Romper o silêncio e falar sobre a

Rompendo o silêncio

locais em que a mulher pode denunciar seus agressores, infelizmente, ainda são poucas as mulheres que procuram instituições que possam lhe oferecer apoio legal e/ou psicológico ou que recorrem à polícia. Muitas vezes, também, a mulher faz uma

violência que sofrem, ou que sofreram, não é tarefa simples para muitas mulheres. Muitas vezes elas não falam sobre isso com ninguém ou só tratam do assunto com sua família e com as amigas mais chegadas. Os motivos para este silêncio são muitos: - porque é casada e acredita que o casamento é para sempre; - tem medo de apanhar ainda mais; - teme perder a guarda dos/as filhos/as; - depende financeiramente do companheiro e não tem a quem recorrer; - acredita ser a responsável pela agressão que sofreu; - não quer prejudicar o parceiro; - não quer que o pai de seus filhos vá para a cadeia. Apesar de existirem no Brasil leis e

nov./dez. - 2010

Campanha 16 dias de ativismo pelo fim da Violência Contra a Mulher

denúncia formal contra seu companheiro em uma delegacia especializada para, logo depois, retirar a queixa. Outras vezes, ela é encaminhada para uma casa abrigo, mas foge de lá e volta para o lar. As escolas, os serviços de saúde e os outros equipamentos sociais existentes na Zona Leste do Município de São Paulo são lugares estratégicos para se trabalhar a igualdade e a equidade de gênero, bem como na divulgação de leis que penalizam àqueles de praticam qualquer tipo de violência contra a mulher.

Começo de conversa
O Projeto Segurança Humana - SH tem como uma de suas missões apoiar propostas direcionadas para a igualdade e equidade racial e de gênero. Assim, neste ano, o projeto se alia às pessoas e organizações que defendem o fim de todo e qualquer tipo de preconceito e discriminação contra a população afrobrasileira e as mulheres. Desde 2008, a comunidade de Itaquera organizada por meio de um grupo de representantes de organizações governamentais e não-governamentais, associações e pessoas da comunidade, chamado Grupo Nuclear, tem se reunido sob a coordenação da ECOS, recebendo formações, trocando saberes, e preparando-se para promover ações que atendam às demandas da comunidade. O Grupo Nuclear do Projeto Segurança Humana vem exercendo o importante papel de protagonizar, debater e realizar eventos e oficinas com uma ênfase especial no enfrentamento de situações de desigualdade de gênero, raça/etnia, geracional e orientação sexual. Neste ano e neste momento, uma de suas propostas é participar e divulgar amplamente a Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher. A meta é divulgar a Lei Maria da Penha com vistas a encorajar as mulheres a romperem o silêncio e o ciclo de violência em que vivem, bem como orientá-las na busca por seus direitos. Para tanto, um dos instrumentos para a Campanha é este boletim, que traz alguns textos e informações importantes sobre a Lei Maria da Penha e locais em que é possível buscar por ajuda. Boa leitura!
Projeto Segurança Humana.

Projeto Segurança Humana – Eixo Comunidade
O Projeto Segurança Humana é uma iniciativa conjunta de quatro agências ONU: a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, o Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF, o Fundo de População das Nações Unidas - UNFPA, e Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS -, em parceria com três secretarias municipais de São Paulo - Educação, Saúde, Assistência e Desenvolvimento Social, com objetivo de reduzir a violência e promover a cultura de paz no distrito de Itaquera, sub-distritos de José Bonifácio, Cidade Líder, Parque do Carmo e Itaquera. Atuando no eixo comunidade, o Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA desenvolve ações de fortalecimento comunitário, na busca de relações igualitárias na sociedade e garantia dos direitos humanos. A ECOS é responsável pela execução desta proposta.

Grupo Nuclear
Associação de Moradores do Conjunto Habitacional Casa Branca; Associação Rede Corrente Viva; Centro de Cidadania da Mulher de Itaquera; Conselho de Segurança Comunitário – Conjunto José Bonifácio; EE Prof. Ruth Cabral Troncarelli; Fala Negão/Fala Mulher; Núcleo de Defesa e Convivência da Mulher Viviane dos Santos – AVIB; Obras Conveniadas Dom Bosco; Portal Dom Bosco; Rede de Prevenção e Enfrentamento da Violência contra a Mulher da Zona Leste; União Brasileira de Guardas Mirins e Conselho de Segurança Comunitário.

Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres
O dia 25 de novembro é considerado o Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres. Busca-se com esta data, estabelecer um marco para o fortalecimento das mulheres para que elas possam quebrar o ciclo da violência que vivenciam tanto na vida privada quanto na vida pública. Neste dia, também, se inicia a Campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher.

Campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher
O período de 25 de novembro a 10 de dezembro foi escolhido, internacionalmente, como foco da Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. No Brasil, entretanto, a Campanha começa no dia 20 de novembro – Dia da Consciência Negra -, para destacar a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras.

Lei nº 11.340 de 7 de agosto de 2006

Mais conhecida como Lei Maria da Penha, esta lei é mais um mecanismo de proteção às mulheres que sofrem de violência doméstica, um reconhecimento pelo governo brasileiro das lutas dos movimentos de mulheres. Em seu artigo 5º, conceitua violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. No quadro a seguir, você encontra a descrição de cada um dos tipos de violência, bem como das consequências que trazem para a vida da mulher:
Tipo de Vilolência segundo a Lei Maria da Penha
Física

Por um mundo sem violência e com direito à autodeterminação das mulheres
Solange Norberto da Silva

CalendáRiO da CaMpanha
20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra 25 de novembro – Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres 01 de dezembro – Dia Mundial de Luta contra a Aids 6 de dezembro – Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres 10 de dezembro - Dia Internacional dos Direitos Humanos
também são formas de violência sexista, perpetrada, ainda que de maneira indireta, também pelos meios de comunicação. Por esta razão, é importante que todos/ as nós participemos das ações da Campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da Violência contra a Mulher e na construção de mecanismos de controle social das concessões públicas de rádio e de televisão, combatendo conteúdos preconceituosos, nos quais a mulher é retratada como mercadoria.

O que é?
É qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal.

Consequências
Dores crônicas, perda de sangue, hematomas, abortamentos, cicatrizes, limitação de movimentos, problemas em algum membro ou órgão e até mesmo a morte. Dores agudas e crônicas; perda de sangue; doenças sexualmente transmissíveis; aids, gravidez; abortamentos de risco; distúrbios sexuais; depressão . Destrói pouco a pouco as defesas da pessoa agredida, que se vê envolvida numa teia difícil de desmanchar. Reduz a autoestima, fragiliza e expõe a pessoa a situações de risco. É também causa de insegurança, ansiedade e depressão.

Sexual

Queremos dar um basta à violência que faz parte do cotidiano da maioria das mulheres em todos os países. A raiz das inúmeras agressões está no machismo que perpassa toda a nossa sociedade. É preciso dar visibilidade às lutas das mulheres contra a violência sexista e racista, a partir da sensibilização da sociedade e da elaboração de demandas aos Estados, além da realização de campanhas de educação popular que apontem para a conscientização desta ação. A violência deve ter tratamento integral, vinculando o seu combate às mudanças estruturais na vida das mulheres e nas relações sociais. Os agressores não podem permanecer impunes. O tráfico de mulheres, o turismo sexual e a prostituição, que atingem principalmente s mulheres negras,

É toda ação na qual uma pessoa por meio da força, ameaças, intimidação e mesmo sedução, obriga outra a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada. É qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões mediante ameaça, constrangimento, humilhação, perseguição, insulto, chantagem, exploração e limitação do direito de ir e vir. É qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. É toda e qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

Psicológica

Patrimonial

Prejuízos financeiros; impedimento de usar bens que a pessoa tem direito como: casa, carro, jóias, móveis e objetos domésticos herdados de familiares ou adquiridos com o seu dinheiro.

Moral

Pode trazer dificuldades no ambiente de trabalho ou na comunidade em que vive. Pode, resultar em danos à saúde física, sexual, reprodutiva e psicológica.

Onde buscar por ajuda
Central de Atendimento à Mulher – por meio do telefone 180 (ligação gratuita). Delegacias de Defesa da Mulher – emitem um Boletim de Ocorrência (BO), investigam e encaminham o inquérito policial para o Ministério Público denunciar ao juiz. Centros de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência ou Centros de Referência da Mulher – oferecem atendimentos psicológico, social e orientação jurídica. Casas Abrigo - acolhem mulheres em situação de violência doméstica e em iminente risco de morte, bem como seus filhos menores. O endereço é mantido em sigilo e o encaminhamento é feito pelos Centros de Referência da Mulher. Na Zona Leste: Casa Viviane dos Santos - tel: 2553 2424; Casa Cidinha Kopcak - tel: 2015 4195; Casa Ser Dorinha - tel: 2555 7090 / 2555 0638 - CCM Itaquera - tel: 2073 5706 / 2073 4863.