Quero o meu preservativo na escola!

Já faz quase 30 anos que a gente sabe que a aids existe. Quando se começou a trabalhar com a prevenção e a atenção às pessoas que tinham sido infectadas, todo mundo morria de medo de pegar a doença. Achava que estava no ar, no copo, na piscina, na picada de um inseto ... Ufa! Sabemos que não se pega de nenhum desses jeitos. Também, no começo da epidemia, os medicamentos para tratar as pessoas que tinham o

Nov./Dez. 2010

vírus eram muito caros e, nos serviços de saúde, nem sempre tinha camisinha disponível. Isso também mudou. Hoje, os antiretrovirais - os medicamentos para diminuir o número de vírus no organismo e para impedir que novos vírus entrem - são gratuitos, todo mundo que vive com o vírus tem acesso a eles. O mesmo vale para a camisinha. Quem quiser, pode ir nos serviços de saúde buscar. Só falta uma coisa: ter camisinha disponível na escola também!

Dia Mundial de Luta contra a Aids
Começo de conversa
Todo ano, no dia 1º de dezembro, realizam-se várias ações em todo o mundo para chamar a atenção sobre as doenças sexualmente transmissíveis e a aids. Nesse ano, o tema escolhido pelo Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde foi Adolescentes, Vulnerabilidades e Preconceitos. Assim, o Projeto Segurança Humana também quer contribuir para que toda a humanidade tenha acesso à informação, ao preservativo e aos medicamentos para as pessoas que vivem com o HIV, o vírus da aids. Mais do que isso, o Projeto Segurança Humana acredita que todas as pessoas são iguais e que tem os mesmos direitos. Assim, entre outras coisas, elaboramos este boletim que, além de informações sobre DST e aids aborda situações que deixam adolescentes e jovens – de ambos os sexos - mais vulneráveis a se infectarem pelo HIV. Vamos nessa?

Por isso, ouvimos vários/as adolescente e jovens e perguntamos porque eles querem ter acesso aos preservativos na escola também!
Veja algumas respostas:
1. Durante a oficina de sexo seguro a professora mostrou só como se usa o preservativo. E o meu? 2. E se rolar uma transa depois da aula? Não dá tempo de ir até o posto buscar preservativo. Cadê o meu? 3. Eu sou independente e empoderada. Quero o meu preservativo feminino! 4. No Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA está escrito que adolescentes tem o direito à saúde. Preservativo é saúde e um direito. Cadê o meu? 5. Um dia quero ter filhos, mas não agora. Como posso evitar uma gravidez se o serviço de saúde é longe e a escola não me dá preservativos? Cadê o meu? 6. Bolhinhas, feridas, coceiras, ardência ... já sei muito bem quais são os sintomas e os sinais das DST. Só que não dá para prevenir se eu não tenho com o que. Quero o meu! 7. Adolescentes e jovens têm Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. Inclusive de ter informação sobre sexualidade e saúde reprodutiva. De que adianta ter informação se não se tem o preservativo? Eu quero o meu! 8. Já fui discriminada, já tive que brigar com um monte de gente porque quero usar o meu nome social. Agora terei que brigar também para ter o preservativo na escola? Quero o meu! 9. Sou sujeito de direitos, inclusive o de expressar minha sexualidade sem ser discriminado. De que adianta ter direitos se não me dão camisinha na escola? Cadê o meu?

Doenças Sexualmente Transmissíveis, mais conhecidas como DST
Mas não se preocupe!
Pode ler esse boletim sem susto que não vamos falar novamente de cada uma dessas doenças. Para começar, vale saber que a maioria das DST dão algumas dicas de que elas chegaram, ou seja, apresentam algum sinal (que dá para ver) e/ou algum sintoma (que dá para sentir). Pode ser que você tenha se infectado por uma doença sexualmente transmissível. Assim, se nos seus órgãos genitais ... - aparece uma coceira ou vermelhidão nos seus órgãos genitais; - surgem bolhinhas, feridinhas ou verrugas; - pinta um corrimento com cheiro e quantidade diferente do que se tem habitualmente; - aparece uma íngua (inchaço) na virilha. ... pode ser um sinal de que você esteja com uma DST. Febres, ardência quando se faz xixi ou dor na parte debaixo da barriga, também são alguns dos sintomas de DST. Febres, ardência quando se faz xixi ou dor na parte debaixo da barriga, também são alguns dos sintomas de DST.

Você lembra de mais algum motivo?

Projeto Segurança Humana - Eixo Comunidade O Projeto Segurança Humana é uma iniciativa conjunta de quatro agências ONU: a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, o Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF, o Fundo de População das Nações Unidas - UNFPA, e Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS -, em parceria com três secretarias municipais de São Paulo - Educação, Saúde, Assistência e Desenvolvimento Social, com objetivo de reduzir a violência e promover a cultura de paz no distrito de Itaquera, subdistritos de José Bonifácio, Cidade Líder, Parque do Carmo e Itaquera. Atuando no eixo comunidade, o Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA desenvolve ações de fortalecimento comunitário, na busca de relações igualitárias na sociedade e garantia dos direitos humanos. A ECOS é responsável pela execução desta proposta. Grupo Nuclear Associação de Moradores do Conjunto Habitacional Casa Branca; Associação Rede Corrente Viva; Centro de Cidadania da Mulher de Itaquera; Conselho de Segurança Comunitário – Conjunto José Bonifácio; EE Prof. Ruth Cabral Troncarelli; Fala Negão/Fala Mulher; Núcleo de Defesa e Convivência da Mulher Viviane dos Santos – AVIB; Obras Conveniadas Dom Bosco; Portal Dom Bosco; Rede de Prevenção e Enfrentamento da Violência contra a Mulher da Zona Leste; União Brasileira de Guardas Mirins e Conselho de Segurança Comunitário. Grupos Articuladores Locais Aricanduva: Associação Amigos do Jardim Ipanem, Casa do Cristo Redentor, Igreja Segunda Chance, ONG NADHU – Núcleo de Assistência ao Desenvolvimento Humano. Parada XV de Novembro: Associação Cultural e Educativa Ética e Arte na Educação. Associação Esportiva Comunidade Progresso, Associação Lojistas da Parada XV, CEI Parada XV, Comunidade Progresso, E.E.Comendador Mario Reis, E.E. Galileu Menon, E.E.Jd.Beatriz, E.E.Júlio Diniz, Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste, Grupo Cultural Filosófica, Grupo Nova Aliança, UBS XV de Novembro, UNICASTELO. AE Carvalho: Associação Aposentados e Pensionistas Zona Leste, Associação de Mulheres Tulipas, Associação Flecha Dourada de Guaianazes, Associação Lazer Nosso Sonho, Associação Paz e Amor, CESI, Instituto Consegui, Rosinha Futebol Clube, ONG UBE, União de Todos Esportes Amadores, União Social Brasil Gigante, EE Astolfo Araújo, EE Comendador Mário Reys, EE Dom Pedro II, EE Jardim Beatriz, EE Milton Cruzeiro, EE Presidente Salvador Allende Gossens, EE Professora Maria Augusta De Ávila e EE Ruy De Mello Junqueira. José Bonifácio: CONSEG (Conselho Nacional de Segurança Pública), Fala Negão Fala Mulher, União dos Guardas Mirins, Universidade Anhembi Morumbi e EE Professora Ruth Cabral Troncarelli.

Daí eu faço o que?
Nada de tentar curar por conta própria usando aquele mesmo medicamento que seu amigo ou sua amiga usou, certo? É preciso ir logo ao serviço de saúde para resolver o problema. Agora, uma coisa muito importante: use sempre a camisinha, tá? Feminina ou masculina tanto faz. Se rolar uma transa, ela tem que fazer parte.

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Vulnerabilidade: o que é isso?
Quando pensamos nas DST e na aids, podemos pensar também em vulnerabilidade, ou seja, existem pessoas que tem maior chance de se infectar pelo HIV, o vírus da aids, do que outras. Por exemplo: um/a adolescente que, na escola, é zoado o tempo todo e que, por conta disso, se sente discriminado e sem forças para se defender. Ele/a pode até ter acesso à informação, mas como não é aceito/a pelo grupo pode ter pouca autoconfiança e, na hora de transar, pode até deixar de usar a camisinha. Outro exemplo, um/a jovem sabe tudo sobre a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e da aids. Só que não tem dinheiro para comprar preservativos e, como trabalha o dia todo e estuda no período noturno, também não dá para passar no serviço de saúde para pegar camisinhas de graça. Então, para se proteger não basta só ter informação. Depende, também, da qualidade dos relacionamentos, do acesso aos insumos de prevenção – camisinhas masculina e feminina - e de que seus direitos sejam respeitados, inclusive os sexuais e reprodutivos.

Diversidades
Já percebeu como tem gente diferente no mundo? Seja na cor, na gordura ou na magreza, na altura, no cabelo, no jeito de pensar .... todo mundo é diferente. Que bom! Seria a maior chatice se todo mundo fosse igual. Só que tem um problema: às vezes esse ser diferente vira uma desigualdade. Como assim? Seguinte: algumas pessoas acham que, pelo fato de ser branca vale mais do que uma pessoa negra. Outras que, o homem vale mais do que a mulher. Ainda há aqueles que acham que somente os heterossexuais têm direitos e tratam os que têm outra orientação sexual com preconceito. . Ninguém é melhor do que ninguém, galera! Todas as pessoas são iguais e tem os mesmos direitos, inclusive os sexuais e os reprodutivos.

A Aids
Projeto Segurança Humana.
O HIV, o vírus da aids, pode estar no sangue, nos fluidos sexuais - masculino e feminino - ou no leite materno. Assim, as formas de infecção podem ocorrer em uma transa, por via sexual, oral ou anal; no compartilhamento de agulhas e seringas já utilizadas por outras pessoas; ou de mãe para o feto durante a gravidez, na hora do parto ou na amamentação, se ela tiver o vírus, obviamente. Só que para tudo isso existe prevenção! Como assim? É fácil, veja abaixo o que é preciso fazer: • usar camisinha sempre; • seringas e agulhas só descartáveis; • o casal fazer o teste de aids antes de engravidar; • no caso de se descobrir que está infectada durante o pré natal, o serviço de saúde vai indicar direitinho o que é preciso fazer para que a criança não se infecte pelo HIV. Viu como é possível se cuidar??

Conheça alguns dos direitos sexuais e reprodutivos:
• Todas as pessoas têm o direito de decidirem, de forma livre e
responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas.

• Todas as pessoas tem direito de acesso a informações, meios,
métodos e técnicas para ter ou não ter filhos.

• Todas as pessoas têm o direito de expressar livremente a
sexualidade sem violência, discriminações e imposições, e com total respeito pelo corpo do/a parceiro/a.

Fique esperta! Fique esperto!
A hepatite B é uma inflamação do fígado causada pelo vírus da Hepatite B (HBV). As formas de contágio são as mesmas que as do HIV/Aids, ou seja, relações sexuais desprotegidas; uso de drogas com compartilhamento de seringas, agulhas ou outros equipamentos; transfusão de sangue e derivados infectados; transmissão vertical (mãe/filho); aleitamento materno e acidentes com objetos que furam e que cortam. A grande diferença é que tem vacina e que ela está disponível gratuitamente nos serviços de saúde para adolescentes e jovens até 19 anos. Informe-se na UBS perto da sua casa.

• Todas as pessoas têm o direito de escolher seu/sua
parceiro/a sexual.

FiqUE SABENDO!
Todos os anos, lá pela última semana de novembro e primeira de dezembro é feita uma campanha com o objetivo de disponibilizar o teste anti HIV para todas as pessoas que quiserem fazer. Fazer o teste é importante porque quanto mais cedo uma pessoa ficar sabendo que vive com o HIV, mais rápido ela vai começar a se tratar e, daí, diminui muito a possibilidade de se ter doenças oportunistas. Ah, doenças oportunistas são aquelas que aparecem quando o sistema de defesa das pessoas fica muito debilitado. O HIV faz isso com o corpo das pessoas

Lei Estadual 10.948/2001
No Estado de São Paulo, esta Lei estabelece multas e outras penas para a discriminação contra homossexuais, bissexuais e transgêneros (travestis e transsexuais). A lei proíbe, em razão da orientação sexual: violências, constrangimentos e intimidações, sejam morais, éticas, filosóficas ou psicológicas; a vedação de ingresso a locais públicos ou privados abertos ao público; selecionar o atendimento; impedir ou sobretaxar a hospedagem em hotéis ou motéis, assim como a compra, venda ou locação de imóveis; demitir do emprego ou inibir a admissão. A lei também pune quem “proibir a livre expressão e manifestação de afetividade”, se estas forem permitidas aos demais cidadãos.

APOIE DIVULGUE PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO NÃO ESTÃO COM NADA!

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