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Senhor, eu retorno para agradecer-lhe, tanto pelo favor de sua carta, quanto por sua
recomendação à proposta de meu pai a Sorbonne.

Eu não tenho tempo, nem inclinação para controvérsia com alguém, e, menos de tudo, com os
Romanistas [Católicos]. E isto, porque eu não posso confiar em algumas das citações deles, sem
consultar cada sentença que eles citaram nos originais, e porque os próprios originais, muito
dificilmente, podem ser confiados, em qualquer um dos seus pontos controversos entre eles e
nós. Eu não sou estranho à habilidade deles em corrigir esses autores que, a princípio, não
falaram de maneira expressiva de seus propósitos, como também em purgá-los daquelas
passagens que contradisseram suas emendas. E como eles não necessitaram de oportunidade
para fazer isto, então, sem dúvida, eles usaram cuidadosamente isto, com respeito a um ponto
que tão proximamente concerne a eles como a Supremacia do Bispo de Roma.

Eu não estou, portanto, surpreso, que as Obras de São Cipriano (como elas são denominadas),
tão ativamente mantenham isto; mas eu penso que elas não têm sido mais bem corrigidas,
porque elas ainda contêm passagens que absolutamente as destroem. Que negligência
grosseira foi deixar sua Epístola septuagésima-quarta (aos Pompeanos) fora do Índice
Expurgatório, em que o Papa Cipriano tão completamente responsabiliza Papa Stephen com
orgulho e obstinação, e de ser um defensor da causa dos heréticos, e aquela contra os cristãos
e a própria igreja de Deus! Aquele que puder reconciliar isto com sua crença, Stephen, o
infalível Chefe da Igreja, pode reconciliar o Evangelho com o Alcorão.

Ainda assim, eu não posso, de maneira alguma, aprovar a indecência e desrespeito com que os
Romanistas têm sido tratados. E não me atrevo a insultar ou menosprezar homem algum;
muito menos, com respeito àqueles que professam acreditar no mesmo Mestre. Mas eu tenho
muita pena deles; tendo a mesma segurança de que Jesus é o Cristo, que nenhum Romanista
pode esperar ser salvo, de acordo com os termos da Aliança Dele. Porque assim diz o Senhor:
"Qualquer um que quebrar um dos menores desses mandamentos, e ensiná-los aos homens
desta forma, ele será chamado o menor no Reino dos céus". E, "se algum homem acrescentar
junto a essas coisas, Deus acrescentará junto a ele as pragas que estão escritas neste livro".
Mas todos os Romanistas, como tais, fazem a ambos. Logo͙

A premissa menor eu provo, não dos autores Protestantes, nem mesmo dos escritores
específicos de sua própria comunhão, mas dos registros públicos autênticos da Igreja de Roma.
Tais são os Cânones e os Decretos do Concílio de Trent. E a edição que eu uso foi impressa em
Cologne, e aprovada pela autoridade.

Em Primeiro Lugar, todos os Romanistas como tais quebram e ensinam aos homens um (e não
o menor) desses mandamentos; as palavras dos quais, concernentes às imagens são estas:
[conforme original em Inglês]

Agora, (como todo estudante superficial em Hebreu sabe) é incurvare se, procumbere, honoris
exhibendi causa [͚Curvar-se diante de alguém em sinal de honrá-lo' (Wesley)]; (e é interpretado
de acordo pelos Setenta, neste mesmo local, por uma palavra grega da mesma importância, );
mas o Concílio de Trent (e conseqüentemente todos os Romanistas, como tais; todos que
permitem a autoridade daquele Concílio) ensinam (seção 25, parágrafo 2) que é legitimus
imaginum usus, -- eis honorera exhibere, procumbendo coram eis. [͚Que o próprio uso de
imagens é para honrá-los, curvando-se diante delas' (Wesley)].

Em Segundo Lugar, todos os Romanistas, como tais, acrescentam a essas coisas que estão
escritas no Livro da Vida. Porque na Bula Papal de Pio IV, anexas a esses Cânones e Decretos,
eu encontrei todas as seguintes adições:

1. Sete sacramentos;
2. Transubstanciação [Transformação da substância do pão e do vinho, durante a consagração
da missa, na substância do corpo e sangue de Jesus Cristo];
3. Comunhão de um tipo apenas;
4. Purgatório, e oração para o morto nele;
5. Orar para os santos;
6. Veneração às relíquias;
7. Adoração de imagens;
8. Indulgências;
9. A prioridade e universalidade da Igreja de Roma;
10. A supremacia do Bispo de Roma.

Todas essas coisas, portanto, os Romanistas acrescentam àquelas que estão escritas no Livro
da Vida. ʹ Eu sou.

John Wesley