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╬ Surgimento: Europa, meados do século XVI - Brasil, início do século XVII.

(Lembrar que, no Brasil, a literatura barroca acaba no século XVII, junto com o declínio
da sociedade açucareira baiana. Contudo, na arquitetura e nas artes plásticas, o estilo
barroco atingirá o seu apogeu apenas nos séculos XVIII e início do XIX, em Minas
Gerais.)

╬ Variações barrocas: cultismo (exagero e rebuscamento formal) e conceptismo


(exagero no plano das idéias) são manifestações de excesso da literatura barroca.

╬ Características do Barroco

Arte da Contra-Reforma, expressando a crise do Renascimento, com a destruição da


harmonia social aristocrática-burguesa através das guerras religiosas. Dividido entre os
prazeres renascentistas e o fervor religioso, o homem barroco oscila entre:
· a celebração do corpo, da vida terrena, do gozo mundano e do pecado;
· os cuidados com a alma visando à graça divina e à salvação para a vida eterna.

Temática do desengano (o desconcerto do mundo): a vida é breve, a vida é sonho,


viver é ir morrendo aos poucos. Aguda consciência da efemeridade da existência e da
passagem do tempo. É um estilo complicado que traduz os conflitos interiores do
homem barroco.
╬ Poesia religiosa - Apresenta uma imagem quase
que exclusiva: o homem ajoelhado diante de Deus,
implorando perdão para os pecados cometidos.

♥Poesia amorosa - Tem uma dimensão elevada


muitas vezes associada à noção de brevidade da
existência, e uma dimensão obscena, onde a
explosão dos sentidos (em versos crus e repletos de
palavrões) representa um protesto contra os valores
morais da época.
A origem da palavra barroco tem causado muitas discussões. Dentre as várias
posições, a mais aceita é a de que a palavra se teria originado do vocábulo
espanhol barrueco, vindo do português arcaico e usado pelos joalheiros desde
o século XVI, para designar um tipo de pérola irregular e de formação
defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa mesma denominação.

ORIGENS E CARACTERÍSTICAS DO BARROCO

O barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu primeiramente nas


artes plásticas e depois se manifestou na literatura, no teatro e na música. O
berço do barroco é a Itália do século XVII, porém se espalhou por outros países
europeus como Holanda, Bélgica, França e Espanha. O barroco permaneceu
vivo no mundo das artes até o século XVIII. Na América Latina, o barroco
entrou no século XVII, trazido por artistas que viajavam para a Europa, e
permaneceu até o final do século XVIII.
O homem dividido entre o desejo de aproveitar a vida e o de garantir um lugar
no céu. Conflito existencial gerado pelo dilema do homem dividido entre o
prazer pagão e a fé religiosa.
Antropocentrismo x Teocentrismo (homem X Deus, carne X espírito).
Detalhismo e rebuscamento- a extravagância e o exagero nos detalhes.
Contradição- é a arte do contraditório, onde é comum a idéia de opostos: bem
X mal, pecado X perdão, homem X Deus.
Linguagem rebuscada e trabalhada ao extremo, usando muitos recursos
estilísticos e figuras de linguagem e sintaxe, hipérboles, metáforas, antíteses e
paradoxos, para melhor expressarem a comparação entre o prazer passageiro
da vida e a vida eterna.
Regido por duas filosofias: Cultismo e Conceptismo. Cultismo é o jogo de
palavras, o uso culto da língua, predominando inversões sintáticas.
Conceptismo são os jogos de raciocínio e de retórica que visavam melhor
explicar o conflito dos opostos.

CONTEXTO HISTÓRICO - O barroco se desenvolve no seguinte contexto


histórico: após o processo de Reformas Religiosas, ocorrido no século XVI, a
Igreja Católica havia perdido muito espaço e poder. A arte barroca surge neste
contexto e expressa todo o contraste deste período: a espiritualidade e
teocentrismo da Idade Média com o racionalismo e antropocentrismo do
Renascimento. As obras de pintura e escultura deste período são rebuscadas,
detalhistas e expressam as emoções da vida e do ser humano.

O período final do barroco (século XVIII) é chamado de rococó e possui


algumas peculiaridades, embora as principais características do barroco estão
presentes nesta fase. Os temas relacionados à mitologia grega e romana, além
dos hábitos das cortes também aparecem com freqüência.

BARROCO EUROPEU - As obras dos artistas barrocos europeus valorizam as


cores, as sombras e a luz, e representam os contrastes. Os temas principais
são: mitologia, passagens da Bíblia e a história da humanidade. As cenas
retratadas costumam ser sobre a vida da nobreza, o cotidiano da burguesia,
naturezas-mortas entre outros. Predominam nas esculturas as curvas, os
relevos e a utilização da cor dourada.

O pintor renascentista italiano Tintoretto é considerado um dos precursores do


Barroco na Europa, pois muitas de suas obras apresentam, de forma
antecipada, importantes características barrocas.

BARROCO NO BRASIL - Movimento artístico e filosófico que surge com o


conflito entre a Reforma Protestante e a Contra Reforma. Seu objetivo era
propagar a religião através de uma arte de impacto, sinuosa, enfeitada ao
extremo.Arte altamente contraditória.
O marco inicial do Barroco brasileiro é o poema épico, Prosopopéia de Bento
Teixeira (1601). Há dúvidas quanto à origem do poeta, estudos literários
recentes afirmam que ele nasceu em Portugal, porém viveu grande parte de
sua vida no Brasil, em Pernambuco.
PROSOPOPÉIA é um poema épico com 94 estrofes, que exalta Jorge de
Albuquerque Coelho, terceiro donatário da capitania de Pernambuco. Bento
Teixeira imita Camões de maneira infeliz, sua obra é cansativa e tem apenas
valor histórico.

CONTEXTO HISTÓRICO DO BARROCO BRASILEIRO - O Barroco domina


durante todo o século XVII e metade do século XVIII, até 1768. Na literatura
desenvolveu-se na Bahia e nas artes plásticas (esculturas) em Minas gerais
com as obras do Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa), e na pintura do Mestre
Ataíde.

O barroco brasileiro, influenciado pelo barroco português, com o tempo, foi


assumindo características próprias. O principal representante do barroco
mineiro foi o escultor e arquiteto Antônio Francisco de Lisboa também
conhecido como Aleijadinho. Sua obras, de forte caráter religioso, eram feitas
em madeira e pedra-sabão, os principais materiais usados pelos artistas
barrocos do Brasil. Podemos citar algumas obras de Aleijadinho: Os Doze
Profetas e Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em
Congonhas do Campo (MG).

Outros artistas importantes do barroco brasileiro foram: o pintor mineiro


Manuel da Costa Ataíde e o escultor carioca Mestre Valentim. No estado da
Bahia, o barroco destacou-se na decoração das igrejas em Salvador como, por
exemplo, de São Francisco de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco.
A POESIA BARROCA BRASILEIRA - GREGÓRIO DE
MATOS GUERRA nasceu em Salvador, em 1663, estudou
em Coimbra, exerceu cargos de magistratura em Portugal
até, 1681, quando voltou definitivamente para o Brasil,
provavelmente fugindo de inimigos angariados por suas
poesias satíricas. Na Bahia, voltou a sofrer perseguições
devido a suas sátiras. Por isso ganhou o apelido de Boca do
Inferno ou Boca de Brasa .Os temas das poesias eram:

POESIA RELIGIOSA: mostra o autor envolvido pelo


sentimento de culpa e de arrependimento, implorando
perdão.

POESIA SATÍRICA: mostra a crítica severa de uma


sociedade marcada pela mediocridade e pela
desonestidade, nasce de um sujeito lírico que adota um
ponto de vista conservador e preconceituoso. Seus poemas
satíricos renderam-lhe o apelido de Boca do Inferno.

POESIA ERÓTICA: mostra o uso de palavrões e alusões


obscenas, mesmo em textos sutis onde a ambigüidade
aparece repleta de safadeza.
 PADRE ANTÔNIO VIEIRA nasceu em Lisboa, em 1608,
chegou ao Brasil e se instalou em Salvador, iniciando seu
noviciado na Companhia de Jesus. Efetivou uma política de
defesa dos cristãos novos, procurando protegê-los da Inquisição
em Portugal.

Sua extensa obra reflete seu envolvimento nos debates sociais e


políticos de Portugal e do Brasil no século XVII. Os sermões e
cartas eram de temática religiosa, mas também manifestam
questões polêmicas da época como: a luta pela independência
portuguesa, o confronto com holandeses no nordeste, a escravidão
índia e negra, a defesa dos judeus e cristãos-novos contra a
intolerância da Inquisição.

 OBRAS: CARTAS E SERMÕES - Sermão da Sexagésima,


Sermão de Santo Antônio aos peixes e outros, ONDE seus textos
são ricos em imagens, jogos de significado e conceitos, metáforas,
e ricos em recursos lingüísticos. Importante para a literatura,
Vieira fixou a prosa na língua portuguesa nos mesmos padrões de
realização artística a que Camões fixou a poesia, transformando-
se num clássico da língua.

 O mais conhecido sermão de Vieira, o Sermão da


Sexagésima é uma conclusão de que a palavra de Deus vinha
obtendo poucos resultados porque os pregadores estavam mais
aplicados em obter efeitos literários do que moralizantes, o que
transformava os sermões em vazios estéticos.

Vieira compara a estrutura do sermão à estrutura de uma


árvore da vida, onde as partes constituintes da árvore, todas
relacionadas às partes do sermão (troncos, ramos,folhas, varas,
flores, frutos) numa ordem simetricamente inversa a seguir(frutos,
flores, varas, folhas , ramos e tronco. Lendo-se cuidadosamente
percebe-se o ritmo das frases e a cadência do texto. Era uma peça
para ser exposta oralmente.
Movimento Barroco
 A origem da palavra barroco tem causado muitas discussões. Dentre
as várias posições, a mais aceita é a de que a palavra se teria originado
do vocábulo espanhol barrueco, vindo do português arcaico e usado
pelos joalheiros desde o século XVI, para designar um tipo de pérola
irregular e de formação defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa
mesma denominação. Assim, estabelece uma comparação fundamental
para a arte: em oposição à disciplina das obras do Renascimento,
caracteriza as produções de uma época na qual os trabalhos artísticos
mais diversos se apresentaram de maneira livre e até mesmo sob formas
anárquicas, de grande imperfeição e mal gosto.(Suzy Mello, Barroco. São
Paulo, Brasiliense, 1983. p.7-8)

 No início do século XVII, o Classicismo já estava perdendo a força.


Depois de dominar por um século o palco da literatura ocidental, o
Classicismo esgotou as renovações trazidos do Renascimento e pouco a
pouco foi deixando de ser centro dos acontecimentos culturais. Surgiu,
então, o Barroco.

 O barroco na arte marcou um momento de crise espiritual da


sociedade européia. O homem do século XVII era um homem dividido
entre duas mentalidades, duas formas de ver o mundo. O Barroco é fruto
da síntese entre duas mentalidades, a medieval e a renascentista, o
homem do século XVII era um ser contraditório, tanto que ele se
expressou usando a arte.

 Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a


unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio
espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também
dado ao Barroco lusitano. O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a
fundação da Arcádia Lusitana.

 No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação


do poema épico prosopopéia, a primeira obra, propriamente literária,
escrita entre nós, da autoria do português, radicado no Brasil, Bento
Teixeira.  O final do Barroco brasileiro só concretizou em 1768, com a
publicação das Obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa .  No
entanto, como o Barroco no Brasil só foi mesmo reconhecido e praticado
em seu final (entre 1720 e 1750), quando foram fundadas várias
academias literárias, desenvolveu-se uma espécie de Barroco tardio nas
artes plásticas, o que resultou na construção de igrejas de estilo barroco
durante o século XVIII.

 O Barroco no Brasil foi um estilo literário que durou do século XVII ao


começo do século XVIII, marcado pelo uso de antíteses e paradoxos que
expressavam a visão do mudo barroco numa época de transição entre o
teocentrismo e o antropocentrismo.
Momento Histórico
Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era
abandonada. Com a decadência do comércio das especiarias orientais
observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive
uma crise dinástica: em 1578 D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir, na
África; dois anos depois, Felipe II da Espanha consolida a unificação da
Península Ibérica.
A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em
Portugal o mito de Sebastianismo (crença segundo qual D. Sebastião voltaria
e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi
sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas
"trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra.
A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de
Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um
monopólio no campo científico-cultural. Enquanto a Europa conhecia um
período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas
de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton.
Com o Concílio de Trento (1545-1563), o Cristianismo se divide. De um lado
os estados protestantes (seguidores de Lutero – introdutor da Reforma) que
propagavam o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de
expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma)
que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na
verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval.
O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez
mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em
conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a
decadência da cana-de-açúcar.
O culto da forma manifesta-se
tanto na literatura quanto nas
artes plásticas do Barroco.
Neste detalhe de um grupo de
esculturas de Aleijadinho que
representa a Última Ceia, não
há lugar para a expressão
serena das imagens religiosas;
os apóstolos revelam intensa
agitação, traduzida nos gestos
e olhares que trocam a respeito do que acabaram de ouvir de Cristo.

Algumas características da linguagem barroca merecem especial


atenção pela sua peculiaridade e pelo uso que sendo feito de
algumas delas em escolas posteriores.
• Arte da Contra-Reforma: a ideologia do Barroco é fornecida
pela Contra-Reforma. A arte deve ter como objetivo a fé
católica.
• Conflito espiritual: O homem barroco sente-se dilacerado e
angustiado diante da alteração dos valores, dividindo-se entre
o mundo espiritual e o mundo material. As figuras que melhor
expressam esse estado de alma são a antítese e o
paradoxo;
"Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, porque não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Começa o Mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância." (Gregório de Matos)

O tema da fugacidade do tempo, da incerteza da vida, é


desenvolvido por meio de um jogo de imagens e idéias que se
contrapõem, num sistema de oposições: nasce x não dura; luz x
noite escura; tristes sombras x formosura; acaba x nascia.
O espírito Barroco é cabalmente expresso no célebre dilema do 3º
ato de Hamlet, de Shakespeare: "To be or not to be, that is the
question". ("Ser ou não ser, eis a questão...")

 Temas contraditórios: Há o gosto pela confrontação violenta


de temas opostos;

 Efemeridade do tempo e carpe diem: O homem barroco tem


consciência de que a vida terrena é efêmera, passageira, e por
isso, é preciso pensar na salvação espiritual. Mas já que a vida é
passageira, sente, ao mesmo tempo, desejo de gozá-la antes que
acabe, o que resulta num sentimento contraditório, já que gozar a
vida implica pecar, e se há pecado, não há salvação.
"...Gozai, gozai da flor da formosura,
Antes que o frio da madura idade
Tronco deixe despido, o que é verdura..."

"Lembra-te Deus, que és pós para humilha-te,


E como o teu baixel sempre fraqueja,
Nos mares da vaidade, onde peleja,
Te põe a vista a terra, onde salvar-te..."
 Cultismo ou Gongorismo: é caracterizado pela
linguagem rebuscada, culta, extravagante; pela valorização
do pormenor mediante jogos de palavras, com visível
influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo
ser também conhecido como Gongorismo.
 O aspecto exterior visível é o abuso no emprego de
figuras de linguagem como as metáforas, antítese,
hipérboles, hipérbatos, anáforas, paronomásias, etc...
"O todo sem a parte não é o todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo.
Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica todo."(Gregório de Matos)
 Conceptismo: é marcado pelo jogo de idéias, de
conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista,
que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos principais
cultores do conceptismo foi o espanhol Quevedo, de
onde deriva o termo Quevedismo. Os Conceptistas
pesquisavam a essência íntima dos objetos, buscando
saber o que são, visando à apreensão da face oculta,
apenas acessível ao pensamento, ou seja, ao conceito;
assim a inteligência, a lógica e o raciocínio ocupam o
lugar dos sentidos, impondo a concisão e a ordem, onde
reinavam a exuberância e o exagero.
O SILOGISMO: Dedução formal tal que, postas duas proposições, chamadas premissas,
delas se tira uma terceira, nelas logicamente implicada, chamada conclusão. Assim,
temos como exemplo: Todo homem é mortal (premissa maior); ora, eu sou homem
(premissa menor); logo, eu sou mortal (conclusão).
Observe a construção dos tercetos finais de um soneto sacro de Gregório de Matos que,
referindo-se ao amor de Cristo diz:

"Mui grande é o vosso amor e o meu delito;

Porém pode ter fim todo o pecar,

E não o vosso amor, que é infinito.

Essa razão me obriga a confiar

Que, por mais que pequei, neste conflito

Espero em vosso amor de me salvar."

Estes versos encobrem a formulação silogística, como segue:

• Premissa maior: O amor infinito de Cristo salva o pecador.

• Premissa menor: Eu sou um pecador.

• Conclusão: Logo, eu espero salvar-me.

B – O SOFISMA: É o argumento que parte de premissas verdadeiras e que chega a uma


conclusão inadmissível, que não pode enganar ninguém, mas que se apresenta como
resultante de regras formais do raciocínio, não podendo ser refutado. É um raciocínio falso,
elaborado com a função de enganar.

Ex.: Muitas nações são capazes de governarem-se por si mesmas; as nações capazes de
governarem-se por si mesma não devem submeter-se às leis de um governo despótico. Logo,
nenhuma nação deve submeter-se às leis de um governo despótico.

Cultismo e Conceptismo são dois aspectos do Barroco que não se separam; antes,
superpõem-se como as duas faces de uma mesma moeda. Às vezes, o autor trabalha ao nível
de palavra, da imagem; busca mais argumento, o conceito. Nada impede que o mesmo texto
tenha, simultaneamente, aspectos Cultistas e Conceptistas. Com os riscos inerentes às
generalizações abusivas, diz-se, didaticamente, que o Cultismo é predominante na poesia e o
Conceptismo, predominante na prosa.

BARROCO – AS ORIGENS DA CULTURA BRASILEIRA


O nosso primeiro e decisivo estilo artístico e literário foi o Barroco. É contemporâneo dos
alicerces mais antigos da sociedade e da cultura brasileira, ou seja, da formação da família
patriarcal nos engenhos de cana de Pernambuco e da Bahia, da economia apoiada no tríptico
monocultura-latifúndio-trabalho escravo, bem como dos primórdios da educação brasileira, nos
colégios jesuíticos. Daí sua importância, e daí, também, as projeções que esse período
subseqüentes, até os nossos dias.

O Barroco é originário da Itália e da Espanha e sua expansão para o Brasil deu-se a partir da
Espanha, centro irradiador desse estilo, para a Península Ibérica e América Latina.

Para isso contribuíram, decisivamente, os seguintes fatos:

• A Espanha foi potência hegemônica no séc. XVII, transformando-se no centro da


Contra-Reforma e na sede da Companhia de Jesus, a ordem religiosa mais atuante no
período;
• Em 1580, ocorre a união das coroas ibéricas, e Portugal, incluindo as suas colônias
ultramarinas, fica até 1640 sob domínio espanhol (domínio filipino);

• Com isso, a mentalidade católica espanhola, revigorada pelo Concílio de Trento (1545
a 1563), atuou fundamentalmente em Portugal, especialmente pelo fortalecimento da
Santa Inquisição, já estabelecida definitivamente desde 1540;

• Paralelamente, houve o extraordinário fortalecimento da Compainha de Jesus ou


Jesuítas, mentores intelectuais e guardiões do espírito contra-reformista. Foram
exatamente esses padres, os primeiros educadores que tivemos, que transplantaram
para o Brasil a formação Ibérico-jesuítica e o gosto artístico vigente na Europa;

• O ensino ministrado em Portugal e nos colégios jesuíticos brasileiros era


profundamente verbal. Um de seus principais objetivos era o de adestrar os estudantes
no desempenho lingüístico, de tal modo que tivessem facilidade verbal de defender ou
"provar" as verdades dogmáticas da Igreja. Não havia estímulo ao espírito crítico, nem
a nenhum tipo de investigação intelectual pessoal. Nasceu daí o gosto, ainda vigente
entre nossa elite, pelo estilo pomposo, retórico, pelo jogo de palavras, tão comum entre
nossos tribunos e políticos, perpetuando na opulência verbal de Rui Barbosa, Coelho
Neto e Euclides da Cunha, para ficarmos em apenas três desdobramentos mais
recentes do estilo Barroco.

Os limites cronológicos do Barroco no Brasil são:

• INÍCIO: 1601 – com PROSOPOPÉIA, poema épico de autoria do português, radicado


no Brasil, Bento Teixeira Pinto. É a primeira obra, propriamente literária, escrita entre
nós.

• TÉRMINO: 1768 – com a publicação das OBRAS POÉTICAS de CLAÚDIO MANUEL


DA COSTA, obra inicial do Arcadismo no Brasil.
Nasceu em Lisboa, em 1608. Com sete
anos vem para a Bahia; em 1623 entra para
a Companhia de Jesus. Quando Portugal se
liberta da Espanha (1640), retorna à terra
natal, saudando o rei D. João IV, de quem
se tornaria confessor. Vieira tinha contra si
a pequena burguesia cristã, por defender o
capitalismo judaico e os cristãos-novos; os
pequenos comerciantes, por defender um
monopólio comercial; os administradores e
colonos, por defender os índios. Essas posições, principalmente a defesa
dos cristãos-novos, custam a Vieira uma condenação pela Inquisição: fica
preso de 1665 a 1667. Falece em 1697, no Colégio da Bahia.

Antigo interior da igreja de Nossa Senhora da Ajuda (Salvador, Bahia), onde vieira proferiu seu Sermão
pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as Holandas.

Profecias – constam de três obras: História do futuro, Esperanças de


Portugal e Clavis prophetarum, em que se notam Sebastianismo e as
esperanças de Portugal se tornar o Quinto Império do Mundo, pois tal fato
estaria escrito na Bíblia.
Cartas – são cerca de 500 cartas, que versam sobre o relacionamento entre
Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos-novos.
Sermões – são quase 200 sermões. De estilo barroco conceptista o
pregador português joga com asa idéias e os conceitos, segundo os
ensinamentos da retórica dos jesuítas. Um de seus principais sermões é o
Sermão da sexagésima (ou A palavra de Deus), pregado na Capela Real de
Lisboa em 1655.
Dentre sua obras mais conhecidas, destacam-se ainda: Sermão pelo bom
sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda e o Sermão de Santo
Antônio.
PADRE MANUEL BERNADES

Orador sacro português. Nasceu em 1644. Um dos maiores clássicos da língua. Obras: Luz e
Calor, Nova Floresta etc. Morreu em 1710.

GREGÓRIO DE MATOS

O escritor Gregório de Matos Guerra, nascido na Bahia, provavelmente a 20 de dezembro de


1633, Gregório de Matos firma-se como o primeiro poeta brasileiro. Após os primeiros estudos
no Colégio de Jesuítas, vai para Coimbra, onde se gradua em Direito. Formado, vive alguns
anos em Lisboa exercendo a profissão; por sua sátiras, é obrigado a retornar à Bahia. Em sua
terra natal, é convidado a trabalhar com o jesuítas no cargo de tesoureiro-mor da Companhia
de Jesus. Ainda por sua sátiras, abandona os padres e é degredado para Angola; já bastante
doente volta ao Brasil, mas sob duas condições: estava proibido de pisar em terras baianas e
de apresentar sua sátiras. Morreu em Recife, no ano de 1696.

Apesar de ser conhecido como poeta satírico – daí o apelido "Boca do Inferno" –, Gregório
também praticou, e com esmero, a poesia religiosa e a lírica. Cultivou tanto o estilo cultista
como o conceptista, apresentando jogo de palavras ao lado de raciocínios sutis, sempre como
o uso abusivo de linguagem.

Sua obra permaneceu inédita até o século XX, quando a Academia Brasileira de Letras, entre
1923 e 1933, publicou seis volumes, assim distribuídos: I. Poesia sacra; II. Poesia lírica; III.
Poesia graciosa; IV e V. Poesia satírica; e VI. Últimas.

- Poeta religioso: Gregório coloca-se dinate de Deus, como um pecador, pedindo perdão por
seus erros e confiante na misericórdia divina.

"Eu sou, Senhor, Ovelha desgarrada;

cobrais: e não queiras, Pastor Divino,

perder na nossa ovelha a vossa glória."

- Poeta satírico: criticava os letrados, os políticos, a corrupção, o relaxamento dos costumes, a


cidade da Bahia, ...

"Que os brasileiros são Bestas,

e estão sempre a trabalhar

toda a vida, por manter

Maganos de Portugal."

- Poeta lírico: seu lirismo amoroso se define pelo erotismo, revelando uma sensualidade ora
grosseira, ora de rara fineza. Gregório de Matos foi o primeiro poeta que admirou e glorificou a
mulata:

"Minha rica mulatinha

Desvelo e cuidado meu."

BENTO TEIXEIRA PINTO (1565 – 1600)

É autor de Prosopopéia, poema épico em decassílabos, dispostos em oitava rima, publicado


em 1601. Apesar da deficiência, o texto é visto por alguns críticos como iniciador do Barroco no
Brasil. Durante muito tempo pensou-se que fosse natural de Recife, cidade descrita no poema,
que narra um naufrágio sofrido por Jorge Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de
Pernambuco. Hoje se admite que teria nascido em Portugal, embora tivesse morado a maior
parte da vida no Recife.

BOTELHO DE OLIVEIRA

O primeiro escritor nascido no Brasil a ter um livro publicado, Manuel Botelho de Oliveira (1636-
1711) nasceu em uma família afastada de Salvador e estudou Direito em Coimbra. Foi
vereador, advogado e agiota. Escreveu Música do Parnaso, o primeiro livro impresso de
autor nascido no Brasil. A sua fama perdurou como autor do poemeto (silva) A Ilha da Maré,
apontando como precursor do nativismo pitoresco.

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AS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO BARROCO SÃO:

• Pessimismo (dúvida ou incerteza): Essa característica baseia-se mais naquela visão de


que o homem veio do pó e que ele retornará para o pó na morte. A morte se tornou uma
preocupação constante (como na Idade Média e Romantismo) entre a incerteza da vida,
sempre vivendo com medo e com dúvidas.

• Religiosidade: a religiosidade foi uma época onde ocorreram grandes conflitos


espirituais, onde a religiosidade barroca era bastante conflituosa e tensa. A crença
religiosa pelo papel vigoroso da Igreja Católica Contra-Reformista estabelece uma visão
do homem, como sendo um grande pecador. Com isso o homem barroco racionalizou a
fé, fazendo valer alguns argumentos racionais em busca da salvação, controlando as
metáforas bíblicas em busca do perdão divino os dogmas religiosos, através do controle
de recursos da lógica.

• Particularismo: o particularismo é diferente da Arte Clássica que é universal em suas


projeções e uniforme em seus traços, ele somente valoriza o que é nacional. Por isso no
Barroco existem duas linhas:

A) Que deriva do catolicismo contra-reformista reflete na inquisição do terror religioso


e Político.

B) A que reflete o triunfo do protestantismo reformista e a emergência de uma


buguersia capitalista bem articulada e forte, como aconteceu na Inglaterra e na Holanda.

• Feísmo: dentro dessa característica, pode-se dizer que o equilíbrio clássico foi
rompido, e ao mesmo tempo se opondo à simetria, harmonia, elegância dos clássicos. O
barroco tem preferência pelos aspectos sangrentos, dolorosos e cruéis, ou seja, ocorre
uma atração pelo belo horrendo, ou seja, pelo espetáculo clássico, acabando com as
imagens por causa do exagero.

• Fusionismo: todos os artistas barrocos expõem os contrários, querendo assim incluí-


los no meio de analogias sensoriais, de imagens, de metáforas, que mostram a unidade,
a identidade, se valendo do jogo do jogo de oposições e contrastes.

• Atitude Lúdica: Muitos textos Barrocos parecem bastante pobres, sem conteúdo certo,
sem mensagem; o artista Barroco estava mais preocupado em exibir o que sabia, com
uma linguagem sobrecarregada de trocadilhos e sutilezas e imagens insólitas. O Artista
Barroco não diz o que tem de ser dito, ele somente sugere através de imagens, como por
exemplo, Sangue é o “rubi do corpo”; Lágrima é o cristal dos olhos. Usa as figuras
semânticas, sintáticas e sonoras. É muitas vezes estéril pesado e artificial. Por isso umas
boas partes da crítica chamavam-na de “Arte do mau gosto”.

• Cultismo ou Gongorismo: É caracterizado pelo jogo de idéias e imagens, ou seja, tudo


era retratado de uma maneira exagerada para que o leitor fosse surpreendido com
aquelas palavras. Promove o mundo através das cores e dos sons (DELÍRIO
CROMÁTICO), ou ilusão que é apoiado em metáforas, pronomes, trocadilhos, palavras,
sinestesias, prosopopéia entre outros. Existem outros processos semânticos que eram
usados no barroco: omissões, repetições; na sonoridade.

• Conceptismo ou Quevedismo: É mais voltado para o jogo de idéias, uma


argumentação que visa convencer pelo pensamento. O Conceptismo pesquisa sobre a
origem dos objetos, que busca entender a fase oculta de todas as coisas que só podem
ser visíveis pelo pensamento, que evita usar a aparência brilhante para o cultismo,
operando todos os mecanismos da lógica. Em um texto Barroco podem-se encontrar
elementos Cultistas e Conceptistas.

Como teve influência espanhola, o cultismo em Portugal, e no Brasil chama-se de


Gongorismo. O conceptismo que é conhecido como Quevedismo em alusão ao poeta
Francisco Quevedor y Villegas (1580-1645).

TEXTOS BARROCOS

Ao rigor de Lísi

Mais dura, mais cruel, mais rigorosa,


Sois, Lísi, que o cometa, rocha ou muro,
Mais rigoroso, mais cruel, mais duro,
Que o Céu vê, cerca o Mar, a Terra goza.

Sois rica, mais bela, mais lustrosa,


Que a perla, rosa, Sol, ou jasmim puro,
Pois por vós fica feio, pobre e escuro,
Sol em Céu, perla em mar, em jardim rosa.

Não viu tão doce, plácida e amena,


(brame o Mar, trema a Terra, o Céu se agrave),
luz o Céu, ave a Terra, o mar sirena.

Vós triunfais de sirena, luz e ave,


Claro Sol, perla fina, rosa amena,
Mor cometa, árduo muro e rocha grave.
BARROCO
Surgimento: Europa, meados do século XVI - Brasil, início do século XVII. (Lembrar
que, no Brasil, a literatura barroca acaba no século XVII, junto com o declínio da
sociedade açucareira baiana. Contudo, na arquitetura e nas artes plásticas, o estilo
barroco atingirá o seu apogeu apenas nos séculos XVIII e início do XIX, em Minas
Gerais.)
Variações barrocas: cultismo (exagero e rebuscamento formal) e conceptismo (exagero
no plano das idéias) são manifestações de excesso da literatura barroca.

Características:
1) Arte da Contra-Reforma, expressando a crise do Renascimento, com a destruição da
harmonia social aristocrática-burguesa através das guerras religiosas. Os jesuítas que
surgem, neste período, combatem os protestantes e espalham pelo mundo católico a sua
implacável ideologia teocêntrica.
2) Conflito entre corpo e alma. Dividido entre os prazeres renascentistas e o fervor
religioso, o homem barroco oscila entre:
· a celebração do corpo, da vida terrena, do gozo mundano e do pecado;
· os cuidados com a alma visando à graça divina e à salvação para a vida eterna.
3) Temática do desengano (o desconcerto do mundo): a vida é breve, a vida é sonho,
viver é ir morrendo aos poucos. Aguda consciência da efemeridade da existência e da
passagem do tempo.
4) Linguagem ornamental, complexa, entendida como jogo verbal, cheia de antíteses,
inversões, metáforas, alegorias, paradoxos, ausência de clareza. É um estilo complicado
que traduz os conflitos interiores do homem barroco.

Autores barrocos:
1) Gregório de Matos (Boca do Inferno)
Poesia religiosa - Apresenta uma imagem quase que exclusiva: o homem ajoelhado
diante de Deus, implorando perdão para os pecados cometidos.
Poesia amorosa - Tem uma dimensão elevada ("d"), muitas vezes associada à noção de
brevidade da existência, e uma dimensão obscena, onde a explosão dos sentidos (em
versos crus e repletos de palavrões) representa um protesto contra os valores morais da
época.
Poesia satírica - Ironia corrosiva e caricatural contra todos os setores da vida colonial
baiana: senhores de engenho, clero, juízes, advogados, militares, fidalgos, escravos,
pobres livres, índios, mulatos, mamelucos, etc. Com seu olhar ressentido de senhor
decadente, Gregório de Matos vê na realidade apenas corrupção, negociata,
oportunismo, mentira, desonra, imoralidade, completa inversão de valores. A poesia
satírica, portanto, para ele é vingança contra o mundo.

2) Padre Antônio Vieira - Os Sermões


· Utilização contínuas de passagens da Bíblia e de todos os recursos da oratória jesuítica
para convencer os fiéis de sua mensagem, mesmo quando trata de temas cotidianos.
· Ataca os vícios (corrupção, violência, arrogância, etc.) e defende as virtudes cristãs
(religiosidade, caridade, modéstia, etc.)
· Combate os hereges, os indiferentes à religião e os católicos desleixados em relação à
Igreja.
· Defende abertamente os índios. Mantém-se ambíguo frente aos escravos negros: ora
tenta justificar a escravidão, ora condena veementemente seus malefícios éticos e
sociais.
· Exalta os valores que nortearam a construção do grande império português. E julga (de
forma messiânica) que este império deveria ser reconstruído no Brasil.
· Propõe o retorno dos cristãos novos (judeus) a territórios lusos como forma de
Portugal escapar da decadência onde naufragara desde meados do século XVI.
· Apresenta uma linguagem de tendência conceptista, de notável elaboração, grande
riqueza de idéias e imagens espetaculares. Fernando Pessoa o chamaria de "Imperador
da Língua Portuguesa".

Origens e Características do Barroco


O barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu primeiramente nas artes
plásticas e depois se manifestou na literatura, no teatro e na música. O berço do barroco
é a Itália do século XVII, porém se espalhou por outros países europeus como, por
exemplo, a Holanda, a Bélgica, a França e a Espanha. O barroco permaneceu vivo no
mundo das artes até o século XVIII. Na América Latina, o barroco entrou no século
XVII, trazido por artistas que viajavam para a Europa, e permaneceu até o final do
século XVIII.

Contexto histórico
O barroco se desenvolve no seguinte contexto histórico: após o processo de Reformas
Religiosas, ocorrido no século XVI, a Igreja Católica havia perdido muito espaço e
poder. Mesmo assim, os católicos continuavam influenciando muito o cenário político,
econômico e religioso na Europa. A arte barroca surge neste contexto e expressa todo o
contraste deste período: a espiritualidade e teocentrismo da Idade Média com o
racionalismo e antropocentrismo do Renascimento.
Os artistas barrocos foram patrocinados pelos monarcas, burgueses e pelo clero. As
obras de pintura e escultura deste período são rebuscadas, detalhistas e expressam as
emoções da vida e do ser humano.
A palavra barroco tem um significado que representa bem as características deste estilo.
Significa " pérola irregular" ou "pérola deformada" e representa de forma pejorativa a
idéia de irregularidade.
O período final do barroco (século XVIII) é chamado de rococó e possui algumas
peculiaridades, embora as principais características do barroco estão presentes nesta
fase. No rococó existe a presença de curvas e muitos detalhes decorativos (conchas,
flores, folhas, ramos). Os temas relacionados à mitologia grega e romana, além dos
hábitos das cortes também aparecem com freqüência.
BARROCO EUROPEU
As obras dos artistas barrocos europeus valorizam as cores, as sombras e a luz, e
representam os contrates. As imagens não são tão centralizadas quanto as renascentistas
e aparecem de forma dinâmica, valorizando o movimento. Os temas principais são:
mitologia, passagens da Bíblia e a história da humanidade. As cenas retratadas
costumam ser sobre a vida da nobreza, o cotidiano da burguesia, naturezas-mortas entre
outros. Muitos artistas barrocos dedicaram-se a decorar igrejas com esculturas e
pinturas, utilizando a técnica da perspectiva.
As esculturas barrocas mostram faces humanas marcadas pelas emoções, principalmente
o sofrimento. Os traços se contorcem, demonstrando um movimento exagerado.
Predominam nas esculturas as curvas, os relevos e a utilização da cor dourada.
O pintor renascentista italiano Tintoretto é considerado um dos precursores do Barroco
na Europa, pois muitas de suas obras apresentam, de forma antecipada, importantes
características barrocas.
Podemos citar como principais artistas do barroco: o espanhol Velásquez, o italiano
Caravaggio, os belgas Van Dyck e Frans Hals, os holandeses Rembrandt e Vermeer e o
flamengo Rubens.

BARROCO NO BRASIL
O barroco brasileiro foi diretamente influenciado pelo barroco português, porém, com o
tempo, foi assumindo características próprias. A grande produção artística barroca no
Brasil ocorreu nas cidade auríferas de Minas Gerais, no chamado século do ouro (século
XVIII). Estas cidades eram ricas e possuíam um intensa vida cultura e artística em pleno
desenvolvimento.
O principal representante do barroco mineiro foi o escultor e arquiteto Antônio
Francisco de Lisboa também conhecido como Aleijadinho. Sua obras, de forte caráter
religioso, eram feitas em madeira e pedra-sabão, os principais materiais usados pelos
artistas barrocos do Brasil. Podemos citar algumas obras de Aleijadinho: Os Doze
Profetas e Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas
do Campo (MG).
Outros artistas importantes do barroco brasileiro foram: o pintor mineiro Manuel da
Costa Ataíde e o escultor carioca Mestre Valentim. No estado da Bahia, o barroco
destacou-se na decoração das igrejas em Salvador como, por exemplo, de São Francisco
de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco.
EXERCÍCIOS LITERATURA BARROCO
QUESTÕES

01. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a
assumir uma atitude que:
a) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza
b) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura
c) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião
d) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos
e) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus
02. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta:
a) Na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de
culpa, ignorando-se a busca do perdão divino
b) Alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora
e de Quevedo
c) As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus
d) A melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que
desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das
coisas
e) Alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em
todas as suas sátiras
03. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos:
a) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente
manifestou as idéias da ilustração francesa
b) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um trabalho de crítica que
encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX
c) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios
verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-
românticas
d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos
do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da
época
e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é
prova de que seus talento não se restringia ao lirismo amoroso

Texto para as questões 04 a 06


À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em continuas tristezas a alegrias,

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?


Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto, da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,


Na formosura não se dê constância,
E na alegria, sinta-se triste.
Começa o Mundo enfim pela ignorância
A firmeza somente na inconstância.

04. A idéia central do texto é:


a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo
b) a falsidade das aparências
c) a grandeza de Deus e a pequenez humana
d) a duração prolongada do sofrimento
e) os contrastes da vida
05. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe?
a) estrutura bimembre
b) estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva
c) disposição antitética da frase
d) concepção teocênctrica
e) cultismo
06. No texto predominaram as imagens:
a) táteis
b) olfativas
c) auditivas
d) visuais
e) gustativas
07. (UNIV. CAXIAS DO SUL) Escolha a alternativa que completa de forma correta a
frase abaixo:
A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são
recursos lingüísticos presentes na poesia ________.
a) subjetiva o verso livre romântica
b) rebuscada a antítese barroca
c) detalhada o subjetivismosimbolista
d) simples a antítese parnasiana
08. (VUNESP)
Ardor em firme coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

tu, que em um peito abrasas escondido;


tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando crista, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente,


se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,


como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.
O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta quais características:
a) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por
simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares
antitéticos que tendem para o paradoxo
b) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando
sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo
c) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da
sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta
d) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar,
predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida
09. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta:
a) A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e
o espírito, o pecado e o perdão
b) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos,
interrogações
c) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante,
enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico,
racionalista
d) A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um
levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva
e) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e
textos para teatro com clara intenção catequista
10. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto:
a) O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu
aprimoramento, com base na cultura greco-latina
b) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito
entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o
antropocentrismo renascentista
c) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida
d) A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma
e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas

GABARITO: 01 - B 02 - C 03 - D 04 - A 05 - C
06 - D 07 - B 08 - A 09 - C 10 - A