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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO

em PRECEPTORIA EM SAÚDE

Introdução às
metodologias
ativas
UNIDADE 1 Vamos conhecer as metodologias ativas?

Eloiza da Silva G. Oliveira


Claudia Spinola Leal Costa
RESUMO
Este módulo é dividido em duas unidades. Na Unidade 1, abordamos a
evolução histórica das correntes pedagógicas e o surgimento das meto-
dologias ativas, conceito e principais características dessas metodolo-
gias. Ainda nessa fase do nosso estudo demonstramos os processos de
aprendizagem da educação em saúde com foco nas metodologias ativas.
Na Unidade II, apresentamos as principais metodologias ativas de ensino
e aprendizagem utilizadas na formação de profissionais de saúde, além
de discutirmos as vantagens do uso dessas metodologias na formação
pedagógica do preceptor. A importância do sistema de avaliação com
enfoque formativo e somativo, trabalhando com o feedback imediato ao
desempenho do residente.

EMENTA
Evolução histórica das correntes pedagógicas e surgimento das metodo-
logias ativas. Conceito e características das metodologias ativas. Meto-
dologias ativas, motivação e aprendizagem significativa. Processos de
ensino e aprendizagem em saúde. Vantagens da utilização de metodo-
logias ativas. Principais metodologias ativas de ensino e aprendizagem e
sua utilização na formação de profissionais de saúde.

OBJETIVOS

GERAL
Introduzir, nas práticas dos preceptores, as metodologias ativas.

ESPECÍFICOS
•  Apresentar as vantagens das metodologias ativas na
preceptoria.

•  Destacar a importância das metodologias ativas na ava-


liação da preceptoria.

•  Apoiar o desenvolvimento de capacidade pedagógica na


preceptoria.

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UNIDADE 1 – Vamos
conhecer as
metodologias ativas?
AULA 1 – O surgimento das metodologias ativas

AULA 2 – Processos de ensino e aprendizagem da educação em saúde com


foco nas metodologias ativas

UNIDADE 2 – Por que


utilizar metodologias
ativas na formação
pedagógica do preceptor?
AULA 1 – As metodologias ativas na Educação em Saúde

AULA 2 – Formação pedagógica para preceptoria e metodologias ativas


Unidade 1 - Vamos
conhecer as
metodologias ativas?
Caro aluno,

Nesta Unidade, vamos conhecer o surgimento das metodologias ativas e


os processos de ensino-aprendizagem da educação em saúde com foco
nessas metodologias. O objetivo desta Unidade é apresentar a evolu-
ção histórica das correntes pedagógicas e o surgimento, o conceito e as
características das metodologias ativas, assim como expor aspectos rela-
tivos a elas, motivação e aprendizagem significativa e os processos de
ensino e aprendizagem em saúde. Antes de mais nada, vamos começar
com nossa situação problema?
situação problema

‘’Será que posso aplicar as metodologias ativas onde sou preceptor?’’

Luís, médico do Hospital Regional Flor de Lótus, foi convidado para ser
preceptor da residência em outro hospital da rede, que já utiliza as meto-
dologias ativas. A Comissão de Residência o estimulou a realizar um cur-
so preparatório para atuar como docente preceptor nas atividades com
os residentes. Ele iniciou o curso, apesar de acha-lo desnecessário, pois
há muitos anos ele é professor de Doenças Sexualmente Transmissíveis
em um Curso de Geriatria que utiliza o modelo tradicional. Diante des-
sa situação, Luís procurou o Coordenador da Residência para informar-
-se sobre o curso e lhe explicitou algumas questões: ‘’Eu sou formado
no método de ensino tradicional e me considero um bom profissional.
Atualmente, eu tenho grande prazer em dar aulas e ensinar o conteúdo
que eu domino. Será que eu não poderia aplicar os mesmos métodos
nesse curso?’’. No curso, Luís e os demais preceptores iniciaram as dis-
cussões sobre metodologias ativas de ensino-aprendizagem, construti-
vismo, problematização, aprendizagem reflexiva e baseada em práticas
e outros termos que nunca tinham ouvido falar. Luís, apesar das dúvidas
sobre a eficiência desses métodos, iniciou os seus estudos imaginando
como poderia aplicar esses métodos na preceptoria da residência.

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AULA 1 - O surgimento
das metodologias
ativas
Neste nosso primeiro momento, conheceremos a evolução histórica das
correntes pedagógicas e suas principais tendências. Em seguida, aborda-
remos o surgimento das metodologias ativas, conceitos e características
a elas relacionados.

Vamos trabalhar!

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS CORRENTES


PEDAGÓGICAS
Para conseguirmos entender o surgimento das metodologias ativas,
devemos conhecer o significado da palavra método.

Você sabia?

O significado originário da palavra método, derivada do gre-


go (methodos), indica o caminho que deve ser seguido – meta:
através de, por meio, e hodos: via, caminho.

Em seguida, faremos uma reflexão sobre as diversas correntes pedagógi-


cas que surgiram no mundo influenciadas pelo momento social, político,
econômico, cultural e tecnológico vivenciado pela sociedade.

No mundo em que vivemos o educador, no nosso caso, o preceptor,


necessita ter clareza sobre o tipo de método que irá utilizar para atuar
com os seus educandos. Atualmente, a sociedade está voltada para a
tecnologia, que contribui, diretamente, com os processos de mudança,
determinando reflexões sobre quais métodos educativos contribuirão
melhor na formação dos sujeitos, protagonistas de sua ação.

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Dessa forma, apresentam-se, segundo Libâneo (1992), duas correntes
pedagógicas que ao longo do tempo foram direcionadoras do ato de
educar. São essas:

•  Liberal: é relativa a uma sociedade capitalista que defende os inte-


resses individuais, estabelecendo uma forma de organização social
baseada na propriedade privada. Nessa corrente, o indivíduo deve
ser formado para desenvolver um papel social, de acordo com as
suas aptidões individuais. Está dividida em quatro tendências: tra-
dicional, renovada progressiva, renovada não direta e tecnicista.

•  Progressista: essa corrente defende a finalidade sociopolítica da


educação, a partir de uma análise crítica das realidades sociais.
Está dividida em três tendências: libertadora, libertária, crítico-so-
cial dos conteúdos.

Descrevemos a seguir as tendências de cada corrente.

CORRENTE LIBERAL

Tendência tradicional
Nessa tendência, o professor é a figura central, e o aluno é meramente um
receptor passivo dos conhecimentos considerados como verdades absolutas.
Tendência renovada progressiva
Dispõe da ideia de que o aluno só aprende fazendo, por isso valoriza as
tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo do meio natural
e social. O professor, nessa tendência, é um facilitador da aprendizagem.
Renovadora não diretiva (Escola Nova)
Essa tendência é centrada no aluno. O papel da escola está direcionado na
formação de atitudes, razão pela qual ela deve estar mais preocupada com
os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais.
Tecnicista
Nesse método de ensino, o aluno é passivo, pois é receptáculo dos
conteúdos apresentados pelo professor. O aluno é visto como, meramente,
um depósito de conhecimentos.

CORRENTE PROGRESSISTA

Libertadora
A tendência libertadora é conhecida como a pedagogia de Paulo Freire.
A educação é associada à luta e à organização de classe do oprimido.
Aborda, principalmente, temas relacionados às questões sociais e políticas.
O professor faz parte do processo ensino-aprendizagem, coordenando
atividades e atuando com os alunos.
Libertária
Seu princípio está relacionado à vivência do educando, podendo o
conhecimento advindo dela ser utilizado em novas situações. O professor é
considerado mentor à disposição dos alunos.
Crítico-social dos conteúdos
Preserva a função política e social da escola, desenvolvendo
conhecimentos sistematizados que contribuam para as lutas de classes.

Finalizamos as correntes e tendências pedagógicas.

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Atenção

Essas tendências pedagógicas são fundamentais para o


desenvolvimento do nosso estudo e para o seu trabalho
como preceptor.

Se você tivesse que escolher uma dessas tendências pedagógicas para


utilizar nas suas atividades de preceptoria, qual dessas tendências você
escolheria? Pense bem!

SURGIMENTO, CONCEITO E CARACTERÍSTICAS


DAS METODOLOGIAS ATIVAS
Chegamos ao momento em que vamos abordar o surgimento das meto-
dologias ativas. Você já ouviu falar nas metodologias ativas, para que
servem e quais são as suas características?

Para que possamos responder a tais perguntas, precisamos, antes de


mais nada, compreender que a realidade em que vivemos, imposta
pelas transformações sociais, políticas, econômicas, culturais e tecnoló-
gicas, acaba por influenciar os processos pedagógicos que são revistos e
estão em constante mudança. Novas metodologias surgem a partir das
necessidades do mundo atual, repensando a formação de professores,
no nosso caso, os preceptores, levando em consideração a diversidade
dos saberes e as práticas dos educandos, baseada numa postura reflexi-
va, investigativa e crítica.

Buscando novos caminhos e metodologias de ensino que focassem o


protagonismo dos estudantes, favorecendo a motivação e promovendo
a autonomia destes, surgem as metodologias ativas, como reflexo dessa
perspectiva, traduzida pela criação de um ambiente favorável ao aprendi-
zado, onde o processo educativo acontece pela interação entre os sujeitos,
professor e aluno, por meio de palavras, ações e reflexões (FREIRE, 1996).

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Atenção

Atenção, preceptor!

Considerar a diversidade dos saberes e as práticas dos edu-


candos, baseado numa postura reflexiva, investigativa e crítica.

Agora que sabemos como surgiram as metodologias ativas, precisamos


conhecer seu conceito e principais características.

O QUE SÃO AS METODOLOGIAS ATIVAS?


As metodologias ativas são processos que objetivam estimular a auto-
aprendizagem e a curiosidade do aluno para pesquisar, refletir e anali-
sar possíveis situações para tomada de decisão, tendo o professor como
facilitador desse processo (BERBEL, 2011).

Em outras palavras, a aprendizagem ativa acontece quando o educando


interage com o tema estudado – debatendo, questionando, ouvindo e
ensinando – sendo estimulado a construir o conhecimento, ao contrário
de apenas recebê-lo passivamente do professor. Em um ambiente onde
se trabalha com metodologias ativas, o professor passa a ser um facilita-
dor e orientador do processo de aprendizagem.

Nesse momento, conheça as principais características que estão conti-


das nas metodologias ativas.

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Professor =
facilitador/
mediador
Aluno: centro
Inovação do ensino e da
aprendizagem

Metodologia
Ativa
Trabalho
em Grupo Anatomia

Problemati-
zação da Reflexão
Realidade

Figura 1 - Características que estão contidas nas metodologias ativas.

Fonte: Diesel, Baldes e Martins (2017).

Concluímos o nosso conteúdo da Aula 1, vamos refletir sobre esse tema que
acabamos de estudar? Será que, enquanto preceptores, utilizamos algumas
dessas características das metodologias ativas em nossa atuação?

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AULA 2 - Processos de
ensino-aprendizagem
da educação em saúde com
foco nas metodologias Ativas
Nesse momento do nosso curso, iremos conhecer as metodologias ati-
vas nos processos de ensino-aprendizagem na saúde. Será uma experi-
ência gratificante para todos!

Vamos conhecer?

METODOLOGIAS ATIVAS, MOTIVAÇÃO E


APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
As metodologias ativas mudam os papéis do aluno e do professor no
processo ensino-aprendizagem. Nesse processo, o aluno deixa de ser
apenas um ouvinte e passa atuar interagindo e participando, o professor
passa a ser um facilitador/orientador da aprendizagem.

Observamos, assim, que as mudanças nesse ensino estão nas formas de


alcançar os objetivos pedagógicos propostos pela metodologia ativa. Mas
para atingirmos os nossos objetivos enquanto preceptores, utilizando as
metodologias ativas, precisamos motivar o residente para a busca do conhe-
cimento e de alternativas de estudo, que possibilitarão o seu aprendizado.

MOTIVAÇÃO: FATOR IMPORTANTE NESSE PROCESSO


DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Quando sabemos que estamos motivados?

Quando algo nos atrai, seduz e mobiliza. Isso ocorre com assuntos que
estão relacionados às nossas expectativas, aos desejos, sonhos, temas
que despertam a curiosidade e nos deixam interessados, pois conver-
sam com nossas expectativas de vida.

O residente motivado é persistente e se sente comprometido pela busca


de respostas e de desenvolvimento de temas frente a atividades desafia-
doras. Os preceptores, por meio de suas ações, influenciam e motivam
os alunos, considerando fatores socioeconômicos, culturais, contextuali-
zados à realidade identificada pelo professor, que reconhece as qualida-
des pessoais e interpessoais dos seus educandos.

Além da motivação, a aprendizagem significativa, que contribui no pro-

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cesso da metodologia ativa, deve ser ponto do nosso estudo. Importante
sabermos que o mundo globalizado atualiza informações e temas que
são intrínsecos aos nossos interesses individuais e coletivos. Quando
incorporamos novos conteúdos a conhecimentos prévios dos residen-
tes, tornamos o processo ensino-aprendizagem efetivo, pois incluímos a
realidade deles nesse processo.

Atenção

Aprendizagem significativa: interação entre conhecimentos


prévios e novos. Os novos conhecimentos adquiridos pas-
sam a ter significado para o educando e os conhecimentos
prévios são ressignificados.

PROCESSOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM
EM SAÚDE
Você já parou para pensar quais são os processos de ensino-aprendiza-
gem utilizados na saúde? Quais os cursos da área da saúde que podem
ser contemplados com esses processos?

Diversos são os cursos que trabalham estágios na área da saúde, entre


eles podemos citar: Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição, Farmácia,
entre outros. Esses cursos pretendem, em sua maioria, habilitar o profis-
sional por meio de estágios de aplicação prática relacionados aos conhe-
cimentos adquiridos para habilitar o estudante ao exercício profissional.

Os processos de ensino-aprendizagem em saúde, em sua maioria, são


realizados nos serviços da rede pública ou integrados a ela, objetivando
diminuir a distância do ensino à realidade da sociedade.

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Para refletir

Onde você realizou o seu estágio? Você lembra?

Quando integramos o ensino e a aprendizagem em saúde aos serviços de


saúde, estamos tentando formar profissionais que tenham uma visão da
realidade da atuação do profissional com as necessidades sociais. Preci-
samos perceber que os serviços de saúde direcionados para a docência
nem sempre são adequados ao aprendizado e não correspondem aos
princípios do Sistema Único de Saúde.

Como se não bastassem as questões estruturantes, os preceptores mui-


tas vezes não têm a habilitação do fazer pedagógico em serviço. Temos
que observar que os nossos processos de ensino e aprendizagem devem
considerar conteúdos, estratégias didáticas, práticas e relações que con-
tribuem na forma de trabalhar na saúde.

Para refletir

Você enquanto preceptor considerou todas as situações


diversas para a atuação dos seus alunos?

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