Você está na página 1de 287

Departamento Penitenciário Nacional

DEPEN
Agente Penitenciário Federal - Área 3
A apostila preparatória é elaborada antes da publicação do Edital Oficial com base no edital anterior,
para que o aluno antecipe seus estudos.

MA012-19
Todos os direitos autorais desta obra são protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/12/1998.
Proibida a reprodução, total ou parcialmente, sem autorização prévia expressa por escrito da editora e do autor. Se você
conhece algum caso de “pirataria” de nossos materiais, denuncie pelo sac@novaconcursos.com.br.

OBRA

DEPEN - DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL

AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL - Área 3

Atualizada até 05/2019

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Atualidades - Profº Heitor Ferreira
Noções de Ética no Serviço Público - Profª Bruna Pinotti
Noções de Direitos Humanos e Participação Social - Profª Bruna Pinotti
Conhecimentos Complementares - Execução Penal - Profª Bruna Pinotti
Conhecimentos Específicos - Profª Bruna Pinotti

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Karina Fávaro
Leandro Filho

DIAGRAMAÇÃO
Danna Silva

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

www.novaconcursos.com.br

sac@novaconcursos.com.br
APRESENTAÇÃO

PARABÉNS! ESTE É O PASSAPORTE PARA SUA APROVAÇÃO.

A Nova Concursos tem um único propósito: mudar a vida das pessoas.


Vamos ajudar você a alcançar o tão desejado cargo público.
Nossos livros são elaborados por professores que atuam na área de Concursos Públicos. Assim a matéria
é organizada de forma que otimize o tempo do candidato. Afinal corremos contra o tempo, por isso a
preparação é muito importante.
Aproveitando, convidamos você para conhecer nossa linha de produtos “Cursos online”, conteúdos
preparatórios e por edital, ministrados pelos melhores professores do mercado.
Estar à frente é nosso objetivo, sempre.
Contamos com índice de aprovação de 87%*.
O que nos motiva é a busca da excelência. Aumentar este índice é nossa meta.
Acesse www.novaconcursos.com.br e conheça todos os nossos produtos.
Oferecemos uma solução completa com foco na sua aprovação, como: apostilas, livros, cursos online,
questões comentadas e treinamentos com simulados online.
Desejamos-lhe muito sucesso nesta nova etapa da sua vida!
Obrigado e bons estudos!

*Índice de aprovação baseado em ferramentas internas de medição.

CURSO ONLINE

PASSO 1
Acesse:
www.novaconcursos.com.br/passaporte

PASSO 2
Digite o código do produto no campo indicado
no site.
O código encontra-se no verso da capa da
apostila.
*Utilize sempre os 8 primeiros dígitos.
Ex: JN001-19

PASSO 3
Pronto!
Você já pode acessar os conteúdos online.
SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos ............................................................................................................................................. 01


Tipologia textual ........................................................................................................................................................................................... 03
Ortografia oficial ........................................................................................................................................................................................... 04
Acentuação gráfica ..................................................................................................................................................................................... 04
Emprego das classes de palavras ........................................................................................................................................................... 28
Emprego/correlação de tempos e modos verbais .......................................................................................................................... 28
Emprego do sinal indicativo de crase ................................................................................................................................................... 28
Sintaxe da oração e do período ............................................................................................................................................................... 28
Pontuação ....................................................................................................................................................................................................... 60
Concordância nominal e verbal .............................................................................................................................................................. 63
Regência nominal e verbal .......................................................................................................................................................................... 70
Significação das palavras .......................................................................................................................................................................... 86
Redação de Correspondências oficiais (Manual de Redação da Presidência da República). Adequação da
linguagem ao tipo de documento. Adequação do formato do texto ao gênero ................................................................. 86

ATUALIDADES
Sistema de justiça criminal ........................................................................................................................................................................... 01
Sistema prisional brasileiro .......................................................................................................................................................................... 04
Políticas públicas de segurança pública e cidadania .......................................................................................................................... 07

NOÇÕES DE ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO


Ética e moral. Ética, princípios e valores. Ética e democracia: exercício da cidadania. Ética e função pública. Ética
no Setor Público ............................................................................................................................................................................................. 01
Código de Ética Profissional do Serviço Público – Decreto nº 1.171/1994 .............................................................................. 06
Regime disciplinar na Lei nº 8.112/1990: deveres e proibições, acumulação, responsabilidades, penalidades ....... 17
Lei nº 8.429/1992: Improbidade Administrativa ................................................................................................................................. 24
Processo administrativo disciplinar ........................................................................................................................................................ 33
Espécies de Procedimento Disciplinar: sindicâncias investigativa, patrimonial e acusatória; processo administra-
tivo disciplinar (ritos ordinário e sumário). Fases: instauração, inquérito e julgamento ..................................................... 36
Comissão Disciplinar: requisitos, suspeição, impedimento e prazo para conclusão dos trabalhos (prorrogação e
recondução) ..................................................................................................................................................................................................... 42
SUMÁRIO
NOÇÕES DE DIREITOS HUMANOS E PARTICIPAÇÃO SOCIAL
Declaração Universal dos Direitos Humanos (Resolução 217-A (III) – da Assembleia Geral das Nações Unidas,
1948) ..................................................................................................................................................................................................................... 01
Direitos Humanos e Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988 (arts. 5º ao 15) .......................................... 10
Regras mínimas da ONU para o tratamento de pessoas presas .................................................................................................. 19
Programa Nacional de Direitos Humanos (Decreto nº 7.037/2009) ............................................................................................ 29
Política Nacional de Participação Social (Decreto nº 8.243/2014) ................................................................................................ 31
Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (arts. 62 a 64 da Lei de Execução Penal) .................................. 32
Conselhos Penitenciários (arts. 69 e 70 da Lei de Execução Penal); Conselhos da Comunidade (arts. 80 e 81 da Lei
de Execução Penal) ......................................................................................................................................................................................... 33

CONHECIMENTOS COMPLEMENTARES - EXECUÇÃO PENAL


Lei de Execução Penal; Sistema penitenciário federal (Lei nº 11.671/2008 e Decreto nº 6.877/2008); Política Nacio-
nal de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (Portaria MJ/MS nº 1, de
02/01/2014) ................................................................................................................................................................................................... 01
Plano Estratégico de Educação no âmbito do Sistema Prisional. (Decreto nº 7.626/2011) ............................................... 05
Resoluções do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária: Resolução nº 4/2014 – Assistência à Saú-
de; Resolução nº 1/2014 – Atenção em Saúde Mental; Resolução nº 3/2009 – Diretrizes de Educação; Resolução
nº 8/2009 – Assistência Religiosa; Resolução nº 5/2014 – Procedimentos para revista pessoal ...................................... 07
Política Nacional de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional
(Portaria MJ/SPM nº 210/2014) ................................................................................................................................................................. 12

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL


Sistema Penitenciário Federal. 1.1 Lei nº 11.671/2008 ..................................................................................................................... 01
Decreto nº 6.877/2008 .................................................................................................................................................................................. 03
Regulamento Penitenciário Federal ......................................................................................................................................................... 05
Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro. Lei no 12.850/2013. 2.2 Lei no 9.613/1998 ...................................... 12
Noções de Criminologia e Política Criminal. Teorias penais e teorias criminológicas contemporâneas. Mecanis-
mos institucionais de criminalização: Lei penal, Justiça Criminal e Prisão. Processos de criminalização e crimina-
lidade. Cifra oculta da criminalidade. Sistema penal e estrutura social. Políticas dos serviços penais no Estado
Democrático de Direito. Políticas de segurança pública no Estado Democrático de Direito e participação social.
Mídia e criminalidade .................................................................................................................................................................................... 22
Legislação especial. Lei nº 9.455, de 07 de abril de 1997 (Antitortura) ...................................................................................... 23
Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013 (Anticorrupção) ................................................................................................................ 26
Lei nº 4.898, de 09 de dezembro 1965 (Abuso de autoridade) .................................................................................................... 28
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA
Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados..............................................................................................................................01
Reconhecimento de tipos e gêneros textuais. ............................................................................................................................................................03
Domínio da ortografia oficial. ............................................................................................................................................................................................04
Domínio dos mecanismos de coesão textual. .............................................................................................................................................................13
Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de sequenciação
textual...........................................................................................................................................................................................................................................13
Emprego de tempos e modos verbais............................................................................................................................................................................15
Domínio da estrutura morfossintática do período. ..................................................................................................................................................28
Emprego das classes de palavras. ....................................................................................................................................................................................28
Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. .................................................................................................................28
Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração. ................................................................................................................28
Emprego dos sinais de pontuação. .................................................................................................................................................................................60
Concordância verbal e nominal. .......................................................................................................................................................................................63
Regência verbal e nominal. .................................................................................................................................................................................................70
Emprego do sinal indicativo de crase. ...........................................................................................................................................................................76
Colocação dos pronomes átonos. ...................................................................................................................................................................................78
Reescrita de frases e parágrafos do texto. ...................................................................................................................................................................86
Significação das palavras. ....................................................................................................................................................................................................86
Substituição de palavras ou de trechos de texto. ......................................................................................................................................................86
Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto. .......................................................................................................................86
Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade. ..................................................................................................................92
Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República)..............................................................................92
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirma-
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE ção...
TEXTOS DE GÊNEROS VARIADOS. O narrador afirma...

3. Erros de interpretação
Interpretação Textual
 Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e rela- do contexto, acrescentando ideias que não estão
cionadas entre si, formando um todo significativo capaz no texto, quer por conhecimento prévio do tema
de produzir interação comunicativa (capacidade de codi- quer pela imaginação.
ficar e decodificar).  Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. atenção apenas a um aspecto (esquecendo que
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com um texto é um conjunto de ideias), o que pode ser
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para insuficiente para o entendimento do tema desen-
a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa in- volvido.
terligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento  Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-
de seu contexto original e analisada separadamente, po- clusões equivocadas e, consequentemente, errar a
derá ter um significado diferente daquele inicial. questão.
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
rências diretas ou indiretas a outros autores através de Observação:
citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. Muitos pensam que existem a ótica do escritor e a
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em uma prova
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A de concurso, o que deve ser levado em consideração é o
partir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fun- que o autor diz e nada mais.
damentações), as argumentações (ou explicações), que
levam ao esclarecimento das questões apresentadas na Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
prova. relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um
 Identificar os elementos fundamentais de uma pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o
argumentação, de um processo, de uma época (neste que se vai dizer e o que já foi dito.
caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais de-
finem o tempo). São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre
 Comparar as relações de semelhança ou de dife- eles, está o mau uso do pronome relativo e do prono-
renças entre as situações do texto. me oblíquo átono. Este depende da regência do verbo;
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer tam-
com uma realidade. bém de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. semântico, por isso a necessidade de adequação ao an-
 Parafrasear = reescrever o texto com outras pa- tecedente.
lavras. Os pronomes relativos são muito importantes na in-
terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
1. Condições básicas para interpretar coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá- cia, a saber:
rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), lei- que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden-
tura e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qua- te, mas depende das condições da frase.
lidades do texto) e semântico; capacidade de observação qual (neutro) idem ao anterior.
e de síntese; capacidade de raciocínio. quem (pessoa)
cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
2. Interpretar/Compreender o objeto possuído.
como (modo)
Interpretar significa: onde (lugar)
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. quando (tempo)
Através do texto, infere-se que...
LÍNGUA PORTUGUESA

quanto (montante)
É possível deduzir que... Exemplo:
O autor permite concluir que... Falou tudo QUANTO queria (correto)
Qual é a intenção do autor ao afirmar que... Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
Compreender significa aparecer o demonstrativo O).
Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
O texto diz que...
É sugerido pelo autor que...

1
3. Dicas para melhorar a interpretação de textos
EXERCÍCIOS COMENTADOS
 Leia todo o texto, procurando ter uma visão ge-
ral do assunto. Se ele for longo, não desista! Há
muitos candidatos na disputa, portanto, quanto 1. (PCJ-MT – Delegado Substituto – Superior – Ces-
mais informação você absorver com a leitura, mais pe – 2017)
chances terá de resolver as questões.
 Se encontrar palavras desconhecidas, não inter- Texto CG1A1AAA
rompa a leitura.
 Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas A valorização do direito à vida digna preserva as duas
forem necessárias. faces do homem: a do indivíduo e a do ser político; a
 Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma do ser em si e a do ser com o outro. O homem é inteiro
conclusão). em sua dimensão plural e faz-se único em sua condição
 Volte ao texto quantas vezes precisar. social. Igual em sua humanidade, o homem desiguala-se,
 Não permita que prevaleçam suas ideias sobre as singulariza-se em sua individualidade. O direito é o ins-
do autor. trumento da fraternização racional e rigorosa.
 Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me- O direito à vida é a substância em torno da qual todos os
lhor compreensão. direitos se conjugam, se desdobram, se somam para que
 Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de o sistema fique mais e mais próximo da ideia concretizá-
cada questão. vel de justiça social.
 O autor defende ideias e você deve percebê-las. Mais valeria que a vida atravessasse as páginas da Lei
 Observe as relações interparágrafos. Um parágra- Maior a se traduzir em palavras que fossem apenas a re-
fo geralmente mantém com outro uma relação de velação da justiça. Quando os descaminhos não condu-
continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi- zirem a isso, competirá ao homem transformar a lei na
que muito bem essas relações. vida mais digna para que a convivência política seja mais
 Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou fecunda e humana.
seja, a ideia mais importante. Cármen Lúcia Antunes Rocha. Comentário ao artigo 3.º.
 Nos enunciados, grife palavras como “correto” In: 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Hu-
ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão na manos 1948-1998: conquistas e desafios. Brasília: OAB,
hora da resposta – o que vale não somente para Comissão Nacional de Direitos Humanos, 1998, p. 50-1
Interpretação de Texto, mas para todas as demais (com adaptações).
questões!
 Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia prin- Compreende-se do texto CG1A1AAA que o ser humano
cipal, leia com atenção a introdução e/ou a con- tem direito
clusão.
 Olhe com especial atenção os pronomes relativos, a) de agir de forma autônoma, em nome da lei da sobre-
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, vivência das espécies.
etc., chamados vocábulos relatores, porque reme- b) de ignorar o direito do outro se isso lhe for necessário
tem a outros vocábulos do texto. para defender seus interesses.
c) de demandar ao sistema judicial a concretização de
SITES seus direitos.
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/por- d) à institucionalização do seu direito em detrimento dos
tugues/como-interpretar-textos direitos de outros.
http://portuguesemfoco.com/pf/09-dicas-para-me- e) a uma vida plena e adequada, direito esse que está na
lhorar-a-interpretacao-de-textos-em-provas essência de todos os direitos.
http://www.portuguesnarede.com/2014/03/dicas-
-para-voce-interpretar-melhor-um.html Resposta: Letra E. O ser humano tem direito a uma
http://vestibular.uol.com.br/cursinho/questoes/ques- vida digna, adequada, para que consiga gozar de seus
tao-117-portugues.htm direitos – saúde, educação, segurança – e exercer seus
deveres plenamente, como prescrevem todos os di-
reitos: (...) O direito à vida é a substância em torno da
qual todos os direitos se conjugam (...).

2. (PCJ-MT – Delegado Substituto – Superior – Ces-


pe – 2017)
LÍNGUA PORTUGUESA

Texto CG1A1BBB

Segundo o parágrafo único do art. 1.º da Constituição


da República Federativa do Brasil, “Todo o poder emana
do povo, que o exerce por meio de representantes elei-
tos ou diretamente, nos termos desta Constituição.” Em

2
virtude desse comando, afirma-se que o poder dos juízes É de fundamental importância sabermos classificar os
emana do povo e em seu nome é exercido. A forma de textos com os quais travamos convivência no nosso dia a
sua investidura é legitimada pela compatibilidade com as dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais
regras do Estado de direito e eles são, assim, autênticos e gêneros textuais.
agentes do poder popular, que o Estado polariza e exer- Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
ce. Na Itália, isso é constantemente lembrado, porque fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa
toda sentença é dedicada (intestata) ao povo italiano, em opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum
nome do qual é pronunciada. lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre al-
guém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
Cândido Rangel Dinamarco. A instrumentalidade do pro- nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos
cesso. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1987, p. 195 (com textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição
adaptações). e Dissertação.

Conforme as ideias do texto CG1A1BBB, 1. As tipologias textuais se caracterizam pelos


aspectos de ordem linguística
a) o Poder Judiciário brasileiro desempenha seu papel
com fundamento no princípio da soberania popular. Os tipos textuais designam uma sequência definida
b) os magistrados do Brasil deveriam ser escolhidos pelo pela natureza linguística de sua composição. São obser-
voto popular, como ocorre com os representantes dos vados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, rela-
demais poderes. ções logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo,
c) os magistrados italianos, ao contrário dos brasileiros, argumentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo.
exercem o poder que lhes é conferido em nome de A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
seus nacionais. ação demarcados no tempo do universo narrado,
d) há incompatibilidade entre o autogoverno da magis- como também de advérbios, como é o caso de an-
tratura e o sistema democrático. tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
e) os magistrados brasileiros exercem o poder constitucio- carro quando ele apareceu. Depois de muita conver-
nal que lhes é atribuído em nome do governo federal. sa, resolveram...
B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
Resposta: Letra A. A questão deve ser respondida se- descrevem características tanto físicas quanto psi-
gundo o texto: (...) “Todo o poder emana do povo, que cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
o exerce por meio de representantes eleitos ou direta- objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
mente, nos termos desta Constituição.” Em virtude des- no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
se comando, afirma-se que o poder dos juízes emana cabelos mais negros como a asa da graúna...”
do povo e em seu nome é exercido (...). C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
um assunto ou uma determinada situação que se
3. (PCJ-MT – DELEGADO SUBSTITUTO – SUPERIOR almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das ra-
– CESPE – 2017 – ADAPTADA) No texto CG1A1BBB, o zões de ela acontecer, como em: O cadastramento
vocábulo ‘emana’ foi empregado com o sentido de irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portan-
to, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o
a) trata. benefício.
b) provém. D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de
c) manifesta. uma modalidade na qual as ações são prescritas de
d) pertence. forma sequencial, utilizando-se de verbos expres-
e) cabe. sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador
Resposta: Letra B. Dentro do contexto, “emana” tem até criar uma massa homogênea.
o sentido de “provém”. E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar-
cam-se pelo predomínio de operadores argumen-
tativos, revelados por uma carga ideológica cons-
RECONHECIMENTO DE TIPOS E GÊNEROS tituída de argumentos e contra-argumentos que
TEXTUAIS. justificam a posição assumida acerca de um deter-
minado assunto: A mulher do mundo contemporâ-
neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço
no mercado de trabalho, o que significa que os gê-
Tipologia e Gênero Textual
LÍNGUA PORTUGUESA

neros estão em complementação, não em disputa.


A todo o momento nos deparamos com vários tex- 2. Gêneros Textuais
tos, sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a
presença do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência São os textos materializados que encontramos em
daquilo que está sendo transmitido entre os interlocuto- nosso cotidiano; tais textos apresentam características
res. Estes interlocutores são as peças principais em um sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função,
diálogo ou em um texto escrito. composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:

3
receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema, São escritos com SS e não C e Ç
editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum,  Nomes derivados dos verbos cujos radicais ter-
blog, etc. minem em gred, ced, prim ou com verbos ter-
A escolha de um determinado gênero discursivo depen- minados por tir ou - meter: agredir - agressivo /
de, em grande parte, da situação de produção, ou seja, a imprimir - impressão / admitir - admissão / ceder
finalidade do texto a ser produzido, quem são os locutores - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão /
e os interlocutores, o meio disponível para veicular o texto, regredir - regressão / oprimir - opressão / compro-
etc. meter - compromisso / submeter – submissão.
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a  Quando o prefixo termina com vogal que se junta
esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé-
exemplo, são comuns gêneros como notícias, reporta- trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
gens, editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divul-  No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.
gação científica são comuns gêneros como verbete de Exemplos: ficasse, falasse.
dicionário ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico,
seminário, conferência. São escritos com C ou Ç e não S e SS
 Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açú-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS car.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto  Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica:
Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – cipó, Juçara, caçula, cachaça, cacique.
São Paulo: Saraiva, 2010.  Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça,
Português – Literatura, Produção de Textos & Gra- uçu, uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, car-
mática – volume único / Samira Yousseff Campedelli, niça, caniço, esperança, carapuça, dentuço.
Jésus Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.
SITE
 Após ditongos: foice, coice, traição.
http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-textual.
 Palavras derivadas de outras terminadas em -te,
htm
to(r): marte - marciano / infrator - infração / ab-
sorto – absorção.
Observação: Não foram encontradas questões
abrangendo tal conteúdo.
B) O fonema z
São escritos com S e não Z
DOMÍNIO DA ORTOGRAFIA OFICIAL  Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é
substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárqui-
cos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa,
princesa.
ORTOGRAFIA
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-
A ortografia é a parte da Fonologia que trata da cor- tamorfose.
reta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som  Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera,
devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma quis, quiseste.
língua são grafados segundo acordos ortográficos.  Nomes derivados de verbos com radicais termi-
A maneira mais simples, prática e objetiva de apren- nados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão /
der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras, empreender - empresa / difundir – difusão.
familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras  Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís
é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções - Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho.
e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de  Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
etimologia (origem da palavra).  Verbos derivados de nomes cujo radical termina
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar
1. Regras ortográficas – pesquisar.

A) O fonema S São escritos com Z e não S


 Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de
São escritas com S e não C/Ç adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo –
 Palavras substantivadas derivadas de verbos com beleza.
Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori-
LÍNGUA PORTUGUESA

radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender


- pretensão / expandir - expansão / ascender - as- gem não termine com s): final - finalizar / concreto
censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão / – concretizar.
 Consoante de ligação se o radical não terminar
submergir - submersão / divertir - diversão / im-
com “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
pelir - impulsivo / compelir - compulsório / repelir
Exceção: lápis + inho – lapisinho.
- repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso /
sentir - sensível / consentir – consensual.

4
C) O fonema j
São escritas com G e não J #FicaDica
 Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
gesso. Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto
 Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, à ortografia de uma palavra, há a possibili-
gim. dade de consultar o Vocabulário Ortográfi-
 Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com co da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, pela Academia Brasileira de Letras. É uma
bege, foge. obra de referência até mesmo para a criação
Exceção: pajem. de dicionários, pois traz a grafia atualizada
das palavras (sem o significado). Na Internet,
 Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, o endereço é www.academia.org.br.
litígio, relógio, refúgio.
 Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fu-
gir, mugir. 2. Informações importantes
 Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
surgir. Formas variantes são as que admitem grafias ou pro-
 Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter- núncias diferentes para palavras com a mesma significa-
minado com j: ágil, agente. ção: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze,
dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, in-
São escritas com J e não G farto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, re-
 Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. lampejar/relampear/relampar/relampadar.
 Palavras de origem árabe, africana ou exótica: Os símbolos das unidades de medida são escritos
jiboia, manjerona. sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar
 Palavras terminadas com aje: ultraje. plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
20km, 120km/h.
D) O fonema ch Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.
São escritas com X e não CH
 Palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba- Na indicação de horas, minutos e segundos, não
caxi, xucro. deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
 Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, 22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi-
lagartixa. nutos e trinta e quatro segundos).
 Depois de ditongo: frouxo, feixe. O símbolo do real antecede o número sem espaço:
 Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval. R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar-
Exceção: quando a palavra de origem não derive de ra vertical ($).
outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
Alguns Usos Ortográficos Especiais
São escritas com CH e não X
 Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, 1. Por que / por quê / porquê / porque
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, sal-
sicha. POR QUE (separado e sem acento)

E) As letras “e” e “i” É usado em:


 Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. 1. interrogações diretas (longe do ponto de interro-
Com “i”, só o ditongo interno cãibra. gação) = Por que você não veio ontem?
 Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar 2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale
são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Es- a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por
crevemos com “i”, os verbos com infinitivo em que faltara à aula ontem.
-air, -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui. 3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” =
Ignoro o motivo por que ele se demitiu.
FIQUE ATENTO! POR QUÊ (separado e com acento)
Há palavras que mudam de sentido quando
substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área Usos:
(superfície), ária (melodia) / delatar (denun-
LÍNGUA PORTUGUESA

1. como pronome interrogativo, quando colocado no


ciar), dilatar (expandir) / emergir (vir à tona), fim da frase (perto do ponto de interrogação) =
imergir (mergulhar) / peão (de estância, que Você faltou. Por quê?
anda a pé), pião (brinquedo). 2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por
quê?

5
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico) 4. Hífen

Usos: O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado


1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale para ligar os elementos de palavras compostas (como
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri- ex-presidente, por exemplo) e para unir pronomes áto-
ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto nos a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente
final) = Compre agora, porque há poucas peças. para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de
2. como conjunção subordinativa causal, substituível uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa;
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por- compa-/nheiro).
que se antecipou.
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico) Ortográfica:

Usos: 1. Em palavras compostas por justaposição que for-


1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra- mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Ge- que se unem para formam um novo significado:
ralmente é precedido por artigo = Não sei o porquê da tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-
discussão. É uma pessoa cheia de porquês. -coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva,
arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
2. ONDE / AONDE
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
Onde = empregado com verbos que não expressam zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer,
a ideia de movimento = Onde você está? abóbora-menina, erva-doce, feijão-verde.

Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos 3. Nos compostos com elementos além, aquém, re-
que expressam movimento = Aonde você vai? cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-núme-
ro, recém-casado.
3. MAU / MAL
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas al-
Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se gumas exceções continuam por já estarem con-
como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um sagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha,
mau elemento. mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-colônia,
queima-roupa, deus-dará.
Mal = pode ser usado como
1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”, 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte
“logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu. Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas
2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi combinações históricas ou ocasionais: Áustria-
mal na prova? -Hungria, Angola-Brasil, etc.
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou 6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su-
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal per- quando associados com outro termo que é
não compensa. iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-
-racional, etc.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa 7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-di-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. retor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-:
Paulo: Saraiva, 2010. pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação,
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- etc.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se,
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira abraça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
Saraiva, 2002. 10. Nas formações em que o prefixo tem como se-
LÍNGUA PORTUGUESA

gundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub-he-


SITE pático, geo-história, neo-helênico, extra-humano,
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/ semi-hospitalar, super-homem.
ortografia
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudopre-
fixo termina com a mesma vogal do segundo ele-
mento: micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, au-
to-observação, etc.

6
O hífen é suprimido quando para formar outros ter- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
mos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

SITE
#FicaDica http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/orto-
Lembrete da Zê! grafia
Ao separar palavras na translineação (mu-
dança de linha), caso a última palavra a ser
escrita seja formada por hífen, repita-o na EXERCÍCIOS COMENTADOS
próxima linha. Exemplo: escreverei anti-in-
flamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório” 1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal –
(hífen em ambas as linhas). Devido à diagra- Cespe – 2013 – adaptada)
mação, pode ser que a repetição do hífen na
translineação não ocorra em meus conteú- A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatenados
dos, mas saiba que a regra é esta! são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos de co-
municação, os quais são indispensáveis para que os sujeitos
do processo tomem conhecimento dos atos acontecidos no
B) Não se emprega o hífen: correr do procedimento e se habilitem a exercer os direitos
que lhes cabem e a suportar os ônus que a lei lhes impõe.
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefi- Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações).
xo termina em vogal e o segundo termo inicia-se
em “r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguintes.
consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom, Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto
microssistema, minissaia, microrradiografia, etc. nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar
o litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à de-
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre- manda e o trecho “tomem conhecimento dos atos acon-
fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se tecidos no correr do procedimento” fosse, por sua vez,
com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu- substituído por conheçam os atos havidos no transcurso
cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétri- do acontecimento.
co, plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos ( ) CERTO ( ) ERRADO
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h”
inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc. Resposta: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a
intenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando primeira substituição fosse feita, o trecho estaria in-
o segundo elemento começar com “o”: coopera- correto gramatical e coerentemente. Portanto, nem há
ção, coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, a necessidade de avaliar a segunda substituição.
coedição, coexistir, etc.
Letra e Fonema
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram no-
ção de composição: pontapé, girassol, paraquedas, A palavra fonologia é formada pelos elementos gre-
paraquedista, etc. gos fono (“som, voz”) e log, logia (“estudo”, “conhecimen-
to”). Significa literalmente “estudo dos sons” ou “estudo
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: ben- dos sons da voz”. Fonologia é a parte da gramática que
feito, benquerer, benquerido, etc. estuda os sons da língua quanto à sua função no sistema
de comunicação linguística, quanto à sua organização e
Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon- classificação. Cuida, também, de aspectos relacionados à
dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte, divisão silábica, à ortografia, à acentuação, bem como da
não havendo hífen: pospor, predeterminar, predetermina- forma correta de pronunciar certas palavras. Lembrando
do, pressuposto, propor. que, cada indivíduo tem uma maneira própria de realizar
Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccio- estes sons no ato da fala. Particularidades na pronúncia
so, auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre- de cada falante são estudadas pela Fonética.
LÍNGUA PORTUGUESA

-humano, super-realista, alto-mar. Na língua falada, as palavras se constituem de fo-


Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, nemas; na língua escrita, as palavras são reproduzidas
antisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, por meio de símbolos gráficos, chamados de letras ou
ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, grafemas. Dá-se o nome de fonema ao menor elemento
autoajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi. sonoro capaz de estabelecer uma distinção de significa-
do entre as palavras. Observe, nos exemplos a seguir, os
fonemas que marcam a distinção entre os pares de pa-
lavras:

7
amor – ator / morro – corro / vento - cento

Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua portuguesa que está em sua memória: a imagem acústica
que você - como falante de português - guarda de cada um deles. É essa imagem acústica que constitui o fonema. Este
forma os significantes dos signos linguísticos. Geralmente, aparece representado entre barras: /m/, /b/, /a/, /v/, etc.

O fonema não deve ser confundido com a letra. Esta é a representação gráfica do fonema. Na palavra sapo, por
exemplo, a letra “s” representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a letra “s” representa o fonema /z/ (lê-se zê).

Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que
pode ser representado pelas letras z, s, x: zebra, casamento, exílio.

Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema. A letra “x”, por exemplo, pode representar:

A) o fonema /sê/: texto


B) o fonema /zê/: exibir
C) o fonema /che/: enxame
D) o grupo de sons /ks/: táxi

O número de letras nem sempre coincide com o número de fonemas.


Tóxico = fonemas: /t/ó/k/s/i/c/o/ letras: t ó x i c o
1 2 3 4 5 6 7 12 3 45 6

Galho = fonemas: /g/a/lh/o/ letras: ga lho


1 2 3 4 12345

As letras “m” e “n”, em determinadas palavras, não representam fonemas. Observe os exemplos: compra, conta.
Nestas palavras, “m” e “n” indicam a nasalização das vogais que as antecedem: /õ/. Veja ainda: nave: o /n/ é um fonema;
dança: o “n” não é um fonema; o fonema é /ã/, representado na escrita pelas letras “a” e “n”.

A letra h, ao iniciar uma palavra, não representa fonema.


Hoje = fonemas: ho / j / e / letras: h o j e
1 2 3 1234

1 Classificação dos Fonemas

Os fonemas da língua portuguesa são classificados em:

1.1 Vogais

As vogais são os fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar que passa livremente pela boca. Em nossa
língua, desempenham o papel de núcleo das sílabas. Isso significa que em toda sílaba há, necessariamente, uma única
vogal.
Na produção de vogais, a boca fica aberta ou entreaberta. As vogais podem ser:
Orais: quando o ar sai apenas pela boca: /a/, /e/, /i/, /o/, /u/.
Nasais: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.
/ã/: fã, canto, tampa
/ ẽ /: dente, tempero
/ ĩ/: lindo, mim
/õ/: bonde, tombo
/ ũ /: nunca, algum
Átonas: pronunciadas com menor intensidade: até, bola.
Tônicas: pronunciadas com maior intensidade: até, bola.

Quanto ao timbre, as vogais podem ser:


LÍNGUA PORTUGUESA

Abertas: pé, lata, pó


Fechadas: mês, luta, amor
Reduzidas - Aparecem quase sempre no final das palavras: dedo (“dedu”), ave (“avi”), gente (“genti”).

8
1.2 Semivogais

Os fonemas /i/ e /u/, algumas vezes, não são vogais. Aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela uma só
emissão de voz (uma sílaba). Neste caso, estes fonemas são chamados de semivogais. A diferença fundamental entre
vogais e semivogais está no fato de que estas não desempenham o papel de núcleo silábico.
Observe a palavra papai. Ela é formada de duas sílabas: pa - pai. Na última sílaba, o fonema vocálico que se destaca
é o “a”. Ele é a vogal. O outro fonema vocálico “i” não é tão forte quanto ele. É a semivogal. Outros exemplos: saudade,
história, série.

1.3 Consoantes

Para a produção das consoantes, a corrente de ar expirada pelos pulmões encontra obstáculos ao passar pela ca-
vidade bucal, fazendo com que as consoantes sejam verdadeiros “ruídos”, incapazes de atuar como núcleos silábicos.
Seu nome provém justamente desse fato, pois, em português, sempre consoam (“soam com”) as vogais. Exemplos: /b/,
/t/, /d/, /v/, /l/, /m/, etc.

2. Encontros Vocálicos

Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, sem consoantes intermediárias. É importante
reconhecê-los para dividir corretamente os vocábulos em sílabas. Existem três tipos de encontros: o ditongo, o tritongo
e o hiato.

A) Ditongo

É o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) numa mesma sílaba. Pode ser:
Crescente: quando a semivogal vem antes da vogal: sé-rie (i = semivogal, e = vogal)
Decrescente: quando a vogal vem antes da semivogal: pai (a = vogal, i = semivogal)
Oral: quando o ar sai apenas pela boca: pai
Nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais: mãe

B) Tritongo

É a sequência formada por uma semivogal, uma vogal e uma semivogal, sempre nesta ordem, numa só sílaba. Pode
ser oral ou nasal: Paraguai - Tritongo oral, quão - Tritongo nasal.

C) Hiato

É a sequência de duas vogais numa mesma palavra que pertencem a sílabas diferentes, uma vez que nunca há mais
de uma vogal numa mesma sílaba: saída (sa-í-da), poesia (po-e-si-a).

3. Encontros Consonantais

O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, recebe o nome de encontro consonantal.
Existem basicamente dois tipos:
A) os que resultam do contato consoante + “l” ou “r” e ocorrem numa mesma sílaba, como em: pe-dra, pla-no,
a-tle-ta, cri-se.
B) os que resultam do contato de duas consoantes pertencentes a sílabas diferentes: por-ta, rit-mo, lis-ta.
Há ainda grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos; são, por isso, inseparáveis: pneu, gno-mo, psi-
-có-lo-go.

4. Dígrafos

De maneira geral, cada fonema é representado, na escrita, por apenas uma letra: lixo - Possui quatro fonemas e quatro
letras.
LÍNGUA PORTUGUESA

Há, no entanto, fonemas que são representados, na escrita, por duas letras: bicho - Possui quatro fonemas e cinco
letras.
Na palavra acima, para representar o fonema /xe/ foram utilizadas duas letras: o “c” e o “h”.
Assim, o dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema (di = dois + grafo = letra).
Em nossa língua, há um número razoável de dígrafos que convém conhecer. Podemos agrupá-los em dois tipos: con-
sonantais e vocálicos.

9
A) Dígrafos Consonantais

Letras Fonemas Exemplos


lh /lhe/ telhado
nh /nhe/ marinheiro
ch /xe/ chave
rr /re/ (no interior da palavra) carro
ss /se/ (no interior da palavra) passo
qu /k/ (qu seguido de e e i) queijo, quiabo
gu /g/ ( gu seguido de e e i) guerra, guia
sc /se/ crescer
sç /se/ desço
xc /se/ exceção

B) Dígrafos Vocálicos

Registram-se na representação das vogais nasais:

Fonemas Letras Exemplos


/ã/ am tampa
an canto
/ẽ/ em templo
en lenda
/ĩ/ im limpo
in lindo
õ/ om tombo
on tonto
/ũ/ um chumbo
un corcunda

Observação:
“gu” e “qu” são dígrafos somente quando seguidos de “e” ou “i”, representam os fonemas /g/ e /k/: guitarra, aquilo.
Nestes casos, a letra “u” não corresponde a nenhum fonema. Em algumas palavras, no entanto, o “u” representa um
fonema - semivogal ou vogal - (aguentar, linguiça, aquífero...). Aqui, “gu” e “qu” não são dígrafos. Também não há dí-
grafos quando são seguidos de “a” ou “o” (quase, averiguo).

#FicaDica
Conseguimos ouvir o som da letra “u” também, por isso não há dígrafo! Veja outros exemplos: Água = /
agua/ pronunciamos a letra “u”, ou então teríamos /aga/. Temos, em “água”, 4 letras e 4 fonemas. Já em
guitarra = /gitara/ - não pronunciamos o “u”, então temos dígrafo (aliás, dois dígrafos: “gu” e “rr”). Portanto:
8 letras e 6 fonemas.

5. Dífonos
LÍNGUA PORTUGUESA

Assim como existem duas letras que representam um só fonema (os dígrafos!), existe letra que representa dois
fonemas. Sim! É o caso de “fixo”, por exemplo, em que o “x” representa o fonema /ks/; táxi e crucifixo também são
exemplos de dífonos. Quando uma letra representa dois fonemas temos um caso de dífono.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

10
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São 2.1 Regras fundamentais
Paulo: Saraiva, 2010.
A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas
SITE terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não
http://www.soportugues.com.br/secoes/fono/fono1. do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
php Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”,
Observação: Não foram encontradas questões seguidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
abrangendo tal conteúdo. Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo

ACENTUAÇÃO B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas


terminadas em:
Quanto à acentuação, observamos que algumas pa- i, is: táxi – lápis – júri
lavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora us, um, uns: vírus – álbuns – fórum
se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra. l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax –
Por isso, vamos às regras! fórceps
ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos
1. Regras básicas ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
A acentuação tônica está relacionada à intensida-
de com que são pronunciadas as sílabas das palavras.
Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se #FicaDica
como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas
com menos intensidade, são denominadas de átonas. Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que
esta palavra apresenta as terminações das
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi- paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U
cadas como: (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre ficará mais fácil a memorização!
a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju –
papel

Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima síla- C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando
ba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte). Quanto à
regra de acentuação: todas as proparoxítonas são acen-
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúlti- tuadas, independentemente de sua terminação: árvore,
ma sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus paralelepípedo, cárcere.

Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são 2.2 Regras especiais
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando
tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré. Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
2 Os acentos de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
palavras paroxítonas.
A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a”
e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas
letras representam as vogais tônicas de palavras FIQUE ATENTO!
como pá, caí, público. Sobre as letras “e” e “o” indi- Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos aber-
ca, além da tonicidade, timbre aberto: herói – céu tos estiverem em uma palavra oxítona (he-
(ditongos abertos). rói) ou monossílaba (céu) ainda são acen-
B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras tuados: dói, escarcéu.
LÍNGUA PORTUGUESA

“a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fe-


chado: tâmara – Atlântico – pêsames – supôs.
C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a” Antes Agora
com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total- assembléia assembleia
mente abolido das palavras. Há uma exceção: é idéia ideia
utilizado em palavras derivadas de nomes próprios
estrangeiros: mülleriano (de Müller) geléia geleia

11
jibóia jiboia O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
abolido:
apóia (verbo apoiar) apoia
paranóico paranoico Antes Agora
crêem creem
2.3 Acento Diferencial
lêem leem
Representam os acentos gráficos que, pelas regras de vôo voo
acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
diferenciar classes gramaticais entre determinadas pala- enjôo enjoo
vras e/ou tempos verbais. Por exemplo:
Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito per-
feito do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do #FicaDica
Indicativo do mesmo verbo). Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os
Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas: verbos que, no plural, dobram o “e”, mas
terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada, que não recebem mais acento como antes:
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se, CRER, DAR, LER e VER.
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposi-
ção.
Repare:
Os demais casos de acento diferencial não são mais O menino crê em você. / Os meninos creem em você.
utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti- Elza lê bem! / Todas leem bem!
vo), pelo (preposição). Seus significados e classes grama- Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os
ticais são definidos pelo contexto. garotos deem o recado!
Polícia para o trânsito para que se realize a operação Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, con- Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm
junção (com relação de finalidade). à tarde!
As formas verbais que possuíam o acento tônico na
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
#FicaDica “e” ou “i” não serão mais acentuadas:

Quando, na frase, der para substituir o “por” Antes Depois


por “colocar”, estaremos trabalhando com
um verbo, portanto: “pôr”; nos demais ca- apazigúe (apaziguar) apazigue
sos, “por” é preposição: Faço isso por você. averigúe (averiguar) averigue
/ Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
argúi (arguir) argui

Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pes-


soa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm
2.4 Regra do Hiato
(verbo vir). A regra prevalece também para os verbos
conter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm,
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segun-
ele obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém
da vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá
– eles convêm.
acento: saída – faísca – baú – país – Luís
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti-
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
verem seguidas do dígrafo nh:
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Paulo: Saraiva, 2010.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vie-
rem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
SITE
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, forman-
http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.
do hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxí-
htm
LÍNGUA PORTUGUESA

tonas):

Antes Agora
bocaiúva bocaiuva
feiúra feiura
Sauípe Sauipe

12
EXERCÍCIOS COMENTADOS DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE COE-
SÃO TEXTUAL.
EMPREGO DE ELEMENTOS DE REFEREN-
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal –
Cespe – 2014) Os termos “série” e “história” acentuam- CIAÇÃO, SUBSTITUIÇÃO E REPETIÇÃO,
-se em conformidade com a mesma regra ortográfica. DE CONECTORES E DE OUTROS ELEMEN-
TOS DE SEQUENCIAÇÃO TEXTUAL.
( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona COESÃO E COERÊNCIA


terminada em ditongo / “história” - acentua-se a pa-
roxítona terminada em ditongo Na construção de um texto, assim como na fala, usa-
Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona mos mecanismos para garantir ao interlocutor a com-
terminada em ditongo. preensão do que é dito, ou lido. Estes mecanismos lin-
Observação: nestes casos, admitem-se as separações guísticos que estabelecem a coesão e retomada do que
“sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxí- foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, que
tonas. buscam garantir a coesão textual para que haja coerên-
cia, não só entre os elementos que compõem a oração,
2. (Anatel – Técnico Administrativo – cespe – 2012) como também entre a sequência de orações dentro do
Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acento texto. Essa coesão também pode muitas vezes se dar de
gráfico tem justificativas gramaticais diferentes. modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores
que os participantes do processo têm com o tema.
( ) CERTO ( ) ERRADO Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima-
ginária - composta de termos e expressões - que une
Resposta: Errado. Análise = proparoxítona / mínimos os diversos elementos do texto e busca estabelecer rela-
= proparoxítona. Ambas são acentuadas pela mesma ções de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego
regra (antepenúltima sílaba é tônica, “mais forte”). de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição,
substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de
3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012) pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se
Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto
acento gráfico com base na mesma regra de acentuação – decorre daí a coerência textual.
gráfica. Um texto incoerente é o que carece de sentido ou
o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa
( ) CERTO ( ) ERRADO incoerência é resultado do mau uso dos elementos de
coesão textual. Na organização de períodos e de pará-
Resposta: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada grafos, um erro no emprego dos mecanismos gramati-
em ditongo; diária = paroxítona terminada em diton- cais e lexicais prejudica o entendimento do texto. Cons-
go; paciência = paroxítona terminada em ditongo. Os truído com os elementos corretos, confere-se a ele uma
três vocábulos são acentuados devido à mesma regra. unidade formal.
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enun-
4. (Ibama – Técnico Administrativo – cespe – 2012) ciado não se constrói com um amontoado de palavras e
As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de
com a mesma regra de acentuação gráfica. dependência e independência sintática e semântica, reco-
bertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam
( ) CERTO ( ) ERRADO estes princípios”.
Não se deve escrever frases ou textos desconexos –
Resposta: Errado. Pó = monossílaba terminada em é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as
“o”; só = monossílaba terminada em “o”; céu = mo- frases estejam coesas e coerentes formando o texto. Re-
nossílaba terminada em ditongo aberto “éu”. lembre-se de que, por coesão, entende-se ligação, rela-
ção, nexo entre os elementos que compõem a estrutura
textual.

FORMAS DE SE GARANTIR A COESÃO ENTRE OS


LÍNGUA PORTUGUESA

ELEMENTOS DE UMA FRASE OU DE UM TEXTO:

 Substituição de palavras com o emprego de sinô-


nimos - palavras ou expressões do mesmo campo
associativo.
 Nominalização – emprego alternativo entre um
verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente
(desgastar / desgaste / desgastante).

13
 Emprego adequado de tempos e modos verbais: Em- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
bora não gostassem de estudar, participaram da aula. Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá-
 Emprego adequado de pronomes, conjunções, tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus
preposições, artigos: Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
 O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital bra-
sileira, Sua Santidade participou de uma reunião SITE
com a Presidente Dilma. Ao passar pelas ruas, o http://www.mundovestibular.com.br/articles/2586/1/
papa cumprimentava as pessoas. Estas tiveram a COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/Paacutegina1.html
certeza de que ele guarda respeito por elas.
 Uso de hipônimos – relação que se estabelece
com base na maior especificidade do significado
de um deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e EXERCÍCIOS COMENTADOS
móvel (mais genérico).
 Emprego de hiperônimos - relações de um termo 1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal –
de sentido mais amplo com outros de sentido mais Cespe – 2014 – adaptada)
específico. Por exemplo, felino está numa relação
de hiperonímia com gato. Hoje, todos reconhecem, porque Marx impôs esta de-
 Substitutos universais, como os verbos vicários. monstração no Livro II d’O Capital, que não há produção
possível sem que seja assegurada a reprodução das con-
AJUDA DA ZÊ: dições materiais da produção: a reprodução dos meios
de produção.
Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado Qualquer economista, que neste ponto não se distingue
no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo de qualquer capitalista, sabe que, ano após ano, é pre-
fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque ciso prever o que deve ser substituído, o que se gasta
preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”, ou se usa na produção: matéria-prima, instalações fixas
evitando repetição desnecessária. (edifícios), instrumentos de produção (máquinas) etc. Di-
A coesão apoiada na gramática se dá no uso de co- zemos: qualquer economista é igual a qualquer capitalis-
nectivos, como pronomes, advérbios e expressões ad- ta, pois ambos exprimem o ponto de vista da empresa.
verbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse jus-
tifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior,
Louis Althusser. Ideologia e aparelhos ideológicos do
a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O
Estado. 3.ª ed. Lisboa: Presença, 1980 (com adaptações).
jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas
as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e,
assim, estabelece a relação entre as duas orações).
Julgue os itens a seguir, a respeito dos sentidos do texto
acima.
Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro-
priedade de fazer referência ao contexto situacional ou No texto, os termos “matéria-prima”, “instalações fixas
ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa fun- (edifícios)” e “instrumentos de produção (máquinas)” são
ção de progressão textual, dada sua característica: são exemplos de “meios de produção”.
elementos que não significam, apenas indicam, remetem
aos componentes da situação comunicativa. ( ) CERTO ( ) ERRADO
Já os componentes concentram em si a significação.
Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito: Resposta: Certo. Voltemos ao texto: (...) é preciso pre-
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais in- ver o que deve ser substituído, o que se gasta ou se
dicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes usa na produção: matéria- -prima, instalações fixas
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, (edifícios), instrumentos de produção (máquinas) etc.
bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento Os dois-pontos são utilizados para exemplificar o
da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterio- termo antecedente (produção), portanto a afirmação
ridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste está correta.
momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem,
há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante, 2. (EBSERH – Conhecimentos Básicos para todos os
no próximo ano, depois de (futuro).” Cargos de Nível Superior – Cespe – 2018 – adapta-
da)
A coerência de um texto está ligada:
1. à sua organização como um todo, em que devem Texto CB1A1AAA

LÍNGUA PORTUGUESA

estar assegurados o início, o meio e o fim;


2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um tex- Já houve quem dissesse por aí que o Rio de Janeiro é a ci-
to técnico, por exemplo, tem a sua coerência fundamenta- dade das explosões. Na verdade, não há semana em que
da em comprovações, apresentação de estatísticas, relato os jornais não registrem uma aqui e ali, na parte rural.
de experiências; um texto informativo apresenta coerência A ideia que se faz do Rio é a de que é ele um vasto paiol,
se trabalhar com linguagem objetiva, denotativa; textos e que vivemos sempre ameaçados de ir pelos ares, como
poéticos, por outro lado, trabalham com a linguagem fi- se estivéssemos a bordo de um navio de guerra, ou habi-
gurada, livre associação de ideias, palavras conotativas. tando uma fortaleza cheia de explosivos terríveis.

14
Certamente que essa pólvora terá toda ela emprego útil; Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual
mas, se ela é indispensável para certos fins industriais, “O riso”.
convinha que se averiguassem bem as causas das ex-
plosões, se são acidentais ou propositais, a fim de que ( ) CERTO ( ) ERRADO
fossem removidas na medida do possível. Isso, porém,
é que não se tem dado e creio que até hoje não têm as Resposta: Certo. Vamos ao texto: O riso é tão uni-
autoridades chegado a resultados positivos. versal como a seriedade; ele abarca a totalidade do
Entretanto, é sabido que certas pólvoras, submetidas a universo (...). Os termos destacados se relacionam. O
dadas condições, explodem espontaneamente, e tem pronome “ele” retoma o sujeito “riso”.
sido essa a explicação para uma série de acidentes bas-
tante dolorosos, a começar pelo do Maine, na baía de
Havana, sem esquecer também o do Aquidabã. EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VER-
Noticiam os jornais que o governo vende, quando avaria- BAIS.
da, grande quantidade dessas pólvoras.
Tudo indica que o primeiro cuidado do governo devia ser não VERBO
entregar a particulares tão perigosas pólvoras, que explodem
assim sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas em cons- Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
tante perigo. tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
Creio que o governo não é assim um negociante ganan- nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
cioso que vende gêneros que possam trazer a destruição é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
de vidas preciosas; e creio que não é, porquanto anda outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme-
sempre zangado com os farmacêuticos que vendem co- no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
caína aos suicidas. Há sempre no Estado curiosas con-
tradições. 1. Estrutura das Formas Verbais

Lima Barreto Pólvora e cocaína In: Vida urbana, 5/1/1915 Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
Internet: <www dominiopublico gov br> (com adapta- os seguintes elementos:
ções) A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi-
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-
A correção gramatical do penúltimo parágrafo do tex- -ava; fal-am. (radical fal-)
to seria preservada, embora seu sentido fosse alterado, B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que
caso o advérbio “não” fosse deslocado para imediata- indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
mente após “governo”. exemplo: fala-r. São três as conjugações:
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática -
Resposta: Certo. Voltemos ao texto: (...) Tudo indica E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir).
que o primeiro cuidado do governo devia ser não en- C) Desinência modo-temporal: é o elemento que
tregar a particulares tão perigosas pólvoras, que explo- designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
dem assim sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicati-
em constante perigo. Façamos a alteração proposta: o vo) / falasse ( indica o pretérito imperfeito do
primeiro cuidado do governo não devia ser entregar... subjuntivo)
Haveria correção gramatical, mas mudaríamos o sen- D) Desinência número-pessoal: é o elemento que
tido do texto, já que no original o que se quer dizer é designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o
o primeiro cuidado do governo deve ser o de não entre- número (singular ou plural):
gar a particulares; com a alteração: o primeiro cuidado falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam
do governo não deve ser o de entregar a particulares, (indica a 3.ª pessoa do plural.)
ou seja, ele tem que tomar cuidado com outras coisas
primeiramente, depois com este fato.
FIQUE ATENTO!
3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
O verbo pôr, assim como seus derivados
O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a to- (compor, repor, depor), pertencem à 2.ª con-
talidade do universo, toda a sociedade, a história, a con- jugação, pois a forma arcaica do verbo pôr
cepção de mundo. É uma verdade que se diz sobre o era poer. A vogal “e”, apesar de haver desa-
mundo, que se estende a todas as coisas e à qual nada parecido do infinitivo, revela-se em algumas
formas do verbo: põe, pões, põem, etc.
LÍNGUA PORTUGUESA

escapa. É, de alguma maneira, o aspecto festivo do mun-


do inteiro, em todos os seus níveis, uma espécie de se-
gunda revelação do mundo.
Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o Re- 2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
nascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo:
Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações). Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen-

15
to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)
por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico
não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do 2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
radical): opinei, aprenderão, amaríamos. Faz invernos rigorosos na Europa.
Era primavera quando o conheci.
3. Classificação dos Verbos Estava frio naquele dia.

Classificam-se em: 3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natu-


A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi- reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, tro-
cal inalterado durante a conjugação e desinências vejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém,
idênticas às de todos os verbos regulares da mes- se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo
ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver- “amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo
bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do impessoal, empregado em sentido figurado, dei-
Modo Indicativo: xa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
conjugação completa.
canto falo Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
cantas falas Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
canta falas
4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando
cantamos falamos tempo: Já passa das seis.
cantais falais
cantam falam 5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição
“de”, indicando suficiência:
Basta de tolices.
#FicaDica Chega de promessas.

Observe que, retirando os radicais, as desi- 6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem,
nências modo-temporal e número-pessoal Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem
mantiveram-se idênticas. Tente fazer com referência a sujeito expresso anteriormente (por
outro verbo e perceberá que se repetirá o exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso,
fato (desde que o verbo seja da primeira classificar o sujeito como hipotético, tornando-se,
conjugação e regular!). Faça com o verbo tais verbos, pessoais.
“andar”, por exemplo. Substitua o radical
“cant” e coloque o “and” (radical do verbo 7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente
andar). Viu? Fácil! de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?
B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alte-
rações no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei,
E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, con-
fizesse.
jugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singu-
lar e do plural. São unipessoais os verbos constar,
Observação:
convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que
Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
indicam vozes de animais (cacarejar, cricrilar, miar,
para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
latir, piar).
corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera-
ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema
Os verbos unipessoais podem ser usados como ver-
permanece inalterado.
bos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
C) Defectivos: são aqueles que não apresentam con-
O que é que aquela garota está cacarejando?
jugação completa. Os principais são adequar, pre-
caver, computar, reaver, abolir, falir.
Principais verbos unipessoais:
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito
e, normalmente, são usados na terceira pessoa do
 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, pare-
singular. Os principais verbos impessoais são:
cer, ser (preciso, necessário):
LÍNGUA PORTUGUESA

Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos


1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
bastante)
zar-se ou fazer (em orações temporais).
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)
Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Acontece-
 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo,
ram)
seguidos da conjunção que.
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)

16
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo prin-
cipal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)
LÍNGUA PORTUGUESA

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

17
4. Conjugação dos Verbos Auxiliares

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

4.4. SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles
LÍNGUA PORTUGUESA

18
4.5. ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
LÍNGUA PORTUGUESA

hajas houvesses houveres há hajas


haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

19
4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
Haverem

4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a refle-
xibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço
da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respec-
tivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.

 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto re-
presentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
LÍNGUA PORTUGUESA

mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-
-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.

20
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.

5. Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adje-
tivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:
A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de subs-
tantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exem-
plo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames,
os candidatos saíram.
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

21
(Ziraldo)
8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
tempos.

A) Tempos do Modo Indicativo


Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Tabelas das Conjugações Verbais

1. Modo Indicativo

1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
LÍNGUA PORTUGUESA

cantaS vendeS parteS S


canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

22
1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
LÍNGUA PORTUGUESA

cantar eis vender eis partir eis


cantar ão vender ão partir ão

23
1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
LÍNGUA PORTUGUESA

obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

24
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem,
pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).
LÍNGUA PORTUGUESA

25
3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as
vozes verbais:
A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)

B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:


O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

#FicaDica
Não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte maneira:
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os alunos pintarão a escola)

26
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

Observações:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a pre-
posição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados.
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação
das frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz ativa)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)


O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)

 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, seguido
do pronome apassivador “se”. Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.

Observação:
O agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.

1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva

Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o sentido da frase.
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa)
Sujeito da Ativa objeto Direto

A apostila foi comprada pelo concurseiro. (Voz Passiva)


Sujeito da Passiva Agente da Passiva

Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo ativo
assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos mestres.

Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.

Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: Preju-
dicaram-me. / Fui prejudicado.
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir, acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva, por-
que o sujeito não pode ser visto como agente, paciente ou agente paciente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LÍNGUA PORTUGUESA

SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

27
DOMÍNIO DA ESTRUTURA MORFOSSINTÁTICA DO PERÍODO.
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS.
RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO ENTRE ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO.
RELAÇÕES DE SUBORDINAÇÃO ENTRE ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO.

ADJETIVO

É a palavra que expressa uma qualidade ou característica do ser e se relaciona com o substantivo, concordando com
este em gênero e número.
As praias brasileiras estão poluídas.
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos (plural e feminino, pois concordam com “praias”).

1. Locução adjetiva

Locução = reunião de palavras. Sempre que são necessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mesma coisa,
tem-se locução. Às vezes, uma preposição + substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Locução Adjetiva
(expressão que equivale a um adjetivo). Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem freio (paixão desen-
freada).
Observe outros exemplos:

de águia aquilino
de aluno discente
de anjo angelical
de ano anual
de aranha aracnídeo
de boi bovino
de cabelo capilar
de cabra caprino
de campo campestre ou rural
de chuva pluvial
de criança pueril
de dedo digital
de estômago estomacal ou gástrico
de falcão falconídeo
de farinha farináceo
de fera ferino
de ferro férreo
de fogo ígneo
de garganta gutural
de gelo glacial
de guerra bélico
de homem viril ou humano
LÍNGUA PORTUGUESA

de ilha insular
de inverno hibernal ou invernal
de lago lacustre
de leão leonino
de lebre l eporino

28
de lua lunar ou selênico
de madeira lígneo
de mestre magistral
de ouro áureo
de paixão passional
de pâncreas pancreático
de porco suíno ou porcino
dos quadris ciático
de rio fluvial
de sonho onírico
de velho senil
de vento eólico
de vidro vítreo ou hialino
de virilha inguinal
de visão óptico ou ótico

Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª série.
/ O muro de tijolos caiu.

2 Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):

O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

3 Adjetivo Pátrio (ou gentílico)

Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:

Estados e cidades brasileiras:

Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense
Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense

4 Adjetivo Pátrio Composto

Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita.
Observe alguns exemplos:

África afro- / Cultura afro-americana


LÍNGUA PORTUGUESA

Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas


América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha hispano- / Mercado hispano-português

29
Europa euro- / Negociações euro-americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

5 Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.

6. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
substantivos, classificam-se em:
A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento: o moço norte-americano,
a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no feminino: conflito político-social e desavença político-social.

7 Número dos Adjetivos

A) Plural dos adjetivos simples


Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos subs-
tantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins, boa e boas.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que
estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo:
a palavra cinza é, originalmente, um substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como
adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).

B) Adjetivo Composto
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o úl-
timo elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso
um dos elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto
ficará invariável. Por exemplo: a palavra “rosa” é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qualificando
um elemento, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto;
como é um substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Veja:
Camisas rosa-claro.
Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

Observação:
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre invariá-
LÍNGUA PORTUGUESA

veis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, vestidos cor-de-rosa.


O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois elementos flexionados: crianças surdas-mudas.

8 Grau do Adjetivo

Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a intensidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o
comparativo e o superlativo.

30
A) Comparativo
fácil - facílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte- fiel - fidelíssimo
rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto  De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Su- todas.
perioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de In- dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
ferioridade antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons-
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe- tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos
rior, grande/maior, baixo/inferior. -íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo;
a popular é constituída do radical do adjetivo português
Observe que: + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
 As formas menor e pior são comparativos de su- Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi-
mau, respectivamente. nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio
 Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas – cheíssimo.
(melhor, pior, maior e menor), porém, em compa-
rações feitas entre duas qualidades de um mesmo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
elemento, deve-se usar as formas analíticas mais Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
exemplo: Paulo: Saraiva, 2010.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
elementos. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
duas qualidades de um mesmo elemento. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In-
ferioridade SITE
Sou menos passivo (do) que tolerante. http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
morf32.php
B) Superlativo
O superlativo expressa qualidades num grau muito
elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela- ADVÉRBIO
tivo e apresenta as seguintes modalidades:
B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a quali- Compare estes exemplos:
dade de um ser é intensificada, sem relação com outros O ônibus chegou.
seres. Apresenta-se nas formas: O ônibus chegou ontem.
 Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
palavras que dão ideia de intensidade (advérbios). Advérbio é uma palavra invariável que modifica o
Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado. sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de
 Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e
exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo. do próprio advérbio.
Observe alguns superlativos sintéticos: Estudei bastante. = modificando o verbo estudei
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio
(bem)
benéfico - beneficentíssimo
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad-
LÍNGUA PORTUGUESA

bom - boníssimo ou ótimo jetivo (claros)


comum - comuníssimo
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres-
cruel - crudelíssimo centar ideia de:
difícil - dificílimo Tempo: Ela chegou tarde.
Lugar: Ele mora aqui.
doce - dulcíssimo
Modo: Eles agiram mal.

31
Negação: Ela não saiu de casa. geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Dúvida: Talvez ele volte. vão e a maior parte dos que terminam em “-men-
te”: calmamente, tristemente, propositadamente,
1. Flexão do Advérbio pacientemente, amorosamente, docemente, escan-
dalosamente, bondosamente, generosamente.
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, efetivamente, certo, decididamente, deveras, indu-
porém, admitem a variação em grau. Observe: bitavelmente.
E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
A) Grau Comparativo de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, pro-
modo que o comparativo do adjetivo: vavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
 de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): quem sabe.
Renato fala tão alto quanto João. G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex-
 de inferioridade: menos + advérbio + que (do cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
que): Renato fala menos alto do que João. quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
 de superioridade: nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato extremamente, intensamente, grandemente, bem
fala mais alto do que João. (quando aplicado a propriedades graduáveis).
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
fala melhor que João. mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo:
Brando, o vento apenas move a copa das árvores.
B) Grau Superlativo I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam-
O superlativo pode ser analítico ou sintético: bém. Por exemplo: O indivíduo também amadurece
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Re- durante a adolescência.
nato fala muito alto. J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
de modo aos meus amigos por comparecerem à festa.
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala al-
tíssimo. Saiba que:
Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
Observação: ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
comuns na língua popular. tarde possível.
Maria mora pertinho daqui. (muito perto)
A criança levantou cedinho. (muito cedo) Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,
em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
2. Classificação dos Advérbios calma e respeitosamente.

De acordo com a circunstância que exprime, o advér- 3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido
bio pode ser de:
A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco- Há palavras como muito, bastante, que podem apare-
lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, cer como advérbio e como pronome indefinido.
perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, de-
fronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures, Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro
aquém, embaixo, externamente, à distância, à dis- advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
tância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo
esquerda, ao lado, em volta. e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros.
B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan-
temente, entrementes, imediatamente, primeira-
mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes,
à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
LÍNGUA PORTUGUESA

quando, de quando em quando, a qualquer mo-


mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
dia.
C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de-
pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às cla-
ras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em

32
Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
#FicaDica adverbial desempenham na oração a função de adjunto
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
Como saber se a palavra bastante é advér- cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
bio (não varia, não se flexiona) ou pronome bio. Exemplo:
indefinido (varia, sofre flexão)? Se der, na fra- Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
se, para substituir o “bastante” por “muito”, verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
estamos diante de um advérbio; se der para
Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
substituir por “muitos” (ou muitas), é um
dade e de tempo, respectivamente.
pronome. Veja:
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
2. Estudei bastantes capítulos para o concur-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
so. (estudei muitos capítulos) = pronome in-
Paulo: Saraiva, 2010.
definido
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
4. Advérbios Interrogativos SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como?
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen- SITE
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
morf75.php
Interrogação Direta Interrogação Indireta
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu. ARTIGO
Onde mora? Indaguei onde morava.
O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
Por que choras? Não sei por que choras. -se como o termo variável que serve para individualizar
Aonde vai? Perguntei aonde ia. ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Donde vens? Pergunto donde vens.
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Quando voltas? Pergunto quando voltas. riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
“uma”[s] e “uns]).
5. Locução Adverbial
A) Artigos definidos – São usados para indicar seres
Quando há duas ou mais palavras que exercem fun- determinados, expressos de forma individual: O
ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam
expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi- muito.
nariamente por uma preposição. Veja: B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto, modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova-
para dentro, por aqui, etc. da! Umas candidatas foram aprovadas!
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc.
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão,
1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
em geral, frente a frente, etc.
D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde,
Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
hoje em dia, nunca mais, etc.
numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal con-
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo,
teúdo.
o adjetivo e outro advérbio:
Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
Chegou muito cedo. (advérbio)
admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
Joana é muito bela. (adjetivo)
Janeiro, Veneza, A Bahia...
De repente correram para a rua. (verbo)
Quando indicado no singular, o artigo definido pode
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio: No caso de nomes próprios personativos, denotando
LÍNGUA PORTUGUESA

Essa matéria é mais bem interessante que aquela. a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso! do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér- Pedro é o xodó da família.
bio: Cheguei primeiro. No caso de os nomes próprios personativos estarem
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
os Incas, Os Astecas...

33
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) 1. Morfossintaxe da Conjunção
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”. As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa-
dos. (qualquer classe) 2. Classificação da Conjunção

Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- De acordo com o tipo de relação que estabelecem,
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. as conjunções podem ser classificadas em coordenati-
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma vas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro.
ter é uns vinte anos. Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da uni-
O artigo também é usado para substantivar palavras dade de sentido que cada um dos elementos possui. Já
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por- no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
quê de tudo isso. / O bem vence o mal. conjunção depende da existência do outro. Veja:
Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
2. Há casos em que o artigo definido não pode ser Podemos separá-las por ponto:
usado: Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas
conhecidas: O professor visitará Roma. Temos acima um exemplo de conjunção (e, consequen-
temente, orações coordenadas) coordenativa – “mas”. Já
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre- em:
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a Espero que eu seja aprovada no concurso!
bela Roma. Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
sairá agora? mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
Exceção: O senhor vai à festa? (ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
principal).
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse
é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can- 3. Conjunções Coordenativas
didato cuja nota foi a mais alta.
São aquelas que ligam orações de sentido completo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS e independente ou termos da oração que têm a mesma
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- função gramatical. Subdividem-se em:
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
Paulo: Saraiva, 2010. ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- não), não só... mas também, não só... como também,
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SAC- bem como, não só... mas ainda.
CONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. A sua pesquisa é clara e objetiva.
30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Não só dança, mas também canta.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras,
Paulo: Saraiva, 2010. expressando ideia de contraste ou compensação.
São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
SITE no entanto, não obstante.
http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.

C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expres-


CONJUNÇÃO sando ideia de alternância ou escolha, indicando
fatos que se realizam separadamente. São elas: ou,
Além da preposição, há outra palavra também inva- ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, tal-
riável que, na frase, é usada como elemento de ligação: vez... talvez.
a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
palavras de mesma função em uma oração:
LÍNGUA PORTUGUESA

O concurso será realizado nas cidades de Campinas e D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
São Paulo. que expressa ideia de conclusão ou consequência.
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
conseguinte, por isso, assim.
Marta estava bem preparada para o teste, portanto
não ficou nervosa.
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.

34
E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São #FicaDica
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto.
Não demore, que o filme já vai começar. Você deve ter percebido que a conjunção
Falei muito, pois não gosto do silêncio! condicional “se” também é conjunção inte-
grante. A diferença é clara ao ler as orações
4. Conjunções Subordinativas que são introduzidas por ela. Acima, ela nos
dá a ideia da condição para que recebamos
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma de- um telefonema (se for preciso ajuda). Já na
las dependente da outra. A oração dependente, intro- oração: Não sei se farei o concurso. Não
duzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome há ideia de condição alguma, há? Outra coi-
de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha sa: o verbo da oração principal (sei) pede
começado quando ela chegou. complemento (objeto direto, já que “quem
O baile já tinha começado: oração principal não sabe, não sabe algo”). Portanto, a oração
quando: conjunção subordinativa (adverbial tempo- em destaque exerce a função de objeto di-
ral) reto da oração principal, sendo classificada
ela chegou: oração subordinada como oração subordinada substantiva obje-
tiva direta.
As conjunções subordinativas subdividem-se em in-
tegrantes e adverbiais: D) Conformativas: introduzem uma oração que ex-
prime a conformidade de um fato com outro. São
Integrantes - Indicam que a oração subordinada por elas: conforme, como (= conforme), segundo, con-
elas introduzida completa ou integra o sentido da prin- soante, etc.
cipal. Introduzem orações que equivalem a substantivos, O passeio ocorreu como havíamos planejado.
ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas:
que, se. E) Finais: introduzem uma oração que expressa a fi-
Quero que você volte. (Quero sua volta) nalidade ou o objetivo com que se realiza a oração
principal. São elas: para que, a fim de que, que, por-
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exer- que (= para que), que, etc.
ce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo Toque o sinal para que todos entrem no salão.
com a circunstância que expressam, classificam-se em:
F) Proporcionais: introduzem uma oração que ex-
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da pressa um fato relacionado proporcionalmente
ocorrência da oração principal. São elas: porque, à ocorrência do expresso na principal. São elas:
que, como (= porque, no início da frase), pois que, à medida que, à proporção que, ao passo que e
visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde as combinações quanto mais... (mais), quanto me-
que, etc. nos... (menos), quanto menos... (mais), quanto me-
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. nos... (menos), etc.
O preço fica mais caro à medida que os produtos es-
B) Concessivas: introduzem uma oração que expres- casseiam.
sa ideia contrária à da principal, sem, no entanto,
impedir sua realização. São elas: embora, ainda Observação:
que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por São incorretas as locuções proporcionais à medida
mais que, posto que, conquanto, etc. em que, na medida que e na medida em que.
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen-
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na
a hipótese ou a condição para ocorrência da prin- oração principal. São elas: quando, enquanto, antes
cipal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde
não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc. que, sempre que, assim que, agora que, mal (= as-
Se precisar de minha ajuda, telefone-me. sim que), etc.
A briga começou assim que saímos da festa.
H) Comparativas: introduzem uma oração que ex-
pressa ideia de comparação com referência à ora-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção principal. São elas: como, assim como, tal como,


como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do
que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (com-
binado com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expres-
sa a consequência da principal. São elas: de sorte
que, de modo que, sem que (= que não), de forma

35
que, de jeito que, que (tendo como antecedente na As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
oração principal uma palavra como tal, tão, cada, A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo ale-
tanto, tamanho), etc. gria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interes-
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do sante!
exame. B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da
minha frente.
FIQUE ATENTO!
As interjeições podem ser formadas por:
Muitas conjunções não têm classificação úni-  simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
ca, imutável, devendo, portanto, ser classifi-  palavras: Oba! Olá! Claro!
cadas de acordo com o sentido que apresen-  grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
tam no contexto (destaque da Zê!). Deus! Ora bolas!

1. Classificação das Interjeições


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Comumente, as interjeições expressam sentido de:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Atenção! Olha! Alerta!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
Paulo: Saraiva, 2010. C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Ânimo! Adiante!
SITE F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf84.
H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen-
php
te! Essa não! Chega! Basta!
I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
ra Deus!
INTERJEIÇÃO
J) Desculpa: Perdão!
K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo-
L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da lin- M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
guagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma Puxa! Pô! Ora!
decorrente de uma situação particular, um momento ou O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
um contexto específico. Exemplos: P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição Deus!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
hum: expressão de um pensamento súbito = inter- R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
jeição
Saiba que:
O significado das interjeições está vinculado à ma- As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so-
neira como elas são proferidas. O tom da fala é que dita frem variação em gênero, número e grau como os no-
o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e
em que for utilizada. Exemplos: voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata
Psiu! de um processo natural desta classe de palavra, mas tão
contexto: alguém pronunciando esta expressão na só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem-
rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te cha- plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.
mando! Ei, espere!”
Psiu! 2. Locução Interjetiva
contexto: alguém pronunciando em um hospital; sig-
nificado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silên-
LÍNGUA PORTUGUESA

Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma


cio!” expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla-
puxa: interjeição; tom da fala: euforia mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando
análise dos termos que a compõem: Macacos me mor-
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!
puxa: interjeição; tom da fala: decepção

36
1. As interjeições são como frases resumidas, sinté- B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por ou alguma coisa ocupa numa determinada se-
essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe) quência: primeiro, segundo, centésimo, etc.

2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é


o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras #FicaDica
classes gramaticais podem aparecer como inter- As palavras anterior, posterior, último, ante-
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora! penúltimo, final e penúltimo também indi-
Francamente! (Advérbios) cam posição dos seres, mas são classificadas
como adjetivos, não ordinais.
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma men-
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio!
Fique quieto! C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- quintos, etc.
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
que! Quá-quá-quá!, etc. foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.

5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” 2. Flexão dos numerais


com a sua homônima “oh!”, que exprime admira-
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
do “oh!” exclamativo e não a fazemos depois do uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzen-
tas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/quatrocentas,
“ó” vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie-
etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número:
dosa e pura!” (Olavo Bilac)
milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.
Os numerais ordinais variam em gênero e número:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. primeiro segundo milésimo
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá- primeira segunda milésima
tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus
Barbosa Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
morf89.php atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do es-
forço e conseguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
NUMERAL flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
triplas do medicamento.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade nu- Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
mérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pessoas número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa determinada duas terças partes.
sequência.
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme- dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex- É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
trata de numerais, mas sim de algarismos. de sentido. É o que ocorre em frases como:
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem “Me empresta duzentinho...”
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas É artigo de primeiríssima qualidade!
palavras consideradas numerais porque denotam quan- O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos: segunda divisão de futebol)
LÍNGUA PORTUGUESA

década, dúzia, par, ambos(as), novena.


3. Emprego e Leitura dos Numerais
1. Classificação dos Numerais
Os numerais são escritos em conjunto de três algaris-
A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determi- mos, contados da direita para a esquerda, em forma de
nada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns car- centenas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma
dinais têm sentido coletivo, como por exemplo: separação através de ponto ou espaço correspondente a
século, par, dúzia, década, bimestre. um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456.

37
Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar exagero intencional, constituindo a figura de linguagem conhe-
cida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
LÍNGUA PORTUGUESA

dez décimo décuplo décimo


onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos

38
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

PREPOSIÇÃO

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, nor-
malmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na
estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreen-
são do texto.
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Tipos de Preposição

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja,
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.

39
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras va- Meio = passeio de barco.
lendo como uma preposição, sendo que a última Origem = Nós somos do Nordeste.
palavra é uma (preposição): abaixo de, acerca de, Conteúdo = frascos de perfume.
acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por
cima de, por trás de. Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas
locuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução
A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se prepositiva por trás de.
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a = pela. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Essa concordância não é característica da preposição, Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
mas das palavras às quais ela se une. Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
Esse processo de junção de uma preposição com ou- reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
tra palavra pode se dar a partir dos processos de: Paulo: Saraiva, 2010.
 Combinação: união da preposição “a” com o ar- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
tigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
aos. Os vocábulos não sofrem alteração.
 Contração: união de uma preposição com outra SITE
palavra, ocorrendo perda ou transformação de fo- http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
nema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos,
de + aquele = daquele, em + isso = nisso.
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi-
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal SUBSTANTIVO
do pronome “aquilo”).
Substantivo é a classe gramatical de palavras variá-
veis, as quais denominam todos os seres que existem,
#FicaDica sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
fenômenos, os substantivos também nomeiam:
O “a” pode funcionar como preposição,  lugares: Alemanha, Portugal
pronome pessoal oblíquo e artigo. Como  sentimentos: amor, saudade
distingui-los? Caso o “a” seja um artigo, virá  estados: alegria, tristeza
precedendo um substantivo, servindo para  qualidades: honestidade, sinceridade
determiná-lo como um substantivo singular  ações: corrida, pescaria
e feminino: A matéria que estudei é fácil!
1. Morfossintaxe do substantivo

Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
termos e estabelece relação de subordinação entre eles. ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
Irei à festa sozinha. núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é arti- reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
go; o segundo, preposição. funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
apostila. = Nós a trouxemos. substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
2. Relações semânticas (= de sentido) estabeleci- penhadas por grupos de palavras.
das por meio das preposições:
2. Classificação dos Substantivos
Destino = Irei a Salvador.
Modo = Saiu aos prantos. A) Substantivos Comuns e Próprios
Lugar = Sempre a seu lado. Observe a definição:
Assunto = Falemos sobre futebol.
Tempo = Chegarei em instantes. Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
LÍNGUA PORTUGUESA

Causa = Chorei de saudade. casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
Fim ou finalidade = Vim para ficar. toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
Instrumento = Escreveu a lápis. cidade (em oposição aos bairros).
Posse = Vi as roupas da mamãe. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
Autoria = livro de Machado de Assis e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
Companhia = Estarei com ele amanhã. cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan-
Matéria = copo de cristal. tivo comum.

40
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de bando desordeiros ou malfeitores
uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
homem, mulher, país, cachorro. banca examinadores
Estamos voando para Barcelona. batalhão soldados

O substantivo Barcelona designa apenas um ser da cardume peixes


espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio – caravana viajantes peregrinos
aquele que designa os seres de uma mesma espécie de cacho frutas
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
cancioneiro canções, poesias líricas
B) Substantivos Concretos e Abstratos colmeia abelhas
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o
ser que existe, independentemente de outros seres. concílio bispos
congresso parlamentares, cientistas
Observação: elenco atores de uma peça ou filme
Os substantivos concretos designam seres do mundo
real e do mundo imaginário. esquadra navios de guerra
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, enxoval roupas
Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- falange soldados, anjos
ma. fauna animais de uma região
feixe lenha, capim
B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se-
res que dependem de outros para se manifestarem ou flora vegetais de uma região
existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si só, frota navios mercantes, ônibus
não pode ser observada. Só podemos observar a beleza
numa pessoa ou coisa que seja bela. A beleza depende girândola fogos de artifício
de outro ser para se manifestar. Portanto, a palavra bele- horda bandidos, invasores
za é um substantivo abstrato.
junta médicos, bois, credores, exa-
Os substantivos abstratos designam estados, quali-
minadores
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem
ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida júri jurados
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade legião soldados, anjos, demônios
(sentimento).
leva presos, recrutas
 Substantivos Coletivos malta malfeitores ou desordeiros
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha,
manada búfalos, bois, elefantes,
outra abelha, mais outra abelha.
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. matilha cães de raça
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. molho chaves, verduras

Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- multidão pessoas em geral
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, nuvem insetos (gafanhotos, mosqui-
mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas tos, etc.)
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs-
penca bananas, chaves
tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto
de seres da mesma espécie (abelhas). pinacoteca pinturas, quadros
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. quadrilha ladrões, bandidos
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que,
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se- ramalhete flores
res da mesma espécie. rebanho ovelhas
repertório peças teatrais, obras musicais
Substantivo coletivo Conjunto de:
réstia alhos ou cebolas
assembleia pessoas reunidas
LÍNGUA PORTUGUESA

romanceiro poesias narrativas


alcateia lobos
revoada pássaros
acervo livros
sínodo párocos
antologia trechos literários selecionados
talha lenha
arquipélago ilhas
tropa muares, soldados
banda músicos

41
turma estudantes, trabalhadores 5. Substantivos Biformes e Substantivos Unifor-
mes
vara porcos
1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen-
3. Formação dos Substantivos tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho-
mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
A) Substantivos Simples e Compostos 2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a forma, que serve tanto para o masculino quanto
terra. para o feminino. Classificam-se em:
O substantivo chuva é formado por um único ele- A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
mento ou radical. É um substantivo simples. se faz mediante a utilização das palavras “macho”
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
único elemento. macho e o jacaré fêmea.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois a pessoas de ambos os sexos: a criança, a teste-
elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é compos- munha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o in-
to. divíduo.
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, pas- indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
satempo. colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
a artista.
B) Substantivos Primitivos e Derivados
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva Substantivos de origem grega terminados em ema
de nenhuma outra palavra da própria língua por- ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
tuguesa. sintoma, o teorema.
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origi-
na de outra palavra. O substantivo limoeiro, por  Existem certos substantivos que, variando de gê-
exemplo, é derivado, pois se originou a partir da nero, variam em seu significado:
palavra limão. o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
(líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
4. Flexão dos substantivos a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca-
beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con-
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
exemplo, pode sofrer variações para indicar: o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo:
meninão / Diminutivo: menininho 6. Formação do Feminino dos Substantivos Bifor-
mes
A) Flexão de Gênero
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de- Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito - aluna.
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram  Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas ao masculino: freguês - freguesa
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa.  Substantivos terminados em -ão: fazem o femini-
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e no de três formas:
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti- 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
Veja estes títulos de filmes: 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
O velho e o mar Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
Um Natal inesquecível sultana
Os reis da praia
 Substantivos terminados em -or:
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
A história sem fim  Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
LÍNGUA PORTUGUESA

Uma cidade sem passado cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poe-
As tartarugas ninjas tisa / duque - duquesa / conde - condessa / profeta
- profetisa
 Substantivos que formam o feminino trocando o
-e final por -a: elefante - elefanta
 Substantivos que têm radicais diferentes no mas-
culino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca

42
 Substantivos que formam o feminino de maneira Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó
especial, isto é, não seguem nenhuma das regras )pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
anteriores: czar – czarina, réu - ré maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o
proclama, o pernoite, o púbis.
7. Formação do Feminino dos Substantivos Uni-
formes Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata,
a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
Epicenos: libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
São geralmente masculinos os substantivos de ori-
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
forma para indicar o masculino e o feminino. telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
Alguns nomes de animais apresentam uma só for- o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra-
ma para designar os dois sexos. Esses substantivos são coma, o hematoma.
chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se
palavras macho e fêmea. Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce-
A cobra macho picou o marinheiro. ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale-
gre. / Uma Londres imensa e triste.
8. Sobrecomuns: Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
Entregue as crianças à natureza.
10. Gênero e Significação
A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo
masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, Muitos substantivos, como já mencionado anterior-
nem o artigo nem um possível adjetivo permitem identi- mente, têm uma significação no masculino e outra no fe-
ficar o sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa,
A criança chorona chamava-se João. indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
A criança chorona chamava-se Maria. que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um
bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite
Outros substantivos sobrecomuns: ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (par-
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma te do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a
boa criatura. cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzen-
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de ta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
Marcela faleceu a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
(cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
9. Comuns de Dois Gêneros: a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. na administração da crisma e de outros sacramentos), a
crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que guia ou-
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. tras), a guia (documento, pena grande das asas das aves),
A distinção de gênero pode ser feita através da análi- o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs- cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamen-
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; tos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o mo-
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; ral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética),
repórter francês - repórter francesa. o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte),
o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-
A palavra personagem é usada indistintamente nos -fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio
acentuada preferência pelo masculino: O menino desco- (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador),
briu nas nuvens os personagens dos contos de carochinha. a voga (moda).
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino:
LÍNGUA PORTUGUESA

O problema está nas mulheres de mais idade, que não B) Flexão de Número do Substantivo
aceitam a personagem.
Em português, há dois números gramaticais: o singu-
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural,
fotográfico Ana Belmonte. que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte-
rística do plural é o “s” final.

43
11. Plural dos Substantivos Simples

Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – ímãs;
hífen - hifens (sem acento, no plural).
Exceção: cânon - cânones.

Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em “ns”: homem - homens.


Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.

Atenção:
O plural de caráter é caracteres.

Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; caracol
– caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul e cônsules.
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de duas maneiras:
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.

Observação:
A palavra réptil pode formar seu plural de duas maneiras: répteis ou reptis (pouco usada).

Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de duas maneiras:


1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.

Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural de três maneiras.


1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos

Observação:
Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam dois – e até três – plurais:
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos ancião – anciões/anciães/anciãos
charlatão – charlatões/charlatães corrimão – corrimãos/corrimões
guardião – guardiões/guardiães vilão – vilãos/vilões/vilães

Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o látex - os látex.

12. Plural dos Substantivos Compostos

A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de palavras que
formam o composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se como
os substantivos simples: aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e
discussões. Algumas orientações são dadas a seguir:
A) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

B) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados de:


verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-falantes
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
LÍNGUA PORTUGUESA

C) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando formados de:


substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colônia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor e cavalos-vapor
substantivo + substantivo que funciona como determinante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do
termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã, peixe-espada
- peixes-espada.

44
D) Permanecem invariáveis, quando formados de: 17. Plural dos Substantivos Estrangeiros
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os Substantivos ainda não aportuguesados devem ser
saca-rolhas escritos como na língua original, acrescentando-se “s”
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os
13. Casos Especiais shorts, os jazz.
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de
o louva-a-deus e os louva-a-deus acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho-
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons,
o bem-te-vi e os bem-te-vis os réquiens.
o bem-me-quer e os bem-me-queres Observe o exemplo:
o joão-ninguém e os joões-ninguém. Este jogador faz gols toda vez que joga.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
14. Plural das Palavras Substantivadas
18. Plural com Mudança de Timbre
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
classes gramaticais usadas como substantivo apresen- Certos substantivos formam o plural com mudança
tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos. de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um
Pese bem os prós e os contras. fato fonético chamado metafonia (plural metafônico).
O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos. Singular Plural
corpo (ô) corpos (ó)
Observação:
Numerais substantivados terminados em “s” ou “z” esforço esforços
não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos fogo fogos
seis e alguns dez.
forno fornos
15. Plural dos Diminutivos fosso fossos
imposto impostos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi-
nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo. olho olhos
osso (ô) ossos (ó)
pãe(s) + zinhos = pãezinhos ovo ovos
animai(s) + zinhos = animaizinhos poço poços
botõe(s) + zinhos = botõezinhos porto portos
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos posto postos
farói(s) + zinhos = faroizinhos tijolo tijolos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol-
sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros,
flore(s) + zinhas = florezinhas etc.
mão(s) + zinhas = mãozinhas
Observação:
papéi(s) + zinhos = papeizinhos
Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas molho (ó) = feixe (molho de lenha).
funi(s) + zinhos = funizinhos
Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pai(s) + zinhos = paizinhos
pé(s) + zinhos = pezinhos Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
LÍNGUA PORTUGUESA

pé(s) + zitos = pezitos Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do


singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida-
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos de, bom nome) e honras (homenagem, títulos).
Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas com sentido de plural:
sempre que a terminação preste-se à flexão. Aqui morreu muito negro.
Os Napoleões também são derrotados. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
As Raquéis e Esteres. improvisadas.

45
C) Flexão de Grau do Substantivo Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram
Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contri-
Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir buíram = correta
as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho conside- 2. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especia-
rado normal. Por exemplo: casa lizado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC
2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama- – 2012) Está inadequado o emprego do elemento subli-
nho do ser. Classifica-se em: nhado na seguinte frase:
Analítico = o substantivo é acompanhado de um ad-
jetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande. a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in- que dispenso aos homens religiosos.
dicador de aumento. Por exemplo: casarão. b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de
3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama- que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
nho do ser. Pode ser: mente virtuosos.
Analítico = substantivo acompanhado de um adjeti- c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescin-
vo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena. dir os que se dizem homens de fé.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in- d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada
dicador de diminuição. Por exemplo: casinha. fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Resposta: Letra C. Corrigindo o inadequado:
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento si-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São milar ao que dispenso aos homens religiosos.
Paulo: Saraiva, 2010. Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em precon-
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, ceitos de que deveriam desviar-se todos os homens
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira verdadeiramente virtuosos.
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que)
São Paulo: Saraiva, 2002. não podem prescindir os que se dizem homens de fé.
Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito
SITE de nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que dei-
morf12.php xem de fazer o mesmo com aqueles que não a têm.

3. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especia-


lizado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC
EXERCÍCIOS COMENTADOS – 2012)
Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus
1. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa – despertariam a ira de qualquer fanático, a forma ver-
FCC – 2012) As vitórias no jogo interior talvez não acres- bal obtida será:
centem novos troféus, mas elas trazem recompensas
valiosas, [...] que contribuem de forma significativa para a) seria despertada.
nosso sucesso posterior, tanto na quadra como fora dela. b) teria sido despertada.
c) despertar-se-á.
Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos d) fora despertada.
verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os e) teriam despertado.
elementos sublinhados na frase acima, na ordem dada,
por: Resposta: Letra A. Os ateus despertariam a ira de
a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem qualquer fanático
b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A
c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam ira de qualquer fanático seria despertada pelos ateus.
d) acrescentariam − trariam− contribuíram
e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram 4. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa
– Especialidade Segurança Judiciária – FCC – 2012)
Resposta: Letra E. Questão que envolve correlação ...ela nunca alcançava a musa.
LÍNGUA PORTUGUESA

verbal. Realizando as alterações solicitadas, segue Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
como ficariam (em destaque): verbal resultante será:
Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui-
a) alcança-se.
riam
b) foi alcançada.
Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam
c) fora alcançada.
Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contri-
d) seria alcançada.
buíram
e) era alcançada.

46
Resposta: Letra E. Temos um verbo na voz ativa, en- 7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Analista Judiciário – Área
tão teremos dois na passiva (auxiliar + o verbo da ora- Administrativa – FCC – 2016 ) ... para quem Manoel de
ção da ativa, no mesmo tempo verbal, forma particípio): Barros era comparável a São Francisco de Assis...
A musa nunca era alcançada por ela. O verbo “alcançava” O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
está no pretérito imperfeito, por isso o auxiliar tem que frase acima está em:
estar também (é = presente, foi = pretérito perfeito, era
= imperfeito, fora = mais que perfeito, será = futuro do a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
presente, seria = futuro do pretérito). b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no es-
paço...
5. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especia- c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
lizado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC Charles Baudelaire.
– 2012) Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós ros na literatura...
mesmos. e) ... para depois casá-las...
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al-
teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser Resposta: Letra A. “Era” = verbo “ser” no pretérito im-
substituído por: perfeito do Indicativo. Procuremos nos itens:
Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
a) ademais. Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do In-
b) conquanto. dicativo
c) porquanto. Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei-
d) entretanto. to do Indicativo
e) apesar. Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi-
cativo
Resposta: Letra D. Contudo é uma conjunção adver- Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
sativa (expressa oposição). A substituição deve utilizar elas)
outra de mesma classificação, para que se mantenha a
ideia do período. A correta é entretanto. 8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – Analista Judiciário – Área
Administrativa – FCC – 2016 ) Aí conheci o escritor e
6. (TST – Analista Judiciário – Área Administrativa historiador de sua gente, meu saudoso amigo Alcino Al-
– FCC – 2012) O verbo indicado entre parênteses deverá ves Costa. E foi dele que ouvi oralmente a história de Zé
flexionar-se no singular para preencher adequadamente de Julião. Considerando-se a norma-padrão da língua,
a lacuna da frase: ao reescrever-se o trecho acima em um único período,
o segmento destacado deverá ser antecedido de vírgula
a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de e substituído por
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre a) perante ao qual
o peso de suas mais graves decisões. b) de cujo
c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer) c) o qual
tomar decisões sem medir suas consequências. d) frente à quem
d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (cos- e) de quem
tumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco- Resposta: Letra E. Voltemos ao trecho: ... meu saudoso
menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor amigo Alcino Alves Costa. E foi dele que ouvi oralmen-
humana. te... = a única alternativa que substitui corretamente o
trecho destacado é “de quem ouvi oralmente”.
Resposta: Letra C. Flexões em destaque e sublinhei os
termos que estabelecem concordância: 9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário
Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar – FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de outras
de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. pessoas que tenham documentos em casa e se disponham
Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir a trazer para a Academia, que é a guardiã desse tipo de
sobre o peso de suas mais graves decisões. acervo, que é muito difícil de ser guardado em casa, pois o
Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocor- tempo destrói e aqui temos a melhor técnica de conserva-
re tomar decisões sem medir suas consequências. = ção de documentos”, disse Cavalcanti.
Isso não ocorre aos governantes – uma oração exerce
LÍNGUA PORTUGUESA

O termo sublinhado faz referência a


a função de sujeito (subjetiva)
Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente cos- a) pessoas.
tumam sobrevir consequências imprevistas e injustas. b) acervo.
Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade, c) Academia.
recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta d) tempo.
a dor humana. e) casa.

47
Resposta: Letra B. Ao trecho: a guardiã desse tipo de 13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC
acervo, que (o qual) é muito difícil de ser guardado... – 2016 ) Empregam-se todas as formas verbais de acor-
do com a norma culta na seguinte frase:
10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário –
FCC – 2016) O marechal organizou o acervo... a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
A forma verbal está corretamente transposta para a voz não poderia receber qualquer tipo de retificação.
passiva em: b) Os documentos com assinatura digital disporam de
algoritmos de criptografia que os protegeram.
a) estava organizando c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
b) tinha organizado contar com a proteção de uma assinatura digital.
c) organizando-se d) Quem se propor a alterar um documento criptogra-
d) foi organizado fado deve saber que comprometerá sua integridade.
e) está organizado e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
comprometer a integridade dos documentos.
Resposta: Letra D. Temos: sujeito (o marechal), verbo
na ativa (organizou) e objeto (o acervo). Como há um Resposta: Letra E. Em “a”: Para que se mantesse
verbo na ativa, ao passarmos para a passiva teremos (mantivesse) sua autenticidade, o documento não po-
dois (o auxiliar no mesmo tempo que o verbo da ativa deria receber qualquer tipo de retificação.
+ o particípio do verbo da voz ativa = organizado). O Em “b”: Os documentos com assinatura digital dispo-
objeto exercerá a função de sujeito paciente, e o su- ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os
jeito da ativa será o agente da passiva (ufa!). A frase protegeram.
ficará: O acervo foi organizado pelo marechal. Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos
poderam (puderam) contar com a proteção de uma
11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
assinatura digital.
FCC – 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude
Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
a comer...
mento criptografado deve saber que comprometerá
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
sua integridade.
sublinhado acima está também sublinhado em:
Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convierem
sem comprometer a integridade dos documentos = cor-
a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou
as amas... reta
b) Não é por acaso que proliferaram os coaches.
c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in- 14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – Técnico Judiciário – FCC
dústria de consumo... – 2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a traje-
d) E, mesmo que se esforcem muito [...] tória da utopia no país.
e) Hoje há algo novo nesse cenário. Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
verbal resultante será:
Resposta: Letra D. que nos ajude = presente do Sub-
juntivo a) foram marcados.
Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo b) foi marcado.
Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e tam- c) são marcados.
bém mais-que-perfeito) do Indicativo d) foi marcada.
Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indicativo e) é marcada.
Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo
Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do In- Resposta: Letra E. Temos um verbo (no tempo pre-
dicativo sente) na ativa, então teremos dois na passiva (auxi-
liar [no tempo presente] + particípio de “marcam”) =
12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC Assim, a trajetória da utopia do país é marcada pelos
– 2016) O modelo ainda dominante nas discussões ecoló- sessenta anos de história.
gicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo...
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma 15. (Polícia Militar do Estado de São Paulo – Soldado
verbal resultante será: PM 2.ª Classe – Vunesp – 2017) Considere as seguintes
frases:
a) é privilegiado. Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
b) sendo privilegiadas. Segundo, não memorize apenas por repetição.
c) são privilegiados.
LÍNGUA PORTUGUESA

Terceiro, rabisque!
d) foi privilegiado. Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos
e) são privilegiadas. empregados nessas frases está em destaque em:

Resposta: Letra C. Há um verbo na ativa, então tere- a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem
mos dois na passiva (auxiliar + o particípio de “privi- com que o cérebro humano não considere útil gravar
legia”) = O Estado e o mundo são privilegiados pelo esses dados [...]
modelo ainda dominante.

48
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem- e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual-
-número de informações. quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já
c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais suando frio e atentos às suas finas e cortantes pala-
dele... vras.
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em
que morou quando era criança? Resposta: Letra C. Aos itens:
e) É o que mostra também uma pesquisa recente condu- Em “a”: há = presente / acabam = presente / são =
zida pela empresa de segurança digital Kaspersky [...] presente
Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = preté-
Resposta: Letra D. Os verbos das frases citadas estão rito perfeito
no Modo Imperativo (expressam ordem). Vamos aos Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo
itens: imperativo afirmativo (ordens)
Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = preté-
fazem = presente do Indicativo rito imperfeito / chegava = pretérito imperfeito
Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio
Indicativo
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos 18. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Em
= presente do Indicativo – O destino me prestava esse pequeno favor: completa-
Em “d”: Pense rápido: = Imperativo va minha identificação com o resto da humanidade, que
Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = pre- tem sempre para contar uma história de objeto achado;
sente do Indicativo – o pronome em destaque retoma a seguinte palavra/
expressão:
16. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vu-
nesp – 2014) Assinale a alternativa em que a palavra em a) o resto da humanidade.
destaque na frase pertence à classe dos adjetivos (pala- b) esse pequeno favor.
vra que qualifica um substantivo). c) minha identificação.
d) O destino.
a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu- e) completava.
tanásia...
b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte... Resposta: Letra A. Completava minha identificação
c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar com o resto da humanidade, que (a qual) tem sempre
a morte. para contar uma história de objeto achado = pronome
d) Ela é proibida por lei no Brasil,... relativo que retoma o resto da humanidade.
e) E como seria a verdadeira boa morte?
19. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Con-
Resposta: Letra E. Em “a”: Existe grande confusão = sidere o trecho a seguir.
substantivo É comum que objetos ____________ esquecidos em locais
Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a mor- públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados
te = pronome se as pessoas __________ a atenção voltada para seus per-
Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando tences, conservando-os junto ao corpo.
distanciar a morte = substantivo Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva-
Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo mente, as lacunas do texto.
Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = ad-
jetivo a) sejam ... mantesse
b) sejam ... mantém
17. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2014) As c) sejam ... mantivessem
formas verbais conjugadas no modo imperativo, expres- d) seja ... mantivessem
sando ordem, instrução ou comando, estão destacadas e) seja ... mantêm
em
Resposta: Letra C. Completemos as lacunas e depois
a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem ní- busquemos o item correspondente. A pegadinha aqui
tidas na memória: são aqueles donos de qualidades é a conjugação do verbo “manter”, no presente do
incomuns. Subjuntivo (mantiver):
b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú-
LÍNGUA PORTUGUESA

quase não acreditei no que ouvi. blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se
c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus
pro estúdio e ponha a rádio no ar. pertences, conservando-os junto ao corpo.
d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o
locutor não chegava para os textos de abertura, pu-
blicidade, chamadas.

49
20. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vu- Os advérbios em destaque expressam, respectivamente,
nesp – 2013) Nas frases – Não vou mais à escola!… – e circunstâncias de
– Hoje estão na moda os métodos audiovisuais. – as pala-
vras em destaque expressam, correta e respectivamente, a) lugar e modo.
circunstâncias de b) tempo e intensidade.
c) modo e intensidade.
a) dúvida e modo. d) tempo e causa.
b) dúvida e tempo. e) tempo e modo.
c) modo e afirmação.
d) negação e lugar. Resposta: Letra E. “Hoje” = tempo; geralmente os ad-
e) negação e tempo. vérbios terminados em “-mente” são de modo (= com
significância).
Resposta: Letra E. “não” – advérbio de negação /
“hoje” – advérbio de tempo.
FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO
21. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2013)
Assinale a alternativa que completa respectivamente as 1. Sintaxe da Oração e do Período
lacunas, em conformidade com a norma-padrão de con-
jugação verbal. Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional estabelecer comunicação. Normalmente é composta por
quando __________ um diploma de mestrado, mas há dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obriga-
aqueles que _________ de opinião e procuram investir em toriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trove-
cursos profissionalizantes. jou muito ontem à noite.

Quanto aos tipos de frases, além da classificação em ver-


a) obtiver … divirgem
bais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nominais (sem
b) obter … divergem
a presença de verbos), feita a partir de seus elementos cons-
c) obtesse … devirgem
tituintes, elas podem ser classificadas a partir de seu sentido
d) obter … divirgem
global:
e) obtiver … divergem
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem
Resposta: Letra E. Há quem acredite que alcançará o
formula uma pergunta: Que dia é hoje?
sucesso profissional quando obtiver um diploma de B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou
mestrado, mas há aqueles que divergem de opinião e faz um pedido: Dê-me uma luz!
procuram investir em cursos profissionalizantes. C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um es-
tado afetivo: Que dia abençoado!
22. (PC-SP – Auxiliar de Necropsia – Vunesp – 2014) D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A
Considerando que o adjetivo é uma palavra que modifica prova será amanhã.
o substantivo, com ele concordando em gênero e núme-
ro, assinale a alternativa em que a palavra destacada é Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo
um adjetivo. (oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
sujeito e predicado.
a) ... um câncer de boca horroroso, ... O sujeito é o termo da frase que concorda com o ver-
b) Ele tem dezesseis anos... bo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara
c) Eu queria que ele morresse logo, ... algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é a
d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa- parte da frase que contém “a informação nova para o ou-
mílias. vinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema,
e) E o inferno não atinge só os terminais. constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito.
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que
Resposta: Letra A. Em “a”: um câncer de boca horro- indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo
roso = adjetivo significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo
Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral estiver em um nome (geralmente um adjetivo), teremos
Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio um predicado nominal (os verbos deste tipo de predica-
Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às do são os que indicam estado, conhecidos como verbos
famílias = substantivo de ligação):
Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = subs- O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação
LÍNGUA PORTUGUESA

tantivo (predicado verbal)


A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú-
23. (Polícia Civil-SP – Perito Criminal – Vunesp – 2013) cleo é “fácil” (predicado nominal)
Observe os enunciados:
• A Guerra do Vietnã se faz presente até hoje. Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
• A probabilidade de um veterano branco ser preso por um por uma ou mais orações, formando um todo, com sen-
crime violento é significativamente mais alta do que... tido completo. O período pode ser simples ou composto.

50
Período simples é aquele constituído por apenas O sujeito composto é o sujeito determinado que
uma oração, que recebe o nome de oração absoluta. apresenta mais de um núcleo.
Chove. Alimentos e roupas custam caro.
A existência é frágil. Ela e eu sabemos o conteúdo.
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso. O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.

Período composto é aquele constituído por duas ou Além desses dois sujeitos determinados, é comum a
mais orações: referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
Cantei, dancei e depois dormi. “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo
Quero que você estude mais. do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido
pela desinência verbal ou pelo contexto.
1.1. Termos da Oração Abolimos todas as regras. = (nós)
1.1.1 Termos essenciais Falaste o recado à sala? = (tu)

O sujeito e o predicado são considerados termos es- Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri-
senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se-
para a formação das orações. No entanto, existem ora- gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os
ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que pronomes não estejam explícitos.
define a oração é a presença do verbo. O sujeito é o ter- Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci-
mo que estabelece concordância com o verbo. to na desinência verbal “-mos”
O candidato está preparado. Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de-
Os candidatos estão preparados. sinência verbal “-ais”

Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida- Mas:


to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno- Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo, Vós cantais bem! = sujeito simples: vós
estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo
no singular: candidato = está). O sujeito indeterminado surge quando não se quer -
A função do sujeito é basicamente desempenhada ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
por substantivos, o que a torna uma função substantiva refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quais- contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
quer outras palavras substantivadas (derivação impró- Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi-
pria) também podem exercer a função de sujeito. nado de duas maneiras:
Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs-
tantivo) A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que
Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem- o sujeito não tenha sido identificado anteriormen-
plo: substantivo) te:
Bateram à porta;
Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen- Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi-
tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo nistro.
do sujeito.
Um sujeito é determinado quando é facilmente Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples
identificado pela concordância verbal. O sujeito determi- ou composto:
nado pode ser simples ou composto. Os meninos bateram à porta. (simples)
A indeterminação do sujeito ocorre quando não é Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto)
possível identificar claramente a que se refere a concor-
dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres-
interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração. cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi-
Estão gritando seu nome lá fora. ca dos verbos que não apresentam complemento
Trabalha-se demais neste lugar. direto:
O sujeito simples é o sujeito determinado que apre- Precisa-se de mentes criativas.
senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no Vivia-se bem naqueles tempos.
plural; pode também ser um pronome indefinido. Abai- Trata-se de casos delicados.
xo, sublinhei os núcleos dos sujeitos: Sempre se está sujeito a erros.
LÍNGUA PORTUGUESA

Nós estudaremos juntos.


A humanidade é frágil. O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice
Ninguém se move. de indeterminação do sujeito.
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
derivação imprópria, tranformando-o em substantivo) As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre-
As crianças precisam de alimentos saudáveis. dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A
mensagem está centrada no processo verbal. Os princi-
pais casos de orações sem sujeito com:

51
 os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Amanheceu.
Está trovejando.

 os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao tempo em
geral:
Está tarde.
Já são dez horas.
Faz frio nesta época do ano.
Há muitos concursos com inscrições abertas.

Predicado é o conjunto de enunciados que contém a informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado é
aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com exceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que difere
do sujeito numa oração é o seu predicado.
Chove muito nesta época do ano.
Houve problemas na reunião.

Em ambas as orações não há sujeito, apenas predicado. Na segunda oração, “problemas” funciona como objeto
direto.
As questões estavam fáceis!
Sujeito simples = as questões
Predicado = estavam fáceis

Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.


Sujeito = uma ideia estranha
Predicado = passou-me pelo pensamento

Para o estudo do predicado, é necessário verificar se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado nominal)
ou um verbo (predicado verbal). Deve-se considerar também se as palavras que formam o predicado referem-se apenas
ao verbo ou também ao sujeito da oração.
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de opinião.
Predicado

O predicado acima apresenta apenas uma palavra que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se ligam
direta ou indiretamente ao verbo.
A cidade está deserta.
O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como elemento
de ligação (por isso verbo de ligação) entre o sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta = predicativo do
sujeito).

O predicado verbal é aquele que tem como núcleo significativo um verbo:


Chove muito nesta época do ano.
Estudei muito hoje!
Compraste a apostila?

Os verbos acima são significativos, isto é, não servem apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam proces-
sos.

O predicado nominal é aquele que tem como núcleo significativo um nome; este atribui uma qualidade ou estado
ao sujeito, por isso é chamado de predicativo do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a outro nome da oração
por meio de um verbo (o verbo de ligação).
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao predica-
tivo, indicando circunstâncias referentes ao estado do sujeito: Os dados parecem corretos.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, andar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como elemento
LÍNGUA PORTUGUESA

de ligação entre o sujeito e as palavras a ele relacionadas.

A função de predicativo é exercida, normalmente, por um adjetivo ou substantivo.

O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No predica-
do verbo-nominal, o predicativo pode se referir ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto).

52
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre significativo, indicando processos. É também sempre por intermédio
do verbo que o predicativo se relaciona com o termo a que se refere.
O dia amanheceu ensolarado;
As mulheres julgam os homens inconstantes.

No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de ligação.
Este predicado poderia ser desdobrado em dois: um verbal e outro nominal.
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.

No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o complemento homens com o predicativo “inconstantes”.

1.2 Termos integrantes da oração

Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o complemento nominal são chamados termos integrantes da
oração.

Os complementos verbais integram o sentido dos verbos transitivos, com eles formando unidades significativas.
Estes verbos podem se relacionar com seus complementos diretamente, sem a presença de preposição, ou indireta-
mente, por intermédio de preposição.

O objeto direto é o complemento que se liga diretamente ao verbo.


Houve muita confusão na partida final.
Queremos sua ajuda.

O objeto direto preposicionado ocorre principalmente:


A) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns referentes a pessoas:
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
(o objeto é direto, mas como há preposição, denomina-se: objeto direto preposicionado)

B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero cansar a
Vossa Senhoria.
C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise. (sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica a
crise)
O objeto indireto é o complemento que se liga indiretamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
Gosto de música popular brasileira.
Necessito de ajuda.

1.2.1 Objeto Pleonástico

É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.


Normalmente, as frases em que ocorrem objetos pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o objeto,
antecipado para o início da oração; em seguida, ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repetição que se
dá o nome de objeto pleonástico.

“Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçalves Dias)

objeto pleonástico

Ao traidor, nada lhe devemos.

O termo que integra o sentido de um nome chama-se complemento nominal, que se liga ao nome que completa
por intermédio de preposição:
A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a palavra “necessária”
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
LÍNGUA PORTUGUESA

1.3 Termos acessórios da oração e vocativo

Os termos acessórios recebem este nome por serem explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o adjunto
adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o vocativo – este, sem relação sintática com outros temos da oração.

53
O adjunto adverbial é o termo da oração que indi- Traga-me doces, minha menina!
ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função 1.4 Períodos Compostos
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais 1.4.1 Período Composto por Coordenação
exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei
a pé àquela velha praça. O período composto se caracteriza por possuir mais
de uma oração em sua composição. Sendo assim:
O adjunto adnominal é o termo acessório que de- Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
termina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun- oração)
ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas Estou comprando um protetor solar, depois irei à
que exercem o papel de adjunto adnominal na oração. praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas
Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os orações)
numerais e os pronomes adjetivos. Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu protetor solar. (Período Composto = três verbos, três ora-
amigo de infância. ções).

O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs- Há dois tipos de relações que podem se estabelecer
tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o entre as orações de um período composto: uma relação
predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um de coordenação ou uma relação de subordinação.
verbo. Duas orações são coordenadas quando estão juntas
O poeta português deixou uma obra originalíssima. em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
O poeta deixou-a. de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
adjunto adnominal) Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
(Período Composto)
O poeta português deixou uma obra inacabada. Podemos dizer:
O poeta deixou-a inacabada. 1. Estou comprando um protetor solar.
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo 2. Irei à praia.
do objeto) Separando as duas, vemos que elas são independen-
tes. Tal período é classificado como Período Composto
Enquanto o complemento nominal se relaciona a um por Coordenação.
substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se Quanto à classificação das orações coordenadas, te-
relaciona apenas ao substantivo. mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
Sindéticas.
O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um A) Coordenadas Assindéticas
termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se- São orações coordenadas entre si e que não são li-
gunda-feira, passei o dia mal-humorado. gadas através de nenhum conectivo. Estão apenas jus-
tapostas.
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem- Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao
termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se- B) Coordenadas Sindéticas
gunda-feira passei o dia mal-humorado. Ao contrário da anterior, são orações coordenadas
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção
valor na oração, em: coordenativa, que dará à oração uma classificação. As
A) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma- orações coordenadas sindéticas são classificadas em cin-
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação co tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e
com o mundo. explicativas.
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
coisas: amor, arte, ação. Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!
C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so-  Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas:
nho, tudo forma o carnaval. suas principais conjunções são: e, nem, não só... mas tam-
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fi- bém, não só... como, assim... como.
xaram-se por muito tempo na baía anoitecida. Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
Comprei o protetor solar e fui à praia.
LÍNGUA PORTUGUESA

O vocativo é um termo que serve para chamar, in-


vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não  Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
mantendo relação sintática com outro termo da oração. suas principais conjunções são: mas, contudo, to-
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan- davia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim,
tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs- senão.
tantivadas esse papel na linguagem. Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
João, venha comigo! Li tudo, porém não entendi!

54
 Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer;
seja...seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.

 Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por con-
seguinte, consequentemente, pois (posposto ao verbo).
Passei no concurso, portanto comemorarei!
A situação é delicada; devemos, pois, agir.

 Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na ver-
dade, pois (anteposto ao verbo).
Não fui à praia, pois queria descansar durante o Domingo.
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.

1.4.2 Período Composto Por Subordinação

Quero que você seja aprovado!


Oração principal oração subordinada

Observe que na oração subordinada temos o verbo “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular do
presente do subjuntivo, além de ser introduzida por conjunção. As orações subordinadas que apresentam verbo em
qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por conjunção,
chamam-se orações desenvolvidas ou explícitas.
Podemos modificar o período acima. Veja:
Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada

A análise das orações continua sendo a mesma: “Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração su-
bordinada “ser aprovado”. Observe que a oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além disso, a
conjunção “que”, conectivo que unia as duas orações, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo surge numa
das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implícitas (como no
exemplo acima).

Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente,
introduzidas por preposição.

A) Orações Subordinadas Substantivas


A oração subordinada substantiva tem valor de substantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção integran-
te (que, se).

Não sei se sairemos hoje.


Oração Subordinada Substantiva

Temos medo de que não sejamos aprovados.


Oração Subordinada Substantiva

Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também introduzem as orações subordinadas substantivas, bem
como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde, como).

O garoto perguntou qual seu nome.


Oração Subordinada Substantiva

Não sabemos quando ele virá.


LÍNGUA PORTUGUESA

Oração Subordinada Substantiva

1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas Substantivas

Conforme a função que exerce no período, a oração subordinada substantiva pode ser:

55
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do verbo da oração principal:
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito

É fundamental que você compareça à reunião.
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva

FIQUE ATENTO!
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser substituída pelo pronome “isso”. Assim, temos
um período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Desta forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a função de sujeito.

Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração principal:


 Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece
certo - É claro - Está evidente - Está comprovado
É bom que você compareça à minha festa.

 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anunciado,
Ficou provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.

 Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar - ocorrer - acontecer


Convém que não se atrase na entrevista.

Observação:
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do
singular.

2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto do verbo da oração principal:


Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto

Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem isso)


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

As orações subordinadas substantivas objetivas diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:


 Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.
 Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O
pessoal queria saber quem era o dono do carro importado.
 Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu
não sei por que ela fez isso.

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.

Meu pai insiste em meu estudo.


Objeto Indireto

Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste nisso)


Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Observação:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na oração.
LÍNGUA PORTUGUESA

Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.


Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta

4. Completiva Nominal = completa um nome que pertence à oração principal e também vem marcada por pre-
posição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal

56
Sentimos orgulho de que você se comportou. (= Sentimos orgulho disso.)
Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações
subordinadas substantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é ne-
cessário levar em conta o termo complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal:
o primeiro complementa um verbo; o segundo, um nome.

5. Predicativa = exerce papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo
ser.
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito

Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo era isso)
Oração Subordinada Substantiva Predicativa

6. Apositiva = exerce função de aposto de algum termo da oração principal.


Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
Aposto
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
Oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo

(Fernanda tinha um grande sonho: isso)

Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )

B) Orações Subordinadas Adjetivas


Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As
orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Esta foi uma redação bem-sucedida.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva

Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma fun-
ção sintática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso, “redação”
é sujeito, então o “que” também funciona como sujeito).

FIQUE ATENTO!
Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser substi-
tuído por: o qual - a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno o qual estuda.

Forma das Orações Subordinadas Adjetivas

Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas
LÍNGUA PORTUGUESA

reduzidas, que não são introduzidas por pronome relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o
verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.

No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome relativo
“que” e apresenta verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subordinada adje-
tiva reduzida de infinitivo: não há pronome relativo e seu verbo está no infinitivo.

57
1. Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas

Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de
duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou especificam o sentido do termo a que se referem, individuali-
zando-o. Nestas orações não há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem tam-
bém orações que realçam um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficientemente
definido. Estas orações denominam-se subordinadas adjetivas explicativas.

Exemplo 1:
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que passava naquele momento.
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva

No período acima, observe que a oração em destaque restringe e particulariza o sentido da palavra “homem”: tra-
ta-se de um homem específico, único. A oração limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos os homens,
mas sim àquele que estava passando naquele momento.
Exemplo 2:
O homem, que se considera racional, muitas vezes age animalescamente.
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa

Agora, a oração em destaque não tem sentido restritivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas explicita
uma ideia que já sabemos estar contida no conceito de “homem”.

Saiba que:
A oração subordinada adjetiva explicativa é separada da oração principal por uma pausa que, na escrita, é represen-
tada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação seja indicada como forma de diferenciar as orações explicativas
das restritivas; de fato, as explicativas vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.

C) Orações Subordinadas Adverbiais


Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce a função de adjunto adverbial do verbo da oração prin-
cipal. Assim, pode exprimir circunstância de tempo, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida,
vem introduzida por uma das conjunções subordinativas (com exclusão das integrantes, que introduzem orações su-
bordinadas substantivas). Classifica-se de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz (assim como
acontece com as coordenadas sindéticas).
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
Oração Subordinada Adverbial

A oração em destaque agrega uma circunstância de tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada adverbial
temporal. Os adjuntos adverbiais são termos acessórios que indicam uma circunstância referente, via de regra, a um
verbo. A classificação do adjunto adverbial depende da exata compreensão da circunstância que exprime.
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de minha vida.
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de minha vida.

No primeiro período, “naquele momento” é um adjunto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”. No
segundo período, este papel é exercido pela oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração subordinada ad-
verbial temporal. Esta oração é desenvolvida, pois é introduzida por uma conjunção subordinativa (quando) e apresenta
uma forma verbal do modo indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la, obtendo-se:
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de minha vida.
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é
introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).

Observação:
A classificação das orações subordinadas adverbiais é feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos ad-
verbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração.

2. Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais


LÍNGUA PORTUGUESA

A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do que
se declara na oração principal. Principal conjunção subordinativa causal: porque. Outras conjunções e locuções causais:
como (sempre introduzido na oração anteposta à oração principal), pois, pois que, já que, uma vez que, visto que.
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
Já que você não vai, eu também não vou.

58
A diferença entre a subordinada adverbial causal e a Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon- bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre-
senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à E) Comparativa= As orações subordinadas adver-
qual ela se subordina. Repare: biais comparativas estabelecem uma comparação
1. Faltei à aula porque estava doente. com a ação indicada pelo verbo da oração princi-
2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. pal. Principal conjunção subordinativa comparati-
Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa) va: como.
que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)
fato de estar doente impediu-me de ir à aula. No Você age como criança. (age como uma criança age)
exemplo 2, a oração sublinhada relata um fato que
aconteceu depois, já que primeiro ela chorou, de-  geralmente há omissão do verbo.
pois seus olhos ficaram vermelhos.
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên- seja, apresenta uma regra, um modelo adotado
cia, é efeito do que se declara na oração principal. para a execução do que se declara na oração prin-
São introduzidas pelas conjunções e locuções: que, cipal. Principal conjunção subordinativa conforma-
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas tiva: conforme. Outras conjunções conformativas:
estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que. como, consoante e segundo (todas com o mesmo
Principal conjunção subordinativa consecutiva: que valor de conforme).
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho) Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
concretizando-os. direitos iguais.
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu-
zida de Infinitivo) G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que
se declara na oração principal. Principal conjunção
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe subordinativa final: a fim de. Outras conjunções
como necessário para a realização ou não de um finais: que, porque (= para que) e a locução con-
fato. As orações subordinadas adverbiais condicio- juntiva para que.
nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas.
se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
na oração principal.
Principal conjunção subordinativa condicional: se. H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des- seja, um fato simultâneo ao expresso na oração
de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, principal. Principal locução conjuntiva subordinati-
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). va proporcional: à proporção que. Outras locuções
conjuntivas proporcionais: à medida que, ao passo
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, que. Há ainda as estruturas: quanto maior...(maior),
certamente o melhor time será campeão. quanto maior...(menor), quanto menor...(maior),
Caso você saia, convide-me. quanto menor...(menor), quanto mais...(mais), quan-
to mais...(menos), quanto menos...(mais), quanto
D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo menos...(menos).
da oração principal, isto é, admitem uma contra- À proporção que estudávamos mais questões acertá-
dição ou um fato inesperado. A ideia de conces- vamos.
são está diretamente ligada ao contraste, à quebra À medida que lia mais culto ficava.
de expectativa. Principal conjunção subordinativa
concessiva: embora. Utiliza-se também a con- I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato
junção: conquanto e as locuções ainda que, ainda expresso na oração principal, podendo exprimir
quando, mesmo que, se bem que, posto que, apesar noções de simultaneidade, anterioridade ou poste-
de que. rioridade. Principal conjunção subordinativa tem-
Só irei se ele for. poral: quando. Outras conjunções subordinativas
A oração acima expressa uma condição: o fato de temporais: enquanto, mal e locuções conjuntivas:
“eu” ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. assim que, logo que, todas as vezes que, antes que,
Compare agora com: depois que, sempre que, desde que, etc.
LÍNGUA PORTUGUESA

Irei mesmo que ele não vá. Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter-
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
concessiva.
Observe outros exemplos:
Embora fizesse calor, levei agasalho.

59
3. Orações Reduzidas 2. (Instituto Rio Branco – Admissão à Carreira de
Diplomata – cespe – 2014 – adaptada)
As orações subordinadas podem vir expressas como
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem conec- literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o
tivo subordinativo que as introduza. brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a
É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre- um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mes-
sença do conectivo) mo que a crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo as-
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam sim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir
“desenvolvidas” – como no exemplo acima. de caminho não apenas para a vida, que ela serve de
É preciso estudar = oração subordinada substantiva perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da
subjetiva reduzida de infinitivo composição solta, do ar de coisa sem necessidade que
É preciso que se estude = oração subordinada subs- costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo
tantiva subjetiva dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que
fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua
4. Orações Intercaladas despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permi-
te, como compensação sorrateira, recuperar com a outra
São orações independentes encaixadas na sequência mão certa profundidade de significado e certo acaba-
do período, utilizadas para um esclarecimento, um apar- mento de forma, que de repente podem fazer dela uma
te, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou tra- inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.
vessões. Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes.
Nós – continuava o relator – já abordamos este as- São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com
sunto. adaptações).

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “servir”


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indiretos.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, ( ) CERTO ( ) ERRADO
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – Resposta: Errado. imagina uma literatura = transitivo
São Paulo: Saraiva, 2002. direto
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo
(transitivo direto e indireto)
SITE pode servir de caminho = intransitivo
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
frase-periodo-e-oracao
EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO.

PONTUAÇÃO
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
1. (Cnj – Técnico Judiciário – cespe – 2013 – adap- servem para compor a coesão e a coerência textual, além
tada) Jogadores de futebol de diversos times entraram de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
em campo em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos Um texto escrito adquire diferentes significados quando
do Campeonato Nacional em apoio à campanha que visa pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
reduzir o número de pessoas que não possuem o nome do depende, em certos momentos, da intenção do autor do
pai em sua certidão de nascimento. (...) discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen-
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai te relacionados ao contexto e ao interlocutor.
em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vír-
gula porque tem natureza restritiva. 1. Principais funções dos sinais de pontuação

( ) CERTO ( ) ERRADO A) Ponto (.)


LÍNGUA PORTUGUESA

 Indica o término do discurso ou de parte dele, en-


Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par- cerrando o período.
ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome  Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizan- de período, este não receberá outro ponto; neste
do a informação, o que dará a entender que TODAS as caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
pessoas não têm o nome do pai na certidão. de período. Exemplo: Estudei português, matemári-
ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)

60
 Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do ponto, assim como após o nome do autor de uma citação:
Haverá eleições em outubro
O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napoleão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
 Os números que identificam o ano não utilizam ponto nem devem ter espaço a separá-los, bem como os
números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.

B) Ponto e Vírgula (;)


 Separa várias partes do discurso, que têm a mesma importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão
pelo pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...”
(VIEIRA)
 Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, mon-
tanhas, frio e cobertor.
 Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos, decreto de lei, etc.
Ir ao supermercado;
Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia;
Reunião com amigos.

C) Dois pontos (:)


 Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
 Antes de um aposto = Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
 Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a rotina de
sempre.
 Em frases de estilo direto
Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?

D) Ponto de Exclamação (!)


 Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me casar com você!
 Depois de interjeições ou vocativos
Ai! Que susto!
João! Há quanto tempo!

E) Ponto de Interrogação (?)


 Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)

F) Reticências (...)
 Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, canetas, cadernos...
 Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
 Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este mal... pega doutor?
 Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa, depois, o coração falar...

G) Vírgula (,)
Não se usa vírgula
Separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se diretamente entre si:

1. Entre sujeito e predicado:


Todos os alunos da sala foram advertidos.
Sujeito predicado

2. Entre o verbo e seus objetos:


O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
V.T.D.I. O.D. O.I.
LÍNGUA PORTUGUESA

Usa-se a vírgula:

1. Para marcar intercalação:

A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância, vem caindo de preço.


B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
C) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não que-
rem abrir mão dos lucros altos.

61
2. Para marcar inversão:

A) do adjunto adverbial (colocado no início da ora- EXERCÍCIOS COMENTADOS


ção): Depois das sete horas, todo o comércio está de
portas fechadas. 1. (STJ – Conhecimentos Básicos para o Cargo 1 –
B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos Cespe – 2018 – adaptada)
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de Texto CB1A1CCC
maio de 1982.
As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes re-
3. Para separar entre si elementos coordenados velaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram
(dispostos em enumeração): relatos de sofrimento, dor, angústia que se transporta-
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. vam da cadeira das vítimas, testemunhas e réus para mi-
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e ani- nha cadeira de juíza. A toga não me blindou daqueles re-
mais. latos sofridos, aflitos. As angústias dos que se sentavam
4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós que- à minha frente, por diversas vezes, me escoltaram até
remos comer pizza; e vocês, churrasco. minha casa e passaram a ser companheiras de noites de
insônia. Não havia outra solução a não ser escrever. Era
5. Para isolar: preciso colocar no papel e compartilhar a dor daquelas
pessoas que, mesmo ao fim do processo e com a senten-
A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole bra- ça prolatada, não me deixavam esquecê-las.
sileira, possui um trânsito caótico. Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães, filhas,
B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em co-
mum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de
Observações: casa. O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para es-
Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expres- sas mulheres, havia se transformado no pior dos mundos.
são latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se sen-
dispensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o tavam à minha frente, os relatos se transformavam em
acordo ortográfico em vigor no Brasil exige que empre- desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justi-
ficar e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas.
guemos etc. predecido de vírgula: Falamos de política,
A culpa por ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a
futebol, lazer, etc.
culpa por não ter sido boa o suficiente, a culpa por não
ter conseguido manter a família. Sempre a culpa.
As perguntas que denotam surpresa podem ter com-
Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma for-
binados o ponto de interrogação e o de exclamação:
ça externa como se somente nós, juízes, promotores e
Você falou isso para ela?!
advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo
de violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela
Temos, ainda, sinais distintivos: violência invisível.
 a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa- Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias
ração de siglas (IOF/UPC); além das quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com
 os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas adaptações).
pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira
opção aos parênteses, principalmente na matemá- O trecho “juízes, promotores e advogados” explica o sen-
tica; tido de “nós”.
 o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a
uma nota de rodapé ou no fim do livro, para subs- ( ) CERTO ( ) ERRADO
tituir um nome que não se quer mencionar.
Resposta: Certo. Ao trecho: (...) Aquelas mulheres che-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS gavam à Justiça buscando uma força externa como se
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- somente nós, juízes, promotores e advogados, pudésse-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São mos não apenas cessar aquele ciclo de violência (...). Os
Paulo: Saraiva, 2010. termos entre vírgulas servem para exemplificar quem
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa são os “nós” citados pela autora (juízes, promotores,
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. advogados).

SITE
LÍNGUA PORTUGUESA

2. (SERES-PE – Agente de Segurança Penitenciária


http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/ – Cespe – 2017 – adaptada)
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-vir-
gula.htm Texto 1A1AAA

Após o processo de redemocratização, com o fim da di-


tadura militar, em meados da década de 80 do século
passado, era de se esperar que a democratização das

62
instituições tivesse como resultado direto a consolidação Em todos os setores industriais, a expressiva maioria dos
da cidadania — compreendida de modo amplo, abran- entrevistados acredita no aumento das vendas internas.
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e O Estado de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta-
sociais. Sobressaem, porém, problemas que configuram ções).
mais desafios para a cidadania brasileira, como a violên-
cia urbana — que ameaça os direitos individuais — e o O nome próprio “Renato da Fonseca” está entre vírgulas
desemprego — que ameaça os direitos sociais. por tratar-se de um vocativo.
No Brasil, o crime aumentou significantemente a partir
de 1980, impacto do processo de modernização pelo ( ) CERTO ( ) ERRADO
qual o país passou. Isso sugere que o boom do consumo
colocou em circulação bens de alto valor e, consequente- Resposta: Errado. Recorramos ao texto (lembre-se de
mente, aumentou as oportunidades para o crime, inclusi- fazer a mesma coisa no dia do seu concurso!): (...) diz o
ve porque a maior mobilidade de pessoas torna o espaço gerente executivo de pesquisas da Confederação Nacio-
social mais anônimo, menos supervisionado. nal da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar
Nesse contexto, justiça criminal passa a ser cada vez mais a melhora das expectativas. O termo em destaque não
dissociada de justiça social e reconstrução da sociedade. está exercendo a função de vocativo, já que não é uti-
O objetivo em relação à criminalidade torna-se bem me- lizado para evocar, chamar o interlocutor do diálogo.
nos ambicioso: o controle. A prisão ganha mais impor- Sua função é de aposto – explicar quem é o gerente
tância na modernidade tardia, porque satisfaz uma dupla executivo da CNI.
necessidade dessa nova cultura: castigo e controle do
risco. Essa postura às vezes proporciona controle, porém 4. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho
não segurança, pois o Estado tem o poder limitado de – cespe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do
manter a ordem por meio da polícia, sendo necessário trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são
dividir as tarefas de controle com organizações locais e as mais comuns em todo o mundo” seria prejudicada, caso
com a comunidade. se inserisse uma vírgula logo após a palavra “vinhos”.
Jacqueline Carvalho da Silva. Manutenção da ordem pú-
blica e garantia dos direitos individuais: os desafios da ( ) CERTO ( ) ERRADO
polícia em sociedades democráticas. In: Revista Brasilei-
ra de Segurança Pública. São Paulo, ano 5, 8.ª ed., fev. – Resposta: Certo. Não se deve colocar vírgula entre
mar./2011, p. 84-5 (com adaptações). sujeito e predicado, a não ser que se trate de um apos-
to (1), predicativo do sujeito (2), ou algum termo que
No primeiro parágrafo do texto 1A1AAA, os dois-pontos requeira estar separado entre pontuações. Exemplo: O
introduzem Rio de Janeiro, cidade maravilhosa (1), está em festa!
Os meninos, ansiosos (2), chegaram!
a) uma enumeração das “categorias de direitos”.
b) resultados da “consolidação da cidadania”.
c) um contra-argumento para a ideia de cidadania como
algo “amplo”. CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL.
d) uma generalização do termo “direitos”.
e) objetivos do “processo de redemocratização”.
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
Resposta: Letra A. Recorramos ao texto (faça isso
SEMPRE durante seu concurso. O texto é a base para Os concurseiros estão apreensivos.
encontrar as respostas para as questões!): (...) abran- Concurseiros apreensivos.
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e
sociais. Os dois-pontos introduzem a enumeração dos No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na
direitos; apresenta-os. terceira pessoa do plural, concordando com o seu su-
jeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo
3. (Aneel – Técnico Administrativo – cespe – 2010) “apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
Vão surgindo novos sinais do crescente otimismo da in- e número (plural) com o substantivo a que se refere: con-
dústria com relação ao futuro próximo. Um deles refere- curseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
-se às exportações. “O comércio mundial já está voltando número e gênero se correspondem. A correspondência
a se abrir para as empresas”, diz o gerente executivo de de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ser verbal ou nominal.
Renato da Fonseca, para explicar a melhora das expec-
LÍNGUA PORTUGUESA

tativas dos industriais com relação ao mercado externo. 1. Concordância Verbal


Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria
não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
elas já eram francamente otimistas. Há algum tempo, a seu sujeito.
pesquisa da CNI, realizada mensalmente a partir de 2010,
registra grande otimismo da indústria com relação à de-
manda interna. Trata-se de um sentimento generalizado.

63
1.1. Sujeito Simples - Regra Geral Quais de nós são / somos capazes?
O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
em número e pessoa. Veja os exemplos: Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino-
A prova para ambos os cargos será aplicada vadoras.
às 13h.
3.ª p. Singular 3.ª p. Singular Observação:
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a
Os candidatos à vaga chegarão às 12h. inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz
3.ª p. Plural 3.ª p. Plural ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize-
mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso
1.1.1. Casos Particulares não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia.
A) Quando o sujeito é formado por uma expressão Nos casos em que o interrogativo ou indefinido esti-
partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de, ver no singular, o verbo ficará no singular.
metade de, a maioria de, a maior parte de, grande Qual de nós é capaz?
parte de...) seguida de um substantivo ou pronome Algum de vós fez isso.
no plural, o verbo pode ficar no singular ou no
plural. E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. que indica porcentagem seguida de substantivo, o
Metade dos candidatos não apresentou / apresenta- verbo deve concordar com o substantivo.
ram proposta. 25% do orçamento do país será destinado à Educação.
85% dos entrevistados não aprovam a administração
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos do prefeito.
dos coletivos, quando especificados: Um bando de vân- 1% do eleitorado aceita a mudança.
dalos destruiu / destruíram o monumento.
1% dos alunos faltaram à prova.
Observação:
 Quando a expressão que indica porcentagem não
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a
é seguida de substantivo, o verbo deve concordar
unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque
com o número.
aos elementos que formam esse conjunto.
25% querem a mudança.
1% conhece o assunto.
B) Quando o sujeito é formado por expressão que
indica quantidade aproximada (cerca de, mais de,
menos de, perto de...) seguida de numeral e subs-  Se o número percentual estiver determinado por
tantivo, o verbo concorda com o substantivo. artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. -á com eles:
Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade. Os 30% da produção de soja serão exportados.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últi- Esses 2% da prova serão questionados.
mas Olimpíadas.
F) O pronome “que” não interfere na concordância;
Observação: já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
Quando a expressão “mais de um” se associar a ver- do singular.
bos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: Fui eu que paguei a conta.
Mais de um colega se ofenderam na discussão. (ofende- Fomos nós que pintamos o muro.
ram um ao outro) És tu que me fazes ver o sentido da vida.
Sou eu quem faz a prova.
C) Quando se trata de nomes que só existem no Não serão eles quem será aprovado.
plural, a concordância deve ser feita levando-se
em conta a ausência ou presença de artigo. Sem G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve as-
artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo sumir a forma plural.
no plural, o verbo deve ficar o plural. Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan-
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. taram os poetas.
Estados Unidos possui grandes universidades. Este candidato é um dos que mais estudaram!
Alagoas impressiona pela beleza das praias.
As Minas Gerais são inesquecíveis.  Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
LÍNGUA PORTUGUESA

singular:
D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, Nem uma das que me escreveram mora aqui.
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou
“de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro  Quando “um dos que” vem entremeada de subs-
pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o tantivo, o verbo pode:
pronome pessoal.

64
1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atraves- Observação:
sa o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio Quando o sujeito é composto, formado por um ele-
que faça o mesmo). mento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é
2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po- possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural
luídos (noção de que existem outros rios na mesma (eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar
condição). de “tomaríeis”.

H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,


verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural. passa a existir uma nova possibilidade de concor-
Vossa Excelência está cansado? dância: em vez de concordar no plural com a tota-
Vossas Excelências renunciarão? lidade do sujeito, o verbo pode estabelecer con-
cordância com o núcleo do sujeito mais próximo.
I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se Faltaram coragem e competência.
de acordo com o numeral. Faltou coragem e competência.
Deu uma hora no relógio da sala. Compareceram todos os candidatos e o banca.
Deram cinco horas no relógio da sala. Compareceu o banca e todos os candidatos.
Soam dezenove horas no relógio da praça.
Baterão doze horas daqui a pouco. D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concor-
dância é feita no plural. Observe:
Observação: Abraçaram-se vencedor e vencido.
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino, Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito.
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas. 1.2.1. Casos Particulares
Soa quinze horas o relógio da matriz.
 Quando o sujeito composto é formado por nú-
J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum cleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin- no singular.
gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de Descaso e desprezo marca seu comportamento.
existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi- A coragem e o destemor fez dele um herói.
cam fenômenos da natureza. Exemplos:
Havia muitas garotas na festa.  Quando o sujeito composto é formado por nú-
Faz dois meses que não vejo meu pai. cleos dispostos em gradação, verbo no singular:
Chovia ontem à tarde. Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um se-
gundo me satisfaz.
1.2. Sujeito Composto
 Quando os núcleos do sujeito composto são uni-
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao ver- dos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no
bo, a concordância se faz no plural: plural, de acordo com o valor semântico das con-
Pai e filho conversavam longamente. junções:
Sujeito Drummond ou Bandeira representam a essência da
poesia brasileira.
Pais e filhos devem conversar com frequência. Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
Sujeito
Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de
B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas “adição”. Já em:
gramaticais diferentes, a concordância ocorre da Juca ou Pedro será contratado.
seguinte maneira: a primeira pessoa do plural (nós) Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olim-
prevalece sobre a segunda pessoa (vós) que, por píada.
sua vez, prevalece sobre a terceira (eles). Veja:
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão. Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
Primeira Pessoa do Plural (Nós) no singular.

Tu e teus irmãos tomareis a decisão.  Com as expressões “um ou outro” e “nem um nem
Segunda Pessoa do Plural (Vós) outro”, a concordância costuma ser feita no sin-
LÍNGUA PORTUGUESA

gular.
Pais e filhos precisam respeitar-se. Um ou outro compareceu à festa.
Terceira Pessoa do Plural (Eles) Nem um nem outro saiu do colégio.

 Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou


no singular: Um e outro farão/fará a prova.

65
 Quando os núcleos do sujeito são unidos por Quando pronome apassivador, o “se” acompanha
“com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os nú- verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e in-
cleos recebem um mesmo grau de importância e diretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nes-
a palavra “com” tem sentido muito próximo ao de se caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração.
“e”. Exemplos:
O pai com o filho montaram o brinquedo. Construiu-se um posto de saúde.
O governador com o secretariado traçaram os planos Construíram-se novos postos de saúde.
para o próximo semestre. Aqui não se cometem equívocos
O professor com o aluno questionaram as regras. Alugam-se casas.

Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se


a ideia é enfatizar o primeiro elemento. #FicaDica
O pai com o filho montou o brinquedo.
Para saber se o “se” é partícula apassivadora
O governador com o secretariado traçou os planos
ou índice de indeterminação do sujeito, ten-
para o próximo semestre.
te transformar a frase para a voz passiva. Se
O professor com o aluno questionou as regras.
a frase construída for “compreensível”, esta-
remos diante de uma partícula apassivadora;
Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
se não, o “se” será índice de indeterminação.
composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres-
Veja:
sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos
Precisa-se de funcionários qualificados.
adverbiais de companhia. Na verdade, é como se hou-
Tentemos a voz passiva:
vesse uma inversão da ordem. Veja:
Funcionários qualificados são precisados (ou
“O pai montou o brinquedo com o filho.”
precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se”
“O governador traçou os planos para o próximo semes-
destacado é índice de indeterminação do
tre com o secretariado.”
sujeito.
“O professor questionou as regras com o aluno.”
Agora:
Vendem-se casas.
Casos em que se usa o verbo no singular:
Voz passiva: Casas são vendidas. Constru-
Café com leite é uma delícia!
ção correta! Então, aqui, o “se” é partícula
O frango com quiabo foi receita da vovó.
apassivadora. (Dá para eu passar para a voz
passiva. Repare em meu destaque. Percebeu
Quando os núcleos do sujeito são unidos por ex-
semelhança? Agora é só memorizar!)
pressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não
somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”,
o verbo ficará no plural. O Verbo “Ser”
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
Nordeste. A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o su-
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a jeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordância pode
notícia. ocorrer também entre o verbo e o predicativo do sujeito.

Quando os elementos de um sujeito composto são Quando o sujeito ou o predicativo for:


resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância
é feita com esse termo resumidor. A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apa- SER concorda com a pessoa gramatical:
tia. Ele é forte, mas não é dois.
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante Fernando Pessoa era vários poetas.
na vida das pessoas. A esperança dos pais são eles, os filhos.

1.2.2 Outros Casos B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro


no plural, o verbo SER concordará, preferencial-
O Verbo e a Palavra “SE” mente, com o que estiver no plural:
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há Os livros são minha paixão!
duas de particular interesse para a concordância verbal: Minha paixão são os livros!
A) quando é índice de indeterminação do sujeito;
B) quando é partícula apassivadora. Quando o verbo SER indicar
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se”


acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos  horas e distâncias, concordará com a expressão
e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na numérica:
terceira pessoa do singular: É uma hora.
Precisa-se de funcionários. São quatro horas.
Confia-se em teses absurdas. Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilô-
metros.

66
 datas, concordará com a palavra dia(s), que pode normalmente, o substantivo funciona como núcleo de
estar expressa ou subentendida: um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adno-
minal.
Hoje é dia 26 de agosto. A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as
Hoje são 26 de agosto. seguintes regras gerais:
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando
 Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida- se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
de e for seguido de palavras ou expressões como denunciavam o que sentia.
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER
fica no singular: B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso. a concordância pode variar. Podemos sistematizar
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. essa flexão nos seguintes casos:
Duas semanas de férias é muito para mim.
 Adjetivo anteposto aos substantivos:
 Quando um dos elementos (sujeito ou predica- O adjetivo concorda em gênero e número com o
tivo) for pronome pessoal do caso reto, com este substantivo mais próximo.
concordará o verbo. Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
No meu setor, eu sou a única mulher. Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Aqui os adultos somos nós. Encontramos caído o prendedor e a roupa.
Observação: Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre- parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
o pronome sujeito. Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Eu não sou ela.
Ela não é eu.  Adjetivo posposto aos substantivos:
O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
 Quando o sujeito for uma expressão de sentido
ou com todos eles (assumindo a forma masculina
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu-
plural se houver substantivo feminino e masculi-
ral, o verbo SER concordará com o predicativo.
no).
A grande maioria no protesto eram jovens.
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
O resto foram atitudes imaturas.
A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
A indústria oferece localização e atendimento perfei-
O Verbo “Parecer”
O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução tos.
verbal (é seguido de infinitivo), admite duas concordân- A indústria oferece atendimento e localização perfei-
cias: tos.
 Ocorre variação do verbo PARECER e não se fle-
xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do Observação:
desenho. Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos
 A variação do verbo parecer não ocorre e o infini- dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado
tivo sofre flexão: no plural masculino, que é o gênero predominante quan-
As crianças parece gostarem do desenho. do há substantivos de gêneros diferentes.
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
aas crianças) jetivo fica no singular ou plural.
A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).
FIQUE ATENTO!
C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
Com orações desenvolvidas, o verbo PARE- O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-
CER fica no singular. Por exemplo: As pare- vo não for acompanhado de nenhum modificador:
des parece que têm ouvidos. (Parece que as Água é bom para saúde.
paredes têm ouvidos = oração subordinada O adjetivo concorda com o substantivo, se este for
substantiva subjetiva). modificado por um artigo ou qualquer outro determina-
LÍNGUA PORTUGUESA

tivo: Esta água é boa para saúde.

Concordância Nominal D) O adjetivo concorda em gênero e número com os


pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon-
A concordância nominal se baseia na relação entre trou-as muito felizes.
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se:

67
E) Nas expressões formadas por pronome indefinido  Quando o sujeito destas expressões estiver deter-
neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto
DE + adjetivo, este último geralmente é usado no o verbo como o adjetivo concordam com ele.
masculino singular: Os jovens tinham algo de mis- É proibida a entrada de crianças.
terioso. Esta salada é ótima.
A educação é necessária.
F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem São precisas várias medidas na educação.
função adjetiva e concorda normalmente com o
nome a que se refere: Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso -
Cristina saiu só. Quite
Cristina e Débora saíram sós.
Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú-
Observação: mero com o substantivo ou pronome a que se referem.
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape- Seguem anexas as documentações requeridas.
nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável: A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Eles só desejam ganhar presentes. Muito obrigadas, disseram as senhoras.
Seguem inclusos os papéis solicitados.
Estamos quites com nossos credores.
#FicaDica
Bastante - Caro - Barato - Longe
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”.
Se a frase ficar coerente com o primeiro,
Estas palavras são invariáveis quando funcionam
trata-se de advérbio, portanto, invariável; se
como advérbios. Concordam com o nome a que se refe-
houver coerência com o segundo, função de
rem quando funcionam como adjetivos, pronomes adje-
adjetivo, então varia:
tivos, ou numerais.
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo
As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
Ele está só descansando. (apenas descansan-
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
do) - advérbio
(pronome adjetivo)
Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula
As casas estão caras. (adjetivo)
depois de “só”, haverá, novamente, um ad-
Achei barato este casaco. (advérbio)
jetivo:
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e
descansando)
Meio - Meia

G) Quando um único substantivo é modificado por A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa- concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
das as construções: meia porção de polentas.
 O substantivo permanece no singular e coloca-se Quando empregada como advérbio permanece inva-
o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura riável: A candidata está meio nervosa.
espanhola e a portuguesa.
 O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e #FicaDica
portuguesa. Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
saberei que se trata de um advérbio, não de
1. Casos Particulares adjetivo: “A candidata está um pouco nervo-
sa”.
É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per-
mitido
Alerta - Menos
 Estas expressões, formadas por um verbo mais um
adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
referem possuir sentido genérico (não vier prece- sempre invariáveis.
dido de artigo). Os concurseiros estão sempre alerta.
É proibido entrada de crianças. Não queira menos matéria!
LÍNGUA PORTUGUESA

Em certos momentos, é necessário atenção.


No verão, melancia é bom. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
É preciso cidadania. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
Não é permitido saída pelas portas laterais. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

68
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. 2BBB, os termos “não há” e “não existem” poderiam ser
substituídos, respectivamente, por
SITE a) não existe e não têm.
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49.php b) não existe e inexiste.
c) inexiste e não há.
d) inexiste e não acontece.
e) não tem e não têm.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Resposta: Letra C. Busquemos o contexto:
1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – - sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não
Cespe – 2013) Formas de tratamento como Vossa Ex- há democracia = poderíamos substituir por “não exis-
celência e Vossa Senhoria, ainda que sejam empregadas te”, inexiste (verbo “haver” empregado com o sentido
sempre na segunda pessoa do plural e no feminino, de “existir”)
exigem flexão verbal de terceira pessoa; além disso, o - sem democracia, não existem as condições mínimas
pronome possessivo que faz referência ao pronome de para a solução pacífica dos conflitos = sentido de “exis-
tratamento também deve ser o de terceira pessoa, e o tir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no plural,
adjetivo que remete ao pronome de tratamento deve já que devemos concordar com “as condições míni-
concordar em gênero e número com a pessoa — e não mas”. A única “troca” adequada seria o verbo “haver”
com o pronome — a que se refere. – que pode ser utilizado com o sentido de “existir”.
Teríamos: sem direitos humanos reconhecidos e prote-
( ) CERTO ( ) ERRADO gidos, inexiste democracia; sem democracia, não há
as condições mínimas para a solução pacífica dos con-
Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordân- flitos.
cias verbal e nominal ao se utilizar pronome de trata-
mento devem ser na terceira pessoa e concordar em 3. (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Co-
gênero (masculino ou feminino) com a pessoa a quem mércio Exterior – Analista Técnico Administrativo –
se dirige: “Vossa Excelência está cansada(o)?” – con- cespe – 2014) Em “Vossa Excelência deve estar satisfeita
cordará com quem está se falando: uma mulher ou um com os resultados das negociações”, o adjetivo estará cor-
homem / “Vossa Santidade trouxe seus pertences?” / retamente empregado se dirigido a ministro de Estado
“Vossas Senhorias gostariam de um café?”. do sexo masculino, pois o termo “satisfeita” deve con-
cordar com a locução pronominal de tratamento “Vossa
2. (Prefeitura de São Luís-MA – Conhecimentos Bá- Excelência”.
sicos Cargos de Técnico Municipal – Nível Médio
– Cespe – 2017) ( ) CERTO ( ) ERRADO

Texto CB3A2BBB Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for


do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto;
O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos mas, se for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá fle-
estão na base das Constituições democráticas modernas. xão de gênero: satisfeito. O pronome de tratamento
A paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o re- é apenas a maneira como tratar a autoridade, não re-
conhecimento e a efetiva proteção dos direitos humanos gendo as demais concordâncias.
em cada Estado e no sistema internacional. Ao mesmo
tempo, o processo de democratização do sistema in- 4. (Abin – Agente Técnico de Inteligência – cespe
ternacional, que é o caminho obrigatório para a busca – 2010 – adaptada) (...) Da combinação entre velocida-
do ideal da paz perpétua, não pode avançar sem uma de, persistência, relevância, precisão e flexibilidade surge
gradativa ampliação do reconhecimento e da proteção a noção contemporânea de agilidade, transformada em
dos direitos humanos, acima de cada Estado. Direitos principal característica de nosso tempo.
humanos, democracia e paz são três elementos funda- A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramati-
mentais do mesmo movimento histórico: sem direitos cal para o texto, ser flexionada no plural, para concordar
humanos reconhecidos e protegidos, não há democra- com “velocidade, persistência, relevância, precisão e fle-
cia; sem democracia, não existem as condições mínimas xibilidade”
para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras,
a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se ( ) CERTO ( ) ERRADO
LÍNGUA PORTUGUESA

tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns


direitos fundamentais; haverá paz estável, uma paz que Resposta: Errado. O verbo está concordando com o
não tenha a guerra como alternativa, somente quando termo “combinação”, por isso deve ficar no singular.
existirem cidadãos não mais apenas deste ou daquele
Estado, mas do mundo.
Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson
Coutinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com adap-
tações).

69
5. (Tribunal de Contas do Distrito Federal-df – Co- A) Verbos Intransitivos
nhecimentos BÁSICOS – ANALISTA DE ADMINIS- Os verbos intransitivos não possuem complemento.
TRAÇÃO PÚBLICA – ARQUIVOLOGIA – cespe – 2014 É importante, no entanto, destacar alguns detalhes re-
– adaptada) (...) Há décadas, países como China e Índia lativos aos adjuntos adverbiais que costumam acompa-
têm enviado estudantes para países centrais, com resulta- nhá-los.
dos muito positivos.(...)
A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída Chegar, Ir
por Fazem. Normalmente vêm acompanhados de adjuntos ad-
verbiais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas
( ) CERTO ( ) ERRADO para indicar destino ou direção são: a, para.
Fui ao teatro.
Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empre- Adjunto Adverbial de Lugar
gado no sentido de tempo passado, não sofre flexão.
Portanto, sua forma correta seria: “faz décadas”. Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar

REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL. Comparecer


O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido
por em ou a.
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o
último jogo.
Dá-se o nome de regência à relação de subordina-
ção que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um B) Verbos Transitivos Diretos
nome (regência nominal) e seus complementos. Os verbos transitivos diretos são complementados
por objetos diretos. Isso significa que não exigem prepo-
1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO sição para o estabelecimento da relação de regência. Ao
empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes
A regência verbal estuda a relação que se estabele- oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses
ce entre os verbos e os termos que os complementam pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após
(objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (ad- formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos,
juntos adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma nas (após formas verbais terminadas em sons nasais),
regência, o que corresponde à diversidade de significa- enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais,
dos que estes verbos podem adquirir dependendo do objetos indiretos.
contexto em que forem empregados. São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban-
A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar,
contentar. admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, au-
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar xiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar,
agrado ou prazer”, satisfazer. defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, pre-
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de judicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver,
“agradar a alguém”. visitar.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
O conhecimento do uso adequado das preposições é um como o verbo amar:
dos aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e Amo aquele rapaz. / Amo-o.
também nominal). As preposições são capazes de modificar Amo aquela moça. / Amo-a.
completamente o sentido daquilo que está sendo dito. Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Cheguei ao metrô. Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Cheguei no metrô.
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no Observação:
segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
A voluntária distribuía leite às crianças. adnominais):
A voluntária distribuía leite com as crianças. Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi emprega- Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carrei-
do como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto ra)
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau hu-
LÍNGUA PORTUGUESA

(objeto indireto: às crianças); na segunda, como transiti-


vo direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjun- mor)
to adverbial).
C) Verbos Transitivos Indiretos
Para estudar a regência verbal, agruparemos os ver- Os verbos transitivos indiretos são complementados
bos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi-
um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de dife- gem uma preposição para o estabelecimento da relação
rentes formas em frases distintas. de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de

70
terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam os
pronomes o, os, a, as como complementos de verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não represen-
tam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.

Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:


Consistir - Tem complemento introduzido pela preposição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos
iguais para todos.

Obedecer e Desobedecer - Possuem seus complementos introduzidos pela preposição “a”:


Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito.

Responder - Tem complemento introduzido pela preposição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
quem” ou “ao que” se responde.
Respondi ao meu patrão.
Respondemos às perguntas.
Respondeu-lhe à altura.

Observação:
O verbo responder, apesar de transitivo indireto quando exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
analítica:
O questionário foi respondido corretamente.
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.

Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complementos introduzidos pela preposição “com”.


Antipatizo com aquela apresentadora.
Simpatizo com os que condenam os políticos que governam para uma minoria privilegiada.

D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos


Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de um objeto direto e um indireto. Merecem destaque,
nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São verbos que apresentam objeto direto relacionado a coisas e objeto
indireto relacionado a pessoas.

Agradeço aos ouvintes a audiência.


Objeto Indireto Objeto Direto

Paguei o débito ao cobrador.


Objeto Direto Objeto Indireto

O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com particular cuidado:
Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.

Informar
Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
Informe os novos preços aos clientes.
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos preços)
Na utilização de pronomes como complementos, veja as construções:
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre eles)
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação:
A mesma regência do verbo informar é usada para os seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.

Comparar
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento
indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma criança.

71
Pedir
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na forma de oração subordinada substantiva) e indireto de
pessoa.

Pedi-lhe favores.
Objeto Indireto Objeto Direto

Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.


Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

A construção “pedir para”, muito comum na linguagem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta.
No entanto, é considerada correta quando a palavra licença estiver subentendida.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.

Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo
(para ir entregar-lhe os catálogos em casa).

Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indireto introduzido pela preposição “a”:
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Prefiro trem a ônibus.

Observação:
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes, um
milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo existente no próprio verbo (pre).

Mudança de Transitividade - Mudança de Significado

Há verbos que, de acordo com a mudança de transitividade, apresentam mudança de significado. O conhecimento
das diferentes regências desses verbos é um recurso linguístico muito importante, pois além de permitir a correta inter-
pretação de passagens escritas, oferece possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os principais, estão:

Agradar
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos, acariciar, fazer as vontades de.
Sempre agrada o filho quando.
Aquele comerciante agrada os clientes.

Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introdu-
zido pela preposição “a”.
O cantor não agradou aos presentes.
O cantor não lhes agradou.

O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indireto: O cantor desagradou à plateia.

Aspirar
Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)

Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (Aspiráva-
mos a ele)

Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são utiliza-
das, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”. Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam
a ela)

Assistir
Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar assistência a, auxiliar.
LÍNGUA PORTUGUESA

As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.


As empresas de saúde negam-se a assisti-los.

Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presenciar, estar presente, caber, pertencer.
Assistimos ao documentário.
Não assisti às últimas sessões.
Essa lei assiste ao inquilino.

72
No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de lugar
introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa conturbada cidade.

Chamar
Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, solicitar a atenção ou a presença de.
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá chamá-la.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.

Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo
preposicionado ou não.
A torcida chamou o jogador mercenário.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador de mercenário.
Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal: Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.

Custar
Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: Frutas
e verduras não deveriam custar muito.

No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração redu-
zida de infinitivo.

Muito custa viver tão longe da família.


Verbo Intransitivo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo

Custou-me (a mim) crer nisso.


Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo

A Gramática Normativa condena as construções que atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por pes-
soa: Custei para entender o problema.
= Forma correta: Custou-me entender o problema.

Implicar
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes implicavam um firme propósito.
B) ter como consequência, trazer como consequência, acarretar, provocar: Uma ação implica reação.

Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões econô-
micas.

No sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com quem
não trabalhasse arduamente.

Namorar
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois anos.

Obedecer - Desobedecer
Sempre transitivo indireto:
Todos obedeceram às regras.
Ninguém desobedece às leis.

Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem “lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.
LÍNGUA PORTUGUESA

Proceder
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa segun-
da acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia como refutá-las.
Você procede muito mal.

Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição “de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela
preposição “a”) é transitivo indireto.

73
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.

Querer
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de, cobiçar.
Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.

Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.

Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.

No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.

Esquecer – Lembrar
Lembrar algo – esquecer algo
Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
transitivos indiretos:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alte-
ração de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos
tanto brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (= momentos é sujeito)

Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

2 Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os
LÍNGUA PORTUGUESA

nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:


Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).

74
Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php
LÍNGUA PORTUGUESA

75
que exige complemento regido pela preposição “a”, e o
termo regido é aquele que completa o sentido do termo
EXERCÍCIO COMENTADO regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).
Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – contratada recentemente.
Cespe – 2014 – adaptada) Após a junção da preposição com o artigo (destaca-
O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, sé- dos entre parênteses), temos:
ria e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contrata-
das estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e da recentemente.
culturais de todos os Estados e sociedades. Suas con-
sequências infligem considerável prejuízo às nações do O verbo referir, de acordo com sua transitividade,
mundo inteiro, e não são detidas por fronteiras: avançam classifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos
por todos os cantos da sociedade e por todos os espaços referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposi-
geográficos, afetando homens e mulheres de diferen- ção a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a +
tes grupos étnicos, independentemente de classe social o pronome demonstrativo aquela (àquela).
e econômica ou mesmo de idade. Questão de relevância
na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de dro- Observações importantes:
gas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
conexos — geralmente de caráter transnacional — com a confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns:
criminalidade e a violência. Esses fatores ameaçam a sobera-  Substitui-se a palavra feminina por uma masculina
nia nacional e afetam a estrutura social e econômica interna, equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a
devendo o governo adotar uma postura firme de combate crase está confirmada.
ao tráfico de drogas, articulando-se internamente e com a Os dados foram solicitados à diretora.
sociedade, de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanis- Os dados foram solicitados ao diretor.
mos de prevenção e repressão e garantir o envolvimento e a  No caso de nomes próprios geográficos, substi-
aprovação dos cidadãos. tui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso re-
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>. sulte na expressão “voltar da”, há a confirmação da
crase.
Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em Faremos uma visita à Bahia.
“com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)
do vocábulo “conexos”.
Não me esqueço da viagem a Roma.
( ) CERTO ( ) ERRADO Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja-
mais vividos.
Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevância
na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de Nas situações em que o nome geográfico se apresen-
drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos tar modificado por um adjunto adnominal, a crase está
crimes conexos — geralmente de caráter transnacional confirmada.
— com a criminalidade e a violência. Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas
O termo está se referindo à associação – associação praias.
do tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a crimi-
nalidade (2) (associação daquilo [1] com isso [2])
#FicaDica

EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou
CRASE. A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a
Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra
quê?)
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)
CRASE

A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais


idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a” Quando o nome de lugar estiver especificado, ocor-
com o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos rerá crase. Veja:
pronomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo
LÍNGUA PORTUGUESA

e com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
quais). Casos estes em que tal fusão encontra-se demar- Irei à Salvador de Jorge Amado.
cada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo,
à qual, às quais. A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
O uso do acento indicativo de crase está condiciona- aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo
do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal regente exigir complemento regido da preposição “a”.
e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo Entregamos a encomenda àquela menina.
regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome - (preposição + pronome demonstrativo)

76
Iremos àquela reunião. Antes de verbos no infinitivo.
(preposição + pronome demonstrativo) Ele estava a cantar.
Começou a chover.
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança) Antes de numeral.
(preposição + pronome demonstrativo) O número de aprovados chegou a cem.
Faremos uma visita a dez países.
A letra “a” que acompanha locuções femininas (ad-
verbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento Observações:
grave:  Nos casos em que o numeral indicar horas – fun-
 locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às cionando como uma locução adverbial feminina –
pressas, à vontade... ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove
 locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro- horas.
cura de...  Diante de numerais ordinais femininos a crase está
 locuções conjuntivas: à proporção que, à medida confirmada, visto que estes não podem ser empre-
que. gados sem o artigo: As saudações foram direciona-
das à primeira aluna da classe.
Cuidado: quando as expressões acima não exercerem  Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
a função de locuções não ocorrerá crase. Repare: essa não se apresentar determinada: Chegamos to-
Eu adoro a noite! dos exaustos a casa.
Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto
preposição. adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos
exaustos à casa de Marcela.
 Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa
Casos passíveis de nota:
indicar chão firme: Quando os navegantes regressa-
ram a terra, já era noite.
 A crase é facultativa diante de nomes próprios fe-
mininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
Contudo, se o termo estiver precedido por um de-
 Também é facultativa diante de pronomes posses-
terminante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase.
sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
Paulo viajou rumo à sua terra natal.
empresa.
O astronauta voltou à Terra.
 Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja
ficará aberta até as (às) dezoito horas.  Não ocorre crase antes de pronomes que reque-
 Constata-se o uso da crase se as locuções prepo- rem o uso do artigo.
sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se Os livros foram entregues a mim.
implícitas, mesmo diante de nomes masculinos: Dei a ela a merecida recompensa.
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
moda de Luís XV)  Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos
 Não se efetiva o uso da crase diante da locução à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o
adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana, uso da crase está confirmado no “a” que os antece-
observamos a queima de fogos a distância. de, no caso de o termo regente exigir a preposição.
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia.
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos  Não ocorre crase antes de nome feminino utiliza-
uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedes- do em sentido genérico ou indeterminado:
tre foi arremessado à distância de cem metros. Estamos sujeitos a críticas.
Refiro-me a conversas paralelas.
 De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
-, faz-se necessário o emprego da crase. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ensino à distância. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Ensino a distância. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
 Em locuções adverbiais formadas por palavras re- Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
petidas, não há ocorrência da crase. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Ela ficou frente a frente com o agressor. Paulo: Saraiva, 2010.
Eu o seguirei passo a passo.
LÍNGUA PORTUGUESA

SITE
Casos em que não se admite o emprego da crase: http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-cra-
se-.html
Antes de vocábulos masculinos.
As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Esta caneta pertence a Pedro.

77
Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di-
ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às
EXERCÍCIOS COMENTADOS receitas em queda por causa da crise = quem adapta,
adapta algo/alguém A algo/alguém.
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal –
Cespe – 2014 – adaptada) O acento indicativo de crase 3. (Fnde – Técnico em Financiamento e Execução de
em “à humanidade e à estabilidade” é de uso facultativo, Programas e Projetos Educacionais – cespe – 2012)
razão por que sua supressão não prejudicaria a correção O emprego do sinal indicativo de crase em “adequando
gramatical do texto. os objetivos às necessidades” justifica-se pela regência do
verbo adequar, que exige complemento regido pela pre-
( ) CERTO ( ) ERRADO posição “a”, e pela presença de artigo definido feminino
antes de “necessidades”.
Resposta: Errado. Retomemos o contexto: (...) O uso
indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e per- ( ) CERTO ( ) ERRADO
sistente ameaça à humanidade e à estabilidade das es-
truturas e valores políticos (...). Resposta: Certo. Adequar o quê? – os objetivos (obje-
O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já to direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às) neces-
que os termos “humanidade” e “estabilidade” comple- sidades – objeto indireto. A explicação do enunciado
mentam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?” está correta.
= a regência nominal pede preposição.
4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – ces-
2. (TCE-PA – Conhecimentos Básicos – AUDITOR DE pe – 2014 – adaptada) No trecho “deu início à sua ca-
CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL – Cespe – minhada cósmica”, o emprego do acento grave indicativo
2016) de crase é obrigatório.
Texto CB1A1BBB ( ) CERTO ( ) ERRADO
Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com Resposta: Errado. “deu início à sua caminhada cós-
o funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que
mica” – o uso do acento indicativo de crase, neste caso, é
estouraram o limite de gastos com pessoal fixado pela
facultativo (antes de pronome possessivo).
Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Res-
ponsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria
legislação destinada a assegurar, como alegam, maior ri-
COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS.
gor na gestão de suas finanças. Querem uma nova lei de
responsabilidade fiscal para, segundo argumentam, for-
talecer a estrutura legal que protege o dinheiro público
do mau uso por gestores irresponsáveis. PRONOME
Examinando-se a situação financeira dos estados que
preparam sua versão da lei de responsabilidade fiscal, Pronome é a palavra variável que substitui ou acom-
fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000, panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma
quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os forma.
demais, estão sujeitos a regras precisas para a gestão do O homem julga que é superior à natureza, por isso o
dinheiro público, para a criação de despesas e, em par- homem destrói a natureza...
ticular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo des- Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é
cumprido algumas dessas regras, estariam interessados superior à natureza, por isso ele a destrói...
em torná-las ainda mais rigorosas? Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter-
Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis mos (homem e natureza).
pelo dinheiro público que, por alguma razão, não a cum-
priram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigoro- Grande parte dos pronomes não possuem significa-
sa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação
sendo capazes de cumpri-la? O problema não está na dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a
lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais referência exata daquilo que está sendo colocado por
rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex-
a desfigure. O verdadeiro problema é a dificuldade do ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de-
setor público de adaptar suas despesas às receitas em mais pronomes têm por função principal apontar para as
LÍNGUA PORTUGUESA

queda por causa da crise. pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-


Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adapta- -lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude
ções). dessa característica, os pronomes apresentam uma for-
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da ma específica para cada pessoa do discurso.
regência do verbo “adaptar” e da presença do artigo de- Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
finido feminino determinando o substantivo “receitas”. [minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala]
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
( ) CERTO ( ) ERRADO

78
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se Frequentemente observamos a omissão do pronome
fala] reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. formas verbais marcam, através de suas desinências, as
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
se fala] boa viagem. (Nós)

Em termos morfológicos, os pronomes são palavras B) Pronome Oblíquo


variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em nú- Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
mero (singular ou plural). Assim, espera-se que a refe- sentença, exerce a função de complemento verbal
rência através do pronome seja coerente em termos de (objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
gênero e número (fenômeno da concordância) com o jeto indireto)
seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente no
enunciado. Observação:
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da O pronome oblíquo é uma forma variante do prono-
nossa escola neste ano. me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân- diversa que eles desempenham na oração: pronome reto
cia adequada] marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o
[neste: pronome que determina “ano” = concordân- complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem
cia adequada] variação de acordo com a acentuação tônica que pos-
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con- suem, podendo ser átonos ou tônicos.
cordância inadequada]
2. Pronome Oblíquo Átono
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos,
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô-
nica fraca: Ele me deu um presente.
1. Pronomes Pessoais
Lista dos pronomes oblíquos átonos
São aqueles que substituem os substantivos, indican-
1.ª pessoa do singular (eu): me
do diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou
2.ª pessoa do singular (tu): te
escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a
1.ª pessoa do plural (nós): nos
quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer 2.ª pessoa do plural (vós): vos
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala. 3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
ou do caso oblíquo. FIQUE ATENTO!
Os pronomes o, os, a, as assumem formas
A) Pronome Reto especiais depois de certas terminações ver-
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen- bais:
tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos 1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r,
flores. o pronome assume a forma lo, los, la ou las,
Os pronomes retos apresentam flexão de número, ao mesmo tempo que a terminação verbal é
gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl- suprimida. Por exemplo:
tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do fiz + o = fi-lo
discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é fazeis + o = fazei-lo
assim configurado: dizer + a = dizê-la
1.ª pessoa do singular: eu 2. Quando o verbo termina em som nasal, o
2.ª pessoa do singular: tu pronome assume as formas no, nos, na, nas.
3.ª pessoa do singular: ele, ela Por exemplo:
1.ª pessoa do plural: nós viram + o: viram-no
2.ª pessoa do plural: vós repõe + os = repõe-nos
3.ª pessoa do plural: eles, elas retém + a: retém-na
tem + as = tem-nas
LÍNGUA PORTUGUESA

Esses pronomes não costumam ser usados como


complementos verbais na língua-padrão. Frases como
“Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu B.2 Pronome Oblíquo Tônico
até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedi-
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for- dos por preposições, em geral as preposições a, para, de
mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon- e com. Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram- função de objeto indireto da oração. Possuem acentua-
-me até aqui”. ção tônica forte.

79
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: Lista dos pronomes reflexivos:
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo lembro disso.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
lherme já se preparou.
Observe que as únicas formas próprias do pronome Ela deu a si um presente.
tônico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa Antônio conversou consigo mesmo.
(ti). As demais repetem a forma do pronome pessoal do
caso reto. 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.

As preposições essenciais introduzem sempre pronomes 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. com esta conquista.
Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da língua
formal, os pronomes costumam ser usados desta forma: 3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
Não há mais nada entre mim e ti. conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
Não há nenhuma acusação contra mim.
Não vá sem mim. #FicaDica
O pronome é reflexivo quando se refere à
Há construções em que a preposição, apesar de sur-
mesma pessoa do pronome subjetivo (sujei-
gir anteposta a um pronome, serve para introduzir uma
to): Eu me arrumei e saí.
oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o ver-
É pronome recíproco quando indica re-
bo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro-
ciprocidade de ação: Nós nos amamos. /
nome, deverá ser do caso reto.
Olhamo-nos calados.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
O “se” pode ser usado como palavra exple-
Não vá sem eu mandar.
tiva ou partícula de realce, sem ser rigoro-
samente necessária e sem função sintática:
A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!”
Os exploradores riam-se de suas tentativas. /
está correta, já que “para mim” é complemento de “fá-
Será que eles se foram?
cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil
para mim!

A combinação da preposição “com” e alguns prono- C) Pronomes de Tratamento


mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi- São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri-
go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por-
frequentemente exercem a função de adjunto adverbial tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira
de companhia: Ele carregava o documento consigo. pessoa. Alguns exemplos:
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas: Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais
Ela veio até mim, mas nada falou. Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e reli-
Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de giosos em geral
inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente supe-
prova, até eu! (= inclusive eu) rior à de coronel, senadores, deputados, embaixadores,
professores de curso superior, ministros de Estado e de
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas Tribunais, governadores, secretários de Estado, presiden-
por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes- te da República (sempre por extenso)
soais são reforçados por palavras como outros, mesmos, Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universida-
próprios, todos, ambos ou algum numeral. des
Você terá de viajar com nós todos. Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores
Estávamos com vós outros quando chegaram as más Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, ofi-
notícias. ciais até a patente de coronel, chefes de seção e funcio-
Ele disse que iria com nós três. nários de igual categoria
LÍNGUA PORTUGUESA

Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes


3. Pronome Reflexivo de direito
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento
São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun- cerimonioso
cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus
sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe
a ação expressa pelo verbo.

80
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se-
NÚMERO PESSOA PRONOME
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são em-
pregados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, singular primeira meu(s), minha(s)
no tratamento familiar. Você e vocês são largamente em- singular segunda teu(s), tua(s)
pregados no português do Brasil; em algumas regiões, a
forma tu é de uso frequente; em outras, pouco emprega- singular terceira seu(s), sua(s)
da. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, plural primeira nosso(s), nossa(s)
ultraformal ou literária.
plural segunda vosso(s), vossa(s)
Observações: plural terceira seu(s), sua(s)
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
tratamento que possuem “Vossa(s)” são emprega- Note que:
dos em relação à pessoa com quem falamos: Es- A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
pero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este a que se refere; o gênero e o número concordam com o
encontro. objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
naquele momento difícil.
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram Observações:
que Sua Excelência, o Senhor Presidente da Repúbli- 1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
ca, agiu com propriedade. tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
3. Os pronomes de tratamento representam uma for- obrigado, seu José.
ma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlo-
cutores. Ao tratarmos um deputado por Vossa Ex- 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
celência, por exemplo, estamos nos endereçando à posse. Podem ter outros empregos, como:
excelência que esse deputado supostamente tem A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
para poder ocupar o cargo que ocupa. B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
anos.
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
2.ª pessoa, toda a concordância deve ser feita lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
com a 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes
possessivos e os pronomes oblíquos empregados 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
em relação a eles devem ficar na 3.ª pessoa. o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas pro- celência trouxe sua mensagem?
messas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhe-
cidos. 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos livros e anotações.
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar,
ao longo do texto, a pessoa do tratamento esco- 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
lhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começa- oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
mos a chamar alguém de “você”, não poderemos seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, ver-
bo na terceira pessoa. 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos para que não ocorra redundância: Coloque tudo
teus cabelos. (errado) nos respectivos lugares.

Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos 5. Pronomes Demonstrativos


seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
ou São utilizados para explicitar a posição de certa pa-
lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.
teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular A) Em relação ao espaço:
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da
pessoa que fala:
LÍNGUA PORTUGUESA

4. Pronomes Possessivos
Este material é meu.
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
(possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da
(coisa possuída). pessoa com quem se fala:
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do Esse material em sua carteira é seu?
singular)

81
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está  mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s):
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com variam em gênero quando têm caráter reforçativo:
quem se fala: Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
Aquele material não é nosso. Eu mesma refiz os exercícios.
Vejam aquele prédio! Elas mesmas fizeram isso.
Eles próprios cozinharam.
B) Em relação ao tempo: Os próprios alunos resolveram o problema.
Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em
relação à pessoa que fala:  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
Esta manhã farei a prova do concurso!  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.

Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
rém relativamente próximo à época em que se situa a eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
pessoa que fala: (ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen- à mencionada em primeiro lugar.
to no tempo, referido de modo vago ou como tempo 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
remoto: irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Naquele tempo, os professores eram valorizados.
3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de,
C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se em com pronome demonstrativo: àquele, àquela,
falará ou escreverá): deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer que estava vendo. (no = naquilo)
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se fa-
lará: 6. Pronomes Indefinidos
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática,
ortografia, concordância. São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur-
so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende quantidade indeterminada.
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais deseja- -plantadas.
mos!
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pes-
Este e aquele são empregados quando se quer fazer soa de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao forma imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar
termo referido em primeiro lugar e este para o referido um ser humano que seguramente existe, mas cuja iden-
por último: tidade é desconhecida ou não se quer revelar. Classifi-
cam-se em:
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau-
lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
Paulo], aquele [Palmeiras]) lugar do ser ou da quantidade aproximada de se-
res na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano,
ou beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Algo o incomoda?
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Quem avisa amigo é.
lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São
Paulo], aquele [Palmeiras]) B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
invariáveis, observe: certa(s).
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), Cada povo tem seus costumes.
aquela(s). Certas pessoas exercem várias profissões.
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Também aparecem como pronomes demonstrativos: Note que:
 o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro-
LÍNGUA PORTUGUESA

e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), nomes indefinidos adjetivos:


aquilo. algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, mui-
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disses- tos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, ne-
te.) nhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal,
indiquei.) tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s),
vários, várias.

82
Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco.

Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis e invariáveis. Observe:


 Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pou-
ca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros,
quantos, algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, algo, cada.

*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo querer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo plural é
feito em seu interior).
Todo e toda no singular e junto de artigo significa inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
Trabalho todo dia. (= todos os dias)

São locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja
quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
Cada um escolheu o vinho desejado.

7. Pronomes Relativos

São aqueles que representam nomes já mencionados anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem as
orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros.
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = oração subordinada adjetiva).

O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome demonstrativo o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso.
Quem casa, quer casa.

Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
quantas.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.

Note que:
O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser substi-
tuído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)

O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem ter várias classificações) são pronomes relativos.
Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas preposições:
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”, neste caso, geraria
ambiguidade. Veja: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou encantado (quem me deixou
encantado: o sítio ou minha tia?).
LÍNGUA PORTUGUESA

Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utiliza-se
o qual / a qual)

O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou
de ser poeta, que era a sua vocação natural.

83
O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o consequente
(o ser possuído, com o qual concorda em gênero e número); não se usa artigo depois deste pronome; “cujo” equivale
a do qual, da qual, dos quais, das quais.
Existem pessoas cujas ações são nobres.
(antecedente) (consequente)

Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (referiu-se a)

“Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
Emprestei tantos quantos foram necessários.
(antecedente)
Ele fez tudo quanto havia falado.
(antecedente)

O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre precedido de preposição.


É um professor a quem muito devemos.
(preposição)

“Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa
onde morava foi assaltada.

Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em que: Sinto saudades da época em que (quando) morávamos
no exterior.

Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:


 como (= pelo qual) – desde que precedida das palavras modo, maneira ou forma:
Não me parece correto o modo como você agiu semana passada.

 quando (= em que) – desde que tenha como antecedente um nome que dê ideia de tempo:
Bons eram os tempos quando podíamos jogar videogame.

Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa só frase.


O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente
que conversava, (que) ria, observava.

8. Pronomes Interrogativos

São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações),
quanto (e variações).
Com quem andas?
Qual seu nome?
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.

O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
quando desempenha função de complemento.
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe ajudar.

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
LÍNGUA PORTUGUESA

a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).

Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
diferentemente dos segundos, que são sempre precedidos de preposição.
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu estava fazendo.
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que eu estava fazendo.

84
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa verbo. A mesóclise é usada:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam
Paulo: Saraiva, 2010. precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos:
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. prol da paz no mundo.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece-
São Paulo: Saraiva, 2002. ria. Veja: Não se realizará...
Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
SITE nessa viagem.
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
morf42.php (com presença de palavra que justifique o uso de pró-
clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
nharia nessa viagem).
9. Colocação Pronominal
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
pronomes oblíquos átonos na frase. forem possíveis:
 Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
Quando eu avisar, silenciem-se todos.
 Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal:
#FicaDica Não era minha intenção machucá-la.
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a  Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não
função de complemento verbal (objeto). Por se inicia período com pronome oblíquo).
isso, memorize: Vou-me embora agora mesmo.
OBlíquo = OBjeto! Levanto-me às 6h.
 Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
no concurso, mudo-me hoje mesmo!
 Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a
Embora na linguagem falada a colocação dos prono- proposta fazendo-se de desentendida.
mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
devem ser observadas na linguagem escrita. 10. Colocação pronominal nas locuções verbais
Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo.
 Após verbo no particípio = pronome depois do
A próclise é usada:
verbo auxiliar (e não depois do particípio):
Tenho me deliciado com a leitura!
 Quando o verbo estiver precedido de palavras
Eu tenho me deliciado com a leitura!
que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
Eu me tenho deliciado com a leitura!
A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
 Não convém usar hífen nos tempos compostos e
jamais, etc.: Não se desespere!
nas locuções verbais:
B) Advérbios: Agora se negam a depor.
C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli- Vamos nos unir!
quem tudo! Iremos nos manifestar.
D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se  Quando há um fator para próclise nos tempos
esforçou. compostos ou locuções verbais: opção pelo uso
E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportu- do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não
nidade. vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos preo-
F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito. cupar”).

 Orações iniciadas por palavras interrogativas: 11. Emprego de o, a, os, as


Quem lhe disse isso?
 Orações iniciadas por palavras exclamativas:  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
LÍNGUA PORTUGUESA

Quanto se ofendem! os pronomes: o, a, os, as não se alteram.


 Orações que exprimem desejo (orações optativas): Chame-o agora.
Que Deus o ajude. Deixei-a mais tranquila.
 A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro-  Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan-
nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
material amanhã. / Tu sabes cantar? (Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.

85
 Em verbos terminados em ditongos nasais (am, O estudo da pontuação pode se tornar um valioso
em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se aliado para organizarmos as ideias de maneira clara em
para no, na, nos, nas. frases. Para tanto, é necessário ter alguma noção de sin-
Chamem-no agora. taxe. “Sintaxe”, conforme o dicionário Aurélio, é a “parte
Põe-na sobre a mesa. da gramática que estuda a disposição das palavras na
frase e a das frases no discurso, bem como a relação ló-
gica das frases entre si”; ou em outras palavras, sintaxe
#FicaDica quer dizer “mistura”, isto é, saber misturar as palavras de
maneira a produzirem um sentido evidente para os re-
Dica da Zê! ceptores das nossas mensagens. Observe:
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que 1. A desemprego globalização no Brasil e no na está
significa “antes”! Pronome antes do verbo! Latina América causando.
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, 2. A globalização está causando desemprego no Brasil
em Inglês – que significa “fim, final!). Prono- e na América Latina.
me depois do verbo!
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma
verbo frase, as palavras estão amontoadas sem a realização
de “uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem
relação inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ocorreu de maneira perfeita e o sentido está claro para
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa receptores de língua portuguesa inteirados da situação
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. econômica e cultural do mundo atual.
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São 1. A Ordem dos Termos na Frase
Paulo: Saraiva, 2010.
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que
SITE ela é organizada de maneira clara para produzir sentido.
http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao- Todavia, há diferentes maneiras de se organizar grama-
-pronominal-.html ticalmente tal frase, tudo depende da necessidade ou da
vontade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo,
Observação: Não foram encontradas questões porém, acrescentado ênfase a algum dos seus termos.
abrangendo tal conteúdo. Significa dizer que, ao escrever, podemos fazer uma série
de inversões e intercalações em nossas frases, confor-
me a nossa vontade e estilo. Tudo depende da maneira
REESCRITA DE FRASES E PARÁGRAFOS
como queremos transmitir uma ideia, do nosso estilo.
DO TEXTO. Por exemplo, podemos expressar a mensagem da frase
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS. 2 da seguinte maneira:
SUBSTITUIÇÃO DE PALAVRAS OU DE No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-
TRECHOS DE TEXTO. sando desemprego.
REORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA DE
ORAÇÕES E DE PERÍODOS DO TEXTO. Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma,
apenas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase
a alguns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repa-
re que, para obter a clareza tivemos que fazer o uso de
REESCRITA DE TEXTOS/EQUIVALÊNCIA DE ES- vírgulas.
TRUTURAS Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado
e o que mais nos auxilia na organização de um período,
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase
pois facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a
leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um
vírgula ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando pro-
texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmente
duzimos frases complexas. Com isto, “entregamos” frases
devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar e,
bem organizadas aos nossos leitores.
posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo,
O básico para a organização sintática das frases é a
do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem
ordem direta dos termos da oração. Os gramáticos es-
acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e
truturam tal ordem da seguinte maneira:
a experiência de vida antecedem o ato de escrever.
LÍNGUA PORTUGUESA

Obtido um razoável conhecimento sobre o que ire-


SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+
mos escrever, feito o esquema de exposição da matéria,
CIRCUNSTÂNCIAS
é necessário saber ordenar as ideias em frases bem es-
truturadas. Logo, não basta conhecer bem um determi-
A globalização + está causando+ desemprego + no
nado assunto, temos que o transmitir de maneira clara
Brasil nos dias de hoje.
aos leitores.

86
Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem A globalização causa, o desemprego.
todas contêm todos estes elementos, portanto cabem
algumas observações: Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre
A) As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.) os termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas,
normalmente são representadas por adjuntos adverbiais assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é
de tempo, lugar, etc. Note que, no mais das vezes, quan- a regra básica n.º 2 para a colocação da vírgula. Dito em
do queremos recordar algo ou narrar uma história, existe outras palavras: quando intercalamos expressões e frases
a tendência a colocar os adjuntos nos começos das fra- entre os termos da oração, devemos isolar os mesmos
ses: com vírgulas. Vejamos:
“No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas A globalização, fenômeno econômico deste fim de sé-
minhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos culo XX, causa desemprego no Brasil.
e outros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o
existe…” sujeito e o verbo.
Outros exemplos:
Observações: A globalização, que é um fenômeno econômico e cul-
Tais construções não estão erradas, mas rompem com tural, está causando desemprego no Brasil e na América
a ordem direta; Latina.
É preciso notar que em Língua Portuguesa, há mui- Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada.
tas frases que não têm sujeito, somente predicado. Por As orações adjetivas explicativas desempenham fre-
exemplo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Fri- quentemente um papel semelhante ao do aposto expli-
burgo. São quatro horas agora; cativo, por isto são também isoladas por vírgula.
Outras frases são construídas com verbos intransiti- A globalização causa, caro leitor, desemprego no Bra-
vos, que não têm complemento: sil…
O menino morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ ad- Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o
junto adverbial) seu complemento.
A globalização nasceu no século XX. (idem)
Há ainda frases nominais que não possuem verbos: A globalização causa desemprego, e isto é lamentável,
cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a or- no Brasil…
dem direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os ter- Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não
mos existentes nelas. pertence ao assunto: globalização, da frase principal, tal
oração é apenas um comentário à parte entre o comple-
Levando em consideração a ordem direta, podemos mento verbal e os adjuntos).
estabelecer três regras básicas para o uso da vírgula: Observação:
A simples negação em uma frase não exige vírgula: A
Se os termos estão colocados na ordem direta não globalização não causou desemprego no Brasil e na Amé-
haverá a necessidade de vírgulas. A frase 2 é um exem- rica Latina.
plo disto:
A globalização está causando desemprego no Brasil e C) Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-
na América Latina. -a, tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a regra n.º
3 da colocação da vírgula.
Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da ora- No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-
ção por três vezes ou mais, então é necessário usar a vír- sando desemprego…
gula, mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta No fim do século XX, a globalização causou desempre-
é a regra básica n.º1 para a colocação da vírgula. Veja: go no Brasil…
A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira”
causam desemprego… Nota-se que a quebra da ordem direta frequente-
(três núcleos do sujeito) mente se dá com a colocação das circunstâncias antes
do sujeito. Trata-se da ordem inversa. Estas circunstân-
A globalização causa desemprego no Brasil, na Améri- cias, em gramática, são representadas pelos adjuntos ad-
ca Latina e na África. verbiais. Muitas vezes, elas são colocadas em orações
(três adjuntos adverbiais) chamadas adverbiais que têm uma função semelhante
a dos adjuntos adverbiais, isto é, denotam tempo, lugar,
A globalização está causando desemprego, insatisfa- etc. Exemplos:
ção e sucateamento industrial no Brasil e na América Lati- Quando o século XX estava terminando, a globalização
LÍNGUA PORTUGUESA

na. (três complementos verbais) começou a causar desemprego.


Enquanto os países portadores de alta tecnologia de-
B) Em princípio, não devemos, na ordem direta, sepa- senvolvem-se, a globalização causa desemprego nos paí-
rar com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo e o seu ses pobres.
complemento, nem o complemento e as circunstâncias, Durante o século XX, a Globalização causou desempre-
ou seja, não devemos separar com vírgula os termos da go no Brasil.
oração. Veja exemplos de tal incorreção:
O Brasil, será feliz.

87
Observação: B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e
Quanto à equivalência e transformação de estruturas, diferentes na escrita:
um exemplo muito comum cobrado em provas é o enun- acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmoni-
ciado trazer uma frase no singular e pedir a passagem zar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (ar-
para o plural, mantendo o sentido. Outro exemplo é a reio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio)
mudança de tempos verbais. e passo (andar).

SITE C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou


http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estu- perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pronúncia:
dos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/ caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e
cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo).
 Parônimos = palavras com sentidos diferentes,
SIGNIFICADO DAS PALAVRAS porém de formas relativamente próximas. São pa-
lavras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta
Semântica é o estudo da significação das palavras e (receptáculo de vime; cesta de basquete/esporte) e
das suas mudanças de significação através do tempo ou sesta (descanso após o almoço), eminente (ilustre)
em determinada época. A maior importância está em dis- e iminente (que está para ocorrer), osso (substan-
tinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e tivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ou verbo
homônimos e parônimos (homonímia / paronímia). “ser” no imperativo) e cede (verbo), comprimen-
to (medida) e cumprimento (saudação), autuar
1. Sinônimos (processar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e
infringir (violar), deferir (atender a) e diferir (diver-
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfa- gir), suar (transpirar) e soar (emitir som), aprender
beto - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar (conhecer) e apreender (assimilar; apropriar-se de),
- abolir. tráfico (comércio ilegal) e tráfego (relativo a movi-
Duas palavras são totalmente sinônimas quando são mento, trânsito), mandato (procuração) e manda-
substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (cara do (ordem), emergir (subir à superfície) e imergir
e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quan- (mergulhar, afundar).
do, ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela
outra, em deteminado enunciado (aguadar e esperar). 4. Hiperonímia e Hiponímia

Observação: Hipônimos e hiperônimos são palavras que perten-


A contribuição greco-latina é responsável pela exis- cem a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo
tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o
antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemici- hiperônimo, mais abrangente.
clo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diá- O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipô-
logo; transformação e metamorfose; oposição e antítese. nimo, criando, assim, uma relação de dependência se-
mântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hi-
2. Antônimos peronímia com carros, já que veículos é uma palavra de
significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões.
São palavras que se opõem através de seu significa- Veículos é um hiperônimo de carros.
do: ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - cen- Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em
surar; mal - bem. quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili-
zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita
Observação: a repetição desnecessária de termos.
A antonímia pode se originar de um prefixo de sen-
tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e antico- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
munista; simétrico e assimétrico. Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
3. Homônimos e Parônimos Paulo: Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
 Homônimos = palavras que possuem a mesma ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
grafia ou a mesma pronúncia, mas significados di- XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
LÍNGUA PORTUGUESA

ferentes. Podem ser Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000.

A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife- SITE


rentes na pronúncia: http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher -antonimos,-homonimos-e-paronimos
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e de-
nuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo).

88
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Exemplos de variação no significado das palavras: Paulo: Saraiva, 2010.
Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido
literal) SITE
Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denota-
figurado) cao/
Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
As variações nos significados das palavras ocasionam
o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo POLISSEMIA
(conotação) das palavras.
Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir
A) Denotação multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de
Uma palavra é usada no sentido denotativo quando um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra,
apresenta seu significado original, independentemente mas que abarca um grande número de significados den-
do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significa- tro de seu próprio campo semântico.
do mais objetivo e comum, aquele imediatamente reco- Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo per-
nhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado cebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de
que aparece nos dicionários, sendo o significado mais li- algo. Possibilidades de várias interpretações levando-
teral da palavra. -se em consideração as situações de aplicabilidade. Há
A denotação tem como finalidade informar o recep- uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a
tor da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo ocorrência da polissemia:
um caráter prático. É utilizada em textos informativos, O rapaz é um tremendo gato.
como jornais, regulamentos, manuais de instrução, bu- O gato do vizinho é peralta.
las de medicamentos, textos científicos, entre outros. A Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
palavra “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
apenas um pedaço de madeira. Outros exemplos: sobrevivência
O elefante é um mamífero. O passarinho foi atingido no bico.
As estrelas deixam o céu mais bonito!
Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de
B) Conotação computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em co-
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando mum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de
apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes “entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”,
interpretações, dependendo do contexto em que esteja que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão”
inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões
vão além do sentido original da palavra, ampliando sua é o formato quadriculado que têm.
significação mediante a circunstância em que a mesma
é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico. 1. Polissemia e homonímia
Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido co-
notativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau), re- A confusão entre polissemia e homonímia é bastante co-
provação (tomei pau no concurso). mum. Quando a mesma palavra apresenta vários significados,
A conotação tem como finalidade provocar sentimen- estamos na presença da polissemia. Por outro lado, quando
tos no receptor da mensagem, através da expressividade duas ou mais palavras com origens e significados distintos
e afetividade que transmite. É utilizada principalmente têm a mesma grafia e fonologia, temos uma homonímia.
numa linguagem poética e na literatura, mas também A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode
ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não
anúncios publicitários, entre outros. Exemplos: é polissemia porque os diferentes significados para a
Você é o meu sol! palavra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma
Minha vida é um mar de tristezas. palavra polissêmica: pode significar o elemento básico
Você tem um coração de pedra! do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de um
determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes signifi-
cados estão interligados porque remetem para o mesmo
#FicaDica conceito, o da escrita.
Procure associar Denotação com Dicionário:
LÍNGUA PORTUGUESA

trata-se de definição literal, quando o termo 2. Polissemia e ambiguidade


é utilizado com o sentido que consta no di-
cionário. Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto
na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado
pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma in-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS terpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa colocação específica de uma palavra (por exemplo, um
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase:

89
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada fre- d) O país obrigou‐se a recorrer a um programa de racio-
quentemente são felizes. namento.
Neste caso podem existir duas interpretações dife- e) O Brasil optou por um programa de racionamento.
rentes:
As pessoas têm alimentação equilibrada porque são Resposta: Letra E. “o país teve de recorrer a um pro-
felizes ou são felizes porque têm uma alimentação equi- grama de racionamento”. Assinale a opção que apre-
librada. senta a forma de reescrever esse segmento, QUE
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ALTERA O SEU SENTIDO ORIGINAL.
ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma Em “a”: O Brasil foi obrigado a recorrer a um progra-
interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito ma de racionamento = mesmo sentido.
importante saber qual o contexto em que a frase é pro- Em “b”: O país teve como recurso recorrer a um pro-
ferida. grama de racionamento = mesmo sentido.
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção Em “c”: O Brasil foi levado a recorrer a um programa
do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, de racionamento = mesmo sentido.
comicidade. Repare na figura abaixo: Em “d”: O país obrigou‐se a recorrer a um programa
de racionamento = mesmo sentido.
Em “e”: O Brasil optou por um programa de raciona-
mento = mudança de sentido (segundo o enunciado,
o país não teve outra opção a não ser recorrer. Na al-
ternativa, provavelmente havia outras opções, e o país
escolheu a de “recorrer”).

Análise e Tipo de Discurso

A Análise do Discurso é uma prática da linguística no


(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto- campo da Comunicação, e consiste em analisar a estru-
-cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014). tura de um texto e, a partir disto, compreender as cons-
truções ideológicas presentes no mesmo.
Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, O discurso em si é uma construção linguística atre-
mas duas seriam: lada ao contexto social no qual o texto é desenvolvido.
Corte e coloração capilar Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são
ou diretamente determinadas pelo contexto político-social
Faço corte e pintura capilar em que vive o seu autor. Mais que uma análise textual, a
análise do Discurso é uma análise contextual da estrutura
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS discursiva em questão.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- Michel Foucault descreveu a Ordem do Discurso
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São como uma construção de características sociais. A so-
Paulo: Saraiva, 2010. ciedade que promove o contexto do discurso analisado
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa é a base de toda a estrutura do texto, atrelando, deste
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. modo, todo e qualquer elemento que possa fazer parte
do sentido do discurso. O texto só pode assim ser cha-
SITE mado se o seu receptor for capaz de compreender o seu
http://www.brasilescola.com/gramatica/polissemia. sentido, e isto cabe ao autor do texto e à atenção que o
htm mesmo der ao contexto da construção de seu discurso. É
a relação básica para a existência da comunicação verbal:
emissão – recepção – compreensão.
EXERCÍCIO COMENTADO As práticas discursivas geram também outros âmbitos
de análise do discurso, como o Universo de Concorrên-
cias, que consiste na competição entre vários emissores
1. (SUSAM-AM – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
para atingir um mesmo público-alvo. A partir disto, os
FGV – 2014) “o país teve de recorrer a um programa de
emissores precisam inteirar-se do contexto da vida do
racionamento”. Assinale a opção que apresenta a forma
seu receptor, para que deste modo possam interpelá-lo
de reescrever esse segmento, que altera o seu sentido segundo sua própria ideologia, fazendo com que sua
original.
LÍNGUA PORTUGUESA

mensagem seja recebida e assimilada pelo receptor sem


que o mesmo perceba que está sendo alvo de uma ten-
a) O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de tativa de convencimento, por assim dizer.
racionamento. Dentro da análise do Discurso há também o discurso
b) O país teve como recurso recorrer a um programa estético, feito por meio de imagens, e que interpelam o
de racionamento. indivíduo através de sua sensibilidade, que está ligada ao
c) O Brasil foi levado a recorrer a um programa de racio- seu contexto também. A sensibilidade de um indivíduo
namento. se define a partir do que, ao longo de sua vida, torna-se

90
importante e desperta-lhe sentimentos. Com isto, pode- 1.2. Níveis de Linguagem
mos analisar as artes produzidas em diferentes épocas
da história em todo o mundo e perceber as diferentes A língua é um código de que se serve o homem para
formas de interpelação e contextualidade presentes nas elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica-
mesmas. O discurso estético tem a mesma capacidade mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas
ideológica que o discurso verbal, com a vantagem de funcionais:
atingir o indivíduo esteticamente, o que pode render A) a língua funcional de modalidade culta, lín-
muito mais rapidamente o sucesso do discurso aplicado. gua culta ou língua-padrão, que compreende a língua
A partir na análise de todos os aspectos do discurso literária, tem por base a norma culta, forma linguística
chega-se ao mais importante: o sentido. O sentido do utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma
discurso não é fixo, por vários motivos: pelo contexto, sociedade. Constitui, em suma, a língua utilizada pelos
pela estética, pela ordem do discurso, pela sua forma de veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio
construção. O sentido do discurso encontra-se sempre e televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja
em aberto para a possibilidade de interpretação do seu função é a de serem aliados da escola, prestando serviço
receptor. O efeito do discurso é, claramente, transmitir à sociedade, colaborando na educação;
uma mensagem e alcançar um objetivo premeditado B) a língua funcional de modalidade popular; lín-
através da interpretação e interpelação do indivíduo alvo. gua popular ou língua cotidiana, que apresenta grada-
ções as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão.
1. Tipos de Discurso: direto, indireto e indireto li-
vre 1.3. Norma culta

1.1. Vozes do Discurso A norma culta, forma linguística que todo povo ci-
vilizado possui, é a que assegura a unidade da língua
Ao lermos um texto, observamos que há um narrador nacional. E justamente em nome dessa unidade, tão im-
- que é quem conta o fato. Esse locutor ou narrador pode portante do ponto de vista político--cultural, que é ensi-
introduzir outras vozes no texto para auxiliar a narrativa. nada nas escolas e difundida nas gramáticas. Sendo mais
Para fazer a introdução dessas outras vozes no texto, a espontânea e criativa, a língua popular afigura-se mais
voz principal ou privilegiada - o narrador - usa o que cha- expressiva e dinâmica. Temos, assim, à guisa de exem-
mamos de discurso. O que vem a ser discurso dentro do plificação:
texto? É a forma como as falas são inseridas na narrativa. Estou preocupado. (norma culta)
Ele pode ser classificado em: direto, indireto e indireto Tô preocupado. (língua popular)
livre. Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)

A) Discurso direto: reproduz fiel e literalmente algo Não basta conhecer apenas uma modalidade de
dito por alguém. Um bom exemplo de discurso direto língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a
são as citações ou transcrições exatas da declaração de espontaneidade, expressividade e enorme criatividade,
alguém. para viver; urge conhecer a língua culta para conviver.
 Primeira pessoa (eu, nós) – é o narrador quem fala, Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das
usando aspas ou travessões para demarcar que normas da língua culta.
está reproduzindo a fala de outra pessoa: “Não
gosto disso” – disse a menina em tom zangado. 1.4. O conceito de erro em língua

B) Discurso indireto: o narrador, usando suas pró- Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos
prias palavras, conta o que foi dito por outra pessoa. Te- casos de ortografia. O que normalmente se comete são
mos então uma mistura de vozes, pois as falas dos per- transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num
sonagens passam pela elaboração da fala do narrador. momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele
 Terceira pessoa - ele(s), ela(s) – O narrador só usa falar”, não comete propriamente erro; na verdade, trans-
sua própria voz, o que foi dito pela personagem gride a norma culta.
passa pela elaboração do narrador. Não há uma Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua
pontuação específica que marque o discurso in- fala, transgride tanto quanto um indivíduo que compare-
direto: A menina disse em tom zangado, que não ce a um banquete trajando xortes ou quanto um banhis-
gostava daquilo. ta, numa praia, vestido de fraque e cartola.
Releva considerar, assim, o momento do discurso, que
C) Discurso indireto livre: É um discurso no qual há pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é
LÍNGUA PORTUGUESA

uma maior liberdade, o narrador insere a fala do perso- o das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre
nagem de forma sutil, sem fazer uso das marcas do dis- amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são consi-
curso direto. É necessário que se tenha atenção para não deradas perfeitamente normais construções do tipo:
confundir a fala do narrador com a fala do personagem, Eu não vi ela hoje.
pois esta surge de repente em meio à fala do narrador: A Ninguém deixou ele falar.
menina perambulava pela sala irritada e zangada. Eu não Deixe eu ver isso!
gosto disso! E parecia que ninguém a ouvia. Eu te amo, sim, mas não abuse!
Não assisti o filme nem vou assisti-lo.

91
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo. A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação
Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a (melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no
norma culta, deixando mais livres os interlocutores. decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos,
O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a moda-
é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se lidade mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e
por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita a transfor-
seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções mações e a evoluções.
se alteram: Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em impor-
Eu não a vi hoje. tância. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar
Ninguém o deixou falar. a língua falada com base na língua escrita, considerada
Deixe-me ver isso! superior. Decorrem daí as correções, as retificações, as
Eu te amo, sim, mas não abuses! emendas, a que os professores sempre estão atentos.
Não assisti ao filme nem vou assistir a ele. Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos-
Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe. trando as características e as vantagens de uma e outra,
sem deixar transparecer nenhum caráter de superiorida-
Considera-se momento neutro o utilizado nos veí- de ou inferioridade, que em verdade inexiste.
culos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na
revista, etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou língua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação
transgressões da norma culta na pena ou na boca de de línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de
jornalistas, quando no exercício do trabalho, que deve dialetos, consequência natural do enorme distanciamen-
refletir serviço à causa do ensino. to entre uma modalidade e outra.
O momento solene, acessível a poucos, é o da arte A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-ela-
poética, caracterizado por construções de rara beleza. borada que a língua falada, porque é a modalidade que
Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume. mantém a unidade linguística de um povo, além de ser
Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa
a que faz o pensamento atravessar o espaço e o tem-
de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta
po. Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será
o comete, passando, assim, a constituir fato linguístico
possível sem a língua escrita, cujas transformações, por
registro de linguagem definitivamente consagrado pelo
isso mesmo, processam-se lentamente e em número
uso, ainda que não tenha amparo gramatical. Exemplos:
consideravelmente menor, quando cotejada com a mo-
Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!)
dalidade falada.
Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir)
Importante é fazer o educando perceber que o nível
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos
dispersar e Não vamos dispersar-nos) da linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo
Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho com a situação em que se desenvolve o discurso.
de sair daqui bem depressa) O ambiente sociocultural determina o nível da lingua-
O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no gem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pro-
seu posto) núncia e até a entoação variam segundo esse nível. Um
padre não fala com uma criança como se estivesse em
As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos uma missa, assim como uma criança não fala como um
impedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são adulto. Um engenheiro não usará um mesmo discurso,
exemplos também de transgressões ou “erros” que se ou um mesmo nível de fala, para colegas e para pedrei-
tornaram fatos linguísticos, já que só correm hoje porque ros, assim como nenhum professor utiliza o mesmo nível
a maioria viu tais verbos como derivados de pedir, que de fala no recesso do lar e na sala de aula.
tem início, na sua conjugação, com peço. Tanto bastou Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre
para se arcaizarem as formas então legítimas impido, des- esses níveis, destacam-se em importância o culto e o co-
pido e desimpido, que hoje nenhuma pessoa bem-escolari- tidiano, a que já fizemos referência.
zada tem coragem de usar.
Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe- REESCRITA DE TEXTOS DE DIFERENTES
rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que GÊNEROS E NÍVEIS DE FORMALIDADE.
deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases CORRESPONDÊNCIA OFICIAL (CONFOR-
da língua popular para a língua culta”. ME MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊN-
Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a CIA DA REPÚBLICA).
uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada
conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a
norma culta.
LÍNGUA PORTUGUESA

O que é Redação Oficial


1.5. Língua escrita e língua falada - Nível de lin-
guagem Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a
maneira pela qual o Poder Público redige atos normati-
A língua escrita, estática, mais elaborada e menos vos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de
econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua vista do Poder Executivo.
falada.

92
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoa- Apresentadas essas características fundamentais da
lidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, con- redação oficial, passemos à análise pormenorizada de
cisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente cada uma delas.
esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe,
no artigo 37: “A administração pública direta, indireta 1. A Impessoalidade
ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala,
aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, quer pela escrita. Para que haja comunicação, são neces-
publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a im- sários: a) alguém que comunique, b) algo a ser comuni-
pessoalidade princípios fundamentais de toda adminis- cado, e c) alguém que receba essa comunicação. No caso
tração pública, claro está que devem igualmente nortear da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço
a elaboração dos atos e comunicações oficiais. Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Depar-
Não se concebe que um ato normativo de qualquer tamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é
natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão
impossibilite sua compreensão. A transparência do sen- que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o
tido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão públi-
são requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável co, do Executivo ou dos outros Poderes da União.
que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos. Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que
A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e deve ser dado aos assuntos que constam das comunica-
concisão. ções oficiais decorre:
Além de atender à disposição constitucional, a forma a) da ausência de impressões individuais de quem co-
dos atos normativos obedece a certa tradição. Há nor- munica: embora se trate, por exemplo, de um expediente
mas para sua elaboração que remontam ao período de assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em
nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigato- nome do Serviço Público que é feita a comunicação. Ob-
riedade – estabelecida por decreto imperial de 10 de de-
tém-se, assim, uma desejável padronização, que permite
zembro de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos,
que comunicações elaboradas em diferentes setores da
o número de anos transcorridos desde a Independência.
Administração guardem entre si certa uniformidade;
Essa prática foi mantida no período republicano. Esses
b) da impessoalidade de quem recebe a comunica-
mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformida-
ção, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um
de, concisão e uso de linguagem formal) aplicam-se às
cidadão, sempre concebido como público, ou a outro ór-
comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma
gão público. Nos dois casos, temos um destinatário con-
única interpretação e ser estritamente impessoais e uni-
formes, o que exige o uso de certo nível de linguagem. cebido de forma homogênea e impessoal;
Nesse quadro, fica claro também que as comuni- c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se
cações oficiais são necessariamente uniformes, pois há o universo temático das comunicações oficiais se restrin-
sempre um único comunicador (o Serviço Público) e o ge a questões que dizem respeito ao interesse público, é
receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço natural que não cabe qualquer tom particular ou pessoal.
Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão Desta forma, não há lugar na redação oficial para im-
a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições pressões pessoais, como as que, por exemplo, constam
tratados de forma homogênea (o público). de uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de
Outros procedimentos rotineiros na redação de co- jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação oficial
municações oficiais foram incorporados ao longo do deve ser isenta da interferência da individualidade que a
tempo, como as formas de tratamento e de cortesia, elabora.
certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes, A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade
etc. Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais
comunicações oficiais, regulados pela Portaria n.º 1 do contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária
Ministro de Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937. impessoalidade.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se
buscou fazer das características específicas da forma ofi- 2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais
cial de redigir não deve ensejar o entendimento de que
se proponha a criação – ou se aceite a existência – de A necessidade de empregar determinado nível de lin-
uma forma específica de linguagem administrativa, o que guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um
coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês. lado, do próprio caráter público desses atos e comuni-
Este é antes uma distorção do que deve ser a redação cações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui
oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e cli- entendidos como atos de caráter normativo, ou estabe-
LÍNGUA PORTUGUESA

chês do jargão burocrático e de formas arcaicas de cons- lecem regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam
trução de frases. o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcan-
A redação oficial não é, portanto, necessariamente çado se em sua elaboração for empregada a linguagem
árida e infensa à evolução da língua. É que sua finali- adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais,
dade básica – comunicar com impessoalidade e máxima cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e
clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da objetividade. As comunicações que partem dos órgãos
língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto públicos federais devem ser compreendidas por todo e
jornalístico, da correspondência particular, etc. qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há

93
que evitar o uso de uma linguagem restrita a determina- 3. Formalidade e Padronização
dos grupos. Não há dúvida que um texto marcado por
expressões de circulação restrita, como a gíria, os regio- As comunicações oficiais devem ser sempre formais,
nalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua com- isto é, obedecem a certas regras de forma: além das já
preensão dificultada. mencionadas exigências de impessoalidade e uso do pa-
Ressalte-se que há necessariamente uma distância drão culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa for-
entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente malidade de tratamento. Não se trata somente da eterna
dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele
de costumes, e pode eventualmente contar com outros pronome de tratamento para uma autoridade de certo;
elementos que auxiliem a sua compreensão, como os mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à
gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas alguns civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual
dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua cuida a comunicação.
escrita incorpora mais lentamente as transformações, A formalidade de tratamento vincula-se, também, à
tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a ad-
de si mesma para comunicar. ministração federal é una, é natural que as comunicações
A língua escrita, como a falada, compreende diferen- que expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimen-
tes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por to desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que
exemplo, em uma carta a um amigo, podemos nos valer se atente para todas as características da redação oficial
de determinado padrão de linguagem que incorpore ex- e que se cuide, ainda, da apresentação dos textos.
pressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes
parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do para o texto definitivo e a correta diagramação do texto
vocabulário técnico correspondente. Nos dois casos, há são indispensáveis para a padronização.
um padrão de linguagem que atende ao uso que se faz
da língua, a finalidade com que a empregamos. 4. Concisão e Clareza
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu ca-
ráter impessoal, por sua finalidade de informar com o A concisão é antes uma qualidade do que uma carac-
máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue
padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão transmitir um máximo de informações com um mínimo
culto é aquele em que a) se observam as regras da gra- de palavras. Para que se redija com essa qualidade, é fun-
mática formal, e b) se emprega um vocabulário comum damental que se tenha, além de conhecimento do assun-
ao conjunto dos usuários do idioma. É importante res- to sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revi-
saltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na sar o texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas
redação oficial decorre do fato de que ele está acima das vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições
diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, desnecessárias de ideias.
dos modismos vocabulares, das idiossincrasias linguísti- O esforço de sermos concisos atende, basicamente,
cas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendi- ao princípio de economia linguística, à mencionada fór-
da compreensão por todos os cidadãos. Lembre-se de mula de empregar o mínimo de palavras para informar o
que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como
expressão, desde que não seja confundida com pobreza economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar
de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em
implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos con- tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inú-
torcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios teis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao
da língua literária. que já foi dito.
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe
um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do em todo texto de alguma complexidade: ideias funda-
padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que mentais e ideias secundárias. Estas últimas podem es-
haverá preferência pelo uso de determinadas expressões, clarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las;
ou será obedecida certa tradição no emprego das formas mas existem também ideias secundárias que não acres-
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se centam informação alguma ao texto, nem têm maior re-
consagre a utilização de uma forma de linguagem bu- lação com as fundamentais, podendo, por isso, ser dis-
rocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve pensadas.
ser evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada. A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto
A linguagem técnica deve ser empregada apenas em oficial. Pode-se definir como claro aquele texto que pos-
situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indis- sibilita imediata compreensão pelo leitor. No entanto, a
criminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende es-
LÍNGUA PORTUGUESA

o vocabulário próprio à determinada área, são de difícil tritamente das demais características da redação oficial.
entendimento por quem não esteja com eles familiariza- Para ela concorrem:
do. Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de inter-
comunicações encaminhadas a outros órgãos da admi- pretações que poderia decorrer de um tratamento
nistração e em expedientes dirigidos aos cidadãos. personalista dado ao texto;

94
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí- rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...);
pio, de entendimento geral e por definição avesso assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência,
o jargão; vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a A partir do final do século XVI, esse modo de trata-
imprescindível uniformidade dos textos; mento indireto já estava em voga também para os ocu-
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os exces- pantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu
sos linguísticos que nada lhe acrescentam. para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o prono-
É pela correta observação dessas características que me vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição
se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável que provém o atual emprego de pronomes de tratamen-
releitura de todo texto redigido. A ocorrência, em tex- to indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades
tos oficiais, de trechos obscuros e de erros gramaticais civis, militares e eclesiásticas.
provém, principalmente, da falta da releitura que torna
possível sua correção. 6.2. Concordância com os Pronomes de Tratamen-
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda, to
se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O
que nos parece óbvio pode ser desconhecido por ter- Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa
ceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos indireta) apresentam certas peculiaridades quanto à con-
em decorrência de nossa experiência profissional muitas cordância verbal, nominal e pronominal. Embora se refi-
vezes faz com que os tomemos como de conhecimento ram a segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se
geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvol- fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam a con-
va, esclareça, precise os termos técnicos, o significado cordância para a terceira pessoa. É que o verbo concor-
das siglas e abreviações e os conceitos específicos que da com o substantivo que integra a locução como seu
não possam ser dispensados. núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”;
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A “Vossa Excelência conhece o assunto”.
pressa com que são elaboradas certas comunicações Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos
quase sempre compromete sua clareza. Não se deve a pronomes de tratamento são sempre os da terceira
proceder à redação de um texto que não seja seguida pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não
por sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos “Vossa ... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a es-
atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua ses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o
indesejável repercussão no redigir. sexo da pessoa a que se refere, e não com o substantivo
que compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor for
5. As Comunicações Oficiais homem, o correto é “Vossa Excelência está atarefado”,
“Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vos-
5.1. Introdução sa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar
satisfeita”.
A redação das comunicações oficiais deve, antes de
tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, As- 6.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento
pectos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há caracte-
rísticas específicas de cada tipo de expediente, que serão Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento
tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos obedece a secular tradição. São de uso consagrado:
à sua análise, vejamos outros aspectos comuns a quase Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
todas as modalidades de comunicação oficial: o empre-
go dos pronomes de tratamento, a forma dos fechos e a a) do Poder Executivo;
identificação do signatário. Presidente da República;
Vice-Presidente da República;
6. Pronomes de Tratamento Ministros de Estado;
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do
6.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento Distrito Federal;
Oficiais-Generais das Forças Armadas;
O uso de pronomes e locuções pronominais de tra- Embaixadores;
tamento tem larga tradição na língua portuguesa. De Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocu-
acordo com Said Ali, após serem incorporados ao por- pantes de cargos de natureza especial;
tuguês os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
LÍNGUA PORTUGUESA

direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, Prefeitos Municipais.


passou-se a empregar, como expediente linguístico de
distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no b) do Poder Legislativo:
tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue Deputados Federais e Senadores;
o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu Ministros do Tribunal de Contas da União;
em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qua- Deputados Estaduais e Distritais;
lidade eminente da pessoa de categoria superior, e não Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.

95
c) do Poder Judiciário: Acrescente-se que doutor não é forma de tratamen-
Ministros dos Tribunais Superiores; to, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminada-
Membros de Tribunais; mente. Como regra geral, empregue-o apenas em co-
Juízes; municações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por
Auditores da Justiça Militar. terem concluído curso universitário de doutorado. É cos-
tume designar por doutor os bacharéis, especialmente os
O vocativo a ser empregado em comunicações diri- bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos,
gidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, se- o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às
guido do cargo respectivo: comunicações.
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacio- empregada, por força da tradição, em comunicações di-
nal, rigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vo-
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal cativo: Magnífico Reitor, (...)
Federal. Os pronomes de tratamento para religiosos, de acor-
do com a hierarquia eclesiástica, são:
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa.
Senhor, seguido do cargo respectivo: O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre, (...)
Senhor Senador, Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendís-
Senhor Juiz, sima, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe
Senhor Ministro, o vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminen-
Senhor Governador, tíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, (...)
Vossa Excelência Reverendíssima é usado em co-
No envelope, o endereçamento das comunicações di- municações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reveren-
a seguinte forma: díssima para Monsenhores, Cônegos e superiores reli-
A Sua Excelência o Senhor giosos.
Fulano de Tal Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clé-
Ministro de Estado da Justiça rigos e demais religiosos.
70064-900 – Brasília. DF
7. Fechos para Comunicações
A Sua Excelência o Senhor
Senador Fulano de Tal O fecho das comunicações oficiais possui, além da
Senado Federal finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o des-
70165-900 – Brasília. DF tinatário. Os modelos para fecho que vinham sendo uti-
lizados foram regulados pela Portaria n.º 1 do Ministério
A Sua Excelência o Senhor da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com
Fulano de Tal o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual es-
Juiz de Direito da 10.ª Vara Cível tabelece o emprego de somente dois fechos diferentes
Rua ABC, n.º 123 para todas as modalidades de comunicação oficial:
01010-000 – São Paulo. SP a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
da República: Respeitosamente,
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tra- b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie-
tamento Digníssimo (DD), às autoridades arroladas na rarquia inferior: Atenciosamente,
lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações di-
ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua rigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
repetida evocação. tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual
de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
Vossa Senhoria é empregado para as demais autori-
dades e para particulares. O vocativo adequado é: 8. Identificação do Signatário
Senhor Fulano de Tal,
(...) Excluídas as comunicações assinadas pelo Presiden-
No envelope, deve constar do endereçamento: te da República, todas as demais comunicações oficiais
Ao Senhor devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as
Fulano de Tal expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da
Rua ABC, n.º 123 identificação deve ser a seguinte:
LÍNGUA PORTUGUESA

12345-000 – Curitiba. PR
Como se depreende do exemplo acima, fica dispen- (espaço para assinatura)
sado o emprego do superlativo ilustríssimo para as au- NOME
toridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
e para particulares. É suficiente o uso do pronome de (espaço para assinatura)
tratamento Senhor. NOME
Ministro de Estado da Justiça

96
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as- requisição do servidor Fulano de Tal.” Ou “Encami-
sinatura em página isolada do expediente. Transfira para nho, para exame e pronunciamento, a anexa cópia
essa página ao menos a última frase anterior ao fecho. do telegrama no 12, de 1.º de fevereiro de 1991, do
Presidente da Confederação Nacional de Agricultu-
9. O Padrão Ofício ra, a respeito de projeto de modernização de técni-
cas agrícolas na região Nordeste.”
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes – desenvolvimento: se o autor da comunicação de-
pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o sejar fazer algum comentário a respeito do do-
memorando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se ado- cumento que encaminha, poderá acrescentar pa-
tar uma diagramação única, que siga o que chamamos rágrafos de desenvolvimento; em caso contrário,
de padrão ofício. não há parágrafos de desenvolvimento em aviso
ou ofício de mero encaminhamento.
10. Partes do documento no Padrão Ofício f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
g) assinatura do autor da comunicação; e
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do
seguintes partes: Signatário).
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do
órgão que o expede: Exemplos: Mem. 123/2002- 11. Forma de diagramação
MF Aviso 123/2002-SG Of. 123/2002-MME
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à
alinhamento à direita: Exemplo: seguinte forma de apresentação:
Brasília, 15 de março de 1991. a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman
de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e
c) assunto: resumo do teor do documento Exemplos: 10 nas notas de rodapé;
Assunto: Produtividade do órgão em 2002. b) para símbolos não existentes na fonte Times New
Assunto: Necessidade de aquisição de novos compu- Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol e
tadores. Wingdings;
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é c) é obrigatório constar a partir da segunda página o
dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser número da página;
incluído também o endereço. d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão
e) texto: nos casos em que não for de mero enca- ser impressos em ambas as faces do papel. Neste
minhamento de documentos, o expediente deve caso, as margens esquerda e direita terão as dis-
conter a seguinte estrutura: tâncias invertidas nas páginas pares (“margem es-
– introdução, que se confunde com o parágrafo de pelho”);
abertura, na qual é apresentado o assunto que e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm
motiva a comunicação. Evite o uso das formas: “Te- de distância da margem esquerda;
nho a honra de”, “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá,
informar que”, empregue a forma direta; no mínimo, 3,0 cm de largura;
– desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se g) o campo destinado à margem lateral direita terá
o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, 1,5 cm;
elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o O constante neste item aplica-se também à exposição
que confere maior clareza à exposição; de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Motivos e 5.
– conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente Mensagem).
reapresentada a posição recomendada sobre o as-
sunto. h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o
nos casos em que estes estejam organizados em editor de texto utilizado não comportar tal recurso,
itens ou títulos e subtítulos. Já quando se tratar de de uma linha em branco;
mero encaminhamento de documentos a estrutura i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico,
é a seguinte: sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra,
– introdução: deve iniciar com referência ao expe- relevo, bordas ou qualquer outra forma de forma-
diente que solicitou o encaminhamento. Se a re- tação que afete a elegância e a sobriedade do do-
messa do documento não tiver sido solicitada, cumento;
deve iniciar com a informação do motivo da co- j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta
LÍNGUA PORTUGUESA

municação, que é encaminhar, indicando a seguir em papel branco. A impressão colorida deve ser
os dados completos do documento encaminhado usada apenas para gráficos e ilustrações;
(tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que k) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício
trata), e a razão pela qual está sendo encaminhado, devem ser impressos em papel de tamanho A-4,
segundo a seguinte fórmula: “Em resposta ao Aviso ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
n.º 12, de 1.º de fevereiro de 1991, encaminho, ane- l) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de
xa, cópia do Ofício n.º 34, de 3 de abril de 1990, do arquivo Rich Text nos documentos de texto;
Departamento Geral de Administração, que trata da

97
m) dentro do possível, todos os documentos elabora- 13.2. Forma e Estrutura
dos devem ter o arquivo de texto preservado para
consulta posterior ou aproveitamento de trechos Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do
para casos análogos; padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário
n) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exemplos:
devem ser formados da seguinte maneira: tipo do Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
documento + número do documento + palavras- Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
-chaves do conteúdo. Ex.: “Of. 123 - relatório pro-
dutividade ano 2002” 14. Exposição de Motivos

12. Aviso e Ofício 14.1. Definição e Finalidade

12.1. Definição e Finalidade Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Pre-


sidente da República ou ao Vice-Presidente para:
Aviso e ofício são modalidades de comunicação ofi- a) informá-lo de determinado assunto;
cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é b) propor alguma medida; ou
que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de c) submeter a sua consideração projeto de ato nor-
Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo mativo.
que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente
Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos da República por um Ministro de Estado. Nos casos em que o
oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição de
no caso do ofício, também com particulares. motivos deverá ser assinada por todos os Ministros envolvi-
dos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial.
12.2. Forma e Estrutura
14.2. Forma e Estrutura
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo
do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca Formalmente, a exposição de motivos tem a apresen-
o destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido tação do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício).
de vírgula. Exemplos: A exposição de motivos, de acordo com sua finalida-
Excelentíssimo Senhor Presidente da República de, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para
Senhora Ministra aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e
Senhor Chefe de Gabinete outra para a que proponha alguma medida ou submeta
projeto de ato normativo.
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício No primeiro caso, o da exposição de motivos que
as seguintes informações do remetente: simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do
– nome do órgão ou setor; Presidente da República, sua estrutura segue o modelo an-
– endereço postal; tes referido para o padrão ofício. Já a exposição de motivos
– telefone e endereço de correio eletrônico. que submeta à consideração do Presidente da República
a sugestão de alguma medida a ser adotada ou a que lhe
13. Memorando apresente projeto de ato normativo – embora sigam tam-
bém a estrutura do padrão ofício –, além de outros comen-
13.1. Definição e Finalidade tários julgados pertinentes por seu autor, devem, obrigato-
riamente, apontar:
O memorando é a modalidade de comunicação en- a) na introdução: o problema que está a reclamar a
tre unidades administrativas de um mesmo órgão, que adoção da medida ou do ato normativo proposto;
podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida
níveis diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de co- ou aquele ato normativo o ideal para se solucionar
municação eminentemente interna. Pode ter caráter me- o problema, e eventuais alternativas existentes para
ramente administrativo, ou ser empregado para a expo- equacioná-lo;
sição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser to-
por determinado setor do serviço público. Sua caracterís- mada, ou qual ato normativo deve ser editado para
tica principal é a agilidade. A tramitação do memorando solucionar o problema.
em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela
simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à
desnecessário aumento do número de comunicações, os exposição de motivos, devidamente preenchido, de acor-
LÍNGUA PORTUGUESA

despachos ao memorando devem ser dados no próprio do Com o modelo previsto no Anexo II do Decreto n.º
documento e, no caso de falta de espaço, em folha de 4.176, de 28 de março de 2002.
continuação. Esse procedimento permite formar uma Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha pre-
espécie de processo simplificado, assegurando maior sente que a atenção aos requisitos básicos da redação
transparência à tomada de decisões, e permitindo que se oficial (clareza, concisão, impessoalidade, formalidade,
historie o andamento da matéria tratada no memorando. padronização e uso do padrão culto de linguagem) deve
ser redobrada.

98
A exposição de motivos é a principal modalidade de co- gem das propostas, as análises necessárias constam da
municação dirigida ao Presidente da República pelos Minis- exposição de motivos do órgão onde se geraram (v. 3.1.
tros. Exposição de Motivos) – exposição que acompanhará, por
Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada cópia, a mensagem de encaminhamento ao Congresso.
cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou, b) encaminhamento de medida provisória.
ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da
ou em parte. Constituição, o Presidente da República enca-
minha mensagem ao Congresso, dirigida a seus
15. Mensagem membros, com aviso para o Primeiro Secretário do
Senado Federal, juntando cópia da medida provi-
15.1. Definição e Finalidade sória, autenticada pela Coordenação de Documen-
tação da Presidência da República.
É o instrumento de comunicação oficial entre os Che-
fes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens c) indicação de autoridades.
enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legis- As mensagens que submetem ao Senado Federal a
lativo para informar sobre fato da Administração Públi- indicação de pessoas para ocuparem determina-
ca; expor o plano de governo por ocasião da abertura dos cargos (magistrados dos Tribunais Superiores,
de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional Ministros do TCU, Presidentes e Diretores do Ban-
matérias que dependem de deliberação de suas Casas; co Central, Procurador-Geral da República, Chefes
apresentar veto; enfim, fazer e agradecer comunicações de Missão Diplomática, etc.) têm em vista que a
de tudo quanto seja de interesse dos poderes públicos e Constituição, no seu art. 52, incisos III e IV, atribui
da Nação. àquela Casa do Congresso Nacional competência
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos privativa para aprovar a indicação.
Ministérios à Presidência da República, a cujas assesso- O curriculum vitae do indicado, devidamente assina-
rias caberá a redação final. do, acompanha a mensagem.
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao
Congresso Nacional têm as seguintes finalidades: d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-
a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, com- -Presidente da República se ausentar do País por
plementar ou financeira. Os projetos de lei ordi- mais de 15 dias.
nária ou complementar são enviados em regi- Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art.
me normal (Constituição, art. 61) ou de urgência 49, III, e 83), e a autorização é da competência privativa
(Constituição, art. 64, §§ 1.º a 4.º). Cabe lembrar do Congresso Nacional.
que o projeto pode ser encaminhado sob o regime O Presidente da República, tradicionalmente, por cor-
normal e mais tarde ser objeto de nova mensagem, tesia, quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz
com solicitação de urgência. uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-
-lhes mensagens idênticas.
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem-
bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com e) encaminhamento de atos de concessão e renova-
aviso do Chefe da Casa Civil da Presidência da República ção de concessão de emissoras de rádio e TV.
ao Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para A obrigação de submeter tais atos à apreciação do
que tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64, Congresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da
caput). Constituição. Somente produzirão efeitos legais a ou-
Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen- torga ou renovação da concessão após deliberação do
dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orça- Congresso Nacional (Constituição, art. 223, § 3.º). Des-
mentos anuais e créditos adicionais), as mensagens de cabe pedir na mensagem a urgência prevista no art. 64
encaminhamento dirigem-se aos Membros do Congres- da Constituição, porquanto o § 1.º do art. 223 já define o
so Nacional, e os respectivos avisos são endereçados ao prazo da tramitação.
Primeiro Secretário do Senado Federal. A razão é que o Além do ato de outorga ou renovação, acompanha
art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual a mensagem o correspondente processo administrativo.
sobre as leis financeiras em sessão conjunta, mais preci-
samente, “na forma do regimento comum”. E à frente da f) encaminhamento das contas referentes ao exercício
Mesa do Congresso Nacional está o Presidente do Sena- anterior.
do Federal (Constituição, art. 57, § 5.º), que comanda as O Presidente da República tem o prazo de sessenta
sessões conjuntas. dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao
LÍNGUA PORTUGUESA

As mensagens aqui tratadas coroam o processo de- Congresso Nacional as contas referentes ao exercício an-
senvolvido no âmbito do Poder Executivo, que abrange terior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer
minucioso exame técnico, jurídico e econômico-financei- da Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166,
ro das matérias objeto das proposições por elas encami- § 1.º), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a
nhadas. tomada de contas (Constituição, art. 51, II), em procedi-
Tais exames materializam-se em pareceres dos di- mento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno.
versos órgãos interessados no assunto das proposições,
entre eles o da Advocacia-Geral da União. Mas, na ori-

99
g) mensagem de abertura da sessão legislativa. – pedido de autorização para alienar ou conceder ter-
Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre ras públicas com área superior a 2.500 ha (Consti-
a situação do País e solicitação de providências que jul- tuição, art. 188, § 1.º); etc.
gar necessárias (Constituição, art. 84, XI).
O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da 5.2. Forma e Estrutura
Presidência da República. Esta mensagem difere das de-
mais porque vai encadernada e é distribuída a todos os As mensagens contêm:
Congressistas em forma de livro. a) a indicação do tipo de expediente e de seu número,
h) comunicação de sanção (com restituição de autó- horizontalmente, no início da margem esquerda:
grafos). Mensagem n.º
Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congres-
so Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secre- b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento
tário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da
informa o número que tomou a lei e se restituem dois margem esquerda;
exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
Presidente da República terá aposto o despacho de san-
ção. c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
i) comunicação de veto. d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do
Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constitui- texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com
ção, art. 66, § 1.º), a mensagem informa sobre a decisão a margem direita.
de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas, A mensagem, como os demais atos assinados pelo
e as razões do veto. Seu texto vai publicado na íntegra Presidente da República, não traz identificação de seu
no Diário Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao signatário.
contrário das demais mensagens, cuja publicação se res-
tringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo. 16. Telegrama
j) outras mensagens.
Também são remetidas ao Legislativo com regular 16.1. Definição e Finalidade
frequência mensagens com:
– encaminhamento de atos internacionais que acarre- Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar
tam encargos ou compromissos gravosos (Consti- os procedimentos burocráticos, passa a receber o títu-
tuição, art. 49, I); lo de telegrama toda comunicação oficial expedida por
– pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis meio de telegrafia, telex, etc.
às operações e prestações interestaduais e de ex- Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa
portação (Constituição, art. 155, § 2.º, IV); aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve
– proposta de fixação de limites globais para o mon- restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situa-
tante da dívida consolidada (Constituição, art. 52, ções que não seja possível o uso de correio eletrônico ou
VI); fax e que a urgência justifique sua utilização e, também
– pedido de autorização para operações financeiras em razão de seu custo elevado, esta forma de comuni-
externas (Constituição, art. 52, V); e outros. cação deve pautar-se pela concisão (v. 1.4. Concisão e
Entre as mensagens menos comuns estão as de: Clareza).
– convocação extraordinária do Congresso Nacional
(Constituição, art. 57, § 6.º); 16.2. Forma e Estrutura
– pedido de autorização para exonerar o Procurador-
-Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2.º); Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e
– pedido de autorização para declarar guerra e decre- a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos
tar mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX); Correios e em seu sítio na Internet.
– pedido de autorização ou referendo para celebrar a
paz (Constituição, art. 84, XX); 17. Fax
– justificativa para decretação do estado de defesa ou
de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4.º); 17.1. Definição e Finalidade
– pedido de autorização para decretar o estado de
sítio (Constituição, art. 137); O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é
– relato das medidas praticadas na vigência do estado uma forma de comunicação que está sendo menos usada
de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, pará- devido ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para
a transmissão de mensagens urgentes e para o envio an-
LÍNGUA PORTUGUESA

grafo único);
– proposta de modificação de projetos de leis finan- tecipado de documentos, de cujo conhecimento há pre-
ceiras (Constituição, art. 166, § 5.º); mência, quando não há condições de envio do documen-
– pedido de autorização para utilizar recursos que fi- to por meio eletrônico. Quando necessário o original, ele
carem sem despesas correspondentes, em decor- segue posteriormente pela via e na forma de praxe.
rência de veto, emenda ou rejeição do projeto de Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com
lei orçamentária anual (Constituição, art. 166, § 8.º); cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel,
em certos modelos, deteriora-se rapidamente.

100
17.2. Forma e Estrutura Elementos de Ortografia e Gramática

Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a 1. Problemas de Construção de Frases


estrutura que lhes são inerentes.
É conveniente o envio, juntamente com o documento A clareza e a concisão na forma escrita são alcança-
principal, de folha de rosto e de pequeno formulário com das, principalmente, pela construção adequada da frase,
os dados de identificação da mensagem a ser enviada, “a menor unidade autônoma da comunicação”, na defini-
conforme exemplo a seguir: ção de Celso Pedro Luft.
A função essencial da frase é desempenhada pelo
[Órgão Expedidor] predicado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser en-
[setor do órgão expedidor] tendido como “a enunciação pura de um fato qualquer”.
[endereço do órgão expedidor] Sempre que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe
Destinatário:____________________________________ o nome de período, que terá tantas orações quantos fo-
No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___ rem os verbos não auxiliares que o constituem.
Remetente: ____________________________________ Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis-
Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____ pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –,
No de páginas: ________No do documento:____________ de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substan-
tivo. Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações
Observações:___________________________________ substantivos (nomes ou pronomes) que desempenham a
função de complementos (objetos direto e indireto, pre-
18. Correio Eletrônico dicativo e complemento adverbial). Função acessória de-
sempenham os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente
18.1 Definição e finalidade ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados
aos elementos que desempenham as outras funções, ou
O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e deslocados para o início da oração.
celeridade, transformou-se na principal forma de comu- Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos
nicação para transmissão de documentos. elementos que compõem uma oração (Observação: os
parênteses indicam os elementos que podem não ocor-
18.2. Forma e Estrutura rer):

Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô- (sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adver-
nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir for- bial).
ma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o
uso de linguagem incompatível com uma comunicação Podem ser identificados seis padrões básicos para as
oficial (v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Ofi- orações pessoais (isto é, com sujeito) na língua portu-
ciais). guesa (a função que vem entre parênteses é facultativa e
O campo assunto do formulário de correio eletrônico pode ocorrer em ordem diversa):
deve ser preenchido de modo a facilitar a organização
documental tanto do destinatário quanto do remetente. 1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial)
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser uti- O Presidente - regressou - (ontem).
lizado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensa-
gem que encaminha algum arquivo deve trazer informa- 2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto -
ções mínimas sobre seu conteúdo. (adjunto adverbial)
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na
confirmação de leitura. Caso não seja disponível, deve manhã de terça-feira).
constar da mensagem pedido de confirmação de rece-
bimento. 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto
- (adjunto adverbial).
18.3 Valor documental O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os
setores).
Nos termos da legislação em vigor, para que a men-
sagem de correio eletrônico tenha valor documental, e 4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. di-
para que possa ser aceito como documento original, é reto - obj. indireto - (adj. Adv.)
necessário existir certificação digital que ateste a identi- Os desempregados - entregaram - suas reivindicações
LÍNGUA PORTUGUESA

dade do remetente, na forma estabelecida em lei. - ao Deputado - (no Congresso).

5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento


adverbial - (adjunto adverbial)
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Bue-
nos Aires - (na próxima semana).
O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)

101
6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso
adverbial) Nacional, depois de ser longamente debatido.
O problema - será - resolvido - prontamente. Certo: Depois de ser longamente debatido, o progra-
ma recebeu a aprovação do Congresso Nacional.
Estes seriam os padrões básicos para as orações, ou
seja, as frases que possuem apenas um verbo conjuga- Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente
do. Na construção de períodos, as várias funções podem submetido ao Presidente da República, que o aprovou.
ocorrer em ordem inversa à mencionada, misturando-se Consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto
e confundindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva legal.
de todos os padrões existentes na língua portuguesa. Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente
O que importa é fixar a ordem normal dos elementos submetido ao Presidente da República, que o aprovou,
nesses seis padrões básicos. Acrescente-se que períodos consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto
mais complexos, compostos por duas ou mais orações, legal.
em geral podem ser reduzidos aos padrões básicos (de
que derivam). 4. Erros de Paralelismo
Os problemas mais frequentemente encontrados na
construção de frases dizem respeito à má pontuação, à Uma das convenções estabelecidas na linguagem es-
ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma
paralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. As-
geral, do desconhecimento da ordem das palavras na sim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a
frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais elementos paralelos. Vejamos alguns exemplos:
comuns e recorrentes na construção de frases, registra-
dos em documentos oficiais. Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Minis-
térios economizar energia e que elaborassem planos de
2. Sujeito redução de despesas.

Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que Na frase temos, nas duas orações subordinadas que
executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter com- completam o sentido da principal, duas estruturas dife-
plemento, mas não ser complemento. Devem ser evita- rentes para ideias equivalentes: a primeira oração (eco-
das, portanto, construções como: nomizar energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a se-
gunda (que elaborassem planos de redução de despesas)
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda. é uma oração desenvolvida introduzida pela conjunção
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda. integrante que. Há mais de uma possibilidade de escre-
vê-la com clareza e correção; uma seria a de apresentar
Errado: Apesar das relações entre os países estarem as duas orações subordinadas como desenvolvidas, in-
cortadas, (...). troduzidas pela conjunção integrante que:
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem
cortadas, (...). Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
rios que economizassem energia e (que) elaborassem pla-
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. nos para redução de despesas.
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim.
Outra possibilidade: as duas orações são apresenta-
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...). das como reduzidas de infinitivo:
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...). Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Minis-
térios economizar energia e elaborar planos para redução
Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, de despesas.
(...).
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na
(...). coordenação de orações subordinadas.
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua es-
3. Frases Fragmentadas crita culta:
Errado: No discurso de posse, mostrou determinação,
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma não ser inseguro, inteligência e ter ambição.
oração subordinada ou uma simples locução como se
fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada O problema aqui decorre de coordenar palavras
LÍNGUA PORTUGUESA

de uma frase simples. Embora seja usada como recurso (substantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).
estilístico na literatura, a fragmentação de frases deve ser Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou
evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a por transformá-la em frase simples, substituindo as ora-
compreensão. Exemplo: ções reduzidas por substantivos:
Certo: No discurso de posse, mostrou determinação,
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congres- segurança, inteligência e ambição.
so Nacional. Depois de ser longamente debatido.

102
Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
paralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equi- bas do que os Ministérios do Governo.
valente) a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao se No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou
apresentar, de forma paralela, estruturas sintáticas dis- “demais”) acarretou imprecisão:
tintas: Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o bas do que os outros Ministérios do Governo.
Papa. Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
bas do que os demais Ministérios do Governo.
Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades
(Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibi- 6. Ambiguidade
lidade de correção é transformá-la em duas frases sim-
ples, com o cuidado de não repetir o verbo da primeira Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada
(visitar): em mais de um sentido. Como a clareza é requisito bá-
Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta sico de todo texto oficial, deve-se atentar para as cons-
última capital, encontrou-se com o Papa. truções que possam gerar equívocos de compreensão.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de
Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado identificar a qual palavra se refere um pronome que pos-
pelo uso inadequado da expressão “e que” num período sui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode
que não contém nenhum “que” anterior. ocorrer com:
Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que
tem sólida formação acadêmica. A) pronomes pessoais:
Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado
Para corrigir a frase, suprimimos o pronome relativo: que ele seria exonerado.
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu
sólida formação acadêmica. secretariado.
Ou então, caso o entendimento seja outro:
Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”: Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exo-
Errado: Neste momento, não se devem adotar medi- neração deste.
das precipitadas, e que comprometam o andamento de
todo o programa. B) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Da mesma forma com que corrigimos o exemplo an- Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repú-
terior, aqui podemos suprimir a conjunção: blica, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu
Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas Estado, mas isso não o surpreendeu.
precipitadas, que comprometam o andamento de todo o Observe a multiplicidade de ambiguidade no exem-
programa. plo acima, a qual torna incompreensível o sentido da
frase.
5. Erros de Comparação Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presiden-
te da República. No pronunciamento, solicitou a interven-
A omissão de certos termos ao fazermos uma compa- ção federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Pre-
ração, omissão própria da língua falada, deve ser evitada sidente da República.
na língua escrita, pois compromete a clareza do texto:
nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o C) pronome relativo:
termo omitido. A ausência indevida de um termo pode Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu
impossibilitar o entendimento do sentido que se quer costumava trabalhar.
dar a uma frase: Não fica claro se o pronome relativo da segunda ora-
ção faz referência “à mesa” ou “a gabinete”. Esta ambi-
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que guidade se deve ao pronome relativo “que”, sem marca
um médico. de gênero. A solução é recorrer às formas o qual, a qual,
A omissão de termos provocou uma comparação in- os quais, as quais, que marcam gênero e número.
devida: “o salário de um professor” com “um médico”. Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu cos-
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que tumava trabalhar.
o salário de um médico. Se o entendimento é outro, então:
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu cos-
o de um médico. tumava trabalhar.
LÍNGUA PORTUGUESA

Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria. Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da
Novamente, a não repetição dos termos comparados dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:
confunde. Alternativas para correção: Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da funcionário.
Portaria. Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima,
Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria. deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.

103
Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este 3. (anp – Conhecimento Básico para todos os Car-
indisciplinado. gos – cespe – 2013) Na redação de uma ata, devem-se
relatar exaustivamente, com o máximo de detalhamento
Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma se- possível, incluindo-se os aspectos subjetivos, as discus-
nhora chamou o médico. sões, as propostas, as resoluções e as deliberações ocor-
Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi ridas em reuniões e eventos que exigem registro.
chamado por uma senhora.
( ) CERTO ( ) ERRADO
SITE
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/ma- Resposta: Errado. Ata é um documento administrativo
nualredpr2aed.pdf que tem a finalidade de registrar de modo sucinto a
sequência de eventos de uma reunião ou assembleia de
pessoas com um fim específico. É característica da Ata
apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de
EXERCÍCIOS COMENTADOS modo infalível, de todo o desenrolar da reunião.
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_
1. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços redacao_oficial_ata/)
de Transportes Aquaviários – superior – cespe –
2014) Considerando aspectos estruturais e linguísticos 4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – ces-
das correspondências oficiais, julgue os itens que se se- pe – 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas
guem, de acordo com o Manual de Redação da Presidên- direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer
cia da República. uso dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to- acordo com as hierarquias do destinatário e do reme-
das as autoridades do poder público, uma vez que a dig- tente.
nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de
cargos públicos. ( ) CERTO ( ) ERRADO

( ) CERTO ( ) ERRADO Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-


cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda dois fechos diferentes para todas as modalidades de
preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica comunicação oficial:
abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
para que tais cargos públicos sejam ocupados. da República: Respeitosamente,
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi- b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie-
cial_publicacoes_ver.php?id=2 rarquia inferior: Atenciosamente,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
2. (tribunal de justiça-se – técnico judiciário – Mé- das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
dio – cespe – 2014) Em toda comunicação oficial, exce- tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma-
to nas direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
fazer uso dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamen-
te, de acordo com as hierarquias do destinatário e do 5. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços
remetente. de Transportes Aquaviários – cespe – 2014) Consi-
( ) CERTO ( ) ERRADO derando aspectos estruturais e linguísticos das corres-
pondências oficiais, julgue os itens que se seguem, de
Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi- acordo com o Manual de Redação da Presidência da Re-
cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente pública.
dois fechos diferentes para todas as modalidades de O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to-
comunicação oficial: das as autoridades do poder público, uma vez que a dig-
A) para autoridades superiores, inclusive o Presidente nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de
da República: Respeitosamente, cargos públicos.
B) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie-
rarquia inferior: Atenciosamente, ( ) CERTO ( ) ERRADO
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
LÍNGUA PORTUGUESA

tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma- preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores. abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
para que tais cargos públicos sejam ocupados.
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
cial_publicacoes_ver.php?id=2

104
HORA DE PRATICAR!

1. (MAPA – Auditor Fiscal Federal Agropecuário – Médico Veterinário – Superior – ESAF – 2017) Assinale a
opção que apresenta desvio de grafia da palavra.
A acupuntura é uma terapia da medicina tradicional chinesa que favorece a regularização dos processos fisiológicos do
corpo, no sentido de promover ou recuperar o estado natural de saúde e equilíbrio. Pode ser usada preventivamente (1)
para evitar o desenvolvimento de doenças, como terapia curativa no caso de a doença estar instalada ou como método
paliativo (2) em casos de doenças crônicas de difícil tratamento. Tem também uma ação importante na medicina rejenera-
tiva (3) e na reabilitação. O tratamento de acupuntura consiste na introdução de agulhas filiformes no corpo dos animais.
Em geral são deixadas cerca de 15 a 20 minutos. A colocação das agulhas não é dolorosa para os animais e é possível
observar durante os tratamentos diferentes reações fisiológicas (4), indicadoras de que o tratamento está atingindo o
efeito terapêutico (5) desejado.
Disponível: <http://www.veterinariaholistica.net/acupuntura-fitoterapia-e-homeopatia.html/>. Acesso em 28/11/2017. (Com adaptações)

a) (1)
b) (2)
c) (3)
d) (4)
e) (5)

2. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área Administrativa – Médio – FCC – 2017) Respeitando-se as
normas de redação do Manual da Presidência da República, a frase correta é:

a) Solicito a Vossa Senhoria que verifique a possibilidade de implementação de projeto de treinamento de pessoal para
operar os novos equipamentos gráficos a serem instalados em seu setor.
b) Venho perguntar-lhe, por meio desta, sobre a data em que Vossa Excelência pretende nomear vosso representante
na Comissão Organizadora.
c) Digníssimo Senhor: eu venho por esse comunicado, informar, que será organizado seminário, sobre o uso eficiente
de recursos hídricos, em data ainda a ser definida.
d) Haja visto que o projeto anexo contribue para o desenvolvimento do setor em questão, informamos, por meio deste
Ofício, que será amplamente analisado por especialistas.
e) Neste momento, conforme solicitação enviada à Vossa Senhoria anexo, não se deve adotar medidas que possam
com- prometer vossa realização do projeto mencionado.

3. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) Analise as assertivas abaixo:

I. O ladrão era de menor.


II. Não há regra sem exceção.
III. É mais saudável usar menas roupa no calor.
IV. O policial foi à delegacia em compania do meliante.
V. Entre eu e você não existe mais nada.

A opção que apresenta vícios de linguagem é:

a) I e III.
b) I, II e IV.
c) II e IV.
d) I, III, IV e V.
e) III, IV e V.

4. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) De acordo com a nova ortografia, assinale o item em que
todas as palavras estão corretas:
LÍNGUA PORTUGUESA

a) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.


b) supracitado – semi-novo – telesserviço.
c) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.
d) contrarregra – autopista – semi-aberto.
e) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.

105
5. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS – 2014) O uso correto do porquê está na opção:

a) Por quê o homem destrói a natureza?


b) Ela chorou por que a humilharam.
c) Você continua implicando comigo porque sou pobre?
d) Ninguém sabe o por quê daquele gesto.
e) Ela me fez isso, porquê?

6. (TJ-PA – Médico Psiquiatra – Superior – VUNESP – 2014)

Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas, de acordo com a norma-padrão da língua
portuguesa, considerando que o termo que preenche a terceira lacuna é empregado para indicar que um evento está
prestes a acontecer

a) anúncio ... A ... Iminente.


b) anuncio ... À ... Iminente.
c) anúncio ... À ... Iminente.
d) anúncio ... A ... Eminente.
e) anuncio ... À ... Eminente.

7. (CEFET-RJ – REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO – 2014) Observe a grafia das palavras do trecho a seguir.
A macro-história da humanidade mostra que todos encaram os relatos pessoais como uma forma de se manterem vivos.
Desde a idade do domínio do fogo até a era das multicomunicações, os homens tem demonstrado que querem pôr sua
marca no mundo porque se sentem superiores.
A palavra que NÃO está grafada corretamente é

a) macro-história.
b) multicomunicações.
c) tem.
d) pôr.
e) porque.

8. (Liquigás – Profissional Júnior – Ciências Contábeis – cegranrio – 2014) O grupo em que todas as palavras
estão grafadas de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa é

a) gorjeta, ogeriza, lojista, ferrujem


b) pedágio, ultrage, pagem, angina
c) refújio, agiota, rigidez, rabujento
d) vigência, jenipapo, fuligem, cafajeste
e) sargeta, jengiva, jiló, lambujem

9. (SIMAE – Agente Administrativo – ASSCON-PP – 2014) Assinale a alternativa que apresenta apenas palavras
LÍNGUA PORTUGUESA

escritas de forma incorreta.

a) Cremoso, coragem, cafajeste, realizar;


b) Caixote, encher, análise, poetisa;
c) Traje, tanger, portuguesa, sacerdotisa;
d) Pagem, mujir, vaidozo, enchergar;

106
10. (Receita Federal – Auditor Fiscal – ESAF – 2014) que se desculparam os idealizadores do programa.
Assinale a opção que corresponde a erro gramatical ou e) Estudantes e professores são entusiastas de oferecer
de grafia de palavra inserido na transcrição do texto. aos jovens ingressantes no curso o compartilhamento
de projetos, com que serão também autores.
A Receita Federal nem sempre teve esse (1) nome. Secre-
taria da Receita Federal é apenas a mais recente denomi- 13. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS –
nação da Administração Tributária Brasileira nestes cinco 2014) A acentuação correta está na alternativa:
séculos de existência. Sua criação tornou-se (2) necessária
para modernizar a máquina arrecadadora e fiscalizadora, a) eu abençôo – eles crêem – ele argúi.
bem como para promover uma maior integração entre o b) platéia – tuiuiu – instrui-los.
Fisco e os Contribuintes, facilitando o cumprimento ex- c) ponei – geléia – heroico.
pontâneo (3) das obrigações tributárias e a solução dos d) eles têm – ele intervém – ele constrói.
eventuais problemas, bem como o acesso às (4) informa- e) lingüiça – feiúra – idéia.
ções pessoais privativas de interesse de cada cidadão. O
surgimento da Secretaria da Receita Federal representou 14. (EBSERH – HUCAM-UFES – Advogado – AOCP –
um significativo avanço na facilitação do cumprimento 2014) A palavra que está acentuada corretamente é:
das obrigações tributárias, contribuindo para o aumento
da arrecadação a partir (5) do final dos anos 60. a) Históriar.
(Adaptado de <http://www.receita.fazenda.gov.br/srf/ b) Memórial.
historico.htm>. Acesso em: 17 mar. 2014.) c) Métodico.
d) Própriedade.
a) (1). e) Artifício.
b) (2).
c) (3). 15. (prodam-am – assistente – funcab – 2014 –
d) (4). adaptada) Assinale a opção em que o par de palavras
e) (5). foi acentuado segundo a mesma regra.
11. (Estrada de Ferro Campos do Jordão-SP – Ana- a) saúde-países
lista Ferroviário – Oficinas – Elétrica – IDERH – b) Etíope-juízes
2014) Leia as orações a seguir: c) olímpicas-automóvel
Minha mãe sempre me aconselha a evitar as _____ compa-
d) vocês-público
nhias. (mas/más)
e) espetáculo-mensurável
A cauda do vestido da noiva tinha um _________ enorme.
(cumprimento/comprimento)
16. (Advocacia Geral da União – Técnico em Con-
Precisamos fazer as compras do mês, pois a _________ está
vazia. (despensa/dispensa).
tabilidade – idecan – 2014) Os vocábulos “cinquen-
tenário” e “império” são acentuados devido à mesma
Completam, correta e respectivamente, as lacunas acima justificativa. O mesmo ocorre com o par de palavras
os expostos na alternativa: apresentado em

a) mas – cumprimento – despensa. a) prêmio e órbita.


b) más – comprimento – despensa. b) rápida e tráfego
c) más – cumprimento – dispensa. c) satélite e ministério.
d) mas – comprimento – dispensa. d) pública e experiência.
e) más – comprimento – dispensa. e) sexagenário e próximo.

12. (TRT-2ª REGIÃO-SP – Técnico Judiciário - Área 17. (Rioprevidência – Especialista em Previdência
Administrativa – Médio – FCC – 2014) Está redigida Social – ceperj – 2014) A palavra “conteúdo” recebe
com clareza e em consonância com as regras da gramá- acentuação pela mesma razão de:
tica normativa a seguinte frase:
a) juízo
a) Queremos, ou não, ele será designado para dar a pa- b) espírito
lavra final sobre a polêmica questão, que, diga-se de c) jornalístico
passagem, tem feito muitos exitarem em se pronun- d) mínimo
ciar. e) disponíveis
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Consultaram o juíz acerca da possibilidade de voltar


atraz na suspensão do jogador, mas ele foi categórico 18. (Ministério do Meio Ambiente – icmbio – cespe
quanto a impossibilidade de rever sua posição. – 2014) A mesma regra de acentuação gráfica se aplica
c) Vossa Excelência leu o documento que será apresen- aos vocábulos “Brasília”, “cenário” e “próprio”.
tado em rede nacional daqui a pouco, pela voz de Sua
Excelência, o Senhor Ministro da Educação? ( ) CERTO ( ) ERRADO
d) A reportagem sobre fascínoras famosos não foi nada
positiva para o público jovem que estava presente, de

107
19. (Prefeitura de Balneário Camboriú-sc – Guarda 24. (Corpo de Bombeiros Militar-pi – Curso de For-
Municipal – fepese – 2014 – adaptada) Assinale a al- mação de Soldados – uespi – 2014) “O evento pro-
ternativa em que todas as palavras são oxítonas. move a saúde de modo integral.” A regra que justifica o
acento gráfico no termo destacado é a mesma que justi-
a) pé, lá, pasta fica o acento em:
b) mesa, tábua, régua
c) livro, prova, caderno a) “remédio”.
d) parabéns, até, televisão b) “cajú”.
e) óculos, parâmetros, título c) “rúbrica”.
d) “fráude”.
20. (Advocacia Geral da União – Técnico em Comu- e) “baú”.
nicação Social – idecan – 2014) Assinale a alternativa
em que a acentuação de todas as palavras está de acordo 25. (TJ-BA – Técnico Judiciário – Área Administrati-
com a mesma regra da palavra destacada: “Procuradorias va – Médio – FGV – 2015)
comprovam necessidade de rendimento satisfatório para Texto 3 – “A Lua Cheia entra em sua fase Crescente no
renovação do FIES”. signo de Gêmeos e vai movimentar tudo o que diz respeito
à sua vida profissional e projetos de carreira. Os próximos
a) após / pó / paletó dias serão ótimos para dar andamento a projetos que co-
b) moído / juízes / caído meçaram há alguns dias ou semanas. Os resultados che-
c) história / cárie / tênue garão rapidamente”.
d) álibi / ínterim / político
e) êxito / protótipo / ávido O texto 3 mostra exemplos de emprego correto do “a”
com acento grave indicativo da crase – “diz respeito à sua
21. (Prefeitura de Brusque-sc – Educador Social – vida profissional”. A frase abaixo em que o emprego do
fepese – 2014) Assinale a alternativa em que só pala- acento grave da crase é corretamente empregado é:
vras paroxítonas estão apresentadas.
a) o texto do horóscopo veio escrito à lápis;
a) facilitada, minha, canta, palmeiras b) começaram à chorar assim que leram as previsões;
b) maná, papá, sinhá, canção c) o horóscopo dizia à cada leitora o que devia fazer;
c) cá, pé, a, exílio d) o leitor estava à procura de seu destino;
d) terra, pontapé, murmúrio, aves e) o astrólogo previa o futuro passo à passo
e) saúde, primogênito, computador, devêssemos
26. (Prefeitura de Sertãozinho-SP – Farmacêutico –
22. (Ministério do Desenvolvimento Agrário – Téc- Superior – VUNESP – 2017) O sinal indicativo de crase
nico em Agrimensura – funcab – 2014) A alternativa está empregado corretamente nas duas ocorrências na
que apresenta palavra acentuada por regra diferente das alternativa:
demais é:
a) Muitos indivíduos são propensos à associar, inadverti-
a) dúvidas. damente, tristeza à depressão.
b) muitíssimos. b) As pessoas não querem estar à mercê do sofrimento,
c) fábrica. por isso almejam à pílula da felicidade.
d) mínimo. c) À proporção que a tristeza se intensifica e se prolonga,
e) impossível. pode-se, à primeira vista, pensar em depressão.
d) À rigor, os especialistas não devem receitar remédios
23. (prodam-am – Assistente de Hardware – funcab às pessoas antes da realização de exames acurados.
– 2014) Assinale a alternativa em que todas as palavras e) Em relação à informação da OMS, conclui-se que exis-
foram acentuadas segundo a mesma regra. tem 121 milhões de pessoas à serem tratadas de de-
pressão.
a) indivíduos - atraí(-las) - período
b) saíram – veículo - construído 27. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário –
c) análise – saudável - diálogo Área Administrativa – Médio – FCC – 2017) É difícil
d) hotéis – critérios - através planejar uma cidade e resistir à tentação de formular um
e) econômica – após – propósitos projeto de sociedade.
O sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o ver-
LÍNGUA PORTUGUESA

bo sublinhado acima seja substituído por:

a) não acatar.
b) driblar.
c) controlar.
d) superar.
e) não sucumbir.

108
28. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – 32. (Sabesp-SP – atendente a clientes – Médio – fcc
Área Administrativa – Médio – FCC – 2017) A frase – 2014 – adaptada) No trecho Refiro-me aos livros que
em que há uso adequado do sinal indicativo de crase en- foram escritos e publicados, mas estão – talvez para sem-
contra-se em: pre – à espera de serem lidos, o uso do acento de crase
obedece à mesma regra seguida em:
a) A tendência de recorrer à adaptações aparece com
maior força na Hollywood do século 21. a) Acostumou-se àquela situação, já que não sabia como
b) É curioso constatar a rapidez com que o cinema agre- evitá-la.
gou à máxima. b) Informou à paciente que os remédios haviam surtido
c) A busca pela segurança leva os estúdios à apostarem efeito.
em histórias já testadas e aprovadas. c) Vou ficar irritada se você não me deixar assistir à no-
d) Tal máxima aplica-se perfeitamente à criação de peças vela.
de teatro. d) Acabou se confundindo, após usar à exaustão a velha
e) Há uma massa de escritores presos à contratos fixos fórmula.
em alguns estúdios. e) Comunique às minhas alunas que as provas estão cor-
rigidas.
29. (Prefeitura de Marília-SP – Auxiliar de Escrita –
Médio – VUNESP – 2017) Assinale a alternativa em que 33. (TRT-AL – Analista Judiciário – Superior – FCC–
o sinal indicativo de crase está empregado corretamente. 2014) ... que acompanham as fronteiras ocidentais chi-
nesas...
a) A voluntária aconselhou a remetente à esquecer o O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
amor de infância. plemento que o da frase acima está em:
b) O carteiro entregou às voluntárias do Clube de Julieta
uma nova remessa de cartas. a) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
c) O médico ofereceu à um dos remetentes apoio psico- b) Esses caminhos floresceram durante os primórdios da
lógico. Idade Média.
d) As integrantes do Clube levaram horas respondendo c) ... viajavam por cordilheiras...
à diversas cartas. d) ... até cair em desuso, seis séculos atrás.
e) O Clube sugeriu à algumas consulentes que fizessem e) O maquinista empurra a manopla do acelerador.
novas amizades.
34. (CASAL-AL – Administrador De Rede – COPEVE
30. (prefeitura de são Paulo-sp – técnico em saú- – UFAL – 2014) Na afirmação abaixo, de Padre Vieira,
de – laboratório – médio – vunesp – 2014) Rees- “O trigo não picou os espinhos, antes os espinhos o pica-
crevendo-se o segmento frasal – ... incitá-los a reagir e a ram a ele... Cuidais que o sermão vos picou a vós” o subs-
enfrentar o desconforto, ... –, de acordo com a regência e tantivo “espinhos” tem, respectivamente, função sintática
o acento indicativo da crase, tem-se: de,

a) ... incitá-los à reação e ao enfrentamento do desconforto, ... a) objeto direto/objeto direto.


b) ... incitá-los a reação e o enfrentamento do desconforto, b) sujeito/objeto direto.
... c) objeto direto/sujeito.
c) ... incitá-los à reação e à enfrentamento do desconforto, d) objeto direto/objeto indireto.
... e) sujeito/objeto indireto.
d) ... incitá-los à reação e o enfrentamento do desconforto,
... 35. (CASAL-AL – Administrador De Rede – COPEVE
e) ... incitá-los a reação e à enfrentamento do desconforto, .. – UFAL – 2014) No texto, “Arranca o estatuário uma
pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e,
31. (CONAB – Contabilidade – Superior – IADES – depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e cin-
2014 – adaptada) Considerando o trecho “atualizou os zel na mão para começar a formar um homem, primeiro
dados relativos à produção de grãos no Brasil.” e confor- membro a membro e depois feição por feição.”
me a norma-padrão, assinale a alternativa correta. VIEIRA, P. A. In Sermão do Espírito Santo. Acervo da Aca-
demia Brasileira de Letras
a) a crase foi empregada indevidamente no trecho. A oração sublinhada exerce uma função de
b) o autor poderia não ter empregado o sinal indicativo
de crase. a) causalidade.
LÍNGUA PORTUGUESA

c) se “produção” estivesse antecedida por essa, o uso do b) conclusão.


sinal indicativo de crase continuaria obrigatório. c) oposição.
d) se, no lugar de “relativos”, fosse empregado referen- d) concessão.
tes, o uso do sinal indicativo de crase passaria a ser e) finalidade.
facultativo.
e) caso o vocábulo minha fosse empregado imediata-
mente antes de “produção”, o uso do sinal indicativo
de crase seria facultativo.

109
36. (EBSERH – HUCAM-UFES – Advogado – Supe- 41. (Advocacia-Geral da União – Técnico em Co-
rior – AOCP – 2014) Em “Se a ‘cura’ fosse cara, apenas municação Social – idecan – 2014) Acerca das re-
uma pequena fração da sociedade teria acesso a ela.”, a lações sintáticas que ocorrem no interior do período a
expressão em destaque funciona como: seguir “Policiais de Los Angeles tomam facas de crimino-
sos, perseguem bêbados na estrada e terminam o dia na
a) objeto direto. delegacia fazendo seu relatório.”, é correto afirmar que
b) adjunto adnominal.
c) complemento nominal. a) “o dia” é sujeito do verbo “terminar”.
d) sujeito paciente. b) o sujeito do período, Policiais de Los Angeles, é com-
e) objeto indireto. posto.
c) “bêbados” e “criminosos” apresentam-se na função de
37. (EBSERH – HUSM-UFSM-RS – Analista Adminis- sujeito.
trativo – Jornalismo – Superior – AOCP – 2014) d) “facas” possui a mesma função sintática que “bêba-
“Sinta-se ungido pela sorte de recomeçar. Quando seu fi- dos” e “relatório”.
lho crescer, ele irá entender - mais cedo ou mais tarde -...” e) “de criminosos”, “na estrada”, “na delegacia” são ter-
No período acima, a oração destacada: mos que indicam circunstâncias que caracterizam a
ação verbal.
a) estabelece uma relação temporal com a oração que
lhe é subsequente. 42. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Mé-
b) estabelece uma relação temporal com a oração que a dio – VUNESP – 2015) Leia o texto, para responder às
antecede. questões.
c) estabelece uma relação condicional com a oração que O fim do direito é a paz, o meio de que se serve para
lhe é subsequente. consegui-lo é a luta. Enquanto o direito estiver sujeito
d) estabelece uma relação condicional com a oração que às ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o
a antecede. mundo for mundo –, ele não poderá prescindir da luta.
e) estabelece uma relação de finalidade com a oração A vida do direito é a luta: luta dos povos, dos governos,
que lhe é subsequente. das classes sociais, dos indivíduos.
Todos os direitos da humanidade foram conquistados
38. (prodam-am – Assistente de Hardware – funcab pela luta; seus princípios mais importantes tiveram de
– 2014) O termo destacado em: “As pessoas estão sempre enfrentar os ataques daqueles que a ele se opunham;
muito ATAREFADAS.” exerce a seguinte função sintática: todo e qualquer direito, seja o direito de um povo, seja
o direito do indivíduo, só se afirma por uma disposição
a) objeto direto. ininterrupta para a luta. O direito não é uma simples
b) objeto indireto. ideia, é uma força viva. Por isso a justiça sustenta numa
c) adjunto adverbial.
das mãos a balança com que pesa o direito, enquanto
d) predicativo.
na outra segura a espada por meio da qual o defende.
e) adjunto adnominal.
A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a
espada, a impotência do direito. Uma completa a outra,
39. (trt-13ª região-pb – Técnico Judiciário – Tecno-
e o verdadeiro estado de direito só pode existir quando
logia da Informação – Médio – fcc – 2014) Ao mes-
a justiça sabe brandir a espada com a mesma habilidade
mo tempo, as elites renunciaram às ambições passadas...
com que manipula a balança.
O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
O direito é um trabalho sem tréguas, não só do Poder
plemento que o grifado acima está empregado em:
Público, mas de toda a população. A vida do direito nos
a) Faltam-nos precedentes históricos para... oferece, num simples relance de olhos, o espetáculo
b) Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro... de um esforço e de uma luta incessante, como o des-
c) Esse novo espectro comprova a novidade de nossa si- pendido na produção econômica e espiritual. Qualquer
tuação... pessoa que se veja na contingência de ter de sustentar
d) As redes sociais eram atividades de difícil seu direito participa dessa tarefa de âmbito nacional e
implementação... contribui para a realização da ideia do direito. É verdade
e) ... como se imitássemos o padrão de conforto... que nem todos enfrentam o mesmo desafio.
A vida de milhares de indivíduos desenvolve-se tranqui-
40. (Cia de Serviços de Urbanização de Guarapua- lamente e sem obstáculos dentro dos limites fixados pelo
va-pr – Agente de Trânsito – consulplam – 2014) direito. Se lhes disséssemos que o direito é a luta, não
nos compreenderiam, pois só veem nele um estado de
LÍNGUA PORTUGUESA

Quanto à função que desempenha na sintaxe da oração,


o trecho em destaque “Tenho uma dor que passa daqui paz e de ordem.
pra lá e de lá pra cá” corresponde a: (Rudolf von Ihering, A luta pelo direito)

a) Oração subordinada adjetiva restritiva. Assinale a alternativa em que uma das vírgulas foi em-
b) Oração subordinada adjetiva explicativa. pregada para sinalizar a omissão de um verbo, tal como
ocorre na passagem – A espada sem a balança é a força
c) Adjunto adnominal.
bruta, a balança sem a espada, a impotência do direito.
d) Oração subordinada adverbial espacial.

110
a) O direito, no sentido objetivo, compreende os princí- 45. (Correios – Técnico em Segurança do Trabalho
pios jurídicos manipulados pelo Estado. Júnior – Médio – IADES – 2017 – adaptada) Quanto
b) Todavia, não pretendo entrar em minúcias, pois nunca às regras de ortografia e de pontuação vigentes, consi-
chegaria ao fim. dere o período “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam
c) Do autor exige-se que prove, até o último centavo, o em seu rosto numa mistura de amor e saudade.” e assi-
interesse pecuniário. nale a alternativa correta.
d) É que, conforme já ressaltei várias vezes, a essência do
direito está na ação. a) O uso da vírgula entre as orações é opcional.
e) A cabeça de Jano tem face dupla: a uns volta uma das b) A redação “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam
faces, aos demais, a outra. em seu rosto por que sentia um misto de amor e sauda-
de.” poderia substituir a original.
43. TJ-BA – Técnico Judiciário – Área Administrati- c) O uso do hífen seria obrigatório, caso o prefixo re fosse
va – Médio – FGV – 2015 acrescentado ao vocábulo “lia”.
d) Caso a ordem das orações fosse invertida, o uso da
Texto 2 - “A primeira missão tripulada ao espaço profundo vírgula entre elas poderia ser dispensado.
desde o programa Apollo, da década 1970, com o objetivo e) Assim como o vocábulo “lágrimas”, devem ser acen-
de enviar astronautas a Marte até 2030 está sendo prepa- tuados graficamente rúbrica, filântropo e lúcida.
rada pela Nasa (agência espacial norte-americana). O pri-
meiro passo para a concretização desse desafio será dado 46. (TRE-MS – Estágio – Jornalismo – TRE-MS –
nesta sexta-feira (5), com o lançamento da cápsula Orion, 2014) Verifique a pontuação nas frases abaixo e marque
da base da agência em Cabo Canaveral, na Flórida, nos a assertiva correta:
Estados Unidos. O lançamento estava previsto original-
mente para esta quinta-feira (4), mas devido a problemas
a) Céus: Que injustiça.
técnicos foi reagendado para as 7h05 (10h05 no horário
b) O resultado do placar, não o abateu.
de Brasília).”
c) O comércio estava fechado; porém, a farmácia estava
(Ciência, Internet Explorer).
em pleno atendimento.
d) Comam bastantes frutas crianças!
“com o lançamento da cápsula Orion, da base da agência
e) Comprei abacate, e mamão maduro.
em Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos.”
Os termos sublinhados se encarregam da localização do
lançamento da cápsula referida; o critério para essa loca- 47. (SAAE-SP – Fiscal Leiturista – VUNESP – 2014)
lização também foi seguido no seguinte caso: Os protes-
tos contra as cotas raciais ocorreram:

a) em Brasília, Distrito Federal, na região Centro-Oeste;


b) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, região Sul;
c) em Pedrinhas, São Luís, Maranhão;
d) em São Paulo, São Paulo, Brasil;
e) em Goiânia, região Centro-Oeste, Brasil.

44. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário –


Área Administrativa – Médio – FCC – 2017) Está ple-
namente adequada a pontuação do seguinte período:

a) A produção cinematográfica como é sabido, sempre


bebeu na fonte da literatura, mas o cinema declarou-
-se, independente das outras artes há mais de meio
século.
b) Sabe-se que, a produção cinematográfica sempre con-
siderou a literatura como fonte de inspiração, mas o
cinema declarou-se independente das outras artes, há
mais de meio século.
c) Há mais de meio século, o cinema declarou-se inde-
pendente das outras artes, embora a produção cine- Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pon-
matográfica tenha sempre considerado a literatura tuação está correta em:
LÍNGUA PORTUGUESA

como fonte de inspiração.


d) O cinema declarou-se independente, das outras ar- a) Hagar disse, que não iria.
tes, há mais de meio século; porém, sabe-se, que a b) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bifes
produção cinematográfica sempre bebeu na fonte da e lagostas, aos vizinhos.
literatura. c) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas: para
e) A literatura, sempre serviu de fonte inspiradora do ci- Hagar e Helga
nema, mas este, declarou-se independente das outras d) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Hagar
artes há mais de meio século − como é sabido. à Helga.

111
e) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos 51. (Emplasa-Sp – Analista Jurídico – Direito – vu-
Stevensens, para jantar bifes e lagostas. nesp – 2014) Segundo a norma-padrão da língua por-
tuguesa, a pontuação está correta em:
48. (Prefeitura de Paulista-PE – Recepcionista –
UPENET – 2014) Sobre os SINAIS DE PONTUAÇÃO, ob- a) Como há suspeita, por parte da família de que João
serve os itens abaixo: Goulart tenha sido assassinado; a Comissão da Ver-
dade decidiu reabrir a investigação de sua morte, em
I. “Calma, gente”. maio deste ano, a pedido da viúva e dos filhos.
II. “Que mundo é este que chorar não é “normal”? b) Em maio deste ano, a Comissão da Verdade acatou
III. “Sustentabilidade, paradigma de vida” o pedido da família do ex-presidente João Goulart e
IV. “Será que precisa de mais licitações? Haja licitações!” reabriu a investigação da morte deste, visto que, para
V. “E, de repente, aquela rua se tornou um grande lago...” a viúva e para os filhos, Jango pode ter sido assassi-
nado.
Sobre eles, assinale a alternativa CORRETA. c) A investigação da morte de João Goulart, foi reaberta,
em maio deste ano pela Comissão da Verdade, para
a) No item I, a vírgula isola um aposto. apuração da causa da morte do ex-presidente uma
b) No item II, a interrogação indica uma mensagem in- vez que, para a família, Jango pode ter sido assassi-
terrompida. nado.
c) No item III, a vírgula isola termos que explicam o seu d) A Comissão da Verdade, a pedido da família de João
antecedente. Goulart, reabriu em maio deste ano a investigação de
d) No item IV, os dois sinais de pontuação, a interrogação sua morte, porque, a hipótese de assassinato não é
e a exclamação, indicam surpresa. descartada, pela viúva e filhos.
e) No item V, as vírgulas poderiam ser substituídas, ape- e) Como a viúva e os filhos do ex-presidente João Gou-
nas, por um ponto e vírgula após o termo “repente”. lart, suspeitando que ele possa ter sido assassinado
pediram a reabertura da investigação de sua morte,
49. (Prefeitura de Paulista-PE – Recepcionista – à Comissão da Verdade, esta, atendeu o pedido em
UPENET – 2014 – adaptada) maio deste ano.
“Já vi gente cansada de amor, de trabalho, de política, de
ideais. Jamais conheci alguém sinceramente cansado de 52. (Caixa Econômica Federal – Médico do Traba-
dinheiro.” lho – cespe – 2014 – adaptada) A correção gramatical
(Millôr Fernandes) do trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos
são as mais comuns em todo o mundo” seria prejudica-
Sobre as vírgulas existentes no texto, é CORRETO afirmar da, caso se inserisse uma vírgula logo após a palavra “vi-
que: nhos”.

a) são facultativas. ( ) CERTO ( ) ERRADO


b) isolam apostos.
c) separam elementos de mesma função sintática. 53. (Prefeitura de Arcoverde-PE – Administrador
d) a terceira é facultativa. de Recursos Humanos – CONPASS – 2014) Leia o
e) separam orações coordenadas assindéticas. texto a seguir:
“Pagar por esse software não é um luxo, mas uma necessi-
50. (Polícia Militar-SP – Oficial Administrativo – dade”. O uso da vírgula justifica-se porque:
Médio – vunesp – 2014) A reescrita da frase – Como
sempre, a resposta depende de como definimos os termos a) estabelece a relação entre uma coordenada assindéti-
da pergunta. – está correta, quanto à pontuação, em: ca e uma conclusiva.
b) separar a oração coordenada “não é um luxo” da ad-
a) A resposta como sempre, depende de, como defini- versativa “mas uma necessidade”, em que o verbo está
mos os termos da pergunta. subentendido.
b) A resposta, como sempre, depende de como defini- c) liga a oração principal “Pagar” à coordenada “não é um
mos os termos da pergunta. luxo, mas uma necessidade”.
c) A resposta como, sempre, depende de como defini- d) indica que dois termos da mesma função estão ligados
mos os termos da pergunta. por uma conjunção aditiva.
d) A resposta, como, sempre depende de como defini- e) isola o aposto na segunda oração.
mos os termos da pergunta.
e) A resposta como sempre, depende de como, defini-
LÍNGUA PORTUGUESA

mos os termos da pergunta.

112
54. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio 55. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Médio –
– VUNESP – 2017) VUNESP – 2017) Leia o texto para responder às questões.
Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos executi- O problema de São Paulo, dizia o Vinicius, “é que você
vos no setor de tecnologia já tinham feito – ele transferiu anda, anda, anda e nunca chega a Ipanema”. Se tomarmos
sua equipe para um chamado escritório aberto, sem pa- “Ipanema” ao pé da letra, a frase é absurda e cômica. To-
redes e divisórias. mando “Ipanema” como um símbolo, no entanto, como
Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas ele um exemplo de alívio, promessa de alegria em meio à vida
queria que todos estivessem juntos, para se conectarem dura da cidade, a frase passa a ser de um triste realismo:
e colaborarem mais facilmente. Mas em pouco tempo fi- o problema de São Paulo é que você anda, anda, anda e
cou claro que Nagele tinha cometido um grande erro. nunca chega a alívio algum. O Ibirapuera, o parque do Es-
Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove tado, o Jardim da Luz são uns raros respiros perdidos entre
empregados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio o mar de asfalto, a floresta de lajes batidas e os Corcovados
chefe. de concreto armado.
Em abril de 2015, quase três anos após a mudança para O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere
o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa para um estendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois
espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu próprio es- metros quadrados de chão. É o que vemos nas avenidas
paço, com portas e tudo. abertas aos pedestres, nos fins de semana: basta liberarem
Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório um pedacinho do cinza e surgem revoadas de patinado-
aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Uni- res, maracatus, big bands, corredores evangélicos, góticos
dos são assim – e até onde se sabe poucos retornaram satanistas, praticantes de ioga, dançarinos de tango, barra-
ao modelo de espaços tradicionais com salas e portas. quinhas de yakissoba e barris de cerveja artesanal.
Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder até Tenho estado atento às agruras e oportunidades da cidade
15% da produtividade, desenvolver problemas graves porque, depois de cinco anos vivendo na Granja Viana, vim
de concentração e até ter o dobro de chances de ficar morar em Higienópolis. Lá em Cotia, no fim da tarde, eu
doentes em espaços de trabalho abertos – fatores que corria em volta de um lago, desviando de patos e assus-
estão contribuindo para uma reação contra esse tipo de tando jacus. Agora, aos domingos, corro pela Paulista ou
organização. Minhocão e, durante a semana, venho testando diferentes
Desde que se mudou para o formato tradicional, Nagele percursos.
já ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem sentir Corri em volta do parque Buenos Aires e do cemitério da
falta do estilo de trabalho do escritório fechado. “Muita Consolação, ziguezagueei por Santa Cecília e pelas encos-
gente concorda – simplesmente não aguentam o escri- tas do Sumaré, até que, na última terça, sem querer, des-
tório aberto. Nunca se consegue terminar as coisas e é cobri um insuspeito parque noturno com bastante gente,
preciso levar mais trabalho para casa”, diz ele. quase nenhum carro e propício a todo tipo de atividades: o
É improvável que o conceito de escritório aberto caia em estacionamento do estádio do Pacaembu.
desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exemplo (Antonio Prata. “O paulistano não é de jogar a toa-
de Nagele e voltando aos espaços privados. lha. Prefere estendê-la e deitar em cima.” Disponível
Há uma boa razão que explica por que todos adoram um em:<http://www1.folha.uol.com.br/colunas>. Acesso em:
espaço com quatro paredes e uma porta: foco. A verdade é 13.04.2017. Adaptado)
que não conseguimos cumprir várias tarefas ao mesmo tem- Assinale a alternativa que dá nova redação à passagem
po, e pequenas distrações podem desviar nosso foco por até – O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere
20 minutos. estendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois
Retemos mais informações quando nos sentamos em um metros quadrados de chão. – atendendo à norma-padrão
local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental e de- de concordância.
sign de interiores.
(Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos podem a) Cem por cento dos paulistanos não joga a toalha –
ser ruins para funcionários.” Disponível em:<www1.folha. acha preferível estendê-la para que se deite sobre elas,
uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adaptado) caso seja dado a eles dois metros quadrados de chão.
b) Os paulistanos não jogam a toalha – acham preferíveis
Iniciando-se a frase – Retemos mais informações quando nos estendê-la e se deitar em cima, caso lhes deem dois
sentamos em um local fixo... (último parágrafo) – com o termo metros quadrados de chão.
Talvez, indicando condição, a sequência que apresenta corre- c) Mais de um paulistano não são de jogar a toalha –
lação dos verbos destacados de acordo com a norma-padrão acham preferíveis estendê-la e se deitarem em cima,
será: caso se dê a eles dois metros de chão.
d) Para os paulistanos, não se joga a toalha – é preferível
a) reteríamos ... sentarmos que seja estendida, para que possam deitar-se sobre
LÍNGUA PORTUGUESA

b) retínhamos ... sentássemos ela, caso lhes sejam dados dois metros quadrados de
c) reteremos ... sentávamos chão.
d) retivemos ... sentaríamos e) A maior parte dos paulistanos, contudo, não são de jo-
e) retivéssemos ... sentássemos garem a toalha – acha preferível elas serem estendidas
e deitar-se em cima, caso lhe seja dado dois metros
de chão.

113
42 E
GABARITO 43 A
44 C
1 C 45 D
2 A 46 C
3 D 47 E
4 A 48 C
5 C 49 C
6 A 50 B
7 C 51 B
8 D 52 CERTO
9 D 53 C
10 C 54 E
11 B 55 D
12 C
13 D
14 E
15 A
16 B
17 A
18 CERTO
19 D
20 C
21 A
22 E
23 E
24 E
25 C
26 C
27 E
28 D
29 B
30 A
31 E
32 D
33 E
34 C
35 E
36 C
LÍNGUA PORTUGUESA

37 A
38 D
39 A
40 A
41 D

114
ÍNDICE

ATUALIDADES

Sistema de justiça criminal ....................................................................................................................................................................................... 01


Sistema prisional brasileiro ...................................................................................................................................................................................... 04
Políticas públicas de segurança pública e cidadania ..................................................................................................................................... 07
Plano Nacional de Segurança Pública, e tem por objetivo
SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL. apoiar projetos na área de segurança pública e projetos
sociais de prevenção à violência, tanto de estados quanto
de municípios, desde que atendam aos critérios estabe-
lecidos.
1 Sistema de justiça criminal. Desta forma, devemos lembrar ainda, a existência de
Ao analisarmos o sistema de justiça criminal, deve- conselhos ligados ao Ministério da Justiça, tais como o
mos compreender que ele abrange órgãos dos Poderes Conselho Nacional de Segurança Pública, que também
Executivo e Judiciário em todos os níveis da Federação. exercem papel importante para as definições e avalia-
ções da política. Ainda no âmbito do Ministério da Justi-
Assim sendo, o sistema se organiza em três frentes prin-
ça, o Departamento de Polícia Federal cumpre uma fun-
cipais de atuação: segurança pública, justiça criminal e
ção bem distinta. A norma constitucional define que cabe
execução penal. Ou seja, abrange a atuação do poder
à Polícia Federal “apurar infrações penais contra a ordem
público desde a prevenção das infrações penais até a
política e social ou em detrimento de bens, serviços e
aplicação de penas aos infratores. As três linhas de atua-
interesses da União (...) assim como outras infrações cuja
ção relacionam-se estreitamente, de modo que a eficiên-
prática tenha repercussão interestadual ou internacional
cia das atividades da Justiça comum, por exemplo, de-
e exija repressão uniforme”. Cabe, ainda, “prevenir e re-
pende da atuação da polícia, que por sua vez também é primir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
chamada a agir quando se trata do encarceramento, para contrabando e o descaminho (...)”, “exercer as funções de
vigiar externamente as penitenciárias e se encarregar do polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras” e “exer-
transporte de presos. cer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da
Deste modo, a Constituição Federal de 1988 traz as União” (Constituição Federal, art. 144, § 1º, incisos I a IV).
diretrizes gerais para o sistema, prevendo o papel dos Com isso, a Polícia Federal cumpre um importante
órgãos policiais e dos entes federativos em sua organiza- papel nas investigações que envolvem crimes contra o
ção. No art. 144, a Constituição Federal define a seguran- patrimônio da União, aí incluídos delitos cometidos por
ça pública como dever do Estado e responsabilidade de autoridades políticas, no policiamento de fronteira, e no
todos. Define, ainda, que os órgãos responsáveis por sua combate ao tráfico de drogas, atuando em todo o país
manutenção são a Polícia Federal, as Polícias Rodoviária e por meio de suas unidades regionalizadas, em 27 supe-
Ferroviária Federais, as Polícias Civis, as Polícias Militares rintendências regionais e 81 delegacias, além de postos
e os Corpos de Bombeiros Militares. avançados, centros especializados, e delegacias de imi-
gração, dentre outros.

FIQUE ATENTO! #FicaDica


A Constituição Federal é a responsável pela
fundamentação da Justiça Criminal, sendo A Polícia Federal é a responsável por inves-
assim, vale a pena fazer uma leitura efetiva tigar todos os crimes vinculados ao patri-
do art. 144, que define as obrigações do Es- mônio da União, sendo assim, ela fiscaliza
tado na segurança pública. todas as denúncias sobre delitos cometidos
pelas autoridades políticas.

Assim sendo, no âmbito do governo federal, a se- Ademais, a Polícia Federal atua também na fiscaliza-
gurança pública é assunto da área de competência do ção nos aeroportos, na emissão de passaportes e no re-
Ministério da Justiça, no qual se encontram vinculados gistro de armas de fogo. Seus principais órgãos centrais
os seguintes órgãos: SENASP - Secretaria Nacional de são: Comando de Operações Táticas, Academia Nacional
Segurança Pública, Departamento de Polícia Federal, e de Polícia, Diretoria Técnico-Científica, Coordenação-Ge-
Departamento de Polícia Rodoviária Federal. ral de Polícia de Imigração, e Coordenação-Geral de Con-
Ademais, a SENASP, criada em 1997, tem por prin- trole de Segurança Privada.
cipais atribuições: promover a integração dos órgãos Assim sendo, a Polícia Rodoviária Federal, que tam-
de segurança pública; planejar, acompanhar e avaliar as bém tem suas atribuições definidas constitucionalmen-
ações do governo federal na área; estimular a moder-
te, deve exercer o patrulhamento das rodovias federais.
nização e o reaparelhamento dos órgãos de segurança
Integram sua atuação: realizar patrulhamento ostensivo,
pública; estimular e propor aos órgãos estaduais e mu-
nicipais a elaboração de planos integrados de segurança inclusive operações relacionadas com a segurança públi-
e implementar e manter o INFOSEG - Sistema Nacional ca; exercer os poderes de autoridade de polícia de trân-
de Informações de Justiça e Segurança Pública, dentre sito; aplicar e arrecadar multas impostas por infrações de
outras. trânsito; executar serviços de prevenção, atendimento de
Portanto, é a SENASP que gerencia o programa SUSP acidentes e salvamento de vítimas; assegurar a livre cir-
ATUALIDADES

- Sistema Único de Segurança Pública, bem como a ad- culação nas rodovias federais; efetuar a fiscalização e o
ministração dos recursos do Fundo Nacional de Seguran- controle do tráfico de crianças e adolescentes; colaborar e
ça Pública, por meio do qual são apoiados projetos de atuar na prevenção e repressão aos crimes contra a vida,
estados e municípios. O Fundo Nacional de Segurança os costumes, o patrimônio, o meio ambiente, o contra-
Pública foi criado em 2000, logo após o lançamento do bando, o tráfico de drogas e demais crimes.

1
Deste modo, na esfera do governo federal, podemos Destarte, a Polícia Civil atende a população em de-
mencionar também a atuação do Gabinete de Segurança legacias ou distritos, nos quais são registradas as ocor-
Institucional da Presidência da República, que é o órgão rências de infrações. Em geral, cada delegacia de polícia
de coordenação das atividades de inteligência federal e, deve registrar e apurar os delitos de sua área de circuns-
juntamente com outros doze, compõe o Sistema Brasilei- crição. É o delegado de polícia que abre o inquérito poli-
ro de Inteligência, cujo órgão central é a ABIN - Agência cial para investigar os crimes e realiza os procedimentos
Brasileira de Inteligência, também responsável por ativi- relacionados à investigação, como interrogatório de tes-
dades relacionadas à segurança pública, e que atua mui- temunhas, solicitação de perícias, entre outras.
tas vezes em conjunto com a SENAD - Secretaria Nacio- Assim sendo, com vistas a subsidiar a investigação,
nal Antidrogas e com a Polícia Federal. entra em ação o trabalho da Polícia Científica, formada
Assim sendo, a SENAD, por sua vez, subordinada ao pelos especialistas que atuam nos institutos de crimina-
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da lística e institutos ou departamentos de medicina legal.
República, é “o órgão executivo das atividades de pre- Uma vez concluído, o inquérito policial (procedimento
venção do uso indevido de substâncias entorpecentes e administrativo anterior à ação penal) é encaminhado
drogas que causem dependência, bem como daquelas para o Judiciário, que o remete ao Ministério Público.
relacionadas com o tratamento, recuperação, redução de Este pode requerer seu arquivamento ou apresentar de-
danos e reinserção social de dependentes”. núncia.
Desta forma, a secretaria gerencia o Fundo Nacional Portanto, o Ministério Público tem competência
Antidrogas e, junto ao Conselho Nacional Antidrogas, privativa de promover a ação penal pública, fazendo a
atua na implementação da Política Nacional sobre as denúncia que dá início ao processo criminal. Ademais,
Drogas, lançada em 2005. Por fim, cumpre lembrar a ins- ainda, que as provas produzidas pela polícia, como os
tituição da Força Nacional de Segurança Pública, criada depoimentos, têm de ser refeitas no âmbito do Judiciá-
em novembro de 2004, por meio do Decreto nº. 5.289, rio, para que sejam respeitados os princípios do contra-
considerando “o princípio de solidariedade federativa
ditório, da ampla defesa e do devido processo legal. O
que orienta o desenvolvimento das atividades do sistema
inquérito policial não é obrigatório. Se já há elementos
único de segurança pública”, para exercer atividades rela-
para propor a ação penal, ele se torna dispensável.
cionadas com policiamento ostensivo no caso de solicita-
Portanto, no caso de infrações penais de menor po-
ção expressa de um governador de estado.
tencial ofensivo, a polícia pode lavrar termo circunstan-
Portanto, integram a Força Nacional servidores de
ciado, encaminhado ao Judiciário, no contexto dos pro-
órgãos de segurança pública estaduais e federais sele-
cedimentos mais simplificados para a conclusão judicial.
cionados e treinados para trabalhar conjuntamente. Os
estados podem aderir voluntariamente ao programa. O A relação da Polícia Civil com o Judiciário e o Ministério
emprego da Força Nacional será determinado pelo mi- Público se dá em diferentes circunstâncias, não somente
nistro da Justiça, sempre de forma episódica e planejada, ao longo da instrução do inquérito policial e do processo
e após solicitação do governador de estado. Portanto, a criminal, mas também para cumprir mandados de prisão,
Força Nacional não possui sede própria nem contingente de busca e apreensão, entre outros. Cada estado organi-
próprio – os policiais capacitados para integrá-la são con- za seu departamento de polícia civil de maneira indepen-
vocados para missões específicas, e tampouco, funciona dente, sendo que, na maioria das vezes, tal organização é
de maneira permanente. normatizada por uma lei orgânica.
Comumente há ainda, em separado, um estatuto,
Órgãos estaduais de segurança pública um regulamento disciplinar e um código de ética, todos
Ao analisar os órgãos estaduais, a Constituição Fede- publicados por lei estadual ou decreto governamental,
ral define o papel das Polícias Civil e Militar, que se subor- embora seja mais comum que a lei orgânica aborde to-
dinam ao Poder Executivo estadual. A Polícia Militar deve dos os aspectos relativos à organização da corporação,
realizar o policiamento ostensivo e garantir a preserva- finalidades, atribuições, regime disciplinar, cargos e car-
ção da ordem pública. A Polícia Civil tem como principal reiras etc. O governador deve publicar em lei o número
atribuição a investigação de crimes. Desta forma, cumpre de cargos existentes nas polícias, com base na proposta
a função de polícia judiciária, devendo apurar as infra- do comandante- -geral da corporação.
ções penais, com exceção das militares. As Polícias Civil Desta forma, as carreiras da Polícia Civil também en-
e Militar, o Corpo de Bombeiros e os órgãos de perícia contram diferenças de um estado para outro. A organi-
vinculam-se ao Poder Executivo estadual e organizam-se, zação da Polícia Militar também difere entre os estados,
sob o princípio da norma constitucional, de acordo com mas em geral é formada por batalhões e companhias.
a legislação local, havendo diferenças entre os estados Existem atualmente doze graus hierárquicos, de soldado
brasileiros. São as constituições estaduais que explicitam a coronel, em reprodução à organização do Exército, à
a organização das corporações policiais e da política de exceção do grau de general, inexistente na polícia. O co-
segurança pública local. mandante-geral da polícia no estado deve ter a patente
Deste modo, compõem as Secretarias Estaduais de de coronel. Os integrantes das polícias militares são de-
ATUALIDADES

Segurança Pública: Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de nominados pela Constituição Militar dos estados, consti-
Bombeiros, Polícia Técnico-Científica, quando separada tuindo força auxiliar do Exército.
da Polícia Civil, Departamento de Trânsito, conselhos co- Assim sendo, o trabalho de mais visibilidade da Polí-
munitários, instituto de identificação, além de Correge- cia Militar é o policiamento ostensivo, caracterizado pela
doria e Ouvidoria de Polícia. ação em que o agente é identificado pela farda, pelo

2
equipamento e pela viatura, podendo ser: ostensivo ge- Tribunais e Juízes Militares e os Tribunais e Juízes dos
ral, urbano e rural; de trânsito; florestal e de mananciais; estados e do Distrito Federal e Territórios. Sendo assim,
rodoviário e ferroviário, nas vias estaduais; portuário; flu- observe as características de cada um deles.
vial e lacustre; de radiopatrulha terrestre e aérea; e de Supremo Tribunal Federal é o órgão máximo do Judi-
segurança externa dos estabelecimentos penais, entre ciário brasileiro. Sua principal função é zelar pelo cumpri-
outros, havendo necessariamente distinção entre carrei- mento da Constituição e dar a palavra final nas questões
ra de delegado de polícia e de agente, além de carreiras que envolvam normas constitucionais. É composto por
específicas ligadas às atividades de perícia. 11 ministros indicados pelo Presidente da República e
Outrossim, o ingresso em todas as carreiras se dá me- nomeados por ele após aprovação pelo Senado Federal.
diante concurso público, sendo necessário, para delega- Superior Tribunal de Justiça, está abaixo do STF, cuja
responsabilidade é fazer uma interpretação uniforme da
do, ser detentor de curso superior em Direito. Em alguns
legislação federal. É composto por 33 ministros nomea-
estados, a Polícia Científica, que trabalha nas atividades
dos pelo Presidente da República escolhidos numa lista
de perícia e medicina legal, constitui uma corporação es-
tríplice elaborada pela própria Corte. Os ministros do STJ
pecífica, independente da Polícia Civil. também têm de ser aprovados pelo Senado antes da no-
meação pelo Presidente do Brasil.
Justiça criminal
Ao analisarmos a estrutura judiciária brasileira, deve-
mos destacar que ela tem suas bases estabelecidas pelo #FicaDica
Capítulo III, do Título IV, da Constituição Federal. Sendo
O STJ julga causas criminais de relevância,
assim, no topo está o STF – Supremo Tribunal Federal,
e que envolvam governadores de estados,
abaixo dele, a Constituição estabelece também a compe-
Desembargadores e Juízes de Tribunais Re-
tência criminal ao STJ – Superior Tribunal de Justiça, TSE
gionais Federais, Eleitorais e Trabalhistas e
– Tribunal Superior Eleitoral e o STM – Superior Tribunal
outras autoridades.
Militar. Ademais, além da divisão da justiça brasileira em
Comum Federal e Comum. Deste modo, a Justiça Co-
mum é chamada de Justiça Ordinária. Deste modo, além dos tribunais superiores, a o sis-
Sendo assim, a Justiça Comum tem a seguinte orga- tema Judiciário federal é composto pela Justiça Federal
nização: Justiça Federal, dividida em 1º Grau – Juízes Fe- comum e pela Justiça especializada (Justiça do Trabalho,
derias, 2º Grau – Tribunais Regionais Federais e 3º Grau Justiça Eleitoral e Justiça Militar).
– Superior Tribunal de Justiça. Na esfera da Justiça Esta- A Justiça Federal comum pode processar e julgar cau-
dual, o 1º Grau – Juízes Estatuais e o 2 Grau – Tribunais sas em que a União, autarquias ou empresas públicas
de Justiça. federais sejam autoras, rés, assistentes ou oponentes –
exceto aquelas relativas a falência, acidentes de trabalho
e aquelas do âmbito da Justiça Eleitoral e à Justiça do
FIQUE ATENTO! Trabalho. É composta por juízes federais que atuam na
O 3º Grau da Justiça Federal, também se apli- primeira instância, nos tribunais regionais federais (se-
gunda instância) e nos juizados especiais, que julgam
ca a Justiça Estadual, desta forma, existe uma
causas de menor potencial ofensivo e de pequeno valor
semelhança entre elas.
econômico.
Já a Justiça do Trabalho julga conflitos individuais e
coletivos entre trabalhadores e patrões. É composta por
Deste modo, o Superior Tribunal de Justiça, é o grau juízes trabalhistas que atuam na primeira instância e nos
ou instância superior, tanto da Justiça Federal como da tribunais regionais do Trabalho (TRT), e por ministros que
Justiça Estadual comum, deste modo, também tem atua- atuam no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
ção na justiça criminal em âmbito federal, o Ministério No que tange à Justiça Eleitoral, ela tem como objeti-
Público Federal e a Defensoria Pública da União e, em vo de garantir o direito ao voto direto e sigiloso, preconi-
âmbito estadual, os Ministérios Públicos Estaduais e as zado pela Constituição, a Justiça Eleitoral regulamenta os
Defensorias Públicas Estaduais. Portanto, as competên- procedimentos eleitorais. Na prática, é responsável por
cias de cada uma dessas instituições são ditadas pela organizar, monitorar e apurar as eleições, bem como por
Constituição Federal de 1988 e por legislações específi- diplomar os candidatos eleitos. Também pode decretar
cas, sendo elas na esfera federal ou estaduais. a perda de mandato eletivo federal e estadual e julgar
irregularidades praticadas nas eleições.
Órgãos Federais de Justiça Criminal
Dentro dos Órgãos Federais de Justiça Criminal, po-
FIQUE ATENTO!
demos destacar que a função do Poder Judiciário é ga-
rantir os direitos individuais, coletivos e sociais e resolver Os juízes eleitorais atuam na primeira instân-
conflitos entre cidadãos, entidades e Estado. Para isso, cia e nos tribunais regionais eleitorais (TRE) e
tem autonomia administrativa e financeira garantidas os ministros que atuam no Tribunal Superior
ATUALIDADES

pela Constituição Federal. Eleitoral (TSE).


Deste modo, são órgãos do Poder Judiciário o Supre-
mo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça Ao analisar a Justiça Militar, podemos observar que
(STJ), além dos Tribunais Regionais Federais (TRF), Tri- ela é composta por juízes militares que atuam em pri-
bunais e Juízes do Trabalho, Tribunais e Juízes Eleitorais, meira e segunda instância e por ministros que julgam no

3
Superior Tribunal Militar (STM). Sua função é processar e
julgar os crimes militares. SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO.
No âmbito da organização da Justiça Estadual, po-
demos destacar que é competência de cada estado e
do Distrito Federal. Nela existem os juizados especiais
cíveis e criminais. Nela atuam juízes de Direito (primeira Das Penas
instância) e desembargadores, (nos tribunais de Justiça, Antes de pensarmos no sistema prisional brasileiro,
segunda instância). Nos estados e no DF também exis- precisamos entender um pouco sobre os tipos de penali-
tem juizados especiais cíveis e criminais. Deste modo, a dades que estão previstas no Código Penal. Desta forma,
função da Justiça Estadual é processar e julgar qualquer as Penas no direito penal são punições definidas pelo
causa que não esteja sujeita à Justiça Federal comum, do legislador e normatizadas na parte especial do Código
Trabalho, Eleitoral e Militar. Penal. Sendo assim, é necessário que haja a regulamen-
Por fim, o STF e o STJ têm poder sobre a Justiça co- tação para que a convivência em sociedade não ultrapas-
mum federal e estadual. Em primeira instância, as causas se os direitos e os limites dos cidadãos. A lei tem a fina-
são analisadas por juízes federais ou estaduais. Recursos lidade de corrigir, de remediar o comportamento social.
de apelação são enviados aos Tribunais Regionais Fede- Deste modo, a lei sem punição se torna ineficaz, sendo
rais, aos Tribunais de Justiça e aos Tribunais de Segunda necessário que a lei estabeleça uma forma de punição
Instância, os dois últimos órgãos da Justiça Estadual.
para cada ato ilícito que possa ser praticado.
Outrossim, as Penas são de caráter preventivo, ou
#FicaDica seja, serve de exemplo para que outros não realizem
aquele comportamento. As Penas são específicas ao tipo
Às decisões dos tribunais de última instân-
que se refere à lei e não pode ser aplicada, por exemplo,
cia das justiças Militar, Eleitoral e do Traba-
lho cabe recurso, em matéria constitucio- a pena de estelionato a quem pratica um roubo.
nal, para o STF. Portanto, o Código Penal não possui todas as condu-
tas ilícitas nele inseridas, por isso são criadas leis que se
fazem valer do código para aplicação de suas Penas. Nes-
se sentido, existem as leis especiais que tratam da maté-
ria penal e que não fazem parte do Código Penal, como
EXERCÍCIO COMENTADO exemplo a Lei de armas e Lei dos entorpecentes, Código
do consumidor, Código de trânsito, dentre outros.
1. A segurança pública, dever do Estado, direito e res- Sendo assim, a Pena a ser aplicada deve corresponder
ponsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ao tipo penal da condenação, sendo essas Penas de três
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patri- espécies:
mônio, através dos seguintes órgãos: a Polícia Federal, as 1) Privativa de liberdade, que se divide em: a) reclu-
Polícias Rodoviária e Ferroviária Federais, as Polícias Civis, são; b) detenção
as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares. 2) Restritiva de direito, que somente pode ser aplica-
Avalie se o item acima está certo ou errado. da em substituição às Penas privativas de liberdade nos
casos autorizados em lei.
( ) CERTO ( ) ERRADO 3) Multa, também conhecida como pena pecuniária.

Resposta: Certo. Os Princípios da pena


A Constituição Federal é a responsável pela funda- Personalidade (ou da responsabilidade pessoal), no
mentação da Justiça Criminal, sendo assim, vale a art. 5, XLV, da constituição Federal, que para este prin-
pena fazer uma leitura efetiva do art. 144, que define cípio, a pena não passa da pessoa do delinquente, ou
as obrigações do Estado na segurança pública. seja, apenas o delinquente pode ser responsabilizado
pela pena. Quando falamos em responsabilidade penal,
2- Supremo Tribunal Federal é o órgão máximo do Judi- estamos diante da apuração para verificar se o indivíduo
ciário brasileiro, sua principal função é zelar pelo cumpri- é ou não responsável por aquele crime. Se não houver
mento da Constituição e dar a palavra final nas questões responsabilidade penal, não há que se falar em Pena. São
que envolvam normas constitucionais, sendo composto responsáveis penais todos os maiores de 18 anos.
por 13 ministros escolhidos pelo povo e nomeados pelo
Presidente após aprovação pelo Senado Federal.
FIQUE ATENTO!
( ) CERTO ( ) ERRADO Caso os parentes do delinquente recebam al-
guma parcela ou quinhão do crime, deverão
ATUALIDADES

Resposta: Errado. ressarcir apenas o que receberam, não po-


Na verdade, o STF é composto por 11 ministros, sendo dendo ser contabilizado os seus bens pesso-
eles indicados pelo próprio Presidente da República e ais. Ou então, no mesmo sentido, o partícipe
nomeados por ele após aprovação pelo Senado Fe- tem a mesma importância daquele que co-
deral. meteu o crime.

4
O Princípio da Legalidade, no art. 5 XXXIX, da Cons- Desta forma, são Penas que limitam a liberdade de
tituição Federal, que não existe pena sem prévia comi- ir e vir do condenado, onde o indivíduo perde direitos
nação legal. Não existe pena, nem conduta, sem que as amplos dessa liberdade, conforme estampado na Cons-
mesmas estejam estabelecidas em lei. Portanto, não será tituição Federal, já que há uma restrição legal oriunda da
crime se não estiver previsto em lei. condenação pela prática de um fato ilícito. Essas Penas,
O Princípio da Inderrogabilidade, constatada a prática quanto à espécie, são definidas para serem cumpridas
delitiva, a pena deve ser aplicada. A pena deve atingir sua em sistema de reclusão ou detenção, para os crimes em
eficácia, e para isso é necessária a responsabilização do geral. Para os crimes mais brandos, tais Penas podem ser
agente pelo crime cometido. O Estado-juiz não pode dei- cumpridas em prisão simples, como é o caso das infra-
xar de aplicar e executar a pena ao culpado pela infração ções penais de menor potencial ofensivo, estampadas
penal, com apenas uma exceção: o perdão judicial art. em contravenções penais. Portanto, o sistema de reclu-
121, parágrafo 5° da Constituição Federal. são, detenção e também prisão simples deve obedecer a
certos regimes. Esses regimes são considerados doutri-
nariamente como fechado, semiaberto e aberto.
#FicaDica Regime Fechado é aquele imposto numa determina-
Exemplo de perdão judicial: o pai, que, di- da prisão onde existe rigorismo durante o cumprimento
rigindo pela estrada, passa por uma linha da pena. Os estabelecimentos prisionais que obedecem
férrea e culposamente é atingido pelo trem, a esse regime são os presídios de segurança máxima,
matando sua filha que estava no banco de como as penitenciárias, CDP’s e RDD’s, onde estão os
trás. O princípio do perdão judicial enten- condenados por crimes gravíssimos.
de que nenhuma pena pode atingir tanto Também podemos observar, o regime semiaberto é
o agente quanto o fato que ocasionou a aquele cumprido em Colônias Penais Agrícolas. Tais es-
crime. tabelecimentos são locais onde condenados trabalham
durante o dia em comum e se recolhem durante o pe-
ríodo noturno, assim como nos feriados e finais de se-
O Princípio da Proporcionalidade – art. 5, XLVI da mana. Não existe rigorismo, apesar de existir segurança,
Constituição Federal, sendo assim a pena deve guardar a qual não é máxima, havendo até possibilidade de fuga
proporcionalidade entre o crime e a sanção imposta. do condenado.
Tanto o juiz quanto o Ministério Público devem ter essa Contudo, no caso de o condenado não fazer jus à
noção de proporcionalidade. Sendo assim, a pena deve confiança que o Estado deposita na sua pessoa duran-
ser proporcional à gravidade do crime. te o cumprimento de pena, se ele fugir ou tentar fuga
Princípio da Individualização da pena, no art. 5, XLVI ou, ainda, praticar alguma falta disciplinar grave, perderá
da Constituição Federal, assim a pena será aplicada a essa regalia legal e será transferido para o regime mais
cada delinquente no concurso de agentes. Cada agente grave, que é o fechado. Esse procedimento, durante o
envolvido no crime pode ter uma pena diferente e indivi- cumprimento da pena é chamado de regressão prisional.
dualizada, já que respondem de acordo e na medida de Destarte, o regime aberto é aquele em que o conde-
sua participação no crime. nado não vai para a prisão, sendo ela substituída pela
casa do albergado. A Casa do Albergado é uma casa
comum onde o condenado deve permanecer aos feria-
FIQUE ATENTO! dos, sábados e domingos, bem como no período notur-
Ninguém será considerado culpado a não ser no, saindo para trabalhar no meio social, durante o dia,
com pena condenatória transitada em julga- das 6 às 18h. Tal regime é destinado àqueles que prati-
do. O trânsito em julgado ocorre após uma cam condutas brandas. Pode também ser o condenado
certificação feita no processo de que ocorreu transferido para regime mais rigoroso, que pode ser o
para o réu o prazo recursal. Enquanto houver semiaberto ou fechado, no caso de cometimento de ou-
apelação, não haverá trânsito em julgado. tro crime ou qualquer falta disciplinar grave. Neste caso,
é possível a transferência direta do regime aberto para o
fechado, não havendo necessidade de se passar primeiro
pelo regime semiaberto.
Princípio da Humanidade – art. 5 XLVII e XLIX da
Constituição Federal. Respeito à integridade física e mo-
ral. A Constituição Federal não admite Penas vexatórias e
#FicaDica
proíbe Penas insensíveis e dolorosas. Quando condena- Nos casos previstos em lei, o juiz pode de-
do e julgado, ao cumprir sua pena, o indivíduo deve ser cretar a pena em regime fechado, semia-
preservado física e moralmente. berto ou aberto sem ter que justificar o
Penas alternativas de liberdade, refere-se a pena pri- porquê. Mas, na maioria dos casos, terá que
vativa, que é considerada regra nos tipos definidos no justificar sua decisão baseados em fatos do
Código Penal, bem como em leis penais esparsas, sendo processo.
ATUALIDADES

leis penais existentes fora do Código Penal, tais como:


Lei de tóxicos, lei de armas, dentre outras. Assim sendo,
a pena privativa de liberdade deve ser cumprida em es- Ademais, as Penas restritivas de direito estão elenca-
tabelecimentos prisionais (cadeias, prisões de uma forma das nos artigos 43 e 48 da Código Penal. Essas Penas
geral). são autônomas entre si, e substituem as Penas privativas

5
de liberdade quando o acusado ou as condições legais ta deverá ser paga no prazo de 10 dias. No que se refere
estiverem de acordo com a lei, que autoriza a substitui- a pena de multa, ela é autônoma e pode ser encontrada
ção. Assim sendo, não existe pena restritiva de direitos nos tipos penais, de forma autônoma, cumulativa ou al-
de forma autônoma quanto ao tipo penal. Essas Penas ternativa.
são aplicadas pelo mesmo tempo de duração da pena  De forma autônoma, é quando o tipo penal ape-
privativa de liberdade substituída. Durante o prazo de nas faz referência à pena cominada em abstrato, a exem-
seu cumprimento é imposto ao réu certas condições que plo a pena de multa.
devem ser cumpridas integralmente sob pena de revoga-  De forma cumulativa, ocorre quando o tipo pe-
ção da substituição. nal definir outra espécie de pena, mais multa, a exemplo
Deste modo, o artigo 44 do Código Penal expõe re- no art. 155 do Código Penal, que se refere ao furto, es-
quisitos básicos para que o condenado possa usufruir da tabelecendo uma pena de reclusão de 01 a 04 anos e
substituição da pena privativa de liberdade aplicada por multa.
uma restritiva de direito. O primeiro critério é a pena até  De forma alternativa, quando o tipo penal per-
4 anos em crimes dolosos, menos aqueles aplicados me- mite ao magistrado aplicar uma ou outra pena, a exemplo
diante violência ou grave ameaça. O segundo critério diz no art. 135, que abrange o tema de omissão de socorro,
que o réu não pode ser reincidente em crime doloso. tendo uma pena de detenção, 1 a 6 meses, ou então, a
aplicação de uma multa. Desta forma, o juiz deve optar
pela pena privativa de liberdade ou pena de multa, nunca
FIQUE ATENTO!
poderá optar pelas duas, apenas por uma delas.
Reincidente é aquele que pratica um crime
anterior, onde é condenado com sentença
transitada em julgado, e contado como ten-
do sido a condenação anterior ocorrida den- #FicaDica
tro do prazo de cinco anos, sendo contada a A pena de multa não tem fração, não exis-
partir da data de trânsito em julgado do cum- te dízima periódica para pena de multa.
primento da pena ou da data de extinção da As operações sobre pena de multa e pena
punibilidade desta condenação. privativa de liberdade serão através das
quatro operações básicas (somar, subtrair,
multiplicar e dividir). Quando essa opera-
Uma das Penas restritivas de direito é a pena de pres- ção matemática que faremos para calcu-
tação de serviços à comunidade. Se não for possível apli- lar os dias/multa, NUNCA pode ter fração,
car uma das outras Penas, aplica-se a prestação de servi- mas se esse cálculo for para benefício do
ços à comunidade. A prestação pecuniária e a prestação réu (ex: usufruir de um desconto), devemos
de serviços à comunidade são Penas genéricas, diferen- acrescentar qualquer dízima para um núme-
temente das outras. Deste modo, a prestação de serviços ro inteiro. Quando for para prejuízo do réu
à comunidade é gratuita e ampla, pode ser em um hos- (ex: pagamento de uma dívida), a dízima é
pital, em uma escola, em qualquer estabelecimento que excluída e prevalece o número inteiro.
viva de subsídios e de ajuda da sociedade. A entrega de
cesta básica também é considerada uma prestação de
serviços à comunidade.
Sistema prisional brasileiro
Portanto, o juiz pode, por exemplo, resignar o acusa-
A realidade no sistema prisional brasileiro há muito
do que durante uma hora ofereça auxílio interno a deter-
tempo vem mostrando sinais de sua falência, com um ce-
minadas atividades, limpeza a alguma comunidade. Tudo
nário precário e desumano, passando longe da ideia de
depende das aptidões pessoais de cada condenado, po-
ressocialização e do cumprimento dos direitos do preso,
dendo aproveitar as características técnicas do acusado.
Por fim, a Pena de multa tem seus limites fixados le- que deveriam ser praticados nos presídios do país, pois
galmente, tem regra própria, a qual está definida nos ar- são regulamentados pela Constituição Federal e pela Lei
tigos 49 ao 52, 58 e 72 do Código Penal. A multa será de Execução Penal, mas que na realidade é negligenciado
sempre em dias/multa e não em valor pecuniário. Cada pelo Poder Público e por parte da administração dos pre-
dia/multa deverá ter o seu valor em pecúnia, o qual é cal- sídios e de certa forma pela sociedade que age com in-
culado sobre o salário mínimo vigente na data dos fatos. diferença à situação degradante em que se encontram as
Esses dias/multas serão de no mínimo 10 e no máximo penitenciárias brasileiras e as consequências são os ele-
360 dias/multa. O valor de cada dia/multa será de no mí- vados índices de violência que ocorrem nestes presídios.
nimo 1/30 e no máximo cinco vezes o valor do salário Deste modo, o encarceramento executado no Brasil
mínimo vigente na data dos fatos. é ineficiente para proporcionar a reintegração social do
Sendo assim, como esses dias/multa são calculados preso, assim como não promove a diminuição do cenário
com base na data do fato, quando de seu efetivo paga- da violência e a sensação de insegurança por parte da
ATUALIDADES

mento esses valores deverão ser reajustados monetaria- população, buscando como medida de resolução para
mente. Se essa multa for aplicada como pena restritiva a diminuição da violência apenas a segregação dessas
de direitos, o não pagamento acarretará a revogação da pessoas e pôr fim a anulação do convívio com a socie-
substituição e o condenado deverá cumprir integralmente dade. Esse problema não está só dentro dos presídios,
a pena estabelecida na condenação, na sentença. A mul- mas também na comunidade, pois nas atuais condições

6
o cárcere passa a ser uma escola para o crime, devolven-
do o preso para sociedade com maiores possibilidades
de cometer mais crimes. EXERCÍCIO COMENTADO

1. O objetivo da execução penal é efetivar as disposições


FIQUE ATENTO! de decisão criminal condenatória, ainda que não definiti-
va, de forma a proporcionar condições para a integração
A população carcerária do Brasil, é a TERCEI- social do condenado, e do menor infrator.
RA maior do mundo, perdendo apenas para
os Estados Unidos e China, segundo dados ( ) CERTO ( ) ERRADO
INFOPEN.
Resposta: Errado
O Sistema de Justiça Criminal é composto por três fren-
Portanto, o direito do preso deve ser respeitado se- tes ou subsistemas. A primeira delas é a de segurança
gundo a Lei de Execução Penal para que possa ser cum- pública, fase administrativa do sistema. A segunda é
prida a definição de ressocialização imposta pela Cons- da justiça criminal, fase judicial do sistema. A terceira
tituição Federal, respeitando o princípio da dignidade é a da execução penal, também, fase administrativa
humana e direitos fundamentais. A garantia mínima des- do sistema. A execução penal tem por objetivo efeti-
tes direitos será um avanço para se conseguir a humani- var as disposições de sentença ou decisão criminal e
zação e cidadania destes presidiários. proporcionar condições para a harmônica integração
Contudo na realidade o que acontece é a omissão do social do condenado e do internado. Deste modo, o
Estado ao não cumprir com suas obrigações básicas, pois erro da questão está em incluir o menor infrator no
falha em dois aspectos: com o indivíduo que vive à mar- escopo da aplicação da Lei de Execução Penal. Quem
gem da sociedade, que muitas vezes tem como causa a cuida do menor infrator é o ECA - Estatuto da Criança
ausência do Estado, e segundo ao não lhe proporcionar e do Adolescente.
o mínimo de dignidade, aplicando-lhe apenas o encar-
ceramento, com poucos investimentos em sua ressocia- 2. A penitenciária destina-se a condenados ‡ pena pri-
lização. vativa de liberdade de reclusão em regime fechado ou
Sendo assim, estes aspectos de omissão do Estado semiaberto.
têm contribuído com as superlotações, ocasionando,
com isso, as inúmeras rebeliões e mortes dentro dos pre- ( ) CERTO ( ) ERRADO
sídios, além do aumento das reincidências oriundas de
poucos investimentos em ressocialização dos presidiá- Resposta: Errado
rios. Essa é uma situação de extrema preocupação com A penitenciária destina-se ao preso condenado ‡ pena
o sistema penitenciário tendo em vista que o número de de reclusão, mas em regime fechado, apenas.
pessoas presas vem aumentando consideravelmente no
decorrer dos anos e consequentemente ocasionando as
superlotações nos presídios em virtude do déficit do nú-
mero de unidades prisionais. A superlotação nos presí- POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA PÚ-
dios tem por consequências a violência, as dificuldades BLICA E CIDADANIA.
na ressocialização dos presos para o seu reingresso à
sociedade.
A violência no Brasil
O processo de violência no Brasil, é um dos maiores
#FicaDica
problemas atuais do nosso país, seja aquela praticada no
Os três Estados com maior população car- seio familiar, seja a que vimos crescer consideravelmente
cereira do Brasil são: Amazonas, Ceará e nas ruas nos últimos anos, nos presídios, em escolas e
Pernambuco, segundo dados do INFOPEN. nos próprios órgãos policiais, com o abuso de autorida-
de.
Sendo assim, desde a antiguidade o homem procura
Outrossim, frente a esse contexto, após tomar conhe- exterminar a violência e instaurar a paz, com as mais va-
cimento de inúmeras rebeliões nos presídios através da riadas formas, desde ações pacificadoras, medidas pre-
mídia, procurando razões porque esta realidade tem se ventivas e também corretivas. Durante muito tempo se
tornado cada dia mais presente, despertou o interesse acreditou que a modernização, a tecnologia e os estudos
de compreender esse fenômeno tão complexo que é a sociais seriam capazes de resolver a questão da violência
situação da precarização nos presídios e como se chegou em todas as esferas da sociedade. No entanto, aconte-
a tal ponto. ceu o contrário, pois a onda de crimes evoluiu na mesma
ATUALIDADES

proporção.
Destarte, do ponto de vista jurídico, a violência é uma
espécie de coação, de constrangimento com o uso da
força sempre do mais forte para o mais fraco. É bom lem-
brar que a violência se remete desde a uma briga física

7
até a troca ofensiva de palavras. Assim sendo, a OMS -
Organização Mundial da Saúde define a violência como #FicaDica
“o uso intencional de força ou de poder, real ou poten- A violência contra homens negros, deve re-
cial, contra si próprio ou outras pessoas ou até contra ceber uma atenção especial, uma vez, que
uma comunidade, que possa resultar em lesões, morte, eles são os mais violados.
dano psicológico, deficiência no desenvolvimento ou pri-
vação”.
Desta forma, isso quer dizer que a violência se mani- De modo geral, os assassinatos de civis por policiais
festa através do uso inadequado da força, da opressão aparecem nos boletins de ocorrência como “auto de
e da tirania, e também na obrigação de um indivíduo a resistência” ou “homicídios decorrentes de intervenção
fazer o que não quer. Sequestros, roubos, rebeliões em policial”, o que, em tese, caracterizaria mortes lícitas no
presídios, corrupção no governo com desvios do orça- entender da Justiça, decorrentes de confrontos. Ou seja,
mento fiscal, tráfico de drogas, atualmente são fatos que parte-se do pressuposto de que o policial agiu em legíti-
fazem parte da nossa realidade, pela complexidade das ma defesa. Mas isso nem sempre condiz com a realidade,
práticas criminosas que se intensificam a cada dia. já que a coleta dos dados é feita sem o rigor e a trans-
Portanto, nesse contexto, torna-se essencial a adoção parência necessários. Em muitos casos, essas situações
de políticas de segurança pública de prevenção e educa- acabam camuflando mortes de civis inocentes.
Portanto, também representam graves casos de vio-
cional. No entanto, os órgãos de segurança devem fazer
lações policiais as chamadas execuções extrajudiciais. A
jus ao seu papel na sociedade e, diante disso, a Inteligên-
truculência da Polícia Militar em diversos episódios re-
cia se torna uma grande aliada para prever e neutralizar centes acaba expondo a figura do agente policial, que,
atos criminosos. Assim sendo, a Inteligência de Seguran- na verdade, responde a uma cadeia de comando lidera-
ça Pública não está interessada apenas em prender crimi- da pelos governadores dos estados, que são os respon-
nosos, mas também em levantar informações sobre tudo sáveis diretos por garantir a segurança da população e
que ameace a ordem pública e aplicar métodos e técni- combater a criminalidade. Para muitos especialistas, os
cas operacionais que exterminem a violência de maneira governantes e as autoridades de segurança comportam-
vitalícia, organizada e racional. -se de forma passiva, tolerando os abusos e não punindo
devidamente os responsáveis. Em ˙última instância, são
Violência Policial os governadores que direcionam a atuação dos agentes
Ao pensar nos relatos referentes a violência policial, e impõe, ou não, os limites à repressão.
devemos pensar na letalidade da polícia brasileira, que
é alvo constante de críticas de entidades de defesa de Violência contra mulher
direitos humanos. Segundo o 11º Anuário Brasileiro de O processo de violência afeta mulheres de todas as
Segurança Pública, 4.224 pessoas morreram assassinadas classes sociais, etnias e regiões brasileiras. Atualmente a
em ações das polícias Civil e Militar em todo o país em violência contra as mulheres é entendida não como um
2016, um aumento de 25,8% em relação ao ano anterior. problema de ordem privada ou individual, mas como um
fenômeno estrutural, de responsabilidade da sociedade
Sendo assim, o número de pessoas mortas pela vio-
como um todo.
lência policial é considerado altíssimo nas comparações
Deste modo, apesar de os números relacionados à
internacionais, evidenciando o uso abusivo da força letal
violência contra as mulheres no Brasil serem alarmantes,
como resposta pública ao crime e à violência. Em 2016, muitos avanços foram alcançados em termos de legisla-
a média diária de mortes foi de 11,5. Para efeito de com- ção, sendo a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) con-
paração, a média da polícia norte-americana é de pouco siderada pela ONU uma das três leis mais avançadas de
mais de 1 pessoa morta por dia. Segundo o Anuário, essa enfrentamento à violência contra as mulheres do mundo.
é uma “evidência empírica de que as polícias brasileiras A Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
mantêm um padrão absolutamente abusivo do uso de Erradicar a Violência contra a Mulher, mais conhecida
força letal como resposta pública ao crime e à violência.” como Convenção de Belém do Pará, define violência con-
Desta forma, quase a totalidade das vítimas, em 2016, tra a mulher como “qualquer ato ou conduta baseada
é homem (99,3%), jovem (81,8%), e negra (76,2%). Estu- no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico,
do divulgado em 2014, pela Universidade Federal de São sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública
Carlos (UFSCar), mostra que a proporção de negros mor- como na esfera privada” (Capítulo I, Artigo 1°).
tos por ações da polícia Militar de São Paulo, entre 2010 Desta forma, a Lei Maria da Penha apresenta mais
e 2011, foi três vezes maior que a de brancos. A pes- duas formas de violência - moral e patrimonial -, que,
quisa também constatou que a própria vigilância policial somadas às violências física, sexual e psicológica, tota-
é operada de modo diferente. A taxa de flagrantes de lizam as cinco formas de violência doméstica e familiar,
conforme definidas em seu Artigo 7°.
negros é mais do que o dobro da verificada para brancos.
Ademais, em 2012, o STF – Supremo Tribunal Fede-
ATUALIDADES

Segundo os pesquisadores, os dados demonstram que a


ral decidiu que qualquer pessoa, não apenas a vítima
vigilância policial reconhece os negros como suspeitos
de violência, pode registrar ocorrência contra o agres-
criminais em potencial, flagrando em maior intensidade sor. Denúncias podem ser feitas nas DEAMs - Delegacias
as suas condutas ilegais, ao passo que os brancos gozam Especializadas de Atendimento à Mulher, ou através do
de menor vigilância da polícia. Disque 180.

8
Portanto, em 2015, a Lei 13.104 (Lei n° 13.104, de
2015) altera o Código Penal para prever o feminicídio FIQUE ATENTO!
como circunstância qualificadora do crime de homicídio, Apenas 28 em cada 100 processos têm uma
e inclui o feminicídio no rol dos crimes hediondos. O fe- solução definitiva no Brasil por ano.
minicídio, então, passa a ser entendido como homicídio
qualificado contra as mulheres “por razões da condição
de sexo feminino”. Portanto, de acordo com o Conselho Nacional de Jus-
tiça, a permanência de uma pessoa na prisão em nosso
país é de aproximadamente um ano (367 dias), enquanto
FIQUE ATENTO! nos Estados Unidos é de 2952 dias. Os presos brasileiros
ficam 8 vezes menos tempo reclusos que os presos ame-
No primeiro trimestre de 2019, os casos de ricanos.
feminicídio aumentaram 76% em São Paulo. Com isso, a informação que nossa justiça passa aos
criminosos é que ao ser preso ele perderá apenas um ano
de vida longe do convívio social e depois será solto. A lei
Impunidade no Brasil
que possui brechas que permitem que os presos sejam
A violência no Brasil atinge níveis alarmantes. Há mais soltos antes do tempo é a Lei de Execução Penal.
mortes aqui do que em qualquer guerra existente hoje Sendo assim, as regras que a justiça deve seguir até
no mundo e parece que nada pode ser feito. Além disso, que alguém seja punido pelo Código de Processo Penal
as regras básicas para punir aqueles que cometem cri- e as regras de depois que ele se torna um preso na Lei
mes nos parecem muito distantes quando comparadas de Execução Penal, são muito distorcidas no Brasil. Pre-
com a realidade mundial. cisamos que essas duas leis sejam mudadas para que a
Essencialmente, são três leis que determinam que justiça possa cumprir seu papel. Colocá-las em votação
uma pessoa possa ser presa no Brasil. Para você enten- no congresso é um passo importante. Para diminuir a
der: o Código Penal diz qual é a punição para cada crime, violência em nosso país, precisamos apenas que mais da
o Código de Processo Penal rege o encaminhamento do metade dos deputados e senadores presentes aprovem
processo, as medidas que podem ser aplicadas contra o a medida.
acusado assim como os direitos do réu dizem o que os
envolvidos podem ou não podem fazer e a Lei de Execu- SUSP - Sistema Único de Segurança Pública
ção Penal regula o direito de cada preso. No dia 31/08/2018 houve a publicação do decre-
Deste modo, apesar dessa similaridade, existem algu- to n° 9.489 que regulamenta o SUSP - Sistema Único
mas coisas que precisam mudar em nosso Código Penal, de Segurança Pública anteriormente criado pela Lei nº
13.675/2018. Segundo notícia no site do Planalto, fazem
como a previsão de grande redução de pena para réus
parte da política nacional o PNSP - Plano Nacional de
tendo em vista as condições de comportamento ou de
Segurança Pública e Defesa Social, que tem o objetivo de
primariedade. reduzir, especialmente, a morte de jovens brasileiros, o
Portanto, vemos que o nosso Código Penal, apesar Sistema Nacional de Informações e Gestão de Segurança
de merecer alguns reparos, não nos afasta tanto da rea- Pública e Defesa Social, e a atuação integrada dos dife-
lidade de outros países. O que separa o Brasil do resto rentes órgãos para o combate aos mais diversos crimes.
do mundo são os índices gigantescos de criminalidade
constatados aqui. Com quase 60 mil assassinatos por
ano, o Brasil registra mais do que o dobro da soma de #FicaDica
mortes na Síria e Afeganistão, dois países que estão em
Entre os objetivos do plano estão, a redu-
guerra.
ção dos homicídios e demais crimes violen-
tos letais, todas as formas de violência con-
Número do crime no Brasil
tra mulher, em especial violência doméstica
O que pode ser feito para resolver isso? Claro que não
e sexual, promover o enfrentamento às
existe solução mágica. Existe muito a ser feito, por isso, estruturas do crime organizado, aprimorar
preferimos dar o foco na análise de nosso sistema penal. mecanismos de prevenção e repressão de
O incentivo para punir quem comete um crime é a eficá- crimes violentos patrimoniais, entre outros.
cia da lei e para diminuirmos a impunidade, acreditamos
que duas leis devem ser mudadas: o Código de Processo
Penal e a Lei de Execuções Penais.
Políticas públicas de segurança pública e cidadania
Deste modo, segundo o Conselho Nacional de Justi- Manual do Governo Federal explica o funcionamento
ça, por ano, somente 28% dos processos são resolvidos. do Pronasci - Programa Nacional de Segurança Pública
Por problemas de prazo ou nulidade, os nossos proces- com Cidadania. O programa tem o objetivo de contro-
sos levem em média 4 anos e 4 meses para serem jul- lar, prevenir e reprimir a criminalidade, “atuando em suas
ATUALIDADES

gados. Segundo a Associação Americana de Advogados, raízes socioculturais, além de articular ações de seguran-
em média um processo lá leva 2 anos para ser julgado. ça pública com políticas sociais por meio da integração
Esse problema está diretamente ligado à regra do jogo entre União, estados e municípios. As ações levarão em
presente no Código de Processo Penal. Ele é o grande conta as diretrizes do SUSP - Sistema Único de Segurança
freio na velocidade de julgamento do país. Pública”.

9
Quando falamos de Segurança Pública com as pes- de informações entre os jovens, com o intuito de debater
soas com quem trabalhamos nas comunidades, logo vem e refletir situações que são geradores de violências. Para
a imagem associada à polícia. Sendo que não é bem por além disso, os jovens estão constantemente aprendendo
aí. Falar desta temática é muito mais complexo do que através de formações específicas como reduzir esses ín-
parece, pois, é necessário trazer à tona uma reflexão de dices de violências.
como o Estado e a população devem garantir os Direi-
tos Humanos e agir de forma preventiva aos casos de
violência. Essa noção de Segurança Pública implica que
FIQUE ATENTO!
todos devem garantir proteção à vida e ao livre exercício O Grupo AdoleScER desenvolve dois Pro-
da cidadania. gramas que, integrados, contribuem para o
Desta forma, pensando nisto, o FBSP - Fórum Brasi- fortalecimento do desenvolvimento comuni-
leiro de Segurança Pública, lançou no ano de 2018, uma tário e da redução da violência Escolar: PazA-
agenda de prioridades para conter os altos índices de MIN – Por uma comunidade sem violência!
violência no Brasil: