1.
Gestão de Recursos Financeiros de Projectos de Educação na cidade de Pemba no período
entre 2019-2023
Lembrança Maria Bachir
Universidade Católica de Moçambique
25 de Outubro de 2024
2. Resumo (250-300pp)
3. Palavra-chave: 3 a 5 palavras relevantes do tema.
4. Introdução
Segundo Moreira e Rizzoti (2009), a gestão de recursos financeiros na escola é um assunto que vem
recebendo cada vez mais atenção por parte dos gestores da educação, em função do movimento de
descentralização administrativa e pedagógica e desconcentração da aplicação de recursos pelas quais
passam os sistemas de ensino público.
Neste perspectiva, pode-se assumir que a gestão de recursos financeiros em projetos de educação é um
dos fundamentos essenciais para garantir o sucesso e a sustentabilidade de iniciativas educacionais. No
contexto da cidade de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, em Moçambique, este tema ganha
relevância devido a vários factores, como os desafios socioeconômicos, a necessidade crescente de
melhorias no setor educacional e as dificuldades associadas à instabilidade na região, especialmente com
o conflito armado que tem afectado a província nos últimos anos. A cidade de Pemba, sendo um dos
principais centros urbanos da região, enfrenta dificuldades na alocação e na gestão eficaz de recursos
financeiros para a implementação de projetos educacionais, que têm sido uma prioridade para o
governo.
Entre 2019 e 2023, a gestão de recursos financeiros para projectos educacionais foi profundamente
influenciada tanto por factores econômicos e políticos locais quanto por eventos globais, como a
pandemia de COVID-19. Esses factores alteraram significativamente as prioridades orçamentais, exigindo
adaptações rápidas e estratégias financeiras inovadoras para garantir a continuidade das iniciativas
educacionais. (Santos, 2021)
Ao longo deste período, a cidade de Pemba sofreu com tais factores e outros como a questão da
violência extrema, que proporcionou ao aglomerado da população oriunda dos distritos afectados para
Urbe, com o objectivo refúgio e proteção contra os actos bélicos. Este facto, culminou com a necessidade
de reestruturação da educação, principalmente devido ao impacto da insurgência no norte da província,
o que trouxe um desafio adicional para o financiamento de projetos educacionais e para a gestão
financeira.
A relevância do tema pode ser observada na vertente de a gestão financeira eficaz ser crucial para
projetos educacionais., porque o uso eficiente e transparente dos fundos leva a uma melhor
infraestrutura escolar, materiais didáticos e treinamento de professores. E ao capacitar os gestores locais
pode ajudar a construir instituições resilientes, especialmente durante crises como o conflito armado e a
pandemia de COVID-19. A análise da gestão financeira na educação revela como ela pode aumentar a
resiliência dos projetos e preparar as instituições para enfrentar desafios futuros de forma eficaz.
Portanto, a pesquisa com o título em epigrafe busca saber até que ponto foram eficazes os mecanismos
de gestão de recursos financeiros em projetos educacionais na cidade de Pemba no período de 2019 a
2023?
A luz deste questionamento, a pesquisa procurou analisar os mecanismos de gestão de recursos
financeiros em projetos educacionais na cidade de Pemba no período de 2019 a 2023, tendo como base
nos seguintes focos específicos:
Citar os principais modelos de gestão de recursos financeiros utilizados pelas organizações nos
projectos de educação na cidade de Pemba no ano de 2019 e 2023;
Identificar os principais desafios enfrentados pelas entidades gestoras na alocação,
monitoramento e execução de recursos destinados a projetos de educação;
Avaliar o impacto de factores externos sobre a gestão financeira de projetos educacionais em
Pemba;
Propor estratégias que possam melhorar a eficiência e a transparência na gestão de recursos
financeiros para futuros projetos de educação na cidade.
Os objectivos foram desenvolvidos através das seguintes perguntas de pesquisa:
1. Quais são os principais modelos de gestão de recursos financeiros utilizados nos projetos de educação
na cidade de Pemba entre 2019 e 2023?
2. Quais são os desafios mais comuns enfrentados pelas instituições no que diz respeito à gestão de
fundos educacionais?
3. Como a alocação e a gestão dos recursos financeiros foram afetadas por fatores externos, como o
conflito armado em Cabo Delgado e a pandemia de COVID-19?
4. Que medidas podem ser tomadas para melhorar a gestão de recursos financeiros e garantir o sucesso
dos projetos educacionais em Pemba?
5. Revisão da Literatura (2-3 páginas)
5.1. Teorias e modelos de gestão de projetos da área educacional
5.2. Principais desafios da gestão financeira educacional e tendências atuais
5.3. Estudos anteriores relevantes sobre a gestão de recursos financeiros de projectos de educação
6. Metodologia
6.1. Método de pesquisa utilizado
Para atingir o objetivo geral de analisar os mecanismos de gestão de recursos financeiros em projetos
educacionais na cidade de Pemba no período de 2019 a 2023, bem como os objetivos específicos
propostos, será aplicada uma abordagem metodológica mista, combinando métodos qualitativos e
quantitativos. Essa abordagem permitiu uma análise abrangente e detalhada da gestão financeira,
considerando tanto as práticas adotadas quanto os desafios enfrentados, além de proporcionar
melhorias fundamentadas nas evidências colectadas.
Segundo Silva e Menezes (2001), a pesquisa quantitativa é caracterizada pelo uso de métodos estatísticos
e pela quantificação de dados na coleta e análise das informações. Esse tipo de pesquisa é utilizado para
testar hipóteses, medir variáveis e estabelecer relações entre elas, buscando obter resultados que
possam ser generalizados para um determinado universo.
A pesquisa qualitativa é aquela que trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações,
crenças, valores e atitudes, correspondendo a um espaço mais profundo das relações, processos e
fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. Ela enfatiza que esse tipo de
pesquisa se preocupa mais com a interpretação do que com a quantificação de dados. (2001, Minayo)
6.2. População e amostra
Segundo Creswell (2014), a população refere-se ao conjunto total de indivíduos, objetos ou eventos que
possuem características comuns e que são de interesse para o estudo do pesquisador. A população é o
grupo completo sobre o qual o pesquisador deseja obter informações ou tirar conclusões.
Neste caso, a pesquisa constitui de 8 organizações sediadas na cidade de Pemba, que trabalham
directamente com projectos da área educacional, como é o caso da ActionAid Moçambique, Helvetas
Moçambique, Plan International Moçambique, World Vision Moçambique, CARE Moçambique, ADPP
Moçambique (Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo), Fundação Aga Khan e a UNICEF (Fundo das
Nações Unidas para a Infância).
De acordo com Gil (2008), a amostragem não probabilística é um tipo de amostragem em que não há
preocupação em garantir que todos os elementos da população tenham a mesma probabilidade de
serem escolhidos.
Então, a amostra do estudo, baseou-se pelo critério de amostragem não-probabilística, em particular na
amostragem intencional (ou por conveniência), dos quais participaram 16 colaboradores entrevistados
em cada organização referida na população, sendo respeitado o princípio da equidade de género. Os
actores envolvidos são ligados à gestão de projetos educacionais e a garantiu uma cobertura suficiente
para identificar os principais padrões e desafios na gestão dos recursos.
7. Resultados e Discussão (2-3 páginas)
Perfil dos entrevistados
Neste teor, encontra-se os dados gerais dos participantes da entrevista – colaboradores da ActionAid
Moçambique, Helvetas Moçambique, Plan International Moçambique, World Vision Moçambique, CARE
Moçambique, ADPP Moçambique (Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo), Fundação Aga Khan e
a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Figura 1. Sexo dos entrevistados
Figura 2. Idade dos entrevistados
A
33.33%
66.67 50.00% 50.00%
%
25 a 44 anos 45 a 59 anos
Feminino Masculino Fonte: Autor (2024).
Fonte: Autor (2024). figura 1 mostra-nos que durante a administração da
entrevista, houve maior fluência participativa do sexo feminino com 67% dos casos, contra 33% do
masculino.
A figura 2 nos indica que ao total dos envolvidos na entrevistada, 50% possuem 25 a 44 anos de idade e
50% possuem 45 a 59 anos de idade.
Figura 3. Nível de escolaridade
Figura 4. Anos de serviço
dos entrevistados
50.00%
33.33%
16.67%
100.00%
Superior
10 a 20 anos 20 a 30 anos 5 a 10 anos
Fonte: Autor (2024). Fonte: Autor (2024).
A figura 3 mostra-nos que todos colaboradores submetidos a entrevista, possuem o nível superior, onde
50% já exercem sua função na empresa durante 20 a 30 anos, 33% entre 10 a 20 anos e 17% entre 5 a 10
anos.
7.1. Os principais modelos de gestão de recursos financeiros utilizados nos projetos de educação na
cidade de Pemba entre 2019 e 2023
De acordo com os participantes da entrevista, as organizações que trabalham na cidade de Pemba
utilizaram sete (7) modelos para gerirem os recursos financeiro de projectos da área de educação entre
2019 a 2023, conforme a menção a seguir:
1. Modelo de Financiamento por Parcerias Público-Privadas (PPP) – Esse modelo envolve uma
cooperação entre o setor público (como o governo e o Ministério da Educação) e empresas
privadas ou ONGs para financiar projetos educacionais. Em Pemba, os projetos financiados por
PPPs têm sido especialmente úteis na criação de infraestrutura escolar e programas de formação
de professores;
2. Modelo Baseado em Orçamento Participativo – Este modelo envolve a comunidade local na
tomada de decisões sobre a alocação de recursos financeiros, geralmente com a supervisão do
governo local e organizações comunitárias. Em Pemba, esse modelo pode ter sido utilizado para
garantir que os recursos atendam às necessidades específicas da comunidade educacional;
3. Modelo de Financiamento Baseado em Resultados (Pay-for-Performance) – Neste modelo, os
recursos são distribuídos com base no desempenho e nos resultados dos projetos educacionais,
como taxas de aprovação dos alunos, melhoria na infraestrutura ou presença escolar. As
instituições públicas e privadas comprometem-se com metas específicas que, ao serem
alcançadas, liberam novos fundos;
4. Modelo de Financiamento Descentralizado – A gestão de recursos é descentralizada para as
instituições locais, como escolas ou associações de pais, com supervisão mínima do governo
central. Este modelo é particularmente útil em contextos onde o controle centralizado é
desafiador;
5. Modelo de Financiamento por Doações e Auxílios Internacionais – Este modelo depende de
fundos provenientes de organizações internacionais, ONGs e doações bilaterais para apoiar a
educação em Pemba. Muitas vezes, esses projetos vêm com diretrizes específicas para o uso de
recursos;
6. Modelo de Financiamento com Fundo Rotativo – Fundos rotativos são recursos que, uma vez
utilizados, retornam ao fundo principal, permitindo que os recursos financeiros continuem sendo
utilizados ao longo do tempo. No setor de educação, esse modelo pode ser usado em programas
de microfinanciamento para aquisição de material escolar ou para bolsas de estudo;
7. Modelo Baseado em Convênios com Organizações Não-Governamentais (ONGs) – O governo ou
outras entidades locais firmaram convênios com ONGs para implementar programas
educacionais com recursos alocados em conjunto.
7.2. Os desafios mais comuns enfrentados pelas instituições no que diz respeito à gestão de fundos
educacionais
As entrevistas revelaram que na cidade de Pemba, existem alguns desafios que as organizações têm
enfrentado durante a gestão dos fundos educacionais, como é o caso:
1. Esquema e Instabilidade de Recursos Financeiros – Os recursos financeiros destinados à
educação em Pemba são frequentemente insuficientes para cobrir todas as necessidades,
principalmente em áreas como infraestrutura, materiais didáticos e capacitação de professores.
Além disso, os fundos podem ser inconsistentes, com atrasos ou cortes de financiamento;
2. Falta de Capacitação em Gestão Financeira – Muitos gestores e funcionários envolvidos na
administração de fundos educacionais, carecem de capacitação específica em gestão financeira,
planejamento orçamentário e prestação de contas;
3. Burocracia e Processos Administrativos Lentos – A burocracia e os processos administrativos
complexos podem retardar a liberação e o uso dos fundos educacionais. Em muitos casos, os
gestores enfrentam procedimentos prolongados para obter ou acessar recursos;
4. Desvios e Uso Indevido de Recursos – A falta de controles internos sólidos pode resultar em
desvios ou uso indevido de fundos educacionais, comprometendo o objetivo final dos projetos.
Em alguns casos, os recursos destinados à educação acabam sendo desviados para outras áreas;
5. Desafios na Prestação de Contas e Transparência – Há dificuldades na implementação de
processos de prestação de contas e transparência, especialmente em contextos onde os recursos
são descentralizados ou onde há uma multiplicidade de atores envolvidos na gestão financeira;
6. Dependência de Financiamentos Externos – Instituições educacionais em Pemba
frequentemente dependem de fundos de doadores internacionais, ONGs ou parcerias com
empresas privadas, o que pode levar à instabilidade financeira caso esses parceiros reduzam ou
retirem seu apoio;
7. Dificuldades de Monitoramento e Avaliação – Monitorar e avaliar o uso de recursos em projetos
educacionais pode ser desafiador devido à falta de sistemas eficazes para acompanhamento de
gastos e mensuração de resultados;
8. Infraestrutura Limitada e Recursos Tecnológicos – A infraestrutura escolar em Pemba é muitas
vezes limitada e carece de recursos tecnológicos, o que dificulta a implementação de sistemas de
controle financeiro, relatórios online e armazenamento seguro de informações;
9. Influência Política e Interferência Externa – A política de interferência pode impactar a
distribuição de recursos educacionais, com decisões financeiras sendo influenciadas por
interesses externos às necessidades reais das escolas e da comunidade;
10. Desafios na Sustentabilidade dos Projetos – Muitos projetos de educação em Pemba enfrentam
em manter a sustentabilidade após o término dos financiamentos iniciais, especialmente quando
não há um planejamento adequado para despesas de continuidade.
7.2. Factores que afectaram a alocação e a gestão dos recursos financeiros educacionais
De acordo com os resultados das entrevistas, os colaboradores destacaram que a alocação e gestão dos
fundos foram afectados por factores externos, como o conflito armado em Cabo Delgado e a pandemia
de COVID-19.
Para o caso do Conflito Armado em Cabo Delgado, verificou-se:
1. Deslocamento de Populações – O conflito resultou em deslocamento em massa de população
das áreas afetadas, levando a uma pressão aumentada sobre os serviços sociais e educacionais
em Pemba e outras regiões seguras. Essa mudança repentina exigiu recursos adicionais para
acomodação de estudantes e famílias deslocadas, como materiais, infraestrutura e apoio
psicossocial;
2. Redirecionamento de Recursos – Com o aumento da necessidade de assistência humanitária,
recursos financeiros e logísticos foram desviados dos projetos educacionais para atender
necessidades urgentes, como abrigo e alimentação para os deslocados. Isso impede a
disponibilidade de fundos para investimentos a longo prazo na educação;
3. Ameaça à Segurança e à Continuidade dos Projetos – O ambiente de insegurança dificultou a
continuidade de projetos educacionais em áreas próximas ao conflito. Muitos trabalhadores e
gestores hesitaram em atuar em regiões de risco, levando a uma diminuição na efetividade e no
alcance dos projetos.
Para o caso da Pandemia de COVID-19, verificou-se:
1. Redução de Orçamentos e Atrasos no Financiamento – Uma pandemia gerou uma crise
econômica global, resultando na diminuição de recursos internacionais e locais disponíveis para a
educação. A arrecadação governamental foi direcionada às prioridades de saúde e combate à
pandemia, afetando os orçamentos destinados a novos projetos ou à manutenção de iniciativas
educacionais;
2. Custos Adicionais com Medidas de Segurança e Ensino Remoto – Para adaptar-se às restrições
impostas pela COVID-19, as escolas e projetos educacionais precisam investir em medidas de
segurança sanitária, como equipamentos de proteção individual, materiais de higiene e
distanciamento nas salas de aula. Além disso, o ensino remoto trouxe a necessidade de
investimentos em tecnologia, conectividade e capacitação de professores, exigindo alocação
extra de recursos em um contexto já financeiramente restrito;
3. Queda na Efetividade da Gestão de Recursos – A pandemia trouxe dificuldades de
monitoramento e avaliação, uma vez que as restrições limitaram o acesso físico ao instituto
Impacto dos factoes externos
Durante as entrevistas, verificou-se que os efeitos combinados do conflito e da pandemia exigiram
adaptações nos modelos de gestão financeira para responder aos desafios urgentes e garantir a
continuidade mínima dos projetos educacionais. Algumas estratégias de adaptação, como:
1. Parcerias com ONGs e Doadores Internacionais – Instituições educacionais em Pemba
aumentaram parcerias com organizações que apoiam diretamente ações emergenciais e
educacionais em resposta à crise;
2. Adaptação ao Ensino à Distância – Quando possível, implemente o ensino remoto para reduzir a
interrupção dos estudos, com apoio de plataformas digitais, rádio e televisão. Esse processo, no
entanto, exige limitações de infraestrutura e conectividade em áreas de maior vulnerabilidade.
7.4. Medidas podem ser tomadas para melhorar a gestão de recursos financeiros e garantir o sucesso
dos projetos educacionais em Pemba
Para o caso das medidas a adoptar para a eficácia na gestão dos fundos de projectos educacionais,
conforme os entrevistados, deve-se:
1. Fortalecimento dos Controles Internos – Estabelecer controles internos mais robustos ajuda a
evitar desvios e garantir o uso eficaz dos recursos. Isso inclui a implementação de políticas claras
para o monitoramento financeiro, prestação de contas e avaliação de desempenho;
2. Capacitação em Gestão Financeira e Planejamento Orçamentário – Capacitar gestores e
profissionais locais em planejamento orçamentário e gestão financeira aumenta a eficiência dos
recursos e a sustentabilidade dos projetos;
3. Desenvolvimento de Parcerias Sustentáveis – Formar parcerias sustentáveis com organizações
não-governamentais, doadores internacionais e empresas privadas permite maior estabilidade e
inovação nos projetos;
4. Implementação de Orçamento Participativo – O orçamento participativo, envolvendo a
comunidade, ajuda a identificar as prioridades e direcionar os fundos para as áreas de maior
necessidade;
5. Adoção de Tecnologia para Transparência e Eficiência – Sistemas digitais de monitoramento e
relatórios ajudam a aumentar a transparência e a eficiência na gestão dos recursos financeiros;
6. Monitoramento e Avaliação Contínua – O monitoramento contínuo permite ajustes e correções
rápidas, garantindo que os recursos sejam usados da forma mais eficaz possível;
7. Criação de Fundos de Reserva e Planos de Contingência – Manter fundos de reserva e planos de
contingência protegidos de projetos contra imprevistos, como temporários por conflitos ou
emergências sanitárias;
8. Reforço de Políticas de Governança e Prestação de Contas – Estruturar políticas de governança
estratégica, com mecanismos de prestação de contas, aumenta a confiança dos doadores e
garante a correta aplicação dos recursos;
9. Promoção da Participação Comunitária e Sensibilização – Envolver a comunidade no processo
de gestão financeira aumenta a responsabilidade compartilhada e contribui para o sucesso dos
projetos educacionais;
10. Utilização de Modelos de Financiamento Baseados em Resultados – Modelos de financiamento
baseados em resultados (pay-for-performance) garantem que os recursos sejam alocados com
base em metas alcançadas, incentivando a eficiência e a eficácia dos projetos.
Análise e interpretação dos resultados
Com o arrolamento das entrevistas realizadas, verificou-se que os principais modelos de gestão
financeira utilizados pelos projectos de educação na cidade de Pemba, temos os modelos tradicionais de
gestão orçamental, caracterizados por uma orçamentação rígida, são amplamente utilizados em
projectos financiados pelo governo. Estes modelos dificultam a capacidade das instituições para se
adaptarem rapidamente a mudanças externas, como o aumento da procura de recursos em situações de
emergência. A orçamentação participativa e os modelos baseados no desempenho oferecem mais
transparência e acessibilidade. O orçamento participativo aumenta o envolvimento da comunidade,
enquanto os modelos baseados no desempenho oferecem incentivos para atingir os objectivos
educativos. Ambos os modelos enfrentam desafios devido à insuficiência de infraestruturas e de
capacidades, o que realça a necessidade de mais apoio técnico.
Quanto aos principais desafios enfrentados pelas instituições locais em Pemba, constatou-se o impacto
do Conflito armado em Cabo Delgado, que envolveu a deslocação de milhares de pessoas em Pemba
colocou sob pressão o sistema educativo, necessitando de mais recursos para infra-estruturas, apoio
psicossocial e materiais. Esta situação pôs à prova a flexibilidade dos modelos financeiros, revelando que
as estruturas orçamentais eram insuficientes para responder às exigências crescentes e imprevistas. Os
desafios incluem o impacto da COVID-19, que exige medidas de distanciamento social, ensino à distância
e aquisição de equipamento de proteção. Estes factores redireccionaram recursos, aumentaram os custos
operacionais, provocaram atrasos nos projectos e cortes orçamentais, reduzindo o seu impacto na
comunidade. Além disso, há falta de formação e de ferramentas de monitorização, o que dificulta uma
gestão financeira eficiente e a responsabilização.
Quanto ao impacto dos factores externos na alocação e gestão de recursos, o estudo revelou o
redirecionamento de fundos devido ao conflito e à crise sanitária, tanto o conflito armado quanto a
pandemia exigiram alocações emergenciais de recursos que foram, em muitos casos, desviados dos
objetivos iniciais dos projetos educacionais para cobrir necessidades urgentes. Esse redirecionamento
afetou a continuidade dos programas e a capacidade das instituições de atingir as metas educacionais
específicas.
Aumento dos Custos e Diminuição dos Recursos Disponíveis: O impacto econômico da pandemia e o
desvio de recursos para apoiar o transporte deslocadas reduziram os fundos disponíveis para
investimentos contínuos em educação. Isso criou um cenário onde as instituições foram forçadas a fazer
escolhas difíceis, priorizando áreas críticas em detrimento de iniciativas de longo prazo.
Desafios de Transparência e Controle: A crise pandêmica dificultou o acesso a dados e informações
sobre a aplicação de recursos, o que comprometeu o controle financeiro e a transparência dos projetos.
A ausência de tecnologia e de sistemas de gestão estruturados aumentou a dificuldade de garantir a
aplicação correta dos recursos.
No âmbito das medidas para melhorar a gestão de recursos e garantir o sucesso dos projectos, deve-se:
Implementar modelos flexíveis e resilientes, onde verificou-se que um dos passos principais para
melhorar a gestão financeira em projetos educacionais é a adoção de modelos de gestão mais
flexíveis, capazes de reagir a crises e mudanças externas. Isso inclui a criação de fundos de
contingência e o desenvolvimento de políticas de alocação que permitem ajustes rápidos de
orçamento conforme necessário;
Fortalecer os controles internos e da prestação de contas, para aumentar a transparência e a
eficiência, recomenda-se o fortalecimento dos controles internos e das práticas de prestação de
contas. Isso pode ser alcançado com a introdução de auditorias regulares, o uso de tecnologia
para monitoramento e o estabelecimento de indicadores de desempenho claros;
Capacitar dos gestores e equipes de projecto, em práticas avançadas de gestão financeira é
essencial para aumentar a eficiência e o impacto dos projetos. A formação técnica em
planejamento orçamentário, monitoramento e avaliação permitirá uma aplicação mais eficaz dos
recursos, além de facilitar a adaptação a imprevistos;
Estabelecer parcerias e fontes de financiamento diversificadas, com ONGs, doadores
internacionais e o setor privado podem fornecer o suporte adicional necessário para enfrentar
crises e fortalecer a resiliência dos projetos. Essas parcerias trazem recursos financeiros e
capacitação técnica, além de ajudarem a ampliar o alcance dos projetos;
Utilizar tecnologia para monitoramento e controle, com a implementação de sistemas digitais de
monitoramento financeiro e relatórios pode aumentar a eficiência e transparência na gestão dos
projetos. O uso da tecnologia facilita o controle de despesas, o fornecimento de contas e permite
avaliações mais rápidas do impacto das ações inovadoras.
Comparação com a literatura revisada.
8. Conclusões (1-1,5 páginas)
Resumo dos principais achados.
Implicações práticas para a gestão de projetos.
Sugestões para pesquisas futuras.
9. Referências
Creswell, J. W. (2014). Research Design: Qualitative, Quantitative, and Mixed Methods Approaches (4ª
ed.). California, EUA: Sage Publications.
Gil, A. C. (2008). Como elaborar projectos de pesquisa (6ª Ed.). São Paulo, Brasil: Atlas.
Minayo, M. C. de S. (2001). O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo, Brasil:
Hucitec.
Santos, J. P. (2021). Financiamento Educacional em Tempos de Crise Global: Desafios e Perspectivas. São
Paulo, Brasil: Educa.
Silva, L. S., & Menezes, E. M. (2001). Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. Florianópolis:
Laboratório de Ensino a Distância da UFSC.