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2018.

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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – JECRIM 2018.1
APRESENTAÇÃO .......................................................................................................................... 4
JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS (LJEC – Lei nº 9.099/95)........................................................ 5
1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL DOS JUIZADOS ................................................................... 5
2. OBJETIVOS DA LEI DOS JUIZADOS ESPECIAIS .................................................................. 5
3. JURISDIÇÃO CONSENSUAL .................................................................................................. 5
4. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 9.099/95............................................................................ 7
5. CRITÉRIOS/PRINCÍPIOS ORIENTADORES E FINALIDADES DOS JUIZADOS .................... 7
5.1. PRINCÍPIO DA ORALIDADE ............................................................................................ 8
5.2. PRINCÍPIO DA SIMPLICIDADE ....................................................................................... 8
5.3. PRINCÍPIO DA INFORMALIDADE ................................................................................... 9
5.4. PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL .................................................................... 9
5.5. PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL ................................................................. 9
6. COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL ............................................................ 9
6.1. HIPÓTESES DE MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA DOS JUIZADOS PREVISTAS NA
LEI 9
6.1.1. Conexão e continência (art. 60, parágrafo único)..................................................... 10
6.1.2. Impossibilidade de citação pessoal do acusado (art. 66, parágrafo único da Lei) .... 10
6.1.3. Complexidade da causa (art. 77, §2º) ...................................................................... 11
6.2. NATUREZA DA COMPETÊNCIA DO JEC: ABSOLUTA OU RELATIVA?....................... 11
6.3. CAUSAS DE AUMENTO E DIMINUIÇÃO DE PENA (MAJORANTES E MINORANTES) 12
6.4. AGRAVANTES E ATENUANTES ................................................................................... 12
7. EXCESSO DA ACUSAÇÃO ................................................................................................... 13
8. INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO ................................................................ 13
8.1. EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE IMPO .......................................................................... 13
8.2. INFRAÇÃO DE OFENSIVIDADE INSIGNIFICANTE, INFRAÇÃO DE MÉDIO POTENCIAL
OFENSIVO E INFRAÇÃO DE ÍNFIMO POTENCIAL OFENSIVO .............................................. 14
8.3. ESTATUTO DO IDOSO (LEI 10.741/03, ART. 94) .......................................................... 15
8.4. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO (E COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DOS
TRIBUNAIS) .............................................................................................................................. 16
8.5. CRIMES ELEITORAIS .................................................................................................... 16
8.6. INSTRUMENTOS DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO ............................................... 16
8.7. LEI 11.340/06 (LEI MARIA DA PENHA).......................................................................... 17
8.7.1. Varas especializadas ............................................................................................... 18
9. APLICAÇÃO DA LEI 9.099/95 NA JUSTIÇA MILITAR ........................................................... 19

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10. COMPETÊNCIA TERRITORIAL NO ÂMBITO DOS JUIZADOS (ART. 63) ......................... 19
11. TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (art. 69) ............................................... 20
11.1. PREVISÃO LEGAL ..................................................................................................... 20
11.2. ATRIBUIÇÃO PARA LAVRATURA DO TC.................................................................. 20
11.3. PRISÃO EM FLAGRANTE (ART. 69, PARÁGRAFO ÚNICO) ..................................... 20
12. FASE PRELIMINAR ........................................................................................................... 21
13. COMPOSIÇÃO DOS DANOS CIVIS (art. 74) ..................................................................... 21
14. REPRESENTAÇÃO NOS JUIZADOS (art. 75) ................................................................... 22
15. TRANSAÇÃO PENAL (art. 76) ........................................................................................... 22
15.1. CONCEITO ................................................................................................................. 23
15.2. MITIGAÇÃO AO PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA 23
15.3. REQUISITOS .............................................................................................................. 23
15.3.1. Infração de menor potencial ofensivo ................................................................... 24
15.3.2. Não ser caso de arquivamento do termo circunstanciado .................................... 24
15.3.3. Não ter sido o autor da infração condenado ......................................................... 25
15.3.4. Não ter sido o agente beneficiado por transação penal pelo prazo de cinco anos
anteriores 25
15.3.5. Circunstâncias favoráveis .................................................................................... 25
15.3.6. Reparação do dano ambiental nos crimes ambientais ......................................... 25
15.4. LEGITIMIDADE PARA OFERECIMENTO DA TRANSAÇÃO PENAL.......................... 25
15.4.1. Juiz ...................................................................................................................... 25
15.4.2. MP ....................................................................................................................... 26
15.5. RECUSA INJUSTIFICADA POR PARTE DO TITULAR DA AÇÃO PENAL EM
OFERECER A PROPOSTA DE TRANSAÇÃO PENAL ............................................................. 27
15.5.1. Por parte do ofendido nos crimes de ação penal privada ..................................... 27
15.5.2. Por parte do MP nos crimes de ação penal pública .............................................. 27
15.6. MOMENTO PARA O OFERECIMENTO DA TRANSAÇÃO PENAL ............................ 27
15.7. DESCUMPRIMENTO INJUSTIFICADO DA TRANSAÇÃO PENAL HOMOLOGADA .. 28
15.8. RECURSOS CABÍVEIS EM RELAÇÃO À TRANSAÇÃO PENAL ................................ 28
16. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO (art. 77 e seguintes) .................................................... 29
16.1. AUDIÊNCIA PRELIMINAR .......................................................................................... 29
16.1.1. Início da ação penal - Oferecimento oral da denúncia .......................................... 29
16.1.2. Diligências indispensáveis.................................................................................... 30
16.1.3. Citação do acusado em audiência (art. 78) .......................................................... 30
16.2. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO......................................................... 31

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16.2.1. Renovação das soluções consensuais (art. 79) ................................................... 31
16.2.2. Defesa/resposta preliminar (art. 81 da Lei) ........................................................... 31
16.2.3. (Des) necessidade de resposta à acusação ......................................................... 32
16.2.4. Juízo de admissibilidade da peça acusatória ....................................................... 33
16.2.5. Possibilidade de absolvição sumária .................................................................... 33
16.2.6. Ordem dos atos na audiência de instrução e julgamento ..................................... 34
17. SISTEMA RECURSAL NA LEI 9.099/95 ............................................................................ 35
17.1. ÓRGÃOS DO SISTEMA RECURSAL DO JECRIM ..................................................... 35
17.2. APELAÇÃO NO JECRIM (art. 82) ............................................................................... 35
17.3. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO JECRIM (art. 83)............................................... 36
17.4. RECURSO EXTRAORDINÁRIO/RECURSO ESPECIAL NO JECRIM ........................ 36
17.5. HABEAS CORPUS NO JECRIM ................................................................................. 37
17.6. MANDADO DE SEGURANÇA..................................................................................... 37
17.7. REVISÃO CRIMINAL NO JECRIM .............................................................................. 38
17.8. CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE JECRIM E JUÍZO COMUM ......................... 38
18. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO (art. 89) ................................................... 38
18.1. CABIMENTO ............................................................................................................... 38
18.1.1. “Igual ou inferior a um ano” .................................................................................. 39
18.1.2. “Não esteja sendo processado” ............................................................................ 40
18.1.3. “Condenado por outro crime” ............................................................................... 40
18.1.4. “Demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (sursis)” –
art. 77 CP 40
18.1.5. “Prévio recebimento da peça acusatória” ............................................................. 40
18.2. INICIATIVA PARA A PROPOSTA ............................................................................... 41
18.3. CABIMENTO EM AÇÃO PENAL PRIVADA................................................................. 41
18.4. CONDIÇÕES DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO ............................. 41
18.5. REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO ................................................................................ 42
18.6. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE .................................................................................. 42
18.7. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO (§6º) ....................................................................... 43
18.8. RECURSO CABÍVEL CONTRA A DECISÃO QUE SUSPENDE O PROCESSO ........ 43
18.9. CABIMENTO DE ‘HABEAS CORPUS’ ........................................................................ 43
18.10. DESCLASSIFICAÇÃO DO DELITO ............................................................................ 44
18.11. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO NOS CRIMES AMBIENTAIS ........... 44

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APRESENTAÇÃO

Olá!

Inicialmente, gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja


útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de
estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria.

O Caderno Legislação Penal Especial possui como base as aulas dos professores Renato
Brasileiro, Cleber Masson e Vinícius Marçal, serão analisadas dezesseis leis, as mais cobradas em
concurso público.

Dois livros foram utilizados para complementar nosso CS de Legislação Penal Especial: a)
Legislação Criminal para Concursos (Fábio Roque, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar),
ano 2016 e b) Legislação Criminal Comentada (Renato Brasileiro), ano 2017, ambos da Editora
Juspodivm.

Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito


(www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de
Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito).
Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da
semana para ler no site do Dizer o Direito.

Ademais, no Caderno constam os principais artigos de lei, mas, ressaltamos, que é


necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação.

Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina
+ informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você
faça uma boa prova.

Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito
importante!! As bancas costumam repetir certos temas.

Vamos juntos!! Bons estudos!!

Equipe Cadernos Sistematizados.

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JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS (LJEC – Lei nº 9.099/95)

1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL DOS JUIZADOS

Está previsto no art. 98 da CF/88, in verbis:

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:


I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos,
competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis
de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo,
mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses
previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes
de primeiro grau;
§1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da
Justiça Federal.

A CF deixa claro que a competência dos juizados será para julgar os crimes de menor
potencial ofensivo, observando os princípios da celeridade, da informalidade e da economia
processual. Além disso, será permitido a transação. Por fim, a CF autoriza que os recursos das
decisões dos juizados serão analisados pelas turmas recursais.

Em suma, a CF prevê o seguinte:

• Infração de menor potencial ofensivo;

• Procedimento oral e sumaríssimo;

• Transação penal;

• Julgamento dos recursos por turmas de primeiro grau.

2. OBJETIVOS DA LEI DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Conferir uma prestação jurisdicional mais célere para os crimes de menor potencial ofensivo,
evitando, assim, a prescrição.

Revitalizar a figura da vítima.

Jurisdição consensual (próximo item).

3. JURISDIÇÃO CONSENSUAL

JURISDIÇÃO CONSENSUAL JURISDIÇÃO CONFLITIVA

Busca do consenso no processo penal. Conflito: acusação X defesa.

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Acordo entre MP e autor da infração penal.

Pena de multa ou restritiva de direitos Pena privativa de liberdade.


(alternativa às penas e/ou penas alternativas) –
penas não privativas de liberdade.

Mitigação de princípio da jurisdição conflitiva. Princípio da obrigatoriedade/Princípio da


Ver abaixo. indisponibilidade.

O princípio da obrigatoriedade é substituído pelo princípio da discricionariedade regrada, em


virtude da transação penal. Perceber que, aqui, a denúncia ainda não foi oferecida.

O princípio da indisponibilidade da ação penal pública é mitigado pela suspensão condicional


do processo, prevista no art. 89 da Lei. Perceber que, aqui, a denúncia já foi oferecida.

Benefícios da Lei

Instituto descarcerizador - ao autor do fato que, após a lavratura do termo circunstanciado,


for imediatamente encaminhado ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não
se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança (art. 69, parágrafo único).

Art. 69, Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for
imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele
comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. Em
caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de
cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a
vítima.

Institutos despenalizadores - o consenso entre as partes pode evitar a instauração do


processo ou, pelo menos, impedir seu prosseguimento, são eles:

a) Composição dos danos civis: acarreta a renúncia ao direito de queixa ou de


representação, com a consequente extinção da punibilidade (art. 74, parágrafo único);

Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada
pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser
executado no juízo civil competente.
Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação
penal pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta
a renúncia ao direito de queixa ou representação.

b) Transação penal: permite o imediato cumprimento de pena restritiva de direitos ou


multa, evitando-se a instauração do processo (art. 76);

Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal


pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério
Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou
multas, a ser especificada na proposta.

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c) Representação nos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas: o não
oferecimento da representação dentro do prazo de seis meses a contar do
conhecimento da autoria acarreta a decadência e consequente extinção da
punibilidade (art. 88);

Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial,


dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões
corporais leves e lesões culposas.

d) Suspensão condicional do processo: recebida a denúncia, pode o juiz determinar a


suspensão do processo, submetendo o acusado a um período de prova, sob a
obrigação de cumprir certas condições. Findo esse período de prova sem revogação,
o juiz declarará extinta a punibilidade (art. 89).

Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a
um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a
denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos,
desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido
condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam
a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).

# O que se entende por despenalizar? E por descriminalizar? Segundo Renato Brasileiro,


despenalizar significa adotar processos ou medidas substitutivas ou alternativas, de natureza penal
ou processual, que visam, sem rejeitar o caráter ilícito da conduta, dificultar ou evitar ou restringir a
aplicação da pena de prisão ou sua execução ou, ainda, pelo menos, sua redução. Descriminalizar,
por outro lado, significa retirar o caráter de ilícito ou de ilícito penal do fato. Existem duas vias pelas
quais é possível dar-se a descriminalização: via legislativa ou via judicial. A primeira implica uma
decisão do legislador de retirar do âmbito do proibido determinada conduta, com isso ampliando o
âmbito de liberdade. Quando uma lei faz desaparecer a natureza de ilícito de um determinado fato
falamos em abolitio criminis. Pela via judicial ou interpretativa, o aplicador da lei restringe o âmbito
do proibido valendo-se dos princípios limitadores do ius puniendi estatal (v.g., princípio da
insignificância).

4. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 9.099/95

Logo que entrou em vigor, muito se discutiu sobre a constitucionalidade da Lei, em virtude
da possibilidade de jurisdição consensual, na qual o autor do fato cumpre uma espécie de pena
alternativa sem o devido processo legal.

STF: No Inquérito 1.055 o Supremo confirmou a constitucionalidade da Lei dos Juizados, ao


argumento da expressa previsão na Lei Maior.

5. CRITÉRIOS/PRINCÍPIOS ORIENTADORES E FINALIDADES DOS JUIZADOS

Estão previstos no art. 2º da Lei, in verbis:

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Art. 2º O processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade,
informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que
possível, a conciliação ou a transação.

Ressalta-se que os demais princípios constitucionais serão aplicados aos processos do


juizado, a exemplo da ampla defesa, do contraditório.

5.1. PRINCÍPIO DA ORALIDADE

Deve-se dar preferência à palavra falada sobre a escrita, sem que esta seja excluída.

Cita-se, como exemplo, o art. 77, que prevê denuncia oral (deve ser reduzida a termo).

Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de
pena, pela ausência do autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese
prevista no art. 76 desta Lei, o Ministério Público oferecerá ao Juiz, de
imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de diligências
imprescindíveis.

Importante destacar que da oralidade derivam quatro subprincípios, vejamos:

a) Concentração: consiste na tentativa de redução do procedimento a uma única audiência,


objetivando encurtar o lapso temporal entre a data do fato e a do julgamento.

b) Imediatismo: deve o juiz proceder diretamente à colheita de todas as provas, em contato


imediato com as partes. Em regra, o contato deve ser feito de maneira presencial.
Excepcionalmente, deve-se admitir a videoconferência, aplicando o CPP
subsidiariamente, nos termos do art. 92).

Art. 92. Aplicam-se subsidiariamente as disposições dos Códigos Penal e de


Processo Penal, no que não forem incompatíveis com esta Lei.

c) Irrecorribilidade das interlocutórias: pelo menos em regra, as decisões interlocutórias não


são recorríveis. Obviamente, poderá haver impugnação, tanto por meio de preliminar de
futura e eventual apelação, quanto por meio de habeas corpus e da revisão criminal;

d) Integridade física do juiz: o juiz que presidir a instrução deverá, pelo menos em regra,
proferir sentença. Esse princípio também está previsto no art. 399, §2º, do CPP.

5.2. PRINCÍPIO DA SIMPLICIDADE

Procura-se diminuir o quanto possível a massa dos materiais que são juntados aos autos do
processo sem que se prejudique o resultado final da prestação jurisdicional.

O §1º do art. 77 da Lei dos Juizados é um exemplo deste princípio, vejamos:

Art. 77, § 1º Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base
no termo de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do
inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a
materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova
equivalente.

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5.3. PRINCÍPIO DA INFORMALIDADE

Não há necessidade de se adotar formas sacramentais, nem tampouco de se observar o


rigorismo formal do processo, desde que a finalidade do ato processual seja atingida, a exemplo do
disposto no art. 65 da Lei dos Juizados.

Art. 65. Os atos processuais serão válidos sempre que preencherem as


finalidades para as quais foram realizados, atendidos os critérios indicados
no art. 62 desta Lei.
§ 1º Não se pronunciará qualquer nulidade sem que tenha havido prejuízo.
§ 2º A prática de atos processuais em outras comarcas poderá ser solicitada
por qualquer meio hábil de comunicação.
§ 3º Serão objeto de registro escrito exclusivamente os atos havidos por
essenciais. Os atos realizados em audiência de instrução e julgamento
poderão ser gravados em fita magnética ou equivalente.

5.4. PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL

Entre duas alternativas igualmente válidas, deve se optar pela menos onerosa às partes e
ao próprio Estado.

5.5. PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL

Guarda relação com a necessidade de rapidez e agilidade do processo, objetivando-se


atingir a prestação jurisdicional no menor tempo possível, evitando-se a prescrição.

6. COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL

Pode-se afirmar que, com relação às infrações penais, a competência dos Juizados é fixada
com base em dois critérios:

a) natureza da infração penal: infração de menor potencial ofensivo (art. 61);

b) inexistência de circunstância que desloque a competência para o juízo comum: é o que


ocorre, por exemplo, nas hipóteses de conexão e continência com infração penal comum (art. 60,
parágrafo único), impossibilidade de citação pessoal do autuado (art. 66, parágrafo único), e quando
evidenciada a complexidade da causa (art. 77, § 2°).

6.1. HIPÓTESES DE MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA DOS JUIZADOS PREVISTAS NA LEI

São três hipóteses:

a) Impossibilidade de citação pessoal do acusado (art. 66, parágrafo único da Lei);

b) Complexidade da causa (art. 77, §2º);

c) Conexão e continência (art. 60, parágrafo único).

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6.1.1. Conexão e continência (art. 60, parágrafo único)

Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados
e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das
infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de
conexão e continência.
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o
tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão e
continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da
composição dos danos civis.

Para melhor ilustrar, imagine que “A” tenha praticado um crime de desacato, infração de
menor potencial ofensivo (pena de 6 meses a 2 anos) e tenha cometido um homicídio doloso, crime
de competência do júri.

Se os delitos tivessem sido praticados sem conexão e sem continência, o desacato seria
julgado no JECrim e o homicídio no júri.

Havendo conexão e continência, para alguns doutrinadores, os processos deveriam ser


separados, eis que uma lei ordinária não pode excepcionar uma regra constitucional, pois a própria
CF prevê a competência do JECrim para o julgamento das infrações de menor potencial ofensivo.
É entendimento minoritário.

A maioria da doutrina entende que, havendo conexão ou continência, os processos devem


ser reunidos em um verdadeiro simultaneus processos, sendo a competência do juízo com força
atrativa. No exemplo acima, seria o Júri.

De acordo como art. 60, parágrafo único da Lei 9.099/95, em havendo conexão entre uma
IMPO e um crime do juízo comum (ou do júri), ambos os delitos deverão ser processados e julgados
perante o juízo comum (ou do júri), devendo, no caso, ser observados os institutos despenalizadores
(composição civil dos danos/transação penal) em relação a IMPO.

Resumindo: Sempre que houver conexão e continência, aplica-se o rito maior.

6.1.2. Impossibilidade de citação pessoal do acusado (art. 66, parágrafo único da Lei)

Lei. 9.099/95 - Art. 66 - A citação será pessoal e far-se-á no próprio Juizado,


sempre que possível, ou por mandado.
Parágrafo único - Não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz
encaminhará as peças existentes ao Juízo comum para adoção do
procedimento previsto em lei.

A citação no JEC (sumaríssimo) é pessoal, ou seja, não se admite citação por edital, que vai
contra a celeridade deste rito.

Em não sendo possível a citação pessoal, os autos são remetidos ao juízo comum, para que
se proceda à citação por edital, observando-se o procedimento SUMÁRIO (art. 538 do CPP -
Novidade), bem como os institutos despenalizadores.

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CPP Art. 538. Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, quando o
juizado especial criminal encaminhar ao juízo comum as peças existentes
para a adoção de outro procedimento, observar-se-á o procedimento sumário
previsto neste Capítulo.

OBS: O processo somente será remetido ao juízo comum após o oferecimento da denúncia. Além
disso, mesmo sendo encontrado o acusado posteriormente, não será restabelecida a competência
do JEC.

Outras formas de citação

1) Citação por carta precatória é possível? SIM.


2) Citação por carta rogatória? A doutrina e a jurisprudência não admitem, pois vai
contra os princípios do Juizado (celeridade, informalidade, oralidade).
3) Citação por hora certa (acrescentada em 2008 ao CPP)? Enunciado 110 do 25º
FONAJE (Fórum nacional dos juizados especiais): É cabível citação por hora certa
nos juizados.

ENUNCIADO 110 - No Juizado Especial Criminal é cabível a citação com


hora certa (Aprovado no XXV FONAJE – São Luís/MA).

6.1.3. Complexidade da causa (art. 77, §2º)

9.099/95 Art. 77 - Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver


aplicação de pena, pela ausência do autor do fato, ou pela não ocorrência da
hipótese prevista no art. 76 desta Lei (transação), o Ministério Público
oferecerá ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de
diligências imprescindíveis.
§ 2º - Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a
formulação da denúncia, o Ministério Público poderá requerer ao Juiz o
encaminhamento das peças existentes, na forma do parágrafo único do
art. 66 desta Lei (remessa ao juízo comum).

Art. 66, Parágrafo único - Não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz
encaminhará as peças existentes ao Juízo comum para adoção do
procedimento previsto em lei.

É o caso de prova pericial de maior complexidade ou do grande número de acusados no


processo.

O procedimento a ser observado será o comum sumário (CPP, art. 538).

Quem julga a apelação contra a decisão da vara criminal que julga a IMPO complexa? Cabe
ao TJ ou à Turma Recursal? Quem julga é o Tribunal de Justiça, uma vez que a competência da
turma recursal é limitada à apreciação de decisões oriundas de Juizados.

6.2. NATUREZA DA COMPETÊNCIA DO JEC: ABSOLUTA OU RELATIVA?

A questão é polêmica. Duas correntes:

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1ª C: A competência é absoluta, não só porque está prevista na CF/88, como também porque
é uma competência estabelecida em razão da matéria (qual matéria? IMPO). Posição de Ada
Grinover, Gustavo Badaró, Mirabete.

Problema: Se ela é absoluta, não pode ser prorrogada. Porém, a própria lei prevê três
hipóteses de modificação da competência, vista acima.

2ª C: A competência dos juizados tem natureza relativa, caracterizando mera nulidade


relativa o julgamento de uma IMPO perante o juízo comum, mas desde que analisado o
cabimento dos institutos despenalizadores da Lei 9.099/95. Adotada por Pacelli.

A sua natureza relativa é justificada pelas hipóteses de modificação de competência


previstas na própria lei, como vimos acima.

6.3. CAUSAS DE AUMENTO E DIMINUIÇÃO DE PENA (MAJORANTES E MINORANTES)

As majorantes e minorantes são consideradas na análise da competência dos juizados (bem


como no cabimento de transação e suspensão condicional), devendo-se buscar SEMPRE o máximo
de pena possível (a pior situação para o réu – teoria da pior das hipóteses): em se tratando de
majorantes, aplica-se o quantum que mais aumente a pena; quanto às minorantes, o quantum que
menos diminua a pena.

Consideram-se, inclusive, as causas de aumento decorrentes do concurso de delitos. Nesse


sentido, duas súmulas importantes: Súmula 723 do STF e 243 do STJ.

STF Súmula 723 Não se admite a suspensão condicional do processo por


crime continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o
aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.

STJ Súmula 243 O benefício da suspensão do processo não é aplicável em


relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal
ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo
somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01)
ano.

OBS: As súmulas se referem à suspensão, mas o raciocínio se aplica perfeitamente à verificação


da competência dos Juizados e ao cabimento da transação.

Ao contrário da prescrição (onde cada pena é analisada isoladamente), se a soma das


penas máximas atribuídas aos delitos superar o limite máximo de dois anos, a competência passa
a ser do juízo comum.

Se no juízo comum, em grau de recurso, o concurso de crimes for afastado (exemplo:


absolvição em um dos crimes), o julgamento deve ser convertido em diligência, abrindo-se vista ao
MP para que proceda ao oferecimento dos institutos despenalizadores cabíveis.

6.4. AGRAVANTES E ATENUANTES

Não interferem na definição do rito, pois não há um percentual de aumento ou diminuição


previsto em lei. Depende exclusivamente da decisão do juiz.

CS – JECRIM 2018.1 12
Além disso, o reconhecimento de agravantes e atenuantes sequer permite que a pena seja
fixada fora dos limites legais.

7. EXCESSO DA ACUSAÇÃO

Caracterizado um excesso da acusação no que tange à classificação do fato delituoso,


privando o acusado do gozo de uma liberdade pública, e levando-se em conta que a análise da
classificação está inserida no caminho a ser percorrido pelo juiz para resolver tal questão, torna-se
impossível impedi-lo de corrigir a adequação do fato feita pelo promotor, embora o faça de maneira
incidental e provisória, apenas para decidir quanto ao cabimento da liberdade provisória e dos
institutos despenalizadores da Lei dos Juizados, lembrando sempre que a iniciativa para eventual
proposta de transação penal ou de suspensão condicional do processo deve partir do titular da ação
penal.

8. INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO

8.1. EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE IMPO

A redação original do art. 61 da lei em tela previa, basicamente, que todas as contravenções
penais, bem como os crimes com pena máxima não superior a 01 ano, ou multa, salvo crimes
submetidos a procedimento especial (ex.: lei de abuso de autoridade), eram considerados infrações
de menor potencial ofensivo.

Art. 61 (redação original): Consideram-se infrações penais de menor


potencial ofensivo, para efeitos desta Lei, as contravenções penais e os
crimes a que a lei comine pena máxima não superior a um ano, excetuados
os casos em que a lei preveja procedimento especial.

Em 2001, por conta da edição da Lei 10.259/01 (Juizados Especiais Federais), o conceito
começa a ser modificado, eis que o parágrafo único do art. 2º prevê como IMPO, os crimes com
pena máxima não superior a 02 anos, ou multa.

Art. 2º Compete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os


feitos de competência da Justiça Federal relativos à infrações de menor
potencial ofensivo.
Parágrafo único. Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo, para
os efeitos desta Lei, os crimes a que a lei comine pena máxima não superior
a dois anos, ou multa.

OBS: A lei não falava em contravenção, mas por razão óbvia: a JF não julga contravenções.

Discussão que surgiu à época: Teria a Lei do JEF alterado o conceito da Lei do JEC? Duas
teorias surgiram:

1ª: Teoria dualista (sistema bipartido) - Haverá dois conceitos distintos de IMPO, um na JE,
outro na JF, em razão da expressão “desta Lei”.

2ª: Teoria monista (sistema unitário) - Há conceito único de IMPO.

CS – JECRIM 2018.1 13
Prevaleceu o sistema unitário, em homenagem ao princípio da isonomia.

No entanto, toda essa discussão é esvaziada em 2006, quando, por meio da Lei 11.313/06,
modifica-se o conceito de IMPO previsto no art. 61 da Lei 9.099/95.

Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para


os efeitos desta Lei, as (todas) contravenções penais e os crimes a que a lei
comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com
multa. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006).

Conceito atual: Entende-se por infração de menor potencial ofensivo todas as


contravenções penais e crimes com pena máxima não superior a 02 anos, cumulada ou não com
multa, independentemente de os crimes serem submetidos a procedimento especial, ressalvadas
as hipóteses envolvendo violência doméstica e familiar contra a mulher.

8.2. INFRAÇÃO DE OFENSIVIDADE INSIGNIFICANTE, INFRAÇÃO DE MÉDIO POTENCIAL


OFENSIVO E INFRAÇÃO DE ÍNFIMO POTENCIAL OFENSIVO

São conceitos diversos, os quais não se confundem com IMPO.

Infração de ofensividade insignificante é aquela em que é possível a aplicação do


princípio da bagatela (insignificância), de modo a afastar a tipicidade material. Importante relembrar
os quatro pressupostos para aplicação do princípio da insignificância, de acordo com o STF, são
eles:

a) Mínima ofensividade da conduta;

b) Nenhuma periculosidade social da ação;

c) Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;

d) Inexpressividade da lesão jurídica provocada.

Infração de médio potencial ofensivo, segundo a doutrina, são aqueles em que se admite
a suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95). Ou seja, são crimes e contravenções
com pena mínima igual ou inferior a um ano.

Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a
um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a
denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos,
desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido
condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam
a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).

Por exemplo, furto simples que possui pena mínima igual a um ano, mas como a pena
máxima é superior a dois anos, não vai para o juizado.

Infração de ínfimo potencial ofensivo é aquela em que não é cominada pena privativa de
liberdade, a exemplo do art. 28 da Lei de Drogas.

CS – JECRIM 2018.1 14
Infração de máximo potencial ofensivo são aquelas que não admitem a suspensão
condicional do processo, ou seja, que têm pena mínima cominada igual ou inferior a 1 ano.

8.3. ESTATUTO DO IDOSO (LEI 10.741/03, ART. 94)

Art. 94. Aos crimes previstos nesta Lei, cuja pena máxima privativa de
liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento
previsto na Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, e, subsidiariamente,
no que couber, as disposições do Código Penal e do Código de Processo
Penal.

Em crimes contra o idoso previstos no Estatuto com pena máxima não superior a 04 anos
aplica-se o procedimento sumaríssimo.

Entretanto, só vai para o JECrim se for uma infração de menor potencial ofensivo. Do
contrário, vai para um juízo comum, seguindo o procedimento sumaríssimo. De modo a dar uma
resposta mais célere.

ATENÇÃO: Somente se aplica o procedimento sumaríssimo e não os benefícios da


transação e da composição civil dos danos. A lei do idoso não quis beneficiar o infrator, mas sim o
idoso, com um rito mais célere (STJ).

Informativo n. 556 do STF: ADI 3.096 promovida pelo PGR, para dar ao dispositivo
interpretação conforme à CF, no sentido de somente se aplicar o procedimento e não os benefícios
da Lei 9.099/95. Mérito pendente de julgamento.

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 39 E


94 DA LEI 10.741/2003 (ESTATUTO DO IDOSO). (...) 2. Art. 94 da Lei n.
10.741/2003: interpretação conforme à Constituição do Brasil, com redução
de texto, para suprimir a expressão "do Código Penal e". Aplicação apenas
do procedimento sumaríssimo previsto na Lei n. 9.099/95: benefício do
idoso com a celeridade processual. Impossibilidade de aplicação de
quaisquer medidas despenalizadoras e de interpretação benéfica ao
autor do crime. 3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada parcialmente
procedente para dar interpretação conforme à Constituição do Brasil, com
redução de texto, ao art. 94 da Lei n. 10.741/2003.

LEI 10.741/2003: CRIMES CONTRA IDOSOS E APLICAÇÃO DA LEI


9.099/95 – 2 Aplica-se a Lei 9.099/95 apenas nos aspectos estritamente
processuais, não se admitindo, em favor do autor do crime, a incidência de
qualquer medida despenalizadora — v. Informativo 556. Concluiu-se que,
dessa forma, o idoso seria beneficiado com a celeridade processual, mas
o autor do crime não seria beneficiado com eventual composição civil
de danos, transação penal ou suspensão condicional do processo.
Vencidos o Min. Eros Grau, que julgava improcedente o pleito, e o Min. Marco
Aurélio, que o julgava totalmente procedente. ADI 3096/DF, rel. Min. Cármen
Lúcia, 16.6.2010. (ADI-3096) (informativo 591 – Plenário)

Destaca-se que, ao contrário da Lei Maria da Penha, não há proibição para aplicação da Lei
9.099/95.

CS – JECRIM 2018.1 15
Em suma:

- Crime previsto no Estatuto do Idoso com pena máxima não superior a 2 anos: é tratado como
infração de menor potencial ofensivo. Logo, será julgado pelos Juizados, e terá direito aos institutos
despenalizadores;

- Crime previsto no Estatuto do Idoso com pena máxima superior a 2 anos e que não ultrapasse os
4 anos: nesse caso, aplica-se o art. 94. Logo, o delito será da competência do Juízo Comum,
aplicando-se o procedimento comum sumaríssimo;

- Crime previsto no Estatuto do Idoso com pena máxima superior a 4 anos: é da competência do
Juízo Comum, aplicando-se o procedimento comum ordinário;

8.4. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO (E COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DOS


TRIBUNAIS)

O juízo competente não será o JEC e tampouco o procedimento será o sumaríssimo, mesmo
que se trate de infrações de menor potencial ofensivo.

Obedece-se ao procedimento especial previsto na Lei 8.038/90, no entanto, em se tratando


de IMPO, o autor do fato não deixa de fazer jus aos benefícios da Lei 9.099/95.

Assim, por exemplo, caso um deputado federal pratique uma IMPO será julgado pelo STF,
sem prejuízo da aplicação dos institutos despenalizadores.

8.5. CRIMES ELEITORAIS

IMPO eleitoral não vai para o JEC, mas sim para a justiça eleitoral.

TSE: É possível a adoção da transação e da suspensão condicional do processo em relação


a crimes eleitorais, salvo em relação àqueles que contam com um sistema punitivo especial (ex.:
Código Eleitoral, art. 334: pena de cassação do registro do candidato, que não pode ser objeto de
transação).

8.6. INSTRUMENTOS DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO

É um conceito, relativamente, recente. Foi trazido pela Lei 13.060/2014, que entrou em vigor
em 23 de dezembro de 2014.

Art. 4o Para os efeitos desta Lei, consideram-se instrumentos de menor


potencial ofensivo aqueles projetados especificamente para, com baixa
probabilidade de causar mortes ou lesões permanentes, conter, debilitar ou
incapacitar temporariamente pessoas.

Os instrumentos de menor potencial ofensivo são armas não letais, a exemplo do gás
lacrimogêneo, arma de dar choque.

Atentar para o art. 2º da referida lei.

CS – JECRIM 2018.1 16
Art. 2o Os órgãos de segurança pública deverão priorizar a utilização dos
instrumentos de menor potencial ofensivo, desde que o seu uso não coloque
em risco a integridade física ou psíquica dos policiais, e deverão obedecer
aos seguintes princípios:
I - legalidade;
II - necessidade;
III - razoabilidade e proporcionalidade.
Parágrafo único. Não é legítimo o uso de arma de fogo:
I - contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou que não represente risco
imediato de morte ou de lesão aos agentes de segurança pública ou a
terceiros; e
II - contra veículo que desrespeite bloqueio policial em via pública, exceto
quando o ato represente risco de morte ou lesão aos agentes de segurança
pública ou a terceiros.

Ademais, não se confunde com os institutos despenalizadores.

8.7. LEI 11.340/06 (LEI MARIA DA PENHA)

Lei 11.340/06 Art. 41. Aos crimes (inclui contravenção penal, por ex. vias de
fato) praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher (art. 5º e
art. 7º), independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099,
de 26 de setembro de 1995.

Art. 41 da Lei 11.340/06 - Violência doméstica e familiar contra a mulher. Em CRIMES dessa
lei, qualquer que seja a pena, é vedada a incidência da Lei 9.099/95. Ou seja, não pode ser aplicado
o procedimento sumaríssimo, nem a competência do JEC, tampouco os institutos
despenalizadores.

Analisando o disposto no art. 41 da Lei Maria da Penha, o Supremo entendeu que o preceito
alcança toda e qualquer prática delituosa contra a mulher, até mesmo quando consubstancia
contravenção penal, como é a relativa a vias de fato.

Quanto à (in) constitucionalidade do referido dispositivo, a Suprema Corte também concluiu


que, ante a opção político-normativa prevista no artigo 98, inciso I, e a proteção versada no artigo
226, § 8°, ambos da Constituição Federal, surge harmônico com esta última o afastamento
peremptório da Lei n° 9.099/95 - mediante o artigo 41 da Lei n° 11.340/06- no processo-crime a
revelar violência contra a mulher.

A Súmula 536 do STJ corrobora o entendimento do STF, vejamos:

Súmula 536 STJ – A suspensão condicional do processo e a transação penal


não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.

Na mesma linha, no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 19/DF, o


Supremo julgou procedente o pedido para assentar a constitucionalidade dos artigos 1°, 33 e 41 da
Lei 11.340/2006. Considerou-se que, ao criar mecanismos específicos para coibir e prevenir a
violência doméstica contra a mulher e estabelecer medidas especiais de proteção, assistência e
punição, tomando como base o gênero da vítima, o legislador teria utilizado meio adequado e
necessário para fomentar o fim traçado pelo art. 226, § 8°, da Constituição Federal, não sendo

CS – JECRIM 2018.1 17
possível considerar-se ilegítimo o uso do sexo como critério de diferenciação, visto que a mulher
seria eminentemente vulnerável no tocante a constrangimentos físicos, morais e psicológicos
sofridos em âmbito privado. Sob o enfoque constitucional, consignou-se que a norma seria corolário
da incidência do princípio da proibição de proteção insuficiente dos direitos fundamentais.
Sublinhou-se que a lei em comento representaria movimento legislativo claro no sentido de
assegurar às mulheres agredidas o acesso efetivo à reparação, à proteção e à justiça. Discorreu-
se que, com o objetivo de proteger direitos fundamentais, à luz do princípio da igualdade, o
legislador editara microssistemas próprios, a fim de conferir tratamento distinto e proteção especial
a outros sujeitos de direito em situação de hipossuficiência, como o Estatuto do Idoso e o da Criança
e do Adolescente.

LMP Art. 33. Enquanto não estruturados os Juizados de Violência Doméstica


e Familiar contra a Mulher, as varas criminais acumularão as competências
cível e criminal para conhecer e julgar as causas decorrentes da prática de
violência doméstica e familiar contra a mulher, observadas as previsões do
Título IV desta Lei, subsidiada pela legislação processual pertinente.
Parágrafo único. Será garantido o direito de preferência, nas varas criminais,
para o processo e o julgamento das causas referidas no caput.

O art. 33 reconhece que há uma carência de juiz no Brasil, assim, não sendo possível a
criação das varas especializadas, a competência poderá ser declinada para uma vara criminal, o
juiz criminal irá acumular.

O problema é que o TJDF, valendo-se do art. 33 da LMA, outorgou a competência para uma
vara de juizado especial criminal. Vejamos a tabela:

INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA


MULHER

Aplica os institutos despenalizados Não poderá aplicar os institutos despenalizadores,


a LMP veda.

Juízo ad quem: turma recursal Juízo ad quem: TJDFT

Por fim, ressalta-se a Súmula 542 do STJ, a qual está em consonância com o que foi
decidido pelo STF:

Súmula 542 STJ – A ação penal relativa ao crime de lesão corporal


LEVE/GRAVE/GRAVÍSSIMA resultante de violência doméstica e familiar
contra a mulher é pública incondicionada.

Tratando-se de lesão corporal culposa, a ação será pública condicionada à representação.

8.7.1. Varas especializadas

Lei 11.340/06 Maria da Penha Art. 14. Os Juizados (varas especializadas)


de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, órgãos da Justiça
Ordinária com competência cível e criminal, poderão ser criados pela União,

CS – JECRIM 2018.1 18
no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para o processo, o
julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência
doméstica e familiar contra a mulher.

Art. 14 da 11.340/06. Ele se refere aos juizados de violência doméstica e familiar contra a
mulher, porém, devemos compreender que se refere não aos juizados especiais criminais, mas sim
à criação de varas especializadas.

Para o STF, o art. 14 recomenda a criação das varas especializadas, não impõe. Por isso,
não há falar em inconstitucionalidade.

9. APLICAÇÃO DA LEI 9.099/95 NA JUSTIÇA MILITAR

No início da vigência da Lei, como não havia qualquer vedação, tanto o STJ quanto o STF
admitiam sua aplicação ao âmbito militar.

No entanto, em 1999 surge a Lei 9.839/99, que acrescenta o art. 90-A à Lei dos juizados,
proibindo a aplicação da Lei dos Juizados no âmbito da Justiça Militar.

Art. 90-A. As disposições desta Lei não se aplicam no âmbito da Justiça


Militar.

A Lei 9.839/99 tem natureza gravosa (‘Lex gravior’), pois priva o acusado do gozo dos
institutos despenalizadores da Lei 9.099/95, logo o art. 90-A só se aplica aos crimes militares
praticados após a sua vigência, tendo em vista se tratar de uma novatio legis in pejus.

Questionou-se a constitucionalidade do art. 90-A. De acordo com alguns Ministros do STF,


tal artigo seria inconstitucional quanto aos crimes militares cometidos por civis, aplicando a vedação
aos casos em que o autor é militar.

10. COMPETÊNCIA TERRITORIAL NO ÂMBITO DOS JUIZADOS (ART. 63)

Inicialmente, destaca-se que o CPP determina que a competência será fixada pelo local em
que for consumado o delito, nos termos do art. 70.

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se


consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado
o último ato de execução.

Diferentemente, a Lei dos Juizado determina que a competência será fixada pelo local em
que a infração foi praticada, conforme disposto no art. 63.

Art. 63. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi
praticada a infração penal.

A Lei dos Juizados é uma das exceções ao CPP, pois usa a expressão “lugar em que foi
praticada a infração penal”. Qual teoria teria sido adotada? Três correntes:

1ª C: Por ‘praticada’ entende-se o local da conduta (teoria da atividade). PREVALECE.

CS – JECRIM 2018.1 19
2ª C: É sinônimo de consumada (teoria do resultado).

3ª C: A lei do JEC adota a teoria mista. Seria competente tanto o local da ação quanto o
local da consumação (teoria da ubiquidade).

11. TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (art. 69)

11.1. PREVISÃO LEGAL

Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará


termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o
autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames
periciais necessários.

É uma das primeiras novidades da Lei do JEC. No âmbito dos Juizados, é desnecessária a
instauração de inquérito policial (em homenagem à celeridade e informalidade).

O TC funciona basicamente como um relatório sumário do fato (da IMPO), contendo a


identificação das partes envolvidas, a menção à infração praticada e demais elementos de
informação que tenham sido apurados, com indicação das provas, visando a formação opinio delicti
pelo titular da ação penal.

É possível haver inquérito em IMPO? SIM, nos casos de maior complexidade.

11.2. ATRIBUIÇÃO PARA LAVRATURA DO TC

De acordo com o art. 69, quem lavra o TC é a autoridade policial. Quem é autoridade policial?

1ªC (MINORITÁRIA): o TC pode ser lavrado pela polícia judiciária (civil e federal), bem como
pela polícia militar.

2ªC (MAJORITÁRIA): o TC é um procedimento investigatório e, como tal, assemelha-se ao


IP, por isso só poderá ser lavrado pela polícia judiciária. Não admitem a lavratura de TC por policial
militar.

STF – segue a segunda corrente, afirmando que a lavratura pela polícia militar consiste em
usurpação de competência.

11.3. PRISÃO EM FLAGRANTE (ART. 69, PARÁGRAFO ÚNICO)

Art. 69 -Parágrafo único - Ao autor do fato que, após a lavratura do


termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o
compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante,
nem se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá
determinar, como medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou
local de convivência com a vítima.

CS – JECRIM 2018.1 20
A pessoa em situação de flagrante será captura e conduzida de forma coercitiva à delegacia
de polícia. Contudo, ao invés da lavratura de APF, será lavrado o TC.

Entretanto, a lavratura do TC está submetida a duas condições alternativas: Comparecimento


imediato ao JEC ou compromisso de a ele comparecer posteriormente. Se o agente não vai para o
JEC e não presta o compromisso, não resta outra alternativa: Será lavrado o APF.

12. FASE PRELIMINAR

Ocorre antes do processo judicial (segunda fase), busca-se:

a) A composição civil dos danos

b) A transação penal.

Art. 72 - Na audiência preliminar, presente o representante do Ministério


Público, o autor do fato e a vítima e, se possível o responsável civil,
acompanhados por seus advogados, o Juiz esclarecerá sobre a possibilidade
da composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata
de pena não privativa de liberdade.

Ou seja, é uma audiência eminentemente conciliatória, motivo pelo qual a presença das partes
é facultativa. Não há condução coercitiva.

13. COMPOSIÇÃO DOS DANOS CIVIS (art. 74)

Art. 74 - A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada


pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser
executado no juízo civil competente.
Parágrafo único - Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação
penal pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta
a renúncia ao direito de queixa ou representação.

É uma medida despenalizadora.

Visa valorizar a vítima, nada mais é do que um acordo.

Se a infração for de ação penal privada ou pública condicionada à representação, uma vez
feita a composição dos danos, a consequência será a renúncia ao direito de queixa e de
representação, acarretando na extinção da punibilidade do autor do fato.

# É possível a composição dos danos civis em crime de ação penal pública incondicionada?
R: Em tese, a Lei dos Juizados afirma que a composição é cabível em crimes de ação penal privada,
havendo renúncia ao direito de queixa. Prevê, ainda, a composição para os crimes de ação penal
pública condicionada à representação, acarretando, igualmente, em renúncia ao direito de
representação. Contudo, apesar do silêncio da lei, é possível a composição civil de danos nos
crimes de ação penal pública incondicionada, mas não traz benefícios.

CS – JECRIM 2018.1 21
De acordo com Renato Brasileiro, a composição civil de danos no caso de ação penal
incondicionada poderia ser feita utilizando o arrependimento posterior (ponte de prata), previsto no
art. 16 do CP, ensejando uma redução da pena, desde que houve a efetiva reparação do dano.

CP, Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois
terços.

Essa medida foi pensada para as infrações que produzem danos materiais ou morais a uma
vítima determinada. Em regra, o MP não intervém nessa fase, salvo se o ofendido for incapaz.

Reduzida a termo e homologada, a composição vale como título executivo judicial a ser
executado na Vara Cível. Se o valor não ultrapassar 40 salários mínimos, a execução se dará no
Juizado Especial Cível (JEC).

14. REPRESENTAÇÃO NOS JUIZADOS (art. 75)

Art. 75 - Não obtida a composição dos danos civis, será dada imediatamente
ao ofendido a oportunidade de exercer o direito de representação verbal, que
será reduzida a termo.
Parágrafo único - O não oferecimento da representação na audiência
preliminar não implica decadência do direito, que poderá ser exercido no
prazo previsto em lei.

Não ocorrendo ou não sendo possível a composição dos danos civis, o processo segue
normalmente. Momento no qual deverá ser dada, imediatamente, ao ofendido a oportunidade de
exercer o direito de representação verbal, que será reduzida a termo (art. 75). Diz, ainda, o parágrafo
único do art. 75 que o não oferecimento da representação na audiência preliminar não implica
decadência do direito, que poderá ser exercido no prazo previsto em lei (art. 75).

Percebe-se que para o art. 75, a representação deve ser feita em juízo. No entanto, a
jurisprudência tem considerado válida a representação feita perante a autoridade policial, quando
da lavratura do TC, isso se justifica principalmente porque o prazo decadencial é de 6 meses a partir
do conhecimento da autoria (veja que devido a morosidade do andamento dos processos e data
para a audiência, poderia dar-se a decadência do direito de representação/queixa).

A representação deve ser encarada como qualquer ato que demonstre a intenção do ofendido
de ver o agente ser processado, prescindindo-se de formalidades desnecessárias. Não sendo feita
a representação (em juízo ou na delegacia), deve-se aguardar o decurso do prazo de 06 meses
para que se possa falar em decadência.

15. TRANSAÇÃO PENAL (art. 76)

Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal


pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério
Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou
multas, a ser especificada na proposta.

CS – JECRIM 2018.1 22
§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá
reduzi-la até a metade.
§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:
I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena
privativa de liberdade, por sentença definitiva;
II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela
aplicação de pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo;
III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do
agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente
a adoção da medida.
§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida
à apreciação do Juiz.
§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração,
o Juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em
reincidência, sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo
benefício no prazo de cinco anos.
§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida
no art. 82 desta Lei.
§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de
certidão de antecedentes criminais, salvo para os fins previstos no mesmo
dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos interessados propor ação
cabível no juízo cível.

15.1. CONCEITO

É um instituto despenalizador.

Trata-se de acordo celebrado entre o titular da ação penal e o autor do fato, sempre assistido
por seu defensor, pelo qual se propõe a aplicação imediata de pena restritiva de direito ou multa,
dispensando-se a instauração do processo.

A transação não implica em reconhecimento de culpa ou comprovação de inocência; está


ligada à doutrina italiana do “nolo contendere” (não contestação, não reconhecimento de culpa).
Não configura antecedente criminal, tampouco conduz à reincidência. O único efeito da transação
é a impossibilidade de nova transação no prazo de 05 anos.

15.2. MITIGAÇÃO AO PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA

A transação é o melhor exemplo de mitigação a esse princípio, pois ela permite que o MP
deixe de oferecer a denúncia. Entretanto, não há ampla discricionariedade do MP, haja vista a lei já
prever requisitos para a transação. Por conta disso, a doutrina diz que na transação penal vige o
princípio da discricionariedade regrada ou mitigada.

15.3. REQUISITOS

Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal


pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério
Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou
multas, a ser especificada na proposta.

CS – JECRIM 2018.1 23
§ 1º - Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá
reduzi-la até a metade.
§ 2º - Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:
I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena
privativa de liberdade, por sentença definitiva;
II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela
aplicação de pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo;
III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do
agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente
a adoção da medida.

15.3.1. Infração de menor potencial ofensivo

Apenas contravenções ou crimes, com pena máxima não superior a dois anos, estão sujeitos
a transação penal, ressalvado os crimes da Lei Maria da Penha (Súmula 536 do STJ)

Súmula 536 STJ – A suspensão condicional do processo e a transação penal


não se aplicam nas hipóteses de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da
Penha.

15.3.2. Não ser caso de arquivamento do termo circunstanciado

Ressalta-se que qualquer procedimento investigatório pode ser arquivado, não apenas o
inquérito policial, nos termos do art. 28 do CPP.

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia,


requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de
informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões
invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-
geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério
Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só
então estará o juiz obrigado a atender.

Os fundamentos para o arquivamento (de qualquer procedimento investigatório) podem ser


extraídos dos arts. 395 e 397 do CPP, vejamos:

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:


I - for manifestamente inepta;
II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal;
ou
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste


Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente,
salvo inimputabilidade;
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou
IV - extinta a punibilidade do agente.

CS – JECRIM 2018.1 24
15.3.3. Não ter sido o autor da infração condenado

Para ter direito à transação penal o autor da infração não pode ter sido condenado por
SENTENÇA DEFINITIVA1 pela prática de CRIME2 a pena PRIVATIVA DE LIBERDADE3.

1. Sentença definitiva = é aquela que já transitou em julgado. Ou seja, não basta acordão
condenatório, deve ter transitado em julgado.

2. Crime = condenação por contravenção penal não impede a transação penal.

3. Pena privativa de liberdade = condenação à pena de multa ou restritiva de direitos não é


óbice à transação penal.

15.3.4. Não ter sido o agente beneficiado por transação penal pelo prazo de cinco anos
anteriores

O único efeito concreto que deriva de uma transação penal é o impedimento de nova
transação pelo lapso de cinco anos.

15.3.5. Circunstâncias favoráveis

Antecedentes, conduta social, personalidade do agente, bem como os motivos e as


circunstâncias do fato.

15.3.6. Reparação do dano ambiental nos crimes ambientais

Tratando-se de crime ambiental, para que seja possível a transação penal, o dano deverá
ser reparado.

LA Art. 27. Nos crimes AMBIENTAIS de menor potencial ofensivo, a proposta


de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art.
76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser
formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano
ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada
impossibilidade.

15.4. LEGITIMIDADE PARA OFERECIMENTO DA TRANSAÇÃO PENAL

15.4.1. Juiz

A proposta de transação penal não pode ser concedida ex officio pelo juiz.

Durante muito tempo houve essa discussão. Uma primeira corrente dizia que a transação
penal seria um direito subjetivo do acusado. Por conta disso, ela poderia ser concedida de ofício
pelo juiz. Essa corrente não ganhou corpo na jurisprudência. Por quê?

CS – JECRIM 2018.1 25
Simples. Se for transação, ela pressupõe a aceitação de ambas as partes. Além disso,
pudesse o juiz conceder a transação de ofício, ele estaria usurpando um poder que não é seu:
poder de promover a ação penal pública.

Assim, prevalece atualmente que, caso o juiz não concorde com a recusa injustificada da
proposta de transação penal por parte do MP, deve remeter a questão ao procurador-geral (ou
Câmara Criminal do MPF), nos termos do art. 28 do CPP.

Nesse sentido é a Súmula 696 do STF, que apesar de dispor sobre a suspensão condicional
do processo, aplica-se perfeitamente à transação, uma vez que ambos os institutos refletem o
exercício do direito de ação.

STF Súmula 696 reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão


condicional do processo, mas se recusando o promotor de justiça a propô-la,
o juiz, dissentindo, remeterá a questão ao procurador-geral, aplicando-se por
analogia o art. 28 do Código de Processo Penal.

15.4.2. MP

Pela leitura do caput do art. 76 da Lei 9.099/95, observa-se que há referência APENAS à
ação penal pública, seja ela condicionada (representação) ou incondicionada, com expressa
legitimação do MP para oferecer a transação penal.

Diante disso, indaga-se: é possível transação penal em crime de ação penal privada? Com
base no princípio da isonomia, a doutrina afirma que não é razoável excluir a possibilidade de
transação penal aos crimes de ação penal privada. Assim, é perfeitamente cabível transação penal
nos casos de crimes de ação penal privada. Há, contudo, divergência sobre a legitimidade para o
oferecimento. Parte da doutrina sustenta que compete ao MP (Enunciado 112 do FONAJE); outros
entendem que compete ao ofendido ou ao seu representante legal (majoritário – STJ);

En. 112 FONAJE – na ação penal de iniciativa privada, cabem transação


penal e a suspensão condicional do processo, mediante proposta do
Ministério Público.

Obs.: Renato Brasileiro entende que é verdadeiro absurdo afirmar que o MP seria competente para
o oferecimento de transação penal, tendo em vista que se trata de um crime de ação penal privada,
em que a titularidade do direito não é sua.

PENAL E PROCESSUAL PENAL. AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA. QUEIXA.


INJÚRIA. TRANSAÇÃO PENAL. AÇÃO PENAL PRIVADA. POSSIBILIDADE.
LEGITIMIDADE DO QUERELANTE. JUSTA CAUSA EVIDENCIADA.
RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA. I - A transação penal, assim como
a suspensão condicional do processo, não se trata de direito público subjetivo
do acusado, mas sim de poder-dever do Ministério Público (Precedentes
desta e. Corte e do c. Supremo Tribunal Federal). II - A jurisprudência dos
Tribunais Superiores admite a aplicação da transação penal às ações penais
privadas. Nesse caso, a legitimidade para formular a proposta é do ofendido,
e o silêncio do querelante não constitui óbice ao prosseguimento da ação
penal. III - Isso porque, a transação penal, quando aplicada nas ações penais
privadas, assenta-se nos princípios da disponibilidade e da oportunidade, o

CS – JECRIM 2018.1 26
que significa que o seu implemento requer o mútuo consentimento das partes.
IV - Na injúria não se imputa fato determinado, mas se formulam juízos de
valor, exteriorizando-se qualidades negativas ou defeitos que importem
menoscabo, ultraje ou vilipêndio de alguém. V - O exame das declarações
proferidas pelo querelado na reunião do Conselho Deliberativo evidenciam,
em juízo de prelibação, que houve, para além do mero animus criticandi,
conduta que, aparentemente, se amolda ao tipo inserto no art. 140 do Código
Penal, o que, por conseguinte, justifica o prosseguimento da ação penal.
Queixa recebida. (APn 634/RJ, Rel. Ministro FELIX FISCHER, CORTE
ESPECIAL, julgado em 21/03/2012, DJe 03/04/2012)

Em suma:

• AÇÃO PENAL PÚBLICA – cabível e oferecida pelo MP;

• AÇÃO PENAL PRIVADA – cabível. Será oferecida: a) pelo MP (minoritária) e b) pelo


ofendido ou seu representante legal.

15.5. RECUSA INJUSTIFICADA POR PARTE DO TITULAR DA AÇÃO PENAL EM OFERECER


A PROPOSTA DE TRANSAÇÃO PENAL

Em caso de recusa injustificada, deve-se analisar separadamente os casos de ação penal


privada e de ação penal pública, vejamos cada um deles:

15.5.1. Por parte do ofendido nos crimes de ação penal privada

Aqui, não há nada a fazer, porque a ação penal privada está sujeita aos princípios da
oportunidade e da disponibilidade. Ou seja, o oferecimento da proposta ocorre pela vontade do
ofendido.

15.5.2. Por parte do MP nos crimes de ação penal pública

Aqui, aplica-se o art. 28 do CPP, o qual consagra o princípio da devolução. Assim, havendo
controvérsia entre o juiz e promotor (não pode ser compelido a oferecer a transação penal, sob
pena de violação de sua independência funcional), o juiz devolve o conhecimento da questão ao
Procurador Geral, a fim de que este ofereça ou não a transação penal.

Neste sentindo, Súmula 696 do STF que deve ser aplicada à transação penal, mesmo que
faça referência à suspensão condicional do processo:

Súmula 696 do STF: Reunidos os pressupostos legais permissivos da


suspensão condicional do processo, mas se recusando o Promotor de Justiça
a propô-la, o Juiz dissentindo, remeterá a questão ao Procurador-Geral,
aplicando-se por analogia o art. 28 do CPP.

15.6. MOMENTO PARA O OFERECIMENTO DA TRANSAÇÃO PENAL

Em regra, a transação penal é apresentada para o autor do delito antes do oferecimento da


peça acusatória.

CS – JECRIM 2018.1 27
Ressalta-se que a transação penal (e a suspensão condicional do processo), em situações
excepcionais, poderá ser concedida durante o processo, a exemplo dos casos desclassificação e
de procedência parcial da pretensão punitiva.

É o caso do agente que é processado pelo crime de furto qualificado, mas durante a
instrução constata-se que é um furto simples, ocasião em que poderá ser ofertada a suspensão
condicional do processo (o mesmo se aplica à transação penal)

Nesse sentido, a Súmula 337 do STJ:

Súmula 337 STJ – É cabível a suspensão condicional (ou transação penal)


do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da
pretensão punitiva.

Há, ainda, previsão no art. 383 do CPP, vejamos:

Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou


queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em
consequência, tenha de aplicar pena mais grave.
§ 1o Se, em consequência de definição jurídica diversa, houver possibilidade
de proposta de suspensão condicional do processo, o juiz procederá de
acordo com o disposto na lei.
§ 2o Tratando-se de infração da competência de outro juízo, a este serão
encaminhados os autos.

15.7. DESCUMPRIMENTO INJUSTIFICADO DA TRANSAÇÃO PENAL HOMOLOGADA

Ao menos três correntes trazem soluções para essa hipótese:

1ª Corrente: Homologada a proposta de transação penal, temos sentença com coisa julgada
formal e material, devendo a pena ser executada, seja ela de multa (dívida ativa), seja restritiva de
direitos (execução de obrigação de fazer, não fazer ou dar). Era adotada pelo STJ.

2ª Corrente PREVALECE: O titular da ação penal pode oferecer a respectiva peça acusatória,
pois a decisão homologatória não faz coisa julgada material, deixando de produzir efeitos quando
descumprida. Nesse sentido, a SV 35.

SV 35 – a homologação de transação penal prevista no art. 76 da Lei


9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas,
retoma-se a situação anterior, possibilitando ao MP a continuidade da
persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de
inquérito policial.

OBS: essa homologação de transação não interrompe nem suspende a prescrição.

15.8. RECURSOS CABÍVEIS EM RELAÇÃO À TRANSAÇÃO PENAL

Da decisão homologatória, caberá apelação no prazo de 10 dias.

Da decisão que não homologa, cabe Correição Parcial, ou ainda HC ou MS (Nucci).

CS – JECRIM 2018.1 28
Frise-se: A decisão homologatória não interrompe o prazo prescricional.

16. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO (art. 77 e seguintes)

16.1. AUDIÊNCIA PRELIMINAR

Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de
pena, pela ausência do autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese
prevista no art. 76 desta Lei (transação penal), o Ministério Público oferecerá
ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de diligências
imprescindíveis.
§ 1º Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo
de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial,
prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a materialidade do crime
estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente.
§ 2º Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a
formulação da denúncia, o Ministério Público poderá requerer ao Juiz o
encaminhamento das peças existentes, na forma do parágrafo único do art.
66 desta Lei.
§ 3º Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral,
cabendo ao Juiz verificar se a complexidade e as circunstâncias do caso
determinam a adoção das providências previstas no parágrafo único do art.
66 desta Lei.

16.1.1. Início da ação penal - Oferecimento oral da denúncia

Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de
pena, pela ausência do autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese
prevista no art. 76 desta Lei (transação penal), o Ministério Público oferecerá
ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de diligências
imprescindíveis.

Não havendo composição dos danos ou transação, cabe ao MP dar início à persecução penal,
ainda na audiência preliminar, por meio do oferecimento oral da peça acusatória (princípio da
oralidade e informalidade).

A denúncia será reduzida a termo e deverá preencher os mesmos requisitos previstos no art.
41 do CPP.

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com


todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos
pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando
necessário, o rol das testemunhas.

Dispensabilidade do exame de corpo de delito

Será dispensável o exame de corpo de delito (art. 77, §1º da Lei).

Art. 77, § 1º Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base
no termo de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do

CS – JECRIM 2018.1 29
inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a
materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova
equivalente.

Sobre o art. 77, §1º há duas interpretações:

1ª C: O corpo de delito é dispensável para o oferecimento da peça acusatória. Interpretação


literal do §1º. Porém, quando da sentença o exame seria imprescindível. Não é a melhor
interpretação, pois essa já é a regra do CPP.

2ª C: O exame é dispensado tanto no oferecimento da peça acusatória como também no


momento da própria sentença condenatória. Sairíamos da rigidez do CPP (que atrela a
materialidade ao exame de corpo de delito) para a informalidade e celeridade do JEC, onde seriam
admitidas outras provas para comprovar a materialidade da infração.

16.1.2. Diligências indispensáveis

Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de
pena, pela ausência do autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese
prevista no art. 76 desta Lei (transação penal), o Ministério Público oferecerá
ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de
diligências imprescindíveis.

Antes de oferecer a denúncia, pode o MP requerer a realização de diligências, para melhor


formar sua ‘opinio delicti’. Essa possibilidade deve ser encarada como exceção.

§ 2º Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a


formulação da denúncia, o Ministério Público poderá requerer ao Juiz o
encaminhamento das peças existentes, na forma do parágrafo único do art.
66 desta Lei.
§ 3º Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral,
cabendo ao Juiz verificar se a complexidade e as circunstâncias do caso
determinam a adoção das providências previstas no parágrafo único do art.
66 desta Lei.

Se perceber que a causa é complexa, é nesse momento que o MP deve requerer a remessa
do feito para o juízo comum.

16.1.3. Citação do acusado em audiência (art. 78)

Art. 78 - Oferecida a denúncia ou queixa, será reduzida a termo, entregando-


se cópia ao acusado, que com ela ficará citado e imediatamente cientificado
da designação de dia e hora para a audiência de instrução e julgamento, da
qual também tomarão ciência o Ministério Público, o ofendido, o responsável
civil e seus advogados.
§ 1º - Se o acusado não estiver presente, será citado na forma dos arts. 66 e
68 desta Lei e cientificado da data de audiência de instrução e julgamento,
devendo a ela trazer suas testemunhas ou apresentar requerimento para
intimação, no mínimo cinco dias antes de sua realização.

CS – JECRIM 2018.1 30
§ 2º - Não estando presentes o ofendido e o responsável civil, serão intimados
nos termos do art. 67 desta Lei para comparecerem à audiência de instrução
e julgamento.
§ 3º - As testemunhas arroladas serão intimadas na forma prevista no art. 67
desta Lei.

O acusado ficará citado e imediatamente cientificado da designação de dia e hora para a


audiência de instrução e julgamento, da qual também tomarão ciência o Ministério Público, o
ofendido, o responsável civil e seus advogados.

Se o acusado não estiver presente, será citado pessoalmente (por mandado) ou por hora
certa (não é unânime). Será cientificado de que deverá trazer à audiência suas testemunhas ou
apresentar requerimento para intimação, no mínimo cinco dias antes de sua realização.

Enunciado 110 FONAJE – No Juizado Especial Criminal é cabível a citação


por hora certa.

Frise-se: Não se admite citação por EDITAL no JEC. Se o acusado estiver em lugar incerto,
os autos serão remetidos ao juízo comum. Lembrando que não há impedimento a priori para citação
por carta precatória/rogatória (há quem diga que dificulta a celeridade dos JECrims não devendo
ser admitido)

Não estando presentes o ofendido e o responsável civil, serão intimados nos termos do art.
67 da Lei (por qualquer meio admitido em direito).

16.2. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

16.2.1. Renovação das soluções consensuais (art. 79)

Art. 79 - No dia e hora designados para a audiência de instrução e


julgamento, se na fase preliminar não tiver havido possibilidade de tentativa
de conciliação e de oferecimento de proposta pelo Ministério Público,
proceder-se-á, nos termos dos arts. 72, 73, 74 e 75 desta Lei.

Conforme o art. 79, antes da abertura da audiência deverão ser renovadas as tentativas de
conciliação e de transação penal.

No caso de êxito na conciliação, teremos um peculiar ato duplo: o ofendido se retrata da


representação já realizada e ao mesmo tempo renuncia ao direito de oferecer nova representação.

No caso da transação, teremos um exemplo de mitigação do princípio da indisponibilidade


(na audiência preliminar a mitigação é à obrigatoriedade) da ação penal pública.

Fracassadas as tentativas de solução consensual, o juiz declara aberta a audiência,


passando a palavra ao defensor para apresentar a defesa preliminar.

16.2.2. Defesa/resposta preliminar (art. 81 da Lei)

Não é todo procedimento que admite defesa preliminar. Atualmente, temos nos seguintes
procedimentos:

CS – JECRIM 2018.1 31
• Juizados especiais criminais;

• Lei de drogas;

• Procedimentos originários dos tribunais

• Crimes funcionais afiançáveis.

Art. 80 - Nenhum ato será adiado, determinando o Juiz quando


imprescindível, a condução coercitiva de quem deva comparecer.

Art. 81 - Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder


à acusação, após o que o Juiz, receberá, ou não, a denúncia ou queixa;
Havendo recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação
e defesa. Interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se
imediatamente aos debates orais e a prolação da sentença.

A defesa preliminar funciona como um contraditório prévio ao juízo de admissibilidade da


peça acusatória, eis que apresentada entre o oferecimento e o seu recebimento.

Pode ser oral (caso em que será reduzido a termo) ou por escrito. Visa impedir a instauração
de uma lide temerária. Objetiva a rejeição da peça acusatória (e para alguns também a absolvição
sumária).

Feita a defesa, o juiz decide se rejeita (ou se absolve sumariamente) ou recebe a peça
acusatória.

§ 1º - Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e


julgamento, podendo o Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas,
impertinentes, ou protelatórias.
§ 2º - De todo o ocorrido na audiência será lavrado termo, assinado pelo Juiz
e pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes ocorridos em
audiência e a sentença.
§ 3º - A sentença, dispensado o relatório, mencionará os elementos de
convicção do Juiz.

A inobservância da defesa preliminar é causa de nulidade relativa, a qual depende de


comprovação do efetivo prejuízo, bem como deve ser arguida em momento oportuno, sob pena de
preclusão

16.2.3. (Des) necessidade de resposta à acusação

Resposta acusação é o nome que a uma peça apresentada pela defesa, prevista no art.
396-A do CPP.

Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo


o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar
as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo
sua intimação, quando necessário

CS – JECRIM 2018.1 32
Salienta-se que a resposta à acusação não se confunde com a defesa preliminar
(apresentada entre o oferecimento da peça acusatória e o seu recebimento), pois é apresentada
após o recebimento da peça acusatória.

A Lei dos Juizados não prevê resposta à acusação. O art. 394, §4º do CPP é claro ao prever
que as disposições dos arts. 395 a 398 serão aplicadas a TODOS os procedimentos penais de
primeiro grau, ainda que não regulados pelo CPP. Trata-se de verdadeira norma geral, assim, pelo
menos em tese, poderíamos aplicar tais artigos ao JECRIM.

Contudo, no entender da melhor doutrina, não há necessidade de resposta à acusação no


âmbito dos juizados, pois todas as teses defensivas devem ser concentradas na defesa preliminar.

16.2.4. Juízo de admissibilidade da peça acusatória

CPP Art. 394. O procedimento será comum ou especial.


§ 4o As disposições dos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos
os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não regulados neste
Código.

395 – aspectos formais da peça acusatória.

396 – recebimento da acusatória/rejeição da peça acusatória.

Em primeiro lugar, são analisados os aspectos formais (processuais) da denúncia (art. 395
do CPP), a saber: aptidão da peça inicial, condições da ação e pressupostos processuais, justa
causa.

A ausência de qualquer desses elementos conduz à rejeição da denúncia, decisão que


somente faz coisa julgada formal. Essa decisão é impugnável por meio de apelação (e não RESE
como no procedimento comum).

Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença


caberá apelação, que poderá ser julgada por turma composta de três Juízes
em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.

16.2.5. Possibilidade de absolvição sumária

Feito isso, o juiz passa a analisar as causas legais de absolvição sumária (art. 397 do
CPP).

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste


Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente,
salvo inimputabilidade;
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou
IV - extinta a punibilidade do agente.

CS – JECRIM 2018.1 33
Apesar de a Lei dos Juizados não falar nada da absolvição, é óbvio que é cabível, nos termos
do art. 394, § 4º do CPP. Além de ser uma medida mais benéfica ao réu, possibilita o encerramento
do processo de forma mais célere, o que vai ao encontro dos princípios do JEC.

A decisão de absolvição sumária (que reconhece ausência de tipicidade, ilicitude,


culpabilidade ou punibilidade) forma coisa julgada material, exatamente por se tratar de situações
que não envolvem apenas aspectos processuais, mas de mérito.

Não sendo caso de rejeição ou absolvição sumária, tem lugar a decisão de recebimento da
peça acusatória, que dará início à instrução processual.

Nucci diz que esse recebimento deve ser fundamentado, assim como todo procedimento em
que há a defesa preliminar. Isto devido ao art. 93, IX da CF agregado ao fato de que não pode o
juiz simplesmente ignorar os argumentos levantados preliminarmente pelo autor do fato.

CF Art. 93 IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão


públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade,
podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e
a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação
do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse
público à informação;

OBSERVAÇÃO: Há quem entende que não existe absolvição sumária no JEC, exatamente por
existir a análise de recebimento ou rejeição da denúncia num momento imediatamente anterior. Há
também quem diga que a análise da absolvição sumária deva ser feita depois do recebimento da
denúncia, que ocorre depois de verificada a ausência de causas de rejeição.

16.2.6. Ordem dos atos na audiência de instrução e julgamento

1) Instrução

A instrução tem a seguinte ordem de atos:

1.1) Declarações do ofendido;


1.2) Inquirição das testemunhas de acusação;
1.3) Inquirição das testemunhas de defesa;
1.4) Interrogatório do autor do fato.

2) Debates orais

Aplicam-se, por analogia, as disposições do procedimento comum: 20 minutos para cada


parte, prorrogáveis por mais 10. Se houver assistente, terá 10 minutos para falar depois do MP,
acrescendo-se igual tempo à defesa (CPP, art. 534).

CPP Art. 534. As alegações finais serão orais, concedendo-se a palavra,


respectivamente, à acusação e à defesa, pelo prazo de 20 (vinte) minutos,
prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença.
§ 1o Havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a defesa de cada
um será individual.

CS – JECRIM 2018.1 34
§ 2o Ao assistente do Ministério Público, após a manifestação deste, serão
concedidos 10 (dez) minutos, prorrogando-se por igual período o tempo de
manifestação da defesa.

3) Sentença

Encerrados os debates, o juiz profere sentença em audiência, da qual saem pessoalmente


intimadas as partes.

Dispensa-se o relatório na sentença.

17. SISTEMA RECURSAL NA LEI 9.099/95

17.1. ÓRGÃOS DO SISTEMA RECURSAL DO JECRIM

Juízo ad quem: Turma recursal, composta por três juízes de primeira instância.

CUIDADO: O juiz que apreciou a causa em 1º grau, obviamente não poderá integrar a turma
recursal que irá julgá-lo.

A Turma Recursal é funciona como juízo ad quem exclusivo dos juizados especiais criminais,
ou seja, não poderá julgar infrações de menor potencial ofensivo que sai do juizado e vai para a
vara comum.

Órgão ministerial: Promotor de justiça ou procurador da república.

17.2. APELAÇÃO NO JECRIM (art. 82)

Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença


caberá APELAÇÃO, que poderá ser julgada por turma composta de três
Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do
Juizado.
§ 1º A apelação será interposta no prazo de dez dias, contados da ciência
da sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defensor, por petição
escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente.
§ 2º O recorrido será intimado para oferecer resposta escrita no prazo de dez
dias.
§ 3º As partes poderão requerer a transcrição da gravação da fita magnética
a que alude o § 3º do art. 65 desta Lei.
§ 4º As partes serão intimadas da data da sessão de julgamento pela
imprensa.
§ 5º Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do
julgamento servirá de acórdão.

APELAÇÃO NO CPP APELAÇÃO NOS JUIZADOS

1) Hipóteses de cabimento: 1) Hipóteses de cabimento:


- Sentença condenatória ou absolutória; - Sentença condenatória ou absolutória.
- Rejeição da peça acusatória (no CPP é RESE);
- Sentença homologatória da transação;

CS – JECRIM 2018.1 35
2) Prazo: 05 dias para interpor. 2) Prazo de 10 dias para interpor.
3) Depois de interposta, mais 08 dias para arrazoar. 3) A interposição DEVE estar acompanhada das
razões recursais (daí o prazo maior).

O que ocorre no JEC se as razões não forem apresentadas concomitantemente com a


interposição?

1ª C: O recurso sequer deve ser conhecido (STF 2ª T. HC 85.210).

2ª C: Apesar do teor do art. 82, §1º, a não apresentação de razões não impede o
conhecimento do recurso, caso no qual terá efeito devolutivo amplo (STF 1ª T. HC 85.344).

Em qualquer caso, admite-se a apresentação de razões posteriormente à interposição,


desde que no prazo legal de 10 dias.

17.3. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO JECRIM (art. 83)

Art. 83. Caberão embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão,


houver obscuridade, contradição ou omissão.
§ 1º Os embargos de declaração serão opostos por escrito ou oralmente, no
prazo de cinco dias, contados da ciência da decisão.
§ 2º Os embargos de declaração INTERROMPEM o prazo para interposição
de recurso (redação dada peno NCPC)
§ 3º Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO CPP EMBARGOS NO JECRIM

1) Prazo: 02 dias. 1) Prazo: 05 dias.

2) Cabimento 2) Cabimento

- Obscuridade; - Obscuridade

- Contradição; - Contradição

- Omissão. - Omissão

- Ambiguidade;

3) Efeito: Interrompem o prazo recursal 3) Efeito: INTERROPEM o prazo recursal,


(aplicação subsidiária do CPC). antes do NCPC suspendiam o prazo.

17.4. RECURSO EXTRAORDINÁRIO/RECURSO ESPECIAL NO JECRIM

CF Art.102 (STF), III - julgar, mediante RECURSO EXTRAORDINÁRIO, as


causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida

CS – JECRIM 2018.1 36
Contra decisão das turmas recursais, desde que preenchidos todos os requisitos, é cabível
recurso extraordinário.

CF Art. 103 (STJ), III - julgar, em RECURSO ESPECIAL, as causas decididas,


em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos
tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão
recorrida:.

Já o recurso especial, nos termos da CF, só é cabível contra acórdão de TRIBUNAL, e as


turmas recursais não têm essa natureza (Súmula 203 do STJ). Portanto, não caberá recurso
especial contra turmas dos juizados.

STJ Súmula: 203 Não cabe recurso especial contra decisão proferida por
órgão de segundo grau dos Juizados Especiais.

17.5. HABEAS CORPUS NO JECRIM

Caberá HC, mas desde que haja risco à liberdade de locomoção. Por exemplo, o art. 28 da
Lei de Drogas é julgado nos juizados, mas como não há risco à liberdade, não será possível o HC.

STF Súmula: 693 – não cabe “habeas corpus” contra decisão condenatória a
pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a
pena pecuniária seja a única cominada.

Lembrar do art. 51 do CPP, o qual afirma que a pena de multa é dívida de valor.

Prevalece que o HC contra o juiz do Juizado é julgado pela Turma Recursal.

HC contra turma recursal quem julga?

Súmula 690 do STF: Totalmente contrária à celeridade do procedimento do JEC.

SÚMULA Nº 690 - COMPETE ORIGINARIAMENTE AO SUPREMO


TRIBUNAL FEDERAL O JULGAMENTO DE "HABEAS CORPUS" CONTRA
DECISÃO DE TURMA RECURSAL DE JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS
(VIDE OBSERVAÇÃO).

A Súmula foi superada no julgamento do HC 86.834, apesar de ainda não ter sido cancelada.

Atualmente, o HC contra turma recursal vai para o respectivo TJ ou TRF..

17.6. MANDADO DE SEGURANÇA

Caberá MS no JECRIM, será apreciado:

• MS contra o juiz, caberá à Turma Recursal;

STJ Súmula: 376 – compete à Turma Recursal processar e julgar o mandado


de segurança contra ato de juizado especial.

CS – JECRIM 2018.1 37
• MS contra a Turma Recursal, caberá à Turma Recursal também, tendo em vista que se
usa o art. 21, VI da LC 21/79.

17.7. REVISÃO CRIMINAL NO JECRIM

A ação rescisória não á cabível no JEC (cível). Art. 59.

Art. 59 - Não se admitirá ação rescisória nas causas sujeitas ao procedimento


instituído por esta Lei

E a revisão criminal? É admissível. Não há dispositivo semelhante ao da ação rescisória. Essa


admissibilidade decorre do art. 92 da Lei, além, é claro, do princípio da ampla defesa.

Art. 92. Aplicam-se subsidiariamente as disposições dos Códigos Penal e de


Processo Penal, no que não forem incompatíveis com esta Lei.

OBS: Nesse caso, quem julga a revisão criminal é a própria turma recursal. STJ CC 47.718.

17.8. CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE JECRIM E JUÍZO COMUM

Conflito de competência é um procedimento de natureza incidental que visa dirimir a


competência entre dois ou mais juízos.

Por exemplo, imagine o conflito entre um juiz do JECRIM e um juiz de Vara Criminal, como
será resolvido?

1º - O conflito só ocorre quando se não há hierarquia jurisdicional. Portanto, havendo


hierarquia não há conflito;

2º - Para saber quem irá solucionar o conflito basta encontrar o órgão jurisdicional em
comum.

Para o exemplo acima, inicialmente afirmava-se que o conflito deveria ser resolvido pelo
STJ. Havia, inclusive, entendimento sumulado

STJ Súmula: 348 Compete ao Superior Tribunal de Justiça decidir os


conflitos de competência entre juizado especial federal e juízo federal, ainda
que da mesma seção judiciária. CANCELADA

A Súmula 348 foi cancelada, editando-se nova súmula sobre o assunto:

STJ súmula: 428 - Compete ao TRF decidir os conflitos de competência entre


juizado especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária.

**Erro: “seção”? Seção é o Estado, ele quis dizer com “mesma seção judiciária” os que estão
submetidos ao mesmo TRF (região).

18. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO (art. 89)

18.1. CABIMENTO

CS – JECRIM 2018.1 38
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a
um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer
a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos,
desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido
condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que
autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz,
este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o
acusado a período de prova, sob as seguintes condições:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II - proibição de freqüentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do
Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para
informar e justificar suas atividades.
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a
suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.
§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a
ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a
reparação do dano.
§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado,
no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição
imposta.
§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.
§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.
§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo
prosseguirá em seus ulteriores termos.

18.1.1. “Igual ou inferior a um ano”

Pena: Pena mínima igual ou inferior a um ano. Seja ou não infração de menor potencial
ofensivo (não precisa ser no JECRIM, pode ser até em processo originário dos tribunais).

Causa aumento/diminuição

“Teoria da melhor das hipóteses”:

-Causa de aumento: quantum que menos aumente.

-Diminuição: quantum que mais diminua a pena.

Concurso de crimes: se devido ao concurso de crimes, a pena mínima ultrapassar um ano,


não caberá o benefício.

STJ Súmula 243 O benefício da suspensão do processo não é aplicável em


relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal
ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo
somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01)
ano.

CS – JECRIM 2018.1 39
STF Súmula 723 Não se admite a suspensão condicional do processo por
crime continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o
aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.

PROVA: Cabe suspensão condicional do processo no crime do art. 5º da Lei 8.137/90?

A pena prevista é detenção de 02 a 05 anos OU multa. Conforme o STF, quando a pena


de multa estiver cominada de maneira alternativa, será cabível a suspensão condicional do
processo mesmo que a pena mínima seja superior a um ano. Ora, se ao fim do processo, é permitido
a aplicação da multa como pena principal, não há porque não permitir a suspensão (o cara vai ficar
livre mesmo).

18.1.2. “Não esteja sendo processado”

Há doutrina que entende ser incompatível com o princípio da presunção de inocência


(Defensoria, garantismo).

18.1.3. “Condenado por outro crime”

A lei fala em crime.

Assim, contravenção não impede a SCP.

Deve-se levar em conta o lapso temporal da reincidência (05 anos – art. 64). STF HC 85751
e 88157.

18.1.4. “Demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (sursis)” – art.
77 CP

CP (“Sursis” – Suspensão Condicional da Pena)


Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois)
anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso (esse requisito
também é exigido pela PRD);
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do
agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do
benefício; (circunstâncias judiciais)
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste
Código (PRD).

18.1.5. “Prévio recebimento da peça acusatória”

1) Oferecimento da denúncia e da proposta;


2) Rejeição (art. 395);
3) Recebimento;
4) Resposta à acusação;
5) Análise de possível absolvição sumária;
6) Designação de audiência para aceitação da proposta pelo acusado e por seu defensor;

CS – JECRIM 2018.1 40
Lembrando que se o advogado não quiser e o acusado sim, prevalece a vontade do
acusado.

18.2. INICIATIVA PARA A PROPOSTA

Vale tudo que foi dito para transação penal, assim colacionamos o que consta acima.

A proposta de suspensão condicional do processo não pode ser concedida ex officio pelo
juiz. Pudesse o juiz conceder a suspensão de ofício, ele estaria usurpando um poder que não é seu:
poder de promover a ação penal pública.

Assim, prevalece atualmente que, caso o juiz não concorde com a recusa injustificada da
proposta de suspensão condicional do processo por parte do MP, deve remeter a questão ao
procurador-geral (ou Câmara Criminal do MPF), nos termos do art. 28 do CPP.

Nesse sentido é a Súmula 696 do STF:.

STF Súmula 696 reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão


condicional do processo, mas se recusando o promotor de justiça a propô-la,
o juiz, dissentindo, remeterá a questão ao procurador-geral, aplicando-se por
analogia o art. 28 do Código de Processo Penal.

18.3. CABIMENTO EM AÇÃO PENAL PRIVADA

O art. 89 não faz nenhuma menção ao querelante, mas apenas ao MP.

Entretanto, prevalece na doutrina e jurisprudência que é cabível a proposta de suspensão


feita pelo querelante em ação penal privada (STF HC 81.720).

18.4. CONDIÇÕES DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO

Estão previstas nos incisos do §1º do art. 89. O §2º permite ainda que outras condições
“inominadas” sejam previstas pelo juiz. Entretanto, as condições devem ser razoáveis, não
importando em situações vexatórias, sob pena de violação do princípio da dignidade da pessoa
humana.

Frise-se: são condições, não penas restritivas de direitos.

Art. 89
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz,
este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o
acusado a período de prova, sob as seguintes condições:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II - proibição de frequentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do
Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para
informar e justificar suas atividades.
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a
suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.

CS – JECRIM 2018.1 41
A jurisprudência entende que é possível a imposição de pena restritiva de direitos como
condição, vejamos:

STJ – (...) Não há óbice a que se estabeleçam, no prudente uso da faculdade


disposta no art. 89, §2º, da Lei 9.099/95, obrigações equivalentes, do ponto
de vista prático, a sanções penais (tais como a prestação de serviços
comunitários ou a prestação pecuniária), mas que, para fins do sursis
processual, se apresentam tão somente como condições para sua incidência.

18.5. REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO

O §3º do art. 89 traz duas causas OBRIGATÓRIAS de revogação da suspensão:

1) Ser o beneficiário processado por outro crime;

2) Não efetuar, sem motivo, a reparação do dano.

Art. 89, § 3º A suspensão SERÁ revogada se, no curso do prazo, o


beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo
justificado, a reparação do dano.

O §4º traz duas hipóteses de revogação FACULTATIVA:

1) Ser o beneficiário processado por contravenção;

2) Não cumprir qualquer das outras condições (que não a reparação do dano).

Art.89, § 4º A suspensão PODERÁ ser revogada se o acusado vier a ser


processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer
outra condição imposta.

A revogação do benefício é obrigatória quando o acusado, no curso do prazo da suspensão,


vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano.
Por outro lado, a revogação é facultativa quando, no curso do prazo, o acusado o vier a ser
processado por contravenção ou descumprir qualquer outra condição imposta.

18.6. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

Art. 89, § 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a


punibilidade.

Conforme o §5º, expirado o período de prova sem a revogação do benefício, o juiz julgará
extinta a punibilidade.

IMPORTANTE: Para a jurisprudência a suspensão condicional do processo pode ser


revogada mesmo após o termo final do seu prazo (mesmo tendo expirado o período de prova), se
constatado o não cumprimento de condição durante o curso do benefício, desde que não
tenha sido proferida sentença extintiva da punibilidade (STF).

CS – JECRIM 2018.1 42
Há quem entenda que a revogação só pode ser realizada durante o tempo de prova.
Expirado o período, mesmo que o juiz verifica que o beneficiário cometeu algum deslize que autorize
a revogação, nada poderá fazer senão declarar extinta a punibilidade.

18.7. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO (§6º)

Art. 89, §6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do


processo.

Não confundir com a interrupção da prescrição.

PROVA: Quais são as hipóteses de suspensão da prescrição?

São previstas em três dispositivos: Art. 116 do CP (questões prejudiciais, cumprimento


de pena no estrangeiro, cumprimento de pena no Brasil); art. 366 do CPP (citação por edital -
“crise de instância”); e art. 89, §6º da Lei 9.099/95 (suspensão condicional do processo).

18.8. RECURSO CABÍVEL CONTRA A DECISÃO QUE SUSPENDE O PROCESSO

Há divergência.

Doutrina: Apelação.

Jurisprudência: RESE, com fundamento no art. 581, XVI ou XI do CPP (interpretação


ampliativa). Nunca esquecer que o rol de hipóteses de cabimento do RESE é de 1940.

Nesse sentido: STJ REsp. 601.924; RMS 23.516.

Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou


sentença:
...
XVI - que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão
prejudicial;
...
XI - que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena;

18.9. CABIMENTO DE ‘HABEAS CORPUS’

Como o processo fica suspenso, surge a dúvida: Cabe HC?

O STJ em alguns julgados entendeu que, como o processo está suspenso, não há risco à
liberdade de locomoção, logo não é cabível o HC. Não é a melhor posição.

PREVALECE que o HC é cabível, até porque se descumpridas as condições, o processo


retoma seu curso, podendo resultar em pena privativa de liberdade.

Esse HC ocorre bastante quando o advogado e o acusado, sob pressão, aceitam a proposta,
mas depois verificam que seria caso de princípio da insignificância, e acabam buscando o
trancamento da ação penal por meio do HC.

CS – JECRIM 2018.1 43
18.10. DESCLASSIFICAÇÃO DO DELITO

Os tribunais entendem que a suspensão pode ser concedida diante da desclassificação do


delito.

STJ Súmula 337 É cabível a suspensão condicional do processo na


desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva.

CPP Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia
ou queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em
consequência, tenha de aplicar pena mais grave. (emendatio)
§ 1o Se, em consequência de definição jurídica diversa, houver possibilidade
de proposta de suspensão condicional do processo, o juiz procederá de
acordo com o disposto na lei.

18.11. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO NOS CRIMES AMBIENTAIS

Art. 89 da L. 9.099/95 prevê a suspensão condicional do processo (“sursis processual”),


sendo esta cabível para todos os crimes com pena mínima não superior a um ano (não importa a
pena máxima), não importa se é de menor potencial ofensivo. Exemplo: furto simples de 1 a 4
cabe, estelionato: pena de 1 a 5, cabe.

9.099/95:

Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior
a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer
a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos,
desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido
condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam
a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).

Atenção ao 28 dos crimes ambientais:

LCA Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099 (suspensão condicional


do processo – crimes pena mínima não superior a 1 ano), de 26 de setembro
de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo (crimes pena
máxima não superior a 2 anos, cumulada ou não com multa) definidos nesta
Lei, com as seguintes modificações:...

Confusão: aqui o legislador restringe a aplicação da suspensão aos crimes de potencial


ofensivo, onde se sabe que cabe a todos crimes com a pena mínima não superior a um ano. A
doutrina diz que houve erro material na elaboração da lei, onde ele disse aos “crimes de menor
potencial ofensivo”, ele quis dizer “aos crimes definidos nessa lei”.

Cabendo a todos crimes definidos na lei, com a pena mínima cominada em não mais de um
ano, sendo assim a lei dos crimes ambientais segue a regra geral. Edis Milaré, Antonio Fernandes,
Cezar Roberto Bitencourt, Vladimir e Gilberdo Passos de Freitas.

LCA Art. 28 , I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5°


do artigo referido no caput, dependerá de laudo de constatação de reparação

CS – JECRIM 2018.1 44
do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista no inciso I
do § 1° do mesmo artigo;

LJEC Art. 89
§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.

§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz,


este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o
acusado a período de prova, sob as seguintes condições:

I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;

89, L. 9099/95 28 , L9605/98


Pena mínima não superior a 1 ano. Pena mínima não superior a 1 ano (deve ser de
menor potencial ofensivo  erro material)
2 a 4 anos. 2 a 4 anos + 5 + 5 (ver abaixo)

*Réu sujeito a condições previstas no art. 89§1º, I a *Além das condições da lei 9099 art. 89, para ter a
IV e §2º (não necessariamente durante TODO extinção da punibilidade, o réu deve promover a
tempo) reparação do dano ambiental (ficando provada por
laudo de reparação do dano ambiental). Art. 28, I,
*Cumprindo todas as condições durante o período, 9605/98
o juiz decreta a extinção da punibilidade.
*Salvo se houver a impossibilidade da reparação do
dano.

II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a


reparação, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o
período máximo previsto no artigo referido no caput, acrescido de
mais um ano (5), com suspensão do prazo da prescrição;
III - no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II
(proibição de frequentar certos lugares), III (proibição de ausentar-se
da comarca) e IV (comparecimento a juízo) do § 1° do artigo mencionado
no caput;

CS – JECRIM 2018.1 45