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VADE MECUM BRAVO - POLÍCIA PENAL-MG – 2021
COORDENAÇÃO: PROF. MARCELO NARCISO

DADOS DA OBRA

Gestão de Conteúdo e Produção Editorial


Prof. Marcelo Narciso

Diagramação
Prof. Josimare Mota

• VADE MECUM BRAVO – POLÍCIA PENAL-MG


2021
• 2ª Edição - 2021
• PÁGINAS: 200

Nota do Editor
Caro candidato(a), você está adquirindo um material
atualizado, de alta qualidade, contendo as principais normas
exigidas no concurso. O conteúdo é uma junção/adaptação
dos dois últimos editais do concurso para o Departamento
Penitenciário de Minas Gerais.

Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra.


No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou
dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a
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O VADE MECUM BRAVO POLÍCIA PENAL-MG 2021 é uma compilação das


principais normas do seu concurso. O objetivo é que ele seja um material de consulta,
a ser utilizado em toda a sua preparação. Pretendemos que ele seja o seu
companheiro sempre que você estiver assistindo nossas videoaulas ou lendo os
nossas Apostilas ou livros digitais (PDFs). Acreditamos que ele fará diferença na sua
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SUMÁRIO Lei Estadual 21.068/2013 (Porte de Arma do Agente


de Segurança Penitenciário). _________________ 122
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO
BRASIL DE 1988 (COM AS ALTERAÇÕES DECRETO 47.795 DE DEZEMBRO DE 2019 Revogou o
INTRODUZIDAS PELAS EMENDAS CONSTITUCIONAIS) 1 Decreto 47.087 de 2016 (Dispõe Sobre a Organização
da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança
DIREITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. _ 1 Pública) __________________________________ 123
DIREITOS HUMANOS ________________________ 14 Código Penal Brasileiro Decreto-Lei n° 2.848/40 Arts.
Declaração Universal dos Direitos Humanos______ 14 1ª ao 42 e do art. 312 ao 327 (com atualizações do
Pacote Anticrime Lei nº 13.964, de 2019). _______ 156
Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de
San José da Costa Rica)_______________________ 17 LEGISLAÇÃO ESTADUAL _____________________ 164

Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou DECRETO 47.528, DE 12/11/2018 Revogou o Decreto
Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes. ______ 30 46.060 de 2012 (regulamenta a Lei Estadual
Complementar nº 116/2011, que dispõe sobre a
Decreto nº 40/1991 (Convenção Contra a Tortura e
prevenção e a punição do assédio moral na
Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
Administração Pública Direta e Indireta do Poder
Degradantes). ______________________________ 30
Executivo Estadual) _________________________ 164
Decreto nº 98.386/1989 (Convenção Interamericana
Lei Estadual nº 869/1952 e suas alterações
para Prevenir e Punir a Tortura). _______________ 37
posteriores (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis
Regras Mínimas das Nações Unidas para o do Estado de Minas Gerais) __________________ 168
Tratamento dos Presos (Regras de Mandela) _____ 40
Decreto nº 46.644/2014 (Dispõe sobre o Código de
Grupos Vulneráveis e o Sistema Prisional ________ 40 Conduta Ética do Agente Público e da Alta
Protocolo das Nações Unidas contra o Crime Administração Estadual). ____________________ 197
Organizado Transnacional Relativo à Prevenção,
Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em
Especial Mulheres e Crianças. _________________ 55
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ________________ 61
LEI FEDERAL n.º 7.210/1984 (Institui a Lei de Execução
Penal) com atualizações inseridas pelo pacote
Anticrime da Lei 13.964, de 2019. ______________ 61
LEI ESTADUAL 11.404 DE 25/01/1994 (Contém
Normas De Execução Penal No Estado de Minas
Gerais). ___________________________________ 83
Lei Federal n.º 9.455/1997 (Lei da Tortura) e
alterações posteriores. ______________________ 100
Lei nº 13.869/2019 (antiga Lei nº 4.898/1965) - Lei de
Abuso de Autoridade. ______________________ 101
Lei Federal nº 10.826/2003 (Estatuto do
Desarmamento) e alterações posteriores (com
atualizações do Pacote Anticrime Lei nº 13.964, de
2019). ___________________________________ 107
Lei Federal nº 12.850/2013 (Organização Criminosa)
com atualizações do Pacote Anticrime Lei nº 13.964,
de 2019. _________________________________ 115
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brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a


CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
DE 1988 (COM AS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELAS igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
EMENDAS CONSTITUCIONAIS) seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e
obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa senão em virtude de lei;
DIREITOS HUMANOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
III - ninguém será submetido a tortura nem a
Art. 1º A República Federativa do Brasil, tratamento desumano ou degradante;
formada pela união indissolúvel dos Estados e IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em vedado o anonimato;
Estado Democrático de Direito e tem como V - é assegurado o direito de resposta, proporcional
fundamentos: ao agravo, além da indenização por dano material,
I - a soberania; moral ou à imagem;
II - a cidadania VI - é inviolável a liberdade de consciência e de
III - a dignidade da pessoa humana; crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
IV - os valores sociais do trabalho e da livre religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos
iniciativa; locais de culto e a suas liturgias;
V - o pluralismo político. VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, assistência religiosa nas entidades civis e militares de
que o exerce por meio de representantes eleitos ou internação coletiva;
diretamente, nos termos desta Constituição. (...) VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de
Art. 2º São Poderes da União, independentes e crença religiosa ou de convicção filosófica ou
harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o política, salvo se as invocar para eximir-se de
Judiciário. obrigação legal a todos imposta e recusar-se a
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
República Federativa do Brasil: IX - é livre a expressão da atividade intelectual,
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; artística, científica e de comunicação,
II - garantir o desenvolvimento nacional; independentemente de censura ou licença;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
as desigualdades sociais e regionais; honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de a indenização pelo dano material ou moral
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras decorrente de sua violação;
formas de discriminação. XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nela podendo penetrar sem consentimento do
nas suas relações internacionais pelos seguintes morador, salvo em caso de flagrante delito ou
princípios: desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia,
I - independência nacional; por determinação judicial; (Vide Lei nº 13.105, de
II - prevalência dos direitos humanos; 2015) (Vigência)
III - autodeterminação dos povos; XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das
IV - não-intervenção; comunicações telegráficas, de dados e das
V - igualdade entre os Estados; comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por
VI - defesa da paz; ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei
VII - solução pacífica dos conflitos; estabelecer para fins de investigação criminal ou
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de
IX - cooperação entre os povos para o progresso da 1996)
humanidade; XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício
X - concessão de asilo político. ou profissão, atendidas as qualificações profissionais
Parágrafo único. A República Federativa do que a lei estabelecer;
Brasil buscará a integração econômica, política, XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e
social e cultural dos povos da América Latina, resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
visando à formação de uma comunidade latino- exercício profissional;
americana de nações. XV - é livre a locomoção no território nacional em
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
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da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a
bens; outros signos distintivos, tendo em vista o interesse
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem social e o desenvolvimento tecnológico e econômico
armas, em locais abertos ao público, do País;
independentemente de autorização, desde que não XXX - é garantido o direito de herança;
frustrem outra reunião anteriormente convocada XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados
para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio no País será regulada pela lei brasileira em benefício
aviso à autoridade competente; do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus";
lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a do consumidor;
de cooperativas independem de autorização, sendo XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos
vedada a interferência estatal em seu públicos informações de seu interesse particular, ou
funcionamento; de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas
XIX - as associações só poderão ser no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à
suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no segurança da sociedade e do Estado; (Regulamento)
primeiro caso, o trânsito em julgado; (Vide Lei nº 12.527, de 2011)
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou XXXIV - são a todos assegurados,
a permanecer associado; independentemente do pagamento de taxas:
XXI - as entidades associativas, quando a) o direito de petição aos Poderes Públicos em
expressamente autorizadas, têm legitimidade para defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de
representar seus filiados judicial ou poder;
extrajudicialmente; b) a obtenção de certidões em repartições públicas,
XXII - é garantido o direito de propriedade; para defesa de direitos e esclarecimento de
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; situações de interesse pessoal;
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder
desapropriação por necessidade ou utilidade Judiciário lesão ou ameaça a direito;
pública, ou por interesse social, mediante justa e XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos jurídico perfeito e a coisa julgada;
previstos nesta Constituição; XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXV - no caso de iminente perigo público, a XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a
autoridade competente poderá usar de propriedade organização que lhe der a lei, assegurados:
particular, assegurada ao proprietário indenização a) a plenitude de defesa;
ulterior, se houver dano; b) o sigilo das votações;
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida c) a soberania dos veredictos;
em lei, desde que trabalhada pela família, não será d) a competência para o julgamento dos crimes
objeto de penhora para pagamento de débitos dolosos contra a vida;
decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina,
lei sobre os meios de financiar o seu nem pena sem prévia cominação legal;
desenvolvimento; XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de o réu;
utilização, publicação ou reprodução de suas obras, XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei dos direitos e liberdades fundamentais;
fixar; XLII - a prática do racismo constitui crime
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de
a) a proteção às participações individuais em obras reclusão, nos termos da lei;
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e
inclusive nas atividades desportivas; insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura,
b) o direito de fiscalização do aproveitamento o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
econômico das obras que criarem ou de que terrorismo e os definidos como crimes hediondos,
participarem aos criadores, aos intérpretes e às por eles respondendo os mandantes, os executores
respectivas representações sindicais e associativas; e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos (Regulamento)
industriais privilégio temporário para sua utilização,
bem como proteção às criações industriais, à
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XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos
ação de grupos armados, civis ou militares, contra a processuais quando a defesa da intimidade ou o
ordem constitucional e o Estado Democrático; interesse social o exigirem;
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito
condenado, podendo a obrigação de reparar o dano ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
e a decretação do perdimento de bens ser, nos judiciária competente, salvo nos casos de
termos da lei, estendidas aos sucessores e contra transgressão militar ou crime propriamente militar,
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio definidos em lei;
transferido; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
adotará, entre outras, as seguintes: competente e à família do preso ou à pessoa por ele
a) privação ou restrição da liberdade; indicada;
b) perda de bens; LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre
c) multa; os quais o de permanecer calado, sendo-lhe
d) prestação social alternativa; assegurada a assistência da família e de advogado;
e) suspensão ou interdição de direitos; LXIV - o preso tem direito à identificação dos
XLVII - não haverá penas: responsáveis por sua prisão ou por seu
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos interrogatório policial;
termos do Art. 84, XIX; LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada
b) de caráter perpétuo; pela autoridade judiciária;
c) de trabalhos forçados; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido,
d) de banimento; quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou
e) cruéis; sem fiança;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do
distintos, de acordo com a natureza do delito, a responsável pelo inadimplemento voluntário e
idade e o sexo do apenado; inescusável de obrigação alimentícia e a do
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à depositário infiel;
integridade física e moral; LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que
L - às presidiárias serão asseguradas condições para alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
que possam permanecer com seus filhos durante o violência ou coação em sua liberdade de locomoção,
período de amamentação; por ilegalidade ou abuso de poder;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para
naturalizado, em caso de crime comum, praticado proteger direito líquido e certo, não amparado por
antes da naturalização, ou de comprovado habeas corpus ou habeas data, quando o
envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for
drogas afins, na forma da lei; autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
LII - não será concedida extradição de estrangeiro exercício de atribuições do Poder Público;
por crime político ou de opinião; LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser
LIII - ninguém será processado nem sentenciado impetrado por:
senão pela autoridade competente; a) partido político com representação no Congresso
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus Nacional;
bens sem o devido processo legal; b) organização sindical, entidade de classe ou
LV - aos litigantes, em processo judicial ou associação legalmente constituída e em
administrativo, e aos acusados em geral são funcionamento há pelo menos um ano, em defesa
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os dos interesses de seus membros ou associados;
meios e recursos a ela inerentes; LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas que a falta de norma regulamentadora torne inviável
obtidas por meios ilícitos; o exercício dos direitos e liberdades constitucionais
LVII - ninguém será considerado culpado até o e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à
trânsito em julgado de sentença penal condenatória; soberania e à cidadania;
LVIII - o civilmente identificado não será submetido LXXII - conceder-se-á habeas data:
a identificação criminal, salvo nas hipóteses a) para assegurar o conhecimento de informações
previstas em lei; (Regulamento) relativas à pessoa do impetrante, constantes de
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação registros ou bancos de dados de entidades
pública, se esta não for intentada no prazo legal; governamentais ou de caráter público;

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b) para a retificação de dados, quando não se prefira Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e
fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
administrativo; condição social:
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para I - relação de emprego protegida contra despedida
propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei
patrimônio público ou de entidade de que o Estado complementar, que preverá indenização
participe, à moralidade administrativa, ao meio compensatória, dentre outros direitos;
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, II - seguro-desemprego, em caso de desemprego
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de involuntário;
custas judiciais e do ônus da sucumbência; III - fundo de garantia do tempo de serviço;
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente
e gratuita aos que comprovarem insuficiência de unificado, capaz de atender a suas necessidades
recursos; vitais básicas e às de sua família com moradia,
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário,
judiciário, assim como o que ficar preso além do higiene, transporte e previdência social, com
tempo fixado na sentença; reajustes periódicos que lhe preservem o poder
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para
pobres, na forma da lei: (Vide Lei nº 7.844, de 1989) qualquer fim;
a) o registro civil de nascimento; V - piso salarial proporcional à extensão e à
b) a certidão de óbito; complexidade do trabalho;
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em
habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários convenção ou acordo coletivo;
ao exercício da cidadania. (Regulamento) VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo,
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, para os que percebem remuneração variável;
são assegurados a razoável duração do processo e os VIII - décimo terceiro salário com base na
meios que garantam a celeridade de sua tramitação. remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) IX – remuneração do trabalho noturno superior à do
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias diurno;
fundamentais têm aplicação imediata. X - proteção do salário na forma da lei, constituindo
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta crime sua retenção dolosa;
Constituição não excluem outros decorrentes do XI – participação nos lucros, ou resultados,
regime e dos princípios por ela adotados, ou dos desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente,
tratados internacionais em que a República participação na gestão da empresa, conforme
Federativa do Brasil seja parte. definido em lei;
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre XII - salário-família pago em razão do dependente do
direitos humanos que forem aprovados, em cada trabalhador de baixa renda nos termos da lei;
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de
quintos dos votos dos respectivos membros, serão 1998)
equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído XIII - duração do trabalho normal não superior a oito
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Atos horas diárias e quarenta e quatro semanais,
aprovados na forma deste parágrafo: DLG nº 186, de facultada a compensação de horários e a redução da
2008, DEC 6.949, de 2009, DLG 261, de 2015, DEC jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de
9.522, de 2018) trabalho; (vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943)
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado
Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo
adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, negociação coletiva;
de 2004) XV - repouso semanal remunerado,
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, preferencialmente aos domingos;
a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, XVI - remuneração do serviço extraordinário
o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do
à maternidade e à infância, a assistência aos normal; (Vide Del 5.452, Art. 59 § 1º)
desamparados, na forma desta Constituição. XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de menos, um terço a mais do que o salário normal;
2015) XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e
do salário, com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
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XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII,
mediante incentivos específicos, nos termos da lei; XXV e XXVIII, bem como a sua integração à
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, previdência social. (Redação dada pela Emenda
sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; Constitucional nº 72, de 2013)
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por Art. 8º É livre a associação profissional ou
meio de normas de saúde, higiene e segurança; sindical, observado o seguinte:
XXIII - adicional de remuneração para as atividades I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para
penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; a fundação de sindicato, ressalvado o registro no
XXIV - aposentadoria; órgão competente, vedadas ao Poder Público a
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes interferência e a intervenção na organização
desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em sindical;
creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda II - é vedada a criação de mais de uma organização
Constitucional nº 53, de 2006) sindical, em qualquer grau, representativa de
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos categoria profissional ou econômica, na mesma base
coletivos de trabalho; territorial, que será definida pelos trabalhadores ou
XXVII - proteção em face da automação, na forma da empregadores interessados, não podendo ser
lei; inferior à área de um Município;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e
do empregador, sem excluir a indenização a que este interesses coletivos ou individuais da categoria,
está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; inclusive em questões judiciais ou administrativas;
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em
relações de trabalho, com prazo prescricional de se tratando de categoria profissional, será
cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, descontada em folha, para custeio do sistema
até o limite de dois anos após a extinção do contrato confederativo da representação sindical respectiva,
de trabalho;(Redação dada pela Emenda independentemente da contribuição prevista em lei;
Constitucional nº 28, de 2000) V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se
a) (Revogada). (Redação dada pela Emenda filiado a sindicato;
Constitucional nº 28, de 2000) VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas
b) (Revogada). (Redação dada pela Emenda negociações coletivas de trabalho;
Constitucional nº 28, de 2000) VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício votado nas organizações sindicais;
de funções e de critério de admissão por motivo de VIII - é vedada a dispensa do empregado
sexo, idade, cor ou estado civil; sindicalizado a partir do registro da candidatura a
XXXI - proibição de qualquer discriminação no cargo de direção ou representação sindical e, se
tocante a salário e critérios de admissão do eleito, ainda que suplente, até um ano após o final
trabalhador portador de deficiência; do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, da lei.
técnico e intelectual ou entre os profissionais Parágrafo único. As disposições deste artigo
respectivos; aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou colônias de pescadores, atendidas as condições que
insalubre a menores de dezoito e de qualquer a lei estabelecer.
trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na Art. 9º É assegurado o direito de greve,
condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; competindo aos trabalhadores decidir sobre a
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que
1998) devam por meio dele defender.
XXXIV - igualdade de direitos entre o § 1º A lei definirá os serviços ou atividades
trabalhador com vínculo empregatício permanente e essenciais e disporá sobre o atendimento das
o trabalhador avulso. necessidades inadiáveis da comunidade.
Parágrafo único. São assegurados à categoria § 2º Os abusos cometidos sujeitam os
dos trabalhadores domésticos os direitos previstos responsáveis às penas da lei.
nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, Art. 10. É assegurada a participação dos
XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, trabalhadores e empregadores nos colegiados dos
atendidas as condições estabelecidas em lei e órgãos públicos em que seus interesses profissionais
observada a simplificação do cumprimento das ou previdenciários sejam objeto de discussão e
obrigações tributárias, principais e acessórias, deliberação.
decorrentes da relação de trabalho e suas
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Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
empregados, é assegurada a eleição de um (Redação dada pela Emenda Constitucional de
representante destes com a finalidade exclusiva de Revisão nº 3, de 1994)
promover-lhes o entendimento direto com os a) de reconhecimento de nacionalidade originária
empregadores. pela lei estrangeira; (Incluído pela Emenda
Art. 12. São brasileiros: Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
I - natos: b) de imposição de naturalização, pela norma
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, estrangeira, ao brasileiro residente em estado
ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estrangeiro, como condição para permanência em
estejam a serviço de seu país; seu território ou para o exercício de direitos civis;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº
mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a 3, de 1994)
serviço da República Federativa do Brasil; Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de da República Federativa do Brasil.
mãe brasileira, desde que sejam registrados em § 1º São símbolos da República Federativa do Brasil
repartição brasileira competente ou venham a a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
residir na República Federativa do Brasil e optem, em § 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, poderão ter símbolos próprios.
pela nacionalidade brasileira; (Redação dada pela Art. 14. A soberania popular será exercida pelo
Emenda Constitucional nº 54, de 2007) sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com
II - naturalizados: valor igual para todos, e, nos termos da lei,
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade mediante:
brasileira, exigidas aos originários de países de língua I - plebiscito;
portuguesa apenas residência por um ano II - referendo;
ininterrupto e idoneidade moral; III - iniciativa popular.
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, § 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
residentes na República Federativa do Brasil há mais I - obrigatórios para os maiores de 18 anos;
de quinze anos ininterruptos e sem condenação II - facultativos para:
penal, desde que requeiram a nacionalidade a) os analfabetos;
brasileira. (Redação dada pela Emenda b) os maiores de 70 anos;
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) c) os maiores de 16 e menores de 18 anos.
§ 1º Aos portugueses com residência permanente § 2º Não podem alistar-se como eleitores os
no País, se houver reciprocidade em favor de estrangeiros e, durante o período do serviço militar
brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao obrigatório, os conscritos.
brasileiro, salvo os casos previstos nesta § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
Constituição. (Redação dada pela Emenda I - a nacionalidade brasileira;
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) II - o pleno exercício dos direitos políticos;
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre III - o alistamento eleitoral;
brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
previstos nesta Constituição. V - a filiação partidária; Regulamento
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: VI - a idade mínima de:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República; a) 35 anos para Presidente e Vice-Presidente da
II - de Presidente da Câmara dos Deputados; República e Senador;
III - de Presidente do Senado Federal; b) 30 anos para Governador e Vice-Governador de
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; Estado e do Distrito Federal;
V - da carreira diplomática; c) 21 anos para Deputado Federal, Deputado
VI - de oficial das Forças Armadas. Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de
VII - de Ministro de Estado da Defesa (Incluído pela paz;
Emenda Constitucional nº 23, de 1999) d) 18 anos para Vereador.
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do § 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
brasileiro que: § 5º O Presidente da República, os Governadores de
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os
judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse houver sucedido, ou substituído no curso dos
nacional; mandatos poderão ser reeleitos para um único
período subseqüente. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 16, de 1997)
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§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e
da República, os Governadores de Estado e do extinção de partidos políticos, resguardados a
Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos soberania nacional, o regime democrático, o
respectivos mandatos até seis meses antes do pluripartidarismo, os direitos fundamentais da
pleito. pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do Regulamento
titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou I - caráter nacional;
afins, até o segundo grau ou por adoção, do II - proibição de recebimento de recursos financeiros
Presidente da República, de Governador de Estado de entidade ou governo estrangeiros ou de
ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de subordinação a estes;
quem os haja substituído dentro dos seis meses III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
eletivo e candidato à reeleição. § 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia
§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as para definir sua estrutura interna e estabelecer
seguintes condições: regras sobre escolha, formação e duração de seus
I - se contar menos de 10 anos de serviço, deverá órgãos permanentes e provisórios e sobre sua
afastar-se da atividade; organização e funcionamento e para adotar os
II - se contar mais de 10 anos de serviço, será critérios de escolha e o regime de suas coligações nas
agregado pela autoridade superior e, se eleito, eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas
passará automaticamente, no ato da diplomação, eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de
para a inatividade. vinculação entre as candidaturas em âmbito
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de seus estatutos estabelecer normas de disciplina e
proteger a probidade administrativa, a moralidade fidelidade partidária. (Redação dada pela Emenda
para exercício de mandato considerada vida Constitucional nº 97, de 2017)
pregressa do candidato, e a normalidade e § 2º Os partidos políticos, após adquirirem
legitimidade das eleições contra a influência do personalidade jurídica, na forma da lei civil,
poder econômico ou o abuso do exercício de função, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior
cargo ou emprego na administração direta ou Eleitoral.
indireta. (Redação dada pela Emenda Constitucional § 3º Somente terão direito a recursos do fundo
de Revisão nº 4, de 1994) partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na
§ 10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante forma da lei, os partidos políticos que
a Justiça Eleitoral no prazo de 15 dias contados da alternativamente:
diplomação, instruída a ação com provas de abuso (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 97, de
do poder econômico, corrupção ou fraude. 2017)
§ 11. A ação de impugnação de mandato tramitará I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos
em segredo de justiça, respondendo o autor, na Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) dos votos
forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé. válidos, distribuídos em pelo menos um terço das
Art. 15. É vedada a cassação de direitos unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois
políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
casos de: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 97, de 2017)
I - cancelamento da naturalização por sentença II - tiverem elegido pelo menos 15 Deputados
transitada em julgado; Federais distribuídos em pelo menos um terço das
II - incapacidade civil absoluta; unidades da Federação. (Incluído pela Emenda
III - condenação criminal transitada em julgado, Constitucional nº 97, de 2017)
enquanto durarem seus efeitos; § 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou organização paramilitar.
prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; § 5º Ao eleito por partido que não preencher os
V - improbidade administrativa, nos termos do art. requisitos previstos no § 3º deste artigo é
37, §4º. assegurado o mandato e facultada a filiação, sem
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral perda do mandato, a outro partido que os tenha
entrará em vigor na data de sua publicação, não se atingido, não sendo essa filiação considerada para
aplicando à eleição que ocorra até um ano da data fins de distribuição dos recursos do fundo partidário
de sua vigência. (Redação dada pela Emenda e de acesso gratuito ao tempo de rádio e de
Constitucional nº 4, de 1993) televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
97, de 2017)
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CAPÍTULO VII observada a iniciativa privativa em cada caso,


DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA assegurada revisão geral anual, sempre na mesma
Seção I data e sem distinção de índices; (Redação
DISPOSIÇÕES GERAIS dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Art. 37. A administração pública direta e indireta de (Regulamento)
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos cargos, funções e empregos públicos da
princípios de legalidade, impessoalidade, administração direta, autárquica e fundacional, dos
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao membros de qualquer dos Poderes da União, dos
seguinte: (Redação dada pela Emenda Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos
Constitucional nº 19, de 1998) detentores de mandato eletivo e dos demais agentes
I - os cargos, empregos e funções públicas são políticos e os proventos, pensões ou outra espécie
acessíveis aos brasileiros que preencham os remuneratória, percebidos cumulativamente ou
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer
estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada outra natureza, não poderão exceder o subsídio
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
II - a investidura em cargo ou emprego público Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos
depende de aprovação prévia em concurso público Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e
de provas ou de provas e títulos, de acordo com a no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador
natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos
forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder
para cargo em comissão declarado em lei de livre Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do
nomeação e exoneração; (Redação dada pela Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) vinte e cinco centésimos por cento do subsídio
III - o prazo de validade do concurso público será de mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
até dois anos, prorrogável uma vez, por igual Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário,
período; aplicável este limite aos membros do Ministério
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;
de convocação, aquele aprovado em concurso (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41,
público de provas ou de provas e títulos será 19.12.2003)
convocado com prioridade sobre novos concursados XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo
para assumir cargo ou emprego, na carreira; e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos
V - as funções de confiança, exercidas pagos pelo Poder Executivo;
exclusivamente por servidores ocupantes de cargo XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de
efetivo, e os cargos em comissão, a serem quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de
preenchidos por servidores de carreira nos casos, remuneração de pessoal do serviço público;
condições e percentuais mínimos previstos em lei, (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia 1998)
e assessoramento; (Redação dada pela XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) servidor público não serão computados nem
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à acumulados para fins de concessão de acréscimos
livre associação sindical; ulteriores; (Redação dada pela Emenda
VII - o direito de greve será exercido nos termos e Constitucional nº 19, de 1998)
nos limites definidos em lei específica; XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de cargos e empregos públicos são irredutíveis,
1998) ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
empregos públicos para as pessoas portadoras de (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão; 1998)
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos
tempo determinado para atender a necessidade públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
temporária de excepcional interesse público; (Vide horários, observado em qualquer caso o disposto no
Emenda constitucional nº 106, de 2020) inciso XI: (Redação dada pela Emenda
X - a remuneração dos servidores públicos e o Constitucional nº 19, de 1998)
subsídio de que trata o § 4º do Art. 39 somente a) a de dois cargos de professor; (Redação
poderão ser fixados ou alterados por lei específica, dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
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b) a de um cargo de professor com outro técnico ou § 2º A não observância do disposto nos incisos II e III
científico; (Redação dada pela Emenda implicará a nulidade do ato e a punição da
Constitucional nº 19, de 1998) autoridade responsável, nos termos da lei.
c) a de dois cargos ou empregos privativos de § 3º A lei disciplinará as formas de participação do
profissionais de saúde, com profissões usuário na administração pública direta e indireta,
regulamentadas; (Redação dada pela Emenda regulando especialmente: (Redação dada pela
Constitucional nº 34, de 2001) Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
XVII - a proibição de acumular estende-se a I - as reclamações relativas à prestação dos serviços
empregos e funções e abrange autarquias, públicos em geral, asseguradas a manutenção de
fundações, empresas públicas, sociedades de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação
economia mista, suas subsidiárias, e sociedades periódica, externa e interna, da qualidade dos
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder serviços; (Incluído pela Emenda Constitucional
público; (Redação dada pela Emenda nº 19, de 1998)
Constitucional nº 19, de 1998) II - o acesso dos usuários a registros administrativos
XVIII - a administração fazendária e seus servidores e a informações sobre atos de governo, observado o
fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e disposto no Art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela
jurisdição, precedência sobre os demais setores Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
administrativos, na forma da lei; III - a disciplina da representação contra o exercício
XIX – somente por lei específica poderá ser criada negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função
autarquia e autorizada a instituição de empresa na administração pública. (Incluído pela
pública, de sociedade de economia mista e de Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
fundação, cabendo à lei complementar, neste último § 4º - Os atos de improbidade administrativa
caso, definir as áreas de sua atuação; (Redação importarão a suspensão dos direitos políticos, a
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) perda da função pública, a indisponibilidade dos
XX - depende de autorização legislativa, em cada bens e o ressarcimento ao erário, na forma e
caso, a criação de subsidiárias das entidades gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação
mencionadas no inciso anterior, assim como a penal cabível.
participação de qualquer delas em empresa privada; § 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para
XXI - ressalvados os casos especificados na ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou
legislação, as obras, serviços, compras e alienações não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as
serão contratados mediante processo de licitação respectivas ações de ressarcimento.
pública que assegure igualdade de condições a todos § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de
os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam direito privado prestadoras de serviços públicos
obrigações de pagamento, mantidas as condições responderão pelos danos que seus agentes, nessa
efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual qualidade, causarem a terceiros, assegurado o
somente permitirá as exigências de qualificação direito de regresso contra o responsável nos casos de
técnica e econômica indispensáveis à garantia do dolo ou culpa.
cumprimento das obrigações. (Regulamento) § 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições
XXII - as administrações tributárias da União, dos ao ocupante de cargo ou emprego da administração
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, direta e indireta que possibilite o acesso a
atividades essenciais ao funcionamento do Estado, informações privilegiadas. (Incluído pela
exercidas por servidores de carreiras específicas, Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
terão recursos prioritários para a realização de suas § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e
atividades e atuarão de forma integrada, inclusive financeira dos órgãos e entidades da administração
com o compartilhamento de cadastros e de direta e indireta poderá ser ampliada mediante
informações fiscais, na forma da lei ou convênio. contrato, a ser firmado entre seus administradores e
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de o poder público, que tenha por objeto a fixação de
19.12.2003) metas de desempenho para o órgão ou entidade,
§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela
serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
caráter educativo, informativo ou de orientação I - o prazo de duração do contrato;
social, dela não podendo constar nomes, símbolos II - os controles e critérios de avaliação de
ou imagens que caracterizem promoção pessoal de desempenho, direitos, obrigações e
autoridades ou servidores públicos. responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal."

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§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas Art. 38. Ao servidor público da administração direta,
públicas e às sociedades de economia mista, e suas autárquica e fundacional, no exercício de mandato
subsidiárias, que receberem recursos da União, dos eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:
Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em 1998)
geral. (Incluído pela Emenda Constitucional nº I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual
19, de 1998) ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou
§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos função;
de aposentadoria decorrentes do Art. 40 ou dos arts. II - investido no mandato de Prefeito, será afastado
42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado
função pública, ressalvados os cargos acumuláveis optar pela sua remuneração;
na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os III - investido no mandato de Vereador, havendo
cargos em comissão declarados em lei de livre compatibilidade de horários, perceberá as vantagens
nomeação e exoneração. (Incluído pela de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da
Emenda Constitucional nº 20, de 1998) remuneração do cargo eletivo, e, não havendo
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites compatibilidade, será aplicada a norma do inciso
remuneratórios de que trata o inciso XI do caput anterior;
deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório IV - em qualquer caso que exija o afastamento para
previstas em lei. (Incluído pela Emenda o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço
Constitucional nº 47, de 2005) será contado para todos os efeitos legais, exceto
§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput para promoção por merecimento;
deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de
Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às previdência social, permanecerá filiado a esse
respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite regime, no ente federativo de origem. (Redação
único, o subsídio mensal dos Desembargadores do dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa Seção II
inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do DOS SERVIDORES PÚBLICOS
subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18,
Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo de 1998)
aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
dos Vereadores. (Incluído pela Emenda Municípios instituirão, no âmbito de sua
Constitucional nº 47, de 2005) competência, regime jurídico único e planos de
§ 13. O servidor público titular de cargo efetivo carreira para os servidores da administração pública
poderá ser readaptado para exercício de cargo cujas direta, das autarquias e das fundações públicas.
atribuições e responsabilidades sejam compatíveis (Vide ADIN nº 2.135-4)
com a limitação que tenha sofrido em sua Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
capacidade física ou mental, enquanto permanecer Municípios instituirão conselho de política de
nesta condição, desde que possua a habilitação e o administração e remuneração de pessoal, integrado
nível de escolaridade exigidos para o cargo de por servidores designados pelos respectivos Poderes
destino, mantida a remuneração do cargo de origem. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 1998) (Vide ADIN nº 2.135-4)
2019) § 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos
§ 14. A aposentadoria concedida com a utilização de demais componentes do sistema remuneratório
tempo de contribuição decorrente de cargo, observará: (Redação dada pela Emenda
emprego ou função pública, inclusive do Regime Constitucional nº 19, de 1998)
Geral de Previdência Social, acarretará o I - a natureza, o grau de responsabilidade e a
rompimento do vínculo que gerou o referido tempo complexidade dos cargos componentes de cada
de contribuição. (Incluído pela Emenda carreira; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019) Constitucional nº 19, de 1998)
§ 15. É vedada a complementação de aposentadorias II - os requisitos para a investidura; (Incluído
de servidores públicos e de pensões por morte a seus pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
dependentes que não seja decorrente do disposto III - as peculiaridades dos cargos. (Incluído
nos §§ 14 a 16 do Art. 40 ou que não seja prevista pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
em lei que extinga regime próprio de previdência § 2º A União, os Estados e o Distrito Federal
social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº manterão escolas de governo para a formação e o
103, de 2019) aperfeiçoamento dos servidores públicos,
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constituindo-se a participação nos cursos um dos (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
requisitos para a promoção na carreira, facultada, de 2019)
para isso, a celebração de convênios ou contratos § 1º O servidor abrangido por regime próprio de
entre os entes federados. (Redação dada pela previdência social será aposentado: (Redação
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo I - por incapacidade permanente para o trabalho, no
público o disposto no Art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, cargo em que estiver investido, quando insuscetível
XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei de readaptação, hipótese em que será obrigatória a
estabelecer requisitos diferenciados de admissão realização de avaliações periódicas para verificação
quando a natureza do cargo o exigir. (Incluído da continuidade das condições que ensejaram a
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) concessão da aposentadoria, na forma de lei do
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato respectivo ente federativo; (Redação dada pela
eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Estaduais e Municipais serão remunerados II - compulsoriamente, com proventos proporcionais
exclusivamente por subsídio fixado em parcela ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de
única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na
adicional, abono, prêmio, verba de representação ou forma de lei complementar; (Redação dada
outra espécie remuneratória, obedecido, em pela Emenda Constitucional nº 88, de 2015) (Vide
qualquer caso, o disposto no Art. 37, X e XI. Lei Complementar nº 152, de 2015)
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e de idade, se mulher, e aos 65 (sessenta e cinco) anos
dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a de idade, se homem, e, no âmbito dos Estados, do
maior e a menor remuneração dos servidores Distrito Federal e dos Municípios, na idade mínima
públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto estabelecida mediante emenda às respectivas
no Art. 37, XI. (Incluído pela Emenda Constituições e Leis Orgânicas, observados o tempo
Constitucional nº 19, de 1998) de contribuição e os demais requisitos estabelecidos
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em lei complementar do respectivo ente federativo.
publicarão anualmente os valores do subsídio e da (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
remuneração dos cargos e empregos públicos. de 2019)
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) § 2º Os proventos de aposentadoria não poderão ser
§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e inferiores ao valor mínimo a que se refere o § 2º do
dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos Art. 201 ou superiores ao limite máximo
orçamentários provenientes da economia com estabelecido para o Regime Geral de Previdência
despesas correntes em cada órgão, autarquia e Social, observado o disposto nos §§ 14 a 16.
fundação, para aplicação no desenvolvimento de (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
programas de qualidade e produtividade, de 2019)
treinamento e desenvolvimento, modernização, § 3º As regras para cálculo de proventos de
reaparelhamento e racionalização do serviço aposentadoria serão disciplinadas em lei do
público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio respectivo ente federativo. (Redação dada pela
de produtividade. (Incluído pela Emenda Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Constitucional nº 19, de 1998) § 4º É vedada a adoção de requisitos ou critérios
§ 8º A remuneração dos servidores públicos diferenciados para concessão de benefícios em
organizados em carreira poderá ser fixada nos regime próprio de previdência social, ressalvado o
termos do § 4º. (Incluído pela Emenda disposto nos §§ 4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º. (Redação
Constitucional nº 19, de 1998) dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 9º É vedada a incorporação de vantagens de § 4º-A. Poderão ser estabelecidos por lei
caráter temporário ou vinculadas ao exercício de complementar do respectivo ente federativo idade e
função de confiança ou de cargo em comissão à tempo de contribuição diferenciados para
remuneração do cargo efetivo. (Incluído pela aposentadoria de servidores com deficiência,
Emenda Constitucional nº 103, de 2019) previamente submetidos a avaliação biopsicossocial
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos realizada por equipe multiprofissional e
servidores titulares de cargos efetivos terá caráter interdisciplinar. (Incluído pela Emenda
contributivo e solidário, mediante contribuição do Constitucional nº 103, de 2019)
respectivo ente federativo, de servidores ativos, de § 4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei
aposentados e de pensionistas, observados critérios complementar do respectivo ente federativo idade e
que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. tempo de contribuição diferenciados para
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aposentadoria de ocupantes do cargo de agente (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de


penitenciário, de agente socioeducativo ou de 15/12/98)
policial dos órgãos de que tratam o inciso IV do caput § 11 - Aplica-se o limite fixado no Art. 37, XI, à soma
do Art. 51, o inciso XIII do caput do Art. 52 e os total dos proventos de inatividade, inclusive quando
incisos I a IV do caput do Art. 144. (Incluído pela decorrentes da acumulação de cargos ou empregos
Emenda Constitucional nº 103, de 2019) públicos, bem como de outras atividades sujeitas a
§ 4º-C. Poderão ser estabelecidos por lei contribuição para o regime geral de previdência
complementar do respectivo ente federativo idade e social, e ao montante resultante da adição de
tempo de contribuição diferenciados para proventos de inatividade com remuneração de cargo
aposentadoria de servidores cujas atividades sejam acumulável na forma desta Constituição, cargo em
exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, comissão declarado em lei de livre nomeação e
físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou exoneração, e de cargo eletivo. (Incluído pela
associação desses agentes, vedada a caracterização Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
por categoria profissional ou ocupação. (Incluído § 12. Além do disposto neste artigo, serão
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) observados, em regime próprio de previdência
§ 5º Os ocupantes do cargo de professor terão idade social, no que couber, os requisitos e critérios fixados
mínima reduzida em 5 (cinco) anos em relação às para o Regime Geral de Previdência Social.
idades decorrentes da aplicação do disposto no (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
inciso III do § 1º, desde que comprovem tempo de de 2019)
efetivo exercício das funções de magistério na § 13. Aplica-se ao agente público ocupante,
educação infantil e no ensino fundamental e médio exclusivamente, de cargo em comissão declarado em
fixado em lei complementar do respectivo ente lei de livre nomeação e exoneração, de outro cargo
federativo. (Redação dada pela Emenda temporário, inclusive mandato eletivo, ou de
Constitucional nº 103, de 2019) emprego público, o Regime Geral de Previdência
§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos Social. (Redação dada pela Emenda
cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é Constitucional nº 103, de 2019)
vedada a percepção de mais de uma aposentadoria § 14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
à conta de regime próprio de previdência social, Municípios instituirão, por lei de iniciativa do
aplicando-se outras vedações, regras e condições respectivo Poder Executivo, regime de previdência
para a acumulação de benefícios previdenciários complementar para servidores públicos ocupantes
estabelecidas no Regime Geral de Previdência Social. de cargo efetivo, observado o limite máximo dos
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, benefícios do Regime Geral de Previdência Social
de 2019) para o valor das aposentadorias e das pensões em
§ 7º Observado o disposto no § 2º do Art. 201, regime próprio de previdência social, ressalvado o
quando se tratar da única fonte de renda formal disposto no § 16. (Redação dada pela Emenda
auferida pelo dependente, o benefício de pensão por Constitucional nº 103, de 2019)
morte será concedido nos termos de lei do § 15. O regime de previdência complementar de que
respectivo ente federativo, a qual tratará de forma trata o § 14 oferecerá plano de benefícios somente
diferenciada a hipótese de morte dos servidores de na modalidade contribuição definida, observará o
que trata o § 4º-B decorrente de agressão sofrida no disposto no Art. 202 e será efetivado por intermédio
exercício ou em razão da função. (Redação de entidade fechada de previdência complementar
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) ou de entidade aberta de previdência
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios complementar. (Redação dada pela Emenda
para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor Constitucional nº 103, de 2019)
real, conforme critérios estabelecidos em lei. § 16 - Somente mediante sua prévia e expressa
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado
19.12.2003) ao servidor que tiver ingressado no serviço público
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual, até a data da publicação do ato de instituição do
distrital ou municipal será contado para fins de correspondente regime de previdência
aposentadoria, observado o disposto nos §§ 9º e 9º- complementar. (Incluído pela Emenda
A do Art. 201, e o tempo de serviço correspondente Constitucional nº 20, de 15/12/98)
será contado para fins de disponibilidade. § 17. Todos os valores de remuneração considerados
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, para o cálculo do benefício previsto no § 3° serão
de 2019) devidamente atualizados, na forma da lei.
§ 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41,
de contagem de tempo de contribuição fictício. 19.12.2003)
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§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de qualquer natureza; (Incluído pela Emenda
aposentadorias e pensões concedidas pelo regime Constitucional nº 103, de 2019)
de que trata este artigo que superem o limite VI - mecanismos de equacionamento do deficit
máximo estabelecido para os benefícios do regime atuarial; (Incluído pela Emenda Constitucional
geral de previdência social de que trata o Art. 201, nº 103, de 2019)
com percentual igual ao estabelecido para os VII - estruturação do órgão ou entidade gestora do
servidores titulares de cargos efetivos. regime, observados os princípios relacionados com
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, governança, controle interno e transparência;
19.12.2003) (Vide ADIN 3133) (Vide ADIN 3143) (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de
(Vide ADIN 3184) 2019)
§ 19. Observados critérios a serem estabelecidos em VIII - condições e hipóteses para responsabilização
lei do respectivo ente federativo, o servidor titular de daqueles que desempenhem atribuições
cargo efetivo que tenha completado as exigências relacionadas, direta ou indiretamente, com a gestão
para a aposentadoria voluntária e que opte por do regime; (Incluído pela Emenda
permanecer em atividade poderá fazer jus a um Constitucional nº 103, de 2019)
abono de permanência equivalente, no máximo, ao IX - condições para adesão a consórcio público;
valor da sua contribuição previdenciária, até (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de
completar a idade para aposentadoria compulsória. 2019)
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, X - parâmetros para apuração da base de cálculo e
de 2019) definição de alíquota de contribuições ordinárias e
§ 20. É vedada a existência de mais de um regime extraordinárias. (Incluído pela Emenda
próprio de previdência social e de mais de um órgão Constitucional nº 103, de 2019)
ou entidade gestora desse regime em cada ente Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo
federativo, abrangidos todos os poderes, órgãos e exercício os servidores nomeados para cargo de
entidades autárquicas e fundacionais, que serão provimento efetivo em virtude de concurso público.
responsáveis pelo seu financiamento, observados os (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
critérios, os parâmetros e a natureza jurídica 1998)
definidos na lei complementar de que trata o § 22. § 1º O servidor público estável só perderá o cargo:
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
de 2019) 1998)
§ 21. (Revogado). (Redação dada pela Emenda I - em virtude de sentença judicial transitada em
Constitucional nº 103, de 2019) julgado; (Incluído pela Emenda Constitucional
§ 22. Vedada a instituição de novos regimes próprios nº 19, de 1998)
de previdência social, lei complementar federal II - mediante processo administrativo em que lhe
estabelecerá, para os que já existam, normas gerais seja assegurada ampla defesa; (Incluído pela
de organização, de funcionamento e de Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
responsabilidade em sua gestão, dispondo, entre III - mediante procedimento de avaliação periódica
outros aspectos, sobre: (Incluído pela Emenda de desempenho, na forma de lei complementar,
Constitucional nº 103, de 2019) assegurada ampla defesa. (Incluído pela
I - requisitos para sua extinção e consequente Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
migração para o Regime Geral de Previdência Social; § 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual
2019) ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo
II - modelo de arrecadação, de aplicação e de de origem, sem direito a indenização, aproveitado
utilização dos recursos; (Incluído pela Emenda em outro cargo ou posto em disponibilidade com
Constitucional nº 103, de 2019) remuneração proporcional ao tempo de serviço.
III - fiscalização pela União e controle externo e (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
social; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 1998)
103, de 2019) § 3º Extinto o cargo ou declarada a sua
IV - definição de equilíbrio financeiro e atuarial; desnecessidade, o servidor estável ficará em
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de disponibilidade, com remuneração proporcional ao
2019) tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento
V - condições para instituição do fundo com em outro cargo. (Redação dada pela Emenda
finalidade previdenciária de que trata o Art. 249 e Constitucional nº 19, de 1998)
para vinculação a ele dos recursos provenientes de § 4º Como condição para a aquisição da estabilidade,
contribuições e dos bens, direitos e ativos de é obrigatória a avaliação especial de desempenho
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por comissão instituída para essa finalidade. Considerando que uma concepção comum destes
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) direitos e liberdades é da mais alta importância para
dar plena satisfação a tal compromisso:
DIREITOS HUMANOS A Assembléia Geral proclama a presente Declaração
Universal dos Direitos Humanos como ideal comum
a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim
de que todos os indivíduos e todos os órgãos da
sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se
esforcem, pelo ensino e pela educação, por
desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e
Declaração Universal dos Direitos Humanos por promover, por medidas progressivas de ordem
nacional e internacional, o seu reconhecimento e a
sua aplicação universais e efetivos tanto entre as
RESOLUÇÃO Nº 217 DA 3ª ASSEMBLEIA GERAL DA
populações dos próprios Estados-Membros como
ONU, DE 10 DE DEZEMBRO DE 1948
entre as dos territórios colocados sob a sua
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS
jurisdição.
HUMANOS
Artigo 1º
Preâmbulo
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em
Considerando que o reconhecimento da dignidade dignidade e em direitos. Dotados de razão e de
inerente a todos os membros da família humana e consciência, devem agir uns para com os outros em
dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o espírito de fraternidade.
fundamento da liberdade, da justiça e da paz no Artigo 2º
mundo; Todos os seres humanos podem invocar os direitos e
as liberdades proclamados na presente Declaração,
Considerando que o desconhecimento e o desprezo sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de
dos direitos do Homem conduziram a atos de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política
barbárie que revoltam a consciência da Humanidade ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna,
e que o advento de um mundo em que os seres de nascimento ou de qualquer outra situação. Além
humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do disso, não será feita nenhuma distinção fundada no
terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta estatuto político, jurídico ou internacional do país ou
inspiração do Homem; do território da naturalidade da pessoa, seja esse
país ou território independente, sob tutela,
Considerando que é essencial a proteção dos autônomo ou sujeito a alguma limitação de
direitos do Homem através de um regime de direito, soberania.
para que o Homem não seja compelido, em supremo Artigo 3º
recurso, à revolta contra a tirania e a opressão; Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à
segurança pessoal.
Considerando que é essencial encorajar o Artigo 4º
desenvolvimento de relações amistosas entre as Ninguém será mantido em escravatura ou em
nações; servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob
todas as formas, são proibidos.
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Artigo 5º
Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou
fundamentais do Homem, na dignidade e no valor da tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
pessoa humana, na igualdade de direitos dos Artigo 6º
homens e das mulheres e se declaram resolvidos a Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento,
favorecer o progresso social e a instaurar melhores em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.
condições de vida dentro de uma liberdade mais Artigo 7º
ampla; Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm
direito à igual proteção da lei. Todos têm direito à
Considerando que os Estados-Membros se proteção igual contra qualquer discriminação que
comprometeram a promover, em cooperação com a viole a presente Declaração e contra qualquer
Organização das Nações Unidas, o respeito universal incitamento a tal discriminação.
e efetivo dos direitos do Homem e das liberdades Artigo 8º
fundamentais; Toda a pessoa tem direito a recurso efetivo para as
jurisdições nacionais competentes contra os atos
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que violem os direitos fundamentais reconhecidos 2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e
pela Constituição ou pela Lei. pleno consentimento dos futuros esposos.
Artigo 9º 3. A família é o elemento natural e fundamental da
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou sociedade e tem direito à proteção desta e do
exilado. Estado.
Artigo 10º Artigo 17º
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que 1. Toda a pessoa, individual ou coletiva, tem direito
a sua causa seja eqüitativa e publicamente julgada à propriedade.
por um tribunal independente e imparcial que 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua
decida dos seus direitos e obrigações ou das razões propriedade.
de qualquer acusação em matéria penal que contra Artigo 18º
ela seja deduzida. Toda a pessoa tem direito à liberdade de
Artigo 11º pensamento, de consciência e de religião; este
1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso direito implica a liberdade de mudar de religião ou
presume-se inocente até que a sua culpabilidade de convicção, assim como a liberdade de manifestar
fique legalmente provada no decurso de um a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto
processo público em que todas as garantias em público como em privado, pelo ensino, pela
necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. prática, pelo culto e pelos ritos.
2. Ninguém será condenado por ações ou omissões Artigo 19º
que, no momento da sua prática, não constituíam Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião
ato delituoso à face do direito interno ou e de expressão, o que implica o direito de não ser
internacional. Do mesmo modo, não será infligida inquietado pelas suas opiniões e o de procurar,
pena mais grave do que a que era aplicável no receber e difundir, sem consideração de fronteiras,
momento em que o ato delituoso foi cometido. informações e idéias por qualquer meio de
Artigo 12º expressão.
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida Artigo 20º
privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião
correspondência, nem ataques à sua honra e e de associação pacíficas.
reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma
a pessoa tem direito à proteção da lei. associação.
Artigo 13º Artigo 21º
1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na
e escolher a sua residência no interior de um Estado. direção dos negócios públicos do seu país, quer
2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país diretamente, quer por intermédio de representantes
em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de livremente escolhidos.
regressar ao seu país. 2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em
Artigo 14º condições de igualdade, às funções públicas do seu
1. Toda a pessoa sujeita à perseguição tem o direito país.
de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade
2. Este direito não pode, porém, ser invocado no dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de
caso de processo realmente existente por crime de eleições honestas a realizar-se periodicamente por
direito comum ou por atividades contrárias aos fins sufrágio universal e igual, com voto secreto ou
e aos princípios das Nações Unidas. segundo processo equivalente que salvaguarde a
Artigo 15º liberdade de voto.
1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma Artigo 22º
nacionalidade. Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem
2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua direito à segurança social; e pode legitimamente
nacionalidade nem do direito de mudar de exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e
nacionalidade. culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e
Artigo 16º à cooperação internacional, de harmonia com a
1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm organização e os recursos de cada país.
o direito de casar e de constituir família, sem Artigo 23º
restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. 1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre
Durante o casamento e na altura da sua dissolução, escolha do trabalho, a condições eqüitativas e
ambos têm direitos iguais. satisfatórias de trabalho e à proteção contra o
desemprego.
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2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano
salário igual por trabalho igual. social e no plano internacional, uma ordem capaz de
3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração tornar plenamente efetivos os direitos e as
eqüitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua liberdades enunciadas na presente Declaração.
família uma existência conforme com a dignidade Artigo 29º
humana, e completada, se possível, por todos os 1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade,
outros meios de proteção social. fora da qual não é possível o livre e pleno
4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras desenvolvimento da sua personalidade.
pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para 2. No exercício deste direito e no gozo destas
defesa dos seus interesses. liberdades ninguém está sujeito senão às limitações
Artigo 24º estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, promover o reconhecimento e o respeito dos
especialmente, a uma limitação razoável da duração direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer
do trabalho e às férias periódicas pagas. as justas exigências da moral, da ordem pública e do
Artigo 25º bem-estar numa sociedade democrática.
1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida 3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão
suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde ser exercidos contrariamente e aos fins e aos
e o bem-estar, principalmente quanto à princípios das Nações Unidas.
alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à Artigo 30º
assistência médica e ainda quanto aos serviços Nenhuma disposição da presente Declaração pode
sociais necessários, e tem direito à segurança no ser interpretada de maneira a envolver para
desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito
velhice ou noutros casos de perda de meios de de se entregar a alguma atividade ou de praticar
subsistência por circunstâncias independentes da algum ato destinado a destruir os direitos e
sua vontade. liberdades aqui enunciados.
2. A maternidade e a infância têm direito à ajuda e à
assistência especiais. Todas as crianças, nascidas
dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma
proteção social.
Artigo 26º
1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação
deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao
ensino elementar fundamental. O ensino elementar
é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve
ser generalizado; o acesso aos estudos superiores
deve estar aberto a todos em plena igualdade, em
função do seu mérito.
2. A educação deve visar à plena expansão da
personalidade humana e ao reforço dos direitos do
Homem e das liberdades fundamentais e deve
favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade
entre todas as nações e todos os grupos raciais ou
religiosos, bem como o desenvolvimento das
atividades das Nações Unidas para a manutenção da
paz.
3. Aos pais pertence a prioridade do direito de
escolher o gênero de educação a dar aos filhos.
Artigo 27º
1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte
livremente na vida cultural da comunidade, de fruir
as artes e de participar no progresso científico e nos
benefícios que deste resultam.
2. Todos têm direito à proteção dos interesses
morais e materiais ligados a qualquer produção
científica, literária ou artística da sua autoria.
Artigo 28º
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Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de


San José da Costa Rica) CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS
HUMANOS

DECRETO Nº 678, DE 6 DE NOVEMBRO DE 1992 PREÂMBULO

Os Estados americanos signatários da presente


O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no
Convenção, Reafirmando seu propósito de
exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA ,
consolidar neste Continente, dentro do quadro das
no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso
instituições democráticas, um regime de liberdade
VIII, da Constituição, e Considerando que a
pessoal e de justiça social, fundado no respeito dos
Convenção Americana sobre Direitos Humanos
direitos essenciais do homem;
(Pacto de São José da Costa Rica), adotada no âmbito
da Organização dos Estados Americanos, em São
Reconhecendo que os direitos essenciais do homem
José da Costa Rica, em 22 de novembro de 1969,
não deviam do fato de ser ele nacional de
entrou em vigor internacional em 18 de julho de
determinado Estado, mas sim do fato de ter como
1978, na forma do segundo parágrafo de seu art. 74;
fundamento os atributos da pessoa humana, razão
Considerando que o Governo brasileiro
por que justificam uma proteção internacional, de
depositou a carta de adesão a essa convenção em 25
natureza convencional, coadjuvante ou
de setembro de 1992; Considerando que a
complementar da que oferece o direito interno dos
Convenção Americana sobre Direitos Humanos
Estados americanos;
(Pacto de São José da Costa Rica) entrou em vigor,
para o Brasil, em 25 de setembro de 1992 , de
Considerando que esses princípios foram
conformidade com o disposto no segundo parágrafo
consagrados na Carta da Organização dos Estados
de seu art. 74;
Americanos, na Declaração Americana dos Direitos e
DECRETA:
Deveres do Homem e na Declaração Universal dos
Art. 1° A Convenção Americana sobre Direitos
Direitos do Homem e que foram reafirmados e
Humanos (Pacto de São José da Costa Rica),
desenvolvidos em outros instrumentos
celebrada em São José da Costa Rica, em 22 de
internacionais, tanto de âmbito mundial como
novembro de 1969, apensa por cópia ao presente
regional;
decreto, deverá ser cumprida tão inteiramente como
nela se contém.
Reiterando que, de acordo com a Declaração
Art. 2° Ao depositar a carta de adesão a esse ato
Universal dos Direitos do Homem, só pode ser
internacional, em 25 de setembro de 1992, o
realizado o ideal do ser humano livre, isento do
Governo brasileiro fez a seguinte declaração
temor e da miséria, se forem criadas condições que
interpretativa: "O Governo do Brasil entende que os
permitam a cada pessoa gozar dos seus direitos
arts. 43 e 48, alínea d, não incluem o direito
econômicos, sociais e culturais, bem como dos seus
automático de visitas e inspeções in loco da
direitos civis e políticos; e
Comissão Interamericana de Direitos Humanos, as
quais dependerão da anuência expressa do Estado".
Considerando que a Terceira Conferência
Art. 3° O presente decreto entra em vigor na
Interamericana Extraordinária (Buenos Aires, 1967)
data de sua publicação.
aprovou a incorporação à próprias sociais e
educacionais e resolveu que uma convenção
Brasília, 6 de novembro de 1992; 171° da
interamericana sobre direitos humanos
Independência e 104° da República.
determinasse a estrutura, competência e processo
dos órgãos encarregados dessa matéria,
ITAMAR FRANCO
Fernando Henrique Cardoso
Convieram no seguinte:
PARTE I
Este texto não substitui o publicado no DOU de
Deveres dos Estados e Direitos Protegidos
9.11.1992
CAPÍTULO I
Enumeração de Deveres
ANEXO AO DECRETO QUE PROMULGA A
ARTIGO 1
CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS
Obrigação de Respeitar os Direitos
HUMANOS (PACTO DE SÃO JOSE DA COSTA RICA) -
1. Os Estados-Partes nesta Convenção
MRE
comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades
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nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno ARTIGO 5


exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua Direito à Integridade Pessoal
jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeito sua
raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou integridade física, psíquica e moral.
de qualquer outra natureza, origem nacional ou 2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a
social, posição econômica, nascimento ou qualquer penas ou tratos cruéis, desumanos ou degradantes.
outra condição social. Toda pessoa privada da liberdade deve ser tratada
2. Para os efeitos desta Convenção, pessoa é todo com o respeito devido à dignidade inerente ao ser
ser humano. humano.
ARTIGO 2 3. A pena não pode passar da pessoa do
Dever de Adotar Disposições de Direito Interno delinqüente.
Se o exercício dos direitos e liberdades 4. Os processados devem ficar separados dos
mencionados no artigo no artigo 1 ainda não estiver condenados, salvo em circunstâncias excepcionais, a
garantido por disposições legislativas ou de outra ser submetidos a tratamento adequado à sua
natureza, os Estados-Partes comprometem-se a condição de pessoal não condenadas.
adotar, de acordo com as suas normas 5. Os menores, quando puderem ser processados,
constitucionais e com as disposições desta deve ser separados dos adultos e conduzidos a
Convenção, as medidas legislativas ou de outras tribunal especializado, com a maior rapidez possível,
natureza que forem necessárias para tornar para seu tratamento.
efetivos tais direitos e liberdades. 6. As penas privativas da liberdade devem ter por
CAPÍTULO II finalidade essencial a reforma e a readaptação social
Direitos Civis e Políticos dos condenados.
ARTIGO 3 ARTIGO 6
Direitos ao Reconhecimento da Personalidade Proibição da Escravidão e da Servidão
Jurídica 1. Ninguém pode ser submetido à escravidão ou a
Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de servidão, e tanto estas como o tráfico de escravos e
sua personalidade jurídica. o tráfico de mulheres são proibidos em todas as
ARTIGO 4 formas.
Direito à Vida 2. Ninguém deve ser constrangido a executar
1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua trabalho forçado ou obrigatório. Nos países em que
vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em se prescreve, para certos delitos, pena privativa da
geral, desde o momento da concepção. Ninguém liberdade acompanhada de trabalhos forçados, esta
pode ser privado da vida arbitrariamente. disposição não pode ser interpretada no sentido de
2. Nos países que não houverem abolido a pena de que proíbe o cumprimento da dita pena, importa por
morte, esta só poderá ser imposta pelos delitos mais juiz ou tribunal competente. O trabalho forçado não
graves, em cumprimento de sentença final de deve afetar a dignidade nem a capacidade física e
tribunal competente e em conformidade com lei que intelectual do recluso.
estabeleça tal pena, promulgada antes de haver o 3. Não constituem trabalhos forçados ou
delito sido cometido. Tampouco se estenderá sua obrigatórios para os efeitos deste artigo:
aplicação a delitos aos quais não se aplique a) os trabalhos ou serviços normalmente exigidos
atualmente. de pessoal reclusa em cumprimento de sentença ou
3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos resolução formal expedida pela autoridade judiciária
Estados que a hajam abolido. competente. Tais trabalhos ou serviços de devem ser
4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser executados sob a vigilância e controle das
aplicada por delitos políticos, nem por delidos autoridades públicas, e os indivíduos que os
comuns conexos com delitos políticos. executarem não devem ser postos à disposição de
5. Não se deve impor a pena de morte à pessoa particulares, companhias ou pessoas jurídicas de
que, no momento da perpetração do delito, for caráter privado:
menor de dezoito anos, ou maior de setenta, nem b) o serviço militar e, nos países onde se admite a
aplicá-la a mulher em estado de gravidez. isenção por motivos de consciências, o serviço
6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a nacional que a lei estabelecer em lugar daquele;
solicitar anistia, indulto ou comutação da pena, os c) o serviço imposto em casos de perigo ou
quais podem ser concedidos em todos os casos. Não calamidade que ameace a existência ou o bem-estar
se pode executar a pena de morte enquanto o da comunidade; e
pedido estiver pendente de decisão ante a d) o trabalho ou serviço que faça parte das
autoridade competente. obrigações cívicas normais.
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ARTIGO 7 a) direito do acusado de ser assistido


Direito à Liberdade Pessoal gratuitamente por tradutor ou intérprete, se não
1. Toda pessoa tem direito à liberdade e á compreender ou não falar o idioma do juízo ou
segurança pessoais. tribunal;
2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade b) comunicação prévia e pormenorizada ao
física, salvo pelas causas e nas condições acusado da acusação formulada;
previamente fixadas pelas constituições políticas dos c) concessão ao acusado do tempo e dos meios
Estados-Partes ou pelas leis de acordo com elas adequados para a preparação de sua defesa;
promulgadas. d) direito do acusado de defender-se
3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou pessoalmente ou de ser assistido por um defensor de
encarceramento arbitrários. sua escolha e de comunicar-se, livremente e em
4. Toda pessoa detida ou retida deve ser particular, com seu defensor;
informada das razões da sua detenção e notificada, e) direito irrenunciável de ser assistido por um
sem demora, da acusação ou acusações formuladas defensor proporcionado pelo Estado, remunerado
contra ela. ou não, segundo a legislação interna, se o acusado
5. Toda pessoa detida ou retida deve ser não se defender ele próprio nem nomear defensor
conduzida, sem demora, á presença de um juiz ou dentro do prazo estabelecido pela lei;
outra autoridade autorizada pela lei a exercer f) direito da defesa de inquirir as testemunhas
funções judiciais e tem direito a ser julgada dentro presente no tribunal e de obter o comparecimento,
de um prazo razoável ou a ser posta em liberdade, como testemunhas ou peritos, de outras pessoas
sem prejuízo de que prossiga o processo. Sua que possam lançar luz sobre os fatos.
liberdade pode ser condiciona a garantias que g) direito de não ser obrigado a depor contra si
assegurem o seu comparecimento em juízo. mesma, nem a declarar-se culpada; e
6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a h) direito de recorrer da sentença para juiz ou
recorrer a um juiz ou tribunal competente, a fim de tribunal superior.
que este decida, sem demora, sobre ou tribunal 3. A confissão do acusado só é válida se feita sem
competente, a fim de que este decida, sem demora, coação de nenhuma natureza.
sobre a legalidade de sua prisão ou detenção e 4. O acusado absolvido por sentença passada em
ordene sua soltura se a prisão ou a detenção forem julgado não poderá se submetido a novo processo
ilegais. Nos Estados-Partes cujas leis prevêem que pelos mesmos fatos.
toda pessoa que se vir ameaçada de ser privada de 5. O processo penal deve ser público, salvo no que
sua liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou for necessário para preservar os interesses da
tribunal competente a fim de que este decida sobre justiça.
a legalidade de tal ameaça, tal recurso não pode ser ARTIGO 9
restringido nem abolido. O recurso pode ser Princípio da Legalidade e da Retroatividade
interposto pela própria pessoa ou por outra pessoa. Ninguém pode ser condenado por ações ou
7. Ninguém deve ser detido por dívida. Este omissões que, no momento em que forem
princípio não limita os mandados de autoridade cometidas, não sejam delituosas, de acordo com o
judiciária competente expedidos em virtude de direito aplicável. Tampouco se pode impor pena
inadimplemento de obrigação alimentar. mais grave que a aplicável no momento da
ARTIGO 8 perpetração do delito. Se depois da perpetração do
Garantias Judiciais delito a lei dispuser a imposição de pena mais leve, o
1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as delinqüente será por isso beneficiado.
devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por ARTIGO 10
um juiz ou tribunal competente, independente e Direito a Indenização
imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na Toda pessoa tem direito de ser indenizada
apuração de qualquer acusação penal formulada conforme a lei, no caso de haver sido condenada em
contra ela, ou para que se determinem seus direitos sentença passada em julgado, por erro judiciário.
ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou ARTIGO 11
de qualquer outra natureza. Proteção da Honra e da Dignidade
2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que 1. Toda pessoa tem direito ao respeito de sua
se presuma sua inocência enquanto não se honra e ao reconhecimento de sua dignidade.
comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, 2. Ninguém pode ser objeto de ingerências
toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às arbitrárias ou abusivas em sua vida privada, na de
seguintes garantias mínimas: sua família, em seu domicílio ou em sua

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correspondência, nem de ofensas ilegais à sua honra o acesso a eles, para proteção moral da infância e da
ou reputação. adolescência, sem prejuízo do disposto no inciso 2º.
3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra 5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da
tais ingerências ou tais ofensas. guerra, bem como toda apologia ao ódio nacional,
ARTIGO 12 racial ou religioso que constitua incitação à
Liberdade de Consciência e de Religião discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência.
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de ARTIGO 14
consciência e de religião. Esse direito implica a Direito de Retificação ou Resposta
liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, 1. Toda pessoa atingida por informações inexatas
ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a ou ofensivas emitidas em seus prejuízos por meios
liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas de difusão legalmente regulamentados e que se
crenças, individual ou coletivamente, tanto em dirijam ao público em geral, tem direito a fazer, pelo
público como em privado. mesmo órgão de difusão, sua retificação ou
2. Ninguém pode ser objeto de medidas restritivas resposta, nas condições que estabeleça a lei.
que possam limitar sua liberdade de conservar sua 2. Em nenhum caso a retificação ou a resposta
religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou eximirá das outras responsabilidades legais em que
de crenças. se houver incorrido.
3. A liberdade de manifestar a própria religião e as 3. Para a efetiva proteção da honra e da reputação,
próprias crenças está sujeita unicamente às toda publicação ou empresa jornalística,
limitações prescritas pelas leis e que sejam cinematográfica, de rádio ou televisão, deve ter uma
necessárias para proteger a segurança, a ordem, a pessoa responsável que não seja protegida por
saúde ou moral pública ou os direitos ou liberdades imunidades nem goze de foro especial.
das demais pessoas. ARTIGO 15
4. Os pais, e quando for o caso os tutores, têm Direito de Reunião
direito a que seus filhos ou pupilos recebam a É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem
educação religiosa e moral que esteja acorde com armas. O exercício de tal direito só pode estar sujeito
suas próprias convicções. às restrições previstas pela lei e que sejam
ARTIGO 13 necessárias, uma sociedade democrática, no
Liberdade de Pensamento e de Expressão interesse da segurança nacional, da segurança ou da
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral
pensamento e de expressão. Esse direito públicas ou os direitos e liberdades das demais
compreende a liberdade de buscar, receber e pessoas.
difundir informações e idéias de toda natureza, sem ARTIGO 16
consideração de fronteiras, verbalmente ou por Liberdade de Associação
escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por 1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se
qualquer outro processo de sua escolha. livremente com fins ideológicos, religiosos, políticos,
O exercício do direito previsto no inciso econômicos, trabalhistas, sociais, culturais,
precedente não pode estar sujeito à censura prévia, desportivos, ou de qualquer outra natureza.
mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser 2. O exercício de tal direito só pode estar sujeito às
expressamente fixadas pela lei a ser necessária para restrições previstas pela lei que sejam necessárias,
assegurar: numa sociedade democrática, no interesse da
a) o respeito aos direitos ou à reputação das segurança nacional, da segurança ou da ordem
demais pessoas; ou públicas, ou para proteger a saúde ou a moral
b) a proteção da segurança nacional, da ordem públicas ou os direitos e liberdades das demais
pública, ou da saúde ou da moral pública. pessoas.
3. Não se pode restringir o direito de expressão por 3. O disposto neste artigo não impede a imposição
vias ou meios indiretos, tais como o abuso de de restrições legais, e mesmo a privação do exercício
controles oficiais ou particulares de papel de do direito de associação, aos membros das forças
imprensa, de freqüências radioelétricas ou de armadas e da polícia.
equipamentos e aparelhos usados na difusão de ARTIGO 17
informação, nem por quaisquer outros meios Proteção da Família
destinados a obstar a comunicação e a circulação de 1. A família é o elemento natural e fundamental da
idéias e opiniões. sociedade e deve ser protegida pela sociedade e pelo
4. A lei pode submeter os espetáculos públicos à Estado.
censura prévia, com o objetivo exclusivo de regular 2. É reconhecido o direito do homem e da mulher
de contraírem casamento e de fundarem uma
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família, se tiverem à idade e as condições para isso 2. toda pessoa tem o direito de sair livremente de
exigidas pelas leis internas, na medida em que não qualquer país, inclusive do próprio.
afetem estas o princípio da não discriminação 3. O exercício dos direitos acima mencionados não
estabelecido nesta Convenção. pode ser restringido senão em virtude de lei, na
3. O casamento não pode ser celebrado sem o livre medida indispensável, numa sociedade democrática,
e pleno consentimento dos contraentes. para prevenir infrações penais ou para proteger a
4. Os Estados-Partes devem tomar medidas segurança nacional, a segurança ou a ordem
apropriadas no sentido de assegurar a igualdade de públicas, a moral ou a saúde públicas, ou os direitos
direitos e a adequada equivalência de e liberdades das demais pessoas.
responsabilidades dos cônjuges quanto ao 4. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso
casamento, durante o casamento e em caso de 1 pode também ser restringido pela lei, em zonas
dissolução do mesmo. Em caso de dissolução, serão determinadas, por motivos de interesse público.
adotadas disposições que assegurem a proteção 5. Ninguém pode ser expulso do território do
necessária aos filhos, com base unicamente no Estado do qual for nacional, nem ser privado do
interesse e conveniência dos mesmos. direito de nele entrar.
5. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos 6. O estrangeiro que se ache legalmente no
filhos nascidos fora do casamento como aos nascidos território de uma Estado-Parte nesta Convenção só
dentro do casamento. poderá dele ser expulso em cumprimento de decisão
ARTIGO 18 adotada de acordo com a lei.
Direito ao Nome 7. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber
Toda pessoa tem direito a um prenome e aos asilo em território estrangeiro, em caso de
nomes de seus pais ou ao de um destes. A lei deve perseguição por delitos políticos ou comuns conexos
regular a forma de assegurar a todos esses direito, com delitos políticos e de acordo com a legislação de
mediante nomes fictícios, se for necessário. cada estado e com os convênios internacionais.
ARTIGO 19 8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso
Direitos da Criança ou entregue a outro país, seja ou não de origem,
Toda criança tem direito às medidas de proteção onde seu direito à vida ou liberdade pessoal esteja
que a sua condição de menor requer por parte da sua em risco de violação por causa da sua raça,
família, da sociedade e do Estado. nacionalidade, religião, condição social ou de suas
ARTIGO 20 opiniões políticas.
Direito à Nacionalidade 9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. ARTIGO 23
2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Direitos Políticos
Estado em cujo território houver nascido, se não 1. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes
tiver direito à outra. direitos e oportunidades:
3. A ninguém se deve privar arbitrariamente de a) de participar da direção dos assuntos públicos,
sua nacionalidade nem do direito de mudá-la. diretamente ou por meio de representantes
ARTIGO 21 livremente eleitos;
Direito à Propriedade Privada b) de votar e se eleitos em eleições periódicas
1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo dos seus autênticas, realizadas por sufrágio universal e igual e
bens. A lei pode subordinar esse uso e gozo ao por voto secreto que garanta a livre expressão da
interesse social. vontade dos eleitores; e
2. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, c) de ter acesso, em condições gerais de igualdade,
salvo mediante o pagamento de indenização justa, às funções públicas de seu país.
por motivo de utilidade pública ou de interesse social 2. A lei pode regular o exercício dos direitos e
e nos casos e na forma estabelecidos pela lei. oportunidades e a que se refere o inciso anterior,
3. Tanto a usura como qualquer outra forma de exclusivamente por motivos de idade,
exploração do homem pelo homem devem ser nacionalidade, residência, idioma, instrução,
reprimidas pela lei. capacidade civil ou mental, ou condenação, por juiz
ARTIGO 22 competente, em processo penal.
Direito de Circulação e de Residência ARTIGO 24
1. Toda pessoa que se ache legalmente no Igualdade Perante a Lei
território de um Estado tem direito de circular nele e Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por
de nele residir conformidade com as disposições conseguinte, têm direito, sem discriminação, a igual
legais. proteção da lei.
ARTIGO 25
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Proteção Judicial Nome), 18 (Direitos da Criança), 20 (Direito à


1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e Nacionalidade) e 23 (Direitos Políticos), nem das
rápido ou a qualquer outro recurso efetivo, perante garantias indispensáveis para a proteção de tais
os juízos ou tribunais competentes, que a proteja direitos.
contra atos que violem seus direitos fundamentais 3. Todo Estado-Parte que fizer uso do direito de
reconhecidos pela constituição, pela lei ou pela suspensão deverá informar imediatamente os outros
presente Convenção, mesmo quando tal violação Estados-Partes na presente Convenção, por
seja cometida por pessoas que estejam atuando no intermédio do Secretário-Geral da Organização dos
exercícios de suas funções oficiais. Estados Americanos, das disposições cuja aplicação
2. Os Estados-Partes comprometem-se: haja suspendido, dos motivos determinantes da
a) a assegurar que a autoridade competente suspensão e da data em que haja dado por
prevista pelo sistema legal do Estado decida sobre os terminado tal suspensão.
direitos de toda pessoa que interpuser tal recurso; ARTIGO 28
b) a desenvolver as possibilidades de recurso Cláusula Federal
judicial; e 1. Quando se tratar de um Estado-Parte
c) a assegurar o cumprimento, pelas autoridades constituído como Estado federal, o governo nacional
competente, de toda decisão em que se tenha do aludido Estado-Parte cumprirá todas as
considerado procedente o recurso. disposições da presente Convenção, relacionadas
CAPÍTULO III com as matérias sobre as quais exerce competência
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais legislativa e judicial.
ARTIGO 26 2. No tocante às disposições relativas às matérias
Desenvolvimento Progressivo que correspondem à competência das entidades
Os Estados-Partes comprometem-se a adotar componentes da federação, o governo nacional deve
providência, tanto no âmbito interno como tomar imediatamente as medidas pertinentes, em
mediante cooperação internacional, especialmente conformidade com sua constituição e suas leis, a fim
econômica e técnica, a fim de conseguir de que as autoridades competentes das referidas
progressivamente a plena efetividade dos direitos entidades possam adotar as disposições cabíveis
que decorrem das normas econômicas, sociais e para o cumprimento desta Convenção.
sobre educação, ciência e cultura, constantes da 3. Quando dois ou mais Estados-Partes decidiram
Carta da Organização dos Estados Americanos, constituir entre eles uma federação ou outro tipo de
reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na associação, diligenciarão no sentido de que o pacto
medida dos recursos disponíveis, por via legislativa comunitário respectivo contenha as disposições
ou por outros meios apropriados. necessárias para que continuem sendo efetivas no
CAPÍTULO IV novo Estado assim organizado as normas da
Suspensão de Garantias, Interpretação e Aplicação presente Convenção.
ARTIGO 27 ARTIGO 29
Suspensão de Garantias Normas de Interpretação
1. Em caso de guerra, de perigo público, ou de Nenhuma disposição desta Convenção pode ser
outra emergência que ameace a independência ou interpretada no sentido de:
segurança do Estado-Parte, este poderá adotar a) permitir a qualquer dos Estados-Partes, grupo
disposições que, na medida e pelo tempo ou pessoa, suprimir o gozo e exercício dos direitos e
estritamente limitados às exigências da situação, liberdades reconhecidos na Convenção ou limitá-los
suspendam as obrigações contraídas em virtude em maior medida do que a nela prevista;
desta Convenção, desde que tais disposições não b) limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou
sejam incompatíveis com as demais obrigações que liberdade que possam ser reconhecidos de acordo
lhe impõe o Direito Internacional e não encerrem com as leis de qualquer dos Estados-Partes ou de
discriminação alguma fundada em motivos de raça, acordo com outra convenção em que seja parte um
cor, sexo, idioma, religião ou origem social. dos referidos Estados;
2. A disposição precedente não autoriza a c) excluir outros direitos e garantias que são
suspensão dos direitos determinados nos seguintes inerentes ao ser humano ou que decorrem da forma
artigos: 3 (Direito ao Reconhecimento da democrática representativa de governo; e
Personalidade Jurídica), 4 (Direito à vida), 5 (Direito d) excluir ou limitar o efeito que possam produzir
à Integridade Pessoal), 6 (Proibição da Escravidão e a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do
Servidão), 9 (Princípio da Legalidade e da Homem e outros atos internacionais da mesma
Retroatividade), 12 (Liberdade de Consciência e de natureza.
Religião), 17 (Proteção da Família), 18 (Direito ao ARTIGO 30
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Alcance das Restrições proposta uma lista de três candidatos, pelo menos
As restrições permitidas, de acordo com esta um deles deverá ser nacional de Estado diferente do
Convenção, ao gozo e exercício dos direitos e proponente.
liberdades nela reconhecidos, não podem ser ARTIGO 37
aplicadas senão de acordo com leis que forem 1. Os membros da Comissão serão eleitos por
promulgadas por motivo de interesse geral e com o quatro anos e só poderão ser reeleitos uma vez,
propósito para o qual houverem sido estabelecidas. porém o mandato de três dos membros designados
ARTIGO 31 na primeira eleição expirará ao cabo de dois anos.
Reconhecimento de Outros Direitos Logo depois da referida eleição, serão determinados
Poderão se incluídos no regime de proteção desta por sorteio, na Assembléia-Geral, os nomes desse
Convenção outros direitos e liberdades que forem três membros.
reconhecidos de acordo com os processos 2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um
estabelecidos nos artigos 69 e 70. nacional de um mesmo Estado.
CAPÍTULO V ARTIGO 38
Deveres das Pessoas As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se
ARTIGO 32 devam à expiração normal do mandado, serão
Correlação entre Deveres e Direitos preenchidas pelo Conselho Permanente da
1. Toda pessoa tem deveres para com a família, a Organização, de acordo com o que dispuser o
comunidade e a humanidade. Estatuto da Comissão.
2. Os direitos de cada pessoa são limitados pelos ARTIGO 39
direitos dos demais, pela segurança de todos e pelas A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á
justas exigências do bem comum, numa sociedade à aprovação da Assembléia-Geral e expedirá seu
democrática. próprio regulamento.
PARTE II ARTIGO 40
Meios da Proteção Os serviços de secretaria da Comissão devem ser
CAPÍTULO VI desempenhados pela unidade funcional
Órgãos Competentes especializada que faz parte da Secretaria-Geral da
ARTIGO 33 Organização e deve dispor dos recursos necessários
São competentes para conhecer dos assuntos para cumprir as tarefas que lhe forem confiadas pela
relacionados com o cumprimento dos compromissos Comissão.
assumidos pelos Estados-Partes nesta Convenção: Seção 2 - Funções
a) a Comissão Interamericana de Direitos ARTIGO 41
Humanos, doravante denominada a Comissão; e A Comissão tem a função principal de promover a
b) a Corte Interamericana de Direitos Humanos, observância e a defesa dos direitos humanos e, no
doravante denominada a Corte. exercício do seu mandato, tem as seguintes funções
CAPÍTULO VII e atribuições:
Comissão Interamericana de Direitos Humanos a) estimular a consciência dos direitos humanos
Seção 1 - Organização nos povos da América;
ARTIGO 34 b) formular recomendações aos governos dos
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos Estados-Membros, quando o considerar
compor-se-á de sete membros, que deverão ser conveniente, no sentido de que adotem medidas
pessoas de alta autoridade moral e de progressivas em prol dos direitos humanos no
reconhecimento saber em matéria de direitos âmbito de suas leis internas e seus preceitos
humanos. constitucionais, bem como disposições apropriadas
ARTIGO 35 para promover o devido respeito a esses direitos;
A Comissão representa todos os Membros da c) preparar os estudos ou relatórios que
Organização dos Estados Americanos. considerar convenientes o desempenho de suas
ARTIGO 36 funções;
1. Os membros da Comissão, serão eleitos a título d) solicitar aos governos dos Estados-Membros
pessoal, pela Assembléia-Geral da organização, de que lhe proporcionem informações sobre as
uma lista de candidatos propostos pelos governos medidas que adotarem em matéria de direitos
dos Estados-Membros. humanos;
2. Cada um dos referidos governos pode propor e) atender às consultas que, por meio da
até três candidatos, nacionais do Estado que os Secretaria-Geral da Organização dos Estados
propuser ou de qualquer outro Estado-Membro da Americanos, lhe formularem os Estados-Membros
organização dos Estados Americanos. Quando for sobre questões relacionadas com os direitos
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humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar- encaminhará cópia das mesmas aos Estados-
lhes o assessoramento que eles lhe solicitarem; Membros da referida Organização.
f) atuar com respeito às petições e outras ARTIGO 46
comunicações, no exercício de sua autoridade, de 1. Para que uma petição ou comunicação
conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51 apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 seja
desta Convenção; e admitida pela Comissão, será necessário:
g) apresentar um relatório anual a Assembléia- a) que hajam sido interpostos e esgotados os
Geral da Organização dos Estados Americanos. recursos da jurisdição interna, de acordo com os
ARTIGO 42 princípios de direito internacional geralmente
Os Estados-Partes devem remeter à Comissão reconhecidos;
cópia dos relatórios e estudos que, em seus b) que seja apresentada dentro do prazo de seis
respectivos campos, submetem anualmente às meses, a partir da data em que o presumido
Comissões Executivas do Conselho Interamericano prejudicado em seus direitos tenha sido notificado
Econômico e Social e do Conselho Interamericano de da decisão definitiva;
Educação, Ciência e Cultura, a fim de que aquela vele c) que a matéria da petição ou comunicação não
por que se promovem os direitos decorrentes das esteja pendente de outro processo de solução
normas econômicas, sociais e sobre educação, internacional; e
ciência e cultura constantes da Carta da Organização d) que, no caso do artigo 44, a petição contenha o
dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo nome, a nacionalidade, a profissão, o domicílio e a
de Buenos Aires. assinatura da pessoa ou pessoas ou do
ARTIGO 43 representante legal da entidade que submeter a
Os Estados-Partes obrigam-se a proporcionar à petição.
Comissão as informações que esta lhes solicitar 2. as disposições das alíneas "a" e "b" do inciso 1º
sobre a maneira pela qual o seu direito interno deste artigo não se aplicarão quando:
assegura a aplicação efetiva de quaisquer a) não existir, na legislação interna do Estado de
disposições desta Convenção. que se tratar, o devido processo legal para a
Seção 3 - Competência proteção do direito ou direitos que se alegue tenha
ARTIGO 44 sido violados;
Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou b) não se houver permitido ao presumido
entidade não governamental legalmente prejudicado em seus direitos o acesso aos recursos
reconhecida em um ou mais Estados-Membros da da jurisdição interna, ou houver sido ele impedido de
Organização, pode apresentar à Comissão petições esgotá-los; e
que contenham denúncias ou queixas de violação c) houver demora injustificada na decisão sobre os
desta Convenção por um Estado-Parte. mencionados recursos.
ARTIGO 45 ARTIGO 47
1. Todo Estado-Parte pode, no momento do A Comissão declarará inadmissível toda petição ou
depósito do seu instrumento de ratificação desta comunicação apresentada de acordo com os artigos
Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer 44 ou 45 quando:
momento posterior, declarar que reconhece a a) não preencher algum dos requisitos
competência da Comissão para receber e examinar estabelecidos no artigo 46;
as comunicações em que um Estado-Parte alegue b) não expuser fatos que caracterizem violação
haver outro Estado-Parte incorrido em violações dos direitos garantidos por esta Convenção;
direitos humanos estabelecidos nesta Convenção. c) pela exposição do próprio peticionário ou do
2. As comunicações feitas em virtude deste artigo Estado, for manifestamente infundada a petição ou
só podem ser admitidos e examinadas se forem comunicação ou for evidente sua total
apresentadas por um Estado-Parte que haja feito improcedência; ou
uma declaração pela qual reconheça a referida d) for substancialmente reprodução de petição ou
competência da Comissão. A Comissão não admitirá comunicação anterior, já examinada pela Comissão
nenhuma comunicação contra um Estado-Parte que ou por outro organismo internacional.
não haja feito tal declaração. seção 4 Processo
3. As declarações sobre reconhecimento de ARTIGO 48
competência podem ser feitas para que esta vigore 1. A Comissão, ao receber uma petição ou
por tempo indefinido, por período determinado ou comunicação na qual se alegue violação de qualquer
para casos específicos. dos direitos consagrados nesta Convenção,
4. As declarações serão depositadas na Secretaria- procederá da seguinte maneira:
Geral da Organização dos Estados Americanos, a qual
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a) se reconhecer a admissibilidade da petição ou conclusões. Se o relatório não representar, no todo


comunicação, solicitará informações ao Governo do ou em parte, o acordo unânime dos membros da
Estado ao qual pertença a autoridade apontada Comissão, qualquer deles poderá agregar ao referido
como responsável pela violação alegada e relatório seu voto em separado. Também se
transcreverá as partes pertinentes da petição ou agregarão ao relatório às exposições verbais ou
comunicação. As referidas informações devem ser escritas que houverem sido feitas pelos interessados
enviadas dentro de um prazo razoável, fixado pela em virtudes do inciso 1º, e, do artigo 48.
Comissão ao considerar as circunstâncias de cada 2. O relatório será encaminhado aos Estados
caso; interessados, aos quais não será facultado publicá-
b) recebidas às informações, ou transcorrido o lo.
prazo fixado sem que sejam elas recebidas, verificará 3. Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode
se existem ou subsistem os motivos da petição ou formular as proposições e recomendações que julgar
comunicação. No caso de não existirem ou não adequada.
subsistirem, mandará arquivar o expediente; ARTIGO 51
c) poderá também declarar a inadmissibilidade ou 1. Se no prazo de três meses, a partir da remessa
a improcedência da petição ou comunicação, com aos Estados interessados do relatório da Comissão, o
base em informação ou prova superveniente; assunto não houver sido solucionado ou submetido
d) se o expediente não houver sido arquivado, e a submetido à decisão da Corte pela Comissão ou
com o fim de comprovar os fatos, a Comissão pelo Estado interessado, aceitando sua
procederá, com conhecimento das partes a um competência, a Comissão poderá emitir, pelo voto
exame do assunto exposto na petição ou da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião
comunicação. Se for necessário e conveniente, a e conclusões sobre a questão submetida à sua
Comissão procederá a uma investigação para cuja consideração.
eficaz realização solicitará, e os Estado interessados 2. A comissão fará as recomendações pertinentes
lhe proporcionarão, todas as facilidades necessárias; e fixará um prazo dentro do qual o Estado deve
e) poderá pedir aos Estados interessados qualquer tomar as medidas que lhe competirem para
informação pertinente e receberá, se isso lhe for remediar a situação examinada.
solicitado, as exposições verbais ou escritas que 3. Transcorrido o prazo fixado, a Comissão
apresentarem os interessados; e decidira, pelo voto da maioria absoluta dos seus
f) por-se-á à disposição das partes interessadas, a membros, se o Estado tomou ou não medidas
fim de chegar a uma solução amistosa do assunto, adequadas e se publica ou não seu relatório.
fundada no respeito aos direitos humanos CAPÍTULO VIII
reconhecidos nesta Convenção. Corte Interamericana de Direitos Humanos
2. Entretanto, em casos graves e urgentes, pode Seção 1 - ORGANIZAÇÃO
ser realizada uma investigação, mediante prévio ARTIGO 52
consentimento do Estado em cujo território de 1. A Corte compor-se-á de sete juízes, nacionais
alegue haver sido cometido à violação, tão somente dos Estados Membros da Organização, eleitos a
com a apresentação de uma petição ou comunicação títulos pessoal dentre juristas da mais alta
que reúna todos os requisitos formais de autoridade moral, de reconhecida competência em
admissibilidade. matéria de direitos humanos, que reúnam as
ARTIGO 49 condições requeridas para o exercício das mais
Se houver chegado a uma solução amistosa de elevadas funções judiciais, de acordo com a lei do
acordo com as disposições do inciso 1, f, do artigo 48, Estado do qual sejam nacionais, ou do Estado que os
a Comissão redigirá um relatório que será propuser como candidatos.
encaminhado ao peticionário e aos Estados-Partes 2. Não deve haver dois juízes da mesma
nesta Convenção e, posteriormente, transmitido, nacionalidade.
para sua publicação, ao Secretário-Geral da ARTIGO 53
Organização dos Estados Americanos. O referido 1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação
relatório conterá uma breve exposição dos fatos e da secreta e pelo voto da maioria absoluta dos Estados-
solução alcançada. Se qualquer das partes no caso o Partes na Convenção, na Assembléia-Geral da
solicitar, ser-lhe-á proporcionada a mais ampla Organização, de uma lista de candidatos propostos
informação possível. pelos mesmos Estados.
ARTIGO 50 2. Cada um dos Estados-Partes pode propor até
1. Se não se chegar a uma solução, e dentro do três candidatos, nacionais do Estado que os propuser
prazo que for fixado pelo Estatuto da Comissão, esta ou de qualquer outro Estado-Membro da
redigirá um relatório no qual exporá os fatos e suas Organização dos Estados Americanos. Quando se
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propuser uma lista de três candidatos, pelo menos 3. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá
um deles deverá ser nacional de Estado diferente do assistir às reuniões que ela realizar fora da mesma.
proponente. ARTIGO 59
ARTIGO 54 A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e
1. Os juízes da Corte serão eleitos por um período funcionará sob a direção do Secretário da Corte, de
de seis anos e só poderão ser reeleitos uma vez. O acordo com as normas administrativas da Secretaria-
mandato de três dos juízes designados na primeira Geral da Organização em tudo o que não for
eleição expirará ao cabo de três anos. incompatível com a independência da Corte. Seus
Imediatamente depois da referida eleição, funcionários serão nomeados pelo Secretário-Geral
determinar-se-ão por sorteio, na Assembléia-Geral, da Organização, em consulta com o Secretário da
os nomes desses três juízes. Corte.
2. O juiz eleito para substituir outro cujo mandato ARTIGO 60
não haja expirado, completará o período deste. A Corte elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à
3. Os juízes permanecerão em suas funções até o aprovação da Assembléia-Geral e expedirá sus
término dos seus mandatos. Entretanto, continuarão regimento.
funcionando nos casos de que já houverem tomado Seção 2 - Competência e Funções
conhecimento e que se encontrem em fase de ARTIGO 61
sentença e, para tais efeitos, não serão substituídos 1. Somente os Estados-Partes e a Comissão têm
pelos novos juízes eleitos. direito de submeter caso à decisão da Corte.
ARTIGO 55 2. Para que a Corte possa conhecer de qualquer
1. O juiz que for nacional de algum dos Estados- caso, é necessário que sejam esgotados os processos
Partes no caso submetido à Corte conservará o seu previstos nos artigos 48 a 50.
direito de conhecer o mesmo. ARTIGO 62
2. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso 1. Toda Estado-Parte, pode, no momento do
for de nacionalidade de um dos Estados-Partes, depósito do seu instrumento de ratificação desta
outro Estado-Partes no caso poderá designar uma Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer
pessoa de sua escolha para integrar a Corte na momento posterior, declarar que reconhece como
qualidade de juiz ad hoc. obrigatória, de pleno direito e sem convenção
3. Se, dentre os juízos chamados a conhecer do especial, a competência da Corte em todos os casos
caso, nenhuma for da nacionalidade dos Estados relativos à interpretação ou aplicação desta
partes, cada um destes poderá designar um Convenção.
juiz ad hoc. 2. A declaração pode ser feita incondicionalmente,
4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados ou sob condição de reciprocidade, por prazo
no artigo 52. determinado ou para casos específicos. Deverá ser
5. Se vários Estados-Partes na Convenção tiverem apresentada ao Secretário-Geral da Organização,
o mesmo interesse no caso, serão considerados que encaminhará cópias da mesma aos outros
como uma só parte, para os fins das disposições Estados-Membros da Organização e ao Secretário da
anteriores. Em caso de dúvida, a Corte decidirá. Corte.
ARTIGO 56 3. A Corte tem competência para conhecer de
O quorum para as deliberações da Corte é qualquer caso relativo à interpretação e aplicação
constituído por cinco juízes. das disposições desta Convenção que lhe seja
ARTIGO 57 submetido, desde que os Estados-Partes no caso
A Comissão comparecerá em todos os casos tenham reconhecido ou reconheçam a referida
perante a Corte. competência, seja por declaração especial, como
ARTIGO 58 prevêem os incisos anteriores, seja por convenção
1. A Corte terá sua sede4 no lugar que for especial.
determinado, na Assembléia-Geral da Organização, ARTIGO 63
pelos Estados-Partes na Convenção, mas poderá 1. Quando decidir que houve violação de um
realizar reuniões no território de qualquer Estado- direito ou liberdade protegido nesta Convenção, a
Membro da Organização dos Estrados Americanos Corte determinará que se assegure ao prejudicado o
em que o considerar conveniente pela maioria dos gozo do seu direito ou liberdade violados.
seus membros e mediante prévia aquiescência do Determinará também, se isso for procedente, que
Estado respectivo. Os Estados-Partes na Convenção sejam reparadas as conseqüências da medida ou
podem, na Assembléia-Geral, por dois terços dos situação que haja configurado a violação desses
seus votos, mudar a sede da Corte. direitos, bem como o pagamento de indenização
2. A Corte designará seu Secretário. justa à parte lesada.
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2. Em casos de extrema gravidade e urgência, e ARTIGO 70


quando se fizer necessário evitar danos irreparáveis 1. Os juízes da Corte e os membros da Comissão
às pessoas, a Corte, nos assuntos de que estiver gozam, desde o momento de sua eleição e enquanto
conhecendo, poderá tomar as medidas provisórias durar o seu mandato, das imunidades reconhecidas
que considerar pertinente. Se tratar de assuntos que aos agentes diplomáticos pelo Direito Internacional.
ainda não estiverem submetidos ao seu Durante o exercício dos seus cargos gozam, além
conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão. disso, dos privilégios diplomáticos necessários para o
ARTIGO 64 desempenho de suas funções.
1. Os Estados-Partes da Organização poderão 2. Não se poderá exigir responsabilidade em
consultar a Corte sobre a interpretação desta tempo algum dos juízes da Corte, nem dos membros
Convenção ou de outros tratados concernentes à da Comissão, por votos e opiniões emitidos no
proteção dos direitos humanos nos Estados exercício de suas funções.
americanos. Também poderão consultá-la, no que ARTIGO 71
lhes compete, os órgãos enumerados no capítulo X Os cargos de juiz da Corte ou de membro da
da Carta da Organização dos Estados Americanos, Comissão são incompatíveis com outras atividades
reformada pelo Protocolo da Buenos Aires. que possam afetar sua independência ou
2. A Corte, a pedido de um Estado-Membro da imparcialidade conforme o que for determinado nos
Organização, poderá emitir pareceres sobre a respectivos estatutos.
compatibilidade entre qualquer de suas leis internas ARTIGO 72
e os mencionados instrumentos internacionais. Os juízes da Corte e os membros da Comissão
ARTIGO 65 perceberão honorários e despesas de viagem na
A Corte submeterá à consideração da Assembléia- forma e nas condições que determinarem os seus
Geral da Organização, em cada período ordinário de estatutos, levando em conta a importância e
sessões, um relatório sobre suas atividades no ano independência de suas funções. Tais honorários e
anterior. De maneira especial, e com as despesas de viagem serão fixados no orçamento-
recomendações pertinentes, indicará os casos em programa da organização dos Estados Americanos,
que um Estado não tenha dado cumprimento a suas no qual devem ser incluídas, além disso, as despesas
sentenças. da Corte e da sua Secretaria. Para tais efeitos, a Corte
Seção 3 - Processo elaborará o seu próprio projeto de orçamento e
ARTIGO 66 submetê-lo-á aprovação da Assembléia-Geral, por
1. A sentença da Corte deve ser fundamentada. intermédio da Secretaria-Geral. Esta última não
2. Se a sentença não expressar no todo ou em poderá nele introduzir modificações.
parte a opinião unânime dos juízes, qualquer deles ARTIGO 73
terá direito a que se agregue à sentença o seu voto Somente por solicitação d a Comissão ou da Corte,
dissidente ou individual. conforme o caso, cabe á Assembléia-Geral da
ARTIGO 67 Organização resolver sobre as sanções aplicáveis aos
A sentença da Corte será definitiva e inapelável. membros da Comissão ou aos juízes da Corte que
Em caso de divergência sobre o sentido ou alcance incorrerem nos casos previstos nos respectivos
da sentença, a Corte interpretá-la-á, a pedido de estatutos. Para expedir uma resolução, será
qualquer das partes, desde que o pedido seja necessária maioria de dois terços dos votos dos
apresentando dentro de noventa dias a partir da Estados-Membros da Organização, no caso dos
data da notificação da sentença. membros da Comissão; e, além disso, de dois terços
ARTIGO 68 dos votos dos Estados-Partes na Convenção, se
1. Os Estados-Partes na Convenção tratar dos juízes da Corte.
comprometem-se a cumprir a decisão da Corte em PARTE III
todo caso em que forem partes. Disposições Gerais e Transitórias
2. A parte da sentença que determinar indenização CAPÍTULO X
compensatória poderá ser executada no país Assinatura, Ratificação, Reserva, Emenda,
respectivo pelo processo interno vigente para a Protocolo e Denúncia
execução de sentença contra o Estado. ARTIGO 74
ARTIGO 69 1. Esta Convenção fica aberta à assinatura e à
A sentença da Corte deve ser notificada às partes ratificação ou adesão de todos os estados-Membros
no caso e transmitida aos Estados-Partes na da Organização dos Estados Americanos.
Convenção. 2. A ratificação desta Convenção ou a adesão a ela
C A P I T U L O IX efetuar-se-á mediante depósito de um instrumento
Disposições Comuns de ratificação ou de adesão na Secretaria-Geral da
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Organização dos Estados Americanos. Esta Seção 1 - Comissão Interamericana de Direitos


Convenção entrará em vigor logo que onze Estados Humanos
houverem depositado os seus respectivos ARTIGO 79
instrumentos de ratificação ou de adesão. Com Ao entrar em vigor esta Convenção, o Secretário-
referência a qualquer outro Estado que a ratificar ou Geral pedirá por escrito a cada Estado-Membro da
que a ela aderir ulteriormente, a Convenção entrará Organização que apresente, dentro de um prazo de
em vigor na data do depósito do seu instrumento de noventa dias, seus candidatos a membro da
ratificação ou de adesão. Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O
3. O Secretário-Geral informará todos os Estados Secretário-Geral preparará uma lista por ordem
Membros da Organização sobre a entrada em vigor alfabética dos candidatos apresentados e a
da Convenção. encaminhará aos Estados-Membros da Organização
ARTIGO 75 pelo menos trinta dias antes da Assembléia-Geral
Esta Convenção só pode ser objeto de reservas em seguinte.
conformidade com as disposições da Convenção de ARTIGO 80
Viena sobre Direito dos Tratados assinados em 23 de A eleição dos membros da Comissão far-se-á
maio de 1969. dentre os candidatos que figurem na lista a que se
ARTIGO 76 refere o artigo 79, por votação secreta da
1. Qualquer Estado-Parte, diretamente, e a Assembléia-Geral, e serão declarados eleitos os
Comissão ou a Corte, por intermédio do Secretário- candidatos que obtiverem maior número de votos e
Geral, podem submeter a Assembléia-Geral, para o a maioria absoluta dos votos dos representantes dos
que julgarem conveniente, proposta de emenda a Estados-Membros. Se, para eleger todos os
esta Convenção. membros da Comissão, for necessário realizar várias
2. As emendas entrarão em vigor para os Estados votações, serão eliminados sucessivamente, na
que ratificarem as mesmas na data em que houver forma que for determinada pela Assembléia-Geral,
sido depositado o respectivo instrumento de os candidatos que receberem menor número de
ratificação que corresponda ao número de dois votos.
terços dos Estados-Partes nesta Convenção. Quando Seção 2 - Corte Interamericana de Direitos
aos outros Estados-partes, entrarão em vigor na data humanos
em que depositarem eles os seus respectivos ARTIGO 81
instrumentos de ratificação. Ao entrar em vigor esta Convenção, o Secretário-
ARTIGO 77 Geral solicitará por escrito a cada Estado-Parte que
1. De acordo com a faculdade estabelecida no apresente, dentro de uma prazo de noventa dias,
artigo 31, qualquer Estado-Parte e a Comissão seus candidatos a juiz da Corte Interamericana de
podem submeter à consideração dos Estados-Partes Direitos Humanos. O Secretário-Geral prepara uma
reunidos por ocasião da Assembléia-Geral, projetos lista por ordem alfabética dos candidatos
de protocolos a esta Convenção, com a finalidade de apresentados e a encaminhará aos Estados-Partes
incluir progressivamente no regime de proteção da pelo menos trinta dias antes da Assembléia-Geral
mesma outros direitos e liberdades. seguinte.
2. Cada protocolo deve estabelecer as ARTIGO 82
modalidades de sua entrada em vigor e será aplicado A eleição dos juízes da Corte far-se-á dentre os
semente entre os Estados-Partes no mesmo. candidatos que figurem na lista a que se refere o
ARTIGO 78 artigo 81, por votação secreta dos Estados-Partes, na
1. Os Estados-Partes poderão denunciar esta Assembléia-Geral, e serão declarados eleitos os
Convenção depois de expirado um prazo de cinco candidatos que obtiverem maior número de votos e
anos, a partir da data de entrada em vigor da mesma a maioria absoluta dos votos dos representantes dos
e mediante aviso prévio de um ano, notificando o Estados-Partes. Se para eleger todos os juízes da
Secretário-Geral da Organização, o qual deve Corte, for necessário realizar várias votações, serão
informar as outras Partes. eliminados sucessivamente, na forma que for
2. Tal denúncia não terá o efeito de desligar o determinada pelos Estados-Partes, os candidatos
Estado-Parte interessado das obrigações contidas que receberem menor número de votos.
nesta Convenção, no que diz respeito a qualquer ato Declaração e reservas
que, podendo constituir violação dessas obrigações, Declaração do Chile
houver sido cometido por ele anteriormente à data A Delegação do Chile apõe sua assinatura a esta
na qual a denúncia produzir efeito. Convenção, sujeita á sua posterior aprovação
CAPÍTULO XI parlamentar e ratificação, em conformidade com as
Disposições Transitórias normas constitucionais vigentes.
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Declaração do Equador
A Declaração do Equador tem a honra de assinar a
Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Não
crê necessários especificar reserva alguma, deixando
a salvo tão-somente a faculdade geral constante da
mesma Convenção, que deixa aos governos a
liberdade de ratificá-la.
Reserva do Uruguai
O artigo 80, parágrafo 2, da Constituição da
República Oriental do Uruguai, estabelece que se
suspende a cidadania "pela condição de legalmente
processado em causa criminal de que possa
resultar pena de penitenciária". Essa limitação ao
exercício dos direitos reconhecidos no artigo 23 da
Convenção não está prevista entre as circunstâncias
que a tal respeito prevê o parágrafo 2 do referido
artigo 23, motivo por que a Delegação do Uruguai
forma a reserva pertinente.
Em fé do que, os plenipotenciários abaixo-
assinados, cujos plenos poderes foram encontrados
em boa e devida forma, assinam esta Convenção,
que se denominará "Pacto de São Jose da Costa
Rica", na cidade de São Jose, Costa Rica, em vinte e
dois de novembro de mil novecentos e sessenta e
nove.
***
DECLARAÇÃO INTERPRETATIVA DO BRASIL
Ao depositar a Carta de Adesão à Convenção
Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São
José da Costa Rica), em 25 de setembro de 1992. O
Governo brasileiro fez a seguinte declaração
interpretativa sobre os artigos 43 e 48, alínea "d":
" O Governo do Brasil entende que os artigos 43 e
48, alínea Comissão Interamericana de Direitos
Humanos, as quais dependerão da anuência
expressa do Estado."

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Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou 55, de promover o respeito universal e a observância
Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes. dos direitos humanos e liberdades fundamentais.
Levando em conta o Artigo 5º da Declaração
Decreto nº 40/1991 (Convenção Contra a Tortura e Universal e a observância dos Direitos do Homem e o
Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Artigo 7º do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e
Degradantes). Políticos, que determinam que ninguém será sujeito à
tortura ou a pena ou tratamento cruel, desumano ou
degradante,
Levando também em conta a Declaração sobre a
DECRETO Nº 40, DE 15 DE FEVEREIRO DE 1991.
Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e outros
Promulga a Convenção Contra a Tortura e Outros
Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
Degradantes, aprovada pela Assembléia Geral em 9 de
Degradantes.
dezembro de 1975,
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da
Desejosos de tornar mais eficaz a luta contra a
atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VIII, da
tortura e outros tratamentos ou penas cruéis,
Constituição, e
desumanos ou degradantes em todo o mundo,
Considerando que a Assembléia Geral das Nações
Acordam o seguinte:
Unidas, em sua XL Sessão, realizada em Nova York,
PARTE I
adotou a 10 de dezembro de 1984, a Convenção Contra
ARTIGO 1º
a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,
1. Para os fins da presente Convenção, o termo
Desumanos ou Degradantes;
"tortura" designa qualquer ato pelo qual dores ou
Considerando que o Congresso Nacional aprovou a
sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos
referida Convenção por meio do Decreto Legislativo nº
intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou
4, de 23 de maio de 1989;
de uma terceira pessoa, informações ou confissões; de
Considerando que a Carta de Ratificação da
castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha
Convenção foi depositada em 28 de setembro de 1989;
cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar
Considerando que a Convenção entrou em vigor
ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por
para o Brasil em 28 de outubro de 1989, na forma de
qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer
seu artigo 27, inciso 2;
natureza; quando tais dores ou sofrimentos são
DECRETA:
infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no
Art. 1º A Convenção Contra a Tortura e Outros
exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou
Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
com o seu consentimento ou aquiescência. Não se
Degradantes, apensa por cópia ao presente Decreto,
considerará como tortura as dores ou sofrimentos que
será executada e cumprida tão inteiramente como nela
sejam conseqüência unicamente de sanções legítimas,
se contém.
ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas
Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua
decorram.
publicação.
2. O presente Artigo não será interpretado de
Brasília, em 15 de fevereiro de 1991; 170º da
maneira a restringir qualquer instrumento internacional
Independência e 103º da República.
ou legislação nacional que contenha ou possa conter
FERNANDO COLLOR
dispositivos de alcance mais amplo.
Francisco Rezek
ARTIGO 2º
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de
1. Cada Estado Parte tomará medidas eficazes de
18.2.1991
caráter legislativo, administrativo, judicial ou de outra
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS
natureza, a fim de impedir a prática de atos de tortura
TRATAMENTOS
em qualquer território sob sua jurisdição.
OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES
2. Em nenhum caso poderão invocar-se
Os Estados Partes da presente Convenção,
circunstâncias excepcionais tais como ameaça ou
Considerando que, de acordo com os princípios
estado de guerra, instabilidade política interna ou
proclamados pela Carta das Nações Unidas, o
qualquer outra emergência pública como justificação
reconhecimento dos direitos iguais e inalienáveis de
para tortura.
todos os membros da família humana é o fundamento
3. A ordem de um funcionário superior ou de uma
da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
autoridade pública não poderá ser invocada como
Reconhecendo que estes direitos emanam da
justificação para a tortura.
dignidade inerente à pessoa humana,
ARTIGO 3º
Considerando a obrigação que incumbe os
1. Nenhum Estado Parte procederá à expulsão,
Estados, em virtude da Carta, em particular do Artigo
devolução ou extradição de uma pessoa para outro
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Estado quando houver razões substanciais para crer que Estados mencionados no Artigo 5º, parágrafo 1, sobre
a mesma corre perigo de ali ser submetida a tortura. tal detenção e sobre as circunstâncias que a justificam.
2. A fim de determinar a existência de tais razões, O Estado que proceder à investigação preliminar a que
as autoridades competentes levarão em conta todas as se refere o parágrafo 2 do presente Artigo comunicará
considerações pertinentes, inclusive, quando for o caso, sem demora seus resultados aos Estados antes
a existência, no Estado em questão, de um quadro de mencionados e indicará se pretende exercer sua
violações sistemáticas, graves e maciças de direitos jurisdição.
humanos. ARTIGO 7º
ARTIGO 4º 1. O Estado Parte no território sob a jurisdição do
1. Cada Estado Parte assegurará que todos os atos qual o suposto autor de qualquer dos crimes
de tortura sejam considerados crimes segundo a sua mencionados no Artigo 4º for encontrado, se não o
legislação penal. O mesmo aplicar-se-á à tentativa de extraditar, obrigar-se-á, nos casos contemplados no
tortura e a todo ato de qualquer pessoa que constitua Artigo 5º, a submeter o caso as suas autoridades
cumplicidade ou participação na tortura. competentes para o fim de ser o mesmo processado.
2. Cada Estado Parte punirá estes crimes com 2. As referidas autoridades tomarão sua decisão de
penas adequadas que levem em conta a sua gravidade. acordo com as mesmas normas aplicáveis a qualquer
ARTIGO 5º crime de natureza grave, conforme a legislação do
1. Cada Estado Parte tomará as medidas referido Estado. Nos casos previstos no parágrafo 2 do
necessárias para estabelecer sua jurisdição sobre os Artigo 5º, as regras sobre prova para fins de processo e
crimes previstos no Artigo 4º nos seguintes casos: condenação não poderão de modo algum ser menos
a) quando os crimes tenham sido cometidos em rigorosas do que as que se aplicarem aos casos previstos
qualquer território sob sua jurisdição ou a bordo de no parágrafo 1 do Artigo 5º.
navio ou aeronave registrada no Estado em questão; 3. Qualquer pessoa processada por qualquer dos
b) quando o suposto autor for nacional do Estado crimes previstos no Artigo 4º receberá garantias de
em questão; tratamento justo em todas as fases do processo.
c) quando a vítima for nacional do Estado em ARTIGO 8°
questão e este o considerar apropriado. 1. Os crimes a que se refere o Artigo 4° serão
2. Cada Estado Parte tomará também as medidas considerados como extraditáveis em qualquer tratado
necessárias para estabelecer sua jurisdição sobre tais de extradição existente entre os Estados Partes. Os
crimes nos casos em que o suposto autor se encontre Estados Partes obrigar-se-ão a incluir tais crimes como
em qualquer território sob sua jurisdição e o Estado não extraditáveis em todo tratado de extradição que vierem
extradite de acordo com o Artigo 8º para qualquer dos a concluir entre si.
Estados mencionados no parágrafo 1 do presente 2. Se um Estado Parte que condiciona a extradição
Artigo. à existência de tratado de receber um pedido de
3. Esta Convenção não exclui qualquer jurisdição extradição por parte do outro Estado Parte com o qual
criminal exercida de acordo com o direito interno. não mantém tratado de extradição, poderá considerar a
ARTIGO 6º presente Convenção com base legal para a extradição
1. Todo Estado Parte em cujo território se encontre com respeito a tais crimes. A extradição sujeitar-se-á ás
uma pessoa suspeita de ter cometido qualquer dos outras condições estabelecidas pela lei do Estado que
crimes mencionados no Artigo 4º, se considerar, após o receber a solicitação.
exame das informações de que dispõe, que as 3. Os Estado Partes que não condicionam a
circunstâncias o justificam, procederá à detenção de tal extradição à existência de um tratado reconhecerão,
pessoa ou tomará outras medidas legais para assegurar entre si, tais crimes como extraditáveis, dentro das
sua presença. A detenção e outras medidas legais serão condições estabelecidas pela lei do Estado que receber
tomadas de acordo com a lei do Estado mas vigorarão a solicitação.
apenas pelo tempo necessário ao início do processo 4. O crime será considerado, para o fim de
penal ou de extradição. extradição entre os Estados Partes, como se tivesse
2. O Estado em questão procederá imediatamente ocorrido não apenas no lugar em que ocorreu, mas
a uma investigação preliminar dos fatos. também nos territórios dos Estados chamados a
3. Qualquer pessoa detida de acordo com o estabelecerem sua jurisdição, de acordo com o
parágrafo 1 terá assegurada facilidades para comunicar- parágrafo 1 do Artigo 5º.
se imediatamente com o representante mais próximo ARTIGO 9º
do Estado de que é nacional ou, se for apátrida, com o 1. Os Estados Partes prestarão entre si a maior
representante do Estado de residência habitual. assistência possível em relação aos procedimentos
4. Quando o Estado, em virtude deste Artigo, criminais instaurados relativamente a qualquer dos
houver detido uma pessoa, notificará imediatamente os delitos mencionados no Artigo 4º, inclusive no que diz
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respeito ao fornecimento de todos os elementos de ARTIGO 15


prova necessários para o processo que estejam em seu Cada Estado Parte assegurará que nenhuma
poder. declaração que se demonstre ter sido prestada como
2. Os Estados Partes cumprirão as obrigações resultado de tortura possa ser invocada como prova em
decorrentes do parágrafo 1 do presente Artigo qualquer processo, salvo contra uma pessoa acusada de
conforme quaisquer tratados de assistência judiciária tortura como prova de que a declaração foi prestada.
recíproca existentes entre si. ARTIGO 16
ARTIGO 10 1.Cada Estado Parte se comprometerá a proibir em
1. Cada Estado Parte assegurará que o ensino e a qualquer território sob sua jurisdição outros atos que
informação sobre a proibição de tortura sejam constituam tratamento ou penas cruéis, desumanos ou
plenamente incorporados no treinamento do pessoal degradantes que não constituam tortura tal como
civil ou militar encarregado da aplicação da lei, do definida no Artigo 1, quando tais atos forem cometidos
pessoal médico, dos funcionários públicos e de por funcionário público ou outra pessoa no exercício de
quaisquer outras pessoas que possam participar da funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu
custódia, interrogatório ou tratamento de qualquer consentimento ou aquiescência. Aplicar-se-ão, em
pessoa submetida a qualquer forma de prisão, detenção particular, as obrigações mencionadas nos Artigos 10,
ou reclusão. 11, 12 e 13, com a substituição das referências a tortura
2. Cada Estado Parte incluirá a referida proibição por referências a outras formas de tratamentos ou
nas normas ou instruções relativas aos deveres e penas cruéis, desumanos ou degradantes.
funções de tais pessoas. 2. Os dispositivos da presente Convenção não
ARTIGO 11 serão interpretados de maneira a restringir os
Cada Estado Parte manterá sistematicamente sob dispositivos de qualquer outro instrumento
exame as normas, instruções, métodos e práticas de internacional ou lei nacional que proíba os tratamentos
interrogatório, bem como as disposições sobre a ou penas cruéis, desumanos ou degradantes ou que se
custódia e o tratamento das pessoas submetidas, em refira à extradição ou expulsão.
qualquer território sob sua jurisdição, a qualquer forma
de prisão, detenção ou reclusão, com vistas a evitar PARTE II
qualquer caso de tortura. ARTIGO 17
ARTIGO 12 1. Constituir-se-á um Comitê contra a Tortura
Cada Estado Parte assegurará suas autoridades (doravante denominado o "Comitê) que desempenhará
competentes procederão imediatamente a uma as funções descritas adiante. O Comitê será composto
investigação imparcial sempre que houver motivos por dez peritos de elevada reputação moral e
razoáveis para crer que um ato de tortura tenha sido reconhecida competência em matéria de direitos
cometido em qualquer território sob sua jurisdição. humanos, os quais exercerão suas funções a título
ARTIGO 13 pessoal. Os peritos serão eleitos pelos Estados Partes,
Cada Estado Parte assegurará a qualquer pessoa levando em conta uma distribuição geográfica
que alegue ter sido submetida a tortura em qualquer eqüitativa e a utilidade da participação de algumas
território sob sua jurisdição o direito de apresentar pessoas com experiência jurídica.
queixa perante as autoridades competentes do referido 2. Os membros do Comitê serão eleitos em votação
Estado, que procederão imediatamente e com secreta dentre uma lista de pessoas indicadas pelos
imparcialidade ao exame do seu caso. Serão tomadas Estados Partes. Cada Estado Parte pode indicar uma
medidas para assegurar a proteção do queixoso e das pessoa dentre os seus nacionais. Os Estados Partes
testemunhas contra qualquer mau tratamento ou terão presente a utilidade da indicação de pessoas que
intimação em conseqüência da queixa apresentada ou sejam também membros do Comitê de Direitos
de depoimento prestado. Humanos estabelecido de acordo com o Pacto
ARTIGO 14 Internacional de Direitos Civis e Políticos e que estejam
1. Cada Estado Parte assegurará, em seu sistema dispostas a servir no Comitê contra a Tortura.
jurídico, à vítima de um ato de tortura, o direito à 3. Os membros do Comitê serão eleitos em
reparação e a uma indenização justa e adequada, reuniões bienais dos Estados Partes convocadas pelo
incluídos os meios necessários para a mais completa Secretário-Geral das Nações Unidas. Nestas reuniões,
reabilitação possível. Em caso de morte da vítima como nas quais o quorum será estabelecido por dois terços
resultado de um ato de tortura, seus dependentes terão dos Estados Partes, serão eleitos membros do Comitê os
direito à indenização. candidatos que obtiverem o maior número de votos e a
2. O disposto no presente Artigo não afetará maioria absoluta dos votos dos representantes dos
qualquer direito a indenização que a vítima ou outra Estados Partes presentes e votantes.
pessoa possam ter em decorrência das leis nacionais.
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4. A primeira eleição se realizará no máximo seis gastos, tais como os de pessoal e de serviço, em que
meses após a data de entrada em vigor da presente incorrerem as Nações Unidas em conformidade com o
Convenção. Ao menos quatro meses antes da data de parágrafo 3 do presente Artigo.
cada eleição, o Secretário-Geral das Nações Unidas ARTIGO 19
enviará uma carta aos Estados Partes para convidá-los a 1. Os Estados Partes submeterão ao Comitê, por
apresentar suas candidaturas no prazo de três meses. O intermédio do Secretário-Geral das Nações Unidas,
Secretário-Geral organizará uma lista por ordem relatórios sobre as medidas por eles adotadas no
alfabética de todos os candidatos assim designados, cumprimento das obrigações assumidas em virtude da
com indicações dos Estados Partes que os tiverem presente Convenção, dentro de prazo de um ano, a
designado, e a comunicará aos Estados Partes. contar do início da vigência da presente Convenção no
5. Os membros do Comitê serão eleitos para um Estado Parte interessado. A partir de então, os Estados
mandato de quatro anos. Poderão, caso suas Partes deverão apresentar relatórios suplementares a
candidaturas sejam apresentadas novamente, ser cada quatro anos sobre todas as novas disposições que
reeleitos. No entanto, o mandato de cinco dos membros houverem adotado, bem como outros relatórios que o
eleitos na primeira eleição expirará ao final de dois Comitê vier a solicitar.
anos; imediatamente após a primeira eleição, o 2. O Secretário-Geral das Nações Unidas
presidente da reunião a que se refere o parágrafo 3 do transmitirá os relatórios a todos os Estados Partes.
presente Artigo indicará, por sorteio, os nomes desses 3. Cada relatório será examinado pelo Comitê, que
cinco membros. poderá fazer os comentários gerais que julgar
6. Se um membro do Comitê vier a falecer, a oportunos e os transmitirá ao Estado Parte interessado.
demitir-se de suas funções ou, por outro motivo Este poderá, em resposta ao Comitê, comunicar-lhe
qualquer, não puder cumprir com suas obrigações no todas as observações que deseje formular.
Comitê, o Estado Parte que apresentou sua candidatura 4. O Comitê poderá, a seu critério, tomar a decisão
indicará, entre seus nacionais, outro perito para cumprir de incluir qualquer comentário que houver feito de
o restante de seu mandato, sendo que a referida acordo com o que estipula o parágrafo 3 do presente
indicação estará sujeita à aprovação da maioria dos Artigo, junto com as observações conexas recebidas do
Estados Partes. Considerar-se-á como concedida a Estado Parte interessado, em seu relatório anual que
referida aprovação, a menos que a metade ou mais dos apresentará em conformidade com o Artigo 24. Se assim
Estados Partes venham a responder negativamente o solicitar o Estado Parte interessado, o Comitê
dentro de um prazo de seis semanas, a contar do poderá também incluir cópia do relatório apresentado
momento em que o Secretário-Geral das Nações Unidas em virtude do parágrafo 1 do presente Artigo.
lhes houver comunicado a candidatura proposta. ARTIGO 20
7. Correrão por conta dos Estados Partes as 1. O Comitê, no caso de vir a receber informações
despesas em que vierem a incorrer os membros do fidedignas que lhe pareçam indicar, de forma
Comitê no desempenho de suas funções no referido fundamentada, que a tortura é praticada
órgão. sistematicamente no território de um Estado Parte,
ARTIGO 18 convidará o Estado Parte em questão a cooperar no
1. O Comitê elegerá sua mesa para um período de exame das informações e, nesse sentido, a transmitir ao
dois anos. Os membros da mesa poderão ser reeleitos. Comitê as observações que julgar pertinentes.
2. O próprio Comitê estabelecerá suas regras de 2. Levando em consideração todas as observações
procedimento; estas, contudo, deverão conter, entre que houver apresentado o Estado Parte interessado,
outras, as seguintes disposições: bem como quaisquer outras informações pertinentes de
a) o quorum será de seis membros; que dispuser, o Comitê poderá, se lhe parecer
b) as decisões do Comitê serão tomadas por justificável, designar um ou vários de seus membros
maioria de votos dos membros presentes. para que procedam a uma investigação confidencial e
3. O Secretário-Geral das Nações Unidas colocará à informem urgentemente o Comitê.
disposição do Comitê o pessoal e os serviços necessários 3. No caso de realizar-se uma investigação nos
ao desempenho eficaz das funções que lhe são termos do parágrafo 2 do presente Artigo, o Comitê
atribuídas em virtude da presente Convenção. procurará obter a colaboração do Estado Parte
4. O Secretário-Geral das Nações Unidas convocará interessado. Com a concordância do Estado Parte em
a primeira reunião do Comitê. Após a primeira reunião, questão, a investigação poderá incluir uma visita a seu
o Comitê deverá reunir-se em todas as ocasiões território.
previstas em suas regras de procedimento. 4. Depois de haver examinado as conclusões
5. Os Estados Partes serão responsáveis pelos apresentadas por um ou vários de seus membros, nos
gastos vinculados à realização das reuniões dos Estados termos do parágrafo 2 do presente Artigo, o Comitê as
Partes e do Comitê, inclusive o reembolso de quaisquer transmitirá ao Estado Parte interessado, junto com as
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observações ou sugestões que considerar pertinentes recursos se prolongar injustificadamente ou quando


em vista da situação. não for provável que a aplicação de tais recursos venha
5. Todos os trabalhos do Comitê a que se faz a melhorar realmente a situação da pessoa que seja
referência nos parágrafos 1 ao 4 do presente Artigo vítima de violação da presente Convenção;
serão confidenciais e, em todas as etapas dos referidos d) o Comitê realizará reuniões confidenciais
trabalhos, procurar-se-á obter a cooperação do Estado quando estiver examinando as comunicações previstas
Parte. Quando estiverem concluídos os trabalhos no presente Artigo;
relacionados com uma investigação realizada de acordo e) sem prejuízo das disposições da alínea c), o
com o parágrafo 2, o Comitê poderá, após celebrar Comitê colocará seus bons ofícios à disposição dos
consultas com o Estado Parte interessado, tomar a Estados Partes interessados no intuito de se alcançar
decisão de incluir um resumo dos resultados da uma solução amistosa para a questão, baseada no
investigação em seu relatório anual, que apresentará respeito às obrigações estabelecidas na presente
em conformidade com o Artigo 24. Convenção. Com vistas a atingir esse objetivo, o Comitê
ARTIGO 21 poderá constituir, se julgar conveniente, uma comissão
1. Com base no presente Artigo, todo Estado Parte de conciliação ad hoc;
da presente Convenção poderá declarar, a qualquer f) em todas as questões que se lhe submetam em
momento, que reconhece a competência dos Comitês virtude do presente Artigo, o Comitê poderá solicitar
para receber e examinar as comunicações em que um aos Estados Partes interessados, a que se faz referência
Estado Parte alegue que outro Estado Parte não vem na alínea b), que lhe forneçam quaisquer informações
cumprindo as obrigações que lhe impõe a Convenção. pertinentes;
As referidas comunicações só serão recebidas e g) os Estados Partes interessados, a que se faz
examinadas nos termos do presente Artigo no caso de referência na alínea b), terão o direito de fazer-se
serem apresentadas por um Estado Parte que houver representar quando as questões forem examinadas no
feito uma declaração em que reconheça, com relação a Comitê e de apresentar suas observações verbalmente
si próprio, a competência do Comitê. O Comitê não e/ou por escrito;
receberá comunicação alguma relativa a um Estado h) o Comitê, dentro dos doze meses seguintes à
Parte que não houver feito uma declaração dessa data de recebimento de notificação mencionada na b),
natureza. As comunicações recebidas em virtude do apresentará relatório em que:
presente Artigo estarão sujeitas ao procedimento que i) se houver sido alcançada uma solução nos
se segue: termos da alínea e), o Comitê restringir-se-á, em seu
a) se um Estado Parte considerar que outro Estado relatório, a uma breve exposição dos fatos e da solução
Parte não vem cumprindo as disposições da presente alcançada;
Convenção poderá, mediante comunicação escrita, ii) se não houver sido alcançada solução alguma
levar a questão ao conhecimento deste Estado Parte. nos termos da alínea e), o Comitê restringir-se-á, em seu
Dentro de um prazo de três meses a contar da data do relatório, a uma breve exposição dos fatos; serão
recebimento da comunicação, o Estado destinatário anexados ao relatório o texto das observações escritas
fornecerá ao Estado que enviou a comunicação e as atas das observações orais apresentadas pelos
explicações ou quaisquer outras declarações por escrito Estados Partes interessados.
que esclareçam a questão, as quais deverão fazer Para cada questão, o relatório será encaminhado
referência, até onde seja possível e pertinente, aos aos Estados Partes interessados.
procedimentos nacionais e aos recursos jurídicos 2. As disposições do presente Artigo entrarão em
adotados, em trâmite ou disponíveis sobre a questão; vigor a partir do momento em que cinco Estado Partes
b) se, dentro de um prazo de seis meses, a contar da presente Convenção houverem feito as declarações
da data do recebimento da comunicação original pelo mencionadas no parágrafo 1 deste Artigo. As referidas
Estado destinatário, a questão não estiver dirimida declarações serão depositadas pelos Estados Partes
satisfatoriamente para ambos os Estado Partes junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas, que
interessados, tanto um como o outro terão o direito de enviará cópia das mesmas aos demais Estados Partes.
submetê-la ao Comitê, mediante notificação Toda declaração poderá ser retirada, a qualquer
endereçada ao Comitê ou ao outro Estado interessado; momento, mediante notificação endereçada ao
c) o Comitê tratará de todas as questões que se lhe Secretário-Geral. Far-se-á essa retirada sem prejuízo do
submetam em virtude do presente Artigo somente após exame de quaisquer questões que constituam objeto de
ter-se assegurado de que todos os recursos jurídicos uma comunicação já transmitida nos termos deste
internos disponíveis tenham sido utilizados e esgotados, Artigo; em virtude do presente Artigo, não se receberá
em consonância com os princípios do Direito qualquer nova comunicação de um Estado Parte uma
internacional geralmente reconhecidos. Não se aplicará vez que o Secretário-Geral haja recebido a notificação
esta regra quando a aplicação dos mencionados
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sobre a retirada da declaração, a menos que o Estado declarações serão depositadas pelos Estados Partes
Parte interessado haja feito uma nova declaração. junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas, que
ARTIGO 22 enviará cópia das mesmas ao demais Estados Partes.
1. Todo Estado Parte da presente Convenção Toda declaração poderá ser retirada, a qualquer
poderá, em virtude do presente Artigo, declarar, a momento, mediante notificação endereçada ao
qualquer momento, que reconhece a competência do Secretário-Geral. Far-se-á essa retirada sem prejuízo do
Comitê para receber e examinar as comunicações exame de quaisquer questões que constituam objeto de
enviadas por pessoas sob sua jurisdição, ou em nome uma comunicação já transmitida nos termos deste
delas, que aleguem ser vítimas de violação, por um Artigo; em virtude do presente Artigo, não se receberá
Estado Parte, das disposições da Convenção. O Comitê nova comunicação de uma pessoa, ou em nome dela,
não receberá comunicação alguma relativa a um Estado uma vez que o Secretário-Geral haja recebido a
Parte que não houver feito declaração dessa natureza. notificação sobre retirada da declaração, a menos que o
2. O Comitê considerará inadmissível qualquer Estado Parte interessado haja feito uma nova
comunicação recebida em conformidade com o declaração.
presente Artigo que seja anônima, ou que, a seu juízo, ARTIGO 23
constitua abuso do direito de apresentar as referidas Os membros do Comitê e os membros das
comunicações, ou que seja incompatível com as Comissões de Conciliação ad noc designados nos termos
disposições da presente Convenção. da alínea e) do parágrafo 1 do Artigo 21 terão o direito
3. Sem prejuízo do disposto no parágrafo 2, o às facilidades, privilégios e imunidades que se
Comitê levará todas as comunicações apresentadas em concedem aos peritos no desempenho de missões para
conformidade com este Artigo ao conhecimento do a Organização das Nações Unidas, em conformidade
Estado Parte da presente Convenção que houver feito com as seções pertinentes da Convenção sobre
uma declaração nos termos do parágrafo 1 e sobre o Privilégios e Imunidades das Nações Unidas.
qual se alegue ter violado qualquer disposição da ARTIGO 24
Convenção. Dentro dos seis meses seguintes, o Estado O Comitê apresentará, em virtude da presente
destinatário submeterá ao Comitê as explicações ou Convenção, um relatório anula sobre suas atividades
declarações por escrito que elucidem a questão e, se for aos Estados Partes e à Assembléia Geral das Nações
o caso, indiquem o recurso jurídico adotado pelo Estado Unidas.
em questão.
4. O Comitê examinará as comunicações recebidas PARTE III
em conformidade com o presente Artigo á luz de todas ARTIGO 25
as informações a ele submetidas pela pessoa 1. A presente Convenção está aberta à assinatura
interessada, ou em nome dela, e pelo Estado Parte de todos os Estados.
interessado. 2. A presente Convenção está sujeita a ratificação.
5. O Comitê não examinará comunicação alguma Os instrumentos de ratificação serão depositados junto
de uma pessoa, nos termos do presente Artigo, sem que ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
se haja assegurado de que; ARTIGO 26
a) a mesma questão não foi, nem está sendo, A presente Convenção está aberta à Adesão de
examinada perante uma outra instância internacional todos os Estados. Far-se-á a Adesão mediante depósito
de investigação ou solução; do Instrumento de Adesão junto ao Secretário-Geral das
b) a pessoa em questão esgotou todos os recursos Nações Unidas.
jurídicos internos disponíveis; não se aplicará esta regra ARTIGO 27
quando a aplicação dos mencionados recursos se 1. A presente Convenção entrará em vigor no
prolongar injustificadamente ou quando não for trigésimo dia a contar da data em que o vigésimo
provável que a aplicação de tais recursos venha a instrumento de ratificação ou adesão houver sido
melhorar realmente a situação da pessoa que seja depositado junto ao Secretário-Geral das Nações
vítima de violação da presente Convenção. Unidas.
6. O Comitê realizará reuniões confidenciais 2. Para os Estados que vierem a ratificar a presente
quando estiver examinado as comunicações previstas Convenção ou a ela aderir após o depósito do vigésimo
no presente Artigo. instrumento de ratificação ou adesão, a Convenção
7.O Comitê comunicará seu parecer ao Estado entrará em vigor no trigésimo dia a contar da data em
Parte e à pessoa em questão. que o Estado em questão houver depositado seu
8. As disposições do presente Artigo entrarão em instrumento de ratificação ou adesão.
vigor a partir do momento em que cinco Estado Partes ARTIGO 28
da presente Convenção houverem feito as declarações 1. Cada Estado Parte poderá declarar, por ocasião
mencionadas no parágrafo 1 deste Artigo. As referidas da assinatura ou da ratificação da presente Convenção
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ou da adesão a ela, que não reconhece a competência 3. Todo Estado Parte que houver formulado
do Comitê quando ao disposto no Artigo 20. reserva nos termos do parágrafo 2 do presente Artigo
2. Todo Estado Parte da presente Convenção que poderá retirá-la, a qualquer momento, mediante
houver formulado uma reserva em conformidade com o notificação endereçada ao Secretário-Geral das Nações
parágrafo 1 do presente Artigo poderá, a qualquer Unidas.
momento, tornar sem efeito essa reserva, mediante ARTIGO 31
notificação endereçada ao Secretário-Geral das Nações 1. Todo Estado Parte poderá denunciar a presente
Unidas. Convenção mediante notificação por escrito
ARTIGO 29 endereçada ao Secretário-Geral das Nações Unidas. A
1. Todo Estado Parte da presente Convenção denúncia produzirá efeitos um ano depois da data de
poderá propor uma emenda e depositá-la junto ao recebimento da notificação pelo Secretário-Geral.
Secretário-Geral das Nações Unidas. O Secretário-Geral 2. A referida denúncia não eximirá o Estado Parte
comunicará a proposta de emenda aos Estados Partes, das obrigações que lhe impõe a presente Convenção
pedindo-lhes que o notifiquem se desejam que se relativamente a qualquer ação ou omissão ocorrida
convoque uma conferência dos Estados Partes antes da data em que a denúncia venha a produzir
destinada a examinar a proposta e submetê-la a efeitos; a denúncia não acarretará, tampouco, a
votação. Se, dentro dos quatro meses seguintes à data suspensão do exame de quaisquer questões que o
da referida comunicação, pelos menos um terço dos Comitê já começara a examinar antes da data em que a
Estados Partes se manifestar a favor da referida denúncia veio a produzir efeitos.
convocação, o Secretário-Geral convocará uma 3. A partir da data em que vier a produzir efeitos a
conferência sob os auspícios das Nações Unidas. Toda denúncia de um Estado Parte, o Comitê não dará início
emenda adotada pela maioria dos Estados Partes ao exame de qualquer nova questão referente ao
presentes e votantes na conferência será submetida Estado em apreço.
pelo Secretário-Geral à aceitação de todos os Estados ARTIGO 32
Partes. O Secretário-Geral das Nações Unidas comunicará
2. Toda emenda adotada nos termos das a todos os Estados membros das Nações Unidas e a
disposições do parágrafo 1 do presente Artigo entrará todos os Estados que assinaram a presente Convenção
em vigor assim que dois terços dos Estados Partes da ou a ela aderiram:
presente Convenção houverem notificado o Secretário- a) as assinaturas, ratificações e adesões recebidas
Geral das Nações Unidas de que a aceitaram em em conformidade com os Artigos 25 e 26;
consonância com os procedimentos previstos por suas b) a data de entrada em vigor da Convenção, nos
respectivas constituições. termos do Artigo 27, e a data de entrada em vigor de
3. Quando entrarem em vigor, as emendas serão quaisquer emendas, nos termos do Artigo 29;
obrigatórias para todos os Estados Partes que as c) as denúncias recebidas em conformidades com
tenham aceito, ao passo que os demais Estados Partes o Artigo 31.
permanecem obrigados pelas disposições da Convenção ARTIGO 33
e pelas emendas anteriores por eles aceitas. 1. A presente Convenção, cujos textos em árabe,
ARTIGO 30 chinês, espanhol, francês, inglês e russo são igualmente
1. As controvérsias entre dois ou mais Estados autênticos, será depositada junto ao Secretário-Geral
Partes com relação à interpretação ou à aplicação da das Nações Unidas.
presente Convenção que não puderem ser dirimidas por 2. O Secretário-Geral das Nações Unidas
meio da negociação serão, a pedido de um deles, encaminhará cópias autenticadas da presente
submetidas a arbitragem. Se durante os seis meses Convenção a todos os Estados.
seguintes à data do pedido de arbitragem, as Partes não
lograrem pôr-se de acordo quanto aos termos do
compromisso de arbitragem, qualquer das Partes
poderá submeter a controvérsia à Corte Internacional
de Justiça, mediante solicitação feita em conformidade
com o Estatuto da Corte.
2. Cada Estado poderá, por ocasião da assinatura
ou da ratificação da presente Convenção, declarar que
não se considera obrigado pelo parágrafo 1 deste
Artigo. Os demais Estados Partes não estarão obrigados
pelo referido parágrafo com relação a qualquer Estado
Parte que houver formulado reserva dessa natureza.

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ARTIGO 1
Decreto nº 98.386/1989 (Convenção Interamericana Os Estados Partes obrigam-se a prevenir e a punir a
para Prevenir e Punir a Tortura). tortura, nos termos desta Convenção.
ARTIGO 2
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição Para os efeitos desta Convenção, entender-se-á por
que lhe confere o Art. 84, item IV, da Constituição e tortura todo ato pelo qual são infligidos
Considerando que o Congresso Nacional aprovou, intencionalmente a uma pessoa penas ou
pelo Decreto Legislativo nº 05, de 31 de maio de sofrimentos físicos ou mentais, com fins de
1989, a Convenção Interamericana para Prevenir e investigação criminal, como meio de intimidação,
Punir a Tortura, concluída em Cartagena, a 09 de como castigo pessoal, como medida preventiva,
dezembro de 1985; como pena ou com qualquer outro fim. Entender-se-
Considerando que o Brasil ratificara a referida á também como tortura a aplicação, sobre uma
Convenção, em 20 de julho de 1989, tendo entrado pessoa, de métodos tendentes a anular a
em vigor na forma de seu artigo 21, personalidade da vítima, ou a diminuir sua
DECRETA: capacidade física ou mental, embora não causem dor
Art. 1º - A Convenção Interamericana para Prevenir física ou angústia psíquica.
e Punir a Tortura, apensa por cópia ao presente Não estarão compreendidos no conceito de tortura
Decreto, será executada e cumprida tão as penas ou sofrimentos físicos ou mentais que
inteiramente como nela se contém. sejam unicamente conseqüência de medidas legais
Art. 2º - Este Decreto entra em vigor na data de sua ou inerentes a elas, contato que não incluam a
publicação. realização dos atos ou aplicação dos métodos a que
Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário. se refere este Artigo.
Brasília, em 09 de novembro de 1989; 168º da ARTIGO 3
Independência e 101º da República. Serão responsáveis pelo delito de tortura:
JOSÉ SARNEY a) Os empregados ou funcionários públicos que,
Roberto Costa de Abreu Sodré atuando nesse caráter, ordenem sua comissão ou
Este texto não substitui o publicado no DOU de instiguem ou induzam a ela, cometam-no
13.11.1989 diretamente ou, podendo impedi-lo, não o façam;
CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA PREVENIR E b) As pessoas que, por instigação dos funcionários ou
PUNIR A TORTURA empregados públicos a que se refere a alínea a,
Os Estados Americanos signatários da presente ordenem sua comissão, instiguem ou induzam a ela,
Convenção, comentam-no diretamente ou nela sejam cúmplices.
Conscientes do disposto na Convenção Americana ARTIGO 4
sobre Direitos Humanos, no sentido de que ninguém O fato de haver agido por ordens superiores não
deve ser submetido a torturas, nem a penas ou eximirá da responsabilidade penal correspondente.
tratamento cruéis, desumanas ou degradantes; ARTIGO 5
Reafirmando que todo ato de tortura ou outros Não se invocará nem admitirá como justificativa do
tratamentos ou penas cruéis, ou desumanas ou delito de tortura a existência de circunstâncias tais
degradantes constituem uma ofensa à dignidade como o estado de guerra, a ameaça de guerra, o
humana e uma negação dos princípios consagrados estado de sítio ou emergência, a comoção ou conflito
na Carta da Organização dos Estados Americanos e interno, a suspensão das garantias constitucionais, a
na Carta das Nações Unidas, e são violatórios aos instabilidade política interna, ou outras emergências
direitos humanos e liberdades fundamentais ou calamidades públicas.
proclamados na Declaração Universal dos Direitos do Nem a periculosidade do detido ou condenado, nem
Homem; a insegurança do estabelecimento carcerário ou
Assinalando que, para tornar efetivas as normas penitenciário podem justificar a tortura.
pertinentes contidas nos instrumentos universais e ARTIGO 6
regionais aludidos, é necessário elaborar uma Em conformidade com o disposto no artigo 1, os
convenção interamericana que previna e puna a Estados Partes tomarão medidas efetivas a fim de
tortura; prevenir e punir a tortura no âmbito de sua
Reiterando seu propósito de consolidar neste jurisdição.
Continente as condições que permitam o Os Estados Partes segurar-se-ão de que todos os atos
reconhecimento e o respeito da dignidade inerente de tortura e as tentativas de praticar atos dessa
à pessoa humana e assegurem o exercício pleno das natureza sejam considerados delitos em seu direito
suas liberdades e direitos fundamentais; penal, estabelecendo penas severas para sua
Convieram o seguinte: punição, que levem em conta sua gravidade.
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Os Estados Partes obrigam-se também a tomar ARTIGO 12


medidas efetivas para prevenir e punir outros Todo Estado Parte tomará as medidas necessárias
tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou para estabelecer sua jurisdição sobre o delito nesta
degradantes, no âmbito de sua jurisdição. Convenção, nos seguintes casos:
ARTIGO 7 a) quando a tortura houver sido cometida no âmbito
Os Estados Partes tomarão medidas para que, no de sua jurisdição;
treinamento de agentes de polícia e de outros b) quando o suspeito for nacional do Estado Parte de
funcionários públicos responsáveis pela custódia de que se trate;
pessoas privadas de liberdade, provisória ou c) quando a vítima for nacional do Estado Parte de
definitivamente, e nos interrogatórios, detenção ou que se trate e este o considerar apropriado.
prisões, se ressalte de maneira especial a proibição Todo Estado Parte tomará também as medidas
do emprego da tortura. necessárias para estabelecer sua jurisdição sobre o
Os Estados Partes tomarão medidas semelhantes delito descrito nesta Convenção, quando o suspeito
para evitar outros tratamentos ou penas cruéis, se encontrar no âmbito de sua jurisdição e o Estado
desumanos ou degradantes. não o extraditar, de conformidade com o Artigo 11.
ARTIGO 8 ARTIGO 13
Os Estados Partes assegurarão a qualquer pessoa O delito a que se refere o Artigo 2 será considerado
que denunciar haver sido submetida a tortura, no incluído entre os delitos que são motivo de
âmbito de sua jurisdição, o direito de que o caso seja extradição em todo tratado de extradição celebrado
examinado de maneira imparcial. entre Estados Partes. Os Estados Partes
Quando houver denúncia ou razão fundada para comprometem-se a incluir o delito de tortura como
supor que haja sido cometido ato de tortura no caso de extradição em todo tratado de extradição
âmbito de sua jurisdição, os Estados Partes que celebrarem entre si no futuro.
garantirão que suas autoridades procederão de Todo Estado Parte que sujeitar a extradição à
ofício e Partes garantirão que suas autoridades existência de um tratado poderá, se receber de outro
procederão de ofício e imediatamente à realização Estado Parte, com o qual não tiver tratado, uma
de uma investigação sobre o caso e iniciarão, se for solicitação de extradição, considerar esta Convenção
cabível, o respectivo processo penal. como a base jurídica necessária para a extradição
Uma vez esgotado o procedimento jurídico interno referente ao delito de tortura. A extradição estará
do Estado e os recursos que este prevê, o caso sujeita às demais condições exigíveis pelo direito do
poderá ser submetido a instâncias internacionais, Estado requerido.
cuja competência tenha sido aceita por esse Estado. Os Estados Partes que não sujeitarem a extradição à
ARTIGO 9 existência de um tratado reconhecerão esses delitos
Os Estado Partes comprometem-se a estabelecer, como casos de extradição entre eles, respeitando as
em suas legislações nacionais, normas que garantam condições exigidas pelo direito do Estado requerido.
compensação adequada para as vítimas do delito de Não se conhecerá a extradição nem se procederá à
tortura. devolução da pessoa requerida quando houver
Nada do disposto neste Artigo afetará o direito que suspeita fundada de que corre perigo sua vida, de
possa ter a vítima ou outras pessoas de receber que será submetida à tortura, tratamento cruel,
compensação em virtude da legislação nacional desumano ou degradante, ou de que será julgada
existente. por tribunais de exceção ou adhoc, no estado
ARTIGO 10 requerente.
Nenhuma declaração que se comprove haver sido ARTIGO 14
obtida mediante tortura poderá se admitida como Quando um Estado Parte não conceder a extradição,
prova num processo, salvo em processo instaurado submeterá o caso às suas autoridades competentes,
conta a pessoa ou pessoas acusadas de havê-la como se o delito houvesse sido cometido no âmbito
obtido mediante atos de tortura unicamente como de sua jurisdição, para fins de investigação e, quando
prova de que, por esse meio, o acusado obteve tal for cabível, da ação penal, de conformidade com sua
declaração. legislação nacional. A decisão tomada por essas
ARTIGO 11 autoridades será comunicada ao Estado que houver
Os Estados Partes tomarão as medidas necessárias solicitado a extradição.
para conceder a extradição de toda pessoa acusada ARTIGO 15
de delito de tortura ou condenada por esse delito, de Nada do disposto nesta Convenção poderá ser
conformidade com suas legislações nacionais sobre interpretado como limitação do direito de asilo,
extradição e suas obrigações internacionais nessa quando for cabível, nem como modificação das
matéria.
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obrigações dos Estados Partes em matéria de da data de depósito do instrumento de denúncia, a


extradição. Convenção cessará em seus efeitos para o Estado
ARTIGO 16 denunciante, ficando subsistente para os demais
Esta Convenção deixa a salvo o disposto pela Estados Partes.
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, por ARTIGO 24
outras Convenções sobre a matéria e pelo Estatuto O instrumento original desta Convenção, cujos
da Comissão Interamericana de Direitos Humanos textos em português, espanhol, francês e inglês são
com relação ao delito de tortura. igualmente autênticos, será depositado na
ARTIGO 17 Secretaria-Geral da Organização dos Estados
Os Estados Partes comprometem-se a informar a Americanos, que enviará cópias autenticadas do seu
Comissão Interamericana de Direitos Humanos texto para registro e publicação à Secretaria das
sobre as medidas legislativas , judiciais, Nações Unidas, de conformidade com o Artigo 102
administrativas e de outra natureza que adotarem da Carta das Nações Unidas. A Secretaria-Geral da
em aplicação desta Convenção. Organização dos Estados Americanos comunicará
De conformidade com suas atribuições, a Comissão aos Estados Membros da referida Organização e aos
Interamericana de Direitos Humanos procurará Estados que tenham aderido à Convenção, as
analisar, em seu relatório anual, a situação assinaturas e os depósitos de instrumentos de
prevalecente nos Estados Membros da Organização ratificação, adesão e denúncia, bem como as
dos Estados Americanos, no que diz respeito à reservas que houver.
prevenção e supressão da tortura.
ARTIGO 18
Esta Convenção estará aberta à assinatura dos
Estados membros da Organização dos Estados
Americanos.
ARTIGO 19
Esta Convenção estará sujeita a ratificação. Os
instrumentos de ratificação serão depositados na
Secretaria-Geral da Organização dos Estados
Americanos.
ARTIGO 20
Esta Convenção ficará aberta à adesão de qualquer
outro Estado Americano. Os instrumentos de adesão
serão depositados na Secretaria-Geral da
Organização dos Estados Americanos.
ARTIGO 21
Os Estados Partes poderão formular reservas a esta
Convenção no momento de aprová-la, assiná-la,
ratificá-la ou de a ela aderir, contanto que não sejam
incompatíveis com o objetivo e o fim da Convenção
e versem sobre uma ou mais disposições específicas.
ARTIGO 22
Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a
partir da data em que tenha sido depositado o
segundo instrumento de ratificação. Para cada
Estado que ratificar a Convenção ou a ela aderir
depois de haver sido depositado o segundo
instrumento de ratificação, a Convenção entrará em
vigor no trigésimo dia a partir da data em que esse
Estado tenha depositado seu instrumento de
ratificação e adesão.
ARTIGO 23
Esta Convenção vigorará indefinidamente, mas
qualquer dos Estados Partes poderá denunciá-la. O
instrumento de denúncia será depositado na
Secretaria-Geral da Organização dos Estados
Americanos. Transcorrido um ano, contado a partir
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Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento aos reclusos condenados, serão também aplicadas às
dos Presos (Regras de Mandela) categorias de reclusos a que se referem as secções B, C
e D, desde que não sejam contraditórias com as regras
Grupos Vulneráveis e o Sistema Prisional específicas destas secções e na condição de
representarem uma melhoria de condições para estes
reclusos.
OBSERVAÇÃO PRELIMINAR 4
1. As presentes regras não têm como objetivo regular a
administração de instituições criadas em particular para
jovens, como reformatórios ou centros educativos, mas,
em geral, a primeira parte destas regras mínimas aplica-
REGRAS MÍNIMAS DAS NAÇÕES UNIDAS se igualmente a tais instituições.
PARA O TRATAMENTO DE RECLUSOS 2. A categoria de jovens reclusos deve, em qualquer
(REGRAS DE MANDELA) caso, incluir os menores que dependem da jurisdição
dos Tribunais de Menores. Como regra geral, os jovens
OBSERVAÇÃO PRELIMINAR 1 delinquentes não devem ser condenados a penas de
As regras que a seguir se enunciam não pretendem prisão.
descrever em pormenor um modelo de sistema
prisional. Procuram unicamente, com base no consenso I. REGRAS DE APLICAÇÃO GERAL
geral do pensamento atual e nos elementos essenciais
dos sistemas contemporâneos mais adequados, Princípios básicos
estabelecer o que geralmente se aceita como sendo REGRA 1
bons princípios e práticas no tratamento dos reclusos e Todos os reclusos devem ser tratados com o respeito
na gestão dos estabelecimentos prisionais. inerente ao valor e dignidade do ser humano. Nenhum
OBSERVAÇÃO PRELIMINAR 2 recluso deverá ser submetido a tortura ou outras penas
1. Tendo em conta a grande variedade de ou a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes e
condicionalismos legais, sociais, económicos e deverá ser protegido de tais atos, não sendo estes
geográficos em todo o mundo, é evidente que nem justificáveis em qualquer circunstância. A segurança dos
todas as regras podem ser aplicadas em todos os locais reclusos, do pessoal do sistema prisional, dos
e em todos os momentos. Devem, contudo, servir para prestadores de serviço e dos visitantes deve ser sempre
estimular esforços constantes com vista a ultrapassar assegurada.
dificuldades práticas na sua aplicação, na certeza de que REGRA 2
representam, no seu conjunto, as condições mínimas 1. Estas Regras devem ser aplicadas com imparcialidade.
aceites como adequadas pela Organização das Nações Não deve haver nenhuma discriminação em razão da
Unidas. raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra,
2. Por outro lado, as regras abrangem uma área origem nacional ou social, património, nascimento ou
relativamente à qual o pensamento evolui outra condição. É necessário respeitar as crenças
constantemente. Não visam impedir experiências e religiosas e os preceitos morais do grupo a que pertença
práticas, desde que as mesmas sejam compatíveis com o recluso.
os princípios e tentem incrementar a realização dos 2. Para que o princípio da não discriminação seja posto
objetivos das regras no seu conjunto. Dentro deste em prática, as administrações prisionais devem ter em
espírito, a administração prisional central poderá conta as necessidades individuais dos reclusos,
sempre justificar uma autorização de afastamento das particularmente daqueles em situação de maior
regras. vulnerabilidade. As medidas tomadas para proteger e
OBSERVAÇÃO PRELIMINAR 3 promover os direitos dos reclusos portadores de
1. A primeira parte das regras trata de matérias relativas necessidades especiais não serão consideradas
à administração geral dos estabelecimentos prisionais e discriminatórias.
é aplicável a todas as categorias de reclusos, dos foros REGRA 3
criminal ou civil, em regime de prisão preventiva ou já A detenção e quaisquer outras medidas que excluam
condenados, incluindo os que estejam detidos por uma pessoa do contacto com o mundo exterior são
aplicação de “medidas de segurança” ou que sejam penosas pelo facto de, ao ser privada da sua liberdade,
objeto de medidas de reeducação ordenadas por um lhe ser retirado o direito à autodeterminação. Assim, o
juiz. sistema prisional não deve agravar o sofrimento
2. A segunda parte contém as regras que são inerente a esta situação, exceto em casos pontuais em
especificamente aplicáveis às categorias de reclusos de que a separação seja justificável ou nos casos em que
cada secção. Contudo, as regras da secção A, aplicáveis seja necessário manter a disciplina.
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REGRA 4 (f) Os nomes dos seus familiares e, quando aplicável,


1. Os objetivos de uma pena de prisão ou de qualquer dos seus filhos, incluindo a idade, o local de residência e
outra medida restritiva da liberdade são, sua custódia ou tutela;
prioritariamente, proteger a sociedade contra a (g) Contato de emergência e informações acerca do
criminalidade e reduzir a reincidência. Estes objetivos só parente mais próximo.
podem ser alcançados se o período de detenção for REGRA 8
utilizado para assegurar, sempre que possível, a As seguintes informações devem ser adicionadas ao
reintegração destas pessoas na sociedade após a sua sistema de registo do recluso durante a sua detenção,
libertação, para que possam levar uma vida quando aplicáveis:
autossuficiente e de respeito para com as leis. (a) Informação relativa ao processo judicial, incluindo
2. Para esse fim, as administrações prisionais e demais datas de audiências e representação legal;
autoridades competentes devem proporcionar (b) Avaliações iniciais e relatórios de classificação;
educação, formação profissional e trabalho, bem como (c) Informação relativa ao comportamento e à
outras formas de assistência apropriadas e disponíveis, disciplina;
incluindo aquelas de natureza reparadora, moral, (d) Pedidos e reclamações, inclusive alegações de
espiritual, social, desportiva e de saúde. Estes tortura, sanções ou outros tratamentos cruéis,
programas, atividades e serviços devem ser facultados desumanos ou degradantes, a menos que sejam de
de acordo com as necessidades individuais de natureza confidencial;
tratamento dos reclusos. (e) Informação sobre a imposição de sanções
REGRA 5 disciplinares;
1. O regime prisional deve procurar minimizar as (f) Informação sobre as circunstâncias e causas de
diferenças entre a vida durante a detenção e aquela em quaisquer ferimentos ou de morte e, em caso de
liberdade que tendem a reduzir a responsabilidade dos falecimento, o destino do corpo.
reclusos ou o respeito à sua dignidade como seres REGRA 9
humanos. Todos os registos mencionados nas Regras 7 e 8 serão
2. As administrações prisionais devem fazer todos os mantidos confidenciais e só serão acessíveis aos que,
ajustes possíveis para garantir que os reclusos por razões profissionais, solicitem o seu acesso. Todos
portadores de deficiências físicas, mentais ou qualquer os reclusos devem ter acesso aos seus registos, nos
outra incapacidade tenham acesso completo e efetivo à termos previstos em legislação interna, e direito a
vida prisional em base de igualdade. receber uma cópia oficial destes registos no momento
Registos da sua libertação.
REGRA 6 REGRA 10
Em todos os locais em que haja pessoas detidas, deve O sistema de registo dos reclusos deve também ser
existir um sistema uniformizado de registo dos reclusos. utilizado para gerar dados fiáveis sobre tendências e
Este sistema pode ser um banco de dados ou um livro características da população prisional, incluindo taxas
de registo, com páginas numeradas e assinadas. Devem de ocupação, a fim de criar uma base para a tomada de
existir procedimentos que garantam um sistema seguro decisões fundamentadas em provas.
de auditoria e que impeçam o acesso não autorizado ou Separação De Categorias
a modificação de qualquer informação contida no REGRA 11
sistema. As diferentes categorias de reclusos devem ser
REGRA 7 mantidas em estabelecimentos prisionais separados ou
Nenhuma pessoa deve ser admitida num em diferentes zonas de um mesmo estabelecimento
estabelecimento prisional sem uma ordem de detenção prisional, tendo em consideração o respetivo sexo e
válida. As seguintes informações devem ser adicionadas idade, antecedentes criminais, razões da detenção e
ao sistema de registo do recluso, logo após a sua medidas necessárias a aplicar. Assim:
admissão: (a) Homens e mulheres devem ficar detidos em
(a) Informações precisas que permitam determinar a estabelecimentos separados; nos estabelecimentos que
sua identidade, respeitando a autoatribuição de género; recebam homens e mulheres, todos os locais destinados
(b) Os motivos da detenção e a autoridade competente às mulheres devem ser completamente separados;
que a ordenou, além da data, horário e local de prisão; (b) Presos preventivos devem ser mantidos separados
(c) A data e o horário da sua entrada e saída, bem como dos condenados;
de qualquer transferência; (c) Pessoas detidas por dívidas ou outros reclusos do
(d) Quaisquer ferimentos visíveis e reclamações acerca foro civil devem ser mantidos separados dos reclusos do
de maus-tratos sofridos; foro criminal;
(e) Um inventário dos seus bens pessoais; (d) Os jovens reclusos devem ser mantidos separados
dos adultos.
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Alojamento fornecidos água e os artigos de higiene necessários à


REGRA 12 saúde e limpeza.
1. As celas ou locais destinados ao descanso noturno 2. A fim de permitir aos reclusos manter um aspeto
não devem ser ocupados por mais de um recluso. Se, correto e preservar o respeito por si próprios, ser-lhes-
por razões especiais, tais como excesso temporário de ão garantidos os meios indispensáveis para cuidar do
população prisional, for necessário que a administração cabelo e da barba; os homens devem poder barbear-se
prisional central adote exceções a esta regra deve regularmente.
evitar-se que dois reclusos sejam alojados numa mesma
cela ou local. Vestuário e roupas de cama
2. Quando se recorra à utilização de dormitórios, estes REGRA 19
devem ser ocupados por reclusos cuidadosamente 1. Deve ser garantido vestuário adaptado às condições
escolhidos e reconhecidos como sendo capazes de climatéricas e de saúde a todos os reclusos que não
serem alojados nestas condições. Durante a noite, estejam autorizados a usar o seu próprio vestuário. Este
deverão estar sujeitos a uma vigilância regular, vestuário não deve de forma alguma ser degradante ou
adaptada ao tipo de estabelecimento prisional em humilhante.
causa. 2. Todo o vestuário deve estar limpo e ser mantido em
REGRA 13 bom estado. As roupas interiores devem ser mudadas e
Todos os locais destinados aos reclusos, especialmente lavadas tão frequentemente quanto seja necessário
os dormitórios, devem satisfazer todas as exigências de para a manutenção da higiene.
higiene e saúde, tomando-se devidamente em 3. Em circunstâncias excecionais, sempre que um
consideração as condições climatéricas e, recluso obtenha licença para sair do estabelecimento,
especialmente, a cubicagem de ar disponível, o espaço deve ser autorizado a vestir as suas próprias roupas ou
mínimo, a iluminação, o aquecimento e a ventilação. roupas que não chamem a atenção.
REGRA 14 REGRA 20
Em todos os locais destinados aos reclusos, para Sempre que os reclusos sejam autorizados a utilizar o
viverem ou trabalharem: seu próprio vestuário, devem ser tomadas disposições
(a) As janelas devem ser suficientemente amplas de no momento de admissão no estabelecimento para
modo a que os reclusos possam ler ou trabalhar com luz assegurar que este seja limpo e adequado.
natural e devem ser construídas de forma a permitir a REGRA 21
entrada de ar fresco, haja ou não ventilação artificial; A todos os reclusos, de acordo com padrões locais ou
(b) A luz artificial deve ser suficiente para permitir aos nacionais, deve ser fornecido um leito próprio e roupa
reclusos ler ou trabalhar sem prejudicar a vista. de cama suficiente e própria, que estará limpa quando
REGRA 15 lhes for entregue, mantida em bom estado de
As instalações sanitárias devem ser adequadas, de conservação e mudada com a frequência suficiente para
maneira a que os reclusos possam efetuar as suas garantir a sua limpeza.
necessidades quando precisarem, de modo limpo e Alimentação
decente. REGRA 22
REGRA 16 1. A administração deve fornecer a cada recluso, a horas
As instalações de banho e duche devem ser suficientes determinadas, alimentação de valor nutritivo adequado
para que todos os reclusos possam, quando desejem ou à saúde e à robustez física, de qualidade e bem
lhes seja exigido, tomar banho ou duche a uma preparada e servida.
temperatura adequada ao clima, tão frequentemente 2. Todos os reclusos devem ter a possibilidade de se
quanto necessário à higiene geral, de acordo com a prover com água potável sempre que necessário.
estação do ano e a região geográfica, mas pelo menos Exercício e desporto
uma vez por semana num clima temperado. REGRA 23
REGRA 17 1. Todos os reclusos que não efetuam trabalho no
Todas as zonas de um estabelecimento prisional exterior devem ter pelo menos uma hora diária de
utilizadas regularmente pelos reclusos devem ser exercício adequado ao ar livre quando o clima o
sempre mantidas e conservadas escrupulosamente permita.
limpas. 2. Os jovens reclusos e outros de idade e condição física
compatíveis devem receber, durante o período
Higiene pessoal reservado ao exercício, educação física e recreativa.
REGRA 18 Para este fim, serão colocados à disposição dos reclusos
1. Deve ser exigido a todos os reclusos que se o espaço, instalações e equipamento adequados.
mantenham limpos e, para este fim, ser-lhes-ão Serviços Médicos
REGRA 24
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1. A prestação de serviços médicos aos reclusos é da e das convalescentes. Desde que seja possível, devem
responsabilidade do Estado. Os reclusos devem poder ser tomadas medidas para que o parto tenha lugar num
usufruir dos mesmos padrões de serviços de saúde hospital civil. Se a criança nascer num estabelecimento
disponíveis à comunidade e ter acesso gratuito aos prisional, tal facto não deve constar do respetivo registo
serviços de saúde necessários, sem discriminação em de nascimento.
razão da sua situação jurídica. REGRA 29
2. Os serviços médicos devem ser organizados em 1. A decisão que permite à criança ficar com o seu pai
estreita ligação com a administração geral de saúde ou com a sua mãe no estabelecimento prisional deve ser
pública de forma a garantir a continuidade do baseada no melhor interesse da criança. Nos
tratamento e da assistência, incluindo os casos de VIH, estabelecimentos prisionais que acolhem os filhos de
tuberculose e de outras doenças infeciosas e da reclusos, devem ser tomadas providências para
toxicodependência. garantir:
REGRA 25 (a) Um infantário interno ou externo, dotado de pessoal
1. Todos os estabelecimentos prisionais devem ter um qualificado, onde as crianças possam permanecer
serviço de saúde incumbido de avaliar, promover, quando não estejam ao cuidado dos pais;
proteger e melhorar a saúde física e mental dos (b) Serviços de saúde pediátricos, incluindo triagem
reclusos, prestando particular atenção aos reclusos com médica no ingresso e monitoração constante de seu
necessidades especiais ou problemas de saúde que desenvolvimento por especialistas.
dificultam sua reabilitação. 2. As crianças que se encontrem nos estabelecimentos
2. Os serviços de saúde devem ser compostos por uma prisionais com os pais nunca devem ser tratadas como
equipa interdisciplinar, com pessoal qualificado e prisioneiras.
suficiente, capaz de exercer a sua atividade com total REGRA 30
independência clínica, devendo ter conhecimentos Um médico, ou qualquer outro profissional de saúde
especializados de psicologia e psiquiatria. Todos os qualificado, seja este subordinado ou não ao médico,
reclusos devem poder beneficiar dos serviços de um deve observar, conversar e examinar todos os reclusos,
dentista qualificado. o mais depressa possível após a sua admissão no
REGRA 26 estabelecimento prisional e, em seguida, sempre que
1. Os serviços de saúde devem elaborar registos necessário. Deve dar-se especial atenção a:
médicos individuais, confidenciais, atualizados e (a) Identificar as necessidades de cuidados médicos e
precisos para cada um dos reclusos, que a eles devem adotar as medidas de tratamento necessárias;
ter acesso, sempre que solicitado. O recluso pode (b) Identificar quaisquer maus-tratos a que o recluso
também ter acesso ao seu registo médico através de recém-admitido tenha sido submetido antes de sua
uma terceira pessoa por si designada. entrada no estabelecimento prisional;
2. O registo médico deve ser encaminhado para o (c) Identificar qualquer sinal de stresse psicológico ou de
serviço de saúde do estabelecimento prisional para o qualquer outro tipo causado pela detenção, incluindo,
qual o recluso é transferido, encontrando-se sujeito à mas não só, o risco de suicídio ou de lesões
confidencialidade médica. autoinfligidas e sintomas de abstinência resultantes do
REGRA 27 uso de drogas, medicamentos ou álcool; devem ser
1. Todos os estabelecimentos prisionais devem tomadas todas as medidas ou tratamentos
assegurar o pronto acesso a tratamentos médicos em individualizados apropriados;
casos urgentes. Os reclusos que necessitem de cuidados (d) Nos casos em que se suspeita que o recluso é
especializados ou de cirurgia devem ser transferidos portador de uma doença infectocontagiosa, deve
para estabelecimentos especializados ou para hospitais providenciar-se o isolamento clínico e o tratamento
civis. Se os estabelecimentos prisionais possuírem adequado durante todo o período de infeção;
instalações hospitalares próprias, estas devem dispor de (e) Determinar a aptidão do recluso para trabalhar,
pessoal e equipamento apropriados que permitam praticar exercícios e participar das demais atividades,
prestar aos reclusos doentes os cuidados e o tratamento conforme for o caso.
adequados. REGRA 31
2. As decisões clínicas só podem ser tomadas por O médico ou, quando aplicável, outros profissionais de
profissionais de saúde responsáveis e não podem ser saúde qualificados devem visitar diariamente todos os
modificadas ou ignoradas pela equipa prisional não reclusos que se encontrem doentes, que se queixem de
médica. problemas físicos ou mentais ou de ferimentos e todos
REGRA 28 aqueles para os quais a sua atenção é especialmente
Nos estabelecimentos prisionais para mulheres devem necessária. Todos os exames médicos devem ser
existir instalações especiais para o tratamento das conduzidos em total confidencialidade.
reclusas grávidas, das que tenham acabado de dar à luz REGRA 32
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1. A relação entre o médico ou outros profissionais de (e) A observância das regras respeitantes à educação
saúde e o recluso deve ser regida pelos mesmos padrões física e desportiva, nos casos em que não haja pessoal
éticos e profissionais aplicados aos pacientes da especializado encarregado destas atividades.
comunidade, em particular: 2. O diretor deve tomar em consideração os relatórios e
(a) O dever de proteger a saúde física e mental do os conselhos do médico referidos no parágrafo 1 desta
recluso e a prevenção e tratamento de doenças, Regra e na Regra 33 e tomar imediatamente as medidas
baseados apenas em fundamentos clínicos; sugeridas para que estas recomendações sejam
(b) A adesão à autonomia do recluso no que concerne à seguidas; em caso de desacordo ou se a matéria não for
sua própria saúde e ao consentimento informado na da sua competência, transmitirá imediatamente à
relação médico-paciente; autoridade superior a sua opinião e o relatório médico.
(c) A confidencialidade da informação médica, a menos Restrições, disciplina e sanções
que manter tal confidencialidade resulte numa ameaça REGRA 36
real e iminente para o paciente ou para os outros; A ordem e a disciplina devem ser mantidas com firmeza,
(d) A absoluta proibição de participar, ativa ou mas sem impor mais restrições do que as necessárias
passivamente, em atos que possam consistir em tortura para a manutenção da segurança e da boa organização
ou sanções ou tratamentos cruéis, desumanos ou da vida comunitária.
degradantes, incluindo experiências médicas ou REGRA 37
científicas que possam ser prejudiciais à saúde do Os seguintes pontos devem ser determinados por lei ou
recluso, tais como a remoção de células, tecidos ou por regulamentação emanada pela autoridade
órgãos. administrativa competente:
2. Sem prejuízo do parágrafo 1 (d) desta Regra, deve ser (a) Conduta que constitua infração disciplinar;
permitido ao recluso, com base no seu livre e informado (b) O tipo e a duração das sanções disciplinares que
consentimento e de acordo com as leis aplicáveis, podem ser aplicadas;
participar em ensaios clínicos e outras pesquisas de (c) Autoridade competente para pronunciar essas
saúde acessíveis à comunidade, se o resultado de tais sanções;
pesquisas e experiências forem capazes de produzir um (d) Qualquer forma de separação involuntária da
benefício direto e significativo à sua saúde; e doar população prisional geral, como o confinamento
células, tecidos ou órgãos a parentes. solitário, o isolamento, a segregação, as unidades de
REGRA 33 cuidado especial ou alojamentos restritos, seja por
O médico deve comunicar ao diretor sempre que julgue razão de sanção disciplinar ou para a manutenção da
que a saúde física ou mental do recluso foi ou será ordem e segurança, incluindo políticas de promulgação
desfavoravelmente afetada pelo prolongamento ou e os procedimentos que regulamentem o uso e a revisão
pela aplicação de qualquer modalidade do regime de da imposição e da saída de qualquer forma de
detenção. separação involuntária.
REGRA 34 REGRA 38
Se, durante o exame de admissão ou na prestação 1. As administrações prisionais são encorajadas a fazer
posterior de cuidados médicos, o médico ou profissional uso, sempre que possível, da prevenção de conflitos, da
de saúde detetar qualquer sinal de tortura, punição ou mediação ou de qualquer outro meio alternativo de
tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, deve resolução de litígios para prevenir infrações
registar e comunicar tais casos à autoridade médica, disciplinares e resolver conflitos.
administrativa ou judicial competente. Devem ser 2. Para os reclusos que estejam, ou estiveram
seguidos os procedimentos de salvaguarda apropriados separados, a administração prisional deve tomar as
para garantir que o recluso ou as pessoas a ele medidas necessárias para aliviar os efeitos prejudiciais
associados não sejam expostos a perigos previsíveis. do confinamento neles provocados, bem como na
REGRA 35 comunidade que os recebe quando são libertados.
1. O médico ou o profissional de saúde pública REGRA 39
competente deve proceder a inspeções regulares e 1. Nenhum preso pode ser punido, exceto com base nas
aconselhar o diretor sobre: disposições legais ou regulamentares referidas na Regra
(a) A quantidade, qualidade, preparação e distribuição 37 e nos princípios de equidade e de processo legal; e
de alimentos; nunca duas vezes pela mesma infração.
(b) A higiene e asseio do estabelecimento prisional e dos 2. As administrações prisionais devem assegurar a
reclusos; proporcionalidade entre a sanção disciplinar aplicável e
(c) As instalações sanitárias, aquecimento, iluminação e a infração cometida e devem manter registos
ventilação do estabelecimento; apropriados de todas as sanções disciplinares aplicadas.
(d) A qualidade e asseio do vestuário e da roupa de cama 3. Antes de aplicar uma sanção disciplinar, as
dos reclusos; administrações prisionais devem ter em conta se, e
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como, uma eventual doença mental ou incapacidade de (c) Detenção em cela escura ou constantemente
desenvolvimento do recluso contribuiu para a sua iluminada;
conduta e para a prática da infração ou ato que (d) Castigos corporais ou redução da alimentação ou
fundamentou a sanção disciplinar. As administrações água potável do recluso;
prisionais não devem punir qualquer conduta do recluso (e) Castigos coletivos.
se esta for considerada como resultado direto da sua 2. Os instrumentos de imobilização jamais devem ser
doença mental ou incapacidade intelectual. utilizados como sanção por infrações disciplinares.
REGRA 40 3. As sanções disciplinares ou medidas restritivas não
1. Nenhum recluso pode ser colocado a trabalhar no devem incluir a proibição de contato com a família. O
estabelecimento prisional em cumprimento de contato familiar só pode ser restringido durante um
qualquer medida disciplinar. período limitado de tempo e enquanto for estritamente
2. Esta regra, contudo, não impede o funcionamento necessário para a manutenção da segurança e da
adequado de sistemas baseados na autoadministração, ordem.
sob os quais atividades ou responsabilidades sociais, REGRA 44
educacionais ou desportivas são confiadas, sob Para os efeitos tidos por convenientes, o confinamento
supervisão, aos reclusos, organizados em grupos, para solitário refere-se ao confinamento do recluso por 22
fins de tratamento. horas ou mais, por dia, sem contato humano
REGRA 41 significativo. O confinamento solitário prolongado
1. Qualquer alegação de infração disciplinar praticada refere-se ao confinamento solitário por mais de 15 dias
por um recluso deve ser prontamente transmitida à consecutivos.
autoridade competente, que deve investigá-la sem REGRA 45
atrasos injustificados. 1. O confinamento solitário deve ser somente utilizado
2. O recluso deve ser informado, sem demora e numa em casos excecionais, como último recurso e durante o
língua que compreenda, da natureza das acusações menor tempo possível, e deve ser sujeito a uma revisão
apresentadas contra si, devendo-lhe ser garantido independente, sendo aplicado unicamente de acordo
tempo e os meios adequados para preparar a sua com a autorização da autoridade competente. Não deve
defesa. ser imposto em consequência da sentença do recluso.
3. O recluso deve ter direito a defender-se 2. A imposição do confinamento solitário deve ser
pessoalmente ou através de advogado, quando os proibida no caso de o recluso ser portador de uma
interesses da justiça assim o requeiram, em particular deficiência mental ou física e sempre que essas
nos casos que envolvam infrações disciplinares graves. condições possam ser agravadas por esta medida. A
Se o recluso não entender ou não falar a língua utilizada proibição do uso do confinamento solitário e de
na audiência disciplinar, devem ser assistidos medidas similares nos casos que envolvem mulheres e
gratuitamente por um intérprete competente. crianças, como referido nos padrões e normas da
4. O recluso deve ter a oportunidade de interpor recurso Organização das Nações Unidas sobre prevenção do
das sanções disciplinares impostas contra a sua pessoa. crime e justiça penal, continuam a ser aplicáveis.
5. No caso da infração disciplinar ser julgada como REGRA 46
crime, o recluso deve ter direito a todas as garantias 1. Os profissionais de saúde não devem ter qualquer
inerentes ao processo legal, aplicáveis aos processos papel na imposição de sanções disciplinares ou de
criminais, incluindo total acesso a um advogado. outras medidas restritivas. Devem, no entanto, prestar
REGRA 42 especial atenção à saúde dos reclusos mantidos sob
As condições gerais de vida expressas nestas Regras, qualquer forma de separação involuntária, visitando-os
incluindo as relacionadas com a iluminação, a diariamente e providenciando o pronto atendimento e
ventilação, a temperatura, as instalações sanitárias, a a assistência médica quando solicitado pelo recluso ou
nutrição, a água potável, a acessibilidade a ambientes pelos guardas prisionais.
ao ar livre e ao exercício físico, a higiene pessoal, os 2. Os profissionais de saúde devem transmitir ao
cuidados médicos e o espaço pessoal adequado, devem diretor, sem demora, qualquer efeito colateral causado
ser aplicadas a todos os reclusos, sem exceção. pelas sanções disciplinares ou outras medidas restritivas
REGRA 43 à saúde física ou mental do recluso submetido a tais
1. Em nenhuma circunstância devem as restrições ou sanções ou medidas e devem aconselhar o diretor se
sanções disciplinares implicar tortura, punições ou considerarem necessário interrompê-las por razões
outra forma de tratamentos cruéis, desumanos ou físicas ou psicológicas.
degradantes. As seguintes práticas, em particular, 3. Os profissionais de saúde devem ter autoridade para
devem ser proibidas: rever e recomendar alterações na separação
(a) Confinamento solitário indefinido; involuntária de um preso, a fim de assegurar que tal
(b) Confinamento solitário prolongado;
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separação não agrave as condições médicas ou a sujeito à inspeção, assim como os princípios da
deficiência física ou mental do recluso. proporcionalidade, legalidade e necessidade.
Instrumentos de coação REGRA 51
REGRA 47 As revistas aos reclusos e as inspeções não serão
1. O uso de correntes, de imobilizadores de ferro ou de utilizadas para assediar, intimidar ou invadir
outros instrumentos de coação considerados desnecessariamente a privacidade do recluso. Para fins
inerentemente degradantes ou penosos deve ser de responsabilização, a administração prisional deve
proibido. manter registos apropriados das revistas feitas aos
2. Outros instrumentos de coação só devem ser reclusos e inspeções, em particular as que envolvem o
utilizados quando previstos em lei e nas seguintes ato de despir e de inspecionar partes íntimas do corpo
circunstâncias: e inspeções nas celas, bem como as razões das
(a) Como medida de precaução contra uma evasão inspeções, a identidade daqueles que as conduziram e
durante uma transferência, desde que sejam retirados quaisquer outros resultados decorrentes dessas
logo que o recluso compareça perante uma autoridade inspeções.
judicial ou administrativa; REGRA 52
(b) Por ordem do diretor, depois de se terem esgotado 1. Revistas íntimas invasivas, incluindo o ato de despir e
todos os outros meios de dominar o recluso, a fim de o de inspecionar partes íntimas do corpo, devem ser feitas
impedir de causar prejuízo a si próprio ou a outros ou de apenas quando forem absolutamente necessárias. As
causar danos materiais; nestes casos o diretor deve administrações prisionais devem ser encorajadas a
consultar o médico com urgência e apresentar um desenvolver e a utilizar outras alternativas apropriadas
relatório à autoridade administrativa superior. em vez de revistas íntimas invasivas. As revistas íntimas
REGRA 48 invasivas devem ser conduzidas de forma privada e por
1. Quando a utilização de instrumentos de coação for pessoal treinado do mesmo sexo que o recluso
autorizada, de acordo com o parágrafo 2 da regra 47, os inspecionado.
seguintes princípios serão aplicados: 2. As revistas das partes íntimas devem ser conduzidas
(a) Os instrumentos de coação só devem ser utilizados apenas por profissionais de saúde qualificados, que não
quando outras formas menos severas de controlo não sejam os principais responsáveis pelos cuidados de
forem efetivas face aos riscos representados por uma saúde do recluso, ou, no mínimo, por pessoal
ação não controlada; adequadamente treinado por um profissional de saúde
(b) O método de restrição será o menos invasivo em relação aos padrões de higiene, saúde e segurança.
possível, o necessário e razoável para controlar a ação REGRA 53
do recluso, em função do nível e da natureza do risco Os reclusos devem ter acesso aos documentos
apresentado; relacionados com os seus processos judiciais e ser
(c) Os instrumentos de coação só devem ser utilizados autorizados a mantê-los consigo, sem que a
durante o período estritamente necessário e devem ser administração prisional tenha acesso a estes.
retirados logo que deixe de existir o risco que motivou a
restrição. Informações e direito de reclamação dos reclusos
2. Os instrumentos de coação não devem ser utilizados
em mulheres em trabalho de parto, nem durante nem REGRA 54
imediatamente após o parto. Todo o recluso, no momento da admissão, deve receber
REGRA 49 informação escrita sobre:
A administração prisional deve procurar obter e (a) A legislação e os regulamentos do estabelecimento
promover formação no uso de técnicas de controlo que prisional e do sistema prisional;
evitem a necessidade de utilizar instrumentos de (b) Os seus direitos, inclusive os meios autorizados para
coação ou que reduzam o seu caráter intrusivo. obter informações, acesso a assistência jurídica,
Revistas aos reclusos e inspeção de celas incluindo o apoio judiciário, e sobre procedimentos para
REGRA 50 formular pedidos e reclamações;
As leis e regulamentos sobre as revistas aos reclusos e (c) As suas obrigações, incluindo as sanções disciplinares
inspeções de celas devem estar em conformidade com aplicáveis; e
as obrigações do Direito Internacional e devem ter em (d) Todos os assuntos que podem ser necessários para
conta os padrões e as normas internacionais, uma vez se adaptar à vida no estabelecimento.
considerada a necessidade de garantir a segurança dos REGRA 55
estabelecimentos prisionais. As revistas aos reclusos e 1. As informações mencionadas na regra 54 devem estar
as inspeções devem ser conduzidas de forma a respeitar disponíveis nas línguas mais utilizadas, de acordo com
a dignidade humana inerente e a privacidade do recluso as necessidades da população prisional. Se um recluso

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não compreender qualquer uma destas línguas, deve 1. Os reclusos devem ser autorizados, sob a necessária
ser providenciada a assistência de um intérprete. supervisão, a comunicar periodicamente com as suas
2. Se o recluso for analfabeto, as informações devem famílias e com amigos: (a) Por correspondência e
ser-lhe comunicadas oralmente. Os reclusos com utilizando, se possível, meios de telecomunicação,
deficiências sensoriais devem receber as informações digitais, eletrónicos e outros; e
de forma apropriada às suas necessidades. (b) Através de visitas.
3. A administração prisional deve expor, com destaque, 2. Onde forem permitidas as visitais conjugais, este
a informação nas áreas de trânsito comum do direito deve ser garantido sem discriminação e as
estabelecimento prisional. mulheres reclusas devem exercer este direito nas
REGRA 56 mesmas condições que os homens. Devem ser
1. Todo o recluso deve ter a oportunidade de, em instaurados procedimentos e disponibilizados locais, de
qualquer dia, formular pedidos ou reclamações ao forma a garantir o justo e igualitário acesso,
diretor do estabelecimento prisional ou ao membro do respeitandose a segurança e a dignidade.
pessoal prisional autorizado a representá-lo. REGRA 59
2. Deve ser viabilizada a possibilidade de os reclusos Os reclusos devem ser colocados, sempre que possível,
formularem pedidos ou reclamações, durante as em estabelecimentos prisionais próximos das suas casas
inspeções do estabelecimento prisional, ao inspetor ou do local da sua reabilitação social.
prisional. O recluso deve ter a oportunidade de REGRA 60
conversar com o inspetor ou com qualquer outro oficial 1. A entrada de visitantes nos estabelecimentos
de inspeção, de forma livre e com total prisionais depende do consentimento do visitante de
confidencialidade, sem a presença do diretor ou de submeter-se à revista. O visitante pode retirar o seu
outros membros da equipa. consentimento a qualquer momento; nestes casos, a
3. Todo o recluso deve ter o direito de fazer um pedido administração prisional poderá recusar o seu acesso.
ou reclamação sobre seu tratamento, sem censura 2. Os procedimentos de entrada e revista de visitantes
quanto ao conteúdo, à administração prisional central, não devem ser degradantes e devem ser regidos por
à autoridade judicial ou a outras autoridades princípios tão protetivos como os delineados nas Regras
competentes, incluindo os que têm poderes de revisão 50 a 52. As revistas feitas a partes íntimas do corpo
e de reparação. devem ser evitadas e não devem ser aplicadas a
4. Os direitos previstos nos parágrafos 1 a 3 desta Regra crianças.
serão estendidos ao seu advogado. Nos casos em que REGRA 61
nem o recluso, nem o seu advogado tenham a 1. Os reclusos devem ter a oportunidade, tempo e meios
possibilidade de exercer tais direitos, um membro da adequados para receberem visitas e de comunicar com
família do recluso ou qualquer outra pessoa que tenha um advogado escolhido por si ou com um defensor
conhecimento do caso deve poder exercê-los. público, sem demora, intercetação ou censura, em total
REGRA 57 confidencialidade, sobre qualquer assunto jurídico, em
1. Todo o pedido ou reclamação deve ser prontamente conformidade com a legislação nacional aplicada. Estas
apreciado e respondido sem demora. Se o pedido ou a consultas podem ocorrer à vista dos agentes prisionais,
reclamação for rejeitado, ou no caso de atraso indevido, mas não podem ser ouvidas por estes.
o reclamante deve ter o direito de apresentá-lo à 2. Nos casos em que os reclusos não falam a língua local,
autoridade judicial ou a outra autoridade. a administração prisional deve facilitar o acesso aos
2. Devem ser criados mecanismos de salvaguarda para serviços de um intérprete competente e independente.
assegurar que os reclusos possam formular pedidos e 3. Os reclusos devem ter acesso a um apoio judiciário
reclamações de forma segura e, se solicitado pelo efetivo.
reclamante, de forma confidencial. O recluso, ou REGRA 62
qualquer outra pessoa mencionada no parágrafo 4 da 1. A reclusos de nacionalidade estrangeira devem ser
Regra 56, não deve ser exposto a qualquer risco de concedidas facilidades razoáveis para comunicarem
retaliação, intimidação ou outras consequências com os representantes diplomáticos e consulares do
negativas como resultado de um pedido ou reclamação. Estado a que pertencem.
3. Alegações de tortura ou outras penas ou tratamentos 2. A reclusos de nacionalidade de Estados sem
cruéis, desumanos ou degradantes devem ser representação diplomática ou consular no país, e a
imediatamente apreciadas e devem originar uma refugiados ou apátridas, devem ser concedidas
investigação rápida e imparcial, conduzida por uma facilidades semelhantes para comunicarem com
autoridade nacional independente, de acordo com os representantes diplomáticos do Estado encarregado de
parágrafos 1 e 2 da Regra 71. zelar pelos seus interesses ou com qualquer autoridade
Contatos com o mundo exterior nacional ou internacional que tenha a seu cargo a
REGRA 58 proteção dessas pessoas.
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REGRA 63 higiene. O recluso deve assinar o recibo dos objetos e


Os reclusos devem ser mantidos regularmente do dinheiro que lhe tenham sido restituídos.
informados das notícias mais importantes através da 3. Os valores e objetos enviados do exterior encontram-
leitura de jornais, publicações periódicas ou se submetidos a estas mesmas regras.
institucionais especiais, através de transmissões de 4. Se o recluso for portador de medicamentos ou
rádio, conferências ou quaisquer outros meios estupefacientes no momento da admissão, o médico ou
semelhantes, autorizados ou controlados pela outro profissional de saúde qualificado decidirá sobre a
administração prisional. sua utilização.
Biblioteca Notificações
REGRA 64 REGRA 68
Cada estabelecimento prisional deve ter uma biblioteca Todo o recluso deve ter o direito de ter oportunidade e
para o uso de todas as categorias de reclusos, os meios de informar imediatamente a sua família ou
devidamente provida com livros recreativos e de qualquer outra pessoa designada por si sobre a sua
instrução e os reclusos devem ser incentivados a utilizá- detenção, transferência para outro estabelecimento
la plenamente. prisional ou sobre qualquer doença ou ferimento
Religião graves. A divulgação de informações pessoais dos
REGRA 65 reclusos deve ser regida por legislação nacional.
1. Se o estabelecimento prisional reunir um número REGRA 69
suficiente de reclusos da mesma religião, deve ser No caso de morte de um recluso, o diretor do
nomeado ou autorizado um representante qualificado estabelecimento prisional deve informar
dessa religião. Se o número de reclusos o justificar e as imediatamente o parente mais próximo ou a pessoa
circunstâncias o permitirem, deve ser encontrada uma previamente designada pelo recluso. As pessoas
solução permanente. designadas pelo recluso para receberem informações
2. O representante qualificado, nomeado ou autorizado sobre a sua saúde devem ser notificadas pelo diretor em
nos termos do parágrafo 1 desta Regra, deve ser caso de doença grave, ferimento ou transferência para
autorizado a organizar periodicamente serviços uma instituição médica. O pedido explícito de um
religiosos e a fazer, sempre que for aconselhável, visitas recluso, de que seu cônjuge ou parente mais próximo
pastorais privadas, num horário apropriado, aos não seja informado em caso de doença ou ferimento,
reclusos da sua religião. deve ser respeitado.
3. O direito de entrar em contacto com um REGRA 70
representante qualificado da sua religião nunca deve Um recluso deve ser informado imediatamente da
ser negado a qualquer recluso. Por outro lado, se um morte ou doença grave de qualquer parente próximo,
recluso se opõe à visita de um representante de uma cônjuge ou companheiro. No caso de doença crítica de
religião, a sua vontade deve ser plenamente respeitada. um parente próximo, cônjuge ou companheiro, o
REGRA 66 recluso deve ser autorizado, quando as circunstâncias o
Tanto quanto possível, cada recluso deve ser autorizado permitirem, a estar junto dele, quer sob escolta quer só,
a satisfazer as exigências da sua vida religiosa, assistindo ou a participar no seu funeral.
aos serviços ministrados no estabelecimento prisional e Investigações
tendo na sua posse livros de rito e prática de ensino REGRA 71
religioso da sua confissão. 1. Não obstante uma investigação interna, o diretor do
Depósito de objetos pertencentes aos reclusos estabelecimento prisional deve comunicar,
REGRA 67 imediatamente, a morte, o desaparecimento ou o
1. Quando o regulamento não autorizar aos reclusos a ferimento grave à autoridade judicial ou a outra
posse de dinheiro, objetos de valor, peças de vestuário autoridade competente independente da
e outros objetos que lhes pertençam, estes devem, no administração prisional e deve determinar uma
momento de admissão no estabelecimento, ser investigação imediata, imparcial e efetiva às
guardados em lugar seguro. Deve ser elaborado um circunstâncias e às causas destes casos. A administração
inventário destes objetos, assinado pelo recluso. Devem prisional deve cooperar integralmente com a referida
ser tomadas medidas para conservar estes objetos em autoridade e assegurar que todas as provas são
bom estado. preservadas.
2. Estes objetos e o dinheiro devem ser restituídos ao 2. A obrigação referida no parágrafo 1 desta Regra deve
recluso no momento ser igualmente aplicada quando houver indícios
da sua libertação, com exceção do dinheiro que tenha razoáveis para se supor que um ato de tortura ou outras
sido autorizado a gastar, dos objetos que tenham sido penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou
enviados pelo recluso para o exterior ou das peças de degradantes tenham sido praticados no
vestuário que tenham sido destruídas por razões de
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estabelecimento prisional, mesmo que não tenha sido REGRA 75


recebida uma reclamação formal. 1. Os funcionários devem possuir um nível de educação
3. Quando houver indícios razoáveis para se supor que adequado e deve ser-lhes proporcionadas condições e
os atos referidos no parágrafo 2 desta Regra tenham meios para poderem exercer as suas funções de forma
sido praticados, devem ser tomadas medidas imediatas profissional.
para garantir que todas as pessoas potencialmente 2. Devem frequentar, antes de entrar em funções, um
implicadas não tenham qualquer envolvimento na curso de formação geral e específico, que deve refletir
investigação ou contato com as testemunhas, vítimas e as melhores e mais modernas práticas, baseadas em
seus familiares. dados empíricos, das ciências penais. Apenas os
REGRA 72 candidatos que ficarem aprovados nas provas teóricas e
A administração prisional deve tratar o corpo de um práticas devem ser admitidos no serviço prisional.
recluso falecido com respeito e dignidade. O corpo do 3. Após a entrada em funções e ao longo da sua carreira,
recluso falecido deve ser devolvido ao seu parente mais o pessoal deve conservar e melhorar os seus
próximo o mais rapidamente possível e, o mais tardar, conhecimentos e competências profissionais, seguindo
quando concluída a investigação. A administração cursos de aperfeiçoamento organizados
prisional deve providenciar um funeral culturalmente periodicamente.
adequado, se não houver outra parte disposta ou capaz REGRA 76
de fazê-lo, e deve manter um registo completo do facto. 1. A formação a que se refere o parágrafo 2 da Regra 75
Transferência de reclusos deve incluir, no mínimo, o seguinte:
REGRA 73 (a) Legislação, regulamentos e políticas nacionais
1. Quando os reclusos são transferidos, de ou para outro relevantes, bem como os instrumentos internacionais e
estabelecimento, devem ser vistos o menos possível regionais aplicáveis que devem nortear o trabalho e as
pelo público e devem ser tomadas medidas apropriadas interações dos funcionários com os reclusos;
para os proteger de insultos, curiosidade e de qualquer (b) Direitos e deveres dos funcionários no exercício das
tipo de publicidade. suas funções, incluindo o respeito à dignidade humana
2. Deve ser proibido o transporte de reclusos em de todos os reclusos e a proibição de certas condutas,
veículos com deficiente ventilação ou iluminação ou em particular a prática de tortura ou outras penas ou
que, de qualquer outro modo, os possa sujeitar a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes;
sacrifícios físicos desnecessários. (c) Segurança, incluindo o conceito de segurança
3. O transporte de reclusos deve ser efetuado a dinâmica, o uso da força e instrumentos de coação e a
expensas da administração prisional em condições de gestão de pessoas violentas,
igualdade para todos. tendo em consideração técnicas preventivas e
Pessoal do estabelecimento prisional alternativas, como a negociação e a mediação;
REGRA 74 (d) Técnicas de primeiros socorros, as necessidades
1. A administração prisional deve selecionar psicossociais dos reclusos e correspondentes dinâmicas
cuidadosamente o pessoal de todas as categorias, dado do ambiente prisional, bem como o apoio e assistência
que é da sua integridade, humanidade, aptidões social, incluindo o diagnóstico prévio de doenças
pessoais e capacidades profissionais que depende a boa mentais.
gestão dos estabelecimentos prisionais. 2. Os funcionários que estiverem incumbidos de
2. A administração prisional deve esforçar-se trabalhar com certas categorias de reclusos, ou que
permanentemente por suscitar e manter no espírito do estejam designados para outras funções específicas,
pessoal e da opinião pública a convicção de que esta devem receber formação adequada às suas
missão representa um serviço social de grande características.
importância; para o efeito, devem ser utilizados todos REGRA 77
os meios adequados para esclarecer o público. Todos os membros do pessoal devem, em todas as
3. Para a realização daqueles fins, os membros do circunstâncias, comportar-se e desempenhar as suas
pessoal devem desempenhar funções a tempo inteiro funções de maneira a que o seu exemplo tenha boa
na qualidade de profissionais do sistema prisional, influência sobre os reclusos e mereça o respeito destes.
devem ter o estatuto de funcionários do Estado e ser- REGRA 78
lhes garantida, por conseguinte, segurança no emprego 1. Na medida do possível, deve incluir-se no pessoal um
dependente apenas de boa conduta, eficácia no número suficiente de especialistas, tais como
trabalho e aptidão física. A remuneração deve ser psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, professores
suficiente para permitir recrutar e manter ao serviço e instrutores técnicos.
homens e mulheres competentes; as regalias e as 2. Os assistentes sociais, professores e instrutores
condições de emprego devem ser determinadas tendo técnicos devem exercer as suas funções de forma
em conta a natureza penosa do trabalho.
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permanente, mas poderá também recorrer-se a com os reclusos não devem estar armados. Aliás, não
auxiliares a tempo parcial ou a voluntários. deverá ser confiada uma arma a um membro do pessoal
REGRA 79 sem que este seja treinado para o seu uso.
1. O diretor do estabelecimento prisional deve ser Inspeções internas e externas
adequadamente qualificado para a sua função, quer REGRA 83
pelo seu carácter, quer pelas suas competências 1. Deve haver um sistema duplo de inspeções regulares
administrativas, formação e experiência. nos estabelecimentos e serviços prisionais:
2. O diretor do estabelecimento prisional deve exercer (a) Inspeções internas ou administrativas conduzidas
a sua função oficial a tempo inteiro e não deve ser pela administração prisional central;
nomeado a tempo parcial. Deve residir no (b) Inspeções externas conduzidas por um órgão
estabelecimento prisional ou nas imediações deste. independente da administração prisional, que pode
3. Quando dois ou mais estabelecimentos prisionais incluir órgãos internacionais ou regionais competentes.
estejam sob a autoridade de um único diretor, este deve 2. Em ambos os casos, o objetivo das inspeções deve ser
visitar ambos com regularidade. Em cada um dos o de assegurar que os estabelecimentos prisionais
estabelecimentos deve haver um funcionário sejam administrados de acordo com as leis,
responsável. regulamentos, políticas e procedimentos vigentes, para
REGRA 80 prossecução dos objetivos dos serviços prisionais e
1. O diretor, o seu adjunto e a maioria dos outros correcionais e para a proteção dos direitos dos reclusos.
membros do pessoal do estabelecimento prisional REGRA 84
devem falar a língua da maior parte dos reclusos ou uma 1. Os inspetores devem ter a autoridade para:
língua entendida pela maioria deles. (a) Aceder a todas as informações sobre o número de
2. Deve recorrer-se aos serviços de um intérprete reclusos e dos locais de detenção, bem como a toda a
sempre que seja informação relevante ao tratamento dos reclusos,
necessário. incluindo os seus registos e as condições de detenção;
REGRA 81 (b) Escolher livremente qual o estabelecimento prisional
1. Nos estabelecimentos prisionais destinados a que querem inspecionar, inclusive fazendo visitas por
homens e mulheres, a secção das mulheres deve ser iniciativa própria sem aviso prévio e quais os reclusos
colocada sob a direção de um funcionário do sexo que pretendem entrevistar;
feminino responsável que terá à sua guarda todas as (c) Conduzir entrevistas com os reclusos e com os
chaves dessa secção. funcionários prisionais, em total privacidade e
2. Nenhum funcionário do sexo masculino pode entrar confidencialidade, durante as suas visitas;
na parte do estabelecimento destinada às mulheres (d) Fazer recomendações à administração prisional e a
sem ser acompanhado por um funcionário do sexo outras autoridades competentes.
feminino. 2. As equipas de inspeção externa devem ser compostas
3. A vigilância das reclusas deve ser assegurada por inspetores qualificados e experientes, indicados por
exclusivamente por funcionários do sexo feminino. Não uma autoridade competente, e devem contar com
obstante, isso não impede que funcionários do sexo profissionais de saúde. Deve-se procurar ter uma
masculino, especialmente médicos e professores, representação equilibrada de género.
desempenhem as suas funções profissionais em REGRA 85
estabelecimentos prisionais ou secções do 1. Depois de uma inspeção, deve ser submetido à
estabelecimento prisional destinados a mulheres. autoridade competente um relatório escrito. Esforços
REGRA 82 devem ser empreendidos para tornar público os
1. Os funcionários dos estabelecimentos prisionais não relatórios das inspeções externas, excluindo-se
devem, nas suas relações com os reclusos, usar de força, qualquer dado pessoal dos reclusos, a menos que estes
exceto em legítima defesa ou em casos de tentativa de tenham dado explicitamente o seu acordo.
fuga ou de resistência física ativa ou passiva a uma 2. A administração prisional ou qualquer outra
ordem baseada na lei ou nos regulamentos. Os autoridade competente, conforme apropriado, deve
funcionários que tenham de recorrer à força não devem indicar, num prazo razoável, se as recomendações
usar senão a estritamente necessária e devem provindas das inspeções externas serão
comunicar imediatamente o incidente ao diretor do implementadas.
estabelecimento prisional. II. REGRAS APLICÁVEIS A CATEGORIAS
2. Os membros do pessoal prisional devem receber ESPECIAIS
formação técnica especial que lhes permita dominar os A. Reclusos condenados
reclusos violentos. Princípios gerais
3. Salvo circunstâncias especiais, os agentes que REGRA 86
assegurem serviços que os ponham em contacto direto
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Os princípios gerais a seguir enunciados têm por 4. Por outro lado, não é recomendável manter
finalidade a definição do espírito dentro do qual os estabelecimentos demasiado pequenos que possam
sistemas prisionais devem ser administrados e os impedir que instalações adequadas sejam facultadas.
objetivos a que devem tender, de acordo com a REGRA 90
declaração feita na observação preliminar 1 destas O dever da sociedade não cessa com a libertação de um
Regras. recluso. Seria por isso necessário dispor de organismos
REGRA 87 governamentais ou privados capazes de trazer ao
Antes do termo da execução de uma pena ou de uma recluso colocado em liberdade um auxílio pós-
medida é desejável que sejam adotadas as medidas penitenciário eficaz, tendente a diminuir os
necessárias para assegurar ao recluso um regresso preconceitos a seu respeito e a permitir-lhe a sua
progressivo à vida na sociedade. Este objetivo poderá reinserção na sociedade.
ser alcançado, consoante os casos, através de um Tratamento
regime preparatório da libertação, organizado no REGRA 91
próprio estabelecimento ou em outro estabelecimento O tratamento das pessoas condenadas a uma pena ou
adequado, ou mediante uma libertação condicional medida privativa de liberdade deve ter por objetivo, na
sujeita a controlo, que não deve caber à polícia, mas que medida em que o permitir a duração da condenação,
deve comportar uma assistência social eficaz. criar nelas a vontade e as aptidões que as tornem
REGRA 88 capazes, após a sua libertação, de viver no respeito pela
1. O tratamento não deve acentuar a exclusão dos lei e de prover às suas necessidades. Este tratamento
reclusos da sociedade, mas sim fazê-los compreender deve incentivar o respeito por si próprias e desenvolver
que continuam a fazer parte dela. Para este fim, há que o seu sentido da responsabilidade.
recorrer, sempre que possível, à cooperação de REGRA 92
organismos da comunidade destinados a auxiliar o 1. Para este fim, há que recorrer a todos os meios
pessoal do estabelecimento prisional na reabilitação apropriados, nomeadamente à assistência religiosa nos
social dos reclusos. países em que seja possível, à instrução, à orientação e
2. Assistentes sociais, colaborando com cada à formação profissionais, à assistência social
estabelecimento, devem ter por missão a manutenção direcionada, ao aconselhamento profissional, ao
e a melhoria das relações do recluso com a sua família e desenvolvimento físico e à educação moral, de acordo
com os organismos sociais que podem ser-lhe úteis. com as necessidades de cada recluso. Há que ter em
Devem adotar-se medidas tendo em vista a conta o passado social e criminal do condenado, as suas
salvaguarda, de acordo com a lei e a pena imposta, dos capacidades e aptidões físicas e mentais, a sua
direitos civis, dos direitos em matéria de segurança personalidade, a duração da condenação e
social e de outros benefícios sociais dos reclusos. as perspetivas da sua reabilitação.
REGRA 89 2. Para cada recluso condenado a uma pena ou a uma
1. A realização destes princípios exige a individualização medida de certa duração, o diretor do estabelecimento
do tratamento e, para este fim, um sistema flexível de prisional deve receber, no mais breve trecho após a
classificação dos reclusos por grupos; é por isso admissão do recluso, relatórios completos sobre os
desejável que esses grupos sejam colocados em diferentes aspetos referidos no parágrafo 1 desta Regra.
estabelecimentos prisionais separados, adequados ao Estes relatórios devem sempre compreender um
tratamento de cada um deles. relatório de um médico, se possível especializado
2. Estes estabelecimentos não devem possuir o mesmo em psiquiatria, sobre a condição física e mental do
grau de segurança para cada grupo. É desejável prever recluso.
graus de segurança consoante as necessidades dos 3. Os relatórios e outros elementos pertinentes devem
diferentes grupos. Os estabelecimentos abertos, pelo ser colocados num arquivo individual. Este arquivo deve
próprio facto de não preverem medidas de segurança ser atualizado e classificado de modo a poder ser
física contra as evasões, mas remeterem neste domínio consultado pelo pessoal responsável sempre que
à autodisciplina dos reclusos, proporcionam aos necessário.
reclusos cuidadosamente escolhidos as condições mais Classificação e individualização
favoráveis à sua reabilitação. REGRA 93
3. É desejável que nos estabelecimentos prisionais 1. As finalidades da classificação devem ser:
fechados a individualização do tratamento não seja (a) De separar os reclusos que, pelo seu passado
prejudicada por um número demasiado elevado de criminal ou pela sua personalidade, possam vir a exercer
reclusos. Nalguns países entende-se que a população uma influência negativa sobre os outros reclusos;
destes estabelecimentos não deve ultrapassar os (b) De repartir os reclusos por grupos tendo em vista
quinhentos. Nos estabelecimentos abertos, a população facilitar o seu tratamento para a sua reinserção social.
deve ser tão reduzida quanto possível.
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2. Há que dispor, na medida do possível, de fora do estabelecimento, de modo a preparar os


estabelecimentos separados ou de secções distintas reclusos para as condições de uma vida profissional
dentro de um estabelecimento para o tratamento das normal.
diferentes categorias de reclusos. 2. No entanto, o interesse dos reclusos e a sua formação
REGRA 94 profissional não devem ser subordinados ao desejo de
Assim que possível após a admissão e depois de um realizar um benefício financeiro por meio do trabalho
estudo da personalidade de cada recluso condenado a prisional.
uma pena ou a uma medida de uma certa duração deve REGRA 100
ser preparado um programa de tratamento que lhe seja 1. As indústrias e as explorações agrícolas devem, de
destinado, à luz dos dados de que se dispõe sobre as preferência, ser dirigidas pela administração prisional e
suas necessidades individuais, as suas capacidades e o não por empresários privados.
seu estado de espírito. 2. Quando os reclusos forem empregues para trabalho
Privilégios não controlado pela administração prisional, devem ser
REGRA 95 sempre colocados sob vigilância do pessoal prisional.
Há que instituir em cada estabelecimento um sistema Salvo nos casos em que o trabalho seja efetuado para
de privilégios adaptado às diferentes categorias de outros departamentos do Estado, as pessoas às quais
reclusos e aos diferentes métodos de tratamento, com esse trabalho seja prestado devem pagar à
o objetivo de encorajar o bom comportamento, de administração a remuneração normal exigível para esse
desenvolver o sentido da responsabilidade e de trabalho, tendo todavia em conta a produtividade dos
estimular o interesse e a cooperação dos reclusos no reclusos.
seu próprio tratamento. REGRA 101
Trabalho 1. Os cuidados prescritos destinados a proteger a
REGRA 96 segurança e a saúde dos trabalhadores em liberdade
1. Todos os reclusos condenados devem ter a devem igualmente existir nos estabelecimentos
oportunidade de trabalhar e/ou participar ativamente prisionais.
na sua reabilitação, em conformidade com as suas 2. Devem ser adotadas disposições para indemnizar os
aptidões física e mental, de acordo com a determinação reclusos por acidentes de trabalho e doenças
do médico ou de outro profissional de saúde profissionais, nas mesmas condições que a lei concede
qualificado. aos trabalhadores em liberdade.
2. Deve ser dado trabalho suficiente de natureza útil aos REGRA 102
reclusos, de modo a conservá-los ativos durante um dia 1. As horas diárias e semanais máximas de trabalho dos
normal de trabalho. reclusos devem ser fixadas por lei ou por regulamento
REGRA 97 administrativo, tendo em consideração regras ou
1. O trabalho na prisão não deve ser de natureza costumes locais respeitantes ao trabalho dos
penosa. trabalhadores em liberdade.
2. Os reclusos não devem ser mantidos em regime de 2. As horas devem ser fixadas de modo a deixar um dia
escravidão ou de servidão. de descanso semanal e tempo suficiente para a
3. Nenhum recluso será chamado a trabalhar para educação e para outras atividades necessárias como
beneficiar, a título pessoal ou privado, qualquer parte do tratamento e reinserção dos reclusos.
membro da equipa prisional. REGRA 103
REGRA 98 1. O trabalho dos reclusos deve ser remunerado de
1. Tanto quanto possível, o trabalho proporcionado modo equitativo.
deve ser de natureza que mantenha ou aumente as 2. O regulamento deve permitir aos reclusos a utilização
capacidades dos reclusos para ganharem honestamente de pelo menos uma parte da sua remuneração para
a vida depois de libertados. adquirir objetos autorizados, destinados ao seu uso
2. Deve ser proporcionada formação profissional, em pessoal, e para enviar outra parte à sua família.
profissões úteis, aos reclusos que dela tirem proveito e 3. O regulamento deve prever igualmente que uma
especialmente a jovens reclusos. parte da remuneração seja reservada pela
3. Dentro dos limites compatíveis com uma seleção administração prisional de modo a constituir uma
profissional apropriada e com as exigências da poupança que será entregue ao recluso no momento da
administração e disciplina prisional, os reclusos devem sua libertação.
poder escolher o tipo de trabalho que querem fazer. Educação e lazer
REGRA 99 REGRA 104
1. A organização e os métodos do trabalho nos 1. Devem ser tomadas medidas no sentido de melhorar
estabelecimentos prisionais devem aproximar-se tanto a educação de todos os reclusos que daí tirem proveito,
quanto possível dos que regem um trabalho semelhante incluindo instrução religiosa nos países em que tal for
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possível. A educação de analfabetos e jovens reclusos 2. Se necessário, os demais reclusos que sofrem de
será obrigatória, prestando-lhe a administração outras doenças ou anomalias mentais devem ser
prisional especial atenção. examinados e tratados em instituições especializadas,
2. Tanto quanto for possível, a educação dos reclusos sob vigilância médica.
deve estar integrada no sistema educacional do país, 3. O serviço médico ou psiquiátrico dos
para que depois da sua libertação possam continuar, estabelecimentos prisionais deve proporcionar
sem dificuldades, os seus estudos. tratamento psiquiátrico a todos os reclusos que o
REGRA 105 necessitem.
Devem ser proporcionadas atividades recreativas e REGRA 110
culturais em todos os estabelecimentos prisionais em É desejável que sejam adotadas medidas, de acordo
benefício da saúde mental e física dos reclusos. com os organismos competentes, para que o
Relações sociais e assistência pós-prisional tratamento psiquiátrico seja mantido, se necessário,
REGRA 106 depois da colocação em liberdade e que uma assistência
Deve ser prestada atenção especial à manutenção e social pós-prisional de natureza psiquiátrica seja
melhoramento das relações entre o recluso e a sua assegurada.
família que se mostrem de maior vantagem para ambos. C. Reclusos detidos ou a aguardar julgamento
REGRA 107 REGRA 111
Desde o início do cumprimento da pena de um recluso, 1. Os detidos ou presos em virtude de lhes ser imputada
deve ter-se em consideração o seu futuro depois de a prática de uma infração penal, quer estejam detidos
libertado, devendo este ser estimulado e ajudado a sob custódia da polícia, quer num estabelecimento
manter ou estabelecer relações com pessoas ou prisional, mas que ainda não foram julgados e
organizações externas, aptas a promover os melhores condenados, são doravante designados nestas Regras
interesses da sua família e da sua própria reabilitação por “detidos preventivamente”.
social. 2. As pessoas detidas preventivamente presumem-se
REGRA 108 inocentes e como tal devem ser tratadas.
1. Os serviços ou organizações governamentais ou 3. Estes detidos devem beneficiar de um regime especial
outras, que prestam assistência a reclusos colocados em cujos elementos essenciais se discriminam nestas
liberdade para se reestabelecerem na sociedade, Regras, sem prejuízo das disposições legais sobre a
devem assegurar, na medida do possível e do proteção da liberdade individual ou que estabelecem os
necessário, que sejam facultados aos reclusos trâmites a ser observados em relação a pessoas detidas
libertados documentos de identificação apropriados, preventivamente.
que lhes sejam garantidas casas adequadas e trabalho, REGRA 112
vestuário apropriado ao clima e à estação do ano e 1. As pessoas detidas preventivamente devem ser
recursos suficientes para chegarem ao seu destino e mantidas separadas dos reclusos condenados.
para subsistirem no período imediatamente seguinte à 2. Os jovens detidos preventivamente devem ser
sua libertação. mantidos separados dos adultos e ser, em princípio,
2. Os representantes oficiais dessas organizações detidos em estabelecimentos prisionais separados.
devem ter o acesso necessário ao estabelecimento REGRA 113
prisional e aos reclusos, sendo consultados sobre o As pessoas detidas preventivamente devem dormir
futuro do recluso desde o início do cumprimento da sozinhas em quartos separados, sob reserva de
pena. diferente costume local relativo ao clima.
3. É recomendável que as atividades destas REGRA 114
organizações estejam centralizadas ou sejam Dentro dos limites compatíveis com a boa ordem do
coordenadas, tanto quanto possível, a fim de garantir a estabelecimento prisional, as pessoas detidas
melhor utilização dos seus esforços. preventivamente podem, se o desejarem, mandar vir
B. Reclusos com transtornos mentais e/ou com alimentação do exterior a expensas próprias, quer
problemas de saúde através da administração, quer através da sua família ou
REGRA 109 amigos. Caso contrário a administração deve fornecer-
1. As pessoas consideradas inimputáveis, ou a quem, lhes a alimentação.
posteriormente, foi diagnosticado uma deficiência REGRA 115
mental e/ou um problema de saúde grave, em relação A pessoa detida preventivamente deve ser autorizada a
aos quais a detenção poderia agravar a sua condição, usar a sua própria roupa se estiver limpa e for
não devem ser detidas em prisões. Devem ser tomadas adequada. Se usar roupa do estabelecimento prisional,
medidas para as transferir para um estabelecimento esta será diferente da fornecida aos condenados.
para doentes mentais o mais depressa possível. REGRA 116

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Será sempre dada à pessoa detida preventivamente a Partes I e II desta Regra. As disposições relevantes da
oportunidade de trabalhar, mas esta não será obrigada secção A da Parte II, desta Regra, serão igualmente
a fazê-lo. Se optar por trabalhar, será remunerada. aplicáveis sempre que a sua aplicação possa beneficiar
REGRA 117 esta categoria especial de reclusos, desde que não seja
A pessoa detida preventivamente deve ser autorizada a tomada nenhuma medida que implique a reeducação
obter, a expensas próprias ou a expensas de terceiros, ou a reabilitação de pessoas não condenadas por uma
livros, jornais, material para escrever e outros meios de infração penal.
ocupação compatíveis com os interesses da
administração da justiça e com a segurança e boa ordem
do estabelecimento prisional.
REGRA 118
A pessoa detida preventivamente deve ser autorizada a
ser visitada e a ser tratada pelo seu médico pessoal ou
dentista se existir motivo razoável para o seu pedido e
puder pagar quaisquer despesas em que incorrer.
REGRA 119
1. Todo o recluso tem o direito a ser imediatamente
informado das razões de sua detenção e sobre
quaisquer acusações apresentadas contra si.
2. Se uma pessoa detida preventivamente não tiver um
advogado da sua escolha, ser-lhe-á designado um
defensor oficioso pela autoridade judicial, ou outra
autoridade, em todos os casos em que os interesses da
justiça o exigirem e sem custos para a pessoa detida
preventivamente, caso esta não possua recursos
suficientes para pagar. A possibilidade de se recusar o
acesso a um advogado deve ser sujeita a uma revisão
independente, sem demora.
REGRA 120
1. Os direitos e as modalidades que regem o acesso de
uma pessoa detida preventivamente ao seu advogado
ou defensor oficioso, com vista à sua defesa, devem ser
regulados pelos mesmos princípios estabelecidos na
regra 61.
2. A pessoa detida preventivamente deve ter à sua
disposição, se assim o desejar, material de escrita a fim
de preparar os documentos relacionados com a sua
defesa e entregar instruções confidenciais ao seu
advogado ou defensor oficioso.
D. Presos civis
REGRA 121
Nos países cuja legislação prevê a prisão por dívidas ou
outras formas de prisão proferidas por decisão judicial
na sequência de processos que não tenham natureza
penal, os reclusos não devem ser submetidos a maiores
restrições nem ser tratados com maior severidade do
que for necessário para manter a segurança e a ordem.
O seu tratamento não deve ser menos favorável do que
o dos detidos preventivamente, sob reserva, porém, da
eventual obrigação de trabalhar.
E. Pessoas presas ou detidas sem acusação
REGRA 122
Sem prejuízo das disposições contidas no artigo 9.º do
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos,
deve ser concedida às pessoas presas ou detidas sem
acusação a proteção conferida nos termos da secção C,
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Declarando que uma ação eficaz para prevenir e


Protocolo das Nações Unidas contra o Crime combater o tráfico de pessoas, em especial mulheres
Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, e crianças, exige por parte dos países de origem, de
Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial trânsito e de destino uma abordagem global e
Mulheres e Crianças. internacional, que inclua medidas destinadas a
prevenir esse tráfico, punir os traficantes e proteger
DECRETO Nº 5.017, DE 12 DE MARÇO DE 2004 as vítimas desse tráfico, designadamente
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da protegendo os seus direitos fundamentais,
atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da internacionalmente reconhecidos,
Constituição, e Tendo em conta que, apesar da existência de uma
Considerando que o Congresso Nacional variedade de instrumentos internacionais que
aprovou, por meio do Decreto Legislativo no 231, de contêm normas e medidas práticas para combater a
29 de maio de 2003, o texto do Protocolo Adicional exploração de pessoas, especialmente mulheres e
à Convenção das Nações Unidas contra o Crime crianças, não existe nenhum instrumento universal
Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, que trate de todos os aspectos relativos ao tráfico de
Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em pessoas,
Especial Mulheres e Crianças, adotado em Nova York Preocupados com o fato de na ausência desse
em 15 de novembro de 2000; instrumento, as pessoas vulneráveis ao tráfico não
Considerando que o Governo brasileiro estarem suficientemente protegidas,
depositou o instrumento de ratificação junto à Recordando a Resolução 53/111 da Assembléia
Secretaria-Geral da ONU em 29 de janeiro de 2004; Geral, de 9 de Dezembro de 1998, na qual a
Considerando que o Protocolo entrou em vigor Assembléia decidiu criar um comitê
internacional em 29 de setembro de 2003, e entrou intergovernamental especial, de composição aberta,
em vigor para o Brasil em 28 de fevereiro de 2004; para elaborar uma convenção internacional global
DECRETA: contra o crime organizado transnacional e examinar
Art. 1o O Protocolo Adicional à Convenção das a possibilidade de elaborar, designadamente, um
Nações Unidas contra o Crime Organizado instrumento internacional de luta contra o tráfico de
Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e mulheres e de crianças.
Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres Convencidos de que para prevenir e combater esse
e Crianças, adotado em Nova York em 15 de tipo de criminalidade será útil completar a
novembro de 2000, apenso por cópia ao presente Convenção das Nações Unidas contra o Crime
Decreto, será executado e cumprido tão Organizado Transnacional com um instrumento
inteiramente como nele se contém. internacional destinado a prevenir, reprimir e punir
Art. 2o São sujeitos à aprovação do Congresso o tráfico de pessoas, em especial mulheres e
Nacional quaisquer atos que possam resultar em crianças,
revisão do referido Protocolo ou que acarretem Acordaram o seguinte:
encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio I. Disposições Gerais
nacional, nos termos do art. 49, inciso I, da Artigo 1
Constituição. Relação com a Convenção das Nações Unidas
Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de contra o Crime Organizado Transnacional
sua publicação. 1. O presente Protocolo completa a Convenção das
Brasília, 12 de março de 2004; 183o da Nações Unidas contra o Crime Organizado
Independência e 116o da República. Transnacional e será interpretado em conjunto com
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA a Convenção.
Samuel Pinheiro Guimarães Neto 2. As disposições da Convenção aplicar-se-ão mutatis
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de mutandis ao presente Protocolo, salvo se no mesmo
15.3.2004 se dispuser o contrário.
3. As infrações estabelecidas em conformidade com
PROTOCOLO ADICIONAL À CONVENÇÃO DAS o Artigo 5 do presente Protocolo serão consideradas
NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME ORGANIZADO como infrações estabelecidas em conformidade com
TRANSNACIONAL RELATIVO À PREVENÇÃO, a Convenção.
REPRESSÃO E PUNIÇÃO DO TRÁFICO DE PESSOAS, Artigo 2
EM ESPECIAL MULHERES E CRIANÇAS Objetivo
Os objetivos do presente Protocolo são os seguintes:
PREÂMBULO
Os Estados Partes deste Protocolo,
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a) Prevenir e combater o tráfico de pessoas, a) Sem prejuízo dos conceitos fundamentais do seu
prestando uma atenção especial às mulheres e às sistema jurídico, a tentativa de cometer uma
crianças; infração estabelecida em conformidade com o
b) Proteger e ajudar as vítimas desse tráfico, parágrafo 1 do presente Artigo;
respeitando plenamente os seus direitos humanos; e b) A participação como cúmplice numa infração
c) Promover a cooperação entre os Estados Partes de estabelecida em conformidade com o parágrafo 1 do
forma a atingir esses objetivos. presente Artigo; e
Artigo 3 c) Organizar a prática de uma infração estabelecida
Definições em conformidade com o parágrafo 1 do presente
Para efeitos do presente Protocolo: Artigo ou dar instruções a outras pessoas para que a
a) A expressão "tráfico de pessoas" significa o pratiquem.
recrutamento, o transporte, a transferência, o II. Proteção de vítimas de tráfico de pessoas
alojamento ou o acolhimento de pessoas, Artigo 6
recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras Assistência e proteção às vítimas de tráfico de
formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao pessoas
abuso de autoridade ou à situação de 1. Nos casos em que se considere apropriado e na
vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de medida em que seja permitido pelo seu direito
pagamentos ou benefícios para obter o interno, cada Estado Parte protegerá a privacidade e
consentimento de uma pessoa que tenha autoridade a identidade das vítimas de tráfico de pessoas,
sobre outra para fins de exploração. A exploração incluindo, entre outras (ou inter alia), a
incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de confidencialidade dos procedimentos judiciais
outrem ou outras formas de exploração sexual, o relativos a esse tráfico.
trabalho ou serviços forçados, escravatura ou 2. Cada Estado Parte assegurará que o seu sistema
práticas similares à escravatura, a servidão ou a jurídico ou administrativo contenha medidas que
remoção de órgãos; forneçam às vítimas de tráfico de pessoas, quando
b) O consentimento dado pela vítima de tráfico de necessário:
pessoas tendo em vista qualquer tipo de exploração a) Informação sobre procedimentos judiciais e
descrito na alínea a) do presente Artigo será administrativos aplicáveis;
considerado irrelevante se tiver sido utilizado b) Assistência para permitir que as suas opiniões e
qualquer um dos meios referidos na alínea a); preocupações sejam apresentadas e tomadas em
c) O recrutamento, o transporte, a transferência, o conta em fases adequadas do processo penal
alojamento ou o acolhimento de uma criança para instaurado contra os autores das infrações, sem
fins de exploração serão considerados "tráfico de prejuízo dos direitos da defesa.
pessoas" mesmo que não envolvam nenhum dos 3. Cada Estado Parte terá em consideração a
meios referidos da alínea a) do presente Artigo; aplicação de medidas que permitam a recuperação
d) O termo "criança" significa qualquer pessoa com física, psicológica e social das vítimas de tráfico de
idade inferior a dezoito anos. pessoas, incluindo, se for caso disso, em cooperação
Artigo 4 com organizações não-governamentais, outras
Âmbito de aplicação organizações competentes e outros elementos de
O presente Protocolo aplicar-se-á, salvo disposição sociedade civil e, em especial, o fornecimento de:
em contrário, à prevenção, investigação e repressão a) Alojamento adequado;
das infrações estabelecidas em conformidade com o b) Aconselhamento e informação, especialmente
Artigo 5 do presente Protocolo, quando essas quanto aos direitos que a lei lhes reconhece, numa
infrações forem de natureza transnacional e língua que compreendam;
envolverem grupo criminoso organizado, bem como c) Assistência médica, psicológica e material; e
à proteção das vítimas dessas infrações. d) Oportunidades de emprego, educação e
Artigo5 formação.
Criminalização 4. Cada Estado Parte terá em conta, ao aplicar as
1. Cada Estado Parte adotará as medidas legislativas disposições do presente Artigo, a idade, o sexo e as
e outras que considere necessárias de forma a necessidades específicas das vítimas de tráfico de
estabelecer como infrações penais os atos descritos pessoas, designadamente as necessidades
no Artigo 3 do presente Protocolo, quando tenham específicas das crianças, incluindo o alojamento, a
sido praticados intencionalmente. educação e cuidados adequados.
2. Cada Estado Parte adotará igualmente as medidas 5. Cada Estado Parte envidará esforços para garantir
legislativas e outras que considere necessárias para a segurança física das vítimas de tráfico de pessoas
estabelecer como infrações penais: enquanto estas se encontrarem no seu território.
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6. Cada Estado Parte assegurará que o seu sistema força de qualquer disposição do direito interno do
jurídico contenha medidas que ofereçam às vítimas Estado Parte de acolhimento.
de tráfico de pessoas a possibilidade de obterem 6.O presente Artigo não prejudica qualquer acordo
indenização pelos danos sofridos. ou compromisso bilateral ou multilateral aplicável
Artigo 7 que regule, no todo ou em parte, o regresso de
Estatuto das vítimas de tráfico de pessoas nos vítimas de tráfico de pessoas.
Estados de acolhimento III. Prevenção, cooperação e outras medidas
1. Além de adotar as medidas em conformidade com Artigo 9
o Artigo 6 do presente Protocolo, cada Estado Parte Prevenção do tráfico de pessoas
considerará a possibilidade de adotar medidas 1. Os Estados Partes estabelecerão políticas
legislativas ou outras medidas adequadas que abrangentes, programas e outras medidas para:
permitam às vítimas de tráfico de pessoas a) Prevenir e combater o tráfico de pessoas; e
permanecerem no seu território a título temporário b) Proteger as vítimas de tráfico de pessoas,
ou permanente, se for caso disso. especialmente as mulheres e as crianças, de nova
2. Ao executar o disposto no parágrafo 1 do presente vitimação.
Artigo, cada Estado Parte terá devidamente em 2. Os Estados Partes envidarão esforços para
conta fatores humanitários e pessoais. tomarem medidas tais como pesquisas, campanhas
Artigo 8 de informação e de difusão através dos órgãos de
Repatriamento das vítimas de tráfico de pessoas comunicação, bem como iniciativas sociais e
1. O Estado Parte do qual a vítima de tráfico de econômicas de forma a prevenir e combater o tráfico
pessoas é nacional ou no qual a pessoa tinha direito de pessoas.
de residência permanente, no momento de entrada 3. As políticas, programas e outras medidas
no território do Estado Parte de acolhimento, estabelecidas em conformidade com o presente
facilitará e aceitará, sem demora indevida ou Artigo incluirão, se necessário, a cooperação com
injustificada, o regresso dessa pessoa, tendo organizações não-governamentais, outras
devidamente em conta a segurança da mesma. organizações relevantes e outros elementos da
2. Quando um Estado Parte retornar uma vítima de sociedade civil.
tráfico de pessoas a um Estado Parte do qual essa 4. Os Estados Partes tomarão ou reforçarão as
pessoa seja nacional ou no qual tinha direito de medidas, inclusive mediante a cooperação bilateral
residência permanente no momento de entrada no ou multilateral, para reduzir os fatores como a
território do Estado Parte de acolhimento, esse pobreza, o subdesenvolvimento e a desigualdade de
regresso levará devidamente em conta a segurança oportunidades que tornam as pessoas,
da pessoa bem como a situação de qualquer especialmente as mulheres e as crianças, vulneráveis
processo judicial relacionado ao fato de tal pessoa ao tráfico.
ser uma vítima de tráfico, preferencialmente de 5. Os Estados Partes adotarão ou reforçarão as
forma voluntária. medidas legislativas ou outras, tais como medidas
3. A pedido do Estado Parte de acolhimento, um educacionais, sociais ou culturais, inclusive mediante
Estado Parte requerido verificará, sem demora a cooperação bilateral ou multilateral, a fim de
indevida ou injustificada, se uma vítima de tráfico de desencorajar a procura que fomenta todo o tipo de
pessoas é sua nacional ou se tinha direito de exploração de pessoas, especialmente de mulheres
residência permanente no seu território no e crianças, conducentes ao tráfico.
momento de entrada no território do Estado Parte Artigo 10
de acolhimento. Intercâmbio de informações e formação
4. De forma a facilitar o regresso de uma vítima de 1. As autoridades competentes para a aplicação da
tráfico de pessoas que não possua os documentos lei, os serviços de imigração ou outros serviços
devidos, o Estado Parte do qual essa pessoa é competentes dos Estados Partes, cooperarão entre
nacional ou no qual tinha direito de residência si, na medida do possível, mediante troca de
permanente no momento de entrada no território informações em conformidade com o respectivo
do Estado Parte de acolhimento aceitará emitir, a direito interno, com vistas a determinar:
pedido do Estado Parte de acolhimento, os a) Se as pessoas que atravessam ou tentam
documentos de viagem ou outro tipo de autorização atravessar uma fronteira internacional com
necessária que permita à pessoa viajar e ser documentos de viagem pertencentes a terceiros ou
readmitida no seu território. sem documentos de viagem são autores ou vítimas
5. O presente Artigo não prejudica os direitos de tráfico de pessoas;
reconhecidos às vítimas de tráfico de pessoas por b) Os tipos de documentos de viagem que as pessoas
têm utilizado ou tentado utilizar para atravessar uma
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fronteira internacional com o objetivo de tráfico de vistos de pessoas envolvidas na prática de infrações
pessoas; e estabelecidas em conformidade com o presente
c) Os meios e métodos utilizados por grupos Protocolo.
criminosos organizados com o objetivo de tráfico de 6. Sem prejuízo do disposto no Artigo 27 da
pessoas, incluindo o recrutamento e o transporte de Convenção, os Estados Partes procurarão intensificar
vítimas, os itinerários e as ligações entre as pessoas a cooperação entre os serviços de controle de
e os grupos envolvidos no referido tráfico, bem como fronteiras, mediante, entre outros, o
as medidas adequadas à sua detecção. estabelecimento e a manutenção de canais de
2. Os Estados Partes assegurarão ou reforçarão a comunicação diretos.
formação dos agentes dos serviços competentes Artigo 12
para a aplicação da lei, dos serviços de imigração ou Segurança e controle dos documentos
de outros serviços competentes na prevenção do Cada Estado Parte adotará as medidas necessárias,
tráfico de pessoas. A formação deve incidir sobre os de acordo com os meios disponíveis para:
métodos utilizados na prevenção do referido tráfico, a) Assegurar a qualidade dos documentos de viagem
na ação penal contra os traficantes e na proteção das ou de identidade que emitir, para que não sejam
vítimas, inclusive protegendo-as dos traficantes. A indevidamente utilizados nem facilmente
formação deverá também ter em conta a falsificados ou modificados, reproduzidos ou
necessidade de considerar os direitos humanos e os emitidos de forma ilícita; e
problemas específicos das mulheres e das crianças b) Assegurar a integridade e a segurança dos
bem como encorajar a cooperação com organizações documentos de viagem ou de identidade por si ou
não-governamentais, outras organizações em seu nome emitidos e impedir a sua criação,
relevantes e outros elementos da sociedade civil. emissão e utilização ilícitas.
3. Um Estado Parte que receba informações Artigo 13
respeitará qualquer pedido do Estado Parte que Legitimidade e validade dos documentos
transmitiu essas informações, no sentido de A pedido de outro Estado Parte, um Estado Parte
restringir sua utilização. verificará, em conformidade com o seu direito
Artigo 11 interno e dentro de um prazo razoável, a
Medidas nas fronteiras legitimidade e validade dos documentos de viagem
1. Sem prejuízo dos compromissos internacionais ou de identidade emitidos ou supostamente
relativos à livre circulação de pessoas, os Estados emitidos em seu nome e de que se suspeita terem
Partes reforçarão, na medida do possível, os sido utilizados para o tráfico de pessoas.
controles fronteiriços necessários para prevenir e IV. Disposições finais
detectar o tráfico de pessoas. Artigo 14
2. Cada Estado Parte adotará medidas legislativas ou Cláusula de salvaguarda
outras medidas apropriadas para prevenir, na 1. Nenhuma disposição do presente Protocolo
medida do possível, a utilização de meios de prejudicará os direitos, obrigações e
transporte explorados por transportadores responsabilidades dos Estados e das pessoas por
comerciais na prática de infrações estabelecidas em força do direito internacional, incluindo o direito
conformidade com o Artigo 5 do presente Protocolo. internacional humanitário e o direito internacional
3. Quando se considere apropriado, e sem prejuízo relativo aos direitos humanos e, especificamente, na
das convenções internacionais aplicáveis, tais medida em que sejam aplicáveis, a Convenção de
medidas incluirão o estabelecimento da obrigação 1951 e o Protocolo de 1967 relativos ao Estatuto dos
para os transportadores comerciais, incluindo Refugiados e ao princípio do non-refoulement neles
qualquer empresa de transporte, proprietário ou enunciado.
operador de qualquer meio de transporte, de 2. As medidas constantes do presente Protocolo
certificar-se de que todos os passageiros sejam serão interpretadas e aplicadas de forma a que as
portadores dos documentos de viagem exigidos para pessoas que foram vítimas de tráfico não sejam
a entrada no Estado de acolhimento. discriminadas. A interpretação e aplicação das
4. Cada Estado Parte tomará as medidas necessárias, referidas medidas estarão em conformidade com os
em conformidade com o seu direito interno, para princípios de não-discriminação internacionalmente
aplicar sanções em caso de descumprimento da reconhecidos.
obrigação constante do parágrafo 3 do presente Artigo 15
Artigo. Solução de controvérsias
5. Cada Estado Parte considerará a possibilidade de 1. Os Estados Partes envidarão esforços para
tomar medidas que permitam, em conformidade resolver as controvérsias relativas à interpretação ou
com o direito interno, recusar a entrada ou anular os
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aplicação do presente Protocolo por negociação 4. O presente Protocolo está aberto à adesão de
direta. qualquer Estado ou de qualquer organização
2. As controvérsias entre dois ou mais Estados Partes regional de integração econômica da qual pelo
com respeito à aplicação ou à interpretação do menos um Estado membro seja Parte do presente
presente Protocolo que não possam ser resolvidas Protocolo. Os instrumentos de adesão serão
por negociação, dentro de um prazo razoável, serão depositados junto do Secretário-Geral das Nações
submetidas, a pedido de um desses Estados Partes, Unidas. No momento da sua adesão, uma
a arbitragem. Se, no prazo de seis meses após a data organização regional de integração econômica
do pedido de arbitragem, esses Estados Partes não declarará o âmbito da sua competência
chegarem a um acordo sobre a organização da relativamente às matérias reguladas pelo presente
arbitragem, qualquer desses Estados Partes poderá Protocolo. Informará igualmente o depositário de
submeter o diferendo ao Tribunal Internacional de qualquer modificação relevante do âmbito da sua
Justiça mediante requerimento, em conformidade competência.
com o Estatuto do Tribunal. Artigo 17
3. Cada Estado Parte pode, no momento da Entrada em vigor
assinatura, da ratificação, da aceitação ou da 1. O presente Protocolo entrará em vigor no
aprovação do presente Protocolo ou da adesão ao nonagésimo dia seguinte à data do depósito do
mesmo, declarar que não se considera vinculado ao quadragésimo instrumento de ratificação, de
parágrafo 2 do presente Artigo. Os demais Estados aceitação, de aprovação ou de adesão mas não antes
Partes não ficarão vinculados ao parágrafo 2 do da entrada em vigor da Convenção. Para efeitos do
presente Artigo em relação a qualquer outro Estado presente número, nenhum instrumento depositado
Parte que tenha feito essa reserva. por uma organização regional de integração
4. Qualquer Estado Parte que tenha feito uma econômica será somado aos instrumentos
reserva em conformidade com o parágrafo 3 do depositados por Estados membros dessa
presente Artigo pode, a qualquer momento, retirar organização.
essa reserva através de notificação ao Secretário- 2. Para cada Estado ou organização regional de
Geral das Nações Unidas. integração econômica que ratifique, aceite, aprove
Artigo 16 ou adira ao presente Protocolo após o depósito do
Assinatura, ratificação, aceitação, aprovação e quadragésimo instrumento pertinente, o presente
adesão Protocolo entrará em vigor no trigésimo dia seguinte
1. O presente Protocolo será aberto à assinatura de à data de depósito desse instrumento por parte do
todos os Estados de 12 a 15 de Dezembro de 2000 Estado ou organização ou na data de entrada em
em Palermo, Itália, e, em seguida, na sede da vigor do presente Protocolo, em conformidade com
Organização das Nações Unidas em Nova Iorque até o parágrafo 1 do presente Artigo, se esta for
12 de Dezembro de 2002. posterior.
2. O presente Protocolo será igualmente aberto à Artigo 18
assinatura de organizações regionais de integração Emendas
econômica na condição de que pelo menos um 1. Cinco anos após a entrada em vigor do presente
Estado membro dessa organização tenha assinado o Protocolo, um Estado Parte no Protocolo pode
presente Protocolo em conformidade com o propor emenda e depositar o texto junto do
parágrafo 1 do presente Artigo. Secretário-Geral das Nações Unidas, que em seguida
3. O presente Protocolo está sujeito a ratificação, comunicará a proposta de emenda aos Estados
aceitação ou aprovação. Os instrumentos de Partes e à Conferência das Partes na Convenção para
ratificação, de aceitação ou de aprovação serão analisar a proposta e tomar uma decisão. Os Estados
depositados junto ao Secretário-Geral da Partes no presente Protocolo reunidos na
Organização das Nações Unidas. Uma organização Conferência das Partes farão todos os esforços para
regional de integração econômica pode depositar o chegar a um consenso sobre qualquer emenda. Se
seu instrumento de ratificação, de aceitação ou de todos os esforços para chegar a um consenso forem
aprovação se pelo menos um dos seus Estados esgotados e não se chegar a um acordo, será
membros o tiver feito. Nesse instrumento de necessário, em último caso, para que a alteração seja
ratificação, de aceitação e de aprovação essa aprovada, uma maioria de dois terços dos Estados
organização declarará o âmbito da sua competência Partes no presente Protocolo, que estejam presentes
relativamente às matérias reguladas pelo presente e expressem o seu voto na Conferência das Partes.
Protocolo. Informará igualmente o depositário de 2. As organizações regionais de integração
qualquer modificação relevante do âmbito da sua econômica, em matérias da sua competência,
competência. exercerão o seu direito de voto nos termos do
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presente Artigo com um número de votos igual ao


número dos seus Estados membros que sejam Partes
no presente Protocolo. Essas organizações não
exercerão seu direito de voto se seus Estados
membros exercerem o seu e vice-versa.
3. Uma emenda adotada em conformidade com o
parágrafo 1 do presente Artigo estará sujeita a
ratificação, aceitação ou aprovação dos Estados
Partes.
4. Uma emenda adotada em conformidade com o
parágrafo 1 do presente Protocolo entrará em vigor
para um Estado Parte noventa dias após a data do
depósito do instrumento de ratificação, de aceitação
ou de aprovação da referida emenda junto ao
Secretário-Geral das Nações Unidas.
5. A entrada em vigor de uma emenda vincula as
Partes que manifestaram o seu consentimento em
obrigar-se por essa alteração. Os outros Estados
Partes permanecerão vinculados pelas disposições
do presente Protocolo, bem como por qualquer
alteração anterior que tenham ratificado, aceito ou
aprovado.
Artigo 19
Denúncia
1. Um Estado Parte pode denunciar o presente
Protocolo mediante notificação por escrito dirigida
ao Secretário-Geral das Nações Unidas. A denúncia
tornar-se-á efetiva um ano após a data de recepção
da notificação pelo Secretário-Geral.
2. Uma organização regional de integração
econômica deixará de ser Parte no presente
Protocolo quando todos os seus Estados membros o
tiverem denunciado.
Artigo 20
Depositário e idiomas
1. O Secretário-Geral das Nações Unidas é o
depositário do presente Protocolo.
2. O original do presente Protocolo, cujos textos em
árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo são
igualmente autênticos, será depositado junto ao
Secretário-Geral das Nações Unidas.
EM FÉ DO QUE, os plenipotenciários abaixo
assinados, devidamente autorizados pelos seus
respectivos Governos, assinaram o presente
Protocolo.

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Parágrafo único. Nos demais casos a Comissão


CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS atuará junto ao Juízo da Execução e será integrada
por fiscais do serviço social.
LEI FEDERAL n.º 7.210/1984 (Institui a Lei de Execução Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena
Penal) com atualizações inseridas pelo pacote privativa de liberdade, em regime fechado, será
Anticrime da Lei 13.964, de 2019. submetido a exame criminológico para a obtenção
dos elementos necessários a uma adequada
classificação e com vistas à individualização da
execução.
LEI Nº 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984 e
Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo
ATUALIZAÇÕES
poderá ser submetido o condenado ao cumprimento
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o da pena privativa de liberdade em regime semi-
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte aberto.
Lei: Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de
dados reveladores da personalidade, observando a
TÍTULO I ética profissional e tendo sempre presentes peças ou
Do Objeto e da Aplicação da Lei de Execução Penal informações do processo, poderá:
I - entrevistar pessoas;
Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as II - requisitar, de repartições ou estabelecimentos
disposições de sentença ou decisão criminal e privados, dados e informações a respeito do
proporcionar condições para a harmônica integração condenado;
social do condenado e do internado. III - realizar outras diligências e exames necessários.
Art. 2º A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado,
Justiça ordinária, em todo o Território Nacional, será dolosamente, com violência de natureza grave
exercida, no processo de execução, na conformidade contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos
desta Lei e do Código de Processo Penal. no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990,
Parágrafo único. Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação
preso provisório e ao condenado pela Justiça do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido
Eleitoral ou Militar, quando recolhido a desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.
estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)
Art. 3º Ao condenado e ao internado serão § 1º-A. A regulamentação deverá fazer constar
assegurados todos os direitos não atingidos pela garantias mínimas de proteção de dados genéticos,
sentença ou pela lei. observando as melhores práticas da genética
Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de forense. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
natureza racial, social, religiosa ou política. § 2o A autoridade policial, federal ou estadual,
Art. 4º O Estado deverá recorrer à cooperação da poderá requerer ao juiz competente, no caso de
comunidade nas atividades de execução da pena e inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de
da medida de segurança. identificação de perfil genético. (Incluído pela
TÍTULO II Lei nº 12.654, de 2012)
Do Condenado e do Internado § 3º Deve ser viabilizado ao titular de dados
CAPÍTULO I genéticos o acesso aos seus dados constantes nos
Da Classificação bancos de perfis genéticos, bem como a todos os
Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo documentos da cadeia de custódia que gerou esse
os seus antecedentes e personalidade, para orientar dado, de maneira que possa ser contraditado pela
a individualização da execução penal. defesa. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 6o A classificação será feita por Comissão § 4º O condenado pelos crimes previstos no caput
Técnica de Classificação que elaborará o programa deste artigo que não tiver sido submetido à
individualizador da pena privativa de liberdade identificação do perfil genético por ocasião do
adequada ao condenado ou preso provisório. ingresso no estabelecimento prisional deverá ser
(Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003) submetido ao procedimento durante o
Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, cumprimento da pena. (Incluído pela Lei nº 13.964,
existente em cada estabelecimento, será presidida de 2019)
pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 (dois) § 5º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.964, de
chefes de serviço, 1 (um) psiquiatra, 1 (um) psicólogo 2019)
e 1 (um) assistente social, quando se tratar de § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.964, de
condenado à pena privativa de liberdade. 2019)
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§ 7º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.964, de estabelecimentos penais. (Redação dada pela
2019) Lei nº 12.313, de 2010).
§ 8º Constitui falta grave a recusa do condenado em § 1o As Unidades da Federação deverão prestar
submeter-se ao procedimento de identificação do auxílio estrutural, pessoal e material à Defensoria
perfil genético. (Incluído pela Lei nº 13.964, de Pública, no exercício de suas funções, dentro e fora
2019) dos estabelecimentos penais. (Incluído pela Lei
CAPÍTULO II nº 12.313, de 2010).
Da Assistência § 2o Em todos os estabelecimentos penais, haverá
SEÇÃO I local apropriado destinado ao atendimento pelo
Disposições Gerais Defensor Público. (Incluído pela Lei nº 12.313,
Art. 10. A assistência ao preso e ao internado é dever de 2010).
do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o § 3o Fora dos estabelecimentos penais, serão
retorno à convivência em sociedade. implementados Núcleos Especializados da
Parágrafo único. A assistência estende-se ao Defensoria Pública para a prestação de assistência
egresso. jurídica integral e gratuita aos réus, sentenciados em
Art. 11. A assistência será: liberdade, egressos e seus familiares, sem recursos
I - material; financeiros para constituir advogado. (Incluído
II - à saúde; pela Lei nº 12.313, de 2010).
III -jurídica; SEÇÃO V
IV - educacional; Da Assistência Educacional
V - social; Art. 17. A assistência educacional compreenderá a
VI - religiosa. instrução escolar e a formação profissional do preso
SEÇÃO II e do internado.
Da Assistência Material Art. 18. O ensino de 1º grau será obrigatório,
Art. 12. A assistência material ao preso e ao integrando-se no sistema escolar da Unidade
internado consistirá no fornecimento de Federativa.
alimentação, vestuário e instalações higiênicas. Art. 18-A. O ensino médio, regular ou supletivo, com
Art. 13. O estabelecimento disporá de instalações e formação geral ou educação profissional de nível
serviços que atendam aos presos nas suas médio, será implantado nos presídios, em
necessidades pessoais, além de locais destinados à obediência ao preceito constitucional de sua
venda de produtos e objetos permitidos e não universalização. (Incluído pela Lei nº 13.163, de
fornecidos pela Administração. 2015)
SEÇÃO III § 1o O ensino ministrado aos presos e presas
Da Assistência à Saúde integrar-se-á ao sistema estadual e municipal de
Art. 14. A assistência à saúde do preso e do ensino e será mantido, administrativa e
internado de caráter preventivo e curativo, financeiramente, com o apoio da União, não só com
compreenderá atendimento médico, farmacêutico e os recursos destinados à educação, mas pelo sistema
odontológico. estadual de justiça ou administração penitenciária.
§ 1º (Vetado). (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)
§ 2º Quando o estabelecimento penal não estiver § 2o Os sistemas de ensino oferecerão aos presos e
aparelhado para prover a assistência médica às presas cursos supletivos de educação de jovens e
necessária, esta será prestada em outro local, adultos. (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)
mediante autorização da direção do § 3o A União, os Estados, os Municípios e o Distrito
estabelecimento. Federal incluirão em seus programas de educação à
§ 3o Será assegurado acompanhamento médico à distância e de utilização de novas tecnologias de
mulher, principalmente no pré-natal e no pós-parto, ensino, o atendimento aos presos e às presas.
extensivo ao recém-nascido. (Incluído pela Lei (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)
nº 11.942, de 2009) Art. 19. O ensino profissional será ministrado em
SEÇÃO IV nível de iniciação ou de aperfeiçoamento técnico.
Da Assistência Jurídica Parágrafo único. A mulher condenada terá ensino
Art. 15. A assistência jurídica é destinada aos presos profissional adequado à sua condição.
e aos internados sem recursos financeiros para Art. 20. As atividades educacionais podem ser objeto
constituir advogado. de convênio com entidades públicas ou particulares,
Art. 16. As Unidades da Federação deverão ter que instalem escolas ou ofereçam cursos
serviços de assistência jurídica, integral e gratuita, especializados.
pela Defensoria Pública, dentro e fora dos
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Art. 21. Em atendimento às condições locais, dotar- Art. 25. A assistência ao egresso consiste:
se-á cada estabelecimento de uma biblioteca, para I - na orientação e apoio para reintegrá-lo à vida em
uso de todas as categorias de reclusos, provida de liberdade;
livros instrutivos, recreativos e didáticos. II - na concessão, se necessário, de alojamento e
Art. 21-A. O censo penitenciário deverá apurar: alimentação, em estabelecimento adequado, pelo
(Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015) prazo de 2 (dois) meses.
I - o nível de escolaridade dos presos e das presas; Parágrafo único. O prazo estabelecido no inciso II
(Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015) poderá ser prorrogado uma única vez, comprovado,
II - a existência de cursos nos níveis fundamental e por declaração do assistente social, o empenho na
médio e o número de presos e presas atendidos; obtenção de emprego.
(Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015) Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta
III - a implementação de cursos profissionais em nível Lei:
de iniciação ou aperfeiçoamento técnico e o número I - o liberado definitivo, pelo prazo de 1 (um) ano a
de presos e presas atendidos; (Incluído pela Lei contar da saída do estabelecimento;
nº 13.163, de 2015) II - o liberado condicional, durante o período de
IV - a existência de bibliotecas e as condições de seu prova.
acervo; (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015) Art. 27.O serviço de assistência social colaborará
V - outros dados relevantes para o aprimoramento com o egresso para a obtenção de trabalho.
educacional de presos e presas. (Incluído pela CAPÍTULO III
Lei nº 13.163, de 2015) Do Trabalho
SEÇÃO VI SEÇÃO I
Da Assistência Social Disposições Gerais
Art. 22. A assistência social tem por finalidade Art. 28. O trabalho do condenado, como dever social
amparar o preso e o internado e prepará-los para o e condição de dignidade humana, terá finalidade
retorno à liberdade. educativa e produtiva.
Art. 23. Incumbe ao serviço de assistência social: § 1º Aplicam-se à organização e aos métodos de
I - conhecer os resultados dos diagnósticos ou trabalho as precauções relativas à segurança e à
exames; higiene.
II - relatar, por escrito, ao Diretor do § 2º O trabalho do preso não está sujeito ao regime
estabelecimento, os problemas e as dificuldades da Consolidação das Leis do Trabalho.
enfrentadas pelo assistido; Art. 29. O trabalho do preso será remunerado,
III - acompanhar o resultado das permissões de mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a
saídas e das saídas temporárias; 3/4 (três quartos) do salário mínimo.
IV - promover, no estabelecimento, pelos meios § 1° O produto da remuneração pelo trabalho deverá
disponíveis, a recreação; atender:
V - promover a orientação do assistido, na fase final a) à indenização dos danos causados pelo crime,
do cumprimento da pena, e do liberando, de modo a desde que determinados judicialmente e não
facilitar o seu retorno à liberdade; reparados por outros meios;
VI - providenciar a obtenção de documentos, dos b) à assistência à família;
benefícios da Previdência Social e do seguro por c) a pequenas despesas pessoais;
acidente no trabalho; d) ao ressarcimento ao Estado das despesas
VII - orientar e amparar, quando necessário, a família realizadas com a manutenção do condenado, em
do preso, do internado e da vítima. proporção a ser fixada e sem prejuízo da destinação
SEÇÃO VII prevista nas letras anteriores.
Da Assistência Religiosa § 2º Ressalvadas outras aplicações legais, será
Art. 24. A assistência religiosa, com liberdade de depositada a parte restante para constituição do
culto, será prestada aos presos e aos internados, pecúlio, em Caderneta de Poupança, que será
permitindo-se-lhes a participação nos serviços entregue ao condenado quando posto em liberdade.
organizados no estabelecimento penal, bem como a Art. 30. As tarefas executadas como prestação de
posse de livros de instrução religiosa. serviço à comunidade não serão remuneradas.
§ 1º No estabelecimento haverá local apropriado SEÇÃO II
para os cultos religiosos. Do Trabalho Interno
§ 2º Nenhum preso ou internado poderá ser Art. 31. O condenado à pena privativa de liberdade
obrigado a participar de atividade religiosa. está obrigado ao trabalho na medida de suas
SEÇÃO VIII aptidões e capacidade.
Da Assistência ao Egresso
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Parágrafo único. Para o preso provisório, o trabalho § 1º O limite máximo do número de presos será de
não é obrigatório e só poderá ser executado no 10% (dez por cento) do total de empregados na obra.
interior do estabelecimento. § 2º Caberá ao órgão da administração, à entidade
Art. 32. Na atribuição do trabalho deverão ser ou à empresa empreiteira a remuneração desse
levadas em conta a habilitação, a condição pessoal e trabalho.
as necessidades futuras do preso, bem como as § 3º A prestação de trabalho à entidade privada
oportunidades oferecidas pelo mercado. depende do consentimento expresso do preso.
§ 1º Deverá ser limitado, tanto quanto possível, o Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser
artesanato sem expressão econômica, salvo nas autorizada pela direção do estabelecimento,
regiões de turismo. dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade,
§ 2º Os maiores de 60 (sessenta) anos poderão além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da
solicitar ocupação adequada à sua idade. pena.
§ 3º Os doentes ou deficientes físicos somente Parágrafo único. Revogar-se-á a autorização de
exercerão atividades apropriadas ao seu estado. trabalho externo ao preso que vier a praticar fato
Art. 33. A jornada normal de trabalho não será definido como crime, for punido por falta grave, ou
inferior a 6 (seis) nem superior a 8 (oito) horas, com tiver comportamento contrário aos requisitos
descanso nos domingos e feriados. estabelecidos neste artigo.
Parágrafo único. Poderá ser atribuído horário CAPÍTULO IV
especial de trabalho aos presos designados para os Dos Deveres, dos Direitos e da Disciplina
serviços de conservação e manutenção do SEÇÃO I
estabelecimento penal. Dos Deveres
Art. 34. O trabalho poderá ser gerenciado por Art. 38. Cumpre ao condenado, além das obrigações
fundação, ou empresa pública, com autonomia legais inerentes ao seu estado, submeter-se às
administrativa, e terá por objetivo a formação normas de execução da pena.
profissional do condenado. Art. 39. Constituem deveres do condenado:
§ 1o. Nessa hipótese, incumbirá à entidade I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel
gerenciadora promover e supervisionar a produção, da sentença;
com critérios e métodos empresariais, encarregar-se II - obediência ao servidor e respeito a qualquer
de sua comercialização, bem como suportar pessoa com quem deva relacionar-se;
despesas, inclusive pagamento de remuneração III - urbanidade e respeito no trato com os demais
adequada. (Renumerado pela Lei nº 10.792, de condenados;
2003) IV - conduta oposta aos movimentos individuais ou
§ 2o Os governos federal, estadual e municipal coletivos de fuga ou de subversão à ordem ou à
poderão celebrar convênio com a iniciativa privada, disciplina;
para implantação de oficinas de trabalho referentes V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens
a setores de apoio dos presídios. (Incluído pela recebidas;
Lei nº 10.792, de 2003) VI - submissão à sanção disciplinar imposta;
Art. 35. Os órgãos da Administração Direta ou VII - indenização à vitima ou aos seus sucessores;
Indireta da União, Estados, Territórios, Distrito VIII - indenização ao Estado, quando possível, das
Federal e dos Municípios adquirirão, com dispensa despesas realizadas com a sua manutenção,
de concorrência pública, os bens ou produtos do mediante desconto proporcional da remuneração do
trabalho prisional, sempre que não for possível ou trabalho;
recomendável realizar-se a venda a particulares. IX - higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento;
Parágrafo único. Todas as importâncias arrecadadas X - conservação dos objetos de uso pessoal.
com as vendas reverterão em favor da fundação ou Parágrafo único. Aplica-se ao preso provisório, no
empresa pública a que alude o artigo anterior ou, na que couber, o disposto neste artigo.
sua falta, do estabelecimento penal. SEÇÃO II
SEÇÃO III Dos Direitos
Do Trabalho Externo Art. 40 - Impõe-se a todas as autoridades o respeito
Art. 36. O trabalho externo será admissível para os à integridade física e moral dos condenados e dos
presos em regime fechado somente em serviço ou presos provisórios.
obras públicas realizadas por órgãos da Art. 41 - Constituem direitos do preso:
Administração Direta ou Indireta, ou entidades I - alimentação suficiente e vestuário;
privadas, desde que tomadas as cautelas contra a II - atribuição de trabalho e sua remuneração;
fuga e em favor da disciplina. III - Previdência Social;
IV - constituição de pecúlio;
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V - proporcionalidade na distribuição do tempo para § 1º As sanções não poderão colocar em perigo a


o trabalho, o descanso e a recreação; integridade física e moral do condenado.
VI - exercício das atividades profissionais, § 2º É vedado o emprego de cela escura.
intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, § 3º São vedadas as sanções coletivas.
desde que compatíveis com a execução da pena; Art. 46. O condenado ou denunciado, no início da
VII - assistência material, à saúde, jurídica, execução da pena ou da prisão, será cientificado das
educacional, social e religiosa; normas disciplinares.
VIII - proteção contra qualquer forma de Art. 47. O poder disciplinar, na execução da pena
sensacionalismo; privativa de liberdade, será exercido pela autoridade
IX - entrevista pessoal e reservada com o advogado; administrativa conforme as disposições
X - visita do cônjuge, da companheira, de parentes e regulamentares.
amigos em dias determinados; Art. 48. Na execução das penas restritivas de
XI - chamamento nominal; direitos, o poder disciplinar será exercido pela
XII - igualdade de tratamento salvo quanto às autoridade administrativa a que estiver sujeito o
exigências da individualização da pena; condenado.
XIII - audiência especial com o diretor do Parágrafo único. Nas faltas graves, a autoridade
estabelecimento; representará ao Juiz da execução para os fins dos
XIV - representação e petição a qualquer autoridade, artigos 118, inciso I, 125, 127, 181, §§ 1º, letra d, e
em defesa de direito; 2º desta Lei.
XV - contato com o mundo exterior por meio de SUBSEÇÃO II
correspondência escrita, da leitura e de outros meios Das Faltas Disciplinares
de informação que não comprometam a moral e os Art. 49. As faltas disciplinares classificam-se em
bons costumes. leves, médias e graves. A legislação local especificará
XVI – atestado de pena a cumprir, emitido as leves e médias, bem assim as respectivas sanções.
anualmente, sob pena da responsabilidade da Parágrafo único. Pune-se a tentativa com a sanção
autoridade judiciária competente. (Incluído pela correspondente à falta consumada.
Lei nº 10.713, de 2003) Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena
Parágrafo único. Os direitos previstos nos incisos V, privativa de liberdade que:
X e XV poderão ser suspensos ou restringidos I - incitar ou participar de movimento para subverter
mediante ato motivado do diretor do a ordem ou a disciplina;
estabelecimento. II - fugir;
Art. 42 - Aplica-se ao preso provisório e ao III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de
submetido à medida de segurança, no que couber, o ofender a integridade física de outrem;
disposto nesta Seção. IV - provocar acidente de trabalho;
Art. 43 - É garantida a liberdade de contratar médico V - descumprir, no regime aberto, as condições
de confiança pessoal do internado ou do submetido impostas;
a tratamento ambulatorial, por seus familiares ou VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V,
dependentes, a fim de orientar e acompanhar o do artigo 39, desta Lei.
tratamento. VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho
Parágrafo único. As divergências entre o médico telefônico, de rádio ou similar, que permita a
oficial e o particular serão resolvidas pelo Juiz da comunicação com outros presos ou com o ambiente
execução. externo. (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007)
SEÇÃO III VIII - recusar submeter-se ao procedimento de
Da Disciplina identificação do perfil genético. (Incluído pela Lei
SUBSEÇÃO I nº 13.964, de 2019)
Disposições Gerais Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se,
Art. 44. A disciplina consiste na colaboração com a no que couber, ao preso provisório.
ordem, na obediência às determinações das Art. 51. Comete falta grave o condenado à pena
autoridades e seus agentes e no desempenho do restritiva de direitos que:
trabalho. I - descumprir, injustificadamente, a restrição
Parágrafo único. Estão sujeitos à disciplina o imposta;
condenado à pena privativa de liberdade ou II - retardar, injustificadamente, o cumprimento da
restritiva de direitos e o preso provisório. obrigação imposta;
Art. 45. Não haverá falta nem sanção disciplinar sem III - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V,
expressa e anterior previsão legal ou regulamentar. do artigo 39, desta Lei.

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Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso prisional federal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
constitui falta grave e, quando ocasionar subversão 2019)
da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso § 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o regime
provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, disciplinar diferenciado poderá ser prorrogado
sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar sucessivamente, por períodos de 1 (um) ano,
diferenciado, com as seguintes características: existindo indícios de que o preso: (Incluído pela Lei
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) nº 13.964, de 2019)
I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo I - continua apresentando alto risco para a ordem e
de repetição da sanção por nova falta grave de a segurança do estabelecimento penal de origem ou
mesma espécie; (Redação dada pela Lei nº 13.964, da sociedade; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
de 2019) II - mantém os vínculos com organização criminosa,
II - recolhimento em cela individual; (Redação associação criminosa ou milícia privada,
dada pela Lei nº 13.964, de 2019) considerados também o perfil criminal e a função
III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a desempenhada por ele no grupo criminoso, a
serem realizadas em instalações equipadas para operação duradoura do grupo, a superveniência de
impedir o contato físico e a passagem de objetos, por novos processos criminais e os resultados do
pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado tratamento penitenciário. (Incluído pela Lei nº
judicialmente, com duração de 2 (duas) horas; 13.964, de 2019)
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) § 5º Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o
IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas regime disciplinar diferenciado deverá contar com
diárias para banho de sol, em grupos de até 4 alta segurança interna e externa, principalmente no
(quatro) presos, desde que não haja contato com que diz respeito à necessidade de se evitar contato
presos do mesmo grupo criminoso; (Redação dada do preso com membros de sua organização
pela Lei nº 13.964, de 2019) criminosa, associação criminosa ou milícia privada,
V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas ou de grupos rivais. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
com seu defensor, em instalações equipadas para 2019)
impedir o contato físico e a passagem de objetos, § 6º A visita de que trata o inciso III do caput deste
salvo expressa autorização judicial em contrário; artigo será gravada em sistema de áudio ou de áudio
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) e vídeo e, com autorização judicial, fiscalizada por
VI - fiscalização do conteúdo da correspondência; agente penitenciário. (Incluído pela Lei nº 13.964,
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) de 2019)
VII - participação em audiências judiciais § 7º Após os primeiros 6 (seis) meses de regime
preferencialmente por videoconferência, disciplinar diferenciado, o preso que não receber a
garantindo-se a participação do defensor no mesmo visita de que trata o inciso III do caput deste artigo
ambiente do preso. (Incluído pela Lei nº 13.964, de poderá, após prévio agendamento, ter contato
2019) telefônico, que será gravado, com uma pessoa da
§ 1º O regime disciplinar diferenciado também será família, 2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez)
aplicado aos presos provisórios ou condenados, minutos. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
nacionais ou estrangeiros: (Redação dada pela Lei SUBSEÇÃO III
nº 13.964, de 2019) Das Sanções e das Recompensas
I - que apresentem alto risco para a ordem e a Art. 53. Constituem sanções disciplinares:
segurança do estabelecimento penal ou da I - advertência verbal;
sociedade; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) II - repreensão;
II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de III - suspensão ou restrição de direitos (artigo 41,
envolvimento ou participação, a qualquer título, em Parágrafo único);
organização criminosa, associação criminosa ou IV - isolamento na própria cela, ou em local
milícia privada, independentemente da prática de adequado, nos estabelecimentos que possuam
falta grave. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) alojamento coletivo, observado o disposto no artigo
§ 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.964, 88 desta Lei.
de 2019) V - inclusão no regime disciplinar diferenciado.
§ 3º Existindo indícios de que o preso exerce (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003)
liderança em organização criminosa, associação Art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão
criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação aplicadas por ato motivado do diretor do
criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da Federação, estabelecimento e a do inciso V, por prévio e
o regime disciplinar diferenciado será fundamentado despacho do juiz competente.
obrigatoriamente cumprido em estabelecimento (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)
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§ 1o A autorização para a inclusão do preso em disciplinar. (Redação dada pela Lei nº 10.792,
regime disciplinar dependerá de requerimento de 2003)
circunstanciado elaborado pelo diretor do
estabelecimento ou outra autoridade TÍTULO III
administrativa. (Incluído pela Lei nº 10.792, de Dos Órgãos da Execução Penal
2003) CAPÍTULO I
§ 2o A decisão judicial sobre inclusão de preso em Disposições Gerais
regime disciplinar será precedida de manifestação Art. 61. São órgãos da execução penal:
do Ministério Público e da defesa e prolatada no I - o Conselho Nacional de Política Criminal e
prazo máximo de quinze dias. (Incluído pela Lei Penitenciária;
nº 10.792, de 2003) II - o Juízo da Execução;
Art. 55. As recompensas têm em vista o bom III - o Ministério Público;
comportamento reconhecido em favor do IV - o Conselho Penitenciário;
condenado, de sua colaboração com a disciplina e de V - os Departamentos Penitenciários;
sua dedicação ao trabalho. VI - o Patronato;
Art. 56. São recompensas: VII - o Conselho da Comunidade.
I - o elogio; VIII - a Defensoria Pública. (Incluído pela Lei nº
II - a concessão de regalias. 12.313, de 2010).
Parágrafo único. A legislação local e os regulamentos CAPÍTULO II
estabelecerão a natureza e a forma de concessão de Do Conselho Nacional de Política Criminal e
regalias. Penitenciária
SUBSEÇÃO IV Art. 62. O Conselho Nacional de Política Criminal e
Da Aplicação das Sanções Penitenciária, com sede na Capital da República, é
Art. 57. Na aplicação das sanções disciplinares, levar- subordinado ao Ministério da Justiça.
se-ão em conta a natureza, os motivos, as Art. 63. O Conselho Nacional de Política Criminal e
circunstâncias e as conseqüências do fato, bem Penitenciária será integrado por 13 (treze) membros
como a pessoa do faltoso e seu tempo de prisão. designados através de ato do Ministério da Justiça,
(Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003) dentre professores e profissionais da área do Direito
Parágrafo único. Nas faltas graves, aplicam-se as Penal, Processual Penal, Penitenciário e ciências
sanções previstas nos incisos III a V do art. 53 desta correlatas, bem como por representantes da
Lei. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003) comunidade e dos Ministérios da área social.
Art. 58. O isolamento, a suspensão e a restrição de Parágrafo único. O mandato dos membros do
direitos não poderão exceder a trinta dias, Conselho terá duração de 2 (dois) anos, renovado
ressalvada a hipótese do regime disciplinar 1/3 (um terço) em cada ano.
diferenciado. (Redação dada pela Lei nº 10.792, Art. 64. Ao Conselho Nacional de Política Criminal e
de 2003) Penitenciária, no exercício de suas atividades, em
Parágrafo único. O isolamento será sempre âmbito federal ou estadual, incumbe:
comunicado ao Juiz da execução. I - propor diretrizes da política criminal quanto à
SUBSEÇÃO V prevenção do delito, administração da Justiça
Do Procedimento Disciplinar Criminal e execução das penas e das medidas de
Art. 59. Praticada a falta disciplinar, deverá ser segurança;
instaurado o procedimento para sua apuração, II - contribuir na elaboração de planos nacionais de
conforme regulamento, assegurado o direito de desenvolvimento, sugerindo as metas e prioridades
defesa. da política criminal e penitenciária;
Parágrafo único. A decisão será motivada. III - promover a avaliação periódica do sistema
Art. 60. A autoridade administrativa poderá decretar criminal para a sua adequação às necessidades do
o isolamento preventivo do faltoso pelo prazo de até País;
dez dias. A inclusão do preso no regime disciplinar IV - estimular e promover a pesquisa criminológica;
diferenciado, no interesse da disciplina e da V - elaborar programa nacional penitenciário de
averiguação do fato, dependerá de despacho do juiz formação e aperfeiçoamento do servidor;
competente. (Redação dada pela Lei nº 10.792, VI - estabelecer regras sobre a arquitetura e
de 2003) construção de estabelecimentos penais e casas de
Parágrafo único. O tempo de isolamento ou inclusão albergados;
preventiva no regime disciplinar diferenciado será VII - estabelecer os critérios para a elaboração da
computado no período de cumprimento da sanção estatística criminal;

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VIII - inspecionar e fiscalizar os estabelecimentos VIII - interditar, no todo ou em parte,


penais, bem assim informar-se, mediante relatórios estabelecimento penal que estiver funcionando em
do Conselho Penitenciário, requisições, visitas ou condições inadequadas ou com infringência aos
outros meios, acerca do desenvolvimento da dispositivos desta Lei;
execução penal nos Estados, Territórios e Distrito IX - compor e instalar o Conselho da Comunidade.
Federal, propondo às autoridades dela incumbida as X – emitir anualmente atestado de pena a cumprir.
medidas necessárias ao seu aprimoramento; (Incluído pela Lei nº 10.713, de 2003)
IX - representar ao Juiz da execução ou à autoridade CAPÍTULO IV
administrativa para instauração de sindicância ou Do Ministério Público
procedimento administrativo, em caso de violação Art. 67. O Ministério Público fiscalizará a execução
das normas referentes à execução penal; da pena e da medida de segurança, oficiando no
X - representar à autoridade competente para a processo executivo e nos incidentes da execução.
interdição, no todo ou em parte, de Art. 68. Incumbe, ainda, ao Ministério Público:
estabelecimento penal. I - fiscalizar a regularidade formal das guias de
CAPÍTULO III recolhimento e de internamento;
Do Juízo da Execução II - requerer:
Art. 65. A execução penal competirá ao Juiz indicado a) todas as providências necessárias ao
na lei local de organização judiciária e, na sua desenvolvimento do processo executivo;
ausência, ao da sentença. b) a instauração dos incidentes de excesso ou desvio
Art. 66. Compete ao Juiz da execução: de execução;
I - aplicar aos casos julgados lei posterior que de c) a aplicação de medida de segurança, bem como a
qualquer modo favorecer o condenado; substituição da pena por medida de segurança;
II - declarar extinta a punibilidade; d) a revogação da medida de segurança;
III - decidir sobre: e) a conversão de penas, a progressão ou regressão
a) soma ou unificação de penas; nos regimes e a revogação da suspensão condicional
b) progressão ou regressão nos regimes; da pena e do livramento condicional;
c) detração e remição da pena; f) a internação, a desinternação e o
d) suspensão condicional da pena; restabelecimento da situação anterior.
e) livramento condicional; III - interpor recursos de decisões proferidas pela
f) incidentes da execução. autoridade judiciária, durante a execução.
IV - autorizar saídas temporárias; Parágrafo único. O órgão do Ministério Público
V - determinar: visitará mensalmente os estabelecimentos penais,
a) a forma de cumprimento da pena restritiva de registrando a sua presença em livro próprio.
direitos e fiscalizar sua execução; CAPÍTULO V
b) a conversão da pena restritiva de direitos e de Do Conselho Penitenciário
multa em privativa de liberdade; Art. 69. O Conselho Penitenciário é órgão consultivo
c) a conversão da pena privativa de liberdade em e fiscalizador da execução da pena.
restritiva de direitos; § 1º O Conselho será integrado por membros
d) a aplicação da medida de segurança, bem como a nomeados pelo Governador do Estado, do Distrito
substituição da pena por medida de segurança; Federal e dos Territórios, dentre professores e
e) a revogação da medida de segurança; profissionais da área do Direito Penal, Processual
f) a desinternação e o restabelecimento da situação Penal, Penitenciário e ciências correlatas, bem como
anterior; por representantes da comunidade. A legislação
g) o cumprimento de pena ou medida de segurança federal e estadual regulará o seu funcionamento.
em outra comarca; § 2º O mandato dos membros do Conselho
h) a remoção do condenado na hipótese prevista no Penitenciário terá a duração de 4 (quatro) anos.
§ 1º, do artigo 86, desta Lei. Art. 70. Incumbe ao Conselho Penitenciário:
i) (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.258, de I - emitir parecer sobre indulto e comutação de pena,
2010) excetuada a hipótese de pedido de indulto com base
VI - zelar pelo correto cumprimento da pena e da no estado de saúde do preso; (Redação dada
medida de segurança; pela Lei nº 10.792, de 2003)
VII - inspecionar, mensalmente, os estabelecimentos II - inspecionar os estabelecimentos e serviços
penais, tomando providências para o adequado penais;
funcionamento e promovendo, quando for o caso, a III - apresentar, no 1º (primeiro) trimestre de cada
apuração de responsabilidade; ano, ao Conselho Nacional de Política Criminal e

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Penitenciária, relatório dos trabalhos efetuados no cometidos sem violência ou grave ameaça.
exercício anterior; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018)
IV - supervisionar os patronatos, bem como a SEÇÃO II
assistência aos egressos. Do Departamento Penitenciário Local
CAPÍTULO VI Art. 73. A legislação local poderá criar Departamento
Dos Departamentos Penitenciários Penitenciário ou órgão similar, com as atribuições
SEÇÃO I que estabelecer.
Do Departamento Penitenciário Nacional Art. 74. O Departamento Penitenciário local, ou
Art. 71. O Departamento Penitenciário Nacional, órgão similar, tem por finalidade supervisionar e
subordinado ao Ministério da Justiça, é órgão coordenar os estabelecimentos penais da Unidade
executivo da Política Penitenciária Nacional e de da Federação a que pertencer.
apoio administrativo e financeiro do Conselho Parágrafo único. Os órgãos referidos no caput deste
Nacional de Política Criminal e Penitenciária. artigo realizarão o acompanhamento de que trata o
Art. 72. São atribuições do Departamento inciso VII do caput do art. 72 desta Lei e
Penitenciário Nacional: encaminharão ao Departamento Penitenciário
I - acompanhar a fiel aplicação das normas de Nacional os resultados obtidos. (Incluído pela
execução penal em todo o Território Nacional; Lei nº 13.769, de 2018)
II - inspecionar e fiscalizar periodicamente os SEÇÃO III
estabelecimentos e serviços penais; Da Direção e do Pessoal dos Estabelecimentos
III - assistir tecnicamente as Unidades Federativas na Penais
implementação dos princípios e regras estabelecidos Art. 75. O ocupante do cargo de diretor de
nesta Lei; estabelecimento deverá satisfazer os seguintes
IV - colaborar com as Unidades Federativas mediante requisitos:
convênios, na implantação de estabelecimentos e I - ser portador de diploma de nível superior de
serviços penais; Direito, ou Psicologia, ou Ciências Sociais, ou
V - colaborar com as Unidades Federativas para a Pedagogia, ou Serviços Sociais;
realização de cursos de formação de pessoal II - possuir experiência administrativa na área;
penitenciário e de ensino profissionalizante do III - ter idoneidade moral e reconhecida aptidão para
condenado e do internado. o desempenho da função.
VI – estabelecer, mediante convênios com as Parágrafo único. O diretor deverá residir no
unidades federativas, o cadastro nacional das vagas estabelecimento, ou nas proximidades, e dedicará
existentes em estabelecimentos locais destinadas ao tempo integral à sua função.
cumprimento de penas privativas de liberdade Art. 76. O Quadro do Pessoal Penitenciário será
aplicadas pela justiça de outra unidade federativa, organizado em diferentes categorias funcionais,
em especial para presos sujeitos a regime disciplinar. segundo as necessidades do serviço, com
(Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003) especificação de atribuições relativas às funções de
VII - acompanhar a execução da pena das mulheres direção, chefia e assessoramento do
beneficiadas pela progressão especial de que trata o estabelecimento e às demais funções.
§ 3º do art. 112 desta Lei, monitorando sua Art. 77. A escolha do pessoal administrativo,
integração social e a ocorrência de reincidência, especializado, de instrução técnica e de vigilância
específica ou não, mediante a realização de atenderá a vocação, preparação profissional e
avaliações periódicas e de estatísticas criminais. antecedentes pessoais do candidato.
(Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) § 1° O ingresso do pessoal penitenciário, bem como
§ 1º Incumbem também ao Departamento a a progressão ou a ascensão funcional dependerão de
coordenação e supervisão dos estabelecimentos cursos específicos de formação, procedendo-se à
penais e de internamento federais. (Redação reciclagem periódica dos servidores em exercício.
dada pela Lei nº 13.769, de 2018) § 2º No estabelecimento para mulheres somente se
§ 2º Os resultados obtidos por meio do permitirá o trabalho de pessoal do sexo feminino,
monitoramento e das avaliações periódicas previstas salvo quando se tratar de pessoal técnico
no inciso VII do caput deste artigo serão utilizados especializado.
para, em função da efetividade da progressão CAPÍTULO VII
especial para a ressocialização das mulheres de que Do Patronato
trata o § 3º do art. 112 desta Lei, avaliar eventual Art. 78. O Patronato público ou particular destina-se
desnecessidade do regime fechado de cumprimento a prestar assistência aos albergados e aos egressos
de pena para essas mulheres nos casos de crimes (artigo 26).
Art. 79. Incumbe também ao Patronato:
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I - orientar os condenados à pena restritiva de f) a instauração dos incidentes de excesso ou desvio


direitos; de execução; (Incluído pela Lei nº 12.313, de
II - fiscalizar o cumprimento das penas de prestação 2010).
de serviço à comunidade e de limitação de fim de g) a aplicação de medida de segurança e sua
semana; revogação, bem como a substituição da pena por
III - colaborar na fiscalização do cumprimento das medida de segurança; (Incluído pela Lei nº
condições da suspensão e do livramento condicional. 12.313, de 2010).
CAPÍTULO VIII h) a conversão de penas, a progressão nos regimes,
Do Conselho da Comunidade a suspensão condicional da pena, o livramento
Art. 80. Haverá, em cada comarca, um Conselho da condicional, a comutação de pena e o indulto;
Comunidade composto, no mínimo, por 1 (um) (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).
representante de associação comercial ou industrial, i) a autorização de saídas temporárias; (Incluído
1 (um) advogado indicado pela Seção da Ordem dos pela Lei nº 12.313, de 2010).
Advogados do Brasil, 1 (um) Defensor Público j) a internação, a desinternação e o restabelecimento
indicado pelo Defensor Público Geral e 1 (um) da situação anterior; (Incluído pela Lei nº 12.313,
assistente social escolhido pela Delegacia Seccional de 2010).
do Conselho Nacional de Assistentes Sociais. k) o cumprimento de pena ou medida de segurança
(Redação dada pela Lei nº 12.313, de 2010). em outra comarca; (Incluído pela Lei nº 12.313,
Parágrafo único. Na falta da representação prevista de 2010).
neste artigo, ficará a critério do Juiz da execução a l) a remoção do condenado na hipótese prevista no
escolha dos integrantes do Conselho. § 1o do art. 86 desta Lei; (Incluído pela Lei nº
Art. 81. Incumbe ao Conselho da Comunidade: 12.313, de 2010).
I - visitar, pelo menos mensalmente, os II - requerer a emissão anual do atestado de pena a
estabelecimentos penais existentes na comarca; cumprir; (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).
II - entrevistar presos; III - interpor recursos de decisões proferidas pela
III - apresentar relatórios mensais ao Juiz da autoridade judiciária ou administrativa durante a
execução e ao Conselho Penitenciário; execução; (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).
IV - diligenciar a obtenção de recursos materiais e IV - representar ao Juiz da execução ou à autoridade
humanos para melhor assistência ao preso ou administrativa para instauração de sindicância ou
internado, em harmonia com a direção do procedimento administrativo em caso de violação
estabelecimento. das normas referentes à execução penal;
CAPÍTULO IX (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).
DA DEFENSORIA PÚBLICA V - visitar os estabelecimentos penais, tomando
(Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010). providências para o adequado funcionamento, e
Art. 81-A. A Defensoria Pública velará pela regular requerer, quando for o caso, a apuração de
execução da pena e da medida de segurança, responsabilidade; (Incluído pela Lei nº 12.313,
oficiando, no processo executivo e nos incidentes da de 2010).
execução, para a defesa dos necessitados em todos VI - requerer à autoridade competente a interdição,
os graus e instâncias, de forma individual e coletiva. no todo ou em parte, de estabelecimento penal.
(Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010). (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).
Art. 81-B. Incumbe, ainda, à Defensoria Pública: Parágrafo único. O órgão da Defensoria Pública
(Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010). visitará periodicamente os estabelecimentos penais,
I - requerer: (Incluído pela Lei nº 12.313, de registrando a sua presença em livro próprio.
2010). (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).
a) todas as providências necessárias ao TÍTULO IV
desenvolvimento do processo executivo; Dos Estabelecimentos Penais
(Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010). CAPÍTULO I
b) a aplicação aos casos julgados de lei posterior que Disposições Gerais
de qualquer modo favorecer o condenado; Art. 82. Os estabelecimentos penais destinam-se ao
(Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010). condenado, ao submetido à medida de segurança,
c) a declaração de extinção da punibilidade; ao preso provisório e ao egresso.
(Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010). § 1° A mulher e o maior de sessenta anos,
d) a unificação de penas; (Incluído pela Lei nº separadamente, serão recolhidos a estabelecimento
12.313, de 2010). próprio e adequado à sua condição pessoal.
e) a detração e remição da pena; (Incluído pela (Redação dada pela Lei nº 9.460, de 1997)
Lei nº 12.313, de 2010).
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§ 2º - O mesmo conjunto arquitetônico poderá estabelecimentos penais. (Incluído pela Lei nº


abrigar estabelecimentos de destinação diversa 13.190, de 2015).
desde que devidamente isolados. Art. 84. O preso provisório ficará separado do
Art. 83. O estabelecimento penal, conforme a sua condenado por sentença transitada em julgado.
natureza, deverá contar em suas dependências com § 1o Os presos provisórios ficarão separados de
áreas e serviços destinados a dar assistência, acordo com os seguintes critérios: (Redação
educação, trabalho, recreação e prática esportiva. dada pela Lei nº 13.167, de 2015)
§ 1º Haverá instalação destinada a estágio de I - acusados pela prática de crimes hediondos ou
estudantes universitários. (Renumerado pela Lei equiparados; (Incluído pela Lei nº 13.167, de
nº 9.046, de 1995) 2015)
§ 2o Os estabelecimentos penais destinados a II - acusados pela prática de crimes cometidos com
mulheres serão dotados de berçário, onde as violência ou grave ameaça à pessoa; (Incluído
condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive pela Lei nº 13.167, de 2015)
amamentá-los, no mínimo, até 6 (seis) meses de III - acusados pela prática de outros crimes ou
idade. (Redação dada pela Lei nº 11.942, de 2009) contravenções diversos dos apontados nos incisos I
§ 3o Os estabelecimentos de que trata o § 2o deste e II. (Incluído pela Lei nº 13.167, de 2015)
artigo deverão possuir, exclusivamente, agentes do § 2° O preso que, ao tempo do fato, era funcionário
sexo feminino na segurança de suas dependências da Administração da Justiça Criminal ficará em
internas. (Incluído pela Lei nº 12.121, de 2009). dependência separada.
§ 4o Serão instaladas salas de aulas destinadas a § 3o Os presos condenados ficarão separados de
cursos do ensino básico e profissionalizante. acordo com os seguintes critérios: (Incluído pela
(Incluído pela Lei nº 12.245, de 2010) Lei nº 13.167, de 2015)
§ 5o Haverá instalação destinada à Defensoria I - condenados pela prática de crimes hediondos ou
Pública. (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010). equiparados; (Incluído pela Lei nº 13.167, de
Art. 83-A. Poderão ser objeto de execução indireta 2015)
as atividades materiais acessórias, instrumentais ou II - reincidentes condenados pela prática de crimes
complementares desenvolvidas em cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa;
estabelecimentos penais, e notadamente: (Incluído pela Lei nº 13.167, de 2015)
(Incluído pela Lei nº 13.190, de 2015). III - primários condenados pela prática de crimes
I - serviços de conservação, limpeza, informática, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa;
copeiragem, portaria, recepção, reprografia, (Incluído pela Lei nº 13.167, de 2015)
telecomunicações, lavanderia e manutenção de IV - demais condenados pela prática de outros
prédios, instalações e equipamentos internos e crimes ou contravenções em situação diversa das
externos; (Incluído pela Lei nº 13.190, de 2015). previstas nos incisos I, II e III. (Incluído pela Lei
II - serviços relacionados à execução de trabalho pelo nº 13.167, de 2015)
preso. (Incluído pela Lei nº 13.190, de 2015). § 4o O preso que tiver sua integridade física, moral
§ 1o A execução indireta será realizada sob ou psicológica ameaçada pela convivência com os
supervisão e fiscalização do poder público. demais presos ficará segregado em local próprio.
(Incluído pela Lei nº 13.190, de 2015). (Incluído pela Lei nº 13.167, de 2015)
§ 2o Os serviços relacionados neste artigo poderão Art. 85. O estabelecimento penal deverá ter lotação
compreender o fornecimento de materiais, compatível com a sua estrutura e finalidade.
equipamentos, máquinas e profissionais. (Incluído Parágrafo único. O Conselho Nacional de Política
pela Lei nº 13.190, de 2015). Criminal e Penitenciária determinará o limite
Art. 83-B. São indelegáveis as funções de direção, máximo de capacidade do estabelecimento,
chefia e coordenação no âmbito do sistema penal, atendendo a sua natureza e peculiaridades.
bem como todas as atividades que exijam o exercício Art. 86. As penas privativas de liberdade aplicadas
do poder de polícia, e notadamente: (Incluído pela pela Justiça de uma Unidade Federativa podem ser
Lei nº 13.190, de 2015). executadas em outra unidade, em
I - classificação de condenados; (Incluído pela Lei estabelecimento local ou da União.
nº 13.190, de 2015). § 1o A União Federal poderá construir
II - aplicação de sanções disciplinares; (Incluído estabelecimento penal em local distante da
pela Lei nº 13.190, de 2015). condenação para recolher os condenados, quando a
III - controle de rebeliões; (Incluído pela Lei nº medida se justifique no interesse da segurança
13.190, de 2015). pública ou do próprio condenado. (Redação dada
IV - transporte de presos para órgãos do Poder pela Lei nº 10.792, de 2003)
Judiciário, hospitais e outros locais externos aos
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§ 2° Conforme a natureza do estabelecimento, nele Art. 92. O condenado poderá ser alojado em
poderão trabalhar os liberados ou egressos que se compartimento coletivo, observados os requisitos da
dediquem a obras públicas ou ao aproveitamento de letra a, do Parágrafo único, do artigo 88, desta Lei.
terras ociosas. Parágrafo único. São também requisitos básicos das
§ 3o Caberá ao juiz competente, a requerimento da dependências coletivas:
autoridade administrativa definir o estabelecimento a) a seleção adequada dos presos;
prisional adequado para abrigar o preso provisório b) o limite de capacidade máxima que atenda os
ou condenado, em atenção ao regime e aos objetivos de individualização da pena.
requisitos estabelecidos. (Incluído pela Lei nº CAPÍTULO IV
10.792, de 2003) Da Casa do Albergado
CAPÍTULO II Art. 93. A Casa do Albergado destina-se ao
Da Penitenciária cumprimento de pena privativa de liberdade, em
Art. 87. A penitenciária destina-se ao condenado à regime aberto, e da pena de limitação de fim de
pena de reclusão, em regime fechado. semana.
Parágrafo único. A União Federal, os Estados, o Art. 94. O prédio deverá situar-se em centro urbano,
Distrito Federal e os Territórios poderão construir separado dos demais estabelecimentos, e
Penitenciárias destinadas, exclusivamente, aos caracterizar-se pela ausência de obstáculos físicos
presos provisórios e condenados que estejam em contra a fuga.
regime fechado, sujeitos ao regime disciplinar Art. 95. Em cada região haverá, pelo menos, uma
diferenciado, nos termos do art. 52 desta Lei. Casa do Albergado, a qual deverá conter, além dos
(Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003) aposentos para acomodar os presos, local adequado
Art. 88. O condenado será alojado em cela individual para cursos e palestras.
que conterá dormitório, aparelho sanitário e Parágrafo único. O estabelecimento terá instalações
lavatório. para os serviços de fiscalização e orientação dos
Parágrafo único. São requisitos básicos da unidade condenados.
celular: CAPÍTULO V
a) salubridade do ambiente pela concorrência dos Do Centro de Observação
fatores de aeração, insolação e condicionamento Art. 96. No Centro de Observação realizar-se-ão os
térmico adequado à existência humana; exames gerais e o criminológico, cujos resultados
b) área mínima de 6,00m2 (seis metros quadrados). serão encaminhados à Comissão Técnica de
Art. 89. Além dos requisitos referidos no art. 88, a Classificação.
penitenciária de mulheres será dotada de seção para Parágrafo único. No Centro poderão ser realizadas
gestante e parturiente e de creche para abrigar pesquisas criminológicas.
crianças maiores de 6 (seis) meses e menores de 7 Art. 97. O Centro de Observação será instalado em
(sete) anos, com a finalidade de assistir a criança unidade autônoma ou em anexo a estabelecimento
desamparada cuja responsável estiver presa. penal.
(Redação dada pela Lei nº 11.942, de 2009) Art. 98. Os exames poderão ser realizados pela
Parágrafo único. São requisitos básicos da seção e Comissão Técnica de Classificação, na falta do Centro
da creche referidas neste artigo: (Incluído pela Lei nº de Observação.
11.942, de 2009) CAPÍTULO VI
I – atendimento por pessoal qualificado, de acordo Do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico
com as diretrizes adotadas pela legislação Art. 99. O Hospital de Custódia e Tratamento
educacional e em unidades autônomas; e Psiquiátrico destina-se aos inimputáveis e semi-
(Incluído pela Lei nº 11.942, de 2009) imputáveis referidos no artigo 26 e seu Parágrafo
II – horário de funcionamento que garanta a melhor único do Código Penal.
assistência à criança e à sua responsável. Parágrafo único. Aplica-se ao hospital, no que
(Incluído pela Lei nº 11.942, de 2009) couber, o disposto no Parágrafo único, do artigo 88,
Art. 90. A penitenciária de homens será construída, desta Lei.
em local afastado do centro urbano, à distância que Art. 100. O exame psiquiátrico e os demais exames
não restrinja a visitação. necessários ao tratamento são obrigatórios para
CAPÍTULO III todos os internados.
Da Colônia Agrícola, Industrial ou Similar Art. 101. O tratamento ambulatorial, previsto no
Art. 91. A Colônia Agrícola, Industrial ou Similar artigo 97, segunda parte, do Código Penal, será
destina-se ao cumprimento da pena em regime realizado no Hospital de Custódia e Tratamento
semi-aberto. Psiquiátrico ou em outro local com dependência
médica adequada.
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CAPÍTULO VII § 2º As guias de recolhimento serão registradas em


Da Cadeia Pública livro especial, segundo a ordem cronológica do
Art. 102. A cadeia pública destina-se ao recebimento, e anexadas ao prontuário do
recolhimento de presos provisórios. condenado, aditando-se, no curso da execução, o
Art. 103. Cada comarca terá, pelo menos 1 (uma) cálculo das remições e de outras retificações
cadeia pública a fim de resguardar o interesse da posteriores.
Administração da Justiça Criminal e a permanência Art. 108. O condenado a quem sobrevier doença
do preso em local próximo ao seu meio social e mental será internado em Hospital de Custódia e
familiar. Tratamento Psiquiátrico.
Art. 104. O estabelecimento de que trata este Art. 109. Cumprida ou extinta a pena, o condenado
Capítulo será instalado próximo de centro urbano, será posto em liberdade, mediante alvará do Juiz, se
observando-se na construção as exigências mínimas por outro motivo não estiver preso.
referidas no artigo 88 e seu Parágrafo único desta SEÇÃO II
Lei. Dos Regimes
TÍTULO V Art. 110. O Juiz, na sentença, estabelecerá o regime
Da Execução das Penas em Espécie no qual o condenado iniciará o cumprimento da
CAPÍTULO I pena privativa de liberdade, observado o disposto no
Das Penas Privativas de Liberdade artigo 33 e seus parágrafos do Código Penal.
SEÇÃO I Art. 111. Quando houver condenação por mais de
Disposições Gerais um crime, no mesmo processo ou em processos
Art. 105. Transitando em julgado a sentença que distintos, a determinação do regime de
aplicar pena privativa de liberdade, se o réu estiver cumprimento será feita pelo resultado da soma ou
ou vier a ser preso, o Juiz ordenará a expedição de unificação das penas, observada, quando for o caso,
guia de recolhimento para a execução. a detração ou remição.
Art. 106. A guia de recolhimento, extraída pelo Parágrafo único. Sobrevindo condenação no curso
escrivão, que a rubricará em todas as folhas e a da execução, somar-se-á a pena ao restante da que
assinará com o Juiz, será remetida à autoridade está sendo cumprida, para determinação do regime.
administrativa incumbida da execução e conterá: Art. 112. A pena privativa de liberdade será
I - o nome do condenado; executada em forma progressiva com a transferência
II - a sua qualificação civil e o número do registro para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo
geral no órgão oficial de identificação; juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos:
III - o inteiro teor da denúncia e da sentença (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
condenatória, bem como certidão do trânsito em I - 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado
julgado; for primário e o crime tiver sido cometido sem
IV - a informação sobre os antecedentes e o grau de violência à pessoa ou grave ameaça; (Incluído pela
instrução; Lei nº 13.964, de 2019)
V - a data da terminação da pena; II - 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for
VI - outras peças do processo reputadas reincidente em crime cometido sem violência à
indispensáveis ao adequado tratamento pessoa ou grave ameaça; (Incluído pela Lei nº
penitenciário. 13.964, de 2019)
§ 1º Ao Ministério Público se dará ciência da guia de III - 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o
recolhimento. apenado for primário e o crime tiver sido cometido
§ 2º A guia de recolhimento será retificada sempre com violência à pessoa ou grave ameaça; (Incluído
que sobrevier modificação quanto ao início da pela Lei nº 13.964, de 2019)
execução ou ao tempo de duração da pena. IV - 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for
§ 3° Se o condenado, ao tempo do fato, era reincidente em crime cometido com violência à
funcionário da Administração da Justiça Criminal, pessoa ou grave ameaça; (Incluído pela Lei nº
far-se-á, na guia, menção dessa circunstância, para 13.964, de 2019)
fins do disposto no § 2°, do artigo 84, desta Lei. V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado
Art. 107. Ninguém será recolhido, para cumprimento for condenado pela prática de crime hediondo ou
de pena privativa de liberdade, sem a guia expedida equiparado, se for primário; (Incluído pela Lei nº
pela autoridade judiciária. 13.964, de 2019)
§ 1° A autoridade administrativa incumbida da VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado
execução passará recibo da guia de recolhimento for: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
para juntá-la aos autos do processo, e dará ciência a) condenado pela prática de crime hediondo ou
dos seus termos ao condenado. equiparado, com resultado morte, se for primário,
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vedado o livramento condicional; (Incluído pela Lei previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de
nº 13.964, de 2019) agosto de 2006. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
b) condenado por exercer o comando, individual ou 2019)
coletivo, de organização criminosa estruturada para § 6º O cometimento de falta grave durante a
a prática de crime hediondo ou equiparado; ou execução da pena privativa de liberdade interrompe
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) o prazo para a obtenção da progressão no regime de
c) condenado pela prática do crime de constituição cumprimento da pena, caso em que o reinício da
de milícia privada; (Incluído pela Lei nº 13.964, de contagem do requisito objetivo terá como base a
2019) pena remanescente. (Incluído pela Lei nº 13.964,
VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado de 2019)
for reincidente na prática de crime hediondo ou § 7º O bom comportamento é readquirido após 1
equiparado; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (um) ano da ocorrência do fato, ou antes, após o
VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado cumprimento do requisito temporal exigível para a
for reincidente em crime hediondo ou equiparado obtenção do direito. (Incluído pela Lei nº 13.964,
com resultado morte, vedado o livramento de 2019) (Vigência).
condicional. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Art. 113. O ingresso do condenado em regime aberto
§ 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à supõe a aceitação de seu programa e das condições
progressão de regime se ostentar boa conduta impostas pelo Juiz.
carcerária, comprovada pelo diretor do Art. 114. Somente poderá ingressar no regime
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam aberto o condenado que:
a progressão. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de I - estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade
2019) de fazê-lo imediatamente;
§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão II - apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo
de regime será sempre motivada e precedida de resultado dos exames a que foi submetido, fundados
manifestação do Ministério Público e do defensor, indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e
procedimento que também será adotado na senso de responsabilidade, ao novo regime.
concessão de livramento condicional, indulto e Parágrafo único. Poderão ser dispensadas do
comutação de penas, respeitados os prazos previstos trabalho as pessoas referidas no artigo 117 desta Lei.
nas normas vigentes. (Redação dada pela Lei nº Art. 115. O Juiz poderá estabelecer condições
13.964, de 2019) especiais para a concessão de regime aberto, sem
§ 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou prejuízo das seguintes condições gerais e
responsável por crianças ou pessoas com deficiência, obrigatórias:
os requisitos para progressão de regime são, I - permanecer no local que for designado, durante o
cumulativamente: (Incluído pela Lei nº repouso e nos dias de folga;
13.769, de 2018) II - sair para o trabalho e retornar, nos horários
I - não ter cometido crime com violência ou grave fixados;
ameaça a pessoa; (Incluído pela Lei nº 13.769, III - não se ausentar da cidade onde reside, sem
de 2018) autorização judicial;
II - não ter cometido o crime contra seu filho ou IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as
dependente; (Incluído pela Lei nº 13.769, de suas atividades, quando for determinado.
2018) Art. 116. O Juiz poderá modificar as condições
III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena estabelecidas, de ofício, a requerimento do
no regime anterior; (Incluído pela Lei nº Ministério Público, da autoridade administrativa ou
13.769, de 2018) do condenado, desde que as circunstâncias assim o
IV - ser primária e ter bom comportamento recomendem.
carcerário, comprovado pelo diretor do Art. 117. Somente se admitirá o recolhimento do
estabelecimento; (Incluído pela Lei nº 13.769, beneficiário de regime aberto em residência
de 2018) particular quando se tratar de:
V - não ter integrado organização criminosa. I - condenado maior de 70 (setenta) anos;
(Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018) II - condenado acometido de doença grave;
§ 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta III - condenada com filho menor ou deficiente físico
grave implicará a revogação do benefício previsto no ou mental;
§ 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.769, de IV - condenada gestante.
2018) Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade
§ 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para ficará sujeita à forma regressiva, com a transferência
os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas
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para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o pena por praticar crime hediondo com resultado
condenado: morte. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - praticar fato definido como crime doloso ou falta Art. 123. A autorização será concedida por ato
grave; motivado do Juiz da execução, ouvidos o Ministério
II - sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, Público e a administração penitenciária e dependerá
somada ao restante da pena em execução, torne da satisfação dos seguintes requisitos:
incabível o regime (artigo 111). I - comportamento adequado;
§ 1° O condenado será transferido do regime aberto II - cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena,
se, além das hipóteses referidas nos incisos se o condenado for primário, e 1/4 (um quarto), se
anteriores, frustrar os fins da execução ou não pagar, reincidente;
podendo, a multa cumulativamente imposta. III - compatibilidade do benefício com os objetivos da
§ 2º Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, pena.
deverá ser ouvido previamente o condenado. Art. 124. A autorização será concedida por prazo não
Art. 119. A legislação local poderá estabelecer superior a 7 (sete) dias, podendo ser renovada por
normas complementares para o cumprimento da mais 4 (quatro) vezes durante o ano.
pena privativa de liberdade em regime aberto (artigo § 1o Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá
36, § 1º, do Código Penal). ao beneficiário as seguintes condições, entre outras
SEÇÃO III que entender compatíveis com as circunstâncias do
Das Autorizações de Saída caso e a situação pessoal do condenado: (Incluído
SUBSEÇÃO I pela Lei nº 12.258, de 2010)
Da Permissão de Saída I - fornecimento do endereço onde reside a família a
Art. 120. Os condenados que cumprem pena em ser visitada ou onde poderá ser encontrado durante
regime fechado ou semi-aberto e os presos o gozo do benefício; (Incluído pela Lei nº 12.258, de
provisórios poderão obter permissão para sair do 2010)
estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer II - recolhimento à residência visitada, no período
um dos seguintes fatos: noturno; (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)
I - falecimento ou doença grave do cônjuge, III - proibição de frequentar bares, casas noturnas e
companheira, ascendente, descendente ou irmão; estabelecimentos congêneres. (Incluído pela Lei nº
II - necessidade de tratamento médico (Parágrafo 12.258, de 2010)
único do artigo 14). § 2o Quando se tratar de frequência a curso
Parágrafo único. A permissão de saída será profissionalizante, de instrução de ensino médio ou
concedida pelo diretor do estabelecimento onde se superior, o tempo de saída será o necessário para o
encontra o preso. cumprimento das atividades discentes.
Art. 121. A permanência do preso fora do (Renumerado do Parágrafo único pela Lei nº 12.258,
estabelecimento terá a duração necessária à de 2010)
finalidade da saída. § 3o Nos demais casos, as autorizações de saída
SUBSEÇÃO II somente poderão ser concedidas com prazo mínimo
Da Saída Temporária de 45 (quarenta e cinco) dias de intervalo entre uma
Art. 122. Os condenados que cumprem pena em e outra. (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)
regime semi-aberto poderão obter autorização para Art. 125. O benefício será automaticamente
saída temporária do estabelecimento, sem vigilância revogado quando o condenado praticar fato definido
direta, nos seguintes casos: como crime doloso, for punido por falta grave,
I - visita à família; desatender as condições impostas na autorização ou
II - freqüência a curso supletivo profissionalizante, revelar baixo grau de aproveitamento do curso.
bem como de instrução do 2º grau ou superior, na Parágrafo único. A recuperação do direito à saída
Comarca do Juízo da Execução; temporária dependerá da absolvição no processo
III - participação em atividades que concorram para penal, do cancelamento da punição disciplinar ou da
o retorno ao convívio social. demonstração do merecimento do condenado.
§ 1º A ausência de vigilância direta não impede a SEÇÃO IV
utilização de equipamento de monitoração Da Remição
eletrônica pelo condenado, quando assim Art. 126. O condenado que cumpre a pena em
determinar o juiz da execução. (Redação dada pela regime fechado ou semiaberto poderá remir, por
Lei nº 13.964, de 2019) trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução
§ 2º Não terá direito à saída temporária a que se da pena. (Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011).
refere o caput deste artigo o condenado que cumpre

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§ 1o A contagem de tempo referida no caput será das horas de frequência escolar ou de atividades de
feita à razão de: (Redação dada pela Lei nº 12.433, ensino de cada um deles. (Redação dada pela Lei nº
de 2011) 12.433, de 2011)
I - 1 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de § 1o O condenado autorizado a estudar fora do
frequência escolar - atividade de ensino estabelecimento penal deverá comprovar
fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou mensalmente, por meio de declaração da respectiva
superior, ou ainda de requalificação profissional - unidade de ensino, a frequência e o aproveitamento
divididas, no mínimo, em 3 (três) dias; (Incluído pela escolar. (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
Lei nº 12.433, de 2011) § 2o Ao condenado dar-se-á a relação de seus dias
II - 1 (um) dia de pena a cada 3 (três) dias de trabalho. remidos. (Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011)
(Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011) Art. 130. Constitui o crime do artigo 299 do Código
§ 2o As atividades de estudo a que se refere o § 1o Penal declarar ou atestar falsamente prestação de
deste artigo poderão ser desenvolvidas de forma serviço para fim de instruir pedido de remição.
presencial ou por metodologia de ensino a distância SEÇÃO V
e deverão ser certificadas pelas autoridades Do Livramento Condicional
educacionais competentes dos cursos frequentados. Art. 131. O livramento condicional poderá ser
(Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011) concedido pelo Juiz da execução, presentes os
§ 3o Para fins de cumulação dos casos de remição, requisitos do artigo 83, incisos e Parágrafo único, do
as horas diárias de trabalho e de estudo serão Código Penal, ouvidos o Ministério Público e
definidas de forma a se compatibilizarem. (Redação Conselho Penitenciário.
dada pela Lei nº 12.433, de 2011) Art. 132. Deferido o pedido, o Juiz especificará as
§ 4o O preso impossibilitado, por acidente, de condições a que fica subordinado o livramento.
prosseguir no trabalho ou nos estudos continuará a § 1º Serão sempre impostas ao liberado condicional
beneficiar-se com a remição.(Incluído pela Lei nº as obrigações seguintes:
12.433, de 2011) a) obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se
§ 5o O tempo a remir em função das horas de estudo for apto para o trabalho;
será acrescido de 1/3 (um terço) no caso de b) comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação;
conclusão do ensino fundamental, médio ou c) não mudar do território da comarca do Juízo da
superior durante o cumprimento da pena, desde que execução, sem prévia autorização deste.
certificada pelo órgão competente do sistema de § 2° Poderão ainda ser impostas ao liberado
educação.(Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011) condicional, entre outras obrigações, as seguintes:
§ 6o O condenado que cumpre pena em regime a) não mudar de residência sem comunicação ao Juiz
aberto ou semiaberto e o que usufrui liberdade e à autoridade incumbida da observação cautelar e
condicional poderão remir, pela frequência a curso de proteção;
de ensino regular ou de educação profissional, parte b) recolher-se à habitação em hora fixada;
do tempo de execução da pena ou do período de c) não freqüentar determinados lugares.
prova, observado o disposto no inciso I do § 1o deste d) (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)
artigo.(Incluído pela Lei nº 12.433, de 2011) Art. 133. Se for permitido ao liberado residir fora da
§ 7o O disposto neste artigo aplica-se às hipóteses comarca do Juízo da execução, remeter-se-á cópia
de prisão cautelar.(Incluído pela Lei nº 12.433, de da sentença do livramento ao Juízo do lugar para
2011) onde ele se houver transferido e à autoridade
§ 8o A remição será declarada pelo juiz da execução, incumbida da observação cautelar e de proteção.
ouvidos o Ministério Público e a defesa. (Incluído Art. 134. O liberado será advertido da obrigação de
pela Lei nº 12.433, de 2011) apresentar-se imediatamente às autoridades
Art. 127. Em caso de falta grave, o juiz poderá referidas no artigo anterior.
revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido, Art. 135. Reformada a sentença denegatória do
observado o disposto no art. 57, recomeçando a livramento, os autos baixarão ao Juízo da execução,
contagem a partir da data da infração disciplinar. para as providências cabíveis.
(Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011) Art. 136. Concedido o benefício, será expedida a
Art. 128. O tempo remido será computado como carta de livramento com a cópia integral da sentença
pena cumprida, para todos os efeitos.(Redação dada em 2 (duas) vias, remetendo-se uma à autoridade
pela Lei nº 12.433, de 2011) administrativa incumbida da execução e outra ao
Art. 129. A autoridade administrativa encaminhará Conselho Penitenciário.
mensalmente ao juízo da execução cópia do registro Art. 137. A cerimônia do livramento condicional será
de todos os condenados que estejam trabalhando ou realizada solenemente no dia marcado pelo
estudando, com informação dos dias de trabalho ou Presidente do Conselho Penitenciário, no
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estabelecimento onde está sendo cumprida a pena, de novo livramento, a soma do tempo das 2 (duas)
observando-se o seguinte: penas.
I - a sentença será lida ao liberando, na presença dos Art. 142. No caso de revogação por outro motivo,
demais condenados, pelo Presidente do Conselho não se computará na pena o tempo em que esteve
Penitenciário ou membro por ele designado, ou, na solto o liberado, e tampouco se concederá, em
falta, pelo Juiz; relação à mesma pena, novo livramento.
II - a autoridade administrativa chamará a atenção Art. 143. A revogação será decretada a
do liberando para as condições impostas na sentença requerimento do Ministério Público, mediante
de livramento; representação do Conselho Penitenciário, ou, de
III - o liberando declarará se aceita as condições. ofício, pelo Juiz, ouvido o liberado.
§ 1º De tudo em livro próprio, será lavrado termo Art. 144. O Juiz, de ofício, a requerimento do
subscrito por quem presidir a cerimônia e pelo Ministério Público, da Defensoria Pública ou
liberando, ou alguém a seu rogo, se não souber ou mediante representação do Conselho Penitenciário,
não puder escrever. e ouvido o liberado, poderá modificar as condições
§ 2º Cópia desse termo deverá ser remetida ao Juiz especificadas na sentença, devendo o respectivo ato
da execução. decisório ser lido ao liberado por uma das
Art. 138. Ao sair o liberado do estabelecimento autoridades ou funcionários indicados no inciso I do
penal, ser-lhe-á entregue, além do saldo de seu caput do art. 137 desta Lei, observado o disposto nos
pecúlio e do que lhe pertencer, uma caderneta, que incisos II e III e §§ 1o e 2o do mesmo artigo.
exibirá à autoridade judiciária ou administrativa, (Redação dada pela Lei nº 12.313, de 2010).
sempre que lhe for exigida. Art. 145. Praticada pelo liberado outra infração
§ 1º A caderneta conterá: penal, o Juiz poderá ordenar a sua prisão, ouvidos o
a) a identificação do liberado; Conselho Penitenciário e o Ministério Público,
b) o texto impresso do presente Capítulo; suspendendo o curso do livramento condicional, cuja
c) as condições impostas. revogação, entretanto, ficará dependendo da
§ 2º Na falta de caderneta, será entregue ao liberado decisão final.
um salvo-conduto, em que constem as condições do Art. 146. O Juiz, de ofício, a requerimento do
livramento, podendo substituir-se a ficha de interessado, do Ministério Público ou mediante
identificação ou o seu retrato pela descrição dos representação do Conselho Penitenciário, julgará
sinais que possam identificá-lo. extinta a pena privativa de liberdade, se expirar o
§ 3º Na caderneta e no salvo-conduto deverá haver prazo do livramento sem revogação.
espaço para consignar-se o cumprimento das Seção VI
condições referidas no artigo 132 desta Lei. Da Monitoração Eletrônica
Art. 139. A observação cautelar e a proteção (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)
realizadas por serviço social penitenciário, Patronato Art. 146-A. (VETADO). (Incluído pela Lei nº
ou Conselho da Comunidade terão a finalidade de: 12.258, de 2010)
I - fazer observar o cumprimento das condições Art. 146-B. O juiz poderá definir a fiscalização por
especificadas na sentença concessiva do benefício; meio da monitoração eletrônica quando:
II - proteger o beneficiário, orientando-o na (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)
execução de suas obrigações e auxiliando-o na I - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.258, de
obtenção de atividade laborativa. 2010)
Parágrafo único. A entidade encarregada da II - autorizar a saída temporária no regime
observação cautelar e da proteção do liberado semiaberto; (Incluído pela Lei nº 12.258, de
apresentará relatório ao Conselho Penitenciário, 2010)
para efeito da representação prevista nos artigos III - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.258,
143 e 144 desta Lei. de 2010)
Art. 140. A revogação do livramento condicional dar- IV - determinar a prisão domiciliar; (Incluído
se-á nas hipóteses previstas nos artigos 86 e 87 do pela Lei nº 12.258, de 2010)
Código Penal. V - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.258,
Parágrafo único. Mantido o livramento condicional, de 2010)
na hipótese da revogação facultativa, o Juiz deverá Parágrafo único. (VETADO). (Incluído pela Lei
advertir o liberado ou agravar as condições. nº 12.258, de 2010)
Art. 141. Se a revogação for motivada por infração Art. 146-C. O condenado será instruído acerca dos
penal anterior à vigência do livramento, computar- cuidados que deverá adotar com o equipamento
se-á como tempo de cumprimento da pena o eletrônico e dos seguintes deveres: (Incluído
período de prova, sendo permitida, para a concessão pela Lei nº 12.258, de 2010)
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I - receber visitas do servidor responsável pela às características do estabelecimento, da entidade


monitoração eletrônica, responder aos seus ou do programa comunitário ou estatal.
contatos e cumprir suas orientações; (Incluído SEÇÃO II
pela Lei nº 12.258, de 2010) Da Prestação de Serviços à Comunidade
II - abster-se de remover, de violar, de modificar, de Art. 149. Caberá ao Juiz da execução:
danificar de qualquer forma o dispositivo de I - designar a entidade ou programa comunitário ou
monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o estatal, devidamente credenciado ou
faça; (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010) convencionado, junto ao qual o condenado deverá
III - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.258, trabalhar gratuitamente, de acordo com as suas
de 2010) aptidões;
Parágrafo único. A violação comprovada dos II - determinar a intimação do condenado,
deveres previstos neste artigo poderá acarretar, a cientificando-o da entidade, dias e horário em que
critério do juiz da execução, ouvidos o Ministério deverá cumprir a pena;
Público e a defesa: (Incluído pela Lei nº III - alterar a forma de execução, a fim de ajustá-la às
12.258, de 2010) modificações ocorridas na jornada de trabalho.
I - a regressão do regime; (Incluído pela Lei § 1º o trabalho terá a duração de 8 (oito) horas
nº 12.258, de 2010) semanais e será realizado aos sábados, domingos e
II - a revogação da autorização de saída temporária; feriados, ou em dias úteis, de modo a não prejudicar
(Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010) a jornada normal de trabalho, nos horários
III - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.258, estabelecidos pelo Juiz.
de 2010) § 2º A execução terá início a partir da data do
IV - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.258, primeiro comparecimento.
de 2010) Art. 150. A entidade beneficiada com a prestação de
V - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.258, serviços encaminhará mensalmente, ao Juiz da
de 2010) execução, relatório circunstanciado das atividades
VI - a revogação da prisão domiciliar; (Incluído do condenado, bem como, a qualquer tempo,
pela Lei nº 12.258, de 2010) comunicação sobre ausência ou falta disciplinar.
VII - advertência, por escrito, para todos os casos em SEÇÃO III
que o juiz da execução decida não aplicar alguma das Da Limitação de Fim de Semana
medidas previstas nos incisos de I a VI deste Art. 151. Caberá ao Juiz da execução determinar a
parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.258, de intimação do condenado, cientificando-o do local,
2010) dias e horário em que deverá cumprir a pena.
Art. 146-D. A monitoração eletrônica poderá ser Parágrafo único. A execução terá início a partir da
revogada: (Incluído pela Lei nº 12.258, de data do primeiro comparecimento.
2010) Art. 152. Poderão ser ministrados ao condenado,
I - quando se tornar desnecessária ou inadequada; durante o tempo de permanência, cursos e
(Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010) palestras, ou atribuídas atividades educativas.
II - se o acusado ou condenado violar os deveres a Parágrafo único. Nos casos de violência doméstica
que estiver sujeito durante a sua vigência ou contra a mulher, o juiz poderá determinar o
cometer falta grave. (Incluído pela Lei nº comparecimento obrigatório do agressor a
12.258, de 2010) programas de recuperação e reeducação. (Incluído
CAPÍTULO II pela Lei nº 11.340, de 2006)
Das Penas Restritivas de Direitos Art. 153. O estabelecimento designado
SEÇÃO I encaminhará, mensalmente, ao Juiz da execução,
Disposições Gerais relatório, bem assim comunicará, a qualquer tempo,
Art. 147. Transitada em julgado a sentença que a ausência ou falta disciplinar do condenado.
aplicou a pena restritiva de direitos, o Juiz da SEÇÃO IV
execução, de ofício ou a requerimento do Ministério Da Interdição Temporária de Direitos
Público, promoverá a execução, podendo, para Art. 154. Caberá ao Juiz da execução comunicar à
tanto, requisitar, quando necessário, a colaboração autoridade competente a pena aplicada,
de entidades públicas ou solicitá-la a particulares. determinada a intimação do condenado.
Art. 148. Em qualquer fase da execução, poderá o § 1º Na hipótese de pena de interdição do artigo 47,
Juiz, motivadamente, alterar, a forma de inciso I, do Código Penal, a autoridade deverá, em 24
cumprimento das penas de prestação de serviços à (vinte e quatro) horas, contadas do recebimento do
comunidade e de limitação de fim de semana, ofício, baixar ato, a partir do qual a execução terá seu
ajustando-as às condições pessoais do condenado e início.
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§ 2º Nas hipóteses do artigo 47, incisos II e III, do do local da nova residência, aos quais o primeiro
Código Penal, o Juízo da execução determinará a deverá apresentar-se imediatamente.
apreensão dos documentos, que autorizam o Art. 159. Quando a suspensão condicional da pena
exercício do direito interditado. for concedida por Tribunal, a este caberá estabelecer
Art. 155. A autoridade deverá comunicar as condições do benefício.
imediatamente ao Juiz da execução o § 1º De igual modo proceder-se-á quando o Tribunal
descumprimento da pena. modificar as condições estabelecidas na sentença
Parágrafo único. A comunicação prevista neste recorrida.
artigo poderá ser feita por qualquer prejudicado. § 2º O Tribunal, ao conceder a suspensão condicional
CAPÍTULO III da pena, poderá, todavia, conferir ao Juízo da
Da Suspensão Condicional execução a incumbência de estabelecer as condições
Art. 156. O Juiz poderá suspender, pelo período de 2 do benefício, e, em qualquer caso, a de realizar a
(dois) a 4 (quatro) anos, a execução da pena privativa audiência admonitória.
de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, na forma Art. 160. Transitada em julgado a sentença
prevista nos artigos 77 a 82 do Código Penal. condenatória, o Juiz a lerá ao condenado, em
Art. 157. O Juiz ou Tribunal, na sentença que aplicar audiência, advertindo-o das conseqüências de nova
pena privativa de liberdade, na situação infração penal e do descumprimento das condições
determinada no artigo anterior, deverá pronunciar- impostas.
se, motivadamente, sobre a suspensão condicional, Art. 161. Se, intimado pessoalmente ou por edital
quer a conceda, quer a denegue. com prazo de 20 (vinte) dias, o réu não comparecer
Art. 158. Concedida a suspensão, o Juiz especificará injustificadamente à audiência admonitória, a
as condições a que fica sujeito o condenado, pelo suspensão ficará sem efeito e será executada
prazo fixado, começando este a correr da audiência imediatamente a pena.
prevista no artigo 160 desta Lei. Art. 162. A revogação da suspensão condicional da
§ 1° As condições serão adequadas ao fato e à pena e a prorrogação do período de prova dar-se-ão
situação pessoal do condenado, devendo ser na forma do artigo 81 e respectivos parágrafos do
incluída entre as mesmas a de prestar serviços à Código Penal.
comunidade, ou limitação de fim de semana, salvo Art. 163. A sentença condenatória será registrada,
hipótese do artigo 78, § 2º, do Código Penal. com a nota de suspensão em livro especial do Juízo
§ 2º O Juiz poderá, a qualquer tempo, de ofício, a a que couber a execução da pena.
requerimento do Ministério Público ou mediante § 1º Revogada a suspensão ou extinta a pena, será o
proposta do Conselho Penitenciário, modificar as fato averbado à margem do registro.
condições e regras estabelecidas na sentença, § 2º O registro e a averbação serão sigilosos, salvo
ouvido o condenado. para efeito de informações requisitadas por órgão
§ 3º A fiscalização do cumprimento das condições, judiciário ou pelo Ministério Público, para instruir
reguladas nos Estados, Territórios e Distrito Federal processo penal.
por normas supletivas, será atribuída a serviço social CAPÍTULO IV
penitenciário, Patronato, Conselho da Comunidade Da Pena de Multa
ou instituição beneficiada com a prestação de Art. 164. Extraída certidão da sentença condenatória
serviços, inspecionados pelo Conselho Penitenciário, com trânsito em julgado, que valerá como título
pelo Ministério Público, ou ambos, devendo o Juiz da executivo judicial, o Ministério Público requererá,
execução suprir, por ato, a falta das normas em autos apartados, a citação do condenado para,
supletivas. no prazo de 10 (dez) dias, pagar o valor da multa ou
§ 4º O beneficiário, ao comparecer periodicamente nomear bens à penhora.
à entidade fiscalizadora, para comprovar a § 1º Decorrido o prazo sem o pagamento da multa,
observância das condições a que está sujeito, ou o depósito da respectiva importância, proceder-
comunicará, também, a sua ocupação e os salários se-á à penhora de tantos bens quantos bastem para
ou proventos de que vive. garantir a execução.
§ 5º A entidade fiscalizadora deverá comunicar § 2º A nomeação de bens à penhora e a posterior
imediatamente ao órgão de inspeção, para os fins execução seguirão o que dispuser a lei processual
legais, qualquer fato capaz de acarretar a revogação civil.
do benefício, a prorrogação do prazo ou a Art. 165. Se a penhora recair em bem imóvel, os
modificação das condições. autos apartados serão remetidos ao Juízo Cível para
§ 6º Se for permitido ao beneficiário mudar-se, será prosseguimento.
feita comunicação ao Juiz e à entidade fiscalizadora

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Art. 166. Recaindo a penhora em outros bens, dar- medida de segurança, sem a guia expedida pela
se-á prosseguimento nos termos do § 2º do artigo autoridade judiciária.
164, desta Lei. Art. 173. A guia de internamento ou de tratamento
Art. 167. A execução da pena de multa será suspensa ambulatorial, extraída pelo escrivão, que a rubricará
quando sobrevier ao condenado doença mental em todas as folhas e a subscreverá com o Juiz, será
(artigo 52 do Código Penal). remetida à autoridade administrativa incumbida da
Art. 168. O Juiz poderá determinar que a cobrança execução e conterá:
da multa se efetue mediante desconto no I - a qualificação do agente e o número do registro
vencimento ou salário do condenado, nas hipóteses geral do órgão oficial de identificação;
do artigo 50, § 1º, do Código Penal, observando-se o II - o inteiro teor da denúncia e da sentença que tiver
seguinte: aplicado a medida de segurança, bem como a
I - o limite máximo do desconto mensal será o da certidão do trânsito em julgado;
quarta parte da remuneração e o mínimo o de um III - a data em que terminará o prazo mínimo de
décimo; internação, ou do tratamento ambulatorial;
II - o desconto será feito mediante ordem do Juiz a IV - outras peças do processo reputadas
quem de direito; indispensáveis ao adequado tratamento ou
III - o responsável pelo desconto será intimado a internamento.
recolher mensalmente, até o dia fixado pelo Juiz, a § 1° Ao Ministério Público será dada ciência da guia
importância determinada. de recolhimento e de sujeição a tratamento.
Art. 169. Até o término do prazo a que se refere o § 2° A guia será retificada sempre que sobrevier
artigo 164 desta Lei, poderá o condenado requerer modificações quanto ao prazo de execução.
ao Juiz o pagamento da multa em prestações Art. 174. Aplicar-se-á, na execução da medida de
mensais, iguais e sucessivas. segurança, naquilo que couber, o disposto nos
§ 1° O Juiz, antes de decidir, poderá determinar artigos 8° e 9° desta Lei.
diligências para verificar a real situação econômica CAPÍTULO II
do condenado e, ouvido o Ministério Público, fixará Da Cessação da Periculosidade
o número de prestações. Art. 175. A cessação da periculosidade será
§ 2º Se o condenado for impontual ou se melhorar averiguada no fim do prazo mínimo de duração da
de situação econômica, o Juiz, de ofício ou a medida de segurança, pelo exame das condições
requerimento do Ministério Público, revogará o pessoais do agente, observando-se o seguinte:
benefício executando-se a multa, na forma prevista I - a autoridade administrativa, até 1 (um) mês antes
neste Capítulo, ou prosseguindo-se na execução já de expirar o prazo de duração mínima da medida,
iniciada. remeterá ao Juiz minucioso relatório que o habilite a
Art. 170. Quando a pena de multa for aplicada resolver sobre a revogação ou permanência da
cumulativamente com pena privativa da liberdade, medida;
enquanto esta estiver sendo executada, poderá II - o relatório será instruído com o laudo
aquela ser cobrada mediante desconto na psiquiátrico;
remuneração do condenado (artigo 168). III - juntado aos autos o relatório ou realizadas as
§ 1º Se o condenado cumprir a pena privativa de diligências, serão ouvidos, sucessivamente, o
liberdade ou obtiver livramento condicional, sem Ministério Público e o curador ou defensor, no prazo
haver resgatado a multa, far-se-á a cobrança nos de 3 (três) dias para cada um;
termos deste Capítulo. IV - o Juiz nomeará curador ou defensor para o
§ 2º Aplicar-se-á o disposto no parágrafo anterior agente que não o tiver;
aos casos em que for concedida a suspensão V - o Juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer
condicional da pena. das partes, poderá determinar novas diligências,
TÍTULO VI ainda que expirado o prazo de duração mínima da
Da Execução das Medidas de Segurança medida de segurança;
CAPÍTULO I VI - ouvidas as partes ou realizadas as diligências a
Disposições Gerais que se refere o inciso anterior, o Juiz proferirá a sua
Art. 171. Transitada em julgado a sentença que decisão, no prazo de 5 (cinco) dias.
aplicar medida de segurança, será ordenada a Art. 176. Em qualquer tempo, ainda no decorrer do
expedição de guia para a execução. prazo mínimo de duração da medida de segurança,
Art. 172. Ninguém será internado em Hospital de poderá o Juiz da execução, diante de requerimento
Custódia e Tratamento Psiquiátrico, ou submetido a fundamentado do Ministério Público ou do
tratamento ambulatorial, para cumprimento de interessado, seu procurador ou defensor, ordenar o
exame para que se verifique a cessação da
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periculosidade, procedendo-se nos termos do artigo segurança. (Redação dada pela Lei nº 12.313, de
anterior. 2010).
Art. 177. Nos exames sucessivos para verificar-se a Art. 184. O tratamento ambulatorial poderá ser
cessação da periculosidade, observar-se-á, no que convertido em internação se o agente revelar
lhes for aplicável, o disposto no artigo anterior. incompatibilidade com a medida.
Art. 178. Nas hipóteses de desinternação ou de Parágrafo único. Nesta hipótese, o prazo mínimo de
liberação (artigo 97, § 3º, do Código Penal), aplicar- internação será de 1 (um) ano.
se-á o disposto nos artigos 132 e 133 desta Lei. CAPÍTULO II
Art. 179. Transitada em julgado a sentença, o Juiz Do Excesso ou Desvio
expedirá ordem para a desinternação ou a liberação. Art. 185. Haverá excesso ou desvio de execução
TÍTULO VII sempre que algum ato for praticado além dos limites
Dos Incidentes de Execução fixados na sentença, em normas legais ou
CAPÍTULO I regulamentares.
Das Conversões Art. 186. Podem suscitar o incidente de excesso ou
Art. 180. A pena privativa de liberdade, não superior desvio de execução:
a 2 (dois) anos, poderá ser convertida em restritiva I - o Ministério Público;
de direitos, desde que: II - o Conselho Penitenciário;
I - o condenado a esteja cumprindo em regime III - o sentenciado;
aberto; IV - qualquer dos demais órgãos da execução penal.
II - tenha sido cumprido pelo menos 1/4 (um quarto) CAPÍTULO III
da pena; Da Anistia e do Indulto
III - os antecedentes e a personalidade do condenado Art. 187. Concedida a anistia, o Juiz, de ofício, a
indiquem ser a conversão recomendável. requerimento do interessado ou do Ministério
Art. 181. A pena restritiva de direitos será convertida Público, por proposta da autoridade administrativa
em privativa de liberdade nas hipóteses e na forma ou do Conselho Penitenciário, declarará extinta a
do artigo 45 e seus incisos do Código Penal. punibilidade.
§ 1º A pena de prestação de serviços à comunidade Art. 188. O indulto individual poderá ser provocado
será convertida quando o condenado: por petição do condenado, por iniciativa do
a) não for encontrado por estar em lugar incerto e Ministério Público, do Conselho Penitenciário, ou da
não sabido, ou desatender a intimação por edital; autoridade administrativa.
b) não comparecer, injustificadamente, à entidade Art. 189. A petição do indulto, acompanhada dos
ou programa em que deva prestar serviço; documentos que a instruírem, será entregue ao
c) recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço Conselho Penitenciário, para a elaboração de
que lhe foi imposto; parecer e posterior encaminhamento ao Ministério
d) praticar falta grave; da Justiça.
e) sofrer condenação por outro crime à pena Art. 190. O Conselho Penitenciário, à vista dos autos
privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido do processo e do prontuário, promoverá as
suspensa. diligências que entender necessárias e fará, em
§ 2º A pena de limitação de fim de semana será relatório, a narração do ilícito penal e dos
convertida quando o condenado não comparecer ao fundamentos da sentença condenatória, a exposição
estabelecimento designado para o cumprimento da dos antecedentes do condenado e do procedimento
pena, recusar-se a exercer a atividade determinada deste depois da prisão, emitindo seu parecer sobre o
pelo Juiz ou se ocorrer qualquer das hipóteses das mérito do pedido e esclarecendo qualquer
letras "a", "d" e "e" do parágrafo anterior. formalidade ou circunstâncias omitidas na petição.
§ 3º A pena de interdição temporária de direitos será Art. 191. Processada no Ministério da Justiça com
convertida quando o condenado exercer, documentos e o relatório do Conselho Penitenciário,
injustificadamente, o direito interditado ou se a petição será submetida a despacho do Presidente
ocorrer qualquer das hipóteses das letras "a" e "e", da República, a quem serão presentes os autos do
do § 1º, deste artigo. processo ou a certidão de qualquer de suas peças, se
Art. 182. (Revogado pela Lei nº 9.268, de 1996) ele o determinar.
Art. 183. Quando, no curso da execução da pena Art. 192. Concedido o indulto e anexada aos autos
privativa de liberdade, sobrevier doença mental ou cópia do decreto, o Juiz declarará extinta a pena ou
perturbação da saúde mental, o Juiz, de ofício, a ajustará a execução aos termos do decreto, no caso
requerimento do Ministério Público, da Defensoria de comutação.
Pública ou da autoridade administrativa, poderá Art. 193. Se o sentenciado for beneficiado por
determinar a substituição da pena por medida de indulto coletivo, o Juiz, de ofício, a requerimento do
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interessado, do Ministério Público, ou por iniciativa equipamento de estabelecimentos e serviços penais


do Conselho Penitenciário ou da autoridade previstos nesta Lei.
administrativa, providenciará de acordo com o § 2º Também, no mesmo prazo, deverá ser
disposto no artigo anterior. providenciada a aquisição ou desapropriação de
TÍTULO VIII prédios para instalação de casas de albergados.
Do Procedimento Judicial § 3º O prazo a que se refere o caput deste artigo
Art. 194. O procedimento correspondente às poderá ser ampliado, por ato do Conselho Nacional
situações previstas nesta Lei será judicial, de Política Criminal e Penitenciária, mediante
desenvolvendo-se perante o Juízo da execução. justificada solicitação, instruída com os projetos de
Art. 195. O procedimento judicial iniciar-se-á de reforma ou de construção de estabelecimentos.
ofício, a requerimento do Ministério Público, do § 4º O descumprimento injustificado dos deveres
interessado, de quem o represente, de seu cônjuge, estabelecidos para as Unidades Federativas
parente ou descendente, mediante proposta do implicará na suspensão de qualquer ajuda financeira
Conselho Penitenciário, ou, ainda, da autoridade a elas destinada pela União, para atender às
administrativa. despesas de execução das penas e medidas de
Art. 196. A portaria ou petição será autuada segurança.
ouvindo-se, em 3 (três) dias, o condenado e o Art. 204. Esta Lei entra em vigor concomitantemente
Ministério Público, quando não figurem como com a lei de reforma da Parte Geral do Código Penal,
requerentes da medida. revogadas as disposições em contrário,
§ 1º Sendo desnecessária a produção de prova, o Juiz especialmente a Lei nº 3.274, de 2 de outubro de
decidirá de plano, em igual prazo. 1957.
§ 2º Entendendo indispensável a realização de prova Brasília, 11 de julho de 1984; 163º da Independência
pericial ou oral, o Juiz a ordenará, decidindo após a e 96º da República.
produção daquela ou na audiência designada. JOÃO FIGUEIREDO
Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá Ibrahim Abi-Ackel
recurso de agravo, sem efeito suspensivo. Este texto não substitui o publicado no DOU de
TÍTULO IX 13.7.1984
Das Disposições Finais e Transitórias
Art. 198. É defesa ao integrante dos órgãos da
execução penal, e ao servidor, a divulgação de
ocorrência que perturbe a segurança e a disciplina
dos estabelecimentos, bem como exponha o preso à
inconveniente notoriedade, durante o cumprimento
da pena.
Art. 199. O emprego de algemas será disciplinado
por decreto federal. (Regulamento)
Art. 200. O condenado por crime político não está
obrigado ao trabalho.
Art. 201. Na falta de estabelecimento adequado, o
cumprimento da prisão civil e da prisão
administrativa se efetivará em seção especial da
Cadeia Pública.
Art. 202. Cumprida ou extinta a pena, não constarão
da folha corrida, atestados ou certidões fornecidas
por autoridade policial ou por auxiliares da Justiça,
qualquer notícia ou referência à condenação, salvo
para instruir processo pela prática de nova infração
penal ou outros casos expressos em lei.
Art. 203. No prazo de 6 (seis) meses, a contar da
publicação desta Lei, serão editadas as normas
complementares ou regulamentares, necessárias à
eficácia dos dispositivos não auto-aplicáveis.
§ 1º Dentro do mesmo prazo deverão as Unidades
Federativas, em convênio com o Ministério da
Justiça, projetar a adaptação, construção e

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Art. 10 – O sentenciado está sujeito ao exame


LEI ESTADUAL 11.404 DE 25/01/1994 (Contém Normas criminológico para verificação de carência físico-
De Execução Penal No Estado de Minas Gerais). psíquica e outras causas de inadaptação social.
Art. 11 – Com base no exame criminológico, serão
LEI ESTADUAL 11.404 DE 25/01/1994 realizados a classificação e o programa de
TEXTO ATUALIZADO tratamento do sentenciado.
Contém normas de execução penal. Art. 12 – A colaboração do sentenciado no processo
(Vide Lei Complementar nº 59, de 18/1/2001.) de sua observação psicossocial e de seu tratamento
(Vide Lei nº 15.289, de 4/8/2004.) é voluntária.
O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus Art. 13 – A observação do sentenciado se fará do
representantes, decretou e eu, em seu nome, início ao fim da execução da pena.
sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO II
TÍTULO I Da Observação Psicossocial
Disposições Preliminares Art. 14 – A observação médico-psicossocial
Art. 1º – Esta lei regula a execução das medidas compreende os exames biológico, psicológico e
privativas de liberdade e restritivas de direito, bem complementares e o estudo social do sentenciado.
como a manutenção e a custódia do preso Art. 15 – A observação empírica se realizará no
provisório. trabalho, na sala de aula, no refeitório, na praça de
Art. 2º – A execução penal destina-se à reeducação esportes e em todas as situações da vida cotidiana
do sentenciado e à sua reintegração na sociedade. do sentenciado.
§ 1º – A execução penal visa, ainda, a prevenir a Art. 16 – O exame criminológico será realizado no
reincidência, para proteção e defesa da sociedade. centro de observação ou na seção de observação do
(Parágrafo renumerado pelo Art. 1º da Lei nº 19.478, estabelecimento penitenciário ou por especialista da
de 12/1/2011.) comunidade.
§ 2º O controle da execução penal será realizado Art. 17 – A equipe de observação se reunirá
com o auxílio de programas eletrônicos de semanalmente para apreciar o resultado de cada
computador. exame e, afinal, redigir o relatório social de síntese.
(Parágrafo acrescentado pelo Art. 1º da Lei nº Art. 18 – O relatório social de síntese, de caráter
19.478, de 12/1/2011.) interdisciplinar, será levado à Comissão Técnica de
Art. 3º – Ao sentenciado é garantido o exercício de Classificação, que elaborará o programa de
seus direitos civis, políticos, sociais e econômicos, tratamento.
exceto os que forem incompatíveis com a detenção CAPÍTULO III
ou com a condenação. Da Classificação
Art. 4º – No regime e no tratamento penitenciário Art. 19 – Cada estabelecimento penitenciário
serão observados o respeito e a proteção aos contará com uma Comissão Técnica de Classificação,
direitos do homem. à qual incumbe elaborar o programa de tratamento
Art. 5º – O sentenciado deve ser estimulado a reeducativo e acompanhar a evolução da execução
colaborar voluntariamente na execução de seu da pena.
tratamento reeducativo. Art. 20 – A Comissão Técnica de Classificação é
Art. 6º – O Estado e a comunidade são co- presidida pelo Diretor do estabelecimento e
responsáveis na realização das atividades de composta de, no mínimo, um psiquiatra, um
execução penal. psicólogo, um assistente social, um chefe da Seção
Art. 7º – Na execução penal não haverá distinção de de Educação e Disciplina e um representante de
caráter racial, religioso ou político. obras sociais da comunidade.
TÍTULO II Art. 21. Compete à Comissão Técnica de
Do Tratamento Reeducativo Classificação opinar sobre a progressão ou a
CAPÍTULO I regressão do regime de cumprimento da pena, a
Da Individualização do Tratamento remição da pena, o monitoramento eletrônico, o
Art. 8º – O tratamento reeducativo consiste na livramento condicional e o indulto.
adoção de um conjunto de medidas médico- (Caput com redação dada pelo Art. 2º da Lei nº
psicológicas e sociais, com vistas à reeducação do 19.478, de 12/1/2011.)
sentenciado e à sua reintegração na sociedade. Parágrafo único – No caso de progressão ou
Art. 9º – O tratamento reeducativo será regressão de regime, as reuniões da Comissão
individualizado e levará em conta a personalidade de Técnica de Classificação serão presididas pelo Juiz da
cada sentenciado. Execução, presente o Ministério Público.

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Art. 22 – A Comissão Técnica de Classificação para a admissão do sentenciado no curso de que


proporá o programa de tratamento reeducativo, trata este artigo.
com base na sentença condenatória e no relatório Art. 33 – É permitido ao sentenciado participar de
social de síntese do Centro de Observação ou da curso por correspondência, rádio e televisão, sem
equipe interdisciplinar. prejuízo da disciplina e da segurança.
Art. 23 – O programa individual de tratamento Art. 34 – A penitenciária pode firmar convênio com
compreenderá a indicação do regime de entidade pública ou privada para a realização de
cumprimento da pena, do estabelecimento curso profissional ou supletivo.
penitenciário adequado, da escolarização, do § 1º – O detento poderá inscrever-se nos exames
trabalho e da orientação profissional, das atividades supletivos aplicados pelo Estado, com direito a
culturais e esportivas e das medidas especiais de isenção de taxa.
assistência ou tratamento. § 2º – Os cursos supletivos poderão ser ministrados
CAPÍTULO IV por voluntário cadastrado pela Secretaria de Estado
Dos Elementos do Tratamento Penitenciário da Educação e autorizado pela Secretaria de Estado
Art. 24 – O tratamento penitenciário realiza-se da Justiça.
através do desenvolvimento de atividades (Artigo com redação dada pelo Art. 1º da Lei nº
relacionadas com: instrução, trabalho, religião, 14.390, de 31/10/2002.)
disciplina, cultura, recreação e esporte, contato com Art. 35 – Ao sentenciado será fornecido diploma ou
o mundo exterior e relações com a família. certificado de conclusão de curso, que não
SEÇÃO I mencionará sua condição de sentenciado.
Da Instrução Art. 36 – As penitenciárias contarão com biblioteca
Art. 25 – Serão organizados, nas penitenciárias, organizada com livros de conteúdos informativo,
cursos de formação cultural e profissional, que se educativo e recreativo, adequados às formações
coordenarão com o sistema de instrução pública. cultural, profissional e espiritual do sentenciado.
Art. 26 – O ensino fundamental é obrigatório para Parágrafo único – Será livre a escolha da leitura, e
todos os detentos que não o tiverem concluído. serão proporcionadas condições para o estudo, a
(Artigo com redação dada pelo Art. 1º da Lei nº pesquisa e a recreação.
14.390, de 31/10/2002.) Art. 37 – Os programas de atividades de cultura, de
Art. 27 – O estabelecimento penitenciário disporá de lazer e de desporto serão articulados de modo a
classe especial para os infratores, dando-se ênfase à favorecer a expressão das aptidões dos
escolarização fundamental. sentenciados.
(Artigo com redação dada pelo Art. 1º da Lei nº Art. 38 – Serão ministradas, nas penitenciárias, a
14.390, de 31/10/2002.) instrução musical e a educação física.
Art. 28 – O efetivo da classe normal não excederá 30 Parágrafo único – A parte prática do ensino musical
(trinta) alunos, e o da classe especial, 15 (quinze). será realizada por meio de participação em banda,
Art. 29 – Dar-se-á especial atenção ao ensino fanfarra, conjunto instrumental e grupo coral.
fundamental, à preparação profissional e à formação SEÇÃO II
do caráter do jovem adulto. Do Trabalho
(Artigo com redação dada pelo Art. 1º da Lei nº Art. 39 – O trabalho é obrigatório para o
14.390, de 31/10/2002.) sentenciado, ressalvado o disposto no Art. 58.
Art. 30 – Os sentenciados trabalharão em oficina de § 1º – O trabalho penitenciário será estabelecido
aprendizagem industrial e artesanato rural ou em segundo critérios pedagógicos e psicotécnicos,
serviço agrícola do estabelecimento, conforme suas tendo-se em conta as exigências do tratamento, e
preferências, origem urbana ou rural, aptidão física, procurará aperfeiçoar as aptidões de trabalho e a
habilidade manual, inteligência e nível de capacidade individual do sentenciado, de forma a
escolaridade. capacitá-lo para o desempenho de suas
Art. 31 – Pode ser instituída, nas penitenciárias, responsabilidades sociais.
escola de ensino médio. § 2º – O trabalho será exercido de acordo com os
(Artigo com redação dada pelo Art. 1º da Lei nº métodos empregados nas escolas de formação
14.390, de 31/10/2002.) profissional do meio livre.
Art. 32 – Serão oferecidas facilidades e estímulos ao § 3º – Na contratação de obras e de serviços pela
sentenciado, nos termos da lei, para fazer curso administração pública direta ou indireta do Estado
universitário. serão reservados para sentenciados até 10% (dez por
Parágrafo único – A direção da penitenciária cento) do total das vagas existentes.
manterá contato com as autoridades acadêmicas (Parágrafo com redação dada pelo Art. 1º da Lei nº
18.725, de 13/1/2010.)
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§ 4º – Para fins do disposto no § 3º deste artigo, será Art. 49 – Deverá ser imediatamente comunicada à
dada preferência aos sentenciados: penitenciária a ocorrência de acidente, falta grave ou
I – que cumpram pena na localidade em que se evasão, perdendo o sentenciado, nas duas últimas
desenvolva a atividade contratada; hipóteses, o direito à prestação de trabalho externo.
II – que apresentem melhores indicadores com Art. 50 – É obrigatório o seguro contra acidentes nos
relação à aptidão, à habilitação, à experiência, à trabalhos interno e externo.
disciplina, à responsabilidade e ao grau de Art. 51 – A remuneração do trabalho do sentenciado,
periculosidade, apurados pelo poder público e quando não for fixada pelo órgão competente, será
registrados em cadastro próprio. estabelecida pela Comissão Técnica de Classificação.
(Parágrafo acrescentado pelo Art. 1º da Lei nº § 1º – A remuneração será fixada, para o trabalho
16.940, de 16/8/2007.) interno, em quantia não inferior a 3/4 (três quartos)
Art. 40 – A jornada diária de trabalho do sentenciado do salário mínimo.
não excederá 8 (oito) horas. § 2º – A remuneração do sentenciado que tiver
Art. 41 – A resistência ao trabalho ou a falta concluído curso de formação profissional, bem como
voluntária em sua execução constituem infração a do que tiver bom comportamento e progresso na
disciplinar, cuja punição será anotada no prontuário sua recuperação, será acrescida de 1/4 (um quarto)
do sentenciado. do seu valor.
Art. 42 – A classificação para o trabalho atenderá às Art. 52 – A prestação de serviço pelo sentenciado
capacidades física e intelectual e à aptidão será de cunho exclusivamente pedagógico, com
profissional do sentenciado, com vistas à sua vistas a sua reintegração na sociedade, não
ressocialização e formação profissional. implicando vínculo empregatício, ressalvado o
Art. 43 – Aplica-se no estabelecimento penitenciário trabalho industrial exercido em fundação, empresa
a legislação relativa à higiene e à segurança do pública com autonomia administrativa ou entidade
trabalhador. privada, o qual terá remuneração igual à do
Art. 44 – Para a prestação do trabalho externo, serão trabalhador livre.
considerados, segundo parecer da Comissão Técnica (Vide Art. 4º da Lei nº 15.457, de 12/1/2005.)
de Classificação, a personalidade, os antecedentes e Art. 53 – O contrato de prestação de serviços para o
o grau de recuperação do sentenciado que trabalho externo do sentenciado será celebrado
assegurem sua regular e efetiva aplicação ao entre o Diretor do estabelecimento penitenciário,
trabalho, bem como o respeito à ordem pública. ouvida a Comissão Técnica de Classificação, e o
(Vide Lei nº 18.401, de 28/9/2009.) estabelecimento tomador do serviço, dependendo
Art. 45 – O sentenciado em regime semiaberto do consentimento expresso do sentenciado, nos
poderá, com autorização judicial, frequentar, na termos do § 3º do Art. 36 da Lei Federal nº 7.210, de
comunidade, estabelecimento de ensino ou de 11 de junho de 1984.
formação profissional, ouvida a Comissão Técnica de Parágrafo único – Nas licitações para obras de
Classificação, observado o disposto nos arts. 122 a construção, reforma, ampliação e manutenção de
125 da Lei Federal nº 7.210, de 11 de julho de 1984. estabelecimento prisional, a proposta de
(Artigo com redação dada pelo Art. 3º da Lei nº aproveitamento, mediante contrato, de mão-de-
19.478, de 12/1/2011.) obra de presos, nos termos deste artigo, poderá ser
Art. 46 – O trabalho externo será supervisionado considerada como fator de pontuação, a critério da
pelo serviço social penitenciário mediante visita de administração.
inspeção ao local de trabalho. (Parágrafo único acrescentado pelo Art. 1º da Lei nº
(Vide Lei nº 18401, de 28/9/2009.) 12.921, de 29/6/1998.)
Art. 47 – O trabalho externo pode ser prestado nos (Vide Lei nº 18.401, de 28/9/2009.)
termos da Lei Federal nº 7.210, de 11 de junho de Art. 54 – A remuneração auferida pelo sentenciado
1984. no trabalho externo será empregada:
(Vide Lei nº 18.401, de 28/9/2009.) I – na indenização dos danos causados pelo delito,
Art. 48 – É obrigatório o regresso do sentenciado ao desde que determinados judicialmente e não
estabelecimento penitenciário, no regime semi- reparados por outro meio;
aberto, quando em serviço particular, finda a II – na assistência à família do sentenciado, segundo
jornada de trabalho, sendo-lhe permitido, quando a lei civil;
em trabalho em obra pública, pernoitar em III – cumprido o disposto nos incisos anteriores e
dependência da obra, sob custódia e vigilância da ressalvadas outras aplicações legais, na constituição
direção da entidade, que mensalmente enviará à de pecúlio, na forma de depósito em caderneta de
penitenciária relatório sobre o seu comportamento. poupança mantida por estabelecimento oficial, o

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qual será entregue ao sentenciado no ato de sua órgãos da comunidade, a colaboração em seu
libertação. desenvolvimento.
Art. 55 – A contabilidade do estabelecimento Art. 64 – O professor de Educação Física e o
penitenciário manterá registro da conta individual recreacionista organizarão sessões de educação
do sentenciado. física e atividades dirigidas para grupos de
Art. 56 – As despesas de manutenção e as custas condenados, devendo observar-lhes o
processuais não poderão ser deduzidas da comportamento, para fins de anotação.
remuneração do sentenciado que se distinguir por SEÇÃO V
sua conduta exemplar. Do Contato com o Exterior e da Relação com a
Parágrafo único – A conduta é considerada exemplar Família
quando o sentenciado manifesta, durante a Art. 65 – Será estimulado o contato do sentenciado
execução da pena, constante empenho no trabalho com o mundo exterior pela prática das medidas de
e na aprendizagem escolar e profissional, bem como semiliberdade e pelo trabalho com pessoas da
senso de responsabilidade em seu comportamento sociedade, com o objetivo de conscientizá-lo de sua
pessoal. cidadania e de sua condição de parte da comunidade
Art. 57 – Excetuam-se da obrigação de trabalhar os livre.
maiores de 70 (setenta) anos, os que sofram Parágrafo único – O contato com o meio exterior
enfermidade que os impossibilite para o trabalho e a será programado pelo serviço social, ouvida a
mulher antes e após o parto, nos termos da Comissão Técnica de Classificação.
legislação trabalhista. (Parágrafo acrescentado pelo Art. 4º da Lei nº
Art. 58 – O sentenciado fará jus ao repouso semanal, 19.478, de 12/1/2011.)
de preferência no domingo. Art. 66 – O sentenciado tem direito a manter
Art. 59 – Será concedido descanso de até 1 (um) mês relações familiares, incluindo visitas periódicas da
ao sentenciado não perigoso, de bom família.
comportamento, após 12 (doze) meses contínuos de § 1º – Compete ao serviço social assistir e orientar o
trabalho, dedicação e produtividade. sentenciado em suas relações familiares.
SEÇÃO III § 2º – O direito estabelecido no caput abrange
Da Religião relações oriundas de casamento, união estável,
Art. 60 – O sentenciado tem direito à liberdade de união homoafetiva e parentesco.
crença e culto, permitida a manifestação religiosa (Artigo com redação dada pelo Art. 5º da Lei nº
pelo aprendizado e pelo exercício do culto, bem 19.478, de 12/1/2011.)
como a participação nos serviços organizados no Art. 67 – O sentenciado e o preso provisório têm
estabelecimento penitenciário, a posse de livro de direito a visita íntima, com periodicidade duração,
instrução religiosa e a prática da confissão, sem horários e procedimentos definidos pela autoridade
prejuízo da ordem e da disciplina. competente.
Parágrafo único – A manifestação religiosa se dará § 1º – A visita ocorrerá em local específico, adequado
sem prejuízo da ordem e da disciplina exigidas no à sua finalidade e compatível com a dignidade
estabelecimento. humana.
Art. 61 – (Revogado pelo Art. 4º da Lei nº 14.505, de § 2º – O sentenciado indicará cônjuge ou
20/12/2002.) companheiro, para fins de registro e controle pelo
Dispositivo revogado: estabelecimento prisional, e fornecerá a devida
“Art. 61 – É permitida, nas penitenciárias, nos documentação comprobatória do casamento, união
termos do regulamento desta lei, a presença de estável ou união homoafetiva.
representante religioso, com autorização para § 3º – A indicação realizada nos termos do § 2º
organizar serviços litúrgicos e fazer visita pastoral poderá ser cancelada a qualquer tempo, mediante
aos adeptos de sua religião.” comprovação de rompimento do vínculo.
SEÇÃO IV § 4º – Na hipótese do § 3º, somente seis meses após
Das Atividades Culturais, Recreativas e Esportivas o cancelamento poderá ocorrer nova indicação de
Art. 62 – Para os bem-estares físico e mental do cônjuge ou companheiro para fins de visita íntima.
sentenciado, serão organizadas, nos § 5º – Poderá ser atribuído ao visitante documento
estabelecimentos penitenciários, atividades de identificação específico, exigível para a realização
culturais, recreativas e esportivas. da visita íntima.
Art. 63 – Os programas de atividades esportivas § 6º – Somente se admitirá visitante menor de
destinam-se em particular ao jovem adulto, podendo dezoito anos quando legalmente casado e, nos
ser solicitada, à Diretoria de Esportes e a outros demais casos, quando devidamente autorizado pelo
juízo competente.
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§ 7º – O sentenciado receberá atendimento médico V – centro de reeducação do jovem adulto, para o


e informações com o objetivo de evitar contato sentenciado em regime aberto ou semi-aberto;
sexual de risco. VI – centro de observação, para realização do exame
§ 8º – A visita íntima poderá ser suspensa ou criminológico de classificação;
restringida, por tempo determinado, por ato VII – hospital de custódia e tratamento psiquiátrico
motivado da autoridade competente, nas seguintes para inimputáveis e semi-imputáveis, indicados no
hipóteses: Art. 26 do Código Penal.
I – sanção disciplinar, nos termos do inciso VII do Art. (Vide Art. 7º da Lei nº 18.030, de 12/1/2009.)
143; Art. 72 – Os estabelecimentos penitenciários
II – registro de ato de indisciplina ou atitude disporão de casa, sistema de energia, reservatório de
inconveniente praticados pelo visitante, apurados água, quadras poliesportivas, locais para a guarda
em procedimento administrativo; militar e para os agentes prisionais, dependências
III – risco à segurança do sentenciado, de preso para administração, assistência médica, assistência
provisório ou de terceiros, ou à disciplina do religiosa, gabinete odontológico, ensino, serviços
estabelecimento prisional provocado pela visita; gerais, visita de familiares e visita íntima, bem como
IV – solicitação do preso. de almoxarifado, celas individuais, alojamento
(Artigo com redação dada pelo Art. 5º da Lei nº coletivo, biblioteca e salas equipadas para a
19.478, de 12/1/2011.) realização de videoaudiências e prestação de
CAPÍTULO V assistência jurídica.
Da Evolução do Tratamento (Caput com redação dada pelo Art. 6º da Lei nº
Art. 68 – O programa de tratamento será avaliado 19.478, de 12/1/2011.)
durante sua evolução, para fins de progressão ou § 1º – As penitenciárias disporão ainda de locutório
regressão. para advogados, salas para autoridades, salas de
Parágrafo único – A avaliação periódica do estágio para estudantes universitários e gabinete
tratamento pela Comissão Técnica de Classificação e para equipe interdisciplinar de observação ou de
sua homologação pelo Juiz da Execução Penal tratamento.
determinarão a progressão ou a regressão do regime (Parágrafo renumerado pelo Art. 1º da Lei nº 13.661,
de cumprimento de pena, no mesmo de 14/7/2000.)
estabelecimento ou em outro. § 2º – A pessoa recolhida em prisão provisória que
Art. 69 – A progressão depende da evolução ao tempo do delito era policial civil, policial militar,
favorável do tratamento, e a regressão, da evolução bombeiro militar, agente de segurança penitenciário
desfavorável. ou agente de segurança socioeducativo do Estado
Art. 70 – No término do tratamento ou na ficará em dependência distinta e isolada dos demais
proximidade do livramento condicional, a Comissão complexos penitenciários.
Técnica de Classificação elaborará relatório final, no (Parágrafo acrescentado pelo Art. 1º da Lei nº
qual constarão o resultado do tratamento, a 13.661, de 14/7/2000.)
prognose favorável quanto à vida futura do (Parágrafo com redação dada pelo Art. 1º da Lei nº
sentenciado, bem como informação sobre o pedido 22.865, de 8/1/2018.)
de livramento condicional. § 3º – A garantia prevista no § 2º deste artigo
TÍTULO III estende-se ao condenado em sentença transitada
Dos Estabelecimentos Penitenciários em julgado que ao tempo do delito era policial civil,
CAPÍTULO I policial militar, bombeiro militar, agente de
Disposições Gerais segurança penitenciário ou agente de segurança
Art. 71 – Os estabelecimentos penitenciários socioeducativo do Estado.
destinam-se ao cumprimento do disposto nos incisos (Parágrafo acrescentado pelo Art. 1º da Lei nº
XLVI, "a", XLVIII, XLIX e L do Art. 5º da Constituição 13.661, de 14/7/2000.)
Federal e compreendem: (Parágrafo com redação dada pelo Art. 1º da Lei nº
I – presídio e cadeia pública, destinados à custódia 22.865, de 8/1/2018.)
dos presos à disposição do Juiz processante; Art. 73 – As oficinas e instalações agrícolas devem
II – penitenciária, para o sentenciado em regime reunir condições semelhantes às da comunidade
fechado; livre, observadas as normas legais para a proteção do
III – colônia agrícola, industrial ou similar, para o trabalho e a prevenção de acidente.
sentenciado em regime semi-aberto; Art. 74 – Será construído pavilhão de observação, de
IV – casa do albergado, para o sentenciado em regime fechado, onde não houver centro de
regime aberto; observação como unidade autônoma.

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Art. 75 – Devem ser previstas seções independentes, sedes de comarca com fácil acesso ao fórum local ou
de segurança reforçada, para internamento de a varas criminais.
condenado que tenha exercido função policial, de CAPÍTULO II
bombeiro militar, de agente de segurança Do Presídio e da Cadeia Pública
penitenciário ou de agente de segurança Art. 80 – O presídio e a cadeia pública,
socioeducativo e que, por essa condição, esteja ou estabelecimentos de regime fechado, destinam-se à
possa vir a estar ameaçado em sua integridade física, custódia do preso provisório e à execução da pena
bem como para internamento de condenado por privativa de liberdade para o preso residente e
crime hediondo e de rebelde ou opositor ao regime domiciliado na comarca.
do estabelecimento. Art. 81 – No presídio e na cadeia pública, haverá
(Caput com redação dada pelo Art. 2º da Lei nº unidades independentes para a mulher, para o
22.865, de 8/1/2018.) jovem adulto, para o preso que tenha exercido
§ 1º – Será obrigatória a existência das seções função policial, de bombeiro militar, de agente de
previstas no "caput" para a guarda de condenados segurança penitenciário ou de agente de segurança
que forem considerados de alta periculosidade e de socioeducativo e para o cumprimento de pena
difícil recuperação. privativa de liberdade e de limitação de fim de
§ 2º – Haverá seção aberta, independente, no semana.
estabelecimento de regime fechado ou semi-aberto, (Caput com redação dada pelo Art. 3º da Lei nº
para atividades de reintegração na sociedade. 22.865, de 8/1/2018.)
Art. 76 – O complexo penitenciário será constituído § 1º – O sentenciado poderá cumprir, na cadeia local,
de pavilhões separados, para a execução progressiva pena em regime fechado ou semi-aberto, caso a
dos regimes fechado, semi-aberto e aberto. penitenciária se localize em área distante da
Art. 77 – A Comissão Técnica de Classificação do residência de sua família.
estabelecimento penitenciário formará grupos de § 2º – Às presidiárias serão asseguradas condições
sentenciados segundo as necessidades de para permanecer com os filhos durante o período de
tratamento, a progressão dos regimes, a concessão amamentação.
ou a revogação de benefícios, a autorização de saída, Art. 82 – O presídio e a cadeia pública, além do
a remição da pena, o pedido de livramento pessoal de vigilância e segurança e do pessoal
condicional e a aplicação de sanção disciplinar. administrativo, contarão com equipe interdisciplinar
(Artigo com redação dada pelo Art. 6º da Lei nº de observação.
19.478, de 12/1/2011.) Art. 83 – Aplica-se ao estabelecimento destinado ao
Art. 78 – Os estabelecimentos de regime fechado preso provisório o disposto no Art. 83 da Lei Federal
terão a lotação máxima de 500 (quinhentos) nº 7.210, de 11 de junho de 1984, com a adequada
sentenciados; os de regime semi-aberto, de 300 adaptação ao regime do estabelecimento.
(trezentos); os de regime aberto, de 50 (cinquenta) CAPÍTULO III
semilivres; o presídio, de 400 (quatrocentos) Da Penitenciária
acusados e a cadeia pública, de 50 (cinquenta) Art. 84 – A penitenciária destina-se à execução da
presos. pena privativa de liberdade em regime fechado.
(Vide § 1º do Art. 1º da Lei nº 12.985, de 30/7/1998.) Art. 85 – O sentenciado será alojado em quarto
Art. 79 – Para a localização do estabelecimento de individual, provido de cama, lavatório, chuveiro e
regime fechado, levar-se-ão em conta as facilidades aparelho sanitário.
de acesso e comunicação, a viabilidade do Art. 86 – São requisitos básicos da unidade celular:
aproveitamento de serviços básicos existentes, as I – salubridade do ambiente pela concorrência dos
condições necessárias ao adequado internamento, fatores de aeração, insolação e condicionamento
além da existência de áreas destinadas a instalações térmico adequados à existência humana;
de aprendizagem profissional, à prática de esportes II – área mínima de 6m2 (seis metros quadrados).
e recreação, a visitas, ao ensino e à assistência Art. 87 – A penitenciária para mulheres será dotada,
especializada. ainda, de dependência para atendimento da
§ 1º – Para o estabelecimento de regimes aberto e gestante e da parturiente, de creche e de unidade de
semi-aberto, será considerada ainda a proximidade educação pré-escolar.
de locais de trabalho, de cursos de instrução primária Art. 88 – O alojamento coletivo terá suas instalações
e formação profissional e de assistências hospitalar sanitárias localizadas em área separada e somente
e religiosa. será ocupado por sentenciados que preencham as
§ 2º – O presídio e a cadeia pública se localizarão no necessárias condições para a sua utilização.
meio urbano, respectivamente, na Capital e em Art. 89 – No regime fechado, predominam as normas
de segurança e disciplina, que cobrirão, durante 24
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(vinte e quatro) horas, a vida diária dos reclusos, que ausência de precauções de ordem material ou física,
serão classificados em grupos, segundo as em razão da aceitação voluntária da disciplina e do
necessidades de tratamento, submetendo-se às senso de responsabilidade do sentenciado.
diferentes atividades do processo de ressocialização: § 1º – No regime aberto, é permitido ao sentenciado
trabalho, instrução, religião, recreação e esporte. mover-se sem vigilância tanto no interior do
CAPÍTULO IV estabelecimento como nas saídas para trabalho
Das Colônias Agrícola e Industrial externo, para frequência a curso e para atividades de
Art. 90 – A colônia agrícola e a industrial destinam- pré-liberdade.
se à execução da pena privativa de liberdade em § 2º – O regime aberto compõe-se das seguintes
regime semi-aberto. fases:
Art. 91 – Os sentenciados poderão ser alojados em I – iniciação, em que o sentenciado será informado
dormitório coletivo, observados os requisitos do Art. sobre o programa do estabelecimento e seu
88. regimento interno;
Art. 92 – No regime semi-aberto, serão observadas II – aceitação do programa, em que será permitido
as normas de segurança, ordem e disciplina ao sentenciado sair para o trabalho;
necessárias à convivência normal dentro do III – confiança em que o sentenciado gozará das
estabelecimento e à adaptação às peculiaridades do vantagens inerentes ao exercício de sua
tratamento reeducativo. responsabilidade e de autorização de saída.
Parágrafo único – No regime semi-aberto, a agenda (Inciso com redação dada pelo Art. 7º da Lei nº
diária elaborada pela Comissão Técnica de 19.478, de 12/1/2011.)
Classificação disporá sobre as atividades preceptivas, CAPÍTULO VI
recreativas e esportivas para o sentenciado, que Do Centro de Reeducação do Jovem Adulto
manterá contato com a sociedade para o trabalho Art. 98 – O centro de reeducação do jovem adulto
externo, frequentará cursos de instrução escolar e destina-se aos sentenciados de 18 (dezoito) a 21
profissional e desenvolverá outras atividades de (vinte e um) anos de idade, em regime aberto e semi-
reintegração na sociedade, sob a assistência e a aberto.
orientação do pessoal penitenciário ou do serviço Parágrafo único – O centro contará com seção
social. independente para os menores infratores que
CAPÍTULO V tiverem atingido 18 (dezoito) anos sem conclusão do
Da Casa do Albergado processo reeducativo.
Art. 93 – A casa do albergado destina-se à execução Art. 99 – No centro de reeducação do jovem adulto,
da pena privativa de liberdade em regime aberto. será intensiva a ação educativa, com a adoção de
Art. 94 – Haverá casa de albergado na Capital e nas métodos pedagógicos e psicopedagógicos.
sedes de comarca. Art. 100 – Para individualização do tratamento, as
Parágrafo único – Onde não houver casa do seções separadas conterão de 20 (vinte) a 30 (trinta)
albergado, o regime aberto poderá ser cumprido em sentenciados.
seção independente, separada do estabelecimento Art. 101 – O pessoal do centro terá especialização
de regime fechado ou semi-aberto. profissional, com atualização em cursos especiais
Art. 95 – A casa do albergado deverá preencher os promovidos pela administração penitenciária.
seguintes requisitos: CAPÍTULO VII
I – localização em meio urbano com autonomia Do Centro de Observação
administrativa; Art. 102 – O centro de observação, estabelecimento
II – ocupação por número reduzido de candidatos, de regime fechado, tem por objetivo estudar a
selecionados segundo sua aptidão para o regime personalidade do delinquente nos planos físico,
aberto. psíquico e social, para sua afetação ao
Art. 96 – São condições para o cumprimento da pena estabelecimento adequado ao regime penitenciário,
na casa do albergado: indicando as medidas de ordem escolar, profissional,
I – aceitação, pelo candidato, do programa de terapêutica e moral que fundamentarão a
tratamento; elaboração do programa de tratamento reeducativo.
II – afetação do semilivre ao trabalho, com Art. 103 – O centro de observação, além do pessoal
preparação profissional para a reintegração na de segurança, vigilância e administração, contará
sociedade; com equipe interdisciplinar de observação,
III – colaboração da comunidade. constituída de psicólogo, psiquiatra, clínico geral,
Art. 97 – No regime aberto, serão observadas as assistente social, educador e criminólogo.
normas de ordem e disciplina necessárias à CAPÍTULO VIII
convivência normal na comunidade civil, com Do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico
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Art. 104 – O hospital de custódia e tratamento Parágrafo único – O prontuário conterá uma parte
psiquiátrico, de regime semi-aberto, destina-se aos judiciária, uma parte penitenciária e uma parte
inimputáveis e semi-imputáveis indicados no Art. 26 social.
e seu Parágrafo único do Código Penal. Art. 113 – O sentenciado será informado sobre a
§ 1º – Haverá seções independentes de regime legislação pertinente e sobre o regime interno do
fechado, segundo as exigências do tratamento estabelecimento.
psiquiátrico, no caso de extrema periculosidade do Art. 114 – O sentenciado tem o direito de informar
sentenciado. sua situação ao Juiz e ao seu advogado ou à pessoa
§ 2º – As seções de regime aberto destinam-se ao por ele indicada.
tratamento ambulatorial e à preparação para o Art. 115 – O preso provisório será informado de seus
reingresso na sociedade. direitos, assegurada a comunicação com a família e
Art. 105 – No estabelecimento psiquiátrico, haverá, com seu defensor e o respeito ao princípio da
além das dependências da administração, segurança presunção de inocência.
e vigilância, seções de observação normal, de Art. 116 – Efetuada a admissão, proceder-se-á à
praxiterapia, esporte e recreação, observando-se, no separação do sentenciado segundo o sexo, a idade,
que for aplicável, o Art. 83 da Lei Federal nº 7.210, os antecedentes, o estado físico e mental e a
de 11 de junho de 1984. necessidade de tratamento reeducativo ou
Art. 106 – No hospital, além do exame psiquiátrico, psiquiátrico.
serão realizados o exame criminológico e os exames Art. 117 – A agenda diária das atividades da vida em
necessários aos tratamentos terapêutico e comum dos sentenciados será elaborada pela
reeducativo, com respeito e proteção aos direitos da Comissão Técnica de Classificação.
pessoa do sentenciado. CAPÍTULO II
Art. 107 – O pessoal profissional e não profissional Do Alojamento
do estabelecimento psiquiátrico deverá ser Art. 118 – Aos sentenciados serão destinadas celas
selecionado e qualificado, com especial atenção às individuais.
exigências peculiares ao tratamento dos Parágrafo único – Em caso de necessidade, a
sentenciados. administração da penitenciária poderá autorizar a
Art. 108 – A direção do hospital deverá informar colocação de mais de um sentenciado na cela ou no
mensalmente à autoridade judiciária sobre as quarto individual, adequadamente selecionado,
condições psíquicas do sentenciado recuperado. vedada, nesse caso, a ocupação apenas por dois
Art. 109 – A administração penitenciária poderá sentenciados.
firmar convênio com hospital psiquiátrico da Art. 119 – Os locais destinados ao dormitório e à vida
comunidade para o tratamento de sentenciado em comum devem atender às exigências da higiene,
destinado ao hospital de custódia e tratamento levando-se em conta espaço, ventilação, água, luz e
psiquiátrico. calefação.
TÍTULO IV Art. 120 – É permitido o alojamento em comum no
Do Regime Penitenciário estabelecimento aberto, com o consentimento do
CAPÍTULO I sentenciado.
Da Admissão e do Registro Art. 121 – Haverá alojamento coletivo, de uso
Art. 110 – A admissão do sentenciado ou do preso temporário, para atender a necessidade urgente.
provisório se fará à vista de ordem da autoridade CAPÍTULO III
competente. Do Vestuário e da Higiene Pessoal
Art. 111 – O registro de detenção ou internação será Art. 122 – O sentenciado poderá usar o vestuário
feito em livro próprio ou em meio eletrônico, e nele próprio ou o fornecido pela administração, adaptado
constarão: às condições climáticas e que não afete sua
(Caput com redação dada pelo Art. 7º da Lei nº dignidade.
19.478, de 12/1/2011.) Art. 123 – O sentenciado disporá de roupa
I – a identidade do sentenciado ou do preso necessária para a sua cama e de móvel para guardar
provisório; seus pertences.
II – os motivos da detenção ou da internação e a Art. 124 – A higiene pessoal é exigida de todos os
autoridade que a determinou; sentenciados.
III – o dia e a hora da admissão e da saída. Parágrafo único – A administração do
Art. 112 – Inicia-se, no ato do registro, o prontuário estabelecimento fixará horário para os cuidados de
pessoal do sentenciado, que o seguirá nas higiene pessoal dos sentenciados e colocará à sua
transferências. disposição o material necessário.
CAPÍTULO IV
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Da Alimentação Art. 129 – Os sentenciados têm direito de enviar e


Art. 125 – A administração do estabelecimento receber correspondência epistolar e telegráfica.
fornecerá alimentação aos sentenciados, controlada Art. 130 – A correspondência do sentenciado
por nutricionista, convenientemente preparada e de analfabeto pode ser, a seu pedido, lida e escrita por
acordo com as normas dietéticas e de higiene. funcionário ou visitador indicado.
CAPÍTULO V Art. 131 – Em caso de perigo para a ordem ou para a
Da Assistência Sanitária segurança do estabelecimento, o Diretor deste
Art. 126 – O estabelecimento penitenciário disporá poderá censurar a correspondência dos
de clínico geral, odontólogo e psiquiatra. sentenciados, respeitados os seus direitos.
§ 1º – O doente que tiver necessidade de cuidados Parágrafo único – A correspondência por telefone
especiais será transferido para estabelecimento será autorizada pelo Diretor do estabelecimento, por
penitenciário especializado ou hospital civil. escrito e motivadamente.
§ 2º – Ao sentenciado será prestada assistência CAPÍTULO II
odontológica. Das Visitas
Art. 127 – Para a assistência sanitária, os Art. 132 – As visitas destinam-se a manter os vínculos
estabelecimentos penitenciários serão dotados de: familiares e sociais do sentenciado e a prepará-lo
I – enfermaria com camas, material clínico, para a reintegração na sociedade.
instrumental adequado e produtos farmacêuticos (Vide Lei nº 12.492, de 16/4/1997.)
para a internação médica ou odontológica de Parágrafo único – As visitas podem ser vigiadas, por
urgência; razões de tratamento do sentenciado, ou de ordem
II – dependência para observação psiquiátrica e e segurança do estabelecimento.
cuidados de toxicômano; Art. 133 – As visitas de advogado terão lugar em local
III – unidade para doenças infecciosas. reservado, em que as conversas não sejam ouvidas.
Art. 128 – O estabelecimento penitenciário Art. 134 – Não pode ser ouvido o colóquio do
destinado às mulheres disporá de dependência sentenciado com o Juiz, com o representante do
dotada de material de obstetrícia, para atender à Ministério Público, com o funcionário no exercício de
mulher grávida ou à parturiente cuja urgência do suas funções e com os membros da equipe
estado não permita a transferência para hospital interdisciplinar.
civil. Art. 135 – O estabelecimento disporá de anexo
Parágrafo único – As unidades do sistema prisional e especialmente adequado para visitas familiares ao
penitenciário notificarão à unidade de atenção sentenciado que não possa obter autorização de
básica de saúde que referencie o seu território: saída.
I – a existência de presa grávida, lactante ou (Artigo com redação dada pelo Art. 7º da Lei nº
acompanhada de filho na primeira infância, para a 19.478, de 12/1/2011.)
regularização do atendimento à saúde materno- CAPÍTULO III
infantil; Das Autorizações de Saída
II – a transferência para outra unidade prisional, com (Título do capítulo com redação dada pelo Art. 8º da
indicação do novo local de internação, de presa Lei nº 19.478, de 12/1/2011.)
grávida, lactante ou acompanhada de filho na Art. 136 – Os condenados que cumprem pena em
primeira infância, para a regularização e regime fechado ou semiaberto e os presos
continuidade do atendimento à saúde materno- provisórios poderão obter permissão de saída,
infantil. mediante escolta, nos casos devidamente
(Parágrafo acrescentado pelo Art. 1º da Lei nº comprovados de necessidade de tratamento médico
18.029, de 12/1/2009.) e falecimento ou doença grave de cônjuge,
Art. 128-A – O estabelecimento prisional é sujeito a companheiro, ascendente, descendente ou irmão.
controle sanitário, nos termos da Lei nº 13.317, de § 1º – A permissão de saída será concedida pelo
24 de setembro de 1999. Diretor do estabelecimento.
Parágrafo único – Regulamento fixará rotina de § 2º – A permanência do detento fora do
inspeções sanitárias aplicável ao estabelecimento a estabelecimento penal terá a duração necessária à
que se refere o caput. finalidade da saída.
(Artigo acrescentado pelo Art. 1º da Lei nº 22.429, (Artigo com redação dada pelo Art. 8º da Lei nº
de 20/12/2016.) 19.478, de 12/1/2011.)
TÍTULO V Art. 137 – Os condenados que cumprem pena em
Da Comunicação com o Exterior regime semiaberto poderão obter autorização para
CAPÍTULO I saída temporária do estabelecimento, sem vigilância
Da Correspondência direta, nos seguintes casos:
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I – visita à família; VII – simulação de doença;


II – frequência a curso supletivo profissionalizante VIII – posse ou tráfico de bens não permitidos;
bem como de instrução do segundo grau ou IX – comunicação proibida com o exterior ou, no caso
superior, na Comarca do Juízo da Execução; de isolamento, com o interior;
III – participação em atividades que concorram para X – atos obscenos ou contrários ao decoro;
o retorno ao convívio social. XI – falsificação de documento da administração;
Parágrafo único – A autorização de saída será XII – apropriação ou danificação de bem da
concedida ou revogada por ato motivado do Juiz da administração;
execução, observado o disposto nos arts. 123 a 125 XIII – posse ou tráfico de arma ou de instrumento de
da Lei Federal nº 7.210. ofensa;
(Artigo com redação dada pelo Art. 8º da Lei nº XIV – atitude ofensiva ao Diretor, a funcionário do
19.478, de 12/1/2011.) estabelecimento ou a visitante;
Art. 138 – Com base em parecer da equipe XV – inobservância de ordem ou prescrição e demora
interdisciplinar e como preparação para a liberação, injustificada no seu cumprimento;
será autorizada, pelo Juiz da execução que tenha XVI – participação em desordem ou motim;
participado de seu processo de reeducação, a saída XVII – evasão;
do sentenciado que cumpra pena nos regimes XVIII – fato previsto como crime, cometido contra
aberto e semiaberto, após cumpridos seis meses da companheiro, funcionário do estabelecimento ou
pena, por até sete dias, limitada ao total de trinta e visitante;
cinco dias por ano. XIX – realização ou contribuição para a realização de
Parágrafo único – A autorização de saída será visita íntima em desacordo com esta lei ou com o ato
concedida ou revogada por ato motivado do Juiz da da autoridade competente.
execução. (Inciso acrescentado pelo Art. 9º da Lei nº 19.478, de
(Artigo com redação dada pelo Art. 8º da Lei nº 12/1/2011.)
19.478, de 12/1/2011.) Art. 143 – Constituem sanções disciplinares:
Art. 138-A – No caso de nascimento de filho ou outro I – admoestação;
motivo comprovadamente relevante, será II – privação de autorização de saída por até dois
autorizada, pelo Diretor do estabelecimento, a saída meses;
do sentenciado ou do preso provisório, com as (Inciso com redação dada pelo Art. 10 da Lei nº
medidas de custódia adequadas. 19.478, de 12/1/2011.)
Parágrafo único – A autorização de saída será III – limitação do tempo previsto para comunicação
concedida ou revogada por ato motivado do Diretor oral durante 1 (um) mês;
do estabelecimento. IV – privação do uso da cantina, de autorização de
(Artigo acrescentado pelo Art. 8º da Lei nº 19.478, saída e de atos de recreação por até um mês;
de 12/1/2011.) (Inciso com redação dada pelo Art. 10 da Lei nº
Art. 139 – O sentenciado, a vítima e as respectivas 19.478, de 12/1/2011.)
famílias contarão com o apoio do serviço V – isolamento em cela individual por até 15 (quinze)
penitenciário e do Conselho da Comunidade. dias;
(Artigo com redação dada pelo Art. 8º da Lei nº VI – isolamento em cela disciplinar por até 1 (um)
19.478, de 12/1/2011.) mês;
CAPÍTULO IV VII – suspensão ou restrição à visita íntima
Do Regime Disciplinar (Inciso acrescentado pelo Art. 10 da Lei nº 19.478, de
Art. 140 – O sentenciado não exercerá função 12/1/2011.)
disciplinar. § 1º – As sanções previstas nos incisos I e II são de
Art. 141 – A infração disciplinar e a respectiva sanção competência do Diretor do estabelecimento e as
disciplinar serão estabelecidas em lei ou demais, da Comissão Técnica de Classificação.
regulamento. § 2º – A execução da sanção disciplinar está sujeita a
Art. 142 – Constituem infrações disciplinares: sursis e a remição.
I – negligência na limpeza e na ordem da cela e no (Parágrafo com redação dada pelo Art. 10 da Lei nº
asseio pessoal; 19.478, de 12/1/2011.)
II – abandono voluntário do local de tratamento; Art. 144 – O isolamento em cela disciplinar somente
III – descumprimento das obrigações do trabalho; se aplicará em caso de manifesta agressividade ou
IV – atitude molesta para com os companheiros; violência do sentenciado ou quando este,
V – linguagem injuriosa; reiteradamente, alterar a ordem normal do
VI – jogos e atividades proibidas pelo Regimento estabelecimento.
Interno;
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Parágrafo único – A cela disciplinar terá as mesmas I – para impedir ato de evasão ou violência de
características da cela individual e possuirá sentenciado contra si mesmo ou contra terceiros ou
mobiliário análogo. coisas;
Art. 145 – O isolamento do sentenciado se cumprirá II – para vencer a resistência ativa ou passiva de
com o controle do médico do estabelecimento, que sentenciado às ordens de funcionário no exercício do
o visitará diariamente, informando o Diretor sobre cargo.
seu estado de saúde física e mental. Parágrafo único – O Diretor será avisado de situação
Art. 146 – O isolamento poderá ser suspenso pelo grave, da qual dará ciência ao Juiz da Execução.
Juiz da Execução Penal, ouvida a Comissão Técnica CAPÍTULO VI
de Classificação. Das Recompensas
Art. 147 – Não se aplicará o isolamento à Art. 156 – As recompensas são concedidas pelo
sentenciada gestante, até 6 (seis) meses após o Diretor do estabelecimento, ouvida a Comissão
parto, e à sentenciada que trouxer filho consigo. Técnica de Classificação, ao sentenciado que se
Art. 148 – Nenhum sentenciado será punido distinguir por:
disciplinarmente sem ser ouvido e sem que haja I – particular desempenho em seu trabalho;
apresentado defesa verbal ou escrita. II – especial proveito na instrução escolar ou na
Art. 149 – A interposição de recurso suspenderá os formação profissional;
efeitos da decisão, salvo quando se tratar de ato de III – colaboração ativa na organização e na
grave indisciplina. participação das atividades culturais, desportivas e
Parágrafo único – A tramitação do recurso de que recreativas;
trata o artigo será urgente e preferencial. IV – comportamento responsável em caso de
CAPÍTULO V perturbação da ordem, para despertar conduta
Dos Meios de Correção coletiva racional.
Art. 150 – O uso de algemas se limitará aos seguintes Parágrafo único – As recompensas de que trata este
casos: artigo são as seguintes:
I – como medida de precaução contra fuga, durante I – elogio;
a transferência do sentenciado, devendo ser II – proposta de concessão de benefício, como a
retiradas imediatamente quando do prioridade na escolha de trabalho, recebimento de
comparecimento em audiência perante a autoridade parte do pecúlio disponível, participação em
judiciária ou administrativa; atividade cultural, esportiva ou recreativa.
II – por motivo de saúde, segundo recomendação CAPÍTULO VII
médica; Do Monitoramento Eletrônico
III – em circunstâncias excepcionais, quando for (Capítulo acrescentado pelo Art. 11 da Lei nº
indispensável utilizá-las em razão de perigo iminente 19.478, de 12/1/2011.)
para a vida do funcionário, do sentenciado ou de Art. 156-A – O Juiz poderá determinar o
terceiros. monitoramento eletrônico, por ato motivado, nos
Art. 151 – O sentenciado será transferido para casos de autorização de saída temporária no regime
estabelecimento próximo da residência de sua semiaberto e de prisão domiciliar, e quando julgar
família. necessário.
Parágrafo único – A transferência do sentenciado Parágrafo único – O usuário do monitoramento
será precedida de busca pessoal e exame médico, eletrônico que estiver cumprindo pena em regime
que informará sobre seu estado físico e psíquico, aberto, quando determinar o Juiz da execução,
bem como sobre suas condições de viajar. deverá recolher-se ao local estabelecido na decisão
Art. 152 – É proibido o transporte de sentenciado em durante o período noturno e nos dias de folga.
más condições de iluminação, ventilação ou em (Artigo acrescentado pelo Art. 11 da Lei nº 19.478,
qualquer situação que lhe imponha sofrimento de 12/1/2011.)
físico. Art. 156-B – São deveres do sentenciado submetido
Art. 153 – Na transferência de sentenciado do sexo ao monitoramento eletrônico, além dos cuidados a
feminino, a escolta será integrada por policial serem adotados com o equipamento:
feminino. I – receber visitas do servidor responsável pelo
Art. 154 – As medidas coercitivas serão aplicadas monitoramento eletrônico, responder aos seus
exclusivamente para o restabelecimento da contatos e cumprir as suas orientações;
normalidade e cessarão imediatamente após II – abster-se de remover, violar, modificar ou
atingida sua finalidade. danificar o equipamento de monitoramento
Art. 155 – As medidas de coerção aplicam-se nas eletrônico ou de permitir que outrem o faça;
seguintes hipóteses:
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III – informar, de imediato, as falhas no equipamento escolhidos entre professores e profissionais das
ao órgão ou à entidade responsável pelo áreas de Direito Penal, Processual Penal e
monitoramento eletrônico. Penitenciário, de Criminologia e de Ciências Sociais,
(Artigo acrescentado pelo Art. 11 da Lei nº 19.478, bem como entre representantes de organismos da
de 12/1/2011.) área social.
Art. 156-C – O descumprimento dos deveres de que Parágrafo único – O mandato dos membros do
trata o Art. 156-B poderá acarretar, a critério do Juiz Conselho terá duração de 4 (quatro) anos.
da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa: Art. 160 – Ao Conselho de Criminologia e Política
I – a regressão do regime; Criminal incumbe:
II – a revogação da autorização de saída, da I – formular a política penitenciária do Estado,
permissão de saída ou da saída temporária; observadas as diretrizes da política penitenciária
III – a revogação da suspensão condicional da pena; nacional;
IV – a revogação do livramento condicional; II – colaborar na elaboração de plano de
V – a conversão da pena restritiva de direitos em desenvolvimento, sugerindo as metas e prioridades
pena privativa de liberdade; das políticas criminal e penitenciária;
VI – a revogação da prisão domiciliar; III – promover a avaliação periódica do sistema penal
VII – a advertência escrita. para sua adequação às necessidades do Estado;
(Artigo acrescentado pelo Art. 11 da Lei nº 19.478, IV – opinar sobre a repartição de créditos na área da
de 12/1/2011.) política penitenciária;
Art. 156-D – O monitoramento eletrônico poderá ser V – estimular e desenvolver projeto que vise à
revogado pelo Juiz competente, em ato motivado, participação da comunidade na execução da política
quando o sentenciado descumprir os deveres a que criminal;
estiver sujeito durante a sua vigência ou quando se VI – representar à autoridade competente, para
tornar desnecessário ou inadequado, a critério do instauração de sindicância ou procedimento
Juiz. administrativo, visando à apuração de violação da lei
(Artigo acrescentado pelo Art. 11 da Lei nº 19.478, penitenciária e à interdição de estabelecimento
de 12/1/2011.) penal;
TÍTULO VI VII – fiscalizar os estabelecimentos e serviços
Dos Órgãos da Execução Penal penitenciários para verificação do fiel cumprimento
CAPÍTULO I desta lei e da implantação da reforma penitenciária;
Disposições Gerais VIII – elaborar o plano de ação do Conselho e o
Art. 157 – São órgãos da execução penal: programa penitenciário estadual.
I – o Conselho de Criminologia e Política Criminal; CAPÍTULO III
II – o Juízo da Execução; Do Juízo da Execução
III – o Conselho Penitenciário; Art. 161 – O Juízo da Execução, localizado na
IV – a Superintendência de Organização comarca da Capital e em comarca sede da região
Penitenciária; onde houver estabelecimento penitenciário,
V – a Direção do Estabelecimento; compreende o Juiz da Execução, o representante do
VI – o Patronato; Ministério Público, a Defensoria Pública e o Serviço
VII – o Conselho da Comunidade. Social Penitenciário.
VIII – as entidades civis de direito privado sem fins SEÇÃO I
lucrativos que tenham firmado convênio com o Do Juiz da Execução
Estado para a administração de unidades prisionais Art. 162 – Compete ao Juiz da Execução:
destinadas ao cumprimento de pena privativa de I – aprovar o plano de tratamento reeducativo
liberdade. apresentado pela Comissão Técnica de Classificação;
(Inciso acrescentado pelo Art. 1º da Lei nº 15.299, de II – presidir as reuniões da Comissão Técnica de
9/8/2004.) Classificação destinadas a tratar de progressão ou
(Vide Art. 3º da Lei nº 15.299, de 9/8/2004.) regressão do regime;
CAPÍTULO II III – conceder remição da pena, ouvida a Comissão
Do Conselho de Criminologia e Política Criminal Técnica de Classificação, e autorização de saída
Art. 158 – O Conselho de Criminologia e Política prevista nos arts. 137 e 138 desta lei;
Criminal, com sede nesta Capital, é subordinado à (Inciso com redação dada pelo Art. 12 da Lei nº
Secretaria de Estado da Justiça. 19.478, de 12/1/2011.)
Art. 159 – O Conselho de Criminologia e Política IV – conceder ou revogar as medidas de
Criminal será integrado por 13 (treze) membros semiliberdade no regime de confiança para
designados pelo Secretário de Estado da Justiça e preparação da reintegração na sociedade;
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V – conceder o livramento condicional, ouvida a IV – orientar e assistir a família do sentenciado;


Comissão Técnica de Classificação; V – assessorar o Juiz e o Promotor de Justiça;
VI – supervisionar o período de prova do livramento VI – integrar o Patronato e o Conselho da
condicional e do "sursis", mediante orientação e Comunidade.
assistência do agente de prova ou trabalhador social; CAPÍTULO IV
VII – acompanhar a execução das medidas restritivas Do Conselho Penitenciário
de direito com a colaboração do serviço social Art. 167 – O Conselho Penitenciário é órgão
penitenciário ou de funcionário do Juízo e à vista do consultivo e fiscalizador da execução penal.
relatório da entidade a que o sentenciado preste Art. 168 – O Conselho Penitenciário será integrado
serviços; por membros nomeados pelo Governador do Estado
VIII – autorizar o isolamento disciplinar por mais de e escolhidos entre profissionais, professores nas
15 (quinze) dias; áreas de Direito Penal, Processual Penal e
IX – decidir recurso sobre direito do sentenciado, Penitenciário e das Ciências Sociais, bem como entre
inclusive sobre progressão ou regressão de regime; representantes da comunidade.
X – exercer a sua competência nos estabelecimentos Parágrafo único – O mandato dos Conselheiros terá
da região de sua sede. a duração de 4 (quatro) anos.
SEÇÃO II (Vide Art. 5º da Lei nº 12.706, de 23/12/1997.)
Do Ministério Público Art. 169 – Incumbe ao Conselho Penitenciário:
Art. 163 – Ao Ministério Público, entre outras I – emitir parecer sobre livramento condicional,
atribuições de competência, incumbe: indulto e comutação de pena;
I – fiscalizar a execução penal, funcionando no II – visitar regularmente os estabelecimentos
processo executivo e nos incidentes da execução; penitenciários, em especial os de regime fechado, e
II – requerer a aplicação, a substituição e a revogação os hospitais de custódia e tratamento penitenciário
de medida de segurança; para fiscalização da execução penal e do regime
III – requerer a revogação do "sursis" e o livramento penitenciário;
condicional; III – participar da supervisão do período de prova do
IV – requerer a conversão da pena e a progressão ou liberando e do sursitário, bem como da assistência
a regressão do regime; social no regime semilivre e em meio livre;
V – participar da fiscalização da execução das IV – comunicar à autoridade competente as
medidas restritivas de direito; violações das normas de execução penal,
VI – interpor recurso de decisão proferida pelo Juiz recomendando a abertura de inquérito e a
durante a execução; interdição do estabelecimento.
VII – visitar mensalmente os estabelecimentos CAPÍTULO V
penitenciários; Da Superintendência de Organização Penitenciária
VIII – representar à autoridade competente sobre a Art. 170 – A Superintendência de Organização
má orientação, o rigor excessivo ou o privilégio Penitenciária Estadual, órgão integrante da estrutura
injustificado na execução penal; orgânica da Secretaria de Estado da Justiça, tem por
IX – requerer as providências necessárias para o objetivo assegurar a aplicação da Lei de Execução
regular desenvolvimento do processo executivo. Penal, a custódia e a manutenção do sentenciado e
SEÇÃO III do preso provisório, garantindo-lhes o respeito à
Da Defensoria Pública dignidade inerente à pessoa.
Art. 164 – O estabelecimento penitenciário contará Art. 171 – À Superintendência de Organização
com um corpo de Defensoria Pública com Penitenciária incumbe:
especialização em Direito Penitenciário e I – supervisionar a fiel aplicação das normas de
Criminologia. execução penal no Estado;
Art. 165 – Incumbe à Defensoria Pública promover a II – inspecionar e fiscalizar os estabelecimentos e
defesa dos sentenciados carentes nas áreas cível, serviços penais;
penal e disciplinar. III – assistir tecnicamente os estabelecimentos
(Vide Lei Complementar nº 65, de 16/1/2003.) penitenciários na aplicação dos princípios e regras
SEÇÃO IV estabelecidos nesta lei;
Do Serviço Social Penitenciário IV – promover a pesquisa criminológica e a
Art. 166 – Ao Serviço Social Penitenciário incumbe: estatística criminal;
I – participar da equipe interprofissional do Juízo; V – sugerir a regulamentação dos órgãos de
II – realizar o estudo social do sentenciado; execução penal e dos estabelecimentos
III – assistir o sursitário, o liberando e o egresso no penitenciários;
período de prova;
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VI – elaborar projeto para a construção dos novos III – colaborar na fiscalização e na assistência no
estabelecimentos previstos na lei penitenciária; período do liberando e do sursitário;
VII – autorizar a internação e a desinternação nos IV – visitar o liberando e o sentenciado para facilitar
estabelecimentos penitenciários. sua reinserção na família e na profissão;
CAPÍTULO VI V – assistir o sentenciado nas suas relações com a
Da Direção do Estabelecimento Penitenciário família;
Art. 172 – Incumbe à direção do estabelecimento VI – colaborar na obtenção de emprego para o
penitenciário: sentenciado;
I – cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos e VII – fiscalizar a execução da medida de segurança
as instruções relativas à ordem e à disciplina do em meio fechado e em semiliberdade para proteção
estabelecimento; dos direitos do sentenciado;
II – dirigir as atividades do estabelecimento; VIII – zelar pela prática do tratamento reeducativo e
III – submeter à Superintendência de Organização pela sua progressão nos termos do Art. 112,
Penitenciária o plano de atividades da unidade; Parágrafo único, da Lei Federal nº 7.210, de 11 de
IV – orientar a elaboração da proposta orçamentária junho de 1984;
do estabelecimento; IX – incentivar a seleção e a formação contínua do
V – presidir a Comissão Técnica de Classificação; pessoal penitenciário;
VI – supervisionar os cursos de instrução escolar e de X – orientar a família do sentenciado e a da vítima
formação profissional do sentenciado; através de contato com os centros comunitários e
VII – percorrer as dependências do estabelecimento associações de assistência socioeducativa às
para verificação da ordem e disciplina; famílias;
VIII – comparecer, ou fazer-se representar, às XI – assistir a vítima do delito e seus dependentes;
sessões do Conselho Penitenciário; XII – assistir o egresso indigente com problema de
IX – promover ou requisitar o exame criminológico, reintegração na sociedade;
a classificação e o tratamento reeducativo dos XIII – designar pessoa idônea para assistir e orientar
sentenciados; o sursitário, o liberando e o egresso, na falta do
X – propor a realização de curso de formação orientador social;
contínua do pessoal penitenciário; XIV – informar periodicamente o Juiz da Execução
XI – promover a contratação de pessoal sobre a assistência ao probacionário e sobre a
especializado para integrar as equipes evolução de sua reintegração na sociedade.
interprofissionais de sua unidade; CAPÍTULO VIII
XII – classificar os estabelecimentos penitenciários Do Conselho da Comunidade
de acordo com as fases do regime progressivo; Art. 175 – Cada comarca disporá de um Conselho da
XIII – apresentar à Superintendência de Organização Comunidade composto, no mínimo, por 1 (um)
Penitenciária o plano anual de atividades do representante da associação comercial ou industrial,
estabelecimento penitenciário; 1 (um) advogado indicado pela Ordem dos
XIV – participar da elaboração da proposta anual do Advogados do Brasil – OAB -, 1 (um) assistente social
orçamento; escolhido pela Delegacia Seccional do Conselho
XV – promover a participação da comunidade na Nacional de Assistentes Sociais e por representantes
execução penal; de obras sociais e de clubes de serviço.
XVI – colaborar na implantação do Patronato e do (Vide Art. 7º da Lei nº 12.936, de 8/7/1998.)
Conselho da Comunidade. Art. 176 – Ao Conselho da Comunidade incumbe:
CAPÍTULO VII I – visitar mensalmente os estabelecimentos e
Do Patronato serviços penais da comarca;
Art. 173 – É instituído em cada comarca, por decreto II – incentivar a prática do tratamento não
do Governador do Estado, o Patronato, integrado institucional, como o dos regimes semilivre e em
pelo Juiz da Execução Penal, que o presidirá, pelo meio livre;
Promotor de Justiça da Execução, por III – promover a participação ativa da comunidade na
representantes da administração penitenciária, da reintegração do sentenciado e do egresso na família,
Ordem dos Advogados do Brasil – OAB -, de na profissão e na sociedade;
confissões religiosas, de clubes de serviço e de obras IV – colaborar com o poder público e a comunidade
sociais. na implantação da Lei Federal nº 7.210, de 11 junho
Art. 174 – Ao Patronato incumbe: de 1984;
I – orientar e assistir o semilivre e o egresso; V – pugnar pela colocação, no mercado profissional,
II – acompanhar a execução das medidas restritivas do sentenciado com índice positivo de
de direito; emendabilidade e segurança para a comunidade;
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VI – acompanhar a supervisão do período de prova Art. 178 – O quadro do pessoal penitenciário será
do liberando e do sursitário, bem como da execução organizado em diferentes categorias funcionais,
das medidas alternativas à prisão; segundo as necessidades do serviço, com
VII – entrosar-se com os serviços médicos e especificação de atribuições relativas às funções de
psicológicos e com as entidades de assistência direção, chefia e assessoramento e às demais
socioeducativa para o probacionário com problema; funções.
VIII – cooperar com a comunidade na conservação e Art. 179 – A escolha do pessoal especializado,
na manutenção da cadeia pública local. administrativo, de instrução técnica e de vigilância
Parágrafo único – O Conselho poderá providenciar a atenderá à vocação, à preparação profissional e aos
celebração de convênio com o município para a antecedentes pessoais do candidato.
prestação de trabalho pelo sentenciado. Art. 180 – O ingresso do pessoal penitenciário e sua
CAPÍTULO IX ascensão funcional dependerão de curso específico
Das Entidades Civis de Direito Privado sem Fins de formação, procedendo-se à reciclagem dos
Lucrativos servidores em exercício.
(Capítulo acrescentado pelo Art. 2º da Lei nº 15.299, Art. 181 – Sem prejuízo do concurso de admissão
de 9/8/2004.) promovido pela Escola Penitenciária, os candidatos a
Art. 176-A – Compete às entidades civis de direito cargos estão sujeitos a testes científicos para
privado sem fins lucrativos que tenham firmado avaliação de sua capacidade intelectual e
convênio com o Estado para a administração de profissional e de sua aptidão física.
unidades prisionais destinadas ao cumprimento de Art. 182 – É obrigatório o estágio do candidato em
pena privativa de liberdade, nos termos do inciso VIII estabelecimento penitenciário para se formar
do Art. 157: opinião sobre sua personalidade e suas aptidões.
I – gerenciar os regimes de cumprimento de pena das Art. 183 – Os cursos de formação profissional
unidades que administrarem, nos termos definidos intensiva destinados ao pessoal da vigilância
em convênio; compreendem três estágios: o primeiro se processa
II – responsabilizar-se pelo controle, pela vigilância e no estabelecimento penitenciário e se destina a
pela conservação do imóvel, dos equipamentos e do familiarizar o candidato com os problemas
mobiliário da unidade; profissionais; o segundo se desenvolve na Escola
III – solicitar apoio policial para a segurança externa Penitenciária, ou em curso organizado pela
da unidade, quando necessário; administração, e se destina à formação técnica e
IV – apresentar aos Poderes Executivo e Judiciário prática do funcionário; o terceiro, aberto a candidato
relatórios mensais sobre o movimento de que não for eliminado nas fases anteriores, consiste
condenados e informar-lhes, de imediato, a chegada na colocação efetiva do candidato em serviço.
de novos internos e a ocorrência de liberações; Art. 184 – É vedado o porte de arma ao funcionário
V – prestar contas mensalmente dos recursos em serviço.
recebidos; Art. 185 – Em caso de legítima defesa, tentativa de
VI – acatar a supervisão do Poder Executivo, fuga e resistência à ordem fundada em lei, será
proporcionando-lhe todos os meios para o permitido o uso da força pelo funcionário, que do
acompanhamento e a avaliação da execução do fato dará imediata ciência ao Diretor.
convênio. Art. 186 – O pessoal administrativo e o especializado
(Artigo acrescentado pelo Art. 2º da Lei nº 15.299, devem ter aptidão profissional e técnica necessária
de 9/8/2004.) ao exercício das respectivas funções.
Art. 176-B – Incumbem à diretoria da unidade de Art. 187 – No recrutamento de pessoal
cumprimento de pena privativa de liberdade especializado, exigir-se-á diploma de aptidão
administrada por entidade civil de direito privado profissional e título universitário que comprove a
sem fins lucrativos conveniada com o Estado as formação especializada.
atribuições previstas no Art. 172 desta lei. Art. 188 – O médico visitará diariamente o
(Artigo acrescentado pelo Art. 2º da Lei nº 15.299, estabelecimento.
de 9/8/2004.) Art. 189 – No estabelecimento para mulheres,
TÍTULO VII somente se permitirá trabalho de pessoal do sexo
Do Pessoal Penitenciário feminino, salvo quando se tratar de pessoal técnico
CAPÍTULO I especializado e houver comprovada carência de
Do Estatuto Jurídico do Pessoal pessoal do sexo feminino com as qualificações
Art. 177 – O pessoal penitenciário terá estatuto necessárias para o exercício do cargo.
próprio, que fixará seus direitos e deveres.

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Parágrafo único – O pessoal do sexo feminino deverá (Inciso com redação dada pelo Art. 2º da Lei nº
possuir as mesmas qualificações exigidas para o 14.390, de 31/10;2002.)
pessoal do sexo masculino. III – à profissionalização;
CAPÍTULO II IV – ao trabalho, à sua remuneração e à seguridade
Do Diretor de Estabelecimento social;
Art. 190 – O ocupante do cargo de Diretor de V – à assistência material e à saúde, em especial o
Estabelecimento deverá satisfazer os seguintes tratamento clínico e a assistência psicossocial ao
requisitos: portador de AIDS;
I – ter diploma de nível superior de Direito, VI – à assistência social, nomeadamente ao
Psicologia, Pedagogia ou Ciências Sociais; probacionário e ao egresso;
II – ter capacidade administrativa e vocação para a VII – à assistência jurídica;
função; VIII – à assistência religiosa;
III – ter idoneidade moral, boa cultura geral, IX – ao esporte e à recreação;
formação especializada e preparação adequada ao X – à comunicação com o mundo exterior como
serviço penitenciário. preparação para sua reinserção na sociedade;
§ 1º – O Diretor de Estabelecimento deverá residir XI – à visita de advogado, familiar e cônjuge ou
no estabelecimento ou em suas proximidades. companheiro;
§ 2º – O Diretor de Estabelecimento dedicará tempo XII – ao acesso aos meios de comunicação social;
integral à sua função e não poderá exercer advocacia XIII – de petição e representação a qualquer
nem outra atividade, exceto a de professor autoridade, para defesa de direito;
universitário. XIV – de entrevista regular com o Diretor;
§ 3º – O Diretor de Estabelecimento que não for XV – ao recebimento de atestado de pena a cumprir,
recrutado entre os membros do pessoal emitido semestralmente, sob pena de
penitenciário deve, antes de entrar em função, responsabilização da autoridade judiciária
receber formação técnica e prática sobre o trabalho competente.
de direção, salvo se for diplomado em escola (Inciso acrescentado pelo Art. 13 da Lei nº 19.478, de
profissional ou tiver título universitário em matéria 12/1/2011.)
pertinente. TÍTULO IX
(Vide Art. 6º da Lei nº 12.967, de 27/7/1998.) Dos Deveres do Sentenciado
TÍTULO VIII Art. 196 – São deveres do sentenciado:
Dos Direitos do Sentenciado e do Preso Provisório I – submeter-se ao cumprimento da pena ou à
Art. 191 – São direitos do preso os direitos civis, os medida de segurança;
políticos, os sociais e os especificamente II – permanecer no estabelecimento até a sua
penitenciários. libertação;
Art. 192 – Os direitos civis, sociais e políticos, III – respeitar as normas do regime penitenciário;
inclusive o de sufrágio, permanecem com o preso, IV – manter atitude de respeito e consideração com
quando não forem retirados expressa e os funcionários do estabelecimento e com as
necessariamente pela lei ou pela sentença. autoridades;
Art. 193 – Os direitos penitenciários derivam da V – observar conduta correta com seus
relação jurídica constituída entre o sentenciado e a companheiros;
administração penitenciária. VI – indenizar os danos causados à administração do
Art. 194 – Enumeram-se, antes da sentença, os estabelecimento;
direitos à presunção de inocência, ao contraditório, VII – indenizar as despesas de sua manutenção;
à igualdade entre os sujeitos processuais, à ampla VIII – cumprir as prestações alimentícias devidas à
defesa, à assistência judiciária gratuita, nos termos família;
da lei, o de ser ouvido pessoalmente pela autoridade IX – assistir o cônjuge ou o companheiro na
competente, o de receber visitas, o de comunicar-se manutenção e na educação dos filhos.
com advogado e familiares e o de permanecer no Art. 197 – Esta lei entra em vigor na data de sua
estabelecimento da localidade ou naquele mais publicação.
próximo de seu domicílio. Art. 198 – Revogam-se as disposições em contrário.
Art. 195 – São especificamente penitenciários os Dada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte,
direitos: aos 25 de janeiro de 1994.
I – ao tratamento reeducativo; HÉLIO GARCIA
II – à instrução, priorizada a escolarização de nível Evandro de Pádua Abreu
fundamental; Mário Assad
Kildare Gonçalves Carvalho
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Data da última atualização: 19/1/2018.

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Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o


Lei Federal n.º 9.455/1997 (Lei da Tortura) e alterações crime não tenha sido cometido em território
posteriores. nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-
se o agente em local sob jurisdição brasileira.
LEI Nº 9.455, DE 7 DE ABRIL DE 1997. Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua
publicação.
Define os crimes de tortura e dá outras Art. 4º Revoga-se o art. 233 da Lei nº 8.069, de 13 de
providências. julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Brasília, 7 de abril de 1997; 176º da Independência e
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte 109º da República.
Lei: FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Art. 1º Constitui crime de tortura: Nelson A. Jobim
I - constranger alguém com emprego de violência ou
grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou
mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou
confissão da vítima ou de terceira pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza
criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou
autoridade, com emprego de violência ou grave
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como
forma de aplicar castigo pessoal ou medida de
caráter preventivo.
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa
presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento
físico ou mental, por intermédio da prática de ato
não previsto em lei ou não resultante de medida
legal.
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas,
quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las,
incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou
gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez
anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a
dezesseis anos.
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
I - se o crime é cometido por agente público;
II - se o crime é cometido contra criança, gestante,
deficiente e adolescente;
II – se o crime é cometido contra criança, gestante,
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60
(sessenta) anos; '(Redação dada pela Lei nº 10.741,
de 2003)
III - se o crime é cometido mediante seqüestro.
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo,
função ou emprego público e a interdição para seu
exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível
de graça ou anistia.
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo
a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena
em regime fechado.

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cargo, emprego ou função em órgão ou entidade


Lei nº 13.869/2019 (antiga Lei nº 4.898/1965) - Lei de abrangidos pelo caput deste artigo.
Abuso de Autoridade. LEI Nº 13.869, DE 5 DE SETEMBRO DE 2019

LEI Nº 13.869/2019 (LEI DE ABUSO DE CAPÍTULO III


AUTORIDADE). DA AÇÃO PENAL
Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de ação
penal pública incondicionada.
LEI Nº 13.869, DE 5 DE SETEMBRO DE 2019
§ 1º Será admitida ação privada se a ação penal
pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao
Dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade;
Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e
altera a Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de 1989, a
oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os
Lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996, a Lei nº 8.069,
termos do processo, fornecer elementos de prova,
de 13 de julho de 1990, e a Lei nº 8.906, de 4 de
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de
julho de 1994; e revoga a Lei nº 4.898, de 9 de
negligência do querelante, retomar a ação como
dezembro de 1965, e dispositivos do Decreto-Lei nº
parte principal.
2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal).
§ 2º A ação privada subsidiária será exercida no
prazo de 6 (seis) meses, contado da data em que se
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
esgotar o prazo para oferecimento da denúncia.
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu
CAPÍTULO IV
sanciono a seguinte Lei:
DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO E DAS PENAS
CAPÍTULO I
RESTRITIVAS DE DIREITOS
DISPOSIÇÕES GERAIS
Seção I
Art. 1º Esta Lei define os crimes de abuso de
Dos Efeitos da Condenação
autoridade, cometidos por agente público, servidor
Art. 4º São efeitos da condenação:
ou não, que, no exercício de suas funções ou a
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano
pretexto de exercê-las, abuse do poder que lhe
causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento
tenha sido atribuído.
do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para
§ 1º As condutas descritas nesta Lei constituem
reparação dos danos causados pela infração,
crime de abuso de autoridade quando praticadas
considerando os prejuízos por ele sofridos;
pelo agente com a finalidade específica de prejudicar
II - a inabilitação para o exercício de cargo, mandato
outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou,
ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco)
ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal.
anos;
§ 2º A divergência na interpretação de lei ou na
III - a perda do cargo, do mandato ou da função
avaliação de fatos e provas não configura abuso de
pública.
autoridade.
Parágrafo único. Os efeitos previstos nos incisos II e
CAPÍTULO II
III do caput deste artigo são condicionados à
DOS SUJEITOS DO CRIME
ocorrência de reincidência em crime de abuso de
Art. 2º É sujeito ativo do crime de abuso de
autoridade e não são automáticos, devendo ser
autoridade qualquer agente público, servidor ou
declarados motivadamente na sentença.
não, da administração direta, indireta ou fundacional
Seção II
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Das Penas Restritivas de Direitos
Distrito Federal, dos Municípios e de Território,
Art. 5º As penas restritivas de direitos substitutivas
compreendendo, mas não se limitando a:
das privativas de liberdade previstas nesta Lei são:
I - servidores públicos e militares ou pessoas a eles
I - prestação de serviços à comunidade ou a
equiparadas;
entidades públicas;
II - membros do Poder Legislativo;
II - suspensão do exercício do cargo, da função ou do
III - membros do Poder Executivo;
mandato, pelo prazo de 1 (um) a 6 (seis) meses, com
IV - membros do Poder Judiciário;
a perda dos vencimentos e das vantagens;
V - membros do Ministério Público;
III - (VETADO).
VI - membros dos tribunais ou conselhos de contas.
Parágrafo único. As penas restritivas de direitos
Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os
podem ser aplicadas autônoma ou
efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ainda que
cumulativamente.
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição,
CAPÍTULO V
nomeação, designação, contratação ou qualquer
DAS SANÇÕES DE NATUREZA CIVIL E
outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
ADMINISTRATIVA
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autoridade, com o motivo da prisão e os nomes do


Art. 6º As penas previstas nesta Lei serão aplicadas condutor e das testemunhas;
independentemente das sanções de natureza civil ou IV - prolonga a execução de pena privativa de
administrativa cabíveis. liberdade, de prisão temporária, de prisão
Parágrafo único. As notícias de crimes previstos preventiva, de medida de segurança ou de
nesta Lei que descreverem falta funcional serão internação, deixando, sem motivo justo e
informadas à autoridade competente com vistas à excepcionalíssimo, de executar o alvará de soltura
apuração. imediatamente após recebido ou de promover a
Art. 7º As responsabilidades civil e administrativa soltura do preso quando esgotado o prazo judicial ou
são independentes da criminal, não se podendo mais legal.
questionar sobre a existência ou a autoria do fato Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante
quando essas questões tenham sido decididas no violência, grave ameaça ou redução de sua
juízo criminal. capacidade de resistência, a:
Art. 8º Faz coisa julgada em âmbito cível, assim I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à
como no administrativo-disciplinar, a sentença penal curiosidade pública;
que reconhecer ter sido o ato praticado em estado II - submeter-se a situação vexatória ou a
de necessidade, em legítima defesa, em estrito constrangimento não autorizado em lei;
cumprimento de dever legal ou no exercício regular III - produzir prova contra si mesmo ou contra
de direito. terceiro:
CAPÍTULO VI Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
DOS CRIMES E DAS PENAS multa, sem prejuízo da pena cominada à violência.
Art. 9º Decretar medida de privação da liberdade Art. 14. (VETADO).
em manifesta desconformidade com as hipóteses Art. 15. Constranger a depor, sob ameaça de prisão,
legais: pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo:
multa. Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
Parágrafo único. Incorre na mesma pena a multa.
autoridade judiciária que, dentro de prazo razoável, Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem
deixar de: prossegue com o interrogatório:
I - relaxar a prisão manifestamente ilegal; I - de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao
II - substituir a prisão preventiva por medida cautelar silêncio; ou
diversa ou de conceder liberdade provisória, quando II - de pessoa que tenha optado por ser assistida por
manifestamente cabível; advogado ou defensor público, sem a presença de
III - deferir liminar ou ordem de habeas corpus, seu patrono.
quando manifestamente cabível.’ Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se
Art. 10. Decretar a condução coercitiva de falsamente ao preso por ocasião de sua captura ou
testemunha ou investigado manifestamente quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão:
descabida ou sem prévia intimação de Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
comparecimento ao juízo: multa.
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem,
multa. como responsável por interrogatório em sede de
Art. 11. (VETADO). procedimento investigatório de infração penal, deixa
Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa
prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo identidade, cargo ou função.
legal: Art. 17. (VETADO).
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e Art. 18. Submeter o preso a interrogatório policial
multa. durante o período de repouso noturno, salvo se
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: capturado em flagrante delito ou se ele,
I - deixa de comunicar, imediatamente, a execução devidamente assistido, consentir em prestar
de prisão temporária ou preventiva à autoridade declarações:
judiciária que a decretou; Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
II - deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de multa.
qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua Art. 19. Impedir ou retardar, injustificadamente, o
família ou à pessoa por ela indicada; envio de pleito de preso à autoridade judiciária
III - deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 (vinte competente para a apreciação da legalidade de sua
e quatro) horas, a nota de culpa, assinada pela prisão ou das circunstâncias de sua custódia:
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Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e criminalmente alguém ou agravar-lhe a


multa. responsabilidade:
Parágrafo único. Incorre na mesma pena o Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
magistrado que, ciente do impedimento ou da multa.
demora, deixa de tomar as providências tendentes a Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem
saná-lo ou, não sendo competente para decidir pratica a conduta com o intuito de:
sobre a prisão, deixa de enviar o pedido à autoridade I - eximir-se de responsabilidade civil ou
judiciária que o seja. administrativa por excesso praticado no curso de
Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista diligência;
pessoal e reservada do preso com seu advogado: II - omitir dados ou informações ou divulgar dados ou
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e informações incompletos para desviar o curso da
multa. investigação, da diligência ou do processo.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem Art. 24. Constranger, sob violência ou grave ameaça,
impede o preso, o réu solto ou o investigado de funcionário ou empregado de instituição hospitalar
entrevistar-se pessoal e reservadamente com seu pública ou privada a admitir para tratamento pessoa
advogado ou defensor, por prazo razoável, antes de cujo óbito já tenha ocorrido, com o fim de alterar
audiência judicial, e de sentar-se ao seu lado e com local ou momento de crime, prejudicando sua
ele comunicar-se durante a audiência, salvo no curso apuração:
de interrogatório ou no caso de audiência realizada Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
por videoconferência. multa, além da pena correspondente à violência.
Art. 21. Manter presos de ambos os sexos na mesma Art. 25. Proceder à obtenção de prova, em
cela ou espaço de confinamento: procedimento de investigação ou fiscalização, por
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e meio manifestamente ilícito:
multa. Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem multa.
mantém, na mesma cela, criança ou adolescente na Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem faz
companhia de maior de idade ou em ambiente uso de prova, em desfavor do investigado ou
inadequado, observado o disposto na Lei nº 8.069, fiscalizado, com prévio conhecimento de sua
de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do ilicitude.
Adolescente). Art. 26. (VETADO).
Art. 22. Invadir ou adentrar, clandestina ou Art. 27. Requisitar instauração ou instaurar
astuciosamente, ou à revelia da vontade do procedimento investigatório de infração penal ou
ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou administrativa, em desfavor de alguém, à falta de
nele permanecer nas mesmas condições, sem qualquer indício da prática de crime, de ilícito
determinação judicial ou fora das condições funcional ou de infração administrativa: (Vide
estabelecidas em lei: ADIN 6234) (Vide ADIN 6240)
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa. multa.
§ 1º Incorre na mesma pena, na forma prevista no Parágrafo único. Não há crime quando se tratar de
caput deste artigo, quem: sindicância ou investigação preliminar sumária,
I - coage alguém, mediante violência ou grave devidamente justificada.
ameaça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas Art. 28. Divulgar gravação ou trecho de gravação
dependências; sem relação com a prova que se pretenda produzir,
II - (VETADO); expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a
III - cumpre mandado de busca e apreensão honra ou a imagem do investigado ou acusado:
domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
das 5h (cinco horas). multa.
§ 2º Não haverá crime se o ingresso for para prestar Art. 29. Prestar informação falsa sobre
socorro, ou quando houver fundados indícios que procedimento judicial, policial, fiscal ou
indiquem a necessidade do ingresso em razão de administrativo com o fim de prejudicar interesse de
situação de flagrante delito ou de desastre. investigado: (Vide ADIN 6234) (Vide ADIN 6240)
Art. 23. Inovar artificiosamente, no curso de Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
diligência, de investigação ou de processo, o estado multa.
de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de eximir- Parágrafo único. (VETADO).
se de responsabilidade ou de responsabilizar

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Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
civil ou administrativa sem justa causa multa.
fundamentada ou contra quem sabe inocente: CAPÍTULO VII
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e DO PROCEDIMENTO
multa. Art. 39. Aplicam-se ao processo e ao julgamento dos
Art. 31. Estender injustificadamente a investigação, delitos previstos nesta Lei, no que couber, as
procrastinando-a em prejuízo do investigado ou disposições do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro
fiscalizado: (Vide ADIN 6234) (Vide ADIN 6240) de 1941 (Código de Processo Penal), e da Lei nº
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e 9.099, de 26 de setembro de 1995.
multa. CAPÍTULO VIII
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, DISPOSIÇÕES FINAIS
inexistindo prazo para execução ou conclusão de Art. 40. O Art. 2º da Lei nº 7.960, de 21 de dezembro
procedimento, o estende de forma imotivada, de 1989, passa a vigorar com a seguinte redação:
procrastinando-o em prejuízo do investigado ou do “Art.2º
fiscalizado. ....................................................................................
Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou ...................
advogado acesso aos autos de investigação ....................................................................................
preliminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ....................................
ou a qualquer outro procedimento investigatório de § 4º-A O mandado de prisão conterá
infração penal, civil ou administrativa, assim como necessariamente o período de duração da prisão
impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a temporária estabelecido no caput deste artigo, bem
peças relativas a diligências em curso, ou que como o dia em que o preso deverá ser libertado.
indiquem a realização de diligências futuras, cujo ....................................................................................
sigilo seja imprescindível: .....................................
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e § 7º Decorrido o prazo contido no mandado de
multa. prisão, a autoridade responsável pela custódia
Art. 33. Exigir informação ou cumprimento de deverá, independentemente de nova ordem da
obrigação, inclusive o dever de fazer ou de não fazer, autoridade judicial, pôr imediatamente o preso em
sem expresso amparo legal: liberdade, salvo se já tiver sido comunicada da
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e prorrogação da prisão temporária ou da decretação
multa. da prisão preventiva.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se § 8º Inclui-se o dia do cumprimento do mandado de
utiliza de cargo ou função pública ou invoca a prisão no cômputo do prazo de prisão temporária.”
condição de agente público para se eximir de (NR)
obrigação legal ou para obter vantagem ou privilégio Art. 41. O Art. 10 da Lei nº 9.296, de 24 de julho de
indevido. 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:
Art. 34. (VETADO). “Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de
Art. 35. (VETADO). comunicações telefônicas, de informática ou
Art. 36. Decretar, em processo judicial, a telemática, promover escuta ambiental ou quebrar
indisponibilidade de ativos financeiros em quantia segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com
que extrapole exacerbadamente o valor estimado objetivos não autorizados em lei:
para a satisfação da dívida da parte e, ante a Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e
demonstração, pela parte, da excessividade da multa.
medida, deixar de corrigi-la: Parágrafo único. Incorre na mesma pena a
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e autoridade judicial que determina a execução de
multa. conduta prevista no caput deste artigo com objetivo
Art. 37. Demorar demasiada e injustificadamente no não autorizado em lei.” (NR)
exame de processo de que tenha requerido vista em Art. 42. A Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990
órgão colegiado, com o intuito de procrastinar seu (Estatuto da Criança e do Adolescente), passa a
andamento ou retardar o julgamento: vigorar acrescida do seguinte Art. 227-A:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e “Art. 227-A Os efeitos da condenação prevista no
multa. inciso I do caput do Art. 92 do Decreto-Lei nº 2.848,
Art. 38. Antecipar o responsável pelas investigações, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para os
por meio de comunicação, inclusive rede social, crimes previstos nesta Lei, praticados por servidores
atribuição de culpa, antes de concluídas as públicos com abuso de autoridade, são
apurações e formalizada a acusação: condicionados à ocorrência de reincidência.
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Parágrafo único. A perda do cargo, do mandato ou “CAPÍTULO VI


da função, nesse caso, independerá da pena aplicada DOS CRIMES E DAS PENAS
na reincidência.” ‘Art. 9º Decretar medida de privação da liberdade
Art. 43. A Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, passa em manifesta desconformidade com as hipóteses
a vigorar acrescida do seguinte Art. 7º-B: legais:
‘Art. 7º-B Constitui crime violar direito ou Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
prerrogativa de advogado previstos nos incisos II, III, multa.
IV e V do caput do Art. 7º desta Lei: Parágrafo único. Incorre na mesma pena a
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e autoridade judiciária que, dentro de prazo razoável,
multa.’” deixar de:
Art. 44. Revogam-se a Lei nº 4.898, de 9 de I - relaxar a prisão manifestamente ilegal;
dezembro de 1965, e o § 2º do Art. 150 e o Art. 350, II - substituir a prisão preventiva por medida cautelar
ambos do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de diversa ou de conceder liberdade provisória, quando
1940 (Código Penal). manifestamente cabível;
Art. 45. Esta Lei entra em vigor após decorridos 120 III - deferir liminar ou ordem de habeas corpus,
(cento e vinte) dias de sua publicação oficial. quando manifestamente cabível.’
Brasília, 5 de setembro de 2019; 198o da ‘Art. 13. Constranger o preso ou o detento,
Independência e 131o da República. mediante violência, grave ameaça ou redução de sua
JAIR MESSIAS BOLSONARO capacidade de resistência, a:
Sérgio Moro ....................................................................................
Wagner de Campos Rosário .....................................
Jorge Antonio de Oliveira Francisco III - produzir prova contra si mesmo ou contra
André Luiz de Almeida Mendonça terceiro:
Este texto não substitui o publicado no DOU de ....................................................................................
5.9.2019 - Edição extra-A e retificado em 18.9.2019 ....................................’
‘Art. 15. Constranger a depor, sob ameaça de prisão,
LEI Nº 13.869, DE 5 DE SETEMBRO DE 2019 pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou
Dispõe sobre os crimes de abuso de profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo:
autoridade; altera a Lei nº 7.960, de 21 de ....................................................................................
dezembro de 1989, a Lei nº 9.296, de 24 de julho de .....................................
1996, a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, e a Lei Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem
nº 8.906, de 4 de julho de 1994; e revoga a Lei nº prossegue com o interrogatório:
4.898, de 9 de dezembro de 1965, e dispositivos do I - de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 silêncio; ou
(Código Penal). II - de pessoa que tenha optado por ser assistida por
advogado ou defensor público, sem a presença de
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA seu patrono.’
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu ‘Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se
promulgo, nos termos do parágrafo 5o do Art. 66 da falsamente ao preso por ocasião de sua captura ou
Constituição Federal, as seguintes partes vetadas da quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão:
Lei no 13.869, de 5 de setembro de 2019: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
“CAPÍTULO III multa.
DA AÇÃO PENAL Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem,
Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de ação como responsável por interrogatório em sede de
penal pública incondicionada. procedimento investigatório de infração penal, deixa
§ 1º Será admitida ação privada se a ação penal de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa
pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao identidade, cargo ou função.’
Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e ‘Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista
oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os pessoal e reservada do preso com seu advogado:
termos do processo, fornecer elementos de prova, Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de multa.
negligência do querelante, retomar a ação como Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem
parte principal. impede o preso, o réu solto ou o investigado de
§ 2º A ação privada subsidiária será exercida no entrevistar-se pessoal e reservadamente com seu
prazo de 6 (seis) meses, contado da data em que se advogado ou defensor, por prazo razoável, antes de
esgotar o prazo para oferecimento da denúncia.” audiência judicial, e de sentar-se ao seu lado e com
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ele comunicar-se durante a audiência, salvo no curso


de interrogatório ou no caso de audiência realizada
por videoconferência.’
‘Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal,
civil ou administrativa sem justa causa
fundamentada ou contra quem sabe inocente:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.’
‘Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou
advogado acesso aos autos de investigação
preliminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito
ou a qualquer outro procedimento investigatório de
infração penal, civil ou administrativa, assim como
impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a
peças relativas a diligências em curso, ou que
indiquem a realização de diligências futuras, cujo
sigilo seja imprescindível:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa.’
‘Art. 38. Antecipar o responsável pelas
investigações, por meio de comunicação, inclusive
rede social, atribuição de culpa, antes de concluídas
as apurações e formalizada a acusação:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa.’”
“CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES FINAIS
....................................................................................
...................................
Art. 43. A Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, passa
a vigorar acrescida do seguinte Art. 7º-B:
‘Art. 7º-B Constitui crime violar direito ou
prerrogativa de advogado previstos nos incisos II, III,
IV e V do caput do Art. 7º desta Lei:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e
multa.’”
Brasília, 27 de setembro de 2019; 198o da
Independência e 131o da República.
JAIR MESSIAS BOLSONARO
Este texto não substitui o publicado no DOU de
27.9.2019 - Edição extra - A

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respectivos territórios, bem como manter o cadastro


Lei Federal nº 10.826/2003 (Estatuto do atualizado para consulta.
Desarmamento) e alterações posteriores (com Parágrafo único. As disposições deste artigo não
atualizações do Pacote Anticrime Lei nº 13.964, de alcançam as armas de fogo das Forças Armadas e
2019). Auxiliares, bem como as demais que constem dos
seus registros próprios.
LEI No 10.826, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003
Dispõe sobre registro, posse e comercialização de CAPÍTULO II
armas de fogo e munição, sobre o Sistema DO REGISTRO
Nacional de Armas – Sinarm, define crimes e dá Art. 3o É obrigatório o registro de arma de fogo
outras providências. no órgão competente.
Parágrafo único. As armas de fogo de uso
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA restrito serão registradas no Comando do Exército,
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu na forma do regulamento desta Lei.
sanciono a seguinte Lei: Art. 4o Para adquirir arma de fogo de uso
CAPÍTULO I permitido o interessado deverá, além de declarar a
DO SISTEMA NACIONAL DE ARMAS efetiva necessidade, atender aos seguintes
Art. 1o O Sistema Nacional de Armas – Sinarm, requisitos:
instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da I - comprovação de idoneidade, com a
Polícia Federal, tem circunscrição em todo o apresentação de certidões negativas de
território nacional. antecedentes criminais fornecidas pela Justiça
Art. 2o Ao Sinarm compete: Federal, Estadual, Militar e Eleitoral e de não estar
I – identificar as características e a propriedade respondendo a inquérito policial ou a processo
de armas de fogo, mediante cadastro; criminal, que poderão ser fornecidas por meios
II – cadastrar as armas de fogo produzidas, eletrônicos; (Redação dada pela Lei nº 11.706,
importadas e vendidas no País; de 2008)
III – cadastrar as autorizações de porte de arma II – apresentação de documento comprobatório
de fogo e as renovações expedidas pela Polícia de ocupação lícita e de residência certa;
Federal; III – comprovação de capacidade técnica e de
IV – cadastrar as transferências de propriedade, aptidão psicológica para o manuseio de arma de
extravio, furto, roubo e outras ocorrências fogo, atestadas na forma disposta no regulamento
suscetíveis de alterar os dados cadastrais, inclusive desta Lei.
as decorrentes de fechamento de empresas de § 1o O Sinarm expedirá autorização de compra
segurança privada e de transporte de valores; de arma de fogo após atendidos os requisitos
V – identificar as modificações que alterem as anteriormente estabelecidos, em nome do
características ou o funcionamento de arma de fogo; requerente e para a arma indicada, sendo
VI – integrar no cadastro os acervos policiais já intransferível esta autorização.
existentes; § 2o A aquisição de munição somente poderá
VII – cadastrar as apreensões de armas de fogo, ser feita no calibre correspondente à arma registrada
inclusive as vinculadas a procedimentos policiais e e na quantidade estabelecida no regulamento desta
judiciais; Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
VIII – cadastrar os armeiros em atividade no § 3o A empresa que comercializar arma de fogo
País, bem como conceder licença para exercer a em território nacional é obrigada a comunicar a
atividade; venda à autoridade competente, como também a
IX – cadastrar mediante registro os produtores, manter banco de dados com todas as características
atacadistas, varejistas, exportadores e importadores da arma e cópia dos documentos previstos neste
autorizados de armas de fogo, acessórios e artigo.
munições; § 4o A empresa que comercializa armas de fogo,
X – cadastrar a identificação do cano da arma, as acessórios e munições responde legalmente por
características das impressões de raiamento e de essas mercadorias, ficando registradas como de sua
microestriamento de projétil disparado, conforme propriedade enquanto não forem vendidas.
marcação e testes obrigatoriamente realizados pelo § 5o A comercialização de armas de fogo,
fabricante; acessórios e munições entre pessoas físicas somente
XI – informar às Secretarias de Segurança será efetivada mediante autorização do Sinarm.
Pública dos Estados e do Distrito Federal os registros § 6o A expedição da autorização a que se refere
e autorizações de porte de armas de fogo nos o § 1o será concedida, ou recusada com a devida
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fundamentação, no prazo de 30 (trinta) dias úteis, a para a emissão definitiva do certificado de registro
contar da data do requerimento do interessado. de propriedade. (Incluído pela Lei nº 11.706, de
§ 7o O registro precário a que se refere o § 4o 2008)
prescinde do cumprimento dos requisitos dos incisos § 5º Aos residentes em área rural, para os fins do
I, II e III deste artigo. disposto no caput deste artigo, considera-se
§ 8o Estará dispensado das exigências residência ou domicílio toda a extensão do
constantes do inciso III do caput deste artigo, na respectivo imóvel rural. (Incluído pela Lei nº
forma do regulamento, o interessado em adquirir 13.870, de 2019)
arma de fogo de uso permitido que comprove estar CAPÍTULO III
autorizado a portar arma com as mesmas DO PORTE
características daquela a ser adquirida. (Incluído Art. 6o É proibido o porte de arma de fogo em
pela Lei nº 11.706, de 2008) todo o território nacional, salvo para os casos
Art. 5o O certificado de Registro de Arma de previstos em legislação própria e para:
Fogo, com validade em todo o território nacional, I – os integrantes das Forças Armadas;
autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo II - os integrantes de órgãos referidos nos incisos
exclusivamente no interior de sua residência ou I, II, III, IV e V do caput do Art. 144 da Constituição
domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu Federal e os da Força Nacional de Segurança Pública
local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o (FNSP); (Redação dada pela Lei nº 13.500, de
responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. 2017)
(Redação dada pela Lei nº 10.884, de 2004) III – os integrantes das guardas municipais das
§ 1o O certificado de registro de arma de fogo capitais dos Estados e dos Municípios com mais de
será expedido pela Polícia Federal e será precedido 500.000 (quinhentos mil) habitantes, nas condições
de autorização do Sinarm. estabelecidas no regulamento desta Lei; (Vide
§ 2o Os requisitos de que tratam os incisos I, II e ADIN 5538) (Vide ADIN 5948)
III do Art. 4o deverão ser comprovados IV - os integrantes das guardas municipais dos
periodicamente, em período não inferior a 3 (três) Municípios com mais de 50.000 (cinqüenta mil) e
anos, na conformidade do estabelecido no menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes,
regulamento desta Lei, para a renovação do quando em serviço; (Redação dada pela Lei nº
Certificado de Registro de Arma de Fogo. 10.867, de 2004) (Vide ADIN 5538) (Vide
§ 3o O proprietário de arma de fogo com ADIN 5948)
certificados de registro de propriedade expedido por V – os agentes operacionais da Agência
órgão estadual ou do Distrito Federal até a data da Brasileira de Inteligência e os agentes do
publicação desta Lei que não optar pela entrega Departamento de Segurança do Gabinete de
espontânea prevista no Art. 32 desta Lei deverá Segurança Institucional da Presidência da República;
renová-lo mediante o pertinente registro federal, até (Vide Decreto nº 9.685, de 2019)
o dia 31 de dezembro de 2008, ante a apresentação VI – os integrantes dos órgãos policiais referidos
de documento de identificação pessoal e no Art. 51, IV, e no Art. 52, XIII, da Constituição
comprovante de residência fixa, ficando dispensado Federal;
do pagamento de taxas e do cumprimento das VII – os integrantes do quadro efetivo dos
demais exigências constantes dos incisos I a III do agentes e guardas prisionais, os integrantes das
caput do Art. 4o desta Lei. (Redação dada pela escoltas de presos e as guardas portuárias;
Lei nº 11.706, de 2008) (Prorrogação de prazo) VIII – as empresas de segurança privada e de
§ 4o Para fins do cumprimento do disposto no transporte de valores constituídas, nos termos desta
§ 3o deste artigo, o proprietário de arma de fogo Lei;
poderá obter, no Departamento de Polícia Federal, IX – para os integrantes das entidades de
certificado de registro provisório, expedido na rede desporto legalmente constituídas, cujas atividades
mundial de computadores - internet, na forma do esportivas demandem o uso de armas de fogo, na
regulamento e obedecidos os procedimentos a forma do regulamento desta Lei, observando-se, no
seguir: (Redação dada pela Lei nº 11.706, de que couber, a legislação ambiental.
2008) X - integrantes das Carreiras de Auditoria da
I - emissão de certificado de registro provisório Receita Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal do
pela internet, com validade inicial de 90 (noventa) Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e Analista
dias; e (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008) Tributário. (Redação dada pela Lei nº 11.501, de
II - revalidação pela unidade do Departamento 2007)
de Polícia Federal do certificado de registro XI - os tribunais do Poder Judiciário descritos no Art.
provisório pelo prazo que estimar como necessário 92 da Constituição Federal e os Ministérios Públicos
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da União e dos Estados, para uso exclusivo de § 5o Aos residentes em áreas rurais, maiores de
servidores de seus quadros pessoais que 25 (vinte e cinco) anos que comprovem depender do
efetivamente estejam no exercício de funções de emprego de arma de fogo para prover sua
segurança, na forma de regulamento a ser emitido subsistência alimentar familiar será concedido pela
pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ e pelo Polícia Federal o porte de arma de fogo, na categoria
Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP. caçador para subsistência, de uma arma de uso
(Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) permitido, de tiro simples, com 1 (um) ou 2 (dois)
§ 1o As pessoas previstas nos incisos I, II, III, V e canos, de alma lisa e de calibre igual ou inferior a 16
VI do caput deste artigo terão direito de portar arma (dezesseis), desde que o interessado comprove a
de fogo de propriedade particular ou fornecida pela efetiva necessidade em requerimento ao qual
respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de deverão ser anexados os seguintes documentos:
serviço, nos termos do regulamento desta Lei, com (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
validade em âmbito nacional para aquelas I - documento de identificação pessoal;
constantes dos incisos I, II, V e VI. (Redação dada (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
pela Lei nº 11.706, de 2008) II - comprovante de residência em área rural; e
§ 1o-A (Revogado pela Lei nº 11.706, de (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
2008) III - atestado de bons antecedentes. (Incluído
§ 1º-B. Os integrantes do quadro efetivo de agentes pela Lei nº 11.706, de 2008)
e guardas prisionais poderão portar arma de fogo de § 6o O caçador para subsistência que der outro
propriedade particular ou fornecida pela respectiva uso à sua arma de fogo, independentemente de
corporação ou instituição, mesmo fora de serviço, outras tipificações penais, responderá, conforme o
desde que estejam: (Incluído pela Lei nº 12.993, caso, por porte ilegal ou por disparo de arma de fogo
de 2014) de uso permitido. (Redação dada pela Lei nº
I - submetidos a regime de dedicação exclusiva; 11.706, de 2008)
(Incluído pela Lei nº 12.993, de 2014) § 7o Aos integrantes das guardas municipais dos
II - sujeitos à formação funcional, nos termos do Municípios que integram regiões metropolitanas
regulamento; e (Incluído pela Lei nº 12.993, de será autorizado porte de arma de fogo, quando em
2014) serviço. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
III - subordinados a mecanismos de fiscalização e de Art. 7o As armas de fogo utilizadas pelos
controle interno. (Incluído pela Lei nº 12.993, de empregados das empresas de segurança privada e
2014) de transporte de valores, constituídas na forma da
§ 1º-C. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.993, de lei, serão de propriedade, responsabilidade e guarda
2014) das respectivas empresas, somente podendo ser
§ 2o A autorização para o porte de arma de fogo utilizadas quando em serviço, devendo essas
aos integrantes das instituições descritas nos incisos observar as condições de uso e de armazenagem
V, VI, VII e X do caput deste artigo está condicionada estabelecidas pelo órgão competente, sendo o
à comprovação do requisito a que se refere o inciso certificado de registro e a autorização de porte
III do caput do Art. 4o desta Lei nas condições expedidos pela Polícia Federal em nome da empresa.
estabelecidas no regulamento desta Lei. § 1o O proprietário ou diretor responsável de
(Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008) empresa de segurança privada e de transporte de
§ 3o A autorização para o porte de arma de fogo valores responderá pelo crime previsto no Parágrafo
das guardas municipais está condicionada à único do Art. 13 desta Lei, sem prejuízo das demais
formação funcional de seus integrantes em sanções administrativas e civis, se deixar de registrar
estabelecimentos de ensino de atividade policial, à ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal
existência de mecanismos de fiscalização e de perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de
controle interno, nas condições estabelecidas no armas de fogo, acessórios e munições que estejam
regulamento desta Lei, observada a supervisão do sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro)
Ministério da Justiça. (Redação dada pela Lei nº horas depois de ocorrido o fato.
10.884, de 2004) § 2o A empresa de segurança e de transporte de
§ 4o Os integrantes das Forças Armadas, das valores deverá apresentar documentação
polícias federais e estaduais e do Distrito Federal, comprobatória do preenchimento dos requisitos
bem como os militares dos Estados e do Distrito constantes do Art. 4o desta Lei quanto aos
Federal, ao exercerem o direito descrito no Art. 4o, empregados que portarão arma de fogo.
ficam dispensados do cumprimento do disposto nos § 3o A listagem dos empregados das empresas
incisos I, II e III do mesmo artigo, na forma do referidas neste artigo deverá ser atualizada
regulamento desta Lei. semestralmente junto ao Sinarm.
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Art. 7o-A. As armas de fogo utilizadas pelos colecionadores, atiradores e caçadores e de


servidores das instituições descritas no inciso XI do representantes estrangeiros em competição
Art. 6o serão de propriedade, responsabilidade e internacional oficial de tiro realizada no território
guarda das respectivas instituições, somente nacional.
podendo ser utilizadas quando em serviço, devendo Art. 10. A autorização para o porte de arma de
estas observar as condições de uso e de fogo de uso permitido, em todo o território nacional,
armazenagem estabelecidas pelo órgão é de competência da Polícia Federal e somente será
competente, sendo o certificado de registro e a concedida após autorização do Sinarm.
autorização de porte expedidos pela Polícia Federal § 1o A autorização prevista neste artigo poderá
em nome da instituição. (Incluído pela Lei nº ser concedida com eficácia temporária e territorial
12.694, de 2012) limitada, nos termos de atos regulamentares, e
§ 1o A autorização para o porte de arma de fogo de dependerá de o requerente:
que trata este artigo independe do pagamento de I – demonstrar a sua efetiva necessidade por
taxa. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) exercício de atividade profissional de risco ou de
§ 2o O presidente do tribunal ou o chefe do ameaça à sua integridade física;
Ministério Público designará os servidores de seus II – atender às exigências previstas no Art. 4o
quadros pessoais no exercício de funções de desta Lei;
segurança que poderão portar arma de fogo, III – apresentar documentação de propriedade
respeitado o limite máximo de 50% (cinquenta por de arma de fogo, bem como o seu devido registro no
cento) do número de servidores que exerçam órgão competente.
funções de segurança. (Incluído pela Lei nº § 2o A autorização de porte de arma de fogo,
12.694, de 2012) prevista neste artigo, perderá automaticamente sua
§ 3o O porte de arma pelos servidores das eficácia caso o portador dela seja detido ou
instituições de que trata este artigo fica abordado em estado de embriaguez ou sob efeito de
condicionado à apresentação de documentação substâncias químicas ou alucinógenas.
comprobatória do preenchimento dos requisitos Art. 11. Fica instituída a cobrança de taxas, nos
constantes do Art. 4o desta Lei, bem como à valores constantes do Anexo desta Lei, pela
formação funcional em estabelecimentos de ensino prestação de serviços relativos:
de atividade policial e à existência de mecanismos de I – ao registro de arma de fogo;
fiscalização e de controle interno, nas condições II – à renovação de registro de arma de fogo;
estabelecidas no regulamento desta Lei. III – à expedição de segunda via de registro de arma
(Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) de fogo;
§ 4o A listagem dos servidores das instituições de IV – à expedição de porte federal de arma de
que trata este artigo deverá ser atualizada fogo;
semestralmente no Sinarm. (Incluído pela Lei nº V – à renovação de porte de arma de fogo;
12.694, de 2012) VI – à expedição de segunda via de porte federal
§ 5o As instituições de que trata este artigo são de arma de fogo.
obrigadas a registrar ocorrência policial e a § 1o Os valores arrecadados destinam-se ao
comunicar à Polícia Federal eventual perda, furto, custeio e à manutenção das atividades do Sinarm, da
roubo ou outras formas de extravio de armas de Polícia Federal e do Comando do Exército, no âmbito
fogo, acessórios e munições que estejam sob sua de suas respectivas responsabilidades.
guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas § 2o São isentas do pagamento das taxas
depois de ocorrido o fato. (Incluído pela Lei nº previstas neste artigo as pessoas e as instituições a
12.694, de 2012) que se referem os incisos I a VII e X e o § 5o do Art.
Art. 8o As armas de fogo utilizadas em entidades 6o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706,
desportivas legalmente constituídas devem de 2008)
obedecer às condições de uso e de armazenagem Art. 11-A. O Ministério da Justiça disciplinará a
estabelecidas pelo órgão competente, respondendo forma e as condições do credenciamento de
o possuidor ou o autorizado a portar a arma pela sua profissionais pela Polícia Federal para comprovação
guarda na forma do regulamento desta Lei. da aptidão psicológica e da capacidade técnica para
Art. 9o Compete ao Ministério da Justiça a o manuseio de arma de fogo. (Incluído pela Lei
autorização do porte de arma para os responsáveis nº 11.706, de 2008)
pela segurança de cidadãos estrangeiros em visita ou § 1o Na comprovação da aptidão psicológica, o
sediados no Brasil e, ao Comando do Exército, nos valor cobrado pelo psicólogo não poderá exceder ao
termos do regulamento desta Lei, o registro e a valor médio dos honorários profissionais para
concessão de porte de trânsito de arma de fogo para realização de avaliação psicológica constante do
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item 1.16 da tabela do Conselho Federal de Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar
Psicologia. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008) munição em lugar habitado ou em suas adjacências,
§ 2o Na comprovação da capacidade técnica, o em via pública ou em direção a ela, desde que essa
valor cobrado pelo instrutor de armamento e tiro conduta não tenha como finalidade a prática de
não poderá exceder R$ 80,00 (oitenta reais), outro crime:
acrescido do custo da munição. (Incluído pela Lei Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e
nº 11.706, de 2008) multa.
§ 3o A cobrança de valores superiores aos Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é
previstos nos §§ 1o e 2o deste artigo implicará o inafiançável. (Vide Adin 3.112-1)
descredenciamento do profissional pela Polícia Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso
Federal. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008) restrito
CAPÍTULO IV Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir,
DOS CRIMES E DAS PENAS fornecer, receber, ter em depósito, transportar,
Posse irregular de arma de fogo de uso ceder, ainda que gratuitamente, emprestar,
permitido remeter, empregar, manter sob sua guarda ou
Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso
de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em restrito, sem autorização e em desacordo com
desacordo com determinação legal ou regulamentar, determinação legal ou regulamentar: (Redação
no interior de sua residência ou dependência desta, dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e
titular ou o responsável legal do estabelecimento ou multa.
empresa: § 1º Nas mesmas penas incorre quem:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
multa. I – suprimir ou alterar marca, numeração ou
Omissão de cautela qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou
Art. 13. Deixar de observar as cautelas artefato;
necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) II – modificar as características de arma de fogo,
anos ou pessoa portadora de deficiência mental se de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de
apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou
ou que seja de sua propriedade: de qualquer modo induzir a erro autoridade policial,
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e perito ou juiz;
multa. III – possuir, detiver, fabricar ou empregar
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o artefato explosivo ou incendiário, sem autorização
proprietário ou diretor responsável de empresa de ou em desacordo com determinação legal ou
segurança e transporte de valores que deixarem de regulamentar;
registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou
Federal perda, furto, roubo ou outras formas de fornecer arma de fogo com numeração, marca ou
extravio de arma de fogo, acessório ou munição que qualquer outro sinal de identificação raspado,
estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte suprimido ou adulterado;
quatro) horas depois de ocorrido o fato. V – vender, entregar ou fornecer, ainda que
Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou
Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, explosivo a criança ou adolescente; e
receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem
que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma,
manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, munição ou explosivo.
acessório ou munição, de uso permitido, sem § 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º deste
autorização e em desacordo com determinação legal artigo envolverem arma de fogo de uso proibido, a
ou regulamentar: pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
multa. Comércio ilegal de arma de fogo
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar,
inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar,
registrada em nome do agente. (Vide Adin 3.112- montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda,
1) ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio
Disparo de arma de fogo ou alheio, no exercício de atividade comercial ou
industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem
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autorização ou em desacordo com determinação permitidos ou obsoletos e de valor histórico serão


legal ou regulamentar: disciplinadas em ato do chefe do Poder Executivo
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, e Federal, mediante proposta do Comando do
multa. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) Exército. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de
§ 1º Equipara-se à atividade comercial ou industrial, 2008)
para efeito deste artigo, qualquer forma de § 1o Todas as munições comercializadas no País
prestação de serviços, fabricação ou comércio deverão estar acondicionadas em embalagens com
irregular ou clandestino, inclusive o exercido em sistema de código de barras, gravado na caixa,
residência. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de visando possibilitar a identificação do fabricante e do
2019) adquirente, entre outras informações definidas pelo
§ 2º Incorre na mesma pena quem vende ou entrega regulamento desta Lei.
arma de fogo, acessório ou munição, sem § 2o Para os órgãos referidos no Art. 6o,
autorização ou em desacordo com a determinação somente serão expedidas autorizações de compra de
legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado, munição com identificação do lote e do adquirente
quando presentes elementos probatórios razoáveis no culote dos projéteis, na forma do regulamento
de conduta criminal preexistente. (Incluído pela desta Lei.
Lei nº 13.964, de 2019) § 3o As armas de fogo fabricadas a partir de 1
Tráfico internacional de arma de fogo (um) ano da data de publicação desta Lei conterão
Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada dispositivo intrínseco de segurança e de
ou saída do território nacional, a qualquer título, de identificação, gravado no corpo da arma, definido
arma de fogo, acessório ou munição, sem pelo regulamento desta Lei, exclusive para os órgãos
autorização da autoridade competente: previstos no Art. 6o.
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 16 (dezesseis) anos, § 4o As instituições de ensino policial e as
e multa. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de guardas municipais referidas nos incisos III e IV do
2019) caput do Art. 6o desta Lei e no seu § 7o poderão
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem adquirir insumos e máquinas de recarga de munição
vende ou entrega arma de fogo, acessório ou para o fim exclusivo de suprimento de suas
munição, em operação de importação, sem atividades, mediante autorização concedida nos
autorização da autoridade competente, a agente termos definidos em regulamento. (Incluído pela
policial disfarçado, quando presentes elementos Lei nº 11.706, de 2008)
probatórios razoáveis de conduta criminal Art. 24. Excetuadas as atribuições a que se
preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) refere o Art. 2º desta Lei, compete ao Comando do
Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a Exército autorizar e fiscalizar a produção,
pena é aumentada da metade se a arma de fogo, exportação, importação, desembaraço alfandegário
acessório ou munição forem de uso proibido ou e o comércio de armas de fogo e demais produtos
restrito. controlados, inclusive o registro e o porte de trânsito
Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, de arma de fogo de colecionadores, atiradores e
17 e 18, a pena é aumentada da metade se: caçadores.
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) Art. 25. As armas de fogo apreendidas, após a
I - forem praticados por integrante dos órgãos e elaboração do laudo pericial e sua juntada aos autos,
empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta Lei; ou quando não mais interessarem à persecução penal
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) serão encaminhadas pelo juiz competente ao
II - o agente for reincidente específico em crimes Comando do Exército, no prazo de até 48 (quarenta
dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 13.964, de e oito) horas, para destruição ou doação aos órgãos
2019) de segurança pública ou às Forças Armadas, na
Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 forma do regulamento desta Lei. (Redação dada
são insuscetíveis de liberdade provisória. (Vide pela Lei nº 13.886, de 2019)
Adin 3.112-1) § 1o As armas de fogo encaminhadas ao
CAPÍTULO V Comando do Exército que receberem parecer
DISPOSIÇÕES GERAIS favorável à doação, obedecidos o padrão e a dotação
Art. 22. O Ministério da Justiça poderá celebrar de cada Força Armada ou órgão de segurança
convênios com os Estados e o Distrito Federal para o pública, atendidos os critérios de prioridade
cumprimento do disposto nesta Lei. estabelecidos pelo Ministério da Justiça e ouvido o
Art. 23. A classificação legal, técnica e geral bem Comando do Exército, serão arroladas em relatório
como a definição das armas de fogo e demais reservado trimestral a ser encaminhado àquelas
produtos controlados, de usos proibidos, restritos, instituições, abrindo-se-lhes prazo para
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manifestação de interesse. (Incluído pela Lei nº Parágrafo único. O detentor de autorização com
11.706, de 2008) prazo de validade superior a 90 (noventa) dias
§ 1º-A. As armas de fogo e munições apreendidas em poderá renová-la, perante a Polícia Federal, nas
decorrência do tráfico de drogas de abuso, ou de condições dos arts. 4o, 6o e 10 desta Lei, no prazo de
qualquer forma utilizadas em atividades ilícitas de 90 (noventa) dias após sua publicação, sem ônus
produção ou comercialização de drogas abusivas, ou, para o requerente.
ainda, que tenham sido adquiridas com recursos Art. 30. Os possuidores e proprietários de arma
provenientes do tráfico de drogas de abuso, perdidas de fogo de uso permitido ainda não registrada
em favor da União e encaminhadas para o Comando deverão solicitar seu registro até o dia 31 de
do Exército, devem ser, após perícia ou vistoria que dezembro de 2008, mediante apresentação de
atestem seu bom estado, destinadas com prioridade documento de identificação pessoal e comprovante
para os órgãos de segurança pública e do sistema de residência fixa, acompanhados de nota fiscal de
penitenciário da unidade da federação responsável compra ou comprovação da origem lícita da posse,
pela apreensão. (Incluído pela Lei nº 13.886, de pelos meios de prova admitidos em direito, ou
2019) declaração firmada na qual constem as
§ 2o O Comando do Exército encaminhará a características da arma e a sua condição de
relação das armas a serem doadas ao juiz proprietário, ficando este dispensado do pagamento
competente, que determinará o seu perdimento em de taxas e do cumprimento das demais exigências
favor da instituição beneficiada. (Incluído pela constantes dos incisos I a III do caput do Art. 4o desta
Lei nº 11.706, de 2008) Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)
§ 3o O transporte das armas de fogo doadas (Prorrogação de prazo)
será de responsabilidade da instituição beneficiada, Parágrafo único. Para fins do cumprimento do
que procederá ao seu cadastramento no Sinarm ou disposto no caput deste artigo, o proprietário de
no Sigma. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008) arma de fogo poderá obter, no Departamento de
§ 4o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.706, de Polícia Federal, certificado de registro provisório,
2008) expedido na forma do § 4o do Art. 5o desta Lei.
§ 5o O Poder Judiciário instituirá instrumentos (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)
para o encaminhamento ao Sinarm ou ao Sigma, Art. 31. Os possuidores e proprietários de armas
conforme se trate de arma de uso permitido ou de de fogo adquiridas regularmente poderão, a
uso restrito, semestralmente, da relação de armas qualquer tempo, entregá-las à Polícia Federal,
acauteladas em juízo, mencionando suas mediante recibo e indenização, nos termos do
características e o local onde se encontram. regulamento desta Lei.
(Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008) Art. 32. Os possuidores e proprietários de arma
Art. 26. São vedadas a fabricação, a venda, a de fogo poderão entregá-la, espontaneamente,
comercialização e a importação de brinquedos, mediante recibo, e, presumindo-se de boa-fé, serão
réplicas e simulacros de armas de fogo, que com indenizados, na forma do regulamento, ficando
estas se possam confundir. extinta a punibilidade de eventual posse irregular da
Parágrafo único. Excetuam-se da proibição as referida arma. (Redação dada pela Lei nº 11.706,
réplicas e os simulacros destinados à instrução, ao de 2008)
adestramento, ou à coleção de usuário autorizado, Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 11.706,
nas condições fixadas pelo Comando do Exército. de 2008)
Art. 27. Caberá ao Comando do Exército Art. 33. Será aplicada multa de R$ 100.000,00
autorizar, excepcionalmente, a aquisição de armas (cem mil reais) a R$ 300.000,00 (trezentos mil reais),
de fogo de uso restrito. conforme especificar o regulamento desta Lei:
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se I – à empresa de transporte aéreo, rodoviário,
aplica às aquisições dos Comandos Militares. ferroviário, marítimo, fluvial ou lacustre que
Art. 28. É vedado ao menor de 25 (vinte e cinco) deliberadamente, por qualquer meio, faça,
anos adquirir arma de fogo, ressalvados os promova, facilite ou permita o transporte de arma
integrantes das entidades constantes dos incisos I, II, ou munição sem a devida autorização ou com
III, V, VI, VII e X do caput do Art. 6o desta Lei. inobservância das normas de segurança;
(Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008) II – à empresa de produção ou comércio de
Art. 29. As autorizações de porte de armas de armamentos que realize publicidade para venda,
fogo já concedidas expirar-se-ão 90 (noventa) dias estimulando o uso indiscriminado de armas de fogo,
após a publicação desta Lei. (Vide Lei nº 10.884, exceto nas publicações especializadas.
de 2004) Art. 34. Os promotores de eventos em locais
fechados, com aglomeração superior a 1000 (um mil)
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pessoas, adotarão, sob pena de responsabilidade, as Art. 37. Esta Lei entra em vigor na data de sua
providências necessárias para evitar o ingresso de publicação.
pessoas armadas, ressalvados os eventos garantidos Brasília, 22 de dezembro de 2003; 182o da
pelo inciso VI do Art. 5o da Constituição Federal. Independência e 115o da República.
Parágrafo único. As empresas responsáveis pela LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
prestação dos serviços de transporte internacional e Márcio Thomaz Bastos
interestadual de passageiros adotarão as José Viegas Filho
providências necessárias para evitar o embarque de Marina Silva
passageiros armados. Este texto não substitui o publicado no DOU de
Art. 34-A. Os dados relacionados à coleta de 23.12.2003
registros balísticos serão armazenados no Banco
Nacional de Perfis Balísticos. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
§ 1º O Banco Nacional de Perfis Balísticos tem como
objetivo cadastrar armas de fogo e armazenar
características de classe e individualizadoras de
projéteis e de estojos de munição deflagrados por
arma de fogo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º O Banco Nacional de Perfis Balísticos será
constituído pelos registros de elementos de munição
deflagrados por armas de fogo relacionados a
crimes, para subsidiar ações destinadas às apurações
criminais federais, estaduais e distritais. (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º O Banco Nacional de Perfis Balísticos será gerido
pela unidade oficial de perícia criminal. (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 4º Os dados constantes do Banco Nacional de
Perfis Balísticos terão caráter sigiloso, e aquele que
permitir ou promover sua utilização para fins
diversos dos previstos nesta Lei ou em decisão
judicial responderá civil, penal e
administrativamente. (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
§ 5º É vedada a comercialização, total ou parcial, da
base de dados do Banco Nacional de Perfis Balísticos.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 6º A formação, a gestão e o acesso ao Banco
Nacional de Perfis Balísticos serão regulamentados
em ato do Poder Executivo federal. (Incluído pela
Lei nº 13.964, de 2019)
CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 35. É proibida a comercialização de arma de
fogo e munição em todo o território nacional, salvo
para as entidades previstas no Art. 6o desta Lei.
§ 1o Este dispositivo, para entrar em vigor,
dependerá de aprovação mediante referendo
popular, a ser realizado em outubro de 2005.
§ 2o Em caso de aprovação do referendo
popular, o disposto neste artigo entrará em vigor na
data de publicação de seu resultado pelo Tribunal
Superior Eleitoral.
Art. 36. É revogada a Lei no 9.437, de 20 de
fevereiro de 1997.

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§ 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de


Lei Federal nº 12.850/2013 (Organização Criminosa) qualquer forma, embaraça a investigação de
com atualizações do Pacote Anticrime Lei nº 13.964, de infração penal que envolva organização criminosa.
2019. § 2º As penas aumentam-se até a metade se na
atuação da organização criminosa houver emprego
LEI Nº 12.850, DE 2 DE AGOSTO DE 2013 de arma de fogo.
§ 3º A pena é agravada para quem exerce o
Define organização criminosa e dispõe sobre a comando, individual ou coletivo, da organização
investigação criminal, os meios de obtenção da criminosa, ainda que não pratique pessoalmente
prova, infrações penais correlatas e o procedimento atos de execução.
criminal; altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de § 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3
dezembro de 1940 (Código Penal); revoga a Lei nº (dois terços):
9.034, de 3 de maio de 1995; e dá outras I - se há participação de criança ou adolescente;
providências. II - se há concurso de funcionário público, valendo-se
Vigência a organização criminosa dessa condição para a
prática de infração penal;
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o III - se o produto ou proveito da infração penal
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior;
Lei: IV - se a organização criminosa mantém conexão
CAPÍTULO I com outras organizações criminosas independentes;
DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a
Art. 1º Esta Lei define organização criminosa e transnacionalidade da organização.
dispõe sobre a investigação criminal, os meios de § 5º Se houver indícios suficientes de que o
obtenção da prova, infrações penais correlatas e o funcionário público integra organização criminosa,
procedimento criminal a ser aplicado. poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar
§ 1º Considera-se organização criminosa a do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da
associação de 4 (quatro) ou mais pessoas remuneração, quando a medida se fizer necessária à
estruturalmente ordenada e caracterizada pela investigação ou instrução processual.
divisão de tarefas, ainda que informalmente, com § 6º A condenação com trânsito em julgado
objetivo de obter, direta ou indiretamente, acarretará ao funcionário público a perda do cargo,
vantagem de qualquer natureza, mediante a prática função, emprego ou mandato eletivo e a interdição
de infrações penais cujas penas máximas sejam para o exercício de função ou cargo público pelo
superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter prazo de 8 (oito) anos subsequentes ao
transnacional. cumprimento da pena.
§ 2º Esta Lei se aplica também: § 7º Se houver indícios de participação de policial nos
I - às infrações penais previstas em tratado ou crimes de que trata esta Lei, a Corregedoria de
convenção internacional quando, iniciada a Polícia instaurará inquérito policial e comunicará ao
execução no País, o resultado tenha ou devesse ter Ministério Público, que designará membro para
ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; acompanhar o feito até a sua conclusão.
II - às organizações terroristas internacionais, § 8º As lideranças de organizações criminosas
reconhecidas segundo as normas de direito armadas ou que tenham armas à disposição deverão
internacional, por foro do qual o Brasil faça parte, iniciar o cumprimento da pena em estabelecimentos
cujos atos de suporte ao terrorismo, bem como os penais de segurança máxima. (Incluído pela Lei nº
atos preparatórios ou de execução de atos 13.964, de 2019)
terroristas, ocorram ou possam ocorrer em território § 9º O condenado expressamente em sentença por
nacional. integrar organização criminosa ou por crime
II - às organizações terroristas, entendidas como praticado por meio de organização criminosa não
aquelas voltadas para a prática dos atos de poderá progredir de regime de cumprimento de
terrorismo legalmente definidos. (Redação dada pena ou obter livramento condicional ou outros
pela lei nº 13.260, de 2016) benefícios prisionais se houver elementos
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, probatórios que indiquem a manutenção do vínculo
pessoalmente ou por interposta pessoa, organização associativo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
criminosa: CAPÍTULO II
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, DA INVESTIGAÇÃO E DOS MEIOS DE OBTENÇÃO DA
sem prejuízo das penas correspondentes às demais PROVA
infrações penais praticadas.
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Art. 3º Em qualquer fase da persecução penal, serão § 2º Caso não haja indeferimento sumário, as partes
permitidos, sem prejuízo de outros já previstos em deverão firmar Termo de Confidencialidade para
lei, os seguintes meios de obtenção da prova: prosseguimento das tratativas, o que vinculará os
I - colaboração premiada; órgãos envolvidos na negociação e impedirá o
II - captação ambiental de sinais eletromagnéticos, indeferimento posterior sem justa causa. (Incluído
ópticos ou acústicos; pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - ação controlada; § 3º O recebimento de proposta de colaboração para
IV - acesso a registros de ligações telefônicas e análise ou o Termo de Confidencialidade não
telemáticas, a dados cadastrais constantes de implica, por si só, a suspensão da investigação,
bancos de dados públicos ou privados e a ressalvado acordo em contrário quanto à
informações eleitorais ou comerciais; propositura de medidas processuais penais
V - interceptação de comunicações telefônicas e cautelares e assecuratórias, bem como medidas
telemáticas, nos termos da legislação específica; processuais cíveis admitidas pela legislação
VI - afastamento dos sigilos financeiro, bancário e processual civil em vigor. (Incluído pela Lei nº
fiscal, nos termos da legislação específica; 13.964, de 2019)
VII - infiltração, por policiais, em atividade de § 4º O acordo de colaboração premiada poderá ser
investigação, na forma do Art. 11; precedido de instrução, quando houver necessidade
VIII - cooperação entre instituições e órgãos federais, de identificação ou complementação de seu objeto,
distritais, estaduais e municipais na busca de provas dos fatos narrados, sua definição jurídica, relevância,
e informações de interesse da investigação ou da utilidade e interesse público. (Incluído pela Lei nº
instrução criminal. 13.964, de 2019)
§ 1º Havendo necessidade justificada de manter § 5º Os termos de recebimento de proposta de
sigilo sobre a capacidade investigatória, poderá ser colaboração e de confidencialidade serão
dispensada licitação para contratação de serviços elaborados pelo celebrante e assinados por ele, pelo
técnicos especializados, aquisição ou locação de colaborador e pelo advogado ou defensor público
equipamentos destinados à polícia judiciária para o com poderes específicos. (Incluído pela Lei nº
rastreamento e obtenção de provas previstas nos 13.964, de 2019)
incisos II e V. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) § 6º Na hipótese de não ser celebrado o acordo por
§ 2º No caso do § 1º , fica dispensada a publicação iniciativa do celebrante, esse não poderá se valer de
de que trata o Parágrafo único do Art. 61 da Lei nº nenhuma das informações ou provas apresentadas
8.666, de 21 de junho de 1993, devendo ser pelo colaborador, de boa-fé, para qualquer outra
comunicado o órgão de controle interno da finalidade. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
realização da contratação. (Incluído pela Lei nº Art. 3º-C. A proposta de colaboração premiada deve
13.097, de 2015) estar instruída com procuração do interessado com
Seção I poderes específicos para iniciar o procedimento de
Da Colaboração Premiada colaboração e suas tratativas, ou firmada
Seção I pessoalmente pela parte que pretende a
Da Colaboração Premiada colaboração e seu advogado ou defensor público.
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 3º-A. O acordo de colaboração premiada é § 1º Nenhuma tratativa sobre colaboração premiada
negócio jurídico processual e meio de obtenção de deve ser realizada sem a presença de advogado
prova, que pressupõe utilidade e interesse públicos. constituído ou defensor público. (Incluído pela Lei
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) nº 13.964, de 2019)
Art. 3º-B. O recebimento da proposta para § 2º Em caso de eventual conflito de interesses, ou
formalização de acordo de colaboração demarca o de colaborador hipossuficiente, o celebrante deverá
início das negociações e constitui também marco de solicitar a presença de outro advogado ou a
confidencialidade, configurando violação de sigilo e participação de defensor público. (Incluído pela Lei
quebra da confiança e da boa-fé a divulgação de tais nº 13.964, de 2019)
tratativas iniciais ou de documento que as formalize, § 3º No acordo de colaboração premiada, o
até o levantamento de sigilo por decisão judicial. colaborador deve narrar todos os fatos ilícitos para
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) os quais concorreu e que tenham relação direta com
§ 1º A proposta de acordo de colaboração premiada os fatos investigados. (Incluído pela Lei nº 13.964,
poderá ser sumariamente indeferida, com a devida de 2019)
justificativa, cientificando-se o interessado. § 4º Incumbe à defesa instruir a proposta de
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) colaboração e os anexos com os fatos
adequadamente descritos, com todas as suas
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circunstâncias, indicando as provas e os elementos § 4º-A. Considera-se existente o conhecimento


de corroboração. (Incluído pela Lei nº 13.964, de prévio da infração quando o Ministério Público ou a
2019) autoridade policial competente tenha instaurado
Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, inquérito ou procedimento investigatório para
conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois apuração dos fatos apresentados pelo colaborador.
terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
por restritiva de direitos daquele que tenha § 5º Se a colaboração for posterior à sentença, a
colaborado efetiva e voluntariamente com a pena poderá ser reduzida até a metade ou será
investigação e com o processo criminal, desde que admitida a progressão de regime ainda que ausentes
dessa colaboração advenha um ou mais dos os requisitos objetivos.
seguintes resultados: § 6º O juiz não participará das negociações realizadas
I - a identificação dos demais coautores e partícipes entre as partes para a formalização do acordo de
da organização criminosa e das infrações penais por colaboração, que ocorrerá entre o delegado de
eles praticadas; polícia, o investigado e o defensor, com a
II - a revelação da estrutura hierárquica e da divisão manifestação do Ministério Público, ou, conforme o
de tarefas da organização criminosa; caso, entre o Ministério Público e o investigado ou
III - a prevenção de infrações penais decorrentes das acusado e seu defensor.
atividades da organização criminosa; § 7º Realizado o acordo na forma do § 6º , o
IV - a recuperação total ou parcial do produto ou do respectivo termo, acompanhado das declarações do
proveito das infrações penais praticadas pela colaborador e de cópia da investigação, será
organização criminosa; remetido ao juiz para homologação, o qual deverá
V - a localização de eventual vítima com a sua verificar sua regularidade, legalidade e
integridade física preservada. voluntariedade, podendo para este fim,
§ 1º Em qualquer caso, a concessão do benefício sigilosamente, ouvir o colaborador, na presença de
levará em conta a personalidade do colaborador, a seu defensor.
natureza, as circunstâncias, a gravidade e a § 7º Realizado o acordo na forma do § 6º deste
repercussão social do fato criminoso e a eficácia da artigo, serão remetidos ao juiz, para análise, o
colaboração. respectivo termo, as declarações do colaborador e
§ 2º Considerando a relevância da colaboração cópia da investigação, devendo o juiz ouvir
prestada, o Ministério Público, a qualquer tempo, e sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu
o delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, defensor, oportunidade em que analisará os
com a manifestação do Ministério Público, poderão seguintes aspectos na homologação: (Redação
requerer ou representar ao juiz pela concessão de dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
perdão judicial ao colaborador, ainda que esse I - regularidade e legalidade; (Incluído pela Lei nº
benefício não tenha sido previsto na proposta inicial, 13.964, de 2019)
aplicando-se, no que couber, o Art. 28 do Decreto- II - adequação dos benefícios pactuados àqueles
Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de previstos no caput e nos §§ 4º e 5º deste artigo,
Processo Penal). sendo nulas as cláusulas que violem o critério de
§ 3º O prazo para oferecimento de denúncia ou o definição do regime inicial de cumprimento de pena
processo, relativos ao colaborador, poderá ser do Art. 33 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro
suspenso por até 6 (seis) meses, prorrogáveis por de 1940 (Código Penal), as regras de cada um dos
igual período, até que sejam cumpridas as medidas regimes previstos no Código Penal e na Lei nº 7.210,
de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal) e os
prescricional. requisitos de progressão de regime não abrangidos
§ 4º Nas mesmas hipóteses do caput , o Ministério pelo § 5º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 13.964,
Público poderá deixar de oferecer denúncia se o de 2019)
colaborador: III - adequação dos resultados da colaboração aos
§ 4º Nas mesmas hipóteses do caput deste artigo, o resultados mínimos exigidos nos incisos I, II, III, IV e
Ministério Público poderá deixar de oferecer V do caput deste artigo; (Incluído pela Lei nº
denúncia se a proposta de acordo de colaboração 13.964, de 2019)
referir-se a infração de cuja existência não tenha IV - voluntariedade da manifestação de vontade,
prévio conhecimento e o colaborador: (Redação especialmente nos casos em que o colaborador está
dada pela Lei nº 13.964, de 2019) ou esteve sob efeito de medidas cautelares.
I - não for o líder da organização criminosa; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - for o primeiro a prestar efetiva colaboração nos § 7º-A O juiz ou o tribunal deve proceder à análise
termos deste artigo. fundamentada do mérito da denúncia, do perdão
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judicial e das primeiras etapas de aplicação da pena, ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de
nos termos do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dizer a verdade.
dezembro de 1940 (Código Penal) e do Decreto-Lei § 15. Em todos os atos de negociação, confirmação e
nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de execução da colaboração, o colaborador deverá
Processo Penal), antes de conceder os benefícios estar assistido por defensor.
pactuados, exceto quando o acordo prever o não § 16. Nenhuma sentença condenatória será
oferecimento da denúncia na forma dos §§ 4º e 4º-A proferida com fundamento apenas nas declarações
deste artigo ou já tiver sido proferida sentença. de agente colaborador.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 16. Nenhuma das seguintes medidas será
§ 7º-B. São nulas de pleno direito as previsões de decretada ou proferida com fundamento apenas nas
renúncia ao direito de impugnar a decisão declarações do colaborador: (Redação dada pela
homologatória. (Incluído pela Lei nº 13.964, de Lei nº 13.964, de 2019)
2019) I - medidas cautelares reais ou pessoais; (Incluído
§ 8º O juiz poderá recusar homologação à proposta pela Lei nº 13.964, de 2019)
que não atender aos requisitos legais, ou adequá-la II - recebimento de denúncia ou queixa-crime;
ao caso concreto. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 8º O juiz poderá recusar a homologação da III - sentença condenatória. (Incluído pela Lei nº
proposta que não atender aos requisitos legais, 13.964, de 2019)
devolvendo-a às partes para as adequações § 17. O acordo homologado poderá ser rescindido
necessárias. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de em caso de omissão dolosa sobre os fatos objeto da
2019) colaboração. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 9º Depois de homologado o acordo, o colaborador § 18. O acordo de colaboração premiada pressupõe
poderá, sempre acompanhado pelo seu defensor, que o colaborador cesse o envolvimento em conduta
ser ouvido pelo membro do Ministério Público ou ilícita relacionada ao objeto da colaboração, sob
pelo delegado de polícia responsável pelas pena de rescisão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
investigações. 2019)
§ 10. As partes podem retratar-se da proposta, caso Art. 5º São direitos do colaborador:
em que as provas autoincriminatórias produzidas I - usufruir das medidas de proteção previstas na
pelo colaborador não poderão ser utilizadas legislação específica;
exclusivamente em seu desfavor. II - ter nome, qualificação, imagem e demais
§ 10-A Em todas as fases do processo, deve-se informações pessoais preservados;
garantir ao réu delatado a oportunidade de III - ser conduzido, em juízo, separadamente dos
manifestar-se após o decurso do prazo concedido ao demais coautores e partícipes;
réu que o delatou. (Incluído pela Lei nº 13.964, de IV - participar das audiências sem contato visual com
2019) os outros acusados;
§ 11. A sentença apreciará os termos do acordo V - não ter sua identidade revelada pelos meios de
homologado e sua eficácia. comunicação, nem ser fotografado ou filmado, sem
§ 12. Ainda que beneficiado por perdão judicial ou sua prévia autorização por escrito;
não denunciado, o colaborador poderá ser ouvido VI - cumprir pena em estabelecimento penal diverso
em juízo a requerimento das partes ou por iniciativa dos demais corréus ou condenados.
da autoridade judicial. VI - cumprir pena ou prisão cautelar em
§ 13. Sempre que possível, o registro dos atos de estabelecimento penal diverso dos demais corréus
colaboração será feito pelos meios ou recursos de ou condenados. (Redação dada pela Lei nº 13.964,
gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica de 2019)
similar, inclusive audiovisual, destinados a obter Art. 6º O termo de acordo da colaboração premiada
maior fidelidade das informações. deverá ser feito por escrito e conter:
§ 13. O registro das tratativas e dos atos de I - o relato da colaboração e seus possíveis
colaboração deverá ser feito pelos meios ou recursos resultados;
de gravação magnética, estenotipia, digital ou II - as condições da proposta do Ministério Público ou
técnica similar, inclusive audiovisual, destinados a do delegado de polícia;
obter maior fidelidade das informações, garantindo- III - a declaração de aceitação do colaborador e de
se a disponibilização de cópia do material ao seu defensor;
colaborador. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de IV - as assinaturas do representante do Ministério
2019) Público ou do delegado de polícia, do colaborador e
§ 14. Nos depoimentos que prestar, o colaborador de seu defensor;
renunciará, na presença de seu defensor, ao direito
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V - a especificação das medidas de proteção ao de modo a reduzir os riscos de fuga e extravio do


colaborador e à sua família, quando necessário. produto, objeto, instrumento ou proveito do crime.
Art. 7º O pedido de homologação do acordo será Seção III
sigilosamente distribuído, contendo apenas Da Infiltração de Agentes
informações que não possam identificar o Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas
colaborador e o seu objeto. de investigação, representada pelo delegado de
§ 1º As informações pormenorizadas da colaboração polícia ou requerida pelo Ministério Público, após
serão dirigidas diretamente ao juiz a que recair a manifestação técnica do delegado de polícia quando
distribuição, que decidirá no prazo de 48 (quarenta e solicitada no curso de inquérito policial, será
oito) horas. precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa
§ 2º O acesso aos autos será restrito ao juiz, ao autorização judicial, que estabelecerá seus limites.
Ministério Público e ao delegado de polícia, como § 1º Na hipótese de representação do delegado de
forma de garantir o êxito das investigações, polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o
assegurando-se ao defensor, no interesse do Ministério Público.
representado, amplo acesso aos elementos de prova § 2º Será admitida a infiltração se houver indícios de
que digam respeito ao exercício do direito de defesa, infração penal de que trata o Art. 1º e se a prova não
devidamente precedido de autorização judicial, puder ser produzida por outros meios disponíveis.
ressalvados os referentes às diligências em § 3º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6
andamento. (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações,
§ 3º O acordo de colaboração premiada deixa de ser desde que comprovada sua necessidade.
sigiloso assim que recebida a denúncia, observado o § 4º Findo o prazo previsto no § 3º , o relatório
disposto no Art. 5º . circunstanciado será apresentado ao juiz
§ 3º O acordo de colaboração premiada e os competente, que imediatamente cientificará o
depoimentos do colaborador serão mantidos em Ministério Público.
sigilo até o recebimento da denúncia ou da queixa- § 5º No curso do inquérito policial, o delegado de
crime, sendo vedado ao magistrado decidir por sua polícia poderá determinar aos seus agentes, e o
publicidade em qualquer hipótese. (Redação dada Ministério Público poderá requisitar, a qualquer
pela Lei nº 13.964, de 2019) tempo, relatório da atividade de infiltração.
Seção II Art. 10-A. Será admitida a ação de agentes de polícia
Da Ação Controlada infiltrados virtuais, obedecidos os requisitos do
Art. 8º Consiste a ação controlada em retardar a caput do Art. 10, na internet, com o fim de investigar
intervenção policial ou administrativa relativa à ação os crimes previstos nesta Lei e a eles conexos,
praticada por organização criminosa ou a ela praticados por organizações criminosas, desde que
vinculada, desde que mantida sob observação e demonstrada sua necessidade e indicados o alcance
acompanhamento para que a medida legal se das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das
concretize no momento mais eficaz à formação de pessoas investigadas e, quando possível, os dados de
provas e obtenção de informações. conexão ou cadastrais que permitam a identificação
§ 1º O retardamento da intervenção policial ou dessas pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
administrativa será previamente comunicado ao juiz 2019)
competente que, se for o caso, estabelecerá os seus § 1º Para efeitos do disposto nesta Lei, consideram-
limites e comunicará ao Ministério Público. se: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º A comunicação será sigilosamente distribuída de I - dados de conexão: informações referentes a hora,
forma a não conter informações que possam indicar data, início, término, duração, endereço de
a operação a ser efetuada. Protocolo de Internet (IP) utilizado e terminal de
§ 3º Até o encerramento da diligência, o acesso aos origem da conexão; (Incluído pela Lei nº 13.964,
autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao de 2019)
delegado de polícia, como forma de garantir o êxito II - dados cadastrais: informações referentes a nome
das investigações. e endereço de assinante ou de usuário registrado ou
§ 4º Ao término da diligência, elaborar-se-á auto autenticado para a conexão a quem endereço de IP,
circunstanciado acerca da ação controlada. identificação de usuário ou código de acesso tenha
Art. 9º Se a ação controlada envolver transposição sido atribuído no momento da conexão. (Incluído
de fronteiras, o retardamento da intervenção policial pela Lei nº 13.964, de 2019)
ou administrativa somente poderá ocorrer com a § 2º Na hipótese de representação do delegado de
cooperação das autoridades dos países que figurem polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o
como provável itinerário ou destino do investigado, Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)
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§ 3º Será admitida a infiltração se houver indícios de infiltrado e a intimidade dos envolvidos. (Incluído
infração penal de que trata o Art. 1º desta Lei e se as pela Lei nº 13.964, de 2019)
provas não puderem ser produzidas por outros Art. 11. O requerimento do Ministério Público ou a
meios disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.964, de representação do delegado de polícia para a
2019) infiltração de agentes conterão a demonstração da
§ 4º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 necessidade da medida, o alcance das tarefas dos
(seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações, agentes e, quando possível, os nomes ou apelidos
mediante ordem judicial fundamentada e desde que das pessoas investigadas e o local da infiltração.
o total não exceda a 720 (setecentos e vinte) dias e Parágrafo único. Os órgãos de registro e cadastro
seja comprovada sua necessidade. (Incluído pela público poderão incluir nos bancos de dados
Lei nº 13.964, de 2019) próprios, mediante procedimento sigiloso e
§ 5º Findo o prazo previsto no § 4º deste artigo, o requisição da autoridade judicial, as informações
relatório circunstanciado, juntamente com todos os necessárias à efetividade da identidade fictícia
atos eletrônicos praticados durante a operação, criada, nos casos de infiltração de agentes na
deverão ser registrados, gravados, armazenados e internet. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
apresentados ao juiz competente, que Art. 12. O pedido de infiltração será sigilosamente
imediatamente cientificará o Ministério Público. distribuído, de forma a não conter informações que
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) possam indicar a operação a ser efetivada ou
§ 6º No curso do inquérito policial, o delegado de identificar o agente que será infiltrado.
polícia poderá determinar aos seus agentes, e o § 1º As informações quanto à necessidade da
Ministério Público e o juiz competente poderão operação de infiltração serão dirigidas diretamente
requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade ao juiz competente, que decidirá no prazo de 24
de infiltração. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (vinte e quatro) horas, após manifestação do
§ 7º É nula a prova obtida sem a observância do Ministério Público na hipótese de representação do
disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.964, delegado de polícia, devendo-se adotar as medidas
de 2019) necessárias para o êxito das investigações e a
Art. 10-B. As informações da operação de infiltração segurança do agente infiltrado.
serão encaminhadas diretamente ao juiz § 2º Os autos contendo as informações da operação
responsável pela autorização da medida, que zelará de infiltração acompanharão a denúncia do
por seu sigilo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Ministério Público, quando serão disponibilizados à
Parágrafo único. Antes da conclusão da operação, o defesa, assegurando-se a preservação da identidade
acesso aos autos será reservado ao juiz, ao do agente.
Ministério Público e ao delegado de polícia § 3º Havendo indícios seguros de que o agente
responsável pela operação, com o objetivo de infiltrado sofre risco iminente, a operação será
garantir o sigilo das investigações. (Incluído pela sustada mediante requisição do Ministério Público
Lei nº 13.964, de 2019) ou pelo delegado de polícia, dando-se imediata
Art. 10-C. Não comete crime o policial que oculta a ciência ao Ministério Público e à autoridade judicial.
sua identidade para, por meio da internet, colher Art. 13. O agente que não guardar, em sua atuação,
indícios de autoria e materialidade dos crimes a devida proporcionalidade com a finalidade da
previstos no Art. 1º desta Lei. (Incluído pela Lei nº investigação, responderá pelos excessos praticados.
13.964, de 2019) Parágrafo único. Não é punível, no âmbito da
Parágrafo único. O agente policial infiltrado que infiltração, a prática de crime pelo agente infiltrado
deixar de observar a estrita finalidade da no curso da investigação, quando inexigível conduta
investigação responderá pelos excessos praticados. diversa.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Art. 14. São direitos do agente:
Art. 10-D. Concluída a investigação, todos os atos I - recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada;
eletrônicos praticados durante a operação deverão II - ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que
ser registrados, gravados, armazenados e couber, o disposto no Art. 9º da Lei nº 9.807, de 13
encaminhados ao juiz e ao Ministério Público, de julho de 1999, bem como usufruir das medidas de
juntamente com relatório circunstanciado. proteção a testemunhas;
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) III - ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, sua
Parágrafo único. Os atos eletrônicos registrados voz e demais informações pessoais preservadas
citados no caput deste artigo serão reunidos em durante a investigação e o processo criminal, salvo
autos apartados e apensados ao processo criminal se houver decisão judicial em contrário;
juntamente com o inquérito policial, assegurando-se
a preservação da identidade do agente policial
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IV - não ter sua identidade revelada, nem ser Penal), observado o disposto no Parágrafo único
fotografado ou filmado pelos meios de comunicação, deste artigo.
sem sua prévia autorização por escrito. Parágrafo único. A instrução criminal deverá ser
Seção IV encerrada em prazo razoável, o qual não poderá
Do Acesso a Registros, Dados Cadastrais, exceder a 120 (cento e vinte) dias quando o réu
Documentos e Informações estiver preso, prorrogáveis em até igual período, por
Art. 15. O delegado de polícia e o Ministério Público decisão fundamentada, devidamente motivada pela
terão acesso, independentemente de autorização complexidade da causa ou por fato procrastinatório
judicial, apenas aos dados cadastrais do investigado atribuível ao réu.
que informem exclusivamente a qualificação Art. 23. O sigilo da investigação poderá ser
pessoal, a filiação e o endereço mantidos pela Justiça decretado pela autoridade judicial competente, para
Eleitoral, empresas telefônicas, instituições garantia da celeridade e da eficácia das diligências
financeiras, provedores de internet e investigatórias, assegurando-se ao defensor, no
administradoras de cartão de crédito. interesse do representado, amplo acesso aos
Art. 16. As empresas de transporte possibilitarão, elementos de prova que digam respeito ao exercício
pelo prazo de 5 (cinco) anos, acesso direto e do direito de defesa, devidamente precedido de
permanente do juiz, do Ministério Público ou do autorização judicial, ressalvados os referentes às
delegado de polícia aos bancos de dados de reservas diligências em andamento.
e registro de viagens. Parágrafo único. Determinado o depoimento do
Art. 17. As concessionárias de telefonia fixa ou móvel investigado, seu defensor terá assegurada a prévia
manterão, pelo prazo de 5 (cinco) anos, à disposição vista dos autos, ainda que classificados como
das autoridades mencionadas no Art. 15, registros sigilosos, no prazo mínimo de 3 (três) dias que
de identificação dos números dos terminais de antecedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério
origem e de destino das ligações telefônicas da autoridade responsável pela investigação.
internacionais, interurbanas e locais. Art. 24. O Art. 288 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
Seção V dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar
Dos Crimes Ocorridos na Investigação e na com a seguinte redação:
Obtenção da Prova “ Associação Criminosa
Art. 18. Revelar a identidade, fotografar ou filmar o Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas,
colaborador, sem sua prévia autorização por escrito: para o fim específico de cometer crimes:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
Art. 19. Imputar falsamente, sob pretexto de Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se
colaboração com a Justiça, a prática de infração a associação é armada ou se houver a participação
penal a pessoa que sabe ser inocente, ou revelar de criança ou adolescente.” (NR)
informações sobre a estrutura de organização Art. 25. O Art. 342 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
criminosa que sabe inverídicas: dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. com a seguinte redação:
Art. 20. Descumprir determinação de sigilo das “Art. 342.
investigações que envolvam a ação controlada e a ...................................................................................
infiltração de agentes: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. multa.
Art. 21. Recusar ou omitir dados cadastrais, ....................................................................................
registros, documentos e informações requisitadas ..............” (NR)
pelo juiz, Ministério Público ou delegado de polícia, Art. 26. Revoga-se a Lei nº 9.034, de 3 de maio de
no curso de investigação ou do processo: 1995.
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e Art. 27. Esta Lei entra em vigor após decorridos 45
multa. (quarenta e cinco) dias de sua publicação oficial.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem, de Brasília, 2 de agosto de 2013; 192º da Independência
forma indevida, se apossa, propala, divulga ou faz e 125º da República.
uso dos dados cadastrais de que trata esta Lei. DILMA ROUSSEFF
CAPÍTULO III José Eduardo Cardozo
DISPOSIÇÕES FINAIS Este texto não substitui o publicado no DOU de
Art. 22. Os crimes previstos nesta Lei e as infrações 5.8.2013 - Edição extra
penais conexas serão apurados mediante
procedimento ordinário previsto no Decreto-Lei nº
3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo
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fraudar qualquer documento ou situação que possa


motivar a suspensão ou a proibição de seu porte de
Lei Estadual 21.068/2013 (Porte de Arma do Agente de arma de fogo.
Segurança Penitenciário). Art. 4° O Agente de Segurança Penitenciário, ao
portar arma de fogo fora de serviço e em locais onde
LEI ESTADUAL 21.068/2013 haja aglomeração de pessoas, em virtude de evento
de qualquer natureza, deverá fazê-lo de forma
Dispõe sobre o porte de armas de fogo pelo Agente discreta, visando a evitar constrangimentos a
de Segurança Penitenciário de que trata a Lei n° terceiros, e responderá, nos termos da legislação
14.695, de 30 de julho de 2003. pertinente, pelos excessos que cometer.
Art. 5° O porte de arma de fogo pelo Agente de
O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS, Segurança Penitenciário no interior de unidades
O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus prisionais respeitará o disposto em regulamento.
representantes, decretou e eu, em seu nome, Art. 6° É obrigatório o porte, pelo Agente de
promulgo a seguinte Lei: Segurança Penitenciário, do Certificado de Registro
Art. 1° O ocupante do quadro efetivo de Agente de de Arma de Fogo atualizado e da Identidade
Segurança Penitenciário, de que trata a Lei n° 14.695, Funcional.
de 30 de julho de 2003, terá direito a portar arma de Art. 7° Aplica-se, no que couber, o disposto na Lei
fogo institucional ou particular, ainda que fora de Federal n° 10.826, de 2003, e demais normas que
serviço, dentro dos limites do Estado de Minas regulamentem a matéria.
Gerais, desde que: Art. 8° Esta Lei entra em vigor na data de sua
I - preencha os requisitos do inciso III do Art. 4° da publicação.
Lei Federal n° 10.826, de 22 de dezembro de 2003; Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, aos 27 de
II - não esteja em gozo de licença médica por doença dezembro de 2013; 225º da Inconfidência Mineira e
que contra-indique o uso de armamento; 192º da Independência do Brasil.
III - não esteja sendo processado por infração penal, ANTONIO AUGUSTO JUNHO ANASTASIA
exceto aquelas de que trata a Lei Federal n° 9.099, Danilo de Castro
de 26 de setembro de 1995. Maria Coeli Simões Pires
§ 1° O porte de arma de fogo será deferido aos Renata Maria Paes de Vilhena
Agentes de Segurança Penitenciários, com base no Rômulo de Carvalho Ferraz
inciso VII do Art. 6° da Lei Federal n° 10.826, de 2003.
§ 2° No caso previsto no inciso II do caput, o médico,
ao conceder a licença, deverá declarar a
conveniência ou não da manutenção do porte.
§ 3° O porte de arma de fogo de que trata o caput se
estende ao servidor da carreira de Agente de
Segurança Penitenciário que esteja aposentado.
§ 4° Não se aplica o disposto no § 3° na hipótese de
aposentadoria por motivo de saúde, se, no ato da
concessão da aposentadoria ou no decurso desta,
houver contraindicação médica ao porte de arma de
fogo devidamente fundamentada e firmada por
junta médica.
Art. 2° A autorização para o porte de arma de fogo
de que trata esta Lei constará da Carteira de
Identidade Funcional do Agente de Segurança
Penitenciário, a ser confeccionada pela instituição
estadual competente.
Parágrafo único. Em caso de proibição ou suspensão
do porte de arma de fogo, nas hipóteses previstas
nesta Lei ou em outras normas que regulamentem a
matéria, deverá ser emitida nova carteira funcional
para o Agente de Segurança Penitenciário, sem a
autorização do porte.
Art. 3° Responderá administrativa e penalmente o
Agente de Segurança Penitenciário que omitir ou
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junho de 2018, que instituiu o Sistema Único de


DECRETO 47.795 DE DEZEMBRO DE 2019 Revogou o Segurança Pública – Susp;
Decreto 47.087 de 2016 (Dispõe Sobre a Organização da VI – à elaboração, no âmbito de suas competências,
Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) das propostas de legislação e regulamentação em
assuntos do sistema prisional e de segurança pública,
referentes ao setor público e ao privado, bem como
Dispõe sobre a organização da Secretaria de à cooperação com o desenvolvimento das políticas
Estado de Justiça e Segurança Pública. relativas ao aprimoramento dos organismos periciais
oficiais.
O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS, no § 1º – Terão prioritariamente a interlocução da
uso de atribuição que lhe confere o inciso VII do art. Sejusp, que poderá, inclusive, atuar como
90 da Constituição do Estado e tendo em vista o interveniente, no que couber, os convênios,
disposto na Lei nº 23.304, de 30 de maio de 2019, credenciamentos, termos de cooperação e afins:
I – firmados com a Secretaria Nacional de Segurança
DECRETA: Pública, outras pastas e órgãos do governo federal,
Art. 1º – A Secretaria de Estado de Justiça e relativos à segurança pública;
Segurança Pública – Sejusp, a que se referem os arts. II – relativos à justiça penal.
39 e 40 da Lei nº 23.304, de 30 de maio de 2019, § 2º – A gestão da política de segurança relativa à
rege-se por este Decreto e pela legislação aplicável. prevenção ao uso de drogas, no âmbito da Sejusp,
Art. 2º – A Sejusp, órgão responsável por limita-se à gestão do Fundo Estadual de Prevenção,
implementar e acompanhar a política estadual de Fiscalização e Repressão de Entorpecentes e da
segurança pública, de maneira integrada com a gestão de ativos perdidos e apreendidos em favor da
Polícia Militar de Minas Gerais – PMMG, Polícia Civil União em decorrência do tráfico de drogas.
de Minas Gerais – PCMG e o Corpo de Bombeiros Art. 3º – A Sejusp possui a seguinte estrutura:
Militar de Minas Gerais – CBMMG e a política I – Gabinete;
estadual de justiça penal, em articulação com o II – Controladoria Setorial;
Poder Judiciário e os órgãos essenciais à Justiça, tem III – Assessoria Jurídica;
como competência planejar, elaborar, deliberar, IV – Assessoria de Comunicação Social;
coordenar, gerir e supervisionar as ações setoriais a V – Assessoria Estratégica;
cargo do Estado relativas: VI – Subsecretaria de Inteligência e Atuação
I – às políticas estaduais de segurança pública, para Integrada:
garantir a efetividade das ações operacionais a) Superintendência do Observatório de Segurança
integradas, conjugando estratégias de prevenção e Pública:
repressão qualificada à criminalidade e à violência e 1 – Diretoria de Informações de Segurança Pública;
gerindo a política de segurança relativa à prevenção 2 – Diretoria de Informações de Justiça;
ao uso de drogas, com vistas à promoção da b) Superintendência de Inteligência e Integração da
segurança da população, de modo integrado com as Informação:
corporações que compõem o sistema estadual de 1 – Diretoria de Inteligência;
segurança pública; 2 – Diretoria de Contrainteligência;
II – à integração das atividades de inteligência de c) Superintendência Educacional de Segurança
segurança pública no âmbito do Estado, zelando pela Pública:
salvaguarda e pelo sigilo da informação e coibindo o 1 – Diretoria de Ensino Integrado;
acesso de pessoas ou órgãos não autorizados; 2 – Diretoria Pedagógica;
III – à política prisional, assegurando que todas as 3 – Diretoria Operacional;
pessoas privadas de liberdade sejam tratadas com o d) Superintendência de Integração e Planejamento
respeito e a dignidade inerentes ao ser humano, Operacional:
promovendo sua reabilitação e reintegração social e 1 – Diretoria de Gestão de Processos;
garantindo a efetiva execução das decisões judiciais; 2 – Diretoria de Planejamento Integrado;
IV – à política socioeducativa com o objetivo de 3 – Diretoria do Centro Integrado de Comando e
interromper a trajetória infracional de adolescentes Controle;
em cumprimento de medida socioeducativa de e) Unidades Prediais Integradas de Região Integrada
internação e semiliberdade; de Segurança Pública e Área
V – às ações necessárias à adequação das políticas Integrada de Segurança Pública;
públicas estaduais às orientações e normatizações VII – Subsecretaria de Prevenção à Criminalidade:
estabelecidas na Lei Federal nº 13.675, de 11 de a) Superintendência de Políticas de Prevenção à
Criminalidade:
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1 – Diretoria de Alternativas Penais; d) Assessoria de Informação e Inteligência Prisional;


2 – Diretoria de Atendimento ao Egresso do Sistema e) Comando de Operações Especiais;
Prisional; f) Diretorias Regionais e Unidades Prisionais;
3 – Diretoria de Proteção da Juventude; X – Subsecretaria de Atendimento Socioeducativo:
4 – Diretoria de Prevenção Comunitária e Proteção à a) Superintendência de Atendimento ao
Mulher; Adolescente:
b) Assessoria de Gestão com Municípios e 1 – Diretoria de Formação Educacional, Profissional,
Supervisão do Termo de Parceria; Esporte, Cultura e Lazer;
c) Assessoria de Gestão de Ativos Perdidos e 2 – Diretoria de Atenção à Saúde;
Apreendidos em Favor da União; 3 – Diretoria de Orientação Socioeducativa;
d) Unidades de Prevenção à Criminalidade; 4 – Diretoria de Segurança Socioeducativa;
VIII – Subsecretaria de Gestão Administrativa, b) Superintendência de Gestão Administrativa:
Logística e Tecnologia: 1 – Diretoria de Planejamento e Monitoramento
a) Superintendência de Apoio à Gestão Alimentar: Socioeducativo;
1 – Diretoria de Nutrição; 2 – Diretoria de Gestão de Vagas e Atendimento
2 – Diretoria de Acompanhamento de Contratos de Jurídico;
Alimentação; 3 – Diretoria de Apoio à Gestão de Parcerias;
3 – Diretoria de Sistema de Gerenciamento c) Unidades Socioeducativas de Privação e Restrição
Alimentar; de Liberdade;
b) Superintendência de Planejamento, Orçamento e XI – Assessoria de Gestão de Parceria Público-Privada
Finanças: e Outras Parcerias;
1 – Diretoria de Planejamento e Orçamento; XII – Assessoria de Acompanhamento
2 – Diretoria de Contabilidade e Finanças; Administrativo;
3 – Diretoria de Contratos e Convênios; XIII – Comissão Processante Permanente;
4 – Diretoria de Execução de Despesas; XIV – Gabinete Integrado de Segurança Pública.
c) Superintendência de Tecnologia da Informação e Parágrafo único – Integram a área de competência
Comunicação: da Sejusp:
1 – Diretoria de Infraestrutura de Tecnologia; I – a Câmara de Coordenação das Políticas de
2 – Diretoria de Tecnologia em Telecomunicações; Segurança Pública – CCPSP;
3 – Diretoria de Sistemas de Informação; II – o Conselho Estadual de Segurança Pública e
d) Superintendência de Recursos Humanos: Defesa Social;
1 – Diretoria de Benefícios e Vantagens; III – o Conselho Penitenciário Estadual;
2 – Diretoria de Pagamentos; IV – o Conselho de Criminologia e Política Criminal.
3 – Diretoria de Gestão de Pessoas; Art. 4º – A CCPSP, a que se refere o inciso I do
4 – Diretoria de Atenção à Saúde do Servidor; Parágrafo único do Art. 3º, é órgão colegiado de
e) Superintendência de Infraestrutura e Logística: caráter consultivo, propositivo, deliberativo e de
1 – Diretoria de Infraestrutura; direção superior da Sejusp e tem como competência
2 – Diretoria de Transportes e Serviços Gerais; acompanhar a elaboração e a implementação da
3 – Diretoria de Compras; política de segurança pública do Estado, em
4 –Diretoria de Material e Patrimônio; articulação com o Conselho Estadual de Segurança
IX – Departamento Penitenciário de Minas Gerais: Pública e Defesa Social.
a) Superintendência de Segurança Prisional: § 1º – A CCPSP tem a seguinte composição:
1 – Diretoria de Segurança Interna; I – Secretário da Sejusp, que a presidirá;
2 – Diretoria de Segurança Externa; II – Comandante da PPMG;
b) Superintendência de Gestão de Vagas: III – Chefe da PCMG;
1 – Diretoria de Gestão de Vagas; IV – Comandante do CBMMG.
2 – Diretoria de Custódias Alternativas; § 2º – A Secretaria Executiva da CCPSP será exercida
c) Superintendência de Humanização do pela Sejusp, que prestará o apoiotécnico, logístico e
Atendimento: operacional para seu funcionamento.
1 – Diretoria de Trabalho e Produção; Art. 5º – O Gabinete tem como atribuições:
2 – Diretoria de Ensino e Profissionalização; I – providenciar o atendimento de consultas e o
3 – Diretoria de Saúde e Psicossocial; encaminhamento dos assuntos pertinentes às
4 – Diretoria de Articulação e Atendimento Jurídico; diversas unidades administrativas da Sejusp;
5 – Diretoria de Classificação Técnica; II – coordenar a segurança orgânica do Gabinete e
6 – Diretoria de Assistência à Família; acompanhar o provimento da segurança pessoal do
7 – Diretoria de Atenção ao Paciente Judiciário; Secretário e do Secretário Adjunto em articulação
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com o Gabinete Integrado de Segurança Pública da operacional e avaliação de riscos, podendo ser
PMMG; incluídas no planejamento anual de atividades;
III – encarregar-se e promover permanente VI – notificar a Sejusp e a CGE, sob pena de
integração no relacionamento da Sejusp com a responsabilidade solidária, sobre irregularidade ou
Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais – ilegalidade de que tomar conhecimento e cuja
ALMG e com os demais órgãos e entidades da providência não foi adotada no âmbito da Sejusp;
Administração Pública federal, estadual e municipal; VII – comunicar ao Secretário da Sejusp e ao
IV – coordenar e executar atividades de atendimento Controlador- Geral do Estado a sonegação de
ao público e às autoridades; informações ou a ocorrência de situação que limite
V – providenciar o suporte imediato na organização ou impeça a execução das atividades sob sua
das atividades administrativas no seu âmbito de responsabilidade;
competências; VIII – assessorar o Secretário da Sejusp nas matérias
VI – identificar e divulgar oportunidades de captação de auditoria, correição administrativa, transparência
de recursos, de acordo com o rol de projetos e promoção da integridade;
mantidos pela Assessoria Estratégica; IX – executar as atividades de auditoria, com vistas a
VII – promover relação institucional para atração dos agregar valor à gestão e otimizar a eficácia dos
recursos financeiros provenientes de emendas processos de gerenciamento de riscos, controle
federais ou estaduais; interno e governança e acompanhar a gestão
VIII – realizar a validação e monitorar a execução das contábil, financeira, orçamentária, operacional e
emendas referentes ao inciso anterior, de forma patrimonial da entidade;
integrada com as áreas da Sejusp; X – elaborar relatório de avaliação das contas anuais
IX – autorizar a utilização de veículos oficiais, de exercício financeiro das unidades orçamentárias
alocados no âmbito da Sejusp, com a finalidade de sob a gestão do órgão, assim como relatório e
deslocamento em trajeto pré-definido; certificado conclusivos das apurações realizadas em
X – acompanhar o desenvolvimento das atividades autos de tomada de contas especial, observadas as
de comunicação social da Sejusp. exigências e normas expedidas pelo Tribunal de
Parágrafo único – A autorização a que se refere o Contas do Estado de Minas Gerais – TCEMG;
inciso IX deverá observar, concomitantemente, o ato XI – executar atividades de fiscalização, em apoio à
normativo regulamentar emanado pelo Secretário, a CGE, para suprir omissões ou lacunas de informações
necessidade de motivação expressa, prévia e e apurar a legalidade, a legitimidade e a
excepcional, a comprovação da necessidade economicidade de programas públicos, objetivos e
relacionada ao serviço público e por período de metas previstos nos instrumentos de planejamento;
tempo determinado. XII – avaliar a adequação de procedimentos
Art. 6º – A Controladoria Setorial, unidade de licitatórios, de contratos e a aplicação de recursos
execução da Controladoria-Geral do Estado – CGE, à públicos às normas legais e regulamentares, com
qual se subordina tecnicamente, tem como base em critérios de materialidade, risco e
competência promover, no âmbito da Sejusp, as relevância;
atividades relativas à defesa do patrimônio público, XIII – expedir recomendações para prevenir a
ao controle interno, à auditoria, à correição ocorrência ou sanar irregularidades apuradas em
administrativa, ao incremento da transparência, do atividades de auditoria e fiscalização, bem como
acesso à informação e ao fortalecimento da monitorá-las;
integridade e da democracia participativa, com XIV – sugerir a instauração de sindicâncias e
atribuições de: processos administrativos disciplinares para
I – exercer, em caráter permanente, as funções apuração de responsabilidade;
estabelecidas no caput, mediante diretrizes, XV – coordenar, gerenciar e acompanhar a instrução
parâmetros, normas e técnicas estabelecidos pela de sindicâncias administrativas e processos
CGE; administrativos disciplinares;
II – elaborar e executar o planejamento anual de suas XVI – solicitar servidores para participarem de
atividades; comissões sindicantes e processantes;
III – fornecer subsídios para o aperfeiçoamento de XVII – acompanhar, avaliar e fazer cumprir as
normas e procedimentos que visem a garantir a diretrizes das políticas públicas de transparência e de
efetividade do controle interno; integridade;
IV – consolidar dados, subsidiar o acesso, produzir e XVIII – disseminar e implementar as normas e
prestar todas as informações solicitadas pela CGE; diretrizes de prevenção à corrupção desenvolvidas
V – apurar denúncias, de acordo com suas pela CGE.
competências institucionais, capacidade técnica
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§ 1º – A Controladoria Setorial é organizada em: integradas com os órgãos de segurança pública e


Núcleo de Auditoria, Transparência e Integridade – promoção de eventos da Sejusp, em conformidade
Nati, que tem como funções planejar, coordenar e com as diretrizes estabelecidas pela Subsecretaria de
executar as atividades de auditoria e fiscalização, Comunicação Social e Eventos – Subsecom da
avaliação de controles internos, incremento da Secretaria-Geral, com atribuições de:
transparência e fortalecimento da integridade; e em I – planejar, coordenar e supervisionar programas e
Núcleo de Correição Administrativa – Nucad, que projetos relacionados com a comunicação interna e
tem por funções planejar, coordenar e executar as externa das ações da Sejusp;
atividades de correição administrativa e prevenção II – assessorar os dirigentes e as unidades
da corrupção, no âmbito da Sejusp, em administrativas da Sejusp no relacionamento com a
conformidade com as normas emanadas pela CGE. imprensa e demais meios de comunicação;
§ 2º – A Sejusp disponibilizará instalações, recursos III – planejar e coordenar as entrevistas coletivas e o
humanos e materiais para o eficiente cumprimento atendimento a solicitações dos órgãos de imprensa,
das atribuições da controladoria setorial. em articulação com o Núcleo Central de Imprensa da
Art. 7º – A Assessoria Jurídica é unidade setorial de Subsecom;
execução da Advocacia-Geral do Estado – AGE, à qual IV – produzir textos, matérias e afins, a serem
se subordina jurídica e tecnicamente, competindo- publicados em meios de comunicação da Sejusp, da
lhe, na forma da Lei Complementar nº 75, de 13 de Subscom e de veículos de comunicação em geral;
janeiro de 2004, da Lei Complementar nº 81, de 10 V – acompanhar, selecionar e analisar assuntos de
de agosto de 2004, e da Lei Complementar nº 83, de interesse da Sejusp, publicados em veículos de
28 de janeiro de 2005, cumprir e fazer cumprir, no comunicação, para subsidiar o desenvolvimento das
âmbito da Sejusp, as orientações do Advogado-Geral atividades de comunicação social;
do Estado no tocante a: VI – propor, supervisionar e acompanhar as ações de
I – prestação de consultoria e assessoramento publicidade e propaganda, dos eventos e das
jurídicos ao Secretário; promoções para divulgação das atividades
II – coordenação das atividades de natureza jurídica; institucionais, em articulação com a Subsecom;
III – interpretação dos atos normativos a serem VII – manter atualizados os sítios eletrônicos, a
cumpridos pela Sejusp; intranet e as redes sociais sob a responsabilidade da
IV – elaboração de estudos e preparação de Sejusp, no âmbito de atividades de comunicação
informações por solicitação do Secretário; social;
V – assessoramento ao Secretário no controle da VIII – gerenciar e assegurar a atualização das bases
legalidade e juridicidade dos atos a serem praticados de informações institucionais necessárias ao
pela Sejusp; desempenho das atividades de comunicação social;
VI – exame prévio de minutas de edital de licitação, IX – gerenciar, produzir, executar, acompanhar e
bem como as de contrato, acordo ou ajuste de fiscalizar os eventos oficiais da Sejusp em articulação
interesse da Sejusp; com a Subsecom.
VII – fornecimento à AGE de subsídios e elementos Art. 9º – A Assessoria Estratégica tem como
que possibilitem a representação do Estado em competência promover o gerenciamento estratégico
juízo, inclusive no processo de defesa dos atos do setorial e fomentar a implementação de iniciativas
Secretário e de outras autoridades do órgão, inovadoras, de forma alinhada à estratégia
mediante requisição de informações junto às governamental, em conformidade com as diretrizes
autoridades competentes; técnicas estabelecidas pela Subsecretaria de Gestão
VIII – exame e emissão de parecer e nota jurídica Estratégica da Secretaria de Estado de Planejamento
sobre anteprojetos de leis e minutas de atos e Gestão – Seplag, com atribuições de:
normativos em geral e de outros atos de interesse da I – promover a gestão estratégica da Sejusp e das
Sejusp, sem prejuízo da análise de entidades vinculadas alinhada às diretrizes previstas
constitucionalidade e legalidade pela AGE. na estratégia governamental estabelecida no Plano
§1º – À Assessoria Jurídica é vedada a representação Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI, por
judicial e extrajudicial do Estado. meio dos processos de desdobramento dos objetivos
§2º – A Sejusp disponibilizará instalações, recursos e metas, monitoramento e comunicação da
humanos e materiais para o eficiente cumprimento estratégia;
das atribuições da Assessoria Jurídica. II – facilitar, colaborar, articular interna e
Art. 8º – A Assessoria de Comunicação Social tem externamente na solução de desafios relacionados
como competência promover as atividades de ao portfólio estratégico e às ações estratégicas e
comunicação social, compreendendo imprensa, inovadoras no setor, apoiando os responsáveis em
publicidade, propaganda, relações públicas, ações
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entraves e oportunidades para o alcance dos infracionais, demais eventos de interesse de


resultados; segurança pública e defesa social, dos sistemas
III – realizar a coordenação, governança e prisional e socioeducativo, dentre outros, de forma
monitoramento das ações estratégicas e setoriais do integrada e colegiada com os órgãos de segurança
órgão, de forma a promover a sinergia entre ele e as pública e com a Assessoria Estratégica;
equipes gestoras, apoiando a sua execução, II – promover e coordenar a integração da atividade
subsidiando a alta gestão do órgão e as instâncias de inteligência de segurança pública e propor
centrais de governança na tomada de decisão; diretrizes para os órgãos de segurança pública;
IV – coordenar, em conjunto com a Superintendência III – fomentar a integração das academias dos órgãos
de Planejamento, Orçamento e Finanças, a de segurança pública e estruturas de defesa social,
elaboração do planejamento global da Sejusp, com promovendo e coordenando projetos e atividades de
ênfase no portfólio estratégico; ensino integradas;
V – coordenar os processos de pactuação e IV – coordenar projetos e processos objetivando a
monitoramento de metas da Sejusp de forma melhoria qualitativa da atuação integrada dos
alinhada à estratégia governamental, consolidando e órgãos de segurança pública e estruturas de defesa
provendo as informações necessárias às unidades e social;
sistemas de informação dos órgãos centrais; V – articular a participação de outros órgãos que
VI – disseminar boas práticas entre os gestores e possam contribuir com os objetivos de controle da
equipes da Sejusp, de forma a fortalecer a gestão criminalidade, contravenções, atos infracionais,
estratégica e a inovação, especialmente em temas atendimento a denúncias anônimas, atendimento às
relacionados à gestão de projetos e processos, emergências policiais e de bombeiros, gestão em
transformação de serviços e simplificação grandes eventos e os de interesse da segurança
administrativa; pública e defesa social, prezando pela manutenção
VII – coordenar a implantação de processos de da ordem pública;
modernização administrativa e de melhoria VI – promover ações visando garantir as diretrizes de
contínua, bem como apoiar a normatização do seu integração, assegurando o planejamento e a
arranjo institucional; implementação das estratégias pautadas pela
VIII – promover a cultura de inovação na Sejusp com associação dos esforços de produção de gestão da
foco na melhoria da experiência do usuário e do informação, integração geográfica coincidente e das
servidor, articulando as funções de simplificação, estruturas integradas;
racionalização e otimização e apoiando a VII – realizar as atividades de secretariado executivo
implementação e a disseminação das diretrizes das das reuniões da CCPSP e do Conselho Estadual de
políticas de inovação e de simplificação; Segurança Pública e Defesa Social;
IX – coordenar e promover práticas de VIII – elaborar e manter atualizado o Plano de
monitoramento e avaliação das políticas públicas do Inteligência de Segurança Pública do Estado de
órgão, apoiando as unidades administrativas, Minas Gerais, contendo todos os dados e
gestores e técnicos na sua execução e fortalecendo informações necessários ao planejamento e
a produção de políticas públicas baseadas em assessoramento decisório dos órgãos de segurança
evidências para a correção de rumos e melhoria das pública do Estado;
políticas monitoradas e avaliadas. IX – planejar, de maneira integrada com a
Parágrafo único – A Assessoria Estratégica atuará, no Subsecretaria de Gestão Administrativa, Logística e
que couber, de forma integrada com a Subsecretaria Tecnologia – Sulot, o processo de compras de
de Gestão Administrativa, Logística e Tecnologia e materiais e serviços no âmbito de suas unidades;
com as assessorias ou unidades correlatas das X – coordenar a metodologia de policiamento
entidades vinculadas à Sejusp. orientado a problemas, como parâmetro para
Art. 10 – A Subsecretaria de Inteligência e Atuação fomentar a integração dos órgãos de segurança
Integrada – Suint tem como competência promover pública e estruturas de defesa social.
o arranjo interinstitucional sistêmico e de Art. 11 – A Superintendência do Observatório de
governança compartilhada do sistema estadual de Segurança Pública tem como competência
inteligência e da política de integração de segurança estabelecer as diretrizes para divulgação oficial de
pública, atuando como órgão central, de forma a informações da Sejusp e coordenar a produção de
proporcionar o alinhamento das instituições e dos informações no âmbito do Estado, por meio de
sistemas, com atribuições de: estatísticas, pesquisas, avaliações e estudos, com
I – propor, planejar e implementar metodologias de atribuições de:
monitoramento e ações acerca dos indicadores de I – fomentar a produção e a disponibilização de
incidência de crimes, contravenções, atos informações que permitam a análise sistêmica da
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incidência de crimes, contravenções, atos métodos no âmbito das temáticas referentes à área
infracionais e demais eventos de interesse de de justiça, segurança pública e defesa social são
segurança pública e defesa social, das políticas de objetivos a serem observados.
prevenção social à criminalidade, dos sistemas Art. 12 – A Diretoria de Informações de Segurança
prisional e socioeducativo da Sejusp e dos demais Pública tem como competência produzir, gerenciar
órgãos de segurança pública e estruturas de defesa informações e promover a análise de dados
social; referentes à segurança pública, com atribuições de:
II – coordenar a gestão colegiada das bases de dados I – produzir informações gerenciais e monitorar
oficiais do Sistema Integrado de Defesa Social e da indicadores e tendências sobre a incidência de
Sejusp, atuando de forma articulada com a crimes, contravenções, atos infracionais e demais
Superintendência de Tecnologia da Informação e eventos de interesse da segurança pública por meio
Comunicação em relação ao conteúdo, a de estudos e relatórios estatísticos e analíticos;
implantação, a manutenção, o desempenho e o II – atuar para a melhoria contínua da qualidade,
desenvolvimento de sistemas de informação; confiabilidade, precisão, objetividade e utilidade das
III – gerenciar a produção e a publicação das informações contidas nas bases de dados de
informações oficiais da Sejusp, de maneira integrada segurança pública;
com a Assessoria de Comunicação Social, visando III – realizar auditorias, emitir diretrizes e
aumentar a transparência e instrumentalização do orientações para o aperfeiçoamento de processos,
controle social, observados os princípios e restrições formulários e bases de dados de segurança pública.
estabelecidos pela Lei Federal nº 12.527, de 18 de Art. 13 – A Diretoria de Informações de Justiça tem
novembro de 2011, pelo Decreto nº 45.969, de 24 de como competência produzir, gerenciar informações
maio de 2012, e pela Lei Federal nº 13.709, de 14 de e promover a análise de dados referentes aos
agosto de 2018; sistemas prisional e socioeducativo, com atribuições
IV – gerenciar, conforme resolução específica da de:
Sejusp, o atendimento dos pedidos de pesquisas I – produzir informações gerenciais e monitorar
acadêmicas destinados a Sejusp, observados os indicadores e tendências sobre os sistemas prisional
princípios e restrições estabelecidos pela Lei Federal e socioeducativo por meio de estudos e relatórios
nº 12.527, de 2011, pelo Decreto nº 45.969, de 2012, estatísticos e analíticos;
e pela Lei Federal nº 13.709, de 2018, bem como II – atuar para a melhoria contínua da qualidade,
orientar quanto à qualidade deste atendimento confiabilidade, precisão, objetividade e utilidade das
mediante fomento de cursos, disponibilização de informações contidas nas bases de dados dos
manuais e definição de fluxos internos; sistemas prisional e socioeducativo;
V – coordenar uma rede de conhecimento na área de III – realizar auditorias e emitir diretrizes e
justiça, segurança pública e defesa social por meio da orientações para o aperfeiçoamento de processos,
construção de parcerias com órgãos da formulários e base de dados dos sistemas prisional e
Administração Pública, instituições de ensino socioeducativo.
superior, entidades da sociedade civil e organizações Art. 14 – A Superintendência de Inteligência e
privadas para produção e compartilhamento de Integração da Informação tem como competência
informações, observados os princípios e restrições promover a integração das atividades de inteligência
estabe