demonstrações financeiras do setor na qual a empresa
está inserida. Você pode observar que a aplicação de ferramentas de estatística para determinar parâmetros de análise
de dados é de grande utilidade, como o caso do desvio-padrão da média; trata-se de percentuais que o auditor acredita
que não vão causar distorções relevantes se ficarem na faixa de aceitação.

Para a definição da materialidade não existe um padrão de documentação a ser feito; durante a prática, o auditor utiliza
os mesmos documentos usados no planejamento e os quais se exteriorizam no plano de auditoria.

Uma vez que se defina a materialidade em conformidade com a NBC TA 320, o auditor passa para sua aplicação nos
trabalhos; pode haver a necessidade de ajustes ao caso concreto, porque ao longo de um trabalho de auditoria ocorrem
inúmeras situações não previstas na fase planejamento, então é possível rever os parâmetros de materialidade sempre
que houver justificativa, esta alteração assim como todos os demais acontecimentos deve ser documentada.

4. Avaliação dos Controles Internos

Como parte da fase de planejamento, o auditor deverá conhecer o negócio da empresa auditada, e como parte
desse conhecimento está o conhecimento dos controles internos da entidade. Tais controles – sistemas de informações
e trâmites de papéis e itens dentro da organização – são elaborados pela administração para se assegurar que as
ordens e os objetivos da empresa são seguidos para prevenir ou detectar distorções nas demonstrações financeiras; o
auditor, como um trabalho preliminar de auditoria, irá revisar e avaliar se estes controles são eficientes. Podemos citar

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PORDENTRODOTEMA
como exemplo a emissão de um cheque: 1° a pessoa do financeiro recebe, de alguém com poderes, a solicitação para
pagar algo; 2° emite o cheque; 3° leva o cheque e a cópia de cheque para seu superior conferir, autorizar e assinar o
cheque; 4 leva em seguida para uma segunda assinatura. Esse procedimento evita que a emissão de cheques seja
efetuada por uma pessoa sozinha.

Você já viu que o sistema de controle interno, que se divide basicamente em dois: o operacional e o de governança, é
de responsabilidade da administração da empresa. O operacional demonstra a eficiência e eficácia das operações da
empresa, protege o seu patrimônio, faz as amarrações das informações para controlar bens e pessoas, no sentido de
controlar o horário de trabalho e as atividades desempenhadas. Já o de governança consiste em regras de conduta ética
e legal, verifica e incentiva a todos se portarem com ética nos negócios e seguir todas as leis. A aplicação correta desses
dois controles deve dar uma segurança razoável às informações contidas nos relatórios financeiros, para que estejam
em conformidade com a estrutura de relatórios financeiros aceitáveis.

Para Crepaldi (2013), o auditor deverá avaliar os controles internos seguindo, pelo menos, quatro passos:

a. Levantar os controles internos com procedimento específicos: para tomar conhecimento de sua existência na
entidade. Esta etapa se dá por meio da leitura dos manuais de controle interno, outros documentos da empresa,
conversas ou entrevistas com funcionários e a administração da empresa etc.

b. Executar avaliação de conformidade dos procedimentos: o auditor julga se os procedimentos levantados são
aqueles previstos pela empresa, ou seja, se na prática o que se está fazendo na empresa é aquilo que foi idealizado
como controle interno; essa avaliação pode ser feita por meio do acompanhamento de algum processo ou somente
pelo resultado do levantamento inicial.

c. Verificar a eficácia dos controles internos: é outro julgamento que visa avaliar se a aplicação dos controles internos
consegue detectar ou prevenir erros ou fraudes, diminuindo os riscos a um nível aceitável.

d. Definir o tipo, a data e o volume de procedimentos: isso significa que o auditor com base nos resultados dos três
primeiros passos vai definir quais os procedimentos de auditoria vão ser necessários, a data em que serão aplicados
e a quantidade de procedimentos para diminuir o risco de auditoria.

Você pode notar que faz parte do trabalho do auditor assumir a responsabilidade de verificar se os controles internos
da empresa são seguros para reduzir os riscos de auditoria. Se o auditor encontrar distorções relevantes nos controles
internos deve sugerir adequações ou mesmo comunicar a alta direção que se não corrigir os controles internos, para
reduzir o risco da auditoria, o auditor poderá deixar de emitir uma opinião limpa, ou seja, sem ressalvas.

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PORDENTRODOTEMA
5. Definição dos Riscos de Distorções

Para a NBC TA 315, o objetivo do auditor é: “identificar e avaliar os riscos de distorção relevante independentemente
se causada por fraude ou erro, nos níveis de demonstração contábil e afirmações” (CRCRS, 2015). Já vimos que para
isso é necessário ter entendimento da entidade e do seu ambiente, conhecer os controles internos da entidade, que nos
leva a uma base para o planejamento e a implementação das respostas aos riscos identificados de distorção relevante.

Então você poderia se perguntar: como o auditor levanta as informações necessárias para avaliar o(s) risco(s) de
distorções relevantes de uma empresa?

O auditor deve seguir as recomendações das NBC TA, que você deve ler na íntegra; depois, amparado nas NBC TA,
o auditor usa de sua experiência e expertise para elaborar um roteiro eficiente de avaliação de riscos para reduzir ao
máximo os riscos de auditoria, cabe ressaltar que não há pretensão de chegar a um risco zero.

Geralmente, a equipe de auditoria se utiliza de um modelo de risco de auditoria (RA) para monitorar e controlar o nível
de risco assumido, emitindo uma opinião de auditoria que leva a controlar a quantidade de procedimentos ou testes
substantivos aplicados durante a fase de planejamento e de auditoria.

Neste momento, você deve estar se questionando sobre qual risco estamos falando? O risco de auditoria é determinado,
basicamente, por três fatores: o risco inerente, o risco de controle e o risco de detecção (PEREZ JUNIOR, 2012).

O risco inerente pode ser entendido como a possibilidade de ocorrência de erros ou irregularidades relevantes mesmo
antes de se conhecer e avaliar a eficácia do sistema de controle da empresa. Por exemplo, a empresa tem um único
fornecedor de matéria-prima, que pode falir ou até boicotar a empresa, comprometendo a continuidade operacional da
entidade.

O risco de controle, como já vimos, é o risco de não haver um bom controle interno que previna ou detecte em tempo
hábil erros, fraudes ou outras irregularidades relevantes.

O risco de detecção é o mais temido risco do auditor, pois enquanto o risco inerente e o risco de controle estão no nível
da empresa, o risco de detecção se refere ao trabalho do auditor, já que seus exames, procedimentos e julgamentos –
os quais são a base de testes – podem não oferecer condições de detectar erros, fraudes ou irregularidades relevantes;
assim, o auditor pode emitir uma opinião distorcida.

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PORDENTRODOTEMA
O caminho a ser seguido, tanto para a primeira auditoria, como para as auditorias recorrentes é o mesmo: indagar a
administração sobre o risco de distorções relevantes em virtude de erros ou fraudes, aplicar procedimentos analíticos,
observar e inspecionar.

O auditor responsável e sua equipe devem analisar as demonstrações financeiras já na fase de planejamento para
identificar possíveis distorções relevantes. Muito bem, você se recorda da identificação da materialidade? Então, ela se
utiliza dos números calculados para estabelecer os limites de relevância que serão aceitáveis, o que não significa que
os procedimentos serão abandonados, mas os limites de relevância vão balizar o nível e o número de procedimentos
que serão aplicáveis.

As indagações à administração podem fornecer grande parte das informações a respeito dos riscos de distorções, mas o
auditor pode conversar, entrevistar, questionar outros funcionários da empresa, por exemplo: ele pode indagar o auditor
interno, controller, contador, com o objetivo de identificar as distorções, quais os maiores riscos (podem ser reclamação
de clientes, litígios trabalhistas, passivo ambiental, risco de acidentes no transporte, entrada de um novo concorrente
agressivo), os quais geralmente são ocultos das informações constantes nas demonstrações financeiras.

A equipe de auditoria realiza vários procedimentos analíticos na fase de planejamento, como o cálculo de índices para
materialidade. Suponha que se pegue cinco balanços e vá decompondo os números em índices de estrutura, geração
de caixa, ciclo operacional, nível de contratação de mão de obra, de vendas, número de clientes atendidos etc. Esse
cuidado na fase planejamento é de fundamental importância para o serviço de auditoria, porque o planejamento é a
fase que se tem mais tempo, quando comparado ao restante do prazo para as outras etapas, principalmente de a
apresentação das demonstrações financeiras.

Por fim, a fase de observação e inspeção consiste na hora em que a equipe vai iniciar um pequeno cruzamento de
informações, visão da administração e empregados a respeito dos riscos, informações fornecidas pelos índices constantes
em relatórios financeiros dos anos anteriores e o que realmente está acontecendo na empresa. Pode ser que surjam
outras distorções não relatadas ou apresentadas nos índices, tais como descumprimento de normas legais e éticas, uso
incorreto de patrimônio (o mais comum são copiadoras, computadores, veículos etc.).

Existe um modelo para estimar risco de auditoria, que é apresentado por duas expressões matemáticas. A primeira
descreve a relação entre o risco de auditoria (RA), o risco de distorção relevante (RDM) e o risco de detecção (RD), na
seguinte fórmula: RA = RDM (risco inerente (RI) x risco de controle (RC)) X RD. A segunda descreve o seguinte: RA =
RI x RC x RD.

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PORDENTRODOTEMA
Imagina se o auditor estima que o RI é de 5%, o RC é de 1% e o RD é de 3%, o risco de auditoria ficaria em 15%, ele vai
decidir se isto é elevado ou não (STUART, 2014). Se o risco for elevado, o auditor pode controlar o risco de detecção
e vai aumentar os procedimentos de auditoria e sua extensão. Em todos os casos, ele vai solicitar à administração que
corrija as causas potenciais de risco inerente e de risco de controle. Analisando a resposta dada pela administração, o
auditor pode se recusar a continuar o trabalho ou aumentar os procedimentos para baixar os riscos de detecção.

6. Respostas aos Riscos de Distorções

Enquanto na NBC TA 315, estávamos preocupados em identificar os riscos relevantes, agora precisamos dar a(s)
resposta(s) aos riscos detectados com base na NBC TA 330 (CRCRS, 2015), para que tenhamos a segurança razoável
de que as demonstrações financeiras estarão livres de distorções relevantes.

Aplicados os procedimentos para se obter evidências apropriadas e suficientes relacionadas na fase de definições de
riscos relevantes, o responsável pela auditoria estará pronto para traçar a estratégia de como responder a esses riscos,
que pode ser:

• Manter, como orientação básica, o ceticismo a respeito das informações colhidas nos testes;

• Selecionar pessoal mais experiente para o trabalho;

• Fornecer e manter uma supervisão mais próxima;

• Determinar a realização de procedimentos mais profundos ou adicionais para determinadas áreas;

• Proceder alterações na natureza, na época ou na extensão dos procedimentos.

Estas respostas deverão estar baseadas na percepção da equipe de auditoria a respeito do ambiente da entidade, do
resultado da análise dos controles internos ou no nível esperado de riscos (STUART, 2014).

As principais definições para o entendimento da NBC TA 330 são respostas do auditor aos riscos, isto é, os procedimentos
de auditoria a serem aplicados em cada situação específica.

A natureza do procedimento de auditoria, que tem uma ligação direta com a NBC TA 500, diz respeito à finalidade dos
testes, que pode ser de controle ou procedimento substantivo; seu tipo pode ser: inspeção, observação, indagação,
confirmação, recálculo, reexecução ou procedimento analítico.

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PORDENTRODOTEMA
E, finalmente, a época do procedimento de auditoria, que se refere ao momento em que é executado cada procedimento
ou teste, ou, ainda, por qual período de tempo deve se estender e qual é a quantidade de testes a ser aplicada, como
exemplo temos o tamanho da amostra (NBC TA 530) que se utiliza (LONGO, 2015).

Percebeu agora que a(s) resposta(s) do auditor ao(s) risco(s) segue(m) a aplicação de NBC TA específicas e pode(m) ser
de fraudes, tipos de procedimentos, tipos e tamanhos de amostras, pode(m) ser testes de estoques, partes relacionadas,
grupos de empresas, controles internos etc.

7. Planejamento dos Trabalhos de Auditoria

Uma vez realizada a contratação, definidos parâmetros de estratégias globais referentes ao conhecimento do
negócio, sua materialidade, avaliação dos controles internos, detecção dos riscos relevantes e respostas aos riscos,
é necessário estabelecer o planejamento da auditoria conforme NBC TA 300, item A17 que se concretiza no plano
de auditoria o qual deve ser mais detalhado do que as estratégias globais, visto que detalha a natureza, a época e a
extensão dos procedimentos de auditoria a serem realizados e deixa claro quem vai realizar, quem vai revisar e por fim
quem vai validar esses procedimentos (CRCRS, 2015).

Veja que a elaboração de um programa/plano de auditoria exige, pelo menos, as seguintes definições: a) quais
características ou circunstâncias devem ser levadas em consideração; b) como obter informações ou captar essas
características e circunstâncias na auditoria; c) qual a ocasião da auditoria; quem vai aplicar os procedimentos, quem
vai revisar e por fim quem vai validar e julgar.

Vários fatores devem ser levados em consideração neste momento, como a natureza dos trabalhos, o tamanho da
empresa, quais setores/departamentos vão ser auditados, qual o tamanho da amostra, quais as políticas e o sistema de
controle interno e as finalidades dos procedimentos a serem aplicados.

Se for uma auditoria inicial, é preciso ter acesso aos trabalhos de auditorias anteriores. Este acesso somente é possível
se a administração der uma carta de autorização para que a empresa anterior forneça as informações. Se for uma
auditoria recorrente de um cliente, todos os relatórios e documentos anteriores devem ser revistos para definir o novo
plano de auditoria.

Este esforço para preparação de uma auditoria revela parte da qualidade da empresa de auditoria ou do auditor
independente, que se traduz em vantagens para a realização da auditoria, pois permite visualizar a importância que se
dá a cada trabalho, coloca ênfase nos procedimentos em áreas prioritárias e com maior probabilidade de ocorrência de
erros ou fraudes, faz com que a divisão dos trabalhos de auditoria seja mais racional, com elementos capacitados para

12
PORDENTRODOTEMA
a realização de cada tarefa, facilita em muito a administração da auditoria, em muitas vezes expõe de forma antecipada
muitos problemas; é ainda uma experiência que se bem documentada pode ser reutilizada em outros trabalhos de
auditoria.

O desenvolvimento do plano de auditoria também pode ser utilizado para dar uma ideia dos números de horas que
serão gastos nos trabalhos de auditoria, do número de pessoas que estarão envolvidas, por categoria, auditor sênior,
assistentes, trainees. De posse desse número é possível também calcular o valor aproximado de cada profissional
(multiplicando o número de horas de trabalho pelo seu custo por hora). Para a fixação de honorários em auditoria
sempre se utiliza o número de horas para a realização dos trabalhos.

Podemos exemplificar como ficariam algumas partes de um plano de auditoria da seguinte forma:

Feito Revisado Validado


Procedimentos Data Doc. Ref. Data Data
por por Por
DEPTO VENDAS
Selecione o número das notas fiscais para
testes. Com base nos números das NF, faça
uma seleção randômica no Excel e informe os
Aud A Coord C Sócio X
critérios utilizados. Veja a correção, confira
com o pedido, veja se houve duplicata, cheque
o contas a receber
Verifique se o prazo de entrega foi atendido.
Confira os tipos e valores dos fretes.
DEPTO DE CRÉDITO Aud B Coord C Sócio X
Confira a ficha cadastral aleatoriamente,
veja se as compras atenderam aos limites de
créditos, se os pagamentos são em dia, se
existe garantia para compra.
Se as duplicatas realmente existem
Se as duplicatas vieram de vendas reais
DEPTO FATURAMENTO

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PORDENTRODOTEMA
Selecione notas randomicamente no Excel,
confira os cálculos das notas fiscais, reveja
a tributação, cruze com a contabilização e
escrituração.
Encontre notas com descontos concedidos
e veja se os critérios para descontos foram
aplicados, veja a contabilização
Identifique devoluções, veja se o prazo está
razoável, reveja a contabilização, identifique os
motivos.
DEPTO EXPEDIÇÃO
Investigue qualquer distorção de tempo
excessivo entre data da entrada de pedido e
data da expedição ou da ordem de expedição
e a data efetiva da expedição. Causou
prejuízo?
DEPTO PESSOAL
Por escolha randômica no Excel escolha
dez funcionários e realize testes de registro,
cálculos de cartões de ponto dos meses pares,
cálculo do holerite, provisão de férias e 13°
salários, rescisão se houver
Escolha randômica de dez rescisões e refaça
os cálculos
Por escolha randômica selecione dez
funcionários e teste os adiantamentos, reveja
a política de adiantamento permitidos, gastos
com farmácia, vale-transporte
DEPTO CONTABILIDADE

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PORDENTRODOTEMA
Por escolha randômica no Excel selecione 5%
dos lançamentos e aplique os testes-padrão
para contabilidade
DEPTO ALMOXARIFADO
Selecione com base em 80/20,
randomicamente os maiores valores e
aplique os testes de aprovação de compra,
recebimento, créditos tributários, consumo,
registro
DEPTO FINANCEIRO
Confira quem está autorizado a assinar
cheques
Quem autoriza gastos
Quem autoriza as aplicações e empréstimos
Se os juros pagos são compatíveis como
mercado

Esses exemplos são pequenos e podem se estender por vários departamentos, vários itens, e não se pode esquecer
que os programas de auditoria devem ser revisados permanentemente, como forma de oportunizar a firma de auditoria
ou ao auditor independente reavaliar os procedimentos, selecionando aqueles que funcionaram melhor, adaptar aqueles
que precisam de modificações para novas circunstâncias e os seus reflexos nos procedimentos de auditoria a serem
aplicados.

Como todo planejamento, o plano de auditoria não é algo estático ou imutável, ele pode evoluir, inclusive ao longo da
execução dos trabalhos, de forma a permitir que a auditoria atinja seus objetivos com eficácia e eficiência.

Por fim, você já deve saber que todas as informações obtidas para fins de planejamento devem compor a documentação
comprobatória de que o auditor executou as etapas previstas nas normas de auditoria. Assim, o auditor deve documentar
a estratégia global de auditoria, o plano de auditoria e as eventuais alterações significativas ocorridas, bem como as
razões que levaram a equipe a escolher esse ou aquele procedimento ou teste, porque foram realizadas alterações no
decorrer da auditoria.

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ACOMPANHENAWEB
Proposta Para Prestação de Serviços Profissionais

• Neste documento, a empresa de auditoria KPMG nos apresenta uma aula de como redigir
uma carta de contratação de serviços de auditoria, na qual especifica todo o serviço oferecido a
um grande cliente; trata-se de um excelente modelo para estudo.

BB ETF S&P Dividentos Brasil Fundo de Índice. Proposta para prestação de serviços
profissionais. KPMG. 27 de março de 2014.
Disponível em: <http://www.bb.com.br/docs/pub/siteEsp/dtvm/dwn/ETFAuditor.pdf>. Acesso em: 18 maio 2016.

Temática Contábil e Balanços

• Este artigo da revista IOB descreve aspectos que envolvem a aceitação dos trabalhos de
revisão das demonstrações financeiras e nos ajuda a entender os procedimentos preliminares
da auditoria.

Temática contábil e balanços: aceitação do trabalho de revisão das demonstrações. 10 ed. São
Paulo: IOB Folhamatic, 2014 (Coleção manual de procedimentos).
Disponível em: <www.iob.com.br/bol_on/TC/CAPAS/CTC01_14.pdf>. Acesso em: 30 maio 2016.

A Importância dos Controles Internos nas Organizações

• Neste artigo, o autor Diogo Pavan Brito Loureiro analisa a importância dos controles internos
nas organizações, para que estas possam garantir que suas Demonstrações Contábeis estejam
apresentadas de forma integra e fidedigna com a realidade.
Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/27239/ 000763044.pdf?...1>. Acesso em: 30
maio 2016.

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ACOMPANHENAWEB
A Importância de Um Plano de Auditoria Baseado em Riscos

• Neste artigo, publicado em 11/07/2012, no site Essência sobre a forma, o autor Eduardo Pardini
faz um resumo muito interessante a respeito de se traçar um plano de auditoria com base no
risco que ajuda a compreender a importância de se ter o risco como elemento nos trabalhos de
auditoria.
Disponível em: <http://www.essenciasobreaforma.com.br/colunistas_base.php?id=25>. Acesso em: 30
maio2016.

Amostragem Estatística e a Auditoria Interna

• De Eduardo Pardini, publicado em 17/01/2013, no site daEssência sobre a forma, o artigo


esclarece a forma que o auditor deve proceder para usar a estatística na definição de amostras
para testes em auditoria interna, que pode ser aplicada com a mesma eficiência na auditoria
externa, que dará mais segurança ao auditor e maior confiabilidade nos testes.
Disponível em: <http://www.essenciasobreaforma.com.br/colunistas_base.php?id=120>. Acesso em: 30 maio
2016.

Normas de Auditoria – Módulo I


• O autor Cláudio Gonçalo Longo trabalha com o conceito de auditoria fazendo uma explanação
das principais mudanças ocorridas nos procedimentos de auditoria.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=1rvxpeNxgeI>. Acesso em: 30 maio 2016.
Tempo: 29:59.

Controle Interno como Instrumento de Contabilidade e Gestão


• Clóvis Aílton Madeira, no programa CRCSP Conversa, publicado em 20/06/2013, traz uma
interessante entrevista a respeito dos controles internos na prevenção de fraudes e erros comuns
nas empresas.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WgT9Q0n7KAs>. Acesso em 30 maio 2016.
Tempo: 27:45.

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AGORAÉASUAVEZ
Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla
escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.
Questão 1

Em sua opinião, quais as vantagens que o planejamento da auditoria oferece? Cite pelo menos três exemplos.

Questão 2

O planejamento inclui a necessidade de considerar, antes da identificação e avaliação pelo auditor dos riscos de distorções re-
levantes, aspectos como:

a) O conhecimento dos controles internos da empresa, quanto à possibilidade de prevenir, detectar, controlar erros ou fraudes.

b) Não necessita do entendimento global da estrutura jurídica e o ambiente regulatório aplicável à entidade e como a entidade
cumpre com os requerimentos dessa estrutura.

c) A determinação da imaterialidade.

d) É dispensável o envolvimento de especialistas e a aplicação de outros procedimentos de avaliação de risco.

e) Todas as afirmativas anteriores estão corretas.

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AGORAÉASUAVEZ
Questão 3

Em relação ao planejamento da auditoria, o auditor, com base na NBC TA 230, deve documentar:

a) Somente a carta de contratação.

b) Somente os procedimentos para conhecimento dos controles internos.

c) Somente a forma da definição da materialidade.

d) As pesquisas e estudos para conhecimento do negócio.

e) Todos os atos realizados durante o planejamento.

Questão 4

O auditor deve realizar as seguintes atividades no início do trabalho de auditoria corrente:

a) Manter o controle de qualidade da firma de auditoria conforme exigido pela NBC TA 220.

b) Avaliar o treinamento continuado de sua equipe de trabalho e inclusive o do sócio-auditor.

c) Avaliar a conformidade com os requisitos éticos, inclusive independência, conforme exigido pela NBC TA 230.

d) Estabelecer o entendimento dos termos do trabalho, conforme exigido pela NBC TA 210.

e) As alternativas “a” a “d” estão corretas.

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AGORAÉASUAVEZ
Questão 5

Um erro que possa ocorrer em uma afirmação sobre uma classe de transação, saldo contábil ou divulgação e que possa ser re-
levante, individualmente ou em conjunto com outras distorções, que não seja prevenida, detectada e corrigida tempestivamente
pelo controle interno da entidade, é classificado como:

a) Risco inerente.

b) Risco de controle.

c) Risco de evidência.

d) Risco detectado.

e) Risco irrelevante.

FINALIZANDO
Neste tema você tomou conhecimento das principais fases relacionadas à contratação e ao desenvolvimento do
trabalho de planejamento de auditoria, bem como as normas brasileiras de contabilidade aplicadas a auditoria. Você
pôde verificar que a contratação se dá por meio de um acorde de vontade, chamado de carta de contratação dos serviços
de auditoria, depois verificou que existe a necessidade de se estudar as precondições de auditoria, o conhecimento do
negócio da empresa, a definição da materialidade, seus controles internos, possibilidades de riscos de auditoria, a forma
de responder aos riscos detectados e por último você teve uma visão de como se deve traçar um plano de auditoria.

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REFERÊNCIAS
CRCRS. Normas Brasileiras de Contabilidade: Auditoria independente, auditoria interna, perícia contábil. Porto alegre: CRC
RS, 2015.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria contábil: teoria e prática. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
IOB. Temática contábil e balanços: aceitação do trabalho de revisão das demonstrações. 10 ed. São Paulo: IOB Folhamatic,
2014 (Coleção manual de procedimentos). Disponivel em: <www.iob.com.br/bol_on/TC/CAPAS/CTC01_14.pdf>. Acesso em: 30
maio 2016.
KPMG. Carta de serviços de auditoria. Banco do Brasil S.A., 2014. Disponivel em: <http://www.bb.com.br/docs/pub/siteEsp/
dtvm/dwn/ETFAuditor.pdf>. Acesso em: 30 maio 2016.
LINS, Luiz dos Santos. Auditoria: uma abordagem prática com ênfase na auditoria externa: atualizada e revisada. 3ª. ed. São
Paulo: Atlas, 2014.
LONGO, Claudio Gonçalo. Manual de auditoria e revisão de demonstrações financeiras. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
LOUREIRO, Diogo Pavan Brito A importância dos controles internos nas organizações. Porto Alegre, 2010, 22 páginas.
TCC – Faculdade de Ciências Econômicas, Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. Disponivel em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/27239/000763044.pdf?.1>. Acesso em: 30
maio 2016.
TVCRCSãoPaulo. Conversa: Controle interno como instrumento de contabilidade e gestão. Vídeo, 20 jun. 2013.
Disponivel em: <https://www.youtube.com/watch?v=WgT9Q0n7KAs>. Acesso em: 30 maio 2016.
PARDINI, Eduardo. A importância de um plano de auditoria baseado em riscos. Essência Sobre a Forma. 11 jul. 2012.
Disponivel em: <http://www.essenciasobreaforma.com.br/colunistas_base.php?id=25>. Acesso em: 2016 maio 30.
PARDINI, Eduardo. Amostragem Estatística e a Auditoria interna. Essência sobre a forma. 11 jul. 2013. Disponivel em:
<http://www.essenciasobrea forma.com.br/colunistas_base.php?id=120>. Acesso em: maio 30 2016.
PEREZ JUNIOR, Jose Hernandez. Auditoria de demonstrações contábeis: normas e procedimentos. 5ª. ed. São Paulo:
Atlas, 2012.
STUART, Iris C. Serviços de auditoria e asseguração na prática. Tradução de Christiane de Brito. Porto Alegre: AMGH, 2014.

21
GLOSSÁRIO
Canal de comunicação: o veículo utilizado para a distribuição de qualquer tipo de comunicação. Alguns exemplos de
veículos de comunicação são os memorandos escritos, os telefones, o correio eletrônico, os discursos, os encontros etc.

Controles internos: se refere à série de ações – inerentes ao estilo adotado pela gerência da organização na condução
de seus negócios ou atividades – que permeiam as atividades de uma organização.

Precondições: condições prévias.

Procedimentos: conjunto de técnicas que permitem ao auditor obter evidências ou provas suficientes e adequadas para
fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis auditadas.

Segurança razoável: nesse contexto, um nível alto, mas não absoluto, de segurança, conforme NBC TA 200 (CRCRS,
2015).

22
GABARITO
Questão 1

Resposta: São várias as vantagens de um planejamento, em qualquer área, mas especificamente para auditoria podemos
citar: fixar a importância relativa a cada trabalho; identificar e discutir o exame das áreas de maior prioridade; possibilitar
a divisão racional do trabalho entre os elementos da equipe; facilitar a administração do trabalho pelo coordenador da
equipe de auditoria; possibilitar a identificação de áreas com problemas; a auditoria pode ser reutilizada, com adaptações,
em outros trabalhos. Ex: O coordenador da equipe pode selecionar um auditor com maior experiência para uma área
com maior problema. Os trabalhos efetuados em uma empresa serão reutilizados com adaptações em outros trabalhos.
Planejar com maior precisão o número de horas de cada serviço.

Questão 2

Resposta: Alternativa A.

Este é o objetivo dos controles internos, prevenir, detectar e controlar os erros e fraudes na organização.

Questão 3

Resposta: Alternativa E.

A documentação deve contemplar todos os atos praticados na auditoria. Ato não documentado é ato não realizado em
auditoria.

Questão 4

Resposta: Alternativa D.

Antes de qualquer procedimento de auditoria, a firma ou o auditor independente devem ter em mãos a carta de contratação,
conforme os requisitos da NBC TA 210.

23
Questão 5

Resposta: Alternativa B.

Os erros que ocorrem no exercício das atividades normais da empresa e que os controles internos não foram capazes
de prevenir, detectar ou controlar são classificados como risco de controle.

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Auditoria Ca r n e iro d e A r a u jo
Autoria: Dirceu

Tema 04
Evidenciação de Auditoria do Grupo Circulante
Tema 04
Evidenciação de Auditoria do Grupo Circulante
Autoria: Dirceu Carneiro de Araujo
Como citar esse documento:
ARAUJO, Dirceu Carneiro de. Auditoria: Evidenciação de Auditoria do Grupo Circulante. Caderno de Atividades. Anhanguera Educacional: Valinhos,
2016.

Índice

CONVITEÀLEITURA PORDENTRODOTEMA
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ACOMPANHENAWEB
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portuguesa ou qualquer outro idioma.
CONVITEÀLEITURA
Neste tema você vai tomar conhecimento dos passos que uma empresa de auditoria ou o auditor independente
se utiliza para documentar os trabalhos efetuados, assim como alguns meios que o auditor aplica para evidenciar suas
descobertas no desempenho da auditoria. Vamos, também, detalhar como se faz a auditoria no grupo do circulante, os
cuidados e as ligações com as demais áreas da empresa. Ao final deste tema você será capaz de identificar alguns dos
procedimentos utilizados pelos auditores para obter evidências nos trabalhos de auditoria, será capaz de conceituar o
que é documentação em auditoria e a forma de elaboração dos documentos realizados nos trabalhos de auditoria. Será
capaz de perceber como as classes de contas que compõem o ativo circulante e o passivo circulante se relacionam
entre si e com as demais classes de contas do balanço patrimonial e com as contas de resultado, a importância desse
relacionamento e os cuidados que se deve ter no momento de realizar os procedimentos de auditoria.

PORDENTRODOTEMA
Evidenciação de Auditoria do Grupo Circulante

Depois de apresentarmos os aspectos conceituais de auditoria, suas normas e responsabilidades, a fase do


planejamento e os riscos de auditoria, é o momento de você perceber como é a aplicação da auditoria na empresa.

Você pode consultar a Tabela 3.1, que se encontra no Caderno de atividade do Tema 3, seguindo o fluxograma de
Longo (2015), no item H teremos os procedimentos de auditoria, ou as evidências, que fazem parte da quinta seção de
normas. Neste tema estaremos focados na conceituação e definição desses procedimentos de evidências, nos papéis
de trabalhos, nos procedimentos de auditoria no ativo circulante e, por fim, procedimentos de auditoria no passivo
circulante.

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PORDENTRODOTEMA
1. Conceituação e Definição dos Procedimentos de Evidências

Os procedimentos de auditoria representam a sequência dos trabalhos que serão executados pela firma de auditoria
ou pelos auditores independentes para a obtenção das evidências de auditoria, que dará suporte para a formação da
opinião do auditor que será exposta no relatório de auditoria.

Você poderia perguntar: Como os auditores obtêm evidências durante o processo de auditoria? Em primeiro lugar, já
sabemos que o auditor deve seguir as NBC TAs para a execução de seu trabalho, e a NBC TA Estrutura Conceitual,
em seu item 20d, aborda os elementos dos trabalhos de asseguração à apresentação de evidências apropriadas e
suficientes.

Posteriormente, essa expressão é repetida por diversas NBC TAs, para garantir que os auditores tenham como foco de
seu trabalho que sua opinião deve ser lastreada pelas evidências encontradas nos trabalhos. Então, para garantir que
as demonstrações contábeis estão em conformidade com as normas brasileiras de contabilidade, é necessário obter
evidências sólidas para isso.

A NBC TA 500, que trata, primeiramente, das evidências de auditoria, no item A2 traz, exemplificativamente, um rol
de procedimentos que o auditor pode se valer para a obtenção de evidências: procedimentos analíticos, inspeção,
observação, indagação, confirmação externa, recálculo e reexecução. (CRCRS, 2015).

a. Procedimentos analíticos

Ao aplicar os procedimentos analíticos, seguindo os critérios da NBC TA 520, o auditor avalia as demonstrações
financeiras da empresa auditada, principalmente o ano corrente que será auditado; poderá, ainda, aplicar os
procedimentos analíticos em anos anteriores, buscando traçar um panorama a respeito da condição financeira da
empresa, evolução de índices, ocorrências de eventos subsequentes, de anos anteriores, que podem provocar
distorções relevantes no ano auditado. É nestes procedimentos analíticos que se aplicam as técnicas de análises de
balanços e riscos, comparativamente com os números do setor.

Estes procedimentos analíticos devem ser aplicados na fase de planejamento da auditoria e no final da auditoria.
Mas é recomendável que o auditor realize estes procedimentos em qualquer fase da auditoria e, principalmente, em
balanços dos seis primeiros meses, após a entrega do relatório de auditoria, para monitorar a existência de eventos
subsequentes (NBC TA 560) à auditoria realizada.

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PORDENTRODOTEMA
b. Inspeção

O auditor se utiliza do procedimento de inspeção quando existe a necessidade de examinar fisicamente qualquer item,
que pode ser registros ou documentos internos e externos, independentemente se o formato for de papel, digital. A
inspeção gera grande confiabilidade para as evidências, principalmente se as fontes forem fidedignas. Primeiramente,
é por meio da inspeção que se comprova a existência física de ativos ou coisas, o segundo passo será comprovar os
direitos sobre o bem, por exemplo: podem existir itens estocados na empresa, porém a confirmação indica que itens
pertencem a terceiros. Disso decorrem outros procedimentos para saber de quem são; por que estão nos estoques
da empresa; se estão cobertos pelo seguro da empresa; qual o motivo de os itens de estoques de terceiros estarem
na empresa.

c. Observação

Como o próprio nome indica, o auditor realiza observação nesta fase do procedimento. O exemplo clássico é a
contagem dos estoques ou da contagem dos numerários em caixa. Este é um procedimento um pouco limitado,
porque o auditor deve estar presente, não pode ser realizado em outro horário ou lugar e, como é comum nos casos
de observação, as pessoas mudam o comportamento. Exemplo: Quando existe inspeção, todos os empregados
utilizam os equipamentos de proteção individual; existe uma organização maior do trabalho e estoques.

d. Indagação

Você deve se recordar de que a palavra auditoria vem da palavra latina audire, que significa ouvir, então neste
procedimento o auditor usa com muita frequência para obter evidências, é o processo de obter informações de
pessoas internamente ou externamente à empresa. As perguntas efetuadas pelo auditor podem ter respostas que
corroboram com as informações obtidas nos procedimentos, ou, ainda, podem invalidar as informações obtidas dos
documentos ou da inspeção.

Você deve se recordar de que o auditor tem que adotar como característica o ceticismo. Mesmo que os documentos
ou inspeções apresentem informações, elas devem ser checadas por outros procedimentos para assegurar um grau
de confiabilidade razoável.

Este procedimento é verbal e, para ter validade para o processo de auditoria, o auditor deve reduzir a termo, ou seja,
transcrever a conversa ou a entrevista num relatório, por meio de um memorando que vai documentar a conversa, de
preferência o memorando deve ser assinado pelo auditor e pelo interlocutor.

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PORDENTRODOTEMA
e. Confirmação externa

Este procedimento é conhecido como circularização, que é a obtenção das evidências por meio de uma carta, e-mail
ou outro meio enviado para pessoas ou empresas externas para que confirme um documento, um fato, um contrato,
um saldo. Este é procedimento preferido da maioria dos auditores, por acreditarem que as pessoas externas da
empresa oferecem uma fonte mais confiável de evidências. Lembre-se do ceticismo, há casos em que fornecedores
ou clientes ligam para a empresa para saber o que significa aquela carta e a empresa orienta a forma da resposta.
Mas é uma importante fonte de informação, principalmente, a respeito de saldos de contas a pagar, contas a receber,
contratos, pendências litigiosas (NBC TA 501), etc.

A confirmação pode ser de forma positiva ou negativa. Na forma positiva temos uma resposta esperada de concordância
ou discordância pela parte externa, mas sempre se espera uma resposta, deve obedecer a todos os requisitos na
NBC TA 505. Na forma negativa só espera uma resposta se a parte discordar da informação. Exemplos: No caso da
confirmação positiva: O auditor solicitar a confirmação da existência de uma obrigação de compras, referente a nota
fiscal XX, no valor R$ YYY. A empresa responde que ela tem o crédito para receber da empresa auditada, confirmando
o número da nota e o valor da operação. Se negativo, a empresa vai responder discordando do valor, do número da
nota informado na carta de circularização.

f. Recálculo

Este procedimento é fundamental para o auditor, é quando ele confere a exatidão matemática de documentos,
registros, planilhas e até de seus papéis de trabalho. Não se deve confiar muito em planilhas eletrônicas, não que ela
erre, mas o seu operador pode errar. Este procedimento é muito útil nas planilhas de rateio de custos, rateio de quotas
de seguros, depreciação, provisões de férias e 13º salário, cálculo de cartões de ponto, etc.

g. Reexecução

A reexecução é o procedimento que o auditor vai aplicar para rastrear operações executadas por funcionários da
empresa, muito importante na fase de planejamento quando se está testando os controles internos. O auditor vai
percorrer os caminhos da execução de atividades selecionadas, tais como: na compra, quem requisitou a mercadoria,
quem autorizou a compra, quem cotou a mercadoria, quem autorizou a compra, quem recebeu a mercadoria, quem
conferiu, como foi estocada, como foi escriturada a nota fiscal, e como foi contabilizada, poderia seguir mais, onde foi
usada, etc. Qualquer procedimento pode ser reexecutado e rastreado dentro da organização.

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Existem outras formas de evidenciação, podemos citar a utilização dos trabalhos da auditoria interna previstos na
NBC TA 610 e a utilização de trabalhos realizados por especialistas, conforme NBC TA 620. (CRCRS, 2015).

Além desses procedimentos, o auditor pode se valer dos trabalhos realizados pela auditoria interna, conforme NBC
TA 610, como exemplo temos: o uso dos relatórios da auditoria interna para conhecer os sistemas de controle da
empresa. E, em outros casos especiais, o auditor pode contratar um terceiro, chamado de especialista, conforme
NBC TA 620, como exemplos temos um médico do trabalho, engenheiro ambiental, especialista em segurança de
informática.

2. Documentação de Auditoria ou Papéis de Trabalhos (WP)

Para a NBC TA 230 (CRCRS, 2015, p. 162), o que usualmente é chamado de papéis de trabalho é a documentação
de auditoria, que são os registros dos procedimentos de auditoria executados, da evidência de auditoria relevante obtida
e as conclusões alcançadas pelo auditor.

Os papéis de trabalho no final do trabalho vão retratar o caminho percorrido pelo auditor para as suas conclusões, é a
organização dos documentos produzidos que subsidiarão os trabalhos desde a contratação do serviço até o relatório
final de auditoria. (PEREZ JUNIOR, 2012).

Nos ensinamentos de Stuart (2014), “esta documentação deve ser preparada de forma que um auditor experiente, sem
nenhuma conexão anterior com a auditoria, obtenha entendimento”, ou seja, qualquer auditor treinado poderá revisar
os trabalhos realizados.

Atualmente, algumas empresas de auditoria utilizam softwares, que são programas de auditoria que geram papéis
de trabalho, organizam a agenda, fazem os cruzamentos de informações, realçam distorções relevantes, dentre
outras funcionalidades, e vão armazenando os papéis de trabalho virtualmente, facilitando os trabalhos de revisão e
arquivamento. Auditores em início de carreira ou firmas pequenas lançam mão de papéis físicos, pois, alguns, ainda, não
dispõem desta tecnologia.

Você deve ter percebido que, na fase do planejamento, a firma ou o auditor independente define cada etapa a ser realizada
por meio do plano de auditoria, nestas definições todos os membros da equipe de auditoria têm suas responsabilidades
devidamente definidas. É, também, de propriedade da firma de auditoria ou do auditor independente todos os documentos
que compõem a documentação de auditoria, assim, é responsável pela guarda dos documentos pelo prazo de cinco
anos, da data da publicação do relatório de auditoria.

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PORDENTRODOTEMA
Os papéis de trabalho são divididos em duas categorias: correntes e permanentes. O que diferencia os dois tipos de
papéis é que os papéis de trabalho correntes são os utilizados na auditoria realizada, e os permanentes são aqueles
papéis produzidos em auditorias anteriores e que são usados como base para as auditorias futuras. Você pode deduzir
que uma boa documentação facilita o planejamento das futuras auditorias. Os papéis de trabalho são numerados e
codificados com a intenção de formar um arquivo fácil de ser consultado. (LINS, 2014).

É nesta fase que surge o uso das legendas, chamadas de ticks de auditoria, cada firma de auditoria, cada auditor
independente tem o seu critério de marcação por meio de ticks, por isso é interessante que se faça uma legenda em
cada papel de trabalho, o que cada tique ou sinal significa, para facilitar ao leitor as conferências e revisões.

Há, também, as regras de qualidade da firma (NBC PA 01), qualidade dos trabalhos de auditoria (NBC TA 220), e as
normas de documentação (NBC TA 230), tudo isso combinado com as regras do Código de Ética Profissional, que
tratam do sigilo exigido do profissional de auditoria, que é o dono dos documentos de auditoria, a empresa contratante
recebe o relatório e o memorando ou carta de recomendação.

É possível perceber que a documentação deve ter uniformidade, no mesmo padrão e tamanho, ter concisão as informações
devem ser estritamente necessárias para a auditoria, bem como ter uma sequência lógica da realização dos trabalhos
para facilitar a leitura, consulta e revisão.

3. Procedimentos de Auditoria

Com o plano de auditoria realizado, responsabilidades definidas e objetivos traçados para os testes de auditoria,
a equipe de auditoria está pronta para cumprir as estratégias para a realização da auditoria. A principal demonstração
financeira a ser auditada é o balanço patrimonial, o auditor deve estar atento, dentre outras coisas, se:

• os princípios de contabilidade foram aplicados de forma uniforme;

• as classes de contas foram devidamente classificadas;

• as disponibilidades elencadas no balanço realmente existem;

• os títulos negociáveis e as inversões financeiras existem e se são de propriedade da empresa;

• os rendimentos foram realmente contabilizados na integralidade;

• os créditos são realmente realizados;

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• os estoques existem e se são conversíveis em vendas;

• os imobilizados existem e são propriedades da empresa;

• as provisões estão corretas, etc. (CREPALDI, 2013).

Quando estamos iniciando um trabalho de auditoria nas demonstrações contábeis temos, de maneira geral, objetivos,
mais ou menos iguais, aos que se aplicam em quase todos os casos, tais como: existência, avaliação, autorização,
propriedade, restrições, exatidão de valores, utilidade, apresentação nas demonstrações.

a. Existência: buscar verificar a existência do item do ativo é o objetivo principal da auditoria, procedimento aplicável
para todas as contas do balanço.

b. Avaliação: buscar evidências de que os bens e classes de contas estão avaliados de forma correta, valor do custo,
mercado ou valor justo.

c. Autorização: buscar se certificar de que um ativo foi adquirido com as devidas autorizações ou um passivo foi
contratado devidamente.

d. Propriedade: deve-se determinar a propriedade dos itens do ativo.

e. Restrições: verificar se os bens possuem restrições de uso, ou foram dados em garantia de algo e poderão sofrer
restrições, isso deve ser divulgado nas notas explicativas.

f. Exatidão de valores: verificar se os valores apresentados nas demonstrações e registros são exatos.

g. Utilidade: é testar se os ativos são uteis para as atividades a que se propõem. As mercadorias podem ser vendidas,
os imobilizados ainda produzem, etc.

h. Apresentações nas demonstrações: confirmar se todos os itens de ativo foram apresentados corretamente nas
demonstrações financeiras.

Assim, com a aplicação desses parâmetros para os objetivos a serem alcançados pelos auditores, agora já podemos
analisar como aplicar os procedimentos de auditoria no ativo circulante e no passivo circulante. Independentemente do
saldo da conta, todas as contas devem ser testadas, o que se diferencia são as quantidades de testes.

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4. Ativo Circulante

O ativo circulante é subdividido em: disponibilidades, créditos, estoques e outros elementos do ativo circulante.

a. Auditoria das disponibilidades

São classificados como disponibilidades os recursos financeiros à disposição da empresa para utilização imediata.
Esses recursos são classificados em:

• Caixa: representado pelo numerário em espécie em poder da empresa;

• Equivalentes de caixa, que se subdivide em bancos e aplicações financeiras. Bancos: representa o dinheiro que
está depositado em contas bancárias de livre movimentação. Aplicações financeiras: são aquelas aplicações que
tenham liquidez imediata e garantia total de realização.

Na aplicação dos procedimentos de auditoria em uma área o auditor também estará verificando classes de contas que
se comunicam entre si. Vamos traçar alguns exemplos desse relacionamento no grupo das disponibilidades:

Caixa e bancos  aplicações financeiras = aplicação, resgates, juros ativos;

Caixa e bancos  Clientes/ contas a receber = recebimentos de duplicatas;

Caixa e bancos  Estoques = compra à vista e pagamentos de fornecedores;

Caixa e bancos  Imobilizado = Compra à vista de bens;

Caixa e bancos  Exigível = pagamentos das diversas obrigações;

Caixa e bancos  Capital social = integralização do capital;

Caixa e bancos  Receitas de vendas = vendas à vista;

Caixa e bancos  Despesas = pagamentos de despesas;

Aplicações financeiras  Bancos = aplicações, resgates e receitas financeiras ativas.

Podemos perceber que o grupo das disponibilidades tem um relacionamento intenso com todas as áreas da empresa,
porque todos os pagamentos e recebimentos transitam por este grupo, assim os testes nestas contas vão estar

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relacionados com outras classes de contas e o cruzamento das informações irá subsidiar as decisões do auditor a
respeito da segurança das informações.

Esta área em qualquer empresa é muito importante para a auditoria, pois por aqui transitam os numerários da
empresa que são suscetíveis tanto de erros (distorções não intencionais) quanto de fraudes (distorções intencionais),
então a equipe de auditoria deve elaborar procedimentos de auditoria para identificar a possibilidade de ambos nas
movimentações financeiras.

Dentre os procedimentos a serem aplicados neste grupo podemos citar: contagem de caixa, conferências do relatório
de caixa, avaliação do controle interno, separação das funções de caixa e de tesouraria, testes de reconciliações
bancárias, testes de aplicações financeiras, teste de transferências bancárias, teste de liquidação de cheques
subsequentes.

b. Créditos

Neste grupo são registrados os créditos da empresa junto a seus clientes decorrentes de vendas ou prestação de
serviços. Assim teremos: Clientes a receber, cheques a receber, cartões de crédito a receber, duplicatas a receber,
quando aplicável a redução do ajuste ao valor presente do crédito, aplicação do CPC 12 e a ajustes para liquidação
duvidosa, CPC 38. (CPC, 2013).

Este grupo apresenta um relacionamento intenso com as receitas a prazo da empresa, já vimos que também se
relaciona com o caixa e bancos. Vamos aos exemplos desse relacionamento:

Clientes a receber, duplicatas a receber  vendas a prazo = emissão de créditos a receber, receita financeira se
relevante, receita financeira para recebimentos em atraso;

Cartões a receber  vendas a prazo = valor a receber da empresa financeira, cobrança da taxa de uso da máquina,
segurança na manipulação de numerários;

Cheques a receber  vendas a prazo = cheques a depositar, custódia dos cheques, troca de cheques com despesas
financeiras passivas;

Ajuste a valor presente  Clientes a receber, duplicatas a receber = decisão da taxa de desconto, receitas financeiras,
divulgação dos critérios aplicados;

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Ajustes para liquidação duvidosa  Despesa comercial de ajuste de liquidação duvidosa, cálculo correto do imposto
de renda e contribuição social, critério utilizado para cálculo do ajuste;

São muitas variáveis para serem conferidas pela equipe de auditoria, assim, a escolha dos procedimentos e a
profundidade dos testes são muito importantes. Os testes iniciam, geralmente, com um pedido de confirmação dos
clientes, pela carta de circularização, conferência da existência dos títulos, valor real, origem das operações de
vendas, análise do aging list, que é a data de vencimento, adequação do cálculo do valor presente e da sugestão de
ajuste de liquidação duvidosa, se houver terceirização para cobrança, deve-se conferir o saldo entre as remessas e
os valores a serem cobrados.

c. Estoques

Segundo o CPC 16, estoques são ativos:

(a) mantidos para venda no curso normal dos negócios;

(b) em processo de produção para venda; ou

(c) na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na


prestação de serviços. (CPC, 2013).

Para que você tenha uma ideia, o estoque é tão importante que temos uma NBC TA diferente para ser observada no
procedimento de auditoria, a NBC TA 501, que trata de considerações específicas para itens selecionados. (CRCRS,
2015).

Também podemos inserir neste grupo outros produtos do ativo que foram destinados para venda, por não terem mais
utilidade na atividade normal da empresa. Exemplo: máquinas descartadas, material de almoxarifado descartados.

Dependendo do ramo de atividade, este item do ativo é significativo, como, por exemplo: em grandes empresas
comerciais e indústrias, ou não tem muita relevância, por exemplo: prestadoras de serviços, bancos. Mas sempre
terá muito relacionamento com o grupo das disponibilidades, fornecedores, custo das mercadorias vendidas, custo
da produção ou dos produtos em elaboração, créditos tributários. O auditor deve dar muita atenção a este grupo nas
empresas comerciais e industriais, pois são comuns desvios de patrimônio intencionais.

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Vamos exemplificar estes relacionamentos:

Estoques  disponibilidades e fornecedores = são os pagamentos, as compras a prazo;

Estoques  resultados = são as baixas por venda ou perda;

Estoques  para estoques = são os consumos de matérias-primas e outros insumos para produzir outros produtos; sai
da classe matéria-prima e vai para a classe produtos em elaboração e, na sequência, totaliza em produtos acabados.

Estoques  elementos de custos = recebe valores de elementos formadores de custos, tais como: salários da fábrica,
depreciação, energia elétrica, etc.

Estoques  créditos tributários = aproveitamento dos tributos incidentes sobre a compra de produtos.

A relação de itens a serem verificados nos estoques é enorme, iniciando pela: contagem física, que vai dar atenção
para a existência dos produtos; passando pela avaliação correta dos estoques, seja pela compra ou pelo correto
cálculo dos custos de fabricação, tudo em conformidade com o CPC 16; e pelo aproveitamento dos créditos tributários,
verificando se os controles internos referentes à proteção do patrimônio funcionam corretamente.

São muitos procedimentos que podem ser aplicados nos estoques, como: circularização de estoques em poder
de terceiros ou estoques de terceiros na empresa, inventário físico, recálculo dos custos de produção, reexame
dos procedimentos de compra, teste de valor de mercado, possíveis ajustes de perdas ou vencimento do produto,
utilidade, se houver teste de importação, rastreamento de requisição-compra-recebimento-escrituração-consumo.

d. Outros elementos do ativo circulante

Existem outras contas no ativo circulante que às vezes são agrupadas em outros bens e direitos, que se trata das
despesas pagas e ainda não utilizadas, como: os créditos tributários ainda não compensados, itens baixados do
estoque ou do ativo imobilizado de pequeno valor que estão para venda, pequenos investimentos que não têm
liquidez suficiente para ser classificados no grupo das disponibilidades, mas que são irrelevantes ou possuem prazo
inferior a um ano.

Neste caso, a auditoria vai analisar as contas e decidir o nível de procedimentos a serem aplicados. Geralmente, este
grupo já foi auditado de forma indireta quando se auditou os grupos anteriores.

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5. Auditoria no Passivo Circulante

O passivo é composto por obrigações decorrentes das atividades operacionais e financeiras das empresas que,
na maioria, já foram examinadas quando examinadas outras áreas. Mas merecem atenção da auditoria, pois podem
provocar distorções nas demonstrações.

A parte circulante, que são aquelas obrigações exigíveis até 12 meses após o fechamento do balanço, é dividido em:
Fornecedores, financiamentos, encargos sociais e trabalhistas a pagar, encargos tributários a pagar, dividendos e outras
contas a pagar. Os objetivos de auditoria serão os mesmos já estudados no ativo, que é: verificar a existência, avaliação,
autorização, restrições, exatidão, classificação contábil e os controles internos.

a. Fornecedores

Este grupo merece muita atenção dos auditores, pois reúne as obrigações junto aos fornecedores e pode ser facilmente
manipulada por alguns agentes internos com a colaboração de terceiros. Exemplo: apresentar notas de empresas
sem a efetiva compra de mercadorias, a empresa e o funcionário dividem o valor; ou, apresentar notas com um valor
adicional que o funcionário recebe, a chamada “propina”.

Vamos analisar alguns exemplos de relacionamento desse grupo:

Fornecedores  Estoques, imobilizado, despesas = política de compras em geral, autorização, conferência;

Fornecedores  Caixa e bancos = autorização de pagamentos, prazos, atrasos, despesas financeiras, juros passivos;

O principal procedimento aplicável é a confirmação da obrigação, que se faz com o rastreamento da formação da
obrigação, com a circularização junto aos fornecedores. Depois temos os testes de liquidação subsequente ao trabalho
de auditoria.

b. Financiamentos

Este grupo registra a captação de recursos financeiros junto a órgãos financeiros ou a debenturistas para o financiamento
das atividades da empresa. É uma fonte de entrada de recursos, logo sujeita a vários tipos de fraudes.

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Vamos aos exemplos de relacionamento desse grupo:

Financiamento  Caixa e Bancos = entrada de dinheiro por empréstimos, contratos, taxas de juros, apropriação de
juros passivos, pagamento dos empréstimos;

Financiamento  Estoques, Imobilizados = contratos, taxas de juros, apropriação de despesas financeiras, quitação
dos empréstimos, análise da autorização de contratação.

Debêntures  Caixa, Bancos = lançamento das debêntures, autorização da captação, cálculo da taxa da remuneração,
quitação;

Os procedimentos assumem complexidade dependendo do tamanho e da complexidade da empresa auditada, da


relevância desse item na participação do total de capital de terceiros nos negócios da empresa, mas sempre o auditor
deve ter clareza no planejamento dos procedimentos a serem aplicados para diminuir os riscos da auditoria.

c. Encargos sociais e trabalhistas a pagar

Este grupo merece atenção da auditoria, mas a principal atenção vem da auditoria da atividade operacional dos
recursos humanos, que reflete diretamente no quanto a pagar de encargos sociais e trabalhistas. Se a auditoria
operacional nos recursos humanos garantir uma segurança das informações, este grupo já estará auditado, restando
somente conciliar os saldos de folha de pagamento e dos encargos sociais a pagar, as revisões das provisões de
férias e 13° salário e eventualmente um passivo trabalhista que pode ser imediato ou de longo prazo.

d. Encargos tributários a pagar

Este é outro grupo em que a auditoria se resolve no nível operacional. Quando se audita os aproveitamentos e os
débitos tributários, já indica o quanto deveriam ser os impostos a pagar ou recolher. Existe um contato direto com
as operações de compras e de vendas, pois são desses fatos que decorrem os fatos geradores dos créditos e dos
débitos tributários. Auditando-se por amostragem os aproveitamentos tributários e os cálculos dos tributos sobre as
vendas, logo se apuram os valores que serão os saldos dos tributos a pagar. Geralmente, a auditoria desse grupo é
um trabalho preliminar, contratado à parte, que se inicia com o planejamento tributário da empresa e acompanhamento
legal das operações de aproveitamento tributário, principalmente quando existem atividades com incentivos fiscais
específicos.

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PORDENTRODOTEMA
e. Dividendos e outras contas a pagar

Este grupo geralmente não apresenta problemas para a auditoria, primeiro por não representar um valor relevante,
segundo porque os valores serão auditados em outros procedimentos, tais como: quando se auditar a distribuição dos
dividendos, analisando a ata da reunião dos sócios que autorizou os percentuais e a forma de quitação, as quitações
subsequentes dos dividendos. Já para as outras contas é um item que chama atenção não pelo valor em si, mas pela
classificação diferente, geralmente, são poucas transações e de fácil conferência.

ACOMPANHENAWEB
Circularizações para Clientes e Fornecedores, Portal da Contabilidade

• O Portal de Contabilidade nos apresenta vários modelos de cartas de circularização, para


a classe de contas a receber e de contas a pagar, que podem ser facilmente adaptadas às
necessidades de um procedimento de auditoria, excelente modelo para estudo.
Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/modelos/clientes.htm>. Acesso em: 08/06/2016.

Técnicas e Procedimentos de Auditoria: Como o Auditor Forma Sua Opinião!

• O site Contábeis.com.br publica vários artigos de interesse da profissão contábil, e este


artigo nos traz um excelente resumo dos procedimentos aplicáveis em trabalhos de coleta de
evidências. Vale a pena sua leitura.

Publicação: Contábeis.com.br, de Marlon Luiz de Freitas Silva.


Disponível em: <http://www.contabeis.com.br/artigos/1875/tecnicas-e-procedimentos-de-auditoria-como-o-audi-
tor-forma-sua-opiniao/>. Acesso em: 09/06/2016.

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ACOMPANHENAWEB
Papéis de trabalho, do autor Cláudio Marcelo Rodrigues Cordeiro

• Neste artigo o autor analisa a importância dos registros dos procedimentos de auditoria, seja
interna ou externa.
Disponível em: <http://www2.masterdirect.com.br/adm/arquivosclientes/448892/Pap%C3%A9is%20de%20Tra-
balho%20-%20Prof.%20Cl%C3%A1udio%20Marcelo.pdf?tipo=1664> . Acesso em: 09/06/2016.

A Auditoria de Estoques como Proposta para Redução de Perdas e Mensu-


ração de Resultados

• O autor faz um trabalho robusto a respeito de procedimentos de auditoria em estoques,


inclusive a sua importância para os resultados das empresas. Leitura indispensável.

De José Erivan Pinheiro de Lírio, publicado em: 03/02/2011, no site da: Administradores.com.br.
Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/a-auditoria-de-estoques-co-
mo-proposta-para-reducao-de-perdas-e-mensuracao-de-resultados/51918/>. Acesso: 09/06/2016.

A Importância do Caixa na Auditoria Fiscal

• O artigo demonstra a importância da classe caixa para a auditoria fiscal, traçando uma linha
entre os elementos fiscais e os elementos patrimoniais da empresa.

De José Silvério Lemos, publicado em: 17/01/2013, no site da: Sefaz-ES.


Disponível em: <http://internet.sefaz.es.gov.br/informacoes/arquivos/publicacoes/publicacao_07.pdf>. Acesso
em: 09/06/2016.

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ACOMPANHENAWEB
Normas de Auditoria - Módulo III. CRCSP

• O autor trabalha com o conceito de auditoria fazendo uma explanação das principais
mudanças ocorridas nos procedimentos de auditoria, neste módulo ele expõe os procedimentos
de evidenciação.

Cláudio Gonçalo Longo, publicado em 28/02/2014.


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=M662wikqVOM&index=3&list=PLd3r3Q8DTZhxsF_
N4c7i6DM0Yc8tqJqwQ>. Acesso em: 30/05/2016.

Tempo: 31:21.

Evidências de Auditoria

• Interessante explicação a respeito da coleta de evidências nos procedimentos de auditoria.

Paulo Sávio Alves, publicado em 21/08/2015.


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=a9Sp5IBypIQ>. Acesso em 09/06/2016.

Tempo: 8:27.

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Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla
escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.
Questão 1

Descreva com suas palavras por que as NBC TAs e outras normas de contabilidade priorizam, ao regular de forma clara, como
as firmas de auditoria e os auditores independentes devem documentar os trabalhos de auditoria.

Questão 2

Quanto à natureza dos papéis de trabalho de auditoria, é correto afirmar que se classificam como:

a) corrente é aquele papel em que o auditor analisa somente a conta corrente da empresa, e permanente, em que o auditor
analisa as contas do permanente.

b) corrente é o papel realizado por meio eletrônico, e permanente aquele de meio físico.

c) corrente é o papel utilizado apenas em um exercício social, e permanente aquele utilizado em mais de um exercício social.

d) programa o detalhamento dos procedimentos de auditoria; e operacional o registro dos exames de auditoria.

e) evidência das distorções relevantes e recomendações para a diretoria das reclassificações das contas.

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Questão 3

O procedimento que leva à obtenção das evidências por meio de uma carta, e-mail ou outro meio enviado para pessoas ou em-
presas externas para que confirme um documento, um fato, um contrato, um saldo, é chamado de:

a) Carta de circularidade.

b) Carta de desagravo.

c) Confirmação de negócio.

d) Confirmação externa.

e) Carta de denúncia.

Questão 4

O procedimento em que o auditor faz entrevistas, perguntas para o público interno da empresa. Estamos nos referindo a:

a) Confirmação externa.

b) Indagações.

c) Revisões.

d) Reexecução.

e) Procedimentos analíticos.

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AGORAÉASUAVEZ
Questão 5

A inspeção física, por meio da contagem de numerário, é o procedimento a ser aplicado:

a) Somente no estoque.

b) Em todo ativo circulante.

c) Em todo passivo circulante.

d) Somente nos fornecedores.

e) Somente no disponível.

FINALIZANDO
Neste tema você tomou conhecimento dos principais aspectos de conceituação e definições dos procedimentos de
auditoria, de que o auditor se vale para obter evidências, tais como: procedimentos analíticos, inspeção, observação,
indagação, confirmação externa, recálculo e reexecução. Depois tomou conhecimento da formação da documentação
da auditoria e seus diversos papéis de trabalho. Por fim, tomou conhecimento dos procedimentos de auditoria aplicáveis
no grupo do circulante, tanto do ativo como do passivo, as suas principais estratégias e objetivos para a análise das
classes de contas desses grupos. Tomou conhecimento dos principais relacionamentos das classes de contas com
outras classes para o trabalho de auditoria apresentar um confronto de dados.

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REFERÊNCIAS
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Acesso em: 09 jun. 2016.
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arquivosclientes/448892/Pap%C3%A9is%20de%20Trabalho%20-%20Prof.%20Cl%C3%A1udio%20Marcelo.pdf?tipo=1664>.
Acesso em: 09 jun. 2016.
CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis: CPC. Pronunciamentos, 2013. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/
Documentos-Emitidos/Pronunciamentos>. Acesso em: 15 maio 2015.
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CREPALDI, S. A. Auditoria contábil: teoria e prática. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
LEMOS, J. S. SEFAZ-ES. A importância do caixa na auditoria fiscal, 2013. Disponível em: <http://internet.sefaz.es.gov.br/
informacoes/arquivos/publicacoes/publicacao_07.pdf>. Acesso em: 09 jun. 2016.
LINS, L. D. S. Auditoria: uma abordagem prática com ênfase na auditoria externa: atualizada e revisada. 3ª. ed. São Paulo:
Atlas, 2014.
LIRIO, J. E. P. D. Administradores.com.br. A auditoria de estoques como proposta para redução de perdas e mensuração
de resultados, 2011. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/a-auditoria-de-estoques-
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LONGO, C. G. Manual de auditoria e revisão de demonstrações financeiras. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
PEREZ JUNIOR, J. H. Auditoria de demonstrações contábeis: normas e procedimentos. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
PORTAL da Contabilidade. Modelos de cartas de circularização. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/
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opiniao/>. Acesso em: 09 jun. 2016.
STUART, I. C. Serviços de auditoria e asseguração na prática. Tradução de Christiane de Brito. Porto Alegre: AMGH, 2014.

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GLOSSÁRIO
Grupo circulante: São as contas que têm sua realização para o ativo ou exigibilidade para o passivo no curto prazo,
entende-se aquela que ocorrerá no exercício seguinte (prazo de 12 meses seguintes ao do ano-base do balanço). Entre-
tanto, na companhia em que o ciclo operacional tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante
ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo.

Fidedigna: diz daquele ou daquela que é de confiança, verdadeira, de crédito.

Numerários: relativo a dinheiro; dinheiro vivo em qualquer espécie ou tipo de moeda.

Valor justo: é a quantia pela qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo liquidado, por duas partes dispostas a isso
e independentes entre si.

Eventos subsequentes: são os eventos favoráveis ou desfavoráveis que ocorrem após a data do balanço e antes da
divulgação das demonstrações contábeis, mas que produzem distorções relevantes.

GABARITO
Questão 1

Resposta: Como a auditoria é uma técnica que deve ser aplicada nas empresas para aumentar o grau de confiabilidade
das informações divulgadas ao mercado, a documentação que é usada para este procedimento deve representar de
forma clara e concisa o caminho que o auditor utilizou para obter evidências suficientes para subsidiar seu julgamento a
respeito das informações das empresas. Dessa forma, é importante que o órgão de classe da categoria seja rigoroso na
formação da documentação para que outros auditores possam utilizar aquelas informações, até mesmo para a revisão
pelos pares.

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Questão 2

Resposta: Alternativa C.

Sua classificação se dá em duas formas: correntes e os permanentes. Os primeiros são aqueles que serão usados
somente no ano, os segundos serão utilizados no decorrer dos anos seguintes, servindo como base para a auditoria
atual.

Questão 3

Resposta: Alternativa D.

A confirmação externa é efetuada por um procedimento chamado de circularização, que são cartas, e-mails, ou outro
meio de comunicação para que terceiros confirmem as operações com a empresa auditada.

Questão 4

Resposta: Alternativa B.

É no procedimento de indagação que o auditor irá fazer contato direto com as pessoas na organização com o objetivo
de obter informações a respeito de fatos ou documentos da empresa.

Questão 5

Resposta: Alternativa E.

A contagem de numerário é efetuada somente no disponível, pois é a única classe de contas que registra o caixa e seus
equivalentes.

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Auditoria Ca r n e iro d e A r a u jo
Autoria: Dirceu

Tema 05
Evidenciação de Auditoria do Grupo Não Circulante e Demais Demonstrações
Tema 05
Evidenciação de Auditoria do Grupo Não Circulante e Demais Demonstrações
Autoria: Dirceu Carneiro de Araujo
Como citar esse documento:
ARAUJO, Dirceu Carneiro de. Auditoria: Evidenciação de Auditoria do Grupo Não Circulante e Demais Demonstrações. Caderno de Atividades.
Anhanguera Educacional: Valinhos, 2016.

Índice

conviteàleitura PORDENTRODOTEMA
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ACOMPANHENAWEB
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portuguesa ou qualquer outro idioma.
conviteàleitura
Neste tema você vai tomar conhecimento dos passos que uma empresa de auditoria ou o auditor independente
deve seguir para realizar a auditoria na classe de ativo não circulante e passivo não circulante, os cuidados que devem
ser tomados para auditar as classes de contas com influências em períodos longos, inclusive do patrimônio líquido das
organizações, e na sequência a forma de auditar as demais demonstrações financeiras, Demonstração do Resultado do
Exercício, Demonstração de Fluxo de Caixa, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, Demonstração do Valor
Adicionado e Notas Explicativas. Ao final desta aula você será capaz de diferenciar as metodologias utilizadas para auditar
as contas do circulante e não circulante, o patrimônio líquido e as demais demonstrações financeiras. Será capaz também
de realizar os cruzamentos necessários, nas classes de contas, para o encerramento da auditoria.

PORDENTRODOTEMA
Evidenciação de Auditoria do Grupo Não Circulante e Demais Demonstrações

Depois de apresentarmos os principais aspectos da auditoria, para o grupo do circulante, objetivos e documentação
de auditoria, é o momento de você perceber como é a aplicação da auditoria no grupo do não circulante e demais
demonstrações financeiras.

Você poderá consultar a Tabela 3.1, no caderno de atividades do Tema 3, seguindo o fluxograma de Longo (2015) no item
H, onde temos os procedimentos de auditoria, já estudados no Tema 4 (procedimentos analíticos, inspeção, observação,
indagação, confirmação externa, recálculo e reexecução) e aplicar os filtros do objetivo da auditoria, que são: existência,
avaliação, autorização, propriedade, restrições, exatidão de valores, utilidade, apresentação nas demonstrações. Então,
vamos continuar os estudos dos procedimentos de auditoria no ativo não circulante, passivo não circulante e patrimônio
líquido e principais aspectos nas demais demonstrações.

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PORDENTRODOTEMA
I. Procedimentos de Auditoria no Ativo Não Circulante

De maneira geral, você já deve ter estudado que são classificados na classe não circulante os direitos e obrigações
com prazos superiores a um ano da data base do balanço. Mas vamos melhorar este conceito. A realidade é que temos
empresas com ciclos operacionais superiores a um ano, tais como estaleiros que constroem navios, plataformas de
petróleo, grandes construtoras que fazem hidrelétricas, condomínios, dentre outras, então o prazo será o ciclo operacional
da empresa, porém vamos adotar a regra básica de um ano, para este estudo, até pelo ano fiscal. Para a classe de ativo
não circulante temos: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizados e intangíveis. Pode ocorrer de haver, ainda,
diferidos, que vão se encerrar e deverão ser classificados em outros grupos.

a) Realizável a longo prazo

Vamos usar o conceito da Lei 6.404/76 e suas alterações para entendermos este caso especial. No artigo 179, inciso II,
que trata do ativo realizável a longo prazo, teremos:

“Os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos
ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro
da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia” (BRASIL, 1976).

Note que o inciso inicia com um termo bem específico, “os direitos realizáveis”, isso nos leva a uma infinidade de
possibilidades, mas vamos tentar simplificar.

Quando estivermos diante de um direito a longo prazo, que pode ser qualquer classe de conta existente no grupo do
circulante, usaremos esta classificação. Pode ser aplicação financeira que não se caracteriza investimento, estoque a
ser realizado no futuro, créditos em geral, recuperação tributária, diferimentos.

Depois, todos os atos relacionados com negócios, não usuais, entre partes relacionadas, coligadas, controladas, sócios
e diretores, serão classificados neste grupo independentemente do prazo. Estas operações devem constar sempre de
notas explicativas, que devem ser auditadas.

Note que o auditor tem que conhecer bem as transações para poder executar seu trabalho, aplicar a NBC TA 550 e o
CPC 05, que tratam de partes relacionadas, e NBC TA 600 e os CPC 18 e CPC 19, que tratam de grupos de empresas.

Quando estivermos tratando de créditos de longo prazo, não poderemos esquecer que existe determinação do CPC
12 para o ajuste a valor presente, que envolve o valor inicial, a taxa a ser aplicada e o registro do cálculo para as
devidas apropriações pelo regime de competência. Este procedimento deve ser auditado para saber se houve a devida

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PORDENTRODOTEMA
apropriação, se a escolha da taxa foi adequada, e se as apropriações estão sendo observadas. Se houver estoques no
longo prazo, deve-se aplicar a NBC TA 501 e o CPC 46 que é o valor justo.

Todos estes cuidados vão resultar na identificação dos elementos que compõem a classe de realizável a longo prazo (LP)
e iniciar os questionamentos previstos no plano de auditoria. Vamos aos exemplos de relacionamentos nesta classe?

Impostos a recuperar a LP  compra de imobilizado = existe a compra, o valor está correto, qual o documento, a
planilha de cálculo, para apropriação dos tributos da compra, está correta e está sendo apropriada corretamente, houve
autorização, a classificação está correta.

Processos judiciais  fato que deu origem = créditos a receber em processos judiciais, objetivos de auditoria: existe
realmente o processo, o que deu origem, procurações e autorizações para a ação estão corretas, o valor contabilizado
reflete o princípio da prudência, a classificação está correta, consta em nota explicativa.

Empréstimos entre partes relacionadas  saída de recursos da empresa = objetivos de auditoria: existiram realmente as
operações, foram devidamente autorizadas, existe documentação real, o valor está correto, a classificação está correta.

Créditos a LP  vendas a LP ou empréstimos a terceiros = financiamentos de operações, objetivos de auditoria:


verificar se as operações existem realmente, quem autorizou, documentação, garantias, está contabilizado a valor
presente, tem memória do cálculo, circularizar junto ao devedor para confirmar o saldo, o valor está correto, a
classificação está correta.

Investimentos temporários a LP  Caixa e Bancos = aplicações, rendimentos, taxas bancárias, são procedimentos já
conhecidos, existe a aplicação, autorização, valor correto, juros contabilizados corretamente e resgates.

Despesas antecipadas  Caixa, Bancos = gastos antecipados. Existência, autorização, prazo correto, classificação.

Operações com coligadas e controladas, aqui merece um parêntesis: este tipo de transação já indica que haverá a
necessidade de auditar grupo de empresas, de preferência todas as empresas no mesmo período, você já sabe que
isto deverá ser efetuado pela mesma firma de auditoria, por questão de responsabilidade na opinião. Aplicam-se todos
os procedimentos na empresa central e nas demais empresas, e se faz o cruzamento de informações para aumentar o
grau de confiança do relatório de opinião.

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PORDENTRODOTEMA
b) Investimentos

0 art. 179 da Lei n. 6.404/76, em seu item III, estabelece que se classificam em Investimentos: “as participações
permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não
se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa”. (BRASIL, 1976).

Uma releitura rápida deve ser efetuada neste inciso, que é a seguinte: todos os direitos que não foram classificados na
classe circulante e na classe realizável a LP deverão ser classificados nesta classe. Percebemos que restou pouca coisa
ou, se houver classificação nesta classe, são direitos muito específicos. Restam então as participações permanentes
em outras sociedades de forma voluntária ou incentivadas, propriedades para investimentos, ou outros investimentos.

Uma vez conhecido e determinado o tipo de investimento, o auditor deve se preocupar com as formas de avaliação,
conforme artigo 183, inciso I, da Lei 6.404/76, CPC 38 que trata dos instrumentos financeiros, reconhecimento e
mensuração, e CPC 46 que trata do valor justo, que pode ser: pelo valor de aquisição, valor justo ou pelo método da
equivalência patrimonial.

Chamo a atenção para o fato de que nesse grupo o auditor deve ter um conhecimento profundo dos CPCs, legislação
societária, pronunciamentos da CVM, aqui não basta somente conhecer contabilidade, esta área é hard (hard, no sentido
de: difícil, duro, trabalhoso), isso justifica a necessidade de o auditor manter sua formação continuada, apresentar
certificados que comprovem seu aperfeiçoamento nas áreas avançadas da contabilidade.

Os procedimentos que podemos citar como exemplos:

Propriedades para investimento  Caixa, bancos = aquisição da propriedade. Confirmar a existência, autorização, valor
correto, contratos, se há limitações (penhoras, hipotecas, alienação fiduciária), testar seu valor, risco de invasão, etc.

Investimento em coligada  Caixa, Bancos, Estoques, outros ativos = Participação societária. Confirmar existência,
realidade dos negócios, autorização, calcular o valor atual, verificar contratos e relacionamentos, pode ter perdas, testar
e verificar ajustes, risco de influenciar negativamente a investidora, etc.

São diversas possibilidades na auditoria nesta área e destaco, novamente, para as nuances de extensão e profundidade,
por vezes, impensáveis antes de se iniciar as aplicações dos testes. Exemplo: Petrobrás, são tantas participações que
não foi possível, em tese, prever influências externas dos políticos ou associação de pessoas para fraudar orçamentos
e compras.

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PORDENTRODOTEMA
c) Imobilizados

A Lei n. 6.404/76, mediante seu art. 179, item IV, conceitua como contas a serem classificadas no Ativo Imobilizado:

“Os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da
empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia
os benefícios, riscos e controle desses bens”. (BRASIL, 1976).

Nos ensinamentos de Iudícibus, et al. (2010), o CPC 27 trata do ativo imobilizado, definindo o imobilizado como um ativo
tangível aquele que é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros,
ou para fins administrativos e que se espera utilizar por mais de um ano.

Assim, o imobilizado deve ter contas para cada classe principal de ativo, para o registro pelo seu custo histórico. As
reduções pelo uso (depreciações) serão registradas em contas separadas, como redutoras das classes principais. As
perdas estimadas por redução da aplicaçao dos testes de recuperabilidade devem estar em contas separadas, reduzindo
o valor do imobilizado, tal qual a depreciação.

Existe uma divisão entre os bens em operação e os bens do imobilizado em andamento, importantes para análise das
operações da empresa, particularmente na análise entre receitas e o imobilizado. Outro item interessante são os bens
advindos de arrendamento mercantil, na forma do CPC 06.

Vamos analisar alguns exemplos de testes que poderiam ser aplicados nesta classe de contas?

Bens  Caixa, Bancos = aquisições. Poderíamos iniciar pela contagem física, existência, avaliação, teste de impairment,
CPC 01, autorização, classificação, propriedades, limitações por garantias, penhoras.

Bens  Depreciação = redução do valor. Existe o bem, a taxa de depreciação foi justificada, existência de planilhas de
controle fidedignas.

Bens  Ajustes por perdas por redução = Redução do Patrimônio Líquido. Teste de impairment, laudos do teste, existência
de planilhas de valores, redução do PL.

Bens  Gastos com manutenções = aumento de custos e cuidado com o patrimônio. Testes da existência de gastos,
autorização, notas fiscais, orçamentos, aumento da vida útil.

Bens  Seguro patrimonial = proteção patrimonial. Testar quais bens estão segurados, contratos de seguros, apropriação
dos custos.

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PORDENTRODOTEMA
Esta classe de contas, dependendo da empresa, é enorme, muito dificil de ser auditada, por vezes os equipamentos são
exclusivos para uma atividade. Dois elementos são fundamentais: a propriedade dos bens, não basta que o bem tenha
existência, é necessário saber se é de propriedade da empresa e as limitações advindas de garantias de empréstimos,
alienação fiduciária e hipoteca ou pela penhora em processos judiciais.

d) Intangíveis

O art. 179 da Lei n. 6.404/76, em seu inciso VI, agora determina que serão classificados no intangível “os direitos que
tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive
o fundo de comércio adquirido”. (BRASIL, 1976).

Esta classe de contas foi introduzida no Balanço Patrimonial, pelas Leis nºs 11.638/07 e 11.041/09, este assunto foi
tratado no CPC 04, Ativo Intangível e pelo CPC 15, Combinações de negócios. Para o CPC 04 o ativo intangível é
aquele ativo não monetário identificável sem substância física, que atenda aos seguintes critérios: for separável, ou seja,
puder ser vendido, transferido, licenciado, alugado ou trocado, por contrato; resultar de direitos contratuais ou outros
direitos legais. Assim, como todo ativo, deve gerar benefícios futuros sendo controlado pela empresa.

Sua avaliação se dá pelo valor de aquisição, sofrendo como todo elemento do ativo o teste de recuperabilidade, CPC
01, que reduz o seu valor em conta própria. Os principais elementos dessa classe de contas são: marcas e patentes,
direitos de uso de softwares, pesquisa e desenvolvimento, direitos sobre recursos naturais, goodwill, direitos federativos
de jogadores, etc.

Estes elementos, também, se relacionam com outras classes dentro do Balanço Patrimonial.

Ativo Intangível  Caixa, Bancos = pagamentos. Teste da existência, autorização, avaliação, comprovação de documentos,
planilhas de formação de preços, propriedade, registro de patentes.

Ativo Intangível  Ajustes para recuperabilidade = Redução no valor do bem e do PL. Avaliação do cálculo, parâmetros
utilizados, acompanhamento do valor, impacto no PL.

Ativo Intangível, Recursos Naturais  Amortizações = Aumento de custos, redução de valor. Existência do recurso
natural, parâmetros de uso e consumo, classificação correta.

Esta classe do ativo assumiu muita importância para a contabilidade, pois deu uma nova visão dos intangíveis, trazendo
elementos novos para esta classe, tal como o Goodwill. Pode ser que ainda exista a classe Diferido em alguma empresa,
deve-se seguir os mesmos procedimentos desta classe.

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PORDENTRODOTEMA
II. Procedimentos de Auditoria no Passivo Não Circulante

Todos os procedimentos aplicados ao ativo não circulante e ao passivo circulante (discutidos no Tema 4) serão
aplicados a esta classe de contas. No passivo não circulante temos as seguintes classes: exigível a longo prazo,
financiamentos e empréstimos, partes relacionadas, outros passivos não circulantes.

a) Exigível a longo prazo

Este grupo merece muita atenção dos auditores, pois reúne as obrigações junto a terceiros com vencimentos a LP e
pode ser facilmente manipulado por alguns agentes internos com a colaboração de terceiros. Neste grupo temos a
obrigatoriedade de contabilizar as reduções do custo financeiro do dinheiro no tempo, ou seja, contabilizar o ajuste a
valor presente, CPC 12.

Vamos analisar alguns exemplos de relacionamento desse grupo:

Fornecedores  imobilizado, despesas = política de compras em geral, autorização, conferência, cálculo do valor
presente, taxa de juros, classificação correta;

Fornecedores  Caixa e bancos = autorização de pagamentos, prazos, atrasos, despesas financeiras, juros passivos.

O principal procedimento aplicável é a confirmação da obrigação, que se faz com o rastreamento da formação da
obrigação, com a circularização junto aos fornecedores, recálculo do ajuste a valor presente, escolha da taxa, planilha
de apropriação. Depois temos os testes de liquidação subsequente ao trabalho de auditoria.

b) Financiamentos e Empréstimos

Como visto no Tema 4, este grupo registra a captação de recursos financeiros junto a órgãos financeiros ou a debenturistas
para o financiamento das atividades da empresa com vencimento no longo prazo. Pode-se dividir esta classe de contas
em moeda nacional e moeda estrangeira. Para o segundo caso devemos estar atentos ao CPC 02 - efeitos da mudança
da taxa de câmbio. É uma fonte de entrada de recursos, logo, sujeito a vários tipos de fraudes.

Vamos aos exemplos de relacionamento desse grupo:

Financiamento  Caixa e Bancos = entrada de dinheiro por empréstimos, contratos, taxas de juros, apropriação de juros
passivos, pagamento dos empréstimos;

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PORDENTRODOTEMA
Financiamento  Estoques, Imobilizados = contratos, taxas de juros, apropriação de despesas financeiras, quitação dos
empréstimos, análise da autorização de contratação.

Debêntures  Caixa, Bancos = lançamento das debêntures, autorização da captação, cálculo da taxa da remuneração,
quitação;

Variação monetária passiva  Despesas financeiras por variação monetária = Redução do lucro. Aplicar teste de
confirmação do empréstimo, ajuste da taxa de câmbio, recálculo, avaliação.

É necessário que se audite as notas explicativas do balanço, pois deve ter quadro demonstrativo das variações e do
volume de empréstimos, de forma resumida.

Os procedimentos assumem complexidade dependendo do tamanho da empresa auditada, da relevância desse item
na participação do total de capital de terceiros nos negócios da empresa, mas sempre o auditor deve ter clareza no
planejamento dos procedimentos a serem aplicados para diminuir os riscos da auditoria.

c) Partes relacionadas

O Pronunciamento Técnico CPC 05 – Divulgação sobre Partes Relacionadas, determina que os relacionamentos entre
controladora e controladas ou coligadas devem ser divulgados independentemente de ter havido ou não transações
entre essas partes relacionadas e aplicando a NBC TA 550 e 600. Como visto no item I, a deste tema, o auditor realiza
os procedimentos de auditoria. É muito importante que se audite esta classe, pois é muito comum que se tente esconder
negócios entre as partes relacionadas que podem prejudicar ou simplesmente “maquiar resultados”.

Vamos a alguns itens que devem ser verificados?

Empréstimos entre partes relacionadas = deve-se verificar a real existência, analisando a saída de dinheiro de uma parte
e entrada na outra parte, autorização, classificação, deve-se analisar a influência dessa operação.

Compartilhamentos de estoques = existência, autorização, o motivo do compartilhamento, influência no resultado.

Esta classe deve ser auditada nas notas explicativas, pois o CPC 05 exige publicação de explicação dos relacionamentos
entre partes.

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PORDENTRODOTEMA
d) Outros passivos não circulantes

Nesta classe podem ser encontrados ajustes para perdas em litígios, ajustes para perdas em projetos, ajustes para
passivos ambientais, ajustes para quebra de contratos, etc. CPC 25, que trata das provisões para ativos e passivos
contingentes e outras obrigações de LP, que já devem ter sido auditados no ativo ou juntamente com as contas de
resultados.

O procedimento de auditoria vai ser realizado diante da significância dos valores apresentados ou da estranheza que
alguma conta causar nesta classificação. Quanto maior o valor e mais estranha for a classe de conta, mais testes e
verificações deverão ser feitos. Mas como você deve estar percebendo, devem ser realizados os testes que o auditor
definir no plano de auditoria e outros que a situação exigir.

III. Patrimônio líquido (PL)

Esta classe representa a parcela da empresa que pertence aos acionistas ou sócios, está regulada no artigo 182 da
Lei 6.404/76, sendo dividido em Capital social, Reservas de capital, Reservas de lucros, Ajustes de avaliação patrimonial,
Prejuízos acumulados, geralmente se diz que é a diferença entre o ativo e o passivo (PL = A – P).

Muito bem, os procedimentos de auditoria são muito tranquilos nesta classe, porque todos os procedimentos aplicados
nas demais classes já indicam se existe ou não distorção.

O auditor deve iniciar verificando a existência de contratos de constituição da empresa e o número de ações, auditar o livro
de registro de ações. Este procedimento é efetuado uma vez e só vai se repetir quando aumentar o número de ações.

Para as demais contas você pode escolher auditar nesta classe ou quando for auditar a Demonstração das Mutações
do Patrimônio Líquido (DMPL), que é a demonstração que explica as variações ocorridas no PL.

Na conta específica de ajustes de avaliação patrimonial, o auditor já deve ter auditado quando calculou os valores justos
nas contas do ativo, o procedimento é básico, deve-se indagar ao gestor quais foram as contas que sofreram ajustes
de valor justo, solicitar os critérios e relatórios que embasaram os cálculos e aplicar testes de auditoria, recálculo,
classificação contábil, necessidade do ajuste, taxa aplicada, etc.

Agora, a conta que talvez apresente maior complexidade seja a reserva de lucros, que antes deve ser auditada na
Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), para se saber a destinação do lucro. Deve-se verificar ata da reunião
que aprovou a destinação de lucros e pagamentos de dividendos, recalcular as parcelas e verificar a coerência do ato.

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PORDENTRODOTEMA
O cálculo das reservas pode apresentar excessos ou falta de destinação, mas isso geralmente não apresenta significância
no resultado da auditoria.

IV. Procedimentos de Auditoria em Demais Demonstrações Financeiras

O auditor deve auditar todas as demonstrações contábeis, no entanto, como podemos notar, o grande trabalho se
dá na auditoria das contas patrimoniais que, como já foi relatado, têm relacionamentos com todas as outras classes de
contas, ou ainda, empresta suas contas para a elaboração de outras demonstrações financeiras.

a) Demonstração do resultado do exercício (DRE)

Esta demonstração tem uma grande importância para qualquer empresa, pois são registradas as receitas, despesas e
custos, envolvendo análise de fatos contábeis, como;

• receitas à vista ou a prazo, decorrentes das transações com mercadorias e serviços;

• custos incorridos na fabricação ou na aquisição de produtos para a venda;

• despesas em geral, a tributação incidente etc.

Muitos testes já foram executados quando se auditou as contas patrimoniais, esses testes consistem na verificação se os
valores foram registrados dentro do regime de competência, se foram aprovados, se estão de acordo com a natureza dos
negócios da companhia, se existe documentação suportando a operação e se a classificação contábil fiscal foi adequada.

Para as receitas um teste é muito importante, a subavaliação, enquanto para as despesas e os custos são auditados
para superavaliação. Mas, por que o auditor deve adotar esses direcionamentos?

Ora, é natural que a empresa queira pagar menos tributos e os funcionários recebem por fora a receita e apresenta notas
com valores maiores para ficar com a diferença, então, a tendência da fraude, ou mesmo, do erro, é que a receita seja
subavaliada e os custos e despesas sejam superavaliados. (BARRETO; GRAEFF, 2014).

Vamos verificar alguns exemplos de procedimentos de auditoria aplicados pelo auditor na área de resultado com relação
às contas patrimoniais, a saber?

Contas a receber  vendas = Créditos a receber. Já vimos que o grande volume de créditos advindos das vendas deve
ser auditado no sentido da existência da venda, valor real dos documentos, autorização do crédito, classificação correta,
existência do documento fiscal.

12
PORDENTRODOTEMA
Ajustes para devedores duvidosos  Contas a receber = baixa de créditos incobráveis. Deve-se verificar os critérios para
baixa, autorização, valor correto, relatório de cobranças, ajuste para Imposto de Renda e contribuição social do lucro.

Receita de juros a receber  Caixa, Bancos = receita financeira. Existência, cálculo correto dos juros, taxa aplicada,
autorização, classificação correta.

Controle de estoques  CPV ou CMV = Baixa de estoques. Verificar controles de estoques, confirmar saída, avaliação,
classificação correta.

Contagem de estoques  CPV ou CMV = Controles internos. Acompanhar a contagem de estoques, verificar a existência,
validade, utilidade, saldo, autorização para compra e baixa, classificação correta.

Ajustes para perdas com estoques  Despesas ou custos. Existência de perdas, avaliação, autorização.

Depreciação do imobilizado, CPC 27  Custos ou despesas = redução do lucro. Existência do bem, avaliação correta,
autorização, critério de definição da vida útil do bem, planilha de depreciação.

Provisão para juros a pagar sobre empréstimos  despesas financeiras = redução do lucro. Existência da obrigação,
avaliação, cálculo correto, autorização, classificação correta, nota explicativa.

Atualização monetária e variação cambial sobre empréstimos, que pode ser positiva ou negativa, dessa forma o auditor
vai ter que testar os valores, as moedas que variaram, recalcular os valores, verificar a classificação correta e verificar o
quadro nas notas explicativas.

Equivalência sobre investimentos  Receita/ perda de equivalência = Aumento ou redução do lucro. Verificar existência,
cálculo do valor, autorização, classificação correta.

Despesas  Caixa, Bancos = pagamentos. Verificar existência, autorização, valor correto, classificação correta.

Durante os testes nas contas de receitas, custos e despesas, devemos testar os controles internos, aplicando
procedimentos analíticos, para calcularmos os giros de estoques, recebimentos e pagamentos, determinando o ciclo
operacional da empresa, para confrontarmos com os parâmetros determinados na materialidade.

Dessa forma, é recomendável que se refaça os cálculos da materialidade no momento da auditoria para verificar o
comportamento das receitas, custos e despesas do período em exame e, em casos específicos, o exame documental
do suporte das receitas, custos e despesas contabilizados no resultado.

13
PORDENTRODOTEMA
A revisão dos lançamentos contábeis pode levar à localização de distorções em valores e classificações incomuns que
indicam a necessidade de aplicação de novos procedimentos, aumento da profundidade dos testes e exames detalhados
de documentos.

É conveniente que o auditor sempre faça uma adequada reflexão dos exames já praticados (ex.: nos testes específicos
de contas do Ativo e do Passivo), mantendo o ceticismo, no entanto não deve realizar exames em duplicidade.

Por exemplo: a conta de ajustes para devedores duvidosos, que foi examinada na auditoria do “Contas a Receber”, não
seria analisada na auditoria de resultado, pois se constituiria em duplicidade de exame. A não ser que evidências em
contrário levem à necessidade de aprofundar o exame de valores ou saldos analisados. (BARRETO; GRAEFF, 2014).

b) Demonstração de fluxos de caixa (DFC)

A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), até a publicação da Lei nº 11.638/07, não era obrigatória no Brasil. No
entanto, o Ibracon e a própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já recomendavam que tal demonstração fosse
apresentada como informação complementar, atualmente esta demonstração é obrigatória e deve ser elaborada seguindo
o CPC 03.

Como esta demonstração reflete a movimentação ocorrida no caixa e seus equivalentes, ela já foi auditada no momento
da auditoria desta classe de contas, mas ainda pode ser auditada novamente, se sua elaboração seguiu as determinações
do CPC 03, se o resultado indica uma tendência de geração de caixa operacional, que é o esperado para a maioria
das empresas, ou se ela está destruindo caixa nos financiamentos, que sinaliza um endividamento ou, ainda, se está
imobilizando demais na análise do investimento.

O auditor deve destinar uma atenção especial para itens desta demonstração se ficarem evidentes perigos para a
continuidade da atividade empresarial.

c) Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL)

Essa demonstração não era obrigatória pela Lei n. 6.404/76, mas sua publicação foi exigida pela CVM em sua Instrução nº
59/86, para as companhias abertas. Entretanto, é através da vigência do Pronunciamento Técnico CPC 26 - Apresentação
das Demonstrações Contábeis, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) passa a fazer parte do
conjunto completo de demonstrações contábeis.

14
PORDENTRODOTEMA
Para esta demonstração o auditor deve verificar a aplicação do CPC 26 na elaboração desta demonstração e dedicar
um tempo maior para a análise da coluna lucro ou prejuízo acumulado, que trata da destinação do lucro gerado na DRE,
ou o tratamento do prejuízo existente ou ocorrido no ano. As demais contas já foram auditadas quando se auditou o PL.

d) Demonstração do valor adicionado (DVA)

A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) também não era obrigatória no Brasil, até a promulgação da Lei n. 11.638/07,
tornando obrigatória, para as companhias abertas, a elaboração e divulgação da DVA como parte das demonstrações
contábeis divulgadas ao final de cada exercício.

Para melhor orientação, o CPC 09 traz suas regulamentações, inclusive trazendo o conceito aplicável ao tema, como:

“Valor adicionado representa a riqueza criada pela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor
das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Inclui também o valor adicionado recebido em transferência, ou
seja, produzidos por terceiros e transferidos à entidade”. (IUDÍCIBUS, et al., 2010).

Novamente, o auditor deve verificar a adequação da apresentação conforme o CPC 09, porque as informações utilizadas
foram auditadas juntamente com as contas patrimoniais e de resultado.

e) Notas explicativas

A publicação de notas explicativas às Demonstrações Contábeis está prevista no § 4° do art. 176 da Lei 6.404/76, o
qual estabelece que “as demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou
demonstrações contábeis necessárias para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício”.

Este artigo foi complementado pelo CPC 26, trazendo uma ordem de apresentação das notas explicativas nos seguintes termos:

“a) declaração de conformidade com os Pronunciamentos, Orientações e Interpretações do CPC;

b) resumo das políticas contábeis significativas aplicadas;

c) informação de suporte de itens apresentados nas demonstrações contábeis pela ordem em que cada
demonstração e cada rubrica sejam apresentadas; e

d) outras divulgações, podendo incluir: (i) passivos contingentes e compromissos contratuais não reconhecidos;
e (ii) divulgações não financeiras”. (CRCRS, 2015).

15
PORDENTRODOTEMA
Este é um procedimento de auditoria um pouco diferente, pois o auditor terá que ler as notas explicativas e analisar se a
empresa adotou os critérios do CPC 26 para elaboração das demonstrações financeiras, inclusive as notas explicativas, e,
finalmente, verificar se as notas explicativas contemplam todos os elementos de esclarecimentos para o público externo.

Ao terminarmos este tema, podemos notar que existe uma vasta possibilidade de cruzamento de informações nos
procedimentos de auditoria. É por esse motivo que se exige uma formação contábil compatível para ser auditor, ter
trabalhado por no mínimo cinco anos, iniciando como assistente, passando para auditor sênior para obter o registro na
CVM e, ainda, que o profissional de auditoria se submeta a treinamentos contínuos durante todo o período de exercício
da profissão.

ACOMPANHENAWEB
Evidenciação (disclosure) nas demonstrações financeiras: Uma abordagem
internacional
• Acesse o artigo: Evidenciação (disclosure) nas demonstrações financeiras: Uma abordagem
internacional, de Cláudio Marcelo Rodrigues Cordeiro. O autor faz uma exposição da importância
do disclosure para a publicação das demonstrações contábeis. Vale a pena sua leitura.
Disponível em: <http://www.contabilizando.com/iasevidenciacao.htm>. Acesso em: 20/06/2016.

Procedimentos de Auditoria nos Tributos Diretos Federais em uma Cooperativa


Agropecuária da Região Central do Rio Grande do Sul
• Acesse o artigo: Procedimentos de Auditoria nos Tributos Diretos Federais em uma Cooperativa
Agropecuária da Região Central do Rio Grande do Sul, dos autores PINTO, Jeferson Ferreira,
PEREIRA, André da Rosa. Neste artigo os autores analisam a importância de se auditar os
tributos federais e apresentam vários quadros de análise pelo auditor, que podem ser adaptados
para o circulante e para o não circulante, inclusive para a DRE.
Disponível em: <http://www.unicruz.edu.br/site/cursos/contabeis/artigos/Artigos%202011/Jeferson%20Ferreira.pdf>.
Acesso em: 20/06/2016.

16
ACOMPANHENAWEB
Auditoria do patrimônio líquido

• Acesse o artigo: Auditoria do patrimônio líquido, de Francisco José de Araujo, publicado em


2013, no site da: antena.org.br. O autor fez um belo trabalho a respeito da auditoria nas contas
do patrimônio líquido, apresentando diversos aspectos interessantes sob o ponto de vista da
classificação das classes de contas. Leitura indispensável.
Disponível em: <http://www.atena.org.br/revista/ojs-2.2.3-08/index.php/UERJ/article/viewFile/1635/1457>.
Acesso em: 20/06/2016.

Programa de auditoria para as contas de resultado

• Acesse o artigo: Programa de auditoria para as contas de resultado, de Carlos Eduardo


Barros Leite, publicado em: 2000, no site da: Revista de Contabilidade do mestrado em Ciências
Contábeis da UERJ, v. 05, n° 1, 2000. O artigo demonstra a importância da auditoria na classe
de contas de resultado, apresentando um bom modelo de estudo para o DRE.
Disponível em: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/rcmccuerj/article/viewFile/7242/pdf>. Acesso em:
20/06/2016.

Canal IFRS 10 - Investimentos. TV CRCSP

• Assista ao vídeo: Canal IFRS 10 - Investimentos. TV CRCSP, José Hernandez Peres


Junior, publicado em 2012. O autor trabalha com o conceito de Investimentos em Coligadas
e Controladas, dando um panorama completo das contas a serem movimentadas durante a
contabilização, indicando o caminho que a auditoria deverá seguir para realizar o trabalho
nesta classe de contas.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jRr8vaa4Hgs>. Acesso em: 20/06/2016.

Tempo: 31:45

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Ativo Imobilizado - CPC 27
• Assista ao vídeo Ativo Imobilizado - CPC 27, Gustavo Paiva, publicado em 2015. Interessante
explicação a respeito da classe de conta do Imobilizado para que o aluno tenha conhecimento
dos requisitos e tratamentos dados a esta classe. Assim, após este entendimento, se poderá
traçar estratégias para a realização da auditoria.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=otiX3QKIdxI>. Acesso em 20/06/2016.

Tempo: 49:16

Redução ao valor recuperável de ativo - CPC 01 - Teste de Impairment - IAS


36 - Impairment test
• Assista ao vídeo Redução ao valor recuperável de ativo - CPC 01 - Teste de Impairment - IAS
36 - Impairment test, de Francisco Felix, publicado em 2014. O vídeo demonstra um fluxo geral
do CPC 01 que inicia com a avaliação de perdas (trigger events), avalia o valor recuperável
e encerra com a contabilização de perdas, dando um bom indicativo para a realização da
auditoria dessa classe de contas.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Uo-K6JRhQo8>. Acesso em: 20/06/2016.

Tempo: 12:38

agoraéasuavez
Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla
escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

18
agoraéasuavez
Questão 1

Em sua opinião, qual a importância que os auditores devem empregar ao se testar os valores contabilizados a valor presente nas
classes do não circulante das demonstrações financeiras?

Questão 2

Qual dos seguintes objetivos do auditor é um procedimento de auditoria na classe de contas do não circulante?

a) Determinar se os títulos vencíveis nos próximos 12 meses são de propriedade da entidade auditada.

b) Determinar se os estoques para venda realmente existem.

c) Determinar o prazo de vencimento de aplicações financeiras disponíveis imediatamente.

d) Determinar se os títulos de longo prazo são autênticos.

e) Determinar se as variações monetárias passivas estão adequadamente classificadas.

Questão 3

Numa auditoria de uma empresa industrial de médio porte, qual das seguintes classes de contas podem exigir menor tempo de
auditoria?
a) Receitas.
b) Ativos.
c) Passivos.
d) Custos e despesas.

e) Patrimônio Líquido.

19
agoraéasuavez
Questão 4

Ao auditar a classe do Imobilizado, o auditor deterá mais tempo em confirmar:


a) O valor histórico.
b) A depreciação empregada.
c) Impairment.
d) Utilidade do bem.
e) Gastos com manutenção.

Questão 5

Quando o auditor estiver diante de ativos dados em garantia de empréstimos ou de execuções judiciais, deverá, especialmente:

a) Somente identificar o processo judicial.

b) Somente identificar as transações financeiras.

c) Detectar as possíveis limitações impostas ao ativo.

d) Verificar a propriedade do bem do ativo.

e) Somente verificar a autorização.

20
finalizando
Neste tema você tomou conhecimento dos principais aspectos de conceituação e definições dos procedimentos de
auditoria que o auditor deverá utilizar para a produção de evidências do ativo não circulante, do passivo não circulante,
do patrimônio líquido e das demais demonstrações financeiras: Demonstração de Resultado do Exercício, Demonstração
do Fluxo de Caixa, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, Demonstração do Valor Adicionado e das Notas
Explicativas. Você tomou conhecimento das diversas formas de relacionamento das contas de longo prazo com as de
curto prazo, os principais testes que devem ser aplicados.

referências
ARAUJO, F. J. D. Mestrado da UERJ. Auditoria do patrimônio líquido, 2013. Disponível em: <http://www.atena.org.br/revista/
ojs-2.2.3-08/index.php/UERJ/article/viewFile/1635/1457>. Acesso em: 20 jun. 2016.
BARRETO, D.; GRAEFF, F. Auditoria: Teoria e exercícios comentados. 3. ed. São Paulo: Método, 2014.
BRASIL. Lei 6.404/76. Lei das sociedades anônimas, 1976. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/
L6404consol.htm>. Acesso em: 16 jun. 2016.
CORDEIRO, C. M. R. Contabilizando.com. Evidenciação (disclosure) nas demonstrações financeiras, 2002. Disponível em:
<http://www.contabilizando.com/iasevidenciacao.htm>. Acesso em: 20 jun. 2016.
CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis: CPC. Pronunciamentos, 2013. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/
Documentos-Emitidos/Pronunciamentos>. Acesso em: 15 maio 2015.
CRCRS. Normas Brasileiras de Contabilidade: Auditoria independente, auditoria interna, perícia contábil. Porto Alegre:
CRC RS, 2015.
CREPALDI, S. A. Auditoria contábil: teoria e prática. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
FELIX, F. Youtube. Redução ao valor recuperável de ativo - CPC 01 - Teste de Impairment, 2014. Disponível em: <https://
www.youtube.com/watch?v=Uo-K6JRhQo8>. Acesso em: 20 jun. 2016.

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referências
IUDÍCIBUS, S. D. et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010.
LEITE, C. E. B. Mestrado da UERJ. Programa de auditoria para as contas de resultado, 2000. Disponível em: <http://www.e-
publicacoes.uerj.br/index.php/rcmccuerj/article/viewFile/7242/pdf>. Acesso em: 20 jun. 2016.
LINS, L. D. S. Auditoria: uma abordagem prática com ênfase na auditoria externa: atualizada e revisada. 3ª. ed. São Paulo:
Atlas, 2014.
LONGO, C. G. Manual de auditoria e revisão de demonstrações financeiras. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
PAIVA, G. Youtube. Ativo Imobilizado - CPC 27, 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=otiX3QKIdxI>.
Acesso em: 20 jun. 2016.
PEREZ JUNIOR, J. H. Auditoria de demonstrações contábeis: normas e procedimentos. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
PEREZ JUNIOR, J. H. TV CRCSP. Canal IFRS 10 - Investimentos, 2012. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=jRr8vaa4Hgs>. Acesso em: 20 jun. 2016.
PINTO, J. F.; PEREIRA, A. D. R. Unicruz. Procedimentos de Auditoria nos Tributos Diretos Federais em uma Cooperativa
Agropecuária da Região Central do Rio Grande do Sul, 2011. Disponível em: <http://www.unicruz.edu.br/site/cursos/
contabeis/artigos/Artigos%202011/Jeferson%20Ferreira.pdf>. Acesso em: 2016 jun. 20.
STUART, I. C. Serviços de auditoria e asseguração na prática. Tradução de Christiane de Brito. Porto Alegre: AMGH, 2014.

glossário
Grupo não circulante: São registrados os direitos no ativo, que serão realizados (transformados em dinheiro) e exigí-
veis no passivo, que serão as obrigações pagas, após o final do exercício seguinte (longo prazo) ou após o ciclo opera-
cional da empresa se este for maior do que um ano, assim como os bens de uso (veículos, máquinas, etc.) e de renda
da empresa (aluguéis, imóveis para vendas, etc.). Ou seja, no Não Circulante são incluídos todos os bens de natureza
duradoura destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento, assim como os direitos exer-
cidos com essa finalidade.

22
glossário
Realizável: aquilo que pode se converter em dinheiro. Pode ser realizado, concretizado.

Coligadas: Segundo a Lei nº 6.404/76, no artigo 243, § 1º São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha
influência significativa. (BRASIL, 1976). A lei não estabelece um percentual mínimo, mas ela presume que toda parti-
cipação acima de 20% é significativa o suficiente para ser considerada automaticamente uma coligada. Mas, mesmo
percentuais menores de participação podem levar uma empresa a ser considerada coligada a outra: basta que uma
empresa detenha ou exerça o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem
controlá-la.

Controladas: A Lei nº 6.404/76, no artigo 243, define controlada nos seguintes termos:

“§ 2º Considera-se controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas,


é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais
e o poder de eleger a maioria dos administradores”. (BRASIL, 1976).

Notas explicativas: são informações complementares que buscam esclarecer de modo transparente os resultados e a
situação financeira da empresa. É fundamental que as empresas prestem informações das variações do seu patrimônio.

GABARITO
Questão 1:

Resposta: O registro a valor presente das operações a longo prazo e para aquelas de curto prazo que apresentem
significância deve ser avaliado com cautela pelo auditor, pois envolve a escolha da taxa de desconto a ser aplicada,
o cálculo correto do desconto e a apropriação dos juros ativos ou passivos nos períodos correspondentes, conforme
determina o regime da competência. Então o auditor deverá, sim, dar muita atenção às transações realizadas nesta classe
de contas. Inicialmente, solicitar cópia do livro razão de qualquer lançamento realizado decorrente de ajuste a valor presente,
conferência dos requisitos de longo prazo ou significância, entender a escolha da taxa, pode até circularizar com a outra
parte para confirmar o prazo, solicitar os documentos originais. Segunda etapa, conferir por amostragem para localizar
outras contas em que não foi aplicado o ajuste a valor presente e solicitar a adequação dos registros, se for o caso. Por fim,
fazer um relatório para certificar que houve adequação na aplicação dos ajustes.

23
Questão 2:

Resposta: Alternativa D.

Dentro dos objetivos do auditor está a verificação de autenticidade dos títulos, inclusive os de longo prazo que são
classificados no não circulante. É responsabilidade da administração, e isso é declarado na carta de contratação de
serviços e depois reafirmado no relatório de auditoria, assumir o compromisso de apresentar somente documentos
fidedignos para o auditor. Pode eventualmente o auditor concluir que o título não é autêntico, devendo efetuar a
comunicação de desconformidade para a administração.

Questão 3:

Resposta: Alternativa E.

O Patrimônio Líquido geralmente apresenta menor complexidade em empresas de médio porte, porque a auditoria nas
contas patrimoniais do ativo e do passivo, juntamente com as contas de resultados, é suficiente, restando pequenas
variações no PL.

Questão 4:

Resposta: Alternativa C.

O maior cuidado e tempo será para os testes de impairment, ou recuperabilidade de ativos. Pois envolve a análise
pessoal do contador, do administrador e do auditor, sinalizando que poderão até surgir divergências pessoais neste
processo, mas que o auditor treinado vai saber administrar a condução dos trabalhos.

Questão 5:

Resposta: Alternativa C.

Identificar as possíveis limitações impostas ao ativo é uma tarefa muito incômoda para o auditor, pois ele deverá julgar se
isto poderá interferir na continuidade das atividades da empresa. Vejamos uma empresa com seus passivos limitados e
que pode sofrer busca e apreensão dos credores, venda de seus ativos em leilões judiciais, pode não ter como continuar
suas atividades e isso modifica totalmente o relatório da auditoria.

24
Auditoria Ca r n e iro d e A r a u jo
Autoria: Dirceu

Tema 06
Relatórios de Auditoria e SOX
Tema 06
Relatórios de Auditoria e SOX
Autoria: Dirceu Carneiro de Araujo
Como citar esse documento:
ARAUJO, Dirceu Carneiro de. Auditoria: Relatórios de Auditoria e SOX. Caderno de Atividades. Anhanguera Publicações: Valinhos, 2016.

Índice

CONVITEÀLEITURA PORDENTRODOTEMA
Pág. 3 Pág. 3

ACOMPANHENAWEB
Pág. 21 Pág. 24

Pág. 27 Pág. 27

Pág. 29 Pág. 30

© 2016 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua
portuguesa ou qualquer outro idioma.
CONVITEÀLEITURA
Neste tema você vai tomar conhecimento dos passos que uma empresa de auditoria ou o auditor independente
deve seguir para finalizar os trabalhos de auditoria e realizar a emissão do relatório de auditoria. Você conhecerá as
rotinas para encerramento de auditoria, onde serão analisados os principais aspectos que devem ser observados pela
equipe de auditoria; você estudará os tipos de relatórios previstos nas NBC TAs, com suas características sem ressalvas,
ou sem modificação, com ressalvas, chamado de opinião modificada, e, por fim, tomará conhecimento da Lei Sarbanes-
Oxley (SOx), que trouxe sérias obrigações para a administração da empresa e outras partes envolvidas no processo de
auditoria. Ao final desta aula você será capaz de relacionar os procedimentos para encerramento de auditoria, conceituar
e identificar os tipos de relatórios de auditoria e os principais pontos da SOx.

PORDENTRODOTEMA
Relatórios de Auditoria e SOx

Depois de apresentarmos os principais aspectos da auditoria, para a classe do circulante, para a classe não
circulante e demais demonstrações, chegou o momento de você aprender a transformar essas informações em um
relatório de auditoria para ser endereçado para as pessoas interessadas nas demonstrações financeiras.

Você poderá consultar a Tabela 3.1, seguindo o fluxograma de auditoria de Longo (2015) nos itens J e K, constante do
Tema 3, onde temos a conclusão da coleta de evidências iniciando a formação de opinião e emissão do relatório de
auditoria.

3
PORDENTRODOTEMA
I. Procedimentos Finais de Auditoria

Neste tópico discutiremos os procedimentos de auditoria que devem ser analisados para o encerramento da
auditoria e emissão da opinião do(s) auditor(es), ou seja, o momento da conclusão do trabalho de campo. O que se
espera é que, ao final desse período, que se iniciou com o planejamento e termina com o levantamento das evidências,
cuja data é o último dia da auditoria de campo, os auditores tenham realizado procedimentos de auditoria e já consigam
avaliar: a) Passivos contingentes; b) Procedimentos de auditoria para eventos subsequentes e fatos descobertos
subsequentemente; c) Procedimentos de auditoria para transações de partes relacionadas; d) Responsabilidade do
auditor pelo cumprimento de leis e regulamentações por parte do cliente de auditoria; e) Procedimentos de auditoria
para avaliações de continuidade do negócio; f) Uso das representações formais como evidência; g) Exigências para o
uso e guarda da documentação de auditoria; h) Uso das evidências de auditoria para determinar se as demonstrações
financeiras apresentam distorções relevantes; i) Avaliação da consistência das demonstrações financeiras; j) Revisão
das notas explicativas e outras informações associadas à demonstração financeira; k) Conclusão do trabalho de campo.

Todas as análises desse processo constituem a base para as decisões finais do processo de auditoria, cujos principais
passos podem ser resumidos da seguinte forma: examinar as asserções sobre a apresentação e divulgação, avaliar
se as evidências são suficientes para determinar se as demonstrações financeiras estão preparadas em conformidade
com a estrutura de relatório financeiro aplicável, emitir um relatório de auditoria e, por fim, apresentar o relatório para a
empresa.

Agora vamos resumir os procedimentos finais de auditoria?

a) Quanto aos passivos contingentes - são fatos ocorridos no passado que vão impactar os exercícios sociais futuros
e que se o investidor tivesse conhecimento não realizaria negócios com a empresa ou venderia suas posições,
geralmente são os litígios judiciais, NBC TA 501, reinvindicações de garantias de produtos, oferecimento de garantias
patrimoniais, passivos por descontos dos recebíveis, litígios tributários, etc. A responsabilidade da auditoria é deixar
claro se a empresa está seguindo as normas contábeis para evidenciação, principalmente nas notas explicativas.
(LINS, 2014).

b) Quanto aos procedimentos de auditoria para eventos subsequentes e fatos descobertos subsequentemente: CPC
24 (CPC, 2013) -, em regra os auditores são contratados para obter evidências sobre as demonstrações financeiras
do exercício social corrente. No entanto, a NBC TA 560 determina que o auditor considere certos eventos que
possam ocorrer no exercício social futuro, exigindo que o auditor se pronuncie a respeito deles. Estes eventos são
apresentados de duas formas: os eventos subsequentes que ocorrem entre a data do relatório de auditoria e a data

4
PORDENTRODOTEMA
de publicação das demonstrações financeiras, que exigem ajustes ou divulgações nas demonstrações financeiras;
e os eventos subsequentes que são fatos descobertos após a publicação das demonstrações financeiras, que se o
auditor soubesse teria emitido um relatório diferente, devem vir a público e, assim, emitir sua opinião. Cabe observar
que os auditores não têm obrigação de ficar pesquisando eventos subsequentes de todos os seus clientes, mas se
tomarem conhecimento de algum fato, devem discutir a situação com seus clientes e verificar se existe necessidade
de nova publicação das demonstrações financeiras. Se a administração se recusar a publicar novas demonstrações
financeiras, os auditores deverão tornar público que não podem mais avalizar o relatório publicado anteriormente,
pelos motivos dos fatos subsequentes. (STUART, 2014).

c) Quanto aos procedimentos de auditoria para transações de partes relacionadas – NBC TA 550, outra regra geral
é que a empresa efetue transações de forma autônoma, livre e espontânea com terceiros. Quando a empresa se
relaciona de maneira diferente e sem autonomia, estaremos diante das partes relacionadas, que podem ser empresas
afiliadas, sócios, diretores, gerentes. Neste caso as transações devem ser verificadas a ver se isto gera distorções
relevantes nas demonstrações financeiras. Exemplo: O presidente da empresa autoriza a venda de ativos para uma
empresa que tem como sócios sua esposa e filhos, é de se pensar que o negócio pode ser facilitado.

d) Quanto à responsabilidade do auditor pelo cumprimento de leis e regulamentações por parte do cliente de auditoria:
NBC TA 250 – as empresas de maneira geral estão submetidas direta ou indiretamente às leis e regulamentos do
país e que influenciam suas demonstrações financeiras, o papel da auditoria é certificar se a empresa está cumprindo
todas as suas obrigações legais. Se houver distorções em razão do não cumprimento das leis e regulamentos, o
auditor deve apresentar uma representação formal para a administração, para que se corrijam as falhas, sob pena de
não ser possível a emissão de uma opinião sem ressalvas no relatório de auditoria.

e) Quanto aos procedimentos de auditoria para avaliações de continuidade do negócio: NBC TA 570 – existe discussão
se a auditoria é responsável pela continuidade da empresa. Apesar da responsabilidade da continuidade da empresa
ser obrigação primária da administração da empresa, os auditores devem avaliar se há evidências que sinalizam pela
descontinuidade, porque isso implica em modificar a forma de avaliar todos os ativos da empresa e, com certeza, os
investidores e usuários das informações financeiras devem ser alertados para a iminente descontinuidade empresarial.
(CREPALDI, 2013).

f) Quanto ao uso das representações formais como evidência: NBC TA 580 e 260 – durante o processo de auditoria
existe uma grande produção de representações formais da administração para os auditores. São as respostas da
administração aos questionamentos dos auditores sobre distorções, desconformidades nos procedimentos internos,

5
PORDENTRODOTEMA
descumprimento de leis e regulamentos. Ao final reúne-se todas as respostas em uma carta em que a administração
vai assumir que todas as respostas foram dadas e que os auditores receberam todas as informações solicitadas para
a conclusão dos trabalhos de auditoria. É um documento que, combinado com a carta de contratação, vai indicar que
a administração assume a responsabilidade por fornecer acesso a todos os dados da empresa e que cumpre todos
os dispositivos legais.

g) Exigências quanto à documentação de auditoria: NBC TA 230 – à medida que a auditoria se desenvolve, os auditores
vão documentar tudo o que apurarem. Se surgirem distorções, os auditores propõem ajustes e documentam. Existe
toda uma regra de quem documentou, de quem revisou, de quem analisou e julgou as evidências obtidas. Cada
evidência deve ser revisada por alguém, pelo menos uma vez, geralmente pelo responsável pela equipe de auditoria.

h) Quanto ao uso das evidências de auditoria para determinar se as demonstrações financeiras apresentam distorções
relevantes, NBC TA, seção 5 – este ponto é de suma importância, pois neste momento os auditores estão avaliando
os resultados das evidências, sinalizando e indicando que as demonstrações foram elaboradas em conformidade com
a estrutura de relatório financeiro aplicável. Entretanto, se houver distorções relevantes, você já pode imaginar que o
relatório será com modificação de opinião, ou seja, ressalva ou abstenção de opinião.

i) Quanto à avaliação da consistência das demonstrações financeiras – neste ponto os auditores estão em condição
de avaliar se as demonstrações foram elaboradas conforme a estrutura de relatório financeiro aplicável e se são
consistentes, ou seja, analisa-se os dois anos e verifica se existe consistência, mesmo regime contábil, mesmos
critérios de avaliação dos ativos, etc.

j) Quanto à revisão das notas explicativas e outras informações associadas à demonstração financeira – a
responsabilidade dos auditores é interpretar as notas explicativas e afirmar se elas são consistentes com as informações
constantes das demonstrações financeiras auditadas, pois se não forem, deve-se solicitar que a administração revise
as notas, para não causar incoerência. Você pode perceber que as notas explicativas não são auditadas propriamente
dita, elas são revisadas para guardar coerência com as demonstrações financeiras que foram auditadas.

k) Quanto à conclusão do trabalho de campo – última fase dos trabalhos, é a emissão do relatório de auditoria, que
vai ser objeto dos próximos itens.

6
PORDENTRODOTEMA
II. Formação da Opinião e Geração de Relatório Sobre as Demonstrações Contábeis

Este item está previsto na NBC TA 700, que trata especificamente do relatório de auditoria sem ressalvas, chamado
de “limpo”. Ele tem como objetivo formar uma opinião a respeito das demonstrações financeiras com base em toda a
avaliação das conclusões obtidas pelas evidências de auditoria. É nesta fase que o(s) auditor(es) irá/irão expressar sua
opinião num documento escrito, chamado relatório.

Seguindo as orientações da NBC TA 700, o auditor irá verificar os seguintes requisitos para emissão de sua opinião:
foram obtidas evidências de auditoria apropriada e suficientes? as distorções não corrigidas são (ir)relevantes,
individualmente ou em conjunto? são apropriados os aspectos qualitativos das práticas contábeis utilizadas pela
empresa? as demonstrações financeiras seguem as NBC e são consistentes? as estimativas efetuadas pela entidade
são razoáveis? as demonstrações financeiras fornecem todas as informações relevantes para seu entendimento? a
terminologia utilizada nas demonstrações financeiras é apropriada? as notas explicativas contêm todos os elementos
para a compreensão das informações constantes nela e nas demonstrações financeiras? Uma vez analisados os itens
acima e outros já tratados no item I, o auditor vai formar sua opinião.

O auditor deve emitir um relatório sem qualquer modificação, quando ele tiver segurança de que durante seus trabalhos
não houve qualquer limitação no alcance dos trabalhos de auditoria e puder concluir que as demonstrações foram
elaboradas de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável.

Com o processo de harmonização da auditoria houve uma mudança na nomenclatura do trabalho final do auditor.
Antigamente, era chamado de “Parecer de auditoria”, atualmente o nome técnico é: “Relatório de auditoria” e passa a
ser apresentado conforme layout definido na NBC TA 700, item 48, da seguinte forma:

Título

Destinatário

Seções do relatório

Parágrafo introdutório

Responsabilidade da administração pelas demonstrações financeiras

Responsabilidade do auditor

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PORDENTRODOTEMA
Opinião

Outras responsabilidades de relatório

Data

Assinatura e identificação

Para facilitar a sua compreensão do relatório, vamos transcrever um dos modelos apresentados na NBC TA 700, nos
apêndices (exemplos da própria NBC TA):

“RELATÓRIO DO(S) AUDITOR(ES) INDEPENDENTE(S) SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

(Destinatário apropriado)

Examinamos as demonstrações contábeis da Companhia ABC, que compreendem o balanço


patrimonial em 31 de dezembro de 20X1 e as respectivas demonstrações do resultado, das
mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, assim
como o resumo das principais práticas contábeis e demais notas explicativas.

Responsabilidade da administração sobre as demonstrações contábeis

A administração da Companhia é responsável pela elaboração e adequada apresentação dessas


demonstrações contábeis de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e pelos controles
internos que ela determinou como necessários para permitir a elaboração de demonstrações
contábeis livres de distorção relevante, independentemente se causada por fraude ou erro.

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PORDENTRODOTEMA
Responsabilidade dos auditores independentes

Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis com base em
nossa auditoria, conduzida de acordo com as normas brasileiras e internacionais de auditoria. Essas normas
requerem o cumprimento de exigências éticas pelos auditores e que a auditoria seja planejada e executada
com o objetivo de obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis estão livres de distorção
relevante. Uma auditoria envolve a execução de procedimentos selecionados para obtenção de evidência
a respeito dos valores e divulgações apresentados nas demonstrações contábeis. Os procedimentos
selecionados dependem do julgamento do auditor, incluindo a avaliação dos riscos de distorção relevante
nas demonstrações contábeis, independentemente e se causada por fraude ou erro. Nessa avaliação de
riscos, o auditor considera os controles internos relevantes para a elaboração e adequada apresentação das
demonstrações contábeis da Companhia para planejar os procedimentos de auditoria que são apropriados
nas circunstâncias, mas não para fins de expressar uma opinião sobre a eficácia desses controles internos
da Companhia. Uma auditoria inclui, também, a avaliação da adequação das práticas contábeis utilizadas e
a razoabilidade das estimativas contábeis feitas pela administração, bem como a avaliação da apresentação
das demonstrações contábeis tomadas em conjunto. Acreditamos que a evidência de auditoria obtida é
suficiente e apropriada para fundamentar nossa opinião.

Opinião

Em nossa opinião, as demonstrações contábeis acima referidas apresentam adequadamente, em todos os


aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da Entidade ABC em 31 de dezembro de 20X1, o
desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, de acordo com
as práticas contábeis adotadas no Brasil.

[Local (localidade do escritório de auditoria que emitiu o relatório) e data do relatório do auditor independente]

[Nome do auditor independente (pessoa física ou jurídica) ]

[Nome do profissional (sócio ou responsável técnico, no caso de o auditor ser pessoa jurídica) ]

[Números de registro no CRC da firma de auditoria e do profissional que assina o relatório]

[Assinatura do auditor independente]”. (CRCRS, 2015).

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PORDENTRODOTEMA
Você pode identificar que o relatório é composto de quatro partes básicas, sendo a primeira: a identificação da empresa
auditada, das demonstrações e do período a que se refere a auditoria; na segunda parte temos: a declaração da
responsabilidade da administração; na terceira apresenta: as responsabilidades do(s) auditor(es); e por último temos:
a opinião do(s) auditor(es) a respeito das demonstrações financeiras.

Além desses elementos essenciais, é necessário que o título seja adequado, quando for elaborado pelo auditor
independente, que fica no singular. Exemplo: Relatório do auditor independente sobre as demonstrações contábeis.
Ou se for uma empresa de auditoria, que se compõe de uma equipe, o título vai para o plural. Exemplo: Relatório dos
auditores independentes sobre as demonstrações contábeis

Na sequência vem o local da emissão do relatório. A data, que deve ser a do encerramento dos trabalhos de auditoria.
E, por fim, tem-se as assinaturas e identificação dos responsáveis.

Neste relatório os trabalhos concluem pela exatidão das demonstrações financeiras.

II. Modificações dos Relatórios

Com base na NBC TA 705, o auditor vai emitir uma opinião que não é “limpa”, ou seja, existem em suas conclusões
elementos de discordância, de distorções relevantes que não permitem uma opinião sem ressalva, aí se diz que a
opinião é modificada.

Isso ocorre quando o auditor não consegue obter evidências apropriadas e suficientes para formar uma opinião, ou
existe limitações no alcance do seu trabalho, que implicam na emissão de um relatório com ressalvas ou, mesmo, a
necessidade de se abster de emitir qualquer opinião.

A NBC TA 705, item A1, traz uma tabela indicativa de critérios para se julgar os motivos de possíveis modificações no
relatório por parte do auditor, que transcrevemos a seguir:

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PORDENTRODOTEMA
Tabela 6.1 - Tabela de opinião modificada

Julgamento do auditor sobre a disseminação de forma generalizada


dos efeitos ou possíveis efeitos sobre as demonstrações contábeis.
Natureza do assunto que gerou a
modificação

Relevantes, mas não generalizado Relevante e generalizado

As demonstrações contábeis apresentam


Opinião com ressalva Opinião adversa
distorções relevantes

Impossibilidade de obter evidência de


Opinião com ressalva Abstenção de opinião
auditoria apropriada e suficiente

Fonte: NBC TA 705, Item A1. (CRCRS, 2015).

Vamos resgatar a definição de distorção apresentada pela NBC TA 450? Trata-se da diferença entre o valor, a classificação,
a apresentação ou a divulgação de um item das demonstrações financeiras e o valor, a classificação, a apresentação ou
a divulgação com base nas NBC, ou seja, deve estar de acordo com as normas, daquilo que chamamos, em auditoria,
de estrutura de relatório financeiro aplicável. Portanto, distorções são tudo o que apresenta inadequações frente às
NBCs, notadamente aos CPCs, leis e regulamentos.

Podemos observar, na Tabela 6.1, que a NBC TA indica três tipos de modificações de opinião: a opinião com ressalva,
opinião adversa e abstenção de opinião.

Diferentemente do relatório sem modificação, item II, deste tema, a NBC TA 705 traz a inserção de um parágrafo
adicional, que trata da base para a ressalva, para opinião adversa ou para a abstenção, este parágrafo deve ser inserido
antes do parágrafo para a opinião.

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PORDENTRODOTEMA
A NBC TA 705 é muito didática e demonstra quando se deve utilizar uma ou outra forma de modificação, e seguindo os
exemplos da referida norma, podemos elencar quatro exemplos de opinião modificada, da seguinte forma: a primeira trata
de ressalva por discordância de critérios contábeis, a segunda trata de opinião com ressalva, decorrente da limitação de
acesso a informações necessárias ao desenvolvimento dos trabalhos de auditoria, a terceira é uma opinião adversa, a
respeito da falta da aplicação da obrigatoriedade da consolidação de demonstrações contábeis, em desacordo com as
normas internacionais de contabilidade, CPC 36, e na quarta temos uma abstenção de opinião, pela falta de acesso a
informações fundamentais para a auditoria. (LONGO, 2015).

1° exemplo: Discordância do critério contábil

Segue o modelo do relatório apresentado no item II, deste tema:

Título

Descrição da empresa, das demonstrações financeiras auditadas e do período

Responsabilidade da administração

Responsabilidade e extensão da auditoria

Inserção do parágrafo para base da opinião modificada

Base para opinião com ressalva

Os estoques da Companhia estão apresentados no balanço patrimonial por $ xxx. A administração não avaliou
os estoques pelo menor valor entre o custo e o valor líquido de realização, mas somente pelo custo, o que
representa um desvio em relação às práticas contábeis adotadas no Brasil. Os registros da Companhia indicam
que se a administração tivesse avaliado os estoques pelo menor valor entre o custo e o valor líquido de
realização, teria sido necessária uma provisão de $ xxx para reduzir os estoques ao valor líquido de realização.
Consequentemente, o lucro líquido e o patrimônio líquido teriam sido reduzidos em $ xxx e $ xxx, respectivamente,
após os efeitos tributários.

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PORDENTRODOTEMA
Opinião com ressalva

Em nossa opinião, exceto pelos efeitos do assunto descrito no parágrafo Base para opinião com ressalva, as
demonstrações contábeis acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a
posição patrimonial e financeira da Companhia ABC em 31 de dezembro de 20X1, o desempenho de suas
operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, de acordo com as práticas contábeis
adotadas no Brasil.

NBC TA 705, apêndice, exemplo 1. (CRCRS, 2015).

Local e data

Assinaturas e responsabilidades.

Podemos notar que a empresa não aplicou corretamente os critérios contábeis do CPC 16, que trata da avaliação dos
estoques, é uma ressalva em relação somente a este item, e deve ser explicado nas notas explicativas o porquê desse
procedimento. O relatório de auditoria recebeu um parágrafo adicional para justificar a modificação da opinião.

2° exemplo: Limitação no acesso a informações contábeis em investimentos

Título

Descrição da empresa, das demonstrações financeiras auditadas e do período

Responsabilidade da administração

Responsabilidade e extensão da auditoria

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PORDENTRODOTEMA
Base para opinião com ressalva

O investimento da Companhia ABC na Empresa XYZ, uma coligada estrangeira adquirida durante o exercício
e contabilizada pelo método de equivalência patrimonial, está registrado por $ xxx no balanço patrimonial em
31 de dezembro de 20X1, e a participação da Companhia ABC no lucro líquido da Empresa XYZ de $ xxx está
incluído no resultado do exercício findo em 31 de dezembro de 20X1 da Companhia ABC. Não nos foi possível
obter evidência de auditoria apropriada e suficiente sobre o valor contábil do investimento da Companhia ABC
na Empresa XYZ em 31 de dezembro de 20X1 e da participação dela no lucro líquido da investida XYZ em
razão de não termos tido acesso às informações contábeis, à administração e aos auditores da Empresa XYZ.
Consequentemente, não nos foi possível determinar se havia necessidade de ajustar esses valores.

Opinião com ressalva

Em nossa opinião, exceto pelos possíveis efeitos do assunto descrito no parágrafo Base para opinião com
ressalva, as demonstrações contábeis acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos
relevantes, a posição patrimonial e financeira da Companhia ABC em 31 de dezembro de 20X1, o desempenho
de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, de acordo com as práticas
contábeis adotadas no Brasil.

NBC TA 705, apêndice, exemplo 3. (CRCRS, 2015).

Local e data

Assinaturas e responsabilidades.

Podemos notar que a empresa não teve acesso aos investimentos na empresa, logo não foi possível aplicar corretamente
os critérios contábeis do CPC 18, que trata de investimentos em controladas e coligadas e, ainda, o CPC 02, que trata
dos efeitos da mudança da taxa de câmbio e conversão de demonstrações financeiras, já que o investimento foi no
estrangeiro. É uma ressalva em relação somente a este item, e deve ser explicado nas notas explicativas o porquê de
não se permitir o acesso dos auditores.

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PORDENTRODOTEMA
3° exemplo: A demonstração financeira apresenta distorção relevante

Título

Descrição da empresa, das demonstrações financeiras auditadas e do período

Responsabilidade da administração

Responsabilidade e extensão da auditoria

Base para opinião adversa

Conforme explicado na Nota X, a Companhia não consolidou as demonstrações contábeis da controlada XYZ,
que foi adquirida durante 20X1, devido não ter sido possível determinar os valores justos de certos ativos e
passivos relevantes dessa controlada na data da aquisição. Esse investimento, portanto, está contabilizado
com base no custo. De acordo com as normas internacionais de relatório financeiro, a controlada deveria
ter sido consolidada. Se a controlada XYZ tivesse sido consolidada, muitos elementos nas demonstrações
contábeis teriam sido afetados de forma relevante. Os efeitos da não consolidação sobre as demonstrações
contábeis não foram determinados.

Opinião adversa

Em nossa opinião, devido à importância do assunto discutido no parágrafo Base para opinião adversa, as
demonstrações contábeis consolidadas não apresentam adequadamente a posição patrimonial e financeira
consolidada da Companhia ABC e suas controladas em 31 de dezembro de 20X1, o desempenho consolidado
das suas operações e os fluxos de caixa consolidados para o exercício findo em 31 de dezembro de 20X1 de
acordo com as normas internacionais de relatório financeiro.

NBC TA 705, apêndice, exemplo 2. (CRCRS, 2015).

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PORDENTRODOTEMA
Local e data

Assinaturas e responsabilidades.

Podemos notar que a empresa não aplicou corretamente os critérios contábeis do CPC 36, que trata das demonstrações
consolidadas, é distorção relevante que leva à emissão de opinião adversa, na qual os auditores rejeitam a apresentação
das demonstrações financeiras daquela forma.

O correto será efetuar a consolidação das demonstrações e refazer o relatório de auditoria. Mas como é sabido, os
auditores, neste momento, já devem ter se reunido com a empresa, apresentado as representações formais, na forma
da NBC TA 580, e pelo visto a administração da empresa não corrigiu.

4° exemplo: A demonstração financeira apresenta distorção relevante

Título

Descrição da empresa, das demonstrações financeiras auditadas e do período

Responsabilidade da administração

Responsabilidade e extensão da auditoria

Base para abstenção de opinião

O investimento da empresa no empreendimento XYZ (localizado no país X e cujo controle é mantido de forma
compartilhada) está registrado por $ xxx no balanço patrimonial da Companhia ABC, que representa mais de
90% do seu patrimônio líquido em 31 de dezembro de 20X1. Não nos foi permitido o acesso à administração e
aos auditores da XYZ, incluindo a documentação de auditoria do auditor da XYZ. Consequentemente, não nos
foi possível determinar se havia necessidade de ajustes em relação à participação proporcional da Companhia
nos ativos da XYZ, que ela controla em conjunto, assim como sua participação proporcional nos passivos da
XYZ pelos quais ela é responsável em conjunto, e sua participação proporcional nas receitas, despesas e nos
elementos componentes das demonstrações das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa do
exercício findo naquela data.

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PORDENTRODOTEMA
Abstenção de Opinião

Devido à relevância do assunto descrito no parágrafo Base para abstenção de opinião, não nos foi possível obter
evidência de auditoria apropriada e suficiente para fundamentar nossa opinião de auditoria. Consequentemente,
não expressamos uma opinião sobre as demonstrações contábeis acima referidas.

NBC TA 705, apêndice, exemplo 4. (CRCRS, 2015).

Local e data

Assinaturas e responsabilidades.

Podemos notar que a administração não permitiu o acesso à empresa investida, a seus auditores ou aos documentos
da empresa, e este investimento representa 90% do patrimônio líquido da empresa auditada, sendo extremamente
relevante para a auditoria, pois, pelo volume do investimento no PL, pode causar distorções generalizadas por toda a
demonstração financeira auditada. Dessa forma, a empresa se abstém de emitir sua opinião.

Novamente, como é sabido, os auditores, neste momento, já devem ter se reunido com a empresa, apresentado as
representações formais, na forma da NBC TA 580, e pelo visto a administração da empresa não corrigiu a falha. (PEREZ
JUNIOR, 2012).

Concluído o estudo dos relatórios com modificação de opinião, verificamos que o termo modificação de opinião diz
respeito simplesmente a um relatório que não é limpo, naquele em que a opinião não é positiva.

III. Parágrafo de Ênfase e Outros Assuntos no Relatório do Auditor

A NBC TA 706, que trata do parágrafo com ênfase e parágrafos de outros assuntos no relatório do auditor, os define
da seguinte forma:

“Parágrafo de ênfase é o parágrafo incluído no relatório de auditoria referente a um assunto apropriadamente


apresentado ou divulgado nas demonstrações contábeis que, de acordo com o julgamento do auditor, é de tal
importância, que é fundamental para o entendimento pelos usuários das demonstrações contábeis.

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PORDENTRODOTEMA
Parágrafos de outros assuntos é o parágrafo incluído no relatório de auditoria que se refere a um assunto não
apresentado ou não divulgado nas demonstrações contábeis e que, de acordo com o julgamento do auditor, é
relevante para os usuários entenderem a auditoria, a responsabilidade do auditor ou o relatório de auditoria.”.
(CRCRS, 2015).

O parágrafo com ênfase deve ser usado quando o auditor toma conhecimento de fatos que não representam discordância
das práticas contábeis aplicadas nem limitação na extensão do exame, mas fato(s) que na verdade afeta(m) a análise e
interpretação das demonstrações contábeis. A NBT TA 570 elenca vários fatos que afetam a continuidade da empresa
e que devem constar obrigatoriamente de parágrafos com ênfase, tais como: patrimônio líquido negativo (passivo a
descoberto), indicações de retirada de suporte financeiro por credores, qualquer situação que leve a acreditar que a
empresa está sem capacidade de pagar seus credores, etc.

O parágrafo de outros assuntos são qualquer fato, informação que o auditor acredite ser relevante para o entendimento
pelos usuários da auditoria ou das demonstrações financeiras. Logicamente que seja nem base para ressalvas ou para
ênfase.

Nos dois casos será adicionado um novo parágrafo no relatório da auditoria, logo após o parágrafo da opinião, e se
houver parágrafo para ênfase e parágrafo para outros assuntos, o parágrafo de ênfase vem em primeiro lugar.

IV. Lei Sarbanes-Oxley (SOX)

A Lei Sarbanes-Oxley (Sarbanes-Oxley Act, normalmente abreviada em SOx ou Sarbox) é uma lei dos Estados
Unidos promulgada no ano de 2002, que teve como propositores o senador Paul Sarbanes (democrata) e do deputado
Michael Oxley (republicano). É uma grande reforma no mercado de capitais americano, desde a regulamentação de
1932, logo após a crise financeira de 1929. (PORTAL DA AUDITORIA, 2005).

A necessidade desta lei foi uma resposta às fraudes e escândalos contábeis que, na época, atingiram grandes corporações
nos Estados Unidos, tais como: Enron, Arthur Andersen (empresa de auditoria), WorldCom, Xerox etc., e teve como intuito
retomar a confiança dos investidores, propondo melhorias nos sistemas de disclosure e de governança nas empresas.

Por que é importante que você conheça a Lei SOx? Porque muitas empresas brasileiras possuem negócios nas Bolsas
de Valores nos EUA e esta lei se aplica a todas as empresas, sejam elas estadunidenses ou estrangeiras, que tenham
ações registradas na SEC (Securities and Exchange Comission, o equivalente americano da CVM brasileira). Além do
que, o Brasil possui muitas empresas que são filiais ou coligadas de empresas estadunidenses, que possuem o capital
aberto, sendo necessário manter as demonstrações financeiras alinhadas às normas da matriz. (STUART, 2014).

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PORDENTRODOTEMA
Dividida em 11 títulos (capítulos), com um número variável de seções, em cada título, totalizando 69 seções (artigos),
a SOx obrigou as empresas a reestruturarem processos para aumentar os controles, a segurança e a transparência
na condução dos negócios, na administração financeira, nas escriturações contábeis e na gestão e divulgação das
informações, estimulando as práticas de boa governança corporativa.

Para os mantenedores do Portal da Auditoria, a SOx implementou a criação, nas empresas, de mecanismos de auditoria
e segurança confiáveis, definindo regras para a criação de comitês encarregados de supervisionar suas atividades e
operações, formados em boa parte por membros independentes. Isso com o intuito explícito de evitar a ocorrência de
fraudes e criar meios de identificá-las quando ocorrem, reduzindo os riscos nos negócios e garantindo a transparência
na gestão. No Brasil, houve uma flexibilização da exigência de membros externos no comitê de auditoria, aqui este
comitê pode ser criado por diretores da própria empresa. (PORTAL DA AUDITORIA, 2005).

A grande novidade da SOx foi elencar pessoas para responderem pelos eventuais crimes, desvios de conduta na esfera
administrativa, cível e penal. Nas empresas são os diretores executivos e diretores financeiros que devem declarar
à SEC explicitamente que são responsáveis pelas informações e que estas informações seguiram os princípios de
contabilidade geralmente aceitos nos EUA e os princípios de auditoria.

As empresas de auditoria e os advogados contratados ganharam maior independência, mas também aumentou muito o
grau de responsabilidade sobre seus atos, respondendo conjuntamente com a administração da empresa.

Esta lei criou penas rigorosas para aqueles que não cumprem com suas obrigações de manter a integridade e fidedignidade
das demonstrações financeiras e a certificação de demonstrativos financeiros. Criou uma multa de até USD 1.000.000
e/ou a reclusão por até 10 anos.

Quando comprovado que o descumprimento da lei for intencional (normalmente com finalidades fraudulentas), a multa
aumenta para até USD 5.000.000 e a reclusão pode chegar a 20 anos.

Para que você tenha uma ideia, a KPMG (2003), empresa de auditoria, comentando a respeito da Lei SOx, afirma que
a lei proíbe que o auditor externo, responsável pela auditoria das demonstrações financeiras, realize simultaneamente
qualquer um dos seguintes serviços à própria empresa:

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PORDENTRODOTEMA
“· Contabilidade ou outros serviços relacionados à preparação dos registros contábeis ou das demonstrações
financeiras;

· Desenho e implementação de sistemas de informação financeira;

· Serviços de avaliação ou fairness opinions;

· Serviços atuariais;

· Terceirização de auditoria interna;

· Funções da Gerência ou de Recursos Humanos;

· Serviços do tipo prestados pelos bancos de investimento (Corporate Finance);

· Serviços legais e outros serviços, normalmente prestados por um expert, não relacionados à auditoria; e

· Qualquer outro serviço que o PCAOB venha a proibir.” (KPMG, 2003)

Podemos verificar que esta lei vai introduzir mudanças na governança coorporativa estadunidense e espalhando suas
influências para as empresas que mantêm negócios com o mercado de capitais norte-americano, notadamente na forma
de divulgação de suas práticas internas.

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ACOMPANHENAWEB
Relatório de auditoria independente

• Acesse o artigo: Relatório de auditoria independente: análise das modificações na opinião do


auditor nas demonstrações contábeis publicadas no Jornal do Comércio, de Mirna Muraro, Diogo
Rota e Amanda de Almeida Machado, publicado em 2015. Os autores fazem uma excelente
apresentação do relatório de auditoria, com opiniões claras da forma de se utilizar o relatório,
analisando também a forma como foram publicados no Jornal do Comércio do RS entre 2010 e
2013. Ótima oportunidade para ler um artigo científico de boa qualidade.
Disponível em: <http://www.crcrs.org.br/convencao/arquivos/trabalhos/cientificos/relatorio_de_auditoria_
independente_796.pdf>. Acesso em: 27/06/2016.

Auditoria externa não vai assinar balanço trimestral da Petrobrás

• Acesse os artigos: Auditoria externa não vai assinar balanço trimestral da Petrobrás, dos
articulistas do Estadão de São Paulo, Ricardo Grinbaum, Josette Goulart, Antonio Pita. Neste
artigo os articulistas noticiam a decisão da Price Waterhouse Coopers em não avalizar o balanço
da Petrobrás enquanto a empresa não terminar os procedimentos de investigações internas.
Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,auditoria-externa-nao-vai-assinar-balanco-
trimestral-da-petrobras,1592397>. Acesso em: 27/06/2016.

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ACOMPANHENAWEB
PwC tem vitória [parcial] em ação sobre corrupção na Petrobrás em NY

• Você está convidado a ler o artigo: PwC tem vitória [parcial] em ação sobre corrupção na
Petrobrás em NY, assinado pelo articulista Almiro da Silva Junior, para o Estadão, em 23/02/2016.
Este artigo nos remete às implicações decorrentes dos desvios na Petrobrás, tanto para a empresa
de auditoria como para o presidente e para o diretor financeiro que atestaram as demonstrações
financeiras da Petrobrás no âmbito da justiça norte-americana, com a aplicação do rigor da Lei
SOx. Eu recomendo a leitura em conjunto os dois artigos do Estadão.
Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pwc-tem-vitoria-em-acao-sobre-corrupcao-na-
petrobras-em-ny,10000017906>. Acesso em: 27/06/2016.

Quais são os impactos legais da Sarbanes-Oxley no Brasil?

• Acesse o artigo: Quais são os impactos legais da Sarbanes-Oxley no Brasil?, de Patricia Peck,
publicado em 2013, no site da: IETEC. A autora analisa as implicações legais da aprovação da
Lei SOx no ambiente de negócios brasileiro. Leitura indispensável.
Disponível em: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/862>. Acesso: 27/06/2016.

A Lei Sarbanes-Oxley, de Silva et al.

• Acesse o artigo: A Lei Sarbanes-Oxley, de Silva et al., publicado em: 2007, no site Pratica-
contabil. O artigo nos traz um panorama bem interessante da criação da Lei SOx, na sequência
analisa a sua aplicação nas empresas brasileiras. Uma leitura gostosa e substancial para quem
quer aprender mais a respeito de governança coorporativa.
Disponível em: <http://www.praticacontabil.com/contadorperito/Lei_Sarbanes_Oxley_e_seus_efeitos.pdf>.
Acesso em: 27/06/2016.

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ACOMPANHENAWEB
Estrutura do Relatório de Auditoria

• Assista ao vídeo: Estrutura do Relatório de Auditoria - ENTENDA DE UMA VEZ POR TODAS!
Papiro Contábil, publicado em 2016. O autor trabalha com os conceitos essenciais para a elabo-
ração de um relatório de auditoria, nos seus diversos modelos. A forma simples de comunicação
do autor nos dá uma ideia rápida de como construir o relatório de auditoria. Vale a pena assistir.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0DX5lJwx9tc>. Acesso em: 27/06/2016.

Tempo 4:38

Novo relatório do auditor independente

• Assista ao vídeo Novo relatório do auditor independente, TVCRC SP, Cláudio Gonçalo Longo,
publicado em 2016. Interessante entrevista da TVCRC SP, com o auditor, escritor Cláudio Gon-
çalo Longo, que aborda as mudanças ocorridas na produção do relatório de auditoria.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=9GL-POAf8jo>. Acesso em 27/06/2016.

Tempo 27:55

Uma Década da SOX

• Assista ao vídeo Uma Década da SOX - Workshop Sena Networks | Março 2013, de Sena
NetWorks, publicado em 2013. O vídeo expõe várias implicações decorrentes da criação da Lei
Sarbanes-Oxley, discutindo várias ferramentas para sua implementação e controle.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=x_2eeBqNBm4>. Acesso em: 27/06/2016.

Tempo 3:04:36

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AGORAÉASUAVEZ
Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla
escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.
Questão 1

Descreva com suas palavras como as NBC TA tratam da emissão dos relatórios de auditoria por parte dos auditores independen-
tes. Explique os tipos de relatórios e suas particularidades.

Questão 2

Adaptada de (BARRETO e GRAEFF, 2014). Ao final dos trabalhos de auditoria, a equipe de auditoria constata que o saldo da
classe de outros estoques, no ativo circulante, representa 10% do total da classe de estoques. Ao discutir a representação formal
com a administração da empresa, seus diretores afirmam que é prática da empresa divulgar de forma genérica esta classe e que
não realizará as modificações solicitadas pela auditoria. Desta forma, a auditoria deverá:

a) Emitir parecer com ressalva, por haver discordância com a administração da entidade a respeito de conteúdo e forma de
apresentação.

b) Recusar-se a emitir parecer, pois evidencia uma limitação de escopo e isso significa que não tem condições de opinar.

c) Emitir parecer com negativa de opinião, por não conseguir concluir seus trabalhos e 10% de qualquer classe de contas é
muito significativo.

d) Emitir parecer adverso por evidenciar que as demonstrações contábeis não representam a situação econômico-financeira da
empresa.

e) Emitir parecer sem ressalva, pois não passa de uma formalidade e a administração pode decidir como quer apresentar seus
dados.

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AGORAÉASUAVEZ
Questão 3
Empresa brasileira com ações negociadas na Bolsa de Valores de NY, ao terminar os trabalhos de auditoria, o presidente da em-
presa e o diretor financeiro, obrigatoriamente, para atender às disposições da Lei SOx:

a) Deverão publicar as demonstrações financeiras em jornal brasileiro.

b) Deverão depositar suas demonstrações financeiras na CVM.

c) Deverão concordar com os relatórios de auditoria e publicar somente no Brasil.

d) Deverão certificar que os controles internos estão livres de fraudes.

e) Deverão publicar as demonstrações financeiras em jornais norte-americanos.

Questão 4

A firma de auditoria Confiança fez a auditoria na empresa X, que possui investimento relevante, da qual detém o controle acionário
e administrativo da empresa Z. As demonstrações financeiras da empresa Z foram auditadas por outros auditores que emitiram
um parecer limpo. A firma Confiança teve acesso a toda a documentação da auditoria da empresa Z, ao emitir seu relatório sobre
as demonstrações da empresa X, os auditores da firma Confiança deverão:

a) Apresentar um parágrafo de ênfase, informando que a opinião se sustenta sobre o parecer de outros auditores, para isentar
a Confiança de qualquer responsabilidade sobre o assunto.

b) Emitir uma opinião limpa, com um parágrafo de outros assuntos, informando aos usuários que a auditoria foi realizada por
outra empresa e foi revisada pela Confiança, não sendo possível dividir a responsabilidade.

c) Abster-se de apresentar uma opinião, tendo em vista a relevância do investimento e o impacto deste nos resultados da
empresa e a auditoria ser realizada por outra empresa de auditoria.

d) Apresentar uma opinião com ressalva e, ainda, um parágrafo de ênfase, explicando a limitação de escopo do exame, pela
relevância do investimento e a auditoria ser efetuada por outra empresa.

e) Emitir uma opinião limpa, apenas relatando o fato da auditoria de outros auditores, como uma forma de dividir responsabili-
dades.

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AGORAÉASUAVEZ
Questão 5

As representações formais são o ato pelo qual a administração vai declarar que as solicitações dos auditores foram atendidas
e que os dados estão livres de erros ou fraudes, que todos os dados estão conformes com a normalidade da empresa, ou seja,
de acordo com as leis e regulamentos. Analise as alternativas e, conforme a NBC TA 580, indique qual dos comportamentos da
administração/governança é causa de solicitação de representação formal:

a) Permitir acesso dos auditores a todas as informações que são relevantes para a elaboração das demonstrações contábeis,
tais como registros, documentação e outros.

b) Permitir aos auditores acesso irrestrito a pessoas dentro da entidade as quais o auditor determinou necessário para obter
evidência de auditoria.

c) Informar todos os eventos subsequentes à data das demonstrações contábeis para a firma de auditoria e que necessitam de
ajustes ou de divulgação para os interessados.

d) Deixar de informar os pressupostos significativos utilizados para a realização de estimativas contábeis, inclusive aquelas
avaliadas pelo valor justo e valor presente.

e) Deixar de seguir as recomendações dos auditores e não corrigir os efeitos das distorções irrelevantes, individual ou
agregadamente para as demonstrações contábeis como um todo.

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FINALIZANDO
Neste tema você tomou conhecimento dos principais aspectos que a equipe de auditoria necessita observar para
encerrar os trabalhos de auditoria, conheceu também os tipos de relatórios que podem ser emitidos ao final da auditoria
para expressar a opinião dos auditores a respeito das demonstrações financeiras, que podem ser sem modificação,
com modificação, que pode ser ressalva de opinião, pode ser com opinião adversa ou abstenção de opinião, pode ser
inserido um parágrafo de ênfase ou de outros assuntos. Aprendeu a respeito da Lei SOx, seus principais aspectos e as
exigências que esta lei trouxe para os administradores, advogados e auditores na apresentação de informações para os
usuários das demonstrações financeiras.

REFERÊNCIAS
BARRETO, D.; GRAEFF, F. Auditoria: Teoria e exercícios comentados. 3. ed. São Paulo: Método, 2014.
BRASIL. Lei 6.404/76. Lei das sociedades anônimas, 1976. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/
L6404consol.htm>. Acesso em: 16 jun. 2016.
CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis: CPC. Pronunciamentos, 2013. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/
Documentos-Emitidos/Pronunciamentos>. Acesso em: 15 maio 2015.
CRCRS. Normas Brasileiras de Contabilidade: Auditoria independente, auditoria interna, perícia contábil. Porto alegre: CRC
RS, 2015.
CREPALDI, S. A. Auditoria contábil: teoria e prática. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
GRINBAUM, R.; GOULART, J.; PITA, A. Estadão. Auditoria externa não vai assinar balanço trimestral da Petrobrás,
2014. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,auditoria-externa-nao-vai-assinar-balanco-trimestral-da-
petrobras,1592397>. Acesso em: 27 jun. 2016.

27
REFERÊNCIAS
KPMG. KPMG. A lei Sarbanes-Oxley, 2003. Disponível em: <http://www.kpmg.com.br/images/Sarbanes_Oxley.pdf>. Acesso
em: 27 jun. 2016.
LINS, L. D. S. Auditoria: uma abordagem prática com ênfase na auditoria externa: atualizada e revisada. 3ª. ed. São Paulo:
Atlas, 2014.
LONGO, C. G. Manual de auditoria e revisão de demonstrações financeiras. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
LONGO, C. G. TVCRC SP. Novo relatório do auditor independente, 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=9GL-POAf8jo>. Acesso em: 27 jun. 2016.
MURARO, M.; ROTA, D.; MACHADO, A. D. A. XV Convenção de contabilidade do RS. RELATÓRIO DE AUDITORIA
INDEPENDENTE, 2015. Disponível em: <http://www.crcrs.org.br/convencao/arquivos/trabalhos/cientificos/relatorio_de_
auditoria_independente_796.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2016.
PAPIRO CONTÁBIL. Youtube. Estrutura do Relatório de Auditoria: entenda de uma vez por todas!, 2016. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=0DX5lJwx9tc>. Acesso em: 27 jun. 2016.
PECK, P. IETEC. Quais são os impactos legais da Sarbanes-Oxley no Brasil?, 2013. Disponível em: <http://www.techoje.
com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/862>. Acesso em: 27 jun. 2016.
PEREZ JUNIOR, J. H. Auditoria de demonstrações contábeis: normas e procedimentos. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
PORTAL DA AUDITORIA. Portal da auditoria. Introdução à lei Sarbanes-Oxley (SOx), 2005. Disponível em: <http://www.
portaldeauditoria.com.br/auditoria-interna/Introducao-a-lei-Sarbanes-Oxley-SOx.asp>. Acesso em: 27 jun. 2016.
SENA NETWORKS. Youtube. Uma Década da SOX: Workshop Sena Networks, 2013. Disponível em: <https://www.youtube.
com/watch?v=x_2eeBqNBm4>. Acesso em: 13 jul. 2016.
SILVA JUNIOR, A. Estadão. PwC tem vitória em ação sobre corrupção na Petrobrás, 2016. Disponível em: <http://economia.
estadao.com.br/noticias/geral,pwc-tem-vitoria-em-acao-sobre-corrupcao-na-petrobras-em-ny,10000017906>. Acesso em: 27
jun. 2016.
SILVA, A. S. R. D. et al. Prática contábil. A Lei Sarbanes-Oxley, 2007. Disponível em: <http://www.praticacontabil.com/
contadorperito/Lei_Sarbanes_Oxley_e_seus_efeitos.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2016.
STUART, I. C. Serviços de auditoria e asseguração na prática. Tradução de Christiane de Brito. Porto Alegre: AMGH, 2014.

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GLOSSÁRIO
Passivos contingentes: (a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada
apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou

(b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque:

(i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a
obrigação; ou

(ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade.

Asserções: é um substantivo feminino que significa: afirmação categórica. Assim como a obrigação da elaboração das
demonstrações financeiras é da administração, cada classe de conta e cada saldo ali exposto é uma asserção. Ou seja,
na administração pública, as demonstrações e cada elemento são uma afirmação, que a auditoria toma como uma as-
serção e vai testar para garantir a sua validade.

Representações formais: é uma declaração escrita pela administração, fornecida ao auditor, para confirmar certos
assuntos ou suportar outra evidência de auditoria. Representações formais, neste contexto, não incluem as demonstra-
ções contábeis, as afirmações nelas contidas ou livros e registros comprobatórios.

Consistência: característica de um corpo do ponto de vista da homogeneidade, coerência, firmeza, resistência, densi-
dade etc. dos seus elementos constituintes. Se as demonstrações financeiras apresentam o estado ou caráter do que
tem coerência, credibilidade, estabilidade etc.

Trabalho de campo: É a atividade realizada pelos auditores dentro da empresa. Engloba a coleta e/ou registro de da-
dos, caracteres, informações relativas aos dados contábeis ou objetos auditados.

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GABARITO
Questão 1

Resposta: Os denominados “relatórios de auditoria” constituem-se nas conclusões e recomendações escritas do auditor
(ou auditores) para a administração de uma organização, concordando com suas asserções que vão gerar uma opinião
limpa. Ou vão expor suas discordâncias, que vão gerar uma opinião com ressalva, com opinião adversa ou, se o caso
for mais grave, com abstenção de opinião.

Os relatórios de auditoria são compostos por um título, para a parte endereçada, e quatro parágrafos principais, que
são: a) identificação da empresa auditada e a extensão dos trabalhos com o nome das demonstrações auditadas; b) a
declaração da responsabilidade da administração; c) a declaração da responsabilidade da empresa de auditoria ou do
auditor independente; d) e a opinião emitida. Na continuidade temos o local e data, assinaturas da administração e do
auditor responsável pelo relatório.

Se o relatório for com opinião modificada, será introduzido um parágrafo para as bases da discordância, antes do
parágrafo da opinião modificada. Se for necessário incluir um parágrafo de ênfase ou de outros assuntos relevantes, se
incluirá um parágrafo logo após a opinião.

A linguagem dos relatórios deve ser precisa, concisa (breve) e  cooperativa (indicando possíveis soluções), além de
compreender possíveis detalhamentos que facilitem à administração a tomada de medidas necessárias à correção das
irregularidades encontradas e fácil para os usuários externos.

Questão 2

Resposta: Alternativa A.

O relatório de auditoria deve ser emitido com ressalvas, pois trata de um percentual de 10% da classe de estoques e na
questão não enfatiza que isto seja significativo o suficiente para invalidar a confiança das demonstrações financeiras.
A opinião deve ser limpa, ressalvando que naquele item não houve concordância na classificação. Se houvesse um
indicativo de que 10% nesta classe representasse, imaginamos, 40% da classe do ativo total (pense o quanto seria a
classe de estoque total?), aí poderíamos pensar em um parecer adverso ou até mesmo uma abstenção.

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Questão 3

Resposta: Alternativa D.

Esta é uma exigência para a qual as empresas que possuem relacionamento com o mercado de ações estadunidense
devem estar atentas: a responsabilização do CEO (presidente) e do diretor financeiro pelas asserções constantes das
demonstrações financeiras em que atestam pessoalmente que estão livres de erros, fraudes e que seus controles
internos são fidedignos. Existe uma responsabilização administrativa, cível e criminal pela prática de atos contrários ao
US-GAAP.

Questão 4

Resposta: Alternativa B.

Atualmente a firma de auditoria que realiza trabalhos em grupos econômicos ou que se utiliza de laudos de especialistas
não pode dividir suas responsabilidades. Assim, deve destacar a existência do trabalho realizado, afirmar que revisou
os trabalhos de outros e assumir a responsabilidade. Se houver discordância nos trabalhos ou obstrução de acesso aos
trabalhos realizados, a empresa de auditoria irá se abster de emitir uma opinião.

Questão 5

Resposta: Alternativa D.

Os auditores, diante de distorções relevantes, desconformidades nos controles internos ou evidências de erros ou
fraudes, dentre outros fatores, vão se comunicar com a administração da empresa ou os representantes da governança
para que façam os ajustes necessários, esclareçam fatos, ou seja, qualquer discordância entre o real e aquilo que está
em desconformidade será comunicado para a empresa, que responderá com uma representação formal. Que é uma
carta que vai documentar este diálogo entre auditoria e empresa, e nesta carta a empresa vai expor seus motivos.
Então, a causa que justificar o pedido de representação formal é deixar de informar os pressupostos significativos em
qualquer aspecto.

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