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VQI 00013 – Química Inorgânica Aplicada

Química dos Compostos


Organometálicos do bloco d
Compostos Organometálicos

Definição
Histórico
Nomenclatura
Fórmulas
Ligações
Métodos de síntese
Aplicações
Reações

2
Compostos Organometálicos

Definição comum:

“Composto organometálico é aquele que contém


pelo menos uma ligação metal-carbono.“

Essa definição é verdadeira?

Nem sempre é simples enquadrar um


composto nesta classe.
3
Compostos Organometálicos

De acordo com o periódico científico Organometallics:

Definição:

“Um composto organometálico é definido como


sendo qualquer composto que possui uma ligação
ou interação (iônica ou covalente, localizada ou
deslocalizada) entre um ou mais átomos de
carbono de um grupo orgânico ou molécula, e um
ou mais átomos de metais do grupo principal, de
transição, lantanídeo ou actinídeo..."
4
Compostos Organometálicos

Uma definição mais refinada:

"A química de organometálicos trata dos compostos nos


quais um grupo orgânico se encontra ligado, através de um
carbono, a um átomo menos eletronegativo do que o
carbono ”.
Observação:
Compostos contendo P, S, Se, B, Si e As não seriam incluídos
na categoria acima, mas fariam parte de uma "Química de
Organometalóides".

O fato é que os compostos organometálicos apresentavam


algumas características diferentes dos modelos clássicos
usados para se descrever as ligações em substâncias mais
simples. 5
Compostos Organometálicos

 Histórico:

1827 - Zeise K+[C2H4PtCl3]- (sal de Zeize)


Reação do K2PtCl4 com etanol (a estrutura
desses compostos e sua aplicação só se deu
após 1950 – raios X).

1848 - Frankland Síntese de compostos organo-zinco (criou o


termo organometálico)

1870 - 1950 Grignard, Compostos de elementos de não


Schlenck,Kipping, transição contendo ligações metal-
Gilman, Zigler, Nesmeyanov carbono. Aplicações em Síntese.

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Compostos Organometálicos

 Histórico (continuação):

1890 Ludwig Mond, Ni(CO)4

1930 Mond, Hiber Descoberta das carbonilas de ferro e níquel.

1951 Kealy, Pauson, Miller, Ferroceno → início da era moderna da


Tebboth, Tremaine, Fisher, química de organometálicos. (estrutura
Wilkinson “sanduíche” com ligações π) possível pela
disseminação de técnicas de caracterização
estrutural)
Determinação de estruturas e informações
sobre ligações nesses compostos.
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Hapticidade (ηX): definida como o número de átomos (x) que
estão dentro da distância de ligação do átomo metálico, ou
seja, o número de átomos de um ligante que interagem
diretamente como o metal.

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Compostos Organometálicos

 A LIGAÇÃO:
 Compostos organometálicos dos blocos s e p:
 Descrita adequadamente por ligações σ.
 Compostos organometálicos do bloco d:
 Descrita adequadamente por ligações σ e π
 Diferentemente dos compostos de coordenação,
os compostos organometálicos de metais d têm
relativamente poucas configurações eletrônicas
estáveis, tendo um total de 16 ou 18 elétrons de
valência em torno do átomo metálico.

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 A LIGAÇÃO – Regra dos 18 elétrons:
 Na maioria dos compostos organometálicos, o
metal de transição tende a adquirir a configuração
de um gás nobre, aceitando e- do ligante para
completar 18 e- na camada de valência
 [(n-1)d10ns2np6]. (Sidgwick, 1920)

18
 Contagem de elétrons:

 Método do Ligante Neutro (Método Covalente):


 Todos os ligantes são tratados como neutros e são
classificados de acordo com o número de elétrons que se
considera que eles estão doando.

•O número de elétrons que o metal fornece é o número


do seu grupo.
•O número de elétrons fornecidos pelo ligante é fornecida
pela tabela ao lado.
•A contagem total de elétrons é a soma do número de
elétrons do átomo metálico com o número de elétrons
fornecidos pelo ligante.
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LIGANTES Número de elétrons doados
H⋅ 1
H- 2
⋅CH3 1
-CH 2
3
X⋅ (Cl⋅, Br ⋅ , I⋅ ) 1
X- (Cl-, Br -, I- ) 2
CO 2
:NO+ 2
NO 3
H2C=CH2 2
⋅C5H5 (Cp) 1, 3 ou 5
C5H5- (Cp-) 2, 4 ou 6
C6H6 6 20
 Exemplos:

 Pelo Método do Ligante Neutro, indique a contagem de


elétrons do [Cr(η5-C5H5)(η6-C6H6)]:
 Cr (grupo 6) → 6 elétrons
 η5-C5H5 → 5 elétrons e η6-C6H6 → 6 elétrons
 Total: 17 elétrons

 Pelo Método da Doação de Pares de Elétrons (método


iônico), indique a contagem de elétrons do [Cr(η5-C5H5)(η6-
C6H6)]:
 η5-C5H5 é tratado como (C5H5)-1 → 6 elétrons
 η6-C6H6 → 6 elétrons
 Cr (grupo 6) (nox=+1 pela neutralidade) → (6 – 1) = 5 elétrons
 Total: 17 elétrons

21
Regra dos 18 elétrons
a)Número ou estado de oxidação do metal:
Exemplo 1: [Fe(CO)5]
CO – ligante neutro
Fe → estado de oxidação zero.

Exemplo 2: [(CH3)Mn(CO)5]
⋅CH3 – neutro -CH – aniônico (-1)
3
CO – neutro ou CO – neutro
Mn → zero Mn → +1
22
Exemplo 3:

Co

⋅Cp (⋅C5H5) – neutro Cp- – aniônico (-1)

– neutro – neutro

Co → zero Co → +1

23
Exemplo 4: [HFe(CO)4]-

H- – aniônico (-1) ⋅H – neutro


CO – neutro ou CO – neutro
Fe → zero Fe → -1

24
b) Contagem de elétrons (Regra dos 18 e-):

→ A soma entre os elétrons d do metal e os


elétrons doados pelos ligantes na formação
dos complexos deve ser igual a dezoito (18).

→ Extensão da regra do octeto :


(n+1)s nd (n+1)p

→ É uma importante ferramenta para prever


fórmulas de compostos estáveis.

25
Exemplo 1: [Fe(CO)5]
Fe(0) – 4s2 3d6 = 8 e-
5 CO – 5 x 2 e- = 10 e-
Total = 18 e-

Exemplo 2: [(CH3)Mn(CO)5]

Mn(0) – 4s2 3d5 = 7 e- Mn(+1) – 4s1 3d5 = 6 e-


⋅CH3 – 1 x 1 e- = 1 e- -CH – 1 x 2 e- = 2 e-
3

5 CO – 5 x 2 e- = 10 e- 5 CO – 5 x 2 e- = 10 e-
Total = 18 e- Total = 18 e-
26
Exemplo 3:

Co

Co(0) – 4s2 3d7 = 9 e- Co(+1) – 4s1 3d7 = 8 e-

– 1 x 4 e- = 4 e- – 1 x 4 e- = 4 e-
-Cp – 1 x 6 e - = 6 e-
⋅Cp – 1 x 5 e- = 5 e-

Total = 18 e- Total = 18 e-

27
Exemplo 4: [HFe(CO)4]-

Fe(0) – 4s2 3d6 = 8 e- Fe(-1) – 4s2 3d7 = 9 e-


4 CO – 4 x 2 e- = 8 e- 4 CO – 4 x 2 e- = 8 e-
H- – 1 x 2 e- = 2 e- H⋅ – 1 x 1 e- = 1 e-
Total = 18 e- Total = 18 e-

28
Carbonilas metálicas em geral seguem a regra dos
18 e-.
CO
[Cr(CO)6] CO
OC Cr CO
Cr(0) – 4s2 3d4=6 e-
OC
6 CO – 6 x 2 e- = 12 e- CO
octaédrico
Total = 18 e-
[Fe(CO)5] CO
CO
Fe(0) – 4s2 3d6 = 8 e- OC Fe
CO
e-
5 CO – 5 x 2 = 10 e- CO
Total = 18 e- bipirâmide trigonal 29
[Ni(CO)4] CO

Ni(0) – 4s2 3d8 = 10 e- Ni


CO
OC
4 CO – 4 x 2 e- = 8 e- CO

Total = 18 e- tetraédrico

Metais com número ímpar de elétrons não


podem satisfazer a regra dos 18 elétrons por
adição de ligantes CO, uma vez que o número
total de elétrons será sempre ímpar.

30
[Mn(CO)5]
Mn(0) – 4s2 3d5 = 7 e-
5 CO – 5 x 2 e- = 10 e-
Total = 17 e- Não é estável!

Em geral, as carbonilas monometálicas com


número ímpar de elétrons dimerizam formando
uma ligação metal-metal dando origem aos
Compostos Homobimetálicos.

31
2 [Mn(CO)5] → [Mn2(CO)10]
CO CO
CO CO
OC Mn Mn CO
OC OC
CO CO

2Mn(0) – 2 x 7 e- = 14 e-
10 CO – 10 x 2 e- = 20 e-
Mn-Mn – 1 x 2 e- = 2 e-
Total = 36 e-

36 e-/ 2 Mn = 18 e- para cada Mn 32


[Co(CO)4]
Co(0) – 4s2 3d7 = 9 e-
4 CO – 4 x 2 e- = 8 e-
Total = 17 e- Não é estável!

2 [Co(CO)4] → [Co2(CO)8]
O

CO CO C
OC CO
OC CO OC Co Co CO
Co Co
OC CO OC CO
CO C
CO
33
O
CO CO 2 Co(0) – 2 x 9 e- = 18 e-
OC CO
Co Co 8 CO – 8 x 2 e- = 16 e-
OC CO
CO CO 1 Co-Co – 1 x 2 e- = 2 e-
Total = 36 e-
O

2 Co(0) – 2 x 9 e - = 18 e-
C
OC CO
6 CO – 6 x 2 e - = 12 e-
OC Co Co CO
OC CO 2 µ-CO – 2 x 2 e- = 4 e-
C
1 Co-Co – 1 x 2 e- = 2 e-
O
Total = 36 e-
36 e-/ 2 Co = 18 e- para cada Co 34
[V(CO)6] V(0) – 4s2 3d3 = 5 e-
6 CO – 6 x 2 e- = 12 e-
Total = 17 e-
[V(CO)6] não dimeriza !!!

Se o dímero fosse formado, o vanádio ficaria


com número de coordenação igual a 7 (N.C. = 7)
e sendo assim é mais favorável permanecer com
N. C. = 6 e 17 e-.
Consequentemente, essa espécie é a menos
estável das carbonilas metálicas: decompõe a 70
oC.
35
Aceita um elétron facilmente formando o íon
hexacarbonilvanadato: [V(CO)6]- com 18 e-.

Nem todos os complexos obedecem a regra dos


18 e-.
CO Ir(+1) – 6s1 5d7 = 8 e-
2 PPh3 – 2 x 2e- = 4 e-
Ph3P Ir PPh3
1 CO – 1 x 2 e- = 2 e-
Cl 1 Cl- – 1 x 2 e- = 2 e-
Total = 16 e-

36
RACIONALIZAÇÃO DA REGRA DOS 18 e-
ATRAVÉS DA TOM
Como muitas regras, a regra dos 18 e- não é
sempre obedecida : complexos estáveis podem
ter mais ou menos de 18 e-.

Esse fato pode ser explicado em termos da Teoria


de Orbitais Moleculares.

37
a)Complexos do tipo ML6 (octaédricos):

O arranjo mais
estável será
quando os orbitais
ligantes (a1g, t1u, eg
e t2g) estiverem
totalmente
ocupados e todos
os orbitais anti-
ligantes vazios, o
que confere um
total de 18 e-.

38
∆o → diferença de energia entre os orbitais t2g
e eg*.
Se ∆o é pequeno, como no caso dos complexos
de metais de transição da primeira série, a
ocupação dos orbitais eg* é possível. Como
resultado, existem complexos estáveis contendo
até 22 e-.

[Co(H2O)6]2+ → 19 e-
[Zn(NH3)6]2+ → 22 e-

39
Metais de transição com poucos elétrons d
requerem mais ligantes do que é
estereoquimicamente possível para completar
18 e-. Como resultado, existem complexos
estáveis com menos de 18 e-.
[TiF6]2- → 12 e-

Metais de transição das 2a e 3a série quase nunca


formam complexos com mais de 18 e- (∆o
grande)

40
Ligantes bons receptores π estabilizam os orbitais
t2g, aumentando ainda mais o valor de ∆o. Como
resultado, complexos octaédricos contendo
ligantes bons receptores π (CO), muito raramente
fogem a regra dos 18 e-.

41
Compostos Organometálicos

 CO é um ligante de campo forte, mesmo


sendo um mau doador σ, pois usa seus
orbitais π* como bons receptores π.
 Orbitais t2g do metal deixam de ser não-
ligantes, como eram na ausência de ligações
π e passam a ser ligantes.
 Diagrama mostra :
 6 OML das interações σ ligante-metal. 12 e-
 3 OML das interações π. 06 e-
 TOTAL 18 e-
 Compostos com esta configuração são
extremamente estáveis, ex. Cr(CO)6.
 Grande separação HOMO-LUMO evidenciada pela
Níveis de energia dos orbitais d de ausência de cor do composto → Δo tão grande que
um complexo octaédrico, com desloca transições para o UV.
ligante de campo forte.

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Compostos Organometálicos

Validade da Regra dos 16/18 elétrons para os compostos organometálicos de metais d


Geralmente menos de 18
Geralmente com 18 elétrons 16 ou 18 elétrons
elétrons
Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni
Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd
La Hf Ta W Re Os Ir Pt

43
Compostos Organometálicos

 Nomenclatura:
 Mesma nomenclatura dos Compostos de Coordenação:
 Ligantes em ordem alfabética, seguido do nome do metal, escritos
numa única palavra. Após o nome do metal seu número de
oxidação, entre parênteses, em algarismos romanos.
 Fórmulas primeiro com o símbolo do metal, seguido pelos ligantes
aniônicos e neutros, em ordem alfabética.
 Alguns ligantes se ligam a mais de um átomo metálico no mesmo
composto (ligantes em ponte). Usa-se então o símbolo μ, seguido
do número de átomos com que ele faz ponte (Ex. μ3-CO).
 Ligantes com átomos de carbono doadores podem se ligar através
de vários pontos de contato (Hapticidade) representada pelo
símbolo η, seguido do número de pontos de contato do ligante
com o átomo metálico (Ex. η5-C5H5 → pentahaptociclopendienil.

44
NOTAÇÃO DE OLEFINAS E SISTEMAS π
RELACIONADOS:
OBS: Também é válida para o caso da existência
apenas de ligação σ.
1. O prefixo hapto é colocado antes do nome da
olefina.
2. O número de átomos de carbono do
fragmento orgânico que é ligado ao metal é
especificado por prefixos gregos mono, di, tri,
etc.
Ex: monohapto, dihapto
45
3. Quando necessário, especificar quais os átomos
de carbono estão ligados ao metal. Eles devem ser
citados por números antes dos prefixos
anteriormente mencionados.

4. Nas fórmulas usar a letra grega η (eta) para


indicar a hapticidade.
Ex: monohapto = η1
dihapto = η2

pentahapto = η5
46
Mo NO

(monohaptociclopentadienila)(trihaptociclopentadie
nila)(pentahaptociclopentadienila)nitrosila
molibdênio(0).

[(η1-C5H5)(η3-C5H5)(η5-C5H5)Mo(NO)]
47
Co

(1,2,5,6-tetrahaptociclooctatetraeno)
(pentahaptociclopentadienila) cobalto(0)

[Co(1,2,5,6-η4-C8H8)(η5-C5H5)]

48
≡C-):
d) Complexos de acetileno (-C≡

i) Ligação a um centro metálico


envolvendo um par de elétrons π:

CH CH
M M
CH CH

Formação de um METALOCICLOALQUENO

49
F3C CF3
ii) Ligação a dois
centros metálicos OC C C

envolvendo um par Rh Rh
de elétrons π: CO

Ph
ii) Ligação a dois Ph C CO
centros metálicos C Co
envolvendo dois OC CO
Co OC
pares de elétrons π:
OC CO 50
[(µ-C6H5C≡CC6H5)Co2(CO)6]

Carbono em geometria tetraédrica sp3


d(C-C) = 1,46 Å

Tabela 4: Comprimento de ligação e freqüência de


estiramento do grupo C≡C.
Espécie d (C≡C)/ Å ν/cm-1
C≡C livre 1,19 2223
C≡C coordenado 1,32 1750
51
e) Complexos com ligantes alila:

ou
Modos de coordenação:

η1- alila – Uma ligação σ


M


M M M
η3- alila – Ligações σ e π 52
[(η1-C3H5)(η5-C5H5)Mo(CO)3]
OC
Mo
(monohaptoalila)(penta-
OC
CO haptociclopentadienila)
tricarbonilmolibdênio(0)

CH3 [Ni(η3-C4H7)2]
Ni
bis(trihapto-2-metilalila)niquel(0)
H3C

53
Co [(η3-C3H5)Co(CO)3]
OC CO
OC
(trihaptoalila)tricarbonilcobalto(0)

54
f) Complexos de ciclopentadienila:

η1 ≡ 1 e-
η3 ≡ 3 e-
η5 ≡ 5 e-

η1 ≡ 2 e-
η3 ≡ 4 e-
η5 ≡ 6 e-

55
Metalocenos: classe de compostos
contendo η5-Cp
i) Complexos sanduíche: Moléculas do tipo MCp2
simétricas, com ligantes Cp paralelos.

Fe

Ferroceno
56
ii) Metalocenos recurvados : MLnCp2 , n=1 até
3.
H n= 2
Nb

CO

iii) Complexos meio sanduíches: MLnCp , n=1 até 4.

Mo CO
OC CO
CO 57
iv) Sanduíches mistos: Compostos do tipo MLCp,
se L for outro anel aromático.

Co

58
Complexos que possuem ligação M-C do
tipo π :
a) Carbonilas metálicas ( M-CO ):

→CO é uma base de Lewis fraca.


→Metal estará sempre em baixo estado de
oxidação.

Como é explicada a alta estabilidade das


carbonilas metálicas?

59
Formação da ligação σ e formação de
retrodoação π
-

+ M + + + C O: M + C O:
- Orbital σ com 1 par Ligação σ
de elétrons
Orbitais dx2-y2
vazios

- + + - -
- +
M :C O:
+ M :C O:
+ - - + -
+ +

Orbitais dxy Orbitais π∗ anti-ligantes Retroligação π


cheios vazios
60
Os ligantes CO podem estar coordenados de modo:

Terminal Em ponte :

CO O
CO
OC Mn CO simples
C
OC CO M M
OC Mn CO
OC
CO O

C tripla
M M
M 61
Utiliza-se o prefixo µ nas fórmulas moleculares
para designar os ligantes em ponte:

O
Fe2(CO)9 OC CO
C
OC Fe Fe CO
OC C C CO

O O

(µ-CO)3[Fe(CO)3]2
62
63
Compostos Organometálicos

 Monóxido de Carbono
(Carbonila):
 Ligante mais comum da química
organometálica.
 Estabiliza baixos estados de
oxidação.
 O diagrama de OM para o CO
indica que o HOMO tem simetria
σ, enquanto os LUMO são
orbitais π*.
 O CO se caracteriza por ser um ligante muito versátil pois além da
ligação descrita anteriormente, tem capacidade de formar ligações
em ponte com dois ou três átomos metálicos, ou mesmo sua tripla
ligação se ligar a outro metal lateralmente.
64
Compostos Organometálicos

 O orbital 3σ do CO é um lobo que se


projeta para fora do Carbono, podendo
atuar como um doador muito fraco.
 Os orbitais 2π do CO tem simetria
semelhante aos orbitais d do metal,
sobrepondo-se a estes.
 A interação π conduz a deslocalização dos
elétrons dos orbitais d ocupados no átomo
metálico para os orbitais π* vazios dos
ligantes CO, de forma que o ligante
também atua como um receptor π.
Retroligação π  Quanto mais forte a ligação metal-
carbono, mais fraca a ligação CΞO.

65
66
Como caracterizar carbonilas terminais e
carbonilas em ponte?

δ δ +
M :C O: M C O:

M C O:

67
A contribuição δ-M-C≡Oδ+ nas estruturas de
ressonância para as carbonilas terminais, implica
que o ligante CO é RELATIVAMENTE parecido com
o ligante livre, isto é, a ordem de ligação carbono-
oxigênio é mantida em aproximadamente 3.

δ-M-C≡Oδ+ :C≡O:

68
A manutenção da ordem de ligação C-O em
carbonilas terminais é refletida nas freqüências
de estiramento carbono-oxigênio no espectro
de infravermelho.
Por outro lado, ligantes CO em ponte são
eletronicamente mais próximos de um grupo
carbonila orgânico, com a ordem de ligação mais
próxima de 2, como em cetonas.
O O

C C
R R M M
Cetona 69
70
Tabela 2: Freqüências de estiramento do grupo
CO

Ligante νCO/ cm-1


CO livre 2143
CO terminal 2125-1850
CO cetonas 1715
CO em ponte 1850-1700
CO em ponte tripla ≈ 1600

71
 Carbonilas do Bloco d (continuação):
 Algumas podem ser preparadas por síntese direta:
Ni(s) + 4 CO (g) Ni(CO)4 (l)
Fe(s) + 5 CO (g) Fe(CO)5 (l)
2 Co(s) + 8 CO (g) Co2(CO)8 (s)
 A maioria é preparada por carbonilação redutiva:
CrCl3 (s) + Al (s) + 6 CO (g) AlCl3 (sol) + Cr(CO)6 (sol)
 Todas as carbonilas apresentam espectros vibracionais
muito característicos.
 A freqüência de estiramento CO diminui quando ele atua
como um receptor π. Ligantes doadores provocam a
diminuição da freqüência de estiramento do CO à medida
que eles fornecem elétrons para o metal.

72
b) Complexos de Fosfinas:

Ligantes fosforados podem ser do tipo PR3


(fosfinas) ou P(OR)3 (fosfitos).
Ex: PMe3 – trimetilfosfina
PEt3 - trietilfosfina
PPh3 ou Pφ3 – trifenilfosfina

PR2 R = Me, Et ou Ph
PR2
73
Fosfinas são ligantes neutros doadores de 2
elétrons.

O átomo de P possui orbitais d vazios capazes


de aceitar elétrons para formar ligações π.

74
- R R

+ M + + + P M + P
R R
- R R
Orbitais dx2-y2 Orbital σ com 1 par Ligação σ
vazios de elétrons

R R
- + + - - -
M
+
+ P M P
R R
+ - - + -
+ +
R R
Orbitais dxy Orbitais dxy vazios
Retroligação π
cheios do fósforo
75
c) Complexos de olefinas:
Ligantes neutros:

H2C=CH2 etileno alila (•C3H5)

ciclopentadienila (•C5H5 ou Cp•)

ciclooctadieno (C8H12 ou COD)

76
Ligantes aniônicos:

alila (C3H5-)

ciclopentadienila (C5H5- ou Cp-)

77
-
C
+ M + + + - Ligação σ
- C

Orbitais dx2-y2
Orbitais π ligantes
vazios
cheios da olefina

- + + -
C
M +
C Ligação π
+ -
- +

Orbitais dxy Orbitais π∗ anti-ligantes


cheios
vazios da olefina 78
Desta forma, a ligação C=C de uma olefina
coordenada é enfraquecida.

Tabela 3: Comprimento de ligação e freqüência


de estiramento do grupo C=C de olefinas.

Espécie d (C=C)/ Å ν/cm-1

Olefina livre 1,34 ≈1650

Olefina coordenada 1,39-1,48 1510-1490

79
Se a retroligação π é muito efetiva, a ligação
carbono-carbono se aproxima de uma ligação
simples.

No caso extremo, os átomos de carbono se


aproximam da hibridação sp3 (tetraédrica)
formando um METALOCICLOALCANO

C C
M M
C C
80
Compostos Organometálicos

 Metalocenos:
 Ferroceno -(Cp)2Fe → descoberto em
1951.
 Metaloceno → “Um metal entre dois anéis
de carbono planos”.
 Todos os comprimentos de ligação
nestes compostos são idênticos, logo
todos podem ser tratados como tendo
configuração aromática.

(Fluxionalidade)

81
Compostos Organometálicos

 Metalocenos (continuação):

(1)
 São possíveis outras variações como:
 Compostos metalocenos angulares (1).

 Compostos “meio sanduíche” (2).

 Compostos de “três andares” (3).

(3)
(2)

82
Compostos Organometálicos

 Clusters Metálicos:
 Compostos com ligação metal-metal que
formam estruturas cíclicas triangulares ou
maiores.
 São raros os clusters organometálicos para
os primeiros metais d.
 São desconhecidos clusters de metais f.

 São conhecidas muitas carbonilas metálicas


com os elementos dos Grupos 6 a 10.
 Na contagem dos elétrons de valência do
cluster há que se observar as Ligações M-M.

83
Compostos Organometálicos

Aplicações:
♦ Catálise (para produção de fármacos,
agroquímicos, sabores artificiais, fragâncias)

♦ Síntese orgânica

84