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FACULDADE MAURICIO DE NASSAU

INSTITUTO CAMPINENSE DE ENSINO SUPERIOR

GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
DISCIPLINA: ECONOMIA e GESTÃO
SEMESTRE: 2012.2
CARGA HORÁRIA: 40 HS/ AULA

PROFESSOR: CARLOS AUGUSTO COUTO XAVIER


OBJETIVOS DA AULA

• Apresentar as mudanças demográficas e urbanas do Brasil


nos últimos 60 anos;
• Descrever o impacto dessas mudanças nas políticas
públicas.

2
Importância do estudo da demografia
para a compreensão de problemas
econômicos/sociais
• População  potenciais consumidores.
• População economicamente ativa  potenciais trabalhadores/produtores
(ocupados e desocupados).
• Alterações na composição etária ou na distribuição regional da população
têm importantes implicações sobre o país:
 países de população jovem: preocupação com a construção de creches,
escolas etc;
 países com população adulta/idosa dedicam parte significativa de seus
recursos à previdência social, a atenção geriátrica, problemas
cardiovasculares, etc.

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 3


Brasil: população no início do
século XX
• Em 1900 o Brasil possuía uma população aberta,
especialmente pela vinda de europeus.
• As taxas de natalidade e mortalidade eram elevadas,
sendo a primeira superior à segunda.
• A partir da década de 30 há um “fechamento” da
população brasileira.
• A partir dos anos 40 o Brasil passa por uma “transição
demográfica”

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 4


Transição Demográfica
Taxa de natalidade e taxa de mortalidade

Natalidade
B Morta lidade

Anos

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 5


Transição Demográfica
• Transição Demográfica
 Crescimento populacional cresce depois cai
– queda da taxa de mortalidade se faz antes da queda da taxa
de natalidade que ocorre alguns anos depois;
– quando a taxa de mortalidade caiu, mas não a de
natalidade o crescimento populacional é grande (auge anos
50);
– No final as taxas de crescimento populacional são
semelhantes à inicial, mas com indicadores de mortalidade
e natalidade mais baixos

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 6


Transição Demográfica

REDUÇÃO DA MORTALIDADE:
Fatores Institucionais e tecnológicos:
• O impulso dado ao sistema de saúde pública;
• Previdência social;
• Infraestrutura urbana;
• Regulamentação do trabalho nas principais regiões do País,
a partir dos anos 30;
• Avanços da indústria químico-farmacêutica.

7
Demografia Brasileira:
Tendências atuais

 O Brasil é um dos países mais populosos do mundo com


190 milhões de pessoas;
 Década 60/70 - sentimento de risco de explosão
demográfica
 Hoje: Risco afastado: diminuição das taxas de crescimento
populacional

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 8


Evolução da população brasileira (1950-2010)
200,000,000

180,000,000

160,000,000

140,000,000

120,000,000

100,000,000 População Total


População Urbana
80,000,000
População Rural
60,000,000

40,000,000

20,000,000

Fonte: Censo Demográfico – Banco Sidra/IBGE


Evolução da população brasileira (1950 -
2010) – Em variação percentual
90.00%
84.360%
80.00% 81.230%
75.470%
70.00%
67.700%
63.840%
60.00%
54.920% 55.980%
50.00%
45.080% 44.020%
40.00% População Urbana
36.160% População Rural
32.300%
30.00%
24.530%
20.00% 18.770%
15.640%
10.00%

.00%

Fonte: Censo Demográfico – Banco Sidra/IBGE


Evolução da população brasileira (1970-
2010) por gênero
200,000,000

180,000,000

160,000,000

140,000,000

120,000,000

100,000,000 População Total


População Masculina
80,000,000
População Feminina
60,000,000

40,000,000

20,000,000

Fonte: Censo Demográfico – Banco Sidra/IBGE


Distribuição da população brasileira
(1970-2010) por gênero
51.500%
51.030%
51.00% 50.790%
50.630%
50.500% 50.300%
50.260%

50.00%
49.740% 49.700%

49.500% 49.370%
49.210% Homens
48.970%
Mulheres
49.00%

48.500%

48.00%

47.500%
1905ral

1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral

1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral
1905ral

1905ral
1905ral
Fonte: Censo Demográfico – Banco Sidra/IBGE
População feminina no Brasil está
superando a masculina, as mulheres
brasileira vivem mais que os homens
e em determinadas regiões esta
diferença é acentuada.
A razão é a elevada incidência de morte
externa ou violenta (especialmente
homicídios) em homens jovens nos
centros urbanos

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 13


Taxas de Crescimento Populacional -
Brasil e Regiões

TAXA MÉDIA ANUAL DE CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO RESIDENTE. Brasil e Regiões:


1900/1920 1920/1940 1940/1950 1960/1970 1970/1980 1980/1991 1991/2000
Brasil 2,86 1,5 2,39 2,89 2,48 1,93 1,63
Norte 3,7 0,08 2,29 3,47 5,02 3,85* 2,9*
Nordeste 2,58 1,26 2,27 2,4 2,16 1,83 1,3
Sudeste 2,82 1,49 2,14 2,67 2,64 1,77 1,6
Sul 3,45 2,45 3,25 3,45 1,44 1,38 1,4
Centro Oeste 3,61 2,56 3,41 5,6 4,05 3,01 2,4
Fonte: IBGE
* incluindo o Estado de Tocantins

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 14


Migrações internas e Urbanização

• As variações na distribuição populacional entre regiões


– diferenças de taxas de natalidade e mortalidade,
– migrações que ocorreram dentro do país.
• Êxodo Rural: principal fluxo migratório que caracterizou a
economia brasileira.
– estima-se que mais de 40 milhões de pessoas saíram do campo
em direção à cidade entre 1950 e 1990.
– Migração em direção ao Sudeste
– Motivo: industrialização

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 15


Migrações internas
• migração para as fronteiras agrícolas onde novas
terras são incorporadas à produção agropecuária.
– Fronteiras:
 Sul (década 70)
 Centro-Oeste (década 80)
 Hoje: Norte, nas franjas da floresta amazônica.

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 16


Distribuição da População por Regiões (1950 – 2010)

90,000,000

80,000,000

70,000,000

60,000,000

50,000,000 Norte
Nordeste
40,000,000 Sudeste
30,000,000 Sul
Centro-Oeste
20,000,000

10,000,000

Fonte: Censo Demográfico – Banco Sidra/IBGE


1 - Para 1950: População presente; 2 - Para 1960 até 1980: População recenseada; 3 - Para 1991 até 2010: População residente;
Distribuição da População por Regiões (1950 – 2010) – Em
porcentagem.

50.00%

43.409%
45.00% 43.755% 42.675% 43.401% 42.650% 42.630% 42.129%
40.00%
34.601%
35.00%
31.593%
30.341% 29.236%
30.00% 28.908% 28.123% 27.827%
Norte
25.00% Nordeste
Sudeste
20.00% 17.653%
16.751% 15.997% Sul
15.095% 15.054% 14.794% 14.357%
15.00% Centro - Oeste
10.00% 8.317%
6.982% 7.603%
5.586% 7.370%
5.00% 4.127% 4.432% 5.781% 6.406% 6.850%
3.944% 3.773% 4.899%
2.951%
.00%

Fonte: Censo Demográfico – Banco Sidra/IBGE


1 - Para 1950: População presente; 2 - Para 1960 até 1980: População recenseada; 3 - Para 1991 até 2010: População residente;
Metropolização
• Até o final da década de 70 a urbanização se fez em direção às
grandes metrópoles
• No período recente a tendência é de desaceleração da
concentração nos grandes centros urbanos
• Interiorização: crescimento das cidades de médio porte no
Interior do país

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 19


• Fatores relacionados ao crescimento populacional:
– Mortalidade e Natalidade
– Saldo migratório (diferença entre as pessoas que entram e
saem definitivamente da região).

Taxa de crescimento populacional =


Taxa de natalidade – Taxa de mortalidade + Taxa de
migração

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 20


Taxa de mortalidade
• Fatores que afetam a taxa de mortalidade:
a. desenvolvimento da medicina e da saúde pública;
b. condições sócio-econômicas que afetam a nutrição, a
habitação e a educação da população;
c. questões institucionais como regras sanitárias e
legislação trabalhista;
d. aspectos culturais que influem na educação,
alimentação etc.

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 21


Taxa de mortalidade infantil é a quantidade de crianças
falecidas no primeiro ano de vida dentro de um grupo de
1.000 recém-nascidos.

TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL Brasil e Regiões: 1930-1999 (por mil nascidos vivos)
1930/1940 1940/1950 1950/1960 1960/1970 1970/1980 1980 1990 1999
Brasil 158,27 144,73 118,13 116,94 87,88 69,1 49,7 34,6
Norte 168,42 151,7 117,14 111,39 72,31 62,8 53,2 34,1
Nordeste 178,71 176,34 154,54 151,18 121,36 114,6 106,8 53
Sudeste 152,82 132,62 99,97 100,24 74,5 47,4 30 24,4
Sul 127,37 114,31 86,88 87,19 61,8 43,7 26,7 20,7
Centro Oeste 134,81 123,56 102,17 103,9 70,32 47,9 40 24,5
Fonte: IBGE

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 22


Taxa de fecundidade
• A taxa de natalidade (nascimentos/pop.) é muitas vezes
substituída pela taxa de fecundidade que é a relação entre os
nascimentos e o número de mulheres em idade fértil (dos 15 aos
44 anos).
• A fertilidade pode ser afetada por:
– condições socioculturais como religião, valores morais, relações
familiares, regras legais etc.
– aspectos econômicos: custos materiais e de oportunidade.
– conhecimento e acesso aos métodos contraceptivos.

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 23


• Razões do declínio das taxas de fecundidade:
– a entrada da mulher no mercado de trabalho;
– a grande proliferação de métodos contraceptivos.

Evolução das taxas de fecundidade.


Brasil e regiôes (1940 - 1996)
9

0
1940 1950 1960 1970 1980 1990 1996

Fonte: IBGE Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 24


Esperança de Vida ao nascer é a quantidade de anos que
em média vivem as pessoas de uma determinada região

ESPERANÇA DE VIDA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA. Brasil e Regiões:1940-1999


1930/1940 1940/1950 1950/1960 1960/1970 1970/1980 1980 1990 1999
Brasil 42,74 45,9 52,37 52,67 60,08 61,76 65,62 68,4
Norte 40,44 44,26 52,62 54,06 64,17 61,31 67,35 68,2
Nordeste 38,17 38,69 43,51 44,38 51,57 58,71 64,22 65,5
Sudeste 44 48,81 56,96 56,89 63,59 64,54 67,53 69,4
Sul 50,09 53,33 60,34 60,26 66,98 65,34 68,68 70,8
Centro Oeste 48,28 51,03 56,4 55,96 64,7 63,47 67,8 69,1
Fonte: IBGE

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 25


Saldo Migratório

migrações :
• “Forças de expulsão” x “forças de atração”.
• Migrações internas x externas

População aberta - quando o crescimento populacional de um


país é influenciado pela entrada de imigrantes.

População fechada - quando seu crescimento depende apenas


do crescimento vegetativo (diferença entre nascimentos e óbitos).

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 26


Demografia Brasileira: Tendências
atuais

 Como conseqüência destas mudanças na dinâmica


populacional temos:
 O envelhecimento da população brasileira
Mito de Brasil - país jovem está sendo mudado com
muita rapidez

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 27


O envelhecimento populacional

• Proporção de pessoas idosas no total da população brasileira


cresce
• A perspectiva é de queda em termos absolutos do número de
crianças nos próximas anos
• Indicadores:
– índice de envelhecimento relação entre a população com
mais de 65 anos e a população com menos de 15
– razão de dependência é a relação entre os dependentes
(soma da população com menos de 15 anos e com mais de
65 anos) e população em idade ativa (entre 15 e 65 anos de
idade)

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 28


D in â m ic a P o p u la c io n a l

45 R azão de
2020
3 8 ,6 D e p e n d ê n c ia

56 In d íc e d e
2000 e n v e lh e c im e n to
1 7 ,6

6 5 ,4
1991
1 3 ,9

7 3 ,2
1980
1 0 ,5

8 2 ,6
1970
7 ,5

8 3 ,2
1960
6 ,4

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 29


Envelhecimento populacional:
conseqüências

 alívio na demanda por serviços de saúde médico infantil e


por ensino básico
 pressão sobre “geriatria”, sistemas previdenciários etc.
 diminuição da carga sobre ativos.
 Ainda é necessário grande oferta de mão de obra, mas com
taxas decrescentes

Parte I Capítulo 1 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 30


• Referências:
• REGO, José Márcio; MARQUES, Rosa Maria. Economia brasileira. 3ª edição.
São Paulo: Saraiva, 2006.
• GREMAUD, Amaury Patrick. Economia Brasileira Contemporânea, 7a ed.,
São Paulo : atlas, 2009;

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