Principais Legislações Aplicáveis na Contabilidade Fiscal
No Brasil, a contabilidade fiscal é amplamente regida por um conjunto complexo
de legislações que disciplinam a apuração e o recolhimento de tributos nas
esferas federal, estadual e municipal. Entre os tributos mais relevantes para as
empresas, destacam-se o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o PIS/COFINS e o
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Cada um
desses tributos possui regulamentações específicas que definem sua base de
cálculo, alíquotas, periodicidade de apuração e formas de recolhimento.
A seguir, apresentamos uma análise detalhada dessas legislações, explicando
seus fundamentos, principais características e implicações práticas para a
contabilidade fiscal.
Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)
O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) é um tributo federal que incide
sobre o lucro das empresas, sendo uma das principais fontes de arrecadação do
governo federal. A legislação aplicável ao IRPJ é extensa, com destaque para o
Regulamento do Imposto de Renda (RIR), atualmente em vigor pela Instrução
Normativa nº 1.700/2017, que consolida normas referentes à apuração,
declaração e recolhimento do imposto.
Base Legal do IRPJ
• Constituição Federal de 1988: Estabelece o IRPJ como um tributo de
competência federal (artigo 153, inciso III).
• Código Tributário Nacional (CTN): Fornece as diretrizes gerais para a
aplicação do imposto, como o conceito de receita e as competências
tributárias.
• Lei nº 9.249/1995: Regulamenta as principais regras para a apuração do
IRPJ, incluindo disposições sobre o lucro real e presumido.
• Lei nº 8.981/1995 e suas alterações: Dispõe sobre a tributação do lucro e
as adições e exclusões na base de cálculo.
Regimes de Apuração do IRPJ
O IRPJ pode ser apurado em diferentes regimes tributários, cada um com regras
específicas:
• Lucro Real: Apuração baseada no lucro líquido contábil ajustado por
adições, exclusões e compensações determinadas pela legislação fiscal.
É obrigatório para empresas com receita bruta anual superior a R$ 78
milhões e para instituições financeiras.
• Lucro Presumido: Regime simplificado em que o lucro tributável é
calculado a partir de uma presunção sobre a receita bruta. Aplica-se a
empresas com receita bruta anual inferior ao limite de R$ 78 milhões.
• Simples Nacional: Regime simplificado para micro e pequenas
empresas, que unifica a arrecadação de vários tributos, incluindo o IRPJ.
Alíquotas do IRPJ
• A alíquota básica do IRPJ é de 15% sobre o lucro tributável.
• Um adicional de 10% é aplicado sobre a parcela do lucro que exceder R$
20.000,00 por mês.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) é um tributo federal
criado para financiar a seguridade social, que inclui saúde, previdência e
assistência social. Sua apuração está diretamente vinculada ao lucro da
empresa, sendo frequentemente realizada em conjunto com o IRPJ.
Base Legal da CSLL
• Lei nº 7.689/1988: Introduziu a CSLL no sistema tributário brasileiro.
• Lei nº 9.249/1995: Dispõe sobre a apuração e dedutibilidade da CSLL.
• Instruções Normativas da Receita Federal: Normatizam os
procedimentos operacionais para apuração e recolhimento.
Apuração da CSLL
A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado conforme critérios
estabelecidos pela legislação tributária. Assim como o IRPJ, ela pode ser
apurada nos regimes de lucro real, lucro presumido ou Simples Nacional.
Alíquotas da CSLL
• 9% para a maioria das empresas.
• 15% para instituições financeiras, como bancos e seguradoras.
Dedutibilidade
A CSLL não é dedutível para fins de apuração do IRPJ, o que significa que seu
valor não pode ser considerado como despesa para reduzir o lucro tributável.
PIS e COFINS
O Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o
Financiamento da Seguridade Social (COFINS) são contribuições sociais
federais que incidem sobre a receita bruta das empresas. Elas têm por objetivo
financiar a seguridade social e programas voltados ao desenvolvimento
econômico.
Base Legal do PIS e COFINS
• Lei nº 9.718/1998: Estabeleceu as regras gerais para apuração das
contribuições.
• Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003: Introduziram o regime não
cumulativo para o PIS e a COFINS, aplicável a determinadas empresas.
• Lei Complementar nº 123/2006: Define as regras para empresas do
Simples Nacional.
Regimes de Apuração
• Regime Cumulativo: As contribuições incidem sobre a receita bruta, sem
possibilidade de dedução de créditos. Aplica-se a empresas que optam
pelo regime de lucro presumido.
o Alíquotas: 0,65% para o PIS e 3% para a COFINS.
• Regime Não Cumulativo: Permite a dedução de créditos relacionados a
custos, despesas e encargos vinculados à atividade da empresa. Aplica-
se a empresas no regime de lucro real.
o Alíquotas: 1,65% para o PIS e 7,6% para a COFINS.
Créditos Fiscais
No regime não cumulativo, os créditos podem ser obtidos com base em
despesas como aquisição de insumos, energia elétrica e aluguéis.
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é um tributo
estadual que incide sobre operações relativas à circulação de mercadorias,
serviços de transporte interestadual e intermunicipal e serviços de comunicação.
Base Legal do ICMS
• Constituição Federal de 1988: Artigo 155, inciso II, estabelece a
competência dos estados para instituir o ICMS.
• Lei Complementar nº 87/1996 (Lei Kandir): Define as normas gerais de
apuração e recolhimento do ICMS.
• Regulamentos Estaduais: Cada estado possui legislação própria para
regulamentar o imposto.
Características do ICMS
• Fato Gerador: Inclui a circulação de mercadorias, prestações de serviços
de transporte e comunicação, além de importações.
• Base de Cálculo: Geralmente, é o valor da operação ou o preço do
serviço.
• Alíquotas: Variam entre os estados, com percentuais que geralmente vão
de 7% a 25%.
Créditos de ICMS
O ICMS adota o princípio da não cumulatividade, permitindo que créditos sejam
compensados com débitos futuros. Por exemplo, o ICMS pago na aquisição de
mercadorias pode ser deduzido do ICMS devido sobre as vendas.
Cada um desses tributos — IRPJ, CSLL, PIS/COFINS e ICMS — desempenha
um papel crucial no sistema tributário brasileiro e na contabilidade fiscal das
empresas. A compreensão detalhada de suas legislações, regimes de apuração
e particularidades é essencial para garantir a conformidade fiscal, evitar
penalidades e otimizar a gestão tributária. Dada a complexidade e o dinamismo
do sistema tributário, as empresas devem manter um acompanhamento
constante das mudanças na legislação e contar com profissionais especializados
para assegurar uma gestão fiscal eficiente e estratégica.
Estrutura do Sistema Tributário Nacional
O Sistema Tributário Nacional brasileiro é uma das estruturas mais complexas
do mundo, resultado da conjugação de uma elevada carga tributária, um
emaranhado de normas legislativas e a coexistência de tributos nas esferas
federal, estadual e municipal. Instituído pela Constituição Federal de 1988, o
sistema é regulamentado pelo Código Tributário Nacional (CTN) e
complementado por leis ordinárias, complementares, decretos e instruções
normativas. Ele define os princípios, competências e limitações tributárias,
determinando como os tributos são instituídos, apurados e cobrados.
O sistema é fundamental para sustentar a arrecadação pública, financiando
serviços e políticas públicas, como saúde, educação e infraestrutura. Ao mesmo
tempo, sua estruturação apresenta desafios significativos, como a falta de
simplificação, a sobreposição de competências e a constante alteração
legislativa.
A seguir, apresentamos uma visão abrangente da estrutura do Sistema
Tributário Nacional, abordando seus princípios fundamentais, classificação de
tributos, competências tributárias e principais tributos incidentes no Brasil.
1. Princípios Fundamentais do Sistema Tributário Nacional
Os princípios tributários são diretrizes constitucionais que garantem a justiça
fiscal e a proteção do contribuinte. Eles orientam a criação, aplicação e
fiscalização dos tributos, buscando um equilíbrio entre o poder arrecadatório do
Estado e os direitos dos cidadãos. Entre os principais princípios, destacam-se:
Legalidade Tributária
Previsto no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, este princípio estabelece
que nenhum tributo pode ser criado ou majorado sem a prévia aprovação de uma
lei específica. Isso garante que as normas tributárias sejam claras e aprovadas
pelo Poder Legislativo.
Anterioridade
O princípio da anterioridade, previsto no artigo 150, inciso III, determina que os
tributos só podem ser cobrados no exercício financeiro seguinte à publicação da
lei que os instituiu ou aumentou. Esse princípio visa proteger o contribuinte de
alterações abruptas na carga tributária.
Isonomia
A isonomia tributária, prevista no artigo 150, inciso II, garante que contribuintes
em situações equivalentes sejam tratados de forma igualitária. Não pode haver
discriminação em função de renda, profissão ou localização geográfica.
Capacidade Contributiva
O princípio da capacidade contributiva, previsto no artigo 145, § 1º, estabelece
que a tributação deve respeitar a capacidade econômica do contribuinte,
garantindo que quem possui maior poder aquisitivo contribua mais.
Não Cumulatividade
Aplica-se a tributos como o ICMS, IPI, PIS e COFINS. Esse princípio evita a
tributação em cascata, permitindo que os tributos pagos em etapas anteriores
sejam compensados com os devidos em etapas posteriores.
Vedação ao Confisco
Previsto no artigo 150, inciso IV, proíbe que os tributos sejam utilizados como
forma de confisco, garantindo que a carga tributária não comprometa
excessivamente o patrimônio do contribuinte.
2. Classificação dos Tributos no Brasil
De acordo com o Código Tributário Nacional (CTN), os tributos podem ser
classificados em cinco categorias: impostos, taxas, contribuições de
melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. Cada
categoria possui características e finalidades específicas.
Impostos
Os impostos são tributos não vinculados, ou seja, sua arrecadação não está
diretamente associada a um serviço ou benefício específico ao contribuinte. Eles
incidem sobre patrimônio, renda ou consumo. Exemplos:
• IRPJ e IRPF: Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Física.
• ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.
• IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados.
Taxas
As taxas são tributos vinculados, cobrados em contrapartida à prestação de
serviços públicos específicos ou ao exercício do poder de polícia. Exemplos:
• Taxa de Licenciamento Ambiental.
• Taxa de Coleta de Lixo.
Contribuições de Melhoria
Cobranças feitas para custear obras públicas que valorizem o imóvel do
contribuinte, como pavimentação de ruas. Exemplo:
• Contribuição de Melhoria para Obras de Infraestrutura Urbana.
Empréstimos Compulsórios
Tributo excepcional, criado em situações específicas como guerras ou
calamidades públicas. Sua devolução ao contribuinte está prevista em lei.
Exemplo:
• Empréstimo Compulsório para Reconstrução Nacional.
Contribuições Especiais
Incluem tributos como:
• Contribuições Sociais: PIS, COFINS, CSLL.
• Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE).
• Contribuições para a Seguridade Social.
3. Competências Tributárias
A competência tributária refere-se à capacidade que os entes federativos —
União, estados, municípios e Distrito Federal — têm de instituir tributos. A
Constituição Federal distribui essas competências de forma clara, evitando
sobreposição e conflitos.
Competência da União
A União possui competência para instituir tributos que incidem em nível nacional,
incluindo:
• Imposto de Renda (IR).
• Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
• Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
• Contribuições Sociais (PIS, COFINS, CSLL).
Competência dos Estados
Os estados são responsáveis por tributos que afetam a circulação de bens e
serviços. Exemplos:
• ICMS: Tributo principal no âmbito estadual.
• IPVA: Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores.
• ITCMD: Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação.
Competência dos Municípios
Os municípios arrecadam tributos relacionados à prestação de serviços e à
propriedade urbana. Exemplos:
• ISS: Imposto sobre Serviços.
• IPTU: Imposto Predial e Territorial Urbano.
• ITBI: Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis.
Competência do Distrito Federal
O Distrito Federal acumula competências estaduais e municipais, sendo
responsável por tributos como ICMS, IPVA, IPTU e ISS.
4. Principais Tributos no Sistema Tributário Nacional
O Brasil possui uma ampla gama de tributos, cada um com características
próprias. Entre os mais relevantes, destacam-se:
4.1. Imposto de Renda (IR)
Instituído pela União, incide sobre a renda e os proventos de qualquer natureza.
Pode ser cobrado de pessoas físicas (IRPF) e jurídicas (IRPJ).
4.2. ICMS
De competência estadual, incide sobre a circulação de mercadorias, serviços de
transporte interestadual e intermunicipal, e serviços de comunicação.
4.3. PIS/COFINS
São contribuições sociais que incidem sobre a receita bruta das empresas,
financiando a seguridade social.
4.4. ISS
Tributo municipal que incide sobre a prestação de serviços, como advocacia,
engenharia e publicidade.
4.5. IPI
Imposto federal que incide sobre produtos industrializados, calculado com base
no valor agregado na cadeia produtiva.
5. Desafios do Sistema Tributário Nacional
O Sistema Tributário Nacional enfrenta desafios significativos, como:
• Complexidade Excessiva: A multiplicidade de tributos e normas gera
altos custos de conformidade.
• Carga Tributária Elevada: Reduz a competitividade das empresas
brasileiras.
• Guerra Fiscal: Disputas entre estados e municípios por benefícios fiscais
descoordenados.
• Reformas Tributárias: Há uma necessidade urgente de simplificação e
modernização do sistema.
A estrutura do Sistema Tributário Nacional brasileiro é vasta e detalhada,
buscando atender às necessidades de arrecadação pública de forma
descentralizada. Contudo, sua complexidade representa um desafio para
contribuintes e gestores, exigindo conhecimentos especializados e estratégias
de gestão fiscal eficientes. A implementação de reformas tributárias que
simplifiquem o sistema é essencial para promover um ambiente econômico mais
justo e competitivo, reduzindo os custos e riscos associados à conformidade
tributária.
Organização do Sistema Tributário Brasileiro
O sistema tributário brasileiro é organizado de forma descentralizada, com a
distribuição de competências entre os entes federativos: União, estados,
municípios e o Distrito Federal. Essa estrutura está prevista na Constituição
Federal de 1988, que define as regras básicas para a criação, arrecadação e
fiscalização de tributos, bem como os limites e princípios que devem ser
respeitados por cada ente federativo. O objetivo dessa descentralização é
garantir autonomia financeira aos entes federados, promovendo equilíbrio fiscal
e permitindo que cada esfera governe com independência financeira.
A organização do sistema tributário brasileiro pode ser analisada a partir da sua
estrutura normativa, dos princípios fundamentais que o regem, da classificação
dos tributos, da competência tributária de cada ente e da distribuição da
arrecadação. Este modelo, embora eficiente em termos de arrecadação,
apresenta desafios significativos devido à sua complexidade e fragmentação.
1. Base Legal do Sistema Tributário Brasileiro
A base legal do sistema tributário brasileiro está fundamentada em três principais
documentos legais:
Constituição Federal de 1988
• Estabelece os princípios gerais da tributação e as competências dos
entes federativos (artigos 145 a 162).
• Determina os tributos que podem ser instituídos por cada esfera de
governo.
• Define limites ao poder de tributar, como os princípios da legalidade,
isonomia e anterioridade.
Código Tributário Nacional (CTN)
• Criado pela Lei nº 5.172/1966, é considerado a base normativa que regula
o sistema tributário brasileiro.