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CIÊNCIA POLÍTICA E DIREITO CONSTITUCIONAL


UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE LISBOA
1º ANO
CURSOS DIURNO E PÓS-LABORAL

2002-2003

J.J. Gomes Canotilho


Jónatas E. M. Machado

A - O ADVENTO DO CONSTITUCIONALISMO LIBERAL

I. O constitucionalismo como superação de concepções medievais


e absolutistas do poder político.

1.1. Cristandade
1.1.1. Papado e Império
1.1.2. Autoridade, hierarquia, estratificação social
1.1.3. Relações económicas feudais
1.2. Reforma (magisterial e radical)
1.2.1. Emergência da consciência individual
1.2.2. Desafio aos valores da autoridade, da hierarquia e da tradição
1.2.3. Democratização e nacionalização da religião
1.2.4. Igual dignidade de todos os indivíduos (quackers; levellers; diggers)
1.2.5. Afirmação gradual da soberania popular relativamente ao “direito
divino”
1.3. Guerras religiosas
1.3.1. Guerras germânicas, Paz de Augsburgo, 1555
1.3.2. Perseguição aos huguenotes franceses
1.3.3. A derrota da invencível armada (1588)
1.3.4. Guerra dos 30 anos (1618-1648)
1.3.5. A revolução puritana inglesa, Cromwell e o Novo Exército Modelo
(1646-9)
1.4. A Paz de Vestefália (1648)
1.4.1. Desenvolvimento do direito público
1.4.1.1. Advento do Estado Moderno
1.4.1.2. Territorialização da soberania
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1.4.1.3. Tolerância e paridade religiosa


1.4.1.4. Afirmação da legitimidade democrática e do direito de resistência
contra tiranos (João Calvino; Teodoro de Beza)
1.4.2. Surgimento do moderno direito internacional (Grócio, Pufendorf)
1.4.2.2. Negação das prerrogativas jurídico-públicas do papado
1.4.2.3. Fim das pretensões imperiais dos Habsburgo
1.4.2.4. Afirmação da igualdade soberana dos Estados

II. Constitucionalismo e luta pela limitação do poder político

2.1. Argumentos de reforço do poder do Monarca


2.1.1. O conceito de soberania absoluta (Bodin: Seis livros da República,
1576, Hobbes, Leviathan, 1651.
2.1.2. Monarquia de direito divino (Bossuet, Filmer)
2.1.3. A ideia de Razão de Estado (Maquiavel, Richelieu, Calvino, Hegel)
2.1.4. O Estado Patrimonial (Patrimonialstaat)
2.1.5. A concepção personalista do Estado (L'État c'est moi)

2.2. A tradição de limitação do poder político


2.2.1. A ideia greco-romana de constituição mista (Platão e Aristóteles)
2.2.2. Do mito da antiga constituição (the ancient constitution) às leis
fundamentais do reino
2.2.3. Das lex regia aos pactos medievais
2.2.4. Do conciliarismo ao pensamento monarcómaco
2.2.5. A ideia inglesa de constituição equilibrada (the balanced
constitution)
2.2.6. Direito natural, contrato social e soberania popular (Estoicismo e
Cristianismo; Locke e Rousseau)
2.2.7. Os direitos do homem e do cidadão
2.2.8. Separação de poderes (Locke e Montesquieu)

III. As primeiras experiências constitucionais

3.1. A herança Inglesa

3.1.1. A Magna Carta e os primórdios do parlamentarismo


3.1.2. A tradição jurisprudencial do Common Law
3.1.3 Do longo parlamento à gloriosa revolução de 1688
3.1.4. Documentos da história constitucional
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3.1.4.1. Petition of Right (1628)


3.1.4.2. Agreements of the People (1647-9)
3.1.4.3. Instrument of Government (1653)
3.1.4.4. Habeas Corpus Act (1679)
3.1.4.5. Bill of Rights (1689)
3.1.4.6. Toleration Act (1689)
3.1.5. Principais realizações constitucionais
a) Noção histórica de constituição
b) Primazia do Parlamento
c) Democracia governante
d) Garantia jurisdicional dos direitos dos ingleses
e) Coexistência da sociedade liberal com instituições pré-modenas
(Monarquia, Câmara dos Lords; Igreja Anglicana como Igreja oficial)

3.2. Aherança americana


3.2.1. A experiência colonial (Covenants e Royal Charters)
3.2.2. Declaração de Independência de 1776
3.2.3. A Constituição americana de 1787
3.2.4. As primeiras dez emendas: o Bill of Rights de 1791
3.2.5. Principais realizações constitucionais
a) Constituição escrita como lei superior
b) Forma republicana de governo
c) Primazia dos direitos fundamentais
d) Separação das Igrejas do Estado
e) Separação de poderes
f) Federalismo
g) Presidencialismo
h) Judicial Review

3.3. A herança Francesa


3.3.1. Luta contra o absolutismo e emergência do terceiro Estado
3.3.2. Revolução: dos Estados Gerais à Assembleia Nacional
3.3.3. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789
3.3.4. O conceito material da Constituição (art. 16º da DDHC)
3.3.4. Principais realizações constitucionais
a) Teorização do poder constituinte
b) Primazia dos direitos fundamentais
c) Legalidade da Administração
d) Laicidade do Estado
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IV - Principais momentos de conflito

4.1. Concepção aristotélico-tomista v. individualismo (protestante;


racionalista)
4.2. Soberania monárquica de direito divino v. soberania popular
4.3. Feudalismo v. Absolutismo
4.3. Mercantilismo v. economia de mercado (Adam Smith)

Bibliografia: J.J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição Coimbra, 5ª ed., Coimbra, 2002, 49-62

(apontamentos de desenvolvimento)

A - O ADVENTO DO CONSTITUCIONALISMO LIBERAL

I. O constitucionalismo como superação de concepções


medievais e absolutistas do poder político.

O constitucionalismo moderno desenvolveu-se como superação do


modelo político e institucional da Cristandade medieval, assente nos
valores de autoridade, hierarquia e estratificação social. A sociedade
estava estruturada, do ponto de vista económico, por relações pessoais
de vassalagem no contexto de uma economia agrária e feudal,
dependendo o estatuto de cada indivíduo da classe, ou estamento, a que
pertencesse: nobreza (e alto clero) ou povo (e baixo clero).
Este modelo de organização política começa a ruir com a
revolução científica de Copérnico, Galileu e Kepler, sendo o golpe
decisivo desferido pela Reforma Protestante. Esta traz para o centro do
debate teológico-político a consciência individual e acaba por conduzir à
afirmação das diferentes nacionalidades, contra a hegemonia do Papa e
do Imperador. A Reforma traz consigo as guerras religiosas, com
particular relevo para a guerra dos 30 anos (1618-1648), as quais vão
culminar na Paz de Vestefália (1648). É a este momento que a
generalidade dos cultores do direito público associam o advento da
garantia jurídica dos primeiros direitos fundamentais, a consolidação da
figura jurídico-política do Estado Moderno, e, com ela, o surgimento do
direito internacional público tal como o conhecemos (Grócio, Pufendorf).
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II. Constitucionalismo e luta pela limitação do poder político

O constitucionalismo moderno tem como elemento caracterizador a


luta pela limitação do poder político. Todavia, a mesma teve que ser
travada com persistência teorética e político-institucional. Isto, porque as
ideias que apontavam para a centralização e o reforço do poder político
tinham uma longa tradição. Além disso, a experiência das guerras civis
religiosas constituia, para muitos, um forte argumento no sentido do
fortalecimento da autoridade do Monarca.

2.1. Argumentos de reforço do poder do Monarca

O reforço do poder do Monarca foi conseguido, nos secs. XVI a


XVIII, com base em argumentos desenvolvidos a partir das ideias de
soberania absoluta, direito divino, razão de Estado, Estado patrimonial e
identificação O conceito de soberania absoluta foi desenvolvido por Jean
Bodin, nos seus Seis livros da República, 1576, e por Thomas Hobbes,
na sua obra Leviathan, 1651. Ambos sofriam daquilo que George
Haverkate designa por síndrome da guerra civil, na medida em, tendo
vivido no meio de guerras civis religiosas, um e outro surgem em boa
medida como defensores do reforço da autoridade do Estado. Todavia,
para Bodin, o reforço da autoridade do Monarca passava pela
consideração das forças sociais intermédias, essencial para o reforço do
seu poder. Para Thomas Hobbes, o poder político era legitimado através
do contrato social e já não do direito divino. A sua força, quer se trate de
um monarca ou de um parlamento, residia no facto de que o mesmo é o
único depositário dos direitos que os indivíduos para ele transferem
através do contrato social. Note-se, todavia, que para Thomas Hobbes, o
reforço do poder político não passava necessariamente pelo Monarca,
na medida em que, em seu entender, os direitos individuais poderiam ser
transferidos para uma assembleia.
Estes desenvolvimentos não impediram a persistência de teorias
da soberania assentes na concepção de Monarquia de direito divino,
cuja origem se encontra nas tradições imperiais e monárquicas romas,
gregas e hebraicas. De acordo com esta concepção, o titulo de
legitimação dos Monarcas tinha uma natureza sobrenatural. Alguns deles
utilizavam esta premissa para exercerem o seu poder de forma absoluta
e incondicionada. O raciocínio era simples: se Deus não consulta
ninguem quando toma decisões, os Monarcas, representantes de Deus
na terra, também não têm que o fazer. Uma outra linha de reforço do
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poder absoluto dos monarcas encontra-se na ideia de Razão de Estado,


de que ainda hije se encontram ressonâncias. Quer se tenha em vista a
conquista e a manutenção do poder (Maquiavel), a protecção dos
interesses superiores da segurança e da independência do Estado
(Richelieu) a promoção de uma concepção divina do poder político
(Calvino), ou mesmo, como se sustentou mais recentemente, a noção de
que o Estado é uma manifestação objectiva do Espírito absoluto (Hegel),
a verdade é que a ideia de razão de Estado pode facilmente conduzir à
ideia de que os fins justificam os meios. Mas a fundamentação do poder
absoluto dos monarcas recorreu a outro apoio jurídico-doutrinal. A ideia
romana de propriedade alodial, ou incondicionada, foi utilizada para
sustentar qualificação do soberano como supremo proprietário do reino,
incluíndo os seus súbditos, concepção que a doutrina reconduz à ideia
de Estado patrimonial (Patrimonialstaat). A mesma tinha ainda como
pedra de toque uma concepção personalista do Estado (L'État c'est moi),
que tendia a identificar a pessoa, os interesses, a propriedade e a
religião do Monarca com a pessoa, os interesses, a propriedade e a
religião do Estado.

2.2. A tradição de limitação do poder político

Paralelamente aos argumentos que apontavam para o reforço do


poder do monarca, desenvolve-se uma tradição no sentido da sua
limitação. São várias as linhas de pensamento em que a mesma se
apoia. Desde logo, deve destacar-se o relevo da ideia greco-romana de
constituição mista, nas suas versões de Platão e Aristóteles. Na Idade
Média assiste-se em alguns quadrantes (v.g. Inglaterra e França), ao
recurso à ideia, pouco menos que mítica, da antiga constituição (the
ancient constitution), como o objectivo de impõr limitações à actuiação
dos monarcas. Igualmente importante é o apelo às chamadas leis
fundamentais do reino, em matérias como a sucessão dinástica
(masculina, católica, protestante, etc.), a disposição do território do reino,
a convocação das Cortes Gerais, etc. Uma outra noção, que vai marcar
as discussões em torno da legitimação do monarca é a doutrina lex
regia, procedente do direito público romano. No seu sentido original, a
mesma pretendia limitar o poder do Imperador, sublinhando o carácter
popular da sua legitimidade, através da ideia que que o seu poder
resultava de uma concessão (concessio) do poder tribunício da plebe,
provisória e revogável. Os partidários do absolutismo imperial, quando
não recorrem a argumentos de direito divino, sublinham o carácter
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definitivo e irrevogável dessa transferência do poder (translatio). Uma


construção semelhante vai ser usada na Idade Média relativamente aos
pactos medievais. Mas a ideia de limitação do poder do monarca deve
muito aos argumentos desenvolvidos pelo conciliarismo, que no âmbito
da Igreja Católica defendia o poder do Concílio, enquanto assembleia
representativa dos Bispos, relativamente ao Papa, bem como ao
pensamento monarcómaco, que, com base em premissas protestantes
desenvolvidas por João Calvino e Teodoro de Béza, reclamava para o
povo, que não apenas para o Papa, o direito de depôr Monarcas que
hajam abusado do seu poder. Mais proximamente, encontramos na
experiência inglesa de constituição equilibrada (balanced constitution), e
nas concepções racionalistas de direito natural, consentimento individual,
contrato social e soberania popular, os fundamentos directos para a
consagração dos direitos do homem e do cidadão, da separação de
poderes (Locke e Montesquieu) e da democracia representativa.
Estas ideias atacam directamente as premissas em que repousava
o absolutismo monárquico. A propria ideia de absolutismo é rebatida com
o princípio da separação de poderes baseado na ideia de que o poder
corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente (Lord Acton). De
acordo com este entendimento, em vez de se concentrar nas mãos de
um só deve distribuir-se por vários poderes que se controlam
reciprocamente (checks and balances). Por sua vez, o direito divino dos
monarcas dá lugar ao consentimento individual, ao contrato social e à
soberania popular. A ideia de razão de Estado, é gradualmente
substituida pelas exigências de legalidade, racionalidade,
proporcionalidade e previsibilidade da actuação estadual, decorrentes
dos princípios da igualdade, da proibição do arbítrio e da protecção da
confiança dos cidadãos. As concepções de Estado patrimonial,
juntamente com a estrutura socio-ewconómica estamental e feudal, são
superados pela defesa da propriedade e da iniciativa económica privada
(v.g. Jean Baptiste Say; Adam Smith) e pelo princípio no taxation without
representation. A concepção personalista do Estado é superada pela
teoria do órgão, com base na qual se insiste na distinção entre a pessoa
jurídica do órgão e a pessoa física do seu titular.

III. As primeiras experiências constitucionais

3.1. A herança Inglesa


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O constitucionalismo moderno deve muito ao desenvolvimento


político e institucional da Inglaterra. A Magna Carta (1215), apesar da
sua natureza pactícia e da sua inserção pré-moderna, lançou as bases
da protecçãoe dos direitos fundamentais que hoje conhecemos e do
desenvolvimento do parlamentarismo. A tradição jurisprudencial do
Common Law encontra-se intimamente ligada à limitação do poder
legislativo do Monarca, à garantia da independência das instituições
jurisdicionais e â protecção dos direitos fundamentais. O percurso que,
no sec. XVII, vai desde a insurreição Puritana e da República de
Cromwell até à consolidação da primazia do Parlamento através da
gloriosa revolução de 1688 constitui um marco no constitucionalismo
moderno, extremamente rico em ideias que iriam marcar as revoluções
liberais na América do norte, na França e um pouco por todo o lado.
Desde logo, é aqui, no regicício do Carlos I Stuart, que, pela primeira
vez, os representantes do povo reclamam para si o direito, teorizado
pelos monarcómacos, de resistir contra um Monarca que abusa dos seus
poderes soberanos. É nesse contexto que surgem as defesas mais
radicais da democracia constitucional republicana (levellers, diggers,
Overton, Cromwell), apoiadas em documentos da maior importância
para a história constitucional, como sejam a Petition of Right (1628), os
Agreements of the People (1647-9) e o Instrument of Government
(1653), estes últimos geralmente referenciados como os primeiros textos
constitucionais da modernidade. Merecem igualmente destaque, numa
fase posterior, o Habeas Corpus Act (1679), o Bill of Rights (1689) e o
Toleration Act (1689). As principais realizações que marcam o legado
britânico para o constitucionalismo moderno prendem-se com a noção
histórica de constituição, idependentemente de qualquer constituição
escrita, e com a defesa da primazia do Parlamento. Do ponto de vista da
teoria política merece um destaque especial John Locke, com a sua
defesa de um governo limitado baseado na autonomia individual e no
contrato social. Refira-se que a garantia jurisdicional dos direitos dos
ingleses e a democracia governante, que actualmente caracterizam as
instituições políticas inglesas, se desenvolvem à margem de qualquer
controlo de constitucionalidade dos actos legislativos. Uma outra nota
característica do sistema político britânico, até aos nossos dias, consiste
na coexistência da sociedade liberal moderna com instituições
tipicamente pré-modernas, como sejam a Monarquia, a Câmara dos
Lords e a Igreja Anglicana como Igreja oficial.

3.2. A herança americana


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Do maior relevo, no constitucionalismo moderno, é a experiência


norte-americana. A ideia de constituição escrita deve ser procurada na
experiência colonial, em que a mundividência calvinista e puritana dos
pactos fundadores solenes (Covenants) coexistia com as exigências
administrativas de dotação das colónias de um estatuto régio através de
Royal Charters. Refira-se que muitas das ideias que haviam sido
difundidas na Inglaterra do sec. XVII, acabam por florescer em solo
norte-americano, na Nova Inglaterra, na Pennsylvania, em Rhode Island
e na Virginia, quer por influência dos puritanos que haviam fugido às
perseguições religiosas, quer por força de uma aristocracia culta,
influenciada pelo protestantismo mais racionalista. Pense-se na defesa
da liberdade religiosa empreendida por Roger Williams, na defesa da
liberdade de expressão, feita por John Milton, e na defesa de um
governo limitado pelos direitos naturais, desenvolvida por John Locke.
Essas e outras ideias vão culminar na Declaração de Independência, 4-
7-1776, redigida por Thomas Jefferson. Aí se condensam princípios
como a soberania popular, o direito de resistência e e o direito de
autodeterminação, os quais são reconduzidos às premissas da
precedência e prevalência dos direitos naturais e do consentimento
individual. Nessa mesma base vai reponsar a Constituição americana de
1787 e as suas primeiras dez emendas, que integram o Bill of Rights, de
1791. A partir daqui, as principais realizações constitucionais norte-
americanas consistem na existência de uma constituição escrita, no seu
reconhecimento como como lei superior, na forma republicana de
governo, na primazia dos direitos fundamentais, na separação das
Igrejas do Estado, na separação de poderes, no federalismo e no
presidencialismo. Um destaque especial vai ainda para a instituição da
Judicial Review,com o caso Marbury v. Madison, de 1803. Aí, o 4º Chief
Justice do Supremo Tribunal norte-americano, qualificou a Constituição
como lei superior, susceptível de ser chamada a decidir o desfecho de
um caso concreto e a justificar a invalidação de uma lei do Congresso.

3.3. A herança Francesa

O desenvolvimento político-institucional francês caracteriza-se pelo


colapso da monarquia absoluta e do sistema feudal e estamental em que
a mesma se apoiava. Os acontecimentos que levam à revolução
francesa prendem-se principalmente com a situação intolerável a que o
terceiro estado tinha chegado. O clero e a nobreza não aceitavam pagar
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impostos, ao passo que o terceiro estado era tributado até ao limite das
suas forças. O panfleto “O que é o Terceiro Estado?”, escrito no princípio
de 1789 por Emmanuel de Siyes, capta com particular acutilância a
situação de extrema penúria de uma classe em cujo labor se apoiavam
as outras, mas que se via privada de toda e qualquer medida de poder
político. É esta situação que vai explicar que, depois da convocação dos
Estados Gerais por Luis XVI, o terceiro estado entre em rotura com o
sistema e se auto-proclame como Assembleia Nacional, dando corpo à
revolução francesa. O forte enraizamento dos poderes estabelecidos e o
modo inflexível como os mesmos defendiam os seus direitos adquiridos,
sem aos vícios sistémicos e estruturais que lhes serviam de base,
explicam em grande medida a violência e a amargura que
caracterizaram este movimento social. Refira-se que neste contexto vão
ser acolhidas muitas das ideias que desde o sec. XVII vinham sendo
avançadas na Inglaterra e na America do norte, devendo referir-se ainda
os contributos de homens como Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau,
Mirabeau, Condorcet, Sieyes, etc. Indissociavelmente ligada à
Revolução francesa surge a Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão de 1789, na qual encontramos a pena de Thomas Jefferson,
então embaixador americano em Paris, juntamente com a influência de
Lafayette, oficial francês que combatera os Inglesas na guerra da
Independência dos Estados Unidos, ao lado de George Washington. O
legado francês para o constitucionalismo liberal inclui ainda o conceito
material de constituição (art. 16º da DDHC), assente na defesa dos
direitos fundamentais e do princípio da separação de poderes, a
teorização do poder constituinte, a primazia dos direitos fundamentais, a
prevalência de lei e a legalidade da Administração, a liberdade religiosa
e a laicidade do Estado.

30 de Outubro de 2000

B - O PODER CONSTITUINTE

I - Primeiros suportes teóricos do poder constituinte

1.1. A tradição puritana dos concertos (covenants) solenes (“Agreements


of the People”; “Mayflower Compact”; “Fundamental Orders of
Connecticut”
1.2. As teorias do contrato social
1.3. A sua influência no constitucionalismo norte-americano
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II. A teorização de Emanuel de Siéyes

2.1. A nação (3º Estado) como titular do poder constituinte


2.2. Poder constituinte e poderes constituídos
2.3. Poder constituinte originário (criação) e derivado (revisão)
2.4. Características do poder constituinte originário
2.4.1. Inicial
2.4.2. Autónomo
2.4.3. Omnipotente
2.5. O poder constituinte derivado como poder constituído

III. As divergências quanto à titularidade

3.1. Soberania monárquica


3.2. Soberania nacional
3.3. Soberania popular
3.4. O conceito idealista germânico de soberania
3.4.1. Estado (Staat)
3.4.2. Povo (Volk)

IV. Principais procedimentos constituintes

4.1. Procedimento constituinte representativo (assembleia


constituinte soberana)
4.2. Procedimento constituinte directo
4.2.1. Referendo (consulta democrática baseada na soberania popular)
4.2.2. Plebiscito (corrupção de uma consulta democrática)
4.3. Procedimento constituinte monárquico (outorga pelo monarca)
4.4. Misto representativo e referendário (assembleia constituinte
não soberana)
4.5. Misto representativo e monárquico (constituições pactuadas)

V - Problemática actual do poder constituinte

5.1. Juridicidade do poder constituinte


5.2. Legitimidade do poder constituinte
5.3. Limites ao poder constituinte
5.3.1. Limites formais e materiais
5.3.1. A noção de pré-constituição (Vorverfassung)
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5.3.2. O conceito de supraconstitucionalidade auto-generativa

VI. O poder constituinte no constitucionalismo português

4.1. O confronto entre a soberania monárquica e a soberania


democrática
4.2. Monarquia constitucional e luta pelos valores liberais
4.3. Do constitucionalismo liberal (1822) e republicano (1911) à
Constituição de 1976
4.4. A anatomia do anti-liberalismo
4.4.1. Absolutismo miguelista
4.4.2. Constitucionalismo da restauração (Carta Constitucional de 1826)
4.4.3. O Estado novo (Constituição de 1933)
4.4.4. Marxismo-leninismo (Constituição de 1976)
4.5. Procedimentos constituintes adoptados
4.5.1. Procedimento constituinte representativo: Constituições de 1822,
1911 e 1976.
4.5.2. Procedimento constituinte directo, por plebiscito: Constituição de
1933.
4.5.3. Procedimento constituinte monárquico: Carta Constitucional de
1826 (D. Pedro IV)
4.5.4. Procedimento constituinte misto: Constiuição de 1832 (Cortes
Gerais; D. Maria II).

Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, 5ª ed., Coimbra, 2002, 63-102.

(apontamentos de desenvolvimento)

B - O PODER CONSTITUINTE

O constitucionalismo moderno assenta, em boa medida, no


surgimento de constituições escritas. Mas as mesmas têm subjacentes
determinadas concepções a titularidade do poder constituinte, entendido
este, em termos muito genéricos, poder de criar uma constituição. Desde
logo, impõe-se responder a questões como: Quem é o titular do poder
constituinte? Porquê? Como é que esse poder se exerce? Qual o seu
sentido? Quais os seus limites? As linhas que se seguem dar-se-à conta
dos fundamentos substantivos e teoréticos do poder constituinte.
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I - Primeiros suportes teóricos do poder constituinte

As primeiras experiências de tipo constituinte, na Inglaterra do sec.


XVII, e na America do norte, nos secs. XVII e XVIII, têm o seu principal
escoramento na tradição puritana dos concertos solenes (Covenants),
de base calvinista. Para o Reformador Protestante João Calvino, as
ordens divinamente estabelecidas, a família, a Igreja e o Estado eram
vistas, acima de tudo, como pactos solenes.
Esta ideia é visível quer nos documentos históricos ingleses já
referidos, os Agreements of the People o Instrument of Government, de
Oliver Cromwell, quer nos textos do Mayflower Compact ou nas
Fundamental Orders of Connecticut, da experiência colonial americana.
No entanto, deve a teorização dos pactos com um pendor mais
racionalizado e universalista é dada através da ideia de contrato social,
devendo destacar-se a teorização de John Locke. Os indivíduos são
concebidos numa situação originária de estado de natureza, detentores
de direitos naturais como a vida, a liberdade e a propriedade (embora
esta seja concebida como resultante do trabalho humano).
No entanto, nesse estado de natureza a defesa e execução dos
direitos naturais é precária e dependente das relações de força
existentes. Daí que os indivíduos, em condições de igualdade, celebrem
entre si um contrato social, criador de poderes públicos de natureza
legislativa, executiva e federativa. Dessa forma passa-se do estado de
natureza para o estado civil. No estado civil, os indivíduos conservam os
seus direitos naturais, transferindo para o governo civil apenas o direito
executivo dos direitos naturais. No pensamento de John Locke, a
garantia dos direitos naturais é considerada o sentido, o objectivo e o
limite da actuação do Estado. Este é visto como tendo a sua origem no
poder supremo (supreme power), entendido como o consentimento dos
cidadãos livres e iguais.

II. A teorização de Emanuel de Siéyes

Um relevo particular assume a teorização empreendida por


Emmanuel de Sieyes. Refira-se, todavia, que os seus propósitos tinham
mais que ver com uma teoria aplicada à luta política do que com
preocupações de teoria política pura. Para ele, a Nação identifica-se com
o terceiro estado, a classe tradicionalmente oprimida e espoliada,
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reduzida a nada pelas classes dominantes, o clero e a nobreza. Em seu


entender, uma reforma política profunda só será possível ser as outras
classes forem reduzidas a nada e o terceiro estado passar a ser tudo,
devendo passar a ser visto como o único e legítimo titular do poder
constituinte. Sieyes distingue entre o poder constituinte, enquanto
poder de criar uma constituição, e poderes constituídos, de natureza
legislativa, executiva e judicial, criados pela constituição.
Entre aquele e estes encontra-se o poder de revisão constitucional,
que é simultaneamente constituído e constituinte, na medida em que
actua sobre a ordem constitucional, dentro de certos limites impostos por
ela. Trata-se aqui de poder constituinte derivado, por oposição ao
poder constituinte originário, que é o poder de criar ex novo uma
constituição. Para Sieyes, o poder constiuinte originário é inicial,
autónomo, omnipotente. Inicial, porque antes dele só existem poderes
de facto. Nem a potestas eminens do Monarca, nem os iura quesitae, do
clero e da nobreza, apoiados numa legitimação histórica ou no direito
divino, podem sobrepor-se à legitimidade democrática do terceiro
estado. Autónomo, porque só a ele pertence decidir quando e como é
que se fará uma Constituição. Omnipotente, porque só a ele pertence
decidir quais os valores, os princípios e as regras que devem ser
consagrados na Constituição, não existindo qualquer limitação externa.

III. As divergências quanto à titularidade do poder constituinte

Tradicionalmente entendia-se que a Nação era constituída pelo


Monarca, pelo Clero e pela Nobreza. Mas o poder soberano era atribuído
exclusivamente ao Monarca. No advento do constitucionalismo moderno
alguns monarcas, confrontados com as exigências liberais e
revolucionárias de limitação dos seus poderes, vão procurar sustenter o
poder constituinte nas suas tradicionais prerrogativas de soberania.Os
mesmos invocam para si o poder de outorgar ex mera gratia, cartas
constitucionais, entendidas como cartas reais, surgindo as constituições
assim criadas, não como o produto por excelêncioa da soberania
popular, mas como expressão de um poder de auto-limitação do
Monarca. Este entendimento está bem presente na luta que se trava,
nos secs. XVIII e XIX pela titularidade do poder constituinte, sob a
designação de doutrina da soberania monárquica. Relativamente a
este tese, a doutrina da soberania nacional, avançada por Sieyes,
representa uma rotura fundamental. O mesmo se pode dizer da tese
sustentada por Jean-Jacques Rousseau, da soberania popular, que vê
15

na soma de todos os cidadãos, portadores de uma parcela da soberania


indivisível, inalienável e insusceptível de representação, o titular do
poder soberano no seio da comunidade política. Uma ideia de soberania
popular próxima das concepções referidas encontra-se no
constitucionalismo norte-americano, colocando o poder constituinte na
titularidade dos representantes, devidamente legitimidados, do povo (We
the people of the United States... do ordain and establish this
Constitution...). Refira-se que no contexto germânico a problemática do
poder constituinte surge frequentemente inserida nas concepções
idealistas de Estado (Staat) e Povo (Volk), podendo estas expressões
assumir um sentido bastante diferente das suas congéneres da tradição
liberal anglo-saxónica e francesa.

IV. Principais procedimentos constituintes

As diferentes concepções do poder constituinte conduzem a


procedimentos constituintes também distintos. Assim, por exemplo, uma
teoria monárquica do poder constituinte, ou soberania monárquica,
conduz naturalmente a um procedimento constituinte monárquico.
Uma concepção de soberania nacional, como a de Sieyes, encontra-se
associada a um procedimento constituinte representativo, traduzido
na eleição de uma assembleia constituinte soberana, dotada do poder
de elaborar e aprovar uma Constituição. Uma concepção de soberania
popular próxima da de Rousseau liga-se ao procedimento
constituintes directo, encontrando-se directamente relacionada com a
figura do referendo constitucional. Refira-se que neste contexto a
doutrina distingue, em termos maniqueístas, entre referendo, entendido
como uma consulta democrática genuinamente baseada na soberania
popular, e plebiscito, visto como uma corrupção de uma consulta
democrática. Importa ainda referir, no âmbito desta problemática, que
são pensáveis ainda modelos mistos. Assim, por exemplo, pode adoptar-
se um procedimento constituinte misto representativo e referendário,
assente na eleição de uma assembleia constituinte não soberana, com o
poder de elaborar a constituição, mas ficando a aprovação desta
reservada para uma consulta popular. Do mesmo modo tem acontecido
nalguns casos o recurso a um procedimento constituinte misto
representativo e monárquico, dando origem às chamadas constituições
pactuadas, quando se pretende resolver o problema imediato da
organização do poder político sem decidir de forma definitiva a questão
fundamental de saber quem é o titular último do poder constituinte. A
16

prática constituinte norte-americana apresenta ainda um modelo misto


representativo, a nível federal e federado, com uma assembleia
constituinte não soberana a ser complementada por assembleias
soberanas, a nível dos Estados federados.

V - Problemática actual do poder constituinte

5.1. Juridicidade do poder constituinte

Um dos problemas que se tem discutido na doutrina do direito


constitucional, prende-se com a juridicidade do poder contituinte.
Actualmente entende-se que mesmo o exercício do poder constituinte
por altura de uma rotura revolucionária pode revestir uma natureza
jurídica, ou jurisgénica, na medida em que a mesma se reclame de uma
ideia de direito e normatividade susceptível de ser aceite como legítima.

5.2. Legitimidade do poder constituinte

A questão anterior remete para a problemática da legitimidade do


poder constituinte. Esta diz respeito à dignidade de reconhecimento
como justa da ordem jurídico-política criada pelo poder constituinte. A
mesma prende-se quer com a legitimidade dos valores, princípios e
regras jurídicas que fundamentam essa ordem, quer com a legitimidade
e legitimação das instituições políticas constituídas que a corporizam,
dos seus titulares e dos seus procedimentos de funcionamento. Em
nosso entender, a plausibilidade de uma qualquer doutrina sobre a
legitimidade do poder constituinte e de uma Constituição deverá apontar
para um equilíbrio entre três dimensões essenciais, sendo uma de
natureza procedimental, outra de natureza sociológica, e outra de
natureza substantiva. Em primeiro lugar, requer-se do poder constituinte,
sob pena de ilegitimidade, que o seu exercício se subordine a
metaprincípios procedimentais de igualdade, de liberdade, de justiça e
transparência, em momentos como a eleição de uma assembleia
constituinte, a elaboração do seu regimento e condução dos seus
trabalhos, designadamente na discussão e votação. Está-se aqui
perante uma ideia de legitimação através do procedimento (Niklas
Luhmann). Em segundo lugar, a legitimidade diz também respeito à
capacidade de vigência ou efectividade de uma ordem constitucional,
tendo em conta os valores, os interesses, as concepções e as
experiências de uma determinada comunidade. Fala-se, a este
17

propósito, de legitimidade em sentido fáctico-sociológico. Em terceiro


lugar, a doutrina enfatiza a importância decisiva do conteúdo material da
Constituição, do ponto de vista da conformidade das suas disposições
com princípios fundamentais de justiça racionalmente acessíveis a todos
os cidadãos, na sua qualidade de indivíduos livres e iguais (John Rawls,
Jürgen Habermas, T.S Scanlon, Jr.). Neste contexto, trata-se da
legitimidade em sentido teorético-político e jurídico-normativo.

5.3. Limites ao poder constituinte originário

Como vimos anteriormente, Emmanuel Sieyes entendia o poder


constituinte como inicial, autónomo e omnipotente. No entanto, mesmo
este entendimento deve ser qualificado, na medida em que Sieyes
reconhecia a existência de princípios universais de direito natural.
Actualmente, a doutrina chama a atenção para a existência de limites
formais e materiais, vinculativos mesmo do poder constituinte originário.
Do ponto de vista formal, a doutrina recorre à noção de pré-
constituição (Vorverfassung) para designar, para além das instituições
pré-constitucionais responsáveis pela governação, as normas
substantivas e procedimentais que vão disciplinar juridicamente os
procedimentos de eleição de uma assembleia constituinte, as regras de
procedimento que regem a discussão e votação das normas
constitucionais e que definem o momento da entrada em vigor destas
últimas, e, eventualmente, as normas que regulam o exercício de um
referendo de aprovação ou confirmação de uma Constituição. Tendo em
vista principalmente os limites materiais de revisão, a doutrina recorre
ainda ao conceito de supraconstitucionalidade auto-generativa, para
designar todo um conjunto de concepções, valores ou condicionantes de
natureza política, cultural, económica, jurídico-internacional,
antropológica, sociológica que limitam o espaço de manobra do poder
constituinte.

VI. O poder constituinte no constitucionalismo português

6.1. As principais concepções em confronto

O constitucionalismo português do sec. XIX caracteriza-se por uma


acesa luta entre diferentes concepções, em questões como a titularidade
da soberania e do poder constituinte, a fundamentação do poder político
e do direito, os direitos individuais, etc. Não sendo possível dar conta,
18

aqui e agora, de todas as nuances em presença, pode afirmar-se, em


termos simplificados, que em confronto estavam as posições
fundamentais graficamente representadas através do seguinte esquema:

Absolutismo Monarquia Constitucional


Republicanismo

Constituição Monarquia
Monarquia Constituição

Monarquia Constituição

Na primeira célula temos representada a doutrina pré-moderna


tradicional daqueles que defendiam a soberania monárquica
incondicionada, com base em argumentos de legitimidade dinástica e de
direito divino. Depois da revolução liberal, esta posição vai ser defendida
por D. Miguel e os seus acólitos, entre 1828 e 1834, embora com a
resistência armada por parte dos liberais.

Na segunda célula representa-se a doutrina, triunfante na


revolução de 1820 e na Constituição de 1822, que sustentava o princípio
da soberania popular, como fonte do poder constituinte, e a primazia da
Constituição sobre o Monarca. A fonte de legitimação deste último era a
vontade do povo, sendo a monarquia um poder constituído, ao lado dos
demais, subordinado à Constituição.

Na terceira célula refere-se o entendimento, subjacente à Carta


Constitucional de 1826, ou Constituição outorgada, nos termos do qual a
soberania reside em última instância no Monarca, com base numa
legitimação teológico-confessional, sendo o poder constituinte uma forma
de auto-limitação graciosa e magnânima daquele, expressão da sua
“profunda e real sabedoria”.

A segunda e a terceira células colocam lado a lado, no plano


superior, a monarquia e a constituição, e, no plano inferior, a constituição
e a monarquia. Em conjunto, elas podem representar o impasse que se
19

deu em 1838, com a aprovação de uma Constituição pactuada,


aprovada pela intervenção conjunta de um assembleia representativa e
da Rainha D. Maria II, sem que se decidisse, nesse momento, a questão
da titularidade última do poder soberano.

Na quarta célula exprime-se o entendimento que viria a triunfar na


Revolução de 5 de Outubro de 1910, e na Constituição de 1911. Afirma-
se o princípio da soberania popular, baseado num princípio de igual
dignidade e liberdade. Este princípio, que conduziu à liberdade religiosa
e à separação das confissões religiosas do Estado, tinha subjacente
uma radical inimizade a privilégios, sendo o Governo da res publica
concebido como uma função dos cidadãos, pelos cidadãos e para os
cidadãos.

A intensidade do confronto político-constitucional é bem visível na


sucessão de das vigências da Constituição de 1822 e da Carta
Constitucional de 1826, tendo a última vigência deste texto constitucional
perdurado até 5 de Outubro de 1910, data da implantação da República.
Como resulta do esquema apresentado, o constitucionalismo português
caracteriza-se, em boa medida, por uma tensão dialética entre duas
linhas fundamentais de desenvolvimento jurídico-político distintas,
separadas por um continnum de nuances e posições intermédias.
A primeira, arranca da revolução liberal e da Constituição de 1822
que se lhe seguiu, passa pela Constituição republicana de 1911 e
culmina na Constituição de 1976. Estes instrumentos constitucionais
exprimem o desenvolvimento dos valores e princípios característicos do
constitucionalismo moderno, que, segundo Peter Häberle, integram o
chamado “tipo” do Estado Constitucional. Os mesmos afirmam uma
teoria democrático-representativa do poder constituinte, colocando a
soberania popular no fundamento último do poder político e do direito.
Refira-se, apesar de tudo, que a Constituição de 1822 não conseguiu
afirmar plenamente os valores liberais, mantendo-se a censura
eclesiástica sobre as publicações. Será a afirmação e confirmação da
liberdade de consciência e de religião e do princípio da separação das
confissões religiosas do Estado, respectivamente pela Constituição de
1911 e pela Constituição de 1976 que permitirá a consolidação do
constitucionalismo liberal moderno em Portugal.
A segunda linha, onde se manifesta a anatomia do anti-
liberalismo, observa-se no absolutismo miguelista, no
constitucionalismo da restauração (Carta Constitucional de 1826), no
20

Estado novo (Constituição de 1933). Trata-se aqui de uma orientação


que dá primazia aos valores pré-modernos da autoridade, da hierarquia
e da tradição, em detrimento da autonomia racional e moral-prática dos
indivíduos e da sobernaia popular. Quando se admite a necessidade ou
utilidade de uma Constituição, o que não era certamente o caso do
avsolutismo miguelista, defende-se uma concepção autoritária, anti-
liberal e anti-democrática do poder constituinte. Foi o que sucedeu com o
procedimento constituinte monárquico que conduziu à Carta
Constitucional de 1826, compreendida como auto-limitação graciosa e
benevolente do monarca. Também a concepção autoritária e plebiscitária
de poder constituinte, que esteve na base da Constituição de 1933,
assentava em premissas fortemente críticas da democracia parlamentar
e dos direitos fundamentais, na acepção do constitucionalismo liberal
moderno. Como já se disse, no sec. XIX estas linhas de pensamento
conhecem um impasse na Constituição pactuada de 1838, em que se
adopta um procedimento constituinte misto, democrático e monárquico.

6.2. Procedimentos constituintes adoptados

Sintetizando as considerações anteriores, podemos elencar os


vários procedimentos constituintes que estiveram na base dos diversos
textos constitucionais portugueses. Em primeiro lugar, resultaram de um
procedimento constituinte representativo as Constituições de 1822,
de 1911 e 1976. Como resultado de um procedimento constituinte
monárquico temos a Carta Constitucional de 1826 (D. Pedro IV). Por
sua vez, foi um procedimento constituinte misto que conduziu à
elaboração e aprovação da Constiuição de 1838, em que intervieram
conjuntamente as Cortes Gerais e a rainha D. Maria II. A Constituição
de 1933 resultou de um procedimento constituinte directo, embora
deva sublinhar-se que se estava aqui perante concepções anti-liberais e
anti-parlamentares que escolheram a forma de plebiscito, enquanto
referendo substancial e formalmente irregular, para aprovação da
Constituição. Um outro ponto que deve ser considerado prende-se com a
presença, na sequência da Revolução de Abril de 1974, de uma forte
componente ideológica marxista na versão inicial da Constituição de
1976, manifestando-se também por essa via o pensamento anti-liberal,
tendo essa componente sido gradualmente desactivada através das
sucessivas revisões constitucionais.
21

C - DIREITO PÚBLICO E DIREITO CONSTITUCIONAL

I. O Direito Público e o Direito Privado

1.1. Origem da distinção


1.2. Critérios da distinção
1.2.1. Teoria dos interesses [interesses privados (públicos) = direito
privado (público)].
1.2.2. Teoria da subordinação (direito privado, relações paritárias; direito
publico, relações de subordinação).
1.2.3. Teoria dos sujeitos (sujeitos das relações jurídicas reguladas pelas
normas) (teoria dominante)
1.3. Objecções às diferentes teorias
1.3.1. Todo o direito visa satisfazer interesses públicos.
1.3.2. Também no direito privado existem relações de subordinação.
1.3.3. No direito público podem exisitr relações paritárias (contratos de
direito público).
1.3.4. Muitas funções tradicionalmente públicas (normativa; jurisdicional,
polícia, etc.,) podem ser realizadas por privados.
1.3.5. Muitas normas têm como destinatários entes públicos e privados.
1.3.6. As teorias apresentadas incorrem no vício da circularidade
(petição de princípio).
1.3.7. Existência de zonas cinzentas entre o direito público e o direito
privado
1.4. Valor relativo da distinção entre direito público e direito privado
1.4.1. Ela é muito menos vincada noutros ordenamentos (p. e., inglês;
americano).
1.4.2. Ela assenta numa separação Estado / Sociedade ainda muito
problemática.
1.5. Interesse heurístico da distinção (O Direito não é uma ciência
exacta).

II. Os diferentes ramos do direito público

2.1. Direito Constitucional


2.2. Direito Internacional Público
2.3. Direito Europeu
2.4. Direito Administrativo
2.5. Direito Penal
22

2.6. Direito Judiciário


2.7. Direito Processual

III. Disciplinas adjacentes ao Direito Público

3.1. Teoria do Estado


3.2. Teoria da Constituição
3.3. História Constitucional
3.4. Filosofia política
3.5. Teoria política
3.6. Ciência política
3.7. Sociologia política
3.8. Por especialidades: ciência da administração; relações
internacionais, etc.

(desenvolvimento)

C - DIREITO PÚBLICO E DIREITO CONSTITUCIONAL

Antes de prosseguirmos com o estudo do direito constitucional,


importa situá-lo, como disciplina, no quadro dos diferente ramos do
Direito, globalmente considerado. A doutrina, ao que sabemos
unanimemente, remete o Direito Constitucional para o direito público.
No entanto, como veremos a seguir, esta linha de orientação deve ser
compreendida e devidamente qualificada à luz da discussão que
actualmente se trava em torno dos critérios que tradicionalmente têm
sido utilizados para fundamentar a distinção entre direito público e
direito privado.

I. O Direito Público e o Direito Privado

1.1. Origem da distinção

A distinção entre direito público e direito privado entronca na distinção


que já se fazia na antiguidade grega entre o cidadão e a cidade (polis) e,
no direito romano, entre res publica e res privata.

1.2. Critérios da distinção

São várias as doutrinas através das quais se tem procurado


23

precisar os critérios da distinção. Assim, a teoria dos interesses,


entende que ao interesses privados corresponde o direito privado e à
tutela de interessespúblicos corresponde o direito público. Por seu lado,
a teoria da subordinação, arrancava das relações que os dois ramos
de direito em causa visavam tutelar. Para esta concepção, o direito
privado ocupa-se essencialmente de relações paritárias entre os sujeitos,
enquanto o direito publico diz respeito a relações de subordinação.
Uma outra doutrina, designada pela teoria dos sujeitos, coloca o
assento tónico não nos interesses ou nas relações jurídicas em
presença, mas sim nos sujeitos portadores dos interesses ou participante
dessas relações jurídicas. Para esta doutrina, o direito público
compreende as normas que regulam a actividade ou as relações em que
participam sujeitos dotados de prerrogativas de autoridade, ao passo
que o direito privado regula as relações em que não participam sujeitos
dotados de prerrogativas de autoridade. Em boa medida, pode dizer-se
que esta teoria é actualmente dominante, embora se observem várias
tentativas de combinar as diferentes doutrinas. Em nosso entender, elas
podem ser conjuntamente utilizadas para compreender a distinção entre
direito público e direito privado e para evidenciar o carácter relativo e
meramente tendencial da mesma. Este ponto resultará mais claro nas
linhas que se seguem.

1.3. Objecções às diferentes teorias

O carácter meramente tendencial da da distinção entre direito


público e direito privado é patente às objecções que podem ser
formuladas às diferentes teorias referidas. Desde logo, relativamente à
teoria dos interesses, deve afirmar-se que todo o direito, incluindo o
direito privado, visa satisfazer interesses públicos. Inversamente, existem
normas de direito público, designadamente de direito constitucional, que
visam proteger interesses privados. Pense-se nas normas que garantem
direitos, liberdades e garantias, nomeadamente em matérias como a
inviolabilidade do domicílio ou o sigilo das comunicações ou o direito à
propriedade privada e à livre iniciativa económica privada. Mas também
a teoria da subordinação mostra rapidamente as suas fragilidades. É que
no direito privado existem relações de subordinação, como se observa
no direito laboral, sendo certo que, paralelamente, no direito público
podem existir relações paritárias. Pense-se, por exemplo, em certos
contratos de direito público. Para além disso, e estamos já no domínio
das objecções à teoria dos sujeitos, verifica-se cada vez mais
24

frequentemente que muitas das funções tradicionalmente exercídas por


entidades públicas, como as funções normativa, administrativa,
jurisdicional, de polícia, etc., podem ser realizadas por entidades
privadas, pelo que muitas normas que tradicionalmente se inscreviam
no direito público têm hoje como destinatários entes públicos e privados.
Isto, para não falar daquelas correntes mais radicais, como certas
doutrinas feministas, que afirmam que mesmo em relações íntimas entre
indivíduos perpassam relações de poder e dominação, designadamente
de natureza pariarcal, pelo que mesmo o que é pessoal é político (the
personal is political).
Refira-se, além do mais, que as teorias apresentadas incorrem no
vício da circularidade, ou da petição de princípio, na medida em que
afirmavam a natureza de direito público das normas respeitantes a
interesse, relações ou sujeitos públicos, afirmando dessa forma a prévia
existência de uma distinção entre direito público e direito privado, à luz
da qual esses interesses, relações e sujeitos eram valorados. Refira-se,
finalmente, que existem actualmente zonas cinzentas cada vez maiores
entre o direito público e o direito privado. Pense-se, nomeadamente, na
gestão privada de instituições públicas, no financiamento público de
entidades privadas, na existência de sociedades comerciais de direito
privado e capitais exclusiva ou maioritáriamente públicos (RTP S.A.).

1.4. Valor relativo da distinção entre direito público e direito


privado

As considerações anteriores não impedem a localização do Direito


Constitucional no direito público. Todavia ela chama a atenção para a
necessidade de relativizar essa posição. É que o direito constitucional
pretende conformar positivamente todo o ordenamento jurídico,
acabando por tocar directa ou indirectamente mesmo as relações entre
privados. Isso é visível, por exemplo, nos direitos fundamentais, que a
Constituição afirma vincularem directamente entidades privadas.
Do mesmo modo, o Código Civil, aprovado por Decreto-Lei,
pretende conformar positivamente o exerício de direitos fundamentais
constitucionalmente consagrados, como sejam os direitos de
personalidade, a propriedade e a iniciativa económica privada, o direito
de constituir família e contrair casamento, etc. Refira-se que a
relatividade da distinção entre direito público e direito privado se nota no
facto de que a mesma é muito menos vincada noutros ordenamentos
jurídicos, como o inglês e americano, para além de assentar numa
25

separação entre Estado e Sociedade ainda muito problemática. Em todo


o caso, a distinção mantém interesse heurístico, podendo e devendo
ser utilizada com a consciência de que o Direito não é, nem pretende
hoje ser uma ciência exacta.

IV Dois problemas fundamentais do Direito Público


4.1. O conceito de Estado
4.1.1. Teoria dos três elementos
4.1.1.1. Povo
4.1.1.2. Território
1.1.3. Soberania
4.1.2. Relatividade desta teoria
4.1.3. O Estado visto pelo Direito internacional público
4.1.3.1. Soberania externa
4.1.3.2. Soberania interna
4.1.4. O Estado como pessoa jurídica
4.1.4.1. Instituição
4.1.4.2. Corporação territorial
4.1.4.3. Suporte institucional de um ordenamento jurídico (Kelsen)
4.2. A relativização do conceito de Estado
4.2.1. Separação horizontal de poderes
4.2.2. Separação vertical de poderes
4.2.2.1. Federalismo
4.2.2.2. Autonomias regionais
4.2.2.3. Autonomias locais
4.2.2.4. Administração autónoma e independente
4.2.3. Sociedade civil
4.2.3.1. Partidos políticos
4.2.3.2. Associações e empresas
4.2.3.3. Grupos de interesses
4.2.3.4. Meios de comunicação social
4.2..3.5. Novas tecnologias da informação
4.2.4. Organizações internacionais e supranacionais
4.2.4.1. Organização das Nações Unidas
4.2.4.2. Organizações supranacionais ou intergovernamentais regionais
4.2.4.3.Dupla-constituição: partilha articulada das funções estaduais.
4.2.4.4. Outros exemplos (comércio, segurança colectiva,
desenvolvimento, etc.).

IV - Dois problemas fundamentais do Direito Público


26

Actualmente, o direito constitucional em particular e o direito


público em geral experimenta alguma trepidação em dois domínios
fundamentais. O primeiro prende-se com o conceito de Estado e o
segundo com a questão da sua relativização actual.

4.1. O conceito de Estado

Desde há muito que a Teoria do Estado procura definir este último


com base na doutrina dos três elementos. De acordo com este
entendimento, um Estado compreende em princípio um povo, território
e um governo soberano. Esta doutrina vale de forma meramente
tendencial. Assim, por exemplo, se se pensar no conceito de povo com
base nos critérios tradicionais da etnia, da cultura e da língua, hoje
largamente superados, verifica-se que um povo pode existir em
diferentes Estados, assim como um Estado pode conter vários povos.
Em todo o caso, o Estado pode caracterizar-se, juridicamente,
como o detentor, dentro de um território, do poder soberano, quer em
face dos sujeitos externos a esse território, a soberania externa, quer
face dos sujeitos que residam, ou actuem, no seu interior, a soberania
interna. Neste sentido, a doutrina qualifica o Estado como pessoa
jurídica, uma instituição, dando-lhe o estatuto complexo de de
corporação territorial, de suporte institucional de um ordenamento
jurídico (Hans Kelsen) e detentor do monopólio da coerção legítima
(Max Weber).

4.2. A relativização do conceito de Estado

No seu aparente monolitismo tradicional, o conceito de Estado


surge hoje fortemente relativizado. Isto deve-se desde logo, ao princípio
da separação horizontal de poderes, nos termos do qual os poderes
do Estado surgem institucional, funcional e pessoalmente separados, de
acordo com modelos de coordenação, interdependência e controlo
recíproco (checks and balances). Ou seja, falar de Estado está longe de
ser falar em unidade e coerência de acção. Para além disso, deve ter-se
em conta os efeitos produzidos pelo princípio da separação vertical de
poderes, nas suas possíveis expressões, puras ou mistas, de tipo
federal, regional, autárquico, etc. Em muitos casos, as forças presentes
nos diveros órgãos e níveis de poder não obedecem aos mesmos
programas e princípios político-ideológicos. Um outro factor de
27

relativização do Estado prende-se com o desenvolvimento da


sociedade civil profundamente heterogénea. Nela confrontam-se
partidos políticos, associações, empresas, grupos de interesses, meios
de comunicação social, assistindo-se ainda ao desenvolvimento de
novas tecnologias de comunicação e informação. Refira-se, a propósito,
que hoje a comunicação é cada vez mais trans-fronteiriça, esbatendo o
poder estadual neste domínio. A relativização do Estado nota-se ainda
no desenvolvimento da comuniddade internacional, com proliferação
de normas organizações jurídico-internacionais, com particular relevo
para a organização das Nações Unidas, e no, nosso caso, para a União
Europeia. Estes factores dão origem a uma dupla constituição, ou
mesmo trípla, de natureza interna, supranacional e europeia, dando
corpo à partilha articulada das funções estaduais.

D - O DIREITO CONSTITUCIONAL

I. Conceitos de Constituição

1.1. Constituição material


1.1.1. Normas fundamentais do Estado e da sociedade
1.1.2. Independentemente das fontes formais de consagração
1.2. Constituição formal
1.2.1. Intenção constituinte
1.2.2. Procedimento Constituinte
1.2.3. Dignidade formal-herárquica superior
1.2.4. Maior dificuldade de alteração
1.3. Constituição normativa
1.4. Constituição instrumental
1.3. Constituição real ou sociológica

(desenvolvimento)

D - O DIREITO CONSTITUCIONAL

I. Conceitos de Constituição
28

À semelhança do que sucede com muitas outras palavras, também


o termo “constituição” se caracteriza pela polissemia. Nas linhas que se
seguem dá-se conta das principais acepções em que o mesmo é
utilizado na doutrina constitucional.

1.1. Constituição material

Através da noção de constituição em sentido material pretende-se


designar as normas fundamentais do Estado e da sociedade,
independentemente das fontes formais de consagração. Isto, no
reconhecimento de que existe uma reserva de constituição, entendido
como conjunto de normas jurídicas respeitantes a matérias (p.e. direitos
fundamentais e organização do poder político) que, pela sua dignidade
material ou substantiva, deveriam fazer parte da Constituição, mas que,
por uma razão ou outra, isso nem sempre acontece, pelo que há que
procurar essas normas noutros diplomas jurídicos, normalmente de
natureza legislativa, sem que o seu estatuto formalmente legislativo
implique a degradação da sua dignidade materialmente constitucional.

1.2. Constituição formal

A Constituição em sentido formal tem o objectivo de identificar as


normas às quais deve ser imediatamente reconhecida dignidade
constitucional. Ela investiga quais delas foram abrangidas pela intenção
constituinte, tendo sido objecto, na sua discussão e aprovação, de um
procedimento constituinte. Às normas assim identificadas reconhece-
se uma dignidade formal-hierárquica superior às leis ordinárias,
acompanhada de uma maior dificuldade de alteração.

1.3. Constituição normativa

Através da Constituição em sentido normativo, afirmar a intensão


normativamente conformadora das disposições constitucionais. Assim,
esta acepção liga-se à ideia de força normativa da Constituição e de
primazia da constituição. No entanto, alguma doutrina dá a esta
expressão um conteúdo mais controverso, quando pretende utulizá-la
para tentar identificar, dentro da Constituição, quais as disposições que
têm conteúdo normativo e as que assumem uma natureza meramente
proclamatória.
29

1.4. Constituição instrumental

Com este sentido, designa-se a constituição escrita, na sua


qualidade de instrumento jurídico-normatico. A mesma pretende
diferenciar a constituição do preâmbulo ou de quaisquer anexos que a
mesma possa conter, bem como da legislação complementar. Este
sentido tem consequências práticas, no plano da interpretação
constitucional, encontrando-se intimamente ligado aos princípios da
unidade da Constituição, da intepretação da constituição como único
instrumento, com base numa leitura sinóptica e semânticamente
unificante do seu tudo e das suas partes.

1.5. Constituição real ou sociológica

Com a expressão constituição pode ainda querer designar-se o


modo de ser de uma determinada comunidade. Neste sentido, a mesma
dá conta da forma como se articulam, de forma histórico-concreta, as
forças sociais, tendo como pano de fundo as concepções e as clivagens
políticas, económicas, culturais, religiosas existentes na comunidade,
independentemente dos textos normaticos que pretendem disciplinar
juridicamente a sua existência.

II. O problema da reserva material de Constituição

2.1. Normas materialmente constitucionais (fora da Constituição


formal)
2.1.1. Legislação sobre cidadania: Lei 37/81de 3-10, alterada pela Lei
25/ 94 de 19-8.
2.1.2. Legislação sobre partidos políticos
2.1.2.1. Lei dos partidos políticos: Decreto-lei nº 595/74 de 7-11.
2.1.2.2. Estatuto do direito de oposição: Lei nº 59/77 de 9-8.
2.1.3. Legislação eleitoral
2.1.3.1. Lei eleitoral para o Presidente da República Decreto-Lei nº 319-
A/76 de 3-5.
2.1.3.2. Lei eleitoral para a Assembleia da República Lei nº 14/79 de 16-5.
2.1.3.3. Lei eleitoral para o Parlamento Europeu: Lei nº 14-87 de 29-4.
2.1.4. Lei do Referendo: Lei nº 15-A/98 de 3 de Abril

2.2. Normas só formalmente constitucionais


30

2.2.1. Produção de bebidas destiladas e proibição do absinto (art. 32º da


Constituição).
2.2.3. Proibição de bebidas alcoólicas (Const. EUA, 18º emenda,
revogada pela 21ª).
2.2.4. Normas sobre telecomunicações, gestão de tráfego aéreo, linhas de
água e autoestradas federais (GG - RFA - arts. 87c; 87d; 87f; 89; 90).
2.2.5. A questão dos direitos, económicos e sociais
2.3. Inexistência de uma reseva material de constituição fechada
2.4. Coincidência prática entre constituição material e formal

III. Características do Direito Constitucional

3.1. Autoprimazia normativa


3.2. Norma sobre a produção jurídica
3.3. Condição de validade material do ordenamento
3.4. Superioridade ordenamental

Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, 5ª ed., Coimbra, 2002, 79-95.
31

E - A INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL

I. Tópicos básicos de hermenêutica jurídica

1.1. Origem do conceito


1.1.1. Hermes: hermeneuin
1.2. Natureza hermenêutica da nossa civilização
1.2.1. Discussões hermenêuticas em torno da interpretação das escrituras
1.2.2. Diferentes concepções de autoridade (católica; protestante, etc.)
1.2.3. O poder da palavra escrita: criação de lei e criação de sentido
1.2.4. Constituição como texto fundacional da réligion civile (Rousseau) da
sociedade secular

II. A hermenêutica clássica (Schleiermacher)

2.1. Elemento textual (literal, gramatical)


2.2. Elemento lógico-sistemático
2.3. Elemento histórico (genético, histórico-institucional)
2.4. Elemento teleológico-racional
2.5. Dificuldades na aplicação à Constituição
2.5.1. Maior indeterminação e abertura do texto constitucional.
2.5.2. Carácter compromissório da Constituição.
2.5.3. A presença da história (Präsenz der Geschichte) nas normas
constitucionais.
2.5.4. Utilização de fórmulas nascidas na luta política (igualdade perante a
lei; separação de poderes; separação das Igrejas do Estado)
2.5.5. Dificuldade de hierarquizar e definir peso relativo de cada um
destes elementos.
2.5.6. Necessidade de juízos de valor relativamente às várias
interpretações possíveis.

III. Outras propostas para a interpretação constitucional

3.1. Doutrina germânica


3.1.1. Método tópico-problemático
3.1.1.1. A Constituição como norma aberta e indeterminada
3.1.1.2. Primazia da discussão do problema
3.1.1.3. Interpretação como processo aberto de argumentação
3.1.1.4. Reconhecimento da importância das pré-compreensões
3.1.2. Hermenêutico-concretizador (dominante)
32

3.1.2.1. Interpretação como criação do direiro


3.1.2.2. Concretização: alargamento do sentido constitucional a situações
não resolvidas
3.1.2.3. Orientação para os problemas concretos
3.1.2.4. Primazia da Constituição
3.1.3. Científico-sociológico ou científico-espiritual: teoria da integração
(Rudolf Smend e mesmo Herrmann Heller)
3.1.3.1. Orientação para o sentido e para a realidade da Constituição
3.1.3.2. Ordenamento jurídico como processo de interpretação
3.1.3.3. Identidade e Unidade político-espiritual do povo
3.1.3.4. Ênfase quer na realidade sociológica da comunidade quer na
unidade espiritual

3.2. Doutrina americana sobre interpretação constitucional


3.2.1. Originalismo ou interpretativismo (Robert Bork, Rehnquist, Scalia)
3.2.2. Não interpretativismo
3.2.2.1. Interpretação orientada a valores / baseada nos direitos (rights
based) (Rawls, Dworkin)
3.2.2.2. Interpretação para o reforço da democracia representativa (John
Hart Ely)
3.2.2.3. Interpretação para a afirmação de princípios procedimentais
neutros (H. Wechsler)
3.2.2.2. Interpretação socialmente reconstrutiva (metademocrática) (Jane
Schachter)

IV - A crise da hermenêutica clássica

4.1. Viragem hermenêutica (Hermeneutic turn) e viragem linguística


(linguistc turn)

4.1.1. Experiência hermenêutica


4.1.2. Pré-compreensões
4.1.3. Tradição interpretativa
4.1.4. Impossibilidade de aceder directamente ao texto em si
4.1.5. Dialéctica entre texto e contexto interpretativo na criação de
sentido
4.1.6. Existência de comunidades e subcomunidades interpretativas
4.1.7. Narrativa, ficção e indeterminação da linguagem
4.1.8. Construção comunicativa do sentido
33

4.1.9. Distribuição equitativa das possibilidades de participação


intepretativa
4.1.10. Uma intepretação aberta e inclusiva
4.1.11. Texto como limite externo ao debate interpretativo
4.1.12. O debate interpretativo pode obrigar à alteração do texto

4.2. A dimensão política da hermenêutica constitucional


4.2.1. A interpretação constitucional como processo de autodefinição da
comunidade
Construção de uma estrutura de sentido: “o sentido é a realidade tal
como nós a conhecemos”
4.2.1. 'He who tells the best story wins,'
4.2.2. Edificação de narrativas ou ficções que sustentam o mundo actual e
os mundos que são possí veis em relação a ele
4.2.3. Construção comunicativa do sentido: luta pelo sentido (struggle for
meaning)
4.2.4. Necessidade de juízos de valor: escolha do sentido que deve ser
acolhido
4.2.5. Quando a hermenêutica se transforma em apologética

4.3. Desafios e oportunidades interpretativas


4.3.1. A interpretação constitucional é uma oportunidade de auto-reflexão
da comunidade
4.3.2. Ela é essencialmente política na medida em que constroi as
narrativas de dominação
4.3.3. Ela supõe juízos de valor na procura de sentidos para o texto
4.3.4. Ela supõe juízos de valor na escolha entre concepções de
autoridade
4.3.5. Ela supõe juízos de valor selecção de tradições intepretativas

4.4. Virtualidades do modelo clássico


4.4.1. A primazia do texto continua a ser fundamental
4.4.2. O texto fornece os limites exteriores do processo interpretativo
4.4.3. O texto fornece uma primeira indicação do sentido
4.3.1. Ele não deve operar à margem de teorias de justiça
4.3.2. Ela deve firmar-se no tipo de Estado Constitucional
4.3.3. Ela deve procurar realizar os valores liberais nas pós-modernas
sociedades fragmentárias, pluralistas e multiculturais
4.3.4. Necessidade de uma componente histórica que reforçe a tradição
de afirmação do constitucionalismo moderno
34

4.3.5. Necessidade dos contributos da teoria política e das teorias da


justiça
4.3.6. Utilidade das abordagens hermenêuticas e descontrutivistas para
exporem formas de dominação ocultas pelo status quo hermenêutico.
4.3.7. Os resultados do processo interpretativo devem ser sempre
valorados do ponto de vista substantivo

V - Conceitos metódicos operativos

5.1. Norma
5.1.1. Teor literal e conteúdo normativo
5.1.2. Âmbito normativo (Normbereich)
5.1.3. Âmbito de protecção (Schutzbereich)
5.1.4. Programa normativo (Normprogram)
5.1.5. Âmbito de garantia (Garantiebereich)
5.1.6. Regras: natureza definitiva (All-or-nothing) (Dworking vs. Hart)
5.1.7. Princípios:
5.1.6.1. Natureza “prima facie”, “idealmente ilimitados”
5.1.6.2. “obrigações de optimização”; “obrigaçõesoptimizáveis”;
“obrigações e possibilidades de optimização” (Alexy, Borowsky, etc).
5.1.6.3. Distinção entre “âmbito de protecção” (Schutzbereich) e “âmbito
de garantia” (Garantiebereich)
5.1.7. O carácter problemático da distinção entre regras e princípios

5.2. A relação entre o te0xto e a norma


5.2.1. Disjunção de normas (campo semântico)
5.2.2. Conjunção de normas
5.2.3. Sobreposição de normas
5.2.4. Disposições sem normas
5.2.5. Normas sem disposição

6. Princípios de interpretação constitucional

6.1. Primazia da Constituição


6.2. Unidade da Constituição
6.3. Máxima efectividade
6.4. Concordância prática
6.5. Efeito integrador
35

6.6. Conformidade funcional


6.7. Interpretação das leis conforme a Constituição

VI I - Os agentes da interpretação constitucional

7.1. A comunidade aberta dos intérpretes da Constituição


7.1.1. Políticos, jornalistas, juristas, académicos, cidadãos
7.1.2. Subcomunidades interpretativas
7.1.3. Strugle for meaning
7.2. Os órgãos constitucionais de soberania
7.2.1. Todos eles interpretam e desenvolvem a Constituição
7.2.2. Todos eles criam realidade jurídico-constitucional
§Exemplo do referendo
7.3. O papel dos Tribunais
7.3.1. Existência de um modelo de judicial review
7.3.2. Acesso dos juízes à Constituição
7.3.3. Primazia do Tribunal Constitucional
7.4. O carácter dialógico da interpretação
7.4.1. Construção comunicativa do sentido
7.4.2. Existência de pré-interpretações

Bibliografia: J.J.Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 2002,1099-1041; 1175-1229
36

F - A CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA DE 1976

1. Momentos históricos relevantes

1.1. Revolução de 1974


1.2. Programa do Movimento das Forças Armadas
1.3. Leis Constitucionais revolucionárias (esp. Leis 1/74 de 25-4 e 2/3/74
de 14 de Maio).
1.4. A Assembleia Constituinte
1.5. Principais linhas ideológicas
1.6. Constituição compromissória

II. As revisões à Constituição

2.1. As normas reguladoras do poder de revisão


2.1.1. Normas procedimentais
2.1.2. Limites materiais
2.1.3. Limites circunstânciais
2.2. As diferentes Leis Constitucionais
2.2.1. Lei constitucional nº1/82
2.2.2. Lei constitucional nº1/89
2.2.3. Lei constitucional nº1/92
2.2.4. Lei constitucional nº1/97
2.2.5. Lei Constitucional nº1/2001
2.3. O sentido geral das revisões constitucionais
2.3.1. Consolidação da legitimidade democrática do regime
2.3.2. Eliminação de metanarrativas ideológicas fechadas (Marxismo)
2.3.3. Consolidação de uma economia social de mercado
2.3.4. Integração de Portugal na União Europeia
2.3.5. Aprofundamento do princípio democrático
2.3.6. Aprofundamento das autonomias regionais
2.3.7. Reforço das garantias dos particulares frente à Administração
2.3.8. Adequação à criação do Tribunal Penal Internacional Permanente

III - A Constituição como sistema aberto de valores, princípios e


regras

3.1. Valores (cristalização de bens e de finalidades fundamentais)


37

3.2. Princípios (exigências de optimização)


3.3. Regras: carácter definitivo (tudo ou nada)
3.4. Diferentes níveis de generalidade.
3.5. A noção de norma como conceito englobante
3.6. Abertura e flexibilidade do sistema

IV Densidade e abertura das normas constitucionais

4.1. Tipologia de regras


4.1.1. Regras de direitos fundamentais
4.1.2. Regras organizatórias
4.1.3. Regras de competência
4.1.4. Regras de procedimento
4.1.5. Regras definidoras de garantias institucionais
4.1.6. Regras de atribuição de tarefas ao Estado
4.2. Tipologia dos princípios
4.2.1. Princípios jurídicos fundamentais
4.2.2. Princípios politicos constitucionalmente conformadores
4.2.3. Princípios garantia
4.2.4. Princípios constitucionais impositivos
4.3. Diferentes graus de densidade e abertura
4.3.1. O problema da aplicabilidade directa
4.3.2. O problema das normas programáticas

Bibliografia: J.J.Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998, 193-213; 217-231.
38

G - O PRINCÍPIO DO ESTADO DE DIREITO

I. Origem e desenvolvimento histórico

1.1. Luta contra o arbítrio do Monarca (Bon plaisir du Roi)


1.2. Luta contra o absolutismo isento de controlo (King can do no
wrong)
1.3. O governo das leis: “Government of laws not of men”
1.4. Immanuel Kant: generalidade e universalidade das leis
1.5. Robert von Mohl: Estado de Direito como fim do Estado
1.6. Otto Bähr: Estado de Direito como Estado de Justiça (controlo da
actuação do Estado por tribunais civis).
1.7. Rudolf von Gneist: controlo da actuação do Estado por tribunais
administrativos e
1.8. Karl Fhr. Von Stein: descentralização administrativa e
autoadministração
1.9. Otto Mayer: Prevalência de lei e reserva de lei

II. Manifestações no direito constitucional comparado

2.1. Rule of Law


2.2. Higher Law
2.3. État de Droit
2.4. Rechtstaat
39

III. Elementos formais e materiais de caracterização

3.1. Constitucionalidade e juridicidade de toda a actuação estadual


3.2. Primazia dos direitos fundamentais
3.3. Separação de poderes
3.4. Controlo jurisdicional da actuação estadual
3.5. Referência a uma ideia geral de justiça
3.6. Estado de Direito e Estado de não direito
3.7. Estado de direito e poderes de facto

VI. Subprincípios concretizadores do princípio do Estado de Direito

4.1. Igualdade
4.1.1. Igualdade perante a lei (Art. 13º)
4.1.2. Igualdade através da lei
a) Tratamento como igual
b) Tratamento igual
c) Tratamento especial
d) Proibição do arbítrio
4.1.3. O problema político da igualdade
4.1.4. Igualdade de oportunidades
4.1.5. Igualdade perante os encargos públicos
4.1.6. Direitos especiais de igualdade [arts. 10º e 49º; 36º/4; 58ª/2/b);59ª,
etc.]

Jurisprudência: Acórdão do TC nº 359/91 de 9-7 “O princípio da não


discriminação entre filhos integrado num preceito constitucional
respeitante aos direitos, liberdades e garantias é directamente aplicável,
isto é, dispõe de eficacia imediata, não carecendo de mediação,
desenvolvimento ou concretização legislativa para esse efeito, e vincula
as entidades públicas e privadas.”

4.2. Proporcionalidade em sentido amplo ou proibição do excesso

4.2.1. Vinculante de toda a actuação estadual


4.2.1.1. Legitimidade dos fins
4.1.1.2. Legitimidade dos meios
4.1.1.3. Adequação
40

4.1.1.4. Necessidade ou exigibilidade


a) Espacial
b) Temporal
c) Pessoal
d) Material
4.2.1.5. Proporcionalidade em sentido estrito
4.2.1.5.1. Análise de custos-benefícios
a) Eficiência de Pareto
b) Eficiência Kaldor-Hicks
4.2.1.5.2. Grandezas incomensuráveis entre si
4.2.1.5.3. Distribuição dos custos e dos benefícios
a) Por pessoas e grupos
b) Ao longo do tempo
4.2.2. Consagração constitucional
Art. 18º/2; Art. 19º/4/5; Art. 270º; Art. 272ª/2;

4.3. Segurança jurídica e protecção da confiança (dimensões


objectiva e subjectiva)

4.3.1. Publicidade [publicação (art. 119º); notificação(art. 268º/3)]


(“crown copyrights”)

Lei n.º 74/98 de 11 de Novembro

Publicação, identificação e formulário dos diplomas

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo


161.º da Constituição, para valer como lei geral da República, o seguinte:

Artigo 1.º
Publicação

1 - A eficácia jurídica dos actos a que se refere a presente lei depende


da publicação.
2 - A data do diploma é a da sua publicação.
3 - O Diário da República é distribuído no dia correspondente ao da sua
data.

Artigo 2.º
41

Vigência

1 - Os actos legislativos e os outros actos de conteúdo genérico entram


em vigor no dia neles fixado, não podendo, em caso algum, o início da
vigência verificar-se no próprio dia da publicação.
2 - Na falta de fixação do dia, os diplomas referidos no número anterior
entram em vigor no 5.º dia após a publicação.
3 - A entrada em vigor dos mesmos diplomas ocorrerá, nas Regiões
Autónomas dos Açores e da Madeira, no 15.º dia após a publicação e,
em Macau e no estrangeiro, no 30.º dia.
4 - Os prazos referidos nos números anteriores contam-se a partir do dia
imediato ao da publicação do diploma, ou da sua efectiva distribuição, se
esta tiver sido posterior.

Artigo 3.º
Publicação na 1.ª série do Diário da República

1 - A 1.ª série do Diário da República compreende a parte A e a parte B.


2 - São objecto de publicação na parte A da 1.ª série do Diário da
República:
a) As leis constitucionais;
b) As convenções internacionais, os respectivos decretos presidenciais e
avisos de ratificação, bem como os restantes avisos a elas
respeitantes;
c) As leis orgânicas, as leis, os decretos-leis e os decretos legislativos
regionais;
d) Os decretos do Presidente da República;
e) As resoluções da Assembleia da República;
f) Os decretos dos Ministros da República de nomeação e exoneração
dos Presidentes e membros dos Governos Regionais dos Açores e da
Madeira;
g) Os regimentos da Assembleia da República, do Conselho de Estado e
das
h) Assembleias Legislativas Regionais;
i) As decisões e as declarações do Tribunal Constitucional que a lei
mande publicar na 1.ª série do Diário da República;
j) As decisões de uniformização de jurisprudência do Supremo Tribunal
de Justiça e do Tribunal de Contas e as decisões do Supremo Tribunal
Administrativo a que a lei confira força obrigatória geral;
k) Os resultados dos referendos e das eleições para o Presidente da
42

República, a Assembleia da República, as Assembleias Legislativas


Regionais e o Parlamento Europeu, nos termos da respectiva
legislação aplicável;
l) A mensagem de renúncia do Presidente da República;
m) As moções de rejeição do Programa do Governo, de confiança e de
censura;
n) Os pareceres do Conselho de Estado previstos nas alíneas a) a e) do
artigo 145.º da Constituição e aqueles que o próprio Conselho delibere
fazer publicar.
3 - São objecto de publicação na parte B da 1.ª série do Diário da
República:
a) Os demais decretos do Governo;
b) As resoluções do Conselho de Ministros e as portarias que contenham
disposições genéricas;
c) As resoluções das Assembleias Legislativas Regionais e os decretos
regulamentares regionais;
d) Os despachos normativos dos membros do Governo;
e) As decisões de outros tribunais não mencionados no número anterior
às quais a lei confira força obrigatória geral;
f) Os resultados das eleições para os órgãos das autarquias locais;
g) Os orçamentos dos serviços do Estado que a lei mande publicar na 1.ª
série e as declarações sobre transferências de verbas;
h) As declarações relativas à renúncia ou à perda de mandato dos
deputados à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas
Regionais dos Açores e da Madeira.

Artigo 4.º
Envio dos textos para publicação

O texto dos diplomas é enviado para publicação no Diário da República,


depois de cumpridos os requisitos constitucionais ou legais, por
intermédio dos serviços competentes dos órgãos donde provenha.

Artigo 5.º
Rectificações

1 - As rectificações são admissíveis exclusivamente para correcção de


erros materiais provenientes de divergências entre o texto original e o
texto impresso de qualquer diploma publicado na 1.ª série do Diário da
República e são feitas mediante declaração do órgão que aprovou o
43

texto original, publicada na mesma série e parte.


2 - As declarações de rectificação devem ser publicadas até 60 dias
após a publicação do texto rectificando.
3 - A não observância do prazo previsto no número anterior determina a
nulidade do acto de rectificação.
4 - As declarações de rectificação reportam os efeitos à data da entrada
em vigor do texto rectificado.

Artigo 6.º
Alterações e republicação

1 - Os diplomas que alterem outros devem indicar o número de ordem da


alteração introduzida e, caso tenha havido alterações anteriores,
identificar aqueles diplomas que procederam a essas alterações, ainda
que incidam sobre outras normas.
2 - Quando a natureza ou a extensão da alteração o justificar, deve
proceder-se à republicação integral do diploma, em anexo.

Artigo 7.º
Identificação

1 - Todos os actos são identificados por um número e pela data da


respectiva publicação no Diário da República. 2 - Os actos normativos
devem ter um título que traduza sinteticamente o seu objecto.
3 - Os diplomas de cada uma das Regiões Autónomas têm numeração
própria e são ainda identificados pelas letras A (Açores) e M (Madeira), a
acrescentar à indicação do ano.
4 - Os diplomas que tenham a mesma designação genérica devem ser
identificados pela indicação da entidad e emitente.

Artigo 8.º
Numeração

1 - Há numeração distinta para cada uma das seguintes categorias de


actos:
a) Leis constitucionais;
b) b) Leis orgânicas;
c) Leis;
d) Decretos-leis;
e) Decretos legislativos regionais;
44

f) Decretos do Presidente da República;


g) g) Resoluções da Assembleia da República;
h) Resoluções do Conselho de Ministros;
i) Resoluções das Assembleias Legislativas Regionais;
j) Decisões de tribunais;
l) Decretos;
m) Decretos regulamentares;
n) Decretos regulamentares regionais;
o) Decretos dos Ministros da República para as Regiões Autónomas;
p) Portarias;
q) Despachos normativos;
r) Pareceres;
s) Avisos;
t) Declarações.
2 - As decisões de tribunais têm numeração distinta para cada um deles.

Artigo 9.º
Disposições gerais sobre formulário dos diplomas

1 - No início de cada diploma indicam-se o órgão donde emana e a


disposição da Constituição ou da lei ao abrigo da qual foi aprovado e é
publicado.

2 - Quando no procedimento tiverem participado, a título consultivo ou


deliberativo, por força da Constituição ou da lei, outro ou outros órgãos
além do órgão de aprovação final, ou tenha decorrido uma consulta aos
cidadãos eleitores, faz-se referência expressa a tal facto.
3 - As leis constitucionais e as leis orgânicas declaram expressamente a
sua natureza, na fórmula do diploma correspondente.
4 - As leis e os decretos-leis cuja razão de ser envolva a sua aplicação a
todo o território nacional devem decretá-lo, incluindo, na parte final da
fórmula, a expressão «para valer como lei geral da República».
5 - Tratando-se de diploma de transposição de directiva comunitária,
deve ser indicada expressamente a directiva a transpor.
6 - Os regulamentos devem indicar expressamente as leis que visam
regulamentar ou que definem a competência subjectiva e objectiva para
a sua emissão.
7 - Após o texto de cada diploma, deverão constar a data da sua
aprovação e de outros actos complementares, constitucional ou
legalmente exigidos, bem como a assinatura das entidades competentes,
45

nos termos da Constituição ou da lei.


8 - Sempre que o presente diploma se refere a ministros competentes,
deve entender-se que são abrangidos aqueles cujos departamentos
tenham, em razãoda matéria, interferência na execução do acto.

Artigo 10.º
Decretos do Presidente da República

1 - Os decretos do Presidente da República obedecem ao formulário


seguinte:
«O Presidente da República decreta, nos termos do artigo ... da
Constituição, o seguinte:
(Segue-se o texto.)»
2 - Tratando-se de decretos de ratificação de tratados internacionais, o
texto é composto do seguinte modo:
«É ratificado o ... (segue-se a identificação do tratado, com indicação da
matéria a que respeita, do local e data da assinatura e do número e data
da resolução da Assembleia da República que o aprovou para
ratificação).»
3 - Tratando-se de decretos de nomeação e exoneração dos membros
do Governo, deve ser feita menção expressa à proposta do Primeiro-
Ministro.
4 - Após o texto de decreto, seguem-se, sucessivamente, a assinatura
do Presidente da República, com a menção da respectiva data e do local
onde foi feita, caso não tenha sido em Lisboa, bem como, se estiver
abrangido pelo n.º 1 do artigo 140.º da Constituição, a data da referenda
e a assinatura do Primeiro-Ministro.

Artigo 11.º
Diplomas da Assembleia da República

1 - As leis da Assembleia da República obedecem ao formulário


seguinte:
«A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea ... do artigo
161.º
da Constituição, [(se for caso disso) para valer como lei geral da
República,] o seguinte:
(Segue-se o texto.)»
2 - Tratando-se de lei constitucional ou orgânica, deve mencionar-se
expressamente o termo correspondente, na parte final da fórmula.
46

3 - Após o texto, seguem-se, sucessivamente, a data da aprovação, a


assinatura do Presidente da Assembleia da República, a data da
promulgação, a ordem de publicação e a assinatura do Presidente da
República, a data da
referenda e a assinatura do Primeiro-Ministro.
4 - As resoluções da Assembleia da República obedecem ao formulário
seguinte:
«A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea ... do artigo
161.º e do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, o seguinte:
(Segue-se o texto.)»
5 - Tratando-se de resoluções de aprovação de tratados ou acordos
internacionais, o texto é composto do seguinte modo:
«Aprovar (para ratificação, no caso dos tratados) o ... (segue-se a
identificação do tratado ou do acordo internacional em forma
simplificada, com indicação da matéria a que respeita, do local e data da
assinatura, sendo
teor do respectivo instrumento publicado em anexo).»
6 - Após o texto das resoluções seguem-se, sucessivamente, a data da
aprovação e a assinatura do Presidente da Assembleia da República.
7 - Tratando-se de uma resolução de aprovação de um acordo
internacional em forma simplificada, à assinatura do Presidente da
Assembleia da República seguem-se a ordem de publicação, a
assinatura do Presidente da República, coma menção da respectiva
data, a data da referenda e a assinatura do Primeiro-Ministro.

Artigo 12.º
Diplomas legislativos do Governo

1 - Os decretos-leis obedecem ao formulário seguinte:


a) Decretos-leis previstos na alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º
daConstituição:

«Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, o


Governo decreta [(se for caso disso), para valer como lei geral da
República,] o seguinte:
(Segue-se o texto.)»

b) Decretos-leis previstos na alínea b) do n.º 1 do artigo 198.º da


Constituição:
47

«No uso da autorização legislativa concedida pelo artigo ... da Lei


n.º.../..., de ... de ..., e nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 198.º da
Constituição, o Governo decreta [(se for caso disso), para valer como lei
geral da República,] o seguinte:
(Segue-se o texto.)»

c) Decretos-leis previstos na alínea c) do n.º 1 do artigo 198.º da


Constituição:

«No desenvolvimento do regime jurídico estabelecido pela Lei (ou


Decreto-Lei) n.º.../..., de ... de ..., e nos termos da alínea c) do n.º 1 do
artigo 198.º da Constituição, o Governo decreta [(se for caso disso), para
valer como lei
geral da República,] o seguinte:
(Segue-se o texto.)»

d)Decretos-leis previstos no n.º 2 do artigo 198.º da Constituição:


«Nos termos do disposto no n.º 2 do artigo 198.º da Constituição, o
Governo decreta o seguinte:
(Segue-se o texto.)»

2 - Após o texto seguem-se, sucessivamente, a data de aprovação em


Conselho a data da promulgação, a ordem de publicação e a assinatura
do Presidente da República, a data da referenda e a assinatura do
Primeiro-Ministro.

Artigo 13.º
Propostas de lei

1 - As propostas de lei do Governo devem conter uma exposição de


motivos e obedecem ao formulário seguinte:

«Nos termos da alínea d) do artigo 197.º da Constituição, o Governo


apresenta à Assembleia da República a seguinte proposta de lei [(se for
caso disso), para ser aprovada e valer como lei geral da República,]
(com pedido de prioridade e urgência, se for o caso):
(Segue-se o texto.)»
2 - Tratando-se de uma proposta de lei de autorização legislativa, o
correspondente pedido especifica, se for o caso, que o decreto-lei a
autorizar se destina a valer como lei geral da República.
48

3 - Após o texto seguem-se, sucessivamente, a data da aprovação em


Conselho de Ministros e a assinatura do Primeiro-Ministro e dos
ministros competentes.

Artigo 14.º
Outros diplomas do Governo

1 - Os outros diplomas do Governo obedecem ao formulário seguinte:


a) Decretos regulamentares:
«Nos termos da alínea c) do artigo 199.º da Constituição, o Governo
decreta o seguinte:
(Segue-se o texto.)»

b)Decretos previstos na alínea c) do n.º 1 do artigo 197.º da


Constituição:
«Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 197.º da Constituição, o
Governo aprova o ... (segue-se a identificação do acordo internacional
em forma simplificada, com indicação da matéria a que respeita, do local
e da data da assinatura, sendo o teor do respectivo instrumento
publicado em anexo).»

c)Decretos previstos na alínea c) do artigo 199.º da Constituição:


«Nos termos da alínea c) do artigo 199.º da Constituição, o Governo
decreta o seguinte:
(Segue-se o texto.)»

d)Resoluções do Conselho de Ministros:


«Nos termos da alínea ... do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de
Ministros resolve:
(Segue-se o texto.)»

e)Portarias:
«Manda o Governo, pelo ... (indicar o membro ou membros
competentes), o seguinte:
(Segue-se o texto.)»

2 - Após o texto dos decretos mencionados na alínea a) do número


anterior seguem-se, sucessivamente, a data da aprovação em Conselho
de Ministros, a assinatura do Primeiro-Ministro e dos ministros
competentes, a data da promulgação, a ordem de publicação e a
49

assinatura do Presidente da República, a data da referenda e a


assinatura do Primeiro-Ministro.
3 - Após o texto dos decretos mencionados nas alíneas b) e c) do n.º 1
seguem-se, sucessivamente, a data da aprovação em Conselho de
Ministros, aassinatura do Primeiro-Ministro e dos ministros competentes,
a assinatura do Presidente da República, com a menção da respectiva
data, a data da referenda e a assinatura do Primeiro-Ministro.
4 - Após o texto das resoluções mencionadas na alínea d) do n.º 1
seguem-se, sucessivamente, a data da aprovação em Conselho de
Ministros e a assinatura do Primeiro-Ministro.
5 - Após o texto dos diplomas mencionados na alínea e) do n.º 1 segue-
se a assinatura do membro ou membros do Governo que os emitem,
com a indicação da respectiva data.
6 - Sendo vários os membros do Governo a assinar os diplomas
aludidos no número anterior, a data que releva é a da última assinatura.

Artigo 15.º
Decretos de nomeação e exoneração dos membros dos Governos
Regionais

1 - Os decretos de nomeação e exoneração dos Presidentes dos


Governos Regionais obedecem ao seguinte formulário:

«Ao abrigo do n.º 3 do artigo 231.º da Constituição, nomeio (ou exonero):


(Segue-se o texto.)
Assinado em...
Publique-se.
O Ministro da República para a Região Autónoma ..., (assinatura).»

2 - Os decretos de nomeação e exoneração dos membros dos Governos


Regionais obedecem ao seguinte formulário:

«Ao abrigo do n.º 4 do artigo 231.º da Constituição, nomeio (ou exonero),


sob proposta do Presidente do Governo Regional:

(Segue-se o texto.)
Assinado em ...
Publique-se.
O Ministro da República para a Região Autónoma ..., (assinatura).»
50

Artigo 16.º
Diplomas dos órgãos de governo próprio das Regiões Autónomas

1 - No início de cada diploma das Assembleias Legislativas Regionais ou


dos Governos Regionais indica-se, para além do órgão donde emana e
da disposição constitucional ao abrigo da qual é aprovado, o
correspondente preceito do respectivo Estatuto Político-Administrativo e,
se for caso disso, o acto legislativo a regulamentar.
2 - Os decretos legislativos regionais que procedam a adaptações de
normas de leis gerais da República devem indicar expressamente o
diploma legal e os preceitos objecto de adaptação.
3 - Os decretos legislativos regionais aprovados ao abrigo de uma
autorização legislativa ou que desenvolvam leis de bases da Assembleia
da República devem invocar expressamente as respectivas leis de
autorização ou leis de bases.
4 - Nos decretos legislativos regionais e nos decretos regulamentares
regionais da competência das Assembleias Legislativas Regionais, após
o textoseguem-se, sucessivamente, a data da aprovação, a assinatura
do seu Presidente, a data da assinatura pelo Ministro da República, a
ordem de publicação e a assinatura deste.
5 - Nos decretos regulamentares regionais da competência dos
Governos Regionais, após o texto seguem-se, sucessivamente, a
menção da aprovação peloGoverno Regional e da respectiva data, a
assinatura do seu Presidente, a data da assinatura pelo Ministro da
República, a ordem de publicação e a assinatura deste.

Artigo 17.º
Macau

1 - Os actos emanados dos órgãos de soberania da República que


hajam de ter aplicação em Macau, de acordo com a Constituição e o
estatuto do território, contêm a menção de que devem ser publicados no
Boletim Oficial e aí serão obrigatoriamente inseridos, mantendo, porém,
a data da publicação no Diárioda República.
2 - Tratando-se de actos destinados a produzir efeitos apenas em
Macau, consideram-se em vigor nesse território no 5.º dia posterior à
publicação no Boletim Oficial de Macau, ainda que não tenham decorrido
os 30 dias previstos no n.º 3 do artigo 2.º

Artigo 18.º
51

Registo da distribuição

1 - A versão electrónica do Diário da República inclui um registo de


acesso livre e gratuito, do qual constam as datas da sua efectiva
distribuição.
2 - O registo faz prova para todos os efeitos legais e deve abranger as
edições do Diário da República desde 25 de Abril de 1974.

Artigo 19.º
Norma revogatória
São revogados os seguintes diplomas:
a) Lei n.º 6/83, de 29 de Julho;
b) Decreto-Lei n.º 337/87, de 21 de Outubro;
c) Decreto-Lei n.º 113/88, de 8 de Abril;
d) Decreto-Lei n.º 1/91, de 2 de Janeiro.

Aprovada em 8 de Outubro de 1998.


O Presidente da Assembleia da República, António de Almeida
Santos.

Promulgada em 23 de Outubro de 1998.


Publique-se.
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.

Referendada em 28 de Outubro de 1998.


O Primeiro-Ministro, António Manuel de Oliveira Guterres.

4.3.2. Precisão, clareza e determinabilidade das leis (void-for-


vagueness)
4.3.3. Intangibilidade do caso julgado judicial
4.3.3.1. Caso julgado formal
4.3.3.2. Caso julgado material
4.3.4. Força jurídica dos actos administrativos (caso decidido;
Rechtkraft; chose decidé)
4.3.5. Proibição dos pré-efeitos dos actos normativos,
administrativos e judiciais
52

4.3.6. O problema da retroactividade das leis


4.3.6.1. Prospectividade e tipos de retroactividade
a) Pressupostos de facto e consequência jurídica
b) Prospectividade:
b)a) real: pressupostos e consequências para o futuro
b)b) aparente: alteração do valor económico de investimentos
passados
c) Retroactividade: alteração do estatuto jurídico de um acto praticado
antes de a norma entrar em vigor
c)a) Retroactividade inautêntica:pressupostos de facto
c)b) Retroactividade autêntica: consequência jurídica

Nota: sucede que os pressupostos de facto em que assentam as


normas são em muitos casos actos que pretendem produzir efeitos
para o futuro, pelo que mesmo normas prospectivas terão incidência
sobre eles.

4.3.6.2. Intensidade da retroactividade


4.3.6.2.1. Fracas: aplicável a casos pendentes e situações em aberto
4.3.6.2.2. Médias: aplicável a situações jurídicas consolidadas
4.3.6.2.3. Fortes: aplicável a casos julgados e casos decididos
4.3.6.3. A proibição da retroactividade na CRP
a) Leis restritivas de direitos, liberdades e garantias (art. 18º/3)
b) Leis penais de conteúdo menos favorável ao arguido (art.
29º/1/3/4)
c) Leis que criam impostos (art. 103º/3).
d) Violação intolerável, arbitrária e desproporcional do princípio
protecção da confiança (art. 2º)

Jurisprudência Acórdão do TC nº 365/ 91 de 7-8 (Privatização da


Petrogal) “O princípio da confiança ínsito no princípio do Estado de
direito democrático garante inequivocamente um mínimo de certeza e
segurança das pessoas quanto aos direitos e expectativas legitimamente
criadas no desenvolvimento das relações juridico-privadas, podendo
afirmar-se que, com base em tal principio, não é consentida pela Lei
Fundamental uma normação tal que, pela sua natureza, afecte de forma
inadmissível, intolerável, arbitrária ou desproporcionadamente onerosa
aqueles mínimos de segurança e certeza que as pessoas, a comunidade
e o direito têm de respeitar.”
53

4.3.6.3. Retroactividade obrigatória (art. 29º/4) e permitida


4.3.7. A retroactividade das leis interpretativas

4.4. Legalidade da Administração

4.4.1. Prevalência de lei


4.4.1.1. Tipicidade das leis
4.4.1.2. Legalidade negativa (proibição de contradição ou desvio)
4.4.1.3. Legalidade positiva (dever de aplicação)
4.4.1.4. Discricionaridade administrativa: estatuição (problema volitivo)
a) Decisão de actuação
b) Escolha de meios
4.4.1.5. Conceitos indeterminados: hipótese (problema cognitivo)
4.4.2. Precedência de lei
4.4.3. Reserva de lei
a) Reserva absoluta (reserva de Parlamento) (art. 164º da CRP)
b) Reserva de lei orgânica (166º/2)
c) Reserva de plenário (168º4)
c) Reserva relativa (art. 165º da CRP)
d) Reserva de decreto-lei (reserva de Governo)

4.5. Protecção jurídica efectiva

4.5.1. Subordinação dos tribunais à Constituição e à lei (203º; 204º)


4.5.1.1. Reserva de juiz (202º)
4.5.1.2. O princípio do juiz legal (32º/9)
4.5.2. Independência dos tribunais (203º)
4.4.3. Acesso às vias judiciais (art. 20º)
a) Patrocínio judiciário
b) Auxílio judiciário
c) Tutela efectiva e em tempo útil
d) Processo equitativo (20º/4 32º)
e) Direito a processos céleres e prioritários (art. 20º/5)
f) Duplo grau de jurisdição em processo penal
g) Direito à execução das sentenças
4.4.4. Direito à informação e consulta jurídicas

4.6. Responsabilidade do Estado


54

Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998, 235-271.

H - O PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO

I. O desenvolvimento histórico da ideia de democracia

1.1. Principais momentos


1.2. A superação da concepção de democracia directa ou identitária
(Jean Jacques Rousseau) pela concepção de democracia representativa
(Edmond Burke)
1.3. Republicanismo, bem comum e política deliberativa
1.4. Princípio representativo, participativo e democracia semi-directa
1.5. Coexistência da democracia com outros valores constitucionais:
autonomia individual; direitos fundamentais; Estado de direito;
separação de poderes; difusão pluralistica do poder na sociedade.
1.6. O sistema político como um entre múltiplos subsistemas de acção
social.

II. Teorias da democracia

2.1. Teoriaselitistas (governo dos mais aptos: níveis de preparação


académica; especialização de funções; as elites económicas e sociais
situadas acima dos políticos)
55

2.2. Teoria pluralista (competição entre grupos de interesse)


2.3. Teoria neo-corporativista (coligação entre o poder político e os
poderes sociais)
2.4. Teoria económica da democracia (mercado político; Voto: willingness
to by; maximização das utilidades)
2.5. Teoria constitucional da democracia: conformação da democracia
pela Constituição.

III. Elementos concretizadores do conceito constitucional de


democracia

3.1. Democracia representativa

3.1.1. Parlamentarismo
3.1.1.1. Primazia democrático-parlamentar
3.1.1.2. Teoria da essencialidade: conformação dos aspectos
essenciais da vida da comunidade
3.1.1.3. Reserva de lei e primazia da lei
3.1.1.4. Princípio da representação (art. 147º da CRP)
3.1.1.4.1. Mandato livre
3.1.1.4.2. Responsabilidade decisória do Parlamento
3.1.1.5. Regra da maioria
3.1.1.5.1. Regra funcional/procedimental
3.1.1.5.2. Ausencia de consentimento em torno de critérios de correcção
substantiva.
3.1.1.6. Protecção das minorias e direitos da oposição
3.1.1.6.1. Possibilidade de as minorias se tornarem maiorias
3.1.1.6.2. Necessidade de defesa dos procedimentos e das instituições
democráticas
3.1.1.6.3. Direitos fundamentais e princípio da igualdade de oportunidades
3.1.1.1. Estatuto dos deputados: tensão entre a actividade dos
deputados e a funcionalidade do Parlamento (arts. 149ºss.)
3.1.1.1.1. Elegibilidade: cidadãos eleitores, salvo incompatibilidades
3.1.1.1.2. Candidaturas: apresentadas por partidos políticos, podendo
incluir independentes
3.1.1.1.3. Representação: os Deputados representam o país
3.1.1.1.4. Mandato:
3.1.1.1.4.1. Duração da legislatura, com possibilidade de suspensão;
cessação; substituição temporária
3.1.1.1.4.2. Liberdade do mandato
56

3.1.1.1.4.2.1. Imunidades em processos civis, penais ou disciplinares


3.1.1.1.4.2.2. Livre trânsito e direito a passaporte especial
3.1.1.1.4.2.3. Subsídios que a lei prescreve
3.1.1.1.4.2.4. Possibilidade de passar a deputado independente
3.1.1.1.4.1. Eficácia do mandato
3.1.1.1.4.3.1. Direito de contacto com os cidadãos
3.1.1.1.4.3.2. Direito à informação regular
3.1.1.1.4.3.3. Direito à colaboração das entidades públicas
3.1.1.1.4.3.4. Regime de poderes e de direitos e regalias
3.1.1.1.5. Incompatibilidades e impedimentos
3.1.1.1.6. Deveres
3.1.1.1.7. Perda e renuncia do mandato
3.1.1.2. Eleição dos Deputados dos Parlamentos Regionais
3.1.1.3. Eleição dos titulares dos órgãos das Autarquias Locais

3.1.2. Direito de sufrágio: garantia mecânica da democracia (Giovanni


Sartori)

3.1.2.1. A história do direito de sufrágio


3.1.2.1.1. Sistemas de voto desigual
3.1.2.1.1.1. Sufrágio censitário (rendimentos declarados)
3.1.2.1.1.2. Sufrágio capacitário (habilitações literárias)
3.1.2.1.1.3. Sufrágio por classes (Prússia, sec. XIX).
3.1.2.1.1.4. Exclusão das mulheres
3.1.2.1.2. O alargamento do direito de sufrágio
3.1.2.1.2.1. Sufrágio (quase!) universal
3.1.2.1.2.2. O alargamento do sufrágio às mulheres
3.2.3. O direito de sufrágio como

3.1.2.2. Princípios constitucionais do direito de sufrágio


3.1.2.2.1. Universalidade
3.1.2.2.1.1. Legitimidade eleitoral activa e passiva
3.1.2.2.1.2. Direito de todos os cidadãos
3.1.2.2.1.3. Alargamento aos estrangeiros(15º/4/5)
a) Residentes em Portugal: autarquias locais
b) Membros da União Europeia: Parlamento Europeu
3.1.2.2.2. Liberdade
3.1.2.2.3. Igualdade
57

3.1.2.2.3.1. Igual peso numérico


3.1.2.2.3.2. Igual valor de resultado
3.1.2.2.4. Imediaticidade
3.1.2.2.5. Pessoalidade
3.1.2.2.6. Presencialidade
3.1.2.2.7. Secreteza
3.1.2.2.8. Periodicidade

3.1.2.3. Sistemas eleitorais

3.1.2.3.1. Caracterização
3.1.2.3.1.1. Conversão de votos em mandatos
3.1.2.3.1.1.1. Sistema maioritário
3.1.2.3.1.1.2. Sistema proporcional

3.1.2.3.2. Vantagens e inconvenientes


3.1.2.3.2.1. Sistema maioritário
3.1.2.3.2.1.1. Governo e oposição fortes
3.1.2.3.2.1.2. Governabilidade
3.1.2.3.2.1.3. Personalização da relação eleitor / deputado
3.1.2.3.2.1.4. Sub-representação dos pequenos partidos
3.1.2.3.2.1.5. Desigual valor do resultados dos votos
3.1.2.3.2.2. Sistema proporcional
3.1.2.3.2.2.1. Representação do espectro político-partidário
3.1.2.3.2.2.2. Governos de coligação;
3.1.2.3.2.2.3. Maior instabilidade;
3.1.2.3.2.2.4. Influencia desproporcionada dos pequenos partidos
3.1.2.3.3. . Soluções de compromisso
3.1.2.3.3.1. O sistema proporcional personalizado
3.1.2.3.3.2. A imposição de cláusulas barreira (Sperrklauseln; cut-off points)
3.1.2.3.3.2.1. Vantagens: evita a fragmentação partidária
3.1.2.3.3.2.2. Inconvenientes: limita a representação das minorias
3.1.2.3.3.3. A moção de censura construtiva
3.1.2.3.3.3.1. Vantagem: menor instabilidade governativa
3.1.2.3.3.3.2. Inconveniente: limitaria os poderes do Presidente da
República
3.1.2.3.4. Sistema eleitoral como factor estruturante do sistema
partidários

3.1.3. Partidos políticos


58

3.1.3.1. Emergência histórica


3.1.3.1.1. Antecedentes remotos: facções
3.1.3.1.2. Antecedentes próximos
3.1.3.1.2.1. Grupos parlamentares e comités eleitorais
3.1.3.1.2.2. Os partidos socialistas como os primeiros partidos

3.1.3.2. Natureza e funções dos partidos políticos


3.1.3.2.1. Organização
3.1.3.2.2. Objectivos de organização interna
3.1.3.2.3. Objectivos de organização externa
3.1.3.2.3.1. Programa de actuação política
3.1.3.2.3.2. Influência política
3.1.3.2.3.3. Apresentação de candidaturas aos cargos políticos

3.1.3.3. Tipologia dos partidos políticos


3.1.3.3.1. Critério da organização
3.1.3.3.1.1. Partidos de quadros ou de notáveis (Max Weber)
3.1.3.3.1.2. Partido de eleitores
3.1.3.3.1.3. Partido de massas
3.1.3.3.2. Critério do programa
3.1.3.3.2.1. Partido de ideologia (v.g. Lenin: vanguarda; células; centralismo
democrático)
3.1.3.3.2.2. Partido de interesses
3.1.3.3.2.3. Partido de classe
3.1.3.3.2.4. Partido de minorias
3.1.3.3.2.5. Catch-all-parties
3.1.3.3.3. Existência de múltiplas combinações

3.1.3.4. Sistemas partidários


3.1.3.4.1. O modelo das clivagens (Rokkan-Lipset)
3.1.3.4.1.1. Clivagens socio-políticas
a) Aristocracia v. Burguesia
b) Burguesia v. Proletariado
c) Os liberais entre conservadores e socialistas
3.1.3.4.1.2. Clivagens religiosas
a) Clericais v. anti-clericais (Itália, França)
b) Católicos v. protestantes (Alemanha, Holanda)
3.1.3.4.3. Clivagens etnico-culturais
3.1.3.4.2. A tipologia de Duverger
59

3.1.3.4.2.1. Sistemas partidários abertos


a) Bipartidarismo (dinâmica pendular)
b) Multipartidarismo
3.1.3.4.2.2. Sistemas partidários fechados

Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998, 274-313.

3.1.3.5. Os partidos na Constituição e na lei

Constituição: arts. 51º, 114º, 151º, 180º, 223º/2/e),h)

Lei dos partidos políticos (Decreto-Lei 595/74 de 7 de Novembro)


(LPP)

Artigo 1º
( Noção )

1. Por partidos políticos entendem-se as organizações de cidadãos de


carácter permanente, constituídas com o objectivo fundamental de
participar democraticamente na vida política do País e de concorrer, de
acordo com as leis constitucionais e com os seus estatutos e programas
publicados, para a formação e expressão da vontade política do povo,
intervindo, nomeadamente, no processo eleitoral mediante a
apresentação ou o patrocínio de candidaturas.

3.1.3.5.1. Pessoas jurídicas de direito privado


3.1.3.5.1.1. Liberdade interna
3.1.3.5.1.2. Democraticidade (art. 7º da LPP)
3.1.3.5.1.3. Publicidade (art.8º da LPP)
3.1.3.5.1.4. Liberdade externa
3.1.3.5.1.4.1. Constituição e dissolução (art. 10º da LPP)
3.1.3.5.1.4.2. Fusão e Cisão (art. 11º da LPP)
3.1.3.5.1.4.3. Coligações e frentes (art. 12º da LPP)
3.1.3.5.1.4.4. Federação e filiação internacional (art. 14º LPP)
3.1.3.5.1.5. Direito de oposição democrática (114º/2/3)
3.1.3.5.1.6. Princípio da filiação única
3.1.3.5.2. Financiamento
3.1.3.5.2.1. Interno: quotas dos membros, património, publicações, etc.
60

3.1.3.5.2.2. Entidades privadas nacionais e estrangeiras


a) Empresas
b) Partidos
c) Outras entidades
3.1.3.5.2.3. Estado
a) Directo
b) Indirecto: tempo de antena
3.1.3.5.2.4. Estados estrangeiros (v.g. antiga URSS e RDA, CIA, etc.).
3.1.3.5.2.5. O problema do financiamento privado
a) Predomínio de poderosos interesses económicos
b) Dependência política e programática dos partidos em relação a
doadores influentes
c) Corrupção: troca de dinheiro por favores administrativos (licenças;
contratos, etc.)
3.1.3.5.2.6. O problema do financiamento estadual
a) Maior dependência do Estado
b) Incentivo ao declínio da mobilização partidária
c) Consolidação das desigualdades: menos votos=menos
dinheiro=menos votos, etc.
d) Sedimentação do status quo: benefício dos partidos existentes em
detrimento de novos.
e) Insuficiente: não substitui outras fontes de financiamento

3.1.3.5.2.6. O problema do financiamento na legislação nacional

Seguem-se os extratos, para comparação, de alguns dos artigos das leis


que sucessivamente têm vindo a disciplinar juridicamente esta matéria:
Lei n.º 72/93, de 30 de Novembro; Lei 56/98 de 18 Agosto; Lei nº23/2000
de 23 de Agosto.

Artigo 4º
Regime dos donativos admissíveis Lei n.º
72/93

1. Os donativos de natureza pecuniária concedidos por pessoas


colectivas não podem exceder o montante de 1.000 salários mínimos
mensais nacionais devendo ser obrigatoriamente indicada a sua origem.
2. A atribuição dos donativos a que se refere o número anterior é
precedida de deliberação, por escrito, do órgão social competente e o
seu limite por cada doador é de 100 salários mínimos nacionais.
61

3. Os donativos de natureza pecuniária concedidos por pessoas


singulares estão sujeitos ao limite de 30 salários mínimos mensais
nacionais por doador, são obrigatoriamente titulados por cheque quando
o seu quantitativo exceder 10 salários mínimos mensais nacionais e
podem constar de acto anónimo de doação até este limite.
4. Os donativos anónimos não podem exceder, no total anual, 500
salários mínimos mensais nacionais.

Artigo 4º
Regime dos donativos admissíveis Lei nº 56/98
1 - Os donativos de natureza pecuniária concedidos por pessoas
colectivas não podem exceder o montante total anual de 1000 salários
mínimos mensais nacionais, sendo o seu limite por cada doador de 100
salários mínimos mensais nacionais, devendo ser obrigatoriamente
indicada a sua origem.
2 - A atribuição dos donativos a que se refere o número anterior é
deliberada pelo órgão social competente e consignada em acta, à qual o
órgão de controlo das contas partidárias acede sempre que necessário.
3 - Os donativos de natureza pecuniária concedidos por pessoas
singulares estão sujeitos ao limite de 30 salários mínimos mensais
nacionais por doador, são obrigatoriamente titulados por cheque quando
o seu quantitativo exceder 10 salários mínimos mensais nacionais
podendo provir de acto anónimo de doação até esse limite.
4 - Os donativos anónimos não podem exceder, no total anual, 500
salários mínimos mensais nacionais.
5 - Os donativos concedidos por pessoas singulares ou colectivas que
não tenham dívidas à administração fiscal ou à segurança social
pendentes de execução serão considerados para efeitos fiscais, nos
termos, respectivamente, do disposto no nº 2 do artigo 56º do CIRS e no
nº 3 do artigo 40º do CIRC.
Artigo 4.º
Regime dos donativos admissíveis Lei 23/2000 de 23-8

1 - Os donativos de natureza pecuniária feitos por pessoas singulares


identificadas estão sujeitos ao limite anual de 30 salários mínimos
mensais nacionais
por doador e são obrigatoriamente titulados por cheque ou transferência
bancária quando o seu quantitativo exceder um salário mínimo mensal
nacional.
2 - Os donativos anónimos não podem ser superiores a um salário
62

mínimo mensal nacional nem, no seu cômputo global anual, exceder 400
salários mínimos mensais nacionais.
3 - Os donativos de natureza pecuniária são obrigatoriamente
depositados em contas bancárias exclusivamente destinadas a esse
efeito e nas quais só podem ser efectuados depósitos que tenham esta
origem.
4 - Sem prejuízo dos actos e contributos pessoais próprios da actividade
militante, os donativos em espécie, bem como os bens cedidos a título
de empréstimo, são considerados, para efeitos do limite previsto no n.º 1,
pelo seu valor corrente no mercado e, quando de valor superior a um
salário mínimo mensal nacional, serão discriminados na lista a que se
refere a alínea b) do n.º 3 do artigo 10.º
5 - Os donativos feitos por pessoas singulares que não tenham dívidas à
administração fiscal ou à segurança social pendentes de execução serão
considerados para efeitos fiscais, nos termos do disposto no Estatuto do
Mecenato.
6 - Consideram-se donativos e obedecem ao regime estabelecido no n.º
1 as aquisições de bens a partidos políticos por montante
manifestamente superior ao respectivo valor de mercado.

Artigo 4.º-A
Angariação de fundos Lei 23/2000 de 23-8

1 - As receitas de acções de angariação de fundos não podem exceder


anualmente, por partido, 1500 salários mínimos mensais nacionais e são
obrigatoriamente registadas nos termos do n.º 7 do artigo 10.º
2 - O limite previsto no número anterior não prejudica a realização de
iniciativas especiais de angariação de fundos que envolvam a oferta de
bens e serviços, as quais devem ser objecto de contas próprias, com
registo das receitas e despesas, para efeitos de fiscalização.

Artigo 5º
( Donativos proibidos ) Lei n.º 72/93
Os partidos não podem receber donativos de natureza pecuniária de:
a) Empresas públicas;
b) Sociedades de capitais exclusivamente ou maioritariamente
públicos;
c) Empresas concessionárias de serviços públicos;
63

d) Pessoas colectivas de utilidade pública ou dedicadas a actividades


de beneficência ou de fim religioso;
e) Associações profissionais, sindicais ou patronais;
f) Fundações;
g) Governos ou pessoas colectivas estrangeiras.

Artigo 5º.
Donativos proibidos Lei nº 56/98
1 - Os partidos não podem receber donativos de natureza pecuniária de:
a) Empresas públicas;
b) Sociedade de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos;
c) Empresas concessionárias de serviços públicos;
d) Pessoas colectivas de utilidade pública ou dedicadas a actividades de
beneficência ou de fim religioso;
e) Associações profissionais, sindicais ou patronais
f) Fundações;
g) Governos ou pessoas colectivas estrangeiras.
2 - Aos partidos políticos está igualmente vedado receber ou aceitar
quaisquer contribuições ou donativos indirectos que se traduzam no
pagamento por terceiros de despesas que àqueles aproveitem fora dos
limites previstos no artigo 4º..
Artigo 5.º
Donativos proibidos Lei 23/2000 de 23-8

1 - Os partidos políticos não podem receber donativos ou empréstimos


de natureza pecuniária ou em espécie de pessoas colectivas nacionais
ou estrangeiras, com excepção do disposto no número seguinte.
2 - Os partidos podem contrair empréstimos junto de instituições de
crédito e sociedades financeiras.
3 - Os partidos não podem adquirir bens ou serviços, a pessoas
singulares e colectivas, nacionais ou estrangeiras, a preços inferiores
aos praticados no mercado.
4 - Aos partidos políticos está igualmente vedado receber ou aceitar
quaisquer contribuições ou donativos indirectos que se traduzam no
pagamento por terceiros de despesas que àqueles aproveitem fora dos
limites previstos no artigo 4.º
64

Artigo 6º
( Financiamento público ) Lei n.º 72/93
Os recursos de financiamento público para realização dos fins próprios
dos partidos são:
a) As subvenções para financiamento dos partidos e das campanhas
eleitorais previstas na presente lei;
b) A subvenção atribuída pelo Parlamento Europeu, nos termos das
normas comunitárias aplicáveis.

Artigo 6º.
Financiamento público Lei nº 56/98
Os recursos de financiamento público para a realização dos fins próprios
dos partidos são:
a) As subvenções para financiamento dos partidos e das campanhas
eleitorais previstas na presente lei;
b) Outras legalmente previstas.

Artigo 6.º
Financiamento público Lei nº23/2000 de 23-8

Os recursos de financiamento público para a realização dos fins próprios


dos partidos são:
a) As subvenções para financiamento dos partidos e das campanhas
eleitorais previstas na presente lei;
b) Outros legalmente previstos.

Artigo 7º
( Subvenção estatal ao financiamento dos partidos ) Lei n.º 72/93
1. A cada partido que haja concorrido a acto eleitoral, ainda que em
coligação, e que obtenha representação na Assembleia da República é
concedida, nos termos dos números seguintes, uma subvenção anual,
desde que requerida ao Presidente da Assembleia da República.
2. A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à fracção
de 1/225 do salário mínimo nacional mensal por cada voto obtido na
mais recente eleição de deputados à Assembleia da República.
3. Nos casos de coligação eleitoral, a subvenção devida a cada um dos
partidos nela integrados é igual à subvenção que, nos termos do nº 2,
65

corresponder à respectiva coligação eleitoral, distribuída


proporcionalmente em função dos deputados eleitos por cada partido.
4. A subvenção é paga em duodécimos, por conta de dotações especiais
para esse efeito inscritas no orçamento da Assembleia da República.

Artigo 7º
Subvenção estatal ao financiamento dos partidos Lei nº 56/98

1 - A cada partido que haja concorrido a acto eleitoral, ainda que em


coligação, e que obtenha representação na Assembleia da República é
concedida, nos termos dos números seguintes, uma subvenção anual,
desde que a requeira ao Presidente da Assembleia da República.
2 - A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à
fracção 1/225 do salário mínimo nacional mensal por cada voto obtido na
mais recente eleição de deputados à Assembleia da República.
3 - Nos casos de coligação eleitoral, a subvenção devida a cada um dos
partidos nela integrados é igual à subvenção que, nos termos do nº 2,
corresponder à respectiva coligação eleitoral, distribuída
proporcionalmente em função dos deputados eleitos por cada partido.
4 - A subvenção é paga em duodécimos, por conta de dotações
especiais para esse efeito inscritas no orçamento da Assembleia da
República.
5 - A subvenção prevista nos números anteriores é também concedida
aos partidos que, tendo concorrido à eleição para a Assembleia da
República e não tendo conseguido representação parlamentar,
obtenham um número de votos superior a 50 000.

Artigo 7.º
Subvenção estatal ao financiamento dos partidos Lei 23/2000 de 23-
8

1 - A cada partido que haja concorrido a acto eleitoral, ainda que em


coligação, e que obtenha representação na Assembleia da República é
concedida, nos termos dos números seguintes, uma subvenção anual,
desde que a requeira ao Presidente da Assembleia da República.
2 - A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à
fracção 1/225 do salário mínimo nacional mensal por cada voto obtido na
66

mais recente eleição de deputados à Assembleia da República.


3 - Nos casos de coligação eleitoral, a subvenção devida a cada um dos
partidos nela integrados é igual à subvenção que, nos termos do n.º 2,
corresponder à respectiva coligação eleitoral, distribuída
proporcionalmente em função dos deputados eleitos por cada partido.
4 - A subvenção é paga em duodécimos, por conta de dotações
especiais para esse efeito inscritas no orçamento da Assembleia da
República.
5 - A subvenção prevista nos números anteriores é também concedida
aos partidos que, tendo concorrido à eleição para a Assembleia da
República e não tendo conseguido representação parlamentar,
obtenham um número de votos superior a 50 000, desde que a
requeiram ao Presidente da Assembleia da República.

Artigo 7.º-A
Despesas dos partidos políticos Lei 23/2000 de 23-8

O pagamento de qualquer despesa dos partidos políticos de valor


superior a dois salários mínimos mensais nacionais é obrigatoriamente
efectuado por meio de cheque ou por outro meio bancário que permita a
identificação do montante e a entidade destinatária do pagamento,
devendo os partidos proceder às necessárias reconciliações bancárias.
Artigo 8º
Benefícios Lei n.º 72/93

1. Os partidos beneficiam de isenção dos seguintes impostos:


a) Imposto do selo;
b) Imposto sobre sucessões e doações;
c) Imposto municipal de sisa pela aquisição de imóveis necessários à
instalação das suas sedes, delegações e serviços e pelas
transmissões resultantes de fusão ou cisão;
d) Contribuição autárquica sobre o valor tributável dos imóveis
urbanos ou de parte de imóveis urbanos de sua propriedade onde se
encontrem instaladas as suas sedes, delegações e serviços;
e) Imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas (IRC).
2. Os partidos beneficiam ainda de isenção de preparos e de custas
judiciais.
67

Artigo 8º.
Benefícios Lei nº 56/98

1 - Os partidos não estão sujeitos a IRC e beneficiam ainda, para além


do previsto em lei especial, de isenção dos seguintes impostos: a)
Imposto de selo; b) Imposto sobre sucessões; c) Imposto municipal de
sisa pela aquisição de imóveis destinados à sua actividade própria e
pelas transmissões resultantes de fusão ou cisão; d) Contribuição
autárquica sobre o valor tributável dos imóveis ou de parte de imóveis de
sua propriedade e destinados à sua actividade; e) Demais impostos
sobre património previstos ao artigo 104º, nº 3, da Constituição; f)
imposto automóvel nos veículos que adquiram para a sua actividade.
2 - Haverá lugar à atribuição dos actos previstos nas alíneas c) e d) se
cessar a afectação do bem a fins partidários.
3 - Os partidos beneficiam de isenção de taxas de justiça e de custas
judiciais.

Artigo 8.º
Benefícios Lei 23/2000 de 23-8

1 - Os partidos não estão sujeitos a IRC e beneficiam ainda, para além


do previsto em lei especial, de isenção dos seguintes impostos:
a) Imposto do selo;
b) Imposto sobre sucessões e doações;
c) Imposto municipal de sisa pela aquisição de imóveis destinados à sua
actividade própria e pelas transmissões resultantes de fusão ou cisão;
d) Contribuição autárquica sobre o valor tributável dos imóveis ou de
parte de imóveis de sua propriedade e destinados à sua actividade;
e) Demais impostos sobre o património previstos no artigo 104.º, n.º 3, da
Constituição;
f) Imposto automóvel nos veículos que adquiram para a sua actividade;
g) Imposto sobre o valor acrescentado na aquisição e transmissão de
bens e serviços que visem difundir a sua mensagem política ou
identidade própria, através de quaisquer suportes, impressos,
audiovisuais ou multimédia, incluindo os usados como material de
propaganda, sendo a isenção efectivada através do exercício do
direito à restituição do imposto;
h) Imposto sobre o valor acrescentado nas transmissões de bens e
serviços em iniciativas especiais de angariação de fundos em seu
68

proveito exclusivo, desde que esta isenção não provoque distorções


de concorrência.

2 - Haverá lugar à tributação dos actos previstos nas alíneas c) e d) se


cessar a afectação do bem a fins partidários.
3 - Os partidos beneficiam de isenção de taxas de justiça e de custas
judiciais.

NOTA: A Lei de financiamento dos Partidos Políticos (Lei nº23/2000),


prevê ainda que os partidos devem possuir contabilidade organizada,
devendo os seus estatutos prever órgãos de fiscalização e controlo
interno das contas da sua actividade, bem como das contas relativas às
campanhas eleitorais em que participem, por forma a assegurarem o
cumprimento do disposto na presente lei e das leis eleitorais a que
respeitem. As contas anuais dos partidos políticos são publicadas
gratuitamente no Diário da República, devendo a sua regularidade ser
avaliada pelo Tribunal Constitucional.

3.2. Democracia directa: o referendo

3.2.1. Antecedentes históricos


3.2.1.1. As consultas à plebe em Roma
3.2.1.2. A democracia cantonal helvética
3.2.1.3. Jean Jacques Rousseau: soberania popular e democracia
directa

3.2.2. A teoria política do referendo


3.2.2.1. Vantagens:
a) Aprofundamento da participação popular;
b) Interessamento dos cidadãos nas questões de interesse público.
b) Resolução de questões não partidarizadas
c) Resolução de questões politicamente difíceis
d) Superação, pela generalidade dos cidadãos, dos grupos de pressão
que procuram influenciar e instrumentalizar as instituições
democráticas representativas (interest groups politics)
3.2.2.2. Desvantagens:
a) Radicalização e simplificação das questões (tudo-nada; sim-não);
b) Enfraquecimento das componentes deliberativas e compromissórias
do sistema;
69

c) Tomada de decisões por pessoas insuficientemente informadas;


d) Incapacidade para medir a racionalidade e a intensidade das
preferências individuais;
e) Perigo de confusão da democracia com o governo da maioria
(Giovanni Sartori)
c) Perigo de tirania da maioria e défice de protecção das minorias
d) Perigo de manipulação por minorias dotadas de “High per capita
stakes” (Neil Komesar)

3.2.3. O referendo na constituição portuguesa de 76

3.2.3.1. Introdução pela Lei Constitucional nº1/ 89 e alteração pela Lei


Constitucional nº1/97
3.2.3.2. Referendo nacional e local: Art. 115º e 240º da CRP.
3.2.3.3. Estrutura do referendo nacional
3.2.3.3.1. Referendo vinculativo (115º/1/11)
3.2.3.3.2. Iniciativa (art. 115º1/2):
a) Presidente da República, sob proposta do Governo e da Assembleia
da República
b) Iniciativa dos cidadãos à Assembleia da República

Lei do Referendo Lei do Referendo: Lei 15º-A/98, de 3-4-98

Artigo 16º
Titularidade

O referendo pode resultar de iniciativa dirigida à Assembleia da


República por cidadãos eleitores portugueses, em número não inferior a
75 000, regularmente recenseados no território nacional, bem como nos
casos previstos no artigo 37., n. 2, por cidadãos aí referidos.

Artigo 36.
Recusa da proposta de referendo

1 - Se o Presidente da República tomar a decisão de não convocar o


referendo, comunica-a à Assembleia da República, em mensagem
fundamentada, ou ao Governo, por escrito de que conste o sentido da
recusa.
2 - Tratando-se de referendo de iniciativa popular, o Presidente da
Assembleia da República deve comunicar ao representante do grupo de
70

cidadãos eleitores o sentido e o fundamento da decisão presidencial.


3 - A proposta de referendo da Assembleia da República recusada pelo
Presidente da República não pode ser renovada na mesma sessão
legislativa.
4 - Se a proposta for do Governo só pode ser renovada junto do
Presidente da República após formação de novo governo.

3.2.3.3.3.3. Referendo normativo: matéria a decidir por convenção-


internacional, lei ou decreto-lei.
3.2.3.3.3.4. Abertura à participação dos cidadãos residentes no estrangeiro
(art. 115º/12)
3.2.3.3.3.5. Possibilidade de participação de cidadãos de países de
lingua oficial portuguesa

Lei do Referendo

Artigo 38.
Cidadãos de países de língua portuguesa

Os cidadãos de outros países de língua portuguesa que residam no


território nacional e beneficiem do estatuto especial de igualdade de
direitos políticos nos termos de convenção internacional, e em condições
de reciprocidade, gozam de direito de participação no referendo, desde
que estejam recenseados como eleitores no território nacional.

3.2.3.3.3.6. Objecto
3.2.3.3.3.6.1. Delimitação positiva (art. 115º/3):
a) “questões de relevante interesse nacional.”
b) Competência da Assembleia da República e do Governo
3.2.3.3.3.6.2. Delimitação negativa:
a) Alterações à Constituição
b) Questões e actos de conteúdo orçamental, tributário e financeiro
c) Matérias dos arts. 161º, exceptuando al. i) e 164º, exceptuando al. i);
3.2.3.3.3.7. Forma e procedimento (art. 115º/6 ss.)
3.2.3.3.3.7.1. Incidência sobre uma só matéria
71

Lei do Referendo

Artigo 6.
Delimitação em razão da matéria

Cada referendo recai sobre uma só matéria.


Artigo 7º
Formulação

1 - Nenhum referendo pode comportar mais de três perguntas.


2 - As perguntas são formuladas com objectividade, clareza e precisão e
para respostas de sim ou não, sem sugerirem, directa ou indirectamente,
o sentido das respostas.
3 - As perguntas não podem ser precedidas de quaisquer
considerandos,

3.2.3.3.3.7.2. A formulação das questões:


a) Objectividade, clareza e precisão
b) Ou sim ou não
3.2.3.3.3.7.3. Articulação com a realização de eleições (115º/7)
3.2.3.3.3.7.4. Sujeição obrigatória à fiscalização preventiva da
constitucionalidade (art. 115º/8)

3.2.3.4. Referendo regional (Art. 232º da CRP)


3.2.3.4.1. Assembleia legislativa regional: propostas de referendo regional,
3.2.3.4.2. Cidadãos eleitores recenseados no respectivo território
3.2.3.4.3. Decisão do Presidente da República,
3.2.3.4.4. Referendo directo e vinculativo
3.2.3.4.5. Questões de relevante interesse específico regional
3.2.3.4.6. Aplicação, com as necessárias adaptações, do disposto no artigo
115º.

3.2.3.4. Referendo local: art. 240º da CRP

3.3. Democracia comunicativa: opinião pública, participação


democrática e comunicação

3.3.1. Uma opinião pública autónoma como garantia substantiva da


democracia
72

3.3.2. Opinião pública: do público, pelo público e para o público


3.3.3. Opinião pública e vontade política
3.3.4. “Government by discussion” (Barker); “Government by opinion”
(Sartori); “democracy as meaningful conversation”
3.3.4.1. Direitos de participação democrática
3.3.4.1.1. Direitos fundamentais em geral (behavioral voting) (Edwin Baker)
3.3.4.1.2. Liberdade de reunião e manifestação (art. 45º)
3.3.4.1.3. Liberdade de associação (art. 46º)
3.3.4.1.4. Direito de sufrágio (art. 49º)
3.3.4.1.5. Direito de acesso aos cargos públicos (art. 50º)
3.3.4.1.6. Associações e partidos políticos (art.51º)
3.3.4.2. Direitos da comunicação (arts. 37º e 38 da CRP)
3.3.4.2.1. Liberdade de expressão
3.3.4.2.2. Liberdade de informação (de informar, de ser informado, de se
informar)
3.3.4.2.3. Direitos dos jornalistas
3.3.4.2.4. Liberdade de imprensa
3.3.4.2.5. Liberdade de rádiodifusão
3.3.4.3. Estruturação policêntrica dos meios de comunicação social
3.3.4.3.1. Existência de um serviço público de rádio e de televisão (art.
38º5)
3.3.4.3.2. Existencia de estações privadas de rádio e televisão (art. 35º/7).
3.3.4.3.3. Pleno aproceitamento das novas técnicas de distribuição (cabo;
satélite; internet)

3.4. Princípio democrático e procedimento administrativo

3.4.1. Legalidade da Administração


3.4.2. Audiência, participação e informação dos interessados no
procedimento (267º)
3.4.3. Acesso aos arquivos e registos (habeas data) (268º/2)
3.4.4. Dever de fundamentação expressa e acessível dos actos
administrativos (268º/3)
3.4.5. Direito de acção popular (art.52º/3)

3.5. Princípio democrático e função jurisdicional

3.5.1. Legitimação democrática vs. independência pessoal e funcional


3.5.2. A legalidade da função judicial
3.5.3. Presença de elementos de controlo democrático
73

3.5.4. Publicidade da instrução (e por vezes durante o inquérito)


3.5.5. Publicidade das audiências judiciais (206º)
3.5.6. Júri e participação popular (art. 207º)
3.5.7. Abertura aos meios de comunicação social
3.5.8. Princípios da igualdade e da equidade processual
3.5.9. A eleição parlamentar dos juízes do Tribunal Constitucional (art.
222º)
3.5.10. O Conselho Superior da Magistratura: legitimação democrática e
independência (art. 218º)

3.6. Participação democrática nas estruturas sociais

3.6.1. Subordinação do poder económico ao poder político democrático


(art. 80ºa)
3.6.2. Empresas (54º/1)
3.6.3. Associações sindicais (art. 55º/3)
3.6.4. Instituições de segurança social (art. 56º2/b)
3.6.5. Organismos de concertação social (art. 56º2/d)
3.6.6. Escolas (art. 77º)

I - PRINCÍPIO REPUBLICANO

1. Origem histórica
1.1. Aristóteles: homem como animal político; primazia do bem comum
1.2. Platão: a república como arquétipo ideal
1.3. A Res-publica romana: Cícero
74

1.4. Da Cidade de Deus à “Respublica Christiana”


1.5. De Agostinho a Aquino: a república como “pensamento de Deus”
1.6. Maquiavél: a ideia de virtude
1.7. Oliver Cromwell: república de virtudes puritanas
1.8. Rousseau: república democrática
1.9. Kant: “Weltrepublik” (República mundial)
1.10. Hegel: república como Estado ético
1.11. Napoleão: republicanismo militarista
1.12. Jefferson: liberalismo e republicanismo civico

2. A república no constitucionalismo moderno


2.1. República como democracia representativa
2.2. República como não monarquia
2.2.1. Cidadãos e não súbditos
2.2.2. Princípio anti-privilégios: não vitaliciedade ou hereditariedade dos
cargos públicos
2.2.3. Forma de governo não pessoal (Government of laws, not of men)
2.3. República laica
2.3.1. Rejeição do princípio “Un Roi, une Loi, une Foi” (cuius regio, eius
religio)
2.3.2. Separação das confissões religiosas do Estado
2.3. República e autodeterminação democrática
2.3.1. Anti-federalismo
2.3.2. Regionalismo
2.3.3. Municipalismo

3. O princípio republicano na Constituição de 1976


3.1. Não monarquia: governo dos cidadãos, pelos cidadãos e para os
cidadãos
3.2. Eleição directa, universal e periódica do Chefe de Estado (art. 121º)
3.3. Não vitaliciedade dos cargos públicos (art. 118º)
3.4. Inimizade relativamente a privilégios (Privilegienfeindlichkeit)
3.5. Separação das confissões religiosas do Estado [art. 41º/4; 288º/c)]
3.6. Símbolos da república (art. 11º)
3.5. Protecção da forma republicana de Governo [art. 288º/b)]

4. O neo-republicanismo cívico
4.1. Democracia deliberativo-transformativa vs. democracia manipulativa
(Michael Perry)
75

4.2. Bem comum vs. “interest groups politics” (Cass Sunstein; Frank
Michaelman)
4.3. Virtudes cívicas democráticas: interesse público vs. interesses
particulares
4.4. Republicanismo e comunitarismo
Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da
Constituição, Coimbra, 1998, 215-231.

J - PRINCÍPIO DO ESTADO SOCIAL

1. O sentido histórico do princípio


1.1. O advento das concepções liberais da economia
1.2. As duas revoluções industriais e a concentração urbana
1.3. A emergância da classe operária: a questão social
1.4. O surgimento dos partidos socialistas e comunistas
1.5. Otto von Bismarck e o primeiro sistema de segurança social
1.6. Economias de guerra; grande depressão; John Maynard Keynes
1.7. Revolução Russa (1917)
1.8. Direitos económicos, sociais e culturais (México 1917; Weimar 1919)
1.9. “Second Bill of Rights” (Roosevelt)

2. O Estado social na Constituição de 1976


2.1. Democracia económica, social e cultural (art. 2º)
2.1.1. Subordinação do poder económico ao poder político democrático
[art. 80º/a)]
2.1.2. Planeamento democrático do desenvolvimento económico e social
[art. 80º/e)]
2.1.3. Democratização da educação e da cultura (art. 73º/2/3)
2.2. Direitos económicos, sociais e culturais (58º ss.)
2.3. Princípio da igualdade (art. 13º)
2.4. Intervenção do Estado na economia
2.4.1. Justiça social (art. 81º; 90º; 103º/1 e 104º)
2.4.2. Segurança social (art. 63º)
2.4.3. Solidariedade social
2.4.3.1. Colaboração do Estado com entidades privadas (art. 63º/5; 73º/3)
2.4.3.2. Princípio da subsidiariedade do Estado
2.4.3.3. Regulação estadual orientada para o mercado
2.4.4. Bem-estar social
2.4.5. Vinculação social dos direitos, liberdades e garantias.
76

2.4.6. Limitação do Estado social pelos direitos, liberdades e garantias.

Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998, 315-333.

L - PRINCÍPIO DO ESTADO AMBIENTAL

1. Sentido do Estado ambiental (Peter Pernthaler)


1.1. Crise ecológica
1.1.1. Poluição do ar
1.1.2. Destruição de eco-sistemas
1.1.3. Alterações climatéricas
1.2. Necessidade de novos valores e novas políticas
1.2.1. Da intervenção na economia à intervenção no ambiente
1.2.2. A protecção do ambiente como bem constitucional e “fim do Estado”
(art. 66º da CRP)
1.2.3. A promoção de um desenvolvimento sustentável [art. 81º/a)]

2. O Estado ambiental como princípio em desenvolvimento


2.1. Entre o antropocentrismo e o ecocentrismo (Mayer-Tasch)
2.2. Entre os direitos dos cidadãos e a justiça intergeracional (John Rawls;
Edith Brown Weiss)
2.3. Concretizações técnico-jurídicas
2. 3.1. Direitos da natureza? Direitos dos animais? (Peter Singer) Direitos
das gerações futuras?
a) Provedores
b) Curadores
c) Comissões parlamentares
2..3.2. Conformação dos direitos fundamentais de acordo com os valores
ambientais e intergeracionais.
77

3. Implicações organizatórias do Estado ambiental


3.1. Necessidade de coordenar e integrar funções e competências
administrativas
3.1.1. Coordenação e cooperação vs. especialização funcional [art.
66º/2/e) e f)]
3.1.2. Colaboração entre o Estado e as diversas entidades privadas
3.1.3. Corresponsabilização de todos os cidadãos (art. 66º1/2)
3.2. Consideração, nos processos de decisão, das implicações
ambientais a longo prazo
3.2.1. Responsabilidade de prognose de todos os poderes do Estado
3.2.2. Avaliação do impacto ambiental nas tarefas de ordenamento e
planificação [art.66º/2/b)c)]
3.2.3. Deveres de prevenção e precaução
3.3. Institucionalização de uma “Democracia ecológica”
3.3.1. Limitação da maioria democrática pelos bens ambientais e
intergeracionais (art. 66º)
3.3.2. Acção popular de protecção do ambiente [art. 52º/3/a)]

4. O desenvolvimento de “virtudes cívicas ecológicas”


4.1. Educação para a preservação do ambiente [art. 66º/2/g)]
4.2. Promoção de uma nova filosofia empresarial
4.3. Desenvolvimento de uma “economia eco-social de mercado”

M - OS DIREITOS FUNDAMENTAIS

I. Introdução

1.1. Desenvolvimento histórico

1.1.1. Fundamentalização
1.1.2.1. Luta contra o alargamento das prerrogativas dos monarcas
78

a)Magna Carta de 1215


b)Petition of Rights de 1628
c)Agreements of the People, 1646-9 (revolução puritana/republicana:
Oliver Cromwe0ll)
1.1.2.2. Luta pela tolerância e pacificação religiosa
1.1.2.3. Luta pela Liberdade de Consciência e de religião
§ Jean Bodin, Pierre Bayle, John Milton, Roger Williams, etc.
1.1.2.4. Contratualismo jusnaturalista
§ Hugo Grotius, Samuel Puffendorf, John Locke, Immanuel Kant, Adam
Smith, etc.
1.1.2.5. Autonomia individual e descentralização da autoridade nos
domínios político, económico, social, religioso, artístico, cultural, etc.

1.1.2. Constitucionalização
1.1.1.1. Bill of Rights de 1689, na Inglaterra
1.1.1.2. Toleration Act, de 1689, na Inglaterra
1.1.1.3. DDHC, 1789, Siéyes, Mirabeau, Lafayette, Jefferson, etc.
1.1.1.4. Constituições francesas (1791,1793, 1795, 1799, etc)
1.1.1.5. Declaração de Independência dos Estados Unidos de 1776
1.1.1.6. Dez aditamentos (1791) à Constituição americana de 1787
1.1.1.7. Revoluções liberais subsequentes

1.1.3. Internacionalização
1.1.3.1. DUDH, 1948
1.1.3.2. CEDH, de 1950-53.
1.1.3.3. Pacto Internacional dos direitos civis e políticos de 1966
1.1.3.4. Pacto internacional dos direitos económicos, sociais e culturais de
1966

1.1.4. Gerações de direitos fundamentais


1.1.4.1. Direitos civis e políticos
1.1.4.2. Direitos económicos, sociais e culturais
1.1.4.3. Direitos dos povos
1.1.4.4. Direitos das mulheres e das crianças
1.1.4.5. Direitos ambientais
1.1.4.6. Digitalização dos direitos fundamentais (informática; multimedia)
1.1.4.7. Direitos no domínio da bioética
1.1.4.8. Direitos das futuras gerações
1.1.4.9. Direitos dos animais (paradigmas ecocêntricos e zoocêntricos)
79

1.2. O conceito de direito fundamental


1.2.1. Existência de um bem subjectivamente referenciado
1.2.2. Que esse bem seja considerado essencial na conformação do
Estado e da sociedade
a) Indisponibilidade perante maiorias políticas conjunturais
b) Peso especial no processo de ponderação com outros bens
constitucionalmente protegidos
1.2.3. Que haja um poder de exigir do Estado a protecção (em sentido
amplo) desse bem
1.2.4. Que se verifique o correspondente dever de garantir a protecção
do bem por parte do Estado

1.3. Tipos de direitos fundamentais


1.3.1..Direitos negativos (contra o Estado) (status negativos)
1.3.2. Direitos de participação (status activus civitates)
1.3.3. Direitos positivos (através do Estado) (status activus)

1.4. Os direitos fundamentais na Constituição de 1976


1.4.1. Direitos, liberdades e garantias
1.4.2. Direitos econónicos, sociais e culturais
1.4.3. Critérios (tendenciais!) de diferenciação
a) radical subjectivo
b) natureza defensiva ou negativa
c) densidade subjectiva autónoma
d) Determinabilidade no plano constitucional

II. A Dignidade da Pessoa Humana (art. 1º)

2.1. O conceito de dignidade da pessoa humana


§ Pela primeira vez introduzido no constitucionalismo pela Constituição
portuguesa de 1933
e pela Constitucão irlandesa de 1937.
2.2. O significado geral da expressão (imago Dei; Kant: pessoa humana
como fim em si mesmo)
2.3. A dignidade humana como conceito disputado
2.3.1. Concepção judaico-cristã
2.3.2. Concepção materialista
2.3.3. Concepção humanista secular
2.3.4. Concepção feminista
2.3.5. Concepção nihilista
80

2.3.6. Concepção ambientalista (new-age)


2.4. O significado jurídico-positivo
2.5. Dignidade humana e direitos fundamentais
2.6. A dignidade humana como direito fundamental
2.7. A teoria dos cinco componentes
a)Integridade e Individualidade
b) Livre desenvolvimento da personalidade
c) Libertação da angústia da existência
d) Autonomia individual
e) Igualdade jurídica e social
2.8. Princípio geral de liberdade
2.9. Princípio geral de igualdade
2.10. Direitos de igual liberdade

III. Titulares dos direitos fundamentais


3.1. Pessoas físicas (art. 12º )
3.2. Pessoas colectivas (ou jurídicas) (art. 12º/2)
3.2.1. Direitos compatíveis com a sua natureza
3.2.2. Princípio da especialidade
3.3. A titularidade por parte de entidades públicas
3.3.1. Em regra é excluída
a) Os direitos fundamentais visam garantir uma certa distância em
relação ao Estado
b) As competências, funções e prerrogativas de direito público não são
direitos fundamentais
3.3.2. Admitida excepcionalmente a instituições públicas ligadas a direitos
fundamentais
a) Operadores públicos de rádio e de televisão
b) Universidades públicas
c) Associações públicas (v.g. ordens profissionais)
3.3. Portugueses no estrangeiros (art. 14º)
3.4. Estrangeiros e apátridas
3.4.1. Princípio da equiparação (art. 15º/1)
3.4.1.1. Exclusão do exercício de funções públicas não
predominantemente técnicas (15º/2)
3.4.1.2. Exclusão do exercício de outros direitos e deveres nos termos da
Constituição e da lei (15º/3)
3.4.2. Regimes diferenciados
3.4.2.1. Cidadãos dos países de língua portuguesa (art. 15º/3)
81

3.4.2.2. Estrangeiros residentes no território nacional (art. 15º/4): eleições


autárquicas
3.4.2.3. Cidadãos da União Europeia: eleições para o Parlamento Europeu
(art. 15º/5)

IV Destinatários dos direitos fundamentais


4.1. Entidades públicas
4.1.1. Poder legislativo
4.1.1.1. Dever de legislar sobre a garantia dos direitos fundamentais
4.1.1.2. Dever de disciplinar o exercício dos direitos fundamentais
4.1.1.3. Dever de não violar os direitos fundamentais
4.1.1.4. Dever de criar orgãos e procedimentos para a protecção e
efectivação dos direitos fundamentais
4.1.2. Poder executivo
4.1.2.1. Dever de interpretação e aplicação das leis sobre direitos
fundamentais
4.1.2.1.1. Dever de não contradição
4.1.2.1.2. Dever de regulamentação: complementação, execução e
controlo
4.1.2.2. Dever de interpretação das leis em conformidade com os direitos
fundamentais
4.1.2.3. Dever de não aplicação das leis que impliquem a prática de um
crime
4.1.2.4. Dever de não aplicação das leis que violem gravemente a
liberdade e a igualdade
4.1.2.5. Dever de actuar em conformidade com os direitos fundamentais
4.1.2.6. Dever de protecção dos direitos fundamentais (especialmente a
administração policial)
4.1.3. Poder judicial
4.1.3.1. Dever de interpretação das leis em conformidade com os direitos
fundamentais
4.1.3.2. Dever de concretização hermenêutica dos direitos fundamentais
4.1.3.3. Dever de recusa de aplicação de leis e regulamentos violadores
de direitos fundamentais
4.1.3.4. Dever de verificação de inconstitucionalidades por omissão (só o
Tribunal Constitucional)
4.2. Entidades privadas (ver adiante)

V. As funções dos direitos fundamentais


82

5.1. Função subjectiva: direitos subjectivos públicos


5.1.1. Direitos de defesa
5.1.2. Direitos de participação
5.1.3. Direitos a prestações
5.1.4. Deveres estaduais:
5.1.4.1. Dever de abstenção
5.1.4.2. Dever de protecção
5.1.4.3. Dever de organização/regulação
5.1.4.4. Dever de prestação
5.1.4.5. Dever de precaução (no âmbito da sociedade de risco)

5.2. Função objectiva: elementos objectivamente conformadores da


ordem jurídica
5.2.1. Definição de competências negativas do Estado
5.2.2. Directivas à ordem jurídica global
5.2.3. Fundamentadores de garantias institucionais
5.2.3.1. Serviço público de rádio e de televisão independente do poder
político
5.2.3.2. Separação das confissões religiosas do Estado
5.2.3.3. Autonomia universitária

VI O regime geral dos direitos fundamentais


6.1. Princípio da universalidade (v.supra: titularidade)
6.2. Princípio da igualdade (v.supra, Estado de direito)

VII Direitos, liberdades e garantias

7.1. Elementos estruturais de caracterização


7.2. Direitos, liberdades e garantias pessoais (arts. 24º ss)
7.3. Direitos, liberdades e garantias de participação política (arts. 48º ss.)
7.4. Direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores (arts. 53º ss.)

VIII Direitos económicos, sociais e culturais

8.1. Desenvolvimento histórico


a) Industrialização, urbanização, proletarização: questão social, sec.XIX.
b) Ideias socialistas e comunistas: revolução bolschevik de 1917.
83

c) Otto v. Bismarck e o primeiro Estado social.


d) Economias de guerra e necessidade de assistência aos ex-
combatentes inválidos.
e) Criação da Organização Internacional do Trabalho, 1919-20 (tratado
de Versailles)
f) Direitos económicos, sociais e culturais na Constituição Mexicana de
1917.
g) Colapso da Bolsa de NYC, 1929, e “grande depressão”.
h) Roosevelt apela a um “Second bill of Rights” de natureza social.
i) Keysenianismo e intervenção do Estado na economia.
j) Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948
k) Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais, de
1966

8.1. Discussão político-constitucional


8.1.1. Vantagens da constitucionalização dos direitos económicos,
sociais e culturais
a) Fornecem direitos subjectivos radicados na esfera jurídica individual.
b) Obrigam o Estado a actuar no sentido da sua realização.
c) Concretizam o parâmetro de actuação do Estado e do respectivo
controlo político.
d) Fundamentam restrições aos direitos, liberdades e garantias e
compressões de outros bens.
e) Orientam a actividade concretizadora e interpretativa da Administração
e dos tribunais.
f) Comportam uma necessária dimensão utópica.
8.1.2. Desvantagens da constitucionalização dos direitos,
económicos sociais e culturais
a) Limitam a componente político-democrática da Constituição.
b) Restringem o poder conformador dos órgãos legislativos.
c) Garantindo apenas os chamados direitos derivados a prestações, eles
mais não fazem do que remeter tautológicamente para o direito
vigente.
d) Não fornecem instrumentos de realização e execução do direito pela
via jurisdicional.
e) O mínimo de existência que garantem origináriamente resultaria já do
valor básico da dignidade da pessoa humana e de um princípio de
socialidade ou de Estado social.
84

f) São direitos imperfeitos, não justiciáveis, que prometem mais do que a


Constituição pode dar.
g) Favorecem uma intervenção do aparelho do Estado no processo
produtivo, comprometendo a sua eficiência.
h) Em última análise frustram expectativas e desacreditam a
Constituição.
8.2. Caracterização estrutural
8.2.1. Direitos preponderantemente positivos
8.2.2. Intensidade dos deveres estaduais de organização/regulação e de
prestação
8.2.3. Direitos com uma dimensão negativa
8.2.4. Direitos não accionáveis pela via jurisdicional
8.3. Direitos económicos (arts. 58º ss.)
8.4. Direitos sociais (art. 63º ss)
8.5. Direitos culturais (art. 73º ss.)

IX Os direitos análogos aos direitos, liberdades e garantias

9.1.Direitos formalmente fundamentais (DLG´s propriamente ditos)


9.2. Critérios de analogia:
9.2.1. Dignidade intrínseca (fundamentalidade)
9.2.2. Expressão de um mesmo valor ou princípio
9.2.3. Semelhança estrutural
9.3. Direitos materialmente fundamentais e formalmente constitucionais
(dispersos)
a) Exemplos: (arts. 13º; 20º, 21º; 61º, 62º,78º/1; 103º/3; 113º/3 a), 265º;
268º)
b) Dimensão negativa dos direitos, económicos, sociais e culturais (v.g.
saúde; ambiente, etc).
9.1. Direitos materialmente fundamentais e materialmente constitucionais
(fora)
9.3.1. Na lei
9.3.2. No direito internacional
9.3.2.1. Direito à aquisição e mudança de nacionalidade
9.3.1. No direito Europeu
a) Liberdade de circulação dos trabalhadores (art. 48º Tratado da UE).
b) Liberdade de estabelecimento (art. 52º Tratado da UE).
c) Liberdade de prestação de serviços (art. 59º do Tratado da EU).

Acórdão do TC, Proc. 91 0265 de 21-5-92


85

I - O direito de informação do andamento dos processos em que


cada cidadão seja interessado e o direito ao conhecimento das
resoluções definitivas através da sua notificação ou publicação,
constituem direitos de natureza análoga aos direitos, liberdades e
garantias, beneficiando, portanto, do regime que é proprio destes,
designadamente a aplicabilidade directa e a limitação da possibilidade
de restrição apenas nos casos expressamente previstos no texto
constitucional e mediante lei geral e abstracta.

X Regime específico dos direitos, liberdades e garantias

10.1 Aplicabilidade directa


10.1.1. Sem lei
10.1.2. Contra a lei
10.1.3. Em vez da lei
10.2. Vinculação das entidades públicas
10.2.1. Vinculação do legislador
a) Dever de conformar e concretizar os direitos, liberdades e garantias
b) Dever de harmonizar os direitos, liberdades e garantias em colisão
c) Dever de não violar os direitos liberdades e garantias
10. 2.2. Vinculação da Administração
a) A constitucionalidade da Administração
b) O princípio da legalidade da Administração
c) O dever de representação junto do superior hierárquico
d) A proibição da prática de crime (perigo de tautologia)
e) A teoria da evidência (inexistência; usurpação de poderes; crimes
graves)
f) Possibilidade de desaplicação de regulamentos inconstitucionais
10.2..3 Vinculação dos tribunais
a) Dever de desaplicação de normas violadoras dos direitos, liberdades e
garantias
b) Dever de aplicar directamente os direitos, liberdades e garantias
c) Dever de maximizar interpretativamente os direitos, liberdades e
garantias

10.3. Vinculação das entidades privadas


10.3.1. Defensores da vinculação indirecta ou mediata
10.3.1.1. Doutrina alemã
86

a)A esfera das relações privadas é reserva de autonomia individual e


liberdade contratual.
b) A Constituição protege a esfera privada contra intervenções do Estado
c) A Constituição não se aplica nas relações privadas
d) Vinculação do legislador através da primazia da Constituição.
e) Vinculação da Administração: discricionariedade e conceitos
indeterminados.
f) Vinculação dos tribunais: interpretação de cláusulas gerais e conceitos
indeterminados.
10.3.1.2. Doutrina americana (state action doctrine)
a) A esfera das relações privadas é reserva de autonomia individual e
liberdade contratual.
b) A Constituição protege a esfera privada contra intervenções do
Estado.
c) A Constituição não se aplica nas relações privadas.
d) As entidades privadas estão indirectamente vinculadas pela
constituição na medida em que por trás da sua actividade estiver uma
acção do Estado (lei; sentença; acto administrativo; financiamento).
e) A doutrina das condições inconstitucionais como limite à state action
doctrine
§ Nota: inicialmente concebida para proteger a esfera privada
relativamente ao Estado, a teoria da acção do Estado tem sido utilizada
para conseguir uma maior vinculação das entidades privadas, partindo
da ideia que estas existem e actuam num universo jurídico estruturado
pela actuação do Estado.
10.3.2. O problema na Constituição
10.3.2.1. Dimensão objectiva dos direitos, liberdades e garantias
10.3.2.2. Vinculação de todos os poderes do Estado
10.3.2.3. Vinculação das entidades privadas (efeito em relação a terceiros;
Drittwirking)
10.3.2.4. Obrigação de o juíz aplicar directamente os direitos, liberdades e
garantias nas relações entre privados, sem lei, contra a lei e em vez
da lei.
10.3.3. O duplo papel das entidades privadas como titulares e
destinatários de direitos, liberdades e garantias.
10.3.3.1. Necessidade de soluções materiais diferenciadas.
10.3.3.2. Vinculação das entidades privadas e colisão de direitos
fundamentais.
87

10.4. O regime especial de restrições aos direitos, liberdades e


garantias
10.4.1. A restrição como compressão legal do âmbito de protecção
10.4.1.1. Necessidade de prévia delimitação do âmbito de protecção
10.4.1.2. Necessidade de análise da medida alegadamente restritiva

Acórdão do TC Proc. 92 0087 de 31-3-94

I - Pode o legislador estabelecer a obrigação do pagamento de


custas desde que a justiça seja acessível a generalidade dos cidadãos
sem recurso ao apoio judiciario, so ocorrendo inconstitucionalização de
normas legislativas respeitantes a fixação de novos valores, por violação
do n. 1 do artigo 20 da Lei Fundamental, na hipotese de inviabilizarem
ou de tornarem particularmente oneroso para o cidadão médio o acesso
aos tribunais.
II - Dado que não esta consagrada constitucionalmente, de forma
generica, a proibição da retroactividade, só haveria violação do artigo 18º
/ 3 da Constituição se, perante norma retroactiva, se partisse do principio
de que a exigencia de custas nos tribunais constitui uma restrição
constitucionalmente censuravel do direito de acesso aos tribunais,
circunstancia que não ocorre no caso.
III - Um aumento em pouco mais do dobro do valor da taxa de justiça
não afecta substancialmente as expectativas das partes e por isso não
viola o princípio da confiança, ínsito no princípio do Estado de Direito
democrático consagrado no artigo 2º da Constituição, atentando em que
o valor da acção ultrapassa a média do comum das acções e em que há
mais de quinze anos não se tinha procedido a actualização das taxas
das custas judiciais.

10.4.2. Requisitos formais da restrição


10.4.2.1. Reserva de lei restritiva (art. 18º/2)
10.4.2.1.1. Reserva absoluta (art. 164º)
10.4.2.1.2. Reserva relativa (art. 165º/1/b)
a) Lei da Assembleia da República
b) Lei de autorização e Decreto-Lei autorizado

10.4.2.2. Reserva de autorização constitucional


10.4.2.2.1. O âmbito normativo e o âmbito de protecção
10.4.2.2.2. Limites constitucionais expressos (arts. 45º/1; 46º/1/4)
88

10.4.2.2.3. Limites constitucionais autorizados (arts. 34º/2; 35º/4; 47º/1;


57º/3
10.4.2.2.4. Limites
imanentes: salvaguarda de um direito ou interesse
constitucionalmente protegido (art. 18º/2) (art. 41º “cremar viúvas”;
“poligamia”)
Limites constitucionalmente imanentes
(Verfassungsimanentenschranken), a posteriori, e não limites
imamentes ao direito fundamental (Grundrechtsimanentenschranken), a
priori.

Acórdão do TC, Proc. 83-0042.

I - O direito à imagem garantido no artigo 26 , n. 1 , da Constituição


visa proteger a pessoa contra a utilização abusiva da sua imagem e não
se confunde com o direito da pessoa determinar a sua aparencia
exterior.
II - O direito à determinação da aparência externa inclui-se no direito
geral da personalidade, que a Constituição consagra com limitações,
designadamente as consentidas pelo artigo 29º da Declaração Universal
dos Direitos do Homem, de algum modo em ligação com o artigo 18º/2,
da Constituição.
III - A limitação ao direito de determinar a aparência externa imposta
pelo decoro e respeitabilidade não esta viciada de inconstitucionalidade,
pois não viola qualquer direito especifico do direito geral de
personalidade que a Constituição consagra.

Acórdáo do TC, Proc. 86-0262.

I - O âmbito de protecção do princípio da igualdade abrange


diversas dimensões: proibição do arbítrio, proibição de
discriminação, obrigação de diferenciação.
II - Só existe violação do princípio da igualdade, enquanto proibição de
arbítrio, quando os limites externos da discricionariedade legislativa são
afrontados por carência de adequado suporte material para a medida
legislativa adoptada.
III - Por outro lado, as medidas de diferenciação devem ser
materialmente fundadas sob o ponto de vista da segurança juridica, da
praticabilidade, da justiça e da solidariedade, não se baseando em
qualquer razão constitucionalmente imprópria.
89

IV - A limitação estabelecida no artigo 2 da Lei n. 55/79, de 15 de


Setembro - relativa a permanência do inquilino no fogo - ao direito de
denúncia do arrendamento pelo senhorio, não viola o principio da
igualdade, pois que razões de segurança juridica, justiça social e
solidariedade legitimam a solução adoptada pelo legislador.
V - A referida norma não viola o direito a propriedade privada, quer
porque a conflitualidade existente entre senhorio e inquilino radica numa
base obrigacional, quer porque a situação em presença seria susceptivel
de enquadramento no plano dos limites imanentes desse direito, por
força da existencia do direito a habitação, tambem constitucionalmenteas
segurado.
VI - A mesma norma tambem não viola o direito a habitação pois que,
no conflito entre o direito do senhorio e do inquilino, a solução adoptada
se justifica em fundamento material que baseia uma conformação
legislativa havida por mais justa e socialmente adequada.

Acórdão do TC, Proc. 85-0023

I - As partes tem a sua actividade e acção limitadas pela lei


processual, os seus mandatários tem de se comportar com autoridade e
respeito devido as instituições vigentes, as leis e ao tribunal (artigo 154
do Codigo de Processo Civil); não podem usar expressões ofensivas nas
intervenções permitidas por lei, se essas expressões ou imputações não
são necessarias a defesa da causa (citado artigo 154, ns. 1 e 5); isto
sem prejuizo do disposto na legislação penal, o que quer dizer que o
tribunal, quando se limita a mandar riscar quaisquer expressões e
imputações por as não considerar necessárias à defesa da causa, está a
exercer um simples poder disciplinar.
II - A liberdade de expressão não é um direito absoluto nem ilimitado.
Desde logo, a protecção constitucional de um direito não abrange todas
as situações, formas ou modos pensáveis do seu exercicio. Tem antes
limites imanentes. O seu dominio de protecção para ali onde ele possa
pôr em causa o conteúdo essencial de outro direito ou atingir
intoleravelmente a moral social ou os valores e principios fundamentais
da ordem constitucional. Depois, tendo que conviver com os direitos de
outros titulares, há-de ele sofrer as limitações impostas pela necessidade
de realização destes. E, então, em casos de colisão ou conflito com
outros direitos - designadamente com aqueles que se acham tambem
directamente vinculados à dignidade humana, v.g., o direito a integridade
90

moral (artigo 25, n. 1, da Constituição) e o direito ao bom nome e


reputação e à reserva de intimidade da vida privada e familiar (artigo 26,
n. 1, da Constituição) -, haverá que limitar-se em termos de deixar que
esses outros direitos encontrem também formas de realização.
III - Se é constitucionalmente proibida toda e qualquer forma de censura,
já não o é, porém, a repressão dos abusos de liberdade de expressão,
através de sanções penais (quando estiverem em causa bens juridicos
essenciais ou especialmente importantes) ou de sanções de outra
natureza, designadamente disciplinar.
IV - A alteração de que o n. 3 do artigo 37 foi objecto na revisão
constitucional apenas visou explicitar, em termos mais precisos e
tecnicamente mais perfeitos, o que já antes se pretendia dizer naquele
preceito constitucional, a saber: que submeter as infracções ai previstas
"ao regime de punição da lei geral" não é senão submete-las aos
"principios gerais de direito criminal"; tal norma tem unicamente a ver
com a tutela criminal dos abusos a liberdade de expressão, mas de
modo algum significa que só essa tutela - só as sanções criminais e não
tambem outras, v.g., as sanções disciplinares - seja admitida quanto aos
mesmos abusos ou infracções.
V - A faculdade de os tribunais mandarem riscar as expressões
ofensivas usadas nas peças forenses traduz-se no exercicio de uma
faculdade disciplinar, relativa a conduta dos profissionais do foro no
ambito de um processo em concreto, que se inscreve no poder-dever
que aos juizes cabe de assegurar uma correcta disciplina processual.
VI - Trata-se de uma medida razoável, adequada e eficaz, rodeada das
necessárias garantias (possibilidade de recurso com efeito suspensivo e
impossibilidade de serem consideradas ofensivas as expressões
necessárias à defesa da causa), que não configura qualquer forma de
censura e, assim, a Constituição não proibe.

Acórdão do TC. nº 458-P/93

Decide o Tribunal Constitucional: a) não se pronunciar pela


inconstitucionalidade dos ns. 1 e
3 do artigo 2º do Decreto-Lei 129/VI, da Assembleia da Republica
relativo ao segredo de Estado, e do artigo 7 do mesmo Decreto: b)
pronunciar-se pela inconstitucionalidade do artigo 3, n. 1, do Decreto, na
parte que contempla os Presidentes dos Governos Regionais e dos ns. 1
e 2 do artigo 9 do Decreto, mas apenas quando aplicaveis ao Presidente
da Republica e ao Primeiro Ministro, nos casos em ques estas entidades
91

solicitem o acesso a documentos classificados a titulo definitivo por


outras entidades; c) não se pronunciar pela inconstitucionalidade do
disposto no artigo 12 do Decreto e das normas dos ns. 1 a 4 do artigo
13, por si só ou conjugados com o artigo 14 do Decreto enquanto criam
um orgão público independente de fiscalização da aplicação da lei do
segredo de Estado; d) pronunciar-se pela inconstitucionalidade do n. 3
do artigo 13 do Decreto, na parte em que contempla o presidente do
Supremo Tribunal Administrativo e do n. 3 do artigo 13 do Decreto, na
parte respeitante a eleição de um dos deputados que integram a
composição da Comissão de Fiscalização do Segredo de Estado; e) não
se pronunciar pela inconstitucionalidade do artigo 14 deste Decreto, na
parte em que não preve a impugnação contenciosoa do acto de
classificação definitiva de documentos e informações como segredo de
Estado e na parte em que exige o pedido e obtenção do previo parecer
da Comissão de Fiscalização prevista no artigo 13 do mesmo diploma
como condição para impugnação do acto contencioso de denegação de
acesso a documento ou informação classificados - quando interpretado
no sentido de que o requerente pode interpor recurso contencioso se a
Comissão de Fiscalização não emitir o parecer previsto no n. 3 do artigo
13 do Decreto no prazo legal.
I - Não se põe em causa que o segredo de Estado pode funcionar como
restrição ao exercicio de liberdades e direitos fundamentais, como sejam
o direito de acesso dos cidadãos aos dados constantes de ficheiros ou
registos informáticos a seu respeito, a liberdade de informação, na sua
vertente do "direito de informar, de se informar e de ser informado, sem
impedimentos nem discriminações", a liberdade de imprensa, em
especial no que toca ao direito "dos jornalistas, nos termos da lei, ao
acesso de fontes de informação", o direito de os cidadãos serem
"esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades
publicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca
da gestão dos assuntos publicos".
II - Tão-pouco se nega que o direito dos deputados a obterem respostas
do Governo a perguntas por eles formuladas, sem prejuizo do disposto
na lei sobre segredo de Estado, possa ser afectado pelo modo como
venha a ser interpretada e aplicada esta última lei. Neste caso, porém, a
verdade é que a própria Constituição consagrou expressamente a
restrição ao exercicio dos poderes dos deputados por força do regime do
segredo de Estado, isto sem prejuizo dos poderes que cabem a
Assembleia da República de fiscalização do Governo e da
Administração.
92

III - Não se afigura exigivel, num domínio plurifacetado como é o do


segredo de Estado, que o legislador não possa recorrer a cláusulas
gerais, com exemplicações, contendo conceitos com relativa
indeterminação.
IV - O principio da precisão ou determinabilidade das leis implica que o
legislador elabore normas juridicas claras, susceptíveis de interpretação
que conduza a um sentido inequívoco, e que tenham a suficiente
densidade, de forma a constituirem uma medida juridica capaz de
alicerçar posições juridicamente protegidas dos cidadãos, traduzindo
uma norma de actuação para a Administração, possibilitando, como
norma de controlo, a fiscalização de legalidade e a defesa dos direitos e
interesses protegidos
V - A primeira parte do artigo 7º do Decreto estabelece a obrigação de
comunicação das informações e elementos de prova respeitantes a
factos I indiciários da pratica de crimes contra a segurança do Estado às
entidades competentes para a sua investigação, confirmando, assim, ser
claramente ilícita qualquer forma de ocultação da pratica de tais crimes.
A parte final da mesma disposição, porém, admite que, temporariamente,
possam ser mantidas reservados tais elementos de prova e informações,
a título de segredo de Estado mas tal reserva tem de ser determinada
pelo titular maximo do orgão de soberania detentor do segredo, isto é, na
pratica, o Presidente da Republica ou o Primeiro- -Ministro, e pelo tempo
estritamente necessário à salvaguarda da segurança interna e externa
do Estado.
VI - Embora tal norma introduza uma restrição a diferentes disposições
constitucionais em materia de processo criminal, a verdade é que tal
restrição se acha justificada pela necessidade de salvaguardar outros
valores e interesses constitucionais protegidos, nomeadamente a
independência do Pais, a integridade do seu território, a segurança
interna e externa da comunidade politica
VII - Dados os apertados condicionalismos estabelecidos, considera-se
que a restrição introduzida ao dever de imediata denúncia da prática de
um crime não viola os princípios da necessidade e da proporcionalidade.
Tão-pouco se pode sustentar que a possibilidade de retardamento da
denúncia possa abranger todos os crimes contra a segurança do
Estado, como tais previstos e qualificados no Codigo Penal, havendo
certos crimes contra a realização do Estado de direito que,
manifestamente, não devem ser considerados "crimes contra a
segurança do Estado", não podendo, por isso, o Presidente da República
ou o Primeiro-Ministro determinar a reserva das informações e dos
93

elementos probatórios respeitantes à pratica desses crimes, o que já


poderia traduzir uma consideração desproporcionada e ilícita da
chamada "razão de Estado" e, nessa medida, se revelaria contrário a
Constituição.
VIII - Padece de inconstitucionalidade a solução de conferir aos
Presidentes dos Governos Regionais o o poder de classificar a titulo
definitivo documentos e informações como segredo de Estado.
IX - Ainda que se considere que Portugal é um Estado regional, a
materia de segredo de Estado é uma matéria que diz respeito
exclusivamente aos orgãos de soberania e à Republica, visto caber ao
Estado garantir a independencia nacional e criar as condições politicas
economicas, sociais e culturais que a promovam. Constituem limites a
autonomia regional da Madeira e dos Açores a soberania, a unidade
politica do Estado e o interesse nacional.
X - Não é possivel, à face da Constituição, que uma lei ordinária vede ao
Presidente da República o acesso a documentos classificados como
segredo de Estado pelo Primeiro-Ministro, por um Ministro ou por outra
entidade competente, e idêntica afirmação se pode sustentar quando
seja o Primeiro-Ministro a pretender acesso a um documento classificado
pelo Presidente da Republica ou por outra entidade
XI - Relativamente às relações entre a Assembleia da República e o
Governo em materia de segredo de Estado, não pode afirmar-se de
forma peremptória que o sistema do governo acolhido pela Constituição
impõe que o orgão parlamentar tenha de ter acesso, de forma ilimitada,
as informações e documentos classificados como segredo de Estado
pelo Presidente da Republica ou pelos membros do Governo
XII - Mas se é verdade que a Constituição admite a oponibilidade pelo
executivo do segredo de Estado face aos deputados, com o que o
Governo fica eximido ao dever constitucional de lhes fornecer resposta
as respectivas perguntas em prazo útil, há-de entender-se que tal
oponibilidade se deve compatibilizar com as restantes disposições
constitucionais pertinentes. Em certas circunstancias é concebível que
hajam de ser disponibilizados documentos ou informações cobertas pelo
segredo de Estado, o que implicará que tal divulgação seja feita com
cautela que excluam a normal publicidade inerente aos trabalhos
parlamentares
XIII - O sistema de governo acolhido na Constituição não impede que,
em certas circunstâncias, a Assembleia da República não possa
ultrapassar a barreira do segredo de Estado, sem a anuência do
Governo ou do próprio Presidente da Republica. Mas ainda assim, a
94

Constituição confere competência politicas de fiscalização à Assembleia


da Republica, competências que pressupõem uma apreciação politica
por este orgão do comportamento da entidade que opôs o segredo de
Estado.
XIV - Competindo ao Supremo Tribunal Administrativo o julgamento dos
recursos contenciosos que tenham por objecto dirimir os litigios
emergentes das relações juridico-administrativas em materia de
denegação de acesso a documentos por causa de segredo de Estado, a
circunstância de ser elemento decisivo na apreciação do recurso
contencioso o parecer subscrito pelo presidente desse Supremo
Tribunal, parecer para cuja elaboração pode ter havido acesso da
Comissão ao próprio teor do documento classificado, implica que possa
ficar afectada a independencia do tribunal, com violação do artigo 206 da
Constituição, sem prejuizo de o presidente de ambos os orgãos se
considerar impedido de presidir à conferencia no orgão jurisdicional. O
exercicio em acumulação das funções de presidente da Comissão de
Fiscalização do Segredo de Estado e do Supremo Tribunal
Administrativo afecta, de forma inconstitucional, a independencia do
referido tribunal
XV - A remissão para o Regimento da Assembleia da República das
regras de natureza substantiva que devem reger a escolha do membro
do grupo parlamentar da Oposição que integrara o referido orgão
fiscalizador constitui deslegalização que viola o principio da reserva de
lei.
XVI - Na densificação do conceito constitucional de segredo de Estado,
os titulares dos orgãos constitucionais estão vinculados pela Constituição
e pelos direitos, liberdades e garantias individuais nela consignados,
mas o entendimento politico sobre as implicações da divulgação de certo
documento ou informação não tem de ser sujeito a um juízo fiscalizador
por um orgão judicial.
XVII - Na vertente que tem a ver com a impugnação contenciosa de
actos administrativos de denegação de acesso a documentos
anteriormente classificados como segredo de Estado, considera-se que a
exigência de obtenção de um prévio parecer não vinculativo da
Comissão de Fiscalização não se configura como uma restrição
desproporcionada ao previsto nos artigos 20, n. 1, e 268, n. 4, da
Constituição.

10.4.3. Requisitos materiais de restrição


95

10.4.3. 1. O princípio da proibição do excesso (art. 18º/2 “...limitar-se


ao necessário)
10.4.3.1.1. Legitimidade constitucional do fim
a) Salvaguarda de direito constitucionalmente protegido
b) Salvaguarda de interesse constitucionalmente protegido
10.4.3.1.2. Legitimiadade constitucional do meio: “inexistência de uma
proibição expressa”
10.4.3.1.3. Adequação do meio ao fim
a) Relação de causalidade
b) Respeito por uma margem razoável de prognose do legislador
10.4.3.1.4. Necessidade do meio para atingir o fim
a) Necessidade pessoal
b) Necessidade material
c) Necessidade espacial
d) Necessidade temporal
e) "The least restrictive alternative means"
10.4.3.1.5. Proporcionalidade em sentido estrito do meio em relação ao
fim
a) Análise custos / benefícios
b) Bens incomensuráveis entre si
c) Distribuição dos custos e dos benefícios (grupos sociais, gerações)

Acórdão do TC nº 449/ 91 de 28-11. (liberdade sindical)

I - A liberdade sindical constitui, em todas as suas manifestações


constitucionais - incluindo a liberdade de organização e regulamentação
interna das associações sindicais - um direito fundamental, beneficiando
do regime previsto no artigo 18º da Constituição.
II - Deste modo, a liberdade sindical só pode ser restringida, pelo
legislador ordinario, nos casos expressamente previstos na Constituição,
devendo, cumulativamente, observar-se o princípio da proporcionalidade,
isto é, serem as limitações confinadas ao necessário para salvaguardar
outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos e não
poderem atingir o conteúdo essencial da liberdade sindical.
III - A unica limitação imposta pela Constituição a liberdade sindical é a
decorrente das regras de organização e de gestão democraticas,
consagradas no seu artigo 55 n. 3.

Acórdão do TC nº 25 / 92 de 15-1 (Perda de Mandato)


96

I - O Estado tem que garantir o direito a candidatura segundo o


princípio do sufrágio livre e pessoal.
II - O direito a sufrágio passivo é um verdadeiro direito subjectivo público,
por isso que qualquer restrição a esse direito haja de ser excepcional, só
se justificando se for necessária para garantir a liberdade de voto e o
exercício isento e imparcial dos cargos autárquicos e na medida em que
o for.
III - A inelegibilidade decorrente da declaração de perda de mandato de
alguém que exercia funções de membro de um orgão autárquico,
fundada no cometimento de factos ilícitos graves ou na prática
continuada de irregularidades, não pode filiar-se na liberdade de escolha
dos eleitores, pois que com ela não se pode prevenir a "captatio
benevolentiae" nem o "metus publicae potestatis".
IV - A referida inelegibilidade já se justifica pela necessidade de garantir
a isenção e independência no exercício de cargo autárquico, visto que
se trata de tornar inelegível alguem que, tendo sido membro de um
orgão autarquico, não observou, no exercício das suas funções, as
regras de isenção e desinteresse e de independência, exigíveis a quem
deve estar ao serviço do bem comum.
V - A referida inelegibilidade tambem não se mostra desproporcionada,
pois que, abrangendo apenas "os actos eleitorais subsequentes que
venham a ter lugar no periodo de tempo correspondente a novo mandato
completo" limita-se ao necessario para salvaguardar os ditos valores da
isenção e da independencia.

Acórdão do TC Proc. 92 0641 de 13-4-94

III - Uma norma que consagre a responsabilidade pessoal e


solidaria dos gerentes e administradores de sociedades de
responsabilidade limitada, no caso de a propria sociedade não ter bens
penhoraveis, pelo pagamento das dividas destas por contribuições a
segurança social, juros de mora e multas, responsabilidade essa que se
afere unicamente pelo efectivo desempenho de funções de gerencia ou
administração - assim se presumindo a culpa dos gerentes ou
administradores, geradora de ilicitude salvo se existir uma causa de
justificação -, e da qual estão apenas excluidos os administradores
meramente nominais, não e conflituante com o referido principio da
igualdade, por duas razões: 1) porque o gerente meramente nominal não
exerce de facto as funções de gerencia ou administração, não se
podendo dizer que a concreta condução dos negocios da sociedade,
97

designadamente quando dela resulte a inobservancia de deveres ou


obrigações legais impostas a sociedade, se deva a qualquer actuação da
sua parte, e sendo pois perfeitamente razoável e justificado que ele
reclame um tratamento diferenciado daquele que contempla o gerente
efectivo; 2) porque, mesmo no caso das sociedades em situação
economica dificil, os administradores para elas designados sabiam que,
ao aceitarem a gerencia ou administração de jure et de facto, lhes
incumbia a prossecução de uma gerencia ou administração cuidada,
esforçada e diligente, designadamente quanto ao cumprimento dos
deveres e obrigações inerentes a vida societaria, ja que da recuperação
dessas empresas tirariam beneficios.
IV - Estas considerações são transportaveis quando se enfoque a
questão sob o prisma de um outro principio constitucional, o do Estado
de direito democratico consagrado no artigo 2 da Constituição, ja que
não se divisa qualquer arbitrio na aludida norma.
V - A mesma norma tambem não ofende o artigo 47º,/1, da Constituição,
uma vez que a opção de assumir de direito e de facto a gerencia ou
administração de uma sociedade de responsabilidade limitada, ciente
dos deveres e obrigações legais que sobre esta impendem e dos riscos
que tal função envolve, não implica uma irrazoável restrição ou um
injustificável escolha na liberdade de exercício de uma profissão, quer
tomada esta na dimensão de um "direito de defesa", quer na dimensão
positiva ligada ao "direito ao trabalho".

Acórdão do TC nº 101/95 (julgamento sem intervenção do


arguido)

II. Uma norma que permita a realização da audiencia de


julgamento sem intervenção do arguido, caso não seja possível obter-se
a sua notificação, apresenta-se como adequada, necessária e
proporcionada, não ofendendo as garantias de defesa do arguido e os
principios do contraditório e de busca da verdade material, desde que,
primeiro, a não possibilidade de notificação não ocorra sem prévia
utilização de um amplo mecanismo apto a que a comunicação produza
os seus efeitos e o julgamento sem a presença do arguido não possa
emergir como um sancionamento da sua colocação como "revel",
segundo, o processo para que reja a mencionada norma cure de
questões de diminuta relevancia ético - penal, nas quais estejam em
causa sancionamentos de não acentuada gravidade e que não
contendam com a privação de liberdade, como seja a imposição de uma
98

sanção pecuniÁria não "converÍvel" em prisão, e, terceiro, a intenção da


referida norma seja a de obter um asseguramento da defesa do arguido
não notificado, impondo a nomeação de defensor. Por outro lado, uma
solução de outra natureza que não permitisse o julgamento sem a previa
notificação pessoal do réu poderia conduzir à extensão, ao tipo de
processos aqui envolvido, do mecanismo da "contumácia", o que, isso
sim, se mostraria certamente desproporcionado.

10.4.4. Generalidade e abstracção (art. 18º/3)


10.4.4.1. Princípios subjacentes
a) Princípio da igualdade
b) Princípio da separação de poderes
10.4.4.2. Significado tendencial
a) Generalidade: número indeterminado e indeterminável de pessoas
b) Abstracção: número indeterminado e indeterminável de casos
10.4.4.3. Alguns perigos de uma lei geral e abstracta para o princípio da
igualdade
a) Impacto diferenciado (disparate impact)
b) Intencionalidade discriminatória (discriminatory targeting)

Acórdão do TC , Proc. 92 0565 de 27-4-94

I - O enquadramento da extinção dos contratos de trabalho,


decorrente da extinção da empresa empregadora previsto na alinea c)
do n. 1 do artigo 4º do Decreto-Lei n. 137/85, de 3 de Maio, no conceito
de impossibilidade superveniente, absoluta e definitiva, de o trabalhador
prestar o seu trabalho e de a empresa o receber - impossibilidade que,
nos termos da alinea b) do n. 1 do artigo 8º do Decreto-Lei n. 372-A/75,
de 16 de Julho, e causa de caducidade do contrato - enfrenta dificulades
assinaláveis.
II - Essas dificuldades resultam, por um lado, da circunstância de a
verificação dessa impossibilidade pressupor que ambos os contraentes a
conheçam ou devam conhecer (cf. n. 2 do citado artigo 8). Por outro, a
extinção da empresa como causa da caducidade do contrato de trabalho
estava expressamente prevista no artigo 29º/2, deste Decreto-Lei n. 372-
A/75.
III - O Governo, ao editar a alinea c) do n. 1 do artigo 4º do Decreto-Lei
n. 137/85, de 3 de Maio, legislou, inovatoriamente, sobre uma causa de
99

extinção do contrato individual de trabalho, que o mesmo é dizer sobre


direitos, liberdades e garantias, não estando munido da necessária
autorização legislativa.
IV - Acresce que a norma em causa reveste caracter restritivo da
garantia do direito à segurança no emprego, e tem natureza individual e
concreta (e não geral e abstracta), pelo que viola o artigo 18º/3 da
Constituição.
V - Uma das garantias dos trabalhadores é o direito à segurança no
emprego que visa garantir-lhes a estabilidade do contrato de trabalho,
por o emprego ser para o trabalhador não apenas um instrumento de
angariação de meios para ele prover ao seu sustento e ao da sua
familia, como tambem uma ocasião capaz de lhe permitir a sua
realização pessoal através do trabalho.

10.4.5. Proibição de retroactividade (art. 18º/3)


10.4.4.1. Proibição da retroactividade autêntica
10.4.4.2. Proibição da retroactividade inautêntica no caso de violação
grave, intolerável, arbitrária e proporcional do princípio da protecção
da confiança ínsito no Estado de direitoi (art. 2º)

10.4.6. Salvaguarda do conteúdo essencial (Wesensgehalt; central


range of aplication)
10.4.6.1. Objecto da protecção
a) Teoria objectiva: conteúdo essencial do preceito objectivo
b) Teoria subjectiva: conteúdo essencial do direito subjectivo individual
10.4.6.2. Valor da protecção:
a) Teoria absoluta: existência de um núcleo essencial irredutível
b) Teoria relativa: necessidade de proceder a uma ponderação
proporcional de bens
10.4.6.3. Tópicos para uma tentativa de solução
a) Num caso de restrição, deve procurar garantir-se a subsistência de um
sentido útil do direito subjectivo, do ponto de vista do seu titular.
b) Deve-se procurar identificar os elementos centrais de cada direito que
devam ser considerados o seu conteúdo essencial em termos
absolutos e objectivos.

Exemplos:
1. conteúdo essencial do direito de propriedade:
a) poder de excluir terceiros da sua propriedade
b) justa indemnização no caso de expropriação
100

2. conteúdo essencial do direito à liberdade de expressão e informação


a) proibição de censura prévia
b) proibição do controlo estadual de todos os órgãos de comunicação
c) liberdade dos jornalistas

Acórdão do TC, Proc. nº 92 0062 de 23-2-94

IV - O conteúdo essencial do direito de defesa do arguido será


posto em causa se se lhe negar a faculdade de recorrer de facto e de
direito (ou se se a reconhecer só em parte); o que, não significando
poder recorrer-se de todo e qualquer acto judicial, não é passível de
limitações perante decisões condenatórias ou respeitantes à situação do
arguido face à privação ou restrição da liberdade ou de quaisquer outros
direitos fundamentais.

Acórdão do TC, Proc. 90 0094 de 30-6-92

I - O direito à informação dos administrados é um direito


fundamental de natureza analoga a dos direitos, liberdades e garantias,
beneficiando, portanto, do regime de aplicabilidade directa e do caracter
restritivo das restrições.
II - O direito à informação é independente da garantia de recurso
contencioso, ainda que ambos se encontrem numa especial relação, a
ponto de uma restrição ilegítima daquele constituir uma violação do
conteudo essencial do direito constitucional ao recurso contencioso dos
actos da Administração arguidos de ilegais.

Bibliografia: J.J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998, 347-421, 1135-1159.

10.5 Casos especiais de restrição


10.5.1. Inadmissibilidade da perda de direitos
10.5.2. Possibilidade limitada da renúncia de direitos
10.5.2.1. Relações jurídicas especiais (reserva de Constituição e de lei
formal qualificada)
10.5.2.2. Renúncia contratual (salvaguarda do conteúdo essencial)

XI - Conflitos de direitos fundamentais


101

XII - Um regime específico para os direitos, económicos, sociais e


culturais

12.1 Natureza jurídica dos direitos económicos, sociais e culturais


12.1.1. Normas programáticas?
12.1.2. Normas organizatórias?
12.1.3. Garantias institucionais?
12.1.4. Declarações de moralidade política?
12.1.5. Declarações de intenções?
12.1.4. Direitos subjectivos públicos
12.1.5. Dimensão objectiva
12.1.5.1. Imposições legiferantes
12.1.5.2. Imposições de prestações fácticas
12.1.5.3. Imposições interpretativas na interpretação e aplicação da
Constituição e das leis (v.g. interpretação mais conforme à
Constituição económica, social e cultural).

12.2. Traços de um possível regime específico dos direitos


económicos, sociais e culturais
12.2.1. Direitos originários e direitos derivados a prestações
12.2.2. Normas vinculativas e paramétricas de toda a actuação estadual
12.2.3. Reserva do possível
12.2.4. Liberdade de conformação do legislador
12.2.5. Proibição de um retrocesso de justiça social (eficiência de Pareto;
Kaldor-Hicks; princípio da diferença de John Rawls)
12.2.6. Possibilidade de inconstitucionalidade por omissão (art. 283º)
12.2.7. Garantia de um mínimo de existência imediatamente accionável?
12.2.8. Possibilidade de efeito externo?

Acórdão do TC nº 39/84 de 11-4 (Direito à saúde)

II - O direito a saúde, enquanto direito social tipico, não pode


considerar-se como direito fundamental de natureza análoga aos
"direitos, liberdades e garantias", pelo que não está abrangido pela
alinea c) do artigo 167 da Constituição, na sua versão originária, não
integrando, portanto, a competência legislativa reservada da Assembleia
da Republica.
III - Na versão primitiva da Constituição não era inconstitucional a
revogação, por via de um decreto-lei, de uma lei de bases (naturalmente,
desde que fora do dominio reservado da Assembleia), ainda quando tal
102

lei cometesse explicitamente ao Governo a obrigação de a desenvolver


legislativamente.
IV - Sendo o direito a saúde um verdadeiro e próprio direito
fundamental, e o serviço nacional de saúde uma garantia institucional da
realização desse direito, uma vez criado esse serviço por lei, ele passa a
ter a sua existência constitucionalmente garantida, pelo que é
inconstitucional a lei que venha extingui-lo ou revogá-lo.
V - O artigo 17 do Decreto-Lei n. 254/82, de 29 de Julho, na medida em
que revoga a maior parte da Lei do Serviço Nacional de Saude,
traduzindo-se na extinção desse serviço, contende com a garantia do
direito a saúde consignado no artigo 64 da Constituição.

Acórdão do TC, Proc. 90-0223 (Transmissão do arrendamento


e direito à habitação)

I - A vertente mais significativa do direito à habitação enquanto


"direito economico social e cultural" contém-se na sua dimensão positiva,
isto é, no direito dos cidadãos às medidas e prestações estaduais
adequadas à concretização do objectivo ali enunciado - o direito a obter
uma habitação adequada e condigna a realização da condição humana,
em termos de preservar a intimidade pessoal e a privacidade familiar.
II - Ao contrário, a chamada dimensão negativa do direito a habitação,
traduz-se num mero dever de abstenção do Estado e de terceiros em
ordem a não praticarem actos que possam prejudicar a efectiva
realização daquele direito.
III - Ora, no plano desta vertente do direito a habitação, não pode
aceitar-se como constitucionalmente exigível que a realização daquele
direito esteja dependente de limitações intoleráveis e desproporcionadas
de direitos de terceiros (que não o Estado) direitos esses, porventura
também constitucionalmente consagrados, como sucede, alias, com o
direito de propriedade privada, elencado no titulo constitucional
correspondente aos direitos economicos, sociais e culturais.
IV - Não existe assim qualquer exigência constitucional impondo à lei
ordinária o dever de consagrar uma transmissão sucessiva e ilimitada da
posição juridica de arrendatário "mortis causa" sendo manifesto que a
norma do artigo 65º da Constituição não obriga a semelhante
entendimento, mesmo quando se entenda que o direito à habitação deve
prevalecer sobre o direito de uso e disposição da propriedade privada.
V - Só podera falar-se em bom rigor em "retrocesso social" quando
tenha havido diminuição ou afectação por alguma norma de qualquer
103

direito adquirido em termos de se gerar violação do principio da


protecção da confiança e da segurança dos cidadãos no âmbito
económico, social e cultural.

Acórdão do TC, Proc. 92-0530 de 8-2-94 (Propinas)

I - Inscrevendo-se a educação e o ensino superior no complexo


normativo que integra a Constituição cultural, há-de ser esta, entendida
como conjunto de principios e normas que fixam no seu horizonte os
direitos e deveres culturais atinentes aquele ramo de ensino, o ponto de
partida para se apurar da conformidade das normas da Lei n. 20/92, de
14 de Agosto (Lei das Propinas) com a Constituição.
II - Todo esse complexo normativo, que não é meramente programático
e contém antes uma vinculação para o legislador ordinário, não pode
desprender-se de princípios fundamentais consagrados na Constituição,
como seja o empenhamento da República na construção de uma
sociedade livre, justa e solidaria, o objectivo da realização da democracia
economica, social e cultural, as tarefas fundamentais do Estado de
promover a efectivação dos direitos económicos, sociais e culturais e
assegurar o ensino e a valorização permanente, nem de direitos
fundamentais, como o da liberdade de aprender e o da protecção
especial a que os jovens, sobretudo os jovens trabalhadores, gozam
para efectivação dos seus direitos economicos, sociais e culturais, entre
estes o ensino.
III - Igualmente, não pode perder-se de vista o horizonte económico,
pois está em jogo um pagamento da parte do consumidor do ensino
Superior como contrapartida da prestação desse ensino, que é um bem
misto, proporcionando simultaneamente dois tipos de beneficio: o
privado, a favor do consumidor, o público, favorecendo a comunidade em
geral, atenta a afirmação constitucional do desenvolvimento da
personalidade, do progresso social, das necessidades em quadros
qualificados e da elevação do nivel educativo, cultural e científico do
pais.
IV - Seja qual for o exacto sentido e alcance do ensino superior público,
consagrado no artigo 74º/3, alinea e), da Constituição, o que ele
seguramente não impede ou proíbe é que o valor das propinas seja
actualizado em certos termos, ou seja, a Constituição não impede ou
proíbe que o legislador ordinário ponha termo ao congelamento do
valores das propinas; proíbe-lhe apenas que, desse modo, subverta o
104

funcionamento de um sistema de ensino publico claramente definido na


mesma Constituição.
V - O conceito constitucional de "progressivamente gratuito" comporta,
afinal, um certo halo de indeterminação, dispondo o legislador de
legitimidade para o preencher. Ponto é que a actualização, no quadro
dessa legitimidade, não atinja aumentos drásticos.
VI - Ora, estando em causa, face à Lei das Propinas, um critério de
actualização da componente de participação dos utentes no custo de um
bem misto, correspondente a uma percentagem do resultado da divisão
das despesas de funcionamento e de capital das instituições do ensino
Superior publico do ano imediatamente anterior pelo numero total dos
alunos inscritos nessa instituição nesse mesmo ano lectivo, um criterio
de oneração constitucionalmente adequado pode consistir no Índice de
Preços no Consumidor apurado pelo Instituto Nacional de Estatistica.
VII - Com efeito, este Índice mostra-se, em termos da sua concreta
aplicação à actualização das propinas, como fundado quanto aos
pressupostos e razoável quanto aos resultados, quando visto na
perspectiva do controlo de limites daquela actualização que o Tribunal é
chamado a levar a cabo nesta sede.
VIII - Na verdade, tendo em conta o Índice de Preços no Consumidor, a
correcção do efeito da inflação levaria a que, em 1991, o montante anual
das propinas fosse cerca de 91 vezes superior ao estabelecido em 1941
(1 200$00), sendo certo que a percentagem máxima que, nos termos da
Lei n. 90/92, os Senados poderiam eventualmente fixar para o ano
lectivo de 1992/93, e que equivale a 24% do custo médio dispendido por
aluno no ano anterior (456 contos), correspondente ao valor que
resultaria daquela actualização.
IX - Ora, se se atentar no valor das propinas por universidade do
continente (ano lectivo de 1992/93), a média desse valor situa-se nos 56
000$00 anuais, significando isto que no valor encontrado na correcção
atrás referida (109 440$00), correspondente a percentagem maxima de
24% para aquele ano lectivo de 1992/93, cabe adequadamente aquela
média.
X - Donde a conclusão de que uma actualização do montante das
propinas, que corresponda a "uma simples actualização face ao
crescimento geral dos preços", é constitucionalmente admissível, sendo
que a expressão precentual maxima de 25% do quociente operado nos
termos combinados dos artigos 6º/2, e 16,º/2, da Lei das Propinas, se
contem dentro de uma ordem de grandeza que respeita aqueles limites.
105

XI - Noutra perspectiva das coisas, poderia ainda dizer-se que a


percentagem assim encontrada representa o limite razoável dentro do
qual se poderá falar da lógica constitucional da possivel gratuitidade do
ensino superior e não da lógica do pagamento parcial das custas do
ensino Superior pelos respectivos utentes.
XII - Mas, se isto é assim, e se para o ano lectivo de 1992/93 não traduz
colisão com a norma constitucional em causa, já há colisão para os anos
de 1993/94, 1994/95 e seguintes, mas apenas no ponto em que a
percentagem para a determinação do montante das propinas pode ser
fixada acima de 25%. É o que acontece no ano lectivo de 1993/94, em
que a variação vai de 20% a 40%, e nos anos lectivos de 1994/95 e
seguintes, em que a variação vai de 25% a 50%.
XIII - Em tal segmento, a norma do artigo 6º/2, conjugado com o artigo
16º/2, da Lei das Propinas, viola a norma do artigo 74º/3, alinea e), da
Constituição.

XIII - Meios de defesa dos direitos fundamentais


13.1. Meios de defesa jurisdicionais
13.1.1. Garantia do acesso aos tribunais (art. 20º) (v. supra, Estado de
Direito)
13.1.2. Direito a um processo equitativo (art. 20º4) (justiça substantiva)
13.1.3. Direito de acesso à justiça administrativa (art. 268º/4)
13.1.4. Impugnação de normas (art. 51º/e) ETAF e art. 63ºLPTA)
13.1.5. Direito a processos céleres e prioritários para defesa dos direitos,
liberdades e garantias (art. 20º/5)
13.1.6. Acção de responsabilidade (art.22º e 27º/5; 51º/1/h) do ETAF)
13.1.7. Direito a suscitar a questão da inconstitucionalidade e ilegalidade
(art. 280º)
13.1. Meios de defesa não jurisdicionais
13.2.1. Direito de resistência
13.2.2. Queixa ao Provedor de Justiça (art. 23º)
13.2.3. Direito de petição (art. 52º)

Direito de Petição: Lei nº 43/90, DRI Série nº 184 de 10 de Agosto de


1990 com as alterações introduzidas pela Lei nº 6/93, DR I Série A nº
50 de 1 de Março de 1993. Nota: transcreve-se apenas o primeiro
capítulo da lei seguido dos arts. 15º e 16º.
106

A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 52º,


164º, alínea d), 168º, alínea b), e 169º, nº 3, da Constituição, o seguinte:

Capítulo I

DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 1º
(Âmbito da presente lei)

1. A presente lei regula e garante o exercício do direito de petição, para


defesa dos direitos dos cidadãos, da Constituição, das leis ou do
interesse geral, mediante a apresentação aos órgãos de soberania, ou a
quaisquer autoridades públicas, com excepção dos tribunais, de
petições, representações, reclamações ou queixas.
2. São regulados por legislação especial:
a) A impugnação dos actos administrativos, através de reclamação ou
de recurso hierárquicos;
b) O direito de queixa ao Provedor de Justiça e à Alta Autoridade para
a Comunicação Social;
c) O direito de petição das organizações de moradores perante as
autarquias locais;
d) O direito de petição colectiva dos militares e agentes militarizados
dos quadros permanentes em serviço efectivo.

Artigo 2º
(Definições)

1. Entende-se por petição, em geral, a apresentação de um pedido ou de


uma proposta, a um órgão de soberania ou a qualquer autoridade
pública, no sentido de que tome, adopte ou proponha determinadas
medidas.
2. Entende-se por representação a exposição destinada a manifestar
opinião contrária da perfilhada por qualquer entidade, ou a chamar a
atenção de uma autoridade pública relativamente a certa situação ou
acto, com vista à sua revisão ou à ponderação dos seus efeitos.
3. Entende-se por reclamação a impugnação de um acto perante o
órgão, funcionário ou agente que o praticou, ou perante o seu superior
hierárquico.
107

4. Entende-se por queixa a denúncia de qualquer inconstitucionalidade


ou ilegalidade, bem como do funcionamento anómalo de qualquer
serviço, com vista à adopção de medidas contra os responsáveis.
5. As petições, representações, reclamações e queixas dizem-se
colectivas quando apresentadas por um conjunto de pessoas através de
um único instrumento, e nome colectivo quando apresentadas por uma
pessoa colectiva em representação dos respectivos membros.
6. Sempre que, nesta lei, se empregue unicamente o termo petição,
entende-se que o mesmo se aplica a todas as modalidades referidas no
presente artigo.

Artigo 3º
(Cumulação)

O direito de petição é cumulável com outros meios de defesa de direitos


e interesses previstos na Constituição e na lei e não pode ser limitado ou
restringido no seu exercício por qualquer órgão de soberania ou por
qualquer autoridade pública.

Artigo 4º
(Titularidade)

1. O direito de petição, enquanto instrumento de participação política


democrática, é exclusivo dos cidadãos portugueses.
2. Os estrangeiros e os apátridas que residam em Portugal gozam do
direito de petição, para defesa dos seus direitos e interesses legalmente
protegidos.
3. O direito de petição é exercido individual ou colectivamente.
4. Gozam igualmente do direito de petição quaisquer pessoas colectivas
legalmente constituídas.

Artigo 5º
(Universalidade e gratuitidade)

A apresentação de petições constitui direito universal e gratuito e não


pode, em caso algum, dar lugar ao pagamento de quaisquer impostos ou
taxas.

Artigo 6º
(Liberdade de petição)
108

Nenhuma entidade, pública ou privada, pode proibir, ou por qualquer


forma impedir ou dificultar, o exercício do direito de petição,
designadamente na livre recolha de assinaturas e na prática dos demais
actos necessários.

Artigo 7º
(Garantias)

1. Ninguém pode ser prejudicado, privilegiado ou privado de qualquer


direito em virtude do exercício do direito de petição.
2. O disposto no número anterior não exclui a responsabilidade criminal,
disciplinar ou civil do peticionante se do seu exercício resultar ofensa
ilegítima de interesse legalmente protegido.

Artigo 8º
(Dever de exame e de comunicação)

1. O exercício do direito de petição obriga a entidade destinatária a


receber e examinar as petições, representações, reclamações ou
queixas, bem como a comunicar as decisões que forem tomadas.
2. O erro na qualificação da modalidade do direito de petição, de entre
as que se referem no artigo 2º, não justifica a recusa da sua apreciação
pela entidade destinatária.

Artigo 15º
(Tramitação)

1. As petições dirigidas à Assembleia da República são endereçadas ao


Presidente da Assembleia da República e apreciadas pelas comissões
competentes em razão da matéria ou por comissão especialmente
constituída para o efeito, que poderá ouvir aquelas.
2. A composição e o funcionamento da comissão ou comissões referidas
no número anterior constam do Regimento da Assembleia da República.
3. Recebida a petição, a comissão competente procede ao seu exame
para verificar:
a) Se ocorre algumas das causas legalmente previstas que
determinem o seu indeferimento liminar;
b) Se foram observados os requisitos mencionados nos nºs 2 e 4 do
artigo 9º.
109

4. A comissão competente deve apreciar as petições no prazo


prorrogável de 60 dias a contar da data da reunião a que se refere o
número anterior.
5. Se ocorrer o caso previsto no nº 5 do artigo 9º, o prazo estabelecido
no número anterior só começa a correr na data em que se mostrem
supridas as deficiências verificadas.
6. Findo o exame da petição é elaborado um relatório final, que deverá
ser enviado ao Presidente da Assembleia da República com a proposta
das providências que julgue adequadas, se for caso disso.

Artigo 16º
(Efeitos)

1. Do exame das petições e dos respectivos elementos de instrução feito


pela comissão pode, nomeadamente, resultar:
a) A sua apreciação pelo Plenário da Assembleia da República, nos
termos do artigo 20º;
b) A sua remessa, por cópia, à entidade competente em razão da
matéria para a sua apreciação e para eventual tomada de decisão
que no caso lhe caiba;
c) A elaboração, para ulterior subscrição por qualquer Deputado ou
grupo parlamentar da medida legislativa que se mostre justificada;
d) O conhecimento dado ao ministro competente em razão da
matéria, através do Primeiro Ministro, para eventual medida legislativa
ou administrativa;
e) O conhecimento dado, pelas vias legais, a qualquer outra
autoridade competente em razão da matéria na perspectiva de ser
tomada qualquer medida conducente à solução do problema
suscitado;
f) A remessa ao Procurador-Geral da República, no pressuposto da
existência de indícios para o exercício de acção penal;
g) A sua remessa ao Provedor de Justiça, para os efeitos do disposto
no artigo 23º da Constituição;
i) A iniciativa do inquérito parlamentar;
j) A informação ao peticionante de direitos que revele desconhecer,
de vias que eventualmente possa tomar para obter o reconhecimento
de um direito, a protecção de um interesse ou a reparação de um
prejuízo;
110

l) O esclarecimento dos peticionantes, ou do público em geral, sobre


qualquer acto do Estado e demais entidades públicas relativo à
gestão dos assuntos públicos que a petição tenha colocado em causa
ou em dívida;
m) O seu arquivamento, com conhecimento ao peticionante ou
peticionantes.
2. As diligências previstas nas alíneas b), d), e), f), g), h), j) e l) do
número anterior são efectuadas pelo Presidente da Assembleia da
República, a solicitação e sob proposta da comissão.

13.2.4. Direito de acção popular (art. 52º)


13.2.5. Reclamação hierárquica
13.2.6. Autodeterminação informativa
13.2.7. Arquivo aberto
13.2.8. Garantias no procedimento administrativo

13.3. Protecção Internacional


13.3.1. Recurso para o TribunalEuropeu dos Direitos do Homem (art. 25º
da CEDH- Estatuto do TEDH, de 4-11-98)
13.3.2. Exposição ao Comissão dos Direitos do Homem (ONU)
13.3.3. Exposição à Comissão para os Direitos sociais (ECOSOC)
13.3.4. Exposição perante a Organização Internacional do Trabalho.

Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998,, 345-350; 357-376; 377-396; 397-420; 429-
442; 443-475;
111

N - ESTRUTURAS ORGANIZATÓRIO-FUNCIONAIS

I - O RELEVO MATERIAL DOS PROBLEMAS ESTRUTURAIS


1.1. Substância e estrutura na Constituição
1.2. Princípios estruturais fundamentais
1.2.1. Separação de poderes
1.2.1.1. Origem histórica
a) Constituição mista
b) Constituição equilibrada
c) Locke
d) Montesquieu
e) Madison
1.2.1.2. Significado jurídico-constitucional
1.2.1.2.1. Especialização funcional
1.2.1.2.2. Adequação institucional
1.2.1.2.3. Coordenação
1.2.1.2.4. Controlo recíproco
a) Mecanismo de controlo primário ou subjectivo
b) Mecanismos de controlo secundário ou objectivo
1.2.1.3. Formas de separação
1.2.1.3.1. Separação funcional
1.2.1.3.2. Separação pessoal
1.2.1.3.3. Separação institucional
1.2.1.3.3.1. Separação horizontal
112

a) Posição relativa dos órgão de soberania


b) Diferentes sistemas de governo
1.2.1.3.3.2. Separação vertical
a) Federalismo
b) Regionalismo
c) Municipalismo

II - OS SISTEMAS DE GOVERNO

2.1. Sistema presidencial (norte-americano)


2.1.1. O Presidente
2.1.1.1. Eleição (como que) directa
a) Mandato de quatro anos
b) Renovável apenas uma vez (precedente de George Washington; F.
Roosevelt; XXII emenda, 1951)
c) Continuidade do mandato assegurada pelo Vice-Presidente
2.1.1.2. Chefe do Estado e do executivo
2.1.1.2.1. Competências
a) Condução da política geral coadjuvado por secretários de Estado
b) Competência de nomeação para a administração e tribunais federais
(confirmação pelo senado)
c) Poder de indulto para os crimes federais
d) Iniciativa legislativa (art. 2º, sec. 3)
e) Proposta de orçamento (Budget and Acounting Act, de 1921)
f) Direito de veto (superável por 2/3 dos congressistas)
g) Poder regulamentar (executive orders, executive agreements, rules
and regulations, proclamations)
2.1.1.2.2. Organização do executivo
a) White House Office
b) Executive Office of the President (OMB, NSC, CIA, etc)
c) Departamentos de Estado
d) Agências Administrativas Independentes (FCC, FTC, etc.)
2.1.2. O Congresso
2.1.2.1. Estrutura institucional
2.1.2.1.1. Senado
a) Dois senadores por Estado
b) Mandato de seis anos (renovação de um terço em cada dois anos)
c) Presidido pelo Vice-Presidente
113

2.1.2.1.1. Câmara dos Representantes


a) 438 Representantes (eleitos por critérios demográficos)
b) Mandato de 2 anos (mid-term elections) (influência de Rousseau)
c) Speaker partidarizado
2.1.2.2. Competências
2.1.2.2.1. Competências enumeradas (enumerated powers)
a) Competências orçamentais e fiscais
b) Competência legislativa no domínio comercial (art. 1º, sec.8 § 3)
c) Ratificação de convenções internacionais
d) Poderes de nomeação e exoneração
e) Declaração de guerra
2.1.2.2.2. Competências implícitas (implied powers) (art. 1, sec. 8, §1 e
§18)
2.1.2.2.3. Competências por inerência (inherent powers)
a) Poder de “subpoena” e condenação por “contempt of Congress”
nas comissões de inquérito)

Congresso
Presidente
Secs. Senado C.
Estado Representantes
6 anos 2
anos

eleição eleição
 

POVO
114

(Sistema de Governo Presidencial)

21.2.3. Limitações ao poder


2.1.2.3.1. Controlo recíproco
a) Veto presidencial (pocket veto; line item veto)
b) Indissolubilidade do Congresso
c) Irresponsabilidade do executivo perante o Congresso
d) Impeachment (Câmara dos representantes, Senado presidido pelo
Presidente do Supremo)
2.1.2.3.1. Controlo político (eleições) (accountability)
2.1.2.3.2. Controlo jurídico (Supremo Tribunal Federal) (judicial review)
a) Controlo difuso
b) Controlo concreto
2.1.2.3.1. Controlo pela opinião pública (mass media)
2.1.2.4. Algumas especificidades
a) Desorganização dos trabalhos parlamentares (filibustering)
b) Indisciplina partidári a (liberdade total de voto)
c) Permeabilidade aos lobbies e às clientelas locais (problema da
reeleição)
d) Barganha (bargaining) entre o Presidente e o congresso
e) Grandes despesas em campanhas eleitorais
f) Abundância de meios (v.g. biblioteca do Congresso)
g) Paradoxo: aparentemente ineficiente no plano institucional, e, contudo,
uma superpotência económica, cultural e militar

2.2. Sistema parlamentar monista (britânico; modelo de


Westminster)
2.2.1. O Parlamento
2.2.1.1. Estrutura institucional
2.2.1.1.1. Câmara dos Lordes
a) Lordes espirituais (26)
b) Lordes temporais (800 hereditários; 330 vitalícios; 9 de apelação
jurisdicional)
c) Veto temporário
d) Magistratura de influência moral
2.2.1.1.2. Câmara dos Comuns
2.2.1.1.2.1. Composição
115

2.2.1.1.2.2. Competências
a) Legislativa
b) Controlo (interpelação)

2.2.2. O Gabinete
2.2.2.1. Apropriação pelo Primeiro Ministro das prerrogativas do monarca
2.2.2.1.1. Referenda ministerial (contra-assinatura)
2.2.2.1.2. Iniciativa de dissolução do Parlamento (dissolução ministerial)
2.2.2.1.3. “Crown in Parliament”
2.2.2.2. Primeiro Ministro como chefe do executivo
2.2.2.3. Gabinete como órgão colegial e solidário
2.2.2.4. Responsabilidade perante o Parlamento (aprovação do programa;
moções de censura e de confiança)

Governo
Monarca
(ou
presidente) confiança

(fora do sistema)
Câmara
dos
Comuns
5 anos

eleição

POVO

(Sistema de Governo Parlamentar)


2.2.3. O Monarca
116

2.1.3.1. Historicamente relegado a um papel simbólico

2.2.3. Funcionamento efectivo do sistema político


a) Sistema eleitoral maioritário a uma volta
b) Bipartidarismo
c) Governo des partidos (party government)
d) Primeiro Ministro como líder partidário
e) Disciplina partidária (whips)
f) Party management; patronage

2.2. Sistema semi-presidencial (França; V República)


2.2.1. Matriz histórica: parlamentarismo dualista
2.2.2. O Presidente da República
2.2.2.1. Posição Jurídico-constitucional
2.2.2.1.1. Chefe do Estado
2.2.2.1.2. Chefe do Executivo
2.2.2.2. Legitimidade democrática directa: eleições directas (desde 1962)
2.2.2.3. Mandato de sete anos
2.2.2.4. Algumas das principais ompetências
2.2.2.4.1. Nomeação (e, de facto, destituição) do Primeiro Ministro (art. 8º
CRF)
2.2.2.4.2. Dissolução da Assembleia Nacional
2.2.2.4.3. Direito de devolução (poder de bloqueio)
2.2.2.4.4. Presidência do Conselho de Ministros
2.2.2.4.5. Direcção das relações internacionais da França (treaty making
power)
2.2.2.4.6. Direcção da política de defesa
2.2.2.4.7. Iniciativa do Referendo
2.2.2.4.8. Iniciativa do controlo da constitucionalidade junto do Conselho
Constitucional
2.2.2.4.9. Poderes em situações de excepção
2.2.3. O Governo
2.2.3.1. Posição jurídico-constitucional
2.2.3.1.1. Dependente da confiança da Assembleia
2.2.3.1.2. Primeiro Ministro como Chefe do Governo
2.2.3.2. Competência
2.2.3.2.1. Iniciativa legislativa
2.2.3.2.2. Poder regulamentar (Primeiro Ministro; Conselho de Ministros)
117

2.2.3.2.3. Referenda ou contra-assinatura (Primeiro Ministro)


2.2.3.2.4. Determinação e condução da política da nação (art. 20º da CRF)
2.2.3.2.5. Articulação político-administrativa dos órgãos superiores do
Estado

2.2.4. O Parlamento
2.2.4.1. Estrutura institucional
2.2.4.1.1. Senado
2.2.4.1.1.1. Legitimidade democrática indirecta
2.2.4.1.1.2. Orgão localista e conservador
2.2.4.1.1.3. Aperfeiçoamento da legislação
2.2.4.1.1.4. Aperfeiçoamento do controlo
2.2.4.1.1. Assembleia Nacional
2.2.4.1.2.1. Legitimidade democrática directa
2.2.4.1.2.2. Competências
a) Competência legislativa
b) Limites à competência legislativa em domínios regulamentares (art.
34º CRF)
c) Competência de controlo: moções de censura ao Governo
d) Competência de fiscalização (questões orais e escritas, ao Governo
ou a um ministro; audiência perante uma comissão permanente;
relatórios orçamentais; comissões de inquérito; missões de informação
e avaliação).

Presidente da República  nomeação Governo


→

confiança

Parlamento
118

eleição
eleição

POVO

(Sistema de Governo Semi-presidencial)

2.2.5. Funcionamento do sistema político


2.2.5.1. Executivo bicéfalo
2.2.5.2. Colegialidade precária
2.2.5.3. Arritmia eleitoral
2.2.5.4. Coabitação (governo entre duas maiorias políticas diferentes)
2.2.5.5. Subalternização do Parlamento
2.2.5.5.1. Amplitude dos poderes Presidênciais
2.2.5.5.2. Competências do Governo
2.2.5.5.3. Meios de Comunicação social
2.2.5.5.4. Regionalização e descentralização
2.2.5.5.5. Poder jurisdicional
2.2.5.5.6. Ascendência da União Europeia

III - SISTEMA MISTO PARLAMENTAR-PRESIDENCIAL

3.Elementos Caracterizadores do Sistema de Governo

3.1.1. Ssistema parlamentar monista


3.1.1.1. A existêrncia de um gabinente
3.1.1.2. Responsabilidade ministerial
119

3.1.1.3. A referenda ministerial


3.1.2. O sistema presidencial
3.1.2.1. Eleição directa
3.1.2.2. Veto (político; por inconstitucionalidade)
3.1.2.3. Poderes de direcção política do Presidente da República
3.1.3. Sistema parlamentar dualista e semi-presidencial
3.1.3.1. Dupla responsabilidade do Governo
3.1.3.2. Dissolução do Parlamento (Dissolution Royale)

3.2. Interdependência institucional


3.2.1. Presidente da República e Primeiro Ministro
3.2.1.1. Poder de nomeação
3.2.1.2. Poder de exoneração
3.2.1.3. Responsabilidade política
3.2.2. Presidente da Rapública e Assembleia da República
3.2.2.1. Dissolução
3.2.2.2. Responsabilidade indirecta perante a Assembleia (via referenda)
3.2.3. Assembleia da República e Governo
3.2.3.1. Poderes de controlo
a) Aprovação do programa do governo
b) Moção de Censura
c) Moção de confiança
d) Interpelação
e) Constituição de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s)

3.3. Sistema de governo e Estado de partidos


3.3.1. Relação entre maiorias e minorias
3.3.2. Sistema eleitoral (maioritário ou proporcional)
3.3.3. Representação nacional ou local
3.3.4. Existência ou não de maioria absoluta
3.3.5. Liberdade ou disciplina de voto (mandato livre; mandato imperativo
partidário)
3.3.6. Primeiro Ministro como líder do partido da maioria
3.3.7. Importância do “party management”

Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998,485-526.
120

IV - ESTRUTURA E FUNÇÃO DOS ÓRGÃOS DE SOBERANIA


PORTUGUESES

4.1. O Presidente da República


4.1.1. Posição Jurídico-Constitucional
4.1.1.1. Chefe do Estado (art. 120º)
4.1.1.2. Legitimidade democrática directa (art. 121º)
4.1.1.3. Órgão Constitucional Autónomo (art. 121º)
4.1.1.4. Integração funcional (art. 120º)
4.1.2. Os poderes do presidente da República
4.1.2.1 Poderes próprios e poderes partilhados (art. 140º)
4.1.2.2 Direcção política
4.1.2.2.1. Nomeação do Primeiro Ministro [art. 133º/f)]
4.1.2.2.2. Demissão do Governo e exoneração do Primeiro Ministro [art.
133º/g)]
4.1.2.2.3. Dissolução da Assembleia da República [art. 133º/e)]
4.1.2.2.4. Decisão do Referendo (poder de recusa de referendo) (art.
115º/1)
4.1.2.2.5. Exercício de poderes de excepção (art. 138º)
4.1.2.1 Poderes de controlo
4.1.2.3.1. Promulgação (art. 136º)
4.1.2.3.2. Veto político (dimensão de direcção política) (art. 136º)
4.1.2.3.3. Veto por inconstitucionalidade (art. 279º)

4. 2. Assembleia da República
4.2.1. Posição jurídico-constitucional
4.2.1.1. Órgão democrático-representativo (art. 147º)
4.2.1.2. Representação nacional (art. 152º/2)
4.2.1.3. Mandato livre (mandato imperativo partidário)
4.2.1.3.1. Mandato individual
4.2.1.3.2. Inadmissibilidade de sanções legais para violação da disciplina
de voto
4.2.1.3.3. Possibilidade de abandono do partido sem demissão como
deputado
4.2.1.3.4. Supremacia dos grupos parlamentares (art. 176º;art. 180º)
4.2.1.4. Órgão de soberania autónomo
4.2.1.5. Órgão permanente
4.2.1.5.1. Descontinuidade material (art. 167º/4/5)
4.2.1.5.2. Descontinuidade pessoal
4.2.1.5.3. Sessões legislativas e comissão permanente (171º; 174º; 179º)
121

4.2.1.6. Órgão unicameral


4.2.1.7. Órgão colegial
4. 2.2. Competências e funções
4.2.2.1. Função electiva (v.g. art. 163º/h/i)
4.2.2.2. Função de revisão constitucional [art. 161º/a)]
4.2.2.3. Função legislativa [art. 161º/c)]
4.2.2.4. Função de controlo [art. 163º/d)/e)]
4.2.2.5. Função de fiscalização (art. 162º)
4.2.2.6. Função autorizante [v.g. art. 161º/h)l)m)]
4.2.2.7. Função de representação (art. 147º)
4.2.2.8. Função europeia [art. 163º/f)]

4.2.3. Estatuto dos deputados


4.2.3.1. Mandato livre e direitos
4.2.3.2. Deveres
4.2.3.3. Indemnidade e Imunidade
4.2.3.3.1. Garantia de ampla liberdade de expressão (v.g. injúria formal;
juízos de valor)
4.2.3.3.2. Imunidade processual passiva durante o mandato
4.2.3.3.3. Garantia do funcionamento institucional da AR: não se trata de
direitos subjectivos
4.2.3.4. Incompatibilidades
4.2.3.5. Direitos subjectivos
4.2.3.5.1. Sigilo profissional
4.2.3.5.2. Direitos profissionais
4.2.3.5.3. Direito à informação
4.2.3.5.4. Direito a uma remuneração adequada
§BVerfGE, 40,296: 80-120 horas semanais (plenário, comissões, partido,
círculo eleitoral, comícios eleitorais, etc).
4.2.3.6. Direitos no processo constitucional
4.2.3.6.1. Fiscalização preventiva da constitucionalidade das leis orgânicas:
1/5 (art. 278º/4)
4.2.3.6.2. Fiscalização abstracta sucessiva da constitucionalidade: 1/10 dos
deputados.

4.3. O Governo
4.3.1. Posição jurídico-constitucional (art. 182º)
4.3.2. Composição (art. 183º)
4.3.3. Estrutura
122

4.3.3.1. Primeiro Ministro (art. 201º/1)


4.3.3.2. Conselho de Ministros (art. 200º)
4.3.3.3. Ministros (art. 201º/2)
4.3.3.4. Secretários e Subsecretários de Estado (art. 183º/3; art. 191º/3)
4.3.3. Responsabilidade política (190º; 191º)
4.3.4. Funções do Governo
4.3.4.1. Função de direcção política (indirizzo politico) (197º)
4.3.4.2. Função legislativa (198º)
4.3.4.3. Função administrativa (199º)

Bibliografia, J.J. Gomes CANOTILHO, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998, 537-570.

4.4. Os Tribunais
4.4.1. Função jurisdicional (art. 202º)
4.4.1.1. Reserva de juíz
4.4.1.2. Proibição da justiça privada
4.4.1.3. Monopólio da função jurisdicional
4.4.1.3.1. Proibição do exercício da função jurisdicional pelo legislador e
pela administração
4.4.1.3.1. Monopólio da primeira e da última palavra (matéria penal)
4.4.1.3.2. Monopólio da última palavra (matéria administrativa,
sancionatória, etc.)
4.4.2. Princípios fundamentais
4.4.2.1. Independência dos Tribunais (art.203º)
4.4.2.2. Acesso directo à Constituição: competência de controlo da
constitucionalidade (204º)
4.4.2.3. Publicidade das audiências (art. 206º)
4.4.2.4. Fundamentação das decisões (art. 205º/1)
4.4.2.5. Obrigatoriedade das decisões (art. 205º/2/3)
4.4.2.6. Possibilidade de júri e participação popular
4.4.3. Organização dos tribunais (Lei Orgânica dos Tribunais Judiciais:
Lei nº3/99 de 13-1 alterou substancialmente a Lei nº38/87, de 23-12 e os
vários diplomas subsequentes)
4.4.3.1. Tribunais Comuns (arts 210; 211º)
4.4.3.1.1. Tribunais de 1ª instância
4.4.3.1.1.1. Geralmente coincidentes com uma comarca, emborca nem
sempre
4.4.3.1.1.2. Varas e juízos
123

4.4.3.1.1.3. Competência genérica, especializada (cível; criminal instrução


criminal, família, menores, trabalho, comércio marítimo, execução de
penas etc;) e competência específica (art. 64º LOTJ)
4.4.3.1.1.4. Círculos judiciais: uma ou mais comarcas
4.4.3.1.1.5. Tribunais singulares, tribunal colectivo e tribunal de júri
4.4.3.1.2. Tribunais da Relação (2ª instância)
4.4.3.1.3. Supremo Tribunal de Justiça
4.4.3.2. Tribunais Administrativos e Fiscais (212º)
4.4.3.2.1. Tribunais Administrativos de Círculo
4.4.3.2.2. Tribunal Central Administrativo (Lei n.º 49/96, 4-9;Decreto-Lei n.º
229/96, 29-11)
4.4.3.2.3. Tribunais Tributários
4.4.3.2.4. Tribunais Fiscais Aduaneiros
4.4.3.2.5. Supremo Tribunal Administrativo
4.4.3.3. Tribunal de Contas (214º)
4.4.3.4. Outros tribunais (arts. 209º/2/3/4; 213º)
4.4.3.4.1. Tribunais marítimos
4.4.3.4.2. Tribunais arbitrais
4.4.3.4.3. Julgados de paz
4.4.3.4.4. Tribunais Militares

Lei Orgânica dos Tribunais judiciais: Lei n.º 3/99 de 13-1

SECÇÃO II
Competência
Artigo 17.º
Extensão e limites da competência
1 - Na ordem interna, a competência reparte-se pelos tribunais
judiciais segundo a matéria, a hierarquia, o valor e o território.
2 - A lei de processo fixa os factores de que depende a
competência internacional dos tribunais judiciais.

Artigo 18.º
Competência em razão da matéria
1 - São da competência dos tribunais judiciais as causas que não
sejam atribuídas a outra ordem jurisdicional.
2 - O presente diploma determina a competência em razão da matéria
entre os tribunaisjudiciais, estabelecendo as causas que competem
aos tribunais de competência específica.
124

Artigo 19.º
Competência em razão da hierarquia
1 - Os tribunais judiciais encontram-se hierarquizados para efeito de
recurso das suas decisões.
2 - Em regra, o Supremo Tribunal de Justiça conhece, em recurso, das
causas cujo valor exceda a alçada dos tribunais da Relação e estes das
causas cujo valor exceda a alçada dos tribunais judiciais de 1.ª
instância.
3 - Em matéria criminal, a competência é definida na respectiva lei
de processo.

Artigo 20.º
Competência em razão de valor
A lei de processo determina o tribunal em que a acção deve ser
instaurada em face do valor da causa.

Artigo 21.º
Competência territorial
1 - O Supremo Tribunal de Justiça tem competência em todo o
território, os tribunais da Relação, no respectivo distrito judicial, e
os tribunais judiciais de 1.ª instância, na área das respectivas
circunscrições.
2 - Havendo no distrito judicial mais de um tribunal da Relação é
aplicável o disposto no n.º 3 do artigo 15.º
3 - A lei de processo indica os factores que determinam, em cada
caso, o tribunal territorialmente competente.

Artigo 22.º
Lei reguladora da competência
1 - A competência fixa-se no momento em que a acção se propõe,
sendo irrelevantes as modificações de facto que ocorram posteriormente.
2 - São igualmente irrelevantes as modificações de direito, excepto se
for suprimido o órgão a que a causa estava afecta ou lhe for
atribuída competência de que inicialmente carecesse para o
conhecimento da causa.

Artigo 23.º
Proibição de desaforamento
125

Nenhuma causa pode ser deslocada do tribunal competente para outro,


a não ser nos casos especialmente previstos na lei.

Artigo 24.º
Alçadas
1 - Em matéria cível a alçada dos tribunais da Relação é de 3 000
000$00 e a dos tribunais de 1.ª instância é de 750 000$00.
2 - Em matéria criminal não há alçada, sem prejuízo das
disposições processuais relativas à admissibilidade de recurso.
3 - A admissibilidade dos recursos por efeito das alçadas é regulada pela
lei em vigor ao tempo em que foi instaurada a acção.

4.4.4. Estatuto dos Juízes


Unicidade estatutária (art.215º/1) (Estatuto dos Magistrados: Lei nº21º/85
de 30-7, alterado pela Lei nº10 / 94 de 5-5, pela Lei nº81/ 98 de 12-3;
Lei n.º 143/99 de 31-8)
4.4.4.1. Critério do mérito (art.215º2/3/4)
4.4.4.2. Inamovibilidade (arts.216º/1 e 217º)
4.4.4.3. Irresponsabilidade (art.216º/2)
4.4.4.4. Independência
4.4.4.5. Imparcialidade (art. 7º da Lei nº21º/85 de 30-7)
4.4.4.6. Regime de incompatibilidades (art.216º/3/4/5)
4.4.4.7. Regime de impedimentos
4.4.4.8. Proibição do exercício da actividade política (art. 11º do Estatuto
dos Magistrados)
4.4.4.9. Dever de sigilo (art. 12º do Estatuto dos Magistrados)
4.4.5. Conselho Superior da Magistratura (art. 218º) (Lei nº81/ 98 de
12-3)
4.4.5.1. Garantia de democraticidade
4.4.5.2. Garantia de independência
4.4.5.3. Garantia de auto-administração

Art. 4º/2 da Lei Orgânica dos Tribunais Judiciais

A independência dos juízes é assegurada pela existência de um


órgão privativo de gestão e disciplina da magistratura judicial, pela
inamovibilidade e pela não sujeição a quaisquer ordens ou instruções,
salvo o dever de acatamento das decisões proferidas em via de recurso
por tribunais superiores.
126

4.4.6. Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais


(art.217º/2)
4.4.1. Ministério Público
4.4.7.1. Funções
4.4.7.1.1. Representação do Estado
4.4.7.1.2. Defesa de interesses vários
4.4.7.1.3. Exercício da Acção Penal

Art. 3º do Estatuto do Ministério Público


(Lei nº60/98 de 28-8)

Compete, especialmente, ao Ministério Público:

a) Representar o Estado, as regiões autónomas, as autarquias locais, os


incapazes, os incertos e os ausentes em parte incerta;
b) Participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de
soberania;
c) Exercer a acção penal orientada pelo princípio da legalidade;
d) Exercer o patrocínio oficioso dos trabalhadores e suas famílias na
defesa dos seus direitos de carácter social;
e) Assumir, nos casos previstos na lei, a defesa de interesses colectivos
e difusos;
f) Defender a independência dos tribunais, na área das suas atribuições,
e velar para que a função jurisdicional se exerça em conformidade com a
Constituição e as leis;
g) Promover a execução das decisões dos tribunais para que tenha
legitimidade;
h) Dirigir a investigação criminal, ainda quando realizada por outras
entidades;
i) Promover e realizar acções de prevenção criminal;
j) Fiscalizar a constitucionalidade dos actos normativos;
l) Intervir nos processos de falência e de insolvência e em todos os que
envolvam interesse público;
m) Exercer funções consultivas, nos termos desta lei;
n) Fiscalizar a actividade processual dos órgãos de polícia criminal;
o) Recorrer sempre que a decisão seja efeito de conluio das partes no
sentido de fraudar a lei ou tenha sido proferida com violação de lei
expressa;
p) Exercer as demais funções conferidas por lei.
127

4.4.7.2. Estatuto do Ministério Público (Lei nº60/98 de 28-8)


4.4.7.3. Conselho Superior do Ministério Público (arts.15º ss da Lei nº
60/98 de 28/8)
4.4.7.3. Competência disciplinar e gestão de quadros

4.5. O Tribunal Constitucionl


4.5.1. Estatuto jurídico-constitucional
4.5.1.1. Orgão jurisdicional
4.5.1.2. Independência relativamente à hierarquia dos Tribunais
4.5.1.3. Julgamento de questões jurídico-constitucionais
4.5.2. Estrutura organizatória
4.5.2.1. Composto por treze juízes (art. 222º)
4.5.2.1.1. Dez são nomeados pela Assembleia da República
4.5.2.1.2. Três são cooptados pelos restantes
4.5.2.1.3. O Presidente é eleito pelos juízes
4.5.2.1.4. Seis são obrigatoriamente juízes e todos são juristas
4.5.2.1.5. O mandato é de nove anos

Nota: no Tribunal Constitucional Federal alemão existem 16 juízes: 8


são nomeados pelo Parlamento Federal (Bundestag) e 8 pelo Conselho
Federal (Bundesrat), devendo ter mais de 40 anos de idade, sendo o
respectivo mandato de 12 anos; O Conselho Constitucional francês
conta com noves juízes, nomeados em grupos de três pelo Presidente
da República, pelo Senado e pela Assembleia Nacional, sendo a
composição do órgão renovada, em um terço, de três em três anos. O
mandato dos juízes é de 9 anos, improrrogáveis. Os antigos presidentes
da república fazem parte do Conselho Constitucional, emborca nenhum
deles tenha, até agora, ocupado o respectivo lugar. Nos Estados Unidos,
128

os 9 juízes do Supremo Tribunal são nomeados pelo Presidente, sob


confirmação do Senado, vitaliciamente.

4.5.3. Competências (art. 223º)


4.5.3.1. Apreciação da inconstitucionalidade e ilegalidade de actos
normativos
4.5.3.2. Presidência da República:
4.5.3.2.1. Verificação da morte e impossibilidade física e impedimentos do
Presidente
4.5.3.2.2. Verificar a perda do cargo do Presidente da República
4.5.3.2.3. Verificar a morte e a incapacidade dos canditatos à Presidência
da República
4.5.3.3. Direito eleitoral e referendário
4.5.3.3.1. Regularidade dos actos eleitorais
4.5.3.3.2. Constitucionalidade e legalidade dos referendos
4.5.4.4. Partidos políticos
4.5.4.4.1. Constituição, extinção, coligações, denominações e siglas
4.5.4.4.2. Eleições e deliberações dos partidos políticos
4.5.4.5.Órgãos Parlamentares: AR e ALR’s
4.5.4.5.1. Perda de mandato
4.5.4.5.2. Eleições internas
Nota: Ficam de fora algumas competências que existem noutros
tribunais constitucionais estrangeiros: a) resolução de conflitos entre
órgãos de soberania; b) controlo de actos políticos vinculados; c) acções
directas ou acções constitucionais de defesa de direitos fundamentais.
129

O - AS FONTES DE DIREITO

I. PRÍNCÍPIOS ESTRUTURANTES DO SISTEMA NORMATIVO

1. Princípio da hierarquia
1.1. A primazia da Constituição
1.2. A legalidade da Administração
1.2.1. Prevalência de lei
1.2.2. Precedência de lei
1.2.3. Reserva de lei
1.3. Tendencial paridade das leis e dos decretos-leis
1.4. O princípio da hierarquia e a legislação regional

2. Princípio da competência
2.1. Repartição territorial de competências: Estado, região e autarquia
local
2.2. Repartição funcional de competências: funções legislativas e
administrativas
2.3. Repartição material de competências: reserva de Parlamento e de
Governo
2.4. Descentralização e desconcentração de competências

3. Insuficiência do modelo tradicional de hierarquia normativa


3.3.1. Direito internacional e direito interno
3.3.2. Direito europeu e direito interno
3.3.3. Direito internacional e direito europeu
130

3.3.4. Direito estadual e normas não estaduais


3.3.5. Hierarquia, competência, interconexão (Vernetzung)

II. AS FONTES DO DIREITO INTERNO

2.1. Os actos legislativos


2.1.1. Ausência de um critério material de lei
2.1.2. Presença de notas tendencialmente caraxcterizadoras
2.1.2.1. Generalidade e abstracção
2.1.2.2. Carácter não transitório
2.1.2.3. Essencialidade do objecto
2.1.2.4. Possibilidade de existirem leis sem estas características
2.1.3. O sentido especificamente constitucional do termo
2.1.3.1. Lei da Assembleia da República: L (AR) = [L+LVR
(LO+LMQ+LA+LB+LE+LQ)]
2.1.3.2. Decreto-lei do Governo: DL (G) =[DL (CC e
CR)+DLA+DLD+DLAB]
2.1.3.3. Decreto legislativo regional: DLR (AReg) = [DLR+DLRA+DLRD]
2.1.4. A lei no ordenamento constitucional
2.1.4.1. Primazia da lei
2.1.4.2. Precedência da lei
2.1.4.3. Reserva de lei
2.1.5. Existência de um bloco com legalidade reforçada
2.1.5.1. Leis com requisitos mais exigentes para a sua aprovação
2.1.5.2. Leis que prevalecem sobre outras leis
2.1.5.2.1. Leis de autorização
2.1.5.2.2. Leis de bases
2.1.5.2.3. Leis estatutárias
2.1.5.2.4. Leis quadro

2.2. As leis da Assembleia da República


2.2.1. As leis ordinárias em geral
2.2.1.1. Iniciativa (167º)
2.2.1.1.1. Proposta de lei: Governo
2.2.1.1.2. Projecto de lei: deputados
2.2.1.2. Procedimento (168º)
2.2.1.2.1. Discussão e votação na generalidade
2.2.1.2.2. Discussão e votação na especialidade (comissões ou plenário)
2.2.1.2.3. Votação final global
2.2.2. Leis com leis com valor procedimentalmente reforçado
131

2.2.2.1. Leis orgânicas (art. 168º/5; 278º/4)


2.2.2.2. Leis de reserva de plenário (art. 168º/4/5)
2.2.2.3. Leis que exigem maioria de 2/3 (art. 168º/6)

2.2.3. Leis de autorização legislativa (art. 112º/2; 165º)


2.2.3.1. As leis de autorização e dos decretos-leis autorizados
2.2.3.2. Prevalência de lei de autorização
2.2.3.3. Precedência de lei de autorizaçção
a) a obrigação de citação (art. 198º/3)
2.2.3.4. Os requisitos da lei de autorização (art. 165º/2 ss.)
3. 2.2.2.1. O objecto e a extensão da autorização
3.2.2.2.2. O sentido da autorização (como reduto último de reserva
absoluta)
3.2.2.2.3. A duração da autorização

Jurisprudência: Acórdão do TC nº 206/ 94 de 3-2

Não julga organicamente inconstitucional a norma da alinea b) do artigo


15 do Decreto-Lei n. 454/91, de 28 de Dezembro, por o já referido
diploma ter sido aprovado em Conselho de Ministros em 29 de Agosto de
1991, dentro de prazo de duração da autorização legislativa concedida
pela Lei n. 30/91, de 20 de Julho e antes do termo da V Legislatura.
I - O Decreto-Lei n. 454/91, diploma autorizado, veio a ser publicado em
28 de Dezembro de 1991. Do texto do mesmo consta que foi aprovado
em Conselho de Ministros em 29 de Agosto de 1991, tendo sido
promulgado pelo Presidente da Republica em 13 de Dezembro de 1991
e referendado pelo Primeiro Ministro em 16 do mesmo mês e ano.
II - Tendo o decreto em causa sido enviado para promulgação ao
Presidente da Republica em 11 de Setembro de 1991, muito antes de ter
caducado a autorização legislativa pelo decurso do prazo, solicitou este
em 13 do mesmo mês ao Tribunal Constitucional a fiscalização
preventiva de constitucionalidade de certas normas dele constantes,
tendo o atraso na promulgação e subsequente publicação ficado a
dever-se ao pedido de fiscalização preventiva e ao inexplicável atraso na
publicação do acordão do Tribunal Constitucional que recaiu sobre tal
pedido.
III - O Tribunal Constitucional firmou já jurisprudencia, em ambas as
suas secções de forma unânime, sobre o momento relevante a que há-
de atender-se para saber se o diploma autorizado foi elaborado durante
o prazo de vigência da autorização legislativa correspondente. Sendo em
132

abstracto sustentavel que o momento relevante pudesse ser o de


aprovação em Conselho de Ministros, o de envio ao Presidente da
Republica para promulgação, o da promulgação, o de referenda ou o da
publicação, o Tribunal considerou que o momento atendivel havia de ser
o de aprovação em Conselho de Ministros do diploma autorizado.
IV - Como resulta da orientação unânime da jurisprudência deste
Tribunal, a relação fiduciária entre certo Governo e determinada
Assembleia, tem de existir no momento de aprovação em Conselho de
Ministros do diploma autorizado. O subsequente inicio de uma legislatura
implica a demissão do Governo mas não afecta a validade ou eficácia
dos decretos autorizados, aprovados pelo Governo demitido e ainda não
promulgados. Nada há na Constituição que proíba que a referenda seja
feita por Governo diverso do que aprovou certo diploma.
V - Não resulta da Constituição qualquer limitação ou restrição funcional
relativamente aos substitutos do Primeiro-Ministro ou dos Ministros. A
participação em Conselho de Ministros, quando da aprovação de
decretos-leis, não está reservada ao Primeiro-Ministro ou aos Ministros
competentes em razão da materia, podendo ocorrer a intervenção dos
substitutos de qualquer desses membros do Governo.
VI - A Constituição não prevê nenhuma forma ou requisito de publicidade
para a indicação do substituto de um Ministro, desde que tal indicação
provenha do proprio substituto ou do Primeiro -Ministro.

3.2.2.2.4. O carácter instantâneo da autorização


3.2.2.2.4.1. Utilização só uma vez
3.2.2.2.4.2. Utilização parcelada: uma vez cada parcela
3.2.2.2.5. O carácter fiduciário da autorização
3.2.2.3. A desconformidade do decreto-lei autorizado com a lei de
autorização: inconstitucionalidade

2.2.4. Leis de Bases


2.2.4.1. O sentido das leis de bases e dos decretos leis de
desenvolvimento
2.2.4.1.1. Bases: princípios fundamentais
2.2.4.1.2. Regime geral
2.2.4.1.3. Regime especial
2.2.4.1. Leis de base em matéria de competência reservada
2.2.4.2.1. Princípio da hierarquia
2.2.4.2.2. Princípio da competência
2.2.4.3. Leis de base em matéria de competência concorrente
133

2.2.4.3.1. Princípio da hierarquia


2.2.4.3.2. Natureza controvertida destas leis de bases
2.2.4.4. Primazia da lei de bases sobre os decretos-leis de
desenvolvimento
2.2.4.4.1. Precedência de lei de bases
2.2.4.4.2. Prevalência de lei de bases
2.2.4.4.3. Obrigação de citação (art. 198º/3)
2.2.4.4.4. Execução protelada no tempo (não instantânea)
2.2.4.4.5. Execussão por sucessivos Governos (não fiduciária)
2.2.4.4. A violação de uma lei de bases: inconstitucionalidade

2.2.5. Leis estatutárias


2.2.5.1. Iniciativa regional (era. 226º)
2.2.5.2. Aprovação pela Assembleia da República (art. 226º)
2.2.5.3. Primazia normativa
2.2.5.3.1. Leis gerais da república
2.2.5.3.2. Decretos-legislativos regionais
2.2.5..4. Violação de lei estatutária
2.2.5.4.1. Ilegalidade
2.2.5.4.2. Controlo jurisdicional [arts. 280º/2/b), c) d); 281º/1/c) e d)]

2.2.6. Leis-quadro e outras leis com valor reforçado


2.2.6.1. Lei quadro das privatizações (art. 296º) relativamente aos
decretos-leis que venham proceder às reprivatizações em concreto.
2.2.6.2. Lei quadro da adaptação das normas tributárias às regiões
autónomas [art. 227º/1/i)].
2.2.6.3. Lei de enquadramento do orçamento (art. 106º/1º) relativamente
às leis que anualmente aprovam o orçamento de Estado.
2.2.6.4. Lei das grandes opções do plano (art. 91º e 105º) relativamente
às leis que anualmente aprovam o orçamento de Estado.
2.2.6.5. Lei do Orçamento relativamente às leis e aos decretos leis com
implicações orçamentais.

2.3. Os decretos-leis
2.3.1. O problema das competências legislativas do Governo
2.3.2. A experiência constitucional portuguesa
2.3.3. Outros ordenamentos constitucionais
2.3.4. A solução da Constituição
134

2.3.4.1. Primazia democrático-parlamentar da AR


2.3.4.2. Competência legislativa ordinária do Governo
2.3.5. Os tipos de competência legislativas do Governo
2.3.5.1. Competência originária e exclusiva [art. 198º/2)]
2.3.5.2. Competência originária concorrente [art. 198º/1/a)]
2.3.5.3. Competência derivada delegada [art. 198º/1/b)]
2.3.5.4. Competência derivada complementar [art. 198º/1/c)]
2.3.6. A apreciação parlamentar dos decretos-leis (art. 169º)
2.3.6.1. Decretos-leis sujeitos apreciação
2.3.6.1.1. Decretos-leis em matéria de competência concorrente
2.3.6.1.2. Decretos-leis autorizados
2.3.6.1.3. Decretos-leis de desenvolvimento
2.3.6.2. Requisitos procedimentais da apreciação
2.3.6.2.1. Requerimento de 10 deputados
2.3.6.2.2. No prazo de 30 dias após a publicação
2.3.6.2. Suspensão de decretos-leis em apreciação
2.3.6.2.1. Apenas possível no caso dos decretos-leis autorizados
2.3.6.2.2. Caducidade da suspensão (no fim de 10 reuniões plenárias sem
haver decisão)
2.3.6.3. Conclusão da apreciação
2.3.6.3.1. Caducidade da apreciação (fim da sessão legislativa; 15 reuniões
plenárias)
2.3.6.3.2. Manutenção em vigor do decreto-lei
2.3.6.3.3. Aprovação de Lei com alterações
2.3.6.3.4. Aprovação de resolução de cessação da vigência.

2.4. Os decretos legislativos regionais


2.4.1. O sentido do poder legislativo das Regiões Autónomas
2.4.2. O princípio do Estado Unitário
2.4.3. Autonomia político-administrativa dos Açores e da Madeira
2.4.4. O poder legislativo primário das Assembleias Regionais
2.4.4.1. Requisito positivo: interesse específico (art. 112º/4)
2.4.4.1.1. Interesse exclusivo (critério da exclusividade)
2.4.4.1.2. Interesse quantitativamente diferenciado (critério da
especificidade)
2.4.4.1.3. Interesse qualitivamente diferenciado (critério da especificidade)
2.4.4.1.4. Enumeração constitucional de matérias de interesse específico
(art. 228º)
2.4.4.2. Requisitos negativos (art. 112º/4)
2.4.4.2.1. Prevalência da Constituição
135

2.4.4.2.2. Prevalência das Leis Gerais da República


2.4.4.2.2.1. Necessidade de referência expressa da sua natureza geral
(112º/5)
2.4.4.2.2.2. Prevalência apenas quanto aos princípios fundamentais
(112º/4)
2.4.4.3. Respeito pelas reservas de competência dos órgãos de
soberania
2.4.4.3.1. Competência especial (espacial e materialmente limitada)
2.4.4.3.2. Inexistência de uma reserva de lei regional
2.4.4.4. Decretos legislativos regionais dependentes
2.4.4.4.1. Decretos legislativos regionais autorizados [art. 227º/1/b)]
2.4.4.4.2. Cláusula de junção (art. 227º/2)
2.4.4.4.3. Requisitos da lei de autorização (art. 227º/2 e 165º/2/3)
a) objecto
b) sentido (distinguir dos princípios gerais da Lei Geral da República)
c) extensão
d) duração
2.4.4.4.4. Obrigação de citação (art. 227º/4)
2.4.4.4.5. Natureza fiduciária das autorizações (art. 227º/3)
2.4.4.4.6. Apreciação parlamentar dos decretos legislativos regionais
autorizados (art. 227º/4 e 169º: possibilidade de suspensão dos
mesmos)
2.4.4.4.7. Decretos legislativos regionais de desenvolvimento [227º/1/c)]

Jurisprudência:

Acórdão do TC nº 94-363-P de 94/04/05

Declara, com força obrigatória geral, a ilegalidade das normas


constantes dos artigos 1 a 8 do Decreto legislativo Regional n. 10/93/M,
de 22 de Julho, que aprova a estrutura da carreira dos docentes dos
ensinos basico e secundário portadores de habilitação suficiente
vinculados à Secretaria Regional da Educação da Região Autonoma da
Madeira.
I - A "lei geral da Republica", cujo conceito consta do n. 4 do artigo 115
da Constituição, não se identifica nem com a lei de bases ou lei-quadro -
a qual se limita a fixar bases gerais de regimes juridicos, campo a que a
primeira se não tem de limitar, pois que pode regular mais ou menos
pormenorizadamente todo um regime jurídico de qualquer assunto
carecido de normação unitária em todo o território português -, nem com
136

a lei consagradora de principios gerais do ordenamento juridico - já que


a lei geral da Republica pode versar quaisquer matérias que impliquem
uma "politica global" e unitária independentemente do seu grau de
generalidade -, nem com a lei emanada pelos órgãos de soberania no
ambito da sua competencia reservada - e isso porque aquela lei geral é
independente da reserva de competência legislativa, visto que, como
decorre claramente do preceito (n. 3), esta é um limite autónomo da
competência legislativa das regiões.
II - Um decreto legislativo regional desrespeita "leis gerais da Republica",
dando azo à declaração da sua ilegalidade com força obrigatória geral,
quando cria uma disciplina diversa daquela que, com vocação de
aplicação a todo o território nacional, foi levada a efeito pela legislação
oriunda dos órgãos de soberania da Republica, desde que nesta ultima
se não preveja a possibilidade de os orgãos de governo proprio das
Regiões Autonomas efectuarem, em determinados pontos, adaptações
que se imponham face a especifícos condicionalismos porventura
existentes nessas Regiões.

2.5. O Direito internacional


2.5.1. Desenvolvimento histórico
2.5.2. Fontes de Direito Internacional
2.5.2.1. O Direito Internacional geral ou comum
2.5.2.1.1. Princípios gerais do direito
2.5.2.1.2. Costume internacional
2.5.2.1.3. Elementos
a) duração (critério relativo)
b) uniformidade substancial
c) generalidade
d) opinio iuris et necessitatis
2.5.2.1.4. Costumes gerais e locais
2.5.2.2. Direito internacional convencional
2.5.2.2.1. Convenções gerais ou especiais (multilaterais; bilaterais)
2.5.2.2.2. Tratados internacionais e acordos internacionais
2.5.2.3. Entre o costume e o direito convencional
2.5.2.3.1. Conclusões de conferências internacionais
2.5.2.3.2. Resoluções da Assembleia Geral da ONU
2.5.2.3.3. Resoluções do Conselho de Segurança da ONU
2.5.2.3.4. Convenções internacionais aprovadas mas não ratificadas
2.5.3. Direito Internacional e o direito interno
2.5.3.1. Modelos relacionais
137

2.5.3.1.1. Dualismo (ênfase na soberania política)


2.5.3.1.2. Monismo (Grundnorm; princípios fundamentais do direito)
2.5.3.1.3. Teorias de coordenação
2.5.3.2. Modelos de estruturação hierárquica
2.5.3.2.1. Soluções formais e substanciais
2.5.3.2.2. Primazia do direito internacional sobre o direito constitucional
2.5.3.2.3. Primazia do direito constitucional sobre o internacional
2.5.3.3. Teorias mistas
2.5.3.3.1. Primazia do jus cogens internacional sobre a Constituição
2.5.3.3.2. Primazia de princípios gerais do direito sobre a Constituição
2.5.3.3.3. Primazia da reserva constitucional de soberania sobre o direito
internacional
2.5.3.3.4. Primazia dos direitos fundamentais constitucionais sobre o direito
convencional
2.5.3.3.5. Primazia dos direitos fundamentais internacionais sobre o direito
constitucional
2.5.3.3.6. Integração numa mesma rede de princípios: Vernetzung;
Networking;
2.2.3.3.6.1. Interconectividade
2.2.3.3.6.2. Interoperabilidade
2.5.4. A Constituição portuguesa
2.5.4.1. Reconhecimento expresso de princípios de direito internacional
(art. 7º)
2.5.4.2. Cláusulas de recepção automática plena (art. 8º)

2.6. O direito europeu


2.6.1. Principais instrumentos do direito europeu originário
Comunidade /União Europeia
2.6.1.1. Tratado de Roma
2.6.1.2. Acto Único Europeu
2.6.1.3. Tratado de Mastrischt
2.6.1.4. Tratado de Amesterdão
2.6.2. Principais instituições europeias
2.6.2.1. Conselho
2.6.2.2. Conselho Europeu
2.6.2.3. Comissão
2.6.2.4. Parlamento Europeu
2.6.2.5. Tribunal de Justiça
2.6.3. Instrumentos jurídicos de direito derivado
138

2.6.3.1. Directivas
2.6.3.2. Regulamentos
2.6.3.3. Decisões individuais e concretas
2.6.3.4. Sentenças judiciais
2.6.4. O direito europeu e o direito interno: teses em confronto
2.6.4.1. Teses da primazia do direito europeu
2.6.4.1.1. Primazia do direito originário sobre o direito infra-constitucional
2.6.4.1.2. Primazia do direito originário sobre o direito constitucional
2.6.4.1.3. Primazia do direito originário e derivado sobre o direito
constitucional
2.6.4.2. Teses da primazia do direito constitucional
2.6.4.2.1. Primazia do direito constitucional relativamente ao direito
originário e derivado
2.6.4.2.2. Primazia do direito constitucional em relação ao direito derivado
2.6.4.2.3. Primazia do núcleo duro da constituição (conteúdo essencial dos
direitos fundamentais, organização estadual e reserva de soberania)
relativamente ao direito europeu.
2.6.4.6. Tentativas de compromisso
2.6.4.6.1. Subordinação da ordem constitucional e do direito interno ao
direito europeu resultante dos tratados e necessário à realização dos
seus objectivos
2.6.4.6.2. Preservação do núcleo duro da Constituição
2.6.4.6.3. Adopção de um princípio de colaboração e interconexão e
interoperabilidade na criação e aplicação do direito europeu e do
direito interno

2.7. O poder regulamentar


2.7.1. O fundamento constitucional do poder regulamentar
2.7.2. Leis e regulamentos
2.7.2.1. Prevalência de lei
2.7.2.2. Precedência de lei
2.7.2.3. Reserva de lei
2.7.3. Congelamento do grau hierárquico (paralelismo de formas;
equivalência normativa)
2.7.4. Tipos de regulamentos

2.7.4.1. Regulamentos executivos


139

L R /
Fins/Meios

2.7.4.2. Regulamentos complementares

L Fins/ R
/Meios

2.7.4.3. Regulamentos independentes

L Comp.
Ob. /Sub. R
Fins/Meios

2.7.5. Carácter tendencial da distinção


2.7.6. Regulamentos dos entes autónomos
2.7.7. Autarquias locais
2.7.8. Administração autónoma não territorial

Bibliografia: J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998, 603-620; 629-637; 653-689;697-704;705-
718;719-728;729-742.
140

P - JUSTIÇA CONSTITUCIONAL - GARANTIA E CONTROLO DA


CONSTITUIÇÃO

I - DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO
1.1. O controlo da actividade dos poderes públicos
1.1.1. Desenvolvimento do conterncioso administrativo
1.1.2. Responsabilidade dos titulares dos cargos públicos
1.2. A jurisdição constitucional
1.2.1. O Jury Constitutionaire proposto por Sieyes
1.2.2. O caso Marbury v. Madison e a emergência da judicial review
1.2.2.1. A Constituição como lei superior (vs. soberania do Congresso)
1.2.2.2. A Constituição como lei aplicável a um caso concreto
1.2.2.3. A competência judicial para operar o controlo da
constitucionalidade (vs. controlo político)
1.2.3. O modelo de jurisdição constitucional proposto por Hans
Kelsen
1.2.3.1. O interesse constitucional no afastamento de normas
inconstitucionais
1.2.3.2. Possibilidade de aplicação de normas a normas
1.2.3.3. A jurisdição constitucional como legislação negativa
1.2.3.4. Controlo concentrado

II - CONFIGURAÇÃO JURÍDICO-CONSTITUCIONAL

2.1. Pressupostos
2.1.1. Constituição como lei superior
2.1.2. Constituição como garante de direitos fundamentais
2.1.3. Constituição como materialmente conformadora da ordem
jurídica
141

2.1.4. Constituição como reguladora da produção e articulação


jurídico-normativa
2.1.5. Constituição como norma de equilíbrio político-institucional

2.2. Áreas Problemáticas típicas


2.2.1. Funcionamento constitucional do Estado: lítígios entre órgãos
do Estado
2.2.1.1. Litígios entre órgãos supremos do Estado
(Organstreitigkeiten)
2.2.1.2. Litígios emergêntes da separação vertical de poderes
2.2.1.3. Litígios envolvendo partidos políticos
2.2.2. Prevenção de infracções à constituição
2.2.3. Controlo da constitucionalidade das leis
2.2.3.1. Controlo preventivo
2.2.3.2. Controlo sucessivo abstracto
2.2.3.3. Controlo sucessivo concreto (junstiça constitucional não autónoma)
2.2.3.4. Controlo por omissão
2.2.3. Protecção autónoma dos direitos fundamentais (acção
constitucional de defesa; recurso de amparo)
2.2.4. Controlo da regularidade da formação dos órgãos
constitucionais

2.3. Modelos de Justiça Constitucional

III - A ACTIVIDADE DE CONTROLO


3.1. O parâmetro de controlo
3.1.1. Inconstitucionalidade: regras e princípios expressos ou
implícitos na Constituição
3.1.2. Ilegalidade: normas interpostas e pressupostas
3.1.2.1. Leis de autorização
3.1.2.2. Leis de bases
3.1.2.3. Leis estatutárias
3.1.2.4. Leis quadro
3.1.2.5. Normas de direito internacional
3.1.2.6. Princípios fundamentais das leis gerais da república
3.1.2.7. Regimento da Assembleia da República
3.1.2.8. Leis materialmente determinantes de outras leis

3.2. O objecto de controlo


3.2.1. Normas jurídicas independentemente das suas fontes formais
142

3.2.1.1. Actos dos poderes públicos que estabelecem padrões de


acção e critérios de decisáo
3.2.1.2. Actos excluídos
3.2.1.2.1. Actos políticos
3.2.1.2.2. Actos Administrativos
3.2.1.2.3. Sentenças judiciais
3.2.1.2.4. Normação privada
3.2.2. Conceito funcional de norma
3.2.2.1. Utilização de forma normativa (v.g. acto administrativo em decreto-
lei)
3.2.2.2. Intencionalidade normativa (leis-medida)
3.2.2.3. Imediação (regulamentos dos tribunais arbitrais)
3.2.2.4. Heteronomia normativa (exclusão da normação autónoma)
3.2.2.5. Reconhecimento normativo (alguma normação eclesiástica;
alguma normação privada)

Jurisprudência:

Acórdão do TC nº 63/91, de 19/03/91

1. Para integrar o conceito de "norma" constante dos artigos 278 a


282 da Constituição e para efeitos de fiscalização da constitucionalidade,
não se poderá partir do conceito clássico e aprioristicamente fixado de
norma, nomeadamente aquele a que se ligam as características de
generalidade e abstracção; torna-se necessário buscar um conceito de
norma funcionalmente adequado ao sistema de fiscalização da
constitucionalidade instituído na Constituição e que seja consonante com
a sua justificação e sentido.
2. No entanto, o conceito funcional de "norma" não se deverá
inteiramente e desde logo desligar de um conceito formal, sendo que o
sistema de fiscalização de constitucionalidade é um sistema que intenta
controlar os actos do poder normativo público, o que inculca, antes do
mais, a sua edição mediante a forma adequada ao exercicio de um
poder normativo.
3. Neste sentido, o "regulamento" que fixa as normas necessárias ao
funcionamento e organização da Assembleia da Republica, inserido na
sua competencia interna de harmonia com o comando constante do
artigo 178; a) da Constituição, preenche as características de norma
para efeitos da sua apreciação pelo Tribunal Constitucional, sendo certo
que é questionável que o Regimento em causa seja puro regulamento
143

interno - e, sim, um acto normativo específico "sui generis" (embora não


um acto legislativo), expressão de autonomia normativa interna.

Acórdão do TC nº 132/93 de 27-1-93

I - O conceito de norma, para efeitos de fiscalização de


constitucionalidade, deve ser visto de um ponto de vista funcionalmente
adequado a tal sistema de fiscalização tendo em conta o que se
encontra, quanto a ele, instituído na Constituição, e não de uma óptica
material que, aprioristica e doutrinariamente, defina o que se deva
entender por "norma".
II - Esse conceito funcional há-de abarcar os actos do poder normativo
público, muito especialmente os decorrentes do poder legislativo, que
contêm "regras de conduta" ou critérios decisórios vinculantes dos
particulares, da Administração e dos tribunais.
III - Daí que, ainda que tais actos possuam eficácia consuntiva,
contenham estatuições individuais e concretas ou mais não representem
do que uma mera repetição do que já se continha em anteriores regras
legais aplicáveis e, por essa circunstância, se apresentem como
desnecessários não possam, face ao delineado conceito, escapar ao
controlo de constitucionalidade (controlo esse que, perante o mesmo
conceito, não se poderá aplicar a outros actos do poder público tais
como os actos politicos stricto sensu e os actos da Administração sem
caracter normativo - que, verdadeiramente, são actos aplicativos, de
execução ou de utilização de normas pré-existentes, sejam elas
constitucionais ou infra-constitucionais, e as decisões judiciais).
IV - O acto impugnado, consubstanciado na alinea c) do n. 1 do artigo 4
do Decreto-Lei n. 137/85, que determina a caducidade dos contratos de
trabalho em que seja parte a CTM, decorrente da extinção desta, há-de
considerar-se um acto normativo do poder público que, de uma banda,
contém critérios de decisão e vinculação para os particulares, para a
Administração e para os tribunais e, de outra, opera por si mesmo. Trata-
se, pois, de uma norma, para efeitos de fiscalização da
constitucionalidade.

3.2.3. Actos normativos sujeitos a controlo


3.2.3.1. Leis de revisão constitucional
3.2.3.2. Direito internacional e direito europeu
3.2.3.3. Actos legislativos
144

3.2.3.4. Regimentos das Assembleias (AR e ALR’s)


3.2.3.5. Regulamentos
3.2.3.6. Resoluções de conteúdo normativo
3.2.3.7. Normas referendárias
3.2.3.8. Convenções colectivas de trabalho
3.2.3.9. Normas já revogadas (quando haja sentido útil no controlo)

Jurisprudência:

Acórdão do TC nº 186/94 de 22/02/94

I- Ao Tribunal Constitucional compete apenas o conhecimento dos vícios


de inconstitucionalidade das normas e dos vícios de ilegalidade das
normas expressamente apontadas na Constituição.
II - Constitui jurisprudência constante do Tribunal Constitucional, na
sequência do anteriormente sufragado pela Comissão Constitucional,
que o conceito de norma para o efeito de fiscalização da
constitucionalidade, corresponde a um conceito funcional e formal de
"norma", pelo que não abrange apenas os preceitos de natureza geral e
abstracta, mas inclui todo e qualquer acto do poder publico que contiver
uma "regra de conduta" para os particulares ou para a Administração,
um "criterio de decisão" para esta última ou para o juiz ou, em geral, um
"padrão de valoração de comportamento".
III - A revogação de uma norma não obsta, só por si, à sua eventual
declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatoria geral. Isto
porque, enquanto a revogação tem, em princípio, uma eficácia
prospectiva (ex nunc) a declaração de inconstitucionalidade de uma
norma tem, por via de regra, uma eficacia retroactiva (ex tunc), podendo
haver interesse na eliminação de efeitos produzidos medio tempore.
IV - Assim, haverá interesse na emissão da declaração de
inconstitucionalidade sempre que ela for indispensavel para eliminar
efeitos produzidos pela norma questionada durante o tempo em que
vigorou e essa indispensabilidade for evidente, por se tratar da
eliminação de efeitos produzidos constitucionalmente relevantes.
V - Ainda que o Tribunal se viesse a pronunciar pela
inconstitucionalidade da Portaria n. 399/87 não podia deixar, em nome
da segurança juridica, de restringir os efeitos dessa
inconstitucionalidade, de modo a deixar incólumes os efeitos por ela
produzidos durante o período de sua vigência.
145

VI - Ocorrendo uma situação em que é visível " a priori" que o Tribunal


Constitucional iria, ele proprio, esvaziar de qualquer sentido a declaração
de inconstitucionalidade que viesse eventualmente a proferir, bem se
justifica que conclua desde logo o Tribunal pela inutilidade superveniente
de uma decisão de mérito.

3.3. As operações de controlo


3.3.1. Controlo da observância de normas de competência
3.3.2. Controlo da observância de normas de procedimento
3.3.3. Controlo da observância de normas de forma
3.3.4. Controlo do conteúdo (princípios, meios e fins)
3.3.5. Controlo específico do fim (hipóteses de desvio de fim)
3.3.6. Controlo do impacto da norma (efeitos)

3.4. Os vícios geradores de inconstitucionalidade


3.4.1. Inconstitucionalidade material
3.4.2. Inconstitucionalidade formal em sentido amplo
3.4.2.1. Inconstitucionalidade orgânica
3.4.2.2. Inconstitucionalidade procedimental
3.4.2.3. Inconstitucionalidade formal em sentido estrito
146

Análise da Norma / Inconstitucionalidades


Material

Conteúdo Fim Impacto


(efeitos)

Competência Procedimento Forma

Orgânica Formal
Procedimental

3.5. As sanções do controlo


3.5.1. Inexistência (arts. 137º e 140º)
3.5.2. Ineficácia (119º/2)
3.5.3. Irregularidade (277º/2)
3.5.4. Nulidade (nos termos da constituição)

3.6. Os princípios processuais do controlo


3.6.1. Princípio do pedido (51º; 57º)
3.6.1.1. Princípio da individualização (51º/1 da LTC)
3.6.1.2. Princípio da congruência (51º/5 da LCT)
3.6.1.3. Princípio “Jura novit curia” (51º/5 da LTC)
3.6.2. Princípio da economia processual (51º/3, 64º da LTC)
3.6.3. Princípio inquisitório (64º/A da LTC)
3.6.4. Princípio da audição (54º; 64º/2 da LTC)
3.6.5. Princípio da gratuitidade 84º da LTC)

4. OS MODELOS DE CONTROLO

4.1. Controlo preventivo


4.1.1. Características do controlo
147

4.1.1.1. Preventivo: antes de a norma entrar em vigor


4.1.1.2. Abstracto: independente de qualquer caso concreto
4.1.1.3. Concentrado: feito apenas pelo Tribunal Constitucional
4.1.2. Legitimidade processual activa
4.1.2.1. Presidente da República (art. 278º/1)
4.1.2.1.1. Tratados internacionais a ratificar (Resolução) [cfr. art. 135º/b)]
4.1.2.1.2. Decretos a promulgar como leis ou decretos-leis [art. 134ºb)]
a) As alternativas: a) promulgação; b) veto político (art. 136º); c) iniciativa
de fiscalização preventiva
4.1.2.1.3. Acordos internacionais a assinar (Decretos ou resoluções) [cfr.
arts. 134º/b) e 197º/1/c)]
4.1.2.2. Ministros da República (art. 278º/2)
4.1.2.2.1. Decretos legislativos regionais
4.1.2.2.2. Decretos regulamentares (regionais) de lei geral da república
4.1.2.3. Primeiro Ministro (art. 278º/4)
4.1.2.3.1. Leis orgânicas (cfr. art. 166º/2)
4.1.2.4. Um quinto dos deputados
4.1.2.4.1. Leis orgânicas (cfr. art. 166º/2)
§ ver: problema das novas leis reforçadas por maioria qualificada (cfr.
art. 168º/6): não valerão em relação a estas as razões que justificam o
alargamento da legitimidade processual activa no caso das leis
orgânicas?

4.1.3. Decisões do Tribunal Constitucional


4.1.3.1. Decisão negativa: “não se pronuncia”
4.1..3.2. Decisão positiva: pronúncia
4.1.4. Efeitos das decisões
4.1.4.1. Efeitos das decisões negativas
4.1.4.1.1. Possibilidade de promulgação e veto político pelo Presidente
da República dos decretos referidos no art. 278º/1
4.1.4.1.2. Possibilidade de ratificação e de assinatura pelo Presidente da
República nos casos dos tratados e dos acordos internacionais, ou da
respectiva recusa
4.1.4.1.3. Possibilidade de assinatura ou de veto (art. 233º) pelo Ministro
da República dos actos normativos referidos no art. 278º/2.
4.1.4.2. Efeitos das decisões positivas
4.1.4.2.1. Veto por inconstitucionalidade (obrigatório e objectivo)
4.1.4.2.2. Devolução ao órgão que aprovou o diploma
4.1.4.2.2.1. Assembleia da República
148

4.1.4.2.2.1.1. Expurgação da norma inconstitucional constante de


decreto (art. 279º/2)
4.1.4.2.2.1.2. Reformulação do decreto (art. 278º/3)
4.1.4.2.2.1.3. Confirmação por maioria qualificada (art. 279º/2)
4.1.4.2.2.1.4. Aprovação do tratado internacional por maioria qualificada
(art. 279º/4)
§Ver: o problema dos acordos aprovados pela Assembleia da República:
não se prevê a sua confirmação por maioria qualificada
4.1.4.2.2.2. Governo
4.1.4.2.2.2.1. Expurgação da norma inconstitucional constante do
decreto
4.1.4.2.2.2.2. Reformulação do decreto
4.1.4.2.2.2.3. Transformação do decreto em proposta de lei à
Assembleia da República
4.1.4.2.2.2.3. Obrigação de renegociação do acordo internacional
§ Ver: a assinatura pelo Presidente da República dos acordos
internacionais aprovados pelo Governo parece resultar do art. do art.
134º/b) “restantes decretos do Governo”
4.1.4.2.2.3. Assembleia Regional
4.1.4.2.2.3.1. Expurgação da norma inconstitucional
4.1.4.2.2.3.2 Reformulação do diploma
4.1.4.2.2.3.3. É duvidoso que possam confirmar os diplomas ao abrigo
do art. 279º/2)
4.1.4.2.2.4. Governo Regional
4.1.4.2.2.4.1. Expurgação da norma
4.1.4.2.2.4.2. Reformulação do diploma

4.2.Controlo sucessivo concreto

4.2.1. Características do controlo


4.2.1.1. Sucessivo: feito depois de a norma estar em vigor
4.2.1.2. Concreto: ocorre no decurso do julgamento de um caso concreto
4.2.1.3. Difuso: feito por todos os Tribunais
4.2.1.4. Por via incidental (ou por via de excepção): incidente
processual
enxertado numa outra questão de fundo (v.g. de natureza civil,
comercial, penal, administrativa, etc)
4.2.2. Pressupostos subjectivos
4.2.2.1. Tribunais (todos os tribunais e só os tribunais)
4.2.2.2. Sujeitos processuais
4.2.3. Pressupostos objectivos
149

4.2.3.1. Incidente de inconstitucionalidade


4.2.3.1.1. Qualquer parte
4.2.3.1.2. Ministério Público quando intervier no processo

Nota: a intervenção do MP no processo varia significativamente. No


caso do processo administrativo, na sua configuração actual (ETAF e
LPTA), a intervenção do MP manifesta-se, nomeadamente, através da
competência de vista aos autos, a que se associa, entre outros, o poder
de arguição de vícios que não hajam sido invocados pela parte que
recorreu contenciosamente ou interpôs uma acção (com alargamento da
causa de pedir). Deve sublinhar-se o importante papel desempenhado
pelo MP na garantia do Estado de direito, através dos seus amplos
poderes processuais de defesa da legalidade e constitucionalidade dos
actos, normativos ou não, dos poderes públicos.

4.2.3.1.3. Juiz ex officio


4.2.3.2. Acto normativo
4.2.3.3. Relevância da questão
4.2.3.3.1. Prejudicialidade
4.2.3.3.2. Indispensabilidade
4.2.3.3.4. Procedência da questão
4.2.3. A decisão do juíz a quo
4.2.3.1. Decisão positiva, de acolhimento da inconstitucionalidade
(“julgamento”)
4.2.3.2. Decisão negativa, de rejeição da inconstitucionalidade
4.2.3.3. Efeitos da decisão
4.2.3.3.1. Efeitos inter partes
4.2.3.3.1.1. A norma desaplicada continua a vigorar
4.2.3.3.1.2. Efeitos tendencialmente circunscritos ao caso concreto
4.2.3.3.2. Caso julgado formal
4.2.4. O recurso para o Tribunal Constitucional (ad quem) (arts. 280º e
70º da LTC)
4.2.4.1. Âmbito do recurso
4.2.4.1.1. Questão da inconstitucionalidade ou da ilegalidade (280º/6)
4.2.4.1.2. Art. 70º/1/i) e 71º/2 da LTC: questões constitucionais e jurídico-
internacionais
4.2.4.2. Natureza jurídica do recurso
4.2.4.2.1. Componente objectiva: primazia da Constituição
4.2.4.2.2. Componente subjectiva: tutela dos direitos fundamentais
4.2..4.3. Pressupostos do recurso de parte
150

4.2.4.3.1. Recursos das decisões de acolhimento (recusa de aplicação)


4.2.4.3.1.1. Recurso directo para o Tribunal Constitucional
4.2.4.3.1.2. Recurso por qualquer das partes no processo
4.2.4.3.2. Recursos das decisões de rejeição (aplicação)
4.2.4.3.2.1. Aplicação de norma [art. 280º/1/b)]
4.2.4.3.2.2. Suscitação do incidente durante o processo [art. 280º/1/b)]

Esquema das fases do processo de fiscalização concreta

Incidente de Decisão do Recursos Decisão do Efeitos da


inconstitucionali Tribunal a para o TC TC decisão
dade quo (ad quem)
Positiva Inter partes
Juiz ex officio Positivas Facultativ Negativa
Partes os Interpretati (art. 80º
MP [art.280º/1/a Obrigatóri va LTC)
)] os para o
MP
Negativas (280º/3/5)
[art.280º/1/b
)]

Acórdão do TC nº 254/97 de 18-3

I - A inconstitucionalidade havera de suscitar-se antes de esgotado


o poder jurisdicional do juiz sobre a materia a que (a mesma questão de
inconstitucionalidade) respeita.
II - No entanto, num plano conformador da jurisprudencia generica, tem
vindo o Tribunal a entender que, naqueles casos anomalos em que o
recorrente não disponha de oportunidade processual para suscitar a
questão de constitucionalidade durante o processo, ainda assim existira
o direito ao recurso de constitucionalidade.

4.2.4.3.2.3. Parte que suscitou o incidente (arts. 280º/4 e 72º/2 da LTC)


4.2.4.3.2.4. Exaustão dos recursos ordinários (arts. 280º/4 e 70º/2/3/4/5/6
da LTC)
151

4.2.4.3.3. Recurso de decisões que apliquem norma julgada


inconstitucional (280º/5)
4.3.4.3.3.1. Possibilidade de recurso directo?
4.3.4.3.3.2. Possibilidade de recurso sem incidente de
inconstitucionalidade?
4.2.4.4. Pressupostos dos recursos obrigatórios para o Ministério
Público
4.2.4.4.1. Acolhimento: recusa de aplicação de normas (art. 280º/3)
a) de Convenções Internacionais
b) de Actos legislativos
c) de Decretos regulamentares
de Actos legislativos por violação de uma convenção internacional (art.
72º/3 da LTC)
§ Presunção de constitucionalidade dos actos superiores do
ordenamento jurídico (favor legis)
4.2.4.4.2. Decisões de rejeição da inconstitucionalidade ou ilegalidade de
normas já julgadas inconstitucionais ou ilegais pelo Tribunal
Constitucional (ou pela extinta Comissão Constitucional) (art. 280º/5 e
72º/3 da LTC)
§ Garantia da uniformidade da jurisprudência, da unidade do
ordenamento jurídico e da primazia do Tribunal Constitucional no
domínio do controlo da constitucionalidade
4.2.4.4.3. Recurso para o Plenário por contradição de julgados (art.
79ºD da LTC)
§Garantia da uniformidade da jurisprudência do Tribunal Constitucional
4.2.5. A decisão do Tribunal Constitucional
4.2.5.1. Acolhimento ou rejeição da inconstitucionalidade
4.2.5.2. Confirmação ou revogação da decisão do Tribunal a quo
4.2.5.3. Determinação de uma interpretação (art. 280º/3)

Acórdão nº 163/95, de 29-3-95

IV - Quando uma norma legal seja susceptivel de duas


interpretações - uma compativel e outra incompativel com a Constituição
- os tribunais devem preferir a interpretação que for compativel com a
Constituição.
V - O Tribunal Constitucional pode proferir sentenças interpretativas,
determinando aos outros tribunais, nos recursos que sobem ate ele, que
certa norma seja interpretada, e aplicada, no julgamento do caso, com o
sentido que ele definir como sendo conforme a Constituição.
152

4.2.5.4. Efeitos inter partes: caso julgado no processo (art. 80º/LTC)


4.2.5.5. Efeitos reflexos (spillovers) noutros casos
4.2.5.5.1. Obrigatoriedade de recurso para o MP no caso do art. 280º/5
4.2.5.5.2. Processo misto nos termos do art. 281º/3
4.2.5.5.3. Recurso obrigatório para o MP no caso do art. 79º/D da LTC.

4.3. Controlo sucessivo abstracto


4.3.1. Características do controlo
4.3.1.1. Sucessivo: feito depois de a norma entrar em vigor
4.3.1.2. Abstracto: independente de qualquer caso concreto
4.3.1.3. Concentrado: feito apenas pelo Tribunal Constitucional
4.3.1.4. Por via principal: a questão da inconstitucionalidade ou da
legalidade é a principal
4.3.2. Legitimidade processual activa restrita
4.3.2.1 Presidente da República
4.3.2.2 Presidente da Assembleia da República
4.3.2.3 Primeiro Ministro
4.3.2.4 Provedor de Justiça
4.3.2.5 Procurador Geral da República
4.3.2.6 1/10 dos Deputados à Assembleia da República
4.3.2.7 Ministros da República
4.3.2.8 Assembleias legislativas regionais
4.3.2.9 Presidentes da Assembleias legislativas regionais
4.3.2.10 Presidentes dos Governos regionais
4.3.2.11 1/10 dos Deputados às Assembleias Legislativas Regionais
4.3.3. Legitimidade processual passiva?
4.3.3.1. Audição do autor da norma (art. 54º da LTC)
4.3.3.2. Não se trata de um processo contraditório
4.3.4. Pressupostos objectivos
4.3.4.1. Existência de um acto normativo de direito público
4.3.4.2. Alegada violação da Constituição ou de norma paramétrica
interposta ou pressuposta
4.3.4.3. Violação dos direitos das regiões autónomas [art. 281º/2/ g)]
4.3.4.4. Violação de lei estatutária [art. 281º/2/ g)]
4.3.4.5. Violação de lei geral da república [art. 281º/2/ g)]
4.3.5. Decisões do Tribunal Constitucional
4.3.5.1. Decisões negativas, de rejeição
4.3.5.2. Decisões de positivas, de acolhimento: (“declaração”)
4.3.6. Efeitos das decisões
153

4.3..6.1. Efeitos das decisões negativas


4.3.6.1.1. Efeito não preclusivo
4.3.6.2. Efeitos das decisões positivas
4.3.6.2.1. Natureza meramente declarativa
4.3.6.2.2. Força obrigatória geral (art. 282º/1)
4.3.6.2.2.1. Vinculação de entidades públicas
4.3.6.2.2.2. Vinculação de entidades privadas
4.3.6.2.2.3. Efeito preclusivo
4.3.6.2.3. Efeitos retroactivos, ex tumc (art. 282º/1)
4.3.6.2.3.1. Limitação dos efeitos retroactivos pelo caso julgado (art.
280º/3a)
§ Segurança jurídica
4.3.6.2.3.2. Limitação do caso julgado pelos efeitos retroactivos (art.
280º/3b)
a) Por decisão expressa do Tribunal Constitucional
b) Matéria penal
c) Disciplinar
d) Ilícito de mera ordenação social
e) Norma de conteúdo menos favorável ao arguido
§ Favor libertatis
§Problema das violações graves de direitos fundamentais
4.3.6.2.3. Efeitos repristinatórios (art. 282º/1)
4.3.6.2.4. Limitação de efeitos das decisões do Tribunal Constitucional
4.3.6.2.4.1. Pressupostos da limitação
a) Segurança jurídica
b) Equidade
c) Interesse público de especial relevo
d) Necessidade de fundamentação
4.3.6.2.4.1. Tipos de limitação
a) Possibilidade de recusa de efeitos retroactivos (total ou parcialmente)
b) Possibilidade de recusa de efeitos repristinatórios
4.3.7. O caso da inconstitucionalidade superveniente
4.3.7.1. Caracterização da figura
4.3.7.1.1. Violação de norma constitucional posterior
4.3.7.1.2. Relevância apenas do conteúdo do acto normativo
4.3.7.1.3. Vigência do princípio “tempo regit actum”
4.3.7.1.4. Possibilidade de constitucionalização superveniente
4.3.7.2. Efeitos da declaração
4.3.7.2.1. Efeitos retroactivos desde a entrada da norma constitucional
posterior
154

4.3.7.2.2. Efeitos repristinatórios a partir da norma constitucional posterior


(duvidoso)

Jurisprudência:

Acórdão do TC nº 1/ 92 de 08/01/92

I - Antes da existência na Constituição do artigo 115º/ 5, a doutrina


administrativa mais representativa vinha defendendo a impossibilidade
em geral, de os regulamentos realizarem uma interpretação autêntica
das normas legislativas.
II - Vigorava, assim, no ordenamento juridico português, no período
anterior a Revisão Constitucional de
1982, o principio da inadmissibilidade de a Administração interpretar
autenticamente disposições legais - principio este que não era mais do
que um corolário do principio da legalidade da actividade administrativa,
condensado na versão originaria no n. 2 do artigo 266º da Constituição
de 1976.
III - Por força do actual 115º/5, da Constituição, foi elevada a nível
constitucional a proibição dirigida ao legislador de habilitar a
Administração a emanar regulamentos que interpretem autenticamente
uma disposição legal - entendida esta expressão no sentido de
regulamentos dotados de eficácia externa, com força de lei (e, por isso
mesmo, vinculativos para os tribunais) e podendo fixar para aquela um
sentido inovador, ou seja, um sentido que não se contenha na letra e no
espírito do preceito legal interpretado -, com a consequencia de serem
inconstitucionais as disposições da lei que autorizam a Administração a
fazer aquele tipo de regulamentos.
IV - No processo de fiscalização abstracta com base em juízos
concretos de inconstitucionalidade (cf. artigo 282 n. 3 da Constituição), o
que tem de se averiguar é se a norma do artigo 3º do Decreto-
-Lei n. 39/81, abstractamente considerada, isto é, independentemente do
uso concreto que a Administração dela fez, é ou não inconstitucional.
Isto e, o que tem de se averiguar é se um preceito legal, com o conteúdo
semântico como o do artigo 3º do Decreto-Lei n. 39/81, viola, por si
mesmo, o artigo 115,º/5, da Constituição.
V - A norma do artigo 3º do Decreto-Lei n. 39/81 pode ser perfeitamente
entendida como concedendo aos Ministros nela referidos apenas o
poder de emanar regulamentos meramente executivos, com fundamento
no artigo 202, alinea c), da Constituição.
155

VI - A competência atribuída ao Governo pela alinea c) do artigo 202º da


Constituição para, no exercício de funções administrativas, "fazer os
regulamentos necessarios à boa execução de leis" implica a
impossibilidade de o executivo emanar regulamentos que resolvam
certas dúvidas na interpretação das leis ou que, de uma forma mais
genérica, obviem a "uma involuntária deficiencia de expressão do
legislador".
VII - A questão fundamental é que esses regulamentos sejam
meramente executivos, isto é, regulamentos que não se substituam em
nenhuma medida à lei; que rigorosamente não deem vida a nenhuma
"regra de fundo, a nenhum preceito juridico "novo" ou originário; que se
limitem a repetir os preceitos ou regras de fundo que o legislador editou,
só que de uma maneira clara ou, de toda a maneira, mais clara.
VIII - Impõe-se, consequentemente, a realização de uma interpretação
harmónica dos artigos 115, n. 5 e 202, alinea c), da Constituição, que
passara por uma interpretação restritiva do artigo 115 n. 5 da Lei
Fundamental, em face do que prescreve o artigo 202, alinea c).
IX - A norma do artigo 3º do Decreto-Lei n. 39/81, interpretada como
conferindo aos Ministros nela indicados competência para emanar
"regulamentos de execução", isto é, normas secundárias que se limitam
a eliminar as divergências de interpretação ou a colmatar as lacunas
involuntárias do Decreto-Lei, não é inconstitucional. E a utilização
inadequada, por parte da Administração, do poder regularmentar
atribuído por aquela norma coloca uma questão de ilegalidade "stricto
sensu" do regulamento e não uma questão de inconstitucionalidade.
X - Poderá, no entanto, argumentar-se, "ex-aderso", com o sustentáculo
da inconstitucionalidade superveniente da norma do artigo 3º do
Decreto-Lei n. 39/81 mesmo com a interpretação sugerida na conclusão
anterior, que a competência do Governo para emanar regulamentos de
execução é algo que a Constituição inclui na esfera do Executivo, como
corolário do seu "poder-dever" de carácter administrativo de cumprir e
fazer cumprir as leis, e, por isso, um poder que não carece de ser
atribuído, em cada caso, pelas próprias leis ordinárias.
XI - Ora, se a competência para elaborar regulamentos necessários à
boa execução das leis não depende da atribuição, em concreto, pela lei
ao Governo do poder para emanar normação secundária ou
consequente, traduzida na elaboração de regulamentos de execução,
então normas com o conteúdo da impugnada só podem ter o sentido de
habilitar a Administração a editar regulamentos interpretativos autênticos
das normas legais, o que seria inconstitucional.
156

XII - Normas desta natureza tem seguramente o sentido útil de incumbir


concretamente o Governo de emanar regulamentos de execução, de
modo a eliminar certas imprecisões ou a impedir divergencias da sua
aplicação, definir qual o orgão governamental com competencia para
aprovar aqueles regulamentos e indicar qual a forma que devem revestir.

Acórdão do TC nº 837/93 de 16/12/93

V- Ora, no capítulo da competência e da forma dos actos


normativos, a norma constitucional relevente é aquela que vigora na data
de sua formação, outro tanto não sucedendo já no tocante ao seu
conteúdo material em que o parametro constitucional a ter em conta é o
texto constitucional vigente no momento da aplicação de norma
controvertida.
VI - O facto da norma ter nascido materialmente conforme a
Constituição não obsta a que ela passe a ser inconstitucional, se a
Constituição vier a ser alterada de modo a tornar a norma incompatível
com o seu texto - "inconstitucional superveniente"; inversamente, o facto
da norma ter nascido materialmente inconstitucional não veda que a
inconstitucionalidade desapareça, se e a partir do momento em que a
Constituição for alterada de modo a permitir a solução contida na referida
norma - constitucionalização superveniente.

Acórdão do TC nº 441/93 de 14/07/93

I - Jurisprudência pacífica e uniforme do Tribunal Constitucional


tem vindo a delimitar as competências da Assembleia da Republica e do
Governo em materia de ilicito de mera ordenação social da seguinte
forma:
É da exclusiva competencia da Assembleia da Republica, salvo
autorização ao Governo (e admitindo hipoteticamente a subsistência
constitucional da figura da contravenção): a) Definir crimes e penas em
sentido estrito, o que comporta o poder de variar os elementos
constitutivos do facto típico, de extinguir modelos de crime, de
desqualificá-los em contravenções e contra-ordenações e de alterar as
penas previstas para os crimes no direito punitivo; b) Legislar sobre o
regime geral de punição das contra-ordenações e contravenções e dos
respectivos processos; c) Definir contravenções puníveis com pena de
prisão e modificar o "quantum" desta. É da competencia concorrente da
157

Assembleia da da Republica e do Governo (e na mesma linha de


hipotética sobrevivência constitucional do tipo contravencional): a)
Definir, dentro dos limites do regime geral, contravenções não puniveis
com pena não restritiva de liberdade e contra-ordenações, alterar e
eliminar umas e outras e modificar a sua punição: b) Desgraduar
contravenções não puniveis com pena restritiva de liberdade em contra-
ordenações, com respeito pelo quadro traçado pelo Decreto--Lei n
433/82.
II - Importa porém acentuar que o Decreto-Lei n. 433/82, de 27 de
Outubro, embora editado pelo Governo no uso de autorização legislativa
que o autorizava a alterar a legislação respeitante as contra-ordenações,
não visou a execução do preceituado na alinea d) do n. 1 do artigo168º
da Constituição: o Decreto-Lei n. 433/82 precedeu a revisão
constitucional em que aquele preceito foi adoptado e, por isso mesmo, ali
não se caracterizam com o necessário rigor, certos aspectos do regime
geral de punição dos ilicitos de mera ordenação social, permitindo-se a
estipulação de sanções com uma dimensão não delimitada e sugerindo-
se apenas os limites minimo e máximo das coimas.
III - Ora, em obediencia a imposição constitucional, não poderia deixar
de constar do regime geral um quadro rigido das sanções aplicáveis
como também uma determinação, com valor taxativo, dos montantes
mínimos e máximos das coimas e, assim sendo, o Governo, ao
estabelecer as coimas correspondentes a uma qualquer conduta contra-
-ordenacional esta necessariamente vinculado, aos limites do regime
geral fixados na respectiva lei quadro, não lhe sendo consentido
ultrapassar, na definição do montante das coimas, o limite "minimo
inferior" e o "limite maximo superior" ali balizados.
IV - Tendo havido ampliação quantitativa dos limites prescritos naquele
regime geral, ampliação essa já vigente na data da comissão do facto
contra-ordenacional, importará saber se tal alteração poderá implicar a
constitucionalidade superveniente total ou parcial de normas que se
apresentavam como inconstitucionais face ao regime geral vigente na
data da sua aprovação.
V - Ora, no capítulo da competência e da forma dos actos normativos a
norma constitucional, relevante é aquela que vigora na data da sua
formação, outro tanto não sucedendo já no tocante ao seu conteúdo
material em que o parâmetro constitucional a ter em conta é o texto
constitucional vigente no momento da aplicação de norma controvertida.
VI - O facto da norma ter nascido materialmente conforme à
Constituição não obsta a que ela passe a ser inconstitucional, se a
158

Constituição vier a ser alterada de modo a tornar a norma incompatível


com o seu texto - "inconstitucional superveniente"; inversamente, o facto
da norma ter nascido materialmente inconstitucional não veda que a
inconstitucionalidade desapareça se e a partir do momento em que a
Constituição for alterada de modo a permitir a solução contida na referida
norma "constitucionalização superveniente".
VII - Jurisprudencia do Tribunal Constitucional tem entendido que a
violação por parte de actos normativos do Governo sem autorização
parlamentar do regime geral de punição dos ilicitos contra-ordenacionais
a que se refere o artigo 168ª/1/d) da Constituição traduz-se em
inconstitucionalidade orgânica e não em inconstitucionalidade material.
VIII - Com efeito, a norma que estabelece limites minimo e maximo para
contra-ordenações em oposição aqueles que se acham estabelecidos no
regime geral, contraria não só a lei-quadro definidora deste regime mas é
em simultaneidade, a norma da Constituição que define a competencia
legislativa reservada da Assembleia da Republica.
IX - Aquele preceito acaba assim por ser portador de uma dupla viciação
ja que, em concurso ideal, nele coexistem os vicios de ilegalidade e de
inconstitucionalidade, resultante este ultimo da ofensa a norma
constitucional que define a competencia legislativa da Assembleia da
Republica.
X - Ora, caracterizando-se esta situação como uma situação de
inconstitucionalidade orgânica, há-de dizer-se não ser possível verificar-
se uma constitucionalização parcial superveniente na decorrencia das
alterações entretanto introduzidas na lei quadro de punição do ilicito
contra- -ordenacional.
XI - Em conformidade com a jurisprudencia uniforme do Tribunal
Constitucional a inconstitucionalidade parcial de uma norma por
ultrapassar os limites minimo inferior e maximo superior das coimas
fixadas no regime geral da respectiva lei quadro, determinara tão
somente a sua redução, por forma a sua redução, por forma a que os
limites do montante da coima aplicavel, respeitem o quadro definido
naquele regime geral.
XII - E na eventualidade de se vir a alcançar com tal redução uma coima
de montante não variavel, dir-
-se-a que dos principais constitucionais de justiça, igualdade e
proporcionalidade não decorre necessariamente, de forma directa ou
indirecta, a ilegitimidade constitucional de todas as chamadas penas
fixas, não existindo assim obstaculo constitucional a uma sanção contra-
ordenacional dessa natureza.
159

4.4. Processo misto (art. 281º/3 e 82º da LTC)


4.4.1. Sentido do processo
4.4.1.1. Trânsito do controlo concreto para o abstracto
4.4.1.2. Unidade do sistema jurídico
4.4.1.3. Garantia da segurança jurídida e da igualdade
4.4.2. Legitimidade processual activa
4.4.2.1. Ministério Público
4.4.2.2. Um dos juízes do Tribunal Constitucional
§ Excepção ao princípio do pedido
4.4.3. Pressupostos objectivos
4.4.3.1. Existência de três julgamentos de inconstitucionalidade sobre a
mesma norma emitidos pelo Tribunal Constitucional
4.4.4. Características do processo
4.4.4.1. Facultativo por parte dos sujeitos com legitimidade processual
4.4.5. Efeitos da decisão
4.4.5.1. Os mesmos da fiscalização abstracta

4.5. Controlo por omissão


4.5.1. As omissões constitucionalmente relevantes
4.5.1.1. Omissões legislativas (art. 283º/1)
4.5.1.2. Violação de um concreto dever constitucional de legislar
4.5.1.3. Tipos de deveres constitucionais de legislar
4.5.1.3.1. Deveres abstractos e permanentes
4.5.1.3.2. Deveres concretos e permanentes
4.5.1.3.3.. Deveres concretos e não permamentes (ordens de legislar)
4.5.1.4. Relevância especial dos deveres para com as regiões autónomas
(art. 283º/1)
4.5.1.5. O dever geral de legislar não tem sido considerado atendível para
efeitos de controlo por omissão

Jurisprudência

Acórdão do TC nº 91-359-P de 9-7-91

VI - As normas do artigo 1110º do Cdigo Civil contêm diversos princípios


informadores quanto à atribuição do direito ao arrendamento da casa de
morada de familia, princípios esses não hierarquizados e entre os quais
se encontra o da proteção do interesse dos filhos menores.
160

VII - Ora, quando se faz apelo a este principio por força da exclusão de
outros menos ponderosos ou inserviseis, este apresenta-se como critério
de decisão determinante pelo que não poderá afirmar-se que aquelas
normas não visam definir o estatuto dos filhos nem com ele directamente
contendem.
VIII - Assim sendo, e desde que se entenda que o interesse dos filhos
apenas vale no caso dos filhos nascidos do casamento e não já
relativamente aos filhos cujos pais viviam em união de facto, parece
seguro que, no plano específico deste segmento normativo então erigido
em critério decisivo de atribuição do arrendamento se verifica um
manifesto tratamento discriminatório relativamente aos filhos cujos pais
viviam em união de facto.
IX - Deste modo, reconhecida que seja a discriminação resultante
daquelas normas bem como do assento do Supremo Tribunal de Justiça
que não as considera aplicáveis as uniões de facto mesmo que destas
haja filhos menores, há-de fazer-se apelo obrigatoriamente ao principio
da não discriminação entre filhos o qual e directamente aplivável e
vincula os tribunais.
X - A inconstitucionalidade por omissão só é verificável quando existir
em concreto uma especifica incumbência dirigida pela Constituição ao
legislador que este se abstenha de satisfazer e não ja quando ele deva
acudir às necessidades gerais de legislação que se façam sentir na
comunidade juridica, isto é, não se reconduz ao dever geral de legislar.

4.5.2. Legitimidade processual activa


4.5.2.1.Presidente da República
4.5.2.2. Proveder de Justiça
4.5.2.3. Presidentes das Assembleias Legislativas Regionais
4.5.3. Decisões do Tribunal Constitucional
4.5.3.1. Decisões negativas (não verificação)
4.5.3.2. Decisões positivas (verificação)
4.5.4. Efeitos da decisão
4.5.4.1. Irrelevância da decisão negativa
4.5.4.2. Efeitos da decisão positiva
4.5.4.2.1. Dar conhecimento ao órgão competente
4.5.4.2.2. Relevância apenas no plano político e político-legislativo
4.5.4.2.3. Inexistência de um mandato de injunção (writ de mandamus)
4.5.4.2.4. Impossibilidade de o Tribunal Constitucional se substituir ao
legislador de forma temporária
4.5.5. O problema das inconstitucionalidades por omissão parcial
161

Jurisprudência:

Acórdão do TC nº 36/90 de 14-2-90

I - A primeira revisão constitucional concedeu aos orgãos das autarquias


locais o poder de efectuarem consultas directas aos cidadãos eleitores
sobre materias incluídas na sua competência exclusiva.
II - A realização dessas consultas, porém, está dependente de lei que
defina os casos em que se podem efectuar, bem como os seus termos e
eficácia.
III - Tal lei ainda não existe, mas, no decurso da primeira sessão
legislativa da V Legislatura da Assembleia da Republica, foram
apresentados sobre a materia três projectos de lei, que viriam a ser
aprovados na generalidade, na sessão do Plenario de 20 de Maio de
1988, tendo baixado a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos,
Liberdades e Garantias para apreciação na especialidade pelo prazo de
45 dias.
IV - Ora, se pode duvidar-se de que a apresentação de projecto ou
proposta de lei tenha, só por si, a virtualidade de afastar a existência de
omissão para efeito de declaração de inconstitucionalidade, a
aprovação, embora só na generalidade, desse projecto ou proposta já
deverá considerar-se, em regra, suficiente para tal efeito.
V - Irrelevante será, no caso concreto, o facto de há muito ter decorrido
o prazo de quarenta e cinco dias fixado a Comissão de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias para apreciação na
especialidade dos projectos em causa. É que, desde logo, ocorreu uma
revisão constitucional que, naturalmente, atrasou os trabalhos
parlamentares, e, para mais, nessa revisão debateu-se o instituto do
referendo deliberativo, o qual poderia ter implicações com as consultas
directas aos eleitores a nivel local.

Bibliografia: J.J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da


Constituição, Coimbra, 1998, 779-799; 808-844; 86

NOTA: A jurisprudência constitucional foi recolhida na Base de


Dados da Direcção Geral dos Serviços Informáticos, www.dgsi.pt.
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