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República de Angola

Ministério do Ensino Superior

Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências


ISPTEC
Curso de Engenharia de Produção Industrial

Linhas de Transmissão de Energia Eléctrica

§.5. Construção de Linhas de Transmissão de Energia


Elétrica

Manuel Kadivonga__Versão 1/2015


Sumário

 Planeamento

 Aspectos mecânicos

 Efeitos ambientais.

1 ISPTEC_Linhas de Transmissão de EE _MK_2015 Construção de LT de Energia Eléctrica


Escolha da Secção
 Nas linhas aéreas
 S ≤ 10mm2 : condutores são unifilares.
 S > 10mm2 : condutores são multifilares (condutores em cabos).

 Os fios são dispostos em torno de um fio central, em camadas sucessivas


enroladas em sentidos contrários para um melhor aperto. O número total de
fios é dado por “Nº Fios= 1+3n(n+1)”, onde n (0,1,2,3,4,…) é o número de
camadas. Cada camada tem mais 6 fios que a anterior.

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Escolha da Secção
 Intensidade admissível em regime permanente
 Queda de tensão (resistividade)
 Características mecânicas dos condutores (Tensão de ruptura, Reutilização)
 Intensidade de curto-circuito admissível
 Esforços térmicos
 Esforços electrodinâmicos
 Efeito coroa
 Aparelhagem de protecção
 Normalização
 Condições de segurança
 Condições regulamentares
 Perdas de energia (temperatura de funcionamento)
 Preço (Matérias primas, Indústria transformadora e Custo energético)

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Projecto Mecânico
 A.I. Definição das trações de projeto
 A condição inicial de projeto é atribuir uma tração EDS (everyday stress)
proporcional a tração de ruptura do cabo (ex. 20 % para ACSR). Com o
regime de operação ao longo da sua vida útil, outras condições devem ser
atendidas:
 1. Temperatura média, sem vento: 20% Trup ou de acordo com o cabo,
 2. Vento máximo, temperatura coincidente: 33% Trup,
 3. Temperatura mínima, sem vento: 33% Trup (curva fria),
 4. Temperatura máxima, sem vento (curva quente).

 A última condição não considera a tração como limitante, mas sim a altura
de segurança do cabo com o solo, por ser a condição de maior flecha
possível. a partir desta condição será definida a curva quente do cabo.
 A condição de temperatura mínima irá descrever a curva fria do cabo, que
será usada para testar a hipótese de arrancamento nos suportes.
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Projecto Mecânico
 A.II. Construção da curva (a partir de um valor de flecha calculado)
 Para um vão a1 com flecha f1, para uma determinada tração e temperatura,
pode-se extrapolar os valores de um vão a2 para as flechas f2.

 A.III. Construção do Traçado


 O traçado no perfil do terreno será correspondente ao condutor mais baixo,
supondo que todas as outra fases/ polos sejam iguais. A altura de segurança
é função de U “classe de tensão” (valor máximo de tensão de linha, em kV)
e α a distância básica, de acordo com a natureza de utilização do
terreno(anexo). Sendo que para U < 87 kV, hs = α.

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Projecto Mecânico
 A.IV. Linha de terra
 Possui a distância básica de segurança hs (sem os adicionais referentes a
travessias por obstáculos), determinado pelo nível de tensão máximo da
linha. Deve, no máximo, tangenciar a linha do terreno.
 A.V. Linha de pé
 Descreve, para uma altura específica de torre, a locação destas no terreno.
O ponto que a linha de pé cruza o perfil do terreno será a localização da
torre. Na prática, utiliza-se torres com diversas alturas padronizadas, ou
seja, deve-se dispor de diversas linhas de pé, paralelas, de acordo com cada
torre.
 AVI. Cruzamento de obstáculos
 A norma recomenda distâncias mínimas adicionais ao transpor vãos que
contenham obstáculos, ou regiões com utilização específica (ex. passagem
de pedestres, rodovias, etc). recomenda-se neste caso marcar no perfil estas
alturas, como guia para as linhas de terra.
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Projecto Mecânico (Proj. Estruturas)
 Um projeto de uma torre parte do levantamento dos esforços estáticos e
dinâmicos. Estes esforços possuem uma parcela estatística, como a carga
de vento e o risco de rompimento de cabos.

 B.I. Gráfico de aplicação (aplicação de uma estrutura é regida


basicamente por três fatores)
 Ângulo de deflexão,
 Vão de peso (ou vão gravante),
 Vão de vento (ou vão médio).

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Projecto Mecânico (Projecto Estruturas)
 B.II. Árvore de carregamento (solicitações de estruturas)
 1. Cabos intactos, vento máximo;
 2. Um cabo para-raios rompido, vento médio;
 3. Um cabo de fase rompido, vento médio;
 4. Desbalanceamento vertical de montagem (uma fase lateral montada),
sem vento;
 5. Carga vertical de montagem, sem vento.

 Os esforços podem ser divididos pelo eixos cartesianos:


 1. Esforços verticais: (a) Peso dos cabos, (b) Peso próprio da torre, (c)
Peso da cadeia de isoladores.
 2. Esforços transversais: (a) Carga de vento nos cabos, (b) Carga de vento
na torre, (c) Carga de vento nas cadeias de isoladores, (d) Esforço por
deflexão da linha.
 3. Esforços longitudinais: (a) Assimetria entre vãos, (b) Rompimento de
cabo, (c) Esforço de montagem.
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Projecto Mecânico

 Esforços (T): O cabo em condição estática irá


descrever a forma de uma catenária, e depende
basicamente do comprimento do vão, do peso e
da tração.

 f: fecha A: distância do vão

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Projecto Mecânico
 Efeito do vento: O vento atuará
como uma carga adicional,
compondo com o peso próprio do
cabo, supondo um esforço
constante, horizontal e
perpendicular a linha.

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Elementos Construtivos
 I. Isolador
 Material a base de borracha de silicone com núcleo em fibra
de vidro, sendo na verdade uma cadeia em geral uma peça
única e extremamente leve.
 Vidro; Porcelana e Polimérico.

 II. Espaçador
 Ferragem utilizada para manter os cabos de uma mesma fase a
uma distância definida, de forma a equilibrar o campo
eléctrico e resistir as oscilações.

 III. Amortecedor
 Ferragem instalada em cada cabo de forma a atenuar vibrações
eólicas, com amplitude da ordem de centímetros e frequência entre
3 a 150 Hz. O amortecedor (tipo Stockbridge) é instalado nos
prováveis pontos de máximo, sendo estes pontos calculados de
acordo com a tração, material e comprimento do vão.

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Interligação de Sistemas Independentes
 Uma função importante das redes de transmissão é a interligação de sistemas
independentes aos subsistemas (fora Âmbito da Disciplina).
Vantagens:
 Permite o melhor uso das fontes de geração, pois a rede de transmissão pode
servir como uma espécie de “circuito hidráulico”, possibilitando a guarda de
água em reservatórios para uso posterior, driblando a diversidade hidrológica
sazonal das bacias hidrográficas do país.
 Permite a redução do custo, o aumento da flexibilidade operativa e da
confiabilidade de suprimento e a redução do porte de dimensionamento do
sistema, como consequência do melhor uso da água.
 Permite melhor gestão da grande diversidade do uso da energia elétrica nos
diversos segmentos de consumo; interligação de grandes regiões
desenvolvidas.
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Interligação de Sistemas Independentes
 Benefícios Energéticos:
 Melhor aproveitamento da diversidade hidrológica.
 Possibilidade de atendimento do mercado de uma região por usinas de outra
região, eventualmente mais econômicas.
 Possibilidade de regularização da produção de energia via transmissão
(“transferência” de água).
 Aumento da confiabilidade energética global do sistema, que resulta em
menores necessidades de reserva.

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Interligação de Sistemas Independentes
 Problemas do ponto de vista do desempenho eléctrico:
 Necessidade de uma operação segura do ponto de vista de estabilidade entre
geradores. Ou seja, aumenta o risco de que um distúrbio em um local possa
provocar o desligamento de outros geradores em locais mais distantes (efeito
dominó), agravando substancialmente o defeito.
 Aumento dos níveis de corrente de curto-circuito, que pode ocasionar o uso de
equipamentos mais dispendiosos nas subestações novas e/ou troca de
equipamentos em subestações já existentes.
 Problemas do ponto de vista das tecnologias de transmissão: Melhor
adequação para resolver os problemas de estabilidade e curto-circuito
apontados – configura vantagem da transmissão em corrente contínua –
CCAT, cuja aplicação resulta, no geral, em melhor desempenho transitório,
maior confiabilidade e não afecta níveis de curto-circuito.
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Interligação de Sistemas Independentes
 Problemas do ponto de vista dos impactos ao longo do roteiro seguido pela
linha e devidos à localização das subestações:
 Preocupação com as áreas de proteção ambiental e áreas indígenas.
 Dificuldades relacionadas à convivência com as populações e vegetação nas
áreas sob as linhas (as denominadas faixas de passagem, em geral não
adquiridas pelas empresas de transmissão, mas cuja utilização é negociada
com os proprietários).
 Problemas associados às áreas das subestações, principalmente de
convivência com as populações vizinhas (áreas adquiridas pelas empresas de
transmissão).
 Problemas com o não atendimento da população "em baixo do linhão", como
no caso das linhas muito longas, mais comuns nas regiões norte, nordeste e
centro- oeste do país.
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Considerações (1)
 Baixa resistividade: as perdas de energia e as quedas de tensão ao longo da
linha devem ser o mais reduzidas possível;
 Elevada resistência mecânica: os condutores da linhas aéreas estão sujeitos
a importantes esforços mecânicos que têm de suportar;
 Elevada resistência à corrosão atmosférica: o custo de uma linha aérea é
elevado pelo que há que garantir uma vida longa para os condutores;
 Baixo custo: o encargo financeiro relativo à construção da linha aérea não
deve ser demasiado elevado para que a sua exploração seja rentável.
 No projecto mecânico: Q a força linear, q a pressão, é a densidade do ar, V
a velocidade do vento, A a área exposta projetada (sendo um esforço por
comprimento, usa-se o diâmetro do cabo) e Cx o coeficiente de arrasto
(aproximadamente 1).

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Considerações (2)
 Projecto mecânico: A- Roteiro simplificado; B- Projeto de estruturas;
 Vão contínuos é uma sequência de vãos aonde ocorre transmissão de
esforços. Em geral uma linha é totalmente contínua, terminando somente
nos pórticos das subestações.
 A flecha dos cabos para-raios deve ser razoavelmente menor que a flecha
dos cabos energizados, para melhor desempenho contra descargas
atmosféricas no meio do vão. Porém, para vãos muito longos, uma
diferença excessiva entre flechas pode representar uma falha de blindagem!
 Gráfico de aplicação – usado para torres previamente projetadas, no qual
um diagrama especifica os limites de carregamento;
 Árvore de carregamento – usado para novos projetos de torres, ou em
estruturas especiais.

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Bibliografia
 José Neves dos santos; Condutores e cabos de Energia. Porto: Faculdade de
Engenharia da Universidade do Porto, 2005.
 Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola.
Relatório “Energia em Angola 2011”. Luanda, Outubro de 2011.
 Carlos Kleber da Costa Arruda. Apostila de Cálculo mecânico de linhas de
transmissão. CEFET-RJ, 2014.

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Anexos

Anexos
19 ISPTEC_Linhas de Transmissão de EE _MK_2015 Construção de LT de Energia Eléctrica
Cabos Eléctricos
 Cabos Isolados ( BT, MT) Cabos Nús/Torçado(linhas aéreas)

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Cabos Eléctricos (Linha de Produção)

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Efeito de Coroa
 A corrente de fuga nas linhas aéreas e geralmente muito pequena e vai
subindo proporcionalmente com a tensão até um determinado limite (a
partir do qual o crescimento torna-se muito rápido deixando de ser
desprezável).
 Para valores muito elevados de tensão a corrente de fuga pelo ar passa a
ter um valor significativo e o ar, que quando seco é um isolante perfeito
deixa de o ser. O campo eléctrico passa a ter valores elevados e começam a
aparecer eflúvios luminosos, produzindo um leve crepitar, nos pontos onde
há arestas ou saliências, em resultado do conhecido poder das pontas; esses
eflúvios constituem o começo da perfuração do dieléctrico.
 A partir de determinado valor de tensão, e quando observado na escuridão,
todo o condutor aparece envolto por uma auréola luminosa azulada, que
produz um ruído semelhante a um apito (fenómeno: Efeito de Coroa).
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Projecto Mecânico
Velocidade do vento (Escala de Beaufort- http://en.wikipedia.org/wiki/Beaufort_scale)

Distâncias básicas de segurança

EDS - everyday stress

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Projecto Mecânico

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