Você está na página 1de 6

SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DE NITERÓI

ADRIEL AMARAL MACEDO

HERMENÊUTICA II
AS PARÁBOLAS DE JESUS E SEU ENSINO SOBRE O REINO DE DEUS

Niterói
2019
Adriel Amaral Macedo

HERMENÊUTICA II
AS PARÁBOLAS DE JESUS E SEU ENSINO SOBRE O REINO DE DEUS

Trabalho apresentado em cumprimento parcial


às exigências do Seminário Teológico Batista
de Niterói para obtenção do Diploma do Curso
Ministério Pastoral, sob a orientação do
Professor Cléverson Pereira na disciplina
Hermenêutica II.

Niterói
2019

1
RESENHA

Claiton Kunz é filósofo e teólogo, tendo recebido o grau de Doutor em Teologia pela
faculdade de EST em 2013, Kunz sempre focou seus estudos teológicos nas parábolas
do Novo Testamento; tanto seu Doutorado, quanto seus dois Mestrados concluídos, foram
focados nessa área.
A presente obra, intitulada “As Parábolas de Jesus e seu ensino sobre o Reino de
Deus” é, fruto de muitos anos de dedicação e estudo sobre esse gênero bíblico. Tendo
sua primeira edição datada do ano de 2014, um ano após a conclusão de seu Doutorado;
o livro nos apresenta um estudo muito amplo sobre as parábolas proferidas por Jesus.
Atualmente, Kunz após aluns anos como professor, é diretor e coordenador
acadêmico na Faculdade Batista Pioneira, local onde tem exercido suas contribuições
para o Reino.
Em sua obra Kunz, inicia sua nos apresentando as parábolas como ferramentas não
criadas por Jesus, mas como parte integrantes da cultura hebraica; é nos aprestado um
pouco da escrita e da poesia hebraica, o usos dos quiasmos em suas construções e como
todo esse material cultural é encontrados nas parábolas neotestamentárias.
Em seguida, somos apresentados aos conceitos de parábolas bem como a sua
função; entender o motivo que levou Jesus a contar parábolas é fundamental para
discernir-se a melhor forma para interpretá-las. Haveriam segredos ocultos em seus ditos
e portanto precisamos de interpretações metafóricas, ou as parábolas proferidas pelo
Mestre orbitam de forma individual em torno de um único ensinamento, o que nos levaria
a uma interpretação mais literal? Pode-se responder essa pergunta para absolutamente
todas as parábolas, ou cada caso é um caso em particular?
Kunz apresenta então um poco sobre as características das parábolas, em geral, o
autor nos mostra uma verdadeira receita para se contar boas histórias; elementos como
“Contraste”, “Suspense” e “Ênfase final” estão entre as marcas mais características das
parábolas ditas por Jesus.
Por fim, estudamos o conceito de Reino de Deus, e aprendemos as diferenças entre o
Reino como local físico e o Reino como abrangência da autoridade divina; como veremos
logo adiante, esses simples conceitos são fundamentais para uma boa exegese das
parábolas; pois se confundirmos seus entendimentos, não seremos capazes de discernir
entre a mensagem legítima e uma possível interpretação alegórica.

2
O autor então, de forma didática, divide sua obra em 4 grandes partes; na primeira
delas, ele aborda aos conceitos principais que ao longo da obra utilizará, em seguida, as
partes 2, 3 e 4, dividem as parábolas de acordo com a sua mensagem principal; Segundo
Kunz, a melhor forma de dividi-las é entre as que falam sobre a “inauguração do Reino”,
as que se seguem e falam da “Dimensão do reino” e por fim as últimas parábolas
proferidas, que são as que falam sobre a “Consumação do Reino”.
As todas parábolas que o autor nos apresenta, orbitam a temática do Reino de Deus,
de forma clara e concisa, Kunz procura seguir uma ordem cronológica dos ditos de Cristo,
por esse motivo, a primeira das parábolas a ser estudada e é a parábola do “Noivo e o
Jejum”; em resumo, essa parábola trabalha de maneira “casada” com a as parábolas do
“remendo” e dos “odres”.
Jesus aqui nos apresenta a diferença entre seu ensino e o ensino judaico, ele nos
mostra que sua doutrina não se pode conciliar com os ensinos rabínicos; o Reino não se
pode adaptar aos moldes humanos, antes precisa de seu próprio modelo.
Seguimos então por algumas parábolas conhecidas, como a dos “dois fundamentos”,
a dos “dois devedores” e até a do “semeador”; todas essas parábolas são apresentadas e
discutidas de forma clara pelo autor, entretanto, as parábolas do “fermento” e do “grão de
mostarda” têm dividido opiniões, por isso o autor detêm-se de forma mais pormenorizada
nelas. De certa forma, essa á a grande marca de sua obra, Kunz aborda todas as
parábolas de forma adequada em termos de profundidade, no entanto, é possível
perceber que há algumas passagens que são “chaves”, ou pela sua complexidade ou pelo
seu significado especial, a essas, como era de se esperar, é dada uma maior atenção.
A maioria das controversas sobre a “parábola do fermento” gira em torno do
significado do próprio fermento, poderia o fermento, que em muitas passagens assume
um papel negativo, aqui simbolizar algo bom? Kunz explica que os símbolos não estão
presos a um único significado, devendo ser interpretados a luz do contexto.
De igual forma, a parábola do “grão de mostarda” é por muitas vezes lida de forma
errônea; o que significariam as aves? Deve-se buscar um significado especial para cada
elemento? O autor advoga que as aves são um mero “adendo” da parábola, servindo
apenas para intensificar a ideia da altura da árvore, não possuindo assim um significado
em si próprios.
Ao longo do livro, muitas parábolas são apresentada, conforme o leitor pode esperar;
o autor procura ser direto em suas explicações, evitando, sempre que possível ser raso

3
em suas considerações, no entanto, o estudante que já tenha se aplicado às parábolas,
encontrará nessa obra muitas informações já conhecidas; parábolas como “o tesouro
escondido” e a “rede de pesca” têm, em geral, uma interpretação correta na maioria dos
púlpitos, de forma que nessa obra obra, o autor não investe muito tempo em apresentá-
las; Isso não diz que o livro não as aborde, antes que, as abordando, o leitor terá apenas
uma complementação bibliográfica, ou seja, lerá com outras palavras o que já por muitos
é conhecido. .
Não obstante, a obra em questão brinda-nos com muitas informações históricas e
geográfica que por vezes desconhecemos; detalhes simples como a comparação dos 10
mil talentos da parábola do “devedor incompassivo” com os 200 talentos anuais recebidos
por Herodes, permitindo assim ao leitor uma compreensão melhor das relações
financeiras da época ou ainda detalhes que a Bíblia omite sobre quem seriam os 18
mortos citados por Jesus em Lucas 13.
A obra de Kunz, no entanto, não se limita a informações paralelas; em seus
comentários muitas vezes podemos encontrar notas sobre os tempos verbais originais
das palavras em grego e, às vezes, pequenos estudos sobre as palavras em questão. Tal
fato pode ser visto claramente em seus comentários sobre a parábola do “amigo à meia-
noite”; neles o autor apresenta uma exegese da palavra grega anaideian, encontrada
nesse único verso bíblico; através de sua explanação, Kunz defende que essa parábola
não defende a insistência na oração, mas sim a confiança de que seremos atendidos.
Dentre as parábolas que mais se discutem, gerando dúvidas entre os leitores, sem
dúvidas encontramos a do “administrador infiel”, kunz não se exime dessa
responsabilidade e partindo de um panorama tenta apresentar ao leitor a melhor
explicação sobre o texto. Em sua obra, o autor também cita diversas fontes de pesquisas,
algumas dessa em desarmonia com a sua interpretação, entretanto, Kunz sempre que o
faz, explica o porquê de seu desafeto com aquela posição teológica.
Deve-se ressaltar que a atitude de apresentar o contraditório é louvável e permite ao
leitor a construção de um entendimento mais solidificado sobre a parábola em questão; os
comentários então tornam-se um debate entre as ideias de Kunz e as ideias dos autores
citados; e o leitor pode então tirar suas próprias conclusões.
Na parte final de sua obra, o autor nos fala sobre as parábolas de “Consumação do
Reino”, são ao todo 14 parábolas, que buscam explicar como o Reino de Deus já está
iniciado; dentre elas temos algumas mais famosas, como a parábolas “dos talentos” e
outras menos faladas, como a parábola da “figueira”.

4
De forma semelhante as outras partes, Kunz aqui apresenta as parábolas e
demonstra seus significados, sempre tentando prendê-las ao máximo dentro de seu
contexto histórico; sua abordagem segue sempre o padrão dos quiasmos, que ele mesmo
apresenta ao final de cada seção do livro; dessa forma, o leitor após estudar sobre cada
parábola da seção, podem observar a sua posição no quadro quiástico e compreender
melhor como aquela parábola se relaciona com as demais.
Das parábolas trabalhadas em seu última parte, vale ressaltar a diferenciação feita
pelo autor entre a parábola das “Minas” e a dos “Talentos”; estas duas, muitas vezes são
vistas como uma variação da mesma história, mas segundo o autor, são elas diferente
sem si, trazendo assim aplicações diferentes e propósitos distintos.
A obra é encerrada com uma grande recapitulação, onde Kunz faz um passeio pelos
principais pontos abordados, possibilitando assim ao leitor mais atento, um panorama final
da sua obra e das parábolas de Jesus.
É indiscutível que as parábolas proferidas por Cristo carregam grandes ensinos, e
compreendê-las melhor deve ser uma meta para todo aquele que busca conhecer mais
sobre o caminho do Mestre; nesse sentido, o presente livro é uma grane obra que
possibilita ao seu leitor uma nova visão sobre o ensino de Cristo. Mesmo aquele “não
iniciado” nos caminhos acadêmicos da teologia; que não conheça conceitos
hermenêuticos e nem possua entendimento sobre as línguas originais, não sentirá
dificuldade em acompanhar o autor em suas explicações.
Muito mais do que um bom livro, obra de Kunz representa um auxílio para todo
estudante bíblico e por certo deve ser tido como “obra de cabeceira” de todo aquele que
busca compreender qual a verdadeira relação entre “As parábolas de Jesus e seu ensino
sobre o Reino de Deus”.

KUNZ, Claiton André, As parábolas de Jesus e seu ensino sobre o Reino de Deus, 3ª
Edição. Curitiba: Santos Editora, 2017