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TERMODINÂMICA APLICADA

Prof. Felipe Pamplona Mariano


E-mail: fpmariano@ufg.br
Bloco E – Sala: 04
Segunda Lei da Termodinâmica

Goiânia, 05 de junho de 2017.


Objetivos

• Segunda Lei da Termodinâmica:


– Enunciado de Kelvin-Plank;
– Enunciado de Clausius.
• Processos: Reversível x Irreversível;
• Ciclo de Carnot;
• Escalas de Temperaturas:
– Termodinâmica;
– Gás ideal.
• Máquinas: Ideal x Real.
Segunda Lei da Termodinâmica

• Primeira lei: para um sistema que efetua um


ciclo, a integral cíclica do calor é igual a
integral cíclica do trabalho.
• Não impõem nenhuma restrição quanto as
direções dos fluxo de calor e trabalho;
– Ex: em um ciclo uma determinada quantidade de
calor é cedida pelo sistema e uma quantidade
equivalente de trabalho é recebida pelo sistema,
satisfaz a primeira lei.
Segunda Lei da Termodinâmica

• Evidência experimental:
– Se um dado ciclo proposto não viola a
primeira lei, não está assegurado que este
ciclo possa realmente ocorrer;

• Segunda lei da termodinâmica:


– Indica que todos os processos conhecidos
ocorrem num certo sentido e não no
oposto.
Segunda Lei da Termodinâmica

• Ex: Uma xícara de café esfria em virtude da


transferência de calor para o ambiente, porém
calor não será transferido do ambiente, que
está a temperatura mais baixa que o café, para
a xícara;
• Ex: Consome-se gasolina quando um carro
sobe uma colina, mas o nível de combustível
não pode ser restabelecido ao nível original na
descida da mesma colina.
Motores térmicos e refrigeradores

• O sistema abaixo percorre um ciclo:


– Realiza-se trabalho sobre o sistema:
• Abaixamento do peso e pás do agitador;
– Transfere-se calor para o ambiente

• Não é possível inverter


o processo.
Motores térmicos e refrigeradores

• Sejam dois sistemas, um a temperatura


elevada e outro a temperatura baixa:
– Suponha um processo, no qual determinada
quantidade de calor é transferida do sistema a alta
para a baixa temperatura – processo pode
ocorrer;
Motores térmicos e refrigeradores

• Sejam dois sistemas, um a temperatura


elevada e outro a temperatura baixa:
– Processo inverso não pode ocorrer, apenas pela
transferência de calor;
Motores térmicos e refrigeradores
• Máquina cíclica ou máquinas térmicas:
– Motor térmico:
• Pode ser um sistema que opera segundo um
ciclo, realizando trabalho líquido positivo e
trocando calor líquido positivo;
– Refrigerador ou bomba de calor:
• Sistema que opera segundo um ciclo, que
recebe calor de um corpo a baixa temperatura
e cede calor para um corpo a alta temperatura
(precisa de trabalho);
Motores térmicos e refrigeradores

• Motor térmico elementar


– Definição: motor térmico é um dispositivo
que, operando segundo um ciclo
termodinâmico, realiza trabalho líquido
positivo, à custa da transferência de calor de
um corpo a temperatura elevada para um
corpo a temperatura baixa;
– A substância para a qual e da qual calor é
transferido é chamada de fluido de
trabalho;
Motores térmicos e refrigeradores

• Motor térmico elementar:


– Conclusão a partir da
primeira lei: o calor líquido
transferido é positivo é igual
ao trabalho realizado
durante o ciclo;
Motores térmicos e refrigeradores

• Obs: o termo “motor térmico” é utilizado em


um sentido mais amplo: designa todos os
dispositivos que produzem trabalho, por meio
da transferência de calor ou combustão,
mesmo que não opere segundo um ciclo
termodinâmico;
• Ex: motores de combustão interna e turbinas;
Motores térmicos e refrigeradores

• QH: calor transferido no corpo a alta


temperatura;
• QL: calor transferido do corpo a baixa
temperatura;
Motores térmicos e refrigeradores
• Ex: instalação motora a vapor simples
• Se a instalação é considerada
como um todo – pode ser
considerada um motor térmico:
• água é o fluido de trabalho;
• uma quantidade de calor,
QH é transferida de um
corpo a alta temperatura;
• Trabalho é fornecido;
• A quantidade de calor QL é
transferida para um corpo a
baixa temperatura;
Ciclo motor
• Exemplo de ciclo motor térmico:
Motores térmicos e refrigeradores
• Eficiência térmica:
– É a razão entre o que é produzido (energia
pretendida) e o que é usado (energia gasta);
• Eficiência térmica de um motor térmico:
– Energia pretendida = trabalho;
– Energia gasta = é o calor transferido da fonte de
alta temperatura – queima de combustível.

W QH  QL QL
   1
QH QH QH
Motores térmicos e refrigeradores
• Ciclo que envolve a impossibilidade de
transferir calor diretamente de um corpo a
baixa temperatura para um a alta temperatura
– Refrigerador;
• Calor é transferido para
o líquido refrigerante no
evaporador;
• O refrigerante recebe
trabalho no compressor;
• Transfere calor no
condensador;
• A queda de pressão
acontece no tubo
capilar;
Motores térmicos e refrigeradores
• A eficiência de um refrigerador é expressa em
termos do coeficiente de desempenho ou
coeficiente de eficácia ou COP:
QL QL
 
W QH  QL
• A eficiência de uma bomba de calor é:
QH QH
' 
W QH  QL
Motores térmicos e refrigeradores
• Reservatório térmico:
– É um corpo que nunca apresenta variação
de temperatura, mesmo estando sujeito a
transferências de calor;
• Permanece sempre com temperatura
constante.
– Ex: atmosfera e oceanos (boas
aproximações);
– Fonte: reservatório do qual se retira calor;
– Sorvedouro: reservatório para o qual se
transfere calor.
Segunda Lei da Termodinâmica
• Existem dois enunciados clássicos da segunda
lei:
– Enunciado de Kelvin-Planck: é impossível construir
um dispositivo que opere em um ciclo
termodinâmico e que não produza outros efeitos
além do levantamento de um peso e troca de
calor com um único reservatório térmico;
Segunda Lei da Termodinâmica
• Efeito em um motor térmico:
– É impossível construir um motor térmico que
opere segundo um ciclo que recebe uma
determinada quantidade de calor de um corpo a
alta temperatura e produza igual quantidade de
trabalho;
– A única alternativa é que alguma quantidade de
calor deve ser transferida do fluido de trabalho a
baixa temperatura para um corpo a baixa
temperatura;
Segunda Lei da Termodinâmica
• Um ciclo só pode produzir trabalho se estiverem envolvidos
dois níveis de temperatura e o calor for transferido do corpo
de alta para o motor térmico e do motor para o de baixa
temperatura;
• É impossível construir um motor térmico com eficiência de
100%;
Segunda Lei da Termodinâmica
• Enunciado de Clausius:
– É impossível construir um dispositivo que opere
segundo um ciclo e que não produza outros
efeitos, além da transferência de calor de um
corpo frio para um corpo quente;
• Ex: é impossível construir um refrigerador que
opere sem receber trabalho.
– O coeficiente de desempenho é sempre menor
que o infinito;
Segunda Lei da Termodinâmica

• Obs 1: São enunciados negativos, não podem


ser provados – a Segunda Lei da
Termodinâmica se fundamenta na evidência
experimental;
• Obs 2: Ambos os enunciados são equivalentes;
• Obs 3: Impossibilidade da construção de um
moto-perpétuo de segunda espécie;
Segunda Lei da Termodinâmica

• Moto-perpétuo de primeira espécie: cria


trabalho do nada, i.e., cria massa e energia do
nada – viola a primeira lei;
• Moto-perpétuo de segunda espécie: viola a
segunda lei;
• Moto-perpétuo de terceira espécie: não tem
atrito e opera indefinidamente;
Segunda Lei da Termodinâmica
• http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/247
0/motos-perpetuos-o-museu-dos-dispositivos-
impraticaveis
• Rodas desequilibradas:
– O primeiro dispositivo de movimento perpétuo documentada foi
descrita pelo autor indiano Bhaskara no século XI. Era uma roda com
recipientes de mercúrio ao longo da borda. Enquanto a roda girava, o
mercúrio deveria se mover dentro dos recipientes de forma que a roda
sempre estaria mais pesada de um lado do eixo. Esta imagem animada
gira bem e perpetuamente, mas nós podemos estar certos de que a
roda de Bhaskara diminuía de velocidade e parava.
Segunda Lei da Termodinâmica
• Esta ideia de “roda desequilibrada” reapareceu em
uma variedade impressionante de formas ao longo
dos séculos.

• Seja cético com qualquer proposta de moto


perpétuo.
Segunda Lei da Termodinâmica
• Motor térmico que viola a segunda lei – pode ser
transformado em um moto-perpétuo:
– Ex: Instalação propulsora de um navio;
– Quantidade de calor QL é transferido do oceano para um
corpo a alta temperatura, por meio de uma bomba de
calor;
– O trabalho necessário é W’;
– Calor transferido para o corpo de alta temperatura é QH;
– Uma mesma quantidade de calor é transferida para o
motor térmico;
– Produção de trabalho igual QH - violação do enunciado de
Kelvin-Planck;
Segunda Lei da Termodinâmica
• Deste trabalho realizado, uma parcela, QH - QL é
necessária para acionar a bomba de calor
sobrando trabalho líquido para movimentar o
navio;
Segunda Lei da Termodinâmica
Processo Reversível
• É definido como aquele que, tendo ocorrido, pode
ser invertido e depois de realizada essa inversão não
se notará algum vestígio nos sistema e nas
vizinhanças.
Processo Reversível
• Ex: o pino é removido o pistão sobe e se choca contra os
batentes;
• Para restabelecer o estado inicial - exerce uma força sobre o
pistão, comprimindo o gás até que o pino possa ser
recolocado;
• Porém a pressão exercida para a volta é maior que na ida:
Wida<Wvolta;
• Calor deve ser transferido do gás para que o sistema tenha a
mesma energia interna que a inicial;
• Assim o sistema retorna ao estado inicial, mas provocou
alterações nas vizinhanças – processo é irreversível;
Fatores que tornam irreversível um processo
• Atrito:
Fatores que tornam irreversível um processo
• Expansão não resistida:
Fatores que tornam irreversível um processo
• Mistura de duas substâncias diferentes:
Fatores que tornam irreversível um processo
• Transferência de calor com diferença finita de
temperatura:
– Sistema: corpo a alta temperatura e outro corpo a baixa
temperatura;
– Transferência de calor do corpo de alta temperatura para o
de baixa temperatura;
– A única maneira para o sistema retornar ao estado inicial é
providenciando um refrigerador, o que demanda trabalho
das vizinhanças e uma determinada transferência de calor
para as vizinhanças;
• Transferência de calor reversível ocorre quando calor
é transferido por meio de uma diferença infinitesimal
de temperatura;
Fatores que tornam irreversível um processo
• Irreversibilidade interna e externa:
– Sejam dois sistemas idênticos, para os quais se
transfere calor;
Fatores que tornam irreversível um processo
• Irreversibilidade interna e externa:
– Constituídos de substância pura;
– A temperatura se mantém constante durante o
processo de transferência de calor;
– Em um dos processos calor é transferido de um
reservatório à temperatura T+dT:
• Processo reversível de transferência de calor.
– No outro de um reservatório com temperatura
T+ΔT, que é muito maior que a do sistema:
• Processo irreversível de transferência de calor.
Fatores que tornam irreversível um processo
• Irreversibilidade interna e externa:
– Quando se considera apenas o sistema ele
passa exatamente pelos mesmos estados
nos dois processos;
– No segundo caso: diz-se então que o
processo é internamente reversível;
– Porém, externamente irreversível, a
irreversibilidade ocorre fora do sistema;
Fatores que tornam irreversível um processo
• Irreversibilidade interna e externa:
– Em um processo reversível, o afastamento
do equilíbrio é infinitesimal, ocorrendo com
velocidade infinitesimal;
– Os processos reais ocorrem com
velocidades finitas, afastando do equilíbrio;
– Portanto, os processos reais são
irreversíveis em determinado grau;
– Quanto maior o afastamento do equilíbrio a
irreversibilidade é maior;
Ciclo de Carnot
• Nicolas Leonard Sadi Carnot (1796 - 1832)

• Considerações:
– Motor térmico que recebe calor de um
reservatório térmico a alta temperatura;

– Rejeita calor para um de baixa temperatura;

• Obs: as temperaturas dos reservatórios são


constantes e independem da quantidade de calor
transferidas.
Ciclo de Carnot
• Considerações:
– Todos os processos reversíveis – ciclo é
reversível:
• Se o ciclo for invertido o motor se
transforma em um refrigerador;

• Ciclo de Carnot: É o ciclo mais eficiente que


pode operar entre dois reservatórios térmicos;
Ciclo de Carnot
• Ex: Instalação simples a vapor de água (ou
refrigerador) operando segundo um ciclo de Carnot;
Ciclo de Carnot
• Calor é transferido do reservatório de alta
temperatura para a água no gerador de vapor
– Para que o processo seja reversível, a
temperatura da água é infinitesimalmente
menor que a temperatura do reservatório –
a temperatura da água se mantem
constante – processo isotérmico reversível;
Ciclo de Carnot
• Processo na turbina é considerado sem
transferência de calor:
– É um processo de expansão adiabático
reversível, a temperatura do fluido de
trabalho diminui desde a temperatura do
reservatório de alta até o de baixa
temperatura;
Ciclo de Carnot
• Calor é rejeitado do fluido de trabalho para o
reservatório a baixa temperatura:
– Para que o processo seja reversível, a
temperatura da água é infinitesimalmente
maior que a temperatura do reservatório –
processo isotérmico reversível.
Ciclo de Carnot

• Temperatura do fluido de trabalho aumenta


desde a temperatura do reservatório de baixa
temperatura até o de alta:
– É um processo de compressão adiabático
reversível;
Ciclo de Carnot
Ciclo de Carnot

• O ciclo de Carnot pode ser realizado de várias


maneiras diferentes;
• Várias substâncias diferentes podem ser
utilizadas;
• Vários arranjos possíveis para as máquinas;
Ciclo de Carnot
• Ex: ciclo de Carnot em um cilindro, utilizando gás
como fluido de trabalho;
Ciclo de Carnot
• Tem sempre os mesmos quatro processos:
– Processo isotérmico reversível, no qual calor é
transferido para ou do reservatório a alta temperatura;
– Processo expansão adiabático reversível, no qual
temperatura do fluido de trabalho diminuí desde a do
reservatório a alta temperatura até a do outro
reservatório;
– Processo isotérmico reversível, no qual calor é
transferido para, ou do, reservatório a baixa
temperatura;
– Processo compressão adiabático reversível, no qual
temperatura do fluido de trabalho aumenta desde a do
reservatório de baixa temperatura até a do outro
reservatório;
Dois teoremas relativos ao rendimento térmico
do ciclo de Carnot

• 1o Teorema - “É impossível construir um motor que


opere entre dois reservatórios térmicos e tenha
rendimento térmico maior que um motor reversível
(motor de Carnot) operando entre os mesmos
reservatórios”;

• 2o Teorema - “Todos os motores que operam


segundo um ciclo de Carnot, entre dois reservatórios
à mesma temperatura, têm o mesmo rendimento
térmico“.
Dois Teoremas relativos ao rendimento térmico do ciclo de
Carnot

• A eficiência de um ciclo de Carnot depende


apenas das temperaturas dos reservatórios
térmicos e é independente da substância de
trabalho;
Escala termodinâmica de temperatura
• A Lei Zero da Termodinâmica estabelece uma
base para a medida de temperatura;
• Porém, a escala de temperatura depende da
substância e do aparelho de medição;
• É interessante obter uma escala de
temperatura independente desses fatores:
escala absoluta de temperatura;
Escala termodinâmica de temperatura
• Em um ciclo de Carnot a eficiência é
independente da substância;
– Só depende das temperaturas dos reservatórios
térmicos;
• Este fato, estabelece a base para essa escala
absoluta de temperatura chamada de escala
termodinâmica;
• O rendimento térmico do ciclo de Carnot:
QL
térmico  1  1  TL , TH 
QH
Escala termodinâmica de temperatura
• Escala termodinâmica de temperatura ou
escala Kelvin:
– A razão entre duas temperaturas é a mesma razão
dos valores das transferências de calor absorvida e
rejeitada, por um sistema percorrendo um ciclo
reversível, dado que este ciclo se comunica
termicamente com reservatórios a estas
temperaturas:

QH TH

QL ciclo TL
reversível
Escala termodinâmica de temperatura
• O rendimento térmico do ciclo de Carnot é dado por:

QL TL
Carnot  1  1
QH ciclo TH
reversível

QL TL
Carnot  
QH  QL ciclo TH  TL
reversível

QH TH
 '
 
QH  QL TH  TL
Carnot
ciclo
reversível
Exemplos
• Exemplo: Um ciclo de potência é capaz de produzir
410 kW, dado que ele precisa de 1000 kW de energia
para funcionar. Sabendo que este sistema recebe
calor de um reservatório de gases quentes que está a
500 K e descarrega calor para a atmosfera que está a
300 K. Calcule:
– A eficiência real desse ciclo;
– A eficiência de Carnot desse ciclo.
Exemplos
• Sistema: motor térmico;
• Primeira lei:
QL  QH  W  1000  410  590 kW

• Eficiência térmica:
W 490
térmico    0, 49
QH 1000
• A eficiência de Carnot:
TL 300
Carnot  1  1  0, 40
TH 500
Exemplos
• Ex 7.4: A figura mostra o esquema de um motor
térmico que opera entre dois reservatórios térmicos
a 550 ºC e o ambiente 300 K. A taxa de transferência
de calor do reservatório a alta temperatura para o
motor é 1 MW e a potência do motor térmico, ou
seja, a taxa de realização de trabalho é 450 kW.
Calcule o valor da taxa de transferência de calor para
o ambiente e determine a eficiência desse motor
térmico. Compare esse valores com os relativos a um
motor térmico de Carnot que opera entre os mesmos
reservatórios térmicos.
Exemplos
• Sistema: motor térmico;
• Primeira lei:
QL  QH  W  1000  450  550 kW

• Eficiência térmica:
W 450
térmico    0, 45
QH 1000
• A eficiência de Carnot:
TL 300
Carnot  1  1  0, 635
TH 550  273,15
Exemplos
• A potência do motor de Carnot:

W  Carnot .QH  0, 635.1000  635 kW

• A transferência de calor para o


ambiente:
QL  QH  W  1000  635  365 kW
Exemplos
• A figura mostra o esquema de uma máquina
de condicionamento de ar que deve ser
utilizada para manter um ambiente a 24 ºC. A
carga térmica a ser removida desse ambiente
é igual a 4 kW. Sabendo que o ambiente
externo está a 35 ºC estime a potência
necessária para acionar o equipamento.
Exemplos
Exemplos
• Cálculo da potência mínima de acionamento
do aparelho de ar condicionado:
– Admitir que o aparelho de ar condicionado opera
segundo um ciclo de Carnot;
QL QL TL
  
W QH  QL TH  TL
24  273,15
  27
 35  273,15   24  273,15 
– Potência de acionamento:
QL
4
W   0,15 kW
 27
Escala termodinâmica de gás ideal

• Essa escala é baseada no seguinte fato:


– À medida que a pressão de um gás tende a zero, a
equação de estado é válida:

Pv  RT

– A temperatura de gás ideal satisfaz a definição de


temperatura termodinâmica, então:
QH TH

QL TL
Escala termodinâmica de gás ideal

• Termômetro de gás de volume constante:


• Admite-se que o gás
no bulbo esteja a
mesma temperatura
do tubo capilar;
• Então a pressão do
gás, correspondente
à altura L da coluna
de mercúrio, é uma
indicação de
temperatura.
Escala termodinâmica de gás ideal

• Termômetro de gás de volume constante:


– Usa-se o ponto triplo da água como referencial,
273,16 K;
– Mede-se a pressão que está associada à
temperatura nesse ponto: Pp.t.;
– Usando a definição de gás ideal, qualquer outra
temperatura T pode ser determinada a partir da
medida de pressão P por meio da relação:
P
T  273,16.
Pp.t .
Escala termodinâmica de gás ideal

• Exemplo: Em um termômetro de gás ideal de


volume constante, no ponto de congelamento
da água (T=0 ºC) a pressão medida é de 110,9
kPa. No ponto de ebulição (T=100 ºC) é de
151,5 kPa. Por meio de uma extrapolação,
estime para qual temperatura absoluta de gás
ideal em Kelvin e a escala de temperatura em
Celsius.
Escala termodinâmica de temperatura
• Resolução:

PV  mRT
• Massa e volume são constantes;

P  CT
Escala termodinâmica de temperatura
P 151,5  110,9
• Resolução:   0, 406 kPa /º C
T 100, 0  0

• Extrapolando do ponto 0 ºC para P=0:


110,9 kPa
T  0  273,15 º C
0, 406 kPa /º C
Escala termodinâmica de gás ideal

• O problema é que não existe gás ideal;


• Porém, quanto menor a pressão o
comportamento de todos os gases tende ao de
gás ideal;
• Faz-se então uma série de medidas da
temperatura do ponto triplo da água com
quantidades diferentes de gás no bulbo do
termômetro;
Escala termodinâmica de gás ideal

• Se a temperatura indicada, Ti, com a hipótese


de gás ideal, for representada graficamente em
função da pressão do gás sempre obtém-se:
Escala termodinâmica de gás ideal

• Analisando os processos que ocorrem em um


motor térmico de Carnot:
• Hipóteses:
– Opera segundo um ciclo
de Carnot;
– Utiliza um gás ideal
como fluido de trabalho;
– Considera-se a massa de
gás unitária;
Escala termodinâmica de gás ideal

• O trabalho reversível do movimento de


fronteira nos quatro processos podem ser
calculados como:

 w  P.dv

• Como o gás é ideal, então:


P.v  R.T
• Energia interna é calculada por:
du  Cv 0 .dT
Escala termodinâmica de gás ideal

• Admitindo variações de energia cinética e


potencial desprezíveis, a primeira lei fica:
 q  du   w

• Combinando as quatro equações anteriores:


R.T
 q  Cv 0 .dT  .dv
v
Escala termodinâmica de gás ideal

• Integrando a equação em cada um dos quatro


processos que compõem o ciclo de Carnot:
– Processo 1-2, transferência de calor isotérmica, em TH:
v2
qH 1 q2  0  R.TH ln
v1

– Processo 2-3, processo de expansão adiabática:


TL
Cv 0 v3
0 
TH
T
.dT  R.ln
v2
Escala termodinâmica de gás ideal

• Integrando a equação em cada um dos quatro


processos que compõem o ciclo de Carnot:
– Processo 3-4, transferência de calor isotérmica, em TL:
v4 v3
qL  3 q4  0  R.TL ln  R.TL ln
v3 v4

– Processo 4-1, processo de compressão adiabática:


TH
Cv 0 v1
0 
TL
T
.dT  R.ln
v4
Escala termodinâmica de gás ideal

• Usando as expressões da curvas adiabáticas:


TH
Cv 0 v3 v1

TL
T
.dT  R.ln   R.ln
v2 v4

• Então:
v3 v4 v3 v2
 ou 
v2 v1 v4 v1
Escala termodinâmica de gás ideal

• Por fim:
v2
R.TH ln
qH v1 TH
 
qL v3 TL
R.TL ln
v4