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Olhar de Professor

ISSN: 1518-5648
olhardeprofessor@uepg.br
Departamento de Métodos e Técnicas de
Ensino
Brasil

Saballa de Carvalho, Rodrigo; Prinzler Karpowicz, Alexandre


A formação de professores e supervisores escolares "empreendedores": reflexões sobre o
empreendedorismo como "valor pedagógico"
Olhar de Professor, vol. 13, núm. 2, 2010, pp. 299-314
Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino
Paraná, Brasil

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=68420656007

Como citar este artigo


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Doi: 10.5212/OlharProfr.v.13i2.0007

A formação de professores e supervisores escolares


“empreendedores”: reflexões sobre o empreendedorismo
como “valor pedagógico”

Training “entrepreneurs” teachers and scholl supervisors:


reflections on enterprising as “pedagogical value”
Rodrigo Saballa de Carvalho*
Alexandre Prinzler Karpowicz**

Resumo: O presente artigo, a partir das contribuições dos Estudos Culturais em Educação, tem como
objetivo discutir o processo de difusão da Cultura Empreendedora no espaço escolar e universitário.
Através da análise do discurso de inspiração foucaultiana, foram analisadas entrevistas realizadas com
professores do Ensino Médio, acadêmicos do Curso de Pedagogia e supervisores escolares, tendo como
objetivo problematizar os aspectos sócio - pedagógicos que representam a perspectiva empreendedora
enquanto “valor pedagógico” nos espaços educacionais pesquisados. O estudo destaca os traços da
presença de uma racionalidade neoliberal expressa por meio de discursos, constituídos por expressões
como: flexibilidade, pró-atividade, potencial de inovação, gestão de habilidades, gestão de competên-
cias, capital humano, espírito de equipe, planejamento estratégico, metas, resiliência, visão estratégica,
capacidade de correr riscos, formação permanente, oriundas de um ethos empresarial, que recebe cada
vez mais destaque na formação de professores e nas práticas desenvolvidas por supervisores escolares.
Conforme os discursos analisados, existe a necessidade do profissional da educação tornar-se um sujeito
empreendedor de si mesmo. Um sujeito flexível, que deve estar constantemente aprendendo, inovando e
desenvolvendo projetos. Portanto, destacamos que as análises desenvolvidas para realização do artigo,
foram feitas, tendo em vista a problematização dos discursos dos entrevistados, que corroboram com
a difusão do empreendedorismo enquanto “valor pedagógico” no meio educacional, questionando os
modos como tal lógica opera na formação de professores e supervisores escolares.

Palavras–chave: Estudos Culturais. Formação de Professores. Supervisor Escolar. Empreendedorismo.

Abstract: This article aims to discuss the process of dissemination of Enterprising Culture in school and
university spaces taking into consideration the contributions of Cultural Studies in Education. Through
the analysis of Foucault-inspired speech, the interviews realized with high school teachers, students
of the Pedagogy Undergraduate Course and school supervisors were analyzed aiming to question
social-pedagogical aspects that may represent the enterprising perspective as a “pedagogical value”
in the researched educational spaces. This study has highlighted the traces of a neo-liberal rationality,
which has been expressed in speech and expressions such as: flexibility, pro-activity, potential for
innovation, management skills, human capital, team spirit, strategic planning, goals, resilience,
strategic vision, capacity for taking risks, continuing education, coming from a business ethos, which
have received more and more emphasis in teacher training and throughout the practices developed by

*
Doutor em Educação pela UFRGS. Professor da Universidade Federal da Fronteira Sul. E-mail: rsaballa@terra.com.br
**
Especialista em Supervisão e Gestão Escolar pelas Faculdades Porto-Alegrenses (FAPA). Professor de Sociolo-
gia, de Nível Médio, na Rede Privada de Ensino de Porto Alegre. E-mail: sociedadeliquida@yahoo.com.br

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school supervisors. According to the speech analyzed there is a need for the professional in education
to become an enterprising subject of himself, as a flexible subject who must be constantly learning,
innovating, and developing projects. It is necessary to emphasize that the analysis developed with this
study were carried out in view of questioning the speeches of the people interviewed, that corroborate
the dissemination of enterprising as a “pedagogical value” in the educational environment, questioning
how this logic operates in the training of teachers and school supervisors.

Keywords: Cultural Studies. Training teachers. School supervisor. Entrepreneurship.

Introdução
Gestão da empresa e gestão de si mesmo
divíduo que é capaz de ter ideias brilhantes,
obedecem às mesmas leis. Trata-se de ra-
cionalizar a produção dos homens como de assumir riscos, de resolver problemas, de
o modelo de produção de bens e de servi- suportar o estresse, de desenvolver sua inteli-
ços e de tornar os indivíduos produtivos gência cognitivo/emocional e, principalmen-
no modelo empresarial. Produzir sua vida, te, de disponibilizar todas as suas aptidões
realizar-se, construir-se, são formulações a serviço da rentabilidade da instituição em
que contribuem para remeter à imagem que trabalha. Um indivíduo capaz de capita-
de que o futuro do indivíduo depende de lizar seus conhecimentos enquanto moeda de
sua capacidade de gerenciar a si mesmo troca no mundo do trabalho, de ser competi-
(GAULEJAC, 2007, p.186).
tivo, de ser reconhecido pelas suas ações, de
transformar-se em uma máquina constituída
Ser empreendedor de si mesmo tor-
por competências em um processo de inin-
nou-se uma característica do mundo con-
terrupto aprimoramento.
temporâneo. A perspectiva gerencialista
disseminou-se por todos os âmbitos da vida Nesse sentido, o presente artigo tem
dos indivíduos. Gerir as emoções, a saúde, a como objetivo discutir o amplo processo de
casa, a educação dos filhos, a rotina, a for- difusão da chamada cultura empreendedora
mação, a vida profissional, o casamento etc. no espaço escolar e universitário. A partir da
passou a fazer parte do cotidiano das pessoas análise do discurso de inspiração foucaultia-
de modo (muitas vezes) naturalizado e inde- na, serão analisadas entrevistas semiestrutu-
lével. Traçar metas. Avaliar permanentemen- radas1 realizadas com professores do Ensino
te os próprios desempenhos. Tornar o tempo 1
Durante o trabalho de campo foram realizadas dez
rentável. Fixar objetivos. Transformar-se em entrevistas semiestruturadas – duas entrevistas com
um empreendedor para um mundo produti- supervisores escolares e oito com professores. Todos
vista. Tais enunciados atualmente fazem par- os entrevistados estavam atuando em uma Escola de
Ensino Médio (Técnica Agrícola) da Rede Pública
te dos discursos de professores, supervisores de Ensino da Região Metropolitana de Porto Alegre.
escolares e acadêmicos em formação, que Também foram realizadas quatro observações de
evidenciam através de suas palavras o modo aulas na referida instituição, totalizando oito horas.
No âmbito do Ensino Superior, foram realizadas
como foram “capturados” pelo jogo neolibe- entrevistas estruturadas com dez acadêmicas de um
ral da empresa. Cenário no qual a figura do Curso de Pedagogia de uma Universidade Pública
empreendedor de si mesmo (o docente/ o su- – localizada na Região Sul – através do envio de
perguntas via e-mail. As questões enviadas tratavam
pervisor escolar competente) emerge como das expectativas das acadêmicas em relação ao
um ideal a ser alcançado. A figura de um in- exercício profissional.

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Médio, supervisores escolares e acadêmicos regulamentados de poder e estão sempre su-


do Curso de Pedagogia, tendo como foco a jeitos a múltiplas restrições e incitações no
problematização dos aspectos sociopeda- contexto social. Esse conceito de discurso,
gógicos que representam a perspectiva em- conforme esclarece Sommer (2007), rompe
preendedora enquanto valor pedagógico nos com os sentidos correntemente utilizados na
espaços educacionais pesquisados. A partir linguística e nas análises fenomenológicas,
da apresentação da proposta que será desen- nas quais se destaca uma dicotomia entre os
volvida no artigo, consideramos oportuno fenômenos da língua social e da fala indivi-
esclarecer os conceitos de discurso e de em- dual. Tais perspectivas procuram deduzir do
preendedorismo, que serão imprescindíveis discurso algo que se refere ao sujeito falante,
para a compreensão das análises. Utilizamos buscando encontrar “as verdadeiras intencio-
o conceito de discurso com base nos estudos nalidades de quem enuncia”, “o que o sujeito
desenvolvidos por Michel Foucault. Confor- pretende dizer com determinada afirmação”,
me destaca Foucault (2007, p.132 -133), o conforme afirma o referido autor em seus es-
discurso pode ser entendido como tudos. Assim, ressaltamos que procuraremos
entender os discursos enquanto textos, no
[...] um conjunto de enunciados, na medi- presente artigo, já que, conforme Foucault
da em que se apóie na mesma formação (2005, p.10), “o discurso não é simplesmen-
discursiva; ele não forma uma unidade
te aquilo que traduz as lutas ou os sistemas
retórica ou formal, indefinidamente re-
petível e cujo aparecimento ou utilização
de dominação, mas aquilo por que, pelo que
poderíamos assinalar (e explicar, se for se luta, o poder do qual nos queremos apo-
o caso) na história; é constituído de um derar”. Por tal motivo, não procuraremos um
número limitado de enunciados para os suposto significado “por trás” dos discursos,
quais podemos definir um conjunto de tendo em vista que os mesmos têm sentido
condições de existência. O discurso, as- somente através da própria exterioridade e
sim entendido, não é uma forma ideal e não a partir da lógica interna dos enunciados
intemporal que teria, além do mais, uma que apresentam. Em outras palavras, nosso
história, unidade e descontinuidade na interesse concentra-se nos modos como os
própria história, que coloca o problema
discursos dos entrevistados são constituídos
de seus próprios limites, de seus cortes,
de suas transformações, dos modos espe-
e atravessados por diferentes práticas so-
cíficos de sua temporalidade, e não de seu ciais que os produzem enquanto professores,
surgimento abrupto em meio às cumplici- supervisores escolares e acadêmicos, que
dades do tempo. entram na ordem do discurso do empreen-
dedorismo como possibilidade de desenvol-
Corroborando tal acepção, Palamides- vimento profissional.
si (1996, p.193 – tradução nossa) destaca que Em relação ao conceito de empreen-
o discurso pode ser compreendido enquanto dedorismo, podemos dizer que o mesmo é
“prática modelizadora da realidade, hierar- entendido como “uma visão de mundo, um
quizadora, e articuladora de relações especí- modo de o indivíduo ser e estar no mundo,
ficas entre o visível e o dizível”. Tal articu- um estilo de vida a ser adotado e constan-
lação possibilita depreender, a partir de uma temente exercitado”, conforme afirma Ga-
perspectiva foucaultiana, que os discursos delha (2010, p.130). Corroborando tal de-
constituem os sujeitos e os objetos dos quais finição, Gouveia (2006, p. 31) destaca que
tratam, já que eles estão inscritos em modos o empreendedorismo pode ser entendido

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como a “busca por realização; “a ‘liberda- blematização dos discursos decorrentes das
de’ de expressão, a ‘autonomia’ de trabalho; entrevistas, que corroboram a emergência e
a ausência de protecionismo; o cada um por operacionalização do chamado empreende-
si; o estímulo ao individualismo; a capaci- dorismo no espaço educacional, questionan-
dade de transformar ideias em realidade” e, do o modo como tal concepção funciona e
sobretudo, a possibilidade que o sujeito tem produz professores e supervisores escolares
de realizar “o autogerenciamento de si”. A empreendedores. Tendo em vista tal discus-
autora, ao prosseguir suas análises a respei- são, na próxima seção enfocaremos a difusão
to da demanda empreendedora, enfatiza que da cultura empreendedora de matriz neolibe-
“o atual mercado de trabalho juntamente ral, seus efeitos na configuração dos novos
com as transformações na natureza laboral, modos de vida dos indivíduos na sociedade
demanda do trabalhador em geral um com- e suas repercussões no âmbito educacional.
portamento autônomo e criativo”, através de
uma “explosão de estímulos por uma dinâ-
mica empreendedora que exige um sujeito A difusão da cultura empreendedora
sério, responsável, ‘naturalmente’ motivado, neoliberal
rápido, ligeiro e centrado em sua vida pro-
fissional” (Ibidem, p.16), que procura a su-
peração de seus limites. Modo pelo qual o A pessoa deve para si mesma tornar-se
indivíduo contemporâneo transmuta-se em uma empresa; ela deve se tornar, como
uma microempresa, tendo em vista tornar-se força de trabalho, um capital fixo que exi-
ge ser continuamente reproduzido, mo-
um profissional de sucesso.
dernizado, alargado, valorizado. Nenhum
Dessa forma, este artigo enfatiza os constrangimento lhe deve ser imposto do
traços da presença de uma racionalidade exterior, ela deve ser sua própria produto-
neoliberal nos discursos dos entrevistados, ra, sua própria empregadora e sua própria
constituída por expressões como: flexibili- vendedora, obrigando-se a impor a si mes-
dade, pró-atividade, potencial de inovação, ma constrangimentos necessários para as-
gestão de habilidades, gestão de competên- segurar a viabilidade e a competitividade
da empresa que ela é (GORZ, 2005, p.23).
cias, capital humano, capacidade empreen-
dedora, sociabilidade, espírito de equipe,
É possível dizer que estamos viven-
planejamento estratégico, metas, liderança,
ciando uma difusão da cultura empreende-
resiliência, visão estratégica, capacidade
dora neoliberal que, aos poucos, já começa
de correr riscos, formação permanente, en-
a dar os seus primeiros resultados. Essa di-
tre outras. Oriundas de um ethos empresa-
fusão possui elementos sociais e culturais
rial, tais expressões recebem cada vez mais
diferentes de tantas outras que já ocorreram
destaque nos processos de formação inicial
e continuada de professores e nas práticas na sociedade. Ela é silenciosa e para ser
desenvolvidas por supervisores escolares. operacionalizada necessita apenas da adesão
Conforme os discursos que serão apresenta- do próprio indivíduo. Caracteriza-se pela
dos no decorrer das seções de análise, existe metamorfose de uma das últimas estruturas
a necessidade cada vez mais proeminente de sociais que o neoliberalismo ainda não ha-
o profissional da educação tornar-se um in- via “capturado”, a percepção do coletivo/
divíduo empreendedor de si mesmo. Nessa coletividade como algo necessário ao esta-
direção, destacaremos nas análises a pro- belecimento de relações e de laços sociais:

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na família, no trabalho, na intimidade, na gerencial, bem planejada, será um empreen-


escola, na universidade. Essa transformação dedor. Por essa razão, além do próprio em-
dos referenciais sociais ligados às lógicas preendedorismo – que na atualidade recebe
coletivas existentes em nossa sociedade en- um status de sistemática de desenvolvimento
contra-se no centro do processo de dissemi- social e educacional –, ainda temos associa-
nação do ethos empresarial nos espaços em dos à cultura empreendedora atributos como
que se realiza a experiência da coletividade. performance, concorrência e capital huma-
As gerações que começam a surgir de tal no, que passam a compor um outro elemento
transformação dos referenciais culturais – de com poder de mudança cultural tão intenso
matriz empresarial –, são indivíduos que, de quanto o empreendedorismo – a gestão.
maneira muito precoce, têm estimuladas em Nessa perspectiva, o empreendedoris-
suas personalidades habilidades como plane- mo e a gestão configuram-se como os dois
jamento, autocontrole, flexibilidade, compe- discursos mais produtivos da cultura neo-
titividade, capacidade de gerenciamento (de liberal. O neoliberalismo, enquanto lógica
si e dos outros). Atributos que reunidos pro- cultural inserida também no cenário educa-
duzem o indivíduo empreendedor e gestor cional, contribui para a transformação dos
por excelência. referenciais pedagógico-culturais dos sujei-
A novidade dessa mudança de ordem tos da educação, uma vez que, segundo Gen-
cultural, que passamos a vivenciar a partir do tili (2007), a educação passa a ser vista como
mecanismo potencializador das competên-
contato com a cultura empreendedora neoli-
cias/habilidades de um sujeito que desempe-
beral, situa-se no fato de que talvez nunca,
nhará suas atividades de maneira competitiva
em nenhum outro momento da história con-
e individual. As capacidades empreendedora
temporânea, a possibilidade de o indivíduo
e gestora configuram-se como o principal
obter sucesso, resultados e reconhecimento, símbolo de uma cultura que tem suas con-
tenha dependido tão somente dele próprio. A dições de emergência no campo empresa-
partir da dissolução da perspectiva empresa- rial. Comportamentos que começam a serem
rial sobre as ações das pessoas na sociedade, entendidos enquanto valores pedagógicos,
passamos, enquanto sociedade ocidental, a devendo, portanto, ser reconhecidos e desen-
nos orientarmos por comportamentos oriun- volvidos nas escolas e universidades.
dos de um universo no qual o individualismo
e a capacidade de concorrência tornaram-se
“guias” das ações humanas. Por tal lógica,
O empreendedorismo como valor
ter sucesso, ser empreendedor, está (suposta-
mente) ao alcance de qualquer um e depende pedagógico
apenas do esforço e investimento do indiví-
duo em si próprio. Ou, dito de outra forma, O termo empreender, emergente do âm-
a cultura empreendedora passa a ser consi- bito empresarial, está associado diretamente
derada como um novo tipo de democracia à dinâmica neoliberal de disputa mercado-
empresarial. lógica de instituições financeiras, marcas e
O empreendedorismo enquanto pa- produtos que, na atualidade, adentram no
radigma cultural/educacional caracteriza-se universo da educação, oferecendo uma aura
pela grande ênfase da ação do indivíduo. de inovação e de “distinção”. A aproximação
Conforme referido anteriormente, a pes- entre o universo empresarial e educacional
soa que desenvolve uma grande capacidade constitui-se em um importante fenômeno

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social no cenário da educação contemporâ- de assumir riscos, que prefere passar a


nea, uma vez que é através da educação (um vida inteira obedecendo a ordens e sendo
valor social) que a visão empreendedora se funcionário. E de preferência funcionário
tornará legitimada tanto por estudantes da público! (Transcrição da entrevista com o
Educação Básica, por acadêmicos do Ensino professor A2, 2010).
Superior, como também por docentes e su-
Um indivíduo disposto a correr riscos
pervisores escolares, constituindo-se em um
e a obter sucesso em seus empreendimentos:
valor pedagógico. Por essa razão, a ação pe- eis a figura do empreendedor descrito pelo
dagógico-empreendedora torna-se solitária, professor entrevistado. A partir da definição
tendo em vista que, de acordo com Dolabela de empreendedor apresentada no excerto da
(2003, p.32), empreender é um processo de entrevista transcrito, questionamos: Quais
aprendizagem “em que o indivíduo constrói os efeitos do empreendedorismo enquan-
e reconstrói ciclicamente a sua representa- to ideal de vida nos processos de ensino e
ção do mundo, modificando-se a si mesmo aprendizagem dos alunos? Afirmamos que
e ao seu sonho de auto-realização em um na escola pesquisada o posicionamento da
processo permanente de auto-avaliação e au- ação docente e da prática supervisora a res-
tocriação”. A partir de tal argumento, é pos- peito do empreendedorismo incorpora os
sível dizer que o individualismo passa a ser discursos socioeducacionais de matriz neo-
visto enquanto lógica social, fundamentada liberal, na medida em que, conforme Torres
no empreendedorismo e na gestão, como (2003), esses valores podem ser visualizados
um processo de ampliação – sem limites – a partir das mudanças pedagógicas sofri-
do culto ao indivíduo. Portanto, a partir da das pelos currículos escolares, inserindo-se
exposição a respeito do empreendedorismo num conjunto de transformações socioeco-
como valor pedagógico, apresentaremos na nômicas de maiores proporções. As novas
próxima seção as análises desenvolvidas a mutações no cenário educacional brasileiro,
partir das entrevistas realizadas com profes- provenientes da “agenda” neoliberal global,
sores e supervisores escolares de uma Escola iniciam a partir da nova fase do neolibera-
Técnica Rural, da rede pública de ensino, es- lismo – potencializado pela globalização
cola essa localizada na região metropolitana (financeira) e pela ênfase nas políticas de
de Porto Alegre. ajuste fiscal, promovidas em grande parte
por instituições financeiras americanas – nos
anos de 1990. É nesse cenário de mudanças
socioeducacionais ocorridas no território na-
Professores e supervisores escolares cional que teremos a implantação da “qua-
empreendedores lidade” como concepção responsável pela
inauguração das transformações na educa-
ção brasileira. Qualidade de gerenciamen-
O empreendedor, num primeiro momen-
to de recursos. Qualidade de planejamento.
to, bem simplista, é aquela pessoa que
Qualidade de vida. Qualidade na educação.
se dispõe a correr riscos. Riscos que são
“Qualidade Total”!
planejados, riscos que são projetados.
Riscos que fazem toda a diferença entre 2
Tendo em vista a manutenção do sigilo a respeito
ser uma pessoa de sucesso ou uma pessoa das identidades dos sujeitos participantes da
fracassado. Nesse sentido, posso deno- pesquisa, nomearemos os mesmos através de letras.
minar como sendo o não empreendedor, Identificaremos apenas a posição que esses sujeitos
aquele indivíduo que não tem coragem ocupam no contexto das pesquisas de campo realizadas
– professor, supervisor escolar e acadêmico.

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Uma das características marcantes Ao realizar as observações em sala de


atribuídas ao trabalho desenvolvido pelos aula e conversar informalmente com os
supervisores escolares encontra-se na dimen- alunos, percebi que os mesmos apresen-
são da gestão. A supervisão escolar, dentro tam domínio dos discursos referentes à
solicitação de verbas via instituições fi-
do processo de gestão educacional, deverá
nanceiras (bancos e governo). De modo
estar atenta aos processos de planejamento, geral, os alunos exibem uma postura que
acompanhamento de metodologias de ensino demonstra conhecimento de estratégias
e apoio aos professores – no sentido de estar de gestão e empreendedorismo. Flexibi-
sempre estimulando a discussão e a (re)sig- lidade, resiliência, capacidade de cor-
nificação das práticas docentes. Por tal ra- rer riscos, pró-atividade, competências
zão, é possível dizer que a supervisão escolar e habilidades – são palavras que fazem
exibe uma crescente movimentação no senti- parte do vocabulário utilizado pelos alu-
nos. Eles articulam várias relações com
do da busca por uma gestão de “alto nível”,
empresas multinacionais da área de ali-
motivada por valores sociais emergentes da mentação: MonSanto, Sadia e Del Valle
cultura do empreendedorismo. Nesse caso, (Coca-Cola). É possível afirmar, a partir
podemos afirmar que os discursos educacio- do que observei durante as aulas, que o
nais configuram-se como uma das principais empreendedorismo enquanto valor social
formas de disseminação da necessidade de também se manifesta fortemente na área
formação de indivíduos que tenham desen- rural, pois é apresentado como uma alter-
volvidas as capacidades de empreender e nativa para os alunos serem pessoas bem
sucedidas. Desse modo, posso dizer que
de gerir. Dessa forma, conforme assegura
os comportamentos empreendedores dos
Peters (2008, p.222) em seus estudos, a lin- alunos observados durante o trabalho de
guagem utilizada pelos discursos educacio- campo, aproximam-se ao dos estudantes
nais para subsidiar a visão empreendedora que participam do programa da Junior
na educação é uma “linguagem de excelên- Achievement. Observei uma espécie de
cia, ‘inovação’, ‘melhoria e modernização’, Junior Achievement Rural. (Transcrição
‘obter mais com menos’, ‘alfabetização tec- do diário de campo, 2010).
nológica’, ‘revolução na informação e nas
telecomunicações’, ‘marketing’ e ‘gerência Através da leitura, é possível perce-
internacionais’, ‘treinamento de habilidades’ ber que o empreendedorismo dissemina-se
e ‘empresa’”. de forma naturalizada, mesmo no âmbito
de classes menos abastadas. Partindo de tal
A partir de tal exposição, fica evidente premissa, convém ressaltar que não estamos
que na atualidade o trabalho da supervisão tratando de executivos de transnacionais,
escolar utiliza-se cada vez mais de instru- mas de estudantes de periferia que almejam
mentos da gestão. O termo “habilidade”, por alcançar o sucesso através do empreendedo-
exemplo, surge como principal aspecto a ser rismo enquanto projeto de vida. Nessa di-
desenvolvido nos alunos e gerido nos docen- mensão – que é de estímulo à gestão e ao
tes. Essa ênfase no desenvolvimento de ha- empreendedorismo enquanto um valor peda-
bilidades empreendedoras foi percebida na gógico –, é interessante observar também o
pesquisa durante observação das aulas dos relato da supervisora, no qual se destacam os
estudantes, conforme pode ser visualizado elementos discursivos de tal cultura empre-
na transcrição do diário de campo a seguir: endedora na escola. O relato da profissional
reflete diretamente a situação observada em
sala de aula, conforme poderá ser visto a seguir.

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[...] o empreendedorismo dos alunos está desenvolvimento de projetos com os alunos


na linha dos mesmos aproveitarem todos enquanto característica de uma escola de
os projetos e desenvolverem a liderança, qualidade com diferencial pedagógico. Con-
a capacidade de correr riscos, a pró-ati- forme os entrevistados, uma escola conside-
vidade e a flexibilidade. Pois as experiên-
rada de “qualidade”, moderna, que apresenta
cias decorrentes da vivência com proje-
tos, certamente irão auxiliar os alunos a
uma equipe de coordenação pedagógica efi-
administrarem melhor suas vidas e obte- ciente, é aquela que estabelece um grande
rem sucesso profissional. (Transcrição da conjunto de projetos a serem desenvolvidos
entrevista com a supervisora escolar B). no decorrer do ano letivo. Desse modo, a me-
todologia de projetos é entendida, no âmbito
Administração da carreira e obtenção da pesquisa, como uma estratégia utilizada
de lucro. Ações que traduzem o empreende- pela escola com o intuito de (supostamen-
dorismo dos alunos, na concepção da super- te) colocar os estudantes em contato com a
visora entrevistada. Portanto, questionamos: realidade do mundo. Por esse motivo, nas
a partir de que momento a perspectiva em- entrevistas realizadas é muito presente a ên-
preendedora começa a constituir a visão de fase na importância da qualificação dos estu-
educação desses indivíduos? Em que ponto, dantes para o desenvolvimento de projetos.
especificamente, durante a sua atuação en- O ensino por meio de projetos pode ser con-
quanto profissional – ou, quem sabe, durante siderado como sendo a tônica dos discursos
a sua formação universitária –, supervisores analisados. Tônica decorrente de uma con-
escolares e docentes começam a manifestar cepção de ensino-aprendizagem que focaliza
uma compreensão educacional baseada nas o projeto como principal meio de serem de-
lógicas do campo empresarial/gerencial? senvolvidas habilidades profissionais, cogni-
Partindo de tais questionamentos, na próxi- tivas, culturais e emocionais, tendo em vista
ma seção discutiremos o advento da Peda- o alcance do sucesso dos alunos.
gogia de Projetos como cultura pedagógica
Em relação aos dados específicos de
– que tem sido amplamente difundida en-
nossa pesquisa de campo, podemos dizer
quanto metodologia de ensino na escola em
que institucionalmente o supervisor escolar
que foram realizadas as entrevistas com pro-
é considerado o responsável por incentivar
fessores e supervisores escolares.
a equipe de professores e os estudantes a
trabalharem com projetos. Partindo de tal
observação, não questionamos o efeito pe-
Pedagogia de projetos e empreende- dagógico de serem desenvolvidas atividades
dorismo de ensino-aprendizagem por meio de proje-
tos. O que questionamentos é a busca pela
Atualmente, é possível dizer que o performance, a ênfase no individualismo e
grande diferencial que tem sido considerado o investimento em si mesmo, estimulados
nas Escolas Técnicas é o da capacidade que através do desenvolvimento dos projetos
essas instituições estão tendo em trabalhar na escola em questão. A partir de tal argu-
com a metodologia de projetos. Ao realizar- mento, ressaltamos que as reflexões a seguir
mos as análises das entrevistas com os super- focalizam a ênfase atribuída pela escola à
visores escolares e professores participantes metodologia de projetos. Por essa razão,
da pesquisa, inúmeras foram as recorrências destacaremos nos discursos dos supervi-
que indicaram a prática de planejamento e sores escolares o que denominamos como

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sendo uma “cultura do projeto”. No intuito relevância dos projetos, nos depoimentos
de subsidiarmos tal análise, apresentaremos da equipe de professores, tendo em vista a
a transcrição do depoimento da supervisora ênfase atribuída pela supervisora escolar ao
B, no momento em que ela responde a res- trabalho com projetos. Ao questionarmos os
peito do foco de seu trabalho na função que docentes a respeito do principal trabalho da
desempenha na escola. A profissional desta- supervisão na escola, o professor A desta-
ca que cou o importante incentivo da profissional
em relação ao desenvolvimento dos projetos
o foco do trabalho são os projetos, pois enquanto metodologia sociopedagógica na
todo o conhecimento que o aluno obtém escola. Além disso, enfatizou a relevância
na escola é construído através do desen-
de tal metodologia, no desenvolvimento do
volvimento e aprimoramento de projetos
empreendedorismo, conforme pode ser lido
cada vez mais ousados.
a seguir:
[...] os alunos que saem da escola irão
operacionalizar os projetos elaborados [...] o empreendedorismo hoje em dia é
durante a formação, em suas próprias vi- desenvolvido através do trabalho com
das – tornando-se pessoas bem sucedidas. projetos. Atualmente o mundo do trabalho
está baseado na construção de projetos.
Prosseguindo com sua argumentação Nada hoje se faz sem ter um projeto fu-
relativa ao desenvolvimento do trabalho com turo. O projeto não é passado. O projeto
projetos e destacando a convergência de tal é presente. O projeto não pode estar na
metodologia com o empreendedorismo, a cabeça do empreendedor. O projeto não
entrevistada destaca ainda que pode estar na cabeça das pessoas. O pro-
jeto tem que estar escrito, tem que estar
[...] a pedagogia de projetos tem uma grafado em algum lugar. Nós sempre en-
relação imanente com o empreendedo- sinamos aos alunos que nada se consegue
rismo. O empreendedorismo dos alunos sem um projeto. Ensinamos também que
é desenvolvido através de projetos, por através de um bom projeto o individuo
isso é importante eles auxiliarem na ela- pode destacar-se entre os seus correntes
boração e operacionalização de todos os – obtendo lucros financeiros e sendo um
projetos que são desenvolvidos na escola. empresário de sucesso (Transcrição de
Por exemplo: o projeto de aproveitamen- entrevista com o professor A).
to de água da chuva, o projeto das estu-
fas, o projeto de horta comunitária são Sociedade de projetos. Cultura de pro-
trabalhos que irão agregar valores aos jetos. Pedagogia de projetos. Indivíduos com
conhecimentos dos alunos, para que eles “projeto de vida”, cujo objetivo é tornarem-
possam obter lucro futuramente. Em -se empreendedores de si mesmos. Fica evi-
suma, todos os aprendizados através de
dente, a partir da leitura dos excertos, que
projetos oportunizarão que os alunos ad-
ministrem melhor seus futuros negócios e
existe uma concepção de que o projeto ajuda
obtenham mais lucro (Transcrição de en- a constituir um determinado tipo de indiví-
trevista com a supervisora escolar B). duo. Estamos nos referindo mais uma vez ao
processo de constituição do que denomina-
A temática do ensino por meio de mos como “aluno-empreendedor”. A subje-
projetos também foi estendida ao corpo do- tividade discente que se pretende formar, em
cente da escola. Pretendíamos verificar as um contexto pedagógico marcado por um
possíveis recorrências do discurso sobre a processo de ensino e aprendizagem por meio

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de projetos, é a de um sujeito flexível. Uma duração) que têm sido oferecidos por empre-
vez que, em um projeto, existem diferentes sas privadas e também pelo governo, como
objetivos, o indivíduo que apresentar maior forma de manter a atualização constante
flexibilidade, adaptabilidade e plasticidade dos indivíduos egressos de cursos técnicos.
terá mais chance de obter êxito e sucesso em Por tal razão, em nossa discussão a respeito
seus empreendimentos. do foco de trabalho da ação supervisora na
Por outro lado, ressaltamos uma am- escola lócus da pesquisa, destacamos o em-
biguidade marcante: se a escola exige uma preendedorismo e a metodologia de projetos
postura flexível, pró-ativa, dos seus estudan- como elementos discursivos marcantes. Tais
tes, na qual os mesmos devem desenvolver elementos constituíram-se enquanto recor-
práticas empreendedoras, qual o sentido do rências enunciativas presentes nas entrevis-
ensino em nível técnico? A ação superviso- tas realizadas com supervisores escolares e
ra orienta um processo de ensino e aprendi- professores. No início desta seção, fizemos
zagem flexível, por meio de projetos, mas referência ao empreendedorismo aplicado ao
a formação é específica e não incorpora os universo educacional, que, em nossa opinião,
conhecimentos adquiridos pelos alunos atra- operacionaliza-se através do funcionamen-
vés de suas pesquisas. O currículo é definido to do planejamento e execução de projetos.
previamente pelo corpo docente, com o obje- Destacamos que, nos discursos analisados,
tivo de formar técnicos agrícolas, a partir das tal metodologia é sempre associada a uma
concepções dos profissionais da área. Desse lógica empreendedora – estimulada pela su-
modo, os estudantes, educados para o mer- pervisão escolar e professores enquanto um
cado de trabalho contemporâneo, já não sai- valor social. Por esse motivo, consideramos
riam desatualizados dos seus espaços de for- a pedagogia de projetos como sendo um
mação? Corroborando tais questionamentos, mecanismo de aplicação da pedagogia em-
Torres Santomé (2003, p.161) assegura que preendedora, uma vez que é a partir da exis-
tência do movimento de uma educação em-
[...] em um mercado de trabalho tão inse- preendedora que são geradas competências e
guro quanto aos postos de trabalho ofe- habilidades consideradas fundamentais para
recidos, assim como em uma sociedade que esses indivíduos possam desenvolver
em que o desenvolvimento tecnológico suas aprendizagens por meio de projetos.
é super veloz, e onde as necessidades das
pessoas que vivem na atual sociedade de A partir de tais colocações, questiona-
consumo variam rapidamente, uma aposta mos o modo como o trabalho por projetos é
em uma formação muito aplicada repre- desenvolvido na instituição pesquisada, uma
senta um sério risco, pois pode ficar rapi- vez que as ações desenvolvidas assemelham-
damente defasada. -se em muitos aspectos aos treinamentos de-
senvolvidos na formação de empresários.
O empreendedorismo de si mesmo, a Mesmo os projetos sendo desenvolvidos por
partir da busca de cursos de formação conti- grupos de estudantes, a avaliação do trabalho
nuada, tem apresentado-se como a solução ocorre de forma individualizada, como se
encontrada para amenizar a suposta descar- cada indivíduo estivesse isolado – do mesmo
tabilidade dos conhecimentos aprendidos modo como são treinados os futuros execu-
no curso técnico. A partir de tal colocação, tivos. Outro ponto interessante, presente nos
é necessário destacar a crescente difusão discursos dos professores e supervisores es-
de cursos de formação continuada (de curta colares – que é também semelhante ao tra-

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balho empresarial –, e que gostaríamos de ção das atividades relacionadas ao trabalho


partilhar, coloca-se no centro da discussão nas instituições de ensino. Essa educação
apresentada por Bendassoli (2009), sobre o cooperada possibilitaria a “escuta” entre os
modo como os indivíduos contemporâneos estudantes inseridos nos processos de ensi-
se relacionam com a ideia da dependência. no-aprendizagem, na medida em que, con-
Se observarmos as situações nas quais são forme afirma Roberts (2009, p.195 – tradu-
realizados os projetos, teremos condições de ção nossa),
perceber que uma das características prin-
cipais dessa atividade está na dependência [...] cooperar significa trabalhar junto para
que temos uns dos outros. Em contrapartida, alcançar objetivos compartilhados. Em si-
tuações de cooperação, as pessoas buscam
o que percebemos na pesquisa é que os alu-
resultados benéficos para si mesmas e para
nos estão sendo estimulados a abrirem mão os integrantes de seus grupos. A aprendi-
da ideia/sentimento de dependência, pois tal zagem cooperada fomenta o trabalho em
atitude é considerada pelos professores como equipe, onde os alunos trabalham juntos
algo negativo/prejudicial para quem busca e assim melhoram sua própria aprendiza-
reconhecimento e colocação no mercado. No gem e dos demais.
lugar da condição de dependência, os alunos
são estimulados a exercitar o que pode ser Portanto, a escola enquanto uma mi-
denominado como “individual-coletivo”. crossociedade possibilitaria aos estudantes
Isto quer dizer que os estudantes passam a oportunidade de problematizarem as lógi-
pela experiência do coletivo, da dependência cas empreendedoras e concorrenciais con-
uns dos outros, sem que tal atitude seja va- temporâneas. Essa ação teria como efeito a
lorizada institucionalmente. A dimensão va- desnaturalização do que é considerado como
lorizada é a que diz respeito ao indivíduo, e vigente e “legítimo” em termos de formação
não a do coletivo. Partindo de tais premissas, profissional – em um tempo em que a pers-
questionamos: Que discussões dentro desse pectiva do capital humano, fonte de lucros,
cenário de culto ao indivíduo empreendedor começa a exibir sinais de esgotamento. Em
a supervisão escolar poderia propor? Que al- tal perspectiva, professores, supervisores
ternativas ao ideário neoliberal existente nos escolares e demais integrantes da equipe
espaço educacional pesquisado poderia a gestora atuariam como figuras importantes
supervisão desenvolver, enquanto área res- na proposição de discussões a respeito dos
ponsável pela pesquisa teórica metodológica sentidos do educar, do ensinar, do coletivo
dos processos de ensino-aprendizagem? e do múltiplo. Dessa forma, essas pessoas
A partir de tais questões, acreditamos constituiriam um movimento de resistência
que a educação cooperativa – já conhecida ao atual cenário educacional, no qual os in-
no contexto educacional brasileiro – possa divíduos são banhados pelo verniz da clas-
ser considerada como uma alternativa de sificação, pela competição, pela distinção e
resistência aos poderes normalizantes do pelo investimento incessante em si mesmo,
empreendedorismo como valor pedagógico. como poderá ser acompanhado nas análises
A educação cooperativa ressignificada e po- que serão desenvolvidas na próxima seção.
tencializada poderia fornecer elementos de
caráter social, político e de ordem cultural,
necessários à problematização do espírito
empresarial que passou a orientar a condu-

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A formação de professores do os argumentos apresentados, é oportuno


investidores destacar que tal situação é emergente dos
deslocamentos das concepções de educação
Tendo em vista, também, verificar os e de profissão que se encaminham cada vez
modos como se apresenta a perspectiva em- mais para uma perspectiva de controle contí-
preendedora no contexto acadêmico, realiza- nuo e formação permanente dos indivíduos.
mos entrevistas com pedagogos em processo Em relação a tais discussões, Deleuze (2007,
de formação. Percebemos que o vocábulo in- p. 216) afirma, ao marcar as mudanças nas
vestimento tornou-se uma ação marcante no sociedades contemporâneas, que se pode
âmbito da graduação. No entendimento de prever que “a educação será cada vez menos
López-Ruiz (2007), atualmente vem se ope- um meio fechado, distinto do meio profissio-
racionalizando um deslocamento conceitual- nal – outro meio fechado –, mas que os dois
valorativo do consumo para o investimento. desaparecerão em favor de uma terrível for-
Os gastos com os bens e serviços realizados mação permanente, de um controle contínuo
pelas pessoas estão deixando de ser enten- se exercendo sobre o operário-aluno ou exe-
didos como ações de consumo e passando cutivo-universitário”. Isso ocorre porque em
a ser vistos como investimentos. Os gastos um mundo regido pela economia, cuja gestão
deixam de ter como objetivo apenas a satis- é exercida pelo mercado, é necessário ativar
fação imediata das necessidades humanas, novas práticas de controle de si mesmo, que
pois o seu objetivo passa a ser a produção possibilitem ao indivíduo, perceber-se como
futura. Conforme tal lógica, realizar um cur- alguém autônomo, livre para realizar as suas
so, assistir a uma palestra, participar de uma próprias escolhas. Então, os acadêmicos são
oficina, realizar uma especialização, deixa incitados a pensarem na importância da for-
de ser visto como um gasto e passa a ser mação enquanto modo de manterem-se sem-
considerado um investimento – um investi- pre ativos no jogo do mercado de trabalho.
mento no desenvolvimento de habilidades e Por essa lógica, valoriza-se cada vez mais o
competências que serão revertidas em uma profissional investidor/consumidor, com a
produção futura. Por esse motivo, é preciso sua competência em consumir (novas forma-
investir permanentemente na formação. In- ções) e sua disposição para competir.
vestir na formação significa desenvolver no- Desse modo, é produzido um ser so-
vas competências, destacar-se entre os con- cial regido pelos valores do mercado, que
correntes, buscar informações e surpreender busca os investimentos em formação como
os futuros empregadores, através de um cur- forma de alcançar a vitória e de ser compe-
rículo com atividades diversificadas. tente, mesmo que para isso tenha que tornar-
Investir torna-se mais do que uma -se um empreendedor de si mesmo. Tendo
simples ação, pois se apresenta como um em vista tal exposição, apresentamos a se-
modo de gerir a própria vida, que faz par- guir algumas transcrições de relatos produ-
te de uma lógica cujo acento é atribuído ao zidos por acadêmicas de um Curso de Peda-
indivíduo enquanto gestor de sua formação. gogia, nos quais se evidenciam os discursos
Através de uma lógica de controle contínuo, sobre a formação enquanto investimento em
o acadêmico torna-se responsável pela sua si mesmo.
atualização permanente desde a graduação
e pelo planejamento de suas escolhas, ini- Vejo-me como uma professora constan-
ciando uma maratona formativa. Ratifican- temente provisória. Muito atenta e com

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olhar apurado para modificar-me e tentar A partir da leitura dos depoimentos


melhorar sempre. Por isso, sempre faço apresentados, é possível perceber que tais
investimentos em minha formação pro- enunciados, assim como os que foram apre-
fissional. Eu sei que esses investimentos sentados nas seções precedentes, aproxi-
devem ser constantes, não podemos pa-
mam-se da ordem do discurso empresarial.
rar nunca, pois caso contrário, corremos
o risco de perder o lugar no mercado de
Discurso empresarial fortemente atravessa-
trabalho (Transcrição de entrevista com a do por uma lógica concorrencial, que atribui
acadêmica A). ao próprio indivíduo a responsabilidade pela
sua atualização permanente, pelo planeja-
Aprendi a ser uma professora organiza- mento de seus investimentos educacionais e
da, flexível, dedicada e criativa. Tenho pela obtenção de êxito em suas escolhas pro-
procurado participar de formações bus-
fissionais. Evidencia-se também o que Bol-
cando sempre mais e mais conhecimentos,
pois terei retorno somente a partir dos in-
tanski e Chiapello (2009, p.466) denominam
vestimentos que fizer em minha formação. como sendo “a tensão entre a exigência de
Estou sempre fazendo cursos, assistindo flexibilidade e a necessidade de ser alguém,
palestras e vendo as novidades que apa- ou seja, de possuir um eu dotado ao mesmo
recem. Algumas coisas não fazem muito tempo de especificidade (‘personalidade’) e
sentido no momento, mas sei o quanto é permanência no tempo”, através de inces-
importante eu estar em formação cons- santes investimentos na formação. Por esse
tante (Transcrição de entrevista com a motivo, pensando especificamente na forma-
acadêmica B). ção dos pedagogos (futuros professores), po-
Quanto mais estudo, mais vejo que tenho demos dizer que esse é um profissional que
muito que aprender, e tento fazer de vá- faz parte de um mundo conexionista. Profis-
rias maneiras. Tento aprender através de sional que precisa demonstrar plasticidade
leituras, palestras, cursos e das aulas que e adaptabilidade, no exercício de diferentes
gosto. Tudo isso é uma forma de plane- funções e também na assunção da respon-
jar meu futuro profissional. A colocação sabilidade pelo sucesso ou fracasso de seus
em um bom emprego depende dos cursos próprios empreendimentos.
que fazemos e dos conhecimentos que de-
monstramos nas entrevistas de seleção, Nesse contexto, como pode ser obser-
por isso é preciso investir em si mesmo vado nos relatos transcritos, as futuras pro-
e destacar-se. (Transcrição de entrevista fessoras passam a descrever a importância
com a acadêmica C). da formação continuada, enquanto um modo
de serem bem sucedidas e de permanecerem
Procuro encarar a graduação como um
ativas no mercado de trabalho. Elas são in-
primeiro passo, quase que um peque-
no alicerce, sobre o qual precisarão ser
terpeladas/convocadas/seduzidas pelos dis-
construídos muitos andares, através de cursos do empreendedorismo, a perceberem
uma sempre continuada formação. É pre- que nunca estão suficientemente aptas para
ciso investir muito em minha formação desenvolverem suas atividades profissionais,
para conseguir uma colocação profissio- pois fazem parte de uma sociedade marcada
nal. Atualmente as exigências são inú- pela efemeridade, volatilidade e instanta-
meras e o profissional deve estar sempre neidade, na qual é imprescindível desenvol-
apto para ser testado (Transcrição de en- verem incessantemente novas habilidades
trevista com a acadêmica D). e competências, para continuarem fazen-
do parte do jogo econômico do mercado

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A formação de professores e supervisores escolares "empreendedores": reflexões sobre o empreendorismo como ...

enquanto consumidoras diligentes. A partir utilizar os conhecimentos na prática, dedi-


de tais premissas, é conveniente apresentar a car-se aos exercícios físicos, manter uma
discussão desenvolvida por Bauman (2001, dieta saudável, não privar-se da companhia
p.93), quando o mesmo afirma que na per- dos amigos, etc. - ações que ultrapassam as
manente busca pela 24 horas disponíveis em um dia - tornam-se
preceitos a serem incorporados e praticados
aptidão não há tempo para descanso, e na rotina das futuras professoras. Em relação
toda celebração de sucessos momentâ- a esse aspecto, cabe esclarecer que as par-
neos não passa de um intervalo antes de ticipantes da pesquisa ainda encontram-se
outra rodada de trabalho duro. Uma coi- na graduação e já demonstram estar exces-
sa que os que buscam a “aptidão” sabem sivamente preocupadas com a descartabi-
com certeza é que ainda não estão sufi-
lidade dos conhecimentos que estão sendo
cientemente aptos, e que devem continuar
aprendidos no decorrer do curso. É como se
tentando. A busca da aptidão é um estado
de auto-exame minucioso, auto-recrimi-
as mesmas estivessem vivendo na cidade de
nação e auto-depreciação permanentes, e Leônia, descrita por Calvino (1990) em sua
assim também de ansiedade contínua. obra “As cidades invisíveis”. Em tal cidade
os habitantes diariamente jogam fora todos
Conforme o mesmo autor, a procura os objetos que foram usados por eles mes-
pelo desenvolvimento da aptidão pode ser mos no dia anterior, e a vida recomeça do
comparada ao processo vivenciado pelos zero, interminavelmente. Tudo parece per-
garimpeiros em busca de pedras preciosas, feito, porém os moradores da cidade têm
no qual os mesmos, independentemente de um grande problema com o lixo acumulado
seus esforços, jamais alcançam o triunfo e com a materialidade inconveniente dos
definitivo. Por essa razão, o docente preci- objetos que foram descartados. A partir de
sa impor a si mesmo a prescrição de apren- tais colocações, questionamos: Será que os
der a todo o momento, de movimentar-se acadêmicos participantes de nossa pesquisa
buscando incessantemente novos conheci- tornaram-se os mais novos habitantes da ci-
mentos, tendo em vista sintonizar-se com dade de Leônia? Será que a ficção começa
as demandas contemporâneas e perceber-se a tornar-se realidade no âmbito da formação
enquanto ser humano em eterno aprimora- acadêmica de professores? Não temos a pre-
mento. Evidencia-se, assim, um desloca- tensão de encontrar respostas para tais ques-
mento econômico da sociedade para o indi- tionamentos, mas de apenas desafiar nossos
víduo, cuja ênfase atual é a (auto) afirmação leitores a continuarem pensando a respeito
da operacionalização do empreendedorismo
do mesmo, enquanto responsável por ser
nos espaços educacionais e em possibilida-
saudável/produtivo, por ser feliz, sexual-
des de resistências frente à normalização das
mente satisfeito, por aprender sozinho, por
condutas.
aprender a aprender, por aprender sempre,
por inovar e por buscar alcançar metas cada
vez mais ousadas e desafiadoras em sua vida.
Para continuar pensando:
Nesse sentido, constitui-se uma gra-
mática de desenvolvimento da aptidão pro- Considerações finais
fissional/pessoal docente, na qual estipular
Empreendedorismo como “valor pe-
metas, ler/reler obras importantes, buscar
dagógico”. Metodologia de Projetos. In-
informações, assistir a seminários/palestras,
vestimento na formação. Expressões que

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possibilitaram discutirmos o novo conjunto e destino, entre andar a deriva e viajar”. Eis
de dinâmicas sócio-comportamentais, que o desafio proposto. Ler o presente. Tornar-
estão em funcionamento na sociedade con- -se um cronista do presente. Aprender novas
temporânea. Expressões que legitimadas por formas de habitar o mundo. Aprender novas
um número cada vez maior de discursos de formas de se relacionar com as pessoas, sem
caráter empresarial/gerencial, começam a jamais esquecer de que somos humanos –
produzir novas subjetividades no contexto demasiadamente humanos.
das instituições educativas, orientadas por
valores culturais existentes no ethos em-
presarial, conforme pode ser observado no REFERÊNCIAS:
decorrer das análises e discussões apresen-
tadas. Por essa razão, no decorrer do artigo,
procuramos enfatizar os pontos de contato BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as
entre os enunciados emergentes da cultu- consequências humanas. Rio de Janeiro: Jor-
ra neoliberal (empreendedorismo, gestão, ge Zahar Editora, 1999.
projetos e investimento), problematizando BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líqui-
os efeitos da legitimação e da naturalização da. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora,
do universo empresarial/gerencial nos pro- 2001.
cessos de ensinar e de aprender, na atuação
BENDASSOLI, Pedro Fernando. Os feti-
dos supervisores escolares, na formação de
ches da gestão. São Paulo: Ideias e Letras,
alunos do Ensino Médio (nível técnico) e
2009.
de pedagogos em processo de formação aca-
dêmica. BOLTANSKI, Luc; CHIAPELLO, Eve. O
A partir de tais colocações, cabe res- novo espírito do capitalismo. São Paulo:
saltarmos “que o sujeito [seja ele o profes- Editora Martins Fontes, 2009.
sor, supervisor escolar, acadêmico, etc.] não CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. São
constrói sentidos e significados de maneira Paulo: Companhia das Letras, 1990.
livre, mas através de diversos sistemas de
restrições e incitações discursivas” (PALA- DELEUZE, Gilles. Conversações. São Pau-
MIDESSI, 1996, p. 195 – tradução nossa). lo: Editora 34, 2007.
Nessa perspectiva, consideramos que o exer- DOLABELA, Fernando. Pedagogia empre-
cício de problematização dos discursos que endedora. São Paulo: Editora de Cultura,
instituem o empreendedorismo como um 2003.
valor pedagógico e como a única referên-
FOUCAULT, Michel. A ordem do discur-
cia na formação de estudantes e acadêmicos
so. São Paulo: Loyola, 2005.
seja uma tarefa urgente a ser exercitada pelas
instituições de ensino (sejam essas Escolas ______. A arqueologia do saber. Rio de Ja-
ou Universidades) atualmente. Tarefa que se neiro: Forense Universitária, 2007.
potencializa nas palavras de Bauman (1999, GADELHA, Sylvio. Governamentalidade
p.11), quando o mesmo sugere que realizar neoliberal e instituição de uma infância em-
leituras do tempo presente torna-se “o ser- preendedora. In: KOHAN, Omar (Org.). De-
viço mais urgente que devemos prestar aos vir-criança da filosofia: infância e educação
nossos companheiros humanos e a nós mes- Belo Horizonte: Autêntica, 2010. p.123-140.
mos”, fazendo toda a diferença “entre sina

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