Psicologia GLEITMAN REISBERG GROSS
Psicologia GLEITMAN REISBERG GROSS
Daniel Reisberg
James Grois
7'Edição
Tradução:
Ronaldo Cataldo Costa
2009
CAPITUL
' 'J
0 DESENVOLVIMENTO FÍSICO
Entre todos os aspectosdiferentes do desenvolvimento, talvez o mais óbvio seja o cres-
cimento físico, à medida que o indivíduo passade um ovo 6ertilizado para embrião,de-
pois para 6eEO e neonato e, nlnalmeilte, para sua forma adulta. Esse processo pode lax
[Link] certamente demora mais em humanos do que em qualquer outra espécie.(h
sereshumanos precisam de 16 a 17 anos para alcançar sua altura total, e a maturaçH
b
dos nossoscérebros precisa aproximadamente do mesmo tempo. O que determina esq
crescimento físico, e por que, nos humanos, ele é tão lento?
capacidadessensório-motoras do recém-nascido
ünente, os bebês têm pouca capacidadede controlar seusmovimentos corporais
e agitam de 6ornla desajeitada e não conseguem manter a cabeça erguida. Porém
nbém têm diversosreflexosimportantes,que osajudamnesseperíodo de impo
Um exemplo é o reflexo de preerlsão quando um objeto toca a palma da mão
bê, ele fecha o punho vigorosamente ao seu redor. Se o objeto âor levantado, o
ontinua segurando e é levantado com ele, sustentando todo o seu peso por um
o ou mais. Essetipo de reflexo provavelmentesejauma herançaprimitiva de nos-
:strais primatas, cubos bebês precisavam segurar os corpos peludos de suasmães.
)urros reflexos infantis dizem respeito à alimentação por exemplo, o r(/mexo
de
Quando se toca levementena sua bochecha,a cabeçado bebê sevolta para a
e estimulação, sua boca abre e sua cabeça continua a virar até que o estímulo
lente um dedo ou mamilo) estqa em [Link] cheganesseponto, ele 0
=
a sugar.
:
e
xo é substituído por uma respostamais [Link], os bebês param de segu P
«
pisas por reflexo por volta dos 3 ou 4 meses, mas isso não significa que nunca
E
0
a segurar [Link] que voltam, e quando o fazem (por volta dos 5 meses) 0
azem porque querem o ato se tornou voluntário em vez de reflexivo. Essa
a voluntária é mais sofisticada e mais hábil que o reflexo, mas somente pode 0
no repertório da criança após o amadurecimento de várias partes do cérebro
nível [Link]é esseponto, os reflexos infantis servem como um
to temporário.
Idade (anos)
contrário das capacidades motoras limitadas dos recém nascidos, seus canais
is funcionam bem desdeo início. Os bebêsconseguemdiscriminar tons de
Figura l0.2 Crescimento Psíco.
ia e altura diferentes e, além disso,também demonstram uma preferência pre-
Ganhos em altura para garotas {cinza} e
a voz da mãe em comparaçãocom a de uma mulher estranha(Aslin, 1987; garotos(verde) britânicos do nascimento aos
er e Fizer, 1980). Os recém-nascidos também podem ver: eles são bastante mío- 19 anos. O crescimento $sica continua por
) conseguem se concentrar em objetos a mais de l metro e 20 centímetros de quase 20 anos depois do nascimento, com
mas conseguem discrimnlar facibnente o brilho e a cor e podem acompanhar um salto especialna adolescênda.
390 Daniel Reisberg & James Grosa
â
20 semanas 20 semanas 24 semanas 28 semanas 36 semanas 52 seman
]
oitos do ambiente
Elosilustrados na Figura l0.4 revelam o papel importante da genética nas capaci-
ia criança, mas sempre devemos ter em mente que os genes não atuam em un]
e, assim,o ambiente também tem unl pape] crucial a desempenhar no desenvol-
to da criança. Mas o que é exatamente o "ambiellte"?
:díodos sensíveis
lto, pareceque a reaçãode uma criança a uma influência ambiental (antesou
do nascimento) depende da sua idade. Contudo, certos teóricos do desenvol.
[o acreditam que essaideia deve ser colocada em termos muito mais [Link]
sentam que existem pen'odescn'focos
no desenvolvimento, durante os quais certos
cimentos terão um Impacto enorme. Fora dessesperíodos críticos, os mesmos
cimentos terão pouca ou nenhuma influência
.l. ideia de períodos críticos deriva da embriologia, a qual se refere ao desenvol-
to da diferenciação dos tecidos. Por exemplo, anteriormente, vimos que certas
io tecido externo de uma salamandra,se transplantadasno começo do desenvol-
to, podem ser tornar pele ou dentes, dependendo de quais células são adjacentes
Porém, uj]] outro momento, essaflexibilidade [Link] ascélulas destinadasa ser
forem transplantadas nesse pondo, elas ainda se tornam dentes. Para essascélulas.
)do crítico passou, e o caminho para o seu desenvolvimento já 6oi estabelecido
lnn,1967)
fitos psicólogos acreditam na existência de períodos críticos semelhantespara
imetatos importantes depois do nascimento, filas os limites dessesperíodos não
ios de modo tão rígido quando os períodos críticos do desenvolvimento em-
ite. Por isso, essasjanelas de oportunidade se chamam pen'odes sensít'ezs,para inda
e uma época em que o organismo estáespecialmentesensívela uma determi-
Euência. Um exemplo é o vínculo dos 6Hhotesde muitas espécies com sua mãe,
ulo que seforma com muito maisfacilidade com pouca idade (ver Capítulo
humanos, um exemplo relacionado é a aquisição da linguagem, que, como já
mais Hacilem crianças pequenas (ver Capítulo 9).
394 Daniel Reisberg & James Grosa
0 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
Certasexperiênciastêm seu principal efeito dentro de um peáodo sensível
sável. Outras experiências nos afetam independentemente de quando ocos
godosos casos,porém, não existe dúvid:\ de que somos moldadospor nucas
riências. Desde uma idade muito precoce, observamos,imitamos, interpretamn
observamos, e depois extrapolamos a partir dessabase.E, é claro, essaaprendi
desenvolvimento de conhecimentos e habilidadesque resultadela continuam D
da vida. Como ocorrem esses processos?
Por muitas décadas, a investigação dessas questões se concentrou nas visõõ ü
desenvolvidas pelo psicólogo suíço Jean Piaget (1896 1980). Como veremos, m
das ideias de Piaget coram questionadas, e a maioria das suaspropostas teóricas li
seriamente combatidas. Mesmo assim, não podemos começar a estudar o desenx-oln
mento cognitivo sem primeiro considerar as visões de Piaget, pois os dados revelaü3b
por ele e a maneira como colocava asquestões tiveram um papel enorme em como+
pesquisadores subsequentes abordaram o temia.
Piaget acreditava que o pensamento da criança era profundamente diferente -b
de um adulto, mas não apenasporque a criança tem menos conhecimento ou mei=-
habilidades em relação ao adulto. Em vez disso,a criança usa um rIPade pensamenn
diferente do adulto. Na visão de Piaget, o pensamento adulto somente emerge apósz
meanPiaget(1896-1980) criança passarpor uma série de estágiosde crescimento intelectual, chamadosde perlaú'
da ífzre/ikéncf7 sensórí(,-morara(do nascimento aos 2 anos), pen'odopré-operacíona/ (apron
mudamente dos 2 aos 7 anos),pen'odo das operações
co//creias(7 a 1 1 anos) e pen'odode
opcraçõeslormaís
(aproximadamente 11 anos em diante) .
A inteligência sensório-motora
SegundoPiaget, a vida mental do bebê consistede nada além de uma sucessãodr
impressões sensoriais e reações motoras eRemerase [Link] visão da criança.
não existe distinção entre objetos estáveis e objetos passageiros,c não existe diâerencb-
ção entre o ''eu" e o "não eu".Assim, a aquisição crítica dos primeiros 2 anos de vida é
o desenvolvimento dessas distinções.
ainda estáao alcance e sua forma ainda é (aproximadamente) visível pelas dobras
).A criança viu ele ser coberto momentos antes,miasnào Caznenhuma tentativa
pera-lo. Segundo Piaget, isso ocorre porque o brinquedo, não mais visível, dei-
existir na dente daquela criança
volta dos 8 meses,os bebês começam a procurar brinquedos que toílham sido
lidos, mas,mesmo então,suabuscapelo novo brinquedo tem uma limitação pe
Suponhamos, por exemplo, que um bebé de 9 mesesveja o pesquisador esconder
caco de brinquedo atrás de um anteparo localizado, digamos, à direita da criança.
alegria, a criança tirará o anteparo e pegará o macaco. O pesquisador repete o
o algumas vezes, sempre escondendo o macaco atrás do mesmo anteparo à di
la criança.A cada vez, a criança puxa o anteparo e pega o macaco. Porém, agora, o
isador faz unia leve mudança no procedimento. De forma bastante ]enra e cotar
e visível para a criança, ele esconde o brinquedo em um local diferente, digamos,
de um anteparo à esquerda da criança.A criança observa cada movimento -- e faz
amente a mesma coisa que antes. Procura atrás do anteparo à direita, mesmo que
ha visto o pesquisador esconder o brinquedo em outro lugar um momento antes
Esseâenâmcno se chama eáeí'fo
..4-não-B,onde H designa o lugar onde o objeco 6oi
ndido inicialmente,e B o lugar onde 6oi escondidopor último. Por que esseerro
aliar ocorre? Piaget (1952) argumentava que o bebê de 9 mesesainda não com
nde o fato de que a existência de um objeto é independente das suasaçõ[Link]
'lança acredita que o Caco de procurar no lugar ,4 (onde encontrou o brinquedo
faz parte daquele macaco,tanto quanto a cauda.A criança, na verdade,não está
Figura l0.5 Permanência dos
'neste procurando um macaco,mas procura "o macaco que eu encontrei à direita' objetos. ÍA) Um bebé de 6 meses olha
:anta,não é de surpreenderque a criança continue procurando à direita (Flavell, propositatmente para um brinquedo. (B)
5; P.L. Harris, 1987). Porém, quando o brinquedo é oculto da visão.
o bebê não procura mais por [Link]
quemas sensório-motores Piaget,isso ocorre porque o bebê ainda não
tem o conceitode permanência dos oUetos.
fundo Piaget, a noção de que os objeEosexistem por conta própria -- mesmo quando
ão vistos, ouvidos, sentidos ou tocados -- é uma importante aquisição do período
5no-motor, e o que possibilita essarealizaçãosão os esgifcnias
cada vez mais soâis-
os do bebê.
Piaget acreditava que os recém-nascidos conaeçavama vida com um repertó- «'
mitado de reaçõesinatas,como o de sucçãoe o de [Link] visão
'iaget, essespadrões de ação proporcionam as primeiras categorias mentais, ou
mas, pelos quais os bebês organizam o seu mtmdo sensorial: o mundo é com
dido, em outras palavras,como algo que consiste de obÜetoschupáveis,pegáveis,
rn por diante.
Todavia, ao longo dos primeiros meses de vida, a criança resina e amplia esses
'mas e também aprende a integra-los em maneiras mais complexas de lidar com
ldo. Essaevolução, segundo Piaget, depende de dois processosque, segundo ele,
esponsáveispor todo o desenvolvimento cognitivo: asse'mí/anão
e aco//70dafão.
Na
açao,as crianças usam os esquemasmentais que já formaram para interpretar (e
)bre) o ambiente. Em outras palavras,os objetos encontrados no ambiente são
idos no [Link]ém, os esquemastambém mudam, à medida que a criança
re experiência em interagir com o mundo, e se acomodam ao ambiente.
)s processos de acomodação e assimilação permitem que a criança retine e diâe-
os seusesquen)as,e isso leva gradualmente à criação de uma variedade de novos
[Link] obviamente aumenta a capacidade da criança de interagir com o mundo,
ém disso, a habilidade maior da criança no uso dos esquemaspermite que ela
làs de um esquema de cada vez -- pegar objetos enquanto olha, segurar enquan-
Assimilaçãoe acomodação. Obebé
pa. Isso permite que o bebê coordene essasações individuais em um esquema de 3 meses assimilou o chowtho em seu
atório unificado, que buda a romper a conexão entre um objeto e um ialoda esquema de sucção e acomodou o esquema
:co de agir sobre aquele objeto, ou uma maneira específica de experimentar o para que agora inclua o chocalhocomo um
Essaliberação do objeto de uma ação específica, por sua vez, acuda a fazer a obieto que pode chupar.
396 Henry Gleitman Daniel Reisberg & James Grosa
O período pré-operacional
Para adquirir o conceito de pernlanên#ia dos obÜetos, a criança deve sel capaz de
sar sobre os objetos de modo que seja livre do aqui e agora imediatos da experià
sensório motora. A criança deve, por exemplo, poder pensar sobre um objeto que sia
antes,mesmo que o objeto não estejavisível no momento. Desse modo, a permanêtxb
dos objetos deve virjuntamente com a capacidade de representação mensal o prin»-
ro passo no calminho para o pensamento simbólico abstrato.
Piaget acreditava que a permanência dos objetos (e, assim, a capacidade de peng-
mento representativa) é alcançada por volta dos 2 anos,e isso marca o final do período
sensório-motor. Contudo, mesmo assim, o mundo mental das crianças de 2 anos, segun-
do a visão de Piaget, ainda está longe do mLmdo dos adultos. Isso porque as crianças de :
anos ainda não aprenderarl) como ífzfer-rc/aria//arassuasrepresentaçõesmentais de mo(b
coerente. Portanto, a grande conquista dos próximos 5 anos é o surgimento de noxn
conjunto de esquemasque Piaget chamavade operações, asquais pernütem que a criança
manipule as ideias de acordo com um conjunto de regrasestá[Link],asoperações
emergenalentamente e, assim,na visão de Piaget, criançasentre (aproximadamente)2 c
7 anos devem usar o pensamento pré-operacíona/.
A incapacidade de conservar
Um exemplo revelador do pensamento pré operacional é visto na aparenteincapacida-
de de crianças pequenas de conservar quantidades. Essa incapacidade pode ser demons-
trada de muitas [Link] procedimento usa dois copos iguais,identificados como
A e B, co]ocados ]ado a ]ado e contendo a mesma quantidade de um líquido coloridct
A criança deve dizer se existe mais suco em um copo ou no outro, e o pesquisada'
adiciona o líquido até a criança estar completamente satisfeita de que há "a mesnn
quantidade para beber nos dois copos". As crianças de 4 anos conseguem fazer essa
avaliação com facilidade.
O próximo passoenvolveum novo copo,chamadode C, que é mais baixo e mak
largo que A e B (Figura l0.6). Com a criança olhando, o pesquisador coloca'todo o
conde(ldo do copo A no copo C, aponta para B e C, fazendo a seguinte pergunta:"Tem
mais suco neste copo ou naquele, ou é a mesma coisa?". Para um adulto, a questão é
quase simples demais para merecer uma [Link] quantidades obviamente são idên-
ticas, pois A 6oi totalntente esvaziado em C, e A e B tinham a mesma quantidade no ini-
cio. Porém, crianças de 4 ou 5 anos não enxergam isso. Elas insistem que há menos suco
em C. Questionadas sobre qual é a razão, elas explicam que o líquido chega em um
nível muito mais baixo em C. Elas parecempensar que o suco diminuiu de quantidade
quanto 6oi Crans6erido
de um copo para o outra, ficando impressionadasdemaiscon
asmudançasvisíveisno nível do líquido para compreenderque existeuma constância
subjacente na quantidade.(Ver tambêm Figura l0.7.)
l
Um âenâmeno aHlm é a conservação de números. A criança primeiramente obser-
duasalas de moedas,e concorda que ambascontêm o mesmo número de moedas.O
quisador agora reorganiza uma fila, aumentando os espaçosentre as [Link]
5 ou 6 anos,as crianças geralmente dizeill que existem mais moedas nessaÜHa,pois
ão mais espalhadas"
(Figura l0.8). A'pa»tir dos 6 anos,há conservação,ça criança
o tem dúvida de que existe a mesma quantidade de moedas na 6lla com espaços pe
nos e na fila espalhada
Por que as crianças pré escolares não sabem conservar as quantidades? Segundo
get, uma parte do problema ê a sua incapacidade de inter-relacionar as diferentes
ensões da situação. Para conservar a quantidade de líquidos, por exemplo, ascrian
devem anõescompreender que existem dois estoresrelevantes:a altura da coluna
iquído e a largura do copo. Elas devem então entender que o aumento na altura da Figura /0.7 Consewaçõo da massa.
As crianças pré-escolares também nào
na vem acompanhado por uma redução em sua [Link], as crianças devem
corlseguem conservar a massa. Essa
zr atenção em ambas dimensões simultaneamente e relacionar as dimensões entre
criança observa duas bolas de argõa,que
E essacapacidadeque elasnão têm, pois exige um esquemasuperior, que reconheça
ajusta até Pcarsaüsfeka de que há a
riências perceptivas inicialmente discretas em uma unidade conceitual. mesma quantidade de argila em ambas.O
pesquisador pega uma das bolas e foz uma
operações concretas e formais 'sa/ficha". Questionada mais uma vez sobre
ndo Piaget, por volta dos 7 anos, as crianças aprendem a inter relacionar suas qual tem mais argila,a criança aporíta jura
a salsicha.
entações [Link] agora entendem o fato de que mudanças em um aspecto
rna situação são compensadas por mudanças eln algum outro aspecto. Conseguem
iflormar suas próprias representações mensais de uma variedade de maneiras e, as-
ntendem o que aconteceriase a água fossecolocadade volta no copo original
que o espaçamentode uma fila de moedasnão afeeao seu nú[Link]ém
dem o fato de que asoutraspessoaspodem [er perspectivasdi6etentesdo que as
cobre o mundo, bem como ideias e necessidadesdiferentes e, assim, abandonam o
'rfsrlloque caracteriza o pensamento pré operacional .
Todavia, segundo Piaget, ascapacidades intelectuais das crianças ainda são limitadas
do importante: elas adquirem habilidade em uma variedade de operaçõesmen-
las somente aplicam essasoperações em relações entre situações concretas (daí o
) operações
mt/cretas0.
Assim, as crianças conseguem pensar sobre uma grande varie
]e casosconcretos, mas ainda não têm capacidade de pensar de forma abstrata.
Por exemplo, criançasde 8 e 9 anos enxergamfacilmente que 4 é um número
que 4 + 1 é ímpar. Da mesma forma, elas entendem que 6 é par, enquanto 6 + 1
lpar, e o mesmo vale para 8 e 8 + 1. Porém, as mesmas crianças não enxergam a
abilidade dessepadrão, e não enxergam que a adição de l a qualquer número par
re deve gerar um número ímpar. Segundo Piaget, a compreensão dessarelação
ta e formal exige operações formais, operações superiores, que emergem por
dosll ou 12 anos. Figura /0.8 Conservação de números.
Quando as duas $1asde moedas são
Quando as crianças entram no período de operações formais, sua capacidade de
espaçadasigualmente,a criança diz
mar e resolver problemas dá um grande salto. Seu pensamento agora pode envol- corretamente que ambas contêm o mesmo
possível e o real, e elas podem considerar possibilidades hipotéticas e lidar com número de [Link] uma fila é mais
o que pode ser,além daquilo que é. espaçada,a criança diz que ela t©m mais
moedas.
notáveis -- que os bebês não possuem uin conceito de objeto, que os pré escolaresnb
consel-vam quantidades, e assim por diante. Todavia, estudos mais recentes mosun
que esseslimites intelectuais acompanham bolsõesde grande competência, fazenib
crianças pequenas parecerem mais avançadasdo que Piaget sugeria
-Ehl segundo lugar, Piaget imaginava as crianças passandopor uma série de eüaa
discretos, de modo que as capacidades do bebé são realmente diferentes das da an
ça pré operacional. Como veremos, contudo, os testescertos revelam que os h:xH
entre os estágios não são tão claros e, nas circunstâncias carretas, um bebê no esta;=s
sensório-motor tel-á habilidades que, segundo Piaget, somente existiriam em seu irmã
pré-operacional, e assim por diante.
Essesestudos conferem um sfafus interessante à teoria de Piaget. Por un] lado, u
padrõesde dados reve]adospor Piaget os limites daquilo que as criançaspodem fua
en] muitas circunstâncias, os saldosaparentemente grandes que ocorrem (aproximada-
mente) aos 2 anos, e novatnentc aos 4 devem ser explicados e, assim,não podemn
abandonar totalmente as suasideias. Por outro lado, Piaget estavatotalmente enganado
em algumas das suas aâirnaações especí6[cas e, pocencialmenee, en] sua abordagem teó-
rica ampla, e precisaremosrevisar a sua concepção de maneiras [Link] agua
analisar como se desdobram esses argumentos
O efeito da oclusão
Considere a Figura l0.9A, que mostra um objeto ocluindo (ocultando da visão) par
cialmenee outro objeto que está atrásdele. Os adultos que olham essacena certamente a
perceberão como uma criança acresde um portão. Eles têm total certeza de que, [Link]
seabrir o portão, verão uma criança inteira (Figura l0.9B) e ficariam muito surf-estes+
o portão aberto revelasseuma criança com lacunas no corpo (Figura l0.9C)
Será que os bebês percebem os objetos parcialmente ocluídos da mesma 6armd
Figura /0.9 0 efeito perceptivo da Isso não parece ulll deito profundo ou sofisticado, mas, se os bebês percebem o munih
oclusão.(A} Uma criança acluida por
dessamaneira, isso seria unia evidência de que a sua experiência perceptiva não é tü
um portão é percebida como uma pessoa
fragmentada quanto Piageepropôs- De maneira mais precisa,indicaria que os bebês tàn
inteira atrás do portão, de modo que
parecerá como em (B} quando se abrir o pelo menosum conceitoprimitivo dos objetos,e um entendimentodo fato de qx
portão, em vez de ser percebida como em aspartes dos objeEos 6lcam conectados independente daquele objeEO esgar[otaJmet=
(C),uma criança com lacunasno corpo. visívelou não
Para responder essasquestões,muitos pesquisadores empregam procedímefzfos
debP-
bífuaçã[Link] um dessesestudos,bebês observaramuma barra que se mexia atrásde inn
bloco sólido que oclusasuaporção central (Figura [Link]). Essemodelo 6oi mantido
vista, com a barra ainda se movendo, até que os bebêsse cansassemdele (i.e., habitua
sem) e parassemde olhar. Os pesquisadoresentão mostraram dois outros modelos aH
bebê[Link] delesera uma barra inteira que se mexia da mesma forma (Figura lO.10B\
o outro consistia de dois pedaçosda barra que se mexiamjuntos (Figura [Link])
Se os bebês tivessem percebido o estímulo original como uma barra completa
unitária, a Figura [Link] não mostraria nada de novo, mas a Figura [Link] pareccü.
nova. Esse padrão seria invertido se os bebês tivessem percebido apenas as parta dh
estímulo original. Nesse caso,a Figura lO.10C não mostraria nada de novo, e a Fi::=a
0.10B seria o modelo novo
Como os bebêsjá haviamcansadodo eseínau]o
original, um estímulonovo atrairiana
ue os bebes focaram
Psicologia
carao modelo para descobrir qual dos dois consideraram novo e, quando soubermos
)s bebês consideraram novo, saberemoscomo perceberam o modelo original
As evidências nesseestudo são [Link] bebês de 4 mesespassaranamais tempo
tdo a barra coroada do que a barra [Link], consideraram a barra
ldauma novidade maior, o que nos diz que haviam percebido o estímulo original
o inteiro. Em vez disso,eles pensaramque as partes da barra no estímulo original
conectados (como os adultos pensariam). Isso sugere que existe uma certa noção
'n objeto físico real mesmo com 4 meses (Kellman e Spelke e Short, 1986; também
on,2004)
Parece,então, que os bebês percebem os objetos no mundo como sendo o«a//íza
le certas maneiras desde muito cedo. Contudo, será que os bebês entendem alguma
abre essesobjetos?Será,por exemplo,que elesEêmalgum conhecimentosobre
)priedadesfísicas que godosos objetos compartilham?Verificou-se que sim.
Em um estudo,bebésde 4 mesesobservaramum palco enl miniatura, em cujo cen
avia uma caixa. Na crente da caixa, havia uma tela presa em uma barra conectada
hão do palco. Inicialmente, a tela estavadeitada, de modo que a caixa atrás dela es-
laramente visível, mas a tela girava para cima, escondendo a caixa da visão (Figura
A). O experin)ente tinha duas condições. Na primeira, a tela girava até alcançar
xa, parava, e girava de volta, retornando à sua posição inicial (Figura lO. l IB). Na
condição, a tela girava até chegar na caixa ocluída e continuava como se ela não
se mais ]á. Depois que terminava o arco de 180', invertia a direção e percorria
B
) caminho inverso, quando a caixa aparecia novamente (a caixa era removida e
adasecretamente,conforme o necessário;ver Figura lO.l IC; BaiUargeon, 1987;
rgeon, Spelke e Wasserman, 1985)
'ara os adultos, a primeira dessascondições faz peúeito sentido físico. Como dois
não podem ocupar o mesmo espaçoao mesmo tempo, a tela necessariamente
bando encontra a caixa. Porém, o segundo caso é radicalmente diferente.A caixa
:starbloqueando o caminho da tela,à medida que estagira. Portanto, a Celanão
guiria girar aEéo ânn.(.quandoa tela gira até o 6lm,ela pareceter atravessado
a Figura 10.11 Aprendendosabreos
objetos. Um bebé de 4 mesese meio
-- uma impossibilidade física. Pior ainda, a tela parece ter obliterada a caixa, de
está olhando um palco, onde vê uma caixa
que, quando a tela alcança a posição Sinal, a caixa sumiu. Porém, quando a Cela
de pé. Na frente da caixa, hã uma tela que
a caixa está de volta. Por isso,não admira que os adultos considerem isso sur- inicialmente está deitada e que começa a
nte e suspeitem que o pesquisadoros enganou de algum modo. girar para cima (A). Na primeira condição
á que os bebês reagem da mesma 6ornla a essascoisas?A resposta é sim. Os (B},a tela para de girar assim que toca na
4 mesesevidentemente consideraram a segunda condição mais surpreen- caixa. Na segunda (C), quando a tela está
suposcanlente,mais confusa) do que a prinaeira, assimcomo os adultos con em um ponto suRcientepara ocultar a
caixa, esta é retirada secretamente, e a tela
am. Isso 6oi revelado pelo fato de que passarammuito mais tempo olhando a
continua a girar até embaixo. O bebê t)prece
lâ segunda condição do que na [Link], essesbebês pequenos
considerar isso muito surpreendente, como
ena noção da permanência dos objetos e continuavam a crer na existência
mostra o fato de que continua a olhar para
je em sua capacidadede bloquear o movimento de outros objetos), mesma o palco por muito mais tempo do que na
atavainteiramente oculta da visã[Link]ém disso,os bebêsevidentemente ti primeira condição.
400 Henry Gleitman. Daniel Reisberg & James Gross
Com aproximadamente
5 meses,os bebêsaprenderamque o cantata em si nã4
é suficiente para proporcionar apoio. Eles agora sabemque o apoio deve estarca»-
baixo do objeto. Portanto, esperamque o bloco cinza caia na situação B, mas não =
situação C.
Com aproximadamente 6 meses,os bebês terão aprendido que o apoio deve es=='
embaixo do objeto e em uma posição adequada,e agora sua reação a essesnüodelu é
semelhante à dos adultos: esperam que todos os blocos caiam, exceto o da situação D
IBaillargeon, 1994; para outros dados afins, ver, por exemplo, BaiUargeon, 2004; Bailln-
geon e gang, 2002; Hespos e Baillargeon, 2001a, 2001b; para uma revisão ampla &-
conhecimento dos bebês sobre os objetos, ver Mareschal, 2000) .
Figura 10. 12 Desenvolvendo o sentido Assim, vemos mais uma vez que os bebés começam a entender o mundo tina
de apoio. Mesmo bebés multo pequenos muito antes do que Piagee afirmava. Mesmo assim, os bebês ainda têm muito a aprn'
parecem saber muitas coisas sobre o der, e uma tarefa crucial para os psicólogos do desenvolvimento é investigar como id
mundo Fsico, mas também têm bastante a conhecimento relevante é adquirido.
[Link] 3 meses, os bebés agem como
se acreditassem que qualquer contato $sico
prof)orcionarã at)oio e assim,o bloco cinza
A permanência dos objetos e o processode procura
em (B} manterá sua posição depois que a Esses(e outros)resultadossugeremque, quandoestácom 8 ou 9 meses,o bebé
mão [Link] aproximadamente5 meses, um entendimento razoávelde como o mundo físico funciona e, com ele, um
os bebêsterão aprendido que o apoio deve dimeneo adequado do que são os objetos sólidos. Porém, nessecaso,como
estar abaixo do objeto [Link], explicar as observações de Piaget, observações que o levaram a concluir que os
eles agem como se o b/oco cinza em ÍBJ vá
não possuem o conceito de permanência dos obÜetos?Como, em particular,
cair se a mõo sair,mas não o blococinza
explicar o Eito de que un] bebê de 8 ou 9 anos não conseguealcançarobjetos que
em (q. Com aproximadamenteó meses, estão visíveis?
os bebés terão aprendido que o apoio
deve estar l)osicionado adequadamente e A maioria dos pesquisadores
modernos sugereque ao contrário de Piaget
esperam que o bloco cinza em ÍB) ou (q bebês acreditam que os objecoscontinuam a existir quando estãoocultos da visão
caia quando solto, mas não o bloco cinza mesmo tempo, porêm, os bebês são incapazes de procurar essesobjetos, e é por isso
em rD).
Piaget observou ascaracterísticas peculiares que notou
Psicologia
ra ilustrar isso, podenaos usar o efeito A-não B, que (como discutimos antes)
re à tendência do bebê de procurar ein um lugar onde encontrou um brin
antes,em vez do lugar onde acabade ver o brinquedo ser escondido.O que
esseefeito? Se o bebê procurou várias vezesem A, a respostade procurar em
bastante ativada. Portanto, para procurar em B, o bebê deve superar es:e hábito
adquirido e esseé o problema. O bebê não sabeonde o brinquedo está,mas
)nsegue inibir a respostamomentaneamente corte de procurar em A. Na bilha
hipótese,há o fato de que muitos bebêsprocuram em B ao mesmo tempo em
procuram em A, como se soubessemonde o objeEOestá,mas não conseguissem
aosseusbraçoso que descobriramcom os olhos (Figura lO.13; Baillargeone
J
:ovae um tambor; e assim por diante. Cada s/ídetambém diferia na organização Nessa sequência especifica, ele ainda olha
B enquanto tira a cobertura de A, sugerindo
dos objetos, que podiam esgardispostos com dois em cima e um embaixo ou
uma dissociação entre o que o bebé sabe e
a coluna vertical, ou com um em cima e dois embaixo.
o que e/e vê.
m todas essasvariáveis, será que os bebês conseguiriam detectar a única proprie
todos os s/idescompareilhavam-- o fato de que todos continham três objecos?
obrir, os pesquisadores usaram a técnica da habituação. Eles apresentaram esses
)s de três objetos até os bebês cansarame pararem de olhar. Então, apresenta
a série de novos s/ides,alguns dos quais apresentavamdois objetos, enquanto
ontinuavam a apresentar três. Os bebês passarammais tempo olhando os s/Ides
lentavaindois objetos do que os de trê[Link], os bebêsconseguiram
odes as particularidades dos diversos s/idese detectar a única propriedade que
ham em comum. Nesse sentido, os bebês haviam entendido o conceito de
jade" (Starkey, Spelke e Gelman, 1983, 1990; para evidências afins, ver Figura
nmbém Capítulo l).
bém observamosque existem controvérsias sobre o que exatamente os bebês
bre números e relações aritméticas ([Link]., Barth, Kanwisher e Spelke, 2003;
2003; Gallistel e Gelman, 2000; McCrink e Wynn, 2004; Newcombe, 2002).
402 Henry Gleitman Daníel Reisberg & James Grosa
©
Figura lO. /4 Alguns rudimentos dos :Bum
números em bebés de 6 meses. Dois
'Bum Bum
pabiéb contendodois ou três objetos
simples foram apresentadas a bebês de
6 [Link]/taneamente,um tambor
tocava em um alto-falante,produzindo
sons rítmicos dul)los("bum, bum") ou
V
triplos {"bum, bum, bum"). (A) Quando o
tambor tocou "bum, bum'l o bebé o/hou
o painel com dois objetos.(B} Quando o
tambor tocou "bum, bum, bum': o bebé
olhou o painel com três [Link] sugere
que o bebê tem um conceitorudimentar
de duplicidade e triplicidade, um conceito
que vale independentemente dos objetos
contados" serem objetos visuais ou sons.
A B
Todavia, entre todas essasvisões, parece claro que os bebês entendem alguns dos pr
uma vez, tem ui:z
cípios fundamentais em que se baseia a aritmética e, assim, mais
competência que não é revelada pelos destesde Piaget e nem refletida em sua teoru-
mundo compartilhado
ês também parecem reconhecer bastante cedo que outras pessoasvivem no
mundo físico que eles e, assim, conseguem ver mais ou menos o que eles veem
que ouvem, e assim por diante. Isso é revelado no trabalho sobre a atenção
tilhada. Por exemplo, bebêsde 9 mesestendem a olhar na direção do olhar
mães (Madre e Dunham, 2004; ScaiGee Bruner, 1975;Tomasello, 2000), e essa
ade logo se expande. Em um estudo, bebês entre 12 e 18 meses 6lcaram no colo
mães,enquanto estasolhavam para um determinado brinquedo. Enquanto as
havam para o brinquedo, as crianças coram segurados com a cabeça voltada para
de modo que não podiam ver o alvo do seu [Link] que podiam ver eram
das mães. Evidentemente, isso 6oi suficiente assim que as mães relaxaram
«'
Treinamento
:rda, miasnão quando olha o objeto à direita. Se a pessoa pega um dos objetos
á? Os adultos esperam que a pessoapegue o objeco à esquerda, o que evocou
assiJllcomo os bebês de 12 meses (Philhps,Wellman e Spelke, 2002) e 6lcam
)s se a pessoa pega o outro [Link], os bebês de 8 meses não apresentam
drão, deixando claro que os bebês-menores, por mais sofisticados que sejam,
m coisasa aprender.
Contagem
Alguns precursoresda habilidadede contar aparecemjá aos2 anose meio. Nessa
de, as crianças podem não saber a sequência convencional de termos numéricos, mas
entendem
b
a ideia do que o processo de contagem envolve. Assim, unia criança de !
anos contava 1,2, 6",e lucra dizia "í,13, 19 mas o importante é que usaram essas
sériesde forma coerente e entendiam que essesrótulos numéricos devem ser aplicada
a apenas um objeEOno conjunto a ser contado. Elas também compreendiam que u
rótulos sempre devem ser usados na mesma ordena e que o último número se aplicam'a
ao número de objetos no conjunto. Dessemodo, a criança que contava "1, 13, 19'
a6inJaava
com conülançaque havia 13 objeEosquando côncavaum conjunto com doü
objetos, e 19 quando contava um conjunto de 3 objetos. Essacriança obviamente não
estáusando os termos adultos, Dias parece cer aprendido algumas das ideias básicasquc
fundamentam o processo de contagem (Galliscele Gelman, 2000; Gelman e Gallistcl
1978; Lipton e Spelke, 2006).
Raciocínio numérico
Uma criança que sabe contarjá deu um grande passo,mas existe mais no entendimento
numérico do que a contagem. A criança também deve entender alguns princípios (b-
raciocínio numérico asideiasde "mais que'' e "menos que", princípios simplesda
aritmética, e assim por diante. Os pré [Link] essasideias conceituais básica
de forma gradual. Qualldo se comparam dois conjuntos, por exemplo, se o núnleío de
objetos 6or suficientemente pequeno, crianças de 3 e 4 anos sabeis apontar corretame&-
te para o conjunto que âor maior ou menor (Gelman, 1982; Gelman e Gallistel, 1978
Se as crianças pré-escolares têna essashabilidades, por que elas não consegual
acertar os testes piagetianos de conservação e números? Já descrevemos a observaçb-
piagetiana básica: quando crianças pré escolares comparam duas fileiras, cada uma
tendo, digamos,quatro patinhos de brinquedo, elasdizem que a ÜHamais longa conta
mais patos, enl uma aparente confusão entre comprimento e número. Como podema
conciliar isso com as demonstrações da competência nun)trica dos pré escolares?
Em parte, o problema pode estar na maneira como as crianças coram questionada
nos estudos de Piaget. Nessesprocedimentos, a criança costuma ser questionada dun
[Link], asduas fileiras de objetos são apresentadasde n)aneira igualmente
de modo que ambastêm o mesmo comprimento. Quando se pergunta: "Qual 6lla
mais,ou elas são iguais?", a criança logo responde "lguaisl". Agora, o pesquisador muib
comprimento de uma das lhas talvez espalhando os objetos um pouco mais ou
do os um pouco e pergunta novamente: "Qual fila tem mais, ou elas são iguais?
Por que a mesma questão é perguntado novamente? Do ponto de vista da
issopode implicar que o pesquisadornão gostou da primeira respostae, assim,como
adultos muitas vezesfazem, estáproporcionando uma oportunidade para tentar
mente. Isso claramente sugere para a criança que a sua primeira resposta estavae
e ela muda a resposta
E claro que essainterpretação errónea somente é possível, porque a criança
estátotalmente certa da respostae,assim,é facilmente confundida por essadica
do pesquisador. Em outras palavras, Piaget e:tava carreto ao observar os limites do
nhecimento da criança pré-escolar: o entendimento da criança sobre conceitos nu:
ricos é suflcíeneementeprovisório, de modo que mesmo uma leve dica incorrera
desvia la do caminho. Pol-ém,isso não significa que a criança não entende numeros
contagem e, de fato, se questionarmos a criança cuidadosamente,sem fornecer
enganosas,e simplificarmos o desceum pouco (usando conjuntos menores de
ascrianças pré escolarescostumam se sair bem no teste da conservação (Siegal, l
Portanto, parece que as aquisições dos períodos postal'iores se baseiam em
lamentos estabelecidos muito antes. Desse modo, existe muito mais continuidade
desenvolvimento do que aân'movaPiaget,e asetapasdo desenvolvimento cognitivo
são tão definidas quando as mudanças de girino a sapo (que dirá de sapo a príncil'd
Psicologia
raçasverdadeiras e falsas
da criança se torna difícil, quando se trata de crenç[Link] que você
Susi,de 3 anos,queJohnny quer brincar com o seu cã[Link]êtambém
que Johnny pensa que o cãozinho está embaixo do piano. Se perguntarmos
deJohnny irá procurar, ela dirá, razoavelmente,que ele irá procurar embaixo
Wellltian e Bartsch, 1988). Como um adulto, uma criança de 3 anos entende
)s de uma pessoadão dependem apenasdo que ela vê e deseja,mas também
a cre
eráque unia criança de 3 anos realmente entende o conceito de crer? De fato.
mento das crianças pode ser bastante limitado de modo que, por exemplo,
em não entender como as crençasocorrem. Como exemplo, se questionada
de um objeto, uma criança de 3 anos diz que pode descobrir tanto tocan
'to quanto olhando para ele (O'Nem,Astington e Flavel1,1992). Da mesma
onçasde 4 ârlos dirão com confiança que sempre souberam algo, mesma
H
que tenham ouvido o pesquisadorfalar aquilo pela primeira vez, um momento ana
(Taylor, Esbensen e Bennett, 1994)
lucra limitação visível diz respeito à compreensão das crianças sobre as creia
[Link] muitos autores, uma criança de 3 anos não entende o simples fato &'
(}ueas crençaspodem ser verdadeirasou Casas, e que diferentes pessoaspodem ter cren-
ç[Link] sugere que falta algo na teoria da mente de uma criança de 3 anos-
Evidências para essaa6lrmação vêm de estudos que usam testes com crençasfalsas
(Wimmer e Perner, 1983; ver também Lang e Perder, 2002). Em um estudo dessetipo
uma criança e um ursinho de pelúcia estãosentados en] frente a duas caixas, uma cinza
c outra verde. O pesquisador abre a caixa cinza e coloca uma bola dentro. Depois, abre
a caixa verde e mostra à criança -- e ao ursinho que a caixa está vazia. O ursinho
agora é retirado da sala (para brincar um pouco), e o pesquisador
e a criançatrocam
a bola da caixa cinza para a caixa verde. Depois disso,vem a etapa crucial: o ursinho é
trazido de volta à sala,e pergunta-se à criança:"Onde o ursinho vai procurar a bola
Praticamente bodasas crianças de 3 anos e algumas de 4 responderão: "na caixa verde
Se você perguntar por quê, elas responderão:"porque é onde estão".Assim, parece quc
as crianças não entendem realmente a natureza das crenças, e parecem supor que suas
crençassão inevitavelmente compartilhados pelas pessoase, da mesma forma, não en-
tendem que as pessoas podem ter crenças falsas (Figura lO.17)
Todavia, por volta dos 4 anos e meio, as crianças começam a entender. Agora. e
perguntarmos: "Onde o ursinho vai procurar a bola?", elasresponderão:"Ele vai pro"
curar na caixa cinza, pois é onde pensa que a bola está" (Wellnlan e Lagateuta, 20te
Wellman et al., 2001).As criançasparecem ter aprendido que nem todo conhecimeixn
é compartilhado, que diferentes indivíduos têm crenças'diferentes,e que ascrençasqur
alguém tem dependem do acessoadequado às informações relevantes
que proporcionam a base para o seu pensamento sobre a doença e a saúde, o nasce:lx::!
e a morte (Gelman e Ramal 2002; Inagaki e Hacano,2004;Wellman e Gelman-
As mesmascrençastambém orientam o pensamento das crianças sobre temas c(»X=
como instruções dos pais relacionadas com a nutrição ("coma o espinafre")
quência ou estágios?
\
embora a versão normal do teste (p. 407 408) confunda a maioria das criança
de 4 anos (Onishi e BaiUargeon, 2005; ver também Perner e Ruífman, 2005). Portanto
podemos comemorar as aquisições das crianças de 15 meses,mas também devemos
reconhecer os seus linaices: elas somente passam no teste das crenças falsas com as sim
phniEaçõesnecessá[Link] comparação, a criança maior não precisa de simpliâlcações.
pois, para ela, está totalmente claro que outras pessoas têm suas crenças próprias e essas
crenças podem estai-erradas. Como resultado, a criança maior pode usar essacom
preensão em uma ampla variedade de circunstâncias, e a compreensão pode ser revelada
em uma ampla variedade de testesexperimentais.
Desse modo, existem semelhanças e diferenças entre crianças menores e crianças
[Link] crianças pequenas têm habilidades -- e a base semelhantes às que apre'
sentam quando maiores e, assim,como resultado, o desenvolvimento não envolve a
chegadaabrupta de maneirastotalmente novasde lidar com o mundo. Porém, ashabi-
lidades da criança menor são primitivas e frágeis, simples precursores das capacidades
so6lsticadase fluentes que a criança apresentará pouco tempo depois
Juntamente com isso, existem continuidades e descontinuidades no desenvolx-i-
mento infantil. Por,um lado, a semelhança entre crianças menores e maiores em suas
habilidades, e o fato de que novas capacidades emergeíla gradualmente das mais antiga,
indica que o desenvolvimentoé muito mais contínuo do que [Link]ênt
mesmo assim,Piaget estavacorreto ao observarque existem momentos na vida de unu
criança em que ela parece d;\r um salto cognitivo gigante. O que produz essessaltei
Em todos os domínios, as habilidades e o entendimento das crianças crescem de eomu
enEae constante,mas essecrescimento gradual acabalevando a um salto um pano
em que (enfiml) a criança consegue aplicar suashabilidades espontaneamente (scm (b"
casou apoio de um adulto) e de forma ampla (em uma grande variedade de problema
novos).Nesse ponto, o desempenho da criança seránotável e subitamente melhor quc
era algumas semanas antes. Desse modo, um aumento gradual nas suashabilidades pote
produzir melhor-assúbitasno desempenho
Quando essessaltosintelectuais ocorrem? Eles parecem acontecer por volta dm
anos, aos 4 ou 5 e novamente aos 8 ou 9 anos. Claro que essassão as idades que Pia.s=
identificou como transiçõescruciaisna vida da criança e, assim,taJvczestivessecera
em enfatizar a importância dessas
idades,mesmo que sua ênfasen.\ ínudançapualiuinz
não fossea maneira certa de caracterizar astransições
ver também Capítulo 14). Isso,é claro, ê um porte argumento de que o desenvolvi
lto de nossascapacidadesintelectuais é iníiuenciado pela biologia que herdámos.
Em segundo, também mencionamos o fato de que cercas capacidades cogniti-
arecem ligadas a determinadas estruturas neurais e, assim, lesões nessasestruturas
.am dê6icits cognitivos específicos. Essasquestões 6orain proejllinentesq em nossa
issão sobre a linguagem (Capítulo 9) e apareceratla novamente em nossa discussão
a teoria da mente da criança. Isso também indica que o funcionamento e o de
)lvimento de nossashabilidades cognitivas devem ser compreendidos em relação
aspectosrelevantes do sistema nervoso.
Em terceiro lugar, vimos indícios de habilidades cognitivas desde muito cedo na
da criança e, nessescasos,é simplesmente implausível que a criança tenha tido
o ou experiências suficientes para aprender Caishabilidades. Assim, parece que
capacidadesnão derivam da experiência e, portanto, devem ser inatas.
Quais são os caiadidatos para essascapacidades inatas? Isso é questão de debate
por exemplo, Hespos e BaiHargeon,2001a; Newcombe, 2002; Spelke, 1994; Spe-
e Newport, 1998). Mesmo assim, temos alguns candidatos plausíveis: por exemplo,
ncionamos que o nosso legado biológico parece envolver uma sofisticada capaci-
para aprender a língua, e cambêm uma capacidade para adquirir unia teoria da
nte rapidamente. Portanto, observe que o genoma não especifica um conteúdo de
minado ([Link]., o DNA não transmite cercaspalavras do vocabulário para a criança,
lo codifica determinadas ideias sobre por que as crianças agem como agem). Em
=lisso, o que se herda é um conjunto de r//ecanísr/ios de aprendizaKe/n especializados,
nodo que cada indivíduo pode desenvolverrapidamente as habilidadesde que
ssita
Diferenças em competência?
Em muitos sentidos,o desenvolvimento mental parecebastantesemelhanteem crian«
de culturas e nacionalidadesdiferentes.A idade em que diversascapacidadesemergcq
vaca pm pouco de cultura paracultura, de modo que, por exemplo,criançasde certasT1li
Curaspodem passarno teste de crençaslusas conauma idade um pouco menor, e cnanç=
de outras culturas podem passarno teste apenasdepois de terem um pouco mais idaihq
(Green6teldet al., 2003; mas ver também CaUaghanet al., 2005). Todavia, mesmo c(»
essasvariações, todas as crianças, em culturas diversas, parecem passaros pr:ncipals man:al
do desenvolvimento que discutimos essencialmente na mesma ordem, e cometem os nxl
mos erros no caminho para essesmarcos (Green6ield, 1966; Hyde, 1959; Nyiti, 1976)
Em outrossentidos,porém, asculturasdigeremem seuspadrõesde desenvolvima]
to cognitivo. No ocidente, por exemplo, a maioria dos adolescentes passapelos estágla
das operações concretas e entra no estágio das operações formais. Porém, em certo
culturas ([Link]., a dos aborígines australianos e de tribos da Nova Guiné), muitos aduz:l
não passamem testescomuns de operaçõesformais. De fato, evidências de operaçõa
formais (usando os destespadronizados) são raras em culturas em que não existe =:1:]
larização explícita (monos e Richards, 1993; Segall, Dasen, Berry e Poortinga, 199ill
Nessas [Link]. a maioria dos adultos parece incapaz de lidar com certos probleniq
abstratos, incluindo problemas de raciocínio silogístico. Assim, uma amostra de Cazc!:J
deiros kpe//enão escolarizados da Libéria 6oi informada de que "Todos os homens il
são plantadoresde arroz. O [Link] não é um plantador de arroz". Quando questia
dos"0 [Link] é um homem &pe//e?",eles geralmente não respondem com a simplq
resposta silogística "não", mas respondem sem se comprometer: "Se eu o conhecc+'
ssoalmente,poderia respondera questão,mas como não o conheço pessoalmei+
não possoresponder" (Scribner, 1975, p. 175)
Todavia. outras evidências deixam claro que os mesmos povos pré-alfabetizaüs
são capazesde apresentarraciocínio complexo e so6lsticadodentro do contexto (B
suasproprias vidas. Um exemplo vem dos caçadores-coleeoresÉt4ngsan do deserto &'
Kalahari, que realizam feitos notáveis de inferência enquanto estão caçando:.pondc-
Sof)sticação pré-alfabetizada.
Os povos pré-alHnbetizados muitas vezes
fracassam em nossos testes experimentais
padronizados, mas, mesmo assim,
essesmesmos povos apresentam uma
impressionante sofisticação intelectual
em suas ativfdades cotídianas, usando
uma complexa capacidade de dedução e
resolução de problemas, por exemplo, para
caçar.