Tudo sobre Locomotivas e Vagões

Entenda um pouco mais sobre o modal ferroviário. O artigo de autoria da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários inicia apresentando um breve histórico sobre o surgimento das locomotivas, mostrando a seguir os tipos de locomotivas e os tipos de vagões existentes, utilizados no transporte ferroviário.

1 Locomotivas
As primeiras idéias para utilização do vapor para movimentação de veículos datam do século XVII, sendo construído por Richard Trevithick no País de Gales somente em 1804 um carro a vapor sobre trilhos. Em 1814 o inglês Geoge Stephenson apresentou a locomotiva "Blucher", e em 1825 fundou com outros sócios a firma Robert Stephenson & Co., primeira fábrica de locomotivas do mundo. Desta fábrica sairam a locomotiva "Locomotion" para a Stockton & Darlington Railway, primeira ferrovia pública do mundo, e a famosa "Rocket", vencedora do concurso de de Rainhill para a Liverpool & Manchester Railway em 1829, que pelas suas características se firmaria como o ponto de partida das futuras locomotivas a vapor. Daí em diante vários países seguiram o exemplo construindo ferrovias, incluisive o Brasil, que inaugurou por iniciativa do empresário Irineu Evangelista de Souza em 30 de abril de 1854 a Imperial Companhia de Navegação a Vapor - Estrada de Ferro de Petrópolis, mais conhecida como Estrada de Ferro Mauá, sendo utilizada para tracionar o trem inaugural a locomotiva 2-2-2T número 1, fabricada por William Fairbain & Sons na Inglaterra. A locomotiva ganhou o nome "Baroneza", em homenagem à esposa de Irineu Evangelista de Souza, que nesta ocasião recebeu o título de Barão de Mauá, e atualmente está

lenha ou óleo .que fica armazenado no tender. Na parte superior um conjunto de válvulas colhe o vapor e o distribui para os cilindros onde vai acionar os êmbolos. por onde passa a chama para o aquecimento e produção do vapor. escapando depois por um tubo Venturi dentro da caixa de fumaça para a chaminé e com isto aumentando a tiragem para manter intensa a chama na fornalha. no Rio de Janeiro.preservada como a peça mais importante do Museu do Trem. junto com a água para reabastecimento constante da caldeira. melhorando o rendimento. A energia para produção do vapor na caldeira vem da fornalha localizada mais atrás. Sendo a locomotiva equipada com superaquecedor o vapor. ao sair da caldeira. 1. A caldeira é basicamente um tanque de aço resistente a altas pressões cheio d'água e com tubos interligando a fornalha à caixa de fumaça na parte da frente. queimando combustível .carvão.1 Locomotivas a vapor As locomotivas a vapor utilizam o vapor sob pressão para acionar os êmbolos que transmitem o movimento por puxavantes e braçagens às rodas. Esquema de uma típica locomotiva a vapor: . passa por uma serpentina de tubos em contato com a chama para aumentar sua temperatura e pressão.

em 1879. Rapidamente vários países europeus adotaram a novidade eletrificando suas ferrovias. no Rio de Janeiro em 1892. sendo mais comum a Whyte. os EUA e também no Brasil.2 Locomotivas elétricas Durante a realização da Exposição Industrial de Berlim. as locomotivas têm uma classificação. com a utilização de turbinas para acionamento das rodas via engrenagens ou geradores e motores elétricos. Em 1922 iniciou-se a eletrificação da Companhia Paulista . Esquema das principais rodagens de locomotiva a vapor Nos EUA e na Europa outros tipos de locomotivas a vapor foram também desenvolvidos. principalmente depois do desenvolvimento das modernas locomotivas diesel. apresentada pelo engenheiro alemão Werner Von Siemens. e pela E. 1.De acordo com o arranjo das rodas guias. motrizes e portantes. F. adotada na Inglaterra. mas acabaram sendo abandonados devido à complexidade e altos custos. No Brasil a tração elétrica foi empregada pela primeira pela Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico. do Corcovado em 1910. uma locomotiva elétrica circulou pela primeira vez.

Embora estendida a várias ferrovias brasileiras. Locomotivas elétricas de cremalheira Hitachi. ou do terceiro trilho por uma sapata lateral. a tração elétrica foi aos poucos sendo desativada devido à obsolescência dos equipamentos existentes e aos altos custos de manutenção dos equipamentos fixos. A única linha de carga atualmente em operação é a cremalheira da MRS entre Piassaguera e Paranapiacaba. e em 1937 da Central do Brasil. nas linhas de subúrbios no Rio de Janeiro. ficando restrita atualmente aos sistemas de transporte metropolitano nas principais capitais. O mesmo princípio se aplica aos trens unidade de passageiros utilizados nos sistemas de transporte metropolitano. da MRS De uma forma geral as locomotivas elétricas captam a energia da rede aérea por um pantógrafo. No Brasil a maioria dos sistemas de eletrificação com rede aérea opera . na serra do Mar em São Paulo.de Estradas de Ferro. e através de equipamentos de controle alimenta os motores de tração localizados nos truques.

a 750 V. Na E. na Bahia. e com terceiro trilho com corrente contínua a 750 V. F. do Corcovado a corrente é alternada trifásica. fabricada para a Central of New Jersey Railroad. devido principalmente ao tamanho e peso excessivos e também pela dificuldade de transmissão do movimento e do torque às rodas.com corrente contínua a 3. 1.3 Locomotivas diesel-elétricas Embora inventados desde o final do século XIX respectivamente por Nikolaus A. especialmente nas ferrovias de transporte pesado de cargas dos EUA. Uma tecnologia mais recente é a dos motores de tração a corrente alternada. mas ainda não utilizada no Brasil. Otto e Rudolph Diesel os motores a gasolina e diesel de início não tiveram aplicação comercial na tração ferroviária. Central do Brasil. A partir daí a tração diesel-elétrica se tornou um sucesso. a partir de 1943. praticamente eliminando o vapor a partir da década de 1950. No Brasil a primeira ferrovia a ter locomotivas diesel-elétricas foi a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro. . sendo amplamente utilizada no Brasil desde então. recebendo 3 locomotivas 1-B-B1 fabricadas pela English Electric em 1938. F. já comum em diversas ferrovias da América do Norte. e a primeira ferrovia a dar início efetivo à dieselisação foi a E. produzindo corrente alternada a ser retificada e enviada aos motores de tração de corrente contínua.000 V. Nas locomotivas diesel-elétricas o motor diesel aciona um gerador que produz a energia elétrica destinada aos motores de tração localizados nos truques e acoplados às rodas motrizes por engrenagens. Especialmente a partir da década de 1970 passou-se a utilizar o alternador. Somente em 1925 foi apresentada pela General Electric associada à Ingersoll-Rand uma locomotiva diesel-elétrica de manobras.

. atribuindo-se letra às rodas motrizes e número às rodas livres sem tração. especialmente na Alemanha. Esta classificação também se aplica às locomotivas elétricas. Principalmente entre as décadas de 1950 e 70 tivemos no Brasil vários exemplos de utilização deste tipo de locomotiva.Esquema de uma típica locomotiva diesel-elétrica Paralelamente foi sendo desenvolvida na Europa. onde o motor diesel aciona um conversor de torque hidráulico acoplado aos eixos de dada truque. Esquema das principais rodagens de locomotivas diesel-elétricas As fotos seguintes apresentam alguns dos principais modelos de locomotivas diesel-elétricas em operação em várias ferrovias do Brasil. a tração diesel-hidráulica. estando atualmente limitado a algumas unidades de manobras em indústrias. De acordo com o arranjo das rodas nos truques as locomotivas têm uma classificação.

com rodagem B-B . com rodagem B-B Locomotiva Macosa modelo G22U da ALL.Locomotiva GM modelo G12 da Ferropar. com rodagem B-B Locomotiva GM modelo G12 da FTC.

com rodagem C-C Locomotiva GE modelo C30-7 da ALL.Locomotiva GE modelo U20C da Ferroban. com rodagem C-C .

Locomotiva GE modelo C30-7A da Ferronorte. com rodagem C-C . com rodagem C-C Locomotiva Macosa modelo GT26CU-2 da FCA.

com rodagem C-C Locomotiva GE modelo C44-9WM da EFC. com rodagem C-C .Locomotiva GM modelo SD40-3MP da MRS.

com rodagem D-D .Locomotiva GE modelo C44-9WM da Ferronorte. com rodagem C-C Locomotiva GM modelo DDM45 da EFVM.

Locomotiva GE modelo BB36-7 da EFVM. com rodagem B+B-B+B .

identifica a denominada manga do eixo. .0000 a 130.Frota particular: 000001 a 099999.0000 a 130. de cada vagão.CVRD: 100000 a 299999. subdividia-se em: . . a primeira letra identifica o tipo de vagão.R: de bitola larga. A numeração propriamente dita. por seu turno. e a segundo seu subtipo. as mangas variam de P a U (pesos brutos máximos de 47. bloco II do exemplo antes citado.RFFSA: 600000 a 999999. o significado seria: . com peso bruto máximo de 80. que. encontrável apenas nas figuras aqui disponibilizadas.Fepasa: 300000 a 599999.000 kgf. as mangas variam de A a G (pesos brutos máximos de 30. respectivamente). . está relacionada ao proprietário do vagão. respectivamente). . para o caso antes exemplificado.000 kgf. limita o peso bruto máximo.G: vagão tipo gôndola. São essas duas letras que orientam a classificação geral de vagões abaixo mostrada. como mostrado abaixo: No bloco I. ao tempo de elaboração da norma.2 Vagões A norma brasileira de classificação de vagões (NBR 11691) estabelece que a classificação de vagões seja feita através de três letras e sete números. Para bitola métrica. que.P: com bordas fixas e portas laterais.000 kgf. . Assim. na bitola larga. . A terceira letra.

alguns deles com links para fotos e desenhos técnicos. . último elemento do exemplo antes citado. . por sete. cargas unitizadas e transporte de produtos em geral que não podem ser expostos ao tempo: FR .1 Vagões tipo fechado .Finalmente.Convencional. caixa metálica sem revestimento FM .Convencional. apresentam-se em seguida os tipos de vagões mais usados no Brasil.Com laterais corrediças (all-door) FP .Com escotilhas.Com escotilhas e portas plug FH . ensacados.Convencional.para granéis sólidos.Ventilado FQ . quanto ao dígito verificador. -divisão do resultado da soma por onze. seu cálculo obedece à seguinte marcha: .subtração de onze menos o resto da divisão (se houver). por seis. caixa de madeira FE . 2.Outros tipos . portas basculantes.soma das multiplicações. da esquerda para a direita. fundo em lombo de camelo FV . tremonhas no assoalho e portas plug FL . caixa metálica com revestimento FS . Conhecidos os critérios de classificação.multiplicação de cada algarismo. caixarias. por cinco e assim sucessivamente.Com escotilhas.

Com bordas fixas e cobertura móvel GT .Com bordas tombantes GS .fechados para granéis corrosivos e granéis sólidos que não podem ser expostos ao tempo e abertos para os granéis que podem ser expostos ao tempo: HF .Aberto .Basculante GQ .Com bordas tombantes e cobertura móvel GB .bottom) GM .Tanque (center-flow) convencional HA .Tanque (center-flow) com proteção anti-corrosiva HT .2.Com semi-bordas tombantes GH .Fechado convencional HP .Com bordas fixas e fundo móvel (drop .2 Vagões tipo gôndola .Com bordas fixas e portas laterais GF .Para descarga em giradores de vagão GP .Com bordas Basculantes ou semi-tombantes com fundo em lombo de camelo GC .Outros tipos 2.Fechado com proteção anti-corrosiva HE .3 Vagões tipo hopper .para granéis sólidos e produtos diversos que podem ser expostos ao tempo: GD .

as mangas variam de A a G (pesos brutos máximos de 30.G: vagão tipo gôndola. e a segundo seu subtipo. que. subdividia-se em: . A numeração propriamente dita. com peso bruto máximo de 80. para o caso antes exemplificado.Frota particular: 000001 a 099999.outros tipos 2.0000 a 130. na bitola larga. . Assim. identifica a denominada manga do eixo.com unidade frigorífica IQ .0000 a 130. seu cálculo obedece à seguinte marcha: .RFFSA: 600000 a 999999. Finalmente. São essas duas letras que orientam a classificação geral de vagões abaixo mostrada.CVRD: 100000 a 299999. . ao tempo de elaboração da norma.HQ .Outros tipos No bloco I.4 Vagões tipo isotérmico .000 kgf. Para bitola métrica. .produtos congelados em geral: IC .Fepasa: 300000 a 599999.000 kgf. o significado seria: .P: com bordas fixas e portas laterais. bloco II do exemplo antes citado. . as mangas variam de P a U (pesos brutos máximos de 47.R: de bitola larga. último elemento do exemplo antes citado. que. de cada vagão. encontrável apenas nas figuras aqui disponibilizadas. respectivamente).Convencional com bancos de gelo IF . A terceira letra. a primeira letra identifica o tipo de vagão. . por seu turno. quanto ao dígito verificador. limita o peso bruto máximo. está relacionada ao proprietário do vagão. respectivamente).000 kgf.

divisão do resultado da soma por onze.Com bordas fixas e fundo móvel (drop .Outros tipos 2. ensacados.para granéis sólidos.Com escotilhas.Com semi-bordas tombantes . Conhecidos os critérios de classificação.Para descarga em giradores de vagão GP .6 Vagões tipo gôndola . portas basculantes. por cinco e assim sucessivamente.bottom) GM .Com bordas fixas e cobertura móvel GT .5 Vagões tipo fechado .para granéis sólidos e produtos diversos que podem ser expostos ao tempo: GD . 2. por sete. da esquerda para a direita.Com bordas tombantes GS .Com bordas fixas e portas laterais GF .multiplicação de cada algarismo. tremonhas no assoalho e portas plug FL .soma das multiplicações. alguns deles com links para fotos e desenhos técnicos.Com laterais corrediças (all-door) FP . cargas unitizadas e transporte de produtos em geral que não podem ser expostos ao tempo: FR . caixa metálica sem revestimento FM . . caixarias. .subtração de onze menos o resto da divisão (se houver).Com escotilhas e portas plug FH .Convencional.Convencional.Convencional. caixa de madeira FE .Ventilado FQ . por seis. fundo em lombo de camelo FV .. . apresentam-se em seguida os tipos de vagões mais usados no Brasil. caixa metálica com revestimento FS .Com escotilhas.

contêineres.Fechado com proteção anti-corrosiva HE .Com bordas Basculantes ou semi-tombantes com fundo em lombo de camelo GC .outros tipos 2.Tanque (center-flow) com proteção anti-corrosiva HT .GH .com unidade frigorífica IQ .produtos congelados em geral: IC .Basculante GQ .Outros tipos 2. peças de grandes dimensões: PM . madeira.Aberto HQ .Fechado convencional HP .Com bordas tombantes e cobertura móvel GB . grandes volumes.Para serviço piggyback PP .Para bobinas .Outros tipos 2.Convencional com piso metálico PD .8 Vagões tipo isotérmico .Convencional com piso de madeira PE . produtos siderúrgicos.Tanque (center-flow) convencional HA .7 Vagões tipo hopper ? fechados para granéis corrosivos e granéis sólidos que não podem ser expostos ao tempo e abertos para os granéis que podem ser expostos ao tempo: HF .Convencional com dispositivo para contêineres PC .9 Vagões tipo plataforma .Para contêineres PR .Convencional com bancos de gelo IF .Com cabeceira (bulkhead) PB .Com estrado rebaixado PG .

Com abertura telescópica PQ . etc. etc.11 Vagões especiais .Gôndolas para sucata. placas de aço.Convencional TS . SG .Para produtos pulverulentos TF . SQ .org. escórias.Com serpentinas para aquecimento TP .para ácidos e líquidos corrosivos TG .br .antf.produtos com características de transporte bem distintas das anteriores: ST .cimento a granel.Outros tipos de vagão plataforma 2.para gás liqüefeito de petróleo TQ .Outros tipos 2. derivados de petróleo claros e líquidos não corrosivos em geral: TC .Basculante SP .Para fertilizantes TA .Outros tipos Fonte: Associação Nacional dos Transportes Ferroviários www.Com dois pavimentos para automóveis PH .10 Vagões tipo tanque .Plataforma para lingotes.PA .Torpedo (produtos siderúrgicos de alta temperatura) SB .

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