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Universidade Federal da Paraíba

Centro de ciências Humanas, Letras e Artes


Disciplina: Trabalho e Sociabilidade
Docente: Wécio Pinheiro Araújo
Discente: Jerlyane Dayse Monteiro dos Santos

NANCY, Fraser. Por trás do Laboratório Secreto de Marx: por uma


concepção expandida do capitalismo. Direito e Práxis revista. Rio de
Janeiro, 2015, p. 704-728.

Os escritos de Marx fornecem ferramentas analíticas para uma análise


crítica do capitalismo, contudo, os estudos de Marx se atem aos aspectos
econômicos, e Nancy Frase (2015) chama atenção que a atual crise do capital
pressiona por uma analise mais profunda dos aspectos econômicos e não-
econômicos. Pensando a crise econômica mundial a filosofa propõe uma análise
expandida do capitalismo. Para a autora o capitalismo é uma categoria central,
porém é importante ir além das relações econômicas para uma “análise capaz de
iluminar as relações entre as distintas lutas sociais de nosso tempo” (FRASE,
2015, p. 705).
Nancy Fraser é uma intelectual estadunidense. Atualmente é professora de
Ciência Política e Social da New School de Nova Iorque. Seus estudos estão
relacionados a teoria crítica alemã, o pós-estruturalismo francês, e o feminismo.
No artigo “Por trás do laboratório secreto de Marx: por uma concepção expandida
do capitalismo” (2015), Nancy Fraser chama atenção que faltam analises sobre a
crise capitalista que sejam adequadas ao nosso tempo. Deste modo, a autora se
propõe a reexaminar as críticas de Marx ao capitalismo através de novas lentes,
gênero, ecologia e poder político. Entre os aspectos analisados por Nancy Fraser
visamos focar nas relações de gênero como um aspecto importante para entender
a relação capital x trabalho, produção e reprodução na contemporaneidade.
A autora define que “Marx olhou para além da esfera de troca, analisando o
laboratório secreto da produção” (2015, p. 707), e enumera as quatro principais
características definidoras do capitalismo segunda a perspectiva de Marx:
primeiro a propriedade privada dos meios de produção o que leva a divisão de

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classes entre proprietários e a classe trabalhadora. Segundo o mercado de
trabalho livre, que se por um lado, pôs fim ao trabalho servil, por outro , impediu o
acesso da classe trabalhadora aos meios de produção e subsistência. Terceiro a
acumulação do capital. Quarto o papel fundamental dos mercados na sociedade
capitalista.
Nancy Fraser (2015) se propõe a ir além do laboratório secreto de Marx
para desenvolver uma compreensão adequada do capitalismo do século XXI. Na
atual crise do capital as atividades sociais, políticas e de gênero, apesar de não
estarem diretamente na esfera do capital são influenciados e influenciadores dele.
Frase (2015) destaca que “a atividade sócio reprodutiva é absolutamente
necessária a existência do trabalho remunerado, à acumulação de mais-valia e ao
funcionamento do capitalismo como tal” (p. 713).
Um analise importante feita por Frase (2015) é a inclusão das teorias
feministas que chamam atenção para a divisão entre reprodução social e
produção de mercadoria, pois segundo esta teoria as mulheres estão
historicamente associadas a reprodução e os homens a produção.
Desde os primeiros processos de divisão social do trabalho na Pré-história
e no mundo Antigo que o trabalho feminino esta associado a atividade domestica,
criação dos filhos e a agricultura de subsistência; se o trabalho feminino
historicamente faz parte da esfera privada o que mudou com a advento do
capitalismo? Nancy Frase (2015) analisa que o trabalho das mulheres apesar de
distinto dos homens, no mundo anterior ao capital, era ainda assim visível e
publicamente reconhecido, uma parte integrante do universo social” (p. 714). Na
era do capital o trabalho reprodutivo é relegado a esfera doméstica e sua
importância social é silenciada. Deste modo, quem realiza o trabalho reprodutivo
esta subordinado a quem realiza o trabalho produtivo remunerado.
No estágio atual do capital é cada vez maior a entrada das mulheres no
trabalho produtivo, porém não houve uma mudança sócio cultural na divisão
social do trabalho o que leva a mulher a dupla ou tripla jornada de trabalho, pois
deve cumprir com a jornada de trabalho produtivo-remunerado e, na esfera
doméstica deve realizar o trabalho reprodutivo que oferece as condições sociais
para a manutenção do “trabalho domestico, a criação dos filhos, a educação
escolar, o cuidado afetivo, e uma série de outras atividades que ajudam a produzir

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as novas gerações de trabalhadores, a reabastecer as existentes, e a mantes
laços sociais” (FRASE, 2015, p. 713).
Nancy Frase é uma intelectual ligada a escola crítica e procura
compreender as demandas da sociedade atual no contexto de pós-socialismo,
crise do modelo de bem-estar social, e fortalecimento do neoliberalismo, que traz
consequências importantes para os movimentos sociais e seus projetos
emancipatórios. Neste artigo a autora apresenta novas lentes para que se possa
estudar o sistema capitalista, para Fraser, na atualidade, temas como gênero,
ecologia e poder político, apesar de não estar diretamente ligada a espera
financeira e econômica fazem parte das discussões sobre o capitalismo e as
críticas que devem ser feitas sobre esse sistema de produção econômica, mas
também de reprodução social.
O artigo de Nancy Fraser se propõe a analisar além da “laboratório secreto
da produção”, por tanto ela acrescenta a analise crítica outros aspectos que não
estão diretamente relacionados ao trabalho produtivo ou ao modo de produção,
como os intelectuais marxistas tradicionalmente imaginaram, com relação ao
debate de gênero, redução social e trabalho produtivo este artigo é um cartão de
apresentação, mas também uma porta de entrada para quem quer saber mais
sobre o assunto, e se aprofundar nas leituras, principalmente, porque a autora
tem outras publicações relacionadas ao tema.