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Guia de Forjamento de Metais

O documento descreve os processos de forjamento mecânico e prensagem de metais. Forjamento é realizado a quente acima da temperatura de recristalização do metal usando martelos ou prensas. Martelamento produz deformação superficial enquanto prensagem atinge camadas mais profundas de forma mais regular. O documento também discute as forças e resistência à deformação dos metais durante o processo.
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Guia de Forjamento de Metais

O documento descreve os processos de forjamento mecânico e prensagem de metais. Forjamento é realizado a quente acima da temperatura de recristalização do metal usando martelos ou prensas. Martelamento produz deformação superficial enquanto prensagem atinge camadas mais profundas de forma mais regular. O documento também discute as forças e resistência à deformação dos metais durante o processo.
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I Introdução O forjamento é o processo de conformação mecânica pelo

martelamento ou pela prensagem.


Em princípio, há dois tipos gerais de equipamentos para forjamento: os·
martelos de forja ou martelos de queda e as prensas.
Nos primeiros, golpes rápidos e sucessivos são aplicados no metal, en·
quanto, nos segundos, o metal fica sujeito à ação de força de compressão a
baixa velocidade. Assim, no forjamento por martelamento, a pressão atinge
a máxima intensidade quando o martelo toca o metal, dec "escendo rapida·
mente a seguir de intensidade, à medida que a energia do golpe é absorvida
na deformação do metal.
Na prensagem, atinge-se o máximo valor da pressão pouco antes que
ela seja retirada.
Em resumo: enquanto o martelamento produz deformação principal·
mente nas camadas superficiais, a prensagem atinge as camadas mais pro-
fundas e a deformação resultante é mais regular do que a que é produzida
pela ação dinâmica do martelamento.
As operações de forjamento são realizadas a quente, ou seja, a tempe-
raturas acima das de recristalização do metal, embora alguns metais possam ser
forjados a frio.
A máxima temperatura de forjamento corresponde àquela em que pode
ocorrer fusão incipiente ou aceleração da oxidação e a mínima corresponde
àquela abaixo da qual poderá começar a ocorrer encruamento.
Para o caso dos aços-carbono, a faixa usual de temperatura é 8000
I, . Em aços altamente ligados, as temperaturas empregadas são mais
,11 vn(1n, devido à complexidade da estrutura do material.

'-orças atuantes na defonnação Admita-se um corpo metálico, repre-


III ti na Figura 44, sujeito à ação de forças externas, representadas por
p( . À ação dessa força, opõe-se uma reação interna do metal, chamada
r .r/lvt " 'Ia ideal r, à sua deformação.

o trabalho total necessário para deformar o corpo de ho a hl é dado


pela integral da fórmula (I):

s
SI
,
1- dh
- ho
h
hl

T = V c.rd'
f ho dh

hl
-
h' expressaoque
d
po eserescnta
.

sta resistência depende da temperatura, da velocidade de deformação


dll condições segundo as quais se dá o escorregamento (corpo livre que se
<lIIILII lateralmente ou corpo vinculado pelas paredes de um molde).
N caso da deformação livre, o efeito da força P sobre a superfície So
111\1 achatamento livre do corpo. Supondo-se um achatamento elementar
1Il, trabalho elementar de deformação dT, medido no deslocamento dh, é
pro so por
llil 11/ 1IIIIdo () dois membros por h IIho• tem-se Se se chamar de Rd a resistêncÜ1 real à deformação, deve-se admitir um
determinado rendimento 11 no esforço realizado. ou seja,

ln ~SS = ln ~
1 hl Vc·R ,lnSdSo
d
P =-----

ln ~ = In-ho Vc·Rd·ln ho/hl


So hJ p =-----
e
que corresponde à força necessária para deformar o metal.
A Tabela 6(20) apresenta a resistência real aproximada Rd para a defor-
mação a quente (1000° a 1200°C) de aço por ação dinâmica de martelo e por
ação estática de prensa.

I' i I 1I)IIIho de deformação pode igualmente ser expresso pela equaçiio

, ,"11 I/li representa a deformação correspondente à tensão TI de RESISTf.NCIA À DEFORMAÇÃO A QUENTE DE AÇO POR AÇÃO DE
1I11111111U III MARTELO E DE PRENSA

I !tll/lll IIte. o trabalho pode ainda ser expresso pela equação


2
Rd (kgf/mm )
Deformação
% Por ação do martelo Por ação da prensa

O aJO 10-15 4- 6
10 a 20 25-20 6-12
20 a 40 20-30 12-22
40 a 60 30-36 22-28
Acima de 60 36-50 28-38

p = V c.rd InS dSo


Considere-se, agora, uma massa de peso Q em queda livre de uma
e
altura H (Figura 45).
t11 I
I
r
H
p

ij
,.
1,

[--
Esse trabalho corresponde ao de deformação do material P.e.
Logo

P _ Q.H
- -e-T]
A massa Q ao cair livremente, adquire uma aceleração de gravidade,
d envolvendo uma energia cinética que se exprime por

Tu = trabalho utilizado
v = velocidade final da massa de peso Q ao atingir o corpo
e = esmagamento resultante
m = Q/g = massa, onde g representa a aceleração de gravidade, Conhecidos o peso Q da massa em queda e todos os outros elementos,
(9,81) pode-se extrair

V c.Rd .In ho/h 1


H =-~---
T].Q
v = figH
No caso da deformação vinculada (Figura 46)(20), ou seja, forjamento
em matriz, o esforço de deformação é maior, pois o material sob deformaçA'o
é retido entre as paredes de um molde ou matriz, além das paredes de uma
cavidade perimetral para conter o material em excesso.
- recalcagem, em que se submete uma barra cilíndrica à deformação
de modo a transformá·la numa peça determinada; uma variedade
desse processo é a eletro-recalcagem, em que a barra cilíndrica, em
vez de ser previamente aquecida, atinge a temperatura fixada de
deformação na própria máquina de recalcagem. Entretanto, a eletro·
recalcagem produz somente peças intermediárias, que devam ser
posteriormente conformadas na forma definitiva.

3.1 Prensagem O processo é usado para a deformação inicial de


grandes lingotes, resultando produtos a serem posteriormente forjados ou,
então, para forjar os lingotes em grandes eixos, como os de navio, ou para
forjar peças de formas simétricas com secção circular ou cônica.
As prensas (Figura 47) são de grande capacidade, a qual pode a tingir
50.000 toneladas ou mais; essas prensas são acionadas hidraulicamente.
O êmbolo é movimentado por cilindros hidráulicos e pistões qu
fazem parte de sistema hidráulico de alta pressão ou por um sistema hjdro·
pneumático. A pressão pode ser mudada à vontade, pelo ajuste de umO
I vid ao atrito das paredes da matriz e devido à cavidade perimetral
válvula de con trole de pressão. Assim, a velocidade de deformação é C 11'
I I I l I1cla real à deformação Rd é maior e deve ser multiplicada por UI~
I I li" IIte que leva em consideração as condições acima. Esse coeficiente é trolada. Devido à quase ausência de choque, o custo de manutenção ó mal.
/1 1(1 11\ de 1,3 a 1,6, de acordo com a forma da cavidade da matriz. baixo do que no martelamento, pois a pressão é aumentada gradualm nl .

/\ f rça de deformação, entretanto, pode ser reduzida se a mesma for O custo inicial de uma prensa hidráulica é, entretanto, maior do tlU (

di;" lU I, gradualmente, pela aplicação de dois ou mais golpes do martelo. de uma prensa mecânica de mesma capacidade e sua ação é tambóm 11Iul
lenta.
Processos de foljamento O forjamento é, pois, o processo de defor. Prensagem em matrizes fechadas é empregada na conformaç, O (\
U'" (/I quente em que, pela aplicação de força dinâmica ou estática, se peças de metais e ligas não·ferrosos, porque esses materiais apres 11111111
IIlodll '11 [l forma de um bloco metálico. Em linhas gerais, o termo forja- maior grau de plasticidade, necessária para preencher as cavidades das mflUI.
11111/1 nbrflnge os seguintes processos de conformação: zes, mediante operação de esmagamento.
Outra vantagem reside no fato de não se necessitar de grandes ângulo
prellsagem, em que o esforço de deformação é aplicado de forma
gradual ; de sa ída ou conicidade nas matrizes, apenas 2° a 3° ao contrário do r rjil'
mento em matriz, em que esses ângulos são pelo menos o dobro.
l()rjament~ simples ou livre, em que o esforço de deformação é apli.
Uma aplicação muito importante desse processo é feita na indústl'ill
cado medIante golpes repetidos, com o emprego de matrizes abertas
lu ferramentas simples; aeronáutica e outros setores industriais, em peças de alumínio que, p 1I
prática eliminação de conicidade, exigem menos usinagem e, portanto, rc. 111
- j'oljamen.to em matriz, que difere do anterior, porque é uma defor. tum em maior economia.
rnaç:ro Vinculada, obtida mediante o emprego de matrizes fechadas;
As pressões geralmente aplicadas, em t/cm2, variam de(21):

NOTA: ~a falta de tabelas de logaritmos. nepenanos ln, pode-se usar as tabelas oomuns - 0,70 a 2,8 para latão
a base 10. ObtIdo o Iogantmo a base 10 do número considerado, divide.se o - 1,4 a 2,8 para alumínio
mesmo pelo m6dulo de transformação 0,434294 e tem·se o logaritmo nepe. - 2,1 a 4,2 para aço
nano In.
- 2,8 a 5,6 para titânio.
3.2 Forjamento livre Em princípio, o forjamento livre é uma opera·
ção preliminar em que, a partir de blocos, tarugos etc., procura·se esboçar
formas que, em deformações posteriores por forjamento em matriz ou outro
cilindro de processo, são trallsformactqs em objetos de forma~ mais complexas.
pressão
Contudo, o forjamento livre, pelo emprego de ferramentas simples,
manuseadas por um operador experiente, permite uma série de operações de
natureza elementar, entre as quais as seguintes(22):

rigura 48 (a) Operações de esmagamento. (b) Conformação de uma flange. (c) Dobra-
mento de uma barra. (d) Dobramento de uma chapa.
dobramento de uma biela previamente esboçada - Figura 49(a)
11/11 1/11/111110 de um disco metálico simples; a Figura 48(a) mostra as
•••,11111 fll I 1111111' l'llção; corte a quente, com auxt1io de martelo, bigorna, tenaz e dispositivo
I
III1 fi I/I/tÇt10 de uma flange numa extremidade
de uma barra cilln- semelhante a machado - Figura 49(b);
til\! I \ I 1/111 Il(b) mostra a fase inicial que consiste na colocação da barra __ estiramento de uma barra, a qual, durante a operação, deve ser girada
1111111 111l1il1111 dI "lura predeterminada, de acordo com a largura desejada da e deslocada longitudinalmente como está indicado na Figura 49(c). No casO
Ihlll I 11 \1\ 1 lIlostra ainda a peça resultante; representado, a operação consiste em martelamento livre. Se se desejar obter
111 11111111 '11(0 de uma barra redonda com auxílio de um cilindro - melhor acabamento, emprega-se duas meias matrizes com cavidade cilíndrica.
11111 I 111(/ o dobramento de uma placa com o auxilio de uma matriz Pode-se obter, por esse processo simples, secções quadradas, hexagonais etc.
Para produção em série, usa-se o forjamento rotativO, a ser estudado mais
1111111 I' K\IIII 48(d);
adiante;
-\-:

(a) Operações de corte a quente; (b) Estrangulamento de uma barra; (e) E!1-
trangulamento de uma barra de secção retangular.
l'IJlIlI~ 'lI) ') Operação de dobramento de uma barra. (a) Inicialmente esboçada;
(11) Corte de uma liarra, (e) Esriramento de uma barra.
(
(

(
- perfuração a quente de discos metálicos - Figura 50(a) - com o - estrangulamento de uma barra redonda - Figura 50(b) - ou de (
emprego de um punção e uma matriz, a primeira presa ao martelo e a segun. uma placa retangular - Figura 50(c) -, ou seja, confecção de sulcos (
da na bigorna;
transversais.
(
A Figma 51 apresenta esquematicamente um martelo de forja de
(
estrutura dupla, cuja capacidade varia geralmente de 2.500 a 10.000 tonela·
da. Essas prensas apresentam grande rigidez, de modo que são vantajosas (
para forjamento de aço e outras ligas de alta resistência.
Tipos semelhantes são empregados no forjamento em matriz.

3.3 Forjamento em matriz Neste processo, o forjamento é realizado


em matrizes fechadas, que conformam a peça de acordo com uma forma
definida e precisa.

METADE DA MATRIZ
(SUPERIOR)
f

METADE DA MATRIZ
(INFERIOR) (a)
I IjllI 1I11ticamente, o processo está representado na Figura 52(23).
A matriz possui ainda uma cavidade na sua periferia, propositadamen te
/11 IltllllliJnte, procede-se ao esboçamento, ou seja, ao preparo grosseiro confeccionada, e que segue o perfil da peça sobre o plano de união das duas
/1111 1i 11 I peça, por intermédio de uma operação de forjamento livre. O metades de matriz, com o objetivo de conter o excesso de material que deve
li d/ll 11 I /inçado é colocado sobre uma metade da matriz, presa na bigorna ser previsto, de modo a garan tir total preenchimento d:1 matriz e produzir
/11./1 f, ~ I' queda.
uma peça sã.
f 111111'0metade da matriz está presa no martelo. Pela aplicação de Assim sendo, é necessano que o volume de material a ser deformado
11 ,slvos, o material, aquecido acima da temperatura de recristali- corresponGa a todas as cavidades da matriz.
I 111. 11111 preenche completamente a cavidade das duas meias matrizes
-11111111 1 1fi 111'0 52 mostra. ' Na Figura 53, nota-se que a partir da fase (c) o material começa a
penetrar na cavidade periférica, formando a rebarba. Com isso, facilita·se
o contato completo das duas metades de matriz e todas as peças são obtidas
com altura constante.

(~-) A fase final da operação de forj~mento em matriz é o corte da rebarba,


pelo emprego de matrizes especiais de corte ou quebra de rebarbas.
extremidades
em cone
E o
./

p sicionamento na
matriz fase de estiramento
na cavidade A
fase de arredondamento
na B
C!::::::::::::::\X'.J fase de dobramento na C

@t-:-:'go fase de esboçamento na O

peça pronta ~._~ fase de acabamento na E


(corte)

------"
~--..........J
corte da rebarba
Freqüentemente, procede-se ainda a uma cunhagem para conferir à _ para peças de 80 mm a 150 mm de diâmetro ou largura, -1,5 a
peça acabamento dimensional final, calibrando suas dimensões e dando 2,Omm;
acabamen to superficial melhor. _ para peças entre 150 mm até 250 mm de diâmetro ou largura, - 2,0
a 3,0 mm.
3.3.1 Matrizes para forjarnento em matriz A Figura 53 mostra uma
matriz simples para forjamento em matriz. Estão representados a barra inicial, 3.3.1.2 Ângulos de saída ou conicidade, para facilitar a retirada da
o primeiro desbaste das pontas, o posicionamento na matriz, o forjamento peça da cavidade da matriz. A Figura 56 indica não somente esses ângulos,
final e a peça pronta em corte. que variam de 5° a 7° para as superfícies internas e de 7° a 8° para superfí-
A Figura 54(23) mostra uma meia matriz com as cavidades múltiplas de cies externas, como também a concordância dos cantos. Para fins práticos,
esboçamento e acabamento de uma alavanca. procura-se manter constantes os valores desses ângulos, em torno de 7°.
A Figura 55(23) mostra esqucmaticamente o corte de uma rcbarba, O,
mediante a ação direta de punção na peça apoiada na matriz de corte. sobremetal

~}

3.3.1.3 Concordância dos cantos, devido à possibilidade de ocorrerem


falhas em função da contração que se verifica a partir da temperatura de
Antes de proceder-se a um projeto de matriz para forjamento em forjamento até a temperatura ambiente. Assim, deve-se evitar cantos vivos,
matriz, é necessário considerar o projeto e desenho da peça a ser forjada e que criam tensões e, eventualmente, levam () metal a fissurar até :2 a 5 mm
os fatores que devem ser levados em conta. de profundidade. A Figura 56 mostra os pontos onde os raios de curvatura
devem ser projetados e a Tabela 7 apresenta valores que podem ser adotados
3.3.1.1 SobremetaI, para usinagem. O excesso de material é função para esses raios.
das dimensões da peça. Recomenda·se o emprego da seguinte regra(23):
3.3.1.4 Tolerâncias, em função de um possível deslocamento de uma
meia matriz em relação à outra melade. Esse deslocamento pode ocorrer por
para peças de pequenas dimensões, até 20 mm de diâmetro ou
incorreção construtiva, dando como resultado uma peça defeituosa. Assim,
largura, - 0,5 a 1,0 mm;
necessário estabelecer tolerâncias longitudinais, em função das dimens (,
para peças de dimensões médias, entre 20 111m a 80 mm de diâmetro das peças forjadas. A Figura 57(23) representa esquematicamente as exccntd·
ou largura, - 1,0 a 1,0 rnm; cidades que podem resultar de matrizes defeituosas.
Dependendo das dimensões das peças e da natureza do processo -
forjamento em matriz normal ou forjamento em matriz de precisão -, os
RDÁNCIA EM PEÇAS PARA FüRJAMENTü EM valores de e e e 1 variam.
MATRIZ
Uma razão adicional para estabelecer tolerâncias é o desgaste das
cavidades da matriz.
M dldas
1i,11),1i2 Ou d Concordância, 111m
/11111

di até r rI r2

25 5 0,5 1.0
I,
40 8 1,0 1,5 Forjamento normal Forjamento de precisão

,,,
II1 63
100
12
20
1,5
1,5
2,0
2,5
Dimensões da peça
mm Limites Tolerância Limites Tolerância
111 160 30 2,0 máx e mín. total máx e mín. total
3,0
til 250 50 2,5 3,5
Até 30 ±O,5 1,0 +0,3·02 0,5
De 30 a 50 iD,6 1,2 +0,4·03 0,7
De 50 a 80 +0,9·0,7 1,6 +0,5·0,4 0,9
De 80 a 125 +1,2·0,8 2,0 +0,6·0,5 1,1
De 125 a 200 +1,5·1,0 2,5 +0,8·0,6 1,4
De 200 a 250 +1,8·1,2 3,0 +0,9·0,7 1,6
De 250 a 315 +2,2·1,3 3,5 +1,0·0,8 1,8
De 315 a 400 +2,6·1,4 4,0
De 400 a 500 +3,0·1,5 4,5
De 500 a 600 +3,4-1,6 5,0

A Tabela 8(23) apresenta algumas recomendações preliminares nesse


sentido.
Existem tabelas mais completas, preparadas pelas associações técnicas,
de modo a tornar o projeto mais preciso.

3.3.2 Projeto das matrizes No projeto das matrizes, devem ser levados
em conta os pontos a seguir:

3.3.2.1 Contração do metal ü metal aquecido à temperatura de for-


1 " 1111/1 /11111111 11',\Illtnlltcs de deslocamento horizontal das duas meios jamento dilata; portanto, ao resfriar contrai, o que deve ser levado em conta
,",//1' I li, 11 I" 111/ 11"(/1 (' o I. Irti/lSv ersal.
I

no projeto da matriz; ou seja, esta deve ser construída maior, porque se isso
/l.o ocorrer a peça resultante apresentará menores dimensões que as projeta.
J IS. Sob o ponto de vista prático, podem·se considerar os seguintes valores
I oro a contração, de acordo com o tipo de material:

para aço " . . . . . . .. 1,0% (de 1020°C a 20°C)


para bronze 0,8% (de 520°C a 200C)
para latão 0,9% (de 520°C a 200e)
para cobre 0,8% (de 520°C a 200C) .. L_
para ligas leves . . . . .. 0,9% (de 420°C a 200C) h, (b)

Assim, no caso do aço, para uma dimensão de 100 mm no desenho


li, p çn, a cavidade da matriz correspondente deverá apresentar a dimensão
' --''
I 101 mm.

I 3.3.2.3 Canais de rebarbas A Figura 59(23) apresenta quatro tipos de


--.t---
canais de rebarbas e a Tabela 9 dá recomendações sobre as suas dimensões
(em mm). O tipo (a) é colocado na metade superior da matriz; no tipo (b),
o canal é simétrico; no tipo (c), o canal é colocado na meia matriz inferior
e o tipo (d), aberto, é empregado quando não se vincula o volume do metal
entre limites bem definidos, como nos casos de forjamento em matriz dt:
, -J.i
- __ I::w..._ barras e placas.

-$
I

.- :

eD· I I TIPO DE
I m n o h hl r ml
CANAL

Pequeno 2 4 II 15 3,5 5 2,5 2


Médio 2,5 5 20 25 5,0 8 4 3
Grande 3 6 29 35 6,5 10 5 4

3.3.2.2 Sistema de referência entre as duas meias matrizes Para uma


V ça perfeita é necessário que as duas metades da matriz coincidam, de modo 3.3.3 Material das matrizes Os materiais empregados na confecção
I"e a cavidade da matriz superior siga perfeitamente a cavidade da inferior. das matrizes são aços especiais - tipo ferramenta - caracterizados por con-
Em linhas gerais, pode-se usar dois sistemas de alinhamento, como a Fi. terem carbono de médio a alto teor e elementos de liga como cromo, níquel,
gura 58(23) indica: (a) por intermédio de duas colunas opostas diagonal. molibdênio, tungstênio e vanádio. Exigem tratamento térmico tanto mais
I\lente; (b) e (c) por intermédio de sedes cônicas ou inclinadas, na forma de complexo, quanto maior a quantidade e a porcentagem de elementos de
macho e fêmea para centragem final. liga presentes.
)

96

3.4 RecaJcagem Trata-se essencialmente de um processo de confor- A Figura 60(23) ilustra esquematicamente o processo. A barra a', aque·
I mação a quente em que uma barra, tubo ou outro produto de secção uniforme, cida, é inserida na máquina, entre as duas matrizes abertas A e A'. Uma
I geralmente circular, tem uma parte de sua secção transversal alongada ou alavanca b determina a posição exata da barra na extremidade das matrizes.
rcconformada.

Em princípio, o processo é levado a efcito mantendo·se a peça original


I nquecida entre matrizes e aplicando-se pressão numa sua extremidade, na
I direção do eixo, com o emprego de uma ferramenta de recalcar, que alarga
rccalca) a extremidade, median te deslocamen to do metal.

A a'

Li-ep-1 --
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~>,.:SE~;-~-~-0::-~-~-~ (a)

: L>3d~ -
r- -' A'

[~~/~~ -6-- .

B
A máquina é acionada: as matrizes fecham e bloqueiam a barra, ao mesmo
tempo que a alavanca b se eleva, deixando livre a extremidade para a entrada A operação de recalcagem nas duas extremidades é realizada em muitas
do punção B da ferramenta de recalcar; o punção entra na câmara para peças, devendo-se ter cuidado com problemas de manuseio c aquecimento,
recalcar a extremidade da barra - fases (b) e (c) da figura. A matriz abre-se problemas esses não encontrados em recalcagem de uma extremidade
apenas(24) .
e a máquina interrompe sua ação automaticamente.
Se os diâmetros das extremidades forem diferentes, recomenda-se
A Figura 61 mostra como obter, por recalcagem, a partir de uma barra,
forjar o diâmetro menor em primeiro lugar, o que facilita o manuseio no
uma peça com um alargamento na extrenúdade, uma f1ange e um orifício
segundo aquecimento.
profundo.
As máquinas de recalcagem são horizontais, operadas mecanicamente
A operação, como se vê, consiste em várias passagens, de modo que a
por intermédio de um eixo principal com uma transmissão excêntrica, que
matriz correspondente é múltipla e vários punções são empregados.
propulsiona o cursor da ferramenta de recalcagem horizontalmente. Carnes
A Figura 62(24) mostra o ferramental para recalcagem dupla, ou seja, e excêntricos propulsionam o cursor da matriz que se movimenta horizontal-
nas duas extremidades de uma barra. A operação consiste em cinr" nasses, os mente em ângulo reto em relação ao cursor da ferramenta de recalcar.
dois primeiros numa matriz dupla com duas ferramentas de recalcagem e
Os componentes mecânicos fundamentais na recalcagem são 2iS duas
os três últimos numa matriz tripla com três ferramentas de recalcagem.
matrizes de aperto.

ferramenta
3.4.1 Pressão de recalcagem Pode-se empregar, com razoável precisão,
matriz de
de recalqlJe aperto
a fórmula abaixo, para determinar a pressão de recalcagem e escolher a má-
quina de recalcar adequada para uma determinada operação de recalcagem(23):

P = pressão máxima, em kgf, que ocorre na recalcagem


S área, em mm2, da secção transversal da peça. Se esta for de
secção circular, com diâmetro D na extremidade maior, a área
a considerar é

2
= 1TD
S 4

Rd = resistência à deformação, em kgf/mm 2, do material a recal-


car, à temperatura de deformação.

Rd = 10 a 15 para aços
Rd = 6 para cobre
Rd = 0,4 a 0,5 para ligas leves
Rd = 4 para Ia tão
Mesmo em aço-carbono, a ser deformado por forjamento rotativo à
k = coeficiente que varia de acordo com as várias dimensões da temperatura ambiente, a sua microestrutura deve ser adequada, para máxima
peça. O valor de k pode ser extraído dos dados apresentados deformabilidade, o que exige um tratamento térmico prévio de coalesci-
na Figura 63. mento. Nessas condições, a redução de secção pode atingir 70%, enquanto
com estrutura normal - de perlita fina, por exemplo - a redução só pode atin-
gir 30% a 40%.
Alguns metais e ligas, menos ou pouco dúcteis, como aços-liga de
dureza Rockwell superior a 90B, tungstênio, molibdênio etc., devem- ser
deformados a quen te.
raletes

;1\

I 11111/1 \ VII/ore.! recomendados para o coeficicme k rclatÍl'o à fórmula de pressão


ti ' roca/cagem.

A Figura 64(26) mostra os métodos para forjamento rotativo.


\'1 utros processos de forjamento Incluem o forjamento rotativo
A Figura 64 (a) representa o método em que as matrizes são cônicas; elas
. I 11 /1I1/(I/IICII! em cilindros.
são abertas e fechadas rapidamente, enquanto a peça gira e é introduzidano
1,'1, I J'orjamento rotativo B um processo de redução da área da sentido longitudinal.
111, \11 II illsvcrsa\ de barras, tubos ou fios, mediante a aplicação de golpes Outro método está representado na Figura (b): as matrizes giram num
IlltI 1111 11 P I idos, com o emprego de um ou mais pares de matrizes opostas(25). fuso, ao mesmo tempo que roletes ao redor da periferia as abrem e fecham
I ser forjada, geralmente,
pl ~)1Iti é de forma quadrada, circular ou
golpeando a peça, centenas de vezes por minuto. I:
este o método mais
'lI 1 1111 iI'u1quer forma simétrica em secção transversal. Outras formas, comum.
111 I 1111 II 1lllgulares, podem também ser forjadas rotativamente. A Figura 64 ( c), finalmente, indica o método para forjamento rotativo
de tubos; a bucha gira e o tubo é introduzido; ou o tubo gira, à medida que
PI I1I p/ocesso, consegue-se reduzir, por exemplo, tubos a partir de
penetra no in terior da bucha. A operação pode ser levada a efeito num torno
I I I til 11 Inetro e barras a partir de 10 cm de diâmetro aproximadamente.
mecânico: a bucha é colocada na placa de castanhas da árvore do torno,
lli II \11 dmcnte, o processo é aplicado a frio em aços-carbono com 0,20% onde adquire movimento de rotação, e o tubo é empurrado para o seu interior
1111 I 11\ I li carbono. À medida que aumenta o teor desse elemento e a partir do cabeçote móvel, ou vice-versa.
1111111 ;1 )lI cnça de elementos de liga, a forjabilidade rotativa decresce.
o forjamento rotativo de tubos é feito com os objetivos seguintes: Por esse processo pode-se aumen tal' o comprimento de barras, reduzir
redução dos diâmetros interno e externo, confecção de conicidade numa ex- seu diâmetro ou modificar sua secção conforme desejado.
tremidade, melhora da resistência, obtenção de tolerâncias mais estreitas etc.
t um processo simples, rápido, que é vantajoso na conformação pre-
Para reduzir apenas a espessura das paredes dos tubos, o fo~amento liminar de peças a serem recalcadas ou forjadas em malriz, ou mesmo para a
r tativo é levado a efeito com o emprego de um mandril, ou seja, uma barra fabricação de objetos com formas definitivas.
ct· precisão com diâmetro correspondente ao diâmetro interno do tubo.
Es e mandril é colocado no interior do tubo, de modo que quando este recebe
s 8 Ipes repetidos na superfície externa, a superfície interna não é afetada.
O mandril pode ser usado para modificar a forma da superfície interna
U tubo .

. .5.2 Forjamento em cilindros O processo é empregado na redução


di çã"o transversal de barras ou ta rugas, pela sua passagem através de dois
IIlndr s que giram em direções opostas e que possuem um ou mais entalhes
ou nncluras coincidentes em cada cilindro (Figura 65)(27).

A peça é passada em eada canelura dos cilindros, os quais são construí-


dos em segmentos ou meios cilindros. Ao girar, os cilindros comprimem a
peça numa das caneluras; o movimento é interrompido, a peça é colocada na
canelura seguinte e os cilindros novamente movimentados; e assim em
seguida.

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