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Encontros | Português, 12.

º ano Retoma | Gramática

Ficha 19 Coesão frásica e interfrásica

Informação

1. A coesão frásica diz respeito à ligação entre os elementos da frase. É assegurada, por exemplo, pela
concordância sujeito/verbo e nome/adjetivo.

Concordância entre o sujeito e o verbo – regras gerais


o verbo concorda em número e
Com um sujeito Eu já fui a Istambul.
pessoa com o sujeito.
na 1.ª pessoa, se houver um
Eu e a minha irmã já fomos a Istambul.
sujeito de 1.ª pessoa.
Com mais do que um sujeito
na 2.ª ou 3.ª pessoa, se houver
Tu e a tua irmã já fostes/foram a
um sujeito de 2.ª pessoa e não
O verbo vai para o plural, Istambul?
houver nenhum da 1.ª.
ficando
na 3.ª pessoa, se os sujeitos
Ele e a tua irmã já foram a Istambul.
forem de 3.ª pessoa.

Concordância entre o sujeito e o verbo – alguns casos particulares


Se o sujeito é… o verbo… Exemplo
indeterminado vai para a 3.ª pessoa do [-] Dizem que Istambul é
plural impressionante.
o pronome relativo que concorda com o Foste tu que foste a Istambul?
antecedente do pronome
o pronome relativo quem por regra, vai para o singular Foste tu quem foi a Istambul?
a expressão um e outro em geral, vai para o plural Um e outro gostaram de ir a
Istambul.
a expressão uma parte de, cerca de, o pode ir para o singular ou Grande parte dos portugueses
resto de… seguida de um nome no plural para o plural conhece/conhecem Istambul.
o nome de uma obra no plural com artigo vai para o plural Os Maias são uma bela obra.
o nome de uma obra no plural sem artigo em geral, vai para o singular Ficções é uma bela obra.

Concordância nome / adjetivo


Adjetivo que se concorda com ele em género e em número Há cidades lindíssimas.
refere a um só nome
se vem antes dos nomes, concorda com o O rapaz nutria pela condessa
1.º nome alto respeito e admiração.
de géneros diferentes e do singular, em geral A mulher usava uma saia e um
concorda com o nome mais próximo xaile encantador.
Adjetivo que se
de números diferentes, em geral vai para o A condessa comprara um vestido
refere a dois ou
plural e uns brincos caríssimos.
mais nomes
de géneros diferentes e do plural, em geral A mulher trazia pulseiras e
concorda com o mais próximo sapatos caríssimos.
de géneros e números diferentes, em geral A mulher trazia uma pulseira e
vai para o masculino plural uns brincos aparatosos.
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2. A coesão interfrásica diz respeito:


– à ligação entre orações e à sua articulação em frases complexas;
Ex.: Viajei até Istambul e conheci a cidade.

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– à ligação entre frases e à sua articulação em períodos;


Ex.: Istambul é uma cidade lindíssima; no entanto, não supera Pequim.
– à ligação entre períodos e à sua articulação em parágrafos.
Ex.: Istambul é uma cidade lindíssima. De facto, as suas ruas são deslumbrantes.

3. A coesão interfrásica é assegurada, entre orações, por dois grandes processos – a coordenação e a
subordinação.
Ex.: Istambul é uma cidade lindíssima, mas não supera Pequim. (coordenação)
Istambul é uma cidade lindíssima, apesar de não superar Pequim. (subordinação)

4. A coesão interfrásica é garantida por conectores. Estes podem ser conjunções/locuções conjuncionais ou
advérbios/locuções adverbiais que tenham como função ligar orações ou frases.
Ex.: Istambul é uma cidade lindíssima, mas não supera Pequim. (conjunção)
Istambul é uma cidade lindíssima; no entanto não supera Pequim. (locução adverbial)

Aplicação

1. Lê o texto.

A palavra “papel” deriva de papyrus, que era o nome dado pelos egípcios à planta de onde
extraíam o papel. A forma mais antiga desta palavra em português era papilo (papel de linho ou de
trapo), onde se evidencia mais claramente o étimo egípcio. O papiro, ou o papel feito através dessa
matéria prima, remonta a 3600 a. C. Contudo, foi na China, e não no Egito, que surgiu o papel pro-
5 priamente dito, inventado por T’sai-Lun no século I d. C. O papel era formado por uma pasta deri-
vada das fbras do bambu e da amoreira. No século III, a invenção do papel chega ao Turquestão,
tendo seguido daí para a Índia (século VI). Fundaram-se fábricas em Samarcanda, depois em
Damasco. Os árabes tornaram-se os fornecedores de papel do ocidente, através do norte de África
até Fez, de onde seguia para a Península Ibérica e passava então para o resto da Europa. Fez come-
10 çou depois a produzir papel, tendo chegado a ter quatrocentas fábricas. Mais tarde, o papel come-
çou a ser feito em Valência, por Judeus, contando, pela importância que tinha, com a proteção dos
Reis Católicos de Aragão, tendo ganho muita fama devido à sua qualidade.
Os papéis mais antigos conhecidos no ocidente são documentos hebraicos que datam do século
VIII.

“Papel” [Em linha]. Infopédia [Consult. em 21-01-2017].

1.1. Justifica o emprego:


a. da 3.ª pessoa do plural em “extraíam” (l. 2) _______________________________________________
b. do masculino singular em “inventado” (l. 5) ________________________________________________
c. do masculino plural em “fornecedores” (l. 8) _______________________________________________
d. da 3.ª pessoa do plural em “datam” (l. 13) _________________________________________________

1.2. Identifica os conectores que garantem a coesão interfrásica, explicitando o seu valor.
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SOLUÇÕES

19. Coesão frásica e interfrásica

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1.1. a. Forma verbal que concorda com o sujeito subentendido [eles], referente a “os egípcios”. b. Particípio
que concorda em género e número com o nome a que se refere (“papel”). c. Predicativo do sujeito que
concorda em género e número com o sujeito a que se refere (“os egípcios”). d. Forma verbal que concorda
com o antecedente do pronome relativo que desempenha a função de sujeito (“documentos
hebraicos”/”que”).

1.2. ”Contudo” (l. 4) – contraste; “depois” (l. 7) – sequencialidade temporal; “e” (l. 9) –adição.

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