Você está na página 1de 4

UFAC – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE

“O corvo” – Edgar Allan Poe

Professora Simone de Souza Lima

2o. PERÍODO LETRAS INGLÊS

ALEXANDRE L. L. DE CASTRO
Matrícula – 20130120002

RIO BRANCO – AC
FEVEREIRO/2014
2

1 - Quais as características românticas presentes no poema de Edgar Allan Poe,


quando o comparamos à estilística realista? Quais as vozes sociais apresentadas
no poema? Qual a sua interpretação do poema?

As características românticas presentes no poema “O corvo”, de Edgar


Allan Poe são:

– o subjetivismo, onde o eu-poético busca a fuga no tempo e no espaço


para relembrar a amada como demonstrado na 5ª estrofe:

“Perquiro a treva. Longamente, estarrecido, amedrontado,


sonhando sonhos que, talvez, nenhummortal haja sonhado.
Silêncio fúnebre! Ninguém! De visitante nem sinais.
Uma palavra, apenas, corta a noite plácida: “Lenora”.
Digo-a em segredo e, num murmúrio, o eco repete-me: “Lenora!”
Isto, somente – e nada mais.

– a liberdade, onde demonstra a rebeldia e também a característica do


historicismo, ressaltando a fuga no tempo e no espaço – na 15ª estrofe:

“Profeta!” – brado. “Anjo do mal! Ave ou demônio irreverente,


“que a tempestade, ou Satanás, aqui lançou, tragicamente,
“e que te vês, soberbo e só, nestes desertos penetrais
“nesta mansão de eterno horror! Fala! Responde ao certo! fala!
“Existe bálsamo em Galaad? Existe? Fala, ó Corvo! Fala!
E o corvo disse: “Nunca mais!”

– o sentimento, no caso, faz menção o culto ao primeiro amor, o ideal da


virgindade, do sentimento nostálgico e melancólico – ressaltado na 2ª estrofe:

[...]
Eu nos meus livros procurava – ansiando as horas matinais –
um meio (em vão) de amortecer fundas saudades de Lenora
– virgem radiante, a quem, no céu, os querubins chamam Lenora
e aqui, ninguém chamará mais.
3

– o pessimisto, marcando na melancolia, na solidão, no desespero do eu-


poético pela amada face à incapacidade de esquecê-lá – demonstrado entre
outras, nos inícios da 8ª e 12ª estrofes:

[...]
Eu estava triste, mas sorri, vendo o meu hóspede noturno
[...]

[...]
De novo foram-se mudando as minhas mágoas num sorriso ...
[...]

– o fantástico, representando o que existe somente no sonho e na


imaginação, no caso, representado pelo corvo, em que ele pensa estar
recebendo a visita da amada e, no entanto era o pássaro – demosntrado na 5ª
estrofe acima apresentada.

– a natureza, presente neste poema com a figura de uma ave de rapina


(o corvo) – que é apresentada na 7ª estrofe e segue nas demais.

Eis, de repente, abro ajanela, e esvoaça então, vindo de fora,


um Corvo grande, ave ancestral, dos tempos bíblicos – d’outrora!
[...]

Em relação as vozes sociais do poema temos em primeiro lugar o eu-


poético, que narra os fatos; a segunda voz é de sua falecida amada Lenora, a
qual é alvo e motivo da saudade, da melancolia e tristeza do eu-poético; por fim,
a figura do corvo que é o personagem título e pode ser tido tanto como
protagonista, a medida em que os fatos são “contestados” por ele – quando
repete sempre “nunca mais” e, ao mesmo tempo na figura de antagonista que,
justamente por dar estas respostas aos questionamentos do eu-poético.
Quanto à interpretação do poema, o eu-poético está solitário, lendo para
tentar – em vão – esquecer a falecida amada. Ouve batidas na porta e imagina
ser uma visita tardia mas sem saber quem batia. Sonolento ele atende a porta.
4

Como não avista ninguém, imagina ser o espírito da amada. Retorna ao


quarto e ouve novamente os rumores que ouvira anteriormente, acreditando ser
um barulho do vento na janela e ao abrí-la, um corvo entra e pousa em um
busto de Minerva. Ele acha engraçado o fato ocorrido e começa a questionar o
corvo, no qual só ouve a resposta “nunca mais”. Questiona sobre as pessoas que
já se foram, inclusive à amada. Continua melancólico, e tenta expulsar a ave em
vão, pois lá ela permanece – compara a sua sombra ao tamanho da dor e que
dela nunca se libertará.

FONTE: D’ONOFRIO, Salvatore. Literatura Ocidental. São Paulo: Ática, 2004.