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DADOS SOBRE FELICIANO PIMENTEL LANA

Feliciano Pimentel Lana, nasceu na aldeia de São João Batista, rio Tiquié,
Distrito de Pari-Cachoeira em 03 de janeiro de 1937. Filho de Manuel Lana
( etnia Dessana) e de Dona Paulina Pimentel Lana (etnia Tukano). Aos 11 anos
de idade (1946) foi para o Colégio S. João Bosco de Pari-Cachoeira, onde
iniciou seus estudos com o Professor Valério Gentil, coadjutor salesiano. Na 4ª e
5ª série do ensino primário, o professor de Feliciano foi o padre salesiano
Ezequiel Antonio Lópes, de quem recebeu os incentivos para desenvolver sua
arte.
No início da década de 50 trabalhou como ajudante de pedreiro e na olaria
da Missão Salesiana em Pari-Cachoeira. Em 1953, foi para a Colômbia,
trabalhar na Missão Monfort dos padres salesianos, como ajudante de lavrador e
nos serviços de limpeza das fazendas, permanecendo nessa atividade até1955.
Sendo educado e curioso da língua espanhola, o Padre Pedro Escobar o levou
para a Escola Vocacional da Vila de Fátima, no rio Uaupés, para retomar seus
estudos. Infelizmente, uma epidemia de febres avassalou a localidade, fazendo
com que todas as pessoas fugissem para o mato. Assim sem outra alternativa,
Feliciano Lana segue viagem para o vilarejo de Mitu, no alto rio Uaupés ao
encontro de parentes. Em Mitu, trabalha na companhia de aviação ECA, como
servente de mecânico de trator (D-8). Morando no próprio aeroporto.
Em 1958 foi trabalhar por conta própria num seringal na região do rio Cururu,
mais acima de Mitu. Fica por lá até 1959.
Em 1960, volta para aldeia de São João e casa com Joaquina Machado,
filha do capitão Manuel Machado de Pari-Cachoeira. Trabalha na roça, mas
logo embrenha-se na mata atrás de novos seringais. Sente sua deficiência em
matemática, matéria que nunca priorizou na escola primária resolve voltar a
estudar. Volta para Pari-Cachoeira e se matricula no curso de Contabilidade
Geral por correspondência, pago com o dinheiro obtido com a venda da
madeira que serrava. Para se habilitar ao curso, estudou com afinco por duas
semanas as quatro operações. Depois de um ano de estudos, o correio deixa de
funcionar na região. Dedica-se então apenas aos trabalhos da roça para manter
a família.
A partir de 1965 começou a desenvolver técnicas de pintura com tinta
guache / aquarelas e desenhos a nanquim.
Em 1967, encontrou o Padre Casimiro Béksta, ajudando-o em suas
pesquisas sobre mitologia. Gravava os mitos narrados pelo seu sogro, o tuchaua
Manuel Machado, de Pari-Cachoeira e enviava as fitas para Manaus, ao padre.
Como tinha que informar sobre alguns detalhes dos mitos ( trovões, etc. ) que
recolhia de Manuel Machado, optou por fazê-los através de rascunhos de
desenhos que enviava junto com o material . De posse desse material, Padre
Casimiro estimulou Feliciano, mandando grande quantidade de papel e lápis
de cor, tintas e pincéis. Todo o material produzido por Lana, nesse período, era
mostrado pelo Padre ao jovem escritor Márcio Souza (SESC/TESC).
Em 1975, veio para Manaus a convite do Pe. Casimiro para assistir a
montagem da peça de Márcio Souza (Dessana, Dessana). Passou três meses
em Manaus, na casa de Márcio e aproveitou para tirar a documentação. Na
oportunidade trouxe 180 estampas sobre a história de Deus Preguiça.
Voltou Para a comunidade São João Batista e passou a desenhar. Os
antropólogos que conheciam o seu trabalho passaram a divulgar nacional e
internacionalmente o seu desenhos. Berta Ribeiro encomendou uma série sobre
“A Criação do Mundo segundo os Dessana”.
Atraído pela notícia da descoberta do ouro na Serra do Traíra onde consegui
80 gramas de ouro, o que lhe permitiu montar um pequeno restaurante. Passou
dois anos nessa atividade.
Feliciano Pimentel Lana atualmente reside em São Gabriel da Cachoeira,
Am. È um artista plástico muito conhecido na região dos rios Tiquié e Uaupés, no
alto rio Negro . Suas obras foram expostas na Alemanha, Itália, França e
Espanha. Possui trabalhos com pesquisadores americanos. Desde 1995 (?)
participa de eventos como convidado das atividades de extensão e pesquisa da
UFAM.
Recentemente participou de eventos sobre o Amazonas em São Paulo
(agosto 2002).