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Universidade Estadual de Feira de Santana

Departamento de Saúde
Curso: Odontologia
DANIEL LUAN DA SILA
EWELLYN CARVALHO DOS SANTOS
KAROLINA PEREIA LOBO
THAMIRES PASSOS RIOS

CUIDADOS EM SAÚDE BUCAL AO PACIENTE CARDIOPATA PEDIÁTRICO

Feira de Santana, Ba.


2018
INTRODUÇÃO
É perceptível que as condições de saúde bucal de crianças cardiopatas
seja uma grande preocupação devido à precariedade em termos de orientação e
higiene bucal que deveriam ser realizadas pelos seus acompanhantes. Apesar de
não podermos acabar com este risco devido aos fatores predisponentes da cárie
e doença periodontal, principais disseminadores de infecções através da
cavidade oral.
Fatores predisponentes da cárie e
doença periodontal.
Falta da higienização oral corretamente.

Consumo de alimentos e bebidas contendo açucares e carboidratos.

Medicamentos com sacarose, usados para controle de algumas doenças.


 Portanto é de fundamental importância que os profissionais de saúde estejam
focados não só na doença sistêmica em si mais também na prevenção de
possíveis alterações que possam vim a ocorrer devido a esta interação com a
saúde bucal.
Papel do cirurgião dentista.
Avaliar as condições de saúde bucal destes pacientes.

Exame Exame
Anamnese
Físico Clinico
Existem alguns comprometimentos cardiovasculares que são mais comuns
em crianças.

◦ Tetralogia de Fallot (TF),


◦ Comunicação inter-ventricular (CIV),
◦ Comunicação inter-atrial (CIA)
◦ Persistência do Canal Arterial (PCA)
◦ Estenose Pulmonar (EP).
Devido ao comprometimento cardiovascular destes pacientes devemos
acrescentar a eles o risco a endocardite bacteriana sendo esta uma infecção
severa que ocorre nos tecidos endoteliais, vindas das mais variadas condições
clínicas do paciente, como febres reumáticas, lesões valvares e uso de próteses
nas válvulas.
Não só a falta de higiene oral, mas também temos os procedimentos
odontológicos como uma das principais causas das infecções bacterianas transitórias.

Escovação Gengivectomias Profilaxias

Raspagem
gengival. Exodontias

Com isso devemos saber a importância da profilaxia antibiótica antes de qualquer


procedimento.
Objetivo:
O presente artigo tem como objetivo através de uma revisão
de literatura apresentar os principais cuidados medidas preventivas
em termos de tratamento e orientação em higiene bucal para
pacientes cardiopatas podendo assim assimilar as condições de
saúde sistêmica do mesmo.
DESENVOLVIMENTO
Paciente cardiopata como paciente especial
• Pacientes que possuem deficiências (físicas, mentais, sensoriais, de desenvolvimento, comportamentais,
emocionais, déficit de cognição) e condições limitadas que requer gerenciamento médico, intervenção em
cuidados de saúde e / ou uso de serviços especializados ou programas.

• A condição pode ser congênita, de desenvolvimento ou adquirido através de doenças, trauma ou causa
ambiental e pode impor limitações na realização de atividades diárias.

• Os cuidados de saúde para pessoas com necessidades especiais requerem serviços especializados,
conhecimento, bem como maior conscientização e atenção, adaptação e medidas acomodativas além do que
são consideradas de rotina.

(AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRIC DENTISTRY, 2016)


Situações médicas com manifestações bucais

• Enfermidades hematológicas e oncológicas

• Pacientes com imunidade comprometida (ex.: leucemia ou outras neoplasias, paciente


soro-positivo para o vírus da imunodeficiência adquirida)

• Condições cardíacas associadas com o risco de endocardite *

(US DEPT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES, 2000)


• Estudos mostram que entre as crianças e adolescentes, as cardiopatias
congênitas são quase 96% dos casos, enquanto que as adquiridas
apresentam apenas 4%. (SOUSA, 2017)
Risco da Endocardite Bacteriana
• Com a saúde bucal comprometida e a presença de focos infecciosos na cavidade bucal,
como cárie e doença periodontal, bactérias migram para a corrente sanguínea,
caracterizando a bacteremia.

• Agentes infecciosos podem invadir superfícies endocárdicas, causando a Endocardite


Infecciosa, que produz inflamação e danos que envolvem, geralmente, as válvulas cardíacas.

(PALLASCH, 1989; KUYVENHOVEN et al. 1994)


Profilaxia antibiótica?
• Em qualquer procedimento odontológico com risco em pacientes com comprometimento
cardiovascular e sangramento deve ser avaliada a necessidade de profilaxia com antibióticos em
pacientes suscetíveis ao desenvolvimento de endocardite bacteriana. (TEIXEIRA et al. 2008)

• Tem sido recomendando uso mais restrito de antibióticos


• As bacteremias estão mais associadas a atividades cotidianas, como a escovação regular dos dentes
• Efeitos adversos do uso de antibióticos, que poderiam exceder os benefícios. (HAAG et al., 2011)
• A manutenção de um perfeito estado de saúde bucal seria uma estratégia muito mais
importante do que o uso de antibiótico profilático antes de determinados procedimentos.

(BRANDÃO, 1995)
Fatores de risco para as doenças bucais

◦ Vômitos frequentes
◦ Falta de higiene
◦ Xerostomia
◦ Baixa prioridade dada a saúde bucal
◦ Hábitos dietéticos inadequados
Condições de saúde bucal
• Crianças com doenças cardíacas congênitas apresentavam maiores índices de acúmulo de biofilme
dental e significantemente maior experiência de cárie, quando comparadas a pacientes infantis
clinicamente saudáveis. BERGER (1978) e HALLET, RADFORD e SEOW (1992).
• Crianças avaliadas que apresentaram risco de desenvolverem endocardite infecciosa, a
grande maioria, apresentava biofilme dental espesso (98%) e sangramento gengival (99%).

• Experiência de cárie observada nesse estudo foi elevada.

• Esses autores também observaram que o conhecimento dos responsáveis por essas crianças
quanto à relação entre saúde bucal e o risco de desenvolvimento de endocardite infecciosa
também era limitado.

DA SILVA et al. (2002)


“Ao se tratar um paciente com comprometimento cardiovascular, o profissional da odontologia
deve estar ciente de que será um tratamento em conjunto com o seu médico, que esse deverá
detalhar a história da doença de seu paciente, bem como dar as orientações para um melhor
tratamento, livre de riscos ou com risco reduzido. “

(SINGH et al., 2005)


 Estes pacientes apresentam dificuldades nutricionais, funcionais e de
desenvolvimento

 Atenção especial devido aos riscos relacionados as intervenções visando a saúde


bucal.

 Visitas regulares ao dentista

A melhoria da saúde bucal neste público infantil é uma


prioridade para a qual devem ser desenvolvidas
estratégias.
 O cirurgião dentista deve ser treinado com conhecimento atualizado das doenças
que afetam o paciente, bem como seu manejo odontológico.
 Deve conhecer a etiopatologia da doença, tratamento, interações farmacológicas,
possíveis complicações e de abordagem dental
 A orientação profissional sobre os métodos de higiene bucal é necessária;
 Deve ser feita de forma efetiva;
 Esta orientação deve ser direcionada para as crianças e seus responsáveis.

A cooperação destes é necessária para o sucesso do


tratamento adotado, isso porque o paciente e sua família
devem ser incluídos como parte da equipe, tornando-se
corresponsáveis para o sucesso do tratamento.
(BASILIO et al., 2004)
Conclusão
A motivação e a manutenção da boa condição de higiene bucal é essencial para eficácia do
tratamento. Em relação a esse cuidado a responsabilidade não recai somente ao cirurgião-
dentista. É necessária a interação entre médico – dentista e família. Havendo o
comprometimento de todos, como uma equipe, maiores e eficientes serão os cuidados na
prevenção da saúde bucal dessas crianças.
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