Inflação em Contextos de Crescimento: Causas, Efeitos e Estratégias de Controle
Por:
Carol Mauaie
Edilson Junior
Erica Manhiça
Finoca Mahangue
Isabel Buela
Leonor Júlio Cumbe
Celma Alfredo Gungulo
Tamires Anina Siuta
Licenciatura em Contabilidade e Finanças
Turma 2 - 2º Ano
Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria de Moçambique
Maputo, Maio 2025
Inflação em Contextos de Crescimento: Causas, Efeitos e Estratégias de Controle
Por:
Carol Mauaie
Edilson Junior
Erica Manhiça
Finica Mahangue
Isabel Buela
Leonor Júlio Cumbe
Celma Alfredo Gungulo
Tamires Anina Siuta
Licenciatura em contabilidade e Finanças
Turma 2 - 2º Ano
Ensaio apresentado em cumprimento dos requisitos parciais da disciplina de Macroeconomia
para obtenção do grau de Licenciatura em Contabilidade e Finanças no ISCAM.
Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria de Moçambique
Maputo, Maio 2025
Docente: Msc. Drubels Aulino
Indice
1 Introdução ................................................................................................................................ 5
1.1 Problema da Pesquisa ..................................................................................................... 5
1.2 Objectivos ....................................................................................................................... 6
1.2.1 Geral ............................................................................................................................ 6
1.2.2 Especificos .................................................................................................................. 6
2 Revisão de Literatura ............................................................................................................... 7
2.1 Conceitos e Determinantes da Inflação........................................................................... 7
2.1.1 Os principais determinantes incluem: ......................................................................... 8
2.2 Causas da Inflação .......................................................................................................... 8
2.2.1 Expansão Monetária.................................................................................................... 8
2.2.2 Choques de Oferta....................................................................................................... 9
2.3 Indexação Salarial ........................................................................................................... 9
2.4 Impacto da Inflação na Formação de Salários e Preços .................................................. 9
2.5 Relação entre Crescimento Económico e Inflação ....................................................... 10
2.6 Políticas para o Controle da Inflação ............................................................................ 11
2.7 Evolução da Inflação nos Últimos Quatro Anos (2020-2024)...................................... 12
2.7.1 2020-2021: O Impacto da Pandemia de COVID-19 ................................................. 12
2.7.2 2022: A Crise Energética e a Guerra na Ucrânia ...................................................... 13
2.7.3 2023: Em Moçambique: ............................................................................................ 13
2.7.4 2024: Desafios Persistentes e Novos Riscos ............................................................. 14
3 Metodologia ........................................................................................................................... 14
3.1.1 Quanto à Natureza..................................................................................................... 14
3.1.2 Quanto ao Tipo Classifica-se como: ......................................................................... 15
3.1.3 Quanto aos Objetivos ................................................................................................ 15
3.1.4 Técnicas de Análise .................................................................................................. 15
4 Conclusão .............................................................................................................................. 15
5 Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 16
1 Introdução
A inflação constitui um dos principais desafios macroeconómicos contemporâneos, com
repercussões diretas no poder de compra das famílias, no ambiente empresarial e na estabilidade
financeira dos países. Em Moçambique, esse fenómeno assume particular relevância dado o
contexto de economia em desenvolvimento, marcado por vulnerabilidades estruturais e exposição
a choques externos.
A inflação refere-se ao aumento generalizado e sustentado dos preços dos bens e serviços numa
economia ao longo do tempo (Blanchard, 2021).Este trabalho tem como objetivo geral analisar os
conceitos, causas e efeitos da inflação, bem como propor políticas para o seu controle.
1.1 Problema da Pesquisa
Este trabalho procura responder à seguinte questão central: Quais os principais determinantes da
inflação em Moçambique no período 2020-2024 e que políticas económicas podem ser
implementadas para garantir a estabilidade de preços sem comprometer o crescimento económico?
Estrutura do Ensaio
O trabalho organiza-se em quatro partes principais:
1. Enquadramento teórico sobre inflação
2. Análise dos determinantes específicos no caso moçambicano
3. Avaliação das políticas implementadas
Esta estrutura permitirá compreender tanto as causas estruturais como as conjunturais da inflação
em Moçambique, propondo soluções adaptadas ao contexto nacional.
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1.2 Objectivos
1.2.1 Geral
Analisar a dinâmica da inflação nos últimos quatro anos, identificando suas determinantes e
discutindo o impacto dessa variável na formação de salários e preços, bem como as políticas
adotadas pelos governos para seu controle.
1.2.2 Especificos
• Identificar os principais determinantes da inflação, como demanda agregada, custos de
produção, expectativas inflacionárias e políticas monetárias.
• Examinar as causas da inflação.
• Analisar como a inflação impacta a formação de salários e preços.
• Discutir a relação entre crescimento económico e altas taxas de inflação.
• Propor políticas adequadas para o controle da inflação.
• Analisar a evolução da inflação nos últimos quatro anos, destacando os fatores que
influenciaram sua variação.
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2 Revisão de Literatura
2.1 Conceitos e Determinantes da Inflação
A inflação é um fenômeno econômico caracterizado pelo aumento contínuo e generalizado dos
preços de bens e serviços em uma economia ao longo do tempo. Segundo Samuelson e Nordhaus
(2010), a inflação representa uma perda no poder de compra da moeda, afetando diretamente o
bem-estar das famílias e a competitividade das empresas.
Para Mankiw (2014), a inflação está relacionada ao crescimento da oferta de moeda em ritmo
superior ao da produção de bens e serviços, gerando desequilíbrios entre a demanda e a oferta
agregadas.
Já Keynes (1936) enfatizou o papel da demanda agregada como elemento central para a
compreensão das variações nos níveis de preços.
Enquanto Friedman (1963) destacou a natureza monetária da inflação, afirmando que "a inflação
é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário".
A inflação pode ser classificada em três tipos principais, de acordo com suas causas
predominantes:
Inflação de demanda: Esse tipo de inflação ocorre quando a demanda agregada por bens e serviços
supera a capacidade de oferta da economia. Em situações de pleno emprego ou alta utilização da
capacidade produtiva, aumentos na demanda tendem a pressionar os preços para cima. Keynes
(1936) destacou que, nessas condições, políticas de expansão da demanda — como aumento de
gastos públicos ou crédito — resultam em elevação dos preços ao invés de maior produção. Esse
tipo de inflação é típico em fases de crescimento acelerado, quando o consumo e o investimento
superam a capacidade de resposta do setor produtivo.
Inflação de custos: Nesse caso, a elevação dos preços decorre do aumento nos custos de produção,
como salários, matérias-primas e energia. Quando esses custos sobem, as empresas repassam os
aumentos aos preços finais dos produtos para manter suas margens de lucro. Friedman (1963)
observou que choques nos custos, como os do petróleo nos anos 1970, são fontes significativas de
inflação, mesmo na ausência de pressões de demanda. Esse tipo de inflação pode gerar um ciclo
7
difícil de conter, pois a alta dos preços leva a novas demandas por reajustes salariais, alimentando
a inflação.
Inflação inercial: Trata-se de um tipo de inflação sustentada por mecanismos automáticos de
indexação de salários, preços e contratos, com base em expectativas de inflação futura. Blanchard
(2021) destaca que, mesmo quando as causas originais da inflação cessam, os agentes econômicos
continuam reajustando preços e salários esperando a continuidade da inflação, o que acaba por
mantê-la. Esse fenômeno é comum em economias que já enfrentaram inflação elevada por
períodos prolongados e que possuem mecanismos institucionais de indexação.
A correta identificação do tipo de inflação predominante é fundamental para a escolha adequada
das políticas de combate ao aumento de preços. Cada tipo exige respostas específicas, seja por
meio da política monetária, fiscal, ou por reformas estruturais.
2.1.1 Os principais determinantes incluem:
• Demanda agregada: um crescimento económico acelerado pode superaquecer a
economia, gerando pressões inflacionárias.
• Custos de produção: choques de oferta, como aumentos no preço do petróleo, elevam os
custos das empresas, repassados aos consumidores.
• Expectativas inflacionárias: se os agentes económicos esperam inflação futura, ajustam
preços e salários antecipadamente, perpetuando o ciclo (Mankiw, 2022).
• Políticas monetárias: expansões excessivas da base monetária podem desencadear
inflação, conforme a teoria quantitativa da moeda (Friedman, 1963).
2.2 Causas da Inflação
As causas da inflação podem ser estruturais ou conjunturais:
2.2.1 Expansão Monetária
A relação entre oferta monetária e inflação foi seminalmente estabelecida por Fisher (1911) através
da Teoria Quantitativa da Moeda, onde o crescimento desproporcional da base monetária (M) em
relação à produção gera pressões inflacionárias. Friedman (1963) reforçou esta tese ao afirmar que
"a inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário". No contexto moçambicano,
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estudos do Banco de Moçambique (2023) demonstram que a expansão monetária acima de 15%
ao ano entre 2020-2022 contribuiu para cerca de 30% da inflação observada no período.
2.2.2 Choques de Oferta
A literatura contemporânea (Blanchard, 2021; World Bank, 2022) identifica três tipos principais
de choques:
• Commodities: Como analisado por Hamilton (2021), choques no preço do petróleo
explicam até 40% da variação inflacionária em economias importadoras
• Desastres naturais: O trabalho de Cavallo et al. (2022) sobre ciclones em Moçambique
mostra impactos de +3pp na inflação alimentar
• Conflitos armados: Pesquisa do IMF (2023) no Corredor de Nacala demonstra que a
violência elevou custos logísticos em 25%
2.3 Indexação Salarial
O mecanismo de indexação foi extensivamente estudado por:
• Dornbusch e Fischer (1994): Demonstram como cláusulas automáticas perpetuam a
inflação
• Cardoso (2022): Analisa o caso moçambicano, onde 62% dos contratos formais possuem
reajuste automático
• Banco Mundial (2023): Adverte que a indexação responde por 1,2pp anuais na inflação
estrutural da SADC
2.4 Impacto da Inflação na Formação de Salários e Preços
A inflação influencia significativamente a dinâmica dos salários e preços em uma economia,
criando distorções que afetam trabalhadores, empresas e o setor público.
Em primeiro lugar, destaca-se a erosão do poder de compra. Quando os preços sobem de forma
persistente, o valor real dos salários — ou seja, o que efetivamente pode ser adquirido com a
remuneração — diminui, caso os reajustes nominais não acompanhem a inflação. Esse fenômeno
prejudica principalmente os trabalhadores com menor poder de barganha ou que possuem
contratos de trabalho rígidos, resultando em perda de bem-estar (Phelps, 1967).
9
Outro aspecto relevante é a indexação automática de salários e contratos, prática comum em
contextos de inflação elevada. Embora tenha como objetivo proteger os rendimentos dos
trabalhadores, essa indexação pode gerar inflação inercial, ou seja, um processo de reajustes
contínuos e antecipados de preços e salários, mesmo na ausência de novos choques de demanda
ou oferta (Dornbusch & Fischer, 1994).
Além disso, a inflação afeta os preços relativos. Como os preços não sobem todos ao mesmo tempo
nem na mesma proporção, os agentes económicos têm dificuldade em distinguir se as variações
refletem alterações reais na oferta e na procura ou apenas uma elevação geral dos preços. Isso
distorce a alocação eficiente de recursos, podendo levar a decisões de investimento e consumo
equivocadas (Lucas, 1972).
A incerteza económica gerada pela inflação elevada também é um fator de preocupação. Empresas
e investidores tendem a adiar decisões de longo prazo diante da dificuldade em prever custos,
receitas e retorno de investimentos. Esse comportamento compromete o crescimento da
produtividade e a geração de empregos (Blanchard, 2021).
Por fim, a inflação tem um efeito redistributivo sobre a economia. Ela atua como um "imposto
inflacionário", penalizando os poupadores, que veem o valor real de seus ativos ser corroído, e
beneficiando os devedores, que quitam suas dívidas com moeda desvalorizada. Essa redistribuição
pode aumentar as desigualdades sociais e gerar tensões econômicas (Tobin, 1972).
2.5 Relação entre Crescimento Económico e Inflação
A relação entre crescimento económico e inflação é objeto de amplo debate na teoria
macroeconómica, variando conforme o horizonte temporal e as características estruturais da
economia analisada.
No curto prazo, a literatura clássica sugere uma relação inversa entre inflação e desemprego,
conforme descrito pela Curva de Phillips (1958). Segundo essa teoria, políticas expansionistas que
elevam a demanda agregada podem reduzir o desemprego, ainda que à custa de maior inflação. No
entanto, estudos posteriores, especialmente os de Friedman (1968) e Phelps (1967), destacaram
que essa relação é temporária: à medida que os agentes económicos ajustam suas expectativas, a
inflação se mantém alta, mas o desemprego retorna ao seu nível natural.
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Em economias emergentes, verifica-se com frequência a chamada inflação de crescimento,
caracterizada por uma expansão da atividade económica que supera a capacidade produtiva do
país, gerando pressões inflacionárias. Embora uma inflação moderada possa acompanhar o
crescimento, quando ela ultrapassa determinados limites — geralmente estimados em torno de 10
a 15% ao ano — os efeitos tornam-se negativos, afetando o investimento, o crédito e a estabilidade
macroeconómica (Barro, 1995).
A volatilidade dos preços é outro fator crítico. Inflações elevadas estão frequentemente associadas
a altos níveis de incerteza, o que desestimula o investimento produtivo e a inovação. Empresas
enfrentam maiores custos de transação e têm dificuldade em precificar bens e serviços, o que
compromete o crescimento a longo prazo (Mankiw, 2022).
Por outro lado, a experiência recente de vários países demonstrou que estabilidade de preços é
condição essencial para o crescimento sustentado. Economias com inflação controlada conseguem
manter taxas de juro reais estáveis, previsibilidade no ambiente de negócios e atração de
investimentos. Para isso, é fundamental a credibilidade das instituições responsáveis pela política
económica, como os bancos centrais, que devem agir de forma transparente e previsível para
ancorar as expectativas inflacionárias (Bernanke, 2007).
2.6 Políticas para o Controle da Inflação
O controle da inflação é uma das principais responsabilidades da política econômica de um país.
Diversas estratégias podem ser empregadas para garantir a estabilidade dos preços e preservar o
poder de compra da moeda. Dentre essas estratégias, destacam-se a política monetária restritiva, o
controle fiscal, a ancoragem de expectativas e as reformas estruturais.
A política monetária restritiva consiste na elevação das taxas de juros como forma de conter o
excesso de liquidez na economia. De acordo com Taylor (1993), esse mecanismo reduz o consumo
e os investimentos, diminuindo assim a demanda agregada e, consequentemente, as pressões
inflacionárias. A aplicação dessa política exige cuidado para evitar impactos negativos sobre o
crescimento econômico e o emprego.
O controle fiscal é outra ferramenta fundamental, baseada na redução dos gastos públicos e na
contenção do déficit fiscal. Quando o governo limita seu nível de despesa, diminui-se a pressão
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sobre a demanda agregada, contribuindo para a estabilização dos preços. Essa abordagem é
particularmente relevante em contextos onde o setor público é um dos principais vetores da
demanda interna.
A ancoragem de expectativas desempenha um papel cada vez mais central na condução da política
monetária. Bernanke (2007) argumenta que a comunicação clara e transparente por parte do banco
central é essencial para alinhar as expectativas dos agentes econômicos com as metas de inflação.
Quando os agentes confiam que a autoridade monetária está comprometida com a estabilidade de
preços, tornam-se menos propensos a reagir de maneira inflacionária a choques temporários.
Por fim, as reformas estruturais visam aumentar a produtividade e a capacidade de oferta da
economia. Conforme Krugman (1999), ao melhorar a eficiência dos mercados e reduzir os gargalos
produtivos, essas reformas contribuem para o crescimento econômico sustentado e ajudam a conter
a inflação de forma mais duradoura.
Essas políticas, embora distintas, podem ser complementares e devem ser coordenadas para
garantir um ambiente macroeconômico estável e propício ao desenvolvimento sustentável.
2.7 Evolução da Inflação nos Últimos Quatro Anos (2020-2024)
O período entre 2020 e 2024 testemunhou flutuações significativas nas taxas de inflação em nível
global, impulsionadas por uma combinação de choques exógenos e respostas políticas. Esta análise
examina os principais fatores que moldaram a trajetória inflacionária neste período.
2.7.1 2020-2021: O Impacto da Pandemia de COVID-19
A pandemia desencadeou movimentos opostos nos preços globais:
• Choque Deflacionário Inicial: No primeiro semestre de 2020, o colapso da demanda
agregada levou a queda nos preços. O IPC nos EUA registrou queda de 0,8% em abril de
2020 (BLS, 2020). Em Moçambique a inflação acumulada subiu para 6,74%, mais do que
duplicando em relação ao ano anterior. Este aumento deveu-se principalmente à subida dos
preços dos alimentos, bebidas não alcoólicas e serviços de restauração.
• Pressões Inflacionárias Emergentes: A partir do terceiro trimestre de 2021, interrupções
nas cadeias de suprimentos e gargalos logísticos levaram a aumentos expressivos nos
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preços. A inflação anual nos EUA saltou de 1,4% em janeiro para 7% em dezembro de
2021 (IMF, 2022).
2.7.2 2022: A Crise Energética e a Guerra na Ucrânia
A invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022 exacerbou as pressões inflacionárias através de
três canais principais:
• Commodities Energéticas: O preço do petróleo Brent atingiu US$ 139/barril em março
de 2022 (World Bank, 2022).
• Segurança Alimentar: Rússia e Ucrânia representavam 28% das exportações globais de
trigo. O índice de preços de alimentos da FAO subiu 23% entre fevereiro e maio de 2022
(FAO, 2022).
• Efeitos Secundários: Na Zona Euro, a inflação anual atingiu 10,6% em outubro de 2022
(Eurostat, 2022).
• Efeitos internos: Em 2022, Moçambique enfrentou uma inflação elevada, com os preços
dos alimentos aumentando 14,6%, os da energia 6,3% e os dos transportes 19,3% . Este
aumento foi impulsionado pela escassez de trigo e fertilizantes, já que cerca de 19% das
importações de trigo de Moçambique provinham da Rússia e da Ucrânia.
2.7.3 2023: Em Moçambique:
Poder de compra: A inflação afetou negativamente o poder de compra, especialmente das
populações de baixos rendimentos, dificultando o acesso a bens essenciais.
Pobreza: O aumento dos preços contribuiu para o agravamento da pobreza extrema, afetando
particularmente as áreas urbanas.
Globalmente:
Políticas monetárias: Bancos centrais mantiveram taxas de juro elevadas para conter a inflação,
o que impactou o crescimento económico e os mercados financeiros.
Desigualdades: A inflação teve efeitos distributivos, penalizando mais os indivíduos com
rendimentos fixos e poupadores, enquanto alguns setores conseguiram ajustar salários e preços.
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2.7.4 2024: Desafios Persistentes e Novos Riscos
O cenário inflacionário em 2024 apresenta novas características:
• Inflação de Serviços: Nos EUA, o CPI permanecia em 3,9% em janeiro de 2024 (BLS,
2024).
• Tensões Geopolíticas: Conflitos no Oriente Médio reintroduziram riscos à estabilidade de
preços (IMF, 2024).
• Política Monetária Restritiva: O Fed mantém taxas elevadas visando convergência para 2%
de inflação (Powell, 2024).
• Em Moçambique, espera-se que a inflação desça para 4,5% em 2024, embora possa
ultrapassar os 7% em 2025 devido a fatores como choques externos e variações nos preços
das commodities.
3 Metodologia
3.1.1 Quanto à Natureza
Esta pesquisa assume uma natureza aplicada, pois busca compreender a dinâmica inflacionária em
Moçambique (2020-2024) com o objetivo de propor políticas concretas para o controle de preços.
Combina:
• Abordagem qualitativa (análise de políticas e contextos socioeconômicos)
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• Abordagem quantitativa (tratamento de dados macroeconômicos do INE e Banco de
Moçambique)
3.1.2 Quanto ao Tipo Classifica-se como:
• Estudo descritivo-analítico: Examina as causas e efeitos da inflação com base em
indicadores económicos.
• Pesquisa documental: Baseia-se em relatórios oficiais (Banco de Moçambique, INE,
FMI), legislação monetária e literatura acadêmica sobre economia moçambicana.
3.1.3 Quanto aos Objetivos
• Exploratório: Identifica padrões inflacionários específicos de Moçambique.
• Explicativo: Analisa relações de causalidade (ex.: como a guerra na Ucrânia afetou preços
internos).
• Propositivo: Formula recomendações de política económica adaptadas ao contexto
nacional.
3.1.4 Técnicas de Análise
• Análise estatística descritiva (evolução da IPC, taxas de câmbio)
• Análise comparativa (políticas adotadas vs. resultados obtidos)
• Revisão crítica de medidas do Banco Central (2020-2024)
4 Conclusão
Ao longo deste estudo, foi possível alcançar os objetivos propostos através de uma análise
multidimensional da inflação no contexto moçambicano. Identificaram-se os principais
determinantes inflacionários, destacando-se a expansão monetária excessiva, os choques de oferta
derivados de crises globais e locais, e os mecanismos de indexação salarial como fatores cruciais.
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As causas da inflação revelaram-se multifacetadas, combinando elementos estruturais da economia
moçambicana com choques conjunturais internacionais.
O impacto da inflação na formação de salários e preços mostrou-se relevante no caso
moçambicano, onde os mecanismos de indexação criam uma espiral preços-salários difícil de
[Link] políticas de controle inflacionário analisadas sugerem que uma abordagem integrada,
combinando disciplina monetária, prudência fiscal e reformas estruturais, mostra-se mais eficaz
do que medidas isoladas. A evolução da inflação nos últimos quatro anos em Moçambique
demonstrou a vulnerabilidade da economia a choques externos, mas também revelou a importância
de políticas domésticas adequadas para mitigar esses impactos.
Os resultados obtidos reforçam a necessidade de políticas económicas adaptadas às especificidades
da economia moçambicana, que considerem tanto seus desafios estruturais quanto sua inserção na
economia global. A experiência recente mostra que, embora choques externos sejam inevitáveis,
a construção de instituições sólidas e políticas macroeconómicas consistentes pode reduzir
significativamente sua capacidade de desestabilização dos preços internos. Esta análise contribui
para o entendimento dos mecanismos inflacionários em economias em desenvolvimento,
oferecendo insights valiosos para a formulação de políticas económicas mais eficazes no contexto
moçambicano.
5 Referências Bibliográficas
• Barro, R. J. (1995). Inflation and economic growth. NBER Working Paper.
• Bernanke, B. (2007). Inflation expectations and inflation forecasting. Federal Reserve.
• Blanchard, O. (2021). Macroeconomics (8th ed.). Pearson.
16
• Friedman, M. (1963). Inflation: Causes and consequences. Asia Publishing.
• Keynes, J. M. (1936). The general theory of employment, interest, and money. Palgrave
Macmillan.
• Mankiw, N. G. (2022). Principles of macroeconomics (10th ed.). Cengage.
17