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História de Arte Africana– 4º ano

Delegação da Beira
Departamento da Escola Superior Técnica
Licenciatura em Educação Visual

HISTÓRIA DE ARTE AFRICANA

Miguel Maria Ribeiro da Silva


(+258) 827380806 ou 847478585 ou ainda pelos correios electrónicos: ribeirodasilva@up.ac.mz
Licenciatura em Educação Visual, Departamento da Escola Superior Técnica, Delegação da Beira,
Universidade Pedagógica.

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ARTE EM MOÇAMBIQUE

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Ernesto Shikhane e Reinata Sadimba


Reinata Sadimba e a mulher na arte moçambicana
Arte Makonde

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1.0. ARQUITECTURA TRADICOIONAL

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ARQUITECTURA NATIVA

Nota !
São na sua
Nestas zonas os materiais geralmente usados nas construções são
os chamados locais ou bruto, que engloba a terra e argila, sob forma
maioria
circulares, com de tijolos queimados ou mesmo frescos, com um reboco de adobe, a
uma cobertura cobertura feita de palha ou folhas de palmeira, necessariamente
única a qual
excede, as vezes necessitam de uma substituição na media anual.
as dimensões da
palhota afim de
construir um
alpendre.

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Arquitectura Nativa (Cont.1)

Nota !
As palhotas
podem ou não ser
apoiadas no seu
perímetro
máximo por
espiques
verticais que dão
ao conjunto
maior solidez.

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Arquitectura Nativa (Cont.2)

Nota !
Nas zonas
Os materiais convencionais usados são: Cimento, chapa para a
suburbanas, nota- cobertura dos edifícios, ferros para vigas, arames e outros. Os não
se uma mistura convencionais são: Estacas, bambus ou varas, caniços, argila,
das técnicas,
europeia e a cordas de fibras naturais e outros
tradicional
moçambicana,
com o uso de
materiais
convencionais e
não
convencionais.

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Arquitectura Nativa (Cont.1)

Forma-se, deste modo, a volta da habitação uma varanda com a


base situada ao nível do solo, ou sobrelevada em cerca de 30 cm.

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2.0. ESCULTURA TRADICIONAL

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GENERALIDADES

Nota
É no povo
! As técnicas da escultura sobre a madeira e a cerâmica utilizadas
Maconde que se pelos artistas contemporâneos são estreitamente ligadas às técnicas
encontra o
melhor que a arte tradicionais.
nativa
Moçambicana
pode apresentar
neste aspecto.
A escultura Maconde, originária do norte do país, faz parte das
expressões artísticas mais interessantes do continente africano,
tendo conseguido uma renovação recente fora de toda norma
ocidental.

Entre os artistas que marcaram esta renovação, Matias Ntundo, que


interessou-se pela técnica da xilogravura e Reinata Sadimba, que
partindo da confecção de objectos usuais em cerâmica começou à
criar representações de figuras humanas de um alto nível estético.

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PSIKHELEKEDANA

Nota
Animais
! Uma forma de escultura predominante nas províncias de Gaza e
domésticos e Maputo. É no fabrico de objectos decorativos em madeira de
selvagens, alguns
objectos mafureira em que esta arte consiste.
funcionais são
motivos para o
fabrico de peças Com o andar do tempo, acompanhado com o desenvolvimento do
desta arte.
pais, a psikhelekedana transformou-se numa arte urbana narrando a
vida quotidiana das grandes cidades.

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Psikhelekedana (Cont.1)

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Psikhelekedana (Cont.2)

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ESCULTURA MACONDE

Nota !
No norte, Das artes existentes em Moçambique a escultura Maconde é uma
trabalha-se das mais destacada. O que mais impressiona são as suas
sobretudo o
ébano enquanto qualidades artísticas.
que no sul, as
esculturas em
madeira de Trabalham com instrumentos primitivos. Manejam-nos com rapidez
sândalo são as
esculturas mais e precisão. Os espécimes produzidos são de inegável valor artístico.
difundidas. Só por falta de sensibilidade ou de educação de alguns a sua arte
não tem merecido a compreensão devida.

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Escultura Maconde (Cont.1)

Nota !
A dignidade foi
Influência Cristã
atingida na alta Pela influencia da igreja católica os escultores Macondes, também
expressão dos
valores
acompanharam os princípios teológicos através da sua arte
fisionómicos escultórica onde a austeridade na arte não diminui os valores que
através de uma
austeridade
no mais alto grau a representam, pelo contrário, patenteia o que de
sumptuosa, de mais importante nela existe.
concepção
inigualável.

A cabeça é a parte mais nobre do corpo humano. O autor das


esculturas parece estar ciente disso. E não satisfeito com o cuidado
meticuloso com que operou, juntou-lhe convincente moldura.

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Escultura Maconde (Cont.2)

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MÁSCARAS MACONDES

Nota ! As máscaras dos Macondes traduzem muitos de seus anseios,


As máscaras que
servem ás usos, costumes tradições e também superstições. Os documentos
mulheres estatuários da iniciação, tanto masculina como feminina, são de
utilizam-se para
as cerimónias de grande interesse etnográfico.
iniciação, danças,
etc., e designam-
se por “ Se é certo que a obra retrata a imagem do sentir do artista, de tal
natumbeiro”.
modo que ambas se identificam tantas vezes como sendo a sua
representação recíproca, com as máscaras litúrgicas nativas sucede
outro tanto, visto ambas viverem essa simbiose mística.

Entre os Macondes há dois tipos de máscaras, representando,


respectivamente, animais e homens (ou mulheres). As dos animais e
dos homens destinam-se, geralmente, a criar climas artificiais de
superstição, excitação colectiva e até pavor; têm o nome de “ lipico”.
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Máscaras Macondes (Cont.)

Nota !
As suas obras,
surpreendem
vivamente todos,
mesmo os menos
entusiastas.

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ESTILO SHETANI

Desenvolveu-se entre os Macondes que viviam no exílio na


Tanzânia, porque em Moçambique colonial a força da igreja católica
proibiu os talhadores de trataram temas das suas tradições
ancestrais e espíritos.

Shetani é uma palavra usada para traduzir os espíritos Nandenga da


cosmogonia Maconde, que também é representada no Mapico, é um
espírito mau que espalha a doença como o vento.

A palavra Shetani pode ser usada ainda para descrever qualquer


figura ou espírito não identificado, como animais de diferentes
tamanhos, principalmente nocturnos e misteriosos.

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ESTILO SHETANI (Cont.1)

Nota !
Alguns deles
Mesmos os rituais como o Mapiko foram proibidos e reprimidos,
eram
desde que isto era visto como uma heresia pagã, nos termos dos
representados valores cristãos impostos pelo o colonialismo.
com uma perna,
um braço, um
dedo, um olho, e
um cabelo.
O estilo Shetani revelou uma cosmogonia de seres e espíritos
malignos que habitam a natureza e forças que o homem tem de
enfrentar todos os dias.

Os Shetanis não explicam o mundo, mas com todas as suas fábulas


ajudam a passar as dificuldades que podem ser atravessadas no
nosso dia-a-dia.

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Estilo Shetani (Cont.2)

Nota !
Em suma, eles
têm um sentido
simbólico,
profundamente
humano, criativo
e estimulador
para a
imaginação.

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ESTILO UJAMAA

Nota !
Este estilo Nos meados dos anos 60, surge um outro estilo de talhe, designado
representa a Ujamaa.
família, de forma
realista nos
corpos e caras,
mantendo
características
Na forma não compacta as figuras formam uma torre acrobática,
típicas Macondes. captando o sentido de movimento expresso no estilo Shetani.

O estilo Ujamaa embora tenha aparecido mais tarde do que o


Shetani, na sua forma compacta é mais aproximado do tipo de talhe
tradicional africano.

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Estilo Ujamaa (Cont.)

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CERÂMICA

Nota ! Em Moçambique a cerâmica é uma arte que também tem


Entre os expressão. É predominante o fabrico vários utensílios de barro, de
percursores da
arte de categoria, carácter utilitário que servem para conservar a água, produtos
destaca-se uma agrícolas, vasos, objectos de adornos, e outros que relatam a vida
figura feminina –
Reinata Sadimba. social, cultural, política, do povo moçambicano.

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3.0. PINTURA TRADICIONAL

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PINTURA TRADICIONAL

Nota !
Desde os anos 50
Como todas as artes moçambicanas, a Pintura participou na
alguns pintores emergência de uma consciência nacional.
portugueses
encorajam a
emergência de
jovens artistas A partir dos anos 60, os laços entre os pintores e os movimentos de
como emancipação nacional restringem-se. Uma dupla tomada de
Malangatana.
consciência nacional e social opera-se nos pintores moçambicanos.

Apesar das prisões pela polícia política portuguesa que tenta


reprimir as revindicações contra o poder, a actividade pictural é
próspera e as exposições numerosas, em particular a pintura que de
uma forma escondida ou secreta fala de emancipação e de
liberdade.

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Pintura Tradicional (Cont.1)

Características
• Riqueza da policromia;
• Uso da técnica de óleo sobre tela;
• Representação do “monstro” africano;
• Presença da pintura mural;
• Uso do cubismo.

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Pintura Tradicional (Cont.1)

Nota !
O “mural” mais
admirável situa- Na Independência, os pintores criam grandes retratos com conteúdo
se na praça dos
heróis
social e político: “os murais” criados e expostos em lugares públicos,
moçambicanos eles são hoje ainda visíveis em vários pontos da capital, nos teatros,
em Maputo.
nos jardins, etc.

Este mural mede 95 metros de cumprimento, pintado pela primeira


vez pelo escritor e pintor José Craveirinha, em Janeiro de 1979, e
repintado pelo seu descendente João Craveirinha, em Junho de
2000, onde retrata a história da luta pela Independência.

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Pintura Tradicional (Cont.2)

Mural da praça dos heróis moçambicanos

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Pintura Tradicional (Cont.3)

mankew_semtitulo_1975

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Pintura Tradicional (Cont.4)

Nota ! Batiques
É uma tipo de pintura cuja técnica que consiste em cobrir áreas do
tecido, a serem trabalhadas com serra ou parafina, emerge-se o
tecido em latões com tintas de cores variadas para o tingimento
desejado de acordo com o desenho pretendido.

Em Moçambique encontra-se uma grande variedade de trabalhos


com bastante criatividade e originalidade, com particular atenção na
capital do Pais.

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Pintura Tradicional (Cont.4)

Nota !

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BIBLIOGRAFIA

• PERREIRA, A. F. Marques. Arte e Natureza em Moçambique, 1ª


parte.
• TAJU, Gulamo et all: Da Comunidade primitiva ao Feudalismo, 8ª
classe, Rio Tinto, Angola, 1989.
• KI-ZERBO, Joseph. História da África. V. 1. Portugal: Publicações
Europa- América, 1999.

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