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Acheron - Nacionais

Acheron - Nacionais
Acheron - Nacionais

Copyright © 2016 Alec Silva, EX! Editora

Capa
Alec Silva e Samuel Cardeal

Diagramação
Alec Silva

B869.3

S586e Silva, Alec 1991-

Bullying / Alec Silva – Luis Eduardo Magalhães: EX! Grupo Artístico e Editora, 2016

Acheron - Nacionais
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E-book não-recomendando para pessoas com depressão ou estresse pós-traumático.

Acheron - Nacionais
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Um horror bem real


Quando estava reescrevendo os contos que compõem esta pequena coletânea, pensei no que
escreveria nesta apresentação. Tanto pelos temas delicados que os três textos abordam quanto
por haver neles, em algum momento, resquícios e lembranças que me incomodam. Sofri bullying
quando adolescente, numa época que o termo nem era conhecido. Apelidos maldosos,
comentários preconceituosos, ameaças de surras, coisas realmente chatas. Mas tive colegas das
mais diferentes personalidades; um deles, inclusive, reuniu uma galera no recreio e foi falar com
o valentão que me ameaçou quebrar a cara e avisou que, se algo acontecesse comigo, aconteceria
com ele. O valentão e eu, com o tempo, acabamos nos tornando amigos. Embora tenha me
livrado naquela vez, levei um soco no estômago, anos antes, de um colega que “não foi com
minha cara”. E uma vez, uma jovem conhecida pelo “jeito de macho” me socou na barriga
também; desta vez aguentei firme, tanto que ela se espantou; e nos tornamos amigos nas semanas
seguintes.

Observo as muitas formas que a mídia e os canais de entretenimentos falam sobre bullying.
Poucas me agradam. Soam esquematizadas demais, padronizadas demais, com soluções fáceis
demais. Ou com lições morais demais. Precisamos falar sobre o tema, sim, mas não adianta
mascarar, achar que apenas uma conversa irá resolver e tudo ficará bem. É mais complexo que
isso. Há marcas na alma, lá onde ninguém vê. Às vezes nunca sara. Ou a vítima reproduza, em
diversos níveis, o que sofreu. A vítima se torna agressor.

Quando comecei a ler Naquela Noite Morria Daiane, fiquei horrorizado. Porque havia ali,
naquele conto escrito há bastante tempo, coisas que eu acompanharia pouco tempo. É uma de
minhas histórias mais cruéis. O horror é real, e não uma fantasia literária apenas. Tive o insight
para o conto após ler a notícia de uma garota que se matou porque um vídeo ou uma foto onde
ela mostrava os seios vazou na Internet; menor de idade, sofreu muito até que recorreu ao
suicídio. Pensei noutros casos, na dor das garotas que se mataram por não suportar tanta dor,
sofrimento... e desespero.

O conto seguinte é quase uma continuação do primeiro; até foi o intuito, mas ficou anos
inacabado e apenas agora concluí. É gore, a mais curta das histórias, mostrando um dos
agressores e seu trágico destino. Achei adequado para vermos o lado oposto da situação, daquele
que provoca o bullying, e como a atitude agressora parece banal aos seus olhos. O título, Um
Sorriso no Espelho, faz referência a uma prática sinistra realizada em Glasgow.

E tem O Espelho de Camila, em versos sem rimas, num tom de fantasia sombria, que escrevi
numa época depressiva. É o que foge da temática dos primeiros textos, mas mostra algo parecido
com o conto inicial; há a depressão, o desespero, o sofrimento causado por outra pessoa.

Para finalizar, recomendo que vejam Um Grito de Socorro e O Quarto do Suicídio, pois são
filmes que mostram, respectivamente, a dor e a agonia que são trazidas pelo bullying e a
depressão. E como, muitas vezes, um leva ao outro. Porque não basta falar e inventar soluções, é
preciso se chocar com a realidade, que supera o mais vil horror que a mente puder imaginar.

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Alec Silva

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"É melhor queimar do que se apagar aos poucos."

- Neil Young -

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Naquela Noite Morria Daiane

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Naquela noite morria Daiane. E ninguém a viu se jogar ao mar, com os olhos sangrando, com o
peito doendo. Ela morreu como uma indigente, como uma andarilha qualquer, em meio ao
esquecimento. Achariam seu corpo dias depois, perto da praia, quilômetros de distância do local
em que seu pescoço foi fraturado; a água salgada lavou seu sangue. Mas algumas pessoas a
viram no dia seguinte; algumas ainda contaram a outras, contudo nenhuma encontrou o corpo,
viu o cadáver parcialmente decomposto, coberto de algas e bichos repugnantes se alimentando de
sua carne putrefata. O fato é que Daiane morreu naquela noite escura, de prelúdio de tempestade,
de relâmpagos medonhos, ventos furiosos e trovões estrondosos. Morreu, é claro, para toda
aquela dor sumir de seu peito, para a morte lhe dar a paz perdida há meses em vida. Talvez a
morte que ela procurava não fosse tudo, talvez em seu íntimo a ânsia de parar com tudo aquilo
tenha feito algo brotar com uma força demoníaca ou angelical, uma força vingativa que ficou
após sua partida. Mas, o fato é: Daiane estava morta em corpo, mas viva em espírito. E seu
espírito clamava por vingança.

A vida dela foi normal até o dia em que ganhou a maldita bolsa para frequentar uma importante
faculdade. Não possuía recursos para bancar aquele nível tão alto de ensino, mas sua inteligência
a possibilitou ganhar a bolsa. Parecia um sonho, mas era, na verdade, um grande pesadelo. Foi
excluída por quase todos, passando a sofrer humilhações constantes, ser chamada de nomes que
feriam como ferro em brasa. Tudo doía. E a dor nunca era maior do que a seguinte. Se ela
conseguiu escapar do trote aplicado aos calouros, sofreu por meses aquilo que teria sofrido num
único dia, sempre em doses maiores, sempre em situações constrangedoras.

Obrigada a fazer coisas e mais coisas para evitar que tudo fugisse de controle, que a situação se
tornasse maior, Daiane se viu num círculo vicioso, no qual sempre havia algo, sempre tinha a
possibilidade de a panela de pressão explodir e espalhar tudo no ventilador. Os garotos souberam
tirar proveito daquele medo, souberam abusar das emoções abaladas dela. E as garotas, sempre
cruéis, sempre superiores, ridicularizavam-na. E ela sofria quieta, vendo sua vida e seu futuro
serem destruídos.

Nos primeiros dias, percebeu que não era bem-vinda ali. Sabia que isso aconteceria devido ao
preconceito, mas tinha fé, a vã esperança de superar aquilo. Era simpática e solidária, sempre
prestativa, ajudando quem precisasse. Até achou, por um ínfimo momento, que conquistou
algumas amizades. Um erro fatal. Sobretudo ao confiar em duas pessoas. Uma jovem de idade
próxima a dela. E um rapaz por quem se apaixonou.

Talvez se não tivesse confiado neles, se não tivesse se deixado envolver pelo charme dele, se não
tivesse contado nada para ela... Mas, infelizmente, a vida não é feita de suposições quanto ao
passado, pois apenas os historiadores e escritores possuem a preocupação com as possibilidades
perdidas. Havia confiado porque era de sua natureza, de sua humilde educação, fosse a familiar
ou a religiosa, confiar no melhor, mesmo em pessoas que raramente possuíam algo bom. E era
ingênua demais para esconder o que sentia pela primeira vez.

Contou para Sara que gostava de Tadeu. E acabou iniciando as complicações que fariam de sua
vida um pesadelo amargo e constante. Não deveria ter seguido o conselho da colega, não deveria
ter aceitado o convite estranho dele para saírem qualquer dia, não deveria ter bebido aquele
refrigerante. Nunca se aceita nada de pessoas desconhecidas, mesmo que sejam da mesma classe.
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Jamais. São ensinamentos que se aprende desde criança. E são muito verdadeiros.

Era uma noite de sábado quando foi estuprada. Sim, estuprada covardemente por quem era
apaixonada e por outros dois. E alguém filmou. Agora as humilhações evoluíram. Não era mais
sobre ser uma pobre estudante bolsista; era sobre para ser uma vagabunda que dava para três ao
mesmo tempo. As chantagens assumiram um patamar perigoso demais, até mesmo para a colega
em quem Daiane confiou seu segredo; sete jovens apenas, nada mais do que isso, transformaram
a vida dela num inferno. A oitava, enojada com tudo aquilo, afastou-se, com um remorso que a
perseguiria por dias, semanas, meses, anos, se caso vivesse até lá.

Durante os intervalos entre as aulas, um ou outro passava a mão em suas pernas ou nádegas, com
gracejos imorais, propondo coisas, ameaçando pôr na Internet o vídeo e as fotos que tinham
daquela noite. Com exceção de Paulo, que era namorado de Renata, os garotos se divertiram
muito com o que exigiam que ela fizesse. E mais e mais material contra a chantageada surgia,
agravando a sua delicada situação. E as garotas não se contentavam em apenas espalharem
boatos, mas viviam sugerindo coisas contra a moral e o caráter da colega, que apenas abaixava a
cabeça e ia para o banheiro chorar, ansiosa para ir para casa e se isolar. Os fins de semana eram
aguardados com desespero, afinal eram dois dias longe de todo aquele ambiente deplorável.

Contudo, uma vez iniciada a roda destrutiva, a cadeia de acontecimentos aumenta num efeito
semelhante ao um de uma bola de neve descendo uma enorme montanha, arrasando tudo o que
encontra pela frente. Tudo. E que lugar mais propício para a semente da maldade se espalhar do
que as redes sociais, do que alguém que possui milhares de contatos? Bastaram apenas três ou
quatro imagens para o clima mórbido da vida se tornar tão negro quanto o manto da madrugada.

Diariamente, quase como uma rotina, mensagens e mais mensagens, montagens com suas fotos e
todo tipo de coisa surgia, estampando aquilo que ela não foi capaz de conter. A família se tornou
alvo também, vendo a filha definhar num estado catatônico, enquanto toda a cidade a olhava e a
julgava como uma vadia, uma meretriz. A igreja que frequentava foi o primeiro lugar a apontar o
dedo em sua cara e urrar coisas; o povo de Deus, que deveria acolher, amar e ajudar, fez
exatamente o que fizeram os fariseus: atirou pedras e tijolos, caluniou, abominou. Em momento
algum ouviu o lado de Daiane, jamais se importaram com a sua saúde mental.

A polícia foi pouco produtiva em encontrar informações. Era quase certo de que um hacker
muito esperto espalhou aquelas imagens e os vídeos, que logo alcançaram uma audiência
estrondosa. O Brasil inteiro conhecia sua história, fosse através de meios caluniosos ou em
algum telejornal, revista ou jornal. E nada parecia melhorar. Ameaças de morte, vandalismo.
Sem qualquer saída, a família se mudou para o litoral, numa vila de pescadores. A pobre moça,
entretanto, já estava morta antes da viagem; respirava ainda, é verdade, mas sua alma, seu amor-
próprio se perdera há muito tempo. Não era mais aquela jovem doce e sonhadora, amável, feliz,
inteligente; havia uma carcaça apenas, uma figura magricela, semimorta, com o coração
destruído, assim como os sonhos e a vida. Nem a justiça, que tardava a condenar os acusados que
a vítima apontou, traria seu brilho de volta.

E assim ela se matou. Era uma noite chuvosa. Parecia que o mundo chorava pela escolha de
Daiane. E era quase meia-noite quando a Morte abriu seus braços, envolvendo-a em seu manto
negro, sussurrando “Descanse, minha pequena, pois todos pagarão por seu sofrimento” em seus
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ouvidos, enquanto as ondas arrastavam seu corpo sem vida.

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Um Sorriso no Espelho

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Pamela se olhou no espelho, terminando de ajeitar os cabelos negros e encaracolados. Estava


ansiosa para a bela festa de aniversário que teria no dia seguinte; talvez fosse esse o motivo de
não sentir sono logo e ficar perdendo um pouco de seu tempo na Internet, fuçando atualizações
nas redes sociais, postando fotos, respondendo mensagens, vendo superficialmente as notícias.
Evitava permanecer tanto tempo online e ser acusada pelo desaparecimento daquela garota
idiota. Nem gostava de pensar que, por muito pouco, não teve a festa cancelada por causa das
acusações que ela e seus amigos sofreram daquela imbecil.

Mas agora se sentia bem. Tudo foi preparado, os convites estavam todos distribuídos, a banda
contratada, o bufê estava perfeitamente planejado, as bebidas reservadas e geladas... tudo estava
como deveria estar. Haveria aquele momento mais tradicional, para os parentes e amigos da
família, e também algo mais liberal, para os amigos dela. Todos ficariam felizes.

O sono parecia próximo agora. Despediu-se do namorado, prometendo ir logo cedo ao clube,
para uma pequena comemoração mais à vontade. Bocejou e se espreguiçou, enquanto o
computador se desligava. E assim foi ao banheiro, meio sonolenta, amarrar os cabelos e fazer
algumas necessidades básicas antes de se deitar.

E ao se olhar no espelho, notando em si todo o cansaço do longo dia de preparativos, foi que
vislumbrou uma forma negra surgir atrás de suas costas. Num movimento brusco, girou o corpo
para trás, enxergando nada além da parede coberta de azulejo branco, o porta-toalhas...

Provavelmente era o sono que afetava sua imaginação, fazendo-a ver coisas que não existiam.
Levou as mãos ao rosto, respirando fundo e tentando acalmar o coração acelerado, rindo daquele
susto bobo que a mente pregou. Detestava aqueles delírios causados pelo excesso de estresse,
sono e cansaço.

A culpa era daquela desgraçada. Claro que era. Se aquela maldita tivesse ficado em seu lugar,
longe de quem se esforçou tanto para estudar numa faculdade caríssima, não estaria sendo
processada por bullying, tendo que dar entrevistas para revistas e jornais, contar a sua versão dos
fatos, ouvindo e lendo acusações e desaforos, como se a idiota fosse uma santa.

Seria melhor que estivesse morta.

Quando a encontrasse, ensinaria uma lição para aquela vadia.

Olhou-se no espelho pela última vez. Era a hora de dormir, de descansar; no dia seguinte, com os
amigos, pensaria melhor acerca daquilo tudo. Respirou fundo e se afastou não mais do que dois
passos.

Uma mão forte agarrou seus cabelos, enrolando os dedos em seus fios negros, levando-a de
encontro ao espelho. Foi um movimento violento e furioso; e os cacos se espalharam por todo
lado, alguns adentrando sua pele no pescoço ou cortando o alto na cabeça, sobretudo onde o
impacto foi direto.

O sangue escorria abundante pelos ferimentos, manchando toda a cerâmica branca do banheiro e
a pia. A dor foi grande, porém não havia muito o que fazer. Algo cortou o canto esquerdo da
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boca, rasgando tudo, pele, carne, músculos, artérias, veias... rasgando até atingir a orelha. Dor.
Sangue. Ela lutou para se soltar; gritava e se debatia, mas não conseguia ouvir a própria voz,
ninguém vinha ao seu socorro. Apenas o som da carne cortada, agora no lado direito.

Quando foi solta por quem a segurava, caiu no chão, entre cacos de espelhos, sangue e pedaços
generosos retirados do próprio rosto. Mexeu-se um pouco, o corpo sem forças por causa das
hemorragias. Estava novamente sozinha, contemplando, num pedaço de espelho, o rosto
desfigurado, ostentando um sorriso largo demais, deformado demais... E lembrou-se de uma
brincadeira com aquela vadia. “Um dia abro um sorriso nessa sua cara emburrada, idiota”,
ameaçou mostrando um estilete para a menina, que se encolheu toda no canto.

Gargalhou como nunca, recordando-se disso e da ironia da situação.

Na manhã seguinte, foi encontrada caída no chão do banheiro, coberta de cacos de espelhos,
olhos furados, língua cortada e o largo sorriso sangrento, de orelha a orelha, feito por um dos
pedaços de espelho quebrado. Um igual ao que o cadáver pálido segurava.

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O Espelho de Camila

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Camila se olha no espelho, toca-o; está úmido.

Ela se vê e vê além da aparência física;

É ela e não é ela, é a menina-moça,

A jovem de quinze anos que ela vê,

Mas há algo mais além, uma imagem nova,

Alguém que parece com ela

― Mas não é ela.

Quando toca o espelho líquido, toca a alma,

A parte mais íntima e secreta,

Ela toca a parte metafísica,

Uma parte antes intocável.

Camila agora toca a sua intimidade,

Autodescobre-se, sente a sua alma triste,

A alma jovem, a alma abandonada.

Quando o faz, vê em sua frente,

No gélido e úmido reflexo do espelho,

Uma jovem triste, lágrimas nos olhos,

Cristais líquidos rolando pela face branca.

É a tristeza que a domina, que a atormenta,

Um sentimento que ela oculta há anos,

Que ninguém sabe, que ninguém nota.

Camila tenta falar, mas nada sai,

Nenhum ruído, nenhum som, a voz some.


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O pensamento é transmitido e captado,

A dor que apenas ela sabe e sente

É agora refletido e compartilhado pela imagem,

A imagem líquida do espelho.

Lembranças de tempos passados,

Quando era ela uma criança inocente,

Tempos felizes de infância,

Tempos que nunca voltarão.

Ela toca mais fundo o espelho,

Sentindo mais frio do que antes,

Sentindo a dor mais profunda de sua alma.

Surge na mente de Camila outra lembrança,

Esta mais triste, negra, macabra, sombria,

De um momento que a garota gostaria

Que nunca tivesse acontecido,

Que fosse somente um pesadelo, e não real.

Aquele homem a agarra, beija-a, bate,

É rude e violento, ameaça matá-la se gritar,

Ameaça matar a sua família.

Ele a obriga fazer algo horrível,

Numa noite em que a menina está só,

Sozinha em sua casa, vendo a novela.

Aquele homem leva a sua infância,

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Usurpa a sua inocência, faz sangrar

Tanto física quanto emocionalmente.

Adentrando ainda mais o espelho líquido,

Ela sente-se fraca, os sentidos falhando,

Mas ainda tem forças para ver a figura

Que agora ostenta uma barriga saliente.

De repente um acidente de carro

E o bebê não passa dos cincos meses,

Fato que agrava a sua dor.

E assim Camila adoece a alma,

Desejando parar de viver,

Tudo sem que ninguém perceba, ninguém saiba.

Quando o seu corpo entra no espelho,

Ao encontro de seu reflexo triste,

A jovem fecha os olhos negros, sentindo a paz,

A tranquilidade de um destino almejado.

Ela e a sua alma se encontram,

Completam-se totalmente,

Harmonia perfeita e eterna.

Não há mais dor para a jovem Camila.

Na manhã seguinte, quando a mãe da jovem

Entra no quarto para acordá-la,

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Encontra-a caída no chão, em frente

Ao enorme espelho da parede.

Quando se aproxima, desesperada,

Vê uma imagem que a apavora:

Sua filha, a Camila de pele branca,

De olhar triste e vida sofrida,

Brinca consigo mesma, entre rosas brancas,

Borboletas negras, floresta sombria,

Agora com um olhar alegre e sorriso feliz.

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Meus agradecimentos a Samuel Cardeal e Adeline Shade, que me apoiaram imensamente lendo e
comentando os três contos. Sem eles, seria mais difícil revistá-los.

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Autor

Apaixonado por dinossauros e mitologia grega, começou a escrever motivado por Jurassic Park,
mas o primeiro livro, Ariane, escrito em 2007, bebeu da lenda de Eros e Psiquê. Desde então,
acumulou mais de 40 livros, dezenas de contos e um milhar de poesias, a maioria descartável,
mas que o amadureceu como escritor.

Publicou Zarak, o Monstrinho em 2011, inaugurando o gênero autobiográfico fantástico; em


2013, apresentou A Guerra dos Criativos, o que resultou em projetos ambiciosos, iniciando
oficialmente o que ele chama de Lordeverso, que já conta com algumas obras.

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OBRAS PUBLICADAS
Contos

Anamélia

Ninho de Dracogrifos

O Formigueiro (sob o pseudônimo de Alastair Dias)

O Natal de Zarak

O Réquiem da Fatalidade

Rube

Estudos Hospitalares

Não Pode Chover o Tempo Todo

O Deus Imortal

Romances

A Guerra dos Criativos (Baixe Grátis)

Ariane

O Cubo das Eras

Colisão - Mundos em Conflito vol. 1

Apóstolos de Pedra (leia online gratuitamente)

Coletâneas

Então é Natal

O Chifre do Unicórnio

Estranhos

Três Dedos de Morte

Fragmentos

Green Death - Ecoterrorismo Licantrópico - volume 0 (sob o pseudônimo de Alastair Dias)


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Não-Ficção

Star Wars e o Monomito

Poesia

Pequenos Delírios

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