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APOSTILA – PSICOLOGIA APLICADA À FARMÁCIA

PROFESSORA: MARÍLIA ZARA GENTIL DE OLIVEIRA


Psicóloga – CRP 10/04425

UNIDADE I : INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA

A PSICOLOGIA OU AS PSICOLOGIAS

 Ciência e Senso Comum

Quantas vezes, no nosso dia a dia, ouvimos o termo psicologia?


Qualquer um entende um pouco dela. Poderíamos até mesmo dizer que “de
psicólogo e de louco todo mundo tem um pouco”. O dito popular não é bem este (“de
médico e de louco todo mundo tem um pouco”), mas parece servir aqui
perfeitamente. As pessoas em geral têm a “sua psicologia”.
Usamos o termo Psicologia, no nosso cotidiano, com vários sentidos. Por
exemplo, quando falamos que ele usa de “psicologia” para vender seu produto;
quando nos referimos à jovem estudante usa seu poder de sedução para atrair o
rapaz, falamos que ela usa de “psicologia”; e quando procuramos aquele amigo, que
está sempre disposto a ouvir nossos problemas, dizemos que ele tem “psicologia”
para entender as pessoas.
Será essa a psicologia dos psicólogos? Certamente não. Essa psicologia,
usada no cotidiano pelas pessoas em geral, é denominada de psicologia do senso
comum. Mas nem por isso deixa de ser uma psicologia. O que estamos querendo
dizer é que as pessoas, em geral, têm um domínio, mesmo que pequeno e
superficial, do conhecimento acumulado pela Psicologia científica, o que lhes
permite explicar ou compreender seus problemas cotidianos de um ponto de vista
psicológico.
É a psicologia científica que pretendemos apresentar a você. Mas, para
fazer isto, iniciaremos pela exposição da relação ciência e senso comum; depois
falaremos mais detalhadamente sobre ciência e, assim esperamos que você
compreenda melhor a Psicologia Científica.
 O senso comum: conhecimento da realidade

Existe um domínio da vida que pode ser entendido como vida por
excelência: é a vida do cotidiano que tudo flui, que as coisas acontecem, que nos
sentimos vivos, que sentimos a realidade. Nesse instante estou lendo um livro de
psicologia, logo mais estarei numa sala de aula fazendo uma prova e depois irei ao
cinema. Enquanto isso sinto um sono irresistível e preciso de muita força de vontade
para não dormir em plena aula, lembro-me de que havia prometido chegar cedo para
o almoço. Todos esses acontecimentos denunciam que estamos vivos. Já a ciência
é uma atividade eminentemente reflexiva. Ela procura compreender, elucidar e
alterar esse cotidiano, a partir de seu estudo sistemático.
Quando fazemos ciência, baseamo-nos na realidade cotidiana e
pensamos sobre ela. Afastamo-nos dela para refletir e conhecer além de suas
aparências. O cotidiano e o conhecimento científico que temos da realidade
aproximam-se e se afastam: aproximam-se porque a ciência se refere ao real;
afastam-se porque a ciência afasta-se da realidade, transformando-a em objeto de
investigação – o que permite a construção do conhecimento científico sobre o real.
Ocorre que, mesmo o mais especializado dos cientistas, quando sai de
seu laboratório, está submetido à dinâmica do cotidiano, que cria suas próprias
“teorias” a partir das teorias científicas, seja como forma de “simplificá-las” para o
uso do dia-a-dia, ou como sua maneira peculiar de interpretar fatos, a despeito das
considerações feitas pela ciência. Todos nós – estudantes, psicólogos, físicos,
artistas, operários, teólogos – vivemos esse cotidiano e as suas teorias a maior parte
do tempo, isto é, aceitamos as regras do seu jogo.
O fato é que a dona de casa, quando usa a garrafa térmica para manter o
café quente, sabe por quanto tempo o café permanecerá razoavelmente quente,
sem fazer nenhum cálculo complicado e, muitas vezes desconhecendo
completamente as leis da termodinâmica. Quando alguém em casa reclama dores
no fígado, ela faz um chá de boldo que é uma planta medicinal já usada pelos avós
de nossos avós, sem, no entanto, conhecer o princípio ativo de suas folhas nas
doenças hepáticas e sem nenhum farmacológico. E nós mesmos, quando
precisamos atravessar uma avenida movimentada, com o tráfego de veículos em
alta velocidade, sabemos perfeitamente medir a distância e a velocidade do
automóvel que vem em nossa direção. Até hoje não conhecemos ninguém que
usasse máquina de calcular ou fita métrica para essa tarefa. Esse tipo de
conhecimento que vamos acumulando no nosso cotidiano é chamado de senso
comum. Sem esse conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros, seria
muito complicada a nossa vida no dia-a-dia.
A necessidade de acumularmos esse tipo de conhecimento espontâneo
parece-nos óbvia. Imagine termos de descobrir diariamente que as coisas tendem a
cair, graças ao efeito da gravidade; termos de descobrir diariamente que algo atirado
pela janela tenderá a cair e não subir; que um automóvel em velocidade se
aproximar-se-á rapidamente de nós e que, para fazer um aparelho eletrodoméstico
funcionar precisamos de eletricidade.
O senso comum, na produção desse tipo de conhecimento, percorre um
caminho que vai do hábito à tradição, a qual, quando instalada, passa de geração
para geração. Assim, aprendemos com nossos pais a atravessar a rua, a fazer o
liquidificador funcionar, a plantar alimentos na época e de maneira correta, a
conquistar a pessoa que desejamos e assim por diante.
E é nessa tentativa de facilitar o dia-a-dia que o senso comum produz
suas próprias “teorias”; na realidade, um conhecimento que, numa interpretação
livre, poderíamos chamar de teorias médicas, físicas, psicológicas etc.

 Áreas do conhecimento

Somente esse tipo de conhecimento, porém, não seria suficiente para as


exigências de desenvolvimento da humanidade. O homem, desde os tempos
primitivos, foi ocupado cada vez mais espaço neste planeta, e somente esse
conhecimento intuitivo seria pouco para que ele dominasse a natureza em seu
próprio proveito. Os gregos antigos, por volta do século IV a.C., já dominavam
complicados cálculos matemáticos, que ainda hoje são considerados difíceis por
qualquer jovem colegial. Os gregos precisavam entender esses cálculos para
resolver seus problemas agrícolas, arquitetônicos, navais etc. Era uma questão de
sobrevivência. Como o tempo, esse tipo de conhecimento foi-se tornando cada vez
mais, até atingir o nível de altíssima sofisticação que permitiu ao homem atingir a
lua. A este tipo de conhecimento, que definiremos com mais cuidado logo adiante,
chamamos de ciência.
Mas o senso comum e a ciência não são as únicas formas de
conhecimento que o homem possui para descobrir e interpretar a realidade.
Povos antigos, e entre eles cabe sempre mencionar os gregos,
preocupam-se com a origem do homem e o seu significado. As preocupações em
torno desse tema formaram um corpo de conhecimento denominado filosofia. A
formulação de um conjunto de pensamentos sobre a origem do homem, seus
mistérios, princípios morais, forma um outro corpo de conhecimento conhecido como
religião. No ocidente, um livro muito conhecido traz as crenças e tradições de
nossos antepassados e é para muitos um modelo de conduta: A Bíblia. Esse livro é
registo do conhecimento religioso judaico-cristão.
Um outro livro semelhante é o livro sagrado dos hindus: Livros dos
Vedas. Veda, em Sâncrito (antiga língua da Índia), significa conhecimento.
Por fim, o homem, já desde a sua pré-história, deixou marcas de sua
sensibilidade nas paredes de suas cavernas quando desenhou a sua própria figura
de caça criando uma expressão do conhecimento que traduz emoção e a
sensibilidade. Denominamos arte a esse tipo de conhecimento. Arte, religião,
filosofia, ciência e senso comum são domínios do conhecimento humano.

 A Psicologia Científica

Apesar de reconhecermos a existência de uma psicologia do senso


comum, e de certo modo estarmos preocupados em defini-la, é com a outra
psicologia que este livro deverá ocupar-se – a psicologia científica. Foi preciso
definir o senso comum, para que o leitor pudesse demarcar o campo de atuação de
cada uma, sem confundi-las.
Entretanto a tarefa de definir a psicologia como ciência é bem mais árdua
e complicada. Comecemos por definir o que entendemos por ciência (que também
não é simples), para depois explicarmos por que Psicologia é hoje uma de suas
áreas.
 O que é Ciência?

A ciência compõe-se de um conjunto sobre fatos ou aspectos da


realidade (objeto de estudo), expresso através de uma linguagem precisa e rigorosa.
Esses conhecimentos devem ser obtidos de maneira programada, sistemática e
controlada, para que se permita a verificação de sua validade. Assim, podemos
apontar o objeto dos diversos ramos da ciência e saber exatamente como
determinado conteúdo foi construído, possibilitando a reprodução da experiência. O
saber pode assim ser transmitido, verificado, utilizado e desenvolvido.
Essa característica da produção científica possibilita sua continuidade: um
novo conhecimento é produzido sempre a partir de algo anteriormente desenvolvido.
Negam-se, reafirmam-se, descobrem-se novos aspectos, e assim a ciência avança.
Nesse sentido, a ciência caracteriza-se como um processo.
A ciência tem ainda uma característica fundamental: ela aspira à
objetividade. Suas conclusões devem ser passíveis de verificação e isentas de
emoção, para, assim, tornarem-se válidas para todos.
Objeto específico, linguagem rigorosa, métodos e técnicas específicas,
processo cumulativo do conhecimento, objetividade fazem da ciência uma forma de
conhecimento que supera em muito o conhecimento espontâneo do senso comum.
Esse conjunto de características é o que permite que denominemos científico a um
conjunto de conhecimentos.

 O que é Psicologia?

Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano, as


interações dos organismos com o seu ambiente. Dependendo do enfoque e
conhecimento de homem que está sendo utilizado a psicologia pode ter vários
conceitos, dentre eles: ciência que estuda os seres humanos e seus processos
psíquicos. Todorov (1999) definiu a psicologia como sendo a ciência que estuda a
mente e o comportamento.
 Que profissão é essa?

A Psicologia, no Brasil, é uma profissão reconhecida por lei, ou seja, a Lei


4.119, de 1962, reconhece a existência da Psicologia como profissão. São
psicólogos, habilitados ao exercício profissional, aqueles que completam o curso de
graduação em Psicologia e se registram no órgão profissional competente. O
exercício da profissão, na forma como se apresenta na Lei 4.119, está relacionado
ao uso (que é privativo dos psicólogos) de métodos e técnicas da Psicologia para
fins de diagnóstico psicológico, orientação e seleção profissional, orientação
psicopedagógica e solução de problemas de ajustamento.

 Então, por que a Psicologia é ciência?

O psicólogo contribui para a produção do conhecimento científico da


psicologia através da: observação, descrição e análise dos processos
comportamentais. Algumas características que descrevem a psicologia como ciência
são:

 Objeto específico de estudo = homem (no sentido mais amplo).


Entretanto, é preciso saber que a concepção de homem que o profissional
traz consigo mesmo “contamina” inevitavelmente a sua pesquisa em
psicologia.

 Linguagem precisa e rigorosa = não utiliza termos do senso comum sem


preocupação conceitual.

 Métodos e técnicas específicas = entrevistas estruturais, testes, técnicas


de terapia, dentre outras, obtidas de maneiras programadas, sistemáticas
e controladas, para que se permita a verificação da validade da ciência e
permitindo a reprodução da experiência.
 Processo cumulativo do conhecimento = Um novo conhecimento é
produzido sempre a partir de algo anteriormente desenvolvido. Negam-se,
reafirmam-se, descobrem-se novos aspectos, e assim a ciência avança.

 Objetividade = possibilidade de verificação com o máximo de isenção de


emoção possível.

 Objeto de estudo da Psicologia

Como dissemos anteriormente, um conhecimento, para ser considerado


científico, requer um objeto especifico de estudo. O objeto da astronomia são os
astros, e o objeto da biologia são os seres vivos. Essa classificação bem geral
demonstra que é possível tratar o objeto dessas ciências com certa distância, ou
seja, é possível isolar o objeto de estudo. No caso da astronomia, o cientista
observado está, por exemplo, num observatório na cidade de Atibaia, e o astro
observado, a anos-luz de distância de seu telescópio. Esse cientista não corre o
mínimo risco de confundir-se com o fenômeno que está estudando.
O mesmo não ocorre com a psicologia, que, como a Antropologia, a
Sociologia e todas as ciências humanas, estudam o homem.
Qual é então o objeto específico de estudo da Psicologia?
Se dermos a palavra a um psicólogo comportamentalista, ele dirá: “O
objeto de estudo da Psicologia é o comportamento humano”. Se a palavra for dada a
um psicólogo psicanalista, ele dirá: “O objeto de estudo da Psicologia é o
inconsciente”. Outros dirão que é a consciência humana, e outros, ainda, a
personalidade.

 Os fenômenos Psicológicos

Considerando toda a problemática apresentada para a definição do objeto


de estudo da Psicologia, optamos por apresentar aqui uma definição para a
psicologia e seu objeto que sirva como referência para a psicologia e seu objeto que
sirva como referência para o leitor, pois, ao colocarmos as diversas teorias
psicológicas nos capítulos seguintes, a diversidade de enfoques do homem
reaparecerá.
Se pensarmos que toda construção parte de uma matéria-prima,
podemos dizer que a matéria prima da psicologia é a vida dos seres humanos. A
identidade da Psicologia, isto é, aquilo que a diferencia dos demais ramos das
ciências humanas, pode ser obtida considerando-se que cada um desses ramos
enfoca de maneira particular o objeto homem, ou seja, cada um trabalha a matéria
prima de maneira particular, construindo, no final, conhecimentos distintos e
específicos.
Assim, a psicologia contribui com o estudo dos fenômenos psicológicos
para a compreensão da totalidade da vida humana. Nossa matéria-prima, portanto, é
a vida humana em todas as suas manifestações, sejam elas mentais, corporais ou
no mundo externo. Nosso objetivo são os fenômenos psicológicos.
Os fenômenos psicológicos referem-se a processos que acontecem em
nosso mundo inteiro e que são construídos durante a nossa vida. São processos
contínuos que nos permitem pensar e sentir o mundo, nos comportamos das mais
diferentes formas, nos adaptarmos à realidade e transformá-la. Esse processo
constitui a nossa subjetividade.
A subjetividade é, portanto, o mundo constituído internamente pelo
sujeito, a partir de suas relações sociais, de suas vivências no mundo e de sua
constituição biológica; é, também, fonte de suas manifestações afetivas e
comportamentais.
Não é à toa que utilizamos a expressão “mundo inteiro”, pois ele possui a
riqueza e a realidade do mundo externo, só que construindo internamente, de forma
muito particular, por cada um de nós, em cada um de nós. E esta construção se dá
na medida em que o homem vive a realidade social com os outros homens e com
eles constrói esta realidade que o determina, de onde fluem os conteúdos para a
construção de sua subjetividade. Criando e transformando o mundo (externo), o
homem constrói e transforma a si próprio.
É claro que a abordagem do fenômeno psicológico dependerá da
concepção de homem adotada pelas diferentes escolas psicológicas. No momento,
pelo pouco desenvolvimento da Psicologia, estas escolas acabam formulando um
conhecimento fragmentário de uma única e mesma totalidade – o ser humano (o seu
mundo inteiro e suas manifestações). A superação do atual impasse, que levará a
uma Psicologia que enquadre esse homem como ser concreto e multideterminado é
o papel de uma ciência critica, da compreensão, da comunicação e do encontro do
homem com o mundo em que vive, já que o homem que compreende a História (do
mundo externo) também compreende a si mesmo (seu mundo psicológico).

 A Psicologia e o misticismo

A Psicologia, como área da Ciência, vem se desenvolvendo na história


desde 1875, quando Wundt (1832-1926) criou o primeiro Laboratório de
Experimentos em Psicofisiologia, em Leipzig, na Alemanha. Esse marco histórico
significou o desligamento das ideias psicológicas de ideias abstratas e
espiritualistas, que defendiam a existência de uma alma nos homens, a qual seria a
sede da vida psíquica. A partir daí, a história da Psicologia é de fortalecimento de
seu vínculo com os princípios e métodos científicos. A ideia de um homem
autônomo, capaz de se responsabilizar pelo seu próprio desenvolvimento e pela sua
vida, também vai se fortalecendo a partir desse momento.
Algumas práticas não-psicológicas têm sido associadas às práticas
psicológicas. O tarô, a astrologia, a quiromancia, a numerologia, entre outras
práticas adivinhatórias e/ou místicas, têm sido associadas ao fazer e ao saber
psicológico. Estas não são práticas da Psicologia. São outras formas de saber — de
saber sobre o humano — que não podem ser confundidas com a Psicologia, pois:
• Não são construídas no campo da Ciência, a partir do método e dos
princípios científicos;
• Estão em oposição aos princípios da Psicologia, que vê não só o
homem como ser autônomo, que se desenvolve e se constitui a partir de sua relação
com o mundo social e cultural, mas também o homem sem destino pronto, que
constrói seu futuro ao agir sobre o mundo. As práticas místicas têm pressupostos
opostos, pois nelas há a concepção de destino, da existência de forças que não
estão no campo do humano e do mundo material.
A Psicologia, ao relacionar-se com esses saberes, deve ser capaz de
enfrentá-los sem preconceitos, reconhecendo que o homem construiu muitos
“saberes” em busca de sua felicidade. Mas é preciso demarcar nossos campos.
Esses saberes não estão no campo da Psicologia, mas podem se tornar seu objeto
de estudo.
 As principais teorias da psicologia

A psicologia enquanto um ramo da filosofia estudava a alma. A Psicologia


científica nasce quando, de acordo com os padrões de ciência do século XIX, Wundt
preconiza a Psicologia “sem alma”. O conhecimento tido como cientifico passa a
então a ser aquele produzido em laboratórios, com o uso de instrumentos de
observação e medição. Se antes a Psicologia estava subordinada à Filosofia, a partir
daquele século ele passa a ligar-se a especialidades da Medicina, que assumira
antes da psicologia, o método de investigação das ciências naturais como critério
rigoroso de construção do conhecimento.
Essa Psicologia científica, que se constituiu de três escolas –
Associacionismo, Estruturalismo e Funcionalismo -, foi substituída, no século XX, por
novas teorias. As três mais importantes tendências teóricas da Psicologia neste
século são consideradas por inúmeros autores, como Politzer e Japiassu, como
sendo o Behaviorismo ou Teoria (S-R) (Estímulo-Resposta), a Gestalt e a
Psicanálise.

 O Behaviorismo, que nasce com Watson e tem um


desenvolvimento grande no EUA, em função de suas aplicações
práticas, tornou-se importante por ter definido o fato psicológico, de
modo concreto, a partir da noção de comportamento.

 A Gestalt, que tem seu berço na Europa, surge como uma negação
da fragmentação das ações e processos humanos, realizada pelas
tendências da Psicologia científica do século 19, postulando a
necessidade de se compreender o homem como uma totalidade. A
Gestalt é a tendência teórica mais ligada à Filosofia.

 A Psicanálise, que nasce com Freud, na Áustria, a partir da prática


médica, recupera para a Psicologia a importância da afetividade e
postula o inconsciente como objeto de estudo, quebrando a
tradição da Psicologia como ciência da consciência e da razão.
Atribuições Profissionais do Psicólogo no Brasil

Objetivo Primordial: Promover a saúde do ser humano por meio do respeito à


dignidade e integridade, proporcionando condições satisfatórias de vida na
sociedade. Segundo a OMS (ONU): "Saúde é um estado de completo bem-estar
físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”.

Contribuição do Conselho Federal de Psicologia ao Ministério do Trabalho para


integrar o catálogo brasileiro de ocupações – enviada em 17 de outubro de 1992.

Psicólogo Clínico e Hospitalar


Introdução
Atua na área específica da saúde, colaborando para a compreensão dos processos
intra e interpessoais, utilizando enfoque preventivo ou curativo, isoladamente ou em
equipe multiprofissional em instituições formais e informais. Realiza pesquisa,
diagnóstico, acompanhamento psicológico, e intervenção psicoterápica individual ou
em grupo, através de diferentes abordagens teóricas.

Descrição de ocupação (detalhamento das atribuições):


1 – Realiza avaliação e diagnóstico psicológicos de entrevistas, observação, testes e
dinâmica de grupo, com vistas à prevenção e tratamento de problemas psíquicos.
2 – Realiza atendimento psicoterapêutico individual ou em grupo, adequado às
diversas faixas etárias, em instituições de prestação de serviços de saúde, em
consultórios particulares e em instituições formais e informais.
3 – Realiza atendimento familiar e/ou de casal para orientação ou acompanhamento
psicoterapêutico.
4 – Realiza atendimento a crianças com problemas emocionais, psicomotores e
psicopedagógico.
5- Acompanha psicologicamente gestantes durante a gravidez, parto e puerpério,
procurando integrar suas vivências emocionais e corporais, bem como incluir o
parceiro, como apoio necessário em todo este processo.
6- Prepara o paciente para entrada, permanência e alta hospitalar, inclusive em
hospitais psiquiátricos.
7- Trabalha em situações de agravamento físico e emocional, inclusive no período
terminal, participando das decisões com relação à conduta a ser adotada pela
equipe, como: internações, intervenções cirúrgicas, exames e altas hospitalares.
8- Participa da elaboração de programas de pesquisa sobre a saúde mental da
população, bem como sobre a adequação das estratégias diagnosticas e
terapêuticas a realidade psicossocial da clientela.
9- Cria, coordena e acompanha, individualmente ou em equipe multiprofissional,
tecnologias próprias ao treinamento em saúde, particularmente em saúde mental,
com o objetivo de qualificar o desempenho de várias equipes.
10- Participa e acompanha a elaboração de programas educativos e de treinamento
em saúde mental, a nível de atenção primária, em intituições formais e informais
como: creches, asilos, sindicatos, associações, instituições de menores,
penitenciárias, entidades religiosas e etc.
11- Colabora, em equipe multiprofissional, no planejamento das políticas de saúde,
em nível de macro e microsistemas.
12- Coordena e supervisiona as atividades de Psicologia em instituições e
estabelecimentos de ensino e/ou de estágio, que incluam o tratamento psicológico
em suas atividades.
13-Realiza pesquisas visando a construção e a ampliação do conhecimento teórico
e aplicado, no campo da saúde mental.
14- Atua junto à equipe multiprofissionais no sentido de leva-las a identificar e
compreender os fatores emocionais que intervém na saúde geral do indivíduo, em
unidades básicas, ambulatórios de especialidades, hospitais gerais, prontos-
socorros e demais instituições.
15- Atua como facilitador no processo de integração e adaptação do indivíduo à
instituição. Orientação e acompanhamento a clientela, familiares, técnicos e demais
agentes que participam, diretamente ou indiretamente dos atendimentos.
16- Participa dos planejamentos e realiza atividades culturais, terapêuticas e de
lazer com o objetivo de propiciar a reinserção social da clientela egressa de
instituições.
17-Participa de programas de atenção primária em Centros e Postos de Saúde ou
na comunidade; organizando grupos específicos, visando a prevenção de doenças
ou do agravamento de fatores emocionais que comprometam o espaço psicológico.
18- Realiza triagem e encaminhamentos para recursos da comunidade, sempre que
necessário.
19- Participa da elaboração, execução e analise da instituição, realizando
programas, projetos e planos de atendimentos, em equipes multiprofissionais, com o
objetivo de detectar necessidades, perceber limitações, desenvolver potencialidades
do pessoal envolvido no trabalho da instituição, tanto nas atividades fim, quanto nas
atividades meio.

Psicólogo do Trabalho
Introdução
Atua individualmente ou em equipe multiprofissional, onde quer que se dêem as
relações de trabalho nas organizações sociais formais ou informais, visando a
aplicação do conhecimento da Psicologia para a compreensão, intervenção e
desenvolvimento das relações e dos processos intra e interpessoais, intra e
intergrupais e suas articulações com as dimensões política, econômica, social e
cultural.
Descrição de Ocupação (detalhamento das atribuições):
1- Planeja, elabora e avalia análises de trabalho (profissiográfico, ocupacional, de
posto de trabalho etc.), para descrição e sistematização dos comportamentos
requeridos no desempenho de cargos e funções, com o objetivo de subsidiar ou
assessorar as diversas ações da administração.
2- Participa do recrutamento e seleção pessoal, utilizando métodos e técnicas de
avaliação (entrevistas, testes, provas situacionais, dinâmica de grupo, etc.), com o
objetivo de assessorar as chefias a identificar os candidatos mais adequados ao
desempenho das funções.
3- Elabora, executa e avalia, em equipe multiprofissional, programas de treinamento
e formação de mão-de-obra, visando a otimização de recursos humanos.
4- Participa, assessora, acompanha e elabora instrumentos para o processo de
avaliação pessoal, objetivando subsidiar as decisões, tais como: promoções
movimentação de pessoal, planos de carreira, remuneração, programas de
treinamento e desenvolvimento, etc.
5- Planeja, coordena, executa e avalia, individualmente ou em equipe
multiprofissional, programas de treinamento, de capacitação e desenvolvimento de
recursos humanos.
6- Participa do processo de movimentação pessoal, analisando o contexto atual, os
antecedentes e as perspectivas em seus aspectos psicológicos e motivacionais,
assessorando na indicação da locução e integração funcional.
7- Participa de programas e/ou atividades na área de segurança do trabalho,
subsidiando-os quanto a aspectos psicossociais.
8- Participa e assessora estudos, programas e projetos relativos a organização do
trabalho e definição de papéis ocupacionais: produtividade, remuneração, incentivo,
rotatividade, absenteismo e evasão em relação a integração psicossocial dos
indivíduos e grupos de trabalho.
9- Promove estudos para identificação das necessidades humanas em face da
construção de projetos e equipamentos de trabalho (ergonomia).
10- Participa de programas educacionais, culturais, recreativos e de higiene mental,
com vistas a assegurar a preservação da saúde e da qualidade de vida do
trabalhador.
11- Encaminha e orienta os empregados e as organizações, quanto ao atendimento
adequado, no âmbito da saúde mental, nos níveis de prevenção, tratamento
reabilitação.
12- Elabora diagnósticos psicossociais das organizações.
13- Emite pareceres e realiza projetos de desenvolvimento da organização no
âmbito de sua competência.
14- Realiza pesquisas visando a construção e ampliação do conhecimento teórico e
aplicado ao trabalho.
15- Coordena e supervisiona as atividades de Psicologia do trabalho, ou setores em
que elas se inserem, em instituições ou organizações em que essas atividades
ocorrem.
16- Desenvolve ações destinadas as relações de trabalho no sentido de maior
produtividade e da realização pessoal dos indivíduos e grupos, intervindo na
elaboração de conflitos e estimulando a criatividade na busca de melhor qualidade
de vida no trabalho.
17- Acompanha a formulação e implantação de projetos de mudanças nas
organizações, com o objetivo de facilitar ao pessoal a absorção das mesmas.
18- Assessora na formação e na implantação da política de recursos humanos das
organizações.
19- Participa do processo de desligamento de funcionários, no que se refere a
demissão e ao preparo para aposentadoria, visando a elaboração de novos projetos
de vida.
20- Participa como consultor, no desenvolvimento das organizações sociais, atuando
como facilitador de processos de grupo e de intervenção psicossocial nos diferentes
níveis hierárquicos das estruturas formais.

Psicólogo do Trânsito
1- Desenvolve pesquisa científica no campo dos processos psicológicos,
psicossociais e psicofísicos relacionados ao problema do trânsito.
2- Realiza exames psicológicos de aptidão profissional em candidatos a habilitação
para dirigir veículos automotores(“Psicotécnicos”).
3- Assessora no processo de elaboração e implantação de sistemas de sinalização
de trânsito, especialmente no que concerne a questões de transmissão, recepção e
retenção de informações.
4- Participa de equipes multiprofissionais voltadas à prevenção de acidentes de
trânsito.
5- Desenvolve, na esfera de sua competência, estudos e projetos de educação de
trânsito.
6- Contribui nos estudos e pesquisas relacionados ao comportamento individual e
coletivo na situação de trânsito, especialmente nos complexos urbanos.
7- Estuda as implicações psicológicas do alcoolismo e de outros distúrbios nas
situações de trânsito.
8- Avalia a relação causa-efeito na ocorrência de acidentes de trânsito, levantando
atitudes-padrão nos envolvidos nessas ocorrências e sugerindo formas de atenuar
as suas incidências.
9- Aplica e avalia novas técnicas de mensuração da capacidade psicológica dos
motoristas.
10- Colabora com a justiça e apresenta, quando solicitado, laudos, pareceres,
depoimentos etc;
11- Servindo como instrumentos comprobatórios para melhor aplicação da lei e
justiça;
12- Atua como perito em exames para motorista, objetivando sua readaptação ou
reabilitação profissional.
Psicólogo Educacional
Introdução
Atua no âmbito da educação, nas instituições formais ou informais. Colabora para a
compreensão e para a mudança do comportamento de educadores e educandos, no
processo de ensino aprendizagem, nas relações interpessoais e nos processos
intrapessoais, referindo-se sempre as dimensões política, econômica, social e
cultural. Realiza pesquisa, diagnóstico e intervenção psicopedagógica individual ou
em grupo. Participa também da elaboração de planos e políticas referentes ao
Sistema Educacional, visando promover a qualidade, a valorização e a
democratização do ensino.

Descrição de ocupação: (detalhamento de atribuições)


1- Colabora com a adequação, por parte dos educadores, de conhecimentos da
Psicologia que lhes sejam úteis na consecução crítica e reflexiva de seus papéis.
2- Desenvolve trabalhos com educadores e alunos, visando a explicitação e a
superação de entraves institucionais ao funcionamento produtivo das equipes e ao
crescimento individual de seus integrantes.
3- Desenvolve, com os participantes do trabalho escolar (pais, alunos, diretores,
professores, técnicos, pessoal administrativo), atividades visando a prevenir,
identificar e resolver problemas psicossociais que possam bloquear, na escola, o
desenvolvimento de potencialidades, a auto-realização e o exercício da cidadania
consciente.
4- Elabora e executa procedimentos destinados ao conhecimento da relação
professor-aluno, em situações escolares específicas, visando, através de uma ação
coletiva e interdisciplinar a implementação de uma metodologia de ensino que
favoreça a aprendizagem e o desenvolvimento.
5- Planeja, executa e/ou participa de pesquisas relacionadas a compreensão de
processo ensino-aprendizagem e conhecimento das características Psicossociais da
clientela, visando a atualização e reconstrução do projeto pedagógico da escola,
relevante para o ensino, bem como suas condições de desenvolvimento e
aprendizagem, com a finalidade de fundamentar a atuação crítica do Psicólogo, dos
professores e usuários e de criar programas educacionais completos, alternativos,
ou complementares.
6- Participa do trabalho das equipes de planejamento pedagógico, currículo e
políticas educacionais, concentrando sua ação naqueles aspectos que digam
respeito aos processos de desenvolvimento humano, de aprendizagem e das
relações interpessoais, bem como participa da constante avaliação e do
redirecionamento dos planos, e praticas educacionais implementados.
7- Desenvolve programas de orientação profissional, visando um melhor
aproveitamento e desenvolvimento do potencial humano, fundamentados no
conhecimento psicológico e numa visão crítica do trabalho e das relações do
mercado de trabalho.
8- Diagnostica as dificuldades dos alunos dentro do sistema educacional e
encaminha, aos serviços de atendimento da comunidade, aqueles que requeiram
diagnostico e tratamento de problemas psicológicos específicos, cuja natureza
transceda a possibilidade de solução na escola, buscando sempre a atuação
integrada entre escola e a comunidade.
9- Supervisiona, orienta e executa trabalhos na área de Psicologia Educacional.

Psicólogo Jurídico
Introdução
Atua no âmbito da Justiça, nas instituições governamentais e não-governamentais,
colaborando no planejamento e execução de políticas de cidadania, direitos
humanos e prevenção da violência. Para tanto, sua atuação é centrada na
orientação do dado psicológico repassado não só para os juristas como também aos
sujeitos que carecem de tal intervenção. Contribui para a formulação, revisões e
interpretação das leis.

Detalhamento das Atribuições


1- Assessora na formulação, revisão e execução de leis.
2- Colabora na formulação e implantação das políticas de cidadania e direitos
humanos.
3- Realiza pesquisa visando a construção e ampliação do conhecimento psicológico
aplicado ao campo do Direito.
4- Avalia as condições intelectuais e emocionais de crianças adolescentes e adultos
em conexão processos jurídicos, seja por deficiência mental e insanidade,
testamentos contestados, aceitação em lares adotivos, posse e guarda de crianças
ou determinação da responsabilidade legal por atos criminosos.
5- Atua como perito judicial nas varas cíveis, criminais, justiça do trabalho, da
família, da criança e do adolescente, elaborando laudos, pareceres e perícias a
serem anexados aos processos.
6- Elabora petições que serão juntadas ao processo, sempre que solicitar alguma
providência, ou haja necessidade de comunicar-se com o juiz, durante a execução
da perícia.
7- Eventualmente participa de audiência para esclarecer aspectos técnicos em
Psicologia que possam necessitar de maiores informações a leigos ou leitores do
trabalho pericial psicológico(juízes, curadores e advogados).
8- Elabora laudos, relatórios e pareceres, colaborando não só com a ordem jurídica
como com o indivíduo envolvido com a Justiça, através da avaliação das
personalidades destes e fornecendo subsídios ao processo judicial quando solicitado
por uma autoridade competente, podendo utilizar-se de consulta aos processos e
coletar dados que considerar necessários a elaboração do estudo psicológico.
9- Realiza atendimento psicológico através de trabalho acessível e comprometido
com a busca de decisões próprias na organização familiar dos que recorrem a
Varas de Família para a resolução de questões.
10- Realiza atendimento a crianças envolvidas em situações que chegam às
Instituições de Direito, visando a preservação de sua saúde mental, bem como
presta atendimento e orientação a detentos e seus familiares.
11- Participa da elaboração e execução de programas sócio educativos destinados a
criança de rua, abandonadas ou infratoras.
12- Orienta a administração e os colegiados do sistema penitenciário, sob o ponto
de vista psicológico, quanto as tarefas educativas e profissionais que os internos
possam exercer nos estabelecimentos penais.
13- Assessora autoridades judiciais no encaminhamento à terapias psicológicas,
quando necessário.
14- Participa da elaboração e do processo de Execução Penal e assessorar a
administração dos estabelecimentos penais quanto a formulação da política penal e
no treinamento de pessoal para aplicá-la.
15- Atua em pesquisas e programas de prevenção à violência e desenvolve estudos
e pesquisas sobre a pesquisa criminal, construindo ou adaptando instrumentos de
investigação psicológica.

Psicólogo do Esporte
Detalhamento das Atribuições
1- Procede o exame das características psicológicas dos esportistas, visando o
diagnóstico individual ou do grupo, dentro da atividade em que se encontram.
2- Desenvolve ações utilizando-se de técnicas psicológicas contribuindo em nível
individual, para realização pessoal e melhoria do desempenho do esportista e em
nível grupal, favorecendo a otimização das relações entre esportistas, pessoal
técnico e dirigentes.
3- Realiza atendimento individual ou em grupo de esportistas, visando a preparação
psicológica no desempenho da atividade física em geral.
4- Acompanha, assessora e observa o comportamento dos esportistas, visando o
estudo das variáveis psicológicas que interferem no desempenho de suas atividades
específicas(treinos, torneios e competições).
5- Orienta pais ou responsáveis visando facilitar o acompanhamento e o
desenvolvimento dos esportistas.
6- Realiza atendimento individual ou em grupo com esportista, visando a preparação
psicológica no desempenho da atividade física em geral.
7- Realiza estudos e pesquisas individualmente ou em equipe multidisciplinar,
visando o conhecimento teórico-prático do comportamento dos esportistas,
dirigentes e públicos no contexto da atividade esportiva.
8- Elabora e participa de programas e estudos educacionais, recreativos e de
reabilitação física orientando a efetivação de um trabalho de caráter profilático ou
corretivo, visando o bem-estar dos indivíduos.
9- Colabora para a compreensão e mudança, se necessário do comportamento de
educadores no processo de ensino-aprendizagem e nas relações inter intra pessoais
que ocorrem no ambiente esportivo.
10- Elabora e emite pareceres sobre aspectos psicológicos envolvidos na situação
esportiva, quando solicitado.
11- Encaminha o esportista a atendimento clínico quando houver necessidade de
uma intervenção psicológica que transcenda as atividades esportivas.
12- Ministrar aulas de psicologia no esporte em cursos de psicologia e educação
física, oportunizando a formação necessária a estes profissionais, a prática das
atividades esportivas e seus aspectos psicológicos.

Psicólogo Social
Introdução
O psicólogo social é aquele que entende o sujeito desde uma perspectiva histórica
considerando a permanente integração entre indivíduo e o social. Neste sentido
operar como psicólogo social significa desenvolver um trabalho desde esta
perspectiva de homem e da sociedade, possibilitando atuar em qualquer área da
Psicologia.

Detalhamento das Atribuições


1- Promove estudos sobre características psicossociais de grupos étnicos,
religiosos, classes e segmentos sociais nacionais, culturais, intra e interculturais.
2- Atua junto a organizações comunitárias, em equipe multiprofissional no
diagnóstico, planejamento, execução e avaliação de programas comunitários, no
âmbito da saúde, lazer, educação, trabalho e segurança.
3- Assessora órgãos públicos e particulares, organizações de objetivos políticos ou
comunitários, na elaboração e implementação de programas de mudança de caráter
social e técnico, em situações planejadas ou não.
4- Atua junto aos meios de comunicação, assessorando quanto aos aspectos
psicológicos nas técnicas de comunicação e propaganda.
5- Pesquisa, analisa e estuda variáveis psicológicas que influenciam o
comportamento do consumidor.

Professor de Psicologia (Ensino de 2º Grau)


Detalhamento das Atribuições
1- Leciona Psicologia em cursos de 2º grau selecionando nos vários campos da
Psicologia, os conteúdos teórico-práticos pertinentes aos objetivos do curso em que
insere a disciplina, transmitindo-os através de técnicas didáticas, para proporcionar
aos alunos condições de compreensão e utilização dos conhecimentos gerados pela
ciência psicológica.
2- É especializado em ministrar aulas de Psicologia, devendo Ter como habilitação
mínima a licenciatura em Psicologia.

Professor de Psicologia (Ensino Superior)


Detalhamento das Atribuições
1- Leciona Psicologia em cursos superiores selecionando, nos vários campos da
Psicologia, os conteúdos teórico-práticos pertinentes aos objetivos do curso em que
se insere a disciplina, transmitindo-os através de técnicas didáticas adequadas de
forma a possibilitar aos alunos a compreensão e utilização de conhecimentos
psicológicos.
2- Ministra aulas de Psicologia, tanto para o curso de psicólogos, como para a
formação de outros profissionais de nível superior que demandam conhecimentos
técnicos-científicos de Psicologia.
3- No caso de lecionar disciplinas do Curriculum dos cursos de Psicologia, transmite
o corpo de conhecimento da Psicologia e seu processo de construção ao longo da
história: informa cerca do desenvolvimento de instrumentos e técnicas psicológicas e
suas aplicações nas diversas áreas de atuação do psicólogo; informa acerca dos
conhecimentos e práticas que caracterizam a atuação do psicólogo; informa acerca
dos conhecimentos e práticas que caracterizam a atuação do psicólogo nas diversas
áreas de aplicação das ciências humanas, como por exemplo no trabalho, na saúde,
na educação, na justiça e nas comunidades, e supervisiona os estágios curriculares.
4- Deve também propiciar condições necessárias ao desenvolvimento de atitude
científica, análise crítica e postura ético-profissional do aluno.
5- Deve Ter habilitação mínima de bacharel em Psicologia ou grau de Psicólogo.
6- Supervisiona estágios, curriculares (atuação prática) dos alunos, no âmbito
interno e externo da instituição de ensino universitário.

Vale ressaltar também que o psicólogo desempenha suas funções e tarefas


profissionais individualmente e em equipes multiprofissionais, em instituições
privadas ou públicas, em organizações sociais formais ou informais, atuando em:
hospitais, ambulatórios, centros e postos de saúde (Psicologia Hospitalar).
ESTUDO DA PERSONALIDADE

Personalidade é um tema complexo. Conceituá-la de modo útil e


compreensivo é uma difícil tarefa para os estudiosos do assunto. Sabemos que não
há duas personalidades idênticas como não existem duas pessoas idênticas,
embora muitas pessoas possuam traços em comum. A personalidade é temporal,
pertence a uma pessoa que nasce, vive e morre.
Por personalidade queremos significar a multiplicidade de emoções,
comportamentos e atitudes que caracterizam cada pessoa, distinguindo-as umas
das outras.
A partir da perspectiva da teoria da aprendizagem tradicional, a
personalidade é modelada à medida que os pais aprovam ou punem as atitudes
espontâneas dos filhos. Os behavioristas propunham, por exemplo, que, se os pais
sorrissem e pegassem o bebê a qualquer vislumbre de sorriso, o bebê tornar-se-ia
uma criança- e mais tarde um adulto- feliz. De maneira análoga, se os pais
aborrecem continuamente o bebê, tirando, por exemplo, o bico quando o bebê está
mamando feliz ou puxando de brincadeira um brinquedo favorito que uma criança
maior está agarrando, essa criança desenvolverá uma natureza desconfiada e
possessiva.
Os teóricos mais recentes de tradição behaviorista incorporaram a
aprendizagem social à formação da personalidade; eles descobriram que as
crianças observam e depois imitam características da personalidade dos pais,
mesmo que não sejam diretamente incentivadas a isso. Uma criança pode
desenvolver um temperamento impaciente, por exemplo, se um dos genitores
regularmente demonstrar zanga e, em resposta, receber respeito- ou pelo menos
obediência- dos demais membros da família. A personalidade seria então
aprendida.
As referências sociais reforçam essa aprendizagem pela observação. De
modo geral, se recebem mais sinais de interesse e de estímulo do que de medo e de
proibição à medida que fazem explorações, as crianças tornam-se propensas a
serem mais amistosas e menos agressivas do que seriam se recebessem
mensagens opostas.
Já os teóricos da Psicanálise concluíram que a personalidade do
indivíduo é formada e permanentemente fixada na primeira infância. Freud, que
estabeleceu os fundamentos dessa visão, achava que as experiências dos 4
primeiros anos “desempenham uma parte decisiva na determinação de se e até que
ponto o indivíduo irá fracassar no controle dos problemas reais da vida”.
Ele considerava que a mãe era “única, sem paralelo, estabelecida
inalteravelmente por toda a vida como o primeiro e mais forte objeto de amor e como
protótipo de todas as relações amorosas subsequentes”. Outros teóricos da
psicanálise concordam: os relacionamentos entre mãe e filho nos primeiros meses e
anos são primordiais.
Freud via o desenvolvimento humano em fases psicossexuais (fase oral,
fase anal, fálica, latência, genital e adulta), e podemos observar nas fases oral e
anal o seguinte: Elas são repletas de conflitos potenciais que podem ter
consequências a longo prazo. Se uma mãe frustrar a vontade de mamar do bebê –
digamos, desacostumando-o do seio muito cedo ou impedindo que a criança chupe
os dedos das mãos ou dos pés- ele pode se tornar angustiado e ansioso e
eventualmente transformar-se em uma adulto com uma fixação oral (come, bebe,
mastiga, morde ou fala excessivamente, em busca dos prazeres orais que lhe foram
negados na infância).
De maneira análoga, se o treinamento no urinol for excessivamente estrito
ou se for realizado antes que a criança tenha maturidade suficiente para participar, a
interação entre os pais e a criança pode resultar em um conflito relativo a resistência
ou incapacidade da criança em concordar. Esse conflito também pode ter
consequências importantes para a futura personalidade da criança. A criança torna-
se fixada e desenvolve uma personalidade anal; quando adulta, pode procurar
controlar a si mesma e ás outras pessoas e demonstrar uma necessidade de
regularidade fora do comum em todos os aspectos da vida. Esta é uma hipótese
relativa a influências, mas que não foi comprovada pelas pesquisas.
Cada indivíduo tem sua história pessoal e esta é a unidade básica a ser
levada em conta no estudo da personalidade.
Na história pessoal devemos considerar: os dados biopsicológicos
herdados; o meio isto é, as condições ambientais, sociais e culturais nas quais os
indivíduos se desenvolvem; os dados adquiridos na interação hereditariedade –
meio; as características e condições de funcionamento do indivíduo nessa interação,
possibilitando previsões a respeito do seu comportamento em situações futuras.
Considerando-se a personalidade como a unidade individual que se
desenvolve em um determinado meio, toda manifestação daquela, sob a forma de
diferentes tipos de comportamento, resulta de experiências passadas e de estímulos
atuais do meio.

Personalidade é a resultante psicofísica da


interação da hereditariedade com o meio, manifestada
através do comportamento, cujas características são
peculiares a cada pessoa.

Seja qual for a fase do desenvolvimento, a personalidade apoia-se na


estrutura física do indivíduo, a qual chamamos constituição. Nesta há um conjunto
de características individuais hereditárias que podem ou não se desenvolver nas
interações com o meio.

 Temperamento é a tendência herdada do indivíduo para reagir ao


meio de maneira peculiar. Assim, desde o nascimento, entre os
indivíduos verificam-se diferentes limiares de sensibilidade frente
aos estímulos internos ou externos, diferenças no tom afetivo
predominante, variações no ritmo, intensidade e periodicidade dos
fenômenos neurovegetativos (que funciona involuntariamente ou
inconscientemente).

 Caráter é o conjunto de formas comportamentais mais elaboradas


e determinadas pelas influências ambientais, sociais e culturais,
que o indivíduo usa para adaptar-se ao meio. Ao contrário do
temperamento, o caráter é predominante volitivo (depende da
vontade) e intencional. Entretanto, de modo geral, temperamento e
caráter estão intimamente associados, podendo estar tão
imbricados que se torna difícil sua distinção.

A distinção entre temperamento e personalidade é uma questão de tempo


e de complexidade. O temperamento compõe-se de tendências básicas, que se
tornam manifestas ainda cedo na vida, e são o fundamento (“da base
constitucional”) das posteriores diferenças de personalidade. Assim, se a aceitação
de riscos é uma tendência do temperamento, a personalidade de um indivíduo com
essa tendência pode incluir a propensão para o jogo, para falar de maneira rude,
para procurar desafios físicos (como escalar montanhas) ou mudar de emprego com
frequência.
As pesquisas atuais confirmam que as crianças nascem com
temperamento definido e distinto, e que é de origem genética e afeta a futura
personalidade.
Por fim, Personalidade é a interação dos aspectos físicos,
temperamentais e caracterológicos.

DESENVOLVIMENTO HUMANO:

 Desenvolvimento:
Consiste num processo de evolução, diferenciação e integração, em que o
indivíduo progride das fases inferiores e primitivas para as mais avançadas. Ele
vai organizando sistemas de relação com o ambiente, fixando hábitos,
desenvolvendo motivos, interesses, sentimentos, preconceitos, aspirações, etc.

 Ciclos ou Fases de Desenvolvimento


Pré-natal
1ª infância
2ª Infância
3ª Infância
Adolescência
O jovem adulto
Meia-idade
Terceira Idade

CRESCIMENTO x DESENVOLVIMENTO

 Crescimento: aspectos físicos(estatura,peso...),é quantitativo.


 Desenvolvimento: aspectos psicossociais, cognitivos, afetivos, motores.

MATURAÇÃO x MATURIDADE
 Maturação: aspectos estruturais, biológicos.
 Maturidade: aspectos emocionais, sociais.

Teoria Psicanalítica

REPRESENTANTES: Sigmund Freud (teoria psicossexual); Erik Erikson (teoria


psiccossocial) e Jean Baker Miller (teoria Relacional).

CONCEPÇÃO DE SER HUMANO: Ser constituído a partir de registros


inconscientes, movido em grande parte por impulsos e motivos intrínsecos (pulsões
inconscientes), e estruturado em 3 instâncias psíquicas. (determinado
intrapsiquicamente).

CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO: Se dá através de mudanças qualitativas


relacionadas com as forças inconscientes que motivam o comportamento.

Teoria da Aprendizagem

REPRESENTANTES: Pavlov, Skinner e Watson.

CONCEPÇÃO DE SER HUMANO: Uma totalidade composta de 3 variáveis distintas


(filogênese, ontogênese e história das práticas culturais), modelado a partir das
contingências em vigor. (determinado externamente), capaz de aprender
comportamentos por reforços e modelagens.

CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO: É histórico, mediado pelas contingências,


verifica-se pela aquisição de novos padrões comportamentais, através de
condicionamentos ou observação de comportamento de outros, e desenvolvimento
de habilidades que se dá a partir da aprendizagem na interação com o meio, sem
desconsiderar a filogênese.
Aspectos do Desenvolvimento

O estudo do desenvolvimento humano é complicado pelo fato de que a


mudança e a estabilidade ocorrem em diversos aspectos da pessoa. Para simplificar
a discussão, os cientistas do desenvolvimento falam de modo distinto sobre
desenvolvimento físico, desenvolvimento cognitivo e desenvolvimento
psicossocial. Na verdade, contudo, esses aspectos ou domínios do
desenvolvimento estão interligados. Durante toda a vida, cada um deles influencia
os outros.
O crescimento do corpo e do cérebro, das capacidades sensórias, das
habilidades motoras e da saúde são parte do desenvolvimento físico e podem
influenciar outros aspectos do desenvolvimento. Por exemplo, uma criança com
frequentes infecções de ouvido pode desenvolver a linguagem mais lentamente do
que uma criança sem esse problema.
Durante a puberdade, as mudanças fisiológicas e hormonais dramáticas
afetam o desenvolvimento do senso de identidade. Em alguns adultos mais velhos,
mudanças físicas no cérebro podem levar à deterioração do intelecto e da
personalidade. A mudança e a estabilidade nas capacidades mentais, como
aprendizagem memória, linguagem, pensamento, julgamento moral e criatividade
constituem o desenvolvimento cognitivo. Elas estão intimamente relacionadas ao
crescimento físico e emocional. A capacidade de falar depende do desenvolvimento
físico da boca e do cérebro. Uma criança que tem dificuldade para se expressar com
palavras pode provocar reações negativas nos outros, o que influencia sua
popularidade e seu senso de valor próprio.
A mudança e a estabilidade na personalidade e nos relacionamentos
sociais constituem juntos o desenvolvimento psicossocial, o qual pode influenciar o
funcionamento cognitivo e físico. Por exemplo, a ansiedade pode prejudicar o
desempenho em uma prova. O apoio social pode ajudar as pessoas a lidar com os
efeitos potencialmente negativos do estresse sobre a saúde física e mental.
Inversamente, as capacidades física e cognitiva podem influenciar o
desenvolvimento psicossocial. Elas contribuem muito para a autoestima e podem
afetar a aceitação social e a escolha profissional.
Embora examinemos separadamente o desenvolvimento físico, cognitivo e
psicossocial, uma pessoa é mais do que um conjunto de partes isoladas. O
desenvolvimento é um processo unificado.

 Três domínios predominantes do desenvolvimento humano


 Desenvolvimento Biossocial: inclui o cérebro e o corpo, bem como as
modificações que neles ocorrem e as influências sociais e culturais que as
direcionam. Inclui todo crescimento e as modificações que ocorrem no corpo
de uma pessoa, além dos fatores genéticos, nutricionais e de saúde que
afetam esse crescimento e tais modificações. As habilidades motoras também
fazem parte do domínio biossocial.
 Desenvolvimento Cognitivo: inclui os processos do pensamento, as
aptidões de percepção e o domínio da linguagem, além das instituições de
ensino que os estimulam. Inclui todos os processos mentais utilizados para
obtermos conhecimento ou para nos tornarmos conscientes do ambiente;
 Desenvolvimento Psicossocial: inclui as emoções, a personalidade e as
relações interpessoais com os membros da família, com os amigos e com a
comunidade em geral. Inclui o desenvolvimento das emoções, do
temperamento e das habilidades sociais.

Os 3 domínios predominantes são importantes em todas as idades.


Ex: Conhecer uma criança implica estudar:
 Sua saúde (domínio biossocial);
 Sua curiosidade (domínio cognitivo);
 Seu temperamento (domínio psicossocial).

Além disso, podemos afirmar que:

O desenvolvimento é vitalício. Cada período do tempo de vida é influenciado pelo


que aconteceu antes e irá afetar o que está por vir. Cada período tem suas próprias
características e um valor sem igual; nenhum é mais ou menos importante do que
qualquer outro.

• O desenvolvimento depende de história e contexto. Cada pessoa desenvolve-


se dentro de um conjunto específico de circunstâncias ou condições definidas por
tempo e lugar. Os seres humanos influenciam seu contexto histórico e social e são
influenciados por eles. Eles não apenas respondem a seus ambientes físicos e
sociais, mas também interagem com eles e os mudam.

• O desenvolvimento é multidimensional e multidirecional. O desenvolvimento


durante toda a vida envolve um equilíbrio entre crescimento e declínio. Quando as
pessoas ganham em um aspecto, podem perder em outro, e em taxas variáveis. As
crianças crescem sobretudo em uma direção - para cima- tanto em tamanho como
em habilidades. Na idade adulta, o equilíbrio muda gradualmente. Algumas
capacidades, como vocabulário, continuam aumentando; outras, como a capacidade
de resolver problemas desconhecidos, podem diminuir; alguns novos atributos,
como perícia, podem aparecer. As pessoas procuram maximizar ganhos e minimizar
perdas aprendendo a administrá-las ou compensá-las.

• O desenvolvimento é flexível ou plástico. Plasticidade significa capacidade de


modificação do desempenho. Muitas capacidades, como memória, força e
persistência, podem ser significativamente aperfeiçoadas com treinamento e prática,
mesmo em idade avançada. Entretanto nem mesmo as crianças são infinitamente
flexíveis; o potencial para mudança tem limites. O desenvolvimento humano é muito
complexo, e por isso seu estudo exige uma parceria entre estudiosos de muitas
disciplinas, incluindo psicologia, psiquiatria, sociologia, antropologia, biologia,
genética (o estudo das características herdadas), ciência da família (o estudo
interdisciplinar das relações familiares), educação, história, filosofia e medicina.

Fatores que influenciam o desenvolvimento

 Idade (período do desenvolvimento: primeira infância (0 a 2 anos); anos da


educação infantil (2 a 6 anos); anos do ensino fundamental (6 a 12 anos); da
adolescência (até o final da 2ª década da vida); da maturidade (a partir dos 20
até os 65 ou 70 anos) e da velhice ( a partir de 65 a 70 anos);

 Maturação (plano biológico, características da espécie – genoma humano


que inclui plano maturativo do nascimento até a morte);
 Cultura (inclui o plano de socialização específico dessa cultura);

 Momento histórico (em que está acontecendo o desenvolvimento humano


no interior de uma determinada cultura, incluindo normas, estilos de vida, etc);

 Grupo social (ao qual se pertence, incluindo estilos de relação, acesso a


experiências, etc.);

 Traços e características do indivíduo (incluindo genótipo, idade e contextos


individuais de desenvolvimento).

Modelo biomédico x Modelo biopsicossocial

 O modelo biomédico

A concepção do universo visto como um sistema mecânico também


respingou na concepção de homem que, visto da mesma forma, foi tratado como tal
pelos médicos, ou seja, o homem funciona como uma máquina e, quando está
doente, é por que esta máquina está avariada, logo podemos inferir o conceito de
saúde para esse modelo.
Para o modelo biomédico, a doença é encarada como um defeito
mecânico (avaria na máquina temporal ou permanente) localizável numa máquina
física e bioquímica. Este defeito pode ser reparado por meio de meios físicos
(cirurgia) ou químicos (farmacologia). A parte doente pode ser tratada isolada de
todo o resto do corpo. Assim, a cura equivale à reparação da máquina.
Vendo o homem como uma máquina, tendo o conceito de saúde de que é
ausência de doença e tendendo-se para a especialização e fragmentação, perde-se
a visão holística do homem, em suas dimensões psicológicas e sociais. É a doença
e sua cura, o diagnóstico individual e o tratamento, o processo fisiopatológico que
ganham espaço (Cutolo, 2006).
Até hoje o modelo biomédico influencia na atenção à saúde, seja em
consultórios médicos ou no SUS, sendo visto pela forma como o médico faz sua
entrevista e observação clínica ao atender um paciente, focando principalmente nos
seus sinais e sintomas.
O que interessa seria então os fenômenos observáveis, e por assim dizer,
o corpo, ficando desta forma o homem reduzido aos seus aspectos biológicos ou
orgânicos, e assim todos os outros aspectos são negligenciados.
De acordo com o modelo biomédico, uma pessoa está bem com a
saúde mental quando existe ausência de doença. Essa visão reducionista biológica
tem sido fortemente criticada a partir dos anos 70 do séc. XX.

 O modelo biopsicossocial

O homem moderno deve ser entendido sob um aspecto


biopsicossocial. Toda história de vida deve ser analisada sob influências biológicas,
psicológicas e sociais, aspectos esse que são interligados.
O homem recebe influências do seu organismo internamente (genética,
vírus, bactérias, doenças congênitas, defeitos estruturais), da sua percepção própria,
experiências e vivências de mundo (ações, pensamentos e sentimentos) e da sua
interação com os diversos grupos (família, amigos), a sociedade e sua cultura.
Também o homem biopsicossocial recebe diferentes influências do meio
ao longo de sua vida. Muitas áreas são importantes para a análise do
comportamento humano, tais como: afetiva, familiar, conjugal, sexual, interpessoal
(amizades), lazer, social, escolar, religiosa, trabalho, biológica (doenças), ambiente
cultural, questões morais, regras sociais, costumes.
A doença não é somente unicausal como visto no modelo biomédico, mas
é vista como um resultado da interação de mecanismos celulares, teciduais,
organísmicos, interpessoais e ambientais (Fava & Sonino, 2008) e também da crítica
de que a relação saúde-doença é um processo, portanto sem ponto fixo, mas sim
um estado.
Ao pensar desta forma, garante-se uma visão holística do sujeito em suas
relações e em seu estado emocional, porém sem negar o biológico, onde a maioria
das doenças se manifesta, até por que, como o nome diz é BIO (da biologia ou
biológico), PSICO (de psicológico) e SOCIAL, ou seja, engloba todas as dimensões
científicas inerentes ao homem.
“O foco neste modelo não é apenas a doença em si e o tratamento delas,
mas todos os aspectos que estariam diretamente relacionados ao fenômeno do
adoecer, sejam eles fisiológicos, psicológicos, sociais, ambientais, dentre outros, os
quais também devem ser considerados para que o tratamento seja eficaz” (Silva et
al. 2011).

UNIDADE II: O SER HUMANO E AS RELAÇÕES HUMANAS

• RELAÇÕES HUMANAS

Relacionamentos Humanos existem desde a concepção, pois o homem


relaciona-se com seus pares permanentemente. Porém, na maioria das vezes, este
mesmo homem tem inúmeros entraves e sérias dificuldades no que diz respeito a
relacionar-se, a conviver trocando experiências de forma saudável e enriquecedora.
Geralmente, tanto em sua vida pessoal, quanto em um ambiente de
trabalho, os conflitos, competições, intrigas, insatisfações se fazem presentes. É
imprescindível, uma avaliação pessoal a fim de que se desenvolvam as habilidades
necessárias para uma melhor convivência, gerando satisfação e qualidade de vida
para o indivíduo e os que o cercam. Desenvolver estas habilidades é se tornar
competente no que se refere ao trato com o outro e consigo mesmo.
A pessoa que tem um bom relacionamento obtém melhores resultados
profissionais, contribuindo para a existência de um clima de harmonia; amenizando
os atritos eventuais, resultantes dos contatos humanos. A finalidade das Relações
Humanas é proporcionar condições favoráveis de comunicação e conhecimento
entre as pessoas, propiciando entre outros aspectos:

 O fortalecimento satisfatório do relacionamento entre os homens;


 O desenvolvimento de uma consciência pessoal e grupal,
direcionada para relações mais verdadeiras, realistas e agradáveis;

 A prevenção de mal entendidos, proporcionando melhor


comunicação;

 O despertar do homem para uma auto-análise;

 O entendimento da personalidade das pessoas e sua adaptação à


vida social.

Tipos de Relacionamento

Existem dois níveis de relacionamento humano:


1. Relacionamento Intrapessoal – relação consigo mesmo
2. Relacionamento Interpessoal – relação com o outro

Intrapessoal resulta do conhecimento que se tem de si mesmo, e de


quanto este conhecimento é facilitador no estabelecimento de relações interpessoais
qualitativas, para viver de maneira harmônica, equilibrada, de modo a entender cada
estímulo, reação e atitudes dos seus semelhantes. O relacionamento intrapessoal
determina a qualidade dos convívios sociais de um indivíduo e está centrado na
seguinte questão: quem sou eu? Para entender melhor o relacionamento
intrapessoal, pense por alguns instantes, nas perguntas que seguem:

 Quem sou eu?


 Eu me conheço realmente?
 Sou amigo de mim mesmo? Como?
 Como me relaciono comigo mesmo? (Como me vejo nas minhas fotos, no
espelho, quando falo de mim? Do que falo mais prazerosamente?).
 Sei me controlar? Por quê? Quando me controlo? Quais situações me
descontrolam? Sempre? Ou quase Sempre? Ou nunca?
 Sou uma pessoa madura? Administro adequadamente minhas emoções,
afetos ou sentimentos?
 Minhas vontades, desejos, afetos, sentimentos, aspirações, ideias, fantasias
são possíveis? Socialmente aceitos como normais?
 Tenho complexos (psicológicos), conflitos, bloqueios íntimos e pessoais?
Quais?
 Sexualmente, como me sinto? Completo, imaturo, equilibrado, satisfeito,
Bem? Por quê?
 Profissionalmente, como me vejo? É o que eu queria? Estou satisfeito? O que
fazer?
 Intelectualmente, qual a minha nota? Leio? Estudo? Informo-me?
 Interesso-me por assuntos novos? Expresso-me corretamente e com
desenvoltura?
 Sou autêntico? Verdadeiro? Honesto? Confiável? Ou Orgulhoso?
 Prepotente? Ambicioso? Aumento as coisas?
 Sou sociável? Respeito o outro? Como? Em Quais ocasiões sou antissocial?
 Como vejo minha família e parentela? (pai, mãe, irmãos, filhos, esposa (o)).
 Vivo; apenas convivo, ou sobrevivo?

As perguntas acima permitem o autoconhecimento. O conjunto de todas


as respostas a todas as perguntas feitas define a maneira de ser de cada um. É o
que chamamos de relacionamento intrapessoal, isto é, como eu me relaciono
comigo mesmo.
Relações interpessoais consistem no estabelecimento e manutenção dos
contatos entre as pessoas. Diz respeito à percepção do outro e ao relacionamento
que é estabelecido com ele nas mais diferentes formas, situações e locais. Cada um
traz dentro de si um conjunto de regras e valores, recebido ao longo da vida, quer
consciente ou inconscientemente, fruto das relações com os diversos grupos sociais
a que pertencem.
Assim, as pessoas possuem características próprias, de personalidade,
de individualidade, aspirações, valores, atitudes, motivações e objetivos individuais,
bem como, dotados de habilidades, capacidades, destrezas, etc. Para um melhor
relacionamento é necessário:

o Conhecer a si mesmo;
o Ter percepção do outro;
o Saber se comunicar

Dale Carnegie em seu livro “Como Fazer Amigos & Influenciar Pessoas”, apresenta
alguns princípios que são fundamentais para o desenvolvimento de um bom
relacionamento interpessoal, entre eles:

o Mostre interesse pelas outras pessoas;


o Sorria;
o Lembre-se do nome das pessoas;
o Seja um bom ouvinte;
o Fale sobre o que interessa à outra pessoa;
o Faça as pessoas se sentirem importantes;
o Reconheça seu erro;
o Não critique os erros, valorize os acertos;
o Critique as ações, não as pessoas.
o Não imponha opiniões, envolva as pessoas;
o Veja as coisas sob o ponto de vista da outra pessoa;
o Elogie as pessoas;

Para estabelecer um bom relacionamento com o outro, é preciso estar


bem consigo mesmo.

 HABILIDADES NECESSÁRIAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA


COMPETÊNCIA INTERPESSOAL

Autoconhecimento

Conhecer a si mesmo, construir uma autoimagem o mais próxima possível da


realidade, são condições que permitem ao homem, enquanto sujeito, viver uma vida
mais saudável e equilibrada. O autoconhecimento exige uma disponibilidade pessoal
de reflexão das e nas ações cotidianas.
O conhecimento de nossas potencialidades e limitações, é fundamental. Temos
limites que precisam ser superados, ao mesmo tempo que não somos onipotentes e
infalíveis.
 Importante estar atento às emoções que sentimos ao estarmos junto do outro
e as emoções que o outro sente ao estar junto de nós;
 Cuidado com os estereótipos que mantemos ao cuidar, que criamos ao longo
de nossa vida profissional.
 As limitações físicas e fisiológicas que cada um de nós tem;

Por exemplo:
Quando estamos cansados, a chance de sermos mais desatentos a essa linguagem
aumenta;
Quando estamos às vésperas de férias, a chance de sermos mais rudes com as
pessoas aumenta;

Essas limitações fazem parte do aprender a como viver com as pessoas.

Autoestima

Pessoas que se sentem satisfeitas consigo mesmas são mais motivadas, produtivas
e criativas. Envolve-se mais na solução de problemas, aproveitando oportunidades e
enfrentando desafios, além de possuírem maior facilidade de trabalhar em equipe.
Sentem-se seguras para doar seus sentimentos e recebem com mais naturalidade
os sentimentos dos que as cercam. Todas essas características são consequência
da capacidade da própria pessoa em aumentar, valorizar e manter sua autoestima.

Autoestima significa amar e valorizar a si mesmo, de verdade.


Autoestima é aceitação de si mesmo, procurando melhorar-se.
A autoestima está ligada a uma imagem saudável que reflete uma pessoa
forte, vibrante e cheia de energia.
As pessoas com baixa autoestima normalmente têm uma autoimagem
negativa que pode gerar:

o Falta de aproveitamento das oportunidades pela fantasia constante de que as


coisas serão feitas “amanhã”.
o Perfeccionismo_ uma obsessão com a aparência ou uma necessidade de
sempre fazer as coisas da maneira “certa”.
o Comunicação de uma autoimagem negativa através de uma linguagem
corporal inadequada.

 EMPATIA

Empatia é uma condição psicológica que permite a uma pessoa sentir o


que sentiria caso estivesse na situação e circunstância experimentada por outra
pessoa. E é isso mesmo. Ver o mundo com os olhos de nosso interlocutor. Inclusive
ver a nós mesmos. Empatia é olhar com o olhar do outro, é considerar a
possibilidade de uma perspectiva diferente da sua. A falta de empatia é
desconsideração, é não permitir diferentes percepções. Desconsidera a pessoa em
si, os seus valores, o seu sistema de crenças ou os seus desejos. Não há, com toda
segurança, duas pessoas com a mesma impressão digital, com as mesmas
características da íris ou mesmo com o mesmo registro de eletrocardiograma.
Da mesma forma, não há duas pessoas que vejam o mundo, com a
imensidão de detalhes que fazem parte dele, exatamente da mesma maneira. Ser
empático não é ser simpático. A simpatia pressupõe solidariedade, a empatia
pressupõe compreensão. A simpatia cria um envolvimento emocional, que pode
prejudicar o julgamento. A empatia estabelece comunicação eficiente. Quando não
se cria empatia em uma relação, não há verdadeiramente um diálogo, e sim dois
monólogos ocorrendo simultaneamente. Vários estudos têm apontado os efeitos
positivos da empatia, dentre os quais se incluem:

• Redução de problemas emocionais e psicossomáticos em amigos e familiares


(Burleson, 1985);
• Efeitos interpessoais mais positivos do que a auto-revelação (Brems, Fromme
& Johnson, 1992);
• Ajustamento e satisfação conjugal (Davis & Oathout, 1987; Ickes & Simpson,
1997; Long & Andrews, 1990),
• Redução do conflito social e do rompimento de relações íntimas (Davis,
1983).

UNIDADE III: A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES HUMANAS.

 COMUNICAÇÃO

Na convivência humana o principal instrumento de acesso ao outro é a


comunicação, seja ela verbal, visual ou sinestésica (de contato). O homem já nasce
se comunicando e o choro é a primeira manifestação de comunicação, contudo,
esse dom inato nem sempre conduz ao estabelecimento de relações interpessoais
qualitativas, conforme afirmou Foucalt, “a linguagem fornece a senha para a entrada
no mundo humano”.
Comunicação é a ocorrência de uma resposta dada por um ser a um
determinado estímulo. Ocorre quando qualquer tipo de estímulo (visual, sonoro,
olfativo, etc.) enviado por uma pessoa vai ao encontro de outra pessoa e esta faz
algo a este respeito; ou seja, compreende e dá uma resposta ao estímulo recebido.
Caso este não seja compreendido, não há comunicação.
Porém, para que qualquer ato seja comunicativo, deve-se basear num
código comum de significado. Logo, os indivíduos em processo de comunicação
devem compartilhar os mesmos símbolos e convenções, caso contrário não poderão
se comunicar de forma alguma. Vive-se a era da informação em um mundo de
constantes transformações e hoje, de forma mais intensa e rápida em virtude do
avanço da tecnologia, as organizações viverão ou morrerão, dependendo da
habilidade que tiverem para processar dados, transformá-los, distribuí-los
adequadamente e usá-los com rapidez para tomar decisões.
Nesta era, a comunicação interpessoal, que é basicamente o processo de
troca de informações, tem um papel crucial, uma vez que é fundamental na vida de
uma empresa. Porém, a quantidade de barreiras impedindo o fluxo de informações é
enorme, pois elas afetam igualmente a transmissão e a recepção de mensagens.
Barreiras que podem distorcer a comunicação:

o Rótulos ou estereótipos - distorcer a percepção das coisas e pessoas,


criando uma imagem falsa e “real”;
o Generalizações - a partir de uma impressão, positiva ou não, ampliá-la
para outras avaliações, julgamentos, ou juízos de valor sobre as pessoas;
o Projeção- mecanismo de defesa, onde a pessoa tende a atribuir (de
forma inconsciente), ao outro aquilo que rejeita em si mesma;
o Defesa perceptual - ocorre quando o observador distorce as
informações;

As organizações seriam mais eficazes com funcionários francos e diretos


pois quanto mais cedo o problema for revelado, diagnosticado e corrigido, melhor
para todos. Porém, seria demais esperar uma franqueza imperando na cultura
organizacional, uma vez que esta depende da confiança e da abertura existentes e,
nas organizações hierárquicas, a confiança e a abertura têm limites naturais
restritos. Desta forma, tornam-se cada vez mais necessárias a preocupação e a
ação de transformar as empresas de hoje, num espaço aberto à troca de
informações através de uma comunicação interpessoal autêntica, verdadeira,
geradora de resultados produtivos e promissores para todos os envolvidos no
processo e que promova, acima de tudo, um relacionamento de confiança e de
parceria onde a visão de união seja sinônimo de troca e de crescimento pessoal,
profissional, grupal e organizacional.

Dicas que facilitam a comunicação:

o Identificar a pessoa pelo seu próprio nome;


o Ser prudente com as impressões;
o Transmitir a mensagem com clareza adequada a quem ouve;
o Dar atenção a quem fala, ouvir até o fim;
o Mostrar-se acolhedor e solícito;
o Não falar enquanto ouve. É impossível falar e ouvir ao mesmo tempo;
o Não desviar sua atenção enquanto o outro fala;
o Ser empático;
o Fazer perguntas para esclarecer pontos obscuros;
o Cuidar da postura corporal;
o Praticar as palavras mágicas;
o Adequar a linguagem à situação e pessoa;

Pontos importantes para um atendimento humanizado e uma comunicação


saudável:

 Transmitir segurança:
 Quando explicamos o que estamos fazendo, quando explicamos os passos
do procedimento que será feito.
 Quando nos identificamos por meio de um crachá e nos apresentamos
dizendo o nosso nome.
 O fato de chamá-lo pelo próprio nome o faz se sentir seguro também.

 Cuidado com a forma que os chamamos:


 Não tratar como crianças (pois muitas vezes usa-se terminologias
inadequadas do tipo: “queridinho”, “mãezinha”, “tiazinha”, quando eles podem
se sentir diminuídos nessa situação, já que são adultos).

 Olhar o ser humano e não sua patologia


Não os tratemos como uma patologia, devemos valorizar o que eles têm de positivo,
independente do estado de saúde.

 Contato Visual
Também os valorizamos quando nos aproximamos deles olhando, primeiro, para os
seus rostos e depois para os instrumentos e máquinas, e quando nos aproximamos
olhando para isso e não para os seus rostos estamos dizendo que apenas
cumprimos tarefas e que a tarefa é o nosso foco de interesse, e não eles, enquanto
pessoas.

 O toque
Não existe neutralidade no toque. Todo toque envolve um aspecto afetivo que se
faz presente a partir da maneira como nos aproximamos para tocar, o tempo usado
no contato, o local onde tocamos as pessoas e a pressão que exercemos no
mesmo.

 Atenção ao que é dito


Quantas vezes o profissional interrompe o paciente quando ele está tentando
explicar o que sente ou pensa? Se formos capazes de ouvir a explicação até o final,
sem interrompê-lo, estaremos favorecendo a criação de um vínculo fundamental
para o seu bom cuidado.

 Mensagem que passamos


Quando nos olham, quando observam nossas características físicas, estão
verificando se somos um protótipo de alguém que se cuida para cuidar deles. Então,
quando nos aproximamos, eles esperam que sejamos uma mensagem de higiene,
que representemos o saudável.
Eles, primeiro, nos observam enquanto humanos, verificam nossa coerência,
prestam atenção ao nosso comportamento e a partir dessa mensagem ouvem ou
não o que lhes dizemos.

Assertividade

Nunca o mercado de trabalho valorizou tanto o homem. Há quem diga


que vivemos uma espécie de renascimento corporativo. À parte a competência
técnica, o grande diferencial é a atitude humana. A consciência disso trouxe uma
avalanche de treinamentos comportamentais: capacidade de liderança,
administração de conflitos, habilidade para o trabalho em equipe, entre outros.
Contudo, já há nessa extensa lista ferramentas mais focadas na atitude
individual, como a capacidade de ser assertivo. Uma atitude que faz muita diferença
tanto na dimensão profissional quanto na pessoal. A necessidade de assertividade é
tão latente que os cursos e workshops se multiplicaram no mercado.
Mas, o que é ser assertivo? Nas relações interpessoais, assertividade se
refere a uma amplitude positiva de respostas e de soluções ganha-ganha, nas quais
todos os envolvidos sentem-se confortáveis e comprometidos com os resultados a
serem alcançados. É a habilidade de expressar ideias, opiniões, sentimentos, ao
mesmo tempo em que há uma afirmação de direitos de todos. O comportamento
assertivo é o que torna a pessoa capaz de agir em seu próprio interesse, a se
afirmar sem ansiedade indevida, a expressar sentimentos sinceros sem
constrangimento, ou a exercitar seus próprios direitos sem negar os alheios.
Você é assertivo quando diz "não" quando quer dizer "não" e diz "sim"
quando quer dizer "sim", para uma situação ou pessoa. E é aqui onde se dá o
encontro do profissional e do pessoal. Assertividade é afirmar o seu eu, e, é claro,
afirmar sua autoestima. Em uma tradução bem livre é "fazer a coisa certa". E aqui a
assertividade ganha contornos complexos, pois o comportamento assertivo exige
várias outras habilidades. Para ser assertivo é preciso ser flexível, empático, bom
ouvinte, claro, objetivo, de bem com a vida...
Como de dá essa habilidade no trabalho? Para atender as demandas de
um mercado competitivo e ágil, um profissional deve ter as características do
comportamento assertivo. O comportamento assertivo constrói uma comunicação
interna saudável dentro de uma empresa. Saudável porque as pessoas passam a
encarar os problemas do cotidiano com naturalidade e os resolvem de forma efetiva.
As informações fluem com transparência, na quantidade e qualidade necessárias.
Na vida pessoal, a assertividade traz bem-estar porque a pessoa sente que tem as
rédeas da própria vida em suas mãos. Ela está no controle. Sem contar os efeitos
secundários. A assertividade diminui a necessidade de ter a aprovação obrigatória
de outras pessoas sobre seus atos. Com isso, a pessoa se torna mais autoconfiante
e com sua autoestima equilibrada. Você já se viu numa situação na qual consegue
tomar uma decisão difícil e, em seguida, se sente aliviado e feliz com você mesmo?
Se, para isso, não agrediu o outro por palavras ou ações, você foi assertivo.
Mas por que nem todos são assertivos? Todos sabem que a
transparência é a melhor saída, que a flexibilidade é muito positiva, que a atitude
verdadeira é a mais correta. Enfim, que o correto é dizer "sim" quando se quer dizer
"sim" e dizer "não" quando se quer dizer "não". Então, por que as pessoas não são
assertivas? Porque a falta de assertividade é originada pelo medo da perda. Pode
ser o medo de perder o emprego, de perder o amor do outro, de ser humilhado,
enfim, medo da exclusão. O grau do risco da perda é diretamente proporcional ao
grau de autoestima da pessoa. Assim, se você não está técnica e psicologicamente
preparado para encarar uma situação problema, torna-se um forte candidato a
perder sua assertividade e desenvolver mecanismos de defesa: de ataque ou fuga
do problema. A assertividade está intimamente ligada ao autoconhecimento. Se
você não tem o costume de se perguntar o que quer, por que quer, por que isso é
realmente importante, você não terá certeza se deve ser firme e assertivo em seus
contatos.

Administração de conflitos

Em qualquer grupo, quer seja na família, no trabalho, lazer, etc., pode


haver conflito. Dependendo da forma como as diferenças são abordadas é que
surgem as divergências, falta de cooperação, mal entendidos originados dos ruídos
da comunicação ou mesmo da interação grupal, enfim, os conflitos. O conflito pode
ser uma grande oportunidade para se encontrar alternativas que mantenham a
integração, a cooperação, aprendizagem e desenvolvimento das pessoas na
perspectiva de atingir os seus objetivos e dos grupos a que pertencem, contudo, o
desdobramento mal conduzido poderá ter consequências inversas.

Sinais de conflito:

 Os membros do grupo fazem comentários e sugestões com muita


carga negativa.
 Os membros do grupo atacam as ideias de outros membros antes
que esses tenham acabado de exprimi-las.
 Os membros do grupo acusam uns aos outros de não atenderem
exatamente a questão.
 Os membros do grupo escolhem campos e se recusam a ceder.
 Os membros dos grupos atacam sutilmente uns aos outros, a nível
pessoal.

REAÇÕES DE CONFLITO QUE LEVAM AO SUCESSO


• Um engajamento de energia saudável e direto na resolução do problema.
• Não reagir emocionalmente; fazer um esforço consciente para reagir de uma
maneira racional.

Etapas para resolução dos conflitos:

1 - Reconhecimento de que o conflito existe.


2 - Identificação do verdadeiro conflito.
3 - Escuta atenta de todos os pontos de vista.
4 - Exploração em conjunto das maneiras de resolver o conflito.
5 - Obtenção de acordo para uma solução e sua responsabilidade.
6 - Definição de uma sessão de acompanhamento para analisar a solução.

RESILIÊNCIA

Sempre estivemos em contato com a resiliência, mas ainda não havíamos


percebido este fenômeno que tem sido estudado por especialistas de diversas
áreas. A humanidade sempre passou por tragédias que marcaram suas vidas, tais
como morte dos pais ou de filhos, perda da casa por incêndio ou deslizamentos,
guerras, acidentes, separação dos pais ou do cônjuge, abuso sexual, estupro, dentre
outros. Muitas pessoas que passaram por algumas destas situações conseguiram
refazer a sua vida e seguir em frente ao invés de ficarem se lamentando inertes,
tornarem-se usuários de drogas e álcool ou mesmo chegar ao extremo de
cometerem suicídio. A estas pessoas denominamos de resilientes.
Resiliência é um termo emprestado da engenharia e da física que é
definida nestas áreas como a capacidade de um corpo físico superar uma pressão
voltando ao seu estado original sem ser alterado. Na área de humanas este termo
significa a capacidade que o indivíduo tem de, ao passar por determinada situação
dolorosa, seja em grupo ou individualmente, conseguir se sair bem. Neste caso ele
não voltaria ao seu estado anterior, mas sairia melhorado. As pessoas resilientes
conseguem superar suas dificuldades sem se desesperar ou perder a cabeça. Elas
conseguem pensar mesmo sob enorme pressão buscando soluções para suas
dificuldades Estas pessoas têm sido o grande alvo das empresas, que estão
preferindo contratar e conservar funcionários que saibam lidar com pressões e
frustrações sem se deixarem abater. As empresas estão valorizando cada vez mais
pessoas que conseguem atravessar obstáculos de forma flexível, sem perder a
cabeça, aprendendo com seus erros.
Valorizam o bom humor, o otimismo, a confiança observando que estes
comportamentos também são contagiosos, mas de forma positiva e é isto que
buscam. O resiliente busca no auto conhecimento o equilíbrio necessário para
aprenderem a transformar emoções negativas em positivas. Afirmam também que o
trabalho voluntário é um ótimo aprendizado na medida que observam pessoas em
situações piores que as suas e mesmo assim ainda são capazes de sorrir.
Entretanto, para que haja resiliência não basta que somente a pessoa seja forte o
suficiente para agüentar pressões. Um elástico, mesmo sendo flexível, sob pressões
inadequadas demora, mas um dia se rompe. É preciso reconhecer seus limites e
buscar trabalhá-los, a fim de que se consiga viver de maneira mais satisfatória e
verdadeira, fortalecendo a autenticidade e a qualidade de vida.

ÉTICA

A ética é uma atitude muito particular, vem de dentro, do caráter, da


moral, enfim da personalidade de cada pessoa, portanto, resultante do exercício de
liberdade de cada um. Se cada pessoa começar a refletir sobre a qualidade das
relações que podem construir no ambiente de trabalho, junto aos clientes internos e
externos, certamente a ética e a qualidade de vida estarão fortalecidas, uma vez que
a maior parte do tempo das pessoas é vivido no trabalho.
Contudo, toda e qualquer mudança só acontece a partir do próprio sujeito,
da revisão de suas atitudes, enfim do seu autoconhecimento. Para ilustrar essa
ideia, segue algumas considerações para serem refletidas.

1º - Se chego atrasado, tive um contratempo. Se o outro se atrasa, é um


irresponsável.
2º - Se cometo um ato agressivo, estou com problemas pessoais. Se o outro agride,
é um descontrolado.
3º - Se erro, enganei-me. Se o erro é do outro, ele é incompetente.
4º - Se estou desmotivado, preciso de estímulo. A desmotivação do outro é
preguiça.
5º - Se não entendi um assunto, a comunicação não foi adequada. Quando o outro
não entende, é tolo.
6º - Se não atinjo metas, estou sobrecarregado. Metas não atingidas pelo outro,
indicam falta de comprometimento com resultados.
7º - Meu mau-humor é justificável. O do outro, é incompreensível.
8º - Se não cumprimento minha equipe com um “Bom dia!”, é porque estou distraído.
Se não recebo “Bom dia” dos outros, eles não têm educação.
9º - Se falo uma tolice numa reunião, sou excêntrico. Se o outro se expõe, é ridículo.
10º - Se demoro a dar uma resposta, sou tranquilo. O outro é lento.

TRABALHO EM EQUIPE

Pessoas nascem; equipes são formadas. Ambos doem para valer. Por
quê? Porque apesar da tendência dos seres humanos em pertencer a uma equipe,
não queremos desenraizar nossas vidas e prioridades individuais pelo bem de um
grupo de trabalho qualquer. Logo, existe um conflito entre as metas dos membros
individuais de uma equipe e a meta abrangente da própria equipe. Assim, o Trabalho
eficaz em equipe significa saber manter um equilíbrio constante entre as
necessidades da equipe e as necessidades individuais.
O trabalho em equipe tem sido uma estratégia cada vez mais valorizada
na atualidade, por permitir cooperação e troca entre pessoas de visões, valores e
necessidades diferentes e ao mesmo tempo complementares, utilizando melhor a
competência de cada uma delas.

Vantagens do trabalho em equipe:

 Aumento da motivação das pessoas envolvidas - uma vez que o trabalho


tende a ser menos rotineiro;
 Aumento da produtividade - pela otimização das competências e habilidades
individuais;
 Maior desenvolvimento pessoal e profissional de seus membros - propiciado
pelos desafios multifuncionais.

Compreende-se, o trabalho em Equipe como a chave para o


desenvolvimento das pessoas e das organizações, entretanto, muitas vezes esse
processo torna-se difícil em virtude das diferenças individuais de seus membros,
mas como toda competência, esta pode ser aprendida e aprimorada. A seguir
algumas sugestões para desenvolvê-la:

 Tolerância – saber identificar o momento e a forma certa de apresentar seus


pontos de vista e ter a humildade de reconhecer que, apesar disso, os
resultados passarão pela avaliação do outro;

 Flexibilidade – levar em conta o respeito às diferenças individuais a fim de


que a relação e os resultados sejam produtivos;

 Capacidade de suportar críticas - diferentes pessoas terão certamente


percepções também diferentes, o que poderá gerar críticas, que deverão ser
acolhidas por uma escuta desprovida de sentimentos pessoais, mas como
uma oportunidade de “ver-se” nas situações.

 Timing – cada um por ser único é também singular em seu ritmo e tempo,
quer de entendimento ou mesmo de realização, que certamente é diferente
do seu, mas que merece respeito e incentivo para melhorar.

 Comunicação - o compartilhamento é condição para a qualidade da equipe,


por essa razão, a comunicação precisa ser clara e acessível a todos os
envolvidos no processo, pois o fracasso ou sucesso da mesma é de
responsabilidade de cada um e de todos juntos.

 Administração de conflitos - diferenças geram divergências que se bem


administradas poderão ser oportunidades de revisão de atitudes e
redirecionamento de práticas, enfim aprendizagem. Assim, é importante que
ao lidar com conflitos, sejam discutidas as atitudes não as pessoas.

 Integração e confiança - O sucesso de uma equipe é proporcional ao nível


de integração e alinhamento de seus membros ao objetivo da mesma. Assim,
é fundamental a confiança na proposta e nas pessoas que a desenvolverão.
O PROFISSIONAL INTEIRO

Quando um profissional entra para uma equipe, ele leva junto sua
complexidade, seus conflitos. E têm início os problemas de relacionamento.
Devemos ter sempre em mente que não são partes de um profissional que estão
interagindo num grupo mas sim, este profissional por inteiro e com ele, todas as sua
qualidades e também defeitos. Um indivíduo egoísta, arrogante, mal-humorado,
invejoso, chato, que não é afetivo, incapaz de ouvir, que não conhece as
delicadezas da comunicação humana, dificilmente conseguirá fazer parte de uma
equipe ou ser aceito por ela, por melhores que sejam suas qualidades.
Uma pesquisa feita nos EUA sobre motivos de promoções e demissões
em grandes empresas denuncia: 25% das demissões e das promoções ocorrem por
motivos técnicos, enquanto 75% são por motivos de personalidade. (Revista Ser
Humano. N º 129). Assim, o diferencial competitivo das organizações são as
pessoas, que por sua vez, têm seu diferencial pautado na competência interpessoal,
na capacidade criativa, nas ideias, na iniciativa, na capacidade de motivar-se e
persistir mediante frustrações, controlar impulsos, canalizando emoções para
situações apropriadas, enfim, na capacidade de adaptar-se as novas exigências do
mundo do trabalho, no que Darwin torna-se atualíssimo em dizer com propriedade:
”Só os que se adaptam melhor sobrevivem”.
Convém destacar, que não existem fórmulas mágicas para se estabelecer
relações interpessoais qualitativas e saudáveis, mas é fundamental trabalhar a
atitude de mudança pessoal através de valores e princípios, pois a mudança precisa
iniciar na pessoa que pratica e, de forma sincera. Essa é a diferença de viver a partir
de princípios e valores e viver usando uma técnica.
REFERÊNCIAS
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LEITURAS COMPLEMENTARES:

BAPTISTA, Nuno Jorge Mesquita. “Teorias da personalidade”; Psicologia.pt - O


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