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Aula 03 -RESENHA - Historia Das Ideias Pedagogicas No Brasil - Dermeval Saviani

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História das ideias pedagógicas no Brasil

DERMEVAL,Saviani. História das idéias pedagógicas no Brasil. 2. ed. rev. e ampl. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 2008. 474 p. (Coleção memória da educação) Seminário: Capítulos I a IV Joaçaba – Santa Catarina – Setembro/2012 Introdução Pela articulação de três níveis de análise (filosofia, teoria e prática) o autor identificou as principais concepções de educação e a partir delas criou a periodização. “... parti de uma classificação das principais concepções de educação e, guiando-me pelo próprio movimento das ideias pedagógicas, construí uma periodização preliminar, distribuindo em oito períodos.” (p.14) “Por ideias pedagógicas entendo as ideias educacionais, não em si mesmas, mas na forma como se encarnam no movimento real da educação.” (p.06) CAPÍTULO I-Colonização e Educação 1500 – Chegada dos portugueses - Brasil entra para a História da “civilização ocidental e cristã”. 1549 – Início da história Educação brasileira. Chegada do 1º governador geral e os primeiros jesuítas → Missão: converter os gentios (doutrinar e ensinar a fé católica). • • • Inserção do Brasil no mundo Ocidental: colonização, a educação e a catequese. Raiz etimológica comum Colonização/Educação/Catequese:

Colonização: Deriva do Verbo latino colo (cultivar; morar; cuidar de; querer bem; proteger; honrar, venerar); Significado para o verbo colo, colui, cultum. Cultivar, morar deram origem a palavra colonização.  “... eu moro, eu ocupo a terra, e, por extensão, eu trabalho, eu cultivo campo. Colônia significa: espaço que se ocupa mas também terra ou povo que se pode trabalhar ou sujeitar. (p.26) Colonização e Educação no Brasil: Portugal: • • • • pioneira na expansão ultramarina; atrasada desenvolvimento capitalista; Séc. XV – país plenamente constituído; Com fronteiras definidas;

Descobrimento e colonização do Brasil. aumento das receitas casas senhoriais. sem constituir refinarias em Portugal. • “. ouro. abrindo mão do protecionismo industrial. comungavam do interesse expansionista.. (p. arquipélagos atlânticos (Ilhas Canárias.29) Explicação objetiva para a expansão ultramarina .(p. Atuou como “Especialista no comércio de intermediação internacional” (carrying trade) → retirava o capital do apoio ao trabalho produtivo do próprio país e o desviava para o estímulo à produção em outros países. 1978)(p.historiador português Vitorino de Magalhães Godinho: Correlação entre duas séries de fatos: 1ª) Carências e necessidades da sociedade portuguesa (Séc. alargamento da área de pesca. domínio de mercados têxteis. Índia e Brasil) (p.• • • Poder centralizado – 1º monarca absoluto da Europa (Dom João II). mão-de-obra. Ex: Monopólio exportação de cana-de-açúcar (séc. especiarias. (Regimento de Dom João III / 1549 / diretrizes a serem seguidas e implantadas na colônia). XVII). Posição geográfica bastante vantajosa.29) A ligação entre essas duas séries resulta: Conquista de praças marroquinas. mais do que isto. como uma força simplesmente aliada. Nobreza e burguesia – embora com objetivos econômicos diversos.31) . não como de fora.(p. XV): cereais.30/31) • Simbiose entre Educação e Catequese: • Emergência da educação como fenômeno de aculturação tinha na Catequese sua idéia-força. Guiné.30) Atraso de Portugal do ponto de vista do desenvolvimento capitalista: • • Contexto mercantil português reduziu-se à exploração colonialista. 1982) • Catequese é “um esforço racionalmente feito para conquistar homens. mas. a catequização cumpriu um papel colonial. • • • • Ocupação e colonização dos arquipélagos atlânticos. estabelecimento de feitorias e formação do império oriental. 2ª) Potencialidades contidas em áreas de ultramar como Marrocos. Descobrimento da Guiné e estabelecimento de feitorias.. Descobrimento do caminho marítimo para a Índia. como uma força realmente integrada a todo o processo” (Paiva. é um esforço feito para acentuar as semelhanças e apagar as diferenças” (Baeta Neves.

mais do que isto. com direitos iguais.• Emergência da educação como fenômeno de aculturação tinha na Catequese sua idéia-força. plantações de culturas de milho e mandioca). a catequização cumpriu um papel colonial.31) Educação colonial no Brasil: Etapas: • • • 1549 – 1599 (Período Heróico) – Desde a chegada dos jesuítas até a promulgação do Ratio Studiorum. Membros: indivíduos livres. 1599 – 1759 (Organização e consolidação da educação jesuítica centrada no Ratio Studiorum). Unidas por laços de sangue. Estrutura sociedade sem classes. existia populações há séculos estabelecidas. 1759 – 1808 (Fase pombalina) – inaugura o segundo período da história das ideias pedagógicas no Brasil. “. A educação também se fazia presente (Tupinambá) A organização social Tupinambá / Educação Cinco grupos para homem e mulher (idade): 1º) Recém-nascidos até começar a andar (sexo masculino até 7-8 anos e sexo feminino até 7 anos). CAPÍTULO II-Uma pedagogia brasílica (1549 . Viviam sobre a base da propriedade comum da terra. (Regimento de Dom João III / 1549 / diretrizes a serem seguidas e implantadas na colônia).1599) A educação indígena: • • • • • • • • • • • • Nas terras chamadas de Brasil. 1978) (p. Coletividades pequenas. Viviam em condições semelhantes ao Comunismo primitivo. 1982) • • Catequese é “um esforço racionalmente feito para conquistar homens. como uma força simplesmente aliada. pesca... Conforme determinada organização social. Economia natural (sem troca) e de subsistência (satisfazer as necessidades restritas do grupo). Apropriação coletiva dos meios necessário à subsistência (caça. . como uma força realmente integrada a todo o processo” (Paiva.33) Correspondiam a comunidades primitivas. coleta de frutos e plantas nativas. não como de fora. é um esforço feito para acentuar as semelhanças e apagar as diferenças” (Baeta Neves. (p. mas.

Envolviam diretamente nas atividades laborais: • Rapazes: expedições guerreiras. Meninas: Auxiliando as famílias em atividades femininas e assimilando na prática as vivências e papéis femininos. participavam das reuniões com os velhos (acesso à memória – novos conhecimentos sobre suas tradições e instituições). Os conhecimentos e as técnicas eram acessíveis a todos (sem monopólio).36) 2º) Meninos dos 8 -15 anos e meninas 7 . da educação dos filhos. plantar.(p. cozinhar. Mulheres: Presidiam o conjunto de tarefas domésticas e exerciam a função de mestras das moças para iniciação na vida feminina. Se prepara para a vida adulta (trabalho). fiar.37) O processo educativo atingia todos os grupos. Meninos: recebiam arco e flecha e formavam grupos para adestrarem-se e realizar outros jogos e imitações. sua mestra (modelo). podendo participar das cerimônias em conjunto com os homens.37) • 5º) Homens e Mulheres dos 40 anos em diante: • • • • • • Homens: poderiam se tornar chefes e líderes guerreiros e chegar a condição de pajés. admitidos nos bandos guerreiros. (p. vinhos. fabricação arcos e flechas.15 anos: • • Meninos: deixavam de depender da mãe e passavam a acompanhar o pai (modelo). oralmente. caça. Mulheres: Assumiam plenamente a condição de adultas. Diferenciação era apenas a divisão sexual do trabalho (colocava as mulheres em desvantagem).40 anos e Mulheres 25 . (p. auxiliar nas reuniões dos velhos. Meninas: passam a depender estreitamente da mãe.25 anos: Participação ativa nas atividades dos adultos (cerimônias de iniciação).• • • Meninos e meninas dependiam estritamente da mãe. pelos contatos da vida cotidiana.37) 4º) Homens dos 25 . A cultura transmitia-se por processos diretos. Aprendem semear.37-38) . tarefas como fiação de algodão e amassando barro no fabrico de utensílios de cerâmica.40 anos: • Homens: passavam a participar plenamente da vida dos adultos. (p. tecer. pesca. (p. etc. Meninas: também formavam grupos para adestrarem-se em jogos. Orientar e transmitir conhecimentos aos mais jovens (exemplos) . fazer farinhas. estendendo-se por toda a vida. Igualdade de participação na vida da sociedade. 3º) Rapazes dos 15 -25 anos e Moças 15 . Ocupavam-se das numerosas atividades domésticas.

caracterizou a ação dos Jesuítas. com o nome de Nossa Sra. Que tiveram que criar formas específicas de intervenção na prática educativa (“pedagogia brasílica”) Destaque missionários. de modo espontâneo e integral” (Ponce. unindo a catequese à instrução. • Em 1581. não havia instituições específicas organizadas tendo em vista atingir os fins da educação. • Outras Ordens Religiosas participaram no processo de colonização do Brasil: os carmelitas. Por isso a educação era espontânea. mais tarde. mercedários. (p. sem apoio e proteção oficial. outra Ordem Religiosa se fixou: os beneditinos. Havia educação e não pedagogia. • • • Usavam a técnica de percorrer as aldeias indígenas em missões volantes. em Salvador. líderes guerreiros (militar) e os pajés (religiosa). O que configurava uma educação integral. * Iniciava: . Numa sociedade sem classes: “os fins da educação coincidem com os interesses comuns do grupo e se realizam igualitariamente em todos os seus membros. Essa forma de sociedade e educação que vieram a se chocar com os conquistadores europeus. SANGENIS (tese de doutorado) se propôs a recuperar a importância dos franciscanos na história da educação brasileira. elaborado por Manuel da Nóbrega. em Olinda. Ou seja. ações modelares). Esta técnica. Das Neves de Olinda. Diferentemente dos Jesuítas que vieram em consequência de determinação do rei de Portugal.2001). Não tinham a instrução como sua meta principal. Uma pedagogia Brasílica 1ª fase da educação jesuítica: “Plano de Instrução”. (p. A força da ação (aprender fazendo) A força do exemplo (adultos/velhos. Operaram de forma dispersa e intermitente.38) A educação se apoiava em três pilares: • • • • • • • A força da tradição (saber puro orientador das ações).39) As ordens religiosas e a educação colonial Primeiros evangelizadores do Brasil: os franciscanos. oratonianos e capuchinhos. 1585: fundada a 1ª custódia do Brasil.• • Posição de destaque no processo educativo: chefes de grupo (social).

marca distinta da contra-reforma. Teoria da Educação. (p. Período heróico – 2ª fase da educação jesuítica – (Fase de prosperidade). organizado pela Companhia de Jesus e consubstanciado no Ratio Studiorum. . moral e intelectual à nova situação. Escola de ler e escrever. Gramática latina – para quem seguisse estudos superiores.47) CAPÍTULO III-A institucionalização da pedagogia jesuítica ou o Ratio Studiorum (1599-1759) Plano de Trabalho Pedagógico: • • 1564: A Coroa Portuguesa institui o Plano de redízima – 10% de todos os impostos são destinados à manutenção dos colégios jesuítas. (p. sua conversão à religião católica e sua conformação disciplinar. Fez-se um agente da ‘civilização pela palavra’. Os autos de Anchieta constituíam alegorias do bem contra o mal – “o mal vem de fora da criatura e pode habitá-la e possuí-la fazendo-a praticar atos-coisas perversos”. Articulação das ideias pedagógicas de Nóbrega: Filosofia da Educação. Para os jesuítas a religião católica era considerada obra de Deus. cuja gramática organizou para dela se servir do trabalho pedagógico realizado na nova terra. Doutrina Cristã.43) • • • O plano foi suplantado pelo “Plano Geral de Estudos”. Principal estratégia do ensino para atrair os gentios → agir sobre as crianças. • • • • As idéias pedagógicas postas em prática por Nóbrega e Anchieta configuraram uma verdadeira pedagogia brasílica: formulada e praticada sob medida para as condições encontradas pelos jesuítas nas ocidentais terras descobertas pelos portugueses. • • • Sua filosofia educacional: tradicional religiosa na versão católica da Contra-Reforma. Prática Pedagógica. enquanto as religiões dos índios e dos negros vindos da África eram obra do demônio. * Culminava: Aprendizado profissional e agrícola.Aprendizagem de Português.43-44) Fins preconizados: a sujeição dos gentios.(p. Anchieta dominou a ‘língua geral’ falada pelos índios do Brasil (idioma Tupi). Opcional: canto orfeônico e música instrumental.

Características: Não seguir um programa estruturado. denúncias ou dilação) Pilares do Modus Parisiensis: • • • Lectio (leitura).50) Modus Parisiensis: Refere ao método adotado na capital da França.49) Antecedentes do Ratio Studiorum Modus Italicus: • • Método utilizado na região da Itália. Passavam de uma a outra disciplina sem qualquer pré-requisito. Prevaleceu na Idade Média até final do século XV. 1586: Foi editada a 1ª versão do Ratio. Implicava a presença de um preceptor. 1509: data referência. Características: Distribuição de alunos em classe. (p. de Paris introduziu a divisão de alunos em classe. Faltava o vigor e a concisão da lei ou do regulamento. em todo o mundo) – O Ratio Studiorum. Disputatio (questões suscitadas pela leitura). Não vincular a assistência dos discípulos a determinada disciplina.50) 1585: elaborada a 1ª versão do Ratio (texto). Os discípulos eram reunidos independente das diferenças de níveis de formação e idades. (p. . prêmios. • • • Não se destinava a ser posta em prática (apreciação e crítica pelas autoridades da Companhia). quando o colégio de Montaigu. (p. Mecanismos de incentivo ao trabalho escolar (castigos corporais. Realização de exercícios. Repetitiones (repetição das lições). Era mais discursiva do que interpretativa.• A Companhia de Jesus inicia a elaboração de um Plano Geral de Estudos (que seria implantado em todos os colégios da Ordem.

nos quatro anos.53) Sentido e êxito do ideário Ratio Studiorum O Plano contido no Ratio era de caráter universalista (adotado indistintamente por todos os jesuítas) e elitista (destinou-se aos filhos dos colonos e excluiu os indígenas).57) Para o padre Leonel Franca (1952) o Ratio. durante um ano. Psicologia. (p.com o objetivo de assegurar a expressão clara e precisa. Gramática Média. desempenhou um papel de grande importância no desenvolvimento da educação moderna. Retórica – uma série – buscava garantir uma expressão poderosa e convincente. (p. em caráter experimental. 1591: nova edição foi enviada aos colégios. (p.  Conteúdo: Gramática – quatro a cinco séries . durante dois anos. Humanidades.56) • • Prosseguia com os ‘estudos superiores’: Curso de Filosofia (três anos): 1º ano: Lógica e Introdução às Ciências. O novo Plano começava com os ‘estudos inferiores’ ou curso de humanidades (atual ensino médio). durante dois anos. Gramática Inferior. Sagrada Escritura. 2º ano: Cosmologia. (p.56) O que de fato se organizou no período colonial foi o Curso de Humanidades (estudos inferiores). . Metafísica e Filosofia Moral. • Os resultado da experiência. prevista para durar três anos. Teologia Moral. Latim e Grego constituíam as disciplinas dominantes. Gramática Superior. 3º ano: Psicologia. Currículo com cinco classes ou disciplinas: Retórica. (em forma de códigos de regras). Dialética – uma série – destinava-se a assegurar a expressão rica e elegante.  No Brasil esses cursos eram limitados à formação de padres catequistas. com duração se seis a sete anos. • Curso de Teologia (quatro anos): Teologia Escolástica. Física e Matemática. Língua Hebraica. deveriam ser enviados a Roma.  1599: Versão definitiva.

duas figuras de destaque no campo intelectual: Gregório de Matos (1623-1696) e Antônio Vieira (1608-1697). igrejas. e possuíam escravos!) Jesuítas gerenciam uma grande empresa moderna e competem com empreendedores seculares em condições vantajosas (isenção de impostos). (p. engenhos.  Os colégios multiplicavam-se rapidamente – 728 casas de ensino em 1750. século XVII.. ambos jesuítas Gregório de Matos lamenta o avanço da “máquina mercante” sobre os privilégios do clero e nobreza. Vieira defende tentando dar-lhes condições de competitividade frente à Inglaterra e à Holanda Vindo da Itália por convite de Vieira.Foi por este código que se pautaram a organização e atividades dos numerosos colégios fundados e dirigidos pela Companhia de Jesus. Leonel Franca considera que o Ratio foi aplicado com êxito inquestionável em todos os lugares. o jesuíta João Antonio Andreoni (1650-1716) – o Antonil – depois de um tempo entra em conflito de ideias com Vieira em relação à escravização dos índios. isso desagrada aos empreendedores Em 1729 as coroas portuguesa e espanhola se unem Em 1750 é celebrado o Tratado de Madri e abolido o Tratado de Tordesilhas dividindo as colônias da América entre Portugal e Espanha . Vieira condenava  Antonil também era favorável às razões do mercantilismo colonial Com a proteção da Coroa e doações particulares.. os jesuítas constroem um imenso patrimônio (colégios. fazendas.57) CAPÍTULO IV - A “máquina mercante” e as metamorfoses na educação Características (históricas): Brasil.

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