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Situada na Zona Leste do município de São Paulo, esta organização

não governamental tem como missão disseminar a história/cultura afrobrasileira e promover ações voltadas para a equidade racial e de gênero. Por meio de atividades culturais, esportivas, educativas e recreativas, o Fala Negão/Fala Mulher combate a discriminação de raça, gênero, geracional e contra pessoas com necessidades especiais. Fones: 11 25220949 / 11 25223980 Blog: http://falanegaofalamulher.blogspot.com/ e-mail: falanegaofalamulher@gmail.com

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2010

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Dia da Consciência Negra
No dia 20 de novembro é celebrado no Brasil, o Dia Nacional da Consciência Negra. Nesse dia, o líder guerreiro Zumbi, símbolo da resistência do Quilombo de Palmares, foi assassinado. A criação desta data possibilita um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura brasileira. Vale lembrar que, a população de origem africana é constitutiva do povo brasileiro e fez a nossa história, tanto nos aspectos políticos, sociais e religiosos quanto na gastronomia, na dança, na música e na arte. Vale dizer também que sempre ocorreu um destaque dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Portanto, dia 20 de novembro é , pois, um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, a importância da cultura afrobrasileira. Nesse sentido, passos importantes já foram dados. No entanto, ainda há muita coisa para se fazer, tendo em vista a persistência do racismo em nossa sociedade.

Começo de conversa
O Projeto Segurança Humana SH tem como uma de suas missões apoiar propostas direcionadas para a igualdade e equidade racial e de gênero. Assim, neste ano, o projeto se alia às pessoas e organizações que defendem o fim de todo e qualquer tipo de preconceito e discriminação contra as pessoas em geral, a população afrobrasileira e as mulheres. Desde 2008, a comunidade de Itaquera, em São Paulo, organizada por meio de um grupo de representantes de organizações governamentais e não-governamentais, associações e pessoas da comunidade, chamado Grupo Nuclear, tem se reunido sob a coordenação da ECOS, recebendo formações, trocando saberes, e preparando-se para promover ações que atendam às demandas da comunidade. O Grupo Nuclear do Projeto Segurança Humana vem exercendo o importante papel de protagonizar, debater e realizar eventos e oficinas com uma ênfase especial no enfrentamento de situações de desigualdade de gênero, raça/ etnia, geracional e orientação sexual. Já tendo executado diversas ações no passado, neste ano e neste momento, uma das propostas do Grupo Nuclear do Projeto Segurança Humana – Eixo Comunidade para as regiões de Itaquera, José Bonifácio, Cidade Líder e Parque do Carmo é participar das ações do Dia da Consciência Negra e divulgar amplamente a Lei nº 10.639/2003 que instituiu o ensino obrigatório de história e cultura afrobrasileiras nas escolas, enfatizando a importância dessa população nas áreas social, econômica e política na história do Brasil. Para tanto, um dos instrumentos para a celebração do Dia da Consciência Negra é a divulgação dessa Lei e este boletim traz textos e informações importantes para enfrentarmos as situações de preconceito e discriminação ainda tão presentes em nosso país.

Projeto Segurança Humana
O Projeto Segurança Humana é uma iniciativa conjunta de quatro agências ONU: a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, o Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF, o Fundo de População das Nações Unidas - UNFPA, e Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS - , em parceria com três secretarias municipais de São Paulo - Educação, Saúde, Assistência e Desenvolvimento Social, com objetivo de reduzir a violência e promover a cultura de paz no distrito de Itaquera, sub-distritos de José Bonifácio, Cidade Líder, Parque do Carmo e Itaquera. Atuando no eixo comunidade, UNFPA e UNICEF têm desenvolvido ações de fortalecimento comunitário, na busca de relações igualitárias na sociedade e garantia dos direitos humanos. A ECOS, o CIEDS e a Revista Viração, são as ONGs responsáveis pela execução do projeto. Grupo Nuclear
Associação de Moradores do Conjunto Habitacional Casa Branca; Associação Rede Corrente Viva; Centro de Cidadania da Mulher de Itaquera; Conselho de Segurança Comunitário – Conjunto José Bonifácio; EE Prof. Ruth Cabral Troncarelli; Fala Negão/Fala Mulher; Núcleo de Defesa e Convivência da Mulher Viviane dos Santos – AVIB; Obras Conveniadas Dom Bosco; Portal Dom Bosco; Rede de Prevenção e Enfrentamento da Violência contra a Mulher da Zona Leste; União Brasileira de Guardas Mirins, Conselho de Segurança Comunitário e Grupo Nômade.

Grupos Articuladores Locais
Aricanduva: Associação Amigos do Jardim Ipanem, Casa do Cristo Redentor Igreja Segunda Chance, ONG NADHU – Núcleo de Assistência ao Desenvolvimento Humano. Parada XV de Novembro: Associação Cultural e Educativa Ética e Arte na Educação. Associação Esportiva Comunidade Progresso, Associação Lojistas da Parada XV, CEI Parada XV, Comunidade Progresso, E.E.Comendador Mario Reis, E.E. Galileu Menon, E.E.Jd.Beatriz, E.E.Júlio Diniz, Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste, Grupo Cultural Filosófica, Grupo Nova Aliança, UBS XV de Novembro, UNICASTELO. AE Carvalho: Associação Aposentados e Pensionistas Zona Leste, Associação de Mulheres Tulipas, Associação Flecha Dourada de Guaianazes, Associação Lazer Nosso Sonho, Associação Paz e Amor, CESI, Instituto Consegui, Rosinha Futebol Clube, ONG UBE, União de Todos Esportes Amadores, União Social Brasil Gigante, EE Astolfo Araújo, EE Comendador Mário Reys, EE Dom Pedro II, EE Jardim Beatriz, EE Milton Cruzeiro, EE Presidente Salvador Allende Gossens, EE Professora Maria Augusta De Ávila e EE Ruy De Mello Junqueira. Grupo Articulador Local José Bonifácio: CONSEG (Conselho Nacional de Segurança Pública), Fala Negão Fala Mulher, União dos Guardas Mirins, Universidade Anhembi Morumbi e EE Professora Ruth Cabral Troncarelli.

Vamos divulgar!

Projeto Segurança Humana.

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Sabemos que o Brasil é um país imenso e de uma pluralidade cultural espantosa. Num mesmo território convivem imigrantes e descendentes de povos originários de diferentes continentes, de diferentes tradições culturais e de diferentes religiões. Há até quem diga que este é um país hospitaleiro em que existe uma democracia racial e que não existe nem preconceito nem discriminação. Só que a realidade está aí para nos mostrar que não é bem assim. Ainda hoje, são inúmeras as situações de preconceito, discriminação e exclusão social vivenciadas pela imensa população formada pelos descendentes dos povos africanos. Violência essas que impedem que esses/as brasileiros/as exerçam plenamente a sua cidadania. Na escola, por exemplo, as situações de rejeição enfrentadas pelos alunos/as negros/as aliadas ao silêncio dos/as educadores/as em relação a essas práticas, produzem efeitos na autoestima destas crianças e jovens, repercutindo negativamente no seu desempenho escolar e no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizado. É, ainda, um fator importante de evasão escolar. Assim, existe a necessidade urgente de se investir em mudanças educacionais que valorizem a história dos afrobrasileiros nesse país, fornecendo, inclusive, informações que contribuíam para a superação de todas as formas de preconceito, discriminação e exclusão que existem no cotidiano das pessoas negras.

O movimento negro é formado por todos os grupos organizados, comprometidos com o enfrentamento ao e à discriminação racial. Uma de suas maiores metas é a promoção da igualdade racial. Fazem parte deste movimento, um grande conjunto de entidades, incluindo as organizações tradicionais - casas e terreiros de religiões de matriz africana - as irmandades, os grupos culturais, blocos carnavalescos e grêmios recreativos das escolas de samba, organizações não governamentais, grupos de base comunitária, além de grupos de capoeira, de rap e de hip hop. Todos esses grupos têm como objetivos comuns o combate ao racismo e à discriminação racial, a valorização da cultura negra, a igualdade de direitos e a inclusão social da população negra. Aliás, o racismo está presente em várias situações cotidianas que sequer damos conta. Por exemplo, palavras e expressões como: denegrir; a coisa está preta; dia de branco, samba do criolo doido, dentre outros. O triste é que em nosso país, mesmo tendo uma grande parte de sua população composta por afrobrasileiros, ainda é muito racista. E, vale enfatizar, racismo é crime e, por isso, deve ser denunciado.

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Fontes de informação: MATTAR, Laura Davis (coord.) Direito à saúde da mulher negra: manual de referência. São Paulo: Conectas Direitos Humanos, 2008. BRASIL.MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Relações étnico-raciais e de gênero. Brasília, 2007. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Etica/1_rel_etica.pdf. BRASIL / MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, 2006. Disponível em http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/seppir/publicacoes/politicapopnegra.pdf.

Lei n• 10.639/2003
Esta lei instituiu o ensino obrigatório de história e cultura afrobrasileiras nas escolas, valorizando a luta da população negra e garantindo sua contribuição nas áreas social, econômica e política na história do Brasil. Tem como principal objetivo acabar com o racismo presente nas práticas educacionais. Art. 26 – A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro- Brasileira. § 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo de História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. § 2º Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras. Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra.

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Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR

Tendo status de Ministério, a SEPPIR foi instituída pelo Governo Federal em 21 de março de 2003. Tem como missão o estabelecimento de iniciativas contra as desigualdades raciais no País. Seus principais objetivos são: • promover a igualdade e a proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos afetados pela discriminação e demais formas de intolerância, com ênfase na população negra; • acompanhar e coordenar políticas de diferentes ministérios e outros órgãos do governo brasileiro para a promoção da igualdade racial; • articular, promover e acompanhar a execução de diversos programas de cooperação com organismos públicos e privados, nacionais e internacionais; • promover e acompanhar o cumprimento de acordos e convenções internacionais assinados pelo Brasil, que digam respeito à promoção da igualdade e combate à discriminação racial ou étnica; • auxiliar o Ministério das Relações Exteriores nas políticas internacionais, no que se refere à aproximação de nações do continente africano. Maiores informações: www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/seppir/

Coordenadoria dos Assuntos da População Negra – CONE

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Nov./Dez.

A CONE é um órgão governamental criado em 22 de dezembro de 1992, pela Lei Municipal 11.321 e tem como finalidade e competência formular, coordenar, acompanhar, sugerir e implementar políticas de ação governamental junto à população negra, visando o combate à discriminação racial e a defesa dos direitos, bem como a promoção e o apoio à integração cultural, econômica e política desta população. Atualmente, a CONE está vinculada à Secretaria Especial de Participação e Parceria (SEPP), da Prefeitura do Município de São Paulo. A Coordenadoria dos Assuntos da População Negra – CONE – atua segundo artigo 2° da Lei de sua criação: • estimulando, apoiando e desenvolvendo estudos e diagnósticos sobre a situação da população negra do Município • formulando políticas de interesse específico da população negra de forma articulada com Secretarias afins; • traçando diretrizes para a Administração Municipal direta e indireta, com enfoque na questão étnico-racial; • articulando, implementando e incentivando projetos para denúncias em casos de racismo e promovendo a igualdade racial através de forte apoio às Políticas de Ações Afirmativas. Maiores informações: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/participacao_parceria/coordenadorias/cone/

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