UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA – TURNO VESPERTINO

DISCIPLINA: FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA – 2010.1 PROFESSORA: SANDRA MARIA BORBA PEREIRA ALUNO: BRUNO LEONARDO BEZERRA DA SILVA

O MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA 1 INTRODUÇÃO O Movimento da Escola Nova se tornou conhecido no Brasil após a Primeira Guerra Mundial, especialmente a partir da década de 1920, caracterizada por um conjunto de reformas educacionais. No que se refere a esse conjunto, para além das reformas de ensino de abrangência nacional, é preciso referir as reformas que aconteceram no período entre 1920 e 1930, em vários estados brasileiros (São Paulo, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco). principalmente De dos acordo com e Nagle não (1990), tanto da é por União, iniciativa que a estados,

reorganização da escola brasileira começa a ser pensada e efetivada, no que se refere à administração escolar; à ampliação da rede e da clientela; às pesquisas sobre o perfil dos estudantes; e ao uso de instrumentos Como de um planejamento, dos importantes como, por exemplo, os recenseamentos escolares. acontecimentos diretamente relacionados à disseminação das idéias escolanovistas no Brasil, destaca-se a criação da Associação Brasileira de Educação, fundada em 1924 por um grupo de engenheiros e médicos, composto em seguida também por educadores brasileiros preocupados com as reformas de ensino em diferentes estados do país.

De acordo com Lemme (1984. cujo tema era “As grandes diretrizes da educação popular”. debates. Os eventos mais conhecidos da Associação eram as “Conferências Nacionais de Educação”. convocando para isso autoridades e especialistas. nacionais e estrangeiros”. sob a direção de Lourenço Filho. cujas discussões e propostas tiveram ampla repercussão entre os professores de todo país. cursos e conferências. no ano de 1927. inclusive.171). p. em 1931.169). ensino e cultura no Brasil. Das atividades de trabalho promovidas pela Associação. realizada no Rio de Janeiro. influenciando. foi criada a Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. a Associação incentivasse a criação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). fundado em 1938. realizada naquela Conferência. a Associação Brasileira de Educação “assumiu a liderança de todos esses movimentos de renovação da educação e do ensino no país.Dentre seus principais propósitos. a fim de “adotar normas de padronização e aperfeiçoamento. destaca-se a “IV Conferência Nacional de Educação”. posteriormente. Da discussão acerca dos problemas de educação. estava a promoção de debates acerca das questões educacionais que rodeavam as reformas de ensino. apoiando-os e promovendo a realização de palestras. o que dificultava a elaboração de estudos e pesquisas” (Lemme. em todo país. 1984. Alguns anos depois. A outra iniciativa que resultou da IV Conferência – iniciativa pela qual o presente estudo deteve-se maior atenção – consistiu na elaboração . a criação de decretos e leis educacionais posteriores. sendo a primeira realizada em Curitiba. Uma delas foi a assinatura do Convênio Estatístico entre o Governo Federal e os estados. Pode-se dizer que tal Convênio Estatístico serviu como mola propulsora para que. resultaram duas principais iniciativas. também por intermédio da Associação. cujo primeiro número foi publicado em 1944. das estatísticas de ensino. p. até então reconhecidamente muito precárias. principal órgão de divulgação do INEP.

vislumbradas: Quatro propostas educacionais puderam ser . o presente estudo pretende evidenciar alguns aspectos inerentes ao “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”. Apesar das divergências políticas internas da ABE e dos conseqüentes conflitos provocados por tal pedido. um grupo se articulou dentro da Associação e. Desta forma. o Brasil passou por um dos períodos de maior tensão política de sua história. Os debates políticos e ideológicos. abrangendo todos os seus aspectos. fazendo relação com o momento histórico e político o qual vivenciava a sociedade da época. 1978. havia uma proposta de política educacional. princípios. o que aconteceu em 1930 foi o ápice de uma série de movimentos armados que tinham como objetivo romper com as oligarquias e consolidar o capitalismo no Brasil (Romanelli. o qual teve o seu desfecho inicial no Sul do Brasil. modalidades e níveis. críticas. mas que eclodiu também em várias regiões. Na realidade. o documento foi lançado. em cada um deles. resultaram em vários projetos para o país e. propostas e implicações do documento em questão no âmbito da educação e sociedade brasileira. A elaboração do documento havia sido solicitada pessoalmente por Getúlio Vargas a Francisco Campos (então Ministro da Educação e Saúde Pública). ocorridos nessa época. Tal documento ficou conhecido como: Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.de um documento que traçava as diretrizes para uma política nacional de educação e de ensino. 2 CONTEXTO HISTÓRICO E POLÍTICO Os anos 30 iniciam com um golpe armado que derrubou o Presidente Washington Luiz. após dois meses. Durante a década de 30. evidenciando os principais valores. p. 47). Esse golpe foi resultado da crise de desenvolvimento que se acentuou no final da década de 20.

através do Ministério do Trabalho. que reconstruiu politicamente a sociedade. foi promulgado o Decreto-Lei nº 19. transitando com naturalidade entre liberais e católicos e afirmando que aproveitaria a contribuição de ambos os grupos. o regime e as horas de trabalho diário serão assuntos da prerrogativa imediata desse sindicato sob as vistas do Estado. os fazendeiros de São Paulo e os mineiros alternavam-se no poder nacional (Ribeiro. 98-99).a) Os liberais que faziam parte da intelectualidade e que em 1932 publicaram o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” defendiam a Pedagogia Nova. criando o sindicato oficial. foi criado o Ministério do Trabalho para disciplinar e controlar os sindicatos. c) O governo que implementou uma política educacional própria sem nenhum princípio democrático através de Francisco Campos. os transportes e a proletarização dos agricultores expulsos do campo foram submetidos à política do café-com-leite. eram adeptos de um Brasil com base urbano-industrial e democrático. Este foi o caráter da “Revolução de 1930”. ou seja. Este Ministro do recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública tentava aparentar uma postura de neutralidade. Em seguida. A Primeira República caracterizou o seu período por promover uma modernização do Brasil às custas da reorganização capitalista da cultura do café. b) Os católicos que defendiam a Pedagogia Tradicional e eram ferrenhamente contrários à Pedagogia Nova. A política implementada com o regime de 1930. A indústria. aos poucos. o urbanismo. É importante destacar. p. d) A Aliança Nacional Libertadora (ANL) que havia recuperado as teses educacionais presentes no Movimento Operário nos anos 20 principalmente as defendidas pelo Partido Comunista Brasileiro. O salário mínimo. Em 1930. 1982. militares e industriais. que todas as correntes . foi invertendo a lógica adotada. no entanto. recolocando no poder grupamentos sociais que a Primeira República havia ignorado. colocando no poder os tecnocratas.770.

esses grupos não eram antagônicos. essas correntes uniram-se em torno da defesa da autonomia e liberdade sindical. Tanto católicos como liberais eram contra o monopólio do ensino pelo Estado. p. através da imprensa operária. sendo também contrários tanto ao comunismo quanto ao facismo. que nos anos 20 implementaram a maioria das reformas educacionais estaduais e que por esse motivo eram conhecidos como “profissionais da educação”. pois atenderia as aspirações individuais e sociais. o que acabou aproximando os renovadores dos comunistas. Porém. os quais não se utilizavam de métodos muito convencionais para defenderem os seus propósitos. Mas. 1999. defendiam a Pedagogia Tradicional e. . que originava a falta de escolas para as classes populares (Gadotti. Os liberais. 233). eles acabaram proporcionando a radicalização por parte dos defensores da Pedagogia tradicional. cabendo ao indivíduo a escolha sobre qual escola queria (Ribeiro. Apesar das suas divergências.do sindicalismo que se situavam no campo classista (anarcosindicalistas. as manobras governistas que visavam quebrar a capacidade de organização e luta dos trabalhadores. ligados à Igreja Católica. Os conservadores. A escola pública gratuita era considerada ideal para os renovadores. trotskistas) resistiram ao enquadramento imposto pelo Estado. comunistas. defendiam as teses da Pedagogia Nova e desejavam mudanças tanto quantitativas como qualitativas nas escolas públicas. além de rechaçar qualquer reforma que modernizasse a escola. a ação do Estado foi muito forte. ainda eram contrários ao acesso da população pobre à escola. 105). Porém. p. apenas representavam setores da classe dominante e não questionavam o modelo econômico. 1982. mesmo que os debates ocorridos nessa época tenham contribuído para o processo educacional. denunciando. o Governo Getúlio Vargas trabalhou no sentido de administrar as duas grandes concepções pedagógicas construídas nos anos 20. No que se refere à Educação.

universal e gratuita. até porque o capitalismo. naquele momento histórico. Nesse sentido. o então Ministro da Educação e o próprio Presidente Getúlio Vargas fizeram-se presentes. organizou a IV Conferência Nacional de Educação para discutir “As Grandes Diretrizes da Educação Popular”. cujo Ministro era Francisco Campos. 3 OS PRIMEIROS PASSOS Em 1931. que o governo esperava que aquela Conferência construísse uma proposta de Educação para o país (Romanelli. declarando p. 144). necessitava de que um maior número de pessoas fossem minimamente escolarizadas. O governo recém havia criado o Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP). As alterações nas relações produtivas e a concentração da população nos centros urbanos requeriam políticas para a erradicação do analfabetismo e para qualificar minimamente o maior número possível de trabalhadores. exigindo a expansão do ensino. Portanto. Nessa Conferência. a Associação Brasileira de Educação (ABE). desde a metade do século XIX. criada em 1924. bem ao contrário da sociedade oligárquica anterior a 1930. seja para produzir ou para consumir. . Mas. A sociedade industrial exigia que o Estado assumisse e implementasse uma nova educação direcionada às suas demandas. a demanda por educação cresceu exercendo uma enorme pressão. da mesma forma como o desenvolvimento capitalista industrial que não se alastrou de maneira uniforme por todo o país.Os países mais desenvolvidos já haviam iniciado a implantação da escola pública. 1978. o capitalismo industrial que a “Revolução de 1930” representou acabou determinando uma nova forma de fazer educação. a exigência educacional também só aconteceu nas regiões onde os processos produtivos se alteraram com a introdução e/ou intensificação do trabalho fabril.

1932). p. 232). 1982. encontravam-se: liberais igualitaristas como Anísio Teixeira. Em 1932. p. porém. que servisse como contraponto aos problemas sociais causados pelo capitalismo. Paschoal Leme e Roldão de Barros. Entre os responsáveis pelo Manifesto. tentando influir na proposta governamental. é impossível desenvolver as forças econômicas ou de produção. 101). como diz o documento. nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação” (Azevedo et alii. Pois. se a evolução orgânica do sistema cultural de um país depende de suas condições econômicas. Essa escola teria como objetivo contribuir na construção de uma nova sociedade. colocando aquela. Inicia-se estabelecendo a relação dialética que deve existir entre educação e desenvolvimento. gratuita e laica. Também constavam os princípios pedagógicos inspirados principalmente em Dewey. A preocupação dos educadores por uma política nacional de educação foi explicitada através do texto do “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”. que eram simpáticos ao socialismo e tinham como referência as propostas de Anísio Teixeira que defendia uma escola democrática. onde constava a defesa da escola pública obrigatória. sem o preparo intensivo das forças culturais e o desenvolvimento das aptidões à . numa situação de primazia no que respeita aos problemas nacionais. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova seria o primeiro grande resultado político e doutrinário de dez anos de lutas da ABE em favor de um Plano Nacional de Educação (Gadotti. 4 CONTEÚDOS SUBSTANCIAIS A primeira frase do documento já expressa o “tom” geral do Manifesto: “Na hierarquia dos problemas nacionais.A IV Conferência Nacional de Educação serviu para consolidar a divisão entre católicos e liberais. os liberais publicaram o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”. 1999. escrito por Fernando de Azevedo e assinado por um grande número de educadores (Ribeiro.

2) o papel do Estado diante da educação. e do ensino público. considerando as condições geográficas do país e a adaptação da escola às exigências regionais. oficialmente criadas há apenas um ano na época da publicação do Manifesto. 4) o processo educativo. ao mesmo tempo que define dialeticamente a relação entre aquela e este. destacando-se. 1978. com destaque para a organização de Universidades. p. Desenvolvendo tal idéia. a autonomia do sistema escolar – por meio de um fundo especial constituído de patrimônios. por fim. sugerindo que seja feita preferencialmente em nível universitário. e destacando-se. laico. 6) a formação de professores. 3) as funções educacionais. a ideologia dos renovadores. gratuito e obrigatório – entendendo a educação como direito do indivíduo e dever do Estado. a unidade dessas funções em todos os níveis escolares e. também. O Manifesto representa. a educação no processo de desenvolvimento. por um lado. É a afirmação de uma tomada de consciência e um compromisso (Romanelli. A desorganização do aparelho escolar e a desarticulação das iniciativas de mudança foram explicadas pela ausência “da determinação dos fins de . que abordam. sugerindo as linhas gerais e a estrutura do plano. portanto. o texto está organizado em doze subtítulos. a reivindicação central do Manifesto gira em torno da necessidade de atribuir e efetivar um caráter científico à educação no Brasil. Situa. apresentando o conceito de educação nova e seus fundamentos. enfatizando a importância e necessidade das relações entre família e escola. a descentralização da educação. impostos e rendas próprias e aplicado exclusivamente no desenvolvimento da obra educacional.145). 5) o plano de reconstrução educacional. da escola para todos. por outro lado. efetivamente. Enfatizando a fragmentação das sucessivas reformas de ensino desde o início do regime republicano brasileiro. e.invenção e à iniciativa que são os fatores fundamentais do acréscimo de riqueza de uma sociedade. de forma geral: 1) as finalidades da educação. e discutindo o problema universitário no Brasil.

educação (aspecto filosófico e social) e da aplicação (aspecto técnico) dos métodos científicos aos problemas educacionais” (Azevedo et alii. ou seja. Todo cidadão deveria ter. Com relação à idéia de aptidão natural nos indivíduos. a educação deixaria de constituir um privilégio e passaria a constituir uma necessidade. Por um lado. é preciso oferecer as mesmas oportunidades de educação a todos os grupos sociais. que se desenvolveram sob o impulso dos trabalhos científicos na administração dos serviços escolares” (id. independente de classe. de acordo com o documento. o documento acaba por substituir uma seleção baseada na hierarquia social (de privilégios) por uma seleção natural baseada na hierarquia das capacidades. Nesse sentido. seja no que se refere às propostas políticas ao campo da Educação. essa ausência impedia a unidade e a continuidade de pensamento nos planos das reformas. é preciso reconhecer “a todo o indivíduo o direito a ser educado até onde permitam as suas aptidões naturais. reafirma: “Nenhum outro princípio poderia oferecer ao panorama das instituições escolares perspectivas mais largas. 1932). sexo ou raça. o direito à educação: o que iria fazer a diferença entre eles eram suas aptidões naturais. o Manifesto afirma que a educação deve ter fins gerais que assinalam a natureza em suas funções biológicas porque. mais salutares e mais fecundas em conseqüências do que esse que decorre logicamente da finalidade biológica da educação (id. De acordo com o documento. o que os signatários do documento propõem é que se definam as bases capazes de darem uma direção comum à ação educativa. Mais adiante. assumindo um caráter biológico. .)”. seja no que se refere às práticas pedagógicas realizadas nas escolas. Isso levaria governantes e educadores à possibilidade de recorrerem “a técnicas mais ou menos elaboradas e dominarem a situação. para a renovação educacional. Nesse sentido. independente de razões de ordem econômica e social”. realizando experiências e medindo os resultados de toda e qualquer modificação nos processos e nas técnicas.).

diante da disputa entre liberais e católicos. O Governo Getúlio Vargas. p. Para conter o movimento operário não . substitui o mecanismo pela vida (atividade funcional) e transfere para a criança e para o respeito de sua personalidade o eixo da escola e o centro de gravidade do problema da educação. por outro. retirava a educação das mãos da família e destruía assim os princípios da liberdade de ensino. Um dos principais problemas enfrentados pelo Governo Getúlio Vargas era a luta de classes. mas uma função complexa de ações e reações em que o espírito cresce de “dentro para fora”. Essa postura era oriunda da Igreja. 1932) 5 IMPLICAÇÕES O Manifesto despertou os católicos que eram contra qualquer tipo de reforma. esclarecidos os fins educacionais. Por um lado. Com relação a isso. Alceu de Amoroso Lima. o documento é bastante claro: A nova doutrina. um dos defensores da posição dos católicos. precisava do apoio dos católicos. 43).Por outro lado. ficava numa situação complexa. mas. (Azevedo et alii. 1991. segundo a qual o educando é “modelado exteriormente” (escola tradicional). era simpático às propostas de reformas dos liberais. gratuita e laica. que não considera a função educacional como uma função de superposição ou de acréscimo. combateu os liberais escrevendo um texto onde dizia que o Manifesto. as quais iam ao encontro do seu projeto de governo. bem como os direitos que o escolanovismo concedia ao aluno (Ghirardelli. o Manifesto afirma que a educação deve estar baseada numa doutrina científica capaz de fundamentar os processos educativos por meio dos quais esses fins serão alcançados. ao consagrar a escola pública obrigatória. haja vista que o Papa Pio XI havia lançado uma Encíclica onde condenava a “liberdade sem limites da criança”.

que potencialmente tinha condições políticas para opor-se à modernização conservadora. era necessária uma estratégia mais inteligente. Chile e Uruguai). (Ghirardelli. determinou à União a implementação de um Plano Nacional de Educação. 1991. No entanto. Mesmo simpatizando com as idéias dos liberais. Na cidade. o que outros países vizinhos já haviam feito (Argentina. Nesse sentido. a recuperação das escolas bem como a implementação de escolas profissionalizantes. que contribuíram para amortecer a luta de classes. nem o texto constitucional de 1934 nem o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova refletiram as demandas de educação das classes populares. nos anos 20 e 30. devido à concepção elitista do “Otimismo Pedagógico. Além disso. o que criou as condições políticas para que a ABE formulasse uma proposta de educação que possibilitasse ao país oferecer um ensino público regular. 34). pela .bastava a violência. o Governo Getúlio Vargas não possuía uma proposta de política educacional. A Aliança Nacional Libertadora (ANL). porque era adepto da fixação do homem no campo e para isso necessitava de escolas técnicas rurais. Tornou obrigatório o Concurso Público para o Magistério. 20%.” presente tanto no texto quanto no Manifesto. p. e os Estados. A Constituinte de 1934 sistematizou e administrou os debates ocorridos em termos de política educacional. onde o ensino primário fosse obrigatório e gratuito em todo o país. ficariam as escolas técnicas formadoras de profissionais para a indústria e o comércio. Os liberais elitistas defendiam uma reforma qualitativa. O Governo Getúlio Vargas era simpático ao discurso dos liberais. determinou dotações orçamentárias para as escolas rurais e estabeleceu que a União deveria aplicar 10% do orçamento anual para a educação. queriam a implantação da Pedagogia Nova. entre liberais e católicos. desejavam mais do que campanhas de alfabetização. Vargas optou pelo assistencialismo e paternalismo e a fórmula encontrada foi adotar a política educacional dos Pioneiros da Educação Nova devido aos seus conteúdos modernizantes.

sua atuação em defesa da suspensão do pagamento da dívida externa. pois ficava difícil concorrer com os sindicatos oficiais mediante tamanha chantagem. somente os trabalhadores sindicalizados nos sindicatos oficiais poderiam ter direito às vantagens dessas leis. Cancela as eleições presidenciais. A pretexto de conter a tentativa de assalto ao poder. marcadas para janeiro de 1938. fora do alcance da sociedade civil e sob o controle da sociedade política. ampliação e garantia das liberdades democráticas populares e instalação de um governo popular. optando pelas propostas dos católicos e liberais. o Governo Getúlio Vargas. Em 1934. as quais continham algumas vantagens para os trabalhadores. p. Mas. A política ditatorial do Estado Novo passou. em plena campanha eleitoral. No ano de 1935. 1991. dá um golpe de Estado. excluiu os trabalhadores desse debate. 42). entre elas: Carteira de Trabalho assinada e férias. no bojo do movimento constitucional. faltou tempo para que a ANL conseguisse disputar as suas idéias de maneira mais intensa (Ghirardelli. nacionalização de empresas. incluindo os sindicatos combativos que resistiam ao atrelamento. ao colocar na clandestinidade a ANL. fecha o Parlamento e instaura o chamado Estado Novo. proteção de médias e pequenas propriedades. daí decorrendo as concepções educacionais anteriormente explicitadas. no qual também foi problematizada a educação. assim. Getúlio Vargas promulgou uma série de leis. quando. a direcionar o debate sobre pedagogia e política educacional. foi colocada na ilegalidade em 11 de junho de 1935. Getúlio governa sob Estado de Sítio até novembro de 1937. Foi um duro golpe para os sindicatos combativos que resistiam ao controle do Estado. liderada pelos comunistas na chamada “Intentona Comunista” (1935). reforma agrária sobre o latifúndio. Mesmo que no início dos Anos 30 o Brasil tivesse passado por um intenso debate político. o governo desencadeia uma forte repressão sobre as organizações populares. .

por meio disso. Paulo Jr.pro. mas. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Moacir. GHIRARDELLI. GADOTTI. São Paulo: Ática.150.pedagogiaemfoco. Boris (org. filosófico e social. 1984. Pedagogia e Luta de Classes. História Geral da Civilização Brasileira. São Paulo: Humanidades. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO. Fernando de et alii (1932). maio/ago. . O Pensamento Educacional Brasileiro.255-272. n. E essa dupla importância do Manifesto foi potencializada pelos esforços da Associação Brasileira de Educação – que seguiu debatendo amplamente o tema da Escola Nova – e também por uma série de artigos e livros que já vinham sendo publicados em torno do assunto. NAGLE. 1991. Jorge. Disponível em http://www.259-291.65. Certamente o advento do Manifesto é um marco histórico não apenas para a educação brasileira no tocante ao Movimento da Escola Nova. sobretudo. (Original publicado em 1932). Paschoal. Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. v.6 APONTAMENTOS FINAIS O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova constituiu-se não apenas como um importante instrumento de circulação dos preceitos escolanovistas.htm Acessado em 31 de maio de 2010.br/heb07a.). O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova e suas repercussões na realidade educacional brasileira. In: FAUSTO. como exemplo de um ato político. 2ª Ed. A educação na Primeira República. São Paulo: Bertrand Brasil. 1988. p. mas também. como uma prática através da qual a instituição escolar brasileira pôde ir sendo governamentalizada – o que se configura como condição fundamental para a emergência da educação no Brasil. A Reconstrução Educacional no Brasil – ao Povo e ao Governo. p. LEMME. 1990.

São Paulo: Moraes. Brasileira – . 1982. História da Educação no Brasil. 1978. Maria Luíza de. RIBEIRO. Otaíza De Oliveira. Petrópolis RJ: Vozes.ROMANELLI. História da Educação Organização Escolar.

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