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Projeto de Dissertação

Figuras de Linguagem na música de Belchior


Sociedade, política e poesia.

de

Bruno Rodrigues de Oliveira

Projeto apresentado à disciplina de


Metodologia da Pesquisa, ministrada
pelo Prof. Ms. Miguel Leocádio
Araújo Neto, no semestre de 2018.1.

Quixeramobim, 01 novembro de 2018


1. Título do projeto
Figuras de Linguagem na música de Belchior: Sociedade, política e poesia.

2. Linha de Pesquisa
Este projeto de pesquisa está vinculado à linha de pesquisa Literatura, Linguística e
História.

3. Justificativa
Ricardo Oberderfer, em seu trabalho de pesquisa na conclusão do curso de história na
Universidade Federal da Fronteira Sul, trata em analisar a música brasileira na forma em que
foi utilizada como instrumento de crítica ao sistema político e social do Brasil, durante o
governo ditatorial militar. Em sua pesquisa foram selecionadas três obras, sendo elas: “Opinião
de Nara” (1964), da Nara Leão; “Secos e Molhados” (1973), da banda Secos e Molhados; e
também, “Alucinação” (1976), do Belchior, afirmando que a música é uma das principais
formas de expressão do ser humano. Partindo da pesquisa de Ricardo, e levando em
consideração as obras de Antonio Carlos Belchior, surgem algumas questões que podem
apontar alguns problemas qualitativos nas obras de Belchior, tais como: (a) Por que é corrente
o uso de figuras de linguagem na música de Belchior? (b) De que maneira são empregadas, e
quais objetivos a serem alcançados pelo uso das figuras de linguagem? (c) A música de belchior
cumpriu os objetivos propostos? Nessa proposta serão analisadas oito músicas de quatro álbuns
diferentes, sendo elas: A palo seco, do álbum intitulado Belchior (1974); Velha Roupa Colorida,
do álbum Alucinação (1976); Coração Selvagem, Caso comum de trânsito e Pequeno Mapa do
tempo, do álbum Coração Selvagem (1977) e, Conheço meu lugar, Comentários a respeito de
John e Voz da América, do álbum Era uma vez um homem e seu tempo (1979)
Passados trinta e três anos após o fim da Ditadura Militar Brasileira, torna-se recorrente
relembrar o uso da música como forma de resistência em tempos de censura, com sua
expressividade e simbolismo, a música ainda é a forma mais eficaz para se combater o
autoritarismo e formas de exclusões de grupos sociais, que ainda são pertinentes em nosso
modelo de sociedade. Ressaltando que vivemos tempos de crise de leitura, como o próprio nome
sugere, as pessoas estão mais distantes de livros teóricos e conteúdos escritos, e assim a música
ganha um espaço maior de notoriedade. Na linha de expressividade e simbolismo, esta pesquisa
busca explicar, em parte, como o cantor e compositor Belchior, inseriu as figuras de linguagem
na sua música e expressou seu pensamento sobre política, sociedade e os meios poéticos de sua
época. Em suas obras, o artista retrata a situação oprimida do sertanejo, do preto, do pobre, do
estudante e da mulher, como ele mesmo expressa na canção Alucinação (1976), e aponta crítica
na direção da condição humana em que o brasileiro, se encontra. Como exemplo, em uma de
suas canções intitulada Conheço o meu lugar, o cantor faz uso de metáfora e comparação na
mesma frase, comparando-nos, nós “gente”, com cachorros: “Deus fez os cães da rua pra
morder vocês/que sob a luz da lua/os tratam como gente – é claro! Aos pontapés”.
Levando em consideração as críticas de Belchior, voltadas ao “sistema de segurança”
adotado pelo governo ditatorial, o autor segue uma linha extraordinário ao fazer uso das figuras
de linguagem, em 1977, o cantor lança o álbum Coração Selvagem, uma das músicas do seu
álbum é intitulada Pequeno Mapa do Tempo, que trata por abordar o medo da população
brasileira, de repressão e de ser um dos muitos que “sumiram”, fato esse, que era pertinente,
tanto na música, quanto nas ruas. A crítica foi levada a sério, e logo foi censurada pelo governo,
que contou com ajuda de um dos seus órgãos, o Serviço Nacional de Informações (SNI), criado
exclusivamente para estudar e espionar. A canção, faz uso da figura de linguagem: “Anáfora”
- que trata da repetição de uma mesma palavra no início frases e versos. Na canção, Belchior
repete várias vezes a palavra “medo”, expressando de forma descontente e desesperada: “Eu
tenho medo um Rio, um Porto Alegre, um Recife, eu tenho medo Paraíba, medo Paranapá, eu
tenho medo Estrela do Norte, paixão, morte é certeza, Medo Fortaleza, medo Ceará”. No início
da mesma música, Belchior ainda denuncia em forma de metáfora o exílio, aplicado aqueles
que iam contra o sistema totalitário, na música é tratada dessa forma: "Eu tenho medo de que
chegue a hora, em que eu precise entrar no avião”.
E por fim, o estudo buscar saber das relações referenciais poéticas, da presente retomada
de frases e o dialogismo das letras de Belchior com as obras de outros artistas, como exemplo
temos a retomada de uma frase de sucesso do Beatles, “Happiness Is a Warm Gun”, presente
de forma explícita em Comentários a Respeito de John: “John, eu não esqueço, a felicidade é
uma arma quente”, como também “Like a Rolling Stone”, título de uma obra de Bob Dylan,
que aparece em Velha Roupa Colorida.

4. Objetivos
O presente projeto, objetiva entender o porquê da recorrência de figuras de linguagem
na música de Belchior, e a sua intenção por trás desses usos. Pretendendo entender de forma
mais clara os sentidos empregados pelo autor, levando em consideração os aspectos sociais,
políticos e poéticos, presentes em suas canções. Como também as críticas voltadas para o
processo de repressão da Ditadura Militar Brasileira, sejam em aspectos de segurança, aspectos
humanistas ou propriamente de ser político. Por fim, pretende-se investigar as suas referências,
sejam elas referências bibliográficas com a retomada de textos de outros autores, ou referência
sincrônica, no que diz respeito ao que estava acontecendo naquela conjuntura política em que
o país se encontrava.

5. Metodologia e enquadramento da pesquisa


Os referenciais teóricos que encaminham a pesquisa deste projeto, encontram-se nas
áreas de Linguística, Literatura, História e Sociologia. No que diz respeito a Linguística, será
estudada a significação de cada palavra dentro de um contexto, e suas possíveis variações e
relações com o todo do texto. Na Literatura, será abordada a sua forma e seus referenciais
literários. Já na História, trata-se de abordar a conjuntura política do momento do Regime Milita
Ditatorial, levando em consideração os aspectos políticos, econômicos e ser social. E por fim,
na Sociologia, será tratado o estudo do ser, em foco, o indivíduo oprimido, o negro e a mulher,
por exemplo.
Pretende-se com esse estudo, associar as falas de Belchior, a todo o momento político
em que o Brasil se encontrava, tendo como foco os fatores históricos, que conduzirão a levantar
hipóteses acerca do que autor expressou com os seus textos.
Esta pesquisa qualifica-se como qualitativa, bibliográfica, combinando métodos de
diferentes esferas de estudo, tais como a interpretação textual, sociologia e historiografia.

6. Resultados esperados
Pretendemos expandir os estudos da linguagem em obras musicais, afim de entender as
relações existentes entre letra e momento histórico, levando em consideração os aspectos do
artista, sejam eles de escrita, como também os aspectos sociais do autor, em relação com os
aspectos da própria história. Além disso, pretende-se estimular os estudos voltados para os
fenômenos da linguagem, tendo em foco, as figuras de linguagem, que tornam a escrita mais
elegante e com uma complexidade, levando o leitor a analisar e entender a obra mais a fundo.
Os estudos relacionados às obras de Antonio Carlos Belchior ainda estão iniciando-se,
e este projeto tem como interesse, impulsionar os estudos nas obras do próprio Belchior, como
também dos outros vários artistas cearenses que expressaram suas críticas e sentimentos, contra
a Ditadura Militar Brasileira, utilizando como instrumento a música popular brasileira.
Por fim, esta pesquisa será capaz de estimular os estudos da música em sala de aula,
afim de promover uma nova dinâmica, expandindo os estudos da música popular brasileira.
7. Bibliografia

MEDEIROS, Jotabê. Belchior: apenas um rapaz latino-americano. São Paulo : Todavia,


2017.
OBERDERFER, Ricardo. O som da resistência: música na ditadura civil militar brasileira.
2018. 63 f. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura em História) - Universidade Federal
da Fronteira Sul. Chapecó, 2018. [Orientadora: Dra. Samira Peruchi Moretto.]
SILVA, Gislene Maria da. Era uma vez um homem e o seu tempo: aspectos éticos e estéticos
na lírica de Belchior. Literatura e testemunho, Brasil, n. 26, p. 103-135, 2006.
SILVA, Marina Cabral da. "Figuras de Linguagem"; Brasil Escola. Disponível em
<https://brasilescola.uol.com.br/portugues/figuras-linguagem.htm>. Acesso em 27 de outubro
de 2018.
SARTORELLI, Alberto. O Belchior que a crítica vulgar não viu. Disponível em
<https://outraspalavras.net/brasil/o-belchior-que-a-critica-vulgar-nao-viu/>. Acesso em 20 de
outubro de 2018.
SILVA, Pedro. Análise: Belchior e a dimensão política das letras do autor. Disponível em
<https://www.brasildefato.com.br/2018/04/30/analise-belchior-e-a-dimensao-politica-das-
letras-do-autor/>. Acesso em 20 de outubro de 2018.