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INSTITUTO BÍBLICO FRUTO

BACHAREL EM TEOLOGIA
PLINA: ATOS DOS APÓSTOLOS
ROFESSORA: JÚNIA
ALUNA: CLEIDE FLORENTINO DE SÁ

II CORÍNTIOS

Esboço
Introdução (1.1-11)
I. Defesa de Paulo em Prol da Maioria Leal (1.12—7.16)
A. Contestação de que Ele Era Inconstante (1.12-22)
B. Explicação da Mudança nos Seus Planos de Viagem (1.23—2.17)
C. Esclarecimento Sobre a Natureza do Seu Ministério (3.1—6.10)
1.A Serviço de um Novo Concerto (3.1-18)
2.Às Claras e Verdadeiro (4.1-6)
3.Com Sofrimento Pessoal (4.7—5.10)
4.Com Dedicação e Ternura (5.11—6.10)
D. Apelo Pessoal aos Coríntios e Consideração Afetuosa por Eles (6.11—7.16)

II. Coleta para os Cristãos Necessitados de Jerusalém (8.1—9.15)


A. A Graça da Liberalidade Cristã (8.1-15)
B. Tito e Suas Providências Para a Oferta (8.16-24)
C. Um Apelo Por uma Oferta Imediata (9.1-5)
D. Um Apelo Por uma Oferta Generosa (9.6-15)

III. A Resposta de Paulo à Minoria Descontente (10.1— 13.10)


A. Resposta às Acusações de Covardia e Fraqueza (10.1- 18)
B. Relutante Auto Defesa do Apostolado de Paulo (11.1— 12.18)
1. Justificativa do Tom Jactancioso (11.1-15)
2. Declaração de Não Ser Inferior aos Judaizantes (11.16—12.10)
3. Prerrogativas Legítimas do Apostolado de Paulo (12.11-18)
C. A Advertência de uma Terceira Visita Iminente (12.19—13.10)
1. Preocupação Pelos Coríntios (12.19-21)
2. Exortação à Firmeza (13.1-10) Conclusão (13.11-14)
Autor: Paulo
Tema: Glória Através do Sofrimento
Data: 55/56 d.C.

Considerações Preliminares
Paulo escreveu esta epístola à igreja de Corinto e aos crentes de toda a Acaia (1.1),
identificando-se duas vezes pelo nome (1.1; 10.1). Tendo Paulo fundado a igreja em Corinto,
durante sua segunda viagem missionária, manteve contato frequente com os coríntios a partir
de então, por causa dos problemas daquela igreja (ver a introdução a 1 Coríntios).
A sequência desses contatos e o contexto em que 2 Coríntios foi escrito são os seguintes:
1- Depois de alguns contatos e correspondência inicial entre Paulo e a igreja (e.g. 1 Co
1.1; 5.9; 7.1), ele escreveu 1 Coríntios, de Éfeso, (primavera de 55 ou 56 d.C.).
2- Em seguida, ele fez uma viagem a Corinto, cruzando o mar Egeu, para tratar de
problemas surgidos na igreja. Essa visita, no período entre 1 e 2 Coríntios (cf. 13.1,2),
foi espinhosa para Paulo e para a congregação (2.1,2).
3- Depois dessa visita afanosa, informes chegaram a Paulo em Éfeso de que seus
adversários estavam atacando a sua autoridade apostólica em Corinto, tentando
persuadir uma parte da igreja a rejeitá-lo.
4- Respondendo, Paulo escreveu 2 Coríntios, na Macedônia (outono de 55 ou 56 d.C.).
5- Pouco depois, Paulo viajou outra vez a Corinto (13.1), permanecendo ali cerca de três
meses (cf. At 20.1-3a). Foi ali que escreveu a Epístola aos Romanos.

Propósito
Paulo escreveu esta epístola a três classes de pessoas em Corinto.
1- Primeiro, escreveu para encorajar a maioria da igreja que lhe era fiel, como seu pai
espiritual.
2- Escreveu para contestar e desmascarar os falsos apóstolos que continuavam a difamá-
lo, para, assim, enfraquecer a sua autoridade e o seu apostolado, e distorcer a sua
mensagem.
3- Escreveu, também, para repreender a minoria na igreja influenciada por seus
oponentes e que não acatavam a sua autoridade e correção. Paulo reafirmou sua
integridade e sua autoridade apostólica em relação a eles, esclareceu os seus motivos e
os advertiu contra novas rebeliões. 2 Coríntios visou a preparar a igreja como um todo,
para sua visita iminente.

Visão Panorâmica 2 Coríntios tem três divisões principais.


1- Na primeira (1—7), Paulo começa dando graças a Deus pela sua consolação em meio
aos sofrimentos em prol do evangelho, elogia os coríntios por disciplinarem um
grande transgressor e defende a sua integridade ao alterar seus planos de viagem. Em
3.1—6.10, Paulo apresenta o mais extenso ensino do NT sobre o verdadeiro caráter do
ministério. Ressalta a importância da separação do mundo (6.11—7.1) e expressa sua
alegria ao saber, através de Tito, do arrependimento de muitos na igreja de Corinto,
que antes desacatavam a sua autoridade apostólica (7).
2- Nos caps. 8 e 9, Paulo exorta os coríntios a demonstrar a mesma generosidade cristã e
sincera dos macedônios, ao contribuírem na campanha por ele dirigida, a favor dos
crentes pobres de Jerusalém.
3- O estilo da epístola muda nos caps. 10— 13. Agora, Paulo defende o seu apostolado,
discorrendo sobre a sua chamada, qualificações e sofrimentos como um verdadeiro
apóstolo. Com isso, Paulo espera que os coríntios reconheçam os falsos apóstolos
entre eles, o que os poupará de futura disciplina quando ele lá chegar. Paulo termina 2
Coríntios com a única bênção trinitária no NT (13.14).
Características Especiais Quatro fatos principais caracterizam esta epístola.
1- É amais autobiográfica das epístolas de Paulo. Suas muitas referências pessoais são
feitas com humildade, desculpas e até mesmo constrangimento, mas foi necessário,
tendo em vista a situação em Corinto.
2- Ultrapassa todas as demais epístolas paulinas no que tange à revelação da intensidade
e profundidade do amor e cuidado de Paulo por seus filhos espirituais.
3- Contém a mais completa teologia do NT sobre o sofrimento do crente (1.3-11; 4.7-18;
6.3-10; 11.23-30; 12.1-10), e de igual modo, sobre a contribuição cristã (8—9).
4- Termos-chaves, tais como fraqueza, aflição, lágrimas, perigos, tribulação, sofrimento,
consolação, jactância, verdade, ministério e glória, destacam o conteúdo incomparável
desta carta.

BIBLIOGRAFIA
Biblia de Estudo Pentecostal - ARC
Autor: 2 Coríntios 1:1 identifica o apóstolo Paulo como o seu
autor, possivelmente com Timóteo.

Quando foi escrito: O livro de 2 Coríntios foi provavelmente escrito


cerca de 55-57 dC.

Propósito: A igreja em Corinto começou em 52 dC como resultado da


visita de Paulo em sua segunda viagem missionária. Foi então que ele
ficou um ano e meio, a primeira vez que pôde permanecer no mesmo
lugar o tanto que quisesse. Um registro dessa visita e do
estabelecimento da igreja é encontrado em Atos 18:1-18.

Em sua segunda carta aos Coríntios, Paulo expressa seu alívio e


alegria que a igreja tinha recebido a sua carta "severa" (hoje perdida)
de uma maneira positiva. Essa carta dirigia-se a questões que
estavam causando divisões na igreja, principalmente a chegada dos
(falsos) apóstolos (2 Coríntios 11:13) que estavam atacando o caráter
de Paulo, semeando a discórdia entre os crentes e ensinando uma
falsa doutrina. Eles parecem ter questionado a veracidade de Paulo
(2 Coríntios 1:15-17), a sua capacidade de falar (2 Coríntios 10:10,
11:6) e sua relutância em aceitar sustento da igreja em Corinto (2
Coríntios 11:7 - 9; 12:13). Havia também algumas pessoas que não
haviam se arrependido de seu comportamento licencioso (2 Coríntios
12:20-21).

Positivamente, Paulo achou que os Coríntios tinham recebido bem


sua carta "severa". Paulo ficou muito feliz ao ficar sabendo por parte
de Tito que a maioria dos membros da igreja de Coríntios tinha se
arrependido de sua rebelião contra Paulo (2 Coríntios 2:12-13, 7:5-9).
O apóstolo os encoraja por isso através de uma expressão de amor
genuíno (2 Coríntios 7:3-16). Paulo também buscou reivindicar seu
apostolado, já que alguns membros da igreja tinham provavelmente
questionado sua autoridade (2 Coríntios 13:3).
Versículos-chave: 2 Coríntios 3:5: “...não que, por nós mesmos,
sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós;
pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus...”

2 Coríntios 3:18: “E todos nós, com o rosto desvendado,


contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos
transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como
pelo Senhor, o Espírito.”

2 Coríntios 5:17: "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura;


{criatura; ou criação} as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram
novas."

2 Coríntios 5:21: "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado
por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus."

2 Coríntios 10:5: "...e toda altivez que se levante contra o


conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à
obediência de Cristo."

2 Coríntios 13:4: "Porque, de fato, foi crucificado em fraqueza;


contudo, vive pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos
nele, mas viveremos, com ele, para vós outros pelo poder de Deus."

Resumo: Após saudar os fiéis na igreja em Corinto e explicar por que


ele não os tinha visitado como originalmente planejado (1:3-2:2),
Paulo explica a natureza do seu ministério. Triunfo por meio de Cristo
e sinceridade diante de Deus eram as características principais do seu
ministério às igrejas (2:14-17). Ele compara o glorioso ministério da
justiça de Cristo com o "ministério da condenação" que é a Lei (3:9) e
declara a sua fé na validade do seu ministério apesar da intensa
perseguição (4:8-18). Capítulo 5 descreve a base da fé cristã – a nova
natureza (v. 17) e a troca do nosso pecado pela justiça de Cristo (v.
21).
Nos capítulos 6 e 7 encontramos Paulo defendendo a si mesmo e ao
seu ministério, assegurando os Coríntios mais uma vez de seu sincero
amor por eles e exortando-os ao arrependimento e vida santa. Nos
capítulos 8 e 9, Paulo exorta os crentes de Corinto a seguir os
exemplos dos irmãos na Macedônia e estender generosidade aos
santos em necessidade. Ele ensina-lhes os princípios e vantagens de
ajudar com um coração alegre.

Paulo termina sua carta reiterando sua autoridade entre eles


(capítulo 10) e sua preocupação com a sua fidelidade a ele diante da
feroz oposição dos falsos apóstolos. Ele se chama de "insensato" por
ter que relutantemente se vangloriar de suas qualificações e seu
sofrimento por Cristo (capítulo 11). Ele termina sua epístola
descrevendo a visão celestial que lhe foi permitido experimentar e o
"espinho na carne" que Deus o deu para garantir sua humildade
(capítulo 12). O último capítulo contém suas exortações aos Coríntios
para que esses se examinassem a fim de verem se o que professavam
era a realidade. Paulo então termina com uma bênção de amor e paz.

Conexões: Por todas as suas epístolas, Paulo frequentemente se


refere à lei mosaica, comparando-a com a suprema grandeza do
evangelho de Jesus Cristo e a salvação pela graça. Em 2 Coríntios 3:4-
11, Paulo contrasta a lei do Antigo Testamento com a nova aliança da
graça, referindo-se à lei como aquele que "mata", enquanto que o
Espírito vivifica. A lei é o "ministério da morte, gravado com letras em
pedras" (v. 7; Êxodo 24:12) porque traz apenas o conhecimento do
pecado e sua condenação. A glória da lei é que ela reflete a glória de
Deus, mas o ministério do Espírito é muito mais glorioso do que o
Ministério da lei porque ele reflete Sua misericórdia, graça e amor
em providenciar Cristo como o cumprimento da lei.

Aplicação Prática: Esta carta é a mais biográfica e a menos


doutrinária das epístolas de Paulo. Ela nos diz mais sobre Paulo como
pessoa e como ministro do que qualquer outra. Dito isso, há algumas
coisas que podemos aprender desta carta e aplicar hoje em nossas
vidas. A primeira coisa é a boa administração, não só de dinheiro,
mas de tempo também. Os macedônios não só deram
generosamente, mas "também deram-se a si mesmos primeiro ao
Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus" (2 Coríntios 8:5). Da
mesma forma, não só devemos dedicar tudo o que temos para o
Senhor, mas tudo o que somos. Ele realmente não precisa do nosso
dinheiro. Ele é onipotente! Ele quer um coração que anseia por
servir, agradar e amar. Boa administração e ofertar a Deus é mais do
que apenas dar dinheiro. Sim, Deus quer que ofereçamos o dízimo da
nossa renda, e Ele promete abençoar-nos quando damos a Ele. Há
mais, porém. Deus quer 100%. Ele quer que nos entreguemos por
completo a Ele. Tudo o que somos. Devemos viver nossas vidas para
servir o nosso Pai. Devemos não só dar a Deus de nosso salário, mas
as nossas próprias vidas devem ser um reflexo dEle. Devemos dar
tudo de nós ao Senhor em primeiro lugar, e depois para a igreja e ao
trabalho do ministério de Jesus Cristo.
PROPÓSITO:
Afirmar o ministério de Paulo, defender a autoridade como apostolo
e refutar os falsos mestres em Corinto.

AUTOR:
Paulo.

DESTINATÁRIOS:
À igreja de Corinto e aos cristãos de todo o mundo.

DATA:
Aproximadamente 55 – 57 d.C., da Macedônia.

PANORAMA:
Paulo escreveu quatro cartas aos Coríntios (duas estão atualmente
perdidas), Em 1 Coríntios (a segunda destas cartas), ele usou palavras
fortes para corrigir e ensinar. A maior parte da igreja respondeu do
modo esperado, porém existiam aqueles que estavam negando a
autoridade de Paulo e questionando seus propósitos.

VERSÍCULO CHAVE:
“De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus
por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos
reconcilieis com Deus” (5.20).

PESSOA CHAVE
Paulo, Timóteo, Tito e os falsos mestres.

LUGARES CHAVES:
Corinto e Jerusalém.

CARACTERÍSTICAS PARTICULARES:
Esta é uma das carta autobiográfica e extremamente pessoal.
Informações extraídas da seção “Informações essenciais” – Bíblia de
Estudo Aplicação PessoalPor: Ailton da Silva - Ano IV
Introdução
Começamos com uma pequena introdução ao livro. Algumas
destas informações são repetidas da introdução à primeira carta.
No mapa: Corinto era a capital da Acaia, situada no sul da
Grécia. Era uma cidade de importância comercial, cultural e religiosa.
Tinha diversos templos dedicados aos vários falsos deuses da época,
incluindo um templo de Afrodite, onde os adoradores da deusa
praticavam prostituição.
Na história bíblica: Encontramos o relato do início do trabalho
em Corinto em Atos 18:1-17. Na sua segunda viagem missionária,
Paulo foi de Atenas até Corínto, onde permaneceu 18 meses. Ele
morou e trabalhou com Áqüila e Priscila, judeus que fabricavam
tendas. Aos sábados, Paulo ensinava na sinagoga. Quando Silas e
Timóteo chegaram da Macedônia (veja Atos 17:14-15), Paulo se
entregou totalmente ao trabalho do evangelho. A oposição entre os
judeus cresceu, e ele sacudiu o pó dos pés (veja Mateus 7:6; 10:14-
15) e deu sua atenção aos gentios. Muitas pessoas, incluindo Crispo,
o líder da sinagoga, creram e foram batizadas. Deus mandou que
Paulo ficasse naquela cidade. Ele continuou seu trabalho em Corinto
durante um ano e seis meses.
Na terceira viagem, Paulo escreveu a primeira carta aos
coríntios quando estava em Éfeso, onde ele trabalhou no evangelho
durante três anos. Depois de partir de Éfeso, ele mandou a segunda
carta da Macedônia (Atos 20:1-2; 2 Coríntios 7:5-6). Muitos
comentaristas acreditam, baseados principalmente nos comentários
de Paulo em 2:1-10; 7:8; 12:14; 13:1, que entre as duas cartas
aconteceram duas coisas não registradas no livro de Atos: (1) Que
Paulo fez uma visita a Corínto, e voltou para Éfeso entristecido, e (2)
Que ele mandou uma outra carta, considerada severa, repreendendo
algumas atitudes erradas dos coríntios.
O conteúdo da carta: Enquanto a primeira carta é voltada, em
boa parte, aos problemas específicos dos coríntios (questões de
doutrina e prática), a segunda carta abre mais o coração de Paulo
para mostrar os seus sentimentos fortes em relação aos coríntios e,
mais ainda, para com o Senhor. É um livro extremamente rico pelo
qual somos privilegiados para ver o coração de uma das grandes
personagens da História, o apóstolo Paulo.

2 Coríntios 1
1:1-2
Paulo e Timóteo mandaram esta carta à igreja dos coríntios e aos
demais santos na Acaia.
**Obs.: Como era seu costume, Paulo incluiu seu co-obreiro na
saudação, mas a carta é do próprio apóstolo. Por este motivo, ele
refere a si mesmo na primeira pessoa, e comenta sobre Timóteo na
terceira pessoa (veja 1:19).
1:3-11
Paulo agradeceu pela consolação que Deus dá.
O sofrimento de Cristo favorece os seus servos.
O conforto que Deus dava a Paulo, em seu sofrimento, equipou
o apóstolo para confortar outros que passavam por angústias. Como
participavam do sofrimento, participariam, também, da consolação.
Paulo passou por tribulações na Ásia, até ao ponto de
desesperar da própria vida. Por essa experiência, ele aprendeu a
confiar mais ainda em Deus (veja 12:9-10).
O apóstolo agradeceu as orações dos coríntios a seu favor.
**Obs.: No resto do livro, Paulo comentará bastante sobre sua
atitude em relação ao sofrimento, especialmente no capítulo 12.
1:12-14
Paulo afirmou sua sinceridade para com os coríntios, e os relembrou
de que sua mensagem era de Deus, e não da sabedoria humana.
1:15-22
Paulo defendeu a sua honestidade em relação às mudanças nos
planos dele.
Ele tinha planejado uma viagem a Corinto. De lá, ele iria à
Macedônia e voltaria a Corinto antes de prosseguir para a Judéia.
Quando não fez a viagem como pretendia, alguns evidentemente
questionaram sua integridade. Ele se defendeu, dizendo que sua
palavra era confiável, como a palavra do Senhor.
**Obs.: Paulo cita, neste parágrafo, o Pai, o Filho e o Espírito.
Disse que somos confirmados em Cristo, ungidos por Deus (Pai), e
selados no Espírito. Assim, ele mostra o privilégio do cristão de estar
em comunhão com as três pessoas divinas (veja Mateus 28:19; João
14:17,23; 1 Coríntios 6:19).
1:23-24
Paulo disse que ainda não tinha ido a Corinto para poupá-los.
Baseado em comentários encontrados mais tarde no livro,
entendemos que Paulo estava dando tempo para os coríntios se
arrependerem de alguns pecados, para evitar a necessidade de
repreensões ásperas (veja, por exemplo, 10:2,9-11; 12:19-21; 13:1-
2,10).
2 Coríntios 2
2:1-4
Paulo não queria voltar para Corinto em tristeza; então deu tempo
para que resolvessem os problemas primeiro.
Ele não se regozijou na tristeza deles. Pelo contrário, ele queria
participar da alegria desses queridos irmãos.
A tristeza evidente na carta dele demonstrou seu amor
verdadeiro para com eles.
**Obs.: Qual carta? Alguns comentaristas acreditam que Paulo
mandou uma carta entre 1 e 2 Coríntios, severamente repreendendo
os coríntios por algumas atitudes erradas. Supõe-se que esta carta
severa fosse enviada depois de uma visita rápida e desagradável (que
teria sido, segundo esta interpretação, a segunda visita; uma vez que
ele estava planejando a terceira visita em 12:14 e 13:1).
2:5-11
Quando o irmão pecador se arrepende e volta, deve ser acolhido em
amor pelos irmãos.
A referida punição seria, provavelmente, a rejeição do pecador
do meio da congregação, conforme o ensinamento de 1 Coríntios 5.
Um dos propósitos de tal expulsão é a salvação do espírito do
pecador, ou seja, o arrependimento e perdão dele. Uma vez que o
pecador se arrepende, deve ser perdoado e confortado.
**Obs.: Qual irmão? Paulo não identifica o irmão que voltou.
Pode ser o homem imoral de 1 Coríntios 5. Pode ser um dos homens
com queixa contra o irmão em 1 Coríntios 6. Pode ser algum outro
caso não especificado. Não importa o pecado ou a identidade do
pecador. O princípio ensinado aqui é válido em qualquer caso de
arrependimento de um irmão que pecou. Quando se arrepende, os
outros devem o perdoar (veja Mateus 18:15-35).
O irmão arrependido precisa ser perdoado e confortado, para
evitar que seja consumido por excessiva tristeza. A tristeza e
sentimentos de culpa servem para nos conduzir ao arrependimento
(7:10; Tiago 8-10). Mas, se ficar na tristeza e vergonha, a pessoa será
consumida e vencida pelo erro. O irmão arrependido deve sentir o
amor dos outros discípulos.
2:12-13
Paulo ficou pouco tempo em Trôade, porque não encontrou Tito.
Continuou a sua viagem até a Macedônia.
**Obs.: Saindo de Éfeso, Paulo foi até Trôade (ainda na Ásia), e
depois prosseguiu até a Macedônia, que faz parte da Europa.
2:14-17
O aroma de vida e morte.
Neste parágrafo, Paulo usa simbolicamente a imagem de um
desfile triunfal de um exército. Depois da batalha, o comandante
conduzia seus soldados, seguidos pelos prisioneiros. O incenso
queimado levava o cheiro de vitória aos vencedores, mas o cheiro de
morte aos prisioneiros, pois seriam mortos depois do desfile.
Paulo pregava uma mensagem só. A mesma palavra que faz o
pecador sentir-se culpado e réu de morte traz as boas novas de vida
aos fiéis.
Paulo disse que não mercadejava a palavra, reafirmando sua
sinceridade.

2 Coríntios 3
3:1-11
Paulo não precisou dar carta de recomendação aos coríntios para
estabelecer sua credibilidade, pois os próprios coríntios eram
evidência de seu trabalho.
Ele começa, aqui, um contraste entre o evangelho de Cristo e a
lei do Velho Testamento. Observe os pontos principais:
ANTIGA ALIANÇA X NOVA ALIANÇA
Tinta X Espírito
Pedra X Carne/corações
Letra mata X Espírito vivifica
Ministério da morte X Ministério do Espírito
Condenação X Justiça
Outrora X Atual
Desvanecia-se X Permanente
Glória X Sobreexcelente glória
**Obs.: "A letra mata, mas o espírito vivifica". Muitas pessoas
distorcem o sentido desta frase, até usando o versículo para dizer
que estudo da Bíblia pode ser prejudicial! Mas, um pouquinho de
estudo do contexto mostra que tal interpretação é totalmente
errônea. No contexto, a letra representa o sistema da lei do Velho
Testamento, que trouxe conhecimento das conseqüências do
pecado, mas não revelou o caminho para a salvação. O espírito
representa a palavra de Cristo, que nos dá a solução para nosso
problema.
3:12-18
A grande diferença entre o Novo e o Velho Testamentos pode
ser resumida na palavra "esperança". Nós temos esperança e, por
isso, temos motivo para falar ousadamente sobre Cristo.
**Obs.: A grande diferença entre o evangelho de Cristo e
muitas religiões e filosofias é a esperança. Muitas religiões oferecem
a "esperança" de voltar pela reencarnação para viver de novo, talvez
como uma pessoa numa vida mais sofrida, talvez como vaca ou
mosca. Outras religiões oferecem a "esperança" de perder a
identidade em algum tipo de consciência universal. Várias filosofias
oferecem a "esperança" de morrer e cessar de existir. Mas Jesus
oferece a esperança da vida eterna. Pedro entendeu este fato
quando disse a Jesus: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as
palavras da vida eterna" (João 6:68).
Paulo disse que as pessoas que continuavam confiando na lei de
Moisés ainda tinham um véu que escondia a verdade sobre Cristo. O
véu não está mais sobre o rosto de Moisés, e sim sobre o coração dos
que não se convertem a Cristo.
A verdadeira liberdade está no Espírito do Senhor.
**Obs.: Liberdade X Libertinagem. Paulo disse que a liberdade
está no Espírito de Deus, mas muitas pessoas procuram liberdade em
outros lugares. Até rejeitam a palavra do Senhor, rebelando-se
contra a autoridade dele para cumprir sua própria vontade. Tal
libertinagem resulta na escravidão espiritual da pessoa (2 Pedro 2:18-
20).
Pelo Espírito, somos transformados na imagem do Senhor.
**Obs.: A imagem de Deus. Deus criou o homem à imagem dele
(Gênesis 1:26-27), mas o homem manchou a imagem com o pecado.
Jesus nos mostrou a imagem do Pai (2 Coríntios 4:4; Colossenses
1:15). Nós somos refeitos à imagem de Cristo (2 Coríntios 3:18;
Colossenses 3:10).
**Obs.: Considere as afirmações dos versículos 17 e 18 em
relação a divindade do Espírito Santo: "o Senhor é o Espírito" e "pelo
Senhor, o Espírito". E ainda há pessoas que negam a personalidade e
a divindade dele!

2 Coríntios 4
4:1-6
Paulo fez seu trabalho de uma maneira transparente e sincera, e não
pretendia desistir dele.
Outros andavam de modo vergonhoso, usando de astúcia e
adulterando a palavra de Deus.
As pessoas cegas continuam perdidas, não enxergando a
imagem de Deus em Cristo.
Paulo não pregou uma doutrina particular, mas sim, o
evangelho de Cristo.
Paulo, escolhido por Cristo para ser apóstolo, se colocou na
posição de servo dos coríntios, por amor de Jesus.
**Obs.: É importante observar, nas cartas de Paulo, o uso de
palavras como servo, submissão, sacrifício, etc. Ele mostra uma
atitude de humilde serviço, que nós devemos imitar.
Através de Cristo, conhecemos a glória de Deus.
4:7-15
Neste parágrafo, Paulo explica bem a grande responsabilidade dos
apóstolos. No contexto, em que ele fala sobre a sua própria morte,
parece que os vasos de barro são os próprios apóstolos. Isso não
nega, porém, a nossa responsabilidade na divulgação do evangelho
hoje (veja a transmissão dessa responsabilidade de uma geração para
outra em 2 Timóteo 2:2).
Paulo queria sempre manifestar o poder de Cristo, e não o seu
próprio.
**Obs.: Confiança na carne. Nas cartas aos coríntios, Paulo
fortemente rejeita a ênfase nas obras dos homens. A grande
tendência de muitas igrejas, hoje em dia, é honrar os homens pelas
obras realizadas (diplomas de seminários, títulos de honra, glória de
trabalhos bem-sucedidos, reconhecimento por homens, etc.). Paulo
pôs tudo que o homem é, e tudo que o homem faz, na categoria de
um vaso de barro. A glória pertence ao tesouro guardado no vaso,
não ao próprio vaso.
O versículo 10 apresenta um tema mencionado várias outras
vezes por Paulo. O cristão, em alguns sentidos, participa da morte de
Cristo e, também, participa da vida após a ressurreição (compare
com Romanos 6:3-4; 2 Coríntios 5:17; Colossenses 3:1-10).
No versículo 13, ele resume o sentido de Salmo 116, onde Deus
é louvado por ter livrado seu servo da morte. Neste contexto, Paulo
mostra a mesma confiança. Ele será livrado da morte na ressurreição,
e todos que ouvem o evangelho podem participar da mesma
esperança.
4:16-18
Por causa da sua esperança da ressurreição, Paulo não se desanimava
quando contemplava a própria morte. Ele mostrou a sua fé nas
promessas de Deus, e depositou sua confiança nas coisas eternas e
invisíveis.

2 Coríntios 5

5:1-5
Neste parágrafo, Paulo apresenta uma perspectiva cristã da morte
física.
O corpo físico é um tabernáculo (tenda) terrestre que está se
gastando.
O corpo espiritual é um edifício (templo) eterno e celeste.
Os santos gemem neste corpo, querendo ser revestidos da vida
eterna.
Tal esperança é válida somente para as pessoas
preparadas/vestidas da imagem de Cristo, e não
despreparadas/espiritualmente nuas (veja Colossenses 3:5-12; 2
Pedro 1:4).
Paulo deixa bem claro que ele não deseja a morte, e sim a vida
eterna. Ele não quer ser despido; ele quer ser revestido da vida.
**Obs.: O desejo de morrer. É importante compreender a
diferença entre a vontade de Paulo e a vontade do rei Saul, Judas
Iscariotes e outros que, até hoje, consideram o suicídio uma saída.
Paulo não desejava a morte, e sim a vida. Ele não estava correndo
dos problemas desta vida, mas olhava para o fim do caminho (2
Timóteo 4:6-8). Embora querendo estar com Deus na eternidade,
Paulo não apressou sua própria morte. Ele confiava em Deus para
decidir a hora certa para dar-lhe a coroa da vida. Embora Deus tenha
livrado os fiéis do medo de morrer, ele não autorizou o suicídio.
Deus nos preparou para a vida eterna, já dando uma amostra
da vida eterna através do Espírito (veja Efésios 1:13).
**Obs.: A vida eterna: presente ou futuro? Quando a Bíblia
ensina sobre a salvação em Cristo e a vida eterna, fala em dois
sentidos (veja 1 Timóteo 4:8). Num sentido, os discípulos de Cristo já
têm a salvação e participam da vida espiritual nele (Atos 2:47; 15:11;
Romanos 6:4; Efésios 2:1,5; Colossenses 2:13; 1 João 5:12-13). Em
outro sentido, ainda aguardamos a salvação e a vida eterna (veja
Romanos 2:7; 13:11; Gálatas 6:8; Tito 3:7; Hebreus 9:28; Judas 21).
5:6-10
Paulo andava em esperança da vida eterna que o motivou a ser
agradável a Deus.
Todos nós seremos julgados pelas coisas feitas no corpo.
**Obs.: Julgamento segundo as coisas feitas por meio do corpo.
Apesar da confusão causada por várias doutrinas humanas, algumas
afirmações bíblicas são bem claras. As diversas filosofias e religiões
que ensinam a reencarnação enfrentam um problema no versículo
10. Paulo não falou de julgamento das coisas feitas por meio dos
corpos. Ele falou de um corpo só (veja Hebreus 9:27). Os
premilenaristas ensinam que haverá duas ressurreições, mas Jesus
afirma que todos seremos ressuscitados na mesma hora para o
julgamento final (João 5:28-29).
5:11-17
Paulo pregava com convicção, persuadido da mensagem de Cristo.
Ele não confiava nas aparências da carne, e sim na verdade no
coração. Outros o julgavam louco, mas ele continuou servindo a
Deus.
Os que estão em Cristo são novas criaturas.
**Obs.: Versículo 17 mostra a grande diferença entre a morte e
as trevas do passado e a vida e a luz em Cristo. Infelizmente, algumas
pessoas torcem o sentido do versículo para justificar o pecado.
Sugerem que a pessoa que praticava pecado pode continuar nas
mesmas práticas, porque agora Deus fez tudo novo. Mas ele fez tudo
novo quando justificou (salvou, perdoou) o pecador. Ele não
justificou o pecado. Para sermos novas criaturas, temos que deixar de
praticar as coisas condenadas por Deus (veja 1 Coríntios 6:9-11).
5:18-21
O trabalho de Paulo era o ministério da reconciliação, promovendo a
paz entre Deus e os homens (veja Isaías 59:1-2; Efésios 2:14-18).
Paulo usufruiu a reconciliação, e passou a pregar a mesma
mensagem para outros. Ele diz: "Deus...nos reconciliou" (5:18) e
"Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo" (5:19).
Considere bem a mensagem profunda do versículo 21 sobre a
grande troca feita por Deus:
- Jesus não conheceu pecado, e Deus o fez pecado por nós.
- Nós conhecemos pecado, e Deus nos fez justiça através dele!
- Ele levou sobre si os nossos pecados; levamos sobre nós a
justiça dele! Que maravilha!
2 Coríntios 6

No parágrafo anterior (5:18-21), Paulo falou da reconciliação. Disse


que Cristo nos reconciliou, e que deu o ministério da reconciliação
aos seus embaixadores. Ele continua falando sobre este segundo
aspecto da reconciliação (o papel dele como servo de Jesus) no início
do capítulo 6.
6:1-3
Paulo exortou-os a não receberem a graça de Cristo em vão, frisando
a urgência da sua obediência.
**Obs.: Ele cita Isaías 49:8 como a palavra de Jesus. Este
versículo faz parte de uma série de profecias messiânicas em Isaías
sob o tema "O Servo do Senhor".
Paulo serviu com toda sinceridade e dedicação, para não
impedir o progresso do evangelho.
6:4-10
Ao invés de dar motivo de escândalo, Paulo se negou em tudo para
ser um bom embaixador de Cristo.
Ele aceitou sofrimento na sua vida (versículos 4 e 5), e ainda
desenvolveu as qualidades características de um servo fiel (versículo
6).
**Obs.: Tudo indica que Paulo ainda estava sendo criticado e
rejeitado por alguns entre os coríntios. Seu amor não fingido (sem
hipocrisia) sugere um contraste com o falso amor dos falsos
apóstolos que estavam perturbando os coríntios (veja 11:13).
Paulo confiava plenamente no poder de Deus para fazer seu
trabalho, independente das interpretações erradas por parte de
outras pessoas.
6:11-13
Paulo sente-se constrangido, não por falta de vontade de sua parte,
mas pela rejeição pelos coríntios. O coração dele estava bem aberto
para recebê-los, mas eles permaneciam fechados.
6:14-18
Nestes versículos, e no primeiro do capítulo 7, Paulo destaca a
importância da santificação na vida dos cristãos. Não pode haver
concordância entre as coisas de Deus e as do Maligno. Observe os
contrastes:
Justiça X Iniqüidade
Luz X Trevas
Cristo X O Maligno
Crente X Incrédulo
Santuário de Deus X Ídolos
Nos versículos 16 a 18, Paulo usa várias citações do Velho
Testamento sobre o povo santo. Deus desejava um povo santo em
Israel, mas os hebreus não cumpriram sua responsabilidade. Então,
ele começou a profetizar sobre um povo santo e cumpriu as profecias
em Israel espiritual, a igreja. Hoje, em Cristo, participamos da
comunhão do Todo-Poderoso que habita entre os cristãos.
2 Coríntios 7
Paulo concluiu o capítulo 6 com um apelo à santidade. Ele citou
as grandes promessas da comunhão com Deus, dizendo que Deus
anda e habita no meio dos fiéis.
7:1
Baseado nas grandes promessas de comunhão com Deus, Paulo pede
a cada discípulo:
(1) Purificar-se de toda impureza
(a) da carne (imoralidade, obras da carne).
(b) do espírito (idolatria, doutrinas e práticas erradas).
(2) Aperfeiçoar a santidade com reverência e respeito para com
Deus.
7:2-4
Paulo volta a falar sobre os problemas entre ele e os coríntios. Ele
pede que abram seus corações, afirmando que ele sempre agia em
boa fé e sinceridade.
7:5-16
Paulo começou a comentar sobre sua procura de Tito em 2:12-13.
Falou que chegou a Trôade (partindo de Éfeso) e não encontrou Tito.
Por esta razão, foi para a Macedônia. Em 2:14, ele agradeceu a Deus
pela vitória, mas não explicou o motivo específico das ações de graça.
Ele continuou falando sobre as bênçãos de Deus e sobre o privilégio
de participar delas. Aqui, ele volta à questão da procura de Tito.
Quando Paulo chegou à Macedônia, ele não achou Tito. Ele
sentiu-se angustiado, enfrentando vários problemas com esta
preocupação sobre esse irmão e cooperador. Mas, Deus o confortou
com a chegada de Tito, levando notícias animadoras dos coríntios.
Paulo comentou sobre a severidade de uma carta anterior.
**Obs.: É possível que houvesse outra carta entre 1 e 2
Coríntios, na qual Paulo repreendeu algumas atitudes erradas dos
coríntios. Muitas pessoas acreditam que, entre as duas cartas, Paulo
teria feito uma visita a Corinto e que, devido àlguns problemas com
os irmãos na visita, teria mandado uma carta severa, corrigindo-os.
Ele se alegrou por causa do arrependimento verdadeiro deles.
No versículo 10, ele fez um comentário valioso sobre a tristeza e o
arrependimento. A tristeza de entender que o nosso pecado fere ao
próprio Deus produz o arrependimento verdadeiro que leva a
salvação. Mas a tristeza do mundo, de se lamentar por causa de
conseqüências pessoais e imediatas, sem compreender os efeitos
maiores do pecado, não produz o arrependimento que Deus quer.
Pode causar algum sentimento de remorso (como Judas Iscariotes
sentiu quando devolveu o dinheiro da traição), mas não produz o
arrependimento verdadeiro que precisamos para sair do pecado.
Além da sua alegria devida ao arrependimento dos coríntios,
Paulo ficou mais contente ainda quando ouviu de que maneira eles
trataram Timóteo.
Paulo começou este capítulo com tristeza, pedindo que eles
abrissem os corações para aceitá-lo. Encerrou o capítulo elogiando a
atitude dos coríntios, e dizendo que tinha plena confiança neles.
2 Coríntios 8
Nos capítulos 8 e 9, Paulo incentiva os coríntios a participarem
liberalmente da assistência aos santos necessitados na Judéia. Neste
ensinamento, encontramos instruções e exemplos que mostram um
aspecto do verdadeira amor entre irmãos em Cristo. Os que tinham
condições financeiras ajudaram outros que necessitavam de
assistência.
8:1-7
Paulo cita o bom exemplo das igrejas da Macedônia para incentivar a
generosidade dos coríntios. Apesar dos seus próprios problemas, os
macedônios se mostraram liberais quanto à assistência aos santos.
Insistiram em ajudar, mesmo acima da sua capacidade. Tal
generosidade não começou com o dinheiro, mas com o sacrifício de
si mesmos.
**Obs.: Uma vez que nós nos entregamos ao Senhor, devemos
entender que os nossos recursos (dinheiro, habilidades, etc.) são
ferramentas para usar no serviço a Deus. Os discípulos na Macedônia
entenderam isso.
**Obs.: A graça concedida. Paulo usa essa expressão para
descrever o privilégio de sacrificar, dando dinheiro para ajudar aos
outros.
8:8-15
Paulo não quer obrigar os coríntios a participarem dessa
benevolência, mas procura incentivá-los a dar voluntariamente por
amor.
Ele cita o exemplo de Jesus. Ele deixou a riqueza dos céus e se
fez pobre por causa do seu amor para conosco. Através da pobreza
dele, nós adquirimos as riquezas espirituais que ele mandou.
Paulo espera a concretização dos planos dos coríntios. Eles
falaram já da vontade de ajudar; ele espera a demonstração desse
amor.
**Obs. Querer e realizar. Devemos sempre nos esforçar para
pôr em prática os nossos planos espirituais. É importante querer
crescer e fazer o bem. Cabe a nós cumprir a nossa parte para realizar
tais intenções boas. Veja Filipenses 2:12-13.
Paulo não espera que ninguém dê acima das suas condições,
nem quer que alguns fiquem sobrecarregados enquanto outros são
aliviados. Ele procura igualdade entre irmãos.
**Obs.: Igualdade. Alguns interpretam de uma maneira literal e
errada esta palavra "igualdade" (8:13). Nem Paulo nem outros servos
de Deus no Novo Testamento pregaram igualdade absoluta em
termos de bens materiais. Eles não propuseram nenhum sistema de
comunismo onde todos teriam exatamente as mesmas coisas. Ainda
encontramos ricos e pobres entre os discípulos primitivos, mas não
houve a necessidade de alguém passar fome enquanto outros tinham
abundância.
**Obs.: Deus proverá. A citação de 8:15 vem de Êxodo 16:18,
um trecho que enfatiza o fato que Deus providencia as nossas
necessidades (compare com Mateus 6:21-34).
8:16-24
Paulo quer evitar a vergonha de irmãos chegarem a Corinto para
achar os coríntios despreparados. Por isso, ele enviou três irmãos
para ajudar na preparação da coleta dos coríntios antes de chegarem
outros com Paulo. Esses três são: Tito (8:16), um irmão escolhido
pelas igrejas (8:18), e mais um irmão de confiança (8:22).
**Eleito pelas igrejas (8:19). Alguns procuram qualquer apoio
para justificar a criação de grandes denominações, completas com
seus congressos nacionais, etc. Mas uma vez que uma igreja mostrou
sua confiança num irmão para acompanhar Tito, ele foi "eleito" ou
"escolhido" por aquela igreja. Quando uma outra congregação,
conhecendo o mesmo irmão, pediu a mesma coisa, ele foi "eleito
pelas igrejas". Não há nada aqui que justifique reuniões ou
organizações que envolvam várias igrejas em decisões coletivas.
2 Coríntios 9

9:1-5
No início do capítulo 8, Paulo usou o exemplo dos macedônios para
incentivar a liberalidade dos coríntios. Agora, ele disse que usou,
também, o exemplo dos coríntios para estimular os macedônios!
Devemos estimular uns aos outros em amor e boas obras (veja
Hebreus 10:24).
Paulo enviou os irmãos citados no fim do capítulo 8 para evitar
algum constrangimento mais tarde. Eles ajudariam os coríntios a
preparar a oferta, para que não se envergonhassem com a chegada
de outros irmãos depois.
9:6-15
Paulo incentiva os coríntios a darem generosamente. Ele cita um
princípio bem conhecido nas Escrituras: ceifamos o que semeamos.
A oferta é voluntária, segundo a decisão de cada um para dar
com alegria.
**Obs.: É obrigação contribuir? Aqui, Paulo diz que a oferta não
deve ser feita por necessidade, mas 1 Coríntios 16:1-2 aborda o
mesmo assunto como ordem. Podemos entender assim: é a
responsabilidade de cada cristão contribuir, mas não devemos fazê-lo
só por causa da obrigação. Devemos entender o propósito da oferta
e participar com alegria, reconhecendo o privilégio de participar do
trabalho do Senhor.
Ao invés de segurar o nosso dinheiro, recusando utilizá-lo para
servir a outros, devemos lembrar que todas as nossas bênçãos e a
nossa capacidade de dar vêm do Senhor.
**Obs.: O versículo 9 é uma citação de Salmo 112:9. O Salmo
112 inteiro fala sobre a importância da bondade e fidelidade do servo
para ser abençoado por Deus.
A generosidade dos gentios em ajudar os santos necessitados
de Jerusalém teve outros benefícios:
-Além de ajudar aqueles santos, demonstrou gratidão para com
Deus.
-Além de ajudar aqueles santos, demonstrou comunhão com
todos os santos.
Por outro lado, os outros santos oravam em favor dos coríntios.
Quem merece a gratidão e a glória é o próprio Deus.
2 Coríntios 10
Neste capítulo, Paulo volta à defesa do seu apostolado em
contraste com as alegações dos falsos apóstolos que induziram os
coríntios ao erro. Em alguns momentos, ele assume o ponto de vista
dos seus críticos, usando de ironia para se colocar numa posição de
fraqueza. É necessário uma leitura cuidadosa para não se perder nas
mudanças de "tom" nas palavras de Paulo.
10:1-6
Paulo falou que era humilde entre eles mas ousado nas suas cartas.
Mais tarde, ele explica que essa foi uma acusação feita por seus
detratores (compare com o versículo 10: "dizem").
Por enquanto, Paulo usa esta imagem para reforçar seu ponto.
O sentido é este: "Tudo bem, vocês me consideram manso quando
presente e severo quando ausente. Então, façam tudo para corrigir
os seus problemas, porque não quero ser severo quando chego aí."
Apesar das opiniões de outros sobre Paulo, ele afirma a sua
determinação de fazer o certo, agindo de acordo com a vontade de
Deus e não a dos homens. Os versículos 3 a 6 descrevem bem a
atitude e as táticas do servo de Deus nas batalhas espirituais.
Observe:
-Somos seres humanos, mas não usamos táticas humanas.
-As armas que usamos são espirituais, não carnais.
-Com as armas poderosas de Deus, podemos vencer a força dos
homens (fortalezas, sofismas, altivez, pensamentos).
-Nosso alvo é simples: levar "cativo todo pensamento à
obediência de Cristo", completando a nossa submissão.
**Obs.: Sofismas são pensamentos ou raciocínios que parecem
razoáveis e válidos, porém são falsos. Paulo mostra, aqui, que a
sabedoria de Deus é superior à suposta sabedoria dos homens.
10:7-12
Paulo pede para seus críticos serem justos com ele. Eles se
consideravam servos de Cristo, mas negavam a posição dele na
família do Senhor. De fato, Paulo não era nem um pouquinho inferior
a eles. Ele tinha recebido autoridade de Cristo para edificar, e não
para destruir.
**Obs.: Para edificar e não para destruir. Paulo mostra um dos
problemas fundamentais do partidarismo. Ao invés de edificar, o
espírito carnal destrói. Em 1 Coríntios 3:1-16, ele frisou este mesmo
ponto. Os verdadeiros servos não procuram criar ou defender seus
próprios partidos (assim destruindo o corpo de Cristo). Cada um de
nós deve edificar e contribuir ao bem do corpo.
Paulo não aceitou a acusação que ele fosse forte nas cartas e
fraco quando presente. Prometeu, se fosse necessário, usar da
mesma severidade na presença deles.
**Obs.: Padrões errados para avaliação de homens. Paulo
recusou avaliar-se por comparações com outros homens, e condenou
tal prática. Infelizmente, muitos supostos servos do Senhor ainda não
captaram o sentido desse ensinamento. Há hoje comentários sobre
qual pregador é melhor que o outro, prêmios para melhores
sermões, melhores livros, melhores sites evangélicos na Internet, etc.
Pessoas que alegam ser cristãs participam ousadamente do pecado
de auto-promoção. Tal prática não cabe no reino de Deus (veja
Mateus 20:27; 23:11; Lucas 17:10).
10:13-18
Paulo não tentou validar seu trabalho por comparações com os
trabalhos de outros. Ele se viu no contexto da responsabilidade que
Deus lhe deu. A esfera de ação dele incluiu Corinto e ele faria o
trabalho entre eles, apesar da oposição de alguns "irmãos".
**Obs.: A esfera de ação. Embora Paulo comente sobre locais
geográficos, ele não sugere limites de território físico no trabalho do
Senhor. Os apóstolos foram enviados ao mundo (Marcos 16:15), e a
mesma responsabilidade de pregar o evangelho foi transmitida a
homens fiéis e idôneos (2 Timóteo 2:2). Pessoas que se acham hoje
donas de determinados "territórios" no trabalho do Senhor mostram
a mesma atitude carnal que Paulo condenou. Como servos de Deus,
podemos e devemos pregar em qualquer lugar onde exista
oportunidade.
Neste parágrafo, encontramos uma frase que deve controlar
todas as tendências orgulhosas de auto-engrandecimento: "Aquele,
porém, que se gloria, glorie-se no Senhor" (versículo 17).
2 Coríntios 11
11:1-6
Paulo justifica sua loucura! Na segunda metade deste capítulo, ele
usará alguns argumentos que normalmente não empregaria. Aqui,
ele explica o motivo. Ele estava agindo por amor aos coríntios,
fazendo tudo para evitar que eles caíssem no engano de falsos
apóstolos.
**Obs.: A "loucura" de Paulo. Quando homens carnais
começaram a comparar pessoas, Paulo ficou para trás. Outros eram
mais eloqüentes ou mais polidos do que Paulo. Ele disse,
ironicamente, que ele era louco e os próprios coríntios sábios (1
Coríntios 4:10). É claro que não era o caso. Em 1 Coríntios 2:16, ele
disse que tinha a mente de Cristo. No início de 1 Coríntios 3, chamou
os coríntios de crianças carnais. Do mesmo modo, ele criticou as
pessoas que se julgavam sábias, dizendo que devemos nos gloriar
exclusivamente no Senhor (2 Coríntios 10:12,17-18). Paulo não era
louco, mas considerou qualquer defesa baseada nos feitos humanos
um tipo de loucura. Assim, ele respondeu com esse tipo de
argumento em 1 Coríntios 4:10-13 e usará a mesma abordagem em 2
Coríntios 11:21-29.
O zelo de Paulo destaca a importância de nos manter puros, e
de ajudar outros a fazerem o mesmo. Paulo procurava proteger os
coríntios de falsos mestres para apresentar a noiva como virgem ao
seu verdadeiro esposo, Cristo.
**Obs.: A noiva de Cristo. Paulo emprega aqui uma ilustração
muito comum para descrever o povo de Deus. Desde o Velho
Testamento, a relação entre Deus e seu povo foi comparada ao
noivado e ao casamento. No Novo Testamento, encontramos a
mesma figura em vários livros (Sugestão para seu próprio estudo:
faça uma lista de passagens que usam a figura de casamento para
descrever esta relação espiritual). Dessa figura, vêm diversas
aplicações: a pureza da noiva (aqui), o amor do marido e a submissão
da mulher (Efésios 5:22-33), o problema de adultério espiritual (o
livro de Oséias; Ezequiel 16); o adorno da noiva para o casamento
(Apocalipse 21:2), etc.
11:7-15
Ao invés de se exaltar como outros, especialmente os falsos
apóstolos (tais apóstolos-11:5), Paulo tinha se humilhado para servir.
Viveu humildemente. Não pediu dinheiro aos coríntios, mesmo
passando privações.
**Obs.: "Despojei outras igrejas..." (8-9). Paulo recebeu seu
sustento de outras congregações. Ele não se fez pesado aos coríntios.
Ele não viu o trabalho com uma igreja como "negócio" para lucrar
materialmente e, sim, como serviço e sacrifício. Ele precisava de
sustento, é claro, e o recebia de outras congregações.
Especificamente, ele cita ajuda recebida da Macedônia durante seu
tempo em Corinto. Da mesma forma, evangelistas hoje podem ser
sustentados por igrejas (veja 1 Coríntios 9:11-15). Como aqui, o
sustento deve ser enviado diretamente da igreja ao pregador
(Filipenses 4:15-17). Não há nenhuma autorização nas Escrituras para
criar ou manter algum tipo de sociedade missionária, nem de elevar
uma congregação acima de outras como matriz ou igreja
patrocinadora.
A humildade de Paulo não reflete falta de confiança em relação
à sua mensagem ou à sua missão (10).
Por qual razão Paulo confrontaria esses falsos apóstolos? Para
destruir vidas e mostrar falta de amor? De modo algum! Ele entrou
nesta batalha espiritual para poupar os amados coríntios dos
estragos e da perdição que os falsos mestres trazem.
**Obs.: O aspecto polêmico do nosso serviço. Qualquer servo
fiel a Deus terá que enfrentar os inimigos da cruz, e devemos nos
preparar para tais confrontos (1 Pedro 3:15). Nunca devemos
esquecer que são batalhas espirituais (2 Coríntios 10:3-6) e que o
propósito não é a destruição das pessoas que se opõem a nós, e sim
a salvação das mesmas. O nosso foco não deve ser na batalha em si,
mas nas pessoas que queremos extrair dos erros perniciosos do
Maligno (2 Timóteo 2:24-26).
Satanás e seus servos se apresentam como anjos de luz, como
se fossem apóstolos de Cristo e ministros de justiça. Uma das
maiores armas do diabo é a sua astúcia. Ele vende a corrupção e a
morte, mas em embalagens atraentes que parecem inocentes. Os
servos do diabo são, muitas vezes, pessoas simpáticas e prestativas
que parecem tão sinceras que outras pessoas são facilmente
enganadas por elas. Temos de lembrar que o próprio Satanás se
apresenta como anjo de luz, e os seus servos são lobos vestidos como
cordeirinhos.
11:16-33
Este trecho é exemplo da "loucura" de Paulo. Na verdade, ele jamais
se defenderia com argumentos carnais, tentando se exaltar. O ponto
que ele quer ensinar aqui é simples: Se os servos de Deus tivessem
direito de se gloriar, como os falsos apóstolos entre vocês fazem, eu
poderia me defender muito bem. Mas, de fato, não temos direito de
nos exaltar. A tolerância dos falsos mestres levará vocês à escravidão
espiritual.
Os argumentos da loucura de Paulo:
(1) A sua genealogia: de pura linhagem dos judeus.
(2) O seu trabalho: ministro de Cristo que sofria muito por causa
da sua fé.
(3) Preocupação com as igrejas: um peso até maior do que o
sofrimento físico.
Paulo não se gloriou nestas coisas. A única coisa dele que deu
motivo para se gloriar foi a sua própria fraqueza. Quando enfrentou
perseguições intensas, foi Deus que deu livramento. A fraqueza de
Paulo, até a sua incapacidade de se defender, destacou a grandeza
de Deus e seu poder (veja 10:17). Este é o tema do início do capítulo
12.
**Obs.: Como precisamos de homens como Paulo hoje! É triste
observar a falta de humildade entre supostos servos de Cristo.
Homens procuram se glorificar, e exaltam uns aos outros, mesmo no
contexto de igrejas e trabalhos espirituais. Cultos especiais para
honrar homens, destaque dado a alguns por causa de sua formação
teológica, exaltação de pessoas que têm conquistado bens materiais
ou posição social e o uso de líderes políticos como convidados
especiais são exemplos da carnalidade que Paulo rejeitou e
condenou. Um dos aspectos tristes dos desvios de igrejas e pessoas
"religiosas" é o esquecimento das qualidades que Deus quer na vida
de todos os cristãos (leia Gálatas 5:22-23; 2 Pedro 1:3-11), nos
evangelistas (1 Timóteo 4:12-16), nos diáoncos (1 Timóteo 3:8-13) e
nos presbíteros/pastores/bispos (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9). Alguns
destes trechos falam sobre habilidade e talento, mas a grande ênfase
está no caráter, nas atitudes e na conduta das pessoas. Paulo não
confiou nas coisas que ele trouxe a Cristo, mas no que Cristo fez para
ele, transformando a sua vida.
**Obs.: O cuidado de Paulo para com as igrejas (versículos 28 e
29). Entre os pesos que ele suportava, Paulo achou mais difícil o peso
de preocupação com as igrejas. Ele não está reclamando sobre o
trabalho em si, nem o cansaço que ele sentia. Ele tinha tanta
compaixão que realmente sofria com as pessoas. Paulo sentiu as
fraquezas e escândalos dos irmãos em vários lugares, como se ele
mesmo estivesse passando pelos mesmos problemas.
2 Coríntios 12
Paulo continua os comentários do capítulo 11, mostrando que
ele poderia se gloriar mais que os falsos apóstolos que estavam
enganando os coríntios. Embora que tenha como se gloriar, ele não o
faz porque entende bem que toda a glória pertence ao Senhor.
12:1-6
Se fosse para se exaltar, Paulo citaria as suas próprias experiências
espirituais, principalmente as suas visões e revelações. Até uma vez
ele foi levado ao terceiro céu (o paraíso) onde ouviu coisas que o
homem não pode falar! Mas, esta experiência não deu motivo para
Paulo se exaltar. Foi algo que ele recebeu, não algum ato que ele fez.
Foi Deus que lhe concedeu esta bênção, e Paulo continua sendo um
mero homem.
**Obs.: "Conheço um homem" - Paulo se esforçou tanto para
evitar a vanglória que nem se identificou aqui. A experiência
obviamente era dele mesmo, mas ele não quer dizer "Eu fui
arrebatado ao paraíso!" De fato, ele guardou silêncio sobre este
assunto durante 14 anos!
**Obs.: O terceiro céu - Paulo o identifica como o paraíso.
Normalmente se supõe que o primeiro seria a atmosfera
(firmamento) e o segundo o espaço (sol, lua, estrelas, etc.).
**Obs.: Se Paulo recusa se gloriar nos seus feitos e nas suas
experiências espirituais, ele pode se gloriar no que? Ele já falou várias
vezes: na sua fraqueza. Alguns dos detratores de Paulo o
consideravam fraco (10:10; 11:21). No seu argumento aqui, ele torna
seu ponto "fraco" em ponto forte. Ele se gloria na fraqueza, porque a
fraqueza dele destaca com mais clareza a força de Deus (11:30;
12:5,9,10; 13:3).
12:7-10
A ilustração de fraqueza que Paulo escolheu foi de algum sofrimento
que ele descreve como "espinho na carne". Ele não identifica o
espinho, mas fala algumas coisas interessantes que nos ajudam
quando enfrentamos diversos tipos de sofrimento em nossas vidas:
(1) O espinho servia para combater qualquer tendência de se
ensoberbecer ou se exaltar. Nas fraquezas, lembramos da nossa
dependência de Deus e do fato que somos insignificantes em
comparação com ele.
(2) O espinho foi um mensageiro de Satanás. Embora Deus use
nossas angústias para seu propósito, foi Satanás que pôs o espinho
na vida de Paulo. Compare com o caso de Jó. Deus permitiu que o
Diabo o afligisse.
(3) Paulo pediu três vezes, mas Deus recusou tirar o espinho de
sua vida. As doutrinas de algumas igrejas hoje que sugerem que a
vida cristã deve ser livre de sofrimento, ou que sofrimento é prova de
pecado na vida da pessoa, são doutrinas erradíssimas. Paulo, um
servo fiel e dedicado, sofreu na carne. Servos fiéis hoje podem sofrer
pobreza, doenças e outras tristezas.
(4) A graça de Deus basta. Satanás mandou o espinho, mas Deus
o usou para mostrar a importância de sua graça para com Paulo.
(5) O poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza do homem.
(6) Paulo prefere gloriar em Cristo do que receber a glória dos
homens.
(7) Uma vez que Paulo aprendeu entender as coisas desta
maneira, ele sentia prazer nas fraquezas, injúrias, etc, pois nestes
momentos ele viu o poder de Deus com mais nitidez. Veja Tiago 1:3-
4.
(8) Quando Paulo era fraco em termos de circunstâncias desta
vida, ele se sentiu mais forte por causa da força de Deus na vida dele.
12:11-13
Paulo considerou toda esta "loucura" desnecessária e
constrangedora. Os fatos deveriam ter sido evidentes aos coríntios:
(1) Ele não era inferior aos falsos profetas!
(2) Ele apresentou as credenciais do apostolado (milagres) aos
coríntios.
(3) O fato que ele não recebeu sustento da igreja dos coríntios
não a fez inferior a outras. (Ele pede perdão pela "injustiça" de não
ser pesado para eles!)
**Obs. As credenciais do apostolado. Paulo cita seus sinais,
prodígios e poderes miraculosos como provas do seu apostolado.
Nisso ele nos lembra de um fato freqüentemente ignorado sobre os
dons miraculosos na igreja primitiva. Os sinais serviam para confirmar
a palavra pregada pelos apóstolos (Marcos 16:20; Hebreus 2:3-4).
Hoje, temos a palavra revelada e confirmada nas Escrituras, e não há
mais necessidade de sinais (1 Coríntios 13:8-13). Nós não somos
apóstolos (testemunhas oculares de Cristo ressuscitado - Atos 1:22; 1
Coríntios 15:8), e não temos as credenciais do apostolado. Graças a
Deus, temos um caminho sobremodo excelente, superior a qualquer
sinal miraculoso; temos a palavra de Deus que pode salvar almas!
12:14-18
Paulo não pretendia ser "pesado" na próxima visita a Corinto. Ele não
foi atrás dos bens, e sim procurou as pessoas. Ele não se interessou
pelo dinheiro dos coríntios.
**Obs.: "pela terceira vez" sugere a possibilidade de uma visita
por Paulo a Corinto entre a primeira e segunda carta. Veja
comentários a esse respeito na introdução (Estudo 1/15).
**Obs.: O motivo do trabalho de Paulo. Este apóstolo não
procurava os bens materiais dos cristãos onde ele trabalhava. Não
tinha metas de arrecadação, nem demandas salariais. Recebia
sustento, sim, mas não aproveitou oportunidades de tomar os bens
dos recém-convertidos nas igrejas que ele estabeleceu.
Paulo se gastou no trabalho em prol das almas dos outros
irmãos (15).
Voltando a usar um tom de ironia, ele diz que prendeu os
coríntios com dolo (16). Assim, ele chama atenção ao fato da
sinceridade e falta de qualquer egoísmo no seu trabalho. Nem ele,
nem os seus companheiros, tinham explorado os coríntios.
**Obs.: Paulo e outros poderiam ter aproveitado as coletas que
foram feitas para ajudar os irmãos necessitados na Judéia, mas não o
fizeram. De fato, Paulo fez tudo para evitar qualquer suspeita ou
acusação em relação ao dinheiro levado (veja 8:19-24). Como o
trabalho dele foi diferente dos negócios ocultos e, às vezes, sujos de
algumas igrejas hoje!
12:19-21
Mostrando a sinceridade do seu amor para com os coríntios, Paulo
faz mais um apelo incentivando-os a praticar a pureza. Ele não
gostaria de encontrá-los praticando pecado.
2 Coríntios 13

13:1-4
Paulo se preparou para visitar Corinto pela terceira vez (veja
comentário sobre 12:14 no estudo anterior) e estaria preparado para
confrontar os falsos apóstolos com a justiça que a palavra de Deus
exige.
Paulo mostrou certeza de que Cristo falava nele, e afirmou a
sua fé no poder de Jesus. Jesus morreu na fraqueza mas ressuscitou e
vive no poder. Paulo (e qualquer outro) é fraco (veja 12:10), mas vive
pelo poder de Deus.
13:5-10
Paulo desafiou os leitores que se examinassem para verificar a sua
situação espiritual (5).
**Obs.: O desafio do versículo 5 vale para qualquer cristão.
Realmente estamos na fé?
Enquanto Paulo sugeriu a possibilidade que os coríntios fossem
reprovados, ele falou com confiança de sua própria posição, e pediu
que eles reconhecessem que ele não era reprovado (6).
Paulo continuou orando para que os coríntios fizessem o bem,
sem depender da atitude deles em relação a ele (7).
Paulo não faria nada contra a verdade, e se regozijaria se os
coríntios fossem, de fato, fortes (8-9).
As correções que Paulo fez por carta tinham o propósito de
evitar uma reprovação mais forte na visita a Corinto (10). Se for
necessário ser duro, ele o faria com a autoridade que o Senhor lhe
concedeu.
13:11-13
Como costumava fazer, Paulo encerrou a carta com algumas
saudações para os irmãos. Ele enfatiza:
(1) A união e paz entre irmãos (11)
(2) O amor fraternal (12)
Paulo encerra com uma bênção que inclui as três pessoas
divinas: Jesus, o Pai e o Espírito Santo (13).
**Obs.: Algumas Bíblias dividem o versículo 12 em dois (12 e
13), assim dando um total de 14 versículos no capítulo. Outras têm
apenas 13 versículos. O conteúdo é o mesmo. Aqui seguimos uma
tradução que tem 13 versícuos no capítulo.