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SÉRI E: BÍBLI A SAGRADA

PROFETAS DA BÍBLI A

MOZAR MARTINS DE SOUZA

PROFETAS
DA
BÍBLIA

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 4


PROFETAS DA BÍBLI A

ÍNDICE

PROFETAS ATUAIS 09

ISAÍAS 21
Tema
Conteúdo do livro
JEREMIAS 27
Ambiente Histórico
A mensagem e ensino de Jeremia s
Autor
O caráter do profeta
CONTEÚDO DO LIVRO
LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS 36
Análise do livro
Conteúdo do livro
Propósito do Livro
Conclusão do livro de Lamentações
Autor
O profeta Jeremias
PROFECIAS FEITAS DURANT E O EXÍLIO
EZEQUI EL 43
Análise do livro
Conteúdo do livro
O autor
Característica s da personalidade de Ezequiel
OUTRAS CARACTERÍSTICAS NO LIVRO
DANI EL 52
Propósito
O autor
Conteúdo do livro
OSÉI AS 57
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PROFETAS DA BÍBLI A

Conteúdo do livro
JOEL 63
Autor
CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE O LIVRO FOI ESCRITO
AMÓS 68
O profeta
O significado das "vi sõe s simbólicas"
a
O que é contado na 1 visão
a
O que é contado na 2 visão, que está em Am 7,4-6
a
Será que a 3 visão trata do mesmo assunto
a a
A 4 vi são forma um par com a 3 visão
a
O que nos diz a 5 visão
Mensagem do profeta
Conteúdo do livro
OBADI AS 81
Autor do livro
Edom e Judá
Conteúdo do livro
JONAS 86
A mensagem do livro
A base hi stórica do livro
Autor
Jona s e Jesus
MIQUÉIAS 93
Problema crítico
O profeta Miquéias
Conteúdo do livro
NAUM 100
Data da profecia de Naum
O profeta
Sua mensagem
Sua significação como profeta
Conteúdo do livro
HABACUQUE 108

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Data
Composição do livro
Conteúdo do livro
Um resumo do período
SOFONI AS 114
Circunstância s de sua emissão
Sofonias e sua mensagem
Conteúdo do livro
AGEU 121
O profeta
Os tempos de sua profecia
Sua mensagem
Conteúdo do livro
ZACARIAS 127
Conteúdo do livro
MALAQUIAS 131
Pano de fundo
Sua mensagem profética
O homem
Citaçõe s no Novo Testamento
O fim da profecia
ELIAS 136
ELIS EU 138
ELIAS e ELIS EU 139
O eremita e o agricultor
A grande seca e o sacrifício:Crime e castigo divino
A vida de Elias aproxima-se do fim
Eli seu, o discípulo
Grandes prodígios
JOÃO BATISTA 147
BIBLIOGRÁFIA 155

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PROFETAS DA BÍBLI A

PREFÁCIO

Este foi um dos livros que eu obtive uma imensa satisfação,


pelos conhecimentos adquiridos durant e a pes quisa que foi
necessária para a sua confecção. Foi um sentimento muito
gratificante, descobrir paulatinamente informações s obre cada
profet a, informaç ões como:

Onde nasceu;
Sua idade;
Período de tempo de seu ministério;
Suas origens;
A situação política e social de Israel e paises circunvizinhos;
Seu encontro com Deus;
A forma e seu estilo literário.

O profetismo está presente em quase todos os livros da


bíblia. Inclusive no novo testamento, onde Jesus se apresenta como
um profet a carismático e convicto de que o reino de Deus está
próximo. O profeta tem por princípio defender a vida e promover a
justiça. Por isso podemos diz er que o profeta é aquele que denuncia
as injustiças, testemunha e anuncia o projeto de Deus.

O 1º profeta que aparece nos escritos bíblicos é o profeta Natã


que surgiu durante o reinado de Davi (2 S amuel 12). Durante o
reinado de S alomão em 970 não aparece profetas, no entanto surge
os primeiros escritos bíblicos. Em 930, durante o reinado de
Jeroboão (1 Rs 12), surge um profeta anônimo e os profetas Aias,
Elias e Eliseu. Mais tarde durante o reinado de Jeroboão II surge o
profet a Amós, Oséias. Estes são os profetas que atuaram no reino
do norte.

No reino do sul, durant e o reinado de Acaz e Ezequias (740 -


700), surge Isaias e Miquéias. De 640 a 605 durante o reinado de
Josias surge os profetas Jeremias, Sofonias, Naum e Habacuque.
Durante o ex ílio da Babilônia (587 - 538), tivemos a atuação dos

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profet as Ezequias, Isaias II, Abadias, Ageu, Zacarias, Malaquias,


Isaías III, Zacarias e Joel.
Poderíamos classificar os profetas da seguint e maneira:

1º Pré-literato: Natã, Anônimo, Aías, Elias, Eliseu.


2º Literatos: Amós e Oséias (pertencentes ao reino do norte),
Isaias, Miquéias, Jeremias, Nau e Habacuque (pertencentes ao reino
do sul).
3º Os profetas do exílio: Ezequiel, Isaias II e Abadias.

A tarefa do profeta não se resumia em transmitir o ponto de


vista divino Ele encarnava o coração de Deus. O profeta em Israel
não vaticinava apenas. Ele era também poeta. pregador patriota,
crítico social. Sempre iniciava suas profecias com juízo, mas sempre
as concluía com esperança e redenção. O profeta não repetia
jargões. não perpetuava o que já fora dito. mas pensava fora dos
paradigmas. Não era convencional. A mágica de suas palavras vinha
de sua intuição, de seu inconformismo e da largura de seus anseios.
Inúmeras vezes a linguagem do profet a foi hiperbólica. O exagero
era uma maneira de mostrar sua angústia, seu deses pero de não se
acovardar diante do iminente fracasso nacional.

Mozar Martins de Souza

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PROFETAS ATUAIS

O Que é um Profeta?

A palavra “profeta” vem do grego “prophetes”, e significa


“falar antes”, é uma denominação que se dá ao fenômeno pelo qual
em algumas religiões, a revelação de uma divindade ou de seus
ensinamentos quanto ao passado, pres ente ou futuro, é atribuída à
palavra falada ou escrita de um ou mais indivíduos tidos como
“profetas”, “iluminados” ou “inspirados”. Profet a é quem, inspirado
pela divindade ou convencido de estar possuído por uma entidade
espiritual superior, fala em nome da mesma e transmite sua
mensagem. Assim, a figura do profeta perde seu significado
essencial quando é reduzida ao poder de predizer o futuro, o que
não constitui mais do que um elemento acessório de sua missão.
Desde suas origens, a autoridade d o profeta adquire teor ao
mesmo tempo religioso, político e moral.

Os Falsos P rofeta s.

Os falsos profetas, mesmo que não concordem com uma


afirmação surgem sempre como reacionários contra a religião
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dominante ou contra uma denominação religiosa. Considerando


corrupta, corrompida ou insatisfatória sua religião ou denominação,
organizam movimentos, princ ípios, doutrinas, regras e normas que
satisfazem, levando muitos outros consigo. Comumente se dizem
“escolhidos” por Deus para uma missão especial; considerando-se
“canais” a quem a divindade usa para transmitir a sua mensagem e
têm sempre uma “revelação especial” que as pessoas precisam
ouvir.

EL ES ESTÃO FALANDO A PALAVRA DE D EUS?

Os profetas estão em toda a parte! Nós os ouvimos dentro dos


edifícios das igrejas, na televisão e no rádio, nas ruas, ou plantados
na porta de nossas casas, para nos falar da vontade de Deus. Eles
se dizem mensageiros de Deus, revelando quando o mundo vai
acabar, ou o que vai acontecer em nossas vidas, atualmente. Às
vezes, predizem grandes bênç ãos. Outras vezes, eles nos avisam
sobre sérias calamidades. Freqüentemente, nos dizem que Deus
lhes tem falado para ordenar-lhes a construção de uma grande
catedral ou o empreendiment o de algum glorioso empenho no
serviço do Senhor.
Sem dúvida, a B íblia menciona freqüentemente profetas de
Deus (que revelaram a palavra do Senhor). Algumas vezes, eles
falaram sobre os acontecimentos de seu tempo, ou sobre o fim do
mundo. Eles predisseram bênçãos maravilhosas e terríveis
tragédias. Mas aqueles que desejaram conhecer a vontade de Deus,
durante os tempos da Bíblia, também tiveram que se guardar contra

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os profetas enganadores e falsos. Eles não poderiam aceitar


cegamente o testemunho de cada homem que dissesse estar
falando por Deus. Hoje, mais do que nunca, precisamos testar
aqueles que alegam serem portadores das mensagens de Deus.
Toda pessoa que diz falar a palavra de Deus precisa ser
experimentada de ac ordo com a palavra de Deus. Seguindo as
recomendações de 1 João 4.1 (Amados, não deis crédito a qualquer
espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque
muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora), precisamos
submeter os profetas de nossos dias ao teste. São eles,
verdadeiramente, mens ageiros de Deus?

Os profeta s de hoje têm que:

Ou alegar que ainda existem apóstolos o que seria uma


alegação difícil de provar, pois os apóstolos foram testemunhas
oculares do Cristo ressuscitado.

(Atos 1:21-22: “É necessário, pois, que, dos homens que nos


acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou ent re nós,
começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi
levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua
ressurreição”;

1 Coríntios 15:3-9: “Antes de tudo, vos entreguei o que também


recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as
Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia,
segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze.
Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos
quais a maiori a sobrevive até agora; porém alguns já dormem.
Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e,

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afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um
nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que
mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a
igreja de Deus”),

Ou afirmar que a Bíblia não é confiável quando diz que esses


dons eram transmitidos pelas mãos dos apóstolos (leia novamente
Atos 8:18: “Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os
apóstolos as mãos, era concedido o Espírito Santo, ofereceu -lhes
dinheiro”).

Nome dos profeta s bíblicos:

Arão Ex 7.1
Abraão Gn 20.7
Ágabo At 21.10
Ageu Ed 5.1
Aias 1Rs 11.29
Amós Am 1.1
Ananias Jr 28.17
Balaão Nm 22.5
Daniel Mt 24.15
Davi Mt 13.35
Eldade Nm 11.26
Elias 1Rs 18.36
Eliseu 1Rs 19.16
Ezequiel Ez 1.3
Gade 1Sm 22.5
Habacuque Hc 1.1
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Ido 2Cr 13.22


Isaías 2Rs 19.2
Jeú 1Rs 16. 7
Jeremias Jr 1.5
João Batista Lc 7.28
Joel Jl 1.1
Jonas 2Rs 14.25
Josué 1Rs 16.34
Malaquias Ml 1.1
Medade Nm 11.26
Micaias Jr 26.18
Miquéias Jr 26.18
Moisés Dt 34.10
Natã 2Sm 7. 2
Naum Na 1. 1
Obadias Ob 1
Odede 2Cr 28.9
Oséias Os 1.1
Samuel 1Sm 3. 20
Semaias 2Cr 12.5
Sofonias Sf 1.1
Zacarias Lc 1.67
Zacarias Zc 1.1

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PROFETAS DA BÍBLI A

PROFETAS DA BÍ BLIA

ISAÍ AS

Eu tenho uma verdadeira paixão por Isaías, ele é


merecidamente conhecido como o profeta do evangélico, visto que
apresenta a mais completa e clara exposição do E vangelho de Jesus
Cristo que se pode encontrar em qualquer porção do A ntigo
Testamento. S endo um tanto parecido c om a epístola aos Romanos,
no Novo Testament o. Isaías da mesma forma que Amós, era um
profet a do S enhor; além disso, era também um estadista que dava
conselhos valiosos aos reis de Judá.
O Senhor chamou Isaías como profeta no ano da morte do rei
Uzias – cerca de vinte anos depois do ministério de Amós. Enquanto
Amós teve apenas um breve ministério profético, Isaías profetizou
durante pelo menos quarent a anos (talvez mais de cinqüenta). O
ministério de Is aías distinguiu-se por sua devoção int egral à tarefa
para a qual Deus o chamara. Nos bons e nos maus tempos, ele
proclamou s em hesitar a mensagem de Deus ao povo. A fidelidade
de Isaías pode até mesmo t er lhe custado a vida; uma tradição conta
que ele morreu ao ser serrado vivo, durante o reinado de Manassés,
perverso rei de Judá.
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O livro de Isaías serve de compêndio das grandes doutrinas


da época pré-cristã, e aborda quase todos os temas cardeais de toda
a gama da teologia. É principalmente na qualidade de Santo de
Israel que Is aías apresenta o Senhor, que o impelia a profetizar.
Sendo Santo, Ele requer antes e acima das formalidades da
adoração por sac rifícios, o sacrifício vivo de uma alma piedosa. Com
esta finalidade ele faz as mais vigorosas persuasões tomarem conta
das consciências de Seu povo, tanto na forma de advertência e
apelo profético, como na forma de pressão exercida pelos castigos
que tinham o desígnio de conduzi -los ao arrependimento. Porém, na
qualidade de Santo de Israel, Ele se mostra inalteravelmente
comprometido com Seu povo, com o qual fizera aliança, e é o fiel
fiador de S uas graciosas promessas para perdoá -los quando
arrependidos, livrando-os do poder de s eus inimigos. Ele se mostra
pronto para livrá-los dos ataques de seus arrogantes opressores
gentios, ou para levá-los de volta à Terra Prometida, tirando-os da
escravidão e do ex ílio.
Profetizou no Reino de Sul. Viveu num dos períodos mais
conturbados da história da S íria -Palestina, região onde as duas
grandes potências da época, o E gito e a Assíria, disput avam a
hegemonia. Após um longo período de prosperidade, marcado pelo
luxo da classe dominante e pela exploraç ão dos pobres, Judá entra
numa fase confusa em relaç ão à política internacional. Pois, o Rei
Ezequias (714 A C), rompe o tratado de vassalagem com os Assírios
e pretende fazer algumas reformas religios as, agradando assim os
Babilônios e os Egípcios, no entanto desagradando os Assírios que
ameaçaram invadir Judá.

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Isaías durante sua missão de profeta viu seu país ser


invadido e devastado por três vezes. Durante a guerra, Sírio
Efraimítica duas vez es e uma vez pela invasão Assíria. Port anto
diante do contexto internacional Judá era ameaçado constantemente
pelas potências vizinhas, no c ontexto nacional s e vivia uma situação
de exploração dos ricos sobre os pobres, principalmente dos
governantes e profetas do rei.
Isaías, filho de Amoz, parece ter sido membro de uma
próspera e respeitada família de Jerusalém, pois não apenas o nome
de seu pai é registrado, como também gozava de relações intimas
com a família real e com os mais altos funcionários do governo.
Embora tenha, talvez, iniciado seu ministério profético nos últimos
dias do reinado de Uzias, ele registra o ano da morte de Uzias
(provavelmente 740 AC), como o tempo em que recebeu uma unção
e comissão especial da parte de Deus no templo (cap. 6). Recebeu
ordem de pregar ousadamente e sem qualquer transigência uma
mensagem de advertência e denuncia contra o seu povo, devido a
sua vida ímpia, de adoração idolatra, e de convocar a nação para
entregar-se a um arrependimento e reforma completo. Foi odiado e
sofreu a oposição do idólatra rei Acaz; foi favorecido e respeitado
pelo rei Ezequias (716-698 A C) – que não obstante desconsiderou
suas advertência contra a aliança com o Egito – e provavelment e foi
martirizado pelo depravado e brutal filho de Ezequias, o rei
Manassés, mais ou menos por volt a de 680 AC.
O Profeta Is aías conduzia sua profecia observando três
aspectos: Deus e sua obra, Deus e seu povo e o Messianismo.
Estava preocupado com os órfãos e a viúvas, que somavam grande

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número, devido as constantes guerras. Denunciou a política de Acaz


e a aliança s írio-efraimítica, bem como combateu a cort e palaciana
devido às injustiças cometidas contra o povo. Anunciou o “dia de
Javé” e o “futuro novo”, numa tentativa de dar crédito a Jerusalém.
Testemunhou Javé combat endo os c ultos idolátricos, formais e
vazios. Isaías foi um profeta que t eve a ex periência do poder, por
isso se distanciou do poder para profetizar.

Tema:

De todas as escrituras proféticas, o livro de Is aías é a mais


formosa e sublime. Em nenhum dos outros livros obtemos uma visão
tão formosa do messias e de seu reino. P or causa da ênfase dada à
graça de Deus e a sua obra redentora com relação a Israel e às
nações, o livro e Isaías tem sido chamado „O Quinto E vangelho‟, e
seu autor „O E vangelista do Velho Testamento‟.

Conteúdo do livro:

Este livro é também conhecido como " o quinto evangelho", por


causa da ênfase dada ao amor de Deus e à sua obra redentora com
relação a Is rael e às nações. Nele encont ramos a mais maravilhosa
visão acerca do Messias e do Seu reino.
Podemos dividi-lo em duas grandes partes: uma chamada a
Denúncia e outra Consolação.
Do capítulo 1 ao 39, a ira de Deus por c ausa do pecado
constante do Seu povo, resulta na condenaç ão e tribulação. Do

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PROFETAS DA BÍBLI A

capítulo 40 ao 66, a graça de Deus face ao arrependimento do povo,


resulta na salvaç ão e exaltação de Israel.
Ao longo do livro deparamos com várias profecias: a Judá e
Jerusalém, de juízos sobre as nações, de juíz os mundiais
terminando na redenção de Is rael, de misericórdia, da invas ão dos
assírios e da libertação de Judá, da libertação do cativeiro por Ciro,
da glória futura do povo de Deus.
Isaías começa o seu ministério profético, fazendo uma clara
denúncia dos pecados de Judá e Jerusalém. Alguns desses pecados
foram: afastamento da verdadeira fé em Deus (apostasia),
religiosidade (estavam cheios de formalidades vãs que aborrecem a
Deus ), avareza (os ricos tornaram-se avarentos), amor aos prazeres
deste mundo, cepticismo, pregação de doutrina falsa, presunção e
juízo injusto.
O fato do povo se manter vez após vez no pecado, fez com
que Deus lhe enviasse determinadas calamidades: invasão
estrangeira (9:8-17), anarquia (9: 18-21) e cativeiro (10:1-4). Deus
usou a nação assíria para julgar o Seu povo. No entanto, esta
mesma nação s erá julgada também por causa do seu orgulho e
arrogância contra Deus (10:5-19).
As profecias referentes às nações (B abilônia, Filístia, Moabe,
Damasco, Etiópia, Egito, Edom e Tiro) cumpriram-se nos capítulos
13 a 23, algumas gerações após a sua predição. Quase todas elas
tiveram cumprimento completo no regresso de Israel do cativeiro,
mas muitas delas terão um cumprimento futuro nos últimos dias. O
fim da visão profética era o milênio, altura em que viria a restauração
final e, por conseguinte a exaltação de Israel.

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Nos capítulos 40 a 48 encontramos a promessa de libertação


de Israel do cativeiro babilônic o por intermédio do rei da Pérsia, Ciro
(confrontar com Esdras 1:4). O principal pensamento que se tira
destes capítulos é que Deus é muito grande em contraste com os
deuses das nações.
Os capítulos 49 ao 57, descrevem quem é o Autor da
redenção es piritual de Israel – o Servo do Senhor (Jeová). O t ema
principal é a redenção por meio de sofrimento. Nos capítulos 49 e 50
lemos sobre o ministério e humilhaç ão do Messias (o Servo de
Jeová) pelo rebelde Israel. O capítulo 52 descreve a rejeição,
humilhação, morte, ressurreiç ão e glorificação do Messias. O
arrependimento de Israel pela rejeição do Messias será seguido pela
restauração (cap. 54). O resultado da restauração de Israel – todas
as nações chamadas a crerem no Messias (caps. 55, 56). O c apítulo
57 descreve as promessas consoladoras aos fiéis em Israel e
denúncias dos ímpios da nação.
Na última seção deste livro – capítulos 58 a 66 – o
pensamento principal é o estabelecimento do reino universal de
Deus e Seu triunfo sobre toda a forma do mal. O povo é exortado a
praticar os mandamentos deixando de lado a formalidade e os
pecados, pois estes o separam de Deus. O próprio Deus, na pessoa
do Messias, vem resgatar Israel dos seus pecados e dos seus
inimigos. Depois da aflição vem a glória sobre Israel. O capítulo 61
descreve a dupla missão do Messias: na primeira vinda traz a
misericórdia do evangelho; na segunda vinda trará o juízo sobre os
incrédulos e consolo a Sião.
Isaías enc erra a sua profecia com uma gloriosa previsão do

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reino milenial vindouro (65-66). A humanidade gozará de


longevidade, terá casas e vinhas e a natureza das feras será
mudada. A idolat ria des aparecerá e o reino do Messias será glorioso.

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JE R EM I AS

Ambiente Histórico:

Quando Deus chamou Jeremias ao ministério profético em 626


A C, a Assíria, senhora do mundo, sujeitara Judá ao seu domínio,
cobrando-lhe tributo. Todavia a própria Assíria grad ualmente
enfraqueceu após a morte de Assurbanipal em 633 A C.
Potencialmente o trono da Assíria estava aberto a qualquer
cabo de guerra do tempo. Neco, do Egito, conduziu suas forças até
ao norte da Palestina defrontando e matando Josias, rei de Judá, em
Megido em 609 AC, subjugando a Síria e pondo -se novamente em
marcha até o Eufrates. Foi, porém, enfrentado por Nabucodonosór
da Babilônia, que desbaratou s eus exércitos na históric a batalha de
Carquemis e o obrigou a recuar para suas próprias fronteiras, pondo,
assim, termo temporário à ambição egípcia de dominar o oriente. Foi
deste modo que Judá, até ali sujeito à Assíria, passou
automaticamente para o controle da Babilônia.
Depois da morte trágica de Josias, o seu povo ungiu Jeoacaz,
seu filho, rei em seu lugar. Neco, porém, depô-lo a favor de
Jeoaquim, seu irmão, pensando que ele serviria melhor aos
interesses egípcios. Que esta convicção tinha bons fundamentos
prova-o claramente o t ratamento a que Jeoaquim sujeitou o profeta
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PROFETAS DA BÍBLI A

Jeremias. Depois de Carquemis, Nabucodonos ór int eressou-se


menos por Judá, possivelmente por haver um descontentamento na
Babilônia, exigindo o seu regresso imediat o. Entretanto, Jeoaquim,
confiante nas promessas egípcias de auxilio maciço, fez uma
tentativa de sacudir o jugo de Babilônia. Em resultado disto, em 596
AC, Nabucodonosór, consolidado o seu poder na pátria, atacou
Jerusalém, prendeu Jeoaquim, filho do rebelde e agora seu
sucessor, e levou-o c om alguns de seu povo para o cativeiro. Ao
mesmo tempo, pôs Zedequias no trono.
O Egito não ousava arriscar uma guerra com Babilônia, em
vez disso, proc urava enfraquecer pela intriga, os laços impostos por
Nabucodonosór à S íria e à Palestina. A Neco sucedeu no trono
egípcio Psamatique II, e presumivelmente foi ele quem procurou
persuadir estes paises a tomarem parte numa aliança com o Egito
contra a Babilônia. Zedequias foi um dos monarcas abordados, e
parece haver fortes indícios de ter existido um partido pró-E gito na
corte. Ananias, o profeta, salientava -se bastante nesta conjunt ura,
mas Jeremias se opôs firmemente à proposta. V er, por exemplo, o
capítulo 228, com o seu oráculo do jugo de ferro.
Jeremias opunha-se vigorosamente a estes funcionários da
corte. Como porta-voz de Jeová, denunciava-os como falsos
profet as, afirmando que as suas atividades pró-E gito eram contrárias
à Sua vontade e t eriam um resultado trágico. Sem dúvida se
consideravam verdadeiros patriotas, e é, evidente que o seu ódio
feroz a Jeremias se fundamentava no fato de, na opinião deles, o
profet a ser um traidor confesso. Chamando-lhes de falsos profetas,
Jeremias não dizia necessariamente que fossem homens cruéis,

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PROFETAS DA BÍBLI A

mas antes que a sua int uição ou critério não era inspirado por Javé.
A sua acusação contra os seus adversários é que não fora Javé
quem os mandara, mas que eles se destacam por iniciativa própria,
pelo que as suas prediç ões não s e realizarão. E ra, pois, aí que
residia à falsidade; falavam em nome de Javé quando, afinal, Ele não
lhes tinha ordenado que o fizessem. De tudo, isto se depreende que
a sinceridade não basta; só a inspiração divina é que faz de alguém
um profeta.
É impossível dizer se Nabucodonosór tinha rec ebido um aviso
direto do descont entamento que grassara, ou apenas boatos, mas o
certo é que Zedequias foi intimado a avistar -se com ele e a
descrever as condições de sua pátria. O seu regresso implica que
deu garantias de fidelidade. É pena que, ao que parece, ele não
tivesse a coragem e a força moral para resistir à influência de
conspiradores pró-egípcistas como Ananias e os seus confederados.
Jeremias instava constantement e com o rei para que permanecesse
fiel ao seu compromisso, mas quando Hofra se tornou faraó em 589
AC, sucedendo a Psamatique II, a influência egípcia na c orte
acentuou-se ainda mais e, em resultado de tramas urdidas em
segredo, Zedequias foi finalmente induzido a faltar à sua palavra
para com Nabucodonosór. Mas, o Egito foi muito lento no seu
socorro, e o monarca babilônio tornou a por cerc o a Jerusalém em
587 A C. Por fim, apareceu o exercito egípcio e os babilônios
levantaram o cerco temporariamente. Foi nessa altura que Jeremias
foi preso como desertor que proc urava fugir para os caldeus (ver
37:11-15).

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PROFETAS DA BÍBLI A

A repetição do assédio parece ter provocado uma c rise,


Jeremias tinha a certeza de que a sua intuição provinha de Deus , de
que Ele lhe revelara os S eus propósitos de transformar a B abilônia
no instrumento de Sua vontade. A confiança no Egito, portanto, só
poderia abrir caminho à tragédia e ao exílio. Além disso, os inimigos
do profeta serviam-se do nome de Javé para apoiar a sua política
pró-egípcia. Por conseguinte, afirmavam que a atitude e as palavras
de Jeremias enfraqueciam a vontade nacional de combater.
Esta luta revela-se de forma crucial na pessoa de Zedequias,
que se erguia entre as duas facções, sendo atraído o ra pra um dos
partidos, ora para outro. Costuma -se dizer que Zedequias era um
fraco, incapaz de tomar uma decisão e enfrentar as conseqüências.
Percebe-se que Jeremias não o conseguiu influenciar de forma a
faze-lo manter-se firme no seu juramento de fidelidade para com
Nabucodonosór. A batalha foi ganha pelos falsos profetas e
Zedequias arriscou a sua sorte, mas pagou amargamente a sua
decisão e delongas. O Egit o revelou-se uma cana quebrada; o
segundo cerco foi coroado de êxito, e os babilônios comportara m-se
de forma desapiedada e, com grande desgosto seu, Jeremias
assistiu a amarga realização de sua profecia.
Este livro dá-nos pormenores referentes à vida de Jeremias
até a sua partida forçada para o E gito. Depois, abat em-se as trevas
sobre o profet a, atenuadas, se porvent ura o são, apenas por vagas
tradições. Nada há que permita chegar a uma c onclusão definitiva
quanto à sua sorte. Segundo uma tradição cristã, cerca de cinco
anos depois da queda de Jerusalém, foi lapidado em Tahpanhes,

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 25


PROFETAS DA BÍBLI A

pelos judeus, que, mesmo então, se rec usavam a comungar na sua


visão e na sua fé.

A mensagem e ensino de Jeremias:

Politicamente, como vimos, o profet a perdeu, mas


espiritualmente obteve retumbante vitória. Com Amós e Oséias,
confiava em como, apesar de a idolat ria e a infidelidade a Javé
acarretarem nec essariamente o castigo a Israel e Judá. Eles não
seriam destituídos definitivament e da graça de Deus. Com esses
profet as comungava também na fé que o ex ílio como disciplina seria,
não totalmente trágico, mas uma experiência corretiva. O estado
como estado estava condenado, mas a fé em Javé e a fé de Javé no
Seu povo escolhido, permaneceriam e sobreviveriam àquele choque
crucial.
Viu também que o antigo concerto centralizado no templo e no
seu cerimonial era ineficaz. Assim, acabou por descortinar que Javé
escreveria um novo concerto no coração do “remanescente”, através
do qual a religião vital se manteria dinâmica e seria um veículo de
benção para além das fronteiras da nação.
Quando o livro da Lei encontrado por Hilquias nas ruínas do
templo provocou a reforma do reinado de Josias em 621 AC, parece
evidente que, de princípio, Jeremias vibrou no mesmo entusiasmo
que o monarca, emprestando a este a sua influência e auxílio.
Parece igualmente evidente, porém, que, mais tarde, a sua confiança
nesse avivamento começou a enfraquecer, considerando -o o profeta
demasiado fácil e superficial para satisfazer os requisitos de Javé. A

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 26


PROFETAS DA BÍBLI A

grande necessidade era de uma mudança de coração, só possível


num povo que depositasse a sua fé tão somente em Javé.
Ora, a geração de Jeremias recusava -se a conceder essa
centralidade de fé. Muitos comentadores têm afirmado que Jeremias,
como outros profetas, se opunham ao ritual de sacrifícios,
considerando-o algo que não fora ordenado por Javé e que lhe
repugnava. Todavia, a atitude de Jeremias será mais bem
interpretada se nos descortinarmos a lição de que, sempre que um
sacrifício não constitui um verdadeiro índice de adoração e
arrependimento do indivíduo, então esse sacrifício não terá valor,
sendo, port anto, contrário ao desejo e vontade de Javé. Quando
muito, um sacrifício só poderia ser um meio para atingir o fim
espiritual de um regresso contrito ao Senhor, jamais podendo
constituir um fim suficiente em si.

Autor:

Trata-se de um problema muito complexo que não pode ser


eficazmente abordado numa breve introdução como esta. Em
Introduction on t he Old Testament, de E. J. Young, encontrar -se á
formulada a posição conservadora acompanhada de um sumário das
várias correntes críticas. O próprio livro diz que Baruque, o escriba,
escreveu as profecias que Jeremias pronunciou (ver especialmente
36:32), e declara que “ainda se acrescentaram a elas muitas
palavras semelhantes”. Duma maneira geral, Baruque parece ter
sido fiel amanuense de Jeremias e, note-se, acompanhou-o até ao
Egito (43: 6).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 27


PROFETAS DA BÍBLI A

As próprias profecias não estão em ordem cronológica, o que


pode causar confusão numa mentalidade ocident al, habituada a
encarar tais problemas de uma maneira lógica. Em The New Bíblia
Handboc, de G. T. Manley, o leito r poderá encontrar um esquema
das datas prováveis correspondentes aos vários capítulos. O
problema res ulta ainda mais complicado, por haver grandes
diferenças entre o texto hebraico e o dos Set enta deste livro,
fenômeno que se verifica mais nele do que em qualquer outro. Estas
diferenças não dizem respeito apenas às palavras, mas afetam a
ordem de apresentação do conteúdo. Para uma breve análise das
discrepâncias e uma hipótese de explicação, ver Int roduction to the
Old Testament, de E. J. Young. No corpo co comentário, apontam-se
sempre os passos em que a versão dos Setenta parece derramar luz
sobre o texto hebraico.

O caráter do profeta:

Jeremias era, de fato um homem de Deus, sensível a toda


influência espirit ual, suscetível de profunda emoção e, dota do de
visão clara e critério cristalino. Não podia ser comprado nem
cavilosamente convencido. Seguia o caminho traçado pelo seu
espírito, e este era sempre apoiado no sentimento de adoração que
vivia dentro dele. Foi um homem de Deus do princípio ao fim e,
portanto, um patriota fiel até a tragédia. Não era cego para o pecado
e loucura de seu povo. Descortinou com profunda amargura o nexo
férreo entre o pecado e o castigo, e previu o exílio com uma punição

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 28


PROFETAS DA BÍBLI A

inevit ável e irrevogável, e foi pa o provocar que despendeu sem


reservas todo o seu es forço.
Essencialmente, foi um mediador impelido pelo patriotismo e
pela fé em Deus. Daí a veemência das suas emoções e mens agens,
ora cont ra o seu povo, ora intercedendo junto do Senhor. Daí
também o seu isolamento, a sua agonia de espírito, os seus cruciais
conflitos íntimos. A sua paixão iluminava -lhe os passos, o que
facilitou a sua tarefa, embora a tornando desagradável. Viu a
condenação, mas não a tragédia final.
Tanto Israel como Judá tinham um fut uro em Deus, o qual
seria a sua justiça. Haveria um novo concerto. Em Deus, ele leu
promessas, não futilidades, pelo que ficou firme como vendo o
invisível. Neste vulto descarnado e clamante, vemos o que Deus
ousa pedir ao homem, e o que um homem assim pode dar. A
descoberta do Jeremias aut êntico pode bem constituir o
renascimento de quem o descobre.

Conteúdo do livro:

Tanto Jeremias como Isaías levaram mensagens de


condenação ao povo de Israel que abandonara a verdadeira fé.
Isaías traz a mensagem num tom vigoroso e severo e Jeremias é
mais moderado e suave.
O primeiro t raz uma expressão da ira de Deus contra o pecado de
Israel, o segundo traz uma expressão do Seu pesar por causa desse
pecado.
Os aconteciment os deste livro passam-se desde o reinado de

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 29


PROFETAS DA BÍBLI A

Josias até à primeira parte do cativeiro da B abilônia, cerca de 40


anos. O fundo histórico deste livro encontra -se em II Reis 22 – 25.
A chamada e comissão de Jeremias – Jeremias, de família
sacerdot al, é chamado por Deus no princ ípio do cativeiro babilônico,
para ser um profeta à nação de Israel e às outras nações. Para
profetizar a Israel a vindoura invasão babilônica, e às outras nações
a queda e a sua restauração.
Mensagem geral de repreensão a Judá – Deus repreende
Israel por se afastar da lei, pela sua autojustiça e idolatria e pede-lhe
que volte para Ele. No capítulo 18 vemos que Deus pode moldar
Israel como o oleiro faz com um vaso. Se forem rebeldes, pode
destruir o vaso, se arrependerem pode tornar a c onstruí-lo (cap. 13).
Mas, como Israel persiste na sua ap ostasia, Deus o rejeitará. Isso é
simbolizado pelo quebrar do vaso. (19:1 -13).
No cap. 24, a figura dos figos bons e maus, mostra o futuro
dos judeus na primeira deportação do reinado de Conias e dos do
cativeiro final no reinado de Zedequias. Os primeir os seriam
restaurados e restituídos à P alestina, os últimos seriam ent regues à
espada e espalhados ent re os pagãos.

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PROFETAS DA BÍBLI A

LAMENTAÇÕES
DE
JE R EM I AS

Análise do livro:

O livro de lamentações tem um tema principal: o sofrimento


que sobreveio a Jerusalém quando Nabucodonosór capturou a
cidade, em 586 A C. Numa série de elegias, o autor expressa sua
inconsolável tristeza por causa da agonia e da angustia da cidade.
O primeiro lamento descreve e explica as aflições de
Jerusalém, em t ermos gerais. O segundo descreve o desastre com
maiores detalhes. Salient e que a destruição da cidade foi um
julgamento de Deus contra o pecado. Alguns fatores profundos
desse julgamento são elucidados na terceira lamentação. A quarta
lamentaç ão sublinha algumas lições qu e Jerusalém aprendera do
julgamento. O quinto e último lamento (mais exatamente, é uma
oração) nele está descrito como os sofrimentos de Jerusalém
levaram-na a lançar-se nos braços da misericórdia divina, e a
esperar que o Senhor seja novament e gracioso pa ra com Israel,
agora purificada no cadinho da aflição.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 31


PROFETAS DA BÍBLI A

Visto que o livro de lamentaç ões trata do sofrimento como


julgamento c ontra o pecado, o c rent e afligido poderá encontrar na
linguagem do livro a sua própria confissão, auto-humilhação e
invoc ação.

Conteúdo do livro:

Este livro registra a grande e dolorosa tristeza do profeta pelas


misérias e desolações de Jerusalém, resultantes do seu cerco e
destruição.
O livro ensinava aos judeus a reconhecerem a mão
castigadora de Deus e a voltarem para Ele com arrependimento
sincero.
Podemos resumir o conteúdo deste livro na apresentação das
desolações de Jerusalém, os resultados dos seus pecados, e o
castigo de um Deus fiel, que visava conduzi-los ao arrependimento.

O livro pode ser esboçado em cinco poemas:

A cidade representada como uma viúva que chora (cap. 1)


A cidade represent ada como uma mulher com véu, chorando
no meio das ruínas (cap. 2)
A cidade represent ada pelo profeta que chora e lamenta
perante Jeová, o Juiz (cap. 3)
A cidade representada como ouro embaçado, mudado e
degradada (cap. 4)
A cidade repres entada como um suplicante que roga ao

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PROFETAS DA BÍBLI A

Senhor (cap. 5).

Propósito do Livro:

No livro de Lamentações, Jeremias expressa extremo pesar


por causa do sítio, da captura e da destruição de Jer usalém,
efetuados por Nabucodonosór, e é imbat ível em qualquer literatura
na sua natureza vívida e pat ética. O escritor expressa profunda
tristeza por causa da desolaç ão, miséria e confusão que vê. A fome,
a espada e outros horrores trouxeram à cidade um s ofrimento
pavoroso - tudo uma penalidade direta da part e de Deus, por causa
dos pecados do povo, dos profetas e dos sacerdotes. No entanto, a
esperança e a fé em Deus permanecem, e a ele são dirigidas as
orações pela restauração.

Conclusão do livro de La mentações:

O livro de Lamentações expressa a completa confiança de


Jeremias em Deus. Na mais extrema angústia e esmagadora
derrota, sem haver absolut ament e esperança de confort o de alguma
fonte humana, o profeta aguarda a salvação da mão do grande
Senhor do univers o. Este livro deve inspirar em t odos os verdadeiros
adoradores a obediência e integridade, dando ao mesmo tempo
aviso t emível concernente àqueles que desconsideram o maior dos
nomes e o que este representa. Não há registro na história de outra
cidade arruinada que tenha sido lamentada em tal linguagem
patética e comovente. É, certamente, proveitoso em descrever a

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 33


PROFETAS DA BÍBLI A

severidade de Deus para com os que continuam a ser rebeldes,


obstinados e impenitentes.
Os judeus ainda hoje usam este livro para exprimir o seu pesar
pelo sofrimento e dispers ão de Israel. Lêem-no anualmente para
comemorar o incêndio do templo. No dia 9 do mês Ab (corresponde
mais ou menos ao nosso mês de Julho) este cântico triste é lido em
voz alta em todas as sinagogas do mundo

Autor:

Desde os tempos mais antigos, os judeus, e posteriorment e,


os cristãos, têm atribuído o livro de lamentações à pena de Jeremias.
A Septuaginta declara tal atribuição des de o segundo século AC, e a
Vulgata latina des de o quarto século DC. Argumentos co nvincentes
baseados na tradição judáico -cristã, sobre a autoria de Jeremias,
tem sido apresent ados. Aceitando-se a autoria de Jeremias,
portanto, o livro de Lamentações torna-se um suplemento do Livro de
Jeremias, que tão freqüentemente prediz uma catástro fe tal como
aquela que é descrita em Lamentações. Porém, as lamentações de
Jeremias são inteiramente isentas daquela atitude mental que diz „Eu
bem disse‟. Ele se preocupa tão somente em lamentar as aflições de
Jerusalém, e em pleitear perant e Deus que não a rejeite para
sempre.

O profeta Jeremias:

O profeta Jeremias, não foi diferente dos demais profetas,

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 34


PROFETAS DA BÍBLI A

procurou responder ao chamado de Deus anunciando denunciando e


testemunhando junt o ao povo. Era filho do sacerdote Helcias,
sacerdot e do int erior que exercia suas funções sacerdot ais somente
quando era convoc ado. Jeremias nasceu em 645 AC, em Anatot,
pequena cidade próxima de Jerusalém.
Jeremias profetizou durante um longo período, conturbado e
desafiador, onde o povo sofria repressões internas e externas. A
“elite política e militar estava dividida em dois partidos: um a favor do
Egito e out ro a favor da Assíria. A ndavam at rás de falsas alianças,
abandonando o povo a um destino amargo e triste”. Viveu o período
trágico em que se preparou e se consumou a ruína do reino de Judá.
De 697 a 642 A C. Judá era governada por Manassés,
autoritário, explorador e opressor do povo. O seu sucessor foi Amon,
filho de Manassés e carrasco do povo, foi pior que o pai. Com a
morte de Amon surge um novo tipo de poder, mantido agora pelo
chamado “povo da terra”.
Quando Josias assumiu o poder tinha apenas 8 anos, até
completar a maioridade quem tomava as decisões e dec retava no
governo era um grupo que representava o “povo da terra”.
Durante a reforma religiosa e a restauraç ão nacional que se
efetuou durant e seu reinado, havia esperança de dias melhores. No
entant o, o rei Josias foi morte durante um combate em Meguido, em
609, desta forma, a reviravolta do mundo oriental, a queda de Nínive
e a expansão do império Caldeu s ufocaram e desmantelaram as
organizações do povo judeu.
Com a morte de Josias foi posto a frent e do governo de
Jerusalém Joacaz, filho de Josias, representante do povo da terra.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 35


PROFETAS DA BÍBLI A

Governou durante três meses e foi deposto pelos egípcios, que


impuseram no governo seu irmão Eliaquim, que passou a ser
chamado de Joaquim. O Rei Joaquim int roduziu pesado imposto
sobre o povo para satisfazer aos egípcios. Permitiu a int rodução de
ídolos na cidade e no templo e colocou os sacerdotes a serviço do
culto idolátrico para manter os caprichos de rei.
Já em 597 A C, durante o reinado de Sedecias, ocorre à
tomada de Jerusalém por Nabuc odonosór e a deportação dos líderes
para Babilônia. Jeremias exerce sua função de profet a, junto aos
exilados, enviando cartas aos que estavam prestando serviço na
Babilônia.
Como principal denuncia de Jeremias podemos destacar sua
preocupação em relação ao templo e ao culto a Javé. O rei Joaquim
permitiu a entrada de ídolos no templo de Jerusalém e banalizou a
importância do templo enquanto espaço sagrado de culto a Javé. O
culto foi reduzido a sacrifícios de animais e de crianças, satisfazendo
aos ídolos estrangeiros e mantendo a situação de dominação
política, submissão econômica, desintegração social e abus o da fé
alheia. Esta atitude do rei deixou Jeremias enfurecido, que passou a
combater ardent emente a idolatria e a prática dos sacerdotes.
Os profetas do culto, que profetizavam em favor do rei, foram
denunciados por Jeremias porque faziam falsas promessas ao povo
para mant er a situação de opressão e de dominação imposta pelo
sistema vigent e. O amor do profet a Jeremias pelas coisas de Javé
serve de alimento na c aminhada, pois proclama abertamente “Tu me
seduziste Javé e eu me deixei seduzir” (Jer. 20,7). A partir desta
profissão de fé o profeta deixa claro que sua opção por Javé vai além

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 36


PROFETAS DA BÍBLI A

de suas limitações pessoais e de sua vontade própria.

Profecias feita s durante o exílio:

As deportaç ões ocorreram em três etapas, sendo que foram


divididos por funç ões e classes sociais. Por fim o resto do povo foi
levado para as margens do rio Cobar (Tel-A bib). Os deportados
perderam t erra, cidade/muros, palácio, templo/altar, culto/sacerdote,
rei e o projet o em torno da monarquia.
A população passou a viver guiada por ideologias estranhas
ao estilo de vida anterior, a astrologia, enquanto ideologia religiosa,
dominava e direcionava as práticas de fé. Este e, tantos outros
fatores, como a fome e a miséria, fortaleceram a idéia de que Javé
havia abandonado seu povo.
Durante este período entra cena o Ezequiel, sacerdote que
procurou organizar o povo em pequenos grupos, posteriorment e veio
a ser chamado de sinagogas, utiliza meios orais e escritos para
recordar o período do Tribalismo e encorajar o povo numa
perspectiva de libertação. A profecia de Ezequiel consistia
basicamente no t estemunho e na convicção de que dias melhores
virão, “surgirá novos céus e nova terra”. Denuncia os “filhos de
Israel”, os sacerdotes, os profet as do rei, os juizes e tantos outros
que estavam submissos aos projetos tot alitários e dominadores. Seu
anuncio girava em t orno da proposta de que “Javé reunirá seu povo”
(11, 14-18), “dará um coração novo e um espírito renovado” (11, 19-
21) e “ressuscitará o povo” (37, 1-14). No entanto, para isto exige do
povo mudança de coração e de mentalidade, que consiste na

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 37


PROFETAS DA BÍBLI A

tomada de consciência, para através da organização alcançar a


libertação.
Durante o período do exílio temos notícias de mais dois
profet as que marcaram época. Isaías Júnior atuou no final do exílio,
e anunciava Javé como o único e verdadeiro Deus, propôs o resgate
do êxodo como forma alternativa de libertação. A elaboração do texto
de 1 Gêneses certamente é deste período. Outro profeta import ante
é chamado de Isaías III (538), que retomou aspectos da vocação do
profet a e proclamou que a utopia da salvação está no Deus Javé.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 38


PROFETAS DA BÍBLI A

E ZEQ UI EL

Análise do livro:

O livro de Ezequiel registra a atividade de um profeta durante


o exílio da Babilônia. Sua mensagem foi dirigida aos seus
companheiros de ex ílio, e igualmente ao povo hebreu que ainda se
encontrava na Palestina. Ambos os grupos permaneciam obstinados
e impenitentes, mesmo após a captura de Jerusalém pelo rei
Babilônico Nabucodonosór, e o ex ílio de Joaquim, rei de Judá,
juntamente com um grande segmento da população, em 597 A C.
Por conseguinte, Deus deu a Ezequiel a tarefa de denunciar a
rebelde casa de Israel e de predizer a destruição de Jerus além e a
deportação de um número ainda maior de seus habitantes. Seis anos
após o inicio da pregação de Ezequiel, suas palavras foram
cumpridas. Em 586 AC, Nabucodonosór destruiu Jerusalém e trouxe
os sobreviventes com poucas exceções, para a Babilônia. Mas a
infidelidade de Israel não exauriu a misericórdia de Deus. Ezequiel
também foi orientado para proclamar as boas novas de que o ex ílio
terminaria, e que Israel seria restaurada à sua posição como o
instrumento da salvação de Deus para todos os homens.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 39


PROFETAS DA BÍBLI A

Conteúdo do livro:

Este livro foi construído segundo um plano clarament e definido


e o escritor aderiu firmemente aos assentos de cada seção. Após a
visão introdutória dos capítulos 1 -3, Ezequiel se concentra quase
exclusivamente em desnudar a iniqüidade de seu povo. S em dó
arrasta seus pecados para debaixo da luz e pronuncia contra eles o
julgamento de Deus. Por meio de aç ões simbólicas, parábolas,
oratória inflamada e que versa sobre a iniqüidade da nação e sobre
sua inevitável destruição. A repetição da denuncia e da ameaça de
condenação é tão constante a ponto de fazer o leitor recuar
horrorizado, especialmente em vista do fato que, enquanto que
outras obras proféticas iluminam suas ameaças com promessas,
este elemento falta quase que int eiramente na primeira seção do
livro de Ezequiel. E quando ele permite que brilhe algum raio de
esperança, este usualmente se torna vermelho como fogo, pelo que
a restauração referida se torna algo vergonhos o e não por algo que
causasse alegria.
A segunda seção (capítulos 23-32) limita-se aos oráculos
dirigidos contra as nações circunvizinhas de Israel, tanto os estados
vassalos que assaltaram os judeus em sua hora de amargura como
as grandes nações da época. Aqui a imaginaç ão poética de Ezequiel
sobe a seu clímax; são nos fornecidos dados alguns dos quadros
falados e mais vívidos do Antigo Testamento em seus oráculos
contra o príncipe de Tiro e o faraó do Egito. É curioso que Ezequiel
faça silêncio quanto ao destino da Babilônia, o principal poder
destruidor de Jerus além. Alguns acreditam que, visto que essa

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 40


PROFETAS DA BÍBLI A

nação deve ter necessariamente figurado nas profecias


condenatórias de Ezequiel, que a Babilônia deve aparecer aqui sob o
símbolo de Gogue, na profecia dos capítulos 38 e 39. Não obstante,
não existe no texto a menor indicação dessa possibilidade, e tudo
parece apontar contra tal indicação. P ode -se sentir que, à
semelhança de Jeremias, ele considerava Nabucodonosór como um
servo de Jeová, e assim considerava suas ações como divinamente
ordenadas; e diferent emente de Jeremias, porém, Ezequiel não
recebeu qualquer palavra subseqüent e a respeito da Babilônia, e por
isso deixou a questão nas mãos de Deus.
O ponto principal do ministério de Ezequiel foi ocasionado pela
chegada de um mensageiro enviado de Jerusalém, anunciando a
queda da cidade (33:21). Em face do consistente ceticismo do povo
para com sua pregação, esse aconteciment o constituiu a
confirmação divina a seu ministério. Daí por diante o povo se reunia
para ouvi-lo (33:30) e agora ele estava livre para entregar-s e à tarefa
de reabilitar uma nação espalhada, formando assim o tema dos
capítulos 33-37.
A conclusão do livro (40-48) é o produto de uma mente devota
que por longo tempo e afetuosamente ponderou a respeit o da
adoração de Israel em s ua vindoura era de benção. Somos aqui
fortemente relembrados que Ezequiel era ao mesmo tempo um
sacerdot e e um profeta. Nessa qualidad e ele combinava em si
mesmo as duas grandes correntes da tradição de Is rael. Numa terra
purificada de toda impureza, é exibida a adoração ideal num templo
ideal e, a ser observada por um povo ideal.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 41


PROFETAS DA BÍBLI A

O autor:

A pessoa de Ezequiel submerge tão completamente em sua


mensagem que, além de seu nome, pouco sabemos a respeito dele.
Somente dois fatos biográficos podem ser percebidos no livro; era
filho de Buzi, o sacerdote, e, diferentemente de seu contemporâneo
Jeremias, Ezequiel era casado, ainda que „o deleite de seus olhos‟
lhe tivesse sido tirado, quando cumpria a missão que Deus lhe dera.
Muito freqüentemente Ezequiel tem sido considerado um
indivíduo inflexível e sm coração. Dizem que ele se mostra impessoal
em seu desligamento dos ouvint es, preocupando-se exclusivamente
com a vindicação gloriosa de Deus até mesmo na proclamação da
misericórdia. Mas, apesar de que verdadeiramente os seus
sentimentos não venham à tona, como no cas o de Jeremias,
asseverar que a Ezequiel falta simpatia, é ir além de t oda a
evidência. Os próprios críticos radicais não podem sustentar suas
teorias de que Ezequiel estava sujeito a ataques de catalepsia e que
sofria de paranóia esquiz ofrênica. As ações simbólicas por ele
levadas a efeito e as visões que ele recebeu não são essencial mente
diferentes daquelas registradas por outros profetas.

Característica s da personalidade de Ezequiel:

Duas características da personalidade de Ezequiel já foram


mencionadas, a saber, a vivacidade de sua imaginação e seus
poderes de telepatia, clarividência e prognósticos. Essas coisas se
combinavam com um senso avassalador sobre a transcendência de

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 42


PROFETAS DA BÍBLI A

Deus que pode produzir passagens de literatura que, de muitos


modos, parecem estranhas para a ment e moderna, mas que são
ricament e compensadoras para o investigador. Por exemplo, quantos
são os que fic aram tão perplexos pelo relato de Ezequiel sobre sua
visão inaugural, no capítulo primeiro, a ponto de não continuarem a
leitura de seu livro? No ent anto, uma vez compreendido esse
capítulo, fica percebido que ele é altamente significativo e dotado de
grande valor espiritual, como os próprios judeus reconheciam.
Em certas direções Ezequiel foi o pioneiro de movimentos de
pensamentos que estavam destinados a se desenvolverem como
características do judaísmo posterior. Ezequiel foi o primeiro a
declarar com clareza dogmática, a verdade da responsabilidade
individual. Mediante a freqüência de suas visões e a natureza de
êxtase de muitas de s uas afirmações, e especialmente mediante
suas profecias concernentes a Gogu e e o reino futuro, Ele moldou
um tipo de profecia que, no tempo devido, conduziu ao movimento
apocalíptico. Ezequiel, pois, é a ponte entre a profecia e o
apocalipse. Além disso, devido a seu t reinamento sacerdotal ele se
sentia naturalmente mais interessado na adoração do que no
evangelismo; conseqüentemente, o espírito missionário, tão evidente
nos últimos c apítulos de Isaías, está quase totalmente ausente nos
escritos de Ezequiel.
Seu livro faz important íssima contribuição, na providência de
Deus, para o des dobramento da revelação de Deus na B íblia.
Ezequiel precisa ser estudado com mais simpatia do que alguns
estudiosos modernos estão presentemente inclinados a fazê-lo.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 43


PROFETAS DA BÍBLI A

Outra s caracterí stica s do livro:

Ezequiel, cujo nome hebraico do livro significa "Jeová


Fortalecerá" e seu autor é Ezequiel (1: 3), filho de um sacerdote,
exilado na Babilônia. A dat a da atuação de Ezequiel pode ser fixada
em 580 A C. O livro pode ter sido escrito um pouco mais tarde em
570.
O objetivo do livro foi registrar as profecias de advertência e de
esperança que Javé tinha para Judá, bem como as de advertência
às nações vizinhas. O tema do livro é a glória de Deus. Ezequiel é
considerado o profeta da res ponsabilidade individual, pois é o
primeiro judeu a colocar o ministério profético e s eus ouvintes em
termos de responsabilidade individual (3:17 -21; 33:8,9).

Um breve sumário do livro indica:

Visão celestial da chamada (1 a 3).


Predições contra Judá (4 a 24).
Predições contra nações vizinhas (25 a 28).
Predições contra o Egito (29 a 32).
Predições contra Judá (33 a 34).
Predições contra Edom (35).
Predições contra Israel e promessa de restauração (36 a 37).
Predições contra Magogue (38 a 39).
Visão terrestre da restauração (40 a 44).
Recomendações sobre a nova terra (45 a 48).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 44


PROFETAS DA BÍBLI A

O livro do profeta Ezequiel registra a atividade de um profeta


durante o exílio da Babilônia. Sua mensagem foi dirigida aos seus
companheiros de ex ílio e igualment e ao povo hebreu que ainda se
encontrava na palestina. Ezequiel que tinha como profissão o
sacerdócio revela um ministério com duas et apas distintas: "antes e
depois da queda de Jerusalém. Durante o primeiro período, Ezequiel
denuncia, com virulência jamais alcançada, os pecados de Israel no
presente e no passado. A conversão parec e distante e o castigo,
inevit ável. Com a queda de Jerusalém, a mensagem do profeta
muda radicalmente. Ele se torna um apaixonado porta -voz da
esperança" (26).

O tema do livro é "Julgamento e Glória" e pode ser dividido assim:

I - Julgament o de Judá e de Jerusalém (1-24).


II - O Julgamento das nações (25-32).
III - Os oráculos de esperança (33-48).

Ezequiel foi um profeta que iniciou o seu ministério na


Babilônia, sete anos antes da destruição de Jerusalém e terminou
cerca de quinze anos depois. A sua mensagem foi de denúncia e
consolação. Os acontecimentos históricos registrados neste livro
abrangem uma esfera de 21 anos.

O conteúdo do livro resume-se em quatro partes:

A chamada do profeta – (cap. 1 - 3)

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 45


PROFETAS DA BÍBLI A

A chamada de Ezequiel foi precedida por uma visão da glória


do Senhor. E a sua mensagem foi de condenação a um povo
desobediente. Foi posto c omo atalaia sobre Israel. No capítulo 3
vemos a segunda visão de Ezequiel. Este não devia falar até receber
instruções do Senhor para o faz er.

A sorte de Jerus além e da nação – (cap. 4 - 24).

Embora Deus tenha dito a Ezequiel que ficasse calado até


receber instruções para profetizar, ordenou -lhe que falasse à nação
por meio de ações simbólicas, ou sinais (cap. 4 – 6), do seguinte
modo:
Usando um tijolo e uma placa de ferro, Ezequiel representa o
cerco de Jerusalém.
Ezequiel deita-se sobre o lado es querdo por um dia para cada
ano do período de idolatria e pecado de Jerusalém e Judá. (4:4 -8)
Ezequiel deve comer o seu pão por certo peso e a água por
certa medida para significar a fome que haveria durante o cerco.
Ezequiel c orta o cabelo para simbolizar a destruição do povo
de Jerus além por fome, pestilência e espada.
Ezequiel afasta-se como um fugitivo e come os seus alimentos
como em tempos fome. Isto expõe a proximidade do cativeiro de
Judá (cap. 12).
A vinha consumida no fogo simboliza a inutilidade de Israel; e
a figura de uma meretriz simboliza a infidelidade desta nação.
A parábola da grande águia demonstra a punição da traição de

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 46


PROFETAS DA BÍBLI A

Zedequias que quebrou o pacto com Nabucodonosór e chamou do


Egito auxílio para que se rebelasse contra ele (cap. 17).
Pelo sinal do gemido do profeta e da espada de Deus repete-
se novamente o aviso da destruição vindoura de Jerus além por
Nabucodonosór (c ap 21). Na parábola de Oolá e Oolibá, as duas
mulheres infiéis e adúlteras, expõem a apostasia de Israel e Judá.
Jerusalém é comparada a uma panela a ferver e seus
habitantes aos ossos e carne que estão dentro da panela,
produzindo uma espuma vil – símbolo da baixeza fervente da cidade
(24:1-4). A destruição do templo, o orgulho da naç ão, é simbolizada
pela esposa de Ezequiel, levada pelo Senhor (24:15 -20).

Profecias contra as nações – (cap. 25 - 32)

Ezequiel também tem uma mens agem para as nações


vizinhas de Israel – uma mensagem de juízo por c ausa do meu
tratamento que tiveram para com Judá. São profecias às seguintes
nações: aos Amonit as, Moabe, Edom, Filístia, Tiro, Sidom e Egit o.

A restauração de Israel – (cap.33 - 48)

A missão de Ezequiel é renovada. Depois que Jerusalém foi


tomada, ele pode falar claramente em vez de pregar por meio de
sinais e símbolos. Os falsos profet as são repreendidos.
A visão do vale dos ossos simboliza a morte nacional de Israel e a
sua ressurreição futura, quando os reinos de Judá e Israel estiverem
unidos, e a nação inteira ligada a Jeová por um pacto eterno (cap.
37).
A glória de Jeová volta a habitar no templo milenial do qual

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 47


PROFETAS DA BÍBLI A

encontramos uma descrição detalhada nos capítulos 40 a 48.

DA NI EL

Na B íblia hebraica o livro de Daniel se encontra na terceira


divisão, os hagiógrafos, e não na segunda, na qual aparecem os
livros proféticos. A razão disso não é que Daniel tenha sido escrito
depois dos livros proféticos. Em algumas listas pode -se observar,
Daniel é incluído na segunda divisão do “Cânon”.
Entretant o o motivo pelo qual Daniel veio a ser colocado na
posição que at ualmente ocupa depende da posição de s eu escritor
na economia do Antigo Testamento. Este livro jamais deixou de
despertar interesse e provocar cont rovérsias nos círculos teológicos.
Ao mesmo tempo, tem cativado os seus leitores com os relatos de
heroísmo num período de perigo crítico, e consolado multidões de
fieis seguidores de Deus, quando lêem seus vibrantes relatos acerca
da presença e da benção do Senhor.
Os autores dos livros proféticos eram homens que ocupavam
a posição técnica de profeta; isto é, eram homens especialmente
levantados por Deus para servir de mediadores entre Deus e a
nação, declarando ao povo as palavras idênticas que Deus lhes tinha
revelado. Daniel, porém, não foi profeta nesse sentido restrito e
técnico. Foi ant es um estadista na corte de monarcas pagãos. Na
qualidade de estadista, possuía realmente o dom profético, e,
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 48
PROFETAS DA BÍBLI A

embora não tenha ocupado o ofício profético, é nesse sentido,


aparentemente, que o Novo Testamento o chama de profeta (Mt.
24:15).
Portanto, Daniel foi um estadista, inspirado por Deus para
escrever o livro que tem seu nome, pelo que também este livro
aparece no “cânon” do A ntigo Testamento na terceira divis ão, entre
os escritos de out ros homens inspirados que não ocuparam o ofício
profético.

Propósito:

No monte Sinai, no deserto, o Deus do céu e da terra


depositou Sua afeição de modo peculiar sobre Is rael, escolhendo
essa nação para ser S eu povo e declarando que Ele seria seu Deus.
Dessa maneira ent rou em relação de concerto com Israel,
manifestando tal relação por um poderoso ato de livramento. S eu
propósito para com essa nação era que ela fosse um “reino de
sacerdot es” e que Deus fosse seu governante.
Assim foi estabelecida a teocracia (governo de Deus). Is rael
deveria ser uma nação santa, uma luz para iluminar os gentios e dar
testemunho do conhecimento salvador do verdadeiro Deus a todos.
Israel, todavia, não foi fiel a esse alto propósito, pois, depois
que já se achava por algum tempo na Terra P rometida, exibiu
insatisfação com os princípios fundamentais da teoc racia ao solicitar
um rei humano, para que fosse semelhante às nações ao seu
derredor. Em primeiro lugar lhe foi dado um homem mau como rei, e
então um homem segundo o próprio coração de Deus. Daví,

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 49


PROFETAS DA BÍBLI A

entret anto, era homem de guerra, pelo que não foi senão durante o
reinado pacific o de Salomão que o templo, o símbolo externo do
reino de Deus, foi edificado. A pós a morte de Salomão rebelaram -se
as tribos do norte, renunciando às promessas da aliança. Dessa
ocasião em diante, tanto nos reinos do norte c omo do sul, a
iniqüidade passou a caracterizar o povo, pelo que Deus anunciou
Sua intenção de destruí-los. (cfr. Os. 1:6; Am. 2:13-16; Is. 6:11-12,
etc).
Os instrumentos que Deus soberano empregou para realizar
Seu propósito de fazer pont o final na teocracia foram os assírios e
babilônios. Sob o poder dessas nações o povo teoc rático foi levado
em cativeiro, e o exílio ou período de “indignação” foi iniciado (Is.
10:25; Dan. 8:19). O próprio exílio foi seguido por um período de
expectativa e preparação para a vinda do Messias. Foi revelado que
um período de setenta vezes sete tinha sido determinado por Deus
para a materialização da obra messiânica (Dan. 9:24-27).
O livro de Daniel, um produto do exílio, serve para mostrar que
o próprio exílio não seria permanente, pois, pelo cont rário, a própria
nação que havia conquistado Israel desapareceria da cena da
história para ser substituída por outra e, de fato, por três g randes
impérios humanos.
Enquanto esses impérios tivessem existência, entretanto, o
Deus do céu erigiria outro reino que, diferentemente dos reinos
humanos, seria ao mesmo tempo universal e eterno. O propósito de
Daniel, por conseguinte, é ensinar a verd ade que, embora o povo de
Deus esteja escravizado em uma naç ão pagã, o próprio Deus é seu

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 50


PROFETAS DA BÍBLI A

soberano e aquele que em última análise dispõe dos destinos, tanto


dos indivíduos como das nações.
Essa verdade é ensinada por meio de um rico uso de símbolos
e comparações, e o motivo dessa característica encontra-se no fato
que as revelações feit as a Daniel tiveram a forma de visão. O livro de
Daniel, pois, pode assim ser chamado de obra apoc alíptica, mas se
eleva muito acima dos apocalipses pós -canônicos. A única obra que
pode com justiça ser-lhe comparada é o livro neot estamentário do
Apocalipse. Essencialmente, Daniel exibe as qualidades de um livro
verdadeiramente profético e suas comparações são usadas tendo
em vista um propósito didático.

O autor:

O livro de Daniel é um produt o do exílio e foi escrito pelo


próprio Daniel. Pode-se notar que Daniel fala na primeira pessoa do
singular e assevera que as revelações foram feitas a ele (Dan. 7:2, 4
e segs.; 8:1 e segs.; 15 e segs.; 9:2 e segs. Etc.). Visto, entretanto,
que esse livro forma uma unidade, segue-s e que o autor da segunda
porção (capítulos 7 a 12) deve também ter composto a primeira
(capítulos 1 a 6). O segundo capítulo por exemplo, é preparatório
para os capítulos 7 e 8, que desenvolvem seu conteúdo de um modo
mais completo e claramente o pressupõem. As idéias do livro
refletem um pont o de vista básico e essa unidade literária tem sido
reconhecida por eruditos de diferentes escolas do pens ament o. O
livro de Daniel, reflete, pois, ambientes babilônicos e persas, e as
alegadas objeções históricas não são realment e válidas.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 51


PROFETAS DA BÍBLI A

Finalmente, uma aprovação indireta à autenticidade do livro


parece encontrar-se nas seguintes passagens do Novo Testamento:
Mt. 1:23; 16:27 e segs.; 19:28; 24:30; 25:31 e 26:64).

Conteúdo do livro:

O Senhor Jesus Cristo chamou Daniel de “profeta” e não há a


menor evidência para crer-se que o livro não tenha sido
autenticamente escrito por Daniel, durante o tempo do c ativeiro
babilônico.
Os primeiros seis capítulos contêm a história de Daniel e de
seus três companheiros, judeus fiéis a Jeová, no cativeiro.
O capít ulo 2 contém a revelaç ão do curso dos séculos: os
quatro impérios iriam se levantar da t erra; revelação feit a ao rei
Nabucodonosór na forma de homem colossal, composto de di versos
elementos.
A mesma verdade revelada a Daniel, mas desta vez segundo
o ponto de vista de Deus, teve a forma de quatro animais, cada um
deles representando um império. Desde o capít ulo 8 a 11: 35 o tema
é a aflição que viria sobre Is rael, por meio dos impérios e suas
guerras.
No capítulo 9 há a revelação das setenta semanas; 69
semanas até o Messias, e no tempo do fim, imediatamente antes do
estabelecimento do reino milenar, a última das setenta semanas.
De 11: 30 até o fim do livro, o livro fala do Anticristo e dos
últimos acontecimentos, antes do reino de Jesus Cristo.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 52


PROFETAS DA BÍBLI A

OS ÉI AS

Oséias, cujo livro se encontra no início do rolo dos doze


profet as, marca um novo estágio na profecia hebraica, pois ele é o
primeiro ou um dos primeiros profetas a por em forma escrita as suas
profecias. E a profecia escrita não poderia desejar para seu início um
livro mais nobre.
Parece que o profeta era nativo do reino do norte. De qualquer
modo, parece que ele era bem versado com sua geografia e os
detalhes de sua vida política, religiosa e social. A parte principal e
mais volumosa do livro é notável por seu interesse no reino de Israel;
as referencias à nação irmã do sul é escassa. Seu ministério como
profet a foi prolongado; e sobre isso, a lista de reis que apar ece no
início do livro é evidência suficiente. Por qual razão o profeta deu
início à sua lista dando primeiramente os nomes dos reis de Judá, é
algo difícil de dizer. Talvez ele assim tenha feito a fim de demonstrar
o seu respeit o à linha legitima e davídica de reis, que governavam
em Jerusalém (c fr. 8:4). Com toda a probabilidade seu ministério
principal se estendeu des de os últimos dias do reinado de Jeroboão
II (782-741 AC) e chegou até a queda de Samaria (722 A C).

Conteúdo do livro:

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 53


PROFETAS DA BÍBLI A

O livro de Os éias nos oferece os pungent es apelos de um


gigante espirit ual desesperadamente entregue à tarefa de salvar uma
nação pecaminosa. Com genuína preocupação, o pregador proc ura,
por muitas e muitas vezes, leva -la à convicção de pecado e ao
arrependimento, a fim de que o povo escolhido de Deus possa ser
compelido a voltar para sua pátria, a fim de encont rar amor, perdão e
cura refrigeradora. Fiel e graficamente, Oséias salienta os pontos
essenciais da verdadeira religião. Com pinceladas vigorosas, o
profet a trata da questão do pecado e de seus trágicos resultados nas
vidas humanas, um julgamento que é automático e desastroso, da
falta de conhecimento do S enhor e seu efeito destrutivo, do
interminável amor de Deus com seus tesouros inefáveis para os
homens e as mulheres, da verdadeira natureza do arrependimento,
da salvação certa que seria provida, e do completo perdão de Deus
para todos aqueles que se aproximam em arrependimento genuíno e
em fé clara.
O conteúdo do livro serve de espelho para as condições
políticas, sociais e religiosas que prevaleciam em Israel nos dias do
profet a. As últimas décadas da vida do reino do norte foram
marcadas por uma frenética e insensata alteração na orientação –
agora cort ejando o favor da Assíria, e, em seguida tentando subornar
o Egito. Em lugar de depositarem sua confiança em seu Deus, os
lideres da nação tentaram salvar o país por meio de esquemas
políticos que, pela própria natureza das coisas, estavam destinadas
a conduzir ao desastre.
Os lideres religiosos do povo mostraram s er igualmente
indignos. A forma de religião que prevalecia nos dias de Oséias era

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 54


PROFETAS DA BÍBLI A

um amálgama de adoração a Jeová c om a religião idólat ra de


Canaã. Nessa mistura, de Jeová era retido apenas o nome; o ritual
era tirado inteiramente das práticas corruptas da adoraç ão a Baal e,
essa adoração exercia um efeito corruptor sobre o povo, visto que
estava intimamente ligado a atos de grosseira imoralidade. A
situação se agravava ainda mais pelos sacerdot es, cuja única
preocupação era promover seus próprios interesses mat eriais, o que
não hesitavam em fazer encorajando o povo a permitir -se cair em
seus pecados, assim aumentando as rendas dos sacerdotes
mediante as ofertas pelo pecado.
Sob tais condições, não é de estranhar que os padrões morais
e religios os do povo estivessem tão baix os. Um quadro vívido,
embora patético sobre esse estado de coisas, é dado na parábola
transmitida pela tragédia da vida na família de Oséias. O profeta se
casara com uma jovem que, com a passagem do tempo, mostrou-se
infiel. Os nomes que o profeta deu aos filhos de sua esposa são
sinais da agonia crescentemente e aguda pela qual ele passava. A
despeito de toda a sua perversidade, entretanto, e embora seu
pecado a tivesse levado a ser concubina-escrava de outro homem, o
profet a a reclamou como sua legitima esposa, e sua atitude para
com ela, depois disso, é um belo equilíbrio de amorosa ternura e
severo julgamento. E este é o conteúdo de seu livro. Passagens de
ternura sem paralelo e de duro julgamento estão mescladas
mutuamente a fim de demonstrar os sentimentos de Deus para com
Seu povo em desobediência. O tema em redor do qual gira a
mensagem inteira da profecia é a queixa de Deus de que S eu povo é
falto de conhecimento; e por esse termo devemos entender não

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 55


PROFETAS DA BÍBLI A

simplesmente algum c onheciment o teórico, mas um contat o íntimo e


caloroso do coração do povo para com o amoroso coração de Deus.
O livro se divide em duas porções. Os capítulos de 1 a 3
contêm a história da tragédia da família do profeta. Os capítulos de 4
a 14 contêm a aplicação dessa história à vida do povo, para quem é
dirigida à vida uma série de profecias, às vezes exibindo seus
pecados, às vezes dirigindo -lhes amorosos apelos para que se
arrependam.
Oséias, cujo nome hebraico do livro significa "livrament o,
libertação, salvação". O autor do livro é o profet a Oséias (1:1). Ele
morava no reino do Norte e profetizou no tempo de Jeroboão (750 a
735 AC). Oséias, cujo nome significa 'o Senhor salva', levou a efeito
o seu ministério durante os dias de quatro reis diferentes em Judá -
Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias; e de Jeroboão II, rei de Israel. Foi
contemporâneo de Amos em Israel, e de Isaías e Miquéias em Judá,
e o seu ministério continuou depois do cativeiro assírio, do reino do
Nort e.
O profeta Oséias atuou durant e o reinado de Jeroboão II (786-
746). Com a morte de Jeroboão II se instalou, em torno da Samaria,
uma disputa int erna e brigas pelo poder. Ocorreu uma sucessão de
mortes e de golpes para assumir o reinado, gerando ambiente de
morte e de violência.
Oséias procura denunciar a idolatria, por isso fala tant o de
prostituição, pois o povo está prostituído adorando outros deuses e
esquecendo a aliança e toda a ex periência do deserto. Denuncia
também as alianças econômicas que Israel fez com povos
estrangeiros. Estas alianças escravizam o povo e exploram os

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 56


PROFETAS DA BÍBLI A

pobres e indefesos da sociedade.


A eira por ser o coração da sociedade judaica é t ambém o
ponto de partida na profecia de Oséias. Procura denunciar as causas
últimas da exploração e recuperar o sentido original da eira, exigindo
do povo conversão radical para que a mudança aconteça de maneira
integral. Oséias percebe que não basta pôr remendos, mas é
necessário fazer uma reforma integral.
Um sumário da obra, apesar da falta de uma disposição lógica
dos assuntos que torna difícil a tarefa de esquematizar o
pensamento do autor, pode ser esse:

Identificação do profeta (1:1).


O casamento de Oséias e seu significado profético (1:2 A).
O nascimento dos filhos e o significado profético dos seus
nomes (1:2b -11).
O significado profético do conflit o familiar (2).
O adultério do profeta e seu significado profético (3).
Ameaças a Israel (4e 5).
Convite ao arrependimento (6: 1-9).
Profecias sobre a destruição de Efraim, Israel e Judá (6:10-
11).
Condenação e convite ao arrependimento (12 a 14).

Seu tema é o "Amor Redentor" e suas principais verdades são:

Deus sofre quando seu povo lhe é infiel;


Deus não pode tolerar o pecado;
Ele nunca deixará de amar os Seus.
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 57
PROFETAS DA BÍBLI A

O livro pode ser dividido da seguinte maneira:

I - A trágica experiência do profeta (1-3).


II - Uma acusação cont ra Is rael (4-8).
III - Uma retribuição a Israel (9-10).
IV - O incessante amor de Deus para com Israel (11: 1-13:8).
V - A restauração final de Israel (13:9-14:9).

A profecia de Oséias apresenta claramente, através dos


oráculos, a profunda corrupção moral, social e religiosa de Israel. No
entant o, apres enta também acentos de profundo carinho e de
esperança. O caminho da conversão continua aberto a Israel, o
profet a exige do povo um verdadeiro conhecimento de Deus como
único caminho para uma conversão sincera. Oséias anuncia um
Deus misericordioso que acolhe seu povo e perdoa por suas
infidelidades.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 58


PROFETAS DA BÍBLI A

JO EL

O livro de Joel é uma das gemas literárias do A ntigo


Testamento. É edificado com cuidado e efeito dr amático e, aqui e
acolá, pelo livro inteiro, há belezas que brilham intensamente e até
deslumbram a imaginação. Há outros profetas que escreveram com
maior paixão e maior poder, que se elevam às mais sublimes
altitudes da revelação divina; mas dificilmente houve um escritor do
Antigo Testament o que t enha demonstrado empenhos mais
cuidadosos, detalhados e mais primorosos para dar polimento,
remat e e beleza à sua obra literária.
O estilo de Joel é preeminent e puro. Caracteriza -s pela
fluência e regularidade nos ritmos, nas sentenças completas e na
simetria dos paralelismos. Com o poder de Miquéias ele combina a
ternura de Jeremias, a vivacidade de Naum e a sublimidade de
Isaías.
O livro apresenta aos estudios os muitos problemas e talvez, o
primeiro e mais important e deles é det erminação de onde colocá -lo
entre os outros profetas do Antigo Testamento. Essa dificuldade
pode ser mais bem percebida quando se sabe que já foi colocado em
quase todos os períodos da dispens ação profética. Pelo simples fato
que menção nenhuma é feita sobre a Assíria ou a Babilônia, é
admitido que Joel tenha exercido seu ministério antes do
levantamento da primeira ou depois do declínio da última. Por
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 59
PROFETAS DA BÍBLI A

conseguinte, há uma conc ordância quase universal que o livro deva


ser posto entre os primeiros livros dos profetas ou entre os últimos. É
verdade que muitos eruditos modernos favorec em a data mais
recente, mas isso de forma alguma é universalmente reconhecido, e
que por diversos fatores parecem sugerir que a data mais antiga está
bem dentro dos limites da possibilidade.
Entre esses fatores temos primeiramente o quadro do reino.
Toda a menção ao rei é abafada quase ao máximo, o que
confirmaria o ponto de vista de que o período do livro foi o de Joás o
qual, embora rei, ainda era menor de idade, quando Joiada agia
como regent e (2 Reis 12:1 e segs.).
Paralelamente a isso, no livro de Joel o sacerdócio é
considerado com a maior honra e respeito. A adoração no templo era
diligentemente mantida e o aspecto mais negro do desastre causado
pela seca e pelos gafanhotos era o fato que as ofertas diárias não
podiam ser continuadas (1:9). A religião deve ter sido geralmente
praticada quando nenhuma out ra coisa parecia pior que isso. Esses
fatos, para dizer a verdade, se adapt ariam aos tempos da
menoridade de Joás.
Em segundo lugar, além disso, não há qualquer referência ao
reino do nort e, tão próximo geograficamente e tão inter-relacionado
com Judá em período posterior. Se preferirmos a data mais antiga
parece natural que, em vista de tudo quant o Judá ha via sofrido às
mãos de Atalia, a infame, filha de Acabe (2 Reis 11:1 e segs.),
haveria apenas raras referências a Israel, nos apelos do profeta ao
reino do sul.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 60


PROFETAS DA BÍBLI A

Uma terceira característica que dá apoio à data mais antiga do


livro é que as passagens conden atórias parecem ser uma relíquia
dos dias mais combativos de Israel e não dos dias de seu período
mais enfraquecido, quando declinava, condição que seria refletida no
livro se a profecia pertencesse à data mais recente como querem
alguns críticos.
Outro argumento em favor da data mais antiga é o que se
encontra nas referências cruzadas que podem ser observadas entre
as profecias de Joel e de Amós. Naturalmente que alguns têm
argumentado que Joel emprestou dados de Amós; mas, devido ao
caráter dessas várias referências é de arguir-se, se não conclusiva,
provavelmente, que se deu justamente o oposto, ou seja, que Amós
iniciou sua profecia onde Joel deixou a sua (cfr. Am. 4:6 com Joel
2:12; Am. 9:13 com Joel 3:18).
A tudo isso pode ser adicionado o fato que, no tempo de Amós
a idéia do “dia de Jeová” era comum e que, de conformidade com a
aparente íntima conexão entre Amós e Joel, é evidente que isso só
era familiar porque Joel assim o tinha feito, em seu ministério,
anterior ao de Amós.

Autor:

No tocant e ao próprio Joel, pouc a coisa se sabe além do fato


que ele era filho de Petuel (1:1) e que, com toda a probabilidade, ele
vivia em Jerusalém. As muitas referências à cidade revelam um
grande amor a ela e intimo conheciment o de sua história e adoração
(1:14, 2:1.15.32; 3:1. 2.6.16.17.20.21).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 61


PROFETAS DA BÍBLI A

Joel que significa “Senhor é Deus ”, era um nome favorito (1


Sm. 8:2; 1 Cr. 6:36; 7:3; 11:38; 15:7; 27:20). Pelas passagens de
1:13,14 e 2:17 pode-se deduzir que ele não era sacerdote. Ele viveu
e profetizou numa época quando o povo de Judá ainda não havia
caído naquela extrema depravaç ão que, em tempos posteriores,
atraiu contra eles tão pesados castigos. Isso parece situá -lo ou no
início do reino de Joás ou entre o reino de Joás e o de Uzias (2 Reis
11:17, 28; 12:2-16; 2 Cr. 24:4-14). Provavelmente ele também era
contemporâneo de Oséias e Amós e, assim eles se dirigiam a Israel,
e ele se dirigia a Judá.
Se esse foi o c aso, provavelmente foi logo após o reino
idolatra de Atalia, a infame filha de um iníquo casal, Acabe e Jezabel
(2 Reis 11), quando, sob a influência de Joiada (2 Cr. 23:16 -21;
24:14, 18), estava tendo lugar algo da natureza de um reavivamento
religioso.

Circunstância s em que o livro foi escrito:

Aconteceu de tal modo que, na providência de Deus, a terra


ficou literalmente desolada por uma praga de gafanhotos, havendo
tal escassez de aliment os que provocou a descontinuação das
ofertas de alimentos e das libações na casa de Deus (1:13). Mas,
embora tal praga possa ter, a princ ípio, despertado extrema
apreensão no profeta e impulsionado sua alma até às mais baixas
profundezas, depois de se examinar suas palavras, ficamos
convencidos que elas se referem a uma ansiedade vindoura ainda
maior, uma incursão de adversários que infligiria terríveis assolações

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 62


PROFETAS DA BÍBLI A

a terra, deixando-a desolada e nua atrás de si, segundo o que


haviam feito, aqueles gafanhotos.
Joel aparec eu em Jerusalém para declarar que aquela invasão
de gafanhotos era um quadro de uma visita de Deus, em ira e
julgamento. Ele apelava em prol de um ato de arrependimento
nacional, uma festa s olene (2:12), exortava os lideres religiosos a
mostrar bom exemplo (2: 15-17). Então profetizou o retorno do favor
de Deus e da prosperidade da terra (2:18 -20), bem c omo a remoção
de seus inimigos (2:21-27).
Depois disso, de um modo que não tem significação fora da
inspiração divina, ele passou a descrever o derramamento do
Espírito Santo que se seguiria (2: 28-32). No dia de Pentecostes, o
veredicto de Pedro foi: “Isto é o que foi dito pelo profeta Joel” (At.
2:16). Adiante, Joel é levado a profetizar sobre a destruição final de
todos os inimigos de Deus e de Seu povo (3:1-21).
Nestes termos é que Joel expressou a esperança humana e a
promessa divina de que Deus, soberano em Seu mundo, ainda fará
com que Sua vontade seja feita nesta terra. Assim como é feita no
céu. Os reinos deste mundo se tornarão „ de nosso S enhor e do seu
Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos‟ (A p. 11:15).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 63


PROFETAS DA BÍBLI A

AMÓS

Amós, um dos maiores dos chamados profetas menores, é


considerado como uma das mais maravilhosas aparições na história
do espírito humano, profetizou durante os dias de Uzias, rei de Judá
e de Jeroboão II, rei de Israel. É impossível determinar o ano exato
de sua profecia, mas provavelmente foi cerca de 760 AC. A
referência do terremoto (1:1), que evidentemente tinha sido
memorável, não nos ajuda muito a fixar uma data abs olutamente
certa.
Muitos especialistas de renome acreditam que, para se captar
bem a mensagem de Amós, você deve começar a leitura do seu livro
pelas cinco vi sões simbólicas, narradas em Am 7,1-3; 7,4-6; 7,7-9;
8,1-3 e 9,1-4.
Em 803 AC, Adade-Ninari III, da Assíria, infligiu uma
esmagadora derrota sobre a confederação Síria. Esse
enfraquecimento do vizinho nortista de Israel e subseqüente
preocupação da Assíria com outros locais deu a Jeoás e a seu filho,
Jeroboão II, uma supremacia na parte norte da palestina e na S íria,
provavelmente desconhecida por qualquer de seus predecessores.
Israel estava novamente livre para apropriar -se de novos territórios e
isso fez com o maior zelo, particularmente às expensas da S íria.
Todas as principais estradas estavam em suas mãos e Samaria, a
capital, se tornou pont o de encontro dos merc adores que viajavam
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 64
PROFETAS DA BÍBLI A

entre a Mesopotâmia e o Egito. Ali se juntavam as caravanas vi ndas


de varias partes do mundo oriental e Samaria se tornou o empório de
mercadorias de toda espécie. As crescentes atividades comerciais
trouxeram a Israel enormes lucros e uma poderosa classe
comerciante se desenvolveu, o que teve largas repercussões sobre o
resto dos habitantes.
Essa prosperidade comercial deu origem a um grande
programa de edificação de “casa de inverno” e “casa de verão”
(3:15), bem como “casa do marfim”. Samaria contava com muitos
palácios (3:10) que pertenciam não só ao próprio rei, mas aos ricos
princ ípes -comerciantes, que tinham se enriquecido com o comércio.
Essas grandes casas se tornaram, em pouco t empo, depósitos de
toda espécie de lucros (3:12; 6:4). A oportunidade de enriquecer
tornou os comerciant es ansiosos para aument ar seus lucros, tanto
por meios honestos como por artifícios desonestos. Mostravam -se
impacient es para com os sábados e as luas novas (8:5). Nesse
tráfico mundano eram impelidos por suas mulheres, que exigiam
luxos cada vez maiores (4:1).
O ditado de que o dinheiro corrompe foi verdadeiramente
exemplificado no reino do norte durante os dias de Jeroboão II. O
desejo de riquezas teve result ados desastrosos, tanto para o
comerciante como para o próprio aldeão. Os ricos princípes -
comerciantes se tornarão desmoralizados, corruptos e injustos; os
pobres eram oprimidos, roubados e maltratados. Amós que pertencia
à classe pobre dos aldeões e provavelmente sabia, por amarga
experiência própria, a que indignidades haviam sido sujeitados os
pobres e oprimidos. Os ricos ficavam cada vez mais ricos e os

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 65


PROFETAS DA BÍBLI A

pobres se tornavam cada vez mais pobres. Qualquer propriedade


possuída pelo pequeno proprietário tinha de s er vendida, devido à
força bruta de circ unstâncias advers as. Para Amós, pois, não havia
justiça na terra. Os que emprestavam dinheiro tomavam as próprias
roupas das pessoas para servirem de garantia pela dívida. Os juízes
eram influenciados pelo suborno e isso significava vitória para a
injustiça e derrota para a verdade (8:6). Nenhuma t estemunha
honesta podia ser encontra da nos tribunais. O homem honesto
perdia o direito da verdade, da propriedade e da vida. A piedade
tornou-se uma qualidade rara e os pobres eram mantidos com as
costas na parede (2:6). Os pequenos proprietários independentes e
os proprietários aldeões, lutavam numa bat alha perdida e as áreas
menores de terreno eram absorvidas nas propriedades mais vastas.
No que dizia respeito à religião, os santuários de Betel e de
Gilgal. Especialmente os de Betel, estavam apinhados de
adoradores. A adoração a Baal certamente havia sido suprimida por
Jeú, o sucessor de Acabe, mas o espírito se não a forma, havia
permanecido nos santuários autorizados, onde supostament e Jeová
era adorado. Ali o opressor do pobre, o ric o a regalar -se em seus
luxos, adorava com uma consciência embotada ou morta.
Externamente tudo era feito de conformidade com a regra, mas não
havia uma verdadeira adoração segundo a compreendemos hoje.
Israel tinha cessado de viver perant e Deus, tal como havia
acontecido no deserto, sob Moisés, e agora estava meramente
existindo para Deus. Os sant uários talvez estivessem apinhados de
adoradores, mas Deus não se achava presente. A religião estava
totalmente divorciada da conduta e passou -se algum tempo antes

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 66


PROFETAS DA BÍBLI A

que Israel pudesse entender que essas duas coisas devem seguir
paralelas.
O reino de Jeroboão, port anto, era uma terra de extremos
contrastantes: os ricos eram muito ricos e os pobres eram muito
pobres. Sob tais condições era inevitável que crescessem a
insatisfação e o desassossego, conforme ficou demonst rado pelos
acontecimentos subseqüentes, e o país estava maduro para a guerra
civil. Após a morte de Jeroboão houve três no espaço de um ano.
Revolução seguia-se à revolução e no período de alguns poucos
anos uma part e do reino de Israel havia desaparecido, enquanto que
o restant e se mantinha numa independência prec ária, dependendo
da boa vontade da Assíria. Tais condições s ociais não podiam
prolongar-se indefinidament e; de fato, tinha em si mesmas a
sentença de morte.
Amós foi um daqueles homens que perceb eram o fato. Ele
percebeu a negra nuvem de julgamento surgir no horizonte. Havia
forças sociais, morais e políticas em operação que realizariam a
vontade de Deus e executariam o juíz o que já tinha sido decret ado.
Israel, efetivament e “um cesto de frutos de verão” e seu fim não
podia mais ser adiado.

O profeta:

Amós era nativo de Tec oa, uma pequena cidade a cerca de


dez quilômetros de B elém. Não era cort esão como Isaías, nem
sacerdot e como Jeremias, mas pastor e cultivador de sicômoros. Por
meio das comparações que ele freqüent emente empregou, fica claro

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 67


PROFETAS DA BÍBLI A

que ele estava plena e pessoalmente familiarizado com as


dificuldades e perigos da vida de boleiro. A vida lhe era muito difícil e
havia pouc o luxo. P or outro lado, seu negócio o levava certamente a
cidades e mercados importantes onde, sem dúvida, se encont rava
com caravanas de muitas terras. Um homem de seu calibre sempre
mantém os ouvidos abertos para as noticias sobre homens e seus
feitos em outros lugares. E, isso explica o seu surpreendente
conhecimento sobre outras terras e outros povos. Conforme mostram
os capítulos iniciais de seu livro, ele sabia muita coisa sobre a
história, as origens e feitos das nações circunvizinhas. Devido a tais
experiências e moldado por sua observação pessoal e condições na
terra, desenvolveu-se ele como homem duro e severo, grande
combatente, legítimo campeão dos pobres.
Embora não pertencesse a linha de profetas, nem à escola de
profet as, foi chamado, à semelhança de Eliseu, das atividades
diárias e de seus deveres para a dignidade do ministério profético,
Não havia dúvidas em sua mente, nem deixava, qualquer dúvida na
mente de outros homens, de que havia sido chamado por Deus,
assim como Moisés tinha sido chamado, quando ocupado em tarefa
semelhante à sua. P ara Amós seu caso, não era que se tornou
profet a a fim de ganhar a vida; mas se tratava de abandonar suas
atividades para t ornar-se um profeta. Ele não fazia nenhuma
tentativa para esconder sua vida passada ou emprego e não se
envergonhava de tornar c onhecido seu nascimento humilde. O fogo
de Deus queimava em sua alma e, à semelhanç a do apóstolo P aulo,
séculos mais tarde, bem poderia ele ter dito “Ai de mim se eu não
falar”. Ele via a corrupção, o pecado e a vergonha do povo a quem

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 68


PROFETAS DA BÍBLI A

Deus havia tirado do Egito e não podia fazer silencio. A verdade para
a qual foi chamado a palmilhar não era de sua escolha. O Deus das
extremidades da t erra, com quem ele tinha comungado freqüente e
longamente na solidão do deserto de Tecoa, tinha uma mens agem a
Seu povo rebelde do norte e era por intermédio de Amós que essa
mensagem de justiça e julgamento devia ser anunciada.

O significado das "vi sõe s simbólicas":

Estas visões parecem ser sinais que o profeta percebe no


cotidiano da vida e simbolizam a situação da nação israelita. Elas
vão fazendo nascer em Amós uma c onscientização do que está
acontecendo e acabam determinando sua decisão de deixar sua
casa e seu trabalho e ir anunciar o castigo e a ruína do país. Falando
de outro jeito: as visões cumprem, em Amós, o mesmo papel dos
textos de vocação em Isaías, Jeremias ou Ezequiel. Amós via,
certamente, coisas absolut ament e comuns na região, como uma
praga de gafanhotos, uma seca, um cesto de frut as maduras e
coisas assim. Mas, como ele estava preoc upado com o destino do
país, "antenado" na situação do povo, estas coisas viravam
símbolos do que estava acontecendo ou por acontec er com Israel.

a
O que é contado na 1 visão:

Cont a, em 7,1-3, que Amós viu, um dia, uma praga de


gafanhotos destruindo as plantações dos agricultores. E isto
acontecia depois que o feno destinado ao pagamento do tributo ao

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 69


PROFETAS DA BÍBLI A

palácio do rei já tinha sido cort ado. Os gafanhotos, que têm alto
poder de destruição, estavam piorando a situação dos agricultores,
levando-os à fome. Pois estes já eram muito explorados pelo
governo que, todo ano, tomava boa parte do que produziam. Amós,
compadecido, apela a Iahweh, argumentando que os agric ultores
eram frágeis demais para sofrer t al ameaça de fome. E Iahweh,
segundo o profet a, revoga o castigo.

a
O que é contado na 2 visão, que está em Am 7,4-6:

Nesta visão o profeta Amós vê um incêndio terrível que, de tão


forte, consome até as fontes subterrâneas de água depois de ter
acabado com os campos. Novamente Amós apela a Iahweh para
que suspenda a praga, porque a ameaça agora é de grand e seca,
penalizando os fracos agricultores de s ua época. Esta vis ão se
parece muit o, no s eu jeito, com a dos gafanhot os. Elas formam um
par. Mostram a realidade da roç a na época de Amós, quando os
pequenos agricultores sofrem muitas ameaças, sejam naturais ,
sejam da exploração que vinha lá de cima, do governo. Amós diz que
Iahweh tem compaixão dos pequenos e retira os castigos que os
ameaçam. Mas e os mecanismos sociais que provocam fome e sede
no campo? Estes permanecem... Por isso a gente diz que estas duas
visões são indicadores do nível de consciência profética de Amós no
que se refere ao campo.

a
Será que a 3 visão trata do mesmo assunto:

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 70


PROFETAS DA BÍBLI A

Não. Esta aqui já é um pouco diferente. Em Am 7, 7-9 se diz


que o profeta vê Iahweh verificando o alinhamento de um muro com
um fio de prumo. O muro simboliza Israel que está torto e deverá ser
demolido para novo realinhamento, porque muro torto não tem
conserto. S ó derrubando. Desta vez Amós não intercede e a certeza
do castigo torna-se mais forte.

a a
A 4 vi são forma um par com a 3 visão:

a
Forma. Na 4 visão Amós vê, segundo 8,1-3, um cesto de
frutas maduras, e isto simbolizavam para ele o fim de Israel. É que,
em hebraico, língua que ele falava, "frutas maduras" é qayits,
enquanto que "fim" é qets, duas palavras com sons parecidos.
Também desta vez Amós não pede nada a Iahweh. E ela forma, sim,
a
um par c om a 3 , porque estas duas avançam em relação às duas
primeiras, chamando a atenção para a gravidade da situação e para
a proximidade do fim de Israel. E outro detalhe: a qui não é mais a
situação da roça. Estas duas visões tratam de realidades urbanas:
sofre com os castigos a cidade, os santuários, o palácio. Para este
grupo não há intercessão de Amós. É uma realidade corrupta que
não tem cons erto.

a
O que nos diz a 5 visão:

Cont a que, desta vez, é o próprio Iahweh quem atua e de


modo dramático. De pé sobre o altar dos holoc austos - portanto,
diante do edifício do santuário - ele bate nos capitéis, provoc ando um

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 71


PROFETAS DA BÍBLI A

terremoto que destrói o santuário e mata as pessoas que estão ali


dentro. Não há possibilidade de fuga, garant e o texto. Esta visão é o
ponto máximo deste ciclo. O próprio Iahweh volta-s e contra o local
no qual se lhe presta culto. É porque, na visão de Amós, o santuário
(de Betel) traiu seu papel de conduzir o povo a Iahweh e à vida.
Tornou-se um lugar de cult o sem sentido, amparando e oc ultando as
múltiplas opressões e injustiças que se cometem no país.

Mensagem do profeta:

A mensagem de Amós era de julgament o e punição quase


sem alívio. Embora nos últimos poucos versículos, relampejem
algumas notas de otimismo, revelando a largueza da misericórdia de
Deus, at ravés do trono davídico restaurado; a mensagem int eira,
todavia, desse intrépido mensageiro de Deus, precisa ser incrustada
no contexto de des astre eminent e. Certamente que ele não agradava
aos ouvidos populares, mas mantinha os olhos na mensagem divina
que lhe cumpria proclamar. Pecado nacional conduz a julgamento
nacional, e quant o maior o privilégio e a oportunidade de uma nação,
maior também o seu julgament o.
Tanto quanto dizia res peito a Israel de Jeroboão,
externament e tudo parecia estar em ordem, mas a c ondenação
estava preste a cair sobre todos. Assim como um leão se prepara
para saltar sobre a presa, igualmente Jeová estava pronto para
visitar Seu povo com julgamento. A terra inteira sentiria o impacto
desse julgamento. Por muitas e muitas vezes Israel havia sido
advertida, mas sem o menor proveito, e quando o povo continua a

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 72


PROFETAS DA BÍBLI A

des viar os ouvidos da vont ade de Deus, então tem de arcar com as
conseqüências.
A mensagem de Amós se fundament ou na firme convicção
que Jeová é Deus de justiça. Essa justiça está em conflito com a
injustiça do homem e havia-lhe declarada guerra. O resultado desse
conflito s eria o juízo mais severo possível contra o homem. O ensino
de Amós é de caráter ético, mas, tal como em outros profet as do
oitavo século antes de Cristo, ele não baseava seu ensino sobre o
que havia de bom e reto no homem, mas sobre o que havia sobre a
natureza de Deus. Para Amós, portanto, o “pecado” é mais qu e a
mera transgressão, mais que o mero lapso moral em vista de algum
código estabelecido; é rebelião contra Deus. Israel estava em
relação de alianç a com Jeová e, essa relação, impunha -lhe deveres,
e seu pecado c onsistia em haver repudiado os deveres inere ntes a
essa relação divino-humana. Israel se havia rebelado contra Jeová.
Mas Amós também tinha algo a dizer sobre as nações
circunvizinhas. Condenava-se Is rael por pecar contra uma lei que
Deus lhe tinha tornado conhecida, por outro lado aplicava um padr ão
bem diferente para as nações que não estavam em relação de
aliança com Deus. O que Amós via nas nações circunvizinhas era o
espetáculo, capaz de partir o coraç ão, de uma crueldade que
ignorava todos os direitos humanos, que negava t oda compaixão e
que tornava as relações entre as nações semelhantes às lutas entre
as feras. Para qualquer lado para onde o profeta olhasse, havia
sempre algo ausente – a piedade natural do homem para com seu
semelhante. O senso de amizade do homem para com o homem

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 73


PROFETAS DA BÍBLI A

havia desaparecido e tal mundo não podia continuar, pois a própria


base de sua continuação já não existia.
Embora Amós não tivesse nenhum treinamento acadêmico,
não foi ultrapassado por nenhum de seus sucessores no que diz
respeito à vivacidade, vigor e simplicidade de linguagem. Seu estilo é
simples, mas cheio de energia e elegância. Os termos que empregou
eram t odos familiares, pois suas observações são todas derivadas
da vida diária e nenhum outro profeta fornec eu tais metáforas
tiradas da natureza com uma variedade tão fresca, vívida e variada.
Ele se refere aos trilhos de ferro de debulhador (1:3), à t empestade
(1:14); aos cedros e carvalhos com suas profundas raízes (2:9); ao
leão faminto a rugir na floresta (3:4); à ave apanhada no laço (3:5);
ao pastor que sai em socorro da ovelha (3:12); aos anzóis e redes do
pescador (4: 2); às chuvas parciais (4: 7); ao bolor e à ferrugem, às
colinas e ventos ao nascer do s ol, às estrelas, aos criadores
lamentos os, aos terremotos, aos eclipses, ao grão peneirado numa
peneira; ao refugo do trigo, às tendas consert adas, etc.
Tal foi esse grande profeta “menor”. Vivendo perto de Deus ele
conhecia a vontade do Senhor e tinha Sua mensagem. Embora não
gozasse de popularidade, como de fat o aconteceu a quase todo
profet a de Is rael, ele proclamava com zelo imorredouro a mensagem
que Jeová lhe tinha confiado, pois, juntamente com Martinho Lut ero,
Amós poderia ter dito: “Não posso fazer outra coisa; portanto, ajuda-
me, ó Deus”.

Conteúdo do livro:

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 74


PROFETAS DA BÍBLI A

Amós é um c ultivador de sicômoros (7,14) natural de Técua,


ao sul de Belém. Como aparec e claramente em (7,14), ele não
pertencia a uma corporação de profetas a serviço do culto. Mas sim,
foi chamado por Deus que o enviou ao reino do Norte para denunciar
os abusos aí existentes. Passou a atuar c omo profeta nos últimos
anos do reinado de Jeroboão II entre os anos 760 - 750 A C. Sua
missão não durou muito, pois foi acusado de subversivo, junto ao rei,
pelo sacerdot e Amasias. Foi expulso do reino do Norte e voltou a sua
pátria (7,10-17).
Denunciou o modelo social de sua época, as injustiças, a
prostituição, a ganância, a corrupção, o culto idolátrico e todo tipo de
relação desigual entre os camponeses e a elite urbana. P ropõe a
conversão a Javé e ameaç a as cidades vizinhas com castigos
severos.
Amós, cujo nome está relacionado com um verbo que significa
"levar um fardo", preocupou-s e com o pecado do reino do norte no
oitavo século antes de Cristo. O nome do livro carrega o significado
de "pesado", incômodo, sustentado. O seu autor é o profeta Amós
(1:1) homem do campo ligado ao pastoreio e ao cultivo de sicômoros
(7:14) na região de Tecoa, distante a 19 Km de Jerusalém.
Este profeta foi ultrajado pela violência dos israelitas contra a
justiça e a integridade de Deus e aponta para o fato de que a just iça
social é inseparável da verdadeira piedade. A data de sua profecia
mais aceita é 760 a.C. durante os reinados de Uzias e o de
Jeroboão. Tenho encontrado também quem pense na dat a de 787.
Seu objetivo foi o de registrar as profecias sobre a destruição do
reino do Norte, pela invasão Assíria, e mostrar as advertências e

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 75


PROFETAS DA BÍBLI A

promessas de Deus.
O tema das mensagens do livro é justiças sociais, sendo 5:24
o versículo chave (16).

Um sumário do livro pode ser assim compreendido:

Identificação do autor (1:1).


Profecias contra as nações (1: 2-2: 26).
Três discursos contra Israel (3 -6).
Cinco revelações para Israel (7:1-9:10).
Promessas de restauração (9:11-15).

O livro cujo tema também pode ser considerado como "O


Julgamento do Pecado" pode ser dividido da s eguinte maneira:

I - O pronunciamento do juízo (1-2).


II - O juíz o divino é inevitável por causa do pecado (3 -4).
III - Deus roga a Israel que volte para Ele (5:1-15).
IV - Alguns fenômenos relacionados com o juízo futuro,
V - A restauração final de Israel (9: 11-15).

A estrutura literária do livro de Amós parece bastante clara.


Os dois primeiros capítulos contêm uma série de oráculos contra os
povos vizinhos e enc erra com um oráculo contra Is rael. A segunda
parte compõe-se de diversas coleções de oráculos isolados contra
Israel. A terceira parte reúne cinco visões do profeta. Ent re a terceira
e a quarta parte foi introduzida um relato em terceira pessoa sobre o

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 76


PROFETAS DA BÍBLI A

episódio de Betel, que narra o encontro de Amós com o sacerdote


Amasias e a expulsão do profeta. Em 8, 4-9,10 encont ra-se uma
outra coleção de oráculos isolados. O livro termina c om um oráculo
salvífico. No processo de formulaç ão do livro foram acrescentados
palavras e oráculos de épocas posteriores, bem como as doxologias.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 77


PROFETAS DA BÍBLI A

OB ADIAS

Autor do livro:

O título desta breve profecia – o livro mais curto do Antigo


Testamento – é “Visão de Obadias”. Quem tenha sido Obadias, não
possuímos meios para saber. Seu nome significa “Servo de Jeová” e
diversos personagens têm esse nome no Antigo Testamento, mas
nada existe para ligar este profeta com quaisquer de outros Obadias.
Quanto ao emprego do termo “visão”, para descrever o
conteúdo da profecia, e que lança luz sobre o modo pelo qual o
profet a recebeu sua mensagem, compare-se com os versículos
“iniciais” de Isaías, Ezequiel, Amós, Miquéias, Naum o Habacuque;
ver Num. 12:6.
Essa profecia fala sobre o “E dom”. Edom é denunciada por
seu orgulho, especialmente por sua falta de bondade fraternal para
com Judá, e seu julgamento, no dia de Jeová, é predito juntamente
com o de todas as outras nações.
Quanto à data da profecia, podemos situá-la dentro de algum
tempo depois da destruição de Jerusalém por Nabuc odonosór, rei da
Babilônia, em 586 A C. Esse acontecimento imediatamente posteri or
é mencionado no versículo 20.
Há notáveis semelhanças, tanto de idéias como de
fraseologia, entre a primeira porção de Obadias (vers. 1-8 e Jer.
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 78
PROFETAS DA BÍBLI A

49:7-22), uma passagem que pertence aos anos ant es da queda de


Jerusalém. Apesar do fato que Jr. 49 quase indubitavelmente é
anterior a Obadias, e apesar de que a passagem de Obadias
demonstra sinais de ter sido derivada daquela outra fonte, não
obstante, em certos respeitos, a passagem em Obadias parece ser a
mais original das duas. Por esse motivo, muitos críticos sustentam a
hipótese que tanto Jeremias como Obadias, lançaram mão de uma
profecia anterior. E isto não é inteiramente improvável, visto que o
caráter e a condenação de E dom era um tema constantemente
repetido pelos profetas hebreus.

Edom e Judá:

O ancestral epônimo dos edomitas foi Esaú (Gn. 26:1, 8 e 9).


Suas relações com seu irmão gêmeo Jacó, pai de Judá, são
descritas em Gn. 25-36. Desde quando as crianças lutavam no
ventre de sua mãe e, foi-lhe dito pelo S enhor que “Duas nações há
no ventre... e o maior servirá ao menor” (Gn. 26:22 e segs.).
Subseqüentemente, Esaú é pint ado como alguém que “por um
manjar vendeu o seu direito de primogenitura” (Hb. 12: 16),
mostrando-s e insens ível para os valores espirituais. Nasceu dentro
da alianç a, mas falhou em apreciar o privilégio que lhe pertencia por
direito de nascimento, deixando igualmente de receber as bênçãos
acompanhantes. A estima em que Deus tinha Jac ó e Esaú,
respectivamente, é s ucintamente ex pressa na declaração: “Amei a
Jacó, e aborreci a Esaú” (Ml. 1:2 e segs.; cfr. Rm. 9:13).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 79


PROFETAS DA BÍBLI A

Os Herodes do Novo Testamento eram edomitas, e eram fiéis


ao seu caráter. Note-se como se mostravam insens íveis para a
verdade espiritual, especialmente quando ela se mostrou
corporific ada em Jes us Cristo, a perfeita repr esentaç ão de Jacó e
Judá (ver especialmente Mt. 2; Lc. 13:31 e segs.; 23: 8 e segs.; At.
12:21 e segs.). Gênesis 36:8 nos relata que “Esaú habitou na
montanha de Seir”. O monte Seir é freqüentemente usado como
sinônimo para a nação inteira de Edom, a qual s e tornou à terra dos
descendentes do Esaú. Edom é a área diretamente ao sul do mar
Morto, especialmente a região montanhosa ao leste de Arabá (isto é,
a depressão que leva o mar Mort o ao golfo de Acaba). A porção sul
de Edom: é a região de Temã, no antigo Testamento, como sinônimo
para toda Edom são: Boara e Sela (P etra); esta última significa
rocha, tanto no hebraico como no grego.
De Eziom -geber, no golfo de Acaba, saía o “caminho do rei”,
que atravessava Edom até o nort e. Era ao longo desse caminho que
Moisés queria levar os filhos de Israel. O relato sobre a rec usa de
Edom, não dando a necessária permissão para tal, se encontra em
Nm. 20:14-21 (cfr. Dt. 2:1-18). O antagonismo continuou mesmo
depois dos is raelitas t erem se estabelecido em Canaã (veja, por
exemplo, 2 Sm. 8:14; 2 Rs. 14:7; Cr. 28: 17), e encontramos os
profet as a denunciar Edom constantemente.
Quando as principais profecias contra Edom, ver Is. 34:5; Jr.
49:7-22; Lm. 4:21 e segs. Um vívido quadro de julgamento é dado
em Is. 63:1-6, e algum tempo mais tarde encontramos uma olhada
para a passada destruição de Edom em Ml. 1:2 -5. Houve
recrudescência do poder e da influência de Edom após o

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 80


PROFETAS DA BÍBLI A

encerramento do período do Antigo Testamento, mas hoje em dia, as


notáveis ruínas de Petra são tudo quanto resta da grandeza de
Edom.
Quanto à participação de Edom no saque de Jerusalém, em
586 AC, ver especialmente Ex. 35:5, 12, 15 e Sl. 137:7. Essa
participaç ão do Edom não é mencionada nos livros históricos,
embora facilmente possa ser encaixada ali, como p or exemplo, nos
assaltos saqueadores descritos em 2 Rs. 24:2.
Esaú e Edom ocupam um lugar de profunda significação na
revelação divina da verdade. Essa significação é focalizada
agudamente nesta breve profecia de Obadias. “O pano de fundo do
quadro que nos é exposto é Jacó, o primeiro plano é Esaú. Jacó e os
que dele descenderam são vistos a passar pelos sofrimentos, da
natureza de castigo, mas daí seguem para a restauração final. Esaú
é contemplado como um orgulhoso, um rebelde, um desafiador,
encaminhando-se para a destruição final. Podemo-nos regozijar que,
no dia do S enhor, o reino será do Senhor”, mas não devemos deixar
de ac atar o exemplo de Esaú, pois, afinal de contas, “Não foi Esaú
irmão de Jacó?” (Ml. 1:2).
Em o Novo Testamento, o escritor do livro de Hebreus nos
exorta a “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus,
e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por
ela muit os se contaminem... profano, como Esaú... Porque bem
sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a benção, foi rejeitado,
porque não achou o lugar do arrependimento ...” (Hb. 12: 15 e segs).

Conteúdo do livro:

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 81


PROFETAS DA BÍBLI A

Obadias, cujo nome hebraic o do livro significa "servo de Javé"


e seu aut or é o profeta Obadias, identificado no livro (v.1). A data do
livro está em conex ão com a calamidade descrita nos versos 10-14
(se for à destruição de Jerusalém) é posterior a 583 A C. O livro foi
escrito para registrar uma profecia contra os edomitas, povo que não
ajudou os judeus na luta contra Nabucodonosór, e ainda festejaram
sua derrota. O juízo de Javé destruirá Edom por c ausa disso. E este
é o tema do livro.

O sumário deste pequeno livro é:

Identificação do autor (v.1).


O destinatário e seu orgulho (1-5).
O fim de Edom previsto (6-10).
O motivo da condenação (11-14).
O Dia do Senhor será contra Edom (15 -16).
A vitória final de Israel (17-21).

A mensagem do livro é o julgamento sobre Edom. "Nota-se


também um progresso no desenvolvimento da mensagem, do
julgamento de Edom até ao julgamento univers al, e da restauração
de Israel até a vinda do Reino de Deus" (27).

O livro pode ser esboçado da seguinte maneira:

I - A condenação da crueldade de Edom (1 -14).


II - O Dia do Senhor (15-21).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 82


PROFETAS DA BÍBLI A

JON AS

O livro de Jonas gira inteiramente em torno das relaçõ es


pessoais entre Jeová e S eu servo, Jonas, filho de Amital. Essas
relações se originam numa comissão profética, da qual Jonas
procurou evadir-se. Jonas descobriu que os pensamentos de Deus
não eram os seus pensamentos e que seus caminhos não eram os
caminhos de Deus. Mas Deus não deixou Jonas sozinho. Na
primeira metade da história, Deus permite que Jonas chegue ao
extremo de quase perder a própria vida, somente para em seguida
restaurá-lo à posição onde ele se encontrava antes dele tentar, por
meios físicos, evitar o mundo de Jeová.
Na segunda metade da história o Senhor permite que Jonas
chegue ao extremo da depressão mental e es piritual, somente para
revelar a ele a correç ão essencial de Seus misericordiosos
processos.

A mensagem do livro:

A mensagem deste livro é a de uma peça de narrativa


biográfica, semelhante (quanto ao estilo, linguagem, atmos fera e
elementos miraculosos) a diversos incidentes de 1 e 2 Reis,
concernentes a Elias e Eliseu, os quais, realmente, foram
predecessores imediatos de Jonas como profetas no reino do norte,
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 83
PROFETAS DA BÍBLI A

Israel; e eles, à semelhança de Jonas, realizaram parte de seu


trabalho em relação a povos pagãos – Elias a Sidônia, e Eliseu à
Síria, enquanto que Jonas em relação a Nínive.
A história de Jonas, entret anto, não é simpl esment e um
incidente isolado na história profética de Israel que facilmente
poderia ser encaixada nos livros de Reis, onde o ministério de Jonas
é mencionado (2 Rs. 14:25). Mas sua mensagem é distinta e cada
porção da história é relatada de forma a exibir essa mensagem. Por
essa razão, o livro, encontra posição apropriada entre os profetas;
diz respeito a uma revelação particular da verdade de Deus e essa
revelação esta intimamente relacionada com a experiência profética.
A revelação particular com a qual o livro de Jonas se ocupa
pode ser expressa nas palavras que forma a conclusão da história de
Pedro e dos gentios em Atos 11:18: “Na verdade at é aos gentios deu
Deus o arrependiment o para a vida”. Essa revelação, no livro de
Jonas, foi transmitida de tal modo que salienta, por um lado, a
soberana misericórdia e justiça de Deus, ao conceder a Nínive o
“arrependimento para a vida”, enquanto que, por outro lado, fica
destacado o pecaminoso particularismo do servo de Deus, Jonas, ao
resistir contra essa manifestação da vontade divina.

A base hi stórica do livro:

Visto que o livro de Jonas transmite uma mensagem distinta,


muitas pessoas em anos recent es, têm imaginado que a narrativa
não é histórica, mas antes, imaginada, e que, à semelhança da
história do bom samaritano, por exemplo, deveria ser classificada

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 84


PROFETAS DA BÍBLI A

como uma parábola. Porém, apesar de que este último ponto de


vista não ser inteiramente impossível, sem dúvida não é nec essário
imaginar que em vista de um livro ter um propósito didático (ou,
conforme preferiríamos dizer, revelatório), não pode ao mesmo
tempo, ser uma narrativa histórica.
Atos 10:11-18, que, conforme já tivemos oc asião de sugerir,
sob certos aspectos é o paralelo neotestamentário de Jonas, pois
têm um motivo didático semelhante. Porém, ninguém apresenta a
sugestão que Lucas pensava estar escrevendo uma parábola ou
uma ficção homilética.
Por semelhant e modo, naturalmente, a presença de elemento
miraculoso em um relato não é evidência que não foi registrado
como narrativa histórica e que s eu autor não tenha tencionado que
fosse aceito como tal.
Outro grupo reduzido de pessoas tem apresent ado a
suposição de que Jonas é uma alegoria do exílio e da missão de
Israel. Jer. 51:34 é exibido como possível base para essa história.
Esse ponto de vista, em parte, é uma tentativa de explicar as
ocorrências na história que, de outro modo, teriam de ser
consideradas miraculosas, e envolve a teoria, de que o livro é
produto do período pós-ex ílico. Uma vez mais, todavia, apesar de
que podemos ter, legitimamente um paralelo iluminador entre a
experiência de Jonas e a que deveria sobrevir à nação is raelita, de
modo algum se segue que a história seja de dat a mais recent e e
não-histórica. Os livros da Bíblia não são produç ões fortuitas. O fato
de Jonas haver sido engolido pelo grande peixe pode muit o bem

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 85


PROFETAS DA BÍBLI A

prefigurar o exílio, como certamente prefigura o sepultamento de


Cristo.
Qualquer avaliação do caráter histórico do livro de Jonas
precisa levar em consideração os seguintes fatos:

Primeiro, o próprio Jonas, sem dúvida alguma foi um


personagem históric o, um profeta de Jeová em Israel 2 Rs. (14:25).

Segundo, o livro foi lavrado na forma de narrativa histórica


direta, não havendo indicação positiva que o livro deva ser
interpretado de outra forma que não a literal.

Terceiro, se esse livro é uma parábola ou alegoria, então é


único e sem analogia entre os livros do Antigo Testamento.

Quarto, nem os judeus nem os cristãos, até recent ement e,


jamais consideraram que o livro de Jonas registra outra coisa além
de fatos reais, quaisquer que sejam as interpretações que tenham
emprestado à sua mens agem.

E, finalmente, Nosso Senhor Jesus Cristo claramente


acreditava e s abia que o arrependimento dos homens de Nínive foi
uma ocorrência real e é muito natural considerar sua alusão aos “três
dias e três noites no ventre da baleia”, da experiência de Jonas (Mt.
12:40, 41), do mesmo modo.
Em adição, pode-se argumentar que a força tot al de
autovindicaç ão de Jeová perante Jonas exige uma missão real a

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 86


PROFETAS DA BÍBLI A

uma cidade pagã, um arrependimento verdadeiro de s ua parte, e por


terem seus habitant es sidos realmente “poupados” pelo Senhor.
Não é fácil acreditar que o desafio que diz: “E não hei de eu ter
compaixão da grande cidade de Nínive...?” tenha sido apresentado
ao povo de Israel, por intermédio do escritor inspirado, mediante uma
consideração puramente hipotética.

Autor:

Não se pode chegar a certeza alguma no que diz respeito à


data em que o livro foi escrito. Jonas exerceu seu ministério no
reinado de Jeroboão II (793-753 A C), e parece muito natural supor
que a história tenha sido originalmente posta em forma escrita em
algum tempo antes da queda do reino do norte, em 721 A C, embora
facilmente possa ter havido circunstâncias que ocorreram entre 721
AC e 612 A C, quando Israel era governada por Nínive, que tenha
possibilitado uma publicação mais lata do livro naquele período.
Nada é dito no livro de Jonas ac erca do seu autor. Embora o
próprio Jonas, obviament e, deve ter sido a principal fonte final de
informaç ão para a história e não há motivo pelo qual ele não deva ter
sido o autor. Sem dúvida a história logo se tornou conhecida em
Israel e podemos pres umir que os marinheiros tiveram sua
contribuiç ão para propagar o relato.
O capítulo primeiro tem cert o número de sinais de que o relato
se derivou de outra fonte que não o próprio Jonas (como Atos 27). O
versículo 5, por ex emplo, descreve o que teve lugar enquanto Jonas
estava dormindo no porão do navio e o vers ículo 16 relata o que

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 87


PROFETAS DA BÍBLI A

fizeram os marinheiros depois que Jonas foi lançad o ao mar.


Presumivelmente a embarcação regressou ao porto quando a
tempestade amainou, visto que aparentemente ainda não se haviam
afastado muit o da terra (1:13) e, de qualquer modo, a carga havia
sido atirada borda a fora (1: 5). Se Jonas, igualmente, reto rnou a
Jope, talvez foi à base da informação prestada pelos marinheiros,
que ele foi c apaz de calcular por quanto t empo estivera debaixo da
água.

Jona s e Jesus:

Algumas importantes passagens bíblicas deveriam ser


estudadas paralelamente com o livro de Jonas.
No A ntigo Testamento, por exemplo, (Jr. 1: 4-10) (quanto à
comissão profética), Jr. 18:7-10 (quanto ao efeito do arrependimento
sobre a proclamação de Deus), Sl. 139 – 16:8-11 (quanto à
experiência do profeta).
No Novo Testamento, At. 10:11-18 e Rm. 9-11, ilustram a
mensagem missionária de Jonas, e vice -versa. Porém, em particular,
as passagens nos evangelhos que se referem a Jonas, deveriam ser
comparadas e estudadas (Mt. 12:38-41 e Lc. 11:29-32). Aqui,
podemos not ar que Jonas é o único profeta do Antigo Testamento
com o qual Jes us se comparou diret ament e, obviamente Jesus
considerava a experiência e a missão de Jonas como de grande
significação.
É extremamente interessante, portant o, relembrar que tanto
Jesus como Jonas foram “profet as da Galiléia”. A cidade de Jonas

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 88


PROFETAS DA BÍBLI A

ficava a apenas alguns quilômetros ao nort e de Naz aré, a cidade de


Jesus. Era menos que uma viagem de uma hora a pé. Jesus deve ter
ido lá freqüentemente. Talvez até em Seus dias o túmulo de Jonas
fosse conhecido ali como mais tarde, na época de Jerônimo. Foi ali
que, nos dias de Sua obscuridade, Jesus começara a meditar sobre
a significação de Jonas e de Sua própria missão.
Os fariseus aparentemente se esqueceram de Jonas quando
atacaram Nicodemos dizendo-lhe que “da Galiléia nenhum profeta
surgiu” (João 7:52). Tivessem eles pesquisados as Escrituras com
um pouco mais de c uidado, não t eriam errado tanto, ao deixar
também de perceber que “esta aqui quem é mais do que Jonas” (Mt.
12:41).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 89


PROFETAS DA BÍBLI A

M I QU ÉI AS

O versículo inicial fixa o período durante o qual Miquéias


profetizou – entre os anos 751 e 687 AC. O mesmo vers ículo deixa
subentendido que, Samaria continuava de pé, mas que sua
destruição eminente estava sendo declarada, em 1:5 -6; portanto,
pelo menos esta seção é anterior a 721 AC, o ano da queda de
Samaria e do colapso do reino do nort e.
O versículo 9 parece antecipar a investida de Senaqueribe
contra Jerusalém, em 701 AC. Os sacrifícios humanos foram uma
característica dos dias negros do rei Menassés (696-642 ac), mas
não é necessário supor que Miq. 6: 7 se refira a esse período, visto
que tais ritos também foram praticados pelo rei Acax (736-716 A C);
ver 2 Rs. 16:3.
Portanto, parece que Miquéias embora tenha sido
contemporâneo mais jovem de Isaías; alguns chegam a mesmo
considerá-lo como discípulo de Isaías. É interessante observar que
um oráculo semelhante aparec e em ambas às profecias (Miq. 4:1 e
segs. E Is. 2:2 e segs.).
O cumprimento da profecia de Miquéias em 3:12, foi
relembrado mais de cem anos mais tarde. V er Jr. 26:18, onde é dito
que “Miquéias... profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá”. Não
resta dúvida que seu principal trabalho foi levado a efeito durante
esse reinado (729-687 A C) e, assim, ele teria sido parcialmente
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 90
PROFETAS DA BÍBLI A

responsável, debaixo de Deus, pelo reavivament o espiritual daquela


época (ver 2 Cr. 30).

Problema crítico:

Neste livro está c ontida certa variedade de material e os


diversos oráculos não necessitam terem sido proferidos todos ao
mesmo tempo. Excetuando o versículo inicial, não exis tem outras
indicações claras quanto à data, tais como encontramos, por
exemplo, em A g. 1:1; 2:1,10, 20. Mas fica subent endido um
ministério que deve ter-se prolongado por um número considerável
de anos.
Muitos eruditos, por conseguinte, mantém que quaisquer
diferenças quanto ao estilo ou ao assunto abordado, podem ser
imediatamente explic adas pelas necessidades diferentes e pelo
próprio desenvolvimento mental e espiritual de Miquéias, e que,
portanto, é desnecessário imaginar, mais que um só aut or.
Não há necessidade de se esperar uma conexão óbvia entre
os vários blocos de material, pois dentro de um só capítulo podem
ser encontradas diversas declarações que tratam de assuntos
diferentes. Possivelmente 7:7-20, poderia ser um apêndice posterior
ao tempo de Miquéias, mas isso de modo algum é certo.

O profeta Miquéias:

Em 1:1 o profeta é descrito como “morastita”, isto é, habitante


de Moresete-Gate (1:14), que, segundo Jerônimo, até seus dias era

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 91


PROFETAS DA BÍBLI A

“uma pequena aldeia próxima de Eleuterópolis”. Ela tem sido


identificada como Beit-Jibrin, e fica em um dos vales que sobem da
planície costeira para as terras altas da Judéia em redor de
Jerusalém. Moresete, portanto, ficaria a cerca de quarenta
quilômetros ao sudoeste de Jerusalém, na Sefelá, a meio caminho
entre a cidade de Gat e, na Filístia (1: 10) a oeste, e Adulão (1:15), a
leste. Sua relação para com Maresa (1:15) não é claramente
conhecida; alguns, julgam-nas, idênticas. Em algum tempo ou outro
parecem que estiveram sob a suserania de Gate, ou podem ter tido
alguma conexão com aquela cidade.
Dessa maneira Miquéias não vivia em algum lugar atrasado,
porém, no mais importante dos vales, que oferecia aproximação à
capital para quem vinha da planície marítima. Desse ponto vantajoso
ele contemplava a grande estrada costeira, ao longo da qual, por
centenas de anos, haviam passado os exércitos dos conquistadores,
as caravanas comerciais e grupos de peregrinos.
Habit ando perto da ponte natural entre a Ásia e a África, com o
Mediterrâneo como pano de fundo rebrilhante, 32 quilômetros além,
ele se achava em posição de onde podia cont emplar o t riste drama
de 721-719 AC, quando, após a queda de Samaria, Sargon passou a
empenhar-se para dominara as forcas egípcias na estrada costeira
em Ráfia, em 719 A C. Poucos anos mais tarde, Judá aliou-se a
Edom, Moaba e os filisteus na tentativa de, com a ajuda egípcia (que
nunca veio), quebrar o poder da Assíria na região; porém, os aliados
foram durament e enfrentados pelo Tart ã, o oficial de Sargom, e
Asdode e Gate foram saqueados (Is. 20:1). Mais tarde ainda,
Senaqueribe, que em uma de suas inscrições se vangloria de haver

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 92


PROFETAS DA BÍBLI A

capturado quarenta e s eis aldeias judaicas, talvez possa ter


conquistado também Moresete-Gat e como uma delas.
Além disso, não havia comércio entre o E gito e Jerus além que
Miquéias não observasse. Ele via Judá pondo sua confiança no
império decadente do Nilo; via as equipes de cavalos e carruagens
egípcias nas quais Judá, uma região montanhosa e imprópria para
cavalaria repousava falsament e sua confiança; via as influências
corruptoras de uma aliança estrangeira; via o orgulho crescente e a
falta de escrúpulos dos homens da capital.
Na qualidade de homem interiorano, o profeta via na capital de
seu país a fonte e o centro da iniqüidade. “Qual é a transgressão de
Jacó? Não é S amaria? E quais os altos de Judá? Não é Jerusalém?”
(1:5). Ele mesmo pode ter sido um fazendeiro e ter sido expulso de
sua herdade por alguns gananciosos donos de terras. “E c obiçam
campos e os arrebatam, e as casas, e as tomam; assim fazem
violência a um homem e a sua casa, a uma pessoa e à sua herança”
(12:2). Amarga experiência pessoal e perdas, talvez estejam por
detrás dessas palavras.
Miquéias era direto em suas palavras como os homens do
interior e também possuía profundeza de confissões e inflamada
indignação. Não obstante ser ele também capaz de dizer coisas
sublimes e belas. Ele ultrapassa o próprio Isaías na ternura de seus
apelos, na lúcida simplicidade e na sublimidade moral que
acompanham seu maior oráculo (6:1 -8).
Embora Miquéias tenha vindo do interior, enquanto que Is aías
pertencia à capital e à cort e real, as mensagens principais de ambos
são substancialmente as mesmas.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 93


PROFETAS DA BÍBLI A

Isaías, como já seria de esperar, tem mais a diz er acerca da


situação política e acerca das relações com o Egit o e a Assíria;
porém, ao abordarem os meios sociais e morais, conseqüentes da
rejeição ao Senhor por parte de Israel, ambos os profet as falam num
único tom. Crf. Por exemplo: Miq. 2:1 e segs., com Is. 5:8 e segs.;
Miq. 3:1-4 com Is. 10:1-4. A nação hebréi a estava deixando de
cumprir sua missão no mundo para a qual Deus a tinha chamado
(Miq. 2:7; Is. 1:21) e, por cons eguinte, teria de ser expurgada por
meio de julgamento e repreparada para o serviço (Miq. 3:12; 4:6, 7;
Is. 1:25-27). As mensagens desafiadoras de ambos os profetas
devem t er influenciado profundamente Ezequias em sua obra de
reforma.
Miquéias era nome comum entre os judeus, e significa “Quem
é como Jeová?”. É digno de nota que a profecia de Miquéias tem
início c om as palavras de um apoio feito ant eriormente por um seu
homônimo (1 Rs. 22:28). Dessa maneira, Miquéias liga-se
deliberadamente com aquele campeão mais antigo da verdade.

Conteúdo do livro:

Miquéias, cujo significado hebraico do nome é "quem é?" Seu


autor é o profeta Miquéias, morastita, natural de Moresete-Gate, em
Judá (1: 1,14). Ele profetizou durante os reinados de Jot ão, Acaz e
Ezequias, em Judá (735 a 700 a. C.). O livro teria sido escrito nesse
período. Por ser contemporâneo de Isaías.
Embora Mq. 1,1 situe a atividade profética d e Miquéias nos
reinados de Joatão (750-734 A C), Acaz (732-727 A C) e Ezequias

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 94


PROFETAS DA BÍBLI A

(727-698 A C), O mais provável que t enha atuado apenas durante o


reinado de Ezequias e mais precisamente entre os anos de 725 e
711 AC (cf. Jr 26, 18).
O seu objetivo foi registrar as profecias sobre o cativeiro (1:5),
que viria sobre Samaria (Israel) e sobre Jerusalém (Judá). A
mensagem de Miquéias em conexão com a de Amós é uma severa
condenação dos ricos e poderosos que oprimem os pobres e fracos
(18), além de faz er um apelo à religião pessoal e moralidade social.

Um sumário do livro revela:

Introdução do autor (1:1).


Promessa de destruição (ameaça) (1: 2-3: 12).
Promessa de restauração (4).
A imoralidade do mundo e a esperança do profeta (5 a 7).

Miquéias proclama suas mensagens contra as capitais,


Samaria e Jerusalém, como cent ros de influência da nação. Deus
roga a Israel e a Judá que voltem para Ele, abandonando o pecado,
estabelec endo a Assíria como a vara de Sua ira, e Ele conclui com
promessas de glória futura sob o Messias e o seu justo reino.

O tema do livro é "Juízo e Reino" e sua estrutura pode ser assim:

Condenação e cativeiro (1-2).


Reprovaç ão e restauração do reino (3-5).
Súplica e garantia de misericórdia (6-7).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 95


PROFETAS DA BÍBLI A

São considerados textos originais de Miquéias os capít ulos:


1,1; 2,11; 3,1-12; 6, 1-7,7. Os textos 2,12-13; 4,1-5,14; 7,8-20, são
considerados acréscimos pós-exílico.
Enquanto que para Isaías o “meu povo” são os órfãos e as
viúvas, para Miquéias o “meu povo” são os pequenos agricultores,
que estão s endo explorados pelos comerciant es e moradores da
cidade. Por isso, a denuncia de Miquéias vai diretamente contra a
cidade. Anuncia a libert ação dos pobres a partir do Êxodo e
testemunha Javé como o único Deus capaz de res olver o problema
concreto dos agricult ores explorados.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 96


PROFETAS DA BÍBLI A

NA UM

Naum, um livro repleto de contrastes, descreve o poderoso


imperialismo de uma despótica nação pagã e declara o triunfo final e
certo da justiça e da soberania de Deus.
O motivo imediat o dessa profecia foi a pressionante questão
da justiça de Deus e de Sua fidelidade às suas promessas. Uma
poderosa nação dotada com largas forças militares e riquezas
econômic as, a Assíria havia dominado os destinos das nações
circunvizinhas, incluindo Judá. Cobrando um tributo opressivo e
infringindo pesada escravidão, ele transformara a Judá, quase num
estado vassalo. A fim de proteger -se, Judá havia entrado numa
aliança com outras nações, abandonando a promessa de Deus de
sustentar e proteger Seu povo.
A vida nacional de Judá, por conseguinte, tornou-se tênue.
Sua vida espiritual definhava, e sua segurança era constantemente
posta em perigo pelas hordas assaltantes de Nínive. Levantou-se,
assim, a questão „Teria Deus esquecido de Judá? P or que, a ímpia
Assíria prospera, enquanto nos sofremos? As promessas de Deus
são inúteis?‟. Judá sentia falta de uma resposta segura para essas
perguntas, e grande desespero prevalecia na terra.
Subitamente a voz de Naum trovejou: „Nínive c airá. Deus
preservará o Seu povo‟. Sua profecia parecia incrível para aqueles
dotados de limitada compreens ão espiritual. Seu propósito era duplo:
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 97
PROFETAS DA BÍBLI A

predizer a destruiç ão de Nínive por c ausa do pec ado; e mitigar a


lastimável falta de esperança de Judá, assegurando-lhe que as
promessas de Deus são verídicas. A profecia de Naum tem apenas
um tema: Nínive cairá. Judá será vindicada.
A mensagem de Naum é pertinente para todas as eras;
Aqueles que arrogantemente resistem a Deus e não confia
humildemente n‟Ele, de que Ele proverá e c uidará deles,
inevit avelmente experimentarão a Sua ira; mas aqueles que n‟Ele
depositam a sua confiança serão preservados em Seu amor.

Data da profecia de Naum:

A profecia de Naum antecipa a queda de Nínive. O profeta fala


sobre a queda da cidade com uma clareza e uma intimidade
possíveis somente s e tal acontecimento estivesse quase imediato.
Isto data a profecia de Naum, como pouco antes da queda daquela
cidade em 612 AC. O profeta menciona também o saque de Nó-
Amom (3:8), como fato consumado.
Essa cidade foi pilhada pelo rei Assubarnipal, da Assíria, cerca
de 666 A C. Esta profecia, por conseguinte, pode ser datada entre
esses dois eventos. Outra pequena partíc ula de evidência interna
sugere que a dat a pode ser fixada com mais precisão como pouco
depois da reforma de Josias em 621 AC. Há uma referência (1: 15),
que sugere que a importância da observância das cerimônias
religiosas estava bem fresca nas mentes do povo de Judá quando o
livro foi escrito. Portanto, podemos estabelecer, como tentativa a

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 98


PROFETAS DA BÍBLI A

data da profecia, como 621 a 61 2 AC. O profeta, portanto, teria


contemporâneo de Sofonias, Habacuque e Jeremias.

O profeta:

O escritor é descrito como “Naum, o elcosita”. O nome Naum


quer dizer “consolaç ão”, “conforto” ou “alívio”. Apes ar de que a
mensagem primária de Naum é a eminente destruição de Nínive,
uma das conseqüências necessárias da queda do tirano assírio era o
alívio da oprimida Judá. Nesse sentido, a mensagem de Naum,
justifica o nome do profet a. Ele não tinha palavra de julgamento ou
condenação contra seu próprio povo, mas apenas de conforto. Ele
declara, em nome do Senhor: “eu te afligi, mas não te afligirei mais.
Mas agora quebrarei o seu jugo de cima de ti, e romperei os teus
laços”, (1:12-13).
Elcosita, a designação suplementar do profeta, indica que
Naum estava intimamente ligado com a localidade conhecida como
Elcós. Quatro localizações são sugeridas para este lugar. Jerônimo
dizia que Elcache era uma pequena aldeia da Galiléia e que lhe fora
mostrada por um guia,
Outra sugestão é Cafernaum, na Galiléia, nome esse que é
uma transliteração de duas palavras hebraicas que significam “Vila
de Naum”.
Uma t erceira identificação é Alquis, perto de Mossul, na
Assíria, que localmente se considera cidade nativa do profet a Naum.
Em quart o lugar, Pseudepifânio mantinha que “Elcesei” era uma vila
de Judá.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 99


PROFETAS DA BÍBLI A

Dessas quat ro tradições, a terceira não recua mais que o


século XV I de nossa era. No concernente às duas primeiras, não há
evidência, dentro do texto, que sugira um ambiente Galileu para
Naum.
Naturalmente se aceitarmos a tradição que Naum era um
deportado na própria Nínive, não se poderia esperar abstrações de
ambiente Galileu. Porém, parec e que nos tempos neotestamentários,
não havia tradição que Naum tivesse vindo da Galiléia (crf. João
7:52, que, entretanto, se es queceu de Jonas). Tal origem para o
profet a pode ser posta em dúvida em outras bases.
A quarta sugestão liga Naum a Elcase, da tribo de Simeão.
Nesse caso, Elcase pode ser localizada perto de B eit -Jibrin, entre
Jerusalém e Gaza. Pode ser observado que há evidências que
aponta para o fato que Miquéias também veio daquelas
circunvizinhanças. Essa região parece ter produzido a piedade
juntamente com o gênio.

Sua mensagem:

A nota primária da mensagem de Naum é: “A mim me


pertence à vingança; eu retribuirei, diz o Senhor”. “O Senhor é um
Deus zeloso e que toma vingança” (1:2). A palavra “zelos o”, neste
passo, significa o intenso sentimento de Deus para com Seus
inimigos.
Naum aprendeu, e declarou c om apaixonada insistência essa
grande verdade que a ira de Deus é provocada pela iniqüidade. Ele
tolera os homens por longo tempo, mas sua ira termina por ser

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 100


PROFETAS DA BÍBLI A

despertada. Então ele castiga aquele que o têm provoc ado, Ele
golpeia e leva a completo final. A ira de Deus é terrível e
inescapável. Aquele que divide os céus escurecidos pela tempestade
com lanç as de faíscas e faz rac har as rochas é um horrível
adversário. O débil homem nada significa perante Ele. Os homens
podem tomar conselho ent re si. Podem dizer: “Somos fortes. Quem
nos pode derrubar?”. Mas Deus tratará do caso deles. Não importam
quão poderosos eles sejam, e, não importa quanto ajudadores
possam ter, Deus irá infringir-lhes um golpe mortal. Tem havido
outros mais fortes que eles. E foram derrubados. Assim também os
inimigos de Deus sempre serão vencidos.
Em adição Naum, destaca dois pecados em particular, para
denunciá-los. Primeiramente, temos o pecado do violento poder
militar. Em resultado desse mal, o sangue se derrama em rios,
nações são aniquiladas, instituições são destruídas e a guerra é feita
com toda espécie de ferocidade (2:11-13). Quanto àqueles que
assim violam as decências da existência humana, é declarado: “Eis
que estou contra ti, diz o Senhor dos exércitos”.
O outro pecado, que Naum denuncia, é o comércio sem
escrúpulos. As nações vizinhas eram corrompidas para que eles
pudessem se ministrar aos luxos e vícios da cidade conquistada. Os
comerciantes motivados pela ambição ao ouro, vendiam suas
mercadorias numa cidade que desejava coisas finas. Permitia -se que
a moralidade e a honestidade perecessem, a fim de que pudessem
ser adquiridas as riquezas e desfrutados os prazeres (3:1 -4). Contra
esse pecado s emelhantement e, é decretados o mesmo julgamento,

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 101


PROFETAS DA BÍBLI A

com sombria simplicidade: “Eis que eu estou contra ti, diz o Senhor
dos exércitos” (3:5).
A seu próprio povo Naum declara que os mensageiros
trazendo boas novas já estavam a caminho. Como expressão de
gratidão pela destruição do opressor, o povo de Judá deveria
observar os períodos religiosos e desincumbir -se escrupulosamente
das obrigações de sua fé (1:15 ).

Sua significação como profeta:

Tal qual Catão o senador romano, que encerrava cada um de


seus discursos no senado com as palavras Carthago delenda est, ou
seja “Cartago precisa ser destruída”. Naum estava obcecado por
uma idéia: Nínive delenda est. Seu olhar estava fix ado sobre Nínive
e seus pecados. Embora sincero, intenso e eficaz, ele não tinha
muito a dizer sobre os elementos íntimos da religião autêntica. Ele
não exortava por um retorno pessoal e nacional à justiça, mas antes
à observância das festividades religiosas, como também Amós fazia
(Am. 4:4-5). Ele não procurava conquistar seu próprio povo com a
ternura de Miquéias (Miq. 6:3). Ele não proclamava misericórdia para
com todos os homens, nem mesmo para Nínive, com a larguez a de
visão e a diáfana claridade do livro de Jonas.
Não obstante, por mais limitada que tenha sido a mensagem
de Naum, sua posição entre os profetas é garantida. A data em que
a sua profecia foi comprovada pode talvez explicar sua aparente falta
de preocupação pelos pecados de s eu próprio povo, bem como suas

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 102


PROFETAS DA BÍBLI A

omissões, não apont ando suas obrigações morais e es pirituais, e a


sua aparente falta de caridade para com a própria Nínive.
Se é que a sua profecia foi composta pouc o antes de 612 AC
(a queda de Nínive), então não foi escrito muito tempo depois da
reforma de Josias (621 A C).
É verdade que Jeremias percebeu que essa reforma não era
suficiente; mas Naum pode ter sentido que a naç ão seguia agora
pelo caminho certo. A desilusão provocada pela morte precoce de
Josias, em 609 AC, ainda não havia tido lugar, e o alívio sentido
devido à eminent e destruição de Nínive era tão intenso que fazia
Naum esquecer-se de todas as demais considerações.
A profecia de Naum tem sido apropriadamente chamada de “o
clamor de uma consciência ult rajada”. É uma apaixonada assertiva
que a justiça prevalecerá em s ua inflexível ret ribuição. Essa verdade
é por ele declarada com insistência e ele proclama sua necessidade
moral. Ele c ontempla sua realização com lucidez sem paralelo
prevendo seu c umpriment o completo. No grande corpo da verdade,
ensinado pelos doze profetas, essa verdade é particularmente
propriedade de Naum, e, se sua profecia é a profecia de uma idéia,
pelo menos ele apresenta essa idéia com grande poder e completa
eficácia.

Conteúdo do livro:

Naum, a profecia de Naum está entre as poesias mais lindas


da B íblia, mais devido ao assunto não está entre as grandes. Não se
conhece muito sobre o profeta a não s er o que o próprio texto nos

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 103


PROFETAS DA BÍBLI A

fala dele (v. 1). O significado do seu nome é c onsolaç ão. Ele usa a
queda de Tebas para proferir uma mensagem sobre a Assíria. O
nome hebraico do livro significa "confort ador" e seu autor é o profeta
Naum, natural de Elco (1:1). Ele profetizou depois do saque de
Tebas (3:8-11) e antes da destruição de Nínive (1:1). Por esta razão
podemos situá-lo entre 663 e 612 AC.
O objetivo do livro foi registrar as profecias contra a ímpia
cidade de Nínive. Naum fala da "operação da justiça de Deus no
castigo da arrogante nação que se ufanava na crueldade de
exterminar as pequenas nações que conquistava" (24).

O sumário deste livro desenvolve:

Identificação do autor (1:1).


Quem é o Deus Javé (1:2-15).
Descrição profética do cerco e da conquista (2).
As causas da destruição (3).

A natureza de s ua mensagem é de consolação ao povo de


Israel que vivia sob a ameaça da Assíria. Naum tem como tema "A
Condenação de Nínive" e o pode ser dividido assim:

O caráter de Deus (1:1-8).


Deus castiga os seus inimigos (1:9 -15).
A destruição detalhada de Nínive (2).
A causa da destruição (3).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 104


PROFETAS DA BÍBLI A

HA BA C UQ UE

Nada sabemos a respeito de Habacuque, fora das


informaç ões prestadas neste livro, mas mesmo aqui ele não nos
fornece sua genealogia nem nos dias quando profetizou, O próprio
nome é aparentemente o nome de um vocábulo assírio que significa
uma planta ou vegetal.
Na septuaginta, seu nome aparece como ambakoum,
Jerônimo a derivou de uma raiz hebraica que signific a “segurar”, e
disse que ele é chamado “abraço” ou por causa de s eu amor ao
Senhor, ou porque lutava contra Deus.
Habacuque foi o primeiro profeta a impugnar não a Israel,
porém a Deus. O livro contém um solilóquio entre ele mesmo e o
Todo-Poderoso. O que o deixava perplexo era a aparente
discrepância entre a revelação e a experiência e, ele procurava uma
explicação para isso. Nenhuma resposta direta é dada à sua
interrogação, mas é-lhe assegurado que a fé impaciente terminará
saindo vencedora (2:4).
Ele expressa sua fé muito vividamente, em 3:17-19, onde o
sentimento encont ra um eco mais rec ente no hino de Willian Cowper:
“Deus é seu próprio interprete, e Ele deixará claro”.
Por causa do arranjo musical do capítulo 3, alguns têm
pensado que ele era levita. É possível que ele tenha sido membro de
um grupo profissional de profetas, associados ao templo (1 Cr. 25:1).
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 105
PROFETAS DA BÍBLI A

Ele é o único dos profetas canônicos que a si mesmo chama de


“profeta” (1:1), e julga-se, que isso indica posição profissional.
Habacuque aparece na história apócrifa de Bel e o Dragão,
como aquele que livrou Daniel da cova dos leões pela segunda vez;
porém tudo isso não passa de uma lenda.
O profeta-filósofo, Habacuque, sentia-se perturbado ac erca da
intensa impiedade de Judá. Mas, em contraste com seu
contemporâneo, Jeremias, preocupava-se mais com a aparente
relutância de Deus em julgar, do que com a falta de arrependimento
do povo. Destruição, violência e desconsideração para com a lei de
Deus floresciam desenfreadamente, a despeit o dos ardentes apelos
do profeta para a intervenção de Deus.
Deus replicou a Habacuque que ele não teria de esperar por
muito tempo para receber a resposta: os ferozes e violentos caldeus
(babilônic os) seria a vara que Deus usaria para castigar e açoitar a
Judá, perante os próprios olhos de Habac uque (1:5-6). Em lugar de
suspender a carga do profeta, essa resposta a aumentou, poi s
Habacuque se viu a braços com um segundo e mais complicado
problema: Como é que Deus, cujos olhos são por demais puros para
contemplar um erro, ficaria impassível enquanto uma nação ímpia e
sedenta de s angue engolfaria um povo mais justo que ela (1:13)?. W
o profeta procurou um lugar solit ário para esperar pela resposta de
Deus (2:1).
A resposta é dada numa das mais grandiosas declarações das
Escrituras: O justo viverá pela sua fé (ou fidelidade). Os justos serão
preservados no dia da tribulação, visto terem dependido de Deus,
pelo que também Deus podia depender deles. Retribuiç ão súbita e

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 106


PROFETAS DA BÍBLI A

certa será a porção dos altivos invasores, que assim compreenderão


a inutilidade da tirania e a vaidade da idolatria (2:6-19). A resposta
termina com uma ordem de silencio universal perante o soberano
Senhor (2:20).
Sendo-lhe assegurado que a justiça triunfará, o profeta eleva o
seu coraç ão numa oração para que Deus opere novamente uma
obra poderos a. Conforme operara no Êxodo e no mont e Sinai (3:2-
15). Após contemplar o majestático resplendor do Onipotente,
Habacuque reafirma sua confiança no Deus de s ua salvação em
uma das mais comoventes confissões das Escrituras Sagradas
(3:17-19).

Data:

Em 1:6 somos informados que Deus estava levantando os


caldeus (isto é, os babilônios) como um instrumento de castigo. Sem
dúvida isto se refere ao império babilônico revivificado, que derrubou
o enfraquecido império assírio no fim do quinto séc ulo A C. Nínive foi
destruída em 612 AC e Nabucodonosór, rei da Babilônia, derrotou o
faraó Neco, do Egito, em Carquemis em 605 Ac.
Três anos antes desta batalha, o faraó Neco matou Josias, rei
de Judá, em Megido (2 Rs. 23:29 -30; 2 Cr. 35:20 e segs.), e
estabelec eu reis títeres sobre o trono de Judá, porém, nem o faraó
Neco nem eles eram advers ários para o crescente poder da
Babilônia e, assim, durant e os vinte anos seguintes, Judá ficou a
mercê dos caldeus e foi finalmente levado em cativeiro, em 586 AC.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 107


PROFETAS DA BÍBLI A

As profecias de Habacuque se referem claramente a esse


período e podem ter sido ent regues a público ou antes ou depois da
batalha de Carquemis. Em ambos os casos, Habacuque teria sido
contemporâneo de Jeremias (627-586 AC).
Em favor da data mais antiga temos a sugestão, em 1:5, que o
levantamento dos caldeus ainda era acontecimento futuro e, no
tempo em que o profeta falou, era ainda algo que fazia as pessoas
se admirarem. Em favor de uma dat a depois dos 605 A C, temos a
descrição detalhada dos métodos de guerra dos caldeus, como algo
já bem conhecido (1:7-11).
O reinado do mau rei Manasses, fora “uma época que provou
a fé das almas piedosas”. A reforma sob o rei Josias (637 -608 A C)
se tinha mostrado ineficaz, pelo que a iniqüidade e a perversidade
(1:3) da des viada Judá deveriam ser castigadas. Por esse motivo
Deus estava levantando os caldeus.
Porém a queixa de Habacuque, em 1:12-2:1 não é que Deus
estava usando uma nação pagã para castigar outra, mas antes, que
o Senhor estava usando uma nação pagã para punir Judá. A
despeito de a lei haver sido redescoberta no templo, em 621 AC (2
Rs. 22:8; cfr. Hb. 1:4), o povo de Judá se inclinava para a violência e
para a injustiça.
Por isso, parece melhor, situarmos a data do livro de
Habacuque em cerca de 600 A C, ou um pouco antes.

Composição do livro:

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 108


PROFETAS DA BÍBLI A

O significado do texto hebraico nem sempre é claro e a


septuaginta apresent am algumas poucas, mas interessantes
variações, como, por exemplo, a grande afirmativa em 2:4, que, em
um texto da septuaginta é “totalmente messiânica”. A incerteza
quanto a quem se refere vária passagem, tem levado muitos críticos
a rearranjar o texto e, em alguns casos, até a dividir a autoria do
livro.
Para alguns Habacuque, seria o autor dos capítulos 1 e 2,
para out ros, seria ele o autor do capítulo 1 e da maior parte do
capítulo 2, enquanto que o capítulo 3 seria um poema posterior, do
período persa ou dos mac abeus. Mas, a maioria prefere c onsiderar o
livro como um todo art ístico e relacionado.
Parece que a intenção da profecia era de ser lida e não ser
ouvida (ver 2: 2). Tem mais a natureza de um poema es peculat ório e
meditativo do que um sermão ou discurso público. O salmo, no
capítulo 3, evidentemente tinha o propósito de encorajar o povo de
Deus em períodos de adversidades.

Conteúdo do livro:

Habacuque, cujo nome significa "abraço", profetizou a Judá


quando da invasão dos Caldeus que era iminente. O declínio moral e
espiritual marcou a vida da naç ão. O homem Habacuque revela uma
natureza profundament e meiga e um carát er espiritual. Ele
manifestou um grande amor pelo seu povo, cumprindo a posição de
atalaia para eles. O nome hebraico do livro significa "abraço forte" e
seu autor é o profeta Habacuque (1:3). Os males sociais descritos

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 109


PROFETAS DA BÍBLI A

situam o autor no tempo do rei Jeoaquim (603 a 596 a.C. ). O livro


deve ter sido escrito nesta ocasião.
O tema do livro é a permanência do justo pela sua fidelidade
(2:4). O objetivo do livro é registrar as orações do profeta onde ele
questiona o sofrimento do povo de Deus, enquanto os inimigos de
Deus (os babilônicos) prosperavam. A resposta de Deus é
significativa: a prosperidade material não é prova de salvação.

O sumário deste livro indica:

Identidade do profeta (1:1).


Primeira oração (de questionamento) (1:2).
A resposta de Deus (2).
Segunda oração (de adoração = salmo) (3).

O tema do livro é "Da dúvida à fé" e a estrutura do livro (int eressante)


é esta:

A primeira queixa (1:2-11).


A segunda queixa (1:12-2:5).
Os "ais" contra pessoas (2:6-20).
A oração de Habacuque (3: 1-19).

Um resumo do período:

Judá caiu em 586 A C, 136 anos depois de Israel. A razão


disso foi à promessa de Deus a Davi. Se todos os reis de Judá e

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 110


PROFETAS DA BÍBLI A

Israel tivessem seguido o caminho de Davi, a história de Is rael teria


sido completamente outra. Os mesmos pecados pelos quais Israel foi
punido trouxeram punição a Judá também. A punição para Judá, no
entant o, não foi à mesma que veio sobre Israel. A nação de Judá foi
punida numa atitude educativa de Deus, para correção, porque Deus
desejava que ainda um remanescente fiel e santo permanecessem
para cumprir seus propósitos. Deus é o grande dirigente da história,
e não deixará o mundo sem salvação.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 111


PROFETAS DA BÍBLI A

SOFONI AS

O livro de Sofonias é o nono na coleção da literatura profética


dos hebreus. Em muitos particulares, é um dos típicos “profetas
menores”, mas assinala “A primeira coloraç ão de profecia com
apocalipse”.
Sofonias, que era um homem realista, sóbrio e por demais
controlado, ainda que não lhe faltassem poderes impressionantes de
imaginação e poderosas e realísticas figuras de linguagem. É c erto
que ele era jovem quando escreveu sua profecia, muito
provavelmente com mais de vinte e nove anos de idade, quando
começou a profetizar. Foi contemporâneo de Jeremias, de Judá. Ele,
um autêntico profeta do S enhor, enfrentou uma nação corrupta e
ímpia, Judá. Embora identificado c om o povo escolhido, tal nação
não poderia subsistir, pois o S enhor é um Deus justo que não
respeita pessoas. Bem para o nordeste ficava a poderosa Assíria,
que haveria de ser usada pelo Senhor como Seu instrumento para
produzir a destruição de Judá. Essa destruição seria um dia em que
a justiça do Senhor seria vindicada. Seria realmente um Dia do
Senhor.
Sofonias corret ament e procurou inspirar temor em seus
ouvintes no que tange àquele dia, e apela a que se arrependam. Ele
salientou que através de tal julgamento a misericórdia s erá estendida
àqueles a quem Deus realmente quisesse livrar. O remanescente
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 112
PROFETAS DA BÍBLI A

puro, uma vez libertado, cantará os louvores do justo Senhor que


habita em seu meio.
O aparecimento de Jeremias parece ter sido imediatamente
depois das primeiras profecias de Sofonias. Há aqueles que
escreveram que eram os dois praticamente da mesma idade, porém
não existem provas sobre qualquer combinação intima entre os dois.
Efetivamente em cert os pontos, Jeremias percebeu a fraqueza e o
perigo do reavivamento generalizado e sú bito de Sofonias.
Indubitavelment e Jeremias se regozijou com as reformas provoc adas
pela pregação de Sofonias, realizada por Josias; - talvez por já ter
vivido mais que o outro profeta – e que considera uma parte da
reforma como mera formalidade externa, um gesto próprio de um
movimento popular, e não umas purificaç ões sinceras e espirituais,
dotadas de qualidade de permanência.
Sofonias foi o primeiro profeta no período de duas geraç ões.
Provavelmente já se tinham passado s etenta anos desde que tinham
sido ouvidas as vozes dos profetas do período da ascendência dos
assírios – Is aías e Miquéias.
A sorte que coube a Samaria, em 712 A C, servia de solene
memória sobre o poder, a majestade e a retidão de Deus. É possível
que os cinqüenta anos anteriores ao reinado de Josias se tenham
caracterizado por uma nova queda na degeneração e na esterilidade,
na história de Judá. Seja como for o vigor e o zelo da juvent ude de
Sofonias eram qualidades necessárias em vista da situação que
prevalecia, e são qualidades facilment e discerníveis em seu livro.
A fraqueza e o tom imperdoável dos pronunciamentos do
julgamento são qualidades t ípicas de um homem jovem que possui

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 113


PROFETAS DA BÍBLI A

fortes convicções e manifesta um grau incomum de sensibilidade


moral e dedicação. O zelo reformador do j ovem rei Josias (639-609
AC) tinha paralelo apropriado na fervorosa pregação do novo e
jovem profeta. Ambos vieram ao reino para um tempo tal como
aquele, e a juventude de ambos e os anos difíceis que os moldaram,
prepararam-nos bem para desempenhar um dig no papel naquela
nova era.
Sofonias cujo nome significa “Jeová tem guardado (ou
ocultado)”, se apresentou no palco dos ac ontecimentos de Judá e
marcou o início de uma nova linha de profetas que deveria incluir
Jeremias, Habacuque, Obadias e Ezequiel (além de Naum, se for
aceita a data posterior para sua profecia). Todos os quais
procuraram salvar Judá da sorte que já tinha envolvido o reino do
norte. Por conseguinte, é possível diz er com certeza que o corpo
principal do livro deve ser associado com a refo rma ligada a Josias,
que teve lugar em 621 A C, e é razoável supor que a pregação de
Sofonias foi uma das causas contribuint es dessa reforma. Portanto,
podemos concluir que a data provável foi à cerca de 627 AC.

Circunstância s de sua emissão:

Conforme já indicamos, as circ unstâncias dentro das quais


Sofonias foi chamado a profetizar eram, a um e ao mesmo tempo,
perigosas e promissoras. Durante o longo reinado de Manasses
(696-642 A C), o perverso filho do bom rei Ezequias, o estado moral e
religioso de Judá tinha-se tristemente deteriorado (2 Cr. 33:1-11).
Durante todo o seu reinado ele tinha-se oposto ao reavivamento

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 114


PROFETAS DA BÍBLI A

religioso que havia caracterizado o reinado de seu pai. Manasses


edificou novamente os altares que seu pai havia derrubado e
restaurou a aviltante adoração da natureza associada à adoração de
Baal. Superstição, adoração das estrelas e até mesmo sacrifícios
humanos, se tornaram parte de uma religião de formalidades e
cerimônias externas privada de realidade interna e s em convicções
espirituais ou óticas.
É possível fotografar tudo isso “como o sinal de uma alma
desesperadamente ansiosa a procurar, cegamente, como propiciar
os misteriosos poderes divinos – a volta fanática à religião de seu
avô”, mas quando muito não passava de um externalismo e de um
sincretismo religioso que pagava muita deferência aos senhores
assírios e, para os profetas, não passava de uma clara e precipitada
iniqüidade. Aqueles que havia tentado preservar a pureza da
adoração a Jeová tinham sido recompensados por seus es forç os
com a perseguição e até mesmo com a morte. “Manasses derramou
muito sangue inocente, at é que encheu a Jerusalém de um ao outro
extremo” (2 Rs. 21:16).
É verdade, nat uralment e, que Manasses se arrependeu dessa
atitude antes de sua morte e que “humilhou-se muito perante o Deus
de seus pais” (2 Rs. 33:12). Também é evidente que as más
tendências de seu reinado não haviam conquistado inteirament e o
apoio do povo. Uma vez mais, havia um remanescente que não
havia dobrado os joelhos; havia aqueles que desejavam e
trabalhavam para a vinda de tempos melhores. Era esse fator que
tornava aquele período ao mesmo tempo promissor e perigoso.
Josias tornou-se rei de uma nação, dent re a qual muitos ansiavam

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 115


PROFETAS DA BÍBLI A

por uma religião mais pura e estavam prontos tanto para ouvir
Sofonias como para seguir o rei em seu solo reformador.
Também se deve fazer menção a invas ão da Média e da
Assíria pelos Citas, em 632 AC, que transformou seus campos
frutíferos em um deserto, como se uma nuvem de gafanhotos tivesse
passado por eles. “A guerra era a sua principal atividade, e serviram
de terrível flagelo para as nações da Ásia Ocidental. Os Citas
romperam a barreira do Cáucas o em 632 AC, e, avançando através
da Mesopotâmia, pilharam a S íria e estavam prestes a invadir o Egito
quando Psamatique I os comprou com ricos presentes.
O relat o dessa invasão é dado por Heródoto, no livro IV de sua
história, e têm rec ebido algumas confirmações mediantes pesquisas
recentes sobre a questão, servindo para explicar o decadente poder
da Assíria, decadência esta, que permitiu a Josias levar a efeito suas
reformas e deu à Babilônia a oportunidade de assumir a
ascendência. Em realidade, a invasão cita parece não ter atingido
Judá de forma alguma; seu opressor, afinal de contas, e o
instrumento do julgamento de Deus, foi a Babilônia.

Sofonias e sua mensagem:

Sofonias era habitante de Jerusalém, isso é obvio em vista de


certas referências a locais específicos da cidade, que só poderiam
ter sido feitas por alguém que estivesse bem familiarizado com eles.
Na cidade, o profeta observava a população, que se inclinava a viver
mediante a forç a e a fraude entre si mesmos, mostrando-s e idólatra
e cética para com Deus. Suas primeiras profecias, por esse motivo,

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 116


PROFETAS DA BÍBLI A

estão envolvidas numa melancolia sem alívio; o traço negr o, na face


de Deus é muito clarament e percept ível no quadro que temos em
1:1-3: 8.
Desse ponto em diante, todavia, soa uma nova nota – a
esperança de salvaç ão universal e a restauração final para Judá. A
seção de 3:9-20 é tão diferente da que a antecede que alguns
eruditos a separam do resto do livro; porém, não há razão pela qual
isso deva ser feito. É verdade que o grande peso da pregação
profética de S ofonias dizia respeit o ao julgamento súbito, eminent e e
desastroso cont ra Judá e as nações circunvizinhas . Cont udo,
freqüentemente descobrimos que aqueles que mais claramente
discernem os julgamentos de Deus contra o mundo em geral, são
aqueles que também vêem o arco-íris de Seu amor e misericórdia
arqueados no horizonte do futuro.
Sofonias, pois, apesar de ter predito os julgament os que
sobreviriam a Judá, viu-os como um expurgo necessário à nação
bendita do Senhor e Sua criada perant e o mundo inteiro.

Conteúdo do livro:

Sofonias, cujo nome significa o Senhor esconde ou protege,


era tetraneto do rei Ezequias O nome hebraico do livro significa
"Javé esconde ou protege" e seu autor é Sofonias (1:1), descendente
da família real de Ezequias e morava em Jerusalém (1:4). S ofonias
profetizou no reinado de Josias e o livro deve ter sido escrito por
volta de 627 AC.
A intenção do aut or é mostrar a iminente derrocada da nação

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 117


PROFETAS DA BÍBLI A

judaica, por causa dos des vios de seu povo.

O tema deste livro é o " Dia do S enhor".

E uma vez sumariado o livro apresenta a seguint e estrutura:

Identidade do profeta (1:1).


A destruição de Judá (1:2-2:3).
A destruição das nações vizinhas (2:4-10).
A destruição das grandes nações (2:11 -3:8).
Um remanescente será salvo (3:9-20).

As evidências internas do livro indicam que ele profetizou


durante o reinado de Josias, provavelmente ant es do grande
reavivamento de 621 antes de Cristo. Movido pelo declínio moral do
seu tempo, ele previu a queda de Jerusalém, que, em sua visão
inspirada, tornou-se uma figura do dia do Senhor.

O tema é "O dia do Senhor", um acont ecimento futuro que ele


descreve com vivo poder. Seu esboço é assim:

A futura invasão de Nabucodonózor, uma figura do Dia do


Senhor (1:1-2:3).
Predições dos juízos sobre as nações vizinhas (2:4 -15).
O estado moral de Israel; o cativeiro futuro (3:1-7).
O futuro julgamento dos gentios, seguido das bênçãos do
reinado do Messias (3:8-20).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 118


PROFETAS DA BÍBLI A

AG EU

Ageu, o primeiro dos profetas da restauração, não tem história


registrada sobre sua pessoa. Ele era “o embaixador do Senhor”
(1:13) e seus testemunhos estão seguramente entesourados com
seu divino Empregador. A mensagem, e não o mens ageiro, era de
importância primária. Deus, e não o seu profeta, domina a cena.
É impossível fixar com exatidão o período coberto por Ageu.
Tem-se conjeturado que ele vira o templo de Salomão. Essa
conjectura se baseia em 2:3 – “Quem há ent re vós que, tendo ficado,
viu esta casa na sua primeira gloria?”. Isto significaria que o profeta
tinha pelo menos oitenta anos de idade quando sua mens agem foi
transmitida. Porém a linguagem do versíc ulo, não apoiada por o utras
evidências dificilmente poderá sustentar tal int erpretaç ão. É muito
mais provável que ele nasceu no tempo e na terra do cativeiro. O
período que apresenta maiores possibilidades, por conseguinte, seria
a primeira metade do sexto século AC. S ua mensagem, entretanto,
está tão ligada com a história de seu tempo que ela pode ser
definitivamente citada, como t endo sido proferida em 520 A C. Sua
idade então pode ser apenas conjeturada, e só podemos inferir que
Deus considerava isso sem importância. As datas, tão proeminentes
na profecia, se referem, como as datas sempre se referem, a coisas
passadas, porém, por trás delas obtemos um quadro bem focalizado

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 119


PROFETAS DA BÍBLI A

sobre o caráter e os requeriment os independentes do tempo de


Deus.

O profeta:

Jerônimo explica o nome Ageu, dizendo que significa “festivo”


(derivado de haj, “o festivo ou exuberant e”). Isso a não ser que a
suposição de Reinke seja verdadeira, de que ele nasceu em algum
dia festivo, sugeriria tanto que seus pais foram guiados divinamente,
como que, sob as circunstâncias da época, uma forte fé da parte
deles os tenha levado a escolher tal nome para s eu filho. Parecem
ter percebido que, embora ele semeasse entre lagrimas, haveria de
colher com alegria. A profecia, envolvida em seu nome, seja como
for, foi cumprida, pois Ageu é um dos poucos profetas que teve o
indizível prazer de ver amadurecerem os frutos de sua mensagem
perante seus próprios olhos.
Ficamos limitados inteiramente aos seus próprios escritos para
poder fazer a estimativa do homem. Um par de referências em
Esdras, meramente se referem a ele como “A geu, o profeta”. Não há
vôos poéticos de fantasia neste livro. Seu estilo chega a ser
considerado por alguns, como deslustrado e prosaic o. Porém, há
certa concisão, franqueza e brevidade naquilo que ele tem para
dizer. Essa brevidade tem levado alguns a considerarem que talvez
tenhamos aqui sua mensagem em forma apenas condensada. Bem,
pode ser igualmente a verdade que essa característica, juntamente
com as outras, nos forneça provas de que o profeta era, um
mensageiro simples, franco e direto. O homem, entretanto, estava

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 120


PROFETAS DA BÍBLI A

engolfado em sua obra, e nela, ele se mostra caracteristicamente,


profet a de Deus, falando em lugar de Deus e estabelecendo uma
espécie de serviço postal entre Deus e Seu povo.

Os tempos de sua profecia:

Ageu tinha uma tarefa clarament e definida a realizar. Sua


tarefa divergia e, em alguns aspectos, era mais estritament e limitada,
da tarefa de qualquer dos profetas anteriores ou de seu
contemporâneo, Zacarias. As circunstâncias eram di ferentes
daquelas dos dias ant eriores ao cativeiro. Quando os profetas mais
antigos entregavam s ua mensagem a casa do Senhor, e estava
presente com toda a sua glória exterior, uma honrosa herança do
passado. As observâncias cerimoniais eram rigidamente cum pridas,
tanto quanto diz respeito às formalidades externas, e tão
meticulosamente observadas que eram elas, efetivamente, que afinal
o Todo-poderoso ficou “cansado” daquelas rígidas formalidades
mortas. Quando a religião do povo assim se transformava em joio,
esse olhava com aut o-satisfação e com ilusório orgulho para os
magnificentes edifícios e diziam: “Templo do Senhor, templo do
Senhor, templo do Senhor é este” (Jr. 7:4). O apoio dos profetas, por
conseguinte era inspirado pelo Espírito e, algumas vezes , era um
grito angustioso, para que o povo apreciasse devidamente os valores
espirituais e agisse de conformidade com sua religião transmitida por
Deus. Pois o povo dava importância primária às coisas materiais e
formais em suas vidas.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 121


PROFETAS DA BÍBLI A

Agora tais edificações estavam em ruínas e o pêndulo se tinha


inclinado para o outro lado. Nem ao menos havia interesse suficiente
nas coisas externas para impelir o povo a reconstruir o templo.

Sua mensagem:

A tarefa especializada e dada por Deus a Ageu era a de


galvanizar o povo em ação, num novo es forç o nessa direção. Os
argumentos derivados do passado ou do futuro eram empregados
por ele e focalizados sobre essa tarefa.
Cont emporânea e complementar da obra de Ageu era a tarefa
de Zacarias. O próprio zelo e entusiasmo de A geu, pela reconstrução
material da casa de Deus, poderia tender a fazer o povo des viar seus
pensamentos do Deus da casa e da glória do Messias vindouro.
Cert amente havia também espaço para a mensagem de Zacarias.
Entretant o, estaríamos sendo muito inj ustos para com Ageu se
considerássemos que as coisas mat eriais eram as únicas que o
preocupavam, como alguns afirmam, de que ele estava apenas
interessado em “tijolos e massa”. É claro que Ageu não se esquecia
que a religião vital, em sua inteirez a, estava por detrás da obra
especial do moment o; e. nas revelações que lhe foram concedidas
por Deus havia motivos suficientes para justificá -lo na companhia de
todos os seus colegas profetas, a buscar “qual a ocasião ou quais as
circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles
estava”. Ele via o dia de Cristo à distância, e com isso, alegrou-se.
Ele via a restauração do templo como um elo na grande cadeia dos
acontecimentos orientados por Deus. Ele via em Zorobabel, seu

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 122


PROFETAS DA BÍBLI A

príncipe, uma cadeia viva na corrente humana da sement e de Daví,


que continuaria sem interrupções até a vinda do Messias (Mt. 1:12 e
segs.). Ele via a gloria de um reino para o qual, um dia, as nações
fluiriam, como “as águas cobrem o mar”.
O trabalho para o qual Deus chamou ambos os governantes e
o povo de Judá, por meio de Ageu, era o reinício de uma tarefa não
terminada (ver Esdras 4).
Os 50.000 exilados, que tinham aproveitado o decreto de Ciro
e haviam retornado da Babilônia para sua pátria de origem, tinham
iniciado a reconstrução do templo. Essa obra, entretanto, havia sido
interrompida, devido pelo menos ostensivamente, à feroz oposição e
amarga oposição da parte do povo que habitava à terra, aqueles
colonos que haviam se estabelecido ali durante o período do ex ílio
dos judeus, a fim de preencherem os vazios de uma população
dizimada.
O verdadeiro motivo dessa interrupção, entretanto, foi a
letargia do povo de Deus. Por cerca de dezessete anos a casa do
Senhor jazia “desolada”, e a melancolia da cena era intensificada
pelos sinais da tentativa de reconstrução que abortara. Subitamente
àquele povo letárgico, Ageu aparece, como um mensageiro
despachado da sede do comandante supremo e dramaticamente
apresentou sua mensagem. Incident alment e, o registro das
providências de Deus para com seu povo revela para nós a chave
para a soluç ão do problema de alimentação no mundo. Condensada
nas palavras de Cristo, poderíamos ler: “Buscai, pois em primeiro
lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão
acrescentadas” (Mt. 6:33).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 123


PROFETAS DA BÍBLI A

Conteúdo do livro:

Ageu, cujo nome significa festivo, foi um dos profetas do início


do cativeiro. O seu ministério foi o de repreender os exilados que
voltaram por causa de sua demora em reconstruir o templo e de
incentivá-los ao trabalho. Em companhia de Zacarias apóia a
Zorobabel c omo eleito do Senhor. O nome hebraico do livro significa
alegre, festivo e o próprio Ageu foi quem o escreveu (1:1). Estava
junto com Zorobabel na primeira leva de repatriados. A data do livro
reporta ao reinado de Dario em 520 A C.
O objetivo do livro foi incentivar Zorobabel e Josué na
reconstrução da casa de Deus. Sua mensagem constitui-se num
apelo aos governantes e ao povo para agilizarem a reconstrução do
templo e oferece o encorajamento divino nesta empreitad a.

O sumário do livro revela:

O povo acha que não era hora de trabalhar na casa de Deus


(1:2).
Deus manda Ageu desafiar o povo = primeira profecia (1:3-11).
O povo reage e volta à reconstrução (1:12-15). Deus manda
Ageu garantir o êxito da obra (se gunda profecia) (2:1-9).
Deus propõe um diálogo imaginário entre Ageu e os
sacerdot es = terceira profecia (2:10 -19).
Deus promete a vitória final e Zorobabel é tomado como tipo
de Messias = quarta profecia (2:20-23).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 124


PROFETAS DA BÍBLI A

ZAC A RIAS

Zacarias era filho de Baraquias e neto de Ido. Esdras se refere


a ele como “filho de Ido” (Esdras 5: 1,6:14), mas essa aparente
discrepância é removida simplesmente supondo-se que Baraquias
faleceu antes de Ido, e que Zacarias sucedeu seu avô na liderança
do curso sacerdotal de Daví. Mas, a referência de Esdras a ele,
como filho de Ido, deve ser compreendida no sentido mais geral de
descendência.
Juntamente com seu contemporâneo Ageu, Zacarias tinham
por alvo, encorajar os judeus, nas obras de reconstrução do templo,
reconstrução essa que estivera suspensa desde o primeiro ano de
Ciro (538 AC).
Sua mensagem escrita forma um significativo elo entre os
profet as anteriores, a cujo ministério ele se refere (1:6) e as fases
posteriores da obra redentora de Deus, sobre a qual o seu livro
presta tão eloqüent e testemunho. Dessa maneira, ele nos ajuda a
olhar para o dia futuro, quando o completo Reino de Deus será
estabelecido e a preencher nossa exultante expectativa a respeito
daquele dia de tão rico conteúdo bíblico.
As duas divisões principais do livro, a saber, capítulos 1 -8 e
capítulos 9-14, são t ão diferentes quant o ao estilo e, o ponto de vista
histórico que se tem t ornado comum at ribuir essas divisões a
diferentes aut ores. Porém, essas admitidas diferenças podem muito
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 125
PROFETAS DA BÍBLI A

bem ser explicadas sem que se abandone a crença na unidade da


autoria do livro.
Em 1-8 o profeta se preoc upa principalmente com os
acontecimentos contemporâneos, particularmente a reconstrução do
templo; enquanto que, em 9-14, ele trata de tais eventos fut uros
como a vinda do Messias e a gloria de Seu reino.
Naturalmente, port anto, a primeira divisão segue o estilo
histórico, enquant o que a última é apocalíptica. É provável,
igualmente que a primeira part e da profecia pertencia aos primeiros
anos da vida de Zacarias, e que a segunda part e foi escrita em sua
idade avançada.
No livro de Zacarias, vamos destacar importantes divisões
importantes, a saber:

Mensagem introdut ória – 1:1-6;


As oito divisões – 1:7-6:8
A primeira visão – 1:7-17.
A segunda visão – 1:18-21.
A terceira vis ão – 2:1-13.
A quarta visão – 3:1-10.
A quinta visão – 4:1-14.
A sexta visão – 5:1-4.
A sétima visão – 5:5-11.
A oitava divisão – 6:1-8.
A coroação simbólica – 6:9-15.
Os enviados de Betel – 7:1-8:23.
A pergunta – 7:1-3
A resposta – 7:4-14.
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 126
PROFETAS DA BÍBLI A

Uma promessa de restauração – 8: 1-17.


Festa em lugar de jejuns – 8:18-23.
A restauração de Judá e a destruição de seus inimigos – 9:1-
10:12.
O julgamento contra a S íria – 9:1-10:12
O julgamento contra Tiro – 9:3-4.
O julgamento contra Filístia – 9:5-8.
O rei que viria – 9:9-12.
A restauração de Judá – 9: 13-17.
Antecipações corajosas – 10:1-5.
À volta da nação – 10:6-12.
A rejeição do rei pastor e suas conseqüências – 11:1-13:9.
A destruição de Jerusalém – 11:1-6.
A rejeição do bom pastor – 11:7-14.
O pastor insensato – 11:15-17.
Deus defende Jerusalém – 12:1-9.
O povo arrependido – 12:10-14.
A terra purificada – 13:1-6.
O castigo purificador de Israel – 13:7-9.
As vitórias finais do Rei-Pastor – 14:1-21.
A derrota dos inimigos de Jerusalém – 14:1-21.
A gloria final de Jerusalém – 14:16-21.

Conteúdo do livro:

Zacarias atuou como profeta na mesma época de Ageu


apelando para a c onversão do povo ao único Deus vivo e verdadeiro

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 127


PROFETAS DA BÍBLI A

e mostra quais são os planos de Deus para Jerusalém e Judá. A sua


linguagem é mais apocalíptica. O nome hebraico do livro significa
"Javé se lembra" e seu autor Zacarias (1:1) era da família sacerdotal
e participou da primeira leva de repatriados, sob Zorobabel.
Cont emporâneo de Ageu tem sua data em 520 AC.
O objetivo do autor foi o de inc entivar os construtores do
templo e comunicar várias advertências e promessas. "Sua
mensagem escrita, forma um significativo elo entre os profetas
anteriores, a cujo ministério ele se refere (1:6) e as fases posteriores
da obra redentora de Deus" (28).
O sumário deste livro nos permite visualizar:

A severidade de Javé, no trato com o seu povo (1: 1-6).


A misericórdia de Javé para com os que se arrependam (1:7-
6:15).
Deus adverte sobre a religião falsa e apela para a misericórdia
dos homens (7).
Deus promete morar no meio de seu povo (8).
Juízo sobre as nações (9).
Promessas de bênçãos sobre Israel (10).
Castigo sobre os rebeldes (11).
Juízo sobre os inimigos e glória para Israel (12-14).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 128


PROFETAS DA BÍBLI A

MALA QUI AS

Não é possível fix ar a data da escrita do livro de Malaquias


com qualquer exatidão. Sabemos por suas referências ao templo e
aos sacerdotes, que ele viveu após o retorno do ex ílio babilônico e
após a rec onstrução do templo (516 AC). A referência em 1:3, a um
assalto contra Edom, não nos ajuda a fixar sua data, visto que t ais
ataques ocorreram em grande número no quint o e quarto século AC.
Nem a palavra “príncipe” em 1:8, necessariamente se refere a algum
governante persa. E ntretanto, o estado de coisas durante o
ministério do profeta é s emelhante ao que é pressuposto pelas
reformas de Esdras e Neemias, e muit os eruditos são da opinião que
o livro foi escrito pouco antes da chegada de Esdras. Essa data
(cerca de 460 AC) é muito geralmente aceita.

Pano de fundo:

Falando por Deus, Malaquias estava colocado num dos mais


significativos pontos divisórios da história. P rofetas tinham vindo e
ido, mas a cultura em torno de Malaquias não parece refletir qualquer
impressão deixada pelos seus trabalhos. Os judeus tinham retornado
do exílio impulsionados por altas esperanças, inspirados por Ageu e
Zacarias, haviam reconstruído o templo. Esse edifício não possuía a
gloria do templo original, que havia sido destruído pelos babilônios,
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 129
PROFETAS DA BÍBLI A

mas servia para seus propósitos. Mas, com a passa gem dos anos,
os judeus foram ficando desiludidos. A prosperidade prometida não
retornava. A vida era difícil e estavam cercados por inimigos, como
os samaritanos, os quais procuravam impedi -los em cada
oportunidade. Sofriam por causa da s eca e das más colheitas e da
fome.
Começaram a duvidar do amor de Deus. Colocava em dúvida
a justiça de S eu governo moral e diziam que o praticante do mal era
bom aos olhos do Senhor. Argumentavam também, que não havia
proveito na obediência aos Seus mandamentos e em and ar
penitentemente perante Ele, pois eram os ímpios, que dependiam de
si mesmos, os que prosperavam.

Sua mensagem profética:

O profeta, ent ão, começou a responder -lhes, mostrando que


tal ceticismo se baseava na hipocrisia, pois se lhes cabia a
adversidade, esta havia caído sobre eles, não a despeito de sua
piedade, mas antes, por causa de sua pecaminosidade.
Por exemplo, havia a adoração corrompida em seus deveres
no templo. Mostravam -se maus lideres de um povo que trazia ofertas
inaceitáveis, mesmo depois de haverem prometido melhores ofertas.
Os próprios gentios ofereciam sacrifícios muito mais dignos.
O povo também vivia transgredindo, pois os homens se
divorciavam das mulheres com quem se tinham cas ado na juventude
e contraiam casamento com mulheres estrangeiras. Prevaleciam
pecados de todas as espécies; feitiçarias, adultérios,

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 130


PROFETAS DA BÍBLI A

desonestidades, opressão aos fracos e impiedades generalizadas.


Como poderiam esperar a prosperidade quando a naç ão estava
apodrecida com estas práticas.
Malaquias, em verdadeira nota profética, condenou os
pecados e convocou o povo para que se arrependessem. Caso
purificassem sua adoração, obedecessem à lei e pagassem seus
dízimos na integra, então o res ultado seria as bênçãos de Deus.
Ao faz er soar esse apelo, o profet a revelou que possuía uma
alta concepção sobre Deus. Deus era o majestoso S enhor dos
Exércitos; seus decretos e juízos eram irresistíveis; seu amor era
santo e imutável.
Malaquias percebia a salvaç ão final para seu povo, não no
arrependimento deles, mas na ação do Senhor. Raiaria o grande dia
do Senhor. Esse dia purificaria e vindicaria os piedosos e destruiria
os ímpios. Esse dia seria preparado com a vinda do profeta Elias.

O homem:

Tudo quanto sabemos sobre o profeta, obrigatoriament e de


inferir de suas declarações. Ele era um profet a autentico. Falava com
plena autoridade. Podia realmente dizer: “Assim diz o S enhor dos
Exércitos”. Tinha um amor intens o por Israel e pelos serviços
efetuados no templo e sua concepção sobre a tradição e os deveres
dos sacerdotes era bem alta.
Tem sido dit o freqüentemente que enquanto out ros profetas
frisaram a moralidade e a religião ao íntimo, Malaquias punha ênfase
sobre a adoração e o ritual. Mas, apesar de que isso seja verdade

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 131


PROFETAS DA BÍBLI A

quanto aos aspectos gerais, temos de notar que ele não só esquecia
totalmente das obrigações morais de Israel, e que para ele o ritual
não era uma finalidade em si mesmo, mas apenas a expressão da fé
do povo no Senhor.
Seu estilo era simples, direto e c aracterizado pela freqüente
ocorrência das palavras “mas vos dizeis”, talvez essas palavras
signifiquem mais que um método retórico do escritor; pode ter tido
sua origem nos clamores de protesto e dúvidas dos perguntadores,
quando ele pregou sua primeira mensagem nas ruas.

Citaçõe s no Novo Testamento:

Somente três passagens deste livro são referidas ou citadas


no Novo Testamento, a saber: 1:2 e segs; 3:1 e 4:5 e segs.
A primeira delas: “Amei a Jacó. E aborreci a Esaú”, contém
uma idéia que se tem mostrado um tanto ofensivo para o gosto
moderno. Não obstante, é difícil evitar manter alguma doutrina de
eleição, em vista das muitas declarações na Bíblia e em vista dos
fatos da experiência humana. Verdadeiramente uma delas é
freqüentemente aceita, enquanto a out ra é abandonada. Foi em
apoio à doutrina da eleição do verdadeiro Israel, que Paulo citou
esse vers ículo, em Rm. 9:13.

O fim da profecia:

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 132


PROFETAS DA BÍBLI A

Com o livro de Malaquias foi arriada a cortina sobre a cena


profética, até a vinda do Batista. As palavras vividas e poderosas dos
profet as não mais foram ouvidas.
Os escribas e os sacerdotes se tornaram os principais
personagens religiosos. A era criativa havia cedido lugar à era do
aprendizado. Os judeus contavam, agora, com grande tesouro
literário e seus exegetas, aqueles que expunham essa literatura e s e
tornaram o novo canal para a voz de Deus.
A respeito dessa situação que se aproximava, em que a
religião era principalmente legalística, temos um claro sinal no livro
de Malaquias.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 133


PROFETAS DA BÍBLI A

EL I AS

Em 874 o rei Acab reforçou a idolatria em torno do baalismo.


Para reforçar o baalismo o rei procurou enfraquecer o Javismo.
Neste contexto entra em cena a rainha Jezabel, que influenciava
diretamente nas decisões e do rei Acab (1Rs 21, 1ss). Jezabel, filha
do rei dos Sidônios, construiu um templo a baal e impôs sobre o
povo o seu modo próprio de adorar a baal.
O profeta Elias “o Tesbita”, surge diante desta situação de
dominação e imposição de falsos deuses sobre o povo pobre e
desinformado. Durante seu período de profet a fez uma longa
caminhada. Após ter anunciado uma seca, esconde -se em Carit por
ordem de Deus. Quando o riacho secou Elias foi para Serepta,
pertencente a Sidônia, onde revitalizou o filho da viúva (1Rs 17, 7-
24). Encontrou-se com Acab no mont e Carmelo, desafiou os profetas
de baal e desmascarou-os diante do povo, que os executaram na
torrente de Quison (1Rs 18,140). Ameaçado pela rainha Jazabel,
foge para B ersabéia e de lá vai para o monte Horeb, onde ungiu
Hazael como rei de Aram e Jeú como rei de Israel. Escolhe Eliseu
para ser profeta em seu lugar (1Rs 19, 8 -18). Em Abel -Meula lança o
manto sobre Eliseu. Em Jezrael repreende Acab por causa da vinha
de Nabot, de Guilgal sai, acompanhado por Eliseu, passa por B etel e
Jericó, atravessa o Jordão e é arrebatado ao céu por uma carroça de
cavalos de fogo.
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 134
PROFETAS DA BÍBLI A

Elias procurou recuperar o Javismo e destruir o baalismo.


Para isto, buscou critérios para propor as mudanças e elaborar seus
argumentos a partir da experiência, que o povo viveu durante o
tribalismo. O principal c onflito enfrentado p elo profeta Elias se dá em
torno dos projet os existente na época. De um lado temos o rei,
juntamente com a elite dominadora, propunham a crença no deus
baal para dominar e des viar a atenção do povo. Do out ro lado
encontramos o povo, pobre e ex plorado, mas que ainda acredita no
Deus Javé, que tirou seus pais do E gito, que os dirigi a uma terra de
leite e mel. Neste sentido, o profeta Elias, procurou testemunhar o
Deus Javé, denunciar os falsos deuses com seus falsos projetos e
anunciar dias melhores, onde a solidariedade era o critério máximo
da organização do povo.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 135


PROFETAS DA BÍBLI A

EL I S E U

O profeta Eliseu foi ungido por Elias para dar continuidade a


profecia por ele iniciada. O contexto histórico e social continua sendo
o mesmo, pois, os conflitos giram em torno da desigualdade social,
do uso indevido dos bens públicos, da corrupção do rei, etc... O povo
pobre e explorado não tem condições de sair da crise sozinho, por
isso que o profeta tem um papel muito importante nesta relação
desigual entre ricos e pobre.
O acontecimento entre Elias e Eliseu recorda a libertaç ão do
povo da escravidão Egípcia (2Rs 2,8), é uma retomada da
caminhado do povo para fortalecer e encorajar a luta contra os
projetos de morte e escravidão. Os textos bíblicos, que falam sobre
Eliseu, são lendas que narram a prática do profeta em defesa do
projeto igualitário de Javé. Ao mesmo tempo, querem mostrar a força
da profecia diante da corrupção, por isso aparece a int ervenç ão do
profet a junto a natureza, por meio de Javé.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 136


PROFETAS DA BÍBLI A

E L I A S E ELISEU

O eremita e o agricultor:

Um restitui a tradição e destrói os falsos ídolos. O out ro realiza


numerosos milagres, mesmo depois da sua morte.
Após a morte de Salomão, em 931 a.C., o reino dos judeus se
divide: as dez tribos do norte escolhem o caminho da secessão e
fundam um reino com capital em Samaria; ao sul fica o reino de
Judá, com capital em Jerusalém. Na metade do século IX a.C., o
chefe do reino de Is rael é Acab, guerreiro que não conhece o medo,
político hábil e astuto. Mas seu ponto fraco é Jezabel, de origem
fenícia. Jezabel exerc e uma notável ascendência sobre o marido,
procura influenciá-lo na política, mas sua palavra é decisiva,
sobretudo em matéria de religião: o culto de B aal se difunde, quem
segue ao verdadei ro Deus é perseguido, e ganha espaço uma
confusa mistura das duas religiões. À divindade pagã é até mesmo
dedicada a um templo em Samaria, com as des pesas de pessoal
pagas pela cort e. Elias é o homem enviado por Deus para dar fim a
tudo isso. Seu estilo de vida é ascético, de eremita. Está acostumado
à vida no deserto e às privações. Os servos de Ocozias, sucessor de
Acab, o descrevem como um homem peludo, com um cint o de couro
cingindo os rins – um aspecto e um vestuário que lembram João
Batista, o precursor de Cristo.
Elias é um profeta: sua atividade, suas palavras e sua missão
encarnam o profetismo judaico. Isso fica evidente já desde o

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 137


PROFETAS DA BÍBLI A

significado do seu nome: “O meu Deus é JHW H”. A tarefa que lhe foi
designada é restaurar a tradição, pôr termo ao sinc retismo, destruir
os falsos ídolos. São dois os caminhos: Iahweh ou B aal, mas o único
caminho certo é o primeiro, não há acordo sobre isso. E para afirmar
a verdade ele está pronto a combat er e correr perigos. O carisma de
Elias é claro e pot ente: o profeta é o arauto de Deus, um enviado
extraordinário: “Aquilo que ele, o profeta, diz em vista da sua missão
é Deus quem o diz: aquele que envia fala pela boca do enviado, este
substitui aquele, e ambos, quem envia e quem foi enviado, na prática
são a mesma coisa. Mesmo enquanto indivíduo, o profeta vive em
relação muito íntima com Deus, chegando quase a despir -se da sua
personalidade: Deus e a sua missão o conquistaram a tal ponto que
ele realiza ações consideradas indecorosas e inconvenient es pela
maioria dos homens”, explica o abade Ricciotti (História de Israel, p.
305).

A grande seca e o sacrifício:

Quando Elias irrompe na história do Antigo Testamento, os


profet as de Iahweh eram perseguidos e tinham sido dis persos, até
serem reduzidos a apenas uma cente na (por profetas, no A ntigo
Testamento, entende-se também os judeus que viviam em
comunidade sob a direção de uma figura carismática chamada “pai”),
uns números cinco vezes inferiores em relação aos servidores de
Baal. Uma situação intolerável: Elias anunc ia a punição divina, a
grande seca (1 Rs 17, 1). E em 857 a terra começa a se tornar árida.
Sob indicação do Senhor, Elias se estabelece na torrente de Carit,

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 138


PROFETAS DA BÍBLI A

onde os corvos lhe levam pão de manhã e carne à noite. A torrente


seca depois de algum tempo, e o profeta se dirige para Sarepta,
perto de Sidônia, onde encont ra abrigo na casa de uma viúva
paupérrima. Porém, aquela pouca farinha e óleo que a mulher pode
oferecer não acaba, e todos ficam saciados. O filho da viúva adoece
e morre, Elias o ressuscita (a primeira ressurreição na B íblia). Mais
de um ano depois, o rei Acab cede, vencido pela seca implacável.
Manda procurar Elias e aceita o confronto. O encont ro é no monte
Carmelo, onde Acab reúne os 450 sacerdot es de Baal e o único
profet a de Iahweh que restou, ou seja, o próprio Elias.

É a hora da verdade.

Eis a proposta de Elias: “Dêem -nos dois novilhos; que eles


escolham um para si e depois de esquartejá -lo o c oloquem sobre a
lenha, sem lhe pôr fogo. Prepararei o outro novilho sem lhe por fogo.
Invocareis depois o nome de vosso deus, e eu invocarei o nome de
Iahweh: o deus que responder enviando fogo, é ele o Deus” (1Rs 18,
23-24). O que acontece em seguida não deixa alternativa aos
adoradores da divindade pagã: “Então caiu o fogo de Iahweh e
consumiu o holocausto e a lenha, secando a água que estava no
rego” (1Rs 18, 38). Os profetas de B aal são degolados e chega
finalment e a chuva que põe fim à seca. No Horeb, uma experiência.
Mas para Elias não há descans o. Jezabel ficou furiosa por causa da
morte dos seus profetas e ameaça de morte o profeta de Iahweh. As
Escrituras acrescentam um toque de humanidade: Elias é um
homem que teve a coragem de des afiar o rei, agora sent e medo e

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 139


PROFETAS DA BÍBLI A

foge. Chega a Bersabéia de Judá. O desânimo toma conta dele, quer


até mesmo morrer: “Agora basta Iahweh! Retira-me a vida, pois não
sou melhor que meus pais” (1Rs 19, 4). Mas o Anjo do S enhor vem
em seu socorro, com água e comida. Refeito, Elias retoma o
caminho e depois de uma marcha de 40 dias e 40 noites (os mesmos
40 dias, a mesma duração da permanência de Moisés na “montanha
do Senhor”, um período de tempo que encontraremos muitas vezes
nos E vangelhos) chega ao Horeb, o monte da revelação de Deus a
Moisés. Elias também encontrou a Deus ali, porém de uma maneira
diferente. Os sinais que o preanunciam são impressionantes: um
furacão que quebrava os rochedos, o terremoto, o fogo. Mas Deus
não estava em nenhum desses elementos. Ele prefere se manifestar
como uma brisa suave, s ímbolo da sua natureza espiritual. O profeta
se condói pelas faltas do seu povo, o Senhor o envia para novas
missões em Damasco.

Crime e castigo divino:

Elias, o profeta da volta da tradição, da luta contra o


sincretismo. Mas também o profeta da justiça, como se revela no
episódio de Nabot, o dono de uma vinha que o rei Acab queria para
si. Diante da recusa de Nabot, entra em cena a perversa Jezabel,
que faz com que Nabot seja acus ado injustamente e depois morto.
Acab está pronto para tomar posse da vinha, mas se vê face a face
com Elias, que enfrenta o rei com firmeza, joga-lhe na cara o crime
cometido e anuncia-lhe o castigo divino.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 140


PROFETAS DA BÍBLI A

A vida de Elias aproxima-se do fim:

Perto de Jericó, às margens do Jordão, Elias bate nas águas


com seu manto, e elas se separam para deixá-lo passar a pé enxut o.
Enquanto conversa com o discípulo Eliseu, “eis que um carro
de fogo e cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu
ao céu no turbilhão. Eliseu olhava e gritava: „Meu pai! Meu pai! Carro
e cavalaria de Israel!‟. Depois não mais o viu” (2 Rs 2, 11 -12). E
assim, também para Elias, como para Moisés, não houve um t úmulo.
E o profeta Malaquias anuncia o seu ret orno como precursor do
Messias. Muitas vezes nos Evangelhos aparecem referências que
relacionam Elias a Jesus; no monte da Transfiguração, o profeta
aparece ao lado do Messias.

Eli seu, o discípulo:

Um agricultor natural do vale do Jordão, bem de vida, uma


vez que arava os campos com doze junt as de boi. Eliseu é chamado
pelo profeta no exato momento em que realiz a essa atividade. O
profet a joga sobre seus ombros o próprio manto: o agricultor torna-se
seu discípulo e será seu sucessor. O chamado não dá margens para
dúvidas e incertezas: “„Deixa-me abraçar meu pai e minha mãe,
depois te seguirei‟. Elias respondeu: „Vai e volta; pois [sabes bem]
que te fiz eu?‟. Eliseu afastou-se de Elias e, tomando a junta de bois,
a imolou. Serviu-se da lenha do arado para cozinhar a carne e deu -a
ao pessoal para comer. Depois, levant ou-se e seguiu Elias na
qualidade de servo” (1 Rs 19, 20 -21). Eliseu viveu nos últimos anos

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 141


PROFETAS DA BÍBLI A

do reinado de Acab e morreu no reinado de Joás. Assiste ao


arrebatamento de Elias ao céu s obre o c arro de fogo e logo depois
toma seu lugar. Enquanto passava entre as águas do Jordão, Elias
pergunta a seu discípulo o que podia fazer por ele antes de ser
“arrebatado para longe”. “E Eliseu respondeu: „Que me sejam dados
dois terços do teu espírito!‟” (2 Rs 2, 9). Isto é, pede-lhe a parte do
filho mais velho. Quando o profet a sobe ao carro de fogo, cai -lhe por
terra o manto, sinal do poder conferido por Deus. Eliseu o recolhe
imediatamente e dirige-se para o Jordão. “Tomou o manto de Elias e
bateu com ele nas águas, dizendo: „Onde está Iahweh, o Deus de
Elias?‟. Bateu nas águas, que se dividiram de um lado e de outro, e
Eliseu atravessou o rio. Os irmãos profetas viram -no à distância e
disseram: „O espírito de Elias repousa sobre Eliseu!‟” (2 Rs 2, 14-15).
A iconografia o representa como um homem calvo, com o hábito dos
carmelitas, uma jarra de óleo ou um machado como at ributos; muitas
vezes às suas c ostas está apoiadas uma coluna com duas cabeças,
simbolizando os dois terç os herdados do espírito de Elias. Eliseu
escolheu um estilo de vida diferente do de Elias. Pelas Escrituras
não se deduz que o seu estilo de vida fosse austero no que diz
respeito à sua maneira de se vestir, nem que procurasse lugares
solitários para viver como eremita. Eliseu prefere os centros
habitados, freqüenta os grupos de profetas, é acompanhado por um
servo, Giezi, mas, assim como seu mestre, vive por algum tempo
sobre o monte Carmelo.

Grandes prodígios:

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 142


PROFETAS DA BÍBLI A

Mas o que distingue Eliseu é a grande quantidade de prodígios


relatados nas Escrituras. Como o que ele fez para ajudar a viúva,
que suplica que Eliseu a ajude porque estava sendo pressionada
pelos seus credores. O profeta a instr ui para que peça emprestado o
maior número possível de ânforas vazias, que, milagrosament e, não
param de se encher com o pouco de óleo que a mulher ainda
possuía. Quando as ânforas vazias acabam, Eliseu ordena: “Vai,
vende esse óleo e paga tua dívida e vivereis, tu e teus filhos, do que
restar!” (2 Rs 4,7).
Uma mulher sunamit a que se lament ava de não ter filhos, um
ano depois, como predito por Eliseu, dá à luz um menino. O mesmo
menino depois adoece e morre. Eliseu intervém pela segunda vez:
“Lá estava o menino morto e estendido sobre sua própria cama. Ele
entrou, fechou a porta atrás deles dois e orou a Iahweh. Depois subiu
à cama, deitou-se sobre o menino, pondo a boca sobre a dele, os
olhos sobre os dele, as mãos sobre as dele, estendeu-se s obre ele e
a carne do menino se aqueceu. Eliseu pôs-se a andar novamente de
um lado para outro na casa, depois tornou a subir e se estendeu
sobre ele, até sete vezes: então o menino espirrou e abriu os olhos.
Eliseu chamou Giezi e disse-lhe: „Chama a sunamita‟. Chamou-a e,
quando ela chegou perto de Eliseu, este lhe disse: „Toma teu filho‟.
Ela entrou, lançou-se a seus pés e prostrou -se por terra; depois
tomou seu filho e saiu” (2 Rs 4, 32-37). Sua fama de curandeiro se
espalha, e ele cura até a Naamã, chefe do exército do rei de Aram,
acometido de lepra. Seus prodígios têm a marca da caridade e da
solidariedade: como o episódio dos vint e pães de c evada e trigo com
os quais nutre cem famintos nos fossos que mataram a sede de

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 143


PROFETAS DA BÍBLI A

homens e animais durante a guerra contra Moab conduzida por


Jorão, rei de Israel, e Josafá, rei de Judá. Eliseu contrai uma doença
que o leva à morte.
O rei Joás vai visitá-lo. O profeta lhe garante a vitória sobre o
inimigo de Damasco. Disse-lhe Eliseu: „Vai buscar um arco e
flechas‟; e Joás foi buscar um arc o e flec has. Eliseu disse ao rei:
„Empunha o arc o‟; e ele o empunhou. Eliseu pôs as mãos sobre as
mãos do rei, e disse: „Abre a janela do lado do oriente‟, e ele a abriu.
Então Eliseu disse: „Atira‟; e ele atirou‟. Eliseu disse: „Flecha de
vitória para Iahweh! Flecha de vitória contra Aram! Vencerás Aram
em Afec até o extermínio‟. Depois disse Eliseu: „Toma as flechas‟; e
Joás tomou-as. Eliseu disse ao rei: „Fere a terra‟; e ele deu três
golpes e parou. Então o homem de Deus irritou -se contra ele e disse:
“Era preciso dar cinco ou seis golpes! Então terias derrotado Aram
até o extermínio; agora, porém, vencerás Aram três vezes só!”.
Eliseu morreu e foi sepultado. Bandos de moabitas faziam
incursões na terra todo ano. Aconteceu que, enquanto alguns
homens estavam sepultando um morto, avistaram um desses
bandos; jogaram o corpo dentro do túmulo de Eliseu e partiram. O
corpo t ocou nos ossos de Eliseu, recobrou vida e pôs -se de pé (2 Rs
13, 15-21).

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 144


PROFETAS DA BÍBLI A

JOÃ O B ATISTA

Entre os nascidos de uma mulher não surgiu nenhum maior


que João, o Batista, e, no entanto, “o menor no Reino dos Céus é
maior do que ele” (Mt 11, 11).
Fora o primeiro a exultar vendo o dia do Senhor, a exultar de
alegria no seio de sua mãe, na casinha de Ain Karen, pouco ao sul
de Jerusalém. S eu pai, Zacarias, estava mudo: a voz do grande
sacerdot e do templo desaparecera à espera de gritar a glória do
Senhor.
O pequeno João, fora o primeiro a ter um sobressalto de
alegria, quando, à porta de sua casa, apareceu Maria, aquela moça
grávida, prima de sua mãe, Isabel, bem mais jovem que esta, mas
tão determinadas e corajosas quanto umas rainhas – diziam todos –,
uma verdadeira Senhora. E não sabiam como o que diziam era
verdade, já que um dia o mundo int eiro haveria de proclamá-la
Rainha do céu e da terra. Depois do anúncio do Anjo, acendeu-se
nela alguma coisa: “Um ímpet o de disponibilidade abs oluta, total”,
disse padre Giussani, ao visitar a casa de Zacarias e
Isabel. “Pensem”, continuava ele, “percorrer 150 quilômetros para
chegar até aqui, não por uma divagação, mas, como diz o
E vangelho, caminhando rápido pela estrada, toda tomada por seu
objetivo.
O que maravilhou Isabel também nos maravilha: a que devo
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 145
PROFETAS DA BÍBLI A

que a mãe de meu Senhor venha a mim? É o grito de admiração


pela gratuidade absoluta, pois nenhum parente teria viajado tanto
para vir ajudá-la! A fé faz viver o humano e consolida as relações, faz
ser uma coisa só. Aquilo que s e pode esperar como família ou que
se pode esperar como povo, no gesto de Maria se exprime como
unidade do humano. E não há mais barreiras, nem mesmo o
cansaço de um c aminho int erminável... E então servir, ela, que
estava grávida, servir! Mas a grandeza da novidade enc erra-se no
limite de uma aparente privação e pequenez total”.
O pequeno João exultava. Ainda não havia nascido, mas já
queria gritar. Não era ainda um grito, apenas um sobressalto, mas
aquele sobressalto já ressoava nos vales da Judéia: sua mãe foi a
primeira a entender e a inclinar-se perante o Mistério que se fizera
carne. E seu pai recuperou a voz. E logo entendeu que a criança
estava destinada a anunciar a Boa Nova, a melhor notícia que o
mundo inteiro poderia esperar; e que estava por se cumprir a
Promessa, o juramento feito a Abraão. E Zacarias e Isabel decidiram
chamá-lo João, em meio à surpresa dos parentes e amigos: ninguém
da família se chamava assim, mas Yohanan quer dizer “o Senhor
realiza a graça”, e aquela palavra, “Graça”, já fora entoada muitas
vezes na breve história daquelas duas gestações, dos anúncios
daqueles mensageiros misteriosos e tão contentes.
O destino de João foi ser ele mesmo uma voz, “a voz de
alguém que clama no deserto”. O último e o maior dos profetas.
Profeta no seio materno, profeta na infância, profeta no deserto,
profet a no Jordão, rio onde lh e espera a tarefa de batizar aquele
primo s obre cuja cabeça s e ras gam os céus e desce o Espírito,

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 146


PROFETAS DA BÍBLI A

profet a ao apontar com o dedo, de modo visível, o Filho de Deus que


ia para casa: “Segui-o”. Profeta até o mart írio pela verdade. Jamais
deixará de gritá-la, e a raiva humana contra s ua voz se tornará o
alfinete com o qual Herodes arrancará a língua de sua cabeça
decepada. Do sobressalto no ventre da mãe à violência profunda
desse alfinete, sua história é em boa parte conhecida.
Lucas relata que o rapaz crescia e se fortificava no espírito, e
que viveu em regiões desérticas até o dia de sua manifestação a
Israel. Pode-se crer que se referisse à comunidade de Quaram, em
cujas grutas, perto da margem do Mar Morto, foram encont rados há
meio século os papiros que contribuíram de forma tão significativa
para a datação histórica dos livros da Bíblia e, sobretudo, revelaram
que o E vangelho de Marc os foi escrito numa data muito mais
próxima dos event os que relata. Há muito mais precisão histórica nos
E vangelhos do que estamos acostumados a acreditar, isso já se
sabe, e os evangelistas não primam pela imaginação. Assim, é
bastante simples reconstruir a vida de João. Não deve ter fic ado por
muito tempo em Quaram.
A comunidade int uía que ele precisava preparar-s e para o
evento final, numa vida de penitência e oração, longe dos centros do
mundo e do próprio templo, infestado pelos mercadores. Mas João
tinha uma tarefa, falar ao povo. E ele se apresenta ao povo como
relatam os E vangelhos: umas figuras ascéticas, vestidas de pêlos de
camelo e um cinturão de couro. Até no aspecto recordava o mais
inflamado dos profetas, Elias, um homem com muitos pêlos, com
cinto de couro nos quadris.
Os Evangelhos falam de João difusamente, e todos os

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 147


PROFETAS DA BÍBLI A

pormenores mencionados coincidem com as fontes hebraicas e


romanas que citam os diversos movimentos batismais que estavam
surgindo naquele período. Muitos, confus ament e, esperavam alguma
coisa, Alguém. Mas só um, João, é citado como o Batista, e só ele
reúne em torno de si um movimento de homens e mulheres tão
vasto. Só a ele Jesus se refere constant ement e, citando-o ao povo
como o enviado de Deus. Sabemos com cert a precisão a data na
qual João começa a pregar a conversão e a batizar no Jordão: o
décimo quinto ano do império de Tibério César, ou sej a, entre
outubro de 27 e setembro de 28 depois de Cristo. João não tem a
pretensão de realizar milagres ou eventos prodigiosos, como as
figuras messiânic as que naquela époc a percorriam a terra de Israel.
A salvação não viria por magia, ele bem sabia. Mas do encont ro com
um homem. E ele deveria preparar os corações para aquele
encontro, chamando t odos, sem exceção, à penitência e à oração. E
ninguém podia apelar nem à teologia nem à ciência, nem à justiça
exclusiva dos grupos elitistas e sectários, e nem mes mo ao fato de
pertencer ao povo da promessa. Seu batismo é de conversão, não
um rito mágico de salvação. Não é um banho ritual, uma purificação
mecânica. Porque, dizia, estava para chegar alguém maior e mais
forte. Alguém enviado pela Graç a, aquela Graça que ele, João, trazia
inscrita no nome.
Viam-no pregar e batizar com água ao longo de todo o trecho
meridional do rio Jordão, em Betânia, Enon, Silimi. Publicanos e
soldados, pessoas simples ou ricas vinham até ele. E João a todos
repetia que ficassem contentes com o que tinham, alegres pelas
circunstâncias nas quais Deus os havia colocado, fazendo aquilo que

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 148


PROFETAS DA BÍBLI A

lhes fora assinalado. E esperando por Aquele cujas sandálias João


não era digno de desatar, Aquele que batizaria no Espírito Santo e
no fogo. Vinham também emissários do poder, para perguntar se ele
era o Messias. Sabe-se que Herodes Antipas temia havia tempo que
o movimento messiânico se trans formasse numa séria ameaça para
ele, numa insurreição cont ra seu governo cruel e corrupto. Cedo ou
tarde, teria de se livrar de João, pois seu movimento c rescia e as
pessoas acreditavam nele.
Um dia, entre a multidão, João apontou para Jesus, ali em
meio aos outros, confundido entre os outros. “Eis o Cordeiro de
Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo!”.
Chegara num dia como qualquer outro, como tant os outros.
No dia seguinte, relata o E vangelho, João, quando estava com dois
de seus discípulos, vê Jesus passar novamente e, fitando-o, diz: “Eis
o Cordeiro de Deus”. E os dois discípulos, ouvindo -o dizer isso,
seguem a Jesus. O E vangelho conta as primeiras palavras trocadas
entre Jesus e aqueles que seriam seus primeiros apóstolos, os
primeiros daquele grandioso movimento da história que dividiria o
tempo, que, circunstância após circunstância, chegou at é nós, para
mudar nossa vida: “Que procurai?”, “Mestre, onde moras?”, “Vinde e
vede”. Eram quatro da tarde. De modo simples, quase natural, João
cumprira sua missão, preparara o coração daqueles homens a
reconhecerem a Verdade, a comover -se de verdade. Bastou um
gesto, e pouc as palavras.
Padre Giussani, naquele mesmo lugar, no Jordão, conta
como ficou marcado pela simplicidade daquele extraordinário
moment o: “O que me surpreende é o mesmo de sempre, isto é, que

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 149


PROFETAS DA BÍBLI A

a verdadeira novidade acont ece por meio das circunstâncias


ordinárias. A artificiosidade jamais se enxerta organicamente na vida.
O clamor, a excepcionalidade não determinam a vida, apesar das
aparências. É o clamor de um sentido novo nas circunstâncias de
sempre que determina a vida. Jesus veio até aqui c omo todos os
outros judeus que seguiam o profeta, tal como vieram André e João.
Foi nessa adesão humilde ao comport amento de todos que brotou a
grande circunstância, ou seja, o acontecimento da salvação.
Fica evidente que João e André eram pessoas que, não
pretendiam qualquer coisa, mas esperavam. É nas circunstâncias do
dia-a-dia que irrompe, não o excepcional, mas o sentido de tudo. Se
um homem vive preso aos hábitos, à s ua rotina, no sentido de que
não presta atenção no dia-a-dia, jamais entenderá o sinal de Deus. E
a espera – uma vez que até no gesto mais corriqueiro da mulher que
lava os prat os pode haver espera (do marido que vem para casa, do
filho que volta da escola) – é sempre espera de alguma coisa maior.
Do fundo de sua cela, pouco antes de ser m orto, João
manda pergunt ar a Jesus se era ele ou um outro A quele que deveria
vir. Um gesto que foi interpretado como pedagógico feito para tirar
qualquer dúvida da cabeça de seus discípulos. É lícito pensar que
ele, João, ele que ex ultara no ventre materno, ele que batizara Jesus
e vira a forç a do Espírito, ele que primeiro intuíra e indicara a seus
amigos a pessoa que deveriam seguir, é lícito pensar que também
ele, João, tenha precisado tomar uma posição pessoalmente, diante
da sua expectativa pessoal, e quisesse saber o que estava
acontecendo. E Jesus lhe res ponde desta forma: diz aos
mensageiros que relatem o que viram e ouviram.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 150


PROFETAS DA BÍBLI A

Também o precursor profético do Messias, “tem de tomar


consciência de que o que veio é diferente do que ele esperava, e de
que sua ação salvífic a começa de maneira diferente das suas
expectativas ”.
Também para o profet a que prepara o caminho do S enhor só
há um caminho para a salvação pessoal: “O da fé na última
revelação de Deus, iniciada em Jesus de Nazaré”.
A morte de João é uma das páginas mais dramáticas do
E vangelho: ele atac a diret amente a Herodes, que tomara ao irmão
adotivo, mantido como refém dos romanos, a mulher, E rodiades.
Herodes manda prendê-lo e, como testemunha Flávio Josefo, faz
com que o aprisionem na tenebrosa fortaleza de Mac airo, numa das
celas sob o salão em que o tetrarca oferecia banquetes e festas
suntuosas. Mas Herodes teme o poder de João, e opõe -se a
Erodiades, que quer matar o profeta. A mulher vê a oportunidade de
vingar-se durante a festa que Herodes preparara para comemorar
seu aniversário; diante de toda a corte, faz sua filha de dezenove
anos, Salomé, dançar. A dança encanta o tirano, que promete dar-
lhe qualquer coisa. E rodiades sugere à filha que peça a cabeça de
João, cuja língua, segundo a tradição, arranca com um alfinete.
É singular como toda a vida de João foi dominada pela
referência constante a Jesus, e por sinais que remetem a um fim que
vai além de sua personalidade, ainda que excepcional. A graça da
concepção de Isabel, estéril e de idade avançada; a aparição do anjo
a Zacarias e a mudez que s e des faz ao pronunciar o nome do filho e
professar sua missão de precursor; o encontro entre Maria e Isabel e
o misterios o sobressalto; o grupo de discípulos que João reúne e

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 151


PROFETAS DA BÍBLI A

entrega a Cristo; a manifestação do Espírito Santo no batismo de


Jesus às margens do Jordão. São todos sinais que João jamais
relaciona a si mesmo, bem conscient e de que é Jesus aquele que
deve vir. Ainda assim, sua figura impôs-se com força tão excepcional
que, depois de sua morte, espalhou-se o boato de que ressuscitara,
e, por um bom tempo, a Igreja teve de sublinhar constantemente
como seu papel profético fora bem distinto do papel do Messias.
Quando Paulo chega a É feso, na Ásia Menor, encont ra doze
discípulos que haviam recebido o batismo de João e nunca tinham
ouvido falar do Espírito Sant o. Mas logo crêem no apóstolo e deixam
que os batize no nome de Jesus, como relatam os Atos. O homem
que preparara o caminho para Cristo foi fiel à sua missão mesmo
depois da morte. Último dos profetas – “mais que um profeta”, como
disse Jesus, definindo-o como o maior entre os nascidos de mulher –
, anunciara e preparara os caminhos para o S enhor. Desde o seio de
sua mãe até o martírio. Anunciando e esperando que se cumprisse o
que lhe fora prometido, e que ele, João, primeiro entre t odos os
homens, vira, reconhecera e indicara ao mundo.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 152


PROFETAS DA BÍBLI A

BI BLIOG R ÁFIA

A Bíblia Sagrada.
João Ferreira de Almeida.
Sociedade Bíblica do Brasil.
A pequena enciclopédia da Bíblia.
O S. Boyer.
Atravé s da Bíblia
Myer Pearman
Editora Vida – 1986
Hi stória de Israel
Martin Metzger
Editora Sinodal – 1984
O Novo Comentário da Bíblia
Edições Vida Nova - 1963.
Professor F. Davids on.
Dr. Russel P. Shedd
Profetas:
Jeremias – F. Cawley
Ezequiel – G. R. Beasley-Murray
Daniel – Edward J. Young
Oséias – G. A. Hadjiant oniou e
L. E. H. Stephens-Hodge
Joel – J. T. Carson
SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 153
PROFETAS DA BÍBLI A

Amós – Q. Bussey
Obadias – D. W. B. Robinson.
Jona s – D. W. B. Robinson.
Miquéias – A Fraser e
L. E. H. Stephens-Hodge
Naum – A Fraser
Habacuque – L. E. H. Stephens-Hodge
Sofonias – J. T. Carson.
Ageu – J. McIlmoyle.
Zacarias – G. N. M. Collins.
Malaquias – J. T. H. Adamson.

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 154


PROFETAS DA BÍBLI A

PROFETAS DA BÍBLIA

PROFETAS ATUAIS ISAÍAS


J EREMIAS EZ EQUIEL
DANIEL OS EIAS
JOEL AMÓS
OBADIAS JONAS
MIQUÉIAS NAUM
HAB ACUQUE SOFONIAS
AGEU ZACARIAS
MALAQUIAS ELIAS
ELIS EU JOÃO B ATISTA

SÉRIE: A B ÍB LIA SAGRADA 155


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