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OS PLANOS D’OS LUSÍADAS

• Apresentação dos vários dos vários planos d’


Os Lusíadas.

rsn
2006/07
1
• Pode identificar-se a presença de quatro
planos distintos na narrativa de Os
Lusíadas:
Plano da Viagem;
Viagem
Plano da História de Portugal;
Portugal
Plano dos deuses / maravilhoso;
maravilhoso
Plano do Poeta.
Poeta
Plano da Viagem - compreende todos os
momentos da narração relativos à acção
principal, a viagem de Vasco da Gama,
desde a partida de Lisboa até ao
desembarque na ilha de Vénus.
Plano da História de Portugal – consiste
na exposição da História de Portugal, “E
também as memórias gloriosas / Daqueles
Reis que foram dilatando / A Fé, o
Império, e as terras viciosas.”
Os factos históricos anteriores à
viagem são relatados nos discursos de
Vasco da Gama ao rei de Melinde, e de
Paulo da Gama ao Catual.
Os factos históricos posteriores à
viagem são narrados nas profecias de
Júpiter, do Adamastor, da ninfa Sirena e
de Tétis.
Plano dos deuses – plano relativo à
intriga dos deuses pagãos, que começa
com o consílio que inicia a acção do
poema e termina na ilha de Vénus, que
encerra o poema.
Segundo António José Saraiva,
“Formalmente a unidade d’Os Lusíadas é
estabelecida pela intriga dos deuses.
Baco, Júpiter, Neptuno, Vénus estão em
cena desde o início ao fim do poema, o
qual abre com o consílio dos deuses e
termina com a Ilha dos Amores.
(...) Não se trata de mero quadro
externo ou de uma sobreposição, mas da
mola real do poema. (...) As personagens
mitológicas têm uma vida que falta às
personagens históricas: são elas, sim, as
verdadeiras criaturas humanas, que
sentem, se apaixonam , intrigam e fazem
rebuliço.
Através da mitologia, Camões
exprime algumas tendências profundas do
Renascimento: a vitória dos homens
contra os deuses, que personificam os
limites impostos pela tradição à iniciativa
humana; a confiança na capacidade
humana para dominar a natureza; a
concepção da natureza como um ser
vivo.”
Plano do Poeta – plano relacionado com
todas as considerações e reflexões
(normalmente no final dos Cantos) do
poeta sobre os mais diferentes aspectos.
Também designados por excursos,
estes momentos digressivos traduzem
a visão crítica do poeta, conferindo ao
poema uma perspectiva interventiva.
interventiva
O apelo de Camões aos valores
defendidos pelo Renascimento, entre
outros, está bem presente nos excursos.