A COERÊNCIA DO TEÍSMO
Resumo _A Coerência do Teísmo 12/7/2012
INTRODUÇÃO
Para os autores, “a dificuldade com o teísmo, dizia-se, era não apenas o fato de não
haver bons argumentos para a existência de Deus, como também, mais fundamentalmente,
que o conceito sobre é incoerente”.
Duas forças tendiam a guiar e averiguação da natureza divina: as Escrituras e a
teologia do ser perfeito.
Desse modo, longe de macular o teísmo, as criticas antiteístas serviram principalmente
para revelar quão rico e desafiador é o conceito de Deus, refinando e fortalecendo a partir daí,
a crença teísta.
1. NESSECIDADE
Desde Aristóteles, Deus tem sido concebido na teologia filosófica ocidental como um
ser necessariamente existente. Os teólogos cristãos interpretam a revelação do nome divino
“Eu sou o que sou” como expressão da ideia da necessidade de Deus.
O conceito aristotélico dizia respeito à necessidade factual, em que Deus existe
necessariamente no sentido que, por existir, ele é não causado, eterno, incorruptível e
indestrutível.
Os filósofos Islâmicos como Al-Farabi afirmaram um conceito ainda mais cheio e rico
da necessidade de Deus: a inexistência divina logicamente impossível.
Na ontologia de Anselmo: a não-existencia de Deus logicamente impossível e
resultado é que ele deve existir. Diante desse conceito, Deus não é apenas factual, mas
necessário logicamente. A simples noção de Deus como necessidade factual não consegue
captar toda plenitude do ser divino.
Com as criticas de Hume e Kant, sugiram as proposições, a verdade necessária e
verdade contingente.
Deus existe, é necessariamente verdadeira, então a proposição seria existencial; da
mesma forma se Deus não existe, não é logicamente uma contradição. Pois a distinção entre
verdade necessária e verdade contingente é simplesmente o resultado de uma convenção
linguística, tornando-se convencionalmente que Deus necessariamente existe.
Com respeito à proposição “Deus não existe”, o fato de a negação dessa proposição
não ser uma contradição de modo algum demonstra que a proposição não seja
metafisicamente necessária.
Quanto à teoria convencionalista da necessidade, baseada apenas em convenções
linguísticas e modais, não é plausível e injustificada.
Portanto, o conceito de Deus como um ser necessário num sentido logico parece ser
uma noção coerente que pertence adequadamente ao pensamento cristão.
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2. ASSEIDADE
Deus é único em sua asseidade, todas as outras coisas existem ab alio (por meio de
outra). A asseidade divina enfrenta um serio desafio a partir de um dos mais antigos e
persistentes ramos filosóficos: o platonismo. Esse afirma que, em adição aos objetos
concretos como pessoas e planetas, existem também reinos distintos e abstratos, como
números e conjuntos de proposições.
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Não existe causa para a existência de tais entidades; cada uma existe
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independentemente da outra e de Deus. É essa característica que perturba o pensamento
cristão, mais que qualquer outra coisa naquele ramo filosófico. A dependência da criação
física de Deus se torna uma trivialidade infinitesimal em comparação com a infinitude de
seres que existem independentemente dele. Com isso o platonismo impõe o pluralismo
metafisico, que é incompatível com a asseidade divina.
Alguns filósofos cristãos contemporâneos tentaram conciliar o termo com um
platonismo modificado: Deus não temporalmente anterior à existência desses objetos, mas
ele era de forma causal ou explanatória anterior à existência deles. Porem, dois problemas
ameaçam estragar uma solução simples: I) Deus não tem liberdade para evitar a sua criação;
isso conflita com o pensamento cristão de que Deus criou espontaneamente, e, por
conseguinte ele poderia ter escolhido ficar sozinho antes de criar alguma coisa. II) a solução
parece incoerente, pois para Deus criar, por exemplo, a propriedade ser poderoso ele já teria
de ser poderoso. Não podemos dizer coerentemente que Deus criou as suas propriedades.
Nas palavras do autor, “por ora, podemos concordar que Deus é auto existente de
maneira singular e os objetos abstratos devem ser considerados como que, de alguma maneira,
baseados em Deus”.
3. INCORPOREIDADE
A imaterialidade de Deus engloba o atributo da Incorporeidade, ou seja, Deus não é
um corpo nem está corporificado. Como ser pessoal, portanto, Deus é da ordem da Mente
não-corporificada. A maneira pela qual essa Mente poderia afetar o mundo, como seu Criador
e Sustentador, é considerada um mistério total.
Essa temática é um desafio para mente fisicalista, por causa do dualismo mente-corpo
da antropologia filosófica; em que os materialistas, adeptos do fisicalismo corpóreo, entendem
que para Deus interagir com o mundo, Ele necessariamente deveria ter um corpo para tal
feito. Esse ponto de vista parece incoerente com a visão evolucionista, uma vez que a Mente
deveria estar em “fluxo” evolutivo.
“O ponto de vista de que mentes são substancias imateriais é pelo menos coerente,
sendo que, nesse caso, o teísmo não pode ser acusado de incoerência ao afirmar a
Incorporeidade de Deus.”
“A contraposição crucial entre o mundo e o corpo é que o mundo não funciona para
Deus como um substrato material da consciência nem como um órgão de sentidos por meio
do qual ele percebe o mundo exterior”.
“Em resumo, enquanto a relação alma–corpo funciona adequadamente como analogia
pra as relações Deus–mundo em um sentido ativo, as duas coisas não são análogas no sentido
passivo. Deus é ontologicamente diferente da criação”.
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4. ONIPRESENÇA
O atributo da Incorporeidade de Deus levanta uma questão quanto a sua presença no
mundo dos sentidos. “As Escrituras apresentam um Deus como detentor do atributo da
onipresença; ele está presente em todos os lugares da criação em virtude de sua
Incorporeidade – (Cf. Sl. 139.7-10)”.
“A Incorporeidade é incompatível com a divindade localmente circunscrita, do mesmo
modo, ela é incompatível com a divindade estendida universalmente, imbuída do tamanho e
da forma do próprio espaço. Deus deve estar totalmente presente de alguma maneira,
simultaneamente, em todos os pontos do espaço”.
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“Se Deus é atemporal ou imutável, ele não poderia existir no espaço, uma vez que
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qualquer entidade espacialmente localizada está em constante mudança em relação a outros
objetivos espaciais”. Isso “parece exigir de nós dizer que Deus, totalmente presente em todos
os pontos, acreditaria em dois pontos separados por bilhões de anos luz estão ‘aqui’, o que é
incoerente...” mas esse “ ‘aqui’ divino é co-extensivo com todo o universo, de modo que o
espaço todo está ‘aqui’ para ele”. Esse pensamento evitaria uma multiplicidade de ‘aquis’
extensivos à onipresença de Deus.
A melhor maneira para explicarmos a onipresença de Deus se acha no fato da Criação
(aqui enfatiza o criacionismo). O espaço também faz parte do ‘ato’ criativo, de Deus, trazendo
do nada à existência tudo o mais, inclusive o espaço. Se alguém criou o espaço deve, de
maneira implicativa, estar acima dele ou não subordinado nem limitado por ele e a ele.
“Parece melhor que Deus de fato existe de maneira não–espacial, mas está presente em
todos os pontos do espaço no sentido de estar cônscio e ativo de forma causal em todos os
pontos do espaço”.
5. ETERNIDADE
Este é outro ensinamento claramente bíblico nas paginas do Antigo e Novo
Testamento; “Deus simplesmente existe, sem começo ou fim, uma definição minimalista do
significado de ‘Deus é eterno’”.
Mas uma vez a questão aqui é: Deus está condicionado ao espaço? Atemporal ou
temporal?
Para que Deus seja Eterno, não pode haver nenhuma característica temporal ou
espacial N`Ele.
Os adeptos da temporalidade argumentam a existência de Deus como transcendente,
em que o espaço distancia e sua transcendência é zero – como Leftow; e Deus como
conhecedor de todas as coisas – sapiencialmente existente.
A isso, segundo MORELAND E CRAIG, caímos em um risco, o da categorização;
categorizarmos a Deus em espaço zero, pois nem mesmo existe a categoria ‘espaço’ referente
a Deus; e Deus como conhecedor de tudo, é uma “ignorância [...] incoerente com o relato
padrão da onisciência, que demanda de Deus o conhecimento de todas as verdades, e é
certamente incompatível com a excelência cognitiva máxima de Deus”.
“A imagem de Deus existindo temporalmente antes da criação é apenas isso: uma
invenção da imaginação. Como o tempo passou a existir, o conceito mais plausível do
relacionamento de Deus com o tempo é sua atemporalidade sem a criação e temporal após a
criação”.
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