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Franz de Cassias Strobel

Monitoramento de Subestações de Consumidor de Média Tensão

Monografia apresentada como


requisito para obtenção do grau de
Engenheiro Eletricista, submetida
ao departamento de Engenharia
Elétrica, pertencente ao Centro
Tecnológico da Universidade
Federal de Santa Catarina.
Orientador: Prof. Dr. Maurício
Valência Ferreira da Luz.

Florianópolis
2013
Franz de Cassias Strobel

Monitoramento de Subestações de Consumidor de Média Tensão

Esta monografia foi julgada no contexto da disciplina EEL 7890 –


Projeto Final e aprovada na sua forma final pelo Curso de Engenharia
Elétrica.

Florianópolis, 20 de março de 2013.

________________________
Prof. Renato Lucas Pacheco, Dr.
Coordenador do Curso

Banca Examinadora:

________________________
Prof. Maurício Valência Ferreira da Luz, Dr.
Orientador

________________________
Prof. Jean Vianei Leite, Dr.
Participante da banca examinadora

________________________
Irvando Luiz Speranzini, Msc.
Participante da banca examinadora
A Deus.
AGRADECIMENTOS

Sem dúvida, meu primeiro agradecimento é direcionado aos meus


pais. Eles foram o alicerce que me sustentou. Estendo este
agradecimento a toda a minha família, a citar meus primos que me
cederam um teto. Ainda no âmbito pessoal, agradeço à minha namorada,
que me fez sorrir quando a vontade era de chorar.
Agradeço de forma intensa à equipe da Coordenadoria de
Planejamento de Recursos e Ocupação Física (CPROF), com destaque à
pessoa do eng. Irvando Speranzini, que me deu uma oportunidade de
trabalho que resultou em muitos benefícios para a minha vida. Posso
citar os relatórios de estágio, o gosto pela área de eletrotécnica, a
realização com a eng. elétrica, os conhecimentos que me beneficiaram
na realização de provas de concursos, os recursos mensais (a bolsa) e,
como se ainda não fosse o suficiente, o presente trabalho foi realizado
através dos conhecimentos e estrutura da CPROF.
Agradeço muito ao corpo docente da Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC), em especial ao prof. Maurício Valência, que me
apoiou em tudo relacionado a este trabalho, seja tema, prazos e, de
forma bem feita, em motivação. Não houve situação ruim o suficiente
que pôde ser maior que a vontade do professor em me ajudar. Muito
obrigado mesmo.
Agradeço, também, à sociedade em geral, que paga inúmeros
impostos e, muitas vezes, não tem retorno. Este trabalho conclui a
formação que recebi gratuitamente e que fez muita diferença em minha
vida. Espero retornar à sociedade os benefícios que recebi através de
serviços bem feitos.
Agradeço a Deus por ter tantos motivos de agradecimento.
RESUMO

Esta produção acadêmica descreve uma subestação de consumidor de


média tensão e apresenta meios para monitorá-la. A descrição da
subestação é feita através da análise dos principais equipamentos que a
compõem. Uma subestação da Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC) é apresentada para consolidar os conceitos teóricos. No âmbito
do monitoramento, uma pesquisa de mercado e a análise da solução
existente na UFSC revelam alguns dos principais meios para monitorar
uma subestação de consumidor. Estes meios são descritos para
embasamento teórico e a rede de monitoramento existente na UFSC é
apresentada para visualização prática.

Palavras-chave: subestação de consumidor, equipamentos para média


tensão, subestação UFSC, monitoramento, rede de comunicação e
monitoramento UFSC.
ABSTRACT

This academic production describes a medium voltage distribution


substation and shows ways to monitor it. The description of the
substation is done through the analysis of the main equipments that
compose it. One substation of the Federal University of Santa Catarina
(UFSC) is presented to consolidate the theoretical concepts. About
monitoring, a market research and an analysis of the existing solution at
UFSC reveal some of the main ways to monitor a distribution
substation. These ways are described for theoretical view and the
existing monitoring network at UFSC is presented for practical view.

Keywords: consumer substation, medium voltage equipment, UFSC's


substation, monitoring, communication network and UFSC's
monitoring.
LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 - Entrada de serviço de uma subestação de consumidor. ......... 25


Figura 2.2 - Subestação de alvenaria. ........................................................ 27
Figura 2.3- Subestação metálica com flanges laterais. .............................. 28
Figura 2.4 - Subestação metálica com flange superior. ............................. 29
Figura 2.5 - Subestação metálica com tela aramada lateral. ..................... 30
Figura 2.6 - Subestação metálica em chapa de aço.................................... 31
Figura 2.7 - Subestação em torre de poste único........................................ 32
Figura 2.8 - Subestação em torre de poste duplo. ...................................... 33
Figura 2.9 - Subestação de instalação no nível do solo.............................. 34
Figura 2.10 - Detalhes construtivos do para-raios de SiC. ........................ 39
Figura 2.11- Para-raios de corpo polimérico. ........................................... 40
Figura 2.12 - Curvas características de V x I dos varistores SiC e ZnO. ... 41
Figura 2.13 - Ondas de tensão e corrente de descarga de um para-raios.. 45
Figura 2.14 - Mufla de corpo em porcelana. .............................................. 47
Figura 2.15 - Mufla com terminação termocontrátil. ................................. 47
Figura 2.16 - Formação de arco elétrico por ionização............................. 48
Figura 2.17 - TC do tipo barra. .................................................................. 50
Figura 2.18 - TC do tipo enrolado. ............................................................. 50
Figura 2.19 - TC do tipo janela. ................................................................. 51
Figura 2.20 - TC do tipo bucha. ................................................................. 51
Figura 2.21 - TC do tipo núcleo dividido.................................................... 52
Figura 2.22 - TC do tipo derivação no secundário. .................................... 53
Figura 2.23 - TC com núcleo dividido e derivações no secundário............ 54
Figura 2.24 - Efeito da corrente de magnetização. .................................... 57
Figura 2.25 - Polaridade do TC. ................................................................ 60
Figura 2.26 - TP do tipo indutivo. .............................................................. 61
Figura 2.27 - TP de 15 kV, isolação a seco. ............................................... 62
Figura 2.28 - Classe de exatidão. ............................................................... 64
Figura 2.29 - Chave seccionadora trifásica ilustrativa .............................. 67
Figura 2.30 - Chave seccionadora simples. ................................................ 68
Figura 2.31 - Chave fusível unipolar. ......................................................... 69
Figura 2.32 - Chave fusível tripolar. .......................................................... 70
Figura 2.33 - Chave seccionadora reversível. ............................................ 71
Figura 2.34 - Chave seccionadora monopolar de classe 15 kV.................. 72
Figura 2.35 - Chave fusível de isolador de corpo único. ............................ 77
Figura 2.36 - Chave fusível do tipo pedestal. ............................................. 78
Figura 2.37 - Curvas tempo x corrente para o fusível tipo K ..................... 80
Figura 2.38- Sistema fictício com elo fusível protegido e elos protetores .. 81
Figura 2.39 - Bucha de passagem para uso exterior, classe 15 kV. ........... 83
Figura 2.40 - Bucha de passagem para uso interior, classe 15 kV............. 83
Figura 2.41 - Bucha de passagem para uso interior/exterior. .................... 84
Figura 2.42 - Bucha de passagem para uso em transformador. ................. 85
Figura 2.43 - Bucha condensiva. ................................................................ 86
Figura 2.44 - Determinação da corrente nominal de buchas. .................... 88
Figura 2.45 - Determinação da corrente nominal de buchas. .................... 89
Figura 2.46 - Disjuntor a PVO. .................................................................. 91
Figura 2.47 - Interior de uma câmara de extinção de um disjuntor PVO... 92
Figura 2.48 - Disjuntor a vácuo. ................................................................. 94
Figura 2.49 - Relé digital. ........................................................................ 101
Figura 2.50 - Transformador a seco. ....................................................... 104
Figura 2.51 - Entrada da subestação EMC Externa. ................................ 112
Figura 2.52 - Ramal de entrada da subestação EMC Externa. ................ 113
Figura 2.53 - Cubículo de ramificação, saída para a subestação CTC. ... 114
Figura 2.54 - Cubículo de ramificação. .................................................... 114
Figura 2.55 - Cubículo de disjunção da EMC Externa. ............................ 115
Figura 2.56 - Cubículo de transformação EMC Externa. ......................... 116
Figura 2.57 - Visão geral da parte interna da EMC Externa. .................. 117
Figura 3.1 - Cabo coaxial. ........................................................................ 123
Figura 3.2 - Cabo de pares trançados ...................................................... 124
Figura 3.3 - Refração da luz no interior da fibra ótica............................. 127
Figura 3.4 - Cabo ótico ilustrativo............................................................ 127
Figura 3.5 - Esquema rede Wi-Fi. ............................................................ 129
Figura 3.6 - Modelo de rede Ethernet. ...................................................... 133
Figura 3.7 - Switch ótico ........................................................................... 136
Figura 3.8 - Ilustração do uso do roteador. .............................................. 137
Figura 3.9 - Ilustrativo da rede RS 485 da UFSC..................................... 139
Figura 3.10 - Grandezas medidas pelo CCK 4500. .................................. 140
Figura 3.11 - Grandezas medidas pelo CCK 7550/7550E. ....................... 142
Figura 3.12 - CCK 7010. .......................................................................... 144
Figura 3.13 - QGF presente na subestação Horto Botânico. ................... 147
Figura 3.14 - CCKs 7550 presentes na subestação Horto Botânico......... 148
Figura 3.15 - CCK 7010 presente na subestação Horto Botânico. ........... 148
Figura 6.1 - Caminho da rede de média tensão CMD - EMC externa...... 155
Figura 6.2 - Diagrama ilustrativo subestação EMC externa. ................... 156
Figura 6.3 - Cargas atendidas pela subestação EMC externa.................. 157
LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 - Relações de transformação. .................................................... 54


Tabela 2.2 - Possíveis cargas conectadas ao TC. ....................................... 55
Tabela 2.3 - Tensões secundárias dos TCs. ................................................ 58
Tabela 2.4 - Tensões suportáveis dos TCs. ................................................. 59
Tabela 2.5 - Características elétricas dos TPs. .......................................... 65
Tabela 2.6 - Cargas do TPs. ....................................................................... 65
Tabela 2.7 - Tensões suportáveis dos TPs. ................................................. 66
Tabela 2.8 - Níveis de isolamento nominais de buchas............................... 87
Tabela 2.9 - Rendimento de transformadores (FC = 1 e FP = 0,85). ...... 107
Tabela 2.10 - Características transformadores a óleo classe 15 kV......... 109
Tabela 2.11 - Defasamento angular de configurações clássicas. ............. 110
Tabela 3.1 - Cabos de par trançado e exemplos de utilização. ................ 125
Tabela 3.2- Resumo do padrão RS-232, RS-422 e RS-485. ...................... 132
Tabela 6.1 - Características dos para-raios a SiC. .................................. 153
Tabela 6.2 - Escolha do elo fusível. .......................................................... 154
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

A - Ámpere;
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas;
ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica;
AT - Alta Tensão;
BT - Baixa Tensão;
BWG - Birmingham Wire Gauge (padrão de secção de cabos);
CELESC - Centrais Elétricas de Santa Catarina;
CFH - Centro de Filosofia e Ciências Humanas;
cm - centímetro;
CMD - Centro de Medição;
CPROF - Coordenadoria de Planejamento de Recursos e Ocupação Física;
CTC - Centro Tecnológico;
EMC - Engenharia Mecânica;
EQ - Equação;
FCR - Fator de Correção de Relação;
FEESC - Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina;
FS - Fator de Sobrecorrente;
FTP - Foiled Twisted Pair;
GPS - Global Positioning System (tecnologia de geoposicionamento);
GRAU IP - Índice de Proteção;
GVO - Grande Volume de Óleo;
IEEE - Institute of Electrical and Electronics Engineers;
k - kilo, fator 1000;
kgf - quilograma força;
km - quilômetro;
m - metro;
mm - mílimetro;
NBR - Norma Brasileira;
NT - Norma Técnica;
POF - Plastic Optical Fiber;
PRUEN - Programa de Racionalização do Uso de Energia Elétrica;
PVO - Pequeno Volume de Óleo;
QGF - Quadro geral de força;
RN - Resolução Normativa;
s - segundo;
SCADA - Supervisory Control and Data Acquisition;
SETIC - Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da
Informação e Comunicação;
SF6 - Hexafluoreto de enxofre;
SiC - Carboneto de silício;
SIN - Sistema Integrado Nacional;
STP - Shielded Twisted Pair;
TC - Transformador de Corrente;
TP - Transformador de Potêncial;
UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina;
UPT - Unshielded Twisted Pair;
V - Volt.
VLAN - Virtual Local Area Network;
ZnO - Óxido de zinco;
µ - micro, fator 10 .
SUMÁRIO

1. Introdução .................................................................................... 21
1.1 Objetivos .......................................................................................... 22
1.1.1 Objetivo geral ............................................................................ 22
1.1.2 Objetivos específicos ................................................................. 22
2. Subestação de Consumidor .......................................................... 23
2.1 Tipos de subestação de consumidor .............................................. 26
2.1.1 Subestação de instalação interior ............................................... 26
2.1.2 Subestação de instalação exterior .............................................. 31
2.2 Estrutura física ................................................................................ 34
2.3 Equipamentos .................................................................................. 37
2.3.1 Para-raios ................................................................................... 37
2.3.2 Mufla terminal primária ............................................................. 46
2.3.3 Transformador de corrente......................................................... 49
2.3.4 Transformador de potencial ....................................................... 61
2.3.5 Chave seccionadora primária ..................................................... 67
2.3.6 Chave Fusível Indicadora Unipolar ........................................... 76
2.3.7 Bucha de passagem .................................................................... 82
2.3.8 Disjuntor de potência ................................................................. 89
2.3.9 Relé ............................................................................................ 99
2.3.10 Transformador de potência .................................................... 102
2.3 Subestação UFSC .......................................................................... 110
3. Monitoramento ........................................................................... 118
3.1 Justificativas para monitorar....................................................... 118
3.2 Meios físicos de transmissão ........................................................ 122
3.2.1 Cabo coaxial ............................................................................ 123
3.2.2 Cabo de par trançado ............................................................... 124
3.2.3 Cabo de fibra ótica ................................................................... 126
3.2.4 Transmissão Wi-Fi ................................................................... 128
3.2.5 GSM......................................................................................... 130
3.3 Interfaces ....................................................................................... 131
3.3.1 RS-485 ..................................................................................... 131
3.3.2 Ethernet ................................................................................... 133
3.4 Caso UFSC..................................................................................... 138
3.4.1 Rede existente .......................................................................... 138
3.4.2 Soluções em desenvolvimento ................................................. 146
4. Conclusão ....................................................................................150
4.1 Sugestões para trabalhos futuros ................................................. 151
5. Referências ..................................................................................152
6. Anexos .........................................................................................153
21

1. Introdução

O fluxo de potência elétrica que é necessário para mover várias


das atividades econômicas de um país é transmitido através de uma rede
física que conecta unidades geradoras a consumidores. Esta rede, que no
Brasil é chamada de SIN (Sistema Interligado Nacional), é composta por
cabos condutores e estruturas que os suportam e, por unidades de
manobra que direcionam o fluxo elétrico, por unidades que convertem
frequência, por unidades que tratam a energia elétrica através de
compensação de reativos e por unidades que transformam a energia
elétrica. As últimas, as unidades transformadoras, podem ser divididas
de acordo com suas finalidades, ou seja, integram o SIN unidades
transformadoras, chamadas subestações, elevadoras e abaixadoras. As
primeiras encontram-se próximas às unidades geradoras de grande porte
para elevar a tensão e, assim, facilitar a transmissão do fluxo de potência
elétrica. As unidades abaixadoras, foco deste trabalho, são unidades
próximas aos consumidores com a finalidade de diminuir a tensão e
permitir a aplicação da energia elétrica de acordo com as necessidades.
Mais especificamente, as subestações tratadas neste trabalho
serão aquelas que consumidores necessitam para reduzir a tensão
primária de fornecimento em média tensão (1k até 36,2 kV - definição
segundo a NBR 14039), chamadas de subestações de consumidor.
Fábricas, comércios e instituições públicas (a citar a Universidade
Federal de Santa Catarina, que será exemplo neste trabalho) são
exemplos de locais em que são encontradas tais subestações
abaixadoras.
Existem vários aspectos a serem considerados para o bom
funcionamento de uma subestação, bem como várias grandezas a serem
monitoradas que sinalizam esse bom funcionamento esperado. Como
breve exemplo, pode-se citar o monitoramento de correntes e tensões a
que são submetidos os equipamentos, componentes harmônicos das
tensões e correntes presentes no sistema, temperatura dos equipamentos,
níveis de óleo de transformadores, bobina de contato dos disjuntores,
umidade do ar, entre outros. Estas informações precisam ser
transmitidas das subestações até alguma central para que os
responsáveis possam avaliar e definir ações. Para atingir esse objetivo,
um sistema de monitoramento deve ser montado.
Em resumo, este é o escopo deste trabalho: entender como
funciona uma subestação de consumidor de média tensão e como é
possível monitorá-la.
22

Para exemplificar os capítulos de embasamento teórico, será


apresentada uma subestação presente no campus da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC), a rede de monitoramento de
subestações existente na universidade será analisada e, também, será
apresentado o que se planeja implementar para aprimorar o
monitoramento existente.

1.1 Objetivos

O presente trabalho objetiva gerar conhecimento amplo sobre as


subestações de consumidor de média tensão, importantes peças para
qualquer sistema elétrico. De mão destes conhecimentos, o
enriquecimento profissional é alcançado.

1.1.1 Objetivo geral

De maneira geral, objetiva-se conhecer os equipamentos que


compõem a subestação de consumidor e maneiras de se estabelecer uma
comunicação entre as subestações e áreas remotas para gerenciamento.

1.1.2 Objetivos específicos

Para atingir o objetivo geral, esta produção acadêmica objetiva


descrever em cada capítulo informações que ajudem a construir o
conhecimento procurado.
Inicialmente, objetiva-se descrever uma subestação de
consumidor. Isso inclui analisar os principais equipamentos relacionados
ao seu funcionamento. Será apresentada uma subestação presente no
campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
para fixação dos conceitos.
No caminho da construção do objetivo geral, objetiva-se entender
alguns conceitos de monitoramento. Para isso, precisa-se conhecer
aspectos físicos (cabos, equipamentos, níveis de tensão, etc.) e aspectos
de software (protocolos de comunicação).
Ao finalizar cada discussão teórica, o estudo de caso da UFSC
tem por finalidade explicitar os conhecimentos teóricos em ambientes
práticos e, assim, alcançar o objetivo geral.
Vale citar que o presente trabalho também tem como objetivo
servir de auxílio para interessados e registro para a universidade acerca
do seu sistema elétrico.
23

2. Subestação de Consumidor

Em primeira análise, segundo o capítulo I, art. 2, item LXXIV da


Resolução Normativa (RN) 414, da Agência Nacional de Energia
Elétrica (ANEEL), a definição de subestação é:

parte do sistema de potência que compreende os


dispositivos de manobra, controle, proteção,
transformação e demais equipamentos, condutores
e acessórios, abrangendo as obras civis e
estruturas de montagem;

Mais especificamente, a subestação de consumidor é considerada


uma subestação de transformação. Esta definição remete a um conjunto
de condutores, aparelhos e equipamentos destinados a modificar as
características da energia elétrica (tensão e corrente), para permitir a sua
distribuição aos pontos de consumo em níveis adequados de utilização.
Para uma visão geral, as subestações de transformação podem ser
classificadas como:

Subestação central de transmissão

É aquela que geralmente está próxima às usinas produtoras de


energia elétrica, cuja finalidade é modificar (elevar) os níveis de tensão
dos geradores para viabilizar a transmissão da potência gerada aos
grandes consumidores (reduzir correntes e, consequentemente, a secção
dos condutores).

Subestação receptora de transmissão

É aquela construída próxima aos grandes blocos de cargas e que


está conectada, através de linhas de transmissão, à subestação central de
transmissão ou a outra subestação receptora intermediária.

Subestação de subtransmissão

É aquela geralmente localizada no centro de um grande bloco de


cargas, alimentada pela subestação receptora e de onde se originam os
alimentadores de distribuição primários, suprindo diretamente os
transformadores de distribuição ou as subestações de consumidor.
24

Subestação de consumidor

É a subestação construída em propriedade particular, suprida


através de alimentadores de distribuição primários, originados das
subestações de subtransmissão. O seu objetivo é transformar a tensão de
distribuição a um nível compatível ao necessário para as aplicações do
consumidor.

A subestação de consumidor é citada no contexto do capítulo I,


art. 2, item LXXXV da Resolução Normativa (RN) 414:

LXXXV – unidade consumidora: conjunto


composto por instalações, ramal de entrada,
equipamentos elétricos, condutores e acessórios,
incluída a subestação, quando do fornecimento em
tensão primária, caracterizado pelo recebimento
de energia elétrica em apenas um ponto de
entrega, com medição individualizada,
correspondente a um único consumidor e
localizado em uma mesma propriedade ou em
propriedades contíguas;

Enquadra-se, também, no contexto do seguinte artigo da RN 414,


da seção V:

Art. 12 Compete à distribuidora informar ao


interessado a tensão de fornecimento para a
unidade consumidora, com observância dos
seguintes critérios:

III – tensão primária de distribuição inferior a 69


kV: quando a carga instalada na unidade
consumidora for superior a 75 kW e a demanda a
ser contratada pelo interessado, para o
fornecimento, for igual ou inferior a 2.500 kW;

Assim, o consumidor que apresentar carga instalada superior a 75


kW, será atendido em tensão primária e necessitará de uma subestação
para abaixar o nível de tensão. No caso deste trabalho, a tensão primária
será de média intensidade que, seguindo a mesma definição da
NBR14039, está na faixa entre 1k e 36,2 kV.
25

Antes dee analisar internamente uma subestação de consumidor,


consumidor
pode-se citar alguns componentess externos a estrutura física da
subestação, que compõem a chamada entrada de serviço.
Para ilustrar, apresenta-se a figura 2.1 e segue a descrição dos
elementos da entrada de serviço.

Figura 2.1 - Entrada de serviço de uma subestação de consumidor.


consumidor

Fonte: Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho, quarta edição.

O ponto de ligação refere-se à derivação a rede de distribuição


para iniciar o circuito que alimenta o consumidor.
O ramal de ligação é o trecho do circuito aéreo compreendido
entre o ponto de ligação e o ponto de entrega. Este ramal é de
responsabilidade da concessionária. Caso exista um ramal subterrâneo,
este será particularmente chamado de ramal dee entrada subterrâneo, caso
contrário, trata-se de um ramal aéreo.
O ponto
onto de entrega é aquele em que a tensão de alimentação é
disponibilizada ao consumidor e pode ser aéreo ou subterrâneo. Este
ponto é de responsabilidade da concessionária.
26

O ramal de entrada é considerado o conjunto de condutores, com


os materiais necessários a sua fixação e ligação, que liga o ponto de
entrega aos terminais de medição. Este ramal pode ser aéreo, quando
constituído de condutores nus suspensos em estruturas próprias, ou
subterrâneo, quando constituído de condutores isolados instalados em
um duto ou, até mesmo, diretamente enterrados no solo.

2.1 Tipos de subestação de consumidor

Existem algumas soluções de subestação de consumidor de


acordo com as necessidades técnicas e econômicas do projeto. A seguir,
serão citadas as mais decorrentes.

2.1.1 Subestação de instalação interior

Quando os equipamentos da subestação são instalados em


dependências abrigadas das intempéries, ela é considerada uma
subestação de instalação interior. Classicamente, elas podem ser
construídas em alvenaria ou em invólucro metálico.

Subestação de alvenaria

A subestação em alvenaria é a mais corriqueira. Apresenta custo


reduzido e é de fácil construção em relação a outras soluções, visto ser
um projeto civil comum (tijolos, laje, entre outros, dependendo das
exigências da concessionária local). A possível complicação é a
requisição de espaço.
Em síntese, pode-se analisar a subestação de alvenaria como um
conjunto de cubículos, que são classificados de acordo com a finalidade.
A figura 2.2 apresenta uma ilustração da subestação em alvenaria
divida em cubículos e segue, nos próximos parágrafos, a descrição de
cada um deles.
O cubículo de medição primária é destinado a abrigar os
equipamentos auxiliares da medição, como os transformadores de
corrente e potencial.
O cubículo de proteção primária (chamado de cubículo de
disjunção na figura 2.2) tem a finalidade de abrigar as chaves
seccionadoras, fusíveis ou disjuntores responsáveis pela proteção geral e
seccionamento da instalação.
27

Figura 2.2 - Subestação de alvenaria.

Fonte: Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho, quarta edição.

O cubículo de transformação é aquele destinado a instalação dos


transformadores de força e, quando necessário, equipamentos de
proteção individual. A citar, dispositivos com a finalidade de limitação
da quantidade de óleo a ser queimado, no o caso de incêndio em
transformadores a óleo, são exemplos de equipamentos de proteção que
podem estar presentes no cubículo de transformação.
Não mais na classificação de cubículos, a subestação de alvenaria
ainda apresenta espaço para os quadros de distribuição,
ribuição, os quais abrigam
os disjuntores das cargas.

Subestação em invólucro metálico

O outro tipo construtivo de subestação presente nos sistemas


elétricos é a subestação modular metálica (em invólucro metálico),
met que é
solução quando há pouco espaço disponível.
sponível. Pode ser construída para
uso interno ou ao tempo.
28

Basicamente, pode-sese classificar as subestações metálicas em


quatro tipos: transformador com flanges1 laterais; transformador com
flanges superior e lateral; transformador enclausurado em cubículo
cubícul
metálico em tela aramada lateral e transformador e demais
equipamentos enclausurados em cubículo metálico em chapa de aço.

Subestação metálica com flanges laterais

Este modelo é um dos mais utilizados em instalações industriais.


cta, que pode alcançar grau de proteção IP 3X2
É uma subestação compacta,
ou superior, o que confere alto grau de segurança para pessoas que
transitem as proximidades. É constituída de transformador de construção
especial, em que as buchas, primárias e secundárias, são fixadas
lateralmente
almente à carcaça e protegidas por um flange que acopla o modelo
primário ao secundário. Há possibilidade de acoplar novos módulos,
caso necessário. A figura 2.3 apresenta uma subestação em invólucro
metálico.

Figura 2.3- Subestação metálica com flanges laterais.


laterais

Fonte: Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho, quarta edição.

1
Um flange é um elemento, no o caso metálico, que une dois outros elementos
metálicos e que permite a desmontagem sem operação destrutiva.
2
Apresenta grau de proteção 3 contra sólidos e X (variáveis) níveis de proteção
de contra a penetração de água, seguindo o modelo da NBR IEC 60529 .
29

Subestação
ubestação metálica com transformador com flanges superior e
lateral

Esta subestação é constituída de um transformador de construção


convencional e dos módulos de alta e baixa tensão, que são acoplados ao
transformador via caixas flangeadas, superiormente e lateralmente
flangeadas. A figura 2.4 ilustra a descrição desse parágrafo.

Figura 2.4 - Subestação metálica com flange superior.


superior

Fonte: Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho, quarta edição.

Subestação metálica com transformador enclausurado


enclau em
cubículo metálico em tela aramada lateral

Esta subestação é constituída por transformadores instalados


internamente a um invólucro metálico de chapa de aço. Lateralmente ao
invólucro, há uma tela de proteção aramada.
teção, geralmente IP X13, essa
Devido ao baixo grau de proteção,
subestação não deve ser instalada em local poluído ou com grande
circulação de pessoas (principalmente pessoas não habilitadas ao serviço
em eletricidade).

3
Apresenta grau de proteção 1 contra a penetração de água e X (variáveis) níveis
de proteção de contra sólidos, seguindo o modelo da NBR IEC 60529 .
30

Os transformadores e demais equipamentos dessa subestação são


de fabricação
icação convencional, o que representa vantagem econômica. A
figura 2.5 apresenta uma subestação com transformador enclausurado
em cubículo metálico em tela aramada lateral.

Figura 2.5 - Subestação metálica com tela aramada lateral.


lateral

Fonte: Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho, quarta edição.

Subestação em invólucro metálico com transformador e demais


equipamentos enclausurados em cubículo metálico em chapa de aço

Os transformadores dessa subestação são instalados dentro de


invólucros construídos de chapas de aço, com apenas algumass aberturas
para ventilação. Os cubículos são acoplados lateralmente através de
parafusos e podem apresentar variados graus de proteção,
roteção, conforme for
solicitado pelos interessados. Os transformadores, chaves e demais
acessórios são de fabricação convencional. A figura 2.6 apresenta a
subestação citada neste parágrafo.
31

Figura 2.6 - Subestação metálica em chapa de aço.

Fonte:: Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho, quarta edição.

2.1.2 Subestação de instalação exterior

É o tipo de subestação que está sujeita a intempéries. Pode-se


Pode
classificá-la
la em dois tipo principais: subestação em torre e subestação de
instalação no nível do solo.

Subestação em torre

A subestação em torre apresenta o transformador fixado em uma


torre (um ou dois postes), geralmente fabricada em concreto armado.
A figura 2.7 apresenta uma subestação em torre de poste único e a
figura 2.8 apresenta uma subestação em torre de poste duplo.
32

Figura 2.7 - Subestação em torre de poste único.

Fonte:: Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho, quarta edição.


33

Figura 2.8 - Subestação em torre de poste duplo.

Fonte: Instalações Elétricas Industriais,


ais, João Mamede Filho, quarta edição.

Subestação de instalação no nível do solo

A subestação no nível do solo é aquela em que os equipamentos,


como os disjuntores e transformadores, são instalados em bases de
concreto no nível do solo. Porém, equipamentos os como para-raios,
chaves fusíveis e seccionadoras, são montados
tados em estruturas aéreas. A
figura 2.9 apresenta um modelo da citada subestação.
34

Figura 2.9 - Subestação de instalação


stalação no nível do solo.

Fonte:: Instalações Elétricas Industriais, João Mamede Filho, quarta edição.

2.2 Estrutura física

Como um todo, uma subestação de consumidor é constituída por


equipamentos e por uma estrutura física que os abriga. Assim,
Assim existem
vários aspectos a serem considerados sobre a estrutura física para um
bom funcionamento da subestação. A citar, o dimensionamento dos
compartimentos, a localização da subestação em relação a outras
edificações, o terreno no qual a subestação é instalada,
a, a ventilação, a
iluminação, o sistema de drenagem, entre outros aspectos.
Serão citados os principais aspectos estruturais de uma
subestação de consumidor de média tensão, abrigada em alvenaria. Para
isso, será usada Norma Técnica NT-01-AT, da Centrais Elétricas de
Santa Catarina (CELESC), que estabelece
stabelece os padrões da entrada de
serviço de energia elétrica das instalações consumidoras individuais que
serão alimentadas em tensão primária de distribuição.
Em tópicos, serão citadas algumas observâncias desta norma.
35

Localização

- Em regiões sujeitas a inundações, a subestação transformadora


deverá estar localizada em cota superior a da máxima enchente já
registrada;

- A subestação deverá sempre se localizar afastada de alguma


possível da central de gás, depósito de óleo combustível, lixeira ou
qualquer área com material combustível.

Detalhes construtivos e dimensionais

- O cubículo de transformação deverá respeitar as dimensões de


largura (L) e a profundidade (P) segundo as expressões i e ii:

i. L = largura do transformador + 100 cm


ii. P = comprimento do transformador + 70 cm

- A laje de cobertura deverá ser construída de modo a não


permitir o escoamento de água de chuva sobre os condutores de alta
tensão;

- As paredes internas da subestação deverão ter, no mínimo, 10


cm de espessura se forem de concreto e 15 cm no caso de alvenaria;

- As portas da subestação deverão ser de material incombustível


(metálica), abrir para fora, com venezianas, trinco e fechadura e de
dimensões convenientes para permitir a entrada e/ou retirada de
quaisquer equipamentos (mínimo 120 x 210 cm para subestações com
potência até 225kVA e 200 x 210cm para subestações com potência
acima de 225kVA);

- As telas de proteção dos equipamentos (medição, proteção,


transformação, etc. ) deverão ser fixadas através de parafuso ou pino de
encaixe, com aberturas para área de circulação e providas de limitadores
e dispositivo para lacre. A altura mínima das telas deverá ser de 2 m e a
largura mínima será de 1,5 m para cubículo de medição, 1,8 m para
cubículo de proteção e 2 m para cubículo de transformação (caso o
transformador apresente largura superior a 2 m, devesse acrescer 10 cm
ao valor da largura para, assim, dimensionar a largura da tela);
36

- Nos quadros de tela dos módulos de medição e transformação


deverá ser prevista uma porta de acesso, com dimensões 60 x 195 cm,
provida de dispositivo para lacre.

Ventilação

- A subestação deverá possuir aberturas para ventilação natural,


obtida por convecção, devendo ser previstas aberturas com proteção
(venezianas ou elementos vazados e telas), à prova de respingos, feitas
de material incombustível;

- Admitir-se-ão, no mínimo, duas aberturas de 50 x 100 cm,


convenientemente dispostas, situadas na parte superior (para saída de ar
aquecido) e duas na parte inferior das paredes (para entrada de ar
exterior);

- A(s) abertura(s) inferior(es) deverá(ão) situar-se no mínimo, 20


cm (vinte centímetros) acima do piso exterior, para evitar a entrada de
chuva e deverá(ão) possuir venezianas, telas de proteção, com malha
mínima de 5 mm e máxima de 13 mm, de arame galvanizado N.º 12
BWG.

Iluminação

- A subestação deverá possuir iluminação natural, sempre que


possível, bem como iluminação artificial adequada, de acordo com os
níveis de iluminação fixados pela Norma NBR 5413 da ABNT;

- O sistema de iluminação artificial não poderá ser derivado dos


transformadores de medição;

- A iluminação artificial deverá estar localizada em local


adequado, distante, no mínimo 1,50m da alta tensão na horizontal e
nunca sobre locais destinados aos equipamentos principais da
subestação;

- A iluminação artificial da subestação deverá ser à prova de


explosão, sendo o ponto de controle (interruptor) colocado junto à porta,
pelo lado externo;
37

- Será obrigatório a instalação de adequado sistema de iluminação


de emergência, com autonomia mínima de 02 (duas) horas, conforme
NBR 14.039, não sendo permitido derivar dos transformadores para
medição.

Sistema de drenagem

- O piso da subestação deverá apresentar dreno, com declividade


de 2% (dois por cento), para escoamento de qualquer líquido e/ou
vazamento de óleo do transformador. A inclinação deverá ser orientada
para um ralo, de tamanho mínimo de 100 mm;

- Para transformador com capacidade de 500kVA ou acima,


deverá ser previsto no cubículo de transformação, um meio adequado
para drenar ou conter o óleo proveniente de um eventual vazamento;

- Quando for utilizado transformador a seco, fica dispensada a


construção de um sistema de drenagem.

2.3 Equipamentos

Para contemplar a sua finalidade de reduzir a tensão primária a


níveis de aplicação, proteger o sistema e efetuar manobras, a subestação
de consumidor apresenta alguns equipamentos que são imprescindíveis.
Nesta secção, os principais equipamentos presentes na subestação de
consumidor serão apresentados.

2.3.1 Para-raios

Este dispositivo tem a finalidade de proteger sistemas elétricos


dos surtos de tensão. Estes surtos podem ter origem nas descargas
atmosféricas ou, até mesmo, durante manobras de chaves seccionadoras
e disjuntores (sobretensões de origem interna). Para alcançar a sua
finalidade, o para-raios limita as sobretensões a um valor máximo, valor
esse que define o nível de proteção conferido ao sistema.
O princípio de funcionamento do para-raios consiste na não
linearidade dos elementos de que seu interior é composto. Ele atua como
um varistor, ou seja, para diferentes tensões, há diferentes resistências
associadas. Assim, ele é capaz de conduzir as correntes de descarga
associadas às elevadas tensões induzidas na rede e, em seguida,
38

interromper as correntes subsequentes, isto é, aquelas que sucedem às


correntes de descarga após a sua condução à terra.
A principal classificação que se pode dar a um para-raios é
devido ao seu elemento não linear. Classicamente, duas composições
podem ser citadas: carbonato de silício e óxido de zinco.

Para-raios de carboneto de silício (SiC)

O para-raios que apresenta como elemento não linear o carboneto


de silício, possui corpo constituído de porcelana vitrificada de alta
resistência mecânica e dielétrica e tem em série um centelhador,
formado por vários espaços vazios. Também, é capaz de conduzir altas
correntes de descarga com baixas tensões residuais, embora ofereça uma
alta impedância à corrente subsequente (corrente fornecida pelo sistema,
logo depois de cessada a corrente de descarga).
Este tipo de para-raios não deve operar sem centelhador, pois em
tensão de operação conduziria à terra uma elevada corrente, cerca de
200 A. Esta corrente gera elevada perda Joule nos resistores não lineares
e, consequentemente, no bloco cerâmico, que pode falhar e ocasionar
uma defeito fase-terra no sistema.
O centelhador é constituído de um ou mais espaçadores entre
eletrodos, dispostos em série com os resistores não lineares, cuja
finalidade é assegurar uma característica de disrupção4 regular com uma
rápida extinção da corrente subsequente.
Alguns para-raios de carboneto de silício podem apresentar um
desligador automático. Dispositivo, este, que serve para desligar um
para-raios defeituoso. Para isso, este dispositivo é composto de um
elemento resistivo em série com uma cápsula explosiva protegida por
um corpo de baquelite. O desligador é projetado para não atuar com a
passagem da corrente de descarga e da corrente subsequente.
Uma parte componente do para-raios de SiC é o protetor contra
sobrepressão, que é um dispositivo destinado a aliviar a pressão interna
devido a falhas do para-raios e cuja ação permite o escape dos gases
antes que haja o rompimento da porcelana. Este rompimento pode ser
perigoso para as pessoas e para o patrimônio.
Outra parte componente deste para-raios é a mola de compressão,
que é fabricada em fio de aço de alta resistência mecânica e tem a
função de reduzir a resistência de contato entre os blocos cerâmicos, ao
pressionar um bloco contra o outro.
4
Reestabelecimento súbito da corrente elétrica.
39

A figura 2.10 apresenta um exemplo de para-raios


raios de carboneto
de silício.

raios de SiC.
Figura 2.10 - Detalhes construtivos do para-raios

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Para-raios de óxido de zinco (ZnO)

O outro para-raios
raios citado é o que apresenta elemento não linear
de óxido de zinco. Este tipo não possui centelhador em série e em tensão
de operação, apresenta resistência muito elevada e a corrente que vai a
terra é, inversamente,
rsamente, muito reduzida, na ordem de 30 micro amperes.
Os para-raios a óxido de zinco possuem características técnicas
relevantes, como: não apresentam corrente subsequente; apresentam
elevada capacidade de absorção de energia (comparados aos a para-raios
constituídos de outro material resistivo não linear); apresentam um nível
de proteção bem definido e por não apresentarem centelhadores, a curva
de atuação não apresenta transitórios.
Em relação a estrutura física, o para-raios de ZnO pode apresentar
corpo de porcelana ou corpo polimérico.
40

O de corpo de porcelana é constituído de uma peça cerâmica no


interior da qual estão instalados os varistores de óxido metálico. O
volume interno do invólucro de porcelana é superior ao volume ocupado
pelos varistores, ou seja, existem espaços vazios. No caso de falhas de
vedação, o ar úmido e/ou poluído pode entrar em contato com os
varistores e alterar suas características elétricas. Como os para-raios
estão constantemente energizados, as falhas de vedação podem,
também, iniciar uma descarga entre fase e terra, o que pode causar a
destruição do para-raios.
Já o de corpo polimérico, é constituído de uma borracha de
silicone com diversas variedades de propriedades químicas na sua
formação, dependendo da tecnologia de fabricação. Não apresenta
vazios no seu interior e, assim, apresenta algumas vantagens em relação
ao para-raios com corpo de porcelana, como: é apresentar menor risco
de liberação de fragmentos no caso de falhas; possui melhor
desempenho em ambientes poluídos; não ão apresenta centelhador;
centelhador entre
outras. A
figura 2.11 apresenta um exemplo de para-raios raios de corpo
polimérico.

Figura 2.11- Para-raios de corpo polimérico.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


41

A figura 2.12 apresenta as curvas características V (kV) x I (A)


dos para-raios citados.

Figura 2.12 - Curvas características de V x I dos varistores SiC e ZnO.


ZnO

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Ao considerar os dois tipos de para-raios,


raios, pode-se
pode determinar a
corrente que circula no bloco varistor (carboneto de silício ou óxido de
zinco) através da eq. 2.1:

∗ (A) Eq. 2.1

(V) - tensão aplicada ao bloco;


- constante característica do SiC ou do ZnO;
(A) - corrente conduzida pelo bloco varistor;
- coeficiente de não-linearidade.
42

Os varistores de carboneto de silício apresentam,


aproximadamente, = 5. Já os varistores de óxido de zinco apresentam,
aproximadamente, 25 < < 30 .

Características elétricas

A norma NBR 5287 especifica para-raios de resistor não linear a


carboneto de silício, embora muitas definições e especificações sirvam
para o para-raios de óxido de zinco.

Tensão nominal

Segundo a norma, a tensão nominal corresponde a tensão em


valor nominal, a que pode ficar permanentemente submetido o para-
raios, na frequência nominal, no ensaio de ciclo de operação e para a
qual foi projetado e tem condições de operar satisfatoriamente.

Frequência nominal

A mesma norma define frequência nominal como a frequência


para a qual o para-raios foi projetado.

Corrente de descarga nominal

A corrente de descarga nominal, segundo a norma, é a corrente


em seu valor de crista, com forma de onda de 8/20 µs. No escopo deste
trabalho, para níveis de tensão de até 36,2 kV, pode-se encontrar para-
raios de 5 e 10 kA de corrente de descarga. As características que
justificam a presença de um ou de outro (5 ou 10 kA) são: nível
ceráunico5 da região geográfica; probabilidade de ocorrência de
descargas atmosféricas com correntes elevadas e importância dos
equipamentos empregados no sistema.

5
Números de dias nos quais há descargas atmosféricas em um ano.
43

Na proteção de transformadores, a corrente de descarga máxima


de um para-raios pode ser determinada, de modo aproximado, pela eq.

2.2.
(kA) Eq. 2.2

(kV) - tensão suportável de impulso do sistema;


(kV) - tensão residual do para-raios;
(Ω) - impedância de surto.

Corrente subsequente

A corrente subsequente é aquela fornecida pela sistema logo


depois de cessada a corrente de descarga. Essa corrente deve ser extinta
pelo centelhador série na sua primeira passagem por zero. Caso
contrário, o para-raios poderá encontrar dificuldade em interrompê-la
por causa das reignições (novas passagens da corrente), o que pode
provocar perdas Joules e consequente falha do equipamento.

Tensão residual

A tensão residual é aquela, em valor de crista, que aparece nos


terminais do para-raios quando da passagem da corrente de descarga.
Qualquer equipamento que estiver sob a proteção do para-raios ficará
submetido a tensão residual e, se estiver instalado distante do para-raios,
poderá, até mesmo, ficar submetido a tensões mais elevadas que a
tensão residual.

Tensão disruptiva

A tensão disruptiva apresenta quatro classificações, citadas a


seguir.

Tensão disruptiva a impulso

É o maior valor da tensão de impulso atingido antes da disrupção


quando aos terminais do para-raios é aplicado um impulso de forma de
onda, amplitude e polaridades dadas.
44

Tensão disruptiva de impulso atmosférico normalizado

É a menor tensão, em valor de crista, quando o para-raios é


submetido a uma onda normalizada de 1,2/50 µs e provoca disrupção em
todas as aplicações.

Tensão disruptiva de impulso de manobra

Já a tensão disruptiva de impulso de manobra é devidamente


explicada por João Mamede, no livro Manual de Equipamentos
Elétricos, conforme disposto:

A tensão disruptiva de impulso de manobra é a


maior entre os valores de ambas as polaridades
das tensões disruptivas de alta probabilidade e das
tensões disruptivas de impulso de manobra da
sobretensão de 1,3 para impulsos de manobra com
três formas de onda, com tempos de frente de 30 a
60, 150 a 300 e 1000 a 2000 µs e com tempo até
meio valor não menor que 2,2 vezes os
respectivos tempos de frente.

Tensão disruptiva na frente

É o maior valor da tensão de impulso na frente, antes da


disrupção, quando aos terminais do para-raios é aplicado um impulso de
uma dada polaridade, cuja tensão cresce linearmente com o tempo.

Em anexo, a tabela 6.1 apresenta as principais características de


alguns para-raios a carboneto de silício de acordo com a NBR - 5287.
45

A figura 2.13 apresenta as variações de corrente e tensão durante


a operação de um para-raios.

Figura 2.13 - Ondas de tensão e corrente de descarga de um para-raios.

Fonte: Manual de Equipamentos


ipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.
46

Especificação sumária

Resumidamente, para realizar-se uma especificação para para-


raios, deve-se observar os seguintes parâmetros:

- tensão nominal;
- tensão disruptiva máxima de impulso atmosférico;
- tensão residual máxima sob corrente de descarga nominal;
- tensão disruptiva à frequência industrial;
- tensão disruptiva máxima por surto de manobra;
- corrente de descarga nominal;
- tipo de resistor não linear (SiC ou ZnO).

2.3.2 Mufla terminal primária

Mufla terminal primária é um dispositivo com a finalidade de


restabelecer as condições de isolação da extremidade de um condutor
isolado quando este é conectado a um condutor nu ou a um terminal de
equipamento. Tradicionalmente, a mufla é constituída de um corpo de
porcelana vitrificada com enchimento de composto elastomérico
(apresenta elasticidade). Porém, atualmente são usadas muflas com
terminações termocontráteis, que apresentam simplicidade para fazer a
emenda, além de baixo custo.
A figura 2.14 e a figura 2.15 mostram, respectivamente, uma
mufla de corpo de porcelana e uma mufla com terminação
termocontrátil.
Mais especificamente, o problema que a mufla combate é a
formação de arco elétrico entre a blindagem de um cabo e seu condutor,
efeito conhecido como flash over. Para melhor entender o efeito, é
lembrado que um cabo elétrico é composto, dentre outras partes, por um
condutor, uma blindagem eletrostática e, entre os dois, uma camada
isolante. Quando o cabo é seccionado, a extremidade seccionada permite
um caminho mais curto para as linhas de campo e, assim, nesta região
há um elevado potencial elétrico. A figura 2.16 ilustra o efeito flash
over.
47

Figura 2.14 - Mufla de corpo em porcelana.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Figura 2.15 - Mufla com


om terminação termocontrátil.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


48

Figura 2.16 - Formação de arco elétrico por ionização.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

A intensidade de campo elétrico que existe entre duas superfícies


condutoras e separadas por um dielétrico é dada pela eq. 2.3:

(kV/mm) Eq. 2.3

(kV) - diferença de potencial entre as duas superfícies;


D (mm) - espessura do dielétrico.

Este campo pode resultar em arco elétrico. Então, a mufla


combate este efeito o através de uma elevação gradual da espessura da
isolação a partir do corte da blindagem até a extremidade do cabo, o que
forma um cone de deflexão e, assim, gradientes elétricos menos
elevados.
Em regiões de poluição atmosférica e orla marinha, ou regiões
regiõe
que apresentem partículas condutoras em suspensão, o tamanho da
mufla deverá serer aumentado para garantir a não formação do arco, visto
que as partículas, em meio ao elevado campo elétrico, podem servir de
caminho para o arco elétrico.

Especificação sumária

Resumidamente, para realizar-se


se uma especificação para muflas
primárias em uma subestação, deve-se
se observar os seguintes parâmetros:

- tensão nominal;
- tensão máxima de operação;
- tensão suportável de impulso;
49

- tensão suportável a seco durante 1 minuto;


- tensão suportável sob chuva, durante 10 segundos;
- características técnicas e dimensionais do cabo;
- nível de isolamento;
- material do condutor (cobre ou alumínio);
- tipo do encordoamento.

2.3.3 Transformador de corrente

O transformador de corrente (TC) é um equipamento que reduze


correntes nominais a valores admissíveis para que instrumentos de
medição e proteção (como medidores de energia, relés, amperímetros,
etc.) façam leituras adequadamente. O funcionamento do TC é
explicado por uma das equações de Maxwell, a lei da indução, que diz
que quando um circuito é atravessado por uma corrente variável é
produzido um campo magnético, e quando um circuito é atravessado por
um campo magnético variável é gerada uma corrente elétrica nesse
circuito.
Existem diferentes concepções de um TC. A seguir, serão
expostas em tópicos as formas mais clássicas, porém, ressalta-se que as
seguintes concepções podem ser combinadas para a formação de outros
TCs que são vistos comercialmente.

TC tipo barra

É aquele cujo enrolamento primário é constituído por uma barra


fixa através do núcleo do transformador. Assim, a corrente a ser medida
passa através da barra e o secundário é, então, conectado a algum
equipamento desejado. Este tipo de TC é normalmente empregado em
painéis de comando de elevada corrente, em subestações de média e alta
tensão. A figura 2.17 ilustra o esquema do TC citado neste parágrafo.
50

Figura 2.17 - TC do tipo barra.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

TC tipo enrolado

É aquele cujo enrolamento primário é constituído de espiras que


envolvem mecanicamente o núcleo do transformador. Este tipo de TC é
usado quando são requeridas relações de transformações inferiores a
200/5. Por possuir isolação limitada, se aplica em circuitos de até 15 kV.
A figura 2.18 ilustra o esquema do TC tipo enrolado.

Figura 2.18 - TC do tipo enrolado.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

TC tipo janela

Este
ste tipo de TC não apresenta primário fixo no transformador e é
constituído de uma abertura por onde passa o condutor or que forma o
circuito primário. É muito utilizado em painéis de comando de baixa
tensão em pequenas e médias correntes. Este TC apresenta grande
51

versatilidade, pois não requer o seccionamento do condutor para a sua


instalação. A figura 2.19 apresenta um TC do tipo janela.

Figura 2.19 - TC do tipo janela.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

TC tipo bucha

É um TC semelhante ao do o tipo barra, porém sua instalação é


feita na bucha dos equipamentos (disjuntores, transformadores, etc.),
e
que funcionam como enrolamento primário, como mostra a figura 2.20.
Este tipo de TC é utilizado em transformadoress de potência na proteção
diferencial,, quando é necessário restringir ao próprio equipamento o
campo de ação desse tipo de proteção.

Figura 2.20 - TC do tipo bucha.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos,, João Mamede Filho, terceira edição.


52

TC tipo núcleo dividido

É similar ao TC do tipo janela, com a vantagem de possuir um


núcleo que pode ser separado para permitir envolver o condutor do qual
deseja-se medir a corrente elétrica. Este TC é, basicamente, utilizado na
fabricação de equipamentos de medição de corrente e potência ativa ou
reativa, já que permite obter medidas sem seccionar o condutor. A figura
2.21 mostra o esquema de um TC de núcleo dividido.

Figura 2.21 - TC do tipo núcleo dividido.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

TC tipo com vários enrolamentos primários

É constituído de vários enrolamentos primários montados


isoladamente em um mesmo núcleo, e apresentasenta apenas um secundário.
Nestee TC é possível combinar as bobinas primárias em série ou paralelo
para a obtenção de diversas relações de transformação.

TC tipo com vários enrolamentos secundários

Este apresenta vários enrolamentos secundários montados


isoladamente em um mesmo núcleo, embora apresenta apenas um
primário enrolado no mesmo núcleo.
53

TC tipo com vários núcleos secundários

É constituído de mais de um enrolamento secundário montados


em núcleos individuais,
viduais, embora apresenta apenas um primário que passa
por todos os núcleos. Com esse TC, é possível alimentar mais de um
aparelho nos secundários e em diferentes relações de transformação.

TC tipo derivação no secundário

É constituído de um único núcleo o envolvido pelos enrolamentos


primário e secundário. Entretanto, apresenta derivações no secundário,
ou seja, a mesma bobina pode ser acessada de diferentes pontos e,
assim, pode-se
se obter diferentes relações de transformação. A figura 2.22
apresenta o esquema de um TC tipo derivação no secundário.

Figura 2.22 - TC do tipo derivação no secundário.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


edição

Como citado inicialmente,


mente, é válido lembrar que os modelos
apresentados podem ser combinados para a formação de outros TCs
comerciais. Como exemplo, pode-se se citar o TC com núcleo divido e
derivações no secundário. Este modelo é uma das soluções mais
corriqueiras atualmente, pois é a base dos TCs de equipamentos de
medição. TCs, estes,
es, que podem ser instalados sem seccionar o condutor
e, ainda, apresentam variadas relações de transformação devido as
derivação do secundário. A figura 2.23 apresenta um exemplo do TC
comercial que combina o de núcleo dividido e derivações no secundário.
54

Figura 2.23 - TC com núcleo dividido e derivações no secundário.

Fonte: http://www.intereng.com.br.

Características elétricas

As correntes nominais primárias que o TC suporta devem ser


compatíveis com a corrente de carga que circulará no primário.
Normalmente, o secundário suporta correntes até 5 A. A tabela 2.1
apresenta a relação de transformação para variados TCs quando
solicitados de diferentes correntes no primário.

Tabela 2.1 - Relações de transformação.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


55

A carga conectada ao secundário do TC é de elevada importância.


Caso esta esteja fora de valores pré-determinados,
determinados, o TC pode atuar fora
de sua classe de exatidão (normalmente 10%). Como tudo o que está
conectado ao secundário o é considerado carga, até mesmo os fios que
conectam o TC aos equipamentos devem ser considerados nos cálculos
de carga. A tabela 2.2 apresenta a carga dos principais aparelhos que vão
conectados a TCs.

Tabela 2.2 - Possíveis cargas conectadas ao TC.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Fator de sobrecorrente

O fator de sobrecorrente (FS), também denominado fator de


segurança, é um fator que expressa o valor máximo de corrente de curto
circuito que pode percorrer no primário sem que a classe de exatidão do
TC seja violada. Segundo a NBR 6856, o FS vale 20. A eq. 2.4 expressa
essa relação.
56

!á#$!% & '%(&$ & $'%


) *%!$*+, -.
Eq. 2.4

I01á2314 5 64 53 5 364 (A) - Corrente máxima de curto-circuito


que percorre o primário sem violar a classe de exatidão;
07413789 :; (A) - Corrente nominal que circula o primário do
TC.

Corrente de magnetização

A corrente de magnetização é a corrente que surge para


magnetizar o núcleo do TC. Ela é vista como um decréscimo na corrente
secundária, como expressa a eq. 2.5:


)
<:; > (A) Eq. 2.5

(A) - Corrente no secundário do TC;


0
?@A - Relação de transformação do TC;
(A) - Corrente no primário do TC;

> (A) - Corrente de magnetização.

A corrente de magnetização surge devido a não linearidade dos


materiais ferromagnéticos de que são formados os núcleos dos TCs e
pode causar erros nas leituras. Assim, conforme a finalidade do TC
(proteção ou medição) o mesmo apresentará diferente núcleo magnético.
Os TCs de medição devem manter sua precisão para correntes de
carga normal. Já os TCs de proteção devem ser precisos até sua classe
de exatidão para correntes de curtos-circuitos de até 20 vezes a corrente
nominal primária.
Em conclusão, o núcleo magnético do TC de medição é,
preferencialmente, de secção menor que o de proteção, para que,
propositadamente, sature durante curtos-circuitos e, assim, proteja os
equipamentos em seu secundário. Já o núcleo do TC de proteção
apresenta secção mais elevada, para não saturar durante curtos-circuitos
e, assim, atuar satisfatoriamente.
57

A figura 2.24 apresenta o efeito da corrente de magnetização.

Figura 2.24 - Efeito da corrente de magnetização.

Fonte: Proteção de Sistemas Elétricos de Potênica,G. Kindermann, 3ª edição.

Tensão secundária

A tensão nos terminais secundários do TC é limitada pela


saturação do núcleo. De qualquer forma, é possível o surgimento de
tensões elevadas no secundário quando o primário é submetido a
correntes muito altas ou a carga conectada ou secundário é muito
superior ao valor nominal do TC.
A tabela 2.3 apresenta um resumo das tensões secundárias dos
TCs padronizados.
58

Tabela 2.3 - Tensões secundárias dos TCs.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Fator térmico nominal

É o fator pelo qual pode serer multiplicada a corrente primária


nominal e, assim, obtido o valor de corrente que pode circular
continuamente, na frequência nominal e com cargas especificadas, sem
que sejam excedidos os limites de elevação de temperatura definidos por
norma. Segundo a NBR 6856, são especificados os seguintes fatores
térmicos nominais: 1,0; 1,2; 1,3; 1,5 e 2,0. Deve-se se considerar a
elevação de temperatura admissível para os materiais isolantes utilizados
na fabricação do TC.

Corrente térmica nominal

É o valor eficaz da corrente primária de curto-circuito


circuito simétrico
que o TC pode suportar por um tempo definido, geralmente um
segundo, com o enrolamento secundário em curto-circuito,
circuito, sem que
sejam excedidos os limites de elevação de temperatura especificados por
norma.

Fator térmico de curto-circuito

Este fator representa a relação entre a corrente térmica nominal e


a corrente primária (valor eficaz). A eq. 2.6 representa esse fator.
59

)'B
655 )*C
Eq. 2.6

6> (A) - corrente térmica do TC;


7D (A) - corrente nominal primária.

Corrente dinâmica nominal

Refere-se
se ao valor de impulso da corrente de curto-circuito
curto
assimétrica que circula no primário do TC e que este pode suportar por
um tempo pré-estabelecido
estabelecido de meio ciclo, com os terminais do
secundário em curto-circuito, sem que o TC seja danificado
mecanicamente. A corrente dinâmica nominal é, normalmente,
normalmente 2,5 vezes
maior que a corrente térmica nominal.

Tensão suportável na frequência industrial

Os TCs devem suportar valores máximos de tensão de ensaio na


frequência nominal. A tabela 2.4 apresenta alguns desses valores.

Tabela 2.4 - Tensões suportáveis


táveis dos TCs.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


60

Polaridade

Os TCs destinados ao serviço de medição de energia, ao uso com


relés de potência e fasímetros, entre outros, apresentam polaridade
determinada pela fabricação dos mesmos. A figura 2.25 apresenta uma
representação da polaridade de TCs.

Figura 2.25 - Polaridade do TC.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede


amede Filho, terceira edição.

Especificação sumária

Para especificar um transformador de corrente, uma das primeiras


especificações deve ser a finalidade, ou seja, se será um TC usado para
proteção ou para medição.
De forma resumida, pode-se listar os seguintes itens para a
especificação de um TC:

- destinação (medição ou proteção);


- uso (interior ou exterior);
- classe de exatidão;
- classe de tensão;
- número de enrolamentos secundários;
- fator térmico;
- carga nominal;
61

- relação de transformação;
- nível de isolamento;
- tensões suportáveis à frequência industrial e a impulso
atmosférico;
- tipo: encapsulado em epóxi ou imerso em líquido isolante.

2.3.4 Transformador de potencial

O transformador de potencial (TP) é um dispositivo que reduz


tensões a valores desejáveis e, assim, permite que os instrumentos de
medição e proteção funcionem adequadamente.
mente. Da mesma forma, o TP
evita que os equipamentos ligados a ele necessitem de tensão de
isolamento de acordo com a rede. O TP isola galvanicamente o
secundário do primário, o que proporciona segurança aos operadores dos
instrumentos ligados ao secundário do transformador.
Classicamente, os TPs podem ser construídos a partir de dois
modelos básicos: TPs indutivos e TPs capacitivos.

Transformador de potencial indutivo

O TP do tipo indutivo representa a solução usada para,


praticamente, todos os transformadores de potencial de até 138 kV, por
causa de motivos econômicos. É dotado de um enrolamento primário
que envolve um núcleo único de ferro-silício, como mostra a figura
2.26.
Figura 2.26 - TP do tipo indutivo.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


62

O TP funciona com base na conversãorsão eletromagnética entre os


enrolamentos primário e secundário. Pela relação de espiras do primário
e secundário, estabelece-se se a relação de transformação do
transformador, ou seja, para determinada tensão aplicada no primário,
surgirá uma tensão no secundário ndário proporcional a relação de
transformação.
Os TPs indutivos são construídos segundo três grupos de ligação
l
previstos pela NBR 6855 (Transformadores
Transformadores de Potencial -
Especificação), o Grupo 1, o Grupo 2 e o Grupo 3.
Os do Grupo 1 são projetados para ligação ção entre fases. São,
normalmente, utilizados nos sistemas de até 34,5 kV. Os
transformadores enquadrados nesse grupo devem suportar
continuamente 10% de sobrecarga. São, estes, os transformadores de
interesse para este trabalho acadêmico. A figura 2.27 apresenta um dos
que são, comunmente, encontrados em subestações de consumidor.

Figura 2.27 - TP de 15 kV, isolação a seco.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede


amede Filho, terceira edição.

Os do Grupo 2 são projetados para ligação entre fase e neutro de


sistemas diretamente aterrados.
Os do Grupo 3 são projetados para ligação entre fase e neutro de
sistemas onde não se garanta eficácia do aterramento.
63

Transformador de potencial capacitivo

O outro modelo de construção de transformadores é o do tipo


capacitivo. Estes TPs são usados em sistema de mais elevada tensão,
normalmente superiores a 138 kV. Como este nível de tensão não é
presenciada em subestação de consumidor de média tensão, este tipo de
transformador não será profundamente abordado. Vale citar que os
transformadores deste tipo são construídos basicamente com a utilização
de dois conjuntos de capacitores, que servem para fornecer um divisor
de tensão e permitir a comunicação através do sistema de comunicação
carrier.

Características elétricas

Erros de medida

Os TPs apresentam dois erros principais ao transformar a tensão


do primário ao secundário. Esses erros são o de relação de
transformação e o erro de ângulo de fase.
O erro de transformação é registrado na medição de tensão, em
que a tensão primária não corresponde exatamente ao produto da tensão
lida no secundário pela relação de transformação de potencial nominal.
Ele é corrigido através do fator de correção de relação (FCR).
O erro de ângulo de fase refere-se ao erro inserido na defasagem
entre a tensão vetorial primária e a tensão vetorial secundária.

Classe de exatidão

A classe de exatidão representa nominalmente o erro esperado do


transformador. Para isso, leva em conta o erro de relação de
transformação e o erro de defasamento angular entre as tensões primária
e secundária. Esses erros verificados estão representados com a carga
secundária a ele acoplada e ao fator de potência correspondente da
mesma. Considera-se que um TP está dentro da sua classe de exatidão
quando os pontos determinados pelos fatores de correção de relação
(FCR) e pelos ângulos de fase estiverem dentro do paralelogramo de
exatidão, correspondente a sua classe de exatidão, como mostra a figura
2.28.
Os TPs, segundo a NBR 6855, podem apresentar classes de
exatidão 0,1 -0,3 - 0,6 - 1,2. Os TPs de classe de exatidão 0,1 são
utilizados nas medições em laboratório ou em aplicações que requeiram
64

alto nível de precisão. Os TPs enquadrados na classe de exatidão 0,3 são


destinados à medição de energia elétrica
étrica com fins de faturamento. Os
TPs da classe 0,6 são utilizados no suprimento de aparelhos de proteção
e medição de energia sem a finalidade ade de faturamento. Já os TPs da
classe 1,2 são aplicados na medição indicativa de tensão.
O fator de potência da carga exerce uma grande influência na
exatidão de uma medida de um TP.

Figura 2.28 - Classe de exatidão.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Tensões de serviço

Os transformadores de potencial devem suportar tensões de


serviço de 10% acima do seu valor nominal, segundo norma. As tensões
nominais primárias
rias devem ser compatíveis com as tensões de operação
dos sistemas primários aos quais os TPs estão ligados. A tensão
secundária é padronizada em 115 V.
65

Cargas

Os TPs apresentam impedâncias muito elevadas, como mostra a


tabela 2.5.. Assim, a corrente secundária é muito pequena e pode-se
pode dizer
que os TPs operam, praticamente, a vazio. Porém, nos cálculos do fator
de correção de relação de carga total e do ângulo de defasagem, deve-se
deve
levar em consideração a reatância indutiva
tiva dos condutores secundários
de alimentação das cargas. A tabela 2.6 apresenta valores de cargas
corriqueiras conectadas a TPs.

os TPs.
Tabela 2.5 - Características elétricas dos

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Tabela 2.6 - Cargas do TPs.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


66

Potência térmica nominal

É a potência que o TP pode suprir continuamente sem que sejam


excedidos os limites de temperatura nominais. Ela pode ser determinada
pela eq. 2.7.

E6F 1,21 ∗
I
∗ (VA) Eq. 2.7
&*

(V) - tensão secundária nominal;


57 (Ω) - impedância correspondente a carga nominal;
K = 1,33 - para TPs indutivos dos grupos 1 e 2;
K = 3,6 - para TPs indutivos do grupo 3.

Tensões suportáveis

Os TPs devem suportar as tensões de ensaio da NBR 6835,


conforme mostra a tabela 2.7

Tabela 2.7 - Tensões suportáveis dos TPs.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Especificação sumária

Um dos pontos principais na escolha dee um transformador de


potencial é a sua utilidade, ou seja, deve-se
se analisar a necessidade de
um TP para faturamento, para medição, para comando ou para proteção.
67

De modo geral, a especificação pode ser feita de acordo com os


seguintes tópicos:

- uso: interior ou exterior;


- classe de exatidão;
- número de enrolamentos secundários ou derivações;
- potência térmica;
- carga nominal;
- relação de transformação;
- nível de isolamento;
- tensão suportável à frequência industrial;
- tipo: encapsulado em epóxi ou imerso em líquido isolante.

2.3.5 Chave seccionadora primária

A chave seccionadora é utilizadaa para permitir manobras de


circuitos elétricos sem carga. Em subestações, por exemplo, é usada
para isolar disjuntores, transformadores e barramentos e, assim, efetuar
manutenção. Em redes aéreas, tem a finalidade de seccionar os
alimentadores durante trabalhos
abalhos de manutenção ou executar manobras
previstas pela operação.
A seccionadora deve garantir continuidade do circuito quando
fechada e uma distância de isolamento quando aberta (suficiente para
evitar arco elétrico). A figura 2.29 mostra uma foto de uma chave
seccionadora trifásica com a representação genérica da distância D que a
chave precisa manter para evitar o arco.

Figura 2.29 - Chave seccionadora trifásica ilustrativa


ilust

Fonte: http://www.schak.com.br/.
68

De acordo com a finalidade e a tensão do circuito, existem


diferentes tipos de construção das chaves seccionadoras. Elas podem ser
unipolares ou tripolares. No último caso, a abertura simultânea dos três
polos é forçada por um mecanismo próprio, como mostra a figura 2.29,
apresentada anteriormente.
De maneira geral, as chaves seccionadoras podem ser divididas
em dois grandes grupos: seccionadoras para uso interno e seccionadoras
para uso externo.

Seccionadoras para uso interno

Normalmente, as seccionadoras de uso interno são usadas em


subestações de consumidor de pequeno e médio porte. Elas ficam
abrigadas, livres de intempéries. Os seguintes parágrafos descreverão os
principais modelos dessas seccionadoras.

Seccionadora simples

É constituída por lâminas condutoras de abertura simultânea


acionadas através de mecanismo articulado. Tanto as lâminas quanto os
contatos são fabricados em cobre eletrolítico (cobre praticamente puro).
A figura 2.30 ilustra esse tipo de seccionadora.

Figura 2.30 - Chave seccionadora simples.

Fonte: http://www.delmar.com.br.
69

Seccionadora com buchas passantes

É semelhante às seccionadoras simples, porém, apresentam bucha


passante. Assim, o circuito pode ser conectado por trás da chave
seccionadora.

Seccionadora com fusíveis

É uma chave seccionadora dotada de hastes isolantes montadas


em paralelo a três cartuchos fusíveis (quando chave trifásica). Essas
hastes servem para permitir a operação mecânica e simultânea das três
fases. Quando há o rompimento de um elo fusível, as outras fases
continuam a operar e o evento é indicado no cartucho do fusível
(indicação da necessidade de troca do mesmo). A figura 2.31 ilustra esse
tipo de seccionadora.

Figura 2.31 - Chave fusível unipolar.

Fonte: http://www.delmar.com.br.

Seccionadora interruptora

É uma seccionadora formada por uma chave tripolar seguida de


fusíveis em série. Caso um dos fusíveis funda, todas as fases são abertas.
Por possíveis operações com carga, são presentes câmaras de extinção
70

de arco elétrico em volta das lâminas que fazem o contato. Os contatos


são, cada um, formados por duas lâminas. Há uma lâmina principal, que
tem uma ação mais lenta, e uma auxiliar, que é impulsionada por uma
mola e, assim, possui ação mais rápida. Quando pretende-se abrir a
chave, primeiro a lâmina principal percorre 80% do percurso, até que a
lâmina auxiliar (de secção inferior e encaixada dentro da principal) é
puxada pela mola e, de forma rápida, faz a abertura da chave. A
combinação da velocidade e do aquecimento do material especial da
câmara de extinção (que libera um gás deionizante) faz com que o arco
seja extinto de forma satisfatória. A figura 2.32 ilustra esse tipo de
seccionadora.

Figura 2.32 - Chave fusível tripolar.

Fonte: http://www.schak.com.br/.

Seccionadora reversível

É uma chave que permite a transferência de carga de um circuito


para outro. É amplamente utilizada em situações de geração de energia
alternativa ou de emergência que não possa ser feita em tensão
secundária devido a distância das cargas. A figura 2.33 ilustra esse tipo
de seccionadora.
71

Figura 2.33 - Chave seccionadora reversível.

Fonte: http://www.schak.com.br/.

Seccionadoras para uso externo

Essas chaves são destinadas à operação em redes de distribuição


urbanas e rurais ou subestações de instalações externas, com a presença
de intempéries. As presentes em redes de distribuição urbanas e rurais
apresentam modelos na faixa de tensão de interesse deste trabalho, como
a chave mostrada na figura 2.34, de classe 15 kV.
Já as chaves para subestações externas, são, em geral, de maior
porte e apresentam vários modelos construtivos. Entretanto, a faixa de
tensão de aplicação é mais elevada, e foge do escopo deste trabalho.
72

Figura 2.34 - Chave seccionadora monopolar de classe 15 kV.


kV

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos,


icos, João Mamede Filho, terceira edição.

Características elétricas

De maneira geral, as chaves seccionadoras apresentam


características elétricas que devem ser consideradas para entender o
funcionamento das mesmas. Essas características serão citadas em e
tópicos, a seguir. A norma que rege a condições
ondições exigíveis para
seccionadores é a NBR 6935.

Tensão nominal

É a tensão para a qual o seccionador foi projetado para


funcionamento contínuo.

Corrente nominal

É aquela corrente que o seccionador deve conduzir


condu
continuamente sem que sejam excedidos os limites de temperatura
definidos pela norma.
73

Os valores padronizados pela ABNT são: 200; 400, 600; 800;


1200; 1600; 2000; 2500; 3000; 4000; 5000 e 6000.
Em subestações de consumidor de média tensão, os seccionadores
apresentam, normalmente, corrente nominal de 200, 400 ou 600 A.

Corrente de sobrecarga

A norma estabelece que a máxima temperatura ambiente admitida


para seccionadoras é 40ºC. Se a operação for em temperaturas
inferiores, é admissível uma sobrecarga contínua de valor obtido pela
eq. 2.8:

JK L ∗ M :1
:1 :8
NO
(A) Eq. 2.8

JK (A) - corrente de sobrecarga admissível na temperatura

L (A) - corrente nominal do seccionador referida à temperatura


ambiente Ta (Ta < 40ºC);

@P (ºC) - temperatura permissível no ponto mais quente


ambiente de 40ºC;

@Q (ºC) - temperatura ambiente.


(geralmente nos contatos, conexões e terminações);

Fator de sobrecarga

O fator de sobrecarga é calculado pela eq. 2.9:

J
) 5
)7
Eq. 2.9

Sobrecarga de curta duração

É a corrente admissível acima da capacidade nominal, sem


exceder os limites de temperaturas dados por norma, que a seccionadora
pode suportar por um período determinado de tempo. Essa corrente é
calculada pela eq. 2.10:
74

JK L∗
R
NO :8
1+ (A) Eq. 2.10
T

)
τ
T:1∗(V e
Δ@P (ºC) - elevação de temperatura máxima admissível para
qualquer componente do seccionador;
T (s) - tempo de circulação da corrente para o qual se inicia o
processo de estabilização térmica, em minutos;
τ - constante de tempo térmica do equipamento.

Nível de isolamento

Caracteriza-se pela tensão suportável do dielétrico às solicitações


de impulso atmosférico e de manobra. As isolações das seccionadoras
são do tipo regenerativo, ou seja, rompido o dielétrico pela aplicação de
determinado impulso de tensão, suas condições retornam aos valores
iniciais logo que cessa o fenômeno que provocou a disrupção. A NBR
6935 disponibiliza valores de nível de isolamento que as seccionadoras
devem apresentar.

Forças atuantes

As correntes de curto circuito fazem com que uma força


mecânica atue sobre a seccionadora. Essa força é calculada segundo a
eq. 2.11:

2,04 ∗ VOO∗ ∗ Z (kgf)


)531I
Eq. 2.11

K[P (kA) - corrente de curto-circuito, valor de crista;


D (cm) - distância entre lâminas;
L (cm) - comprimento livre da lâmina.

Para seccionadoras de uso externo, as seguintes expressões (eq.


2.12 e eq. 2.13) calculam a força exercida pelo vento.
75

\ 0,007 ∗ J ∗ ^ (kgf) Eq. 2.12

K 0,0042 ∗ J ∗ ^ (kgf) Eq. 2.13

\ (kgf) - esforço do vento em superfícies planas;


K (kgf) - esforço do vento em superfícies cilíndricas;
J (m²) - superfície sobre a qual atua o vento;
^ (km/h) - velocidade do vento.

Capacidade de interrupção

A seccionadora deve abrir e fechar circuitos indutivos e


capacitivos em que podem ocorrer elevadas correntes de magnetização,
tais como na energização de transformadores de potência ou de um
banco de capacitores.
O valor máximo dessa corrente pode ser dada pela eq. 2.14:

[ ∗
_
9
(A) Eq. 2.14

[ (A) - corrente de interrupção;


` (kV) - tensão de linha, entre fases;
D (mm) - distância mínima entre lâminas adjacentes;
- fator de correção, vale 0,4 para abertura para correntes de
carga, 0,2 para abertura de transformadores em vazio e 0,6 para abertura
de capacitores.

Especificação sumária

Em conclusão, para realizar-se uma especificação para chaves


seccionadoras primárias em uma subestação, deve-se observar os
seguintes parâmetros:

- tensão nominal;
- corrente nominal;
- frequência nominal;
- corrente nominal suportável de curta duração;
- duração da corrente suportável de curto-circuito;
- valor de crista nominal da corrente suportável;
- tensão de operação dos circuitos auxiliares;
- tensão nominal dos dispositivos de comando.
76

2.3.6 Chave Fusível Indicadora Unipolar

Chave fusível é um equipamento com finalidade de proteger


circuitos primários contra sobrecorrentes. Para isso, apresenta um
elemento fusível. Ela não deve ser instalada em invólucros metálicos,
pois tanto o rompimento do fusível quanto a operação da chave pode
gerar grandes arcos elétricos.
As chaves fusíveis apresentam, geralmente, isoladores de
porcelana vitrificada. Esses isoladores podem ser de dois tipos: isolador
de corpo único e isolador do tipo pedestal.

Isolador de corpo único

O isolador de corpo único é, normalmente, usado em chaves


destinadas a sistemas de distribuição para corrente nominal não superior
a 200 A. O isolador deve suportar mecanicamente a abertura e,
principalmente, o fechamento da chave. Este esforço pode ser estimado
com o uso da eq. 2.15:
VaO
(kg) Eq. 2.15

(kg) - força que o isolador deve suportar no ponto médio que


dista
D (m) de um dos pontos submetidos ao esforço (normalmente as
extremidades).

A figura 2.35 mostra uma chave fusível de isolador de corpo


único no qual a eq. 2.15 pode ser aplicada.
77

Figura 2.35 - Chave fusível de isolador de corpo único.


único

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos,


os, João Mamede Filho, terceira edição.

Isolador do tipo pedestal

Os isoladores do tipo pedestal aparecem em pares por chave


fusível e os mesmos são apoiados em uma base metálica. A figura 2.36
apresenta uma chave fusível
vel com isolador do tipo pedestal.
78

Figura 2.36 - Chave fusível do tipo pedestal.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Existe um modelo de chave fusível chamado chav have fusível


religadora. Esta chave é destinada a proteção de redes elétricas contra
curtos-circuitos
circuitos transitórios. É composta por três chaves fusíveis
individuais, porém, apenas uma conduz por vez. Caso um fusível rompa,
há um mecanismo que fecha o contato da chave sequente,sequente e assim
sucessivamente, até que o circuito passe a operar ou todos os fusíveis
rompam. Essa chave é muito útil devido a dificuldade de manutenção
em alguns pontos da rede, bem como a necessidade de um rápido rápid
reestabelecimento da alimentação.
As chaves fusíveis não devem ser operadas em carga, visto não
possuírem sistema de extinção de arco elétrico. No entanto, com o uso
de um equipamento específico, o load buster, é possível operá-las
operá em
carga. A utilização desse equipamento consiste em colocá-lo
colocá em
paralelo com o fusível, para que a corrente escoe, também, por ele, e
depois o aparelho destaca o fusível e faz com que fique em série (fusível
e load buster em série). Então, a partir de um comando na vara do
equipamento, é feita a interrupção o do circuito dentro do próprio
79

equipamento, onde existe uma câmara de SF6 (ou outro gás extintor)
que extingue o arco.
O cartucho (porta-fusível) é o elemento ativo da chave fusível.
Consiste em um tubo de fibra de vidro ou fenolite, com um revestimento
interno que aumenta a robustez do tubo e possui substâncias que geram
os gases destinados à interrupção do arco. Há um tipo de cartucho que
permite a liberação dos gases gerados no rompimento apenas por uma
das extremidades, o que transmite elevadas forças ao isolador. Porém,
há, também, um tipo de cartucho que permite a liberação dos gases por
ambas as extremidades, o que alivia as forças aplicadas ao isolador no
caso de um rompimento de fusível.
A chave fusível apresenta como um dos componentes principais,
o elo fusível. Este é um elemento metálico no qual é inserida uma parte
sensível a correntes elétricas, fundindo-se e rompendo-se em um
intervalo de tempo inversamente proporcional à grandeza da referida
corrente. É utilizado no interior do cartucho ou porta-fusível, preso em
suas extremidades. O elo fusível deve ser constituído de um material que
não se altere química e fisicamente, de maneira permanente, com a
passagem de corrente elétrica ou com o decorrer do tempo de utilização.
O material que contempla essas características é uma liga de estanho
com ponto de fusão de cerca de 230ºC.
Os elos fusíveis são caracterizados pelas curvas de atuação tempo
x corrente elétrica, que permitem classificá-los em vários tipos. A citar o
elo fusível tipo H, tipo K e tipo T. A exemplo, a figura 2.37 apresenta as
curvas tempo x corrente elétrica para o elo fusível tipo K.
O tipo H é utilizado na proteção primária de transformadores de
distribuição, fabricado para correntes de até 5 A. São considerados elos
fusíveis de alto surto, isto é, apresentam um tempo de atuação lento para
altas correntes.
O elo fusível tipo K é amplamente utilizado na proteção de redes
aéreas de distribuição urbanas e rurais.
Já o elo fusível tipo T é considerado um fusível de atuação lenta.
Sua aplicação principal é na proteção de ramais primários de redes
aéreas de distribuição.
80

Figura 2.37 - Curvas tempo x corrente para o fusível tipo K

Fonte: Manual de Equipamentos


ipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

A tabela 6.2, em anexo, serve para um rápido dimensionamento


de elos fusíveis para transformadores até 600 kVA, valores esttes que são
muito presentes em subestações de consumidor.
Como um sistema elétrico apresenta vários elementos fusíveis, é
preciso coordená-los. A figura 2.38 apresenta um modelo simplificado
de um sistema com várias chaves fusíveis.
81

Figura 2.38- Sistema fictício com elo fusível protegido e elos protetores

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Para a coordenação dos elementos, alguns pontos devem ser


observados:
- o elo fusível protegido deve coordenar com o elo fusível
protetor, para o maior valor da corrente de curto-circuito
circuito ocorrida no
ponto de instalação do elo fusível protetor;
- os elos fusíveis do tipo H não devem ser utilizados nos ramais
primários dos alimentadores, res, são próprios para a proteção dos
transformadores de distribuição;
- reduzir ao mínimo o número de elos fusíveis nos alimentadores;
- deve-se,
se, também, reduzir ao mínimo os tipo de elos fusíveis
usados;
- a corrente nominal do elo fusível deve obedecer às equações
(eq. 2.16 e eq. 2.17):

7 b 1,5 ∗ 15 Eq. 2.16


)e'
7> d Eq. 2.17
N

7> (A) - corrente nominal do elo fusível;


15 (A) - corrente de carga máxima
ima do alimentador;
f6 (A) - corrente de curto-circuito fase e terra.
82

Algumas características elétricas são de elevada relevância ao


especificar um elo fusível. A NBR 8124 (Chave Fusível de Distribuição)
descreve os requisitos necessários para a especificação desses
equipamentos. Os ensaios são regidos pela NBR 8668.

Especificação sumária

Conclui-se que para realizar uma especificação para chaves


fusíveis em uma subestação, devem ser observados os seguintes
parâmetros:

- corrente nominal (A);


- tipo (K, H ou T);
- modelo (botão ou argola).

2.3.7 Bucha de passagem

A bucha de passagem é um elemento isolante que tem por


finalidade permitir a passagem de um circuito elétrico de um
determinado ambiente para outro.
De maneira geral, quanto a sua instalação, a bucha pode ser
classificada como bucha de passagem para uso exterior, bucha de
passagem para uso interior, bucha de passagem para uso interior/exterior
e bucha para uso em equipamentos.

Bucha de passagem para uso exterior

A bucha de passagem para uso exterior é aquela em que os dois


terminais estão expostos ao meio exterior. Sua aplicação é restrita, como
em alimentação de transformadores de força separados por barreiras
corta-fogo construídas em concreto armado. A figura 2.39 apresenta
uma bucha de passagem para uso exterior.
83

Figura 2.39 - Bucha de passagem para uso exterior, classe 15 kV.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Bucha de passagem para uso interior

A bucha de passagem para uso interior é aquela em que os dois


terminais estão contidos em um ambiente abrigado e não sujeito a
intempéries. Este tipo de bucha é, normalmente, constituído de um
isolador de superfície
rfície lisa ou ligeiramente corrugada, atravessada por
um condutor maciço de cobre eletrolítico. Pode ser construída com
isoladores de porcelana vitrificada ou em resina epóxi. A figura 2.40
apresenta uma bucha de passagem para uso interior.

Figura 2.40 - Bucha de passagem para uso interior, classe 15 kV.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


84

Bucha de passagem para uso interior/exterior

exterior é aquela em que


A bucha de passagem para uso interior/exterior
um terminal está exposto a intempéries enquanto o outro está abrigado.
É normalmente destinada à instalação em subestações de alvenaria em
que o ramal de ligação é aéreo. A figura 2.41 apresenta um exemplo da
bucha citada neste parágrafo.

Figura 2.41 - Bucha de passagem para uso interior/exterior.


interior/exterior

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho,


o, terceira edição.

Bucha de passagem para uso em equipamentos

A bucha para uso em equipamentos é aquela em que um terminal


fica exposto ao meio ambiente e outro voltado para o interior do
equipamento, geralmente na presença de óleo mineral isolante. É
normalmente
ormalmente construída de porcelana vitrificada e em seu interior cruza
um condutor de cobre eletrolítico (ou alumínio). A figura 2..42 mostra
uma bucha para equipamentos.
85

Figura 2.42 - Bucha de passagem para uso em transformador.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

As buchas de passagem podem,, ainda, apresentar diferenças


quanto à construção. De maneira geral, pode-se se citar que a bucha de
passagem pode não apresentar controle de campo elétrico ou pode ser
uma bucha de passagem condensiva.
A bucha de passagem sem controle de campo elétrico não dispõe
de elementos apropriados para distribuir uniformemente as linhas de
força resultantes do campo elétrico. A maioria das buchas de média
tensão utilizadas em subestações industriais são assim.
Já a bucha de passagem condensiva, conhecida também como
capacitiva, é aquela cujo condutor metálico está envolvido com
materiais especiais, que asseguram
guram a distribuição uniforme das linhas de
campo elétrico, e, assim, evita-se
se a ionização do ar na região do flange.
Este tipo de bucha é própria para uso em equipamentos em que o nível
de tensão é muito elevado.
A figura 2.43 apresenta uma bucha condensiva.
86

Figura 2.43 - Bucha condensiva.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Características elétricas

Tensão nominal

É o valor eficaz da tensão de linha para a qual a bucha foi


construída. A NBR 5034 discrimina os seguintes valores de tensão
nominal: 1,3; 3,6; 7,2; 12; 15; 25,8; 38; 48,3; 72,5; 92,4; 145; 242; 362;
460 e 800 kV.

Corrente nominal

É o valor da corrente que a buchaa suporta continuamente em


condições de tensão e frequência nominais. A NBR 5034 discrimina os
seguintes valores de corrente nominal: 100 ; 160 ; 250 ; 400 ; 630 ; 800 ;
1000 ; 1250 ; 1600 ; 2000 ; 2500 ; 3150 ; 4000 ; 5000 ; 6300 ; 8000 ;
10000 ; 12500 ; 16000 ; 20000 e 31500.

Distância de escoamento

Representa a distância mais curta ao longo do contorno da


superfície externa do invólucro isolante, entre a parte metálica condutora
e o ponto de terra, que normalmente serve de suporte à bucha. A figura
2.43 mostra a distância de escoamento mostrada em uma bucha. Devido
o corpo isolante estar sujeito a deposição de elementos poluentes sobre a
sua superfície, a bucha deve possuir distância de escoamento adequada
87

para o ambiente
iente em que está instalada. A NBR 5034 define alguns
valores para a distância de escoamento:

- para atmosferas ligeiramente poluídas: 16 mm/kV;


- para atmosferas medianamente poluídas: 23 mm/kV;
- para atmosferas fortemente poluídas: 29 mm/kV;
- para atmosferas
mosferas extremamente poluídas: 35 mm/kV.

Níveis de isolamento nominais

A bucha de passagem deve suportar os níveis de tensão previstos


pela NBR 5034, conforme a tabela 2.8.

Tabela 2.8 - Níveis de isolamento nominais de buchas.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


88

Capacidade de corrente de curto-circuito

A bucha de passagem deve suportar os efeitos térmicos e


mecânicos das correntes de curto-circuito.
circuito. Neste contexto, a corrente
térmica nominal é o valor eficaz da corrente simétrica de curto-circuito
curto
que a bucha deve suportar termicamente por um período de tempo
definido, dado que ela esteja em operação, em corrente nominal e a 40º 40
C. A corrente térmica nominal não deve ser inferior a 25 vezes a
corrente nominal, em um tempo de um segundo.
circuito é o valor de crista do
A corrente dinâmica de curto-circuito
corrente de curto-circuito,
circuito, em seu primeiro semi ciclo. O valor
normalizado é de 2,5 vezes a corrente térmica. A determinação do valor
da corrente de uma bucha passante pode ser feita através
vés da análises dos
gráficos da figura 2.44 e da figura 2.45.

Figura 2.44 - Determinação da corrente nominal de buchas.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


89

Figura 2.45 - Determinação da corrente


te nominal de buchas.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

2.3.8 Disjuntor de potência

O disjuntor, em sua concepção, é um equipamento destinado à


interrupção e ao reestabelecimento de correntes elétricas em um sistema.
Ele funciona como uma chave, pode estar ligado (permite a passagem de
corrente) ou desligado (impede a passagem de corrente).
corrente) Pode ser usado,
ainda, para interromper correntes de circuitos em plena carga ou a vazio,
quando há necessidade de efetuar alguma manobra.
Com
om a presença dos relés, o disjuntor pode desempenhar mais
funcionalidades do que apenas a de chave, e,, geralmente, a
funcionalidade mais requerida é a de interromper as correntes de defeito,
defeito
de maneira mais rápida possível.
90

O relé de sobrecorrente é um equipamento responsável pela


detecção das correntes elétricas do circuito e, a partir de valores e
condições pré-ajustadas, envia um comando ao disjuntor solicitando ou
não a interrupção da corrente, ou seja, a abertura ou não dos contatos do
disjuntor.
A operação de qualquer disjuntor se faz com a separação de seus
respectivos contatos que, quando fechados, permitem a passagem de
corrente elétrica. Durante a separação dos contatos, o elevado campo
elétrico que surge e a cosequente ionização do meio entre os contatos,
fazem com que seja presenciado o surgimento de arco elétrico. Como
esse arco pode trazer sérios danos ao equipamento, ele deve ser
eliminado o mais rápido possível. Como princípio básico para a extinção
de um arco elétrico, é preciso que se provoque o alongamento do mesmo
por meios artificiais, reduza-se a temperatura e substitua-se o meio
ionizado entre os contatos por um meio isolante.
Os disjuntores podem ser classificados de acordo com a
tecnologia usada para extinguir o arco elétrico. A seguir, serão citados,
em tópicos, diferentes tipos de disjuntores, de acordo com o método
usado para a extinção do arco.

Disjuntor a óleo

Este tipo de disjuntor é muito presente em subestações de média


tensão, foco deste trabalho. Ele pode ser construído com duas técnicas
diferentes de interrupção: disjuntor a grande volume de óleo (GVO) e
disjuntor a pequeno volume de óleo (PVO).

Disjuntor a grande volume de óleo

Este apresenta todos os três contatos dos pólos imersos em uma


grande quantidade de óleo mineral. Todo o óleo fica em um recipiente (
tanque) que é constituído de chapas de aço e vedações em borracha
especial. A extinção do arco elétrico se dá através do resfriamento do
mesmo, a partir dos gases provenientes do óleo percorrido pela corrente.
No disjuntor GVO, as superfícies dos contatos são prateadas para
evitar a oxidação, que acarretaria uma elevada resistência de contato.
Em geral, este disjuntor é operado manualmente, através de uma
haste metálica conectada no orifício da ogiva, localizada na caixa de
comando (parte frontal), que é girada até o curso final. Dessa forma, o
mola de fechamento adquire a posição de carga. Quando essas molas são
liberadas, os polos se fecham e uma outra mola, agora a de abertura, é
91

comprimida (posição
posição de carga). Quando for necessário desligar o
disjuntor, basta acionar um mecanismo que libera a mola de abertura. A
ação de abertura pode ser comandada por relés. Quando o disjuntor for
motorizado, até mesmo o fechamento pode ser acionado via relé.
A tecnologia GVO está em desuso, apesar de sua elevada
capacidade de ruptura.

Disjuntor a pequeno volume de óleo

Os disjuntores a pequeno volume de óleo (PVO) apresentam


contatos instalados no interior de câmaras de extinção individuais, ou
seja, cada contato
ontato fica imerso em diferentes recipientes com óleo. Cada
polo é dotado de um recipiente superior, para enchimento de óleo, e um
recipiente inferior, para drenagem do óleo. É possível visualizar o nível
do óleo através de um visor de material transparente. e. A figura 2.46
apresenta um disjuntor PVO, onde é possível ver os três polos
individuais.

Figura 2.46 - Disjuntor a PVO.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


92

A extinção do arco elétrico ocorre através da injeção de óleo em


todas as direções contra o arco elétrico. Nesse caso não há o
alongamento do arco. A figura 2.47 ilustra uma câmara de extinção
extin de
arco em três diferentes estágios.

Figura 2.47 - Interior de uma câmara de extinção de um disjuntor PVO.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

O estágio (a) representa


presenta o disjuntor fechado, ou seja, em
operação. O estágio (b) representa o instante em que o contato móvel
começa a se desencostar do contato fixo, ou seja, o disjuntor está na
iminência de abrir. Nesse estágio há o aparecimento do arco elétrico,
porém,, se a corrente for pequena, este arco já pode ser extinto nessa
etapa pelo fluxo de óleo que se desloca através do contato móvel, que é
oco. Porém, para cargas maiores, o arco será mais difícil de extinguir.
Então, no estágio (c) o deslocamento do contato móvel faz com que o
óleo seja injetado contra o arco por vários lados e, assim, ele é extinto.

Disjuntor a sopro magnético

Este tipo de disjuntor utiliza o princípio da força eletromagnética


para conduzir o arco elétrico a uma câmara de extinção, onde o arco é
dividido, deionizado, resfriado e, assim, extinto.
into. Normalmente, este tipo
de disjuntor é usado para a interrupção de sistemas em corrente
contínua.
93

De modo geral, quando os contatos do disjuntor se separam,


surge um arco elétrico entre eles. Através do efeito pneumático, o arco é
conduzido dos contatos principais para os contatos auxiliares, até estar
próximo a câmara de extinção. Então, movido pelo efeito magnético e
térmico, o arco penetra no interior da câmara, onde é fracionado,
alongado e, assim, extinto. Esta é a descrição genérica da extinção do
arco.
Mais especificamente, o sistema pneumático é constituído pelo
próprio mecanismo de acionamento do disjuntor, auxiliando na
condução do arco para o interior da câmara de extinção, onde o ar está
em pressão natural é há um sistema de placas paralelas. O arco, ao ser
conduzido para o interior da câmara, sofre um processo de alongamento
que faz aumentar sensivelmente a sua resistência elétrica e,
consequentemente, a sua tensão. Dentro da câmara, o arco é seccionado
pelas placas paralelas e, ao mesmo tempo, é resfriado pelo contato com
as paredes da câmara.
Como a extinção do arco é feita no ar, os contatos desses
disjuntores estão sujeitos à forte oxidação.
Os disjuntores a sopro magnético estão sujeitos a uma operação
desfavorável quando a corrente a ser interrompida é de pequeno valor,
por exemplo, 150 A ou menos. Nesta condição, o campo magnético é
muito fraco e não conduz o arco em velocidade satisfatória à câmara.
Essa lentidão pode ocasionar aquecimento exagerado da câmara de
extinção.
Este tipo de disjuntor não deve ser utilizado em locais sujeitos à
umidade elevada, poeira, salinização ou elevadas quantias de partículas
em suspensão. A temperatura de operação é entre 30º e 40ºC em
altitudes não superiores a 1000m.

Disjuntor a vácuo

Este tipo de disjuntor utiliza a câmara de vácuo como elemento


de extinção do arco. É constituído de três polos individuais instalados
através de isoladores com suporte em epóxi na caixa de manobra. A
figura 2.48 apresenta um disjuntor a vácuo (sem a capa de proteção,
visão interna) de larga utilização em média tensão.
Cada polo apresenta uma câmara de extinção a vácuo apoiada em
suas extremidades por isoladores cerâmicos, situada na parte central do
polo. Os contatos fixo e móvel encontram-se dentro de cada câmara.
94

Figura 2.48 - Disjuntor a vácuo.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Os disjuntores
untores a vácuo são especialmente utilizados em
instalações em que a frequência de manobra é intensa. Por exemplo, são
muito utilizados em circuitos de transformadores de fornos a arco, que
podem apresentar 300 operações mensais. Estes disjuntores podem
realizar
alizar até dez mil manobras em corrente alternada ou permanecer dez
anos em operação sem necessidade de inspeção.
O disjuntor a vácuo não apresenta um meio de interrupção e
isolante, ou seja, a câmara não contém material ionizável. Porém,
quando ocorre a abertura dos contatos, tem-se a formação de um arco
elétrico que é constituído exclusivamente pela fusão e vaporização do
material dos contatos (gases que servem de meio de condução para o
arco). O arco elétrico permanece até a corrente passar pelo zero natural.
na
Neste instante, a redução brusca da densidade de carga transportada e a
rápida condensação do vapor metálico, conduzem a um
restabelecimento extremamente rápido das propriedades
iedades dielétricas no
vácuo. Assim, a câmara a vácuo readquire a capacidade isolante
is e a
capacidade de sustentar a tensão transitória de retorno, extinguindo o
arco definitivamente. O vácuo apresenta elevada rigidez dielétrica
mesmo com distâncias mínimas entre os contatos (entre 6 a 20 mm),
assim, a interrupção do circuito pode ocorrerrrer poucos milésimos de
segundo antes da corrente passar pelo zero natural.
95

A forma geométrica dos contatos e o material usado na suas


fabricações e, também, ao considerar a curta duração do arco e a baixa
tensão do mesmo, garantem pouco desgaste dos contatos. O vácuo
também ajuda na preservação dos contatos, visto que ele impede a
oxidação.
De maneira geral, uma corrente de curto-circuito de até 20000
(vinte mil) vezes a corrente nominal pode ser extinta em um disjuntor a
vácuo. Estes disjuntores são, também, muito eficientes para interromper
correntes em média tensão. Assim, são ótimas soluções para as
subestações de consumidor de média tensão, as de interesse neste
trabalho.

Disjuntor a S

Este tipo de disjuntor utiliza o gás hexafluoreto de enxofre como


meio de interrupção de corrente. Este gás possui propriedades físicas e
químicas que o tornam um meio isolante e extintor. O S é
incombustível, não venenoso, incolor e inodoro. As suas características
isolantes variam em função da pressão e são superiores aquelas dos
meios isolantes mais comuns usados em outras soluções em disjuntores,
como o óleo mineral e o ar comprimido. À pressão atmosférica, o gás
apresenta uma rigidez dielétrica 2,5 vezes superior à do ar.
Na presença de arcos elétricos devido a abertura do disjuntor, o
S sofre lenta decomposição e produz fluoretos de ordem mais baixa
(como S e S N ) . Esses fluoretos são tóxicos, porém, recombinam-se
para formar produtos não tóxicos imediatamente após a extinção do
arco. Assim, o disjuntor a S não é tão nocivo ao ambiente e às
pessoas.
O crescimento do uso dos disjuntores a S está ligado aos
desenvolvimentos das técnicas de selagem dos recipientes e detecção de
vazamentos de gás. Há disjuntores com níveis inferiores a 1 % (um por
cento) de vazamento de S por ano.
Os disjuntores a S são de elevado custo para aplicações em
média tensão, se comparado a outras soluções, porém, representam a
tendência nas áreas de alta e muito alta tensão, que não é a faixa de
interesse deste trabalho.
96

Disjuntor a ar comprimido

Este tipo de disjuntor utiliza ar sob alta pressão para resfriar e


extinguir o arco elétrico. Ele possui um mecanismo eletropneumático
que exerce duas funções simultaneamente: a operação mecânica do
disjuntor através da abertura e fechamento dos contatos e, também, a de
efetuar a extinção do arco. O principio da extinção consiste em criar um
fluxo de ar sobre o arco, através de um diferencial de pressão. O ar
comprimido é descarregado para a atmosfera após a extinção do arco.
O disjuntor a ar comprimido necessita de um compressor para
obter o ar na pressão desejada. Em subestações de grande porte, é
comum que uma unidade compressora alimente vários disjuntores desse
tipo.
Embora possa ser aplicado em diversas tensões, o disjuntor a ar
comprimido é mais corriqueiro em aplicações de alta e muito alta
tensão, ou seja, acima de 230kV. Isso se deve às suas características de
rapidez de operação (abertura e fechamento), aliadas às boas
propriedades extintoras e isolantes do ar comprimido, bem como a
segurança de um meio extintor não inflamável (principalmente quando
comparado ao óleo).

Característica elétricas

Tensão nominal

É o valor eficaz da tensão pela qual o disjuntor é designado. Este


valor deve ser igual à tensão máxima de operação do sistema no qual o
disjuntor estará conectado.

Nível de isolamento

É o conjunto de valores de tensões suportáveis nominais que


caracterizam o isolamento de um disjuntor em relação à sua capacidade
de suportar esforços dielétricos.

Tensão suportável à frequência industrial

É o valor eficaz da tensão senoidal de frequência industrial que


um disjuntor deve suportar.
97

Tensão suportável a impulso

É o valor de um impulso, que pode ser normalizado, atmosférico


ou de manobra, que o disjuntor deve suportar.

Tensão de restabelecimento

É a tensão que surge entre os terminais de um pólo do disjuntor


depois da interrupção da carga. Essa tensão é responsável pela reignição
do arco elétrico.

Tensão de restabelecimento transitória

É a tensão que aparece entre os contatos de um polo do disjuntor


após a interrupção da corrente, no intervalo de tempo que caracteriza o
período transitório, antes do amortecimento das oscilações. Caso a
rigidez dielétrica do meio extintor do disjuntor seja inferior ao valor de
tensão de restabelecimento transitória, o arco elétrico é reacendido.
Essa tensão surge devido as indutâncias e capacitâncias existentes
no circuito (cargas indutivas e capacitivas, ou mesmo, capacitâncias
paralelas de condutores e indutâncias de cabos) tanto no lado da carga
quanto do lado da fonte, e ambas cargas estão seccionadas pelo
disjuntor. Quando o disjuntor abre, a energia armazenada nos elementos
reativos do circuito tende a circular, assim, surge a chamada tensão de
restabelecimento transitória.

Taxa de crescimento da tensão de restabelecimento transitória

É a relação entre o valor de crista da tensão de restabelecimento


transitória e o tempo gasto para atingir esse valor de tensão.
A seguir, algumas das taxas para alguns dos serviços mais
corriqueiros:

- abertura de transformador em vazio: ≤ 0,1 kV/ µs;


- abertura de transformador em carga: ≤ 0,2 kV/ µs;
- abertura de circuitos de motores em carga: ≤ 0,2 kV/ µs.
98

Corrente nominal

É o valor eficaz da corrente que o disjuntor deve ser capaz de


conduzir em regime contínuo sem que os limites de temperatura sejam
excedidos.

Corrente de interrupção

É a corrente em um polo do disjuntor, no início do arco elétrico,


durante a operação de abertura.

Corrente de interrupção simétrica nominal

É o valor eficaz da componente alternada da corrente de


interrupção nominal para a condição de curto-circuito. Esse valor
exprime a capacidade de ruptura do disjuntor e é um dos parâmetros
básicos para o seu dimensionamento em função do nível de curto-
circuito de uma dado instalação.

Corrente de restabelecimento

É o valor de pico da primeira oscilação da corrente, em um


determinado polo do disjuntor, durante o período transitório após o
estabelecimento de corrente (durante um fechamento de disjuntor).

Corrente suportável de curta duração

É o valor eficaz da corrente que um disjuntor pode suportar, com


os contatos fechados, durante um curto intervalo de tempo.

Duração nominal da corrente de curto-circuito

É o intervalo de tempo em que o disjuntor, com os contatos


fechados, pode suportar a corrente de interrupção simétrica nominal.

Especificação sumária

Para a aquisição de um disjuntor é importante observar os


seguintes parâmetros:

- tensão nominal;
99

- corrente nominal;
- corrente de interrupção simétrica, valor eficaz;
- corrente de interrupção assimétrica, valor eficaz;
- potência de interrupção;
- frequência nominal;
- tempo de interrupção;
- tensão suportável de impulso;
- tipo de construção (aberta ou blindada);
- tipo de comando (manual ou motorizado).

2.3.9 Relé

O nome relé representa uma gama numerosa de equipamentos e


dispositivos, das mais diversas formas de construção e operação, para
alcançar a segurança de uma instalação elétrica. Estes equipamentos são,
de maneira genérica e simples, sensores que medem diversas grandezas
e executam diversas interpretações das mesmas para sinalizar alguma
irregularidade. Em resumo, a função de um relé é identificar os defeitos,
localizá-los da maneira mais exata possível e alertar a quem opera o
sistema, através de disparo de alarmes, sinalizações e, dependendo do
caso, através da abertura de disjuntores.
Existem muitos tipos de relés e não cabe no escopo do presente
trabalho citar todos eles. Então, será citado um relé que é amplamente
encontrado em subestações de consumidor de média tensão: o relé de
sobrecorrente.

Relé de sobrecorrente

Como o nome indica, o relé de sobrecorrente atua para correntes


acima de um valor pré-ajustado no equipamento. Isto pode se dar de
maneira instantânea ou temporizada, conforme a necessidade. A partir
da sobrecorrente detectada, um sinal é enviado ao disjuntor para que este
abra.
A pouco tempo atrás, a funcionalidade desse relé era alcançada
através de um circuito eletromagnético, relé conhecido como "relé
primário". Este relé era conectado em série com o circuito de alta tensão
de uma subestação (tensão primária, de onde vem o nome "relé
primário"), e a própria corrente de alimentação acionava bobinas e
pistões que disparavam o relé e, consequentemente, o disjuntor. O
100

processo era eletromecânico. Atualmente, este tipo de dispositivo é


proibido e só é visto em instalações mais antigas.
Hoje, os circuitos que implementam a funcionalidade de
monitorar sobrecorrentes são eletrônicos e digitais, de uso secundário
(através de TCs e TPs).

Relé eletrônico

Também conhecido como relé estático, é um dispositivo


construído com componentes eletrônicos e não há nenhum dispositivo
mecânico, todos os comandos e operações são realizados
eletronicamente. Ele fará uso de transdutores, como termopares, TCs,
TPs, e outros sensores, como sinal de entrada.

Relé digital

Etse relé é similar ao eletrônico, com a diferença de ser


gerenciado por microprocessadores, que digitalizam os sinais. Um único
relé digital pode exercer inúmeras funções que são programadas em seu
microprocessador. Ele, também, fará uso de transdutores como sinal de
entrada e poderá executar operações matemáticas, como cálculo do valor
eficaz das grandezas medidas, multiplicações das entradas, derivadas e
integrações das variáveis, aplicar decomposições em série de Fourier
para análise espectral, entre outras inúmeras funções conseguidas via
software.
O relé digital possui inúmeras funções, das quais é possível listar
algumas:

- supervisão de rede;
- transmissão de sinais;
- conexões com computadores locais ou remotos;
- auto supervisão;
- religamento de disjuntores;
- identificação do tipo de defeito;
- localização de defeitos;
- oscilografia;
- sequência de eventos;
- sincronização de tempo via GPS.
101

As vantagens em relação a outras soluções também podem ser


citadas:

- é um equipamento compacto que incorpora muitas funções,


antes realizadas por muitos outros equipamentos;
- diminui fiação;
- pode ser usada com TCs de menor classe de exatidão;
- pode emular qualquer relé eletromecânico;
- na tela do próprio relé pode-se entrar com ajustes;
- verifica redundância para evitar operação indevida.

Apesar das inúmera vantagens, existem algumas desvantagens


que, também, devem ser citadas:

- necessita alimentação externa, ou seja, depende de um fonte de


energia que pode falhar;
- necessita de climatização, para manter estabilidade e a
integridade de seus componentes;
- rápida obsolescência devido ao avanço tecnológico contínuo;
- dependência de um único aparelho com muitas funções
concentradas, na falha do relé inúmeras proteções falharão junto;
- sujeito a interferência eletromagnética;
- problemas com compatibilidade de protocolos de comunicação
com outros equipamentos na rede de comunicação;
- requer aterramento muito baixo.

A figura 2.49 mostra um relé digital corriqueiro.

Figura 2.49 - Relé digital.

Fonte: http://www.grameyer.com.br.
102

2.3.10 Transformador de potência

O transformador é um equipamento de operação estática que, por


meio da indução eletromagnética, transfere energia de um circuito
(chamado primário) para outro circuito (chamado secundário), em
mesma frequência, porém, em tensões e correntes diferentes.
A aplicação de interesse do transformador para as subestações de
consumidor é a redução da tensão primária (no caso, entre 1 e 36,2 kV)
para a tensão de uso (no caso, 380 V de linha).
Uma das principais características que classificam um
transformador é o meio isolante. De maneira geral, há dois grupos de
transformadores: transformador em líquido isolante e transformador a
seco.

Transformador em líquido isolante

É, ainda, o mais presente em sistemas de distribuição de força e,


também, é muito presente em plantas industriais, públicas, entre outras.
Os líquidos isolantes são destinados à refrigeração dos transformadores,
isso ocorre através da transferência do calor gerado por efeito Joule nas
bobinas até as paredes do tanque.
De maneira geral, existem dois tipos de líquidos isolantes que são
bastante usados em transformadores. O óleo mineral e o silicone. O
ascarel, um outro tipo de óleo, já foi muito utilizado, mas seu uso é
atualmente proibido em território nacional.

Óleo mineral

É o fluído mais utilizado em transformadores de distribuição e


nos de força. Sua origem reside em um processo químico de
fracionamento do petróleo. Este óleo apresenta baixo ponto de
combustão, e isso é uma das suas principais desvantagens (se
comparado ao silicone ou a solução a seco ). O risco de incêndios existe
e o óleo pode servir de material combustível e propagador.
O óleo mineral deve estar livre de impurezas, tais como umidade,
poeiras e qualquer outra partícula que possa afetar sua rigidez dielétrica,
que não deve ser inferior a 30 kV/mm. De qualquer maneira, o próprio
passar do tempo piora o desempenho do óleo, que passa o produzir
alguns ácidos prejudiciais aos materiais isolantes do transformador.
A operação em sobrecarga também é um dos fatores que influem
na qualidade do óleo, pois as elevadas temperaturas, provenientes de
103

sobrecargas, degradam o óleo mineral. É válido citar que o contato do


óleo com o ambiente (em operações de troca de taps, por exemplo)
também atua na degradação do óleo .

Silicone

Este fluído é constituído de polímero sintético, cujo principal


elemento é o silício. É um líquido incolor, apresenta boa estabilidade
térmica, não é tóxico e é quimicamente inerte.
A temperatura de combustão deste fluído é em torno de 300º C e
ele não propaga as chamas. Essas características anti fogo conferem a
esse tipo de isolante forte indicação para o uso em ambientes próximos à
pessoas. O maior problema ainda é o custo, se comparado ao óleo
mineral.

Transformador a seco

Este tipo de transformador utiliza o próprio ar ambiente para a


refrigeração. Este processo ocorre devido aos grandes canais de
ventilação que são deixados entre o núcleo de ferro e os enrolamentos
secundários, e entre os secundários e os enrolamentos primários.
O transformador a seco é mais seguro nos quesitos segurança e
meio ambiente que os transformadores a líquido isolante, pois não
apresenta volumes consideráveis de material combustível ou poluente.
Por isso, é fortemente indicado para instalações com riscos iminentes de
incêndio e para uso próximo à pessoas.
O custo ainda é um pouco mais elevado que o de transformadores
a líquido isolante, porém, ele vem caindo devido a evolução tecnológica.
É comum encontrar transformadores a seco em subestações de
consumidor de média tensão. A própria UFSC apresenta algumas
unidades deste referido transformador.
A figura 2.50 apresenta um exemplar do transformador a seco.
104

Figura 2.50 - Transformador a seco.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Características elétricas

Os transformadores possuem características elétricas particulares


e a NBR 5356/81 ( Transformadores de Potência - Especificação)
especifica
pecifica muitas delas. A seguir, serão citadas as mais relevantes para o
entendimento do transformador.

Potência nominal

Segundo a norma, a potência nominal é o valor convencional da


potência aparente que serve de base ao projeto, aos ensaios, às garantias
garanti
do fabricante e que determina a corrente nominal que circula, sob tensão
nominal, nas condições específicas.
105

De modo genérico, os transformadores que apresentam potência


nominal mais elevada, apresentam rendimentos maiores, quando
comparados aos transformadores de menor potência nominal.

Tensão nominal

É a tensão que o transformador foi projetado para receber em seus


terminais de linha dos enrolamentos. Nos transformadores trifásicos,
quando as bobinas são ligadas em triângulo, a tensão nominal dos

são ligadas em estrela, a tensão nominal dos enrolamentos é √3 vezes


enrolamentos coincide com a tensão nominal. Porém, quando as bobinas

menor que a tensão nominal do transformador.

Tensão suportável de impulso

Impulso de tensão que o transformador deve aguentar sem que


sejam apresentadas evidencias de falha do equipamento. As
especificações do ensaio estão contidas na NBR 5356-3 -
Transformadores de potência.

Corrente nominal

É a corrente que deve circular no terminal de linha dos


enrolamentos. Seu valor pode ser calculado pela eq. 2.18 e eq. 2.19.

- para transformadores monofásicos (fase-neutro) ou bifásicos


(fase-fase):
0*'
76
*'
(A) Eq. 2.18

- para transformadores trifásicos:


0*'
76 √a∗ *'
(A) Eq. 2.19

E76 (kVA) - potência nominal do transformador;


76 (kV) - tensão entre os terminais de linha do transformador.
106

Frequência nominal

É a frequência com a qual foram determinados todos os


parâmetros elétricos do transformador. Esta frequência deve ser a
mesma da rede em que o transformador vai operar.

Rendimento

Este parâmetro relaciona o potência elétrica injetada na entrada e


a potência apresentada na saída. Ou seja, diferenças entre os valores de
entrada e saída sinalizam perdas. O rendimento é dado pela eq. 2.20.

L
0
0C
Eq. 2.20

E (kVA) - potência absorvida pelo secundário;


ED (kVA) - potência absorvida pelo primário.

De maneira mais completa, a eq. 2.21 permite calcular o


rendimento do transformador, considerando o fator de potência da carga,
o fator de carga e as perdas do equipamento.

L
VOO∗i0eB jk&I ∗0& l
mn ∗opqΨj0eB jk& ∗0&
100 − k ∗0 I
&
Eq. 2.21

Ef> (kW) - perdas no ferro, compreende as perdas por correntes


Foucault e por histerese;
5 - fator de carga do período em que se está analisando o

E5 (kW) - perdas nos enrolamentos de cobre;


rendimento do transformador;

cosΨ - fator de potência da carga;


Evw (kVA) - potência nominal do transformador.

A tabela 2.9 apresenta o rendimento percentual de um


transformador em função de sua potência nominal, do fator de potência
igual a 0,85, das perdas normalizadas pela ABNT e de um fator de carga
igual a 1.
107

Tabela 2.9 - Rendimento de transformadores (FC = 1 e FP = 0,85).

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Vale citar que o fator de carga é o resultado da divisão da


demanda média pela demanda máxima, ou u seja, ele indica o perfil de
solicitação da rede. É válido citar que, em muitos casos, os
transformadores de distribuição são dimensionados para fator de carga
carg
igual a 0,5. Isso permite uma redução do custo de fabricação do
transformador. Porém, se o transformador for destinado a uma
instalação cujo fator de carga é alto e a carga se mantém praticamente
constante ao longo do tempo, deve-sese especificar um transformador
transf que
apresente maior rendimento perto da carga nominal. É importante
lembrar que todas as afirmações anteriores vão de encontro com a
eq. 2.21 e outras conclusões podem ser tiradas a partir da mesma.

Regulação

A regulação representa a variação de tensão no secundário do


transformador, desde o seu funcionamento em vazio até a plena carga,
considerando a tensão primária constante. A eq. 2.22 expressa, de
maneira simplificada, a regulação de um transformador.
r.

?
( x & )2VOO
x
(%) Eq. 2.22
22

y (V) - tensão no secundário a vazio;


5 (V) - tensão no secundário em plena carga.
108

A regulação sinaliza quanto há de queda de tensão interna em um


transformado, assim, quanto menor a regulação, melhor é o
transformador.

Impedância percentual

Representa numericamente a impedância do transformador em


percentagem da tensão de ensaio de curto-circuito, em relação à tensão
nominal. É medida através de um curto-circuito nos terminais
secundários e aplicando-se uma tensão nos terminais primários que faça
circular a corrente nominal nesse enrolamento. A eq. 2.23 representa a
impedância percentual.

∗ 100 (%)
*&&C
D6
*C'
Eq. 2.23

755D (V) - tensão nominal de curto-circuito, aplicada aos


terminais do enrolamento primário;
7D6 (V) - tensão nominal primária do transformador;
D6 (%) - impedância percentual, ou tensão nominal de curto-
circuito.

A tabela 2.10 apresenta as principais características elétricas dos


transformadores de potência da classe 15 kV.
109

Tabela 2.10 - Características transformadores a óleo classe 15 kV.

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Deslocamento angular

É o ângulo de deslocamento que existe entre os fasores das d


tensões secundárias em relação aos fasores das tensões primárias. Esse
ângulo depende da polaridade do transformador e do esquema de ligação
das bobinas.
A tabela 2.11 apresenta algumas configurações de ligações de
bobinas
binas primárias e secundárias e o deslocamento angular causado. Na
nomenclatura apresentada na tabela,, a primeira letra maiúscula
representa a ligação primária, em que "D" é a ligação em triângulo (ou
delta), "Y" é a ligação em estrela. A segunda letra, minúscula,
núscula, representa
a ligação secundária, em que "d" é a ligação em triângulo (ou delta), "y"
é a ligação em estrela e "z" é a ligação em ziguezague. O número que
precede as letras representa a defasagem conseguida através da conexão
das bobinas em diferentes tes ordens. Caso seja o número "1", há um
defasamento de 30º, caso seja o "2", há um defasamento de 60º, e assim
por diante.
110

Tabela 2.11 - Defasamento angular de configurações clássicas.

Fonte: Manual de Equipamentos


quipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.

Especificação sumária

Para a aquisição de um disjuntor é importante observar os


seguintes parâmetros:

- tensão primária;
- tensão secundária de linha e de fase;
- derivações desejadas (taps);
- potência nominal;
- deslocamento angular;
- número de fases (monobucha, monofásico, bifásico ou
trifásico);
- tensão suportável de impulso;
- impedância percentual.

2.3 Subestação UFSC

Com o intuito de visualizar os conceitos e equipamentos até aqui


citados, uma subestação de consumidor de média tensão do campus
Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) será
apresentada.
Inicialmente, é interessante saber que a universidade apresenta,
aproximadamente, quarenta subestações de média tensão no campus
Trindade, e a maioria delas (vinte e três subestações) fazem m parte de
uma fatura intitulada "Cidade Universitária". Esta fatura corresponde a
um ponto de entrega em 13,8 kV, na categoria horo-sazonal sazonal verde
(modalidade tarifária junto à CELESC). Este ponto,, por sua vez, é
conectado à subestação chamada de CMD (CentroCentro de Medição),
Medição onde
111

são feitas as medições da concessionária e onde há, também, um


medidor de energia particular da universidade. Do CMD, a energia é
derivada até outras subestações através de quatro saídas de linhas
trifásicas de 13,8 kV (tensão de linha), ou seja, existe uma rede de média
tensão da concessionária, que chega ao ponto de entrega, e uma rede de
média tensão interna da universidade, que alimenta as vinte e três
subestações que estão na fatura "Cidade Universitária".
A subestação que será apresentada é localizada próxima a reitoria
da UFSC, mais especificamente, próxima a um bloco civil (chamado
"bloco B") do curso de Engenharia Mecânica (EMC). Essa proximidade
lhe conferiu a identificação subestação "EMC Externa", identificação
usada pelos funcionários e envolvidos com o sistema elétrico da
universidade. Apesar desta nomenclatura, a subestação não atende
apenas as cargas do bloco B da Engenharia Mecânica. Os prédios de
salas da Engenharia Sanitária e Ambiental e da Engenharia de Produção
também são atendidos por esta subestação. A figura 6.3, anexa,
apresenta geograficamente as cargas atendidas pela subestação.
A EMC Externa é alimentada por uma linha trifásica de 13,8 kV
(tensão de linha) proveniente do CMD por vias subterrâneas. O caminho
percorrido pela linha de média tensão até a subestação está em anexo, na
figura 6.1. Esta mesma linha de média, após entrar na EMC Externa,
deriva em outras duas linhas trifásicas para alimentar outras duas
subestações, uma intitulada "EMC Interna" e a outra intitulada "CTC".
A subestação EMC Externa apresenta quatro transformadores
para alimentar as suas cargas. Um transformador de 225 kVA, um de
300 kVA, um de 500 kVA e um de 750 kVA. Um diagrama unifilar
ilustrativo está em anexo, na figura 6.2.
Através de fotos, serão apresentados os equipamentos e a visão
geral da subestação EMC Externa. A metodologia adotada é a de
apresentar as fotos em sequência de forma a acompanhar as linhas
média tensão no caminho entre o ramal de entrada até os quadros de
força .
Vale citar que as fotos foram tiradas pela equipe da
Coordenadoria de Planejamento de Recursos e Ocupação Física
(CPROF) da UFSC em visitas a subestação. Visitas, essas, que foram
feitas por duas ou mais pessoas habilitadas da equipe.
Inicialmente, a figura 2.51 apresenta a entrada da subestação. É
possível notar que trata-se de uma subestação de instalação interior, em
alvenaria. Historicamente, sabe-se que foi preciso o aterramento do
terreno por tratar-se de uma região passível de inundações. Assim, a
112

subestação foi construída com uma certa elevação em relação as regiões


vizinhas, como nota-se na figura 2.51.

Figura 2.51 - Entrada da subestação EMC Externa.

Fonte: Arquivos CPROF.

A figura 2.52 apresenta o cubículo do ramal de entrada da


subestação. Vale citar que a subestação não apresenta medição da
concessionária, visto que a medição é feita na subestação CMD. A seta 3
indica os cabos provenientes, subterraneamente, da subestação CMD.
Estes cabos encontram as muflas (de corpo polimérico), indicadas pela
seta 1, e saem, agora em condutores nus, como mostra a seta 2, para
alimentar a subestação. É interessante notar o aterramento das muflas,
que é indicado pela seta 4.
113

Figura 2.52 - Ramal de entrada da subestação EMC Externa.

Fonte: Arquivos CPROF.

A figura 2.53 apresenta o cubículo a partir ir do qual há a


ramificação das linhas de 13,8 kV que seguem para a subestação CTC.
Os condutores são provenientes do cubículo de entrada da EMC Externa
através de vias aéreas suportadas por buchas de apoio, e chegam à chave
seccionadora ( 400 A, 15 kV) com fusíveis (160 A), indicada pela seta 1.
Já a figura 2.54 apresenta os fusíveis (160 A) da chave
seccionadora, seta 1. Na sequência,, os condutores nus são conectados,
através das muflas (seta 2), aos cabos que vão a subestação
sub CTC. É
válido citar que tanto os cabos, quanto as partes metálicas, são aterrados,
como indica a seta 4. A seta 3 indica as buchas de apoio.
114

Figura 2.53 - Cubículo de ramificação, saída para a subestação


tação CTC.

Fonte: Arquivos CPROF.

Figura 2.54 - Cubículo de ramificação.

Fonte: Arquivos CPROF.


115

A figura 2.55 apresenta o cubículo de disjunção. Os condutores


nus chegam
gam aereamente e se conectam à chave seccionadora manual
(400 A, 15 kV),, seta 1. A mesma apresenta a câmara especial para
extinção de arco elétrico, próxima à extremidade da seta 1. 1 Por se tratar
de uma subestação relativamente antiga, ainda são encontrados
encontrado os relés
primários de sobrecorrente,, indicados pela seta 2. Este tipo de relé não é
mais permitido por norma.
A seta 3 sinaliza o disjuntor, que é da AEG, EG, tecnologia PVO
(pequeno volume de óleo), classe 15kv,, corrente nominal de 90 A. A
Uma das buchas de apoio é indicada pela seta 4 e a seta 5 indica o
aterramento dos equipamentos e partes metálicas do cubículo.

Figura 2.55 - Cubículo de disjunção da EMC Externa.

Fonte: Arquivos CPROF.

A figura 2.56 apresenta um dos cubículos de transformação da


EMC Externa. Este cubículo abriga o transformador de maior potência
da subestação, um transformador da marca ABB, a óleo mineral, de 750
kVA, indicado pela seta 5. É interessantee notar a presença das haletas
para refrigeração.
Os condutores de 13,8 kV chegam ao cubículo pela parte
superior, apoiados pelas buchas ("corpo" em porcelana vitrificada),
vitrificada)
116

indicadas pela seta 1. Em sequência, os condutores são seccionados na


chave seccionadora (400 A, 15 kV) com fusível (50 A),, indicada pela
seta 2, cujos fusíveis são indicados pela seta 3. Ainda na forma de
condutores nus e rígidos, os condutores chegam ao transformador e são
conectados a ele através de buchas de equipamentos, indicadas pela
p seta
4.
A seta 6 indica os cabos de saída do transformador. Percebe-se
Percebe
que são mais de um cabo por fase e de neutro, isto se deve ao fato da
requisição de corrente. Se toda a corrente fornecida pelo transformador
percorre-se cabos únicos, eles seriam dee grande secção, o que não é nem
econômico, muito menos prático.

Figura 2.56 - Cubículo de transformação EMC Externa.

Fonte: Arquivos CPROF.

A figura 2.57 apresenta uma visão geral da parte interna da


subestação. A seta 1 indica um dos quadros de força (QGF) presente na
EMC Externa. Há um QGF que está mais a esquerda e não aparece na
foto. Cada um dos QGFs correspondem a um dos transformadores da
subestação,
ação, ou seja, cada transformador alimenta um dos quadros.
A seta 2 indica a localização de medidores de energia. Estes
medidores estão localizadas fora dos quadros, porém, há
117

transformadores de corrente nos barramentos de cada quadro para


executar as leituras.
turas. Os medidores medem grandezas relacionadas a cada
um dos quadros e, consequentemente, cada um dos transformadores. As
leituras feitas por esses aparelhos são de elevada importância para o
acompanhamento do funcionamento da subestação.
Em relação a parterte construtiva da subestação, pode-se
pode notar que
há saídas de ar na parte superior, como indica a seta 3, e canaletas pelas
quais os secundários dos transformadores são ligados aos quadros de
força, seta 4.

Figura 2.57 - Visão geral da parte interna da EMC Externa.

Fonte: Arquivos CPROF.


118

3. Monitoramento

A principio, é importante definir o que a palavra monitoramento


significa no contexto deste trabalho acadêmico. Monitorar é,
literalmente, acompanhar algum processo, de forma presencial ou
remota. No caso deste trabalho, o interesse é entender como é possível
se comunicar (receber e enviar informações) com uma subestação
remota, ou seja, pretende-se saber como (meios físicos e interfaces)
monitorar uma subestação de consumidor.
Neste capítulo, pretende-se discutir as razões de efetuar o
monitoramento de uma subestação de consumidor e soluções técnicas
para realizá-lo. É válido citar que o campo de monitoramento abrange
inúmeras soluções, equipamentos e protocolos. Então, como é
impossível abordar a todos, os mais corriqueiros e comerciais serão
apresentados. Para chegar a essas soluções mais usuais atualmente, foi
realizada uma pesquisa de mercado com empresas nacionais e, também,
foi estudado o sistema de monitoramento que existe na Universidade
Federal de Santa Catarina.

3.1 Justificativas para monitorar

Para optar-se pelo monitoramento de subestações de consumidor,


é natural que sejam procuradas as vantagens com essa ação.
Inicialmente, sabe-se que as subestações apresentam elevado
custo em uma instalação, assim, espera-se o bom funcionamento das
mesmas. O monitoramento pode sinalizar problemas com o
funcionamento geral da subestação e, a partir de providências tomadas,
muito dinheiro pode ser economizado. A exemplo, evitar que
equipamentos se danifiquem. Outro exemplo são as cargas que devem
ser alimentadas continuamente, de forma confiável, pois uma falha em
uma subestação que alimenta uma linha produtiva, por exemplo,
também gera muitos gastos indiretos.
Contudo, não é só o aspecto econômico que importa. Como as
subestações alimentam cargas muitas vezes de extrema importância,
como hospitais, universidades, sistemas de segurança, entre outros, é
evidente que a continuidade do fornecimento está diretamente ligada ao
bem estar das pessoas inseridas no contexto de determinada subestação.
E, de maneira geral, os aspectos técnicos englobam os demais, pois uma
subestação que funciona de forma eficiente, com os equipamentos
adequadamente em funcionamento, com níveis de umidade e
temperatura monitorados e controlados, entre outros aspectos, é uma
119

subestação, também, eficiente economicamente, é uma subestação


confiável e uma subestação segura (que não coloca em risco a vida de
pessoas).
Em uma planta fabril ou de uma universidade (apenas exemplos),
podem existir mais de uma subestação de consumidor. Então, outro
aspecto técnico é a localização de falhas em uma planta. Isto é de
extrema importância para focalizar as atenções da equipe de manutenção
e eliminar o mais rápido possível uma falha. Novamente, a
confiabilidade do sistema é ajudada pelo monitoramento.
Um outro aspecto interessante que justifica o monitoramento, é
um aspecto técnico/administrativo, a citar, conhecer o perfil de consumo
de uma grande unidade consumidora. Com o monitoramento, é possível
obter várias informações sobre a forma com que é consumida a energia
elétrica e, a partir dessas informações, medidas administrativas podem
ser tomadas, como o rateio de custos. É válido citar que só é possível
administrar o que é possível medir.
Embora uma rede de monitoramento soe como uma rede passiva,
para receber informações, ela pode ser usada para enviar comandos às
subestações. A citar, é possível comandar equipamentos, como chaves,
contactores e disjuntores eletrônicos. Esse comando remoto pode ser
usado para estabelecer um controle de cargas, que consiste em desligar
cargas quando limites de corrente e tensão estão na eminência de
excederem valores pré-determinados, como valores de corrente nominal
de disjuntores ou valores de contrato de demanda junto a concessionária.
Citadas as motivações gerais, pode-se citar as principais
motivações de forma mais específica, que são: acompanhamento dos
equipamentos; localização de descontinuidades; análise do perfil de
consumo e controle de demanda. Estas motivações de cunho mais
técnico serão apresentadas nos tópicos seguintes.

Acompanhamento dos equipamentos

Quando os equipamentos presentes na subestação podem ser


monitorados de maneira instantânea (ou quase instantânea) é possível
avaliar o funcionamento dos mesmos e prever alguma manutenção.
Assim, é possível alcançar segurança e eficiência para a subestação.
Pode-se dizer, genericamente, que o transformador é o principal
equipamento de um subestação de consumidor, pois ele atua diretamente
em uma das principais finalidades da subestação, que é reduzir a tensão
a valores aplicáveis. Então, ele é uma das prioridades a se monitorar.
120

Existem diversos equipamentos que medem importantes


parâmetros do transformador. Pode-se citar o supervisor de temperatura
de óleo e enrolamento (para transformadores a óleo), o supervisor de
temperatura para transformadores a seco e os supervisores de
temperatura das buchas.
Os próprios medidores de energia podem sinalizar as condições a
que estão submetidos o(s) transformador(es) de uma subestação. Por
exemplo, se um medidor de energia é instalado em um barramento que é
alimentado por um único transformador, é possível, através das leituras
de potência, saber se este transformador está operando dentro do limite
de sua potência nominal. Também, é possível avaliar como o
transformador é solicitado durante vários períodos de tempo (visto que
os medidores fazem leituras quase instantâneas que podem ser
armazenadas) e, assim, determinar se é preciso dividir cargas com outros
transformadores. A sinalização que o medidor fornece é muito relevante
no caso de uma ampliação da planta fabril (por exemplo), pois poderá
ser avaliado em qual transformador conectar mais carga ou, até mesmo,
a necessidade de novos transformadores.

Localização de descontinuidade

É possível que um consumidor possua mais de uma subestação


em sua planta ou, mais comunmente, possua uma subestação com mais
de um transformador, ou, ainda, quase que inevitavelmente, possua mais
de uma carga alimentada por um certo transformador. Assim, na
ocorrência de alguma descontinuidade (perda de alimentação), será
preciso identificar onde ela ocorreu. Isso pode ser feito através do
monitoramento. Com a precisa localização de uma falha6, o tempo sem
alimentação tende a tornar-se curto.
Existem equipamentos que monitoram o contato de disjuntores e
chaves seccionadoras, por exemplo. Assim, pode-se saber se um
disjuntor ou chave está aberto ou fechado. No caso de um desarme, isto
pode ser reportado via monitoramento e, sabendo-se qual equipamento
atuou, é possível localizar a falha.
Os medidores de energia, equipamentos muito presentes nas
subestações de consumidor, são equipamentos que também podem
ajudar na localização de descontinuidades. Através das leituras quase
instantâneas que eles efetuam da potência de um determinado ponto,

6
Neste contexto, falha é unicamente uma descontinuidade do fornecimento de
energia elétrica.
121

pode-se determinar se tal ponto está, ou não, sendo percorrido por


energia elétrica. É valido citar que mesmo circuitos quase sem cargas
vão apresentar, ainda que muito pequenas, leituras de potência, isso
devido a correntes de magnetização e reativos. Leituras de potência
totalmente zeradas são evidências fortes de uma descontinuidade.

Análise do perfil de consumo

Através do monitoramento, é possível avaliar o perfil de consumo


das cargas alimentadas pela subestação. Isso pode ser feito através dos
medidores de energia, pois os mesmos obtém informações quase
instantâneas de consumo (kWh), potência (kW), além de outras
medidas, e, assim, é possível avaliar a carga durante vários períodos de
tempo.
A análise que é possível em cima dos dados de um medidor de
energia é importante para quesitos tanto administrativos, quanto
técnicos.
Administrativamente, é interessante conhecer a origem dos gastos
com energia elétrica. Por exemplo, identificar qual seção da fábrica ou
ala da universidade (exemplos) consomem mais e, assim, fazer algum
tipo de rateio.
Tecnicamente, é importante conhecer o perfil de consumo para
avaliar riscos e buscar o uso eficiente da instalação. Por exemplo,
conhecer quando ocorrem as máximas de demanda e o valor das
mesmas é totalmente relevante para se realizar os contratos junto a
concessionária e, também, para dimensionar os equipamentos, como o
próprio transformador. Da mesma forma, quando se sabe onde e quando
ocorrem as demandas mais altas de uma planta fabril (por exemplo), é
possível serem realizadas medidas locais, como tentativa de mudança de
perfil (acionar máquinas em diferentes momentos) e campanhas de
racionalização. O conhecimento do consumo e demanda sinaliza de
maneira clara se uma subestação está bem dimensionada e trabalha de
forma eficiente.

Controle de cargas

As justificativas até aqui apresentadas para estabelecer um


monitoramento de uma subestação de consumidor, se relacionavam ao
acompanhamento de informações provenientes de sensores, porém, a
rede de monitoramento pode, também, enviar informações rumo ao seu
objeto monitorado. Através desses comandos enviados, é possível que
122

equipamentos sejam controlados. Uma das principais aplicações é o


controle de cargas.
De maneira geral, o controle de cargas é a possibilidade de
permitir, ou não, a continuidade de alguma carga elétrica. Isto é feito,
geralmente, através de relés.
A importância do controle de cargas reside na possibilidade de se
evitar condições não desejáveis de operação. A citar: a operação de
transformadores muito acima de sua potência nominal, o que danificaria
os mesmos; a operação em correntes próximas às nominais dos
disjuntores, o que colocaria o sistema em iminência de um desligamento
geral; excesso da demanda contratada junto a concessionária, o que
acarreta perdas monetárias; controle de consumo, para redução de
gastos; desligamento remoto de cargas consideradas perigosas em
determinada situação, por exemplo na iminência de um incêndio; o
controle de fator de potência, através da conexão ou remoção de
reativos; entre outros motivos.

Todos os equipamentos citados nos tópicos anteriores, como os


medidores de energia e os sensores de variados tipos, precisam enviar
suas informações à alguma central para que elas possam estar
constantemente sendo acompanhadas por responsáveis pelas
subestações. Então, é necessário conhecer formas para que essa troca de
informações possa ocorrer.
Nos próximos subcapítulos, serão citados os meios físicos e
interfaces mais usados para estabelecer essa comunicação entre
equipamentos presentes em subestações de consumidor e alguma central
responsável. Ou seja, meios para estabelecer o monitoramento.
Inicialmente, serão apresentados os meios físicos, no subcapítulo
3.2, que segue.

3.2 Meios físicos de transmissão

O meio utilizado para a transmissão dos dados da subestação é


muito importante para o sucesso no monitoramento. A justificativa desta
afirmação é que a qualidade e velocidade do envio das informações
estão diretamente ligadas ao meio utilizado.
A transmissão guiada (via fios) é muito utilizada para o
monitoramento de subestações de consumidor. Esse modelo de
transmissão necessita de um meio físico para ocorrer. Alguns desses
meios, os mais corriqueiros, serão citados em tópicos.
123

3.2.1 Cabo coaxial

O cabo coaxial consiste de dois condutores cilíndricos, um


interno e outro externo, separados por um material dielétrico. A figura
3.1 apresenta um cabo coaxial genérico.

Figura 3.1 - Cabo coaxial.

Fonte: http://infoterabyte.blogspot.com.br.

Na figura 3.1, apresentada anteriormente, o fio mais interno é o


condutor central, que é envolvido por um material dielétrico. Em volta
desse material dielétrico, há um cilindro trançado, cuja finalidade é
evitar interferências externas. Por último, é vista uma camada de
proteção, que reveste o cabo e o protege contra choques mecânicos.
A estrutura concêntrica do cabo coaxial foi projetada para
suportar uma grande variedade de frequências e ser menos susceptível a
interferências e linhas cruzadas.
Os cabos coaxiais são utilizados para a transmissão de sinais
analógicos e digitais e, de maneira geral, podem ser usados para longas
distâncias (talvez com o auxílio de repetidores) se comparados a outros
meios. Porém, o desempenho deles é prejudicado pela atenuação, por
ruídos térmicos e pela intermodulação (quando vários canais são usados
através da técnica de modulação por frequência).
124

3.2.2 Cabo de par trançado

O par trançado é um conjunto de dois fios entrelaçados com o


propósito de eliminar interferências eletromagnéticas de fontes externas,
como, até mesmo, a interferência de outros pares vizinhos. Usualmente,
vários pares são agregados e protegidos por uma cobertura plástica,
formando os cabos de pares trançados. Estes cabos, são o meio guiado
mais utilizado para redes de computadores e telefonia e, apesar de outras
tecnologias emergentes, ainda é muito utilizado no monitoramento de
subestações de consumidor. A figura 3.2 apresenta um cabo de pares
trançados.

Figura 3.2 - Cabo de pares trançados

Fonte: http://placa-pai.blogspot.com.br.

Os cabos de pares trançados são, normalmente, classificados


conforme a sua blindagem para proteger contra interferências
eletromagnéticas. A seguir, serão citados os principais grupos de cabos:

- UTP (Unshielded Twisted Pair): este tipo de cabo não possui


blindagem contra interferências eletromagnéticas. Apresenta, somente,
uma capa plástica que agrega os pares do cabo. É um cabo com um
custo benefício muito bom, se comparado às soluções com blindagem, e,
devido a esse fator econômico, é amplamente aplicado nas redes usuais,
como no monitoramento de subestações.

- FTP (Foiled Twisted Pair): a demanda das atuais aplicações


requerem uma maior taxa de transmissão com menor ruído, isso tem
125

incentivado a utilização do cabo FTP. Este caboo é uma derivação do


cabo UTP e apresenta uma proteção metálica ao redor de todos os pares.

- STP (Shielded Twisted Pair):


): neste tipo de cabo, uma malha
protege cada par separadamente e uma malha global protege todo o
conjunto de pares trançados. Devido a estas
as proteções, é um cabo mais
m
imune às interferências. Estee cabo é mais caro que as soluções
anteriores, mas, dependendo da aplicação, é a solução que deve ser
usada.

Os cabos de pares trançados são classificados em categorias,


como mostra a tabela 3.1.

Tabela 3.1 - Cabos de par trançado e exemplos de utilização.

Fonte: Redes de Comunicação e Computadores, Mário Dantas.


Dantas
126

3.2.3 Cabo de fibra ótica

O cabeamento de fibra ótica, como mídia de comunicação,


oferece várias vantagens quando comparado com o cabeamento de
cobre. A citar, o seu transporte com grande largura de banda e a sua
baixa atenuação. Em adição, a mídia ótica não é afetada e, também, não
emite ruídos elétricos com altas frequências.
O cabo de fibra ótica emprega o vidro como meio para que pulsos
de luz sejam transportados, e estes cabos podem percorrer longas
distâncias, porém, existem alguns limitantes: os equipamentos
eletrônicos que enviam os dados ainda não aproveitam todos os recursos
que o meio físico oferece; a complexidade das junções, que são de
difícil instalação e limitam as taxas de transferência; o preço, pois esta
solução é, ainda, mais cara que as soluções de cobre; entre outros.
Diante dos limitantes do cabo ótico, uma alternativa atual são os
com núcleo feito de plástico, os chamados POF (Plastic Optical Fiber).
Esta alternativa apresenta custo reduzido e conectores de mais fácil
manuseio (comparado ao cabo com núcleo de vidro). Porém, existem as
desvantagens, como a menor distância e menor capacidade de
transmissão.
As fibras óticas utilizadas nas redes são classificadas de acordo
com a forma que a luz trafega no cabo. Existem as fibras monomodo e
as multimodo.
Na fibra monomodo, um único sinal de luz é transportado de uma
forma direta no núcleo do cabo. O sinal pode atingir distâncias maiores
se comparado a fibra multimodo.
Na fibra multimodo, o sinal de luz sofre refrações durante o
trajeto. Essa refração pode ser considerada índice degrau ou índice
gradual, como mostra a figura 3.3.
A figura 3.4 apresenta um modelo de cabo ótico genérico para a
análise das partes componentes.
127

Figura 3.3 - Refração da luz no interior da fibra ótica.

Fonte: Redes de Comunicação e Computadores, Mário Dantas.


Dantas

Figura 3.4 - Cabo ótico ilustrativo.

Fonte: http://www.telecocable.es.

As partes do cabo serão citadas nos tópicos a seguir.

- O núcleo, que pode ser de vidro ou plástico (POF), é o canal por


onde o sinal de luz deverá se propagar;
128

- O isolamento é composto de vidro e tem a função de manter a


luz no núcleo. Seu índice de refração é menor que o índice do núcleo;

- O filme é a camada que protege a nível de revestimento. Esta


camada pode ser constituída de um material termoplástico, em cabos
mais grossos, ou utilizar um material gel, em cabos flexíveis;

- Os elementos estiradores são empregados para uma maior


proteção dos cabos durante a instalação dos mesmos e evitam que
ocorram mudanças devido às variações de temperatura;

- A cobertura é a proteção final do cabo. Atua na proteção contra


choques mecânicos e intempéries.

Existem, também, os meio nas guiados, que utilizam, em geral, o


ar para acontecer. A seguir serão citados os mais usuais na prática do
monitoramento de subestações de consumidor.

3.2.4 Transmissão Wi-Fi

O termo Wi-Fi é tido como uma abreviatura do termo inglês


Wireless Fidelity, ou seja, fidelidade sem fio, e é usado para se referir a
uma rede local sem fio (WLAN - Wireless Local Area Network). Esta
tecnologia é baseada nas recomendações IEEE 802.11, que tratam de um
conjunto de especificações técnicas emitidas pelo Institute of Electrical
and Electronic Engineers (IEEE) referentes à comunicação sem fio.
A rede Wi-Fi funciona por meio de ondas de rádio. Elas são
transmitidas por meio de um adaptador, o roteador, que recebe os sinais
provenientes de outros equipamentos, decodifica e os emite a partir de
uma antena. O outro dispositivo da rede, ao qual devem ser enviadas as
informações, deve possuir uma antena receptora.
O raio de ação de uma rede Wi-Fi é variável, de acordo com o
roteador e a antena utilizada. Essa distância pode variar de 100 metros
até 300 metros (ou mais). Para o escopo deste trabalho, as antenas não
podem ser muito grandes, visto que elas estarão em ambientes com
limitações de espaço, e, assim, o raio de cobertura não será o máximo
que a tecnologia pode alcançar.
Este tipo de comunicação é estabelecida na faixa de frequência de
5,15 GHz e 5,825 GHz , que está dentro das faixa industriais que não
necessitam de licença para instalação e/ou operação, segundo a Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel).
129

A figura 3.5 apresenta um esquema do funcionamento da


tecnologia Wi-Fi em redes locais.

Figura 3.5 - Esquema rede Wi-Fi.

Fonte: Confeccionado pelo autor.

No caso do monitoramento de subestações de consumidor, a


tecnologia Wi-Fi pode de ser empregada na transmissão das leituras dos
medidores e sensores que estão na subestação até algum ponto central
do monitoramento, ou até algum ponto de conexão com a rede de
monitoramento, ou seja, é possível enviar as informações de dentro da
subestação
ação até algum computador que monitora ela, ou até algum switch
que conectaria essas informações a rede de monitoramento, que pode ser
de meio guiado até a central. Desta forma, o Wi-Fi
Fi pode ser usado como
o meio único de transmissão, ou como parte integrante nte de uma rede
maior de monitoramento.
É válido citar que em algumas subestações é difícil construir
dutos para a comunicação guiada até a central ou ao ponto de ligação
com a rede de monitoramento, então, o Wi-FiFi é ótima solução.
Em geral, os equipamentos Wi-Fi Fi são desenhados para o padrão
Ethernet, ou seja, os sinais dos medidores e sensores (que em grande
maioria estão no padrão RS 485) precisam ser convertidos e, então,
enviados via Wi-Fi.
Fi. De maneira geral, este processo é muito simples e
existem muitos conversores para essa tarefa.
130

3.2.5 GSM

A sigla GSM é referente à Global System for Mobile


Communications, ou Sistema Global para Comunicações Móveis. Essa
tecnologia móvel é o padrão mais popular para telefones celulares do
mundo. A GSM apresenta sinal e canais de voz digitais e é visto como
um sistema de telefone celular de segunda geração (2G). A transmissão
se dá através de antenas emissoras e receptoras.
A tecnologia GSM apresenta um dispositivo chamado SIM
(Subscriber Identity Module, ou Módulo de Identificação do Assinante).
O cartão SIM, ou chip, armazena informações referentes à linha
telefônica e ao usuário, como número, operadora, lista de contatos, entre
outros.
Redes GSM podem operar em diversas frequências, sendo as
faixas de 900 MHz, 1800 MHz e 1900 MHz as mais comuns. A faixa
escolhida varia de acordo com o país e com a operadora.
Já o GPRS refere-se à General Packet Radio Service, ou Padrão
de Transmissão de Rádio por Pacote. Essa tecnologia é, grosseiramente,
uma extensão da tecnologia GSM. Sua principal função é a transferência
de dados, mais precisamente, a comunicação com a internet, dada a sua
compatibilidade com o protocolo IP.
Em relação ao monitoramento de subestações de consumidor, as
tecnologias GSM/GPRS são usadas para que informações provindas das
subestações sejam enviadas direto para a internet. A partir dos dados
estarem na internet, eles podem ser acessados de qualquer lugar que
tenha acesso a essa grande rede. Isso é muito útil em vários casos em
que a subestação está distante da central de monitoramento e existe
cobertura, de pelo menos uma, das operadoras de celular. Essa solução
evita a necessidade de cabeamento e qualquer estrutura que as redes
guiadas exigem. Apenas são usados conversores do padrão RS 485, mais
comum dos equipamentos de medição, para o padrão GSM/GPRS e,
então, os dados são hospedados em algum servidor na internet. Este
servidor e o serviço de hospedagem podem gerar algum custo.
Comercialmente, as empresas oferecem junto à venda dos conversores
GSM/GPRS os serviços de servidor e hospedagem, com custos mensais.
131

3.3 Interfaces

Neste trabalho acadêmico, as interfaces são as formas como se


estabelece a comunicação através de um meio ou como ela é organizada.
Não trata-se apenas de parâmetros físicos (como tensões, correntes,
tipos de condutores, etc.) mas, também, de meios organizacionais de
estabelecer a troca de informações entre os equipamentos envolvidos em
uma rede de monitoramento.
A seguir, serão citadas as principais interfaces sob as quais
acontece o monitoramento de subestações de consumidor.

3.3.1 RS-485

A nomenclatura RS-485, cujo nome original é TIA/EIA-485, é


referente a uma interface de comunicação que transporta sinais binários
através de linhas diferenciais. Normalmente, devido a requisição de
corrente, é capaz de estabelecer comunicação entre, no máximo, trinta e
dois dispositivos (transmissores/receptores).
Fisicamente, a comunicação se dá através do par trançado (fios de
normalmente de cobre, como os telefônicos) e opera no modo
differential operation. Neste modo, conhecido em português como
"linhas diferenciais", o sinal de tensão é medido entre dois nós (os dois
fios).
No padrão RS-485, o sinal de saída é na faixa de +2 V a +6 V e
na faixa de -2 V a -6 V, e é necessário no mínimo 0,4 V de sinal
diferencial. A taxa de transferência tem limites de 10Mbit para
distâncias de até 13 m ou, então, distância máxima 1200 m para
velocidades de até 100 kbps.
Através do par de fios, cada dispositivo, instalado em paralelo aos
demais, transmite e recebe dados. Dessa forma, a transmissão só é
possível individualmente, ou seja, cada dispositivo aciona o seu
transmissor apenas no instante que é possível e desejável transmitir,
mantendo-o desligado no resto do tempo, de modo a permitir que outros
dispositivos transmitam dados. Em resumo, em um determinado instante
de tempo, somente um dispositivo pode transmitir e enviar dados em
uma direção (recepção ou transmissão), o que caracteriza esta rede como
half-duplex.
Idealmente, as duas terminações do cabo terão um resistor
terminal conectado através dos dois cabos. Sem esses resistores, podem
surgir reflexões de ondas elétricas, que afetam a transmissão dos dados.
132

O padrão RS-485 não restringe ou define o protocolo de


comunicação que deve ser usado.
A tabela 3.2 apresenta um resumo da interface RS-485 em
comparação a outros padrões.

Tabela 3.2- Resumo do padrão RS-232, RS-422 e RS-485.

Fonte: http://www.lammertbies.nl.

A comunicação RS-485 é robusta é estável, visto o sinal ser


obtido de forma diferencial. Qualquer possível ruído afetará os dois fios
do par trançado e a diferença de tensão entre os dois tende a se manter a
mesma. Devido a esta robustez e baixo custo (apenas pares trançados
como estrutura física), a rede RS-485 é amplamente utilizada em
ambientes que apresentam possíveis fontes de ruídos eletromagnéticos,
como motores, contatores e disjuntores.
Devido às características como robustez contra ruídos
eletromagnéticos, baixo custo dos fios necessários para conectar os
instrumentos de medição a central de monitoramento, distância de um
único segmento de fios de1200 m (que pode ser ampliado com o uso de
repetidores) e número de trinta e dois possíveis dispositivos na mesma
rede (número que pode aumentar se instaladas mais de uma rede), o
padrão RS-485 é uma solução muito interessante para o meio industrial
e, consequentemente, para o monitoramento de subestações de
consumidor, visto que estas subestações são corriqueiras no meio
industrial.
133

3.3.2 Ethernet

Ethernet é um protocolo de interconexão para redes locais (LAN


- Local Area Network)) baseada no envio de pacotes (frames). Foi
padronizado pelo IEEE (em português, Instituto de Engenheiros
Eletricistas e Eletrônicos,, organização profissional sem fins lucrativos)
como 802.3.
O conceito original de Ethernet é: comunicação compartilhada
por um único cabo para todos os dispositivos da rede. Uma vez que um
dispositivo está conectado a esse cabo, ele tem a capacidade de se
comunicar com qualquer outro dispositivo.

Inicialmente,, é importante definir alguns conceitos:

meio - os dispositivos da rede Ethernet se conectam a um meio


comum que fornece um caminho para os sinais eletrônicos.
Historicamente, esse meio foi o cabo coaxial de cobre, mas hoje se
utiliza cabeamento de par trançado ou fibra ótica;

segmentos - um único meio compartilhado é um segmento;

nó - dispositivo que se conecta ao segmento;

frame - os nós se comunicam por meio de mensagens curtas


chamadas frames,
s, que são blocos de informação de tamanho variável.

A figura 3.6 apresenta um modelo de rede Ethernet para


apresentar os conceitos definidos acima.

Figura 3.6 - Modelo de rede Ethernet.

Fonte: http://informatica.hsw.uol.com.br.
134

O protocolo de Ethernet regula a comunicação entre os nós de


uma rede através do CSMA/CD, que significa, em inglês, carrier-sense
multiple access with collision detection (acesso múltiplo com detecção
de portadora e detecção de colisão). Pode-se segmentar essa sigla para
compreender com mais facilidade como a comunicação entre os nós é
estabelecida. A expressão "multiple acess" (acesso múltiplo) significa
que quando um nó envia informação, muitos outros podem recebê-la. O
"carrier-sense" (detecção de portadora), significa que cada nó procura
saber se a rede está ocupada com informação de outros nós, caso
negativo, e só assim, o nó envia sua informação. Por último, há o
"collision detection" (detector de colisões), que é a capacidade dos nós
de detectar se houve colisão de informação, ou seja, se mais de um nó
enviou informação ao mesmo tempo e esta pode ter sido danificada.
Caso afirmativo, os nós reenviam a informação de forma organizada.
Em qualquer rede de cabos, os sinais elétricos se propagam muito
rapidamente, mas se tornam mais fracos com a distância, e a
interferência de aparelhos elétricos pode prejudicá-los. Além disso,
como em CSMA/CD um dispositivo único só pode transmitir em um
determinado momento, existem limites práticos para o número de
dispositivos que podem estar conectados em uma mesma rede. Se forem
conectados muitos dispositivos a um mesmo segmento compartilhado,
cada dispositivo terá de esperar mais tempo antes de conseguir
transmitir.
Para atuar neste problema, existe o repetidor. Ele conecta
múltiplos segmentos de Ethernet, recebe informações de cada segmento
e repete o sinal para todos os outros segmentos conectados. O uso desses
aparelhos permite aumentar significativamente o diâmetro de uma rede.
Até porque, inicialmente, o meio usado era o cabo coaxial de cobre, que
podia ter no máximo 500 metros, ou seja, comunmente era necessário
aumentar a rede.
Porém, as redes Ethernet enfrentam problemas de
congestionamento ao ficarem maiores. Se há um grande número de nós
conectados a um mesmo segmento e cada um gera uma quantidade
considerável de dados a enviar, o meio físico tende a ficar
congestionado e a espera por um momento próprio para enviar
informações pode ser longa. Nestas circunstâncias, as colisões se tornam
mais frequentes e podem prejudicar outras transmissões, que levariam
mais tempo para ser concluídas. Uma solução para reduzir os
congestionamentos seria dividir cada segmento em múltiplos segmentos
e assim criar múltiplos domínios de colisão. Porém, um o outro
135

problema é criado, pois esses segmentos separados não conseguem


trocar informação uns com os outros.
Então, para aliviar os problemas da segmentação, as redes
Ethernet implementaram as pontes. Elas conectam dois ou mais
segmentos e, assim, aumentam o diâmetro da rede e ajudam a regular o
tráfego. As pontes podem enviar e receber transmissões do mesmo jeito
que qualquer outro nó, mas elas apresentam diferentes funcionalidades.
Um dos objetivos da ponte é reduzir tráfego desnecessário entre dois
segmentos. Ela examina o endereço de destino do frame antes de decidir
o que fazer com ele. Se o endereço de destino está relacionado com
determinado nó em um determinado segmento, apenas aquele segmento
precisa receber a informação, e é isso que a ponte faz: filtra os frames.
Como a ponte pode filtrar e não enviar frames de um segmento para o
outro desnecessariamente, troca de informações entre um segmentos
diferentes tornam-se possíveis.
Há alguns equipamentos muito importantes para as redes
Ethernet, o switch e roteador, que serão citados nos tópicos seguintes.

Switch

O switch, ou comutador, é uma peça fundamental de muitas redes


porque organiza e, assim, agiliza a troca de informações. Pode-se dizer
que é um dispositivo para reencaminhar pacotes (frames) entre os
diversos nós.
Uma das principais características do comutador é que ele
segmenta a rede no seu interior. Assim, os segmentos ligados às suas
portas correspondem a diferentes domínios, ou seja, todos os segmentos
conectados à um switch não apresentam comunicação obrigatória e não
estão a todo momento conectados. Esta comunicação entre segmentos só
vai se estabelecer quando for identificado o destino do frame e for
constatada a necessidade de tráfego através de um segmento específico.
Caso o frame não tenha como destino um nó pertencente a um
determinado segmento, este segmento será poupado de receber este
frame.
Outra característica importante do switch é a possibilidade de se
criar as VLANS (Virtual Local Area Network - Rede local virtual)
através dos segmentos separados em diferentes domínios. Através das
VLANS é possível aumentar o número de redes em umas mesma rede
física e, assim, obter agilidade e segurança.
Em resumo, o switch identifica as informações recebidas por cada
porta e as envia somente para a porta destino, evitando, assim, que
136

outros nós recebam os pacotes. E por essa forma de comunicação, a


disponibilidade de banda é aproveitado na íntegra.
Existem switchs comerciais que podem receber segmentos em
cabo de fibra ótica,
ica, que tecnicamente é um dos melhores meios para
transmitir informações via cabos. A figura 3.7 apresente um comutador
comuta
óptico.

Figura 3.7 - Switch ótico

Fonte: http://www.dlink.com.

Roteador

O roteador é um equipamento que permite a interligação de redes


distintas e, assim, é utilizado para a composição de redes de maior porte.
Ele desempenha as mesmas funções que o switch, mas não se limita a
isso. O roteador tem a capacidade de escolher olher a melhor rota que um
determinado pacote de dados deve seguir para chegar em seu destino.
destino O
nome provém dessa funcionalidade, a de achar as melhores rotas.
O roteador garante que a informação não vá para destinos
quaisquer e, sim, vá para a destinação o requerida, da maneira mais
eficiente possível. Para isso, ele é capaz de reconfigurar o caminho que
um pacote iria percorrer até chegar o destino caso este caminho não seja
mais o adequado. É válido observar que não são todos os roteadores que
tem tamanhaa capacidade, como a de avaliar a condição de linhas e
possíveis atrasos e decidir por outra rota.
De uma maneira simples, é possível diferenciar os roteadores em
diferentes portes, que se referem a suas funcionalidades. Mas eles não
deixam de desempenharem em a sua função original de decidir rotas para os
dados.
Pode-sese considerar um roteador pequeno (ou simples) quando um
computador é usado para gerenciar a comunicação entre ele e, por
137

exemplo, outro computador. Assim, a funcionalidade é mínima, apenas


o computador
mputador roteador filtra para qual computador deve ir o pacote de
dados.
Já um roteador usado em um escritório, por exemplo, é
considerado de médio porte. Ele conecta os computadores locais a
internet. Assim, ele executa regras de segurança para a rede local
loc além
de a conectar a rede de internet.
Existe, também, o roteador de porte grande. Este é usado para
gerenciar pontos de maior tráfico, em que milhões de pacotes são
enviados a cada segundo e muitos protocolos se encontram ali.
O roteador opera com protocolos
ocolos independentes da tecnologia
específica da rede, como Ethernet ou token ring.. Isso permite que os
roteadores interconectem várias tecnologias de rede e,, por isso, foi um
dos componentes que facilitaram a conexão de vários dispositivos em
várias partes do mundo para formar a Internet.
A figura 3.8 apresenta um esquema da utilização do roteador
como um importante dispositivo para conectar uma rede local a internet.

Figura 3.8 - Ilustração


ão do uso do roteador.

Fonte: http://informatica.hsw.uol.com.br.
138

3.4 Caso UFSC

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apresenta


aproximadamente quarenta subestações no campus Trindade. A grande
maioria delas apresenta medidores de energia da marca CCK
Automação. Estes medidores foram requisitados pelo já extinto
Programa de Racionalização do Uso de Energia Elétrica (PRUEN).
Agora, a Coordenadoria de Planejamento de Recursos e Ocupação
Física (CPROF) gerencia estes medidores e os outros que tem sido
instalados. Não há outros equipamentos, como sensores de temperatura
e umidade, instalados nas subestações da UFSC, eles são projetos
futuros para alcançar um monitoramento mais completo das
subestações.
Um dos principais motivos de ter sido iniciada a instalação dos
medidores foi a possibilidade de avaliar o resultado de medidas de
eficiência energética, visto que o PRUEN tinha, assim como a CPROF
tem, o intuito de que a energia elétrica seja usada de forma eficiente no
campus universitário.
Vale ressaltar que os medidores não se restringem a isso. Como
visto nos subcapítulo anteriores, eles podem ser usados para indicar
outros parâmetros das subestações, como as descontinuidades e o
carregamento dos transformadores.
A filosofia adotada, até agora, para a instalação dos medidores é a
de instalar medidores no barramento de cada transformador, bem como
um medidor no barramento geral em uma subestação. Assim, pode-se
avaliar o uso de cada transformador e o uso geral da subestação. O ideal
seria que mais cargas sejam medidas individualmente, para que seja
possível identificar com exatidão quais delas mais afetam a rede do
campus, e isto é o que será buscado no futuro pela universidade.

3.4.1 Rede existente

A rede usada para comunicar os medidores espalhados pelo


campus com a central no CPROF é uma interface RS 485. Fios
telefônicos (par trançado) saem das subestações, onde todos os
medidores da mesma são conectados em paralelo, e se concentram,
também de forma paralela, na telefonia da universidade, que fica no
prédio da reitoria. A partir da telefonia universitária, três pares trançados
saem para a sala da CPROF. Na sala, há dois equipamentos, os CCKs
7010 (que serão melhor detalhados adiante), que convertem a interface
RS-485 para o padrão Ethernet em cabos de rede. Estes cabos de rede
139

são ligados ao switch da sala e, assim, as informações dos medidores


estão na rede interna da CPROF. Atualmente, um computador acessa
esses dados continuamente, os armazena e faz seguidos backups para
que a informação não seja perdida. De maneira simplificada, a figura 3.9
ilustra a rede RS 485 presente na UFSC.

Figura 3.9 - Ilustrativo da rede RS 485 da UFSC.

Fonte: Confeccionado pelo autor.

Os principaisis equipamentos presentes no sistema de


monitoramento da UFSC são o CCK 4500, o CCK 7550, o CCK 7550E
e o CCK 7010,, que são gerenciados pelo software SW PC6000
(atualmente na versão 7).. Existem outros modelos no campus, mas de
modo geral, a rede se baseia nesses citados. A seguir, em tópicos, cada
um deles será apresentado.
140

CCK 4500

O CCK 4500 é um instrumento de medição para montagem em


fundo de painel, implementado através da utilização de um
microprocessador. Apresenta memória de massa incorporada e mede
m os
parâmetros elétrico mostrados pela figura 3.10.

Figura 3.10 - Grandezas medidas pelo CCK 4500.

Fonte: Manual CCK 4500, CCK Automação.

A unidade CCK 4500 apresenta, ainda, os seguintes


uintes recursos:

- Análise espectral até a 20ª harmônica;


- Possui duas saídas seriais de comunicação, uma das saídas é
utilizada na comunicação com o microcomputador e a outra na
comunicação com módulos de acionamentos para o controle da
demanda e fator de potência;
- Suporta os padrões de comunicação serial RS 232 e RS 485;
- Pode, através da sua porta de comunicação serial COM2,
executar o acionamento de até vinte e quatro relés para o controle de
141

demanda e fator de potência. Estes acionamentos são executados através


do envio de comandos para até duas unidades CCK 512, que são
módulos de doze relés, comunicação serial RS 485, a partir dos quais
cargas podem ser controladas;
- Pode executa o chaveamento em até doze estágios (através de
uma unidade CCK 512) de bancos de capacitores em forma de rodízio,
para correção do fator de potência;
- Pode manter sincronismo com a medição da concessionária
através de um sinal recebido a sua porta serial.

As características técnicas são resumidas nos tópicos a seguir:

- Tensão de alimentação: 80 a 240 VAC - 100 VCC;


- Método de medição: amostragem digital com reconstrução de
sinal;
- Memória de massa: 35 dias para energia ativa, reativa e tensão
média em intervalos de 5 minutos;
- Nível de proteção: IP 20 para parte traseira e IP 42 para painel
frontal;
- Tolerância da alimentação: +15/-20%;
- Freqüência da rede: 47 a 63Hz;
- Consumo dos TP’s internos: 0,65 VA;
- Consumo dos TC’s internos: 0,35 VA;
- Consumo máximo: 26VA;
- Tensão de medição:
Valor máximo: 600Vrms;
Fator de crista: 1,8;
- Corrente de medição:
Valor máximo: 6Arms;
Fator de crista: 2;
- Classe de exatidão: 0,5%
- Isolação:
Alimentação: 2,5kV;
Medição: 4kV;
RS-485: 1,6kV;
Temperatura de operação: 0 a 50ºC.

CCK 7550/7550E

O modelo CCK 7550 e a sua variação CCK 7550E são medidores


de energia multifunção de classe 0,2% de precisão que realizam 260
142

amostras para cada ciclo de tensão e corrente. São construídos para


montagens em porta de painel (padrão DIN 144mm x 144 mm) com
teclado e display incorporados.
As grandezas que estes equipamentos medem estão na figura
3.11, a seguir.

Figura 3.11 - Grandezas medidas pelo CCK 7550/7550E.

Fonte: Manual CCK 7550/7550E, CCK Automação.

Ainda, há outros recursos dos modelos CCK 7550/7550E, citados


citad
em tópicos a seguir:

- A análise espectral é feita até a 49ª harmônica;


143

- Possuem rotinas de controle de demanda e fator de potência já


incorporadas, sendo os acionamentos das cargas ativas e reativas
realizadas através dos módulos CCK 512 conectados a porta de
comunicação serial RS 485 específica para este fim;
- Possuem dois tipos de saída: a pulsos e de 4 a 20mA, ambas
proporcionais à potência ativa;
- O CCK7550 possui duas portas de comunicação serial RS 485
(protocolo MODBUS RTU ): A COM1, que é utilizada na comunicação
serial com o computador e a COM2, que é utilizada na comunicação
com os módulos de acionamento CCK512 para o controle de demanda e
fator de potência;
- O modelo CCK 7550E apresenta uma porta Ethernet de
10/100Mb (protocolo TCP/IP);
- Pode manter sincronismo com a medição da concessionária
através de um sinal recebido a sua porta serial.

As características técnicas são resumidas nos tópicos a seguir:

- Memória de massa de medição: 18 grandezas integradas em


intervalos de 5 minutos 35 dias contínuos;
- Memória de análise: 8640 intervalos com duração a partir de 1
segundo (2h e 14 minutos) a uma hora (360 dias), com 90 dias para 15
minutos;
- Memória RMS: 60 registros com 180 valores RMS ciclo a ciclo
da tensão e corrente por fase (3 segundos de duração por registro);
- Nível de proteção: IP 20;
- Alimentação: de 90 - 254Vca/125 Vcc;
- Consumo: 40 VA;
- Consumo dos TCs: 0, 15 VA;
- Display: 4 linhas, 16 colunas;
- Teclado com 6 teclas;
- Temperatura de Operação: 0º a 50º C;
- Corrente medição: de 20 mA até 5 A;
-Tensão de medição: de 30 V a 500 Vca (L/L);
- Freqüência da rede: 47 Hz a 63 Hz;
- Amostragem: 260 (60Hz) 312 (50Hz) amostras por ciclo;
- Classe de exatidão: 0,2 % do fundo de escala.
144

CCK 7010

Este equipamento é um conversor do padrão RS 485 de


comunicação serial para o padrão Ethernet TCP/IP 10/100. A figura
3.12 apresenta uma foto de um equipamento deste modelo.

Figura 3.12 - CCK 7010.

Fonte: Arquivos CPROF.

À direita da figura 3.12 é possível notar a entrada RS 485, em que


os fios do par trançado devem ser conectados, e ao centro é visto a porta
modelo RJ45 para a conexão ao padrão Ethernet.

As características técnicas do CCK 7010 são:

- Alimentação: 80 a 260 Vca ou 125 Vcc;


- Temperatura: de 0 à 50ºC;
- Consumo:8VA.
145

Software CCK - SW PC6000

Este software permite o armazenamento e processamento dos


dados medidos pelos equipamentos CCK. É disponível para sistema
operacional Windows.
A maioria dos equipamentos, como o CCK 4500 e o
CCK7550/7550E, podem ser ajustados via este software. A exemplo, é
possível configurar o período úmido e seco, o horário de ponta, o
horário reservado, as relações de transformação dos TPs e TCs, o tipo de
ligação (Fase/Neutro , por exemplo), os parâmetros do controle de
demanda e do fator de potência, entre outros.
Outra funcionalidade do programa é a de recuperar os dados da
memória de massa dos equipamentos e os apresentar de forma gráfica.
A partir do software, muitos estudos podem ser feitos, pois todas
as informações de todos os medidores CCKs de uma rede de
monitoramento se concentram nele.

A grande maioria das subestações apresentam CCKs 4500 e CCK


7550 como medidores de energia. Estes equipamentos enviam as
informações no padrão RS-485, ou seja, em uma subestação, todos os
medidores estão ligados em paralelo através dos pares trançados que
saem de cada um. Assim, apenas um par trançado sai da subestação ao
encontro da rede de monitoramento. O ponto de concentração da UFSC
fica na telefonia, dentro do prédio da reitoria. A partir deste ponto, pares
trançados vão à sala da CPROF, onde são convertidos através do CCK
7010 para o padrão Ethernet e, assim, ligados à rede interna da
coordenadoria.
Esta rede RS-485 tem apresentado algumas dificuldades no
campus. Uma delas é a instabilidade na comunicação com alguns
medidores. A equipe da CPROF constatou que essa instabilidade é
gerada quando muitos medidores estão na mesma rede e quando a
distância entre medidor e central é muito grande, ou seja, a grande
quantidade de equipamentos e o longo comprimento dos fios eleva a
impedância da rede e o padrão RS-485 encontra dificuldades no envio
das informações. Uma das medidas tomadas foi a de não concentrar
todos os medidores em um único par trançado vindo da telefonia. É por
esse motivo que saem três pares trançados da telefonia até a sala da
CPROF, embora, teoricamente, pudesse sair apenas um. Novamente, os
três parem poderiam ser conectados em apenas um CCK 7010, porém,
optou-se por usar dois deles devido a diminuição de impedâncias e,
assim, maior qualidade de comunicação.
146

Outro problema grave da rede da UFSC é a concentração de


informação em um só meio, ou seja, se houver algum problema, como já
aconteceu em outras datas na universidade, e algum dos pares trançados
provindos da telefonia forem rompidos, há a perda de comunicação com
muitos medidores. A localização e reparo de falhas também não é
trivial, visto que os fios percorrem dutos subterrâneos, como os usados
na telefonia.

3.4.2 Soluções em desenvolvimento

Devido as deficiências encontradas na rede atual, existem outras


soluções em desenvolvimento. A primeira delas é a realização da
conversão RS-485 para Ethernet na própria subestação. Assim, um cabo
de rede sairia da subestação até o switch mais próximo, o que conectaria
os medidores na rede já existente da UFSC de informações. Ou seja, a
estrutura física já existente da rede local da UFSC seria aproveitada para
o envio das informações dos medidores.
As vantagens dessa alternativa são inúmeras. A começar pela não
necessidade de uma rede própria para os medidores, como tem sido feito
até hoje na universidade. Assim, a confiabilidade aumenta. Como a rede
Ethernet da UFSC é altamente robusta, com vários equipamentos que
reforçam e garantem a qualidade dos sinais enviados, a taxa de falhas e
interrupções é muito baixa. Caso aconteça algum problema de corte de
cabos ou equipamentos defeituosos, é muito pouco provável que isso
afetaria todos os medidores.
Outro ponto é a velocidade de comunicação. O padrão Ethernet
permite taxas mais altas do que o padrão RS-485. Sem contar que o
sistema da UFSC garante qualidade no envio das informações. Em
resumo, utilizar a rede de dados da UFSC garante muito mais
confiabilidade e qualidade.
Alguns testes foram realizados pela CPROF com o intuito de
testar a alternativa da conversão RS-485 para Ethernet dentro da
subestação. Um dos testes foi realizado na subestação chamada "Horto
Botânico", que alimenta algumas cargas de prédios do CFH (Centro de
Filosofia e Ciências Humanas) e cargas do Museu de Arqueologia e
Etnologia da UFSC, Oswaldo Rodrigues Cabral. A figura 3.13 apresenta
o QGF dessa subestação, em que a seta 1 indica os TCs que sinalizam as
corrente para os medidores.
147

Figura 3.13 - QGF presente na subestação Horto Botânico.


Botânico

Fonte: Arquivos CPROF.

A figura 3.14 apresenta os dois medidores CCK 7550 presentes


na subestação. Ambos apresentam saídas no padrão RS-485 RS e são
ligados em paralelo. Depois, são conectados ao CCK 7010, indicado na
figura 3.15 pela seta 1. Assim, o padrão RS-485
485 foi convertido para o
padrão Ethernet no interior da subestação e um cabo de rede sai da
subestação. Este cabo é conectado em um switch presente no museu
Oswaldo Rodrigues. Então,, os medidores estão na rede da UFSC.
148

Figura 3.14 - CCKs 7550 presentes na subestação Horto Botânico.

Fonte: Arquivos CPROF.

Figura 3.15 - CCK 7010 presente na subestação Horto Botânico.

Fonte: Arquivos CPROF.


149

Com a conexão dos medidores na rede da UFSC, a equipe


CPROF solicitou aos responsáveis da rede, a equipe da
Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação
e Comunicação (SETIC), que fosse liberado o acesso às informações
dos medidores. Isto é feito através da liberação da porta do Switch,
através do número de IP do equipamento CCK 7010.
A equipe do SETIC irá desenvolver uma rede virtual (uma
VLAN) para os medidores de energia da UFSC, ou seja, embora os
medidores estarão conectados na rede física da UFSC, uma outra rede
em nível virtual será criada, para que os dados só sejam acessados por
quem compete.
Outra alternativa, ainda na ideia de inserir os medidores na rede
já existente da UFSC, é a de sair da subestação com cabos de fibra ótica,
ou seja, internamente à subestação existirá uma rede RS-485, que será
convertida para o padrão de fibra ótica, através de conversores que são
comercialmente comuns. Essa fibra, então, seguirá até o switch mais
próximo. Assim, os medidores estarão conectados à rede UFSC.
Os testes indicam que a inserção dos medidores na rede da UFSC
é a melhor solução para o campus. Então, os esforços da CPROF nos
próximos meses serão voltados ao alcance deste objetivo. É claro que a
coordenadoria está sempre estudando novas tecnologias para resolver os
problemas.
150

4. Conclusão

Este trabalho apresentou o conceito da subestação de consumidor


de média tensão e algumas maneiras de se estabelecer uma rede de
monitoramento para aplicar à este tipo de subestação.
Tanto os contextos e as especificações, quanto os equipamentos
componentes da subestação, foram citados para a concepção da mesma.
Concluiu-se, desta forma, a importância deste tipo de subestação em
qualquer contexto em que estejam inseridas. Em seguida, foi visto a
necessidade de as mesmas operarem de forma confiável.
Neste aspecto, o monitoramento pode trazer muitos benefícios. A
citar, funcionalidades como o acompanhamento dos equipamentos,
localização de descontinuidade, análise do perfil de consumo e controle
de cargas, representam grandes vantagens ao se estabelecer o
monitoramento das subestações.
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) serviu como
grande exemplo, pois o campus Trindade apresenta cerca de quarenta
subestações de consumidor de média tensão e uma rede de
monitoramento para medidores de energia elétrica. Assim, os conceitos
teóricos puderam ser comprovados na prática, em que os equipamentos
citados na literatura e a forma como eles são usados foram vistos na
subestação EMC Externa.
Juntamente à uma pesquisa de mercado realizada em âmbito
nacional e o estudo do sistema de monitoramento da UFSC, foi possível
concluir algumas tendências na área do monitoramento de subestações.
A princípio, a tecnologia RS-485 é muito presente. A grande maioria
dos equipamentos e sensores apresentam compatibilidade à este padrão,
porém, a tendência é que ele seja restrito ao espaço da subestação. Para
redes maiores, a tendência é o uso do padrão Ethernet em redes locais,
através de cabeamentos já existentes. Essa solução é uma das mais
indicadas comercialmente, pois existem vários conversores para que
inúmeros meios de transmissão sejam usados em redes locais. A citar,
conversores RS-485 para padrão Ethernet, conversores para fibra ótica e
adaptadores wireless são exemplos comerciais do que pode ser usado
para conectar uma rede RS-485, interna à uma subestação, à uma rede
maior, que conecte esta subestação à uma central remota.
Existe, também, uma solução comercial para quando não é
desejável uma rede física (por motivos econômicos ou técnicos), que é
conhecida como tecnologia GSM/GPRS. Com ela, a rede RS-485
interna à subestação é diretamente conectada à internet.
151

4.1 Sugestões para trabalhos futuros

O assunto abordado neste trabalho é muito vasto e permite


constantes aprofundamentos. Algumas ideias de novas abordagens serão
citadas aos possíveis interessados.
A começar, pode-se citar o estudo das soluções de software para
o monitoramento, visto que o presente trabalho abordou as soluções
físicas, de hardware. A implementação de um sistema SCADA
(Supervisory Control and Data Acquisition - Sistemas de Supervisão e
Aquisição de Dados) é fundamental na realização de qualquer
monitoramento.
Outro ponto, seria o estudo das grandezas envolvidas em uma
subestação de consumidor de média tensão. Como foram apenas citadas,
características como a temperatura e umidade da subestação,
temperatura de equipamentos e condutores, harmônicas de corrente e
tensão as quais os equipamentos estão submetidos, entre outros
aspectos, poderiam ser estudadas de maneira mais profunda.
Para finalizar as sugestões ( e não as possibilidades), pode-se citar
o estudo de resultados práticos do monitoramento. Como é possível
mensurar inúmeras grandezas, é possível estudar os aspectos que estas
revelam, como estudos de eficiência energética, estudos de perfil de
consumo, entre tantos outros. A CPROF, parceira neste trabalho, realiza
várias análises a partir dos dados obtidos via monitoramento das
subestações da UFSC.
152

5. Referências

[1] MAMEDE FILHO, J. “Manual de Equipamentos Elétricos”.


Editora de Livros Técnicos Científicos, Vol.1, 3ª edição, Rio de Janeiro,
2005.

[2] MAMEDE FILHO, J. “Instalações Elétricas Industriais”.


Editora de Livros Técnicos Científicos, 4ª edição, Rio de Janeiro, 1995.

[3] KINDERMANN, G. “Proteção de Sistemas Elétricos de


Potência - Volume 1”. Editora UFSC, 3ª edição, Florianópolis, 2012.

[4] DANTA, M. “Redes de Comunicação e Computadores”.


Editora Visual Books, 1ª edição, Florianópolis, 2010.

[5] E. COMER, D. “Redes de Computadores e Internet”. Editora


Bookman, 4ª edição, São Paulo, 2009.
153

6. Anexos

raios a SiC.
Tabela 6.1 - Características dos para-raios

Fonte: Manual de Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.


154

Tabela 6.2 - Escolha do elo fusível.

Fonte: Manual dee Equipamentos Elétricos, João Mamede Filho, terceira edição.
155

Figura 6.1 - Caminho da rede de média tensão CMD - EMC externa.

Fonte: Arquivos CPROF.


156

Figura 6.2 - Diagrama ilustrativo subestação EMC externa.

Fonte: Arquivos CPROF.


157

Figura 6.3 - Cargas atendidas pela subestação EMC externa.


externa

Fonte: Google Earth (arquivos CPROF).