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Aleksandra Sliwowska Bartsch

Economia do setor público

1ª Edição

Brasília/DF - 2018
Autores
Aleksandra Sliwowska Bartsch

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e
Editoração
Sumário
Organização do caderno de estudos e pesquisa...................................................................................................... 4

Introdução.............................................................................................................................................................................. 6

Aula 1
Estado e Economia........................................................................................................................................................ 7

Aula 2
Definição e avaliação dos bens públicos............................................................................................................17

Aula 3
Sistemas Econômicos................................................................................................................................................. 34

Aula 4
Instrumentos de Política Econômica....................................................................................................................50

Aula 5
O Setor Público e a Inovação..................................................................................................................................68

Aula 6
O setor público e a sustentabilidade....................................................................................................................82

Referências..................................................................................................................................................................... 93
Organização do caderno de
estudos e pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos,
de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com
questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável.
Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras
e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de
Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio.
É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus
sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas
conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Praticando

Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de


fortalecer o processo de aprendizagem do aluno.

4
Organização do caderno de estudos e pesquisa

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem


ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

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Introdução
O setor público é uma soma de muitas engrenagens que, de uma forma ou de outra, orientam
nossas vidas, seja através dos chamados bens públicos, aos quais todos nós temos direito ao
consumo e que precisam ser oferecidos de acordo com padrões de qualidade elevada, seja
quando o estado adota políticas no sentido de promover a inovação e o desenvolvimento com
sustentabilidade. Compreender o papel do governo e suas formas de atuação é fundamental,
tanto do ponto de vista individual, quanto do lado da empresa e das nações. Entender o impacto
de políticas fiscais, monetárias e cambiais pode ser o limite entre uma trajetória regular e uma
decisão que permitirá ao país ou à empresa dar um salto na escala da competitividade. Tudo claro
dentro de um sistema econômico que tem como objetivos atingir altos níveis de emprego, nível
de preços estável, eficiência, distribuição equitativa de renda, crescimento e desenvolvimento,
equilibrando sempre desejos ilimitados e recursos escassos.

Objetivos

»» Promover a compreensão dos diferentes conceitos ligados a Economia e ao Estado e


conhecer as principais falhas de mercado e seus impactos.

»» Definir e avaliar os bens públicos, a partir das suas características e teoria, além apresentar
as principais características das agências reguladoras.

»» Apresentar os componentes de um sistema econômico, as alternativas de financiamento


do setor público e os principais indicadores que medem a sua eficiência.

»» Enumerar os principais instrumentos da política econômica no que tange ao ambiente


fiscal, monetário e cambial.

»» Conhecer o papel do estado, suas habilidades e responsabilidades no sentindo de adotar


medidas com foco na inovação.

»» Identificar os principais estruturantes de políticas na área da sustentabilidade, em


suas várias dimensões, bem como conhecer as principais ações do estado para o
desenvolvimento sustentável.

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Estado e Economia
Aula
1
Apresentação
Nesta nossa primeira aula, avançaremos pelas metas da Economia, como alto nível de emprego,
nível de preços estável, eficiência, distribuição equitativa de renda e desenvolvimento, bem como
o papel do estado e do setor público na construção de uma economia sólida. Uma trajetória nem
sempre tranquila, que passa por falhas de mercado que precisam ser monitoradas e controladas.
É aí que entra o governo, que possui habilidade e responsabilidade, por meio de medidas que
visem o bem comum, de agir para corrigir eventuais desvios. Vale lembrar que o setor público
é fundamental; que empregos, infraestrutura e desenvolvimento dependem de uma atuação
consistente de um setor público que sempre deverá buscar atender aos interesses dos cidadãos
equalizando seus desejos ilimitados e recursos escassos, visando sempre o bem comum!

Objetivos
»» Definir o conceito de economia, compreendendo a relação entre escassez e consumo.

»» Estabelecer os caminhos para que as metas da economia sejam atendidas.

»» Compreender o papel do estado na economia, em situações de equilíbrio e de falhas


de mercado.

7
AULA 1 • Estado e Economia

Desejos ilimitados, recursos escassos...

Você já parou para pensar que somos eternamente insatisfeitos? Sim, é verdade! Se você trabalha,
lembre quando ganhou seu primeiro salário. Com certeza você se sentiu o máximo, com o poder
em suas mãos. Comprou várias coisinhas, mas... com o fim da euforia inicial, certamente aqueles
itens tão festejados foram aos poucos perdendo a importância e você começou a sonhar com
outros produtos. Algum problema? Nenhum para você, mas para a economia sim, pois enquanto
nossos desejos são ilimitados, os recursos são absolutamente escassos.

É exatamente este o grande problema que a economia procura resolver e que não é tarefa fácil.
Isto porque, se pararmos para pensar, necessidades básicas podem ser resumidas em dois pares
de sapato, duas mudas de roupa, um prato de arroz e feijão e uma casa que não precisa ser nossa,
precisamos apenas ter dinheiro para pagar o aluguel. Assim, nada mais é necessário, o restante
é desejo. E para o desejo, o céu é o limite.

E os recursos? Estes englobam terra, capital e trabalho. São finitos e além de nos ajudarem a
realizar nossos desejos, precisam buscar atingir cinco metas básicas da Economia que são:

Alto nível de emprego

Um dos primeiros sinais de que algo está errado é o aumento do desemprego. Maior desemprego
significa menos gente recebendo salários e um consumo menor. Por outro lado, quando se atinge
esta meta, mais pessoas passam a ter uma renda e a comprar mais. Quando o setor produtivo
vende mais, torna-se interessante investir, comprar mais máquinas, mais matérias-primas para
produzir mais. Claro que alguém precisa operar estas máquinas, trabalhar para que mais produtos
sejam colocados no mercado. Então, mais trabalhadores serão necessários, ou seja, trabalho gera
renda que gera trabalho, que leva ao crescimento.

Nível de preços estável

Preços estáveis contribuem para o equilíbrio da economia que é fundamental para um crescimento
sustentado. Você se imagina fazendo um crediário para os próximos 12 meses se a cada dia
ou a cada semana o preço aumenta? Isso é inflação, que pode ser definida como o aumento
sistemático de preços. E acredite, até 1994, esta era exatamente a situação em que os brasileiros
se encontravam, com preços subindo duas, três vezes ao dia! Impossível planejar qualquer coisa
no longo prazo.

8
Estado e Economia • AULA 1

Figura 1.

Fonte: <http://odia.ig.com.br/noticia/economia/2015-03-08/com-alta-da-inflacao-e-necessario-planejar-orcamento-e-
quitar-as-dividas.html>. Acesso em: 10/8/2016.

Pois é, como vemos na figura acima, o ano de 2015 começou com os brasileiros tendo de apertar
os cintos, inflação, desemprego. Cenário pessimista, na contramão do que é positivo para a
economia. Quando os preços sobem, a incerteza aumenta também. E a incerteza é inimiga do
investimento, do crescimento. Do ponto de vista pessoal, é bom lembrar que em momentos
assim é fundamental planejar a partir do conhecimento de todos os gastos. Além disso, sintonizar
o orçamento doméstico com a atividade econômica, cortando despesas, fugindo dos gastos
desnecessários, não comprometendo a renda com parcelamentos longos e procurando aposentar
o máximo possível o cartão de crédito, pois o que os olhos não vê, o coração não sente, mas o
banco sempre lembra e manda a fatura! Outro ponto é procurar economizar ao máximo, seja
substituindo alimentos mais caros por produtos similares, com preços mais em conta, e na hora
da tentação da compra se perguntar: eu preciso? Agora, se você já estiver inadimplente, a regra
é partir para a renegociação. Os credores sempre preferem receber parcelas menores que nada.
Então, não se esconda, encare-os e proponha valores que você possa pagar!

Eficiência

Aqui estão em jogo dois conceitos: eficiência técnica e eficiência alocativa. A eficiência técnica
busca produzir mais, utilizando menos recursos. Então, quanto menos terra, capital e trabalho

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AULA 1 • Estado e Economia

você precisar para produzir um produto, mais eficiente tecnicamente você será. Mas, também é
necessário fazer as escolhas certas, possuir eficiência alocativa. Por exemplo, a sociedade brasileira
encontra-se cada vez mais em processo de envelhecimento, logo, reorientar os produtos, as
cidades, os serviços para esta faixa da população é um exemplo de busca pela eficiência alocativa.
Acertar nas escolhas é um pouco mais complicado. Depende de pesquisa, de investimentos,
de mão de obra qualificada, para sempre procurar produzir bens de valor agregado mais alto e
lucrar mais com isso.

Distribuição equitativa de renda


Veja não é distribuição igualitária de renda. Não é todo mundo ganhando a mesma coisa.
Um assistente administrativo não deve ganhar a mesma coisa que um presidente de uma
empresa, mas de acordo com esta meta, a renda precisa permitir com que aqueles que a
recebem tenham uma vida digna, com acesso a moradia, alimentação, educação de qualidade.
Infelizmente, esta situação não tem sido realidade no Brasil. Segundo a Receita Federal, de 2012
para 2013, os brasileiros com renda mensal superior a 160 salários mínimos, que corresponde
a 0,3% dos declarantes de IR, concentrou, em 2013, 14% da renda total e 21,7% da riqueza,
totalizando rendimentos de R$ 298 bilhões e patrimônio de R$ 1,2 trilhão. Se adicionarmos a este
grupo aqueles com renda mensal acima de 80 salários mínimos, chega-se a 208.158 brasileiros
(0,8% dos contribuintes), que respondem sozinhos por 30% da riqueza total declarada à Receita.

Crescimento/desenvolvimento
Uma das medidas de crescimento de uma economia é o aumento do PIB, que é o somatório das
riquezas produzidas pelo país. Mas, é fundamental que esta riqueza seja redistribuída entre seus
habitantes, bem como que seja convertida em saúde, educação, segurança, mobilidade urbana.
Quando isto ocorre, diz-se que o país se desenvolveu. Em 2015, entretanto, o Brasil perdeu uma
posição no ranking que mede o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países e ficou
em 75o lugar, em 2014, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre 188
países, sendo superado pelo Sri Lanka.

A busca pelo atingimento destas metas não é tarefa fácil, envolve, como foi dito no início desta
aula, a utilização de recursos que são finitos e cuja dinâmica ajuda a definir a Economia, segundo
Paul A. Samuelson, por exemplo, que diz “A Economia é a ciência que se preocupa com o estudo
das leis econômicas indicadoras do caminho que deve ser seguido para que seja mantida em nível
elevado a produtividade, melhorado o padrão de vida das populações e empregados corretamente
os recursos escassos.” E segundo Stonier e Hague, “Não houvesse escassez nem necessidade de
repartir os bens entre os homens, não existiriam tampouco sistemas econômicos nem Economia.
A Economia é, fundamentalmente, o estudo da escassez e dos problemas dela decorrentes”.

Pode-se, ainda, dizer tranquilamente que quando nas sagradas escrituras Deus, ao expulsar Adão
do paraíso, disse que ele viveria do suor do seu rosto, estava definido o início da Economia, pois

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Estado e Economia • AULA 1

para não morrer de fome, o homem teve de aprender a usar os recursos a seu favor: produzir,
coletar, caçar, gerar trabalho, enfim, transformar os bens da natureza para a sua utilidade,
transformar os recursos disponíveis em riqueza.

E, para equalizar metas, desejos e escassez, a economia formula três questões fundamentais:
o que e quanto, como e para quem produzir, o que não é tarefa das mais fáceis, uma vez que
diferentes variáveis têm impactado as decisões de empresas e da sociedade em geral.

A globalização tem demandado mudança de visão, orientada principalmente pelas mudanças


tecnológicas e por uma diversidade cultural cada vez mais intensa e que gera diferentes expectativas
e demandas. Além disso, o surgimento de novas tecnologias, intensificadas após a década de
1970, fez do virtual e do digital um novo padrão econômico, a partir do qual a sociedade moderna
passou a investir na prestação de serviços e centrar-se em atividades simbólicas.

As atividades simbólicas passam pela ótica de uma responsabilidade socioambiental fundamental


para qualquer gestor, pois o ambiente atual não contempla mais o analfabetismo ambiental e
empresas e governos precisam devolver, na forma de produtos e práticas sustentáveis, a confiança
depositada por indivíduos quando da aquisição de bens e serviços. No que tange ao consumo,
haverá mais informações e um grau maior de consciência por parte dos consumidores que exigirão
produtos cujo ciclo de produção seja limpo, isto é, respeite o conceito de sustentabilidade e
conhecido em todas as etapas. Ganharão espaço alimentos de origem vegetal e animal e oriundos
da agricultura orgânica – ecológica, verde, natural. O diálogo com várias partes interessadas
terá de ser aprofundado. Valores como compromisso, cocriação, cooperação criativa, diálogo,
envolvimento interno (engajamento dos colaboradores) e alinhamento ao negócio serão a mola
propulsora das empresas que desejem tornar suas marcas reconhecidas. Será a sedimentação de
uma atuação responsável, iniciada em meados do século XX, quando os direitos dos consumidores
começaram a ser reconhecidos e valorizados.

A tecnologia também contribuirá para um mundo sem fronteiras e descobertas similares às


registradas séculos atrás no Novo Continente. Ao se difundir o acesso à internet, muito mais
pessoas, nos quatro cantos do mundo, ficarão sabendo de realidades e problemas, tornando
mais fácil a compreensão das dificuldades e busca por soluções.

Mas, esta trajetória não se concretizará sem um governo que possua a habilidade e a responsabilidade
de gerar empregos e realizar ações que normalmente não são interessantes para a iniciativa privada.

O Estado: setores e seu papel na Economia

No aparelho do Estado, é possível distinguir quatro setores:

1. Núcleo estratégico: corresponde ao governo, em sentido lato. É o setor que define as


leis e as políticas públicas, bem como cobra o seu cumprimento. É, portanto, o setor

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AULA 1 • Estado e Economia

em que as decisões estratégicas são tomadas. Corresponde aos Poderes Legislativo e


Judiciário, ao Ministério Público e, no Poder Executivo, ao Presidente da República, aos
ministros e aos seus auxiliares e assessores diretos, responsáveis pelo planejamento e
formulação das políticas públicas.

2. Atividades exclusivas: é o setor em que são prestados serviços que só o Estado pode
realizar. São serviços em que se exerce o poder da extroversão do Estado – o poder de
regulamentar, fiscalizar, fomentar. Como exemplos temos: a cobrança e fiscalização dos
impostos, a polícia, a previdência social básica, o serviço relacionado ao desemprego,
a fiscalização do cumprimento de normas sanitárias, o serviço de trânsito, a compra
de serviços de saúde pelo Estado, o controle do meio ambiente, o subsídio à educação
básica, o serviço de emissão de passaportes etc.

3. Serviços não exclusivos: corresponde ao setor em que o Estado atua simultaneamente


com outras organizações públicas não estatais e privadas. As instituições desse setor
não possuem o poder de Estado. Este, entretanto, está presente porque os serviços
envolvem direitos humanos fundamentais, como os da educação e da saúde, ou porque
possuem «economias externas» relevantes, na medida que produzem ganhos que
não podem ser apropriados por esses serviços por meio do mercado. As economias
produzidas imediatamente se espalham para o resto da sociedade, não podendo ser
transformadas em lucros. São exemplos desse setor: as universidades, os hospitais, os
centros de pesquisa e os museus.

4. Produção de bens e serviços para o mercado: corresponde à área de atuação das empresas.
É caracterizado pelas atividades econômicas voltadas para o lucro que ainda permanecem
no aparelho do Estado, como por exemplo, as do setor de infraestrutura. Estão no Estado
seja porque faltou capital ao setor privado para realizar o investimento, seja porque são
atividades naturalmente monopolistas, nas quais o controle via mercado não é possível,
tornando-se necessária, no caso de privatização, a regulamentação rígida.

O setor privado muitas vezes é incapaz de conduzir projetos que levem ao desenvolvimento.
Por exemplo, grandes obras de infraestrutura, processo de industrialização (principalmente
indústria de base), serviços de utilidade pública e outros setores ou atividades de interesse social
demandam uma participação ativa do Estado. Além disso, a busca pela manutenção da soberania
nacional torna o Estado o principal agente quando o assunto é estratégia nacional, pois o Estado
tem como finalidade assegurar a vida humana em sociedade, garantindo a ordem interna.
O artigo 3o da Constituição da República Federativa do Brasil, que é um Estado Democrático de
Direito, e tem como objetivos primordiais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária,
garantindo o desenvolvimento nacional. Além disso, o mesmo artigo ainda define que o Estado
deve erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais,
promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação.

12
Estado e Economia • AULA 1

O processo de industrialização do Brasil foi uma iniciativa estatal, com alguns objetivos que seriam
praticamente impossíveis de serem atingidos pela iniciativa privada. Dentre os objetivos estavam
a substituição de importações, a diversificação das exportações, atingir padrões de excelência
na extração de petróleo, desenvolver fontes alternativas de energia e promover a transferência
de tecnologia avançada.

No âmbito da economia, o Estado tem o papel de regular e promover os meios para que as
necessidades coletivas sejam supridas, garantindo o bem comum. Esta intervenção na economia
passa pelas funções alocativa, distributiva e estabilizadora.

»» Função alocativa: envolve o fornecimento de bens e serviços não oferecidos adequadamente


pelo sistema de mercado. Esses bens, denominados bens públicos, têm por principal
característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo,
como rodovias, segurança, educação e saúde, infraestrutura etc.

»» Função distributiva: envolve ferramentas de tributação e canais de transferências


financeiras, subsídios à família e subvenções a determinados setores da economia. Um
bom exemplo é a destinação de parte dos recursos provenientes de tributação ao serviço
público de saúde, serviço o qual é mais utilizado por indivíduos de menor renda.

»» Função estabilizadora: envolve o estado como agente econômico para alterar o


comportamento dos preços e emprego, por meio de diferentes políticas econômicas
com vistas a promover o emprego, o desenvolvimento e a estabilidade.

Além destes papéis, a atuação do Estado se justifica em função de algumas variáveis, a saber:

»» Aumento da demanda por bens e serviços públicos, como lazer, educação, medicina,
seja pelo aumento da renda, seja pelo contrário, quando as famílias em função de
diminuição nos rendimentos, substituem itens antes adquiridos na iniciativa privada
pelos oferecidos pela esfera pública.

»» Mudanças tecnológicas e populacionais que resultam num aumento pela demanda por
infraestrutura, como rodovias, que são realizações basicamente estatais e, no caso da
população, o envelhecimento, por exemplo, demandará governos preocupados com as
cidades que precisam ser “amigas dos idosos”.

»» Mudanças na Previdência Social que precisará ser revista a despeito do envelhecimento


da população e das condições positivas que os idosos apresentam hoje em termos
de saúde.

Esta adequação da previdência social se deve a um processo claro de envelhecimento que está
em curso no Brasil. Enquanto a expectativa de vida aumenta, a taxa de natalidade diminui.
Em 2009, o número de nascimentos foi ultrapassado, pela primeira vez, pelo número de pessoas
que ultrapassaram os 60 anos.

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AULA 1 • Estado e Economia

Em 2015 o Brasil possui 23 milhões de pessoas acima de 60 anos, o que corresponde a 12,5%
da população.

Em 2050 o Brasil terá 64 milhões de pessoas acima de 60 anos, o que corresponderá a 30%
da população.

Em 2015, a população mundial conta com 900 milhões de idosos, o que corresponde a 12,3%
da população total.

A expectativa é de que, em 2050, o número total de idosos represente 21,5% da população mundial.

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2015/09/numero-de-idosos-quase-
triplicara-no-brasil-ate-2050-afirma-oms-4859566.html

Segundo a Organização Mundial de Saúde, é fundamental que sejam postas em prática políticas
públicas voltadas para os idosos na área de saúde, bem como apoio para o combate ao isolamento
e à solidão para pessoas acima de 60 anos.

Falhas de mercado

As falhas de mercado justificam uma participação mais ativa do estado no sentido de proteger
os cidadãos perante cenários de incerteza e especulação. Isso tem alargado atuação do Estado
no âmbito econômico. Por exemplo, a existência de bens públicos faz com que o fato de uma
pessoa adquirir determinado bem público não exclui outra de também adquirir.

Outra falha é a existência de monopólios naturais, que é uma situação de mercado em que
os investimentos necessários são muitos elevados, com prazos de retorno muito grandes.
Fornecimento de água ou gás seriam bons exemplos disso. A concorrência em tais setores causaria
inconveniências para os consumidores por causa da necessidade de duplicação de instalações
como a escavação de ruas para a instalação de dois ou mais encanamentos de água ou gás.
O governo assume então a produção e cria agências que impeçam a exploração dos consumidores.

Além disso, em tempos de uma conscientização cada vez maior da importância de uma atuação
ambientalmente sustentada, o governo precisa estar atento às externalidades, que podem ser
positivas ou negativas. Uma externalidade é um efeito social, econômico e ambiental causado
indiretamente pela produção ou venda de produtos ou serviços.

As externalidades podem ser positivas ou negativas. No caso da externalidade ser negativa,


como se tem no caso da poluição que causa danos ao meio ambiente, o governo precisa elaborar
políticas no sentido de priorizar sempre as atividades que tragam resultados positivos e restringir
ao máximo qualquer atividade cujo impacto seja negativo para a sociedade e o ambiente. São
exemplos de externalidades negativas:

14
Estado e Economia • AULA 1

1. Poluição gerada por empresas, pois embora ninguém seja dono de rios ou do mar, a
população como um todo é afetada de maneira negativa. Um exemplo trágico de 2015 é
o rompimento da barragem em Mariana, que além das mortes, resultou na morte do Rio
Doce, cujas consequências negativas são ainda desconhecidas, bem como há dúvidas
se será possível recuperar de alguma forma as áreas degradadas.

2. Lixo descartado erradamente gera aumento dos custos de limpeza por parte das
companhias de limpeza urbana, além de se tornar foco de vetores que disseminam
doenças e podem causar alagamentos pela obstrução de bueiros em dias de fortes chuvas.

3. Gases lançados na atmosfera destroem a camada de ozônio, contribuindo para o


aquecimento global e derretimento de geleiras que aumentam o nível dos oceanos,
gerando uma preocupante legião de desabrigados ambientais.

No caso de serem positivas, a ação de uma pessoa ou agente provoca um impacto benéfico para
a sociedade e, a exemplo da negativa, ocorre sem pagamento por este impacto ou necessidade
de compensação. Alguns exemplos de externalidades positivas:

1. Restauração de imóveis antigos, que permitem resgatar um passado histórico, beneficiando


os cidadãos a partir da preservação de sua memória.

2. Estudar também gera externalidades positivas mesmo que o estudante opte por uma
faculdade particular. Isto porque, além dos ganhos individuais (a cada ano adicional de
estudo, o trabalhador adquire ganhos extras na remuneração), a sociedade como um
todo ganha, pois aumentos de escolaridade resultam em diminuição da desigualdade
de renda, resultando num valor social maior que o privado.

3. O estímulo ao uso de sacolas retornáveis é outro exemplo de externalidade positiva.


O meio ambiente agradece um menor número de sacolinhas plásticas que levam cerca
de 200 anos para decomporem e, segundo estimativas, são responsáveis pela morte de
100 mil pássaros e mamíferos por ano.

Vale lembrar que em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha, o governo exerce
papel fundamental no sentido de fomentar o desenvolvimento a partir de políticas que visem
o nacional, o bem comum. É esta uma das funções primordiais de um governo: pensar no país
como um bem comum, com incansável busca pela igualdade de oportunidades para seus
cidadãos que resultem em alicerces positivos para um desenvolvimento para a geração atual e
seus descendentes.

Sintetizando

Vimos até agora:


»» A escassez é a grande questão da economia. Nossos desejos são ilimitados, mas os recursos (terra, capital e trabalho) são
absolutamente escassos.

15
AULA 1 • Estado e Economia

»» Juntamente com a gestão da escassez, as economias buscam também atingir cinco grandes metas, a saber: alto
nível de empregos, nível de preços estável, eficiência, distribuição equitativa de renda e desenvolvimento.

»» O papel do Estado na economia é fundamental pois os governos possuem habilidade e responsabilidade de


implementar políticas para o crescimento sustentado do país, bem como possuem funções como alocativa,
distributiva e estabilizadora.

»» Os mercados apresentam falhas: monopólios naturais e externalidades são exemplos disso. Nos monopólios
naturais, os investimentos necessários são muitos elevados, com prazos de retorno muito grandes. Já as
externalidades são ações que geram impactos para a sociedade como um todo, podendo ser positivas ou negativas.

16
Aula
Definição e avaliação dos bens
públicos 2
Apresentação
Nesta segunda aula, serão definidos os bens públicos e suas categorias. De uma maneira geral,
quando toda uma sociedade utiliza de um bem simultaneamente, isto é um bem público. Outro
ponto importante é conhecer os diferentes indicadores que podem fornecer valiosas informações
sobre a atuação do setor público, bem como compreender o papel da regulação econômica
por parte do Estado, por meio da Teoria da Regulação Econômica e da atuação das diferentes
agências reguladoras no sentido de direcionar para o bem comum as atividades econômicas de
diferentes setores. Boa leitura!

Objetivos
»» Identificar os bens públicos de acordo com sua titularidade, destinação e outras
características.

»» Medir a eficiência do setor público e analisar seu desempenho.

»» Compreender a importância das agências reguladoras para o desenvolvimento econômico.

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AULA 2 • Definição e avaliação dos bens públicos

O que é um bem público?

Defesa nacional, show de fogos de artifício, policiamento, internet sem fio e sem senha, praças,
rios – o que todos estes bens têm em comum? O fato de serem públicos, ou seja, não são nem
excludentes nem rivais e não podemos controlar quem os usa.

Claro que se desmembrarmos a denominação, “bem” é tudo o que traz satisfação ou utilidade,
dotada de valor econômico, que pode ser material ou imaterial e, principalmente, pode
ser apropriada e tornar-se patrimônio de quem o adquiriu. E voltando a nossa primeira
aula, normalmente, a busca por mais e mais bens, resultado de nossos desejos ilimitados,
é o principal problema da Economia, seja a que opera no ambiente privado, seja no
setor público.
Para refletir
Os bens públicos englobam educação, justiça, segurança,
transporte, mas não apenas, pois todas as coisas que pertencem Bom, antes de prosseguirmos,
às entidades estatais, autárquicas e também todos os bens porque não uma parada para refletir
em tempos de crise sobre o quão
particulares que estejam relacionados à prestação de serviços
importante é utilizar ao invés de
públicos, mesmo que de posse de empresas privadas, são apenas comprar e possuir, o quão
considerados bens públicos. importante é poupar para momentos
mais difíceis. Por exemplo, no
Como vantagem tem-se que, quando uma pessoa usa este bem, momento em que se muda o conceito
do “ter” para o “usar”, estamos
isto não interfere na possibilidade de outro indivíduo utilizar
falando de economia compartilhada,
este mesmo bem. Por outro lado, não se controla quem pode que vem movimentando milhões
utilizar ou utilizou este bem, não sendo possível cobrar pela de dólares ao ano, com pessoas que

sua utilização. trocam aulas de inglês por aulas de


pintura, que emprestam dinheiro a
juros menores, que doam roupas que
Segundo o Código Civil, em seu artigo 99, são bens públicos:
não usam mais e também pedalam
»» os de uso comum do povo, tais como rios, mares, pelos quatro cantos mediante
pagamentos de pequenas taxas,
estradas, ruas e praças;
sem ser preciso adquirir uma nova
bicicleta, uma visão cada vez
»» os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos
mais necessária se quisermos
destinados a serviço ou estabelecimento da um futuro para nós e
administração federal, estadual, territorial ou municipal, nossos filhos.

inclusive os de suas autarquias; Mas e quando todos podem usar


um bem que não foi produzido em
»» os dominicais, que constituem o patrimônio das função de um mercado competitivo
pessoas jurídicas de direito público, como objeto de e não podem ser restritos, ou seja,

direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. não podem beneficiar somente um
grupo ou compradores que dispõe de
recursos financeiros? Aqui estamos
Os bens públicos seguem três classificações. A primeira delas é
falando dos chamados bens
quanto à titularidade. Neste caso, podem ser federais, estaduais, públicos.
distritais e municipais:

18
Definição e avaliação dos bens públicos • AULA 2

»» Federais: são aqueles pertencentes à União. Aqui estão incluídos a segurança nacional,
a proteção à economia do País, o interesse público nacional. Também entram nesta
denominação as terras devolutas necessárias à defesa das fronteiras, das fortificações
e construções militares, os lagos e rios, as ilhas oceânicas, fluviais, o mar territorial, os
terrenos de marinha, os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica
exclusiva, os recursos potenciais de energia hidráulica, os recursos minerais, vias federais
de comunicação, a preservação do meio ambiente, as cavidades naturais subterrâneas e os
sítios arqueológicos e pré-históricos, além das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

»» Estaduais e Distritais: são os bens pertencentes, respectivamente, aos Estados membros e


ao Distrito Federal. Englobam as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes
ou em depósito, às áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio,
às ilhas fluviais e lacustres, bem como às terras devolutas não pertencentes à União.

»» Municipais: são os bens que pertencem aos municípios como as ruas, praças, os jardins
públicos e os edifícios públicos.

Também a questão da destinação é outro critério de classificação dos bens públicos. Como foi
visto anteriormente, neste caso são considerados três níveis de classificação:

»» Bens de uso comum do povo: bens de uso geral, que podem ser utilizados livremente
por todos os indivíduos. Ex.: praças, praias, parques etc.

»» Bens de uso especial: são aqueles nos quais são prestados serviços públicos, tais como
hospitais públicos, escolas e aeroportos.

»» Bens dominicais: são bens públicos que não possuem uma destinação definida, como
prédios públicos desativados e não utilizados pelo poder público.

Finalmente, os bens públicos se classificam quanto à disponibilidade:

»» Bens indisponíveis por natureza: são bens que não podem ser alienados pelo Poder
Público, dada a sua natureza não patrimonial. Os bens de uso comum do povo se
encaixam, em geral, nessa categoria.

»» Bens patrimoniais indisponíveis: são bens que, embora patrimoniais, também não
podem ser alienados, pois neles se prestam serviços públicos. Ex.: hospitais públicos,
universidades (bens de uso especial).

»» Bens patrimoniais disponíveis: são os bens dominicais. Podem ser alienados, desde que
obedecidas as determinações legais.

Os bens públicos também caracterizados por outros fatores:

»» Não excludentes: uma vez que esse bem foi colocado à disposição de um consumidor,
não é possível restringir o seu consumo por outros.

19
AULA 2 • Definição e avaliação dos bens públicos

»» Não rivais: o consumo desses bens por um indivíduo não diminui as possibilidades dos
outros consumirem, isto é, o consumo de um determinado bem ou serviço não implica
alteração da quantidade disponível a outro consumidor. O mercado não consegue
estabelecer um preço para estes bens porque não existe a necessidade de alocar recursos
entre os consumidores. Sendo assim, o preço tende a zero.

»» Falta dei de firmas ou indivíduos em produzi-los, como consequência dos fatores


anteriores, bens públicos são caracterizados pela falta de interesse de firmas ou indivíduos
em produzi-los. É necessário que sejam fundos coletados da sociedade por meio de
taxas, impostos ou outras formas, para o financiamnto da produção desses bens.

»» Inalienáveis: não podem ser vendidos. Exceção: bens dominicais e desafetados podem
ser alienados, observadas as exigências legais.

»» Impenhoráveis: não se sujeitam à penhora.

»» Imprescritíveis: não podem ser obtidos por um particular por meio de usucapião.

»» Não oneráveis: não podem servir de garantia a um credor, como nos casos de hipoteca,
penhor.

Teoria dos bens públicos

A teoria dos bens públicos iniciou-se entre os economistas europeus e começou a ser discutida
na década de 1950 pelos americanos. Relacionamos alguns economistas que foram fundamentais
para o desenvolvimento da teoria dos bens públicos.

Paul Anthony Samuelson foi um dos precursores da teoria dos bens públicos. Para o autor, a
característica principal dos bens coletivos/públicos é que, uma vez produzido, o custo unitário
de um usuário adicional consumi-lo é nulo. Não importa se esse novo usuário tem de pagar
alguma contribuição, por exemplo, um tributo ou uma contribuição de melhoria para financiar
a produção do bem. O que vale é que um cidadão, ao usufruir o bem público, não causa qualquer
custo extra, seja em termos de um maior custo na produção do bem, seja com uma diminuição
na quantidade ou qualidade do consumo por parte do indivíduo, ou seja, ao contrário de um
bem privado, no consumo de um bem público não existe “rivalidade ou exclusão”. Isso quer dizer
que perante os bens públicos todos têm o mesmo direito.

Oslon Mancur surgiu posteriormente e começam a surgir discussões sobre a teoria da ação
coletiva, em seu livro “A lógica de ação coletiva”, 1971, no qual a tese básica deste livro é a de
que mesmo que todos os indivíduos de um grupo sejam racionais e centrados em seus próprios
interesses, e que saiam ganhando se, como grupo, agirem para atingir seus objetivos comuns,
ainda assim eles não agirão voluntariamente para promover esses interesses comuns e grupais.
(OLSON, 1999, p. 14)

20
Definição e avaliação dos bens públicos • AULA 2

Os estudos de James M. Buchanan Jr. foram também baseados na teoria de bens públicos e deram
novos enfoques sobre o acesso aos bens públicos. Foi também considerado que enquanto bens
privados são perfeitamente fornecidos pelo mercado, o suprimento de bens públicos deve se dar
por meio de instituições políticas. Segundo Buchanan (1949), citado por Dias (2009), a teoria e
a prática das finanças públicas deveriam ser revisadas para relacionar a distribuição individual
do custo público à distribuição individual de benefícios, de modo que as pessoas pudessem
visualizar o que eles recebem em troca dos impostos que pagam.

Esta adequação se faz necessária e urgente. Os brasileiros que ganham até três salários mínimos
mensais e que correspondem a 79% do total pagam 53,79% dos impostos arrecadados, segundo
o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Além disso, as empresas brasileiras
gastam cerca de 2.600 horas para pagar os impostos, pior resultado entre 189 países. Só a título
de comparação, na penúltima colocada neste ranking, a Bolívia, são necessárias 1.025 horas para
cumprir as obrigações tributárias. E procure não se assustar, mas desde 1988, o Brasil já criou
320.343 leis tributárias.

A carga de impostos em cada produto é muito pesada, conforme a lista abaixo:

»» Carne de boi: 23,99%.

»» Cerveja: 55,60%.

»» Tênis importado: 58,59%.

»» Conta de luz: 48,28%.

»» Gasolina: 56,09%.

»» Telefone celular: 33,08%.

»» Açúcar: 32%.

»» Cigarro: 80%.

»» Água mineral: 44%.

»» Biscoito 37%.

»» Frutas: 22%.

»» Shampoo: 44%.

»» Batata: 11%.

»» Café: 20%.

»» Feijão: 17%.

»» Sabão em pó: 41%.

21
AULA 2 • Definição e avaliação dos bens públicos

Figura 2.

Fonte: <http://especiais.g1.globo.com/economia/2015/quanto-pagamos-de-impostos/>. Acesso em: 10/8/2016.

Ainda segundo o IBPT, o Brasil ocupa a última posição num total de 30 países pesquisados
quando se mede o retorno oferecido pelos serviços públicos para a população frente ao que esta
paga de impostos. O ranking leva em consideração o percentual de arrecadação de impostos
em relação ao PIB e o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, que mede a qualidade de
vida e o bem-estar da população.
Tabela 1.

ÍNDICE DE RETORNO AO BEM ESTAR DA SOCIEDADE - 2013


Carga tributária
Posição País Índice
sobre o PIB
1º Austrália 27,30% 162,91

2º Coreia do Sul 24,30% 162,79

3º Estados Unidos 26,40% 162,33

4º Suíça 27,10% 161,78

5º Irlanda 28,30% 158,87

6º Japão 29,5% 156,73

7º Canadá 30,60% 156,48

8º Nova Zelândia 32,10% 155,44

9º Israel 30,50% 155,41

10º Reino Unido 32,90% 152,99

11º Uruguai 26,30% 151,91

22
Definição e avaliação dos bens públicos • AULA 2

ÍNDICE DE RETORNO AO BEM ESTAR DA SOCIEDADE - 2013


Carga tributária
Posição País Índice
sobre o PIB
12º Eslovaquia 29,60% 151,51

13º Espanha 32,60% 151,38

14º Islândia 35,50% 150,25

15º Alemanha 36,70% 150,23

16º Grécia 33,50% 148,98

17º República Theca 34,10% 148,97

18º Noruega 40,80% 148,32

19º Argentina 31,20% 147,80

20º Eslovênia 36,80% 146,97

21º Luxemburgo 39,30% 144,69

22º Suécia 42,80% 141,15

23º Áustria 42,50% 141,01

24º França 43% 140,69

25º Bélgica 43,20% 140,21

26º Itália 42,60% 140,13

27º Hungria 38,90% 139,80

28º Dinamarca 45,20% 139,52

29º FIinlândia 44,00% 139,12

30º Brasil 35,04% 137,94

Teoria da regulação: o papel do Estado na economia


de mercado

Os anos 1990 foram marcados pela necessidade de conceber uma nova delimitação das funções
do Estado. Isto porque, a da Constituição Federal de 1988, que consagrou o Estado social,
também forçou o Estado a garantir serviços públicos a toda população na qualidade e quantidade
esperada e o Estado teve que buscar meios para concretizar o acesso a estes serviços. Optou-se
então por um estado regulador e para concretizar o acesso aos serviços para toda a população,
o estado passou de prestador de serviços para regulador, por meio de suas agências. Esses entes
com características peculiares, dotados de certo grau de autonomia e que detém a competência
legítima para edição de normas regulatórias, representam o poder do Estado em fiscalizar os
particulares que estão prestando serviços públicos.

Assim sendo, em lugar de prestador de serviços, suas funções passaram a ser as de planejamento,
regulação e fiscalização.

23
AULA 2 • Definição e avaliação dos bens públicos

Figura 3.

Fonte: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/economia/noticia/2012/12/agencias-reguladoras-recebem-apenas-um-terco-
do-orcamento-3983359.html>. Acesso em: 10/8/2016.

24
Definição e avaliação dos bens públicos • AULA 2

O Brasil conta hoje em dia com dez agências:

Figura 4.

Fonte: <http://renatocesarpereira.com.br/?p=3151>. Acesso em: 10/8/2016.

Mas embora cada uma tenha a sua especificidade de atuação, as características principais são:

a. Controle de tarifas, de modo a assegurar o equilíbrio econômico e financeiro


do contrato.

b. Universalização do serviço, estendendo-os a parcelas da população que não se


beneficiavam por força da escassez de recursos.

c. Fomento da competitividade, nas áreas nas quais não haja monopólio natural.

d. Fiscalização do cumprimento do contrato de concessão.

e. Arbitramento dos conflitos entre as diversas partes envolvidas: consumidores do serviço,


poder concedente, concessionários, a comunidade como um todo, os investidores
potenciais etc.

f. Direção por órgãos colegiados, compostos de diretores com mandato estável, não
coincidentes e aprovados pelo Legislativo, mediante arguição.

g. Independência decisória, na medida em que suas decisões não são passíveis de recursos
hierárquicos.

h. Capacidade de implementar políticas setoriais sem a interferência de pressões


conjunturais.

i. Atuação com isenção no exercício das funções regulatórias e de fiscalização em


relação aos interesses econômicos dos agentes privados e aos interesses conjunturais
do Executivo.

j. Atuação por meio de seu instrumento básico que é a tarifa regulada em contrato. Além
disso, transparência; ouvidoria com mandato, publicidade de todos os atos e atas de
decisão, representação dos usuários e empresas, justificativa por escrito para cada voto
e decisão dos dirigentes, audiências públicas, diretoria colegiada.

25
AULA 2 • Definição e avaliação dos bens públicos

Figura 5.

Fonte: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/economia/noticia/2012/12/agencias-reguladoras-recebem-apenas-um-terco-
do-orcamento-3983359.html>. Acesso em: 10/8/2016.

Indicadores de atividades do setor público

Depois de funções, bens públicos, agências reguladoras, como podemos medir se realmente
o Estado está cumprindo o seu papel e atingindo a são esperada eficiências? A saída é utilizar
indicadores. Mas, afinal o que são indicadores?

26
Definição e avaliação dos bens públicos • AULA 2

Pesquisando a literatura especializada, podemos destacar algumas definições sobre indicadores


econômicos que serão fundamentais para o entendimento do nosso estudo.

No Dicionário de Economia (1985, p. 204):

Indicadores econômicos – são dados estatísticos passíveis de mudança e oscilações,


capaz de dar uma ideia do estado de uma economia em determinado período
ou data. Também chamado de indicadores de conjuntura, em geral fornecem
dados sobre produção, comercialização e investimentos.

Já Romero (2002, p. 27), fazendo uma analogia com os dedos das mãos, os indicadores econômicos
(IEs) representam essencialmente dados e/ou informações sinalizadoras ou apostadoras do
comportamento (individual ou integrado) das diferentes variáveis e fenômenos componentes
de um sistema econômico de um país, região ou estado.

A última definição apresentada, ou seja, a analogia proposta com os dedos da mão por Romero
(2002) nos ilustra com brilhantismo o que representam os indicadores.

Mas para que servem os indicadores?

Os indicadores econômicos são fundamentais tanto para propiciar compreensão da situação


presente e o delineamento das tendências de curto prazo na economia, quanto para subsidiar o
processo de tomada de decisões estratégicas dos agentes públicos (governo) e privados (empresas
e consumidores).

De acordo com Romero (2002), os índices econômicos podem ser classificados em cinco
subconjuntos de variáveis macroeconômicas relevantes:

»» Nível de atividade.

»» Preços.

»» Setor externo.

»» Agregados monetários.

»» Setor público.

Vamos adiante! Você irá conhecer os indicadores de cada variável macroeconômica que
estudaremos nessa aula.

Indicadores de níveis de atividades

Os indicadores do nível de atividade funcionam como um termômetro das condições gerais


dos elementos mais sensíveis às flutuações cíclicas do lado real da economia, sintetizados no

27
AULA 2 • Definição e avaliação dos bens públicos

comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), da Produção Industrial e das Estatísticas de


Emprego e Desemprego (ROMERO, 2002).

»» Produto interno Bruto (PIB): é o valor monetário total dos bens e serviços finais
produzidos por uma economia em determinado período e cuja produção ocorre
exclusivamente dentro das fronteiras geográficas do país, não interessando a origem
de propriedade dos fatores de produção (CURADO, 2008).

O PIB é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base em
metodologia recomendada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a partir de minucioso
levantamento e sistematização de informações primárias e secundárias apuradas ou apropriadas
por aquela instituição.

»» Produção Industrial: este indicador revela a variação mensal da produção física da


indústria brasileira, obtida a partir da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física
(PIM-PF), realizada pelo IBGE desde o início dos anos de 1970. Serve como indicador
preliminar da evolução do PIB industrial (ROMERO, 2002).

»» Desemprego: o desemprego constitui a maior preocupação da maioria das economias


capitalistas desde o final do século XX, devido à modernização tecnológica, à automação,
à abertura pouco criteriosa dos mercados e à proliferação de distorções conjunturais.
A taxa de desemprego é definida pela relação entre o número de pessoas desempregadas
e a população economicamente ativa (PEA) (ROMERO, 2002).

A palavra desemprego é assustadora para maioria das pessoas. Quando há desemprego, algo não
vai bem. Os indicadores servem de parâmetros para analisar a economia.

Figura 6.

28
Definição e avaliação dos bens públicos • AULA 2

Fonte: <http://www.istoe.com.br/reportagens/14228_QUAL+O+SEU+INDICE+DE+FELICIDADE>. Acesso em: 10/8/2016.

»» Indicadores de preços: de acordo com Romero (2002), os índices de preços mais


importantes do país são aqueles produzidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), pelo
IBGE e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo
(FIPE-USP).

»» Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI): é obtida a partir de uma


média do Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e
Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com ponderações 6 (seis), 3 (três) e 1
(um) respectivamente.

»» Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M): apresenta praticamente as mesmas


características e limitações do IGPDI. A diferença principal corresponde à periodicidade
da coleta dos preços, cobrindo o intervalo entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês
corrente. Atualmente, é utilizado especialmente nos contratos de reajustes de tarifas
de telefonia e de energia elétrica.

29
AULA 2 • Definição e avaliação dos bens públicos

»» Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): este índice reflete as variações dos
preços dos bens e serviços consumidos por famílias com renda mensal urbana entre 1
e 40 salários mínimos, independentemente da fonte.

»» Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC): este índice capta a evolução de


uma cesta de produtos consumidos por famílias com rendimento entre 1 e 8 salários
mínimos, provenientes exclusivamente do trabalho assalariado urbano.

Setor Externo
»» Exportações: valor das vendas e outras remessas de bens e serviços de propriedade para
o exterior, realizadas por agentes econômicos residentes do país, a preços de embarque,
excluindo o pagamento de fretes, seguros, impostos e taxas.

»» Importações: valor das compras e outros ingressos de mercadorias e serviços procedentes


do exterior do país.

»» Saldo da balança comercial: exportação menos importação.

»» Saldo em transações correntes: consolidação da balança comercial e de serviços e


das transferências unilaterais. Os serviços compreendem transportes, seguros, viagens
internacionais, assistência técnica, lucros e dividendos e juros da dívida externa. As
transferências unilaterais correspondem às doações, remessas de imigrantes etc.

»» Dívida externa: valor total de débitos do país, contratados com residentes no exterior
e garantidos pelo governo, decorrentes de empréstimos e financiamentos, com prazo
de vencimento superior a um ano.

Agregados Monetários
»» Juros Over/Selic: taxa de juros média (em %) praticada pelo Banco Central para a
rolagem dos títulos da dívida pública por um dia. Apesar de terem sido concebidos
para propiciar a gestão da liquidez do sistema econômico, os papéis do governo sempre
representaram ativos de primeira linha, indicando o piso da rentabilidade do mercado
financeiro, devido à sua pronta liquidez e à plena garantia de recompra.

»» Poupança: rendimento calculado para a remuneração mensal dos depósitos em caderneta


de poupança, a partir da Taxa Referencial de Juros (TR), acrescida de 0,5%. A TR é obtida
a partir da combinação da remuneração média mensal, livre de impostos, dos depósitos
a prazo fixo captados pelos bancos comerciais e de investimentos e agências operadoras
com títulos públicos.

Setor Público
»» Dívida líquida: somatório do endividamento dos governos federal (inclusive Banco
Central), estadual e municipal e por suas empresas junto ao sistema financeiro (público

30
Definição e avaliação dos bens públicos • AULA 2

e privado), ao setor privado não financeiro e ao resto do mundo, descontados os valores


correspondentes aos créditos do governo. Ao contrário do ocorrido em outros países, no
Brasil o conceito inclui a base monetária, por contemplar os ativos e passivos financeiros
do Banco Central.

»» Necessidades de financiamento: deficit ou superávit resultante da variação líquida da


dívida pública, deduzidos os empréstimos concedidos ao setor privado. O conceito
nominal incorpora a totalidade das receitas e despesas, o operacional exclui as correções
monetária e cambial da dívida pública e o primário desconta a correção monetária e as
receitas e despesas financeiras (juros nominais).

Outro índice bem conhecido e que vimos sempre passar nos noticiários é o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH). É um dos principais índices capazes de determinar com
precisão os estágios de desenvolvimento humano e de condições de vida é o IDH. Trata-se de
um indicador do nível de atendimento, em uma dada sociedade, das necessidades humanas
básicas. (ROMERO, 2002).

Um novo indicador: Felicidade Interna Bruta

“A Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto”. Com estas
palavras, o rei do Butão, então com 17 anos, estabeleceu as bases para a criação de um conceito
que passou a ser adotado pelas Nações Unidas e que vem ganhando força no Brasil, Canadá,
Butão, Tailândia, Japão, Reino Unido, EUA e França.

O FIB é baseado na premissa de que o objetivo principal der uma sociedade não deveria ser
somente o crescimento econômico, mas a integração do desenvolvimento material com o
psicológico, o cultural e o espiritual sempre em harmonia com a terra.

Figura 7.

31
AULA 2 • Definição e avaliação dos bens públicos

Fonte: <http://www.istoe.com.br/reportagens/14228_QUAL+O+SEU+INDICE+DE+FELICIDADE>. Acesso em: 10/8/2016.

Figura 8.

Fonte: <http://www.istoe.com.br/reportagens/14228_QUAL+O+SEU+INDICE+DE+FELICIDADE>. Acesso em: 10/8/2016.

32
Definição e avaliação dos bens públicos • AULA 2

E então? Você é feliz?

Para finalizar esta nossa aula, vale lembrar que a felicidade e o desenvolvimento sempre serão
resultado de um trabalho conjunto. Um estado é composto por pessoas, que usufruem de seus
benefícios, mas que também constroem ou destroem a partir de seus votos, a partir de ações,
que mesmo parecendo pequenas podem fazer toda a diferença. Portanto, reflita também, além
de ser feliz, se você está contribuindo para a felicidade daqueles que o cercam? É o somatório
de pequenas ações, de pequenos gestos que faz uma nação grande, faz uma nação ser feliz, ou
você já se esqueceu dos japoneses na copa do mundo com seus sacos azuis recolhendo seu lixo?
Enquanto isso, o “amanhã” pode ser melhor, se trabalharmos para isso.

Sintetizando

Vimos até agora:

»» Definição de bens públicos, os diferentes tipos de classificação e características.

»» Teoria dos bens públicos e mudanças que se fazem necessárias para a sua atualização tendo em vista, por exemplo, a
necessidade de monitoramento do retorno da sociedade dos impostos pagos.

»» Teoria da regulação e o papel das agências reguladoras, bem como suas características.

»» Indicadores para a medição da eficiência do setor público, desde os mais tradicionais como o Produto Interno Bruto até
um conceito mais recente conhecido como Felicidade Interna Bruta.

33
Sistemas Econômicos
Aula
3
Apresentação

Nesta nossa terceira aula, abordaremos os sistemas econômicos. Sejam eles capitalistas, com
a maximização dos lucros, propriedade privada e concorrência; sejam eles socialistas com a
planificação estatal como ponto fundamental, todos os sistemas possuem estoque de recursos,
unidades de produção e instituições que operam fluxos reais e monetários. Além disso, contam
com agentes de mercado, ou seja, ofertantes e demandantes, os quais podem operar na forma
de concorrência perfeita ou imperfeita. O setor público neste ponto entra como parte integrante
dos agentes de mercado, e suas receitas e despesas precisam ser monitoradas para que não seja
necessário adotar medidas para o financiamento de eventuais deficits resultantes de um gasto
maior do que a arrecadação. Boa leitura!

Objetivos
»» Compreender o funcionamento dos sistemas econômicos, seus estoques de recursos
produtivos ou fatores de produção, bem como suas unidades de produção.

»» Explicar a relação entre fluxo real e monetário.

»» Compreender o impacto da micro e da macroeconomia

»» Compreender a importância dos ofertantes e demandantes e o papel do setor público


enquanto agente de mercado.

»» Analisar o papel dos tributos e impostos no que tange ao financiamento do déficit público.

34
Sistemas Econômicos • AULA 3

Elementos do Sistema Econômico

O setor público é parte de uma estrutura muito maior e, de acordo com o viés político, pode ter
maior ou menor participação. Esta estrutura recebe o nome de Sistema Econômico, composto
por pessoas, instituições, envolve a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços em
uma economia.

Além disso, a busca pela melhor solução para estes problemas centrais da Economia ocorre nos
sistemas econômicos, forma política, social e econômica pela qual está organizada uma sociedade.

Os elementos básicos de um sistema econômico são:

1. Estoques de Recursos Produtivos ou Fatores de Produção: recursos humanos (trabalho


e capacidade empresarial), capital, terra, reservas naturais e a tecnologia.

2. Complexo de unidades de produção: constituído pelas empresas.

3. Conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais: que são à base da


organização da sociedade.

Os sistemas econômicos possuem dois tipos de circulação. A primeira, que envolve a circulação
dos fatores de produção em troca de bens e serviços (fluxo real). Já a segunda, traz a circulação
de fatores de produção e bens e serviços em troca de moeda (fluxo monetário). O Fluxo Real
descreve o processo produtivo no sistema econômico, no qual as famílias fornecem recursos
produtivos às empresas que, por sua vez, transformam em bens e serviços que serão consumidos
pelas famílias. Já o Fluxo Monetário descreve o processo de geração de renda, pois as famílias
são remuneradas ao fornecerem recursos produtivos às empresas. Com a renda obtida, pagam
pelos bens e serviços consumidos.

Para entender o funcionamento do sistema econômico, vamos supor uma economia de mercado
que não tenha interferência do governo e não tenha transações com exterior (economia fechada).

Os agentes econômicos são as famílias e as empresas. As famílias são proprietárias de fatores de


produção e os fornecem às empresas, por meio do mercado dos fatores de produção. As empresas,
pela combinação dos fatores de produção, produzem bens e serviços e os fornecem às famílias
por meio do mercado de bens e serviços.

35
AULA 3 • Sistemas Econômicos

Fluxo Real da Economia


Figura 9.

No entanto, o fluxo real da economia só se torna possível com a presença da moeda, que é utilizada
para remunerar os fatores de produção e para o pagamento dos bens e serviços.

Desse modo, paralelamente ao fluxo real temos um fluxo monetário da economia.

Fluxo Monetário da Economia


Pagamento dos bens e serviços

Famílias Empresas

Remuneração dos Fatores de Produção

Capitalismo e Socialismo são os dois sistemas econômicos predominantes e podem ser


caracterizados:

1. Sistema capitalista, ou economia de mercado, é aquele regido pelas forças de mercado,


predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção. É um
sistema caracterizado por crises frequentes que geram inflação, desemprego e falências.
Além disso, também há tendência para a formação de cartéis e monopólios. Para amenizar
os efeitos dessas crises, é crescente a intervenção do Estado na economia.

2. Sistema socialista ou economia centralizada, ou ainda economia planificada, é aquele


em que as questões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão central de
planejamento, predominando a propriedade pública dos fatores de produção. O sistema
socialista tem suas doutrinas e movimentos políticos voltados para os interesses dos
trabalhadores, priorizando eliminar as diferenças entre as classes sociais e planificar
a economia.

36
Sistemas Econômicos • AULA 3

Os dois lados da Economia

O governo se utiliza de instrumentos para fomentar a economia, uma vez que, conforme foi dito
anteriormente, possui a habilidade e responsabilidade de realizar uma série de ações no sentido
de realizar obras de infraestrutura, garantir a segurança nacional, aumentar permanentemente o
grau de industrialização e expandir os serviços de utilidade pública. As duas áreas que fornecem
os subsídios para esta atuação são a Macroeconomia e a Microeconomia.

Microeconomia

A Microeconomia é definida como um problema de alocação de recursos escassos em relação


a uma série possível de fins. As famílias são consideradas fornecedores de trabalho e capital
e demandantes de bens de consumo. As firmas são consideradas demandantes de trabalho e
fatores de produção e fornecedoras de produtos.

Os consumidores maximizam a utilidade a partir de um orçamento determinado. As firmas


maximizam lucro a partir de custos e receitas possíveis.

A Microeconomia procura analisar o mercado e outros tipos de mecanismos que estabelecem


preços relativos entre os produtos e serviços, alocando de modos alternativos os recursos dos
quais dispõe determinados indivíduos organizados numa sociedade. Divide-se em:

»» Teoria do Consumidor: estuda as preferências do consumidor analisando o seu


comportamento, as suas escolhas, as restrições quanto a valores e a demanda de
mercado. A partir dessa teoria, determina-se a curva de demanda.

»» Teoria da Firma: estuda a estrutura econômica de organizações cujo objetivo é


maximizar lucros. Organizações que para isso compram fatores de produção e vendem
o produto desses fatores de produção para os consumidores. Estuda estruturas de
mercado tanto competitivas quanto monopolísticas. A partir dessa teoria, determina-
se a curva de oferta.

»» Teoria da Produção: estuda o processo de transformação de fatores adquiridos pela


empresa em produtos finais para a venda no mercado. Estuda as relações entre as
variações dos fatores de produção e suas consequência no produto final. Determina as
curvas de custo, que são utilizadas pelas firmas para determinar o volume ótimo de oferta.

Pressupostos básicos da análise microeconômica

»» Hipótese coeteris paribus (tudo o mais permanece constante): o foco de estudo é


dirigido apenas àquele mercado, analisando o papel que a oferta e a demanda nele
exercem, supondo que outras variáveis interfiram muito pouco ou que não interfiram
de maneira absoluta.

37
AULA 3 • Sistemas Econômicos

»» Papel dos preços relativos: são mais relevantes os preços relativos, isto é, os preços dos
bens em relação aos demais, do que os preços absolutos (isolados) das mercadorias.

»» Princípio da racionalidade: os empresários tentam sempre maximizar lucros condicionados


pelos custos de produção, os consumidores procuram maximizar sua satisfação no
consumo de bens e serviços (limitados por sua renda e pelos preços das mercadorias).

Para as empresas, a análise microeconômica pode subsidiar as seguintes decisões:

»» Políticas de preços da empresa.

»» Previsão de demanda e faturamento.

»» Previsão de custos de produção.

»» Decisões ótimas de produção (melhor combinação dos custos de produção).

»» Avaliação e elaboração de projetos de investimentos (análise custo/benefício)

»» Política de propaganda e publicidade.

»» Localização da empresa.

Em relação à política econômica, pode contribuir para análise e tomada de decisões das seguintes
questões:

»» Efeitos de impostos sobre mercados específicos.

»» Política de subsídios.

»» Fixação de preços mínimos na agricultura.

»» Controle de preços.

»» Política Salarial.

»» Políticas de tarifas públicas (água, luz etc.).

Os estudos microeconômicos visam atingir o equilíbrio geral que leva em conta as inter-relações
entre todos os mercados, procurando analisar se o comportamento independente de cada agente
econômico conduz todos a uma posição de equilíbrio global, embora todos sejam, na realidade,
interdependente.

Os agentes de mercado: oferta e demanda

A microeconomia parte dos agentes de mercado, ou seja, dos ofertantes e demandantes.

»» Demanda: quantidade de bem ou serviço procurada pelo consumidor, a certo preço,


em determinado período de tempo. A demanda é inversamente proporcional ao preço,
ou seja, quanto maior, menor será o desejo de consumo.

38
Sistemas Econômicos • AULA 3

»» Oferta: quantidade de bem ou serviço oferecida pelo produtor/vendedor, a certo preço,


em determinado período de tempo. A oferta é diretamente proporcional ao preço, ou
seja, quanto maior, o desejo de vender se elevará.

Demanda de mercado

Conforme foi descrito anteriormente, a demanda ou procura pode ser definida como a quantidade
de um determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado
período de tempo.

A procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor. São elas: renda, gostos,
preços dos bens ou serviços afins, expectativas de consumidores e número de compradores.

Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem.


É a chamada Lei Geral da Demanda. Essa relação pode ser observada a partir dos conceitos de
escala de procura, curva de procura ou função demanda.

A procura de uma mercadoria não é influenciada apenas por seu preço. Existem outras variáveis
que também afetam a procura. Quando há uma aumento da renda, o consumidor tende a
substituir suas compras por outros produtos de maior valor agregado. Por exemplo, diminuirá
o consumo de carne de segunda e aumentará o consumo da carne de primeira. Influencia
também a demanda se o consumidor possui uma renda permanente, como aposentadorias
ou também quando há variações nas taxas de juros. Quando estas caem, o dinheiro fica mais
barato e, logo, há uma acesso maior ao crédito. Há também a questão dos bens relacionados.
Estes podem ser substitutos ou complementares. No caso dos substitutos temos, por exemplo,
as frutas. Quando o preço da maçã sobe, tendemos a comprar outras frutas que estejam mais
baratas. Bens complementares são aqueles em que um depende do outro. Por exemplo, se o
preço do cartucho de um determinado tipo de impressora aumentar, a tendência será diminuir
a aquisição deste tipo de equipamento.

Oferta de mercado

A oferta consiste nas várias quantidades que os produtores desejam oferecer ao mercado em
determinado período de tempo. Da mesma maneira que a demanda, a oferta depende de vários
fatores; dentre eles, de seu próprio preço, dos demais preços, dos preços dos fatores de produção,
das preferências do empresário e da tecnologia.

Diferentemente da função demanda, a função de oferta mostra uma correlação direta entre a
quantidade ofertada e nível de preços. É a chamada Lei Geral da Oferta.

Estruturas de mercado

Foi estudado anteriormente, quais variáveis afetam a demanda e a oferta de bens e serviços, e
como são determinados os preços, supondo sem interferências, o mercado automaticamente

39
AULA 3 • Sistemas Econômicos

encontra seu equilíbrio. Implicitamente, estava sendo suposta uma estrutura específica de
mercado, qual seja, a de concorrência perfeita.

As várias formas ou estruturas de mercados dependem fundamentalmente de três características:

»» número de empresas que compõe esse mercado;

»» tipo do produto (se as firmas fabricam produtos idênticos ou diferenciados);

»» se existem ou não barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado.

Concorrência pura ou perfeita

É um tipo de mercado em que há um grande número de vendedores (empresas), de tal sorte


uma empresa, isoladamente, por ser insignificante não afeta os níveis de oferta do mercado e,
consequentemente, o preço de equilíbrio.

Nesse tipo de mercado ainda existem as seguintes características: não existe diferenciação entre
os produtos ofertados pelas empresas concorrentes, não existem barreiras para o ingresso de
empresas no mercado e todas as informações sobre lucros e preços são conhecidas por todos
os participantes do mercado.

Concorrência imperfeita

Ocorre quando um dos agentes (ofertante ou demandante) tem o poder de determinar o preço
de um bem. Neste caso, se diz que este agente possui o poder de mercado. Existem quatro tipos
diferentes de concorrência imperfeita. Do lado da oferta há o monopólio e o oligopólio. Do lado
da demanda o monopsônio e o oligopsônio.

Monopólio

O mercado monopolista se caracteriza por apresentar condições opostas às da concorrência


perfeita. Nele existe, de um lado, uma única empresa, dominando inteiramente a oferta e, de
outro, todos os consumidores. Não há, portanto concorrência, nem produto substituto ou
concorrente. Nesse caso, ou os consumidores se submetem às condições impostas pelo vendedor,
ou simplesmente deixaram de consumir o produto.

Para a existência de monopólios, deve haver barreiras que praticamente impeçam a entrada
de novas firmas no mercado. Essas barreiras podem advir das seguintes condições: monopólio
puro, elevado volume de capital, patente e controle de matérias-primas básicas. Existem, ainda,
os monopólios institucionais ou estatais em setores considerados estratégicos ou de segurança
nacional (petróleo, energia, comunicação).

Oligopólio

É um tipo de estrutura normalmente caracterizada por um pequeno número de empresas que


dominam a oferta de mercado. Pode caracterizar-se como um mercado em que há um pequeno

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Sistemas Econômicos • AULA 3

número de empresas, como a indústria automobilística, ou então onde há um grande número


de empresas, mas poucas dominam o mercado, como a indústria de bebidas.

O setor produtivo no Brasil é altamente oligopolizado, sendo possível encontrar inúmeros


exemplos: montadoras de veículos, setor de cosméticos, indústria de papel, indústria farmacêutica
etc.

Nos oligopólios, tanto as quantidades ofertadas quanto os preços são fixados entre as empresas
por meio de cartéis. O cartel é uma organização formal ou informal de produtores dentro de um
setor que determina a política de preços para todas as empresas que a ele pertencem.

Monopsônio

Trata-se de uma forma de mercado na qual há somente um comprador para muitos vendedores
dos serviços dos insumos. É o caso da empresa que se instala em uma determinada cidade do
interior e, por ser a única, torna-se demandante exclusiva da mão de obra local e das cidades
próximas, tendo para si a totalidade da oferta de mão de obra.

Oligopsônio

É um mercado em que existem poucos compradores que dominam o mercado para muitos
vendedores. Exemplo: indústria de laticínios. Em cada cidade existem dois ou três laticínios que
adquirem a maior parte do leite dos inúmeros produtores rurais locais. A indústria automobilística,
além de oligopolista no mercado de bens e serviços, também é oligopsonista na compra de
autopeças.

Quadro 1. Principais características das estruturas básicas de mercado.

CONCORRÊNCIA
CARACTERÍSTICA MONOPÓLIO OLIGOPÓLIO
PERFEITA
1. Quanto ao Muito grande Só há uma Pequeno
número de empresa
empresas
2. Quanto ao Homogêneo. Não há Não há Pode ser homogêneo ou
produto diferenças substitutos diferenciado
próximos
3.Quanto ao Não há possibilidade As empresas têm Embora dificultado pela
controle das de manobras pelas grande poder interdependência entre
empresas sobre os empresas para manter as empresas, estas
preços preços tendem a formar cartéis
relativamente
elevados
4.Quanto à Não é possível A empresa É intensa, sobretudo
concorrência Nem seria eficaz. geralmente quando há diferenciação
extrapreço recorre a do produto
campanhas
institucionais
5.Quanto as Não há barreiras Barreiras de Barreiras de acesso de
condições de acesso de novas novas empresas
ingresso no empresas
mercado

41
AULA 3 • Sistemas Econômicos

Macroeconomia

A macroeconomia preocupa-se com o conjunto de decisões de todos os agentes econômicos,


que se refletirá em maior ou menor produção e nível de emprego. Inflação, taxa de juros, taxa de
câmbio, nível de emprego global, crescimento econômico são objetos da análise macroeconômica.
Estuda, também, as decisões tomadas pelo formulador de política econômica do país.

Estuda a realidade econômica de forma global. Ela se preocupa com a relação entre os agentes
econômicos e o funcionamento da economia em seu conjunto. Procura obter uma visão
simplificada da economia, utilizando um número reduzido de variáveis, como: produto agregado;
demanda agregada; consumo; emprego; investimento; nível geral de preços; equilíbrio geral;
crescimento econômico etc.

A análise macroeconômica foi particularmente desenvolvida após a publicação, em 1936, da


principal obra de J. M. Keynes (1883-1946), “The general theory of employment, interest and
Money”. Esta obra é de enorme significado histórico e pode ser considerada, de um lado, fruto
dos difíceis anos da Grande Depressão, e de outro, da incapacidade revelada pela microeconomia
clássica e neoclássica para solucionar os problemas macroeconômicos do desemprego em massa.

A macroeconomia está voltada, fundamentalmente, para:

»» O comportamento da economia em seu conjunto, agregadamente considerado. A unidade


de referência é o todo e não suas partes individualizadas.

»» O desempenho totalizado da economia. As causas e os mecanismos corretivos das


grandes flutuações conjunturais. Os altos e baixos da economia como um todo etc.

Ou seja, macroeconomia ocupa-se, basicamente, de garantir a manutenção do pleno emprego


dos recursos disponíveis dos sistemas econômicos, eliminando todos os possíveis focos de
subemprego ou de desemprego generalizado; ocupa-se, ainda, das condições necessárias ao
desenvolvimento econômico, bem como de seu significado, custos e benefícios; finalmente,
ocupa-se também das questões relacionadas à inflação, procurando determinar as causas e os
efeitos das elevações gerais dos níveis de preços como um todo.

Oferta agregada

Consiste na quantidade total de bens e serviços que as empresas de um país estão dispostas a
produzir e a vender num dado período. É dependente do nível de preços, da capacidade produtiva
e dos custos a suportar pela economia.

A oferta agregada representa o que as empresas, no seu conjunto, estão dispostas a produzir e a
vender para cada nível geral de preços, assumindo como constantes todas as restantes variáveis
determinantes da oferta agregada tais com as tecnologias disponíveis e as quantidades e os preços

42
Sistemas Econômicos • AULA 3

dos fatores produtivos. Conjugada com a procura agregada, a oferta agregada permite encontrar
o equilíbrio macroeconômico.

Demanda agregada

A demanda agregada corresponde à totalidade da despesa desejada pelo conjunto dos agentes
econômicos (famílias, empresas, Estado e exterior) para um determinado nível de preços,
mantendo-se constantes outros fatores tais como a política orçamentária, a oferta de moeda, a
disponibilidade de capital, entre outras, e tem quatro componentes:

»» Consumo: consiste nas despesas de consumo das famílias, o qual é determinado, além
dos preços, pelo rendimento disponível, pelas tendências demográficas e pela riqueza
acumulada.

»» Investimento: corresponde às despesas realizadas pelas empresas em equipamentos


e instalações, as quais são determinadas em grande medida pelo custo dos fatores
produtivos, pela evolução da economia e pelas expectativas dos empresários.

»» Gastos do governo (ou despesa pública): refere-se às despesas realizadas pelo Estado com
a aquisição de bens e serviços, sendo determinada diretamente por este, constituindo,
por isso, um importante instrumento de política econômica.

»» Exportações líquidas: corresponde às exportações subtraídas das importações; no


caso das importações, estas são determinadas pelos mesmos fatores que determinam
o consumo, o investimento e os gastos do Estado e ainda pela relação entre os preços
internos e os preços externos e pela taxa de câmbio do país; quanto às importações,
estas são determinadas pelo rendimento dos outros países e também pela relação entre
os preços internos e externos e pelas taxas de câmbio.

Na próxima aula veremos os diferentes instrumentos de política econômica que o governo adota
no sentido de manter a economia equilibrada, no caminho do crescimento e do desenvolvimento,
mas antes disso, vamos falar sobre receitas e despesas do governo. À exemplo da economia
doméstica, o governo precisa manter suas contas equilibradas, mas quando gasta mais do que
arrecada, precisa se financiar.

Receitas e despesas e o Sistema Tributário do Setor público

Nos dias atuais, vemo-nos abarrotados de impostos e taxas a serem pagas e os governos felizes
com sua arrecadação. Isto porque como agente de mercado, o governo precisa de recursos para
administrar e desempenhas as suas atividades.

Despesas públicas
É papel do Estado proporcionar aos cidadãos inúmeros serviços que satisfaçam as necessidades
coletivas. Você há de concordar que, para o estado oferecer esses serviços, ele tem que ter dinheiro

43
AULA 3 • Sistemas Econômicos

para pagar esses dispêndios. Podem ser gastos com materiais, pagamento de pessoal, instalações
etc. Esses serviços oferecidos à comunidade têm um gasto e este gasto são as despesas públicas.

Despesa Pública, em sua acepção financeira, é a aplicação de recursos pecuniários em forma de


gastos e em forma de mutação patrimonial, com o fim de realizar as finalidades do estado. E, em
sua acepção econômica, é o gasto ou não de dinheiro para efetuar serviços tendentes àquelas
finalidades.

Classificação dos gastos públicos

Para Baleeiro (2003), os gastos públicos são classificados quanto:

»» Estrutura programática: responde à indagação: “Para que” os recursos são alocados?


(finalidade).

»» Classificação institucional: responde à indagação: “Quem” é o responsável pela


programação?

»» Classificação da despesa por natureza (econômica): responde à indagação: “O Que” será


adquirido e “Qual” o efeito econômico da realização da despesa?

»» Classificação Funcional – responde à indagação: “Em que área” de ação governamental


a despesa será realizada?

Assim, a realização de qualquer despesa exige o conhecimento detalhado das necessidades


de caráter social e ponderação das alternativas possíveis para a sua satisfação, para atingir os
objetivos pretendidos, com o mínimo dispêndio de recursos, possibilitando a maximização da
utilidade social das despesas efetuadas (LOPES, 2003).

E qual a importância da despesa pública?

É uma despesa indispensável para a execução dos objetivos de todas as esferas da administração
pública. É o ponto de partida da ciência e da legislação financeira. As finanças públicas do Estado
iniciam-se com determinado plano de despesa, ajustando as autoridades suas rendas por meio
de impostos a fim de satisfazer a despesa.

Como é a classificação legal das despesas do estado?

São classificadas em:

Despesa orçamentária: é a despesa que está incluída na lei orçamentária anual e ainda as
provenientes dos créditos adicionais (suplementares, especiais e extraordinários) abertos durante
o exercício financeiro.

Despesa extraorçamentária: é a despesa que não consta na lei orçamentária anual, compreendendo
as diversas saídas de numerários, decorrentes do pagamento ou recolhimento de depósitos,

44
Sistemas Econômicos • AULA 3

pagamentos de restos a pagar, resgate de operações crédito por antecipação de receita e saídas
de recursos transitórios.

Como são classificadas as despesas econômicas por categorias?

A despesa pública será classificada em: despesas correntes e de capital.

Despesas correntes: são todas as despesas que não contribuem, diretamente, para a formação
ou aquisição de um bem de capital.

Despesa de custeio: são as dotações destinadas a manutenção da máquina pública.

Transferências correntes: são as dotações que não correspondam a contraprestação de bens ou


serviços destinados a outros entes de direito público ou privado (pensões, auxilio desemprego
etc.).

Despesas de capital: são todas as despesas que contribuem, diretamente, para a formação ou
aquisição de um bem de capital.

»» Investimentos: correspondem às dotações para planejamento e execução de obras e


suas derivações, inclusive aquelas destinadas à aquisição de imóveis novos.

»» Inversões financeiras: corresponde às dotações destinadas à compra de imóveis já em


utilização, a aquisição de títulos de empresas já constituídas, quando não importar
aumento de capital.

»» Transferências de capital: as transferências de capital correspondem às dotações para


investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado
devem realizar, independentemente de contraprestação direta de bens e serviços, bem
como as dotações para amortização de dívida pública (BRASIL, 2008).

As receitas públicas

Agora que conhecemos as despesas públicas ou gastos públicos, vamos estudar as receitas
tributárias.

Antes de adentrarmos ao estudo específico das receitas, vamos fazer uma viagem para entender
como funciona o Sistema Tributário Nacional.

A Constituição Federal Brasileira

A Constituição não cria tributo. No entanto, cumpre papel essencial na construção do sistema
ao definir as competências tributárias dos entes políticos da Federação (União, Estados, Distrito
Federal e Municípios), consagrar os princípios e as normas gerais de direito tributário, instituir

45
AULA 3 • Sistemas Econômicos

limitações ao poder de tributar, estabelecer a repartição das receitas tributárias e vinculações


compulsórias (BRASIL, 2004). Entretanto, a instituição, a arrecadação e a fiscalização dos tributos
pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios são limitadas. A Constituição
Federal assegura ao cidadão garantias contra a ação do Estado.

É importante enfatizar que, ao cidadão comum, é permitido fazer tudo aquilo que a lei não proíbe,
ao passo que, ao administrador público, só é permitido fazer o que a lei expressamente autoriza.
Por isso, o Código Tributário Nacional foi criado por meio da Lei no 5. 172, de 25 de outubro de 1966,
Denominado Código Tributário Nacional, pelo art. 7o do Ato Complementar no 36, de 13.3.1967.
De acordo com art. 2o do Código Tributário Nacional, o Sistema tributário nacional é regido pelo
disposto na Emenda Constitucional no 18, de 1o de dezembro de 1965, em leis complementares,
em resoluções do Senado Federal e, nos limites das respectivas competências, em leis federais,
nas Constituições e em leis estaduais e em leis municipais.

Conceito de Sistema Tributário Nacional

Agora, vamos conhecer como alguns autores que conceituam o Sistema Tributário nacional.

Sistema Tributário Nacional é o conjunto de princípios constitucionais que rege o poder de


tributar, as limitações deste poder e a repartição das correspondentes receitas.

(CASSONE, 2000, p. 18 apud VELLOSO, 2004). É o conjunto de tributos vigentes em um país, em


determinada época, sem se distinguir entre os de competência federal, estadual ou municipal,
e das regras jurídicas que os disciplinam.( ROSA JUNIOR, 2009).

O conceito de sistema tributário implica certa coordenação dos diferentes tributos entre si com
o sistema econômico dominante, com os fins fiscais e extrafiscais da tributação, bem como com
os princípios constitucionais.

(KLEIN, 2009)

Analisando os conceitos apresentados, nota-se que o sistema tributário é de suma importância


para a arrecadação de receitas do setor público, tanto na esfera federal, estadual ou municipal.

Pela Constituição Federal (CF), os três níveis de governo estão autorizados a instituir e cobrar
impostos. Essa autorização compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações
estabelecidas pela própria Constituição. A Constituição Federal de 1988 consagra uma série
desses princípios, a saber:

A propósito você sabe o que são tributos?

De acordo com a versão online do dicionário Priberan da língua portuguesa, tributo é o que um
estado paga a outro em sinal de dependência, ou imposto: contribuição.

46
Sistemas Econômicos • AULA 3

De acordo com o artigo 3o do Código Tributário nacional:

Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela


se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Explicando com mais detalhes o que vem a ser tributo:

»» toda prestação pecuniária compulsória – vem a ser todo o pagamento obrigatório ao


estado;

»» em moeda ou valor nela se possa exprimir – que o pagamento é efetuado em dinheiro,


mas a lei poderá admitir que ele seja feito por meio de algo de valor equivalente à moeda,
ou nela conversível;

»» que não constitua sanção de ato ilícito em lei – tributo não é penalidade por infração;
multa sim constitui sanção pecuniária decorrente de ato ilícito;

»» instituído em Lei – para ele existir deverá ter uma lei, caso contrário, fere o princípio
da legalidade;

»» cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada – a cobrança deve


ser realizada conforme determina a lei, não comportando discricionariedade do
administrador.

Características atribuídas aos tributos:


»» São devidos a um ente público (União, Estado ou Município).

»» Tem fundamento jurídico no poder soberano do ente que tributa.

»» Tem como finalidade servir de meio para atendimento às necessidades financeiras do


Estado de modo que este possa realizar sua função social.

O que são impostos?

De acordo com Sandroni (1999), o Importo de Renda é o tributo cobrado das pessoas físicas
e jurídicas sobre os rendimentos auferidos no exercício de suas atividades profissionais ou
comerciais, ou ainda sobre os rendimentos resultantes da aplicação de seus capitais. O Imposto de
Renda no Brasil foi criado pelo presidente Artur Bernardes, em 1922, sendo a primeira cobrança
feita sobre o exercício financeiro de 1924. O Imposto de Renda é direto e progressivo, isto é, incide
diretamente sobre uma pessoa física ou jurídica e a taxação é progressivamente proporcional ao
valor do rendimento. Por isso, é considerado o imposto mais justo. O sistema de arrecadação,
apesar das constantes mudanças feitas, sustenta-se em duas bases: o imposto arrecadado na fonte
e o imposto lançado. O imposto arrecadado na fonte é retido e recolhido pelas fontes pagadoras
do rendimento, enquanto o lançado baseia-se na declaração do contribuinte.

47
AULA 3 • Sistemas Econômicos

O que são taxas?

De acordo com o art. 77 do Código Tributário Nacional, as taxas cobradas pela União, pelos
Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições
“têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou
potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua
disposição”.

Podemos observar que, as taxas exigem uma atuação estatal direta em relação ao contribuinte
e o seu valor deverá limitar-se ao custo do serviço, sob pena de seu excesso configurar imposto.

Saiba mais

O Governo correndo atrás do rabo do déficit público, por J. Carlos de Assis


Uma das lições que os banqueiros e financistas universais martelaram com maior eficácia nas mentes dos cidadãos do
mundo é a que trata como crime fiscal a realização de déficits públicos. Neste exato momento, no Brasil, estamos vendo isso.
Por conta de um mísero déficit programado de R$ 30,5 bilhões para o próximo ano, insignificante em relação ao conjunto das
contas públicas, desaguou sobre o Planalto uma série de ataques virulentos como se o Governo tivesse perdido o controle da
situação fiscal.

Primeiro vamos aos conceitos. Déficit é quando o Governo gasta mais do que arrecada. Para cobrir a diferença, toma
recursos emprestados ao setor privado. Qual é a consequência disso para o conjunto da economia? A resposta correta é:
depende. Se a economia está aquecida, isto é, em pleno emprego, o déficit pode gerar inflação, pois haverá mais dinheiro na
praça do que produtos e serviços a serem comprados. Aliás, este é o único caso em que os monetaristas tem razão quando
criticam uma política fiscal expansiva.

Vamos sofisticar um pouco mais o raciocínio para lidar com algum rigor com esse objeto de manipulação. De onde o
setor privado tira dinheiro para emprestar ao Governo, comprando seus títulos? A resposta a essa questão é muito curiosa
porque o setor privado tira justamente do próprio Governo num giro bastante interessante das finanças públicas. Numa
palavra, o setor privado pega títulos que tem em estoque, vende-os ao BC realizando os altos juros neles embutidos, e o BC
disponibiliza a juros baixos o dinheiro para a compra dos novos.

Até aqui, quem ganha na parada? Mais uma vez, depende da situação. Se os recursos correspondentes ao déficit público
são injetados pelo Governo numa economia em recessão, o resultado, provavelmente, é uma expansão do emprego e de
toda economia. Sim, porque o Governo terá mobilizado recursos que estavam paralisados nas mãos do setor privado e os
internalizado na economia sob a forma de gastos públicos de infraestrutura e de serviços governamentais, como saúde,
educação e segurança.

Se estamos numa recessão profunda como agora – estou projetando nada menos que uma contração de cerca de 5% este
ano, o FMI calcula 3% -, por que financistas, neoliberais, “ortodoxos” e outros exemplares da selva de economistas radicais
de direita são tão visceralmente contra déficits públicos, mesmo com a economia em recessão? Simplesmente porque há um
deslocamento da renda real em favor dos pobres, beneficiários em primeiro lugar dos gastos públicos. Reação cruel, mesmo
porque, financeiramente, os ricos não são prejudicados.

Essa questão está no centro da arquitetura financeira ocidental. A chegada da China como ator relevante nesse cenário talvez
seja a oportunidade histórica para o início de uma mudança. A forma como a China opera suas finanças é completamente
diferente da ocidental. Não existe essa ideia estúpida, ridicularizada desde Keynes, segundo a qual é preciso fazer poupança
(superávit) antes de  investir. O processo, e a China ensina isso, é inverso: o agente econômico, público ou privado, primeiro
deve investir para depois buscar o suporte da poupança.

48
Sistemas Econômicos • AULA 3

Entretanto, talvez o leitor esteja interessado nos dados concretos da proposta orçamentária de 2016 que levaram à imensa
grita contra o déficit público. Ei-los: o montante somado dos orçamentos fiscal e da Seguridade se eleva a R$ 2 trilhões 118
bilhões. O déficit projetado de R$ 30,5 bilhões é 1,4% disso, isto é, insignificante. Mesmo se a economia estivesse em marcha
forçada um excesso de gasto público dessa ordem dificilmente provocaria inflação ou qualquer outro efeito nefasto na vida
real dos brasileiros. Claro, há o impacto do déficit nas decisões das agências de risco de desclassificar o Brasil. Contudo, isso
só interessa à TV Globo, sendo irrelevante para a economia.

Entretanto, estamos em profunda recessão. O déficit deveria ser uma ação deliberada do Governo para revertê-la, e não uma
maldição conforme passou a considerá-lo. Em lugar de explicar o déficit, o Governo decide correr desesperadamente atrás
de aumento de impostos para equilibrar o maldito orçamento. É um segundo erro. Numa situação de recessão profunda não
se deve aumentar impostos, inclusive impostos justos. E a alternativa não é, jamais, cortar mais gastos, que agravam ainda
mais a contração. A saída é justamente mais déficit, num reconhecimento de suas virtudes para a economia e para os pobres,
e não a corrida inútil para fechá-lo a qualquer custo como o cachorro que corre atrás do rabo.

Francamente, não sei por que Levy está seguindo o caminho suicida, se por ignorância ou má fé. Desconfio da segunda
hipótese em função de sua origem de pajem de banqueiro. O cipoal armado em torno do déficit talvez tenha uma função
útil: unir o setor produtivo, trabalhadores e empresários, numa proposta comum de retomada do emprego e do crescimento
econômico. Acho isso possível na medida em que a alternativa seria tenebrosa: numa situação de instituições derretidas, se
as classes sociais não se entenderam é possível que terminem em conflito generalizado, do qual só se salvarão os banqueiros.
J. Carlos de Assis - Jornalista, economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor, entre outros livros de economia política, do recém-lançado “Os Sete
Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo.

Fonte: <http://jornalggn.com.br/noticia/o-governo-correndo-atras-do-rabo-do-deficit-publico-por-j-carlos-de-assis>. Acesso em: 11/8/2016.

Sintetizando

Vimos até agora:

»» Nesta aula, foram apresentadas as principais características de Sistemas Econômicos, que independentemente de
questões sócio-políticas possuem conjuntos de instituições e agentes que operam trocando entre si terra capital e trabalho
e moeda.

»» Foram abordadas as principais questões referentes aos mercados, seus agentes e sistemas de operação. Foi demonstrado
que em um mercado livre, ou seja, sem interferência dos governos, os consumidores decidem o que será produzido.
Quando há alguma mudança nas preferências dos consumidores, os produtores precisam alocar os recursos para oferecer
aquilo que os consumidores desejam e podem comprar. Esta situação é oposta aos mercados em concorrência imperfeita
onde uma dos agentes determina o comportamento de uma imensa maioria, a qual tem de se adaptar às diretrizes
estabelecidas por estes agentes dominantes.

»» Diferentemente da Microeconomia, foram vistos, na Macroeconomia, os agregados econômicos, em que a unidade de


referência é o todo e não suas partes individualizadas.

»» Você também pode identificar a importância da contribuição exigida de cada indivíduo para as despesas do estado, por
meio das receitas geradas por impostos, taxas e contribuições nas esferas governamentais do Brasil.

49
Aula
Instrumentos de Política
Econômica 4
Apresentação

Para procurar atingir as metas da economia, o governo lança mão de uma série de políticas
econômicas, pensadas no universo da Macroeconomia. São elas: política fiscal, política monetária
e política cambial. A primeira trabalha com as questões de impostos monetária e cambial. A
política fiscal pode ser dividida em duas grandes partes: a política tributária e a política de gastos
públicos. Já a política monetária, visa controlar a quantidade de moeda em circulação e, por último,
a política cambial gerencia a taxa de câmbio, que é o valor de uma moeda estrangeira em relação
a outra moeda estrangeira. Nesta aula, você também verá o conceito da Lei de Responsabilidade
Fiscal, que é atualmente o principal instrumento regulador das contas públicas no Brasil, tendo
como ponto central a obrigatoriedade de os governantes assumirem compromissos com a
arrecadação e Gastos públicos. Boas leituras!

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

»» Compreender a amplitude da política econômica.

»» Identificar os instrumentos e impactos da política fiscal.

»» Identificar os instrumentos e impactos da política monetária.

»» Identificar os instrumentos e impactos da política cambial.

»» Compreender a importância da Lei de Responsabilidade Fiscal.

50
Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

Política econômica

A esta altura na nossa trajetória, você deve estar se perguntando como o governo então faz tudo
funcionar, como ele atua na prática, como ele faz uma imensa engrenagem como o nosso Brasil
de magnitude continental funcionar. Estas ações governamentais, planejadas no sentido de
garantir estabilidade, eficiência, crescimento e desenvolvimento recebem o nome de política
economia, que é executada pelo próprio governo e pelo Banco Central. 

A política econômica é determinada por um conjunto de medidas governamentais, que atuam


sobre a Economia do país. Consiste na determinação dos setores ou polos econômicos, que
prioritariamente devem ser impulsionados e desenvolvidos, mediante apoio técnico, financeiro
ou fiscal. Como não é possível atuar de forma efetiva em todos os campos da Economia, o
governo deve priorizar determinados setores que mais necessitam da ação do Estado e canalizar
recursos orçamentários para apoiar uma ação, que deve ser minuciosamente estudada para que
os recursos sejam aplicados de forma eficiente e eficaz.

Além das funções sociais de educação, saúde e justiça, o governo detém responsabilidade sobre
a economia do país, mesmo quando o sistema dominante é o de mercado, ou liberal.

Vamos recordar que as principais metas das políticas econômicas são:

»» Alto nível de emprego.

»» Estabilidade de preços.

»» Eficiência.

»» Distribuição de renda socialmente justa.

»» Crescimento econômico.

Para que estas metas sejam atingidas, o governo adota alguns instrumentos de políticas
econômicas, as quais têm como última função a de estabilizar/controlar os grandes agregados
macroeconômicos. A política econômica envolve a atuação do governo sobre a capacidade
produtiva (oferta agregada) e despesas planejadas (demanda agregada), com o objetivo de
permitir que a economia opere em pleno emprego, com baixa taxa de inflação e uma distribuição
justa de renda. Dentro dessa função do setor público, os principais agregados econômicos
são: taxa de juros, crescimento econômico, nível de preços, taxa de desemprego e taxa
de câmbio.

Assim, para que esses objetivos do setor público sejam alcançados de forma eficaz, o governo
utiliza-se de um conjunto de políticas e instrumentos econômicos destacados a seguir.

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AULA 4 • Instrumentos de Política Econômica

Política monetária

A política monetária tem como objetivo controlar a oferta de moeda na economia. Determinar
a quantidade de moeda (dinheiro) na economia é função do Conselho Monetário Nacional
(CMN ), com participação do Banco Central do Brasil (BACEN). Ao determinar a quantidade de
dinheiro, tem-se a formação da taxa de juros, ou seja, a taxa de juro pode ser simplificadamente
interpretada como sendo o “preço do dinheiro”.

O que é Moeda?

Deparamo-nos todos os dias com questões que envolvem moedas. Para iniciarmos o nosso
estudo sobre moeda, vamos voltar um pouco na história por meio do Texto apresentado no livro
“Moeda, de onde veio para onde foi” (GALBRAITH, 1997 p.5).

Selecionamos alguns autores renomados para entendermos o conceito de moeda:

Moeda é a representação concreta do dinheiro. Consiste numa terceira mercadoria,


convencional e representativa do valor de troca dos bens e mercadorias,
destinando-se a decompor a troca em compra e venda. (GASTALDI, 2000, p.227).

De acordo com o Dicionário de Economia, a moeda é um signo de valor. A mais


antiga representação do dinheiro, muitas vezes empregada como sinônimo
(SANDRONI, 1999).

Uma moeda corrente, ou dinheiro, pode ser qualquer coisa em que as pessoas
confiam e que utilizam como meio de realizar comércio ou trocas (SPARROWE,
2003, p. 61).

De acordo com SPARROWE (2003), as primeiras moedas padronizadas podem ter sido pequenos
pedaços de eletro, um liga natural de ouro ou prata utilizada na Lídia, atual Turquia, em 600 a.C.
O rei da Lídia garantia a uniformidade dos pedaços por meio da autorização da impressão de um
desenho de cada um. Como vimos, ao longo da história muitos outros meios foram utilizados.

Para entender melhor o que é moeda, você irá conhecer os tipos de moedas existentes, de acordo
com Sandroni (1999).

»» Moeda-chave: moeda utilizada como padrão para o cálculo de paridade entre duas
moedas. Em lugar de se calcular diretamente a cotação de uma moeda em relação a
outra, faz-se a conversão das duas em uma terceira, a moeda-chave. Ex.: nas transações
comerciais internacionais, costuma-se utilizar o dólar como moeda-chave.

»» Moeda conversível: moeda que, de acordo com os termos de sua emissão e durante
a vigência do padrão-ouro ou do padrão-câmbio ouro, podia ser convertida numa
determinada cotação fixa, em ouro monetário ou em moedas fortes. Ex.: o dólar e a libra.

52
Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

»» Moeda de boa lei (Bona Monetas): esta expressão admite dois sentidos: 1) quando o
toque e o peso de uma moeda corresponde àquele que a lei lhe determina; 2) quando
tem credibilidade no mercado. Ex.: a expressão “pagamento em bona monetas” significa
pagamento realizado com moeda de boa lei.

»» Moeda corrente: constitui no dinheiro legalmente autorizado a circular no país como


meio de pagamento, em geral emitido (células de papel-moeda) ou cunhado (moedas
metálicas) pelo próprio governo. Ex.: nosso Real em papel e em moeda.

»» Moeda escritural: é a ordem de pagamento que se originou da generalização do uso do


papel moeda. Ex.: a abertura de uma conta-corrente por meio de determinado depósito
em dinheiro permite a qualquer pessoa movimentar esse fundo depositado no banco
utilizando, por exemplo, o cheque.

»» Moeda estrangeira: moeda de outro país, que pode ou não ser cotada em relação à moeda
corrente na tabela de câmbio que regula as transações internacionais.Ex.: o poder de
compra das moedas estrangeiras é expresso pela taxa cambial, fixa ou livre, que tende a
refletir a efetiva relação de troca existente entre as distintas moedas de diferentes países.

»» Moeda forte: a que apresenta facilidade de circulação e conversibilidade nas transações


internacionais, por oferecer ampla garantia como meio de pagamento ou reserva de
valor. Ex.: entre as moedas fortes mais utilizadas até a década de 1970 destacam-se o
dólar norte-americano, a libra esterlina e o marco alemão, que ainda mantêm relativa
paridade com o padrão câmbio ouro e servem de referência nas cotações cambiais em
todo o mundo.

»» Moeda fraca: aquela que circula com dificuldade no mercado internacional ou nem
mesmo é aceita como meio de pagamento em operações de comércio exterior. Ex.: nesse
caso, incluem-se praticamente todas as moedas dos países subdesenvolvidos.

»» Moeda internacional: qualquer moeda aceita internacionalmente como forma de


pagamento. Até a Segunda Guerra Mundial, a libra, como moeda forte, era a mais aceita
internacionalmente, sendo substituída de forma gradual pelo dólar norte-americano.
Ex.: qualquer moeda forte (iene japonês, marco alemão etc.) pode ser utilizada em
pagamentos internacionais, devido a sua procura nas casas de câmbio e a sua relativa
estabilidade.

Além desses tipos de moedas, uma ferramenta muito utilizada nos dias atuais para as trocas
comerciais é o plástico, na forma de cartões de crédito e cartões para transações em caixas eletrônicos.
Segundo Sparrowe (2003), graças a uma complexa rede de comunicações computadorizada, ou
seja, a informatização, uma pessoa de Chicago de férias no Rio de Janeiro, no Brasil, pode acessar
suas contas bancárias e, em segundos, receber dinheiro em moeda local, utilizando a taxa de
conversão apropriada.

53
AULA 4 • Instrumentos de Política Econômica

Quais são as funções básicas da moeda?

Para Gastaldi (2002), as funções básicas da moeda são três:

1. Unidade de conta: a moeda serve para comparar o valor de mercadorias diversas (os
diversos bens e serviços são expressos em quantidade de moeda, por meio dos preços).
Além disso, a moeda resolve o problema de se somar coisas distintas, embora os preços
de diferentes produtos e mercadorias guardem entre si relação. Um quilo de café
corresponde, por exemplo, a quatro litros de gasolina.

2. Meio de troca: significa que a compra e venda de bens e serviços opera-se com a utilização
de moeda. São comprados por moeda e vendidos em troca de moeda, mesmo sem
necessidade de transferência física de meio circulante. Entende-se que a moeda serve
como meio de troca, aceitação, obrigatória num país ou região. Ex.: o Real no Brasil, a
libra na Inglaterra etc.

3. Reserva de valor: um indivíduo que recebe moeda por alguma transação que tenha
realizado, ou até mesmo, como prêmio, não precisa gastá-la imediatamente. Pode
guardá-la para uso posterior. Isto significa que ela serve como reserva de valor. Para que
se cumpra seu papel, é necessário que tenha valor estável, de forma que quem a possua
tenha ideia precisa do quanto pode obter em troca.

Verifica-se, pelo exposto, que os tipos e as funções da moeda são de grande importância para a
atividade econômica. Sem elas não existiria a troca de bens e serviços. Como estamos tratando
de serviços, temos que nos atentar aos serviços públicos. De que forma está sendo utilizada a
moeda nos serviços públicos?

A lógica da política monetária consiste em controlar a oferta de moeda (liquidez) para determinar
a taxa de juros de referência do mercado. Nesse sentido, o Banco Central, seja qual for o país,
eleva a taxa de juros, enxugando (diminuindo) a oferta monetária, e a reduz atuando de forma
inversa.

Cabe destacar que em um sistema econômico, moeda representa os meios de pagamentos.


Estes, na sua forma mais líquida, podem ser representados pelo papel-moeda e pelos depósitos
à vista nos bancos comerciais. Tanto as cédulas/moedas metálicas quanto os valores existentes
em contas bancárias representam os meios de pagamentos.

A política monetária, ao controlar os meios de pagamentos, está visando estabilizar o nível de


preços geral da economia. Os governos que necessitam diminuir a taxa de inflação reduzem a
oferta de monetária e aumentam a taxa de juros. Esse mecanismo controla os níveis de preços.
Mas, se a taxa de juros permanece elevada por um período longo, a economia pode deixar de ter
um crescimento econômico, redundando, assim, em baixos níveis de emprego.

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Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

Tipos de demanda de moeda:

»» Transação: necessidade que os agentes têm de possuírem moeda para efetuar suas
transações.

»» Precaução: procura de moeda por parte da sociedade para fazer frente a eventuais
compromissos não previstos.

»» Especulação: que se verifica quando o agente econômico fica esperando uma oportunidade
de aplicação interessante. Enquanto essa oportunidade não se verifica, o agente fica
“posicionado” em moeda.

Variáveis que influenciam a demanda por moeda:

»» Crescimento do país que aumenta a transação de bens e serviços, sendo necessária mais
moeda para a comercialização.

»» Taxas de juros, pois, caso estas aumentem, mais moeda será investida em busca dos juros.

»» Inflação, pois, à medida que os preços aumentam, a necessidade de moeda para transação
também aumenta em termos nominais.

a. Politica Monetária Restritiva: engloba um conjunto de medidas que tendem a reduzir


o crescimento da quantidade de dinheiro e a encarecer os empréstimos pois com
menos dinheiro no mercado, a taxa de juros fica mais elevada. Vale lembrar que o juro
é conhecido como o “preço do dinheiro” e é mais alto quanto mais alta for a incerteza.

b. Politica Monetária Expansiva: é formada por aquelas medidas que tendem a acelerar
o crescimento da quantidade de dinheiro e a baratear os empréstimos (baixar as taxas
de juros).

O BACEN pode alterar os meios de pagamento (oferta de moeda) utilizando-se de quatro


instrumentos.

Operação de mercado aberto (Open Market)

As operações de mercado aberto são caracterizadas pela compra e venda de títulos públicos
do BACEN no mercado. Esses títulos podem ser de emissão própria ou em geral do Tesouro.
Quando, por exemplo, o Banco Central vende título no mercado, recebe o pagamento em Reais
e está ofertando um ativo menos líquido (títulos) e retirando do mercado um ativo mais líquido
(moeda). Essa operação, realizada em grande escala, tem como finalidade diminuir a oferta
monetária e consequentemente aumentar a taxa de juros e com isso controlar o nível de preços.

Depósito compulsório
São depósitos sob a forma de reservas bancárias que cada banco comercial é obrigado legalmente
a manter junto ao Banco Central. É calculado como um percentual sobre os depósitos à vista

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AULA 4 • Instrumentos de Política Econômica

nos bancos comerciais. Quanto maiores os depósitos compulsórios, maior o nível de reservas
obrigatórias dos bancos junto ao Banco Central. Os recursos destinados aos empréstimos sofrem
uma diminuição e provocam com isso a criação de moeda bancária (valores depositados nos
bancos). A taxa de juros sofre um aumento, sendo o inverso também verdadeiro. Para diminuir a
liquidez do sistema financeiro, o Banco Central eleva a taxa de compulsório. Com menos recurso
para emprestar dos bancos comerciais, o crescimento da economia como um todo é afetado.

Redesconto bancário

A assistência financeira de liquidez ou redesconto é o mecanismo pelo qual o BACEN socorre


instituições financeiras com problemas de liquidez. O redesconto é o empréstimo que os bancos
comerciais recebem do BACEN para cobrir eventuais problemas de liquidez. A taxa cobrada
sobre esses empréstimos é chamada de taxa de redesconto. Um aumento da taxa de redesconto
indica que os bancos sofrerão maiores custos, caso tenham problema de liquidez. Neste caso,
as instituições irão aumentar suas reservas e diminuir o crédito, aumentando o custo para se
obter meios de pagamento, ou seja, a taxa de juros.

Controle e seleção de crédito

Um instrumento não muito convencional, mas às vezes utilizado pelo Banco Central, refere-se
ao controle direto sobre o crédito. Este pode estar relacionado ao volume de crédito, ao prazo
e destinação do crédito. Este instrumento pode gerar distorções no livre funcionamento do
mercado de crédito, e até desestimular a atividade de intermediação financeira.

Assim, por exemplo, se o objetivo é controle da inflação, a medida apropriada de política monetária
seria diminuir o estoque monetário da economia (por exemplo, aumento da taxa de reservas
compulsórias, ou compra de títulos no open market). Se a meta é o crescimento econômico, a
medida adotada seria o aumento do estoque monetário.

Política fiscal

O principal instrumento de política econômica do setor público refere-se à política fiscal. Esta,
por sua vez, consiste na elaboração e organização do orçamento do governo, o qual demonstra
as fontes de arrecadação e os gastos públicos a serem efetuados em um determinado período
(exercício). A política fiscal visa atingir a atividade econômica e assim alcançar dois objetivos
inter-relacionados, a saber, estimular a produção, ou seja, o crescimento econômico e combater,
se for o caso, a elevada taxa de desemprego. O financiamento do deficit do setor público também
é um fator de preocupação da política fiscal.

A política fiscal pode ser dividida em duas grandes partes: a política tributária e a política de
gastos públicos. Quando o governo aumenta os gastos, diz-se que a política fiscal é expansionista;

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Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

caso contrário, tem-se uma política fiscal contracionista. A política fiscal será expansionista ou
contracionista dependendo do que o governo está pretendendo atingir com a política de gastos.
No outro lado da política fiscal, o governo pode atuar sobre o sistema tributário de forma a
alterar as despesas do setor privado (entre bens, entre consumo e investimento etc.), a incentivar
determinados segmentos produtivos e assim por diante. A conjugação de despesas e receitas
conduz ao conceito do deficit público. Os principais instrumentos da política fiscal são:

Imposto (receita)
Os impostos podem ser classificados em duas categorias:

Impostos diretos: incidem diretamente sobre a renda das unidades familiares e das empresas.
Ex.: IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física); IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica).

Impostos indiretos: são tributos que oneram as transações intermediárias e finais. São incorporados
ao processo produtivo e, portanto, incidem indiretamente sobre o contribuinte (consumidor).
Ex.: ICMS, ISS, CONFINS, PIS.

Despesas do governo (gastos)


As despesas do governo podem ser divididas em:

»» Consumo: gastos com salário, administração pública, funcionalismo civil e militar.

»» Transferências: benefícios pagos pelos institutos de previdência social, sob a forma de


aposentadoria, salário-escola, FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

»» Subsídios: são pagamentos feitas pelo governo a algumas empresas públicas ou privadas.

»» Investimentos: gastos com aquisição de novas máquinas, equipamentos, construção


de estradas, pontes, infraestrutura.

As políticas monetária e fiscal representam meios alternativos diferentes para as mesmas


finalidades. A política econômica deve ser executada por meio de uma combinação adequada
de instrumentos fiscais e monetários.

Pode-se dizer que a política fiscal apresenta maior eficácia quando o objetivo é uma melhoria
na distribuição de renda, tanto na taxação às rendas mais altas como pelo aumento dos gastos
do governo com destinação a setores menos favorecidos. A política monetária é mais difusa na
questão distributiva.

Uma vantagem frequentemente apontada da política monetária sobre a fiscal é que a primeira
pode ser implantada logo após a sua aprovação, dado que depende apenas de decisões diretas
das autoridades monetárias, enquanto a implementação de políticas fiscais depende de votação
do Congresso, o que aumenta a defasagem entre a tomada de decisão e a implementação das
medidas fiscais.

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AULA 4 • Instrumentos de Política Econômica

Além disso, por exemplo, se há mão de obra ociosa, uma redução de impostos, pode contribuir
mais rapidamente para a diminuição do desemprego. Também é possível controlar mais
rapidamente a inflação, pois quando há excesso de demanda na economia (demanda maior que
oferta),essa mesma demanda pode ser contraída com redução de gastos públicos e/ou aumento
da carga tributária, a qual contribuiria indiretamente para diminuir o consumo, via redução da
renda disponível.

Preços

No nosso dia a dia deparamos a todo o momento com situações que envolvem preço. Qual o
preço deste carro? Qual preço deste sapato? Quando custa o quilo de pão? E assim por diante.
Nós sabemos que existe um preço que pagamos em moeda (que estudamos anteriormente).
Mas como conceituar preço e como é definido o preço?

Conceito de preços

Em sentido amplo, o conceito expressa relação de troca de mercadorias, ou seja, de bens ou


serviços por outro. Em sentido mais usual e restrito, representa a proporção de dinheiro que se
dá em troca de determinada mercadoria ou serviço, constituído, portanto, a expressão monetária
do valor do bem ou serviço.

Decisões influenciadas pelo preço

Você deve estar se perguntando: mas que decisões são essas que influenciam os preços? São
inúmeras dentro do sistema econômico com um todo. E, para facilitar o nosso aprendizado,
listamos a seguir, de acordo com Sandroni (2002, pp. 487-488), algumas funções e decisões que
são necessárias para o controle de preços na economia.

No sistema econômico do livre comércio, os preços têm a função de aglutinar as decisões de


milhões de indivíduos de interesses muitas vezes competitivos, assegurando coerência à economia
como um todo. Considerando as variações dos preços, os agentes econômicos podem decidir
pelos bens ou serviços que suas empresas devem produzir, sobre a quantidade desses bens etc.

O comportamento dos consumidores é também considerado nessas decisões: os empresários


sabem que esses pagam mais por bens que lhes tragam grande satisfação e menos por artigos
pouco satisfatórios.

Outro tipo de decisão influenciada pelos preços diz respeito à distribuição dos recursos ou
fatores entre os produtores. Se o preço de determinado produto é elevado, os empresários obtêm
bom lucro, podem remunerar melhor os fatores de produção que utilizam e atraem para seu
empreendimento fatores e recursos de outros setores.

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Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

Além disso, os preços podem funcionar como freio ou estímulo ao consumo.

E não podia faltar, a atuação dos órgãos governamentais sobre a fixação dos preços também é
indireta. Normalmente, contribuem para o aumento da oferta de determinado bem por meio
de importação, provocando a baixa do preço. Ou, então, restringem essa oferta mediante
estocagem ou exportação, favorecendo a alta dos preços. Mas durante as guerras e outros
períodos de crise, o Estado intervém diretamente: a distribuição dos bens escassos entre os
consumidores deixa de ser feita de acordo com as regras econômicas, obedecendo a outras
determinações.

Com base nas decisões assumidas no mercado, nos deparamos que as seguintes espécies
de preço:

»» Preço corrente: estabelecido normalmente no mercado de oferta e da demanda.

»» Preço justo: resultante da troca acrescida de percentagem de tendência natural manifestada


pelo produtor para obter sempre maior vantagem, enquanto o consumidor procura
pagar sempre o menor preço, ato estimulado pelos governos em fases de estabilidade
econômica.

»» Preço natural: representado pelo valor intrínseco do produto, correspondendo a seu


custo de produção, menos vulnerável às oscilações do mercado, é também conhecido
por preço normal.

»» Preços administrados: são aqueles controlados por órgãos governamentais e não pelas
forças do mercado.

»» Preço convencional: determinado pela vontade das partes.

»» Preço legal: estabelecido por força da lei, quando a economia esta submetida a normas
de controle e taxação de preços.

»» Preço de produção: representativo do pagamento das despesas havidas com os agentes


de produção (materiais, mão de obra, maquinas etc.).

»» Preço de monopólio: fixado pelo produtor de um bem sem concorrência no mercado.

»» Preço dirigido: conhecido também como fixado oficialmente pela autoridade


governamental.

»» Preço livre: começa a vigorar após sua formação sem quaisquer impedimentos de ordem
legal (GASTALDI, 2002).

Se você observar bem, quase todos os preços são praticados hoje em dia, isto depende de cada
momento da economia.

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AULA 4 • Instrumentos de Política Econômica

Inflação

Ouve-se a todo o momento falar sobre inflação, mas o que é inflação?

Vasconcellos (2006) define inflação como um aumento persistente e generalizado no índice de


preços, ou seja, os movimentos inflacionários são aumentos contínuos de preços e não podem ser
confundidos com altas esporádicas de preços, devido a flutuações sazonais, por exemplo. Esses
aumentos devem ser generalizados, com todos os bens participando da escala de preços altos.

De acordo com Vasconcelos (2006), classicamente estuda-se a questão inflacionária distinguindo


a inflação provocada pelo excesso de demanda agregada (inflação de demanda) da inflação por
elevação de custos (inflação de custos) e da inflação devida aos mecanismos de indexação de
preços (inflação Inercial).

»» Inflação de demanda: refere-se ao excesso de demanda agregada em relação à produção


disponível de bens e serviços (oferta agregada) na economia. É causada pelo crescimento
dos meios de pagamento, que não é acompanhado pelo crescimento da produção.
Ocorre apenas quando a economia está próxima do pleno-emprego, ou seja, não se
pode aumentar substancialmente a oferta de bens e serviços em curto prazo.

»» Inflação de custos: liga-se a uma inflação tipicamente de oferta. Tem suas causas nas
condições de oferta de bens e serviços na economia. O nível da demanda permanece o
mesmo, mas os custos de certos fatores importantes aumentam, levando à retração da
oferta e provocando um aumento dos preços de mercado.

»» Inflação inercial: é o nome que se dá ao processo automático de realimentação de


preços; é a aquela em que a inflação presente é uma função da inflação passada.
Deve-se à inércia inflacionária, que é a resistência que os preços de uma economia
oferecem às políticas de estabilização que atacam as causa primárias da inflação. Seu
grande vilão é a “indexação”, que é o reajuste do valor das parcelas de contratos pela
inflação do período passado.

Exemplo de inflação:

Em um país com inflação de 20% ao mês, você compra 1 quilo de feijão em um mês e paga R$ 3,00.
No mês seguinte, para comprar a mesma quantidade de feijão, você necessitará desembolsar R$
3,60. Como o seu salário não é reajustado mensalmente, o poder de compra vai diminuindo. No
final de um ano, se a inflação persistir neste patamar, o seu salário perdeu 240% do valor de compra.

Segundo Vasconcellos (2006 p.184), as fontes de inflação costumam ser diferentes em função
das condições de cada país:

»» Tipo de estrutura de mercado: (oligopolista, concorrencial, monopolista etc.) que


condiciona a capacidade dos vários setores de repassar aumentos de custos aos preços
dos produtos.

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Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

»» Grau de cobertura da economia ao comércio exterior: quanto mais aberta a economia


à competição externa, maior a concorrência interna entre fabricantes e menores os
preços do produtos.

»» Estrutura das organizações trabalhistas: quanto maior o poder de barganha dos sindicatos,
maior a capacidade de obter reajustes de salários acima dos índices de produtividade e
maior a pressão sobre os preços.

O Brasil passou por períodos de inflações incontroláveis, convivíamos com hiperinflações de


acordo com a tabela abaixo.

Tabela 2. Taxa anual de inflação.

Ano % Ano %
1970 19,3 1980 110,2

1971 19,5 1981 95,1

1972 15,8 1988 99,7

1973 15,8 1983 211

1974 34,6 1984 223,8

1975 29,4 1985 235,1

1976 46,2 1986 65

1977 38,8 1987 415,8

1978 40,8 1988 1037,6

1979 77,2 1989 1782,9

Fonte: IGP/FGV (Índice Geral de Preços – FGV) apud Bresser Perreira (1991).

De 1970 a 1973, a inflação apresentou uma persistente tendência de queda. Houve uma rígida
política monetária, fiscal e salarial que mudou o patamar de cerca de 100%, para 15,8% em 1973.

A partir de 1973, inicia-se a crise mundial do petróleo e, com isso, a economia brasileira sentiu
os reflexos e sua inflação começou a crescer.

Ao longo dos anos 1970 até 1980, as acelerações das taxas de inflação são explicadas por causa de:

»» Elevados gastos públicos com programas de substituição de importações na área


de energia, aço, bens de capital e mineral não ferroso, ocorrido na gestão Geisel
(VASCONCELOS, 2006).

»» Elevação da dívida pública externa devido ao aumento tanto do principal (ano 1970)
como das taxas de juros internacionais (inicio dos anos 1980) (VASCONCELOS, 2006).

Nos anos de 1987/1988/1989, o Plano Cruzado e Plano Cruzado II seguidos dos Planos Bresser,
Verão no Governo Sarney, e mais tarde o Plano Collor, todos utilizaram o congelamento de preços
e salários para tentar conter o processo inflacionário brasileiro, e não obtiveram nenhum sucesso.

61
AULA 4 • Instrumentos de Política Econômica

Já em 1994, no Governo Itamar Franco, tendo como Ministro da Fazenda Fernando Henrique
Cardoso, implantou-se o Plano Real. Esse, contudo, representou um avanço em relação aos planos
anteriores, reconhecendo que as principais causas da inflação brasileira estavam no desequilíbrio
do setor público e nos mecanismos de indexação (VASCONCELOS, 2006).

Em 1999, surgem as metas de inflações (inflation target) que passaram a ser a nova âncora
monetária. As autoridades monetárias se comprometeram a cumprir as metas de inflação
estabelecidas no corrente ano e também para os próximos anos.

Desde 1999 até os dias atuais a equipe econômica do governo vem trabalhando com a meta de
inflação. Podemos obser que as metas foram atingidas em sua maioria, pois temos os limites
inferiores e superiores. Mas os melhores anos foram 2006, 2007 e 2009. Lembrando que a partir
de 2009 uma crise mundial assolou inúmeros países e o Brasil continua firme para cumprir a
sua meta de inflação e o crescimento da economia.

Quais são os índices que medem a inflação?

No Brasil, os principais índices que medem a inflação são:

»» IGP – Índice Geral de Preços (Fundação Getúlio Vargas).

»» IPC – Índice de preços ao consumidor (FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas


Econômicas).

»» INPC – Índice Nacional de Preços ao consumidor (IBGE).

»» IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IBGE).

Política cambial

Considerando que a política econômica é um tripé, o terceiro ponto é a política cambial,


importante instrumento pois o mundo é um mercado global, e todos os países atuam de maneira
interdependente, embora muitas tentativas de união não tenham se mostrado eficientes.

A determinação da taxa de câmbio, que é a medida de conversão de uma moeda em outra moeda
(no caso brasileiro, a taxa de câmbio tem como referência o valor do dólar norte-americano) e
pode ocorrer de dois modos: institucionalmente, pela decisão de autoridades econômicas com
fixação periódica das taxas (taxas fixas de câmbio), ou pelo funcionamento do mercado, no qual
as taxas flutuam automaticamente, em decorrência das pressões de oferta e demanda por divisas
estrangeiras (taxas flutuantes).

A oferta de divisas é realizada tanto pelo os exportadores, que recebem moeda estrangeira em
contrapartida de suas vendas, como por meio da entrada de capitais financeiros internacionais.

62
Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

Como as divisas não podem ser utilizadas internamente, precisa ser convertida em moeda nacional.
Isso é feito pelo Banco Central da seguinte forma: recebe dos importadores do exterior a quantia
em divisas – dólar, por exemplo, retendo-as em seus cofres, e paga, ao exportador nacional em
moeda nacional, em reais, a importância correspondente.

Uma taxa elevada de câmbio significa que o preço da divisa estrangeira está alto, ou que a moeda
nacional está desvalorizada. Assim, a expressão desvalorização cambial indica que houve um
aumento da taxa de câmbio – maior número de reais por unidade de moeda estrangeira. Por sua
vez, valorização cambial significa moeda nacional mais forte, isto é, paga-se menos reais por
dólar, por exemplo, tem – se uma queda na taxa de câmbio.

As taxas de câmbio estão intimamente relacionadas com os preços dos produtos exportados e
importadas e consequentemente, com o resultado da balança comercial do país. Se a taxa de
câmbio se encontrar em patamares elevados, estimulará as exportações, pois os exportadores
passaram a receber mais reais pela mesma quantidade de divisas derivadas da exportação; em
consequência haverá maior oferta de divisas.

Por exemplo: Suponhamos uma taxa de câmbio de 0,90 real por dólar, e que o exportador vendia
1.000 unidades de seu produto a 50 dólares cada. Seu faturamento era de 50.000 dólares ou 45.000
reais. Se o câmbio for desvalorizado em 10%, a taxa de câmbio subirá para 0,99 real por dólar e,
vendendo as mesmas 1.000 unidades, receberá os mesmos 50.000 dólares, só que valendo agora
49.500 reais. Isso estimulará o exportador a vender mais, aumentando a oferta de divisas.

Do lado das importações, a situação se inverte, pois se o preço dos produtos importados se
elevam, em moeda nacional, haverá um desestímulo às importações e, consequentemente, uma
queda na demanda de divisas.

O governo pode atuar por meio da política cambial ou da política comercial. A política cambial
diz respeito a alterações na taxa de câmbio, enquanto a política comercial constitui-se de
mecanismos que interferem no fluxo de mercadorias e serviços.

As políticas cambiais mais frequentes são:

»» Regime de taxas fixas de câmbio.

»» Regime de taxas flutuantes ou flexíveis de câmbio.

»» Regime de Bandas cambiais.

Dentre as políticas comerciais externas, podemos destacar as seguintes:

»» Alterações das tarifas sobre importações.

»» Regulamentação do comércio exterior.

São as políticas que atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia.

63
AULA 4 • Instrumentos de Política Econômica

A política cambial refere-se à atuação do governo sobre a taxa de câmbio. O governo, por meio
do Banco Central, pode fixar a taxa de câmbio.

O mercado de câmbio (divisas) é formado pelos diversos agentes econômicos que compram e
vendem moeda estrangeira conforme suas necessidades. Empresas que vendem mercadorias ou
ações no exterior estão aumentando a oferta de moeda estrangeira, em particular o dólar, pois
sua receita ocorre em moeda estrangeira. Empresas que compram bens ou ações no exterior
estão demandando moeda estrangeira, pois seus gastos ocorrem em dólares. Neste sentido,
o preço da moeda estrangeira em relação à moeda nacional é determinado neste mercado.
Este preço é chamado de taxa de câmbio (R$/US$).

Se o câmbio estiver em R$ 2,50, significa que são necessários R$ 2,50 reais para comprar um
dólar. Se este subir para R$ 3,00 por dólar, ocorreu uma desvalorização da moeda local (real) em
relação à moeda estrangeira (dólar). O preço da moeda estrangeira elevou-se.

Assim, se o preço sobe devido a um aumento da demanda por dólar, dizemos que ocorreu uma
desvalorização do real frente ao dólar. Precisa-se de mais reais para comprar a mesma quantidade
de dólares.

Cabe explicar que as relações econômicas, comerciais e financeiras dos agentes de determinado
sistema econômico, como os agentes de outro sistema econômico (normalmente país), são
registradas na Balança de Pagamentos. Eventuais deficits no Balanço de Pagamentos são
decorrentes do fato de a entrada de divisas (dólares) serem inferior à saída de divisas. Este fato
é resultado de dois desequilíbrios. O primeiro é que se importam bens e serviços menos do que
se consegue exportar, resultando em uma saída de divisas maior do que a entrada. O segundo
desequilíbrio é causado pelo lado financeiro, onde não se consegue atrair recursos (dólares) em
quantidade suficiente para pagar as contas em dólar.

Lei de Responsabilidade Fiscal

Você agora irá conhecer a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ou Lei complementar no 101,
que é atualmente o principal instrumento regulador das contas públicas no Brasil, contas estas
que vimos nas aulas anteriores, que tem como objetivo estabelecer metas, limites e condições
de uma gestão adequada das receitas e despesas, tendo como ponto central a obrigatoriedade
de os governantes assumirem compromissos com a arrecadação e gastos públicos.

A LRF contém o Relatório de Gestão Fiscal (RGF) e o Relatório Resumido de Execução Orçamentária
(RREO). As informações contidas nesses documentos, além de determinar parâmetros e metas
para a administração pública, permitem avaliar com profundidade a gestão fiscal do Executivo e
do Legislativo. Publicada no dia 4 de maio de 2000, a LRF regulamenta o artigo 163 da Constituição
(OLIVEIRA, 2006).

64
Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

A Lei de Responsabilidade Fiscal trouxe para os municípios uma importante contribuição


para o ajuste fiscal, reforçando o seu potencial tributário, fazendo com que os governantes
desenvolvessem uma política tributária responsável e, cobrando, efetivamente, todos os tributos
que são de sua competência (OLIVEIRA, 2006).

Uma administração transparente e democrática deve mostrar o que fazer e de onde vai tirar os
seus recursos, para que possa contar com a confiança da população, que pagará os seus tributos
de uma maneira mais consciente e motivada (OLIVEIRA, 2006).

De acordo com a Secretária do Tesouro Nacional, (STN) em particular, a LRF vem atender à
prescrição do artigo 163, da CF de 1988, cuja redação é a seguinte:

Lei complementar disporá sobre:

I - finanças públicas;

II - dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais

entidades controladas pelo poder público;

III - concessão de garantias pelas entidades públicas;

IV - emissão e resgate de títulos da dívida pública;

V - fiscalização das instituições financeiras;

VI - operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos

Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

VII - compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União,


resguardadas as características e condições operacionais plenas das voltadas ao
desenvolvimento regional.

A LRF não substitui nem revoga a Lei no 4.320/64, que normatiza as finanças públicas no país
há quase 40 anos. Embora a Constituição Federal tenha determinado a edição de uma nova lei
complementar em substituição à esta lei, não é possível prever até quando o Congresso Nacional
concluirá os seus trabalhos em relação ao projeto já existente.

Qual o objetivo da LRF?

De acordo com Oliveira (2006), a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) tem como objetivo melhorar
a responsabilidade na gestão fiscal dos recursos públicos. Todos os governantes passam a se
responsabilizar pelo orçamento e pelas metas que possibilitem prevenir riscos e corrigir desvios
capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, reforçando os alicerces do desenvolvimento
econômico sustentado, sem inflação para financiar o descontrole de gastos do setor público,

65
AULA 4 • Instrumentos de Política Econômica

sem endividamento excessivo e sem a criação de artifícios para cobrir os buracos de uma má
gestão fiscal.

Quais são os órgãos envolvidos?


Executivo, Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas e o Ministério Público, nos níveis federal,
estadual e municipal.

E a sociedade poderá contribuir para o sucesso da LRF (Lei de


responsabilidade Fiscal)?
Por meio da transparência na gestão pública, todo o cidadão tem o direito de saber onde e
como está sendo gasto o dinheiro público. Diante desta transparência, todo governante terá que
publicar o Relatório de Gestão Fiscal (RGE) e o relatório Resumido de Execução Orçamentária
(RREO), em linguagem simples e objetiva. O acesso público será amplo, inclusive por meio
eletrônico. Quadrimestralmente, o Poder Executivo avalia o cumprimento de metas fiscais
em audiência pública. A partir daí, caberá a sociedade cobrar ações e providências de seus
governantes (OLIVEIRA, 2006)Nota-se que o cidadão tem a responsabilidade de saber o que esta
ocorrendo no governo federal, estadual e municipal. Mas se você não convoca o cidadão, ele nem
comparecerá. São poucos os que têm conhecimento sobre o LRF e o hábito de acompanhar o
que vem ocorrendo nos órgãos públicos.

A Lei de Responsabilidade Fiscal se apoia em quatro eixos: o planejamento, a transparência, o


controle e a responsabilização.

O Planejamento é aprimorado pela criação de novas informações, metas, limites e condições


para a renúncia de receita e para a geração de despesas, inclusive com pessoal e de seguridade,
para a assunção de dívidas, para a realização de operações de crédito, incluindo ARO, e para a
concessão de garantias.

A transparência é concretizada com a divulgação ampla, inclusive pela internet, de quatro


relatórios de acompanhamento da gestão fiscal, que permitem identificar receitas e despesas:
Anexo de Metas Fiscais, Anexo de Riscos Fiscais, Relatório Resumido da Execução Orçamentária
e Relatório de Gestão Fiscal.

O controle é uma ação fiscalizadora mais efetiva e contínua dos Tribunais de Contas.

A responsabilização deverá ocorrer sempre que houver o descumprimento das regras, com a
suspensão das transferências voluntárias, das garantias e da permissão para a contratação de
operações de crédito, inclusive ARO. Os responsáveis sofrerão as sanções previstas na legislação
que trata dos crimes de responsabilidade fiscal.

Não sofrerão qualquer restrição o pagamento do serviço da dívida e as transferências voluntárias


relativas a ações nas áreas de educação, saúde e assistência social. Nesse último caso, objetiva-se

66
Instrumentos de Política Econômica • AULA 4

proteger a população do município contra os descumprimentos da lei pelas autoridades (KLAIR,


2000).

Finalizando, lembre que os objetivos das políticas econômicas muitas vezes são conflitantes. Por
exemplo, muitas vezes para controlar a inflação, aumenta-se a taxa de juros, o que retira moeda
de circulação. O problema é que com juros mais elevados, muitos investidores podem preferir
aplicar o dinheiro num banco do que iniciar um empreendimento que gere empregos. Entretanto
é importante considerar que os objetivos são independentes, mas as políticas econômicas têm
como grande desafio manter todos os objetivos sob controle.

Sintetizando

Vimos até agora:

»» A política econômica é determinada por um conjunto de medidas governamentais, que atuam sobre a Economia do
país. Consiste na determinação dos setores ou polos econômicos, que prioritariamente devem ser impulsionados e
desenvolvidos, mediante apoio técnico, financeiro ou fiscal.

»» A política monetária tem como objetivo controlar a oferta de moeda na economia, tendo como instrumentos o redesconto
dos bancos, as operações de mercado aberto e os depósitos compulsórios.

»» A política fiscal é o principal instrumento de política econômica do setor público. Consiste na elaboração e organização
do orçamento do governo, o qual demonstra as fontes de arrecadação e os gastos públicos a serem efetuados em um
determinado período (exercício). Visa atingir a atividade econômica e assim alcançar dois objetivos inter-relacionados, a
saber, estimular a produção, ou seja, o crescimento econômico e combater, se for o caso, a elevada taxa de desemprego. O
financiamento do deficit do setor público, também é um fator de preocupação da política fiscal.

»» Considerando que a política econômica é um tripé, o terceiro ponto é a política cambial, importante instrumento pois o
mundo é um mercado global, e todos os países atuam de maneira interdependente, embora muitas tentativas de união
não tenham se mostrado eficientes.

»» Lei de Responsabilidade Fiscal é atualmente o principal instrumento regulador das contas públicas no Brasil, contas estas
que vimos nas aulas anteriores, que tem como objetivo estabelecer metas, limites e condições de uma gestão adequada
das receitas e despesas, tendo como ponto central a obrigatoriedade de os governantes assumirem compromissos com a
arrecadação e gastos públicos.

67
O Setor Público e a Inovação
Aula
5
Apresentação

Na trajetória da humanidade, nenhuma outra sociedade viveu sob a égide da mudança permanente
como a sociedade contemporânea. Em nenhum outro momento os indivíduos tiveram plena
consciência de estarem presenciando uma revolução cujas consequências estão alterando as
concepções de mundo, de espaço e de tempo que impõem uma dinâmica diferenciada para
responder às demandas da humanidade. O ambiente em transformação deste início de século
trouxe a necessidade de inovar, de tornar-se único. Nesta aula, veremos o que é inovação e as
dimensões em que ela pode ocorrer, bem como o setor público no processo de inovação, a partir
de sistemas nacionais de inovação, dos Mapas Estratégicos da Indústria e da Lei de Inovação.
Boa leitura e bons estudos!

Objetivos
»» Explicar a diferença entre invenção e inovação, bem como a importância desta para
empresas e nações.

»» Identificar dimensões onde a inovação pode ocorrer.

»» Discutir o papel do setor público como agente chave na formulação de políticas para
a inovação.

»» Identificar o papel do setor público no fomento às políticas industriais e agrícolas


segundo o Mapa Estratégico da Indústria.

»» Conhecer os pontos mais importantes da Lei da Inovação.

68
O Setor Público e a Inovação • AULA 5

O caminho para a inovação

Nunca buscamos tanto a igualdade. Curtimos, compartilhamos, adicionamos. Mas, será que
é a igualdade a fonte do sucesso de uma instituição, cidade ou país ou a aposta deve ser na
desigualdade? Estamos preparados para lidar com diferenças? Enquanto postamos e atualizamos
nossos perfis, mais da metade da população brasileira, não possui acesso à internet em seus
domicílios. Ao mesmo tempo em que o consumismo tem levado ao aumento do endividamento,
não prestamos atenção que o jovem da classe C movimenta bilhões de reais por ano com o próprio
salário e, além disso, o mesmo jovem que vai ao baile funk e se diverte é aquele que também
toma as decisões, faz as compras no supermercado e cursa uma universidade.

Estas e muitas outras questões tornam este momento único na trajetória do universo da gestão
e demandam quebra de pré-conceitos. Demandam um olhar para o novo. Casamento civil
entre pessoas do mesmo sexo; pessoas acima de 60 anos, que um dia criaram a adolescência e
estão criando agora a “envelhescência”; classes C e D como alvo da busca por novos mercados;
pessoas que consideram muito melhor ter um bom plano de previdência, prevendo uma boa
aposentadoria, do que planejando seus casamentos. Resultado: nunca fomos tão desiguais, nunca
precisamos considerar tanto os diferentes. Nunca precisamos tanto inovar, nos tornarmos únicos.

A empresa contemporânea, criada e recriada de acordo com a ótica tradicional da Revolução


Industrial, ao mesmo tempo em que é responsável por fomentar a diversidade de estilos de vida,
crenças e atitudes, terá de se reinventar. A busca pela inovação permanente se dará em meio a
conflitos de gerações em função de pelo menos quatro grupos com idades diferentes trabalhando
lado a lado na mesma empresa. Outro ponto que demandará uma mudança de trajetória será o setor
de qualidade de vida, dimensão cujas fronteiras se ampliam a cada dia, englobando a diversão, que
passa a ser considerada como um negócio. Setores como turismo, cultura, turismo de negócios e
entretenimento cada vez são vistos como oportunidades de mercado. Tudo permeado por uma gestão
ambiental, sustentabilidade e responsabilidade social das empresas que englobarão não apenas
questões de meio ambiente, mas uma postura realmente de atuação ambientalmente sustentável
e condução de negócios adequados à diversidade sócio-cultural de um ambiente globalizado.

Um dos pontos fundamentais para se atingir resultados positivos que tornem a economia
brasileira competitiva é a inovação. Infelizmente, o Brasil não tem mostrado resultados muito
louváveis neste processo:

Brasil cai 18 posições no ranking de competitividade do Fórum


Econômico Mundial
Fundação Dom Cabral, 2015

No ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial, o Brasil perdeu 18


posições, no num total de 140 países. No Relatório Global de Competitividade
2015-2016, atualmente o Brasil ocupa a 75a colocação - a pior posição na série

69
AULA 5 • O Setor Público e a Inovação

histórica. O mau desempenho deve-se a deterioração de fatores básicos para


a competitividade, como a confiança nas instituições e o balanço das contas
públicas, e fatores de sofisticação dos negócios, como a capacidade de inovar e
a educação.

O Fórum Econômico Mundial define competitividade como o conjunto de


instituições, políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de um
país. A Suíça está em 1º lugar no ranking. Os suíços são líderes em inovação,
têm taxa de desemprego estável, o que está relacionado ao excelente sistema de
educação e à eficiência no mercado de trabalho. Cingapura e Estados Unidos
vêm na sequência.

As notas e os rankings são calculados a partir de dados estatísticos e de pesquisa


de opinião realizada com executivos dos 140 países participantes. Cento e dezoito
variáveis são analisadas e agrupadas em 12 categorias. Para coletar os dados
de maneira eficiente, o Fórum Econômico Mundial conta com o apoio de uma
rede de mais de 160 instituições parceiras. No Brasil, a Fundação Dom Cabral é
responsável pela pesquisa de opinião realizada junto à comunidade empresarial.
Em 2015, ouviu 197 executivos entre março e maio.

Os principais fatores que justificam essa perda significativa de competitividade


são a crise econômica e política que se deteriora desde 2014, associada a fatores
estruturais e sistêmicos, como sistema regulatório e tributário inadequados,
infraestrutura deficiente, educação de baixa qualidade e baixa produtividade,
resultam em uma economia frágil e incapaz de promover avanços na
competitividade interna e internacional. No Relatório de 2015, o Brasil apresentou
piora em 9 dos 12 pilares, apresentados abaixo. As quedas mais acentuadas foram
nos quesitos básicos de competitividade (instituições, ambiente econômico, saúde
e educação primária) e nos indicadores de sofisticação e inovação do ambiente
empresarial. Os pilares infraestrutura, prontidão tecnológica e tamanho do
mercado tiveram leves avanços, subindo duas posições cada. (DOM CABRAL, 2015)

Desempenho do Brasil nos 12 pilares de Competitividade


Figura 9.

Fonte: <http://www.jornalahora.com.br/conteudo/o-lado-real-da-economia-do-brasil/>. Acesso em: 12/8/2016.

70
O Setor Público e a Inovação • AULA 5

Conforme demonstra a figura, o Brasil ocupa o 84o lugar no quesito Inovação. A queda em
relação ao estudo anterior foi de 36 pontos. Empresas com uma postura mais conservadora,
pessimismo e um sentimento de falta de soluções transformadoras da sociedade explicam este
resultado tão ruim.

A inovação é a mola mestra de sociedades que pretendem avançar com consistência. Um exemplo
disso é a comparação entre as dez marcas mais valiosas do Brasil e do Mundo.

Mas o que é mesmo inovação?

Inovação é diferente de invenção. Cada um de nós pode inventar qualquer coisa, mas somente
depois que esta invenção for aceita pelo mercado, gerando lucro, é que podemos classificar
como uma inovação.

Inovação é definida de várias formas:

“Inovação é adotar novas tecnologias, que aumentam a competitividade da


companhia.” (Hamel e Prahalad: Competindo pelo futuro).

“Inovação é um processo de aprendizagem organizacional.” (Bell e Pavitt: The


development of technological capabilities).

“Inovar é um processo de alavancar a criatividade, para gerar valor de novas


maneiras, através de novos produtos, serviços e negócios.” (Jonasch e Sommerlatte:
The Innovation Premium).

“Inovação é atribuir novas capacidades aos recursos existentes na empresa,


gerando riqueza.” (Drucker: Inovação e Espírito Empreendedor).

“Inovação é o uso, comercialmente bem-sucedido, de uma invenção” (Bacon e


Butler: Planned Innovation).

“Inovação é um processo estratégico, de reinvenção contínua, do próprio negócio


e da criação de novos conceitos de negócios.” (Hamel: Liderando a Revolução).

“Inovação é a mudança que cria uma nova dimensão de desempenho.” (Hesselbein


et al.: Leading for Innovation).

“Inovação é = novas ideias + ações que produzem resultados.” (Ernest Gundling:


The 3M Way to Innovation).

Inovação pode ocorrer no produto, no processo e no ambiente de negócio. Inovação de produto


consiste em modificações nos atributos do produto, com mudança na forma como ele é
percebido pelos consumidores. Quando se decide optar pela inovação de processo, isto envolve
a mudanças no processo de produção do produto ou serviço. Não gera necessariamente impacto
no produto final, mas produz benefícios no processo de produção, geralmente com aumentos

71
AULA 5 • O Setor Público e a Inovação

de produtividade e redução de custos. Já a inovação de modelo de negócio, considera mudanças


no modelo de negócio, ou seja, na forma como o produto ou serviço é oferecido ao mercado.
Não implica necessariamente em mudanças no produto ou mesmo no processo de produção,
mas na forma como que ele é levado ao mercado.

A inovação pode ser incremental ou radical. Quando são implantadas pequenas melhorias
continuamente nos produtos, dizemos que temos uma inovação incremental, já quando ocorre
uma mudança drástica, dizemos que a inovação foi radical.

O caminho para a inovação não é linear. Demanda planejamento com base nas estratégias definidas
com foco de longo prazo. Envolve questões como aprendizagem organizacional, reinvenção
contínua da geração de valor e do negócio. Um processo aberto e possível em várias dimensões,
conforme vem sendo abordado em diferentes visões, as quais identificam que o processo inovador
pode ocorrer não apenas nos produtos, como demonstra o Radar da Inovação (CNI, 2010).

Figura 10. Radar da Inovação.

Fonte: CNI-Sebrae (2010).

O Radar da Inovação pode ser considerado como a ferramenta mais completa de auxílio ao
processo inovador, pois fornece diferentes formas que uma empresa pode escolher para inovar
e que não são em nenhum momento excludentes entre si, pois duas ou mais dimensões podem
ser escolhidos sem prejuízo para a organização.

O Quadro a seguir traz a descrição da abrangência de cada uma das doze dimensões, desenvolvidas
também para servirem de instrumento de diagnóstico que permite às empresas identificarem
em que estágio do processo inovador se encontram e escolherem diferentes direcionamentos
apontados em cada um dos níveis. Uma vez feito o diagnóstico, o passo seguinte é canalizar o
conhecimento disponível em atividades nas quais a indústria ou empresa identifique demandas
pela inovação.

72
O Setor Público e a Inovação • AULA 5

Quadro 2. Radar da Inovação – diferentes dimensões.

Ofertas são produtos e Soluções estão relacionadas Plataforma é formada por


serviços valorizados pelos com personalização, componentes, métodos ou
clientes. combinação integrada tecnologias, que servem
de produtos, serviços e como base para a construção
informação que solucionem de produtos ou serviços.
problemas dos clientes. Criam Normalmente, envolve o poder
valor para o cliente por meio da “universalidade” – usando
da amplitude de variedade e “modularidade” – por exemplo.
profundidade de integração
dos diversos elementos.
Clientes são indivíduos ou Experiência de cliente é uma Captação de valor refere-se
organizações que utilizam dimensão que considera tudo ao mecanismo usado pela
ou consomem as ofertas da o que o cliente vê, ouve e empresa para recapturar o
empresa, para satisfazerem sente, e outras experiências valor que criou. Para inovar
certas necessidades. Para em todos os momentos em nessa dimensão, a empresa
se inovar nesta dimensão, a que interage com a empresa. pode descobrir novas fontes
empresa pode descobrir novos Para inovar aqui, a empresa de renda, desenvolver novos
segmentos de clientes ou precisa repensar a sua sistemas de preços, além de
atender novas necessidades interface entre organização e expandir suas habilidades de
até então ocultas. clientes. captação de recursos por meio
de interações com clientes e
parceiros de negócio.
Processos são configurações Organização é a maneira Cadeia de suprimentos é a
de atividades de negócios que a empresa escolhe sequência de atividades e de
utilizadas para conduzir para estruturar-se, suas agentes que movem produtos,
operações internas. Para inovar parcerias, além das funções serviços e informação, desde
nessa dimensão, a empresa e responsabilidades dos seus a fonte até a entrega. Para
pode redesenhar os seus colaboradores. A inovação inovar nessa dimensão, a
processos para adquirir maior em organização demanda empresa pode direcionar
eficiência, mais alta qualidade repensar o escopo das melhor o fluxo de informação
ou ciclos de tempo mais atividades da empresa, assim por meio da cadeia de
rápidos. Tais mudanças podem como a redefinição das suprimentos, mudando a sua
envolver a mudança de local funções, responsabilidades estrutura ou melhorando a
de um processo ou mesmo a e incentivos relativos às colaboração entre os seus
desconexão de suas partes diferentes unidades de participantes.
iniciais das finais. negócio e indivíduos.
Presença está relacionada com Redes – a empresa e seus “Brand” relaciona-se aos
os pontos de distribuição que produtos e serviços são símbolos, palavras e marcas
a empresa usa para levar as conectados aos clientes por pelas quais a empresa
suas ofertas ao mercado, indo meio de uma rede que, às comunicasse com os seus
além dos locais onde as suas vezes, pode se tornar parte clientes. Para inovar nesta
ofertas possam ser compradas da vantagem competitiva dimensão, a empresa aumenta
ou utilizadas pelos clientes. da empresa. Inovação, ou estende a sua “brand” de
Inovação nessa dimensão nesta dimensão, consiste maneira criativa.
envolve a criação de novos em melhorias na rede, que
pontos de presença ou a venham trazer mais valor às
utilização dos existentes de ofertas da empresa.
uma maneira mais criativa.

Fonte: Sebrae – CNI (2010).

73
AULA 5 • O Setor Público e a Inovação

A política industrial e o caminho para a inovação no Brasil

A globalização fez com que a busca pela competitividade passasse a envolver uma busca por uma
maior participação nos fluxos comerciais, com produtos mais intensivos em tecnologia, de maior
valor agregado, tornando necessária uma articulação crescente entre as políticas tecnológica e
comercial (ALÉM, 1999).

A indústria brasileira não teve, desde o início de sua construção, como meta a liderança
internacional. Embora o padrão de investimento e de instalação de setores industriais tenha se
baseado na atuação de multinacionais e a indústria tenha recebido uma forte participação de
capital estrangeiro, ela esteve sempre, com baixos níveis de inserção internacional.

Já no caso dos países da Europa e da Ásia, o foco desde a segunda metade da década de 1970 foi
exatamente a inserção internacional, principalmente no mercado norte-americano. Para tal, as
políticas industriais naquele período tiveram um duplo caráter: os segmentos maduros foram
alvo de políticas defensivas, com proteção e estímulos seletivos visando à melhoria de produtos e
processos, para sustentar e ampliar a competitividade internacional. Já os segmentos emergentes
foram estimulados a desenvolverem vantagens competitivas, uma vez que pertenciam ao grupo das
novas trajetórias tecnológicas com vistas à consolidação de posições líderes de mercado no futuro.

Para a aplicação destas políticas foram utilizados os seguintes instrumentos:

1. Instrumentos de política econômica, atuando de maneira indireta, envolvendo


principalmente os gastos públicos na concessão de incentivos (financeiros, fiscais e
técnicos).

2. Atuação direta do setor produtivo estatal em segmentos estratégicos.

3. Presença orientadora dos agentes de C&T.

4. Estas operacionalizações trazem em si três aspectos fundamentais do período: o


primeiro é a explícita orientação para o mercado externo (manutenção do padrão
histórico de inserção produtiva, redefinição do mix de exportações, reestruturação
industrial). Foi observada também, em segundo lugar, uma atuação direcionada para
os segmentos em reestruturação e, por último, uma grande preocupação com a geração
de condições sistêmicas que contribuíram de maneira contundente para a inovação e
para o aprendizado (GONÇALVES, 1998).

As políticas em curso adotadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico


(OCDE) tiveram como objetivo aumentar a participação no comércio internacional, acelerar o
crescimento econômico além de aumentar o nível de emprego. Suas características centrais são:

1. Forte articulação entre as políticas comercial e tecnológica.

74
O Setor Público e a Inovação • AULA 5

2. Regionalização das políticas adotadas.

3. Participação fundamental dos governos financiando e promovendo os gastos em P&D.

4. Políticas de estímulos à concorrência, combinadas com políticas de promoção da


cooperação e concentração.

5. Políticas de desenvolvimento de novas tecnologias.

6. Políticas de rápida difusão das novas tecnologias em todos os setores da economia com
a adaptação do setor produtivo às novas realidades.

7. Políticas de competitividade conduzidas na direção de um crescente investimento em


conhecimento e capacitação do setor empresarial.

O Setor Público e a inovação

O Estado passa a ter um papel fundamental na busca de uma política industrial que crie condições
necessárias para a atuação competitiva dos setores produtivos em mercados globais. Este papel
se manifesta a partir das seguintes metas e ações:

1. Consolidação das bases regionais para o desenvolvimento tecnológico com vistas ao


fortalecimento das pequenas e médias empresas.

2. Desenvolvimento de atividades como setores de ponta e pesquisa básicos, classificadas


como estratégicas.

3. Aumento da participação das exportações a nível mundial, bem como expansão do


mercado interno.

4. Aumento dos orçamentos governamentais de P&D em termos reais, bem como adoção
de medidas de estímulo a P&D por parte das empresas.

5. Redução da carga tributária, pela concessão de subsídios, empréstimos com taxas de


juros convidativas (ALÉM, 1999).

O objetivo das políticas é a adaptação das empresas às novas tecnologias, principalmente


por meio de incentivos aos gastos em P&D e à difusão e cooperação tecnológica nas áreas de
pesquisa genérica de longo prazo. Além disso, a partir da consolidação das bases regionais
para o desenvolvimento tecnológico, visa-se fortalecer redes de pequenas e médias empresas e
desenvolver atividades consideradas estratégicas para o crescimento econômico interno, como
o incentivo aos setores de ponta e às atividades de pesquisa básica. Ou seja, as políticas de
competitividade são conduzidas na direção de um crescente investimento em conhecimento e
capacitação em nível de empresa(ALÉM, 1999, p. 92).

75
AULA 5 • O Setor Público e a Inovação

Uma economia dotada de espírito inovador dispõe de taxas mais altas de aumento do progresso
técnico, fazendo com que o conhecimento vá se acumulando, constituindo o fator fundamental
para permitir a sustentação do crescimento no longo prazo.

O chamado espírito inovador é a componente-chave de um Sistema Nacional de Inovação (SNI),


que possui outras quatro características, a saber:

1. A capacidade do país para desenvolver atividades de P&D em universidades e em


instituições financiadas pelo governo, por organizações sem fins lucrativos e, em alguns
casos, por outros fundos públicos;

2. existência de empresas que mantenham laboratórios industriais capazes de executar


não só as atividades de P&D, mas, também, as de engenharia e design, além de outras
inovações, que fazem delas a principal base organizacional;

3. instituições educacionais de ensino e de treinamento, destinadas não apenas à formação


de engenheiros e cientistas, mas, também, de técnicos e trabalhadores qualificados,
com capacidade e habilidade para adaptarem-se às mudanças no processo de trabalho;

4. políticas de C&T e instituições com capacidade para implementá-las, que monitorem a


execução da P&D no setor e mantenham algum grau de coordenação destas atividades
no setor empresarial. (BASTOS, 1997, p. 119)

Para que os agentes operem de maneira eficiente, faz-se necessária a existência de uma sólida
disponibilidade financeira para as atividades de C&T, além de meios financeiros, educacionais,
técnico-científicos e de um alto padrão de qualidade de bens e serviços produzidos internamente,
com alto valor agregado tornando a produção nacional competitiva.

Governo, universidades e empresas devem interagir no sentido de tornar favoráveis as diferentes


variáveis que influenciam no processo de difusão e absorção de tecnologias. Nestas variáveis,
encontram-se incluídas a estabilidade econômica, o regime de concorrência, a identificação de
demanda de bens e serviços, a educação de consumidores, a capacidade de regulação do estado,
os direitos de propriedade intelectual e exploração comercial, a qualificação dos trabalhadores,
capacidade de antecipação do progresso técnico-científico, infraestrutura de serviços técnico-
científicos e estratégias de competição das empresas. Além disso, uma consciência sistêmica
torna-se primordial com alicerces fortemente fincados na continuidade dos processos.

Mapa Estratégico da indústria: governo e indústria focando


na inovação

O Mapa Estratégico da Indústria (MEI) traz em si uma concepção sistêmica objetivando contruir
SNI, que introduza inúmeras mudanças qualitativas em todas os mecanismos de planejamento
e financiamento de suas atividades, estimule as instituições de produção de bens e serviços para

76
O Setor Público e a Inovação • AULA 5

que desenvolvam demandas tecnológicas, integre a transferência de tecnologia na análise das


inovações necessárias ao país, estabeleça redes de inovação, integrações por centros de P&D,
empresas, usuários, instituições financiadoras, organismos federais e governos estaduais, bem
como implante sistemas de informação adequados aos mecanismos interativos de inovação que
permitam avaliar o impacto de mudanças tecnológicas na economia, sociedade e meio ambiente.

A indústria brasileira, desde 2007, tem procurado criar um modelo de SNI a partir exatamente
da interação dos diferentes atores intitulado Mapa Estratégico da Indústria (MEI), conforme
demonstrado na figura a seguir, que traz uma concepção sistêmica objetivando contruir SNI,
que introduza inúmeras mudanças qualitativas em todas os mecanismos de planejamento e
financiamento de suas atividades, estimule as instituições de produção de bens e serviços para
que desenvolvam demandas tecnológicas, integre a transferência de tecnologia na análise das
inovações necessárias ao país, estabeleça redes de inovação, integrações por centros de P&D,
empresas, usuários, instituições financiadoras, organismos federais e governos estaduais, bem
como implante sistemas de informação adequados aos mecanismos interativos de inovação que
permitam avaliar o impacto de mudanças tecnológicas na economia, sociedade e meio ambiente.

Figura 11. Mapa Estratégico da Indústria (2007-2015).

Fonte: CNI (2005).

Na primeira versão, os pilares do MEI englobavam liderança empresarial, ambientes institucional


e regulatório, educação e saúde, infraestrutura e disponibilidade de recursos. Já a segunda versão,
elaborada para o período de 2013-2022, conforme demonstrado na figura 3, a educação passa a
ter papel central, constituindo-se na base de todo o mapa e principal insumo para a inovação. O
Mapa traz ainda de maneira clara como o setor público precisa estar presente, seja no ambiente
macroeconômico, seja na própria educação, seja com políticas setoriais que irão resultar na
inovação e numa competitividade com sustentabilidade.

77
AULA 5 • O Setor Público e a Inovação

Figura 12. Mapa Estratégico da Indústria (2013-2022).

Fonte: CNI (2013).

No mundo atual, as empresas dependem da inovação (em produtos, serviços e processos)


para conquistar e manter seu diferencial competitivo. Cabe exatamente ao governo, por meio
de uma educação de qualidade, de recursos para financiamento público pelas agências como
BNDES, FINEP, CAPES e CNPq destinarem recursos para pesquisa em geral e também em áreas
temáticas, a partir da interlocução com as empresas, procurando saber o que o setor privado e
a sociedade necessitam.

Além disso, aprimorar a legislação para facilitar ainda mais o investimento estatal e um incremento
da encomenda de tecnologias por parte do governo para empresas são fundamentais. Além disso,
permitir que empresas compartilhem laboratórios com instituições públicas pode representar
ganhos para os dois lados. Outro ponto importante é o governo apoiar as empresas inovadoras.
Políticas governamentais eficientes podem ter impacto positivo na capacidade de inovação das
empresas de um país, além de contribuírem significativamente para o aumento da capacidade
exportadora destas empresas.

Governo e empresas não devem caminhar separadamente num país que se pretende tornar
competitivo internacionalmente. Ambos são interdependentes e motor decisivo de crescimento,
competitividade e valorização da empresa para os acionistas, a inovação é apontada por executivos
seniores do mundo todo como fundamental para o sucesso das empresas. Mas a inovação também

78
O Setor Público e a Inovação • AULA 5

beneficia os países. Países com indústrias prósperas têm rendas mais altas, melhor qualidade de
vida e padrão de vida mais elevado que seus pares menos robustos.

Um outro ponto no qual os governos tem papel fundamental é na qualificação da mão de obra de
um país. Uma força de trabalho capacitada e instruída é o elemento mais crucial para o sucesso
da inovação, contudo, encontrar talento de qualidade é um constante desafio para as empresas.
Em especial, o foco em capacitação que alie teoria e prática poderá ajudar muito nesta trajetória.

Além disso, proteção às patentes, direitos autorais e a outras propriedades intelectuais, isenções
fiscais, treinamentos e políticas que reduzam os custos estruturais relacionados com política
fiscal, regulação e energia são instrumentos governamentais de incentivo a inovação.

Finalizando, a coerência e a constância devem ser a tônica dos governos que optem pela inovação.
Como investir em Pesquisa e Desenvolvimento, cujo prazo de retorno muitas vezes é demorado se
as instituições educacionais, econômicas, políticas, jurídicas e sociais não apresentam estabilidade?

Apoio claro e inequívoco — em forma de recursos para P&D, créditos fiscais,


mudanças nas políticas e assim por diante — transmite a mensagem de que a
inovação é importante. Fazer da inovação uma causa comum em prol de um bem
maior para todos. Países como Coreia do Sul, China e Cingapura, cujos governos
apoiam a inovação ativa e publicamente, estão atraindo e aumentando a participação
dos inovadores e das inovações do mundo. Essas ações alinham estreitamente
os interesses mútuos de empresas e governos e ajudam os governos a servir seus
cidadãos de modo mais efetivo. Para os países que querem incentivar a inovação,
é o momento de todas as esferas do governo fazerem da inovação uma prioridade
máxima e mostrarem seu compromisso por meio de ações concretas. Os interesses
não poderiam ser maiores — nada menos do que competitividade global, garantia
de empregos para seus cidadãos e uma qualidade de vida melhor. (Disponível em:
<http://www.embaixada-americana.org.br/HTML/ijse1109p/andrew.htm>.)

A Lei de Inovação – LI

A Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, também conhecida como Lei de Inovação, representou
um passo importante para o desenvolvimento brasileiro com foco na inovação. Os principais
objetivos desta lei foram criar medidas de incentivo a inovação e a pesquisa científica no ambiente
produtivo constituído das instituições que executam atividades de pesquisa aplicada de caráter
científico ou tecnológico (ICTs), das empresas e de inventores independentes.

Mecanismos disponibilizados pela LI (Lei de Inovação)


Para as ICTs:

»» compartilhamento de infraestrutura entre os setores público e privados;

»» contratos de transferência de tecnologia;

79
AULA 5 • O Setor Público e a Inovação

»» publicação de edital para transferência de tecnologia com exclusividade;

»» prestação de serviços especializados voltados para a inovação à instituições públicas


e privadas;

»» parceria com instituições públicas e privadas para pesquisa científica e tecnológica de


desenvolvimento de tecnologia, produtos ou processos;

»» titularidade da PI dos resultados atingidos.

Para as empresas:

»» utilização de laboratórios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalações


para atividade de pesquisa, mediante remuneração;

»» prestação de serviços relacionados à inovação e à pesquisa científica e tecnológica, com


retribuição pecuniária;

»» parcerias para realização de atividades conjuntas de pesquisa científica e tecnológica


e desenvolvimento de tecnologia, produto ou processo;

»» concessão pelo poder público de recursos financeiros (projetos), humanos, materiais ou


de infraestrutura para apoio a pesquisa e desenvolvimento em atividades de prioridade
da política industrial e tecnológica do país;

»» contratação de serviços de empresas pelos órgãos públicos da administração pública


federal para determinadas atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico ou
solução de problema técnico específico;

»» compras governamentais com prioridade àquelas empresas que invistam em inovação;

»» concessão de benefícios fiscais para o estímulo a inovação na empresa;

»» negociação da titularidade da propriedade intelectual, direito ao licenciamento e


participação nos resultados da exploração.

Para o Inventor Independente:

»» Adoção da sua criação por ICT, comprovado o depósito do pedido de patente, visando
futuro desenvolvimento, incubação, utilização e produção industrial.

Fonte: <http://inventta.net/wp-content/uploads/2010/07/Focalizando-a-Lei-de-Inovacao.pdf>.

Para refletir

“Você quer vender água com açúcar o resto de sua vida, ou quer uma oportunidade para mudar o mundo?”
Com esta frase Jobs convenceu John Sculley a deixar seu posto de presidente da Pepsi e ir trabalhar na Apple
“Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.

Peter Drucker

80
O Setor Público e a Inovação • AULA 5

Sintetizando

Vimos até agora:

»» Invenção e inovação são coisas totalmente diferentes. Pode-se inventar qualquer coisa, mas somente depois que o
mercado aceita a nossa invenção é que ela passa a ser uma inovação.

»» A inovação não precisa ser apenas radical, ela pode ocorrer em doze dimensões distintas.

»» O setor público tem papel fundamental no processo de inovação, não apenas destinando recursos para pesquisa e
desenvolvimento, mas cuidando da educação e qualificação de sua mão de obra, do aspectos macroeconômicos,
elaborando políticas setoriais.

»» O papel do governo aparece muito claro no processo de inovação e é um dos vértices de um triângulo intitulado Sistema
Nacional de Inovação, juntamente com empresas e universidades.

81
Aula
O setor público e a
sustentabilidade 6
Apresentação

No contexto atual, se por um lado a inovação é considerada um processo irreversível pelo


grau de conhecimento técnico-científico alcançado pela humanidade, por outro, há o apreço
desmedido pelo consumo de “novidades”. O fato é que nos tornamos herdeiros de um impasse
civilizatório: como desfrutar da vida e ao mesmo tempo viver dentro dos limites do planeta? As
tecnologias, as máquinas, os computadores e o conhecimento científico são úteis no processo
de descoberta de alternativas, mas não são capazes de “cuidar” do planeta, da natureza e dos
seres humanos. Nesta nossa última aula, veremos como o setor público deve agir no sentido de
buscar o desenvolvimento com sustentabilidade, ressaltando que a sustentabilidade é muito
mais que a questão ambiental, englobando, entre outras, questões sociais e culturais. Boa leitura!

Objetivos
»» Compreender que o conceito de sustentabilidade é muito mais do que as questões
ambientais. Deve estar presente em várias dimensões da sociedade contemporânea.

»» Identificar as principais diferenças entre a gestão tradicional e a gestão ecocêntrica.

»» Conhecer conceitos que integram a sustentabilidade como consumo consciente,


economia compartilhada, produção mais limpa e slow food.

»» Conhecer as principais ações governamentais para a promoção da sustentabilidade.

82
O setor público e a sustentabilidade • AULA 6

O que é sustentabilidade?

Satisfazer as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a capacidade das futuras
gerações de satisfazerem as suas próprias necessidades: esse é o conceito da sustentabilidade.
A grande questão é que o universo da sustentabilidade engloba questões econômicas, políticas,
sociais e culturais, além de um ambiente equilibrado que seja capaz de vencer a desigualdade
social, trazendo melhores condições de vidas para a geração presente e seus descendentes, com
valores pautados na ética e no respeito ao próximo.

O conceito de sustentabilidade comporta sete aspectos ou dimensões principais, a saber:

»» Sustentabilidade Social: melhoria da qualidade de vida da população, equidade na


distribuição de renda e de diminuição das diferenças sociais, com participação e
organização popular.

»» Sustentabilidade Econômica: públicos e privados, regularização do fluxo desses


investimentos, compatibilidade entre padrões de produção e consumo, equilíbrio de
balanço de pagamento, acesso à ciência e tecnologia.

»» Sustentabilidade ecológica: o uso dos recursos naturais deve minimizar danos aos
sistemas de sustentação da vida: redução dos resíduos tóxicos e da poluição, reciclagem
de materiais e energia, conservação, tecnologias limpas e de maior eficiência e regras
para uma adequada proteção ambiental.

»» Sustentabilidade Cultural: respeito aos diferentes valores entre os povos e o incentivo


a processos de mudança que acolham as especificidades locais.

»» Sustentabilidade Espacial: equilíbrio entre o rural e o urbano, equilíbrio de migrações,


desconcentração das metrópoles, adoção de práticas agrícolas mais inteligentes e não
agressivas à saúde e ao ambiente, manejo sustentado das florestas e industrialização
descentralizada.

»» Sustentabilidade Política: no caso do Brasil, a evolução da democracia representativa para


sistemas descentralizados e participativos, construção de espaços públicos comunitários,
maior autonomia dos governos locais e descentralização da gestão de recursos.

»» Sustentabilidade Ambiental: conservação geográfica, equilíbrio de ecossistemas,


erradicação da pobreza e da exclusão, respeito aos direitos humanos e integração social.
Abarca todas as dimensões anteriores por meio de processos complexos.

Fonte: Sachs, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2000.

Outra visão aborda que a sustentabilidade não pode ser reduzida apenas a uma dimensão social
ou ambiental e sim é resultado de uma visão integrada de várias dimensões. A partir desta visão,

83
AULA 6 • O setor público e a sustentabilidade

ganha destaque a chamada gestão ecocêntrica, que olha na direção de um novo modelo focando
nas relações humanas entre si e com o ambiente, independentemente dos limites temporais ou
espaciais, diferentemente da visão tradicional que objetiva a maximização dos lucros. O quadro
a seguir mostra as diferenças entre os dois modelos de gestão.

Quadro 3. Gestão tradicional X Gestão econcêntrica.

Variáveis Gestão tradicional Gestão econcêntrica


Crescimento econômico e lucros. Sustentabilidade e qualidade de vida.
Objetivos
Riqueza dos acionistas. Bem-estar dos intessados.

Ecocêntrico.
Antopocêntrico.
Valores Compreensão das reais necessidades dos
Conhecimento racional e “pronto para uso”.
indivíduos e da sociedade.

Voltados para atender aos desejos dos


Desenhados para o ambiente.
Produtos consumidores.
Embalagens não agressivas ao ambiente.
Desperdício nas embalagens.

Sistemas de Intensivos em energia e recursos. Baixo uso de energia e recursos.


produção Eficiência técnica. Eficiência ambiental.

Estrutura hierárquica. Estrutura não hierárquica.


Organização Processo decisório autoritário. Processo decisório participativo.
Autoridade centralizada. Autoridade descentralizada.

Dominação sobre a natureza. Harmonia com a natureza.


Ambiente Ambiente gerenciado como recurso. Recursos entendidos como finitos.
Poluição é externalidade. Eliminação/gestão da poluição.

Marketing age para a educação do ato de


Marketing age para aumento do consumo. consumo.
Finanças atuam para a maximização dos lucros. Finanças atuam para o crescimento sustentável
Funções de em longo prazo.
Contabilidade dedica-se aos custos
Negócios convencionais. Contabilidade focaliza os custos ambientais.
Gestão de Recursos Humanos voltada para o Gestão de Recursos Humanos dedica-se a tornar
aumento da produtividade no trabalho. o trabalho significativo e o ambiente seguro e
saudável para o trabalho.

Fonte: ASHLEY, Patrícia. Ética e Responsabilidade Social nos Negócios. 2002.

No contexto atual, se por um lado a inovação é considerada um processo irreversível pelo grau
de conhecimento técnico-científico alcançado pela humanidade, por outro, o apreço desmedido
pelo consumo de “novidades”, um comportamento típico do homem contemporâneo, esta se
transformando em uma doença cada vez mais comum entre os indivíduos de nosso tempo – a
oneomania (ou compulsão pelo consumo).

Em um cenário de crescimento econômico e ascensão de mais da metade dos


cidadãos brasileiros à classe média, o Brasil se depara com a oportunidade
histórica de delinear um novo padrão de desenvolvimento. Os padrões de
consumo observados nos países de primeira industrialização mostraram-se
predatórios e insustentáveis, avançando sobre os recursos naturais em seu

84
O setor público e a sustentabilidade • AULA 6

território e fora dele. O estímulo ao consumo excessivo e a pouca preocupação


em ofertar tecnologias e produtos menos nocivos ao meio ambiente agravaram
problemas globais, como as mudanças climáticas, a poluição dos oceanos e a
geração de lixo. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2014)

O fato é que nos tornamos herdeiros de um impasse civilizatório: como desfrutar da vida e ao
mesmo tempo viver dentro dos limites do planeta? As tecnologias, as máquinas, os computadores
e o conhecimento científico são úteis no processo de descoberta de alternativas, mas não são
capazes de “cuidar” do planeta, da natureza e dos seres humanos.

O Contrato Social de Rousseau, publicado em 1762, preconizava a soberania da sociedade em


detrimento dos valores individuais. Pode-se dizer que esta visão do coletivo tem se mostrado
cada vez mais necessária nos dias atuais, pois com o crescimento acelerado das economias, a
demanda da humanidade por recursos naturais em um ano tem excedido, cada vez mais cedo, a
capacidade da Terra de regenerar tais recursos no mesmo período. O Dia da Sobrecarga da Terra,
como é chamado o momento em que a Terra começa a operar no vermelho, ocorreu, em 2015, no
dia 13 de agosto. Muito mais cedo do que em 1970, quando a Terra atingiu sua capacidade máxima
no dia 23 de dezembro. Desde então, a data vem sendo antecipada de maneira preocupante (3 de
novembro em 1980; 4 outubro em 2000; 3 de setembro em 2005 e 28 de agosto em 2010). Se nada
for feito, em 2030, a data acontecerá em junho, segundo previsões dos cientistas. A sociedade
como um todo vem trabalhando em soluções interessantes para esta situação. Considerando
a relevância e o alto impacto das atividades produtivas na sociedade, o consumo consciente, a
produção mais limpa, a economia compartilhada e o “slow food” se apresentam como alternativas
concretas de cuidado com o mundo, quando o assunto é viver bem e viver de modo sustentável.

Consumo consciente

Consumir de forma responsável, pensando nas consequência do ato de compra para o planeta
e para a sociedade, sabendo que consumidores podem ser agentes transformadores, é este o
conceito de consumo consciente. Envolve reduzir (comprar apenas o necessário), reutilizar
(que diminui o uso de recursos naturais para a produção de novos bens) e reciclar (transformar
os produtos, inserindo-os novamente no processo produtivo). Isso pode ser resumido em
posturas simples como nas enumeradas pelo Instituto AKATU que enumera direcionamentos
do consumidor consciente:

1. Planejar as compras:

Não ser impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente.


Deve-se planejar antecipadamente e, com isso, comprar menos e melhor.

2. Avaliar os impactos do consumo:

Levar em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo.

85
AULA 6 • O setor público e a sustentabilidade

3. Consumir apenas o necessário:

Refletir sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.

4. Reutilizar produtos e embalagens:

Não comprar outra vez o que pode-se consertar, transformar e reutilizar.

5. Separar seu lixo:

Reciclar e contribuir para a economia de recursos naturais, a redução da degradação


ambiental e a geração de empregos.

6. Usar crédito conscientemente:

Pensar bem se o que se vai comprar a crédito não pode esperar e estar certo de que se
poderá pagar as prestações.

7. Conhecer e valorizar as práticas de responsabilidade social das empresas:

Em suas escolhas de consumo, não se deve olhar apenas preço e qualidade do produto.
Valorizar as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a
sociedade e o meio ambiente.

8. Não comprar produtos piratas ou contrabandeados:

Comprar sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribuir para gerar empregos
estáveis e para combater o crime organizado e a violência.

9. Contribuir para a melhoria de produtos e serviços:

Adotar uma postura ativa. Enviar às empresas sugestões e críticas construtivas sobre
seus produtos e serviços.

10. Divulgar o consumo consciente:

Sensibilizar outros consumidores e disseminar informações, valores e práticas do


consumo consciente. Montar grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas
mais próximas.

11. Cobrar dos políticos:

Exigir de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e


aprofundem a prática de consumo consciente.

12. Refletir sobre seus valores:

Avaliar constantemente os princípios que guiam as escolhas e os hábitos de consumo.

Fonte: Instituto AKATU.

86
O setor público e a sustentabilidade • AULA 6

Produção mais limpa (P+L)

Aplicação continuada de uma estratégia ambiental preventiva e integrada aos processos e produtos,
a fim de aumentar a eficiência e reduzir os riscos para a sociedade e para o meio ambiente, além
de minimizar os desperdícios, reduzir custos e alavancar o potencial inovador da organização,
visando ganhos de competitividade e a otimização dos processos industriais.

Envolve uma permanente busca de aumento da eficiência econômica com foco em usos de
matéria-primas água e energia, de uma forma sustentável, com vistas a minimizar ao máximo a
poluição e optar pela adoção de processos produtivos mais sustentáveis, pressupondo atitudes
básicas, a saber: técnicas mais racionais de produção que diminuam por completo a geração de
resíduos ou pelo menos reduzam em quantidades substanciais.

Além disso, o conceito de Produção Mais Limpa engloba o reaproveitamento de resíduos no


próprio processo de produção e, por último, a reciclagem para a geração de novos materiais.
Envolve estratégias empresariais e de produção com uma visão sustentável seja no âmbito de
processos, produtos e serviços, que permitam aumentar a ecoeficiência e reduzir danos à saúde
e ao meio ambiente, seja popr meio do chamado ecodesign, que propõe um novo desenho dos
produtos, substituição de materiais e novas propostas para as embalagens.

Economia compartilhada
Permite que as pessoas mantenham o mesmo estilo de vida, sem precisar adquirir mais, o que
impacta positivamente não só no bolso mas também na sustentabilidade do planeta. Apresenta
um novo jeito de consumir focado no usufruir (serviço) substituindo o paradigma da posse do
bem (produto).

Envolve a reciclagem e redistribuição, o compartilhamento de recursos como habilidades, tempo


e dinheiro, o qual por sua vez serve para pagar pelo benefício do produto e não pelo produto em
si. A frase “compartilhar é o novo possuir” da Mercedez-Benz pode ser a síntese desta filosofia.

Figura 13.

87
AULA 6 • O setor público e a sustentabilidade

Fonte: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/02/pode-confiar.html>. Acesso em: 12/8/2016.

Slow Food

Movimento iniciado na Itália, por Carlo Petrini, em 1986, que significa “comida lenta” e que se
contrapõem ao fast food e tem como objetivo desacelerar, apreciando melhor os alimentos,
conhecendo o processo produtivo, o significado e seus produtores, bem como as questões
culturais que envolvem o cultivo e a preparação. O Movimento tem como símbolo o caracol,
que se move lentamente.

Deste movimento surgiram o cittaslow, que valoriza a qualidade de vida em cidades menores,
mais planejadas; o slow design, que visa produzir objetos de decoração atemporais; o slow home,
no qual a arquitetura é personalizada; o slow travel, que visa despertar no turista o espírito de
aproveitar as viagens de maneira mais tranquila e com rotas alternativas às tradicionais.

É urgente sobrevivermos ao ridículo do mundo contemporâneo. E para sobreviver


a ele, devemos desprezá-lo de alguma forma (...). A verdadeira sabedoria passa,
em algum momento, pelo desprezo do mundo a sua volta. Em mil anos seremos
esquecidos. Nossa época não ocupará mais do que um parágrafo nos livros de
História no futuro. Passarão da bomba atômica (...) para as grandes trevas do
final do séc. XXI, causadas por nossas manias com saúde, luxo, alimentação,
sexualidade, liberdade e narcisismo. A Idade Média perderá seu título de era
das trevas e nós receberemos esta maldição. Lembrarão de nós como mimados,
ressentidos e covardes. (...) Ouvirão falar vagamente de nossas redes sociais

88
O setor público e a sustentabilidade • AULA 6

e de nossa crença em seu potencial revolucionário (...). Levarão mais a sério


os gregos, os romanos e hebreus, porque verão neles povos que buscavam o
conhecimento, e não suas próprias imagens no rosto do universo. Uma agenda
para o contemporâneo é um ato de coragem. Sua missão é nos fazer ver quem
somos numa época afogada em narcisismo. (PONDÉ, 2014, pp. 17;20)

A Agenda 21 e os Objetivos de Desenvolvimento do


Milênio (ODM)

A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio
de Janeiro, em junho de 1992 (a Rio 92), foi o grande marco para o desenvolvimento sustentável
e na qual foi concebida a Agenda 21, um plano de ação mundial para orientar a transformação
desenvolvimentista, identificando, em 40 capítulos, 115 áreas de ação prioritária.

Dentre alguns dos focos discriminados na Agenda 21, pode-se destacar: cooperação internacional,
combate à pobreza, mudança dos padrões de consumo, habitação adequada, integração entre meio
ambiente e desenvolvimento na tomada de decisões, proteção da atmosfera, abordagem integrada
do planejamento e do gerenciamento dos recursos terrestres, combate ao desflorestamento, manejo
de ecossistemas frágeis, luta contra a desertificação e a seca, promoção do desenvolvimento
rural e agrícola sustentável, conservação da diversidade biológica, manejo ambientalmente
saudável dos resíduos sólidos e questões relacionadas com os esgotos, fortalecimento do papel
das organizações não governamentais, fortalecimento do papel dos agricultores, transferência
de tecnologia ambientalmente saudável, cooperação e fortalecimento institucional, a ciência
para o desenvolvimento sustentável, promoção do ensino, da conscientização e do treinamento.

Em 2015, a ONU obteve em Paris um novo compromisso intitulado Objetivos de Desenvolvimento


Sustentável (ODS), com um total de 17 objetivos e 169 metas sobre questões de desenvolvimento
sustentável:

ODS1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.

ODS2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição, e promover a
agricultura sustentável.

ODS3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.

ODS4. Garantir educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de


aprendizado ao longo da vida para todos.

ODS5. Alcançar igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

ODS6. Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos.

89
AULA 6 • O setor público e a sustentabilidade

ODS7. Garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável e moderna para todos.

ODS8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno


e produtivo e trabalho decente para todos.

ODS9. Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva e sustentável e


fomentar a inovação.

ODS10. Reduzir a desigualdade entre os países e dentro deles.

ODS11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e


sustentáveis.

ODS12. Assegurar padrões de consumo e produção sustentáveis.

ODS13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos, reconhecendo
que a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC) é o principal
fórum internacional e intergovernamental para negociar a resposta global à mudança do clima.

ODS14. Conservar e promover o uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para
o desenvolvimento sustentável.

ODS15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de
forma sustentável as florestas, combater à desertificação, bem como deter e reverter a degradação
do solo e a perda de biodiversidade.

ODS16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável,


proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e
inclusivas em todos os níveis.

ODS17. Fortalecer os mecanismos de implementação e revitalizar a parceria global para o


desenvolvimento sustentável.

(Publicado originalmente no EcoD, via Pnud com informações do UN News Centre).

Fonte: www.akatu.org.br.

O setor público brasileiro e as políticas de sustentabilidade

O governo brasileiro tem promovido uma série de ações no sentido de fomentar a sustentabilidade
em várias áreas. Muito ainda falta ao país, mas os esforços têm se multiplicado, embora para os
especialistas na área, a velocidade poderia ser maior. Alguns destes programas e iniciativas são
listados a seguir:

»» Plano Inova Sustentabilidade: lançado em 2014, com foco ambiental. O Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos

90
O setor público e a sustentabilidade • AULA 6

do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (Finep) investirão R$ 2 bilhões com a


promoção de soluções inovadoras capazes de mitigar impactos das atividades produtivas
sobre o meio ambiente. O Plano terá quatro principais linhas temáticas: produção
sustentável; recuperação de biomas brasileiros e fomento às atividades produtivas
sustentáveis de base florestal; saneamento ambiental; e monitoramento de desastres
ambientais.

»» Decreto no 7.746, de 5 de junho de 2012: estabelece critérios, práticas e diretrizes para


a promoção do desenvolvimento nacional sustentável nas contratações realizadas pela
Administração Pública Federal e institui a Comissão Interministerial de Sustentabilidade
na Administração Pública – CISAP. Essa iniciativa nasceu da necessidade de criação de uma
política unificada na esfera federal para o uso racional e sustentável de recursos naturais
nas instalações públicas. Assim, o referido Decreto institui Comissão Interministerial
de Sustentabilidade na Administração Pública Federal – CISAP, que tem por finalidade
regulamentar o desenvolvimento nacional sustentável no âmbito das licitações e
contratações, estabelecendo a obrigação de elaboração de Planos de Gestão Sustentável
pelos órgãos e entidades que compõem a Administração Pública.

»» Planos de Gestão de Logística Sustentável: são ferramentas de planejamento com


objetivos e responsabilidades definidas, ações, metas, prazos de execução e mecanismos
de monitoramento e avaliação, que permitem ao órgão ou entidade estabelecer práticas
de sustentabilidade e racionalização de gastos e processos na Administração Pública.
Eles devem conter, minimamente, a atualização do inventário de bens e materiais do
órgão e identificação de similares de menor impacto ambiental para substituição;
as práticas de sustentabilidade e de racionalização do uso de materiais e serviços; as
responsabilidades, metodologia de implementação e avaliação do plano; e ações de
divulgação, conscientização e capacitação.

»» Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas: institui o tratamento diferenciado e favorecido
para micro e pequenas empresas em licitações públicas.

»» Recomendação nº 11 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): recomenda a inclusão do


tripé da sustentabilidade nas compras do CNJ.

»» Portaria MMA no 61/2008: estabelece práticas de sustentabilidade ambiental para as


compras do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

»» Instrução Normativa SLTI/MPOG no 02/2008: disciplina a contratação de serviços


pela Administração Pública Federal e traz diversos critérios ambientais e sociais que
devem ser observados, descrevendo detalhadamente as exigências ambientais para a
contratação de serviços de limpeza.

»» Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) – Lei no 12 12.187/2009: estabelece


a preferência nas contratações públicas para propostas que propiciem maior economia

91
AULA 6 • O setor público e a sustentabilidade

de energia, água e outros recursos naturais e a redução da emissão de gases de efeito


estufa e de geração resíduos.

»» Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) – Lei no 11.947/2009:, estabelece


que, no mínimo, 30% dos recursos financeiros repassados pelo Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE) deverão ser utilizados para aquisição de gêneros
alimentícios diretamente de agricultores familiares para a merenda escolar.

»» Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei no 12.305/2010: estabelece a


prioridade, nas contratações públicas “para produtos reciclados e recicláveis”’ e para
“bens’’, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo
social e ambientalmente sustentáveis’’.

Outras iniciativas em curso são: a Coleta Seletiva Solidária, a Agenda Ambiental na Administração
Pública, o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, o Programa de Eficiência do
Gasto Público, as Contratações Públicas Sustentáveis, o Projeto Esplanada Sustentáveis.

Finalizando, as ações sustentáveis não se tratam mais de luxo ou diferencial. São a urgente
necessidade de uma sociedade que precisa ser capaz de se reinventar, de ser capaz de escolher novos
rumos sob pena de sermos dominados por paradigmas decadentes e caminharmos a passos largos
para a nossa extinção mais rapidamente do que as previsões realizadas ao longo da última década.

Façamos como Fernando Pessoa, em seu poema “Alma de Poeta”

De tudo ficaram três coisas:


A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos fazer:
Da interrupção um caminho novo
Da queda um passo de dança
Do medo, uma escada
Do sonho, uma ponte

Da procura... um encontro

Sintetizando

Vimos até agora:


›› O conceito de sustentabilidade em suas diversas dimensões, entre elas, a ambiental, cultural, econômica, política.
›› Os pressupostos da gestão tradicional comparativamente a gestão ecocêntrica de empresas e sociedade.
›› Diferentes práticas de sustentabilidade como o consumo consciente, produção mais limpa, economia compartilhada e
slow food.
›› O setor público brasileiro e as diferentes políticas de sustentabilidade.

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