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Questões a hora da estrela

. (FUVEST) Sobre o narrador de A hora da estrela, de Clarice Lispector, pode-


se afirmar que:

(A) é do tipo observador, pois revela não ter conhecimento sobre o que se
passa no universo sentimental e psíquico da personagem (Macabéa).
(B) é onisciente, pois assume o papel de criador de uma vida, sobre a qual
detém todas as informações; o poder da onisciência é, para ele, fonte de
satisfação, pois Rodrigo S. percebe que os fatos dependem de seu arbítrio.
(C) é do tipo observador, pois limita-se a descrever superficialmente as
emoções de Macabéa, o que fica evidente nas ocorrências enigmáticas do
termo “explosão“, apresentado sempre entre parênteses.
(D) constitui-se como um personagem, pois narra em primeira pessoa; não há,
entretanto, referências à sua história pessoal, visto que seu objetivo é falar
sobre um personagem de ficção (Macabéa).
(E) é um dos personagens do livro; entretanto, ao apresentar-se não só
como narrador, mas também como criador da história, problematiza a
essência da literatura de ficção, que reside na recriação arbitrária do real.

Fonte: https://www.passeiweb.com/preparacao/banco_de_questoes/portugu
es/a_hora_da_estrela

2. (FUVEST) Identifique a afirmação correta sobre A hora da estrela, de


Clarice Lispector:

Fonte: https://www.passeiweb.com/preparacao/banco_de_questoes/portugu
es/a_hora_da_estrela

(A) A força da temática social, centrada na miséria brasileira, afasta do livro


as preocupações com a linguagem, freqüentes em outros escritores da mesma
geração.
(B) Se o discurso do narrador critica principalmente a própria literatura, as
falas de Macabéa exprimem sobretudo as críticas da personagem às injustiças
sociais.
(C) O narrador retarda bastante o início da narração da história de
Macabéa, vinculando esse adiamento a um autoquestionamento radical.
(D) Os sofrimentos da migrante nordestina são realçados, no livro, pelo
contraste entre suas desventuras na cidade grande e suas lembranças de uma
infância pobre, mas vivida no aconchego familiar.
(E) O estilo do livro é caracterizado, principalmente, pela oposição de duas
variedades lingüísticas: linguagem culta, literária, em contraste com um
grande número de expressões regionais nordestinas.

COMENTÁRIO:

O romance A Hora da Estrela tem início com uma série de


autoquestionamentos radicais, tanto de caráter pessoal, quanto
metalingüístico, feitos pelo narrador Rodrigo S. M. A história de Macabéa
começa a se insinuar paulatinamente, até se tornar dominante na narrativa,
que, porém, não abandona aqueles questionamentos críticos.

3. (FUVEST) Devo registrar aqui uma alegria. é que a moça num aflitivo


domingo sem farofa teve urna inesperada felicidade que era inexplicável: no
cais do porto viu um arco-íris. Experimentando o leve êxtase, ambicionou
logo outro: queria ver, como uma vez em Maceió, espocarem mudos fogos de
artifício. Ela quis mais porque é mesmo uma verdade que quando se dá a
mão, essa gentinha quer todo o resto, o zé-povinho sonha com fome de tudo.
E quer mas sem direito algum, pois não é? (Clarice Lispector, A hora da
estrela)

Considerando-se no contexto da obra o trecho sublinhado, é correto afirmar


que, nele, o narrador:

(A) assume momentaneamente as convicções elitistas que, no entanto,


procura ocultar no restante da narrativa.
(B) reproduz, em estilo indireto livre, os pensamentos da própria Macabéa
diante dos fogos de artifício.
(C) hesita quanto ao modo correto de interpretar a reação de Macabéa frente
ao espetáculo.
(D) adota uma atitude panfletária, criticando diretamente as injustiças sociais
e cobrando sua superação.
(E) retoma uma frase feita, que expressa preconceito antipopular,
desenvolvendo-a na direçao da ironia.
(FUVEST) 
Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:
— E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?
— Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.
— E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?
— Macabéa.
— Maca — o quê?
— Bea, foi ela obrigada a completar.
— Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.
Eu também acho esquisito mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora
da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não
tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que
ninguém tem mas parece que deu certo — parou um instante retomando o fôlego
perdido e acrescentou desanimada e com pudor — pois como o senhor vê eu
vinguei... pois é...
— Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.
Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da
vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas,
parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse
uma ruptura, disse ao recém-namorado:
— Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?
Da segunda vez em que se encontraram caia uma chuva fininha que ensopava os
ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de
Macabéa parecia lágrimas escorrendo. 
(Clarice Lispector, A hora da estrela)

Neste excerto, as falas de Olímpico e Macabéa:

(A) aproximam-se do cômico, mas, no âmbito do livro, evidenciam a oposição


cultural entre a mulher nordestina e o homem do sul do País.
(B) demonstram a incapacidade de expressão verbal das personagens, reflexo
da privação econômica de que são vítimas.
(C) beiram às vezes o absurdo, mas, no contexto da obra, adquirem um
sentido de humor e sátira social.
(D) registram, com sentimentalismo, o eterno conflito que opõe os princípios
antagônicos do Bem e do Mal.
(E) suprimem, por seu caráter ridículo, a percepção do desamparo social e
existencial das personagens.

5. (FUVEST) “A ação desta história terá como resultado minha transfiguração


em outrem (…)”.
Neste excerto de A hora da estrela, o narrador expressa uma de suas
tendências mais marcantes, que ele irá reiterar ao longo de todo o livro.
Entre os trechos abaixo, o único que NãO expressa tendência correspondente
é:

(A) “Vejo a nordestina se olhando ao espelho e (…) no espelho aparece o meu


rosto cansado e barbudo. Tanto nós nos intertrocamos”.
(B) “é paixão minha ser o outro. No caso a outra”.
(C) “Enquanto isso, Macabéa no chão parecia se tornar cada vez mais
uma Macabéa, como se chegasse a si mesma”.
(D) “Queiram os deuses que eu nunca descreva o lázaro porque senão eu me
cobriria de lepra”.
(E) “Eu te conheço até o osso por intermédio de uma encantação que vem de
mim para ti”.

COMENTÁRIO:

A alternativa C é a que não expressa identificação entre o narrador, Rodrigo


S. M., e a protagonista Macabéa. Reiteradas vezes, a comunhão entre o
narrador e a personagem é expressada. Na hora da morte de Macabéa, porém,
entre o criador e a criatura realiza-se uma cisão. Macabéa torna-se, por
instantes, a "estrela", pela primeira vez é o centro das atenções,
desvinculando-se de Rodrigo.

Fonte: https://www.passeiweb.com/preparacao/banco_de_questoes/portugu
es/a_hora_da_estrela

8. 

(PUC-SP)

A obra A hora da estrela, de Clarice Lispector marca-se pela depuração da arte


de escrever e dialoga com todo o universo ficcional da autora. Despontam nela
as perplexidades da narrativa moderna.

Indique a alternativa que NÃO condiz com esse romance entendido como um
todo:

(A) A história são as fracas aventuras de uma moça alagoana, “numa cidade
toda feita contra ela”, o Rio de Janeiro.
(B) Macabéa, personagem do romance, tem a coragem e o heroísmo dos
fortes e se torna, na vida, a grande estrela com que sempre sonhou.
(C) A estrela que dá título à obra é a estrela de cinema e só aparece mesmo
na hora da morte.
(D) A narrativa constrói-se da alternância entre as reflexões do narrador que
parece narrar a si mesmo e os fatos apresentados que dão o retrato da
protagonista.
(E) O espaço da ação é o social-urbano, mas restrito à “Rua do Acre para
morar” e à “Rua do Lavradio para trabalhar”.

9. (PUC-SP) A respeito de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, indique a


alternativa que NÃO confirma as possibilidades narrativas do romance:
(A) Livro com muitos títulos que se resumem à história de uma inocência
pisada, de uma miséria anônima.
(B) História do narrador Rodrigo M. S., que se faz personagem, narrando-se a
si mesmo e competindo com a protagonista.
(C) História da própria narração, que conta a si mesma, problematizando a
difícil tarefa de narrar.
(D) História de Macabéa, moça anônima e que não fazia falta a ninguém.
(E) História de Olímpico de Jesus, paraibano e metalúrgico, vivendo o
mesmo drama de Macabéa e identificando-se com ela.

10. (PUC-SP) Assinale a alternativa que não está de acordo com a personagem


Macabéa, do romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector:

(A) Nordestina pobre, anônima e semianalfabeta, era impotente para a vida e


não fazia falta a ninguém.
(B) Tinha a “felicidade pura dos idiotas” e “vivia num atordoado limbo entre
céu e inferno”.
(C) Personagem-título do romance, embora feita de matéria rala, tornou-
se, na vida, a grande estrela com que sempre sonhou.
(D) Ingênua, acreditou no que a cartomante lhe disse, mas acabou sendo
atropelada e morta por um Mercedes amarelo.
(E) Viveu um conto de fadas às avessas, delineando um contraponto bíblico
sem, contudo, apresentar a coragem e o heroísmo dos fortes.

Fonte: https://www.passeiweb.com/preparacao/banco_de_questoes/portugu
es/a_hora_da_estrela-2

1. (FUVEST) "Será que eu enriqueceria este relato se usasse alguns difíceis


termos técnicos? Mas aíque está: esta história não tem nenhuma técnica, nem
de estilo, ela é ao deus-dará. Eu que também não mancharia por nada deste
mundo com palavras brilhantes e falsas uma vida parcacomo a da
datilógrafa." (Clarice Lispector, A Hora da Estrela)

Em A Hora da Estrela, o narrador questiona-se quanto ao modo e, até, à


possibilidade de narrar a história. De acordo com o trecho acima, isso deriva
do fato de ser ele um narrador:

(A) Iniciante, que não domina as técnicas necessárias ao relato literário.


(B) Pós-moderno, para quem as preocupações de estilo são ultrapassadas.
(C) Impessoal, que aspira a um grau de objetividade máxima no relato.
(D) Objetividade, que se preocupa apenas com a precisão técnica do relato.
(E) Auto-crítico que percebe a inadequação de um estilo sofisticado para
narrar a vida popular.

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12. (UFV) Leia o trecho abaixo:


"Bem, é verdade que também eu não tenho piedade do meu personagem
principal, a nordestina: é um relato que desejo frio. (...) Não se trata
apenas da narrativa, é antes de tudo vida primária que respira, respira,
respira. (...) Como a nordestina, ha milhares de moçasespalhadas por
cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a
estafa.
Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam
como não existiriam." (Clarice Lispector)

Em uma das alternativas abaixo, há um aspecto do livro de Clarice


Lispector, A Hora da Estrela, presente no fragmento acima, que o aproxima
do chamado "romance de 30", realizado por escritores como Graciliano Ramos
e Rachel de Queiroz:

(A) A preocupação excessiva com o próprio ato de narrar.


(B) O intimismo da narrativa, que ignora os problemas sociais de seus
personagens.
(C) A construção de personagens que têm sua condição humana degradada
por culpa do meio e da opressão.
(D) A necessidade de provar que as ações humanas resultam do meio, da raça
e do momento.
(E) A busca de traços peculiares da Região Nordeste.

13. (FEI-SP) Trata-se do último livro publicado por Clarice Lispector, em vida,


em 1977. A personagem protagonista é Macabéa, que acumula em seu corpo
franzino todas as formas de repressão cultural, o que a deixa alheada de si e
da sociedade.

As afirmações acima referem-se à obra:

(A) A hora da estrela


(B) Perto do coração selvagem
(C) A maçã no escuro
(D) A paixão segundo G. H.
(E) Laços de família

14. (ACAFE) No livro A hora da estrela, ocorre a quebra das convenções da


arte de narrar: o narrador estabelece com o leitor um jogo. Assim, é
VERDADEIRO o que se afirma em:

(A) O narrador faz uma narrativa aberta para o leitor, procurando fazer com
que o leitor se identifique com os personagens.
(B) Existe um narrador que dificulta a localização de sua voz, misturando-a
com a das outras personagens.
(C) A escritura do texto é extremamente rebuscada e, portanto, difícil de
estabelecer qualquer relação do texto com o narrador.
(D) O narrador, a todo momento, chama a atenção do leitor, alertando-o
de que se trata de uma obra de ficção e, consequentemente, dificultando
uma identificação do leitor com os personagens.
(E) Não é possível identificarmos a presença do narrador.

15. (ACAFE) Sobre o texto "Tentarei tirar ouro de carvão. Sei que estou
adiando a história e que brinco de bola sem a bola. O fato é um ato? Juro que
este livro é feito sem palavras.", extraído do livro A hora da estrela, pode-se
afirmar que:

(A) o narrador-escritor vai transformar situações cotidianas em uma


história de vida, de fatos e acontecimentos, e o "livro é feito sem palavras"
pelo fato de ser um retrato da vida.
(B) a história de Macabéa (protagonista do livro) é um conto de fadas, em que
ela encontra o seu príncipe e vivem felizes para sempre.
(C) o narrador explica a relação de poder que um homem mantém sobre a
mulher.
(D) é uma crítica ao "canibalismo" deste mundo cão, no caso, a anulação do
ser humano pela cidade grande.
(E) se trata de um jogo de palavras em que o autor busca explicar a história
de vida de um trabalhador sem qualificação, vivendo numa grande metrópole.

Fonte: https://www.passeiweb.com/preparacao/banco_de_questoes/portugu
es/a_hora_da_estrela-3

16. (ACAFE) Sobre o romance A hora da estrela, de Clarice Lispector, é FALSO


afirmar que:

(A) ao ser atropelada e morta por um caminhão Mercedes Bens, a protagonista


tem, enfim, um grande momento, à maneira de uma estrela de cinema, no
centro da cena cinematográfica.
(B) narra a história de Macabéa, uma alagoana simples que se muda para o Rio
de Janeiro, onde passa a morar numa pensão.
(C) distante de seu meio, alheia ao mundo da cultura e sem compreender
claramente os valores que regem uma cidade grande e competitiva como o
Rio de Janeiro, Macabéa não consegue definir sua própria identidade.
(D) opondo-se a um curso sentimental, retórico, ornamental da poética
nacional, a autora construiu uma poesia antilírica, anti-confessional, presa ao
real e dirigida ao intelecto.
(E) Olímpio, namorado de Macabéa e também nordestino, ao contrário dela,
deseja ascender na vida a qualquer preço.

17. (PUC-CAMP) Maquiavel (...) admitia que a posição dos subalternos é


estratégica para a análise de quem está por cima.

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Relacionando-se a frase acima com o romance A hora da estrela, de Clarice
Lispector, verifica-se que a afirmação de Maquiavel
(A) se confirma, pois Rodrigo faz excelente análise das classes privilegiadas.
(B) se confirma, pois Macabéa faz análise crítica do poder de seus superiores.
(C) não se confirma, pois Rodrigo tem reduzida consciência de sua classe
social.
(D) não se confirma, pois Macabéa não tira proveito crítico de sua posição.
(E) não se confirma, pois Olímpico não se interessa por quem tem algum
poder.

18. 

(PUC-RS)

___________, a personagem de Clarice Lispector em A hora da estrela, é uma


nordestina, pobre, feia, sem vida interior, incapaz de manter a relação com o
namorado.
Sua “hora da estrela” só acontece quando sai feliz e distraída da cartomante e
____________.
No romance, os problemas existenciais estão relacionados às ____________
da moça.

 As lacunas podem ser correta e respectivamente preenchidas por:

A) Macabéa– é assassinada e desaparece – crenças religiosas.


B) Macabéa – é atropelada e morre – condições socioculturais.
C) Aurora – encontra Fernando e casa – debilidades físicas.
D) Macabéa – é atropelada mas salva-se – dificuldades financeiras.
E) Diadorim – volta ao sertão e vive só – necessidades econômicas.

19.
01.

 (FUVEST) Em A Hora da Estrela, o narrador apresenta a seguinte reflexão: 

" Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o


instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem
agudos sibilantes".

Com base nela, explique:

a) Por que o romance tem o título A hora da estrela?

b) Por que é irônica a relação entre o título e a história de Macabéa?


RESPOSTAS ESPERADAS:

a) A hora da estrela alude, metaforicamente, à morte, ao instante de


fulguração rápida, mas reveladora de todo um sentido de existência. É
a epifania à maneira de Clarice Lispector, dentro da ótica existencialista
da busca do sentido da experiência humana.

b) A ironia, trágica no caso, dá-se pela discrepância entre a breve


aspiração de glória de Macabéa, insuflada pela cartomante (a miragem da
estrela hollywoodiana), a sua condição social (migrante nordestina
marginalizada no Rio de Janeiro) e seu destino: atropelada por um carro
de luxo, na porta do Copacabana Palace. A hora da estrela, banal e
reveladora, é o instante maior de Macabéa, anônima, estatelada na rua,
mas objeto da atenção fugaz de transeuntes anônimos.

20.

 (FUVEST)

Leia este trecho de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, no qual Macabéa,
depois de receber o aviso que seria despedida do emprego, olha-se no
espelho:

“Depois de receber o aviso foi ao banheiro para ficar sozinha porque estava
toda atordoada. Olhou maquinalmente ao espelho que encimava a pia imunda
e rachada, cheia de cabelos, o que tanto combinava com sua vida. Pareceu-lhe
o espelho baço e escurecido não refletia imagem alguma. Sumira por acaso
sua existência física? Logo depois passou a ilusão e enxergou a cara toda
deformada pelo espelho ordinário: o nariz tornado enorme como o de um
palhaço de nariz de papelão. Olhou-se e levemente pensou: tão jovem e já
com ferrugem.”

a) Neste trecho, o fato de parecer, a Macabéa, não se ver refletida no espelho


liga-se imediatamente ao aviso de que seria despedida. Projetando essa
ausência de reflexo no contexto mais geral da obra, como você interpreta?

b) Também no contexto da obra, explique por que o narrador diz que Macabéa
pensou "levemente"?

RESPOSTAS ESPERADAS:

a) O fato de Macabéa não se ver refletida no espelho remete ao fato de ser


a nordestina uma " Maria Ninguém" que sequer é nomeada em boa parte da
obra. A datilógrafa é um ser "invisível ", que não é percebido pela maioria
da sociedade. A sua potencial demissão apenas reforça o seu caráter de
pessoa dispensável, descartável pelo sistema, "enferrujada".
b) A alienação de Macabéa a impede de considerar qualquer questão em
toda a sua amplitude. Pensa "levemente", ou superficialmente, sem se
aprofundar nas razões dos fenômenos que a circundam ou que a afetam.

Fonte: https://www.passeiweb.com/preparacao/banco_de_questoes/portugu
es/a_hora_da_estrela-4

21. (UP) Observe o trecho abaixo, sobre A hora da estrela, de Clarice


Lispector:

Macabéa é então um produto do seu narrador. Aliás, toda personagem, é, de


fato, o produto de um narrador que conta a história, seja este narrador
quem for. Mas neste romance há uma situação especial: Macabéa nasce
mesmo do narrador que faz parte da história enquanto personagem. Ele é
autor do romance em que nos conta como ele "cria" Macabéa. Ele é o criador
e Macabéa é sua criatura. Macabéa existe como projeção dele, como parte
dele e existe em função dele. Ou seja: Macabéa existe na sua relação com o
narrador, o personagem Rodrigo S. M. É ele quem nos conta a história de
como ele, escritor, inventa Macabéa, explicando, a todo momento, como este
trabalho, difícil, de lidar com as palavras e escrever um romance,
acontece. (R. Spouza, in Macabéa: uma personae)

a) Que passagem do texto pode comprovar as afirmações acima?

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b) Como é chamado o artifício literário explícito nas linhas finais do texto?

RESPOSTAS ESPERADAS:

a) A passagem em que Macabéa, ao se olhar no espelho, vê a imagem


imediata de Rodrigo S. M.

b) Metalinguagem

Fonte: https://www.passeiweb.com/preparacao/banco_de_questoes/portugu
es/a_hora_da_estrela-5
Enem 2013
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra
molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da
pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas
sei que o universo jamais começou.[...]
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever.
Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se
antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história
não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos
– sou eu que escrevo o que estou escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi
palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual –
há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da
iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou
escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não início pelo fim que
justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque
preciso registrar os fatos antecedentes.
LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro:  Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de


Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da
morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o
narrador

a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica


distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens. 
b) relata a história sem ter tido a preocupação de
investigar os motivos que levaram aos eventos que a
compõem.
c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões
existenciais e sobre a construção do discurso.
d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão
da complexidade para escolher as palavras exatas.
e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e
metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

Resposta Questão 1
Alternativa “c”. Na questão sobre o fragmento do livro “A
hora da estrela”, de Clarice Lispector, podemos perceber a
preocupação em abordar os aspectos relacionados com a
composição do texto literário. A peculiaridade da voz
narrativa de Clarice mostra as reflexões existenciais do
sujeito em crise e também uma técnica de construção do
discurso muito presente na linguagem da escritora, o
“fluxo de consciência”, no qual a personagem deixa de
narrar para fazer reflexões acerca do próprio
comportamento.
UFPR – 2008
“(...) As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me
tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde
demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito. Ou, pelo
menos, não era apenas isso. Meu enleio vem de que um
tapete é feito de tantos fios que posso me resignar a
seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma
história é feita de muitas histórias. (...)”
(de “Os desastres de Sofia”)
(...) Na verdade era uma vida de sonho. Às vezes, quando
falavam de alguém excêntrico, diziam com a benevolência
que uma classe tem por outra: “Ah, esse leva uma vida de
poeta”. Pode-se talvez dizer, aproveitando as poucas
palavras que se conheceram do casal, pode-se dizer que
ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau
poeta: vida de sonho. Não, não era verdade. Não era uma
vida de sonho, pois este jamais os orientara. Mas de
irrealidade . (...)”
(de “Os obedientes”)
Com base nos fragmentos acima transcritos, extraídos de
contos do livro Felicidade clandestina, de Clarice
Lispector, considere as seguintes afirmativas:
I. Narrar ou deixar de narrar, avaliar de diferentes maneiras
um mesmo fato narrado são hesitações frequentes dos
narradores de Clarice Lispector. Como nos fragmentos
acima, também em outros contos prioriza-se a abordagem
da vida interior, própria ou alheia, revelando sutis
alternâncias de percepção da realidade.
II. O aspecto metalinguístico está presente no primeiro
fragmento.
III. Na ficção de Clarice Lispector, as diferenças entre a
percepção masculina e a feminina não são tematizadas,
pois o ser humano está sempre condenado a viver num
mundo incompreensível.
IV. Na ficção de Clarice Lispector, apenas as personagens
adultas têm consciência de seus processos interiores. As
crianças e adolescentes sofrem o impacto de novas
descobertas, mas sua inocência os afasta de qualquer
comportamento perverso e os protege dos riscos de viver
mais intensamente.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 3, 4 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
Resposta Questão 2
Alternativa “c”. Clarice enfatizou em sua obra a
investigação da percepção feminina, embora a percepção
masculina tenha sido explorada em outros contos e
romances. As personagens femininas são maioria em sua
obra. Quanto à alternativa IV, na obra clariceana, as
pulsões do mal estão presentes no universo infantil assim
como no universo adulto.

Questão 3

A respeito da obra da escritora Clarice Lispector, é correto


afirmar:
I. Apresentou poucas inovações em relação à linguagem,
revelando ainda uma grande preocupação em dar
continuidade às transformações literárias oriundas do
Movimento Modernista.
II. Embora nunca tenha aceitado o rótulo de “escritora
feminista”, Clarice explorava em seus contos e romances o
universo feminino através de personagens quase sempre
urbanas.
III. Clarice destacou-se por sua poesia sensual e social,
mostrando o sensualismo da vida cotidiana nos diversos
poemas sobre o amor e a mulher.
IV. Um dos aspectos inovadores da prosa de Clarice
Lispector é o fluxo de consciência, técnica que rompe
com os limites espaço-temporais responsáveis por garantir
a verossimilhança em uma narrativa.
V. Clarice foi responsável por introduzir em nossa
Literatura técnicas de expressões novas, subvertendo a
estrutura dos gêneros narrativos tradicionais.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e III estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas II e V estão corretas.
d) Apenas I, II e IV estão corretas.
e) Apenas II, IV e V estão corretas.