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XX Simpósio Nacional de Ensino de Física – SNEF 2013 – São Paulo, SP 1

ENSINO DE FÍSICA MEDIADO POR TECNOLOGIAS DE


INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Alessandro Luiz de Lara1, Letícia Beraldi Mancia2, Luiza Sabchuk3, Angela


Emilia Almeida Pinto4, Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti5
1
UTFPR/Departamento Acadêmico de Física,alellara@hotmail.com
2
UTFPR/Departamento Acadêmico de Física,leticiabmancia@gmail.com
3
UTFPR/Departamento Acadêmico de Física, luizasabchuk@gmail.com
4
UTFPR/Departamento Acadêmico de Física, angelae@utfpr.edu.br
5
IEPPEP/Grupo de Recursos para Altas Habilidades/Superdotação, paulasakaguti@uol.com.br

Resumo

Este trabalho situa-se no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a


Docência (PIBID), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, financiado pela CAPES.
Teve como motivação a necessidade de pesquisar e relatar as funções que as Tecnologias
de Informação e Comunicação (TIC) têm desempenhado dentro das escolas, assumindo o
papel de elemento mediador do processo de ensino e aprendizagem na disciplina de Física
para o Ensino Médio. Com esse objetivo, nós, pesquisadores e bolsistas, desenvolvemos
um projeto de pesquisa baseado na produção de uma Oficina de Tecnologias de Informação
e Comunicação, voltada à inserção em sala de aula, que foi dividida em quatro atividades
aplicadas diretamente dentro de um colégio estadual localizado na região central de nossa
cidade, tendo como público-alvo estudantes do grupo de altas habilidades/superdotação,
bem como de turmas regulares do ensino médio. Envolvendo temas como Astronomia,
Mecânica Básica e Forças Fundamentais, trabalhamos estes conteúdos mediados pelas TIC
com foco pedagógico. Em cada uma dessas quatro atividades foram utilizados diferentes
recursos tecnológicos, como o computador, o projetor, multimídias/multimeios (materiais
audiovisuais), aplicativos (jogos pedagógicos, softwares educacionais) sempre buscando
trabalhar com a contextualização dos elementos do cotidiano dos estudantes e suas
concepções prévias sobre os temas, como forma de criar um ambiente propício ao diálogo
fomentador de dúvidas, questionamentos e principalmente da curiosidade do estudante em
fazer o que foi proposto. Ao final, concluímos que no âmbito tecnológico muitas vezes
podemos utilizar uma abordagem humanista, definindo as TIC como um elemento motivador
da curiosidade e da apuração do senso crítico e observador dos estudantes, assim
beneficiando o processo de ensino-aprendizagem no contexto escolar.

Palavras-chave: Tecnologias de Informação e Comunicação, PIBID,


Oficinas, Relato de caso.

Introdução

A relação sociedade e tecnologia sempre foi algo de profundas discussões,


em especial a relação de dependência que desenvolvemos desses recursos. Alguns
autores sinalizam essa conturbada situação que se reflete nas relações pessoais e
na vida acadêmica e profissional das pessoas. Vivemos num regime em que,
segundo Postman (1994):
“(...) a tecnologia se apodera imperiosamente de nossa terminologia mais
importante. Ela redefine liberdade, verdade, inteligência, fato, sabedoria,
memória, história – todas as palavras com que vivemos. E ela não para

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para nos contar. E nós não paramos para perguntar” (POSTMAN, 1994, p.
3).
Em relação ao contexto educacional, ao observar a sala de aula percebemos
que essa mentalidade se conserva. Segundo o Guia de Tecnologias Educacionais
(GTE) do MEC, Brasil (2008):
“Embora se considere importante o uso de uma tecnologia, vale
lembrar que esse uso se torna desprovido de sentido se não estiver aliado a
uma perspectiva educacional comprometida com o desenvolvimento
humano, com a formação de cidadãos, com a gestão democrática, com o
respeito à profissão do professor e com a qualidade social da educação”
(BRASIL, 2008).
Constata-se, dessa forma, a necessidade de certa orientação pedagógica
para a aplicação desses recursos. Em análise, outros trabalhos da área observam
apego a teorias pedagógicas como, por exemplo, cognitivas de Piaget, sócio
interacionistas de Vygotsky e a aprendizagem significativa de Ausubel e Moreira.
Suas utilizações se dão em muito pelo aparente sucesso dessas metodologias na
aplicação em sala de aula, por priorizarem uma abordagem humanista.
Em relação ao processo de ensino e aprendizagem mediado pelo uso das
TIC o principal objetivo seria a melhoria dessa relação, auxiliando na compreensão
deconceitos abstratos, visto que os estudantes podem alterar variáveis e verificar as
mudanças resultantes, além da contribuição pedagógica que os modelos trazem
para a compreensão de conceitos teóricos (LARA, MANCIA, SABCHUKet al.,2011)
As práticas pedagógicas que podem estar associadas ao processo
mediadas pela utilização dessas diversas tecnologias, são apenas uma de muitas
opções para os professores utilizarem destes meios como “estímulo” ao aprendizado
a partir do contexto escolar. Estas práticas estão em sintonia com uma visão de
construção do conhecimento em um processo que envolve principalmente a
superação das abordagens e práticas tradicionalistas do processo:
“A prática docente deve responder às questões reais dos estudantes, que
chegam até ela com todas as suas experiências vitais, e deve utilizar-se
dosmesmos recursos que contribuíram para transformar suas mentes fora
dali.Desconhecer a interferência da tecnologia, dos diferentes instrumentos
tecnológicos, na vida cotidiana dos estudantes é retroceder a um ensino
baseado na ficção” (SANCHO, 1998, p.40).
Segundo Corrêa (2004) sobre a funcionalidade das tecnologias, nos diz que:
“A tecnologia empregada funciona como força impulsionadora da
criatividade humana, da imaginação, devido à visibilidade de material que
circula na rede, permitindo que a comunicação se intensifique, ou seja, as
ferramentas promovem o convívio, o contato, enfim. Uma maior
aproximação ente as pessoas” (CORRÊA, 2004, p. 3).
As ‘portas’ da sala de aula estão se abrindo, facilitando cada vez mais o
processo de consulta, ensino, aprendizado e colaboração entre estudantes,
professores e profissionais de várias áreas do conhecimento. Uma modesta parcela
dos educadores já percebeu o valor das TIC e como elas podem aprimorar o
processo de aprendizado. Todavia, é preciso ampliar esse número de modo a gerar
multiplicadores para que uma parcela maior da sociedade possa se beneficiar.
Portanto, no mundo tecnológico em que vivemos, a inserção das tecnologias
no cotidiano torna-se algo natural e ao mesmo tempo complexo. Diversas relações
acabam sendo mediadas por computadores, notebooks, tablets e celulares enquanto

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a velocidade de produção e transmissão de informações faz com que a cada minuto


sejamos bombardeados por milhares de informações.
Os estudantes de hoje, desde crianças, já estão integralmente inseridos na
era digital, e artefatos como computadores, vídeo games, players de música,
câmeras de vídeo, celulares fazem parte do cotidiano deles. Dessa forma, a
inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como elemento
mediador no ensino de Física torna-se uma estratégia interessante e pode contribuir
significativamente para o processo de ensino e aprendizagem.
Frente a esse pressuposto, a proposta deste trabalho é a realização de uma
Oficina para estudantes do ensino médio na disciplina de Física, mediada pelas
Tecnologias de Informação e Comunicação. A principal característica da oficina seria
a estratégia do “fazer pedagógico” em que o espaço de construção e reconstrução
do conhecimento são suas principais ênfases e poderia ser considerada como o
espaço ideal para pensar, descobrir, indicar, criar e recriar experiências práticas e de
vivenciar ideias de forma individual e coletiva através de um fator crucial: a
curiosidade.
Esta Oficina tem como objetivo utilizar tecnologias educacionais para
explicar conceitos físicos como “Lançamento de Projéteis” e “Partículas e Forças”, e
assim contribuir para melhorar o processo aprendizagem, além de mostrar aos
estudantes e professores a viabilidade do uso de jogos de computador no ensino de
Física.

O desenvolvimento da Oficina

Em nosso trabalho no PIBID de Física fomos convidados por uma escola


estadual situada no centro de Curitiba, para ministrar uma Oficina para um grupo de
estudantes com altas habilidades/superdotação. Essa escola da rede pública
estadual do Paraná, além das aulas para turmas regulares, tem como proposta
pedagógica o enriquecimento extracurricular através da oferta de Oficinas diversas,
abertas a estudantes de toda a rede estadual, identificados como superdotados
(BLOG IEPPEP;RENZULLI, 2004).
Com as relações e conclusões obtidas na seção anterior, nos lançamos à
elaboração e aplicação dessa Oficina de Física, composta por quatro atividades,
uma por semana com duração de uma hora cada e duração total de 4 horas de
atividades, todas mediadas por Tecnologias de Informação e Comunicação.
Oficinas se constituem em um ambiente destinado ao desenvolvimento de
competências e habilidades, mediante atividades laborativas em que devem estar
disponíveis diferentes tipos de equipamentos e materiais para o ensino. Em
particular, esta Oficina foi produzida abordando os temas curriculares de Ensino
Médio e desenvolvida em um âmbito de vivência da transposição didática do
conhecimento científico e tecnológico para o conhecimento escolar aplicado, através
de atividades criativas, participativas e interativas. Teve como objetivo geral
proporcionar aos pesquisadores do PIBID um espaço de produção acadêmica para
a inserção das TIC em sala de aula de uma forma não tradicional e relacionar os
possíveis benefícios dessa inserção ao processo de ensino aprendizagem.
A oficina foi realizada no contra turno das aulas dos estudantes e foi aberta,
ou seja, só participava da Oficina aqueles que realmente se interessassem. Isto
porque as atividades realizadas pelo grupo de altas habilidades da instituição
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acontecem em uma sala de recursos da escola. Por este motivo, o estudo em


questão contou com um grupo reduzido de participantes. Na primeira atividade foi
composto por dois estudantes com superdotação, e ao longo da oficina foi aberta
para os estudantes das turmas regulares. Assim, na quarta e última atividade a
Oficina já contava com a presença de nove estudantes, todos oriundos de escolas
públicas, com idades variando entre 14 e 16 anos.

As atividades da Oficina

Foram planejadas quatro atividades em grau crescente de conceitos físicos


e de manejo com as tecnologias.
No primeiro encontro foi realizada uma apresentação geral das atividades
planejadas com seus objetivos, metodologias e considerações gerais.
Desenvolvemos uma apresentação com o Adobe Flash® para dinamizar o processo
(Figura 1, foto da esquerda).
Depois, passamos para a apresentação e a utilização do software
astronômico educativo Stellarium. O uso desse software é relativamente simples e,
de início, preparamos um tutorial de utilização e optamos por trabalhar o tema
astrologia com eles em função da grande divulgação desse tema no cotidiano dos
estudantes. Partindo de alguns conhecimentos básicos de mitologia, identificamos
os signos utilizando a opção de visualizar as constelações e os desenhos que dão
origem a seus respectivos no mesmo software. Supondo que a origem dos signos se
dá pela posição do Sol no céu na data de nascimento da pessoa e em qual
constelação ele se encontra, fizemos algumas previsões sobre o possível signo dos
estudantes (Figura 01, foto da direita). Juntamente a isso procuramos buscar e
indicar elementos que caracterizam e diferenciam a astrologia da astronomia.

Figura 01: Apresentação em Adobe Flash® usada na oficina e a direita a imagem do


software Stellarium mostrando a posição do Sol diante das constelações.
Também aproveitamos para trabalhar a questão mitológica envolvida e
alguns conceitos de astronomia geral, como movimento planetário, afélios e periélios
e estações do ano. Vários outros trabalhos mostram diferentes atividades que
podem ser desenvolvidas como as de Bernardes & Santos (2008) e Bernardes
(2009).
O objetivo específico desta primeira atividade foi conhecer o público-alvo e
motivá-los a continuar comparecendo e se interessando nas próximas três
atividades que ainda estariam por vir.

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No segundo encontro trabalhamos conceitos de mecânica básica,


especificamente “Movimento de Projéteis”. A partir disto, decidimos optar pela
utilização de dois recursos tecnológicos, o jogo AngryBirds® e o software livre de
vídeo análise Tracker (OLIVEIRA, BEZERRA JUNIOR, SAAVEDRA FILHO et al.,
2010).
O objetivo específico foi através destes dois aplicativos, calcular a
aceleração da gravidade e relacionar um conteúdo básico da Mecânica a uma
atividade lúdico-tecnológica inserida no cotidiano, o jogo, através da utilização de um
software computacional gratuito. Foi explicado aos estudantes sobre as grandezas e
os conceitos físicos envolvidos no jogo. Explicamos os procedimentos de utilização
do programa, quais seriam os parâmetros utilizados e por fim a marcação dos
pontos e a plotagem dos gráficos. Utilizamos a parábola descrita pelo passarinho
arremessado pelo elástico, para associar o que acontece no jogo, com o que
acontece no dia-a-dia, e sua relação direta com a aceleração da gravidade local.
(Figura 02).

Figura 02: O jogo Angry Birds analisado pelo software Tracker.


Diante da curiosidade dos participantes sobre assuntos ligados a forças na
segunda atividade, decidimos pela utilização de outro jogo, o SPRACE, para mediar
nosso terceiro e quarto encontros: uma discussão sobre partículas e forças
fundamentais. Essas atividades foram dedicadas à construção de um quadro teórico
sobre as forças fundamentais e a tentativa de unificação das teorias físicas.
Utilizamos vários aspectos do cotidiano para contextualizar as manifestações destas
forças e como elas originam outras e também a necessidade de partículas para
explicar vários fenômenos e como ocorre a interação entre estas.
Alguns participantes fizeram forte alusão a conceitos vistos nas aulas de
química, como por exemplo, modelos de átomos e moléculas. Com algumas dúvidas
que surgiram pudemos fundamentar as discussões e passar para a próxima fase. Ao
final da terceira atividade, usamos um trecho do documentário ‘‘Universo

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Elegante’’(2003) da BBC sobre a teoria das cordas e sua proposta de unificar a


Física. Com uma parte destinada as forças fundamentais, vários conceitos
mostrados na oficina passaram a fazer sentido no pensamento crítico dos
estudantes.
Especificamente no nosso quarto e último encontro, o foco foi jogar o
SPRACE. No começo fizemos uma rápida revisão, em especial porque haviam
novos inscritos, apresentamos jogo, sua história e com essas ferramentas deixamos
que eles passassem pela fase de tutorial do jogo devido ao senso intuitivo e
familiaridade dos estudantes (Figura 03).
Ao final fizemos uma conversa de avaliação sobre as oficinas, o seu
andamento e os objetivos atingidos.

Figura 03: Jogo SPRACE utilizado como ponte entre as forças fundamentais e o mundo das
partículas.

Reflexões sobre a oficina e nossas conclusões

Através dessa oficina, mostramos e trabalhamos diferentes conceitos da


Física mediados pelas TIC. Dessa forma, o papel do estudante não é de apenas um
recipiente e sim de um fomentador da criação do conhecimento. Pela característica
dos encontros como um evento facultativo, os estudantes já vinham com uma
motivação inicial. Inicialmente contávamos com apenas dois estudantes, mas ao
final tínhamos nove e muitos relataram que ao tomarem conhecimento das
atividades que seriam desenvolvidas se sentiram interessados em participar.
Com relação aos estudantes, os dois que iniciaram pertenciam ao grupo de
altas habilidades/superdotação da escola, mas também estudavam no ensino
regular da mesma, e os outros que entraram no decorrer desta eram das turmas
regulares. Nesse quesito não houve qualquer diferença de comportamento entre
esses dois grupos.
O que construímos serviu de base para toda a oficina, um ambiente em que
a dúvida era bem vinda e a curiosidade era uma forma de darmos um passo à
frente. Nesse ponto alguns estudantes não se sentem a vontade para participar por
mais que estejam acompanhando o andamento das atividades, isso foi algo que
tivemos que administrar. Pelas atividades propostas naturalmente ocorreu um
abertura para nosso trabalho. Além dos jogos que são bem comuns e usuais pelos
jovens, os temas astronomia e força sempre despertam a atenção deles.

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Na aplicação das atividades da oficina ocorreram fatos curiosos e


interessantes. A primeira ocorreu na atividade de astronomia, que foi um bom
momento para os estudantes relatarem seus conhecimentos sobre a parte
mitológica e de observação celeste. Como muitos nomes estelares são derivados da
história houve grande interdisciplinaridade, que é outra característica interessante
dessa estratégia. Eles também citaram suas tentativas frustradas de observar
determinados corpos no céu e de fenômenos que poderiam ser observados no
programa.
Na segunda atividade, ao usar o jogo e o Tracker, apareceram as
dificuldades que os estudantes possuem em transpor os fenômenos para a
linguagem matemática. Mesmo não se recorrendo a cálculos manuais avançados,
observamos mazelas nas tentativas de quantificar a gravidade no jogo e compará-
los com os valores gravitacionais terrestres.
Já a terceira e a quarta atividades revelaram perguntas sobre partículas e
sobre o mundo microscópico. A ligação com a química foi inevitável, pois temas
como átomo, elétrons e interações entre esses corpos são vistos na disciplina.
Aspectos de ordem teórica também foram levantados como a questão da unificação
da física e busca para uma explicação da criação do universo.
Ao final realizamos uma avaliação sobre o andamento das atividades. Os
participantes se mostraram bem contentes com o que foi passado e com os reflexos
que isso estava causando nas aulas de física regulares, já que a professora
supervisora do projeto esteve presente em dois encontros, um deles o de forças
fundamentais. A proposta da oficina se mostrou marcante, em especial pelos
aspectos “filosóficos” que assumiu, “não consigo mais observar um lápis sem
imaginar os átomos lá” relata um participante. Outro diz: “olho para a parede e sei
por que não posso atravessar ela (risos)”. Sobre o documentário um estudante nos
contou que procurou por outros na internet e encontrou coisas estranhas como
“ruídos do espaço sideral” e complementou, “achei estranho porque sempre pensei
que não desse pra ouvir nada no espaço”.
Após essas discussões seguimos numa conversa sobre pseudociência, a
tom de Carl Sagan, e como alguns conceitos científicos podem ser deturpados por
pessoas não detentoras do conhecimento, o que contribuiu significativamente para a
apuração do senso crítico dos estudantes sobre conhecimento científico.
O aspecto mais importante da realização dessa oficina foi a oportunidade
que nós pesquisadores tivemos para usar as tecnologias com um caráter mais
humano, crítico e racional, indo de encontro com a proposta de Postman (1994), que
prevê esse tipo de uso para esses recursos.
Em nossa conversa final com os estudantes, o aspecto mais citado não foi o
computador, o projetor ou qualquer outro recurso ou artefato utilizado, e sim os
benefícios que aquele ambiente proporcionou para as dúvidas e discussões e a
forma com que essa oficina pode colaborar para a formação do senso crítico e de
observação dos estudantes. Através do papel de mediação assumido pelas TIC
nessas oficinas pudemos concluir que é uma estratégia que se utilizada
corretamente e com objetivos bem definidos pelo professor, em sala de aula,
beneficia o processo de ensino aprendizagem, como elemento motivador da busca
pelo conhecimento.

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Referências

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Fundamental em escola da rede estadual de Itaocara/RJ. Revista Latino-
Americana de Educação em Astronomia, n. 6, p. 33-53, 2008.
BERNARDES, A.B. Observação do Céu aliada à utilização do software
Stellarium no ensino de astronomia em turma de educação de jovens e adultos
(EJA). Anais do II Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica de Campos
de Goytacazes, Abril,2009.
BLOG IEPPEP. Blog de atendimento educacional especailizado, Grupo de Altas
Habilidades/Superdotação. Disponível em:
<http://sraltashabilidades.blogspot.com.br/>. Acesso em:03 Out. 2012.
BRASIL. Guia de tecnologias educacionais. Ministério da Educação. Secretaria de
Educação Básica, Brasília, 2008. Disponível em
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Avalmat/guia_de_tecnologias_educacionai
s.pdf>.Acesso em: 03 Out. 2012.
CORRÊA, C. H. W. Comunidades Virtuais gerando identidades na sociedade
em rede. Disponível em:<http://www.universiabrasil.net/materia_imp.jsp?id=4391>.
Acesso em: 03 Out. 2012.
LARA, A. L.; MANCIA, L. B.; SABCHUK, L.; MIQUELIN, A. F.; PINTO, A. E. A. O
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comunicação no ensino de ciências: algumas reflexões e possíveis
relações. VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Ensino de Ciências, 2011,
Campinas, 2011.
POSTMAN, N. Tecnopólio: a rendição da cultura à tecnologia. Tradução de
Reinaldo Guarany. São Paulo: Nobel, 1994.
OLIVEIRA, L. P.; BEZERRA JUNIOR, A. G.; SAAVEDRA FILHO, N. C.; LENZ, J. A.
Vídeo-Analise no Ensino de Física: Experiências com o Software Tracker. In:
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RENZULLI, J. S. O Que é Esta Coisa Chamada Superdotação, e Como a
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SANCHO, J. M. Para uma Tecnologia Educacional. (Tradução Beatriz Afonso
Neves). Porto Alegre, Artmed, 1998.

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