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Apostila elaborada pelos professores, monitores e funcionários do Pro Labore

Pro Labore Cursos Jurídicos Reprodução proibida Versão fevereiro/2012

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SUMÁRIO
DIREITO CIVIL ..................................................................................................................................................7 1 2 3 4 5 6 RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................................................................... 7 CONTRATOS .......................................................................................................................................... 9 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES ............................................................................................................ 12 PARTE GERAL ..................................................................................................................................... 14 DIREITO DAS COISAS ........................................................................................................................ 17 FAMÍLIA E SUCESSÕES..................................................................................................................... 20

PROCESSO CIVIL ............................................................................................................................................24 I 1 CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS E PEÇAS PRÁTICO-PROFISSIONAIS ............................................24 TÉCNICAS PARA ELABORAÇÃO DA PETIÇÃO INICIAL ............................................................ 24 1.1 Procedimento ordinário ..................................................................................................................... 26 1.1.1 Ação de indenização .................................................................................................................... 26 1.1.2 Ação de indenização .................................................................................................................... 29 1.1.3 Ação de indenização .................................................................................................................... 33 1.1.4 Ação de indenização .................................................................................................................... 37 1.2 Procedimento sumário....................................................................................................................... 40 1.2.1 Ação de indenização .................................................................................................................... 40 1.2.2 Ação de rescisão contratual cumulada com reparação de danos.................................................. 44 RESPOSTAS DO RÉU e TÉCNICAS PARA ELABORAÇÃO DA CONTESTAÇÃO ...................... 48 2.1 Contestação 1 .................................................................................................................................... 50 2.2 Exceção de incompetência relativa 1 ................................................................................................ 53 2.3 Exceção de impedimento 1 ............................................................................................................... 55 2.4 Exceção de suspeição ........................................................................................................................ 57 2.5 Impugnação ao pedido de justiça gratuita ......................................................................................... 58 2.6 Impugnação ao valor da causa 1 ....................................................................................................... 60 2.7 Reconvenção 1 .................................................................................................................................. 61 RÉPLICA E MEMORIAL(ALEGAÇÕES FINAIS) ............................................................................. 63 3.1 Réplica ou Impugnação à Contestação ............................................................................................. 63 3.2 Alegações Finais (ou Razões Finais) em Memorial. ......................................................................... 67 RECURSOS ........................................................................................................................................... 70 4.1 – PRINCÍPIOS RECURSAIS: .......................................................................................................... 72 4.2 - EFEITOS DOS RECURSOS .......................................................................................................... 73 4.3 – DA REMESSA NECESSÁRIA ..................................................................................................... 73 4.4 – A QUESTÃO DO RECURSO ADESIVO..................................................................................... 73 4.5 - RECURSOS EM ESPÉCIE ........................................................................................................... 74 4.7 Apelação 1......................................................................................................................................... 80 4.8 Apelação 2......................................................................................................................................... 83 4.9 Embargos de declaração 1................................................................................................................. 85 4.10 Agravo de instrumento 1 ................................................................................................................... 86 4.11 Agravo retido 1 ................................................................................................................................. 89 3

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4.12 4.13 5.

Recurso extraordinário ...................................................................................................................... 91 Recurso ordinário constitucional....................................................................................................... 95

EXECUÇÃO .......................................................................................................................................... 98 5.5 Requerimento de cumprimento de sentença ..................................................................................... 98 5.6 Execução por quantia certa contra devedor solvente ...................................................................... 100 5.7 Execução por quantia certa contra a Fazenda Pública .................................................................... 101 5.8 Embargos à execução ou embargos do devedor.............................................................................. 102 5.9 Execução de alimentos (art. 733 do CPC) ...................................................................................... 104 5.10 Execução de alimentos (art. 732 do CPC) ...................................................................................... 106 CAUTELAR ........................................................................................................................................ 108 6.5 Ação cautelar de produção antecipada de provas............................................................................ 108 6.6 Arresto............................................................................................................................................. 111 6.7 Separação de corpos ........................................................................................................................ 113 7.1 7.2 7.3 7.4 PROCEDIMENTOS ESPECIAIS ........................................................................................................ 116 Ação de manutenção da posse......................................................................................................... 116 Arrolamento sumário: herdeiros maiores e sem conflito ................................................................ 118 Ação de alimentos 1 ........................................................................................................................ 122 Ação de divórcio consensual........................................................................................................... 124 QUESTÕES PRÁTICAS ....................................................................................................................131 CONHECIMENTO E RECURSOS ..................................................................................................... 131 1.1 Procedimentos ................................................................................................................................. 131 1.1.1 Exame de Ordem OAB/FGV– 2011.1 ....................................................................................... 131 1.2 Petição inicial .................................................................................................................................. 132 1.2.1 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2006 ........................................................................................ 132 1.3 Citação ............................................................................................................................................ 132 1.3.1 Exame de Ordem OAB/CESPE – 2009.3 .................................................................................. 132 1.4 Contestação ..................................................................................................................................... 133 1.4.1 Exame de Ordem OAB/SP – Janeiro 2007 ................................................................................ 133 1.5 Reconvenção ................................................................................................................................... 133 1.5.1 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2001 ............................................................................... 133 1.6 Impugnação ao valor da causa ........................................................................................................ 134 1.6.1 Exame de Ordem OAB/CESPE – Agosto 2009.3...................................................................... 134 8.1.1 Exame de Ordem OAB/RJ – 23º Exame.................................................................................... 134 1.7 Tutelas específicas e inibitórias ...................................................................................................... 135 1.7.1 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2005 .............................................................................. 135 1.7.2 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2006 ......................................................................... 135 1.7.3 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2006 ........................................................................................ 136 1.7.4 Exame de Ordem OAB/FGV - 2010.3 ....................................................................................... 137 1.8 Ação rescisória ................................................................................................................................ 138 1.8.1 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2001 ............................................................................... 138 1.8.2 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2009 .............................................................................. 138 1.9 Recursos .......................................................................................................................................... 139 1.9.1 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2000 ............................................................................... 139 1.9.2 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2000 ......................................................................... 139 4

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VIII. PARECER ............................................................................................................................................ 128 II 1

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1.9.3 1.9.4 1.9.5 1.9.6 1.9.7 1.9.8 1.9.9 1.9.10 1.9.11 1.9.12 1.9.13 1.9.14

Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2000 ......................................................................... 139 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2001 ......................................................................... 140 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2002 ............................................................................... 140 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2003 ............................................................................... 141 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2003 ............................................................................... 141 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2005 .............................................................................. 142 Exame de Ordem OAB/PR – 2ª 2005 ........................................................................................ 142 Exame de Ordem OAB/PR – 3ª 2006 ........................................................................................ 143 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2007 .............................................................................. 143 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2007 ......................................................................... 145 Exame de Ordem OAB/MG – Maio 2009 ................................................................................. 145 Exame de Ordem OAB/CESPE -2010.1 .................................................................................... 145

IX. EXECUÇÃO ........................................................................................................................................ 146 9.1 Exame de Ordem OAB/MG - Março 2000 ..................................................................................... 146 9.2 Exame de Ordem OAB/MG - Março 2000 ..................................................................................... 146 9.3 Exame de Ordem OAB/MG - Dezembro 2000 ............................................................................... 147 9.4 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2001 .................................................................................... 148 9.5 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2002 .................................................................................... 148 9.6 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2004 ................................................................................... 149 9.7 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2004 ............................................................................................. 149 9.8 Exame de Ordem OAB/PR – 3ª 2004 ............................................................................................. 150 9.9 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2005 ............................................................................................. 150 9.10 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2005 .................................................................................... 151 9.11 Exame de Ordem OAB/SP – Agosto 2005 ..................................................................................... 152 9.12 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2006 ............................................................................................. 152 9.13 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2007 .............................................................................. 153 9.14 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2007 .............................................................................. 153 9.15 Exame de Ordem OAB/MG – Maio 2009 ...................................................................................... 153 9.16 Exame de Ordem OAB/CESPE – 2009.3 ....................................................................................... 154 9.17 Exame de Ordem OAB/CESPE – 2010.1 ....................................................................................... 154 9.18 Exame de Ordem OAB/FGV – 2010.2 ........................................................................................... 155 9.19 Exame de Ordem OAB/FGV - 2010.3 ............................................................................................ 156 X. CAUTELAR ........................................................................................................................................ 157 10.1 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2001 .............................................................................. 157 10.2 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2009 ................................................................................... 157 10.3 Exame de Ordem OAB/FGV - 2010.3 ............................................................................................ 157

XI. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS ........................................................................................................ 159 11.1 Consignação em pagamento............................................................................................................ 159 11.1.1 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2004 .............................................................................. 159 11.2 Locação ........................................................................................................................................... 159 11.2.1 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2000 ............................................................................... 159 11.2.2 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2000 ............................................................................... 159 11.2.3 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2000 ......................................................................... 160 11.2.4 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2002 .............................................................................. 160 11.2.5 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2004 ............................................................................... 161 11.2.6 Exame de Ordem OAB/RJ – 24º Exame.................................................................................... 161
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11.2.7 Exame de Ordem OAB/FGV – 2010.2 ...................................................................................... 162 11.3 Ação demolitória ............................................................................................................................. 162 11.3.1 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2000 .............................................................................. 162 11.4 Família ............................................................................................................................................ 163 11.4.1 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2000 .............................................................................. 163 11.5 Sucessão .......................................................................................................................................... 163 11.5.1 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2004 .............................................................................. 163 11.6 Ações Possessórias .......................................................................................................................... 164 11.6.1 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2001 ......................................................................... 164 11.6.2 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2006 ........................................................................................ 164 11.6.3 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2009 .............................................................................. 165 11.7 Mandado de segurança .................................................................................................................... 165 11.7.1 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2004 - adaptada ....................................................................... 165 11.7.2 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2009 .............................................................................. 166 11.8 Ação popular ................................................................................................................................... 166 11.8.1 Exame de Ordem OAB/PR – 2004 ............................................................................................ 166

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DIREITO CIVIL

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RESPONSABILIDADE CIVIL

1. (OAB/MG – Março/2005 - Peça Profissional) Severino José da Silva, brasileiro, maior, solteiro, taxista, domiciliado no município de Belo Horizonte, MG, na rua da Ordem, nº 100, bairro do Exame, CEP 30.000100, é proprietário do veículo/taxi da marca Fiat, modelo Pálio EX, ano 2004/2005, placa XYZ 0303, e devidamente habilitado pelo DETRAN/MG. Percebe uma renda mensal média de R$ 3.000,00 (três mil reais), no exercício de seu trabalho como taxista. No dia 01 de fevereiro de 2005, domingo, às 05:00 h (cinco) horas da manhã, quando saía para mais um dia de trabalho como taxista na cidade de Belo Horizonte/MG e trafegava pela Avenida dos Advogados, sentido bairro-centro, teve seu veículo abalroado pelo veículo particular de placa XXX 2121, marca Audi A6, dirigido por Jerônimo Augusto, brasileiro, maior, solteiro, estudante de belas artes, inabilitado pelo órgão de trânsito para direção de veículos automotores de qualquer natureza, domiciliado no município de São Paulo/SP, na rua do Judiciário, nº 99, bairro da Justiça, CEP 01.001-000, veículo esse de propriedade de seu pai, Cristiano Cebola, brasileiro, maior, empresário, domiciliado no mesmo endereço. No momento do acidente, por volta de 05:15 h. (cinco horas e quinze minutos), o veículo dirigido por Severino encontrava-se parado em observância a um sinal luminoso vermelho existente no cruzamento da Avenida dos Advogados com Rua dos Magistrados, região central de Belo Horizonte/MG, quando então, o veículo dirigido por Jerônimo Augusto, que retornava de um baile de formatura onde houvera ingerido várias doses de whisky e trafegava à velocidade de 120 Km/h, o atingiu, violentamente, na parte traseira do veículo, destruindo-o quase que totalmente. Três frentistas, funcionários do Posto de Gasolina “O Melhor de Minas”, localizado próximo ao local do acidente, de nomes Fábio Júnior, Euller do Vento e Quirino da Massa, todos maiores, presenciaram o ocorrido, tendo os mesmos, inclusive, acionado o serviço médico de urgência, bem como a Polícia Militar, uma vez que Severino, muito ferido e inconsciente, encontrava-se preso junto às ferragens de seu taxi. Lavrado o Boletim de Ocorrência Policial, de nº 125/05, constatou-se, entre outras coisas, que nenhum dos veículos envolvidos no acidente possuía cobertura de seguro de qualquer natureza. Levado a um hospital particular, Severino, que não possuía qualquer espécie de plano ou seguro de saúde, lá permaneceu por quase dois meses, período em que fora submetido a duas cirurgias, tendo recebido alta médica em 03 de abril de 2005, bem como a recomendação, expressa, de que somente após se submeter a trinta dias corridos de fisioterapia, poderia retomar suas atividades laborativas normais. Em razão de todos os fatos, bem como de seus desdobramentos, Severino está tendo que se submeter, por ordem médica, a tratamento psicológico particular duas vezes por semana, o que tem lhe custado R$ 200,00 (duzentos reais) a consulta. Você foi procurado em seu escritório por Severino que procura reaver todos os prejuízos por ele sofridos, tendo lhe entregado a documentação que estava em seu poder (entre outros documentos foram entregues os seguintes: documento do veículo de sua propriedade, comprovante de Imposto de Renda, vários orçamentos e Notas Fiscais emitidas pelo hospital, médicos, psicólogos, fisioterapeutas e oficinas mecânicas). Elabore peça processual cabível à espécie. RESPOSTA: ASPECTOS IMPORTANTES DE DIREITO CIVIL DICA: sempre grifar datas e idades nas provas porque podem nos remeter a situações de prescrição, decadência e incapacidade. 1) A ação não precisa ser nominada, na prática. Mas, na prova, é imprescindível que a ação receba um nome. No caso, a ação será uma “ação de indenização por dano material cumulada com pedido de reparação por dano moral”. 2) Foro competente: artigo 100, parágrafo único, do CPC 3) Rito: sumário, art. 275, II, alínea d, do CPC. 4) Obrigatório o rol de testemunhas e a quesitação para peritos (utilizar o critério dos colchetes)
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5) Nos pedidos: a) indenização por dano material (dano emergente: aquilo que foi gasto pela vítima); b) lucros cessantes (2 meses parado + 30 dias de fisioterapia); c) reparação por dano moral. 6) Fundamentos legais e constitucionais: artigo 402 do CC/02; art. 949 do CC/02; art. 5º, V e X, art. 1º, III, da CF/88; art. 186 do CC/02. 2. (OAB/PR – 1º E.O – 2006 – questão adaptada) João trafegava com seu veículo numa rodovia de mão dupla, mantendo velocidade compatível com via e respeitando a legislação de trânsito. No seu imediato lado direito estava o mar, trinta metros encosta abaixo, em contraste com a margem esquerda da rodovia que tinha altos e densos arbustos. Quando João menos esperava, em meio a uma curva fechada, um animal selvagem de grande porte saltou do meio dos arbustos e cruzou sua frente. João conseguiu desviar do animal, mas a sua manobra o levou à contramão da via e, por conseguinte, a abalroar um veículo que trafegava normalmente no sentido contrário. Tratava-se do veículo de Marcelo, que não era visível por João quando desviou do animal, vez que transitava em uma curva fechada. Não houve vítimas no acidente, mas o veículo de Marcelo sofreu danos que o deixaram sem condições de tráfego. Pergunta-se: a) Há conduta ilícita por parte de João? b) Quais os fundamentos jurídicos para uma possível reparação de danos de Marcelo? RESPOSTA: a) Não há conduta ilícita por parte de João. Sua conduta foi lícita porque ele atuou sob o manto de uma excludente de ilicitude que é o estado de necessidade (art. 188, II, CC/02). b) Em que pese a conduta lícita de João, que agiu em estado de necessidade, Marcelo poderá pleitear reparação de danos cujo fundamento jurídico será o artigo 929 do CC/02. 3. (OAB/MG – Agosto/2006) Tommaso, ao fugir de assalto em sinal de trânsito, atropela Federico que acaba falecendo. Tommaso foi absolvido da ação penal por ter agido em estado de necessidade. Federico deixou dois filhos menores, Gianluca e Matteo, que dele dependiam para prover-lhes o sustento. Como Tommaso possui boa condição financeira, pergunta-se se Gianluca e Matteo poderiam ajuizar ação indenizatória cível contra ele pleiteando alimentos. RESPOSTA: A conduta de Tommaso foi lícita porque ele agiu em estado de necessidade. Todavia, embora sua conduta tenha sido lícita, os filhos de Federico poderão pleitear a ação indenização, além de pedir alimentos, com fincas no artigo 929 do CC/02.

4. (OAB/SP – 129º Exame de Ordem – Maio 2006) Para desviar de uma criança que atravessa inopinadamente a rua, no semáforo vermelho, e fora da faixa de pedestres, Fernando, que trafegava prudentemente por uma rua de São Paulo, é obrigado a lançar seu automóvel em cima da papelaria de Pedro, quebrando toda a vitrine, e causando um prejuízo de 4 mil reais. A criança não foi atingida e saiu correndo depois do acidente, não sendo mais encontrada por Fernando nem por Pedro. Nesse caso, a lei concede a Pedro o direito de receber indenização? Justifique. RESPOSTA: Embora a atuação de Fernando seja lícita, uma vez que agiu em estado de necessidade, nos termos do inciso II, do artigo 188 do CC/02, a lei autoriza que Pedro exija indenização de Fernando, com base no artigo 929 do CC/02. 5. (OAB/SP – 130º Exame de Ordem – Agosto 2006) Por conta de um levíssimo descuido na direção do seu veículo, Marcos causou um dano material de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a Roberto. Como advogado de Marcos, qual seria a tese jurídica mais apropriada a fim de reduzir o montante da indenização? RESPOSTA: A tese jurídica mais apropriada a fim de se reduzir o montante da indenização consiste na relativização do princípio da reparação integral dos danos, prevista no parágrafo único, do artigo 944 do CC/02, de acordo com o qual, em havendo excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, o valor da indenização.

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6. (OAB/MG – Agosto/2006) Cesare, empresário de sucesso detentor de grande patrimônio foi interditado judicialmente, por ter sido acometido por grave enfermidade mental, que o privou da capacidade de manifestar sua vontade. Vicenzo, irmão de Cesare, é advogado em início de carreira e seus rendimentos mal lhe garantem o sustento. Por ser o único parente vivo de Cesare, foi nomeado seu curador. Em determinado dia, em que Vicenzo levava Cesare ao hospital psiquiátrico para exames de rotina, Cesare foi acometido por um surto agressivo o que fez com que Vicenzo perdesse o controle do veículo de Cesare e causasse um acidente com outros três veículos. De quem será a responsabilidade civil pelo acidente? RESPOSTA: Vicenzo deverá alegar a culpa de terceiro, que é uma excludente do nexo causal, sendo o terceiro culpado seu irmão, Cesare. Todavia, Cesare é incapaz. Nesta hipótese, o curador é responsável pelos atos praticados por seu curatelado, conforme determina o art. 932, II, CC/02. Porém, como o curador, Vicenzo, não tem condições financeiras, a responsabilidade recairá sobre o próprio curatelado, Cesare, nos termos do artigo 928 do CC/02. Trata-se de responsabilidade subsidiária do incapaz. 7. (OAB/FGV/2010.2 – Peça profissional) Em janeiro de 2005, Antonio da Silva Júnior, 7 anos, voltava da escola para casa, caminhando por uma estrada de terra da região rural onde morava, quando foi atingindo pelo coice de um cavalo que estava em um terreno à margem da estrada. O golpe causa sérios danos à saúde do menino, cujo tratamento se revela longo e custoso. Em ação de reparação por danos patrimoniais e morais, movida em janeiro de 2009 contra o proprietário do cavalo, o juiz profere sentença julgando improcedente a demanda, ao argumento de que Walter Costa, proprietário do animal, “empregou o cuidado devido, pois mantinha o cavalo amarrado a uma árvore no terreno, evidenciando-se a ausência de culpa, especialmente em uma zona rural onde é comum a existência de cavalos”. Além disso, o juiz argumenta que já teria ocorrido a prescrição trienal da ação de reparação, quer no que tange aos danos morais, quer no que tange aos danos patrimoniais, já que a lesão ocorreu em 2005 e a ação somente foi proposta em 2009. Como advogado contratado pela mãe da vítima, Isabel da Silva, elabore a peça processual cabível. RESPOSTA: Aspectos relevantes de Direito Civil - Peça: Por se tratar de uma sentença definitiva (art.269,CPC) e por não existir os vícios da omissão; contradição e obscuridade (art.535,CPC), o recurso cabível será uma apelação (art.513,CPC). - Como se tratou de dano causado por um animal é caso de responsabilidade objetiva do dono ou detentor do animal, com fincas no art. 936, CC, sendo manifestação de responsabilidade por fato de coisa. Assim, é indevida a análise de culpa no caso concreto. - A pretensão da vítima Antônio da Silva Júnior não se encontra prescrita, pois não corre prescrição contra os absolutamente incapazes (art. 198, I, CC).

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CONTRATOS

1. (OAB/PR – 2004 – Questão adaptada) Pedro adquiriu do Atelier A.X. (que tem por atividade habitual a comercialização de peças exclusivas) um vaso de porcelana romena, confeccionado pelo falecido artista plástico Nicolae Strauss, para presentear seu primo João, colecionador de obras de arte, pagando pelo presente R$ 40.000,00. O Atelier A.X. comprometeu-se a entregar o vaso pessoalmente a João na data de seu aniversário, comemorado uma semana após a compra. Contudo, no transporte da peça, realizado pelo próprio Atelier A.X., o vaso sofreu um leve arranhão devido ao manuseio negligente da peça. A imperfeição passou desapercebida pelo aniversariante, mas foi rapidamente notada por Pedro, em visita ao primo. Transcorridos aproximadamente 35 dias desde a compra, Pedro, mesmo após diversos contatos com o Atelier, não obteve solução para o problema. Sabendo que, por se tratar de peça exclusiva, não existe possibilidade de substituição do vaso e que Pedro não pretende devolver o vaso ao Atelier, vez que o presente já foi dado a seu primo João, pergunta-se: pode Pedro exigir do Atelier alguma providência visando reparar o prejuízo decorrente do defeito do vaso, com base na legislação em vigor? Justifique e fundamente sua resposta. RESPOSTA: Trata-se de relação de consumo aplicando-se o CDC, portanto. Através do relato do caso, percebe-se a existência de vício do produto ou serviço. A própria questão já excluiu as possibilidades de substituição do produto e rescisão do contrato. Assim, corrido o prazo de 30 dias e, diante da inércia do fornecedor, Pedro poderá exigir abatimento no preço, tudo em conformidade com o disposto no art. 18, §1º, III, CDC.
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2. (OAB/FGV/2011) A arquiteta Veronise comprou um espremedor de frutas da marca Bom Suco no dia 5 de janeiro de 2011. Quarenta dias após Veronise iniciar sua utilização, o produto quebrou. Veronise procurou uma autorizada e foi informada de que o aparelho era fabricado na China e não havia peças de reposição no mercado. No mesmo dia, ela ligou para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa. A orientação foi completamente diferente: o produto deveria ser levado para o conserto. Passados 30 dias da ocasião em que o espremedor foi encaminhado à autorizada, o fabricante informou que ainda não havia recebido a peça para realizar o conserto, mas que ela chegaria em três dias. Como o problema persistiu, o fabricante determinou que a consumidora recebesse um espremedor novo do mesmo modelo. Diante da situação apresentada, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. a) O caso narrado caracteriza a ocorrência de qual instituto jurídico, no que se refere ao defeito apresentado pelo espremedor de frutas? b) Como advogado (a) de Veronise, analise a conduta do fornecedor, indicando se procedeu de maneira correta ao deixar de realizar o reparo por falta de peça e determinar a substituição do produto por um novo espremedor de frutas. Resposta: a) Trata-se de vício do produto disciplinado no CDC, art. 18. b) Inicialmente, deve ser lembrado que por disposição expressa do art. 32 do CDC é dever do fabricante manter peças de reposição no mercado. Ademais, a determinação por parte do fabricante de que a consumidora deva receber um espremedor novo do mesmo modelo é imprópria já que, uma vez decorrido o prazo de 30 dias para que o problema seja solucionado, fica ao alvedrio do consumidor escolher dentre as seguintes opções: substituição do produto, abatimento no preço ou rescisão do contrato com a devolução da quantia paga monetariamente atualizada, tudo isso conforme disposto no art. 18, §1°, CDC. 3. (OAB/SP – 123º Exame de Ordem – 2005) Antônio vai a um leilão de animais em Barretos - SP e adquire, por seu maior lance, um touro reprodutor por R$ 300.000,00, com informação de ser espécime de rara qualidade, o que foi objeto de muita publicidade. Após 3 meses, descobriu Antônio que referido touro havia sofrido intervenção cirúrgica, não aparente, que reduziria a um terço sua capacidade reprodutora (com baixa produção de sêmen). O que poderá alegar Antônio, na defesa de seus direitos? Justifique a resposta, fundamentando-a no Código Civil. RESPOSTA: Não se trata de relação de consumo. Pelo Código Civil, Antônio pode ajuizar a ação redibitoris ou quanti minoris por se tratar de vício oculto (art. 441 do CC). Ele pode pleitear, também, perdas e danos porque o alienante conhecia o vício decorrente de uma intervenção cirúrgica (art. 443, CC). O prazo é de 30 dias da descoberta, por se tratar de bem móvel, não podendo ultrapassar o prazo de 180 dias, conforme disposto no art. 445, §1º, CC. 4. (OAB/PR/2004) Alfredo adquire pela internet, no site de revenda de automóveis 171 Ltda. Um veículo usado, marca ZZZ, modelo XY, ano 1980, de placas AAA-1111. O veículo chega à residência de Alfredo uma semana depois. Após três semanas de uso normal, o veículo apresenta um problema de motor que não permite a sua utilização sem que se realize o seu conserto. Alfredo, exatos 22 dias após o recebimento do automóvel, envia um e-mail à concessionária exigindo a restituição dos valores pagos. A concessionária responde que não restituirá os valores nem realizará o reparo do veículo, já que se tratava de automóvel usado. Diante dos fatos narrados, responda, de modo fundamentado: a) pode Alfredo, desde logo, devolver o veículo e obter a restituição dos valores pagos? b) pode Alfredo exigir o reparo do veículo? C) Qual o prazo para o exercício, se houver, dos eventuais direitos por parte de Alfredo? RESPOSTA: a) Não, Alfredo não pode, desde logo, devolver o veículo e obter a devolução dos valores pagos. Ele deve buscar, inicialmente, que seja sanado o vício com a substituição da parte do motor viciada. Somente na hipótese de não ser o vício sanado em 30 dias é que Alfredo, na qualidade de consumidor, poderá, se quiser, exigir a restituição da quantia paga (art. 18, §1º, CDC). b) Alfredo poderá exigir o reparo do veículo (art. 18, CDC). c) Em se tratando de vício oculto em bem durável, o prazo é de 90 dias, contados da descoberta do vício (art. 26, II c/c §3º do CDC).
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5. (OAB/PR – 2004 – Questão adaptada) Augusto, após consultar um site brasileiro de vendas via internet, comprou, por meio do próprio site, um álbum composto por quatro CDs com a gravação de uma ópera de Verdi, com regência de Karajan, pelo qual pagou a quantia de R$ 200,00. Quinze dias após a solicitação do produto e pagamento do valor estipulado no site, Augusto recebeu seus CDs e, após abrir a embalagem e ouvir os primeiros 10 minutos de ópera, verificou que, embora os CDs funcionassem perfeitamente, tratava-se de gravação de qualidade artística duvidosa, ante a total falta de domínio do estilo barroco por parte do regente e dos cantores que participaram da gravação. Arrependido, Augusto, naquele mesmo dia, remeteu uma mensagem ao site visando à devolução dos CDs. O site sustentou a impossibilidade de devolução do produto após a ruptura do invólucro. Pergunta-se: uma vez contratada a compra de CDs e pago o valor constante da página da Internet, teria Augusto, tomando por base os dispositivos legais vigentes, direito à devolução do produto adquirido e à conseqüente restituição do montante pago? RESPOSTA: Não se aplica o artigo 18 do CDC porque não há vício no produto. A questão versa sobre o direito de arrependimento previsto no artigo 49 do CDC. Embora Augusto tenha se manifestado no prazo de reflexão do artigo 49 (7 dias do recebimento), com o rompimento do invólucro, houve uso do produto. Presume-se, portanto, que este foi aceito configurando o uso como ato incompatível com o arrependimento. (A resposta foi dada com base na doutrina de Cláudia Lima Marques). 6. (OAB/MG – Dezembro/2004) João doou a Pedro um imóvel em Belo Horizonte. Pouco tempo depois, Pedro foi citado em ação, por via da qual Antônio, que alienara a João referido imóvel, buscava reavê-lo sob alegação de nulidade da compra e venda. Caso o pedido nessa ação fosse julgado procedente, teria Pedro direito à indenização contra João pela perda da coisa? Fundamente a resposta. RESPOSTA: Pedro não teria direito à indenização decorrente da evicção. Isso porque a doação é um negócio jurídico gratuito e para que haja indenização pela evicção, é necessário que se trate de negócio jurídico oneroso (artigos 447 e 552, ambos do CC). 7. (OAB/MG – Abril/2006) Maria tomou R$10.000,00 emprestados junto ao Banco XY. O contrato de mútuo exigia que Maria abrisse uma conta no banco mutuante e realizasse um seguro para o caso de inadimplemento. Maria, num primeiro momento, aceitou as imposições do contrato, mas, posteriormente, questionou-as, alegando, em relação ao seguro que não havia lido a cláusula com a devida atenção. O Banco se defendeu. Quem tem razão? Justifique. RESPOSTA: Nos termos da Súmula 297 do STJ, aplica-se o CDC aos contratos bancários e, então, Maria é quem tem razão porque é vedada a “venda casada” de produtos, nos termos do artigo 39, I, do CDC. 8. (OAB/FGV/2.2010) Em março de 2008, Pedro entrou em uma loja de eletrodomésticos e adquiriu, para uso pessoal, um forno de micro-ondas. Ao ligar o forno pela primeira vez, o aparelho explodiu e causou sérios danos à sua integridade fí sica. Desconhecedor de seus direitos, Pedro demorou mais de dois anos para propor ação de reparação contra a fabricante do produto, o que somente ocorreu em junho de 2010. Em sua sentença, o juiz de primeiro grau acolheu o argumento da fabricante, julgando improcedente a demanda com base no art. 26 do Código de Defesa do Consumidor, segundo o qual “o direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: (...) II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.” Afirmou, ademais, que o autor não fez prova do defeito técnico do aparelho. Com base nas normas do Código de Defesa do Consumidor, analise os fundamentos da sentença. RESPOSTA: Com as vênias de estilo, os fundamentos da sentença se apresentam de maneira equivocada. O caso versa sobre um fato de serviço que conforme o art. 27 da Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor) apresenta prazo prescricional de 5 (cinco) anos para a pretensão reparatória. Portanto, não é caso de se aplicar o prazo previsto no art. 26 da referida Lei, pois não se trata de vício do produto. Ademais, é patente a proteção na Lei Consumerista em virtude de disposição expressa do art. 6º, VI. Quanto à ausência de produção probatória aventada pelo douto Julgador, tal fato não se mostra relevante, já que como se trata de uma relação de consumo, Pedro, consumidor final, tem a facilitação da defesa dos seus direitos, inclusive com a possibilidade de inversão do ônus da prova, conforme preceitua o art. 6º, VIII da Lei nº 8.078/90.
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9. (OAB/SP/2004) Antônio comprou o Sítio São José pelo preço de R$ 500.000,00, com área de 22.000 metros quadrados, para nele instalar uma empresa. Antônio fez constar da escritura de aquisição, com a concordância do vendedor Benedito, que essa área é a mínima necessária ao estabelecimento de referida empresa. Realizada a compra e venda, com o registro do título no Registro Imobiliário, Antônio constatou, com perícia, ao cabo de seis meses após esse registro, que a área adquirida só possuía 18.000 metros quadrados, o que inviabilizou, parcialmente, o empreendimento de Antônio, que pretende desfazer o negócio. A pretensão de Antônio procede? Justifique a resposta, aplicando artigos do Código Civil. A pretensão de Antônio procede, pois a venda foi realizada ad mensuram, isto é, em virtude dos exatos 22.000 metros quadrados do sítio. Desse modo, conforme preceitua o caput do art. 500 do CC é lícito a Antônio pleitear a resolução do negócio. Ademais, a medida foi tomada dentro do prazo decadencial de 1 (um) ano contado do registro, de acordo com o art. 501, caput, do CC. 10. (OAB/FGV/2.2010) Marlon, famoso jogador de futebol, é contratado para ser o garoto propaganda da Guaraluz, fabricante de guaraná natural. O contrato de prestação de serviços tem prazo de três anos, fixandose uma remuneração anual de R$ 50.000,00. Contém, além disso, cláusula de exclusividade, que impede Marlon de atuar como garoto propaganda de qualquer concorrente da Guaraluz, e cláusula que esti pula o valor de R$ 10.000,00 para o descumprimento contratual, não prevendo direito a indenização suplementar. Durante o primeiro ano de vigência do contrato, Marlon recebe proposta para se tornar garoto propaganda da Guaratudo, sociedade do mesmo ramo da Guaraluz, que oferece expressamente o “dobro do valor anual pago pela ‘concorrente’”. Marlon aceita a proposta da Guaratudo, descumprindo a cláusula de exclusividade conti da no seu contrato anterior. Pelo descumprimento, Marlon paga à Guaraluz o montante de R$ 10.000,00, estipulado. Como advogado consultado pela Guaraluz, responda: I. se o prejuízo da Guaraluz for superior a R$ 10.000,00, será possível obter, de Marlon, judicialmente, a reparação integral do dano sofrido? II. além do valor pago por Marlon, a Guaraluz tem direito a receber alguma indenização por parte da Guaratudo? RESPOSTA: I. Como no contrato não havia estipulação no sentido de admitir o pleito de indenização suplementar, não poderá a Guaraluz exigir o prejuízo excedente ao valor estipulado a título de cláusula penal, conforme dispõe o parágrafo único do art. 416 do CC. II. A Guaraluz poderá exigir indenização da Guaratudo com base nos parâmetros aventados pelo art. 608 do CC. Ademais, no âmbito principiológico, insta salientar que a atuação da Guaratudo ofende ao princípio da função social dos contratos e, hodiernamente, ao que se denomina de tutela externa do crédito. Desse modo, surge a responsabilização do terceiro que perturba a relação jurídica obrigacional primitiva em virtude do aliciamento a um dos contratantes. Vide Enunciado nº 21 do CJF que apresenta a seguinte redação: “a função social do contrato, prevista no art. 421 do novo Código Civil, constitui cláusula geral, a impor a revisão do princípio da relatividade dos efeitos do contrato em relação a terceiros, implicando a tutela externa do crédito.”

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DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

1. (OAB/PR – 2006 – Questão adaptada) Carlos emprestou ao seu amigo Rodolfo automóvel raríssimo em perfeito estado de conservação, para que o utilizasse no casamento de sua filha. Restou acertado que Rodolfo devolveria o automóvel no dia seguinte do casamento, no mesmo estado em que foi recebido. Porém, terminada a cerimônia, Rodolfo recolhe o automóvel à garagem, localizada no subsolo de sua residência, quando forte tempestade irrompe e a garagem é inundada, causando a perda total do veículo. Pergunta-se; Rodolfo estaria obrigado a devolver o automóvel e/ou indenizar Carlos? A resposta deve ser justificada, inclusive com menção dos dispositivos legais aplicáveis. RESPOSTA: Trata-se de obrigação de restituir. Assim, como a perda se deu sem culpa do devedor, o credor, que é Carlos, sofrerá a perda, nos termos do artigo 238 do CC. Aplica-se a regra do res perit domino.
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2. (OAB/SP – 129º Exame de Ordem – Maio/2006) Carlos, arquiteto, realizou um extenso trabalho de pesquisa, desenhos e viabilidade geográfica para um grupo de cinco amigos que pretendiam comprar um terreno. Ficou acertado em contrato escrito que: “os contratantes deverão pagar ao contratado, a título de honorários, o valor de dez mil reais, trinta dias após a conclusão do serviço”. Passados trinta dias após o serviço prestado, não ocorreu o pagamento, e Carlos deseja agora cobrar toda a quantia de um só cliente, posto ser o mais rico de todos. Os demais amigos não têm meios para arcar com a dívida. Com base em nosso Código Civil, pode Carlos efetuar a cobrança de um só dos devedores? Explique juridicamente. RESPOSTA: Carlos não poderá cobrar a dívida toda de um só dos devedores porque não há solidariedade. Vale lembrar que a solidariedade não se presume, ela apenas decorre da lei ou da vontade das partes (art. 265, CC). Desse modo, a obrigação é fracionária (art. 257, CC) e Carlos só poderá cobrar de cada um dos devedores a sua respectiva cota-parte.

3. (OAB/MG – Abril/2006) João e Manoel, sócios de empreendimento irregular no interior do norte de Minas Gerais, compraram máquina agrícola a prazo da Empresa XX. Durante a execução do contrato, Manoel morreu, deixando dois filhos menores. Um tinha 17 anos, e o outro, 16; ambos empregados em uma empresa, com salários entre $1.000,00 e $2.000,00. O inventário de Manoel já havia sido encerrado. O pagamento das parcelas da máquina era efetuado, um mês por João, o outro por Manoel. No mês em que este deveria realizar o pagamento, a viúva, mãe dos menores, mandou um empregado seu efetuá-lo. Descobriu-se, depois, que o indivíduo que recebera o pagamento, como costumeiro, não era mais representante da credora, e que esta anunciara na primeira página do jornal “Extra” de São Paulo a revogação da representação. A Empresa XX, diante do inadimplemento, decidiu-se por acionar João, cobrando a prestação devida. Este, é óbvio, se defendeu. Quem tem razão? Justifique. RESPOSTA: Como o empreendimento era irregular, a responsabilidade dos sócios (João e Manoel) é ilimitada e solidária, nos termos do art. 990, CC. Os filhos, apesar de menores de idade foram emancipados por força do art. 5º, V, do CC. A questão admite duas respostas desde que sejam justificadas: 1) Se o pagamento foi feito a um credor putativo (o representante da empresa), o pagamento foi válido, nos termos do art. 309, do CC, e a sociedade empresária (credora) deverá se voltar contra o credor putativo. 2) Se o pagamento não foi feito a um credor putativo, incide a regra geral de que “quem paga mal paga duas vezes”, de modo que a sociedade empresária XX poderá se voltar contra João uma vez que ele é devedor solidário.

4. (OAB/MG – Dezembro/2004) “A” é credor de “B” na importância de R$2.000,00. Imagine que “A” ceda seu crédito a “C”. Após a ocorrência da cessão, mas antes de dela ser notificado, “B” realizou pagamento antecipado a “A” em valor de R$1.000,00, dele recebendo quitação. Realizada a notificação de “B” dois dias depois desse adimplemento parcial e vencida a obrigação no mesmo dia da notificação, “C” procurou “B” para dele receber os R$ 2.000,00. Com base nesses dados, pergunta-se: que valor “B” deverá pagar a “C”? Justifique sucintamente. RESPOSTA: Para que a cessão produza efeitos em relação ao devedor, ele deverá ser notificado. Como não houve a notificação imediata do devedor, o pagamento parcial ocorreu validamente. Assim, após a notificação da cessão, “B” deve pagar a “C” apenas R$1.000,00, nos termos do art. 292 do CC. Obs.: Ter havido o pagamento antecipado por parte de “B” não influencia em nada. É que nos termos do art. 133, do CC, o prazo, nos contratos, presume-se em favor do devedor. Significa que se o devedor quiser pagar antecipadamente, ele pode.
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PARTE GERAL

1. (OAB/MG – Agosto/2003) Seu cliente lhe apresenta, para exame, um contrato de locação de imóvel, com prazo de 08 (oito) anos, sendo locadores e proprietários Antônio e Josefa, casados no regime de comunhão universal. O contrato traz tão somente a assinatura do marido, o qual tem apenas 17 anos de idade. O contrato é válido? Fundamentar a resposta. RESPOSTA: Antônio, embora tenha apenas 17 anos, é plenamente capaz porque foi emancipado pelo casamento (art. 5º, p. ú., II, do CC). No caso em tela, não é necessária a vênia conjugal porque o prazo do contrato de locação é inferior a 10 anos (art. 1647 do CC c/c o art. 3º da Lei 8.245/91). Então, o contrato é válido. 2. (OAB/MG – Março/1997) Você é consultado por um pai que, tendo três (03) filhos, todos maiores e capazes, deseja vender seu apartamento para um deles. Qual a orientação que você lhe daria? (Indique o fundamento legal). RESPOSTA: O pai deverá obter autorização dos demais descendentes e de seu cônjuge, se for casado, para alienar o imóvel a um deles, conforme determina o art. 496 do CC. Complemento: E seu o pai vendesse o imóvel sem a autorização dos demais descendentes? O contrato será anulável, no prazo de 2 anos, nos termos do art. 179 do CC. Obs.: A súmula 494 do STF caiu em desuso! Ela dizia que o prazo para anulação da venda era de 20 anos. 3. (OAB/MG – Agosto/1998) Os menores púberes, sendo relativamente capazes, só praticam atos jurídicos válidos se forem assistidos por seus genitores. A afirmativa está correta? Fundamentar. RESPOSTA: Tópicos importantes que deveriam ser mencionados na resposta: - Primeiramente, quando se fala em menor púbere, a questão está se referindo aos maiores de 16 e menores de 18 anos (art. 4º, I, CC). Em regra, eles precisam ser assistidos nos atos que praticarem, com exceção de alguns, como, por exemplo, ser testemunha (art. 228, I, CC), ser mandatário (art. 666, CC), fazer testamento (art. 1860, p. ú., CC), votar (art. 14, CR/88) e ajuizar ação popular (basta ser eleitor). - Se o menor púbere tiver sido emancipado também não será necessária a assistência. As hipóteses de emancipação estão previstas no art. 5º, p.ú. do CC: voluntária ou negocial (inciso I, 1ª parte), judicial (inciso I, 2ª parte), legal pelo casamento, pelo exercício de emprego público efetivo, pela colação de grau em curso de ensino superior e pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que em função deles, o menos com 16 anos completos tenha economia própria (incisos II, III, IV e V). - Vale lembrar, ainda, do art. 180 do CC, em virtude do qual, embora sem assistência, o ato é considerado perfeitamente válido e exigível (teoria do tu quoque). - Assinale-se que, na falta dos genitores, os menores púberes serão assistidos por um tutor. 4. (OAB/PR – 2005 – Questão adaptada) Bernardo, filho de Modestino da Silva, padecia de uma grave doença, cuja cura somente seria possível por meio de um tratamento médico urgente. O Hospital X era o único especializado no tratamento, cujo custo era de, aproximadamente, 20 mil reais. Não tendo recursos para arcar com o custo do tratamento, Modestino não tem outra alternativa senão a de pôr à venda o único imóvel de sua propriedade, situado em Maringá, cujo valor médio de mercado era de 100 mil reais. O único comprador que se apresentou com uma proposta de pagamento imediato – o que era indispensável para Modestino, ante a urgência do tratamento – foi Renan Matos, que, entretanto, ofereceu pelo imóvel apenas o valor de 20 mil reais. Renan não exerce profissionalmente qualquer atividade referente a imóveis, tendo oferecido a proposta a Modestino por antever uma possibilidade de “bom negócio”, uma vez que sabia estar o vendedor necessitando de recursos financeiros para tratamento médico de seu filho. Modestino, precisando arcar com os custos do tratamento médico, aceita a proposta de Renan, vendendo o imóvel por 20 mil reais. O contrato foi celebrado no dia 15 de fevereiro de 2003, atendendo às formalidades legais inerentes à compra e venda de imóveis,
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tendo sido formalizado o registro na circunscrição do Registro de Imóveis competente. O tratamento foi realizado e o filho de Modestino está curado. Hoje, Modestino pretende reaver o imóvel, mediante a restituição ao comprador dos valores pagos. Sabendo que Renan não aceita realizar nenhuma espécie de acordo, responda: a pretensão de Modestino encontra respaldo legal? Por quê? Explique e fundamente completamente sua resposta, analisando os elementos constitutivos do caso em tela, considerando que hoje seja dia 15 de fevereiro de 2006. RESPOSTA: Sim, Modestino pode reclamar a anulação do negócio jurídico com base no estado de perigo sendo que este se configura pela assunção de uma obrigação excessivamente onerosa a fim de se salvar uma vida, seja a vida da própria pessoa que se obriga ou de alguém de sua família ou um terceiro, devendo o juiz, nesta hipótese, avaliar caso a caso (art. 156 c/c art. 171, II, do CC). No caso, pode-se afirmar a existência do estado de perigo porque presente o dolo de aproveitamento de Renan Matos que, ciente da situação aflitiva de Modestino, oferta valor bem inferior ao que sabe valer o imóvel comprado. Ressalte-se que Modestino deve observar o prazo decadencial de 4 anos da celebração do contrato, a que alude o art. 178, II, do CC, para pleitear a anulação do negócio jurídico.

5. (OAB/MG – Agosto/2004) Eleutério Rodrigues possui uma escritura de confissão de dívida da Construtora “More Bem”, com garantia fiduciária de uma de suas diretoras, Maria Esperteza. Ultrapassado o prazo para o adimplemento da dívida, não houve a quitação, o que levou Eleutério Rodrigues a promover ação executiva em face de Maria Esperteza que, antes do despacho da inicial pelo juízo competente, doou todos os seus bens a seus filhos e netos. Como advogado de Eleutério Rodrigues, qual a medida judicial cabível para a defesa dos interesses de seu cliente? RESPOSTA: Caberá o ajuizamento da ação pauliana, também chamada de ação revocatória, em virtude de ter ocorrido fraude contra credores, nos termos do art. 158 do CC, com observância do prazo de 4 anos. Ressaltese não ser o caso de fraude de execução uma vez que o ato de disposição dos bens foi anterior à citação.

6. (OAB/PR – Questão adaptada) Felipe, casado com Sandra pelo regime da comunhão universal de bens, decide se separar. Ocorre que o patrimônio do casal é composto pelo imóvel em que residem além de cinco automóveis. Um deles é utilizado frequentemente por Sandra, e os outros quatro são valiosos veículos esportivos, guardados como verdadeiras jóias na grande garagem do imóvel do casal. Os veículos correspondem a cerca de 70% do patrimônio do casal. Felipe, então, entra em contato com seu irmão Fernando e lhe propõe a celebração de um contrato de compra e venda dos automóveis. Fernando, porém, nada pagaria a Felipe: limitar-se-iam à celebração do contrato, de modo que, quando se consumasse a separação entre Felipe e Sandra, Fernando restituiria os veículos ao irmão. O contrato é celebrado em 01 de abril de 2007, e Fernando assina, desde logo, os recibos de transferência dos automóveis, recibos estes que ficam na posse de Felipe, para que, após a separação, proceda-se o registro administrativo da nova transferência em favor de Felipe. Ocorre que Felipe, imprudente, deixa os recibos de transferência firmados por Fernando no o cofre da casa – do qual supõe que a esposa não teria o segredo. Sandra, já desconfiada dos negócios do marido, descobre o segredo do cofre e encontra os recibos de transferência. Diante dos fatos narrados, responda: A) Qual seria o fundamento de direito material da eventual demanda cabível para que Sandra obtenha a desconstituição do negócio e a restituição dos veículos? B) A hipótese é de nulidade ou anulabilidade? C) Qual o prazo para a eficaz propositura da demanda cabível? RESPOSTA: O fundamento de direito material que Sandra deverá utilizar para desconstituir a venda dos veículos e reavê-los será a existência de um negócio jurídico simulado o qual, conforme o tratamento que lhe foi dado pelo Código Civil de 2002, caracteriza um negócio jurídico nulo que não é suscetível de confirmação e nem convalesce pelo decurso do prazo, nos termos do artigo 169 do CC.
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PRÁTICA CÍVEL

7. (OAB/MG – Dezembro/2006) Sérgio (locador) aluga imóvel urbano a Mário (locatário), sito na Rua dos Atleticanos, nº 100. O contrato teve seu termo final em 1º de julho de 2000, data em que Mário deixa o imóvel, entregando as chaves ao locador, mediante recibo. Ocorre que Mário não realizou o pagamento do aluguel referente ao mês de junho, no valor total de R$ 500,00 (quinhentos reais). O vencimento desse aluguel ocorreu no dia 1ª de julho de 2000. Com base nos dados constantes do enunciado acima, responda: a) Qual é o prazo prescricional aplicável ao caso? b) A pretensão está prescrita? Por quê? c) O que ocorreria, quanto ao prazo prescricional, se Sérgio tivesse, hoje, 14 anos de idade e houvesse celebrado o contrato de locação representado por seus genitores? Justifique plenamente sua resposta, com expressa referência aos artigos do Código Civil que se aplicam ao caso e com a devida subsunção do fato à norma. RESPOSTA: a) A pretensão de Sérgio surgiu no dia 01/07/2000, data em que houve o vencimento do aluguel referente ao mês de junho/2000. Naquela época, vigia para a pretensão em tela o prazo prescricional de 5 anos previsto pelo CC de 1916 (art. 178, §10, IV). Com o advento do Código Civil de 2002, reduziu-se para 3 anos o prazo prescricional relativo a cobrança de aluguéis de prédios urbanos ou rústicos (art. 206, §3º, I). Deve-se aplicar, portanto, a regra de transição, prevista no artigo 2028 do CC/02. No caso em tela, quando da entrada em vigor do CC/02 (11/01/2003), haviam decorridos 2 anos, 6 meses e 10 dias, ou seja, mais da metade do prazo prescricional de 5 anos do CC/16. De acordo com o art. 2028 do CC/02, transcorrido mais da metade do prazo prescricional, serão os da lei anterior quando reduzidos os prazos pelo novo Código. Ou seja, o prazo prescricional aplicável ao caso em questão será de 5 anos. b) A pretensão de Sérgio, aplicando-se o prazo de 5 anos, prescreveu em 01/07/2005, levando-se em consideração a contagem do prazo prescricional a partir do seu vencimento, nos termos do artigo 189 do CC/02. C) Se Sérgio tivesse 14 anos de idade, ele seria absolutamente incapaz (art. 3º, I, CC/02) e contra ele não correria o prazo prescricional, conforme determina o art. 198, I, do CC/02. 8. (OAB/PR – Questão adaptada) Antônio (locador) aluga imóvel urbano a Fausto (locatário), sito na Rua Esmeralda, 456. O contrato teve o seu termo final 01 de abril de 2000, data em que Fausto deixa o imóvel, entregando as chaves ao locador, mediante recibo. Ocorre que Fausto não realizou o pagamento do aluguel referente ao mês de março, no valor de R$ 1000,00. O vencimento desse aluguel ocorreu no dia 01 de abril de 2000. Com base, exclusivamente, nos dados constantes do enunciado acima, até que data poderá Antônio ajuizar demanda visando à cobrança do aluguel em atraso? Trata-se de prazo decadencial ou prescricional? Justifique plenamente a sua resposta. RESPOSTA: a) A pretensão de Antônio surgiu no dia 01/04/2000, data em que houve o vencimento do aluguel referente ao mês de março/2000. Naquela época, vigia para a pretensão em tela o prazo prescricional de 5 anos previsto pelo CC de 1916 (art. 178, §10, IV). Com o advento do atual Código Civil, reduziu-se para 3 anos o prazo prescricional relativo a cobrança de aluguéis de prédios urbanos ou rústicos (art. 206, §3º, I). Deve-se aplicar, portanto, a regra de transição, prevista pelo artigo 2028 do CC/02. No caso em tela, quando da entrada em vigor do CC/02 (11/01/2003), haviam decorridos 2 anos, 9 meses e 10 dias, ou seja, mais da metade do prazo prescricional de 5 anos do CC/16. De acordo com o art. 2028 do CC/02, transcorrido mais da metade do prazo prescricional, serão os da lei anterior quando reduzidos os prazos pelo novo Código. Ou seja, Antônio poderia ajuizar a ação de cobrança até o dia 01/04/2005, por força do art. 2028 do CC/02 b) Trata-se de prazo prescricional porque se busca a satisfação de uma pretensão e não o exercício de um direito potestativo. 9. (OAB/MG – Maio/2009) Paula sofreu ofensa moral em outubro de 1991, e em 2006 ajuizou ação de reparação de danos contra Afonso, que argüiu a prescrição na contestação. Em impugnação, Paula alega não ter havido prescrição, conforme art. 177 do Código Civil de 1916, sendo o prazo de 20 anos. Foi acolhida a prescrição pelo Julgador. Agiu corretamente o Juiz? Fundamente. RESPOSTA: Com as vênias de estilo, não agiu corretamente o Juiz porque, quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 (11/01/2003), já havia decorrido 11 anos e 3 meses, ou seja, mais da metade do prazo prescricional anterior, que era de 20 anos. Assim, aplicando-se a regra do artigo 2028 do CC/02, Paula teria até o mês de outubro de 2011 para ajuizar a ação de reparação de danos contra Afonso.
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PRÁTICA CÍVEL

10. (OAB/SP – 129º Exame de Ordem – Maio/2006) Em julho de 2000, o veículo de João estava estacionado corretamente na margem direita de uma tranquila rua de São Paulo, quando foi abalroado por um caminhão em alta velocidade, cujo motorista estava alcoolizado. Na época estava em vigência o Código Civil de 1916, que estipulava um prazo prescricional de 20 anos para pleitear tal indenização (art. 177 do CC/1916). O Novo Código Civil – que entrou em vigência em 2003 – diminuiu tal prazo para 3 anos (art. 206, §3º, V). Levando-se em conta que João ainda não intentou a competente ação, pergunta-se: Em que ano estará consumada a prescrição da pretensão de João para cobrar tal dívida? RESPOSTA: A prescrição para que João exerça sua pretensão consumar-se-á em janeiro de 2006 e isso porque, quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 (11/01/2003), ainda não havia decorrido mais da metade do prazo prescricional anterior, que era de 20 anos. Assim, nos termos do artigo 2028 do CC/02, deve-se aplicar o novo prazo prescricional de 3 anos, cuja contagem teve início com a entrada em vigor do Código Civil de 2002, de acordo com o Enunciado 50, aprovado na I Jornada de Direito Civil, do Conselho da Justiça Federal, que assim dispõe: “a partir da vigência do novo Código Civil, o prazo prescricional das ações de reparação de danos que não houver atingido a metade do tempo previsto no Código Civil de 1916 fluirá por inteiro, nos termos da nova lei (art. 206).”
11. (OAB/SP – 128º Exame de Ordem – Janeiro/2006) Roberto completará dezoito anos em maio de 2006. Seu pai foi condenado a pagar-lhe alimentos em fevereiro de 1995, mas nunca pagou nem sequer uma parcela. Roberto aciona o seu pai em março de 2006, visando forçar o adimplemento de todas as prestações vencidas. Roberto poderá cobrar todas as parcelas vencidas do seu pai, mesmo tendo em vista o longo tempo transcorrido? Justifique.

RESPOSTA: Sim, Roberto pode buscar o recebimento de todas as prestações, sendo que não corre o prazo prescricional entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar, nos termos do artigo 197, II, co CC.

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DIREITO DAS COISAS

1. (OAB/PR – Questão adaptada) Cândido adquiriu de Armando um apartamento de 400m2 situado no edifico “Melhor dos Mundos”, no valor de R$ 500.000,00. Armando lhe apresentara certidão de matrícula atualizada e formalmente autêntica na qual ele constava como proprietário do imóvel. Constava da matrícula que Armando havia adquirido o bem um ano antes junto a Bernardo. Formalizada a escritura pública de compra e venda e levada a registro, Cândido passou a residir no imóvel juntamente com a sua família no dia 1 de janeiro de 1999. No dia 23 de agosto de 2006, todavia, Cândido foi surpreendido com sua citação para integrar o pólo passivo de ação reivindicatória proposta por Bernardo. Na demanda, Bernardo alega que jamais vendeu o imóvel a Armando. Este, com auxílio de um comparsa e apresentando documentos falsos, falsificou a assinatura de Bernardo em uma escritura de compra e venda, levando-a ao registro. Bernardo pede, assim, o cancelamento dos registros realizados em favor de Armando e de Cândido e a conseqüente restituição do imóvel. Considerando serem verdadeiras as alegações de Bernardo, pergunta-se: a) Que defesa de direito material pode ser apresentada por Cândido para, eficazmente, assegurar seu direito de propriedade sobre o imóvel? B) O que Cândido terá que provar para obter êxito em sua defesa, nos termos do item “a”? RESPOSTA: A) Usucapião ordinária com a posse qualificada pela função social (art. 1242, p.ú., CC e súmula 237, STF). B) Posse mansa e pacífica; animus domini; justo título; boa-fé; prazo de 05 anos; aquisição onerosa; e registro do justo título.
2. (OAB/PR – Questão adaptada) Antônio dos Santos adquiriu um imóvel situado na Rua dos Anzóis, n. 10. O que Antônio não sabia é que estava adquirindo o bem a non domino. Quem lhe vendeu o imóvel: tratava-se de alguém que se utilizou de documentos falsos, fazendo-se passar pelo verdadeiro proprietário (que é o Sr. Bernardo dos Anjos), enganando, desse modo, tanto a Antônio como ao tabelião que lavrou a escritura pública de compra e venda, que foi formalizada no dia 10 de janeiro de 2006 e registrada junto ao Registro de Imóveis no dia 15 de fevereiro do mesmo ano. Imediatamente após a aquisição da área, Antônio iniciou a construção de um edifício, que se conclui em 30 de janeiro de 2007. O terreno na data de hoje, sem a edificação valeria 100 mil reais. A edificação, a seu turno, vale, sozinha, 3 milhões de reais. Antônio somente ficou sabendo que foi vítima de uma fraude na última sexta-feira, quando foi citado para integrar o pólo passivo de uma ação reivindicatória proposta por Bernardo, que visa a retomar o referido imóvel mediante prova da nulidade da venda fraudulenta. Diante dos fatos narrados, e sabendo que Bernardo se recusa a um acordo, responda: como e sob que fundamento(s) poderá Antônio adquirir a legítima propriedade sobre o imóvel? Justifique e fundamente a resposta.
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PRÁTICA CÍVEL

RESPOSTA: A defesa a ser alegada por Antonio, como ele estava de boa-fé, é o instituto da acessão inversa, consubstanciada no disposto pelo parágrafo único, do art. 1.255 do CC, tendo em vista o fato de que o valor da construção que está sendo edificada por ele suplanta, em muito, o valor do próprio terreno, devendo, para tanto, indenizar Bernardo pelo valor do imóvel. 3. (OAB/MG – Dezembro/2004) Peça Profissional Fernando Pessoa, residente e domiciliado em Belo Horizonte, adquiriu de Joaquim Silvério, um lote vago já cercado, situado na cidade de Nova Lima, onde nunca ninguém morou. As medidas do lote, constantes da planta da Prefeitura da cidade de Nova Lima, coincidem com as do respectivo registro imobiliário, como sendo: 200 (duzentos) metros de frente; 300 (trezentos) metros de cada lado (direito e esquerdo); 150 (cento e cinqüenta) metros de fundo. Ao visitar o local, Fernando nota que Manoel Bandeira, vizinho do lote à esquerda, destruiu parte da cerca, e, em seu lugar está construindo um muro entre o seu lote e o dele. Fernando, então, procura um engenheiro agrimensor que, medindo os lotes constata que o muro que está sendo construído por Manoel “rouba” 50 (cinqüenta) metros do lado esquerdo do lote de sua propriedade. O agrimensor constata, ainda, que a construção de Manoel está sendo feita por cima da nascente do rio “Uirapuru” que havia no lote de Fernando, fato esse que é confirmado pelos vizinhos da direita do imóvel, Olavo Bilac, e o dos fundos, Oswald Andrade. Fernando o procura em seu escritório para que intente a ação judicial cabível para a recuperação da área do lote usurpada por Manoel, além do ressarcimento dos prejuízos sofridos. Redija a petição inicial. RESPOSTA: Ação reivindicatória cumulada com pedido de indenização por perdas e danos. Obs.: Se o ajuizamento da ação ocorresse em desfavor de Joaquim Silvério (o alienante), a ação cabível seria imissão na posse.

4. (OAB/MG – Março/2003) Marismar Lima, brasileiro, casado, engenheiro civil, residente e domiciliado em Belo Horizonte, na Rua Campo Belo, nº 45, apart. 103, bairro São Pedro, CPF nº 333.444.555-68, é proprietário de um sítio, com 2.000 m2, situado na Rua das Acácias, nº 45, no Condomínio “Descanso do Guerreiro”, na Comarca de Brumadinho/MG, onde passa os fins de semana com a família. Retornando, no entanto, de férias no exterior, MARISMAR tomou conhecimento de que FELICIANO ROSA, brasileiro, casado, autônomo, CPF no 222.333.444-56, aproveitando-se da sua ausência e, ainda, da falta do caseiro, que se encontrava hospitalizado, invadira o sítio, em 5 de janeiro de 2003, e nele vem construindo uma enorme pocilga. Considerando o exposto, PROPONHA, em favor de MARISMAR LIMA, a competente ação para que este possa urgentemente recuperar o sítio em questão. RESPOSTA: Ação de Reintegração de Posse com pedido liminar (tutela antecipada).

5. (OAB/MG – Março/2002) Sebastião da Silva o procura, relatando ter sido autorizado por Manoel de Oliveira, por meio de uma carta, a residir em um barracão de propriedade deste, informando que mora ali há 21 anos, tendo construído no terreno uma casa, de boa qualidade, na parte da frente do imóvel. Dizendo que Manoel solicitou a desocupação do imóvel, Sebastião pergunta sobre seus direitos. Em sua resposta, dê a ele a orientação adequada, mencionando os dispositivos legais aplicáveis. RESPOSTA: Sebastião não poderá usucapir, pois não tinha posse, mas sim a detenção (art. 1.208, CC). Sebastião perderá a casa em favor de Manoel Oliveira e tão somente terá direito a exigir uma indenização pela casa construída, uma vez que houve emprego de má-fé de ambas as partes (art. 1.256, p.ú., CC).
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PRÁTICA CÍVEL

6. (OAB/MG – Questão adaptada) José invade determinada casa e nela realiza benfeitorias. Pedro, dono do imóvel, ajuíza uma ação possessória e obtém ganho de causa. Após a sentença, ainda na posse do bem, José indaga a seu advogado se poderá reter o imóvel até ser ressarcido pelo valor das benfeitorias. Quais as respostas que o advogado poderá dar ao cliente? Fundamentá-las. RESPOSTA: José somente terá direito à indenização pelas benfeitorias necessárias e não possuirá direito de retenção do imóvel, pois não estava de boa-fé (art. 1.220, CC). 7. (OAB/MG – Questão adaptada) Antônio Cardoso é proprietário de uma fazenda, situada em Betim – MG, onde mantém residência e explora pecuária leiteira, com todas as instalações necessárias (curral, tanques, pastagens, capineiras, etc.), há mais de 18 anos. No dia 20 de fevereiro de 2007, seu imóvel foi invadido violentamente por Joaquim Teixeira, que ali construiu um barraco, no qual está residindo, tendo destruído cercas, causando o desaparecimento de 12 (doze) vacas. Qual a orientação a ser dada a Antônio Cardoso? (com fundamentos e base legal). Considere que estamos em junho de 2007. RESPOSTA: Ação de Reintegração de Posse com pedido liminar (tutela antecipada). 8. (OAB/MG – Questão adaptada - Peça Profissional) JUCA CIPÓ, brasileiro, casado, comerciante, residente na rua Palmares, nº 30, Belo Horizonte, Diretor-Presidente da INDÚSTRIAS CIPÓ LTDA, CGC nº 123.234./0001-89, com sede na Av. Rio Negro, 123 - Contagem, procurou-o (a) em seu escritório, relatandolhe o seguinte: “Doutor (a) , adquirimos pela empresa em 02.02.2004, imóvel situado na estrada MG 10, Km 32, município de Vespasiano/MG. Na ocasião muramos o lote, de 2.000 metros quadrados. A partir daí, iniciamos a construção, por etapas, de uma filial, com estacionamento, um pequeno prédio e um galpão, e no local estávamos, inclusive, estocando o material de construção para a continuação da obra. Acontece que o referido imóvel foi invadido violentamente por inúmeras pessoas desconhecidas, lideradas pelo Sr. JOÃO BAFO DE ONÇA, brasileiro, solteiro, mecânico, em 20.02.2006, e estas se recusam a sair do imóvel. Nunca mais tivemos acesso ao terreno, eis que os indivíduos invasores ali se encontram residindo com familiares. Ademais, eles inutilizaram todo material de construção adquirido, que se encontrava nesta área, no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), conforme nota fiscal anexa”. O que o Sr. (a) pode fazer? Esclarecemos que já fizemos ocorrência policial, mas de nada adiantou. Esclarecemos, ainda, que eles construíram na área vários barracões que precisam ser demolidos, para que a obra continue. Elaborar a petição inicial da ação que você julgar cabível, com a data de 25/03/2006, inventando outros dados necessários à sua propositura. RESPOSTA: Ação de Reintegração de Posse com pedido liminar (tutela antecipada). 9. (OAB/CESPE/Agosto/2009) Maria, proprietária de um imóvel situado à Av. Afonso Pena, nº 15.000, em Belo Horizonte, viajou de férias e ao retornar deparou-se com João residindo em seu apartamento, sem que para tanto houvesse permitido. No dia seguinte ao conhecimento do esbulho, Maria ajuizou ação de reintegração de posse contra João, que ao final do procedimento judicial conseguiu manter-se no imóvel unicamente porque alegou, em contestação não ser Maria a legítima proprietária, em virtude de existir sentença transitada em julgado em desfavor de Maria em ação de anulação de escritura pública de compra e venda. Pergunta-se: a sentença prolatada na ação possessória está correta? Justifique a sua resposta. Resposta: A sentença prolatada na ação possessória não está correta. Isso porque a ação possessória não exige para a procedência do pedido a prova de propriedade, bastando apenas ao autor comprovar a sua posse (art. 927, I, CPC).
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PRÁTICA CÍVEL

10. (OAB/FGV/2011) Valter, solteiro, maior e capaz, proprietário de um apartamento, lavrou, em 2004, escritura pública por meio da qual constituiu usufruto vitalício sobre o referido imóvel em favor de sua irmã, Juliana, solteira, maior e capaz. Em seguida, promoveu a respectiva averbação junto à matrícula do Registro de Imóveis. Em 2005, Juliana celebrou com Samuel contrato escrito de aluguel do apartamento pelo prazo de um ano. Concluído o prazo, Samuel restituiu o imóvel a Juliana, que passou a ocupá-lo desde então. Em janeiro de 2011, Valter veio a falecer sem deixar testamento, sendo único herdeiro seu filho Rafael, solteiro, maior e capaz. Diante disso, Rafael procura Juliana, a fim de que ela desocupe o imóvel. Diante da situação descrita, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. a) Poderia Juliana ter alugado o apartamento a Samuel? b) Está Juliana obrigada a desocupar o imóvel em razão do falecimento de Valter? Resposta: a) Sim, de acordo com o art. 1.393, CC. Isso porque Juliana é usufrutuária do aludido imóvel e, portanto, pode transferir o seu uso temporariamente a terceiros por meio de contrato de aluguel. b) Não, de acordo com o art. 1410, CC. O usufruto permanecerá em favor de Juliana, passando Rafael a ser o nu-proprietário. De acordo com o artigo 1410, I, CC, o falecimento do usufrutuário é que é considerada causa de extinção do usufruto, e não o falecimento do nu-proprietário. 6 FAMÍLIA E SUCESSÕES

1. José e Maria, profissionais autônomos, às vésperas de seu casamento, firmaram um documento particular, perante duas testemunhas, pelo qual optaram pelo regime da comunhão parcial de bens. Casaram-se em 04.12.67. José recebeu de herança, em junho do ano seguinte, um apartamento com cláusula de inalienabilidade que passou a ser a residência do casal (avaliado em R$ 100.000,00). José também recebeu de herança, no ano de 1983, uma fazenda com cláusula de impenhorabilidade (avaliada em R$ 400.000,00). Tiveram filhos e até foram felizes. José faleceu em março de 2003, sem testamento. Pergunta-se: Quanto o “de cujus” deixou para ser inventariado? Justifique e explique sua resposta. Resposta: Pacto antenupcial firmado por documento particular é nulo. Portanto, o regime de bens do casal, considerando o casamento realizado em 1967- antes da Lei do Divórcio (Lei nº 6.515/77) - será o da comunhão universal. Na comunhão universal os bens gravados com a cláusula de inalienabilidade não se comunicam (Súmula 49 do STF e art. 1.911 do CC). Assim, apenas a fazenda irá se comunicar. 2. MP/MS/2008 - De acordo com o CC em vigor, é possível a alterabilidade do regime matrimonial de bens? Se possível, a disposição se aplica ao regime obrigatório de separação de bens imposto pelo atual CC e aos casamentos ocorridos na vigência do CC de 1916? Fundamente, abordando os aspectos relevantes à análise das questões, fazendo referência aos dispositivos legais e eventuais posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais. Resposta: a) SIM, com o advento do Código Civil de 2002, é possível a modificação do regime de bens que deve ser feita judicialmente (procedimento de jurisdição voluntária perante a vara de família), desde que fundamentada e que ambos os cônjuges estejam de acordo, nos termos do §2º, do art. 1639. b) SIM, o STJ e a doutrina permitem a alteração porque se trata de direito patrimonial disponível (§2º, 1639, CCP) e desde que preenchidos os requisitos legais. No caso da adoção obrigatória do regime de separação, desde que cessada a causa que obrigou o regime da separação obrigatória de bens. 3. A partir da Emenda Constitucional nº 66/10, quais são os requisitos para se obter o divórcio no Brasil? Resposta: Autonomia privada. Portanto, hodiernamente, não se discute mais o fato de o marido e/ou a mulher poderem pedir, diretamente, o divórcio, simplesmente fazendo uso da autonomia privada, sem qualquer prazo ou condição. Não se contesta que, agora, o divórcio possa ser concedido sem separação judicial ou extrajudicial e sem separação de fato prévias.
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PRÁTICA CÍVEL

4. (OAB PR, 2/2006) Brás Cubas tinha 74 anos, era solteiro, não tinha filhos, nem outros descendentes ou ascendentes, e expirou em sua bela Chácara de Catumbi às duas horas da tarde de uma sexta-feira (dia 25) do mês de agosto de 2006, deixando um patrimônio de R$ 3000.000,00. Em testamento público, formulado de modo a atender todos os requisitos legais de validade, nomeou como legatário Assis Machado, a quem deixou todos os direitos sobre sua invenção devidamente patenteada, o famoso “emplasto de Brás Cubas”. Brás Cubas deixou um único irmão, Quincas Borbas. Assis Machado, a seu turno é pai de Bento Casmurro Machado. Descobriu-se, porém, que Brás Cubas foi dolosamente envenenado por Assis Machado, o que lhe causou um problema respiratório agudo e sua morte. Pergunta-se a) sob que fundamento seria possível afastar o direito de Assis Machado à sucessão de Brás Cubas? B) Qual o prazo para a propositura da ação cabível? C) Trata-se de prazo prescricional ou decadencial? D) Quem se beneficiará da eventual perda dos direitos sucessórios por parte de Assis Machado: Bento Casmurro Machado, Quincas Borba ou ambos? Por quê? Resposta: a) b) c) d) Exclusão da sucessão por indignidade – art. 1.814 do CC. 4 anos – art. 1815, parágrafo único. Decadencial. Quincas Borbas, pois na sucessão testamentária não se admite representação.

5. (OAB PR 2006) José casou-se com Maria em 20/02/2005, pelo regime da participação final dos aqüestos. José, quando da celebração do casamento, já era proprietário de um bem imóvel. Maria, por sua vez, quando do casamento, já era proprietária de cinco bens imóveis. Durante casamento, em 20/08/2005, nasceram quadrigêmeos Luiz, Luiza, João e Joana, filhos de José e Maria. Em 30/01/2006, José faleceu. Nenhum bem foi adquirido no curso da sociedade conjugal, permanecendo, até o falecimento de José, apenas com os bens que levaram para o matrimônio. Quando do falecimento de José, o bem imóvel de que já era proprietário antes do casamento valia R$ 60.000,00. Quanto aos bens de Maria, seus imóveis valiam R$ 30.000,00, cada um. Pergunta-se: quanto caberá à Maria a título de participação final nos aqüestos? Quais são e quanto caberá a cada herdeiro a título de herança? Resposta: Com a dissolução da sociedade conjugal (art. 1571, CC), o montante dos aquestos será apurado excluindo-se da soma dos patrimônios próprios os patrimônios particulares de cada cônjuge, ou seja, os bens anteriores ao casamento e os sub-rogados em seu lugar; os obtidos por cada cônjuge por herança, legado ou por doação; e as dívidas relativas a esses bens. No caso em questão, os cônjuges nada adquiriram a título oneroso, na constância do casamento, nada havendo, portanto, que partilhar. Desta feita, ao inventário de José caberá R$ 60.000, valor do imóvel de que José já era proprietário antes do casamento. No caso, Maria não é meeira do patrimônio deixado por José (“Se meia, não herda; se não meia, herda”). Então, como Maria não é meeira, ela herdará (art. 1829, I). Como Maria é ascendente dos 4 filhos do falecido, cabe a ela a reserva de ¼ da herança (R$15.000). – art. 1832, CC. Os quatro filhos, então, irão dividir igualmente o patrimônio restante de R$45.000. 6. (OAB AL/BA/CE/PE/PB/PI/SE/RN 2006. Paula e Manoel conviveram em união estável por seis anos e têm dois filhos, Pedro e Tiago, menores impúberes. A convivência do casal terminou com a morte de Manoel, ocorrida em 12/12/2005. Manoel era viúvo e deixou os seguintes bens: - uma casa residencial adquirida onerosamente na constância da convivência com Paula, que servia como residência do casal; um apartamento residencial adquirido em data anterior à convivência com Paula. O de cujus deixou também como herdeira Cláudia, maior e capaz, filha de seu primeiro casamento. A união estável de Manoel e Paula foi reconhecida judicialmente e ele não deixou dívidas a pagar. Como deve ser feita a partilha dos bens do espólio de Manoel? (Elabore plano ou esboço da partilha.) Resposta: Paula terá a meação do imóvel adquirido durante a união estável (art. 1725 do CC) e mais 25% pela concorrência com os filhos do falecido (caput e inciso I do artigo 1.790, do CC/02). Quanto ao imóvel residencial (apartamento) adquirido antes da união, caberá somente aos filhos de Manoel, dividindo-o em quotas iguais para cada um.
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7. (OAB PR 2/2005) Quando Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, percebeu que seu casamento havia se transformado em um tormento monstruoso. Por isso, no dia 12 de dezembro de 2004, deixou o lar conjugal, onde continuaram residindo sua esposa Leni e seus 4 filhos. Ocorre que, em 12 de janeiro de 2005, um mês depois de sua separação de fato, Gregor veio a falecer, deixando quatro filhos, todos havidos durante o casamento: Franz, KaifKa, Frieda e Klamn. Na data do falecimento, o patrimônio deste consistia exclusivamente em: 1) um apartamento na Rua do Castelo, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais)-calculado na data do falecimento- adquirido por meio de contrato de compra e venda em 15 de dezembro de 1999 e; 2) uma grande área de terras na cidade de K, no valor de R$100.000,00 (cem mil reais) – calculado na data do falecimento- adquirido antes do casamento com Leni, ambos os bens registrados em nome de Gregor. Na data do falecimento, não havia qualquer bem adquirido em nome de Leni. Sabendo que Gregor e Leni eram casados pelo regime da comunhão universal de bens, e supondo que o falecido não deixou qualquer dívida e que seu enterro foi pago por meio de seguro-funeral, responda: a) à luz do Código Civil Brasileiro, Leni é herdeira de Gregor Samsa? Por quê? (a fundamentação deverá contemplar expressamente o (s) artigo (s) do Código Civil Brasileiro). B) Calcule o valor do quinhão (em reais) que caberá a cada um dos herdeiros. Resposta: A) Não. Por força do inciso I, artigo 1.829 do CC/02 o cônjuge do falecido não concorre à herança como herdeira se casada no regime de comunhão universal de bens. Assim, cabe a Leni como meeira 50% de todo o patrimônio (artigo 1.667 do CC/02). B) Franz (filho) receberá a quota de R$25.000,00. Kaifka (filho) receberá a quota de R$25.000,00. Freida (filho) receberá a quota de R$25.000,00. Klamn (filho) receberá a quota de R$25.000,00. 8. O Sr. Antônio tinha dois filhos do primeiro matrimônio, João e Marcos, e o patrimônio de R$ 300.000,00, quando aos 75 anos casou-se com Maria, possuidora do patrimônio de R$ 200.000,00. Desse consórcio, nasceram-lhes as filhas Luciana e Fabiana. Falecendo o Sr. Antônio, como será partilhado o seu patrimônio? Explique sua resposta. Resposta: No regime de separação legal bens (obrigatória – já que João contraiu casamento com mais de setenta anos) o cônjuge sobrevivente não concorre com os descendentes do autor da herança (art. 1829, I). Assim, o patrimônio será partilhado em partes iguais para os quatro filhos do Sr. Antônio. 9. (Juiz de Direito/RS) - Falecendo em estado de solteiro, sem testamento, o de cujus, sem ascendentes, sem descendentes, deixou bens. Deixou dois tios vivos, cada um com um filho, além de dois primos, filhos de outro tio pré-morto, mais dois sobrinhos, filhos de um irmão pré-morto. Como será partilhada a herança? Resposta: Os bens serão partilhados entre os dois sobrinhos, pois na classe dos colaterais os parentes mais próximos excluem os mais remotos (Art. 1.840 do CC/02) e, de acordo com o art. 1843 do CC/02, na falta de irmãos, herdarão os filhos destes (sobrinhos) e, não os havendo, os tios. 10. (OAB SP, 128) João viúvo e pai de dois filhos possui um patrimônio avaliado em um milhão de reais. Ao completar 80 anos deseja presentear um de seus filhos com uma casa na praia, cujo valor é de quatrocentos mil reais. Pretende ainda estabelecer que quando de sua morte o valor restante do patrimônio (seiscentos mil reais) seja dividido em partes iguais entre os seus dois filhos. a) Explique se tal procedimento é lícito. b) Caso positivo, qual seria o meio viável para tanto? Resposta:
a) O procedimento é lícito, pois dentro da parte disponível do indivíduo nada impede a doação para quem lhe aprouver, quanto mais para seu próprio filho, ainda que em prejuízo do outro. É uma desigualdade tolerada pela lei.

b) O meio viável para que em caso de morte o restante seja dividido em partes iguais é estabelecer que a doação fique isenta de colação, o que poderia ter sido feito na doação ou no próprio testamento.
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11. (MP/DF 26º) - A, suspeitando ser pai de B, morre deixando testamento pelo qual, sem reconhecer-lhe a paternidade, destina-lhe toda a parte disponível de seus bens, deixando, ainda, C, seu único filho reconhecido. Aberto o inventário, B propõe investigação de paternidade cumulada com petição de herança contra C, pleiteando, como antecipação de tutela, a reserva da parte da legítima que lhe vai tocar caso a investigatória seja julgada procedente. Citado, C contesta negando a paternidade e alegando que a procedência do pedido formulado pelo autor implicaria a nulidade do testamento na medida em que a vontade do testador - que era, suposta e visivelmente, a de aquinhoar o filho natural com a mesma cotaparte de seu filho legítimo - , seria violada uma vez que B passaria a receber metade da legítima e mais toda a parte disponível do testador. Os autos vão ao Ministério Público para parecer.

Resposta: Não há que se falar em rompimento do testamento porque A, quando testou, sabia da existência de filho (herdeiro necessário) e essa diferença no recebimento da herança entre filhos é permitida pela lei porque foi respeitada a legítima – arts. 1846 e 1857, §1º, CC.
12. (MP/MG/2008) Antônio e Maria casaram no regime de separação convencional de bens; tiveram a filha Isabella, que veio a bacharelar-se em Direito na UFMG. Antônio, muito trabalhador, ganhou bom dinheiro, viajando, comprando e vendendo mercadorias. Em uma dessas viagens, conheceu Daniela, residente em Ipatinga, com quem teve os filhos Carolina e Daniel. O Sr. Antônio pagou os estudos desses filhos, durante quatro anos, com despesa mensal, em média, de R$600,00. Certa feita, Antônio comprou uma casa para Carolina e Daniel, no valor de R$80.000,00. A pedido de Maria, Antônio adquiriu o apto. n. 1.201, do Ed. Príncipe de Galles, no valor de R$480.000,00 para sua sogra. Querendo conforto para seus pais, Antônio doou-lhes o apto. 401, da Rua Luz, 32, no valor de R$270.000,00. Submetido a transplante do fígado, não resistiu, vindo Antônio a falecer em dezembro de 2008; seu patrimônio somou R$3.000.000,00, tendo uma dívida com o Banco do Brasil, no valor de R$118.000,00 e outra com o Biocor, no valor de R$42.000,00. Dividir o monte. (não há necessidade de explanações doutrinárias, mas, tão-somente, o valor devido para cada herdeiro).

Resposta: Regime de bens: separação convencional, portanto, o cônjuge sobrevivente irá concorrer com os descendentes (art. 1829, I do CC). Doação para sogra: não precisa colacionar e o valor doado estava na parte disponível. Doação para os pais: idem Doação para os filhos Carolina e Daniel: deverá haver colação da casa no valor de R$80.000,00. Os valores gastos com educação não precisam ser colacionados (despesas ordinárias) – art. 2.010 do CC. Partilha - Caberá a cada herdeiro o seguinte quinhão: Isabella herdará R$730.000,00; Carolina herdará R$690.000,00; Daniel herdará R$690.000,00; Maria herdará R$730.000,00;
13. (OAB/FGV – 2010.2) Lúcio, viúvo, sem herdeiros necessários, fez disposição de última vontade no ano de 2007. Por esse negócio jurídico atribuía à sua sobrinha, Amanda, a propriedade sobre bem imóvel na cidade de Aracajú/SE, gravando-o, contudo, com cláusula de inalienabilidade vitalícia. Em 2009, após o falecimento de seu tio, Amanda aceita e torna-se titular desse direito patrimonial por meio daquela disposição, que foi registrada no ofício do registro de imóveis competente. Ocorre que agora, em 2010, há necessidade de Amanda alienar esse imóvel, tendo em vista ter recebido uma excelente proposta de compra do referido bem. Diante disso, como advogado de Amanda, responda se isso é possível e, em caso positivo, quais as medidas judiciais cabíveis? Justifique e fundamente sua resposta.

Resposta:
É possível, mediante autorização judicial, de acordo com o artigo 1.911, Parágrafo único do CC. Amanda deverá utilizar o processo de sub-rogação e provar a conveniência econômica da alienação. Assim, mediante autorização judicial poderá ser feita a alienação do bem e conseqüente transferência da cláusula de inalienabilidade que grava o imóvel para outro de propriedade da Amanda, ou ainda, para uma caderneta de poupança, que ficará à disposição do Juízo para posterior aquisição de um imóvel, para o qual será transferida a cláusula de inalienabilidade. O novo bem para o qual será transferida a cláusula de inalienabilidade, deverá ter valor igual ou maior que o bem gravado. Amanda deverá utilizar o procedimento de jurisdição voluntária (art. 1.112, II do CPC).
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PROCESSO CIVIL I 1 CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS E PEÇAS PRÁTICO-PROFISSIONAIS TÉCNICAS PARA ELABORAÇÃO DA PETIÇÃO INICIAL

A petição inicial é a peça inaugural do processo. É através desta peça de ingresso que a atividade jurisdicional é provocada no intuito de que o Autor possa ver sua pretensão discutida em juízo. Vale, neste momento, lembrar que a atividade jurisdicional é inerte, conforme inteligência dos artigos 2º e 262, ambos do CPC. Desta forma, ela é a peça hábil a provocar a prestação jurisdicional. A Petição Inicial possui alguns requisitos que estão elencados no Artigo 282 do CPC e também na exigência descrita no Artigo 39, inciso I também do CPC( Indicação de endereço para recebimento da intimação). No mundo prático, o não atendimento aos requerimentos acima poderá ensejar a necessidade de Emenda ou Aditamento à Inicial caso assim entenda o Juiz, ou até mesmo o INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL. Em se tratando de peça prático-profissional de Exame de Ordem, a ausência de requisitos poderá ensejar na significativa perda de pontos na prova, razão pela qual, em se tratando de hipótese de Petição Inicial, atenção especial deve ser dada aos Arts. 282 e 39, I, do CPC. Abaixo um breve roteiro para elaboração de Petições Iniciais: 1º PASSO VERIFICAÇÃO DO JUÍZO COMPETENTE Nesta etapa é necessário que se tenha em mente qual o juízo competente para processar e julgar a demanda. Para isso devem ser observados: a) Qual é a jurisdição competente?(Justiça Estadual, Federal, do Trabalho, etc) ENDEREÇAMENTO b) Qual o grau originário competente? (1º ou 2º instancias (Tribunais), STJ, STF, etc.) ART. 282, I CPC c) Qual o Foro competente (Domicílio do Réu, do Autor, etc,) Ver Arts. 94 do CPC e seguintes. d) Qual Vara competente? (Dica: O enunciado do exame prático-profissional sempre traz informações valiosas para se determinar a Vara onde será encaminhada a demanda. Ex: Varas de Família, Sucessões, Cível, etc.)

2º PASSO INDICAÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA (SE FOR O CASO);

PRÊAMBULO DA INICIAL a) Neste momento é onde as partes devem ser qualificadas, conforme Art. 282, II. b) É necessário, também, e somente quando for o caso, identificar se há distribuição por dependência. Caso positivo, deverá conter a indicação do processo e vara referente ao processo dependente.
c) Após qualificadas as partes é necessário que se identifique a AÇÃO que está sendo proposta. (Ex. Ação de Alimentos, Ação de Cobrança, etc.) Importante, também, quando for o caso indicar se há pedido cumulado e/ou pedido de Antecipação de Tutela.

QUALIFICAÇÃO; ESPECIFICAÇÃO DA AÇÃO. d) Em sede de Exame de Ordem, é imprescindível que se indique, no preâmbulo, a existência de Procuração Outorgada ao Advogado e que se encontra em anexo. Lembre-se: Jamais identifique o “advogado” com número ou nome, ainda que fictícios, a não ser que o enunciado lhe tenha dado tal informação específica. Do contrário, basta indicar a existência do Instrumento de Mandato anexo. 24

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3º PASSO

PROCEDIMENTO 1. Verificar qual o tipo de procedimento mais adequado e que será aplicado ao caso. (Rito Sumário, Ordinário, Procedimentos Especiais, etc.)

PROCEDIMENTO

2. Verificar se o caso é referente a Processo de Conhecimento, Execução, Cautelar ou Procedimentos Especiais. 3. Verificar, ainda, se se trata de procedimento de competência dos Juizados Especiais.

4º PASSO DOS FATOS (ART. 282,III CPC)

NARRATIVA DOS FATOS 1. Realizar a narração dos fatos contidos no enunciado e que sejam necessários ao bom desenrolar da peça inaugural e entendimento da pretensão. Importante: é imprescindível ao candidato que se limite a utilizar informações fornecidas pelo enunciado. 2. Fazer menção à existência de documentos que porventura tenham sido citados no enunciado e que sejam relevantes à narrativa e fundamentação

5º PASSO

FUNDAMENTOS JURÍDICOS - CAUSA DE PEDIR 1. Questões eventualmente polemizadas no enunciado, como por exemplo, legitimidade das partes, ajuizamento sem procuração (Art. 37 CPC) deverão ser tratadas antes mesmo que se adentre na questão meritória.

DOS FUNDAMENTOS

2. Procurar ser o mais organizado possível na construção da fundamentação. Para isso, uma boa dica é a separação em tópicos caso necessário. 3. Trazer toda a argumentação legal pertinente, inclusive a menção das leis que amparam a fundamentação. Importante lembrar que o “Juiz conhece o direito” (jura novit curia), mas uma petição sem causa de pedir é inepta! 4. Se houver pedido de Antecipação dos efeitos da Tutela, abrir um tópico específico para tal identificando os requisitos que são necessários para sua concessão.

Art. 282, III, CPC

6º PASSO

DOS PEDIDOS Para efeitos do exame de ordem é bem avaliado aquele que separa Pedidos e Requerimentos, pois demonstra-se, ainda mais, domínio sobre a matéria em questão. Uma ordem lógica dos requerimentos também deve ser observada: uns aparecem antes dos PEDIDOS e outros, após. OBS: A sugestão abaixo é meramente didática e visa apenas uma ordem lógica de análise de pedidos e requerimentos. 1. Antecipação de Tutela (Deverá ser feito antes mesmo do requerimento de citação do Réu, uma vez que, na maioria dos casos, sua análise ocorre antes mesmo da contestação. “Inaudita altera pars”.

PEDIDOS

Pedir pela PROCEDENCIA dos pedidos de forma a especificar cada um deles. 2. Separar os pedidos um do outro para melhor elucidação e organização da peça. Ex: a) b) c) Pedido A Pedido B Etc.

3. Por derradeiro pedir a condenação em despesas processuais e honorários advocatícios.
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7º PASSO (A)

DOS REQUERIMENTOS 1. Citação do réu (art. 282, VII, do CPC). 2. Provas (art. 282, VI, do CPC). 3. Justiça gratuita. (se couber) 4. Segredo de Justiça. (se couber – v. art. 155)

PEDIDOS

5. Prioridade de tramitação. (se couber – v. art. 1.211-A) 6. Intimação do Ministério Público. (se couber – v. art. 82) 7. Caução/Depósito/ Pagamento. 8. Exibição de documentos. 9. Juntada de procuração ou prazo para juntada nos termos do art. 37 do CPC.

8º PASSO

VALOR DA CAUSA • À causa deverá ser atribuído um valor para os efeitos legais, tudo conforme determinação dos Art. 282, V, do CPC e Art. 259 c/c art. 260, ambos do CPC. Observar parâmetros de valores que eventualmente tenham sido fornecidos pelo enunciado. Se nenhuma informação foi dada neste sentido, deverá ser atribuído o valor da causa compatível com a Ação, e a causa de pedir. É imprescindível que se verifique, também o procedimento que está sendo adotado (ordinário, sumário, Juizado Especiais, etc.) para que não haja qualquer tipo de incompatibilidade.

ATRIBUIR O VALOR DA CAUSA

9º PASSO

ENCERRAMENTO 1. Termos em que Pede deferimento.

ENCERRAMENTO

2. Local e data... 3. Advogado...OAB... 4. Endereço completo para intimação (art. 39, I, CPC)...

1.1 1.1.1

Procedimento ordinário Ação de indenização

(Exame de Ordem 113 OAB/SP - Adaptada): Marcelo celebrou com a Seguradora Forget Ltda., um contrato padrão denominado "Seguro Saúde", pelo qual teria direito à cobertura médico-hospitalar completa em caso de cirurgias de qualquer espécie. Dois anos depois de ter assinado esse contrato, Marcelo teve diagnosticada grave enfermidade renal, para a qual o transplante era a única solução. Tão logo surgiu um órgão compatível, Marcelo foi internado e submetido, imediatamente, ao transplante renal, cujo resultado foi coroado de êxito. A seguradora, no entanto, negou-se ao reembolso das despesas médico-hospitalares, sustentando que a doença de Marcelo era preexistente à assinatura do contrato e que fora por ele omitida quando da contratação. Em vista da repercussão do ocorrido, a seguradora relatou o fato no caderno mensal da instituição ("Forget Informa"), o qual é distribuído gratuitamente para todos os seus clientes, citando os nomes e os casos de vários segurados, inclusive o de Marcelo, que, supostamente, estariam agindo em fraude e prejudicando todos aqueles que "agiam de boa-fé e não se valiam de meios escusos para o custeio de suas despesas médico-hospitalares".
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QUESTÃO: Sabendo-se que Marcelo é domiciliado em Campinas/SP, que a Seguradora tem sede em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e filial em São Paulo, onde foi celebrado o contrato, e que o hospital onde foi realizada a cirurgia está localizado em Jundiaí; sabendo-se, mais, que as despesas de Marcelo com a cirurgia, incluídos os gastos hospitalares e os honorários médicos, montam a R$ 45.000,00, proponha, como seu advogado, a ação cabível.

EXCELENTÍSSIMO JUIZ DE DIREITO DA ____VARA CÍVEL DA COMARCA DE CAMPINAS SP

<10 LINHAS>

MARCELO..., nacionalidade..., profissão..., estado civil..., RG..., CPF..., residente e domiciliado à rua ..., Campinas/SP, por seu advogado, conforme instrumento de mandato em anexo, vem, respeitosamente, perante V.Exa., propor AÇÃO DE COBRANÇA CUMULADA COM REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS, pelo rito ordinário, em face da SEGURADORA FORGET LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ..., com filial na Rua..., nº ..., Bairro..., CEP..., São Paulo/SP, pelas razões de fato e de direito que passa a expor:

I – DOS FATOS O autor firmou contrato de seguro com a empresa ré, denominado “Seguro Saúde”, que, além de outros benefícios, dava o direito ao contratante de cobertura médico-hospitalares completa nos casos de necessidade de cirurgia, fossem de qualquer espécie (contrato em anexo). Transcorridos dois anos da assinatura e início de vigência do referido contrato, o autor teve de se submeter a uma intervenção cirúrgica, por conta de enfermidade renal grave nele diagnosticada, o que se deu após o surgimento de um órgão compatível, sendo providenciada imediatamente a operação (relatório médico em anexo). Após a conclusão da cirurgia, com sucesso, a empresa ré, entendendo que a doença era preexistente à época do início da vigência do contrato de seguro, se negou a reembolsá-lo quanto às despesas decorrentes da operação, que somaram a elevada quantia de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), alegando, ainda, que a doença havia sido omitida pelo autor quando da assinatura do instrumento (comprovante das despesas em anexo). Não bastasse o transtorno de natureza material, decorrente do não pagamento das despesas com a cirurgia, a ré publicou o ocorrido no caderno mensal da instituição, denominado "Forget Informa", o qual é distribuído gratuitamente para todos os seus clientes. Na ocasião, a ré citou os nomes e os casos de vários segurados, inclusive o de Marcelo, que, supostamente, estariam agindo em fraude e prejudicando todos aqueles que "agiam de boa-fé e não se valiam de meios escusos para o custeio de suas despesas médicohospitalares" (cópia do informativo em anexo). Tal fato, de espantosa irresponsabilidade, trouxe e vem trazendo sérias perturbações de ordem psíquica ao autor, uma vez que a notícia atribui-lhe má fama e suja sua imagem de homem probo e honesto, imagem que sempre fez questão de preservar frente à sua família e à sociedade. Diante do exposto, outra não foi a solução ao presente caso senão a propositura da presente demanda, com a finalidade de que o autor receba de volta os valores despendidos com sua cirurgia, bem como seja indenizado pelos danos morais sofridos.

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II – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS II.I – DO REEMBOLSO DOS VALORES DESPENDIDOS COM A CIRURGIA Primeiramente, é induvidosa a aplicação do Código de Defesa do Consumidor ao caso concreto, dado que a Lei 8.078/90 dispõe que ser consumidor toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final (art. 2º), enquanto serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária (art. 3º, § 2º), exatamente como se dá no caso do autor. Nos termos da referida lei, tem-se que os contratos que envolvam relações de consumo não podem ser interpretados de maneira a restringir o direito do consumidor, a teor do disposto em seu artigo 47 que, ao tratar da “proteção contratual”, dispõe que “As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. No mesmo sentido, repelindo as chamadas cláusulas abusivas, o artigo 51 do CDC diz serem nulas de pleno direito cláusulas contratuais que “estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade” (artigo 51, IV). No caso concreto, tem-se que o contrato firmado entre as partes dá ao autor cobertura completa em caso de cirurgia de qualquer espécie, o que, de forma inequívoca, não afasta sua responsabilidade pelo custeio da cirurgia realizada no autor, decorrente de uma incapacidade renal, para a qual o transplante era a única solução. Qualquer interpretação do contrato em sentido diverso, buscando afastar a responsabilidade da empresa, revelará interpretação restritiva do contrato, o que, como visto, contraria as disposições de proteção e defesa do consumidor. Dessa forma, resta clara a necessidade de se impor à ré a obrigação de se responsabilizar pelas despesas com a cirurgia a que foi submetido o autor, por ser essa a única interpretação admissível ao contrato. No que toca à alegação de que a doença era preexistente ao contrato, caberia à ré a demonstração de tal fato, mesmo porque não se tem notícia de nenhum exame médico realizado no autor para averiguação de seu estado de saúde quando da assinatura do contrato, contrato esse que, diga-se de passagem, foi assinado há mais de dois anos, restando descabida qualquer alegação nesse sentido. Pelo exposto, a outra conclusão não se pode chegar, senão àquela que atribui a responsabilidade à ré de restituir ao autor o valor de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais) despendido com a cirurgia a que foi submetido. II.II DO DANO MORAL Nos termos do artigo 5º, incisos V e X da Constituição Federal, é direito fundamental do cidadão ser indenizado por danos à moral ou à imagem, sendo invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, o que também é destacado na legislação infraconstitucional, a teor do artigo 186 do Código Civil, segundo o qual ”aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. No caso concreto, conforme já demonstrado acima, é incontestável o sofrimento moral a que foi submetido o autor após a humilhação de ver seu nome estampado no Jornal mensal da empresa ré, sendo acusado de má-fé e de se valer de meios escusos para tirar proveito indevido do seu contrato. O autor sempre gozou de boa imagem frente a todos de sua família e da própria sociedade, imagem essa que foi gravemente arranhada por uma conduta leviana e irresponsável por parte da ré, levando a público uma notícia difamatória que trouxe inestimáveis danos de ordem psíquica ao autor. Dessa forma, impõe-se a condenação da ré na reparação do dano moral, em valor a ser arbitrado por V.Exa., dado que, como sabido, não há critérios objetivos para a fixação do dano de natureza imaterial, devendo ser arbitrado pelo magistrado segundo seu prudente arbítrio, levando-se em conta a situação econômica do ofendido e do ofensor, de forma a inibir o ofensor a adotar novamente determinada prática lesiva. III – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Diante do exposto, pede o autor a procedência dos pedidos, para condenar o réu a: a) pagar o valor de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais) despendido pelo autor com a cirurgia realizada, acrescido de juros e correção monetária;
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b) indenizar o autor pelos danos morais sofridos, a serem arbitrados por V.Exa., dentro dos parâmetros apresentados acima. Seja a ré condenada, ainda, ao pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios, a serem arbitrados por V.Exa., nos termos do artigo 20, § 3º, do CPC. Requer o autor seja determinada a citação da ré, na pessoa do seu representante legal, via postal, no endereço constante do preâmbulo, para, querendo, apresentar resposta à presente demanda, no prazo de 15 dias, sob pena de serem tidos como verdadeiros os fatos alegados pelo autor. Requer, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente prova documental, pericial, testemunhal e depoimento pessoal do representante da ré. Dá-se à causa o valor de R$... (art. 259, II, CPC) Nesses termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações (art. 39, I, do CPC): ... 1.1.2 Ação de indenização

(Exame de Ordem nº 23 OAB/RJ – adaptada) ALBERTO SILVA, brasileiro, solteiro, domiciliado na Rua Trovador nº 28, Bairro das Flores, na cidade de Betim, encontrava-se caminhando pela Rua das Acácias, na cidade de Belo Horizonte, quando, em frente ao número 10, foi atingido por um aparelho de ar condicionado que, mal instalado pelo locatário, despencou da sala 1001 do referido edifício, ocasionando sérias lesões em ALBERTO, que teve o braço direito amputado e somente deixou o hospital após o período de 1 (um) mês de internação, passando, desde então, a se submeter a tratamento psicoterápico, a fim de superar o trauma do ocorrido que lhe ocasionou seqüelas e deformidades permanentes. ALBERTO encontra-se em difícil situação financeira, na medida em que ficou privado de sua única fonte de renda, pois, na qualidade de autônomo e prestador de serviços de digitação, recebia a quantia mensal de R$ 1.000,00 (um mil reais), sem a qual tornase impossível sua própria mantença e, por via de conseqüência, inviável arcar com as despesas de sua internação e futuro tratamento.
ALBERTO lhe procura como advogado para propor a competente ação, lhe fornecendo os seguintes dados: a) Condomínio do Edifício das Flores (Síndico: Norberto Neves); b) Proprietário da sala 1001: Raimundo Gomes; c) locatário: Sérgio Costa; d) As despesas hospitalares montam o total de R$ 50.000,00; e) A psicoterapia sairá por R$ 600,00 (seiscentos reais), ao mês, com prazo mínimo para tratamento de 1 ano.

Elabore a petição inicial adequada. ______________________ A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE-MG <10 linhas> ALBERTO SILVA, brasileiro, solteiro, autônomo, inscrito no CPF sob o nº..., portador da carteira de identidade nº..., residente e domiciliado na Rua Trovador, n. 28, bairro das Flores, Betim, MG, CEP ..., vem, por seu procurador abaixo assinado (procuração anexa), perante V. Exa., ajuizar AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS CUMULADA COM REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA em face de SÉRGIO COSTA, brasileiro, solteiro, inscrito no CPF sob o nº ..., portador da carteira de identidade ..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., bairro..., na cidade de Belo Horizonte, MG, CEP ..., conforme razões de fato e de direito a seguir.
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I. DOS FATOS No dia..., o autor, ao passar pela Rua das Acácias, em Belo Horizonte, mais propriamente em frente ao número 10, foi atingido por um aparelho de ar condicionado que, por estar mal instalado, despencou da sala 1001 do Edifício das Flores. Em razão do acidente, diversas e sérias lesões foram ocasionadas ao autor, que teve seu braço direito amputado, além de ter permanecido no hospital pelo período de um mês, o que lhe gerou despesas no valor total de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), conforme documentos anexos. Ademais, a partir de então, também passou a se submeter a tratamento psicoterápico, no valor mensal de R$ 600,00 (seiscentos reais), cujo prazo mínimo de duração é de 1 (um) ano (documentos anexos), a fim de superar o trauma oriundo do ocorrido, mormente no que se refere às deformidades permanentes dele resultantes. Como se não bastassem todas essas sequelas, o autor se encontra em difícil situação econômica. É que, em função da perda de seu braço direito, o autor, que era autônomo e prestador de serviços de digitação, ficou privado de sua única fonte de renda, correspondente à quantia mensal de R$ 1.000,00 (um mil reais), conforme documento anexo, não tendo condições de prover o próprio sustento, nem, consequentemente, de arcar com as despesas de sua internação e futuro tratamento. Assim, face ao narrado, não há dúvidas de que diversos prejuízos de ordem material e moral foram gerados ao autor em razão da queda do mencionado objeto, tornando-se imperioso o ajuizamento da presente ação. II. DOS FUNDAMENTOS II.1 DOS DANOS MATERIAIS Nos termos do art. 938 do Código Civil, aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. No caso em tela, conforme narrado, o réu é o locatário da sala 1001 do Edifício das Flores, imóvel da onde se soltou o ar condicionado que atingiu o autor. Tendo em vista que ele é o ocupante da sala e que foi dela que caiu o objeto que gerou diversos danos ao autor, patente sua responsabilidade, mormente se se tem em vista que a queda foi oriunda de má instalação pelo réu. Como a responsabilidade, nesse caso, é objetiva, dispensa a comprovação de culpa por parte do ofensor, bastando tão somente a comprovação do nexo de causalidade entre a queda da coisa e o dano, o que, no caso em exame, está devidamente caracterizado, posto que foi pela queda do ar condicionado que o autor teve seu braço direito amputado, permaneceu no hospital por um mês, está se submetendo a tratamento psicoterápico, e, ainda, ficou privado de exercer sua única fonte de renda, haja vista que, sem um dos membros superiores, fica inviável a continuidade de suas atividades como digitador. Assim, caracterizada a responsabilidade do réu, inclusive respaldada pelos artigos 949 e 950 do Código Civil, deve ele arcar com as despesas hospitalares do autor, no importe de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), conforme recibos anexos, e com o seu tratamento psicoterápico, no valor mensal de R$ 600,00 (seiscentos reais), no período mínimo de 12 (doze) meses ou enquanto durar o tratamento, caso seja necessário seu prolongamento para além desse período. Por estar o autor também privado de sua única fonte de renda, uma vez que, com a amputação de seu braço, não tem condições de continuar, na qualidade de autônomo, desenvolvendo suas atividades como digitador, faz jus uma pensão mensal vitalícia correspondente a, no mínimo, R$ 1.000,00 (mil reais) - valor que era mensalmente percebido pelo autor.

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PRÁTICA CÍVEL

II.2 DO DANO MORAL Consoante disposto no artigo 1º, inciso III; art. 5º, incisos V e X da CF/88 e art.186 do Código Civil, todo aquele que for ofendido em sua honra ou imagem, terá direito à reparação por dano moral. O dano moral, em sentido estrito, é a violação do direito à dignidade e enseja a reparação do ofendido justamente pelo fato de o constituinte considerar invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra, a imagem, entre outros direitos personalíssimos. Enfim, em razão da preocupação constitucional em resguardar sempre a dignidade da pessoa humana. In casu, o autor sofreu, consoante já mencionado, uma lesão física permanente (amputação do braço direito), o que lhe causou e causa dano moral por estar constantemente passando por situações de humilhação, dor e sofrimentos subjetivamente padecidos. Atrelado a isso, há também o sofrimento oriundo da impossibilidade de dar continuidade às suas atividades profissionais como digitador. Assim, não há dúvidas de que, em função da queda do ar condicionado da sala ocupada pelo réu, houve um dano na esfera moral (dano moral puro), psicológica, estética e física do autor, ensejando-lhe, portanto, o direito de ser compensado. Como assente, na legislação não há critério objetivo de fixação do dano moral, devendo ser arbitrado pelo magistrado, dentro de prudente critério, levando em consideração tanto a posição econômica do ofendido e do ofensor, com o intuito de não criar enriquecimento sem causa, quanto o caráter pedagógico da medida, ou seja, sua capacidade inibir o ofensor a adotar novamente determinada prática lesiva. E mais, deverá observar a extensão do dano, como outro fator de ponderação e fixação do quantum reparatório. No caso em voga, atentando-se, principalmente, para o fato de que o autor sofreu um tipo de deformidade permanente, e que lhe acarretará constrangimento vitalício perante a sociedade, roga-se a condenação do réu na reparação do dano moral em quantia a ser arbitrada por V. Exa. III. DA TUTELA ANTECIPADA Nos termos do art. 273 do CPC, é possível a antecipação dos efeitos da tutela desde que, existindo prova inequívoca, o juiz se convença da verossimilhança da alegação e: I- haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou II- fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou manifesto propósito protelatório da ré. No caso em tela, o conjunto probatório trazido aos autos comprova, de forma inequívoca, que o autor sofreu acidente devido à queda de um aparelho de ar condicionado mal instalado da sala 1001 do Edifício das Flores, localizado na Rua das Acácias, em Belo Horizonte. Também é inequívoco que, em razão do acidente, o autor está incapacitado para exercer seu ofício e, por conseguinte, prover sua própria mantença, assim como arcar com seu tratamento psicoterápico, cujo prazo mínimo de duração previsto é de um ano. Assim, face ao narrado e demonstrado nos autos pelos documentos anexos, que comprovam a lesão permanente, a necessidade de tratamento psicoterápico e a impossibilidade do autor continuar suas atividades como digitador, não há dúvidas da existência da prova inequívoca e da verossimilhança das alegações. Quanto à existência de dano irreparável ou de difícil reparação, também não há o que se questionar, face à necessidade imperiosa do autor de prover o seu próprio sustento e de seu tratamento psicoterápico. Assim, atendidos todos os requisitos previstos no art. 273 do CPC, quais sejam, prova inequívoca, verossimilhança da alegação e fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, pretende o autor a concessão da tutela antecipada para determinar ao réu que, mensalmente, faça o pagamento da quantia de R$ 1.000,00 (um mil reais) a título de pensão alimentícia e R$ 600,00 (seiscentos reais) referente ao tratamento psicoterápico.
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PRÁTICA CÍVEL

IV. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Diante do exposto: Requer seja concedida, liminarmente, a tutela antecipada para ordenar o réu que, mensalmente, faça o pagamento da quantia de R$ 1.000,00 (um mil reais) a título de pensão alimentícia, e R$ 600,00 (seiscentos reais) referente ao tratamento psicoterápico. Requer a citação do réu, via postal, com aviso de recebimento, no endereço constante no preâmbulo, para todos os termos da presente ação, e querendo, responder a presente ação no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de se ter como verdadeiros os fatos articulados na inicial (segunda parte do art. 285 CPC); Pede a procedência do pedido para condenar o réu: a) ao pagamento da quantia de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) pelas despesas hospitalares; b) ao pagamento de R$ 600,00 (seiscentos reais) mensais pelas despesas da psicoterapia, no período mínimo de 12 (doze) meses ou enquanto durar o tratamento, caso seja necessário seu prolongamento para além desse período. c) ao pagamento de R$ 1.000,00 (mil reais) mensais a título de pensão alimentícia vitalícia, devendo, para tanto, ser constituído capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão (art. 475 – Q do CPC); d) compensar o autor pelos danos morais sofridos, a serem arbitrados por V. Exa., dentro dos parâmetros apresentados acima; Requer a condenação do réu ao pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios a serem arbitrados por V. Exa. Requer provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em lei, notadamente prova documental, pericial, testemunhal e depoimento pessoal dos requeridos sob pena de confessos. Requer a concessão da justiça gratuita, por ser pobre no sentido legal, de acordo com a Lei 1060/50 e declaração em anexo. Dá à causa o valor de R$... Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações (art. 39, I, CPC)...

Comentários: Consoante se extrai do art. 938 do CC, somente aquele que habita o prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. No caso acima, como o ocupante da sala de onde caiu o ar condicionado é o locatário, é ele, portanto, quem tem, tecnicamente, legitimidade para figurar no polo passivo da ação .
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O condomínio e o proprietário da sala não respondem solidariamente nesse caso, pois, diante da inexistência de previsão expressa nesse sentido no Código Civil, não se pode presumir a solidariedade entre eles e o ocupante do imóvel de onde caiu objeto. Nesse sentido, dispõe o art. 265 do referido diploma legal, in verbis: “A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”. Ressaltamos que há, entretanto, entendimento doutrinário em sentido contrário como o esposado por Simone Gomes Rodrigues Casoretti (2006, p. 739), que assim afirma: “A responsabilidade pelo dano oriundo de coisas líquidas ou sólidas (effusis et dejectis) lançadas de um imóvel à rua, segundo o novo CC que seguiu a regra do CC de 1916, é objetiva e alcança não só o proprietário, mas o ocupante do prédio, e só pode ser afastado mediante a prova da ausência de nexo causal entre a queda da coisa e o dano, culpa exclusiva da vítima e que o lançamento da coisa ocorreu em lugar apropriado... se for possível identificar de onde veio o objeto causador do dano, este deve ser responsabilizado...” 1.1.3 Ação de indenização

(Exame de Ordem OAB/RJ – Dezembro de 2006) Mário dos Santos (brasileiro, solteiro, engenheiro, domiciliado e residente, na cidade do Rio de Janeiro, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, n.º 1000, apto. 608, inscrito no CPF sob o n.º 000.000.001-00) adquiriu em estabelecimento comercial da Vende Tudo Ltda. (sociedade estabelecida, na cidade de Petrópolis, RJ, na Rua Imperial, n.º 10 e inscrita no CNPJ sob o n.º 123/0001-00) um aquecedor elétrico, fabricado por ABC Produtos Elétricos e Eletrônicos S/A (sociedade estabelecida na cidade de Campos dos Goytacazes, RJ, na Avenida Desembargador Amaro Martins de Almeida, n.º 271, e inscrita no CNPJ sob o n.º 456/0001-00). Em virtude de um defeito de fabricação, o aquecedor elétrico explodiu, provocando incêndio em pequena casa que Mário tem na cidade de Petrópolis (RJ). Em decorrência da explosão, além dos danos causados ao imóvel, Mário sofreu ferimentos nas mãos e no rosto, ficando parcialmente desfigurado e impossibilitado de desenvolver suas atividades profissionais pelo prazo de 6(seis) meses. Você, como advogado, foi procurado por Mário, que lhe expõe os fatos, acrescentando que não tem, neste momento, como saber qual o exato montante dos prejuízos sofridos em razão da parcial destruição do imóvel de Petrópolis, e que tão pouco pode precisar, de antemão, o que deixou de ganhar no período de cessação de suas atividades profissionais, por ser engenheiro que trabalha como profissional liberal. Redija a petição inicial da ação que, a seu ver, deve ser proposta, nas circunstâncias descritas. A petição - a ser assinada pelo advogado José Pinheiro (OAB/RJ 002), com escritório, na cidade do Rio de Janeiro, na Rua da Ajuda, n.º 20, Sala 801 - deverá justificar, explicitamente, a escolha do foro a seu ver competente. ______________________ A seguir, o espelho de correção.

1º PASSO

ESCOLHA DO PROCEDIMENTO Resposta:

Por se tratar de uma pretensão indenizatória (danos materiais: emergentes e lucros cessantes, bem como danos morais), o procedimento adequado será o comum ordinário (Livro I/CPC). Fund. Legal: Art.270

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2º PASSO

JUIZO COMPETENTE Resposta: Com fulcro no artigo 101, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor, a ação de indenização proposta por consumidor hipossuficiente poderá ser ajuizada perante o foro do seu domicílio, ou seja, perante a Comarca do Rio de Janeiro / RJ.

Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste Título, serão observadas as seguintes normas: I – a ação pode ser proposta no domicílio do autor.

“EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CÍVEL DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO/RJ”

3º PASSO

PREÂMBULO Resposta: MÁRIO DOS SANTOS, brasileiro, solteiro, engenheiro, CPF nº 000.000.001-0, CI nº............, residente e domiciliado na Av. Nossa Senhora de Copacabana, nº 1000, apto. 608, CEP ......., Rio de Janeiro/RJ, vem respeitosamente à presença de V. Exa., por seu advogado abaixo assinado (instrumento de procuração anexo) propor AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DE DANOS MATERIAIS C/C COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS, pelo rito ordinário, em face de ABC PRODUTOS ELÉTRICOS E ELETRÔNICOS S/A, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 456/0001-00, com sede na Av. Desembargador Amaro Martins de Almeida, nº 271, Campos dos Goytacazes/RJ, CEP ......., pelos fatos e fundamentos que ora passa a aduzir. Fund. Legal: Art.282 ss./CPC + art.37/CPC

4º PASSO Fatos

CAUSA DE PEDIR Resposta: 1- Mário adquiriu um aquecedor elétrico da empresa ABC Produtos Elétricos e Eletrônicos S/A comprado no estabelecimento comercial Vende Tudo Ltda; 2- O aquecedor foi instalado na casa de Mário, localizada na cidade de Petrópolis, por técnico devidamente qualificado. RETIRAR, POIS NÃO CONSTA DO ENUNCIADO 3- O referido aparelho explodiu em virtude de defeito na fabricação, ocasionando um incêndio na casa de Mário. 4 - Em decorrência do incêndio, Mário sofreu sérios ferimentos nas mãos e no rosto, além dos danos causados ao imóvel.
5- O Autor ficou parcialmente desfigurado em razão do acidente, tendo se afastado de seu trabalho por 06(seis) meses, não auferindo renda alguma nesse período (profissional liberal).

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5º PASSO Fundamentos Jurídicos

CAUSA DE PEDIR Resposta:

Parte 1) Responsabilidade civil objetiva por fato do produto (Código de Defesa do Consumidor). Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. § 1º O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I – sua apresentação; II – o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III – a época em que foi colocado em circulação. §2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado. §3º O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I – que não colocou o produto no mercado; II – que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; III – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. Parte 2) Dos danos materiais.

Vide art. 12 do Código de Defesa do Consumidor + Art.402/CC Parte 3) Dos danos morais. Vide art. 12 do Código de Defesa do Consumidor + Art. 5, V e X, CF/88.

6º PASSO

REQUERIMENTOS Resposta: • • Citação do Réu pelo correio (artigo 222, CPC) para, desejando, apresentar respostas no prazo legal; Provar o alegado, por todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente pela prova documental; depoimento pessoal; prova testemunhal e prova pericial. 35

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7º PASSO (A)

PEDIDOS
Resposta: Ao final sejam julgados procedentes os pedidos para: • Condenar a empresa Ré ao pagamento de valores indenizatórios referentes à perda parcial do imóvel do autor, localizada na cidade de Petrópolis, cujos valores deverão ser apurados em liquidação de sentença;

• Condenar a empresa Ré ao pagamento de indenização pelas despesas com o tratamento médico do Autor, cumulados com os gastos hospitalares, cirúrgicos e com medicamentos, cujos valores deverão ser apurados em liquidação de sentença; • Condenar a empresa Ré ao pagamento dos danos materiais (lucros cessantes) suportados pelo autor em face do período de 6 (seis) meses que deixou de laborar, quantia a ser devidamente arbitrada com base na média dos valores mensais recebidos por este; • Condenar a empresa Ré ao pagamento de valores compensatórios pelos danos morais sofridos pelo Autor, decorrentes dos danos estéticos ocasionados pela explosão do aparelho, a serem arbitrados por V. Exa.

• Por fim, requer seja julgado procedente o pedido para condenar a empresa Ré ao pagamento das custas processuais e honorários de sucumbência.

8º PASSO

VALOR DA CAUSA
Respostas: Art. 258 do CPC - A toda causa será atribuído um valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediato. Art. 259 do CPC – O valor da causa constará sempre da petição inicial e será: II – havendo cumulação de pedidos, a quantia correspondente à soma dos valores de todos eles. Como alguns danos serão arbitrados pelo juiz e outros serão apurados em liquidação de sentença, o candidato poderá colocar qualquer valor desde que ultrapasse 60 salários mínimos, demonstrando que não é caso de procedimento sumário. “Dá-se à presente ação o valor de R$...”

9º PASSO

ENCERRAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL
Resposta: (assinatura do advogado) José Pinheiro OAB/RJ 002 Endereço para intimação: Rua da Ajuda, nº 20, sala 801, município do Rio de Janeiro/RJ. Fund. Legal: Art.39, I, CPC

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PRÁTICA CÍVEL

1.1.4

Ação de indenização

(Exame de Ordem OAB/SP – Agosto de 2005) Ana, modelo profissional, residente em Manaus, viajou para São Paulo, para o casamento de sua filha. Para lavar, pintar seus cabelos e realizar um penteado para o casamento, Ana procurou os serviços de João Macedo, cabeleireiro e dono do salão de beleza “Hair”, sediado na cidade de São Paulo, que lhe cobrou R$ 500,00 (quinhentos reais) pela prestação do serviço. Após lavar os cabelos de Ana, João aplicou-lhe uma tintura da marca francesa ABC, importada pela empresa Brasil Connection Ltda. sediada na cidade de Curitiba (PR). Meia hora após a aplicação da tintura, Ana sofreu uma reação alérgica, que demandou atendimento médico hospitalar, no valor de R$ 1.000,00, bem como dois dias de absoluto repouso que impossibilitou sua presença no casamento de sua filha. Além disso, perdeu grande parte de seu cabelo, tendo permanecido com manchas em seu rosto, por dois meses, perdendo um ensaio fotográfico, para o qual já havia sido contratada, pelo valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). Posteriormente constatou-se que a tintura utilizada continha substâncias químicas extremamente perigosas à vida e à saúde das pessoas e que a fabricante ABC já havia sido condenada pela justiça francesa a encerrar a fabricação e comercialização do produto. Indignada com os danos sofridos, Ana procura um advogado para pleitear o devido ressarcimento. QUESTÃO: Como advogado(a) de Ana, promova a demanda cabível. ______________________ A seguir, o espelho de correção. 1º PASSO ESCOLHA DO PROCEDIMENTO Resposta: Por se tratar de uma pretensão indenizatória (danos materiais emergentes e lucros cessantes, bem como danos morais) acima de 60 salários, o procedimento adequado será o comum ordinário (Livro I/CPC). Fund. Legal: Art. 270.

2º PASSO

JUIZO COMPETENTE Resposta: Com fulcro no artigo 101, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor, a ação de indenização proposta por consumidor hipossuficiente poderá ser ajuizada perante o foro do seu domicílio, ou seja, perante a Comarca de Manaus/AM. Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste Título, serão observadas as seguintes normas: I – a ação pode ser proposta no domicílio do autor. “Exmo. Sr. Juiz de Direito da Vara Cível da Comarca de Manaus/AM” No entanto, a regra especificada acima não retira do consumidor a possibilidade de ajuizar a ação perante o foro de domicílio do réu (foro geral) ou no local onde ocorreu o ato ou fato. Art. 100. do CPC. É competente o foro: V – do lugar do ato ou fato: a) para ação de reparação do dano.

3º PASSO

PREÂMBULO Resposta: ANA......., brasileira, estado civil..........., modelo profissional, CPF nº..........., CI nº............, residente na Rua........................., nº......, CEP ......., Manaus, AM, vem respeitosamente à presença de V. Exa., por seu advogado abaixo assinado (instrumento de procuração anexo) propor AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DE DANOS MATERIAIS C/C COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL, em face de SALÃO DE BELEZA HAIR, pessoa jurídica de direito privado (empresa do ramo de cabeleireiro), com sede na Rua.............., nº........, Bairro......., São Paulo, SP, CEP........., BRASIL CONNECTION LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº............., sediada na Rua........, nº..........., Bairro..........., Curitiba, PR, CEP..............., e ABC, pessoa jurídica estrangeira (empresa do ramo de tinturas para cabelos), sediada na Rua..........., nº......., Bairro........., cidade........, França, CEP............, pelos fatos e fundamentos que ora passa a aduzir. Fund. Legal: Art.282 ss./CPC + art.37/CPC

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PRÁTICA CÍVEL

4º PASSO Fatos

CAUSA DE PEDIR Resposta: 1- Ana, modelo profissional, residente em Manaus, viajou até a cidade de São Paulo, para o casamento de sua filha. 2 – Quando chegou à capital paulista, a Autora procurou o salão de beleza Hair, para lavar e pintar seus cabelos para o casamento; 3- O cabeleireiro João Macedo lhe cobrou R$500,00 (quinhentos reais) pela prestação do serviço; 4- Após lavar os cabelos da Autora, João aplicou-lhe uma tintura de marca francesa ABC importada pela empresa Brasil Connection, que lhe causou uma reação alérgica, impossibilitando-a de estar presente no casamento de sua filha; 5- Em razão da aplicação da tintura, a Autora necessitou de atendimento médico hospitalar no valor de R$ 1.000,00 (doc. em anexo) e ainda teve que ficar dois dias de absoluto repouso que impossibilitou a presença no casamento de sua filha; 6- Além disso, perdeu grande quantidade de cabelo, teve manchas em sua face pelo período de dois meses, que a impossibilitou de realizar um ensaio fotográfico no valor de R$50.000,00 (cinqüenta mil reais), para o qual já havia sido contratada.

5º PASSO Fundamentos Jurídicos

CAUSA DE PEDIR Resposta: Parte 1) Responsabilidade dos Réus Lei nº 8.078/90: Art. 3°. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos. Responsabilidade da ABC e da Brasil Connection Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. § 1º O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I – sua apresentação; II – o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III – a época em que foi colocado em circulação. §2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado. §3º O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I – que não colocou o produto no mercado; II – que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; III – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro

Responsabilidade do Salão de Beleza Art.14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
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PRÁTICA CÍVEL

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo de seu fornecimento; II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi fornecido. § 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas. § 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. § 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa. Parte 2) Dos danos materiais: despesas hospitalares (R$ 1.000,00) + ensaio fotográfico (R$ 50.000,00) Vide art. 12 do Código de Defesa do Consumidor + Art.402 do Código Civil. Parte 3) Dos danos morais: ausência no casamento da filha; perda do cabelo; manchas. Vide art. 12 do Código de Defesa do Consumidor + Vide artigos 1, III e 5, V e X, CF/88, bem como art.186/CC. 6º PASSO REQUERIMENTOS Resposta: • Citação dos dois primeiros Requeridos pelo correio (artigo 222, CPC), com AR, e a do terceiro Requerido, realizada via carta rogatória (artigo 201, CPC), sendo feitas em nome dos representantes legais das mesmas, para, desejando, apresentarem respostas no prazo legal; Provar o alegado, por todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente pela prova documental; depoimento pessoal; prova testemunhal e prova pericial.

• 7º PASSO (A)

PEDIDOS Resposta: Ao final sejam julgados procedentes os pedidos para condenar os Requeridos a: • • • Devolução da quantia de R$500,00 (quinhentos reais) pagos pela realização do serviço de lavagem e tintura; Ao pagamento da quantia de R$1.000,00 (um mil reais), pelos gastos relativos ao atendimento médico hospitalar; Ao pagamento do valor de R$50.000,00 (cinqüenta mil reais) a título de perdas materiais em decorrência da impossibilidade de realização do contrato de ensaio fotográfico, conforme demonstrado em docs. anexos; Ao pagamento do valor a ser arbitrado por V. Exa., a título de compensação por danos morais sofridos pela Requerida; Por fim, requer sejam condenados os Requeridos ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como honorários de sucumbência.

• • 8º PASSO

VALOR DA CAUSA Respostas: Art. 258 do CPC - A toda causa será atribuído um valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediato. Art. 259 do CPC – O valor da causa constará sempre da petição inicial e será: II – havendo cumulação de pedidos, a quantia correspondente à soma dos valores de todos eles. Como os danos morais serão arbitrados pelo juiz, o candidato poderá atribuir à causa qualquer valor, desde que ultrapasse 60 salários mínimos, demonstrando que não é caso de procedimento sumário. “Dá-se à presente ação o valor de R$...”

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PRÁTICA CÍVEL

9º PASSO

ENCERRAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL Resposta: Local e data....... Advogado....... OAB...... Endereço do advogado para intimações: .......................... Fund. Legal: Art.39, I, CPC.

1.2 1.2.1

Procedimento sumário Ação de indenização

(Exame de Ordem OAB/DF – Exame I/2000 - adaptada) No dia 2 de janeiro de 2009, por volta de vinte horas, ao lado da Rodoviária de Planaltina/DF, o Ônibus, placa XXX-0000-SP, de propriedade e a serviço da VIAÇÃO CELESTE LTDA, com sede em São Paulo/SP, guiado por João de Assis Jovem, motorista da empresa, chocou-se contra a parte traseira do veículo GOL, placa DTX 0000-MG, conduzido por Francisco Pinheiro, de 40 anos de idade. Em decorrência do acidente veio a falecer o condutor do veículo GOL, após sessenta dias internado no Hospital de Base de Brasília. O falecido era casado com a Sra. Maria Estrela dos Reis, com quem teve dois filhos Pedro Reis Pinheiro e Marília Estrela Pinheiro, de 10 e 19 anos, respectivamente - e residia em Contagem/MG, junto com sua família, sendo que trabalhava como representante comercial, percebendo cinco salários mínimos por mês. O fato ocorreu, segundo o laudo pericial, por culpa exclusiva do condutor do ônibus e foi presenciado por três testemunhas. Foram realizadas despesas com medicamentos, transporte e funeral, respectivamente nos valores de R$ 2.500,00, R$ 800,00 e R$ 1.300,00. Elabore a ação cabível para a reparação dos danos materiais e morais sofridos pela viúva e filhos da vítima fatal, contendo todos os requisitos da petição inicial. ______________________ A seguir, o espelho de correção.

1º PASSO

ESCOLHA DO PROCEDIMENTO Resposta: Por se tratar de uma ação de reparação de danos causados por acidente envolvendo veículos de via terrestre, o procedimento a ser adotado é o procedimento comum sumário. Art. 275. Observar-se-á o procedimento sumário: II – nas causas, qualquer que seja o valor: d) de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via terrestre.

2º PASSO

JUIZO COMPETENTE Resposta: Com fulcro no artigo 100, parágrafo único, do Código de Processo Civil, a ação de indenização de dano sofrido em virtude de acidente de veículos, o foro competente será o do domicílio do autor ou do local do fato. Art. 100. É competente o foro: Parágrafo único. Nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do autor ou do local do fato. “EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CÍVEL DA COMARCA DE CONTAGEM/MG”.

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PRÁTICA CÍVEL

3º PASSO

PREÂMBULO Resposta: MARIA ESTRELA DOS REIS, brasileira, viúva, profissão......., portadora do CPF nº... e da CI nº..., MARÍLIA ESTRELA PINHEIRO, brasileira, estado civil......, profissão......, portadora do CPF nº........ e CI nº......... e PEDRO REIS PINHEIRO, brasileiro, menor impúbere, portador do CPF nº......... e CI nº........., neste ato representado por sua genitora, MARIA ESTRELA DOS REIS, já devidamente qualificada acima, todos residentes e domiciliados na Rua............., nº......., Bairro........, município de Contagem, MG, CEP..............., por seu procurador abaixo assinado, instrumento de procuração em anexo, vem, perante V. Exa., propor AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS C/C COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS, pelo rito sumário, em face de VIAÇÃO CELESTE LTDA., pessoa jurídica de direito privado (empresa de transportes coletivos), sediada na Rua..........., nº......., Bairro........., São Paulo, SP, CEP..........., portadora do CNPJ nº........, e JOÃO DE ASSIS JOVEM, brasileiro, motorista, estado civil........, portador do CPF nº........ e CI nº............, residente e domiciliado na Rua........., nº........., Bairro.........., cidade.........., UF........, CEP........., pelas razões de ordem fática e jurídica a seguir expostas.

4º PASSO Fatos

CAUSA DE PEDIR Resposta: 1- O coletivo placa XXX-0000-SP, de propriedade e a serviço da primeira Requerida, guiado pelo segundo Requerido, chocou-se contra a parte traseira do veículo GOL, placa DTX 0000-MG conduzido pelo esposo (Francisco Pinheiro) da primeira Requerente e pai dos segundos requerentes. 2- Francisco Pinheiro ficou internado em hospital pelo período de sessenta dias, vindo a falecer ao final. 3- O falecido era casado com a Sra. Maria dos Reis, com quem teve dois filhos, Pedro Reis Pinheiro, de 10 anos, e Marília Estrela Pinheiro, de 19 anos. 4- Toda a família residia em Contagem, MG. 5- Francisco Pinheiro era representante comercial, e como tal, percebia a quantia de cinco salários mínimos por mês. 6- O acidente ocorreu, segundo o laudo pericial (doc. em anexo), por culpa exclusiva do condutor do ônibus e foi presenciado por três testemunhas. 7- As despesas com remédios, transporte e funeral correspondem, respectivamente, aos valores de R$ 2.500,00, R$ 800,00 e R$ 1.300,00.

5º PASSO Fundamentos Jurídicos

CAUSA DE PEDIR Resposta: • Da responsabilidade civil (Código Civil) e Legitimidade Passiva “Ad Causam” dos Réus:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele. • Do Dano Material: Gastos com remédios, transporte e funeral + pensão

Art.402 do Código Civil. Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras reparações: I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da família; II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duração provável da vida da vítima.
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PRÁTICA CÍVEL

• Do Dano Moral: Perda de um ente querido (marido/pai) Vide artigos 1, III e 5, V e X, CF/88, bem como art.186/CC. • Da tutela antecipada: Pensão

Art. 273, CPC. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e: I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ATENÇÃO!!!! Sempre indicar qual documento(s) corrresponde a prova inequívoca. (1) prova inequívoca que convença da verossimilhança da alegação: laudo pericial, culpa do motorista da viação celeste; (2) fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação: necessidade de receber pensão para o sustento, tendo em vista que o chefe da família faleceu e um dos filhos é menor. 6º PASSO REQUERIMENTOS Resposta: Requer seja concedida, liminarmente, a tutela antecipada, tendo em vista o preenchimento dos requisitos legais: (1) prova inequívoca que convença da verossimilhança da alegação: laudo pericial, culpa do motorista da viação celeste, doc. anexo; (2) fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação: necessidade de receber pensão para o sustento, tendo em vista que o chefe da família faleceu e um dos filhos é menor. para ordenar os Requeridos que façam mensalmente o pagamento da pensão mensal aos Requerentes, no valor correspondente ao salário percebido pela vítima mensalmente, qual seja 5 salários mínimos (doc. anexo); OBS.: Jurisprudência do STJ determina, nesses casos, que se decote 1/3 do valor total, pois corresponderia ao gasto da própria pessoa (falecido). Sendo assim, se o candidato optar pelo entendimento do STJ, importante trazer o dado no tópico fundamentos. Conclusão: qualquer dos dois pedidos está certo. • Requer a citação dos Requeridos Via Postal (artigo 222 do CPC), sendo que a citação do primeiro Requerido deverá ser feita em nome do representante legal, para comparecerem em audiência de conciliação a ser designada por V. Exa., informando-os de que o não comparecimento implicará a veracidade dos fatos alegados na exordial (art. 277, §2º); Requer sejam os réus advertidos, na citação, de que, não obtida a conciliação, deverão apresentar, na própria audiência, sua defesa de forma escrita ou oral, devidamente acompanhada de rol de testemunhas e quesitos de perícia (art. 278, CPC) e caso queriam, poderão indicar assistente técnico; • • Requer a intimação do representante do Ministério Público para todos os termos legais; Provar o alegado, por todos os meios de prova legalmente admitidos, notadamente prova documental e testemunhal; Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente prova documental e testemunhal, sendo que abaixo, desde já, apresenta o rol de testemunhas. Ressalte-se que não obstante o art.276 determinar que o Autor deva apresentar os quesitos e indicar o assistente técnico na inicial, no caso em tela não se faz necessário, tendo em vista a existência do laudo pericial em anexo: Testemunha 1 (nome...), (qualificação...) Testemunha 2 (nome...), (qualificação...) Testemunha 3 (nome...), (qualificação...) • Por fim, requer que seja concedido o benefício da justiça gratuita, por serem a esposa e filhos da vítima pobres no sentido legal (Lei nº1050/60), ou seja, não podendo os mesmos arcarem com as despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento (declaração de pobreza anexa). •

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PRÁTICA CÍVEL

7º PASSO (A)

PEDIDOS Resposta: Ao final sejam julgados procedentes os pedidos para: • Ao final sejam julgados procedentes os pedidos, condenando os Requeridos ao pagamento: 1. Dos danos materiais, referentes aos gastos com remédios, transporte e funeral, totalizando o importe de R$4.600,00 (quatro mil e seiscentos reais); 2 Pagamento de pensão mensal para os réus, no valor de 5 salários mínimos valor mensal auferido pelo falecido, constituindo capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão, nos exatos termos do art. 475-Q; 3 Dos danos morais, cujo valor deverá ser arbitrado por V. Exa.;

4 Por fim, requer sejam condenados os Requeridos ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como honorários de sucumbência.

8º PASSO

VALOR DA CAUSA Respostas: Art. 259 do CPC – O valor da causa constará sempre da petição inicial e será: II – havendo cumulação de pedidos, a quantia correspondente à soma dos valores de todos eles. Como os danos morais serão arbitrados pelo juiz, o(a) candidato(a) poderá colocar qualquer valor, desde que sejam computadas as despesas com remédios, transporte e funeral (R$4.600,00), além da quantia referente ao pagamento de pensão mensal para os réus. “Dá-se à presente ação o valor de R$...”

9º PASSO

ENCERRAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL Resposta: Local e data... Advogado... OAB... Endereço do advogado para intimações... (art. 39, I, CPC).

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PRÁTICA CÍVEL

1.2.2

Ação de rescisão contratual cumulada com reparação de danos

(Exame de Ordem 127 OAB/SP – adaptada) João Macedo é desenhista (“designer”) de produtos, na Cidade de Belo Horizonte, onde é domiciliado. Ao ser contratado para participar de um grande projeto, João adquiriu um microcomputador portátil (“notebook”) de última geração, da loja ABC Eletronics Ltda., sediada na Cidade de Curitiba (PR), pelo valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). O produto, fabricado pela empresa Pearl Inc. norte-americana, é importado com exclusividade por algumas lojas no Brasil, como a ABC Eletronics. O produto não possui qualquer prazo de garantia além daqueles informados no Código de Defesa do Consumidor. João efetuou a compra do produto pelo telefone e solicitou a entrega do mesmo em sua residência. O pagamento foi debitado em uma única prestação em seu cartão de crédito. Três dias depois da compra, o microcomputador foi entregue na residência de João. Seguindo todas as instruções contidas no manual, João tentou ligar o aparelho, sem sucesso, já que o produto simplesmente não funcionava. Quatro dias depois da compra, João dirigiu-se à ABC Eletronics, em Curitiba (PR), para exigir a substituição do produto, e foi informado de que a empresa, por ser representante da marca do computador, possuía um serviço de assistência técnica para onde o produto deveria ser encaminhado para verificar as razões pelas quais não ligava. João assinou e recebeu cópia de uma ordem de serviço para comprovar o envio do produto ao conserto. Trinta dias depois, o produto retornou da assistência técnica. João testou o aparelho na própria loja e constatou que, apesar do equipamento ligar, o monitor apresentou defeitos na imagem. Irritado, João recusou-se a retirar o produto e exigiu, dessa vez, a restituição da quantia paga. Ao ter seu pedido negado, João deixou a loja, levando o aparelho defeituoso, após protocolar um documento informando sua insatisfação e exigindo a devolução do dinheiro. Como nada foi feito, João procurou um advogado para providências judiciais, pretendendo receber tudo o que gastou, corrigido monetariamente, além de perdas e danos. QUESTÃO: Como advogado(a) de João, promova a demanda cabível, sabendo que, além do produto não funcionar direito, João, para concluir o projeto para o qual foi contratado, precisou alugar um equipamento similar, por trinta dias, pelo valor total de R$ 3.000,00 (três mil reais). ______________________ A seguir, o espelho de correção.

1º PASSO

ESCOLHA DO PROCEDIMENTO Resposta: Por se tratar de uma ação cujo valor da demanda não excede a 60 (sessenta) vezes o valor do salário mínimo, o procedimento a ser adotado é o procedimento comum sumário. Art. 275. Observar-se-á o procedimento sumário: I – nas causas cujo valor da causa não exceda a 60 (sessenta) vezes o valor do salário mínimo.

2º PASSO

JUIZO COMPETENTE Resposta: Com fulcro no artigo 101, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor, a ação de indenização proposta por consumidor hipossuficiente poderá ser ajuizada perante o foro do seu domicílio, ou seja, perante a Comarca de São Paulo. Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste Título, serão observadas as seguintes normas: I – a ação pode ser proposta no domicílio do autor. “ EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO/SP”. No entanto, a regra especificada acima não retira do consumidor a possibilidade de ajuizar a ação perante o foro de domicílio do réu (foro geral) ou no local onde ocorreu o ato ou fato. Art. 100. do CPC. É competente o foro: V – do lugar do ato ou fato: a) para ação de reparação do dano.

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PRÁTICA CÍVEL

3º PASSO

PREÂMBULO Resposta: JOÃO MACEDO, brasileiro, estado civil..., desenhista de produtos, portador do CPF... e da CI..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., na cidade de São Paulo, SP, CEP..., vem por seu(sua) procurador(a) abaixo assinado(a), instrumento de procuração em anexo, perante V. Exa., propor AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS, pelo rito SUMÁRIO, em face de ABC ELETRONICS LTDA, pessoa jurídica de direito privado (empresa de eletrônicos) portadora do CNPJ..., sediada na Rua..., nº..., Bairro..., Curitiba, PR, CEP... e PEARL INC, empresa de eletrônicos, sediada na Rua..., nº..., Bairro..., cidade..., Estados Unidos da América, CEP..., pelas razões de ordem fática e jurídica a seguir expostas.

4º PASSO Fatos

CAUSA DE PEDIR Resposta: Resposta: 1- João Macedo adquiriu (doc. em anexo) um microcomputador portátil de última geração fabricado pela empresa norte-americana PEARL INC, e importado para o Brasil pela empresa ABC Eletronics Ltda, localizada no município de Curitiba, pela quantia de R$15.000,00 (quinze mil reais). 2- O “notebook” foi entregue no local indicado por João após três dias da data da compra. 3- O Autor ao tentar ligar o aparelho não obteve sucesso, uma vez que o “notebook” simplesmente não funcionou. 4- Decorridos quatro dias da aquisição do produto, João dirigiu-se à ABC Eletronics em Curitiba, tendo gastos com a viagem no valor de R$ 7.000,00 (docs. anexos), para exigir a substituição do aparelho. OBS.: INVENTAR, pois a questão não te deu o dado e é necessário o valor para fazer um dos pedidos. 5- Foi informado que a empresa possuía um serviço de assistência técnica e por isso, o produto seria encaminhado para averiguação, tendo o Autor assinado a ordem de serviço (doc. anexo). 6- Após permanecer trinta dias na assistência técnica, o produto retornou a loja apresentando defeitos na imagem. 7- O Requerido recusou-se a retirar o aparelho, exigindo a restituição da quantia paga. 8- Diante da negativa da loja em restituir-lhe o valor, não encontrou outra solução senão a de levar o produto defeituoso e protocolar documento informando sua insatisfação. 9- João, em decorrência da falta do “notebook”, precisou locar equipamento similar, tendo uma despesa de R$ 3.000,00 (três mil reais), além das despesas com deslocamento e hospedagem em Curitiba/PR.

5º PASSO Fundamentos Jurídicos

CAUSA DE PEDIR Resposta: • Lei nº 8.078/90 (CDC)

Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. Art. 6º, inciso VI. São os direitos básicos do consumidor: VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos.
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PRÁTICA CÍVEL

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim, como por aqueles decorrentes da disparidade das indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. § 1º Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: II – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos.

6º PASSO

REQUERIMENTOS Resposta: • Requer a citação dos Requeridos, sendo o primeiro Requerido citado Via Postal (artigo 222 do CPC), com AR, a ser entregue em mãos próprias, e a citação do segundo Requerido via Carta Rogatória (artigo 201 do CPC), sendo ambas realizadas em nome do representante legal, para comparecerem em audiência de conciliação a ser designada por V. Exa., informando-os de que o não comparecimento implicará a veracidade dos fatos alegados na exordial (art. 277, §2º); Requer sejam os réus advertidos, na citação, de que, não obtida a conciliação, deverão apresentar, na própria audiência, sua resposta de forma escrita ou oral, devidamente acompanhada de rol de testemunhas e quesitos de perícia (art. 278, CPC) e caso queriam, poderão indicar assistente técnico; • Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente prova documental, depoimento pessoal, testemunhal e pericial, sendo que abaixo, desde já, apresenta o rol de testemunhas e os quesitos de perícia, com a indicação do assistente técnico, tudo conforme art. 276, CPC:

Rol de testemunhas - Testemunha 1, [qualificação......] - Testemunha 2, [qualificação.....] - Testemunha 3, [qualificação.....]

Quesitos de Perícia - Quesito 01 [quesito.....] - Quesito 02 [quesito.....] - Quesito 03 [quesito.....] - Quesito 04 [quesito.....] Assistente Técnico - [nome.....], [qualificação......]
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PRÁTICA CÍVEL

7º PASSO (A)

PEDIDOS Resposta: Ao final sejam julgados procedentes os pedidos para condenar os Requeridos: 1. Restituição da quantia paga, no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais); 2. Idnenização do valor de R$ 7.000,00 referente aos gastos com a viagem para Curitiba para fins de tentativa de resolver o problema do aparelho; 3. Indenização do valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) referente ao equipamento locado; 4 Por fim, requer sejam condenados os Requeridos ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como honorários de sucumbência.

8º PASSO

VALOR DA CAUSA Respostas: Art. 259 do CPC – O valor da causa constará sempre da petição inicial e será: II – havendo cumulação de pedidos, a quantia correspondente à soma dos valores de todos eles. Como disposto no artigo acima, o valor da causa será o equivalente à soma da quantia paga pelo “notebook”, acrescido do valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) gastos com a locação do equipamento similar, mais as despesas com transporte e hospedagem, decorrentes da viagem do Autor a cidade de Curitiba (PR). “Dá-se à presente ação o valor de R$ 25.000,00.”

9º PASSO

ENCERRAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL Resposta: Local e data... Advogado... OAB... Endereço do advogado para intimações... (art. 39, I, CPC).

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PRÁTICA CÍVEL

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RESPOSTAS DO RÉU e TÉCNICAS PARA ELABORAÇÃO DA CONTESTAÇÃO

As respostas do RÉU, em face dos pedidos feitos pelo Autor, podem ser feitas de algumas formas distintas, dentre elas a CONTESTAÇÃO, a RECONVENÇÃO e a EXCEÇÃO (Art. 297 CPC). O CPC também confere ao Réu a oportunidade de Impugnar o valor da Causa (Art. 261). Em se tratando de CONTESTAÇÃO no procedimento comum ordinário o prazo é de 15 (quinze) dias. Quanto à forma, a petição deverá ser escrita e dirigida ao juiz da causa. Assim como a petição inicial, a contestação também possui requisitos, que estão elencados nos Arts. 300 e seguintes do CPC. Abaixo, alguns passos importantes para elaboração da contestação: 1º PASSO ENDEREÇAMENTO 1. A contestação deverá ser endereçada ao juízo para o qual foi distribuída a petição inicial. Esta informação usualmente é dada pelo enunciado. 2. Deve-se indicar o número do processo em que será apresentada a contestação. 2º PASSO PREÂMBULO 1. Se a qualificação apresentada na Inicial (enunciado) estiver correta, não é necessário repetir toda a qualificação, bastando que se indique o nome completo do RÉU e a expressão “já qualificado na exordial”. 2. É necessário indicar ainda no preâmbulo que se trata de uma CONTESTAÇÃO (art. 300 e seguintes do CPC). 3. Fazer menção de que há Procuração outorgada (documento anexo).

3º PASSO

PRELIMINARES 1. Conforme preceitua o art. art. 301 do CPC, as preliminares (questões processuais) devem ser apresentadas antes do mérito, preferencialmente na mesma ordem apresentada na lei. 2. Deve-se abrir um tópico para cada preliminar, 3. Uma vez narradas as razões de argüição de referida preliminar, requerer, tópico a tópico das preliminares o seu acolhimento e a consequência cabível, podendo ser a extinção do processo sem resolução de mérito, a fixação de prazo para a correção do vício (sob pena de extinção) ou, no caso de preliminar de incompetência absoluta, requerer o encaminhamento dos autos ao juízo competente. 4. Verificar a eventual existência de PRESCRIÇÃO ou DECADÊNCIA e também argui-las, caso existam, como prejudicial de mérito. No entanto, neste caso específico o pedido de resolução é COM exame de mérito, conforme manda o Art. 267, inciso IV do CPC.

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PRÁTICA CÍVEL

4º PASSO

VERIFICAÇÃO DE POSSÍVEL INTERVENÇÃO DE TERCEIROS Uma vez ultrapassadas as preliminares, é chegado o momento de se verificar a existência de eventuais intervenções de terceiros. Lembremos que a intervenção de terceiros não e aplica aos procedimentos dos Juizados Especiais Cíveis, conforme redação do Art. 10 da Lei 9.099/95). Na resposta do RÉU é cabível a ele: a) denunciar a lide terceiro (Art. 70 CPC); b) chamar Terceiro ao processo (Art. 77 CPC); c) nomear terceiro à autoria (Art. 62 CPC);

5º PASSO

DEFESA DE MÉRITO Na defesa de mérito, deverão ser combatidos aqueles argumentos que foram utilizados pelo autor para embasar sua pretensão descrita na Petição Inicial. A contestação de algum fato especifico só deverá ocorrer se tal informação acerca de eventual distorção do fato real for dada no enunciado. Deve ser levado em conta aquilo que determina o Art. 302 do CPC, qual seja o ônus da impugnação específica, onde tudo aquilo que foi pedido na inicial deve ser impugnado sob pena de não o sendo, ser considerado verdadeiro. É comum que se utilize o princípio da eventualidade, onde é apresentada, na defesa, uma tese alternativa, caso a tese principal não seja acolhida pelo Juiz. Exemplo: Na Inicial o Autor pede R$ 10.000,00 de indenização a título de Danos Morais. Na contestação, primeiro se contesta totalmente o pedido para que não haja condenação em danos morais. No entanto, utilizando-se do principio da eventualidade, caso o juiz entenda pela procedência do pedido de indenização por danos morais, pede–se que o valor seja reduzido, pois está muito além daquilo que realmente é (eventualmente) devido.

7º PASSO (A)

CONCLUSÃO 1. Após trazidas as razões de Defesa na peça de contestação, parte-se para a as conclusões. 2. Primeiramente, reiterar cada uma das preliminares do arguíveis no caso concreto, pugnando pela extinção do processo sem resolução de mérito, a fixação de prazo para a correção do vício (sob pena de extinção) ou, no caso de preliminar de incompetência absoluta, requerer o encaminhamento dos autos ao juízo competente. 3. Requerer a análise da argüição de PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA, caso exista e desde que ultrapassadas (não acolhidas) as preliminares. 4. Requer-se, mais uma vez, utilizando-se do principio da eventualidade, após ultrapassadas todas as prejudiciais de mérito, que sejam analisadas as possíveis intervenções de terceiro ora levantadas 5. Ultrapassadas todas estas questões, deve-se pedir pela IMPROCEDÊNCIA dos pedidos do Autor. 6. Requerer a intimação do autor para impugnar a contestação, no prazo de 10 dias (arts. 326 e 327/CPC). 7. Requerer a condenação do Autor ao pagamento de custas, despesas processuais e honorários advocatícios. 8. Pugnar pela produção de provas: “provará o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a prova documental, testemunhal, depoimento pessoal do autor (...)” (e outras pertinentes ao caso)

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PRÁTICA CÍVEL

8º PASSO

ENCERRAMENTO 1. Termos em que, Pede deferimento. 2. Local e data... 3. Adv...OAB... 4. Endereço completo para intimação (art. 39, I, CPC)...

2.1

Contestação 1

(Exame de Ordem OAB/MG – Agosto de 2001 – adaptada) Em 01/04/2003, Conceição requereu em juízo a interdição de seu filho Pablo, nascido em 15/03/1973, por anomalia psíquica. Foi nomeada, em 10/04/2003, pelo juízo da 2ª Vara de Família de Belo Horizonte, curadora provisória de Pablo. Em 01/09/2003, Pablo que havia herdado do pai um vultoso patrimônio, vendeu a José, construtor civil, um terreno situado em Uberlândia, tendo sido feito o pagamento no ato da escritura, registrada na mesma data (01/09/2003). José, que nada percebeu quanto à anomalia psíquica de que Pablo, adquiriu o terreno porquanto desejava construir sua casa de morada, antigo sonho, o que efetivamente fez, ficando pronta a construção em 20/01/2004, quando, então, para lá se mudou. No dia 02/05/2004, termina o processo de interdição com a sentença de improcedência: não é apurada anomalia psíquica em Pablo capaz de torná-lo incapaz, motivo pelo qual não é interditado e Conceição deixa de ser sua curadora. Em 02/05/2005, Conceição toma conhecimento da venda efetuada. Em 18/01/2006, José foi surpreendido com a citação para uma ação ajuizada apenas contra ele por Conceição, em seu próprio nome. Nesta ação, pede a autora: a) a nulidade do contrato de compra e venda em face da incapacidade absoluta do primitivo alienante, Pablo; b) o cancelamento dos registros imobiliários efetivados após a venda; c) restituição do imóvel. A ação, a requerimento da parte autora, foi distribuída ao juízo da 2ª Vara de Família da Comarca de Belo Horizonte, sob a alegação de que estaria prevento para dela conhecer em face da anterior ação de interdição. José, desesperado, procura você. ______________________ A seguir, nossa resolução.

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG Autos nº ....

JOSÉ..., nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da carteira de identidade ..., inscrito no CPF sob o nº..., residente e domiciliado em..., vem, por seu procurador abaixo assinado (procuração anexa), nos autos da ação ordinária que lhe move CONCEIÇÃO, já devidamente qualificada, vem, perante V. Exa., apresentar CONTESTAÇÃO, pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir.
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PRÁTICA CÍVEL

I. SÍNTESE DA INICIAL Alega a autora que, em 01/04/2003, requereu, em juízo, a interdição de seu filho Pablo (qualificação), nascido em 15/03/1973, por anomalia psíquica, sendo, em 10/04/2003, nomeada, por este juízo, curadora provisória de Pablo. Esclarece que, em 02/05/2005, tomou conhecimento de que, em 01/09/2003, quando, ainda, em trâmite a referida ação de interdição, Pablo vendeu, conforme escritura anexa, ao réu, o terreno que havia herdado do pai. Informa, ainda, que, no dia 02/05/2004, terminou o processo de interdição de seu filho com a sentença de improcedência, motivo pelo qual Pablo não foi interditado e ela, Conceição, deixou de ser sua curadora. Tendo em vista a realização do contrato de compra e venda no período em que ainda estava em trâmite a ação de interdição de seu filho, pretende a autora, na presente ação, a declaração de nulidade do referido contrato em razão da incapacidade absoluta do primitivo alienante, Pablo; o cancelamento dos registros imobiliários efetivados após a venda e a restituição do imóvel. II. DAS PRELIMINARES II.1 DA PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA Nos termos do art. 91 do Código de Processo Civil, as normas de organização judiciária, ressalvados os casos expressos no mesmo código, regem a competência em razão do valor e da matéria. Relativamente a Belo Horizonte, cumpre salientar que, pela norma de organização judiciária, as varas de família são varas especializadas em lides relacionadas ao direito de família, não julgando litígios referentes a direito real sobre imóvel. Assim, no caso em voga, por versar a ação sobre direito real sobre imóvel, este douto juízo da 2ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte, é absolutamente incompetente para processar e julgar a presente lide, devendo ser o processo remetido para o juízo competente (artigo 113, § 2º, do CPC). Diz-se absolutamente incompetente, pois, quando a lide se funda em direito real sobre imóveis e recai sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obras novas, por força de lei, mais propriamente do art. 95 do CPC, a competência territorial, que é relativa, passa a ser absoluta. Como competência absoluta, é inderrogável por convenção das partes, (artigo 111, CPC), sendo inaplicável o princípio da perpetuatio jurisdictionis. Em consequência também, todos os atos decisórios que venham a ser praticados por juízo incompetente serão nulos. Desse modo, mais uma vez, tendo em vista que a presente ação versa sobre direito de propriedade referente a imóvel sito em Uberlândia, uma vez proposta na comarca de Belo Horizonte, é este juízo absolutamente incompetente em razão do território. Assim, requer a remessa dos autos para a Comarca de Uberlândia, e a distribuição, por sorteio, para uma de suas varas cíveis, haja vista ser este o juízo competente para processar e julgar a presente lide (art. 113, §2º, CPC). II.2 DA PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM Nos termos do art. 3º do CPC, para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. A legitimidade é a titularidade ou aparência de titularidade do direito pleiteado. Excepcionalmente, desde que haja autorização em lei, é possível a substituição processual (art. 6º, CPC).
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PRÁTICA CÍVEL

In casu, a autora ajuizou, em seu próprio nome, a presente ação, onde pretende resguardar possível direito de seu filho, declarado capaz por sentença prolatada em 2004. Percebe-se que ela está a pleitear suposto direito alheio (mais propriamente de seu filho) em nome próprio. Como não há, nesse caso, autorização legal para a substituição processual, é a autora, pois, parte ilegítima para figurar no polo ativo da presente ação. Assim, requer a extinção do processo sem resolução do mérito, por ilegitimidade ativa, nos termos do art. 267, inciso VI, do CPC, com a condenação nos ônus da sucumbência. III. DO MÉRITO Caso não seja acatada a preliminar arguida, ainda assim, no mérito, os pedidos devem ser julgados improcedentes, pelos fatos e fundamentos que se seguem. Nos termos do art. 104 do Código Civil, a validade do negócio jurídico requer agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável; e forma prescrita ou não defesa em lei. In casu, consoante mencionado acima, o réu adquiriu, em 01/09/2003, do Sr. Pablo, filho da autora, o terreno objeto da presente lide, localizado na Rua ......, lote nº........., registrado no livro de Registro de Imóveis nº........ do Cartório de Registro de Imóveis de Uberlândia, MG, mediante o pagamento de R$ ......... (documentos anexos). Consoante se extrai dos documentos carreados aos autos, a aquisição do referido bem foi feita por agentes capazes, não havendo vício no negócio jurídico celebrado entre eles. Ressalte-se que, embora, à época, estivesse em trâmite ação de interdição contra Pablo, foi ela sentenciada em 2004, onde se reconheceu a plena capacidade de Pablo para os atos da vida civil. Portanto, plenamente válido o contrato de compra e venda entre eles celebrado. Ademais, no lote, o réu, que sempre esteve de boa-fé, construiu imóvel destinado à moradia própria, estando a construção, hoje, avaliada em R$............. . Assim, caso V. Exa. não entenda pela validade do negócio jurídico celebrado entre o réu e o Sr. Pablo, o que se admite só por argumentar (princípio da eventualidade), ainda persiste direito dele, réu, de permanecer com a propriedade do imóvel ou, no mínimo, de ser indenizado pela construção que realizou de boa-fé. Nos termos do art. 1.255 do Código Civil, aquele que edifica em terreno alheio, em proveito do proprietário, terá direito à indenização se as construções se procederam de boa fé. O parágrafo único do referido dispositivo legal garante, ainda, à aquisição da propriedade do solo àquele que edificou de boa-fé em terreno alheio, desde que a construção exceda consideravelmente o valor do terreno e haja o pagamento de indenização fixada judicialmente, se não houver acordo. In casu, consoante já dito, o réu é adquirente de boa-fé, sendo pública e notória a construção realizada no imóvel e com isto a valorização dada ao lote alienado no ano de 2003. Assim, na eventualidade de não ser julgado improcedente o pleito autoral nos termos retromencionados, deve este douto juízo, levando em consideração o valor da construção e que a ela excedeu, em muito, o valor do solo, determinar que a propriedade permaneça em nome do réu, e arbitrar o valor da indenização devida à autora. Ainda com base no princípio da eventualidade, caso o réu seja condenado a devolver o terreno à autora, deve ser indenizado pela construção e pelas benfeitorias realizadas no imóvel, devendo os valores serem apurados em posterior fase de liquidação. Pretende, ainda, seja assegurado o direito de retenção do bem até a percepção da indenização.
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PRÁTICA CÍVEL

IV. CONCLUSÃO Diante do exposto, requer a intimação do autor para impugnar a presente contestação. Requer PRELIMINARMENTE: a) seja acolhida a preliminar de incompetência absoluta, determinando-se a remessa dos autos para a Comarca de Uberlândia, e a sua distribuição, por sorteio, para uma de suas varas cíveis, posto ser este o juízo competente para processar e julgar a presente lide. b) seja acolhida a preliminar de ilegitimidade ativa ad causam arguida, extinguindo-se, consequentemente, o processo sem resolução do mérito, nos termos art. 267, inciso VI, do CPC, com a condenação da autora nos ônus de sucumbência. Caso não sejam acatadas as preliminares acima, pede, no MÉRITO, seja julgado improcedente o pedido inicial. Na EVENTUALIDADE de ser julgado procedente o pedido inicial, declarando a nulidade do contrato de compra e venda, cancelando o registro imobiliário e condenando o réu a restituir o imóvel, tudo em respeito ao princípio da eventualidade, pede: a) seja levado em consideração o valor da construção e que ela excedeu consideravelmente o valor do solo, para determinar que a propriedade permaneça em nome do réu, arbitrando, desde já, o valor da indenização devida à autora (1.255, parágrafo único, do CC); b) não sendo este o entendimento de V. Exa., pede seja indenizado o demandado dos valores relativos à construção e às benfeitorias realizadas no lote (art. 1.255 do CC), valores estes a serem apurados em posterior fase de liquidação, bem como seja assegurado o direito de retenção do bem. Por fim, pede a condenação da parte contrária aos ônus de sucumbência. Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em lei, notadamente prova documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal da autora. Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado...... OAB....... Endereço completo do advogado para intimações (art. 39, I, CPC)...

2.2

Exceção de incompetência relativa 1

(Peça simulada) Bento Pequenino, em 06/10/2010, foi atropelado por Brás Cubas, em Santa Luzia, MG. Em função do ocorrido, permaneceu internado por diversos dias, tendo um gasto de R$ 5.000,00, aqui, incluídas as despesas hospitalares e os medicamentos. Pretendo a percepção de indenização pelos danos materiais que sofreu, Bento Pequenino ajuizou a respectiva ação em Betim, posto ser esse seu domicílio. Tendo em vista que a ação está em trâmite na 63ª Vara Cível de Betim, MG, como advogado do réu Brás Cubas, que reside em Santa Luzia, apresente a medida cabível para questionar a competência do referido juízo.
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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, o espelho de correção. Deve-se redigir uma exceção de incompetência relativa (art. 112, 297, 299, 304 a 311, do CPC).

1º PASSO

PROCEDIMENTO Por se tratar de exceção de incompetência relativa (art. 112, CPC), o procedimento está previsto nos artigos 304 a 311do CPC.

2º PASSO

JUIZO COMPETENTE O juízo competente é o da 63ª Vara Cível da comarca de Betim/MG: EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 63ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE BETIM/MG

• A exceção pode ser protocolizada no juízo de domicílio de réu, in casu, Santa Luzia, com o requerimento de sua imediata remessa ao juízo que determinou a citação (art. 305, parágrafo único, CPC), no caso, 63ª Vara Cível da comarca de Betim. Atente-se, no entanto, para o fato de que isso não muda o juízo competente para processá-la e julgá-la, que é aquele que determinou a citação. • A exceção é processada em apenso aos autos principais e é dirigida ao juiz da causa (art. 299, CPC). 3º PASSO PREÂMBULO BRÁS CUBAS, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da carteira de identidade no..., inscrito no CPF sob nº..., residente e domiciliado em..., Santa Luzia, MG, CE ..., vem, respeitosamente, por seu procurador infra-assinado (procuração anexa), perante V. Exa., opor EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA RELATIVA em face de BENTO PEQUENINO, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da carteira de identidade no..., inscrito no CPF sob nº..., residente e domiciliado em..., Betim, MG, CEP..., conforme razões que se seguem. 4º PASSO Fatos CAUSA DE PEDIR Propositura da ação de indenização por danos materiais no domicílio do autor, ou seja, em Betim, MG. 5º PASSO Fundamentos Jurídicos CAUSA DE PEDIR • Incompetência relativa: art. 100, V, “a”, CPC.

É competente o foro do lugar do ato ou fato para a ação de reparação do dano. In casu, o fato ensejador dos danos materiais supostamente sofridos pelo autor, doravante excepto, ocorreram em Santa Luzia, MG. Logo, este é o juízo competente para processar e julgar a lide, e não Betim, onde foi ajuizada a ação.

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PRÁTICA CÍVEL

6º PASSO

DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Deve-se pedir/requerer: • que a exceção de incompetência seja recebida e autuada em apenso (art. 299, CPC), sendo ordenada a suspensão da causa principal (art. 265, III c/c art. 306, CPC) e do prazo para resposta (art.180/CPC); que seja ouvido o excepto em 10 (dez) dias e, se for o caso, seja designada audiência de instrução (arts. 308 e309, CPC). que os autos sejam remetidos ao juízo competente, qual seja, comarca de Santa Luzia, onde será feita a distribuição, por sorteio, para uma de suas varas de cíveis.

• •

provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas, em especial documental. 7º PASSO (A) ENCERRAMENTO a) Nestes termos, pede deferimento. b) Local e data... c) Advogado... OAB...

2.3

Exceção de impedimento 1

(Peça simulada) Capitu de Assis, brasileira, casada, do lar, residente e domiciliada na Rua dos Antúrios, 144, bairro Luz, Belo Horizonte, MG, ajuizou ação de divórcio (autos do processo nº 004/10) em face de Brás Cubas, brasileiro, casado, engenheiro, residente e domiciliado na Rua das Begônias, bairro Nova Luz, Belo Horizonte, MG. Brás Cubas, após ser citado, procurou seu escritório de advocacia, para que seja apresenta defesa em seu nome. Na oportunidade, ele lhe informou que a ação foi distribuída para 1ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte, MG, onde o juiz titular é tio da autora. Para comprovar suas alegações, Brás Cubas indicou o nome de algumas testemunhas e lhe apresentou alguns documentos. Diante dessa informação, apresente a medida judicial cabível. ________________________________ A seguir, o espelho de correção. Deve-se redigir uma exceção de impedimento (art. 112, 297, 299, 304 a 306, 312 a 314 do CPC).

1º PASSO

PROCEDIMENTO Por se tratar de exceção de impedimento, o procedimento está previsto nos artigos 312 a 314 do CPC.

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PRÁTICA CÍVEL

2º PASSO

JUIZO COMPETENTE O juízo competente é o da 1ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte, MG: EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG • A exceção é processada em apenso aos autos principais e é dirigida ao juiz da causa (arts. 299 e 312, CPC).

3º PASSO

PREÂMBULO BRÁS CUBAS, brasileiro, casado, engenheiro, portador da carteira de identidade no ..., inscrito no CPF sob nº..., residente e domiciliado na Rua das Begônias, bairro Nova Luz, Belo Horizonte, MG, CEP ..., vem, respeitosamente, por seu procurador infraassinado (procuração anexa), perante V. Exa., opor EXCEÇÃO DE IMPEDIMENTO em face do Exmo. Sr. MARCOS DORES, juiz de direito deste juízo da 1ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte,MG, conforme razões que se seguem. Obs.: Se não houver erro na qualificação do réu na petição inicial, não há necessidade repeti-la.

4º PASSO Fatos

CAUSA DE PEDIR O juiz da 1ª Vara de Família de Belo Horizonte, onde tramita a ação de divórcio proposta contra o excipiente, é tio da autora do referido feito.

5º PASSO Fundamentos Jurídicos

CAUSA DE PEDIR Impedimento do juiz: Art. 134, V, do CPC. O juiz é obrigado a se dar por impedido quando cônjuge, parente, consanguíneo ou afim, de alguma das partes, em linha reta ou, na colateral, até o terceiro grau. In casu, a Sra. Capitu de Assis, autora da ação de divórcio proposta contra o excipiente, é sobrinha do d. magistrado titular desta vara (1ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte), o que configura parentesco em 3º grau, na linha colateral, nos termos da Lei Civil, e, portanto, enseja o impedimento do referido magistrado para processar e julgar o feito em comento.

6º PASSO

DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Deve-se pedir/requerer: a) que seja recebida a exceção e mandado autuá-la em apenso (art. 299, CPC), bem como ordenada a suspensão da causa principal (art. 265, III, CPC) e do prazo para resposta (art.180/CPC); b) que V. Exa. se dê por impedido, ordenando a remessa dos autos ao seu substituto legal, ou, se assim não entender, que apresente suas razões e determine a remessa dos autos ao egrégio Tribunal de Justiça, na forma do art. 313 do Código de Processo Civil, para que seja designado outro Juiz de Direito para instruir e julgar apresente demanda; c) provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas, em especial documental; d) a juntada dos documentos anexos e do rol de testemunhas (documento anexo).

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PRÁTICA CÍVEL

7º PASSO (A)

ENCERRAMENTO a) Nestes termos, pede deferimento. b) Local e data... c) Advogado... OAB...

2.4

Exceção de suspeição

(Peça simulada) Capitu de Assis, brasileira, casada, do lar, residente e domiciliada na Rua dos Antúrios, 144, bairro Luz, Belo Horizonte, MG, ajuizou ação de divórcio (autos do processo nº 004/10) em face de Brás Cubas, brasileiro, casado, engenheiro, residente e domiciliado na Rua das Begônias, bairro Nova Luz, Belo Horizonte, MG. Brás Cubas, após ser citado, procurou seu escritório de advocacia, para que seja apresenta defesa em seu nome. Na oportunidade, ele lhe informou que a ação foi distribuída para 1ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte, MG, onde o juiz titular é amigo íntimo da autora. Para comprovar suas alegações, Brás Cubas indicou o nome de algumas testemunhas e lhe apresentou alguns documentos. Diante dessa informação, apresente a medida judicial cabível. ________________________________ A seguir, o espelho de correção. Deve-se redigir uma exceção de suspeição (art. 112, 297, 299, 304 a 307, 312 a 314 do CPC).

1º PASSO

PROCEDIMENTO Por se tratar de exceção de suspeição, o procedimento está previsto nos artigos 312 a 314 do CPC.

2º PASSO

JUIZO COMPETENTE O juízo competente é o da 1ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte, MG: EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG • A exceção é processada em apenso aos autos principais e é dirigida ao juiz da causa (arts. 299 e 312, CPC).

3º PASSO

PREÂMBULO BRÁS CUBAS, brasileiro, casado, engenheiro, portador da carteira de identidade no ..., inscrito no CPF sob nº..., residente e domiciliado na Rua das Begônias, bairro Nova Luz, Belo Horizonte, MG, CEP ..., vem, respeitosamente, por seu procurador infraassinado (procuração anexa), perante V. Exa., opor EXCEÇÃO DE IMPEDIMENTO em face do Exmo. Sr. MARCOS DORES, juiz de direito deste juízo da 1ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte,MG, conforme razões que se seguem. Obs.: Se não houver erro na qualificação do réu na petição inicial, não há necessidade repeti-la.

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PRÁTICA CÍVEL

4º PASSO Fatos

CAUSA DE PEDIR O juiz da 1ª Vara de Família de Belo Horizonte, onde tramita a ação de divórcio proposta contra o excipiente, é amigo íntimo da autora do referido feito.

5º PASSO Fundamentos Jurídicos

CAUSA DE PEDIR Suspeição do juiz: Art. 135, I, do CPC. O juiz deve se dar por suspeito quando amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes. In casu, a Sra. Capitu de Assis, autora da ação de divórcio proposta contra o excipiente, é amiga íntima do d. magistrado titular desta vara (1ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte), o que enseja, portanto, a suspeição do d. magistrado para processar e julgar o feito em comento.

6º PASSO

DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Deve-se pedir/requerer: a) que seja recebida a exceção e mandado autuá-la em apenso (art. 299, CPC), bem como ordenada a suspensão da causa principal (art. 265, III, CPC) e do prazo para resposta (art.180/CPC); b) que V. Exa. se dê por suspeito, ordenando a remessa dos autos ao seu substituto legal, ou, se assim não entender, que apresente suas razões e determine a remessa dos autos ao egrégio Tribunal de Justiça, na forma do art. 313 do Código de Processo Civil, para que seja designado outro Juiz de Direito para instruir e julgar apresente demanda. c) a juntada dos documentos anexos e do rol de testemunhas (documento anexo).

7º PASSO (A)

ENCERRAMENTO a) Nestes termos, pede deferimento. b) Local e data... c) Advogado... OAB...

2.5

Impugnação ao pedido de justiça gratuita

(Peça adaptada de CHAVES, Luís Cláudio da Silva, Prática forense cível e Exame de Ordem. 3.ed. Belo Horizonte: Mandamentos, 2004, p. 124-126) Você foi procurado, em seu escritório, pelo Sr. Fábio Atentoatudo, brasileiro, casado, professor, residente e domiciliado, em Santa Luzia, MG, que lhe informou ter sido citado para apresentar defesa nos Autos nº 0002/10, referente à ação de indenização ajuizada pelo Sr. Marcos Sovina, em trâmite na 52ª Vara Cível da Comarca de Santa Luzia, MG. Fábio lhe esclarece que o Sr. Marcos não é hipossuficiente, embora pleiteie a concessão dos benefícios da justiça gratuita, sob o argumento de que está em precário estado financeiro, não tendo condições de arcar com os custos do processo sem prejuízo do sustento próprio e de sua filha. Comprovando a situação financeira de Marcos, tem-se a afirmação feita por ele, à segunda página da petição inicial, de que percebe, por dia, R$ 200,00. Diante disso, faça a devida impugnação do pedido de justiça gratuita. __________________________
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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, a resolução adaptada.

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 52ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE SANTA LUZIA - MG

Distribuição por dependência aos Autos nº 0002/10

FÁBIO ATENTOATUDO, brasileiro, casado, professor, residente e domiciliado, inscrito no CPF sob o nº...., portador da CI. ......., residente e domiciliado na Rua ...., nº ...., bairro ....., CEP ....., em Santa Luzia, MG, vem, respeitosamente, perante V. Exa., propor a presente IMPUGNAÇÃO AO PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA, em face de MARCOS SOVINA, já qualificado nos autos da ação de indenização em epígrafe, pelos seguintes fatos e fundamentos de direito: I. DOS FATOS E FUNDAMENTOS O impugnado requereu, em sede Ação de Indenização (Autos nº 002/10), o benefício da justiça gratuita, tendo afirmado na peça exordial que está em precário estado financeiro e sem condições de arcar com os custos do presente processo, sem prejuízo próprio e de sua filha. Entretanto, em que pese esta afirmação, não existe coerência na narrativa de fatos de sua petição inicial, estando o autor em clara e evidente má-fé, procurando apenas ludibriar o Poder Judiciário. Isto porque o próprio impugnado, autor da referida ação, alega, na segunda página de sua petição inicial, que percebe rendimentos de R$ 200,00 (duzentos reais) por dia. Ora, data venia, se o impugnado afirma, expressamente, que recebe quase R$ 6.000,00 (seis mil reais) por mês, não poderia, na mesma peça processual, alegar precário estado financeiro. Ressalte-se que o pedido demonstra a má-fé do impugnado, que pretende locupletar-se à custa do impugnante ou do Estado. O benefício da assistência judiciária é devido somente àqueles que, realmente não tenham condições de arcar com os custos de um processo judicial, o que não é o caso do ora impugnado, levando-se em conta suas próprias alegações. O benefício somente deve ser concedido às pessoas previstas no parágrafo único do art. 2º da Lei 1.060/50, ou seja, àqueles realmente necessitados, in verbis: Art. 2º Gozarão dos benefícios desta lei os nacionais ou estrangeiros residentes no país, que necessitarem recorrer à Justiça penal, civil, militar ou do trabalho. Parágrafo único. - Considera-se necessitado, para os fins legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou da família.

No presente caso, o próprio impugnado alega uma renda diária superior ao percebido por 70% da população brasileira. Diante desta flagrante incoerência na sua petição inicial, o impugnado não faz jus aos benefícios da justiça gratuita. Por esta razão, também se deve, em observância ao art. 4º, §1º, da Lei 1.060/50, condenar o impugnado ao pagamento de custas processuais equivalentes até o décuplo do valor original.
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PRÁTICA CÍVEL

II. DOS REQUERIMENTOS Isto posto, requer a intimação do impugnado, nos moldes previstos pela legislação vigente, para, querendo, se manifestar no presente feito, no prazo legal. Requer, também, que encerrada a instrução processual, sejam os pedidos, aqui formulados, julgados integralmente procedentes para negar o pedido de justiça gratuita feito pelo autor, ora impugnado, nos autos da ação de indenização (Autos nº 002/10), condenando-o ao pagamento de valor equivalente até o décuplo do valor original.
Requer provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas, em especial a prova documental. Por fim, requer a autuação do presente feito em apartado, nos termos do art. 4º, §2º, da Lei 1.060/50.

Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações (Art. 39, I, CPC)...

2.6

Impugnação ao valor da causa 1

(Peça simulada) Jorginho, menor, representado pela sua genitora, Margarida Mara, brasileira, divorciada, do lar, residente e domiciliada na Rua dos Lírios, 144, bairro Luz, Belo Horizonte, MG, ajuizou ação de alimentos (autos do processo nº 134/10) em face de Jorge Mendes, brasileiro, divorciado, engenheiro, residente e domiciliado na Rua das Begônias, bairro Nova Luz, Belo Horizonte, MG. Jorge Mendes, após ser citado, procurou seu escritório de advocacia, para que seja apresenta defesa em seu nome. Na oportunidade, ele lhe entregou a contra-fé, onde constava, como valor pretendido a título de pensão alimentícia, a importância de R$ 1.000,00 (mil reais) mensais. Foi atribuído à causa o valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais). O juízo onde tramita o feito é da 15ª Vara de Família de Belo Horizonte, MG. Diante dessa informação, apresente a medida judicial cabível. ________________________________ A seguir, o espelho de correção. 1º PASSO PROCEDIMENTO Por se tratar de impugnação ao valor da causa, o procedimento está previsto no art. 261 do CPC. JUIZO COMPETENTE O juízo competente é o da 15ª Vara de Família da comarca de Belo Horizonte, MG: EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 15ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG • A impugnação ao valor da causa é processada em apenso aos autos principais e dirigida ao juiz da causa (art. 261, CPC).
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2º PASSO

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PRÁTICA CÍVEL

3º PASSO

PREÂMBULO JORGE MENDES, brasileiro, divorciado, engenheiro, inscrito no CPF sob o nº..., portador da CI..., residente e domiciliado na Rua das Begônias, bairro Nova Luz, Belo Horizonte, MG.em Belo Horizonte, MG, vem, através de seu procurador in fine, nos autos de AÇÃO DE ALIMENTOS (processo nº 134/10), que lhe é movida por JORGINHO, representado pela sua genitora, Margarida Mara, ambos lá qualificados, apresentar IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA, com fundamento no artigo 261 e seguintes do Código de Processo Civil, pelas razões que se seguem.

4º PASSO Fatos

CAUSA DE PEDIR O autor pretende a percepção de pensão alimentícia no valor de R$ 1.000,00 (mil reais), mas dá à causa o valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais).

5º PASSO Fundamentos Jurídicos

CAUSA DE PEDIR • Incorreta fixação do valor da causa: Art. 259, VI, do CPC.

O valor da causa, na ação de alimentos, corresponde à soma de doze prestações mensais pedidas pelo autor. Como, in casu, a prestação mensal pretendida pelo autor corresponde a R$ 1.000,00 (mil reais), o valor a ser dado a causa são R$ 12.000,00 (doze mil reais).

6º PASSO

DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Deve-se pedir/requerer: a) que seja ouvido o requerido em cinco dias e, após, julgada procedente a impugnação para que se fixe corretamente o valor da causa em R$ 12.000,00

7º PASSO (A)

ENCERRAMENTO a) Nestes termos, pede deferimento. b) Local e data... c) Advogado... OAB...

2.7

Reconvenção 1

(Peça simulada) Clotilde América, brasileira, separada judicialmente, residente e domiciliada em Belo Horizonte, ajuizou ação de alimentos em face de seu ex-marido, Brás Cubas, brasileiro, separado judicialmente, residente e domiciliado na Rua Luz, nº 415, apartamento 105, bairro Santa Clara, em Belo Horizonte, ao argumento de que, após a separação, que se deu de forma amigável, ficou extremamente onerada com o pagamento do aluguel do imóvel onde reside e de suas demais despesas. Logo, diante de sua necessidade e face à possibilidade de Brás Cubas pagar-lhe uma pensão, pretende a percepção de pensão mensal no valor de R$ 1.000,00 (mil reais). Entre os documentos apresentados pela autora, está seu contra-cheque, onde está indicado que seu salário mensal é de R$ 2.000,00 (dois mil reais), bem como os dados de seu empregador.
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PRÁTICA CÍVEL

A ação foi distribuída para a 44ª Vara de Família de Belo Horizonte, MG. Brás Cubas, diante da citação, procurou seu advogado e lhe informou que não tem condições de arcar com o pagamento de pensão para Clotilde. Ele esclarece que, durante o período em que foram casados, tinha uma renda mensal de R$3.000,00 (três mil reais). No entanto, após desavenças com seu empregador, acabou sendo dispensado, estando, atualmente, desempregado e, até mesmo, com dificuldades para prover o próprio sustento. Comprovando o alegado, Brás Cubas entrega ao seu advogado cópia de sua CTPS. Diante disso, Brás Cubas foi orientado a apresentar contestação e também a formular pedido de alimentos. Considerando o caso supramencionado, redija, em favor de Brás Cubas, a peça processual apropriada para o referido pleito. _______________________________ A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 44ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE -MG Autos do processo nº .... BRÁS CUBAS, brasileiro, separado judicialmente, profissão ...., portador da carteira de identidade nº ....., inscrito no CPF sob o nº ...., residente e domiciliado na Rua Luz, nº 415, apartamento 105, bairro Santa Clara, em Belo Horizonte, vem, respeitosamente, perante V. Exa., através de seu procurador abaixo-assinado, apresentar RECONVENÇÃO em face de CLOTILDE AMÉRICA, brasileira, separada judicialmente, profissão ..., portadora da carteira de identidade nº ....., inscrita no CPF sob o nº ...., residente e domiciliada na Rua ...., nº ...., bairro ....., CEP ....., em Belo Horizonte, MG, pelos seguintes fatos e fundamentos. I. DOS FATOS E FUNDAMENTOS

Está em trâmite, perante este d. juízo da 44ª Vara de Família, ação de alimentos (autos do processo nº .......) movida pela autora-reconvinda em face do réu-reconvinte, onde pretende a percepção de pensão alimentícia mensal no valor de R$ 1.000,00 (mil reais). A reconvinda argumenta, para tanto, que, após a separação, ficou extremamente onerada com o pagamento do aluguel do imóvel onde reside e de suas demais despesas. Esclarece o reconvinte, no entanto, que, conforme cópia de CTPS anexa, está, atualmente, desempregado e, até mesmo sem condições de prover o próprio sustento, ao contrário da reconvinda, que se encontra empregada e com uma renda mensal de R$ 2.000,00 (dois mil reais), conforme contra-cheque juntado à fl.... dos autos da ação de alimentos por ela movida. Tendo em vista que o reconvinte e a reconvinda são separados judicialmente e que a separação se deu de forma consensual, bem como diante da necessidade dele, reconvinte, em receber alimentos e da possibilidade da reconvinda em prestá-los, pretende ele, portanto, a condenação desta ao pagamento mensal de pensão alimentícia no valor de R$ 800,00 (oitocentos reais), com fulcro no art. 1.704 do Código Civil, que assim estabelece: Art. 1.074: Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação judicial. Face à comprovada necessidade do reconvinte em receber imediatamente os alimentos, caso é de se determinar o pagamento de alimentos provisórios, nos termos do art. 4º da Lei 5.478/69, no importe de R$ 800,00 (oitocentos reais) mensais, consoante mencionado acima. Pretende, ainda, o reconvinte que os alimentos sejam descontados em folha de pagamento da reconvinda e depositados na conta ....., agência ....., Banco ...., motivo pelo qual se deve oficiar ao empregador desta (constante do contra-cheque).
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PRÁTICA CÍVEL

II.

DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer a intimação da reconvinda para, comparecer em audiência (art. 5º, §§ 2º e 8º, Lei 5.478/68) e, querendo, contestar a presente reconvenção (art. 316 do CPC), sob pena de se aplicar os efeitos da revelia. Requer seja julgado procedente o pedido formulado para que se fixem os alimentos provisórios em R$ 800,00 (oitocentos reais) mensais, que deverão ser descontados em folha de pagamento da reconvinda, oficiando-se ao empregador e depositando-os na seguinte conta corrente reconvinte: Banco..., agência .........., c/c nº......... Requer que, em final sentença, seja a reconvinda condenada ao pagamento mensal de pensão alimentícia, no importe de R$ 800,00 (oitocentos reais), bem como ao pagamento de custas, despesas e honorários advocatícios. Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente prova documental e testemunhal. Requer a concessão do benefício da Justiça Gratuita, por não ter condições de arcar com o pagamento de custas e despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento, nos termos da Lei 1.060/50. Dá à causa o valor de R$ 9.600,00 (nove mil e seiscentos reais), nos termos do art. 259, VI, do CPC. Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB...

3 3.1

RÉPLICA E MEMORIAL(ALEGAÇÕES FINAIS) Réplica ou Impugnação à Contestação

Após a apresentação da Contestação pelo Réu, o Autor terá o direito de se manifestar acerca das alegações trazidas na peça de defesa. A peça cabível para referida manifestação do Autor é chamada de RÉPLICA ou IMPUGNAÇÃO À CONTESTAÇÃO. A previsão legal está contida no Artigo 326 do CPC e o prazo para sua apresentação é de 10(dez) dias. A réplica será necessária na medida em que o Réu sustentar questão de caráter impeditivo, modificativo ou extintivo de direito do autor ou, ainda alegar preliminares em sua contestação. Fatos impeditivos e extintivos são aqueles que podem conduzir à improcedência total dos pedidos do Autor e os fatos modificativos podem determinar que os pedidos do autor não sejam acolhidos em sua totalidade. Em razão disso, sob a luz do principio do contraditório, é que conferido ao autor da demanda o direito de manifestação através de Impugnação à Contestação. Ao elaborar a Réplica, é importante se ater ao combate dos fatos sustentados pelo Réu em defesa, sendo defeso inovar nos pedidos já feitos na inicial. A Impugnação é, também, mais uma oportunidade para se reiterar aquilo que já foi pedido na peça de ingresso.

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PRÁTICA CÍVEL

(Exame de Ordem OAB/CESPE - 2010.1) Júlia ajuizou ação sob o rito ordinário, distribuída à 34.ª Vara de Família de São Paulo – SP, com o objetivo de ver declarada a existência de união estável que alega ter mantido, de 1989 a 2005, com Jonas, já falecido. Arrolou a autora, no polo passivo da lide, o nome dos herdeiros de Jonas, que, devidamente citados, apresentaram contestação no prazo legal. Preliminarmente, os réus alegaram que: • o pedido seria juridicamente impossível, sob o argumento de que Jonas, apesar de não viver mais com sua esposa havia vinte anos, ainda era casado com ela, mãe dos réus, quando falecera, algo que inviabilizaria a declaração da união estável, por ser inaceitável admiti-la com pessoa casada; • a autora não teria interesse de agir, sob o argumento de que Jonas não deixara pensão de qualquer origem, sendo inútil a ela a simples declaração; • o pedido encontraria óbice na coisa julgada, sob o fundamento de que, em oportunidade anterior, a autora ajuizara, contra os réus, ação possessória na qual, alegando ter sido companheira do falecido, pretendia ser mantida na posse de imóvel pertencente ao último, tendo sido o julgamento dessa ação desfavorável a ela, sob a fundamentação de que não teria ocorrido a união estável; • haveria litispendência, sob o argumento de que já tramitava, na 1.ª Vara de Órfãos e Sucessões de São Paulo – SP, ação de inventário dos bens deixados pelo falecido, devendo necessariamente ser discutido naquela sede qualquer tema relativo a interesse do espólio, visto que o juízo do inventário atrai os processos em que o espólio é réu. No mérito, os réus aduziram que Jonas era homem dado a vários relacionamentos e, apesar de ter convivido com a autora sob o mesmo teto, tinha uma namorada em cidade vizinha, com a qual se encontrava, regularmente, uma vez por semana, no período da tarde. Considerando as matérias suscitadas na defesa, o juiz conferiu à autora, mediante intimação feita em 21/9/20XX (segunda-feira), prazo para manifestação. Considerando a situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a) contratado(a) por Júlia, redija a peça processual cabível em face das alegações apresentadas na contestação. Date o documento no último dia de prazo.

______________________ A seguir, nossa resolução. EXCELENTISSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 34ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE SÃO PAULO - SP Autos nº ................

JÚLIA, já devidamente qualificada nos autos da AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL movida em face..., vem, respeitosamente, perante V. Exa., através de seu procurador infra-assinado, apresentar sua IMPUGNAÇÃO À CONTESTAÇÃO, pelos fatos e fundamentos que passa a expor:

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PRÁTICA CÍVEL

I.

RESUMO DOS FATOS

A presente demanda refere-se a AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL pela qual a autora pleiteia ver reconhecida a relação que viveu com Jonas, seu companheiro já falecido, entre o período de 1989 a 2005. Os Réus, filhos de Jonas, foram devidamente citados e apresentaram contestação através da qual pugnam pela improcedência dos pedidos, além de argüirem, em sede preliminar questões prejudiciais de mérito. Desta forma, a Autora vem aos autos para impugnar o que fora sustentado, conforme razões a seguir. II. PRELIMINAR DE IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO

Sustem os Réus, preliminarmente, que o pedido seria juridicamente impossível ante ao fato de que o Sr. Jonas ainda era casado com sua esposa, muito embora não mais vivesse com a mesma há mais de 20 (vinte) anos. Desta sorte, a União Estável restaria prejudicada uma vez que não poderia haver reconhecimento de referida relação haja vista a existência de casamento civil pré-existente. No entanto, nenhuma razão assiste aos Réus. No caso em tela, não há que se falar em impossibilidade jurídica do pedido, uma vez que os pedidos da autora são perfeitamente admitidos pelo ordenamento jurídico brasileiro no mesmo passo em que não recaem quaisquer vedações sobre o direito pretendido. Ocorre que os Réus invocam o Art. 1.521, inciso VI do CC/2002 que é taxativo ao dizer que não podem casar as pessoas já casadas. No entanto, esqueceram-se da norma contida no Art. 1723, § 1º a qual é cristalina ao estabelecer que o impedimento do Inciso VI do Art. 1.521 não se aplicará se a pessoa casada se achar SEPARADA DE FATO. Ora! Os próprios Réus admitem em sua defesa que o Sr. Jonas já não vivia mais com sua esposa há mais de 20 anos. Tem-se aí típico caso de separação de fato, motivo pelo qual não há que se falar em qualquer tipo de impedimento. Eis que, portanto, fica cabalmente demonstrada a possibilidade jurídica do pedido não merecendo prosperar a presente preliminar, razão pela qual fica desde já impugnada.

III.

DA PRELIMINAR SOBRE AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR

Os réus alegam que não haveria interesse de agir por parte da autora pelo simples fato de que o de cujus não deixou qualquer tipo de pensão, razão pela qual a pestação jurisdicional que se invoca seria inócua. Mais uma vez, a razão não está do lado dos Réus. Isto porque, a declaração de União Estável não visa apenas a questão envolvendo a condição de beneficiária de pensão como aduzem os Réus. É direito da companheira a participação no patrimônio construído durante a União. Não bastasse tal fato, é direito da companheira obter para si sentença declaratória acerca de uma relação jurídica que verdadeiramente existiu. Assim, não há que se falar em ausência de interesse de agir por parte da autora, oportunidade na qual impugna-se a preliminar em comento.

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PRÁTICA CÍVEL

IV.

DA PRELIMINAR DE COISA JULGADA

Em outra preliminar levantada pelos Réus, discute-se a tese de que haveria prejudicial de mérito envolvendo a coisa julgada. No entanto, tal entendimento não é o mais correto que deve ser adotado ao caso em tela. Ocorre que em oportunidade anterior a autora chegou a ajuizar, contra os mesmos Réus, Ação Possessória vindicando ser mantida na posse do imóvel de seu companheiro, pai dos Réus. Ato contínuo, referida demanda foi julgada Improcedente, contendo a sentença fundamentação embasada no fato de que, àquela época, não estava demonstrada a existência de União Estável. Note-se que a causa de pedir e os pedidos daquela demanda não versavam sobre União Estável em si, mas apenas questão envolvendo direito possessório, que nada tem a ver com o pleito do presente processo. Neste diapasão, não há que se falar em identidade de pedidos e causa de pedir entre as duas ações e tampouco coisa julgada formal e material que possa se constituir fato extintivo da presente demanda. Em outros termos, fica fácil concluir que não existe a menor correlação entre um processo e outro, razão pela qual não existe coisa julgada que diz respeito ao pedido de reconhecimento e declaração de União Estável. Desta forma, resta impugnada a preliminar de coisa julgada.

V.

DA PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA

Por derradeiro, os Réus suscitaram preliminarmente que haveria ocorrência de litispendência haja vista que se encontra em trâmite na 1ª Vara de Sucessões de São Paulo, processo de inventário dos bens deixados por Jonas. Logo de início fica fácil verificar que não existe a menor chance de ocorrência de litispendência. As duas ações possuem pedidos, partes e causa de pedir distintas uma da outra. Ademais, é cediço que ao passo que o processo de Inventário é de competência da Vara de Sucessões, o pedido de reconhecimento de União Estável é de competência da Vara de Família. Desta forma não poderia ocorrer sequer atração do foro justamente por se tratar de duas ações bem distintas. Portanto, estando afastada a hipótese do ar. 301, §§ 1º e 3º do CPC, não há que se falar em litispendência restando, pois, impugnada a prelininar.

VI.

DO MÉRITO - DA UNIÃO ESTÁVEL

Quanto ao mérito, os réus tentam conduzir Vossa Excelência ao entendimento equivocado de que o Sr. Jonas era homem dado a vários relacionamentos e, apesar de ter convivido com a autora sob o mesmo teto, tinha uma namorada em cidade vizinha, com a qual se encontrava, regularmente, uma vez por semana, no período da tarde. Data maxima venia, tal alegação não é capaz de desconstituir o bom direito que acompanha a Autora. Convém ressaltar que o art. 1.723 do Código Civil de 2002, prevê o reconhecimento da União Estável entre o homem e a mulher, como entidade familiar, desde que haja convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. E é este exatamente o caso em tela no qual a autora e o Sr. Jonas relacionaram-se de forma pública, contínua, duradoura e com o objetivo de constituição de família, durante anos a fio, restando como infundadas as alegações de outros relacionamentos, até mesmo porque nenhuma prova foi produzida neste sentido.
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PRÁTICA CÍVEL

E ainda que se comprovassem tais relacionamentos, em nada mudaria a situação de União Estável da Autora com Jonas, pois estas supostas relações não tinham os contornos de uma União Estável. Logo, tais supostos relacionamentos não poderiam, jamais, desconstituir a relação da Autora com Jonas. Ora! Os próprios réus confessaram em sua contestação que os supostos namoros de Jonas eram ocasionais, por períodos curtos e “apenas na parte da tarde”. Por fim, restou apenas a conclusão de que não merecem acolhida as razões de defesa dos Réus, pois em momento algum trouxeram fato realmente relevante ao combate da lide. Muito pelo contrário, ficou ainda mais evidente que a pretensão da autora é robusta e verdadeira. Nenhuma prova, inclusive, foi produzida pelos Réus, o que apenas demonstra a fragilidade de suas alegações. Neste espeque, reitera-se os pedidos formulados na inicial pugnando-se pela procedência total dos pedidos da autora.

VII.

PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante de todo o exposto, a Autora impugna as preliminares suscitadas, batendo-se pelo não acolhimento das mesmas. Por derradeiro, reitera pela total procedência dos seus pedidos já devidamente formulados na Petição Inicial. Termos em que, Pede deferimento. São Paulo, 01 de outubro de 20.... (obs: a data de 01 de outubro é proposital haja vista que a questão pedia que se protocolizasse a Impugnação no último dia do prazo). Advogado...OAB...

3.2

Alegações Finais (ou Razões Finais) em Memorial.

Segundo o art. 454, §3º do CPC o juiz poderá requerer, em causas que apresentem questões complexas de fato e de direito, que as partes apresentem memoriais. Trata-se de alegações finais onde cada parte, autor e/ou réu, apontam os fatos mais relevantes e que convergem com seu interesse no processo. Neste momento, a inicial já foi contestada, já houve apresentação de impugnação à contestação e já ocorreu a instrução. Ademais, nas alegações finais temos o último momento para pugnar pela produção de prova em circunstância do depoimento de testemunhas ou depoimento pessoal de uma das partes. Exceto tal fato, só serão admitidos documentos novos (art. 397 do CPC). Portanto, os memoriais são petições incidentais apresentadas nos autos do processo e que contêm uma espécie de “resumo” que aponta aquilo que de mais relevante interessa à parte. A seguir, trazemos um exemplo de situação típica de memorial: (Peça simulada) No caso abaixo, suponha que você seja advogado do Autor. Trata-se de Ação Ordinária de Indenização por Danos Materiais e Morais, onde o Autor, cliente do “Banco do Dinheiro”, pede pela reparação e material sofrida em decorrência de ato culposo do banco. A ação tramita perante a 1ª Vara Cível de Belo Horizonte. Ocorre que Sr. Haroldo, Autor, idoso de 70 anos, mas em pleno gozo de suas capacidades civis, se dirigiu à agencia do Banco réu mais próxima de sua residência, como sempre fazia de costume para pagamento de suas contas.
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PRÁTICA CÍVEL

Já no interior da agência bancária, às 11:00 da manha, de um dia útil, ou seja com o banco em pleno funcionamento, Haroldo foi orientado por um funcionário do banco réu a efetuar o pagamento em um dos caixas eletrônicos que também ficavam no interior da agência. Quando do seu atendimento no caixa eletrônico, o Sr. Haroldo, no momento que fazia o pagamento de suas contas, teve seu cartão bancário retido pela máquina e solicitou ajuda a um funcionário do banco devidamente identificado e que, inclusive, vestia um uniforme. O suposto funcionário retirou o cartão da maquina e o devolveu a Sr. Haroldo, o qual finalizou o pagamento da sua conta e retornou à sua residência. No entanto, para surpresa de Haroldo, ao verificar no dia seguinte seu extrato bancário, notou que seu saldo de aproximadamente R$ 40.000,00 havia sido todo gasto entre compras, saques e transferências. Não obstante, verificou, ainda, que um empréstimo de R$ 20.000,00 havia sido contraído e também transferido para outras contas de terceiros. Imediatamente Haroldo procurou o gerente de sua conta em sua agencia bancaria onde ficou constatado que falsários trocaram o cartão do Autor, dentro da agência, no episodio do dia anterior quando seu cartão ficou retido no caixa eletrônico e realizaram as operações bancarias que totalizaram R$ 60.000,00 de prejuízo ao Autor. No entanto, o Banco do Dinheiro recusou-se a devolver a quantia gasta pelos golpistas e também recusou-se a estornar o empréstimo realizado pelos mesmos, tudo sob a alegação de que o cliente é que é responsável pelo seu cartão. Na presença de vários outros clientes, o gerente ainda afirmou que o autor, em razão da sua idade avançada foi quem negligenciou e facilitou a atuação dos golpistas. Por fim, informou que nada poderia ser feito e que lamentavelmente o autor teria que arcar com todo prejuízo. Além do mais, nem mesmo o empréstimo poderia ser estornado devendo Sr. Haroldo pagar pelo mesmo. Na ação ordinária, Haroldo pede a restituição de toda quantia gasta/sacada pelos golpistas, corrigida monetariamente, além do estorno do empréstimo que foi feito pelos falsários, além de uma indenização por danos orais pelo enorme constrangimento que sofreu na frente de uma séria de clientes ao ver seu próprio gerente que o autor, idoso, seria o verdadeiro responsável por aquilo tudo. Ademais, as economias do autor faziam parte de planos para reforma de sua casa que iria se iniciar em semana próxima ao evento danoso e que, agora, encontra-se cancelada. O Réu contestou a ação alegando que também era vítima dos golpistas uma vez que não tinha controle sobre todos que adentravam a agencia e que de fato cabia o autor zelar melhor pelo seu cartão. O autor impugnou a ação reiterando os termos de sua inicial. As provas documentalmente produzidas pelo autor foram os extratos bancários comprovando as operações feitas pelos golpistas. Pediu, ainda, a exibição das gravações do circuito de vídeo da agencia do banco para demonstrar todo o ocorrido. O Juiz do processo além de deferir a exibição ainda inverteu os ônus da prova. Requereu, também, produção de prova testemunhal O banco, por sua vez, apresentou relatórios internos os quais demonstram que todas as operações foram feitas com o cartão do autor, e com a respectiva senha. Com relação as gravações, o banco as apresentou de forma que ficou claro que toda ação ocorreu coma agencia repleta de clientes, e que os golpistas de fato portavam “falsos crachás”. Na audiência de instrução uma testemunha do autor foi ouvida e confirmou o episodio que se passou frente ao gerente, no momento que este o acusou de que ser “velho” e que “deveria tomar mais cuidado com seu cartão”. Duas testemunhas do banco foram ouvidas. Ambos eram vigilantes que faziam a segurança da agencia no dia do episodio em debate. Ambos afirmaram categoricamente não haver notado nenhum “movimento suspeito” e que a “agencia bancaria é local extremamente seguro”.

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PRÁTICA CÍVEL

Terminada a instrução, nenhuma das partes nada mais requereu, e o Juiz fixou 20 (vinte) dias consecutivos para alegações finais em forma de memoriais, sendo os 10 primeiros para o autor, e os 10 últimos ao réu. _________________________________ A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CIVEL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE - MG

Autos nº ....

HAROLDO, Já devidamente qualificado nos AUTOR DA AÇÃO DE INDENIZAÇÃO que move contra BANCO DO DINHEIRO vem, través de seu advogado infra-assinado, apresentar suas alegações finais, sob a forma de MEMORIAL, conforme abaixo passa a expor:

ALEGAÇÕES FINAIS (MEMORIAL) (PELO AUTOR)

I. BREVE SÍNTESE DOS FATOS O Autor ajuizou a presente Ação de Indenização pleiteando danos materiais e morais em face do réu, banco do qual é cliente há mais de 30 (trinta) anos. Ocorre que, conforme já narrado na inicial, foi vítima da ação fraudulenta de golpistas os quais, dentro da agência, em dia útil e em horário de funcionamento, aplicaram-lhe o conhecido golpe da troca de cartões, o que culminou com a realização de várias transações que montaram em prejuízo da ordem de R$ 60.000,00, sendo estes R$ 40.000,00 referente a quantia pertencente ao autor e os demais R$ 20.000,00 referentes a empréstimo contraído e gasto pelos golpistas, mas às expensas do autor. Além do mais, o autor comprovadamente, sofreu enorme constrangimento ao passo que seu próprio gerente o taxou com “velho” e principal responsável por todo aquele episodio. Pediu, pois, indenização por danos morais no importe de R$ 40.000,00 corrigidos monetariamente, mais o estorno e cancelamento do empréstimo de R$ 20.000,00, mais compensação por danos morais , em valor a ser arbitrado por V.Exa. num patamar inicial sugerido de R$ 120.000,00 (referente a duas vezes o valor do golpe aplicado). O réu contestou sustentando a tese de que a responsabilidade pelo cartão e senha é do próprio autor, e que, como as operações foram feitas com uso destes o autor é que deveria arcar com a responsabilidade.

II - DA RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA As provas produzidas de forma testemunhal e documental apenas tornaram ainda mais claro do que foi aduzido na inicial pelo autor. Restou comprovado pelos extratos ora juntados, e não impugnados pelos réu, que de fato foram realizadas as operações bancárias indevidas elencadas pelo autor.
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PRÁTICA CÍVEL

Neste mesmo diapasão, as gravações de vídeo ora trazidas corroboram com a sustentação de que o autor foi enganado dentro da própria agencia bancária por pessoas que de fato se identificavam como sendo funcionarias do banco. Logo, não há que se dizer que o autor foi negligente ao pedir a ajuda, pois o fez acreditando piamente se tratar de funcionários do próprio banco. No que diz respeito às provas testemunhais ficou demonstrado o enorme constrangimento sofrido pelo autor, cliente ilibado do banco há mais de 30 anos, o qual foi taxado de culpado em razão de ter “facilitado” a ação dos golpistas muito em razão de sua idade. Ademais, ficou claro que para o réu, o autor é quem deve arcar co todo o prejuízo. Os depoimentos das testemunhas do réu em nada contribuem com a tese de defesa do banco, haja vista que confirmam que os falsários estavam de fato disfarçados, impossibilitando, portanto que o Autor identificasse os golpistas como não sendo funcionários do banco. No entanto, tal fato não ilide a responsabilidade da instituição financeira em garantir a segurança dos seus clientes. Era dever do réu identificar os falsos funcionários em tempo e modo para que as devidas providencias fossem realizadas de forma a evitar os golpes. Ainda mais, lembremos, que toda a ação se passou dentro das dependências da agência. Dessa sorte é nítida a responsabilidade civil objetiva do réu. Nenhuma prova ou alegação foi capaz de desconstituir tal responsabilidade, razão pela qual fica nítida a procedência dos pedidos do autor. É o chamado “risco do negócio” onde os bancos estão sujeitos a tomarem todas as medidas que forem necessárias para que se evite situações como as que foram vivenciadas pelo autor. Ato contínuo, restou incontroverso que houve dano material e moral merecendo o autor ser indenizado neste sentido. No que tange ao pedido de estorno do empréstimo contraído indevidamente, a mesma razão acompanha o autor, pois este pedido é decorrência lógica dos demais e também merece acolhida. De mais a mais, reitera o autor pelos seu argumentos já utilizados na inicial os quais restaram amplamente comprovados após a instrução ora realizada.

III. DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com base em tudo o que foi produzido nos autos até o presente momento, o AUTOR - ratificando suas manifestações anteriores – pede que sejam julgados procedentes os pedidos formulados em sua petição inicial. Pede deferimento. Local e data... Advogado...OAB.... 4 RECURSOS

A definição de recurso pode ser caracterizada como forma de provocar o reexame de uma decisão judicial dentro da mesma relação processual. Decorrente do princípio constitucional do duplo grau de jurisdição, podemos destacar o conceito de recurso trazido por Nelson Luiz Pinto que, valendo-se da noção carneluttiana de “remédio”1, assevera que “recurso é uma espécie de remédio processual que a lei coloca à disposição das partes para impugnação de decisões judiciais, dentro do mesmo processo, com vistas à sua reforma, invalidação esclarecimento ou integração, bem como para impedir que a decisão impugnada se torne preclusa ou transite em julgado.” 2
1 2

CARNELUTTI, Francesco. Instituições de Processo Civil. 1. ed. São Paulo: Classic Book, 2000. v. 1. p. 509-510. PINTO, Nelson Luiz. Manual dos Recursos Cíveis. 2. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2001. p. 23.

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Na garbosa lição de Pontes de Miranda, o Estado, preocupado com a observância de seu direito material e formal, além dos eventuais desacertos dos juízes singulares, admite o recurso, “que implica reexame do caso, em todos os seus elementos, ou só em alguns deles. Em sentido lato, recorrer significa comunicar vontade de que o feito, ou parte do feito, continue conhecido, não se tendo, portanto, como definitiva a cognição incompleta, ou completa, que se operara”.3 O art. 496 do Código de Processo Civil traz o rol de recursos cabíveis: Apelação; Agravo; Embargos Infringentes; Embargos de Declaração; Recurso Ordinário; Recurso Especial; Recurso Extraordinário e Embargos de divergência em recurso especial e em recurso extraordinário. Há, ainda, leis federais 4 especiais, como a Lei de Execução Fiscal (Lei nº 6.830/80), a Lei do Mandado de Segurança (Lei nº 12.016/09), as Leis dos Juizados Especiais (Leis nº 9.099/95, 10.259/01 e 12.153/09) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90) que prevêem outros recursos no âmbito de suas normatizações, além daqueles enumerados pelo Código de Processo Civil. Entretanto, nesse estudo, destacaremos as informações mais importantes sobre a apelação, os embargos de declaração, o agravo, recurso especial, recurso extraordinário, embargos de divergência e recurso ordinário constitucional. Os recursos devem obedecer alguns pressupostos para que possam ser admitidos. São os denominados PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Estes, por sua vez, se dividem em pressupostos intrínsecos e extrínsecos, ou objetivos e subjetivos, tudo conforme será demonstrado mais adiante. Mas antes que adentremos na especificação uma a uma de quais são os pressupostos acima mencionados, cumpre uma breve definição acerca de “juízo de admissibilidade”. A idéia de juízo de admissibilidade está diretamente ligada ao preenchimento, obrigatório, dos requisitos formais de forma a possibilitar o recebimento do recurso pelo julgador e sua posterior apreciação no mérito recursal. Por fim, passemos então a tratar dos PRESSUPOSTOS RECURSAIS. A) PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE INTRÍNSECOS: 1 – Cabimento: Nada mais é do que a verificação correta se o pronunciamento jurisdicional é de fato recorrível e (não caberá recurso contra despacho, conforme art. 504), em caso positivo, qual o recurso adequado àquela situação específica (adequação). Em outros termos, cada tipo de decisão judicial, considerando-se também o órgão que proferiu a decisão, e o procedimento (os Juizados Especiais, por exemplo, possuem recursos próprios, etc.), devem observar um recurso correto e cabível à situação especifica.(Para relação de recursos ver art. 496 CPC) 2 – Legitimidade: A questão da legitimidade pode ser facilmente observada na redação do art. 499 do CPC. Podem recorrer a parte vencida, o terceiro prejudicado e o Ministério Público. Vale lembrar que autor e réu podem ser ao mesmo tempo vencidos e vencedores, podendo cada um recorrer na parte que foi derrotado. Ressalte-se, por fim, que o Juiz não possui legitimidade para recorrer. Quanto ao Ministério Público, a lei processual lhe dá legitimidade recursal quer haja sido parte, quer tenha oficiado no processo como fiscal da lei, ainda que não haja recurso da parte, nos termos da Súmula 99 do STJ. 3 – Interesse Recursal: A parte que não obteve no processo tudo o que pretendia, nos limites de seus pedidos, tem interesse em recorrer. Isto implica que somente haverá necessidade de recurso se este tiver possibilidade de ensejar situação mais vantajosa ao recorrente. Daí extrai-se o concepção de necessidade/utilidade para que se defina o interesse em recorrer.
MIRANDA, Pontes de. Comentários ao Código de Processo Civil. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2000. t. 7. p. 2. De acordo com a disposição contida no artigo 22, inciso I, da Constituição de 1988, segundo a qual compete privativamente à União (Congresso Nacional) legislar sobre direito processual.
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4 – Inexistência de fato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer: Este pressuposto trata das situações previstas nos arts. 501 e 503, ambos do CPC: desistência ou renúncia do recurso. A desistência está prevista no art. 501 e a renúncia no art. 503. Neste contexto, é importante não se confundir desistência do recurso com desistência da ação, pois a desistência recurso não implica em desistência da ação. B) PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE EXTRÍNSECOS: 1 – Tempestividade: conforme a própria definição, o recurso deve ser tempestivo, isto é, interposto no prazo correto. O art. 506 do CPC cuida do termo inicial (a quo) para contagem do prazo recursal. 2 – Preparo: preparo são as despesas recursais. Importante lembrar que não basta o pagamento do preparo, mas também a sua devida comprovação nos autos. Desta forma, em peça simulada, e se tratando de recurso, sempre mencionar que a guia do preparo encontra-se anexa devidamente quitada. As pessoas jurídicas de direito público, as fundações públicas e os que gozam dos benefícios da justiça gratuita (no processo) estão isentos do preparo. 3 – Regularidade formal: Este pressuposto está associado à observância da forma correta com a qual deve ser feito o recurso. Todos os recursos são interpostos perante o juízo a quo acompanhadas das razões de recurso. Ademais, o recurso deve ter fundamentação, pedido e parte com capacidade postulatória. Os recursos devem ser assinados por advogado, tanto na peça de interposição quanto na peça contendo as razões recursais. Deve haver, também, procuração devidamente outorgada.

C) CLASSIFICAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS EM OBJETIVOS E SUBJETIVOS: Os pressupostos acima tratados podem também ser classificados como objetivos e subjetivos. 1 – Objetivos: Cabimento, Tempestividade, Preparo e Regularidade Formal. 2 – Subjetivos: Legitimidade e Interesse Recursal.

– PRINCÍPIOS RECURSAIS: A Teoria Geral dos recursos nos ensina que todo recurso deve obedecer a alguns princípios fundamentais, a saber: Duplo Grau de Jurisdição, taxatividade, singularidade (unirrecorribilidade), fungibilidade e non reformatio in pejus. Expliquemos um a um: a) Duplo Grau de Jurisdição: Este princípio decorre da concepção de devido processo legal insculpida na CR/88 e insurge-se na possibilidade de se recorrer da decisão para reexame da matéria através do mesmo órgão julgador, ou para outro órgão, tudo dependendo da situação específica a ser trabalhada. O duplo grau não é ilimitado podendo ser limitado na forma da lei. b) Taxatividade: O art. 496 do CPC traz uma lista dos recursos cabíveis, nos conduzindo a idéia de que no ordenamento jurídico brasileiro deve-se observar rol taxativo para que sejam tidos como recursos válidos e cabíveis. No entanto, o art. 496 não exaure todos os recursos cabíveis sendo necessário observar, também, legislação extravagante e outros artigos do próprio CPC, a exemplo da Lei 9.099( Juizados Especiais). c) Singularidade (unirrecorribilidade): Para cada decisão judicial é cabível apenas um tipo de recurso, sendo vedado à parte que interponha dois recursos para ataque de uma única decisão. Isso não implica, por exemplo, que no caso de vencidos simultaneamente autor e réu, possa existir apenas uma apelação cível contra a sentença. O que este principio norteia é o fato de que, neste caso exemplificativo, autor e réu, poderão, cada um, interpor apenas um único recurso.
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d) Fungibilidade: Por meio deste principio, se permite a troca de um recurso pelo outro. Exemplificativamente é quando a parte interpõe um recurso A ao passo que o correto, na verdade, seria ter interposto recurso B. No entanto, o principio da fungibilidade não pode ser utilizado como subterfúgio para não se respeitar as regras contidas nos pressupostos processuais. Para que ocorra a fungibilidade devem estar presentes: a) dúvida objetiva em virtude de lei confusa ou complexa, Jurisprudência divergente; b) inexistência de erro grosseiro, como por exemplo aquele que para combate de sentença de 1º grau interpõe Recurso Extraordinário; c) inexistência de má-fé. Como exemplo clássico de má-fé, temos aquele que ao perder prazo para interpor agravo de instrumento (10 dias) contra decisão interlocutória, interpõe apelação cível (15 dias) invocando-se do principio da fungibilidade para que ocorra seu recebimento. e) Non Reformatio in Pejus: O recorrente, ao exercitar seu direito de recurso não pode ver sua situação nos autos ser agravada, exceto quando existir questão de ordem pública a ser analisada no juízo recursal, geralmente invocada diante da Remessa Necessária). 4.2 - EFEITOS DOS RECURSOS Segundo inteligência do art. 520 do CPC os recursos possuem dois efeitos: Devolutivo e Suspensivo. Muito embora, a doutrina também trabalhe com outros efeitos da interposição recursal, iremos nos ater a estes dois efeitos que é o que mais nos acomete ao exame de ordem. A) EFEITO DEVOLUTIVO: Conforme a própria acepção estrita da palavra, neste caso temos que a matéria é devolvida ao tribunal ad quem para análise. No entanto, o tribunal ad quem poderá apenas apreciar aquilo que estiver contido nas razões recursais e também nos limites dos pedidos na inicial. Todo recurso é recebido, ao menos, em seu efeito devolutivo. B) EFEITO SUSPENSIVO: Quando o recurso, além de ser recebido no efeito devolutivo, é também recebido no efeito suspensivo (ver exceções art. 520), temos que a decisão recorrida não produzirá seus efeitos de imediato, uma vez que o recurso suspenderá seus efeitos até que seja examinada a matéria pelo tribunal competente para processar e julgar o recurso. 4.3 – DA REMESSA NECESSÁRIA

Primeiramente, é de suma relevância destacar que a Remessa Necessária não se trata de recurso. Em verdade, a remessa necessária é condição de eficácia da sentença, conforme inteligência que se extrai do Art. 475, CPC. A regra geral é que somente haverá remessa necessária quando houver prejuízo para a Fazenda Pública, exceto nas hipóteses de condenação abaixo de 60 (sessenta) salários mínimos. Além disto, a remessa necessária não será aplicada quando a sentença tiver como esteio fundamentação em jurisprudência do Plenário (ou sumula) do Supremo Tribunal Federal, ou Sumula de Tribunal Superior. NOTA: Caso o juiz de 1º grau não remeter de ofício, nas hipóteses que assim o deveria ter feito, o Tribunal competente poderá avocar a remessa. Por fim, segundo inteligência do STJ, vale destacar que a remessa necessária não pode agravar a situação da Fazenda Pública. No entanto, tal entendimento não se aplica à outra parte. 4.4 – A QUESTÃO DO RECURSO ADESIVO

Em verdade, o recurso adesivo (art. 500 do CPC) não pode ser considerado um recurso novo, mas uma forma de se interpor a apelação, os embargos infringentes, o recurso especial e o recurso extraordinário. Nos termos do CPC, sendo vencidos autor e réu (sucumbência recíproca), ao recurso interposto por qualquer deles poderá aderir a outra parte. O recurso adesivo fica subordinado, tanto que ele não será conhecido se houver desistência do recurso principal ou se esse for declarado inadmissível ou deserto.
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Quanto à interposição, ela será feita perante a autoridade competente para admitir o recurso principal, no prazo de que a parte dispõe para responder, aplicando-se as mesmas regras do recurso independente quanto às condições de admissibilidade, preparo e julgamento. 4.5 - RECURSOS EM ESPÉCIE 4.5.1 Apelação As sentenças, tanto definitivas (que extinguem o processo sem resolução de mérito) quanto as definitivas (que resolvem o mérito), desafiam recurso de apelação. A apelação deverá ser interposta5, no prazo de 15 dias, frente ao juízo a quo, que fará a primeira análise dos pressupostos de admissibilidade e decidirá sobre os efeitos em que ela será recebida. Quanto aos efeitos, em regra, a apelação é recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo, sendo de extrema importância a análise das hipóteses previstas nos incisos do artigo 520, em que a apelação será recebida tão somente no efeito devolutivo. Assim, será recebida apenas no efeito devolutivo, autorizando a execução provisória, a apelação contra sentença que: 1. homologar a divisão ou a demarcação; 2. condenar à prestação de alimentos; 3. decidir o processo cautelar; 4. rejeitar liminarmente embargos à execução ou julgá-los improcedentes; 5. julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem. 6. confirmar a antecipação dos efeitos da tutela. Quanto à possibilidade de concessão de efeito suspensivo mesmo nessas hipóteses, convidamos o aluno a fazer a leitura do parágrafo único do art. 558 do CPC, a saber: Art. 558. O relator poderá, a requerimento do agravante, nos casos de prisão civil, adjudicação, remição de bens, levantamento de dinheiro sem caução idônea e em outros casos dos quais possa resultar lesão grave e de difícil reparação, sendo relevante a fundamentação, suspender o cumprimento da decisão até o pronunciamento definitivo da turma ou câmara. Parágrafo único. Aplicar-se-á o disposto neste artigo as hipóteses do art. 520. Recebida a apelação e declarando seus efeitos, o juiz mandará ouvir o apelado, em 15 dias, sendolhe facultado, após a apresentação das contrarrazões, reexaminar os pressupostos de admissibilidade, em 05 dias. O artigo 515, em seu caput, trata da regra tantum devolutum quantum appellatum, dispondo que ao tribunal será devolvido apenas o conhecimento da matéria impugnada, regra complementada pelo parágrafo primeiro, segundo o qual serão objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. Regra importantíssima sobre a apelação é encontrada no parágrafo terceiro do artigo 515, conhecida como “teoria da causa madura”. Segundo a dicção do artigo, nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (atenção: art. 267, sentenças terminativas), o tribunal pode julgar desde logo a lide, resolvendo o mérito, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. Outro ponto de extrema importância é o disposto no art. 518, § 1º, que possibilita ao juiz não receber o recurso de apelação quando a sentença impugnada estiver em conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal. Contra tal decisão, advirta-se, caberá agravo de instrumento. Note-se que procedimento semelhante, mas em segunda instância, já era previsto na legislação processual, no art. 557, onde o relator pode negar seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior. Ao revés, o parágrafo primeiro do mesmo artigo dispõe que se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento ao recurso.
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Necessário o preparo, destacando a regra do artigo 519, segundo a qual “provando o apelante justo impedimento, o juiz relevará a pena de deserção, fixando-lhe prazo para efetuar o preparo”.

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Estando presentes todos os pressupostos de admissibilidade da apelação, o juiz a encaminhará ao tribunal para julgamento. Por fim, embora sabido que o juízo de retratação não é previsto, em regra, para o recurso de apelação, convém relembrar duas espécies sui generis de apelação, em que o juízo de retratação é admitido: *** Artigo 296: Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, reformar sua decisão6; *** Art. 285-A: Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo já houver sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos, poderá ser dispensada a citação e proferida sentença, reproduzindo-se o teor da anteriormente prolatada. § 1o Se o autor apelar, é facultado ao juiz decidir, no prazo de 5 (cinco) dias, não manter a sentença e determinar o prosseguimento da ação7. 4.5.2 AGRAVO Os artigos 522 a 529 tratam do recurso de agravo, especialmente o agravo retido e de instrumento, acerca do qual faremos alguns importantes comentários. Primeiramente, abordaremos o agravo retido, que é o recurso-regra para se atacar decisões interlocutórias. 4.5.2.1 AGRAVO RETIDO O agravo retido, interposto no prazo de 10 dias, como o próprio nome sugere, fica retido nos autos, não sendo, num primeiro momento, apreciado pelo juiz prolator da interlocutória nem pelo tribunal competente. Seu julgamento será feito apenas se o agravante, sendo sucumbente em 1º grau (total ou parcialmente), veicular recurso de apelação, ocasião em que provocará, em preliminar, a análise do agravo. Interposto agravo retido – que independe de preparo – e ouvido o agravante (no mesmo prazo para a interposição), o juiz poderá exercer juízo de retratação. Regra importante vem contida no art. 523, §3º, do CPC, relativa ao agravo retido em audiência de instrução e julgamento, que deverá ser interposto oral e imediatamente, e deverá constar do respectivo termo, nele expostas sucintamente as razões do agravante. Contudo, sobre o cabimento de agravo de instrumento em audiência de instrução e julgamento, desde que haja risco de lesão grave e de difícil reparação à parte confira: “O § 3º deve ser interpretado em conjunto com o artigo 522. Decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação tomada em audiência de instrução e julgamento escapa da imposição do § 3º e se encaixa na ressalva do art. 522, sendo recorrível por agravo de instrumento”.8 4.5.2.2 AGRAVO DE INSTRUMENTO (e interno) Sendo a regra o agravo retido, o art. 522 do Código de Processo Civil reservou o cabimento do agravo de instrumento às seguintes hipóteses: a) Quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação b) Nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que ela é recebida Quanto à sua interposição, que também segue o prazo de 10 dias, o agravante, em petição escrita e dirigida diretamente ao tribunal, apresentará a exposição do fato e do direito, as razões do pedido de reforma da decisão e o nome e o endereço completo dos advogados, constantes do processo. Determina a lei, ainda, que o agravo de instrumento será acompanhado do comprovante do recolhimento das custas e do porte de retorno, quando devidos. Deverá o agravante, ainda, instruir a petição de agravo: I – obrigatoriamente, com cópias da decisão agravada, da certidão da respectiva intimação e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado; II - facultativamente, com outras peças que o agravante entender úteis.
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Não sendo reformada a decisão, os autos serão imediatamente encaminhados ao tribunal competente. Caso seja mantida a sentença, será ordenada a citação do réu para responder ao recurso, e só então os autos serão remetidos ao tribunal. 8 NEGRÃO, Theotônio. Código de Processo Civil Comentado. Comentário ao art. 523, § 3º, 2010. www.prolabore.com.br

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Ainda é incumbência do agravante, no prazo de 03 dias da interposição do recurso, providenciar a juntada aos autos do processo de cópia da petição do agravo de instrumento e do comprovante de sua interposição, assim como a relação dos documentos que instruíram o recurso, o que possibilita o exercício de retratação pelo juiz a quo. O não cumprimento do disposto nesse artigo (art. 526), desde que arguido e provado pelo agravado, importa inadmissibilidade do agravo. Quanto ao processamento do recurso no âmbito do Tribunal, o Código de Processo Civil dispõe que o relator, monocraticamente, poderá negar-lhe seguimento, liminarmente, nos casos do art. 557. Tal artigo autoriza o julgamento monocrático nas seguintes hipóteses: a) Negativa de seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior. b) Provimento ao recurso se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior. Contra essa decisão monocrática caberá AGRAVO INTERNO9, no prazo de cinco dias, ao órgão competente para o julgamento do recurso. Esse recurso, na praxe, é também chamado de “agravo regimental”, “agravo legal”, “agravinho”, etc. Didaticamente, afeiçoo-me à denominação “agravinho”, já que faz lembrar algo menor do que nos demais agravos: o prazo, que aqui é de 05 dias. Recebido o agravo de instrumento, o CPC dá ao relator a possibilidade de convertê-lo em agravo retido e, ainda, atribuir efeito suspensivo ao recurso, ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão. Ambas as decisões, frise-se, são irrecorríveis, sendo admitida a retratação, porém. Por fim, além de poder requisitar informações ao juiz da causa (que as prestará no prazo de 10 dias), o relator mandará intimar o agravado, na mesma oportunidade, por ofício dirigido ao seu advogado, sob registro e com aviso de recebimento, para que responda no prazo de 10 (dez) dias (art. 525, § 2o), facultandolhe juntar a documentação que entender conveniente, sendo que, nas comarcas sede de tribunal e naquelas em que o expediente forense for divulgado no diário oficial, a intimação far-se-á mediante publicação no órgão oficial. Ultimadas essas providências, mandará ouvir o Ministério Público, se for o caso, para que se pronuncie no prazo de 10 (dez) dias. 4.5.3 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos declaração são cabíveis contra decisões interlocutórias, sentenças e acórdãos, sempre que for detectada omissão (efeito integrativo), contradição ou obscuridade (efeito aclaratório)10. A petição de embargos será dirigida ao magistrado que proferiu a decisão, no prazo de 05 dias, não estando sujeito a preparo, devendo o juiz julgá-los em 05 dias, enquanto nos tribunais o relator apresentará os embargos em mesa na sessão subsequente, proferindo voto. Em face do que dispõe o art. 538, os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, o que quer dizer que, da data da intimação do seu julgamento, o prazo para o recurso seguinte é restituído em sua integralidade à parte. Já no procedimento dos Juizados Especiais, vale lembrar, a oposição dos embargos apenas suspende o prazo para recurso, ante a busca pela celeridade, tônica do procedimento sumaríssimo. Destaque-se a posição firme da doutrina e da jurisprudência no sentido de que a oposição intempestiva dos embargos não promove a interrupção/suspensão do prazo. Por não terem, em princípio, objetivo de promover a reforma da decisão, a oposição de embargos não impõe a abertura de vista ao embargado para resposta, salvo na hipótese de haver pedido modificativo (embargos de declaração com efeitos infringentes – que não se confundem com embargos infringentes, dos arts. 535 e ss. do CPC). Nessa hipótese, por haver possibilidade de reforma da decisão, o embargado será ouvido, no prazo de 05 dias.

Vale lembrar também ser cabível agravo interno nas hipóteses dos arts. 532 do CPC: “Da decisão que não admitir os embargos caberá agravo, em 5 (cinco) dias, para o órgão competente para o julgamento do recurso” e art. 545: “Da decisão do relator que não conhecer do agravo, negar-lhe provimento ou decidir, desde logo, o recurso não admitido na origem, caberá agravo, no prazo de 5 (cinco) dias, ao órgão competente, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 557”. 10 O art. 48 da Lei dos Juizados Especiais prevê o cabimento de embargos de declaração também na hipótese de haver “dúvida” na sentença ou no acórdão. www.prolabore.com.br

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Por fim, a legislação dispôs sobre os embargos manifestamente protelatórios, que desencadearão multa ao embargado, não excedente de 1% (um por cento) sobre o valor da causa. Na reiteração de embargos protelatórios, a multa é elevada a até 10% (dez por cento), ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao depósito do valor respectivo. Em atenção à Súmula 98 do Superior Tribunal de Justiça, convém destacar, ainda, que “embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório”. Quanto ao tema – embargos de declaração e prequestionamento – mostra-se indispensável a citação das lições da eminente professora Heloísa Monteiro de Moura Esteves, indubitavelmente uma das maiores especialistas em recursos do país: “A exigência do prequestionamento se justifica para evitar ocorra a supressão de instância. Deste modo, se o tribunal de origem não se manifestou sobre matéria que se pretende arguir no âmbito do recurso especial ou do recurso extraordinário, é preciso que o recorrente maneje os embargos de declaração como intuito de provocar a apreciação do tema pela corte local, suprindo, assim, o requisito do prequestionamento”11. Nesse sentido, a Súmula 356 do Supremo Tribunal Federal: “O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento”.

Do Processo Cautelar. Requisitos e distinção do processo de conhecimento e do processo de execução. O exercício do direito de ação pode conduzir a provimentos jurisdicionais de variadas particularidades, pretenda a parte o acertamento do seu direito, a satisfação de um direito já acertado (judicial ou extrajudicialmente) ou, ainda, “a conservação de certos meios exteriores sem os quais o processo não teria como ser realizado correta e eficientemente”.12 Nesse contexto, diferem-se os chamados “processo de conhecimento”, “processo de execução” e “processo cautelar”, tema a respeito do qual passamos a falar.

4.5.4 – EMBARGOS INFRINGENTES Os Embargos Infringentes podem ser conceituados como o recurso cabível contra acórdão não unânime proferido em sede de apelação cível ou em Ação Rescisória. Deste enunciado podemos extrair 4 (quatro) como sendo os requisitos para interposição de Embargos Infringentes: 1- Acórdão NÃO UNÂNIME; 2 que houver REFORMADO em; 3- grau de APELAÇÃO; 4- SENTENÇA DE MÉRITO. Urge lembrar que também serão cabíveis embargos infringentes contra acórdão não unanime que houver julgado procedente a ação rescisória. Esta nada mais é do que a simples interpretação do art. 530 do CPC. Podemos ainda fazer referência aos seguintes normativos: arts. 496, 498, 508, 530 a 534, todos do CPC e súmula 207 do STJ. Quanto ao prazo, este é de 15 (quinze) dias de acordo com o art. 508 do CPC. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Se o acórdão não unânime a ser recorrido contiver desacordo parcial, somente a matéria de divergência poderá ser alvo de discussão nos embargos infringentes.
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ESTEVES, Heloísa Monteiro de Moura. Recursos no Processo Civil. 2ª ed. 2010, p. 92. CINTRA, Antônio Carlos de Araújo. GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26ª ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 345.

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4.5.5 - EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA Os Embargos de Divergência são cabíveis apenas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça –STJ e do Supremo Tribunal Federal – STF, no intuito de dirimir controvérsia existente dentro destes próprios tribunais. Desta forma, temos as hipóteses de cabimento: a) STJ: quando a decisão da Turma, em sede recurso especial, divergir do julgamento de outra turma, da seção ou do órgão especial; b) STF: quando a decisão da Turma, em sede de recurso extraordinário, divergir do julgamento proferido por outra turma ou pelo plenário. No que tange ao prazo, este também é de 15 (quinze) dias na forma do art. 508 do CPC. Outras previsões legais estão inseridas nos artigos 496 e 546 do Código de Processo Civil. 4.5.6 – RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL Trata-se de recurso inserido pela Constituição da República de 1988, daí a expressão “Recurso Ordinário Constitucional”, que surgiu até mesmo para diferi-lo de recurso ordinário, expressão esta muito utilizada para determinar o gênero de uma categoria de recursos. O recurso ordinário em comento é cabível para o STF conforme previsão do art. 102, II e para o STJ de acordo com art. 105, II, ambos da CR/88 e serve para rediscussão do mérito de matérias, em regra, cuja competência originária é dos tribunais. Assim, e na forma do art. 539 do CPC, ipisis literis, temos que: Para o STF: I - pelo Supremo Tribunal Federal, os mandados de segurança, os habeas data e os mandados de injunção decididos em única instância pelos Tribunais superiores, quando denegatória a decisão;

Para o STJ: II - pelo Superior Tribunal de Justiça: a) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; b) as causas em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo internacional e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País. Quanto ao prazo este é de 15 (quinze) dias.Outras menções legais podem ser vistas nos arts. 496, 508, 539 e 540, todos do CPC, além da Lei 8.038/90. 4.5.7 – RECURSO ESPECIAL O Recurso Especial é aquele que se destina a combater as eventuais violações previstas no art. 105, inciso III, alíneas “a”, “b” e “c” da CR/88 e que tenham sido proferidas em Acórdãos dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais Estaduais.
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A competência para seu julgamento é sempre do STJ e o prazo para interposição é de 15 (quinze) dias. Outras disposições legais podem ser verificadas nos arts. 496, 497, 508, 541 a 546, do Código de Processo Civil. No caso do Recurso Especial é de suma relevância observarmos, além dos requisitos de praxe, como tempestividade, preparo, interesse, etc., a imprescindível observância de outros requisitos próprios como o do prequestionamento e a comprovação por meio correto, da existência e da autenticidade de acórdão utilizado como paradigma e que contenha a divergência. O prequestionamento da matéria, segundo inteligência do próprio STJ, se consuma como o debate no acórdão recorrido da matéria que será objeto de recurso. Não raro, os Embargos de Declaração são meios corretos e eficazes de se realizar manifesto prequestionamento da matéria para fins de Recurso Especial. O STJ firmou entendimento que é desnecessária a menção pelo julgador, item a item, de cada ponto da lei infraconstitucional objeto de discussão, bastando que se efetive o debate, sobretudo para a situação prevista na alínea “a” do inciso III, do art. 105 da Constituição Brasileira de 1988. No que tange à hipótese da alínea “C” do Art. 105, III da CR/88, temos a questão do apontamento da divergência. Neste caso o acórdão recorrido deve ser confrontado com o acórdão paradigma que poderá ser do próprio STJ, de Tribunal Regional Federal, ou de Tribunal Estadual. O acórdão divergente (paradigma) só não poderá ter sido proferido pelo mesmo órgão que julgou o acórdão recorrido. Não bastasse isto, é ainda necessário que o acórdão paradigma seja extraído de repositório oficial de jurisprudência do STJ e devidamente autenticado na forma do art. 255 do RISTJ, onde poderá o advogado, por responsabilidade pessoal, declarar autênticas as cópias do acórdão paradigma, em situação muito parecida como a que já é feita nos casos das cópias necessárias do Agravo de Instrumento. 4.5.8 – RECURSO EXTRAORDINÁRIO Em que pese suas características próprias, o Recurso Extraordinário tem traços em comum com o Recurso Especial anteriormente estudado. A principal diferença é que se aquele prestava-se a discussão de matéria infraconstitucional, este se destina à analise de matéria constitucional. Sua previsão legal, e hipóteses de cabimento estão elencadas no Art. 102, III da CR/88. Senão vejamos: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal Assim como no recurso especial, este extraordinário também possui contornos próprios concernentes a requisitos de admissibilidade. Neste caso em estudo também está presente a necessidade de prequestionamento. No entanto, vale apenas lembrar, que a matéria a ser prequestionada aqui é de ordem constitucional. Em sede do Recurso Extraordinário, não será admitida a re-análise de matéria de ordem fática, devendo-se ater ao rol taxativo já trazido à baila pelo art. 102, III da CR/88. Outro requisito próprio, e tema bem recente e cada vez mais recorrente, é a necessidade de comprovação, em sede de PRELIMINAR a existência de REPERCUSSÃO GERAL sobre a matéria constitucional a ser discutida.
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PRÁTICA CÍVEL

A repercussão geral implica no entendimento de que a matéria a ser examinada pelo STF possui relevante importância de ordem social, política, econômica, ou seja, de interesse coletivo, indo além do mero interesse pessoal do Recorrente. O prazo para sua interposição também é de 15 dias. 4.6 – DAS CONTRARRAZÕES DE RECURSO

De forma breve, cumpre falar das contra razões. Estas nada mais são do que a forma de se impugnar o recurso oferecido pela outra parte. Após o exercício do primeiro juízo de admissibilidade e assim recebido o recurso, pelo julgador competente, e ainda no juízo a quo, é procedida a INTIMAÇÃO da parte para responder aos termos do recurso. Tal resposta é feita através de peça de contra-razões e deve ser dirigida ao mesmo órgão que recebeu o recurso ora respondido. As contra razões tem forma bem similar à estrutura dos Recursos, devendo conter peça de encaminhamento e razões de impugnação ao recurso. A previsão legal está contida no art. 542 do CPC e o prazo para sua interposição é o mesmo previsto para o recurso do qual está se respondendo. OBS: em se tratando de recurso de AGRAVO DE INSTRUMENTO, a resposta é feita através de CONTRAMINUTA e não de Contra-Razões.

4.7

Apelação 1

(Exame de Ordem OAB/FGV – 2010.2) Em janeiro de 2005, Antonio da Silva Júnior, 7 anos, voltava da escola para casa, caminhando por uma estrada de terra da região rural onde morava, quando foi atingindo pelo coice de um cavalo que estava em um terreno à margem da estrada. O golpe causa sérios danos à saúde do menino, cujo tratamento se revela longo e custoso. Em ação de reparação por danos patrimoniais e morais, movida em janeiro de 2009 contra o proprietário do cavalo, o juiz profere sentença julgando improcedente a demanda, ao argumento de que Walter Costa, proprietário do animal, “empregou o cuidado devido, pois mantinha o cavalo amarrado a uma árvore no terreno, evidenciando-se a ausência de culpa, especialmente em uma zona rural onde é comum a existência de cavalos”. Além disso, o juiz argumenta que já teria ocorrido a prescrição trienal da ação de reparação, quer no que tange aos danos morais, quer no que tange aos danos patrimoniais, já que a lesão ocorreu em 2005 e a ação somente foi proposta em 2009.’ Como advogado contratado pela mãe da vítima, Isabel da Silva, elabore a peça processual cabível.

______________________

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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, nossa resolução.

EXMO SR. JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DA COMARCA DE _______

Autos nº: ...

ANTONIO DA SILVA JÚNIOR, menor impúbere, neste ato representado por sua mãe, Isabel da Silva, já devidamente qualificados nos autos da ação de indenização por danos materiais e ressarcimento por danos morais, ajuizada em face de WALTER COSTA, também devidamente qualificado nestes autos, vem, respeitosamente, perante V. Exa., por seu advogado abaixo assinado, inconformado com a sentença que julgou improcedentes seus pedidos, interpor o presente recurso de APELAÇÃO, nos termos do artigo 513 e seguintes do CPC, conforme as razões que seguem anexas. O presente recurso é adequado, uma vez que interposto contra a r. sentença proferida às fl. ... , que julgou improcedentes os pedidos formulados na petição inicial, em observância ao artigo 513 do CPC. Também é tempestivo o recurso porque interposto dentro do prazo de 15 (quinze) dias da publicação da sentença no Diário do Judiciário, conforme determinam os artigos 506 e 508 do CPC. O recurso também está devidamente preparado, conforme fazem prova as guias de recolhimento das custas e do porte de remessa e retorno (documentos anexos), que ora requer a juntada. Assim, uma vez atendidos os pressupostos recursais, requer seja conhecido e recebido o presente recurso no duplo efeito, devolutivo e suspensivo. Após, requer a intimação do recorrido para apresentar contrarrazões e, ao final, sejam os autos remetidos para o Egrégio Tribunal de Justiça de Minas Gerais, onde pede e espera seja conhecido e provido para cassar e/ou reformar a r. sentença a quo. Salienta o recorrente que não há súmula no sentido da sentença, inexistindo, portanto, óbice ao recebimento do presente recurso (art. 518, §1º, do CPC).

Nestes termos, pede e espera deferimento.

Local, data...

Advogado... OAB...

Endereço para intimação do advogado...

AO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS

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PRÁTICA CÍVEL

RAZÕES DE APELAÇÃO

APELANTE: Antonio da Silva, menor impúbere, representado por sua mãe, Izabel da Silva APELADO: Walter Costa

Vara de origem:... Autos nº:...

Colenda Câmara Julgadora, pelo Recorrente

I.

SÍNTESE DOS FATOS

Trata-se de ação de conhecimento ajuizada pelo rito ordinário através da qual o Apelante busca o ressarcimento pelos danos materiais e morais sofridos em decorrência do acidente causado por animal de propriedade do Apelado. De fato, no mês de janeiro do ano de 2005, o Apelante, ao voltar da escola para sua casa, foi atingindo pelo coice de um cavalo de propriedade do Apelado, que estava em terreno à margem da estrada de terra pela qual o Apelante caminhava. Em decorrência do golpe desferido pelo animal e à estrutura frágil do Apelante, sérios danos foram causados à sua saúde, sendo certo que o tratamento a que deve ser submetido é longo e de alto custo, conforme as provas produzidas nos autos. De forma surpreendente, a despeito das provas produzidas nos autos e da responsabilidade objetiva do Apelado pelos danos causados por animal de sua propriedade, o Juiz de Primeira Instância julgou improcedentes os pedidos ao fundamento de que o Apelado empregou todos os cuidados devidos ao manter seu animal amarrado em árvore no terreno em região rural onde é comum a existência de eqüinos, agindo sem culpa alguma. O ilustre Juiz, ainda de forma equivocada, afastou a pretensão inicial ao argumento de que teria ocorrido a prescrição trienal para o ajuizamento da ação de reparação de danos, uma vez que o fato ocorreu no ano de 2005 e esta ação somente foi ajuizada em 2009. Todavia, não merece prosperar a sentença da qual se recorre, fundada em argumentos errôneos, pelo que se passará a expor a seguir. II. DAS RAZÕES DE INCONFORMISMO

Primeiramente, há que se registrar que, no caso em questão, não há que se cogitar se a conduta do Apelado padece, ou não, do vício da culpa. É que, tratando-se de danos causados a terceiros por fato decorrente de animal, revela-se objetiva a responsabilidade do proprietário do animal, conforme estabelece o artigo 936 do CC. E, não tendo o Apelado alegado ou mesmo provado qualquer conduta do Apelante que, por si, fosse capaz de afastar sua responsabilidade, deve ele ser responsabilizado pelos danos materiais e morais causados ao Apelante pelo coice desferido por animal de sua propriedade. Também não há que se falar em prescrição do direito do Apelante em ajuizar a presente ação. É que, nos termos do artigo 198, I, do CC, não corre a prescrição contra o menor impúbere, como é o caso do Apelante. Assim, não se pode afastar a pretensão do Apelante sob a alegação de ocorrência da prescrição, que não se caracteriza no caso em comento. Assim, inconteste é a obrigação do Apelado em reparar os danos sofridos pelo Apelante, diante da sua responsabilidade objetiva e da ausência de qualquer circunstância que afaste essa responsabilidade, além do fato de não correr contra o Apelante qualquer prazo prescricional.
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PRÁTICA CÍVEL

E, em relação aos danos materiais sofridos pelo Apelante, as provas produzidas nos autos não deixam dúvidas quanto às lesões causadas pelo coice, além de restarem sobejamente comprovados os custos do tratamento e seu período de duração, que devem ser custeados pelo Apelado. Por fim, também não restam dúvidas o abalo moral sofrido por uma criança que, em seus tenros 7 (sete) anos de idade, é atingida por um golpe violentíssimo de um animal de grande porte como o cavalo, sendo incontroverso a força que um coice desferido por um animal possui. A criança atingida por um coice sofre maiores lesões corporais que o mesmo golpe desferido em um adulto, podendo, inclusive, acarretar em fratura de um osso e deixar cicatrizes, além do medo e trauma deixados em uma criança que, dificilmente, mesmo em sua vida adulta, voltará a se aproximar de outro animal da espécie. III. DA CONCLUSÃO

Tendo em vista a necessidade de intervenção do Órgão Ministerial, o Apelante requer seja intimada a Procuradoria Geral de Justiça para apresentação do parecer recursal. Após, e, diante de todo o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso para, reformando a sentença a quo, sejam julgados procedentes os pedidos iniciais, com a condenação do Apelado ao pagamento de uma indenização pelos danos materiais causados, conforme comprovantes anexados aos autos, além de ressarcir o Apelante pelos danos morais sofridos, em indenização a ser fixada por esta Colenda Turma Julgadora. Via de consequência, o Apelante requerer sejam invertidos os ônus sucumbenciais, com a condenação do Apelado ao pagamento integral das custas processuais e honorários advocatícios a serem arbitrados nesta Instância Superior, além das custas recursais. Nestes termos, pede provimento. Local, data... Advogado... OAB... 4.8 Apelação 2

(Exame de Ordem OAB/MG - Dezembro 2006) Juca Cipó, passando por sérias dificuldades financeiras, procura o Banco “A Fortuna”, com sede em Belo Horizonte, e dele obtém um empréstimo, no valor de R$100.000,00 (cem mil reais), formalizado por meio de contrato de abertura de crédito em conta corrente, que é por ele assinado juntamente com 02 (duas) testemunhas. Juca, no entanto, não consegue honrar com o pagamento da dívida, o que leva o Banco “A Fortuna” a mover, em seu desfavor, ação monitória, cuja petição inicial, além do instrumento de mandato, é instruída com o contrato firmado pelas partes e com o extrato de movimentação da conta corrente em nome de Juca Cipó. Ao analisar a petição inicial, o juiz da 72ª Vara Cível de Belo Horizonte a indefere, de plano, ao fundamento de faltar ao Banco “A Fortuna” interesse de agir, já que referido contrato, porque assinado por 2 (duas) testemunhas e pelo devedor, constituiria título executivo extrajudicial. O representante legal do Banco “A Fortuna”, Sr. Fortunato José, inconformado, o procura em seu escritório, solicitando-lhe a adoção de medida judicial cabível contra referida decisão judicial. Você, na qualidade de procurador do Banco, intente a medida judicial cabível para a defesa dos interesses de seu cliente. ______________________

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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, o espelho de correção. 1º PASSO ESCOLHA DO RECURSO Resposta: Por se tratar de uma petição inicial indeferida de plano pelo magistrado, ou seja, extinta por ele sem resolução de mérito, o recurso a ser utilizado é o recurso de Apelação, disposto nos artigos 513 e seguintes do Código de Processo Civil. 2º PASSO PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO Resposta: 1 – Endereçamento: “EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 72ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG”. 2 - Preâmbulo: Apelante e Apelado; advogado que esta subscreve; APELAÇÃO; contra a sentença de fls....; nos termos do art.513 e ss. do CPC. 3 – Pedir para conhecer do recurso; 4 – Pedido de recebimento do recurso no duplo efeito: devolutivo e suspensivo; 5 – Remessa para o Tribunal; 6 – Juntada da guia do preparo; 7 – Tempestividade; 8 – Pedido de reconsideração: art. 296 do CPC; art. 285-A do CPC; 9 – Não há intimação para contrarrazões na hipótese do art. 296 do CPC.

3º PASSO

RAZÕES RECURSAIS Resposta: 1 – Preâmbulo: Ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais; Razões de apelação; Processo nº..........; Origem: 72ª Vara Cível de Belo Horizonte; Apelante: Banco A Fortuna; Apelado: Jucá Cipó; Colenda Câmara, pelo Apelante. 2 – Breve síntese dos fatos: resumir os fatos, destacando o conteúdo da decisão recorrida. 3 – Fundamentação: O STJ já publicou súmulas afirmando que o contrato de abertura de crédito em conta corrente não é título executivo judicial, mas que é documento hábil a amparar o pedido monitório. Vejamos tais súmulas: 233 – O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta corrente, não é título executivo. 247 – O contrato de abertura de crédito em conta-corrente, acompanhado do demonstrativo de débito, constitui documento hábil para o ajuizamento da ação monitória.

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PRÁTICA CÍVEL

4º PASSO

CONCLUSÃO Respostas: • • Requer o reconhecimento do presente recurso, uma vez presentes todos os pressupostos de admissibilidade; Requer que, ao final, o Egrégio Tribunal dê provimento ao presente recurso, reformando a sentença, caso o magistrado de primeiro grau mantenha sua decisão; Por fim, em caso de provimento, requer a remessa dos autos a comarca de origem, para a citação do Réu e regular processamento da demanda.

Nesses termos, p. deferimento. Local e data... Advogado... OAB.... 4.9 Embargos de declaração 1

(Peça simulada) Jairzinho Lerolero ajuizou, em face de Neco Severino, ação de indenização por danos materiais (Autos nº 123/10 – 25ª Vara Cível da comarca de Betim - MG), onde pretende o ressarcimento por danos emergentes e lucros cessantes. O d. magistrado, ao sentenciar, julgou parcialmente procedente o pedido para condenar o réu ao pagamento de danos emergentes, não se manifestando, entretanto, quanto aos lucros cessantes. A sentença foi publicada dia 06 de outubro de 2010 (quarta-feira). Diante da omissão do julgado, redija a medida cabível. ______________________ A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 25ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE BETIM - MG Autos nº 123/10

JAIRZINHO LEROLERO, por seu advogado, nos autos da ação de indenização que move em face de NECO SEVERINO, vem, respeitosamente, perante V. Exa., opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, nos termos dos artigos 535, II e 536, ambos do Código de Processo Civil, tendo em vista a existência de omissão da r. sentença proferida, conforme demonstrado abaixo. I – DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Trata-se de Embargos de Declaração com vistas a sanar vício de omissão, encontrando-se, portanto, em sintonia com o disposto no artigo 535, II, do Código de Processo Civil. Intimadas as partes da r. sentença no dia 06/10/2010, quarta-feira, tem-se que os presentes Embargos são tempestivos, eis que aviados no prazo de 05 dias. Atendidos os pressupostos, devem ser admitidos e julgados para sanar o vício a seguir apontado.
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II – DA OMISSÃO Conforme se verifica na petição inicial, o autor, ora embargante, pleiteia indenização por danos materiais, aqui incluídos os danos emergentes e os lucros cessantes. No entanto, o d. magistrado, ao sentenciar, julgou parcialmente procedente o pedido para condenar o réu ao pagamento de danos emergentes, não se manifestando, entretanto, quanto aos lucros cessantes. Desse modo, percebe-se que a r. sentença foi omissa quanto a um dos pedidos do autor, qual seja, lucros cessantes, o que, até mesmo, vicia o referido ato decisório de nulidade, porquanto caracterizado como citrapetita. Assim, tendo em vista que cabe ao d. magistrado resolver todas as questões suscitas pelas partes (princípio da inafastabilidade da prestação jurisdicional), deve V. Exa. sanar a omissão, manifestando-se, expressamente, quanto à pretensão do autor relativamente aos lucros cessantes. III – DA CONCLUSÃO Diante do exposto, o embargante requer sejam os presentes embargos de declaração conhecidos e providos para sanar o vício de omissão da r. sentença, por meio de manifestação expressa quanto ao pedido de lucros cessantes formulado na exordial. Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB...

4.10

Agravo de instrumento 1

– (Exame de Ordem OAB/MG – Maio de 2009) João de Deus propôs Ação Declaratória de Nulidade Contratual cumulada com Danos Morais e Materiais em desfavor do Banco DINHEIRO S.A, pretendendo discutir a validade de cláusulas abusivas que oneraram o contrato e levaram seu nome à inclusão no SPC. Alegou que recebe R$ 8.000,00 por mês e o pagamento do financiamento vem consumindo quase 70% do seu salário (tudo devidamente comprovado). Além disso, o banco vem cobrando o financiamento através de débito automático, o que não foi autorizado pelo Autor. Requereu gratuidade das custas e honorários, juntando declaração, de próprio punho, de que não possuía condições de arcar com as custas processuais sem o prejuízo de seu sustento e de sua família. Distribuído à 111ª Vara Cível de Belo Horizonte, que da análise dos pressupostos processuais e condições da ação, entendeu pela emenda da inicial, pelo fato alegado abaixo: “O Autor não faz jus aos benefícios da justiça gratuita pelo simples fato que percebe remuneração muito acima da média brasileira, e se tem despesas foi por culpa exclusiva sua, não fazendo jus ao benefício previsto na Lei 1.060/50. Ademais, quem paga imposto de renda no Brasil, e é o caso do Autor, não pode fazer jus ao tal benefício, que é concedido apenas aos que comprovadamente são hipossuficientes financeiramente. Determino que pague as custas iniciais do processo, sob pena de indeferimento da inicial e extinção do processo sem julgamento do mérito, no prazo de 10 dias, nos termos do art. 284 do CPC c/c com art. 267, CPC. “ A referida decisão foi publicada em 15/04/2009. Você, como advogado de João de Deus, inconformado com a decisão, interponha a medida cabível que possa modificar a decisão que, na sua opinião, é equivocada”. ______________________

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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, o espelho de correção. 1º PASSO ESCOLHA DO RECURSO Resposta: Por se tratar de uma decisão interlocutória suscetível de causar ao Autor lesão grave e de difícil reparação é cabível agravo de instrumento, conforme disposto no artigo 522 do Código de Processo Civil.

2º PASSO

PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO Resposta: 1- Endereçamento: Nos termos do artigo 524, caput, do Código de Processo Civil, o agravo de instrumento será dirigido diretamente ao tribunal competente, através de petição. Art. 524 - O agravo de instrumento será dirigido diretamente ao tribunal competente, através de petição com os seguintes requisitos: I - a exposição do fato e do direito; II - as razões do pedido de reforma da decisão; III - o nome e o endereço completo dos advogados, constantes do processo.

“Exmo. Sr. Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.” 2 - Preâmbulo: Agravante e Agravado, qualificar as partes; advogado que esta subscreve; AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA; contra a decisão interlocutória de fls....; nos termos do art.522 e ss./CPC. 3 - Requer a concessão da antecipação de tutela recursal, inaudita altera pars. 4 - Justificar o cabimento; 5 - Requer o recebimento no efeito devolutivo. 6 - Indicação do nome e endereço dos advogados. 7 - Indicação das peças que instruem o agravo, obrigatórias e facultativa, não esquecer de falar da procuração dos advogados. 8 - Informar que vai cumprir o art.526, parágrafo 3/CPC. 9 – Objeto do recurso: reforma da decisão interlocutória a quo para acolher o pedido de justiça gratuita. 10 – Tempestividade e Preparo. Nesses termos, p. deferimento. Local e data... Advogado... OAB...
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PRÁTICA CÍVEL

3º PASSO

PETIÇÃO DE RAZÕES RECURSAIS Resposta: 1 – Preâmbulo: Ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais; Razões de agravo instrumento; agravante ....; agravado....; vara de origem....; autos n ......; Colenda Câmara, pelo Agravante. 2 – Breve síntese dos fatos: resumir os autos, destacando a decisão recorrida. 3 – Fundamentação/Razões de inconformismo: • Lei nº 1.060/50. Art. 2º. Gozarão dos benefícios desta lei os nacionais ou estrangeiros residentes no País que necessitarem recorrer à justiça penal, civil, militar, ou do trabalho. Parágrafo único. Considera-se necessitado, para os fins legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou da família. Art. 3º. A assistência judiciária compreende as seguintes isenções: I - das taxas judiciárias e dos selos; II - dos emolumentos e custas devidos aos juízes, órgãos do Ministério Público e serventuários da Justiça; III - das despesas com as publicações indispensáveis no jornal encarregado da divulgação dos atos oficiais; IV - das indenizações devidas às testemunhas que, quando empregados, receberão do empregador salário integral, como se em serviço estivessem, ressalvado o direito regressivo contra o poder público federal, no Distrito Federal e nos Territórios, ou contra o poder público estadual, nos Estados; V - dos honorários de advogado e peritos. CF/88: art. 5, inciso LXXIV. 4 - Criar um tópico para a antecipação da tutela recursal (efeito suspensivo ativo): art.273/CPC c/c Art.527,III, CPC).

4º PASSO

PEDIDO Respostas: • Requer seja concedido efeito suspensivo ativo (ou tutela antecipada recursal) para dar seguimento ao feito, sem o imperativo do pagamento dos valores das custas iniciais, assim como, comunicada tal decisão ao Magistrado; Requer a intimação do patrono do Agravado, para, querendo, responder aos termos do presente Agravo, no prazo legal; Requer o Agravante seja conhecido o presente recurso e, no mérito, seja dado provimento para fins de reforma da decisão, de modo a conceder ao Agravante os benefícios da Assistência Judiciária Gratuita;

• •

Nesses termos, p. deferimento. Local e data... Advogado... OAB...

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PRÁTICA CÍVEL

4.11

Agravo retido 1

(Peça simulada) Zezinho dos Reis – ME, empresário individual, estabelecido em Belo Horizonte, teve o seu nome indevidamente inscrito no cadastro restritivo de crédito da Serasa pelo Banco Ouro Real em razão do protesto indevido de duplicata sacada (sem qualquer lastro) em seu nome pela empresa Biquínis Decotados Ltda. e endossada à referida instituição bancária, ambas estabelecidas também em Belo Horizonte, MG. Segundo ele, jamais realizou qualquer transação comercial com a empresa Biquínis Decotados Ltda. (empresa sacadora), nem qualquer outra operação que lhe permitisse, no mínimo, acesso aos seus dados empresariais, inexistindo, portanto, qualquer lastro no saque da duplicata, muito menos o aceite dele, como sacado. Esclareceu, ainda, que, não bastasse a emissão desse título frio, houve o endosso para o Banco Ouro Real, que, indevidamente procedeu ao protesto (da duplicata) sem as devidas cautelas e sem qualquer notificação prévia a ele, sacado, e consequentemente, à inclusão de seu nome junto aos cadastros da Serasa. Comprovando esses fatos, Zezinho tem o relatório da Serasa onde consta essa restrição e a certidão de protesto emitida pelo 1º Tabelionato de Protesto de Títulos de Belo Horizonte. Em função disso, Zezinho dos Reis – ME teve diversos prejuízos, mormente no que tange ao desempenho de suas atividades empresariais. É que, como empresário em nome individual, por nem sempre ter capital suficiente para comprar, à vista, mercadorias de reposição de seu estoque, acaba fazendo essas transações a prazo. No entanto, em razão da restrição existente em seu nome, passou a ter dificuldades para fazer suas transações comerciais dessa forma, ou seja, a prazo, o que se comprova com os documentos enviados por alguns fornecedores negando a operação em razão das referidas restrições. Pretendendo solucionar o problema, ele ajuizou ação em face da empresa Biquínis Decotados Ltda. (1ª ré) e do Banco Ouro Real (2ª ré), pretendendo (a) a declaração de inexigibilidade da duplicata sacada, e o consequente cancelamento do registro do protesto feito em seu nome; (b) a exclusão de seu nome do cadastro de inadimplentes existente junto ao Serasa; e (c) a condenação das rés ao pagamento de verba compensatória por dano moral. Pleiteou, em sede de tutela antecipada, o cancelamento do registro do protesto feitos em seu nome, bem como a retirada de seu nome do cadastro de inadimplentes existente junto ao Serasa. O d. magistrado da 12ª Vara Cível de Belo Horizonte, MG, liminarmente, reconhecendo os notórios prejuízos e a restrição ao crédito acarretados pelo protesto cambial (representativos do fumus boni iuris e do periculum in mora), bem como a inexistência de risco de irreversibilidade do provimento, deferiu os efeitos da tutela antecipada para sustar os efeitos do protesto da duplicata sacada em nome do autor, bem como a exclusão temporária de seu nome dos cadastros da Serasa. Seguindo-se o feito, foram apresentadas a contestação e a respectiva impugnação, abrindo, posteriormente, vista às partes para produção de provas. Zezinho dos Reis – ME, pretendendo comprovar os prejuízos sofridos com a inscrição devida de seu nome junto ao cadastro do Serasa, pleiteou a produção de prova testemunhal, o que foi indeferido pelo d. magistrado, em audiência, ao argumento de que o depoimento pessoal já era suficiente para comprovar eventual dano moral. Diante dessa r. decisão, publicada em 21/06/2009 (terça-feira), tome a medida judicial cabível. ______________________ A seguir, o espelho de correção. 1º PASSO ESCOLHA DO RECURSO Resposta: Por se tratar de uma decisão interlocutória e não sendo o caso de urgência; efeitos e inadmissibilidade da apelação, o recurso cabível é o agravo retido, conforme disposto no artigo 522/CPC.

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PRÁTICA CÍVEL

2º PASSO

PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO Resposta: 1- Endereçamento: “EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 12ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG” 2- Preâmbulo: Agravante e Agravado; advogado que esta subscreve; AGRAVO RETIDO; contra a decisão interlocutória de fls....; nos termos do art.522 e ss./CPC. 3- Requer o recebimento do recurso; intimação do agravado para manifestação; após, juízo de retratação, caso negativo, seja o agravo retido nos autos para apreciação pelo TJMG no caso de julgamento de eventual apelação. 4Local e data... Advogado... OAB....

3º PASSO

PETIÇÃO DE RAZÕES RECURSAIS Resposta: 1 – Preâmbulo: Ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais; Razões de agravo retido; agravante ....; agravado....; vara de origem....; autos n ......; Colenda Câmara, pelo Agravante. 2 – Breve síntese dos fatos: resumir os autos, destacando a decisão recorrida. 3 – Fundamentação/Razões de inconformismo: • Da prova testemunhal pretendida: Art. 400 do CPC. A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo diverso. O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos: I - já provados por documento ou confissão da parte; II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados. Art. 333 do CPC. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. • Da violação do direito à ampla defesa: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.

4º PASSO

PEDIDO Respostas: • Requer o Agravante seja conhecido o presente recurso e, no mérito, seja dado provimento para fins de reforma da decisão.

Nesses termos, p. deferimento. Local e data... Advogado... OAB...
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PRÁTICA CÍVEL

4.12

Recurso extraordinário

(Peça simulada) RIVELINO SOARES, residente e domiciliado em Belo Horizonte, ingressou com ação de divórcio contra sua esposa MARGARIDA, buscando a dissolução do vínculo por estarem separados de fato há mais de dois anos. Margarida, em contestação, negou o decurso do prazo e, alegando não ter condições de prover o próprio sustento, pleiteou a percepção de pensão alimentícia no valor de 4 salários mínimos. Em sentença, o d. magistrado julgou procedente o pedido para decretar o divórcio direto. No entanto, condenou o autor a pagar pensão alimentícia para a ré no valor por ela pleiteado.
Irresignado, Rivelino interpôs recurso de apelação, alegando que a condenação ao pagamento de alimentos sem a devida instrução e sem a observância de que esse pedido não foi apresentado em reconvenção (meio legal apropriada para tanto) viola o princípio do devido processo legal e seus consectários, quais sejam, o contraditório e a ampla defesa, constitucionalmente consagrados (art. 5º, LIV e LV, CF/88). Aduziu, ainda, que não sendo aplicáveis ao caso em tela o disposto nos artigos 19 e 26 da Lei 6.515/77, somente poderiam ser concedidos alimentos à recorrida em caso de comprovação de sua necessidade, nos termos dos artigos 1.694 e 1.695, ambos do CC, o que não ocorreu, evidenciando, consequentemente a desproporcionalidade do valor da condenação. Em decisão, a turma julgadora do Eg. Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por unanimidade, manteve a sentença em seus ulteriores termos, afirmando expressamente que não havia violação aos dispositivos legais e constitucionais afirmados face à preservação dos princípios da celeridade e da economia processual.

O v. acórdão foi publicado dia 30/05/2009, quinta-feira. Inconformado, Rivelino procurou seu advogado para que fosse tomada a medida judicial cabível. Considerando que você seja o referido advogado, elabore a peça apropriada. OBS.: Atentar para o fato de que, com a alteração do art. 226, §6º, da CF/88, o divórcio não mais pressupõe o atendimento aos requisitos de separação de fato por mais de dois anos ou separação judicial há mais de um ano. ______________________ A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. DESEMBARGADOR VICE-PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS Autos nº ...

RIVELINO SOARES, já qualificado nos autos em epígrafe, vem, respeitosamente, por meio de seu procurador, perante V. Exa., interpor RECURSO EXTRAORDINÁRIO em face de MARGARIDA, também qualificada, nos termos art. 102, III, “a”, da CF/88, conforme razões a seguir expostas. Requer que o presente recurso seja conhecido e, para tanto, o recorrente demonstra a presença dos requisitos de sua admissibilidade. Senão vejamos. Trata-se de acórdão proferido pelo E. Tribunal de Justiça de Minas Gerais que negou provimento, por unanimidade, ao recurso de apelação do recorrente, sendo, portanto, decisão judicial de última instância, e que, por violar dispositivos constitucionais, enseja a interposição de recurso extraordinário com fulcro no disposto no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal. Tendo em vista que o recorrente foi intimado do v. acórdão em 30 de maio de 2009, quinta-feira, tem-se que o prazo para a interposição do presente recurso se iniciou em 04 de maio de 2009, segunda-feira, posto que, nos termos do art. 184, §2º, do CPC, os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação. Como o prazo para recorrer é de 15 (quinze) dias, tem-se que se expirará dia 18 de maio de 2009, segunda-feira. Logo, a manifestação na presente data é tempestiva.
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PRÁTICA CÍVEL

Ressalte-se, ainda, que foram recolhidas as custas e o porte de remessa e retorno. Assim, requer seja recebido o presente recurso e, após o seu devido processamento, seja remetido ao E. Supremo Tribunal Federal, onde pede e espera seja conhecido e provido para reformar o v. acórdão recorrido, conforme razões que se seguem. Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB...

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PRÁTICA CÍVEL

EXCELSO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

RAZÕES DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Autos nº ... Recorrente: RIVELINO SOARES Recorrido: MARGARIDA

Excelso Tribunal, pelo Recorrente.

I.

BREVE SÍNTESE DA DEMANDA

O recorrente ingressou com ação de divórcio contra sua esposa Margarida, ora recorrida, buscando a dissolução do vínculo por estarem separados de fato há mais de dois anos. A recorrida, em contestação, negou o decurso do prazo e, alegando não ter condições de prover o próprio sustento, pleiteou a percepção de pensão alimentícia no valor de 4 salários mínimos. Em sentença, o d. magistrado julgou procedente o pedido para decretar o divórcio direto. No entanto, condenou o autor, doravante recorrente, a pagar pensão alimentícia para a ré no valor por ela pleiteado. Irresignado, o autor-recorrente interpôs recurso de apelação, alegando que a condenação ao pagamento de alimentos sem a devida instrução e sem a observância de que esse pedido não foi apresentado em reconvenção (meio legal apropriada para tanto) viola o princípio do devido processo legal e seus consectários, quais sejam, o contraditório e a ampla defesa, constitucionalmente consagrados (art. 5º, LIV e LV, CF/88). Aduziu, ainda, que não sendo aplicáveis ao caso em tela o disposto nos artigos 19 e 26 da Lei 6.515/77, somente poderiam ser concedidos alimentos à recorrida em caso de comprovação de sua necessidade, nos termos dos artigos 1.694 e 1.695, ambos do CC, o que não ocorreu, evidenciando, consequentemente a desproporcionalidade do valor da condenação. Em decisão, a turma julgadora do E. Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por unanimidade, manteve a sentença em seus ulteriores termos, afirmando expressamente que não havia violação aos dispositivos legais e constitucionais afirmados face à preservação dos princípios da celeridade e da economia processual. Data venia, esse v. acórdão não merece prosperar, motivo pelo qual se faz necessária a admissão do presente recurso com a sua consequente remessa ao STF, para que, então, seja conhecido e provido para reformar a v. decisão, conforme razões que se seguem. II. DOS PRESSUPOSTOS ESPECÍFICOS DE ADMISSIBILIDADE

II.1 DO PREQUESTIONAMENTO Questiona-se, no presente recurso, a violação do art. 5º, LIV e LV, CF/88, que trata do princípio do devido processo legal e seus consectários, quais sejam, o contraditório e a ampla defesa. A matéria objeto deste recurso foi devidamente prequestionada, posto que o Eg. Tribunal de Justiça de Minas Gerais, quando do julgamento da apelação interposta pelo, doravante, recorrente, analisou e afirmou expressamente a ausência de violação (ora discutida) ao dispositivo constitucional supracitado. Logo, atendido o pressuposto de admissibilidade do prequestionamento.
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PRÁTICA CÍVEL

II.2 DA REPERCUSSÃO GERAL Nos termos do art. 102, §3º, da CF/88 e art. 543-A do CPC, para que o recurso extraordinário seja admitido é necessário que a questão constitucional nele versada ofereça repercussão gera. In casu, tem-se que a repercussão geral está devidamente presente nas questões constitucionais suscitadas no presente recurso, qual seja, violação ao princípio do devido processo legal e seus consectários, quais sejam, o contraditório e a ampla defesa, previstos no art. 5º, LIV e LV, CF/88, que trata do. Senão vejamos. A preservação dos direitos e garantias individuais previstos no art. 5º da Constituição Federal é questão de interesse de toda a coletividade, não se podendo admitir a violação ao art. 5º, LIV e LV, como se deu no caso em tela. Ao manter a r. sentença que condenou o autor-recorrente, ao pagamento de alimentos não pleiteados pela ré-recorrida, na via adequada (face a ausência de reconvenção), obstaculizou-se aquele de realizar sua defesa plenamente, bem como a análise, pelas instâncias ordinárias, das necessidades da recorrida e da possibilidade do recorrente. Em consequência, contrariou-se, consoante mencionado alhures, direta e frontalmente o princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, os quais estão no alicerce da prestação da tutela jurisdicional. Assim, percebe-se que as questões trazidas à baila são relevantes do ponto de vista jurídico e social, transcendendo os interesses subjetivos da causa (art. 543-A, §1º, CPC). Desse modo, atendido o pressuposto de admissibilidade da repercussão geral.

III.

DAS RAZÕES DE INCONFORMISMO: DA VIOLAÇÃO AO ART. 5º, INCISOS LIV E LV, DA CF/88

O Eg. Tribunal de Justiça de Minas Gerais, conforme já narrado alhures, por unanimidade, quando do julgamento do recurso de apelação, manteve a condenação do autor-recorrente ao pagamento de pensão alimentícia à ré-recorrida, no valor de 4 salários mínimos, em consagração aos princípios da celeridade e da economia processual. Data venia, o v. acórdão não merece prosperar. Consoante já mencionado, o pedido de pensão alimentícia formulado pela recorrida se deu no próprio corpo da contestação. Acontece que, como a ação de divórcio direto não é uma ação dúplice, o meio processual adequado para a formulação do referido pedido é a reconvenção. Esta é uma peça autônoma onde é deduzida uma pretensão própria (conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa) do réu-reconvinte em desfavor do autor-reconvindo, sendo o pleno exercício do direito de ação, onde são apresentadas as razões e produzidas as provas de modo a formar ativamente o convencimento do magistrado sobre os fatos e pedidos ali apresentados. Portanto, como a recorrida, in casu, não formulou seu pleito conforme os ditames legais, não poderia o recorrente ser condenado ao pagamento de alimentos, sob pena de ofensa ao princípio do devido processo legal. Como, entretanto, essa condenação se deu, inegável a violação ao referido princípio, consagrado no art. 5º, LV, da CF/88. Ademais, com base no princípio da eventualidade, tendo em vista que não são aplicáveis ao caso em tela o disposto nos artigos 19 e 26 da Lei 6.515/77, bem como em razão do que determinam os artigos 1.694 e 1.695, ambos do CC, para que haja a condenação em alimentos é necessária a apuração do binômio necessidade/possibilidade.

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PRÁTICA CÍVEL

No caso em voga, não houve a devida instrução para apuração, pelas instâncias ordinárias, das necessidades da recorrida e da possibilidade do recorrente, de modo se formar válida e justamente o convencimento do magistrado acerca da procedência ou improcedência do pedido de alimentos, bem como quanto ao seu eventual valor (no caso de ser procedente). Assim, inequívoco que o recorrente ficou impossibilitado de produzir sua defesa de forma plena quanto ao esse pedido, motivo pelo qual restou violado o seu direito constitucional (art. 5º, inciso LIV, da CF/88) à ampla defesa e ao contraditório, bem como houve, consequentemente, a fixação da pensão alimentícia em um valor totalmente desarrazoado (posto que sem qualquer prova/parâmetro concreto quanto às condições financeiras da recorrida e do recorrente). Desse modo, face à utilização de meio legal inapropriado para formular o pleito de pensão alimentícia, bem como em razão do cerceamento do direito de defesa do recorrente, inegável que a condenação do recorrente ao pagamento de alimentos à recorrida viola o princípio do devido legal e seus consectários, quais sejam, contraditório e ampla defesa, constitucionalmente consagrados no art. 5º, incisos LIV e LV. Ressalte-se, ainda, que a consagração dos princípios da celeridade e da economia processual (defendida no v. acórdão recorrido) não pode se dar em detrimento de outros princípios como o do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e, até mesmo, da segurança jurídica, que, com base no princípio da proporcionalidade e da unidade da Constituição, preponderam sobre aqueles (celeridade e economia processual). Assim, demonstrada a contrariedade ao texto constitucional, justificada está a interposição do presente recurso, com fulcro no art. 102, III, “a”, da CF/88, para reformar o v. acórdão recorrido, motivo pelo qual deve ser conhecido e provido.

IV.

DO PEDIDO Diante do exposto, pede e requer o recorrente: a) que o presente recurso seja admitido e, após o devido processamento, seja remetido ao E.

STF; b) após a admissão do presente recurso, quando for recebido no STF, que seja conhecido, já que ocorrido o devido prequestionamento e demonstrada a repercussão geral da questão constitucional versada e, no mérito, provido para, reformando o v. acórdão recorrido, nos termos da lei processual vigente, para que o recorrente não pague alimentos. Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... 4.13 Recurso ordinário constitucional

CANDINHA, maior, estudante, residente e domiciliada em Belo Horizonte, ingressou com uma ação de alimentos em face de seu pai, JOSÉ CÂNDIDO, pretendendo a fixação de pensão alimentícia mensal, no valor de R$ 300,00 (trezentos reais), o que foi julgado procedente em sentença já transitada em julgado. Ocorre que José Cândido, em janeiro de 2010, após ter um dos braços amputados no local de trabalho, acabou se aposentando por invalidez, passando a perceber, mensalmente, R$ 510,00 (quinhentos e dez reais), o que afetou sensivelmente sua condição financeira, posto que antes tinha um salário mensal de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais)
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PRÁTICA CÍVEL

Em função do ocorrido, atrasou o pagamento da pensão alimentícia de alguns meses, a saber, janeiro, fevereiro e março de 2010, estando os demais integralmente quitados (o que se comprova por recibos). Pretendendo receber a pensão dos meses em atraso, Candinha, filha de José, ajuizou, em outubro de 2010, a respectiva ação de execução de alimentos, pedindo a prisão do pai, nos termos do art. 733, §1º, do CPC. Como José tem uma renda baixa, não teve condições de adimplir os alimentos executados e, embora tenha comprovado o adimplemento das últimas parcelas (por recibos), teve decretada a sua prisão civil pelo d. juiz titular da 1ª Vara de Família da Comarca de Belo Horizonte. Diante disso, José Cândido impetrou habeas corpus, cuja ordem foi denegada pelo Eg. Tribunal de Justiça de Minas Gerais, conforme publicação feita em 27 de outubro de 2010, quarta-feira, sob a alegação de que os alimentos atrasados não perdem o caráter de urgência e de atualidade, motivo pelo qual podem ensejar a prisão do devedor caso não adimplidos no prazo legal. Diante dessa decisão, José Cândido procurou seu advogado para que fosse tomada a medida judicial cabível. Considerando que você seja o referido advogado, elabore a peça apropriada. _____________________ A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. DESEMBARGADOR VICE-PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS

Habeas corpus nº... CANDINHA, já qualificada nos autos em epígrafe, em que contende com JOSÉ CÂNDIDO, também qualificado, vem, respeitosamente, por meio de seu procurador, perante V. Exa., interpor RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL, nos termos do art. 105, III, “a”, da CF/88, em razão de seu inconformismo com a decisão proferida conforme razões a seguir expostas. Tendo em vista que o recorrente foi intimado do v. acórdão em 27 de outubro de 2010, quartafeira, iniciou-se o prazo para a interposição do presente recurso em 28 de outubro, quinta-feira. Como o prazo para recorrer é de 5 (cinco) dias (art. 30, Lei 8.038/90), tem-se que se expirará dia 01 de novembro, segundafeira. Logo, a manifestação na presente data é tempestividade. Requer a intimação da autoridade impetrada, qual seja, o Dr. ...., juiz titular da 1ª Vara de Família da Comarca de Belo Horizonte. Requer a juntada da guia de preparo em anexo. Requer seja recebido o presente recurso e, após o seu devido processamento, remetido ao C. Superior Tribunal de Justiça, onde pede e espera seja conhecido e provido para reformar o v. acórdão recorrido, conforme razões que se seguem. Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB...
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PRÁTICA CÍVEL

AO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

Habeas corpus nº ... Recorrente/Paciente: JOSÉ CÂNDIDO Recorrido: MM. JUIZ DE DIREITO TITULAR DA 1ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG

Colenda Turma, pelo Recorrente,

I.

BREVE SÍNTESE DA DEMANDA

Foi ajuizada, contra o recorrente, em outubro de 2010, ação de execução de alimentos, onde sua filha Candinha pretende o pagamento da pensão alimentícia referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010, sob pena de prisão, nos termos do art. 733 do CPC. Como o recorrente tem uma renda baixa, não teve condições de adimplir os alimentos executados, e, embora tenha comprovado o adimplemento das últimas parcelas (recibos juntados aos autos), teve decretada a sua prisão civil pelo d. juiz titular da 1ª Vara de Família da Comarca de Belo Horizonte. Diante disso, foi impetrado habeas corpus, cuja ordem foi denegada pelo Eg. Tribunal de Justiça de Minas Gerais, sob a alegação de que os alimentos atrasados não perdem o caráter de urgência e de atualidade, motivo pelo qual podem ensejar a prisão do devedor caso não adimplidos no prazo legal. II. DAS RAZÕES DE INCONFORMISMO

No caso em voga, consoante narrado alhures, foi decreta a prisão do recorrente, nos autos da ação de execução que lhe é movida, por não ter adimplido os alimentos referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010. Impetrado habeas corpus, a ordem foi denegada pelo Eg. Tribunal de Justiça de Minas Gerais, sob a alegação de que os alimentos atrasados não perdem o caráter de urgência e de atualidade, motivo pelo qual podem ensejar a prisão do devedor caso não adimplidos no prazo legal. Data venia, a v. decisão merece ser reformada. Conforme se percebe, foi proposta execução contra o recorrente, em outubro de 2010, referente aos alimentos, em atraso, dos meses de janeiro a março do corrente ano. A referida medida judicial foi fundamentada no art. 733 do CPC, motivo pelo qual foi pedida e decretada a prisão do recorrente. Acontece que o recorrente não está inadimplente com as prestações alimentares atinentes aos três últimos meses anteriores ao ajuizamento da ação, conforme recibos juntados aos autos. Na verdade, o único período em atraso é aquele objeto da ação de execução e que, consoante nitidamente se percebe, refere-se a alimentos pretéritos e, portanto, desprovidos do caráter de urgência alegado pelo Eg. Tribunal a quo.

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Constata-se, ainda, que o recorrente, não é um devedor contumaz, tanto que só se encontram pendentes os alimentos de três meses (janeiro a março de 2010), mesmo porque, em janeiro de 2010, após ter um dos braços amputados no local de trabalho, o recorrente acabou se aposentando por invalidez, passando a perceber, mensalmente, R$ 510,00 (quinhentos e dez reais), o que afetou sensivelmente a sua condição financeira, posto que, antes, tinha um salário mensal de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Assim, tendo em vista que as parcelas executadas não são imprescindíveis ao sustento da alimentada, bem como em razão da difícil situação financeira por que passa o recorrente, resta completamente descabida a execução de alimentos sob o rito do art. 733 do CPC e, por conseguinte, a decretação de sua prisão, mormente se se tem em vista que não se trata de inadimplemento voluntário nem inescusável. Nesse sentido é o entendimento jurisprudencial consolidado na súmula 309 do ST, in verbis: “O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo”. Como, in casu, portanto, as parcelas executadas não se referem aos três últimos meses, evidente que a decretação da prisão do recorrente ameaça, ilegalmente, a sua liberdade de locomoção. Logo, é cabível, nos termos do art. 5º, LXVIII, da CF/88, a concessão de habeas corpus para afastar qualquer hipótese de prisão civil em decorrência dos alimentos cobrados pela execução em comento. Assim, deve ser reformado v. acórdão recorrido nesse particular. III. CONCLUSÃO

Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso para, reformando o v. acórdão recorrido, conceder a ordem pleiteada, de forma a afastar qualquer hipótese de prisão civil em decorrência dos alimentos cobrados na execução em comento. Nestes termos, pede deferimento. Local e data...

Advogado... OAB... Comentários: Tratando-se de recurso ordinário constitucional de habeas corpus, não há recolhimento de custas e o prazo recursal é de 5 (cinco) dias (art. 30 da Lei 8.038/90). Já no caso de recurso ordinário constitucional de mandado de segurança, há recolhimento de custas e porte de remessa e retorno. O prazo recursal, nessa hipótese, é de 15 (quinze) dias (art. 30 da Lei 8.033/90). 5. 5.5 EXECUÇÃO Requerimento de cumprimento de sentença

(Peça simulada) Brás Cubas ajuizou ação de cobrança em face de Bentinho de Assis, que, após o devido processo de conhecimento, foi condenado ao pagamento da importância de R$ 10.000,00 (dez mil reais), a ser corrigida desde o ajuizamento da ação, mais juros moratórios de 1% ao mês, desde a citação, além de honorários advocatícios no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Transitada em julgado a sentença, Bentinho de Assis não cumpriu sua obrigação, estando inerte há 20 (vinte) dias. Proceda ao cumprimento da sentença nos Autos nº 258/2010, em trâmite na 33ª Vara Cível da comarca de Contagem, MG. ______________________
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A seguir, nossa resolução.

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 33ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE CONTAGEM/MG Autos nº 258/2010

BRÁS CUBAS, já qualificado nos autos em epígrafe, vem, respeitosamente, perante V. Exa., pelo procurador que esta subscreve, apresentar o presente REQUERIMENTO DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA tendo em vista a inércia do réu BENTINHO DE ASSIS, também já qualificado, em cumprir com a obrigação fixada em sentença. I. DO TÍTULO EXECUTIVO E DO INADIMPLEMENTO

Nos autos do presente feito, foi proferida sentença condenatória (fls...) em face do réu Bentinho de Assis, determinando o pagamento da importância de R$ 10.000,00 (dez mil reais), a ser corrigida desde o ajuizamento da ação, mais juros moratórios de 1% ao mês, desde a citação, além de honorários advocatícios no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Transitada em julgado a sentença, conforme se verifica à fl. ..., Bentinho de Assis não cumpriu sua obrigação, estando inerte há 20 (vinte) dias. Tendo em vista, portanto, que o réu não efetuou o pagamento dentro do prazo legal de quinze dias, contados da intimação para pagamento, necessária se faz manifestação do autor para que se tenha início o cumprimento da sentença, nos termos do art. 475-J do CPC, com a consequente expedição de mandado de penhora e avaliação. Ressalte-se que o valor da condenação, qual seja, R$ 10.000,00 (dez mil reais), devidamente corrigido e acrescido de juros moratórios, nos termos fixados em sentença, constitui, atualmente, a importância de R$ ........, conforme memória de cálculo anexa (art. 475-B, CPC), sobre a qual deve incidir, ainda, a multa de 10% (dez por cento), consoante determinado no art. 475-J do CPC. Deve-se acrescer, também, a esse montante os honorários advocatícios sucumbenciais no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). II. DOS REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer seja iniciada a fase de cumprimento de sentença, nos termos do art. 475-I e seguintes do CPC, com a expedição de mandado de penhora e avaliação para satisfação do débito no valor de R$ ......, aqui, incluído o valor histórico devidamente atualizado e acrescido de juros, a multa de 10% (dez por cento), consoante determinado no art. 475-J do CPC, bem como os honorários sucumbenciais (cálculos anexos). Requer, desde já, que se proceda à penhora on line de dinheiro porventura existente em contas do devedor (art. 655-A, CPC), ou, caso não seja encontrado qualquer numerário, que seja penhorado o seguinte bem (art. 475-J, CPC): ........... Requer a condenação do requerido ao pagamento de custas e honorários de sucumbência. Nestes termos, pede deferimento.

Local e data... Advogado... OAB...
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5.6

Execução por quantia certa contra devedor solvente

(Peça simulada) Jairzinho Rolandolero celebrou, na presença de duas testemunhas, contrato de locação com Deodato dos Reis, referente a um barracão localizado na Rua Brás Cubas, nº 171, bairro Bentinho de Assis, em Contagem, MG. A locação foi ajustada por 12 meses, sendo fixado, a título de aluguel, o valor de R$ 300,00 (trezentos reais mensais). Acontece que Jairzinho não está pagando os aluguéis regularmente, estando em atraso as parcelas referentes aos meses de agosto e setembro de 2010. Tendo em vista as tentativas infrutíferas de Deodato dos Reis (residente e domiciliado em Contagem, MG) para receber seu crédito, ajuíze a medida cabível. ______________________ A seguir, nossa resolução.

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ___ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE CONTAGEM/MG

DEODATO DOS REIS, brasileiro, (estado civil), (profissão), inscrito no CPF sob o nº........, portador da carteira de identidade nº ....., residente e domiciliado na Rua........, nº ....., Bairro ........,Contagem, MG, CEP ........, por seu procurador abaixo assinado (procuração anexa), vem, respeitosamente, perante V. Exa., propor EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR SOLVENTE em face de JAIRZINHO ROLANDOLERO, brasileiro, (estado civil), (profissão), inscrito no CPF sob o nº........, portador da carteira de identidade nº ....., residente e domiciliado na Rua Brás Cubas, nº 171, bairro Bentinho de Assis, em Contagem, MG, CEP ........, pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir. I. DOS FATOS E DOS FUNDAMENTOS

O exequente celebrou um contrato de locação não residencial (documento anexo) com o executado, na presença de duas testemunhas, sendo ajustado o pagamento mensal de aluguel no importe de R$ 300,00 (trezentos reais). Acontece que o executado não adimpliu os aluguéis referentes aos meses de agosto e setembro de 2010, totalizando um débito correspondente a R$ 620,00 (seiscentos e vintes reais), devidamente atualizado e acrescido de juros de mora de 1% ao mês, conforme memória de cálculos anexa (art. 614, II, do CPC). Tendo em vista as diversas tentativas infrutíferas de recebimento amigável, optou o exequente pelo ajuizamento da presente execução. Note-se que a presente medida processual se mostra apropriada ao recebimento do mencionado débito, posto que o contrato de locação assinado por duas testemunhas é título executivo extrajudicial (art. 585, V, do CPC). Assim, tendo em vista que o contrato de locação é título executivo por conter uma obrigação líquida, certa e exigível (art. 586 do CPC), conforme cálculos anexos, e que houve o inadimplemento, é possível a execução, devendo-se citar o executado para efetuar o pagamento da importância de R$620,00 (seiscentos e vinte reais), nos termos legais, e prosseguindo-se o feito em seus ulteriores termos caso não haja o referido adimplemento. II. DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer a citação do executado, nos termos do art. 652 do CPC, para que, em 3 (três) dias, pague a importância de R$620,00 (seiscentos e vinte reais), devidamente atualizada e acrescida de juros de mora de 1% ao mês, conforme memória de cálculo anexa (art. 614, II, do CPC), bem como os honorários advocatícios (art. 652-A, caput e parágrafo único, do CPC).
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PRÁTICA CÍVEL

Requer que a citação seja realizada por oficial de justiça, nos termos do art. 222, “d”, do CPC, com as prerrogativas do art. 172, §2º, do CPC. Caso, após citado, o executado não efetue o pagamento, requer que se proceda à penhora em tantos bens quantos bastem para a satisfação do débito (art. 659, CPC), indicando, desde já, com base na faculdade prevista no art. 652, §2º, do CPC, a penhora de dinheiro porventura existente em contas do executado (art. 655-A, CPC). Após, requer a intimação do executado em relação à penhora realizada e de eventual credor com garantia real (art. 615, II, do CPC). Requer, ainda, caso não seja encontrado o executado, que sejam arrestados seus bens em tantos quantos bastem para garantir a execução, por meio de oficial de justiça, e, partir daí, prossiga a execução em seus ulteriores termos (art. 653 e seguintes do CPC). Requer a condenação do executado ao pagamento de custas e honorários de sucumbência. Dá à causa o valor de R$ 620,00 (seiscentos e vinte reais). Nestes termos, pede deferimento e juntada. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações (art. 39, I, do CPC)... 5.7 Execução por quantia certa contra a Fazenda Pública

(Peça simulada) Deodato Ramos tem um título executivo contra o Município de Belo Horizonte, MG, no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), oriundo de indenização, fixada, nos termos do art.5º, XXIV, da CF/88, em sentença transitada em julgado, pela desapropriação, em agosto de 2003, de um terreno de sua propriedade localizado na Rua dos Pampas, 452, São Bento, Belo Horizonte, MG. Tendo em vista o interesse de Deodato Ramos (residente e domiciliado em Contagem, MG) para receber seu crédito, ajuíze a medida cabível. ______________________ A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ___ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG

DEODATO RAMOS, brasileiro, (estado civil), (profissão), inscrito no CPF sob o nº........, portador da carteira de identidade nº ....., residente e domiciliado na Rua........, nº ....., Bairro ........,Contagem, MG, CEP ........, por seu procurador abaixo assinado (procuração anexa), vem, respeitosamente, perante V. Exa., propor EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA em face da FAZENDA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE/MG, com administração localizada no endereço ....., nos termos do art. 730 e seguintes do CPC, pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir. I. DO TÍTULO EXECUTIVO E DO INADIMPLEMENTO

O exequente, em ...., ajuizou uma ação de indenização em face do o Município de Belo Horizonte, a fim de ser ressarcido, nos termos do art.5º, XXIV, da CF/88, pela desapropriação de um terreno de sua propriedade, em agosto de 2003, localizado na Rua dos Pampas, 452, São Bento, Belo Horizonte, MG.
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PRÁTICA CÍVEL

Proferida sentença condenatória já transitada em julgado (documento anexo), tem o exequente um título executivo no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), atualizado nos termos do comando exequendo (memória de cálculos anexa). Assim, tendo em vista que a referida sentença configura título executivo judicial e que traz uma obrigação líquida, certa e exigível (art. 586 do CPC), conforme cálculos anexos, e que houve o inadimplemento, é possível o ajuizamento da presente execução, que tramitará nos termos do art. 730 e seguintes do CPC. II. DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer a citação da executada, por oficial de justiça (art. 222, “c”, do CPC), nos termos do art. 730 do CPC, para, querendo, opor embargos em 30 (trinta) dias, os quais, pede o exequente, desde já, sejam rejeitados. Após, requer seja determinada a expedição de precatório, nos termos do art. 100 da CR/88 e art. 730, II, do CPC, no valor de R$ 200.00,00 (duzentos mil reais), ao Presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, para que reste consignado à sua ordem o valor do crédito acima, bem como seja requisitado às autoridades administrativas que incluam esse crédito no orçamento geral, a fim de proceder ao pagamento no exercício financeiro subsequente. Requer a condenação do executado ao pagamento de custas e honorários de sucumbência. Dá à causa o valor de R$ 200.00,00 (duzentos mil reais), Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB.... Endereço completo do advogado para intimações...

5.8

Embargos à execução ou embargos do devedor

(Peça simulada) Jairzinho Rolandolero celebrou, na presença de duas testemunhas, contrato de locação com Deodato dos Reis, referente um barracão localizado na Rua Brás Cubas, nº 171, bairro Bentinho de Assis, em Contagem, MG. A locação foi ajustada por 12 meses, sendo fixado, a título de aluguel, o valor de R$ 300,00 (trezentos reais mensais). Como Jairzinho não estava pagando os aluguéis regularmente, Deodato dos Reis (residente e domiciliado em Contagem, MG), ajuizou ação de execução por quantia certa contra devedor solvente, que foi distribuída para 1ª Vara Cível de Contagem, MG, pretendo o pagamento dos aluguéis referentes aos meses de janeiro a setembro de 2010. Citado, Jairzinho ficou indignado, pois, embora em atraso, já havia quitado os aluguéis referentes aos meses de janeiro a julho de 2010, pagando os valores devidamente corrigidos e acrescidos de juros moratórios, conforme recibos dados pelo próprio Sr. Deodato. Diante da situação, apresente a medida cabível no presente feito. ______________________

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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE CONTAGEM/MG Distribuição por dependência aos Autos nº........

DEODATO DOS REIS, brasileiro, (estado civil), (profissão), inscrito no CPF sob o nº........, portador da carteira de identidade nº ....., residente e domiciliado na Rua........, nº ....., Bairro ........,Contagem, MG, CEP ........, por seu procurador abaixo assinado (procuração anexa), vem, respeitosamente, perante V. Exa., oferecer EMBARGOS À EXECUÇÃO em face de JAIRZINHO ROLANDOLERO, brasileiro, (estado civil), (profissão), inscrito no CPF sob o nº........, portador da carteira de identidade nº ....., residente e domiciliado na Rua Brás Cubas, nº 171, bairro Bentinho de Assis, em Contagem, MG, CEP ........, pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir. I. DOS FATOS

O embargante celebrou um contrato de locação não residencial (documento anexo) com o embargado, na presença de duas testemunhas, sendo ajustado o pagamento mensal de aluguel no importe de R$ 300,00 (trezentos reais). Ao argumento de que o embargante estava inadimplente quanto aos aluguéis referentes aos meses de janeiro a setembro de 2010, o embargado ingressou com execução de quantia certa pleiteando o valor de R$ 2.700,00 (dois mil e setecentos reais), a ser corrigido e acrescido de juros de mora de 1% ao mês. Entretanto, consoante recibos anexos, o embargante já efetuou o pagamento dos aluguéis referentes aos meses de janeiro a julho de 2010, quitando os valores devidamente corrigidos e acrescidos de juros moratórios. Destaca o embargante que junta aos presentes embargos as principais peças do processo de execução, as quais declara autênticas, pelo advogado subscritor, com base no art. 736, parágrafo único c/c art. 365, IV, do CPC.

II.

DAS RAZÕES DOS EMBARGOS: DO EXCESSO DE EXECUÇÃO

No caso em voga, embora o embargante realmente tenha inadimplido alguns meses de aluguel, o período de mora indicado pelo embargado, qual seja, os meses de janeiro a setembro de 2010, totalizando um débito inicial de R$ 2.700,00 (dois mil e setecentos reais), está equivocado. É que os meses de janeiro a julho de 2010, já foram devidamente quitados pelo embargante, conforme recibos anexos. Assim, o débito efetivamente existente se refere apenas aos meses de agosto e setembro de 2010, o que totaliza um débito inicial de R$ 600,00 (seiscentos reais), tendo em vista que o aluguel mensal é de R$ 300,00 (trezentos reais), conforme memória de cálculo anexa (art. 614, II, do CPC). Desse modo, tendo em vista que o exequente, ora embargado, está a pleitear quantia superior a que lhe é devida, é inegável o excesso de execução, com fulcro no art. 473, II, do CPC, o que é plenamente arguível em sede de embargos à execução nos termos do art. 745, III, do CPC. Em consequência, deve-se fixar o valor inicial do débito em comento em R$ 600,00 (seiscentos reais), posto ser o efetivamente devido. III. DA CONCESSÃO DO EFEITO SUSPENSIVO

Nos termos do art. 739-A, §1º, do CPC, para que se atribua efeito suspensivo aos embargos à execução são necessários os seguintes requisitos: relevantes fundamentos, perigo da demora e garantia do juízo.
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PRÁTICA CÍVEL

No caso em tela, pretende-se o recebimento dos presentes embargos no efeito suspensivo haja vista estarem presentes todos os requisitos necessários para tanto. Senão vejamos. Conforme se constata da narrativa acima e dos documentos anexos, o embargante já efetuou o pagamento parcial do valor executado, sendo, pois evidente o excesso de execução. Logo, são relevantes os fundamentos apresentados nos presentes embargos. Em consequência, constata-se que o prosseguimento da execução por um valor acima do realmente devido pode gerar ao executado, manifestamente, grave dano de difícil ou incerta reparação, estando, pois, patente o perigo da demora. Ademais, para garantir o juízo, o embargante procedeu ao depósito judicial do valor executado, conforme comprovante de depósito anexo. Assim, demonstrado o preenchimento dos requisitos legais, caso é, repita-se, de se atribuir, liminarmente, efeito suspensivo à presente medida. IV. DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer, liminarmente, a atribuição de efeito suspensivo aos presentes embargos à execução. Requer a intimação do embargado, na pessoa de seu advogado, para que, querendo, apresente impugnação no prazo legal (art. 740 do CPC). Requer sejam julgados procedentes os presentes embargos para se fixar corretamente o valor inicial do débito em comento em R$ 600,00 (seiscentos reais), bem como condenar o embargado nos ônus sucumbenciais. Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial prova documental. Requer a distribuição do presente feito por dependência aos autos nº ....., bem como a sua autuação em apartado, nos termos do art. 736, parágrafo único, do CPC; juntar cópias... Dá à causa o valor de R$ 2.700,00 (dois mil e setecentos reais). Nestes termos, pede deferimento e juntada. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações.

5.9

Execução de alimentos (art. 733 do CPC)

(Peça simulada – Procedimento do art. 733 do CPC) Jairzinho, brasileiro, menor impúbere representado por sua mãe Capitu, brasileira, separada, do lar, residente e domiciliada na Rua São Bernardo, 145, bairro Graciliano Ramos, em Belo Horizonte, MG, ajuizou ação de alimentos (Autos nº 129/08) em face de seu pai Escobar, brasileiro, separado, empresário, residente e domiciliado na Rua Santa Catarina, 1.256, bairro Glória, em Belo Horizonte, MG. Em sentença, já transitada em julgado, o d. juiz da 44ª Vara de Família de Belo Horizonte determinou o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$1.000,00 (mil reais), a ser feito até o dia 5 de cada mês seguinte ao vencimento.
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PRÁTICA CÍVEL

Escobar sempre cumpriu corretamente sua obrigação. Entretanto, nos últimos três meses (05/08/2010, 05/09/2010, 05/10/2010), não efetuou o pagamento das prestações alimentares. Diante de sua recusa infunda em efetuar o pagamento, Capitu resolveu ajuizar, em nome do filho, a devida ação de execução de alimentos. Redija a referida peça. Leve em consideração que Capitu não tem condições de arcar com o pagamento das despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento e de seu filho. ______________________ A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 44ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG Distribuição por dependência aos autos nº 129/08

JAIRZINHO, brasileiro, menor impúbere representado por sua genitora CAPITU, brasileira, separada, do lar, residente e domiciliada na Rua São Bernardo, 145, bairro Graciliano Ramos, em Belo Horizonte, MG, CEP ........, por seu procurador abaixo assinado (procuração anexa), vem, respeitosamente, perante V. Exa., propor AÇÃO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS, nos termos do art. 733 do CPC, em face de ESCOBAR, , brasileiro, separado, empresário, residente e domiciliado na Rua Santa Catarina, 1.256, bairro Glória, em Belo Horizonte, MG, CEP ........, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. I. DA DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA

Nos termos do art. 253, I, do Código de Processo Civil, distribuem-se por dependência as causas de qualquer natureza que se relacionarem por conexão ou continência, com outra já ajuizada. In casu, trata-se de ação de execução de alimentos, cuja ação de conhecimento (Autos nº 129/08) foi processada e julgada perante este juízo. Como a presente ação tem por objeto a execução dos alimentos fixados no referido feito, não há dúvidas de que a causa de pedir de ambas envolve a mesma relação jurídica, sendo, portanto, conexas. Assim, caso é de se distribuir a presente ação por dependência aos autos da ação de alimentos de nº 129/08, procedendo-se ao respectivo apensamento. II. DOS FATOS E DOS FUNDAMENTOS

Jairzinho, representado por sua mãe Capitu, ajuizou ação de alimentos (Autos nº 129/08) em face de seu pai Escobar, sendo determinado, em sentença, já transitada em julgado, o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$1.000,00 (mil reais), a ser feito até o dia 5 de cada mês seguinte ao vencimento. Ocorre que Escobar, nos últimos três meses (05/08/2010, 05/09/2010, 05/10/2010), não efetuou o pagamento das prestações alimentares, o que totaliza um débito no valor R$ 3.000,00 (três mil reais), conforme planilha de cálculos anexa. Tendo em vista o inadimplemento, bem como a certeza, a liquidez e exigibilidade das referidas prestações, caso é de se proceder à presente execução de alimentos, nos termos do art. 733 do Código de Processo Civil.

III.

DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer a citação do executado, com os benefícios do art. 172, §2º, do CPC, para que efetue, no prazo de 3 (três) dias, o pagamento das prestações alimentares em atraso, no valor total de R$ 3.000,00 (três mil reais), a ser devidamente acrescido de juros moratórios e correção monetária; para que prove que o fez ou para que apresente suas justificativas (art. 733, caput, CPC), sob pena de ser decretada sua prisão civil, com fulcro no art. 733, §1º, do CPC.
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PRÁTICA CÍVEL

Requer, no caso de purga da mora, que seja acrescido, à importância acima, o valor referente às prestações alimentares que vencerem durante o trâmite do presente feito (art. 290 do CPC). Requer a concessão dos benefícios da justiça gratuita por ser pobre no sentido legal (Lei 1.060/50). Requer a intimação do i. representante do Ministério Público, para que intervenha no presente feito. Requer a distribuição do presente feito por dependência aos Autos nº 129/08. Requer a condenação do executado ao pagamento de custas e honorários advocatícios, nos termos do art. 20 do CPC. Dá à causa o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), nos termos do art. 260 do CPC. Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações. 5.10 Execução de alimentos (art. 732 do CPC)

(Peça simulada – Procedimento do art. 733 do CPC) Jairzinho, brasileiro, menor impúbere representado por sua mãe Capitu, brasileira, separada, do lar, residente e domiciliada na Rua São Bernardo, 145, bairro Graciliano Ramos, em Belo Horizonte, MG, ajuizou ação de alimentos (Autos nº 129/08) em face de seu pai Escobar, brasileiro, separado, empresário, residente e domiciliado na Rua Santa Catarina, 1.256, bairro Glória, em Belo Horizonte, MG. Em sentença, já transitada em julgado, o d. juiz da 44ª Vara de Família de Belo Horizonte determinou o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$1.000,00 (mil reais), a ser feito até o dia 5 de cada mês seguinte ao vencimento. Escobar sempre cumpriu corretamente sua obrigação. Entretanto, não efetuou o pagamento das prestações alimentares referentes aos meses de fevereiro a setembro de 2010. Diante de sua recusa infunda em efetuar o pagamento, Capitu resolveu ajuizar, em nome do filho, a devida ação de execução de alimentos. Redija a referida peça. Leve em consideração que Capitu não tem condições de arcar com o pagamento das despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento e de seu filho. ______________________

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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, nossa resolução.

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA 44ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG Distribuição por dependência aos autos nº 129/08

JAIRZINHO, brasileiro, menor impúbere representado por sua genitora CAPITU, brasileira, separada, do lar, residente e domiciliada na Rua São Bernardo, 145, bairro Graciliano Ramos, em Belo Horizonte, MG, CEP ........, por seu procurador abaixo assinado (procuração anexa), vem, respeitosamente, perante V. Exa., propor AÇÃO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS, nos termos do art. 732 do CPC, em face de ESCOBAR, brasileiro, separado, empresário, residente e domiciliado na Rua Santa Catarina, 1.256, bairro Glória, em Belo Horizonte, MG, CEP ........, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. I. DA DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA

Nos termos do art. 253, I, do Código de Processo Civil, distribuem-se por dependência as causas de qualquer natureza que se relacionarem por conexão ou continência, com outra já ajuizada. In casu, trata-se de ação de execução de alimentos, cuja ação de conhecimento (Autos nº 129/08) foi processada e julgada perante este juízo. Como a presente ação tem por objeto a execução dos alimentos fixados no referido feito, não há dúvidas de que a causa de pedir de ambas envolve a mesma relação jurídica, sendo, portanto, conexas. Assim, caso é de se distribuir a presente ação por dependência aos autos da ação de alimentos de nº 129/08, procedendo-se ao respectivo apensamento. II. DOS FATOS E DOS FUNDAMENTOS

Jairzinho, representado por sua mãe Capitu, ajuizou ação de alimentos (Autos nº 129/08) em face de seu pai Escobar, sendo determinado, em sentença, já transitada em julgado, o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$1.000,00 (mil reais), a ser feito até o dia 5 de cada mês seguinte ao vencimento. Ocorre que Escobar não efetuou o pagamento das prestações alimentares referentes aos meses de fevereiro a setembro de 2010, o que totaliza um débito no valor R$ 8.000,00 (oito mil reais), conforme planilha de cálculos anexa. Tendo em vista o não pagamento das prestações alimentares fixadas em sentença, bem como a certeza, a liquidez e exigibilidade dessas prestações, caso é de se proceder à presente execução de alimentos, nos termos do art. 732 do Código de Processo Civil. III. DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer a citação do executado, com os benefícios do art. 172, §2º, do CPC, para que efetue, no prazo legal, o pagamento das prestações alimentares em atraso, no valor total de R$ 8.000,00 (oito mil reais), a ser devidamente acrescido de juros moratórios e correção monetária. Caso, após citado, o executado não efetue o pagamento, requer que se proceda à penhora em tantos bens quantos bastem para a satisfação do débito (art. 659, CPC), indicando, desde já, com base na faculdade prevista no art. 652, §2º, do CPC, a penhora de dinheiro porventura existente em contas do executado (art. 655-A, CPC). Requer, ainda, caso não seja encontrado o executado, que sejam arrestados seus bens em tantos quantos bastem para garantir a execução, por meio de oficial de justiça, e, partir daí, prossiga a execução em seus ulteriores termos (art. 653 e seguintes do CPC).
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PRÁTICA CÍVEL

Requer a concessão dos benefícios da justiça gratuita por ser pobre no sentido legal (Lei 1.060/50). Requer a intimação do i. representante do Ministério Público, para que intervenha no presente feito. Requer a distribuição do presente feito por dependência aos Autos nº 129/08. Requer a condenação do executado ao pagamento dos ônus sucumbenciais. Dá à causa o valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais), nos termos do art. 260 do CPC. Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações...

Comentários: O art. 732 do CPC traz um dos procedimentos para o trâmite da ação de execução de alimentos. Esse dispositivo remete ao Capítulo IV do Título II do CPC, que, após as reformas introduzidas pelas Leis 11.232/05 e 11.382/06, trata da execução por quantia certa contra devedor solvente. Acontece que uma ação de execução de alimentos se funda em um título judicial, que é a sentença, cuja fase executiva está prevista nos artigos 475-I a 475-R do CPC. Diante disso, há quem defenda que a execução de alimentos prevista no art. 732 do CPP deve observar o procedimento previsto nos artigos 475-I a 475-R do CPC. Outros, no entanto, defendem a adoção do procedimento previsto nos artigos 646 a 731 do CPC, que tratam da execução por quantia certa contra devedor solvente. Como não há entendimento consolidado sobre o tema, adotamos, na resolução acima, o procedimento previsto nos artigos 646 a 731 do CPC. 6. 6.5 CAUTELAR Ação cautelar de produção antecipada de provas

(Peça extraída do Exame de Ordem nº 134 da OAB/SP) Túlio possui um terreno baldio, adquirido há vinte anos, que não é utilizado para nenhuma atividade econômica e cuja configuração permanece original. Após a ocorrência de chuvas de intensidade excepcional, no verão, o muro desse terreno tombou, tendo uma grande quantidade de água com terra invadido a casa de Marco, localizada abaixo do terreno de Túlio. Por acreditar que Túlio seja o responsável pelos danos causados em sua residência, em razão de ter ele providenciado a realização de recente terraplanagem no imóvel, Marco pretende propor uma ação de reparação de danos. Contudo, receia que o estado geral do terreno possa ser alterado por atuação humana ou por causas naturais, o que tornaria impossível ou muito difícil a produção de provas no curso da ação de indenização. Considerando a situação hipotética acima, redija, na condição de advogado de Marco, a petição inicial da ação cabível para possibilitar a verificação imediata dos fatos necessários para a comprovação do direito ao ressarcimento de danos. ______________________
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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ____ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE ___________/___

MARCOS, nacionalidade ....., estado civil......, profissão ......, inscrito no CPF sob o nº ......., portador da carteira de identidade ......, residente e domiciliado na Rua........, nº ........., bairro........, na cidade de ........, CEP ......., vem, por seu procurador in fine assinado (procuração anexa), respeitosamente, perante V. Exa., ajuizar AÇÃO CAUTELAR DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS em face de TÚLIO, nacionalidade ....., estado civil......, profissão ......, inscrito no CPF sob o nº ......., portador da carteira de identidade ......, residente e domiciliado na Rua........, nº ........., bairro........, na cidade de ........, CEP ......., com fundamento no art. 846 do CPC, pelos motivos de fato e de direito que se seguem. I. DOS FATOS

O requerente, no dia ....., após a ocorrência de chuvas de intensidade excepcional, teve sua casa, localizada na rua ...., nº ...., bairro ...., na cidade de ...., invadida por uma grande quantidade de água com terra proveniente do terreno vizinho, cuja propriedade pertence ao requerido É que o muro existente nesse terreno acabou tombando por não suportar a precipitação de chuvas posteriormente à realização de obras de terraplanagem no local, atingindo a casa do requerente, localizada abaixo do referido terreno. Ressalte-se que esse terreno foi adquirido pelo recorrido há vinte anos, sendo, atualmente, um terreno baldio (e, portanto, sem os devidos cuidados), posto que não é utilizado para qualquer atividade econômica, tanto que sua configuração permanece original. Tendo em vista que, em razão do ocorrido, danos foram gerados ao requerente e diante de seu fundado receio de que o estado geral do terreno possa ser alterado por atuação humana ou por causas naturais, o que tornaria impossível ou muito difícil a produção de provas no curso da ação de indenização que pretende ajuizar, ele, recorrente, se vale da presente medida cautelar de produção antecipada de provas. II. DOS FUNDAMENTOS

Nos termos dos artigos 846 e 849, ambos do CPC, havendo fundado receio de que venha a se tornar impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação, é possível a produção antecipada da prova pericial. Para tanto, é necessária a comprovação do fumus boni iuris e do periculum in mora (art. 801, IV, CPC). In casu, os referidos requisitos estão pressentes. Senão vejamos. Consoante narrado acima, o requerente teve enorme prejuízo com a invasão de sua casa por uma grande quantidade de água com terra proveniente do terreno do requerido, após o tombamento do muro divisório, que, pela ausência de cuidados por parte deste, mormente se se tem vista que se trata de terreno baldio, não suportou a precipitação de chuvas posteriormente à realização de obras de terraplanagem no local. Tendo em vista, portanto, que em decorrência do ocorrido, danos foram gerados ao requerente, patente o seu direito de ajuizar a devida ação de indenização, nos termos dos artigos 186 e 927, ambos do Código Civil. Em consequência, não há dúvidas de que lhe assiste direito de produzir a prova pericial antecipadamente. Assim, demonstrada está a presença do fumus boni iuris. Como existe a possibilidade de se alterar o terreno por atuação humana, por meio da retirada da terra ali acumulada, ou por causas naturais, como novas chuvas, por exemplo, inviabilizando ou dificultando uma futura produção de provas no curso da ação de indenização, também é inequívoco o periculum in mora. Dessa forma, demonstrados o fumus boni iuris e o periculum in mora, deve-se determinar a produção de prova pericial (com a observância do disposto nos artigos 420 a 439 do CPC), que deverá apurar os danos gerados ao requerente, bem como o nexo de causalidade entre tais danos e o tombamento do muro do
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terreno do requerido, e, também, se esse tombamento foi provocado por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência do requerido. III. DA AÇÃO PRINCIPAL

Em atenção ao disposto no art. 806 do CPC, o requerente informa que, no prazo de 30 (trinta) dias contados da efetivação da tutela cautelar pretendida, ajuizará a devida ação de reparação pelos danos sofridos em razão da situação fática apresentada alhures. IV. DA MEDIDA LIMINAR

Conforme acima demonstrado, há prova inequívoca da presença do fumus boni iuris e do periculum in mora aptos a justificar a propositura da presente ação cautelar e a concessão da liminar para que seja determinada a produção da prova pericial almejada imediatamente. Pretende-se, consoante dito alhures, que a perícia apure os danos gerados ao requerente, bem como o nexo de causalidade entre tais danos e o tombamento do muro do terreno do requerido, e, também, se esse tombamento foi provocado por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência do requerido. V. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer, liminarmente, seja determinada a produção de prova pericial, com a observância do disposto nos artigos 420 a 439 do CPC, e com a finalidade de apurar os danos que foram gerados ao requerente, bem como o nexo de causalidade entre tais danos e o tombamento do muro do terreno do requerido, e, também, se esse tombamento foi provocado por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência do requerido. Requer a citação do requerido, por oficial de justiça e com os benefícios do art. 172, §2º, do CPC, para que, querendo, apresente contestação no prazo de 5 (cinco) dias, sob pena de se aplicar os efeitos da revelia. Requer seja julgado procedente o pedido para confirmar a liminar concedida ou, no caso de não ter sido deferida, determinar, em final sentença, a produção de prova pericial, com a observância do disposto nos artigos 420 a 439 do CPC, nos termos acima mencionados. Requer a condenação do requerido ao pagamento de custas e honorários advocatícios, nos termos do art. 20 do CPC. Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial documental e testemunhal. Dá à causa o valor de R$... (OBS.: O valor a ser indicado é meramente para fins de recolhimento de custas. Repita-se que só se deve indicar esse valor se o enunciado da prova trouxer algum dado nesse sentido. Caso contrário coloque reticências). Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações.

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PRÁTICA CÍVEL

6.6

Arresto

(Exame de Ordem nº 126 OAB/SP) A ação ordinária movida por ABC Empreendimentos Ltda. contra Aristides da Silva foi julgada procedente, para condenar este ao pagamento da quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a título de perdas e danos causados por má prestação de serviços. Aristides recorreu e o recurso aguarda distribuição no Tribunal competente. Enquanto isso, a ABC Empreendimentos Ltda. descobriu que Aristides pôs à venda os dois únicos imóveis desembaraçados de sua propriedade – um na cidade de Poá e outro na cidade de Itu – e pretende dilapidar seu patrimônio para furtar-se ao pagamento da indenização. QUESTÃO: Como advogado de ABC Empreendimentos Ltda., tome a medida cabível para a defesa de seus interesses. Considere que a ação tramitou perante a 20ª Vara Cível da comarca de Santos, domicílio de Aristides e sede da ABC Empreendimentos Ltda. ______________________ A seguir, o espelho de correção. 1º PASSO ESCOLHA DO PROCEDIMENTO Resposta: Será adotado o procedimento cautelar específico do arresto (Livro III/CPC). Fund. Legal: Art. 813, III, do CPC. 2º PASSO JUIZO COMPETENTE Resposta: A ação deverá ser proposta diretamente no Tribunal de Justiça de São Paulo (art. 800, parágrafo único, CPC) e endereçada ao seu Presidente, na falta de relator designado. “EXMO. SR. DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO”

3º PASSO

PREÂMBULO Resposta: ABC EMPREENDIMENTOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº...com sede em Santos/SP, no endereço..., vem, respeitosamente perante V. Exa., por seu advogado abaixo assinado (procuração anexa) propor AÇÃO CAUTELAR INCIDENTAL DE ARRESTO COM PEDIDO DE LIMINAR, nos termos do art. 813 do CPC, em face de ARISTIDES, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., portador da carteira de identidade nº..., inscrito no CPF sob o nº..., residente e domiciliado em Santos, com endereço..., pelos fatos e fundamentos que se seguem. Fund. Legal: Art.282 ss./CPC + art.37/CPC

4º PASSO Fatos

CAUSA DE PEDIR Resposta: 1- A requerente ajuizou ação ordinária contra o requerido, tendo sido julgado procedente o pedido para condená-lo ao pagamento da quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a título de perdas e danos causados por má prestação de serviços. 2- Irresignado com a sentença condenatória, o requerido recorreu. No entanto, o recurso aguarda distribuição no Tribunal competente. 3- Acontece que a requerente descobriu que requerido pôs à venda os dois únicos imóveis desembaraçados de sua propriedade – um na cidade de Poá e outro na cidade de Itu – e que pretende dilapidar seu patrimônio para furtar-se ao pagamento da indenização.

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PRÁTICA CÍVEL

5º PASSO Fundamentos Jurídicos

CAUSA DE PEDIR Resposta: O candidato deverá arguir a existência dos pressupostos da ação cautelar, quais sejam, o fumus boni iuris e o periculum in mora. 1) Existência do fumus boni iuris Esse requisito corresponde, no arresto, à prova literal da dívida líquida e certa (art. 814, I, CPC). In casu, ele está devidamente demonstrado, posto que a requerente é portadora de sentença condenatória líquida, pendente de recurso, que se equipara à prova literal por expressa determinação do art. 814, parágrafo único, CPC. 2) Existência do periculum in mora No arresto, esse requisito corresponde à presença de uma das situações previstas no art. 813 do CPC. In casu, a tentativa de alienação dos únicos bens desembaraçados pelo requerido e a consequente possibilidade de se frustrar o pagamento da indenização a que foi condenado se enquadra na situação prevista no inciso III do art. 813 do CPC, que assim preceitua: O arresto tem lugar quando o devedor, que possui bens de raiz, intenta aliená-los, hipotecá-los ou dá-los em anticrese, sem ficar com algum ou alguns livres e desembaraçados, equivalentes às dívidas. Assim, no caso em tela, o periculum in mora encontra-se devidamente representado pela necessidade de obstar as alienações dos imóveis antes de consumadas. Logo, deve-se determinar o arresto dos imóveis do requerido, localizados nas comarcas de Itu e Poá, em São Paulo, obstando-se a alienação de tais bens a fim de resguardar futura execução do crédito da requerente. 3) Pedido liminar A fim de evitar que o requerido, caso seja citado, dilapide seu patrimônio e torne ineficaz a presente medida, bem como com o fim de evitar que terceiro de boa-fé adquira esses bens ignorando a existência da referida condenação, a requerente pretende a concessão do arresto liminarmente, nos termos do art. 804 do CPC. Esclarece, ainda, a recorrente que não se opõe à eventual determinação para prestar caução, caso V. Exa. a entenda necessária (art. 804, CPC).

6º PASSO

DA AÇÃO PRINCIPAL Resposta: A requerente informa que a ação principal já está em trâmite, com sentença ainda pendente de recurso (a ser distribuído neste E. Tribunal). Assim, observa-se que a presente ação se trata de providência cautelar incidental, ajuizada diretamente no Tribunal com fundamento no art. 800, parágrafo único, do CPC.

7º PASSO

REQUERIMENTOS Resposta: Diante do exposto, requer: • Citação do requerido pelo correio (artigo 222, CPC) para, desejando, apresentar resposta no prazo legal, sob pena de lhe serem aplicados os efeitos da revelia; • Provar o alegado, por todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente pela prova documental; depoimento pessoal; prova testemunhal e prova pericial.

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PRÁTICA CÍVEL

8º PASSO (A)

PEDIDOS Resposta: Diante do exposto, pede-se: • a concessão da medida liminar para que os imóveis que o requerido pretende alienar sejam imediatamente arrestados, com a expedição de ofícios aos Cartórios de Imóveis das Comarcas de Itu e Poá, para que o arresto conste das respectivas matrículas, obstando, consequentemente, futuras alegações de desconhecimento da constrição judicial; que, em final sentença, a liminar seja confirmada por este E. Tribunal, que, julgando procedente os pedidos formulados, determinará o arresto dos bens do requerido de forma definitiva até a sua resolução em penhora (art. 818, CPC); a condenação do requerido ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, nos termos do art. 20 do CPC.

9º PASSO

VALOR DA CAUSA Resposta: Dá à causa o valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais). • O valor da causa, geralmente, indica o benefício econômico que será alcançado.

10º PASSO

ENCERRAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL Resposta: Nestes termos, pede deferimento. Local e data.

Advogado...... OAB....... Endereço completo do advogado para intimações...

6.7

Separação de corpos

(Exame de Ordem nº 113 OAB/SP) João e Maria são casados pelo regime da comunhão parcial de bens desde agosto de 1996. Não possuem filhos e a casa onde residem, no bairro de Santo Amaro, é de propriedade comum do casal, tendo sido adquirida em fevereiro de 1997. Nos últimos meses, João, desempregado, passou a adotar conduta extremamente violenta com Maria. Frequentemente, chega em casa tarde da noite e bêbado, causando arruaça na vizinhança e acordando Maria aos berros. Na última semana, após algumas ameaças, agrediu Maria com utensílios domésticos, o que tornou insustentável o convívio do casal, com o inevitável rompimento da relação conjugal. QUESTÃO: Na qualidade de advogado de Maria, proponha a ação judicial cabível para defender seus interesses e afastá-la imediatamente do convívio de João. Considere, para esse efeito, que Maria pretende permanecer residindo no imóvel do casal. ______________________
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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, o espelho de correção. 1º PASSO ESCOLHA DO PROCEDIMENTO Resposta: Por se tratar de ação cautelar de separação de corpos, será adotado o procedimento cautelar (Livro III/CPC). Fund. Legal: Art. 7º, §1º, da Lei nº 6.515/77 e arts. 796 e segs. do Código de Processo Civil. JUIZO COMPETENTE Resposta: A ação deverá ser proposta perante um dos Juízos de Família e Sucessões do Foro Regional de Santo Amaro, SP. “EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA __ª VARA DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DO FORO REGIONAL DE SANTO AMARO, SP” PREÂMBULO Resposta: MARIA, nacionalidade..., casada, profissão..., portadora da carteira de identidade nº..., inscrita no CPF sob o nº..., residente e domiciliada em..., vem, respeitosamente perante V. Exa., por seu advogado abaixo assinado (procuração anexa) propor AÇÃO CAUTELAR DE SEPARAÇÃO DE CORPOS COM PEDIDO DE LIMINAR, nos termos do art. 796 e seguintes do CPC, em face de JOÃO, nacionalidade..., casado, profissão..., portador da carteira de identidade nº..., inscrito no CPF sob o nº..., residente e domiciliado em..., pelos fatos e fundamentos que se seguem. Fund. Legal: Art.282 ss./CPC + art.37/CPC 4º PASSO Fatos CAUSA DE PEDIR Resposta: 1- A requerente e o requerido são casados pelo regime da comunhão parcial de bens desde agosto de 1996. Não possuem filhos e a casa onde residem, no bairro de Santo Amaro, é de propriedade comum do casal, tendo sido adquirida em fevereiro de 1997. 2- Nos últimos meses, João, desempregado, passou a adotar conduta extremamente violenta com Maria. Frequentemente, chega em casa tarde da noite e bêbado, causando arruaça na vizinhança e acordando Maria aos berros. 3- Na última semana, após algumas ameaças, agrediu Maria com utensílios domésticos, o que tornou insustentável o convívio do casal, com o inevitável rompimento da relação conjugal. CAUSA DE PEDIR Resposta: O candidato deverá arguir a existência dos pressupostos da ação cautelar, quais sejam, o fumus boni iuris e o periculum in mora. 1) Existência do fumus boni iuris O fumus boni iuris, nos termos do art. 801, IV, do CPC, está caracterizado, no caso em voga, por duas situações, a saber: a) descumprimento dos deveres do casamento previstos no art. 1.556, V, do CC, no que tange ao respeito e à consideração entre os cônjuges; b) insuportabilidade da vida em comum, nos termos do art. 1.573, VI, do CC, em razão das atitudes desonrosas do requerido, que sempre chega em casa tarde da noite e bêbado, é agressivo com a requerente, e vive causando arruaças na vizinhança. 2) Existência do periculum in mora O periculum in mora está caracterizado pelo risco às integridades física e psicológica da requerente, haja vista as atitudes agressivas e desmedidas do requerido, que, consoante narrado alhures, além de chegar bêbado em casa, na última semana, após algumas ameaças, agrediu a requerente com utensílios domésticos. 3) Pedido liminar Tendo em vista a impossibilidade de se prever a reação do requerido após ser citado, a fim de se resguardar a eficácia da presente medida cautelar, pretende a requerente a concessão de medida liminar para a expedição de alvará de separação de corpos que impeça o requerido de se aproximar da requerente ou da residência do casal, podendo, se for o caso, ressalvar dia e hora para que ele retire seus pertencentes pessoais. Na eventualidade de V. Exa. entender pela necessidade de audiência de justificação, a requerente apresenta documento anexo contendo o rol de testemunhas.
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2º PASSO

3º PASSO

5º PASSO Fundamentos Jurídicos

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PRÁTICA CÍVEL

6º PASSO

DA AÇÃO PRINCIPAL Resposta: Em atenção ao disposto no art. 806 do CPC, a requerente informa que, no prazo de 30 (trinta) dias contados da efetivação da tutela cautelar pretendida, ajuizará a devida ação de separação judicial objetivando, de forma definitiva, o término da sociedade conjugal, nos termos do art. 1.571, III, do CPC.

OBS.: Atentar, hoje, para as alterações introduzidas pela Emenda Constitucional nº 66/2010. 7º PASSO REQUERIMENTOS Resposta: Diante do exposto, requer: • Citação do requerido por oficial de justiça, com os benefícios do art. 172, §2º, do CPC, para, desejando, apresentar resposta no prazo legal, sob pena de lhe serem aplicados os efeitos da revelia; Provar o alegado, por todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente pela prova documental; prova testemunhal, prova perícia; depoimento pessoal do requerido, sob pena de confissão (art. 343, §2º, do CPC). 8º PASSO (A) PEDIDOS Resposta: Diante do exposto, pede-se: • a concessão de medida liminar para a expedição de alvará de separação de corpos que impeça o requerido de se aproximar da requerente ou da residência do casal, podendo, se for o caso, ressalvar dia e hora para que ele retire seus pertencentes pessoais. Na eventualidade de V. Exa. entender necessária a produção de prova em audiência, requer seja designada audiência de justificação prévia, e, consequentemente, citado o requerido. Na oportunidade, a requerente apresenta documento anexo contendo o rol de testemunhas. Que a liminar seja confirmada em final sentença, que, julgando procedente o pedido formulado, determinará o afastamento do requerido do lar conjugal. a condenação do requerido ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, nos termos do art. 20 do CPC. VALOR DA CAUSA Resposta: Dá à causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais). Fund. Legal: art. 258 do CPC. 10º PASSO ENCERRAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL Resposta: Nestes termos, pede deferimento. Local e data. Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações...

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9º PASSO

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PRÁTICA CÍVEL

7.

PROCEDIMENTOS ESPECIAIS 7.1 Ação de manutenção da posse

(Peça simulada) Rosa Rosalina (brasileira, casada, engenheira), residente e domiciliada na cidade de Contagem, MG, é proprietária de um imóvel situado na Rua das Oliveiras, nº 999, Bairro dos Cometas, Contagem, MG, com metragem de 400m², adquirido no ano de 1993, através de escritura pública. Mesmo não residindo no local, a proprietária não descuida do imóvel, observando desde o cercamento da propriedade até a pequena produção de vegetais e legumes, destinados ao consumo particular e de sua família. Sempre que pode, costuma ir verificar o local, na freqüência de uma vez por semana, e em uma dessas visitas, percebeu que a cerca de sua propriedade estava rompida. Rosa já procurou o proprietário do imóvel vizinho ao seu, Sr. Joaquim das Pedras (brasileiro, solteiro, vendedor) por diversas vezes, na tentativa de resolver o problema, uma vez que teve relatos de que o gado leiteiro de propriedade do mesmo seria responsável pelos estragos constantes na cerca de arame do seu terreno. Em conversa com Joaquim, ele próprio admitiu que na ausência dela, mexe na cerca de arame com o objetivo de facilitar as “andanças” de sua criação, já que necessitam de espaço. Os gastos com os freqüentes reparos na cerca que delimita a propriedade de Rosa, já perfazem o total de R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais). Rosa Rosalina procurou seus serviços como advogado(a), para ver qual a medida judicial cabível. Redija a inicial que a seu ver deve ser proposta. _______________________ A seguir nossa resolução.

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DA COMARCA DE CONTAGEM/MG.

ROSA ROSALINA, brasileira, casada, engenheira, inscrita no CPF sob o nº..., portadora da CI nº..., residente e domiciliada na Avenida..., nº..., apartamento..., Contagem, MG, vem, respeitosamente, perante V. Exa., por seu advogado in fine assinado (instrumento de procuração anexo), ajuizar AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE COM PEDIDO LIMINAR, observando-se o procedimento especial previsto nos artigos 920 e seguintes do CPC, em face de JOAQUIM DAS PEDRAS, brasileiro, solteiro, vendedor, inscrito no CPF sob o nº..., portador da CI nº..., residente e domiciliado na Rua..., nº..., Bairro..., Contagem, MG, pelos fatos e fundamentos que se seguem. I. DOS FATOS A Autora é possuidora de um imóvel situado na Rua das Oliveiras, nº 999, Bairro dos Cometas, na cidade de Contagem, MG, com metragem de 400 m², adquirido no ano de 1993, por meio de escritura pública (documentos anexos). Apesar de não residir no referido imóvel, a Autora toma os devidos cuidados com a sua propriedade, mantendo-a devidamente cercada, bem como produtiva, na qual produz pequena quantidade de vegetais e legumes para consumo próprio e de sua família. Para tanto, visita regularmente o imóvel, na freqüência de uma vez por semana, para verificar as condições em que este se encontra.

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PRÁTICA CÍVEL

O Réu, morador da propriedade vizinha, valendo-se da ausência da Autora, aproveitou para invadir a parte da frente da propriedade da Requerente, rompendo a cerca de arame que separa e delimita as propriedades. Frise-se, que a Autora, por diversas vezes já refez a cerca e procurou o Réu para conversar sobre o ocorrido, mas de nada adiantou, já que o Requerido responsabiliza as “necessidades” de sua criação de gado leiteiro pelo estrago constante. O prejuízo da Autora, em relação aos gastos com a reparação e reforma da cerca, já perfaz o total de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), conforme notas fiscais anexadas à inicial. II. DOS FUNDAMENTOS Nos termos do art. 926 do CPC e art. 1.210 do Código Civil, o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado no caso de esbulho. No caso em tela, configurada está a turbação, ensejando assim, a manutenção da posse a autora. Senão vejamos. A Autora, conforme narrado acima, é, desde 1993, proprietária e possuidora de imóvel situado em Contagem (conforme docs. anexos), que vem sendo constantemente turbado pelo proprietário do imóvel vizinho. Por se tratar de ação de força nova, ou seja, aquela intentada dentro de um ano e um dia da turbação, deve-se determinar, liminarmente, a imediata manutenção de posse a Autora, com a conseqüente expedição do respectivo mandado liminar, nos termos dos artigos 924 e 928, ambos do CPC. Note-se que não há qualquer óbice à concessão do pedido liminarmente, posto que, conforme documentos anexos, resta demonstrada propriedade do bem por parte da Autora, bem como os constantes gastos e prejuízos da Requerente em virtude da turbação sofrida em seu imóvel. Enfim, está devidamente comprovada a posse, a turbação praticada pelo Réu, a data da turbação, e a continuação da posse da Autora, embora turbada (art. 927 do CPC). Dispõe o artigo 927 do Código Civil Brasileiro que aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. No caso em voga, o Réu vale-se da ausência da Autora para invadir sua propriedade e romper a cerca que delimita o referido imóvel, usando como desculpa a criação de gado leiteiro que possui. Assim sendo, não há dúvidas quanto a responsabilidade do Réu, devendo ele arcar com as despesas com a reparação e reforma da cerca de arame, no importe de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), conforme recibos anexos. III. DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS Diante do exposto, requer seja concedida, liminarmente, a manutenção de posse ao autor referentemente ao imóvel localizado em Contagem, na Rua das Oliveiras, nº 999, Bairro dos Cometas, com a expedição do respectivo mandado, sem audiência da parte contrária. Na eventualidade de V. Exa. entender necessária a produção de prova em audiência, requer seja designada audiência de justificação prévia, e, conseqüentemente, citado o Réu (art. 928, CPC), bem como deferido prazo para juntada do rol de testemunhas. Requer seja julgado procedente o pedido para condenar o Réu ao pagamento da quantia de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), decorrentes dos danos materiais suportados pela Autora em face dos gastos relativos ao conserto da cerca que delimita o imóvel.

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PRÁTICA CÍVEL

Requer a citação do Réu, por meio de correspondência, com aviso de recebimento, para, querendo, apresentar contestação no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de lhe serem aplicados os efeitos da revelia. Requer que, em final, seja mantida a medida liminar concedida, ou, caso não tenha sido deferida, sejam julgados procedentes os pedidos para determinar a manutenção de posse do imóvel localizado em Contagem, na Rua das Oliveiras, nº 999, Bairro dos Cometas, expedindo-se o competente mandado, bem como cominando-se pena pecuniária ao Réu toda vez que seus animais invadirem a propriedade da Autora, sem prejuízo dos eventuais danos materiais. Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial prova documental, testemunhal e depoimento pessoal do Réu, requerendo, desde já, sua intimação nos termos da lei; Requer a condenação do Réu no pagamento de custas e honorários advocatícios, nos termos do art. 20 do Código de Processo Civil. Dá à causa o valor de R$... (corresponde ao valor do bem mais os danos materiais) Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB...

Endereço completo do advogado para intimações.

7.2

Arrolamento sumário: herdeiros maiores e sem conflito

(Peça simulada) Bento de Assis, brasileiro, engenheiro, inscrito no CPF sob o nº 000.000.000-00, portador da carteira de identidade MG-1.111.111, residente e domiciliado na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, lá faleceu no dia 15 de setembro de 2010, sem deixar testamento. Bentinho de Assis era casado, em únicas núpcias, com Capitu de Assis, brasileira, do lar, sob o regime de comunhão parcial (conforme se confirma na certidão de casamento). Dessa união, nasceram Bento Júnior e Escobar, ambos maiores de idade e domiciliados em Santa Luzia. Bento Júnior é solteiro, já Escobar é casado com Madalena sob o regime de comunhão universal de bens. O de cujus deixou os seguintes bens, todos adquiridos na constância de seu casamento com Capitu: a) um automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa HHH 0101, chassi nº 0000000, avaliado em R$ 10.000,00 (dez mil reais); b) uma casa situada na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, com área construída de 100m², com as seguintes confrontações: ..... , conforme registro nº 04 da matrícula 2.226 do Livro 2-RG do Cartório de Registro de Imóveis de Santa Luzia, avaliada em R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). O de cujus também não deixou dívidas a pagar. ______________________
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PRÁTICA CÍVEL

A seguir, nossa resolução. EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DA COMARCA DE SANTA LUZIA, MG <10 linhas> CAPITU DE ASSIS, brasileira, do lar, inscrita no CPF sob o nº..., portadora da carteira de identidade nº ..., residente e domiciliada na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, CEP ..., BENTO JÚNIOR, brasileiro, solteiro, profissão..., inscrito no CPF sob o nº..., portador da carteira de identidade nº ..., residente e domiciliado em ...., em Santa Luzia, MG, CEP ..., e ESCOBAR brasileiro, casado, profissão..., inscrito no CPF sob o nº..., portador da carteira de identidade nº ..., residente e domiciliado no endereço ...., em Santa Luzia, MG, CEP ..., por seu procurador abaixo assinado (procuração anexa), vem, respeitosamente, perante V. Exa., requerer a abertura e o processamento de ARROLAMENTO SUMÁRIO, nos termos do art. 1.301 e seguintes do CPC, dos bens deixados por BENTO DE ASSIS, brasileiro, casado, engenheiro, inscrito no CPF sob o nº 000.000.000-00, portador da carteira de identidade MG-1.111.111, falecido em 15 de setembro de 2010, com último domicílio na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, nos termos que se seguem. I. CPC. O de cujus faleceu no dia 15 de setembro de 2010, em Santa Luzia, MG, seu último domicílio, sem deixar testamento. Foi casado, em únicas núpcias, com a requerente Capitu de Assis sob o regime de comunhão parcial de bens (certidão de casamento anexa). Deixou dois filhos, Bento Júnior e Escobar, ambos maiores. Bento Júnior é solteiro, já Escobar é casado com Madalena sob o regime de comunhão universal de bens. Como inexistem dívidas a serem pagas, todos os bens deixados pelo de cujus constam da proposta de partilha anexa. Como inventariante, pretendem seja nomeada a primeira requerente, a Sra. Capitu de Assis, genitora dos demais requerentes e viúva do de cujus (art. 1.032, CPC). No que tange à partilha, a requerente Capitu de Assis, tendo em vista o regime de casamento de comunhão parcial, ostenta a condição de meeira e herdeira de todos os bens do de cujus, posto que adquiridos na constância do casamento (art. 1.829, I, CC). Portanto, a requerente concorre com seus descendentes no que tange a tal acervo hereditário. Na oportunidade, apresentam os comprovantes de quitação dos tributos relativos aos bens do espólio. II. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Diante do exposto, requerem: a) seja a viúva nomeada inventariante, independentemente de qualquer termo (art. 1.032, I, CPC); b) seja a partilha amigável anexa homologada (art. 1.031, CPC); c) após, seja expedido o competente formal de partilha, observadas as formalidades legais; DOS FATOS E FUNDAMENTOS Trata-se de partilha amigável entre herdeiros capazes, nos termos do art. 1.031 e seguintes do

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d) protesta-se por prazo suplementar de 10 (dez) dias para juntar eventuais documentos que V. Exa. entender pertinentes e não presentes nos autos. Dá à causa o valor de R$ 210.000,00 (duzentos e dez mil reais) Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações...

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DECLARAÇÃO DE HERDEIROS E DE BENS E PARTILHA AMIGÁVEL Pelo presente instrumento, os herdeiros e a viúva-meeira (inventariante) resolvem fazer partilha amigável dos bens deixados por Bento de Assis, na forma abaixo discriminada: 1. AUTOR DA HERANÇA: Bento de Assis, brasileiro, casado, engenheiro, inscrito no CPF sob o nº 000.000.000-00, portador da carteira de identidade MG-1.111.111, falecido em 15 de setembro de 2010, com último domicílio na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG. 2. VIÚVA-MEEIRA: Capitu de Assis, brasileira, viúva, do lar, inscrita no CPF sob o nº..., portadora da carteira de identidade nº ..., residente e domiciliada na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, CEP ... . 3. HERDEIROS: 3.1 Bento Júnior, brasileiro, solteiro, profissão..., inscrito no CPF sob o nº..., portador da carteira de identidade nº ..., residente e domiciliado em ...., em Santa Luzia, MG, CEP...; 3.2 Escobar, brasileiro, profissão..., inscrito no CPF sob o nº..., portador da carteira de identidade nº ..., casado sob o regime de comunhão universal de bens com Madalena, brasileira, profissão..., inscrita no CPF sob o nº..., portadora da carteira de identidade nº ..., ambos residentes e domiciliados em ...., Santa Luzia, MG, CEP... . 4. RELAÇÃO DE BENS MÓVEIS E IMÓVEIS: 4.1 Um automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa HHH 0101, chassi nº 0000000, avaliado em R$ 10.000,00 (dez mil reais); 4.2 Uma casa situada na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, com área construída de 100m², com as seguintes confrontações: ..... , conforme registro nº 04 da matrícula 2.226 do Livro 2-RG do Cartório de Registro de Imóveis de Santa Luzia, avaliada em R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). 5. VALOR DO MONTE-MOR: R$ 210.00,00 (duzentos e dez mil reais). 6. VALOR DA MEAÇÃO: R$105.000,00 (cento e cinco mil reais). 7. VALOR DO QUINHÃO DE CADA UM DOS HERDEIROS: R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), corresponde a 1/6 do monte-mor. 8. PARTILHA AMIGÁVEL DOS BENS: 8.1 A viúva meeira terá: 8.1.1De sua meação: a) 50% do automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa HHH 0101, chassi nº 0000000, o que totaliza R$ 5.000,00 (cinco mil reais). b) 50 % da casa situada na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, com área construída de 100m², com as seguintes confrontações: ..... , conforme registro nº 04 da matrícula 2.226 do Livro 2-RG do Cartório de Registro de Imóveis de Santa Luzia, o que totaliza R$ 100.000,00 (cem mil reais). 8.1.2 Na qualidade de herdeira: a) 16,67% do automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa HHH 0101, chassi nº 0000000, o que totaliza R$ 1.667,00 (mil seiscentos e sessenta e sete reais).

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PRÁTICA CÍVEL

b) 16,67% da casa situada na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, com área construída de 100m², com as seguintes confrontações: ..... , conforme registro nº 04 da matrícula 2.226 do Livro 2-RG do Cartório de Registro de Imóveis de Santa Luzia, o que totaliza R$ 33.340,00 (trinta e três mil trezentos e quarenta reais). 8.2 Ao herdeiro Bento Júnior, caberá: a) 16,67% do automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa HHH 0101, chassi nº 0000000, o que totaliza R$ 1.667,00 (mil seiscentos e sessenta e sete reais). b) 16,67% da casa situada na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, com área construída de 100m², com as seguintes confrontações: ..... , conforme registro nº 04 da matrícula 2.226 do Livro 2-RG do Cartório de Registro de Imóveis de Santa Luzia, o que totaliza R$ 33.340,00 (trinta e três mil trezentos e quarenta reais). 8.3 Ao herdeiro Escobar, caberá: a) 16,67% do automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa HHH 0101, chassi nº 0000000, o que totaliza R$ 1.667,00 (mil seiscentos e sessenta e sete reais). b) 16,67% da casa situada na Rua da Saudade, bairro do Adeus, nº 222, Santa Luzia, MG, com área construída de 100m², com as seguintes confrontações: ..... , conforme registro nº 04 da matrícula 2.226 do Livro 2-RG do Cartório de Registro de Imóveis de Santa Luzia, o que totaliza R$ 33.340,00 (trinta e três mil trezentos e quarenta reais). Local e data. Assinaturas: ________________ Capitu de Assis (meeira e herdeira) ___________________ Bento Júnior (herdeiro) ___________________ Escobar (herdeiro)

___________________ Madalena (esposa do herdeiro Escobar) Comentários: A partir de 2007, após a edição da Lei 11.441, não havendo testamento e sendo todos os herdeiros capazes e concordes, pode-se fazer o inventário e a partilha dos bens por escritura pública em cartório, conforme disposto no art. 982 do CPC. 7.3 Ação de alimentos 1

(Peça simulada) – Juca Potiguá (brasileiro, solteiro, gerente de vendas) e Raimunda Tanajura (brasileira, solteira, do lar) mantiveram longo relacionamento amoroso por mais de 05 anos, e, dessa união, nasceu Wesley de Tal (brasileiro, menor impúbere), nascido em 30 de agosto de 2008 e atualmente com a idade de 02 (dois) anos.
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PRÁTICA CÍVEL

Raimunda sempre arcou com todas as despesas do seu filho menor, não recebendo nenhuma quantia de Juca para ajudar nos gastos mensais. Juca é gerente de uma grande empresa do ramo imobiliário, ganhando aproximadamente R$ 3.000,00 (três mil reais) de salário. Raimunda é secretária, mas no momento está desempregada. Redija a peça que a seu ver deve ser proposta. _______________________ A seguir nossa resolução.

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG.

WESLEY DE TAL, brasileiro, menor impúbere, representado por sua genitora RAIMUNDA TANAJURA, brasileira, solteira, do lar, inscrita no CPF sob o nº..........., portadora da CI nº............, residente e domiciliada na Rua.............., nº......, Belo Horizonte, MG, vem, respeitosamente, perante V. Exa., por seu advogado in fine assinado (instrumento de procuração anexo), ajuizar AÇÃO DE ALIMENTOS, observando-se o procedimento especial previsto na Lei nº 5.478/68 c/c artigos 1.694 e ss do Código Civil, em face de JUCA POTIGUÁ, brasileiro, solteiro, gerente de vendas, inscrito no CPF sob o nº..............., portador da CI nº.............., residente e domiciliado na Rua............................., nº......................, Bairro......., Belo Horizonte, MG, pelos fatos e fundamentos que se seguem. I. DOS FATOS O Requerente WESLEY DE TAL, nascido em 30 de agosto de 2008, atualmente com 2 (dois) anos, é filho do Requerido, conforme faz prova certidão de nascimento em anexo. O Requerido, desde o nascimento do Requerente, nunca ajudou com nada para o sustento do mesmo, sendo este sustentado exclusivamente em todas as suas necessidades, apenas por sua genitora. Frisa-se que, as necessidades de uma criança na idade do Autor são muitas, abrangendo gastos com alimentação, moradia, educação, assistência médica e vestuário, entre várias outras. Atualmente, a mãe do Requerente está desempregada, passando grande restrição financeira, e, portanto, não podendo ela arcar com as despesas para manter e sustentar seu filho menor. Ao contrário da genitora do Autor, o Requerido é gerente de uma importante e reconhecida empresa do ramo imobiliário, auferindo uma renda mensal aproximada de R$ 3.000,00 (três mil reais). II. DOS FUNDAMENTOS Nos termos no art. 1.694 do Código Civil, que assim dispõe: “Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação”. Estabelecem, ainda, os artigos 1.695 e 1.694, §1º, ambos do referido diploma legal, que são devidos alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento, sendo certo que os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada.
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PRÁTICA CÍVEL

No caso em tela, o Requerente, atualmente com 2 (dois) anos de idade, é sustentado exclusivamente por sua genitora, que arca com todas as despesas do mesmo, desde alimentação até assistência médica, não contando com nenhum auxílio do Réu, que encontra-se muito bem empregado em uma reconhecida empresa do ramo da imobiliária. Assim sendo, face ao que foi devidamente demonstrado nos autos, não resta falar em dúvida da obrigação do Requerido em alimentar o Requerente, devendo contribuir de forma efetiva na manutenção da criação do mesmo, já que este é menor de 18 (dezoito) anos e não tem condições de se prover sozinho. III. DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS Diante do exposto, requer a fixação dos alimentos provisórios em 1/3 (um terço) dos rendimentos líquidos do alimentante, quantia que deverá ser depositada em conta-corrente a ser aberta em nome da representante legal do Requerente, RAIMUNDA TANAJURA. Requer a citação do Réu no endereço supra-mencionado, para que compareça em audiência de conciliação, instrução e julgamento, a ser designada por este douto juízo, onde, se quiser, poderá oferecer resposta, sob pena de lhe serem aplicados os efeitos da revelia. Requer seja o Réu condenado a pagar pensão alimentícia mensal ao Autor no valor de 1/3 (um terço) de seus rendimentos líquidos, incluindo-se 13º salário, férias, horas extras, FGTS, rescisão contratual, oficiando para desconto em folha de pagamento. Requer também, a intimação do ilustre representante do Ministério Público para intervir no feito. Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial prova documental, pericial, testemunhal e depoimento pessoal do Réu. Requer os benefícios da assistência judiciária gratuita, por ser o Autor pobre no sentido legal (declaração de pobreza anexa). Requer ainda, a condenação do Réu no pagamento de custas e honorários advocatícios, nos termos do art. 20 do Código de Processo Civil. Dá à causa o valor de R$ ... (de acordo com o artigo 259, inciso VI do CPC, para os devidos efeitos fiscais). Nestes termos, pede deferimento. Local e data... Advogado... OAB... Endereço completo do advogado para intimações... 7.4 Ação de divórcio consensual

(Peça simulada) Lourdes Maria e João de Deus, ambos brasileiros, residentes e domiciliados na Rua Gaspar Mendes, 552, Dona Clara, Belo Horizonte, MG, casaram-se em 10 de janeiro de 2008 (conforme certidão de casamento). Como não estão vivendo bem, sendo insuportável a manutenção da vida em comum, resolveram se divorciar amigavelmente. O casal tem um filho, Joãozinho, de 9 meses de idade (conforme certidão de nascimento) e moram em imóvel de propriedade dos pais de Lourdes Maria, desde o casamento.
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PRÁTICA CÍVEL

Possuem alguns bens móveis que guarnecem a casa onde residem e dois veículos, a saber: (1) uma motocicleta HONDA CG 150 TITAN KS, 2006, placa HHH 0101, no valor de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), e (2) um automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa GGG 0000, chassi nº 0000000, no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Em conversa, decidiram que o automóvel ficará com Lourdes Maria e a moto, com João de Deus, posto ser seu instrumento de trabalho como motoboy. Quanto à guarda do filho, por ser ainda muito pequeno, definiram que será compartilhada, mas que a criança continuará residindo com a mãe, posto ser quem tem melhores condições de prestar assistência imediata. Estabeleceram que o pai poderá fazer as visitas livremente e que, quando a criança não necessitar de cuidados imediatos da mãe, como a amamentação, por exemplo, poderá o pai: a) b) em fins de semanas alternados, ficar com o filho, retirando-o no sábado e levando-o de volta para a casa até as 18 horas do domingo; no período de festividades, como natal, ano novo, carnaval, páscoa, bem como nos aniversários do filho, permanecer alternadamente com ele. Assim, se o pai passar o natal de um ano com a criança, no ano seguinte será a mãe e assim por diante. em toda celebração dos dias dos pais, permanecer com o filho.

c)

No que tange à pensão alimentícia do filho, por ser João de Deus trabalhador autônomo, compromete-se a pagar, mensalmente, a importância de R$ 300,00 (trezentos reais), mediante depósito em conta poupança nº....., em nome de Lourdes Maria, que abriu mão de sua pensão, posto que tem condições de prover o próprio sustento. Relativamente às dívidas, cada um arcará por aquelas que pessoalmente contraíram. Definiram, ainda, que João de Deus deixará a residência do casal no prazo máximo de trinta dias, contados da homologação da separação. Diante do exposto, elabore a medida cabível. ___________________ A seguir, nossa resolução.

EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA ____ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE- MG

LOURDES MARIA, brasileira, casada, profissão..., portadora da carteira de identidade nº..., inscrita no CPF sob o nº..., e JOÃO DE DEUS, brasileiro, casado, trabalhador autônomo, portador da carteira de identidade nº..., inscrito no CPF sob o nº..., ambos residentes e domiciliados Rua Gaspar Mendes, 552, Dona Clara, Belo Horizonte, MG CEP ....., vem, respeitosamente, por seu procurado infra-assinado (procuração anexa), perante V. Exa., ajuizar AÇÃO DE DIVÓRCIO CONSENSUAL, nos termos do art. 226,§6º, CF/88 c/c art. 40, §2º, da Lei 6.515/1977 e art.1.120 e seguintes do CPC, conforme razões de fato e de direito que se seguem.

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PRÁTICA CÍVEL

I.

DOS FATOS

Os requerentes casaram-se em 10 de janeiro de 2008 (conforme certidão de casamento anexa) e foram residir em imóvel de propriedade dos pais da requerente Lourdes Maria, situado na Rua Gaspar Mendes, 552, Dona Clara, Belo Horizonte, MG. O casal tem um filho, Joãozinho, de 9 meses de idade, conforme certidão de nascimento anexa. Na constância da união matrimonial, os requerentes adquiriram alguns bens móveis que guarnecem a casa onde residem e dois veículos, a saber: (1) uma motocicleta HONDA CG 150 TITAN KS, 2006, placa HHH 0101, no valor de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), e (2) um automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa GGG 0000, chassi nº 0000000, no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Diante da impossibilidade de manterem a vida em comum, resolveram se divorciar amigavelmente, acordando o que se segue. II. DA DIVISÃO DE BENS

Consoante mencionado acima, o casal possui alguns bens móveis que guarnecem a casa onde residem e dois veículos, a saber: (1) uma motocicleta HONDA CG 150 TITAN KS, 2006, placa HHH 0101, no valor de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), e (2) um automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa GGG 0000, chassi nº 0000000, no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Acordam que a motocicleta HONDA CG 150 TITAN KS, 2006, placa HHH 0101, no valor de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), permanecerá com o requerente João de Deus, que, como motoboy, a usa como instrumento de trabalho. Já Lourdes Maria, ficará com o automóvel Palio 1.0, Fiat, 2005/2005, placa GGG 0000, chassi nº 0000000, no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), bem como com os bens móveis que guarnecem a casa onde o casal atualmente reside. O requerente João de Deus compromete-se, ainda, a deixar a residência do casal no prazo máximo de trinta dias, contados da homologação da presente separação. III. DA GUARDA DO FILHO E DAS VISITAS

Quanto à guarda do filho, por ser ainda muito pequeno, haja vista ter apenas 9 (nove) meses de idade, definiram que será compartilhada, nos termos do art. 1.583 do Código Civil, mas que a criança continuará residindo com a mãe, posto ser quem tem melhores condições de prestar assistência imediata. Estabelecem que o requerente poderá fazer as visitas livremente e que, quando a criança não necessitar de cuidados imediatos da requerente, como a amamentação, por exemplo, poderá ele: a) em fins de semanas alternados, ficar com o filho, retirando-o no sábado e levando-o de volta para a casa até as 18 horas do domingo; b) no período de festividades, como natal, ano novo, carnaval, páscoa, bem como nos aniversários do filho, permanecer alternadamente com ele. Assim, se o pai passar o natal de um ano com a criança, no ano seguinte será a mãe e assim por diante. c) em toda celebração dos dias dos pais, permanecer com o filho. Cumpre registrar que os requerentes, sempre de comum acordo e visando melhor atender os interesses do filho, poderão alterar os dias de visitas.

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PRÁTICA CÍVEL

IV.

DA PENSÃO ALIMENTÍCIA

No que tange à pensão alimentícia do filho, o requerente compromete-se a pagar, mensalmente, a importância de R$ 300,00 (trezentos reais), mediante depósito em conta poupança nº....., em nome da requerente e genitora da criança Lourdes Maria, valendo o comprovante de depósito como recibo de pagamento. Esclarecem, ainda, que a requente, por ter condições de prover o próprio sustento, abdica de seu direito à pensão alimentícia. V. DAS DÍVIDAS

Relativamente às dívidas, cada um dos requerentes ficará responsável por aquelas que pessoalmente tenha contraído. VI. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Assim, estando os requerentes mutuamente acordados ao apresentado acima, assinam a presente ação, em cumprimento ao disposto no art. 1.121 do CPC, e PEDEM a homologação do pedido de divórcio consensual, com a consequente decretação da sentença homologatória e expedição do respectivo mandado de averbação ao competente Cartório de Registro Civil das pessoas naturais para as anotações de praxe (art. 10, I, do CC). Requerem a oitiva do i. membro do Ministério Público, no prazo de 5 (cinco) dias, nos termos do art. 1.122, §1º, do CPC. Requerem provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial documental. Dá à causa o valor de R$... Nestes termos, pede deferimento. Local e data.

________________ Lourdes Maria ________________ João de Deus

Advogado...... OAB.......

Endereço completo do advogado para intimações...

Comentários: Inicialmente, cumpre destacar que, em 14 de julho de 2010, foi publicada a Emenda Constitucional nº 66, que alterou o §6º do art. 226 para permitir o divórcio sem prévia separação judicial ou separação de fato.
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PRÁTICA CÍVEL

Antes da EC nº 66/2010, o referido dispositivo exigia, para a realização do divórcio, prévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos. Após a emenda, o mencionado dispositivo constitucional passou a ter a seguinte redação: “O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio”. Portanto, a emenda permite que, hoje, homem e mulher se casem e, no outro dia, façam, se assim quiserem, o divórcio, que, pode ser, até mesmo, por escritura pública, conforme disposto no art. 1.124-A do CPC, desde que não haja conflitos entre o casal nem existam filhos menores ou incapazes Com isso, na visão de Pablo Stolze 13. [...] o divórcio converter-se-á na única medida dissolutória do vínculo e da sociedade conjugal, não persistindo mais a tradicional dualidade tipológica em divórcio direto e indireto. Haverá apenas o divórcio: direito potestativo não-condicionado que visa à extinção do vínculo matrimonial sem a imputação de causa específica. Anotamos, ainda, que as pessoas separadas judicialmente, quando da entrada em vigor da Emenda não se converterão, por um passe de mágica, em divorciadas. E aquelas, cujo processo de separação esteja em curso, terão a opção de adaptarem o seu pedido ao novo sistema do divórcio [...]. Portanto, hoje, os casais que queiram romper definitivamente o vínculo conjugal não precisam aguardar tanto tempo como antes.

VIII.

PARECER

(Peça simulada) O prefeito do Município de Pompeu procurou o Procurador Municipal, Dr. José da Silva, em outubro de 2003, indagando se a Câmara Municipal possui competência para elaborar uma lei para fins de desapropriação de imóvel com o objetivo de construção de um hospital local, bem como se a lei é a espécie normativa adequada para a declaração de desapropriação e se existe a possibilidade de se atacar a ilegalidade de tal ato por via do mandado de segurança. Estudada a matéria, o i. Procurador Municipal procedeu à elaboração do seguinte parecer. ______________________ A seguir, nossa resolução.

13 GAGLIANO, Pablo Stolze. A nova emenda do divórcio. Primeiras reflexões. 13/07/2010 [s.n.t]. Disponível no endereço < http://www.colegioregistralrs.org.br/doutrina.asp?cod=400> Acesso em 21/10/2010.

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PRÁTICA CÍVEL

EMENTA

DECLARAÇÃO EXPROPRIATÓRIA – ATO LEGISLATIVO – ADEQUAÇÃO – POSSIBILIDADE DO USO DO MANDADO DE SEGURANÇA – SÚMULA 266 STF – INAPLICABILIDADE – LEI DE EFEITO CONCRETO

RELATÓRIO

Trata-se de uma consulta realizada, em outubro de 2003, pelo prefeito do Município de Pompeu indagando se a Câmara Municipal possui competência para elaborar uma lei para fins de desapropriação de imóvel com o objetivo de construção de um hospital local, bem como se a lei é a espécie normativa adequada para a declaração de desapropriação e se existe a possibilidade de se atacar a ilegalidade de tal ato por via do mandado de segurança. Estudada a matéria, passo a opinar.

FUNDAMENTAÇÃO

A primeira questão a ser respondida refere-se à possibilidade ou não da Câmara Municipal do Município de Pompeu baixar declaração de utilidade pública para fins de desapropriação. Apesar de não ser o veículo mais adequado, tendo em vista que o ato de desapropriar é inerente à função administrativa, o ordenamento jurídico brasileiro confere competência expropriatória ao Poder Legislativo. Assim dispõe, o artigo 8.º do Decreto-lei 3.365/41: “O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação”. Nesse diapasão, assevera a doutrina, consoante se dessume dos seguintes ensinamentos:

No Brasil são Poderes competentes para manifestar a declaração de utilidade pública tanto o Poder Legislativo como o Poder Executivo. Em qualquer caso, contudo, o ato é de natureza administrativa. Quando expedida a declaração pelo Legislativo, competente para tanto é, evidentemente, o órgão legislativo. (in BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio: Curso de Direito Administrativo. 14.ª Ed, São Paulo: Malheiros Editores, 2001, p. 735)

“A atribuição de competência expropriatória ao Legislativo, concorrentemente com o Executivo, é uma anomalia de nossa legislação, porque o ato de desapropriar é caracteristicamente de administração.” (in LOPES MEIRELLES, Hely: Direito Administrativo Brasileiro. 25.ª Ed, São Paulo: Malheiros Editores, 1999, p. 560) Sendo assim, conclui-se pela possibilidade de edição de uma declaração de expropriação pelo Poder Legislativo. Quanto à segunda questão, os fundamentos supra alinhavados devem ser utilizados para respondê-la, ou seja, considerando a possibilidade do Legislativo declarar a utilidade pública para fins de desapropriação, a lei é o veículo próprio para a sua edição, não exigindo necessariamente o decreto pelo Chefe do Executivo.
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PRÁTICA CÍVEL

Por fim, resta analisar a questão do mandado de segurança como meio de se impugnar a lei em comento. Não obstante haver restrição à utilização do mandado de segurança para impugnar texto de lei, esse impedimento refere-se à lei em tese, não se operando em relação as leis de efeito concreto. Senão, veja-se.

Somente as leis e decretos de efeitos concretos tornam-se passíveis de mandado de segurança, desde sua publicação, por equivalentes a atos administrativos nos seus resultados imediatos. (...) Por leis e decretos de efeitos concretos entendem-se aqueles que trazem em si mesmos o resultado específico pretendido, tais como as leis que aprovam planos de urbanização, as que fixam limites territoriais, as que criam municípios ou desmembram distritos, as que concedem isenções fiscais; as que proíbem atividades ou condutas individuais; os decretos que desapropriam bens(...). (in LOPES MEIRELLES, Hely: Mandado de Segurança. XX.ª Ed, São Paulo: Malheiros Editores, 2003, p. 40)

Desta feita, a lei em tela não é abstrata e nem geral, ao contrário, constitui-se numa lei de efeitos concretos, ensejando a produção de efeitos específicos, os quais, possuem aptidão para ferirem direito individual.

CONCLUSÃO Pelo exposto, OPINO no sentido de que a Função Legislativa tem competência para através de uma lei, declarar a utilidade pública de bem a ser desapropriado, inteligência do artigo 8º do Decreto-lei n.º 3.365/41, bem como o mandado de segurança é instrumento processual adequado para impugnação de lei expropriatória de efeitos concretos. É o parecer. Local e data... Dr. José da Silva Procurador do Município de Pompeu

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PRÁTICA CÍVEL

II QUESTÕES PRÁTICAS 1 1.1 1.1.1 CONHECIMENTO E RECURSOS Procedimentos Exame de Ordem OAB/FGV– 2011.1

Questão nº 03 Lírian, dona de casa, decide fazer compras em determinado dia e, para chegar ao mercado, utiliza seu carro. Ocorre que, logo após passar por um movimentado cruzamento da cidade de Londrinópolis e frear seu carro obedecendo à sinalização do local que indicava a necessidade de parar para que pedestres atravessassem, Lírian tem seu veículo atingido na traseira por outro veículo, dirigido por Danilo. Como Danilo se recusa a pagar voluntariamente os prejuízos gerados a Lírian, resolve ela ajuizar ação indenizatória em face de Danilo, pelo rito comum sumário, que considera mais célere e adequado, uma vez que não deseja realizar prova pericial, com a finalidade de receber do réu a quantia correspondente ao valor de cento e vinte salários mínimos. Ocorre que Danilo acredita só ter batido no carro de Lírian porque, instante antes, Matheus bateu no seu carro, gerando um engavetamento. Por tal razão e temendo ter que reparar Lírian pelos prejuízos gerados, Danilo resolve fazer uma denunciação da lide em face de Matheus com a finalidade de agir regressivamente contra ele em caso de eventual condenação. Diante da situação descrita, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. a) Agiu corretamente Lírian ao optar pelo ajuizamento da ação indenizatória segundo o rito comum sumário? (Valor: 0,75) b) Agiu corretamente Danilo ao realizar a denunciação da lide em face de Matheus? Resposta: a) Nos termos do art. 275, II, “d”, do Código de Processo Civil, nas causas de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via terrestre, qualquer que seja o valor, observa-se o procedimento sumário. No caso em tela, a ação ajuizada por Líriam em face de Danilo se refere a ação indenizatória em razão do abalroamento de seu carro pelo veículo deste, além de se tratar de feito que não necessita de produção de prova pericial complexa. Portanto, ao optar por propor a referida ação sob o rito comum sumário, Líriam agiu corretamente. b) Estabelece o art. 280 do Código de Processo Civil que, no procedimento sumário, não se admite a intervenção de terceiros, instituto legal que tem como uma de suas espécies a denunciação da lide (artigos 70 a 76, CPC). In casu, a ação proposta contra Danilo trata-se de ação indenizatória em trâmite sob o rito comum sumário. Logo, não ele poderia realizar a denunciação da lide, agindo equivocadamente ao fazê-lo em face de Matheus.

Comentários: A seguir, os critérios de correção adotados. Item Caracterização do cabimento do rito comum sumário Referência ao cabimento do rito sumário em matérias do art. 275, II, d, CPC Não cabimento de denunciação da lide (0,25), art. 280, CPC (0,25)
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Pontuação 0 / 0,35 0 / 0,4 0 / 0,25 / 0,5 131

PRÁTICA CÍVEL

1.2 1.2.1

Petição inicial Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2006

Questão nº 03 Livros S/A foi procurada por Beltrano Advogados Associados para que fornecesse determinada coleção de livros. Acordam a entrega imediata da coleção e pagamento futuro do preço, no valor total de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Os livros foram entregues no ato e nenhum documento foi assinado. Presenciaram a negociação e a conclusão do contrato Ciclano e Fulano. Na data aprazada, Beltrano Advogados Associados recusou-se a efetuar o pagamento, alegando compensação, pois teria a sociedade sofrido danos morais ao ser caluniada por um dos funcionários da Livros S/A. Contratado para a satisfação do crédito da Livros S/A, explique ao seu cliente qual o remédio jurídico-processual adequado e suas características principais, analisando, inclusive, se a exceção de compensação arguida é procedente. A resposta deve ser justificada, inclusive com a menção dos dispositivos legais aplicáveis. Resposta: Para o caso apresentado, o remédio jurídico-processual adequado à satisfação do interesse processual do credor é o ajuizamento de ação de cobrança pelo rito sumário, uma vez que o valor do crédito é inferior a sessenta salários mínimos (artigo 275, inciso I, Código de Processo Civil). Adotado o rito sumário, no caso de a parte querer produzir prova testemunhal e/ou pericial, a petição inicial já deverá conter o rol de testemunhas, devidamente qualificadas, e/ou os quesitos e a indicação do assistente técnico, sob pena de se não se admitir a produção de provas por esses meios posteriormente (art. 276 do Código de Processo Civil). Relativamente à exceção de compensação de arguida, tem-se que não procede. Para a compensação de dívidas, é exigido, por lei, mais propriamente pelo art. 369 do Código Civil, que as dívidas (a serem compensadas) sejam líquidas, vencidas e de coisa fungível. Assim, como não se tem, no caso em tela, a liquidez, o número, o quantum do valor dos danos morais, não é possível se realizar a compensação.

1.3 1.3.1

Citação Exame de Ordem OAB/CESPE – 2009.3

Questão nº 04 Tadeu propôs ação reivindicatória contra Breno e requereu, na petição inicial, que a citação fosse realizada por oficial de justiça. Breno, tempestivamente, ofereceu contestação, requerendo que fosse reconhecida a nulidade da citação, sob o argumento de que não fora ele mesmo quem recebera o mandado, mas seu primo. Requereu, ainda, que fosse decretada a nulidade do processo, por não ter sido sua esposa incluída no polo passivo da demanda. Apresentou, também, sua defesa de mérito. O juiz rejeitou a alegação de nulidade do processo e acolheu a alegação de nulidade na citação, sob o fundamento de que o réu deve ser citado pessoalmente. Considerando essa situação hipotética, apresente os fundamentos jurídicos necessários para demonstrar o(s) equívoco(s) cometido(s) pelo juiz. Resposta: Nos termos do art. 10, §1º, I, do CPC, ambos os cônjuges são necessariamente citados para as ações que versem sobre direitos reais imobiliários, formando litisconsórcio passivo necessário (art. 47 do CPC). No caso em voga, por se versar a ação reivindicatória sobre direito real imobiliário, deveria ter sido proposta contra Breno e sua esposa. Como somente foi ajuizada contra Breno, o juiz deveria ter acolhido a alegação de nulidade do processo. Como não o fez, agiu incorretamente.

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PRÁTICA CÍVEL

Relativamente ao acolhimento da alegação de nulidade da citação, também se equivocou o d. magistrado. Consoante dispõe o art. 214, §1º, do CPC, o comparecimento espontâneo do réu supre a falta de citação. In casu, mesmo não tendo sido citado pessoalmente, Breno compareceu espontaneamente ao processo e apresentou sua contestação. Logo, restou suprida a falta de citação e, por conseguinte, a nulidade do ato, inexistindo motivo para que o juiz acolhesse a alegação de nulidade de citação. 1.4 1.4.1 Contestação Exame de Ordem OAB/SP – Janeiro 2007

Questão nº 01 Vinicius colide seu veículo com a traseira de ônibus que atua no transporte urbano de passageiros. Estava desempregado, mas era farmacêutico de profissão. Com o acidente, perde a mobilidade de ambas as pernas. Após processo judicial, a empresa foi condenada a indenizá-lo, por danos materiais, no valor equivalente aos estragos no veículo, bem como dos gastos com tratamento médico. Foi ainda condenada a lhe pagar uma pensão mensal vitalícia, correspondente à média do rendimento dos farmacêuticos, apurada em revistas especializadas. Foi, por fim, condenada a lhe pagar uma indenização no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a título de danos morais. Como advogado da empresa, quais seriam os argumentos de mérito passíveis de serem utilizados para a interposição de um recurso contra essa sentença? Resposta: Para a interposição de um recurso de apelação contra essa sentença, o argumento inicial seria a afirmação culpa exclusiva da vítima com a finalidade de desobrigar a empresa ao pagamento de qualquer indenização. Com base no princípio da eventualidade, sustentaria a reforma da sentença para, no mínimo, reconhecer a culpa concorrente da vítima e, consequentemente, nos termos do artigo 945 do Código Civil, diminuir o quantum da condenação, de modo a torná-lo proporcional à culpa da vítima pelo fato gerador do dano. Relativamente à condenação ao pagamento de pensão vitalícia, o pedido de reforma do julgado seria para afastar a condenação a esse pagamento, pois a pensão vitalícia somente é devida no caso de inaptidão permanente para o trabalho, consoante se extrai do disposto no art. 950 do Código Civil, e, in casu, a lesão sofrida pela vítima não a impede de exercer sua profissão, qual seja, farmacêutico. No que tange aos lucros cessantes, também argumentaria pela exclusão da condenação, posto que somente seriam devidos, in casu, se a vítima tivesse deixado de perceber sua renda, o que não aconteceu, posto que ela, ora recorrida, se encontrava desempregada à época do acidente. Quanto aos danos morais, também merecem reforma, posto que o valor fixado a título de compensação leva ao enriquecimento sem causa da vítima, mormente se tem em vista o grau de culpa do ofensor e a capacidade econômica das partes. 1.5 1.5.1 Reconvenção Exame de Ordem OAB/MG – Março 2001

Questão nº 04 Numa ação de indenização, o réu propôs reconvenção para pleitear compensação. Não apresentou, porém, contestação. Na fase de saneamento, o juiz decretou a extinção da ação principal porque o autor não providenciou o preparo das custas iniciais do processo. Ficará prejudicada a reconvenção? Por quê? Qual é a natureza da reconvenção? Resposta: Nos termos do art. 317 do CPC, a desistência da ação, ou a existência de qualquer causa que a extinga, não obsta ao prosseguimento da reconvenção.
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No caso em tela, houve a extinção da ação principal pelo fato de o autor não ter providenciado o preparo das custas iniciais do processo. Isso, no entanto, não prejudica o prosseguimento da reconvenção. É que ela, embora seja processada nos mesmos autos da ação principal, é peça autônoma onde é deduzida uma pretensão própria (conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa) do réu-reconvinte em desfavor do autor-reconvindo. Quanto à natureza jurídica da reconvenção, tem-se que ela é mais do que resposta do réu (arts. 297, 315 a 318, do CPC), sendo o pleno exercício do direito de ação.

1.6 1.6.1

Impugnação ao valor da causa Exame de Ordem OAB/CESPE – Agosto 2009.3

Questão nº 03 A correta atribuição de valor à causa é de grande relevância para o desenvolvimento regular do processo, interferindo em todas as suas fases e em institutos, como competência, rito processual, honorários de sucumbência, multas, custas processuais. Com base nesse postulado, responda, de forma fundamentada, aos seguintes questionamentos. • Para as ações que têm conteúdo econômico imediato, qual a regra geral de atribuição de valor à causa? • Se a causa não tem valor patrimonial aferível, como deve ser preenchido pelo autor o requisito previsto no art. 282, V, do CPC? • Como o réu pode insurgir-se contra a incorreta atribuição de valor à causa pelo autor? • Pode o juiz, de ofício, conhecer de irregularidades referentes ao valor da causa? Resposta: Para as ações que têm conteúdo econômico imediato, consoante se extrai do disposto nos arts. 258 e 259 do CPC e da doutrina, “[...] o valor da causa deve corresponder à vantagem econômica que se quer obter com o processo” (Alexandre Freitas Câmara. Lições de direito processual civil. Rio de Janeiro: Lúmen Juris, 2006, p. 329). Se, no entanto, a causa não tem valor patrimonial aferível, deve o autor fixá-lo em uma determinada importância, nos termos do art. 258 do CPC. Havendo incorreta atribuição de valor à causa pelo autor, o réu pode insurgir-se através da apresentação, no prazo da contestação, de impugnação ao valor da causa, nos termos do art. 261 do CPC, que será autuada em apenso aos autos principais. O juiz, de ofício, pode conhecer de irregularidades referentes ao valor da causa por se tratar de matéria de ordem pública. É o que se extrai da conjugação do disposto nos seguintes artigos do CPC: art. 282, V c/c art. 284 c/c art. 295, VI. 8.1.1 Exame de Ordem OAB/RJ – 23º Exame Sobre o benefício da inversão do ônus da prova, previsto no Código de Defesa do Consumidor, responda: a) A inversão poderá ser determinada de ofício pelo magistrado, ou apenas mediante requerimento da parte? Fundamente sua resposta. b) João, rico empresário do ramo da construção civil, alega, em ação recentemente ajuizada, que contraiu o vírus da AIDS em transfusão de sangue realizada, no mês de outubro de 2003, em determinado hospital de médio porte econômico. Pelo decurso do tempo, João não mais possui documentos que atestam a prestação do serviço. Em casos tais, à luz do conceito de hipossuficiência, justifica-se a inversão do ônus da prova? Comente sua resposta.
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Resposta: a) Nos termos do art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, a inversão do ônus de prova pode ser determinada mediante requerimento da parte ou de ofício pelo juiz quando, a seu critério, em quaisquer das duas situações (requerimento ou decretação de ofício), for verossímil a alegação do consumidor ou quando for ele, consumidor, hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências. b) Com base no art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, é direito básico do consumidor a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor. In casu, João, engenheiro civil, foi contaminado pelo vírus da AIDS, em outubro de 2003, ao realizar transfusão de sangue em determinado hospital de médio porte econômico. Por ser tecnicamente hipossuficiente em relação ao procedimento médico da transfusão, mais propriamente quanto à prova de que foi por causa da transfusão feita no referido hospital que contraíra o vírus da AIDS, justifica-se a inversão do ônus de prova, com a consequente a facilitação da defesa de seus direitos. Ressalte-se, todavia, que não há hipossuficiência técnica de João relativamente ao fato de não mais possuir os documentos que comprovem a prestação do serviço no hospital. 1.7 1.7.1 Tutelas específicas e inibitórias Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2005

Questão nº 03 O Ministério Público de Minas Gerais ajuíza ação civil pública em desfavor da Fábrica “Detritos” e pede sua condenação na colocação de filtro anti-poluente em todas as saídas de fumaça, fundamentando-se no argumento de que o nível de dióxido de carbono expelido pela ré estava acima do permitido. O pedido é julgado procedente e, em consequência, é fixado o prazo de 30 (trinta) dias para a colocação dos filtros, o que, no entanto, não vem a ser cumprido pela ré. Em face de sua omissão, o juiz então, de ofício, determina o fechamento da Fábrica “Detritos”, o que dá azo a interposição de recurso, no qual a ré alega tratar-se de decisão extra petita. Pergunta-se: Pode o Tribunal dar provimento ao recurso acolhendo a alegação da Fábrica “Detritos”? Resposta: Nos termos do art. 461, caput e §5º, do CPC, na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, se procedente o pedido, o juiz determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento, podendo, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente, determinar, de ofício, as medidas necessárias, tal como impedimento de atividade nociva, entre outras. No caso em tela, em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público em desfavor da Fábrica “Detritos”, houve a condenação desta à colocação de filtros antipoluentes em todas as saídas de fumaça, no prazo de 30 (trinta). No entanto, diante do não cumprimento da mencionada decisão, o d. juiz determinou o fechamento da referida fábrica. Tendo em vista que a mencionada ordem judicial de fechamento foi dada com o fim de efetivar tutela específica em ação que tem por objeto o cumprimento de obrigação de fazer, não há que se falar em decisão extra petita. Logo, não poderá o tribunal dar provimento ao recurso interposto pela Fábrica “Detritos” para reformar a sentença com base nessa alegação de decisão extra petita. 1.7.2 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2006

Questão nº 03 O senhor X soube que o Jornal da Manhã publicará, dentro de uma semana, um caderno especial revelando detalhes íntimos de sua vida conjugal (textos e fotos). Não tendo autorizado a reportagem, o Senhor X quer saber como impedir a sua publicação. Responda fundamentadamente, fazendo expressa menção à natureza jurídica da ilicitude e da medida a ser pleiteada, analisando os principais caracteres procedimentais e probatória desta.
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Resposta: Estabelece o texto constitucional, no art. 5º, inciso X, que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurada o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Ainda tutelando esses direitos, chamados de direitos da personalidade, dispõe o art. 12 do Código Civil que se pode exigir que cesse a ameaça ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Também dispõe o art. 21 do referido diploma legal que a vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. In casu, a publicação, no caderno especial de um jornal, de reportagem contendo detalhes íntimos da vida conjugal do Senhor X sem sua autorização viola direitos personalíssimos seus como direito à intimidade, à vida privada e também à imagem. Tendo em vista que a referida divulgação é ilícita, o Senhor X pode se valer de ação inibitória para impedi-la, na qual deverá ser formulado pedido para que a tutela inibitória seja concedida antecipadamente (artigos 273 e 461, § 3º do Código de Processo Civil), posto que a publicação se dará dentro de uma semana. Note-se que a pretensão, na mencionada ação, é a obtenção de ordem judicial que impeça a publicação da reportagem. Assim, como não se pretende indenização por responsabilidade civil, não há que se falar em culpa lato sensu do jornal. No que tange à prova, como o dano ainda não se concretizou, tendo a ação, inclusive, caráter preventivo, tem-se que fica limitada à ameaça da ocorrência do ato ilícito. 1.7.3 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2006

Questão nº 03 O senhor X soube que o Jornal do Povo Paranaense publicará, dentro de uma semana, um caderno especial revelando detalhes íntimos de sua vida conjugal (textos e fotos). Não tendo autorizado a reportagem, o Senhor X quer saber como impedir a sua publicação. Responda fundamentadamente, fazendo expressa menção à natureza jurídica da ilicitude e da medida a ser pleiteada, analisando os principais caracteres procedimentais e probatória desta. Resposta: Estabelece o texto constitucional, no art. 5º, inciso X, que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurada o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Ainda tutelando esses direitos, chamados de direitos da personalidade, dispõe o art. 12 do Código Civil que se pode exigir que cesse a ameaça ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Também dispõe o art. 21 do referido diploma legal que a vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. In casu, a publicação, no caderno especial de um jornal, de reportagem contendo detalhes íntimos da vida conjugal do Senhor X sem sua autorização viola direitos personalíssimos seus como direito à intimidade, à vida privada e também à imagem. Tendo em vista que a referida divulgação é ilícita e que toda lesão ou ameaça a direito deve ser apreciada pelO Poder Judiciário (art. 5º. XXXV, CF/88), o Senhor X pode se valer de ação inibitória para impedi-la, na qual deverá ser formulado pedido para que a tutela inibitória seja concedida antecipadamente (artigos 273 e 461, § 3º do Código de Processo Civil), posto que a publicação se dará dentro de uma semana. Note-se que a pretensão, na mencionada ação, é a obtenção de ordem judicial que impeça a publicação da reportagem. Assim, como não se pretende indenização por responsabilidade civil, não há que se falar em culpa lato sensu do jornal. No que tange à prova, como o dano ainda não se concretizou, tendo a ação, inclusive, caráter preventivo, tem-se que fica limitada à ameaça da ocorrência do ato ilícito.

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1.7.4

Exame de Ordem OAB/FGV - 2010.3

Questão nº 02 Tarsila adquiriu determinado lote íngreme. A entrada se dá pela parte alta do imóvel, por onde chegam a luz e a água. Iniciadas as obras de construção da casa, verifica-se que, para realizar adequadamente o escoamento do esgoto, as tubulações deverão, necessariamente, transpassar subterraneamente o imóvel vizinho limítrofe, de propriedade de Charles. Não há outro caminho a ser utilizado, pois se trata de região rochosa, impedindo construções subterrâneas ou qualquer outra medida que não seja excessivamente onerosa. De posse de parecer técnico, Tarsila procura por Charles a fim de obter autorização para a obra. Sem justo motivo, Charles não consente, mesmo ciente de que tal negativa inviabilizará a construção do sistema de saneamento do imóvel vizinho. Buscando um acordo amigável, Tarsila propõe o pagamento de valor de indenização pela área utilizada, permanecendo a recusa de Charles. Considere que você é o(a) advogado(a) de Tarsila. Responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. a) Há alguma medida judicial que possa ser tomada em vista de obter autorização para construir a passagem de tubulação de esgoto? (Valor: 0,7) b) Considere que houve paralisação da obra em razão do desacordo entre Tarsila e Charles. Há alguma medida emergencial que possa ser buscada objetivando viabilizar a construção do sistema de saneamento? (Valor: 0,3) Resposta: a) Nos termos do art. 1.286 do Código Civil, desde que indenizado pela desvalorização da área remanescente, o proprietário é obrigado a tolerar a passagem, através de seu imóvel, de tubulações e condutos subterrâneos de serviço de utilidade pública, entre outros, em proveito de proprietários vizinhos, quando de outro modo for impossível ou excessivamente onerosa. No caso em tela, Tarsila adquiriu determinado lote. No entanto, em seu imóvel não é possível realizar adequadamente o escoamento do esgoto, posto que a região é rochosa, o que impede construções subterrâneas ou qualquer outra medida que não seja excessivamente onerosa, conforme parecer técnico. Portanto, as tubulações de seu esgoto só podem transpassar subterraneamente o imóvel vizinho limítrofe, de propriedade de Charles. Ocorre que este, mesmo diante de parecer técnico apresentado e de oferta de indenização pela área utilizada, permanece irredutível. Diante disso, portanto, e da obrigação legal de tolerância da passagem de tubulações legalmente imposta, Tarsila deverá ajuizar ação de obrigação de fazer, nos termos do art. 461 do CPC, requerendo que Charles permita a passagem de tubulações em seu imóvel de modo a tornar possível a construção do sistema de saneamento do imóvel dela. b) Tratando-se de ação de obrigação de fazer, o Código de Processo Civil previu, no art. art. 461, §3º e 5º, a possibilidade de conceder, liminarmente, a tutela específica, desde que demonstrado o relevante fundamento da demanda e o perigo da demora, bem como a aplicação de multa para o caso de descumprimento da medida liminar. In casu, se houver a paralisação da obra em razão do desacordo entre Tarsila e Charles, evidenciando a urgência no prosseguimento da construção do sistema de saneamento, Tarsila poderá pretender a concessão de medida liminar para tanto, bem como a aplicação de multa (astreintes) para o caso de descumprimento dessa medida.

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Comentários: A d. Banca Examinadora também entendeu como medida judicial aplicável à hipótese tratada na letra “b” a concessão de tutela antecipada na forma do art. 273 do CPC, notadamente em seu § 3º. Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação: Item a) Ação de Obrigação de Fazer (0,3) Fundamentação legal - art. 461 do CPC (0,2), fundada no art. 1.286 do CC (0,2) b) Viabilidade de concessão de medida liminar (0,1) e imposição de astreintes (0,1), pelo descumprimento do preceito. Fundamentação legal: §§ 3º e 4º do art. 461 do CPC (0,1). 1.8 1.8.1 Ação rescisória Exame de Ordem OAB/MG – Março 2001 Pontuação 0 / 0,2 / 0,3 / 0,4 / 0,5 / 0,7 0 / 0,1 / 0,2 / 0,3

Questão nº 05 “A” propôs ação de anulação de um contrato com base no dolo de “B” que provocou gravíssimo prejuízo ao primeiro. A sentença entendeu que o dolo não estava configurado, embora houvesse, a rigor, prova suficiente para sua caracterização. Pode “A” manejar, com êxito, a ação rescisória? Fundamente. Resposta: Estabelece o art. 485, IX, do CPC que a sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa; Nos termos do § 1º do referido dispositivo, há erro, quando a sentença admitir um fato inexistente, ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido. Estabelece, ainda, § 2º do artigo em comento que é indispensável, num como noutro caso, que não tenha havido controvérsia, nem pronunciamento judicial sobre o fato. No caso em comento, embora houvesse, a rigor, prova suficiente para a caracterização do dolo na celebração do contrato entre “A” e “B”, o d. magistrado, ao sentenciar, entendeu que o dolo não estava configurado. Considerando que a questão leva a crer que o juiz, apreciou as provas e que, ainda sim, entendeu pela inexistência do dolo a ensejar a declaração de nulidade do referido contrato, conclui-se que "A" não teria êxito no manejo de eventual ação rescisória, posto incidir na vedação contida no art. 485, §2º, do CPC. 1.8.2 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2009 Questão nº 04 Alice ajuizou ação de cobrança contra Bernardo, sendo seu pedido julgado improcedente. A sentença transitou em julgado livremente. Um ano após esse evento processual, Alice ajuizou ação rescisória e Bernardo requereu a rejeição liminar do pedido, o que foi acatado, em virtude de não ter a autora recorrido da sentença, sob o argumento de ser essa a condição sine qua non de admissibilidade do pleito rescisório. PERGUNTA-SE: a decisão judicial foi correta? Justifique a sua resposta. Resposta: Nos termos do art. 484 do CPC, a propositura da ação rescisória pressupõe que a sentença de mérito tenha transitado em julgado, não havendo qualquer exigência de que a via recursal tenha sido esgotada previamente. No caso em tela, foi proposta ação rescisória um ano após o trânsito em julgado da sentença. Contudo, houve a rejeição liminar do pedido formulado nessa ação rescisória ao argumento de que a autora não havia atendido a condição sine qua non de admissibilidade do pleito rescisório, qual seja, a interposição de recurso contra a sentença rescindenda.
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Tendo em vista que a sentença rescindenda já transitou em julgado, bem como diante da desnecessidade de se esgotar, na fase conhecimento, a via recursal, conclui-se, portanto, que a decisão que rejeitou a ação rescisória foi incorreta. Neste sentido, é a súmula 514 do STF: “Admite-se a ação rescisória contra a sentença transitada em julgado, ainda que contra ela não se tenham esgotados todos os recursos”. 1.9 1.9.1 Recursos Exame de Ordem OAB/MG – Março 2000

Questão nº 05 João, insatisfeito com a decisão da Turma Recursal do Juizado Especial Cível, procurou seu escritório, solicitando providências. É cabível algum recurso? Justifique. Resposta: Nos termos do art. 48 da lei 9.099/95, havendo omissão, contradição ou dúvida, poderão ser interpostos embargos de declaração. In casu, como não há a indicação do motivo da insatisfação de João com a decisão da Turma Recursal do Juizado Especial Cível, em tese, preenchido um dos requisitos supramencionados, podem ser opostos embargos de declaração. Caso haja controvérsia de natureza constitucional na referida decisão, pode ser oposto também recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, da CF/88. Nesse sentido é a súmula 640 do STF: "É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal". Ressalte-se que os tribunais estaduais não exercem jurisdição sobre as decisões das turmas de recurso dos juizados especiais, motivo pelo qual não há interposição de recurso junto a eles nem para o Superior Tribunal de Justiça (súmula 203, STJ). 1.9.2 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2000

Questão nº 01 Em ação de procedimento ordinário, em que o juiz decidiu liminarmente a exclusão de lide de um dos réus e determinou o prosseguimento do feito contra os demais, qual o recurso cabível para o Autor? Justifique sua resposta. Resposta: Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça e nos termos do art. 162, §1º, do CPC, a sentença é ato do juiz que põe fim ao procedimento de 1º grau, resolvendo ou não o mérito da causa. Já a decisão interlocutória, é ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente (art. 162, §2º, CPC). No caso em tela, a decisão que excluiu, liminarmente, da lide um dos réus e determinou o prosseguimento do feito contra os demais não colocou fim ao procedimento, sendo mera decisão interlocutória. Por se tratar de decisão interlocutória suscetível de causa à parte lesão grave e de difícil reparação, o recurso cabível é o agravo de instrumento, nos termos do art. 522 do CPC. 1.9.3 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2000

Questão nº 02 - adaptada Interposto recurso de apelação contra sentença que julgou procedente o pedido de exoneração de encargos alimentícios, o juiz recebeu o apelo no efeito devolutivo apenas. Qual a medida judicial cabível para a manutenção da pensão alimentícia, até o julgamento da apelação? Justifique sua resposta.

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Resposta: Estabelece o art. 520 do CPC que a apelação será recebida no duplo efeito (suspensivo e devolutivo), salvo as hipóteses previstas em seus incisos, entre elas, a condenação à prestação de alimentos (inciso II), situações em que terá apenas efeito devolutivo. Prevê, também, o art. 522 do referido diploma legal que o agravo de instrumento é a medida judicial apropriada para se questionar os casos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida. No caso em comento, a apelação oposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido de exoneração de encargos alimentícios foi recebida pelo d juiz apenas no efeito devolutivo. Ocorre que a referida decisão não condenou à prestação de alimentos, mas sim manteve a condenação proveniente de ação anterior. Assim, como a improcedência do pedido de exoneração de alimentos não é uma das hipóteses previstas nos incisos do art. 520 do CPC, para que se mantenha a pensão alimentícia até o julgamento da apelação, esta deverá ser recebida no duplo efeito, o que deve ser requerido pelo réu-recorrido via agravo de instrumento. 1.9.4 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2001 Questão nº 01 - adaptada O Tribunal de Justiça, por unanimidade, deu provimento à apelação, reformando a sentença favorável a seu cliente, para negar indenização por danos morais, por impossibilidade jurídica do pedido. No mesmo julgamento, por maioria de votos, manteve a reparação de danos materiais, porém, reduzindo a verba respectiva, valendo assinalar que o voto vencido mantinha o valor da sentença, nesta parte. Qual (quais) o(s) recurso(s) cabível (is)? Justifique sua resposta. Nos termos do art. 530 do CPC, cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência. Dispõe também o art. 498 do referido diploma legal que, quando o dispositivo do acórdão contiver julgamento por maioria de votos e julgamento unânime, e forem interpostos embargos infringentes, o prazo para recurso extraordinário ou recurso especial, relativamente ao julgamento unânime, ficará sobrestado até a intimação da decisão nos embargos. In casu, em sede de apelação, foi reformada a sentença a quo para negar a indenização por danos morais ao autor. No mesmo julgamento, por maioria de votos, foi mantida a indenização por danos materiais, reduzindo-se, no entanto, o valor da condenação nesse particular. Diante dessa decisão, relativamente à parte do acórdão que reduziu o valor da indenização quanto aos danos materiais, por não ter sido unânime a reforma da sentença de mérito, cabe a interposição de embargos infringentes. Já quanto à parte que, unanimemente, reformou a sentença para negar a indenização por danos morais, é cabível a interposição de recurso especial e/ou recurso extraordinário. Registre-se, no entanto, que o prazo de 15 dias para a interposição do recurso especial ou recurso extraordinário permanece sobrestado (suspenso) até a intimação da decisão proferida nos embargos infringentes. 1.9.5 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2002 Questão nº 01 Qual a providência a ser tomada, se a apelação que você apresentou não for admitida, no juízo de primeiro grau, por extemporânea, porque o Juiz de Direito equivocou-se na contagem do prazo? Mencione o dispositivo legal aplicável. Resposta: Estabelece o art. 522 do CPC que o agravo de instrumento é a medida judicial apropriada para se questionar a decisão que inadmite o recurso de apelação. No caso em comento, a apelação interposta não foi admitida, no juízo de primeiro grau, por ter o d. magistrado considerado-a extemporânea.
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Como a inadmissão decorreu de equívoco do juiz quanto à contagem do prazo, para que se questionar a referida decisão e ter a apelação admitida, a medida judicial apropriada é a interposição de agravo de instrumento. 1.9.6 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2003

Questão nº 02 – adaptada Em processo de conhecimento, o Juiz, em manifesto equívoco, indeferiu liminarmente a petição inicial de RIVALDO GOMES, por entender que seu pedido era juridicamente impossível, intimando as partes da decisão. No dia seguinte, independentemente de recurso ou pedido do autor, o mesmo Juiz reconsiderou o próprio ato, determinando o processamento regular do feito, porquanto possível juridicamente o pedido. Com base no exposto, RESPONDA: Agiu CORRETAMENTE o Juiz? JUSTIFIQUE sua resposta, fundamentando-a. Resposta: Preceitua o art. 296 do CPC que, indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, reformar sua decisão, ou seja, exercer o juízo de retratação. No caso em voga, em manifesto equívoco, o juiz indeferiu liminarmente a petição inicial, por entender que o pedido era juridicamente impossível, intimando as partes da decisão. No entanto, no dia seguinte, independentemente de recurso ou pedido do autor, ele reconsiderou o próprio ato, determinando o processamento regular do feito, porquanto possível juridicamente o pedido. Tendo em vista que o juiz reconsiderou sua decisão sem haver o atendimento ao requisito legal para tanto, qual seja, a interposição de recurso de apelação por parte do autor, agiu, portanto, incorretamente. 1.9.7 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2003 Questão nº 03 – adaptada O Tribunal de Alçada, apreciando recurso de apelação, rejeitou, à unanimidade, preliminar de cerceamento de defesa. Quanto ao mérito, confirmou, por maioria, a sentença que julgou improcedente o pedido inicial. O apelante alegara, nas razões recursais, cerceamento de defesa e negativa de vigência aos dispositivos do Código de Processo Civil e da Constituição Federal que asseguram aos litigantes, em processo judicial, o direito à ampla defesa e ao contraditório, pois o Juiz monocrático julgou antecipadamente a lide quando havia requerimento expresso de produção de provas pericial e testemunhal imprescindíveis para o desate da lide. Ou seja, sustentou que o litígio não comportava o julgamento antecipado diante da necessidade de ampla instrução probatória. A decisão colegiada abordou expressamente a questão, rejeitando a tese de ofensa a dispositivos constitucionais e infraconstitucionais. O cliente, não concordando com a decisão desfavorável, procura um Advogado e solicita-lhe que recorra. Com base no exposto, RESPONDA: QUAL é, nesse caso, o recurso cabível? FUNDAMENTE sua resposta. Resposta: Nos termos dos artigos 102, III, “a” e art. 105, III, “a”, ambos da Constituição Federal, estando devidamente prequestionada a matéria, compete ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça julgar, respectivamente, em recurso extraordinário e em recurso especial, as causas decididas em única ou última instância, quando: (1) a decisão recorrida contrariar dispositivo da Constituição Federal (recurso extraordinário), ou (2) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência (recurso especial).
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In casu, foi proposta apelação sob a alegação de cerceamento de defesa e negativa de vigência aos dispositivos do Código de Processo Civil e da Constituição Federal que asseguram aos litigantes, em processo judicial, o direito à ampla defesa e ao contraditório. Sustentou-se que a violação às referidas normas se deu em razão de o Juiz monocrático ter julgado antecipadamente a lide quando havia requerimento expresso de produção de provas pericial e testemunhal, imprescindíveis para o desate da lide. Tendo em vista que a decisão colegiada (proferida em última instância) abordou expressamente as questões suscitadas, rejeitando a tese de ofensa a dispositivos constitucionais e infraconstitucionais, as medidas apropriadas para questionar o v. acórdão são os recursos extraordinário e especial, a serem interpostos concomitantemente. Via recurso extraordinário será questionada a existência de violação a dispositivos constitucionais. Já via recurso especial, será questionada a violação ao Código de Processo Civil, que é lei federal. Note-se que não há necessidade de interposição de embargos de declaração, posto que a matéria recorrida, ao ser expressamente analisada pelo Tribunal a quo, já se encontra devidamente prequestionada. 1.9.8 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2005 Questão nº 02 – adaptada Em ação de cobrança, o réu, devidamente citado, oferece contestação na qual alega, em preliminar, prescrição da dívida e, no mérito, sua compensação com débito anterior. Ao proferir sentença, o juiz acolhe apenas a alegação de compensação e julga improcedente o pedido. O autor, inconformado, interpõe recurso de apelação no qual, exclusivamente, nega a existência da compensação. Pergunta-se: Pode o Tribunal, no julgamento do recurso, dar-lhe provimento para reconhecer que a dívida estava prescrita, mesmo que esta matéria não tenha sido argüida pelo apelante? Resposta: Nos termos do art. 515, §1º, do CPC, serão objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal, quando da análise do recurso de apelação, todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro (efeito translativo ou o princípio devolutivo em profundidade). Estabelece, ainda, o §2º do referido dispositivo que, quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. No caso apresentado, insatisfeito com a r.sentença proferida (nos autos da ação de cobrança), que acolheu apenas a alegação de compensação feita pelo réu e julgou improcedente o pedido, o autor interpôs recurso de apelação, contendo alegação exclusiva quanto à inexistência da compensação. Na situação, embora o autor não tenha tratado da prescrição na apelação nem a sentença a tenha julgado, o Tribunal, por força do efeito translativo, quando do julgamento do recurso, pode dar provimento para reconhecê-la, pois essa é uma matéria que foi aventada nos autos, em sede de contestação, bem como se trata de matéria de ordem pública e, portanto, pronunciável de ofício, nos termos do art. 219, §2º, do CPC. 1.9.9 Exame de Ordem OAB/PR – 2ª 2005 Questão nº 04 Dante propôs, em face de Virgílio, ação de reparação de danos. Nesta, alegou que Vrgílio lhe causou graves danos morais ao contar mentiras a seu respeito para Beatrice, transformando sua vida em um “verdadeiro inferno”. Ao tempo da produção do dano, Virgílio era plenamente capaz, estando no pleno gozo de suas faculdades mentais. Todavia, ao tempo em que a ação foi proposta, Virgílio já sofria de doença mental degenerativa incurável, não mais tendo discernimento para qualquer ato da vida civil, estando, inclusive, judicialmente interditado. Na sentença, o juiz condenou Virgílio a pagar a Dante uma indenização de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). Somente Dante apelou da decisão. Ao julgar a apelação, o Tribunal de Justiça, por maioria dos votos, reformou a sentença para conhecer de ofício da prescrição e julgar improcedente o pedido formulado na inicial. A partir do caso narrado, responda, fundamentalmente, às seguintes questões:
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a) Poderia o Tribunal de Justiça ter conhecido de ofício da prescrição? b) A decisão do Tribunal de Justiça ofendeu o princípio da proibição da reformatio in pejus (reforma para pior)? c) É cabível recurso de embargos infringentes do acórdão do Tribunal de Justiça que decidiu o recurso de apelação? Resposta: No caso em tela, oposta apelação pelo autor, foi ela provida pelo Tribunal de Justiça, por maioria dos votos, para conhecer de ofício a prescrição e julgar improcedente o pedido formulado na inicial, reformando-se, assim, a sentença de mérito. Por se tratar a prescrição de matéria de ordem pública, ainda que não suscitada pelas partes, pode ser pronunciada de ofício pelo magistrado, nos termos do art. 219, §5º, do CPC, não caracterizando ofensa ao princípio da reformatio in pejus. Trata-se do chamado efeito translativo ou devolutivo em profundidade. Assim, ao conhecer, de ofício, a prescrição, o Tribunal de Justiça agiu corretamente. Tendo em vista, ainda, que a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça trata-se de acórdão (não unânime), cuja maioria de votos foi no sentido de reformar, em grau de apelação, a sentença de mérito, é plenamente cabível a oposição de embargos infringentes, nos termos do art. 530 do CPC. 1.9.10 Exame de Ordem OAB/PR – 3ª 2006

Questão nº 03 Cícero, autor no processo, pede a anulação do contrato por dois fundamentos legais diversos, sendo impugnado pelo réu unicamente o primeiro fundamento. O Juiz julga improcedente o pedido do autor, examinando exclusivamente o fundamento impugnado. Pergunta-se: A apelação interposta pelo autor, por todos os fundamentos, permite ao órgão ad quem julgar procedente com base no segundo fundamento? Justifique e fundamente sua resposta. Resposta: Estabelece o art. 515, caput e §1º, do CPC que a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada, sendo objeto de apreciação todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido julgadas por inteiro na sentença Dispõe, ainda, no §2º do mencionado dispositivo legal, que, quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. Na situação em voga, o autor interpôs apelação contra a sentença que julgou improcedente o seu pedido, apresentando todos os fundamentos alegados na petição inicial, embora o magistrado, na sentença, tenha acolhido apenas um deles, mais propriamente, o primeiro. Como os fundamentos apresentados na petição inicial foram novamente trazidos pelo autor em sede de apelação (efeito devolutivo), bem como em razão da possibilidade de o tribunal conhecer, quando do julgamento do recurso, todos os fundamentos apresentados na petição inicial (efeito translativo), é possível que órgão ad quem julgue procedente o recurso de apelação para reformar a sentença a quo com base no segundo fundamento (apresentado pelo autor). 1.9.11 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2007 Questão nº 02 Apontar os recursos cabíveis para os seguintes atos decisórios do juiz: a)- que indeferiu a petição inicial; b)-que indeferiu o requerimento do autor para intimação de testemunha referida, a fim de prestar depoimento, formulado na audiência de instrução e julgamento; c)- que recebeu o recurso de apelação no duplo efeito, manifestado contra decisão liminar concessiva de tutela antecipada de mérito; d)- que julgou improcedente a impugnação do devedor, no procedimento de cumprimento de sentença; e)- que rejeitou a impugnação do devedor no mesmo procedimento; f)- que rejeitou liminarmente os embargos do devedor, g)- que julgou a liquidação por artigos; h)- que deferiu a tutela antecipada de mérito requerida pelo autor, na audiência de justificação, ordenando a demolição de prédio construído pelo réu.
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Resposta: a) A decisão que indeferiu a petição inicial trata-se de sentença, posto que põe fim ao procedimento no 1º grau, nos termos do art. 267, I, do CPC (art. 162, §¹º, c/c art. 267, I, do CPC).Como tal, enseja, nos termos dos artigos 296 e 513 do CPC, a interposição do recurso de apelação. b) A decisão que indeferiu o requerimento do autor para intimação de testemunha referida, a fim de prestar depoimento, formulado na audiência de instrução e julgamento, trata-se de decisão interlocutória (resolve questão incidental no curso do processo – art. 162, §2º, CPC) que, por ter sido proferida em audiência e não ser suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, enseja a interposição imediata de agravo retido oral, consoante disposto no art. 523, §3º, do CPC. c) Nos termos do art. 520, VII, do CPC, contra sentença que confirma a antecipação dos efeitos da tutela cabe apelação apenas no efeito devolutivo. Estabelece, ainda, o art. 522 do CPC que, contra os atos decisórios relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, é admissível a interposição de agravo de instrumento. In casu, houve a interposição de apelação contra decisão liminar concessiva de tutela antecipada de mérito, recurso que foi recebido no duplo efeito. Como a apelação, nesse caso, é recebida apenas no efeito devolutivo, a medida judicial apropriada para se discutir o referido ato decisório é a interposição de agravo de instrumento. d) Estabelece art. 475-M, §3º, do CPC, que a decisão que resolve a impugnação é recorrível mediante agravo de instrumento, salvo quando importar extinção de execução, caso em que caberá apelação. In casu, foi proferida decisão, no procedimento de cumprimento de sentença, pela improcedência da impugnação do devedor. Como se trata de decisão que resolve a impugnação sem extinguir a execução, o recurso cabível é o agravo de instrumento. e) Estabelece art. 475-M, §3º, do CPC, que a decisão que resolve a impugnação é recorrível mediante agravo de instrumento, salvo quando importar extinção de execução, caso em que caberá apelação. In casu, foi proferida decisão, no procedimento de cumprimento de sentença, pela rejeição da impugnação do devedor. Como se trata de decisão que resolve a impugnação sem extinguir a execução, o recurso cabível é o agravo de instrumento. f) Os embargos do devedor, nos termos do art. 739 do CPC, podem ser rejeitados liminarmente, tendo essa decisão natureza de sentença, motivo pelo qual, consoante disposto no art. 513 do CPC, enseja a interposição do recurso de apelação no caso de eventual irresignação. g) A decisão que julgou a liquidação por artigos enseja a interposição de agravo de instrumento, consoante expressa determinação do art. 475-H do CPC, in verbis: “Da decisão de liquidação caberá agravo de instrumento”. h) A decisão que deferiu a tutela antecipada de mérito requerida pelo autor, na audiência de justificação, ordenando a demolição de prédio construído pelo réu, por se tratar de decisão interlocutória (decide questão incidental no curso do processo – art. 162, §2º, CPC) suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação enseja, nos termos do art. 522 do CPC, a interposição de agravo de instrumento.

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1.9.12

Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2007

Questão nº 05 Foi proferida sentença de extinção do processo, ao acolher o juízo de primeiro grau a preliminar de ilegitimidade passiva argüida na contestação. O autor manifestou recurso de apelação contra a sentença. O Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso de apelação, com dois votos a favor da manutenção da sentença recorrida e um contrário. O autor manifestou recursos de embargos infringentes contra o acórdão que decidiu por maioria. Estes embargos poderão ser providos? Resposta: Nos termos do art. 530 do CPC, cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. In casu, o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso de apelação.
Assim, como não houve reforma da sentença de mérito, não podem ser providos os embargos infringentes.

1.9.13

Exame de Ordem OAB/MG – Maio 2009

Questão nº 02 Explique, levando em consideração as recentes alterações recursais, se é possível a interposição de Recurso Extraordinário e Recurso Especial das decisões proferidas pelas Turmas Recursais dos Juizados Especiais Cíveis Estaduais. Resposta: O recurso especial, que é julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, é cabível contra as decisões proferidas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, desde que estejam enquadradas em uma das hipóteses mencionadas no art. 105, III, da CF/88.
Considerando que as decisões proferidas pelas Turmas Recursais dos Juizados Especiais não estão sob a jurisdição dos tribunais estaduais, tem-se, portanto, que contra as decisões proferidas pelas Turmas Recursais dos Juizados Especiais Cíveis Estaduais não cabe recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. Já o recurso extraordinário, que é julgado pelo Supremo Tribunal Federal, é cabível contra as decisões proferidas em única ou última instância, que: (a) contrariem dispositivo da Constituição; (b) declarem inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; (c) julguem válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. (d) julguem válida lei local contestada em face de lei federal (art. 102, III, CF/88).

Como não há qualquer restrição quanto ao órgão prolator da decisão, proferidas decisões pelas Turmas Recursais dos Juizados Especiais Cíveis Estaduais dentro das hipóteses previstas no art. 102, III, da CF/88 (acima apresentadas), é cabível a interposição de recurso extraordinário. Corroborando as afirmações supra, têm-se o entendimento jurisprudencial do STJ e do STF consolidado nas súmulas 203 e 640, respectivamente, a saber: - Súmula 203, STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. - Súmula 640, STF: "É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal". 1.9.14 Exame de Ordem OAB/CESPE -2010.1

Questão nº 01 Paula ajuizou, contra Luciana, ação de rescisão de contrato de locação, requerendo a condenação da ré ao pagamento de aluguéis atrasados e multa contratual, com base no art. 62, I e II, b, da Lei n.º 8.245/1991, tendo o juiz da 1.ª Vara Cível de Florianópolis julgado improcedente o pedido. Ao apreciar a apelação interposta por Paula, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, por unanimidade, proveu o pedido de reforma, para decretar a rescisão do contrato de locação e determinar o pagamento dos aluguéis atrasados, e, por maioria de votos, deu provimento à apelação para condenar a ré na multa contratual. Acrescente-se que a decisão não padece de qualquer vício.

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Em face dessa situação hipotética, indique, com a devida fundamentação legal, a medida judicial cabível para a defesa dos interesses de Luciana, a ser exercida no prazo de quinze dias, contados da publicação do acórdão, declinando a pretensão a ser deduzida. Resposta: Nos termos do art. 530 do CPC, cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência. In casu, em sede de apelação, foi reformada, por maioria de votos, a sentença de mérito para condenar a ré Luciana ao pagamento da multa contratual. Assim, a medida judicial cabível para a defesa dos interesses dela, Luciana, a ser exercida no prazo de quinze dias, contados da publicação do acórdão, é a oposição de embargos infringentes. A matéria objeto do recurso consistirá na condenação da multa ― matéria objeto da divergência ―, ou seja, deverá a recorrente sustentar que assiste razão ao relator do voto vencido, de forma que a multa deve ser excluída da condenação. Ressalte-se que não cabe, no prazo de 15 dias contados da publicação do acórdão, nenhum outro recurso, pois o prazo para eventual recurso especial ou recurso extraordinário (contra a parte unânime do acórdão) permanece sobrestado quando cabíveis embargos infringentes (art. 498 do CPC).

IX. EXECUÇÃO 9.1 Exame de Ordem OAB/MG - Março 2000 Questão nº 01 Joaquim ajuizou ação ordinária contra Pedro. Antes de determinar a citação de Pedro, o juiz, examinado a inicial, verificou que o pedido era juridicamente impossível. Indeferiu, portanto, a exordial (art. 295, III, do CPC) e extinguiu o feito, sem julgamento do mérito, com base no art. 267, I do CPC. Não se conformando com a decisão, Joaquim quer dela recorrer. Responda, justificando: a) Qual o recurso cabível? b) É necessária a citação do réu para processamento do recurso? Resposta: a) A decisão que indeferiu a exordial (art. 295, III, do CPC) e extinguiu o feito, sem julgamento do mérito, com base no art. 267, I do CPC, trata-se de sentença terminativa que põe fim à prestação jurisdicional, e como tal enseja a interposição de apelação, nos termos do art. 513 c/c art. 296, ambos do CPC. b) Consoante se extrai do disposto no art. 296, parágrafo único, do CPC, segundo o qual, não sendo reformada a decisão, os autos serão imediatamente encaminhados ao tribunal competente, não é necessária a citação do réu para o processamento do recurso, mesmo porque a matéria que será devolvida ao tribunal se refere somente à análise da possibilidade jurídica do pedido (uma das condições da ação), o que não afeta o direito do réu à ampla defesa e ao contraditório.
9.2 Exame de Ordem OAB/MG - Março 2000 Questão nº 02 (adaptada) Seu cliente trouxe o seguinte problema: Em um determinado processo de execução por quantia certa pleiteia-se o valor de R$ 100.000,00 de uma nota promissória não paga. Informa-se que a penhora foi realizada em um veículo do devedor, cuja avaliação restou fixada no montante de R$ 80.000,00. Informa-se que o bem penhorado foi arrematado no segundo leilão pelo valor de R$ 30.000,00. No prazo de 24 horas após o leilão, o devedor, fundamentado no artigo 651 do CPC, depositou R$ 80.000,00 (mais custas e honorários) e requereu a remição da execução. Igualmente, três dias após o leilão o arrematante, tendo depositado R$ 30.000,00, requereu a liberação do veículo. Tendo notícia do leilão a esposa do devedor requereu a remição do bem, depositando o valor de R$ 30.000,00, dentro do prazo legal. O credor também no prazo de 24 horas requereu a adjudicação do bem, pelo valor da avaliação (R$80.000,00), na forma do artigo 714 do CPC. O bem deverá ser entregue a quem? Justifique.
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Resposta: O bem deverá ser entregue ao credor, posto que o pedido de remição do devedor não pode ser acolhido. Ademais, o bem foi adjudicado pelo credor antes da finalização da arrematação, que se dá com a assinatura do auto de arrematação, o que não se operou no caso em voga. Senão vejamos. A remição da execução é forma de extinção da execução pelo executado e, nos termos do art. 651 do CPC, consiste no pagamento ou na consignação do valor integral e atualizado da dívida, mais juros, custas e honorários advocatícios. In casu, o executado depositou o valor de R$ 80.000,00, mais custas e honorários. No entanto, tendo em vista que o valor da execução corresponde à R$100.000,00, e, ainda, que o valor depositado pelo devedor não abrange também os juros, o pedido de remição não pode ser acolhido e, por conseguinte, não ficará o devedor com o bem. Passemos ao credor. Consoante disposto no art. 685-A do CPC, é lícito ao exequente, oferecendo preço não inferior ao da avaliação, requerer lhe sejam adjudicados os bens penhorados. Ainda segundo o §3º do referido dispositivo, havendo mais de um pretendente, proceder-se-á entre eles à licitação; tendo preferência, em igualdade de oferta, o cônjuge, descendente ou ascendente, nessa ordem. No caso analisado, o credor requereu a adjudicação do bem, oferecendo, para tanto, o valor de R$ 80.000,00, correspondente ao preço da avaliação. Já a esposa do devedor requereu a remição do bem, depositando o valor de R$ 30.000,00. Embora tenha o credor concorrido com a esposa do devedor, a preferência para adjudicar o bem é dele, pois foi quem ofereceu maior valor. Relativamente ao arrematante, ressalte-se que não poderá pleitear o bem, pois foi adjudicado antes da finalização da arrematação, que se dá, consoante dito acima, com a assinatura do auto de arrematação, o que não ocorreu no caso em voga. Ademais, a adjudicação, conforme se extrai do disposto no art 646 c/c art. 647, I, do CPC, é principal modalidade de pagamento para a extinção da execução.

9.3 Questão nº 05

Exame de Ordem OAB/MG - Dezembro 2000

João entra com uma ação ordinária de cobrança de R$ 7.000.00 contra Pedro. Na audiência de conciliação as partes chegam a uma composição. Pedro dispõe-se a pagar a João aquela quantia, e este, por sua vez, dispõe a entregar a Pedro o veículo Placa XYZ 0007, que não constitui objeto do feito, nem mesmo a título de reconvenção. O acordo foi homologado pelo juiz. Pedro cumpriu sua obrigação e João não. Qual a demanda que poderia ser proposta por Pedro? Justifique sua resposta. Resposta: No caso em tela, foi celebrado e homologado, nos autos da ação de cobrança, acordo entre o autor João e o réu Pedro, onde se convencionou que este pagaria a importância cobrada, qual seja, R$ 7.000.00, e aquele entregaria o veículo Placa XYZ 0007 (que não constitui objeto do feito). Por ser essa sentença homologatória de conciliação um título executivo judicial, nos termos do art. 475-N, III, do CPC, uma vez não cumprida por João, pode Pedro proceder à execução (com fulcro nos artigos 475-I c/c art. 461-A, ambos do CPC.)

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9.4

Exame de Ordem OAB/MG – Março 2001

Questão nº 01 - adaptada Na Comarca de Caeté, o fazendeiro Antônio Justino Mendonça foi condenado criminalmente, com decisão transitada em julgado, porque, a título de vingança, adicionou veneno na ração que alimentava os animais de seu vizinho Jorgino Santana. Diante dos fatos, indaga-se: a) Tem Jorgino direito de ser indenizado pelos animais mortos? b) Em caso afirmativo, qual a ação que deve ser proposta? Justifique suas respostas. Resposta: No caso em voga, Antônio Justino Mendonça foi condenado criminalmente, com decisão transitada em julgado, em razão de, a título de vingança, ter adicionado veneno na ração que alimentava os animais de seu vizinho Jorgino Santana. Nessa situação, considerando que a condenação, na esfera criminal torna certa a obrigação de indenizar o dano causado no crime (art. 91, I, do Código Penal) e que sentença penal condenatória transitada em julgado, consoante disposto no art.475-N do CPC, constitui título executivo judicial, pode Jorginho, valendo-se da decisão proferida contra Antônio pleitear a indenização pelos danos provenientes pela morte de seus animais, via execução. Ressalte, no entanto, que Jorginho deverá promover a liquidação da sentença no juízo cível antes de iniciar a execução. Note-se, ainda, que a execução de sentença penal condenatória exige a instauração de um processo autônomo, com a citação do executado, in casu, Antônio Justino Mendonça (art. 475-N, parágrafo único, do CPC). Diante do exposto, conclui-se, em síntese, que Jorgino tem direito de ser indenizado pelos animais mortos, valendo-se, para tanto, do ajuizamento da respectiva ação de execução, a ser precedida da liquidação da sentença condenatória.

9.5 Questão nº 02

Exame de Ordem OAB/MG – Março 2002

Seu cliente lhe pergunta se está legalmente obrigado a pagar um cheque emitido há 9 (nove) meses. Ao responder, você deverá considerar as hipóteses legais cabíveis, justificando-se, com referência aos dispositivos de lei aplicáveis ao caso. Resposta: Nos termos do art. 33 da Lei 7.357/85, o cheque deve ser apresentado para pagamento, a contar do dia da emissão, no prazo de 30 (trinta) dias, quando emitido no lugar onde houver de ser pago; e 60 (sessenta) dias, quando emitido em outro lugar do País ou no exterior, prescrevendo em 6 meses, contados da expiração do prazo de apresentação, o direito de ser ajuizada a respectiva execução (art. 59 da Lei 7.357/85). Percebe-se, face ao exposto, que o prazo máximo para se promover uma ação de execução, levando-se em consideração a data de emissão do cheque e o prazo de apresentação, é igual a sessenta dias (após prazo de emissão) mais seis meses. In casu, o cheque foi emitido há 9 (nove) meses. Como já não está mais dentro do prazo para eventual execução, o mencionado título perdeu sua força de título executivo extrajudicial, não podendo o devedor ser compelido a pagá-lo via ação de execução. No entanto, continua sendo documento hábil a comprovar a existência da relação material obrigacional existente o emitente do título e o credor da quantia ali representada, motivo pelo qual a obrigação legal de se pagar o referido título de crédito persiste. Assim, estando o cheque prescrito, pode o credor se valer dos seguintes meios para recebê-lo: ação de locupletamento (ação de enriquecimento ilícito) prevista no art. 61 da lei 7.357/85 ou ação monitória (art. 1102a e seguintes do CPC) ou ação de cobrança (art.282 ss. do CPC).
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9.6 Questão nº 03

Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2004

Eleutério Rodrigues possui uma escritura de confissão de dívida da Construtora "More Bem", com garantia fiduciária de uma de suas diretoras, Maria Esperteza. Ultrapassado o prazo para o adimplemento da dívida, não houve quitação, o que levou Eleutério Rodrigues a promover ação executiva em face de Maria Esperteza que, antes do despacho da inicial pelo juízo competente, doou todos os seus bens a seus filhos e netos. Como advogado de Eleutério Rodrigues, qual a medida judicial cabível para a defesa dos interesses de seu cliente? Resposta: Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívidas que reduzirem o devedor à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos, conforme disposto no art. 158 do Código Civil. In casu, a devedora Maria Esperteza, antes do despacho da inicial pelo juízo onde se processava a execução que lhe era movida pelo Sr. Eleutério Rodrigues, doou todos os seus bens a seus filhos e netos, frustando o adimplemento de dívida (confessada em escritura pública pela Construtora "More Bem") da qual era garantidora. Como, com essa medida, Maria Esperteza tornou-se insolvente e, por conseguinte, lesou os interesses de seu credor, o Sr. Eleutério Rodrigues, caracterizada está a fraude contra credores. Assim, a medida judicial cabível, nesse caso, seria o ajuizamento de uma ação revocatória ou pauliana, onde o Sr. Eleutério pediria a anulação do negócio jurídico celebrado entre a devedora Maria Esperteza e seus descendentes.

Comentários: O caso em comento não se trata de fraude à execução, posto que a insolvência da devedora se deu antes de ser citada na execução. 9.7 Questão nº 01 Um advogado militante regularmente inscrito na OAB/PR, firma contrato escrito de prestação de serviços advocatícios com um determinado Cliente para propor Ação de Divórcio. O advogado presta o serviço avençado, porém o Cliente não lhe paga os honorários devidos. Com a intenção de receber o que lhe é contratualmente devido, o Advogado utiliza-se do saque de uma duplicata levando-a a protesto por falta de aceite. Responda justificadamente se o procedimento do advogado para ver satisfeito seu crédito foi correto? Haveria outra forma de exigir o que lhe é devido? Resposta: Nos termos do artigo 42 do Código de Ética e Disciplina da OAB, o crédito por honorários advocatícios não autoriza o saque de duplicatas ou qualquer título de crédito de natureza mercantil, salvo emissão de fatura, desde que constitua exigência do constituinte ou assistido, decorrente de contrato escrito. In casu, com o fim de receber os honorários contratuais em razão dos serviços prestados para a propositura de ação de divórcio, o advogado utiliza-se do saque de uma duplicata, levando-a a protesto por falta de aceite. Por ser esse um procedimento em dissonância do legal, conclui-se que o referido advogado valeu-se de procedimento incorreto para ver satisfeito seu crédito. Na realidade, a medida legal apropriada para ele exigir o que lhe é devido é a propositura de execução baseada no contrato escrito de prestação de serviços advocatícios firmado, posto ser um título executivo, nos termos do art. 24 da Lei 8.906/94. Ressalte-se, ainda, que o advogado-credor deve renunciar ao patrocínio da causa, fazendo-se representar, na execução, por outro advogado, conforme determina o art. 43 da referida lei.
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Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2004

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PRÁTICA CÍVEL

9.8

Exame de Ordem OAB/PR – 3ª 2004

Questão nº 04 O exeqüente tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas. Considerando que o executado já tenha apresentado embargos quando da desistência da execução pelo exeqüente, se faz necessária a concordância do executado para que a desistência produza efeitos a ponto de também extinguir os embargos opostos? Explique e fundamente na lei sua resposta. Resposta: O credor tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas, conforme previsto no art. 569 do CPC. Na desistência da execução, serão extintos os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o credor as custas e os honorários advocatícios. Nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do embargante (art. 569, parágrafo único, CPC).
No caso em tela, houve a desistência da execução pelo exequente após a apresentação dos embargos.

Para que essa desistência produza efeitos a ponto de também extinguir os embargos opostos sem a concordância do embargante, é necessário, consoante dito acima, que aqueles versem apenas sobre questões processuais e que o credor-embargado pague as custas e os honorários advocatícios. Se, no entanto, os embargos versarem sobre matéria de mérito, a extinção dependerá da concordância do embargante. Assim, a exigência de concordância do embargante para que o credor desista da execução dependerá do conteúdo dos embargos. 9.9 Questão nº 04
Quatro exeqüentes de Pedro penhoram o mesmo bem – uma obra de arte-, da seguinte forma:

Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2005

a) exeqüente Victor (empresário); valor da execução: R$ 60.000,00 (sessenta mil reais); origem do crédito: cheque ‘sem fundos’; propositura da ação: 02.02.2004; penhora: 04.03.2004; b) exeqüente Cláudio (ex-empregado); valor da execução: R$ 30.000,00 (trinta mil reais); origem do crédito: condenação em reclamatória trabalhista; propositura da ação: 20.01.2003; penhora: 08.04.2004; c) exeqüente Rodrigo (empresário); valor da execução: R$ 60.000,00 (sessenta mil reais); origem do crédito: cheque ‘sem fundos’; propositura da ação: 19.09.2003; penhora: 18.03.2004; d) exeqüente Roberto (advogado); valor da execução: R$ 40.000,00 (quarenta mil reais); origem do crédito: contrato de honorários advocatícios inadimplido; propositura da ação: 10.11.2003; penhora: 30.03.2004; O único bem penhorável de Pedro era a obra de arte, que foi arrematada em 16.11.2004, por R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), que se encontram depositados em favor do juízo da Vara única da Comarca de Arapoti-PR (Justiça Estadual). As execuções são: por quantia certa contra devedor solvente; autônomas; finais e se encontram em fase de pagamento. Inexiste interesse na declaração da insolvência de Pedro e inexistem outros fatos além dos narrados. Na qualidade de advogado de Rodrigo, explique a ele, sucintamente: a) de que forma e; b) quanto cada um dos quatro credores de Pedro irá receber após o rateio dos R$ 120.000,00 disponíveis. As respostas obrigatoriamente devem estar amparadas em dispositivos legais. Resposta: Nos termos do artigo 612 do CPC, o critério para aferição da preferência processual em relação a bens penhorados, é exclusivamente a data da penhora, ou seja, tem preferência aquele que penhorou primeiro. Dispõe o artigo 711 do mesmo diploma legal que na ocorrência de múltiplos credores, o dinheiro ser-lhes-á entregue na ordem das respectivas prelações, e no caso de não haver título legal à preferência, receberá em primeiro lugar o credor que promoveu a execução, cabendo aos demais concorrentes direito sobre a importância restante, sendo observada a anterioridade de cada penhora.
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PRÁTICA CÍVEL

No caso em tela, todos os credores penhoraram um mesmo bem, qual seja, uma obra de arte, em datas distintas, e, depois de instaurado o concurso de credores, verificou-se três classes distintas: trabalhistas, com privilégio geral e quirografários. Frise-se, que o crédito trabalhista goza de preferência (artigo 186 do CTN), assim, o primeiro a receber será Cláudio, no valor integral de seu crédito (R$30.000,00). Já em segundo lugar, receberá Roberto, também em sua integralidade, por ser advogado, e, portanto, possuir privilégio legal (artigo 24 do Estatuto da Advocacia e da OAB). Em última análise, receberá Victor, que penhorou o bem em 04/03/2004, tendo direito à quantia de R$50.000,00 (restante do valor), ao contrário de Rodrigo, que não receberá nenhum valor. 9.10 Questão nº 01 Alfredo celebra contrato de mútuo com o Banco “Sem Burocracia” dando em garantia, através de hipoteca, devidamente averbada em Cartório, lote de sua propriedade, no valor de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), equivalente ao importe da dívida contraída. Alfredo vem, posteriormente, a contrair nova dívida e a sofrer execução, promovida por Camaleão, por cheque emitido em seu favor no valor de R$15.000,00 (quinze mil reais). Nessa execução, penhora-se o mencionado lote, seu único bem que foi, posteriormente, arrematado em hasta pública pelo valor de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Pergunta-se: Do valor apurado na hasta pública quanto caberá a cada credor? Justifique de forma fundamentada. Resposta: O juiz autorizará que o credor levante, até a satisfação integral de seu crédito, o dinheiro depositado para assegurar o juízo ou o produto dos bens alienados quando não houver sobre os bens alienados qualquer outro privilégio ou preferência, instituído anteriormente à penhora (artigo 709, inciso II, do CPC). Destarte, antes de ser expedido qualquer alvará de levantamento de valores, deverá ser observada a existência de crédito anterior à penhora realizada, e, em caso positivo, deverá ser liberado o valor para os credores preferenciais. No caso em comento, a dívida hipotecária tem preferência sobre o crédito quirografário, mesmo na hipótese de o credor hipotecário não ter promovido o processo de execução, tendo em vista trata-se de direito real de garantia. Assim sendo, o credor hipotecário (Banco Sem Burocracia) receberá seu crédito na quantia de R$45.000,00, na sua totalidade, em virtude de o bem ter sido arrematado por esse valor. Já em relação ao credor Camaleão, não restará nenhuma parcela a ser entregue. Questão nº 03 – adaptada Em ação de execução de sentença, o executado oferece embargos do devedor nos quais alega nulidade de sua citação no processo de conhecimento, bem como a prescrição da dívida. Durante a tramitação dos embargos, o exeqüente/embargado, peticiona nos autos desistindo da execução, alegando ter celebrado acordo extra-judicial com o irmão do executado/embargante. O juiz, então, diante do requerimento do exeqüente/embargado, extingüe a execução e, automaticamente, os embargos do devedor, sem a oitiva do executado/embargante. Pergunta-se: Foi correta a decisão judicial? Fundamente. Resposta: No processo de execução, o exeqüente poderá desistir da execução mesmo após a apresentação da defesa (artigo 569 do CPC), no entanto, isto somente ocorrerá no caso do devedor ter apresentado embargos versando sobre matéria meramente processual, uma vez que, se a questão for meritória a desistência somente poderá ser homologada depois da oitiva do executado/embargante. In casu, os embargos não versavam apenas sobre questões processuais, já que o executado/embargante alega tanto a nulidade de citação quanto a prescrição da dívida.
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Exame de Ordem OAB/MG – Março 2005

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PRÁTICA CÍVEL

Assim, o magistrado somente poderia ter homologado a desistência se o executado/embargante estivesse de acordo, ou seja, a anuência é imperativo legal. 9.11 Exame de Ordem OAB/SP – Agosto 2005

Sócrates recebeu, em pagamento de uma dívida, um cheque emitido por Platão e endossado por Aristófanes. O cheque foi emitido em 1o de janeiro de 2005 e foi apresentado para pagamento em 20 de janeiro do mesmo ano, na mesma praça em que emitido. No entanto, o título voltou sem fundos, tendo sido declarada essa condição pelo banco sacado. O cheque não foi levado a protesto no cartório competente. Hoje, 23 de maio de 2005, pode Sócrates mover execução, com base no cheque, contra Aristófanes? Qual o fundamento legal? Resposta: Nos termos do artigo 33 da Lei nº 7.357/85, o cheque deve ser apresentado para pagamento, no prazo de trinta dias, a contar do dia da emissão, quando emitido no lugar onde houve de ser pago; e no prazo de sessenta dias, quando emitido em outro lugar do país ou exterior. Ainda de acordo com o mesmo dispositivo legal, em seu artigo 59, o prazo prescricional para a propositura da ação de execução é de seis meses, contado da data do prazo de apresentação. No caso em tela, Sócrates poderá promover a execução do cheque contra o endossante Aristófanes, já que a declaração do banco sacado de que o cheque não tem fundos, funciona como protesto necessário para tanto (artigo 47, inciso II, e §1º da Lei nº 7.357/85). 9.12 Questão nº 05 Barbosa firmou com Moreira contrato de prestação de serviços advocatícios. Barbosa se obriga a redigir um contrato de compra e venda de um bem móvel de propriedade de Moreira. Por sua vez, Moreira se obriga a pagar Barbosa, no prazo de 60 dias, a quantia de R$ 8.000,00. Carla, secretária de Barbosa, assinou o contrato na qualidade de testemunha. Barbosa não redigiu o contrato de compra e venda, mas, mesmo assim, decorridos os 60 dias, propôs ação de execução em face de Moreira, a fim de receber os R$ 8.000,00 previstos no contrato, sendo deferida a petição inicial. Moreira foi citado e ofereceu bem imóvel à penhora. Pergunta-se: a) O contrato que embasa a execução é título executivo? b) Moreira tem o dever de pagar a quantia de R$ 8.000,00 a Barbosa? Resposta: a) Todo contrato escrito que fixa honorários advocatícios é considerado título executivo (artigo 24 da Lei nº 8.906/94). No caso em exame, Barbosa firmou com Moreira contrato de prestação de serviços advocatícios, no valor de R$8.000,00 (oito mil reais), sendo assinado por uma testemunha (Carla). Deste modo, o contrato que embasa a execução é considerado título executivo, não sendo necessário que o mesmo seja subscrito por duas testemunhas. b) Nos termos do artigo 476 do Código Civil Brasileiro, nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. In casu, Barbosa se obrigou a pagar Moreira o valor de R$8.000,00 (oito mil reais) para que este último redigisse um contrato de compra e venda. Ocorre que o referido contrato nunca chegou a ser redigido. Assim sendo, Moreira não deverá nenhuma quantia a Barbosa, uma vez que o advogado não cumpriu a obrigação que propôs, aplicando-se ao caso a exceção do contrato não cumprido, e, conseqüentemente, gerando a inexigibilidade do título. Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2006

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PRÁTICA CÍVEL

9.13 Questão nº 03

Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2007

Ajuizada execução de nota promissória, que foi embargada pelo devedor, devolvido o mandado de penhora, depósito e avaliação cumprido pelo oficial de justiça, tendo a penhora recaído sobre imóvel do devedor, quais serão os meios expropriatórios que o credor poderá requerer, se concordar com o valor de avaliação do bem penhorado? Resposta: O credor poderá requerer a adjudicação do bem; a alienação por iniciativa particular; a alienação em hasta pública; bem como o usufruto do móvel ou imóvel (artigo 647 da Lei 11.382/06). No caso em comento, foi ajuizada execução de nota promissória, e, cumprido o mandado de penhora, depósito e avaliação, a penhora recaiu sobre imóvel do devedor. Destarte, desde que o credor concorde com o valor da avaliação do bem penhorado, poderá requerer qualquer um dos meios expropriatórios elencados na redação do artigo 647, da mencionada Lei nº 11.382/06. 9.14 Questão nº 04 Ao dirigir veículo de sua propriedade, Tício atropelou Caio, causando-lhe diversas lesões corporais, que impediram a vítima de exerceu seu trabalho habitual por 90 dias, pois submetida a tratamento médico. Em consequência, Tício foi condenado no processo penal instaurado, pelo crime de lesões corporais. Caio pretende receber indenizações por perdas e danos, em razão do ato ilícito praticado por Tício. Considerando que a sentença penal condenatória passou em julgado, quais são os procedimentos que Caio deverá requerer, no juízo cível, visando ao recebimento da indenização que pretende? Resposta: Dispõe o artigo 475-N do Código de Processo Civil que a sentença penal condenatória transitada em julgado é título executivo judicial. Como tal, enseja o início do cumprimento de sentença no juízo cível, havendo, no mandado inicial, ordem de citação do devedor para liquidação, posto não ter determinado o valor devido (art. 475-N, parágrafo único, CPC). In casu, Caio foi atropelado por Tício, e, em virtude do ocorrido sofreu diversas lesões corporais, ficando impedido de exercer sua atividade laborativa pelo prazo de 90 (noventa) dias, e, instaurado o processo penal, este foi condenado pelo crime de lesões corporais, tendo a sentença penal já transitada em julgado. Como a própria sentença penal condenatória transitada em julgado constitui título executivo judicial (art. 475-N, CPC), e, portanto, torna certa a obrigação de indenizar de Tício, para que Caio receba sua indenização, deve, no juízo cível, dar início ao cumprimento da referida sentença, requerendo, inicialmente, a citação de Tício para liquidar o valor devido (art. 475-A,CPC) e efetuar o pagamento no prazo de quinze após a fixação do crédito exequendo. Caso Tício não efetue o pagamento no prazo acima, Caio poderá requerer a expedição do mandado de penhora e avaliação, nos termos do art. 475-J do CPC. 9.15 Questão nº 01 Carlos promove, em face de Flávia, Jordana e Edna ação de execução por quantia certa fundada em título executivo extrajudicial. Citadas, Flávia e Jordana deixaram escoar o prazo de 15 dias para opor embargos. Foi realizada e penhora de bens dos executados, e Flávia e Jordana apresentaram petição alegando que não poderia haver constrição, pois o prazo para embargos não teria fluido, pois faltava a citação de Edna, e de acordo com art. 241, III do CPC, só começaria a fluir após a juntada do último mandado. Além disso, teriam prazo em dobro, pois possuem diferentes procuradores, nos termos do art. 191 do CPC. Procedem as alegações? Por quê? Exame de Ordem OAB/MG – Maio 2009 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2007

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PRÁTICA CÍVEL

Resposta: No caso em voga, foi proposta execução contra Edna, Flávia e Jordana, sendo que apenas as duas últimas (Flávia e Jordana) foram citadas e, após terem seus bens penhorados, apresentaram, extemporaneamente, embargos ao argumento de que o prazo não teria fluido, pois faltava a citação de Edna, e de acordo com art. 241, III do CPC, só começaria a fluir após a juntada do último mandado. Sustentaram, ainda, que teriam prazo em dobro, pois possuem diferentes procuradores, nos termos do art. 191 do CPC. Considerando que o prazo para a apresentação dos embargos (15 dias), havendo mais de um executado, conta-se, de forma independente, para cada um deles, a partir da juntada do respectivo mandado citatório, salvo tratando-se de cônjuges, conclui-se que o fato de a executada Edna não ter sido citada em nada afeta na contagem dos prazos para as outras executadas Jordana e Flávia. Ademais, não há aplicação do disposto no art. 191 do CPC, posto que se trata de norma (acerca do litisconsórcio) prevista no Livro I do Código de Processo Civil, o qual, por sua vez, não se aplica ao procedimento de execução, cujo disciplinamento jurídico consta do Livro II do referido diploma legal. Assim, face ao exposto, conclui-se que nenhuma das alegações das executadas merece prosperar. 9.16 Questão nº 01 Lurdes ajuizou ação, visando obter de Rosa a compensação por danos morais que esta lhe teria causado quando a destratou publicamente. Após a instrução processual, o juiz prolatou sentença, condenando Rosa a pagar a quantia de R$ 50 mil a Lurdes. Não houve apelação e a sentença transitou em julgado, tendo Lurdes promovido a execução do título. Intimada, Rosa apresentou impugnação, recebida no efeito suspensivo. O advogado de Lurdes terminou perdendo o prazo para recorrer dessa decisão. Nessa situação hipotética, é possível a Lurdes prosseguir na execução? Justifique sua resposta. Resposta: Nos termos do art. 475-M, §1º, do CPC, mesmo que seja atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao exequente requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando caução suficiente e idônea, arbitrada pelo juiz e prestada nos próprios autos. No caso em tela, iniciada a execução do título judicial, a executada Rosa apresentou impugnação, a qual foi recebida no efeito suspensivo. Como a exequente Lurdes perdeu o prazo para recorrer dessa decisão, para que possa prosseguir com o procedimento executório, deverá oferecer e prestar caução suficiente e idônea. Assim, o advogado de Lurdes deverá apresentar petição dirigida ao juiz, requerendo que este arbitre a caução que entenda suficiente e idônea para garantir o prosseguimento da execução. 9.17 Questão nº 03 Pablo sagrou-se vencedor em demanda ajuizada contra a fazenda pública, que foi condenada a pagar-lhe o valor de R$ 200.000,00, a título de indenização. Ao requerer a execução do julgado, o advogado de Pablo juntou aos autos o contrato de prestação de serviços e pediu que do valor devido ao seu cliente fosse descontado o percentual de 15% atinente aos honorários contratados, com a expedição de dois precatórios. O juiz indeferiu o pedido, por meio da seguinte decisão interlocutória: “Vistos (...) Indefiro a expedição de precatório relativo aos honorários contratuais, que deverão ser executados por meios próprios. Expeça-se precatório quanto ao crédito do autor e quanto aos honorários da sucumbência.” Exame de Ordem OAB/CESPE – 2010.1 Exame de Ordem OAB/CESPE – 2009.3

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PRÁTICA CÍVEL

Em face dessa situação hipotética, informe a medida judicial adequada para impugnar a decisão do juiz, apresente os fundamentos de direito que respaldam a pretensão de expedição de precatório em separado para pagamento dos honorários contratados e indique a única hipótese de indeferimento do pagamento vindicado. Resposta: Nos termos do art. 22, caput e § 4º, no art. 23 e no art. 24, caput e § 1º, da Lei 8.906/1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados), é assegurado ao advogado o direito de receber os honorários contratuais, exigindo-os e pleiteando-os no processo próprio em que atuou, bem como requerer a sua execução e a expedição de precatório a eles correspondentes. Tem, portanto, o advogado o direito de retenção dos valores devidos a títulos de honorários no momento do levantamento ou da requisição de precatório, desde que apresentado o contrato de honorários tempestivamente. In casu, ao requerer a execução do julgado em que atuou como advogado, Pablo juntou aos autos o contrato de prestação de serviços e pediu que do valor devido ao seu cliente fosse descontado o percentual de 15% atinente aos honorários contratados, com a expedição de dois precatórios, o que foi indeferido pelo d. magistrado ao argumento de que os honorários contratuais devem ser executados por meios próprios. Tendo em vista que execução é de obrigação de dar quantia certa, bem como em razão de Pablo ter apresentado o contrato de honorários tempestivamente, é plenamente possível que execute seus honorários contratuais nos próprios autos da demanda judicial, por meio de execução especifica em nome próprio, requerendo, como fez, a expedição do respectivo precatório. Assim, estando cumpridos os requisitos, como in casu, não há motivos para o juiz indeferir a expedição de precatório. Como o magistrado decidiu pelo referido indeferimento, incidentalmente, no curso do processo, tem-se que essa é uma decisão interlocutória (art. 162, §2º, CPC) e que, por gerar ao advogado lesão grave e de difícil reparação, enseja a interposição de agravo de instrumento, nos termos do art. 522 do CPC. No agravo, o agravante evidenciará, conforme acima dito, ser inconteste o seu direito de ter a retenção dos honorários pactuados no contrato de prestação de serviços advocatícios na própria ação de execução, devendo ser pago diretamente o valor devido, deduzido da quantia a ser recebida pelo contratante do referido serviço. Ressalte-se que a regra especificada no art. 22, §4º, do Estatuto da Advocacia é impositiva no sentido de que deve o juiz determinar o pagamento dos honorários advocatícios quando o advogado juntar aos autos o seu contrato de honorários, excepcionadas apenas a hipótese de ser provado anterior pagamento e a prevista no § 5º do mesmo art. 22, não cogitadas no caso em exame. 9.18 Questão nº 03 Gerson está sendo executado judicialmente por Francisco, tendo sido penhorado um imóvel de sua propriedade. Helena, esposa de Gerson, casada pelo regime da separação total de bens, pretende a aquisição do bem penhorado, sem que o imóvel seja submetido à hasta pública. É juridicamente possível esta pretensão? Em caso negativo, fundamente sua resposta. Em caso positivo, identifique os requisitos exigidos pela lei para que o ato judicial seja considerado perfeito e acabado. Considere que não há outros pretendentes ao bem penhorado. Resposta: Sim, é possível que Helena, mulher do executado, adquira o imóvel penhorado, sem que ele seja levado à hasta pública, através do instituto da adjudicação, conforme previsto no parágrafo segundo, do artigo 685-A, do CPC, uma vez que a Lei 11.382/2006 revogou o instituto da remição. E, inexistindo outros interessados na adjudicação do imóvel, deve-se observar o disposto no artigo 685-B, do CPC, o qual estabelece os requisitos para efetivação da adjudicação. Nesse sentido, para se considerar perfeita e acabada a adjudicação, o auto de adjudicação deverá ser lavrado e assinado pelo juiz, pelo adjudicante, pelo escrivão e, se presente, também pelo executado, depois do que será expedida a carta de adjudicação, por se tratar de bem imóvel. Ressalte-se que a carta de adjudicação deverá conter a descrição do imóvel, a indicação de sua matrícula e registros, cópia do auto de adjudicação e prova da quitação do imposto de transmissão, o ITBI, tudo nos termos do parágrafo único, do já citado artigo 685-B, do CPC.
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Exame de Ordem OAB/FGV – 2010.2

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PRÁTICA CÍVEL

9.19 Questão nº 04

Exame de Ordem OAB/FGV - 2010.3

João contrata você como advogado(a) a fim de representá-lo em determinada demanda judicial. Os termos são ajustados por contrato escrito, assinado por duas testemunhas, fixando-se o pagamento de 1/3 dos honorários em caso de revogação do mandato antes da sentença; 2/3, em caso de revogação após a sentença; e integral no caso de autos findos. O trabalho é realizado com zelo e proficiência, e o juízo julga procedente em parte o pedido autoral, compensando-se as despesas e os honorários de sucumbência. Na fase de cumprimento de sentença, o autor vem a óbito, deixando seus sucessores de constituí-lo como advogado. Considerando que você atuou exclusivamente naquele processo, entende que faz jus ao recebimento dos honorários contratuais. Com base no cenário acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. a) Em tal hipótese, qual medida judicial você poderá tomar a fim de receber os honorários contratuais? (Valor: 0,6) b) Qual deverá ser o procedimento adotado a fim de receber os honorários contratuais? (Valor: 0,4) Resposta: a) Consoante se extrai do disposto no art. 24, §1º, da Lei 8.906/94 c/c o art. 585, VIII, do CPC, o contrato de honorários advocatícios firmado entre o advogado e seu cliente constitui título executivo extrajudicial e, como tal, enseja o ajuizamento de ação de execução. No presente caso, houve a celebração de contrato de honorários advocatícios com o Sr. João, constituindo, pois, título executivo extrajudicial. Assim, a medida apropriada para o recebimento dos honorários é o ação de execução pautada em título executivo extrajudicial. b) Com base no disposto no art. 24, §1º, da Lei 8.906/94, a execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha atuado o advogado, se assim lhe convier. Portanto, no caso em tela, a execução poderá ser promovida nos mesmos autos da ação em que se atuou como representante processual de João, dispensando-se a habilitação de crédito no inventário, a propositura de ação de cobrança ou arbitramento de honorários de advogado. Comentários: A d. Banca Examinadora também considerou, como resposta correta para a pergunta da letra “b”, a propositura de ações de conhecimento e monitória. No entanto, em tais hipóteses, “o critério de correção buscou aplicabilidade à situação-problema, coerência e fundamentação legal consoante a medida judicial eleita pelo examinando”. Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação:

Item a) Ação de Execução pautada em título executivo extrajudicial. (0,3) Fundamentação legal: art. 585, VIII, do CPC c/c o art. 24 da Lei 8.906/94 (Estatuto do Advogado). (0,3) b) Indicação de meio adequado + fundamentação legal/coerente (exceção: ação de arbitramento de honorários)
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Pontuação 0 / 0,3 / 0,6

0 / 0,2 / 0,4

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PRÁTICA CÍVEL

X. CAUTELAR 10.1 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2001 Questão nº 01 - adaptada João propôs uma ação cautelar de arresto contra José. O Sr. Oficial de Justiça, quando do cumprimento do mandado, perguntou ao advogado de João se o arresto a ser realizado deverá obedecer à ordem do artigo 655 do CPC. O que você responderia? Justifique e fundamente legalmente. Resposta: Sendo julgada procedente a ação principal, o arresto se resolve em penhora (artigo 818, CPC). No caso em exame, João propôs uma ação cautelar contra José, e, no momento da realização da diligência, o Oficial de Justiça questionou sobre a regra do artigo 655 do CPC, que trata da ordem preferencial da penhora. Assim, diante do relatado, o Oficial de Justiça não necessariamente deverá seguir a ordem de preferência da penhora para realizar o arresto, entretanto, deverá respeitar a limitação do arresto a patrimônio disponível do devedor que possa ser objeto de futura penhora. 10.2 Questão nº 03 Maria ajuizou ação pleiteando a condenação de Jorge ao pagamento de indenização, no valor de R$10.000,00 (dez mil reais) por danos morais, em razão de um desastroso acontecimento havido em seu aniversário e presenciado por diversas pessoas. Em conformidade com a determinação legal, ofereceu em sua petição inicial o rol de testemunhas, dele fazendo constar Ana. Após a citação de Jorge, Ana comunicou à Maria que viajaria, na semana seguinte, para Londres, como turista e sem data prevista para o retorno. PERGUNTA-SE: qual providência deverá ser adotada por Maria para garantir a oitiva de Ana? Responda fundamentadamente. Resposta: Far-se-á o interrogatório da parte ou a inquirição das testemunhas antes da propositura da ação, ou na pendência desta, mas antes da audiência de instrução, se tiver de ausentar-se (artigo 847, CPC). No caso exposto acima, Maria indicou na petição inicial o rol de testemunhas, do qual constava o nome de Ana, entretanto, após a citação de Jorge, essa avisou aquela que viajaria para outro país, sem data prevista para o retorno. Dessa forma, a medida processual a ser adotada é a produção antecipada de provas, que poderá ser requerida através de uma Ação Cautelar Incidental, para solicitar a inquirição de Ana antes da audiência de instrução. 10.3 Questão nº 01 José iniciou relacionamento afetivo com Tânia em agosto de 2009, casando-se cinco meses depois. No primeiro mês de casados, desconfiado do comportamento de sua esposa, José busca informações sobre seu passado. Toma conhecimento de que Tânia havia cumprido pena privativa de liberdade pela prática de crime de estelionato. José, por ser funcionário de instituição bancária há quinze anos e por ter conduta ilibada, teme que seu cônjuge aplique golpes financeiros valendo-se de sua condição profissional. José, sentindo-se enganado, decide romper a sociedade conjugal, mas Tânia, para provocar José, inicia a alienação do patrimônio do casal. Considerando que você é o advogado de José, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. a) Na hipótese, existe alguma medida para reverter o estado de casado? (Valor: 0,5) b) Temendo que Tânia aliene a parte do patrimônio que lhe cabe, aponte o(s) remédio(s) processual(is) aplicável(is) in casu. (Valor: 0,5) Exame de Ordem OAB/FGV - 2010.3 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2009

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Resposta: a) Nos termos do art. 1.556 do CC, o casamento pode ser anulado por vício de vontade, se houver, por parte de um dos nubentes, ao consentir, erro essencial quanto à pessoa do outro. O erro essencial, entre outras hipóteses, ocorre quando o cônjuge ignora a existência de crime praticado anteriormente ao casamento pelo outro nubente, crime esse que torne insuportável a vida conjugal (art. 1.557, II, do CC). In casu, José descobriu, após o casamento, que sua esposa Tânia praticou crime de estelionato, o qual, por sua natureza, tornará insuportável a relação do casal, mormente em razão de José sempre ter uma conduta ilibada. Por se tratar de erro essencial sobre a pessoa do cônjuge, José poderá propor Ação Anulatória de Casamento, com fulcro no art. 1.557, II, c/c art. 1.556 do CC. b) Estabelece o art. 822, III, do CPC, a possibilidade de o juiz decretar o sequestro dos bens do casal, nas ações de separação e de anulação do casamento, se o cônjuge os tiver dilapidando, cabendo o requerente expor, na petição inicial da medida cautelar, o direito ameaçado e o receio de lesão, nos termos do art. 801, IV, também do CPC. In casu, José, depois descobrir a condenação de sua esposa Tânia pelo crime de estelionato, comunicou-a de sua decisão de romper a sociedade conjugal. Ocorre que ela, logo após a notícia, iniciou a alienação do patrimônio do casal. Tendo em vista a dilapidação patrimonial perpetrada por Tânia, que poderá trazer dano irreparável ou de difícil reparação, bem como diante da futura proposição de ação anulatória de casamento por José em razão de erro essencial quanto à pessoa do cônjuge, inegável a presença de fumus boni iuris e do periculum in mora (elementos essenciais à concessão de medidas de urgência) e, por conseguinte, a necessidade de se propor ação cautelar de sequestro, a fim de proteger os bens do casal, enquanto tramita a ação principal. Comentários: Na pergunta da letra “b”, a d. Banca Examinadora também pontuou aquelas respostas em que o candidato indicou o cabimento de cautelar inominada ou arrolamento de bens, desde que devidamente indicados o fumus boni iuris e do periculum in mora. Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação:

Item a) Ação Anulatória do Casamento. Fundamentação legal: art. 1.557, II, c/c 1.556 do CC, por motivo de erro essencial em relação à pessoa do cônjuge, pela prática de crime que torne insuportável a vida conjugal. (0,25 cada um) b) Ação Cautelar de Sequestro, nos termos do art. 822, III, do CPC. OU Outra medida cautelar (inominada ou arrolamento de bens). Indicação de presença de fumus boni iuris e periculum in mora, necessários à tutela de urgência. (0,25 cada um)

Pontuação

0 / 0,25 / 0,5

0 / 0,25 / 0,5

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XI. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS 11.1 11.1.1 Questão nº 02 Juca Cipó é locatário do imóvel urbano situado em Juiz de Fora – MG. Ao ir pagar o aluguel mensal, como de praxe, foi informado por José das Couves, antigo locador, que o imóvel havia sido vendido para Jarbas e os aluguéis deveriam ser pagos a este. Juca procurou Jarbas que lhe disse que ainda não havia registrado o imóvel, pelo que não receberia nenhum aluguel. Para evitar o inadimplemento o que deve fazer Juca? Qual o fundamento jurídico de sua pretensão? Resposta: Nos termos do artigo 67 da Lei nº 8.245/91 (Lei de Locações), a ação que objetivar o pagamento dos aluguéis e acessórios da locação mediante consignação, deverá especificar os aluguéis e acessórios da locação, indicando os respectivos valores. No caso em tela, Juca tem dúvidas quanto ao credor de sua obrigação ser José das Couves ou Jarbas, e, ao mesmo tempo, não quer torna-se inadimplente, desejando pagar os valores devidos. Assim sendo, não pairam dúvidas de que para evitar o inadimplemento, Juca Cipó deverá ajuizar ação de consignação em pagamento, uma vez que este tem dúvidas sobre quem seja legitimado a receber os aluguéis, e, como existe aplicação subsidiária do CPC, deverá ser utilizado o rito processual estabelecido no CPC compreendido entre os artigos 890 e 900. 11.2 11.2.1 Questão nº 03 Proposta ação renovatória de locação contra José Natalino, esta foi julgada improcedente, conforme sentença proferida ontem. Pretendendo a imediata desocupação do imóvel, o locador consulta sobre essa possibilidade. Dê resposta justificada ao problema. Resposta: Não sendo renovada a locação, o juiz fixará o prazo de até seis meses após o transito em julgado da sentença para desocupação, se houver pedido na contestação (artigo 74 da Lei nº 8.245/91). No caso em exame, foi proposta ação renovatória de locação contra José Natalino, e, após a sentença, julgada improcedente. O locador, com base na sentença proferida, pretende a imediata desocupação do imóvel. Deste modo, não há que se falar na imediata desocupação do imóvel, uma vez que a lei viabiliza o locatário a permanecer no imóvel pelo prazo a ser estipulado pelo Magistrado, contados após o transito em julgado da sentença. 11.2.2 Questão nº 04 Manuel Gasparini deu em locação um imóvel para o seu empregado Antônio Magro residir enquanto estivesse trabalhando no restaurante do locador. Realizada a extinção do contrato de trabalho, pelo qual o empregado percebia um salário mensal de R$ 800,00 (oitocentos reais), o inquilino se negou a devolver o imóvel locado. Pergunta-se: a) qual a ação judicial cabível para a retomada do imóvel?
b) há possibilidade de se pedir a antecipação de tutela, para que o imóvel seja liminarmente desocupado?
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Consignação em pagamento Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2004

Locação Exame de Ordem OAB/MG – Março 2000

Exame de Ordem OAB/MG – Março 2000

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PRÁTICA CÍVEL

c) qual o valor da causa? Fundamente as respostas. Resposta: a) Nos termo do artigo 47, inciso II da Lei nº 8.245/91, é possível a retomada imediata de imóvel residencial em decorrência da extinção do contrato de trabalho, se sua ocupação pelo locatário estiver relacionada com o seu emprego. In casu, Manuel Gasparini deu em locação um imóvel para o seu empregado Antônio Magro ocupar enquanto estivesse trabalhando no restaurante daquele. Destarte, a ação judicial cabível para a retomada do bem é a ação de despejo, já que o contrato de trabalho era baseado em ralação de trabalho, e, em virtude disso, cessada a atividade laborativa, conseqüentemente cessará o contrato de locação. b) Conceder-se-á liminar para desocupação em quinze dias, independentemente da audiência da parte contrária e desde que prestada a caução no valor equivalente a três meses de aluguel, nas ações que tiverem por fundamento exclusivo o disposto no inciso II do artigo 47, havendo prova escrita da rescisão do contrato de trabalho ou sendo ela demonstrada em audiência prévia. No caso em comento, existe um dispositivo próprio que viabiliza a concessão de uma medida antecipatória, e, assim sendo, não há que se falar em tutela antecipada (art. 273, CPC), já que a lei cria a possibilidade de, através de uma liminar, ser realizada a efetivação antecipada do despejo. c) Dispõe o artigo 58, inciso III, da Lei nº 8.245/91, que o valor da causa será igual a três salários vigentes por ocasião do ajuizamento. No caso em tela, o empregado Antônio Magro percebia um salário mensal no valor de R$800,00 (oitocentos reais), portanto, o valor da causa será igual a R$2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais). 11.2.3 Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2000

Questão nº 03 – adaptada Julgado procedente o pedido de revisão do valor locatício de um imóvel residencial situado em Belo Horizonte, o locatário interpôs apelação, que foi recebida no efeito devolutivo, nos termos do artigo 58, inciso V, da Lei nº 8.245/91. No aguardo do julgamento da apelação pode o locador executar provisoriamente as diferenças de aluguel devidas durante a ação? Justifique. Resposta: Nos termos do art. 69 da Lei 8.24591, o aluguel fixado na sentença retroage à citação, e as diferenças devidas durante a ação de revisão, descontados os aluguéis provisórios satisfeitos, serão pagas devidamente corrigidas, sendo exigíveis a partir do trânsito em julgado da decisão que fixar o novo aluguel. In casu, julgado procedente o pedido de revisão do valor locatício de um imóvel residencial situado em Belo Horizonte, o locatário interpôs apelação, que foi recebida no efeito devolutivo. Como a sentença ainda não transitou em julgado, posto que pendente julgamento do recurso de apelação, não pode o locador executar provisoriamente as diferenças de aluguel devidas durante a ação revisional da locação. 11.2.4 Questão nº 01 José Martins procura o advogado e informa-lhe ter sido vendido o imóvel do qual é locatário, sem seu conhecimento, e alega que tinha interesse em adquiri-lo. O cliente pergunta, então, se, nesse caso, há direito seu que tenha sido ofendido. Em face do exposto, RESPONDA: Qual é a orientação cabível ao caso? FUNDAMENTE sua resposta com o dispositivo legal atinente à orientação cabível ao caso.
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Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2002

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PRÁTICA CÍVEL

Resposta: Nos termos do art. 27 da Lei nº 8245/91, é assegurado ao locatário o direito de preferência no caso de venda do imóvel locado, devendo o proprietário/locador cientificá-lo de sua intenção. Ainda de acordo com o mesmo diploma legal, em seu artigo 33, o locatário preterido no seu direito de preferência poderá reclamar do alienante as perdas e danos ou, depositando o preço e demais despesas do ato de transferência, haver para si o imóvel locado, se o requerer no prazo de seis meses, a contar do registro do ato no Cartório de Imóveis, desde que o contrato de locação esteja averbado pelo menos trinta dias antes da alienação junto à matrícula do imóvel. In casu, José Martins não foi informado da realização da venda do imóvel do qual era locatário, e, alega também, que tinha interesse em adquirir o referido imóvel. Assim, resta demonstrado o direito de preferência do locatário José Martins, e, em decorrência deste direito não ter sido respeitado, nasce para ele o direito de reclamar do alienante indenização por perdas e danos ou, se preferir, depositar em juízo por meio de ação judicial o valor total do preço e das despesas com o ato da transferência, requerendo para si o imóvel. 11.2.5 Exame de Ordem OAB/MG – Março 2004 Questão nº 01 Há quatro anos e um mês, Salvador alugou um imóvel à empresa de Mário, “Bacalhau com Natas Ltda.”, mediante contrato escrito, com prazo de 60 (sessenta) meses. Desde início da locação, aquele endereço ficou famoso por abrigar a mercearia de Mário, muito bem freqüentada. Quando pensava em reformar o imóvel, acrescentando-lhe mais um andar, Mário ficou sabendo, através da mulher de Salvador, que ele pretende pedir-lhe o imóvel de volta. Pergunta-se: É possível a permanência de Mário no imóvel? Em caso positivo, qual o meio judicial cabível para a defesa dos interesses de Mário? Respostas justificadas. Resposta: Dispõe o artigo 51 da Lei nº 8.245/91, que é necessário o preenchimento de determinados requisitos para propor ação judicial de renovação, quais sejam, o contrato a ser renovado tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado; que o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de 5 (cinco) anos; e, que o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo de 3 (três) anos.
No caso em comento, o contrato celebrado entre Mário e Salvador foi por escrito, com prazo determinado, qual seja, 60 meses, e, desde a celebração do contrato o locatário (Mário) explora o mesmo ramo.

Assim sendo, com base no exposto, será cabível a propositura de uma ação renovatória, uma vez que, foram preenchidos todos os requisitos necessários para tanto, e, Mário parte legítima. 11.2.6 Exame de Ordem OAB/RJ – 24º Exame

Padaria Alvino, na qualidade de locatária, em contrato de locação não residencial, celebrado em 01/12/1999, por prazo determinado de 5 (cinco) anos, pretendendo renovar a relação, iniciou tratativas com o locador, as quais restaram infrutíferas. Assim, a locatária, na data de hoje, lhe procura como advogado, expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual. Pergunta-se: no caso concreto, face a resistência do locador, que não deseja renovar o contrato, existe, ou não, alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta. Resposta: Nos termos do artigo 51 da Lei nº 8.245/91, é necessário o preenchimento de determinados requisitos para propor ação judicial de renovação, quais sejam, o contrato a ser renovado tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado; que o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de 5 (cinco) anos; e, que o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo de 3 (três) anos.
No caso em tela, o contrato celebrado entre a padaria e o locador foi por escrito, com prazo determinado, qual seja, 5 (cinco) anos, e, desde a celebração do contrato o locatário (Mário) explora o mesmo ramo.

Assim, não restam dúvidas de que, será cabível a propositura de uma ação renovatória, uma vez que, foram preenchidos todos os requisitos necessários para tanto, e, a Padaria Alvino é parte legítima.
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PRÁTICA CÍVEL

11.2.7 Questão nº 04

Exame de Ordem OAB/FGV – 2010.2

Jonas celebrou contrato de locação de imóvel residencial urbano com Vera. Dois anos depois de pactuada a locação, Jonas ingressa com Ação Revisional de Aluguel argumentando que o valor pago nas prestações estaria muito acima do praticado pelo mercado, o que estaria gerando desequilíbrio no contrato de locação. A ação foi proposta sob o rito sumário e o autor não requereu a fixação de aluguel provisório. Foi designada audiência, mas não foi possível o acordo entre as partes. Considere que você é o (a) advogado (a) de Vera. Descreva qual a medida cabível a fim de defender os interesses de Vera após a conciliação infrutífera, apontando o prazo legal para fazê-lo e os argumentos que serão invocados. Resposta: Primeiramente, há que se registrar que, em se tratando de contrato de locação, aplica-se a Lei 8.245/91 e, subsidiariamente, o Código de Processo Civil. No caso em questão, como o locatário ajuizou a ação revisional e restou infrutífera a conciliação, Vera, na qualidade de locatária, deve defender-se através da contestação, a ser apresentada na própria audiência, uma vez que a ação segue o rito sumário, tudo em conformidade com o disposto no caput, incisos I e IV, do artigo 68 da Lei 8.245/91 e no artigo 278 do CPC. Como o artigo 19 da Lei de Locações estabelece um prazo trienal de vigência do contrato de locação para que possa ser ajuizada a ação revisional de aluguel, Vera, em sua contestação, deverá alegar preliminar de carência de ação, por falta de interesse de agir do locatário, pedido a extinção do processo, sem resolução do mérito, nos termos do que determina o inciso VI, do artigo 267 do CPC. Obs.: O candidato, em observância ao princípio da eventualidade, também poderia dizer que Vera, em relação ao mérito, deveria pedir que fosse julgado improcedente o pedido inicial, uma vez que o autor da ação não indicou, em sua petição inicial, o valor pretendido para fixação do aluguel, conforme determina o inciso I, do artigo 68 da Lei 8.245/91. Todavia, tal argumento somente poderia ser utilizado pelo candidato após que ele tivesse, expressamente, utilizado a argumentação da matéria preliminar de defesa, conforme exigido no padrão de respostas oficial divulgado.

11.3 11.3.1 Questão nº 02

Ação demolitória Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2000

O condomínio de um edifício de salas e lojas em Belo Horizonte procura o seu escritório expondo-lhe a seguinte questão: Há aproximadamente 15 (quinze) dias, o proprietário da loja 01, localizada no andar térreo ao lado do imóvel do cliente - loja 02, realizou um ampliação nas vitrines de sua unidade, alterando a fachada externa do edifício. Tanto a loja 01 quanto a 02 possuem entradas independentes do condomínio, permitindo o ingresso direto do público nas respectivas unidades. Entretanto, a referida construção, além de afetar o projeto original, invadiu o logradouro público, impedindo a visualização, pelos transeuntes, da entrada da loja 02 e, por conseguinte, dificultando o acesso da clientela ao estabelecimento comercial do consulente. Tal situação está gerando-lhe perda diária de clientela, causando, destarte, danos irreparáveis. Posto o conflito, o consulente faz as seguinte indagações: a) Qual a demanda judicial adequada para a remoção das vitrines? b) Tendo em vista o prejuízo crescente e de difícil reparação que o cliente vem experimentando, há possibilidade de se obter, judicialmente, o desfazimento imediato da obra? Fundamentar as respostas, indicando a base legal.

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PRÁTICA CÍVEL

Respostas: a) Nos termos dos artigos 10 e 19 da Lei 4.591/64, poderá ser proposta ação demolitória em face do condômino que promoveu a construção, visando o desfazimento da aludida obra. In casu, o proprietário da loja 01, realizou a ampliação nas vitrines de sua unidade, alterando, para isso, a fachada externa do edifício, e, conseqüentemente, dificultando o acesso à loja 02. Dessa maneira, é cabível ação demolitória em face do dano causado à loja 02 pela construção realizada pela loja 01, de maneira a prejudicar o acesso de clientes ao estabelecimento comercial. 11.4 11.4.1 Questão nº 03 Paulinho Oliveira ajuizou ação investigatória de paternidade, com pedido cumulado de alimentos, contra José de Abreu, comerciante. As provas produzidas no processo conduzem ao acolhimento do pedido investigatório e o Julgador deverá, ainda, fixar alimentos, eis que o investigante é menor impúbere. Atento à evolução jurisprudencial, o Julgador, ao fixar os alimentos, tê-los-à como devidos a partir de quando? Justificar e indicar suporte legal. Resposta: Nos termos do artigo 219, do CPC, a citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. No caso em tela, Paulinho Oliveira ajuizou ação investigatória de paternidade, com pedido cumulado de alimentos, sendo que, as provas produzidas no processo conduzem ao acolhimento do pedido investigatório. Dessa forma, fixando o magistrado os alimentos, serão eles devidos a partir da citação válida, já que a obrigação contraída é extracontratual, e, portanto, necessita da constituição em mora do devedor. Família Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2000

11.5 11.5.1 Questão nº 01

Sucessão Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2004

Ao tomar conhecimento de que era filho de Creonte, já falecido, Zoroastro procedeu aos exames pertinentes e foi declarada a paternidade pelo juízo competente. Zoroastro quer agora buscar os bens que Creonte, seu pai, deixou. Sabe-se que os outros filhos de Creonte, Prometeu e Quimera, já obtiveram a homologação da partilha e usufruem plenamente da herança, patrimônio de altíssimo valor. É possível a Zoroastro, que não se habilitou a tempo no inventário, obter sua parte da herança? Em caso positivo, através de qual meio judicial? Responda justificadamente. Resposta: O herdeiro pode, em ação de petição de herança, demandar o reconhecimento de seu direito sucessório, para obter a restituição da herança, ou de parte dela, contra quem, na qualidade de herdeiro, ou mesmo sem título, a possua (artigo 1.824 do Código Civil Brasileiro). In casu, Zoroastro só tomou conhecimento de que era filho de Creonte após o falecimento deste, sendo que os outros filhos já obtiveram a homologação da partilha e usufruem plenamente da herança. Assim, mesmo a partilha já tendo sido homologada, a ação de petição de herança ainda pode ser proposta, desde que, devidamente comprovado o direito sucessório.

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11.6 11.6.1 Questão nº 03

Ações Possessórias Exame de Ordem OAB/MG – Dezembro 2001

Em ação de reintegração de posse, com pedido de liminar, o juiz designou audiência de justificação de posse para posteriormente decidir a liminar. Devidamente citado para comparecer à audiência de justificação, o réu, dentro do prazo legal, oferece rol de testemunhas. No entanto, o juiz indefere a oitiva das testemunhas do réu, procedendo–se à inquirição somente das testemunhas arroladas pelo autor. Está correta esta decisão? Fundamente sua resposta. Resposta: Nos termos do art. 864 do Código de Processo Civil, na justificação o réu terá de limitar-se a reinquirir as testemunhas arroladas pelo autor, além de poder contraditá-las também. No caso em comento, o juiz indeferiu a oitiva das testemunhas arroladas pelo réu, procedendo à inquirição somente das testemunhas arroladas pelo autor. Destarte, não há que se falar no direito do réu em oferecer rol de testemunhas na justificação, uma vez que esse direito limita-se ao autor, podendo o réu, somente, reinquirí-las. 11.6.2 Questão nº 04 Cândido adquiriu de Armando Pangloss um apartamento de 400 m² situado no edifício “Melhor dos Mundos”, e no valor de R$ 500.000,00. Armando lhe emprestara certidão de matrícula atualizada e formalmente autêntica na qual ele constava como proprietário do imóvel. Constava da matrícula que armando havia adquirido o bem um ano antes junto a Bernardo Leibniz. Formalizada a escritura pública de compra e venda levada a registro, Cândido passou a residir no imóvel juntamente com sua família no dia 1º de janeiro de 1999. No dia 23 de agosto de 2006, todavia, Cândido foi surpreendido com a citação para integrar o pólo passivo da ação reivindicatória proposta por Bernardo Leibiniz. Na demanda, Bernardo alega que jamais vendeu o imóvel no edifício “Melhor dos Mundos” a Armando. Este, com o auxílio de um comparsa e apresentando documentos falsos, falsificou a assinatura de Bernardo em uma escritura de compra e venda, levando-o ao registro. Bernardo pede, assim, o cancelamento dos registros realizados em favor de Armando e de Cândido e a conseqüente restituição do imóvel. Considerando serem verdadeiras as alegações de Bernardo, pergunta-se: a) Que defesa de direito material pode ser apresentado por Cândido para, eficazmente, assegurar seu direito de propriedade sobre o imóvel? b) O que Cândido terá de provar para obter êxito em sua defesa, nos termos do item “a”? Resposta: a) De acordo com o entendimento da Súmula 237 do Supremo Tribunal Federal, o usucapião pode ser objeto de ação ou de defesa, também chamada de exceção de usucapião. Dessa forma, Cândido deverá opor exceção de usucapião. b) Adquire-se a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa fé, o possui por 10 (dez) anos (art. 1.242 do Código Civil Brasileiro). Ainda de acordo com o mesmo diploma legal, o parágrafo único do artigo mencionado acima, reduz o prazo de 10 (dez) anos para 5 (cinco) anos, se o imóvel tiver sido adquirido onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico. O artigo 2.029 do Código Civil Brasileiro estabelece que os prazos da usucapião nas hipóteses do parágrafo único do artigo 1.238 e parágrafo único do artigo 1.242 sofrerão acréscimo de dois anos, independentemente do tempo transcorrido antes da entrada em vigor do novo Código Civil. In casu, Cândido adquiriu o imóvel de Armando, que devidamente apresentou certidão de matrícula atualizada, bem como formalmente autenticada, pagando pelo referido imóvel a quantia de R$500.000,00 (quinhentos mil reais), e, depois de formalizada a escritura de compra e venda, passou a residir no imóvel com sua família em 1º de janeiro de 1999.
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Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2006

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PRÁTICA CÍVEL

Assim sendo, resta demonstrado o cabimento para a propositura da ação de exceção de usucapião, já que encontram-se presentes todos os requisitos para tanto, quais sejam, a aquisição onerosa (R$500.000,00), a certidão de matrícula atualizada e autenticada e, o tempo de moradia (desde 1º de janeiro de 1999) no imóvel, condições estas, que reduzirão o prazo de dez para sete anos. 11.6.3 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2009

Questão nº 01 Maria, proprietária de um imóvel situado à Av. Afonso Pena, n.º 15.000, em Belo Horizonte, viajou de férias e ao retornar deparou-se com João residindo em seu apartamento, sem que para tanto houvesse permitido. No dia seguinte ao conhecimento do esbulho, Maria ajuizou ação de reintegração de posse contra João, que ao final do procedimento judicial conseguiu manter-se no imóvel unicamente porque alegou, em contestação, não ser Maria a legítima proprietária, em virtude de existir sentença transitada em julgado em desfavor de Maria em ação de anulação de escritura pública de compra e venda. PERGUNTA-SE: a sentença prolatada na ação possessória está correta? Justifique a sua resposta. Resposta: Nos termos do artigo 927, inciso I do CPC, incumbe ao autor provar a sua posse na ação possessória. No caso em comento, Maria ajuizou ação de reintegração de posse contra João, que após uma viagem de férias, invadiu o apartamento daquela, sem a devida autorização, e começou a ocupá-lo de forma indevida. Destarte, com base no exposto, resta evidenciado o erro do magistrado ao prolatar a referida sentença, uma vez que na ação possessória não é exigida a demonstração da propriedade para procedência do pedido, sendo necessário, ao autor apenas provar a sua posse. 11.7 Mandado de segurança 11.7.1 Exame de Ordem OAB/PR – 1ª 2004 - adaptada Questão nº 04 LUIZ, estudante universitário em Curitiba/PR, foi ao seu escritório e relatou que sua matrícula para umas disciplinas do seu curso foi negada pelo Diretor da Faculdade de Direito da UFPR onde estuda, sob a alegação de que não tinha atingido a freqüência mínima exigida no semestre anterior. Afirma que no livro de presenças da disciplina em questão consta que possui freqüência suficiente para a sua aprovação, sendo que possui cópia autenticada do referido documento. Indique, de maneira justificada e fundamentada, qual a medida processual pertinente, contra quem deve ser proposta e qual o juízo e foro competente para conhecer e julgar a coisa. Resposta: Dispõe o artigo 5º, inciso LXIX, da Constituição da República, que conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas-corpus ou habeas-data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Nos termos do artigo 109, inciso VIII, também da Nossa Carta Magna, aos juízes federais compete processar e julgar ao mandados de segurança contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais. Dispõe ainda, o artigo 94 do Código de Processo Civil, que a ação fundada em direito pessoal será proposta, em regra, no foro do domicílio do réu. No caso em voga, Luiz, estudante universitário da Faculdade Federal do Paraná, foi impossibilitado pelo Diretor de realizar sua matrícula na referida faculdade, sob a alegação de que não tinha alcançado a freqüência mínima exigida no semestre.

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Assim, face o ato ter sido praticado por autoridade, e ter o estudante prova pré-constituída de seu direito, qual seja, a cópia autenticada do livro de freqüência, é direito líquido e certo do mesmo, impetrar mandado de segurança contra a autoridade coatora que praticou o ato (o diretor da Universidade Federal), perante a Justiça Federal, sendo que o foro competente será a subseção de Curitiba, já que é o local de domicílio da autoridade impetrada. 11.7.2 Questão nº 05 Maria, funcionária pública, está acometida de uma grave enfermidade e para tratamento visando estancar a evolução da doença, segundo diversos pareceres médicos, será necessário medicar-se. Cada caixa do remédio custa R$5.000,00. Não dispondo de recursos financeiros suficientes para adquirir tal medicamento, e sendo o seu uso necessário e urgente, sob pena de irreversão de seu quadro clínico, qual a medida judicial deverá ser promovida por Maria, considerando a negativa do Município em fornecer gratuitamente tal remédio? Responda de forma fundamentada. Resposta: Nos termos do art. 196 da Constituição Federal, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Preceitua, ainda, o art. 30, VII, da Constituição, que a prestação dos serviços de atendimento à saúde da população, compete aos Municípios prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado. No caso em voga, como Maria é portadora de uma grave enfermidade e não dispõe de recursos financeiros suficientes para adquirir o medicamento necessário ao estancamento da evolução de sua doença, bem como face à negativa do Município em fornecê-lo, mesmo tendo o dever de prestar os serviços de atendimento à saúde da população, uma das medidas apropriadas, desde que ela disponha de prova préconstituída para comprovar a violação ao seu direito líquido e certo, é a impetração de mandado de segurança. Outro caminho é o ajuizamento de ação de conhecimento com fundamento no parágrafo 3º do artigo 461 ou no disposto no artigo 273, ambos do CPC, que tratam da concessão da tutela pretendida antecipadamente. 11.8 11.8.1 Questão nº 04 Adelino, quando foi tirar a segunda via de seu título de eleitor, tomou conhecimento através de matéria publicada em um jornal local, que Severino, servidor público remunerado da Secretaria de Saúde do Paraná, foi nomeado pelo Secretário de Estado de Saúde sem aprovação em concurso público condição esta expressamente exigida por lei. Com base exclusivamente nos fatos hipotéticos narrados, responda: a) Adelino tem legitimidade para propor qual medida judicial contra o ato praticado? Por quê? b) Contra quem a medida deve ser proposta? c) A medida seguirá qual procedimento? d) Qual o prazo prescricional para a propositura da medida? Justifique e fundamente sua resposta. Resposta: Nos termos do artigo 5º, inciso LXXIII da Constituição Federal, qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Ação popular Exame de Ordem OAB/PR – 2004 Exame de Ordem OAB/MG – Agosto 2009

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Ainda nesse mesmo sentido, dispõe o artigo 1º da Lei nº 4.717/65, que qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de economia mista, de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos. Dispõe o artigo 4º da referida Lei, que para instruir a inicial, o cidadão poderá requerer às entidades, a que se refere este artigo, as certidões e informações que julgar necessárias, bastando para isso indicar a finalidade das mesmas. Dispõe ainda, em seu artigo 21, que a ação prescreve em 5 (cinco) anos. No caso em tela, Adelino ao retirar a segunda via de seu título de eleitor, tomou conhecimento através de uma matéria publicada, que Severino, servidor público remunerado da Secretaria de Saúde do Paraná, foi nomeado pelo Secretário de Estado de Saúde, sem qualquer aprovação em concurso público. Assim, fica caracterizada a legitimidade de Adelino em propor Ação Popular, uma vez demonstrado por seu título de eleitor sua condição de cidadão, contra o Estado do Paraná, contra o Secretário de Estado de saúde e, contra Severino, devendo para tanto, seguir o procedimento ordinário, respeitado o prazo de cinco anos (prazo prescricional).

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