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Igreja Presbiteriana

em Porto Alegre
Sugestões de intervenção missiológica a
partir de uma análise histórico-cultural

Por

Timóteo Freitas de Souza

Monografia apresentada ao Presbitério do Rio Grande do Sul


em cumprimento às exigências finais para a licenciatura ao
Sagrado Ministério.

Porto Alegre – RS
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

2005
ÍNDICE

BASE CONFESSIONAL............................................................................................................................5
INTRODUÇÃO............................................................................................................................................6
CAPÍTULO 1 - RIO GRANDE DO SUL..................................................................................................7
1.1 HISTÓRIA..............................................................................................................................................7
1.1.1 Porto Alegre................................................................................................................................9
1.2 TRADIÇÃO............................................................................................................................................11
1.3 PENSAMENTO........................................................................................................................................14
1.3.1 Auguste Comte..........................................................................................................................14
1.3.2 Maçonaria.................................................................................................................................15
1.4 SITUAÇÃO RELIGIOSA..............................................................................................................................16
CAPÍTULO 2 - IGREJA PRESBITERIANA NO RIO GRANDE DO SUL.......................................19
2.1 PRIMÓRDIOS DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL ...................................................................................19
2.2 PIONEIROS NO RIO GRANDE DO SUL........................................................................................................20
2.3 PIONEIRO EM PORTO ALEGRE..................................................................................................................23
2.4 DESENVOLVIMENTO................................................................................................................................24
2.5 SITUAÇÃO ATUAL...................................................................................................................................33
3. CONSIDERAÇÕES MISSIOLÓGICAS.............................................................................................34
3.1 MISSÃO...............................................................................................................................................34
3.1.1 Conceito de Missão nos séculos XIX e XX ...............................................................................36
3.2 IGREJA................................................................................................................................................37
3.5 SUGESTÕES DE AÇÃO NA REALIDADE PORTO-ALEGRENSE...............................................................................40
3.5.1 Conquistar o direito de ser ouvido...........................................................................................40
3.5.2 Criar pontes com a tradição.....................................................................................................40
3.5.3 Plantar novas igrejas................................................................................................................41
3.5.4 Estabelecer contatos.................................................................................................................42
3.5.5 Utilização da força leiga .........................................................................................................42
3.5.6 Conhecer o público-alvo...........................................................................................................42
3.5.7 Alcançar migrantes...................................................................................................................43
3.5.8 Expressar o amor de Cristo......................................................................................................44
CONCLUSÃO............................................................................................................................................45
BIBLIOGRAFIA.......................................................................................................................................45

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

Agradecimentos

Ao meu pai, Edson Vidal de Souza e sua esposa Morilda de Souza, que
me apoiaram financeiramente e emocionalmente durante a
realização deste curso.
Aos meus irmãos e cunhados: Anderson Ricardo Ramalho, Vanessa
Freitas de Souza Ramalho, Vinícius Freitas de Souza, Patrícia Cristina
de Souza e Edson Vidal de Souza Júnior pela constante disposição em
me ajudar.
À minha linda e amada namorada, Fadua Matuck, pelo apoio, carinho
e também pela revisão do texto.
Ao Presbitério do Rio Grande do Sul por ter acreditado no meu
chamado e me apoiado por todos esses anos.
Ao meu tutor, Rev. Osias Correia, pelas orientações e constante
disposição para me ajudar.
Aos professores do Seminário Presbiteriano do Sul por contribuírem
de forma tão enriquecedora na minha formação teológica.
Ao Rev. Silas Luiz de Souza e ao Rev. Breno Martins Campos pelas
orientações durante a elaboração deste trabalho.
Por fim, aos meus colegas de turma, dentre os quais ganhei amizades
para a vida toda.

Dedicatória

Dedico este trabalho a Edson


Vidal de Souza, meu querido e
amado pai.

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Por Timóteo Souza

Base confessional
Conforme preceitua o Art. 120 da Constituição da Igreja
Presbiteriana do Brasil, o candidato à licenciatura deverá apresentar
ao presbitério, dentre outras exigências, uma tese de doutrina
evangélica da Confissão de Fé de Westminster.
Nesse intuito, a presente tese está baseada nos seguintes
capítulos da mesma:

Cap. XXXV – Do amor de Deus e das Missões

I. Em seu amor infinito e perfeito – e tendo provido no pacto


da graça, pela mediação e sacrifício do Senhor Jesus Cristo,
um caminho de vida e salvação suficiente e adaptado a toda a
raça humana decaída como está – Deus determinou que a
todos os homens esta salvação de graça seja anunciada no
Evangelho.

IV. Visto não haver outro caminho de salvação a não ser o


revelado no Evangelho, e visto que, conforme o usual método
de graça divinamente estabelecido, a fé vem pelo ouvido que
atende à Palavra de Deus, Cristo comissionou a sua Igreja
para ir por todo o mundo e ensinar a todas as nações. Todos
os crentes, portanto, têm por obrigação sustentar as
ordenanças religiosas onde já estiverem estabelecidas e
contribuir, por meio de suas orações e ofertas e por seus
esforços, para a dilatação do Reino de Cristo por todo o
mundo.

Cap. XXV – Da Igreja

II. A igreja visível, que também é católica ou universal, sob o


Evangelho (não sendo restrita a uma nação, como antes sob a
Lei), consiste de todos aqueles que, pelo mundo inteiro,
professam a verdadeira religião, juntamente com seus filhos;
é o Reino do Senhor Jesus Cristo, a casa e família de Deus,
fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação.

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Introdução

Sempre quando se fala sobre a presença presbiteriana no Rio


Grande do Sul vem à mente o questionamento sobre quais as razões
pelas quais a Igreja Presbiteriana não cresce no estado mais
meridional do país. Muitos esforços têm se concentrado no propósito
de evangelizar o povo gaúcho, todavia os resultados têm mostrado
que existem dificuldades maiores no alcance do Rio Grande.
O presente trabalho não possui a pretensão de responder a
esse questionamento, todavia tem o objetivo de contribuir, ainda que
minimamente, para o trabalho de todos aqueles que desejarem
cumprir o mandamento do Senhor Jesus no Rio Grande.
O primeiro capítulo trará uma exposição da história do Rio
Grande do Sul a partir do fim do século XIX até os dias atuais,
enfatizando-se apenas alguns acontecimentos pertinentes à proposta
deste trabalho. Ainda no capítulo um é apresentada a cultura e
tradição do Rio Grande do Sul, bem como as linhas de pensamento
que influenciaram a forma de pensar do povo rio-grandense. Somado
a isto, aparece a situação religiosa do estado onde são colocadas as
principais religiões presentes.
O segundo capítulo também faz uma abordagem histórica,
todavia limitada aos primórdios da Igreja Presbiteriana do Brasil e a
um relato dos esforços missionários presbiterianos desde a chegada
do primeiro pastor presbiteriano ao estado em 1887 até os dias
atuais. As fontes primárias utilizadas na pesquisa foram livros de atas
da Igreja Presbiteriana de Porto Alegre e outros documentos, além de
entrevistas com pastores que trabalharam no campo. Também foi
realizada pesquisa de campo com membros antigos da Segunda
Igreja Presbiteriana de Porto Alegre. A escassez de fontes trouxe
certa limitação à pesquisa.
O terceiro capítulo traz algumas considerações missiológicas
mostrando os conceitos de Missão e Igreja e de que forma estão
relacionados. Além disso, há algumas sugestões de ação na realidade
gaúcha a partir do conteúdo apresentado nos dois primeiros
capítulos.
Não há a intenção de trazer métodos novos, esquecendo de
toda a história e desmerecendo a todos pastores e obreiros que
passaram pelo campo. Pelo contrário, a proposta é sugerir formas de
intervenção a partir da história, cultura, situação religiosa e também
da experiência presbiteriana no estado, especialmente em Porto
Alegre.

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Capítulo 1 - Rio Grande do Sul

1.1 História

O Rio Grande do Sul é o estado mais meridional no conjunto de


federações que compõe a nação brasileira. Terra conhecida como “o
primeiro mundo” do Brasil, o Rio Grande se destaca pela sua beleza
natural, alto índice de alfabetização e outras características que o
fazem um dos primeiros no “ranking” da qualidade de vida publicado
pela Organização das Nações Unidas. O baixo índice de analfabetismo
constata numericamente a capacidade intelectual e política deste
povo fortemente influenciado pelas idéias de Auguste Comte e
totalmente apaixonado pelos seus “pagos”1.
O rosto do Rio Grande do Sul é formado por 25 etnias, entre
elas açorianos, alemães, italianos e poloneses, que fazem do estado
um verdadeiro mosaico cultural. A presença alemã principalmente
trouxe o desenvolvimento industrial ao estado. Os alemães foram
responsáveis pela produção artesanal – uma das principais atividades
desenvolvidas no estado no séc. XVIII.
O povo do Rio Grande orgulha-se grandemente de sua tradição
e suas origens. Isso se deve ao fato de ser um estado outrora já bem
preparado militarmente, com uma política desenvolvida e economia
estável. Esses fatores provocaram a conhecida e importante
Revolução Farroupilha. A principal causa dessa revolução foi o desejo
de tornar o Rio Grande do Sul independente do restante do Brasil 2. Do
Rio Grande saíram importantes nomes no panorama político
brasileiro. O estado também foi um dos principais colaboradores no
desenvolvimento da economia nacional ao fornecer animais de corte
e tração para o transporte3 do ouro, descoberto por volta de 1720 –,
principal fonte de riqueza do país na época.
1
Terra onde se nasce.
2
O desejo pela autonomia e pelo federalismo cresceu na antiga Província Rio
Grande de São Pedro do Sul. Alguns motivos para esse crescimento foram a
distância do centro do país, a independência econômica e o preparo militar
conseqüente da participação em guerras. Essa vivência em guerras por parte da
elite rural desfavorecia a submissão ao governo central. Os altos impostos sobre os
produtos exportados da província que o governo cobrava favoreceram a rebelião.
Os responsáveis ligados ao governo central pela repressão foram: Bento Gonçalves
e Bento Manoel. A tomada de Porto Alegre foi o estopim para a revolução
considerada a mais longa guerra civil brasileira. Durou cerca de dez anos.
3
Os tropeiros realizavam o transporte do ouro.

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Outro fato importante na história do Rio Grande do Sul foi a


presença de padres jesuítas enviados com a finalidade de evangelizar
os nativos, bem como ocupar o território. Para isso eles
desenvolveram duas formas de ocupação – as reduções 4 e a
Companhia de Jesus5.
Em 1722 chegam ao estado os primeiros casais de açorianos a
fim de ocupar cada vez mais as terras pertencentes aos portugueses.
Foi assinado o Tratado de Madri que determinava que os
portugueses ficariam com os “Sete Povos das Missões”6 e os
espanhóis com a região da Colônia de Sacramento. A distribuição das
terras aos casais foi muito confusa. Isso fez com que estes
ocupassem regiões desertas como Porto Alegre, Mostardas, Taquari,
Estreito, Osório, Rio Pardo, etc. A principal dificuldade para ocupação
das terras foi a presença de índios.
Já na virada do século XX, o Rio Grande do Sul tem no governo
Júlio de Castilhos que implantou no estado a ditadura iluminada
influenciada pelo positivismo. As idéias castilhistas permanecem no
poder mesmo após a saída de Castilhos. Borges de Medeiros é o
sucessor e mantém o sistema de governo.
Na área da educação surgem faculdades de ensino superior que
unidas posteriormente formaram a Universidade Federal do Rio
Grande do Sul7.
No interior do estado, as cidades progrediam à medida que o
tempo passava. Rio Grande com 29 mil habitantes e Pelotas com 44
mil eram os principais centros industriais do estado. Inclusive o
segundo setor da economia crescia rapidamente no estado e contava
com trezentas indústrias em atividade.
Em termos demográficos, em 1900, metade da população
gaúcha tinha idade inferior a 15 anos. Havia no estado cerca de
1.150.000 habitantes. O índice de analfabetismo no estado era de
67,3%. Esses dados indicam por onde passava o caminho para a
qualidade de vida. A criação de novos empregos e escolas de
alfabetização eram os principais desafios dos governantes. O
processo de urbanização foi acelerado no estado a partir de 1920.
4
Pequenos núcleos de povoamento. Inicialmente foram criadas dezoito reduções. A
primeira redução foi formada, em 1626, pelo padre Roque Gonzáles de Santa Cruz e
foi denominada São Nicolau de Piratini. Nas reduções tudo era bem organizado.
Havia constituição, leis civis e penais, bem como os juízes para o exercício do
Direito. O modo de trabalho com a agricultura servia de modelo para outros povos
da América
5
Projeto de catequização dos índios onde estes recebiam ensino religioso e
profissionalizante.
6
Os Sete Povos das Missões eram comunidades onde os índios eram ensinados,
catequizados e tinham contato com a civilização. Alguns deles – após o período na
comunidade – tinham noções de sobrevivência e a vida totalmente planejada.
Enquanto que os outros eram seminômades e não tinham preocupação com o
sustento do dia seguinte. Algumas comunidades chegaram a ter quarenta mil
indígenas.
7
As primeiras unidades de ensino superior do estado têm mais de cem anos, mas
só foram agrupadas numa universidade em 1934 quando foi criada a Universidade
de Porto Alegre pelo governo do Estado, depois denominada Universidade do Rio
Grande do Sul; em 1955 foi federalizada.

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Em 1924, a inflação passa a assolar a economia nacional


prejudicando a produção de carne e derivados. Getúlio Vargas surge
no cenário nacional como Ministro da Fazenda do governo de
Washington Luiz e intervém na economia criando o Banco do Estado
do Rio Grande do Sul com um capital público de cinqüenta mil contos
de réis.
Em 1928, Vargas concorre ao governo federal, mas é derrotado.
Em 1930, Washington Luiz é deposto e Vargas assume a presidência.
Em 1934, é eleito presidente da República.
No Rio Grande do Sul, Flores da Cunha é eleito governador em
1935. Flores contava com a simpatia da elite rural e teve como alvo
construir um bloco de poder independente do governo central.
Nas eleições para o governo do estado, os candidatos são
Leonel Brizola e Ildo Meneghetti. Meneghetti vence e permanece até
1955 quando concorreu à presidência da República, sendo derrotado
por Juscelino Kubitschek. Em 1958, Leonel Brizola vence as eleições
para o governo do Estado. Meneghetti volta ao governo do Rio
Grande em 1962 num momento conturbado que terminou com o
golpe militar de 1964.
Com relação à economia gaúcha, esta perdeu força na década
de 50 por causa da queda de investimento por parte do governo
federal que passou a incentivar a instalação das fábricas na região
sudeste. Isso gerou empobrecimento, fazendo com que muitos
gaúchos ficassem desempregados. Surgem favelas nas periferias das
cidades gaúchas em 1957.
Em 1964 tem início a ditadura militar que provoca cassações,
fechamento de sindicatos, extinção de partidos, enfim, não havia
liberdade de escolha, de pensamento. Em 1968, alguns jovens saem
às ruas para protestar contra o regime militar. Em 1974, outro gaúcho
Ernesto Geisel é eleito presidente da República.
Em 1984, a população gaúcha sai às ruas de Porto Alegre
solicitando as “Diretas Já”8. Em 1986, Pedro Simon chega ao governo
do Estado tendo como sucessor, em 1990, Alceu Collares. No segundo
turno das eleições de 1994, Antonio Britto foi eleito governador do
estado. Após Antônio Britto, assume o cargo o petista Olívio Dutra.
Atualmente, Germano Rigotto é o governador do Rio Grande do Sul.

1.1.1 Porto Alegre

A formação de Porto Alegre tem início com a chegada dos


casais açorianos há aproximadamente dois séculos. Desde sua
origem até os dias atuais, a capital do Rio Grande do Sul sempre teve
destaque no quadro das capitais brasileiras. Conhecida
internacionalmente como a capital mundial da democracia e da

8
Protesto ao regime militar, a campanha das “Diretas Já” serviu para impulsionar a
força eleitoral da oposição à ditadura para a sucessão ao governo do Estado em
1986.

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participação popular através do “Orçamento Participativo” e por


sediar o Fórum Social Mundial.
A Organização das Nações Unidas outorgou a Porto Alegre o
título de metrópole da qualidade de vida. Os muitos títulos recebidos
confirmam ser Porto Alegre uma ótima cidade para morar, trabalhar,
se divertir, estudar e fazer negócios.
Segundo levantamento da World Winning Cities, Porto Alegre
está entre as vinte e quatro cidades com o maior potencial de
crescimento no mundo e uma das cidades melhor preparadas no
mundo para receber investimentos nos próximos dez anos.

Total Homens Mulheres


População 1.360.590 635.820 724.770
Expectativa vida 71,4 anos 66,2 76,2
Fonte: Censo IBGE 2000

Indicadores de Qualidade de Vida


Densidade demográfica 29 habitantes/hectare
Crescimento populacional 1,35/ano
Eleitores 1.005.998 (TRE 2004)
PIB R$ 11 bi 179 milhões 288 mil
431,00
PIB per capita R$ 8.081,00
Índice de alfabetização 96,7% (IBGE 2000)
Índice de mortalidade infantil 13,93 óbitos/1000 nascidos vivos
(SMS)
Abastecimento de água 99,5% da população (DMAE)
Fornecimento de energia elétrica 98% dos domicílios
Coleta de esgoto 84% da população (DMAE)
Esgoto tratado 27% da população (DMAE)
Recolhimento de lixo 100% dos bairros (DMLU)
Coleta seletiva de lixo 100% dos bairros (DMLU)
Arborização 1 milhão de árvores em vias
públicas

Porto Alegre também é referência científica mundial em saúde.


A cidade possui 1.182 estabelecimentos voltados para a saúde e o
atendimento e competência dos profissionais, bem como as
instalações dos hospitais em bom estado recebem o reconhecimento
público. Na área de urgências e emergências traumatológicas, o
Hospital de Pronto Socorro é apontado como um dos melhores do
país. A capital gaúcha também é referência na área de transplantes,
cirurgias cardíacas e plásticas.
A região metropolitana de Porto Alegre tem uma população de
3.705.403 habitantes, equivalente a 36,40% da população do estado,
distribuídos em 31 municípios. Centro de concentração econômica,
política, cultural, administrativa, etc. Possui como maior gerador de
empregos o setor terciário responsável por 1.074 mil empregos,
seguido pelo setor secundário com 420,9 mil.

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Enfim, estamos falando de uma cidade com alto potencial de


desenvolvimento. Cidade bem desenvolvida, habitada por pessoas
bem preparadas intelectualmente e que também amam demais o
“chão” onde vivem. Esse amor é transmitido através da tradição.

1.2 Tradição

Os acontecimentos históricos acabam por produzir o que


denominamos tradição. À medida que o tempo passa e novas
situações são vivenciadas por determinado grupo de pessoas forma-
se uma tradição. Com o Rio Grande do Sul não é diferente. Povo que
lutou bravamente por seu chão e por seus ideais tem forte ligação e
amor por sua tradição.
O termo tradição vem do latim, do verbo “tradere” (traditio,
traditiones) que significa entregar, transmitir. Assim, tradição é a
transmissão de fatos que produziram costumes de determinado povo
ou lugar, quer sejam espirituais, quer materiais. A tradição gaúcha
tem sobrevivido aos anos por ser valorizada pelos pais que a ensinam
aos filhos. Tradição é a memória cultural de um povo.
Fazem parte da tradição gaúcha: o chimarrão, a pilcha, as
lendas, o fandango, a música, a poesia, as trovas, etc. Alguns
movimentos marcaram a história da Tradição do Rio Grande.
Inicialmente, em 1890, havia o gauchismo. Depois em 1920, o
regionalismo. Em 1950, o tradicionalismo e, atualmente, o nativismo.
Um importante estudioso da cultura gaúcha e do
tradicionalismo, Antonio Augusto Fagundes, afirma que a
caracterização dos valores cultuais à tradição gaúcha são o
nativismo, a honra, a hospitalidade, a coragem, o respeito à palavra
empenhada, o cavalheirismo dentre tantas outras características
peculiares ao gaúcho. Assim, nativismo pode ser entendido como um
valor do culto à tradição que expressa um amor pelo chão onde se
nasce. O amor ao Rio Grande é tão intenso que o gaúcho chega a ser
bairrista.
O tradicionalismo gaúcho como movimento existe desde 1947.
Este visa reagir aos fatores de desintegração da sociedade apontados
pela sociologia que são o enfraquecimento do núcleo cultural e o
desaparecimento dos grupos locais. Ou seja, a cultura tem a proposta
de unir as pessoas e fortalecer as instituições sociais como a família,
bem como fazer com que as pessoas valorizem cada vez mais as suas
histórias.
Por essas razões, a cultura é tão relevante atualmente. Num
mundo de desvalorização de relacionamentos onde todos são
descartáveis, onde há uma valorização do existencialismo, a cultura
vem com a finalidade de mudar esse quadro. Ela nos ajuda a
perceber quem somos, de onde viemos, qual a nossa história de vida,
etc. Atualmente, as pessoas estão em busca de relacionamentos, vida
em grupo, companheirismo. As rodas de chimarrão e os Centros de

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Tradições Gaúchas (CTG) são estratégias para alcance das metas do


tradicionalismo.
Formam o movimento tradicionalista os diversos CTG’s9
espalhados pelo Brasil e por vários países do mundo. Este movimento
está baseado no seguinte conceito sociológico:

Qualquer sociedade poderá evitar a dissolução enquanto


for capaz de manter a integridade de seu núcleo cultural.
Desajustamentos, nesse núcleo, produzem conflitos
entre indivíduos que compõem a sociedade, pois esses
vêm a preferir valores diferentes, resultando, então, a
perda da unidade psicológica essencial ao
funcionamento eficiente de qualquer sociedade. (site
MTG)

Ao contrário do que muitos podem entender, o tradicionalismo é


uma formação para o futuro, ao invés de ser uma volta ao passado.
Ele prepara os indivíduos para o futuro e busca gradativamente
transformar alguns aspectos sociais.

Portanto, podemos conceituar o movimento tradicionalista


como algo que visa auxiliar o estado na busca pelo bem coletivo
reforçando os núcleos da cultura através do próprio povo e suas
ações. O movimento não cria nada, simplesmente identifica os
valores da tradição que estão implícitos ou, até mesmo, explícitos no
plano da cultura e busca organizá-los como movimento.

A transmissão da tradição realizada pelos pais aos filhos tem


como meta não permitir que os valores e o amor à terra sejam
esquecidos. Há, inclusive, a defesa de que a tradição gaúcha deveria
ser ensinada nas escolas primárias.

Alguns valores básicos da tradição gaúcha10:

a) Nativismo – o gaúcho ama o solo onde nasceu porque


o conquistou. Não o recebeu simplesmente.
b) Espírito associativo – compaixão e solidariedade para
com o necessitado.
c) Respeito à palavra dada – o gaúcho confia no
indivíduo que demonstra sinceridade e respeita a
palavra deste.
d) Defesa da honra – o gaúcho como popularmente é
dito “não leva desaforo para casa”. Ele zela pela sua
honra.
e) Coragem – a disposição em lutar pela sua terra e
defender sua família.

9
São agremiações populares onde se vive, estuda e divulga as tradições do Rio
Grande. Exemplos de grupos locais.
10
Fonte: www.mtg.org.br

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f) Cavalheirismo – valoriza muito o próximo tratando-o


com gentileza e educação.
g) Conduta ética – o cidadão do Rio Grande é altamente
ético e consciente. Além disso, poucos gaúchos se
envolvem em escândalos nacionais.
h) Sentimento de igualdade – por mais que se diga que
o povo do Rio Grande é racista, isto não é comprovado
na prática. O gaúcho respeita pessoas de outras raças.
Os negros fizeram parte das tropas farroupilhas na
época da escravatura.
i) Senso de modernidade – o estado do Rio Grande do
Sul é considerado “o primeiro mundo” do Brasil. Desde
a influência da ditadura positivista até outros
acontecimentos e influências, percebe-se que o Rio
Grande possui um diferencial comparado a outros
estados brasileiros.

Atualmente o número de CTG’s cresce significativamente. A


consciência tradicionalista atinge pessoas de todas as idades. Os
produtos ligados à tradição têm alto índice de vendas. A cultura
tradicionalista conquistou os jovens das cidades que se vestem
tipicamente e apreciam o bom chimarrão.

No final da década de 1970, as pessoas achavam que o


tradicionalismo ficaria obsoleto. Entretanto, na década de 1980,
houve um ressurgimento da tradição e muitos CTG’s foram firmados
em centros urbanos. O interesse pelo tradicionalismo é exposto em
todos os meios de comunicação.

O tradicionalista tem uma forma peculiar de se vestir. Em dias


de folga quando vai ao Centro de Tradição ou, até mesmo, apreciar o
pôr-do-sol às margens do lago Guaíba ou caminhar pelo Parque da
Redenção, o gaúcho não deixa de se vestir caracterizadamente e
nem de carregar os ingredientes para um bom chimarrão. O traje
masculino é formado pelo chiripá farroupilha11, camisa, colete,
jaqueta, ceroulas12, lenço13, chapéu14, guaiaca15, bota, faixa, esporas e
lenço16. O traje feminino é formado por saia, casaco, bombachinhas,
meias, sapatos, etc.

Além da indumentária, o Rio Grande possui músicas e danças


típicas que expressam o sincretismo étnico presente na formação
cultural do estado. Os colonos açorianos foram os primeiros a
11
Pano inteiro passado por entre as pernas, preso à cintura, primeiro de trás para
frente e depois no sentido contrário.
12
Algodão utilizado na bota.
13
Para cada ocasião há uma cor e uma forma de dar o nó. Os nós mais conhecidos
são: nó de correr, nó de namorado, nó de rodeio, nó de dois galhos.
14
Chapéu de feltro, copa alta arredondada e aba curta.
15
Espécie de cinta com uma ou duas fivelas e de um a três bolsos.
16
Usado na cabeça ou no pescoço.

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influenciar na formação das danças. Depois os imigrantes europeus,


africanos e latino-americanos também deram sua contribuição. Com o
passar dos anos, as músicas gaúchas foram ganhando características
próprias. Dentre estas poderíamos destacar o vaneirão, o chamamé e
a milonga. Outro estilo importante na história do Rio Grande é o
Fandango. A partir de 1870, a gaita propiciou o surgimento de novos
estilos.

De forma mais detalhada agora, as etnias presentes no Rio


Grande do Sul e que contribuíram fortemente na formação cultural do
estado são representadas por açorianos, alemães, italianos,
poloneses, japoneses, árabes, holandeses, franceses, chineses,
ucranianos, russos, letonianos, ingleses, americanos, suíços, belgas,
húngaros, gregos e suecos. É possível afirmar que, atualmente, há
pessoas de todas as partes do mundo vivendo no Rio Grande do Sul e
influenciando na composição de costumes da cultura rio-grandense.

1.3 Pensamento

O pensamento do gaúcho foi fortemente influenciado por


algumas correntes. Indubitavelmente, foi influenciado pelo
pensamento dos imigrantes que ocuparam o território, bem como dos
líderes políticos que surgiram na história do Rio Grande.

1.3.1 Auguste Comte

O positivismo de Comte influenciou fortemente a formação do


pensamento do Rio Grande e ainda hoje é possível detectar traços do
pensamento positivista na cosmovisão do gaúcho. O pensamento de
Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros e Getúlio Vargas também era
positivista.

No caso específico de Castilhos foi importante a influência do


pensamento de Comte que valoriza a eficiência administrativa, a
moralidade nos negócios públicos, a transparência no lidar com o
dinheiro público. Entretanto, Comte não valorizava o voto por não
acreditar na eficácia do processo democrático. Os três lideres –
Castilhos, Borges e Vargas - acreditavam que conseguiam
“cientificamente” descobrir os melhores caminhos para o governo e,
por isso, fraudavam as eleições a fim de permanecerem no poder.

Auguste Comte nasceu em Montpellier, França, em 19 de


janeiro de 1798. O âmago da filosofia de Comte concentra-se na idéia
de que a sociedade será reestruturada quando o homem sofrer uma
reforma intelectual.

Para ele, a história da humanidade tinha pelo menos três fases


de desenvolvimento: teológica ou fictícia, metafísica ou abstrata e

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científica ou positiva. Na teológica ou fictícia a mente humana busca


a razão pela qual o mundo veio a existir, supondo que isto ocorreu
por intervenção de seres transcendentes. Na metafísica ou abstrata é
onde a mente procura forças abstratas por trás dos fenômenos. E na
científica ou positiva o homem estuda as leis que proporcionam o
funcionamento das coisas. À medida que evolui vai-se esquecendo de
Deus e fortalecendo a incredulidade no sobrenatural.

Comte ainda propôs a criação de uma religião da humanidade


onde Deus é totalmente abandonado e desentronizado e a
humanidade passa a ter o controle das coisas. A Igreja Positivista
existe até os dias de hoje no Rio de Janeiro.

A história do Rio Grande do Sul também contribuiu


grandemente com essa idéia de auto-suficiência do homem. Como
dito anteriormente, o gaúcho sempre precisou lutar por seus ideais e
suas terras. Essa experiência somada ao fato de que o gaúcho é um
povo intelectualizado acima da média brasileira comprova a
influência do positivismo. Um povo que presta culto à tradição que é
fruto de sua própria história.

1.3.2 Maçonaria

A Maçonaria também teve participação na formação e na


história do Rio Grande do Sul. Inclusive, a primeira bandeira do
Estado trazia símbolos maçônicos. Bento Gonçalves, importante líder
da Revolução Farroupilha, era maçom.

Segundo Urbano Zilles, a maçonaria é como “uma sociedade


secreta, de caráter iniciático, espalhada por todo mundo, organizada
com fins altruístas sócio-econômicos e culturais (1998:263)”.

A maçonaria está presente no Brasil desde 1801 conforme a


proclamação que José Bonifácio de Andrada e Silva fez aos membros
da maçonaria em todo o mundo. Nesta proclamação, Bonifácio
comunicou a instalação de uma Loja Maçônica e que esta estaria
filiada ao Grande Oriente da França, localizado no Rio de Janeiro.

As origens históricas da maçonaria estão ligadas a operários


medievais que se organizaram em sociedades secretas onde
trocavam técnicas de trabalho a fim de garantirem seus empregos.
Os membros utilizavam toques e sinais para se comunicarem entre si
garantindo os seus empregos. As grandes catedrais, templos e
palácios da Idade Média resultam desse corporativismo. A decadência
da arte gótica provocou também um enfraquecimento das
corporações. Foram aceitos membros honorários e influentes para as
sociedades, mas estas continuavam em regime secreto.

15
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

Em 1723, a maçonaria adota uma constituição elaborada por


um pastor protestante chamado J. Anderson. A partir disso, houve
mudanças na ideologia da organização. O foco passou a ser a
construção de catedrais humanas em honra do Grande Arquiteto do
Universo, GADU (Deus). Não havia mais o interesse na construção de
catedrais imponentes de pedra. A hierarquia permaneceu a mesma e
era formada de três estágios: aprendiz, companheiro e mestre.

A maçonaria não pode ser considerada uma religião ou um


sistema filosófico. O seu sistema de trabalho está baseado em
símbolos. Na maçonaria tradicional, os símbolos são: o livro sagrado
(Bíblia, Corão ou outro), o compasso e o esquadro.

Os membros da loja consideram-se irmãos e, por isso, devem se


ajudar mutuamente. A linha tradicional da maçonaria estimula seus
membros a permanecerem nas organizações religiosas das quais
participam. As outras correntes da maçonaria criticam as igrejas ou
organizações.

Segundo Zilles, os princípios imutáveis da maçonaria são:


reconhecer um Ser Supremo; admitir a moral universal e a lei natural;
admitir a prevalência do espírito sobre a matéria; não combater
ninguém por sua crença religiosa; não discutir religião nas reuniões;
não impor limites à livre investigação da verdade; proclamar o
sagrado direito de pensar livremente; reconhecer o direito do homem
de dirigir a sua vida exclusivamente segundo a razão; liberdade,
igualdade e fraternidade; combater o obscurantismo, a hipocrisia, o
fanatismo, a superstição e os preconceitos; amar a família e respeitar
as leis da pátria; ser fiel aos juramentos e deveres maçônicos;
reconhecer o trabalho manual e intelectual como um dever essencial
do homem; proscrever o recurso à força e à violência.

É possível identificar princípios da maçonaria comuns ao


pensamento do gaúcho, especialmente no que diz respeito à
liberdade de religião e da forma como conduz a sua vida.

1.4 Situação religiosa

Após a falência do liberalismo e do socialismo houve uma


valorização do aspecto religioso. O ser humano sai em busca de
respostas e algo que preencha o vazio de sua alma. Em meio a uma
sociedade altamente capitalista na qual as pessoas lutam para
sempre conseguirem mais e terem mais bens materiais, há uma
busca desesperada pelo transcendente quando se tem consciência da
limitação humana. Nietzsche e outros pensadores do Movimento da
Morte de Deus afirmaram que Deus estava morto. O Movimento da
Morte de Deus existiu por poucos anos e diziam que Deus morria a

16
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

partir do momento que as pessoas o deixavam por valorizarem outras


coisas. Essa idéia possui base na teoria comtiana com os três estágios
já apresentados neste trabalho anteriormente. Todavia, há um
retorno à religiosidade. As teorias são efêmeras, mas a religiosidade
humana é perene aos anos. As pessoas continuam a buscar forças no
transcendente, especialmente o brasileiro que, segundo o sociólogo
Hélcion Ribeiro na obra Identidade do brasileiro, é alguém que
sempre tem esperança de que dias melhores virão.

A matéria “Onde está a fé gaúcha” publicada no Jornal Zero


Hora de 17 de julho de 2005, mostra a riqueza e a diversidade da fé e
sua prática no Rio Grande do Sul. Os municípios com maior número
de evangélicos, católicos e afro-religiosos do Brasil são gaúchos.

No catolicismo, o Rio Grande conta com os quatro municípios


com maior número de seguidores do Vaticano - únicos no país com
100% de adeptos ao catolicismo.

Com relação aos afro-brasileiros, o Rio Grande do Sul, tem o


título de segunda maior população afro-brasileira, perdendo apenas
para o Rio de Janeiro. Ironicamente, Rio Grande – primeiro município
com presença presbiteriana – é o campeão nacional em presença
afro-brasileira.

A região sul do estado é onde há menor número de católicos,


enquanto que o espiritismo, a umbanda e o candomblé tem forte
presença nessa região. Nela também há o maior número de pessoas
que se declararam sem religião. Cerca de quinze dos dezessete
municípios gaúchos com mais de 10% da população sem-religião
estão no sul gaúcho.

Quinze de Novembro é a principal cidade evangélica do estado


aparecendo com o maior índice de evangélicos do país. Mesmo assim,
os evangélicos da cidade convivem pacificamente com os católicos.
Há união entre as duas religiões. Representam os evangélicos no
município a igreja Luterana - presente desde 1915 -, e a Assembléia
de Deus. Atualmente, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do
Brasil da cidade tem dois mil e oitocentos membros. Isso se deve à
influência dos imigrantes alemães do século XIX. Segundo Martin
Dreher, pastor luterano e professor da pós-graduação em História da
Unisinos, 60% dos imigrantes eram luteranos17.

Em contrapartida, o catolicismo conta com 100% da população


do município de Nova Alvorada. Se o luteranismo veio com os
imigrantes alemães, o catolicismo era forte entre os imigrantes
italianos. Para Ari Pedro Oro, professor titular de Antropologia na

17
Jornal Zero Hora, 17/07/2005, p.39.

17
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

UFRGS, “a identidade étnica e a cultura italianas são associados de


forma muito forte à catolicidade”18.

Uma das dificuldades enfrentadas pelo protestantismo na


evangelização dos gaúchos é mostrada claramente na experiência de
uma mulher de Nova Alvorada. Ela conta que, ao trocar o catolicismo
por outra religião, passou a ser ignorada pelos vizinhos e amigos.

Os pentecostais crescem rapidamente e estão em maior


número nas cidades com baixos indicadores sociais. A Assembléia de
Deus é a responsável pelo maior número de adeptos por ser uma
igreja que tem chegado até os lugares aonde o governo não chega. É
uma igreja que se preocupa com as necessidades básicas das
pessoas. Richard Shaull afirma que o pentecostalismo é uma religião
com estilo voltado para a população pobre. Ele cita David Barrett,
editor da World Christian Encyclopedia e estudioso do crescimento
pentecostal no mundo, que diz que “metade de todos os
pentecostais, aproximadamente duzentos milhões de pessoas, vivem
em favelas, em profunda pobreza” (1999:161). André Corten,
cientista político belga, afirma que o discurso dos pentecostais está
voltado às necessidades emocionais das pessoas com fins de consolá-
las. A racionalidade do discurso é posta em segundo plano.

As principais religiões presentes no Rio Grande do Sul19 são:

Religião Número de adeptos


Católica Apostólica Romana 7.786.231
Luterana 528.924
Assembléia de Deus 330.476
Espírita 186.680
Umbanda 112.133
Evangelho Quadrangular 108.748
Universal do Reino de Deus 103.332
Adventista 59.443
Batista 59.027
Testemunhas de Jeová 48.202
Sem religião 478.341

Há no Estado em menor número outras religiões como o


judaísmo, islamismo.

O seguinte quadro mostra a evolução das religiões no estado na


década passada:

Grupo 1991 (% da população) 2000 (% da população)


Católicos 81,3 76,4
Protestantes 7,2 6,8
18
Jornal Zero Hora, 17/07/2005, p.39.
19
Fonte: Jornal Zero Hora, 17/07/2005,p.38.

18
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

Pentecostais 3,5 6,6


Espíritas 1,4 1,8
Afro-brasileiros 1,2 1,2
Sem religião 2,9 8,2

Outro dado importante mostra que o Rio Grande do Sul possui


sete vezes mais adeptos às religiões afro-brasileiras que a Bahia. Essa
estatística pode ser falha segundo o que diz o professor da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Ricardo Mariano. Ele
afirma que “A Bahia tem provavelmente mais adeptos, mas lá a força
do sincretismo leva os praticantes a se dizerem católicos... o gaúcho
se diz adepto da religião que realmente pratica” (Jornal Zero Hora,
17/07/2005, p.38).

Em meio a toda essa riqueza e diversidade religiosa do estado,


a fé presbiteriana reformada permanece desconhecida à maioria dos
gaúchos.

Capítulo 2 - Igreja Presbiteriana no Rio Grande do Sul

2.1 Primórdios da Igreja Presbiteriana do Brasil

Muito antes da chegada do primeiro missionário presbiteriano


ao Brasil, o pensamento calvinista já estava presente. No período
colonial, por exemplo, temos a presença de holandeses no nordeste
brasileiro. Mais adiante, com a Independência da nação, muitos
imigrantes reformados ocuparam as terras do Brasil. Entretanto,
estes não tinham a preocupação de comunicar a fé reformada aos
nativos.
O desejo de evangelização dos nativos brasileiros surge nas
igrejas presbiterianas norte-americanas, com a criação da Junta de
Nova York que, como agência missionária da Igreja Presbiteriana dos
Estados Unidos da América, tinha a responsabilidade de enviar
missionários ao campo. Para o campo do Brasil surge o jovem Ashbel
Green Simonton como candidato. Este é enviado chegando ao Brasil
em 12 de agosto de 1859, no porto da então capital do Império - o Rio
de Janeiro. Simonton fica maravilhado com a beleza natural do Brasil.
Pouco depois da chegada de Simonton são enviados mais
missionários para auxiliá-lo. São eles: Francis Schneider, George
Chamberlain, Emanuel Pires, Alexander Blackford, Robert Lenington e

19
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

Hugh Ware McKee. Estes homens, acompanhados de suas esposas,


aceitam o desafio de evangelizar o Brasil dando gênese à chamada
Brazil Mission.
Com a Guerra Civil nos Estados Unidos, há uma divisão na
Igreja Presbiteriana daquele país. A partir desse rompimento, surge a
Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos conhecida como a Igreja do
Sul. Essa nova denominação cria sua agência missionária chamada
Comitê de Missões Estrangeiras com sede em Nashville, no
Tennessee.
Dessa forma, havia no Brasil duas agências missionárias
americanas: a Junta de Nova York e o Comitê de Nashville. O território
ficou dividido entre elas da seguinte forma: os missionários da Junta
se concentraram no sul do país que, na época, abrangia os estados
de São Paulo, Rio de Janeiro e uma parte de Minas Gerais.
Posteriormente, eles também ocuparam os estados de Santa Catarina
e Paraná. O comitê ocupou o nordeste de São Paulo, sudoeste de
Minas e o Triângulo Mineiro.
Simonton iniciou seu trabalho no Rio de Janeiro em 1859 e, após
três anos, organizou a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro
juntamente com Francis Schneider. Em 1865, surgem duas novas
igrejas presbiterianas na Província de São Paulo. Uma localizada na
cidade de Brotas e outra na capital. Com as três igrejas foi formado o
Presbitério do Rio de Janeiro, filiado ao sínodo de Baltimore. O
primeiro pastor brasileiro protestante foi ordenado no dia da
organização do presbitério. José Manoel da Conceição, conhecido
como o padre protestante, converteu-se ao protestantismo após
estudos teológicos na Igreja Católica e exercício do sacerdócio
católico romano. Conceição viajava por todo o interior de São Paulo
realizando o trabalho sacerdotal. Após sua conversão, ele volta às
aldeias a fim de evangelizar os membros das paróquias. Com isso,
muitos foram alcançados para o protestantismo que expandiu de
maneira satisfatória na região.

2.2 Pioneiros no Rio Grande do Sul

Em dezembro de 1872 desembarca no Rio de Janeiro o


missionário Emanuel Vanorden20 e sua esposa Bertha Vanorden. Veio
para trabalhar no Brasil sendo recebido pelo Presbitério do Rio de
Janeiro no dia 20 de dezembro daquele ano. Algum tempo depois,
Vanorden aceita o convite de George Chamberlain para que fosse seu
auxiliar na Igreja Presbiteriana de São Paulo. Vanorden é eleito pela
igreja em março de 1873.
À medida que o tempo passava, Vanorden se adaptava à nova
realidade. Foi professor de grego e história da Igreja de Antônio Pedro
20
Judeu de origem holandesa que nasceu na cidade de Haia no dia 14 de novembro
de 1839, converteu-se ao Evangelho em Londres e depois emigrou para os Estados
Unidos. Estudou teologia no Seminário Teológico McCormick, em Chicago, Illinois,
sendo ordenado ministro presbiteriano em 1872. (Pág. 77 de “Os Pioneiros”)

20
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

de Cerqueira Leite, um dos primeiros teólogos formados pelo


seminário primitivo. Enquanto lecionava, aprendia o português.
Também lecionou inglês e francês na Escola Americana. Por ser
bastante capacitado intelectualmente, Vanorden passou a produzir
literatura evangélica. Em 1874 lançou o jornal chamado “O púlpito
evangélico” com matérias sobre pregação e assuntos afins. Ainda em
1874, Vanorden transfere-se para o Rio de Janeiro. Foi convidado para
auxiliar o Rev. Blackford e participou da inauguração do primeiro
templo presbiteriano do Brasil.
Vicente Temudo Lessa classifica Vanorden como um “varão de
contendas”. A razão dessa afirmação está no fato de que Vanorden se
desentendera com a Missão e com o Presbitério do Rio de Janeiro, o
que culminou no desligamento do missionário de ambos os órgãos.
Isso ocorreu no ano de 1876.
Na busca de um lugar para se estabelecer, Vanorden, em 1877,
decide transferir-se para a cidade de Rio Grande, no extremo sul do
Brasil, onde permanece por dez anos, gerando durante esse tempo
uma tipografia e uma livraria. Ele então produz o primeiro jornal
evangélico em português produzido no Rio Grande do Sul chamado
“O Pregador Cristão”, que circulou regularmente por dez anos. Em
1878, Vanorden funda uma “Igreja Evangélica” que inicialmente
contava com oito pessoas e tinha cultos em inglês aos domingos pela
manhã e em português nos mesmos dias à noite.
A missão de Rio Grande era sustentada basicamente por
Vanorden e alguns amigos da Holanda e dos Estados Unidos. Não
estava jurisdicionada a nenhum concílio ou agência missionária norte-
americana. Outras cidades do interior do Rio Grande do Sul foram
alcançadas por intermédio desse trabalho. Com o auxílio de Francisco
Machado e Estevão Gibotti, ambos colportores, foram distribuídas
Bíblias e material evangélico nas cidades de Rio Grande, Pelotas,
Jaguarão, Santa Vitória, São Leopoldo e Porto Alegre.
A partir desse trabalho de distribuição de literatura, Vanorden
teve contato com os imigrantes alemães e com a população
autóctone, entretanto ficou decepcionado com a falta de interesse
por parte dos mesmos. Francis Schneider, outro missionário que teve
contato com o Rio Grande do Sul também ficou decepcionado com a
reação dos habitantes. Sobre isso, Hélerson Silva diz:
Para Schneider, entretanto, a impressão que teve quanto a
espiritualidade dos colonos alemães não foi das melhores. Criam na
regeneração batismal e, para eles, a maior preocupação consistia no
batismo dos filhos e na participação da comunidade na comunhão,
sem o abandono dos “vícios habituais”. A prática da dança, do
consumo de bebidas alcoólicas e o uso do fumo pela comunidade,
causaram a saída de Schneider. (1998,)
Após oito anos afastado do Presbitério do Rio de Janeiro, com o
qual brigara, Vanorden se reconcilia com aquele concílio. Mesmo com
a situação normalizada, ele prefere continuar em Rio Grande. Um ano
depois, em 1887, a comunidade fundada por Vanorden torna-se a
Igreja Presbiteriana de Rio Grande. A comissão designada para a

21
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

organização da igreja foi composta por George Chamberlain, o próprio


Vanorden e Manoel Antônio de Menezes, que fora designado para
pastoreá-la. A igreja foi organizada com trinta e nove membros,
sendo que vinte e oito destes eram provenientes da igreja evangélica
de Vanorden. Seis pessoas professaram a fé na ocasião e outras cinco
eram de outras igrejas protestantes. Era a vitória de um trabalho que
brevemente seria abandonado.
No ano de 1891, todo esse trabalho e o território gaúcho são
transferidos aos episcopais. O Rev. Júlio Andrade Ferreira fala sobre a
existência do acordo:

Continuava dizendo que queria ir para Porto Alegre, mas


esta cidade fora cedida aos episcopais que estavam para
chegar. Que se entregasse, pois, também Rio Grande a eles
com a congregação já organizada. Havia em outros Estados
campos prontos para a semeadura, e a necessidade de
obreiros era grande. Foi efetivamente o que veio a
acontecer (1992, p.268).

Portanto, com a concretização do acordo, a Igreja Presbiteriana


do Brasil concentra-se especificamente nas outras regiões do país. A
principal era a região sudeste para onde Vanorden retornou após a
definição com os episcopais. Ainda sobre o acordo, Mendonça
completa citando os nomes dos dois primeiros missionários
episcopais enviados ao Brasil:

... os reverendos James Watson Morris e Lucien Lee


Kinsolving, chegados aqui em 1889. No ano seguinte, em 1º
de junho de1890, em Porto Alegre, RS, oficiaram o 1º culto
episcopal no Brasil. Os presbiterianos do Board de Nova
Iorque já haviam iniciado uma missão na cidade de Rio
Grande mas, por um acordo de divisão de território,
cederam aos episcopais a área do Sul do Brasil.

Havia, entretanto, por parte de Vanorden e, posteriormente, de


Menezes, a preocupação sobre qual a melhor região do estado para a
implantação do trabalho presbiteriano. Vanorden defendia que Rio
Grande deveria ser a região-alvo inicial, pois era o centro do estado
no que cerne a desenvolvimento. Havia muito comércio por meio do
Porto de Rio Grande. Além disso, Rio Grande possibilitava o alcance
de mais cinco municípios das proximidades. Ainda que Porto Alegre
fosse a capital do estado, ela não constituía uma região estratégica.
Por outro lado, Menezes era contrário ao investimento em Rio Grande
por estar no extremo sul do estado. Também era uma cidade
pequena e que nunca se tornaria uma cidade importante.
Menezes estava certo. Porto Alegre, atualmente, é o coração do
estado e onde deveria ter iniciado o trabalho presbiteriano.
Com tudo isso, percebemos que o início foi bastante
conturbado. O trabalho em Rio Grande surge por causa de uma briga
intra-denominacional. Ao final de tudo, o Rio Grande do Sul volta a ser

22
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

um estado sem a presença presbiteriana e totalmente esquecido pela


Igreja Presbiteriana do Brasil por aproximadamente trinta anos.
Na década de 20, o desejo de evangelização dos gaúchos surge
no coração de um jovem candidato ao ministério chamado Benjamin
Lenz de A. César. Este vem para Pelotas, cidade próxima a Rio
Grande, onde começou um trabalho juntamente com alguns leigos.
Passa a existir a Congregação Presbiteriana de Pelotas. Este, à
semelhança do trabalho de Vanorden, era um trabalho independente.
Foi alugado um salão na cidade onde eram realizados os cultos. Estes
chamavam a atenção da população gerando crescimento. Com o
desenvolvimento do trabalho, o Presbitério do Rio de Janeiro resolve
jurisdicioná-lo a si. O trabalho continua a crescer e, por isso, é
transferido ao antigo presbitério do sul para que receba cuidados
mais freqüentes.
A nova igreja em Pelotas continuou em expansão, todavia um
desentendimento entre o Rev. Modesto Carvalhosa, responsável pelo
trabalho, e um dos mantenedores do projeto, Sr. Abduch, faz com que
as portas da congregação sejam fechadas e o trabalho fique inerte. A
questão foi levada ao presbitério a fim de que este resolvesse o
desentendimento. Mais uma vez, o estado do Rio Grande do Sul é
abandonado pelos presbiterianos.
Durante mais um período de trinta anos, o estado fica sem
nenhum trabalho presbiteriano.

2.3 Pioneiro em Porto Alegre

Após este período, no ano de 1952, novamente uma pessoa


preocupada com o alcance do povo gaúcho se dispõe a ir a Porto
Alegre implantar o trabalho presbiteriano. Dessa vez, a visão é
começar pelo coração do estado – a capital do Rio Grande.
Antônio Elias foi essa pessoa que, juntamente com sua esposa,
mudou-se para Porto Alegre e começou a compartilhar a fé reformada
com os gaúchos. A respeito disso, Júlio Andrade Ferreira diz:

A região do carvão, em Creciúma, Sta. Catarina, também


reclamava cuidado. E depois o Rio Grande do Sul, de há
muito abandonado pelos presbiterianos. Os velhos acordos
com outras denominações tinham caducado. Os próprios
elementos daquela região reconheciam que seria um sangue
novo a volta dos presbiterianos. E o último Estado foi
ocupado (1992, p. 409-10).
Antonio Elias pisa em solo gaúcho em dezembro de 1952. Sua
primeira preocupação foi encontrar uma casa relativamente espaçosa
a fim de que ele morasse e também abrigasse as reuniões da nova
igreja.
A casa foi encontrada e correspondia às expectativas dele.
Estava situada à rua Sarmento Leite. Foi dado início aos trabalhos
com três reuniões regulares semanais. Estas foram bem divulgadas

23
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

nos meios de comunicação disponíveis como a Rádio Gaúcha e o


Correio do Povo, dois tradicionais veículos de comunicação da grande
Porto Alegre. Além disso, Antonio Elias enviou convites às principais
autoridades das igrejas e denominações presentes na cidade como a
Igreja Metodista e a Episcopal.

2.4 Desenvolvimento

A inauguração do trabalho contou com a presença de setenta


pessoas. Posteriormente, havia sessenta pessoas freqüentando os
trabalhos regularmente. Bastante animado, Antonio Elias disse:
“Estamos bem animados com o começo. É grande o campo. Há
inúmeras possibilidades. Havemos de fazer o máximo para que o
Senhor nos conceda, ainda este ano, uma grande igreja”.
Quando foi dado início ao trabalho, já havia presbiterianos em
Porto Alegre. Alguns deles estavam freqüentando outras igrejas e não
quiseram desligar-se das suas comunidades a fim de contribuir para o
crescimento do trabalho. Entretanto, oito pessoas se dispuseram a
ajudar na implantação de uma igreja reformada presbiteriana em
Porto Alegre. Pouco tempo depois, foi adquirido um terreno para o
templo, mas não havia dinheiro para sua construção do mesmo.
Ainda assim, a meta era ter um templo grande em breve.
Ao ter contato com a população de Porto Alegre, Antonio Elias
percebeu que grande parte desta pertencia ao catolicismo romano.
Isso é comprovado no fato de que os seis primeiros convertidos eram
pessoas provenientes do catolicismo. Essas conversões ocorreram já
no primeiro ano de trabalho que encerrou com quarenta e seis
membros comungantes e onze não-comungantes. A casa do pastor,
onde eram realizadas as reuniões, já estava pequena para abrigar as
pessoas e a meta para o final do segundo ano de trabalho era dobrar
o número de membros.
Além dos trabalhos realizados na rua Sarmento Leite, na casa
do pastor Antonio Elias, havia um outro trabalho também na Vila
Dona Teodora. A igreja nasce já com a visão de começar novos
trabalhos e de evangelizar pessoas. Na Vila Dona Teodora, as
reuniões aconteciam nos lares e, posteriormente, na “capela
ambulante”21.
As dificuldades começam a aparecer e Antonio Elias classifica
como “trabalho difícil”, porém sua confiança no Senhor era mais forte
e o amor pelos doentes também. A visão dele não era desistir, mas
levar o remédio aos doentes. Afinal, os sãos não precisam de médico.
Ele acreditava que o Evangelho era um remédio poderoso para curar
os enfermos.
No segundo ano de trabalho, a escola dominical da sede
recebeu a visita dos irmãos da Vila Dona Teodora somando duzentas

21
Tenda com capacidade para abrigar novecentas pessoas.

24
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

e cinco pessoas presentes. A construção do templo torna-se muito


necessária. No dia 15 de agosto de 1954, a pedra fundamental do
templo foi lançada ao solo. Desta cerimônia participaram autoridades
das igrejas episcopal, batista, metodista e do Exército da Salvação.
Havia duzentas pessoas presentes.
Antonio Elias também realizava muitos cultos conjuntos com as
outras denominações, principalmente com a Igreja Metodista Central.
Antonio Elias era um missionário que tinha metas bem definidas
para o trabalho que estava começando. Sua intenção era num futuro
bem próximo estabelecer um edifício de educação religiosa, uma
creche para atendimento de crianças, um ambulatório médico-
dentário e o templo com capacidade para acolher novecentas
pessoas. Elias sabia que uma das bases para o alcance dessas metas
era a oração e, por isso, ele realizava reuniões de oração semanais.
Boa parte dos membros da igreja estava mobilizada para essas
reuniões e pedia a Deus os recursos para a construção dessas
instituições.
A resposta às orações veio rapidamente. A Prefeitura de Porto
Alegre cedeu um terreno para a realização do trabalho na Vila Dona
Teodora, onde já havia cento e vinte pessoas participando
dominicalmente.
No final do ano de 1954, o trabalho presbiteriano em Porto
Alegre e os membros deste puderam enfim dar graças a Deus pelos
resultados obtidos. Havia cinqüenta e seis membros comungantes e
dezesseis não-comungantes. A escola dominical contava com seis
classes que, juntas, somavam oitenta e nove alunos na sede. Na Vila
Dona Teodora, havia duas classes com freqüência de cento e dez
alunos.
Uma outra forma de evangelização bastante utilizada na época
por Antonio Elias era a realização de cultos nas praças públicas onde
havia grande tráfego de pessoas. Ele envolvia a igreja nascente
nesses trabalhos a fim de que ela crescesse com visão missionária.
A Igreja Presbiteriana de Recife também esteve envolvida com
a igreja em Porto Alegre. Ela foi parceira na compra do “tabernáculo”
ou “capela ambulante”. A estratégia definida para este trabalho era
que a tenda permaneceria por dois meses em cada bairro com
reuniões diárias. O primeiro bairro escolhido foi o IAPI. Os cultos
começaram a ser realizados e tinham a presença de trinta a
cinqüenta pessoas nos dias úteis e, nos fins de semana, de oitenta a
cem pessoas.
O ano de 1955 foi finalizado com um aumento no número de
membros de aproximadamente quarenta por cento. Isso significa que,
de cinqüenta e quatro, a comunidade passou a ter setenta e seis
membros. Houve crescimento também no rol de não-comungantes,
de dezesseis passou para vinte. A meta para o ano de 1956 era o
alcance de cem membros. O trabalho com a tenda também estava
dando muito certo. Cerca de cinqüenta famílias preencheram as
fichas de visitantes. Nas férias, quando o número de participantes

25
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

normalmente cai, havia setenta pessoas freqüentando a escola


dominical.
Em março de 1956, a Junta de Missões Nacionais convoca o
Rev. Antonio Elias para que assuma o cargo de secretário de missões.
O novo missionário designado para Porto Alegre foi o Rev. Odayr
Olivetti. Com todo o processo de troca de obreiro, houve um
desânimo por parte das pessoas. Houve diminuição no número de
visitas durante o tempo de adaptação do novo pastor e isso provocou
a queda na freqüência aos cultos. As principais pessoas prejudicadas
foram aquelas alcançadas pelo trabalho com a tenda, que esperavam
a visita pastoral e também o discipulado.
Odayr Olivetti não fez mudanças nos dias e horários das
reuniões.
Nessa mesma época ocorreu uma enchente na Vila Dona
Teodora e muitas famílias ficaram desabrigadas – fator determinante
para que a prefeitura solicitasse o terreno cedido a fim de abrigar
essas famílias.
Essa pequena desestruturação do trabalho abriu espaço para
mórmons e testemunhas de Jeová, que começaram a participar das
reuniões da comunidade com o objetivo de “evangelizar” os
presbiterianos.
Outra forma de atuação foi a realização de aulas de ensino
religioso nas escolas, o que, de fato, alcançou algumas crianças.
Após um período conhecendo o grupo de Vila Dona Teodora,
Olivetti chega à conclusão de que aquelas pessoas, muito pobres, iam
às reuniões a fim de ganhar alimentos e roupas. Ele lamenta ao
perceber que o templo ficava repleto de pessoas que esperavam
ansiosamente pelo momento de distribuição dos mantimentos. A
preocupação com aquele grupo tornou-se intensa. Nesse ínterim,
surgem dois leigos que desejam trabalhar na vila: Ruth Monguilhot
Corrêa e Odélio da Rosa Hertz.
Já naquela época havia poucas pessoas a trabalhar e muitas a
permanecerem inertes. Sobre isso, Olivetti completa: “São minorias
ativas que compensam a maioria constituída de indiferentes, ociosos,
negligentes adormecidos”. Muito do que foi realizado é fruto da força
dos leigos. Ao perceber essa força de trabalho, Odayr Olivetti passa a
ministrar cursos de formação de líderes, com destaque na
predestinação.
Durante sua estada em Porto Alegre, Olivetti também se
interessou pela história do presbiterianismo no Rio Grande do Sul. A
partir disso, ele vai até Rio Grande a fim de encontrar antigos móveis
utilizados por Emanuel Vanorden nos primórdios do trabalho
presbiteriano em Rio Grande. Ele vai, principalmente, com o desejo
de encontrar o púlpito utilizado por Vanorden. Concernente a isso, ele
diz:

Quando fui a Rio Grande a informação que possuía sobre o


púlpito, dada pelo Rev. Henrique Todt Júnior era que o púlpito
esteve muito tempo no templo da igreja episcopal de São
José do Norte, localidade vizinha a Rio Grande. Com a

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

decadência da cidade, invadida pela areia, decaiu também o


trabalho da igreja e o templo foi vendido. A informação
parava ai.

No dia seguinte, Olivetti vai até o templo episcopal que,


outrora, fora templo presbiteriano, conversar com o pároco, que o
apresenta a um grupo de homens. Olivetti conta o que busca e um
deles diz saber onde o púlpito está. Estava em uma outra igreja
chamada “Capela da Graça”. No outro dia, Olivetti vai até a Capela e
se emociona ao encontrar o móvel. Ele aproveita a ocasião e visita o
antigo prédio onde funcionava a livraria e a tipografia de Vanorden,
localizado na Rua Marechal Floriano, número 206.
Ao retornar a Porto Alegre, Olivetti continua buscando parcerias
entre as instituições e a Prefeitura. Uma das formas de captação de
recursos foi a apresentação de espetáculos teatrais no Theatro São
Pedro22. Outra forma foi a criação de uma livraria evangélica
interdenominacional. Os cultos ao ar livre continuaram a ser
realizados, especialmente na Praça da Alfândega. O Correio do Povo
também continuou a ser utilizado para divulgação da igreja.
Uma das feiras mais tradicionais de Porto Alegre – a feira do
Livro – também foi utilizada para divulgação da igreja, da Bíblia e de
literatura evangélica. De acordo com o registro de Olivetti, a Bíblia foi
o livro mais vendido nessa feira.
Nessa época, o trabalho também era realizado nos municípios
de Canoas e Sapucaia pelo jovem aspirante ao ministério Roosevelt
Emerick de Souza.
Até esse momento, não se tem notícia dos trabalhos com a
tenda que estava no bairro do IAPI. Os documentos não deixam claro
os motivos pelos quais a tenda não estaria sendo utilizada, mas dão a
entender que os dois pioneiros possuíam perfis diferentes com
relação a esse tipo de trabalho. Odayr Olivetti aparenta não possuir a
mesma visão de intervenção que Antonio Elias.
Nessa época, começam a surgir problemas na comunidade.
Alguns membros tentam difamar a liderança porque esta expôs a
igreja na feira do livro e também porque queria adquirir o terreno em
Sapucaia. Esse grupo havia se acomodado, não querendo mais
trabalho. Também achavam que a Bíblia não devia se misturar com
livros seculares. Alegam que não se podia vender um livro sagrado
em uma feira secular. Odayr Olivetti, de forma contundente, classifica
esses membros como instrumentos de Satanás diante do que ele
chamou de “manifestação diabólica”. Em virtude desses problemas, a
Assembléia foi convocada. A mesa foi dissolvida porque alguns dos
componentes pediram demissão e outros foram exonerados por
ausência. Nova mesa administrativa foi formada. Por ocasião da
assembléia, outros membros líderes também pediram demissão de
seus cargos.

22
Teatro construído entre 1833 e 1858. Sua obra foi paralisada por causa da
revolução Farroupilha. Um dos principais centros de espetáculos do país.

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

Mesmo com as dificuldades, a igreja não perdeu o foco da


evangelização. Constantemente havia distribuição de folhetos com
evangelização pessoal como Olivetti julgava eficiente.
Durante esses anos de trabalho, desde o início até aqui, muitos
pastores passaram pelo campo visitando e também pregando nos
cultos.
Por problemas de saúde, Olivetti solicita sua transferência à
Junta de Missões Nacionais. Nessa ocasião, a mesa ficou responsável
pelas pregações. Essas circunstâncias geraram muitos
desentendimentos, agravando ainda mais a situação. Nesses três
primeiros meses do ano de 1958, muitas pessoas deixaram de
freqüentar os trabalhos por causa da ausência pastoral e da
divergência de pensamento.
Dessa vez, a mesa administrativa fora dissolvida por
determinação da JMN. Cria-se, então, uma comissão de construção
para a execução do projeto aprovado pela assembléia, pela JMN e
pela Prefeitura. Porém, havia pessoas contrárias a isso e que queriam
mudar o projeto. Havia divisão no grupo. O que uma facção aprovava,
a outra desaprovava. Além disso, havia membros de outras igrejas e
seitas tentando fazer proselitismo e, por causa dessa situação,
Olivetti afirma que a igreja nacional deveria investir mais no campo
no que diz respeito a pessoas e recursos financeiros:

Por este motivo, sente-se, premente, a necessidade de


socorro financeiro grande e urgente, bem como o de mais
missionários presbiterianos neste campo. A menos que, como
tantos acusam, a Igreja Presbiteriana do Brasil tenha aberto
este trabalho só pela vaidade de poder dizer em seu
centenário que já tem ocupado todos os estados da
federação brasileira (p.134).

Algumas pessoas da comunidade decidiram fundar o Instituto


Cultural e Beneficente Presbiteriano de Porto Alegre, no dia 27 de
julho de 1958, sem o aval do Rev. Odayr Olivetti.
Na Vila Dona Teodora, as reuniões ainda eram realizadas. No
entanto, a freqüência reduziu muito porque a prefeitura acomodou as
famílias em outros bairros. A distribuição de remédios, mantimentos e
agasalhos foi mantida sob supervisão do pastor.
O desejo de organização da nova igreja ou da Igreja
Presbiteriana de Porto Alegre já estava no coração dos membros. Em
outubro de 1958 enviaram a solicitação de organização da igreja. A
JMN preferiu não organizá-la antes que a mudança de pastor fosse
definida. A intenção era deixar que o próximo obreiro realizasse o
processo de organização, já que Olivetti não permaneceria no campo.
Em Sapucaia, o trabalho também ia muito bem. O dinheiro para a
construção do templo foi levantado a partir de ofertas voluntárias.
Não houve participação da tesouraria da sede. No dia 07 de
dezembro de 1958 foi inaugurado o salão de cultos de Sapucaia.
Sobre Sapucaia, Olivetti diz:

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
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Sapucaia é florescente distrito de São Leopoldo, a


cincoenta minutos de ônibus da capital do estado. É um
belo lugar. A população (na maioria de operários) cresce
muito. Não há qualquer igreja evangélica mantendo
trabalho regular ali. A única denominação evangélica que
possui casa própria ali é a nossa. Será profundamente
lamentável se a JMN não colocar ali um obreiro (ainda
que leigo) urgentemente! (p.155).

Com a diminuição da freqüência aos trabalhos, Olivetti justifica


dizendo que a razão era a distância da residência dos membros à
igreja. No final de 1958, o número de membros da comunidade era de
cento e dezenove.
Alguns missionários das agências missionárias Board de Nova
York e Nashville visitam rapidamente o campo.
A partir de março de 1959 assume o campo o Rev. Oscar Ciola
proveniente do município de Votuporanga, no interior de São Paulo.
A divergência de pensamento que havia entre os membros da
comunidade e que provocou a formação de dois grupos dentro do
grupo maior foi amenizada à medida que algumas pessoas deixaram
de participar da igreja em maio de 1960. No final deste mesmo ano, a
igreja havia crescido e com muitas pessoas dispostas a trabalhar,
entretanto sem nenhum oficial.
Com o Rev. Oscar percebe-se que a igreja toma um rumo mais
de manutenção. A visão para a evangelização diminui
gradativamente influenciada pela mudança de obreiro.
Algumas frentes de trabalho foram abertas em dois bairros de
Porto Alegre. Em junho de 1961, no Menino Deus, na casa de uma
senhora que pertencia ao Exército de Salvação. Em agosto do mesmo
ano, na casa de uma senhora interessada no evangelho que residia
no bairro Camaquã. A primeira reunião estava repleta de pessoas. Em
setembro do mesmo ano, as reuniões no bairro Camaquã foram
suspensas por causa da irregularidade de transporte.
Outra estratégia utilizada para alcançar pessoas foi o esporte.
Havia jogos em um ginásio onde eram convidados não-cristãos a fim
de que estes se integrassem ao grupo e também ouvissem o
Evangelho.
Em 1964, chega ao Rio Grande do Sul o Rev. Floyd Eugene
Grady para trabalhar como missionário. Este começou a colher os
frutos da evangelização realizada por Antonio Elias através da capela
ambulante. A tenda foi responsável pelo surgimento dos trabalhos
nos bairros da Vila Nova e da Tristeza. Inicialmente, ambos os pontos
de pregação contavam com quatro pessoas. Pouco tempo depois,
outro missionário americano, Rev. Ruben Sulc, é enviado ao Rio
Grande do Sul para cuidar dessas duas novas congregações.
Oscar Ciola, Floyd Grady e Ruben Sulc eram os responsáveis
pelo trabalho presbiteriano em Porto Alegre. Ciola propõe uma divisão

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
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de campo onde ele cuidaria da parte sul da cidade, enquanto que o


Rev. Floyd ficaria com a parte norte. A estratégia de Ciola foi
desenvolver relacionamento com os contatos deixados por Antonio
Elias, pois tinha um perfil mais relacional.
Resultaram dos esforços do Rev. Floyd as congregações de
Canoas, Cristo Redentor e Sapucaia. Além destes, eram realizadas
reuniões no Arroio da Manteiga, região de São Leopoldo, com a
participação de seis pessoas que, em 1966, se mudaram. Com isso
acaba o ponto de pregação e o foco se volta para Cruz Alta onde
havia dez pessoas que se reuniam regularmente na residência do
Antonio Alecrim. Outras cidades onde a Igreja Presbiteriana estava
presente eram: São Borja, Cruz Alta, Santa Maria e Rio Grande.
Ainda em dezembro de 1965, o então presidente do Supremo
Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, Boanerges Ribeiro, faz uma
visita ao Rio Grande do Sul marcando um encontro com o Rev. Floyd
no Aerocomando em Canoas. Boanerges queria informações sobre os
campos missionários.
O primeiro prédio da congregação de Sapucaia do Sul foi
construído também em 1965. Havia freqüência média aos cultos de
vinte e cinco a trinta pessoas. O prédio em Canoas já havia sido
adquirido e nas reuniões havia trinta pessoas. Entretanto,
compareceram à inauguração do prédio cerca de quarenta e cinco
pessoas. Auxiliavam no trabalho em Canoas os membros Manoel
Almeida e esposa e, posteriormente, Irineu Braga e família.
Em Porto Alegre, Antonio Elias deixara contatos importantes.
Alguns dos principais comerciantes da cidade, professores e dois
cônsules americanos apoiavam o presbiterianismo.
Algumas das estratégias utilizadas na época para evangelização
foram: a criação da Escola Panamericana que tinha por fim ensinar a
língua inglesa às pessoas; a filiação de Floyd à União de Obreiros
Evangélicos o que expandiu grandemente sua visão sobre o Rio
Grande do Sul; implantação do Centro de aconselhamento pastoral
numa sala no centro de Porto Alegre aberta ao público em geral;
reforma de um local cedido pelo Dr. Gorski em Canoas para
realização de eventos para a mocidade; utilização de uma rádio para
evangelização chamada Rádio União.
Em 1975, o trabalho de Canoas já tinha condições de se tornar
igreja. Tinha maior número de homens e maior arrecadação que a
Igreja Presbiteriana de Porto Alegre. O Rev. Floyd enviou pedido à JMN
para organização da igreja. Nesse meio tempo, Boanerges Ribeiro o
levou para o seminário em Campinas e trouxe outra pessoa para
trabalhar em Canoas, terminando assim com o trabalho.
Em 1976, o Rev. Floyd foi cedido à Igreja Metodista onde
permaneceu até 1987. Em 1989 retornou à IPB permanecendo até
hoje.

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

O sínodo Meridional foi o responsável pelos trabalhos no Rio


Grande do Sul na década de 1980. Em 1981, o esforço missionário
estava dividido da seguinte forma:

Igrejas e congregações Pastor responsável


Igreja de Canoas Odélio da Rosa Hertz
Igreja de Cristo Redentor Jaime do Amaral
Igreja da Azenha Renato Gaebler
Igreja da Tristeza Paulo Petrecca
Igreja de Gravataí Jaime do Amaral
Congregação de Sapucaia do Sul Paulo Petrecca
Congregação de Sarandi Jaime do Amaral
Congregação de Vila Nova Paulo Petrecca
Congregação de Alvorada Jaime do Amaral

Em 1981 surgiu a primeira proposta de formação do Presbitério


do Rio Grande do Sul na reunião do Presbitério de Florianópolis
(PFLO), entretanto o assunto permaneceu em discussão por muito
tempo.
A IPPA estava investindo bastante nos novos pontos de
pregação e procurando parcerias a fim de que os trabalhos
permanecessem. Em Viamão, o trabalho era bastante promissor por
estar na antiga capital do estado e onde já se podia colher os
primeiros frutos. Em Charqueadas havia 50 pessoas freqüentando as
reuniões e o ponto de pregação era o pioneiro no bairro. Não havia
templo católico ou evangélico na região. Já no Campo Novo havia 30
pessoas semanalmente nas programações, sendo cinco famílias
presbiterianas que moravam no bairro e outras cinco famílias de não-
crentes que estavam sendo alcançadas. Na Vila Cefer, 25 jovens
líderes católicos se converteram e se identificaram com a Igreja
Presbiteriana começando novas reuniões naquele bairro.
O número de membros recebidos na IPPA no período que vai de
1980 a 1984 é de 114. O pastor da igreja era o Rev. Renato Gaebler.
Em 13 de fevereiro de 1983 chega ao estado o Rev. Iron Vieira
de Souza enviado pela Junta de Missões Nacionais para assumir o
campo de Canoas, substituindo Jaime do Amaral. Em Canoas, havia
20 pessoas participando das reuniões que aconteciam aos domingos
e quartas, sendo posteriormente acrescentadas reuniões nas sextas e
sábados. A principal estratégia utilizada por Iron para alcance de
pessoas foi o evangelismo pessoal por meio de estudos bíblicos nos
lares, distribuição de folhetos e programações teatrais.
Em 1984 é feita uma reforma no templo em Canoas. Também
foram organizadas as sociedades de senhoras e de jovens –
Sociedade Auxiliadora Feminina e União de Mocidade Presbiteriana,
respectivamente. Ainda neste ano inicia-se um ponto de pregação no
bairro Mathias Velho num salão alugado. Incansavelmente, o Rev.
Iron visitava de casa em casa no Mathias Velho, nas proximidades da
igreja e também na base aérea. Além disso, participou como capelão
dos escoteiros da cidade. Outro salão foi alugado em Montenegro

31
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

para fundação de novo ponto de pregação. A estratégia era a mesma


– visitação de casa em casa.
Nesse meio tempo ocorre uma fusão dos trabalhos de Sapucaia
e Canoas onde a igreja é organizada com 3 presbíteros e 60
membros. As maiores dificuldades encontradas pelo obreiro foram
nos âmbitos: administrativo (crentes contrários à fusão dos pontos de
pregação), e cultural (forte influência católica e da tradição gaúcha).
Em 1986 o Rev. Iron é transferido para a igreja do Cristo
Redentor em Porto Alegre deixando a igreja de Canoas com
aproximadamente 40 pessoas. Saulo Emanuel de Oliveira foi o
antecessor na igreja do Cristo Redentor e responsável pela
organização da mesma em 1984. Iron permanece na Igreja de Cristo
Redentor até 1999 quando se transfere para o Rio de Janeiro. Entre
1989 e 1991, Iron construiu o templo. Essa igreja chegou a ter 350
membros em seu rol. Também foram iniciados trabalhos nas cidades
de Gravataí, Cachoeirinha, Taquara e Sapiranga. Alguns membros se
transferiram para essas cidades e puderam assim apoiar o trabalho.
As estratégias utilizadas foram a pesquisa de campo para diagnóstico
do público-alvo e a visitação nos lares. Passaram pela atual Igreja
Presbiteriana do Cristo Redentor desde sua organização os pastores:
Jaime do Amaral, Iron Vieira de Souza, Sílvio Lourenço de Souza,
Marcello Fontes e, atualmente, Demétrius Vinícius Machado.
Na Segunda Igreja Presbiteriana de Porto Alegre o trabalho
caminhava sob a liderança do Rev. Paulo Petrecca. Essa igreja tem
sua origem no ponto de pregação da Avenida Otto Niemeyer onde
havia 30 pessoas participando inicialmente e que depois foi
transferida ao local atual na Avenida Wenceslau Escobar. Em 1978 a
congregação é organizada em igreja. Na virada da década de 1980
havia um missionário chamado Ruben Sulc trabalhando na Segunda
IPPA. Depois dele passaram pela igreja os seguintes pastores em
ordem cronológica: Elci, Paulo Petrecca, Jales, Davi Correia, Heráclito,
Márcio Coelho, Osias Correia, Urano Carvalho Júnior, Marcello Fontes
e, atualmente, Osias Correia. O tempo médio de permanência de
cada um deles é de 3 anos. Na década de 1980, as principais
estratégias dos pastores que passaram pela Segunda IPPA eram a
distribuição de literatura evangélica, visitação nos lares, etc. Havia
cultos dominicais, estudos bíblicos e reuniões de oração. Segundo
pesquisa de campo realizada entre os membros mais antigos da
igreja, o pastor com maior aceitação foi o Rev. Ruben Sulc, seguido
pelo Rev. Davi Correia.
O Presbitério do Rio Grande do Sul só passou a existir 10 anos
após a primeira proposta de formação do mesmo. Em 1991, este é
organizado com quatro igrejas – IPPA, Segunda IPPA, Terceira IPPA
(Cristo Redentor) e IP Sapucaia do Sul. O primeiro presidente do PRGS
foi o Rev. Iron Vieira de Souza. Até a organização, as igrejas estavam
filiadas ao Presbitério de Florianópolis.

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

2.5 Situação atual

No que tange ao presbiterianismo, o Rio Grande do Sul possui


um presbiteriano para cada 13.500 habitantes, enquanto que a média
nacional é de 1 presbiteriano para cada 340 brasileiros. Isso significa
que o estado possui uma ocupação presbiteriana 40 vezes menor que
o Brasil.
O estado conta com apenas um presbitério, localizado na região
metropolitana de Porto Alegre. O Presbitério do Rio Grande do Sul
(PRGS) possui sete igrejas organizadas em todo o estado. As cidades
com igrejas organizadas são: Porto Alegre, Sapucaia do Sul, Canoas,
Sapiranga, Pelotas. Destas, localizadas na capital do estado, Porto
Alegre, estão três igrejas que juntas somam pouco mais de 300
membros.
Essa situação não é resultante do desleixo ou inoperância dos
obreiros que passaram pelo campo e que atualmente dedicam suas
vidas nesse lugar. A evangelização do povo gaúcho é difícil em
virtude das características peculiares desse povo descritas no
capítulo anterior deste trabalho.
Conscientes dessa realidade e da urgente necessidade de se
dispensar maior atenção a esse estado riquíssimo, o Sínodo
Meridional, ao qual o PRGS é jurisdicionado, em parceria com outras
organizações, desenvolveu o Projeto Rio Grande do Sul, com o
objetivo de abrir novas frentes de trabalho presbiteriano em alguns
dos 467 municípios em solo rio-grandense. A intenção do projeto é
plantar novas igrejas nos 20 maiores municípios do Rio Grande do
Sul. O tempo de duração do plano é de oito anos. Nos quatro
primeiros anos, as parcerias sustentam o campo integralmente. A
partir do quinto ano, o grupo local precisa assumir parte dos custos
de forma que, no oitavo ano, haja uma igreja auto-sustentável
naquele lugar.
O Sínodo Meridional é formado por quatro presbitérios: PRGS,
Presbitério do Iguaçu, Presbitério do Oeste Catarinense e Presbitério
de Itaipu. Cada um deles assumiu a tutela de alguns campos
missionários. As cidades com campos missionários são: Frederico
Westphalen, Passo Fundo, Carazinho, Três Passos, Santa Rosa, Santo
Ângelo, São Luiz Gonzaga, São Borja, Uruguaiana, Alegrete, São
Gabriel Santa Cruz do Sul, Lajeado e Ijuí.

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

3. Considerações Missiológicas

3.1 Missão

Desde o início do relato bíblico temos evidências de que


Yahweh é um Deus que está em missão no mundo. Segundo Wright, a
Bíblia deve ser considerada um registro dos atos de Deus na história,
pois Yahweh é o “Deus que age” (1952). A narrativa da criação não
foi escrita com a finalidade de defender a teoria do Criacionismo e
refutar o evolucionismo proposto por Darwin, mas mostrar que
Yahweh tem poder sobre os deuses23 indo de encontro à cosmovisão
da época. Somente o Deus das Escrituras é o Rei do Universo. No
relato bíblico há uma forte relação entre a criação e a missão de
Deus24.
O primeiro mandamento de Deus conhecido como “Mandato
Cultural” pode ser entendido, segundo Carriker (2000), como a
primeira Grande Comissão dada ao homem no sentido de ser
fecundo, povoar a terra e sujeitá-la.25 Deus criou o homem à sua
imagem e semelhança e com algumas responsabilidades.
Mais adiante no capítulo 12 de Gênesis há uma expressão da
maravilhosa Graça de Deus que escolhe um homem de origem pagã
para ser o pai de muitas nações. Abrão é chamado por Deus e atende
prontamente a este chamado. Como recompensa à obediência, Deus
faria a descendência de Abraão incontável como a areia do mar. A
partir de Abraão surgirá o povo de Israel – escolhido para
testemunhar às nações os feitos de Yahweh no seu meio. Há uma
responsabilidade confiada a Israel que procura entender a sua
participação no plano de Deus. Sobre isso, Carriker diz:

Nos relatos da criação, Israel não estava interessado na


natureza física da criação em si, como nós hoje em dia
procuramos entender pela ciência natural a origem das coisas.
Para Israel, o relato da criação era importante à medida que
explicava seu relacionamento com o plano de Deus, para este
mundo todo (2000).

A Missio Dei tem seu fundamento na doutrina da Trindade onde


o Pai envia o Filho, e, o Pai e o Filho, enviam o Espírito. Em outras
palavras, a missão faz parte da natureza de Deus. Há, dessa forma,
um outro movimento no contexto vetero-testamentário onde as três
Pessoas da Trindade enviam Israel em missão. A eleição de Israel é
uma responsabilidade e não um privilégio.26 Sobre isso, Carriker
coloca:

23
Yam (deus das águas), Shemesh (sol), Sin (Lua), Baal (fertilidade) e mot (morte).
24
Cf. Salmo 95.3-6; João 1.3; Colossenses 1.16-17.
25
Cf. Gênesis 1.28.
26
Cf. Amós 3.2

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

A eleição implica em serviço – o propósito da eleição é serviço


e é inseparavelmente ligado à salvação das nações, como a
interpretação do Novo Testamento confirma (Gl 3.8-29; 1Pe
2.9). A eleição em si não era um fim. Sua finalidade era que
todas as nações fossem abençoadas (2000:44).

Sobre a eleição como responsabilidade, Blauw expõe sua


argumentação e aponta o fim daqueles que não corresponderem à
responsabilidade:

De fato, a idéia de que o ato divino da eleição deva ser


explicado como favoritismo pertence ao grande pecado, à
apostasia de Israel. É, portanto, de grande significação, o fato
de que a palavra eleição e escolha no AT, sempre que se refere
a Israel, é usada na forma ativa, e nunca na passiva: Israel
nunca é chamado ‘escolhido’. Israel não é tanto o objeto da
eleição divina quanto sujeito do serviço exigido por Deus à
base da eleição.(...). Portanto, a eleição não é primariamente
privilégio, mas responsabilidade. Se a responsabilidade é
recusada, a eleição pode até se tornar o motivo da punição
divina: ‘De todas as famílias da terra somente a vós outros vos
escolhi, portanto eu vos punirei por todas as vossas
iniquidades’ (Am 3.2) (1966:23).

Outro autor que defende a eleição como um chamado ao


serviço é David Bosch. Ele afirma que “O Deus revelado na história é
(...) Aquele que escolheu Israel. A finalidade da eleição é o serviço, e
quando ele é recusado, a eleição perde seu sentido” (2002:36).
O relacionamento de Deus com as outras nações é evidenciado
na história de Israel. Sobre isso, Blauw afirma:

O chamado de Abraão, e a história de Israel que começa


naquele ponto, é o começo da restauração da unidade humana
perdida e da comunhão rompida com Deus. Toda a história de
Israel nada mais é do que a continuação do trato de Deus com
as nações, e que, portanto, a história de Israel só pode ser
entendida na perspectiva do problema não resolvido da relação
de Deus com as nações (1966:19).

Israel deveria ter uma adoração inclusiva no sentido de que as


suas reuniões fossem feitas de forma que as nações pudessem vir e
adorar a Yahweh sem dificuldades. Blauw coloca que “a missão de
Israel consiste no fato de que através desta nação Deus tornará
conhecido o seu poder, visível e tangível à vista de todas as nações e
com vistas a todas as nações” (1966:37). Yahweh só podia ser
encontrado em Israel. Conforme Bosch, “...visto que o Deus
verdadeiro se deu a conhecer a Israel, ele só pode ser encontrado em
Israel; e visto que o Deus de Israel é o único Deus verdadeiro, ele é
também o Deus do mundo inteiro” (2002:37).
O modelo de missão do Antigo Testamento era da “missão
centrípeta” onde todos deveriam vir ao centro, ou seja, as nações

35
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

viriam ao centro de Israel.


A partir de um panorama do Antigo Testamento, é possível
notar a existência de uma redução progressiva. Essa redução se dá
no sentido de que na criação Deus visava a humanidade como um
todo. Entretanto, esta decaiu. Com isso, Deus escolhe um povo para
uma missão, mas o povo não permanece fiel até o fim com exceção
de alguns remanescentes. Nesse remanescente surgirá o Servo
Sofredor que morrerá para remissão de pecados.
Em suma, a missão é originada em Deus que tem como objetivo
restaurar a humanidade decaída. O instrumento escolhido para
cooperação na missão foi Israel e essa missão acontece no decorrer
da história da humanidade.

3.1.1 Conceito de Missão nos séculos XIX e XX

A história das missões mundiais está dividida em duas fases. No


séc. 1927, missões era sinônimo de colonialismo e exploração. Esse
período tem como principais personagens: William Carey e David
Livingstone. A partir da Conferência de Edimburgo, ocorreram muitas
conferências e o conceito de missão mudava de acordo com o projeto
missionário do momento. As ênfases dadas são: soteriologia,
cristologia e doutrina trinitária.
Há um confronto de paradigmas na história recente das
missões, defendidos de acordo com os interesses de cada
movimento. Houve evolução e conjugação da idéia de missão como
parte da igreja ou a igreja faz missão. A missão como Missio Dei e a
pastoral como o novo rosto da missão.
A América Latina passava por um desenvolvimento durante a
década de 60 e a sociedade estava sofrendo uma modernização.
Nesse período, as igrejas protestantes entraram em uma crise de
identidade missionária. Essa crise gerou a busca de soluções e uma
nova proposta de identidade na missão. Durante esse período há uma
radicalização que divide o protestantismo latino-americano em três
vertentes: a ecumênica (igrejas do protestantismo histórico),
evangelical (pessoas das igrejas fundamentalistas e com influência
norte-americana) e a pentecostal.
Em 1913, foi criado o Comitê de Cooperação para a América
Latina durante a Conferência de Missões Estrangeiras, realizada em
Nova Iorque. A incumbência desse Comitê é buscar a identidade do
protestantismo latino-americano.
Depois há a fase das conferências caracterizada pelo profetismo
da independência eclesiástica e o conflito entre as “igrejas-mães” e
as “igrejas-filhas”. Há uma evolução nos temas onde primeiro trata-se
sobre a responsabilidade social da igreja, depois das rápidas
transformações sociais e a presença da igreja nessas transformações

27
Nesse século ocorre a expansão do projeto missionário dos morávios e são
organizadas agências missionárias.

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

e, por fim, o processo revolucionário e o engajamento dos cristãos


nele.
No final da década de 70 ocorre a Assembléia de Oaxtepec que
tem como principais preocupações: a unidade, a realidade latino-
americana e a missão da igreja.
No decorrer dos anos, os motivos para se fazer missões não
partiam da idéia de que o missionário é um instrumento na missão de
Deus no mundo, ou seja, não havia uma busca por realizar a vontade
de Deus, mas a necessidade de auto-satisfação. Verkuyl28 cita alguns
exemplos: o “motivo imperialista” que busca tornar o nativo submisso
às autoridades coloniais; o “motivo cultural” onde o missionário quer
impor sua cultura e forma de pensamento; o “motivo romântico” que
expressa o desejo pessoal de se evangelizar o mundo; e o “motivo do
colonialismo eclesiástico” com uma idéia de impor a sua religião e
costumes ao invés de buscar a verdadeira conversão do indivíduo. Há
outros motivos também como o motivo escatológico que procura
adiantar a volta de Cristo. Enfim, são diversas as razões pelas quais é
praticada a tarefa missionária.

3.2 Igreja

Como dito anteriormente, a primeira Grande Comissão foi dada


em Gênesis e o primeiro povo escolhido para o cumprimento da
missão foi Israel.
A partir do Novo Testamento, temos outros exemplos de
missão. A vinda do Filho do Homem em missão para redenção
daqueles que escolheu e para manifestar o poder de Deus através de
milagres, exorcismos e demonstrando amor pelo ser humano.
Jesus, certa vez, antes de sua ascensão, deixou uma ordem aos
discípulos:

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os


em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a
guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que
estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos.
(Mateus 16.18, ARA).

Esta é a segunda Grande Comissão do relato bíblico. A ordem é


que, ao contrário de Israel, os discípulos vão ao encontro das pessoas
que devem ser evangelizadas e discipuladas. Interessante notarmos
que, à semelhança do chamado de Abraão, há uma promessa de que
os discípulos receberiam poder do Espírito Santo. Abraão tem a
promessa de que, nele, todas as famílias da terra seriam abençoadas.
A bênção é a mesma conforme o apóstolo Paulo quando escreve aos
Gálatas:

VERKUYL, J.Contemporary Missiology: Na Introduction. Grand Rapids: Eerdmans,


28

1978. 164-68. Citado por David J. Bosch.

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os


gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti serão
abençoados todos os povos (...) para que a bênção de Abraão
chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que
recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido. (Gálatas 3.8,14,
ARA).

A partir do grupo de discípulos, surge a comunidade primitiva


que crescia rapidamente. Os discípulos cumprem a Comissão deixada
por Cristo e o cumprimento da promessa é visível na manifestação de
poder em seus ministérios, bem como nas pessoas que a cada dia se
convertiam em grande número.
Nesse contexto, os apóstolos saem a pregar o Evangelho e
plantar igrejas nas cidades da região. O apóstolo Paulo realiza
viagens missionárias originando diversas igrejas.
A ordem de fazer discípulos foi cumprida por aqueles irmãos.
Eles entenderam que o local do discipulado não deve ser uma sala de
aula da escola dominical ou seminário teológico, também o contexto
de discipulado não é a igreja, a comunidade cristã, mas o lugar onde
se deve fazer discípulos é o mundo. O campo missionário é o mundo.
Sobre o local do discipulado, Bosch diz:

O discipulado é determinado pela relação com o próprio Cristo,


não pela conformidade com uma ordenança impessoal. O
contexto disso não é a sala de aula (onde o “ensino”
geralmente tem lugar), nem mesmo a igreja, e sim o mundo
(2002:93).

A definição do termo referente à igreja no Novo Testamento


também mostra que o campo é o mundo e que a igreja deve existir
para aqueles que ainda não compartilham desta fé. Ekklesia que pode
ser dividido em “Ek” (para fora de) e “klesia”, variação de “kaleo”
(chamar). Ou seja, a igreja é chamada para fora. Ela é voltada para
fora e, ao contrário do Antigo Testamento cujo modelo de missão era
centrípeto, é com modelo centrífugo. A igreja possui duas funções
fundamentais: evangelizar (discipulado) e edificar (ensino).
A Missio Dei no contexto específico do Novo Testamento foi
expandida no sentido de que há um outro movimento presente onde
a Trindade envia a igreja ao mundo para o cumprimento da missão.
Sobre isso, Moltmann29 afirma que “não é a igreja que deve cumprir
uma missão de salvação no mundo; é a missão do Filho e do Espírito
mediante o Pai que inclui a igreja”.
Na história da salvação, há agora uma expansão progressiva. O
Servo Sofredor (Jesus) chama para perto de si um grupo de discípulos
que formarão a comunidade de Israel. A partir de Israel surgirá a
missão aos gentios e, com isso, há a visão pela humanidade toda.
Com relação à igreja, Karl Barth faz algumas perguntas: “Até
que ponto [a Igreja] corresponde a seu nome? Até que ponto ela

MOLTMANN, Jürgen.The Church in the Power of the Spirit: A Contribution to


29

Messianic Ecclesiology. London: SCM, 64. Citado por David J. Bosch.

38
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

existe como uma manifestação prática de sua essência? Até que


ponto ela é de fato o que aparenta? Até que ponto ela cumpre o que
afirma e atende às expectativas que suscita?”.30
A igreja está intimamente relacionada com a missão por ter
uma natureza estritamente missionária. Segundo Emil Brunner: “A
igreja existe por causa da missão, assim como o fogo existe enquanto
queima”. Não há como separar missão e igreja. Uma igreja que não é
missionária, não pode ser considerada igreja. Segundo Newbigin:

Exatamente como devemos insistir no fato de que a Igreja que


cessou de ser missão perdeu o caráter essencial de Igreja,
assim devemos afirmar que a missão que não seja ao mesmo
tempo Igreja realmente não é a verdadeira manifestação do
apostolado divino. A missão não-eclesiástica é tão monstruosa
quanto a igreja não-missionária31.

A convicção de que missão e igreja são idéias totalmente


distintas é real na mente de muitos membros de igrejas. Há o
entendimento de que a igreja existe para os seus membros, para
manutenção do que já existe, e que a missão é a organização que
deve evangelizar. Essa idéia tem provocado a perpetuação do
comodismo entre aqueles que acreditam na máxima de “uma vez
salvo, salvo para sempre”. Esquecem, entretanto, que a eleição é
responsabilidade, vivem tranqüilos e com a gratidão a Deus por ter
lhes dado esse privilégio. Essa realidade é destacada por Leslie
Newbigin32:

No pensamento da grande maioria dos cristãos, as palavras


“igreja” e “missão” denotam dois tipos diferentes de
sociedade. Uma é tida como a sociedade dedicada à adoração
e ao cuidado espiritual e nutricional dos membros [...] A outra,
à propagação do evangelho, repassando os seus convertidos
para a custódia segura da “igreja”. [...] Reconhece-se que a
obrigação missionária é a que deve ser cumprida, UMA VEZ
preenchidas as necessidades do lar; que as aquisições atuais
devem ser plenamente consolidadas antes de seguirmos mais
adiante; que a igreja mundial precisa ser construída com o
mesmo tipo de planejamento comercial prudente.

Para John Stott, “Não se pode compreender a igreja


corretamente senão numa perspectiva ao mesmo tempo missionária
e escatológica”33.

30
BARTH, Karl. Church dogmatics, v.4, parte 2, pág. 641. Citado por Charles Van
Engen.
31
The household of God, p. 169. Citado por VAN ENGEN.
32
The household of God, p. 164-5. Citado por VAN ENGEN.
33
Citado por VAN ENGEN, p. 35.

39
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

3.5 Sugestões de ação na realidade porto-


alegrense

Após o estudo da história e cultura do Rio Grande do Sul, bem


como de analisar o que a Bíblia diz acerca de missão e igreja, faz-se
necessária uma aplicação a partir dos desafios apresentados pela
cidade de Porto Alegre e pelo seu povo.

3.5.1 Conquistar o direito de ser ouvido

Para que se tenha êxito na evangelização do povo gaúcho, é


necessário que se conquiste a atenção desse povo resistente a tudo o
que é forasteiro. A paciência é uma virtude indispensável naquele que
deseja evangelizar o gaúcho, pois terá que conhecer bem a história e
cultura e ainda conversar bastante com as pessoas a fim de ganhar o
direito de ser ouvido. Esse direito só virá a partir do momento que o
outro perceber que o evangelista é uma pessoa séria e que possui um
interesse verdadeiro em ajudá-lo. Não adianta chegar impondo regras
e a própria forma de pensar porque isso gerará resistência no
ouvinte.
Outra forma de conquistar esse direito é tendo alvos bem
definidos. A organização e seriedade com que a igreja trata as suas
atividades são requisitos indispensáveis. O gaúcho não aceita
qualquer coisa, justamente por ser um povo altamente
intelectualizado.
O respeito também é primordial. Respeito à forma de pensar, à
tradição, à cosmovisão e, até mesmo, à religião. O povo gaúcho é
resistente a qualquer tipo de autoritarismo ou imposição de modelos
e ideologias inerrantes que ferem o direito de liberdade de
pensamento.
A história do Rio Grande mostra que o seu povo é independente
e apegado ao seu “chão”, perdendo a vida, inclusive, em defesa do
seu estado.

3.5.2 Criar pontes com a tradição

O forte apego à tradição, aparentemente, é algo que atrapalha


a infiltração do Evangelho no meio dos tradicionalistas. Uma das
principais atividades do gaúcho nas horas vagas, especialmente aos
fins de semana, é “chimarrear” nos parques da cidade. Esse
momento, normalmente, é realizado em rodas com várias pessoas
conversando sobre diversos assuntos proporcionando vínculos de
amizade. Uma possível estratégia por parte da igreja seria a abertura
à tradição onde fossem realizados momentos como esse de troca de

40
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

experiências, onde algumas pessoas certamente expõem seus


problemas aos amigos. Seria uma excelente oportunidade de
evangelização a partir do aconselhamento oferecido a essas pessoas
por parte dos cristãos, sem tirá-las do ambiente ao qual estão
acostumadas.
A igreja precisa aprender a conviver com a cultura e realizar
cultos que atendam as necessidades das pessoas que estão ao redor
e que Deus confiou à igreja para que as evangelizasse. A cultura não
pode simplesmente ser descartada pela igreja, todavia deve ser
entendida por esta a fim de que a forma de culto seja atrativa às
pessoas da comunidade.
Um povo fortemente apegado à sua tradição e na sua maioria
de tradição católica, provavelmente possui esse apego por perceber
que ambas as tradições possuem base histórica e seriedade na
realização das coisas a que se propõem. A tradição reformada, ainda
que totalmente contrária no aspecto ideológico, possui as mesmas
características das outras tradições que tanto atraem o gaúcho. É
possível que uma demonstração de seriedade e coerência ao que a
Bíblia diz e também na forma como vive a sua tradição, a igreja
presbiteriana ganhe o respeito e também adeptos em meio a estes
tradicionalistas católicos.

3.5.3 Plantar novas igrejas

A história do presbiterianismo em Porto Alegre apresentada no


segundo capítulo deste trabalho mostra que uma das ações que
contribuiu para o desenvolvimento da igreja foi a abertura de novos
pontos de pregação nos bairros. A partir destes surgiram as igrejas
existentes hoje na cidade.
A principal estratégia de evangelização utilizada pelo apóstolo
Paulo foi a plantação de novas igrejas. Esta é a forma mais eficiente
de se cumprir a Grande Comissão dada por Jesus. Algumas razões34
para essa afirmação

a) Novas igrejas não despendem energias na tentativa de


solucionar pendências históricas e administrar conflitos
passados as quais drenam boa parte de suas forças;
b) Novas igrejas empenham a maior parte de seus recursos e
esforços na tentativa de comunicar o evangelho de Jesus
àqueles que ainda não o conhecem;
c) Novas igrejas adaptam-se mais facilmente ao contexto em
que estão inseridas e à cultura daqueles a quem desejam
comunicar o evangelho de Jesus;
d) Novas igrejas são caracterizadas por novos cristãos, os
quais, nos dois primeiros anos de caminhada cristã, mostram-
se bem mais efetivos na evangelização do que a grande
maioria de cristãos mais experientes;
34
Extraído do site: www.ctpi.org.br – Centro de Treinamento para Plantadores de
Igrejas.

41
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

e) Novas igrejas desafiam as igrejas já existentes em sua


região a um repensar teológico e estratégico o que contribui
grandemente para um processo de revitalização.

3.5.4 Estabelecer contatos

Antonio Elias, pastor pioneiro do trabalho presbiteriano em


Porto Alegre, fez muitos contatos com pessoas importantes e
influentes na cidade.
Para que se alcance as pessoas do bairro, é necessário que se
tenha contato com pessoas conhecidas que trabalhem nos
estabelecimentos comerciais das imediações da igreja. O alvo de
evangelização deve ser aqueles que conhecem o maior número de
pessoas no bairro. A partir de suas conversões, certamente trarão
novas pessoas formando assim um grupo de discipulado. Esse grupo
terá grande potencial de crescimento já que os novos convertidos são
evangelistas eficientes.
Entretanto, essa abordagem deve ser feita com cautela e com
fins de se estabelecer amizade. A falta de paciência por parte do
evangelista pode provocar resistência no outro por achar que a
aproximação se dá apenas por interesse religioso.

3.5.5 Utilização da força leiga

Outra importante estratégia utilizada pelo Rev. Antonio Elias foi


o aproveitamento dos leigos preparados para determinadas funções.
Indubitavelmente, isto contribuiu muito para o desenvolvimento do
trabalho. A igreja é um corpo onde cada membro possui a sua função
e, caso um deles não esteja exercendo sua função, o restante deixa
de crescer.
Deus concedeu diferentes dons a cada um, mas, em sua infinita
sabedoria, colocou os dons necessários para cada igreja em seus
membros. A liderança precisa enfatizar a necessidade da participação
dos membros para a edificação do corpo, ajudando cada um a
descobrir os seus dons dando oportunidade para o desenvolvimento
dos mesmos.
Na história da Igreja Presbiteriana do Brasil, a utilização da
força leiga foi importantíssima para a permanência do trabalho,
houve, inclusive, leigos responsáveis por novos campos missionários
que surgiram no interior do país. O líder, por si só, não conseguirá
administrar a igreja e orientar os seus membros.

3.5.6 Conhecer o público-alvo

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

A igreja que deseja ser eficiente na evangelização e fazer


diferença no bairro onde está precisa ter bem definido o seu público-
alvo. Naturalmente, se ela estiver em um bairro de classe média,
deverá se empenhar no sentido de atender às necessidades de
pessoas de classe média. O mesmo ocorre com outras classes sociais.
É inútil tentar suprir a necessidade de uma família de classe alta
oferecendo o que pessoas de classe baixa necessitam. Não fará
sentido e a igreja será totalmente irrelevante. Abraham Maslow,
psicólogo americano, desenvolveu uma hierarquia de necessidades
colocando as necessidades principais de cada classe social. Segundo
a pirâmide, as principais necessidades das pessoas de classe baixa
são: alimentação, segurança. Na classe média: vida em comunidade,
amor, amizade, relacionamentos. Na classe alta, a maior necessidade
está relacionada ao sentido da vida onde há uma busca por entender
a vocação a qual foram chamadas.
Logo, se a igreja está num bairro de classe baixa, as estratégias
devem estar relacionadas ao serviço social, distribuição de alimentos,
alfabetização, etc. Se está inserida em meio à classe média, a igreja
deve oferecer comunhão, amor, amizade, companheirismo. As
atividades devem estar focalizadas na realização de reuniões,
encontro de casais, retiros, rodas de chimarrão, etc. Com o foco
principal numa pregação consistente e relevante deve estar a igreja
voltada para a classe alta.

3.5.7 Alcançar migrantes

Porto Alegre por ser uma das principais capitais do país e com
excelente condições para se viver sofreu o fenômeno da urbanização
que rapidamente provocou crescimento geográfico e demográfico. O
êxodo rural é uma das causas transferindo moradores do campo para
a cidade.
Muitas são as causas do êxodo rural: busca por melhores
condições de vida através de estudos, por liberdade da tradição, por
causa dos serviços públicos não-disponíveis no campo e essenciais à
vida como hospitais, escolas, comércio, etc.
Comblin (1996) coloca as motivações reais das pessoas que
buscam a vida na cidade:
a) A cidade é espetáculo – shopping-centers, teatros, musicais,
clubes, festas, relacionamentos, enfim, há uma impressão de
que a vida jamais será monótona.
b) A cidade é liberdade das dependências tradicionais – muitos
jovens desejam viver no mundo urbano porque querem sair
do controle dos pais. No campo, parece que todos sabem o
que cada um faz em todo o tempo.
Essa busca por liberdade da dominação paternalista do campo
já é bastante antiga e o fato de viver na cidade significar
emancipação também remonta a tempos antigos.

43
Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

Por isso, a emigração para a cidade aparece desde há séculos


como um grande ato de emancipação. Quem vai para a cidade
sacode a dominação da família, dos costumes, dos chefes
tradicionais – até dos chefes da igreja tradicional -, e da voz
pública, que é um juiz onipresente. (COMBLIN, 1996:11)

Certamente, os oriundos do campo precisam de um tempo de


adaptação à vida urbana. Nessa adaptação, aprendem a conviver
com a violência, com a superlotação do transporte coletivo, além de
congestionamentos, etc. Mesmo depois de conhecerem toda essa
realidade e, até certo ponto, se desapontarem com ela, ainda assim
preferem permanecer na cidade porque possuem a esperança de um
futuro melhor.
Essa esperança por um futuro pode causar algumas atitudes.
Estes esperam que haja um salvador que trará solução a todos os
problemas. Isto faz com que qualquer demagogo que se apresente
como o solucionador dos problemas ganhe a atenção e confiança das
pessoas. Os líderes tradicionais – característicos do campo – não
estão mais presentes e, por isso, sem referencial, as pessoas acabam
acreditando em qualquer um. Depois vem a desilusão, entretanto,
esta só provoca uma maior esperança na vinda do autêntico salvador.
Nesse momento, há grande abertura ao Evangelho e a pessoas
que estejam realmente interessadas em ajudar o migrante. Este
possui necessidade de se relacionar e ter novas amizades, a igreja
pode ser um local bastante apropriado para isso se os seus membros
souberem acolher o forasteiro e apresentar o verdadeiro Salvador que
nunca falha.

3.5.8 Expressar o amor de Cristo

Segundo Carriker na obra “Missões e Igreja Brasileira”, uma das


razões pelas quais o espiritismo cresce, no caso em Porto Alegre, é
porque durante os encontros, os visitantes têm oportunidade de
conversar com os espíritos que foram invocados e agora estão nos
pais de santo. A eles, o visitante pode expor seus problemas
recebendo aconselhamento por parte dos espíritos. Talvez muitas
pessoas que procurem o espiritismo já tenham freqüentado igrejas
presbiterianas, todavia não receberam a atenção necessária e não
sentiram a igreja como um ambiente acolhedor e amoroso. Por isso,
buscaram a solução dos seus problemas no espiritismo.
A igreja precisa ser uma comunidade de amor onde o
desanimado encontra ânimo, onde o fraco encontra força, onde o
pecador encontra Graça e sua expressão maior, Jesus Cristo. A igreja
deve ser uma comunidade terapêutica, uma comunidade onde a cura
acontece através do Evangelho. O Evangelho genuíno pregado de
forma íntegra tem poder para transformar pessoas e curar feridas.

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Igreja Presbiteriana em Porto Alegre
Por Timóteo Souza

Essa é uma das formas de se combater o constante crescimento


do espiritismo no Rio Grande do Sul. O amor é o caminho sobremodo
excelente e o principal mandamento colocado por Jesus.
Aqueles que seguem o espiritismo pouco estão interessados em
saber se concordam com a doutrina espírita, entretanto seguem o
espiritismo porque lá encontram amor e companheirismo. Pouco
importa a doutrina e a teologia de cada um, o importante é a amizade
e o amor.

Conclusão
O Rio Grande do Sul é um estado com grande potencial para o
crescimento da Igreja Presbiteriana. Para tanto, é necessário que esta
perceba aquilo que Deus está fazendo na realidade gaúcha e procure
se engajar na missão de Deus. Faz-se necessário também um maior
esforço da igreja nacional no sentido de implantar novas igrejas no
Rio Grande.
É chegada a hora da igreja abandonar as discussões tolas
acerca de assuntos que em nada contribuem para a expansão da
igreja, senão para criar inimizade e divisão entre os membros. A
igreja precisa ter atitudes mais nobres de auxílio ao próximo ao invés
de ficar discutindo questões insignificantes.
O Supremo Mestre deixou a comissão de “fazer discípulos de
todas as nações, batizando-os e ensinando-os”. Que a Igreja
Presbiteriana se desperte para este propósito e que nos próximos
anos a presença reformada presbiteriana avance de forma
significativa no Rio Grande do Sul.

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