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AGROECOLOGIA

A criação agroecológica tem o animal como sujeito do processo, e


não como objeto / resultado. O objeto / resultado é a carne, leite,
ovos, lã. Na agroecologia a finalidade da produção é o ser humano,
notadamente o(a) agricultor(a), e o centro da produção é o animal
enquanto ser dotado de vontade, sentimento e inteligência. A
agroecologia pressupõe a otimização dos recursos endógenos de
uma unidade de produção ou, melhor ainda, de um território
(região), de forma a que o sistema de produção seja
energeticamente sustentável e não dependa de recursos externos
outros que a Energia Solar.
A agricultura agroecológica tem também sido denominada como
"orgânica", "biológica" ou "ecológica", ou sistemas "que objetivam a
obtenção de agroecossistemas otimizados, os quais sejam social,
ecológica e economicamente sustentáveis".
A sustentabilidade é uma condição da agroecologia e implica,
necessariamente, a associação e a sucessão animal e vegetal. A
base de qualquer sistema de produção agrícola é o solo. A adição
de excremento animal é a única prática agrícola capaz de melhorar
e manter a fertilidade de solos de lavoura.
Na agroecologia se pratica agricultura sob conceitos de rotação e
associação de culturas, plantio direto, redução progressiva até a
ausência do uso de produtos de síntese química, respeito à cultura
campesina, proteção ambiental e da saúde do produtor, qualidade
do alimento produzido e respeito às comunidades rurais e ao bem-
estar dos animais.
Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho
Apresentação

Este material é um dos resultados do Projeto “Processo de


transição na criação animal agroecológica através do uso
de homeopatia e fitoterapia em Assentamentos de
Reforma Agrária”, financiado pelo CNPq e MDA através do
Edital 20/2005, e desenvolvido entre março de 2006 e
setembro de 2007.
Em um dos nossos primeiros encontros com o grupo do
Assentamento Filhos-de-Sepé, que participou do nosso
projeto, colocamos a seguinte questão: “O que é
importante para a produção de leite no assentamento?”.
Entre as respostas, as duas expressões mais citadas foram:
“o consumo” e “o manejo dos animais e da propriedade”.
Esses temas receberam prioridade no nosso projeto e,
dentro deles, o manejo dos animais foi o tema mais
trabalhado durante o nosso projeto.
A questão ambiental, que é a base da produção
agroecológica, não foi lembrada pelos participantes.
Essa não é uma característica dos agricultores do nosso
grupo, mas de muitos daqueles que estão ativamente
envolvidos na introdução da Agroecologia.
A compreensão da influência do ambiente sobre os
sistemas de produção e o seu resultado na produção
animal é a essência da agroecologia. Elaboramos este
material para orientar a discussão sobre a compreensão
das questões ambientais entre técnicos e agricultores.

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Introdução

Este material foi desenvolvido a partir de uma concepção


de produção agroecológica, que considera quatro etapas
de abordagem sobre o assunto, que são:
1)o ambiente no qual está a propriedade;
2)a propriedade, na qual, cada família imprime o seu jeito
de ser, a sua característica, em conformidade com suas
origens e culturas;
3)o sistema de produção utilizado na propriedade;
4)os animais usados na propriedade.
Por ambiente entende-se toda a região onde a
propriedade está, considerando-se o relevo, o clima, ou
seja, as influências da natureza propriamente dita.
Também devem ser considerados os aspectos culturais das
pessoas que lá vivem e trabalham. Agora, por propriedade,
entende-se a área definida pelos seus limites legais com
tudo o que encontramos dentro dela, considerando-se,
inclusive, a sua localização dentro de uma região. Por
sistema de produção, entende-se, aqui nesta cartilha, tudo
o que está relacionado com a produção de leite de
bovinos. E, por animais, os bovinos que fazem parte do
sistema de produção de leite, em cada propriedade. No
caso dos animais, salienta-se a necessidade de
compreensão de características como, por
ie exemplo, o estado de nutrição, a raça, os
Amb nte cruzamentos envolvidos, o
comportamento, além de outras, que
possam ser úteis para o seu manejo
ropriedade adequado.
P
Uma forma de demonstrar a
importância e a abrangência de cada
Sistema etapa é pelo tamanho e posição que
cada uma delas ocupa, na
representação gráfica da figura ao lado.
Animal

2
A propriedade é o ponto principal numa produção
agroecológica, dentro da concepção que
desenvolvemos no projeto. Para que haja a transição do
modelo convencional para o agroecológico é necessário
fazer adequações em toda a propriedade. A produção
de leite é uma atividade que, em geral, envolve um espaço
físico grande da propriedade. Assim, iniciar o processo de
transição pela modificação do sistema de produção de
leite possibilita uma ação mais abrangente na propriedade
e uma alteração no manejo dos animais, que passam a ser
tratados como seres dotados de vontade, sentimento e
inteligência, cuja finalidade é produzir leite para as
pessoas. E não mais como máquinas produtoras.
A agroecologia pressupõe um uso intenso e de bom senso
(racional) dos recursos naturais existentes na propriedade
ou na região, sejam daqueles que foram introduzidos ou
dos que são nativos do lugar. Por exemplo, eucaliptos para
lenha e angico para sombra e alimentação. Deve-se
procurar trabalhar com espécies vegetais e animais que já
estão adaptadas com o ambiente da região. No caso dos
vegetais, é importante procurar ao máximo o uso de
espécies que sempre foram do local, que surgiram ali
(autóctones). No caso dos animais, os indivíduos já
adaptados ao local, independente de raça. A idéia é
depender pouco de qualquer coisa que tenha que vir de
fora da região, seja sementes, fertilizantes, animais, enfim,
tudo o que é considerado insumo.
Outro aspecto importante da agroecologia é que ela deve
ser praticada sempre com a presença simultânea de
animais e vegetais, e que haja, em alguns locais de
produção, a sucessão animal, vegetal, animal, de tal forma
que o solo seja beneficiado por esse sistema de produção.
Pois, o solo é a base de qualquer sistema de produção
agrícola e a adição de excremento animal é a única
prática agrícola capaz de manter e melhorar a fertilidade
de solos de lavoura .
Animais em equilíbrio com o ambiente são saudáveis e
produzem melhor. Isso se obtém assegurando a
manutenção da relação de equilíbrio entre o animal, o

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ambiente e os agentes causadores de
doenças. A manutenção dessa relação
em equilíbrio passa pela organização e
execução de um programa de sanidade,
cujas ações devem ser direcionadas às
situações que possam resultar em
doenças. Por exemplo, o animal deve
dispor de pastagem de qualidade e
quantidade suficiente para que fique
bem nutrido. Outro exemplo, o manejo adequado de
resíduos dos animais - o esterco é um deles - favorece o
controle e a diminuição de doenças. Assim, tanto a
alimentação quanto a destinação de resíduos são as
questões mais importantes na prevenção de doenças.
Os agricultores tem
O ambiente criatório tem que contemplar as necessidades
reconhecido a produção de
leite à pasto em PRV como básicas dos animais, promovendo o bem-estar deles. Assim,
alternativa bem sucedida na os animais devem ser criados em espaços que lhes
transição para a Agroe- permitam liberdade de movimentos, onde o ambiente
cologia. Três motivos garan- esteja adequadamente limpo, com temperatura
tem esse sucesso: a) renda agradável, com sombra, além do acesso fácil à
mensal (do leite) ao produtor
alimentação. No manejo de bovinos em um sistema
a baixo custo; b) disponibiliza
adubo orgânico de alta agroecológico a pastagem é a base da alimentação
qualidade (esterco) para animal. O correto manejo dela é determinante para o
outras culturas e melhora a sucesso da atividade leiteira. O sistema de Pastoreio
fertilidade do solo de pastos; Racional Voisin, o PRV, tem se mostrado o mais rentável
c) o ruminante é um excelente para Assentados e agricultores familiares no Sul do Brasil.
aproveitador / reciclador de
resíduos de outras culturas, Contudo, não basta ter instalações adequadas, que tanto
integrando as diversas podem ser a pastagem quanto as construções para
atividades agrícolas na abrigar ou manejar os animais (centro de ordenha, por
propriedade.
exemplo). É necessário que a gestão de todo o processo de
produção seja apropriada. A gestão do processo
produtivo, onde o planejamento da produção deve
considerar um Potencial de Demanda para estabelecer
um potencial de produção, é extremamente importante.

Potencial de Demanda é um número que expressa a quantidade e as características de produtos possíveis de serem
produzidos na propriedade, de acordo com os interesses de futuros compradores. Por exemplo, numa determinada região
que foi pesquisada, obteve-se que havia uma demanda de 1000 litros de leite e de 15 Kg de queijo, por dia. Ou seja, o Potencial
de Demanda é de 1000 litros de leite e de 15 Kg de queijo, por dia e portanto, o Potencial de Produção também é de 1000 litros
de leite e de 15 Kg de queijo. por dia. Percebe-se, que desta forma de agir, nós procuramos produzir, primeiramente, aquilo
e a quantidade de produtos que serão capazes de serem comprados pelos consumidores da região
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Um dos itens do planejamento da produção diz respeito ao
manejo do sistema de produção. O manejo, além de incluir
as questões relacionadas à prevenção de doenças, deve
também, incluir cuidados com a origem dos animais
utilizados, tanto relacionados à sua procedência (que os
animais não venham de lugares com problemas sanitários,
de preferência) quanto à sua genética.
De um modo geral, a idéia de uma gestão agroecológica
de uma propriedade familiar rural é o que se pretende com
esta cartilha. Neste processo, temos que compreender,
então, que é necessário: 1) uma gestão do ambiente onde
está a propriedade; 2) uma gestão da propriedade; 3) uma
gestão do sistema de produção e 4) uma gestão dos
animais.

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O AMBIENTE
Primeiramente, precisamos conhecer as características do
ambiente da região onde está situada a propriedade, as
ações do homem sobre esse ambiente, e quais são as
características de um ambiente apropriado para a criação
de animais.
Estas são algumas das principais características do
ambiente da região que são importantes observar e
conhecer:
Ÿ A topografia: o relevo é acidentado ou não.
Ÿ O clima: umidade, temperaturas e chuvas durante o
ano, ventos.
Ÿ A água: sua origem, nascentes e cursos.
Ÿ O solo: a cor, a estrutura, o cheiro, a presença de
organismos (minhocas, besouros, pulgas).
Ÿ Os insetos: as espécies, e as situações e épocas do ano
em que mais os encontramos.
Ÿ Os animais silvestres.
Ÿ Os animais domésticos.
Ÿ A vegetação: os tipos e quantidade de plantas, nativas
da região ou introduzidas, e suas utilidades - por
exemplo, alimento para os animais, para as pessoas,
para fazer sombra, para usar nas construções, as plantas
OS ELEMENTOS DO SOLO
  Matéria Orgânica - Qualquer forma de vida que tenha existido e esteja em estado de decomposição é conhecida como matéria
orgânica. Folhas, galhos, animais mortos e muitas outras coisas são matéria orgânica.
  Minerais - Os minerais presentes no solo determinam características especificas, como as espécies que se adaptam nele.

  Ar - Gases são vitais para o crescimento das plantas e a saúde do solo. Eles suportam a vida das raízes e se movimentam pelos
poros do solo, permitindo que a terra respire.
  Água - A água carrega os nutrientes através do solo, chegando até as raízes das plantas.
  Organismos do solo - São a vida no solo, e realizam uma tarefa vital na decomposição de materiais e na transformação deles em
húmus. Estes organismos são divididos em dois grupos:
- Macrorganismos: Insetos, minhocas, nematóides e vertebrados melhoram a estrutura e incorporam matéria orgânica.
- Microorganismos: algas, fungos, bactérias, actinomicetes, protozoários e outros microorganismos realizam um papel
importante na conservação do nitrogênio do ar em partículas solúveis disponíveis para as raízes das plantas. Eles também
geram calor e ajudam na decomposição dos materiais.

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As ações do homem sobre o ambiente também devem ser
identificadas. Algumas delas são:
Ÿ A construção de estradas.
Ÿ A presença de áreas de desmatamento ou de
reflorestamento.
Ÿ As características das lavouras, incluindo: como é feito o
manejo do solo, as plantas que são utilizadas nessas
lavouras, se são de espécie única ou mistas, a escolha
dos insumos para essas lavouras.
Ÿ A introdução de espécies não nativas.
Ÿ Como é feita a destinação de resíduos sólidos e líquidos.
Ÿ Solos lavrados e erosão.
Ÿ A organização espacial da propriedade.
Ambientes adequados para a criação animal devem
proporcionar conforto e bem-estar para os animais.
Como a maioria das raças dos bovinos é originária de
regiões frias do planeta, no nosso caso é adequado que as
áreas de criação tenham sombra proveniente de plantas,
preferencialmente de espécies de árvores e arbustos
nativos da região. Um exemplo é o umbu.
Essas mesmas plantas também devem ser usadas para
proteger a área de criação dos ventos dominantes e frios.
De preferência, essas plantas também devem ser utilizáveis
na alimentação dos animais. Um exemplo é a uvaia.
A pastagem para esses animais deve ser policultural.
É importante que sempre exista água limpa, fresca e
em abundância para os animais.

Até 500 litros de sangue circulam no úbere para produzir 1 litro de leite.
Além da água que ela bebe para se manter, uma vaca precisa beber pelo
menos 5 litros de água para cada litro de leite que ela produz. Isso
significa até 80 litros de água por dia.

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A PROPRIEDADE
Para planejar a produção e o manejo dos animais devemos
conhecer a propriedade, tanto os seus aspectos físicos
como as práticas que são desenvolvidas nela.
A descrição da propriedade
Podemos descrever onde está localizada a propriedade
na região. Por exemplo, ela pode estar próxima de cursos
de água, de morros, de estradas principais ou de outras
propriedades com a mesma atividade.
Dentro da propriedade podemos identificar a abundância
e variedade de vegetação, a declividade do terreno e a
localização de nascentes.
A orientação solar da propriedade precisa ser
considerada.
Tudo isso é fundamental para escolher onde deve ser
desenvolvida cada atividade, e onde devem ser
construídas as instalações.
Para poder visualizar esse conjunto de características, o
ideal é fazer um croqui da propriedade (ver exemplo
página 40), descrevendo o que ela tem e a localização de
cada item.
A seguir, devemos fazer a descrição das práticas agrícolas
que são desenvolvidas na propriedade.
Isso significa descrever como são feitos a preparação do
solo para a lavoura, o uso da água para irrigação e a
escolha das plantas cultivadas na propriedade, como são
manejadas as pastagens, como são e onde estão as
construções.
Também é importante considerar a cultura da família e
identificar os produtos que são gerados na propriedade,
tanto para consumo como para comercialização.

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O SISTEMA DE PRODUÇÃO
Em relação ao sistema de produção, como estamos
tratando aqui especificamente da produção leiteira,
damos ênfase às práticas da ordenha.
Fazem parte do sistema de produção de leite e devem ser
identificados:
Ÿ O número e o tipo de animais
criados.
Ÿ Como se faz a condução dos
animais entre o pasto e a sala de
ordenha.
Ÿ Se existe um local específico para
a espera para a ordenha e, no
caso, como ele é.
Ÿ A forma como é feita a ordenha:
manual ou mecânica.
Ÿ Como é determinada a ordem de
entrada dos animais na sala de
ordenha.
Ÿ Como é o manejo da higiene durante a
ordenha.
Ÿ Se são usados bezerros durante a
ordenha.
Ÿ Que tratamento se dá aos dejetos dos
animais e outros resíduos.
Ÿ O controle da produção dos animais: se
é feito, como, e com que freqüência.

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OS ANIMAIS
Os animais utilizados na produção leiteira são
principalmente a vaca, a ovelha, a cabra e a búfala.
Alguns aspectos desses animais são fundamentais para
apoiar a produção agroecológica de leite.

A seleção genética dos animais


É importante lembrar das características dos animais que
são importantes para a produção agroecológica:
Ÿ Aptidão para produzir leite a pasto.
Ÿ Resistência a ecto-parasitas (carrapatos) e endo-
parasitos (vermes).
Ÿ Baixa susceptibilidade à mastite.
Os bovinos de raças Ÿ Pelagem e cascos escuros, adaptados ao terreno e à
européias, como a Holandês e insolação da região.
a Jersey, se sentem mais
confortáveis em tempe- A prioridade, antes mesmo da escolha da raça ou do
raturas entre 5 e 21° C. Com o cruzamento, é a identificação e seleção de animais
aumento da temperatura eles adaptados ao ambiente da região.
gastam mais energia para
refrigerar o corpo; conse- Isso pode ser feito escolhendo para reprodutores os animais
quentemente a produção que produzem bem na região e que se mantém mais
leiteira cai. saudáveis. Isso só pode ser feito se houver um controle de
quanto cada animal produz durante toda a lactação.

O comportamento e o bem-estar dos animais


O estresse e
a sanidade dos animais Quando falamos em bem-estar temos que pensar no
Vacas estressadas por comportamento desse animal e como ele se adapta ao
ambientes inadequados, ambiente da criação. O estresse acontece nos animais
expostas a cachorros, gritos, quando eles não conseguem se adaptar à condição de
barulhos inesperados, criação.
movimentos bruscos ou
sujeitas a agressões, Uma vaca leiteira estressada têm mais chances de
“seguram o leite”. Isso adoecer e produz menos leite. A forma mais efetiva de
diminui a produção leiteira conhecer o grau de bem-estar de um animal é observar o
dos animais, e predispõe à
mastite.
seu comportamento.

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O BOVINO NO AMBIENTE DE CRIAÇÃO

Alguns aspectos do comportamento dos bovinos


Uma vez que nós, humanos, domesticamos os
bovinos, e os criamos para nosso benefício,
assumimos uma obrigação moral e ética com o
bem-estar desses animais não humanos. Os
bovinos, como os outros animais, sentem fome,
sede, medo, estresse e, muito importante,
aprendem.
A própria definição de bem-estar animal
captura a essencial relação do animal com o
ambiente. Bem-estar é o estado do animal, ou como ele se
encontra em cada dado momento, na sua constante
tentativa de se adaptar ao ambiente. A melhor forma de
avaliar o bem-estar de um animal a campo é através da
avaliação do seu comportamento.
Então, é necessário saber reconhecer alguns aspectos
básicos do comportamento animal que podem nos ajudar
a assegurar que eles sejam criados em condições
satisfatórias de bem-estar.
A seguir vamos abordar alguns aspectos relevantes do
comportamento de bovinos, sempre apresentando o
animal no seu ambiente.

Os sentidos
Zona cega Os bovinos têm um campo de visão amplo, de
330º, o que lhes permite uma boa visão
periférica. Mas, por terem visão monocular,
eles têm poucas condições de perceber a
Campo de visão profundidade dos objetos, ou seja, a que
monocular distância exata eles estão desses objetos.
Campo de Eles enxergam cores, e são muito sensíveis a
visão binocular
contrastes de luz e escuridão, como podem
existir dentro de uma sala de ordenha ou em
centros de manejo. Uma mera sombra pode
dar a impressão ao animal de que ele se dirige a
um buraco, fazendo-o parar.
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O olfato é bem desenvolvido e
ajuda o bovino a selecionar os
alimentos e, junto com o paladar,
é importante na seleção de
alimentos e no reconhecimento
da cria. Os bovinos ouvem bem, e
usam vocalizações, ou seja, o
mugido, para se comunicar com
outros bovinos.

O bovino no seu grupo social


Os bovinos são animais gregários, ou seja, vivem em grupos.
Eles se sentem melhor quando estão em companhia dos
demais animais do seu rebanho. Isolar bovinos,
como costumam fazer com os bezerros, deve
ser evitado.
As interações entre os bovinos são de dois tipos:
agressivas, incluindo cabeçadas e empurrões,
ou amistosas, como lambidas, coçadas,
esfregões entre os animais. Com esses
comportamentos eles medem quem é quem
dentro do grupo, e formam uma hierarquia
social relativamente estável.
Em um rebanho leiteiro geralmente as vacas
Interações amistosas mais velhas e as maiores são dominantes sobre
as mais jovens e as menores. Essa hierarquia determina que
os animais dominantes tenham prioridade de acesso ao
alimento, à água, ao local mais confortável para dormir,
evitando atos de agressão dentro do grupo. Quando
algum desses recursos é limitado, os animais dominantes
podem impedir os demais de terem acesso aos mesmos em
quantidades suficientes. Por exemplo, se houver pouco
espaço de sombra, as vacas subordinadas serão
encontradas mais frequentemente no sol. Se o gado
receber silagem em um cocho sem espaço suficiente para
todos os animais, nem todos comerão a mesma
quantidade: os mais dominantes irão consumir mais do que
os subordinados.

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É comum ver bovinos realizando o mesmo comportamento
simultaneamente. Isso ocorre devido a um fenômeno que é
chamado de facilitação social, que é a tendência de
animais sociais de imitarem o comportamento de outros.
Entre os bovinos existe a figura do líder, que é aquele animal
que toma a iniciativa para começar vários
comportamentos, como deitar para ruminar, ou levantar
para pastar, ou tomar água. O líder não determina a ação
do grupo, ele é simplesmente o primeiro a iniciar o
comportamento; os outros o imitam porque já estavam
quase prontos para fazer o mesmo. No caso dos
deslocamentos, o líder geralmente
está na frente da fila.

O bovino em interação com o


humano
Entender o comportamento dos
animais em resposta ao tratamento
que recebem dos humanos irá
facilitar o manejo do rebanho bovino.
É essencial entender que os bovinos,
assim como os outros animais domésticos, aprendem a
partir das informações do ambiente que os rodeia. Dentro
desse ambiente está o ser humano.
Muitos tratadores intuem que falar amigavelmente com os
animais, ou atraí-los a um local com um alimento preferido,
ao invés de forçar a sua condução com empurrões, facilita
o manejo. Isso é correto, e é explicado por princípios
elementares do comportamento animal.
Dependendo de como tratar os animais, o homem pode
ser associado com recompensas como alimento, retirada
do leite, provisão de abrigo ou, ao contrário, ele pode ser
entendido pelo bovino como um predador que ameaça a
sua sobrevivência.
Vacas têm tanto medo de ouvir um berro como de levar
um choque elétrico ou um forte tapa na garupa. E também
conseguem reconhecer pessoas diferentes pela sua cara,
sua altura, e sua voz. Ou seja, elas podem aprender a

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diferenciar as pessoas que as tratam mal daquelas que as
tratam bem. O mais importante é que a reação mais
normal de um animal que foi maltratado vai ser evitar ou
fugir da pessoa que ele aprendeu a reconhecer como
aquela que a trata mal. Por isso, todo e qualquer manejo
que envolver a aproximação dessa pessoa vai ser
dificultado pelo comportamento do animal. Se muitas
pessoas o tratam mal, então ele pode generalizar a forma
de tratamento a todos os humanos, e fugir até daqueles
que ele nunca viu.
O processo é reversível? Sem dúvida: mudando a forma de
tratamento, evitando todas as situações que podem
causar medo nos animais, e induzindo-os a fazer aquilo que
queremos através de recompensas. É possível que a vaca
não reconheça isso nas primeiras tentativas, mas logo ela
irá aprender.

Alguns elementos do manejo que causam medo e


estresse nos animais
Na condução das vacas para a sala de
ordenha é muito freqüente o tratador usar um
cajado, ou seja um objeto, que pode ser um
chicote, uma galho ou uma corda.
Normalmente a pessoa não tem intenção de
bater nos animais, e usa o cajado por hábito.
Porém, assim como nós humanos temos
dificuldade de entender a linguagem dos
animais, eles também têm essa dificuldade. O
objeto na mão da pessoa pode ser
interpretado como uma ameaça pelos
animais, e causar-lhes medo e estresse.
É preciso usar maneias para ordenhar uma vaca? Algumas
pessoas usam maneias nas vacas durante a ordenha para
se sentir mais seguras, outras o fazem por costume.
Idealmente, maneias não deveriam ser usadas. E, quando
elas são usadas, devem ser colocadas delicadamente,
sem machucar ou maltratar a vaca durante a colocação.
Enquanto a vaca estiver amarrada, o tratamento deve ser
de forma que ela não sinta vontade de fugir, porque ela
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não vai poder fazer isso. Se a vaca ficar
estressada, isso vai prejudicar a descida do
leite.
Mesmo cães mansos do ponto de vista dos
humanos, apresentam uma ameaça para os
bovinos, pelos quais os cães são
compreendidos como predadores. Cães
latindo ou circulando nas imediações,
enquanto a vaca está presa sendo
inseminada ou ordenhada, são receita certa
para o retorno ao cio ou a retenção do leite.

O bovino e o ambiente físico


Ao planejar o desenho e o uso de algumas instalações
como a sala de ordenha ou um centro de manejo, deve-se
considerar o comportamento dos animais. No caminho do
animal devem ser retirados todos os elementos que possam
lhe causar medo. Que elementos são esses?
Contrastes fortes de luz e escuridão,
mangueiras com paredes vazadas, degraus
inesperados, curvas fechadas que impeçam
o animal de ver para onde ele se dirige, pisos
escorregadios, ou vozes, que podem ser de
pessoas berrando dentro da sala de ordenha,
ou de um rádio.
É fundamental ter sempre água limpa e fresca
à disposição dos animais. Isso irá garantir o
conforto térmico e impedir que o animal sinta sede e
diminua o consumo de alimento.
Às vezes há água na sala de ordenha, mas em um só
bebedouro pequeno. Nesse caso, os animais dominantes
podem monopolizar o acesso, impedindo outros de beber
à vontade. Um investimento com retorno garantido é a
colocação de bebedouros na sala de ordenha e no pasto.
Os bebedouros devem ser de preferência redondos, pois
facilitam o acesso de mais animais simultaneamente.

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MASTITE

O que é a mastite
A mastite, ou mamite, é um processo
inflamatório da glândula mamária. Ela
ocorre quando há contaminação por
bactérias, fungos ou vírus. Isso pode ser
desencadeado por traumas causados
por meios físicos, químicos ou
mecânicos, ou por problemas
funcionais do metabolismo do animal.
Falamos em mastite clínica quando já se percebem
alterações a olho nu no leite, como pus ou grumos, ou até
no úbere, como vermelhidão, inchaço e sensibilidade ao
toque.
Na fase de mastite sub-clínica ainda não há alterações
visíveis a olho nu do leite ou do úbere. Mas o teste de CMT
detecta as alterações que já estão ocorrendo na
composição do leite.
A mastite é a principal causa de redução na produção
leiteira, e prejudica o bem-estar das vacas, já que envolve
um processo doloroso.

O contágio da mastite
A mastite é uma doença contagiosa e de fácil
disseminação entre os animais do rebanho.
A mastite pode ser transmitida de um animal para outro no
momento da ordenha através:
Ÿ da mão do ordenhador
Ÿ de panos usados para secar os tetos
Ÿ por teteiras das ordenhadeiras mecânicas mal lavadas
ou não desinfetadas
Ÿ contato físico do úbere com áreas embarradas, camas
contaminadas e, principalmente, entre animais doentes
e saudáveis.

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Alguns fatores que favorecem o aparecimento
de mastite:

Do ambiente
Ÿ instalações construídas em locais úmidos, baixos
e próximos de fontes de contaminação, como
Fezes
Solo esterqueiras
Água contaminada
Ÿ a introdução de animais com mastite no
Ordenhadeira desregulada
rebanho

Do sistema de produção
Ÿ rachaduras nas borrachas da ordenhadeira
mecânica, que juntam microorganismos
Ÿ ordenhadeira mecânica defeituosa, com falta
de manutenção ou desregulada
Durante ordenha
Ÿ retenção de leite residual no úbere
Ÿ falta de higiene
Ordenhadeira Pano de
contaminada limpeza ž no úbere,
ž na ordenhadeira mecânica,
ž nas instalações,
ž no ordenhador e nas demais ferramentas
utilizadas na ordenha.

Do animal
Ÿ má formação do úbere e dos
tetos
Ÿ feridas, traumatismos ou
úlceras nos tetos e úberes
Ÿ envelhecimento da vaca,
levando ao relaxamento do
esfíncter
Ÿ estresse

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ORIENTAÇÕES PARA A ORDENHA
As seguintes ações devem ser incorporadas na rotina da
ordenha para alcançar i)a produtividade potencial dos
animais e, ii) níveis de higiene adequados para produzir um
leite de boa qualidade.
Podemos pensar em quatro etapas que envolvem o
manejo da ordenha:
1)a condução dos animais do pasto até a sala de
ordenha e de volta para o pasto,
2)a espera dos animais até o momento da ordenha,
3) a ordenha em si, e
4) as ações que são realizadas depois da ordenha.

1. A condução dos animais


Os animais podem ser A condução dos animais para a ordenha
ensinados a ir onde se quer.
Ÿ Ensinar os animais a obedecer o comando humano.
Algumas regras para
facilitar o treinamento dos Ÿ Jamais usar cães para a condução das vacas entre o
animais é fazer os manejos pasto e a sala de ordenha.
sempre no mesmo horário,
fornecer um ambiente Ÿ Evitar de levar cajados, relhos, cordas, galhos. Mesmo
atrativo para os animais quando não usados, assustam as vacas e não são
(por exemplo colocando necessários.
uma capineira no curral de
espera da ordenha ou
oferecendo silagem no
cocho durante a ordenha) e
nunca estressando os
animais nesses momentos e
locais.

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2. A espera
O entorno da sala de ordenha
Ÿ Nunca permitir a presença de cães no entorno da sala
de ordenha: isso pode estressar as vacas e diminuir a sua
produção leiteira.
Ÿ Assegurar a presença de sombra e água de bebida nas
duas áreas.
Dica: incentivar as vacas a se movimentarem logo antes de
entrar na sala de ordenha, para induzi-las a estercar.
Ÿ O ideal é a sala de ordenha ter uma entrada e uma
saída, em lados opostos

Isso limita a disseminação de mastite; as vacas que já foram ordenhadas, e que terão os
esfíncteres dos tetos mais relaxados, não entrarão em contato com vacas que não foram
higienizadas - e possivelmente algumas com mastite, que devem ser as últimas a serem
ordenhadas.

2
1

Cães(1) e esterqueiras(2) devem ser evitados no ambiente de ordenha. Sombra, quebra-ventos, bebedouros e
capineiras são desejáveis.

19
3. A ordenha
3.1. A sala de ordenha
Ÿ Deve ficar em local alto e bem arejado do terreno para
evitar a umidade.
Além do conforto do
ordenhador e dos animais, o Ÿ Dever ter orientação solar com aberturas para o norte
frio no úbere, no inverno, pois isso permite uma maior insolação no inverno.
pode prejudicar a descida do
Ÿ Deve ser protegida dos ventos frios predominantes.
leite. Usar vegetação nativa,
adaptada ao clima do local. Ÿ Não deve haver degraus e outros obstáculos na entrada
da sala, que atrapalham o deslocamento tranqüilo dos
animais.

Elementos desejáveis no
ambiente da ordenha:
Sombra, quebra-ventos,
bebedouros, capineiras, fluxo
unidirecional e janelas para
o norte.

3.2. Durante a ordenha


A SALA DE ORDENHA/AS INSTALAÇÔES

Ÿ Manter o local da ordenha limpo, seco e arejado


Ÿ Usar água potável em todo o processo de ordenha e
limpeza do material.
O ORDENHADOR

Ÿ Deve ter cabelos curtos ou presos e as unhas aparadas.


Não deve fumar durante a ordenha. Deve sempre lavar
as mãos com água e sabão antes de iniciar o manuseio
do úbere e ordenhadeira.
20
A LINHA DE ORDENHA
Ordenhar as vacas na seguinte ordem, para evitar a
disseminação da mastite das vacas contaminadas para as
saudáveis:
1) as vacas de primeira cria
2) as vacas que nunca se soube que tenham tido mastite
3) as vacas que já tiveram mastite, mas já foram curadas
4) as vacas que apresentam mastite no teste da caneca
ou que são positivas no CMT
Os quartos positivos no CMT devem ser ordenhados APÓS
os quartos saudáveis.
A VACA
Ÿ Fazer diariamente, antes da ordenha, o teste da caneca

TESTE DA CANECA
Eliminar os 3 primeiros jatos de leite em uma
caneca de fundo preto ou telada, em todas as
ordenhas, para detectar a presença de grumos.
Serve para identificar as vacas com mastite
clínica. Tratar as vacas em que aparecerem
grumos nesse teste.

Ÿ Fazer semanalmente o teste de CMT.

CMT
Serve para detectar a
mastite ainda na fase
sub-clínica.

Ÿ Lavar somente tetos que estiverem sujos.


Ÿ Limpar o úbere sem água, pois isso nem sempre é
necessário, e facilita a entrada de microorganismos no
úbere.
21
Ÿ Quando precisar lavar, usar água limpa para
cada animal e enxugar os tetos com papel
toalha.
Ÿ Usar produtos homeopáticos ou fitotrápicos para
a prevenção e o tratamento da mastite.
Ÿ Imediatamente após a ordenha, fazer o
pós-dipping, mergulhando os tetos em uma
solução de água com sabão ou algum
preparado fitoterápico. A solução forma um
“tampão” no esfíncter do teto, que impede a
entrada de microrganismos.

CMT (Califórnia Mastitis Test)


O CMT é um teste prático para detectar a mastite subclínica.
É muito importante fazê-lo para:
1)identificar a mastite na fase inicial, antes que se
perceba no leite
2)tratar ou descartar as vacas que têm mastite crônica e
são fonte de infecção para as outras vacas
Interpretação do Teste:
Negativo: A solução não apresenta precipitação ou apresenta leve
precipitação que desaparece mediante pequena agitação
Traços A solução apresenta precipitação mas o leite escorre com
facilidade e não forma líquido gelatinoso: duvidoso para
mastite
+ A solução apresenta coagulação, ligeiramente viscosa
(mastite positiva)
++ A solução apresenta partículas coaguladas e o líquido bem
viscoso (mastite em estágio avançado)
+++ A solução apresenta coagulação acentuada e gelatinosa,
tipo clara de ovo (mastite alta)

Orientações para tratamento:


Se uma vaca apresenta um teto com +++, ou com ++ em duas ordenhas
seguidas, ela deve ser tratada.
Nos demais casos (traços ou +) redobrar os cuidados, sempre ordenhando
essa vaca após as saudáveis, e usando medicamentos fitoterápicos no pós-
dipping.

22
A ORDENHADEIRA
Ÿ Escolher teteiras certas para o tamanho de teto
de cada vaca.
Ÿ As teteiras devem ser mergulhadas na solução
desinfetante cada vez antes passar de uma
vaca para outra.
Ÿ Depois a ordenha, sempre lavar a ordenhadeira.
Ÿ Regular a pressão do vácuo periodicamente.

CONTROLE INDIVIDUAL DA PRODUÇÃO DE LEITE

Ÿ Medir semanalmente a produção de leite individual - de


cada vaca - e anotar. Anotar também, para cada
vaca, sempre que aparecerem grumos no teste da
caneca ou quartos positivos para CMT. Registrar a data
de parto e de secagem e as inseminações ou
O planejamento da produção é coberturas.
necessário para, por exem- Ÿ Esses dados são necessários para fazer um
plo, estimar a necessidade de
pasto, a possibilidade de planejamento da produção.
aumentar a venda de leite ou Ÿ Também permitem identificar as vacas de melhor
produção de queijo ou prever produção, entre as mais adaptadas às condições do
o aumento ou diminuição do
plantel. local, para fazer o melhoramento genético do plantel.

4. Depois da ordenha
Para evitar a contaminação dos tetos, manter as vacas em
pé por um período de aproximadamente uma hora após a
ordenha. Isso não é difícil, porque nessa hora elas gostam
de pastar e beber água; se houver pasto e água à
disposição, elas raramente irão deitar.
Os dejetos
Ÿ Evitar o uso da água na limpeza do piso.

Isso facilita a remoção dos Ÿ Usar, ao invés de água, uma cobertura de palha seca ou
dejetos e provê maior grama cortada nas baias das vacas
conforto aos animais
Ÿ Sempre remover o esterco depois da ordenha e trocar a
palha 1 ou 2 vezes por mês.

23
Ÿ Tudo isso torna dispensável o uso de esterqueiras. Mas
quando mantidas, jamais devem ficar perto da sala de
ordenha, pois atraem insetos que colaboram na
disseminação de doenças, inclusive a mastite.
Ÿ O lixo - papel, embalagens plásticas - deve ser separado
e recolhido diariamente.
Leite residual
Chama-se de leite residual o
Por que é importante realizar uma ordenha...
leite que fica no úbere no fim ...completa
da ordenha. É importante
retirar todo o leite da Ÿ A quantidade de gordura do leite ordenhado é
glândula mamária na proporcionalmente muito menor na porção inicial do
ordenha por dois motivos que na porção final. Assim, todo o leite que ficar (o leite
principais:
residual)será o mais rico em gordura, o que irá resultar
1) o leite residual leva a
em perdas econômicas e, principalmente, predispor a
perdas na produção, pois o
leite que ficou retido não é vaca à mastite.
vendido.
2) o leite residual pré-dispõe ...rapidamente e num ambiente calmo
à mastite, porque favorece o
Ÿ Para evitar a retenção de leite no úbere.
desenvolvimento de micro
organismos.
A descida do leite
O leite é produzido e armazenado em
alvéolos, pequenos “saquinhos”, dentro da
glândula mamária. Para que ocorra a
liberação - ou ejeção - do leite, é
necessário que o cérebro despeje no
sangue o hormônio oxitocina. Isso
acontece sempre que o teto da vaca é
estimulado pelo bezerro, ou quando o
úbere é massageado pelo ordenhador.
Alguns minutos depois, a oxitocina atinge
os alvéolos onde o leite é produzido, espremendo-os, e o leite é expulso com pressão,
permitindo que seja facilmente extraído do úbere pela sucção do bezerro ou pela
ordenha.
Depois que a vaca aprende o processo, o estímulo direto no teto não é mais necessário,
porque a oxitocina é liberada na corrente sanguínea da vaca quando ela ouve ou vê o
bezerro, o ordenhador ou o som da ordenhadora mecânica.
A oxitocina dura muito pouco tempo na corrente sanguínea - ao redor de 5 minutos.
Para melhor aproveitar a sua ação, a ordenha deve der feita rapidamente e sem
interrupções.
Se a vaca estiver estressada no momento da ordenha, outro hormônio, a adrenalina,
entrará na sua circulação sanguínea, prejudicando ou impedindo a descida do leite.

24
Por que usar a homeopatia e a
fitoterapia na prevenção e cura de
doenças?
Atualmente tem se utilizado uma
infinidade de produtos químicos na
produção animal, como carrapaticidas,
vermífugos e antibióticos que, além de
sobrecarregar o ambiente, deixam
resíduos no leite e na carne dos animais que
consumimos. Muitos problemas de intoxicações
em humanos e animais são decorrentes
disso.
Devido ao uso indiscriminado desses
produtos, muitos parasitas e micro-
organismos apresentam resistência aos
princípios ativos utilizados.
A homeopatia e a fitoterapia são
terapêuticas que utilizam produtos que não
deixam resíduos nos animais e no
ambiente. A maioria deles
pode ser feito em casa, diminuindo os gastos
com medicamentos.

Samuel Hahnemann
considerado o pai da homeopatia

25
Aplicação de homeopatia em animais
Uma grande diferença entre a medicina convencional e a
homeopatia é que a convencional baseia-se na
eliminação (de microrganismos, parasitas, pragas) e a
homeopatia baseia-se no equilíbrio entre os seres vivos e
busca estimular o organismo dos animais a resistir aos
desafios do ambiente.
A homeopatia utiliza, além de plantas, também produtos
de origem mineral e animal, e todos os medicamentos são
diluídos e dinamizados. Por isso, nos medicamentos
homeopáticos não há produtos químicos, somente a
energia de substâncias - capaz de restabelecer a energia
vital do indivíduo. A dinamização permite diminuir os efeitos
tóxicos da substância original e aumentar seu potencial
curativo.

Muitas plantas usadas na fitoterapia também são usadas


na homeopatia, porém, como o medicamento está
dinamizado, isto é, passa por diluições acompanhadas de
agitações sucessivas, as substâncias possuem um poder
energético maior do que na forma bruta.
A indicação do medicamento é feita
Nome do medicamento pela semelhança dele com os sintomas
(vegetal, mineral ou da doença. Por exemplo: inflamações
animal)
Arnica em que o úbere fica inchado e
montana vermelho, um medicamento indicado é
Potência (quantidade de Apis mellifica (abelha), porque o
6 CH
vezes que o medicamento foi
sintoma é semelhante a uma picada da
dinamizado)
abelha. Por isso, é muito importante que
o dono observe bem a forma de
26
adoecer do animal, física e comportamental, para usar o
medicamento mais indicado.
Por exemplo: existem vários medicamentos para mastite,
então deve-se observar as características da vaca doente
(se fica irritada, medrosa, não come, fica deitada) e
características do úbere e leite (se fica duro, quente, se sai
sangue, pús, etc), para se chegar ao medicamento
correto.
Na homeopatia veterinária são geralmente usados
medicamentos por via oral, líquidos ou glóbulos, que
podem ser misturados na água, na ração ou no sal. De
maneira geral utiliza-se de 6 a 10 gotas, duas vezes ao dia,
até o desaparecimento dos sintomas. Em casos
específicos, seguir a indicação do texto.

Indicações dos medicamentos homeopáticos

Apis (abelha)
Usada nas inflamações semelhantes à picada de abelha, que
surgem rapidamente, a pele fica rosada, muito quente e sensível
ao menor contato e febre.
Em mastites que tenham esses sintomas: inchaço, rosado, quente
e dolorido.

Arnica Montana
Traumatismos físicos como contusões, esforço muscular e quedas.
Sofrimentos em geral, cansaço, susto e reação de vacinas.
Pode ser usado como antinflamatório para desinchar nas
castrações de leitões e bezerros.
É bastante útil no pré e pós-parto e retenção de placenta. Ajuda
na descida do leite.
Para ajudar no parto: dar 6 gotas por dia, 15 dias antes e 15 dias
depois do parto.

27
Belladona
Inchaço das mamas: as glândulas mamárias ficam pesadas, duras,
roxas e quentes. Mastites que aparecem subitamente, com
inchaço, calor e vermelhidão.
Todas as inflamações agudas, locais ou gerais.
Características: inflamações de aparecimento súbito e violência.
Abcesso, aborto, erisipela, febre, febre do leite (pós-parto),
furúnculos, hemorragias, laringite, meningite, sinusite, otite e
vômitos.
Também usada nas convulsões.

Bryonia alba
Inflamações agudas que ocorrem com ressecamento das
mucosas e dores agudas.
Grande característica dessas inflamações: piora por qualquer
movimento, melhora com o repouso. As dores são aliviadas
quando pressionadas (por isso, às vezes o animal deita sobre o
lado que está doente).
Sede excessiva, tosse seca e início de pneumonia. Infecções
pulmonares.
Dificuldade em defecar: fezes duras, secas e grandes.
Mamas: pálidas, quentes, duras como pedras, pesadas e muito
doloridas.
Articulações: inchadas e roxas.

China
Debilidade depois de perda de sangue ou outras secreções:
diarréias, vômitos ou lactação prolongada.
Fraqueza com anemia profunda e palidez. Corpo frio. Perda do
apetite e barriga inchada, diarréia com muitos gases. Fezes moles.
Pode ser usado nos casos de tristeza bovina.

28
Lycopodium
Problemas de digestão e fígado: barriga distendida e cheia de
gases. Guloso.
Problemas urinários: urina avermelhada. Dificuldade de urinar.
Problemas respiratórios: batimento das asas do nariz.
Mental: é medroso, tímido e se assusta facilmente. É adulador,
mas briguento e irritado.

Phosphorus
Ação profunda sobre o sangue e sistema nervoso.
Febre com muita sede. Vomita logo após beber a água. Muita
fome e desejo por sal.
Diarréia com sangue. Vômito com sangue. Leite com sangue.
Tendência a hemorragias. Animais muito magros e parecendo
tuberculosos.
Mental: animal carinhoso, gosta de companhia. Agitado e
inquieto.

29
Pulsatilla
Inflamações dos olhos e ouvidos. Lacrimejamento. Pus
amarelado.
Todas as secreções são amareladas e grossas, mas não irritantes.
Nas infecções do úbere, do útero, do pulmão, funciona como
drenador.
Sem febre. Sem sede.
Mental: Tímida, afetuosa, busca afeto, suave, doce, submissa e
medrosa.
Uso no pré-parto. Melhora contração uterina e posição fetal.
Aumenta a produção de leite.

Silicea
Usada como drenador de abscessos.
As secreções são amarelas, grossas e com cheiro ruim. As mamas
ficam duras, doloridas, leite amarelado, com pus e fétido. Tumores
nas mamas.
Metrite (infecção no útero): pus amarelo, grosso e fedorento.
Ajuda a cicatrizar feridas antigas, pequenos cortem inflamam e
sai pús. Sinusites.
Agravam pelo frio (são muito friorentas).
Mental: animais dóceis, tímidos, encolhidos e covardes. Faz cara
de coitadinho.
Filhotes magros, fracos e que não desenvolvem bem.

Sulphur
Sarna. A pele tem aspecto sujo, pêlo seco e com coceira. Feridas
sujas, com pus esverdeado e com crostas.
Indicado para espantar parasitas internos e externos (vermes,
carrapatos ou bernes).
Calorento, busca lugares frescos para se deitar. Fica mais
afastado dos outros.
Característica: as secreções são amarelas, esverdeadas, podres e
escoriantes (tipo assaduras).
O catarro deixa o nariz vermelho, assado. As fezes deixam o ânus
assado, o corrimento, etc.

Thuya
Verrugas. Tumores. Reações de vacina. Secreções abundantes,
mas não irritantes.

30
Tabela 1: Doenças e indicação de medicamentos homeopáticos
Mal / Doença Características e como usar Medicamentos
Abscesso, aborto, erisipela, febre, febre Medicamento indicado para inflamações Belladona
do leite (pós-parto), furúnculos, de aparecimento súbito. Sintomas
hemorragias, laringite, meningite, sinusite, Violentos.
otite, vômitos
Abscesso Secreções amarelas, grossas, com cheiro Silicea, Sulphur
Ruim.
Aborto Tendência ao aborto. Belladona,
Caulophylum
Articulações Inchadas e roxas. Pioram com o Bryonia alba, Rhus
Movimento. tox
Catarro, fezes Secreções que deixam o nariz / anus Sulphur
Assado.
Cicatrizar feridas antigas, cortes Silicea
inflamados e com pús
Convulsões Belladona
Debilidade por perda de sangue ou Diarréias, vômitos ou lactação prolongada. Quina, Phosphorus
outras secreções
Defeca com dificuldade Fezes duras, secas e grandes. Bryonia alba
Descida do leite Arnica montana,
Pulsatilla
Diarréia com muitos gases Barriga inchada. Fezes moles. Quina
Digestão problemática e fígado Barriga distendida, cheia de gases. Lycopodium, Nux
vomica
Erisipela Manchas vermelhas e quentes na pele. Belladona, Rhus
Dor nas articulações. tox.
Febre com muita sede Vomita logo após beber a água. Muita Phosphorus
fome e desejo por sal.
Febre do leite Vacas ficam fracas após o parto. Ajuda Calcarea
na produção de leite. carbonica
Fraqueza com anemia profunda e Corpo frio. Quina
palidez
Hemorragias. Diarréia com sangue, Animais magros, parecem tuberculosos. Phosphorus
vômito com sangue, leite com sangue
Inchaço das mamas As mamas ficam pesadas, duras, roxas e Belladona, Apis,
quentes. O animal fica agitado. Violência. Phitolacca
Infecções pulmonares Sede excessiva, tosse seca, início de Bryonia alba
Pneumonia.
Inflamações agudas Ressecamento das mucosas e dores Bryonia Alba
agudas. Piora por qualquer movimento,
melhora com o repouso.
Inflamações que ocorrem rapidamente Pele rosada, quente e sensível ao contato. Apis, Belladona
Intoxicação. Problemas digestivos Piora imediatamente depois de comer. Nux Vomica
Digestão difícil. Não consegue vomitar.
Limpeza pós-parto No parto tem contrações e dilatação, mas Nux Vomica,
não consegue expelir. Fica irritada. Caulophylum,
Arnica
Tumores de mamas com massas duras Muito cansaço e emagrecimento. Phytolacca
Mamas com tumores Silicea
Mamite / Mastite Inchado, quente, rosado e dolorido. Apis
Mamite / Mastite Violência. Aparecem subitamente, Belladona
inchaço, calor e vermelhidão. Fica
Agitado.
Mamite / Mastite Mamas pálidas, quentes, duras como Bryonia Alba
pedras, pesadas e muito doloridas.
Mamite / Mastite Mamas duras, inchadas, quentes, Phytolacca
dolorosas e arroxeadas.
Mamite / Mastite Leite com pus, não corrosivo. Pulsatilla
Mamite / Mastite Mamas duras, doloridas, leite amarelado, Silicea
com pús fétido.
Metrite (infecção do útero) Pus amarelo, grosso e fétido. Silicea

31
Continuação da tabela 1.
Mal / Doença Características e como usar Medicamentos
Olhos e ouvidos inflamados Lacrimejamento. Pus amarelado. Sem Pulsatilla
febre, sem sede.
Parasitas internos (vermes) e externos Sulphur
(carrapatos, bernes)
Parto difícil Útero sem contrações. Sem força pra Caulophylum
expulsar o feto.
Perda do apetite Quina
Pré e pós-parto 6 gotas, 15 dias antes e 15 depois. Arnica montana

Pré-parto Melhora a contração uterina e posição Pulsatilla


fetal. Aumenta a produção de leite.
Preventivo de carrapato De inicio de primavera a final de verão. 3 Nosódio Carrapato
ml em 500g de açúcar - 1 colher por
Dia/animal.
Respiração dificultada Batimento das asas do nariz. Lycopodium
Retenção de placenta Arnica montana
Retenção de placenta Saida de pus pela vagina. Caulophylum
Sarna Pele com aspecto sujo, pêlo seco, com Sulphur
coceira. Feridas sujas, com pus
Esverdeado.
Secreções abundantes mas não irritantes Thuya
Secreções amarelas,, esverdeadas, Sulphur
podres e escoriantes
Tendência ao aborto Saída de pus pela vagina. Várias doses Caulophylum
repetidas (6 gotas).
Terneiros magros Fracos, não se desenvolvem. Silicea
Traumatismos: contusões, esforço Arnica Montana
muscular, quedas
Tristeza bovina Mucosas (boca, olhos) amareladas, Quina
orelhas caídas, falta de apetite, queda no
leite.
Tumores Thuya
Úbere, útero ou pulmão infeccionados Secreções amareladas e grosas, mas não Pulsatilla
irritantes. Sem febre, sem sede.
Urina problemática Urina avermelhada. Dificuldade para Lycopodium
Urinar.
Vacinas (reações a) Febre, tumores, que ocorrem após a Thuya
Vacinação.
Verminose Emagrecimento. Come mas não engorda. Cina Marítima
1 ml, uma vez/mês para terneiros e 3 ml a
cada 3 meses para novilhas e vacas.
Verrugas Thuya

32
Aplicação de plantas medicinais em animais

A fitoterapia baseia-se no tratamento de doenças


com plantas medicinais, através da preparação
de chás, tinturas ou pomadas, onde se
concentram diversos produtos químicos que
tem efeitos terapêuticos.
Chás e tinturas são as formas mais usadas para
se extrair o princípio químico ativo das plantas.
Ho )
rte rita Em animais, os chás são dados geralmente por
lã (M ipe
enta p beberragem e a administração de pomadas e
emplastros é bastante utilizada para problemas de pele
como rachaduras de tetos, feridas e queimaduras.
Muitas plantas medicinais são conhecidas
popularmente, e esse conhecimento é passado
de geração para geração. Em um estudo
realizado no Assentamento Filhos de Sepé, em
Viamão/RS, verificou-se que a utilização das
plantas medicinais relatadas pelos agricultores
ar r coincide, muitas vezes, com o conhecimento
a)
C

qu e
eja tr im científico que se tem acumulado sobre essas
(Baccharis
plantas, como podemos ver na tabela 2.
is)
Ca

ên
al

du in
l

la ( offic
Calendula

33
Fitoterápicos para controle e prevenção de
doenças de bovinos
Desinfetantes para tetos
Fazer a tintura de cada planta, separadamente.
Ÿ Carqueja (Baccharis trimera): 1 litro de álcool e 100 g de planta seca.
Ÿ Picão preto (Bidens pilosa): mesma forma.
Ÿ Eucalipto (Eucaliptus globulus): mesma forma.
Chinchilho (Tagetes minua): mesma forma.
Antes do uso, as tinturas devem ser diluídas à 10% em água fervida.
Mergulhar os tetos das vacas todos os dias, após a ordenha, usando o copo de
desinfecção de tetos.
Fazer rotação de uso. Não usar o mesmo produto mais que 2-3 dias seguidos.
NÃO colocar dentro do teto!

Tratamento para mastite


Ÿ Fazer uma tintura de própolis na diluição entre 5 e 20% em álcool 70 ºGL.
Ÿ Colocar em uma frigideira 1 parte da tintura para 3 de banha de porco, ou 2: 5.
Aquecer a banha e colocar o própolis na banha bem quente (o álcool tem que ir
embora senão dá reação no teto).
Ÿ Aplicar 10 ml dentro do teto durante 5 dias, dar um intervalo de uma semana e
aplicar novamente.

Pomada cicatrizante/antiséptica de calêndula


Fazer a tintura de cada planta, separadamente.
Ÿ Calêndula (Calendula officinalis): 5 colheres de sopa de flores (se for seca é a
metade da planta)
Ÿ Vaselina sólida: 10 colheres de sopa
Ÿ Cera de abelha: 2 colheres de sopa
Modo de fazer: Colocar a vaselina e a calêndula em um vidro com tampa (pode ser
vidro de café solúvel), em uma panela com água em banho- maria por 20 minutos
de fervura. Coar dentro de um recipiente em cima da cera.
Usar em feridas, rachaduras de tetos e tetos ressecados.

Chá contra diarréia


Ÿ Secar folhas novas (brotos) de goiabeira e triturar até formar um pó, em torno de
200 gramas.
Ÿ Colocar em 1 litro de água fervida e deixar 24 horas.
Ÿ Coar e dar em beberragem por 2 a 3 dias (até parar a diarréia). Ou pode-se fazer
o chá de folhas verdes.

34
Ungüento de própolis/tetos rachados
Ÿ Própolis: 15g (bem triturado)
Ÿ Gordura animal: 60g
Aquecer a gordura animal em frasco no banho-maria. Misturar o própolis e deixar por
10 minutos, com o frasco tampado. Filtrar em gase, envasar identificado e datado.
Pode ser usado também o própolis como tintura.

Xarope para verminose


Ÿ 1 cabeça de alho (Allium sativum)
Ÿ 50g de hortelã preta (Menta piperita)
Ÿ 10g de Erva Santa Maria (Chenopodium ambrosoides)
Ÿ 1 litro de água
Ÿ Meio quilo de açúcar
Misturar os componentes na água e deixar ferver por 10 minutos. Coar e recompor o
volume inicial (1 litro). Levar ao fogo normal, juntando o açucar (3 xícaras para um
litro). Deixar ferver por mais 15 minutos. Ministrar em beberragem por 2 ou 3 dias
seguidos, com animal em jejum, pela manhã. Duas horas após a última dose,
ministrar laxante.
Dose: Vacas 100 ml. Terneiras 20 ml.
Obs: sem rotação de pastoreio, a eficácia fica comprometida. Repetir após duas
semanas.

Sobre-carga alimentar / estufamento


Ÿ Café (Coffea arabica) em pó: 100g
Ÿ Água fervente: 1 litro ou:
Ÿ Sementes de Linhaça (Linhum catharticum): 200g
Ÿ Ferver em água
Misturar depois de pronto, e ministrar por beberragem ou sonda esofágica.

Xarope para bronquite


Ÿ Agrião (Nosturtium oficinalle): 20 g
Ÿ Guaco (Mikania glomerata): 20 g
Ÿ Eucalipto (E. globolus. Não o citrodora): 20 g
Ÿ Açúcar: 3 xícaras
Ÿ Água: 1 litro
Misturar os componentes na água e deixar ferver por 15 minutos. Coar e recompor o
volume inicial (1 litro). Levar ao fogo normal, juntando o açúcar (3 xícaras para um
litro). Dar várias vezes ao dia.
Obs: verificar que a causa da bronquite pode ser verminótica.

35
Laxantes
Sene/Fedegoso (Cassia coymbosa)
Equinos e bovinos: 120 - 150g
Ovinos e suínos: 10 - 20g
Sal amargo (Sulfato de magnésio)
Equinos e bovinos: 250 - 500g
Ovinos e suínos: 50 - 100g

Fonte da receitas de fitoterápicos:


Med. Vet. César Avancini/UFRGS e Med. Vet. José M. Wiest/UFRGS 08 /1999.
Med. Vet. Luiz Felipe Schuch/UFPEL.
Med. Vet. Luciana A. Honorato/UFSC.
Como fazer álcool 70°GL:
Ÿ 700ml de álcool 96°GL + 260ml de água fervida = 960ml de álcool 70°GL

Ÿ 750ml de álcool 92,8°GL + 250ml de água fervida = 1000ml de álcool 70°GL

Outra opção medicamentosa para o controle de Ectoparasitas (sarnas, piolhos,


carrapatos, bernes e bicheiras)
Ÿ ENXÔFRE COM BANHA
A preparação da mistura depende da quantidade de ectoparasitas presentes em
regiões específicas do animal. Quando há bastante esctoparasitas, é considerada
uma infestação severa. Quando há poucos, é considerada fraca. Na forma severa
deve ser usada uma porção de banha com uma porção de enxofre em pó (também
denominado de flor de enxôfre), misturando-as. As proporções para as misturas
correspondentes estão na tabela seguinte:
Ÿ
Quantidades de enxofre e de banha.

Para facilitar a preparação da mistura e a sua aplicação posterior é adequado


colocar o enxofre e a banha dentro de um saco plástico transparente. Depois, ficar
apertando externamente o saco de plástico para ir misturando as porções, até que a
mistura tenha uma aparência uniforme.
Ÿ Aplicação: a região do animal onde os ectoparasitas se encontram deve ser
totalmente coberta pela mistura e a aplicação deve se repetir depois de duas
semanas. Para aplicar, basta ir espremendo a mistura do enxofre com banha que
está dentro do saco plástico, diretamente sobre o pelo ou pele do animal.

36
Tabela 2: Plantas identificadas pelos agricultores, para o tratamento de diversas doenças.
Nome Para que Parte da Método de
Espécie
comum usam planta Preparação
Erythroxylum Limpar o
Cocão Banha
argentinum sangue
Japecanga Smilax rufescens Antibiótico Raiz Chá
Carrapicho Acanthospermum
Antibiótico Raiz Chá
de ovelha australe
Câimbra de
Pitangueira + Eugenia uniflora +
sangue / Casca Chá
romã Punica granatum
Antibiótico
Douradinha Waltheria
Coração Raiz Chá
do campo douradinha
Pitangueira + Eugenia uniflora + Corta
Folhas Chá
goiabeira Psidium guajaba desarranjo
Ferida na
boca e Folha
Tucum Bactris setosa Mart. Chá
intestino/ sem talo
recaída
Intoxicação
Pessegueiro Prunus persica Folhas Chá
de estômago
Erva de Limpar o
Casearia sylvestris Folhas Chá
bugre Sangue
Erva-da-
Casearia sylvestris Pontada Folhas Chá
pontada
Fumeiro Solanum
Pontada Raiz Chá
Brabo mauritianum
Cabelo de
Piptochaetium sp Rins Raiz Chá
Porco
Fedegoso Cassia sp. Rins Raiz Chá
Erva de Chenopodium
Vermes Folhas Chá
Santa Maria ambrosioides
Dor de dente
Unha de Raiz/
Uncaria tomentosa / Fazer Chá
gato folhas
bochecho
Chá/ coloca
Esporão de
Strychnos trinervis Churrio preto Casca no caldo de
galo
feijão

37
Continuação da tabela 2.
Nome Comum Espécie Para que usam Parte da panta Método de preparação
Esmagar as
Repelente de folhas e
Chinchilho Tagetes minuta Folhas
pulga espalhar no
local
Macera e
Polygonum
Erva de Bicho Sarna Folhas coloca na
punctatum Elliot
água fria
Bálsamo Kalanchoe Picada de
Folhas No álcool
Alemão tubiflora cobra
Anticoral Picada de
Folhas No álcool
(cobrina) cobra
Erva de Pinga a gota
Chamaesyce sp Colírio Flor
santa Luzia no olho
Pomada frita
Symphytum na banha/
Confrei Feridas Folhas
officinale torrar as
folhas
Caraguáta Eryngium sp. Tosse Raiz Xarope
Limão e
Citrus aurantifolia + Escorrer
cebola Tosse Xarope
Allium cepa o líquido
branca
Picão branco Galinsoga Anemia/
+ coqueiro parriflora amarelão
Baleeira Cordia curassavica Colite/ sarna
Coração do
cacho de Musa sp. Hemorragia
banana
Arnica do
Senecio brasiliensis Machucado Folhas
campo

38
O bezerro deve beber o colostro
logo depois do nascimento
Características do colostro:
Ÿ É a primeira secreção da glândula
mamária.
Ÿ É rico em substâncias químicas
(imunoglobulinas ou anticorpos, produzidas
pela vaca) que protegem o bezerro de doenças.
Funções do colostro:
Ÿ Transferência de imunidade para o recém-nascido.
Ÿ É essencial para proteger o recém-nascido durante as primeiras semanas
de vida porque, nos bovinos, a mãe não passa anticorpos durante a
gestação para o feto. Por isso, o bezerro nasce sem capacidade de
combater microorganismos causadores de doenças.
Ÿ Também é importante para a saúde do bezerro porque o ajuda a expulsar
o mecônio, as primeiras fezes escuras e viscosas.
Quando dar o colostro:
Ÿ O recém-nascido só absorve o colostro nas primeiras horas após o
nascimento.
Ÿ O melhor é o bezerro mamar assim que nascer.
Ÿ Se houver necessidade, pode-se dar o colostro de qualquer vaca, que
pode ser mantido congelado em freezer.

Radinho na sala de ordenha??


Pontos positivos
 Habitua os animais a sons humanos, diminuindo a sua reatividade em
resposta a sons como barulhos inesperados e vozes desconhecidas, na
propriedade.
 Pode tornar o ambiente de trabalho mais agradável para o ordenhador.
Ponto negativo
 O ordenhador desvia a sua atenção da ordenha e dos animais para a
programação
Dica: escolha estações com músicas suaves ao invés de programas de
entrevistas, e mantenha um volume razoável

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Exemplo de croqui da propriedade rural

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS - CCA
Laboratório de Etologia Aplicada - LETA e Núcleo de PRV
www.cca.ufsc.br/leta

Coordenação
Maria José Hötzel
Luciana Aparecida Honorato
Antônio Carlos Machado da Rosa
Daniel Enriquez Hidalgo

Colaboradores
Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho
Paula Araujo Dias Coimbra
João Henrique Cardoso Costa

Ilustrações
Martina H. Rüther e Paula A. D. Coimbra

Diagramação
Paula Araujo Dias Coimbra