Você está na página 1de 86

Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO .............................................................................................. 05

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 09

2 PRENSAS ........................................................................................................ 10
2.1 PRENSAS MECÂNICAS EXCÊNTRICAS DE ENGATE POR CHAVETA
OU ACOPLAMENTO EQUIVALENTE – PMEEC ............................................ 10
2.1.1 Estrutura ............................................................................................. 11
2.1.2 Cadeia cinemática ............................................................................. 11
2.1.3 Zona de prensagem ........................................................................... 16
2.1.4 Proteção em prensas mecânicas excêntricas de engate por
chaveta ......................................................................................................... 18
2.2 PRENSAS MECÂNICAS EXCÊNTRICAS COM FREIO/EMBREAGEM –
PMEFE ............................................................................................................. 19
2.2.1 Estrutura ............................................................................................. 21
2.2.2 Cadeia cinemática ............................................................................. 21
2.2.3 Sistema freio/embreagem ................................................................. 23
2.2.3.1 Sistema conjugado ........................................................................ 24
2.2.3.2 Sistema separado .......................................................................... 24
2.2.4 Válvula de segurança ........................................................................ 25
2.2.5 Zona de prensagem ........................................................................... 26
2.2.6 Proteção em prensas mecânicas excêntricas com
freio/embreagem ......................................................................................... 27
2.3 PRENSAS MECÂNICAS DE FRICÇÃO COM ACIONAMENTO POR
FUSO - PMFAF................................................................................................. 29
2.3.1 Estrutura ............................................................................................. 30
2.3.2 Cadeia cinemática ............................................................................. 30
2.3.3 Zona de prensagem ........................................................................... 31
2.3.4 Proteção em prensas com acionamento por fuso ......................... 31
2.4 PRENSAS HIDRÁULICAS – PH ............................................................... 34
2.4.1 Estrutura ............................................................................................. 34
2.4.2 Principais componentes da PH ........................................................ 35
2.4.2.1 Válvula ou bloco de segurança hidráulico ..................................... 36
2.4.2.2 Válvula de retenção ....................................................................... 37
2.4.3 Zona de prensagem ........................................................................... 38
2.4.4 Proteção em prensas hidráulicas .................................................... 38

3 EQUIPAMENTOS SIMILARES ....................................................................... 40


3.1 MARTELO PNEUMÁTICO ......................................................................... 40
3.1.1 Proteção em martelos pneumáticos ................................................ 40
3.2 MARTELO DE QUEDA .............................................................................. 41
3.2.1 Proteção em martelos de queda ...................................................... 41
3.2.2 Cinta .................................................................................................... 42
3.2.3 Volantes e polias ............................................................................... 42
3.3 DOBRADEIRA OU PRENSA VIRADEIRA ................................................. 43
3.3.1 Proteção em dobradeiras .................................................................. 44
2
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

3.4 GUILHOTINA, TESOURA E CISALHADORA (MANUAL, MECÂNICA E


HIDRÁULICA) ................................................................................................. 47
3.4.1 Proteção em guilhotinas, tesouras e cisalhadoras ....................... 48
3.5 ROLO LAMINADOR, LAMINADORA E CALANDRA ................................. 49
3.5.1 Proteção em rolo laminador, laminadora e calandra ..................... 51

4 FERRAMENTAS, ESTAMPOS OU MATRIZES ............................................. 52


4.1 MOVIMENTAÇÃO DE FERRAMENTAS ................................................... 54

5 SISTEMAS DE ALIMENTAÇÃO / EXTRAÇÃO .............................................. 56


5.1 MANUAL .................................................................................................... 56
5.2 GAVETA .................................................................................................... 58
5.3 BANDEJA ROTATIVA OU TAMBOR DE REVÓLVER .............................. 59
5.4 POR GRAVIDADE, QUALQUER QUE SEJA O MEIO DE EXTRAÇÃO ... 60
5.5 MÃO MECÂNICA OU ROBÔ ..................................................................... 61
5.6 TRANSPORTADOR OU ALIMENTADOR AUTOMÁTICO ........................ 61
5.7 DESBOBINADEIRA E ENDIREITADEIRA ................................................ 62
5.7.1 Proteção em desbobinadeiras e endireitadeiras ............................ 62

6 DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO AOS RISCOS EXISTENTES NA ZONA


DE PRENSAGEM OU DE TRABALHO ............................................................. 65
6.1 PROTEÇÕES FIXAS ................................................................................. 65
6.2 PROTEÇÕES MÓVEIS ............................................................................. 65
6.3 ENCLAUSURAMENTO DA ZONA DE PRENSAGEM .............................. 66
6.4 FERRAMENTA FECHADA ........................................................................ 68
6.5 COMANDO BI-MANUAL ............................................................................ 70
6.6 CORTINA DE LUZ ..................................................................................... 71

7 OUTROS DISPOSITIVOS COMPLEMENTARES PARA


MONITORAMENTO DE ÁREA .......................................................................... 75
7.1 SCANNER ................................................................................................. 75
7.2 TAPETE DE SEGURANÇA ....................................................................... 76

8 DISPOSITIVOS DE PARADA DE EMERGÊNCIA .......................................... 78

9 MONITORAMENTO DO CURSO DO MARTELO ........................................... 79

10 COMANDOS ELÉTRICOS DE SEGURANÇA .............................................. 80


10.1 CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP) DE SEGURANÇA . 81
10.2 RELÉS DE SEGURANÇA ....................................................................... 81

11 SISTEMAS DE RETENÇÃO MECÂNICA – CALÇOS DE SEGURANÇA .... 83

12 PLATAFORMAS DE ACESSO ..................................................................... 85

13 MANUTENÇÃO ............................................................................................. 86

14 ATERRAMENTO ELÉTRICO ........................................................................ 88

3
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

APRESENTAÇÃO

No início da década de 1980, entidades representativas de trabalhadores,


começavam a externalizar para a sociedade o sofrimento das vítimas de acidentes
de trabalho. Significativa parcela das lesões dos membros superiores se originava
de trabalho com prensas e similares.

Em 1989, com o apoio da DRT/SP, Magrini e colaboradores1 pesquisaram


condições de trabalho com prensas mecânicas nas indústrias da zona norte da
cidade de São Paulo, revelando que 91% destas máquinas eram do tipo “engate de
chaveta”; 38% exigiam o ingresso das mãos dos operadores nas zonas de
prensagem e 78% apresentavam a zona de prensagem aberta. Tais situações
corroboravam o elevado número de acidentes graves apresentados nas estatísticas
da Previdência Social.

A grande quantidade destas máquinas instaladas no parque fabril nacional


levou à necessidade de ações coletivas.

Num esforço para reversão desta situação, de 1993 a 1995, a Convenção


Coletiva Geral dos Metalúrgicos de São Paulo promoveu a criação de uma
subcomissão bipartite de caráter permanente, específica para estudar o assunto.

Em 1996, a DRT/SP, em busca de um diagnóstico aperfeiçoado, abriu a


discussão com órgãos públicos, técnicos e acadêmicos, além das representações
sindicais, visando o estabelecimento de proteções e procedimentos para trabalho
seguro com prensas e similares. Nascia assim o PPRPS – Programa de Prevenção
de Riscos em Prensas e Similares.

Na continuidade, a Portaria DRT/SP nº 50 de 11/9/1997 cria a Comissão de


Negociação Tripartite sobre proteção em Prensas Mecânicas, onde evoluiu o
entendimento entre as partes.

1
MAGRINI Rui; MARTARELLO, Norton. Condições de trabalho na operação de prensas. In: Costa e cols.
Programa de saúde dos trabalhadores, Experiência da Zona Norte : Uma Alternativa em saúde pública. São
Paulo, Hucitec, 1989. p. 267-294.

5
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Em abril de 1999, o Brasil foi sede do XV Congresso Mundial de Segurança e


Saúde no Trabalho, que premiou com o 1º lugar, dentre concorrentes internacionais,
o vídeo elaborado em conjunto pela DRT/SP/Fundacentro e o Sindicato dos
Metalúrgicos de SP, “Máquina Risco Zero”, demonstrando o andamento das
negociações e meios de prevenção de acidentes com prensas e similares.

Embalados pelo clima festivo da premiação e pelo estabelecimento, desde o


final de 1997, da proibição de construção de prensas com engate de chaveta,
através da Norma ABNT NBR 13930 - Prensa Mecânica – Requisitos de Segurança,
foi firmada, em 27 de maio de 1999, a Convenção Coletiva adotando a
obrigatoriedade de implantação do PPRPS pelos signatários, com alcance aos
municípios de São Paulo, Mogi das Cruzes e região.

Em outros estados do Brasil, como MG e RS, os acidentes de trabalho


demonstravam a necessidade de enfrentamento do problema e a busca por
soluções coletivas.

Trabalhando em Caxias do Sul/RS, o Dr. João Fernando dos Santos Mello e


colaboradores, analisaram extensa casuística de traumatismos de mão, causados
por acidentes de trabalho.

Nos cinco primeiros meses do ano de 1993 foram analisados 1.700 acidentes:
500 (30%) atingiram a mão do trabalhador, sendo que 398 restaram em amputação
de dedos. O mesmo estudo apontou que a indústria metalúrgica foi responsável por
50% dos acidentes, destacando-se as prensas como as máquinas que mais
vitimaram trabalhadores.

A DRT/RS procurou estabelecer instâncias de negociação tripartite, a


exemplo do que já vinha acontecendo no centro do país, buscando a sinergia das
ações desenvolvidas em conjunto pelo Ministério do Trabalho e Emprego e
representações de trabalhadores e empregadores.

6
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Orientados pelo planejamento nacional, que subdividiu a geografia de riscos


do trabalho no país, em 2000 foi estabelecida como meta macro regional no Estado
do RS, a redução de acidentes na indústria metalúrgica.

Durante o ano de 2000 foi elaborado um diagnóstico para priorização de


estratégias de redução de acidentes, o qual foi confirmado pelo estudo apresentado
pelo Ministério da Previdência e Assistência Social – Máquinas e Acidentes de
Trabalho, que identificou dentre as máquinas que mais causam acidentes, as
prensas para metalurgia, responsáveis por 42% dos casos de esmagamento de
dedos ou de mãos registrados em 1995 e 25% de todos os acidentes graves
causados por máquinas no mesmo ano. Grande parte desses acidentes ocorre em
razão da utilização de máquinas obsoletas e inseguras.

Em 2001, dentre as ações para enfrentamento do problema, surgiu a


necessidade da criação do Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares,
instrumento para difundir, de forma mais efetiva e abrangente, a identificação e
formas de erradicação dos riscos mais comuns presentes nas operações com
prensas e similares, incluindo a divulgação da NBR 13536 - Máquinas injetoras para
plásticos e elastômeros - requisitos técnicos de segurança para o projeto, construção
e utilização.

Mais recentemente, a convenção coletiva que estabelecia o PPRPS foi


ampliada para as outras convenções já existentes, como de injetoras e galvânica, e
estendida para todo estado de São Paulo.

Em 2004, o Ministério do Trabalho, a fim de uniformizar e divulgar boas


práticas em nível nacional, ouvidos os trabalhadores, empregadores e fabricantes,
publicou nota técnica, que levou o número NT 37/2004, a qual estabeleceu
princípios para proteção de prensas e similares, nota esta que foi substituída pela
Nota Técnica de número NT 16/2005, com pequenas adequações.

O presente manual, fundamentado na NT 16/2005, tem como objetivo


potencializar as ações tripartites, divulgar boas práticas a serem adotadas por todos
aqueles que fabricam e utilizam prensas e similares, reduzir os acidentes de
7
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

trabalho, e, fundamentalmente, bem orientar empresas e empregados com relação


às regras básicas de segurança que deverão ser atendidas no dia-a-dia, no intuito
de preservar a integridade física do trabalhador.

8
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

1 INTRODUÇÃO

Todas as máquinas e os equipamentos com acionamento repetitivo, que não


tenham proteção adequada, oferecendo risco ao operador, devem ter dispositivos
apropriados de segurança para o seu, conforme disposto na NR 12 – Máquinas e
Equipamentos. Esta norma regulamentadora traz medidas de ordem geral. Como o
objetivo deste Manual é trazer condições mínimas de proteção a um grupo
específico de máquinas (prensas e similares), de acordo com a NT 16/2005, passar-
se-á a enfocar os aspectos peculiares a cada máquina e equipamento.

Este Manual classifica as prensas mais encontradas na indústria, e que


deverão ser equipadas com dispositivos de segurança citados na NT 16/2005,
conforme segue.

9
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2 PRENSAS

Prensas são máquinas utilizadas na conformação e corte de materiais


diversos, onde o movimento do martelo (punção) é proveniente de um sistema
hidráulico/pneumático (cilindro hidráulico/pneumático) ou de um sistema mecânico (o
movimento rotativo é transformado em linear através de sistemas de bielas,
manivelas ou fusos).

As prensas, quanto ao sistema de transmissão do movimento do martelo,


apresentam diversas modalidades. Neste manual abordaremos as mais utilizadas no
parque industrial brasileiro.

2.1 PRENSAS MECÂNICAS EXCÊNTRICAS DE ENGATE POR CHAVETA OU


ACOPLAMENTO EQUIVALENTE - PMEEC

As Prensas Mecânicas Excêntricas de Engate por Chaveta (PMEEC) têm


como características o curso limitado, energia constante e força variável do martelo
em função da altura de trabalho. Podem ter o corpo em forma de “C” (com um
montante) ou em forma de “H” (com duplo montante), com transmissão direta do
volante ou com redução por engrenagens, com mesa fixa ou regulável, horizontal ou
inclinada.

O volante, movimentado por um motor elétrico, está apoiado na extremidade


de um eixo, através de uma bucha de engate onde se encaixa uma chaveta rotativa
(meia cana). Em sua outra extremidade o eixo está fixado em uma bucha excêntrica,
alojada em uma biela, responsável pela transformação do movimento rotativo em
movimento linear.

Quando acionada, através de um pedal elétrico, pneumático ou hidráulico, ou


comando bi-manual (é proibido o uso de pedais ou alavancas mecânicas), um
dispositivo mecânico ou pistão hidráulico movimenta um pino em forma de “L”,
puxando uma mola que faz com que a chaveta rotativa seja acoplada à bucha de
engate, transmitindo o movimento de rotação ao conjunto eixo/bucha excêntrica,

10
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

transformado em movimento linear pela biela, realizando o trabalho de descida e


subida do martelo.

As Prensas Mecânicas Excêntricas de Engate por Chaveta (PMEEC), uma


vez acionadas, possuem ciclo completo de trabalho, que consiste no movimento do
martelo a partir de sua posição inicial, no Ponto Morto Superior (PMS), até o Ponto
Morto Inferior (PMI), e retorno à posição inicial do ciclo, não sendo possível
comandar a parada imediata do martelo após iniciado o seu movimento de descida.

Este é o tipo de prensa mais utilizado no Brasil, por seu menor custo e baixa
complexidade construtiva, sendo largamente encontrada em estamparias onde são
requeridos maior precisão e repuxos pouco profundos.

Figura 1 –MEEC completamente desprotegida.


2.1.1 Estrutura

A PMEEC pode ser confeccionada em ferro fundido, aço fundido ou em chapa


de aço soldada.

2.1.2 Cadeia cinemática

11
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

São todas as peças que geram um movimento para ser aplicado no martelo.
São exemplos os volantes, as engrenagens, os eixos, as bielas, as guias, as
correias, etc.

Legenda:
A - Motor
B - Volante
C - Eixo
D - Biela
E - Martelo

Figura 2 – Desenho esquemático da cadeia cinemática da PMEEC.

Figura 3 – Eixo excêntrico da PMEEC.

Figura 4 – Biela da PMEEC. Figura 5 – Eixo rompido da PMEEC.

12
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

IMPORTANTE
O conjunto ponta do eixo biela deverá ter proteção fixa, integral e resistente,
pois em caso de ruptura do eixo (Figura 5) por sobrecarga ou fadiga, evitará
que a biela se projete sobre o operador.

Figura 6 – Martelo.

Figura 7 – PMEEC com risco de queda Figura 8 – PMEEC com proteção contra queda
de biela por rompimento do eixo. da biela.

13
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 9 – Mecanismo de acionamento da chaveta (caixa de disparo).

Figura 10 – Componentes do acoplamento: chaveta, pino L, buchas


e eixo.

Figura 11 – Pino L e chaveta: detalhe.

14
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

RUPTURA
DE
CHAVETA

Figura 12 – Componentes montados. Figura 13 – Chaveta quebrada.

IMPORTANTE
Devido às suas características construtivas, é freqüente nestas prensas a
ocorrência de um fenômeno denominado “REPIQUE” (repetição de golpe),
devido a falhas mecânicas no sistema de acoplamento, como a quebra ou
desgaste da chaveta ou do pino “L”, relaxamento das molas, entre outros,
ocasionando a descida involuntária do martelo, por uma ou mais vezes.

Principais causas do REPIQUE:

1. Após ter efetuado uma volta, a chaveta não encontra a lingüeta partindo
então para uma nova volta. Este se trata do golpe redobrado imediato.

2. O outro tipo se refere à escora, ou lingüeta, que retorna para sua posição
desligada ou desengatada muito tarde: a chaveta pára, mas em posição
precária ou instável e, desse modo, ela pode então retomar novo ciclo, sem ter
havido imposição do mecanismo de acionamento. Este último caso representa
o mais inesperado, portanto é o que oferece o maior risco de acidentes.

3. Outro ponto que deve ser destacado como integrante da formação do golpe
redobrado ou repique é a ruptura da chaveta por fadiga. Este elemento da
máquina está normalmente submetido a diversos e repetitivos esforços, que
podem alcançar 8000 ciclos/dia.

Merece especial atenção:

Prensas que utilizam bolsa (almofada) de ar, pois sofrem contra-golpe após a
batida, desincronizando o engate e rompendo a chaveta causando o repique.
Quando a máquina possui elementos acumuladores de fluídos incorporados
ao seu sistema de comando, deverá ser analisada a necessidade de inspeção
no(s) reservatório(s), conforme estabelecido na NR13.

15
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 15 – Reservatório de fluído.

Figura 14 – Reservatório de fluído instalado na


prensa desprotegida.

2.1.3 Zona de Prensagem

O espaço entre o martelo e a mesa da prensa, onde se coloca o ferramental,


é chamado Zona de Prensagem, sendo a área onde o martelo aplica a força. Nela
encontra-se a maior área de risco, visto que a exposição do operador pode ocorrer a
cada ciclo, repetindo-se várias vezes ao longo da jornada.

Por este motivo deverá ser impedido o acesso por todos os lados, através de
proteção física fixa durante o ciclo normal de trabalho.

Para manutenção ou troca de ferramental, poderá se dispor de proteção


móvel intertravada que garanta a parada total da máquina (monitor de detecção de
movimento); deverá ainda se utilizar dispositivo de retenção mecânica (calço)
instalado entre a mesa e o martelo. A máquina deverá ser provida de chave
seccionadora ou dispositivo de mesma eficácia, dotado de bloqueio que impeça
qualquer partida inesperada.

16
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

IMPORTANTE
É proibido o uso de pedais ou alavancas mecânicas para o acionamento.
Comandos do tipo bi-manual poderão ser utilizados como acionadores a fim
de eliminar o pedal, porém não constituem proteção.

Figura 16 – PMEEC totalmente Figura 17 – PMEEC totalmente desprotegida


desprotegida com pedal. com alavanca.

Poderá ser admitida a utilização de pedais com atuação elétrica, pneumática


ou hidráulica, dentro de uma caixa de proteção, respeitando as dimensões previstas
na NBRNM-ISO 13853, desde que não haja acesso à Zona de Prensagem através
de barreira física ou quando utilizada ferramenta fechada.

17
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 18 – Pedal elétrico protegido contra


acionamento acidental (caixa de proteção).

2.1.4 Proteção em prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta

Para as prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta deverá ser


garantido o impedimento físico ao ingresso de qualquer parte do corpo, vestimenta,
e especialmente das mãos do operador na zona de prensagem. Para tanto, as
empresas devem valer-se dos seguintes recursos tecnológicos:
a) ser enclausuradas, com proteções fixas, e, havendo necessidade de
troca freqüente de ferramentas com proteções móveis dotadas de
intertravamento com bloqueio, por meio de chave de segurança, de
modo a permitir a abertura somente após a parada total dos
movimentos de risco ou,
b) operar somente com ferramentas fechadas.
IMPORTANTE
Para as prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta deverá ser
adotado pelo menos um dos recursos acima apresentados, sendo considerada
situação de grave e iminente risco a falta de proteção que impeça o acesso das
mãos do trabalhador na zona de prensagem, podendo levar a imediata
interdição do equipamento pela fiscalização do Ministério do Trabalho.
Dispositivos como pinças magnéticas ou mecânicas e tenazes podem ser
utilizadas somente para atividades de forjamento a quente ou a morno, com
medidas de proteção que garantam o distanciamento do trabalhador à área de
risco, ficando vedado o uso de afasta-mão ou similar para operações de
qualquer espécie.

18
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 19 – PMEEC desprotegida. Figura 20 – PMEEC dotada de proteção


móvel intertravada na zona de prensagem.
(própria para troca freqüente de ferramenta)

Deverão ainda, ser providas de proteção fixa integral e resistente, através de


chapa ou outro material rígido que impeça o ingresso das mãos e dedos nas áreas
de risco tais como volantes, polias, correias e engrenagens. Estas proteções
deverão prever a retenção mecânica dos componentes quanto à queda por ruptura
dos mesmos.

2.2 PRENSAS MECÂNICAS EXCÊNTRICAS COM FREIO/EMBREAGEM - PMEFE

As Prensas Mecânicas Excêntricas com Freio/Embreagem (PMEFE) também


têm como características o curso limitado, energia constante e força variável do
martelo em função da altura de trabalho. Podem ter o corpo em forma de “C” (com
um montante) ou em forma de “H” (com duplo montante), com transmissão direta do
volante ou com redução por engrenagens, com mesa fixa ou regulável, horizontal ou
inclinada.

O volante, movimentado por um motor elétrico, está apoiado na extremidade


de um eixo, ligado a um sistema de freio/embreagem. Em sua outra extremidade o
eixo está fixado em uma bucha excêntrica, alojada em uma biela, responsável pela
transformação do movimento rotativo em movimento linear.

19
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Quando acionada, através de um pedal elétrico, pneumático ou hidráulico, ou


comando bi-manual, uma ou mais válvulas pneumáticas ou hidráulicas recebem o
sinal, permitindo a entrada do fluído, liberando o freio e, simultaneamente,
acoplando a embreagem, transmitindo o movimento de rotação ao conjunto
eixo/bucha excêntrica, transformado em movimento linear pela biela, realizando o
trabalho de descida e subida do martelo. Uma vez executado o ciclo, este fluído é
liberado e o martelo pára, através do freio que é acionado por molas, pois estas
unidades são normalmente freadas.

Diferentemente das Prensas Mecânicas Excêntricas de Engate por Chaveta


(PMEEC), estas prensas, uma vez acionadas, podem ter o movimento de descida do
martelo interrompido durante o ciclo de trabalho.

As Prensas Mecânicas Excêntricas com Freio/Embreagem (PMEFE) também


podem apresentar o “repique” (repetição de golpe), devido a falhas na válvula ou no
sistema de acoplamento, como o desgaste do freio, entre outros, ocasionando a
descida involuntária do martelo, por uma ou mais vezes.

Os pedais de acionamento estão historicamente ligados a acidentes e devem


ser evitados, porém em casos onde tecnicamente não é possível a utilização de
acionamento através de controle bi-manual, poderá ser admitido o uso de pedais
com atuação elétrica, pneumática ou hidráulica desde que instalados em uma caixa
de proteção contra acionamento acidental e somente com a zona de prensagem
protegida através de barreira física, cortina de luz ou utilização de ferramenta
fechada. O número de pedais deverá corresponder ao número de operadores na
prensa, com chave seletora de posições tipo yale ou outro sistema com função
similar, de forma a impedir o funcionamento acidental da prensa sem que todos os
pedais sejam acionados.

Este tipo de prensa, por ser mais confiável e ter as mesmas características de
produção, tende a substituir as Prensas Mecânicas Excêntricas de Engate por
Chaveta (PMEEC) nas indústrias do Brasil, a exemplo do que vem acontecendo no
restante do mundo.

20
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2.2.1 Estrutura

Pode ser confeccionada em ferro fundido, aço fundido ou em chapa de aço


soldada.

2.2.2 Cadeia cinemática

São todas as peças que geram um movimento para ser aplicado no martelo.
São exemplos os volantes, as engrenagens, os eixos, as guias, as correias, etc.

Figura 21 – Desenho esquemático cadeia cinemática e estrutura da PMEFE.

21
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 22 – Eixo excêntrico.

Figura 23 e 24 – Biela com martelo acoplado e martelo biela simples.

Por se tratar de prensa excêntrica mecânica, deverá receber proteção fixa,


integral e resistente contra queda da biela e nas transmissões de força, através de
chapa ou outro material rígido que impeça o ingresso das mãos e dedos nas áreas
de risco tais como: volantes, polias, correias e engrenagens.

Figura 25 – PMEFE desprotegida no conjunto eixo biela e zona de prensagem.

22
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 26 – PMEFE protegida.

2.2.3 Sistema Freio/Embreagem

Sistema utilizado em prensas para acoplar o eixo de rotação ao mecanismo


biela/manivela, garantindo a parada do movimento em qualquer posição do curso de
deslocamento do martelo.

Figura 27 – Conjunto Freio / Embreagem Figura 28–ConjuntoFreio/ Embreagem:


instalado. detalhes.

23
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2.2.3.1 Sistema Conjugado

Seu acionamento pode ser pneumático ou hidráulico; uma vez acionada a


válvula de segurança o fluído é introduzido na câmara, que libera o freio e aciona a
embreagem. Executado o ciclo, este fluído é liberado e a prensa pára através do
freio acionado por molas.

2.2.3.2 Sistema Separado

Para prensas de grande porte, a embreagem é montada de um lado da


máquina e o freio do outro. A embreagem é ancorada ao volante sendo necessárias
duas válvulas de segurança; seu acionamento deve ser sincronizado liberando o
freio antes da embreagem e atuando o freio após a liberação da embreagem.

Figura 29 – Sistema de freio/embreagem posição de repouso –


máquina parada.
Fonte: SENAI/SP.

24
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 30 – Sistema freio/embreagem posição de funcionamento –


máquina em movimento.
Fonte: SENAI/SP.

2.2.4 Válvula de segurança

As prensas mecânicas excêntricas com freio/embreagem e seus respectivos


similares devem ser comandados por válvula de segurança específica, de fluxo
cruzado, conforme o item 4.7 da NBR 13930 e a EN 692, classificadas como tipo ou
categoria 4, conforme a NBR 14009.

A confiabilidade da precisão de parada de movimento do martelo depende da


válvula de segurança ser livre de pressão residual, evitando uma nova descida
involuntária do martelo (repique), garantindo ainda em qualquer tempo a parada da
descida do martelo através de uma rápida liberação do ar e o acoplamento do freio.

A prensa ou similar deve possuir rearme manual, incorporado à válvula de


segurança ou em qualquer outro componente do sistema, de modo a impedir
qualquer acionamento adicional em caso de falha.

Nos modelos de válvulas com monitoração dinâmica externa por pressostato,


micro-switches ou sensores de proximidade, esta deve ser realizada por Controlador
Lógico Programável (CLP) de segurança ou lógica equivalente, com redundância e
25
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

auto-teste, classificados como tipo ou categoria 4, conforme a NBR 14009.


Somente podem ser utilizados silenciadores de escape que não apresentem risco de
entupimento, ou que tenham passagem livre correspondente ao diâmetro nominal,
de maneira que não interfiram no tempo de frenagem. Quando forem utilizadas
válvulas de segurança independentes para o comando de prensas e similares com
freio e embreagem separados, estes devem ser interligados de modo a estabelecer
uma monitoração dinâmica entre si, assegurando que o freio seja imediatamente
aplicado caso a embreagem seja liberada durante o ciclo, e também impedir que a
embreagem seja acoplada caso a válvula do freio não atue. Os sistemas de
alimentação de ar comprimido para circuitos pneumáticos de prensas e similares
devem garantir a eficácia das válvulas de segurança, possuindo purgadores ou
sistema de secagem do ar e sistema de lubrificação automática com óleo específico
para este fim.

Figuras 31 e 32 – Válvula pneumática de segurança de fluxo cruzado com silenciador


incorporado para PMEFE.

2.2.5 Zona de prensagem

O espaço entre o martelo e a mesa da prensa onde se coloca o ferramental é


chamado zona de prensagem, sendo a área onde o martelo aplica a força. Nesta
encontra-se a maior área de risco, visto que a exposição do operador pode ocorrer a
cada ciclo, repetindo-se várias vezes ao longo da jornada. Diferentemente das
prensas mecânicas excêntricas com engate de chaveta, a zona de prensagem
poderá dispor de variados recursos para proteção.

26
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2.2.6 Proteção em prensas mecânicas excêntricas com freio/embreagem

Para as prensas mecânicas excêntricas freio/embreagem, além das proteções


físicas é possível dispor de proteções com detecção através da aproximação, tais
como cortinas de luz e dispositivos do tipo comando bi-manual que atenda a NBR-
14152:1998 tipo IIIC. O número de comandos bi-manuais deve corresponder ao
número de operadores na máquina.

As cortinas de luz deverão ser adequadamente selecionadas e instaladas com


redundância e autoteste, classificadas como tipo ou categoria 4, conforme a IEC EN
61496:2004 e a NBR NM14153:1998. Havendo possibilidade de acesso a áreas de
risco não-monitoradas pela(s) cortina(s), devem existir proteções fixas ou móveis
dotadas de intertravamento por meio de chaves de segurança, garantindo a pronta
paralisação da máquina sempre que forem movimentadas, removidas ou abertas,
conforme NBR NM 272:2002 NBR NM 273:2003.

Para manutenção e troca de ferramenta, a máquina deverá ter suas energias


(elétrica, hidráulica, pneumática e de gravidade entre outras) zeradas e bloqueadas,
além do uso de dispositivo de retenção mecânica.

27
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 33 – PMEFE: zona de prensagem Figura 34 – PMEFE: zona de prensagem


desprotegida. protegida.

IMPORTANTE
Para garantir a parada da máquina, deverão estar adequadamente
dimensionados e instalados o sistema freio/embreagem, a válvula de
segurança e a cortina de luz monitorado por relé ou CLP de segurança. É
fundamental o monitoramento do freio .

Figura 35 – Exemplo de fluxo seqüencial dos dispositivos de segurança de parada da


PMEFE.
28
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2.3 PRENSAS MECÂNICAS DE FRICÇÃO COM ACIONAMENTO POR FUSO -


PMFAF

Neste tipo de prensa, conhecida também por prensa tipo parafuso ou prensa
por fuso, o martelo desce por meio de um grande parafuso (fuso) linear reversível,
sendo acionado por meio de dois robustos volantes laterais, posicionados
verticalmente, que friccionam um volante horizontal central, localizado no ponto
superior do fuso, permitindo deste modo a realização do movimento de descida e
subida do martelo por meio do atrito dos volantes laterais com o volante horizontal.

Esta máquina não é de ciclo completo, permitindo a parada do martelo


durante seu movimento de descida; todavia, a grande inércia existente no sistema
não permite a precisão na parada do martelo.

Nesta máquina não é possível a adoção de dispositivos de detecção através


da aproximação, tais como cortina de luz ou dispositivos fixos tipo comando bi-
manual para comandar a parada do martelo.

Figura 36 – PMFAF completamente desprotegida.


29
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2.3.1 Estrutura

Este tipo de prensa pode ser confeccionada em ferro fundido, aço fundido ou
em chapa de aço soldada.

2.3.2 Cadeia cinemática

São todas as peças que geram um movimento para ser aplicado no martelo.
São exemplos os volantes, as engrenagens, os eixos, as guias, as correias etc.

Legenda:
A – motor
B – polias
C – volantes
D – eixo
E – fuso (parafuso)
F - martelo

Figura 37 – Desenho esquemático da cadeia cinemática da PMFAF.

Figura 38 – Fuso. Figura 39 – Volante.

30
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2.3.3 Zona de prensagem

O espaço entre o martelo e a mesa da prensa onde se coloca o ferramental é


chamado de zona de prensagem, sendo a área onde o martelo aplica a força. Neste
espaço encontra-se a maior área de risco, visto que a exposição do operador pode
ocorrer a cada ciclo, repetindo-se várias vezes ao longo da jornada. Nesta máquina
não é possível a incorporação de dispositivos de segurança como cortina de luz e
comando bi-manual para prover proteção na zona de prensagem.

Figura 40 – PMFAF com zona de prensagem desprotegida.

2.3.4 Proteção em prensas com acionamento por fuso

Do mesmo modo que as prensas mecânicas excêntricas de engate de


chaveta, deverá ser impedido o acesso à zona de prensagem por todos os lados,
através de proteção física fixa durante o ciclo normal de trabalho, podendo ainda
operar com ferramentas fechadas, conforme a NBRNM 272:2002.

Em situações de trabalho a morno e a quente admite-se a utilização de pedais


de acionamento com atuação elétrica, pneumática ou hidráulica, adequadamente
protegidos contra acionamento acidental e proteção parcial na zona de alimentação
31
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

e descarga com o uso de tenazes ou pinças, desde que sejam adotadas medidas de
proteção que garantam o distanciamento do trabalhador

As transmissões de força, como volantes, polias, correias e engrenagens,


devem ter proteções fixas, integrais e resistentes, através de chapa ou outro material
rígido que impeça o ingresso das mãos e dos dedos nas áreas de risco, conforme a
NBR NM 13852:2003.

A proteção dos volantes superiores deve ser especialmente resistente para


impedir a projeção dos mesmos. No caso de utilização de cinta de atrito no volante
horizontal, esta deverá receber proteção para evitar que partes sejam lançadas no
caso de seu rompimento.

Para manutenção ou troca de ferramental, é necessária a utilização de


proteção móvel intertravada que garanta a parada total da máquina (monitor de
detecção de movimento), devendo ainda utilizar-se dispositivo de retenção mecânica
(por exemplo: calço) instalado entre a mesa e o martelo. A máquina deverá ser
provida de chave seccionadora ou dispositivo de mesma eficácia, dotado de
bloqueio que impeça a partida da mesma.

É proibido o uso de pedais ou alavancas mecânicas para o acionamento.


Comandos do tipo bi-manual poderão ser utilizados como acionadores, a fim de
eliminar o pedal, porém não constituem proteção. Poderá ser admitida, para
trabalhos a frio, a utilização de pedais com atuação elétrica, pneumática ou
hidráulica, dentro de uma caixa de proteção respeitando as dimensões previstas na
NBRNM-ISO 13853, desde que não haja acesso à zona de prensagem através de
barreira física ou quando utilizada ferramenta fechada.

32
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 41 – PMFAF com proteção nos volantes.

IMPORTANTE
Braço de Alavanca de Acionamento.
Para evitar acidentes com o braço de alavanca de acionamento, basta fixar
um cabo de aço ao braço e parafusar no corpo da máquina. Mesmo que o
braço venha a se romper, ficará preso no cabo de aço.

Figura 42 – PMFAF: detalhe alavanca desprotegida.

33
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2.4 PRENSAS HIDRÁULICAS (PH)

Tais prensas são normalmente utilizadas em operações de repuxo profundo,


pois possuem as maiores capacidades de força de estampagem. As prensas
hidráulicas (PH) têm como característica a força constante em qualquer ponto do
curso do martelo e possuem, geralmente, o corpo em forma de “H”, com duas ou
quatro colunas, com mesa fixa ou regulável, horizontal ou inclinada, podendo ter
inúmeras outras características adicionais, como o duplo e o triplo efeito.

Quando acionada, através de um pedal elétrico, pneumático ou hidráulico, ou


comando bi-manual (é proibido o uso de pedais ou alavancas mecânicas), o martelo
recebe o movimento de um ou mais cilindros hidráulicos que se deslocam pela ação
do fluído (óleo) que é injetado por bombas hidráulicas de alta pressão e motores
potentes. Seu movimento, na maioria das vezes, é lento e, do mesmo modo que nas
PMEFE, pode ser interrompido a qualquer momento do ciclo de trabalho.

As Prensas Hidráulicas (PH), por suas características peculiares, podem


apresentar falhas como:

- Avanço involuntário (válvula pilota sozinha);


- Falha no comando das válvulas (não desliga(m));
- Queda do martelo.

As prensas hidráulicas podem possuir modo de acionamento contínuo com o


uso de alimentadores automáticos; nesta condição, os riscos de acidentes são
maiores, já que não existe comando do homem para a execução do ciclo.

2.4.1 Estrutura

Este tipo de prensa pode ser confeccionada em ferro fundido, aço fundido ou
em chapa de aço soldada.

34
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 43 – PH: Prensa hidráulica.

2.4.2 Principais Componentes da PH

Figura 44 – Cilindro hidráulico. Figura 45 – Desenho em corte de


cilindro hidráulico.

35
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 46 – Conjunto motobomba.

Figura 47 – Válvulas hidráulicas.

Figura 48 – Reservatório de fluído hidráulico.

2.4.2.1 Válvula ou bloco de segurança hidráulico

São dispositivos eletromecânicos especiais instalados em sistema hidráulicos,


com a finalidade de controle seguro contra acionamentos involuntários ou falhos de
componentes comandados que acionem partes de máquinas que coloquem em risco
o indivíduo ou que possuem redundância e monitoração do acionamento das
válvulas.

36
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 49 – Bloco de segurança para PH. Figura 50 – Válvula de segurança para PH.

2.4.2.2 Válvula de retenção

Válvula de retenção é aquela que impeça a queda do martelo em caso de


falha do sistema hidráulico ou pneumático.

Figura 51 – Válvula hidráulica de retenção anti-queda.

37
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

2.4.3 Zona de prensagem

O espaço entre o martelo e a mesa da prensa onde se coloca o ferramental é


chamado zona de prensagem, sendo a área onde o martelo aplica a força. Nesse
espaço encontra-se a maior área de risco, visto que a exposição do operador pode
ocorrer a cada ciclo, repetindo-se várias vezes ao longo da jornada. Diferentemente
das prensas mecânicas excêntricas com engate de chaveta, a zona de prensagem
poderá dispor de variados recursos para proteção.

2.4.4 Proteção em prensas hidráulicas

Além das proteções físicas é possível dispor de proteções com detecção


através da aproximação, tais como cortinas de luz e dispositivos de comando bi-
manual, que atenda a NBR-14152:1998 tipo IIIC. O número de comandos bi-
manuais deve corresponder ao número de operadores na máquina.

As cortinas de luz deverão ser adequadamente selecionadas e instaladas, com


redundância e autoteste, classificadas como tipo ou categoria 4, conforme a IEC EM
61496:2004 e a NBR 14009:1997. Havendo possibilidade de acesso a áreas de risco
não monitoradas pela(s) cortina(s), devem existir proteções fixas ou móveis dotadas
de intertravamento por meio de chaves de segurança, garantindo a pronta
paralisação da máquina sempre que forem movimentadas, removidas ou abertas,
conforme a NBRNM 272:2002 e NBR 273:2002

Os pedais de acionamento devem ser evitados; porém, em casos onde


tecnicamente não é possível a utilização de acionamento através de controle bi-
manual, poderá ser admitido o uso de pedais com atuação elétrica, pneumática ou
hidráulica desde que instalados em uma caixa de proteção contra acionamento
acidental e somente com a zona de prensagem protegida através de barreira física,
cortina de luz ou utilização de ferramenta fechada. O número de pedais deverá
corresponder ao número de operadores na prensa, com chave seletora de posições
tipo yale ou outro sistema com função similar, de forma a impedir o funcionamento
acidental da prensa sem que todos os pedais sejam acionados.

38
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Para manutenção e troca de ferramenta, a máquina deverá ter suas energias


zeradas e bloqueadas, além do uso de dispositivo de retenção mecânica.

Figura 52 – PH com zona de prensagem Figura 53 – PH protegida por cortina de luz.


desprotegida.

39
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

3 EQUIPAMENTOS SIMILARES

A seguir estão elencados as principais máquinas ou equipamentos similares mais


encontrados no parque fabril brasileiro.

3.1 MARTELO PNEUMÁTICO

O martelo pneumático é usado para o forjamento de peças. Possui uma


câmara pneumática que fica constantemente pressurizada por meio de válvulas de
ar. Quando é acionado, a válvula libera o ar comprimido que libera o martelo,
permitindo sua descida por gravidade ou pela força exercida por outra câmara de ar
comprimido. No mesmo, não é possível a adoção de dispositivos de detecção
através da aproximação, tais como cortina de luz ou dispositivos fixos tipo comando
bi-manual para comandar a parada do martelo.

Figura 54 - Martelo desprotegido.

3.1.1 Proteção em martelos pneumáticos

Do mesmo modo que as prensas mecânicas excêntricas de engate por


chaveta, o acesso à zona de prensagem deverá ser impedido por todos os lados,
através de proteção física fixa durante o ciclo normal de trabalho. Em situações de
trabalho a morno e a quente admite-se a utilização de pedais de acionamento com
atuação elétrica, pneumática ou hidráulica, adequadamente protegidos contra
acionamento acidental e proteção parcial na zona de alimentação e descarga com o
40
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

uso de tenazes ou pinças, desde que sejam adotadas medidas de proteção que
garantam o distanciamento do trabalhador.

Para manutenção e troca de ferramentas, a máquina deverá ter suas energias


(elétrica, hidráulica, pneumática e de gravidade entre outras) zeradas e bloqueadas,
além do uso de dispositivo de retenção mecânica.

É proibido o uso de pedais ou alavancas mecânicas para o acionamento.


Comandos do tipo bi-manual poderão ser utilizados como acionadores a fim de
eliminar o pedal, porém não constituem proteção.

Além das proteções já elencadas para as prensas mecânicas excêntricas de


engate por chaveta, deverão ser adotados:
– o parafuso central da cabeça do amortecedor preso com cabo de aço;
– o mangote de entrada de ar com proteções que impeçam sua projeção em
caso de ruptura;
– todos os prisioneiros (inferior e superior) travados com cabo de aço para
evitar a projeção.

3.2 MARTELO DE QUEDA

Seu princípio de funcionamento consiste de um conjunto de elementos


formados por estrutura de aço, volantes que giram livremente em relação ao eixo
central, cinta de lona fixada em uma das extremidades ao eixo central e na outra ao
martelo. A trajetória do martelo é delimitada pelos perfis de aço fixados à estrutura.
Uma vez acionado, o eixo passa a girar acoplado aos volantes, enrolando assim a
cinta e suspendendo o martelo. Na continuidade, este é liberado e desce em queda
livre, conformando a peça.

3.2.1 Proteção em martelos de queda

Do mesmo modo que as prensas mecânicas excêntricas de engate por


chaveta, o acesso à zona de prensagem deverá ser impedido por todos os lados,
através de proteção física fixa, durante o ciclo normal de trabalho. Em situações de
41
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

trabalho a morno e a quente admite-se a utilização de pedais de acionamento com


atuação elétrica, pneumática ou hidráulica, adequadamente protegidos contra
acionamento acidental e proteção parcial na zona de alimentação e descarga com o
uso de tenazes ou pinças, desde que sejam adotadas medidas de proteção que
garantam o distanciamento do trabalhador.

Para manutenção e troca de ferramenta a máquina deverá ter suas energias


(elétrica, hidráulica, pneumática e de gravidade entre outras) zeradas e bloqueadas,
além do uso de dispositivo de retenção mecânica.

É proibido o uso de pedais ou alavancas mecânicas para o acionamento;


comandos do tipo bi-manual poderão ser utilizados como acionadores a fim de
eliminar o pedal, porém não constituem proteção.

3.2.2 Cinta

A área de atuação da cinta deve ser munida de proteção física fixa que
garanta a segurança humana em caso de ruptura da mesma.

3.2.3 Volantes e polias

O Volante e as polias deverão ser protegidos por estrutura rígida que garanta
a contenção dos elementos girantes em caso de ruptura dos eixos.

Figura 55 – Martelo de queda com proteção aberta, exibindo cinta e desenho esquemático.

42
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

3.3 DOBRADEIRA OU PRENSA VIRADEIRA

Os tipos mais comuns de dobradeira ou prensa viradeira possuem


acionamento hidráulico através de cilindros e acionamento mecânico através de
freio/embreagem ou engate por chaveta. Seu princípio de funcionamento é o mesmo
das prensas mecânicas ou hidráulicas. São utilizadas para dobrar chapas de acordo
com a matriz que está sendo empregada, normalmente estreitas e longas.

Figura 56 – Dobradeira vista frontal.

Figura 57 – Dobradeira vista traseira.

43
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

3.3.1 Proteção em dobradeiras

As dobradeiras devem possuir proteções em todas as áreas de risco, podendo


ser fixas, móveis, dotadas de intertravamento por meio de chaves de segurança e/ou
dispositivos eletrônicos, suficientes para prevenir a ocorrência de acidentes.

Estes equipamentos têm como concepção construtiva os mesmos elementos


das prensas, ou seja, o emprego de chavetas, freio/embreagem ou hidráulico. Assim
como as prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta, as dobradeiras com
acionamento por engate de chaveta não oferecem segurança contra falhas
mecânicas, sendo que o acionamento bi-manual ou proteção contra ingresso da
mão na zona de operação por cortina de luz, por si só, não garantem a segurança.

As dobradeiras hidráulicas e as com freio/embreagem pneumático podem


dispor de proteções do tipo cortina de luz, desde que adequadamente selecionada e
instalada e/ou acionamento bi-manual.

Nas operações com dobradeiras podem ser utilizados os pedais com atuação
elétrica, pneumática ou hidráulica, desde que instalados no interior de uma caixa de
proteção, atendendo o disposto na NBR NM ISO 13853. Não se admite o uso de
pedais com atuação mecânica. Pode ser afastada a exigência de enclausuramento
da zona de prensagem, desde que adotadas medidas adequadas de proteção aos
riscos existentes. O número de pedais deve corresponder ao número de operadores
na máquina, com chave seletora de posições tipo yale ou outro sistema com função
similar, de forma a impedir o funcionamento acidental da máquina sem que todos os
pedais sejam acionados, conforme a NBR 14154.

44
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 58 – Dobradeira com uso inadequado de pedal.

IMPORTANTE
É proibida a utilização de pedal mecânico para acionamento de prensas
dobradeiras.

Nas dobradeiras com acionamento por engate de chaveta ou freio embreagem


mecânico, jamais devem ser trabalhadas peças de pequenas dimensões, onde o
operador fica segurando a peça a ser dobrada próximo à matriz até a conformação,
pois, uma vez acionada, o punção parte do ponto morto superior diretamente para o
ponto morto inferior, sendo impossível parar este movimento.

O uso das dobradeiras com engate por chaveta só é permitido para chapas
grandes, onde o operador não necessita aproximar-se da zona de operação.

Cuidados adicionais, como emprego de posicionadores, devem ser adotados a


fim de evitar riscos adicionais no momento da conformação da peça, pois
dependendo do ângulo da ferramenta a chapa poderá sofrer uma rápida
movimentação, partindo da posição horizontal paralela à mesa para uma posição
próxima da vertical, podendo atingir o trabalhador neste curso, ou provocar a
prensagem dos dedos entre a chapa e o corpo da máquina.

45
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figuras 59 e 60 – Desenho do curso da ferramenta de dobra.

Figura 61 – Posicionador imantado.

Figura 62 – Colocação da peça no posicionador imantado.

46
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 63 – Encosto imantado.

Figura 64 – Encosto imantado sobre a peça.

3.4 GUILHOTINA, TESOURA E CISALHADORA (MANUAL, MECÂNICA E


HIDRÁULICA)

Seu princípio de funcionamento é semelhante ao da prensa mecânica e


hidráulica, diferenciando-se apenas pelo movimento vertical que, neste caso, é feito
pelo suporte das lâminas de corte na parte superior.

47
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

No caso de tesouras, estes equipamentos operam com jogo laminar inferior e


superior (facas), geralmente acionados por cames ou cilindros hidráulicos, porém
suas funções são de corte.

3.4.1 Proteção em guilhotinas, tesouras e cisalhadoras

As guilhotinas, tesouras e cisalhadoras devem possuir na zona de corte,


proteção fixa e, havendo necessidade de intervenção freqüente nas lâminas,
proteções móveis dotadas de intertravamento com bloqueio, por meio de chave de
segurança, para impedir o ingresso das mãos e dedos dos operadores nas áreas de
risco. As dimensões para distanciamento seguro devem obedecer a NBR NM-ISO
13852. Nas operações com guilhotinas, com a zona de corte devidamente protegida,
podem ser utilizados os pedais com atuação elétrica, pneumática ou hidráulica,
desde que instalados no interior de uma caixa de proteção, atendendo o disposto na
NBR NM ISO 13853. Não se admite o uso de pedais com atuação mecânica.

Figura 65 – Guilhotina.

48
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 66 – Guilhotina com proteção frontal.

Figura 67 – Guilhotina com proteção lateral e traseira.

3.5 ROLO LAMINADOR, LAMINADORA E CALANDRA

São equipamentos destinados a conformar e laminar chapas através de rolos


de aço tracionados por sistema mecânico com motor e redutor ou motor hidráulico.

3.5.1 Proteção em rolo laminador, laminadora e calandra

Os rolos laminadores, laminadoras, calandras e outros similares devem ter


seus cilindros protegidos, de forma a não permitir o acesso às áreas de risco, ou
serem dotados de outro sistema de proteção de mesma eficácia.
49
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Dispositivos de parada e retrocesso de emergência, acessíveis de qualquer


ponto do posto de trabalho, são obrigatórios, mas não eliminam a necessidade de
proteção obrigatória e eficaz dos cilindros.

Figura 68 – Calandra sem proteção.

Figura 69 – Calandra com proteção do tipo mesa deslizante e empurrador.

50
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 70 – Cilindro misturador de borracha.

Cilindro misturador de borracha com seis chaves de emergência (1 barra


inferior frontal e outra traseira, botoeira direita e esquerda na zona de operação
frontal e traseira) que uma vez acionadas, ativam o circuito de frenagem e reversão
do motor.

51
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

4 FERRAMENTAS, ESTAMPOS OU MATRIZES

São blocos de aço que possuem o formato “negativo” da peça, presos nas
partes superior e inferior das prensas e equipamentos similares, que devem atender
aos seguintes requisitos de segurança:

– ser armazenados em locais próprios e seguros;

– ser fixados à máquina da forma mais segura, sem improvisações;

– ser construídos de tal forma que evitem a projeção de rebarba sobre o


operador;

– ser dotados de dispositivos extratores que facilitem a retirada das peças e


que não ofereçam riscos adicionais ao operador.

IMPORTANTE
Procedimentos seguros devem ser elaborados e seguidos para manuseio,
movimentação e troca de ferramental por trabalhadores capacitados,
observando-se sempre o uso de dispositivos de retenção mecânica (calço de
segurança);

As ferramentas podem ainda incorporar, preferencialmente em sua fase de


projeto, sistemas de alimentação/extração como os que veremos em capítulo
posterior específico.

52
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 71 – Desenho em corte ferramenta.

Figura 72 – Estampo.

53
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 73 – Armazenamento de ferramentas.

4.1 MOVIMENTAÇÃO DE FERRAMENTAS

A movimentação das ferramentas deverá ser executada de maneira segura,


através de dispositivos de movimentação que reduzam o esforço físico do
trabalhador.

Figura 74 – Movimentação por ponte rolante.


54
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 75 – Movimentação por carrinho.

IMPORTANTE
Os equipamentos de movimentação de materiais devem seguir os requisitos
estabelecidos na NR-11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e
Manuseio de Materiais.

55
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

5 SISTEMAS DE ALIMENTAÇÃO/EXTRAÇÃO

5.1 MANUAL

O operador posiciona e extrai a peça que está sendo trabalhada diretamente na


área da matriz da máquina. Este tipo de alimentação somente é aceito quando
adotados adequadamente os dispositivos de proteção aos riscos existentes na zona
de prensagem ou trabalho, ficando proibido em qualquer circunstância o uso de
salva-mão ou afasta-mão.

Não é permitido o uso de pinças ou tenazes, exceto nas operações a quente ou


a morno, desde que sejam adotadas medidas de proteção que garantam o
distanciamento do trabalhador às áreas de risco.

Figura 76 – Dispositivo salva-mão.

IMPORTANTE
O sistema de salva-mão não pode ser utilizado como proteção para
equipamentos de prensas ou similares.

56
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 77 – Alimentação manual com pinça.

IMPORTANTE
A alimentação manual de prensas ou similares através de sistema de pinças é
proibido.

Figura 78 – Alimentação manual em zona de prensagem protegida.

57
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

5.2 GAVETA

No sistema de gaveta, a peça a ser prensada é alojada fora da matriz, em um


dispositivo previamente preparado. Empurra-se o dispositivo em forma de gaveta
para a zona de prensagem. Aciona-se a prensa, e ocorre a conformação. Cabe
ressaltar que a zona de prensagem deverá estar adequadamente protegida.

Figuras 79, 80 e 81 – Gaveta.

58
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 82 – Sistema de alimentação por gaveta.

5.3 BANDEJA ROTATIVA OU TAMBOR DE REVÓLVER

Neste sistema, a peça a ser prensada é colocada na mesa pelo lado de fora da
zona de prensagem e girada para dentro dela. Sua remoção pode se dar na
continuidade do giro, após a prensagem. A zona de prensagem deve estar
adequadamente protegida.

Figura 83 – Sistema de alimentação por bandeja rotativa ou tambor de revólver.


59
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

5.4 POR GRAVIDADE, QUALQUER QUE SEJA O MEIO DE EXTRAÇÃO

Neste sistema é adaptada à ferramenta, calhas inclinadas para alimentação por


gravidade. A expulsão da peça da zona de prensagem ocorre através de ar
comprimido, com deslizamento pela calha de saída. A zona de prensagem deve
estar adequadamente protegida.

Figura 84 – Exemplo de alimentação por gravidade.

Figura 85 – Zona de descarregamento de peças ou retalhos (parte traseira da prensa).

60
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

5.5 MÃO MECÂNICA OU ROBÔ

É um dispositivo que faz o movimento de colocação e retirada da peça na zona


de prensagem da máquina. A pinça magnética não é considerada uma mão
mecânica.

É importante ressaltar que este tipo de alimentação deve ter proteção de


perímetro que impeça a entrada e/ou permanência do trabalhador na área de risco
com a máquina em funcionamento ou possibilidade de entrar em funcionamento por
acionamento acidental, não podendo trazer riscos adicionais.

Figura 86 – Sistema de alimentação por robô.

5.6 TRANSPORTADOR OU ALIMENTADOR AUTOMÁTICO

Neste sistema, a peça a ser conformada deve ser alojada no dispositivo de


transporte fora da matriz. O dispositivo transporta a peça do ponto de alimentação
até a zona de prensagem, automaticamente. Este dispositivo não isenta a
necessidade de proteção adequada da zona de prensagem.

61
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 87 – Alimentador contínuo com braço magnético e proteção fixa de policarbonato na


zona de prensagem.

5.7 DESBOBINADEIRA E ENDIREITADEIRA

São equipamentos destinados a preparar a matéria-prima para prensas e


similares. Usualmente possuem sistemas de controle para sincronizar seu
movimento com o da prensa. Desbobinam e endireitam chapas dispostas em rolos.

5.7.1 Proteção em desbobinadeiras e endireitadeiras

As desbobinadeiras devem possuir proteção física ou eletrônica de forma que


impeça o ingresso de pessoas ao seu movimento de risco. Podem ser utilizados
scanners, cortinas, tapetes ou grades conjugadas com chaves de segurança e relé.
A fim de determinar a categoria de risco deverá ser utilizada a NBR 14153:1998,
para garantir a segurança do sistema.

As desbobinadeiras, endireitadeiras e outros equipamentos de alimentação


devem possuir proteção em todo o perímetro, impedindo o acesso e a circulação de
pessoas nas áreas de risco, conforme a NBRNM-ISO 13852 e a NBRNM 272.

62
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 88 – Desbobinadeira desprotegida.

Figura 89 – Desbobinadeira protegida.

63
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 90 – Área de desbobinadeira desprotegida.

Figura 91 – Área de desbobinadeira protegida.

64
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

6 DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO AOS RISCOS EXISTENTES NA ZONA DE


PRENSAGEM OU DE TRABALHO

O Art 186 da CLT e NR 12 em seu item 12.2.2 determina que as máquinas e os


equipamentos com acionamento repetitivo deverão receber proteção adequada.
Segundo a NBR NM 272/2001 Segurança de Máquinas – Proteções – Requisitos
gerais para o projeto e construção de proteções fixas e móveis, proteção é definida
como parte da máquina especificamente utilizada para prover proteção por meio de
uma barreia física, devendo:

- não apresentar facilidade de burla;


- prevenir o contato (NBR NM-ISO 13852 / 13853 /13854);
- ter estabilidade no tempo;
- não criar perigos novos;
- não criar interferência.

As proteções podem ser:

6.1 PROTEÇÕES FIXAS

São proteções de difícil remoção, fixadas normalmente no corpo ou estrutura da


máquina. Essas proteções deverão ser mantidas em sua posição fechada sendo de
difícil remoção, fixadas por meio de solda ou parafusos, tornando sua remoção ou
abertura impossível sem o uso de ferramentas. Podem ser confeccionadas em tela
metálica, chapa metálica ou policarbonato.

6.2 PROTEÇÕES MÓVEIS

Essas proteções geralmente estão vinculadas à estrutura da máquina ou


elemento de fixação adjacente que pode ser aberto sem o auxílio de ferramentas. As
proteções móveis (portas, tampas, etc.) devem ser associadas a dispositivos de
intertravamento de tal forma que:

- a máquina não possa operar até que a proteção seja fechada;


65
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

- se a proteção é aberta quando a máquina está operando, uma


instrução de parada é acionada. Quando a proteção é fechada, por si
só, não reinicia a operação, devendo haver comando para continuação
do ciclo.

Quando há risco adicional de movimento de inércia, dispositivo de


intertravamento de bloqueio deve ser utilizado, permitindo que a abertura da
proteção somente ocorra quando houver cessado totalmente o movimento de risco.

Exemplos de proteções fixas e móveis podem ser encontradas na norma NBR


NM 272/2001 e NBR273/2001.

6.3 ENCLAUSURAMENTO DA ZONA DE PRENSAGEM

Essa proteção deve impedir o acesso à zona de prensagem por todos os


lados. Possuem frestas que possibilitam somente o ingresso do material e não da
mão ou dedos. Suas dimensões e afastamentos devem obedecer a NBR NM
13852:2003, e NBR 13854. Pode ser constituída de proteções fixas ou móveis
dotadas de intertravamento por meio de chaves de segurança, garantindo a pronta
paralisação da máquina sempre que forem movimentadas, removidas ou abertas
conforme NBR 272 e 273.

Figura 92 – Enclausuramento da zona de prensagem.


66
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 93 – Enclausuramento da zona de prensagem.

Podem possuir proteções reguláveis que se ajustem à geometria da peça


devendo observar as distâncias de segurança da NBR NM-ISO 13852:2003.

Figura 94 – Enclausuramento da zona de prensagem por proteções reguláveis.

67
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 95 – Enclausuramento da zona de prensagem por proteções móveis


intertravadas.

Figura 96 – Enclausuramento da zona de prensagem por proteções móveis


intertravadas.

6.4 FERRAMENTA FECHADA

Neste caso, a matriz é fechada de tal modo que permita apenas o ingresso do
material e não permita o acesso da mão e dos dedos na área de prensagem. Esta
condição deverá ser preferencialmente analisada e desenvolvida durante a fase de
projeto e confecção da ferramenta, podendo ser adaptada em ferramentas já
68
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

existentes, observando-se não criar riscos adicionais com a incorporação da


proteção.

Figura 97 e 98 – Adaptação de proteção fixa em ferramentas.

(B)
(C)
(A)

Figura 99 – Proteção em policarbonato.

OBSERVAÇÃO: O tipo de proteção acima apresentado inova com o uso de


policarbonato, material resistente que proporciona visibilidade. O fechamento da
ferramenta deixando apenas uma fresta para passagem do material (A) é adequado,
pois não permite o ingresso dos dedos do operador na zona de prensagem. Porém
um risco adicional foi criado entre a parte superior da proteção (C) e o movimento do
martelo (B), conhecido como "efeito guilhotina".

69
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

IMPORTANTE
Os dispositivos elencados a seguir não vão prover de proteção física a área de
prensagem; portanto, não podem ser considerados proteção adequada para as
prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta e seus similares,
prensas de fricção com acionamento por fuso, martelo de queda e martelo
pneumático.
Ao utilizar os recursos eletrônicos de segurança, deve-se observar se sua
categoria é apropriada e certificada. A escolha deve estar baseada em análise
de risco prevista pela NBR 14009 e NBR 14153.

6.5 COMANDO BI-MANUAL

Este dispositivo exige a utilização simultânea das duas mãos do operador para
o acionamento da máquina, garantindo assim que suas mãos não estarão na área
de risco. Para que a máquina funcione, é necessário pressionar os dois botões
simultaneamente com defasagem de tempo até 0,5 s (atuação síncrona, conforme
NBR 14152:1998, item 3.5).

Os comandos bi-manuais devem ser ergonômicos e robustos, e possuir


autoteste, sendo monitorados por CLP ou relé de segurança. A interrupção de um
dos comandos bi-manuais resultará em sua parada instantânea. O autoteste garante
a condição de não-acionamento em caso de falha de um dos componentes do
circuito elétrico do comando bi-manual; atende, assim, o item 12.2.2 da NR 12 da
Portaria 3214/78, NBR 13930:2001 e NBR 14152:1998 – Segurança em máquinas –
Dispositivos de comando bi-manuais, aspectos funcionais e princípios para projeto.

O número de comandos bi-manuais deve corresponder ao número de


operadores na máquina, com chave seletora de posição tipo yale ou outro sistema
com função similar, de forma a impedir o funcionamento acidental da máquina sem
que todos os comandos sejam acionados, conforme a NBR 14154.

70
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 100 – Relé de segurança Figura 101 – Comando bi-manual com botão de
emergência.

Os dispositivos de comando bi-manual não servem de proteção contra o


ingresso na área de prensagem para as prensas mecânicas excêntricas por engate
de chaveta e seus similares, prensas de fricção com acionamento por fuso, martelo
de queda e martelo pneumático. Sua utilização é um recurso complementar
importante, quando reduz ou elimina o uso do pedal.

6.6 CORTINA DE LUZ

O sistema cortina de luz consiste de um transmissor, um receptor e um sistema


de controle. O campo de atuação dos sensores é formado por múltiplos
transmissores e receptores de fachos individuais. Para cada conjunto de
transmissores e receptores ativados, caso o receptor não receba o feixe luminoso de
infravermelho do transmissor, é gerado um sinal de falha.

A cortina de luz deverá ser adequadamente selecionada de acordo com o


tamanho (altura de proteção) e a resolução (capacidade de resolução da cortina =
percepção de dedo ou mão), e posicionada a uma distância segura da zona de risco,
levando em conta o tempo total de parada da máquina conforme a EN 999:1998 e
IEC EN 61496:2004 Part 1 e Part 2, devendo ainda ser certificada como categoria 4
e monitorada por relé ou CLP de segurança. Não serve como dispositivo de
segurança para zona de prensagem das prensas mecânicas excêntricas de engate
71
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

por chaveta e seus similares, prensas de fricção com acionamento por fuso, martelo
de queda e martelo pneumático.

Havendo possibilidade de acesso a áreas de risco não monitoradas pela


cortina, devem existir proteções fixas ou móveis dotadas de intertravamento por
chaves de segurança, conforme a NBRs 272 e 273.

Figura 102 e 103 – Cortina de luz.

Figura 104 – Cortina de luz instalada.


Figura 105 – Cortina de luz com
espelhos para proteção frontal e lateral.

72
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 106 – Prensa hidráulica protegida com proteção física nas laterais e conjugação de
cortina de luz e comando bi-manual.

IMPORTANTE
A boa técnica recomenda a utilização conjugada de comando bi-manual e
cortina de luz, atuando como proteção ao operador e terceiros. Entretanto, em
caráter excepcional, baseado em uma análise de risco conforme NBR 14009,
outras conjugações poderão ser adotadas, desde que garantam a mesma
eficácia.

Figura 107 – Conjugação de cortina de luz e gaveta em prensa hidráulica.


73
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 108 – Conjugação de cortina de luz e gaveta em prensa hidráulica.

74
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

7 OUTROS DISPOSITIVOS COMPLEMENTARES PARA MONITORAMENTO DE


ÁREA

Dispositivos de monitoramento de área, através da detecção por


aproximação, são utilizados complementarmente para monitoramento e envio de
sinal de que a área foi invadida, determinando a paralisação da máquina e
impedindo o seu funcionamento até que a área esteja livre da presença de pessoas
e um novo comando seja dado.

Sua instalação deve ser precedida de análise de risco conforme NBR 14009 e
deve ter sua instalação de acordo com a EN 999:1998, para a garantia da distância
de segurança.

A utilização do scanner deve ainda observar a IEC EN 61496:2004 Part 1 e


Part 2, e os tapetes e batentes, como possuem contato mecânico, devem observar
a EN 1760.

7.1 SCANNER

Os monitores de área a laser são utilizados no monitoramento sem contato de


uma área livremente programável. Não são necessários refletores separados. Sua
instalação é simples, pois o transmissor e o receptor são acomodados em um único
equipamento.

Figura 109 – Scanner. Figura 110 – Monitor de área a laser (scanner).


75
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 111 – Monitor de área a laser


Figura 112 – Monitor de área a laser (scanner).
(scanner).

7.2 TAPETE DE SEGURANÇA

Estes dispositivos são usados para fornecer proteção à uma área de piso ao
redor de uma máquina. A matriz dos tapetes interconectados é colocada ao redor da
área classificada, e qualquer pressão (ex.: passos do operador) causará o
desligamento da unidade controladora do tapete da fonte de alimentação do perigo.

Os tapetes sensíveis à pressão são freqüentemente usados dentro de uma


área fechada contendo diversas máquinas, como na produção flexível ou células
robóticas. Quando o acesso for requisitado dentro da célula (para ajustes do robô,
por exemplo), ele previne movimentação perigosa, no caso de o operador se desviar
da área segura.

O tamanho e o posicionamento dos tapetes devem ser calculados usando-se a


fórmula da norma EN 999:1998 “Posicionamento dos equipamentos de proteção
com respeito às velocidades de abordagem de partes do corpo humano”2.

2
PRINCÍPIOS de Segurança. Disponível em:<http://castroingenium.no.sapo.pt/>. Acesso em: 22/02/2006
76
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figuras 113 e 114 – Tapetes de segurança.

Figuras 115 – Exemplo de aplicação de tapetes de segurança

77
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

8 DISPOSITIVOS DE PARADA DE EMERGÊNCIA

São dispositivos com acionadores, geralmente na forma de botões tipo


cogumelo na cor vermelha, colocados em local visível na máquina ou próximo dela,
sempre ao alcance do operador e que, quando acionados, tem a finalidade de
estancar o movimento da máquina, desabilitando seu comando. Devem ser
monitorados por relé ou CLP de segurança.

As prensas e similares devem dispor de dispositivos de parada de


emergência que garantam a interrupção imediata do movimento da máquina,
conforme a NBR 13759.

Quando forem utilizados comandos bi-manuais conectáveis por tomadas


(removíveis), que contenham botão de parada de emergência, e este não pode ser o
único, deve haver um dispositivo de parada de emergência no painel ou corpo da
máquina ou equipamento.

Havendo vários comandos bi-manuais para o acionamento de uma prensa ou


similar, estes devem ser ligados de modo a garantir o funcionamento adequado do
botão de parada de emergência de cada um deles.

Nas prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta ou de sistema de


acoplamento equivalente (de ciclo completo) e em seus similares, admite-se o uso
de dispositivos de parada que não cessem imediatamente o movimento da máquina
ou equipamento, em razão da inércia do sistema.

Figuras 116, 117 e 118 – Acionadores de parada de emergência.

78
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

9 MONITORAMENTO DO CURSO DO MARTELO

É um sistema eletromecânico destinado a detectar perda de sincronismo entre


o freio/embreagem e o conjunto de chaves-limites que comanda o movimento de
uma prensa.

Nas prensas hidráulicas, prensas mecânicas excêntricas com freio/embreagem


e respectivos similares, não enclausurados, ou cujas ferramentas não sejam
fechadas, o martelo deverá ser monitorado por sinais elétricos produzidos por
equipamento acoplado mecanicamente à máquina, com controle de interrupção da
transmissão, conforme o item 4.9 da NBR13930.

Nas prensas mecânicas excêntricas freio/embreagem que utilizam cortina de


luz, a velocidade de parada do martelo não pode sofrer variações para não
comprometer o distanciamento seguro entre a detecção e o tempo de resposta. O
monitoramento eletromecânico comandará um sinal para interrupção da transmissão
de movimento, quando detectar desgaste no freio.

Figura 119 e 120 – Exemplos de monitores de curso de martelo.

79
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

10 COMANDOS ELÉTRICOS DE SEGURANÇA

As chaves de segurança das proteções móveis, as cortinas de luz, os


comandos bi-manuais, as chaves seletoras de posições tipo yale e os dispositivos de
parada de emergência devem ser ligados a comandos elétricos de segurança, ou
seja, CLP ou relés de segurança, com redundância e autoteste, classificados como
tipo ou categoria 4, conforme a NBR 14009 e 14153, com rearme manual.

As chaves seletoras de posições tipo Yale, para seleção do número de


comandos bi-manuais, devem ser ligadas a comando eletro-eletrônico de segurança
de lógica programável (CLP ou relé de segurança).

Figura 121 – Chave seletora de posições tipo Yale.

Figura 122 e 123 – Chaves para intertravamento de proteções móveis.

80
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

10.1 CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP) DE SEGURANÇA

É um sistema computadorizado eletrônico industrial destinado a controlar e


checar, de modo redundante, os sinais elétricos de comando de uma máquina,
inibindo seu funcionamento no eventual aparecimento de falhas.

O software instalado deverá garantir a sua eficácia, de forma a reduzir ao


mínimo a possibilidade de erros provenientes de falha humana em seu projeto,
devendo ainda possuir sistema de verificação de conformidade, a fim de evitar o
comprometimento de qualquer função relativa à segurança, bem como não permitir
alteração do software básico pelo usuário, conforme o item 4.10 da NBR 13930 e o
item 12.3 da EN 60204-1.

Figura 124 – Controlador lógico programável de segurança.

10.2 RELÉS DE SEGURANÇA

São unidades eletromecânicas ou eletrônicas com supervisão, com dois canais,


de acionamento positivo em seus contatos ou circuitos, abertos em série, cumprindo,
assim, a exigência de redundância. Com a conexão dos dispositivos externos e a
inclusão de seus contatos em pontos corretos do circuito elétrico de automação da
máquina, obtêm-se um equipamento seguro quanto à sua parada.

81
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 125 – Diagrama de ligação do circuito de segurança.

Figura 126 – Relés de segurança.

82
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

11 SISTEMAS DE RETENÇÃO MECÂNICA – CALÇOS DE SEGURANÇA

Todas as prensas devem possuir um sistema de retenção mecânica para


travar o martelo nas operações de troca das ferramentas, nos seus ajustes e
manutenções antes do início dos trabalhos.

O componente de retenção mecânica utilizado deve ser pintado na cor


amarela e dotado de interligação eletromecânica. Deve ainda ser conectado ao
comando central da máquina de forma a impedir, durante a sua utilização, o
funcionamento da prensa. Nas situações onde não seja possível o uso do sistema
de retenção mecânica, devem ser adotadas medidas alternativas que garantam o
mesmo resultado.

Calço de segurança é um bloco maciço de metal destinado a inibir fisicamente


qualquer possibilidade de fechamento das áreas de prensagem quando colocado
entre as partes da mesa/martelo ou de uma ferramenta aberta, na prensa.

Os calços de segurança são considerados dispositivos necessários e


obrigatórios e devem atender aos seguintes requisitos de segurança:

– devem ser utilizados nas operações de troca, ajuste e manutenção dos


estampos/matrizes;

– nunca devem ser utilizados com a prensa em funcionamento, para sustentar


apenas o peso do pilão;

– devem ser dotados de interligação eletromecânica, ou seja, conectados ao


comando central da máquina de tal forma que, quando removidos, impeçam seu
funcionamento;

– devem ser pintados na cor amarela.

83
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

Figura 127 – Calço de segurança com interligação eletromecânica.

Figura 128 – Calço de segurança em uso.

84
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

12 PLATAFORMAS DE ACESSO

As prensas e similares de grandes dimensões devem possuir escadas de


acesso e plataformas feitas ou revestidas de material antiderrapante, dotadas de
guarda-corpo e rodapé com dimensões tais que impeçam a passagem ou queda de
pessoas e materiais.

As transmissões de força localizadas em plataformas elevadas também


deverão estar adequadamente protegidas para evitar contato durante a manutenção.

Os trabalhadores de manutenção em plataformas elevadas (altura superior a


2,0 m) deverão utilizar EPI para proteção contra quedas, conforme NR 06.

Figura 129 – Plataforma de manutenção.

85
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

13 MANUTENÇÃO

A manutenção e a inspeção somente podem ser executadas por pessoas


devidamente capacitadas e credenciadas pela empresa.

As prensas e similares devem ser submetidos a inspeção e manutenção


preditiva, preventiva e corretiva devidamente documentadas, conforme instruções do
fabricante e normas técnicas oficiais vigentes.

As proteções podem ser removidas para manutenção, limpezas, ajustes e/ou


troca de ferramentas da máquina, devendo possuir intertravamento através de
dispositivos de segurança de tal modo que a máquina não entre em funcionamento
quando forem retiradas.

IMPORTANTE
A falta de manutenção, sobrecarga e improvisações concorrem para
ocorrência de graves acidentes.

Figuras 130 e 131 – Resultados de manutenções inadequadas.

86
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

IMPORTANTE
As máquinas deverão ter suas energias (elétrica, hidráulica, pneumática e
de gravidade entre outras) zeradas e bloqueadas, devendo ser obrigatório o
uso de dispositivos de retenção mecânica na zona de prensagem.

Figuras 132 e 133 – Dispositivos de bloqueio.

87
Manual Básico de Segurança em Prensas e Similares

14 ATERRAMENTO ELÉTRICO

As prensas e equipamentos similares devem possuir aterramento elétrico e


proteção contra descargas atmosféricas, conforme as NBR 5410 e NBR 5419.

Para compor o Prontuário de Instalações Elétricas, previsto no item 10.2.4


alínea “b” da NR10, deverá constar ART – Anotação de Responsabilidade Técnica
de profissional habilitado com as inspeções e medições do sistema de proteção
contra descargas atmosféricas e aterramentos elétricos.

Segundo a ABNT, aterrar significa colocar instalações e equipamentos no


mesmo potencial, de modo que a diferença de potencial entre a terra e o
equipamento elétrico seja zero. Isso é feito para que, ao se operar máquinas e
equipamentos elétricos, o operador não receba descargas elétricas no seu
manuseio.

88