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Uma conexão que vale a pena: a leitura da obra de

Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira

por Jorge Viana de Moraes

Grande, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira!


Reinventor do romance brasileiro no século XXI.
Confesso que, dos escritores contemporâneos
brasileiros, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira e B.
Kucinski são os meus prediletos.

Não consigo aprioristicamente classificar as suas obras.


Em o seu As visitas que hoje estamos (Iluminuras,
2012) nenhum gênero literário conhecido pode ser
reivindicado.
Excetuando, talvez, o
genial Prof. José
Antônio Pasta, acredito
que ninguém o tenha conseguido. Pasta diz, em orelha à obra, tratar-se
de “um romance-limite”. Acredito que não haveria melhor imagem para
tentar classificá-la. Só não sabemos qual é exatamente esse limite.
Todavia, arrisco em dizer que é possível que a obra transcenda a todos os
limites. Por que tentar circunscrever – ou “aprisionar” – esse belo livro em
algum gênero conhecido? Para mim, é um contrassenso. É provável que
ele tenha inaugurado, entre nós, um novo gênero que ainda não foi
categorizado, tal como, certas espécies de animais que os biólogos
encontram na natureza selvagem, e que sequer haviam sido suspeitadas...
até pouco tempo. Mesmo o cólofon em As visitas que hoje estamos é
ressignificado!! Ali tudo é paradoxalmente construído de maneira
desconcertante.

E em O amor pega feito um bocejo (Companhias das Letrinhas,


2015; ilustrações de Rogério Coelho), não podemos dizer que
estamos (apenas) diante de uma obra de literatura infantil... Para
mim, antes de tudo, ela é sem intervalo etático. Basta-nos
aproximarmos e na companhia das reminiscências do narrador-eu-
lírico desse breve, mas impactante e acalentador poema-em-prosa
ou dessa prosa-poética, como queiram, seguir as aventuras e
desventuras delusivas (se me permitem o castelhanismo) de tia
Cátia, de Cotia... que no final das contas, assim como o Quixote, é
um pouco a tia de e em todos nós...

Parabéns, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira! Sua obra é


magnifica! Inventiva e inspiradora, ela traça novos paradigmas para
a literatura brasileira. Isto para dizer o mínimo!

Que outros leitores tenha o mesmo prazer que tive em descobri-la e de pessoalmente... conhecer essa sua
boa companhia e boa prosa cosmopolita-interiorana!!